Bagdá Vive Em Mim (Baghdad In My Shadow)

9/21/2021 01:18:00 AM |

Diria facilmente que a essência do filme suíço "Bagdá Vive Em Mim" fala bem mais do que o que é entregue na tela, pois costumo dizer que um filme quebrado só funciona bem quando tem um fechamento mediano e todo o restante funciona bem ou quando o fechamento é impactante e muda completamente tudo o que os vários pedaços picados não tão grandiosos tentaram passar, e o filme em si fala de tantas vertentes dos migrantes muçulmanos que vivem em Londres e não tiraram suas essências originais como homossexualismo, separação, casamento com pessoas de outros credos, traição familiar, entre outros assuntos, porém não foca nem nisso tudo, nem tenta florear como alguns jovens são facilmente influenciados por religiosos que acabam distorcendo os textos sagrados para algo em seu favor e acaba bagunçando tudo. Ou seja, o filme não é daqueles que vamos sair da sala impressionados com o que vimos, pois é praticamente um fotograma do que vemos em jornais e tudo mais já há muito tempo, mas que certamente poderia ser tão impactante com apenas alguns ajustes na edição, pois tudo seria menos abstrato ou então totalmente poético que agradaria bem mais do que em cima do muro das três formatações.

O longa nos conta as histórias de vida de Taufiq, um escritor fracassado, de Amal, uma arquiteta se escondendo do marido, e do jovem Muhannad, especialista em tecnologia, que se cruzam no Abu Nawas, um café aconchegante e ponto de encontro popular para exilados iraquianos em Londres. Mas Nasseer, sobrinho de Taufiq, instigado pelo pregador de uma mesquita islâmica radical, ataca os amigos de seu tio, que desaprova o conservadorismo, ele acaba transformando a vida de todos os frequentadores do Abu Nawas em um inferno.

O diretor e roteirista Samir até pode ter imaginado que a forma escolhida pela montagem de ser inteiro quebrado para refletir sobre talvez os pensamentos do protagonista em cima de tudo o que aconteceu, como tudo foi acabar virando aquele conflito imenso e tudo mais seja algo bom para seu filme, porém só serviu para mostrar alguns atos várias vezes, precisar ficar indo em alguns momentos para explicações e reverter tudo para algo não muito chamativo para a estrutura narrativa, pois alguns olham para a essência de um filme, acham ela simples demais e resolvem que tudo tem de ser amplo, cheio de nuances e tudo mais, mas não, a simplicidade do tema aqui seria muito mais envolvente, muito mais marcante e até direta no ponto se ele fizesse não necessariamente algo linear, mas sim algo quebrando apenas o ato final e toda a desenvoltura do meio, sem precisar ir, voltar, pegar partes do passado, colocar cada momento de cada personagem, voltar novamente, ir para o interrogatório 20 vezes com o copo de água, e assim ficou parecendo que ele queria mostrar até algo a mais que não foi mostrado, e até cansando o público, tanto que me vi fazendo gestuais toda vez que voltava a cena, e isso é irritante em certo ponto, mas não estragou ao menos a essência do filme.

Sobre as atuações, diria que todos tentaram abrir algumas nuances a mais do que o usual, e com isso pareceram em alguns atos artificiais com o que estavam fazendo, mas nada que estragasse a proposta, e assim sendo conseguimos até nos conectar a eles. Haitham Abdel-Razzaq trouxe para seu Taufiq os envolvimentos poéticos mais amplos, trabalhou olhares nos depoimentos e até foi bem no que tentou passar, mas fez aberturas demais para suas falas, e isso pesou um pouco. Zahraa Ghandour acabou ficando muito recuada com sua Amal, ao ponto que suas cenas do passado em alguns momentos até pareciam ser outra pessoa e outro momento até conectarmos tudo, e ela não se jogou como poderia num primeiro momento, mas de certa forma acabou convincente ao menos, e assim sendo o resultado até que funciona no fim de tudo (mesmo que suas falas finais ficassem ainda mais fora de eixo de tudo). Shervin Alenabi trabalhou seu Nasseer exatamente como acontece com a maioria dos jovens que viram terroristas alienados, pois acabam entrando para aprender mais sobre o Alcorão, e quando veem já estão completamente nas paranoias dos gurus, fazendo coisas que nem eles mesmos seguem, e que acabam sendo tão facilmente manipulados que explodem depois, ou seja, foi muito bem em tudo o que fez, sendo bem representativo. Quanto aos demais, cada um da sua forma tentou aparecer bem na representação colocada, desde o jovem casal gay vivido por Waseem Abbas e Maxim Mehmet, passando pelo adjunto cultural falso vivido por Ali Daim Mailik, até chegarmos nos donos do bar vividos felizmente por Myriam Abbas e Awatef Naeem, e mesmo os oficiais tentaram aparecer um pouco, mas não foram muito além.

Visualmente a trama trabalha alguns elementos alegóricos interessantes, como um café iraquiano comunista, alguns elementos da arquitetura árabe mas sem fluir muito para lado algum, nem mostrar algo de fato, uma mesquita bem simples que nem é mostrado nada exuberante por fora, e por dentro é apenas uma salinha, uma boate gay, uma sala de interrogatório, e algumas casas, além do passado da protagonista como algo mais efetivo realmente e elaborado, ao ponto que se gastaram muito com tudo a equipe abusou, pois é tudo tão simples que nem o maior ambiente acaba sendo chamativo na tela. Ou seja, abusaram tanto para símbolos e fecharam tanto o ângulo cênico que é até capaz que os cortes sejam para ocultar falhas cênicas, mas isso só o diretor para saber realmente.

Enfim, é um filme que passa a mensagem e até funciona mesmo com uma simplicidade mais alegórica, porém muitos vão apenas ver alguns ensejos enquanto outros acabarão até perdidos com a bagunça recortada, mas ainda assim vale a conferida pela proposta completa, e sendo assim vale a indicação. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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TeleCine Play - Quo Vadis, Aida?

9/19/2021 11:12:00 PM |

Não sei se sou otimista demais com alguns filmes baseados em fatos reais, mas sempre espero que no meio de um caos de guerra, ao menos as pessoas protagonistas cheguem ao final do filme, pois alguém contou a história pelo menos, mas claro que também fico com aquele desejo oculto de saber como todo o resto foi imaginado se as pessoas ali morreram, ou seja, é um dilema imenso que passa na cabeça do Coelho quando vê um longa de guerra e é bem raro ver um exemplar desse estilo ruim. Ao ponto que o indicado da Sérvia para o Oscar 2021, "Quo Vadis, Aida?", tem uma pegada inteligente, tem momentos fortes bem feitos, e principalmente tem o envolvimento máximo em cima da protagonista, mostrando o desespero, a vontade, e tudo mais para tentar salvar a família toda desde o momento da cerca até o momento da retirada, já que por ser uma intérprete da ONU tinha sua segurança garantida, enquanto a família não, e assim sendo vemos não só seu momento, como também o desespero de todos os demais, afinal sabemos que numa guerra os homens não são poupados, e isso é pautado em nível máximo aqui. É um bom filme, tenso sem ser intenso, e que agrada quem gosta de dramas mais fechados, pois todas as aberturas dramáticas acabam ficando bem em segundo plano e quase desaparecem.

A sinopse nos conta que Aida Selmanagic é uma tradutora que trabalha em uma missão da ONU na pequena cidade de Srebrenica. Quando a região é dominada pelo exército sérvio, milhares de cidadãos buscaram abrigo no acampamento da ONU onde ela trabalha, incluindo sua própria família. Enquanto lida com as negociações que envolvem o conflito diplomático, Aida fará de tudo para tirar seus filhos do meio do fogo cruzado.

Diria que a diretora Jasmila Zbanic foi muito segura do que desejava passar com o seu longa, pois o livro de Hasan Nuhanovic ("Under The UN Flag" ou algo como "Sob a Bandeira da ONU") certamente trabalhou como foi a dinâmica de negociações, como foram as invasões, colocar as pessoas lá dentro, toda a forma jogada que os generais da ONU fizeram com tudo ao entregar de mão beijada para os militares sérvios as pessoas que deveriam defender, e tudo mais, então ela veio com o ar humanitário bonito e já emplacou a história de uma mulher, no caso uma das tradutoras da ONU e o dilema de sua família, e assim o filme tem todo um contexto familiar envolvente, mas a base mesmo é mostrar o desleixo da ONU em não defender realmente o povo da cidade. Ou seja, é daqueles filmes com um bom embasamento, tem toda a essência mostrada, tem muita figuração, mas certamente poderiam ter ido além em várias situações intrigantes e boas para se trabalhar, e diria que até isso pesou para o longa não ter sido o ganhador do Oscar de Filme Internacional, pois se fechou demais ao invés de abrir com todas as ideias, mas ainda assim é uma grandiosa homenagem a todas as famílias perdidas ali, como é mostrado nos créditos finais.

Sobre as atuações, o filme é de Jasna Djuricic com sua Aida que certamente caminhou uns bons quilômetros durante as filmagens, saindo de um ambiente, indo para outro, subindo escadas, descendo escadas, procurando generais, e tudo mais, sempre com trejeitos marcantes, olhares diretivos e funcionais, e claro sendo uma tradutora passando as devidas mensagens com ou sem vontade (era notório ver que não queria falar algumas frases, mas era sua função), e com isso a atriz mostrou precisão e muito envolvimento, até chegarmos nas cenas finais, já envelhecida, mas com um ar forte e muito bem preciso para todos seus atos bem marcantes. Quanto aos demais, tivemos boas cenas fortes do coronel da ONU bem vivido por Johan Heldenbergh direto ao ponto que precisava fazer, tivemos cenas marcantes com Boris Isakovic fazendo o imponente e marqueteiro general sérvio Mladic cheio de nuances, e até mesmo os familiares da protagonista vividos por Izudin Bajrovic, Boris Ler e Dino Bajrovic fizeram seus atos de formas bem trabalhadas, mas sempre ficando com ares secundários demais para ter algo a chamar atenção.

Visualmente a trama tem um ar bem marcante de meio para fim de guerra, pois não chega a mostrar as batalhas efetivamente, mas encaixa todas as nuances do povo acuado com a chegada dos "vilões", mostra o desespero de tentar entrar em um ambiente seguro sem saber como, tem toda a simbologia clara de negociações não tão bilaterais, e com muitos figurantes, roupas do corpo, higiene zero e muito mais vemos a situação dentro e fora do galpão bem representado da ONU na cidade. Ou seja, a equipe de arte foi muito simbólica e provavelmente devorou o livro em que o filme foi baseado para conseguir representar cada elemento alegórico, desde os militares da ONU vestindo bermudas e capacetes, até o momento final da personagem indo atrás de uma ossada numa sala com várias mulheres caminhando e chorando, ou seja, forte demais!

