Netflix - Implacável (Avengement)

10/22/2019 12:26:00 AM |

Quando um filme possui uma essência violenta que funciona para algo nem temos o que reclamar, mas quando ele é feito meio que sem propósitos, tipo apenas para mostrar brigas e tudo mais, acabamos mais reclamando do que ficando felizes com o resultado, e no longa "Implacável" da Netflix vemos basicamente uma pessoa que vai presa não injustamente, mas por estar fazendo algo errado e desejar vingança de todas as formas possíveis quando teve a oportunidade, ou seja, vemos o cara apanhar muito na prisão, e ao conseguir fugir ficar contando sua história dentro de um bar até conseguir sua vingança completa. Não digo que seja um filme com falhas, pois praticamente a trama funciona no que se propõe, mas falta um algo a mais na história para envolver realmente e funcionar, já que mesmo nos atos mais fortes a trama não encontra um fluxo de história para contar ficando fraco de atos em si.

O longa nos conta que Cain Burgess é um criminoso que recebe uma licença para sair da prisão. Ele acaba encarando esse momento como uma oportunidade para encontrar as pessoas que o tornaram um assassino cruel e se vingar delas.

Você pega e vai dar uma olhada na filmografia do diretor Jesse V. Johnson e no mesmo instante descobre o motivo do filme ter tanta pancadaria bem coreografada: o cara foi dublê metade da vida e a outra metade entre uma direção e outra foi diretor de dublês, ou seja, é o estilo que gosta de fazer, e sabe fazer bem, de modo que seu filme funciona bem dentro dessa proposta falhando em ter uma história mais desenvolvida, pois mesmo o cara tendo seus motivos para se vingar, o filme ficar somente ali no bar com ele contando tudo o que viveu na prisão, suas diversas horas de preparação para apanhar e não sentir dor, enquanto esperava o grande causador não é algo que empolgue o público, e muito menos faça com que esse fique esperando algo a mais acontecer, afinal sabemos bem o que ele espera, e o que vai rolar mais pra frente, e dessa forma não temos um deslanchar das coisas. Ou seja, é um filme simples demais, com uma trama direta e nada mais.

Quanto das atuações, Scott Adkins, que é lutador e também dublê, além claro de ator, aqui mostrou bem suas especialidades, e com uma desenvoltura melhor lutando do que atuando (mesmo fazendo diversas caras e bocas com uma maquiagem bem de impacto), ele conseguiu chamar a atenção, sendo bem colocado nos diversos atos funcionais da trama, mas sem mostrar nada muito grandioso nos diálogos (afinal isso não está também no roteiro), mas longe de ser algo ruim, trabalhou seu filme como um protagonista deve fazer, chamando a responsabilidade, e mantendo a câmera nele, e nesse conceito funcionou. Agora quanto os demais, diria que todos foram bons sacos de pancadas e ouvidos conscientes para ficarem sentadinhos escutando toda a ladainha do protagonista, o que não rolaria de forma alguma em lugar algum na vida real já que qualquer maluco tacaria uma caneca no cara, ou já partiria pro embate afinal estavam em bem maioria, ou seja, não consigo destacar ninguém, pois todos soaram bem bobos, mas ao menos é divertido ver o medo na cara do único que se acha demais ali, que é o menorzinho Thomas Turgoose com seu Tune.

O conceito visual da trama é bem simples, contando com uma prisão sem nenhum detalhe extra, aonde o protagonista briga bastante, e um bar aonde ele fica parado quase 90% do filme contando sua história na prisão, e no final parte pra porrada também, ou seja, apenas tiveram trabalho de fazer claro os instrumentos de pancadaria de um tipo de material mais forte para quebrar e não machucar tanto os atores, e claro a equipe de maquiagem trabalhar com muito sangue para que as cenas ficassem o máximo reais possíveis, e nada além disso.

Enfim, é um filme feito sob uma única proposta, pancadaria sem história e que convence da forma que é entregue, ou seja, nada saindo do eixo, mas também nada sendo colocado para discussões. Diria que é o famoso filme que quem gosta de lutas acaba vendo pelas brigas e depois de uns dois ou três dias nem lembra que viu e vai ver novamente para ver as brigas da mesma forma, que não chegamos nem a torcer pelo protagonista ou por alguém, ou seja, fraco demais para envolver, mas que não é ruim, ficando bem como algo mediano de atitudes, e que quem conferir também não terá muito o que reclamar (a não ser que veja esperando alguma história, aí a reclamação come solta!). Sendo assim, fica a minha recomendação de ver somente se você gosta de longas de lutas, senão dá pra pular tranquilamente. Fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Eli (Eli)

10/20/2019 09:41:00 PM |

Alguns filmes costumam demorar um pouco a mais para engrenar, de modo que vão criando clima, fazendo um suspense de leve, não entregando ao que veio, para nos últimos minutos deslanchar de uma vez só e causar o máximo que pode. Sei que muitos não gostam desse estilo, preferindo terrores mais fortes e diretos, mas posso dizer que hoje o longa da Netflix, "Eli", me surpreendeu bastante nos 15 minutos finais (pela essência e não tanto pelos sustos), e olha que alguns sustinhos leves no miolo já tinham me pegado, ou seja, um filme bem cadenciado que não entrega nada do que é realmente até o final, trabalhando com uma doença estranha, fantasmas, e sonhos estranhos, para que ao explodir no fim mudasse completamente tudo para algo digamos bem mais sinistro. Ou seja, é um filme que se formos olhar a fundo é bem simples, que tem pouca expressividade por conta de um elenco não muito forte, mas que o diretor que já havia feito uma grande continuação de sucesso soube pegar a ideia e incrementar bem, fazendo com que o resultado final fosse além do esperado, valendo a conferida para quem gosta de filmes de terror.

O longa nos mostra que em uma tentativa desesperada de curar o filho de uma doença autoimune, o casal Miller se muda para a mansão esterilizada onde ele será tratado. Lá, Eli tem visões terríveis consideradas alucinações. Mas será que algo muito mais sinistro está acontecendo?

O diretor Ciarán Foy tem estilo e após dois longas de terror fortes de entidades, aqui resolveu trabalhar de uma forma digamos meio que diferente, e ao invés de sair atirando preferiu fazer algo mais leve e com alguns sustos espalhados pela trama, de modo a ir cadenciando cada momento e resultar ao final em algo maior. Claro que isso vai servir para muitas reclamações, pois ao que se parece o filme muda completamente o eixo base para algo que não era sequer pensado, quanto mais esperado, mas que felizmente funcionou bem (ao menos para mim!), e dessa forma vou até torcer para que a Netflix dê o aval para uma continuação, afinal vai ser bacana ver o que acontecerá na viagem, e claro no grande encontro, mas vou parar por aqui para não dar spoilers do que o filme é, pois a sacada foi muito boa, e quem talvez conferir sabendo de algo vai ver de uma forma muito diferente. Ou seja, o roteiro tem diversos furos bem grandes que o diretor não soube tampar, mas não chega a desandar o resultado, e isso é bom, pois em alguns atos o filme poderia facilmente ter ido abaixo com alguns detalhes.

Diria que o jovem Charlie Shotwell foi muito bem colocado na trama como Eli, sabendo controlar bem as emoções nos olhares, fazendo caras e trejeitos de susto e tensão, e principalmente sabendo fechar o filme com a dinâmica proposta chamando muita atenção, ou seja, tem futuro pois é um garoto que tem estilo para diversos estilos, mas no terror deve ainda lucrar bem. A garotinha Sadie Sink já está famosa por "Stranger Things", mas como raramente vejo séries não a conhecia, e aqui ela entregou muita personalidade nas poucas cenas que apareceu, trabalhando bem seus olhares também e funcionando dentro do que se propõe, de modo que agrada no que faz. Lili Taylor até entregou uma Dra. Horn com boas dinâmicas, mas com segredos demais, e a atriz não conseguiu segurar isso, pois seus trejeitos lhe entregavam, ou seja, ela poderia ter sido mais contida no estilo para que ninguém desconfiasse de nada, mas ainda assim foi boa no que fez. Agora sem dúvida quem soube enganar muito bem tudo foram os pais vividos por Max Martini e Kelly Reilly, que entregaram uma simbologia bem singela de movimento, criando um carisma próprio para com o garoto, e mesmo seu Paul sendo rude as vezes com o filho não entregou nada do que se passava, ou seja, foram bem imponentes em tudo, e agradaram bastante com o resultado final, mesmo com os devidos furos de roteiro, que os atores também ignoraram.

O visual do longa conseguiu ser bem moldado, com uma tradicional casa meio que mal-assombrada, personagens fantasmagóricos bem tensos e maquiados na medida, e ambientes no tom perfeito para causar susto, com meia luz leve e tons com tudo aparecendo bem, ou seja, criaram cada sala com perfeição cirúrgica para cada momento, e falando em cirurgia, as cenas que ocorreram na mesa de operações foram bem tensas e fortes de meio que darmos aquela desviada no olhar, ou seja, a equipe de arte preparou bons elementos para que a trama funcionasse na medida.

Enfim, é um longa bem feito com boas nuances, que chega a assustar em diversos momentos, e que funcionaria nos cinemas também, não decepcionando em nada praticamente, ou seja, quem gosta de um terror de sustos, com uma história simples certamente irá curtir a ideia, e principalmente o final, torcendo para a continuação sair, afinal vai ser bacana ver o que irá rolar no caminho, e como vão desenhar o personagem em si. Sendo assim, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - A Lavanderia (The Laundromat)

10/20/2019 01:25:00 AM |

É interessante descobrirmos o motivo de tentarem barrar o lançamento de um filme, e olha que "A Lavanderia" teve gente de tantos países querendo bloquear o longa que já tinha quase certeza de que não lançariam mesmo tendo um tremendo elenco de peso, mas conseguiram derrubar uma liminar e eis que a Netflix não perdeu nem tempo e já soltou para todos conferirem, ou seja, corram, pois podem facilmente barrar novamente, e digo que não duvido nem um pouco disso depois de ver a trama toda contando como alguns grandes escritórios de advogados e contadores se beneficiaram de isenção de impostos abrindo empresas apenas de fachada com muitos papeis circulando mundo afora em países que sequer sabemos a existência, e claro, prejudicando muitos outros (no caso vemos uma jovem senhora que fica sem receber um seguro milionário por uma empresa de re-seguros ter ao menos uns quatro nomes e com isso na hora de chegar o valor até a ponta final ninguém receber nada). Além disso vemos nomes conhecidos de nosso país aparecer ao final, e com isso até o Brasil (que sabemos que tem muita maracutaia!) surge na trama com grande envolvimento, mas que optam por darem o foco para o grande pai da tramoia que todos sabemos bem quem é. Ou seja, um filme que muitos podem até não gostar pelo excesso de nomenclaturas difíceis, outros podem se incomodar com o estilo meio que bagunçado, mas a verdade é dura de ser mostrada, e aqui foram concisos em pontuar muito bem o trambique todo.

