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Cansei de Ser Nerd

6/02/2026 12:44:00 AM |

Uma das principais coisas que me incomoda ao ver um filme é ele tentar ser engraçado e não conseguir, e já disse diversas vezes que a comédia é o estilo mais difícil de acertar a mão, principalmente em uma estreia, afinal cada pessoa vai rir de algo e muitas vezes o que é engraçado para você não vai ser pra mim. Mas inegavelmente o longa "Cansei de Ser Nerd" tem todos os traquejos clássicos de algum trabalho de final de curso de cinema, aonde alguém teve uma ideia maluca, contou para alguns amigos, que aí foram jogando mais ideias malucas, e no final acabou resultando no que vemos na tela, aonde até entretém com as loucuras todas, mas não chega a lugar algum, e de tão maluco acaba sendo razoável de ver. Ou seja, é daqueles filmes que você se pergunta o que está fazendo ali, mas que fica esperando chegar a algum lugar, e no fim você sai se perguntando se realmente pagou todos os pecados que tinha, pois falta comicidade, falta senso para a situação toda, e nem dá para pensar se alguém mais experiente conseguiria arrumar o longa, pois não acontece.

O longa nos mostra que nerd inveterado, Aírton foi o principal suspeito do sumiço e suposto assassinato de uma colega, nos tempos da faculdade. Hoje, 20 anos depois, ele decide reencontrar toda a turma na festa de reencontro da graduação para, enfim, provar sua inocência. Mais que isso, ele planeja revelar que os "populares", hoje integrantes de uma banda new wave de sucesso, são os verdadeiros culpados pela morte da estudante. E, pior, que eles a mataram em um ritual em busca de fama. Convicto disso, Aírton intima seu grande amigo e aliado, Ulisses, para ir com ele. O plano está armado: desmascarar uma seita bem louca, provar sua inocência e recuperar o amor de Juliana, sua grande paixão

O diretor e roteirista Gualter Pupo trabalhou em muitas funções em alguns longas de sucesso e também fez alguns curtas e vídeos musicais, porém aqui em sua estreia realmente em um longa-metragem como diretor acabou escolhendo um gênero que podia dar muito certo ou muito errado, que é a mistura do sobrenatural com a comédia, e aqui ficou inicialmente interessante, depois se desprendeu para algo meio sem sentido algum, ficando bizarro e se perdendo completamente dentro da ideia. Ou seja, é o famoso filme que se melhor lapidado na fase do roteiro até poderia chamar atenção mesmo sem fazer rir, mas que precisaria de alguém bem mais experiente para conseguir manter a essência e criar algo que chamasse mesmo para si para conseguir ir além e agradar.

Quanto das atuações, diria que o humor do ator Fernando Caruso pede coisas bem mais exageradas, e aqui os diálogos de seu Aírton até tentam soar engraçados para com o público que conhecer um pouco mais do mundo dos nerds, mas não se aprofunda, e principalmente não lhe dão a chance de forçar a barra como é seu estilo, e aí falta tudo para ir além. Já pelo contrário deram brecha para que Pedro Benevides se soltasse completamente com seu Ulisses, e assim sendo vemos algumas dinâmicas até que engraçadas dentro do possível com ele, mas nada que faça você gargalhar na sala do cinema, ao menos não desaponta. Agora alguém que mostrou um estilo chamativo e interessante de ver foi Bia Guedes com sua Juliana, até conseguindo dominar bem os momentos na tela, porém não foi tão aproveitada quanto poderia, e isso acabou não agradando. Quanto aos demais personagens, principalmente o pessoal da banda é melhor eu nem falar, pois pareciam perdidos em suas atuações, e isso demonstrou bem a falta de uma direção efetiva.

Visualmente foram bem espertos, pois a maioria das cenas são bem fechadas, não necessitando de grandes cenários e menos ainda de figurantes para todos os momentos, de modo que tiveram o quarto do protagonista, seus trabalhos com poucos equipamentos, depois uma mansão cheia de quartos e corredores, e claro toda a dinâmica do cubo que ficou bem interessante na tela, tendo ainda momentos de lutas com armas de tudo quanto é estilo, tendo um pouco menos de sangue do que deveria, mas que ao menos foi bem dinâmica. Agora as cenas com efeitos visuais estranhos misturando um preto meio que esverdeado com ranhuras e tudo mais para dar um elo de outra dimensão ficou estranho e não interessante como deveria ocorrer.

Enfim, é um filme com mais falhas do que acertos, e que principalmente faltou com o humor que precisava para chamar mais atenção, mas ainda assim quem quiser ver algo diferente dentro do cinema nacional, pode arriscar, só não espere sair totalmente feliz com o resultado. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Hokum - O Pesadelo da Bruxa (Hokum)

5/23/2026 11:37:00 PM |

Se ontem fiquei extremamente feliz com o terror que fui conferir, hoje a situação já foi bem diferente, pois "Hokum - O Pesadelo da Bruxa" entrega um filme tão morno, tão sem impacto, que você fica esperando a tensão acontecer e quando rola você pensa, mas só isso? Ou seja, é daqueles filmes que facilmente poderia passar qualquer horário na televisão, que não vai causar trauma em ninguém e que mais parece uma aventura lúdica boba do que realmente um terror, e assim decepciona fácil quem for esperando um algo a mais na telona.

A sinopse nos conta que um escritor solitário vive um luto e passa a ser assombrado por uma figura misteriosa e assustadora. O introvertido Ohm Bauman se refugia numa pousada isolada na Irlanda para espalhar as cinzas de seus pais, o último desejo dos dois antes de morrer. Enquanto lida com a perda e o luto, Bauman será apresentado ao pesadelo que ronda o hotel, confrontando-se com visões perturbadoras e traumas do passado, que invadem seus sonhos e sua mente graças à presença de uma antiga bruxa que assombra a suíte nupcial. Em meio a pesadelos terríveis, um desaparecimento chocante parece piorar a situação, obrigando-o a enfrentar as forças malignas que cercam o local e os cantos mais sombrios do seu passado.

Diria que o diretor e roteirista Damian McCarthy até teve boas intenções ao criar sua trama, pois o filme tem algumas ideias interessantes de base, e talvez com alguns ajustes causaria muito mais tensão no público, afinal costumo dizer que se o filme não fizer você sentir nada, alguma coisa de errado teve, e na sala quase que cheia para conferir o longa, a maioria saiu como se tivesse assistido um caso comum na telona, aonde ocorreram algumas mortes, mas até elas soaram "banais". Ou seja, faltou impacto, e principalmente o diretor enxergar o potencial da trama para ir além, afinal seu filme foi vendido como um terror impactante, sufocante e tudo mais, e nem nas cenas que ele entra em um elevador minúsculo de comida, a essência do longa causa algo no público.

