Retrospectiva 2023

12/30/2023 01:41:00 PM |

E lá se foi mais um ano meus amigos! Daqueles que posso dizer que em 2023 fui muito surpreendido sentado tanto na poltrona dos cinemas quanto em minha casa, conferindo filmes que me deixaram feliz, tenso, irritado e claro também emocionado, afinal nenhum diretor faz algo sem pensar no principal retorno que é causar algum sentimento na pessoa que está do outro lado, mas claro que também por vezes isso dá errado e não chega da mesma forma para todos, e isso é o que tentei repassar para vocês durante todo o ano, mostrando o que de melhor e de pior chegava em algum lugar para que todos conferissem também (ou fugisse em alguns casos)!

E assim bati todos os meus recordes anteriores nesse ano incrível, aonde consegui conferir 409 filmes, sendo claro a maioria ainda no cinema (183 conferidos nas salas escuras e se contar as cabines de imprensa chego em 250), mas também passeei pelas várias plataformas de streaming (ficando mais na Netflix com 68 longas e na Amazon Prime Video com 50 filmes), mas mais do que quantidade, diria que nesse ano a qualidade superou muitas barreiras, já que com uma média maior que 7,04 no geral, acabei dando notas máximas para 18 filmes os quais vou citar abaixo dando um melhor destaque para eles e apenas 92 filmes ficaram abaixo da média no ano e 44 foram em cima da média, ou seja, tive muito mais prazeres conferindo tudo do que ficando bravo e/ou decepcionado com o que vi nas telas. Então vamos aos 18 longas que dei nota 10, todos com link para conferir o texto completo:

- As Bestas: sem dúvida um dos melhores, senão o melhor filme desse ano, que vi no Festival Varilux, e que estreia nos cinemas nacionais em circuito comercial no dia 25/01, mas como é um filme franco-espanhol de 2022 é uma pena que não irá concorrer à muitos prêmios ainda, porém levou tudo do Goya e do Cesar (óscares espanhol e francês respectivamente), sendo um tremendo filmaço tenso que arrepia só de lembrar tudo o que ocorre!

- Assassinos da Lua das Flores: provavelmente deva ser o ganhador de muitos prêmios, pois mesmo sendo cansativo, é o principal nome na corrida das premiações pelo motivo óbvio da greve dos roteiristas e atores, já que do contrário terão de premiar muitos filmes dos streamings e/ou fora do circuito americano, mas tirando esse detalhe ainda assim é um tremendo filmaço artístico que vale o que entrega, logo menos estará na AppleTV+ para todos conferirem.

- Maestro: embora seja um filme muito criticado pela maquiagem e pela condução de Ben Affleck, eu acabei muito envolvido com o estilo do longa, de forma que coloquei ele sem dúvida entre os meus melhores, e acredito potencialmente na briga pelos prêmios do ano. Pode ser conferido na Netflix.

- O Pior Vizinho do Mundo: sei que esse já concorreu no ano passado nas premiações e só chegou aqui no começo do ano, mas só de lembrar o quanto o filme se parece comigo meus olhos já se emocionam, então com certeza estará sempre entre os meus melhores da vida. Já pode ser conferido na HBOMax.

- O Último Ônibus: é outro filme que me fez ir às lágrimas pelos atos finais, sendo algo tão bonito e gostoso de ver que não tem como não ficar entre os melhores. Acabou de sair dos cinemas alternativos nas últimas semanas e ainda não tem data para aparecer nos streamings.

- O Lugar da Esperança: um filme tão marcante, cheio de gatilhos para muitas mulheres, com um ar de revolta e emoção tão bem colocado certamente vale o encaixe. Por incrível que pareça viria em um Festival na cidade, mas sua cópia deu problema e acabou não passando, mas agora já pode ser visto na Netflix.

- A Era de Ouro: esse é daqueles filmes que me marcaram pela imposição criativa, mas que tanta gente odiou que fiquei até pensando se eu revisse ele se daria a mesma nota, mas é um filme tão incrível que mostra como um produtor se deu muito bem que vale ver demais. Já está para locação nas várias plataformas, mas logo mais deve ficar dentro do plano comum da Amazon.

- Memórias de Paris: outro filme incrível do Festival Varilux desse ano, que mesmo sendo simples e totalmente puxado com coisas que sabemos como vai acontecer desde o primeiro momento, acabamos caindo igual patinhos com tudo ao final nos emocionando com a história da velhinha. Esse é um dos motivos que sempre falo para não perderem nenhum filme dos Festivais que aparecem na cidade, pois ainda não tem data nem de estreia nos cinemas nacionais, quanto mais nas plataformas de streaming.

- Disfarce Divino: mais um do Varilux que não temos nem data de aparecer oficialmente pelo país, então quem foi no Festival viu, quem não foi talvez algum dia veja, e como sou meio anti-religião (tenho muita fé, e quem quiser saber mais tenho até um documentário dirigido por mim no portfólio aqui em cima para conhecer mais) gostei demais da abordagem intensa bem dirigida e marcante em cima da trama, valendo estar entre os melhores.

- Nyad: quem não se emocionar com todo o esforço da nadadora aqui brilhantemente interpretado por uma das melhores atrizes já morreu por dentro, e todo o sufoco com tudo rolando acaba sendo incrível de ver, de tal forma que adoraria ver a atriz principal entre as indicadas do ano. Pode ser conferido na Netflix.

- Wonka: embora muitos vão reclamar de ser um filme musical, justamente isso me fez se apaixonar por toda a entrega cantada pelos protagonistas, então vale como uma experiência visual incrível, e tudo tem muito sentido que agrada ver. Ainda está nos cinemas de todo o país.

- Guardiões da Galáxia - Volume 3: colocaria ele como uma categoria à parte de minha premiação, sendo um dos melhores filmes de heróis já feitos (na minha humilde opinião), com uma pegada realmente de fechamento da franquia, de despedida de personagens e de diretor, e que claro emociona e entregou tudo o que esperávamos ver na tela com ele. Já pode ser conferido dentro da Disney+.

- John Wick 4 - Baba Yaga: outro que está aqui pelo ótimo encerramento da franquia, com muita disposição do protagonista, e cenas de ação de um nível que não tem como não aplaudir, só quase arranquei ele da lista por estarem falando que talvez façam um quinto filme, mas como sou produtor também, sei que o dinheiro fala mais alto. Já pode ser conferido na Amazon Prime Video.

- Império da Luz: um dos filmes mais belos para os amantes de cinema espaço físico como ambiente máximo desse ano, que concorreu às premiações no começo do ano, e estreou aqui bem depois, mas entregando algo tão luxuoso e envolvente que se faz valer ver a qualquer momento. Está disponível para ser conferido na Star+.

- Obrigado Rapazes: mais um filme que surgiu por aqui dentro do Festival Italiano online, que me emocionou e envolveu demais, tendo estilo e muita pegada, além de mostrar bem todo o conceito social da ideia, que depois descobri que já existiam várias outras adaptações dele em outros países, mas como só vi o italiano, ainda fico com ele. Também não tem nem data de aparecer por aqui nos cinemas nem nos streamings.

- Gran Turismo: De Jogador a Corredor: esse eu colocaria numa categoria técnica de filme esportivo/videogame que me empolgou demais, primeiro pois sempre fui muito fã de simuladores de jogos, e segundo pela forma brilhante que conseguiram colocar tudo na tela, então vale muito a conferida. Também já está para locação dentro das plataformas de streaming.

- O Sequestro do Voo 375: e chegamos nos melhores filmes nacionais do ano, que claro coloco à frente de muitos outros da lista que pus acima, sendo algo tão marcante que facilmente ganharia muitos prêmios lá fora, mas que nossos indicadores não sabem colocar coisa que chame realmente atenção para concorrer, então é uma pena, mas vale demais a conferida pela retratação de época e pela tensão de um bom filme desse estilo. Ainda está passando em alguns cinemas, mas acredito que logo chegue na Star+, já que é co-produzido por eles.

- Mussum - O Filmis: outro tremendo filmaço que merece ganhar todos os prêmios possíveis como já levou em Gramado nesse ano, mostrando como esse monstro da música e da comédia saiu da simplicidade e chegou à sua glória, sendo amado por todos. Também já está para locação online.

E não dei nota máxima, mas merecem menção honrosa, e que talvez ainda levem alguns prêmios: "Barbie", "Oppenheimer", "Tetris", "Super Mario Bros. - O Filme" e claro minha paixão que muitos são contra, mas que voltou com tudo: "Jogos Mortais X".

E apenas para constar, os cinco piores filmes do ano: "Ninguém Precisa Acreditar em Mim", "Stand Up - Minha Vida é Uma Piada", "Estado de Emergência", "O Nascimento do Mal" e "13 Exorcismos", que facilmente poderiam nem ter existido.

E é isso meus amigos, dessa vez fiz um texto bem grande de retrospectiva, mas quis justificar as notas 10 que dei, então desejo para todos uma virada de ano sensacional, e que claro eu ainda consiga continuar por mais um ano nessa minha maratona maluca de ver o máximo que conseguir de filmes para indicar para vocês.