O longa nos conta como Ramón Fonseca e Jürgen Mossack comandam um escritório de advocacia sediado na Cidade do Panamá, de onde gerenciam dezenas de empresas. Eles participam de todo tipo de fraude, sempre dispostos a faturar mais. Um dos casos envolve o pagamento da indenização a Ellen Martin, após seu marido Joe falecer devido a um acidente de barco. Sem receber a quantia prometida, ela decide investigar por conta própria a empresa que está lhe dando calote.

O estilo de Steven Soderbergh é amplo demais, e aqui ele soube cadenciar tudo com um ritmo tão verdadeiro, que mesmo quem não goste de filmes apresentados acaba indo na vibe dos protagonistas com suas explicações sobre como fizeram muito dos golpes de uma forma 100% legal, ou seja, sendo advogados que acharam brechas nas leis para "ajudar" grandes empresas, países e pessoas a desviarem muito dinheiro sem passar por impostos, taxações, e claro sem nenhum rastreio também, tendo vários laranjas, vários nomes e claro nenhum local fixo para que fossem pegos facilmente, ou seja, uma história completamente insana Jake Bernstein escreveu em seu livro, usando bases bem reais de diversos casos que apareceram na mídia, e que Scott Burns adaptou para as telonas, mas mais do que uma adaptação, o grande feitio recaiu sobre o diretor por ter coragem de enfrentar grandes nomes e moldar tudo para que parecesse uma ficção real bem travada, e que mesmo colocando nomes nos pontos chaves para denunciar realmente, ele se coloca também como usuário dos meios, e isso fica ao mesmo tempo crítico e leve de acontecer. Ou seja, o filme tem uma dinâmica meio maluca, que ao usar muitos termos financeiros acaba sendo daqueles complexos que muitos acabam até desistindo na metade do filme, mas que quem chegar nas cenas finais irá ver um grande nome conhecido dos noticiários nacionais, e com isso ficará mais claro entender tudo, e assim o filme funciona bem, e o diretor colocou estilo para que tudo ficasse interessante de ser conferido.

É engraçado ver que eu esperava até mais das atuações do que do filme em si, mas a trama foi tão bem moldada que muitos nem precisaram entregar o seu máximo, de modo que Gary Oldman e Antonio Banderas foram praticamente apresentadores do filme, com seus Jürgen Mossack e Ramón Fonseca, trabalhando para contar suas histórias e explicar um pouco mais sobre o mercado para os leigos, e com isso não se impuseram com tanta versatilidade, embora tenham brincado bem com trejeitos e estilos, ou seja, não foram ruins, mas para o gabarito de ambos esperávamos bem mais. Meryl Streep sempre será imponente em qualquer papel que faça, e aqui mesmo que sua Ellen pareça desanimada e sem muitos rumos, ao final vemos que a atriz se entregou bastante e deu seu tradicional show, agradando bastante com estilo e com os seus tradicionais olhares. Quanto aos demais, tivemos alguns elos rápidos de diversos atores, desde Sharon Stone com sua simples Hannah, passando por Jeffrey Wright com seu Boncamper sorrateiro, até chegarmos em Nonso Anozie com seu Charles cheio das propinas familiares, ou seja, um elenco coeso bem encaixado com cada momento e que agrada nas rápidas montagens para mostrar um pouco de tudo.

Visualmente o longa passa por tantos países, mostrando alguns estilos, algumas locações características, mas principalmente não fluindo tanta necessidade do local, de modo que se tudo foi gravado em Hollywood, e apenas colocaram os nomes dos países o resultado foi bem enganado, pois é mostrado uma paisagem e em seguida já estamos dentro de locações fechadas como escritórios, e assim sendo o filme é bem recluso de cenas, com elementos bem próprios, deixando que o texto e as interpretações se encaixassem com as nuances, e sendo assim a equipe de arte teve mais trabalho para as cenas dos dois protagonistas enfeitando tudo ao redor, pois como é mostrado ao final, usaram muito chromakey para nos enganar, e assim sendo até o filme faz a mesma coisa que os protagonistas, eles nos enganam para mostrar a facilidade disso.

Enfim, é um filme que passa bem longe de ser perfeito, sendo bem técnico e interessante pela proposta ousada de contar como foram os golpes que explodiram em 2016, sempre trabalhando bem o sarcasmo e a desenvoltura através dos mestres de cerimônia, e usando de um linguajar menos rebuscado para que todos tentem entender tudo, ou seja, um filme gostoso, com uma levada bem trabalhada, que podem até causar um certo estranhamento no público em geral, mas que vai divertir quem se propor a ver de uma forma inusitada, e sendo assim fica a minha recomendação de conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Contato Visceral (Wounds)

10/19/2019 05:29:00 PM |

Como funciona a mente de um diretor: você ganha um grandioso prêmio de melhor primeiro filme em uma das maiores premiações, e a partir daí já acha que pode fazer qualquer coisa pegando grandiosos atores e tacando eles na maior bomba possível sem nexo. Não diria que todos são assim, mas Babak Anvari certamente pensou nisso quando leu a história de "Contato Visceral" e resolveu adaptar ela para o cinema, pois já vi muitos filmes estranhos com propostas razoáveis, que se analisarmos mais a fundo até conseguimos chegar em algum pensamento viável para a produção, mas o longa exibido aqui pela Netflix não consegue fluir nada além de situações estranhas bem bizarras, dominadas por baratas e talvez bem lá no fundo (usando claro o artifício de iniciar com um texto para tentar passar uma mensagem) passando a ideia de que se uma pessoa é vazia de conteúdo pode ser dominada por outro ser maior, e depois brinca com a curiosidade das pessoas em fuçar celulares alheios, trabalha um pouco o conceito dos relacionamentos vazios, e por aí vai, sem muito, ou melhor, sem nada para que ficássemos tensos ou assustados com algo, apenas vendo fluir na tela as interpretações de ótimos atores que sequer sabiam o que estava acontecendo (acho que já acostumaram tanto a fazer cenas em fundos verdes que quando filmam essas coisas vazias acham que vão colocar algo na edição depois que dará para entender!). Ou seja, mais uma bomba imensa na Netflix, que dá para pular bem facilmente.

A sinopse nos conta que depois que um cliente do bar onde Will trabalha esquece o seu celular no balcão devido a um incidente atípico, ele decide levar o aparelho para casa. No dia seguinte, Will começa a receber estranhas mensagens ameaçadoras e tenta não se envolver em nada, mas rapidamente eventos bizarros e aterrorizantes tomam conta da situação.

Sinceramente não consigo imaginar qual a ideia que o diretor e roteirista Babak Anvari teve ao ler a história e gostar do que viu ao ponto de querer criar um filme em cima disso, pois a história em si é bem rasa, tentando mostrar que se você não for uma pessoa completa estará aberta para algo te possuir e usar, de modo que ficamos o filme inteiro esperando algo acontecer, afinal as imagens que aparecem no celular são bem tensas e fortes, para chegarmos ao fim e vermos apenas algo bizarro com uma gigantesca invasão de baratas no melhor estilo dos filmes do brasileiríssimo Zé do Caixão, ou seja, um filme mal dirigido e mal direcionado, pois quem for esperando ver algum suspense não ficará tenso, e quem for esperando um terror também não ficará assustado ou aterrorizado, de modo que ao acabar você vai apenas falar: só isso? E é só isso que o diretor entregou, de forma que todo seu brilhantismo ganho no Bafta como melhor primeiro filme foi jogado para as baratas comerem, pois certamente após esse filme ter sido considerado um dos piores de Cannes desse ano, certamente não voltará a ser chamado tão cedo.

Quanto das atuações, diria que certamente não contaram para eles sobre o que era o filme, e o que aconteceria em cada cena, pois suas expressões foram bem casuais, sem nada que tivesse um impacto maior, fazendo com que o filme fosse meio que jogado na tela, e dessa forma, certamente todos vão fazer questão de esquecer que um dia fizeram esse filme, principalmente Armie Hammer, que tem feito grandes sucessos, e aqui com seu Will entregou um barman praticamente alcoólatra, que fica meio chocado e perdido com as imagens que vê, tendo um leve surto, mas que não sabia que rumos tomar, apenas ficando em desenvolvimento para um lado e para o outro tentando ser surpreendido por algo que não acontece, ou seja, fraco demais. Zazie Beetz entrega uma cliente do bar, mais que amiga do barman com sua Alicia, de modo que ficamos esperando realmente a cena que vai ocorrer, mas acaba falhando de forma bem estranha, o que não dá muito nexo, mas a atriz ao menos trabalhou bem em cena, mesmo sem saber sobre o que era sua personagem. Agora Dakota Johnson foi incumbida de ser um enfeite cênico praticamente com sua Carrie, de modo que aparentemente como uma estudante fazendo sua tese sobre algo da mente, ao cair nas suas mãos o lado oculto acabou ficando interessada demais, se tornando uma pessoa viciada que não tem mais vontade de fazer nada senão ficar olhando para portais, e dessa forma ainda estou procurando se ela interpretou algo ou ficou apenas parada mesmo, ou seja, um enfeite cênico de luxo. Quem teve um pouco mais de atitude no filme foi Brad William Henke com seu Eric, que brigou, ficou com a cara cortada, teve bichos saindo dele, e morando praticamente em um chiqueiro conseguiu dar uma personalidade maior para o filme ao menos. Quanto aos demais, enfeites e só.

No conceito visual, a trama trabalhou praticamente só com três lugares, o bar tradicional, com pessoas brigando, ouvindo música, bebendo e jogando sinuca, a casa dos protagonistas aonde vemos um casal vazio de amor, completamente desgastado e sem atitudes quase que nenhuma, e a casa de Eric completamente suja, cheia de coisas velhas jogadas em uma bagunça monstruosa de ver, além disso alguns movimentos dentro do carro do protagonista e um parque sem ninguém também, ou seja, um filme simples de se fazer, bem barato, e que poderia ter ido por um caminho mais forte para funcionar, o que não aconteceu. Além disso tivemos muitas baratas (muitas mesmo), que não aparentaram ser digitais, ou seja, soltaram todas nas paredes e deixaram elas fazerem seus movimentos em série bem impactantes para o resultado da cena final do filme, e poucas passeando nas cenas isoladas para serem pisoteadas pelos protagonistas. O longa teve alguns momentos rápidos com boa maquiagem, para representar as cabeças cortadas, e só.

