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Telecine Play - Você Pertence a Mim (Every Breath You Take)

3/26/2022 10:39:00 PM |

O bacana de filmes de suspense misturados com drama familiar é que tudo pode ser uma grandiosa surpresa, quanto tudo pode virar algo extremamente cansativo se não for bem conduzido pelo diretor. E confesso que o miolo do longa "Você Pertence a Mim", que estreou no Telecine Play (ou na Globoplay já que agora o streaming está dentro da outra plataforma!), foi dificílimo de conseguir passar, sendo enrolado e cansativo demais, mas quando tudo se revela bem o resultado impacta tanto por descobrirmos realmente quem era o vilão, quanto seus anseios, afinal a motivação foi bem imponente e o resultado chamou a atenção e a tensão para os últimos momentos. Ou seja, o longa poderia ter sido melhor desenvolvido para não ficar desesperador somente nos atos finais, mas como bem conhecemos filmes que envolvem psicólogos, psiquiatras e outros dessa linha sempre procuram trabalhar algo a mais do intelecto dos personagens, e assim sendo o resultado ficou um pouco mais denso no miolo, o que daria para cortar um pouco.

A sinopse é bem simples e nos conta que um psiquiatra decide se aproximar do irmão de uma de suas pacientes que se suicidou. No entanto, o estranho começa a se infiltrar em sua vida, tornando a relação perigosa.

Diria que o diretor Vaughn Stein até foi um bom condutor para a trama de estreia de David Murray como roteirista, pois o estilo entregue cria vínculos com os personagens, e mesmo trabalhando algo que é a análise psicológica de uma pessoa, que comumente poderia ficar chata demais de ser assistida, resulta em algo que vai um pouco além no entremeio das relações, ao ponto que o filme sai do eixo tão rapidamente que já passamos a ficar intrigados com tudo logo de cara, mas sempre sem entender muito a motivação do vilão, até chegarmos próximos do fim e ver que essa era toda a ideia do diretor, de ir dando brechas e revirar tudo para um final bem colocado. Ou seja, talvez o filme de uma forma mais dinâmica recairia melhor para algo mais próximo de um suspense mais envolvente, porém o estilo dramático que o diretor quis usar funcionou mais para causar realmente, e assim funcionou bem, mesmo que cansando um pouco a mais.

Sobre as atuações, diria que Sam Claflin me surpreendeu bem com os trejeitos bem malucos que escolheu entregar para seu James, ao ponto que vamos vendo ele dar estilo ao personagem bem aos poucos, sem se mostrar de cara, fazendo o bonzinho no início, passando ares desesperados em alguns atos, mas chegando nos finais completamente insano e intrigante, que acaba sendo marcante demais. Já Casey Affleck fez um psiquiatra meio morno de atitudes com seu Philip, exagerando demais na calma e na condução dos atos, meio desconexo da família e de tudo o que faz, parecendo até estar deprimido, o que acabou meio que tendo uma duplicidade estranha para o papel, mas acredito que tenha sido a forma escolhida pelo diretor, então fez bem. Já das mulheres, tanto India Eisley com sua Judy quanto Michelle Monaghan com sua Grace acabaram fazendo ares apaixonados rápidos demais pelo jovem ator, do tipo que um olhar bastou e já caíram no papo, o que sabemos bem que não acontece, e com o desenrolar então da trama vemos que elas eram mais problemáticas do que tudo, ou seja, faltou desenvolver mais tudo antes de caírem na rede, pois ficou estranho de ver. Quanto aos demais acabaram sendo meio que jogados também no filme, não indo muito além, tendo um leve destaque para Veronica Ferres com sua Vanessa, por ser amiga e diretora da escola aonde o protagonista leciona, mas que desconfiou demais dele, e assim não se mostrou uma amiga propriamente dita de cara.

Visualmente o longa nos mostrou que psiquiatras e corretores de casas são riquíssimos lá nos EUA, pois o tamanho da mansão deles é daquelas de se espantar totalmente, cheio de detalhes em tons de cinza, em uma cidade que chove demais, e com um clima tenso pelo que rolou logo de cara na abertura, mostrando uma família fragilizada, e com isso toda a densidade de tons é bem escura, os personagens só usam roupas monocromáticas, temos uma palestra mais ampla, e todo o desenvolvimento bonitinho numa casa a beira de um lago, mas sem grandes chamarizes, dando claro toda a tensão para os atos no hospital e claro no fechamento dentro da casa.

Enfim, é um filme simples, direto e que até poderia ter indo mais além com tudo, sendo daqueles que conferimos, ficamos um pouco tensos com alguns atos, mas ao final tudo foi básico mesmo, sendo que dá para recomendar, mas não para empolgar, e assim fica a dica para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos ou melhor um texto só, já que temos o Oscar pra animar a noite, então abraços e até logo mais.


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Telecine Play - Quatro Dias Com Ela (Four Good Days)

3/24/2022 12:10:00 AM |

Chega a ser triste ver a situação que algumas pessoas ficam com as drogas, e mais triste ainda ver como alguns pais sofrem com todo o drama dos filhos, muitas vezes depois de várias tentativas sem sucesso com até a desistência de tentar algo para que o filho volte a ser o mesmo, e quando um diretor consegue trabalhar toda essa essência com força e sutileza na mesma proporção o resultado acaba impressionando bastante, ou seja, faz valer os minutos conferindo toda a dinâmica bem colocada na trama. E hoje fui surpreendido com o Telecine Play, afinal o longa indicado ao Oscar 2022 de Canção Original, "Quatro Dias Com Ela" seria um dos que iria ficar para trás e não iria conferir antes da premiação, afinal não tinha ainda data de lançamento no Brasil, mas eis que cheguei em casa e vi ele como destaque de hoje, ou seja, play na certa, e digo até mais após a conferida, que o filme merecia mais indicações do que apenas a canção de encerramento dele, pois ambas protagonistas estão incríveis, e a história é muito envolvente, tanto que o texto original ganhou um Pullitzer, ou seja, forte e muito bem feito.

A sinopse nos conta que Deb não vê a filha há um ano. Uma noite, tocam à campainha e Deb vê uma mulher que mal reconhece como sendo a sua própria filha. Após um ano a dormir na rua, marcado pelo consumo de heroína, Molly está irreconhecível: desdentada, esfarrapada e trêmula. Molly implora a Deb que lhe dê uma última oportunidade para a ajudar a limpar-se. Após uma década de recaídas, mentiras e manipulações, Deb tem dificuldade em acreditar e acredita que deve "impor limites" pelo que fecha a porta na cara de Molly. Nos dias que se seguem, e perante a persistência de Molly, Deb começa a detetar vestígios da filha determinada e empática que tinha antes de esta se entregar à droga e a esperança começa a minar a sua determinação. Relutantemente, Deb começa a ajudar Molly nos quatro dias mais cruciais da desintoxicação antes que esta entre num programa inovador. Serão quatros dias que porão à prova o relacionamento de ambas. Estará Molly finalmente no caminho da desintoxicação e da recuperação da vida que levava antes? Ou esta será apenas mais uma das suas magistrais manipulações? Deb só poderá descobri-lo sacrificando os seus próprios limites e indo mais longe do que alguma vez fora, numa última tentativa de salvar a filha.

Diria que o diretor colombiano Rodrigo Garcia foi tão preciso na direção escolhida, que vemos nitidamente o texto funcionando na tela, e não é qualquer texto, afinal o artigo do Washington Post escrito por Eli Saslow ganhou o Prêmio Pullitzer quando foi escrito, e Rodrigo pegou essa grande obra e intensificou de uma maneira imponente, cheia de nuances fortes e sacadas cômicas bem leves no miolo, que acabam fluindo demais durante toda a exibição, resultando em um filme que bate o sentimento de tristeza, bate a emoção por cada ato bem representado pelas protagonistas, e principalmente mostra como quem entra nesse mundo das drogas acaba desabando demais com tudo, ou seja, é daquelas tramas que vemos envolvimento demais de todas as partes, e que funciona de uma maneira tão fácil que não temos como reclamar de nada, apenas sentir e curtir.

Sobre as atuações, temos basicamente um show de Glenn Close e Mila Kunis do começo ao fim da trama, transbordando envolvimento e olhares dentro de uma dinâmica bem coesa e marcante por ambas, ou seja, o filme se faz valer com as atuações. Glenn Close fez com que sua Deb fosse cheia de dúvidas da filha, morresse de medo de qualquer recaída, trabalhando com confiança negativa até para cima da personagem, mas também entregando o carisma e o famoso amor de mãe, que não consegue ser dura na totalidade, e assim seus atos funcionaram bem demais, agradando bastante e claro chamando a responsabilidade cênica para si quando precisou. Da mesma forma Mila Kunis se entregou por completo, com uma maquiagem inicial que não conseguimos nem a reconhecer direito de tão debilitada, sem dentes, cabelo mal pintado, feridas para todos os lados, magérrima, mas não apenas de maquiagem se faz um personagem, e sua Molly foi incorporada com uma precisão cirúrgica, de tal maneira que ficamos desesperados com alguns de seus atos, com a maneira que se porta, com sua abstinência, ou seja, perfeita. Tivemos outros bons atores aparecendo em cena, mas não tenho como destacar ninguém, pois seria uma injustiça já que o filme é das duas e só.

Visualmente o longa em si é simples, mas muito simbólico, desde os elementos do quarto da garota, o alarme da porta num bairro seguro, toda a representação da derrota em um jogo e em um quebra-cabeça, a clínica e o hospital em si que para os pais parecem não estar fazendo nada já que o desespero bate, e claro os atos na casa abandonada mostrando toda a representação da degradação que os viciados acabam fazendo naquele meio, praticamente morrendo ali, ou seja, a equipe de arte ousou e foi muito representativa em todos os atos, fazendo valer cada elemento cênico escolhido.