Boas festas, e um 2024 cinematográfico para todos!

Fernando Coelho
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O Senhor do Caos (Lord Of Misrule)

12/30/2023 02:16:00 AM |

Costumo dizer que um dos estilos de terror que mais me irritam é o famoso que se desenvolve com conceitos abstratos de seitas e não entrega suas dinâmicas de uma maneira que consiga demonstrar na tela tudo o que quer passar, ficando com tudo muito estranho e por vezes místico demais, e posso dizer que a ideia de "O Senhor do Caos" tinha tudo para seguir dessa forma e até cansar mais do que agradar, porém diferente do que outros longas do estilo, aqui o diretor quis trabalhar com tudo de uma forma bem aberta e interessante, sem que as coisas deixassem o espectador esperando acontecer, mas também não sendo algo totalmente gratuito. Ou seja, o longa permeia muitas situações e causa um certo ar estranho num primeiro momento, mas conforme vai entregando tudo o resultado acaba sendo chamativo e funciona bastante, de tal maneira que claro você precisará deixar crenças de lado e entrar no clima de seitas pagãs e dinâmicas mais antigas, mas o resultado acaba sendo bem marcante e agrada bastante ao final.

O longa nos conta que Rebecca Holland assume o comando da igreja de um pequeno vilarejo inglês e, durante um festejo local, sua filha desaparece. Enquanto os moradores e a polícia se unem para encontrar a menina, segredos sombrios do vilarejo surgem colocando Rebecca em um empasse ao ter que decidir o quanto está disposta a sacrificar para salvar a filha de um tenebroso destino.

Antes da minha sessão começar trocando umas figurinhas com um amigo que tinha acabado de ver o filme, ele fez uma ótima comparação entre o que tinha visto com "Midsommar - O Mal Não Espera a Noite", e embora seja um filme que dei até uma ótima nota, não é dos meus favoritos do gênero, principalmente por ser exageradamente abstrato, então entrei na sessão já pronto para talvez jogar algumas pedras no diretor William Brent Bell, mas felizmente isso não foi necessário, pois ele pegou o roteiro de Tom de Ville e simplesmente brincou na tela, não querendo deixar nada abstrato e simbólico para altas filosofias, mas sim uma vila que sempre teve grandes colheitas adorando um ser, evitando todo o ato religioso cristão, e quando uma reverenda assume a comunidade acabam pegando a filha dela como oferenda para o ser, simples, básico, direto, e aí entra toda a abertura de crenças, como uma serva absoluta de Deus entenderá tudo e todos que pareciam ultra-amistosos mudarem de vértice, e tudo mais, que vai com toda certeza chamar muita atenção e resultará em algo estranho, mas brilhante de ver.

Quanto das atuações, diria que Tuppence Middleton trabalhou bem sua Rebecca, criando uma personalidade inicialmente calma e tranquila, mas que depois se desespera e quase entra numa rotina inquieta e direta para achar ela, de tal forma que trouxe trejeitos imponentes do começo ao fim, e soube se manter como protagonista mesmo nos atos em que outros puxavam o ar para si, e isso em um filme do gênero é primordial para agradar. Outro que deu um tom bem marcante foi Ralph Ineson com seu Jocelyn, trabalhando bem tanto os atos mais densos aonde precisou se expressar por completo, quanto nos atos incorporado com sua máscara, tendo praticamente duas personalidades fortes e instigantes de ver. Ainda tivemos atos bem colocados de Matt Stokoe com seu Henry meio apático demais, mas que estava bem presente em quase todos os atos, e também o estilo das garotinhas Evie Templeton com sua Grace e Alexa Goodall com sua Bryony, mas sem dúvida entre os secundários, os atos da velhinha Ida que Jane Wood entregou praticamente incorporada, com risadas tensas e trejeitos fortes fez valer demais o destaque para ela.

Visualmente a trama tem uma boa intensidade cênica, com uma vila sendo marcada por vários atos na casa da protagonista, uma celebração da festa em um bosque, alguns atos em um bar, e uma igreja bem simples, tendo vários elos cênicos com os adereços feitos de cabelo, ovos galados com muito sangue, máscaras e tudo sendo bem sujo na tela para dar uma impressão mais forte, além disso muitas cenas escuras apenas iluminadas por tochas ou fogueiras, o que deu um realce bem interessante de ver, pois não ficou com algo que não fosse possível de enxergar, e principalmente não é um longa de sustos gratuitos, então tudo tem seu devido uso.

Enfim, é um filme intenso e marcante, que muitos talvez não entrem por completo no clima que a trama passa e acabarão não curtindo toda a ideia, e claro mesmo tendo algumas poucas cenas fortes não chega a ser daqueles terrores que chocam, então vale a conferida para quem curte o estilo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com minha retrospectiva do ano, então abraços e volto em breve, ou melhor, no ano que vem com mais dicas de filmes!


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Mamonas Assassinas - O Filme

12/29/2023 12:17:00 AM |

Diria que o mercado cinematográfico nacional finalmente enxergou que um bom caminho a seguir para se manter bem ativo é recorrer aos longas biográficos para conseguir chamar o público fã e também reviver emoções, e sem dúvida um dos longas mais esperados já há um bom tempo era "Mamonas Assassinas - O Filme", principalmente por ter sido uma banda com uma carreira bem curta de apenas 8 meses, mas que explodiu gigantescamente com seus sucessos, e claro que até hoje ainda vemos muitas de suas músicas sendo tocadas emocionando a todos após o trágico acidente que levou todos à óbito. E a ideia do longa foi bem trabalhada criando todas as nuances em cima de como os rapazes se conheceram, como foi formada a banda inicialmente chamada Utopia tocando um rock mais intenso, e que depois usando canções cômicas acabou estourando, e claro que o principal ponto positivo do longa ficou na caracterização dos atores para viver os integrantes da banda, de tal forma que chega a arrepiar em alguns momentos como todos ficaram tão parecidos visualmente, tendo claro uma boa diferença na voz do vocalista Dinho, mas que foram bem espertos em regravar as canções que aparecem no filme com a voz de Ruy Brissac, e assim ornou melhor tudo. Diria que o filme traz todo um sentimento emocional forte por tudo o que vivemos na forma irônica que a banda entregava, mas que embora seja um filme bem representativo acabou sendo corrido e picotado demais, afinal não sobrou nenhum dos integrantes para mostrar como tudo realmente aconteceu, mas que funciona e certamente irá divertir e envolver demais todos os fãs que forem conferir.

A sinopse nos mostra que estamos em Guarulhos na década de 90. Dinho, Sérgio, Samuel, Julio e Bento são garotos típicos da época com pouco dinheiro e muitos sonhos. Eles nem imaginam que o humor debochado e inteligente, tão característico do grupo de amigos, irá mudar suas vidas para sempre. De algumas tentativas fracassadas ao sucesso absoluto, em pouco tempo, eles se tornaram o maior fenômeno musical brasileiro da década: os Mamonas Assassinas.

Como o diretor Edson Spinello é muito mais conhecido como um diretor de novelas, acredito que ele filmou coisas demais e depois ficou desesperado com o tempo que tinha que colocar na tela imposto pela produção, pois é nítido que a edição é muito corrida em cima do roteiro de Carlos Lombardi que também é um dos principais escritores de novelas do país, então já sabendo que o longa também será exibido como série no ano que vem, acredito que se dimensionarem melhor tudo na tela o resultado acabará sendo muito mais satisfatório, mas longe de estar falando que o filme ficou ruim, muito pelo contrário, o sentimento de emoção passado na tela é incrível, fará com que você cante todas as canções junto dos personagens e se divirta bastante com tudo o que acontece, mas ficou parecendo muito pouco o que foi mostrado, e muito claro o tanto de material gravado, pois temos muitos recortes e dinâmicas que se fundiram durante as canções, formatações rápidas demais das composições e tudo mais, que acaba refletindo um pouco de peso de tela. Porém essa dinâmica escolhida na montagem fez também que o longa fosse bem explosivo, direto e cheio de nuances que acabam sendo marcantes, e assim sendo faz valer o estilo escolhido.

Quanto das atuações posso dizer que é algo incrível ver todos os atores muito semelhantes aos verdadeiros integrantes da banda, de tal forma que Ruy Brissac praticamente é o Dinho incorporado na tela, com sua irreverência, seu estilão solto e principalmente os trejeitos bem encaixados, afinal já tinha feito o papel em 2016 no teatro, o que lhe garantiu algumas premiações, e aqui deu seu nome com uma personificação marcante e bem chamativa. Rhener Freitas também deu um estilo bem marcante para seu Sérgio, fazendo todo um ar mais sério e de galanteio, mas também brincando bastante com toda a estrutura da trama, sendo bem colocado na tela. Beto Hinoto não chegou a conhecer seu tio Bento, já que nasceu em 98 e a banda morreu em 96, mas ficou tão parecido que chega a assustar a semelhança visual e até mesmo da personalidade mais fechada, e acabou agradando demais também com seus atos. Adriano Tunes colocou uma personalidade tão descontraída para seu Samuel, que consegue brilhar com o sonho na tela, sempre com um olhar brilhante e chamativo. Robson Lima também deu uma boa vivência para seu Julio, empolgando nas danças e nas colocações, chamando muito para si também. Ainda tivemos atos bem trabalhados de Fefe Schneider e Isa Prezoto com suas Adriana e Grace, respectivas namoradas de Dinho e Sérgio, mas quem teve muito destaque e também ficou muito parecido com o produtor da banda foi Ton Prado com seu Enrico Costa (aliás não sei o motivo que não colocaram o nome verdadeiro do produtor da banda, provavelmente por não ter cedido os direitos, mas todo mundo saberá quando ver na tela!).