Enfim, um filme bem fraco que a Netflix colocou como sugestão para mim hoje, que certamente não recomendo para ninguém, ou talvez alguém enxergue um algo a mais nessa filosofia do vazio e consiga ir por outros caminhos no que o filme quis mostrar, mas como não cheguei nesse âmbito, prefiro dizer que é melhor pular ele e ir para outra opção. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos.

PS: a nota vai 1 pelas baratas e 1 pela maquiagem forte de ver, mas de resto o filme nem valeria colocar coelhos aqui.

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Malévola - Dona do Mal em Imax 3D (Maleficent - Mistress of Evil)

10/19/2019 01:35:00 AM |

Sempre que um filme é inovado e ganha as bilheterias tão logo os gananciosos produtores já saem a caça dos roteiristas para que criem uma continuação possível de dar os mesmos frutos com algo muito maior para chamar mais atenção, e o que acaba ocorrendo é que geralmente isso não costuma funcionar bem, afinal a história acaba saindo dos eixos, os efeitos passam a ficar forçados, e assim sendo temos bem mais reclamações do que pontos positivos. Digo isso de "Malévola - Dona Do Mal", não por não ter gostado do que vi na telona, pois visualmente o longa conseguiu o feito de ser ainda mais incrível que o primeiro, fazendo algo que certamente devem logo mais surgir com a temática em algum dos parques da Disney, criando ambientes escuros, com voos e tudo mais para representar os seres da mesma espécie da protagonista, mas que tirando esse detalhe beleza, temos um roteiro raso, lotado de furos, e com atuações tão inexpressivas (inclusive com grandes atores), que saímos da sessão quase que sem nenhuma empolgação, apenas servindo como um passatempo bem feito. Ou seja, talvez esse seja o filme que menos irá cativar o público fã do original, pois ao sair quase que completamente da história base, apenas virou um filme de batalhas meio que sem eixo, bonito, porém sem atitude, que de cara quem levar crianças na sessão sairá bem antes do final, os adultos ao menos irão curtir o visual e as lutas.

O longa nos conta que cinco anos após Aurora despertar do sono profundo, a agora rainha dos Moors é pedida em casamento pelo príncipe Phillip. Ela aceita o pedido e, com isso, parte rumo ao reino de Ulstead ao lado de Malévola, no intuito de conhecer seus futuros sogros, John e Ingrith. O jantar entre eles deveria ser de celebração entre os reinos, mas os interesses de Ingrith vêm à tona quando é criado um atrito com Malévola e os demais seres mágicos.

Pois bem, já falei algumas vezes que o provérbio mais verdadeiro que existe é "em time que está ganhando não se mexe", e diversas vezes vemos que os maiores problemas (ou acertos raros) são quando trocam toda a equipe, e aqui com a mudança de direção, de roteiristas (embora a criadora do primeiro filme tenha entregue uma parte do novo), e até mesmo trocando o príncipe, o resultado já ganhou um formato completamente diferente, pois se antes tínhamos um filme fantasioso com ares de tensão, agora temos um longa de batalhas e intrigas, aonde sequer sabemos de onde veio e para onde vai, com toda a história sendo jogada na tela, acontecendo em forma de bagunça, mas sem muito efeito. Ou seja, não diria que a culpa recaia completamente em cima do diretor norueguês Joachim Rønning, pois ele foi coerente no estilo de batalhas que conhece, soube dar um ar mitológico para a trama, mas por sair da base dos contos de fada, talvez pudesse ter encontrado algum floreamento melhor, e criado algo de base primeiro para depois já ir para os acontecimentos do filme, pois da forma que ocorreu nem sequer entendemos direito os problemas dos seres semelhantes a protagonista, muito menos o grande ranço que a vilã tem contra todos os seres fantasiosos (sendo falado em apenas um diálogo minúsculo nesse caso), e assim o resultado desandou por parte do roteiro fraco demais, e isso um diretor melhor conseguiria arrumar. Sendo assim, acredito que se for ter um terceiro filme (deixaram no ar a jogada do que seria no final), devam trocar todo mundo novamente para tentar voltar à fantasia e envolver mais os pequenos, que aqui na sessão que fui não tinha nenhum, mas tenho certeza que vão pedir para os pais para sair na metade da confusão toda.

Diria que novamente o destaque fica claro para Angelina Jolie com sua Malévola, pois mesmo sem ter tantas cenas imponentes como teve no primeiro filme, aqui ela chama a responsabilidade, faz suas caras fortes, e desenvolve bem seus momentos para que o filme conseguisse ter um deslanche, claro que poderia ir muito além, afinal sabemos do seu potencial e de como consegue dominar suas cenas, mas aqui o texto não lhe ajudou muito. Tiveram vários momentos no filme que fiquei me perguntando se Elle Fanning estava interessada no seu papel de Aurora na produção, pois era cada cara desanimada que entregava, olhares jogados, um semblante de que caiu no lago na primeira cena e ficou molhada a produção inteira que não tinha como colocar ela como uma Bela Adormecida não, ou seja, falhou demais o filme inteiro. Harris Dickinson que entrou para substituir Brenton Thwaites como Príncipe Phillip também fez um papel sem carisma nenhum, de modo que qualquer um que entrasse no filme faria certamente algo mais imponente. Agora quem se destacou com muita certeza também na produção foi Michelle Pfeiffer com uma desenvoltura imponente cheia de olhares fortes com sua Ingrith, de modo que funcionou bem como uma vilã, mesmo que suas atitudes fossem exageradas e jogadas no filme, o resultado chama a atenção. A comicidade ficou a cargo novamente de Sam Riley com seu corvo (aqui mais tempo como humano) Diaval, e o ator mostrou estar afiado para todos os momentos, de modo que até poderia ter ido mais além. Agora quanto os demais, chega a ser triste ver dois grandes atores jogados fora com atuações tão fracas como foi o caso de Chiwetel Eijiofor e Ed Skrein como Conall e Borra respectivamente, que até devem ter aproveitado para brincar bastante de voar nas gravações, fizeram alguns carões, gastaram bastante tempo se maquiando, mas não mostraram o motivo de serem escalados para o projeto.

Sem dúvida o melhor do filme é o conceito visual, com uma floresta cheia de nuances, um palácio com salas secretas e muitos detalhes imponentes, seres místicos voando pela tela e abrilhantando o filme com muita cenografia computacional, mas também ótimas maquiagens e figurinos, de forma que o filme acaba sendo até mais amplo em detalhes do que na didática completa da trama, ou seja, o filme funciona pelo ambiente criado e vive ali, de modo que se qualquer dia você estiver zapeando de canais pela TV e estiver passando o filme certamente só de bater o olho saberá o que está passando sem precisar ler nada, ou seja, a equipe de arte deu um show, e possivelmente deve ser indicada às premiações como ocorreu com o primeiro filme. A fotografia trabalhou bem as cenas escuras e brincou bastante ao passear pelos mundos diferentes da trama, como a floresta, ou o esconderijo dos seres sombrios, de modo que temos ambientes próprios, com tons próprios e que ao se juntar com os tiros explosivos em vermelho o resultado foi um show na tela. Quanto do 3D, temos um filme bem imersivo, com muitas cenas em velocidade com os voos, diversos personagens dando brilho parecendo estar um pouco fora da tela, e muitos detalhes para agradar quem gosta da tecnologia, mas como costumo dizer, só serviram para dar o visual para a trama, não incrementando em nada no filme, ou seja, serve apenas para as crianças brincarem com a tela e nada mais.

Enfim, é um filme que dá para conferir e se divertir pelo entretenimento passado, mas que longe de ter uma história envolvente que o faça ser lembrado (como foi o caso do primeiro filme!), aqui temos um filme de visual bem colocado, com batalhas fortes bem feitas, efeitos interessantes, e que vai fazer com que quem confira não saia desapontado pelo resultado completo, pois ver algo bonito também é válido, porém quem for esperando uma trama bem desenvolvida certamente ficará confuso com toda a bagunça da história, e não sairá tão feliz com a formatação. Ou seja, a dica é ir sem esperar nada, se divertir com o visual, e torcer para que caso façam um terceiro filme, melhorem bem a história, pois vai precisar de um bom roteirista para conseguir arrumar toda a bagunça criada nessa trama nova. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, encerrando a semana no cinema, afinal no interior só veio esse, mas estrearam muitos filmes interessantes no streaming nessa semana, então volto em breve com mais textos, abraços e até lá.

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Netflix - Shanghai Fortress

10/17/2019 12:42:00 AM |

Já vi muitas bombas bem produzidas no cinema, mas geralmente na Netflix tinha visto apenas bombas de baixo orçamento, e com "Shanghai Fortress" que nem se preocuparam em dar um nome nacional, e certamente colocariam como algo do tipo "A Última Fortaleza" que por acaso fica em Xangai na China, os produtores conseguiram gastar muita grana para fazer um filme cheio de efeitos, muita ação, mas que sem um roteiro que pudéssemos acreditar em algo (chega a ser algo que não dá para pensar numa fonte de energia com nome estranho, roubada dos aliens, que agora voltaram para levar de volta destruindo todas as cidades do mundo que tiveram um pouco da energia), e ainda por cima juntar um romance adolescente entre adultos com canções melodramáticas de fundo foi a gota d'água para desanimar do começo ao fim. Ou seja, tiro, correria, romance sem fundamento, mais tiro, mais gritaria, aliens robóticos pulando pra todo lado, naves, mais romance não correspondido, tudo destruído, mortes, choro no romance, e fim. Resumi o filme em poucas palavras para que quem estiver lendo consiga economizar 107 minutos de sua vida procurando qualquer outro filme na plataforma, pois esse ninguém merece ver mesmo.

A sinopse bem básica nos conta que numa Xangai futurista, um jovem apaixonado por uma militar de alta patente faz parte de um grupo de jovens heróis que lutam para defender a humanidade contra uma força extraterrestre que planeia extrair a fonte de energia da Terra.