Quanto das atuações, gostei do estilo meio irônico que Adam Scott entregou para o seu Ohm, porém costumo falar que em filmes de terror os personagens precisam demonstrar o medo e o temor para o público se convencer do que está acontecendo, e aqui ele foi "normal" demais como escritor, e mesmo tendo seus problemas do passado, a culpa não transpareceu um minuto sequer na tela, ou seja, falhou bastante com a entrega que precisava. Quanto aos demais, gostei de ver o estilo do sem-teto que David Wilmot entregou na tela com seu Jerry, de modo que você acaba até torcendo para ele conseguir voltar e ajudar o protagonista, fora que foi bem chamativo, já os personagens do hotel foram meio que forçados demais, com Peter Coonan fazendo um Mal meio que desesperado com a situação, mas sem grandes explosões para chamar atenção, e Michael Patric acabou trabalhando seu Fergal meio que sem nuances para o estilão bruto, enquanto Will O'Connell poderia ter sido mais assustador com seu Alby na tela, e por fim a moça Florence Ordesh foi meramente um enfeite com sua Fiona sem grande expressividade, servindo apenas para dar o andamento da trama de subirem para procurar ela.

Visualmente a trama teve alguns atos bem rápidos em uma floresta, alguns momentos no bar do hotel, e praticamente todo o restante dentro da suíte nupcial abandonada, tendo uma banheira com água suja, móveis empoeirados, e alguns elementos cênicos bem antigos como o bonequinho do relógio, além de um elevador de comida minúsculo aonde os personagens descem para um porão antigo e bem estranho com luzes piscantes e alguns elementos pendurados, mas nada que assustasse realmente como deveria.

Enfim, é um filme que dava para ter ido muito mais além, mas que serve como um passatempo de sessão da tarde, que talvez alguns enxerguem algo a mais e sintam algo pela trama, mas para mim foi apenas algo bem simples que levou nada a lugar algum, e assim sendo não recomendaria ele para ninguém. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Um Pai em Apuros

4/23/2026 12:19:00 AM |

Muita gente fala que eu fujo de comédias, mas não é bem assim, apenas evito o gênero por ser difícil me fazer rir de verdade, e não apenas sorrir mostrando os dentes com o famoso humor sem ser engraçado, e se cair para apelação então, aí já chego até a pensar em sair da sessão, mas veio pro cinema, então lá vou eu. E hoje fui conferir a pré-estreia lotada (de 4 pessoas) do filme "Um Pai em Apuros", que desde o dia que vi o trailer tinha certeza absoluta que já tinha visto algo completamente igual, e que agora sei que é uma refilmagem de um longa argentino que já foi refilmado por uma dezena de países (o que mais lembrei foi o italiano, que falei dele aqui), ou seja, zero criatividade, tendo inclusive algumas cenas exatamente iguais. Mas se fosse bom, não importaria ser algo recauchutado, o problema é que é um filme tão morno, tão sem graça, que se não fosse o sotaque da diarista com suas entregas, iríamos torcer para acabar ainda mais rápido o filme, pois ele é curto até, mas apenas nos faz sorrir dentro de um passatempo que nem vamos lembrar daqui alguns dias, mas rir mesmo, ficaram devendo.

No longa vemos Roberta e Fred vivem uma vida normal em família ao lado de seus quatro filhos. Quando Roberta decide tirar férias e deixar a casa e as crianças na responsabilidade de Fred, a rotina vira um campo de batalha. Entre inúmeros desafios e obstáculos, essa família irá descobrir o verdadeiro significado de estar juntos.

Diria que a diretora Carol Durão tentou brincar com o material que tinha, e até foi bem ajudada pelo elenco para que o caos reinasse e parecesse pior ainda do que realmente é, afinal sabemos que a mãe de um filho só já sofre para controlar toda uma casa, imagina com cinco filhos de idades variadas (se contarmos com o pai que age como uma criança), porém faltou transformar esse conflito bagunçado em algo realmente cheio de caos durante o controle do pai, pois pareceu tudo muito facilmente normalizado, tendo apenas alguns perrengues com o pequeno ficando sozinho, uma menstruação e algumas brigas noturnas, mas nada que realmente impactasse para divertir, mesmo sabendo que é difícil conciliar tudo isso com o trabalho, mas digamos que ficou muito "fácil" de ver na tela. Ou seja, faltou a diretora pegar e dar uma boa chacoalhada no roteiro e ir mais além, o que acabou não acontecendo, parecendo que o ator apenas estava "exagerando" nas reclamações.

Quanto das atuações, volto a frisar algo que já falei antes que Rafael Infante tem um humor próprio dele e não pode estar amarrado, senão ele fica tão preso que parece não fluir na tela, e é o que acontece aqui com seu Fred, sendo que a todo momento ele tenta jogar uma piada, vemos que vai sair, mas ele se prende e fica apenas no ato forçado, e isso não deu liga na tela. Da mesma forma me diz o motivo de colocar uma humorista como Dani Calabresa para um filme cômico, só que sua Roberta sai de cena em menos de 20 minutos de filme sem fazer um ato cômico, basicamente sendo sua personagem apenas um enfeite de duas cenas, no churrasco dando explosões e no carro aonde se mostra desesperada. Agora quem salvou o filme foi Macla Tenório com suas cenas mais rápidas e diretas, que juntando o sotaque colocado para sua Brenda acabou trazendo leveza e dinâmica para que seus atos fossem divertidos de ver na tela. 

Visualmente o longa teve alguns bons momentos interessantes na loja que o protagonista trabalha (Casa do Coelho - mas não é minha ok galera?), tivemos o Family Day caótico (com a famosa cena da bola gigante de hamster que tem em todas as versões), e muitos momentos na casa dos protagonistas com brinquedos espalhados e dinâmicas tradicionais de café da manhã na cozinha, quartos coloridos diferenciados para dar um leve charme na tela, mas nada muito chamativo que fizesse mostrar o serviço da equipe de arte.

Enfim, é aquele passatempo que se você for conferir vai sair feliz desde que não espere rir, mas logo depois já vai esquecer dele, e se você for esperando algo com certeza não vai encontrar, então não é daqueles filmes que vou recomendar, mas não digo que seja a pior coisa que já vi, aliás o filme italiano que citei é bem ruim, então talvez o argentino salve, mas como não o vi, e nem o verei tão cedo, fica a dica para quem viu, vir aqui comentar. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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De Volta à Bahia

3/03/2026 12:19:00 AM |

Da mesma forma que o Brasil tem entregue produções incríveis, fugindo completamente do meio novelesco e com dinâmicas intensas em diversos estilos, alguns diretores ainda insistem no estilo de drama romântico com o ar totalmente em cima do formato de novelas da TV aberta, e isso é algo que claro tem seu público, mas que desanima ver na tela, pois fica parecendo que não estão vendo que o mundo todo já cansou desse estilo. Mas fazer o que, depois de pronto o jeito é apenas curtir, e hoje pude conferir o longa "De Volta à Bahia" que sem saber que o protagonista já fez parte do elenco de "Malhação" (só fui ver agora antes de escrever!), a trama me remeteu diretamente como se fosse o seriado juvenil se passando na Bahia com o surf em segundo plano, pois para todos os planos tem de entrar uma música-tema, para cada duas ou três cenas precisa aparecer um coadjuvante com alguma gracinha, e claro o romance demorando para acontecer meio como se fosse algo mágico das antigas. Ou seja, o resultado acaba se enrolando para entregar na tela toda a proposta, sem acontecer realmente algo que impacte como deveria, de modo que não é algo ruim, mas só o público-alvo vai conseguir engolir o que entrega na tela, e mais ninguém.