Enfim, é daqueles filmes que nos envolvemos pela essência em si, que traz algo que sequer conseguimos nos imaginar nos papeis principais, e que funcionam bem por saberem como passar isso para o público, que claro poderia ter sido ainda mais forte, poderiam ter focado em outros lados sem ser a da tradutora e sua família, mas que da forma que foi entregue funcionou bem, chamou a atenção e que certamente vai agradar bastante quem gosta do estilo, e assim sendo faz valer a conferida. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Pai Que Move Montanhas (Tata Mută Munții) (The Father Who Moves Mountains)

9/18/2021 06:41:00 PM |

Alguns filmes nos levam a pensar em situações que dificilmente viveríamos, e até aonde iríamos nas nossas atitudes para salvar um ente querido, mesmo que não estivéssemos mais tanto em contato com a pessoa, e claro também o que pensamos ser nossa culpa ou não dentro de um processo de separação. E com o longa romeno da Netflix, "O Pai Que Move Montanhas", temos uma síntese intensa que mostra um pai separado que o filho desapareceu no meio das montanhas com a namorada, e o que nos é entregue são cenas desesperadoras, o homem gastando mundo e fundos, fazendo operações ilegais com a uma equipe de investigação especial e tudo mais para tentar uma localização, mas nem sempre tudo é da forma que queremos, e esse processo pode desandar amizades, famílias e tudo mais, com textos duros e fortes de dizer e de serem ouvidos, e assim tudo é bem marcante na trama, toda a essência funciona bem, e quem gosta de dramas mais fechados certamente irá entrar no clima. Ou seja, está longe de ser um filme impactante, mas serve bem para tirar reflexões, tem uma boa dinâmica mesmo sendo um pouco lento, e principalmente é um cinema diferente do usual, pois não me lembro do último longa romeno que vi, e assim podemos imaginar o estilo que trabalham por lá, que é bem marcante também.

A trama nos conta que Mircea é um policial ambiental aposentado que recebe a notícia que seu filho desapareceu nas montanhas e vai procurá-lo. Depois de dias de busca sem sorte, Mircea monta seu próprio time e volta para as buscas, provocando um confronto com o time de buscas local, mas que não vai impedi-lo de parar a busca.

O diretor Daniel Sandu fez um filme bem forte e todo trabalhado em cima de dilemas porém com um roteiro levemente travado de essências, ao ponto que a todo momento parece faltar alguma explosão seja ela de um desabamento ou de uma briga mais intensa entre os personagens, pois somente com olhares não fica sendo transmitido realmente a dor, o desespero, ou até mesmo a raiva por alguém não ir além nas buscas. E assim sendo o filme até funciona bem, tem suas qualidades expressadas, mas não chega a causar a tensão clássica que um filme do estilo causaria, não sendo algo que vai marcar a vida de quem conferir ele, mas que envolve de certa forma e agrada um pouco, mostrando até que foi uma direção segura, sem grandes nuances, mas efetiva no que desejava mostrar. 

Sobre as atuações, temos de falar das diferentes formas de desespero e como cada um entrega em seu semblante ou atos o que realmente está sentindo, pois cada personagem foi escolhido para demonstrar isso e foi bem no que fez, ao ponto que Adrian Titieni entregou um Mircea bem seco e desesperado pelos erros do passado e tentando corrigir alguns para conseguir o perdão da antiga família, mas o ator foi meio sem explosões, o que acaba soando um pouco falso tudo, não sendo algo ruim, mas talvez um pouco mais de intensidade o marcasse mais. Elena Purea trouxe já aquele estilo de pessoa que sai gritando com sua Paula, e depois passa a acusar as pessoas tanto com olhares quanto com frases fortes e duras de ouvir, de forma que tudo seu soa intenso, mas não foi tão usada quanto poderia, ficando mais no hotel, e talvez alguns momentos na guarda de salvamento chamaria mais atenção. Tudor Smoleanu trabalhou o seu Filip com uma boa dinâmica, sendo daqueles agentes marcantes e claros na forma de entregar as dinâmicas de busca, e sendo seco como qualquer militar envolvendo bem sua maneira e sendo bem feito. Valeriu Andriuta trabalhou o socorrista chefe Cristian com estilo clássico de que estou fazendo o trabalho que dá, não vou matar meus funcionários por um capricho, e assim conseguiu chamar atenção e agradar com as devidas nuances necessárias. Quanto aos demais vale apenas a citação da família da garota, que num primeiro momento estava bem crente de tudo, usando de videntes e sensações, mas depois desligou bem, até ao ponto de levar as devidas bordoadas por parte da mãe do garoto e do pai em certas atitudes, mas nada que tenha sido impactante demais, e até mesmo a atual esposa do protagonista é usada apenas para dar os devidos sentimentos de culpa e desespero, não sendo algo de atuação forte e necessária.

Visualmente temos que falar do ambiente em si, pois a neve é linda, porém muito perigosa, e a natureza não tem como brigarmos ou processarmos, como o pai fez quando uns valentões bateram no filho numa das histórias contada pela mãe, ou seja, a equipe de arte foi bem representativa da cidadezinha pequena na beirada das montanhas, com um hotel luxuoso todo preparado para as festas de fim de ano, uma cabana de socorristas cheia de quadros e diplomas pelos salvamentos feitos, um teleférico antigo e simples que demora eternidades até chegar ao ponto máximo, e toda a montanha com seus percursos de difíceis acessos, as avalanches e muita neve, sendo algo intenso e belo de ver na mesma proporção.

Enfim, é um bom filme, longe de ser algo impressionante, que ficará marcado pela essência da culpa/desespero dos personagens, mas que como história acabou não indo muito além. Vale por ser algo diferente do usual tanto pela história mostrada, quanto por ser um filme de um país que raramente surge algo por aqui, mas faltou aquele ato espantoso e marcante que faria o longa ser comentado por todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Mate ou Morra (Boss Level)

9/18/2021 02:27:00 AM |

Posso dizer facilmente que hoje vi um dos filmes mais geniais e divertidos dos últimos tempos, pois "Mate ou Morra" entrega toda a essência dos jogos de videogame das antigas com uma dinâmica interativa incrível daquelas que íamos aprendendo com o personagem principal morrendo diversas vezes nos mesmos lugares para como passar daquele desafio, e a cada vez que voltávamos ali já sabíamos como passar aquela fase ou momento, e que no filme vai rolando da mesma forma para até chegarmos no nível final, ou como é a tradução literal do nome original Nível do Chefão, e assim toda a proposta acaba sendo deliciosa pela formatação escolhida, com um protagonista muito bom, todo um design perfeito que a distribuidora nacional teve todo o capricho de converter para o nosso idioma (ou seja, vejam nos cinemas pois vale a pena ver cada detalhe escrito na nossa língua), e que certamente tinha tudo para que eu assinasse já o nome dele como o melhor filme do ano até acontecer a cena final mais idiota e ruim dos últimos tempos, ao ponto da maioria permanecer na sala até os últimos créditos esperando aparecer algo que fosse para pelo menos sairmos sorridentes da sessão, mas não o filme simplesmente acaba. Ou seja, costumo dizer que não dá para estragar um filme ótimo com um final ruim, mas dá, e como dá, pois é algo que alguns até vão achar algo para justificar, mas faltou o gran-finale, aquele que impactaria demais, o grande resultado de um todo, afinal assim como no videogame quando tudo se cumpre algo bacana acontece, e aqui apenas acaba, o que é uma tristeza imensa. Sendo assim, ainda vou indicar o filme para todos, mas preparem-se para uma brochada imensa no final, mas antes vibre muito com cada detalhe, pois é incrível.

A sinopse nos conta que Roy Pulver é um ex-agente das forças especiais que se vê forçado a reviver o dia de sua morte inúmeras vezes. Ele acorda sendo perseguido por assassinos e, de uma forma ou de outra, acaba sempre morrendo no final. Enquanto luta para chegar ao fim do dia com vida, Roy descobre uma mensagem de sua ex-esposa revelando o envolvimento do cientista Ventor nesse ciclo mortal e percebe que a sua família também corre perigo.

O mais engraçado de tudo é que vi o trailer tantas vezes no cinema que fui conferir o longa até irritado com ele, pois até trailer com comentários "engraçados" colocaram durante várias semanas, e assim ao chegar na sessão esperava sim um filme explosivo, mas não algo tão bom, e só quem já jogou muitos jogos de videogame de missões vai sentir a nostalgia completa que a trama entrega, inclusive tendo cenas num evento de videogames oitentistas, ou seja, o diretor e roteirista Joe Carnahan simplesmente botou tudo o que fez nos anos 80/90 numa ideia insana de filme de ação e conseguiu com isso prender o espectador até o final num aprendizado muito coerente com cada ato, brincando praticamente com tudo, acertando na forma violenta das mortes, nas lutas corporais intensas, e claro nas explosões e tiros para todos os lados, pois essa era a essência dos jogos de missões, e aqui esse leque de estilo, de não saber exatamente aonde devemos ir, o que fazer, e ir aprendendo com as mortes e com as interações é algo muito perfeito de ver. Ou seja, posso até estar sendo injusto em reclamar tanto do final, afinal ouvimos a fala da personagem secundária (ou no caso a mocinha indefesa que estamos tentando salvar) dizendo o que deve ser feito, mas é inaceitável, pois desanima demais conseguir chegar tão longe para isso, e assim sendo poderiam ter feito um final alegórico mais agradável, porém tirando esse detalhe do encerramento tenho de tirar o chapéu para o diretor, pois ele entregou a perfeição que quem gosta do estilo desejava ver nos cinemas, e dou destaque também para a distribuidora nacional que fez os escritos todos na nossa língua como uma atualização mesmo de jogo que chega aqui completa sem precisarmos de dicionários para conferir/jogar.