A trilha sonora usa bem alguns elementos para marcar os devidos pontos da trama, dar um certo ritmo e emocionar em alguns atos, mas o filme acabou sendo indicado ao Oscar pela canção de fechamento dos créditos de Reba McEntire, "Somehow You Do", que é bem representativa pelo significado dentro da trama, então quem quiser ouvir e ler ela fica aqui o link.

Enfim, é um filme bem envolvente e comovente, que passa muita emoção nas expressivas interpretações das protagonistas, que conta uma história dura e forte (que até pensei que tivesse acabado diferente na hora do fechamento, e que vale muito a conferida, então aproveitem que entrou em cartaz no streaming e deem o play, pois recomendo demais. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Acho que poderia ter dado até uma nota maior para o filme, mas talvez se o fechamento fosse outro, pois a invertida ficou bonita, mas não causou como acontece na maioria dos casos.


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Telecine Play - Anônimo (Nobody)

3/22/2022 01:11:00 AM |

Alguns filmes que vou conferir no streaming me batem uma depressão imensa de não ter vindo ele nos cinemas, pois é o famoso filme pipoca que você vibra demais com o barulho de tiros, explosões, pancadaria e tudo mais na telona, que em casa você confere e até se diverte com tudo, mas não tem o mesmo impacto, e "Anônimo", que entrou em cartaz essa semana no Telecine Play é exatamente um desses exemplares, pois tendo sido escrito pelo mesmo roteirista de "John Wick" você já vai conferir sabendo o que vai ver, e embora seja extremamente absurda a ideia, se diverte demais com os russos se metendo com a pessoa errada em um ônibus. Ou seja, nem é preciso falar muito do que esperar dele, basta conferir e se divertir com muita pancadaria, tiros, explosões, perseguições e muito mais, em uma trama meio doida de um cara aparentemente comum, com família, calmo, só que por traz da fachada está alguém que ninguém se atrevia a mexer.

O longa nos mostra que Hutch Mansell é um pacato pai e marido que sempre arca com as injustiças da vida, sem revidar. Quando dois ladrões invadem sua casa, Hutch se recusa a defender a si mesmo e sua família na esperança de evitar qualquer violência, desapontando seus familiares com sua passividade. As consequências do incidente acabam despertando uma raiva latente em Hutch, desencadeando instintos adormecidos e impulsionando-o em um caminho brutal que irá trazer à tona segredos sombrios e habilidades letais.

Diria que o diretor Ilya Naishuller só teve o trabalho de apresentar a obra visualmente, pois o roteirista Derek Kolstad imprimiu algo muito semelhante ao que já fez com a franquia "John Wick", porém enquanto lá temos alguém que ainda trabalha para uma corporação e tenta sair, aqui temos um homem comum que abandonou o esquema de mortes das companhias investigativas, e agora com família, emprego e tudo mais, explode ao ter um estalo pós-roubo de sua casa, voltando para suas origens secretas. Ou seja, a base do texto é simples, temos claro a máfia russa como inimiga tradicional, e muitas armas de fogo e caseiras prontas para matar quem vier lhe enfrentar, mostrando que o diretor gosta de sangue em nível máximo, de angulações rápidas, de muito movimento de câmera e que sem precisar ir muito além consegue empolgar com o que faz, não precisando deixar o filme solto, nem sendo abstrato para agradar, mas sim entregando o que o público desse gênero gosta de ver na tela que é pancadaria em nível máximo.

Sobre as atuações, a base toda é em cima de Bob Odenkirk com seu Hutch, pois ele entrega uma desenvoltura bem comum inicial, mostrando sua rotina simples e totalmente sem quebras da semana, aonde nada sai do eixo, mas ao rolar o roubo, o ator entrega uma personalidade tão insana, cheia de trejeitos fortes, mas sem perder o tino que acaba sendo muito bacana de ver, mostrando que toda a experiência que já tem em diversas séries e filmes deu a ele algo que poucos tem que é a serenidade de estilo, e isso impacta demais em tudo o que faz. Quanto do vilão principal, o russo Aleksey Serebryakov faz trejeitos meio que engraçados demais para um maluco líder da máfia, que ainda tem seu show particular num clube, e ele brincou bem com olhares e imposições, mas até poderia ter ido além em tudo, ou seja, brincou bastante em cena e fez bem, mas soou estranho. Agora quem se divertiu demais em cena foi Christopher Lloyd já velhinho fazendo o pai do protagonista em uma casa de repouso, aparentemente indefeso e bobinho, mas a hora que o pau quebra, o ator sênior botou tudo pra jogo e foi muito bacana de ver, o mesmo acontecendo com a aparição do rapper RZA nas cenas finais, que até já dão nuances de algo numa continuação, veremos o que vai rolar. Quanto da família do protagonista, fizeram algumas caras e bocas meio que forçadas, mas ao menos foram tirados de campo rapidamente para não atrapalhar.

Quanto do visual do longa não economizaram no sangue, e isso é algo que deixa muito feliz quem gosta do estilo tiros e pancadaria, afinal tem de voar pedaços de vilões, ter facadas, explosões e tudo mais sem sobrar nada no caminho do protagonista, e aqui com armas de todos os estilos desde facas, passando por revólveres, espingardas, rifles, escopetas, granadas e até canos disparadores de barras de ferro, vemos tudo rolar desde a casa do protagonista, passando pela sua empresa, ônibus, um carrão clássico e tudo mais, até tendo espaço para um show em uma bar, e a tesouraria da máfia russa, ou seja, o pacote completo que a equipe de arte se dispôs para botar fogo, explodir e voar os pedaços dos seus figurantes, o que divertiu bastante do começo ao fim.

Enfim, é uma trama que se olharmos a fundo veremos ser bem simples, sem grandes surpresas ou desenvolturas, mas que funciona tão bem no quesito pancadaria e tiros que quem gosta desse estilo irá se empolgar bastante nas cenas finais (aliás se tivesse visto ele no cinema certamente a nota seria maior!), e assim sendo vale muito a indicação para esse público, agora se você for conferir procurando um pouco mais de história é melhor ir para outro longa. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Telecine Play - Sobreviva Ou Morra Tentando (Run Hide Fight)

3/05/2022 01:51:00 AM |

Sempre vejo tantos filmes de sequestros e tiroteios dentro de escolas que fico pensando o quão comum é isso por lá para que tantos diretores e roteiristas encarem esse tema de uma forma impulsiva para serem criativos no meio, e o mais bacana é sempre tentam dar tons bem impactantes, colocando alunos como heróis, e até sabiamente fazendo trabalhos bem marcados que conseguem chamar a atenção mesmo sendo sempre o famoso mais do mesmo, e com "Sobreviva ou Morra Tentando", que entrou em cartaz no começo do ano no Telecine Play, vemos bem toda essa intensidade, com uma garota digamos problemática que não aceita a morte da mãe continuando vendo ela e até conversando, enquanto está se jogando completamente no meio do caos para salvar os demais alunos da escola de alguns malucos. Ou seja, temos vários conflitos sendo trabalhados, e o resultado tem a abertura certa para impactar, porém poderiam ter feito alunos mais rebeldes como vilões do que apenas um grupo meio bobo de pessoas que sofreram bullying por alguns motivos, que aí sim o clima seria bem mais tenso e explosivo, e aí todas as neuras da protagonista precisariam ser maiores para ter o mesmo sucesso nas empreitadas.

A sinopse nos conta que um grupo de atiradores invade uma escola e o evento é transmitido ao vivo na internet. Zoe, de 17 anos, luta por sua vida e dos seus colegas enquanto tenta sobreviver ao que seria o maior massacre escolar da história.

Diria que o estilo do diretor e roteirista Kyle Rankin é bem simples, pois ele não quis florear sua trama, não quis criar ideais, e muito menos dar muita voz para ideologias, trabalhando bem a base natural de colégios, e amplificar a dramaticidade em cima do surto, que muitas vezes acaba indo além do normal, e que em determinado momento vemos bem a sina tanto da protagonista quanto de um dos atiradores na famosa conversa: "você também ouve vozes?", "como você conseguiu sair delas? foram os símbolos?", e isso mostra muito o que acaba ocorrendo na mente de pessoas que sofrem com bullyings, com rejeições, com mortes, e por aí afora, o que desencadeia ideias tanto boas para lidar com tudo, como algumas bem mais problemáticas, e usando essa temática com o lado adolescente, ele soube brincar bem com tudo, soube armar bem toda a invasão em um dia de trotes, preparar tudo para dificultar os policiais, e claro ter um começo que pareceu inicialmente bem desconexo, mas que no final fará todo sentido, então se faz por valer, mostrando que é um bom maestro para quem sabe ainda explodir mais para frente com algum tema mais forte e conflitivo.

Sobre as atuações, a jovem Isabele May mostrou uma boa desenvoltura para sua Zoe do começo ao fim, parecendo demorar um pouco para explodir, fazendo algumas facetas meio que desanimadas, mas sempre sendo bem direta nas interações, até o ato da invasão realmente começar e ela mostrar todo seu treinamento que teve com o pai para sobrevivência, encarando tudo de frente, mandando ver nas armas, nas dinâmicas e acertando bem até o último momento, não deixando sua adrenalina cair, o que é bem bacana de ver, ou seja, mostrou serviço, mas ainda poderia ter melhorado um pouco os trejeitos faciais para convencer um pouco mais, o que não atrapalhou ao menos. Eli Brown até tentou ser chamativo com seu Tristan, mas pareceu mais um playboy que queria aparecer do que alguém realmente com alguma causa, e assim o ator também não se soltou tanto quanto deveria, ficando naquele meio do caminho que torcemos para ir além, mas que também torcemos para se lascar com tudo, e assim fez  de seus atos algo ao menos expressivo, porém simples demais. Quanto aos demais, o pai da garota só serviu mesmo para dar um tiro, a garota rebelde teve alguns atos de surto, mas sem ir além, o garoto nerd bobo demais quando foi confrontado pela protagonista, então vale um leve destaque para o jovem doidão vivido por Britton Sear, mais pelo personagem em si do que pelo que ele fez, e para alguns trejeitos meio explosivos do xerife que Treat Williams soube segurar, mas que certamente poderia ter ido para cima e chamaria mais atenção.

