20 Dias em Mariupol (20 днів у Маріуполі) (20 Days in Mariupol)

2/27/2024 10:19:00 PM |

Costumo dizer que falar sobre documentários já é algo muito difícil, afinal é vermos o olhar de um diretor sob algo que está sendo retratado, então não temos como imaginar o quão fictício é cada ato, analisar planos de câmeras escolhidos, atuações e tudo mais que sempre acabo observando, mas o mais engraçado ou triste no caso, é que todo o material que o jornalista Mstylav Chernov junto do cinegrafista Evgeniy Maloletka captaram da guerra foi classificado pelo presidente e ministros russos como uma montagem encenada por atores, ou seja, já vi muitos filmes de guerras, e posso dizer com toda certeza que jamais conseguiriam fazer uma guerra tão bem representada e com uma força tão marcante quanto o que acabou virando o documentário ucraniano "20 Dias em Mariupol", que estreia nos cinemas nacionais à partir do dia 07/03, e provavelmente será o ganhador da estatueta do Oscar no dia 10/03, afinal o longa é intenso, cru, e diria até seco ao ponto de não fazer com que chorássemos com as imagens na tela, mas sim que viesse outros tipos de emoções, como desespero pôr os jornalistas estarem captando tudo, mas conseguindo enviar quase nada para fora da zona de guerra por não ter sinal de internet em quase nenhum lugar, temor pela vida tanto dos jornalistas quanto do povo que estava ajudando eles, e claro raiva por ver ataques cruéis à civis apenas por atirar como acabou acontecendo. Ou seja, é daquelas obras tão precisas que certamente tiveram toneladas de material para entregar na tela, mas que conseguiram colocar as mais marcantes para que tivessem apenas uma excelente duração de 95 minutos, mas que representasse bem todos os 20 dias que os jornalistas demoraram para conseguir sair da cidade, que logo em seguida foi tomada e dominada pelos soldados.

A sinopse é bem simples e direta e nos mostra como uma equipe de jornalistas ucranianos da Associated Press (AP) presos na cidade sitiada de Mariupol lutaram para continuar o seu trabalho de documentação das atrocidades da invasão russa. Sendo os únicos repórteres internacionais que permaneceram na cidade, captam o que mais tarde se tornariam imagens definidoras da guerra: crianças moribundas, valas comuns, o bombardeamento de uma maternidade e muito mais.

Tendo mais de uma década cobrindo conflitos para Associated Press, o jornalista Mstyslav Chernov estreou na direção de um documentário junto das imagens de seu parceiro cinegrafista Evgeniy Maloletka não sabendo precisamente o que desejava mostrar num primeiro momento, apenas se vendo no meio de toda a confusão e não parando de captar tudo o que estava vendo acontecer, e enviando seus vários materiais para as diversas emissoras que acompanhavam a guerra, mas claro que depois das declarações dos russos de que tudo o que estava sendo mostrado não passava de atuações e montagens, decidiu ir a fundo e preparou um documentário tão precioso e cheio de nuances que só começou com o pé direito levando Sundance e depois muitos outros prêmios, que irão terminar talvez consagrados com o Oscar daqui alguns dias, mas muito mais do que prêmios, o material dos jornalistas serviu mais para que víssemos o quanto uma guerra não dizima só soldados que estão brigando por seus líderes, mas principalmente civis que estão em suas casas, hospitais e tentam sobreviver fugindo de bombas, tiros e tudo mais, ou seja, o longa acaba sendo dramático com tudo o que vemos na tela, pais e mães chorando por seus filhos, o último olhar de um jovem preso à escombros, muitas vidas sendo jogadas em valas por não ter como identificar nem sepultar propriamente, médicos desesperados para salvar os que chegavam vivos em seus cômodos (ou o que sobraram) dos hospitais, isso sem anestésicos e analgésicos, ou seja, na base do grito de dor, e muito mais que se eu for enumerar aqui acabarei estragando a conferida dos demais. 

Então, já que não tenho o que falar de atuações e cenários visuais, afinal volto a frisar que não estamos falando de uma ficção, vou falar um pouco das imagens e da edição, pois o trabalho é tão bem colocado na tela que se não fosse as telas escuras para dar as quebras de dias, o resultado da edição pareceria que o jornalista nem dormiu e foi seguindo filmando por 20 dias seguidos, e o melhor, sem entregar atos desesperados de imagens em correria como vemos em outros longas do estilo, ou seja, é uma edição tão bem trabalhada que o resultado acaba sendo algo que transporta o espectador para os 20 dias mostrados, fazendo algo tão intenso e marcante que vemos os ambientes destruídos, os jornalistas sem saber como falar com as pessoas ali presentes sem rumo, e muito mais que acaba chocando e envolvendo quem for conferir.

Enfim, poderia falar muito mais do longa, mas estragaria a experiência de quem for conferir ele, que mesmo forte e difícil de assistir, vale cada minuto de exibição, não sendo algo longo e nem cansativo, pois sendo algo mais jornalístico era o meu maior medo do que veria, e em momento algum me senti vendo um jornal na tela. Então é isso pessoal, recomendo demais ele para ver nos cinemas à partir do dia 07/03, e fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Synapse pela cabine de imprensa show, então abraços e até logo mais.


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O Jogo da Morte (Я иду играть) (YA idu igrat) (#Blue_Whale)

2/27/2024 01:21:00 AM |

Já virou quase um gênero próprio esse estilo de filme aonde vemos as telas dos computadores e celulares dos protagonistas, com suas conversas, pesquisas e interações com outras pessoas, de modo que "Buscando..." fez um sucesso estrondoso e genial como algo totalmente original e diferenciado, aí veio "Desaparecida" que ainda seguiu uma boa pegada e desenvolveu algo mais ou menos, até chegarmos agora no russo "O Jogo da Morte", que a distribuidora demorou quase que 3 anos para lançar aqui no país tamanha a dificuldade de se traduzir tudo o que aparece na tela, claro que fica bem legal ver tudo isso, mas a galera que baixa filmes com toda certeza já deve estar achando que esse é uma continuação do que viram em 2021 e não é, mas isso são outros papos. Então o que posso falar sobre a trama é que usando bem a base do jogo da baleia azul que pegou muitos jovens e causou diversas mortes absurdas no mundo todo, o resultado tinha tudo para ser algo que causasse um certo impacto emocional na tela, teria uma pegada forte e marcante, mas não sei pela dublagem ou pela montagem do filme, o resultado acabou sendo mais bobinho e sem grandes nuances que vemos apenas tudo acontecendo e não impactando como deveria, e isso é uma pena, afinal a história tinha tudo para ir bem além, mas ao menos fica valendo como algo para alertar os pais novamente de um terror que acabou sendo bem real para muitos.

A sinopse nos conta que uma cidade russa da província é abalada por uma série de mortes misteriosas de adolescentes. Dana chora por sua irmã mais nova, que deliberadamente entrou na frente de um trem. Ela está desesperada para descobrir o que realmente aconteceu. Dana explora a história online de sua irmã e descobre um sinistro jogo de mídia social que incentiva os jovens a enfrentar uma série crescente de desafios de automutilação. Caso contrário, correm o risco de perder amigos, familiares ou a própria vida. Para caçar aqueles que estão por trás da morte de sua irmã, Dana decide entrar neste jogo mortal, abrindo uma porta para o mais cruel dos mundos online ocultos. Um thriller perturbador baseado em crimes cibernéticos reais que assolaram a Europa Oriental.

Diria que a diretora e roteirista Anna Zaystseva foi bem na pesquisa dos principais desafios que coram colocados no famoso jogo que vitimou muitas crianças e adolescentes mundo afora, mas faltou para ela o saber colocar a trama como um terror ou suspense melhor pontuado, pois a trama entrega algo muito singelo que de cara você pode não pegar o rumo da trama, mas quem for um pouco mais atento irá achar tudo muito fácil no chat da protagonista, embora saibamos que na internet muita gente é enganada todos os dias, e a maioria que caiu no jogo acabou surtando e se desesperando conforme as coisas foram sendo mais colocadas. Ou seja, como pesquisa e demonstração cênica até que o filme russo funciona, mas como algo do gênero mesmo de suspense/terror acabou faltando força para chocar ou impactar realmente o público, de tal forma que a trama não causa um desespero como poderia ocorrer, e isso se deve pela montagem mais lenta para que o público pudesse ir lendo todas as conversas e postagens na tela.

Quanto das atuações, diria que tivemos um outro problema bem grande, não por parte do filme, mas sim da distribuidora que lançou no país a maioria de cópia dubladas, e isso ajudou o ritmo de suspense com as vozes nada tensas a passar ainda mais incredibilidade para os momentos do filme, de tal forma que Anna Potebnya até se impôs em alguns atos com sua Dana, sendo dinâmica e interessante, mas a todo momento parecia não ir mais a fundo no que desejava fazer, ficando morna demais, o que pesou muito em cena. Já Danya Kiselyov até deu algumas nuances mais chamativas para seu Max, mas não passava a presença cênica que o papel pedia, parecendo mais um garoto do que um jovem intenso. Agora quanto da mãe da garota, diria que Ekaterina Stulova ficou tão em segundo plano, com trejeitos meio que jogados e sem personalidade para ver o que estava realmente acontecendo que acaba sendo algo totalmente inaceitável, então é melhor nem falar dos demais.

