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Netflix - Per Aspera Ad Astra (星河入梦)

6/21/2026 12:57:00 AM |

Costumo dizer que gosto muito mais de filmes de ficção inventiva do que os baseados em coisas reais, pois podemos vivenciar um mundo irreal de coisas que alguém pensou de forma tão maluca, que quem sabe até um dia no futuro exista realmente. E hoje na caça de algo bom para ver nos streamings, acabei achando na Netflix, "Per Aspera Ad Astra", que aparentava ser algo interessante dentro da proposta, e o resultado me fez viajar demais ao ponto de até comparar ele com um clássico como "A Origem", pois brinca com invasões de sonhos, mas colocando aqui em pauta algo como viagens espaciais, e inteligências artificiais durando a famosa hibernação de anos durante as viagens interplanetárias. Ou seja, é um filme que permeia coisas tão insanas na tela, mas que possuem fundamentos dentro das frases dos protagonistas, que junto de uma ideia gigante, conseguiu brincar com várias facetas, trabalhou com os sonhos mais malucos possíveis em live-action quanto em animações, e assim ficou bem bacana de curtir e entender tudo.

No longa vemos que o administrador de sonhos Xu Tianbiao e a capitã da nave espacial Li Simeng aventuram-se por mundos oníricos extremamente imaginativos numa tentativa desesperada de resgatar membros da tripulação presos em sonhos caóticos quando precisam deles para recuperar o controle da nave, lançando-os numa aventura emocionante e ininterrupta.

Diria que o diretor e roteirista Yan Han foi muito esperto no estilo que escolheu, pois geralmente o tom sério de filmes de viagens espaciais cansa e peca pelo excesso de tentativas de realismo, e aqui ao poder entrar em sonhos completamente absurdos, ele deu carisma para o protagonista brincar com as facetas sem que ficasse forçado, e isso acabou dando nuances tão malucas quanto brincou com a ideia de que as IAs só fazem tudo certinho. Ou seja, ele não criou algo totalmente novo, pois vemos ideias de tantos filmes americanos conhecidos que daria para fazer um texto só disso, mas soube brincar com as facetas de cada um no momento certo para que seu filme ficasse diferenciado, divertido e cheio de intensidade, não ficando chato, e muito menos pesado dentro da ideia toda, e assim o resultado veio com força.

Quanto das atuações, foi muito bacana ver como Dylan Wang Hedi encontrou tantos trejeitos engraçados para que seu Xu fosse imponente e irreverente nos diversos momentos que precisou lidar, de modo que o filme traz uma abertura ampla cheia de nuances para ele, já que entra em diversos sonhos e também foi bem colocado nos momentos intensos da nave, ou seja, o ator se jogou literalmente e foi muito bem no que fez. Já Victoria Song Qian trabalhou sua Li com uma pegada mais densa em seus traquejos, não brincando tanto afinal é a capitã da nave, mas ainda assim se deixou levar para dentro dos sonhos e acabou agradando bastante. O mais engraçado de Duo Wang com seu Ge Yang é que num primeiro momento pareceu ser tão gente boa e bem colocado, mas depois de sua virada entregou literalmente um coringa em cena, sendo daqueles que tem a meta bem traçada e ainda explica para os protagonistas ficarem putos, ou seja, foi bem nos trejeitos e na entrega que precisava ser feita. Ainda vale um destaque para Feng Zu com seu Lao Bai, mas mais pelas dinâmicas colocadas no sonho dele, pois na nave foi meio secão demais.

Agora visualmente o longa é um show completamente insano, pois sabemos que hoje muita computação domina as filmagens, mas tivemos várias câmaras de hibernação numa sala gigante, tivemos alguns atos bem intensos fora da nave, uma sala de comando bem trabalhada em detalhes, e principalmente os sonhos com pegadas de máfia, de concurso escolar, de objetos de outros sonhos empilhados, e várias falhas também dando as devidas nuances, com explosões de frutas e comidas, e tudo mais, misturando atos em 3D, 2D e desenhos ainda mais minimalistas, ou seja, incrível demais o trabalho da equipe de arte que conseguiu sair do óbvio e agradar muito.

Enfim, fazia tempo que estava querendo achar um longa no streaming que realmente me envolvesse, e que fosse diferenciado, pois cansa sempre a mesma pegada clássica, fora que os streamings andam segurando demais as produções para o segundo semestre para aparecerem nas premiações, então anda difícil achar algo bom mesmo, então foi um grande achado que até tem seus defeitos (o principal ser um pouco alongado demais, que me cansou um pouco no segundo ato), mas ainda assim recomendo bastante. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - As Cores do Mal: Preto (Kolory zla. Czern) (Colors of Evil: Black)

6/11/2026 01:02:00 AM |

Primeiramente já fiquei meio que irritado ao descobrir que a saga polonesa, "As Cores do Mal", são cinco livros, ou seja, se a dona Netflix quiser, terá ainda mais três longas para fazer, e diria que diferente do primeiro filme "Vermelho" que consegue prender com algo intenso e ter uma reviravolta chocante e intensa, o longa agora denominado "Preto" tem a principal falha em não impactar tanto e meio que jogar para um lado de fora quase da investigação. Ou seja, vemos um filme que trabalha sim com algo complexo que são os abusos de crianças ocultados pela igreja e pelo próprio poder jurídico de uma cidade pequena, mas que talvez pudesse ter se aprofundado na história que é mostrada no fechamento, pois tudo é circulado para depois ir para um rumo quase que totalmente não explorado, e assim ficou parecendo que o diretor quis acabar com a história e acelerou tudo. Claro que passa bem longe de ser algo ruim, mas foi uma escolha que dava para impactar muito mais na tela.

O promotor Leopold Bilski se muda para uma pequena cidade na Polônia e começa a investigar o misterioso desaparecimento de um menino enquanto a mãe dele acompanha o caso de perto. Ao ficar sabendo sobre uma lenda local que envolve o sumiço de várias crianças da região, ele decide pesquisar mais e entende que precisa correr contra o tempo para desvendar essas conexões inusitadas que ele acredita que podem ser crimes.

É interessante que o diretor Adrian Panek não demonstrou aqui o mesmo estilo que teve no longa de 2024, pois lá ele criou uma atmosfera bem ampla de suspense e foi desenvolvendo tudo conforme a intensidade era criada, e aqui ele deixou seu filme bem mais calmo, sendo direcionado pela investigação em si e colocando cada detalhe para que a trama fluísse na tela, e isso deixou o longa com uma cara mais puxada para o drama policial do que para o suspense em si. Ou seja, faltou pegada para que a trama impactasse mais, o que demonstra um exagero do diretor em achar que podia maneirar ou talvez esse livro seja mais calmo que o primeiro, mas isso só quem leu para dizer, então vou ficar com a primeira opção, e torcer que caso ele continue nas próximas adaptações que volte para o estilão que mostrou no primeiro filme.

Quanto das atuações, já tinha dito no primeiro filme que Jakub Gierszał tem um estilo policial diferenciado para que seu promotor Leopold não seja daqueles brucutus ou então daqueles sabe-tudo, e aqui ele foi ainda mais calmo que no primeiro filme, tendo um ar pleno e estiloso para que cada momento fosse bem encaixado, até mesmo no momento do sumiço da filha, ou seja, o personagem tem seu formato ditado na tela, e acredito que não devam mudar mais ele se houver continuações. Agora por um momento achei que Marianna Zydek fosse nos enganar por completo e sua Julia virar suspeita número um, pois a atriz deu um tom muito estranho para a personagem, e mesmo tendo desenvolvido suas atitudes na tela, ainda não me convenceu por completo. Um problema meio que grande do filme é que tivemos um excesso de personagens na tela, e a maioria tentaram desenvolver a base para além do comum, talvez para que criássemos suspeitos na nossa cabeça, e com isso os atores todos pareceram meio que estranhos com suas entregas, não valendo chamar destaque para praticamente mais ninguém.

Visualmente o longa também tem um problemão, é um filme muito claro para um suspense, sendo até mesmo as cenas no meio de uma floresta com muita iluminação, não tendo a tensão nos ambientes, sendo a maioria das cenas na delegacia, outras num restaurante, em uma festa grandiosa e até na igreja tudo é bonito de ver, ou seja, faltou um peso dramático para que o pessoal se impactasse com os elementos, e quando o caso vai mostrar o criminoso que aí entra a sujeira e as coisas estranhas mesmo é que impacta, aí já acaba o filme.

