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Telecine - Manas

9/14/2025 06:57:00 PM |

Fico tão bravo quando bons filmes não chegam no interior para conferirmos e depois acabam aparecendo em premiações, sendo possíveis indicados do país para concorrer à prêmios e tudo mais, ainda mais com a onda de voltas de filmes antigos só para dar bilheteria, mas felizmente hoje existem os streamings da vida, e eis que chegou no Telecine o longa "Manas", que está entre nossos possíveis candidatos a ser indicado ao Oscar, saindo amanhã a definição de qual longa iremos mandar para os votantes. E o que falar do filme, ao mesmo tempo que pouco, temos de falar muito, pois é daquelas tramas que você sente tantas coisas com o que acontece na tela, que vê que o mundo cão está cada dia pior, e que infelizmente é a realidade de muitas famílias e jovens do Norte do país, que se não vão para a vida sexual por meio das balsas de trabalhadores, acaba sendo abusada pelos próprios familiares, e contando com uma interpretação minuciosa, a diretora extraiu olhares tão expressivos de todos os protagonistas, que você vai montando tudo na mente, pensa em outras possibilidades, mas só sente nojo e raiva, afinal ninguém quer ajudar a fundo, ou melhor, nem dá para ajudar bem ao certo. Ou seja, é um filme denso, porém singelo de intensidade, que talvez com um olhar mais impactante sai do belíssimo para o crucial, mas que vale a indicação, pois quem sabe com mais pessoas olhando o buraco que é isso, alguém consiga mudar a situação.

O longa apresenta a história de Marcielle, uma jovem de apenas 13 anos inserida em um meio repleto de violências dentro da periferia onde mora. Moradora da Ilha de Marajó, no Pará, junto com o seu pai, Marcílio, sua mãe, Danielle, e três irmãos. A menina sofre com a perda da sua irmã mais velha Claudinha, que partiu para bem longe de onde moravam após arrumar um homem que circulava pela bacia hidrográfica que banha a região. Marcielle, agora mais experiente com a vida, começa a ter uma percepção diferente em relação às suas idealizações. Ela entendeu que as mesmas estão presas em um ambiente marcado por dor e sofrimento. Preocupada com a irmã mais nova e ciente de que o futuro não lhe reserva muitas opções, ela decide confrontar a engrenagem violenta que rege a sua família e as mulheres da sua comunidade.

Diria que o trabalho da diretora e roteirista Marianna Brennand foi muito bem feito para uma documentarista, que é de onde proveio, mas como diretora de ficção ainda precisa um pouco mais de fechamento, pois seu longa evidencia bem tudo, funciona dentro da proposta, tem a pegada bonita e sutil para denunciar o que acontece por lá, mas ficou faltando aquela pimentinha a mais para que o sabor do longa ficasse indigesto realmente como a situação pede, pois alguns vão enxergar todas as ideias subliminares que o longa entrega, mas outros vão apenas assistir e talvez nem vão se indignar com nada, o que é inadmissível. Claro que ainda temos um filmão imponente na tela, dinâmicas fortes e densas, mas tudo é calmo demais, tudo é leve demais, que também para preservar a protagonista a não passar pelas situações em si, mas dava para ter ido um pouquinho além que causaria mais impacto e chamaria ainda mais atenção, como uma boa ficção deve ser, ao menos não deixou que o final ficasse solto, tendo uma cena bem marcante, mas dava para o miolo ser ainda mais cru.

Quanto das atuações, posso dizer que a jovem Jamilli Correa foi muito bem selecionada para seu primeiro trabalho nas telonas, fechando o olhar e sendo densa de tal forma que sua Marcielle parece até emburrada o tempo todo, mas também com tudo o que sofria não dava para querer ser alegre, e a jovem não desapontou em momento algum, chamando para si a responsabilidade cênica de um filme desse porte, e assim mostrou que tem potencial para seguir na profissão, veremos mais para frente se realmente deu liga. Rômulo Braga fez de seu Marcílio, o tradicional homem machista do fim do mundo, que não aceita as coisas, mas faz as coisas, e seu jeito aparentemente dócil é pesado de ver nas atitudes secundárias, ou seja, fez bem também. Já Fátima Macedo fez de sua Danielle uma mãe conivente dos atos, e mais do que isso, daquelas ciumentas com a situação em si, e dessa forma a atriz foi segura demais na difícil entrega e dinâmicas que foram poucas, porém fortes, ou seja, soube amarrar bem o que precisava na tela. Quanto aos demais, a maioria apenas fez as devidas conexões com a família, e principalmente com a garota, valendo um leve destaque para Dira Paes como uma delegada, que é a única a enxergar realmente o problema com a garota.

