Amazon Prime Video - A Lição (The Lesson)

5/27/2024 12:20:00 AM |

Muito se fala que no mundo literário e artístico muita coisa não é original, já que as pessoas acabam pegando uma referência aqui, outra ali, e se não tiver controle o seu livro/filme já vira uma cópia deslavada de outro trabalho que por vezes nem é tão conhecido, e assim sua obra vira a original. E com essa base, o longa "A Lição", que pode ser conferido na Amazon Prime Video, trabalha bem as entonações de um jovem escritor que nunca publicou nada e vai dar aulas de literatura e redação para o filho de um grande escritor, cujo o jovem o tem como ídolo literário, só que ao conviver com a família vê que nem tudo são flores por lá, e com isso acaba envolvido com toda a situação complexa e tensa sem querer viver aquilo. Claro que o longa é algo bem ficcional, mas tem bem essa base do famoso escritor, das muitas referências e das vivências que cada um tem para escrever suas obras, mas diria que o diretor foi muito sintético com a sua trama, pois poderia ser algo mais psicótico, ter cenas mais intensas e criar todo um mote mais chamativo, pois tudo acontece, e pronto, nada é tramado, nada pega a fundo, mas como funcionou, o resultado acaba sendo interessante de ver, porém dava para ser daquelas obras que arrepiaria, e você iria querer ver mais vezes, o que não é o caso.

A sinopse nos conta que Liam, um jovem escritor, aceita ansiosamente um cargo de tutor na propriedade familiar de seu ídolo, o renomado autor J.M. Sinclair. Mas logo Liam percebe que está preso em uma teia de segredos de família, ressentimento e retribuição.

Depois de muitas (mas muitas mesmo) séries, a diretora Alice Troughton resolveu atacar com um longa metragem, e como já disse, um dos melhores gênero para se iniciar é o suspense, pois se você amarrar bem toda a história e ir dando migalhas para o público, quando você apresentar o desfecho já estarão satisfeitos e tudo funcionará muito bem, ou então dar uma bela quebra e surpreender com um final inesperado que acaba dando rumos bem diferentes, e ela conseguiu brincar bastante com a trama, dando as devidas nuances com o andamento do roteiro, encontrou olhares e sacadas bem dispostas, só talvez não necessitasse quebrar o longa em capítulos como em um livro, pois a montagem conseguiria desenvolver isso com apenas alguns cortes, que acabaria resultando em algo mais fluido, mas ainda assim soube dosar os momentos para que o público pegasse bem a linha que ela queria.

Quanto das atuações, Daryl McCormack fez de seu Liam um professor centrado demais, regular, sem grandes nuances, que vai movimentando a casa com as sacadas bem encaixadas, mas sem grandes explosões, como poderia e deveria ter feito, pois mesmo sendo um filme britânico, acabou sendo polido demais até para uma trama britânica, de forma que faltou pegar o papel e soar grandioso com ele, como talvez ficou no fechamento, ou seja, faltou pressão no personagem. Já Richard E. Grant entregou para seu J.M. Sinclair a arrogância em nível máximo, rindo com pose, desdenhando do jovem escritor, mas quando as coisas saem do eixo também se jogou e expressou potência, o que fez dele quase tão mais protagonista que o jovem, e isso deu uma certa quebra na trama. Julie Delpy conseguiu ser bem cheia de artimanhas e sedução com sua Hélène, trabalhando olhares e dinâmicas de uma forma séria, mas bem dosada de estilo, não soando artificial um segundo que fosse, o que deu um tom marcante para a trama. E por fim ainda tivemos Stephen McMillan bem simples com seu Bertie, sabendo trabalhar olhares e ensejos meio que de desdém num primeiro momento, mas depois de muita conexão com o protagonista, demonstrando bem o envolvimento completo na trama.

Visualmente a trama foi bem rica numa mansão isolada com lago, casas de visitas e toda uma ambientação bem fechada para conectar quartos e ambientes dentro do requinte da família, mostrando uma biblioteca bem organizada e obras de arte chiques para mostrar a riqueza que muitos nunca terão, e a equipe de arte conseguiu direcionar bem toda a diferença entre um livro escrito a mão de um no computador, além de belas cenas com tudo sendo jogado no lago e as letras sumindo, ou seja, um trabalho simples, porém bem elaborado cenicamente.

Enfim, é um filme com uma certa pegada, bem colocado dentro de uma história simples, que não diria ter uma reviravolta tão chamativa quanto poderia, mas que funciona e envolve o público como um bom suspense deve fazer, e sendo assim vale a recomendação de conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Metade de Nós

5/26/2024 06:09:00 PM |

Entender o que se passa na cabeça de uma pessoa que comete suicídio já é algo bem complexo, mas para os pais que perdem seu filho é algo quase que impossível, aonde cada um acaba desenvolvendo seu luto de forma bem diferente, e a proposta do longa "A Metade de Nós" é permear essa discussão acompanhando os protagonistas em alguns meses após o caso, colocando suas angústias, ideias malucas que acabam fazendo num momento de surto, e até a quebra do envolvimento entre eles, afinal nem sempre um está disposto a ouvir o que o outro está pensando quando o silêncio faz muito barulho na cabeça. Ou seja, é daqueles filmes que facilmente você olha e pensa vai ficar tão introspectivo que não vou aguentar conferir, mas que os protagonistas conseguiram ir por rumos tão diferentes e ousados que a trama acaba se abrindo mais do que fechando, resultando em algo até que gostoso de ver, com muito sentimento e presença, o que mostra técnica e boa escolha tanto da direção quanto da forma de passar isso para o público. Claro que alguns vão sentir mais, outros vão dialogar e refletir mais sobre tudo, mas a base é boa e mesmo tratando de um tema pesado que já vimos tantas obras usando, acaba sendo leve e interessante de conferir.

A sinopse nos conta que Francisca e Carlos lutam para se adaptar à nova realidade após o suicídio do único filho, Felipe. Mergulhados em fantasias, medos e melancolia, cada um a seu modo vivencia experiências radicais. Carlos se muda para o antigo apartamento de Felipe, alienando-se na vida do filho morto. Já Francisca, assombrada pela culpa, dedica-se a desvendar o enigma do suicídio.

Em sua estreia na direção de longas, Flavio Botelho usou como base sua experiência com a perda da irmã, e isso é algo bem notável na tela, pois sutilmente vemos sua sensibilidade para tratar o tema sem ser justamente um soco no estômago como costuma ocorrer em tramas desse estilo, e isso fez com que seu longa se diferenciasse tanto. Claro que temos uma montagem quase que teatral dos protagonistas, e isso dá um tom diferente para o longa, mas ainda assim a trama tem uma pegada bem densa aonde cada simples detalhe chama a atenção, e claro que os gestuais falam até mais do que o próprio roteiro em si, e dessa forma o acerto foi bem marcado na tela, mostrando um preparo meticuloso para que o filme tivesse algo a mais para mostrar.

Quanto das atuações, diria que Denise Weinberg puxou sua Francisca para um lado mais de revolta e explosão, procurando achar uma solução de culpa e identificação, aonde vemos olhares mais profundos e o pensamento a mil, contando com cenas aonde não consegue dormir, respirar e suas dinâmicas se voltam a alguém mais agitado, conseguindo passar tudo muito mais com o corpo do que com diálogos, o que é bem bacana de ver. Enquanto Cacá Amaral pegou para seu Carlos um lado mais afetivo, mais de necessidade de conversar com alguém, de encontrar um propósito moral e emocional, se desesperando e chorando pelos cantos, e sabendo captar uma essência que nem ele mesmo sabia que tinha, o que acaba dando ares diferentes, mas com muita sinceridade visual e expressiva. Quanto aos demais, apenas temos conexões e dinâmicas, sem grandes anseios maiores para que não perdesse realmente a essência dos pais, mas tivemos boas participações de Kelner Macêdo com seu Hugo e Henrique Schafer com seu Sérgio, que poderiam até ter rendido um pouco mais de imposição cênica na tela, mas que o diretor mesmo optou por deixar em segundo plano.

Visualmente a trama tem uma pegada simples, oscilando entre a casa dos protagonistas e o apartamento do filho, usando e abusando de detalhes de pinturas feitas pelo jovem, sua cachorra, e claro a rotina do casal de comer seu ovo pela manhã, ir nadar, e até mesmo a visita a um apartamento aonde pode se ver o médico do garoto, sendo tudo bem sutil, mas que ao mesmo tempo se abre para as discussões do tema da trama, e como disse ser algo bem teatral, os protagonistas conseguem pegar cada elemento cênico e tornar ele ainda maior do que é, o que mostra uma sintonia bem grande entre equipe e protagonistas.