Chega ser até difícil pensar em falar algo que não seja desanimador do filme, mas não dá, a trama do diretor Hua-Tao Teng é digna de grandiosos filmes no estilo que Michael Bay e Roland Emmerich fazem, de grandiosas destruições, de muitas batalhas e tudo mais, porém o roteiro é tão desastrado que não conseguimos compreender bem nada do que foi feito, como se o filme fosse algum tipo de continuação que foi apenas jogada aqui, e sem saber o que está acontecendo ainda pega e colocar um romance no ar, mas não, o filme não é uma continuação de nada, pois ao final ainda vemos o jovem se candidatando para a guerra numa montagem mais bizarra ainda, ou seja, é um filme sem nexo algum, bagunçado, que apenas tendo efeitos grandiosos resulta em algo chato que mais irrita do que agrada, e por estar em uma plataforma que basta apertar um botão você já muda de filme (diferente de caso estivesse num cinema que as pessoas precisam pagar para ver outro filme), vai ser bem fácil ver aqueles que arriscarem ver o filme não terminar ele de tão ruim que é, ou seja, era melhor ter estruturado uma história que víssemos a formação das energias, conhecêssemos um pouco mais dos aliens, entrasse a parte final da paixonite do jovem pela sua companheira de escola, e aí sim o filme sem exageros funcionaria um pouco melhor, mas da forma que foi montado, não salva nem as explosões, ou melhor, essas devem ter salvo o longa na China quando foi exibido em salas com poltronas que chacoalham, pois só assim pro filme ficar emocionante.

Nem vou falar nada das atuações, pois são nomes dificílimos de digitar, e ninguém conseguiu um mínimo de destaque possível para merecer que eu falasse seu nome pelo menos, todos fazendo caras e bocas estranhas, o protagonista com olhar sempre de apaixonado bobo, mesmo quando está atirando, os amigos correndo e gritando, e os líderes parecendo num ânimo monstruoso que nem que tivessem todos mortos fariam caras tão ruins, ou seja, deprimente.

Não posso dizer que a equipe de arte tenha nos dado um show visual ao menos, pois o filme é quase que 100% computacional, e tirando os humanos em cena, o restante tudo é bem artificial e chega a causar um incômodo com o exagero da quantidade de naves que colocaram em cena, pois nem nos grandes filmes espaciais colocaram em batalha a quantidade de naves, drones e vilões atacando, parecendo quase que uma batalha de "Senhor dos Anéis" no ar, ou seja, um filme com um visual bem metálico, com alguns tons em roxo para dar uma diferenciada nos vilões, mas nada que chegue a ser surpreendente visualmente, ou seja, um filme rebuscado que força demais.

Enfim, não tem como salvar praticamente nada na trama, sendo exagerado visualmente, com uma trilha confusa misturando romance nas cenas fortes, tecnologia sendo jogada para todos os lados, e principalmente com uma história sem muito fundamento, ou seja, não tenho como recomendar ele para ninguém de forma alguma. Bem é isso, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais pessoal.

PS: vou dar 1 por gostar de algumas cenas de amizade entre os personagens, mas nada além disso.

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Netflix - Fratura (Fractured)

10/16/2019 01:34:00 AM |

Sabe aqueles filmes que você passa o tempo inteiro tentando desvendar o que aconteceu realmente, criando diversas possibilidades em sua mente (ele morreu, elas morreram, quem está errado, esse aí tem cara de culpado, etc) e quando no filme dá a virada completa você fica sem chão por nem sequer ter imaginado aquilo? Pois bem, eis que temos mais um exemplar na Netflix desse estilo que tanto gostamos de ver, e se chama "Fratura", que certamente muitos até irão pular por não parecer interessante, mas que ao começarem vão ficar até o fim esperando muito saber toda a história. Não digo que a trama não tenha defeitos, pois tem alguns exageros, alguns pontos que podem ser até leves furos, mas o resultado final é tão bom, e tão maluco, que acabamos ficando presos no que o diretor quis que olhássemos, não saindo do comum (e talvez mais óbvio!) para funcionar perfeitamente, ou seja, um filmaço de primeira linha que vale demais a conferida.

O longa nos conta que após um acidente, Ray Monroe e sua esposa Joanne correm com a filha para um hospital próximo. A mãe e a menina são levadas para exames e desaparecem, assim como os registros da visita ao hospital. A partir daí, Ray embarca em uma jornada desesperada para encontrar sua família e descobrir o que aconteceu.

O diretor Brad Anderson simplesmente trabalhou o simples usando a base da dúvida e a confusão, ousando chacoalhar tudo com tantos personagens secundários que a cada momento ficamos pensando se esse já apareceu, ou por quais motivos esse que ajudou ele lá trás não tá fazendo nada, ou seja, ele pegou um roteiro muito bem amarrado e desenvolveu ele com cenas bem fechadas, criando um ambiente claustrofóbico em diversos atos, que até nos pegam em desaviso em diversos momentos, mas que por incrível que pareça, o final não cai em momento algum em nossa cabeça com todas as possibilidades da trama, ainda mais com o fechamento intrigante (que já parecia que nem iriam nos contar!) que ele acabou dando para sua trama. Ou seja, não é um filme genial por si só, mas sim uma trama bem amarrada, que por vezes até achamos um furo ou outro que o diretor, por incrível que pareça, quis colocar para nos enganar, e assim o resultado final só ganhou força por não imaginarmos tudo, virando algo incrivelmente bem feito.

Sobre as atuações sabemos muito bem o potencial de Sam Worthington, e aqui seu Ray nos convence demais sobre tudo o que faz, seus olhares tensos funcionam, sua desenvoltura desesperada convence, e principalmente suas atitudes conseguem passar uma verdade, que mesmo nos deixando com dúvida de que mais ao final não confiamos mais tanto no que ele está dizendo, o ator se entrega e sua loucura final acaba sendo mais perfeita ainda, ou seja, pirou e acertou. Quanto os demais, diria que todos se encaixaram nas personalidades de cada membro como elo conectivo do conflito do personagem principal, sem quase ninguém para se destacar, desde a esposa vivida por Lily Rabe até os médicos imponentes que tentam trabalhar cada momento, mas sem dúvida a Dra. Jacobs é a mais centrada para o filme, e suas cenas foram brilhantes e intensas vividas por Adjoa Andoh (que só me incomodou demais a sobrancelha exagerada dela). A garotinha Lucy Capri também foi muito bem dinâmica e bonitinha de ver, mas como sua personagem some logo, ficamos na mente apenas seus bons atos iniciais.

O longa teve um conceito visual muito bom, com grandes ambientes desenvolvidos dentro de um hospital cheio de lugares diversos para confundir bem o espectador, de modo que ficamos pensando: "Realmente ele passou por ali? Essa câmera de segurança está nos enganando em algo!", além claro de uma construção bem esquisita no meio do nada, uma loja de conveniência jogada, e muita simbologia para abrir diversos vértices, ou seja, a equipe de arte foi minuciosa, brincando inclusive com os personagens para que esses fizessem parte da alegoria completa, ou seja, um filme denso de detalhes que vai fazer com que muitos se percam (e essa era a ideia do diretor!). Com uma fotografia levemente esbranquiçada para dar um ar de confusão técnica, o filme não tem uma gramatura comum, de modo que os tons dão um funcionamento meio que de drogado ou bêbado que é a leve proposta, mas sem exageros, e isso agrada bastante.

Enfim, é um filme daqueles que ficamos muito tensos com tudo, cheio de enigmas em nossa mente, e que agrada sem dúvida alguma todos que gostarem do estilo, ou seja, uma tremenda recomendação que vai valer a pena a conferida, e que dificilmente alguém acertará de cara o que aconteceu realmente (a não ser que leia algum spoiler antes de conferir a trama!). Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos de filmes da Netflix, afinal essa semana os cinemas estarão com apenas uma estreia, então abraços e até logo mais.

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Eu Sinto Muito

10/15/2019 01:20:00 AM |

Já disse isso algumas vezes, e volto a repetir sempre, pois alguns filmes costumam trabalhar temas tão impactantes que sozinhos fariam um bem danado, que se a formatação ficasse apropriada para contar encantaria tantos, mas não, vão lá e misturam gêneros, tentam florear o drama de impacto, e com isso o resultado acaba nem passando a mensagem bacana que tem dentro dele, nem funcionando como um bom filme pode fazer, e assim ficamos curtindo o longa por 94 minutos nos perguntando aonde será que o diretor deseja chegar, e quando acaba falamos: "só?". Ou seja, a ideia de "Eu Sinto Muito" é mostrar o impacto e ampliar o conceito dos relacionamentos de borderlines, que para quem não conhece o termo são pessoas que vivem no extremo, tendo um transtorno de personalidade no limite das emoções, porém o diretor quis fantasiar colocando um diretor de documentários premiado tentando conseguir depoimentos dessas pessoas mostrando um pouco mais de suas vidas, de suas famílias, dos seus sentimentos, e sem amarrar nada muito bem, jogando com uma edição bagunçada, e optando por seguir por rumos até desesperados, o resultado soou bem frouxo, mesmo tendo impacto, o que fez com que sobrasse na sala só o Coelho, enquanto algumas pessoas foram embora mesmo antes do filme voltar a seguir uma linha contínua, o que é bem triste de ver, pois a trama tinha futuro pelo tema.

O longa nos conta que Júlio está tentando rodar um documentário sobre pessoas que sofrem do transtorno de personalidade borderline, mas tem encontrado dificuldade em encontrar quem esteja disposto a falar sobre o tema, e se expôr, na telona. Um de seus alvos é Isabelle, uma jovem que adora dançar e se divertir em festas de forma a amenizar a solidão e as dificuldades sociais decorrentes do transtorno.

Talvez por ser seu primeiro trabalho de direção e roteiro de longas, Cristiano Vieira talvez tenha desejado demais ampliar seu filme, pois somente as histórias sozinhas conseguiriam se moldar e interligar, talvez por encontros psiquiátricos, ou até mesmo em interseções na vida comum, não necessitando do molde de criação de um documentário, aonde foi colocado drogas e exageros costumeiros de pessoas do mundo das artes (que até podem reclamar do excesso do diretor!), mas isso é algo que só se vê após o filme feito, pois no papel tudo é muito lindo. Ou seja, o tema do filme foi bem explorado, mostrando alguns bons vértices da doença/transtorno, o estilo do diretor funcionou pela composição cênica do roteiro, mas a montagem da ideia completa ficou confusa e bagunçada demais, e talvez poderia ter sido melhorada, e longe disso virar um problema imenso para a produção, o resultado ao passar da metade acaba sendo funcional pelo menos.

