Se existe um diretor que entrega sempre tramas polêmicas e complexas é Darren Aronofsky, de modo que muitos críticos amam ele, outros odeiam com fervor, mas que cada obra sua leva o público a experimentar muitas facetas, algumas mais fáceis, e outras tão complexas que se duvidar nem o diretor saberia explicar o que queria passar na tela, de modo que ao ver seu nome no longa dessa semana promocional dos cinemas acabei ficando com muito medo do que o "grande" público iria experimentar, afinal o trailer já não mostrava muita coisa, porém parecia ser bem mais "fácil" do que o normal. E com medo e um pouco de febre (já que uma gripe resolveu me atacar hoje) cá fui conferir o que "Ladrões" tinha para entregar além de um grandioso elenco com nomes da nova leva de ouro hollywoodiana, e meus amigos, o filme não é apenas fácil, como também é sua obra para o grande público em nível máximo, daqueles longas que você se diverte com os personagens, fica tenso com a história, se apega ao bichinho de estimação que tem muita participação na tela, cria algumas teorias (tenho certeza que a minha era a melhor de aonde estaria a chave, mas a mostrada também foi boa!), e ao final ainda temos toda uma conexão bem fechada, que ainda dá boas nuances, cenas no meio dos créditos, e os créditos mais malucos que você já viu na vida, numa bagunça bem maluca!
O longa nos conta que Hank Thompson era um fenômeno do beisebol no colégio, mas agora não pode mais jogar. Mesmo assim, o resto da sua vida vai bem. Ele tem uma namorada incrível (Zoë Kravitz), trabalha como barman em um bar em Nova York e seu time favorito está fazendo uma improvável corrida rumo ao título. Quando seu vizinho, Russ (Matt Smith), pede que ele cuide de seu gato por alguns dias, Hank de repente se vê no meio de uma turma nada convencional de gângsteres ameaçadores. Todos querem algo dele — o problema é que ele não faz ideia do quê. Enquanto tenta escapar do cerco que se fecha cada vez mais, Hank vai precisar usar toda a sua esperteza para sobreviver tempo suficiente e descobrir o motivo...
Como falei no começo me dá muito medo ir conferir os longas de Darren Aronofsky, pois ele tem alguns fãs de filmes para pseudo-intelectuais que amam suas obras, mas também tem alguns vértices complexos que brincam na tela e acabam ficando interessantes, como é o caso de "Mãe" e "Cisne Negro", entre muitos outros, e aqui ele não quis de forma alguma agradar esses fãs, pois como um amigo disse, os boletos sempre chegam, e o cinema comercial precisa lotar salas, e esse longa é o exemplo clássico disso, aonde o diretor pegou uma história original do roteirista e escritor Charlie Huston, e brincou com tudo o que o longa poderia entregar, numa confusão tamanha entre máfias e chefões do crime, usando a base para uma caçada atrás de um elemento. E isso é o mais básico em uma produção bem feita: o entreter do público, de modo que os 107 minutos passam voando e até ver as letrinhas dos créditos virou algo propício de entretenimento, ou seja, o diretor se jogou no básico, e não errou.
Quanto das atuações, antes de falar de qualquer ator humano, tenho de parabenizar o gatinho Tonic pela atuação digna de premiação, sendo daqueles que bateria fácil até alguns atores humanos de outros filmes. Uma coisa que precisam entender é que Austin Butler é um ator limitado, que nas mãos de bons diretores até entrega um pouco a mais como foi o caso aqui com seu Hank em algumas cenas, mas se deixam ele solto, sua expressividade é seca demais para criar dinâmicas, e aqui ele poderia ter ido muito mais além na tela, porém em atos que precisavam de traquejo e imponência, o diretor deixou ele a vontade, e com isso não foi tão além quanto poderia, não sendo ruim, mas dava para melhorar muito. Já Regina King fez exatamente o inverso com sua Detetive Roman, se jogando completamente em cena, fazendo traquejos duplos com o protagonista, e sabendo exatamente aonde deveria explodir na tela, agradando do começo ao fim, e mostrando ser a atriz que tantos amam. Ainda tivemos uma atuação incrível de Vincent D'Onofrio e Liev Schreiber como os irmãos judeus assassinos imponentes e impiedosos, Zoë Kravitz tentando ser uma namorada mais descolada, porém bem fechada como paramédica, também chamaram atenção os mafiosos vividos por Bad Bunny, Nikita Kukushkin e Yuri Kolokolnikov que foram bem surtados nas suas cenas, entre muitos outros bons atores que se jogaram na tela.
Visualmente a trama foi bem chamativa, com muitos tiros, sangue e violência bem casada, bares de Nova York, mercados e tudo do mais fechado do lado periférico, aonde o glamour não atinge, tendo alguns carros mais antigos pelo longa não se passar nos anos atuais, telefones mais antigos também, tivemos um jantar tradicional judeu, entre muitas outras locações abertas, afinal o longa foi quase um road-movie pela cidade em busca de uma chave, e claro o local que ela abria, mostrando que a equipe de arte precisou trabalhar bastante para "enfeiar" alguns ambientes.
Enfim, quem for esperando ver uma trama diferenciada é capaz de não curtir o que o diretor entregou na tela, porém quem estiver disposto a curtir e se entreter com um cinema policial bem trabalhado e cheio de impacto, sairá da sessão bem feliz, e assim sendo recomendo ele com certeza para todos aproveitarem os cinemas à R$10,00 na promoção da Semana do Cinema em todas as redes. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, se claro melhorar dessa gripe chata, então abraços e até logo mais.
PS: Cogitei diminuir a nota enquanto escrevia o texto, mas gostei demais do que vi na tela, então vou manter a nota original que tinha pensado.