Sobre as atuações, um fato é que acertaram demais na escolha de Frank Grillo para o protagonista Roy, pois o ator tem bons trejeitos, sabe se divertir em cena, e principalmente tem uma estrutura corporal clássica de personagens de jogos, ao ponto que vemos ele fazendo todas as suas cenas de ação com uma desenvoltura tão gostosa que faria certamente escolhermos ele para jogar se estivéssemos com o joystick escolhendo um personagem, e assim seus trejeitos foram certeiros, suas atitudes, e tudo mais, agradando do começo ao fim. Mel Gibson e Will Sasso até tentam ser grandiosos vilões, com frases marcantes, e até atitudes fortes, mas seus Ventor e Brett acabam sendo mais objetos imponentes do que atores que chamassem atenção, e assim sendo faltou um pouco mais de cenas para que eles realmente envolvessem, mas ao menos não atrapalharam. Já Naomi Watts é quase um objeto cênico que buscamos encontrar, pois sua Jemma até tem algumas cenas clássicas da famosa princesa de objetivo final de jogo, mas a atriz não foi marcante o suficiente, enquanto o filho verdadeiro de Frank, Rio Grillo trouxe um ar tão gostoso para o seu Joe, que as cenas deles juntos jogando certamente foram muito gostosas de filmar, e mostrou uma conexão maior ainda para tudo, além do garotinho ser bem esperto e expressivo. E quanto dos vilões secundários, já não estava mais aguentando ouvir Selina Lo falando o seu nome Guan Yin, e a cena de sua morte foi algo que ri demais pelo que o protagonista faz, sendo perfeito demais, mas todos foram mais usados do que trabalhados nas expressões, sendo representativos para os momentos, com um explosivo, outro caipira com ganchos, aqueles de facões, de muitas armas, até chegarmos em uma com uma arma que foi de Hitler, ou seja, algo até profundo demais. Já os amigos de bar do protagonista vividos por Ken Jeong e Sheaun McKinney com seus Jake e Dave foram bem colocados e divertem nas suas cenas, principalmente na remoção do rastreador.

Visualmente a trama também traz todas as dinâmicas de jogos, muitos elementos cênicos usáveis ao redor para o protagonista ver e ir descobrindo mais do que deve fazer e acontecer, mostrando que a equipe de arte trabalhou em cada detalhe, em cada simbologia dentro do mito de Íris e Osíris, criando um gerador de fluxo bem imponente, mas que pareceu mais um túnel de luzes, e todo um ambiente recheado de ação, com muitas cenas de perseguições de carros, helicópteros, armas e símbolos, que certamente fazem valer a pena ver até mais que uma vez o filme só para reparar em tudo (porém ao lembrar do final, a vontade vai embora!).

Como todo bom jogo tem boas canções embalando as cenas de ação, aqui não foi diferente, ao ponto que todas as escolhas deram ritmo e envolvimento para cada ato, valendo entrar completamente no clima e ouvir depois todas pelo link que deixo aqui.

Enfim, volto a frisar que é um dos piores finais para um dos filmes mais geniais que vi, mas que ainda assim faz valer totalmente a conferida, e que certamente quem já jogou muitos jogos de missões irá entrar completamente na essência da trama, irá vibrar com alguns atos, e sairá feliz da sessão, mas quem sabe resolvam dar uma continuação para o filme, e possam melhorar o último ato, pois vale a pena. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Confesso que se não fosse o final daria 10 para o filme, mas a decepção foi tamanha que vou tirar dois pontos só por esse motivo.


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Escape Room 2 - Tensão Máxima (Escape Room - Tournament of Champions)

9/17/2021 01:33:00 AM |

Não sei muito das estatísticas mundo afora, mas acredito que o gênero que mais saem continuações são com filmes de suspense/terror, pois sempre sobra alguma coisa para contar no outro e com isso vão seguindo cada vez mais e como geralmente são produções baratas que rendem um bom tanto, não acabam nunca, e lá no começo de 2019 quando foi lançado "Escape Room" já nos foi dito que tinham planos de uma continuação, mas não imaginava que sairia tão logo, e mais ainda que nem tinha sido lançado e o diretor novamente já está falando num terceiro filme, ou seja, "Escape Room 2 - Tensão Máxima" é razoavelmente melhor que o primeiro, e isso era algo bem fácil, mas além de ser curto (apenas 88 minutos), gasta praticamente uns 8 minutos mostrando cenas do primeiro, nos conectando com tudo e principalmente dando detalhes que serão importantes nas cenas finais desse, sendo assim quem for conferir preste muita atenção em tudo que é mostrado no começo que será necessário no final, e digamos que a amarração toda aqui é mais intensa e bem feita, mas ainda assim poderiam impactar mais com tudo. Ou seja, é daqueles filmes que funcionam bastante dentro da proposta, mas assim como disse no primeiro filme, com um diretor realmente bom do gênero esse seria daqueles filmes que suaríamos até debaixo da língua de tanta tensão.

A sinopse é bem simples para não revelar muita coisa e nos conta que seis pessoas se encontram presas em uma nova série de armadilhas, buscando o que elas têm em comum para sobreviver... e descobrindo que todos já jogaram esse jogo antes.

Claro que falei que nas mãos de um diretor melhor o filme seria mais impactante, mas confesso que aqui o diretor Adam Robitel deu um tremendo ganho de estilo com as armadilhas, pois foram muito bem sacadas e com precisões interessantíssimas em cima de tudo, ao ponto que a montagem foi bem funcional, todas possuem estilos e motivos claros para toda a dinâmica, e principalmente possuem soluções, não sendo algo impossível de ser feito pelos protagonistas, e claro com a grandiosa sacada final pronta para termos uma continuação, embora o diretor tenha falado que pensa em voltar para atrás  e contar mais sobre o Gamemaster ao invés de ir para a frente, mas duvido que não vá seguir com o que deixou na tela. Ou seja, é um filme digamos bem trabalhado, com boas nuances e que entretém bastante, mas falar que fiquei realmente tenso com toda a situação como o nome nacional diz já foi apelar demais.

Sobre as atuações, diria que foi bem bacana voltarem com os protagonistas que sobreviveram no primeiro filme, pois ambos foram medianos no primeiro filme, mas aqui por já estarem digamos bem conectados com seus papeis acabaram indo até mais além nas cenas completas. Dito isso Taylor Russell foi menos eufórica aqui com sua Zoey, e com isso conseguiu trabalhar melhor suas dinâmicas, ao ponto que claro tem ainda cenas que poderia ter ido com menos afobação, mas trabalhou bem, e acabou agradando dentro da proposta toda, e claro sendo agora a real protagonista de tudo acertou no que precisava fazer. Logan Miller melhorou muito seu jeito de atuar, e está cada vez mais com mais carisma nas expressões, ao ponto que aqui seu Ben até entrega alguns olhares meio que romantizados para a protagonista, e isso faz com que o clima entre em outras nuances, mas claro que o filme não era para isso, e ele se mostrou um bom jogador, agradando no estilo e nas diretivas que a trama pedia. Quanto aos demais personagens, o padre vivido por Thomas Coccquerel é meio surtado, as garotas surtaram muito facilmente, e a surpresa final fez caras de espanto demais, então felizmente os protagonistas deram conta do recado, e é melhor focar só neles. 

Visualmente a equipe melhorou consideravelmente todo o aparato das armadilhas para termos algo mais convincente, pois embora tudo o que tenha ocorrido no primeiro filme seja até mais intenso de dinâmicas, como a cena no gelo, o grande buraco e tudo mais, aqui tivemos um trem eletrocutando tudo com diodos na famosa brincadeira de forca, um banco cheio de laser com toda a dinâmica dos pisos falsos, a grandiosa sacada da praia com uma dica tão precisa que os jovens foram bem lentos para descobrir, o bairro com chuva ácida, o quarto de fogo e água, e claro todos os elementos cênicos para representar a ideia completa da trama em cima de um nome, e assim tudo funcionou e envolveu, sem parecer tão artificial, mostrando que a equipe estudou bem mais como são as famosas salas de fuga no mundo todo, e o resultado agrada bastante.

Enfim, é um filme que conseguiram melhorar consideravelmente em relação ao anterior, porém tem ainda muitos problemas como a abertura para continuações, a falta de uma tensão mais forte para o público e não somente para os personagens, e principalmente ficar dependente de detalhes abertos que precisam ficar falando para que as pessoas se conectem, mas são itens que o estilo até pede, e assim sendo acaba valendo bem a conferida, principalmente se você for um fã do gênero. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Noitários de Arrepiar (Nightbooks)

9/16/2021 01:13:00 AM |

Acho que a Netflix tá meia perdida com as datas, pois até onde eu sabia o Dia das Bruxas era mais perto do fim de Outubro, e não no meio de Setembro, afinal costumam lançar longas de terror para adultos, ultimamente também para crianças mais perto da data, e eis que hoje lançaram "Noitários de Arrepiar", que lembra bem o estilo dos filmes "Goosebumps", porém com uma pegada menos estranha, mas ainda mantendo a formatação de terror para os mais jovens, e assim tendo comicidade, diversão, personagens coloridos e claro uma trama menos aterrorizadora, e assim sendo o resultado é algo até que bem bacana de conferir, que empolga com uma boa atuação do garotinho protagonista, e até tem uma proposta simples e eficiente, ao ponto que quem sabe saia mais frutos do que conseguiram fazer com o livro de J.A. White. Ou seja, não é nenhum filme daqueles que você irá sair vibrando com o que viu na tela, mas é gostoso de passar o tempo, tem uma boa pegada, e o resultado do que desejavam passar funciona pelo menos.

O longa acompanha Alex, um garoto obcecado por histórias de terror que se vê aprisionado por uma jovem bruxa malvada em um apartamento em Nova York. Com isso, ele acaba conhecendo Yasmin, que também está presa, e descobre que precisa contar uma nova história assustadora a cada noite para salvar sua vida.

Quando vi o nome do diretor David Yarovesky na tela acreditei que nunca tinha visto nada seu, mas ledo engano meu, pois ele foi o responsável pelo estranho filme do Superman do mal, "Brightburn: Filho das Trevas", que o produtor James Gunn fez explodir e agora novamente ele cai nas mãos de outro grandioso produtor, no caso Sam Raimi, ou seja, ele tem bons "contatinhos", pois não é um diretor imponente, mas sabe bem encaixar todos os atos, sabe envolver com os protagonistas, e aqui principalmente soube causar uma tensão junto com diversão, o que é bem raro de ocorrer, e assim sendo a trama tem uma boa funcionalidade, que claro é proveniente também do livro de J.A. White, e fazendo a dinâmica ocorrer com uma boa desenvoltura acaba agradando bastante com o fechamento feito.