Enfim, é um filme que fui conferir esperando muito mais dele, principalmente por ter gostado do primeiro longa mesmo com os defeitos que tinham, porém vale o play para talvez contextualizar para o próximo e também como um passatempo para quem gosta de tramas policiais, desde que não espere muito. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Netflix - A Desconhecida (La desconocida) (The Marked Woman)

6/07/2026 10:26:00 PM |

Costumo dizer que gosto muito de suspenses, mas o que gosto mesmo são de filmes com reviravoltas que me surpreenda, pois do contrário o resultado acaba ficando apenas morno na tela, faltando o famoso impacto para que seja lembrado depois como um filmão realmente. E hoje queria muito um filme que me trouxesse um impacto interessante, mas desisti de caçar e parei no longa "A Desconhecida" da Netflix, que até tem uma boa pegada de suspense, mas entrega tudo com uma facilidade, que acaba não indo muito além na tela. Não estou dizendo que seja um filme ruim, pois até tem bons momentos na tela, mas faltou trabalhar um algo a mais para que os personagens impactassem na tela, e levasse o público a desejar mais da investigação, o que acaba não ocorrendo.

O longa acompanha a investigação de um caso liderado pela detetive Anna Ripoll, após a descoberta de uma mulher, amordaçada e amarrada, dentro de um contêiner no porto de Barcelona, ​​incapaz de se lembrar de quem é ou como chegou lá. Anna, juntamente com o policial Quique Zárate, embarca numa corrida contra o tempo para descobrir a identidade da mulher desconhecida e os segredos ocultos em sua memória.

Diria que o diretor Gabe Ibáñez foi bem sucinto com o que desejava entregar, e isso em um suspense é o maior erro possível, pois você deve deixar a história fluir sozinha, e deixar que o mistério em si seja desenvolvido, e aqui ele já foi entregando tudo muito antes da hora, não deixando que o público visse ou se surpreendesse com cada situação. Ou seja, acabou rolando na tela daqueles filmes que você não fica esperando as coisas acontecerem, pois elas já acontecem sozinhas bem antes de tudo, e isso acabou pesando na mão do diretor. Claro que não é um filme que dava para causar tanto, mas ainda assim dava para impactar mais com poucos ajustes.

Quanto das atuações, senti que faltou desenvolver um pouco mais a personagem de Anna Ripoll para o que Candela Peña entregou na tela, pois ok o lance de ter perdido o irmão com um suicídio, mas a atriz e a personagem tinham algo a mais para contar, ficando meio que subjetivo demais para algo que geraria talvez alguns frutos na tela, mas tirando esse detalhe, a atriz foi bem no estilo e chamou muito o filme para si. Ana Rujas trabalhou sua desconhecida com traquejos realmente de quem perde a memória e fica misteriosa para tudo, sendo até bem bacana suas cenas de lutas junto da entrega que faz, ou seja, trabalhou bem para que suas expressões fossem reais dentro do que o filme pedia. Já Pol López fez seu Zárate um pouco impulsivo demais, de modo que demorou para que o público conseguisse se conectar com ele, mas o ator foi tão bom, que mesmo ele não sendo um policial "bonzinho" acabou conquistando com sua entrega. Quanto aos demais, a maioria ficou meio que jogado na tela, e até mesmo os "vilões" não encantaram, valendo um leve destaque para Carlos Troya com seu Enric trabalhando como um bom parceiro para a protagonista.

Visualmente o longa teve alguns atos interessantes, principalmente para o clima dentro dos containers, mostrando ali atos de tortura e também dos transportes de tráfico de pessoas, tivemos alguns momentos em hotéis mais escondidos de uma Barcelona bem diferente da maioria dos filmes, cenas nos portos com um iate simples, mas bem colocado, e até uma loja de flores de fachada, mas o que mais chegou a surpreender foi o tamanho da delegacia de investigações, com uma tonelada de policiais e a jovem podendo andar tranquilamente por lá, ficando um pouco meio fora de contexto.

Enfim, foi um bom passatempo para o domingo, mas para quem desejava algo bem mais imponente na tela, com um suspense mesmo que impactasse, o resultado acabou ficando mediano demais, ou seja, não é ruim, mas não vá conferir esperando algo cheio de mistérios, que não vai rolar. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Netflix - Risa e o Telefone do Vento (Risa y la Cabina del Viento) (Risa and the Wind Phone)

6/06/2026 01:27:00 AM |

Se tem algo que me deixa bem feliz é pegar um filme aleatório ao abrir a plataforma de streaming, geralmente quando a abro pensando em dar play em algum outro que vi a propaganda, e acertar a mão, ser daqueles que você quer e precisa ver no momento certo, e hoje nem ia ver nada, pois já tava tarde, o dia foi pesado, mas algo me apeteceu ao ver na Netflix, "Risa e o Telefone do Vento", pois parecia algo que estava me chamando para dar o play, e sem saber nada dele arrisquei. E por incrível que pareça o longa é bem disso, de um telefone sem fios nem nada, que passa a tocar de madrugada e apenas uma garotinha escota o barulho, e ao atender passa a ter conexões com o outro lado da vida, com pessoas que morreram num incêndio na cidade e querem passar suas mensagens para seus familiares, isso tudo além dela querer saber mais sobre seu pai que também morreu no incêndio segundo sua mãe. Ou seja, é um filme direto, sem muitos vértices, mas que acaba sendo amplo pela conexão da garota com o vizinho maltrapilho que passa a cuidar dela enquanto a mãe trabalha, os pedidos e conexões que a jovem faz com as pessoas que vai dar os recados, e sendo sutil e bem bonito de acompanhar, a obra argentina mostra que não precisa enfeitar muito o doce para que ele seja saboroso, basta entregar aquilo que esperam dele, e assim foi esse longa, ao menos para mim, pois me chamou assim como o telefone chama a garotinha, e me encantou.

A sinopse é simples e direta nos contando que após perder o pai em um incêndio trágico, Risa, de 10 anos, descobre um telefone público abandonado que lhe permite falar com os mortos. Cada um deles tem um desejo, um pedido, algo a resolver. Se Risa os ajudar com seus assuntos inacabados no mundo dos vivos, eles permitirão que ela realize seu desejo impossível: falar com o pai uma última vez.

O diretor Juan Cabral soube criar uma trama tão leve e cheia de nuances que o filme tinha daqueles textos que poderia dar muito errado na tela e ficar pesado e até seco demais, mas abrilhantou ele para que ficasse com uma sensibilidade bem encaixada e brincasse com o evento para um lado que não chega a ser uma conexão de amizade em si, mas algo maior e mais humano entre os protagonistas e suas dinâmicas, de modo que sabemos o quanto o povo latino tem uma conexão maior com a morte e seus conflitos, que alegoricamente funciona muito bem em todos os sentidos, e aqui acabou sendo agradável e gostoso de ver. Claro que tivemos alguns momentos que ele até tentou forçar o choro do público, e já disse isso algumas vezes que é o famoso golpe baixo, pois várias tramas conseguem fazer isso sem precisar de apelo, mas como não é algo errado, o resultado acaba funcionando bastante, mostrando que é um diretor que temos de ficar de olho com o que ainda pode entregar.

Quanto das atuações, num primeiro momento não tinha chegado a me conectar com Elena Romero, pois parecia seca demais em relação a tudo o que tinha para vivenciar, porém foi se soltando tão rapidamente que sua Risa acaba nos abraçando dentro de sua síntese, sendo simples e com boas nuances para emocionar e agradar, de modo que talvez precise ainda melhorar algumas intensidades de olhares, mas tem futuro. Agora Diego Peretti entrou com seu Esteban em cena parecendo não dar nada para o filme, porém foi se desenvolvendo dando tantas nuances para seu personagem, que só vai impactando mais, ao ponto que sua cena no chão da casa é algo tão brilhante que marca e mostra que o ator é daqueles que vai voar demais ainda. Ainda tivemos outros personagens como o garotinho Manuel da Silva com seu Milo também bem emocional na dinâmica, entre outros que foram se conectando com a garotinha, valendo um leve destaque para a mãe vivida por Cazzu, mas nada que impactasse realmente para as dinâmicas completas do filme.

Visualmente o longa teve uma formatação bem bonita de acompanhar, mostrando uma cidade quase que abandonada na tela, com poucas casas, algumas destruídas ainda, a casa da protagonista bem simples, a do vizinho ainda mais degradada, e claro o morro com a cabine solitária, sem fios e tudo mais, mas acompanhada de uma árvore sobrevivente com a forma da passagem do vendo empurrando os galhos para um lado só deu todo um charme para que os momentos fossem intensos ali, além claro dos diversos atos aonde a garotinha vai em cada casa ou lugar passar as mensagens das famílias contando com elementos e marcações bem chamativas.

Enfim, é um filme que me surpreendeu na essência, que conseguiu me envolver e até emocionar em alguns momentos, sendo interessante pela ideia e bem desenvolvido na tela, valendo a indicação com certeza para todos que gostam do estilo. Então fica a dica e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Uma História Nebulosa (大濛) (A Foggy Tale)

5/27/2026 11:59:00 PM |

Um país que entrega obras tão diferentes do padrão, mas tão comuns dentro da essência é Taiwan, pois eles brincam geralmente com algo com uma pegada novelesca, joga em cima de algo que poderia ou foi real, acrescenta elementos lúdicos bem pautados, e o resultado final acaba funcionando muito na tela. Ou seja, a ideia do longa que estreou na Netflix, "Uma História Nebulosa", tem essa pegada bacana, tem dinâmicas e reviravoltas ao mesmo tempo fortes e envolventes, porém demora um pouco para engrenar, pois muitas das cenas se repetem no miolo, então poderia ter deixado somente para os flashbacks tudo e dimensionar melhor o restante.