Sobre as atuações, mesmo estando na parte que mais reclamei do filme (por sair um pouco fora do eixo da doença que certamente valeria trabalhar muito mais!), Rocco Pitanga entregou um Júlio dinâmico, cheio de atitude e que com muita desenvoltura trabalhou seu papel para algo a mais, e com isso ele se fez notar trabalhando para que o seu documentário fictício dentro da trama funcionasse, e seu estilo mostrou bem o vértice que vemos em diversos diretores fazendo seus filmes e sendo cobrados por produtores, pela equipe e por tudo mais, ou seja, foi bem no que fez. Juliana Schalch se jogou completamente na personalidade de sua Isabelle, fazendo no extremo, gritando, pulando, dançando e se expressando com tanta força que ficamos até impressionados de ser a mesma pessoa que está como uma enfermeira calmíssima em outra cena, ou seja, sua pesquisa para o papel foi perfeita, e o resultado foi muito bom de ver na tela. O mesmo podemos dizer de Carolina Monte Rosa, que entregando uma policial forte e bem colocada com sua Marta, tem momentos calmos ao pintar a tela junto do marido, mas que na explosão muda tudo. Em compensação Wellington Abreu soou calmo demais para seu Cláudio, de modo que até da raiva do excesso e iria para o mesmo lado que sua esposa. Na outra ponta o casal vivido por Paula e Guilherme, no caso os atores Camila Alencar e Victor Abrão deram tons mais focados para o transtorno, mas com boas cenas e bons desdobramentos.

No conceito visual a equipe de arte foi bem ampla nas locações, transformando a cidade de Brasília em algo movimentado, entregando ares de cultura, de dor, de sentimento e diversos movimentos possíveis para ambientar que não é somente em lugares fechados que se escondem as pessoas com o transtorno, e uma pode estar ao seu lado precisando de algum tipo de carinho/ajuda, ou seja, foram simples de elementos, mas bem conectados com tudo. A fotografia brincou com muitas cores, mas sempre deixando para as cenas tensas o tom mais escuro, como se puxasse a densidade de cores para algo íntimo e próprio de cada um, ou seja, foram bem também.

Enfim, é um filme simples, que já falei tudo o que achava possível de mudar para uma melhora considerável, mas que ao menos passou bem a mensagem da doença, desenvolveu boas atuações e até consegue chamar atenção pela proposta em si, que certamente num segundo filme o diretor irá agradar mais, mas pelo que temos aqui muitos que forem assistir talvez saiam levemente desapontados, e assim não posso dizer que recomendo ele com todas as forças. Vale pelo tema em si, mas não pela construção dele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Amor Assombrado

10/13/2019 11:30:00 PM |

Muitas vezes nos perguntamos como os escritores fazem para conceber seus personagens, se eles conversam com eles, se já tiveram seus amiguinhos imaginários na infância, e até onde essa loucura toda acaba influenciando na vida deles, pois bem, fizeram um filme com base nisso, mas brincando bem mais com a loucura da protagonista em misturar sua vida pessoal com a dos personagens de seus livros, do que responder realmente essas perguntas, e dessa forma "Amor Assombrado" flerta bem com toda essa gama de realidade versus âmbito literário, aonde tudo fica abrangente demais soando para tantos os lados possíveis, de modo que mais para o fim do filme nem o público mais sabe o que é real na vida da protagonista ou não, e isso funcionando de uma maneira bem poética e agradável nos faz ficar interessado pela trama e o resultado passa a ser melhor do que o esperado. Ou seja, é um filme completamente maluco, mas que soa doce e leve dentro do que se propõe, e assim o acerto é gostoso de acompanhar, não ficando nem um filme alongado, nem uma peça jogada na tela, mas que certamente pode virar teatro com uma facilidade imensa caso desejem depois, pois o ar interpretativo não necessitaria de nada mais do que um cenário e diversos personagens assombrando a protagonista, e um bom jogo de luzes, que é o ponto chave para tentarmos distinguir o que é real do que não é na trama.

O longa nos conta que Ana Clara é uma famosa escritora que vive em conflito com seus próprios contos, uma vez que eles se misturam com sua vida real desde a adolescência até sua fase adulta. Além dos personagens fictícios que ela criou, Ana Clara ainda lida com pessoas que não fazem ideia da dimensão em que estão vivendo.

O estilo do diretor Wagner de Assis é muito diferenciado, daqueles que mesmo um drama melódico como é o caso desse filme, acaba virando uma história marcante que faz com que o público passe a conferir a trama inteira pensando em muitas possibilidades e vértices que serão ou seriam explorados de diversas formas, de modo que aqui ele não fez seu tradicional trabalho com espíritos como já fez em "Kardec", "Nosso Lar" e até no ruim "A Menina Índigo", mas trabalhou a amplitude da mente de ver e conversar com fantasmas, sejam eles reais ou apenas frutos da nossa mente, ou seja, ele abriu seu leque e foi coeso nas atitudes da protagonista, mostrando o conflito completo que é a mente de um escritor, que certamente até pode lhe ter ocorrido isso, mas que por ser uma adaptação de um livro, ele apenas usou seus meios para retratar tudo e fazer acontecer na telona, afinal a loucura é algo que dá para trabalhar demais nas telonas, e que sempre chama muita atenção.

Sobre as atuações, diria que Vanessa Gerbelli foi tão bem no papel com sua Ana Clara, que ficamos esperando um momento maior de seu surto, mas passamos a acreditar tanto nos seus atos e atitudes que cada momento passa a funcionar como algo envolvente e até íntimo para os personagens que criou para se tirar da solidão ou até mesmo para algo que desejava ser/ter, e assim vamos fluindo na mesma direção dela e sentindo com ela os momentos de tensão e de alegria, ou seja, caiu bem na personalidade exigida para o papel e ainda levou além. Guilherme Prates entregou seu Carlos quase como um galã envolvente, que vai através de boas frases se incorporando a tudo o que a protagonista deseja, mas também funciona como um daqueles enroscos que não saem de perto quando desejamos, ou seja, fez bem o papel e com um estilo bem teatral o jovem surpreendeu em estilos e trejeitos. Carmo Dalla Vecchia teve alguns momentos bem colocado com seu Cláudio, mas pareceu meio que deslocado na trama, parecendo não estar de agrado com o que estava fazendo, e isso fez com que seu ritmo não se encaixasse na mesma sintonia da protagonista, ficando levemente estranho de ver. Carolina Oliveira apareceu pouco, ou melhor, fez algumas boas cenas no início de forma que ainda não estávamos totalmente conectados com o que nos propunham na trama, de modo que sua Ana Clara jovem ficou solta demais no ar do filme. Quanto os demais personagens, praticamente todos foram usados quase como elementos cênicos da produção, pois como eram frutos da mente da protagonista ficavam ali meio que de lado, mas sempre com falas bem trabalhadas para incorporar o momento e ser bem interessante de observar os personagens das histórias da protagonista querendo aparecer mais, ou seja, foram bem no que foram propostos, mas sem nenhum destaque.

Como falei o filme pode ser facilmente transportado para um palco simples sem quase nenhum apetrecho visual, de modo que a equipe de arte apenas necessitou de uma casa luxuosa (que nem é tão usada assim, apenas a copa, a sala e o quarto, além de uma área externa aonde dá para ver o mar), e claro a localização que por estar próxima ao mar com as cenas em que a protagonista procura sua concha, o resultado visual acaba sendo interessante de envolver juntamente com o barulho da maresia, mas nada que fosse muito importante para o funcionamento do filme. Agora a grande sacada ficou a cargo da equipe de fotografia para brincar com a iluminação quando está ocorrendo coisas reais, e quando está rolando as da mente da protagonista, dando muito mais brilho e vida para os floreios da mente, e isso é bacana de acompanhar o acende e apaga de detalhes, que pode até não ser bem o que imaginamos, mas funciona visualmente.

Enfim, é um filme interessante, com uma proposta diferente e que funciona bem dentro do contexto que a trama se encaixa. Claro que por ser um filme envolvendo loucuras e muitas dúvidas no ar, cheio de diálogos e interpretações fortes, muitos podem achar até bem estranho, e não conseguir se conectar com o que o filme passa, mas quem entrar no clima certamente gostará bastante do resultado, mesmo com um final fraco que poderia ter ido mais além, ou seja, é um longa para quem gosta de dramas mais concisos, e assim fica sendo minha recomendação. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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A Tabacaria (Der Trafikant) (The Tobacconist)

10/12/2019 11:58:00 PM |

Confesso que quando vi o trailer de "A Tabacaria" com a aparição do personagem de Freud e toda a iminência do nazismo, imaginei um filme mais forte, com uma pegada cultural imponente e um desenvolvimento mais pautado na situação toda que envolveria todos os personagens, mas a trama acabou quase recaindo tanto para o lado da psicanálise dos medos e dos amores que num ritmo tão lento o resultado acaba não empolgando, não dando eixos, e em determinado momento até chegamos a cansar com tudo o que o filme permeia, ou seja, é uma trama de retrato bem montada, que conseguimos ver o nazismo batendo forte na Áustria, e aqueles que não colaborassem com o partido político/ideologia de vida do momento morriam ou fugiam, mas que foca tanto nos medos e desenvolvimentos do protagonista com seu amor não correspondido que faltou muito para funcionar como um filme gostoso de ver (que era o vendido pelo trailer).

O longa nos conta a história de um jovem de 17 anos chamado Franz que começa a trabalhar como aprendiz em uma tabacaria onde Sigmund Freud é um cliente frequente. Após um tempo, os dois estabelecem uma forte relação de amizade. Certa vez, o jovem se apaixona por uma moça, Anezka, e começa a pedir conselhos amorosos para Freud que, embora seja um renomado psicanalista, confirma que, até mesmo para ele, os mistérios femininos têm uma grande potência. Em meio a uma grave tensão política na Áustria e a ascensão do nazismo, os três personagens se vêem no dilema entre sair do país ou permanecer nele.