Visualmente conseguiram criar um clima bem conflitivo dentro da escola, trabalhando alguns elementos cênicos bem interessantes como os jovens vendo toda a transmissão da TV com vários aparelhos, toda a escola preparada para as pegadinhas de fim de ano, mas também servindo de esconderijo/arma para a protagonista, alguns atos exagerados em dutos, alguns tiros meio que forçados também explodindo tudo ao redor, e alguns atos meio que jogados nas salas de aula, mas tudo servindo para o propósito da trama, além claro dos atos de fogo fora da escola, então podemos dizer que a equipe de arte trabalhou bem para ser representativa, mas sem ousar muito.

Enfim, é um filme interessante, forte e bem trabalhado dentro de algo que já vimos muitas vezes, que até poderia impactar mais como falei nos parágrafos acima, mas que serve de passatempo e não sai muito do eixo exagerando aonde não deveria, sendo convincente e agradável sem ter atos nojentos de ver. Ou seja, vale a indicação para todos, mas não espere nada que vá surpreender, e é isso pessoal vou ficando por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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Telecine Play - Boogie

2/24/2022 12:42:00 AM |

É até estranho ver um filme esportivo sem um mote moral colocado ao fundo, pois sempre que vou assistir esse estilo já fico esperando acontecer algo que me comova, ou ao menos que explicite algum problema maior na reviravolta, mas hoje com "Boogie" ficou parecendo que fizeram o filme apenas para algo mais jogado, tipo algum desleixo que mostra um jovem asiático de uma família meio que com problemas tentando alçar seu sonho, mas sem grandes floreios, sem nenhum envolvimento, ao ponto que até as cenas de miolo ficaram bobas e meio sem nexo com algum propósito maior. Ou seja, vemos um filme aonde o jovem e o pai desejam jogar pela NBA, e a mãe sonha com que o jovem ganhe uma bolsa ou qualquer dinheiro possível para poder pagar as contas, mas não temos nenhuma síntese, nem nenhum grandioso envolvimento que possa fazer as coisas andarem, apenas um jogo contra o melhor jogador do bairro, e nada mais, fazendo com que víssemos o filme sem qualquer expressividade maior.

O longa conta a história de amadurecimento de Alfred "Boogie" Chin, um fenômeno do basquete que vive em Queens, Nova York, que sonha em um dia jogar na NBA. Enquanto seus pais o pressionam a se concentrar em ganhar uma bolsa de estudos para uma faculdade de elite, Boogie precisa encontrar uma maneira de lidar com uma nova namorada, ensino médio, rivais na quadra e o fardo da expectativa.

É bem fácil enxergar o problema do filme ao olhar os dados técnicos, afinal é a estreia de Eddie Huang como diretor e roteirista, e não bastasse isso ainda atua no filme em algumas cenas, ou seja, o famoso pacote completo de erros que não se deve cometer, pois já comentei isso no filme que vi no Domingo, e volto a falar que o estilo necessita de uma estrutura clássica para funcionar, precisa de uma segurança bem encaixada na direção, e principalmente precisa de uma moral para ser trabalhada do começo ao fim com uma reviravolta que chame a atenção, e que sem acontecer tudo isso acaba falhando demais, e não empolga nem chama atenção. Ou seja, o filme até tentou encaixar algumas nuances culturais, algumas virtudes de vidência misturadas com predileção futura de tipos, e até a tentativa de juntar a ideia literária de criar expectativas, mas não vai muito além, e mais cansa do que diverte realmente.

Sobre as atuações, diria que Taylor Takahashi até tentou chamar um pouco de atenção com alguns trejeitos, mas ele foi muito artificial com seu Boogie, ao ponto que não sei se ele é realmente um jogador de basquete que foi convidado para estrear na atuação, ou apenas teve um começo ruim, pois faltou tudo para ter carisma e seguirmos com sua ideia. O mesmo rolou com o cantor Pop Smoke com seu Monk, de forma que ele até fez algumas jogadas e trejeitos fortes, mas infelizmente sua primeira e última (morreu em 2020 antes do filme estrear) atuação em filmes foi bem fraca. Quem tenta salvar um pouco a trama é Jorge Lendeborg Jr. com seu Ritchie, de forma que o ator faz alguns gracejos, trabalha as jogadas de basquete com ares descontraídos, e acaba até desenvolvendo um pouco mais com o protagonista, mas em time fraco com um só jogador bom não dá para salvar a equipe. Taylour Paige também tentou fazer alguns atos mais chamativos com sua Eleanor, mas a personagem em si é bem fraca e secundária, não dando muita sobra para mostrar serviço, ou seja, acabou ficando apagada. Quanto aos demais, como o pai, a mãe, o tio do protagonista, e todos os demais da escola e do time é melhor nem falar, pois é triste demais.

Visualmente o longa também é bem simples, com alguns treinos e poucos jogos na quadra da escola, duas aulas, alguns momentos em parques com o casal, uma cena no quarto da garota bem ruim de diálogos e ações, e alguns momentos mais de discussão na casa do protagonista, com uma câmera filmando praticamente a parede dividindo a cozinha da copa, ou seja, algo sem nexo algum de estilo. Sendo assim, as melhores cenas realmente ficaram a cargo dos atos na quadra de rua, aonde há uma maior interação entre personagens e figurantes, e os momentos dentro da sala da vidente, mas também bem fracos no geral.

Enfim, fui enganado pela ideia e pela sinopse, pois a trama parecia bem melhor, e o resultado acaba sendo sem graça, sem emoção e sem carisma, ou seja, era melhor ter dado o play em qualquer outro filme, mas assim ao menos ajudo a galera a não dar play nesse, mesmo que salve um ou outro momento. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Telecine Play - O Caminho de Volta (The Way Back)

2/20/2022 11:03:00 PM |

Definitivamente um dos estilos que mais gosto de conferir é filmes que envolvam esportes, pois sempre trabalham de alguma forma superação, ou tentam fazer algo que dê um crescimento notável, e com isso as tramas sempre acabam empolgando o público que está assistindo mesmo que contenha coisas exageradas de ver, mas na maioria das vezes possuem uma estruturas que se falham destroem tudo o que construíram, e a principal parte da estrutura é saber fechar de uma forma que condiga com tudo o que foi trabalhado. Comecei dessa forma o texto do longa "O Caminho de Volta", que estreou na plataforma do Telecine Play, para mostrar logo de cara que é um tremendo filme de reestruturação familiar, de mostrar alguém que perdeu o amor a vida após uma tragédia voltando a se reconstruir junto de vários garotos, e que ia muito bem na formatação, porém uma recaída é sempre algo interessante de ser colocado no longa, principalmente no miolo ou no clímax da trama, mas para que ao final voltemos com tudo e a mensagem geral seja passada de forma empolgante, e aqui basicamente a moral que quiseram jogar é que se você recair, vai perder tudo, e vão te abandonar, principalmente se você estiver como um treinador de uma escola religiosa. Ou seja, o filme acaba quebrando demais no fechamento, de uma forma que acaba sendo até desanimadora demais, sendo até mostrado que o protagonista segue na vida, mas não como toda a estrutura foi criada, e isso pegou muito, não entregando a força que merecia para acabar. 

O longa conta a história de um técnico de um time basquete de um colégio de ensino médio que anteriormente foi atleta do mesmo esporte. Por conta de vícios, sua carreira promissora como jogador foi tragicamente ao fim, assim como seu relacionamento com sua esposa e a fundação de sua família. Ao tornar-se treinador do time de escola, o ex-atleta tenta encontrar estímulos para seguir em frente e refazer sua vida.

Gosto muito do estilo do diretor Gavin O'Connor, porém diria que aqui ele quis tomar uma frente meio que fora do eixo comum do estilo como disse no começo, o que é meio ruim de acontecer e assim sendo seu longa acabou empolgando demais no miolo e desandando um pouco demais no fechamento, o que pode até ser um modo de ser diferente, de mostrar que se você cair uma segunda vez não terá a mesma chance de voltar bem, e com a forma escolhida até ouvimos os narradores do jogo elogiando ele e o que fez com os jovens, vemos a essência acontecer e tudo mais, mas volto a frisar que o estilo pede algo mais explosivo e chamativo para que o final seja empolgante e as mensagens fluam, e acabou não ocorrendo. Ou seja, temos um filme muito bem moldado, toda uma virtude gostosa de ver, temos bons elos de história por parte do roteiro, e até temos alguns jogos bem empolgantes acontecendo, o que mostra que a direção tentou ser efetiva e quase conseguiu.