O longa nos conta que após o seu irmão ser executado pelo governo, Yue começa uma jornada para levar o corpo de volta à sua família e conseguir um enterro digno. Ao chegar em Taipei sozinha, ela passa por muitas adversidades, mas é salva pelo soldado Chao Kung-Dao. Diante da própria realidade e da situação de Yue, Chao Kung-Dao percebe que a melhor coisa a se fazer é ajudá-la. Assim, os dois formam uma amizade em meio à uma situação que pode acabar tirando suas vidas.

Não é um país que vejo muitos filmes, então não posso dizer que conhecia a filmografia do diretor e roteirista Yu-Hsun Chen, mas posso dizer que soube brincar com as diversas facetas que o longa pedia, e principalmente desenvolver na tela aquele algo a mais que gostamos de ver que são as reviravoltas e conflitos para serem discutidos, de modo que ele foi bem fluido nas dinâmicas e fez a dupla principal ter um carisma bem conectado, que mesmo sem grandes trejeitos acabou dando um rumo legal de se acompanhar. Ou seja, ele foi bem no quesito direção de atores, porém pecou um pouco na direção da edição, pois o longa tem quase 130 minutos de duração, e dava fácil para ficar ótimo com 90-100 minutos, mas para isso precisaria uma mão mais pesada, e talvez não ficasse tão lúdico na tela.

Quanto das atuações, a jovem Caitlin Fang foi graciosa em diversos momentos com sua Yue, porém acredito que dava para ela ser menos contida em seus atos, parecendo ter até uma certa timidez de estreante, mas que já fez muitos outros trabalhos, então foi uma falta de direção maior para que ela fosse mais expansiva na tela, para agradar ainda mais. Agora sem dúvida alguma o carisma de Will Or com seu Chao foi algo para procurar mais trabalhos e ver se o ator realmente tem todo esse potencial ou o personagem foi indo para um rumo mais chamativo, de modo que ele se entregou, fez cenas fortes, cenas mais leves, e que sabendo se encontrar nos atos agradou demais. Tivemos outros personagens interessantes, mas vale dar um leve destaque para 9m88 que cantou, dançou e ainda entregou um chamariz bem colocado como a irmã da garotinha.

Visualmente o longa foi bem bacana, mostrando vilas, casas de shows, delegacias, feiras de compra e venda de itens, uma funerária bem diferente do usual e também uma faculdade de medicina com corpos nadando em tanques, além de um crematório simples e interessante, mas o mais funcional do longa foi ter quase um road-movie numa bicicleta com os protagonistas indo para vários lados de Taipei, sendo cheio de nuances e dinâmicas, aonde como elemento cênico mesmo só a sacolinha da garota e a bicicleta do rapaz, mas nada de muito usável na tela.

Enfim, é um filme bem bacana, que como disse demorou para engrenar e até me deu um certo soninho até próximo da metade, mas depois deslancha e fica bem gostoso a forma encontrada para fechar. E é isso meus amigos, não esperem lavar a sala vendo o filme, mas com certeza acabará tendo um resultado diferente com cada um que assistir, então fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Criaturas Extraordinariamente Brilhantes (Remarkably Bright Creatures)

5/11/2026 12:33:00 AM |

Acho interessante que a Netflix comprou e/ou produziu diversos filmes emocionais nos últimos meses, aonde procuram trabalhar os sentidos do público com situações fortes como mortes, amizades e conexões sentimentais entre os personagens mais diversos, de modo que acabamos tendo mais do que apenas um passatempo para o domingão, mas também algo para se refletir e envolver dentro da essência da trama completa. E hoje dei o play no longa "Criaturas Extraordinariamente Brilhantes", que sendo baseado num dos livros mais vendidos atualmente, consegue permear toda a dinâmica entre uma senhora, um jovem e um polvo, contando com suas frustrações, seus passados sofridos e também possibilidades e decisões para o futuro, sendo bacana de entrar no clima, e até puxando para o lado de escorrer algumas lágrimas, mesmo que sendo do estilo "passatempo de final de semana" aonde você descobre tudo com menos de 10 minutos de exibição, o resultado flua funcionando e agradando bastante até no final.

O longa conta a história de Tova, uma viúva que forma uma amizade improvável com o rabugento Marcellus, um polvo gigante do Pacífico que vive no aquário onde ela trabalha. Sem que Tova saiba, Marcellus está em uma missão para resolver um mistério que curará o coração da viúva e a levará a uma descoberta que mudará sua vida.

Diria que a diretora e roteirista Olivia Newman soube pegar a obra de Shelby Van Pelt e abrilhantar isso com a formatação escolhida, pois facilmente dava para ser um longa bem mais dramático, com uma pegada densa e forte sem ares cômicos e/ou pequenas e sutis dinâmicas, mas acabou transformando seu filme em algo tão leve e bem desenhado que sínteses de luto e etarismo acabam sendo apenas simbolizados na tela sem precisar explodir e pautar muita coisa. Ou seja, ela pegou um livro que tem uma densidade bem colocada e transformou em um grandioso filme da Sessão da Tarde aonde podemos nos emocionar sem precisar ficar lavando efetivamente a sala de casa, sendo bonito pela essência e interessante por toda a dinâmica funcional de criar elos sem que necessariamente estivessem ali simbolizados.

Quanto das atuações, nem precisava falar sobre Sally Field, afinal a atriz sempre pega personagens e os traz para si com uma facilidade, que praticamente o carisma de Tova vira algo tão marcante, tão cheio de nuances, que poderia ser daquelas rabugentas e que incomodasse com tanto fervor, mas não, a atriz deu sentimento, deu vivência para o papel, e seus cabelos também tiveram vida própria sendo até engraçado ver alguns atos bagunçados tanto e outros mais arrumadinho, de modo que ela fez o papel e não vice-versa, sendo tão bacana que não duvidaria se lembrassem da personagem nas premiações. Na outra ponta tivemos Lewis Pullman tão bem colocado com seu Cameron que se deixou levar fácil pelas situações, não se prendendo tanto nas dinâmicas, mas se entregando para que seu papel fosse mais solto, e isso acabou rendendo uma amizade diferente e ousada dentro da proposta, o que acabou sendo bacana de acompanhar o personagem, e até torcer para ele em determinados momentos. Agora quem deu um show sem aparecer foi Alfred Molina como a voz de Marcellus, sendo bem entonada, direta e forte, conduzindo os devidos momentos para que o polvo parecesse realmente o ser mais inteligente e brilhante da face da Terra, e também gracioso para não deixar nenhum elogio para traz, ou seja, agradou muito e foi muito bem em cena. Tivemos ainda outros bons atores, mas a maioria apenas com pequenas aparições, valendo um leve destaque para Colm Meaney com seu Ethan e Sofia Black-D'Elia com sua Avery, mas nada que fosse muito além para não roubar os momentos dos protagonistas.

Visualmente o longa arrumou um aquário bem bonito, com espécies realmente bem brilhantes para dar todo o contexto visual do ambiente, o polvo tenho quase que 100% de certeza que foi digital pelo tanto que passeia pelo lado de fora de seu tanque, mas souberam dar movimentos e texturas bem marcantes para ele, tivemos a casa da protagonista quase um perigo mundial para idosos com milhões de escadas e degraus para todos os lados possíveis, ainda de madeiras que podem se soltar, mas tudo foi muito bem simbolizado e com seu devido charme funcionou bastante na tela, tivemos um karaokê interessante, a casa dos outros protagonistas e a pequena vila aonde o longa se passa, sendo tudo muito bem charmoso e com um ambiente propício para o estilo que o filme pedia.

Enfim, é daqueles filmes que funcionam muito bem pela proposta e pela entrega dos artistas, mas que sendo bem desenvolvido na tela pela diretora conseguiu criar algo que foi além do livro, não ficando muito preso como algo literário, e o resultado fluindo mais naturalmente, ou seja, é daqueles que certamente nos lembraremos quando virmos novamente pela essência funcional gostosa que acaba entregando, e assim emocionando na medida certa, e claro valendo a recomendação. E é isso meus amigos, fico por hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Netflix - Como Mágica (Swapped)

5/01/2026 08:57:00 PM |

É interessante que um tempo atrás só ouvíamos falar das animações da Disney, Pixar, Dreamworks e Illumination, mas ultimamente a Skydance tem se juntado a elas como uma das grandiosas produtoras entregando tramas tão bonitas visualmente quanto com histórias bacanas para envolver toda a família e não só os menorzinhos, tendo algo amplo de estilo e também de conteúdo. E claro que a dona Netflix que vem crescendo também nesse meio, pegou e montou logo uma parceria, chegando hoje com a animação "Como Mágica", que de uma maneira tão gostosa consegue envolver do começo ao fim, mostrando lições de como a ingenuidade pode mexer com as famílias, mudar rumos de cadeias e claro também como o ego gigante pode estragar tudo, sendo daqueles filmes que brincam com tantas facetas, coloca um personagem na cabeça do outro, mostra dinâmicas amplas de percepções, e ainda conta com a beleza visual de personagens não tão comuns, mas que ao serem diferenciados acabam brincando ainda mais com o público. Ou seja, é uma animação ampla, bonita, funcional e cheia de detalhes em todos os sentidos, que fará com que muitos viagem pelas entregas e também reflitam, além de curtir como algo divertido e gostoso na tela da TV.