A sinopse nos conta que um vídeo do resgate de uma jovem surfista viraliza na internet e revela o encontro inesperado entre Maya e Pedro, dois talentos promissores do surf. Ao serem apresentados por PH, um ídolo do esporte, eles se surpreendem ao descobrir que já estão ligados pelo salvamento que ganhou as redes — e que ambos são treinados pelo mesmo mentor. Enquanto se preparam para um campeonato decisivo em Salvador, enfrentam conflitos familiares e vivem um romance. Mas nem só de sonhos vive o verão baiano: para vencer as ondas, é preciso enfrentar as tormentas.

Diria que a diretora e roteirista Joana Di Carso até tentou fazer um filme bonitinho, com um romance bacana que aparentemente funcionaria bem na tela, mas focou tanto em ficar mostrando os pontos turísticos da Bahia, as mentorias do personagem secundário para a vida dos protagonistas, e as músicas a todo momento entrando na tela, que acabou esquecendo que precisava de uma história para desenvolver na tela, de modo que o resultado se perde fácil. Ou seja, talvez como um média-metragem ou até um curta mesmo, a trama funcionasse muito mais do que em um longa, pois acabou parecendo alongado e recheado de situações desnecessárias para dar o tempo de tela, e isso é uma falha bem grave quando se vai além. Claro que o filme cumpre com a proposta dele, não sendo nada de muito impacto, mas dava para criar situações mais desenvolvidas para que ficasse realmente como um filme deve ser.

Quanto das atuações, ao menos os personagens tiveram um pouco de química na tela e são bonitos, ponto crucial para um romance funcionar nas telonas, mas as situações em si deles foram meio que jogadas demais na tela, não parecendo algo muito verossímil, de modo que Bárbara França fez uma Maya com um carisma até que bem alocado, com seus medos bem próximos dos acontecimentos, e até sendo envolvente com toda a situação, porém tudo acontece rápido demais, faltando ir mais além no desenvolvimento dos conflitos, e assim seus trejeitos combinariam mais na tela. Já Lucca Picon ficou naquele meio do caminho família, amigos e paixão, parecendo ser tão adolescente com seu Pedro, que por vezes você fica pensando qual a idade real do personagem, ou seja, dava para ser mais maduro na tela. Já Felipe Roque fez uma mistura de surfista com coach/mentor com seu PH que chega a incomodar, mas como sabemos que a maioria dessas pessoas são dessa forma, posso dizer que ele acertou no que tinha de fazer na tela, agora o papel dava para ter ido um pouco mais além. Quanto aos demais personagens, os pais dos protagonistas foram apenas os elos das explosões deles, não tendo muito o que se expressarem para chamar atenção, a influencer é melhor nem entrar no que pensei e o amigo bobão foi um enfeite cênico chato que é melhor nem dar o nome para queimar.

Visualmente Salvador tem o lado lindo e o lado que ninguém quer mostrar como toda cidade do mundo, e aqui casualmente como acontece em todas novelas, só vemos praias lindas, uma competição de surfe bem organizadinha, um restaurante simples da família, um hotel chique, e vários cartões postais da cidade para fazer fotos, ou seja, a equipe valorizou a cidade e fez bem o que precisava, mas sem ter nada que impactasse, tanto que o afogamento foi tão rápido que a equipe nem teve tempo de preparar algo mais chamativo enquanto estava mostrando um video culinário.

Enfim, é um filme que talvez funcione para a galera mais adolescente que goste desse estilo de romancinhos mais jogados, mas quem for conferir esperando um algo a mais não conseguirá se empolgar muito com o resultado mostrado, afinal como disse, lembra bem mais um episódio de "Malhação" do que um longa realmente. E assim sendo fica a dica para quem curtir o estilo ver o longa em cinemas selecionados a partir do dia 05/03, e eu fico por aqui hoje agradecendo aos amigos da TMZ Assessoria e a Swen Entretenimento pela cabine, mas volto amanhã com mais dicas.


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O Frio da Morte (Dead of Winter)

2/23/2026 01:11:00 AM |

Costumo dizer que o terror só existe pela burrice das pessoas em querer virar herói, ou se mostrar corajoso demais, pois fica quietinho na sua e o roteiro vai por água abaixo e encerra tudo com 10 minutos de filme. Brincadeiras à parte, o longa "O Frio da Morte" tem tantas pequenas falhas, que se você analisar friamente como o nome sugere, você nem assiste ao filme, pois já começa o erro gigante de pra que sair numa nevasca dos infernos para jogar as cinzas do marido morto num lago congelado (tudo bem que foi lá que foi o primeiro encontro do casal, mas precisa jogar naquele momento?), depois você vê sangue no chão da casa, está lá pescando quietinha no meio do lago, vai voltar lá pra que? E por fim, você não é policial nem nada, volta pra uma cidade, chama a polícia e pronto! Agora olhando para o outro lado, você precisa de um fígado, vai cometer o crime, faz direito, já leva a pessoa aonde vai ser a entrega, não no meio do gelo aonde você que nem é médico vai saber operar. Pronto, enchi o texto de spoilers, agora posso refletir em paz sobre as coisas boas do longa, se é que teve, pois até me entreteve um pouco.

A sinopse nos conta que Barb, uma viúva proprietária de uma pequena loja de artigos de pesca, parte em uma peregrinação ao Lago Hilda, no remoto norte de Minnesota. Foi lá que ela passou suas primeiras férias com o marido recentemente falecido e onde prometeu espalhar suas cinzas. Atingida por uma nevasca, ela se perde pelas estradas perto do lago e para em busca de ajuda em uma cabana isolada na floresta. Lá, ela descobre que uma jovem, Leah, está sendo mantida em cativeiro por um casal armado e desesperado.

Já havia reclamado do diretor Brian Kirk em seu longa anterior, "Crime Sem Saída", por ele ser um diretor de séries, que funcionam bem capítulo a capítulo, sem a necessidade de se explicar algo que faça sentido de forma rápida, tanto que as novelas fazem sucesso até hoje justamente por esse motivo, deu errado alguma explicação absurda, vai lá e arruma no próximo capítulo, e em um filme isso não é possível, pois se ao cortar determinada parte, ou o diretor não filmar algo que faça um sentido funcional para a trama, o resultado final já era, e aqui como disse no começo, tem muitas coisas que não se encaixam de forma alguma, ficando totalmente abertas e falhas, o que acaba fluindo erroneamente, e principalmente desgastando os personagens e respectivos atores, pois se perdem na essência, de tal forma a nem saberem o que estão fazendo lá. Ou seja, já dá para colocar o nome do diretor num cantinho que quando for ele, a chance do longa não ir muito bem é alta.

