Netflix - Esquadrão Trovão (Thunder Force)

4/10/2021 02:17:00 AM |

Se alguém me falasse que o filme da Netflix, "Esquadrão Trovão", foi pra plataforma sem estar terminado, tipo um vazamento de dados, hoje com toda certeza após conferir a trama eu acreditaria totalmente, pois o resultado parece algo que nem prepararam todos os efeitos de forma correta, que a história foi feita nas coxas e na edição colocaram o que conseguiram filmar, e por aí vai, pois não chega a ser nem uma comédia parodiando os longas de super heróis que funcionasse, nem uma trama realmente de heróis versus um grupo de vilões, ao ponto que todo o resultado acaba sendo estranho de ver, os poderes soam bizarros, e mesmo as protagonistas parecem não estarem dispostas completamente para a trama. Ou seja, é daqueles filmes que você até tenta encaixar como um passatempo de final de semana, mas que no final acaba não acreditando em tudo o que viu.

A sinopse é bem simples e nos conta que em um mundo onde supervilões são comuns, duas melhores amigas de infância, separadas pelo tempo, se reúnem depois que uma delas inventa um tratamento que lhes dá poderes para proteger sua cidade.

O diretor e roteirista Ben Falcone, que é casado com a protagonista e tem feito quase todos os últimos filmes dela, até que tentou criar algo que seria irreverente ao menos, com ideias diferentes do usual de filmes do estilo, mas que acabou saindo muito do eixo, e principalmente deve ter recebido a ideia rápido demais para se fazer um filme com toda a pegada necessária, e que funcionasse principalmente, pois é inegável que o longa tem uma boa proposta, tem os elos de amizade com brigas, distância e tudo mais, tem o carisma das duas protagonistas que sempre chamam seus filmes para seus personagens, mas acabou virando uma bagunça tão fora de rumo, com efeitos e maquiagens estranhas (os braços de caranguejo de um personagem chega a ser bizarro, e provavelmente foi um incômodo monstruoso usar aquilo, valendo apenas para o ato que o vilão quebra eles, que aí os efeitos funcionaram e mostraram como já vimos que é dentro de uma pata de caranguejo realmente). De forma que diria que até algumas piadas e jogadas de duplo sentido funcionaram, mas certamente não fizeram nem metade do que poderia ter sido feito para chamar mais atenção, e somente será bem visto por ser o lançamento da semana da plataforma, e o povo ser curioso, pois não vale o play, quanto mais as quase duas horas apresentadas.

Sobre as atuações, gosto demais do estilo de Octavia Spencer, ao ponto de sempre torcer para suas personagens (até mesmo a malvada "Ma"), mas aqui sua Emily é passiva demais de tudo, ao ponto de parecer estar se sentindo desconfortável com o que estava fazendo, não fluindo como ocorre com todas as suas personagens, ou seja, vemos uma mulher riquíssima que não chega a lutar, mas sim desaparece e fica acuada, e somente nas cenas finais que saiu dando um pouco mais de porrada, mas sem expressividade e nem encaixando a dramaticidade casual que sempre faz, ou seja, não empolga. Melissa McCarthy sabe fazer comédia, e sabe brincar bem com suas personagens, dando até que uma personalidade interessante para sua Lydia, e se aventurando mais nos atos que precisavam de uma movimentação maior, porém a personagem é apenas exagerada, não sendo engraçada naturalmente, nem escrachada demais ao ponto de gostarmos do que faz, mas ao menos não desaponta tanto por já sabermos seu estilo de humor, e assim ela acaba fluindo. Jason Bateman ficou extremamente tosco com seu Caranguejo, de forma que tentou ser carismático e envolvente, mas apenas soou bobo, e certamente não era isso o esperado do personagem, de forma que acabou sendo jogado até em segundo plano. Bobby Cannavale até caiu bem para a personalidade do vilão O Rei, mas tudo acontece rápido demais ao ponto que nem vemos ele se desenvolver, fazendo alguns atos de vilania imponentes, em outros tentando soar bobo e engraçado, mas transformando tudo em uma bagunça tremenda que no final nem sabemos mais se gostamos ou não dele. A jovem Taylor Mosby até teve bons momentos com sua Tracy, sendo simpática e bem colocada como alguém até mais inteligente que a mãe, mas quando tudo começa a fluir para sua personagem, o longa acaba, ou seja, poderiam ter usado mais ela antes, e certamente daria um tom melhor para a trama. Melissa Leo foi figurativa demais com sua Allie, e não chamou a atenção que a atriz sabe fazer, ao ponto que quase esquecemos que ela apareceu, e Pom Klementieff só serviu com sua Laser para mostrar efeitos estranhos e fazer caronas, também não empolgando mesmo sendo quase tão protagonista quanto o vilão, ou seja, esquecível, e falando em pessoas duras de engolir foi ver o diretor fazendo piadinhas atuando com seu Kevin, ou seja, bizarro demais. Quanto as versões jovens das protagonistas, diria que foram bem interessantes, e até valeria ter usado mais elas, mas como não foram muito usadas, apenas diria que foram bem graciosas.

Visualmente a trama tem uma boa pegada, mostrando uma Chicago bagunçada, mas falando que tem diversos vilões Meliantes foram criados a partir de algo que nem lembro que falou no começo, mas só vemos 3 em cena, ou seja, economizaram demais nos recursos, e não foram muito além, e se vão ficar esperando uma continuação, duvido de acontecer, pois o filme é bem ruim, além disso tivemos efeitos bizarros, falsos demais, com explosões estranhas, pedaços de coisas voando, lutas sem quase nenhuma coreografia, ao ponto que vale apenas destacar o treinamento da protagonista em um prédio bem luxuoso e bem produzido, mas com tantas bizarrices que acaba sendo lastimável de ver a protagonista chupando e engolindo frango cru.

Enfim, é o que disse no começo, falharam tanto ao tentar fazer uma paródia de filme de super-heróis, quanto num filme de heróis mesmo, bagunçando tudo e nem conseguindo fazer graça, ou seja, dá pra fugir tranquilamente que é certamente tem outros bons filmes para conferir na plataforma, e sendo assim não recomendo a trama de forma alguma. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Silk Road: Mercado Clandestino (Silk Road)

4/09/2021 01:26:00 AM |

Quem me conhece um pouco sabe que gosto praticamente de todos os estilos, mas que exijo o principal de uma trama: envolvimento! E particularmente quando uma trama entrega algo que me deixe completamente preso, curtindo todos os movimentos dos protagonistas, torcendo por algum deles para que alcance o objetivo, e que entregue tudo de uma maneira simples sem precisar de grandiosas reflexões, é dito e feito, me apaixono pelo resultado e já começo a indicar o longa para todos, e nessa semana quando estava lendo os nomes e breves sinopses dos filmes que estreariam em Abril nas plataformas digitais já fiquei bem curioso com a trama de "Silk Road: Mercado Clandestino", e hoje ao conferir posso dizer que é um tremendo filme maluco, com uma história completamente envolvente, e que facilmente enxergamos na trama muitas semelhanças com outros filmes de criações, como foi a história de "A Rede Social" ou "Jobs", mas que se nesses filmes nos foram mostrados como as mentes brilhantes chegaram ao ápice fazendo algo "bom" para o povo e para o Estado, aqui vemos um jovem filósofo libertário que resolve quebrar o Estado fazendo o Ebay ou Amazon das drogas na dark web, e que com um site bem simples passou a ganhar milhões de bitcoins e que só não foi além por ter na cola um grande agente do DEA lascando com suas ideias. Ou seja, é um tremendo filme simples, que funciona demais, e que quem gosta de filmes policiais investigativos diretos, sem mistérios ou grandes nuances, mas tudo bem colocado vai gostar bastante do que verá.

No longa acompanhamos Ross Ulbricht, um filósofo na casa dos vinte e poucos anos. Insatisfeito com sua carreira, ele decide mudar radicalmente e cria o Silk Road, um site de vendas de drogas. Com o objetivo de pôr um fim no império do jovem filósofo, Rick Bowden, agente da DEA, se disfarça para derrubá-lo.

Sempre falei que é difícil demais imaginar um documentarista de tantos anos migrar para o lado da ficção e acabar acertando bastante no resultado, mas hoje posso mudar minha opinião, afinal o que Tiller Russell fez adaptando um artigo jornalístico de David Kushner para o cinema foi algo surpreendente, com uma pegada informal e ao mesmo tempo clássica, com desenvolturas marcadas, mas também bem abertas, com nuances e situações cheias de símbolos, porém efetivas sem muita preocupação, ou seja, fez uma verdadeira ficção embasada em fatos reais, sem apelar, nem forçar nada, apenas contando toda a história e criando momentos bacanas de se ver com os protagonistas, ao ponto que vemos desde o jovem que não sabia nada desse mundo e aprendeu como criar algo do zero, quanto um agente que sequer sabia ligar um computador direito aprender tudo sobre o mundo digital ao ponto de enganar um jovem idealista. Ou seja, a trama foi tão bem contada, tão bem amarrada, cheia de momentos interessantíssimos que acaba agradando até mais do que parecia no início, e que se tivesse de queixar de algo colocaria apenas os fechamentos cênicos congelando os personagens em determinados momentos, que acaba lembrando um pouco um ar de novela da Globo, mas isso é um mero detalhe, que dá para ignorar e esquecer, pois tudo o demais é muito bom de ver, e certamente lembrarei do diretor pela sua primeira ficção muito bem dirigida e roteirizada.