O longa nos mostra que um pássaro e uma pequena criatura da floresta precisam lidar com suas diferenças quando um incidente coloca um na pele (ou nas penas) do outro. A trama se passa num reino animal chamado Vale e acompanha dois animais que são inimigos por natureza, mas depois que trocam de corpo precisam se unir para sobreviver à nova vida e rotina na selva.

Diria que o diretor Nathan Greno evoluiu imensamente depois do seu longa "Enrolados" em 2010, de modo que ao ficar esses 16 anos parado, conseguiu criar muito mais em sua cabeça, e não ficar apenas em coisinhas bobas para divertir e ser esquecido depois, de tal forma que aqui vemos uma trama elaborada, cheia de nuances e sensações que consegue brilhar visualmente, consegue ter o carisma de personagens secundários, mas nos brinda com elementos sensoriais cheios de personalidade, mostrando também que o diretor tem estilo e sabe ousar, ao ponto que quem sabe agora decole com outros filmes e não fique tanto tempo sumido das telas.

Quanto dos personagens e suas entregas, Ollie foi tão cheio de carisma nas suas quatro mudanças de animal que acabamos nos conectando demais a ele do começo ao fim do longa, sendo daqueles que não importa a forma física, tem dentro de si um coração gigantesco muito maior que sua curiosidade e ingenuidade, brincando com facetas bem jogadas e envolvendo com sua entrega. Já Ivy foi mais explosiva, tendo uma personalidade de liderança bem colocada, de modo que conseguiu ir criando mais em seus momentos diferentes, mas também brincou bastante na tela, ao ponto que num primeiro momento nem nos conectamos tanto a ela, mas depois flui e diverte. Ainda tivemos Boogle que foi carismático em seu momento peixe e depois mudou bastante, mas ainda assim seus atos foram intensos e bem colocados. Isso estou falando apenas dos principais, mas tivemos ainda as famílias bem encaixadas, os lobos, as cobras e tudo sendo funcional dentro do conteúdo completo que agrada, envolve e dá todo o sentido na tela.

Como já falei, visualmente o longa é cheio de nuances, cores e texturas, tendo personagens de diversos estilos e formas, que saem um pouco da realidade tradicional, mas ainda assim consegue fazer com que o público conecte aos animais mais tradicionais, e assim o resultado recria a formação de grupos e suas biodiversidades em pequenos e grandes ambientes, tendo o fundo do lago algo mágico, mas também com cenas em voos e tudo mais cheios de vivência e mostrando que a equipe de arte não economizou nos ambientes e dinâmicas. Ou seja, algo perfeito de acompanhar.

Enfim, é uma animação que me impressionou bastante, e que se talvez tivesse um pouco mais de sentimentos emocionais certamente me faria escorrer algumas lágrimas, pois tinha pegada para isso. Ou seja, é daqueles que vale a recomendação para a família toda assistir, e depois refletir com os menores sobre tudo o que viram, então fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje como é feriado, dá para encarar mais um longa, então abraços e até logo mais com outro texto.


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Netflix - O Jogo do Predador (Apex)

4/26/2026 10:57:00 PM |

Costumo dizer que todo mundo pode fazer ou entregar vários estilos de filmes, porém quando uma trama busca uma fidelidade na tela, também exigimos que seja passado uma fidelidade mais real de personagens e situações, e com o lançamento da Netflix, "O Jogo do Predador", vemos algo até que interessante de proposta, com uma pegada densa bem marcada, porém com bons atores que não nos convencem do que estão entregando, por exemplo ao ficar nítido que 90% do filme foi feito com a dublê de Charlize Theron, que com um bracinho finíssimo não faria metade das cenas escalando os paredões, e Taron Egerton pode até entregar bons personagens em outros filmes, mas aqui seu estilo "maldoso" não impõe uma loucura como precisaria para ficar realmente marcante. Ou seja, é daqueles filmes que vemos as cenas acontecerem com boas dinâmicas, mas que não nos convencem do que estão entregando, e isso acaba não prendendo o espectador, que até acaba curtindo a ideia como um passatempo, porém dava para impactar bem mais com talvez outros atores mais próximos das personalidades que os papeis exigiam.

O longa nos mostra que uma mulher viciada em adrenalina coloca seus limites à prova ao embarcar numa aventura pela natureza selvagem australiana. A alpinista se encontra no meio de uma caçada quando os predadores naturais não são os únicos atrás de sangue. Agora, a jovem precisa lutar para sobreviver e vencer os obstáculos do caçador.

O mais interessante é que o diretor Baltasar Kormákur tem muita experiência nesse estilo de filme, sabendo criar dinâmicas tensas e um envolvimento tão amplo quanto cada momento do longa pedia, e se olharmos ao redor do longa entregue, a maioria das cenas tem essa precisão técnica, então o que podemos afirmar é que depois de tanto falarmos nas premiações em direção de elenco, aqui faltou exatamente isso para que o longa brilhasse na tela, faltou alguém que chegasse nele logo no começo do projeto e falasse que as escolhas ali estavam ruins para que o filme chamasse mais atenção, ou seja, erro de escolha que refletiu em algo bacana, que poderia ser impactante por completo. Volto a frisar que não vemos um filme ruim, mas sim algo que não convence de entrega, e esse perigo se não tivesse um diretor tão bom do estilo poderia facilmente ter virado uma bomba na tela.

Quanto das atuações, já vi algumas "vendas" de Charlize Theron mostrando que não gosta de usar dublês e até escalando um outdoor em formato de paredão para que sua Sasha parecesse mais real, porém ainda assim defendo que deveriam ter colocado uma mulher mais "forte" visualmente no papel, pois sabemos o tanto de esforço que é escalar paredões íngremes, ainda mais sem o uso de cordas, sendo o "puxador" dos demais como é o caso da personagem, mas tirando esse detalhe, a atriz soube segurar bem os momentos na tela, fazendo trejeitos marcantes para os atos mais fechados, e com isso até chega a convencer, mas como disse soou muito falso ver alguém do porte dela se impondo tanto num paredão aonde muitos precisariam de mais força física. Já com Taron Egerton o problema é outro, pois acho que acostumamos com ele fazendo lordes e pessoas boazinhas, que o seu Ben acaba não nos convencendo de sua maldade mesmo lançando flechas e torturando a protagonista, faltando para ele trejeitos mais surtados, pois até mesmo quando mostra seu trejeito monstruoso com os dentes, ficou um pouco artificial demais, porém o ator se jogou para parecer forte e até chama atenção em alguns atos, mas nada demais. Quanto aos demais, só vale comentar mesmo a participação inicial de Eric Bana com seu Tommy, pois deu um bom tom de parceiro de escaladas e marido bem colocado nas situações, mas nem aproveitou muito já que o papel é eliminado rapidamente, então apenas participou mesmo.

Visualmente a equipe escolheu locações bem interessantes para desenvolver a trama, com paredões imponentes, acampamento nas alturas, escaladas, corredeiras, muita floresta e até cavernas assustadoras, aonde os personagens se desenvolveram bem com poucos elementos, mas ainda assim marcaram presença, tendo claro a cena mais "produzida" dentro da caverna com os demais corpos pendurados prontos para virar "alimento", ou seja, souberam criar bem as alegorias dentro do contexto, com digamos até pouco sangue pelos momentos mais intensos, mas que não desaponta de um modo geral.

Enfim, é o famoso filme que você acaba até curtindo pela essência passada e pela ideia em si, mas que no final acaba não passando literalmente de um passatempo bem trabalhado, aonde dava para ir muito mais além com algumas mudanças, o que acabou não acontecendo. Ainda assim, dá para recomendar sem muitas pretensões, pois as dinâmicas ao menos entretêm. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Netflix - Inteligência Humana (Humint)

4/12/2026 12:41:00 AM |

Talvez algumas pessoas me cancelem hoje, mas é impossível ver filme de investigação sul-coreano sem ficar confuso com os personagens, pensando quem é quem ali, ainda mais se próximo ao final um que era "meio" bonzinho resolve brigar com os próprios do time, aí o treco desanda de vez. Dito isso, vou resumir bem o que achei do longa "Inteligência Humana" da Netflix, pois é uma trama interessante por mostrar como as fronteiras dos países vivem de tráficos de todo o tipo, e o humano é algo que anda muito em voga, de modo que as dinâmicas mostradas com informantes e policiais que acabam tendo algum contato maior para tentar achar os levantes de drogas e pessoas acaba sendo bacana de ver, porém é um filme bem confuso entre os protagonistas, com situações calmas demais que cansam na duração e exibição, mas que tem uma boa pegada, claro se você entender completamente quem é quem no longa.