Visualmente a trama entrega alguns atos até interessantes, afinal foi convertido completamente para nossa língua, assim como ocorreu com os outros filmes do estilo, então acabamos lendo as postagens, os arquivos do computador e tudo mais das telas em si, e claro ainda vemos alguns apartamentos, algumas cenas no meio de ruas na frente de carros, nos beirais dos prédios, na frente de trens e outros detalhes em escolas, cenas de humilhação, de cortes em corpos, em bueiros, tudo para mostrar alguns detalhes sórdidos dos desafios do jogo, que a equipe de arte soube ser simples, mas bem eficaz.

Enfim, é um filme que acredito que tinha um potencial bem maior para atingir, que acabou ficando bem dentro do básico do jogo, e mais básico ainda do terror/suspense, e volto a frisar que acho que a dublagem matou um pouco da intensidade, então quem conferir ele legendado pode depois falar o que achou melhor nos comentários, mas ainda assim não colocaria como um filme que tivesse um primor grande para marcar como algo do gênero. Então é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais alguns textos, então abraços e até logo mais.


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Eu, Capitão (Io Capitano)

2/23/2024 10:54:00 PM |

Costumo dizer que uma das categorias das premiações mais difícil de opinar é a de Filme Internacional ou Filme Estrangeiro como alguns acabam colocando, pois são tantas obras boas que chegam para o júri selecionar os pouquíssimos que irão realmente concorrer aos votos que não dá para imaginar sem ir pegando o histórico de prêmios e tudo que vamos ouvindo. E o candidato da Itália nesse ano é uma produção bem forte e empolgante que entrega a mistura de jornada por uma vida melhor com uma aventura sofrida que os jovens sequer imaginavam que iriam passar para sair de Dakar no Senegal até chegarem à Sicília na Itália, enfrentando todo tipo de adversidade da natureza, e claro o pior inimigo de qualquer um que são os próprios homens, e nessa pegada bem trabalhada a trama entrega algo que até já vimos em outros longas diversos de outras nacionalidades, mas contando com tantos elementos fortes bem marcados que acaba envolvendo e trazendo a trama para si, que fez com que ele se destacasse entre muitos outros, ganhasse diversos prêmios e ainda mostrasse que ainda existem jovens que mesmo no desespero procuram ajudar seus próximos para alcançar seus objetivos.

O longa nos conta que Seydou e Moussa são dois adolescentes senegaleses que partem de Dakar rumo à Europa, em uma odisseia contemporânea, superando uma série de obstáculos. Essa grande aventura nos conduz pelos perigos do deserto e do mar, pelas ambiguidades e pelas contradições do ser humano, na qual os sonhos, esperanças e ambições dos personagens principais se transformam em luta por sobrevivência.

Diria que o diretor e roteirista Matteo Garrone bebeu de muitas fontes para compor sua trama com uma pegada marcante e funcional, pois facilmente vemos algumas inspirações tanto em longas já existentes quanto em acontecimentos reais que vemos como notícia diariamente em vários telejornais, de tal forma que a desenvoltura completa acontece fácil na tela, não sendo algo que nem te causa desespero, nem formata alegrias imponentes, porém consegue fluir e cativar o público para que siga os jovens em sua aventura não tão alegre como costumam ser vistas nas telonas. Ou seja, a jornada dos rapazes é tão bem trabalhada na tela nem sentimos tanto a mão do diretor, e que se fossem atores experientes até diríamos se tratar de uma obra aonde o diretor deixou que os protagonistas entregassem tudo sozinhos, mas como não é o caso, fica nítido uma direção de elenco primorosa aonde a ideia fica presente na tela com toda a força e sofrimento dos personagens.

E já que falei o quão boas foram as atuações, vamos dar nome aos que fizeram o longa acontecer, pois facilmente apostaria que veremos muito em breve Seydou Sarr fazendo boas produções americanas e europeias, pois seu Seydou é tão significativo, tão cheio de presença, que praticamente domina toda a trama com seus olhares e sentimentos, sendo tão preciso de movimentações que até parece que o rapaz vivenciou realmente cada ato sofrido na tela em sua vida pessoal, e isso é algo que só grandes atores conseguem transmitir, ou seja, deu show com o que fez. Já Moustapha Fall ficou um bom tempo sem aparecer na tela, mas soube fazer de seu Moussa, um jovem carismático e com boa presença na tela, principalmente nos atos que esbanjou emoções joviais, e assim tendo boa presença também na desenvoltura da trama. Tivemos outros bons momentos com alguns atores espaçados na trama, mas o filme é tão fechado nos dois jovens que nem vale dar outros destaques.

Visualmente o longa mostrou um pouco da casa dos jovens numa comunidade bem pobre de Dakar, porém bem alegre com suas danças típicas, vemos eles trabalhando em várias funções para conseguir juntar dinheiro, depois vemos a primeira parte da viagem de ônibus, o encontro com atravessadores levando vários povos diferentes para o meio do Deserto do Saara de carro e depois caminhando uma eternidade, vendo corpos mortos no meio do caminho, policiais corruptos tentando roubar as pessoas em lugares mais escondidos possíveis de dinheiro, depois uma prisão da máfia com muitas cenas de torturas, várias pessoas aglomeradas, em seguida belos trabalhos de serviço de pedreiro que o jovem acaba fazendo, uma Tripoli na África sendo construída a várias mãos de comunidades, e ainda toda a viagem num barco bem destruído em todo o Mediterrâneo, passando por plataformas e tudo mais. Ou seja, um trabalho bem completo da equipe de arte, no melhor estilo que um road-movie de jornada acaba sendo desenvolvido.

Enfim, é um belo exemplar que até vai brigar bem pelas premiações, mas como esse ano o grande ganhador já tá bem determinado, estará levando mais prêmios espaçados como já teve do que algo realmente mais expressivo nos próximos que acontecerão. Ele estreia na próxima quinta, dia 29/02 em vários cinemas do país, mas em algumas cidades já pode ser conferido em pré estreias, então fica a recomendação, e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Sinny e da Pandora Filmes pela cabine de imprensa. Então deixo meus abraços com vocês e até breve com mais textos.


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Ferrari

2/23/2024 01:47:00 AM |

Costumo dizer que o maior problema de fazer um longa sobre a história de alguém muito importante em diversos meios é saber aonde desenvolver mais para que a trama fique perfeita, e isso acaba pesando bastante no resultado final, tanto que acaba sendo gigante o conflito de momentos expressivos de "Ferrari", ao ponto que o diretor Michael Mann mesmo demorando 30 anos para tirar o projeto do papel ficou muito confuso se focava na vida pessoal bagunçada de Enzo Ferrari, se focava na corrida assustadora que foi a Mille Miglia de 1957 ou ainda se trabalharia a possibilidade de mostrar a quase falência da companhia no mesmo ano com tudo o que acabou acontecendo. E aí você me pergunta, o filme ficou ruim com toda essa dúvida no ar? E a resposta é de forma alguma, pois tudo acaba sendo bem trabalhado, e mesmo que não se aprofunde ao máximo em nenhuma das três tramas, o resultado acaba sendo impactante por mostrar as duas famílias de Enzo, seus conflitos de horário com as esposas, a dúvida de registrar o garotinho com o sobrenome famoso ou não, afinal após a guerra ganhou muita fama com seus carros, e aqui já está bem consolidado, porém vendendo e fabricando pouquíssimas unidades, e gastando muito dinheiro com tudo, mas o cerne maior sem dúvida é mostrar toda a vontade de vencer em todas as categorias da super prova com carros incríveis, mas que acaba ficando marcado por um acidente catastrófico (a cena mostrada no trailer é apenas o comecinho dele, e o diretor não quis entregar algo leve, sendo daqueles que todos vão se chocar muito!). Ou seja, é daqueles filmes que facilmente dava para ter umas 10 horas de história, mas que condensado agradará bastante quem for disposto a curtir. Agora um ponto que me incomodou é de estarmos falando de um personagem italiano fortíssimo, se passando na Itália dos anos 50 que não tinha o inglês como prioridade nenhuma, mas é inteiro gravado num "inglesiano" (misto de inglês com italiano) apenas usando de sotaques que acaba broxando um pouco no resultado completo.

O longa nos conta que em 1957, nos bastidores da Fórmula 1, o ex-piloto Enzo Ferrari está em crise. A falência assombra a empresa que ele e a esposa, Laura, construíram uma década atrás. Seu casamento instável é ainda mais abalado pela perda do único filho do casal e o relacionamento com Lina Lardi. Ele decide contrapor essas perdas apostando tudo em uma corrida - a icônica Mille Miglia, na Itália.

Como já falei no começo, o projeto demorou mais de 30 anos para sair da gaveta do diretor e virar um longa, tendo vários outros atores e ideias no meio do caminho, e com isso tenho toda a certeza que Michael Mann foi mexendo na ideia, separando o que melhor ficaria na tela e ampliando cada detalhe para que não virasse uma série (o que facilmente acabaria cansando, mas mostrando algo muito mais completo), nem que sumisse a essência que desejava mostrar na tela, e com isso vemos um filme que num primeiro momento muitos vão achar truncado e rápido demais, afinal mostra praticamente só alguns dias da vida do personagem na tela, mas que sem dúvida alguma são os dias mais intensos que a marca e seu dono viveram, mostrando que tinha uma mulher gênia dos negócios, uma amante/segunda esposa linda que lhe deu um herdeiro para ele pós-morte do filho com a primeira esposa, uma falência quase declarada com venda iminente para outra marca, e uma corrida aonde tudo que podia acontecer, aconteceu, desde os testes até a linha de chegada. Ou seja, o diretor foi bem intenso, maluco e direto com o que entregou, mas funcionou muito bem na tela, e acredito que só não tenha levado mais indicações aos prêmios pelo fator língua que mencionei no começo e por ser algo conflituoso que precisaria de um desenvolvimento maior, que os votantes não relevam de forma alguma.