Visualmente o longa mostra bem o mundinho das famílias ribeirinhas, com casas simples, a família abarrotada de filhos, pouca comida, muito do que colhem tentam vender para comprar outro tipo de insumos, vendinhas pequenas aonde fica a única TV da cidade, a escola rudimentar, crianças sem material precisando aproveitar o que dá, as várias redes para a família dormir com toda a referência de uma quebrada para o pai aproveitar da garota, e muitos barcos andando pelo rio atrás das balsas aonde o clima esquenta, além de uma boate na beira do rio também, ou seja, tudo bem simples e explicativo na medida certa para representar e simbolizar na tela.

Enfim, é um filme-denúncia que funciona bem, que tem seu lado documental bem proposto e chamativo, que como disse vale chegar num público maior para quem sabe algum dia isso seja mudado, e como ficção valeria talvez um pouco mais de densidade dramática para impactar, mas ainda assim é algo muito bem feito e que mostra que nosso cinema tem ido para rumos incríveis, basta manter e ir pra cima. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje ainda vou dar play em mais uma cabine, voltando logo mais com o texto, então abraços e até breve.


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Telecine - Oeste Outra Vez

6/16/2025 12:58:00 AM |

Desde que ganhou como Melhor Filme em Gramado no ano passado fiquei com vontade de conferir "Oeste Outra Vez", porém passou a premiação, passou a época de estreia nos cinemas e nada de surgir no interior, até que agora chegou no streaming da Telecine, e pude conferir essa obra que trabalha um conceito clássico de filme de bangue bangue, porém numa pegada mais regionalizada do nosso país, no caso o cerrado de Goiás, e o conflito clássico de mulher. O longa tem um estilo bem marcante e sólido dentro da vertente seca e direta, aonde os personagens são rústicos e conseguem passar praticamente nenhuma sensibilidade em seus atos, o que funciona bem, porém dava para terem desenvolvido mais o ambiente e as nuances, pois é tudo muito seco e truculento, não dando margem para ambientações, e assim sendo o resultado até agrada numa primeira olhada, mas ao pensar se amanhã lembraria de algo que ele tenha me feito sentir, aí já não é garantia, pois faltou aquele algo a mais que procuramos em um filme do estilo.

Ambientado no sertão de Goiás, o longa acompanha a história de Totó e Durval (Babu Santana), cuja trajetória se entrelaça de forma trágica: ambos, abandonados pela mesma mulher, despertam uma rivalidade intensa e destrutiva. Inspirado nos elementos clássicos do faroeste, o filme explora a angústia e a amargura daqueles que se veem perdidos sem o apoio de quem amam. Confrontados com a própria vulnerabilidade, os dois encaram um conflito brutal, que reflete disputas pessoais, o choque de tradições e a inevitável passagem do tempo. No sertão, o palco se transforma em um espaço onde honra, orgulho e desespero se misturam, revelando a essência de homens forjados pelo isolamento. Aos poucos, as cicatrizes de um passado repleto de desilusões e perdas irreparáveis são expostas, enquanto cada confronto intensifica a tensão das batalhas internas.

Diria que o estilo do diretor e roteirista Erico Rassi foi bem colocado na tela, ao ponto que sabendo sair do tradicional, acabou entregando uma trama densa e bem cheia de nuances em cima da pauta do homem abandonado que não aceita que sua mulher vá para outro, e essa formatação bem colocada mostra ainda mais o famoso não se responsabilizar, de forma que cada um dos envolvidos vai e contrata outro para resolver seus perrengues, ao invés dele próprio botar fim nisso. Ou seja, a arquitetura do texto do diretor é bem marcante e facilmente poderia ter ido ainda mais longe na tela, mas essa simplicidade cênica também acabou chamando a atenção pelos festivais que passou, conquistando prêmios e mostrando que dá para ser diferente e ousado com o cinema nacional mais vasto, basta querer.