Enfim, é o famoso filme simples muito bem feito, que tem pegada, tem estilo, e mais do que tudo faz o público refletir sobre o tema tão polêmico que é o suicídio, já que não traz apenas consequências para quem o comete, mas sim tudo e todos à sua volta que precisarão lidar com a vida que precisa seguir, mas que acaba sendo mais difícil do que já é naturalmente. Fica a dica então para conferirem o longa nos cinemas a partir do dia 30/05, e eu fico por aqui agora agradecendo ao pessoal da Sinny e da Pandora pela cabine. Volto mais tarde com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Jardim dos Desejos (Master Gardener)

5/26/2024 02:23:00 AM |

Gosto de filmes aonde o diretor vai direto ao ponto, pois conseguimos curtir mais a trama e se envolver com os personagens, mas também é bacana vez ou outra conferir filmes aonde o diretor tenta entregar mensagens para o público usando algumas metáforas mais abrangentes, de forma que você acaba pensando nas possibilidades e reflexões usando mais do que apenas o que está sendo deixado na tela. E um diretor que costuma ousar por vezes esse estilo é Paul Schrader, que trouxe uma trama bem densa no seu novo longa "Jardim dos Desejos", permeando entre flores, relacionamentos e crimes toda uma ideologia marcante de uma vida nova e complexa, que até flui facilmente na tela, mas que você acaba esperando por um algo a mais que daria frutos mais intensos e acaba não ocorrendo. Ou seja, é daqueles filmes que você fica tentando entender o algo a mais na tela, que tem uma abertura interessante e até levemente poética pelo fato do ensinar o dom da jardinagem para alguém desabrochar, mas tendo por trás um passado negro que pode explodir a qualquer momento, e esse vértice denso acaba floreando a história e agradando de certo modo. 

O longa nos conta que Narvel Roth é o meticuloso horticultor dos Jardins Gracewood. Ele é tão dedicado em cuidar dos terrenos desta bela e histórica propriedade quanto em agradar sua empregadora, a rica viúva Sra. Haverhill. No entanto, o caos invade a existência espartana de Narvel quando a Sra. Haverhill exige que ele aceite sua problemática e conturbada sobrinha-neta Maya como nova aprendiz, desvendando segredos sombrios de um passado violento enterrado que ameaçam a todos eles.

O mais engraçado de ver na trama do diretor e roteirista Paul Schrader é que ele não se fecha em momento algum para a densidade que deseja entregar na tela, de tal forma que seu filme acaba sendo fluido e denso na mesma proporção, conseguindo brincar por vezes com coisas sutis e interessantes de ver, como na mesma cena entra em cheque algo tenso e marcante para refletir sobre a sociedade em si, heranças, culturas e até mesmo sobre o mundo atual aonde vemos a ressocialização de presos como algo difícil de se aceitar. Ou seja, ele sabe permear bem entre fases de sua trama, e principalmente segurar o espectador criando ambientações simples, mas com muitas mensagens subliminares na condução, e isso é uma arte que poucos dominam. Claro que fazer isso no filme inteiro acaba sendo chato de ver, mas no contexto completo acaba funcionando o resultado proposto, mesmo que pudesse ser cortado alguns momentos enfeitados demais.

Quanto das atuações diria que a escolha de Joel Edgerton para o papel principal foi algo muito bem pensado, pois é um ator que consegue ao mesmo tempo entregar alguém "bonzinho", apaixonado por flores e plantas, mas que também entrega uma densidade violenta bem guardada no olhar, e sua entrega acaba fluindo fácil na tela, mostrando um Narvel cheio de camadas, que se você for tirando as peles vai enxergar tudo e verá um ator perfeito para cada ato. Sei que Sigourney Weaver não é mais a mocinha que vimos anos atrás, mas aqui envelheceram tanto ela para fazer uma Sra. Haverhill cheia de desejos e desenvolturas que acaba sendo até estranho de ver, com um ar meio que rabugento, meio que de pessoas que se acham demais, e a atriz soube segurar cada elo de uma forma marcante na tela também. A jovem Quintessa Swindell também soube ser sutil com sua Maya, não criando muitos atos explosivos, mas também não deixando que sua personagem ficasse secundária no meio de duas estrelas, ao ponto que vai ganhando a tela e consegue seduzir bem o protagonista, fazendo atos secos, porém amplos de significado, o que acaba chamando atenção na tela. Quanto aos demais, a maioria apenas teve conexões com os três, então não diria que dá para dar qualquer destaque.

Visualmente a trama tem elos bem bonitos com os jardins, tem uma cena incrivelmente cheia de detalhes quando os personagens atingem seu ápice, e também vemos atos de destruição bem fortes e representativos, com uma boa separação da riqueza e da diferença de classes, vemos alguns momentos em lanchonetes de apresentação criminal bem comum de presos que cumprem sentenças livres, e vários momentos em motéis de estrada, aonde a equipe de arte conseguiu desenvolver bem cada momento do roteiro para que a história tivesse uma vida interessante de se ver, além dos objetos predominantes em quase todas as cenas que foram a tesoura de poda do protagonista e seu diário.

Enfim, é um filme que muitos talvez não se conectem como o longa pede, mas que se analisar bem a fundo todas as ideias e metáforas presentes conseguirá ver um filme intenso cheio de camadas que dá para se pensar bastante, então fica a dica para a conferida nos cinemas à partir do dia 30/05. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo claro o pessoal da Pandora Filmes e da Sinny pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Atlas

5/25/2024 09:37:00 PM |

Não costumo reclamar de ver filmes exageradamente digitais, pois ocasionalmente conseguem compensar o excesso gráfico com histórias mais pontuais e imponentes, porém mesmo gostando bastante da entrega do longa da Netlix, "Atlas", me vi assistindo uma partida de videogame aonde alguém estaria jogando e eu apenas do lado acompanhando (como fiz muitas vezes na minha infância), aonde víamos os personagens passando por fases, lutando contra personagens mais simples até chegar em algum tipo de chefão, com tudo cenograficamente sendo destruído, fogo, computação, inteligência artificial e claro a famosa discussão de até onde vale compartilhar suas vivências para serem transformadas em dados e retornado com algo que lhe conhecerá e saberá como lhe agradar exatamente como você espera ser tratado. Ou seja, muitos irão reclamar da atriz, outros do visual computacional/videogame demais, e alguns vão até dizer que a trama não é algo interessante de ver, mas digo que a sacada do longa é justamente a de entregar como o futuro pode ser um abismo com tantos dados espalhados sendo "dados" para as inteligências, e o quanto isso vai voltar de forma segura para a humanidade, mas claro que o diretor gosta de ação, pancadaria e aventura, então ele permeia essa ideia quase que em segundo plano bem escondido, mas que funciona na tela, e agrada de certa forma.

No longa conhecemos Atlas Shepherd, uma analista de dados brilhante, mas que não se sente atraída e nem confortável para socializar com pessoas. Num mundo totalmente dominado pela tecnologia, não é normal que uma analista possua uma profunda desconfiança em relação à inteligência artificial, mas esse é o caso de Atlas. No entanto, quando uma missão para capturar um robô com um passado enigmático sai do controle, ela se vê obrigada a trabalhar em conjunto com a IA para evitar uma catástrofe iminente. Com a ameaça de um robô determinado a extinguir a humanidade, Atlas embarca em uma jornada de confiança improvável, enfrentando seus próprios preconceitos enquanto luta para salvar o futuro da civilização, sendo uma emocionante exploração dos limites da confiança, da tecnologia e da determinação humana diante de uma ameaça existencial.

O estilo de aventura do diretor Brad Peyton é algo que você tem de se acostumar, pois ele não tem insegurança alguma em colocar efeitos aonde você menos esperar, de tal forma que se a protagonista gravou uma cena só sem ser com fundo verde foi muito (talvez a da casa dela), pois todo o restante você vê a formatação escolhida pelo diretor em toda síntese possível e imaginária, e quanto da história como disse no começo até tem um viés interessante para se pensar em como o mundo será daqui alguns anos com toda a loucura de inteligência artificial, mas que dentro de toda a interação, lutas, tiros e explosões acabamos nem percebendo toda a ideia colocada de fundo, o que é uma pena, pois dava para trabalhar com tudo e ainda dar essas devidas nuances, mas não é o estilo do diretor, então já vamos assistir sabendo disso que não tem erro.

Quanto das atuações, tem quem não goste de Jennifer Lopez atuando, mas aqui até que entregou bem a protagonista, fez bons trejeitos e claro sendo produtora do longa faria o que quisesse, afinal o dinheiro é dela, então pegou o estilo e viveu dentro da tela verde toda a interação que a trama pedia, fazendo olhares e caras bem tradicionais e desesperados, o que qualquer uma atriz poderia fazer, afinal a personagem Atlas mesmo tendo o protagonismo, não se impõe na tela, então até se quisessem usar uma pessoa criada por IA funcionaria. Poderiam ter usado mais o personagem de Simu Liu na tela, pois o ator sempre trabalha intensidades fortes e chamativas, e aqui seu Harlan tinha tudo para ser uma IA imponente e chamativa, mas apareceu praticamente só em memórias e nos atos finais, ficando meio sem uso. Agora quem acabou aparecendo quase que em looping, morrendo e renascendo das cinzas, com diversas cópias foi Abraham Popoola com seu Casca, que chega até incomodar, mas como a proposta era essa e o ator soube aproveitar bem o estilão, o resultado acaba sendo bem colocado. Dentre os demais, diria que Sterling K. Brown entregou uma certa personalidade bem encaixada para seu Elias Banks, não sendo explosivo demais nos trejeitos, mas botando tudo pelos ares, e Mark Strong até teve uma pegada bem direta como General Boothe, mas sem dúvida o destaque completo ficou para Gregory James Cohan pelo tom de voz e desenvoltura que entregou para seu Smith, sendo preciso de sacadas e entonações para criar muito carisma para o papel e chamar atenção sem aparecer realmente em cena.