Quanto do visual a trama mostrou bem vários shows da banda, os ensaios e gravações dentro do estúdio aonde saíram praticamente todas as músicas como brincadeiras entre as sessões, os diversos figurinos famosos, os "showmícios" do início da carreira, e tudo com muita irreverência em cima dos palcos e claro ares mais sérios junto dos familiares em suas casas, de tal forma que toda a trama nos transporta bem para o ano de 96, e em síntese funciona como algo bem saudosista e interessante de ver.

Enfim, é um filme bem produzido, que vai matar a saudade que muitos estavam de ver o grupo irreverente se jogando na telona, aonde poderiam ter ido mais além em algo menos acelerado, mas que funcionou bastante dentro da proposta, afinal aqui só tiveram como pesquisa tudo o que fizeram e a família da banda, então fica mais difícil desenvolver algo que teve tão pouco tempo de desenvolvimento, então recomendo ele mais para os fãs se envolverem com todo o saudosismo, em pensar como estariam hoje se não tivessem ido embora tão cedo, e quem sabe a série completa funcione ainda mais, então fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Minha Irmã e Eu

12/27/2023 12:24:00 AM |

Costumo dizer que se uma sala com um bom público ri em diversos momentos de um filme classificado como comédia significa que o diretor/roteirista acertou nas piadas, mas se o público se diverte por inteiro significa que os atores conseguiram pegar toda a ideia do roteiro e segurar a onda por completo, de tal forma que mesmo que não saiam com dor no maxilar de tanto rir, a trama acaba funcionando e sendo bem desenvolvida para que as pessoas indiquem e gostem do que viram. E hoje com "Minha Irmã e Eu" colocaria a trama como um exemplo desse segundo tipo, pois não é daquelas comédias que você vai se mijar de tanto rir, tendo bons momentos bem encaixados que divertem bastante, e uma história comovente de fechamento bem trabalhada durante toda a execução, mas que a química entre as protagonistas é tão grande, que mesmo sem ver os erros de filmagens durante os créditos é notável que elas estavam se divertindo e não conseguindo parar de rir para gravar tudo de uma forma séria, e assim sendo o longa acaba sendo gostoso e bem trabalhado, que poderia até ter ido um pouco mais além se apelasse mais, mas com certeza essa não era a ideia, então digo que funcionou bem dentro da proposta.

O longa nos conta que as irmãs Mirian e Mirelly nasceram em Rio Verde, no interior de Goiás. Elas não realizaram o sonho da mãe, Dona Márcia (Arlete Salles), de se tornarem uma dupla sertaneja e, além de terem seguido caminhos opostos, vivem em pé de guerra. Mirian se casou e nunca saiu de sua cidade, acostumada à rotina do interior. Já Mirelly partiu para o Rio de Janeiro e sem demonstrar pra família, passa todo o tipo de perrengue. Mas quando Dona Márcia desaparece, elas têm que deixar de lado as diferenças e se unir para procurá-la, numa viagem que pode mudar suas vidas.

Já conhecemos bem o estilo da diretora Susana Garcia, afinal entregava sempre ótimas tramas com um dos principais nomes do humor nacional que infelizmente já não está mais entre nós que foi Paulo Gustavo, e ela teve sua volta com um filme natalino também nesse ano (o qual ainda não vi para dar um parecer, mas que muitos já elogiaram) e aqui ela entrega novamente sua base cômica com uma pegada leve e descontraída, mas que diverte com boas sacadas e trabalha em segundo plano toda a conexão e briga que existem entre irmãos, de tal maneira que seu filme acaba sendo simples como um todo, parecendo faltar aquele elo mais explosivo tradicional que a diretora tinha com Paulo, mas que Tatá tentou suprir do seu jeito acelerado, e assim junto de Ingrid conseguiram cadenciar tudo com uma experiência bem trabalhada que acaba funcionando pela proposta em si. Ou seja, quem for esperando rachar de tanto rir talvez irá reclamar um pouco, mas quem for mais calmo querendo ver uma comédia com uma pegada mais familiar de fechamento acabará gostando do trio que se formou entre as protagonistas e a diretora/roteirista.

Quanto das atuações, foi bem engraçado ver os contrapontos entre a dupla que deram tanta química na tela, pois Tatá Werneck tem uma pegada mais explosiva bem ao seu estilão que conhecemos, não se preocupando tanto com uma atuação mais certinha, mas sim se jogando para tudo, o que por vezes parece uma displicência e que muitos até podem reclamar de sua Mirelly, mas que funciona dentro da proposta. Já Ingrid Guimarães mostra sua experiência tanto dramática quanto cômica para pegar trejeitos, sotaques e dinâmicas de alguém bem tradicionalista do interior, jogando charme nas nuances e brincando com os momentos mais cômicos para que o filme fluísse bem com sua Mirian, de tal maneira que nos atos que precisa segurar mais a irmã consegue e nos que tem de se jogar se libera para entrar na brincadeira toda, ou seja, se complementaram. Ainda tivemos alguns atos mais emocionais de fechamento com Arlete Salles bem colocada com sua Márcia, mas sem dúvida entre os secundários boa parte recaiu para Leandro Lima como um Cowboy sedutor e Marcio Vito com seu Jayme mais fechado como um marido tradicional, ou seja, apenas deram as conexões para serem usados nas piadas, e deixaram com que as protagonistas fluíssem sozinhas, tendo ainda participações de Iza, Lázaro Ramos e Taís Araújo representando eles mesmos.

Visualmente a trama mostra um pouco das casas de alguns artistas, aonde uma das protagonistas usa como fachada para suas fotos já que trabalha de cuidadora dos animais deles, com tudo bem sacado e bem utilizado, mudando depois de ares para um clima mais ruralizado dos shows sertanejos, da cultura tradicional goiana, com bares mais puxados para o lado country/sertanejo, hotéis simples, e claro alguns gostos por festas grandiosas, porém menos requintadas, e tudo isso bem colocado no estilo de um road-movie mais singelo, ou seja, a equipe de arte não quis dar grandes explosões, e de forma bem contida conseguiu o que precisava para funcionar.

Enfim, está longe de ser um filme que me fez gargalhar como espero sempre de toda comédia, mas que me divertiu dentro das quase duas horas de projeção, de maneira que é agradável, apela aonde precisava apelar e assim não falha com o público que gosta desse estilo de comédia, então fica a recomendação de conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Rebel Moon - Parte 1: A Menina do Fogo (Rebel Moon - Part One: A Child of Fire)

12/26/2023 01:32:00 AM |

Ao mesmo tempo que sou um nato reclamador de séries, gosto muito de franquias cinematográficas com muitos filmes, mas desde que ocorra o princípio básico de que todo filme tenha seu começo, meio e final bem determinado, apenas deixando a abertura para uma continuação breve. E eis que o "visionário", como gosta de ser chamado, Zack Snyder, sempre sonhou em ter um Star Wars para ser chamado de seu, antigamente como um possível diretor de algum dos capítulos, mas como almejou algo a mais, eis que resolveu começar uma franquia com a mesma pegada do zero para ser completamente chamada de sua, e não apenas um filme, e conseguindo que a gigante do streaming Netflix caísse na sua graça, chegou a hora do primeiro capítulo decolar e no sentido de ser algo grandioso começou muito bem, pois é um filme imponente, cheio de batalhas intensas de ação, toda uma desenvoltura bem pegada, e um visual computacional brilhante, que tenho apenas uma grande reclamação, que é de o longa ter ficado tão computacional que acabou parecendo mais um jogo de videogame em determinados momentos, mas como isso é algo bem comum em tramas espaciais, diria que a desenvoltura em geral acabou compensando, sendo algo interessante de acompanhar e vivenciar na tela, que talvez daqui muitos anos acabe virando um clássico cult como é a outra franquia estelar, mas para isso vamos ver se vai continuar conquistando mais com explosões do que colocando logo de cara muitos personagens que acabam deixando o público meio perdido com quem é quem!

A sinopse nos conta que uma colônia pacífica à beira da galáxia é ameaçada pelos exércitos de um regente tirânico chamado Balisarius. A misteriosa Kora passa a ser a única esperança de sobrevivência. Desesperados, os colonos enviam a jovem com um passado conturbado para procurar guerreiros de planetas vizinhos e ajudá-los a resistir. Kora reúne um pequeno bando de insurgentes, deslocados, camponeses e órfãos de guerra de vários mundos que têm dois objetivos em comum: redenção e vingança. Enquanto a sombra do reino avança sobre a lua mais improvável de todas, começa a batalha pelo destino de uma galáxia, que depende deste novo exército de heróis improváveis.