Quanto das atuações, quem lê meus textos sabe que não sou muito fã do estilo de interpretação de Adam Driver, mas ainda assim digo que ele tem personalidade e sabe segurar bem o protagonismo na maioria de suas entregas, e aqui ele foi digamos honesto com a entrega que fez para seu Enzo Ferrari, não ficando caricato demais, mas também não entregando algo que chamasse tanta atenção, o que é uma pena, afinal sabemos o quanto o empresário foi polêmico e imponente. Penélope Cruz é e sempre será uma atriz que sabe como pegar um personagem secundário e jogar ele para explodir na tela, de modo que sua Laura é durona, cheia de traquejos, mete bala no marido, descobre a maior traição possível, faz caras e bocas, e ainda surpreende com um final que provavelmente se rolou dessa forma foi realmente algo digno de um filme, pois surpreende até mesmo o próprio Enzo com o que faz, e mostra que ainda tem banca, ou seja, garantiu sua indicação ao menos para o SAG. Sabemos bem que Shailene Woodley tem um estilo meio que explosivo, então não entendi a escolha dela como Lina Lardi, pois é uma mulher mais fechada, simples, e nem tão intensa como amante, que claro gerou um herdeiro para o personagem principal, mas talvez alguém mais simples mesmo daria um tom melhor. Agora quem entregou muito na tela, ganhando uma oportunidade de ouro foi o brasileiro Gabriel Leone, que fez o piloto espanhol Alfonso de Portago, trabalhando desde o começo para aparecer muito em todos os atos, e entregando muitos bons momentos cênicos para se desenvolver mais, o que acabou sendo bem bom na tela, aliás ele daqui a pouco vai virar piloto profissional, afinal viverá Airton Senna numa série que está para ser lançada. E falando em pilotos, ainda tivemos na tela Derek Hill (filho do piloto Phil Hill) fazendo Jean Behra e Patrick Dempsey fazendo Piero Taruffi. E ainda vale um rápido destaque para Sarah Gadon como a belíssima atriz mexicana Linda Christian que teve relações com Alfonso de Portago.

Visualmente a trama tem uma pegada bem interessante, mostrando um pouco das casas de Enzo em Modena e numa pequena cidade próxima aonde vivia a amante, vemos também a fábrica inicial da Ferrari, a pista de testes de Maranello, e claro muitos atos da corrida passando por várias cidadelas e vilas, isso tudo contando com muitos carros réplicas dos originais de corrida da época que marcaram todo o início das corridas que vemos hoje, e claro que naquela época não tinham a menor segurança para os pilotos. Agora sem dúvida alguma a equipe de arte fez algo muito marcante com a cena do acidente, pois dando um leve spoiler são muitos pedaços de corpos espalhados pelo caminho, fora toda a destruição do carro e tudo mais, ou seja, já vi filmes de terror amenizarem bem mais o que não fizeram aqui, então impactaram realmente.

Enfim, é um tremendo filmaço que tinha tudo para ser ainda melhor com poucos ajustes como falei no começo, mas que vale demais a conferida tanto para quem conhece a história toda da escuderia, quanto quem só deseja ver um bom filme biográfico cheio de intensidade, então fica a dica, e eu fico por aqui hoje deixando meus abraços junto da recomendação.


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Amazon Prime Video - Blackberry

2/22/2024 01:11:00 AM |

Se hoje ainda tivessem as locadoras de filmes, logo mais teríamos uma área separada apenas para filmes administrativos ou de negócios, e muito provavelmente em breve vão fazer essa divisão dentro das plataformas de streaming, pois são tantos casos de sucesso e de quebra por motivos diversos que certamente muitos empresários e cursos de administração poderão usar as histórias para trabalhar com equipes e alunos, ou seja, uma funcionalidade que vai além do cinema. E basicamente o longa "Blackberry", que estreou na Amazon Prime Video agora após pouquíssimas sessões no Brasil no final do ano passado, funciona muito mais nesse estilo do que como um drama de ficção, pois não tem aquele tino para pegar o espectador, nem faz com que esperássemos algo a mais dele, o que é uma pena, pois praticamente todo mundo teve o desejo de ter um celular com teclado no final dos anos 90 e começo dos 2000, e praticamente evaporaram depois de um certo tempo, e o longa vai mostrar como foi esse erro de administração e de ideais, aonde poderia ter dado muito certo, mas a ganancia junto com administradores ruins e péssimos contratos, fez com que tudo desabasse. Ou seja, é um filme mais técnico do que dramático, mas que entrega bons momentos pelo menos, e assim prende a conferida de quem der play.

O longa conta a história da incrível ascensão e do trágico declínio da empresa canadense que conquistou a liderança do mercado em 1996. A tecnologia criada por Mike Lazaridis e seu melhor amigo, Douglas Fregin, aliada ao dinheiro e a experiência do empresário Jim Balsillie, transforma completamente a forma como as pessoas se comunicam. Celebridades, políticos e empresários estão viciados em seus Blackberrys e o valor da empresa dispara. No entanto, em poucos anos, segredos obscuros, disputas pessoais e, o maior perigo de todos, a chegada do iPhone, ameaçam o incrível sucesso da companhia.

Antes que venham reclamar, eu gostei muito do trabalho técnico que o diretor e roteirista Matt Johnson fez em cima do livro de Jacquie McNish e Sean Silcoff, pois ele pesquisou ao máximo os personagens, conseguiu muitos equipamentos e ambientes da época, e trouxe bem a ideologia completa que ocorreu tudo, porém ele acabou transformando o longa em algo muito administrativo para mostrar como foi o processo que fez a queda da empresa, e isso pesou um pouco a mão para que o filme não ficasse tão dinâmico e envolvente como deve ser uma boa produção histórica. Ou seja, talvez tenha faltado pra ele um pouco mais de coragem para sair do contexto do livro e brincar mais com seus personagens, mas como também quis atuar acabou se perdendo um pouco, não deixando que o filme ficasse ruim, porém não atingindo tudo que poderia conquistar.

Quanto das atuações, diria que Jay Baruchel foi meio tímido demais na recriação de Mike Lazaridis, mostrando sim ser um tremendo dum gênio da tecnologia, mas retraído demais, sem grandes pegadas, e com expressões meio que fechadas demais, sem que chamasse tanta atenção quanto deveria. Já Glen Howerton transformou seu Jim Balsillie num verdadeiro arquiteto de ideias e negócios, daqueles que chega a dar até nervoso com tudo o que sai fazendo, pensando e trabalhando, de tal forma que o ator acabou até passando por cima do protagonista, o que acabou sendo ruim por um lado, de apagar o personagem principal, mas bom por outro, senão o longa ficaria um tédio. Já o diretor Matt Johnson atuando fez praticamente um personagem caricato demais para seu Douglas Fregin, de tal forma que vemos ali qualquer ator com pegadas cômicas que funcionaria e não precisaria dele fazer mais do que uma função, mas ao menos foi expressivo em muitos atos e não atrapalhou. Ainda tivemos muitos outros personagens chamativos, mas sem grandes chamarizes para destacar com a atuação que fizeram, sendo representativos para a história em si, mas nada demais.

Como já disse no começo, visualmente a trama teve um requinte bem trabalhado para representar bem a época, os equipamentos e tecnologias, e assim sendo conseguiram recriar bem a pequena empresa dos amigos que depois ficou gigante, as muitas viagens do empresário, toda a desenvoltura das contratações e cada ambiente por onde o longa é mostrado, além claro da sacada de ter os vários celulares desenvolvidos pela empresa bem representados na tela. Ou seja, a equipe de arte não mediu esforços para que tudo fosse como no final dos anos 90 e começo dos anos 2000.

Enfim, é daqueles filmes que você assiste esperando um algo a mais, mas que não acontece, sendo bem trabalhado e representativo, mas com nuances mais técnicas do que chamativas e emocionais, então vale a recomendação apenas como um bom uso para conhecer a história, para os mais novos conhecerem esse celular que foi um fenômeno na época, e claro como uso para aulas de administração de empresas para julgar coisas erradas feitas para o desmoronamento da empresa, então fica a dica para esse grupo com as ressalvas que citei. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Menino e A Garça (君たちはどう生きるか) (Kimitachi wa dô ikiru ka) (The Boy and The Heron)

2/18/2024 11:17:00 PM |

Confesso que já vi muito filme maluco, muita animação abstrata, fora a grande quantidade de ideologias colocadas em algumas tramas, mas o que vi hoje em "O Menino e A Garça" superou tudo e mais um pouco, pois num primeiro momento o filme parece bonitinho, tem uma carinha de coisa ingênua, limpa e bela, mas já começa com um grande soco com um incêndio gigantesco com a mãe do protagonista morrendo, e depois vemos a garça atacando o garoto, vemos que não era algo simples, vemos o garoto indo para um mundo completamente maluco que mistura tudo e mais um pouco e quando vemos a essência bem cheia de nuances e explicações meio que filosofais da criação dos mundos, das épocas, do controle que alguns desejam chegar ao poder e muitas outras ideologias, o diretor acaba brincando com nossa mente, com todo o permear de algo fantasioso, mas que pode gerar grandes reflexões, fora todas as imagens belíssimas com um cuidado que só o diretor sabe fazer, sendo incríveis e interessantes com tanta presença que chama muita atenção, e que quem gostar de animações mais "cabeça" vai ir muito além com tudo o que é mostrado.