Visualmente se você já jogou qualquer jogo espacial no videogame vai olhar para a tela e ver seu jogo lá, pois tudo é artificial, tudo tem um ar computacional para onde quer que olhe, de tal forma que se os planetas lá fora forem assim melhor nem ir procurar vida por lá, que o povo já vai ter cansado, e melhor ficar na Terra mesmo, de tal forma que a equipe de arte acabou exagerando um pouco no tom computacional de tudo, valendo apenas pelos robozões que os personagens ficam dentro, mais pela imposição do que tudo.

Enfim, apenas digo que como história funcionou, e acaba sendo algo que gostei de ver, mas que dava para ter ido bem mais além, e mesmo o visual sendo interessante de ver por lembrar bons jogos de videogame, acabou me dando muita dor de cabeça, ou seja, são cores fortes em movimento que numa telona grande então com 3D seria fácil de passar mal mesmo. Ou seja, veja como um passatempo sem esperar muito dele, que aí vai valer o tempo gasto, agora se for esperando algo a mais, melhor dar play em outro filme. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vou conferir mais um hoje, então abraços e até logo mais.


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Fúria Primitiva (Monkey Man)

5/25/2024 02:48:00 AM |

Costumo sempre falar que tem de ser muito maluco de iniciar na carreira de diretor enfrentando um longa de ação e pancadaria, e se isso fosse pouco alguns ainda resolvem atuar dentro do próprio filme como protagonista, o que beira a insanidade máxima, e um dos atores que mais impressionaram em diversos filmes resolveu fazer dessa forma sua inserção no mundo da direção dos longas, entregando algo que pode parecer com um "John Wick", mas que fez de sua "Fúria Primitiva" algo mais puxado para o lado social de uma Índia corrupta, suja e sem escrúpulos, do que um conflito com uma máfia organizada como é o caso da trama americana. Ou seja, o que vemos na tela é algo bem imponente, violento, mas cheio de simbolismo e reflexão política usando uma opressão nos mais carentes e diferentes e a famosa busca por vingança de um crime, que facilmente poderia ter se tornado um dos filmes mais marcantes dos últimos anos, e a resposta para isso não ter acontecido é tão ingênua quanto o início da maioria dos diretores: cortar pedaços do filho, pois a trama que tem 121 minutos com 100 ficaria perfeita, não teria tantos atos repetitivos e ainda assim entregaria o mesmo teor, só que melhorado.

O longa é um conto de vingança e redenção que segue a jornada de um jovem anônimo, conhecido apenas como Kid, que ganha a vida em um brutal clube de luta underground. Noite após noite, sob uma máscara de gorila, Kid é espancado por lutadores mais populares em troca de dinheiro. No entanto, após anos de repressão, sua raiva acumulada explode quando ele encontra uma maneira de se infiltrar na elite sinistra da cidade. Inspirado na lenda hindu de Hanuman, que representa força e coragem, Kid emerge como um símbolo de determinação implacável. À medida que um trauma de sua infância ressurge, suas mãos misteriosamente marcadas tornam-se instrumentos de justiça, desencadeando uma saga explosiva de vingança contra aqueles que tiraram tudo dele. Com uma narrativa intensa e repleta de ação, Fúria Primitiva explora os limites da dor, da redenção e da capacidade de superação. Este filme promete uma montanha-russa emocional, enquanto acompanha Kid em sua busca por justiça e paz interior em meio ao caos da vida urbana.

Tirando o fator de economia de cortes, diria que a estreia de Dev Patel na direção foi algo bem positivo, pois conseguiu criar um longa dinâmico, imponente e claro crítico ao Estado indiano, aonde claro mesmo tendo um cunho social real não podemos esperar cenas críveis dentro das lutas e intensidades, afinal nesse estilo permite-se maluquices com tiros que erram facilmente o protagonista, vilões que ao invés de alvejarem o protagonista com tiros resolvem partir para socos e facadas, e até mesmo a loucura de um roubo de carteira acabou sendo agigantado, ou seja, você tem de ver filmes desse estilo com a mente aberta e pronta para todo tipo de loucura em cena, e Dev não economizou nesse sentido, deixando tudo fluir como se fosse bem natural, o que sabemos que num dia a dia comum não ocorreria nada nem perto do que aparece na tela. Ou seja, se ele for seguir essa linha de ação como diretor, talvez a melhor recomendação possível é deixar a edição nem ficar perto dele para poder cortar, e mesmo sendo um excelente ator ficar somente atrás das câmeras, pois aí não precisa se expressar tão fortemente para se ver na tela, o que é bem notável que ocorreu aqui.

E falando das atuações, agora Dev Patel como ator trabalhou seu Kid com a explosão máxima possível, lutou bastante, apanhou bastante (ele ou o dublê!) e soube fazer trejeitos bem expressivos para que seu personagem mesmo não sendo um brucutu tradicional de filmes do estilo se jogasse na tela e mostrasse imponência, ou seja, fez bem o que sabe fazer. Sikandar Kher trabalhou o delegado Rana com trejeitos durões bem colocados, mas se desenvolvendo pouco em cena, o que talvez pudesse dar alguns ares mais marcantes com dinâmicas mais trabalhadas, o que aumentaria ainda mais a duração do longa, então melhor ficar com apenas o flashback e depois lutando contra o protagonista. O guru Baba Shakti foi bem interpretado com nuances calmas e marcantes por Makrand Deshpande, mas com o mesmo problema de Rana, pois sua introdução foi rápida e estranha demais, mesmo tendo uma quantidade grande de cenas, mas não decepcionou em cena. Ainda tivemos bons momentos com Pitobash com seu Alphonso vendendo muitos tipos de drogas na boate, Ashwini Kalsekar bem colocada como a dona do clube, e até Vipin Sharma bem marcante como a trans Alpha, mas foi Sharlto Copley quem conseguiu se destacar entre os secundários com seu Tiger bem marcado e imponente como um bom dono de ringue deve ser.

Visualmente a trama tem uma pegada meio que de cinema noir, com tons escuros e bem puxados para o vermelho, lembrando um pouco "Sin City", com muita sujeira nos ambientes contrapondo com o luxo do clube, muitas referências desenhadas para dar o tom da história, muito sangue cenográfico voando para todos os lados, e ambientes recheados de figurantes para criar algo ainda mais grandioso, mostrando que a equipe de arte trabalhou bem conectada com a equipe de coreografia para que o funcionamento cênico não ficasse bagunçado. Agora aceito muita coisa em filmes desse estilo, mas um tuktuk turbinado quase voando baixo foi abusar demais da minha mente.

Enfim, não é um longa perfeito como já expliquei bem, mas que empolga, diverte com alguns absurdos e funciona na tela mesmo sendo alongado demais, mas que para um primeiro trabalho de direção foi uma boa amostragem do que aprendeu vendo e fazendo muitos filmes, então veremos se vai manter essa essência nos próximos, e claro digo que vale a conferida. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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De Repente, Miss!

5/24/2024 09:42:00 PM |

Costumo dizer que nada que é feito industrialmente no mundo da arte dá certo, e alguém precisa parar Hsu Chien Hsin, pois já é seu terceiro filme no mesmo ano, e o segundo estreando no mesmo dia, e ainda tem mais um para esse ano, ou seja, nem ele sabe mais o que está fazendo, tanto que o longa de hoje, "De Repente, Miss!" é daqueles que eu não consigo classificar em gênero algum, não sendo comédia, drama, nem uma novelona jogada, nem um pedaço estendido de alguma série, sendo algo apenas que você vê, acha legal pelo empoderamento materno da protagonista, e sem expressar qualquer reação que seja do que viu na tela, sai da sessão, e isso é algo errado demais de acontecer, pois no mundo das artes você precisa gostar ou não de algo, e não consigo dizer o que senti pelo filme. Claro que algumas mães vão se ver nos dois lados da trama, alguns vão simpatizar pelo estilo escolhido da protagonista, mas o diretor não conseguiu imprimir nada na tela, ficando aquele branco simples demais que não agrada.

A sinopse nos conta que Mônica é publicitária, mas abandonou a carreira promissora e o aumento do salário para cuidar de seus dois filhos, Luíza e Leo. Beirando seus 40 anos, ela não está nada feliz com as escolhas de sua vida, e se sente triste que sua filha, uma influencer em ascensão, não a vê mais como fonte de inspiração. Para comemorar o aniversário, seu marido, Marcus, decide organizar uma viagem em família para o Beach Park Resort, no Nordeste do país. Com sua rotina já organizada, Mônica entra em pânico por ter que quebrar o calendário de seu dia-a-dia, mas acaba dando uma chance para a ideia do marido. Logo na chegada, Mônica conhece Flávia, ex-modelo, ex-atriz e atualmente detentora da coroa do concurso de beleza do resort. Luíza e Flávia se ligam instantaneamente, para frustração ainda maior de Mônica. Mais do que nunca, reconquistar a amizade e a admiração da filha será uma missão e para completá-la, Mônica enfrentará o que for preciso… até mesmo disputar o concurso Miss Beach Star.