Todos sabemos o quanto o diretor e roteirista Zack Snyder é maluco, gosta de coisas grandiosas, e tem como base muitas histórias com muitos personagens, e claro as famosas cenas em slow-motion, então se você for ver qualquer filme dele sem esperar tudo isso, não necessariamente nessa ordem, vai acabar se decepcionando, já do contrário acabará bem feliz, e o longa aqui tem tudo isso e muito mais, mostrando que ele quis algo gigantesco muito mais do que apenas 1, 2, 3 longas, mas sim uma franquia que facilmente não acabará tão cedo, mas que ao menos já conta com duas partes filmadas, uma lançada agora e a outra dia 19 de Abril de 2024, então o que ele trabalhou aqui foi algo que marcasse o público, que conhecesse os ambientes, e claro os principais personagens, tendo idas e vindas bem explicativas, destruições planetárias e toda uma conexão clara com a franquia que o inspirou, afinal é notável pontos e detalhes clássicos que veríamos em qualquer episódio de "Star Wars", só que aqui voltado mais para algo com uma síntese menos introspectiva com referências que apenas eram jogadas e cada um tirava sua conclusão, o que também mostra muito o estilo de Snyder, afinal ele sabe que o público atual não deseja pensar tanto, então que nos dê a diversão fácil, e assim o resultado flui. Claro que como disse no começo ficou tudo um pouco artificial e maluco demais, mas tem estilo e certamente nos próximos capítulos sem precisar apresentar tantos personagens, irá deslanchar de uma forma melhor, então é aguardar e ver no que irá dar!

Quanto das atuações, diria que Sofia Boutella até caiu bem para a personalidade de sua Kora, mas talvez deveria entregar algo mais explosivo para sua personagem como acabou acontecendo na cena de luta, pois vemos as cenas de seu passado como um soldado imponente, vemos depois no final uma luta insana, mas vemos ela num miolo tão tranquila de paz que mesmo estando atrás de guerreiros passa um lado calmo e sereno demais, o que não condiz com tudo, então como protagonista acredito que ela precisaria se impor mais, e vou torcer para que no segundo filme, agora que já explodiu realmente se coloque na frente de tudo. Confesso que achei que logo após a cena que dá tudo errado na vila com seu personagem Gunnar, acreditava que Michiel Huisman fosse ficar apagadíssimo e sumiria de cena, mas não, ele acaba se desenvolvendo mais em outros atos e entregando dois momentos bem marcantes para apenas um agricultor, ou seja, caiu bem no papel e entregou muito em cena. O vilão Atticus Noble que deram para Ed Skrein é imponente, cheio de explosão, e trabalhou de uma forma tão marcante que acaba irritando o público como um bom vilão deve fazer, agora é ver como ele voltará para o segundo capítulo, pois vai querer muita vingança, e já mostrou que sabe incomodar. Ainda tivemos cenas bem imponentes de Charlie Hunnam com seu Kai cheio de atos duplos, Staz Nair com seu Tarak voando com um bichão quase "Como Treinar Seu Dragão", Bae Dona toda imponente com as espadas de sua Nemesis, e até Djimon Hounson cheio de traquejos com seu Titus, mas entre os secundários que mesmo pouco usado chamou atenção foi a voz de Anthony Hopkins com seu robô Jimmy, então veremos como vai rolar com ele depois.

Visualmente o longa é incrível de detalhes, mostrando vários planetas e suas peculiaridades, mostrando agricultura, minério, e muitos outros diferentes, tendo personagens esquisitos e muitos humanoides, alguns robôs, e claro muitas naves, de tal forma que como disse ficou parecendo algo meio com cara de jogo de videogame, mas que mostrou muita técnica e desenvoltura nas batalhas, muitas explosões, tiros e tudo mais, de forma que talvez a imagem tenha ficado assim pelo 4K ser mais robusto e ter melhorado demais tudo, mas que chama a atenção, isso chama bastante.

Enfim, é uma franquia que terá muitos percalços pela frente, afinal apenas começou agora, mas que acredito muito no potencial, afinal o diretor mesmo sendo completamente maluco, não rasga dinheiro com facilidade, e a proposta é algo bem diferente mesmo que com uma referência clara em outra franquia de sucesso, então é esperar ver o que vai acontecer pela frente, mas já adianto que particularmente mesmo não me apaixonando pelo que vi, acabei gostando bastante e acredito que muitos também irão entrar por completo na ideia, então fica a dica, e eu fico por aqui deixando meus abraços para todos.


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Os Três Mosqueteiros: Milady (Les trois mousquetaires: Milady) (The Three Musketeers - Part II: Milady)

12/23/2023 07:31:00 PM |

Tenho uma ideia peculiar que todo segundo filme de algo pensado como uma trilogia acaba se arrastando para não explodir tudo na tela de uma vez, de tal forma que o resultado da segunda parte de "Os Três Mosqueteiros - Milady" até trabalha bem toda a intensidade dramática que foi começada em março, mas não atinge grandes ápices como aconteceu com o primeiro filme, trabalhando agora a batalha mais efetivamente com grandes nuances e claro com muita personalidade entre os dois protagonistas. Ou seja, continuo afirmando que essa versão completa é muito mais imponente que todas as demais já feitas, seguindo muito mais o livro original, e claro com todo o estilo que as obras francesas sabem entregar, de tal forma que o filme tem classe, não corre para ser marcante, e consegue se desenvolver bem, mas finaliza deixando aberto para uma continuação, então veremos o que rola, pois esses dois foram filmados juntos, enquanto o próximo ainda deverá ser filmado para sabermos o que vai acontecer.

No filme, D’Artagnan é forçado a se aliar à misteriosa Milady após Constance ser sequestrada bem diante de seus olhos, sem ser capaz de fazer nada para impedir. Junto a Athos, Porthos e Aramis, o jovem mosqueteiro enfrentará alguns segredos obscuros que podem balançar velhas alianças e desencadear uma grande guerra.

Diria que o diretor Martin Bourboulon trabalhou tão bem com "Os Três Mosqueteiros: D'Artagnan", usando bem toda a ideia do livro clássico de Alexandre Dumas, que fui conferir essa segunda parte esperando até algo a mais, e como sempre digo, esse é um grande problema, pois acaba sendo mais difícil atingir a expectativa criada, mas ele deu um tom aqui mais dramático do que de aventura como foi o primeiro, de modo que sem precisar apresentar os personagens, o desenrolar ficou bem mais pegado entre tudo. Ou seja, ficou claro que como foi filmado junto as duas partes, aqui ele usou para segurar a dinâmica, que poderia até ir mais além, mas ao menos não desapontou.

Quanto das atuações, François Civil seguiu bem imponente com seu D'Artagnan desesperado atrás de seu amor, mostrando um estilo que sabemos bem que ele tem, com um ar sedutor e carismático para convencer o público de suas metas, e assim sendo entrega tudo com boas dinâmicas e agrada na tela. Embora o nome do filme leve o subtítulo de sua personagem, Eva Green aparece até que bem pouco com sua Milady, de modo que vemos bem toda a arquitetura de seu plano, vemos bons atos de luta dela, bons trejeitos e intenções, de modo que dava para ela ousar mais, mas não desapontou no que fez. Ainda tivemos atos bem colocados de Lyna Khoudri com sua Constance mais fechados no final, toda uma desenvoltura imponente de Vincent Cassel com seu Athos, e claro todos os gracejos de Pio Marmaï com seu Porthos, tendo ainda Romain Duris com seu Aramis um pouco apagado demais nessa etapa, enquanto Louis Garrel com seu Louis XIII e Vicky Krieps com sua Anne d'Autriche apenas colocaram a cara em poucos momentos, tivemos ainda Jacob Fortune-Lloyd bem colocado com seu Duque de Buckingham, Eric Ruf chamativo com seu Cardeal Richelieu e até mesmo Marc Barbé com seu Capitão Treville apareceram mais como conexões do que com atos chamativos, então diria que o filme ficou bem mais nos protagonistas e deixou os demais em segundo plano.

Visualmente o longa teve muita classe de época, com figurinos, cavalos, armas de fogo e espadas clássicas, vemos castelos chamativos e toda a desenvoltura das forças, de marcações com fogo, e assim sendo a equipe de arte mostrou bem seu serviço.

Enfim, diria que poderiam ter ido bem mais além, sendo apenas o resto de um primeiro filme muito bom, mas funcionou bastante e talvez ao chegar a próxima parte ver tudo por completo, pois o resultado vai agradar com certeza. Então fica a dica para ver tudo por completo, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até breve com mais dicas!!