A sinopse nos conta que depois de perder a mãe durante a guerra, o jovem Mahito muda-se para a propriedade de sua família no campo. Lá, uma série de eventos misteriosos o levam a uma torre antiga e isolada, lar de uma travessa garça cinzenta. Quando a nova madrasta de Mahito desaparece, ele segue a garça cinzenta até a torre e entra em um mundo fantástico compartilhado pelos vivos e pelos mortos. Ao embarcar numa viagem épica tendo a garça como guia, Mahito deve descobrir os segredos deste mundo e a verdade sobre si mesmo.

Bom falar qualquer coisa de Hayao Miyazaki e do Studio Ghibli é o famoso chover no molhado com tantos elogios, pois a técnica é perfeita, as ideias são fora do plano total, a beleza se mistura com o complexo e tudo que parece fácil acaba indo para rumos que não se consegue imaginar, de tal forma que chega a ser brilhante e ao mesmo tempo triste só pensar que esse está sendo colocado como o último filme que o diretor e roteirista irá fazer, e ele joga com essa ideologia da morte não ser um fim e tudo mais dentro da trama, que os fãs certamente irão pegar em determinado momento, fora que toda a essência acaba sendo demonstrada não apenas com as atitudes ou com os traços na tela, mas sim com ideologias, com reflexões e tantas outras coisas, que se você conferir qualquer filme dele umas 10 vezes irá ver algo completamente diferente, ver algum outro detalhe e muito mais, e aqui isso tomou rumos tão amplos que facilmente muitos irão ficar perdidos, outros irão sorrir de orelha a orelha, e cada brilho em nosso olhar transparece um aprendizado que facilmente lhe dará todos os prêmios possíveis, pois é inegável tamanha magia cênica leve e deliciosa, ao mesmo tempo que o filme chega a ser pesado e imponente. Ou seja, é muito mais do que "apenas" uma animação, é algo para ver, sentir, refletir e ainda assim pensar se realmente viu tudo o que tinha para chegar até você, e isso é ser perfeito.

Quanto dos personagens e da dublagem, diria que as vozes nacionais combinaram bem com as personalidades da tela, de tal forma que conseguimos nos conectar a eles, nos envolver com cada um na tela, e principalmente se emocionar nos atos mais bem colocados, e assim o garotinho Mahito não chega a ser aquelas crianças bobinhas e chatas de muitos filmes japoneses, tendo uma personalidade até que bem madura e direta, a Garça (ou melhor o Homem-Garça) entrega uma loucura meio que non sense, meio que rebelde e explosiva, mas que conforme vamos vendo mais nuances da trama, o resultado acaba sendo chamativo e interessante na tela. É até engraçado ver as duas versões de Kiriko, tendo a jovem no mundo uma parceira de encontros, de desenvolturas e aventuras, enquanto na versão normal velhinha tem um ar meio que medrosa demais, o que acaba sendo até estranho comparar, mas que funciona bastante. Ainda tivemos Himi com todo o seu fogo, explosões e intensões bem marcantes, além de no miolo descobrirmos um pouco mais dela que vai mexer com a cabeça do público, e por fim Natsuko tendo todo um ar meio misterioso, mas cheio de envolvimento e boas explicações. Tudo isso fora os sapos, pelicanos, periquitos e tudo mais que fala e causa muitas sensações estranhas e bem viajadas na tela.

Visualmente a trama é de um requinte que não parece ser desenhada, mas sim criações computacionais, porém ao mesmo tempo tudo tem cor, tudo tem vida, e até mesmo os traços ganham texturas e até mesmo ares líquidos em diversos momentos, misturando fantasia, guerra, incêndios, fogos de artifício, bichos que voam, personagens e animais estranhos, e tudo mais que acaba dando um âmbito tão mágico e tão cheio de personalidade que não tem como não se conectar com cada detalhe cênico, e o melhor tudo tem seus vários sentidos, tudo tem uma pegada forte e ao mesmo tempo doce, e dessa forma posso dizer que o luxo vai muito mais além do que sombras técnicas e materiais como vemos em outras obras animadas, pois o estúdio tem tudo ainda para chamar muita atenção.

Enfim, diria que fui conferir esperando muito do filme, com uma expectativa gigante por gostar demais dos longas do diretor e do estúdio, e essa expectativa foi bem suprida, pois mesmo sendo algo completamente maluco e por vezes até abstrato, sendo um pouco mais longo do comumente aconteceria em uma animação pesada, o resultado final é envolvente e agrada demais, valendo muito a recomendação (claro que muito mais para adultos do que para os pequenos que não vão entender nada na tela) de ver numa grande telona. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.

PS: Só não vou dar a nota máxima por faltar um item apenas, fazer eu e os demais na sessão saírem lavados de emoção, pois isso num filme desse estilo era muito necessário, mas nada que atrapalhe o resultado.


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Dias Perfeitos (Perfect Days)

2/18/2024 01:05:00 AM |

Diria que nem dá para falar muito do longa "Dias Perfeitos", pois a base é repetida diversas vezes mudando pouquíssimas coisas dentro da rotina de vida e trabalho do protagonista, sendo algo que tem um olhar nosso sobre o filme, do diretor sobre sua ideia, e claro do personagem sobre o mundo ao seu redor, afinal vemos um senhor que é limpador de banheiros, com toda sua metodologia, falando somente o necessário, dormindo e sonhando com seu dia, acordando, arrumando a cama, escovando seus dentes, pegando um café na máquina e indo ouvindo grandes clássicos dos anos 70/80 em fita K7, limpando banheiros tecnológicos na Tóquio moderna, comendo seu lanche no almoço enquanto olha as árvores e as pessoas ao redor, voltando pra casa, indo para banheiros simples e restaurantes simples para ter seu jantar, isso rotineiramente e repetidamente várias vezes, tendo poucas nuances e atos diferenciados. Aí você me pergunta, mas como isso virou um filme? Não é ruim? E a resposta é muito pelo contrário, pois o protagonista/personagem consegue passar um ar de satisfação pelo que faz, ter uma vida tão simbólica e emocional, que acabamos nos envolvendo com ele, e isso acaba sendo gostoso de ver, até a quarta/quinta vez, depois da quebra da sobrinha, diria que acaba ficando meio que cansativo, mas ainda assim bonito de ver com o desenrolar de outras coisas. Ou seja, é daqueles filmes que quem conhece o estilo do diretor vai esperando essa essência bem colocada na tela, mas quem nunca viu um filme dele (o que é bem fácil acontecer, já que quase nenhum chega aos cinemas do interior!) talvez ache tudo meio estranho num primeiro momento e depois de pensar bastante acabe indo ver alguns outros.

A sinopse nos conta que Hirayama leva uma vida feliz, conciliando seu trabalho como zelador dos banheiros públicos de Tóquio com sua paixão por música, literatura e fotografia. Sua rotina estruturada é lentamente interrompida por encontros inesperados que o forçam a se reconectar com seu passado.

Diria que o diretor e roteirista Wim Wenders traduziu bem toda a síntese de solidão, de vivência com o passado e também de envolvimento com um mundo mudado, mas que você não deseja entrar, de tal forma que ele brinca com os vários dias do protagonista, transporta o público para aquele mundo pequeno dele, e floreia as devidas conexões artísticas de várias formas de se olhar, não sendo um filme difícil como muitos podem achar, nem abstrato como muitas vezes ele costuma trabalhar, mas sim uma obra visual reflexiva e bonita de assistir. Claro que dá para florear muitas ideias e possibilidades dentro da trama, dava para o filme ir por muitos outros rumos, mas da forma que foi trabalhado consegue emocionar e envolver bastante, principalmente pela excelente atuação do protagonista.

E falando na atuação do protagonista, Koji Yakusho ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes com muito louvor pelo que faz com seu Hirayama quase sem palavras, mas expressivo, com olhares e trejeitos bem trabalhados e envolventes, cheio de disposição para com seu trabalho e com sua vida simples, porém bem marcada e que flui conforme vai sendo desenvolvida, não precisando de atos fortes, exagerados, nem nada, apenas o seu dia a dia, em que acaba emocionando e agradando bastante. Ainda tivemos atos mais cômicos e forçados com Tokio Emoto com seu Takashi, tivemos alguns atos simples e diretos com a sobrinha do personagem principal que Arisa Nakano consegue dar uma boa quebra na rotina do protagonista, e muitos outros tentaram dar algumas conexões, mas a base é o protagonista e sua vivência que agrada demais em cena.