Como comecei falando, o diretor Hsu Chien Hsin pode ser considerado quase um metódico do cinema indiano no Brasil, pois não desliga, e já não está mais conseguindo mostrar que tem estilo, pegando quase sempre os mesmos atores e entregando propostas na telona, e não mais histórias ou dinâmicas, o que embora seja algo interessante de falarmos que o Brasil tem uma indústria cinematográfica, mas que é ruim por não ter mais qualidade ou embasamento para entregar algo, do tipo que você vê que as pessoas vão conferir seus filmes por gostar de um ou outro ator, mas que não riem na sessão, não se emocionam, nem nada, apenas assistem, e isso desanima. Claro que seus produtores são bem espertos, pois na maior parte dos filmes sempre rola uma propaganda master, como é o caso aqui do Beach Park e das milhas da LATAM, mas então eu não paguei para ver um filme, mas sim para uma propaganda moldada na telona, e isso precisa ser revisto antes que vire uma bola de neve gigante com ele fazendo 10 filmes por ano.

Quanto das atuações, gosto de ver que Fabiana Karla sempre se entrega bem para suas personagens, e mesmo fazendo um papel que não combinei tanto com ela consegue trabalhar a mensagem e fazer algo próprio bem encaixado, e aqui ela fez certíssimo de não forçar a barra com sua Mônica, de forma que agrada com o que faz e segura o protagonismo na tela, mesmo que seja simples, mas não decepciona e se sai bem. Giulia Benite também está no outro filme do diretor que estreou nessa semana, e aqui sua Luiza é completamente diferente de todos os personagens que já fez, tanto que num primeiro momento até fiquei pensando se era ela mesmo, mas depois se entrega e vemos seus traquejos tradicionais que agradam e funcionam para a proposta do filme. Outra que quase sempre está nas produções do diretor é Danielle Winits, e aqui sua Flávia é forçada demais, tendo um ar que chega a dar pena, mas que é a proposta de uma mulher que só vive para ser Miss e nada mais, ganhando o concurso infinitas vezes e não sendo mais que isso, algo que ela sabe fazer bem, mas que não precisava. Quanto aos demais, todos tentaram ser simpáticos na tela, valendo um leve destaque para o marido entusiasmado vivido por João Baldasserini e a amiga que sabe empoderar bem a protagonista vivida por Polly Marinho, mas nada que fosse surpreendente, ou seja, todos bem básicos na tela.

Visualmente diria que dava para terem aproveitado muito mais o espaço do Beach Park, pois como já foi usado em outro filme nesse ano também fazendo pura propaganda, sabemos que tem espaços mais legais do que apenas uma piscina, uma quadra de vôlei de areia, o mar e algumas salas para convenções e concursos, ou seja, a equipe de arte deveria ter se imposto mais para que o diretor usasse os recursos que tinham. 

E falando em recursos, concordo que é caro pagar trilha sonora, mas só alguns toques quase polifônicos de celular foi algo de produtor muito mão de vaca mesmo.

Enfim, volto a dizer que o que vi na tela não é algo ruim, apenas não foi um filme, e isso acabou desapontando bastante, e o outro casal que estava na sala não vi eles rindo ou expressando algo também durante o longa, pelo contrário, começaram até conversar sobre outros assuntos logo que a sessão acabou. Ou seja, minha recomendação é que se você quiser "prestigiar" o diretor e o cinema nacional, vá conferir "Morando Com o Crush", que ao menos é gostosinho de ver. E é isso meus amigos, vou encarar mais um filme hoje, pois esse não valeu, e só não vou dar uma nota menor, pois ao menos a protagonista se saiu bem nessa propaganda alongada, então abraços e até logo mais.


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Furiosa: Uma Saga Mad Max em Imax (Furiosa: A Mad Max Saga)

5/24/2024 12:59:00 AM |

O mais interessante de ver no longa "Furiosa - Uma Saga Mad Max" é que o diretor não perdeu a mão na criação de histórias, pois desde que criou a franquia lá em 1979, muitos falaram que não daria certo um mundo pós-apocalíptico, depois de muitos anos passados lá em 2015 disseram que era maluco gravar realmente no meio do deserto uma produção gigantesca, e agora ele volta para o meio do nada para entregar uma trama que ainda não conhecíamos sobre o meio do caminho, com muita imponência técnica e uma boa entrega, e só isso já faz valer a conferida completa do longa na maior tela possível, porém como o longa de 2015 foi tão incrível, cheio de adrenalina, explosões, carros monstruosos, aqui ficou parecendo faltar algo que nossos queixos caíssem para se impactar novamente. Ou seja, em momento algum estou dizendo que ficou ruim, ou que tenha nos sido entregue algo comum demais que já sabíamos 100% do que ocorreria, mas talvez pudessem ter explodido mais coisas na tela, para que o filme não dependesse tanto dos atores, pois embora sejam dois bons atores à frente do projeto, eles não conseguiram dar as nuances necessárias para impactar realmente.

O enredo segue uma jovem Furiosa, sequestrada de seu lar, o Lugar Verde de Muitas Mães, por uma grande horda de motoqueiros liderada pelo senhor da guerra Dementus. Cruzando Wasteland, eles alcançam a Cidadela, dominada pelo Immortan Joe. Enquanto os dois tiranos disputam o domínio, Furiosa se vê envolvida em uma batalha incessante para retornar ao seu lar. O filme oferece uma visão mais profunda do universo de Mad Max, explorando os motivos e desafios enfrentados por um dos personagens mais marcantes da franquia.

Falar do diretor e roteirista George Miller é praticamente ficar repetindo a mesma frase sempre, pois se tem alguém que não pega um filme se não for colocar a produção toda no nível máximo é ele, e isso ficou muito claro com as entrevistas que deu depois de fazer o longa em 2015, demonstrando que arriscou tudo levando câmeras, geradores e tudo mais para o meio do nada, filmando tomadas em alta velocidade para impressionar e tudo mais, e aqui embora acredite que tenha usado efeitos de duplicação, ele ainda assim levou muitas motos para o meio do deserto para que sua tomada ficasse grandiosa, tenha colocado alguns carros loucos para subir os paredões de areia e criado todo um ambiente convincente nas duas cidades principais da trama. Ou seja, ele não economizou na produção e nem na história, pois o maior medo que tinha era ser algo que apenas enrolasse até chegar na cena inicial do filme de 9 anos atrás, mas não, ele criou todo um argumento bem trabalhado e fez com que a história se expandisse até o devido ato, só não sei se sobrou espaço para criar mais algum outro trabalho no meio de tudo, mas no quesito texto e direção ao menos dominou a tela.

Quanto das atuações, já repeti isso várias vezes, mas me incomoda demais a falta de trejeitos expressivos de Anya Taylor-Joy, pois ela domina muito bem os diálogos e dinâmicas de sua Furiosa e de qualquer outro personagem que lhe dê, mas no conceito expressivo é sempre a mesma cara e o mesmo olhar, e isso pesa demais em filmes aonde você precisa impactar corporalmente como é o caso aqui, que no filme de 2015 foi vivida por Charlize Theron, ou seja, uma responsabilidade imensa que ela não fez como poderia, claro que não digo que ela tenha se saído mal com o que fez em cena, mas faltou personalidade para um papel forte. Chris Hemsworth entregou atos bem marcantes com seu Dementus, porém mesmo sendo um personagem imponente, pelo estilo meio que sarcástico demais acabou lembrando muito seu Thor, ou seja, pareceu não ter abandonado o seu papel icônico e talvez com algum outro ator o resultado chamaria mais atenção. Se me falassem que não tinham mudado o ator que fez o Immortan Joe, eu acreditaria, pois Lachy Hulme praticamente entregou os mesmos trejeitos e entonações que Hugh Keays-Byrne fez no longa de 2015, mas como aqui o personagem não foi tão além, ele apenas segurou a onda. Agora quem chamou muita atenção na tela foi Alyla Browne como a jovem Furiosa, fazendo trejeitos fortes e imponentes, e sabendo segurar a tensão no olhar em todos os seus momentos, o que acaba sendo bem interessante de ver na tela. Ainda tivemos alguns atos bem colocados de Tom Burke com seu Pretorian Jack, que valeria ter sido mais explorado na tela, e também Nathan Jones e Josh Helman como filhos de Immortan que entregaram trejeitos fortes, mas não foram muito além.

Visualmente o longa é um luxo completo que vai fazer muita gente sair limpando os óculos depois de tanta areia voando pela tela (acho que conseguiu ganhar de "Duna 2"), tendo um bom aspecto montanhoso para os carros e motos ficarem subindo e descendo, alguns precipícios interessantes (que poderiam ser mais imponentes na tela para dar mais profundidade), duas cidades bem marcantes como a das armas e a do combustível (que também valeria ter entrado em mais detalhes e não ser apenas lugares para os personagens passarem), e um pouco da Cidadela do filme de 2015 e uma rápida amostragem do lugar bonito que Furiosa vivia, ou seja, a equipe de arte não foi valorizada quanto poderia em suas construções, deixando tudo nas mãos das motos e do caminhão gigante, sem grandes aspectos que levassem o filme para o mesmo patamar que vimos em 2015.