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Amazon Prime Video - Saltburn

12/23/2023 01:29:00 AM |

Não sei o que eu esperava ver em "Saltburn", mas confesso que fui surpreendido com a forma de fechamento dos atos finais, pois a trama tinha um lado que iria para um rumo bem posicionado, mas acabou indo para outro totalmente inesperado, e com isso chega a ser impressionante de ver, mesmo com os exageros desnecessários da cena de fechamento, que combinou muito com a música, mas não era preciso o protagonista balançando suas partes íntimas. Dito isso, o longa tem uma pegada de mistério e drama bem colocada que vai se desenvolvendo a cada momento com algo ainda mais complexo, de tal forma que o protagonista que inicialmente parecia apenas um jovem apaixonado muda completamente de personalidade durante o decorrer, e mostra um trabalho de atuação bem intenso do protagonista, aonde seus atos e atitudes vão chocando com o fechamento, e a reviravolta completa de tudo é daquelas que marca e chama muita atenção. Ou seja, não digo que seja um filme fácil, não digo que seja um filme para todos, mas que tem um estilo que certamente quem conferir irá gostar mesmo que não chame tanto sua atenção no começo, pois tudo começa a pegar fogo mesmo do miolo para frente.

A trama se passa nos anos 2000 e acompanha o estudante universitário Oliver Quick, que tem dificuldades para se encaixar na Universidade de Oxford. Após conhecer Felix Catton, Oliver é imediatamente atraído pelo mundo aristocrático do jovem - que o convida para passar uma temporada na casa de sua família. Mas o que começa como uma amizade aparentemente inocente logo escalona para uma crescente obsessão.

Depois do estouro que a diretora e roteirista Emerald Fennell teve 3 anos atrás com sua estreia como diretor em "Bela Vingança", todos ficaram bem curiosos como ela se sairia em seu segundo trabalho, e se lá ela foi mais concisa nas ideias, indo direto por um fluxo, aqui ela optou por manipular tanto os personagens quanto o público com toda a desenvoltura do protagonista, de modo que quem tiver lido um pouco mais sobre o filme nem vai se chocar com alguns atos, mas quem for conferir sem saber de nada acabará impactado com alguns momentos mais fortes. Ou seja, já podemos dizer que o estilo da diretora é de boas reviravoltas e de fazer com que o público se apegue ao personagem principal para também odiá-lo com uma certa facilidade, e essa desenvoltura acaba sendo bem elegante de ver na tela, mostrando que vai continuar chamando atenção tanto do público quanto dos votantes de premiações, afinal já começa o ano com algumas boas indicações.

Quanto das atuações, diria que Barry Keoghan cada dia dá um salto maior na sua forma de interpretar, de tal maneira que não se contenta com algo simples de trejeitos, e aqui seu Oliver começa de maneira sutil, parecendo um tímido estudante deslocado, mas vai se entremeando com tudo, vai mudando conforme a trama vai pedindo e quando vemos seus atos finais praticamente já chocados com tudo, vemos ele se jogar por completo e mostrar que desde o ato mais singelo como o do pagamento de bebidas já estava todo marcado pelas fichas de sua mente, ou seja, o personagem era forte, e o ator mais ainda. Não consigo enxergar como o povo se apaixona fácil por Jacob Elordi, pois o ator até tem personalidade e trejeitos sedutores, mas suas atuações são sempre secas e iguais, sem tanta desenvoltura e estilo, de tal forma que seu Felix parece mais um jovem mimado e facilmente influenciável que já vimos em tantos outros filmes e ele nem tenta ir para outros rumos, o que é uma pena, pois tem feito um filme atrás do outro e certamente uma hora vai pegar um papel bem bom que não chamará tanta atenção. Os demais jovens até tem propostas interessantes e chamam atenção, valendo leves destaques para Alison Oliver com sua Venetia também mimada ao extremo, Archie Madekwe com um Farleigh invejoso e cínico, e até Carey Mulligan que no filme de ontem estava esplêndida aqui entregou uma Pamela fútil e estranha de ver, de tal forma que vale mais a experiência dos mais velhos que chamaram tudo para si com Rosamund Pike brilhante com sua Elspeth cheia de traquejos, Richard E. Grant com seu Sir James todo requintado e direto, e até mesmo Paul Rhys conseguiu aparecer bem com seu Duncan estranho e durão, ou seja, um elenco que seguiu bem as ordens da diretora e chamou atenção nos devidos momentos.

No contexto visual o longa inicia mostrando alguns quartos e salas de uma universidade, várias cenas em bares e logo depois já trabalha bem um castelo luxuosíssimo dentro de uma propriedade que serviu reis do passado e tem muitos detalhes em cada ambiente mostrado, trabalharam com festas bem marcantes, figurinos de gala para todos os jantares, enterros tradicionais bem encaixados, e claro muitas elementos e alegorias intencionais para fazer com que cada elo tivesse boas conexões. Ou seja, é um filme aonde as nuances se desenvolvem bem com cada momento, tendo vários destaques e atos chocantes para realmente marcar presença.

Enfim, é um filme que tem uma pegada bem mais artística, mas que muitos irão curtir todo o lado misterioso e intrigante que o protagonista desenvolve na tela, claro que já aviso de antemão que temos algumas cenas com partes íntimas bem a mostra, então se você tem vergonha de que cheguem no seu quarto ou sala e vejam, escolha melhores horários, e volto a dizer que daria para fazer elas completamente de outra forma, mas foi opção da diretora, então fazer o que. Fica a dica para conferida pela ótima atuação e claro por ser um filme que veremos aparecer em muitas premiações, então deem o play. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Maestro

12/22/2023 12:26:00 AM |

Já disse muitas vezes que Bradley Cooper entregava algo exagerado demais para todos os seus papeis, e por vezes isso recaia de não funcionar como deveria realmente, mas esse seu exagero finalmente foi recompensado, pois "Maestro" pedia exatamente esse estilo de atuação, de direção e de produção, de tal forma que sem pensar duas vezes posso elencar como o melhor filme da carreira dele, e acho que será difícil ele conseguir se superar com o que fez aqui, pois a trama tem nuances tão bem encaixadas, atuações brilhantes e orquestradas (em todos os sentidos), uma maquiagem/cabelo perfeitos de tal maneira que se você pegar o filme no meio do caminho sem saber quem é o ator, irá ficar sem saber quem é ele, pois está irreconhecível, fora a emoção e a desenvoltura perfeita que teve uma cadência marcante e cheia de vida. Ou seja, posso estar errado, mas se ele não levar seu Oscar agora não leva nunca mais, seja como ator, diretor ou produtor, pois é de longe o seu filme mais completo e que só não diria que é perfeito por termos algumas cenas exageradamente paradas para dar mais emoção, e isso numa noite pós-trabalho acaba sendo cansativo de ver, mas aí entra algo que não é pensado na venda de um longa-metragem, e falando em venda, mesmo a trama sendo exageradamente artística ela tem um peso comercial tão bem trabalhado que certamente não vai deixar a distribuidora/produtora Netflix triste com o resultado, então pare tudo o que está fazendo e dê o play, que vai valer a pena.

O longa conta a história real da vida e carreira do compositor, músico e pianista Leonard Bernstein, responsável pela composição da trilha sonora de musicais aclamados da Broadway, como West Side Story, Peter Pan e Candice. Natural da cidade de Lawrence, Massachusetts, nos Estados Unidos, Bernstein ocupou o cargo de principal condutor da Orquestra Filarmônica de Nova York durante 18 anos, e se consagrou como um dos músicos mais importantes dos Estados Unidos. A produção também mostra sua complexa relação com a atriz de TV e teatro Felicia Montealegre, que se iniciou quando os dois se conheceram em uma festa, em 1946, passando pelo primeiro noivado do casal - que foi desmanchado - até chegar ao seu casamento de, ao todo, vinte e cinco anos de duração, que trouxe três filhos ao casal.

E como já falei no começo, como diretor Bradley Cooper soube pegar uma história de vida bem trabalhada aonde ele e Josh Singer montaram um belo roteiro, que muitos até podem falar que o olhar da trama foca mais em Felicia do que em Leonard, mas vejo como uma conexão conjunta bem estruturada, aonde vemos a paixão de ambos e claro as desenvolturas de Leonard com seu outro lado, e o melhor, sem ficar forçado, pois não era essa a pegada da trama, então vemos muita emoção nas traições, vemos muita emoção na doença, e principalmente vemos muita emoção sendo passada nos concertos e na forma de ensinar do personagem, pois ele foi belo de sentido em tudo o que passou, não deixou que a emoção fosse apenas uma segurança abstrata por ali, e mais do que isso deixou que o conteúdo artístico não sobrepusesse o comercial também, sendo uma biografia que qualquer um que sequer tenha ouvido uma obra de Bernstein, que não tenha a cultura comum de ouvir uma orquestra, ou principalmente que não tenha flerte com o estilo de vida do compositor conseguisse assistir e se envolver com tudo, e isso sim é cinema para todos como costumo dizer, e mais do que isso, é um longa fácil de ser premiado, pois tem tudo o que os votantes das premiações gosta, então é aguardar e ver o que vai rolar, pois volto a dizer, a trama tem assinatura de mestres do cinema (Scorsese e Spielberg por trás de tudo), então será visto por todos.