Visualmente o longa mostra a casa simples do protagonista, tendo apenas o seu quarto com um colchonete, sua coberta, suas plantas, seus muitos livros e fitas K7 em cima, e embaixo uma pia, um fogareiro e seus apetrechos bem organizados na ordem que usa, tudo sendo bem simbólico e marcado, ainda tivemos muitos banheiros tecnológicos, com privadas de todos os tipos, vidros que mudam de cor para esconder a pessoa no reservado, vemos muitas vias da cidade, um local de banho público e muitos pequenos restaurantes bem simples que encaixam na rotina do protagonista, ou seja, é quase um passeio por uma Tóquio bem diferente dos grandiosos filmes, e claro com muitos objetos e elementos cênicos marcantes, afinal o protagonista tem seus próprios elementos para mostrar na tela.

Enfim, é um filme muito bonito, muito técnico e que permeia fácil por ideias e ideais que vemos muito ocorrer nos dias de hoje, de que cada um vive sua vida simples sem precisar de muito, e é feliz com isso, e quando confrontado com coisas do passado acaba desandando um pouco a rotina, mas saberá aonde ir para voltar ao prumo. E assim fica a dica de conferida desse que está concorrendo à vários prêmios na categoria de Melhor Filme Internacional, então não perca a chance, principalmente por ser bem raro um longa desse estilo chegar no interior. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Star+ - Suncoast

2/17/2024 06:33:00 PM |

Costumo dizer que quando um diretor e/ou roteirista deseja homenagear algum ente querido que morreu, deve escrever a base e entregar nas mãos de outra pessoa para que seja feito com primor, pois a chance de recair para algo depressivo é bem grande, e foi exatamente o que acabou acontecendo com o longa "Suncoast", que pode ser conferido na Star+, e só ao final ficamos sabendo disso quando vemos que a trama foi em homenagem à Max Chinn, irmão da diretora/roteirista. Pois a mensagem em si, é bonita de mostrar todo o desespero de não ter o tempo devido para falar para a pessoa que a ama, sobre seus momentos e tudo mais que costuma se deixar para um momento especial, mas muitas vezes esse momento nem ocorre e acabamos não falando isso para a pessoa antes dela se desligar desse plano, e facilmente o longa dava para ter uma pegada mais emocional e envolvente sem precisar pesar tanto a mão, pois acabamos assistindo ao filme esperando sempre aquele algo a mais, que não ocorre, e assim fica apenas as mensagens bonitas no ar, o que é uma pena, já que dava para ter trabalhado muito mais coisas na tela.

O longa segue uma adolescente que mora com sua obstinada mãe, que deve levar seu irmão para morar em um estabelecimento especializado. Lá, ela inicia uma amizade improvável com um ativista excêntrico em meio a protestos em torno de um dos casos médicos mais marcantes de todos os tempos.

Por ser uma trama semi-biográfica, a diretora e roteirista Laura Chinn soube passar a mensagem que desejava na tela, isso é um fato claro e inegável de ver e sentir, talvez por não ter conseguido fazer o mesmo que gostaria com seu irmão ainda vivo, e/ou outras situações, mas como sua experiência maior é a de roteirizar séries, aqui em sua estreia dirigindo acabou faltando um pouco mais de personalidade e intenção direcional, pois seus personagens acabaram bem soltos, vivendo algo digamos egocêntrico demais em suas cabeças, como a garota querendo ser uma adolescente normal, o ativista em sua plena e cativa luta por alguém que ele nem conhece, e até a própria mãe que esquece que tem outra filha além do que está doente em determinados momentos, e isso dita bem a falta de conexão com o seu redor, ou não, mas cada um pensa de uma forma que se bem conectado poderia soar brilhante na tela, e talvez tenha faltado o que falei no começo, que é escolher um diretor mais apto para o trabalho que pegaria o lindo texto de Chinn e faria uma homenagem mais bonita ainda para o irmão dela, mas se ela cumpriu com o que desejava no seu âmago, já fez por valer.

Quanto das atuações, a jovem Nico Parker trabalhou sua Doris com olhares tão tristes e desanimados, que mesmo nas festas e brincadeiras junto das amigas parecia não estar 100% ali, mas quem conseguiu tirar um pouco mais dela foi o personagem de Woody Harrelson, pois seu Paul teve uma pegada mais ampla de querer dar para os demais algo que ele não pôde ter com sua esposa, ou seja, vemos dois personagens em processos semelhantes de desconexão com o presente, mas que conseguem se doar de forma melhor na tela, e acredito que essa deva ser até uma homenagem maior da diretora para alguém que lhe ajudou a superar todo o processo de luto como algo maior, e o mais bacana é ver Harrelson que costumeiramente entrega personagens bobos, fazendo algo mais cativo e emocional na tela, pois soube segurar bem a bronca mesmo não sendo o protagonista, enquanto Parker foi graciosa, mas dava para se abrir mais em alguns momentos. Ainda tivemos claro Laura Linney com um processo depressivo de desilusão, de tal forma que por algumas vezes sua Kristine se perde entre trabalhar muito e passar os últimos momentos com o filho, o que acaba sendo sentido na tela pelos seus olhares, mas também soube dosar emoção em alguns atos, o que mostra que tentou sair do plano da trama para ter algo a mais. Ainda tivemos alguns atos bem colocados com os jovens da escola, mas sem grandes chamarizes cênicos para destacar.

Visualmente a trama focou bem na casa da protagonista bem simples e bagunçada, afinal vivendo ali com um jovem doente acabam esquecendo de limpezas básicas que ficam difíceis de acontecer, vemos a rampa da cadeira, muitos remédios e tudo mais para o uso, contrapondo os momentos que levou os amigos para festas lá, aonde escondia tudo em um quarto e rolavam muita bebida, fumo e tudo mais, também tivemos o lado da clínica de acompanhamento de morte, aonde tudo era bem básico por dentro, mas com muitos ativistas do lado de fora com cartazes, faixas, adesivos nas bocas e tudo mais, representando bem o caso que é mostrado em segundo plano, ainda tivemos alguns atos na escola católica aonde a jovem estudava, com aulas justamente sobre a morte com data determinada, entre outras ideologias trabalhadas contra as leis naturais, e algumas saídas da protagonista desse mundo também em festas, boates, bares e lanchonetes, ou seja, a equipe trabalhou bem muitas locações, sendo simbólicos aonde precisavam, e isso acabou funcionando.

Enfim, é um filme de mensagens e ideais interessantes de ver, que dava para ter ido muito mais além, mas como não ocorreu, o resultado pode desanimar alguns que forem dar o play, principalmente pelo excesso depressivo de estilo que é sentido em cada ato. E é isso meus amigos, fica assim sendo uma dica com algumas ressalvas, e eu fico por aqui agora, mas ainda vou conferir mais um longa hoje, então abraços e até breve.


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Netflix - O Abismo (Avgrunden) (Kiiruna) (The Abyss)

2/17/2024 02:43:00 AM |

Quem me conhece um pouco mais a fundo sabe que meus gostos cinematográficos são meio que peculiares, e um estilo que gosto bastante mesmo sendo algo bem insano e geralmente falso, são os filmes que usam base de desastres, e quando vejo um que vai estrear já fico bem ansioso para conferir! E um que o trailer já tinha me deixado bem interessado foi o longa da Suécia e da Finlândia, "O Abismo", que estreou hoje na Netflix, pois usou um pouco de uma base real de uma mina gigantesca que está desabando e estão mudando a cidade de lugar, com claro muita ação e desenvoltura de uma família em busca do filho que sumiu no dia do aniversário com a cidade sendo devastada pelos tremores, de uma maneira claro que ficcional, mas bem intensa. Ou seja, é meio como se fosse o longa com o The Rock, "Terremoto - A Falha de San Andreas", só que em um tamanho bem menor de produção, com cenas mais fortes e intensas aonde tudo acaba ficando bem marcante nos atos finais, e assim quem gosta do estilo até vai se surpreender com alguns efeitos bem trabalhados e com algumas loucuras dos protagonistas, mas se preparem que não amenizaram muito com alguns momentos tensos da trama. Não tenho como dizer que o filme é perfeito, mas tem uma pegada bem interessante e chama muita atenção por ser bem baseado em uma história que pode acontecer, então vale a conferida com certeza.

A sinopse nos conta que Frigga está iniciando um novo relacionamento com Dabir, tentando manter as pazes com seu ex-marido, cuidar dos filhos e manter a ordem como chefe de segurança da maior mina do mundo, Kiirunavaara, na cidade sueca de Kiruna. Quando, inesperadamente, uma falha geológica faz com que a cidade afunde aos poucos e toda a população precise ser evacuada, Frigga entra em um impasse sobre a segurança de seus entes queridos e dos trabalhadores da mina, de onde vem a fonte do problema.