Diria que o diretor e roteirista Nikolaus Leytner tinha vértices demais em suas mãos para decidir que rumos usaria em seu filme, e ficou perdido com tantas formas de contar a história, pois uma trama com nazismo e Freud no mesmo ambiente é daquelas que qualquer um gostaria de trabalhar, porém ele deveria ter deixado a análise e a desenvoltura do medo e da tentativa de entender a mente feminina de lado e ter ido mais para a síntese política, que ali sim encontraria muito para falar, poderia usar análises do judeu Freud para com seus medos também de ser morto pela Gestapo, e com isso brincar também com os prazeres do vício que a tabacaria permitia, indo para algo muito além do que foi mostrado. Claro que isso é uma abertura mais fluente que vi após conferir a trama, e que não faz muito meu gosto pessoal (filmes com temáticas psicológicas e análises sobre a mente humana), mas certamente muitos até que acabarão se vertendo bem para os sonhos do jovem, juntamente com os seus medos e dos demais personagens, e assim sendo, a trama tem até um fechamento coeso, porém com um ritmo exageradamente lento e alongado, que acaba cansando demais.

Sobre as atuações, Simon Morzé até tentou segurar a barra como protagonista, mas seu Franz pareceu a todo momento alguém meio desconectado, com a cabeça voando demais, de modo que seus olhares e trejeitos sempre ficavam cheios de dúvidas demais, e isso não é algo legal de ver, ou seja, diria que seus papos com Freud e até mesmo nos momentos de escrita com a mãe até floreavam algumas ideologias bacanas, mas sempre cortadas de indagações não iam para nenhum lugar, ou seja, falhou demais sem ter atitude de segurar a trama. Bruno Ganz até deu uma boa pinta para seu Freud, de modo que o psicanalista até parecia ser uma pessoa comum, cheia de sorrisos e tudo mais (coisa que não dá para imaginar), e com diálogos bem pausados e bons respiros, seu personagem acaba sendo agradável demais para uma trama levemente bagunçada, ou seja, poderia ter ido além, mas agradou como acabou fazendo. Johannes Krisch fez com seu Otto um personagem de atitude, com uma desenvoltura seca, mas que se sobressai na trama, de modo que se o filme fosse em cima de suas ideias, talvez o resultado fosse melhor. Sobre as mulheres, como o filme define, se nem Freud consegue entender a mente feminina, quanto mais nós meros mortais, então Emma Drogunova faz uma Anezka bonita, cheia de malandragem, e que chama a atenção, mas bastava o protagonista piscar (e isso ele faz muito com suas viagens) que a personagem evaporava de cena, ou seja, algo muito estranho, e quanto da mãe do garoto, Regina Fritsch até teve algumas cenas com atitudes, mas soou jogada demais na trama.

Visualmente o longa tem belas paisagens e locações precisas para mostrar tanto a beleza do lago aonde o jovem inicia sua vida, que depois tomado pelas suásticas fica refletindo as cores da bandeira nazista, até chegarmos em Viena e principalmente na tabacaria aonde o protagonista vai trabalhar, com muitos cigarros, charutos, postais, jornais, revistas e também uma mini papelaria com cadernos e canetas para os jovens que não podem fumar, e o ambiente ali é bem moldado pela situação de receber judeus, contra os vizinhos do lado que odeiam judeus, aonde o diretor faz até seu arco crítico mostrando o açougueiro nazista fazendo seus embutidos com carnes podres, e isso soa bem forte também, além de um inverno bem bonito de cores e tudo bem funcional para a trama, de modo que poderiam ter usado até mais para tudo funcionar.

Enfim, é um filme de proposta interessante, mas que falta muita atitude para funcionar, pois ficou em dúvida de quais rumos seguir, e nessa abertura grande demais o resultado acabou sendo cansativo pelo ritmo sem força nenhuma. Não digo que seja um filme ruim, muito pelo contrário pelo efetivo ponto de mostra do nazismo dominando os países ao redor da Alemanha, e as atitudes de algumas pessoas, também vemos bem a brincadeira do amor e do estudo da mente feminina ser algo extremamente complexo, mas quem sabe se tivessem escolhido um rumo só seria imensamente melhor. Dessa forma recomendo ele para quem gosta de filmes com pegadas bem abertas para discutir muitas coisas, pois quem desejar um filme mais fechado, esse não é um bom exemplar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Projeto Gemini em 3D+HFR (Gemini Man)

10/12/2019 03:12:00 AM |

É bem fácil dar a nota para "Projeto Gemini", história máximo de 3, atuações e ações um 5 ou 6, tecnologia 3D inovadora 10... o que vai dar uma média 6 por aí, e digo isso com muita tristeza, pois se o diretor Ang Lee, que sempre costuma ser incrível no que faz, tivesse usado não apenas sua intuição para criar um filme hiper-realista com a tecnologia e trabalhasse um pouco mais na história para dramatizar mais o elo da clonagem, a problematização da guerra, ou até mesmo o ar desumano dos atiradores de elite, o resultado seria daqueles filmes para sairmos da sessão aplaudindo emocionados com o que veríamos, mas diferente disso saímos impressionados com a forma de conferir um longa quase que sendo executado na nossa frente realmente, como um brinquedo bem realista de um parque, mas que foi feito somente para isso, e nada mais. Ou seja, é quase um playground de visual incrível, que brincamos nele e depois esquecemos do que se tratou a história mesmo, de modo que quem ama 3D, se conferir em qualquer sala com a tecnologia 3D+HFR que alguns cinemas estão exibindo (felizmente vi em uma delas - que ainda não está exibindo no máximo que o filme foi feito, mas que já foi suficiente para me impressionar) sairá pulando de felicidade, mesmo que sem história alguma.

A sinopse nos conta que Henry Brogan é o melhor assassino profissional do mundo, com uma taxa de sucesso maior do que de qualquer outro, mas, quando decide se aposentar, acaba se tornando um alvo da Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos, para quem trabalhava anteriormente. Enquanto luta para se manter vivo, ele se depara com um clone de si mesmo e descobre que as ações do governo americano são para esconder um grande segredo, que só Brogan, com toda sua experiência, é capaz de desmascarar.

Diria que o diretor Ang Lee foi preguiçoso na direção de seu filme, querendo fazer tanto sucesso com a tecnologia, brincando de pesquisar para lançar algo tão novo e incrível (sim, volto a frisar que é assustador de início, mas depois ao nos acostumar o filme fica muito bacana de conferir!), que esqueceu que precisava trabalhar um pouco mais a história para que tudo ficasse empolgante de conferir também pela essência dramática, de modo que os diálogos acabaram soando tão vazios que tem hora que chegamos a rir do personagem principal não ter muito o que falar, além de que o fechamento é dos mais bizarros possíveis, ou seja, assim como enalteci completamente a tecnologia para que todos confiram, também digo que vá preparado para ver algo completamente sem nexo, usando a clonagem, a guerra, e algumas tretas entre agências no melhor estilo 007, como pano de fundo (quase um pano de chão para dizer a verdade!), de modo que tudo poderia rumar para algo melhor, mas não conseguem sequer passar qualquer mensagem. Ou seja, ação boa em alguns atos, outros bem calmos, mas nada dizendo para onde vai, ou melhor, até mostrando no passeio do carrinho do parque que passa por alguns países, algumas cenas de tiros, mas sem ser efetivo em nada.

Quanto das atuações, a brincadeira de mostrar Will Smith velho e jovem quase que ao mesmo tempo usando artifícios de computação para rejuvenescer o ator através de efeitos foi bem bacana para que seu Junior ficasse realmente como conhecíamos Will a 30 anos (lá em "Bad Boys" ou em "Um Maluco no Pedaço") e isso foi algo fácil para o pessoal dos efeitos por já ter boas referências do ator, mas faltou dinâmica para que tanto Brogan quanto Junior tivessem bons atos de discussão, que seus diálogos fossem mais vivos e interessantes, de forma que sempre o melhor deles víamos nas cenas de pancadaria, e de resto praticamente sumiam, e como bem sabemos Will tem expressividade, tem bom domínio de interpretações de texto, mas aqui não lhe pediram para fazer isso, e dessa forma ele falhou consideravelmente. Mary Elizabeth Winstead fez boas caras e bocas com sua Danny, sabendo mostrar uma personalidade expressiva para a câmera, mas também não teve uma desenvoltura mais solta nos diálogos, o que acabamos vendo que o problema não foram as atuações, mas sim a falta de um texto bom realmente. Dito isso, nem preciso falar de Clive Owen com um Clay exagerado de ideias, mas que não caiu bem no personagem, e praticamente é um enfeite ordenador, algo que um vilão precisa fazer muito mais para chamar a atenção pelo menos, e quanto a Benedict Wong, menos ainda com seu Baron, ao menos soando engraçado suas cenas.

No conceito visual temos cenas bem escolhidas para funcionar muito na nova tecnologia, pois o filme necessitava de ambientes bem abertos para que a profundidade fosse além e resultasse em uma composição incrível de elementos, e isso funcionou muito bem nas diversas cenas do filme, desde as conversas nos barcos, até chegar na grandiosa perseguição e luta com motos, nas cenas explosivas no final, e até mesmo nos momentos de conversas simples, aonde com a tecnologia de mais quadros por segundo (um filme normalmente tem 24 quadros por segundo, esse foi filmado em 120, e está sendo exibido por algumas redes com 60) fez com que o filme parecesse muito mais real, de modo que parece estarmos sentado bem próximos de onde toda a ação do longa acontece, o que é bem legal de ver, ou seja, para quem quiser pagar o ingresso mais caro, dessa vez compensa desde que vá em um cinema que tenha a tecnologia HFR para conferir e brincar com isso, afinal a equipe de fotografia teve um grande trabalho em iluminar ao máximo o filme para que as cores ficassem ainda mais vivas com os efeitos.

Enfim, é um filme fraco? Demais, mas que serve como um bom passatempo para curtirmos a tecnologia, e pensar em que mais poderiam usar ela, pois confesso que praticamente em todos os bons filmes de ação funcionaria muito o uso dela, só bastando que tenham também boas histórias, que não podemos apenas ir num parque brincar sem trazer algo memorável em nossa mente também. Ou seja, recomendo a experiência em si, já que o filme não tem como falar que vale nada, com situações bem jogadas, diálogos arrastados e momentos tão fracos de interação que quando achamos que não pode ser pior, o fechamento ainda consegue. Bem é isso então pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Morto Não Fala

10/11/2019 12:57:00 AM |

Costumava reclamar muito dos longas de terror nacionais, mas esse ano tem sido uma surpresa positiva atrás da outra, com filmes tensos bem elaborados, sustos que funcionam, e principalmente uma maquiagem incrível para criar mais ambiente ainda, e hoje posso dizer que "Morto Não Fala" se encaixa entre os melhores do ano com uma pegada forte, uma história simples bem montada, e que faz arrepiar com algumas cenas que fazia tempo, mas praticamente precisei não olhar para a tela como ocorreu na cena da sala com a linha (e olha que gosto muito de filmes estilo "Jogos Mortais", mas aqui foi algo que dá um certo mal-estar de ver acontecendo). Ou seja, um filme forte, muito bem conduzido tanto pela direção quanto pelo elenco, que consegue sintetizar vários estilos de terror, mas principalmente mantendo forte relação com o gore acaba fluindo incrivelmente até o final (o qual ficamos pensando como será que vai acabar isso?), só pecando pelo excesso, pois poderia facilmente ter uns 15 a 20 minutos a menos (que foi quando fui consultar o relógio!) que ficaria perfeito, mas costumo dizer que cortar longas tão bem produzidos é algo que poucos tem coragem, e aqui certamente aconteceu isso para não desejarem cortar cena alguma.