Sobre as atuações, diria que o garotinho Winslow Fegley tem muito futuro pela frente se seguir com esse carisma nas atuações, pois aqui o filme depende demais dele, e ele entrega um Alex cheio de desenvolturas, de trejeitos, e principalmente de estilo, sabendo bem aonde trabalhar seus atos, aonde encaixar as nuances que a trama pedia e assim garantindo o protagonismo completo. Lydia Jewett até fez bem alguns atos de sua Yasmin, trocando bons diálogos com o protagonista, e encaixando momentos expressivos bem colocados durante os atos que o jovem contava suas histórias, e com isso ela deu um bom suporte e caiu bem no papel, porém faltou um algo a mais para ela, que certamente poderia acontecer com algum flashback dela, mas não rolou. E para finalizar, Krysten Ritter foi muito bem colocada com sua Natacha, ao ponto que deu algumas nuances bem diferentes para uma bruxa jovem, e claro que seu momento de reviravolta acabou sendo bem surpreendente e chamativo, mas talvez um pouco mais de trejeitos malvados caíssem bem para ela, o que não atrapalhou o resultado final. Agora quanto aos secundários usados nas histórias chegou a ser deprimente a falta de vontade de todos, que nem atores de primeira semana de curso de teatro fariam expressões tão ruins.

Visualmente o apartamento é muito bem decorado, com detalhes em todos os cantos, contando com uma biblioteca gigantesca maravilhosa, com grandes livros clássicos de terror, com um jardim mágico muito bem trabalhado de elementos, personagens computacionais bem interessantes como o picador e até mesmo a gatinha Lenora (que fiquei na dúvida se é real ou não - tendendo mais para não pelos movimentos de ação), e até mesmo a floresta e a casa de doces foram grandes sacadas muito bem feitas e interessantes para todo o contexto da trama, ao ponto que o final já era esperado, ou seja, o filme por completo funciona muito bem, e mostra que a equipe de arte trabalhou nas entrelinhas do roteiro, agora ainda volto para o problema das histórias contadas pelo garoto que foram bem sacadas de desenvolver meio que num formato diferente, mas poderiam ter trabalhado melhor para servir como algo a mais, não apenas sendo algo jogado quase, mas foi uma boa ideia pelo menos.

Enfim, foi uma grata surpresa a conferida, sendo algo até melhor do que eu esperava ver, pois imaginava ser até mais infantil, mas como o patamar dos terrores infantis está com a barra bem lá embaixo, o resultado aqui agradou, sendo daqueles bons passatempos divertidos e bem encaixados que até vamos lembrar quando alguém perguntar um terror mais levinho para colocar a criançada pra ver, e sendo assim vale a indicação. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Observadores (The Voyeurs)

9/14/2021 01:03:00 AM |

Tenho a certeza quase que absoluta que muitos irão conferir a trama da Amazon Prime Video pelo conteúdo sensual do longa que alguns sites até estão vendendo o colocando como semelhante de "365dni", "50 Tons de Cinza" e afins, mas "Observadores" se assemelha muito mais a outros filmes mais dramáticos como "Janela Indiscreta" do que com todos esses outros, principalmente pelo estilo escolhido para os atos de fechamento. Ou seja, se você for dar o play esperando apenas cenas de sexo certamente vai se decepcionar um pouco, pois o longa até entrega algumas cenas bem sensuais e algumas com um certo ar explícito, mas nada que muitas novelas da TV não tenha entregue próximo das 22hs diariamente, e assim é melhor ir preparado para ir vendo uma trama até que simples de início, a qual eu já estava até me preparando para martelar, quando vem a primeira reviravolta (que é chocante de certa forma, mas que faz parte por tudo o que ocorre), mas aí temos alguns conflitos e o filme amorna novamente, para aí sim vir uma outra reviravolta (ainda mais chocante e impactante), mas até aí ok, rolou e pronto, e você já acha que nada mais pode surpreender, e aí é que se engana, o filme vem com uma terceira reviravolta daquelas que você se ajeita na cadeira e fala "opaaaa!!!!" E então eu já comemorava bem feliz com tudo, e por incrível que pareça veio uma quarta reviravolta bem intensa que fechou o longa de uma forma até que amena por tudo o que rolou, mas que funciona ao menos dentro de tudo o que vimos no filme. Ou seja, um longa de 116 minutos com 4 reviravoltas é algo que satisfaz qualquer bom observador de filmes, e assim sendo não é apenas um filminho sexual entregue.

A sinopse nos conta que Pippa e seu namorado Thomas acabam de se mudar para um lindo apartamento com excelente vista para o centro de Montreal e para uma residência do outro lado da rua. O que inicia como uma curiosidade inocente logo se transforma em uma obsessão total quando eles começam a acompanhar cada vez mais a vida glamorosa e sexy do casal que mora lá. Depois de testemunharem seu vizinho traindo sua fiel parceira Julia, Pippa e Thomas discordam se têm a responsabilidade de agir ou simplesmente cuidar da própria vida e parar de observá-los.

Nunca ouvi falar do diretor e roteirista Michael Mohan, mas aqui ele mostrou ser daqueles diretores que não gostam de entregar tudo de uma vez, e isso é algo bem bom de acontecer, pois tira o espectador da zona de conforto fazendo com que ele veja algo inesperado a cada movimento de câmera, e aqui a sacada foi bem determinada e impactante, criando várias quebras interessantes e com propósitos, só diria que mesmo tendo todo o lance do olhar, do médico e tudo mais, particularmente preferiria um final diferente, pois acabou sendo algo simples demais com tudo o que foi mostrado, mas encaixou ao menos com a profissão da protagonista, e o resultado causa pelo menos. Ou seja, certamente seria apenas um filme bem bobinho sem as reviravoltas, e certamente muitos irão se surpreender com tudo, mas diria que ainda dava para ficar mais tenso alguns atos e aí sim a trama subiria de patamar.

Sobre as atuações diria que Sydney Sweeney inicialmente parecia meio desconexa e estranha demais com as facetas de sua Pippa, pois ter curiosidade sobre algo é bacana, mas a jovem chegou a exagerar demais nas nuances colocadas, porém seu segundo ato puxou um ar bem mais interessante e a atriz cresceu bem com a personalidade que acabou colocando, ao ponto que teve estilo, coragem para botar o corpo para jogo, e principalmente conseguiu fazer atos sem muita enrolação, o que acaba agradando bastante. Já Justice Smith ficou meio que engessado com seu Thomas, não sendo nem um personagem que cativasse o público a torcer para ele, nem um senhor da moral que encanasse com a forma que a namorada agisse, ao ponto que faltou taco para o personagem, e o ator também não trabalhou muitas nuances, ficando bem em segundo plano com tudo, o que é ruim de ver. Ben Hardy também colocou o corpo para jogo com seu Seb, e foi bem mais usado para isso do que para cenas que precisou dar nuance de diálogos, mas fez bem isso no bar com a protagonista, e em alguns outros momentos trabalhando a expressividade, o que acabou dando certo, mas talvez pudesse melhorar. E para finalizar Natasha Liu Bordizzo fez uma Julia misteriosa, com algumas nuances abertas, mas soube dosar seus atos para que cada momento funcionasse, ao ponto que foi bem expressiva e até inteligente em algumas cenas, o que mostrou personalidade. Quanto aos demais, foram apenas conexões, sem grandiosos momentos, com um leve destaque para Katharine King So com sua Ari, mas nada que fosse chamativo.

Visualmente a trama foi bem de intensidade, tendo dois apartamentos muito bem decorados, com equipamentos clássicos do estilo em cada um, tendo o primeiro todo o trabalho de som já que o jovem é músico e com isso conseguiu usar de técnicas de reflexos sonoros para ouvir os diálogos dos vizinhos do outro lado da rua (nem imaginava que isso era possível!!), usando todo um aparato a laser em uma boa sacada montada numa festa de Halloween bem insana, e do outro lado diversos apetrechos fotográficos que o profissional usava para sua exposição e claro para os seus casos, sempre regado a um bom vinho, ainda tivemos cenas em um spa, na clínica oftalmológica da protagonista e até num bar bem elaborado, ou seja, a equipe de arte trabalhou bem as nuances e chamou atenção até mesmo nos atos sem roupas, aonde tudo foi bem intenso ao redor dos personagens.

Enfim, é um filme que num primeiro momento fui conferir pensando uma coisa, e que felizmente foi completamente diferente, pois entrou num vértice mais intenso e dramático muito melhor do que apenas um thriller erótico, e assim sendo o resultado chama bastante atenção, e quem curtir tramas com boas reviravoltas vai acabar curtindo bastante tudo. Sendo assim recomendo o longa para todos (claro que tiver idade para ver algumas cenas mais intensas!) e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Viajantes: Instinto e Desejo (Voyagers)

9/13/2021 01:07:00 AM |

Sinceramente não sei o que estava esperando do novo filme de Neil Burger, "Viajantes: Instinto e Desejo", que estreou na plataforma da Amazon Prime Video, mas com toda certeza não era isso que me foi apresentado, pois a ideia de pessoas presas no espaço por 86 anos, que já nasceram confinadas e que irão se reproduzir para ir criando outras gerações na própria nave até chegar no planeta pré-determinado, é até que boa e claro que conflitiva se não manter o ambiente 100% controlado, mas quando algo dá errado tudo passa a ser insano por parte dos jovens com instintos mais animalescos, ou seja, entramos naquela velha sina de que a pessoa já nasce com suas ideologias formadas ou se o meio a influencia. Ou seja, é uma trama intensa, cheia de desenvolturas fortes e marcantes quando os jovens que estavam sendo drogados desde o nascimento param com o medicamento, mas que tem alguns absurdos não muito aceitáveis no miolo, e além disso o ritmo nem parece ser de um filme de um diretor de longas de ação, e sendo assim ficou parecendo aqueles filmes que não sabiam muito como desenvolver e apenas deixaram ir no fluxo, o que acaba não agradando ninguém.

A sinopse nos conta que situado em um futuro próximo, o longa narra a odisseia de 30 homens e mulheres que são enviados para o espaço em uma missão multigeracional em busca de um novo lar. A missão entra em uma espiral de loucura à medida que a tripulação volta ao seu estado mais primitivo, sem saber se a verdadeira ameaça que enfrentam está fora da nave ou dentro dela.