Enfim, diria que gostei do que vi na tela, entrei no clima da história, mas confesso que esperava muito mais dele, talvez com outros atores que se entregassem mais o resultado seria outro, porém ainda assim é algo que vale mais do que apenas um passatempo, e agora é ver para onde vão no futuro, pois o diretor já anunciou que está trabalhando em mais um filme da saga, não revelando muitos detalhes, então veremos no que vai dar. E é isso meus amigos, fica assim sendo uma recomendação de ir conferir numa sala gigante, pois o que faz valer no longa é o tamanho dos ambientes na tela, então em casa é capaz de não impactar e nem agradar como poderia. Eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Nahir: Entre a Paixão e as Grades (Nahir)

5/23/2024 12:51:00 AM |

Costumo dizer que uma das grandes diversões que gosto de fazer é conferir filmes de crimes com julgamentos possíveis para o público, pois mesmo alguns sendo histórias reais, a forma que um diretor conduz sua obra, por vezes, dá margem para que a sentença dada não seja a mesma que ele quer, e que o público quer ver, e sem dar spoilers a versão final que a protagonista do longa da Amazon Prime Video, "Nahir - Entre a Paixão e as Grades", conta para uma advogada e que foi recusada no caso verdadeiro é muito mais crível que todas as outras que o longa simula, o que mudaria todo o processo por completo. Ou seja, a trama tem uma pegada meio que de novelona argentina, e até achei que a moça ia ser meio Richtofen pelo pôster, mas de certa forma o resultado acaba sendo interessante e funciona na tela, criando essa ideia de podermos meio que analisar quem estava certo no julgamento, julgar as atitudes da garota e do rapaz, e claro próximo ao final ter uma ideia ainda mais diferenciada de uma terceira possibilidade, que como já disse foi julgada improcedente, então confira e faça o seu próprio julgamento, já que o estilo permite essa funcionalidade.

O longa nos mostra um dos casos mais polêmicos dos últimos anos, este filme se baseia na história real de Nahir Galarza e do assassinato de seu namorado que deixou a nação em choque. Ela foi a ré mais jovem da história da Argentina a ser condenada e sentenciada à pena máxima, porém, a dúvida ainda permanece: teria sido esse um crime passional ou a verdade ainda deverá ser descoberta?

Claro que o diretor Hernán Guerschuny está levando muitas bordoadas pelos familiares e amigos do rapaz morto por estar fazendo um filme enquanto eles estão pedindo justiça, porém o roteiro em si ainda coloca a culpa em alguém, e mostra que ele foi morto de maneira impiedosa, independente se fazia abuso mental ou não da namorada como o advogado da garota tenta provar para inocentá-la, então a justiça seguiu sendo mostrada na tela com a garota presa, mas a grande sacada que muitos nem irão ver por ficar só falando ao invés de dar play, é que o diretor soube dar esse vértice opinativo para o público, e isso já fez com que suas cenas deveras repetitivas funcionassem bem na tela e saísse do comum desse gênero, mas certamente dava para criar mais tensão ao invés de se enrolar com repetições, pois aí o filme iria para um outro patamar.

Quanto das atuações, diria que Valentina Zenere fez alguns trejeitos meio que densos demais, quase puxando para um ar de psicopatia mesmo para sua Nahir, de tal forma que chega a dar mais medo de seus olhares do que ficar com qualquer pena dela, e isso talvez force um pouco o olhar do público para essa vertente da história, mas diria que a atriz soube dominar bem o ambiente da trama e entregar o protagonismo que precisava. Cesar Bordón fez um Marcelo que entrega tudo só com olhares, sendo daqueles pais que você respeita e apenas acena a cabeça sem trocar meias palavras, claro que o estilo policial lhe caiu bem, e assim deu todas as nuances necessárias que o papel pedia. Simón Hempe fez um Federico meio que forçado e explosivo demais, de modo que muitos vão achar até que é uma versão da história própria para acusar a vítima da história verdadeira, de tal forma que poderiam ter trabalhado ele menos exagerado nas explosões. Quanto aos demais a maioria fez apenas participações, tendo alguns leves destaques para os delegados e advogados, mas sem grandes atos que merecessem destacar os nomes.

Visualmente como já disse a trama ficou um pouco repetitiva demais, mostrando o crime de vários ângulos e intenções, trabalhando um pouco o julgamento, um pouco da jovem na cadeia, e claro muitas festas e ações na casa da protagonista, sempre detalhando a arma do crime de facílimo acesso em cima da geladeira (algo meio absurdo em uma casa com um jovem deficiente!) e mostrando que a equipe de arte também foi bem sagaz nos detalhes dos ambientes para realçar suas opiniões para o público, ou seja, é o simples bem feito que vale a pena.

Enfim, é um filme que não vai ser memorável e nem considerado algo impactante no streaming, mas que tem uma pegada bacana para quem gosta de opinar em casos jurídicos no cinema, então diria que funciona dentro da proposta. Claro que dava para ter ido muito mais além, ter dado algumas nuances mais ficcionais, mas sairia do eixo filme baseado em fatos reais, então veja ele dessa forma e opine sobre o caso, afinal não somos o júri nem de defesa nem de acusação do caso real. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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The Shift - O Deslocamento (The Shift)

5/22/2024 12:41:00 AM |

Sei que a ideia é evitar comparações para que não sejam criadas expectativas, mas é inegável que muitos  (não religiosos) que forem conferir "The Shift - O Deslocamento" nos cinemas à partir de quinta-feira 23/05 verão algo muito semelhante aos filmes antigos "Jumper" e "Looper", claro que com outra pegada e simbolismos, mas toda a ideia de viagem temporal usando arquétipos de multiverso para tentar reencontrar a amada e quem sabe também o filho é muito semelhante, porém estamos diante de uma ficção científica religiosa, produzida pela Angel que trouxe "O Som da Liberdade" ao mundo e também o estúdio por trás de "The Choosen", que vai trabalhar fé, escolhas, e principalmente o oportunismo que um ser do mal tenta dar vazão com as mudanças de universo para que tudo saia do seu modo, e as pessoas esqueçam de Deus. Ou seja, ainda é um filme religioso, que muitos tendem a reclamar e outros se apaixonar pela ideia, mas felizmente viram que dá para fazer algo sem ser um dramão cansativo e meloso, brincando com cenas rápidas, bem encaixadas e com situações diferentes, de tal forma que facilmente os jovens das igrejas conseguirão se conectar melhor, e até mesmo quem não for religioso não se incomodará com a base, pois o longa tem estilo e agrada bastante sem precisar ficar apelando, e isso mostra a preocupação em novidade dentro do meio, o que é muito bom de ver.

A sinopse nos conta que após um encontro com o enigmático Benfeitor, Kevin se vê arrastado para uma série de realidades alternativas. Desesperado para reencontrar sua esposa, Molly (Elizabeth Tabish), ele embarca em uma busca desafiadora e perigosa através de mundos distópicos e desconhecidos. Enquanto luta pela sua sobrevivência e tenta decifrar os motivos por trás da intervenção do Benfeitor, Kevin é confrontado com escolhas difíceis e dilemas morais. Cada nova realidade apresenta obstáculos únicos, testando não apenas sua determinação, mas também a sua fé no amor verdadeiro. Com reviravoltas emocionantes e uma narrativa cativante, The Shift - O Deslocamento é uma aventura de tirar o fôlego que explora os limites do que o telespectador está disposto a enfrentar pelo bem daqueles que se tem amor e apego.

Embora seja a estreia do diretor e roteirista Brock Heasley em um longa metragem, ele fez em 2017 a versão curta da mesma história, ou seja, testou bem e claro vendeu os direitos para fazer algo maior e mais imponente, o que acabou dando muito certo, pois como já disse a base do filme é religiosa e usa um pouco da história de Jó embasada na Bíblia, só que não ficou preso em algo metódico e marcado apenas para os religiosos, conseguindo que seu filme tivesse uma pegada mais ficcional envolvente, que brincasse com o que mais se tem falado no mundo do cinema que são os famosos multiversos e aparelhos capazes de se transportar entre eles, de tal forma que ainda ousou bem na briga entre bem e mal, e também na fé e na perda dela. Ou seja, é o famoso mirar em algo que já é grande e acertar em algo maior, aonde a compostura técnica não chega a ser brilhante, tendo alguns momentos que davam para elaborar um pouco mais, mas que mostrou uma direção centrada e certeira, o que certamente o qualifica para esperarmos mais do diretor, principalmente nessa linha que vai fazer sucesso.