Sobre as atuações acaba sendo bem bacana ver a forma despretensiosa que o jovem Nick Robinson entregou seu Ross Ulbricht, ao ponto que vemos realmente que o jovem era alguém que estava ligando para o nada, que foi aprendendo conforme as coisas foram acontecendo, e que só lhe interessava quebrar o Estado, e o ator foi tão bem colocado, tão cheio de trejeitos desesperados quando tudo começa a ruir, demonstrando a todo momento a inexperiência e a leve "ingenuidade" para com os momentos que ia viver, que realmente vemos que o ator teve um grandioso crescimento depois de tantos filmes românticos, ou seja, foi muito bem. Já pelo outro lado, tivemos um Jason Clarke completamente disposto a encarar tudo o que estava para vir com seu Rick Bowden, entregando uma personalidade forte e interessantíssima de ver, cheio de momentos engraçados, mas cheios de força no personagem, e que principalmente foi encaixado na operação de uma maneira simples, mas efetiva e esperta, afinal viu que não estavam nem aí para ele, então usou o que tinha em sua expertise para ganhar também, ou seja, foi muito bem no papel, e agradou demais. Paul Walter Hauser sempre pega papeis ligeiramente bobos, mas entrega personalidades tão bem colocadas, que acabamos nos divertindo e torcendo por tudo o que faz, e aqui seu Curtis é daqueles que nem imaginamos a capacidade de fazer tudo acontecer, mas que se desespera totalmente quando a corda explode para seu lado, e o ator fez trejeitos tão bem colocados que não tem como não rir de todos os seus atos. Da mesma forma, Darrell Britt-Gibson apareceu em poucas cenas com seu Rayford, mas foi engraçado nas nuances, teve momentos marcantes e conseguiu ter uma boa química com o protagonista ao ponto de inicialmente parecer um personagem sem muita utilidade, mas nas cenas finais o resultado acaba sendo icônico com tudo o que faz. Quanto das mulheres do longa, tanto Alexandra Shipp que já conhece o protagonista de diversos outros longas, e acabou entregando até uma boa química entre ele e sua Julia, quanto Katie Aselton com sua Sandy, entregaram de maneiras simples as bases mais centradas para os maridos/namorados malucos da trama se conectassem, e assim acabaram se envolvendo com tudo, fazendo boas cenas, e funcionando bem. Quanto aos demais, a maioria apareceu bem pouco e nem teve grandes expressividades na trama, tendo um destaque negativo para a arrogância do jovem diretor do setor de crimes digitais vivido por Will Ropp, mas mais pelo personagem do que pelo ator em si.

Visualmente o longa foi simples, porém efetivo na proposta, mostrando o desapego do protagonista (apesar de parecer ser de família bem rica), e assim não ligando para roupas chiques, casas, e ficando amontoado na casa da namorada, o site também bem simples sem nada muito chamativo, mas usaram bastante material de chamadas de jornais, e deixaram claro uma delegacia bem simples também, porém na casa do traficante mesmo foi algo muito divertido de ver com sua proposta de loucura, seu ambiente, e tudo mais, ou seja, a equipe de arte nem gastou muito para criar todos os ambientes, mas acertaram bem os símbolos ao ponto de tudo ser bem encaixado e a investigação ser bem mostrada.

Enfim, foi um tremendo de um filmaço, com uma proposta simples, que até chega a chocar pela realidade mostrada, afinal a trama toda acabou acontecendo, e mostra que no mundo do crime não dá para ser ingênuo, de forma que com uma trama bem maluca e surpreendente acabamos nos envolvendo bastante e mesmo com algumas leves falhas acaba agradando demais, ao ponto que recomendo o longa com toda certeza. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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VOD - Meu Pai (The Father)

4/07/2021 01:09:00 AM |

Olha, temos um filme com tantas características e estilo que os votantes do Oscar gostam que se esse ano não tivessem já tantas cartas marcadas apostaria fácil em alguns ganhos para o filme "Meu Pai", pois mesmo sendo uma peça transportada para filme (aliás nem consigo imaginar toda essa montagem funcionando como uma peça!), nos é entregue tantos bons momentos, tanta confusão nas dinâmicas, que em diversos atos me vi perguntando se tentaram nos mostrar que o personagem está senil e confuso com tudo, ou se eu estava ficando maluco e confundindo tudo o que me era mostrado, pois as jogadas e nuances são tão repetitivas com envolvimentos diferentes acontecendo do mesmo ato, com coisas sumindo, personagens mudando, cabelos, roupas e tudo mais, que a mente vira uma grandiosa bagunça, e o resultado acaba sendo incrível e emocionante. Ou seja, é um filme bem simples, que mostra que a idade começa a nos pregar peças em nossa mente, e claro que não queremos ser cuidados, então a base da trama é o conflito mente, filha, idoso, e que com ótimas sacadas de locações, o resultado da montagem impressiona e funciona demais.

A sinopse nos conta que Anthony tem 81 anos de idade. Ele mora sozinho em seu apartamento em Londres, e recusa todos os cuidadores que sua filha, Anne, tenta impor a ele. Mas isso se torna uma necessidade maior quando ela resolve se mudar para Paris com um homem que conheceu há pouco, e não poderá estar com pai todo dia. Fatos estanhos começam a acontecer: um desconhecido diz que este é o seu apartamento. Anne se contradiz, e nada mais faz sentido na cabeça de Anthony. Estaria ele enlouquecendo, ou seria um plano de sua filha para o tirar de casa?

Diria facilmente que a estreia de Florian Zeller como diretor de filmes (afinal já faz muito sucesso como escritor e diretor de peças) foi algo muito bem preciso e imponente, pois trazendo sua peça de sucesso que já foi adaptada de forma completamente diferente em outros longas (inclusive em um filme que já vimos no Varilux - "A Viagem de Meu Pai" com uma formatação completamente diferente), o resultado que ele acabou desenvolvendo aqui junto com o editor Yorgos Lamprinos foi algo digno de envolver, de criar percepções e surpresas que a vida acaba nos entregando, e que cheio de nuances na montagem que nos deixam completamente confusos com o que está ocorrendo, quem o protagonista está enxergando nos lugares, o que ele está vendo que é real ou não, e com um texto forte, porém não duro acaba nos proporcionando uma vertigem completa em cima de como é viver a senilidade através do olhar do protagonista, e também daqueles ao seu redor. Como já disse no começo, até me surpreende ver o filme e saber que era uma peça, afinal chega a ser dificílimo pensar em todas essas quebras de olhares, das mudanças de personagens a todo momento, de locais e tudo mais, que como filme acabou funcionando demais, e o melhor, sem cansar, afinal peças dramáticas costumam ser amarradas demais, e aqui os 97 minutos passam voando.

Sobre as atuações é claro que temos de aplaudir com toda certeza todo o trabalho de Anthony Hopkins que sabiamente trouxe toda sua experiência interpretativa para o papel, e que estando inclusive com mais idade real do que o personagem também pode colocar algo de sua vida pessoal no papel, ou seja, ele nos dá olhares, nos entrega nuances e desenvolturas, e principalmente brinca com toda a estrutura narrativa que o filme necessitava, agradando demais em tudo, e que se não fosse um ano que já temos praticamente definido o ganhador do Oscar por uma premiação póstuma, diria que as chances dele seriam bem altas. Da mesma forma vemos uma Olivia Colman bem colocada, com o estilo clássico bem marcado que sempre entrega para seus papeis, e que fazendo sua Anne uma mulher preocupada com o pai, mas também precisando de ajuda para cuidar dele, se envolve em vários momentos, e brinca com o público durante todas as facetas da trama, passando trejeitos fortes e bem colocados. Quanto dos demais personagens, todos foram bem encaixados, brincaram bastante com nossa mente, e cada um de uma maneira simples, porém envolvente acabou chamando atenção e agradando no que faz, com destaques claro para Rufus Sewell como Paul, Imogen Poots como Laura, Mark Gatiss como Bill e Olivia Williams como Catherine.

Visualmente o filme é simples, afinal praticamente se passa todo dentro do apartamento do protagonista, ou da filha, ou num asilo, e que brincando com nossa mente mudando móveis, mudando piso, mudando roupas, mudando o próprio ambiente em si, a trama ousa bastante e acaba chamando atenção demais, afinal ficamos perdidos como o protagonista se aquilo estava ali ou não, se já viu aquele momento ou não, se tirou o relógio ou aonde pôs, e assim cada elemento cênico passa a valer ser bem visto, mostrando que a equipe de arte foi tão bem acertada que acabou também ganhando uma indicação ao Oscar.
 
Enfim, é um tremendo filme que é quase perfeito só não sendo melhor por ser talvez confuso demais em alguns atos, mas felizmente isso também é o ponto alto da trama, e dessa forma o longa está indicado a 6 prêmios no Oscar (Filme, Ator, Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Edição e Design de Produção), e só por isso já é algo que vale a conferida, mas confirmo ainda mais que tudo é bem interessante e passa muito rápido, agradando bastante a todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

 
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AppleTV+ - Cherry - Inocência Perdida (Cherry)

4/06/2021 01:52:00 AM |

Já me indicaram muitos filmes que aparentavam ser bons, seja pelo elenco conhecido, pelos diretores imponentes, ou até mesmo pela história em si, e quando fui conferir não empolgou em nada, mas hoje esse que foi um dos investimentos mais caros da AppleTV+ até hoje superou tudo e mais um pouco, pois o novo longa dos Irmãos Russo, que todos conhecem pelos grandiosos últimos filmes dos Vingadores, "Cherry - Inocência Perdida" é daqueles que vemos claramente como gastar um dinheiro imenso erroneamente, com uma trama cansativa, um filme cheio de ambientes e desenvolturas, desde cenas grandiosas de guerra, muitas cenas de assaltos bobos que não dá para acreditar que alguém num banco entregasse o dinheiro assim tão facilmente, diversos momentos com drogas de todos os tipos, e claro muita insanidade por parte dos protagonistas que até entregam uma boa química entre eles, com um romance bem drogado e interessante de ver. Ou seja, é um filme que não chega a ser ruim, por ter uma produção grandiosa e bem chamativa, mas é fraco de atitudes e cansa mais do que empolga, e assim nem quem curtir muito dramas vai acabar se envolvendo com o filme, a não ser que seja exageradamente fã do protagonista.

A sinopse nos conta que Cherry tranca a faculdade e vai servir na guerra do Iraque, com o apoio de sua amada Emily. Mas ao voltar para casa com transtorno de estresse pós-traumático e tentar encontrar seu lugar no mundo, sua vida entra em uma espiral descendente rumo ao mundo das drogas e do crime.