Acredito que fui com sede demais ao pote esperando ver uma direção clássica de Neil Burger, pois seus filmes sempre são cheios de interações, de personificações, e principalmente de atitudes, aonde cada ato poderia surpreender com algo a mais, e além disso, o próprio nome que traduziram no Brasil parecia dar intensidades a mais para um filme digamos adolescente. Ou seja, está bem longe de ser uma trama ruim, pois mostra a sina que falei de descobrirmos um pouco mais de uma pessoa, de entendermos o instinto de alguém, porém faltou aquele algo a mais de filmes espaciais que tanto gostamos de ver, faltou uma desenvoltura mais própria em cima das personalidades de cada um, e claro uma tensão maior em cima de tudo, pois alguns atos explodem fácil demais e são rapidamente resolvidos, enquanto outros acabam enrolando e não fluindo como casualmente ocorreria, e assim sendo faltou um pouco do estilo do diretor realmente para que não ficássemos apenas como uma trama jovem, mas sim dar a jovialidade clássica que ele colocou em "Divergente" e "Sem Limites", para aí sim o filme ficar bom de ver.

Sobre as atuações, diria que esperaram um pouco demais de Tye Sheridan com seu Christopher, pois o jovem claramente não incorporou um ar de liderança na nave, fazendo mais caras emburradas com tudo do que se prontificando e entrando no clima de guerra realmente que estava ocorrendo, ao ponto que pareceu até mais erro de estilo escolhido pelo ator do que do papel em si, e isso é um grande problema. Já Fionn Whitehead botou para jogo todo o ar animalesco de um adolescente lotado de hormônios, e soltou tudo o que tinha reprimido por anos com a medicação que seu Zac tomava, ao ponto que em determinado momento chega a passar até medo nos demais com o surto completo, e isso foi bom, pois mostrou que ele tem atitude, e agradou de certa forma. Lily-Rose Depp trabalhou até que bem sua Sela, misturando nuances centradas com atitudes desesperadas, mas sempre sendo coerente com todo o percurso ao ponto de ficarmos bem colocados dentro do que a jovem tentava nos passar, e assim ela fluiu bem e manteve atos marcantes funcionais sem desaparecer do cerne completo da trama. Talvez Colin Farrell pudesse ser mais dinâmico nos atos de seu Richard, pois ele usou olhares e trejeitos tão mornos que parecia estar desanimado em cena, o que não é comum de vermos em um papel, e com isso seus atos não foram muito além também, mas ao menos manteve o mesmo ar o tempo todo, podendo ser algo que o diretor tivesse pedido, ou seja, fez as cenas e o resto que sobrevivesse. Quanto aos demais, a maioria dos jovens apenas seguiu os demais, tendo um ou outro ato mais marcante com Chanté Adams e sua Phoebe regrada demais, e com Archie Madekwe trabalhando seu Kai como alguém exagerado e jogado no ritmo do outro maluco, mas sem grandes expressões para lembrarmos deles daqui alguns dias.

Visualmente por ser uma nave de viagem de anos esperava ver algo mais trabalhado lá dentro como já vimos em outros filmes, pois com apenas quartinhos minúsculos, uma academia bem pequena, uma enfermaria, um refeitório de mesas retas e algumas cabines de comando nem em sonho alguém aguentaria passar 86 anos ali, e teriam de drogar muito todos para passar esse tempo apenas andando pelos corredores. Ou seja, faltou criatividade para a equipe criar algum estilo de cruzeiro espacial com mais atividades, pois é tudo muito cinza, tudo sem grandiosas e chamativas cenas, e até mesmo nos atos mais de guerra com as armas atirando a simplicidade não sai do lugar, e sendo assim o filme ficou morno demais. 

Enfim, é um filme com uma proposta interessante que acabou sendo mal desenvolvida, pois não empolga, não cria nada demais, e nem explode com nenhum ator da nova geração, fazendo com que todos apenas tivessem participado ali do filme. Ou seja, não é algo que você vai assistir e achar que perdeu duas horas da sua vida na frente da TV, mas certamente poderiam ter ido muito além em tudo para algo desse porte, e sendo assim recomendo ele com mais ressalvas que tudo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Kate

9/12/2021 07:42:00 PM |

Sempre é engraçado quando alguns diretores/roteiristas inventam de misturar as culturas, pois acabamos vendo filmes que não atingem nenhum dos lados, e ainda estranhamos toda a sensação passada. Ou seja, não digo que o longa da Netflix, "Kate", seja algo ruim desse estilo, pois trabalha bem o lado dos assassinos de aluguel e também o envolvimento das lutas da Yakuza, e assim acabamos curtindo algo que até tem ao menos um bom entretenimento, mas ficamos esperando aquele algo a mais que poderia fazer a diferença, o que não ocorre. Diria que é daqueles filmes de ação que vemos muitos tiros, uma proposta de intensidade boa, mas que já vimos tantos longas semelhantes que é até difícil encontrar algo que seja chamativo nele, mas pelo menos as duas garotas conseguem trazer alguma vitalidade nas suas cenas juntas, e assim dá para rir um pouco no miolo.

A sinopse nos conta que meticulosa e sobrenaturalmente habilidosa, Kate é uma assassina perfeita que encontra-se no auge de sua carreira. Mas quando uma operação para matar um membro da Yakuza não ocorre do jeito esperado e Kate é envenenada, ela tem apenas 24 horas para se vingar dos seus inimigos. Conforme seu corpo se deteriora rapidamente, a assassina forma um vínculo improvável com Ani, a filha adolescente de uma de suas vítimas anteriores. Embarque em uma caçada frenética pelas ruas de Tóquio com Kate.

O diretor Cedric Nicolas-Troyan soube trabalhar bem a dinâmica da ação para que seu filme ficasse intenso de tiros, de correrias no meio de uma Tóquio noturna, e deu um bom envolvimento para seus personagens, fazendo com que o filme até tivesse uma boa vivência cênica, porém um filme não vive só de ações, e as montagens da história acabam não tendo o envolvimento necessário para que o filme criasse algo a mais, ao ponto que até torcemos para a protagonista ir além, já no miolo imaginamos o possível final, e até foi bacana a interação dela com a garotinha, mas não vemos aquele ato que espante, que faça querer indicar o filme para todos, e isso é algo que é uma pena, pois o estilo de ação/tiros sempre traz novidades, e sem elas o resultado acaba sendo monótono demais.

Sobre as atuações, confesso que em alguns momentos achei Mary Elizabeth Winstead tão semelhante com Milla Jovovich que sua Kate acaba sendo até icônica na desenvoltura toda, cheia de saltos, tiros, lutas na mão, lutas com facas e muita imponência visual que acabamos curtindo tudo o que faz em cena, sendo daquelas que sobrevivem até o último segundo depois de estar envenenada, levar vários socos e tiros, e tudo mais, ou seja, é quase uma imortal em cena, e se sai bem. A jovem Miku Patricia Martineau acabou entregando bons atos divertidos (e alguns irritantes também) com sua Ani, ao ponto que gostaríamos até de ver mais dela em cena. Woody Harrelson sempre entrega personagens canastrões, e aqui seu Varrick tem essa pegada meio de instrutor, envolvido em mistérios e trabalhou bem nas cenas do passado da protagonista, mostrando que a conexão entre eles é até algo maior, ou seja, o personagem tem uma boa pegada que acabou sendo cortada na interação final, mas como o ator é bom, seus trejeitos acabaram ficando bem conectados. Agora quanto dos vilões, tanto Tadanobu Asano com seu Renji quanto Jun Kunimura com seu Kijima fizeram atos interessantes mais puxados para os olhares e conversas, ao ponto que a luta entre eles inclusive é o melhor do final do filme, mas sem dúvida a grande luta ficou a cargo da protagonista com o cantor Miyavi, que no longa faz inicialmente um michê, mas que com o tanto que lutou para sobreviver com seu Jojima vemos uma interação bem bacana que mereceria mais tempo de tela.

Visualmente o longa tem bons atos numa Tóquio meio futurista, cheia de nuances digitais, tiros para todos os lados, muitas armas, e claro muito sangue com toda a desenvoltura de ação, ao ponto que todo o trabalho cênico acaba sendo bem convincente e marcante, claro que com exageros demais, mas vemos nuances diferenciadas e estilo, principalmente nos atos junto da garotinha, que acabou fazendo da assassina uma pessoa mais teen. Ou seja, a equipe foi bem na representação, mas certamente poderia ter ido além para mostrar algo diferente.

Enfim, é um bom longa de ação, mas que não se diferencia em nada de outros vários que já vimos nos cinemas e até mesmo no streaming, sendo um bom passatempo para a tarde de domingo, mas que muitos vão mais reclamar do que curtir tudo o que acaba acontecendo, passando bem longe de um filmão envolvendo Yakuza e outros grupos de assassinatos. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Um Casal Inseparável

9/11/2021 02:47:00 AM |

Todos que me acompanham sabem o quanto eu reclamo e desço a lenha em filmes que usam como base o estilo novelesco, porém a comédia romântica "Um Casal Inseparável" entrega uma base tão gostosa de acompanhar, trabalha situações tão casuais e críveis de acontecer nos relacionamentos atuais que acabei entrando demais no clima que o filme entrega, ao ponto que quando me vi já tava curtindo o sambinha final de Mart'nália nos créditos esperando até a última letra para ver o nome de algumas das canções que combinaram bem demais com a trama e deram o clima completo para a ótima química entre o casal de protagonistas. E digo mais, os eixos secundários também foram bem demais em cena de forma que o conjunto completo acaba sendo daqueles que você quer ver mais. Ou seja, acredito que alguns amigos irão perguntar se a vacina deu reação errada no Coelho por estar falando bem de um longa nacional de comédia romântica num estilão de novela, mas não, foi um grato acerto do diretor, dos roteiristas e do elenco que fizeram algo que combinou bem tendo sim alguns exageros, alguns pontos que forçam a barra, porém o resultado completo agrada e certamente quem for conferir de boa irá curtir tudo.

A sinopse nos conta que Manuela é professora de vôlei de praia, determinada e autoconfiante. Ela nunca pautou sua felicidade a um relacionamento e não planeja se casar. Léo é um pediatra bem-sucedido, carismático e extremamente sedutor. Os dois se apaixonam e passam a levar uma vida juntos, mas um desencontro acaba provocando a separação. Em meio a brigas e momentos de nostalgia, e com a ajuda da manipuladora Esther, mãe de Manuela, os dois vão descobrir se são mesmo inseparáveis.