O longa nos conta que Stênio é plantonista noturno no necrotério de uma grande e violenta cidade. Em suas madrugadas de trabalho, ele nunca está só, pois possui um dom paranormal de comunicação com os mortos. Quando as confidências que ouve do além revelam segredos de sua própria vida, Stênio desencadeia uma maldição que traz perigo e morte para perto de si e de sua família.

Diria que o estilo do diretor Dennison Ramalho é daqueles que se for mantido certamente iremos ter ele em mente como um dos grandes nomes do gênero terror no país, e quem sabe fora também, pois ele sabe manter a tensão do momento até o melhor ponto de virada, sem precisar de sustos repentinos nem forçar para clichês casuais, brincando bem com elos, trabalhando a dramaticidade dos personagens, e principalmente usando muito de sua produção, pois certamente o filme sem todos os efeitos cenográficos seria completamente diferente e não causaria nem metade da tensão que tem (pois como disse no começo em determinada cena, até me virei para não ver imaginando que fosse ficar bem pior, mas até dá para ver!), ou seja, ele soube amarrar a boa história que adaptou do conto de Marco de Castro, e com muita criatividade, bons respiros, e uma produção bem cadenciada de efeitos, o resultado da direção acabou aparecendo bem, e o filme funcionou incrivelmente bem também.

Sobre as atuações, diria que o personagem de Stênio caiu como uma luva nos trejeitos de Daniel de Oliveira, que conseguiu conduzir a personalidade do jovem com ares bem dramáticos, fazendo o suspense recair para si sem ser nenhum desses charlatões que ficam fazendo movimentações, mas sim alguém que conversa de boa com os mortos, não ficando nem com medo do que rola, mas também não se deixando levar por eles, e o resultado acaba funcionando bem em tudo, desde os momentos mais tensos e calmos até o âmbito mais desesperado, ou seja, deu show. Fabiula Nascimento ficou meio que em segundo plano com sua Odete, mas com olhares fortes e o seu jeitão despojado acabou que ao final começamos a gostar de seus atos malucos, de modo que o resultado funciona. Chega a irritar o jeito calmo que Bianca Comparato entrega para sua Lara, faltando um pouco mais de atitude, que por mais tímida que seja a personagem, um pouco mais de vida chamaria mais a atenção pra ela, de modo que até os mortos do filme possuem mais vida que sua personagem, não que ela tenha feito algo ruim na trama, mas ficou sem sal demais. As crianças Annalara Prates e Cauã Martins até foram bem colocados, trabalharam corretamente seus momentos como Ciça e Edson, mas exageraram um pouco nos trejeitos, que poderiam ser menos marcados, mas isso é algo que dá pra melhorar, e não chega a atrapalhar nada no filme. Quanto aos demais deram boas conexões, dando claro bem mais destaque para todos os mortos que ficaram incríveis, e assim mesmo com efeitos nas vozes acabaram funcionando para o tom da trama.

Sem dúvida alguma temos de parabenizar a equipe de arte, pois conseguiram fazer ótimas próteses para os mortos serem costurados, abertos e tudo mais, trabalharam bem a ambientação da casa com as diversas assombrações, criando cada cenário melhor que o outro, e principalmente junto com a equipe de fotografia, não deixaram o filme com tonalidades muito escuras para que o filme sumisse, de modo que mesmo com impacto causado com muito sangue, muitos pedaços, apenas escureceram alguns ambientes, em outros apagaram luzes, mas sempre com algo nem que fosse falso para que tudo fosse visto e a tensão fosse passada, ou seja, um filme de arte realmente funcional.

Enfim, um filmaço nacional que certamente vale a conferida, que muitos estão até falando mal pelas cópias sem qualidade espalhadas pela internet, mas que quem for conferir nos cinemas certamente irá ver a boa técnica, a história interessante, e principalmente toda a boa tensão causada pelo ambiente e pelas situações que ocorrem, ou seja, se você gosta de um bom filme de terror fica a dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Campo do Medo (In the Tall Grass)

10/08/2019 12:51:00 AM |

Quando falamos de qualquer longa baseado em um livro de Stephen King já vamos preparados para ver algo bem complexo que geralmente podemos não entender nada ou ficar apaixonados pela brilhante ideia colocada, o que pode significar primeiramente que a obra foi mal adaptada ou que continuamos sem entender nada. Digo isso de cara sobre "Campo do Medo" por uma única certeza que mais da metade do público que for conferir a trama não irá terminar o filme por estar confuso com metade das cenas e já achar repetitivo em excesso, mas aqueles que forem a fundo podem com certeza dizer que não entenderam nada da trama, mas o final é brilhante. Ou seja, o filme da Netflix é daqueles que talvez você fale que conseguiria fazer com sua câmera tranquilamente amanhã no canavial em frente à sua casa, mas que sem a sagacidade e inteligência de captar o drama e o terror no roteiro que sempre vem a frente nos textos do mestre do terror, não resultaria em nada. Sendo assim, digo que todos devem conferir até o final, isso é o ponto primário, e na sequência pensar em rituais, em aliens, em loucuras, e em tudo mais que já vimos nas diversas obras de King, mas que ao cair nas mãos de Vincenzo Natali (que achei que até tinha parado de filmar! Mas que descobri que foi pro lado negro das séries!) acabou tendo um vértice bem interessante, maluco e que resulta num bom filme ao menos.

O filme conta a história de dois irmãos que escutam o pedido de socorro de um garotinho perdido em um campo de capim alto e tentam resgatá-lo, mas logo percebem que uma força sinistra está em ação. Isolados do mundo exterior e incapazes de encontrar o caminho de volta à estrada, eles descobrem que a única coisa pior do que estar perdido é ser encontrado.

Disse que achava que o diretor e roteirista Vincenzo Natali tinha parado de filmar, pois ainda tenho na mente como um dos grandes longas malucos dele "O Cubo" como uma grande obra para pirar no estilo de terror, pois quando fez "Splice - A Nova Espécie" a bagunça foi tanta no final da produção que jurava que o diretor tinha desistido de tudo e ido cuidar de alguma fazenda de jacarés nos remotos pântanos americanos, pois bem, ele não parou, apenas foi para as séries (o que para esse Coelho que não gosta de nada exageradamente capitular, é como se tivesse parado de filmar!) e agora claro que para ter sua volta triunfal pegou nada mais nada menos que uma adaptação de Stephen King, que como todos sabem é um dos grandes mestres do terror, e aqui foi coerente numa obra gigantescamente confusa, que certamente fará com que todos não entenda praticamente nada até praticamente bem mais que a metade, mas que se aprofundarmos em outras ideias que já vimos em histórias de King conseguiremos fluir a mente, e se formos ainda mais na direção que tanto um dos protagonistas tanto prega conseguiremos pensar em muitas outras coisas, ou seja, é um filme bem aberto, mas que felizmente o diretor como costuma fazer em suas obras, deu um final bom e bem feito, pois outro qualquer certamente deixaria o vértice aberto para muitas vertentes possíveis, e com isso mesmo que tudo não seja 100% explicado, o resultado acaba sendo forte e interessante, valendo pensar um pouco mais sobre o que vimos.

Sobre as atuações é bacana ver mais uma atriz brasileira entregando um personagem bem trabalhado, cheio de desenvolturas e que sendo protagonista faz bem seus atos, de modo que Laysla de Oliveira captou a essência de sua Becky, e mesmo fazendo algumas caretas estranhas típicas de mulheres sofrendo as famosas contrações com um bebê querendo sair, entrega medo, desespero e até consegue chamar a atenção, ou seja, fez bem seu papel. Na outra ponta temos também um grande nome dos filmes de terror com Patrick Wilson, que geralmente está caçando uns espíritos por aí, e aqui com seu Ross logo de cara não sentimos muita firmeza nas suas atitudes, e o ator que sabe usar bem os olhares consegue ir nos convencendo para fazer tudo muito bem encaixado, ou seja, vem com tudo. Quanto aos demais, diria que o jovem Will Buie Jr. conseguiu ser assustador em diversos atos com seu Tobin, de modo que não consegui confiar nele em momento algum, e isso mostrou que o jovem foi muito bem no seu papel, ou seja, ficar de olho nele também, já Avery Whitted como Cal, Harrison Gilbertson como Travis e até Rachel Wilson com sua Natalie acabaram soando exagerados em suas cenas, com os homens até aparecendo mais em cena, mas nada que ficasse tão forte ao ponto de torcermos por seus atos.

Em compensação, a atuação do matagal e da pedra é de primeira linha, ou seja, a equipe visual pode ter filmado em um campo menor que minha casa, mas certamente a edição foi tão poderosa que conseguiu dar uma profundidade imensa para que tudo parecesse ser de quilômetros, ou seja, duplicaram muito com computação gráfica, souberam escolher bem os ângulos e usando de artifícios cênicos bem colocados nos prenderam completamente na ideia simples de labirinto, com diversos atos fortes e violentos, mas com uma precisão incrível visual. A fotografia também valorizou muito os momentos escuros, trabalhando bem os tons de verde, e até mesmo nas cenas mais doidas com efeitos o resultado funcionou bem, ou seja, uma amplitude interessante e agradável de ver na tela.