O longa acompanha um agente sul-coreano em uma de suas mais intensas missões de espionagem. Ao resolver investigar os crimes ocorridos na fronteira de Vladivostok pelo cartel russo, ele fica cara a cara com um agente norte-coreano. Agora, ambos terão que lidar com o conflito externo e interno em cada um, brigando por perigos e segredos avassaladores.

Diria que o diretor e roteirista Ryoo Seung-wan até tentou criar um ritmo diferenciado nos atos finais, porém até chegar nele é algo tão sofrível que você acaba se perdendo nas nuances das investigações, e até fica pensando se está vendo algo errado, de tal forma que por muitas vezes pensei em parar e voltar um pouco para ver aonde estava na trama, mas já disse isso algumas vezes que um filme tem de ser assistido como o diretor fez, e não ficar procurando meios, então temos a bagunça na montagem que até seria ruim se não fosse pela história jogada demais na tela, então diria que o erro foi já na concepção da trama, depois na direção de arte que poderia ter ajudado um pouco mais para diferenciarmos os lados da história, e por fim o resultado se perde demais na dinâmica, sendo tudo muito lento na tela, ou seja, uma falha generalizada.

Vou pular a parte das atuações, pois como disse é uma confusão geral com os personagens, de modo que Zoe In-sung como chefe Jo, Park Jeong-min com seu Park Geon e Park Hae-joon com seu Hwang foram todos o mesmo personagem na tela, então apenas a jovem Shin Sae-Kyeong foi mais imponente com a entrega de sua Hwa.

No quesito visual o longa teve algumas cenas interessantes, mostrando principalmente o frio da Rússia, alguns restaurantes interculturais e clubes de prostituição, mas o que chamou mesmo atenção foram os atos finais num leilão de mulheres em caixas a prova de balas, e claro todo o tiroteio imenso que virou tudo, com os compradores fugindo e os agentes atirando pra tudo quanto é lado.

Enfim, acho que até falei demais de um filme que mais me deu sono do que me conquistou, sendo algo confuso e sem grandes chamarizes, que talvez até tenha seu público-alvo, mas acho difícil alguém se apaixonar por ele. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Um Direito Meu (Haq)

3/12/2026 01:05:00 AM |

Quem me conhece sabe que fujo sempre de filmes indianos, mas tenho vários na lista para algum dia dar play, e hoje como não estava vendo nenhum longa que fosse me agradar, resolvi dar o play em "Um Direito Meu" na Netflix, primeiro por não ter colocado nenhum filme envolvendo o tema da Semana da Mulher, e segundo por gostar de tramas jurídicas, porém o longa demorou bastante para entrar no julgamento efetivamente, e o começo é tão enrolado e novelesco que chega a doer, mas fazer o que? O mais bacana diria que é pensar que se hoje já é complicado para uma mulher divorciada conseguir seus direitos, imagina isso nos anos 70/80 na Índia aonde as leis se baseiam muito na religião! Ou seja, o longa tem bons momentos, mostra bem como foi o julgamento do caso, os problemas que a mulher sofreu, mas tem uma pegada exageradamente novelesca, então quem não curtir esse estilo é melhor nem dar play.

A sinopse nos conta que na Índia dos anos 1980, o mundo de Shazia Bano desmorona quando seu marido, Abbas, a abandona, juntamente com seus três filhos, após se casar pela segunda vez. Inicialmente, Abbas concorda em pagar uma pensão mensal para as crianças, mas quando ele para de pagar, Bano toma a corajosa atitude de entrar com um processo judicial. Em resposta, Abbas tenta silenciá-la pronunciando o triplo talaq. O que começa como uma luta pessoal logo se transforma em um debate nacional sobre fé, direitos das mulheres e justiça. A coragem de Bano a transforma em um símbolo de resistência contra o patriarcado.

Diria que o diretor Suparn Varma brincou bem com o roteiro que tinha nas mãos, pois usou e abusou de tudo para alonga e dimensionar sua trama, afinal dava para cortar fácil uns 30 minutos no mínimo do começo e ir direto para os julgamentos, que é aonde a dinâmica realmente faz jus e tudo que vai acontecendo no meio de cada um, mas o estilo indiano de longas é complicado por esse motivo, afinal gostam de criar símbolos, de tentar envolver o público com toda a situação, e por aí vai, mas o resultado em si foi bem trabalhado, contando bem a história do julgamento, de como alguém que conhecia bem o Alcorão pode lutar de igual para igual em diversos momentos, e claro também ver como o mundo machista usava e ainda usa as leis ao seu favor. Claro que analisando como um filme mesmo o resultado poderia ir mais além, mas é o estilo deles esse mais novelesco, então vida que segue.

Agora algo que me irrita demais nos longas indianos é a cara de pilantra que a maioria dos atores possuem, fazendo com que você já torça contra os personagens na primeira fala meio torta deles, e aqui não foi diferente, pois Emraan Hashmi fez um Abbas Khan todo galanteador, amoroso e cheio de facetas no começo, nem parecendo ser metade do que vira depois da metade do longa, sendo literalmente um advogado que não liga para nada a não ser seu ganho em cima da protagonista, ou seja, o tradicional pilantra. Já Yami Gautam trabalhou sua Shazia Bano com muita serenidade, olhares focados e trejeitos bem emocionais, mas diria que foi até seca demais na maioria das cenas, apenas explodindo no último julgamento, ou seja, a atriz se segurou demais durante todo o longa. Quanto aos demais personagens vale leves destaques para os advogados que assumem a causa da protagonista, que Sheeba Chaddha e Aseem Hattangady fizeram muito bem, e Danish Husain que fez o pai da garota de uma forma bem trabalhada, mas nada que fosse expressivo realmente para valer muita atenção.

Visualmente a trama teve uma entrega até que interessante, mostrando no começo o casamento bem bonito, cheio de comemorações e decorações, depois a vivência na casa tendo mais momentos na cozinha e alguns no quarto, depois muitos momentos na edícula da casa aonde a segunda esposa vai morar e mais para frente o inverso, e claro muitas cenas nos tribunais diferentes do país, com um detalhe bem intenso de protestos na casa dos pais da garota, ou seja, algo muito bem produzido e com as devidas representações cênicas na tela.

Enfim, é um filme que tem seu poder por mostrar as brigas judiciais no país que sempre entraram nos conceitos de religião, de castas e de cultura própria, tendo brigas até mesmo do tipo que cada um defende, mas como longa dava para ser menor e mais enfático que funcionaria bem melhor, então fica a dica para quem curte algo mais novelesco para dar play. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Mundo Vai Tremer (The World Will Tremble)

3/09/2026 01:24:00 AM |

Já falei outras vezes que gosto muito da temática Segunda Guerra Mundial para ver como cada país agiu, e como alguns sobreviventes conseguiram enganar bem os nazistas para não virarem pó e poderem contar suas histórias, mas confesso que alguns longas tem falhado bem no quesito emocional que geralmente o tema provoca nas pessoas. E dito isso, o longa da Netflix, "O Mundo Vai Tremer", mostra bem como no começo da Guerra muitos judeus foram completamente enganados pelos nazistas, pois pensavam estar indo e/ou sendo mandados para lugares protegidos, com bons empregos e salários, mas na verdade estavam indo para abatedouros móveis, que antes das câmaras de gás eram caminhões lacrados com seus escapamentos mandando fumaça para todos, e o mais interessante é ver que muitas comissões de judeus acreditavam fielmente nisso, nem acreditando quando um fugitivo conseguiu contar para um rabino tudo o que viu. Claro que a essência em si é forte e funciona bem na tela, mas ficou um clima de algo meio artificial que até mesmo não dá para crer em algumas situações ocorridas, e isso talvez se deva pela falta de uma expressividade mais densa dos protagonistas. Ou seja, é daqueles filmes tão comuns, que você assiste esperando um algo a mais, e que quando não vem isso que esperava acaba sendo decepcionante.

O longa nos mostra que numa tarde aparentemente qualquer do dia 19 de janeiro de 1942, um grupo de prisioneiros do primeiro campo de concentração construído secretamente na Polônia pelos nazistas organiza um plano ousado. Mantidos em cativeiro como coveiros, eles decidem realizar uma fuga aparentemente impossível. Mesmo tendo perdido suas famílias, enterrando-os um por um com as próprias mãos, esse grupo de judeus poloneses está determinado a sair não apenas por suas vidas, mas pela necessidade de alertar o mundo e denunciar as atrocidades ocorridas nesse centro de morte e violência. Enfrentando os tiros dos guardas nazistas, a perseguição da polícia polonesa e os obstáculos da fuga, Solomon Wiener e Michael Podchlebnik se tornam os primeiros homens a escapar de um campo de extermínio.