Quanto das atuações, Ângelo Antônio soube segurar com seu Totó um ar denso do famoso apaixonado, aquele que ainda sente o carinho da esposa e não aceita outra pessoa no seu lugar, vivendo a base da bebida e arrumando confusão máxima com pessoas bem maiores que ele, e o ator aproveitou de traquejos tristes para que seu personagem tivesse um certo ar frágil que agrada dentro do contexto completo. Do outro lado tivemos o gigante Babu Santana com seu Durval, que apareceu pouco, mas se mostrou imponente na tela, não deixando barato que alguém viesse atrapalhar o seu sossego, e com as devidas nuances expressivas do ator, trabalhou seu personagem com personalidade e sem deixar a bola cair, mesmo já tendo caído na primeira briga. Ainda tivemos todo o estilo dos capangas ou pistoleiros vividos por Adanilo e Daniel Porpino de um lado, e do outro Rodger Rogério, cada um com sua personalidade e chamariz, mas todos embasados na mesma dinâmica completa da trama, e ainda a participação de Antônio Pitanga com seu Ermitão dividindo as experiências na tela.

Visualmente a trama mostrou bem o interior do Goiás, com casas simples, fazendas, muitos bares, ao ponto de quase parecerem realmente as cidades dos filmes de faroeste, tendo o ápice uma corrida de uma caminhonete contra um cavalo, fora todo o clima rural no meio das matas e o casebre aonde vão se esconder, tendo detalhes no comer todos dentro da mesma panela revezando as colheradas, o beber da pinga e depois chupar a fruta, entre outros muitos detalhes, além das armas para os tiros para todos os lados, acertando bem pouco quem deveria acertar. Agora um ponto belíssimo ficou para os vários tons do céu que a direção de fotografia conseguiu captar, misturando tons de verde das matas, tons marrons da aridez, da poeira e dos casebres, além de um céu com tons de azul, vermelho e amarelo, ou seja, uma paleta vasta e chamativa que incorporou tudo no sentido formatado pelo diretor.

Enfim, é um filme que tem seus méritos e mostra bem o que queriam na tela, sabendo ousar com diálogos truncados e sem grandes rodeios, mas que talvez se melhores desenvolvidos na tela levariam o longa para um patamar ainda maior. Ou seja, é daqueles filmes que em festivais funcionam incrivelmente bem, mas em sessões comerciais acabam não chamando tanta atenção, e por isso não deve ter chegado em tantas salas dos cinemas no país, o que não é um desmerecimento algum, valendo que agora pode ser conferido no streaming. Então fica a dica, e eu fico por aqui hoje, mas voltando amanhã com mais textos por aqui, então abraços e até breve.


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Telecine - Tudo Que Imaginamos Como Luz (All We Imagine as Light)

2/05/2025 01:17:00 AM |

Acostumei a ver filmes indianos tão agitados, cheios de reviravoltas, com personalidades explosivas e dinâmicas, que quando pego um mais introspectivo e com nuances mais sutis, acabo ficando meio com dúvidas do que realmente vi na tela. E um filme que estava muito curioso pela estreia, que nem tinha data de lançamento no país, e do nada surgiu no Telecine é o indiano "Tudo Que Imaginamos Como Luz", que ganhou o Gran Prix de Cannes no passado, e traz bem uma pegada intimista tão sutil que acaba envolvendo mais pela entrega cênica das atrizes do que pela história em si, e assim acaba agradando ao mesmo tempo que deprime um pouco. Ou seja, é daqueles que você tem de mergulhar e sentir tudo junto com ele, senão a chance de não entrar no clima é bem alta, e não é assim que deve ser visto, pois é tão bonito e leve que vale o play com certeza!