Claro que o filme tem todo o estilo que os diretores Anthony e Joe Russo sempre entregam em suas produções, porém faltou uma determinação maior em cima do tema, uma desenvoltura maior em cima dos papeis, e não apenas mostrar um dependente químico maluco, que se droga junto com a namorada após um estresse traumático de guerra (algo que sabemos que ocorre aos montes), e mostrar assaltos bobos irreais para arrumar dinheiro, pois sim sabemos que muitos viciados roubam aos montes lojas pequenas e alguns bancos menores, mas vir mostrar uma nota escrita estou armado, isso é um assalto é algo que nem o caixa de banco mais idiota do mundo entregaria uma tonelada de dinheiro. Ou seja, acabaram gastando tanto na produção, nas cenas de guerra, nas grandiosas loucuras e tudo mais, que esqueceram de pelo menos colocar o arbitrário real para pensar, e mesmo nas cenas mais melosas do casal poderiam ter feito algo um pouco mais forte com eles, pois a monotonia cansa o público. Outro detalhe que os Russo são bons e não usaram aqui, já fizeram filmes gigantescos com dezenas de personagens e não precisaram capitular, sabendo fazer sequências de conexões perfeitas para que tudo fosse alinhado e funcional, e aqui foram colocar capítulos em tudo, com montagens pífias e estranhas, ou seja, gastaram o dinheiro da Apple e só. Agora se tenho de elogiar algo, faço isso com gosto, pois os nomes que deram para os bancos, para os médicos foi algo genial e muito bem divertido como uma sacada bem irônica e funcional, além da ótima transformação de maquiagem para com o protagonista em diversos momentos, mostrando mais gordo, com bigode, com cortes de cabelo e tudo mais, ou seja, nesse quesito acertaram bem, e se talvez tivessem usado mais isso, e brincado mais com a ironia em tudo ao invés do melodrama, o resultado seria completamente outro filme muito melhor.

Sobre as atuações, diria que facilmente Tom Holland vem crescendo muito na carreira de ator, cada vez pegando projetos maiores, mas não anda caindo em papeis que o valorizem como ator dramático, tanto que no longa da Netflix, "O Diabo de Cada Dia" ele teve críticas bem mistas com muita pressão em cima de seus trejeitos, e aqui novamente temos a mesma situação, ao ponto que ele se entrega bem para os papeis, faz estilos fortes e tudo mais, mas seu Cherry não tem uma consistência, misturando momentos explosivos que não parecem verdadeiros, e emocionando com melodramas demais, ou seja, ele foi muito bom quando adolescente, e se não começar a pegar papeis que mostrem mais sua personalidade realmente corre o risco de daqui a alguns anos não saberem aonde colocar ele, mas isso é uma opinião minha, e posso estar bem errado, como também posso estar muito certo como já acontecer com outras promessas que acabaram sumindo de Hollywood por não acertarem em projetos mais ousados. Ciara Bravo foi meiga demais em alguns momentos com sua Emily, e tentaram quebrar isso com algumas cenas mais doidas de seus atos drogados, e isso não é algo que a mostrasse realmente, de forma que não a vemos como alguém quebrado ou desesperado realmente, parecendo que a artista não estava fazendo algo próprio e sim forçando a desenvoltura a pedido dos diretores, ou seja, talvez algo mais comum chamaria mais atenção do que a quebra do estereótipo mostrado com alguém não comum, ou seja, não convenceu, porém a química do casal ficou bacana de ver, e isso poderia ter sido melhor explorado. Quanto aos demais, tivemos o lado dos amigos drogados engraçados e malucos, com destaque para Jack Reynor e Forrest Goodluck com seus Pills and Coke e James Lightfood respectivamente, e do outro lado os amigos de guerra com destaque para Jeff Wahlber com seu Jimenez, mas nada que surpreendessem em nenhum dos três, sendo apenas bons personagens de conexão para os protagonistas.

Agora sem dúvida alguma os Russos sabem produzir coisas gigantescas, e aqui temos câmeras fazendo tomadas aéreas imensas para mostrar a magnitude dos cenários da guerra, com muitos ambientes repletos de figurantes e muitas salas/quartos dos alojamentos, vemos cenas com diversos tanques, helicópteros e tudo mais aparecendo em diversos ângulos e explosões, e mesmo na cidade tivemos bancos de todos os tipos possíveis, com muitos personagens aleatórios, nas cenas dentro da casa dos protagonistas tivemos todo tipo de droga e de formas de se drogarem e namorarem filosofando e dormindo, com loucuras possíveis e impossíveis de ver quando estavam dopados, e mesmo no epílogo fizeram questão de dar todas as nuances possíveis da cadeia com elementos mil e mais toneladas de figurantes passando diversos anos sem nem gastarem um diálogo só que fosse, enquanto a equipe filmava milhares de cenas, e a equipe de maquiagem suava horrores para fazer as transformações no protagonista. Ou seja, é daqueles filmes que acabam sendo bonitos de ver por todo o trabalho envolvido, mas que mereciam ter usado isso para melhorar a história e não apenas para jogar na tela o dinheiro gasto.

Enfim, é um filme interessante de ser conferido pelo que falei aqui em cima, por uma produção gigantesca muito bem feita, com elementos cênicos incríveis e tudo mais, porém é uma história simples, chata, e que mesmo tendo muita ironia envolvida para dar algumas quebras e tentar divertir o espectador, acaba não funcionando e não agradando como poderia, resultando em algo bem mediano, que volto a afirmar que só os fãs do ator talvez irão gostar, enquanto os demais irão se cansar na metade, terminando a força praticamente para ver se vão gostar do fim. E sendo assim, só recomendo se você estiver com muita vontade realmente de ver o filme, pois são 142 minutos custosos de passar, e que realmente fiquei bravo com as pessoas que me recomendaram ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Acho que poderia dar uma nota até menor para a trama toda, mas a grandiosidade do projeto em si acaba valendo pelo menos 6.


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Netflix - Até o Céu (Hasta el Cielo) (Sky High)

4/04/2021 08:54:00 PM |

Já disse outras vezes aqui no site que gosto muito do que o cinema espanhol costuma entregar, e eles tem acertado bastante em diversos gêneros, o que faz com que você possa dar o play em qualquer um e a chance de não curtir é bem pequena. Dito isso, a história que o lançamento da Netflix "Até o Céu" nos entrega é bem bacana, cheia de boas nuances, com uma trama bem amarrada de bons assaltos, só tendo um único ponto que fraquejou bastante: o protagonista, pois ele não tem perfil de imponência, nem tipo de pessoa que comandaria uma rede criminosa, e sim daqueles que na primeira vez preso já denunciaria o grupo todo e viraria comida de peixe pelos grandes nomes do crime. Ou seja, é um bom filme pelo contexto geral, mas certamente com um nome mais forte no papel principal (por exemplo Mario Casas), o resultado além de agradar bastante, seria daqueles memoráveis que todos se surpreenderiam do começo ao fim, mas como já disse o que temos aqui não é ruim, e assim sendo quem curte o estilo irá ter bons momentos de passatempo.

A sinopse nos conta que Ángel é um jovem dos subúrbios de Madrid cuja vida mudará para sempre no dia em que conhecer Estrella em uma boate. Após uma briga com Poli, o namorado possessivo da garota, ele descobre que Ángel tem talento para se meter em encrencas e, o mais importante, para sair delas. Por isso, ele o incentiva a se juntar à sua gangue de ladrões, que tem toda a polícia de Madrid sob controle. A ambição de Ángel o fará mergulhar em uma pirâmide de roubos, dinheiro fácil e negócios duvidosos, que o levará de Madrid a Ibiza. Sua habilidade também fará dele o protegido de Rogelio, um capo que controla o mercado negro da capital, e de Sole, sua filha, que ficará apaixonada por ele. A escalada de Angel será imparável e ele logo se tornará um dos ladrões mais procurados do país. E conforme o cerco policial se intensifica, ele terá que decidir entre Sole ou o amor de sua vida, Estrella. Uma viagem que começou no mais humilde dos subúrbios e que visa o ponto mais alto: o céu.

Diria que aqui o diretor Daniel Calparsoro melhorou um pouco do que fez com seu último filme "O Aviso", ao ponto que deu mais nuances para os personagens e conseguiu trabalhar o roteiro de Jorge Guerrichaechevarría de uma maneira bem equilibrada, fazendo com que os crimes fossem cheios de interações bem feitas, e principalmente com uma montagem dinâmica que fizesse o público conferir as quase duas horas diretas com uma boa pegada e estilo. Claro que o filme tem seus exageros, afinal esse estilo pede isso, mas como a trama é baseada em acontecimentos reais, o que acabamos vendo é cheio de momentos bem encontrados, e traz principalmente o exagero que muitos que acabam entrando para o crime perdem os limites, fazendo transações insanas, enfrentando tudo e todos, e em certo momento já achando que são imbatíveis, e assim caindo no que acabaram desenvolvendo. Ou seja, tudo é muito bem feito, e como disse no começo se tivesse um ator mais imponente como protagonista, o resultado seria incrível, pois não que o escolhido seja um ator ruim, muito pelo contrário, ele fez bons trejeitos e atos, mas não nos convence de ser o fodão como o personagem pedia.

Já que falei um pouco da minha reclamação em cima do ator Miguel Herrán, posso dizer que ele foi até sincero dentro da personalidade de seu Ángel, porém o ator não entregou a malemolência que o papel exigia, não deu nuances de olhares fortes, e principalmente não conduziu o filme como um ladrão realmente conduziria, ao ponto que vemos um jovem bem armado de ideias fazendo trambiques bem montados para roubar as coisas, e não alguém imponente e cheio de astúcias como é costumeiramente interpretado esses papeis, ou seja, faltou força para o papel, e não que ele seja um ator ruim, mas não é o tipo de papel que lhe caísse bem. É até engraçado ver Carolina Yuste retratada como um mulherão tão desejado com sua Estrella, pois ela tem uma pegada de barraqueira e um estilo que certamente o protagonista escolheria a outra opção para ficar, mas a atriz soube trabalhar bem os olhares, e cadenciar seus momentos para chamar bastante atenção e isso funcionou bem no que a personagem pedia. Já Asia Ortega deu nuances mais soltas para sua Sole, com uma personalidade centrada que acabou caindo bem na lábia do protagonista, passando por cima até de seu pai que era o grande arquiteto de todos os crimes na cidade, e ela ainda teve olhares e um visual bem bonito de se cativar, não pela personalidade do protagonista, mas de um mulherão que valia a investida. Já que falei do pai, Luis Tosar apareceu pouco com seu Rogelio, mas sempre bem trabalhado, e com dinâmicas diretas ao ponto nas suas falas, acertando bem, e chamando a atenção para seus atos e rupturas, agradando bem em tudo. Embora seja a estreia de Richard Holmes com seu Poli, o jovem ator até foi bem no papel, teve alguns atos com imposições, e acabou chamando até mais atenção do que o protagonista, ao ponto que talvez com papeis invertidos o filme até tivesse um algo a mais, mas não rolou, e assim sendo vamos ver se ele ganha chances com outros papeis. Dentre os demais, cada um apareceu pouco e deu as devidas conexões para com os protagonistas, seja pelos demais elementos do bando como Ramón Sánchez com seu Nando, ou Dollar Selmouni com seu Gitano, passando pela advogada trambiqueira Mercedes vivida muito bem por Patricia Vico, até chegarmos no policial exagerado vivido por Fernando Cayo, ao ponto que cada um foi bem no que precisava, mas sem grandes destaques.