Quanto das atuações, é até triste ver Emma Thompson num filme desse estilo, ainda mais como produtora (que colocou seu dinheiro na trama ou só receberá parte da bilheteria por ter atuado nele), pois a atriz possui um potencial imenso que aqui nem sequer chegou perto de ser utilizado com sua Barb, pois deram para ela até uma missão interessante de correria e desenvoltura, principalmente numa briga digamos "justa" entre pessoas de mais idade, mas a personagem não encaixou na história de uma boa forma, e o resultado acabou sendo bem ruim. O mais engraçado é que se a protagonista que é boa não funcionou, imagine os demais, sendo uma Judy Greer gritante parecendo desesperada e maquiavélica, totalmente sem necessidade, uma Laurel Marsden totalmente jogada e presa o tempo inteiro, e um Marc Menchaca mais perdido e com frio que tudo, ou seja, o elenco secundário foi triste demais.

Visualmente é o estilo de filme que mais gosto de ver na tela, com tudo bem branquinho de neve, mas o que parecia ser interessante para ficar o tempo inteiro com uma nevasca desesperadora, logo desaparece e fica apenas num barraco completamente sem estilo visual, um lago congelado com uma casinha minúscula e uma tenda, e algumas dinâmicas nos carros, com tiros a distância e uma martelada, ou seja, nem aproveitaram a neve para nada.

Enfim, é um filme que se perdeu por completo na tela, resultando em uma trama fraca, que até acaba sendo possível de se entreter com a entrega da protagonista, que tentou muito segurar as pontas, mas que mesmo assim não é algo que vamos lembrar mais para frente para indicar. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Netflix - O Filho de Mil Homens

11/22/2025 02:24:00 AM |

Existe uma linha tão fina, mas tão fina, que quase nem enxergamos que separa um filme introspectivo de um filme chato e/ou insuportável, e diria que mesmo gostando bastante de tramas introspectivas para refletir sobre o tema proposto, o longa da Netflix, "O Filho de Mil Homens", está no limite do limite dessa linha, ou seja, é o famoso filme que tenho de colocar aquela advertência gigante que se você não está acostumado com tramas de festivais nem passe perto de dar o play nele, pois a chance de você dormir é alta, e quem está dizendo isso é uma pessoa que gosta do estilo, que tem dificuldades para dormir, e precisou voltar uma parte por ter chegado a pegar no sono. Claro que o longa tem uma essência emocional belíssima que raramente vemos ser colocada em uma trama nacional, com nuances bem próximas de um cinema oriental, que trabalha muito esse estilo de dinâmica, mas outro dia falando com um amigo sobre isso, acredito que hoje o público normal não aceita mais esse estilo de trama, que fantasia em cima de temas reais, mas que se perde entre fantasia e realidade, ficando algo cansativo que leva nada a lugar algum, não permitindo reflexões sobre temas, nem sendo completamente alegórico, e aqui infelizmente é desse estilo, e assim não flui.

O longa acompanha Crisóstomo, um pescador solitário no auge de seus 40 anos que carrega dentro de si a culpa por não ter conseguido ser pai. Na procura de um filho sem pai, já que ele mesmo é um pai sem filho, Crisóstomo esbarra com Camilo, um garoto órfão de apenas 12 anos de idade. Logo, eles iniciam juntos uma jornada arriscada, mas recompensadora, de formar uma família nada convencional. No povoado onde vivem, um jovem incompreendido chamado Antonino (Johnny Massaro) e uma mulher fugindo da própria dor chamada Isaura (Rebeca Jamir) cruzam o caminho de Crisóstomo e Camilo. Juntos, os quatro aprendem o verdadeiro significado de família e o propósito de compartilhar a vida.

O mais interessante é que sabemos do potencial que o diretor e roteirista Daniel Rezende tem para adaptar histórias, porém aqui acredito que tenha se perdido na fantasia que o escritor Valter Hugo Mãe entregou em seu livro, e acabou indo para rumos tão com cara de festivais e de agradar críticos, que acabou saindo de eixo, pois repito que não é um filme ruim, muito pelo contrário, tem cenas potencialmente lindas, tem uma trama que permitia algumas reflexões, mas ele que é conhecido como um dos melhores editores do Brasil deixou a trama fluir tão lentamente, com dinâmicas quase inexistentes, e o resultado acabou sendo um marasmo que fez alguém que tem problemas para dormir acabar dormindo, ou seja, falhou em diversos momentos querendo brincar com o lúdico e com o real, e entregou algo que não foi para lado algum.

Quanto das atuações, estou preocupado com as escolhas de Rodrigo Santoro, pois já é seu segundo filme alternativo em menos de um ano, e ele que vinha numa decolada boa de bons papeis, chamando atenção de diversos diretores e tudo mais, está escolhendo tramas introspectivas demais que até mostra muito de si, se jogando completamente para que seu Crisóstomo fosse denso e chamativo, mas esse não é o ator que tem potencial de bater nas cabeças como melhor ator em tudo, então precisa recalcular rota para não virar ator que só faz filme de festival, e acabar sumindo do mapa. O jovem Miguel Martines mostrou muita personalidade e entrega para que seu Camilo fosse simples, porém expressivo, de modo que talvez com dinâmicas mais intensas chamasse mais atenção, porém seu papel é muito submisso na tela, e isso acaba não impactando tanto quanto poderia. Quanto aos demais, tivemos até algumas cenas bem intensas de Rebeca Jamir com sua Isaura e um Antonino bem abobado que Johnny Massaro acabou entregando, não fluindo tanto, mas ao menos não desapontando com o que tinham de fazer na tela. 

Visualmente o longa tem cenas bonitas, tem alegorias com efeitos bem interessantes, e uma fotografia bem suja, parecendo até mais algo desértico do que uma beira-mar, mas a escolha dos tons, a casa extremamente simples de todos ali, todo o visual funcional dentro do mar com o som da concha levando o protagonista para ambientes malucos e que conectam bem com os demais personagens, acabaram mostrando técnica e um trabalho primoroso que nem foi tão usado na tela, mas que a equipe pode dormir tranquila com algo cumprido.

Enfim, é um filme interessante de proposta, que talvez indo para rumos mais dinâmicos e com uma trama escolhendo qual lado tomar (real ou fantasioso) ao invés de misturar tudo acabaria agradando bem mais, mas da forma que foi feita só recomendo dar o play se você estiver com seu sono em dia e gostar muito de tramas complexas que não irá levar você necessariamente para algum lugar, então fica a ressalva. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Memórias de um Verão (The Summer Book)

11/18/2025 12:49:00 AM |

Confesso que demorei para começar a escrever do filme que vi hoje, primeiro pois se existe um estilo de trilha que raspa a trave de me fazer dormir é a tal do pianinho tocando do começo ao fim, que acaba alongando uma trama curta (90 minutos) para algo quase interminável, segundo pois mesmo sendo algo bonito de ver na tela, a trama de "Memórias de um Verão", que estreia na próxima quinta 27/11 nos cinemas, poderia ser descrito como quase uma homenagem de alguém que resolveu transformar em vídeo uma experiência simples na tela, e nada mais. Ou seja, é daqueles filmes que você fica se perguntando se entendeu a proposta, se era só isso mesmo, ou então será que eu dormi e perdi algo, sem nem saber por onde começar a escrever, e detesto isso, afinal gosto de sentir a trama e já vir digitar, e aqui não sabia mesmo o que falar, mas o que posso colocar é que é algo emocional, bonito visualmente, mas sem dinâmica alguma, brincando com algumas facetas do luto, do juntar a família após algum desastre, mas que apenas vai tocando nas fagulhas, sem desenvolver algo que impressione realmente, o que é uma pena.