Costumo sempre dizer que atuar e dirigir é algo que raramente dá certo, pois uma coisa acaba ficando boa e a outra desanda, mas aqui brilhantemente Bradley Cooper deu tanta personalidade para seu Leonard Bernstein que junto de uma maquiagem incrível (que alguns reclamaram do nariz logo que saíram as primeiras fotos, mas que comparado com a foto original do músico ficou na medida) você ficará procurando cadê o Bradley Cooper que conhecemos, estando irreconhecível o ator, mas sim muito semelhante ao músico, e seus gestuais, seu porte, sua vontade nas cenas, tudo com uma precisão cênica merecedora de olhares e prêmios, ao ponto que chega a surpreender demais em cada ato melhor que o outro, fora a diferença intensa dos atos jovem e depois adulto, ou seja, deu show nas duas funções. E não por menos ficou Carey Mulligan com sua Felicia Montealegre, pois entregou emoção nos olhares e na personificação de uma mulher forte, apaixonada, mas também serena de quem era seu marido, de modo que a atriz trabalhou tanto sua atuação que não tem como não se envolver com ela e se emocionar com seus atos, sendo também um de seus melhores trabalhos. Quanto aos demais, diria que a maioria apenas deu conexões com os protagonistas, tendo leves destaques para os trejeitos bem marcados de Matt Bomer com seu David Oppenheim e principalmente Maya Hawke como Jamie Bernstein a filha mais velha do músico.

Visualmente o longa é um luxo completo tendo a juventude e o começo do músico todo com uma fotografia em preto e branco por vezes pensei que ficaria algo desnecessário, mas a equipe de arte soube passar muito simbolismo em todos os elementos, na sua primeira regência de uma grande orquestra, seu envolvimento com os demais personagens e tudo com muitas sombras e nuances em algo primoroso de ver, depois tivemos todo o segundo ato já em sua maturidade e velhice com maquiagens precisas, mostrando festas, sua casa riquíssima, a conexão com a filha e tudo muito bem passado na tela sem florear muito, mas sendo bem encaixado, tendo o ato mais imponente numa igreja com uma orquestra incrível e tudo muito bem representado ali na tela, além de alguns atos no hospital e na recuperação da esposa após a retirada do seio com câncer.

Enfim, é um filme riquíssimo em todos os sentidos, sendo uma biografia muito bem trabalhada na tela aonde você sente a presença da atuação, da direção e da produção, valendo cada minuto de tela, e falando em tempo, diria que os 129 minutos foram muito bem usados, principalmente para dar as devidas nuances emocionais, mas que recomendo ver sem estar muito cansado para aproveitar melhor tudo, pois vale a pena. E é isso pessoal, agora é esperar para ver se realmente vai explodir nas premiações do começo do ano, afinal já chega com 4 indicações ao Globo de Ouro e 8 indicações ao Critics Choice, o que já é um grande feito. Eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.

PS: Até pensei em tirar um ponto da nota por ter cansado um pouco no miolo, mas vi que o cansaço era meu e não do filme, então vou manter a nota máxima já que não tenho notas quebradas e um ponto seria muito para ele.


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Aquaman 2: O Reino Perdido em Imax 3D (Aquaman and The Lost Kingdom)

12/21/2023 12:31:00 AM |

É muito engraçado como um filme que é muito esperado pode ser visto na telona, pois duvido quem não tenha lido qualquer coisa em diversos milhões de sites falando que "Aquaman 2: O Reino Perdido" era uma bomba imensa, que já tinham feito uma tonelada de sessões testes e nem com mil recortes conseguiriam entregar algo decente, outros mil faziam campanha para que Amber Heard fosse cortada do filme, e muitas outras coisas, e dessa forma fui para a sessão esperando o básico: que fosse um bom longa de super-herói com boas cenas de ação e efeitos interessantes por estar sendo vendido como algo filmado em Imax 3D, e acabei recebendo um longa bem divertido (até exagerado nesse sentido cômico) com uma boa intensidade, que não fica de enrolação, entregando novos e bons personagens, e ainda dando toda uma nuance climática bem marcada que acaba chamando atenção também. Ou seja, passa bem longe de ser um filme que você aplauda no final, que saia gritando mundo afora que é o melhor da DC, mas que não chega também nem perto de toda a bomba que haviam cantado durante vários meses, então vá conferir como um bom passatempo e sairá satisfeito com o que verá.

A sinopse nos conta que tendo falhado em derrotar Aquaman pela primeira vez, Arraia Negra, ainda movido pela necessidade de vingar a morte de seu pai, não vai parar até derrubar Aquaman de uma vez por todas. Desta vez, Arraia Negra está mais formidável do que nunca, empunhando o poder do mítico Tridente Negro, que desencadeia uma força antiga e malévola. Para derrotá-lo, Aquaman recorrerá a seu irmão preso Orm, o ex-rei da Atlântida, para forjar uma aliança improvável. Juntos, eles devem deixar de lado suas diferenças para proteger seu reino e salvar a família de Aquaman, e o mundo, da destruição irreversível.

Sou suspeito para falar de James Wan, afinal considero ele como um dos melhores diretores dos anos 2000, e realmente com todos os textos que vinha lendo sobre o filme estava com muito medo dele estar queimando sua carreira consolidada com algo que não fosse bom ao menos, mas como já escrevi em outros textos e discussões, #EmWanEuConfio, e ele não desapontou com o resultado final entregue, pois mesmo que tenha saído bastante da sua zona de conforto com um roteiro exageradamente cômico, ele conseguiu trazer nuances fortes e densas para alguns bons momentos do filme, e principalmente fazendo muita coisa embaixo da água, contando com personagens diferentes, muita luta corpo a corpo e armas bem imponentes, ou seja, ele conseguiu fazer com que o filme funcionasse para fechar bem o elo do famoso "Snyderverso" que acabou não decolando como era esperado. Claro que o filme tem falhas, tem alguns pontos que o diretor poderia ter melhorado para impactar mais, poderia ter colocado mais violência para que o filme não ficasse tão "família", mas essa não era a proposta, então entregou bem uma sessão da tarde, e será curtido dessa forma por quem for conferir sem esperar muito dele.

Quanto das atuações, em filmes desse estilo o que queremos ver é toda a explosão de personagem, e Jason Momoa se divertiu demais com seu Aquaman/Arthur Curry, sendo notável isso na tela, e claro que como roteirista também do longa ele se jogou por inteiro, fez trejeitos e interações com todos, bateu aos montes, montou e tudo mais, de tal forma que chega a ser até gostoso ver como ele estava gostando de fazer seu papel, ou seja, é uma pena que não vão utilizá-lo mais no novo Universo da DC, pois ele fez com gosto o personagem. Patrick Wilson é daqueles atores que tem uma certa imposição cênica em seus atos, de tal forma que seu Orm é muito certinho, muito regrado, e o ator até tentou se jogar em uma ou outra cena de luta, mas não parece ser muito o que queria estar fazendo, não sendo ruim, mas não pareceu confortável em cena. Yahya Abdul-Mateen II teve muita personalidade para fazer com que seu Arraia Negra ficasse ainda mais imponente do que no primeiro filme, e conseguiu chamar muita atenção na tela, criando dinâmicas fortes, lutando com muito impacto, e claro impostando sua voz nos atos mais incorporados pelo demônio do tridente, ou seja, trabalhou muito bem com tudo o que precisava para chamar atenção. Amber Heard teve muitas cenas bem trabalhadas com sua Mera, mas não teve o destaque que poderia para chamar mais atenção, de forma que Nicole Kidman foi mais usada com sua Atlanna de forma que Mera se mostrou muito forte, com poderes bem colocados e Atlanna usou mais o senso de emoção e discurso, o que acabou sendo interessante de ver. Ainda tivemos bons atos com Randall Park com seu Dr. Shin e Jani Zhao como Raia, mas valeria dar um bom destaque para todos os nove bebês usados para fazer o filho do protagonista, que teve bons atos de carisma, mas como não sei qual foi usado nos atos que mais gostei, vou apenas falar que o bebê foi muito bem em cena.

Visualmente não tem nem como negar, o longa é 99,9% computacional, de modo que acho que até a casa de Tom Curry não é uma locação existente no Havaí, mas isso não é algo que importe, pois mostraram cenas bem imponentes de batalhas, túneis, naves e barcos bem marcantes, toda uma fábrica tóxica poluente para superaquecer o mundo (acho que isso realmente existe, já que tá um calor monstro cada dia maior!), e claro muitos cabelos voando e detalhes bem interessantes de efeitos tecnológicos que acabaram chamando ainda mais atenção na sala Imax em 3D, aliás as cenas da floresta pareciam emprestadas de "Avatar" pela beleza e cores, e que claro colocaram alguns momentos de coisas saindo para fora da tela com boa proximidade para os amantes do estilo, então fica a dica.