Visualmente o longa foi interessante com algumas festas em boates, alguns assaltos imponentes a joalherias e concessionárias de carros de luxo, um grandioso assalto em uma balsa/navio gigantesca, várias cenas em delegacias e presídios, além de uma boa armação em um hotel de luxo, e claro muitas cenas nas periferias no começo mostrando de onde saiu o protagonista, ou seja, a equipe de arte teve um bom trabalho na construção dos diversos elementos da trama, e o resultado visual ao menos acaba surpreendendo bastante com muitos carros de pompa, e vários elementos alegóricos bem trabalhados para dar as nuances que o diretor precisava.

Enfim, está bem longe de ser um filme perfeito, mas tem boas cenas e boas dinâmicas, que acabam fazendo valer a conferida e até se empolgar em alguns momentos, ao ponto que volto a frisar que talvez o maior erro tenha sido a escolha do protagonista, e o diretor exagerar um pouco demais em algo que foi baseado em fatos reais, mas isso é uma opinião apenas, e sendo assim, digo que quem quiser um passatempo sem muita coisa para reclamar acaba valendo o tempo na frente da TV. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Alma de Cowboy (Concrete Cowboy)

4/03/2021 01:38:00 AM |

Confesso que não sei o que estava esperando do filme da Netflix, "Alma de Cowboy", pois não havia lido nada sobre ele, e apenas tinha visto rapidamente aquelas cenas que passam quando deixamos a TV ligada com a plataforma aberta, então diria que agora após conferir que é um filme interessante sobre a proposta de cowboys que vivem atualmente no meio da cidade, e que jovens do meio deles acabam saindo ou nem entrando para o mundo do crime, e assim sendo a trama vale como uma retratação de uma comunidade específica, porém como cinema/ficção realmente com um tema que fluísse e emocionasse realmente acabou faltando um pouco mais de envolvimento, de emoção e até talvez de uma linearidade cênica, pois em vários momentos vemos a trama acontecendo, daí jogando tela preta (o famoso fade out), outra cena completamente diferente, e assim acabamos não entrando tanto no clima como deveria. Ou seja, não é um filme ruim, mas passa longe de ser algo que empolgue como filme mesmo, valendo para sabermos que ainda existem cowboys mesmo em um país riquíssimo como é o EUA, no meio de grandes cidades, da mesma forma que vemos pessoas com cavalos nas cidades por aqui.

O longa que é inspirado nos estábulos de Fletcher Street nos mostra que Cole, de 15 anos, é levado para viver com seu distante pai no norte da Filadélfia. Lá, ele descobre a vibrante cultura de cowboys urbanos da cidade que existe há mais de 100 anos, proporcionando um refúgio seguro para o bairro, apesar da pobreza e violência.

Diria que talvez o mesmo roteiro nas mãos de um diretor mais experiente veríamos um resultado mais expressivo na tela, pois o estreante Ricky Staub até tentou trabalhar a alma realmente de cowboy, de um amante de cavalos, de saber domar a vida e tudo ao seu redor, mas ao conectar com a ideia de fugir da criminalidade, das escolhas da vida, e tudo mais em seu primeiro filme acabou fazendo algo que poderia ser grandioso ficar bagunçado e sem muitos rumos, não tendo nem apresentações bem feitas dos personagens, nem momentos que chamassem realmente a atenção, ao ponto que tudo acaba acontecendo, personagens morrendo, situações que seriam alongadas passando rápido, e o resultado sem fluir realmente, nem fazendo com que conheçamos mais nada ali, ou seja, faltou realmente um norte para o filme se direcionar.

Um dos pontos que mais faltou acontecer realmente é ver Idris Elba se mostrar realmente como um cowboy, ou melhor, como um líder da comunidade ali pelo que aparentou ser, pois sabemos o potencial do ator, e aqui seu Harp pareceu imponente, mas apenas riu nas rodas, discutiu com o filho por motivos abertos demais, e não atacou realmente quando precisava explodir, ficando bem no meio do caminho de tudo, o que acaba sendo ruim. Caleb McLaughlin pode até ser um ator muito bom na série que todo mundo fala, mas aqui seu Cole ficou muito em cima do muro, com cenas espaçadas demais, com expressões forçadas e estranhas, ao ponto que não conseguimos acreditar no seu personagem, parecendo estar completamente perdido em todas as cenas, ou seja, faltou como já disse no texto uma direção melhor para dar as nuances que o jovem precisaria mostrar, e sem isso ele não conseguiu ir muito além. Jharrel Jerome fez um Smush bem agitado, com ideias interessantes, mas não boas o suficiente para sobreviver no meio do crime, ao ponto que vemos o ator com bons trejeitos, bons momentos, e com uma malemolência bem colocada, que acaba agradando para o papel, mas de cara já sabíamos o que iria rolar com ele para o filme fluir. Quanto aos demais, alguns tentaram passar lições, as personagens femininas foram bem pouco usadas, e os verdadeiros cowboys do gueto Jamil Prattis e Ivannah-Mercedes até que se saíram bem em frente das câmeras com seus Paris e Esha. 

Visualmente o longa foi interessante por criar uma casa bem rústica aonde o protagonista mora, com poucos elementos como casa realmente, parecendo até mais um estábulo, inclusive com um cavalo dentro da casa, e além disso temos como cenários os vários estábulos da rua Fletcher com seus cowboys ao redor de uma barraca e fumando e bebendo a noite ao redor de uma fogueira, alguns ambientes de drogas e vida noturna, um túnel/esgoto isolado, e o estábulo da polícia, ou seja, pouca ambientação, mas ainda tivemos uma grande festa com uma corrida de cavalos, e algumas interações na rua, mas nada de muito surpreendente, valendo claro os vários cavalos da trama bem bonitos em cena.

Enfim, não é um filme ruim, tendo uma proposta para ser mostrada, mas certamente poderiam ter ido bem além em tudo, e criado realmente uma ficção melhor dirigida em cima do tema para que tudo envolvesse realmente e funcionasse melhor, mas isso só refazendo a trama toda, o que não é o caso aqui, e sendo assim, não digo que recomendo o longa, mas também não critico quem gostar de ver. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Fuja (Run)

4/02/2021 06:59:00 PM |

O mais interessante em longas de mistério é tudo o que acabamos montando em nossas cabeças durante toda a exibição, e quando um filme consegue criar as diversas paranoias possíveis a trama fica melhor ainda, porém é necessário manter tudo num ponto claro para todos, e principalmente não entregar de cara o mistério. Iniciei o texto do filme da Netflix, "Fuja", falando dessa forma, pois mesmo sem ler qualquer sinopse ou ver o trailer já é notável logo nas primeiras cenas toda a desconfiança da garota pela mãe ao aparecer com um comprimido diferente, mas até aí tudo bem, o caso é que vai piorando a intensidade das coisas, e já no miolo vemos muita insanidade por parte de ambas, até chegar nos momentos finais bem fortes, e a cena de fechamento ainda mais maluca. Ou seja, é daqueles filmes que vemos muitos momentos tensos e muita loucura no decorrer da trama, mas certamente poderiam ter feito alguns momentos menos jogados no miolo para não forçar tanto a descoberta da garota pelos problemas principais, pois é algo que nem o mais burro dos psicopatas guardaria evidências de seu crime para alguém descobrir facilmente, mas tirando esse detalhe é um filme bem louco e interessante de conferir.

A sinopse nos diz que você nunca pode escapar do amor de uma mãe ... mas para Chloe, isso não é um conforto - é uma ameaça. Há algo antinatural, até mesmo sinistro, na relação entre Chloe e sua mãe, Diane. Diane criou sua filha em total isolamento, controlando cada movimento que ela fez desde o nascimento, e há segredos que Chloe está apenas começando a entender.

O diretor e roteirista Aneesh Chaganty surpreendeu a todos com seu primeiro filme "Buscando..." em 2018, e se lá o filme tinha toda uma essência desesperadora, um estilo rápido e dinâmico, aqui ele foi bem mais contido, com uma trama que merecia um algo a mais, e talvez até um pouco mais de tensão, pois ele vai revelando as camadas da trama rápido demais, e com pouquíssimo suspense já vamos sabendo de quase tudo, sem nenhuma grandiosa revelação, pois mesmo o que ficamos sabendo no porão não chega a ser surpreendente. Ou seja, ele fez um bom mistério, criou momentos intensos com a garota tentando fugir e tudo mais, mas certamente poderia ter criado um algo a mais para surpreender, ao ponto que vamos curtindo tudo sem ficarmos claustrofóbicos ou desesperados com as atitudes, mas sim apreensivos apenas pelas loucuras da mãe, e isso é algo ao mesmo tempo bom, mas que não explode no final, ainda mais sabendo do potencial do diretor.