A sinopse é bem simples e nos conta que após uma grande perda, Sophia, de 9 anos, passa o verão em uma pequena ilha da Finlândia com a sua avó. Juntas, vão aprender sobre o luto, a natureza e criar um laço profundo.

Diria que o diretor Charlie McDowell quis homenagear a verdadeira personagem do livro de Tove Jansson, pois até trabalhou olhares com sua câmera, deu alguns tons bem trabalhados na encenação dos atos, mas em momento algum vemos o desenvolvimento maior do ambiente de luto, da desenvoltura em cima da relação dos personagens, ao ponto que no momento que a garotinha pede a Deus que traga uma tempestade ou faça algo acontecer que já está cansada, você responde automaticamente para ela: "eu também!". Ou seja, faltou uma estrutura narrativa que trabalhasse algo a mais, e isso não ocorre, ao ponto que vemos que não basta ser algo bonito na tela, se não tiver uma história que agrade.

Quanto das atuações, sei que Glenn Close está com quase 80 anos, mas deixaram ela com uns 100 no mínimo para o papel da avó no filme, de modo que seu ar sentimental e entrega foram muito bons, e se não fosse isso talvez o longa fosse algo insuportável de conferir, mas suas dinâmicas foram condizentes com cada ato, seus movimentos bem determinados e chamando a responsabilidade para si botou um ar gostoso de acompanhar que agrada bastante na trama. A jovem Emily Matthews entregou bons traquejos para sua Sophia, porém não conseguiu chamar a responsabilidade para si como uma protagonista deveria, de modo que faltou uma segurança maior da direção para que a jovem pudesse se soltar mais na tela, ou seja, fez o que podia e foi até graciosa em alguns momentos, mas sem ir além. O pai vivido por Anders Danielsen Lie ganhou seu cachê por fazer praticamente nada, no modo de dizer, pois o papel é bem jogado, tendo o momento da tempestade como algo mais chamativo para si, mas do restante é mero enfeite cênico.

Visualmente o longa tem todo um cerne bem bonito da ilha, vemos as dinâmicas acontecerem com a senhora tentando estar o máximo presente, mas sem atrapalhar a conexão, escondendo detalhes que poderiam causar gatilhos como o chapéu, vemos o conhecer outros lugares próximos, tudo simples e bem colocado para que a fotografia desse o tom chamativo na tela, com nuances do sol e tudo mais, mas falta aquele algo a mais para chamar realmente atenção.

Enfim, é um longa que dava para ir muito mais além, que tem uma atriz de qualidade imensa, uma locação belíssima, uma fotografia linda demais, mas que leva nada a lugar algum, que talvez algumas pessoas até possam enxergar algo a mais na tela, mas infelizmente eu não consegui, e assim não diria que recomendo como algo comercial, pois talvez em festivais o pessoal até enxergue esses detalhes, mas com o grande público, não vai rolar. E é isso meus amigos, fico por aqui agradecendo o pessoal da Synapse Distribution e da Atomica Lab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até lá.


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GOAT (Him)

10/03/2025 09:18:00 PM |

São raras as vezes que saio de uma sessão sem palavras, ou melhor, sem saber o que quero falar de um filme, mas hoje com "GOAT" estou aqui no shopping olhando para a mesa da praça de alimentação pensando se eu que não me conectei com toda a loucura do fechamento do filme, ou se ele desde o começo seria essa bizarrice, pois até aceito a ideia de uma seita e tudo bem, mas a intensidade toda ficar para o fechamento do longa é algo que sai dos eixos, meio como se a grana do orçamento acabasse e vamos explodir e matar tudo o que tiver na frente para encerrar, e isso em outras palavras é o que chamo de erva estragada na mente do roteirista, pois não tem como uma pessoa comum escrever isso. Ou seja, sabemos que a glória esportiva é algo de malucos, mas dava para o longa ser bem menos bizarro.

O longa acompanha a jornada de Cameron Cade, um promissor jogador de futebol americano que dedicou toda sua vida ao esporte. Na véspera de um importante evento de avaliação e recrutamento de atletas para a liga profissional, Cade sofre um acidente graças a um fã descontrolado, colocando sua carreira e os anos de dedicação em risco. Quando tudo parece perdido, porém, seu ídolo, o lendário e veterano quarterback Isaiah White assume a responsabilidade de orientar o talentoso atleta em sua ascensão para o topo, oferecendo-se para treiná-lo em seu ginásio isolado, um complexo que divide com sua esposa, uma famosa influencer chamada Elsie White. À medida que o treinamento avança e se intensifica, o comportamento de Isasah se revela cada vez mais tóxico e sombrio, levando Cade a um extremo que pode lhe custar sua vida. Entre o desejo de sucesso e os enigmas que cercam o local, GOAT explora os perigos da fama, da idolatria e da busca pela excelência a qualquer custo.

Não conhecia a filmografia do diretor e roteirista Justin Tipping, mas sei que o produtor Jordan Peele é bizarro dentro das concepções que trabalha, e aqui diria que faltou uma centralidade para que o filme convencesse mais, afinal toda a ideia persistia para um final maluco, mas jamais para a escolha feita, e essa quebra faz com quem o público não saiba o que achar da ideia toda. Claro que se analisarmos o conjunto inteiro, o filme não é tão ruim, mas dava para moldar mais o resultado completo com um final mais decente, é isso só serviu para mostrar um diretor inseguro de suas entregas.

Diria que essa semana é a famosa mudança de estilo para os comediantes, pois ontem vi o The Rock fazendo drama, e hoje Marlon Wayans fazendo terror de verdade sem comicidade com seu Isaiah White, ao ponto que sua entrega chega a ser daquelas que você fica impactado com o que vê, ou seja, ele sabe interpretar bem também, e causa com a insanidade do personagem. Já o papel de Tyriq Withers, pedia que seu Cameron Cade fosse meio estranho e apático após a porrada na cabeça, mas ele acaba surtando e entrando tanto na dinâmica que sua expressividade acaba se perdendo no miolo de tudo, ou seja, nem sei se lembrarei mais dele daqui a pouco. Quanto aos demais, cada um entregou sua loucura e desenvoltura de acordo com cada momento, não tendo grandiosos destaques, mas também não soando vagos para o que seus papéis pediam, é assim melhor citar no máximo Julia Fox como a excêntrica esposa do protagonista, mas mais pela loucura final do que pelas demais cenas que apareceu.