Sobre as atuações, basicamente podemos dizer que apenas Ben Affleck estava atuando realmente em cena com seu Jack, fazendo trejeitos várias vezes dramatizados seja pela grande quantidade de álcool no corpo, ou então desapontado com a vida em outros atos, mas passando muita empolgação nos jogos e conseguindo transmitir essa sensação para os seus jogadores, ou seja, o ator se doou bem, mas diria que ele ficou um pouco perdido com tudo o que o diretor desejava para o filme, pois tem tantos vértices que a abertura acaba meio bagunçada dos rumos que sua atuação necessitava fazer. Quanto aos demais, tivemos alguns bons atos com os demais professores da escola, os padres, alguns garotos bem colocados, com claro destaque para Brandon Wilson com seu Brandon e Melvin Gregg com seu Marcus, mas sem grandes chamarizes, e claro para ex-esposa do protagonista que foi vivida por Janina Gavankar, porém a jovem entrou em atos meio secos demais na trama, o que não deu para ela ir muito além, o mesmo que posso dizer da irmã do protagonista vivida por Michaela Watkins. Ou seja, as atuações todas foram muito conflituosas com o tema completo do longa, e isso pesou a mão no resultado final.

Visualmente o longa entrega boas partidas de basquete, vários treinos bem interessantes, e claro muitas cenas do protagonista bebendo em bares, bebendo muito na sua casa (aliás a empresa de cerveja do filme deve ter patrocinado o longa, pois mostrou tantas vezes que quase decoramos o nome), e nas finais ainda temos invasão de casas, batidas, e claro a decadência do personagem protagonista, ao ponto que tudo foi bem amplo de estilo, mas sem grandes chamarizes, ainda tendo alguns atos em um hospital de câncer, que deram o tino dramático da trama. 

Enfim, é um bom filme que poderia ter ido muito além, mas que acabou não acontecendo por ter exagerado na quantidade de temas no miolo, porém agrada quem gosta de longas esportivos pelo ar motivacional e claro pela boa atuação do protagonista, ou seja, até dá para indicar com algumas ressalvas de um fechamento ruim, e assim sendo fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Telecine Play - Surto (Surge)

2/14/2022 10:02:00 PM |

De vez em quando resolvo dar o play em uns filmes que nem eu sei o motivo, que ao invés de relaxar após um dia cansativo, acaba deixando ainda mais nervoso e irritado com toda a situação da trama, pois tem uns que liberam tantos gatilhos de revoltas que olha era melhor ter ficado sem ver. E não digo isso do longa "Surto", que entrou em cartaz na plataforma do Telecine Play, por ser algo ruim, muito pelo contrário, sendo daqueles longas que transmitem a sensação do protagonista tanto pela atuação quanto pela câmera desenfreada que lhe segue, mas a reclamação é de pensar que tem de soltar uma loucura completa dessas de vez em quando também, sair quebrando tudo, explodindo e tudo mais para acalmar os ânimos, só não pode ir tanto às ilegalidades como o protagonista faz, pois aí o risco de não se dar bem é mais alto do que o acalmar realmente. Dito isso, o que posso falar como técnica, é que o longa tem um estilo que muitos vão ver esperando um algo a mais e não irão encontrar, pois não era essa a ideia, mas quem entrar no clima talvez surte junto com o protagonista, ou ache o longa maluco demais e pare na metade.

A sinopse nos conta que o calmo e recatado Joseph leva uma vida modesta em Londres, viajando entre seu apartamento solo e o aeroporto onde ele faz parte da equipe de segurança. Seu aniversário passa despercebido por seus colegas e é apenas um pouco comemorado por seus pais irritados. Algo parece estar fervendo em Joseph logo abaixo da superfície. São necessários apenas alguns incidentes estranhos para liberar seu impulso de fazer uma viagem imprudente, frenética e inacreditável pelas ruas da cidade, enquanto ele determina que limites e gentilezas não mais governarão sua vida.

Diria que o diretor e roteirista Aneil Karia foi bem efetivo em seu primeiro longa metragem, mas deveras afobado assim como o protagonista, pois tudo parece explodir na trama do começo ao fim, desde a cabeça dele até seus atos mais simples, e isso ao mesmo tempo que acaba sendo bacana e bem interessante, também acaba sendo maluco demais, pois quem não entrar no clima do longa e surtar junto com ele, irá achar tanto a ideia como o desenvolvimento do filme algo meio que fora da casinha, e isso que é bacana de ver, pois poderíamos esperar qualquer coisa do personagem, de seus atos, e até mesmo de qualquer pessoa ao seu redor, e com isso a câmera desenfreada pode olhar tanto para o personagem quanto para ao redor, pode surtar junto ou acalmar, e com essa fluidez maluca, o resultado acaba sendo completamente inesperado, e é justamente isso o que o diretor deseja, o surto e o reflexo dele, que é onde nossa mente trabalha, e assim o acerto vem.

Sobre as atuações, tenho de pontuar somente sobre o protagonista Ben Whishaw que se entregou completamente para seu Joseph, fazendo caras, bocas, dinâmicas, se jogando, pulando, chacoalhando, correndo, e tudo mais que se possa pensar num momento de surto, desde as coisas normais e comuns até as mais ilegais e malucas, aonde claro dificilmente se safa numa repetição insana, e assim praticamente entramos no mesmo clima e ritmo dele do começo ao fim surtando junto, o que é muito bacana como experiência, pois tem duas forma básicas de ver o filme, a de ir contra ele, e a de entrar no mesmo ritmo, e assim a loucura vai muito além, e funciona mais ainda, mostrando tanto a boa personificação que o protagonista entrega, quanto a ideia completa funcionando, e assim tudo se encaixa e agrada demais, ao ponto de querermos até mais dele. Quanto aos demais, vale apenas algumas citações para a mãe do protagonista vivida por Ellie Haddington com nuances fortes e bem emotivas, e também colocar os atos diretos com Jasmine Jobson com sua Lily, mas tirando claro o ato explosivo na casa dela, nem lembraríamos de ter aparecido, e sendo assim o filme se completa com muitos figurantes, alguns com um pouco mais de fala, mas nada que vá muito além do olhar descrente do maluco que está na sua frente.

Visualmente o longa passa pelo setor de vistoria de um aeroporto, alguns momentos em trens, o apartamento do protagonista, a casa dos pais, vários atos em trens, muita correria nas ruas, o apartamento minúsculo da companheira de trabalho, um mercadinho e uma loja, alguns bancos, e até mesmo um hotel aonde conhecemos bem o interior de um colchão e de tudo mais que tem ali, incluindo uma festa privada, sendo tudo muito representativo para mostrar a realidade dos atos, ou seja, posso dizer facilmente que nenhum momento foi criado, e assim o resultado acaba indo muito além, mostrando primeiro que a direção quis algo insano, e num segundo momento que a equipe de arte saiu mais correndo junto com os produtores para liberações do que realmente criando algo, e assim o resultado explosivo funcionou ainda mais.

Enfim, é um filme que friso ser bem mais fechado para um público menor, mas que quem curte esse estilo de loucura e frenesi, e entrar completamente de cabeça na ideia da trama vai acabar gostando bastante do que verá, mas também já adianto que muitos vão odiar, pois a história em si é bem básica de um surto explosivo aonde o protagonista sai fazendo tudo e muito mais, e assim é o famoso ame ou odeie, não tendo como ficar em cima do muro. E eu diria que adorei a ideia toda, porém quase surtei junto com o personagem, pois a vontade de explodir igual é bem alta, e sendo assim recomendo o longa com toda a certeza de gatilhos possíveis. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Telecine Play - Hermanoteu Na Terra de Godah - O Filme

2/10/2022 10:01:00 PM |

Eu duvido que você nunca tenha recebido um vídeo curto da peça "Hermanoteu Na Terra de Godah", ao menos da parte em que Isaac encontra Hermanoteu no Egito, afinal essa é a parte mais famosa e que roda milhares de celulares todos os dias, e a famosa peça da companhia Melhores do Mundo rodou literalmente todas as partes do país, divertindo multidões com a história de um pentecospeio e sua peregrinação para libertar a terra de Godah, enfrentando diversos perrengues no meio do caminho, e embora eu não tenha nunca visto a peça inteira, já recebi diversos pedaços principalmente dos amigos que dão risada mais fácil e choram de rir com algumas bobeiras, então o que posso dizer da versão cinematográfica é que incorporaram alguns elementos a mais, e continua sendo divertida para esse tipo de humor, mas nada que vá fazer uma pessoa normal chorar de rir igual alguns amigos faziam quando viam os vídeos. Ou seja, é uma história bacana pela essência, tem boas dinâmicas para representar alguns elementos clássicos das missas e que funciona, tendo uma boa produção até, aumentando bem o tamanho do ambiente da peça, mas que é forçado, e assim só quem gosta mesmo para encarar.

A sinopse nos conta que depois de ser eleito o novo papa, o Cardeal Gerônimo toma conhecimento formal de um grande segredo, mantido em total sigilo durante anos pela Igreja. Enquanto descobre a verdade a respeito dos apóstolos de Cristo, ele tem como fio condutor o destemido Hermanoteu, que ao longo de sua vida participou de momentos históricos e bíblicos cruciais, sempre se metendo nas piores enrascadas possíveis.

Diria que o diretor Homero Olivetto foi bem coerente no desenvolvimento da trama, pois ela funciona dentro da situação, tem todo um ritmo bem trabalhado, e o melhor é que não ficou parecendo uma peça jogada dentro de um filme, e olha que isso era algo bem fácil de acontecer, tendo uma estrutura que até tem um ar divertido, mas é um humor fácil e forçado, que quem gosta ama, mas quem não entra no clima acaba mais reclamando do que se divertindo realmente, e assim a história tem uma boa temática, afinal anda muito em pauta zoar as pegadas da igreja católica, e aqui brincaram bem com elementos sem que ficasse jogado os elos, ou seja, não vai ter aquela galera reclamando de estragarem a crença dela, e isso é algo que funcionou pelas sacadas em si, sendo que o diretor apenas ampliou tudo. Sendo assim, posso afirmar que fizeram algo muito bem montado ao menos, que volto a frisar não ser o humor que me faz gargalhar, mas ri de boas cenas, e assim posso dizer que foi melhor que muitos outros novelescos que costumam entregar.