Agora sem dúvida alguma as atuações surpreenderam demais, com Sarah Paulson completamente insana com sua Diane, fazendo coisas terríveis e fortíssimas para manter a garota completamente dependente dela, com uma desenvoltura sem igual, além de trejeitos fortes e bem marcados que acabaram chamando demais a atenção, e como o filme basicamente é só ela e a garota conseguiu forçar as cenas para si sem precisar chocar, o que mostra algo marcante e muito bom por parte da atriz. Kiera Allen também foi muito bem com sua Chloe, estreando e mostrando um serviço na medida certa, com olhares desesperados, falta de ar com os esforços sem medidas, e ainda sabendo conter bem suas pernas para manter o personagem, entregando dinâmicas bem simples, porém fortes e acertadas. Quanto aos demais, ninguém teve nada que desse para destacar, desde a farmacêutica ingênua, o carteiro também bem ingênuo, e até mesmo a enfermeira não foi muito além nos poucos momentos que apareceram, não conseguindo ganhar nenhum destaque na trama.

Visualmente a casa das personagens é bem montada, cheia de detalhes característicos de famílias que tem paralíticos em casa, com elevadores nas escadas, vários itens de monitoramento, muitos remédios, uma horta, o tradicional porão de filmes de mistério recheado de elementos cênicos prontos para serem usados, mas o destaque visual ficou mesmo para o momento de fuga da garota, aonde vemos algo bem insano tanto por parte dela, quanto pela ideia do roteiro, que ficou muito bem feito e interessante de ver.

Enfim, é um bom filme de mistério que consegue envolver bastante, e passa bem a ideia da proposta, mas que certamente poderia ter ido muito além sem precisar revelar tudo tão facilmente, pois aí sim o filme ficaria mais tenso, porém ainda é um filme que vale a recomendação para quem gosta do estilo, não sendo nada impressionante, mas que com boas atuações e dinâmicas entregam um resultado até que satisfatório.


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Netflix - A Força da Natureza (Force of Nature)

4/02/2021 01:57:00 AM |

Já vi muito filme que caça público com atores e depois entrega uma bomba imensa, mas fazia já algum tempo que não via algo tão jogado como foi a estreia de hoje da Netflix, "A Força da Natureza"! Que filminho mequetrefe foi esse, que não conseguiu entregar nem um fenômeno natural impactante, nem um assalto envolvente, muito menos uma perseguição tensa num conjunto habitacional, pois virou uma mistura de tudo isso sem nexo algum, e com uma finalização pior ainda, ou seja, gastaram cachês razoavelmente altos pelo elenco para uma trama tão boba e fraca, que acabamos desanimando na metade do caminho já torcendo para algo que vá além, mas não vai, e quando acontece a cena final já ficamos preparados sabendo exatamente o que vai rolar e falhar.

A sinopse nos conta que uma gangue de ladrões planeja um assalto durante um furacão e encontra problemas quando um policial tenta forçar todos no prédio a evacuar.

Sinceramente não sei qual era a ideia do roteirista Cory M. Miller quando entregou seu material para o diretor Michael Polish, pois certamente não era o resultado apresentado na tela, afinal vemos como disse no começo um amontoado de possibilidades que não leva nada a lugar algum, parecendo que falharam tanto nas montagens quanto na ideia completa, não conseguindo criar nenhuma tensão, nem desenvolver algo que empolgasse realmente, pois pelo nome dava para acreditar que veríamos um filme com um furacão destruindo tudo, pela sinopse esperávamos ver um grandioso assalto bem tramado, e pelos atores envolvidos achava que pelo menos teríamos boas interpretações de um roteiro bem moldado, mas nada disso ocorre, e acaba parecendo que a falha foi conjunta, com um estilo não preparado que certamente se fosse um diretor inexperiente até daria para acreditar nas falhas, mas com alguém que já fez outros longas, apenas imaginamos que não quiseram ir além.

Sobre as atuações, Emile Hirsch até tentou ter uma desenvoltura mais chamativa para seu Cardillo, mostrando inicialmente uma falta de vontade exagerada, mas conforme o filme teve um pouco mais de interação ele conseguiu se envolver um pouco, fazer algumas movimentações e brigas e agitar um pouco, mas nada que fosse muito além. Mel Gibson é quase um enfeite de segundo plano com seu Ray, e embora tenha várias conexões, sabendo em quais apartamentos entrar para pegar os elementos necessários como remédios e armas, ele parece se agitar demais em alguns momentos, mas sem que o diretor quisesse o usar, ou seja, ficou jogado na trama, e nem foi muito além também. Kate Bosworth trabalhou sua Troy até que bem como médica e também sabendo atirar bem, sendo usada até um pouco mais na trama (talvez por ser esposa do diretor e já ter feito outros quatro longas com ele desde que casaram em 2013!), e com isso acabou chamando um pouco mais de atenção. William Catlett foi bacana com seu Griffin, e de cara já sabíamos que ele tinha algum animal grande em casa pela quantidade de carne que estava comprando, e também que o animal seria usado para o fim do filme, mas poderiam ter dado um pouco mais de momentos para o ator chamar atenção também, pois ficou sentado quase o longa todo, e isso não vai muito além. E para finalizar David Zayas foi o vilão mais frouxo que já vi em um filme, ao ponto que tenta fazer algumas caras de malvado, tenta impressionar com conhecimento de arte, mas foi jogado na trama e não fez quase nada. Quanto aos demais, é melhor nem perder tempo, pois fizeram apenas caras e bocas e nada mais, tendo até o cachorrinho do começo do filme sendo mais chamativo.

Visualmente poderiam ter trabalhado muito mais, afinal está rolando um tremendo furacão (ou melhor uma tremenda chuva, afinal não vemos nada voando, e mesmo fazendo barulho de vento não voa nada de água para o rumo dos protagonistas que estão em corredores abertos, não tem um chão liso para escorregarem nem nada!), mas mostraram vários apartamentos, cada um decorado de um modo, com muitas armas, remédios e tudo mais que os protagonistas sabiam bem onde tinha, além claro de um dos personagens criar uma fera dentro de um apartamento, ou seja, algo muito bizarro. Outro ponto é todo o armamento dos assaltantes, e eles falhando em tudo, ou seja, uma trapalhada completa, além claro das cenas iniciais no banco serem bem bestas de ver.

Enfim, é um filme que até talvez tivesse algum potencial com as coisas mais arrumadas, com uma determinação mais carismática dos personagens, e até um pouco mais de ação por parte do furacão, mas como nada disso aconteceu chega a desanimar a maioria das cenas, e com o final decepcionante não dá para recomendar a trama não, então vamos ver o que as outras estreias da Netflix dessa semana vão entregar, pois começou mal. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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TeleCine Play - Emma. (Emma.)

4/01/2021 12:52:00 AM |

Quem já leu ou assistiu qualquer um dos livros de Jane Austen sabe bem o estilo e classe que são mostrados nas personificações de cada papel, de toda a sociedade, e claro do gracejo empregado nos diálogos contundentes expostos de forma a ambientar toda a história e claro deixar sempre no ar (ou não) algumas lições morais e sociais, e o mais engraçado é que os diretores/roteiristas gostam tanto de seu estilo que quase sempre temos novas adaptações ou reinvenções seja de "Orgulho e Preconceito" ou agora no caso de "Emma", e em cada um vemos uma certa revisitação da obra com elementos extremamente semelhantes (afinal é algo baseado em um livro e não dá para enfeitar tanto - embora digam que "As Patricinhas de Beverly Hills" também seja inspirado no mesmo livro ????), e algumas interações e novidades que acabam dando as nuances gostosas que gostamos de ver, e aqui nesse novo longa temos tanto o ar envolvente da época, com toda a graciosidade das relações, com a protagonista quase uma casamenteira nata fazendo pares com seus amigos, como também vemos o estilo dos ricos da época que parecem nem ter o que fazer, mas estão sempre ocupados com algo. Ou seja, é um filme gostoso de ver, com boas interpretações, mas principalmente chamando a atenção para o conceito da época com figurinos, cenários e tudo mais que supera até a história.

A sinopse nos conta que Emma Woodhouse é uma jovem rica e inteligente, que não tem pretensões de se casar tão cedo para ficar sempre perto do pai. Porém, isso não a impede de dar uma de 'casamenteira', tentando juntar casais que considere apropriados entre seus conhecidos, sem perceber os problemas causados com sua imaginação e teimosia.

Uma das principais diferenças dessa versão para as demais é o tom cômico mais presente em cima de todo o romance, pois na maioria das vezes os diretores optam por trazer as brigas sociais e os temas amorosos presentes nos livros de Jane para algo mais denso, e aqui a diretora estreante em longas Autumn de Wilde até foi bem ousada na adaptação da roteirista, também estreante, Eleanor Catton que quiseram brincar com as moralidades do ambiente, mas sempre deixando todas as cartas na mesa da protagonista, para que ela determinasse o rumo de cada casal, de cada conversa, dos seus gostos, e conforme vai interagindo vamos adentrando ao clima gostoso de toda a época, vamos nos permitindo com cada momento, e vendo todo o ensejo dela para arrumar os pares ideais, mesmo sem saber o que cada um está realmente pensando. Ou seja, muitos diriam que o que está sendo mostrado aqui é um filme de atores com personalidade, mas como são bem jovens os escolhidos aqui nem se expuseram tanto, ao ponto que até se entregam bem para os papeis, chamam a responsabilidade para si, mas não explodem como poderiam fazer.

Como já falei acima que é um filme aonde as atuações dominam e até sobressaem à direção, vemos uma Anya Taylor-Joy precisa nos diálogos, com dinâmicas diretas e sem titubeios, e principalmente fazendo de sua Emma uma mulher marcante na época, daquelas que estariam até bem à frente do seu tempo, afinal nos anos em que a trama se passa o sonho de toda mulher era estar casada o quanto antes, sair de sua casa e viver às custas de um lorde riquíssimo, e aqui ela já é bem rica, e ainda incorpora beleza e inteligência na personalidade, ou seja, o pacote completo com algumas ironias no estilo, ou seja, se impõe para cima de todos, e quem não gostar que suma, ou seja, a atriz foi muito bem no papel. Da mesma forma Johnny Flynn se entrega totalmente para seu Mr. Knightley, entregando diálogos bem pontuados e marcados, olhares fortes para com suas intenções em cada uma das mulheres, e com uma cordialidade tão imponente acaba chamando sempre os olhares para seu personagem, ou seja, caiu perfeito para o papel. Mia Goth trabalhou sua Harriet de uma maneira engraçada tão gostosa de ver, cheia de dúvidas amorosas, mas seguindo sempre as loucuras da protagonista, e a atriz conseguiu passar uma simplicidade para a jovem, criando um carisma até bobo de ver, mas certeiro no que precisava mostrar. Josh O'Connor acaba colocando seu Mr. Elton com um estilo estranho de ver, sendo o pastor da comunidade, mas também um galanteador que descobrimos depois já ser até casado, mas seus gracejos são estranhos demais de ver ao ponto que pensamos que ele até jogaria no outro time, o que é apenas um detalhe, afinal seus trejeitos são bem colocados e marcantes de ver. Ainda tivemos Bill Nighy como um ótimo e engraçado Mr. Woodhouse, Callum Turner trabalhando como o imponente sonho rico das mulheres com seu Frank Churcchill cheio de nuances, vemos Amber Anderson graciosa como a garota pobre que já conseguiu tudo e acaba sendo o destaque da comunidade com sua Jane Fairfax, mas entre os secundários vale um grande destaque mesmo para Miranda Hart com sua Miss Bates, que fala mais do que a boca pode, e acaba sofrendo um certo desdém da protagonista, mas suas cenas acabam sendo tristes ao mesmo tempo que chamativas.