Visualmente a trama foi bem interessante ao mostrar a mansão do protagonista completa com campo interno, sala medica, sauna e tudo mais, com um design meio futurista no meio do deserto, tendo atos impactantes, misturados com personagens bizarros, é claro todo o final de uma seita bem maluca com um ritual no melhor estilo de gladiadores, ou seja, muito sangue voando para todos os lados.

Enfim, é daqueles filmes que se você achava que estava entendendo, no final ficará sem entender nada, e se já estava perdido no miolo, vai ficar ainda mais perdido com o encerramento, então não posso dizer que recomendo ele, pois é capaz de muita gente vir me bater depois, mas se quiser arriscar a ver algo muito maluco, vá por sua conta e risco. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas já que a noite começou estranha, vou para um filme que ao menos já tem estranho no nome, então abraços e até daqui a pouco.


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Juntos (Together)

8/16/2025 02:22:00 AM |

Confesso que só de ler o texto do pôster do longa "Juntos": "O Melhor Filme de Terror do Ano", já me estressa após ter literalmente gasto quase duas horas da minha vida com um filme tão sem sentido, pois muitas vezes o bizarro nos atrai, acaba sendo intenso e marcante, mas aqui o filme tem uma explicação tão jogada e um clima tão sem explosão, que acaba sendo engraçado ver os contorcionismos dos protagonistas para se juntarem, fora toda a essência estranha, calma e sem entregas. Ou seja, é mediano pra baixo, sendo daqueles que talvez até seja lembrado mais para frente como algo estranho "que deu certo", pois se muitos reclamaram das cenas de CGI dos últimos filmes da Marvel, ou se espantaram com a cena de Cassandra Nova enfiando a mão dentro da cabeça dos personagens no último "Deadpool & Wolverine", aqui vão ficar bem surtados, pois acontecem situações bem piores e algumas até vexatórias e desnecessárias (como a cena pós sexo, mostrando os órgãos presos se esticando!), ou seja, é mais um filme apenas para causar, que não vai assustar ou fazer você ter alguma tensão realmente (tirando a cena da serra que já é mostrada no trailer), mas que devo esquecer do que vi amanhã com certeza!

O longa nos mostra que uma mudança para uma cidade isolada do interior testa os limites da já conturbada relação de Tim e Millie. O que poderia ser uma oportunidade para recomeçar logo se transforma em um verdadeiro pesadelo, quando uma força sobrenatural começa a corromper sua relação, suas mentes e seus corpos. À medida que se afastam de tudo o que conheciam, o casal descobre que, para permanecerem juntos, terão que enfrentar um horror muito maior do que o que os separava.

Diria que o diretor Michael Shanks foi ousado em seu primeiro longa, pois sua trama tem uma boa pegada, e até prende o espectador que fica do começo ao fim esperando o que vai acontecer, mas mais do que isso, fica aguardando alguma explicação decente do que é a maldição em si, o que já aviso que não será explicado, e mais do que ousadia no roteiro e na dinâmica toda, ele ainda fecha o filme aparecendo, ou seja, quis botar banca com uma história que talvez melhor decupada por um diretor mais imponente até conseguiria extrair um pouco mais da essência forte na tela, mas nas mãos de um estreante acabou jogando mais ao público e chocando apenas com algumas cenas fortes, mas sem algo que fizesse o cinema sair impactado com tudo. Sendo assim, vamos esperar que seu próximo trabalho dê melhores frutos, pois aqui caíram podre do pé antes de madurar.

Sabemos que precisamos trabalhar para pagar nossos boletos e luxos, mas alguns agentes jogam os atores mais jovens em certas tramas que fica nítido sua vontade de estar ali filmando, e aqui se no personalidade de Tim estava escrita desânimo total de vida, aí sim Dave Franco interpretou muito bem, pois do contrário parecia que o ator foi amarrado e obrigado a estar gravando o longa, e isso deu um tom não muito gostoso para que nos conectássemos ao seu personagem. Já Alison Brie até tentou chamar um pouco da responsabilidade para sua Millie, fazendo bons trejeitos e conexões, mas demonstrando estar afoita para que o longa fluísse, e isso não dependia apenas dela, então acabou fazendo mais caras e bocas sem ir muito além também. Ainda tivemos alguns personagens secundários que acabaram não sendo importantes para o desenvolvimento da trama, e Damon Herriman que de cara já vemos que seu Jamie está envolvido em algo, ficando muito na cara toda a dinâmica, e isso é algo que se no roteiro não pedia, o ator acabou atrapalhando, mas também não dava para salvar algo que já estava morto.

No conceito visual a trama até brincou bem com uma espécie de igreja dentro de um buraco, que de forma muito escura não valorizou o trabalho da equipe de arte, duas casas simples, com poucos elementos cênicos para serem chamativos, tendo a casa de Jamie mais cheia de fotos para dar a verdadeira nuance e alguns detalhes dos sinos, mas sem dúvida quem brincou bastante foi a equipe de maquiagem para "colar" os personagens, e claro a equipe de computação para fazer os efeitos das misturas, que até ficaram interessantes de ver, mas longe de serem algo bem feito para impressionar com a técnica em si.

Enfim, é o famoso filme que promete demais e entrega de menos, aonde faltou expressividade e tensão, e sobrou coisas estranhas para tentar impactar que não funcionaram como deveriam, e assim sendo, não é o estilo de filme que indicaria para ninguém, mesmo sendo bastante amante de filmes de terror estranhos, que aqui ficou mais para bizarro e sem sentido do que para algo que impressionasse mesmo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Vermiglio - A Noiva da Montanha (Vermiglio)

7/05/2025 01:59:00 AM |

Sabe aquela frustação clássica de ir conferir um filme muito premiado, que parecia ser incrível e chamativo, aí você na hora que fica sabendo de uma cabine (já que não conseguiu ir no Festival) fica desesperado para chegar o dia, e quando vai ver é algo tão morno, tão sem dinâmicas, que desanima do começo ao fim? Isso aconteceu hoje com "Vermiglio - A Noiva da Montanha", que estreia na próxima quinta-feira nos cinemas, e que quem foi no 8 ¹/² Festa do Cinema Italiano pode conferir antecipadamente a trama que ganhou o júri de Veneza no ano passado, esteve entre os indicados do Globo de Ouro desse ano, fora diversas premiações na Itália e mundo afora, mas que é tão insosso que chega a dar muito sono durante a exibição, entregando uma base tão simples que não fala por si própria, e assim talvez alguém com um manual mais detalhado do que o longa desejava passar possa gostar mais, mas confesso que me segurei para não dormir assistindo ele, então a indicação que dou para quem for na próxima semana conferir é que tome um energético para aguentar tudo o que verá.