Enfim, volto a dizer que fui conferir esperando algo muito ruim, e saí feliz com o resultado, de tal forma que muita coisa poderia ser melhorada, poderiam ter desenvolvido um pouco mais os conselhos atlantes, poderiam ter feito mais cenas na floresta e na usina tóxica, mas estaria pedindo algo que acabaria se alongando demais, então recoloco ele como um bom passatempo de fechamento de um Universo que foi idealizado lá trás e teve muitos percalços pelo caminho, que até funcionou para alguns, mas que muitos odiaram, então fica a dica para não ir esperando muita coisa que acabará feliz com o resultado. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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AppleTV+ - Plano em Família (The Family Plan)

12/19/2023 10:37:00 PM |

Costumo dizer que sou extremamente chato com comédias, tanto que se for olhar a fundo a quantidade de filmes desse estilo que dou play nos streamings é quase mínimo, e somente quando realmente parecer bom o suficiente, senão pulo fora com toda certeza, já nos cinemas, como ainda tenho minha meta de conferir tudo o que sair por lá, não tem jeito, mas por incrível que pareça há um tempo atrás vi o trailer de "Plano em Família" numa sessão de cinema, nem lembro qual filme era, e foi uma única vez, depois sumindo, então quando ganhei 30 dias grátis com o voucher que a AppleTV+ deu na CCBR desse ano, inclusive para quem não estava por lá, vi que a trama estrearia diretamente na plataforma no dia 15/12, e claro que antes de pausar mais uma vez meu plano por lá resolvi dar o play nele. E antes que venham me atirar pedras, fico somente os dias gratuitos sempre na AppleTV+ por raramente estrearem filmes lá, sim os que saem são sempre muito bons, mas a plataforma lança 1 filme por mês e 10 séries, então para minha pessoa não compensa pagar, já quem gosta de séries, fica a dica pois tem algumas bem interessantes. Explicações dadas, vamos voltar ao filme, que já tinha caído na minha graça quando vi o trailer, e hoje posso dizer que entrega exatamente o que o trailer prometeu, uma comédia de ação familiar do melhor estilo, cheio de tiros, porradas, ação e claro sacadas cômicas em família que realmente fazem gargalhar, ou seja, se me fez rir, certamente vai fazer muitos rirem. Claro que o longa passa longe de ser incrível, mas é uma tremenda produção do estilo, com boas cenas que funcionam bastante, e que facilmente passaria na sessão da tarde quase todo domingo na TV, então aproveitem os vários códigos que sempre tem de um mês grátis, e bom play!

Na trama, vemos que Dan Morgan é um marido dedicado e pai de três filhos que adora sua tranquila vida suburbana e sua carreira como vendedor de carros. Mas por trás de toda essa persona pacata e comum, Dan esconde um passado chocante: ele já foi um assassino de elite para o governo dos Estados Unidos. Acreditando ter deixado tudo isso para trás, ele é surpreendido por antigos inimigos, que o encontram e ameaçam o bem estar de toda sua família. Para protegê-los, Dan reúne todos em sua minivan e inventa uma viagem inesperada para Las Vegas.

Olha, nem sei se vi o último filme mesmo que o diretor Simon Cellan Jones fez, pois desde 2000 que foi seu último trabalho no cinema está fazendo apenas séries, ou seja, não sei realmente qual seu estilo, mas posso dizer que o que fez aqui com o roteiro de David Coggeshall - que é muito mais conhecido pelos roteiros de terror que faz, e que agora resolveu ir para um lado mais família light e claro cheio de tiros, facas e socos - foi algo muito bem trabalhado, com sacadas bem encaixadas tanto na desenvoltura do protagonista, quanto com as boas risadas e o carisma do bebê, quanto com as nuances entregues ao juntar boas músicas e desenrolares de ação. Ou seja, ele pegou algo que facilmente parecia jogado e bobo e deu um upgrade, claro que com um orçamento bem reforçado da Apple (que obviamente faz a propaganda de seus celulares na cena de meio dos créditos!), e transformou em algo que funciona bem, que tem um estilo bem colocado, só ficou um pouco morno nas atuações do protagonista, pois sabemos que Mark Wahlberg já fez muitos filmes como agente especial, e aqui não foi tão empolgante como outrora.

E como comecei a falar dele, vou seguir dizendo que Mark Wahlberg até teve alguns atos de boa desenvoltura com seu Dan, mas em diversos momentos parecia cansado em cena, parecendo que não estava curtindo como o papel pedia, e isso ficou um pouco estranho, mas nos atos que precisou botar banca entregou bem como devia fazer e até agradou, só que como costumo falar, poderia ter ido bem mais além, pois ele sabe fazer isso. Já bem ao contrário, Michelle Monaghan trabalhou sua Jessica com desenvoltura, se jogou por completo e entregou atos tão bem colocados como mãe, quanto como ex-aluna de faculdade, e até como uma decatleta nos atos finais, lutando e fazendo tudo que precisava para chamar atenção e agradar bastante. Os jovens Van Crosby e Zoe Colletti também trabalharam de uma forma simples, mas bem colocada os seus Kyle e Nina, com o jovem até fazendo piada com seu próprio nome e mostrando um pouco mais do mundo dos e-sports. Claro que os capangas entregaram boas cenas de dublês de ação, se entregaram com muita desenvoltura em acrobacias, socos, tiros e tudo mais, nem mesmo o chefão vivido por Ciarán Hinds conseguiu ir muito além com seu McCaffrey, valendo um leve destaque para as habilidades de Maggie Q com sua Gwen e só. Mas não poderia deixar de dar o destaque máximo para Iliana e Vienna Norris que fizeram o bebê Max com risadas e sorrisos tão incríveis que fazem valer o filme com a diversão que entregaram em suas cenas.

Visualmente a trama foi muito bem produzida, entregando desde um road-movie de Buffalo até Las Vegas, numa viagem de carro bem cheia de cenas de impacto, passando por paisagens diferentes e tudo mais, até chegar nos principais hotéis e cassinos na cidade com muita interação e atividades de tiro e correria, mostrando um cassino desativado aonde rolaram os atos finais, as cenas do mercado no começo bem encaixadas e tudo mais que acabaram sendo entregues com boas sacadas dentro da minivan e claro com algo sem tanta tecnologia envolvida, para mostrar algo bem familiar.

Como disse no começo a trama brincou muito com as canções sendo usadas para complementar cada momento, desde canções clássicas de viagens familiares até canções com mais ação, mas sem dúvida a sacada de usar Enya para despistar os atos de tiro foi algo brilhante e muito bem colocado.

Enfim, é um filme que não é perfeito com toda certeza, mas que diverte e empolga como uma boa comédia de ação deve ser, então deixo ele como dica para todos que gostam darem o play na AppleTV+. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Quem Fizer Ganha (Next Goal Wins)

12/17/2023 11:41:00 PM |

Quem me acompanha por aqui sabe que gosto bastante de longas esportivos, geralmente por entregar casos de superação que acabam emocionando, e claro também por mostrar os perrengues até conseguir chegar no objetivo, pois mesmo sabendo como tudo vai se desenrolar, entro no clima e me divirto bastante. E fui conferir o longa "Quem Fizer Ganha" bem esperançoso de ser algo extremamente divertido e bem maluco, afinal é baseado na história real do treinador contratado pela Samoa Americana após perder para a Austrália por 31x0 nas Eliminatórias da Copa do Mundo em 2001, e também dirigido por Taika Waititi que sempre entrega tramas com muita irreverência, porém o longa ficou bem no básico, sendo trabalhado de um modo simples na tela, com poucos atos inspiradores, mas que funciona como algo representativo da cultura do país não ser algo tão voltado para o futebol realmente, mas que com força de vontade conseguiu jogar e claro dar uma nova vida para um treinador em crise. Claro que o filme poderia ser muito mais imponente, mas o resultado é interessante e agradável, então quem for sem muitas expectativas acabará curtindo o que verá.

O longa traz a história do time de futebol da Samoa Americana que sofreu a pior derrota da história da Copa do Mundo, perdendo para a Austrália por 31 a 0 em 2001. Com a Copa do Mundo de 2014 se aproximando, um treinador rebelde e sem sorte é recrutado para ajudar a mudar o destino do time. Agora, o técnico precisa superar todo o impacto cultural sentido ao chegar na pacata Ilha do Pacífico e o drama de sua decadente carreira para levar a seleção nacional a conquistar seu principal objetivo: marcar o primeiro gol de sua história.

Gosto bastante do estilo de direção de Taika Waititi, e aqui ele soube deixar bem a trama com a sua cara, sendo algo dinâmico e bem colocado, com atos bem trabalhados numa comicidade mais sutil, e procurando manter o mais original possível da história para que o filme não fugisse para algo ainda mais maluco, porém aí é que entra o peso que faltou para o filme ter um charme a mais, essa desenvoltura ficcional que se não for bem colocada deixa a trama morna demais, e aqui a trama tinha tudo para ir muito mais além, só que o diretor optou pelo básico e o resultado acaba sendo interessante para conhecer um pouco mais dos motivos que levou o time a tomar essa goleada, e claro um pouco da cultura do país (bem pouco para falar a verdade), mas que faltou futebol, faltou interação esportiva, e claro, comicidade.