Visualmente o longa é belíssimo, com casarões requintados, figurinos imponentes cheios de detalhes, e claro todos os elementos cênicos que um bom longa de época necessita, como carruagens, muitos castiçais iluminando as festas, danças irreverentes com músicas tocadas em instrumentos diferentes, consertos para poucas pessoas, e até missas e casamentos tão pequenos que todos ali se conhecem, ou seja, um filme cheio de pequenos detalhes que como sempre acaba chamando atenção das premiações técnicas, como é o caso aqui que foi indicado tanto a Melhor Maquiagem e Penteado (que aliás estão com tantos detalhes de cachos e tudo mais, que junto com os ornamentos de cabeça fazem tudo ficar ainda mais luxuoso), quanto a Melhor Figurino no Oscar 2021, o que é muito comum em longas do estilo, mas que certamente a briga será bem boa, afinal todos os candidatos dessas categorias estão incríveis.

Enfim, é um filme gostoso de acompanhar, que tem bons momentos bonitinhos, mas que não vai muito além, ao ponto que até serve como um bom passatempo para quem gosta de longas românticos mais clássicos sem muita melação, mas que certamente já adaptaram demais o livro, e está na hora de algo mais original, e que mesmo sendo um bom filme talvez fique na memória apenas como mais um filme de época baseado em algum livro de Jane Austen. Ou seja, recomendo o filme, pois ele não é ruim, mas não é nada inovador no gênero, mesmo que seja gracioso. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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AppleTV+ - Greyhound - Na Mira do Inimigo (Greyhound)

3/31/2021 01:24:00 AM |

Filmes de guerra sempre são imponentes e causam uma tensão incrível no público, mas e quando nos contam a preparação para a guerra, como toda a munição e os soldados chegaram pros embates? Se você gosta do estilo e consegue prender bem o fôlego para algo completamente envolvente, daqueles filmes que trabalham todo o psicológico de guerra e mostram toda a astúcia das pessoas envolvidas nos cargos principais, certamente irá gostar muito do longa "Greyhound - Na Mira do Inimigo", que está disponível para ser conferido na plataforma da AppleTV+, que foi indicado no Oscar na categoria de Melhor Som e realmente faz o mérito para a categoria técnica, pois impressiona demais toda a sonoridade da trama, com tiros, assobios, captações do inimigo e tudo mais, porém é muito mais do que apenas um filme com uma qualidade sonora impressionante, e merecia ter sido lembrado em mais categorias com um texto impressionante do próprio Hanks (vindo claro de uma adaptação literária!), com uma direção precisa e ainda por cima toda uma cenografia trabalhada em detalhes. Ou seja, é um filmaço completo daqueles que surpreendem do começo ao fim, e mostram que se uma travessia no oceano ainda é algo complexo na atualidade, imagina como era na época da guerra em que os inimigos estavam preparados para afundar todo apoio dos Aliados indo para o front.

O longa conta a emocionante história de um comboio aliado cruzando o Atlântico Norte em 1942, enquanto enfrenta o ataque implacável de uma matilha de lobos submarinos alemães. O líder do contratorpedeiro do comboio é um comandante da Marinha dos EUA fazendo sua primeira travessia do Atlântico. A história se concentra em sua responsabilidade de comando enquanto ele luta contra o frio, a noite implacável, o mar brutal e sua profunda fadiga enquanto persegue os submarinos de ataque num jogo mortal de gato e rato. 

Sei que esse estilo de filme é feito quase que na totalidade com muita computação, mas o trabalho que o diretor Aaron Schneider teve em cima do roteiro de Tom Hanks foi algo que certamente ficará muito marcado, afinal tem estilo, tem personalidade e principalmente tem uma empatia tão forte que consegue chamar atenção, ao ponto que o livro do escritor C.S. Forester, "The Good Sheperd" tem tantos detalhes sobre os elementos de comando da batalha que foi usado por um longo período como texto na Academia Naval dos Estados Unidos, ou seja, Hanks estudou muito o livro e foi capaz de retratar em detalhes as cenas para que o roteiro ficasse bem imponente, e claro o diretor conseguisse lhe passar as instruções para tudo ficar ainda mais incrível, valendo cada detalhe mostrado na tela, afligindo o público com muita interação, muita ação, explosões e com uma precisão cênica forte e clara de ver, que mesmo não entendendo nada dos comandos de guerra acabamos torcendo para que eles sobrevivam à guerra.

Agora após falar de Tom Hanks roteirista (juro que não sabia desses dotes dele), temos de falar dele como o tremendo ator que é, mas como costumeiramente virou já piada de memes na internet, se ele estiver em um avião, num navio, ou em qualquer outro lugar, fuja, pois será atacado, explodirá, e tudo mais, e aqui seu navio é praticamente uma mira dos submarinos nazistas, ou seja, brincadeiras à parte, vemos o seu personagem Capitão Krause sem pausa um segundo para respirar, nem tendo tempo para comer o que os cozinheiros dedicados tentavam fazer para ele tinha, e o ator dá um show de trejeitos desesperados, faz jogadas incríveis com os dados que lhe eram fornecidos, e consegue prender tanto nossa atenção no que estava fazendo, que praticamente não sabemos nem mais que outros atores estavam no navio, quase sendo um filme com uma tonelada de figurantes, e o capitão tendo só ele texto, o que é impressionante de observar. Mas dentre os demais vale claro o destaque do oficial do navio abaixo dele muito bem interpretado por Stephen Graham, que deu boas nuances em algumas cenas chaves, e estava sempre pronto para ter a conexão certeira com o protagonista, agora quanto aos demais, nem sei dizer se teve algum ator famoso ou personagem importante, pois não existiu na prática em cena.

Visualmente sei que a maior parte do longa foi gravada em estúdio, sem os atores precisarem ir para combate em alto-mar, ter o navio virando quase que 90° a todo momento, tiros sendo disparados e tudo mais, mas é tão impressionante o quanto conseguiram desenvolver tudo e criar o ambiente claustrofóbico da cabine de comando do navio, as várias passadas do protagonista entre as duas varandas (não sei o nome técnico, mas vamos ficar assim da parte de fora da cabine) opostas olhando para os demais navios da esquadra, caçando com seu binóculo os inimigos, além de todos os elementos usados, dos papeis, das mensagens, dos códigos pelos holofotes, das ligações e tudo mais que vamos entrando completamente no clima e surtando com tudo, além de um emocionante funeral em plena batalha, as horas passando, e claro o som entrando como parte alegórica e dando o clima para o filme, com tiros, motores, torpedos, assovios, radares, sonares, explosões e tudo mais que com certeza fizeram o longa ser indicado na categoria, ou seja, uma técnica realmente de impressionar, que infelizmente vimos numa tela pequena e sem um som expansivo, pois certamente numa sala Imax seria de sair desorientado da sessão.

Enfim, é um filme impressionante, que envolve demais, que passa toda a tensão que o protagonista está sentindo em sua primeira viagem para o público, trabalha demais toda a responsabilidade do capitão do começo ao fim, e que claro como sempre o protagonista assume totalmente o comando e entrega o que desejávamos ver do começo ao fim, ou seja, recomendo demais ele para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Só não irei dar nota máxima pôr as cenas do começo do protagonista com a namorada/esposa ou sei lá o quê dele não irem muito além em nada no filme tirando o chinelo que ganha dela, pois poderiam ter usado um pouco mais isso ou ter eliminado de vez a cena.


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VOD - Druk - Mais Uma Rodada (Druk) (Another Round)

3/30/2021 01:06:00 AM |

Se você é daqueles que fala que um golinho de bebida alcóolica é bom para ajudar a memória, ou para desenvolver algo que não consegue sair do papel, ou até mesmo para dar um melhorada nos ânimos, certamente irá gostar da proposta mostrada pelo filme dinamarquês "Druk - Mais Uma Rodada", que usa essa base como uma ideia de quatro professores de uma escola, que ao verem uma ideia de uma base de testes em cima de um experimento que diz que você deve manter um certo percentual de álcool durante todo o dia para que seu corpo trabalhe melhor, ou seja, começam aos poucos e depois vão incrementando até mostrar o quão perigoso e nocivo toda a bebedeira acaba se transformando. Diria que é um longa bem intenso e muito bem formatado, que acaba agradando bastante principalmente nas boas cenas do primeiro e do segundo ato, porém quando entramos no fechamento tudo pareceu desandar completamente e ficar jogado demais, meio que como se necessitassem encerrar tudo de qualquer forma, o que geralmente não é legal de acontecer, e assim sendo temos um pouco de bagunça demais, mas ainda assim é um filme muito bem feito que acabou ganhando além da indicação de Melhor Filme Internacional no Oscar, uma vaga também para o diretor entre os indicados à Melhor Direção, ou seja, faz valer o tempo conferido.

O longa nos conta a história de quatro professores com problemas em suas vidas, testando a teoria de que ao manter um nível constante de álcool em suas correntes sanguíneas, suas vidas irão melhorar. De início, os resultados são animadores, porém, no decorrer da experiência, eles percebem que nem tudo é tão simples assim.