O longa se passa em 1944, na remota aldeia alpina de Vermiglio, no norte da Itália, onde a Segunda Guerra Mundial paira como uma sombra constante, mas distante. A tranquilidade da vila é quebrada com a chegada de Pietro (Giuseppe De Domenico), um jovem soldado siciliano que busca refúgio após carregar seu ferido companheiro, Attilio (Santiago Fondevila), por uma longa jornada. Aclamado como herói, Pietro é acolhido pela comunidade e pela família do professor local, cuja filha mais velha, Lucia (Martina Scrinzi), é imediatamente atraída por ele. À medida que Pietro e Lucia se apaixonam, o romance deles desencadeia uma série de eventos que transforma a vida na aldeia. O casal decide se casar, mas essa união inesperada expõe as tensões na comunidade, revelando misoginia, intolerância e preconceito profundamente enraizados.

Como disse no primeiro parágrafo, lendo essa sinopse mais alongada, posso até dizer que essa essência exista dentro da trama, mas você precisa espremer bastante para colocar toda essa dinâmica no longa da diretora e roteirista Maura Delpero, de modo que a trama tem dificuldade em engrenar, tem dificuldade em fazer com que o público se conecte aos personagens, e mesmo sendo um mistério o que o soldado realmente esconde, você sabe que ali vai dar errado de cara, ou seja, é um filme que tem muitas facetas para serem desenvolvidas, mas que deixa tudo no famoso mundo subjetivo, e como sempre falo, isso só funciona com público que come festivais, pois comercialmente nem em sonho alguém conseguirá ver tudo isso na tela.

Todos sabem o quanto gosto de falar das atuações, mas com toda sinceridade, a diretora colocou praticamente uma vila real para atuar sem saberem passar qualquer carisma para conectarmos aos seus personagens, então vou deixar os nomes dos atores nas sinopses e vou pular essa parte do texto, pois não tenho como enaltecer, dar destaque ou falar qualquer coisa boa deles. 

Visualmente posso dizer que a equipe de arte caprichou nas locações, tendo uma vila bem simples, a formatação sendo feita dentro da casa dos protagonistas, na escola, na igreja e em uma espécie de salão de confraternizações com bailes e bebidas, tudo regado a muita neve ao redor, paisagens totalmente brancas, e algumas movimentações acontecendo por ali, além claro de elementos cênicos para marcar tudo com cigarros, livros proibidos e outros detalhes mais singelos, porém marcantes.

Enfim, é o famoso filme que só vale a indicação mesmo para os amantes natos de festivais, pois quaisquer outra pessoa que for ver como uma recomendação minha irá vir tirar muitas satisfações, então fica a dica para quem gostar dessa essência e talvez conseguir ir procurar tudo o que a sinopse disse, conseguir chegar a algum lugar. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Synapse Distribution e da Atômica Lab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Esquema Fenício (The Phoenician Scheme)

5/31/2025 01:45:00 AM |

Não sou um amante dos filmes do Wes Anderson, mas gosto da estética toda certinha, gosto de ver as loucuras que muitas vezes ele entrega, e principalmente gosto da maioria dos atores com quem ele trabalha (aliás ele deve ser muito amigo de Hollywood inteira, pois tem personagens que entram com menos de 1 minuto de tela em todos seus filmes!), mas não havia visto nem trailer, nem sinopse, nem nada sobre seu novo longa "O Esquema Fenício", e dessa vez ele se superou na quantidade de bebida que tomou para escrever o roteiro, pois é quase como você entrar em uma aula de matemática daquelas completamente complexas achando que veria uma aula de soma de dois mais dois, sendo uma bagunça tão complexa, com tantas informações e dinâmicas, que se fosse algo rápido e bem colocado até daria para curtir, mas é lento e cheio de pontos e interjeições, aonde nossos olhos vão fechando, tudo vai cansando, e confesso que pensei em dormir ou ir embora que é algo que há muito tempo não penso em filme algum. Ou seja, se você realmente for muito fã do estilo do diretor, vá bem descansado conferir, senão a chance do que falei acontecer é altíssima.

No longa vemos que o excêntrico magnata Zsa-zsa Korda já sobreviveu a seis acidentes de avião e é pai de nove filhos homens e uma única menina, a freira Liesl. Ele determina que ela seja a única herdeira de seu patrimônio, mas antes, pede a ajuda da filha para garantir que seu projeto de vida saia do papel, o "Korda Land and Sea Phoenician Infrasctructure Scheme". Agora, eles precisarão viajar pelo mundo acompanhados pelo ingênuo tutor Bjorn negociar com empresários, empreiteiros e criminosos perigosos, confundindo-os sobre suas intenções para afastá-los do esquema.

Claro que quem vai conferir os longas de Wes Anderson sabe bem o que vai encontrar, então na sala vemos a maioria massiva de fãs do estilo dele, e ele não desaponta esses fãs com a entra de seu roteiro e direção, porém diria que ele excedeu um pouco com sua loucura dos personagens, ao ponto que não chega a ser crível uma pessoa tão bizarra ao ponto do protagonista e sua ideologia, chegando a ficar forçado além do padrão Wes de qualidade. Ou seja, sei que muitos vão amar o que verão na tela, mas se irão entender toda a loucura para explicar para qualquer outra pessoa, aí já vai ser outra história. Dito isso, o longa tem pegada, e a essência clássica, com uma história completamente maluca, que num primeiro momento até fazia um certo sentido, mas depois com tantas explicações e negociações malucas, já ficou fora demais da caixinha para uma pessoa normal entender e gostar.

Quanto das atuações, vou ser econômico, pois se eu falar de todos os atores do filme acho que não acabo esse ano de escrever, então diria que Benicio Del Toro caiu bem na personalidade de Zsa-zsa Korda, tendo traquejos e dinâmicas que por vezes lembram um pouco o personagem da família Adams, mas que sabendo dimensionar o que o papel lhe pedia, conseguiu ir se conectando e discutindo com todos os demais com uma qualidade impecável de estilos, e felizmente isso foi suficiente para que o papel não destoasse tanto na tela do começo ao fim, mas ainda assim é alguém bem cheio de excessos. O começo de Mia Threapleton com sua Liesl até tem seu gracejo e funciona bem, mas depois começa a incomodar por ser repetitivo e sem muita expressividade cênica, ou seja, fica faltando algo para criarmos algum carisma ou ódio por ela, e isso é muito ruim quando acontece em qualquer filme. Michael Cera fez com seu Bjorn algo quase que como se ainda estivesse interpretando seu papel em "Barbie", e ficou um boneco de apoio dos demais protagonistas, estando em todas as cenas, mas com uma importância tão besta que chega a dar pena dele ali, ou seja, não fluiu. Quanto aos demais, vou apenas citar os bons momentos de Tom Hanks e Bryan Cranston batendo um bom basquete contra os protagonistas, e ao final Benedict Cumberbatch bem revoltado com seu Nubar, mas sem grandes chamarizes.

Visualmente os longas do diretor são muito bonitos de ver, com uma formatação clássica, cheia de cores, figurinos, objetos malucos e claro tiros, explosões, pedaços voando, sangue e tudo mais que se imaginar por todos os ângulos possíveis, de modo que a abertura vista por cima de um banheiro é um deslumbre a parte, e tudo parece uma composição de quadrinhos transportados via massinha para a tela, o que agrada bastante, e também diverte com a essência na tela, mas é algo maluco de se imaginar cada ambiente e cada situação, então tem de entrar no clima para pensar tanto como o diretor quanto os designer de produção.