A sinopse nos conta que em Mumbai, a rotina da enfermeira Prabha fica problemática quando ela recebe um presente inesperado de seu ex-marido. Sua colega de quarto mais jovem, Anu, tenta em vão encontrar um lugar na cidade para ter intimidade com seu namorado. Uma viagem a uma cidade praiana permite que elas encontrem um espaço para seus desejos se manifestarem.

Diria que a diretora e roteirista Payal Kapadia soube segurar seu filme na ponta dos dedos para que ele não saísse uma vírgula fora do caminho, de modo que cada elo entregue funcionasse e envolvesse o público, que cada dinâmica passasse algum sentimento, e principalmente que seu filme fosse introspectivo, mas não ficasse monótono, ao ponto que como disse no começo se você se conectar com a ideia toda no final nem precisaria ter o escrito da dedicatória, mas sim todos saberiam que o longa foi feito para todas as enfermeiras que muitas vezes pensam mais nos seus pacientes do que em si mesmas, e a direção diz muito isso em cada um dos atos da trama, além de colocar em pauta todo o método cultural, mas bizarro de casamentos arranjados sem envolvimentos das pessoas principais. Ou seja, são duas discussões paralelas que funcionam tão bem dentro da proposta, que felizmente vi um longa indiano que facilmente poderia se passar em muitos outros locais, mas que o sentimento funciona na tela.

Quanto das atuações, mesmo sendo protagonista acredito que faltou uma imposição maior por parte de Kani Kusruti para sua Prabha, pois a atriz ficou com um ar inseguro demais durante toda a produção, que mesmo o papel pedindo algo do estilo, poderia ter ido mais além nos trejeitos, parecendo por vezes que sua personagem era apática demais, e certamente não era essa a ideia, ou seja, faltou abraçar melhor o papel. Divya Prabha trabalhou sua Anu já bem mais solta que a protagonista, tendo um ar claro bem mais jovial e praticamente vivendo uma outra época na Índia, mas que ainda tenta seguir as dinâmicas do passado, e dessa forma a atriz criou uma desenvoltura bem encaixada e soube chamar muita atenção na tela. Quanto aos demais, Chhaya Kadam trabalhou sua Parvaty de uma forma muito idosa, o que não era tão bem alocado para o papel, e Hridhu Haroon foi muito seguro com seu Shiaz para um personagem que recaia mais para o lado muçulmano da trama. 

No conceito visual a trama trabalhou um pouco o ambiente dos hospitais no país, mas sem se aprofundar muito em tudo, mostrou também um apartamento bem simples das garotas, o prédio da amiga que precisa abandonar a cidade mais importante do país, aonde tudo acontece para voltar para seu vilarejo, e lá vemos a simplicidade ainda maior litorânea, mas bem diferente do costumeiro e badalado centro do país. Ou seja, a equipe não tentou ir muito longe nesse conceito, mas foi representativo no que precisava fazer.

Enfim, é um longa ousado dentro de um país aonde estamos acostumados a ver tramas mais enérgicas e cheias de dinâmicas, pois sutilezas não é bem algo comum por lá, e ousando trabalhar um ar mais introspectivo posso afirmar que muitos não irão entrar muito no clima, mas vale ao menos a conferida para ver algumas diferenças marcantes nessa profissão tão importante no mundo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Telecine - 57 Segundos (57 Seconds)

1/29/2024 11:59:00 PM |

Quando vi o trailer já há muito tempo do filme "57 Segundos" fiquei bem curioso pela ideia de "viagem temporal curta" e claro que junto de dois atores feras como Morgan Freeman e Josh Hutcherson não poderia esperar menos do longa, mas nada de aparecer notícias do lançamento dele no país de forma que acabei até esquecendo, então ao ver que iria ser lançado pelo Telecine já anotei a data e coloquei para conferir hoje, e aí veio dois problemas, o primeiro que sempre falo de nunca conferir nada com qualquer expectativa que acaba sendo imensamente difícil igualar quanto mais superar ela, e o segundo realmente o filme tem uma ideia muito boa, mas é executado com pressa e sem grandes desenvolvimentos, de tal forma que o resultado acaba acontecendo, conseguimos entrar no clima completo da trama, mas ao final fica parecendo ser tão pouca toda a entrega. Ou seja, não é um filme ruim, tem uma pegada boa e interessante de ser vista, mas dava para melhorar tanto que facilmente seria daquelas ficções que o queixo cairia no chão após tudo, mas como não ocorreu acabou ficando apenas como um bom passatempo que vale o play.