Posso dizer que o diretor e roteirista Sérgio Goldenberg entrou inicialmente em uma grande fria, pois sendo muito mais conhecido pelas séries que escreve, aqui arriscou dirigir depois de muitos anos um filme com uma pegada moderna que facilmente poderia ser discriminada pela crítica por usar de ideais e tudo mais, mas também foi muito sábio em não jogar esse estilo como algo sem um rumo próprio, e usando do artifício da casualidade, do acreditar na parceria, e principalmente por não alongar suas cenas, dando uma dinamicidade gostosa de ver na trama, acabamos entrando no clima que o filme passa, e mesmo que usando claro as bases novelescas de vários personagens secundários, vários desenvolvimentos abertos e sínteses clássicas que até poderiam não ser necessárias para a trama, ele acaba nos entregando um romance leve e gostoso de acompanhar, que facilmente veríamos em amigos e tudo mais, aonde algum desentendimento atrapalharia tudo, aonde notamos pessoas bem diferentes que se amam, e principalmente sogras/sogros que tentam de tudo para dar aquele empurrãozinho tradicional quando algo da errado. Ou seja, é um filme simples, que inicialmente você não dá nada para ele e que muitos até irão virar a cara, mas que funciona bastante, diverte e faz valer o tempo na sala do cinema.

Sobre as atuações, já disse no começo que a química entre o casal protagonista é incrível e realmente conseguimos enxergar neles algo casual que veríamos facilmente entre amigos e até com nós mesmos, pois a desconfiança é o principal ponto de brigas entre pessoas bonitas que tem em seu meio uma vivência com pessoas do sexo oposto, e isso é algo muito comum e que foi bem trabalhado tanto pela direção quanto pelas expressividades dos atores, o que acabou sendo um grato acerto. Dito isso, Nathalia Dill entregou uma Manuela muito direta no que desejava passar, daquelas mulheres que não seguem nenhum estereótipo clássico, que é brigona mesmo, que não leva desaforo para casa e que se entrega nos momentos mais casuais, ao ponto que a atriz soube segurar cada dinâmica sua com muita personalidade, e o resultado é muito acertado. Da mesma forma, já disse isso outras vezes e volto a frisar que praticamente todos que saíram do "Porta dos Fundos" para o ar dramático/romântico mantendo um tom cômico gostoso acertaram demais, e Marcos Veras tem sido o que mais tem acertado nesse quesito, mostrando muita personalidade, conseguindo fazer papeis carismáticos marcantes, e aqui seu Léo entrega boas dinâmicas, encaixa olhares certeiros, e faz com que seu médico até tenha um certo charme casual, que acaba envolvendo e funcionando bastante. Como falei também o grupo secundário deu muito show na tela, principalmente Totia Meirelles e Stepan Nercessian com seus Esther e Isaías, mostrando o casual conjunto de sogra e sogro que acabam tendo afinidades com os genros/noras além dos filhos, entrando no meio das brigas, tentando conciliar, e até atrapalhando algumas vezes, mas ambos foram diretos e leves nos entremeios sendo engraçados e bem colocados em tudo. Além disso ainda tivemos Dani Suzuki bem encaixada com sua Cristina cheia de sensualidade jogando muito para cima do protagonista, Claudio Amado e Esther Dias como os bons amigos Péricles e Rita, e até mesmo Carlos Bonow exagerando um pouco com seu Paulo Edu foi bem em cena.

Visualmente a trama é ainda mais simples, pois fica só na praia, no apartamento dos protagonistas, num hospital e na casa dos pais da protagonista, mas sem grandiosos simbolismos, claro com o elo mais marcante no carro do protagonista com o CD do Martinho da Vila que passa a ser a música tema do casal, mas vemos tudo bem encaixado, vemos as situações cenográficas funcionais nos ambientes, tanto que os momentos finais num resort acaba sendo simbólico mais pela dança do que por tudo o que rola ali, e assim sendo a equipe de arte até trabalhou bem, mas não foi mostrada no corte final, o que não é ruim, pois tudo acaba sendo sutil, desde o começo do encontro na rua, até o ato da compra dos móveis dos apartamentos vizinhos.

Enfim, posso até estar exagerando no que vou falar, mas é uma trama tão gostosa que se todos os filmes que seguem bases novelescas fossem parecidos com esse nosso cinema já teria decolado até mais, e sendo assim mesmo não dando uma nota tão impactante para o filme recomendo ele demais, pois é muito gostoso de ver mesmo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Patrulha Canina - O Filme (PAW Patrol: The Movie)

9/10/2021 09:39:00 PM |

Nunca tinha assistido a nenhum episódio de "Patrulha Canina", mas posso dizer facilmente que me diverti bastante vendo o filme dos cãezinhos no cinema, pois a base é bem feita mostrando diversos resgates, vemos um vilão risível, porém com estilo, e principalmente a trama entrega o que as crianças querem ver (aliás elas cantam a música tema na hora que entra!!!) que são as interações bem trabalhadas, os carros e uniformes tecnológicos, e a fofura claro dos protagonistas. Ou seja, agora sei bem o que os amigos com filhos passam com o desenho sendo repetido a exaustão, pois ver uma vez é legal, mas 200x não rola, mesmo sendo bonitinho. Claro que vai lotar as sessões com a garotada, e depois os pais vão morrer com algum dos brinquedos novos (que até rola propaganda antes nos trailers), pois o filme até faz essa brincadeira de quem pagou a nova central, e assim sendo com boas sacadas dá até para um adulto ver sem muitas reclamações.

A sinopse nos conta que quando o maior rival da Patrulha Canina, o prefeito Humdinger, se torna prefeito da vizinha Adventure City e começa a causar estragos, Ryder e os filhotes heroicos favoritos de todos entram em ação para enfrentar o desafio de frente. Enquanto um dos filhotes precisa enfrentar seu passado em Adventure City, a equipe encontra a ajuda de um novo aliado, o experiente bassê Liberty. Juntos, armados com novos dispositivos e equipamentos empolgantes, a Patrulha Canina luta para salvar os cidadãos de Adventure City e impedir o prefeito Humdinger de destruir a agitada metrópole.

Diria que o diretor e roteirista Cal Brunker, que escreveu também os dois filmes "Big Pai, Big Filho", caiu como uma luva para fazer o filme, pois ele soube como mostrar bem os personagens para os fãs mais doidos e também para aqueles que sequer viram alguma vez o desenho, ou seja, é um bom acerto divertido que agrada pelas boas pegadas, pelo bom colorido, pelo estilo e tudo mais, e sendo assim funciona bastante como um todo. Claro que está bem longe de ser uma animação perfeita, mas vale pelo conteúdo, e entrega uma boa dinâmica.

Sobre os personagens, diria que o carisma de todos nos conectam bem, mas sem dúvida toda a problematização em cima dos medos do pastor policial Chase com a volta para a cidade grande aonde foi abandonado, e as desenvolturas da bassê Liberty ágil e cheia de vontade acaba chamando mais a atenção. 

Sobre o visual diria que foram bem criativos com todos os carros, com todo o colorido, com as roupas tecnológicas dos cãezinhos, e tudo mais, pois agrada tanto no estilo do filme, quanto para vender brinquedos depois, e assim temos personagens bem desenhados, temos uma cidade cheia de estilos, e acredito que até tenha um funcionamento bem dinâmica em 3D, pois vi profundidade nas cenas, e com o design o resultado agrada bem a todos.

Enfim, não é algo que seja surpreendente, mas é divertido, gostoso e agrada adultos e crianças com tudo o que é mostrado, com as canções escolhidas, e tudo mais, sendo algo simples e bem feito, valendo a indicação. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Maligno (Malignant)

9/10/2021 01:12:00 AM |

Não tem jeito, já falo isso há anos e muitos ainda não acreditam que James Wan é o melhor diretor de terror da atualidade, pois ele consegue causar tensão, consegue ser violento, e ainda consegue surpreender com seus longas com algo inesperado. E não digo isso da boca pra fora, pois depois de alguns meses vendo o trailer de "Maligno", lendo a sinopse e até apostando algumas ideias do que seria toda a trama que nada havia sido divulgada, fui assistindo a trama tenso com as situações violentas, sem entender quase nada, mas quando a irmã caçula vai num hospital abandonado que mais parece um castelo, a noite no maior breu possível (#CoisasQueSóAcontecemEmFilmesDeTerror) e recupera algumas fitas cassetes antigas, o queixo vai parar no chão com a surpresa completa, e é fato, evitem ler qualquer coisa que diga spoilers, e vá ao cinema sabendo somente o que o diretor colocou na sinopse e no trailer, pois é chocante, e tudo que desenrola depois até fica meio exagerado, mas ainda assim é intenso, violento e de um primor clássico que só o diretor saberia fazer bem. Porém o final certamente poderia ser outro para ficar perfeito, mas nem sempre dá para agradar a todos.

A sinopse nos conta que Madison passa a ter sonhos aterrorizantes de pessoas sendo brutalmente assassinadas. Ela acaba descobrindo que, na verdade, são visões dos crimes enquanto acontecem. Aos poucos, ela percebe que esses assassinatos estão conectados a uma entidade do seu passado chamada Gabriel. Para impedir a criatura, Madison precisará investigar de onde ela surgiu e enfrentar seus traumas de infância.

Como falei acima, a grande sacada do diretor e roteirista James Wan foi evitar falar qualquer coisa a mais sobre o filme, aliás ele falou algo até demais em uma entrevista quando disse o estilo de terror antigo que o longa faz homenagem, pois quem conhece um pouco sobre essa temática até pode captar qual é o grande mistério, mas junto com Ingrid Bisu (que está meio que de enfeite cômico atuando em algumas cenas como a coletora de provas) escreveu um roteiro bem trabalhado, com boas dinâmicas, tensões, e principalmente grandes efeitos, que é algo que ele não utilizava tanto no começo da carreira, aonde apelava para algo mais prático, e aqui usou e abusou do computacional, o que não atrapalhou a essência do filme. Ou seja, o diretor amarrou bem toda a ideia e foi desenvolvendo de uma maneira aceitável para compreendermos tudo, ao ponto que poderia ser qualquer coisa o mal, mas ao virar tudo de cabeça pra baixo (literalmente com o que ocorre) tudo desaba (literalmente também) e muda todo o sentido que impacta na continuidade da trama, e até funciona em algo meio que bizarro de se imaginar, mas que dentro de uma proposta de terror funciona e chama a atenção para tudo. Sendo assim digo que o filme é impactante, porém volto a frisar que os momentos finais me desanimaram um pouco, pois filme de terror tem de terminar de uma forma muito amedrontadora ou com um fechamento traumático para os personagens, e aqui meio que ficou tudo ok demais, mas não desabona tudo o que ocorreu antes.