Sobre as atuações, o destaque sem dúvida alguma é para Ricardo Pipo com seu Hermanoteu bem jogado, cheio de trejeitos e que não se entrega em cena alguma, fazendo com que o filme se mantivesse bem do começo ao fim, e assim seu estilo agradou bastante e funcionou em cima do ponto máximo de ficar irritante, mas de certa forma envolve bem e acaba sendo um bom acerto. Outro que fez vários papeis, e agrada na maioria de todos pelo seu tom debochado é Welder Rodrigues, que tem uma voz icônica, tem uma percepção cênica bem marcada, e principalmente se desenvolve diferente em cada ato, o que é bem bacana de ver, ou seja, ele acabou bem conhecido pela peça, e depois despontou na TV no 'Ta No Ar", mas acredito que ainda vá explodir muito no cinema cômico nacional, pois ele é bom no que faz, e principalmente é expressivo. Jovane Nunes também fez vários papeis e mesmo forçando alguns trejeitos clichês demais acaba agradando em alguns atos, mas poderia ter sido mais sutil para as câmeras, coisa que no teatro é mais necessário uma explosão maior, porém funcionou no que precisava e com isso foi bem em cena. Quanto da história dentro da Igreja, colocaram três grandes atores Jonas Bloch, Marcos Caruso e Milton Gonçalves para dialogar, mas não foram tão usados como poderiam para chamar mais atenção, o que é uma pena, pois sabemos que o potencial deles é bem alto.

Visualmente o longa teve grandes acertos com várias filmagens no deserto do Atacama no Chile, e com isso a representação gráfica ficou muito mais funcional do que apenas dentro de um teatro, e souberam criar bem as cenas, os elementos gráficos e toda a ambientação nos diversos momentos para que tudo fosse bem representativo, e com isso o que poderia virar um longa de esquetes, acabou se desenvolvendo bem, ou seja, a equipe de arte trabalhou bastante, e acertou bem nas escolhas de figurinos, de cenografia, e até mesmo nos elementos computacionais que soaram estranhos, para o estilo cômico que desejavam funcionou.

Enfim, está longe de ser daquelas comédias que vou falar para todos conferirem por ser extremamente engraçada, mas que diverte de certa forma, e que quem sempre foi fã da companhia teatral vai entrar no clima e se divertir até mais do que na peça, e assim sendo fica a dica para quem gosta desse estilo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Telecine Play - Crise (Crisis)

2/09/2022 12:52:00 AM |

Um dado que é mostrado ao final do longa "Crise", que entrou em cartaz na plataforma do Telecine Play, mas que poderia ser mostrado logo no começo é que morrem mais de 100mil pessoas por ano devido o consumo de opióides, tendo morrido mais pessoas com overdoses nos últimos dois anos do que na Guerra do Vietnã, e usando dessa base como síntese, foram mostrar os dois lados da história, tanto o das farmacêuticas que fabricam as drogas "legais", mas que por vezes dão seus jeitinhos para aprovar os medicamentos, e claro as devidas brigas que isso causam com os cientistas contrários, e por outro lado os traficantes com suas "fábricas" de alta produtividade dos "ilegais" que chegam facilmente nas ruas, e claro toda a briga com a polícia e parentes de jovens mortos nesse entremeio conflitando com operações. E o longa é basicamente isso, uma amostragem dos dois lados, das brigas, dos estudos, de uma mãe tentando chegar até o fornecedor, da polícia tentando prender todo o esquema completo, de uma farmacêutica aprovando um remédio que um cientista não quer aprovar por ter visto o que causa, e assim todas essas histórias se entremeando para mostrar que qualquer droga legal ou ilegal tem seus desvios, suas controvérsias, seus danos e tudo mais, mas que como costumo dizer poderiam ter dado um ar mais fictício forte, ter criado algo mais intenso, trabalhado a dramaticidade de uma forma maior, para que tudo fosse além, o que daria um estouro maior, e claro uma edição melhorada, afinal rolando as duas histórias com todas as duas devidas quebras juntas acabamos meio que bêbados com tudo, o que não é ruim, mas daria para ser melhor formatado sem bagunçar tanto. Ou seja, é daqueles filmes que valem pelo conteúdo passado, mas que quase vira um documentário ficcional bem trabalhado, e que poderiam ter movimentado mais a história, mas que funciona, mesmo que de forma bagunçada.

O longa nos mostra três histórias sobre o mundo dos opióides colidindo: um traficante de drogas organiza uma operação de contrabando de fentanil multi-cartel entre o Canadá e os EUA, uma arquiteta se recuperando de um vício em oxicodona rastreia a verdade por trás do envolvimento de seu filho com narcóticos e um professor universitário luta contra o inesperado após fazer revelações sobre seu empregador de pesquisa, uma empresa farmacêutica com profunda influência do governo trazendo um novo analgésico "não viciante" ao mercado.

Diria que reclamei um pouco da mão crítica do diretor Nicholas Jarecki lá no seu primeiro filme em 2012, mas hoje talvez gostaria de ter visto mais ela acontecendo aqui nessa trama, pois ele acabou fazendo um filme quase que expositivo, aonde mostrou um pouco de tudo sem ir a fundo em nenhum dos casos, o que é um risco, pois como ele mesmo pontua nos escritos no final, todo ano são lançados novos medicamentos à base de opióides, e a maioria acaba caindo nas ruas facilmente, e por consequência mais pessoas morrem de overdoses, ou seja é algo que mereceria algo mais trabalhado, uma dramatização mais intensa e claro sua opinião direta e forte, mas ao preferir a amplitude também deu um ganho para o tema, só precisaria de uma edição melhorada para que cada ato funcionasse bem e só ao final se juntasse, não sendo entregue tudo de uma vez só para o público. Ou seja, o segundo filme demorou bastante, quase 10 anos, mas foi bem mais denso e com conflitos bem encaixados, só que poderia ter ido ainda além para ficar perfeito na direção e claro no roteiro desenvolvido.

Sobre as atuações, Armie Hammer foi bem colocado como um oficial infiltrado no meio dos traficantes, mostrando que tem um bom domínio para atos diretos e fortes, fazendo bons olhares, sendo intenso na dramatização e nas negociações, e entregando um Jake até que conflituoso para ambos os lados, ao ponto que em alguns momentos ficamos até pensando de que lado da história ele está, mas o resultado final foi bem feito e interessante. Da mesma forma, Gary Oldman sempre traz entonações e dinâmicas bem precisas para que suas cenas fiquem emotivas e fortes, e aqui seu Tyrone é cheio de altos e baixos, tem a todo momento o conflito de assinar ou não a pesquisa liberando a droga, e principalmente se entrega nos atos de discussões fortes fazendo com que seu personagem tivesse destaque, ou seja, agrada na medida certa em todos os atos, mas queríamos um pouco mais dele na dinâmica completa da trama. Já Evangeline Lilly deu um tom meio que paranoico para sua Claire, ao ponto que vemos estar traumatizada sim, mas o excesso de ousadia acabou pecando um pouco em tudo, e assim seus atos parecem sempre falsos demais, mas ainda assim acabou sendo uma boa investigadora e demonstrou atitude, o que é sempre bom de ver em uma trama. Quanto aos demais, tivemos alguns atos marcantes de Luke Evans como o negociante da farmacêutica, mas apareceu pouco para chamar tanta atenção, e assim não foi muito além, também tivemos o traficante vivido por Guy Nadon bem colocado, mas acaba não tendo imposições muito chamativas, porém como já disse tem atitude, e isso em filmes desse estilo se faz valer, ainda tivemos algumas outras boas aparições com Lily-Rose Depp como a irmã drogada do protagonista, e Éric Bruneau como um dos capangas do traficante, mas ambos sem ir muito além.

Visualmente como já disse o filme é meio bagunçado, aparecendo um pouco de tudo, e com isso sem grandes ambientes chamativos, ficando bem encaixado na operação toda em um bar e uma doca, tendo alguns atos nas casas dos protagonistas, algumas casas abandonadas com drogados dentro, uma grandiosa universidade e seus laboratórios clássicos com os experimentos em ratinhos, e claro o gigantesco prédio da farmacêutica, mas tudo sem grandes elaborações, apenas sendo mostrado e funcionando bem para isso.

Enfim, é um bom filme que poderia ser ainda maior, mas que vale para exemplificar bem todo esse mundo das drogas, as duas frentes bem complexas e as atitudes que rolam em todos os casos, e sendo assim quem não ligar para uma montagem meio que confusa vai acabar entrando bem no clima e até irá curtir toda a ideia da trama, sendo assim uma boa indicação para todos. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Telecine Play - G.I. Joe Origens: Snake Eyes (Snake Eyes: G.I. Joe Origins)

1/30/2022 06:44:00 PM |

Confesso que vi tantas vezes o trailer do filme "G.I. Joe Origens: Snake Eyes" nos cinemas, que quando falaram que não estrearia mais fiquei bem triste, pois parecia uma boa história, e como já disse nos outros filmes curti muito brincar com os bonequinhos na infância, mas agora que lançaram ele nos streamings pude conferir e consegui entender o motivo de não ter entrado em cartaz nos cinemas, afinal é uma trama simples, sem grandes desenvolturas, sem algo que fique marcado, parecendo ser realmente apenas um filme de origem de personagem, com algumas lutas falsas, alguns elementos cênicos importantes, e até algumas poucas aparições realmente dos Joe, ao ponto que tudo poderia ser melhorado com poucos elementos montados, e isso não aconteceu. Ou seja, acabou sendo daqueles longas japoneses com missões para aprender a ser um ninja, tendo traições e boas lutas, mas que nos momentos finais acabam tendo tantas falhas exageradas que acaba não indo além como deveria.