A sinopse nos conta que quando um blogueiro de tecnologia descobre um dispositivo que altera o tempo, ele libera seu poder para reescrever o passado e buscar vingança contra o implacável império corporativo que destruiu sua família. Mas suas ações logo desencadeiam uma terrível cadeia de eventos, impulsionando-o para uma batalha emocionante pela sobrevivência, onde cada segundo conta.

O mais interessante de tudo é ver como o diretor e roteirista Rusty Cundieff pegou um texto curtíssimo de E.C. Tubb e transformou em algo mais amplo como acabou acontecendo na tela, pois não vemos cenas alongadas, muito pelo contrário ele expandiu ao máximo para que nada ficasse forçado para o público, e isso talvez seja um grande problema, pois o filme pedia uma expansão maior, um desenvolvimento da ideia do anel e do personagem misterioso que acompanha o empresário, e tudo mais que acontece apenas na ceninha final rápida demais, da mesma forma valeria mais todas as cenas de desvios e corrupções do antagonista, e claro dar mais dinâmica e personalidade para os atos do protagonista, para aí sim toda a história se desenvolver melhor, pois ficou parecendo faltar um pouco de tudo na tela, e o resultado ao invés de empolgar acaba sendo apenas simples para tudo o que tinha de potencial. Ou seja, o diretor até tentou ser criativo em alguns atos, e as sacadas do protagonista descobrindo o potencial do anel para ganhar dinheiro, descobrir a senha, e outros feitos acaba sendo divertido e bem colocado, mas quando foi necessário para ter um conteúdo realmente acabou desandando.

Quanto das atuações, costumo dizer que Morgan Freeman não falha nem escolhe filmes ruins para atuar, e seu Anton tem uma pegada meio Bill Gates/Steve Jobs com seu cerne de confiança em coisas místicas e tecnologia, tendo toda a pompa numa apresentação e até mesmo em suas atitudes, mas ele foi tão pouco usado na trama que acabamos até esquecendo dele em diversos momentos, e isso não é algo que se faça com uma lenda, ou seja, dava para ter brincado mais com tudo para que o ator aparecesse mais. Já Josh Hutcherson trabalhou seu Franklin com uma pegada mais leve e cheia de boas sacadas, de modo que nem parece estar com um ar depressivo pela morte da irmã em nenhum ato, mas conseguiu ao menos segurar bem toda a trama para si, entregar as desenvolturas cênicas bem expressivas e soar agradável, só não indo também muito além, mas sem falhar também. Greg German trabalhou seu Sig com um estilo não muito vilanesco nem de ricaço exagerado, mas teve alguns atos meio que forçados em cima de sua incoerência, ficando com tudo subentendido de um modo esquisito de ver, ou seja, ficou parecendo ser apenas alguém que o protagonista quer se vingar e não vai muito além na tela. Ainda tivemos bons atos das garotas na tela, tendo o destaque para Lovie Simone com sua Jala rápida e bem centrada nos atos mais marcantes junto do protagonista, e Bevie Bru também brincou um pouco na tela com sua Renee, mas sem ir muito além na tela.

Visualmente o longa entregou muitos carrões, mansões, apresentações gigantes em auditórios, aviões e tudo mais que a pompa do luxo pode mostrar, mas claro o destaque cênico fica para as pulseiras que dão informações da saúde de cada um, e claro o anel que volta no tempo para mudar algo rapidamente, sendo algo nem tão chamativo, mas que funcionou bem nos cassinos e para os atos de salvação que transformaram o protagonista em herói, mas tudo bem rápido sem muita criatividade, o que acaba decepcionando um pouco.