Enfim, um filme bem maluco que certamente não irá agradar a todos os fãs de terror, muito menos quem não curte o estilo, mas que vale a conferida pela tensão que consegue atingir e pela dinâmica bem trabalhada pela trama, de modo que acabamos nos envolvendo com tudo, e o resultado final consegue ser coerente com a ideia toda, mesmo que para isso o longa tenha vários pequenos furos de roteiro. Ou seja, quem curtir o estilo e tiver de boa com tempo procurando um filme doido na Netflix, fica a dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Ela Disse, Ele Disse

10/07/2019 01:08:00 AM |

Alguns filmes são feitos tão exclusivamente para um determinado público que ou você vê a sala abarrotada deles, ou acaba assistindo ao filme sozinho, e por ter escolhido uma sessão noturna num Domingo acredito que tenha sido o maior motivo de ver o filme "Ela Disse, Ele Disse" sem ninguém mais na sala, não por ser um filme ruim, pois a trama tem seus méritos, consegue fazer passar um tempo agradável, e entrega situações costumeiras que já vimos em longas adolescentes americanos também, ou seja, a trama é casual, tem seu molde efetivo e traz jovens fazendo coisas de jovens em escolas, de modo que vai atingir a garotada que costuma fazer colagens com fotos de amigos, ver as brigas entre valentões e nerds, conferir a famosa aula de educação física paquerando um ou outro, e por aí vai, porém quem esperar qualquer coisa fora disso irá se desapontar, ou melhor, nem irá conferir. Ou seja, é um filme simples, com uma produção até que bem descolada, mas que até chega a parecer uma evolução das novelas infantis do SBT, feita para a galera que ainda está nas escolas e nada mais.

O longa nos conta que Rosa (Duda Matte) é uma menina estudiosa, Leo (Marcus Bessa) manda bem no futebol. Ela é pontual, ele está sempre atrasado. Ela detesta Júlia (Maisa), a menina mais popular do colégio, ele até que gosta dela. Os dois são alunos novos na escola e, além de aprender a lidar com os novos amigos e os problemas na família, descobrem que têm muito mais em comum do que imaginavam.

Não diria que a estreia de Claudia Castro na direção tenha sido perfeita, pois o filme ficou meio sem um eixo de base, tendo vários pedaços espaçados na trama como se fosse uma das colagens da protagonista (e talvez até tenha sido bem essa a ideia que ela desejava mostrar), porém só de conseguir fazer uma trama completa de adolescentes já mostrou que paciência e atitude ela tem, só precisa dar uma melhorada na concisão dos temas, que certamente vai se sair muito bem, pois aqui o texto de Talita Rebouças é fechado demais, não dando muita abertura para que a diretora conseguisse criar muito, e o resultado foi um filme levinho, cheio de boas desenvolturas dos protagonistas para tentar cativar algum carisma, mas nada além do que é mostrado, não dando para florear vértices, nem encontrar nada mais, de modo que talvez a história sendo maior como uma série teen funcionasse melhor.

Sobre as atuações, não sei se Duda Matte estava com receio de ser protagonista ou se sua personagem Rosa era sem atitudes realmente, pois ao mesmo tempo que entrega uma menina tímida demais, se coloca sempre em segundo plano no filme, o que acaba fazendo com que não cative o carisma para si, e isso é um erro imenso, de tal maneira que até chegamos a torcer para que o protagonista fique com sua oponente. E falando em oponente, cada vez mais Maísa se encontra mais segura frente as câmeras, não que isso tenha sido algum problema para ela alguma vez, já que desde bem pequenininha fazia Silvio Santos cair em suas próprias artimanhas, mas agora já crescida e com olhares propriamente bem colocados, fez com que sua Júlia tivesse um envolvimento bem agradável e com uma boa colocação em todas as cenas. Marcus Bessa também se soltou bastante na dinâmica do filme, mas nos momentos mais tênues ficou um pouco abaixo do que poderia atingir com seu Léo, ou seja, ele precisaria ter sido melhor trabalhado para um protagonismo, e talvez se desinibir mais para ter algumas atitudes a mais. Os demais jovens se soltaram bem, fizeram cenas bonitinhas, se jogaram com precisão e foram até bem interessantes ao ponto de funcionar numa série talvez. Agora quanto dos adultos diria que eles foram básicos demais, uns aparecendo mais do que outros como Maria Clara Gueiros fazendo uma diretora malvada, com trejeitos forçados para o personagem, Fernanda Gentil tentando ser uma mãe descolada e até Ângelo Paes Leme sendo um pai sem muito tino, mas que acaba indo bem, de modo que até talvez gostaríamos mais de saber o passado deles para talvez a trama ter uma fluidez melhor, mas como isso não foi usado, tentaram ser menos forçados.

O conceito visual da trama foi bem comum, trabalhando praticamente tudo dentro da escola, e tendo algumas rápidas cenas nas casas dos protagonistas, sem nada que envolvesse, ou quisesse mostrar algo além, pois não era a proposta da trama, ou seja, funciona como um filme escolar que até poderia ir por mais rumos se quisessem, pois a dinâmica até pedia mais cenas em outros locais, mas a colagem era por ali para mostrar amizade, brigas, aulas e tudo o que é comum de vermos no estilo. Como elemento de destaque temos a câmera fotográfica estilo polaroide, que até deu um charme meio vintage para a produção.

Enfim, é um longa adolescente feito por adolescentes para adolescentes, ou seja, se você não se enquadra nesse grupo talvez se sinta bem deslocado da proposta que o filme tenta entregar, mas certamente até poderá se divertir um pouco com as situações lembrando de sua época de escola, mas nada muito além como um filme deveria ser. Sendo assim, não digo que é um filme com problemas técnicos, pois funciona no que se propõe, mas também não é daquelas obras que vamos lembrar de ter visto daqui a alguns dias. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Angry Birds 2 - O Filme (The Angry Birds Movie 2)

10/04/2019 01:15:00 AM |

Muitas vezes nos perguntamos se uma continuação vai funcionar melhor que o filme original, pois geralmente acabam enfeitando demais, ou colocando coisas que saem da personalidade do filme e o resultado acaba não agradando muito, mas felizmente com "Angry Birds 2 - O Filme" acabaram colocando muito mais criatividade, personagens novos interessantes e uma desenvoltura tão bem encontrada para não ficar tão moldado com o jogo, virando mais um filme realmente que rimos do começo ao fim com cada bobagem tão bem amarrada que não tem como não gostar muito mais da continuação do que o original, ou seja, souberam pegar a trama completa do jogo e transformar em algo melhor ainda do que vimos no anterior, ligando músicas que estão na moda, traquejos bem colocados com cada um dos personagens e fazendo com que tudo fluísse melhor com uma história melhor, e dessa forma a risada é garantida do começo ao fim. Claro que o primeiro filme foi algo surpreendente, pois fazer um filme em cima de um jogo de celular que praticamente não tem história alguma foi algo brilhante, e que quando vi acabei dando uma nota até maior do que o filme valeu depois que revi, mas ainda assim volto a frisar que o conjunto dos dois faz total sentido e diverte todas as idades.

A continuação nos mostra que Red e seus amigos dedicam a vida a proteger a Ilha dos Pássaros dos constantes ataques vindos da Ilha dos Porcos. Entretanto, quanto uma terceira ilha surge e começa a atacá-los, Leonardo, o rei dos porcos, decide procurar seu arquinimigo em busca de uma trégua para que, juntos, possam enfrentar a ameaça em comum.

O mais engraçado é vermos que a continuação não manteve praticamente ninguém do original seja em roteiro ou direção, de forma que praticamente apenas pegaram a ideia do primeiro filme e entregaram em novas mãos para que tudo fosse reestudado e criado de novo, e isso foi um bom acerto, pois Thurop Van Orman, que tem um histórico interessante na televisão, pegou a essência dos novos jogos, juntou com a sintonia que o primeiro filme teve e jogou com personagens que foram pouco aproveitados no anterior para que junto dos protagonistas destacasse a trama inteira (como foi o caso do Mega Águia), e assim juntando com o carisma dos filhotes (que hoje já possuem um jogo para chamar de só seu) com as invenções malucas dos porcos, e toda a maluquice de Bomba, Red e Chuck acabaram encontrando muito para entregar para o público como encontros românticos, criações inventivas, e ainda tiveram espaço para falar coisas técnicas de engenharia e física, ou seja, abrangeram tantas coisas que o resultado empolgou bastante para fazer todos rirem do começo ao fim.

Sobre os personagens é fato que o carisma conta demais aqui, e todos os personagens entregaram tantas boas personalidades, tanta desenvoltura, que chega a ser difícil focar em apenas um, de modo que os protagonistas Red, Chuck e Bomba voltam com a personificação completa da mesma forma que vimos no primeiro filme, brincando bastante com sacadas próprias e com as mesmas dublagens acertaram em cheio. Depois tivemos os fofos filhotes que aparecem bastante na trama com a busca pelos ovos e foram muito sagazes com tudo o que fizeram. Pelo outro lado tivemos o porco Leonardo e sua assistente brincando com as invenções e claro tirando muita onda para divertir sem pensar. Além desses na equipe dos "bonzinhos" ainda tivemos Mega Águia não muito efetivo, mas funcionando bem no final, e claro no seu flashback incrível. E para agraciar tudo tivemos uma vilã com planos turísticos perfeitos, e claro com seu mote muito bem preparado, afinal viver sempre num lugar com tudo congelado é difícil demais, de forma que Zeta e todas suas águias entregam muita personalidade, tecnologia, frases complexas, mas muita fofura também, ou seja, um time completo.

No contexto visual o longa assim como o jogo é muito colorido, possui algumas texturas bem interessantes, e facilmente empolga para chamar a atenção em cada detalhe colocado, de modo que o filme foi até anunciado em 3D, mas acabou não vindo para nenhuma rede com a tecnologia, então é fácil notar os momentos no filme que teriam usado com ângulos e elementos mais chamativos, agora só não sabemos o porquê de não ter sido lançado assim. As grandes sacadas visuais se encontram em detalhar os aspectos de cada ilha com seus devidos apetrechos, de modo que vemos faculdades nos pássaros, muita engenharia técnica na dos porcos, e o nível altíssimo de personagens criativos e malucos na ilha das águias, ou seja, tudo muito bem colocado com cores fortes e chamativas para que o olho siga completamente aonde desejavam nos mostrar algo.

Costumo dizer que uma boa animação tem de ter uma trilha sonora sensacional para acompanhar, e aqui é uma canção melhor que a outra, usando tantas canções conhecidas em versões ótimas que não tem como não compartilhar o link. E além das cantadas, temos ótimas composições do brasileiro Heitor Pereira para segurar a trilha orquestrada do começo ao fim que você também confere aqui.

Enfim, uma ótima animação, que diverte bastante, tem maluquices para todos os gostos, e certamente vai agradar quem for disposto a curtir tudo. Sendo assim recomendo ele com certeza para os pequeninos, para os maiores, e até para aqueles velhos ranzinzas que assim como o protagonista Red merecem um momento de descontração na sala do cinema. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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