Quanto das atuações, Michael Fassbender deu boas nuances para seu Thomas Rongen, colocando bem o estilão meio explosivo dele, criando atos bem marcados e direcionados, ao ponto que convenceu bastante com o que fez, e foi sincero no olhar técnico e na desenvoltura escolhida, e o melhor é que ao final vemos o verdadeiro Thomas e ele ficou bem parecido até nas atitudes. Oscar Knightley trabalhou seu Tavita com um estilo bem diferente, cheio de personalidade, com mil profissões e sendo até engraçado de ver alguns de seus trejeitos na tela. Ainda tivemos muitos outros personagens icônicos no time, alguns mais chamativos, outros menos, mas sem dúvida o destaque recaiu para Kaimana que fez sua Jaiyah bem imponente e representativa, afinal foi o primeiro jogador transgênero a disputar uma eliminatória de copa do mundo, ou seja, foi bem marcante suas cenas na tela.

No contexto visual a trama foi bem simbólica, mostrando um campo simples, casas simples, e até um programa de TV bem simples do país, alguns treinamentos, alguns atos em praias e na igreja, mostrando alguns almoços coletivos das famílias, e claro a rixa entre os times da Samoa Americana com Tonga, sendo algo bem bacana de ver, mas sem grandes nuances.

Enfim, diria que é um filme leve e gostoso para conhecer mais sobre o que aconteceu nessa época, não sendo algo que você vá falar que marcou sua vida, que riu para valer, mas que funcionou dentro do que se propôs a fazer, então fica a dica para a conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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A Viagem Encantada (Щелкунчик и волшебная флейта) (Shchelkunchik i volshebnaya fleyta) (The Nutcracker and the Magic Flute)

12/17/2023 05:12:00 PM |

Venho dizendo já faz algum tempo que as animações russas andam entregando muita intensidade visual em suas obras, de forma que acabam brilhando em estilo e chamando muita atenção do público alvo infantil, porém faltam ainda histórias que emocionem como deve realmente. Dessa forma hoje vi em "A Viagem Encantada" uma obra bem simbólica de estilo, contando com personagens bonitos de textura e tridimensionalidade, porém sem carisma algum para emocionar como deveria, de forma que a entrega acaba parecendo artificial até mesmo nas canções. Ou seja, é daqueles filmes que não vão muito longe e não conquistam como deveria, mesmo sendo bonitos de essência.

A trama acompanha a história de Marie, uma garota que faz um desejo para ficar do mesmo tamanho que seu querido boneco quebra-nozes. Porém, ela acaba se surpreendendo com a inesperada descoberta de que o brinquedo é, na verdade, um príncipe de verdade que foi vítima de um terrível feitiço que o transformou em boneco - e, agora, os dois devem se unir e viajar até a Terra das Flores para salvar o mundo contra um grupo de ratos.

Diria que o diretor Viktor Glukhushin até trabalhou bem o roteiro de Vasily Rovenskiy, que já trouxe muitas obras suas para cá, mas precisava ter feito com que a história e os personagens fluíssem melhor na tela ao invés de apenas contar a trama, de tal forma que até os bichinhos bobos que seriam o ponto cômico da trama acabam simbólicos demais no envolvimento completo da história. Ou seja, não é algo ruim de ver, mas fica no ar aquela emoção mais chamativa que os estúdios procuram colocar no estilo, não empolgando e nem cativando como deveria, o que é uma pena, pois visualmente tudo é bem bonito na tela.

E como já falei que os personagens não entregam nenhum carisma, diria que a protagonista Marie até tenta ser mais simbólica, mas é muito morna de estilo, sendo daquelas até esquecíveis demais, ou seja, nem dá vontade de torcer por ela. Da mesma forma o príncipe soldadinho Georg tem personalidade e estilo, mas falharam em não colocar alguém mais forte e imponente na tela. Os vilões soaram artificiais de estilo, nem causando muito na tela, sendo até meio bobos de se ver, e assim sendo esquecíveis também, já os bichos de pelúcia que acompanham os protagonistas acabam sendo engraçados de ver, mas nada que chamasse muita atenção.

Visualmente como disse no começo, o longa é impecável, sendo belíssimo de texturas e cheio de nuances, mostrando porões, cozinhas, castelos, cachoeiras, entre festas e escadarias tão bem colocadas que chegam a ser tridimensionais sem óculos, com ambientes voando e tudo mais, ou seja, poderiam ter colocado com a tecnologia que chamaria ainda mais atenção.

Enfim, é uma animação que até vale como um bom passatempo para os pequenos, mas não espere muito dela senão a chance de se desapontar é bem alta. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas já vou conferir meu 400° filme desse ano na sequência, então volto mais tarde com o texto dele, deixo vocês com meus abraços por enquanto e até logo mais.


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A Maldição do Queen Mary (Haunting of the Queen Mary)

12/17/2023 02:24:00 AM |

Costumo dizer que para um bom terror funcionar ele não precisa entregar muita história, mas que ao menos convença o público do pouco que irá contar na tela, mas alguns diretores gostam de criar vértices e desenvolver um pouco mais tudo para que a trama ganhe um contexto mais realista e por vezes as assombrações/espíritos marquem um pouco mais, e com isso acabam se perdendo no meio do caminho não conseguindo atingir algo que ficasse realmente marcante. E infelizmente o longa "A Maldição do Queen Mary" é um desses exemplares que tentam trabalhar tantas vertentes de uma história, misturando passado, presente, incorporações e desenvolvimentos que quando chegamos na metade do filme ficamos pensando realmente aonde eles estavam tentando chegar, e no final até vemos que a ideia em si funcionou, mas que é tudo tão confuso que só quem realmente não piscar e entrar de cabeça na ideia do longa irá entender toda a base para se convencer de tudo o que acontece. Ou seja, é um filme que tem uma proposta simples interessante, mas que bagunça tanto dentro da forma entregue que acaba parecendo bem mais complicado do que realmente é.

A sinopse nos conta que quando os fotógrafos Anne e Patrick são trazidos a bordo do navio com seu filho Lukas, eles desencadeiam uma série de eventos que entrelaçam sua família com o passado sombrio do navio. À medida que o terror se desenrola à sua volta, eles começam a perceber que há mais neste suntuoso transatlântico do que aparenta: o seu legado notável que mascara segredos violentos.

Diria que o diretor e roteirista Gary Shore exagerou um pouco no desenvolvimento de sua história, pois a trama em si tinha tudo para ser um bom terror de incorporações de espíritos de diferentes épocas, mas acabou tentando misturar criação de livro, história do navio e tudo mais com personagens tão soltos que o resultado fluiu para rumos que acabam mais confundindo o público do que mostrando algo que soasse marcante. Ou seja, acabamos vendo um filme tão complexo de ideias que você vai acabar se perguntando várias vezes se está entendendo a ideia que o diretor tinha para tudo, e isso não é bom, pois mesmo que soasse abstrato alguns elementos, o resultado precisaria fazer um pouco de sentido, e não é isso o que ocorre.

Quanto das atuações, Alice Eve até tentou segurar bem a personalidade de sua Anne, desenvolvendo atos meio que desesperados mistos com alguns atos de descrença, de tal forma que parece ser interessante, mas como a todo momento vamos para o passado e voltando para o presente, acabamos ficando confusos com o que ela deseja entregar realmente, mas ao menos não desaponta com o que faz em cena. Dorian Lough trabalhou bem seu Bittner, sendo direto e com uma personalidade bem forte, que inicialmente parece meio estranha, mas que mais próximo ao final acaba fazendo bastante sentido, e assim o ator mostrou a que veio na trama. Ainda tivemos atos bem tensos de Wil Coban bem marcante com seu David Ratch, colocando muita imponência expressiva sem precisar tirar sua máscara, mas fazendo uma matança com classe e estilo dentro do navio. E claro ainda vale a menção para Wesley Alfvin e Florrie Wilkinson como Fred Astaire e a garotinha Jackie numa cena de sapateado bem encaixada e marcante de ser vista na tela.

Visualmente confesso que as cenas dentro do navio foram muito bem feitas, afinal gravaram muitas cenas dentro do verdadeiro navio para ter uma representatividade maior, mas a equipe de fotografia não ajudou a equipe de arte ter seu trabalho valorizado, pois fizeram um longa escuro demais, aonde você até fica esperando alguns jump scares, masque felizmente não fizeram tanto o uso dessa técnica, ou seja, vemos que tiveram bons trabalhos com figurinos de época, fantasias bem trabalhadas para uma noite de Halloween e até momentos bem intensos com muito sangue, mas quem for conferir vai precisar se esforçar bastante para enxergar tudo com alguma nitidez mais considerável.

Enfim, é um filme que talvez com alguns ajustes seria um terror bem tenso envolvendo épocas e incorporações de espíritos e assombrações, mas que não conseguiu chegar num ápice que marcasse e chamasse realmente a atenção, ou seja, acabou ficando bem mediano para ruim, o que é uma pena. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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