A sinopse nos conta que depois de salvar a vida de seu herdeiro aparente, o tenaz solitário Snake Eyes é recebido em um antigo clã japonês chamado Arashikage, onde ele aprende os caminhos do guerreiro ninja. Mas, quando os segredos de seu passado forem revelados, a honra e a lealdade de Snake Eyes serão testadas - mesmo que isso signifique perder a confiança daqueles mais próximos a ele.

É até estranho ver um trabalho sem tanto impacto do diretor Robert Schwentke, pois ele costuma sempre ser bem criativo em longas de ação, e aqui ele apenas fez o básico em entregar uma trama com todas as características clássicas dos filmes de ação japonês, que só tem pancadaria e pouquíssima história, e isso não é legal de ver, pois até é interessante saber sobre a origem de um personagem tão marcante no grupo dos Joe, mas acabou faltando um pouco mais de interação entre os personagens, e até mesmo um carisma maior na formação do caráter dele, pois sempre soubemos que era alguém problemático, mas aqui o ator acabou oscilando entre agradável e malvado, e isso não é algo que funcionasse para o papel, e aparentemente essa oscilação veio de uma falha no estilo que o diretor optou para o arco dramático da trama, o que acabou falhando um pouco. Ou seja, é daqueles filmes que até empolgam com alguns atos de ação, mas que a história não convence, e principalmente nas atitudes finais os erros sobressaem mais do que os acertos.

E já que falei sobre a falha na escolha da personalidade do protagonista, diria que foi um erro na escalação de Henry Golding, pois ele é sim um tremendo ator, porém tem carisma demais para um personagem que precisava ser mais fechado como o Snake Eyes, pois ele trabalhou bem olhares e dinâmicas, mas foi envolvente demais, e se entregou facilmente para os atos mais jogados, o que não era tão necessário, ou seja, fez bem o papel, mas não caiu como deveria, e isso acabou sendo algo que faltou lhe pedirem mais. O vilão Kenta vivido por Takehiro Hira foi bem interessante nas propostas e nas atitudes, mas não conseguiu ir muito além de cenas jogadas, de forma que suas cenas finais acabaram sendo forçadas demais, já que ele está com a joia botando fogo em todo mundo, e acaba enfeitando demais para atacar os protagonistas, e assim como já disse antes o erro nem foi tanto do ator, mas sim de uma direção fraca. Já Andrew Koji foi quem mais deu nuances certeiras para o papel de Tommy/Storm Shadow, pois manteve do começo ao fim um ar misterioso, segurou bem o ar de líder rejeitado, e conseguiu chamar a atenção nos atos que precisava, agradando de certa forma, ou seja, talvez se a virada de seu personagem fosse antes, e colocasse logo para lutar com o protagonista, nem precisariam de uma continuação desse filme, já conectando tudo e funcionando bem. Quanto das mulheres, claro o destaque fica com Haruka Abe com sua Akiko, pois a jovem teve alguns atos bem marcantes, chamou a responsabilidade para si, e entregou algumas dinâmicas bem colocadas, enquanto as demais Samara Weaving e Úrsula Corberó apenas foram enfeites com suas Scarlett e Baronesa, e isso foi um erro monstruoso de apenas jogarem elas na tela. Ainda valem destacar rapidamente Peter Mesh como o mestre cego e Eri Ishida como Sen, mas seus personagens foram apenas símbolos, e serviram apenas para dar um mote além de tudo, e claro na luta final.

Visualmente o longa teve alguns bons momentos com tiros, lutas de espadas, boas perseguições com lutas em cima de um caminhão, e claro muita correria, além claro de todo um clã bem moldado em cima de toda uma simbologia, com o ar clássico do estilo japonês, e muito envolvimento, porém no lado da turma da Yakuza faltou chamar um pouco mais atenção, pois os personagens não impactaram como poderia, ou seja, a equipe focou tanto no clã que não criou nada demais nas cenas extras.

Enfim, é um filme que certamente poderia ir muito além, mas que não convence nem como uma trama de ação, nem como uma apresentação de personagem, ficando naquele famoso miolo que você até torce por algo a mais, mas não acontece, e assim o resultado mais falha do que agrada. Ou seja, não diria que recomendaria a trama, mas quem curte o estilo de filmes japoneses com brigas de gangues talvez até goste um pouco do que verá. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Telecine Play - Efeito Flashback (Flashback)

1/27/2022 12:32:00 AM |

Costumo gostar bastante de filmes que fazem viagens temporais, misturando buscas de memórias e talvez algumas mudanças nas vidas dos personagens, mas confesso que quando brincam com drogas e abstrações fico com um pouco de raiva pela loucura que acaba virando o filme, e com "Efeito Flashback", que entrou em cartaz no Telecine Play, o conflito de ideias, as situações cheias de efeitos piscantes, a bagunça da mente do protagonista é tão grande, que fiquei pensando que tipo de droga eu precisaria tomar para entrar completamente na mesma vibe dele e entender completamente a trama, pois não digo que não entendi o resultado final por completo, mas tenho ao menos uma boa ideia de tudo, só que é tanta confusão de ideias, tantas situações abstratas, que ao final nem sabemos bem quem é o que ou o que rolou, ou que época o protagonista está realmente. Ou seja, é um filme interessante de proposta, mas extremamente confuso e complexo, ao ponto de até gostarmos dele pela loucura toda, mas se gostamos realmente do que vimos, aí já é outra história.

O longa nos mostra que Fred é um jovem de quase 30 anos, com a vida adulta cada vez mais eminente, ele passa a se questionar sobre uma série de assuntos aleatórios que, por conta de sua instabilidade emocional, parecem ser extremamente relevantes. Em paralelo, ele tenta desvendar os mistérios relacionados ao sumiço de uma jovem mulher, uma droga chamada Mercury e a uma terrível criatura que o assombra desde a infância.

Como é um filme tão maluco, mas tão maluco, fiquei realmente preocupado com o tanto da droga que é mostrada no longa que o diretor e roteirista Chistopher MacBride ingeriu para fazer o longa, pois longe do filme ser algo ruim, mas é tão confuso e abstrato que ficamos pensando de onde pode sair tantos conflitos, sendo daquelas bagunças de trama que se você piscar já se perde completamente e fica preso num loop imenso sem saber como sair, ou seja, o diretor conseguiu criar uma trama cheia de ideias e sentidos, que só bem próximo do final conseguimos entender uma das partes da história, e algumas outras vamos pescando durante toda a exibição, ficando tudo razoavelmente explicado, ou ao menos com nuances que possamos entender. Sendo assim, diria que é daqueles filmes que até possuem uma trama simples para ser estudada, mas que foi tão trabalhado de idas e vindas, de quebras de tempo e psicodelias que nem sabemos no final se entendemos tudo, mas diria que com um pouco mais de tempo se consegue compreender bem a ideia.

Sobre as atuações, Dylan O'Brien amadureceu tanto nos últimos anos que logo mais deve encaixar personagens ainda mais impactantes, pois já entrega olhares fortes, nuances bem colocadas, e aqui seu Fred é daqueles que ficamos com raiva de ficar pensando demais, procurando coisas aonde nem sabe se existe, e fazendo sua mente e a nossa viajar demais, e se entregando por completo faz cenas bem malucas e interessantes de ver. A atriz Maika Monroe trabalhou também com muita intensidade nos olhares de sua Cindy, e a maquiagem brincou muito com seu rosto ao ponto de em alguns atos nem a reconhecermos direito, e isso deu uma perspectiva bem bacana e interessante para seus momentos, ou seja, agradou com o que fez. Ainda tivemos bons momentos de Emory Cohen com seu Sebastian meio maluco, meio agitado, mas bem colocado, tivemos Hannah Gross introspectiva demais com sua Karen, e parecendo até ser uma personagem perdida, mas no final tudo acaba se encaixando, e ainda tivemos Keir Gilchrist com um Andre mais maluco que tudo, se jogando forte nos atos com a droga, e nos atos calmos ficando meio que estranho, mas de uma maneira até que acertada. Quanto dos personagens mais secundários ainda, vale o destaque claro para a mãe do protagonista vivida por Liisa Repo-Martell pela forma estranha de suas cenas, e para Ian Matthews como um drogado/mendigo com chifres bem estranhos.

No conceito visual o longa é bem sujo e cheio de tantos efeitos psicodélicos, tantas mudanças cênicas com idades, cabelos, figurinos e tudo mais, que confesso que fiquei com dó da equipe de arte, do editor e da equipe de maquiagem, e nem tenho como falar do continuísta, pois esse morreu na metade do filme, afinal é muita coisa sendo colocada em tudo quanto é lugar, é objeto cênico importante em tudo quanto é cena, é personagem aparecendo diferente a toda hora, ou seja, colocaram a base na escola, numa zeladoria, num casarão abandonado, no escritório, num hospital, no apartamento do protagonista, mas esses lugares praticamente se entrelaçam a todo momento, o que dá um luxo a mais para o filme.