Sobre as atuações, Annabelle Wallis já é velha conhecida de muitos filmes de terror, e aqui sua Madison tem bons trejeitos, passa bem a insegurança em cima de tudo o que está acontecendo com ela com olhares tensos e fortes, e desenrola tudo de uma maneira bem interessante de acompanhar, ao ponto que entramos no clima passado e o resultado de seus atos funcionam bem ao ponto de tudo ser convincente, afinal a atriz é boa e o papel é marcante, só diria que talvez para suas cenas finais tenham exagerado demais pelo jeito dela, mas nada que tenha atrapalhado o resultado. Maddie Hasson entregou uma Sidney inicialmente meio jogada como uma irmã afastada demais, mas depois que fica ultra corajosa para ir sozinha num hospital abandonado (e achar em segundos todos os registros que precisava - já deve até estar sendo chamada para contratação em diversos órgãos públicos!) a jovem entra numa síntese tão cheia de desenvoltura que até passa a chamar a atenção, ou seja, mudou completamente no segundo ato e foi bem ao menos. George Young fez o detetive Kekoa com tanta desenvoltura na corrida, nos trejeitos marcantes e tudo mais que certamente vai entrar para outros filmes do estilo, pois o jovem foi bem no que fez, e mesmo parecendo exagerado acertou na maioria dos atos. Já sua parceira Regina, vivida por Michole Briana White, foi forçada demais nas atitudes cômicas, sendo daquela que faz piadinha pra tudo, puxa trejeitos canastrões e não sei se era bem esse o papel que o diretor queria, tanto que a roteirista Ingrid Bisu acaba quase chamando mais atenção que ela se não fosse bobinha demais. Quanto aos demais, os médicos serviram apenas para morrer das formas mais intensas possíveis, e diria que foram até que bem picados, mas sem grandes atuações, e assim sendo daria um leve destaque para Jean Louisa Kelly com sua Jane/Serena pela importância na trama, mas acho que colocaram uma pessoa jovem demais para o papel.

Visualmente os filmes de Wan costumam ser melhores produzidos, com ambientes mais usados, simbologias em elementos e tudo mais, porém aqui ele ousou somente nas cenas vistas de cima, que lembraram grandes clássicos do terror pelas paredes vazadas (bem no estilo do "Um Corpo Que Cai" do Hitchcock) enquanto a personagem corre, mas na cena de perseguição do policial ao monstro vemos toda uma cenografia intensa de locações para mostrar a profundidade de uma Seattle escondida, e que depois de tudo bem explicado ainda vemos momentos fortes do hospital que não foram tão mostradas nas cenas do começo, e assim sendo o resultado tem um bom impacto, mostrando que a equipe de arte soube brincar junto com o diretor para enganar todo mundo, além claro de muito sangue para as mortes picadas das formas mais intensas possíveis com os médicos, e na cena da delegacia então virou quase um abatedouro completo.

Enfim, diria que é uma grande volta do diretor para os longas de terror, que ele conseguiu bem homenagear o estilo que estudou bastante, e que tem cenas fortes e bem violentas que agradam muito quem gosta de um bom terror sanguinolento, mas que volto a bater na tecla que esperava outro final, pois o clímax foi tão imponente que parece faltar com a razão para acabar dessa forma, mas que felizmente não estragou tudo o que foi feito de bom, pois quem sabe o diretor vende uma continuação e vemos um pouco mais de Gabriel, e assim sendo recomendo o filme para todos que gostam de muito sangue na tela. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Estou dando essa nota mais pelo impacto da revelação em si, pois pelo final daria para cair até para um 6, mas como gostei muito da tensão criado, vou manter o 8.


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Reação Em Cadeia

9/09/2021 01:05:00 AM |

O gênero de ação é um dos que menos vemos dentro do cinema nacional, pois demanda tanto de uma técnica mais complexa, quanto de um roteiro que segure bem o estilo, mas vezes ou outra algum diretor resolve encarar o desafio e se sai até que bem, pois consegue trabalhar toda a dinâmica e ainda cativar o público mesmo que a história pareça diversos outros longas já vistos. E com o filme "Reação Em Cadeia", que entra em cartaz nos cinemas no próximo dia 16, vemos bem isso, uma trama até que bem trabalhada que lembra outros filmes internacionais, e que tem uma boa pegada envolvente em cima de uma boa jogada, e que consegue fazer com que as nuances sejam bem vistas. Porém o filme tem um leve probleminha, os personagens não têm um carisma forte para que nos conectemos completamente a eles, e assim vemos todo o desenrolar acontecendo, vemos toda a dinâmica e no final acaba sendo apenas um final bem feito. Ou seja, ainda é um filme cheio de atitude, com uma história que embora seja fictícia facilmente poderia ocorrer no nosso amado e bagunçado país, mas que faltou aquele detalhe clássico dos filmes de ação: fazer com que o público torça para alguém, seja o mocinho, o vilão ou qualquer personagem, e aqui apenas vemos o protagonista tentar se safar da reação completa que se meteu desde o começo.

A sinopse nos conta que Guilherme leva uma vida pacata e normal, é um bom marido, ótimo pai e o auditor que qualquer empresa sonha em ter. Mas, ele descobre um desfalque na empresa onde trabalha e se envolve numa rede de corrupção que abastece o sistema político brasileiro. Seu reencontro com Lara, sua grande paixão da adolescência, vai mudar o rumo de seu destino.

Eis que depois de 8 anos Márcio Garcia volta a dirigir um longa metragem, e mostra que ainda tem técnica, pois o filme tem diversas cenas de carros correndo no melhor estilo "Velozes e Furiosos", inclusive com toda a parada de uma rave no caso aqui um baile funk no meio do tráfico, tem todas as armações clássicas de esquemas de roubos entre roubos, e claro denúncias envolvendo políticos, policiais e um pobre contador (ou melhor auditor) no meio de tudo. E com um roteiro simples, porém bem amarrado, as sacadas funcionam, o plano é bem executado, e toda a dinâmica clássica do estilo se desenvolve, mostrando que a base foi bem feita, algo raro de acontecer em longas desse estilo, e assim sendo mostraram serviço no conteúdo e na execução, faltando bem pouco para ser algo que realmente chamaria a atenção nacional e internacional. E como disse o problema do carisma por um personagem quase chega a transformar a dinâmica toda numa novela, porém felizmente os papeis secundários não criaram tantos vínculos para quererem desenvolver, e assim o formato é realmente cinematográfico, e isso fará com que quem gosta de um longa de ação clássico se divirta ao menos nos 96 minutos da trama. Ou seja, é um filme de ação bem dirigido e roteirizado, mas que não explodiu realmente como poderia, e isso é uma pena.

Sobre as atuações diria que Bruno Gissoni até caiu bem na personalidade de seu Guilherme, mas como disse faltou carisma para o personagem, pois como um protagonista de um filme de ação seus atos necessitariam explodir, ter atitudes, ter desenvolturas, e como ele próprio diz no depoimento para a PF, ele é apenas um nerd, e isso não bastava para o papel principal, afinal seus atos teriam de ir mais além do que é feito, e mesmo suas mudanças não acabam sendo convincentes, ou seja, o ator foi bem no que fez, mas o personagem precisava mais. Monique Alfradique até trabalhou bem a sensualidade que sua Lara precisava, soube encaixar as nuances clássicas para o famoso golpe, e até trabalhou expressões de piedade que fazem qualquer homem cair facilmente numa cilada, mas nos atos de reviravolta faltou um pouco mais de atitude e desenvoltura, o que não é problema dela, mas sim do roteiro, sendo assim fez o que lhe foi mandado e não deu nada a mais que pudesse chamar atenção. Já André Bankoff colocou seu Zulu no ponto máximo da loucura mista entre ciúmes, drogas e desespero, ao ponto que da mesma forma que está super dentro do golpe para ganhar um dinheiro a mais, também fica receoso de perder a esposa, ou seja, joga dos dois lados, mas acabou sendo divertido dentro da proposta e agradou bem. Quanto aos demais, tivemos poucas nuances chamativas, mas vale o destaque de Adriano Garib com seu Tadeu bem investigativo, quase realmente um detetive profissional, e Chico Melo como o traficante Cabeça, que tem ideias de economia melhores que muito profissional da área. 
 
Visualmente o longa tem bons momentos nas festas com carros, tem uma boa perseguição que é mostrada tanto no começo quanto no miolo do filme, uma mansão bem trabalhada no exterior, mas por dentro ficamos apenas numa salinha minúscula cheia de caixas e notas tradicionais de contabilidade, e alguns momentos na casa do protagonista, ou seja, a equipe de arte até trabalhou um pouco por toda a ideia cenográfica das malas na festa dos políticos, mas certamente poderiam ter usado mais os atos de perseguição para dar as nuances de ação com mais intensidade.

Enfim, está longe de ser um filme que muitos vão amar, mas o resultado até é satisfatório e para um estilo que raramente vemos dentro do cinema nacional, ao menos já é uma tentativa de inovar, e quem sabe assim mais diretores criam coragem e botam pra explodir tudo com as ideias malucas que andam pelo país. Sendo assim recomendo a conferida somente fazendo a ressalva de não tentar esperar o carisma surgir do protagonista, pois senão a chance de não curtir é alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

 
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TeleCine Play - Perdas e Danos (Fatale)

9/07/2021 07:02:00 PM |

Diria facilmente que a história de "Perdas e Danos", que entrou em cartaz no Telecine Play, é daquelas tramas que alguém acaba se metendo em algo errado e quando vê já não tem mais como sair do caos que entrou, pois vemos um grande empresário que tem seus problemas do passado, isso é fato, mas que ao embarcar numa traição acaba caindo como um pato em todas as artimanhas de uma policial corrupta e psicopata, que até podemos julgar algumas atitudes premeditadas, mas que no miolo acabamos confundidos e destroçados com uma revelação bombástica. Agora a dúvida que fica é quase como em um caso dos livros de Machado de Assis, quem traiu primeiro, quem realmente tentou matar, ou tudo já estava rolando desde o começo de forma premeditada? Isso não sou eu quem vai falar, pois o filme é completamente insano, e todas as situações acabam ocorrendo de forma bem aberta e impactante, mas de uma coisa dita no filme temos de seguir que é a frase final de uma rádio: "não se deve trair ninguém, mas se for, que não seja com uma policial!", e eu incremento a frase: "que não seja com uma policial psicopata".