A grande sacada do diretor e roteirista Richard Holm foi conseguir enxergar algo real que tem acontecido e criar a ficção em cima disso, de tal forma que facilmente poderia estar ocorrendo lá na Suécia na mina de Kiruna mesmo ou quem sabe em Maceió, a diferença que a mina de Kiruna é uma das mais tecnológicas hoje no mundo e a cidade inteira está sendo "transplantada" de um lugar para o outro, e quem sabe no meio da correria toda acontecesse as diversas mortes que o diretor mostra, quem sabe uma família maluca resolve ir numa escola abandonada aonde os garotos resolveram jogar o campeonato de despedida de Call of Duty, e por aí vai com as diversas alegorias imaginativas que um roteirista pode ter, o lance apenas é que ele conseguiu fazer algo que tanto insisto em adaptação realista, pois ninguém quer ver um documentário acontecendo dentro de uma ficção, ninguém quer saber como a Dona Maria que a casa está afundando está fritando o seu ovo, o lance é saber como pegar algo interessante, por exemplo a história de alguém, e valorizar ela, criar memórias que não existiram que dariam uma super liga e emocionaria todo o espectador, e por aí vai. E foi exatamente isso o que ocorre aqui, pois sabemos que ninguém em sã consciência pularia em cima de um treco pendurado somente por um fio de alta tensão, e mais ainda que um doido tentaria segurar aquele baita treco pesado podendo levar um super choque, mas na tela gera conteúdo e funciona, então posso dizer que ele acertou na ideia toda, e o resultado foi bem passado na tela, e ainda digo mais, como ainda vai tempo até acabar toda a transferência da cidade, acredito que mais diretores usem a história de base.

Quanto das atuações já diria que é um campo a parte, pois Tuva Novotny até trabalhou bem a forma impulsiva e durona de sua Frigga, mas em determinados atos a atriz se joga de forma até que exagerada demais, o que acaba incomodando um pouco, de tal forma que alguns podem até achar um pouco forçado tudo o que faz, o que claro faz sentido de uma mãe desesperada tanto pelo filho desaparecido, quanto pela montanha que também é meio como se fosse alguém próximo dela como vemos, mas dava para passar um pouco mais de realismo cênico em alguns atos. Não diria que o personagem Dabir que Kardo Razzazzi entrega seja algo comum em um filme, ainda mais nesse estilo de colocar um novo amor para uma pessoa que vive nos extremos, mas o que mais me incomodou nele foram seus trejeitos calmos demais para um bombeiro (afinal sabemos que são pessoas cheias de impacto), e sempre estando quase nas nuvens com tudo, o que não muda nem nos atos mais fortes, tanto que em determinado momento já comecei a achar até que ele iria morrer, mas conseguiu entregar bem sua finalização ao menos. Ainda tivemos Peter Franzén como o ex-marido que também é bem responsável pela mina, bem responsável por muitos atos enrolados da trama, mas que ao menos se expõe, tivemos Felicia Maxime com sua Mika toda pró-ativismo com a namorada, mas meio jogada em algumas cenas, Lina Brännström bem colocada como a amiga da protagonista com uma cena bem tensa nos atos fortes do filme, e o garoto que jurava que era outro e apenas aparece nos atos finais, então não temos nada muito grandioso nas interpretações.

Visualmente eu sei que usaram muita computação gráfica para as cenas dentro da mina desabando, para as cenas da cidade se partindo, mas vemos também algumas imagens bem interessantes dentro do interior real, com algo que quem trabalha ali tem de ser bem corajoso, pois a qualquer momento pode ruir, ou seja, vemos fendas gigantes, pedras cedendo, buracos, muitas mortes bem impactantes, muita terra voando para todo lado, e mesmo nos atos dentro da escola destruída, embora seja nítido a computação na cena, os atores fizeram boas encenações para passar um certo realismo, ou seja, a equipe de arte trabalhou muito bem junto da equipe de computação, unindo a cenografia toda do lugar com montagens e bons efeitos que acabaram funcionando bem dentro do resultado final.

Enfim, não é o melhor filme desastre que já vi, mas conseguiu me deixar bem tenso nos atos mais impactantes, e mesmo os atores não se entregando tanto para aparentarem mais desesperados, o resultado final acaba sendo bem interessante de ver, de tal forma que não estamos tão acostumados com longas suecos e finlandeses por aqui, mas mostraram técnica e é bom ficar de olho, então fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Madame Teia em Imax (Madame Web)

2/15/2024 01:04:00 AM |

Ando muito repetitivo com essa frase, mas não falha nunca: "vá esperando o pior, que a chance de adorar e ver algo muito melhor acontecerá!", e bingo... todos os amigos e críticos metendo a porrada em "Madame Teia", falando ser a pior coisa que já viram, e muitos outros adjetivos péssimos para o longa, então fui prontinho para arremessar todas as pedras que estavam no bolso da calça, e o que aconteceu? Eu adorei o filme, tudo bem que sou suspeito de gostar de longas que brincam com dejavu, inclusive os mais toscos, mas a trama brinca muito com as ideias de quadrinhos, então temos de ver tudo acontecendo sem pensar em qualquer possibilidade de alguma realidade funcional, ou seja, veremos ambulância saltando do nada, vilão andando devagarzinho ao invés de atacar de vez, conversas bem jogadas, e isso até pode incomodar demais quem for esperando algo mais sério, porém volto na afirmação que os personagens do mundo do Homem-Aranha são bem malucos, e até meio sem nexo, então a curtição foi demais, e o melhor que me arrepiou aos montes que eu não tinha pegado a sacada no começo é o que ocorre no hospital na última cena com o amigo da protagonista, afinal ele tem um sobrenome bem conhecido desse meio, e acaba de virar tio de um belo bebezinho! Em resumo, eu curti demais cada momento da trama, abstrai bem os defeitos técnicos, afinal na Imax o som acaba suprimindo bem eles nas cenas de ação, e entrei esperando ver algo quadrinesco, e o resultado que me entregaram foi isso, então valeu a sessão.

O longa mostra a história de origem da personagem-título, Madame Teia. Na trama, Cassandra Webb leva uma vida comum trabalhando como paramédica em Manhattan - até que, um dia, ela descobre que possui a habilidade de prever o futuro. Uma de suas visões acaba levando Cassandra até as jovens Julia Carpenter (Sydney Sweeney), Anya Corazon (Isabela Merced) e Mattie Franklin (Celeste O’Connor). Não demora até que as quatro entendam que, juntas, estão destinadas a algo muito poderoso.

Diria que o maior problema do filme ficou a cargo da direção de S.J. Clarkson, pois acostumada com muitas séries, acabou fazendo um filme de apresentação extremamente corrido, e filmes que trabalham previsões com dejavu e mudanças de caminho geralmente precisam ser mais lentos e desenvolvidos para que o público se conecte e não se perca tanto, de tal forma que se você piscar durante um dos pensamentos da protagonista, já na sequência é capaz de não entender mais nada, e o filme usa desse recurso o tempo todo. Ou seja, talvez uma trama de maior duração e/ou uma quebra rítmica mais trabalhada desse um vértice melhor para o resultado final, mas ainda assim isso não chega a ser um grande incômodo para quem estiver disposto a pegar tudo no ar, e ir montando na própria cabeça. Claro que o filme tem defeitos, e muito se deve que temos de abstrair qualquer possibilidade de realismo, colocando como base completa algo 100% ficcional que só em uma HQ aconteceria, e assim dá para relevar.

Quanto das atuações, não vou me ater aos visuais dos personagens nas HQs, afinal não conheço a fundo para poder opinar sobre isso, mas posso falar tecnicamente sobre eles, então diria que Dakota Johnson se esforçou para entregar uma Cassandra Webb bem movimentada e disposta a se desenvolver após descobrir seu poder, teve uma aula e uma interação bem marcante com o personagem peruano, mas desde seus filmes anteriores eu falo a mesma coisa que ela tem um tremendo corpo, mas uma cara triste demais, sem muita expressão, parece que nada anima ela, e isso chega a incomodar bastante na tela, pois como é a protagonista, faz com que o filme tenha um teor levemente depressivo em diversos atos, ou seja, poderia ser um pouco mais animada que ainda ficaria enigmática. Tahar Rahim trouxe para seu Ezekiel Sims um estilo vilanesco, desesperado e afrontador dentro de seu escritório e tendo algumas boas cenas violentas no miolo dentro das visões da protagonista, mas nas cenas finais só ficou pulando para todo lado e andando calmamente demais no ato final, sendo algo meio incoerente, mas com certeza foi opção da direção/roteiro, então até que foi bem no que fez. Quanto das garotas, acredito que já poderiam ter introduzido como elas ganhariam seus poderes aracnídeos, pois até tentaram aparecer, mas ficaram muito em segundo plano apenas como jovens adolescentes que tem pais problemáticos, sendo Celest O'Connor a riquinha que os pais vivem no exterior e só quer viver, Isabela Merced como a latina que vive sozinha após o pai ser extraditado e tem medo disso acontecer com ela, e Sydney Sweeney, a certinha que tem uma família que mais prefere o irmãozinho do que ela, mas todas sem grandes anseios na tela quando comuns, sendo mais imponentes nas pancadarias vistas nas previsões dos dois videntes. E ainda tivemos algumas cenas rápidas de Adam Scott com Ben, amigo paramédico da protagonista, mas que só serviu mesmo para a cena final. 

Visualmente a trama teve alguns atos iniciais e depois no miolo dentro da Amazônia peruana com uns ares até que interessantes, mas sem grandes anseios, tivemos algumas cenas agitadas em ambulâncias pelas ruas da cidade, um depósito de fogos também usado duas vezes tanto no começo quanto no ato final, o apartamento simples da protagonista, o apartamento luxuoso do vilão com muita tecnologia, uma lanchonete e uma central de trens, tudo sem grandes elementos cênicos marcantes para ter grandes nuances, mas que com toda a movimentação de tela acabam sendo bons ambientes, além claro de muitos fogos de artifício estourando no ato final quase como poderes, principalmente com a protagonista sabendo exatamente para onde iriam estourar.