Quanto das atuações, diria que Kristoffer Polaha segurou muito bem todo o protagonismo, entregando atos bem encaixados para seu Kevin, ousando trejeitos fortes, fazendo toda uma passagem de alguém elegante para quase um mendigo, fora suas várias outras versões mostradas num telão de cinema, numa alegoria bem interessante, ou seja, se doou ao máximo para o diretor e conseguiu convencer dentro do que o filme pedia. Neal McDonough conseguiu passar um ar não tão diabólico para seu Benfeitor, de forma que ele convence naturalmente como uma pessoa comum que quer vender algo e vemos muitos assim, que tentam tirar o sonho das pessoas só com a lábia e o olhar, ou seja, conseguiu chamar atenção e agradar sem precisar usar de estereótipos comuns em filmes do gênero. Ainda tivemos bons atos com Sean Astin com seu Gabriel e até mesmo alguns atos bem encaixados de Elizabeth Tabish com sua Molly deram o tom para marcar as cenas mais formatadas da trama para cima do protagonista, sendo que cada um do seu modo soube passar a sua mensagem e chamar atenção sem sobrepor o personagem principal, mas quem conseguiu transparecer bem e vale o destaque pelo teor desesperador foi Rose Reid com sua Tina, pois mesmo tendo praticamente duas cenas para si, foi marcante e tensa de ver.

A equipe de arte também foi bem dinâmica, criando ambientes meio que distópicos, mas sem criar realidades paralelas exageradas, trabalhando o mundo principal para onde o protagonista vai com policiais imponentes com capacetes meio que robóticos, um ar sujo e meio que abandonado, muita miséria pelas ruas e tendo base cinemas para ver sua versão em outras realidades como algo que as pessoas gostam de ver, além de toda a ideia de uma encenação do principal ato de renuncia, ou seja, isso só na base principal, além de algumas passadas por outros universos bem interessante que o visual fez bem a diferença na tela.

Enfim, não vou afirmar que muitos não religiosos vão se apaixonar pela obra, aliás alguns vão reclamar bastante, porém dentro desse estilo acredito que tenha sido um grande passo para uma mudança efetiva no gênero sem precisar forçar a barra com dramas cansativos e exagerados, caindo para um vértice ficcional que vai levar mais jovens religiosos ao cinema, e conhecerem algumas passagens bíblicas sem toda a fantasia abstrata que muitas vezes não convence, mas que em uma trama de ficção certamente vai causar mais, então fica a dica para mais diretores arriscarem dessa forma, e também fica a recomendação para que todos vá ao Cinemark de sua cidade conferir à partir de quinta dia 23/05, pois aparentemente é uma exclusividade da rede de cinemas no país. E eu fico por aqui hoje, agradecendo o pessoal da Kolbe Arte que sempre está trazendo longas religiosos para os nossos cinemas, e que mandou a cabine para conferida, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Thelma, o Unicórnio (Thelma the Unicorn)

5/20/2024 12:15:00 AM |

É sempre bom fechar o Domingo dando uma relaxada, pois nem só de dramas e suspenses vive a vida de um crítico, então hoje foi a vez de dar o play na nova animação da Netflix, "Thelma, o Unicórnio", que a garotada com certeza vai ficar maluca com a pequena pônei sonhadora e cantora, que desanimada da vida por não conseguir que a escutem, numa jogada de sorte toma um banho de tinta rosa e gliter, e acaba desabrochando para o mundo do sucesso como uma unicórnio midiática, mas não só pelo fato visual a trama se vende bem, ou melhor, para a criançada só isso que vai importar, mas para os adultos que forem conferir a trama, dá para se pensar bem no famoso ser e parecer, pois muitos acabam apenas brilhando sem conteúdo algum, mas quem souber descascar um bom produto vai se manter no sucesso sempre, e com essa ideia profunda a trama brinca com canções bacanas tanto na versão original quanto na dublada (já disse que animação é o único estilo que confiro, e gosto, de ver assim), trabalha bem os personagens na tela e consegue divertir sem precisar forçar a barra, sendo simples de essência, pois não tem grandes cenas visuais nem tenta parecer algo maior do que é, mas é bem desenhada, tem boas texturas, e talvez até ganhe uma continuação, pois ainda dá para brincar mais com esse conteúdo na telinha.

A história acompanha as aventuras de Thelma, uma pônei com grandes sonhos de se tornar uma cantora. Seu destino muda drasticamente quando, em um momento raro e reluzente, ela se transforma em um unicórnio, abrindo as portas para a fama mundial, mas também revelando os desafios que vêm com ela. Rapidamente, Thelma se torna uma estrela internacional, envolta em uma nuvem brilhante de purpurina cor-de-rosa. Contudo, esse sucesso repentino traz consigo obstáculos inesperados, e Thelma se vê obrigada a navegar no mundo das celebridades, mantendo sua autenticidade. No auge da fama, ela percebe que estava mais feliz como a sua versão de brilho simplificado. Assim, Thelma abre mão de sua fama, se despede dos brilhos e retorna ao lar, onde seu melhor amigo a aguarda com um acolhedor abraço. É uma jornada emocionante de auto aceitação e amizade, repleta de lições sobre a verdadeira essência da felicidade.

Diria que os diretores Jared Hess e Lynn Wang souberam trabalhar o livro de Aaron Blabey com todas as letras, pois é nítido na tela que o filme já tem um bom conteúdo pré-formatado, que não precisava ir por caminhos muito explícitos para funcionar, e isso é bacana de cair nas mãos de um diretor que não queira explodir, pois a história fácil convence tanto os pequenos quanto os mais velhos, não ficando apenas como um musical simples, mas sim uma história divertida, com bons elos morais, e principalmente bem desenhado, pois nada adiantaria se entregasse personagens que não convencesse na tela, e assim sendo o resultado acaba sendo gracioso e envolvente, que funciona e mostra técnica, algo que muitos hoje tem deixado em segundo plano. Ou seja, já elogiei muitas vezes o trabalho que a Netflix tem feito com animações originais, e aqui é mais um bom exemplo de como não precisar ficar batendo na tecla do mesmo estilão, pois dá fácil para criar um universo em cima disso, e a companhia já enxergou isso, então agora é aguardar como vão agir com esses novos trabalhos.

Quanto dos personagens e suas dublagens, diria que a poneizinha Thelma foi bem entregue na tela, sendo claro uma sonhadora e que soube olhar bem rapidamente quando a fama lhe subiu pela cabeça, não se deixando cair de um jeito ruim, e isso é algo que poucos conseguem, e sua voz ficou bem bacana cantada por Leticia Soares, pois ela deu um tom forte e com boa presença cênica, não sendo apenas um cavalinho pequeno, mas alguém com um vozeirão que chama muita atenção. Os amigos foram divertidos e bem colocados em cena, com Otis e Reggie bem colocados, mas o jumentinho ser fanático por RPG foi um show à parte com toda sua ideia de jogo que muitos vão se conectar. O empresário maluco foi engraçado por mostrar até que seus dentes são falsos apenas para vender o sucesso, coisa que vemos muito por aí, e a baleia Nikki teve claro seus ares de maldade, mas que paga para que outros façam o trabalho sujo, ou seja, tudo bem "normal" de vermos mundo afora.

Visualmente como já disse o longa entregou boas texturas para os animais, e um visual bem colorido e com personagens até que estranhos na medida certa, tendo comicidade e desenvoltura sem precisar forçar o ambiente em si, tendo o campo simples, mas o mais engraçado de ver é que todos trabalham e conversam normalmente, ou seja, falar com os animais não é algo mágico em si, e isso fez com que tudo tivesse um elo maior para entregar na tela, com shows imponentes, gravadoras gigantescas e algumas mais simples, com muita referência ao mundo pop que já vimos em outros filmes e séries, mostrando que a equipe de arte pesquisou bem para brincar com tudo.

Enfim, não é a obra que você vai falar "nossa, é minha animação favorita e vou ver mais umas duzentas vezes", mas também não é daquelas que você deve pular, pois tem uma boa essência de motes morais, tem um colorido bacana com bons personagens, e tendo boas canções faz referência ao clássico estilo de animações, o que acaba valendo a indicação para todos conferirem. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais. 


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O Tarô da Morte (Tarot)

5/18/2024 11:17:00 PM |

É engraçado como alguns filmes de terror gostam de entregar mais comicidade do que tensão, já sendo praticamente um estilo marcado quando colocado jovens que se metem aonde não deveriam. E o longa "O Tarô da Morte" brinca bem com essa sacada, não sendo algo assustador, e chega a lembrar até um pouco "Premonição", só que aqui quem fala como os jovens irão morrer são as cartas tiradas por uma amiga, ou seja, tem um ou outro ato que tenta te pegar no susto, mas na maior parte é entregue apenas a curtição e as mortes, que nem são tão fortes quanto deveriam. Ou seja, é o básico, divertido e bem colocado longa desse estilo terror para jovens, que vai servir como um passatempo para quem não ligar de monstros feios e sem muito chamariz, mas quem for assistir esperando um terror mesmo vai sair meio que decepcionado da sala.

O longa vai mergulhar no mundo misterioso e perigoso das leituras de tarô, onde um grupo de amigos da faculdade comete o erro fatal de violar uma regra fundamental: nunca usar o baralho de tarô de outra pessoa. Ignorando esse aviso, eles, de forma irresponsável e inocente, libertam um mal indescritível preso nas cartas, desencadeando uma série de eventos aterrorizantes. À medida que cada um dos amigos enfrenta seu destino predito pelas cartas, eles se veem presos em uma corrida desesperada contra a morte. Enquanto tentam desvendar o mistério por trás das previsões sombrias, são assombrados por uma série de mortes relacionadas aos seus horóscopos, deixando-os cada vez mais próximos de uma terrível conclusão.