Diria que o diretor e roteirista Lior Geller até foi bem representativo para contar a história real dos dois protagonistas, porém ele não conseguiu fazer com que a história fosse emocionante o suficiente para prender a atenção do público nas diversas situações pelas quais os personagens viveram para conseguir chegar na cidade, de tal forma que tudo acaba sendo meio que artificial demais na tela, não tendo uma pegada suficiente para impactar. Claro que a história em si é triste de ver, com todas as devidas dinâmicas de enterrar a própria família, ver as pessoas sendo sufocadas nos caminhões e não poder fazer nada, correr baleado e machucado, ter de ajudar os soldados a desatolar caminhão, e ainda assim chegar na cidade e ouvir que o que estavam falando era mentira, mas dava para ter causado mais intensidade nos diversos momentos, e isso acabou pesando na entrega completa final.

Quanto das atuações, diria que os atores Oliver Jackson-Cohen e Jeremy Neumark Jones até tiveram alguns bons momentos com seus Solomon e Michael, porém faltou trabalhar a expressividade deles, pois mesmo tendo alguns momentos tremendo, pareceram estar bem tranquilos em tudo o que estavam fazendo, não parecendo estarem fugindo, com tudo contra eles no caminho, ou seja, faltou a famosa direção de elenco pegar na mão e passar bem o sentimento desesperado para que ninguém duvidasse da imposição cênica dos dois, ou seja, fizeram o básico de forma básica demais na tela. E aí é que entra o grande problema do filme, pois o longa só focou 100% nos dois, esquecendo quase que por completo de tudo e todos que aparecem em cena, e como os dois não conseguiram chamar o filme para si, o resultado acabou ficando morno demais para empolgar e/ou emocionar, e assim sendo quando nos atos finais entra em cena Anton Lesser com seu rabino Schulman, nem ele fica convencido da entrega, e não pode ajudar muito com trejeitos mais explosivos.

Visualmente o longa até tem uma boa pegada, mostrando bem pouco do campo de concentração, tendo algumas dinâmicas dos cavadores de covas, um pouco dos atos com os caminhões aonde muitos morreram pelo gás do escapamento, e também a fuga pelas florestas ao redor, passando inclusive por algumas fazendas, e trabalhando um pouco das vilas da Polônia com o famoso toque de recolher e as dinâmicas mais escondidas, não sendo tão representativo com tudo, mas não sendo algo desapontador por parte da equipe de arte.

Enfim, é um filme que tem uma história com potencial, mas que acabou sendo moldado sem uma explosão emotiva que funcionasse realmente, resultando em algo tão mediano que alguns até vão curtir pela essência histórica, mas a grande maioria acabará se esquecendo dele por não ter nada de grande impacto real para marcar na tela, e assim sendo diria que recomendo com mais ressalvas do que indicações boas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Máquina de Guerra (War Machine)

3/07/2026 02:58:00 AM |

É engraçado que quando vemos uma tonelada de filmes começamos a ver outros não tão originais quanto entregam no nome, pois aparece uma pincelada de um longa ali, outro detalhe de outro acolá, e no final a sopa completa parece algo que você já até assistiu antes, mas que consegue entreter principalmente por esse jogo todo funcionar como uma grande loucura na tela. E hoje tive essa experiência com o longa da Netflix, "Máquina de Guerra", que facilmente me lembrou uns 4-5 filmes pelas essências em si, misturando treinamento militar, combate de guerra, seres extraterrestres, fim do mundo, resgate de soldado isolado, quedas em cachoeiras, e tudo mais que você imaginar, mas que incrivelmente não ficou ruim colocar tudo dentro do liquidificador, pois a essência funciona e a diversão acontece, com mortes violentas no melhor estilo de tramas de guerra, a história prende e no final já até começamos a ver a ideia querer ir para uma continuação, que pode ou não ocorrer com o desfecho, mas que já entregou o que precisava, mesmo com atuações digamos não tão inspiradoras, e clichês que fazem parte do estilo.

O longa acompanha os membros do exército de elite dos Estados Unidos da América, os Rangers, após o exaustivo processo seletivo para a unidade especial. Responsáveis pelas missões mais perigosas do mundo, eles são colocados cara a cara com uma ameaça além da imaginação deles, quando de forma inesperada, uma força extraterrestre complica ainda mais suas vidas.

O mais bacana do diretor e roteirista Patrick Hughes é que ele sabe que seus filmes não vão ser elogiados por algo inteligente e chamativo, de modo que ele já faz suas tramas pensando em como entreter os fãs do estilo pancadaria com ação que vai sair do controle, de tal forma que funcionam sempre dentro do propósito conseguindo brincar com o público. Ou seja, você assiste aos longas do diretor já pensando qual a loucura maior que ele vai conseguir fazer, e aqui na cena da luta final se preparem para o absurdo master da criatividade do diretor, pois ele foi fundo. Claro que ao pegar as várias referências de outros bons longas, o resultado agrada, pois quem vai dar play nele não quer nem saber de reflexões, quer um passatempo para quase duas horas de tela e pronto, e nesse sentido vemos o propósito do diretor funcionar com muitas mortes violentas, tiros, explosões e loucuras, aonde de cara já dava para imaginar quem sobreviveria, e assim é esperar se vão ter coragem de continuar com o fechamento escolhido.

Quanto das atuações, é interessante que nenhum dos filmes que Alan Ritchson já fez uma tonelada de filmes, mas aqui diria que é seu primeiro grande papel principal, de forma que não consigo nem lembrar dele na maioria dos filmes que esteve presente, e aqui ele até entrega muita personalidade e imposição para seu 81, mas ainda assim não diria que vou lembrar dele quando aparecer em outro filme, pois o ator teve pegada, mas nada que impressionasse fora do personagem. Fiquei o longa quase que inteiro me perguntando se o personagem 44 era homem ou mulher, pois tinha um temperamento calmo e sutil, mas entregava boas cenas de força, e ao final vemos que Alex King foi muito bem no que fez na tela, sendo um personagem neutro, mas que agrada nos seus atos. Vou dizer de cara que Stephan James deveria pagar ao invés de receber cachê, pois seus companheiros o carregaram quase que o filme inteiro deitado após o encontro com o bichão, de modo que seu 7 tem um bom começo com liderança forte e imposições, mas depois é literalmente um peso para os demais. Ainda tivemos outros bons personagens, mas sem grandes momentos expressivos, valendo um leve destaque claro para Dennis Quaid, Esai Morales e Jai Courtney como os sargentos e comandantes do treinamento, com os traquejos tradicionais do estilo.

Visualmente o longa tem uma entrega gigante, com cenas de perseguição em florestas, trilhas, corredeiras de rios, cachoeira, além de antes do bichão chegar um centro de treinamento que já vimos em muitos filmes do estilo com arames, pistas de provas, piscinas com os personagens carregando pesos, e tudo mais, e voltando ao personagem principal fizeram realmente uma máquina de guerra como o nome do filme diz, com armas imponentes e muitas explosões, ou seja, a equipe de arte foi bem criativa no estilo que desejavam entregar. Além disso tenho de parabenizar pelos corpos mutilados tanto na guerra inicial quanto na final, pois tudo ficou jogado pelo chão com bom foco para mostrar que a equipe de próteses trabalhou muito bem. 

Enfim, é um filme bacana e honesto com o que propõe, mas assim como todos desse estilo tem tantas cenas com cenas falsas impossíveis de acontecer, que ao tentar deixar de forma "verossímil" conseguiram ficar engraçadas, e assim poderiam ter forçado um pouco menos a barra. Sendo assim recomendo como um passatempo divertido que agrada quem for assistir esperando isso, mas do contrário é melhor nem dar o play, e como era isso que eu desejava ver hoje, acabei feliz com o resultado. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Netflix - Corta-Fogo (Cortafuego) (Firebreak)

2/21/2026 02:29:00 AM |

Quer me deixar feliz com um filme? Me faça ficar desesperado ou irritado com o que é mostrado na tela, e quando junta as duas coisas em um único é o paraíso! E ultimamente o pessoal anda gostando de colocar fogo nas florestas para que as situações fiquem mais tensas, de modo que você precisa torcer pro cidadão não morrer queimado ou intoxicado pela fumaça enquanto algo se desenrola ao redor de tudo. Já tinha também comentado aqui no site que o pessoal da Espanha anda brincando bem com suspenses tensos dentro da plataforma da Netflix, e agora com a estreia de "Corta-Fogo", a brincadeira acabou ficando bem cheia das nuances, e a única coisa que preciso falar de cara (sem dar spoilers) é que certamente muitos irão entrar rapidamente na mente da protagonista, pois você vai desconfiar de algo, e na sequência ela também já percebe a mesma coisa com o surto vindo para o longa ir para outros rumos. Ou seja, é daqueles filmes que tem muita presença na tela, e que consegue funcionar bem do começo ao fim, que claro poderia ser mais emocional, mas acabaria indo para um rumo não tão bom de ver.