Enfim, volto a frisar que não é um longa perfeito, e quem não curte tramas de HQs irá odiar do começo ao fim, principalmente se tentar colocar algum ato como realista e pensar nos quesitos físicos e tudo mais, mas quem for sem esperar nada e pronto para se divertir e conhecer uma boa trama de origem, garanto que sairá feliz com o resultado final (e detalhe, nem precisa esperar nada que não tem nenhuma cena pós-crédito, afinal a grande sacada já ocorre com o nascimento no hospital mesmo!). E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Dentro (Inside)

2/13/2024 10:17:00 PM |

Se tem um estilo que não me desce é o que tenta brincar com o lado experimental e abstrato, pois acaba ficando tão monótono que se eu que tenho problemas em conseguir dormir já beiro de cochilar assistindo, fico imaginando as demais pessoas que dormem tranquilamente. E hoje confesso que precisei voltar o filme "Dentro", que estreou na Amazon Prime Video, umas duas vezes, pois meus olhos realmente se fecharam com o que foi entregue na tela, e olha que temos um tremendo ator dentro do projeto, mas nem ele conseguiu trabalhar toda a ideologia de destruir um apartamento inteiro com conceitos artísticos para tentar sua fuga, sendo algo que você até tenta tirar reflexões de cada ato, mas o que acaba ocorrendo é o sono vir mais forte do que tudo.

A sinopse nos conta que em seu território, ninguém chega aos pés de Nemo. O ladrão profissional se especializou em roubo de arte e é considerado um verdadeiro gênio na indústria. Um dia, outro golpe é iminente: junto com seus cúmplices, ele quer roubar um renomado colecionador de suas obras. Mas assim que ele invade a luxuosa cobertura, algo completamente inesperado acontece: o sofisticado sistema de segurança do apartamento bloqueia todas as saídas e entradas e depois desmorona. Nemo agora está sozinho e, acima de tudo, preso. Ele espera por seus cúmplices, mas eles não aparecem. No final, ele até espera que os seguranças ou a polícia o tirem de sua situação - mas nada acontece. A situação é desesperadora, ele espera dias, que se transformam em semanas e semanas em muitos meses. Então Nemo agora vive em uma gaiola dourada entre as obras de arte que ele deveria roubar. Tudo o que lhe resta é seu talento e criatividade, que devem mostrar a ele uma saída desse labirinto.

Tenho total certeza que o diretor e roteirista Vasilis Katsoupis não desejava entregar uma trama tão sem conflitos, pois a ideia de uma pessoa criminosa presa no local do crime já virou um grande modus operandi e tem entregue grandes filmes do estilo, mas aqui ele juntou com arte e com isso a ideia era ousar nas abstrações e explorações mais artísticas dessa pegada, porém o gênero pede um pouco mais de dinâmica e/ou explosão, senão acaba acontecendo o que rolou aqui, de a trama mais cansar do que causar, e mesmo tirando proveitosos momentos em cima de cada ato, o resultado acabou não empolgando.

Quanto das atuações, ou melhor da atuação, Willem Dafoe entrega tudo e mais um pouco para seu Nemo, fazendo desenhos nas paredes, comendo o que tivesse, fazendo obras até com seus excrementos, lutando pela água dos regadores, tentando sobreviver ao frio e ao calor variável, criando uma estrutura imensa para tentar fugir pelo teto, e tudo mais, colocando ainda personalidade nos seus trejeitos e muita imponência cênica para que tudo fosse bem além na tela, ou seja, o ator se jogou por completo, mas o filme não ajudou, então apenas sobreviveu. 

Visualmente o apartamento é riquíssimo, cheio de detalhes e tecnologias, aonde o protagonista usou tudo para expressar suas artes e sobreviver de alguma forma, comendo os animais do ambiente, juntamente com as coisas estranhas que foi encontrando, usando livros para se limpar e fazer fogo, e todo tipo de material para criar uma escadaria até o teto, além de chaves e tudo mais, ou seja, a equipe de arte criou bem o ambiente e o ator soube brincar com tudo o que tinha para usar, agradando de certa forma.

Enfim, é um filme que dava para ter ido bem mais além, poderia causar e impactar, poderia fazer refletir, mas só me fez ficar com sono, então não diria que recomendo ele para ninguém, a não ser que você queira usar ele de sonífero. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Horizonte

2/13/2024 06:08:00 PM |

Costumo dizer que desenvolver filmes que envolva brigas familiares e terceira idade é algo que muitas das vezes consegue emocionar e também passar mensagens mais simbólicas, de tal maneira que o diretor precisa encontrar bem toda a sua síntese antes mesmo de filmar, senão corre o risco de vermos um filme morno que não atinge ninguém. E posso dizer que o diretor de "Horizonte" soube encontrar esse meio termo na trama, pois seu filme consegue passar o sentimento do protagonista por dois momentos bem colocados, o primeiro sendo ignorado pela família, e o segundo já solitário, mas com uma boa vontade de tentar se conectar com sua vizinha da frente em um condomínio para idosos. Não digo que o filme tenha algo que vá emocionar com tanta força, mas sua síntese é bem encontrada e acaba funcionando com classe dentro da pegada toda.

Na trama, Rui e Jandira se conhecem após se mudarem para uma “vila de idosos”. Mesmo com reticência por parte de Jandira, eles começam uma amizade. A solidão os leva a cumplicidades únicas até que se veem apaixonados. Para eles, aquilo tudo é novo, pois é a primeira história de amor de suas vidas.

Diria que o diretor Rafael Calomeni não conseguiu ir tão além quanto poderia em sua estreia na cadeira, depois de muitos filmes como ator, pois ele até criou situações bonitas bem encaixadas e com um certo trabalho bem dominado na tela, mas faltou para ele desenvolver melhor os atos espalhados, pois mesmo não transformando a trama do roteirista Dostoiewski Champangnatte em algo novelesco, ele acabou segurando demais cada momento do filme, sem que tivesse uma desenvoltura mais pegada e interessante de ver. Ou seja, o filme acaba não fluindo tanto quanto poderia e ao invés de nos conectarmos mais com os personagens acabamos ficando amarrados à eles. Outro ponto que entro num quesito que não costumo colocar tanto que é o opinativo, é o motivo do protagonista voltar para sua antiga casa quando descobre que foi "traído" pela parceira, pois era apenas dispensar ela e continuar vivendo ali, mas isso são opiniões direcionadas, e não tanto pela ideia da produção em si.

Quanto das atuações, o protagonista Raymundo de Souza soube segurar muito bem todos os atos de seu Rui, desenvolver as emoções na tela com uma boa dinâmica, e principalmente criar uma cadência bem trabalhada de trejeitos para que o filme ficasse bem em cima de suas nuances, ou seja, agiu como um bom personagem dramático deve ser e agradou. Fazia tempo que não via Ana Rosa atuando, provavelmente estando bastante no teatro, e aqui sua Jandira é bem fechada num primeiro momento, quase ignorando por completo o protagonista, mas vai se apegando e trazendo boas nuances expressivas para que sua personagem saísse da concha e marcasse presença, o que mostra seu gabarito e agrada com a forma sutil de se envolver. Ainda tivemos Suely Franco bem direta com sua Dona Fia, mas sem ir muito além do que uma vizinha faladeira que tanto vemos no mundo todo.

Visualmente a equipe de arte decorou bem a casa como um lugar simples, o barracão como algo ainda mais singelo, e quase uma prisão para o protagonista, e o condomínio Horizonte como algo gracioso e mesmo sendo bem pequeno entregando algo bonito para a trama, aonde o protagonista vai criando seu espaço e desenvolvendo tudo com muito carinho e precisão, o que acaba chamando muita atenção e mostrando para o público a diferença cênica.

Enfim, é um filme gracioso e bem encaixado, que não vai trazer nada memorável para o público, mas que mostra que para muitos alguém da terceira idade já está se encaminhando para a morte, enquanto para outros vale a busca pela felicidade ainda não encontrada, e assim sendo o gracejo que o diretor optou por mostrar acaba sendo gostoso de ver, e que talvez melhor lapidado iria até mais longe. E é isso pessoal, o longa estreia na próxima quinta dia 15/02 em vários cinemas, então fica a dica, e eu fico por aqui agora agradecendo claro os amigos da A2 Filmes pela cabine, então abraços e até logo mais.


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Bob Marley: One Love

2/13/2024 02:35:00 AM |

Já disse outras vezes que gosto demais de biografias, pois conseguem nos contar histórias reais que muitas vezes nem conhecíamos direito, e que acabam extravasando para um algo a mais, e confesso que sempre gostei muito do estilo reggae, pois tem uma batida gostosa, e músicas sempre bem encaixadas para falar de um tema com imponência. Então o que falar da história do Rei do Reggae no filme "Bob Marley: One Love" que praticamente nos envolve não numa trama linear de como ele virou um astro mundial do estilo, mas sim como já ídolo acabou sofrendo um atentado, e passou a refletir toda sua vida e desenvoltura juntamente com seu jeito de viver, seus aliados, e ao fundo o seu país no caos entre os partidos e criminosos, ou seja, é daqueles filmes que podem até parecer meio que bagunçado, mas que se você prestar bastante atenção em tudo consegue montar inteiro na cabeça e se emocionar com toda a entrega. E falando em entrega, diria que os produtores (entre eles Brad Pitt) erraram feio na data de lançamento do longa, pois o protagonista Kingsley Ben-Adir simplesmente virou Bob Marley na tela, trabalhou seu tom de voz para ficar o mais parecido com o cantor, cantou algumas versões de algumas músicas, e incorporou em danças e desenvolturas, de tal forma que certamente seria indicado nas premiações, mas que saindo agora em fevereiro, ao final do ano nem irão lembrar dele, o que é uma pena, pois foi incrível o ator e o envolvimento do longa.