Enfim, é um filme que prende bastante, mas que é tão confuso de situações que não dá para indicar na certeza de que quem for ver irá curtir, pois como já disse piscou um olho já perdeu toda a nuance completa, e não vai entender mais nada, e assim a maioria vai acabar achando ele muito ruim. Ou seja, fica a dica para conferir com bastante calma, e se envolver com a bagunça completa, e depois refletir o quanto que o diretor tomou da droga para fazer tudo isso. Bem é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Telecine Play - A Menina Que Acredita Em Milagres (The Girl Who Believes In Miracles)

1/23/2022 07:16:00 PM |

Uma das vantagens do filme "A Menina Que Acredita Em Milagres" não ter sido lançado nos cinemas, e sim diretamente no Telecine Play, é o de podermos ver ele legendado com as vozes doces da garotinha, o tom emotivo dos familiares e tudo mais sem ser as mesmas vozes dos filmes religiosos que vão para o cinema, pois todos os atores tem praticamente as mesmas vozes sempre, e mesmo sendo bons no lipsynk fica estranho toda criança com o miadinho tradicional, toda mãe com voz de choro de soluço e por aí vai. Dito isso, muitos se assustam de eu dar o play em pleno domingão em um filme religioso, e falo que não tenho preconceito com gênero algum, se o filme parecer interessante vou lá e assisto mesmo, e sim, eu compro filme pela capa, tanto que tem pelo menos uns cinquenta filmes nas minhas listas dos vários streamings que estou pulando desde quando comecei com essa sina, e felizmente aqui não fui decepcionado, pois embora tenha claro as forçadas tradicionais de barra para as pessoas acreditarem em milagres, em toques, em pessoas santas que veem o Deus vivo entre as pessoas ajudando a curar e tudo mais, o filme tem uma estrutura bem feitinha, uma dinâmica coerente seguindo bem a base do gênero, e até serve de um bom passatempo e dica para quem curte esse gênero religioso, ou seja, passa longe de ser um filme que vamos lembrar daqui alguns anos, mas funciona bem para quem quiser se emocionar com toda a base, só talvez melhoraria o final que acabou sendo meio que frouxo, e sim faria tudo acontecer na montanha, mas valeu a ideia toda.

A sinopse nos conta que ao contrário da maioria das pessoas, a jovem Sara Hopkins está disposta a aceitar a palavra de Deus. Então, quando ela ouve um pregador dizer que a fé pode mover montanhas, ela começa a orar. O que começa com um pássaro misteriosamente curado leva a pessoas de repente curadas de sua miséria e infortúnio por toda a cidade. Mas o pesado apelo de notoriedade e atenção da imprensa logo afeta Sara. Será que sua família será capaz de salvar sua garota milagrosa antes que seja tarde demais?

O mais interessante de tudo é que o gênero religioso tem um grupo bem fechado de diretores e roteiristas que já estamos até acostumados a ver os nomes na tela, e aqui Richard Correll estreia nesse nicho depois de muitas séries e filmes de besteiróis e musicais para TV, então é praticamente uma mudança completa já que o estilo que ele encarou agora não tem nenhum outro semelhante, e conseguiu segurar bem toda a simpatia dos personagens, colocar exageros cênicos sem precisar forçar, e o principal que é simbolizar tudo como algo bem representativo bonito de se ver, ou seja, fez o básico bem feito que é o que se necessita em histórias desse estilo, pois até poderia colocar alguma reviravolta mais impactante, mas sairia da base, e assim a emoção fluiu bem e acabou agradando da forma entregue. Sendo assim, a proposta da direção foi certeira e criativa, pois deu cura principalmente para crianças, trabalhou um Deus da forma que os pequeninos enxergam, e até mesmo no ato mais forte do longa entregou uma tempestade gigantesca, e brincou usando aí sua expertise no estilo com a sacada do policial falando que com o dilúvio que deu todos saírem secos do topo da montanha foi algo inexplicável.

Sobre as atuações, como é comum de vocês verem nos meus textos de filmes religiosos, não consigo elogiar ninguém pois sempre fazem exageros clássicos e acabam forçando em demasia para passar uma crença gigante no que está acontecendo, e mesmo isso sendo o correto de se fazer em uma atuação poderiam ter feito coisas mais coerentes em cena. Mas ao menos a garotinha Austyn Johnson entregou bem sua Sara, fez olhares certeiros e emotivos, e passou bem sua mensagem de fé, conseguindo trabalhar bem as nuances e principalmente na sua cena final dominando todo o ambiente com um texto grande e trabalhado com muito impacto. Quanto dos jovens, os garotos Luke Harmon e Collin Place foram muito exagerados na sua rixa, e de cara já dava para saber que aconteceria na cena final, ao ponto que poderiam ter feito algo menos chamativo. Quanto dos pais e do médico, todos fizeram emoções fortes e marcantes, com destaque claro para Mira Sorvino que está em quase todos os longas religiosos da atualidade, e se doou bem para o papel, não sendo chamativa, mas agradando bem. E para finalizar, o avô vivido por Peter Coyote entregou uma certa segurança forçada para suas cenas, mas foi bem direto na conversa com Deus, e acabou agradando bem ali.

Visualmente a trama também manteve o tradicionalismo do gênero, com algumas cenas na igreja, alguns atos em hospitais, jogos de futebol, algumas leves sacadas dentro da casa dos protagonistas, mas claro tendo o ato do lago como principal na maioria das cenas, com o destaque positivo para os desenhos feitos, e negativo para a grande bola branca no meio do lago que foi a aparição de Deus, pois poderiam ter feito algo mais próximo ao desenho como uma cúpula e não um portal meio estranho, mas de certo modo tudo foi bem usado, e como já falei lá no começo, a cena da tempestade foi feita de uma maneira bem impactante, com muita água, ventos e falhando um pouco nas caídas das árvores, que ficou bem falso de ver.

Enfim, é um bom exemplar do gênero que agrada de certa forma e é bem feito na medida para o público-alvo religioso, mas que não poderíamos esperar muito dele, e assim sendo quem for dar o play vá com a convicção de acreditar na fé, senão tudo vai ser exagerado e chato, do contrário a emoção pode aflorar em alguns bons momentos. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Telecine Play - Pipeline: O Grande Roubo (파이프라인)

1/13/2022 12:57:00 AM |

Preciso parar de acreditar nas classificações que as plataformas de streaming colocam nos seus filmes, pois como muitos sabem não costumo ver trailers antes de conferir, me interessando a sinopse e a classificação, mando o play sem dó, e hoje caí num golpe gigantesco que no começo achei que fosse apenas algo introdutório quando na legenda apareceu "general bosta", mas relevei e fui até o fim do longa "Pipeline - O Grande Roubo", que entrou em cartaz no Telecine Play, e olha não passa nem perto de uma ação policial como a trama está classificada, mas sim numa comédia pastelão sul-coreana que abusam bem para fazer rir com situações que até trabalham algo do estilo de roubos e tal, mas é lastimável a maioria das cenas, sendo daqueles que na metade você já está com raiva das coisas bobas que colocaram para algo, sendo bem bobo demais e não dando para indicar de forma alguma.

A sinopse nos conta que um grupo de seis funcionários de uma refinaria arma um plano ousado: roubar o petróleo que passa pelos canos subterrâneos que cortam a Coreia do Sul. Os riscos são altos, e alguns imprevistos deixam tudo ainda mais perigoso.

Confesso que já vi muitos bons filmes sul-coreanos, mas aqui o diretor Ha Yoo quis forçar a barra demais em efeitos do óleo passeando pelas tubulações, em algumas interações, e esqueceu qual era sua história realmente para trabalhar, usando de piadinhas e situações bobas demais em um filme que teoricamente deveria ser de ação e mais desenvolturas. Ou seja, não é um filme com uma ideia ruim, pois mostra o roubo de petróleo, o motivo que alguns fazem isso, e até mesmo a formação de gangues especializadas no crime, e claro um grande mote maior por parte do contratante, mas o diretor ao invés de causar um ar dramático, mais propício para uma ação desse estilo, optou pela comédia escrachada, e isso desandou demais tudo ao ponto de nem empolgar com a trama, nem fazer rir como poderia, ficando bem no meio do caminho, e isso não é nada bom de acontecer.

Quanto das atuações, não vou entrar muito em detalhes primeiramente por não ter grandes destaques de nenhum personagem, e segundo pelos créditos subir com letrinhas que ainda não sei ler (quem sabe um dia), mas vou dar destaque claro para o protagonista que traduziram como Brocador, que se não estou errado foi vivido por Lee Soo-hyuk que tenta trabalhar alguns trejeitos e tendo um jeitão mais despojado se sai bem, e para o "vilão" ou como chamaram de patrocinador que também olhando pela foto parece ser Seo In-Guk que trabalhou as nuances clássicas de personagens trapaceiros e chega até irritar tudo o que faz em cena, ou seja, um acerto para o papel ao menos, já os demais é melhor nem falar muito, senão desanda.

Visualmente a trama até tem alguns atos interessantes, principalmente por se passar mais dentro de túneis, e com isso a equipe foi bem preparada para mostrar fiações, muita terra e até alguns elementos extras como câmeras e aparatos prontos para roubar (embora tenha um exagero que não dá para crer que fosse apenas dessa forma), mas tirando certos momentos que soaram falsos, o estilo das situações até que mostrou um trabalho da equipe de arte bem feito, o que chama atenção pelo menos.

Enfim, não me alonguei muito, pois é o típico filme que engana muita gente que dá o play sem ver o trailer, já que lá dá para perceber o tom mais cômico das coisas, mas mesmo assim não é daqueles que você irá rir sem parar, ficando tudo no meio do caminho. Ou seja, não consigo recomendar ele para ninguém, pois daria para fazer algo mais sério usando a mesma base, ou então algo totalmente cômico para ir para outro rumo, e como já disse outras vezes, o meio do caminho é a pior forma de se fazer um filme. E é isso galera, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Telecine Play - Pig - A Vingança (Pig)

1/09/2022 06:51:00 PM |

Confesso que ao ver o pôster e a sinopse de "Pig - A Vingança" já imaginei Nicolas Cage descendo a porrada em todo mundo que tenha pensado em passar a mão em sua porquinha de estimação, mas usando daquele ditado que a vingança é um prato que se come frio, aqui temos uma ode pelo mundo dos bastidores dos restaurantes chiques, as origens de seus produtos, negociações e até coisas ilegais que os funcionários fazem nesse meio, ao menos na ideia do roteirista da trama, e com isso o filme que estreou essa semana no streaming do Telecine Play vai deixar muitos espectadores decepcionados com o que verão pelo nome, e outros que sequer pensariam em ver um filme desse estilo bem felizes, pois é uma trama cheia de nuances, uma boa atuação de Cage, e uma síntese que dá para pensar muito em como a vida tem rumos e formas de pensar diferentes. Ou seja, é um filme bem amplo e interessante de conferir, mas vá sabendo que não vai ter tanta pancadaria (tem umas no miolo), pois a chance de gostar dele é maior esperando algo mais calmo.