A grande sacada do diretor Thomas Vinterberg foi ser determinante no estilo de mostrar os prós e os contras da bebida, dosando de tudo um pouco, e colocando que o vício pode ser determinante quando uma pessoa não tem o controle do que fazer após ingerir o álcool, e ele conseguiu dar dinâmicas bem coesas para os momentos, criar todo o tema em cima do seu próprio roteiro, e até fazer com que talvez ficássemos curiosos pelo experimento citado, afinal também gostamos de tomar uma bebida, e saber dosar as vezes é algo que funcionaria num momento de depressão/loucura (brincadeiras à parte ok galera!). Só o criticaria mais uma vez por ele não ter dominado a edição de sua trama, pois como já disse, o final da trama acabou jogado demais, não pela última cena que é até bacana de ver, mas por todo o ato final, que pareceu corrido demais, não tendo nenhum desenvolvimento cadenciado como foi todo o filme, além de que as conversas de celular ficaram exatamente iguais ao texto do experimento, e essa formatação merecia ser diferenciada, ou seja, ele teve uma boa proposta, construiu tudo, e depois abandonou para ser fechado, mas conseguiu pela sagacidade completa uma indicação ao Oscar pela direção que fez, e isso já é um grandioso prêmio para ele com toda certeza.

Sobre as atuações, conhecemos bem o lado denso de Mads Mikkelsen por tudo o que já fez em Hollywood, e bem pouco por suas produções dinamarquesas, afinal não chegam tantos longas do país por aqui, e seu lado dramático é interessante de ver, pois ele puxa para algo mais rude e duro, ao ponto que seu Martin acaba dando nuances divertidas para suas aulas de História, falando muito sobre o quanto os diversos grandes nomes da História bebiam, e sendo alguém exageradamente falso de ver com e sem a bebida, o que é bacana de acompanhar, mas estranho, pois poderia ter feito algo no meio termo. Thomas Bo Larsen já foi o mais exagerado e explosivo com a bebedeira, colocando o treinador de futebol Tommy como uma bomba sem controle de loucuras, e soando até engraçado ver as dinâmicas que acaba fazendo, só forçou um pouco demais nas expressões faciais, mas tudo bem. Magnus Millang trouxe para seu professor de literatura Nicolaj o desespero de uma família nova, com muitas crianças e situações tensas por ali, ao ponto que vemos seus problemas acontecerem mais em casa do que na escola realmente (aliás temos apenas uma cena de suas aulas, e nem vai muito além), mas o ator foi bem como o mentor de todo o experimento, e abusou de diversos tipos de misturas para dar loucura para ele e seus amigos. E por fim Lars Ranthe com seu professor de música Peter, que entre todos foi o mais contido inicialmente, mas o que mais se soltava com as bebidas, e teve momentos dinâmicos, muitas loucuras nas aulas, e ainda manteve uma coerência expressiva nas suas cenas para encaixar tudo o que estava acontecendo. Quanto aos demais, tivemos algumas participações das mulheres, mas sem muito o que desenvolver, afinal o filme era praticamente inteiro do quarteto, tendo então um leve destaque para algumas cenas de Maria Bonnevie com sua Anika, ao ponto que até poderia ter sido mais contundente nas cenas com o marido, mas não foi muito além.

Visualmente o longa brincou com alguns momentos na escola aonde os protagonistas trabalham, mas vivenciou muito nas bebedeiras nas casas deles, em bares do país e até beira-mar, além de uma ida completamente embriagada às compras num supermercado, e com isso arrumaram para a equipe de arte muitas garrafas de todos os tipos de bebidas, muitos copos, muita ornamentação alcoólica, e claro bagunças de todos os tipos, aonde tudo soou como símbolos de cada momento, desde cenas com lençóis molhados, cenas com objetos quebrados, e muita louça, além de alguns atos de interação num passeio de canoa com acampamento, e uma cena triste numa igreja com tudo bem paramentado também.

Enfim, é um filme bem bacana, que diverte e agrada com certeza, que entra bem na briga pelo prêmio de Melhor Filme Internacional do Oscar 2021, e que já está levando muitas indicações e prêmios em diversas outras premiações, então é torcer para não ligarem tanto para o final bagunçado e ver no que vai dar. Quem quiser conferir o longa ele está para locação em diversas plataformas como o Now e o Google Play, então fica a dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Agência Secreta de Controle de Magias (Secret Magic Control Agency) (Ганзель, Гретель и Агентство Магии)

3/28/2021 09:35:00 PM |

Animações de outros países raramente acabam aparecendo por aqui, mas já vimos que a Rússia sabe fazer bem esse estilo, e já vem há algum tempo entregando bons exemplares por aqui, e com toda a textura entregue em "Agência Secreta de Controle de Magias" acabamos vendo um filme com estilo clássico de grandes produtoras, e que junto de uma história meio doida que mistura os contos clássicos dos Irmãos Grimm, com destaque claro para João e Maria, mais numa versão inovadora no estilo de "Tá Chovendo Hambúrguer", com comidas andando para todos os lados, lendas espalhadas pela floresta, e claro diversos agentes de campo que tentam inibir os mágicos de plantão, ao ponto que o resultado acaba sendo algo bem diferente, com boas sacadas, e principalmente com cores vibrantes e uma trama que consegue segurar emoção e aventura na medida certa. Ou seja, o resultado é uma animação gostosa de ver, que até pode soar bem bizarra com todas as loucuras que ocorrem, mas que diverte e funciona, segurando quem gosta do estilo na poltrona.

A sinopse nos conta que João e Maria dos contos de fada, agora crescidos, se tornaram agentes secretos. Eles precisam ser rápidos e utilizar magia para encontrar um rei que desapareceu.

Muitos nem vão se ligar no nome do diretor, mas já vimos três obras de Aleksey Tsitsilin por aqui, com a franquia "O Reino Gelado", e como vim falando a cada novo lançamento da franquia, ele foi melhorando texturas e deixando a história cada vez mais envolvente, e aqui ele praticamente entrega o começo de uma nova franquia, que se a Netflix for esperta já negociou várias continuações, pois é algo com estilo, tem uma boa pegada, e certamente brincar com contos de fadas no melhor estilo "Shrek" de ser, dá resultado, então é aguardar para ver. Dito isso, o trabalho visual que o diretor entregou é bem condensado, tem uma boa dinâmica do começo ao fim, e mesmo mostrando uma trama digamos meio maluca, que alguns vão achar até que o diretor tomou algo para ser extremamente criativo, consegue agradar bastante a todos, fazendo um filme bem completo e cheio de desenvolturas.

Sobre os personagens, foi bacana ver a interação entre os irmãos com brigas tradicionais, discussões bem acaloradas, e claro toda a ajuda tradicional para resolver o problema, de forma que vemos bons momentos deles tanto já adultos, quanto na versão infantil com uma pegada mais bagunçada entre eles, e que conseguiram transmitir carisma e boas cenas. As bruxas todas são completamente diferentes, desde Baba Yaga com sua casa viva e vários elementos cênicos tradicionais de bruxas mais malvadas, passando pela bruxa do lago com suas sereias fazendo festas e tudo mais, até chegarmos na vilã que é uma mestre dos doces e alimentos vivos que mais soa divertida do que realmente malvada. E além delas tem todos os cupcakes vivos divertidíssimos, os generais de biscoito, e claro outros personagens bem bacanas que foram poucos usados dentro da agência como a Madrasta, a Encantada, e por aí vai, que cada uma com seu estilo chama a atenção e tem suas habilidades mostradas na trama.

Visualmente o longa é bem colorido, com boas texturas, com uma qualidade técnica e precisões de detalhes que consegue envolver bastante, criar momentos novos e interessantes, e principalmente passar toda a dimensão do reino, e claro dos locais por onde os personagens passam, desde uma agência secreta cheia de funcionários, com balões, armas mágicas, e muita dinâmica para cada ato ser bem representativo, as casas/castelos das bruxas também bem interessantes visualmente com cada funcionalidade destacada e assim envolvendo a todos, além de ter uma boa profundidade visual que talvez funcione bem nas TVs 3D, mas como é um filme de streaming dificilmente terá esse recurso para testarem.

Enfim, é uma animação gostosa de assistir, que não é perfeita, pois poderiam ter sido ainda mais criativos com os personagens secundários para criar uma diversão maior ainda, ter mais efeitos visuais, mas da forma que foi feita serve bem o propósito empregado e vale o tempo na frente da TV, e que como disse no começo talvez a plataforma de streaming até negocie algo a mais com o diretor para quem sabe virar uma grande franquia mais para frente, é esperar para ver, e aqui conferir bem com as crianças ou sozinhos, pois agrada bem com o tempo despendido. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Dívida Perigosa (The Outsider)

3/27/2021 10:04:00 PM |

Sempre que a Netflix brinca com os algoritmos dela e me vem com alguma indicação diferente chega a ser engraçado, pois geralmente vem uns filmes tão diferentes que nem consigo entender como é feita a conta, mas como sou teimoso vejo, e depois acaba aparecendo algo mais maluco ainda. Dito isso hoje a sugestão dela foi que eu visse um filme que entrou em cartaz por lá já tem três anos, mas como tem Jared Leto e lutas imaginei que fosse ser algo interessante, e até que "Dívida Perigosa" tem cenas intensas e bem feitas, mas ficou parecendo que apenas quiseram mostrar alguém que vai pagar a dívida de terem lhe tirado da cadeia e ficou no meio de uma família da máfia japonesa, e acaba gostando dessa nova vida, esquecendo completamente quem já foi. Ou seja, a trama acaba acontecendo, mas sem deslanchar realmente como poderia, ficando amarrada aos personagens sem ter uma história realmente sendo desenvolvida, ao ponto que ficamos esperando algo mais dos personagens, alguma desenvoltura, alguma morte mais clara, pois tudo acontece minuciosamente como imaginamos que vai acontecer, com as pausas acontecendo nos atos claros, e isso não é legal de ver. Ou seja, é um filme de máfia que alguns até podem gostar mais, mas certamente faltou aquele algo a mais que chamaria a atenção totalmente.

A sinopse nos conta que preso durante a Segunda Guerra Mundial, um soldado americano consegue a liberdade ao fim do conflito tornando-se integrante da máfia Yakuza por intermédio de um colega de cela. No perigoso submundo do crime japonês ele tenta impor respeito e conquistar a confiança dos membros do grupo.