O longa conta a história de Robert Nesta Marley OM, mais conhecido como Bob Marley, grande ícone do reggae, relembrando os importantes feitos do cantor para seu país, assim como as dificuldades que sua família e conhecidos passaram. Bob Marley ficou conhecido por sua pregação pela paz, do amor e da fé rastafári. Com o reggae, ultrapassou fronteiras e o sucesso foi imenso. Mas mesmo famoso, a violência em seu país era uma realidade e chega até Marley e sua esposa. Após um atentado, eles saem do país, mas no ano seguinte o cantor icônico decide voltar, pelo povo, para a Jamaica.

O diretor Reinaldo Marcus Green é conhecido por trabalhar muito bem com biografias de personagens menos explosivos, aonde consegue desenvolver sua trama de uma maneira quase que lúdica, porém ampla de ideias, e aqui o roteiro que chegou para ele é cheio de nuances bem abertas, aonde trabalhou todo o fascínio do homem que não via tanto valor no dinheiro, mas sim na essência da vida, não se enxergando como um astro, mas sim fluindo e passando sua mensagem e sua ideologia, de tal forma que o diretor pode brincar com as canções de Bob usando de suas mensagens, pode exagerar na composição cênica, e claro mostrar muitos de seus shows mundo afora, além de mostrar do que ele morreu, que certamente muitos não sabiam. Ou seja, é daqueles filmes que você nem chega a ver a mão do diretor presente, mas que ele usa de uma forma fácil e bem didática para que o público se envolva com tudo, o que acaba funcionando e agradando. Claro que dava para ter ido muito mais além com uma pegada talvez mais linear e menos reflexiva, mas mudaria bem toda a essência que o diretor quis trabalhar.

Quanto das atuações, posso dizer sem dúvida alguma que Kingsley Ben-Adir estudou demais toda a personalidade de Bob Marley para que não entregasse nada falso na tela, incorporando danças, trejeitos, e até mesmo o timbre de voz, de tal forma que se você me perguntar hoje como é a voz do ator não vou lembrar para falar, pois só consigo ouvir seu jeito de Bob, seu olhar de Bob e toda a desenvoltura incrível que fez na telona, chamando tudo para si e não falhando na entrega. Outra que foi muito forte nas desenvolturas de sua Rita Marley foi Lashana Lynch, que não deixou de lado nenhum momento, foi intensa e marcante, sabendo segurar cada ato seu na tela, apoiando e também dando bronca, fazendo realmente uma mulher bem presente. Também tivemos bons atos de James Norton como Chris Blackwell, agente do cantor e Anthony Welsh como Don Taylor, empresário do cantor, que tiveram alguns bons momentos, mas sem ir muito além, e ainda vale o destaque para Quan-Dajai Henriques que fez o personagem quando jovem e Cornelius Grant com um dread tão gigante que até assusta, como um guru espiritual do cantor.

Visualmente a trama teve uma boa entrega, mostrando uma Jamaica em caos, cenas fortes de um atentado, as várias lembranças caóticas também da infância do protagonista no meio de um incêndio meio que de duplo vários sentidos, aparecendo diversas vezes durante o longa, tivemos vários shows em todos os cantos da Europa, vemos vários ensaios com a banda bem maluca e com um ritmo bem intenso regado à muita erva enrolada, figurinos perfeitos e dreads de todos os estilos possíveis, além de uma comparação bem colocada com a Londres punk da época, ou seja, um trabalho de pesquisa muito bem criado pela equipe de arte.

A trilha sonora é um luxo completo com covers das canções icônicas do cantor, tivemos muitos atos com as canções de Bob colocadas apenas na boca do protagonista e até alguns vários atos aonde ele realmente cantou para dar encaixe com a dinâmica da trama, ou seja, tudo muito funcional e representativo de ouvir e até dançar. E aqui tem o link de algumas que tocam no filme para curtirem.

Enfim, é um filme que vai bem além do que esperava ver na tela, trabalhando bastante o período em que foi encaixado, que volto a frisar que até gostaria de ter visto mais sobre a infância e a juventude do rapaz antes do estrelato, mas isso pode ficar para um novo filme, então vá conferir, curta cada momento mostrado, se envolva e cante durante todo o filme, pois é algo muito bem feito e interessante de conferir. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Baghead - A Bruxa dos Mortos (Baghead)

2/11/2024 08:44:00 PM |

Costumo dizer que são bem raros os filmes de terror que não entregam ao menos uma mísera funcionalidade, seja fazendo o público assustar com algo, ou então ficar pensando em toda a situação, ou ficar com nojo/asco de algo mostrado e/ou personagem, ou até mesmo ficar tenso durante toda a exibição, e para isso o diretor procura impressionar no desenvolvimento de sua trama, porém há sempre as exceções, e "Baghead - A Bruxa dos Mortos" tem praticamente todos os elementos que citei, e não consegue convencer em nenhuma delas, sendo daquelas tramas que entregam diversos clichês em cima de algo diferente que poderia dar muito certo, mas que acaba se perdendo sem chamar atenção. Ou seja, não diria que seja um filme ruim pela essência, e certamente o curta que originou a ideia do diretor deve ser bem trabalhado, mas faltou um pouco de tudo para que a trama ficasse realmente interessante para chamar atenção do público.

A sinopse nos conta que após o falecimento de seu pai, Iris herda um antigo bar e se depara com um segredo obscuro: o local abriga uma entidade capaz de incorporar os mortos. Tentada a explorar os poderes da criatura e ajudar pessoas desesperadas em troca de dinheiro, Iris mergulha em um terreno perigoso. Ao lado de sua melhor amiga Katie, ela agora precisa lutar para manter o controle sobre Baghead e descobrir como destruí-la antes que ela as destrua.

Muitas vezes vemos alguns curtas-metragens que entregam situações tão boas em pouquíssimos minutos que ficamos na cabeça como seria ver isso como um longa bem funcional, e certamente isso foi o que ocorreu com o diretor Alberto Corredor, pois após seu curta ter sido aclamado, ele faz aqui a estreia como diretor de longas, e acabou se perdendo na essência da trama, no estilo de algumas cenas mais tensas, e até na forma dos personagens interagirem, isso sem falar na fotografia quase que totalmente escura, aonde você vê quase nada na tela, para tentar assustar o espectador. Ou seja, ele trabalhou seu longa com a famosa frase de ir ampliando tudo na tela sem realmente desenvolver o que precisava, e assim seu filme ficou interessante de ver, mas sem causar nada no espectador, o que é uma falha bem grande, pois acaba não chamando a trama para si como deveria.

Quanto das atuações, diria que a jovem Freya Allan fez uma Iris meio que acelerada demais na tela, sem grandes momentos que marcassem suas desenvolturas, e o principal sem trabalhar trejeitos de espanto frente à uma entidade desconhecida, de tal forma que ficou parecendo que ela estava olhando para algo tão conhecido e normal que estava tudo certo, ou seja, faltou personalidade para a protagonista, e também ser marcante na tela. A lógica nos atos finais fazem um pouco de sentido de insistirem tanto no personagem de Jeremy Irvine com seu Neil, pois o ator até tem uma boa entrega nos seus três momentos junto da bruxa, mas se o esquema era de conversarem com os mortos, teoricamente deveria ter outros personagens indo ali e não apenas o jovem rapaz, mas ele ao menos não desapontou com a ideia toda. Ruby Barker também foi meio que simples em cena com sua Katie, trabalhando alguns atos investigativos, mas sem ir muito além, e claro teve o mesmo problema que a protagonista em não demonstrar medo ou qualquer coisa pela bruxa, o que desaponta bastante em filmes desse estilo. Quanto aos demais, diria que Anne Müller trabalhou bem sua bruxa, não mostrando claro sua cara, afinal quando aparecia estava com a face dos escolhidos para incorporar, então vemos um Peter Mullan desesperado para que a filha não use os poderes da bruxa, uma Svenja Jung meio que atordoada com sua Sarah e uma Julika Jenkins bem colocada com personalidade forte para com sua Regina.

Visualmente a trama alemã trouxe algumas nuances bem marcantes com um casarão imenso que na verdade é um antigo bar, vemos alguns cômodos meio que abandonados, e um porão bem chamativo com estilo e desenvoltura cênica, aonde acaba funcionando bem toda a ideia, com uma bruxa estranha com sua cabeça coberta por um saco, vemos alguns atos fortes com fogo e símbolos, mas tudo muito escuro, de modo que acaba não sendo uma grande valorização cênica.

Enfim, é um filme que com alguns poucos ajustes acabaria sendo bem interessante de ser conferido, mas que da forma que acabou sendo entregue não causa nada no espectador, e isso é uma pena, pois acaba sendo uma trama apenas jogada na tela, e que não vale a recomendação. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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