A sinopse nos conta que Derrick passa a noite com uma mulher misteriosa durante uma crise no seu casamento com Tracie. Após o evento, enquanto está em sua casa com a esposa, um invasor entra no local gerando uma complicada investigação policial. No entanto, Derrick logo descobre que o ocorrido pode estar ligado à traição.

Diria que o diretor Deon Taylor trabalhou de uma forma bem colocada para que seu filme fluísse e claro confundisse o espectador, já que esse estilo de chantagens e crimes costumam entregar facilmente toda a ideia, mas aqui ele usou bem o roteiro de David Loughery e soube brincar com o estilo, encaixar todas as nuances certas e até causar uma certa tensão em quem se conectar bem com o protagonista, pois a dramaticidade cênica é mais dentro do filme do que fora dele, e isso é algo que acabou faltando um pouco, de causar no público a mesma inquietação e desespero que o personagem principal passa. Ou seja, é um filme que vemos toda a intensidade ocorrer bem, vemos tudo fluir, mas acabamos não torcendo tanto para o personagem, o que pesa um pouco na ideia toda, e isso é algo que poderia facilmente ter ocorrido com mais mistérios, e claro sem uma abertura tão grande na história com o caso da garotinha e sua mãe, mas erros acontecem, e assim sendo dá para abstrair e curtir tudo o que é mostrado.

Sobre as atuações, Michael Ealy entregou uma personalidade bem aberta com seu Derrick, ao ponto que conforme vamos sabendo mais sobre ele, menos o apoiamos, e com todo o desenvolvimento da trama, seus atos só complicam tudo, e ele vai trabalhando os olhares e nuances com muita imposição cênica, o que mostra uma boa interpretação, e acaba agradando com tudo, porém sua cena final dava para ter sido resolvida bem antes do ato acontecer realmente, mas aí estaríamos querendo mudar o roteiro. Sempre vi os personagens de Hilary Swank com um certo ar de psicopatia, e aqui finalmente a atriz pode se entregar com toda força ao estilo com sua Val, fazendo uma personalidade meio que oculta, meio que explosiva, mas colocando o protagonista em grandes saias justas, e claro fazendo sempre bons olhares, bons trejeitos, e sendo marcante no papel, mesmo que tenha alguns atos bem estranhos colocados na trama. Quanto aos demais, todos foram pouco usados no filme, desde a esposa do protagonista vivida por Damaris Lewis, como o sócio dele vivido por Mike Colter, e até mesmo Tyrin Turner não teria sido destacado se não fosse seus atos mais loucos no final, de forma que o filme ficasse quase todo focado nos protagonistas, e assim sendo foco neles.

Visualmente a equipe arrumou algumas locações de luxo máximo, pois a casa do protagonista é daquelas que só grandiosos empresários mesmo teriam, e ele faz o luxo ser ainda maior com seus passeios de carro, com uma garagem que gira e tudo mais, e comparando com o apartamento da protagonista com uma simplicidade estranha, um ar estranho e tudo mais o filme faz dois grandes contrapontos e mostra também algumas atitudes e elementos cênicos bem marcantes para os atos em si, além de contar com uma festa de despedida de solteiro numa boate luxuosa de Vegas, alguns atos numa delegacia, e algumas cenas numa casa de praia, ou seja, a equipe de arte trabalhou mais com ambientes do que com elementos sutis realmente, e poderiam ter ido além, afinal estamos falando de um filme investigativo que poderia ter sido melhor trabalhado.

Enfim, está longe de ser daqueles filmes que você se impressiona com o resultado, mas é uma trama interessante e bem feita, que chama atenção pela estrutura toda, pela insanidade da policial e até mesmo pela insegurança máxima que o protagonista acaba entrando, fazendo com que o filme valha a conferida como um passatempo bacana para quem gosta de suspenses policiais de traições, mas que certamente poderia ir bem mais além. Sendo assim fica a dica para ver sem esperar muito, que vai valer a pena. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Quanto Vale? (Worth)

9/07/2021 01:03:00 AM |

Chega a ser bem complicado pensar quanto vale uma vida, como elaborar um processo em cima de um acidente, pois a pessoa já morreu, mas para seus entes o valor da vida dela é gigantesco ou nem tanto, alguns não querem o dinheiro, mas sim a justiça ou a homenagem, e por incrível que pareça existem pessoas que fazem esses cálculos matemáticos para determinar tudo num caso jurídico. E se pensar em um acidente envolvendo uma pessoa já é algo traumático, o que dizer do processo completo do 11/09 nos EUA que teve várias pessoas envolvidas, e claro o governo tentando conseguir que um processo menos traumático por não ter salvaguardado as pessoas disso! Pois bem, essa é a história do lançamento da Netflix dessa semana, "Quanto Vale?", que quem não for fã de dramas mais amarrados, estruturados nos diálogos e cheios de intenções, vai acabar odiando tudo, mas quem entrar no clima e se envolver como os protagonistas, certamente irá refletir muito, irá ver um processo duríssimo de análises, e principalmente vai entender um pouco mais do processo, pois não é algo nenhum pouco fácil, e dessa forma o longa tem um valor até maior do que parece. Então vale!

A sinopse nos conta que após os terríveis ataques de 2001 ao World Trade Center e ao Pentágono, o Congresso nomeou o advogado e renomado mediador Kenneth Feinberg para liderar o Fundo de Compensação às Vítimas de 11 de setembro. Encarregados de destinar recursos financeiros às vítimas da tragédia, Feinberg e a chefe de operações de sua empresa, Camille Biros (Amy Ryan), enfrentam a impossível tarefa de determinar o valor de uma vida para ajudar as famílias que sofreram perdas incalculáveis. Quando Feinberg se une a Charles Wolf, um organizador comunitário que lamenta a morte de sua esposa, seu cinismo inicial se transforma em compaixão quando ele começa a aprender os verdadeiros custos humanos da tragédia

É até engraçado imaginar a junção que deu nas primeiras leituras do roteiro, pois a diretora Sara Colangelo tem a característica de filmes mais leves em seu currículo, com nuances claras e bem trilhadas, enquanto o roteirista Max Borenstein já é daqueles que entrega filmes com muitos efeitos, explosões, dinâmicas rápidas e tudo mais, e juntos entregaram um filme dramático com um certo ar simples, porém de uma precisão no tema com muito impacto, ou seja, algo completamente diferente de ver nas mãos de ambos, e felizmente deu certo, pois acabamos conhecendo um pouco mais dessa formação de fundos de compensação, vemos claro uma pessoa cética e que sempre olhou apenas para um lado começar a pensar em algo mais amplo, e claro vemos todo o lobby dos gigantes querendo aproveitar para ganhar algo no fim das contas, e a grande sacada tanto do roteiro, quanto da direção, foi de não ocultar isso, mostrando nomes e personificações, pois isso ocorre direto, mas nem sempre é mostrado. Sendo assim, posso dizer que o resultado do filme no quesito histórico, por sem embasado em fatos reais, conseguiu ir até além do que é proposto, e isso é muito bom de ver.

Sobre as atuações, é fato que o filme é de Michael Keaton, pois ele fez de seu Ken alguém que inicialmente é tão fechado para as ideias, pensa muito no ar político e matemático, com um ar jurista tão sem bases que não olha ao redor de nada, mas vai aprendendo com as entrevistas, vai conhecendo um pouco mais cada base, e até relembrando discursos seus de outras épocas para se conhecer um pouco mais, e com isso seu ar muda, suas nuances mudam, e o personagem acaba sendo ainda maior do que o papel em si, sendo uma grata surpresa de trejeitos e empatia para ser conferido. E claro que tivemos ainda um Stanley Tucci (sem a sua careca tradicional), fazendo um Charles tão preciso de estilos, sabendo exatamente aonde cutucar no vespeiro, fazendo com que seu luto fosse além de apenas alguém que não sabe o que quer para si, mas sim dar uma amplitude para os demais com cenas fortes, bem expressas e que funcionam como um algo a mais. Dentre as mulheres, vale o destaque para Amy Rian com sua Camille Biros e Shunori Ramanathan com sua Pryia, pois a primeira passou a ficar desesperada com os casos que foram lhe trazendo, e trabalhando olhares acabou indo fundo nas resoluções, enquanto a segunda chegou a perder até a crença nela mesma que poderia ter morrido se tivesse começado um dia antes no seu emprego que ficava no WTC, mas que ao conhecer mais sobre tudo ao redor das entrevistas acaba ajudando até mais os demais a perceberem um pouco de tudo. E sobre os familiares enlutados, é claro que o destaque fica para Laura Benanti com sua Karen Donato, ao mostrar com envolvimento tudo o que era o marido bombeiro num primeiro ato, e já no último se expressar ao saber mais das coisas do marido, mostrando olhares e envolvimentos precisos e muito bem encaixados, entre outros bons atores que foram usados também.

O visual do longa se formos olhar a fundo é até simples, pois temos claro o advogado já bem rico, construindo sua casa dos sonhos na praia, influente por frequentar todos os ambientes presidenciais, e com isso vemos reuniões imponentes, embora sem grandes cenários representativos, mas principalmente vemos as diversas reuniões, cheias de figurantes e atores secundários todos desmantelados pelo ocorrido, então com choros, alguns machucados por terem estado no evento, e claro o grandioso escritório do protagonista, com todos os seus funcionários bem preparados para as reuniões secundárias com cada pessoa envolvida, as diversas cartas e formulários voltando com as documentações, e claro alguns momentos nas casas dos personagens secundários para conhecer um pouco mais, mas nada que mostrasse algum envolvimento extra, pois como disse o fluxo está nos diálogos, e além disso tivemos uma reunião comunitária, e várias imagens dos ataques vindas de TV, porém a maior simbologia em cima do protagonista está na sua coleção de óperas que escuta no seu diskman com fone, aonde vemos seu gosto particular que também é mostrado numa ópera moderna mais estranha.

Enfim, é um longa bem dialogado, com um tema forte para se refletir, que inclusive começa com a cenografia de uma escola de direito aonde nos é melhor exemplificado como alguém dá o valor da vida de outra pessoa num julgamento ou melhor numa negociação de julgamento, e assim usando essa base vamos fluindo para todo o resto do filme que acaba valendo muito a conferida, mesmo que sendo sem um ritmo cadenciado que melhoraria bem mais todo o longa. Sendo assim, recomendo ele para todos, mas se você não é acostumado com dramas mais dialogados, é melhor ver com mais calma, pois pode cansar um pouco. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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