A sinopse é bem simples e nos mostra que cinco jovens mães vivendo em um abrigo lutam por um futuro melhor para si mesmas e para seus filhos, enfrentando as dificuldades criadas pelas realidades de onde vieram.
O mais bacana do roteiro dos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne é que ele cumpre o que promete, e por isso ganhou Cannes, principalmente por eles saberem como fazer com que seu filme fosse um retrato gigantesco da França e do mundo atual, aonde muitas garotas acabam engravidando, resolvem ter a criança (alguns países é proibido, enquanto outros tem meios mais "fáceis" de interromper a gravidez no começo), mas depois se veem sozinhas da família, do companheiro, ou até por vezes tem algum apoio, mas não sabem o que fazer com sua vida e com a vida que está vindo, e trabalhando bem esse tema, eles acabaram dando muita fluidez para a trama, tendo boas dinâmicas e até saindo "felizmente" do estilo seriado, pois o longa facilmente viraria uma série incrível, mas que souberam editar bem e fazer um longa com classe, dinâmica, e principalmente, como já disse, com uma história funcional. Ou seja, é um filme que pode ser visto de diversas maneiras, e os diretores souberam usar isso ao seu favor, só pesando, numa opinião bem particular, a falta de um cerne mais amplo para que a trama se fechasse, mas isso é algo meu, e certamente muitos nem irão ligar.
Ao mesmo tempo que foi positivo para não ficarmos ligando ninguém, no quesito da atuação, ao escolher apenas atrizes estreantes, acabou faltando um pouco mais de sensibilidade para que o tema explodisse realmente na tela, mas quem conhece o estilo dos Dardenne, eles souberam com sua calma e jeitinho ir trabalhando a essência de cada jovem para os devidos momentos, tendo Babette Verbeck a dinâmica mais fechada com sua Jessica sendo a garota que nunca conheceu sua mãe vivida por India Hair, tentando entender se era o mesmo sentimento que estava tendo com sua filha. Elsa Houben trabalhando sua Julie, uma ex-viciada das ruas querendo casar e tentando se manter sóbria junto do futuro marido também ex-viciado que Jef Jacobs fez muito bem. Tivemos Janaina Halloy mais tensa com sua Ariane querendo dar sua filha enquanto a mãe dela que Christelle Cornil com muitos problemas não quer deixar de forma alguma. E para finalizar ainda tivemos Lucie Laruelle com sua Perla que tem o namorado saindo da cadeia, ela achando que iria formar uma família que nunca teve, mas sendo deixada de lado. E tudo isso conectado pela assistente social da maternidade que Mathilde Legrand tenta sensibilizar com sua Lucie.
Visualmente o longa passou uma boa parte dentro da maternidade/centro social aonde as garotas vivem juntas e aprendem a cuidar de seus bebês, tivemos várias nuances também nas ruas aonde passeiam com seus carrinhos e fazem algumas dinâmicas com outros personagens, sendo tudo bem amplo e representativo dos diversos momentos que a trama tende a mostrar na tela, não sendo nada muito fixo, mas sim algo com chamarizes próprios bem colocados na tela.
Enfim, é um longa bem interessante que funciona mais para abrir discussões sobre o tema gravidez, que aqui é mostrada sob a ótica de garotas, mas que poderia ser expandido para várias idades, afinal a forma de abandono mostrado pode rolar em diversas épocas, e assim sendo vale a indicação dele para todos pensarem. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, com meu filme de fechamento do ano, sendo o número 365 desse ano complexo, agradecendo claro a parceria dos amigos da Sinny Assessoria pela cabine, e volto mais tarde com minha retrospectiva dos melhores e piores do ano, então abraços e até logo mais.
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