Diria que a estreia de Spenser Cohen e Anna Halberg nas funções principais de um longa depois de produzirem muitos outros filmes foi singela e bem colocada, pois não se esforçaram para fazer um filme que virasse uma obra prima, mas escolheram o gênero terror juvenil ou adolescente como alguns preferem chamar, por ser mais fácil de entrega, não precisando causar tensões e/ou impactar, mas sim apenas brincar com toda a ideia da essência e permear a brincadeira como algo realista. Claro que muitos irão dizer que o final ficou forçado demais, mas ainda assim o resultado entregue na tela mostra que os diretores podem brincar mais que o público vai curtir, aliás para minha surpresa a sala estava bem cheia, tanto que achei que estava entrando na sala errada!

Quanto das atuações, acredito que os atores se divertiram gravando suas cenas, pois não aparentaram medo na tela, mas sim aquele desespero tradicional de fugir dos monstros e uma entrega ao menos engraçada de ver, de tal forma que cada um fez seus atos de modo simples e praticamente saíram de cena, valendo mais Harriet Slater com sua Haley desafiando bem tudo nas suas leituras das cartas e buscando meios de fugir da Morte que apareceu para ela, Adain Bradley bem colocado com seu Grant descrente de tudo o que está rolando, mas fugindo bem do Diabo, e claro Jacob Batalon que praticamente saiu dos longas do Homem-Aranha e fez o mesmo personagem aqui com seu Paxton fugindo do Louco, enquanto os demais apenas morreram bem. Já a senhorinha Olwen Fouéré que arrumaram para fazer uma mulher aficionada pelas cartas que mataram mundo afora por anos, poderiam ter trabalhado mais, pois apenas fez alguns atos com olhares jogados e depois morreu fácil demais.

Visualmente o longa não entrega grandes atos chamativos, mas diria que os monstros que aparecerem foram bem feios para causar realmente, dando uma nuance interessante para a trama, de forma que como foram espertos de fazer muitas cenas no escuro, acabaram economizando um pouco com maquiagens, e até mesmo as mortes ficaram sem grandes explosões, o que acaba não causando tanta tensão quanto poderia.

Enfim, é um longa que fui esperando ser muito ruim, e até me divertiu de certo modo, mas claro passando bem longe de assustar ou causar algo, sendo mais uma aventura de jovens em algo que não deveriam ter mexido do que algo monstruoso mesmo, de tal forma que a pegadinha que está na internet do longa causa mais medo do que o filme inteiro, então como já disse vale como um passatempo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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A Filha do Palhaço

5/18/2024 04:17:00 PM |

Costumo dizer que filmes envolvendo relacionamentos familiares podem ser simples e bonitos como também podem entregar tramas tão densas que você até meio que se afasta da ideia para não quebrar a dinâmica da tela, porém a maioria trabalha bem conexões, e isso serve bastante para trazer reflexões sobre o relacionamento de pais e filhos juntos e separados, que por muitas vezes nem tem tanto envolvimento, mas que ao passar um tempo junto já voltam a se grudar e emocionar com o aprendizado de vida que cada um passa para o outro. A trama do longa "A Filha do Palhaço" é baseada na vida do primo do diretor, Paulo Diógenes, o Raimundinha, e consegue permear bem a visita da filha de um humorista passando uns dias em sua casa, vivenciando sua vida e conhecendo um pouco mais o pai que abandonou ela quando pequena e que só se via rapidamente em datas festivas, e essa essência do conhecer o outro acaba sendo bonita dentro da forma mostrada, pois consegue criar envolvimento e trazer símbolos que muitas vezes não vemos no dia a dia nosso. Ou seja, é um filme aonde a essência está no conhecimento e no reconhecimento, que por vezes até achamos não existir, mas que sempre está ali pronto para aparecer e emocionar. Não digo que o filme seja perfeito, pois tem algumas quebras que mereciam serem melhor lapidadas para não abrir vértices paralelos, mas ainda assim é gostoso de ser visto e refletido, tanto que tem angariado muitos prêmios nos festivais que tem passado.

A sinopse nos conta que Joana, uma adolescente de 14 anos, aparece para passar uma semana com o pai, Renato, um humorista que apresenta seus shows em churrascarias, bares e casas noturnas de Fortaleza interpretando a personagem Silvanelly. Apesar de mal se conhecerem, pai e filha terão que conviver durante essa semana. Eles vão viver novas experiências, experimentar novos sentimentos e esse tempo juntos irá transformar profundamente a vida dos dois.

O diretor e roteirista Pedro Diógenes soube ser criativo em entregar uma trama de relacionamento familiar sem precisar criar muitos ambientes, sem precisar ter um elenco gigantesco, apenas mostrando sentimentos e desenvolvimentos entre os personagens principais, lembranças em fotos e pequenos shows de humor, para que toda a conexão não saísse da síntese e virasse um novelão, e isso é algo que poucos observam quando estão desenvolvendo seus filmes, querendo sempre botar um algo a mais, uma história de segundo plano, uma reviravolta explosiva, mas geralmente não é necessário, e isso é algo que brilha bem dentro do olhar que ele acabou colocando em seu filme. Claro que ele teve a inspiração em cima da vida do primo que morreu no ano passado, mas como já vem criando o longa há 12 anos, muito de sua base foi permeada em vida do humorista, e essa síntese conseguiu ser bem condensada dentro do longa para que o filme não virasse uma comédia, nem recaísse num drama introspectivo, mas sim algo emocional simples, porém bem marcado, o que mostra o potencial do diretor.

Quanto das atuações, é engraçado ver o quão variado de trejeitos Demick Lopes consegue passar com seu Renato/Silvanelly, trazendo algo mais escrachado para seu personagem nos palcos e alguém mais tímido e protetor enquanto está apenas com a filha, deixando claro que a bebida também lhe solta mais, e com toda essa oscilação ele acaba criando camadas para que sua parceira cênica vá tirando, o que acaba dando um charme a mais na tela, e mostrando o quanto o ator é bom. A estreante Sutter Lis conseguiu dimensionar bem as expressões de sua Joana, meio que retraída por estar na presença de grandes atores, mas soube ser emocional e bem colocada, pois como disse de seu parceiro, ela teve de ir tirando essas camadas dele, e conseguiu ter uma conexão bem certa sem parecer falsa. Ainda tivemos bons momentos com Jesuíta Barbosa com seu Marlon, mas diria que a história do personagem ficou meio que de lado demais dentro da trama, e sendo assim acabou nem sendo tão bem aproveitado quanto deveria, afinal é um dos grandes atores da atualidade e poderia ter impactado mais na tela, com alguma conexão maior para tudo.

Visualmente a trama permeia alguns cantinhos mais fechados de Fortaleza, como bares e restaurantes mais simples, aonde ocorre o show do humorista, vemos um apartamento simples, porém bem cheio de detalhes da vida do personagem, e alguns atos marcantes na Praia do Futuro que tanto é bem representada nas telas dos cinemas nacionais, tendo a equipe trabalhado bem tanto nas composições dos shows, na montagem do personagem com sua maquiagem e cabelo, mas também representando bem o momento da vida da garota de conhecer mais alguém que não lhe acolheu como deveria no passado, e os detalhes nos objetos cênicos deram o tom para isso.

Enfim, é um longa simples e bonito, que funciona bem na tela, dentro da proposta emocional e de relacionamento entre pai e filha, que talvez para alguns aprofunde um pouco mais no convívio real, e para outros apenas seja um drama bem trabalhado, de forma que acaba valendo a recomendação para todos verem nos cinemas à partir do dia 30/05. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, agradecendo claro o pessoal da Embaúba Filmes e da Sinny pela cabine de imprensa, e volto mais tarde com mais dicas, então abraços e até breve.


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Amigos Imaginários (IF)

5/18/2024 02:15:00 AM |

Sempre falei que escolher um estilo e seguir firme nele é algo que um diretor deve manter para ser reconhecido, mas sempre tem alguns malucos que recaem em ideias tão opostas que você pensa: "não tem como dar certo!", mas eles vão lá e se mostram mais do que capazes, entregando algo brilhante de se ver, e o nome da vez que fez essa proeza é John Krasinski, que brilhantemente criou o terror/suspense intenso "Um Lugar Silencioso", e agora nos entrega algo tão doce, mágico e incrível de se ver na tela chamado "Amigos Imaginários", que encanta nas salas desde os menorzinhos por verem bichões tão bem sacados, quanto os adultos que se veem lembrando da infância e conseguem enxergar todo o lado encantado que o diretor soube trabalhar. Ou seja, é daqueles filmes que você vai conferir sabendo que vai gostar e sai apaixonado da sala pela condução poética e gostosa que foi entregue, querendo até ver mais, então agora é torcer para quem sabe vir uma continuação.