O longa nos mostra que um homem solitário vive na região selvagem do Oregon, caçando e tendo como única companhia, sua amada porca de estimação. Todavia, quando ela é misteriosamente sequestrada, ele precisa realizar um resgate ao seu passado, enfrentando fantasmas internos e pessoas que ele buscava evitar. Para reencontrar a amiga, o homem entrará em uma jornada que pode ser emocionalmente desgastante e especialmente violenta.

Em seu primeiro longa metragem, o diretor e roteirista Michael Sarnoski, foi ousado e bem direto no que desejava passar, criando uma trama intimista, com uma pegada simples, porém com nuances bem colocadas para ser representativo tanto no ar clássico dos restaurantes, mas também para mostrar a vontade do protagonista, suas imposições e toda a situação que envolvia a busca pela sua porquinha, o ar de não querer voltar ao passado, de não querer se revelar quem foi um dia, e tudo mais. Ou seja, o diretor trabalhou o tema e o abriu para um estilo de vingança mais clássica com a cena no final, não saindo matando, atirando nem nada, tanto que quem for conferir esperando isso vai até se assustar dele não sair de casa levando nem um facão que fosse, e assim sua saga deliciosa vai sendo construída, e cada momento da trama tem seus dois lados, tanto da culinária clássica, como da violência embutida de uma forma diferente.

Sobre as atuações é até engraçado dar play em um filme de Nicolas Cage, pois o ator protagoniza tantos filmes ruins que chega a dar medo do que vamos ver em cena, mas aqui ele entregou um Rob forte, cheio de trejeitos de idade bem marcados, e cadenciando todo o envolvimento do personagem pelo que busca, revivendo locais aonde desejou nem passar perto, e toda a síntese bem colocada em cada ato para soar marcante e ímpar, o resultado é algo bem personificado e que agrada em cheio quem gosta de filmes mais densos, pois não diria que foi o seu melhor papel da carreira, afinal ela é bem longa, mas comparado com tudo o que vem fazendo nos últimos anos, deu show em cena, mostrando que está ainda bem na ativa. Alex Wolff entregou bons momentos com seu Amir, servindo quase como um motorista para o protagonista, mas trabalhando algumas situações de amizade interessantes ao ponto do ator conseguir algum certo destaque, mas poderiam ter trabalhado um pouco mais seus atos para aparecer um pouco mais. Quanto aos demais, a maioria só apareceu para alguma conexão, não tendo grandes chamarizes cênicos, valendo apenas destacar Adam Arkin pelas cenas finais com seu Darius, mas nada que fosse muito além, e claro também a cara de chão que David Knell fica após a lição que o protagonista dá em seu chef Finway.

Visualmente o longa é um pouco escuro demais, mas é mais pela ideologia de mostrar o lado mais negro da culinária de luxo, e com isso tivemos todo o ar de isolamento do protagonista em sua cabana no meio da floresta, mas que no final vemos todo o requinte de objetos que tem por lá, vemos um "clube da luta" de cozinheiros recluso numa parte isolada e que ninguém conhece da cidade, vemos empresas de comidas caras, restaurantes chiques com comidas que nem matam a fome e tudo mais, ou seja, a equipe de arte trabalhou bem o conceito que o diretor desejava mostrar, e foi bem clara em todas as situações junto com a maquiagem destruída do protagonista.

Enfim, é um filme que não é perfeito, mas que surpreende bem e chama bastante atenção pela proposta completa, mas que muitos irão se decepcionar por não ser algo mais violento como um filme de vingança costumeiramente entrega, sendo algo mais clássico e interessante de ver, que vale a indicação para quem curte esse mundo mais requintado e precisa aprender a viver mais. Bem é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Telecine Play - A Filha do Rei (The King's Daughter)

1/09/2022 01:43:00 AM |

Alguns filmes surgem nos streamings de uma maneira tão do nada que chega até a assustar, pois fui pesquisar sinopse, personagens e alguns dados para falar do filme "A Filha do Rei", que chegou no Telecine Play, e o filme nem foi lançado direito ainda mundo afora, ou seja, é realmente uma première como o streaming divulga na abertura do longa. Dito isso, o filme é até bonito, tem uma pegada misturando romance com aventura, mantendo claro o tom de época e até criando bons momentos que digamos poderiam ser reais, já que sabemos pela História que o rei Luis XIV se achava praticamente um Deus e desejava muito a eternidade, então toda essa criatividade que o longa faz de buscar meios para isso, colocar toda as jogadas em cima do dinheiro de herdeiros e tudo mais, ou seja, é um filme com uma pegada bacana de reinados, com um tom fantasioso envolvendo seres míticos, e claro jogando o romance no segundo plano, que fará com que muitos curtam a ideia, e outros odeiem completamente, mas que o elenco ainda dá uma salvada em tudo.

A sinopse nos conta que em busca de imortalidade, o rei Luís XIV rouba a força vital de uma sereia, mas tudo se complica quando sua filha ilegítima forma laços com a criatura mágica.

Já vi tanto filme diferente do diretor Sean McNamara que nem sei se posso falar que ele tem um estilo próprio, pois já fez filmes com animais, filmes natalinos, filmes de aliens, romances, animações e tudo mais, mostrando que não tem tempo ruim, chamou pra algo, ele está disposto a gravar, e isso ao mesmo tempo que muitos podem achar ruim, acaba sendo bom, pois vemos situações diferentes sendo bem encaixadas nas propostas, e aqui ele fez bem isso, pois usou a fantasia da sereia, colocou a tentativa de imortalidade de um rei egoísta, as diversas brigas entre religião (alma) e ciência (corpo/doenças), e claro que sobrou espaço até para colocar pitadas de romances, navegações, e tudo mais, mostrando que o diretor estava disposto a brincar com tudo o que tivesse a sua disposição, e usando bem a base do roteiro, acabou sendo criativo com cores, situações e impactando bastante com o luxo claro do mundinho fechado que era o palácio de Versalhes. Ou seja, o trabalho do diretor na trama é bem visto, ele não cria barrigas na trama, sendo 90 minutos direto de história, o que acaba sendo bem funcional, mesmo sendo bem fantasioso.

Sobre as atuações, o longa contou com um elenco bem encaixado, tendo Pierce Brosnan com uma cabeleira imensa para seu Luís XIV fazendo trejeitos bem clássicos da realeza, incorporando momentos marcantes e até sendo ríspido na medida certa, o que acaba agradando mesmo sendo um papel digamos "ruim" pelo que deseja. Kaya Scodelario veio tão diferente de personalidade e estilo para sua Marie-Josephe que nem pareceu aquela garota que fez tantos filmes de ação, pois deu estilo e envolvimento para a personagem, soou emotiva e bem colocada, e acabou indo muito bem em todas as cenas, até mesmo debaixo d'água (que ficou um pouco forçado, pois nem fechar a boca fechou para manter o ar lá embaixo) aonde soou ainda mais bela. William Hurt entregou um padre La Chaise bem encontrado, quase sendo um ministro direto do reino, acompanhando o rei em tudo o que faz, e trabalhando bons trejeitos singelos e bem colocados acabou chamando atenção em suas cenas. Benjamin Walker trabalhou seu Yves com um ar galanteador que acabou chamando bastante atenção, e criando as nuances com maiores ações puxa o olhar do público para seus momentos, o que é interessante, afinal não deveria estar como protagonista, mas como todo bom par romântico acaba aparecendo mais do que deve. Ainda tivemos boas cenas com a sereia vivida por Bingbing Fan, cheia de desenvolturas ágeis e bem marcantes de olhares, e a dama de companhia da protagonista vivida por Crystal Clarke foi bem carismática e empolgada ao ponto de agradar bastante em cena.

Visualmente o longa tem uma cenografia bem bonita com o palácio de Versalhes ao fundo, suas diversas fontes incríveis, pessoas com figurinos de época passeando para lá e para cá (as pessoas apenas passeavam?), todo o requinte da monarquia com seus grandiosos jantares e bailes, mas as principais cenas mais bonitas ficou no "aquário" que o rei montou para armazenar sua sereia, aonde um lugar aparentemente simples ficou gigantesco quando entram em mergulhos, ou seja, ficou meio irreal, porém bem interessante cenicamente, além disso tivemos cenas em alto mar na captura da sereia, e depois nas cenas finais ainda uma deslumbrante Atlântida que nem é usada a fundo no filme, mas ficou tão bonita que valeria uma continuação ali do filme. Ou seja, a equipe de arte teve um trabalho até que bem pesado para retratar o roteiro inteiro em cena, pois são tantos elementos visuais, tantas locações cênicas importantes e bem feitas, que até valeria uma certa menção nas premiações, mas dificilmente ocorrerá.

Enfim, é uma trama simples, bacana e até que bem feita, que até tem certos defeitos, mas que dentro de um passatempo completo acaba valendo o tempo dispendido conferindo a trama, que alguns até podem gostar mais, outros podem reclamar bem mais, mas que no fim das contas sendo bem rápido e sem enrolações acaba agradando bastante e vale a indicação. Sendo assim, fica a dica e eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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