Enfim, volto a frisar que não é um filme ruim, pois quem for conferir ele sem esperar muita coisa acabará se divertindo com toda a entrega na tela, mas sem dúvida alguma dava para ser daqueles filmes que você se surpreenderia do começo ao fim com tudo e ainda desejaria muito mais, o que é uma pena. Então fica a dica de ver ele como algo básico e nada mais, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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Telecine - Zoe e Tempestade (Tempête) (Ride Above)

8/23/2023 11:44:00 PM |

Costumo dizer que a maioria dos dramas envolvendo animais, crianças e competições geralmente seguem uma cartilha tão certinha que não tem como dar errado, pois sempre vai emocionar e envolver na medida certa, criando desenvolturas no miolo que por vezes até irritam de tão marcantes, mas só um diretor sem juízo algum erra em filmes desse estilo, o que felizmente não foi o caso de "Zoe e Tempestade", que aliás fiquei um bom tempo olhando para o cartaz pensando já ter visto algo parecido em outra plataforma de streaming, mas coincidentemente não tinha visto esse, apenas vi que é muito comum filmes de cavalos com protagonistas chamando Zoe. Dito isso, a trama é simples, tem um ponto de virada bem marcante, mas demora demais para acontecer, pois optaram por trabalhar muito mais os perrengues da família do que seu momento de glória, e isso embora assuste um pouco alguns, acaba sendo bonito para quem espera, e assim sendo, vale o play e o envolvimento com os personagens.

A sinopse nos conta que literalmente nascida e criada com cavalos, Zoe leva uma vida feliz nos estábulos de cavalos de corrida de seus pais, movida pelo sonho de um dia se tornar uma jóquei como seu pai. Para Zoe, nada se compara a estar com cavalos, especialmente com sua “melhor amiga”, Belle, a égua premiada do estábulo, que ensinou a criança a andar. Quando Belle dá à luz um potro que Zoe chama de Tempestade, a menina é a primeira a ver o potencial campeão que seus pais esperaram durante toda a vida - o vencedor que ela montará para a vitória. Mas os sonhos de Zoe são destruídos em uma noite tempestuosa, quando Tempestade, em pânico, fere acidentalmente a garota, deixando-a permanentemente incapacitada. Furiosa com a vida, Zoe entra em desespero e arrasta toda a sua família consigo. Mas com o apoio indefectível de sua família e a ajuda de Seb, um cavalariço com dom para se comunicar com cavalos, Zoe buscará conquistar o impossível, em busca de seu sonho.

Diria que o diretor Christian Duguay usou bem a cartilha de como usar animais e famílias em filmes emocionais para que a história do livro de Christophe Donner fosse bem trabalhada, pois já começa bem marcante ao mostrar o parto do potrinho e da garota no estábulo ao mesmo tempo, e vai desenvolvendo toda a paixão da garota por animais, entra com a ideologia da culpa dos pais de não terem levado a garota para uma corrida, tem toda a dramaticidade do adestrador que tem problemas mentais, mas um dom com os cavalos, os conflitos pós-acidente junto de uma depressão, e a volta bem encaixada com um fechamento ainda mais bem colocado, ou seja, poderia facilmente dizer que aqui eu li todos os títulos dos capítulos do livro que na tela tiveram alguns desenvolvimentos maiores, mas que como falei no começo, eu no lugar do diretor colocaria a glória mais próxima ao miolo para poder desenvolver ainda mais a história, mas aí sairia da cartilha, então diria que o resultado mesmo sabendo tudo o que vai acontecer parte por parte vale a pena.

Sobre as atuações, gosto bastante do estilo de Pio Marmaï, pois ele costuma sempre pegar seus personagens e entregar atos marcantes e fortes, e geralmente colocando sempre um ar meio cômico, porém aqui seu Philippe ficou muito preso à um personagem que não tem muita evolução, e com isso acaba fluindo tanto como o pai da garota. Conseguiram deixar Mélanie Laurent velha demais com sua Marie, de modo que a atriz que está com apenas 40 anos aparentou muito mais nas cenas como a mãe e também não foi muito além. Agora falando da garota, tivemos três atrizes entregando Zoe, com todo o destaque para Charlie Paulete que faz a jovem no momento do acidente e durante os próximos anos desanimada com a vida, trabalhando olhares e dinâmicas de um modo tenso e mesmo parecendo não querer o destaque para si, acaba indo bem no que faz, já nos atos finais a personagem ficou a cargo de Carmen Kassovitz, e a jovem ainda manteve boas cenas com densidade, e claro os atos mais imponentes finais foram bem marcados com seus olhares. Kacey Mottet Klein entregou um Seb com um coração fora dos padrões, emocionando com atos simples e bem colocados, tendo dinâmicas tão bem preparadas que chegamos até a pensar que ele tivesse a deficiência mental, mas não, o ator que incorporou tão bem o personagem que deu show na tela. Quanto aos demais tivemos alguns atos bem colocados de Danny Huston com seu Cooper, Hugo Becker bem colocado como o terapeuta Pierre, e até mesmo Paul Bartel fez algumas boas cenas impositivas com seu Barillot, mas sem grandes chamadas de emoções como o filme pedia.