A trama acompanha Bea, uma garota que passa a ver os amigos imaginários de todas as pessoas após viver um evento traumático. Quando Cal, descobre seu poder, eles embarcam numa jornada para reconectar os amigos às suas crianças, especialmente os que foram abandonados após seus criadores se tornarem adultos.

É muito interessante ver a mente do diretor e roteirista John Krasinski brincando, pois não bastando ter a ideia original (que muitos tem colocado como algo próximo de "A Mansão Foster para Amigos Imaginários"), dirigido com uma precisão cirúrgica fazendo com que os bonecos se movimentassem de alguma forma no set para que os atores soubessem aonde olhar sem precisar imaginar tudo acontecendo de forma falsa, ele também se jogou em cena como o pai doente da garotinha, ou seja, ele esteve presente de corpo e alma em cada momento da execução completa, e em todos os materiais que vemos na internet é notável sua felicidade em criar esse mundo lúdico bonito e envolvente. Claro que muitos vão achar exagerado demais termos algumas situações, outros vão reclamar de não ter dado um soco maior de emoção nos atos finais, mas a trama consegue passar essas nuances com tanta leveza que o resultado acaba indo além, e isso já é algo brilhante mostrando que ele tem potencial para fazer o que quiser, mas mais do que isso, ainda tem história aqui para ele brincar com uma continuação, então veremos como vai se comportar a bilheteria, para quem sabe os produtores lhe convencerem disso também.

Quanto das atuações, diria que a jovem Cailey Fleming poderia ter se soltado um pouco mais para que sua Bea fluísse melhor em suas cenas, pois ficou um pouco seca demais nas expressões corporais, o que claro é uma dificuldade já que não está vendo com quem você está falando em filmes desse estilo, mas ainda assim foi doce e teve um bom carisma quando precisou enfrentar atos mais intensos, e assim seu resultado final foi bem satisfatório de ver. Não sei se foi a melhor escolha de Ryan Reynolds para o papel de Cal, pois ele já adotou um ar canastrão na maioria de seus personagens, e aqui embora o papel pedia alguém divertido, mas também com um certo grau de desolação com tudo, faltou vemos algo mais doce na tela com ele, mas que sabe segurar as pontas isso ele sabe demais, brincando com cada elemento animado e dando boas nuances também. Fiona Shaw e John Krasinski trabalharam poucas cenas com seus personagens, mas foram bem graciosos e marcando o território com olhares e envolvimentos, o que acabou dando toda uma essência leve para cenas difíceis. E quanto aos personagens animados, Steve Carell nasceu para ser o Blue, você vê e ouve o tom cômico em sua voz, se diverte com os trejeitos passados, e mesmo que não tenha usado captura de movimentos, conseguiram deixar o personagem com seu estilão, e isso foi muito bom de ver na tela. Ainda tivemos bons tons de voz de Phoebe Waller-Bridge e Louis Gossett Jr. para com seus Blossom e Lewis, mas mais do que boas vozes, os personagens foram desenhados com um primor técnico, tendo texturas e simbologias tão perfeitas que realmente chegaram a parecerem reais em cena.

Visualmente já falei dos personagens incríveis de ver na tela, mas ainda tivemos toda a transformação visual incrível do espaço aonde vivem as figuras, sendo algo imaginativo, cheio de referências emocionais e sensitivas, com o chão mudando para algo colorido, uma piscina cheia de dança, um show marcante, fora toda a sacada das tintas e pinturas se transformando em coisas reais, toda a cena incrível do parque funcionando grandiosamente com os amigos, entre muitos atos reais do apartamento de infância sendo rememorado, a sacada da força para o jovem em sua entrevista, e por aí vai, mostrando que a equipe de arte e de computação teve muito trabalho.

Enfim, só não vou dar nota máxima por faltar talvez algo que me derrubasse nos atos finais e pelas atuações dos protagonistas faltar um pouco para a perfeição, mas o longa é tão gracioso que daria fácil um 9,5 para o conjunto completo, e assim sendo recomendo demais para todos, sejam adultos para relembrar seus amigos imaginários da infância, quanto para os mais novos criarem e desenvolverem suas imaginações, pois o filme tem esse poder, então fica a dica. E é isso pessoal, minha noite foi salva, depois de uma trama reflexiva demais, veio algo gostoso e envolvente, então posso dormir em paz para voltar amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Às Vezes Quero Sumir (Sometimes I Think About Dying)

5/17/2024 09:20:00 PM |

Gosto de longas que fazem pensar, que entram em uma vibe meio que introspectiva e tudo mais, mas tramas depressivas de pessoas sozinhas que não querem ir além, que estão ali apenas para isso e mais nada acabam não fluindo ao ponto de conseguir chamar atenção, e confesso que tinha visto o pôster do longa "Às Vezes Quero Sumir" e tinha imaginado um outro tipo de trama, algo que tivesse mais presença e fluidez, que conseguisse quebrar algum paradigma de pessoas solitárias que trabalham em escritórios e apenas vivem sua vida entre trabalho e casa, sem nenhuma interação no dia e/ou na vida, mas não, o longa fica apenas nessa monotonia, com uma tentativa de relacionamento até estranha de acontecer, algumas conexões, em um ritmo lento, com uma musiquinha calma de fundo, que raspou a trave de me fazer dormir. Ou seja, é daqueles filmes que talvez em um festival muitos críticos se apaixonem, achem mil teorias possíveis chamativas, mas que comercialmente você apenas verá algo na tela e sairá falando: "será que era só isso?", e sim, foi só isso.

A sinopse nos conta que a tímida Fran vê sua vida transformada com a chegada de um novo colega de trabalho. Uma conexão inesperada surge entre eles, ela terá que se reinventar para, enfim, embarcar na aventura de viver.

Viajando na minha mente e pensando em várias possíveis teorias, e puxando ainda mais na peça em que o longa é baseado, "Killers", talvez até posso colocar como ideia principal a tentativa de mudar alguém que é totalmente sociopata, que nunca se conectou com ninguém, vivendo apenas sua pacata vidinha, tendo pensamentos sombrios de como morrer ou como matar alguém do chato escritório com suas piadinhas ruins entre os colegas, quando necessitou mudar com algo novo se perdeu no tino, e acredito que a diretora Rachel Lambert quis brincar com essa possibilidade na tela, porém sem muitos floreios deixou seu longa linear demais até para uma pessoa que gosta de filmes lineares. Ou seja, ela deixou tudo muito tedioso, para a protagonista viver seu tédio e não pensar tanto em mudar, e quando ela faz a chave de virada, pronto, acaba, o que é uma pena, pois talvez merecesse um algo a mais para o olhar do filme mudar também, mas são opções reflexivas, e isso o filme soube fazer.

Quanto das atuações, sempre disse que não sou fã da personagem que Daisy Ridley entregou em "Star Wars", mas lá ela se jogou e mostrou muita personalidade, diferente do que anda fazendo na maioria dos dramas que entra, que sempre fica muito em cima do muro, e aqui em um filme que ela não precisava explodir nem se entregar então, ficou morna e apática demais, ao ponto que uma figurante de um jogo numa casa aleatória conseguiu chamar mais atenção que todos do longa, ou seja, dá para pensar no que ela fez com seus trejeitos calmos demais. Não conhecia Dave Merheje, mas diria que trabalhou até que uma essência interessante para seu Robert, como o novato que chega na empresa, tenta interagir com todos, mas que quando se relaciona com alguém sem muita expressividade acaba até dormindo ao lado, e nesse sentido o ator interpretou bem o pouco que precisava fazer. Quanto aos demais, quase ninguém tentou ter algum tipo de explosão, valendo o ato final de Marcia DeBonis com sua Carol e Treasure Lunan que posso considerar como uma figurante de luxo, já que sua Bennie conseguiu chamar mais atenção que todos no jogo.

Visualmente a trama é bem básica com um escritório pequeno no cais de uma cidade, com as mesas e computadores simples e tradicionais, a casa da jovem que se limita a ser mostrada apenas pela sala e cozinha, uma floresta aonde ela se vê deitada com bichos, um ambiente vazio aonde acontecem algumas metalinguagens com pastas voando, animais andando e tudo mais, e a casa do protagonista com a maioria dos objetos ainda fechados e muitos elementos de cinema, já que o rapaz curte muito filmes, ou seja, nem precisaram ir muito além na composição gráfica para entregar algo a mais para o público.

Enfim, é um filme básico demais, que como disse no começo, conhecendo alguns amigos críticos irão criar milhões de situações e ideais para representar a vida da jovem, suas alegorias e interesses e tudo mais, mas que conhecendo o público comercial realmente, a maioria que for conferir sem saber nada sobre o longa acabará nem ficando até o final, e olha que é um filme "curto" de 96 minutos apenas. Ou seja, diria que recomendo ele apenas se você quiser filosofar sobre o tédio, sobre não ter interações, e sobre ter uma vidinha pacata e chata demais, do contrário é melhor procurar outro filme. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, agradecendo claro o pessoal da Synapse pela cabine de imprensa, mas vou correr agora para ver se vejo outro filme mais animado, senão a cabeça irá ficar pensando demais para dormir, então abraços e até logo mais.


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