Diria que o diretor Martin Zandvliet desejava criar algo mais tenso, com uma vertente marcada de negociações entre famílias criminosas, e claro misturando forasteiros em seu meio como algo diferente do usual, mas também queria impor a violência tradicional da máfia na sua trama, e com isso ficou um pouco perdido de onde atacar realmente para que tudo funcionasse e ficasse marcado. E nessa dúvida que ele acabou criando, os protagonistas se entregaram em conflitos bem demonstrados, trabalharam as densidades, e até criaram um tipo de estilo meio que novelesco, com subtramas ocorrendo sem os devidos fechamentos, ao ponto que em determinado momento ficamos pensando qual a necessidade de alguns diálogos, qual a necessidade de todo um processo de marcação, e por aí vai, fazendo com que o filme ficasse sem um rumo bem definido, e quando vai acabar realmente ficamos deslocados. Ou seja, pode até ser que tudo o que foi mostrado estivesse no roteiro, fosse ainda maior pela quantidade de tempo que talvez tenha sido cortado na edição, mas de certa forma o resultado nem surpreende, nem fica tenso na medida que deveria, acabando soando estranho de ver, mas não ruim por tudo o que acaba sendo entregue, como boas cenas violentas, e principalmente uma produção grandiosa.

Sobre as atuações é interessante observar como Jared Leto se integra aos mais diferentes papeis, e sempre consegue chamar atenção por ser de fácil adaptação, ao ponto que aqui seu Nick parece quase um objeto deslocado no meio de tantos japoneses, mas consegue dar voz ao personagem meio quieto demais, consegue trabalhar expressões fáceis, e principalmente manter o curso sem sair gritando e explodindo como habitualmente faz em muitos filmes, e isso fez dele um bom personagem, que até poderia ter ido além, mas não era o caso que o diretor desejava, então fez bem em ser mais contido. Tadanobu Asano trabalhou bem o seu Kiyoshi, bem sério, cheio de nuances reflexivas, e colocando em frente amizade a frente da família que é algo raro de ver em filmes do estilo, e o ator caiu bem para o personagem, mas sem grandes explosões também. Agora um que acabou chamando muita atenção foi o patriarca da família, o grande chefe da máfia toda, Min Tanaka, que fez cenas marcantes com seu Akihiro, se impôs nos momentos mais fortes, e até seu momento final deu tudo que poderia de expressividade e bons diálogos. Kippei Shîna trouxe para seu Orochi aquele estilo clássico de homem de negócios que sabemos que não devemos confiar, e de cara já dá para saber que irá trair algum dos dois lados que está jogando, e o mais engraçado é que o ator não tenta esconder isso, o que acaba sendo uma falha, mas foi bem na maioria dos atos. Quanto aos demais, vale apenas um destaque para o estilo entregue por Shioli Kutsuna com sua Miyu com muita sensualidade e ao mesmo tempo centralidade na personificação, que acaba chamando bastante atenção, e merecia um pouco mais de história.

Visualmente a trama foi muito bem trabalhada, com diversos carrões clássicos, com todos os personagens com figurinos imponentes com ternos alinhadíssimos, vários ambientes cheios de elementos simbólicos da época, e principalmente a equipe de maquiagem gastou muita tinta para fazer as diversas tatuagens corporais incríveis cheias de significado também para a máfia, além de uma prisão gigantesca no começo cheia de ambientes escuros e bem marcados, ou seja, uma produção grandiosa, com muitos ambientes de época, vários figurantes espalhados, e o resultado no contexto completo acaba chamando a atenção.

Enfim, é um filme com uma proposta interessante e um visual bem bacana, que acaba agradando em certos momentos, mas que não vai muito além na história, ao ponto que muitos irão conferir tudo e sair sem entender aonde desejavam chegar, mas que não é de todo ruim de forma que vale a conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Adeus, Professor (Richard Says Goodbye) (The Professor)

3/27/2021 01:26:00 AM |

Filmes envolvendo doenças sempre ecoam tensões e envolvimentos dramáticos que acabam indo além do que é pensado no roteiro, e com "Adeus, Professor" não foi diferente, pois sentimos toda a dramaticidade que o protagonista acaba passando, com um professor diferente, que tem seus métodos um pouco fora do normal de um professor de literatura, mostrando como viver seus últimos momentos após saber que está com os dias contados por uma doença, e se tem alguém que sabe ser diferente é Johnny Depp, ao ponto que vemos aulas numa mesa de bar, sentados na grama fumando maconha, em ambientes arejados, e por aí vai, e que com uma estrutura capitular como se fosse o livro que ele prometeu escrever de seus últimos momentos, vamos acompanhando tudo, vendo ele tentando viver, tentando passar para frente suas agonias, e claro que com muita bebedeira e loucuras, o resultado acaba sendo algo que flui bem e envolve bastante, passando claro a famosa mensagem do viva o momento, seja algo marcante na vida de alguém, e se mostre, que vamos sentindo tudo e ficando emocionados com a sensação dele de dever cumprido. Claro que o filme foi muito criticado mundo afora, mas diria que foi mais pelas polêmicas da vida particular do ator do que realmente pela produção em si, pois ela é bem interessante, e vale a conferida pela essência passada.

Quando Richard, um professor universitário, é confrontado com um diagnóstico inesperado, decide livrar-se de quaisquer pretensões ou convenções e viver tão livremente quanto possível. Com um sentido de humor cortante, comportamentos irresponsáveis e um toque de loucura, Richard experimenta todos os vícios – álcool, tabaco, sexo e insultar qualquer pessoa que o irrite, o que lhe dá mais prazer do que qualquer coisa em anos. À medida que Richard vê o seu tempo diminuir, descobre que o seu corajoso ataque ao status quo o leva a aceitar a verdade e a valorizar as pessoas que realmente ama. E é isto que vai fazer num último grito de glória antes do fim.

Em seu segundo longa, o diretor Wayne Roberts conseguiu trabalhar bem todo o sentimentalismo de vermos alguém em seus momentos finais tentar aproveitar sua vida fazendo tudo o que nunca fez na vida, colocando todo tipo de vício em pauta, diversas insinuações ao máximo, e que brincando bem com a essência enigmática de uma doença da qual sabemos bem pouco, vemos a cura completa passar tão longe, e ainda os tratamentos fazerem as pessoas sofrerem tanto, que muitos acabam optando por não se tratar e apenas viver os últimos dias com alguma dignidade tentando não ter tanta dor. Ou seja, o diretor conseguiu construir uma boa história em cima de tudo, e envolver bem com os momentos escolhidos para dar as notícias, ou apenas para mostrar o protagonista "vivendo" e "curtindo" seus momentos, e para isso claro contou com a determinação e desenvoltura do protagonista, que soube segurar toda uma expressividade forte e ir encaixando nuances em cada ato seu para que o filme fluísse bem.

Sobre as atuações, já falei e volto a repetir que precisamos separa a pessoa Johnny Depp do ator, pois sabemos de tudo de errado que fez na vida pessoal e assim temos como defendê-lo, porém é um dos melhores atores da atualidade, e aqui seu jeito despojado com classe acaba incorporando tanto o que Richard precisava para seu personagem que acabamos nos envolvendo demais com tudo, e chega a ser brilhante alguns momentos ao ponto de que mesmo sendo situações dramáticas acabamos rindo de seu jeito descontraído que entrega, ou seja, ele dá show e certamente o personagem com outro ator não teria o mesmo impacto. Outro que teve cenas muito boas, e além de uma ótima interpretação acabou entregando aquele personagem amigo que todos desejamos ter ao nosso lado foi Danny Huston com seu Peter incrível, cheio de nuances, e com atitudes tão bem colocadas que certamente nas gravações ambos os atores riram demais de cada momento, pois foi perfeito em tudo. Diria que faltou um pouco mais de envolvimento para que a personagem Veronica de Rosemarie DeWitt chamasse atenção, pois seus atos soaram artificiais demais, não convencendo nem como um casamento em fim de carreira, nem numa possibilidade de paixão confusa, ficando algo bem no meio do caminho. Já na primeira cena de Zoey Deutch atendendo o telefone com sua Claire já sabíamos que ela daria nuances de protagonismo no filme, e seus atos vão sendo bem encaixados até chegarmos no momento ícone do bar, aonde a atriz se solta completamente, e agrada bastante, de modo que valeria ter investido até mais nas suas cenas do que nas da esposa. Quanto aos demais, cada um teve sua participação das maneiras mais diferentes possíveis, desde a filha lésbica vivida por Odessa Young, passando pela aluna feminista exagerada vivida por Matreya Scarrwerner, até chegarmos no reitor estranho que Ron Livinston acabou entregando, ou seja, cada um teve seus minutos para se mostrar, e fizeram bem.

Visualmente o longa não tem grandes nuances, mas foi bem representado pelas festas clássicas da alta sociedade estudantil, pela boa sala do professor, pelas aulas em lugares diversos, por um bar bem desenvolvido, e claro por uma universidade com muitos ambientes abertos interessantes, além da casa do protagonista aonde vemos seu quarto e sua sala de jantar sempre com refeições que ninguém come, sendo bem cenográfica realmente, mas falando em cenografia o longa tem um erro de continuidade grotesco daqueles que o continuísta merece demissão sumária, pois na penúltima cena aonde Richard está fazendo seu discurso eloquente numa festa grandiosa ele está segurando uma taça de vinho tinto gigante e bem cheia, a câmera muda e focaliza sua esposa, e ao voltar até terminar o discurso ele está com uma taça fina de champanhe branca, e não tem como não notar a diferença, ou seja, talvez até tenha ocorrido mais algo no discurso e foi cortado na edição, ou erraram realmente nas gravações.

Enfim, é um filme inteligente e interessante, que já até vimos outros exemplares envolvendo a doença e seus últimos momentos aonde a pessoa tenta viver o máximo que suporta, mas aqui pela boa desenvoltura do protagonista acabamos indo até um pouco além, valendo bem a recomendação, e sendo assim tire o ódio pelo ator e confira para uma boa sessão de diversão e envolvimento, que mesmo não sendo perfeito, e claro, sendo mais um do estilo, acaba agradando bastante. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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