A sinopse nos conta que após a morte do marido, Mara viaja com a filha e alguns familiares até à casa de férias da família na floresta, numa tentativa de sarar velhas feridas e preparar a venda da propriedade. Porém, umas férias que deveriam ter sido um adeus ao passado tornam-se num autêntico pesadelo quando Lide, a única filha de Mara, desaparece no exato momento em que deflagra um incêndio florestal naquela área. Isolada, sem ajuda e com o incêndio a avançar descontroladamente, a família arrisca entrar na floresta numa corrida desesperada contra o tempo. A sua única esperança parece ser Santi, o guarda-florestal, mas rapidamente surgem suspeitas e nada é o que parece. Entre o medo, a mágoa e segredos enterrados, Mara apercebe-se de que o incêndio não é a única ameaça… alguém está a mentir.

Já tinha falado muito bem da direção de David Victori no seu longa anterior "Não Matarás", e novamente ele me surpreendeu com um estilo pegado, pois aqui ele combinou bem dois estilos de filmes que se complementam na tela, que é o de desaparecimento com a correria contra forças da natureza, juntamente com o suspense ao redor das relações humanas, ou seja, o famoso conflito para todos os lados, que se sozinhos já causam, imagine juntos, aonde ele pode brincar com várias facetas, e ainda colocar o espectador na personalidade dos protagonistas, afinal duvido que muitos não irão se ver nos papeis principais. A única coisa é que não sei se mostraria o que realmente aconteceu entre o guarda florestal e a garotinha, pois da mesma forma que não é mostrado o como chegou ali, a abertura da mente do público ficaria ainda mais intensa, ou seja, dava para tudo ficar ainda mais forte. Porém, ainda digo que o diretor trabalhou muito bem novamente, e já dois filmes bons seguidos é motivo para ficarmos de olho nele.

Quanto das atuações, gosto dos trejeitos que Belén Cuesta costuma entregar para suas personagens, e aqui sua Mara oscila tanto de humor e personalidade durante toda a duração da trama, que poderia ser até várias pessoas em uma só, mas como qualquer mãe que conhecemos, ela se joga por completo para defender sua cria, e a grande sacada ao final foi a comparação que ela recebeu com uma ursa, o que deu um tom perfeito para tudo que ocorreu. Da mesma forma, Joaquín Furriel parecia ser o mais zen possível com seu Luis, centrado, disposto a ir em busca tranquilamente, mas depois do ponto de virada aonde seu filho também entra na jogada, o cara vira o pitbull defensor máximo da casa, e o ator se entregou por completo nas dinâmicas, tendo um fechamento que merecia um pouco mais, mas seus olhares falaram por si. E ainda tivemos Enric Auquer com seu Santi muito estranho, mas como o personagem pedia, pois é a famosa fala, escondeu no começo, virou suspeito, e o estilão dele chamava atenção demais, de modo que talvez não precisassem explicar tanto sua vida anterior, mas deu ao menos mais chance para mostrar o estilo e as justificativas na tela.

Visualmente diria que a equipe escolheu bem uma floresta interessante para se filmar, porém a forma que deu início ao fogo ficou meio superficial e forçada, com alguns efeitos que poderiam ter sido melhorados, e uma floresta imensa sem casa alguma, e duas casas praticamente juntas acabou parecendo algo meio sem sentido, mas a liberdade de escolha acaba sendo bem colocada quando talvez exista algo realmente assim. Diria também que a equipe soube trabalhar bem as cenas no meio da fumaça, com uma iluminação bem alocada, fazendo parecer realmente que gravaram com muito fogo ao redor, o que deu um bom tom para a trama.

Enfim, é um filme que funcionou bastante, aonde a proposta foi trabalhada e causou o conflito que necessitava para amarrar do começo ao fim o espectador, de tal maneira que alguns elementos poderiam ter sido mais trabalhados e outros menos desenvolvidos, mas que na soma geral agradou muito, então vale a recomendação de play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Conexão Sueca (Den Svenska Länken) (The Swedish Connexion)

2/20/2026 01:47:00 AM |

Sei que muita gente não curte ver filmes sobre a Segunda Guerra Mundial e o nazismo, mas acho tão interessante ver como em cada país tudo foi sentido ou determinante para o sucesso das ideias malucas de Hitler e seus soldados, e hoje a estreia da Netflix foi "A Conexão Sueca" que pra quem não gosta de ver as maldades acontecendo pode conferir tranquilamente, pois aqui é uma trama mais burocrata, aonde vemos um dos poucos países que Hitler não atacou, e como a jogada de um diplomata do último escalão junto com sua equipe acabou salvando muitos judeus aproveitando as brechas do sistema, e claro muita astúcia, para que tudo funcionasse. Ou seja, é daqueles filmes que você fica torcendo para os personagens ao mesmo tempo que se irrita com tanta burocracia, mas que infelizmente é bem assim para que tudo seja dentro da lei. Claro que não é um filme que você vai ficar empolgado ou surtando com toda a interação na tela, mas funcionou muito bem, e principalmente mostrou que a gigante do streaming como produtora consegue brincar com algo bonito para os demais países também, mesmo em dramas, colocando o mesmo estilo que dá para suas tramas de ação.

A sinopse nos conta que Gösta Engzell, um burocrata de baixa prioridade no Ministério das Relações Exteriores da Suécia, se torna um herói improvável em plena Segunda Guerra Mundial. Sendo considerada um país neutro, aos poucos as suas ações políticas a favor dos judeus e das mulheres transformou a Suécia em uma das maiores potências morais da Grande Guerra. Acompanhando todos os embates que ele viveu, o longa busca detalhar os esforços que transformaram a situação em um legado humanitário até os dias atuais.

Diria que a conexão entre os diretores e roteiristas Thérèse Ahlbeck e Marcus Olsson foi algo bem cheio das nuances na tela, pois trabalhar um texto real e cheio de situações complexas de diplomacia e papelada é algo muito difícil, principalmente para se passar ao público de um modo que não ficasse cansativo nem incômodo na tela, e fazendo uma apresentação rápida (e talvez meio desnecessária, mas legal de ver pelos nomes e cargos aparecendo na tela), e logo botando para valer toda a intensidade das negociações, e principalmente da "burrice" dos suecos em não acreditarem que os judeus estavam sendo mortos nos campos, fizeram com que soubessem bem aonde pegar e aonde deixar levar, o que deu um bom tom e dinâmica para a trama. Claro que poderiam ter trabalhado um pouco mais o lado emocional, colocado uma ou outra ficção para dar uma densidade aqui e ali, mas o resultado geral funciona bem, e isso é o que importa.

Quanto das atuações, foi bem bacana trabalharem Henrik Dorsin com seu Gösta Engzell mais singelo e humano dentro de um ministério, pois geralmente são pessoas mais frias e diretas, como vemos nos demais cargos, e o ator não ficou inquieto na tela, demonstrando seus sentimentos com olhares, trejeitos e até lágrimas (disfarçadas de alergia), de tal forma que acabou segurando bem o protagonismo na tela e chamando o filme para si. Sissela Benn não disfarçou muito na tela com sua Rut Vogl, de tal forma que seu entusiasmo foi nítido para o desenrolar do final do longa, e talvez um pouco mais de mistério chamasse mais atenção, mas a atriz foi segura no que fez e agradou. Agora, se você não ficar completamente irritado com o personagem de Jonas Karlsson pode ir se tratar, pois o ator conseguiu deixar seu Staffan Söderström um burocrata de nível tão gigantesco, juntamente com alguém que não conseguia enxergar a realidade acontecendo, que na metade do filme já dava vontade de socar ele, ou seja, fez o que precisava e conseguiu ser irritante como devia. Ainda tivemos muitos outros personagens, aliás esse talvez seja o maior defeito do longa em querer mostrar muita gente "importante" e isso acabou deixando com que os atores não pudessem ir muito além, mas de um modo geral todos os secundários acabaram sendo bem trabalhados na tela sem ninguém que se destacasse mais.

Visualmente a trama foi mais fechada, tendo muitas cenas dentro do gabinete minúsculo que os protagonistas tinham para seu departamento legal, alguns atos nas salas maiores de reuniões dos ministérios, algumas dinâmicas nas embaixadas e também nas sedes da SS, tendo ainda uma chegada de trem e algumas viagens pelo inverno da Guerra, ou seja, focaram pouco nos detalhes, dando mais visão claro para as várias caixas de casos de pedidos de visto sueco, e assim puderam segurar melhor o orçamento na tela.