Visualmente a trama mostra bem a coudelaria da família (aliás ainda não entendi muito bem a diferença de uma coudelaria para um haras, quem souber e quiser compartilhar nos comentários, fique à vontade) na beira de uma bela praia aonde o protagonista faz alguns de seus treinos, vemos a cabana que os empregados fazem para a garotinha ficar mais próxima dos animais, tivemos boas cenas de corrida de cavalos com sulkys (espécie de charrete pequena), sendo algo novo pra mim, pois achava que só tinha corrida de cavalos com jóqueis montados, e claro toda a força de uma tempestade que causa alguns problemas para os personagens, isso sem contar nos belíssimos cavalos que participaram da produção, ou seja, a equipe de arte sofreu um bocado, pois trabalhar com animais é sempre muito complicado.

Enfim, é um filme simples, bem feito, que entrega daqueles passatempos gostosos de curtir e relaxar sem se preocupar com praticamente nada, e que como falei, mesmo sabendo como tudo vai se desenrolar acaba funcionando de uma forma bem trabalhada, e assim valendo a recomendação de play na plataforma do Telecine (seja ela dentro da Globoplay ou da Amazon Prime). E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Telecine - O Candidato Independente (The Independent)

8/17/2023 12:42:00 AM |

Ultimamente, fora das grandes estreias dos streamings, eu andava dando play em uns filmes que pareciam bons, mas depois acabam sendo tão estranhos e ruins que acabava ficando bem desapontado, parecendo que meu faro para bons filmes andava desligado, mas ontem vi o pôster e a sinopse do longa "O Candidato Independente" na plataforma da Globoplay/Telecine e fiquei com muita vontade de ver, mas por alguma falha no sistema de comunicação entre a plataforma e a Claro que sou assinante, não consegui ver, até hoje nada, então resolvi ir por outro caminho usando os dias grátis de Telecine dentro da Amazon Prime Video (e lá é muito mais fácil e mais barato, se não resolverem pela Claro já sei que o cancelamento virá e vou pela outra forma!), e eis que meu faro voltou a funcionar bem, pois é um tremendo filmaço investigativo, daqueles que você praticamente gruda na protagonista para ir além da notícia, desenvolvendo todas as ideias e formas para conseguir o furo gigantesco, e mais do que isso, acabamos vendo algo que embora não seja uma história real, tem muito embasamento em alguns casos que já vivemos, e sempre por trás de uma mentira vem outra maior até a bolha ficar gigante. Ou seja, vale bem a conferida como um ótimo filme, e também a reflexão levando a história conspiratória para outros rumos, pois tem conexão.

A sinopse nos conta que são as últimas semanas da campanha eleitoral presidencial mais importante da história dos Estados Unidos. A América está prestes a eleger sua primeira mulher presidente ou finalmente quebrar o impasse bipartidário do país com seu primeiro candidato independente viável. Reportando a história como ela é feita, uma jovem jornalista idealista tem a oportunidade de trabalhar com seu ídolo, o veterano colunista político de Washington Nick Booker. Eli está perseguindo uma história sobre cortes orçamentários e, seguindo o dinheiro, ela e Booker descobrem uma conspiração financeira que coloca o destino da eleição, do país e da democracia em suas mãos.