Enfim, é um filme bem interessante, que talvez pudesse ter ido mais além, mas ainda assim a entrega foi bem interessante para conhecermos um pouco mais de como a Suécia se comportou durante a Grande Guerra, e como muitas vezes o lado mais baixo de uma grande roda pode mudar tudo em um jogo. Fica a dica de conferida e eu fico por aqui hoje, então abraços e até amanhã com mais dicas.


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Netflix - A Cela dos Milagres (La Celda de Los Milagros) (The Cell of Miracles)

2/19/2026 01:08:00 AM |

Desde o dia que vi que iria lançar na Netflix, "A Cela dos Milagres", fiquei na dúvida se era uma refilmagem do clássico da pandemia "Milagre na Cela 7" que explodiu a plataforma de tal maneira que se duvidar hoje de falar o nome para algumas pessoas, elas já começam a chorar, mas não achei nada escrito na ficha do longa, e aparentava ser algo diferenciado, e cá fui conferir ele hoje, na torcida clara para que não fosse destruído o longa original, afinal gostei muito do que vi na época. Começou bem, de uma forma diferente do que lembrava do longa de 7 anos atrás, mas logo começou a ficar muito parecido, mas não um parecido bom, um parecido que tenta explicar ao máximo para o espectador que o sangue é vermelho porque a cor que você está enxergando é vermelha, ou seja, colocando pingos nos is, nos jotas, em tudo mais que fosse necessário, e também desnecessário, de tal forma que começou a me incomodar, e isso é raríssimo de acontecer. Cá chegando próximo ao final que no original nem precisaram explicar que era uma árvore que o cara via no teto, aqui foi contado nos mínimos detalhes tudo o que aconteceu, fora a armação para dar certo tudo. Ou seja, transformaram o drama turco incrível em uma novelona mexicana de qualidade duvidosa, que mais incomoda do que agrada, e assim sendo gastei meu tempo vendo algo que não merecia o meu play.

A sinopse nos conta que um pai devotado é preso injustamente por um crime que não cometeu, deixando sua filha sozinha enquanto ele luta para provar sua inocência.

Nem precisei apostar, foi só abrir o IMDB e ver que a diretora Ana Lorena Pérez Ríos fez uma tonelada de novelas, e agora que fez seu primeiro trabalho de cinema, e o que ocorreu, achou que como em novela tudo precisa ter explicação bonitinha tintim por tintim, pegou o roteiro original do longa turco e simplesmente destruiu, colocando tantos elementos desnecessários, tantos elos jogados, que o filme acabou ficando tão morno que não tem como defender. O mais engraçado de tudo é que o original você ia emocionando com os momentos mais simples possíveis, e aqui nada puxa uma lágrima que fosse nossa, ficando até falso a interação da garotinha nos momentos mais chamativos. Ou seja, o resultado final é daquelas falhas que você fica pensando quem em sã consciência liberou os direitos do longa original, pois até vai lá quem sabe ficar bom numa versão europeia ou hollywoodiana, mas desde que saibam o que estão pegando para não quebrar o que foi bom.

Quanto das atuações, já vi outros longas aonde Omar Chaparro se saiu bem melhor do que aqui com seu Héctor, pois o personagem pedia um estilo mais sutil e não tão forçado, de tal forma que a cada ato ficamos nos perguntando se realmente ele tem algum problema ou está apenas doido, o que no final é bem passado, mas ficou mais parecendo um estilo de surto do que algum problema de saúde mental, o que mostra que o ator não foi bem orientado para as cenas. A garotinha Mariana Calderón até tem um carisma bem chamativo, de modo que valeria ter usado um pouco mais de sua Alma no longa, porém faltou ter momentos chaves mais impactantes, que acabariam marcando e dando a emoção que o filme precisava. Gustavo Sánchez Parra até trabalhou bem seu Tigre, mas mudou tão rápido sua personificação de brucutu para amiguinho, que não convenceu tanto na tela, ficando um pouco artificial demais. E por fim, mesmo aparecendo bem pouco, Jorge A. Jimenez até foi bem impositivo, mas talvez precisasse estar com mais ódio emocional do que apenas rancor nos atos de seu Capitão Avilés. 

Visualmente o longa foi bem pelo menos, tendo uma representação maior da escola da garotinha com seu estilo de corrida, a colocação dos imigrantes sendo repreendidos pelos soldados, um galpão abandonado aonde ocorre o acidente, e até uma cadeia um pouco mais bagunçada, mas com um toque realista do estilo trabalhado pelo filme, ou seja, foi bem acertado as dinâmicas para mostrar bem o trabalho da equipe de arte, mas como já falei algumas vezes produção não salva roteiro e direção ruim, então apenas deu algo mais bem moldado na tela.

Enfim, é o típico filme que dava para melhorar em tudo, mas se só seguisse o básico que era "copiar" o original adaptando para a realidade mexicana já funcionaria bem, então foi completamente desnecessário todo o acréscimo que acabou ficando fraco e sem sentido, e sendo assim não dá para recomendar nem como um passatempo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Uma Carta à Minha Juventude (Surat Untuk Masa Mudaku)

2/05/2026 01:04:00 AM |

Costumo embarcar bem em longas mais sentimentais, porém gosto de ser surpreendido quando entregam aquele algo a mais que vai além da emoção preparada, e hoje precisava talvez de um filme que me fizesse quebrar algumas situações para embarcar, de tal forma que o longa indonésio da Netflix, "Uma Carta à Minha Juventude", parecia que seria a trama ideal para o momento, por trabalhar órfãos e até mesmo o luto como um baque possível para ter boas dinâmicas. Porém acabaram fazendo um filme tão linear e previsível, que a emoção acaba não acontecendo como deveria, e isso não me deixou com um filme ruim para conferir, pois as dinâmicas até que tem um bom sentimento na tela, mas a linearidade e a previsibilidade não foram suficientes para fazer com que o espectador quebrar o eixo total, e isso pesou no resultado.

O longa nos conta que um jovem rebelde tem o seu caminho traçado com um cuidador introspectivo durante a sua passagem por uma instituição de acolhimento. Apesar de todas as dificuldades, os dois passam a criar uma relação sincera e os traumas de seus passados se tornam o combustível ideal para a manutenção dessa amizade. Promovendo uma reflexão sobre as fases da vida, o longa mostra como as experiências da juventude podem moldar toda a fase adulta.

Diria que o diretor Sim F. trabalhou a história real de um modo simples, porém efetivo, pois a história em si funciona, é bem contada e até mostra um certo envolvimento dos personagens na tela, tendo interpretações bem dirigidas dos pequenos e construindo as dinâmicas com uma leveza simples, porém efetiva. Claro que passa longe de ser algo memorável o que fez, talvez pelo roteiro ser simples também, mas o resultado acaba sendo honesto e funcional, que abre a proposta e cria algo "de homenagem" a uma pessoa que fez a mudança acontecer.

Quanto das atuações, os personagens velhos no começo e no final não me encaixaram bem, parecendo até um pouco artificiais na tela, então vou optar por nem falar deles, mas já entrando diretamente em Agus Wibowo fazendo um Simon inicialmente com um carisma até negativo, introspectivo e fechado, não dando aberturas para nada na tela, até a virada no cemitério com o garoto, passando a ser alguém incrível, cheio das nuances, e sendo daqueles que você realmente tem vontade de abraçar até seu ato de fechamento, ou seja, foi bem demais no que fez. O garoto Millo Taslim entregou muita personalidade para que seu Kefas fosse intenso, tendo leves incômodos pela forma que fez algumas dinâmicas, mas sabendo bem da vida do jovem dá para entender. Outra que foi bem na tela, mas um pouco mais em segundo plano foi Aqila Herby com sua Sabrina mandona, cheia de traquejos, e que foi até engraçado que a versão adulta ficou muito parecida com ela, então souberam escolher bem o elenco. Ainda vale alguns leves destaques para Willem Bevers com seu Wahyu fazendo boas conexões, e também para os garotinhos Halim Latuconsina com seu Boni e Jordan Omar com seu Romi, mas sem irem muito além.

Visualmente a trama ficou bem fechada dentro do orfanato, saindo poucas vezes para ir na escola das crianças e também na funerária aonde trabalharam um visual meio carismático demais para um lugar desse estilo, mas nada que irritasse tanto quanto o estilão do dono, e dentro do orfanato tivemos alguns bons momentos nos eventos beneficentes e alguns exageros nas refeições, mas sem grandes chamarizes, valendo claro ver os ensaios do coral e toda a dinâmica em cima da música famosa Kidung que toca umas dez vezes ou mais no longa.

Enfim, é um filme bacana, honesto e que entrega bem a proposta na tela, mas que faltou emocionar mais para que ficasse bem melhor, e assim sendo diria que não atingiu o objetivo que eu procurava hoje que era de me envolver mais com um longa, e assim sendo recomendo ele com algumas ressalvas a mais. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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