A diretora Amy Rice começou sua carreira fazendo o documentário da eleição de Barack Obama, e depois trabalhou ainda com vários outros documentários e agora indo para o lado ficcional escolheu uma obra bem interessante e cheia de nuances, aonde conseguiu brincar com uma ideia forte e ainda ter uma reviravolta bem no miolo com uma densidade bem marcante, daquelas que você está no mesmo rumo que os personagens, pronto para explodir a bomba e tudo vira de ponta cabeça, além disso a pobre jornalista que é a protagonista ainda teve outras dificuldades, mas tudo muito bem pautado pela diretora. Ou seja, é daqueles filmes que você se envolve muito fácil com tudo, acaba preso no estilo de conspirações, e acaba seguindo todos os passos certinhos que a diretora quis mostrar, entregando um pouco de sua experiência na política junto com um bom envolvimento dos protagonistas, que acabou funcionando bastante do começo ao fim. Claro que tem alguns momentos meio que desnecessários dentro do contexto aonde desejavam seguir, mas para dar aquela incrementada ficcional foi preciso dar um pouco de sentimentos familiares para a protagonista, e assim temos algumas quebras, mas nada que tenha atrapalhado o resultado final.

E falando dos protagonistas, Jodie Turner-Smith fez sua Eli com tanta personalidade, com muito estilo e cheia de sacadas bem trabalhadas para se infiltrar como uma boa jornalista investigativa deve ser, sabendo encaixar perguntas, ter o tino certeiro para situações possíveis e impossíveis, e principalmente mantendo o olhar de vontade de ir além no nível máximo conseguiu nos conquistar para que acompanhássemos ela bem ao seu lado, o que dá uma perspectiva bem interessante para a personagem e para a trama. Brian Cox entregou um Nick Booker bem imponente, mostrando bastante o estilo clássico dos analistas políticos, com uma agenda de milhões para encontrar fontes e marcar reuniões, mas principalmente sabendo entregar olhares cativos para conquistar sua fã e dar voz para que seu texto fosse além, fosse bem montado, e o ator experiente fez basicamente a mesma coisa com a atriz mais jovem, voltando todos os olhares para ela. John Cena trabalhou seu Nate Sterling com uma boa imposição de político boa pinta, com estilo para seus discursos, e muita determinação nas escolhas de palavras e gestos, de tal forma que convence bem no papel e vai além em tudo o que demonstra. Diria que Ann Dowd até trabalhou bem sua Patricia Turnbull, mas diria que fez mais uma senadora meio que cansada do que uma candidata com muita vontade de assumir a presidência, tendo um estilão meio que sem brilho, o que poderia ter sido melhorado pela atriz que sabe ser imponente. Ja Luke Kirby teve dois vértices com seu Lucas, o de namorado apaixonado e o de marqueteiro do candidato, de tal forma que soube trabalhar bem com as poucas cenas que apareceu, mas encaixando bem na resolução do conflito, o que acaba chamando muita atenção também. E por fim ainda vale um leve destaque para Stephen Lang como o editor-chefe do jornal, que mostrou bem o estilo desses grandes peixes que fazem a voz do mundo ser lida, e com reuniões bem diretas mostrou personalidade e bons atos, que valeriam até ter um pouco mais do ator na tela.

Visualmente a diretora não quis onerar muito seu orçamento e fez uma redação bem básica de um jornal, com alguns computadores e poucas salas, algumas outras salas de uma contabilidade, se duvidar é o outro lado do jornal, um restaurante também bem simples, sem grandes aberturas, a casa dos pais da protagonista, e aonde deu um pouco mais de movimento num comício aonde vemos um grupo grande de figurantes, mas que também não tem tantas movimentações de câmera para poder enganar na edição, ou seja, só a papelada mesmo da investigação que foi algo marcante de elemento cênico, mas o filme todo ficou mesmo na história e na atuação dos personagens.

Enfim, é um filme que acaba sendo polêmico pelo estilo de conspiração colocado de algumas campanhas misteriosas de eleições, mas que funciona bastante também como cinema ficcional, e assim sendo diria que a diretora soube criar um envolvimento interessante de ver e que certamente vai agradar por dar a tensão na medida certa para o público que der o play. Claro que tem falhas, mas ainda assim é um filmão que vale a conferida e eu recomendo. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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