Enfim, é um filme que com poucos ajustes seria uma obra fascinante do diretor, mas que pelo excessivo estilo maluco, junto de uma história confusa e sem base funcional, mais um ritmo bagunçado e não tão dinâmico acabaram mais cansando do que agradando, então não posso dizer que recomendo o que vi na tela hoje. E é isso pessoal, amanhã volto com mais dicas por aqui, então abraços e até logo mais.


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Pequenas Coisas Como Estas (Small Things Like These)

3/16/2025 07:32:00 PM |

Sei que nem todo filme pode e deve ser acelerado e cheio de explosões cênicas, mas os diretores precisam ter noção da desenvoltura para que suas tramas não virem velórios ou soníferos na tela, de tal maneira que a história que o longa "Pequenas Coisas Como Estas" tem dentro de sua base é fortíssima, e daria para facilmente o diretor criar algo marcante na tela, mas ele trabalhou tudo de uma forma monótona e tão parada que certamente se tivesse visto como cabine em casa teria dormido na metade do longa e não saberia o final, pois é tudo muito sereno, e até mesmo os atos mais cheios de impacto dentro do convento são dosados a base de chá. Ou seja, o resultado do filme não vai impactar ninguém, mas ao menos muitos irão pensar sobre mais algo que a Igreja procura sempre varrer para debaixo de seus tapetes, porém não sei se muitos irão conseguir ver o longa da forma que ele não prende a atenção.

Ambientado em 1985, o longa narra a história de Bill Furlong, um vendedor de carvão em uma pequena cidade irlandesa dominada pela influência da Igreja Católica. Às vésperas do Natal, Bill faz uma descoberta chocante ao encontrar uma mulher aprisionada em um galpão de carvão, vítima de punições impostas pelas Lavanderias Madalena, onde a Igreja mantinha aquelas que eram consideradas "fora do padrão". Este encontro provoca um conflito interno profundo em Bill, que se vê dividido entre a emoção e a moralidade. À medida que os segredos obscuros da cidade começam a emergir, Bill confronta suas próprias memórias de infância, repletas de pobreza e anseios não realizados. Com isso, ele se questiona sobre o que significa realmente a bondade e a compaixão em um mundo marcado pelo silêncio e pela opressão. Desafiado a lutar por justiça, tenta redefinir o verdadeiro espírito natalino em meio a revelações dolorosas.

No longa anterior do diretor Tim Mielants, "Caminhos da Sobrevivência", já tinha dito que ele gosta de trabalhar seus filmes de um modo mais cru, sem grandes desenvolturas cênicas, e aqui com o roteiro de Enda Walsh baseando-se no livro de Claire Keegan, ele acabou quase que trabalhando com uma caneta de pluma de ganso de tão sutil que fez tudo acontecer na tela, não sendo nem algo tão sujo como o carvão que o protagonista vende, muito menos sujo com tudo o que acontece lá dentro do convento ou nas ruas da pequena cidadezinha, parecendo que tudo está parado lá desde a era medieval. Ou seja, faltou atitude para que o diretor criticasse realmente e não apenas jogasse tudo no ventilador na cena final com tudo escrito para lermos, pois aí já acabou seu tempo de tela, e assim sendo diria que o trabalho do diretor foi tão morno que no frio da cidadezinha acabou congelando rápido demais.

Quanto das atuações, posso dizer que Cillian Murphy até trabalhou bem seu Bill Furlong, com um estilão mais fechado, sem muitas palavras e expressões mais fortes, mas conseguindo ser marcante e imponente na tela, tendo claro as atitudes mais corretas para com os que precisavam dele, e assim funcionou na proposta, mas dava para quebrar mais tudo e sair resolvendo mais como fez no final. Eileen Walsh fez a esposa do protagonista de uma maneira calma também, sem chamar tanta atenção, mas sendo subjetiva ao menos quando viu a necessidade de acalentar o marido. Emily Watson está tão diferente como a freira Mary, mas foi bem direta e pontual no que precisava dizer para o protagonista, meio como um some daqui logo e leva uns trocados para não encher mais o saco, de modo que a atriz conseguiu chamar atenção. Quanto aos demais vale apenas o leve destaque para a expressividade de 
Zara Devlin com sua Sara Redmond.

Visualmente a trama tem uma pegada não tão chamativa, com um ambiente escuro, mostrando bem pouco da cidadezinha, focando no caminhão de carvão do protagonista, mostrando um pouco dentro do convento aonde as moças trabalham fazendo comida ou lavando e passando roupas, e também o cantinho do galpão de carvão aonde são colocadas as moças de castigo, ainda tivemos bem pouco da casa do protagonista aonde faz sempre seu ritual de limpeza ao chegar do trabalho, e vemos os preparativos do Natal que traz um pouco da memória do garoto que nunca ganhou o presente que desejava, ou seja, tudo bem simples e sem grandes chamarizes de elementos.

Enfim, é um filme que tinha um bom potencial, que me chamou muita atenção pela sinopse, mas que não entrega nem metade do que promete, sendo simples e calmo demais, aonde alguns até irão sair da sessão pensando no que foi apresentado, mas não irão tirar grandes conclusões para a vida, então não diria que recomendo ele nem como algo mediano. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto hoje ainda com mais um texto, então abraços e até logo mais.


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Uma Advogada Brilhante

3/07/2025 01:21:00 AM |

Não vou enrolar vocês, pois sei do pessoal que gosta de comédias nacionais, principalmente as que tem Leandro Hassum no protagonismo, e de cara fui conferir "Uma Advogada Brilhante" preparado para algo bem bombástico, mas como era o que tinha melhor horário para uma quinta-feira de estreias, eis que foi a única opção, e o que posso falar é que o longa não é ruim dentro da proposta que queriam entregar, de mostrar a força do feminino que mesmo empresas falando que equiparam homens e mulheres, muitas das vezes acabam causando mais assédio do que dando reais oportunidades para elas, e o quão difícil é ser uma mulher para um homem não perder seu emprego, e até aí ok, porém o longa é uma comédia, ou melhor tenta ser, pois não faz rir em momento algum, e assim sendo falha bastante, e o pior é que fizeram um esforço gigantesco para tentar deixar o longa ruim, com tantos absurdos que chega a chocar o exagero feito na tela, parecendo que queriam realmente parodiar algo do passado ou "zoar" as mudanças atuais no mundo. Ou seja, é um filme que tem um final bem bacana, mas um começo deprimente e um miolo bagunçado, que quem quiser conferir vai sofrer um bocado e rir bem pouco.

O confuso e cômico advogado Michelle detesta seu nome por ser confundido com um nome feminino. Seu nome lê-se Mikele, mas ninguém consegue acertar. Ele recebe a incumbência de sustentar a ex-mulher e o filho, ou ambos serão liberados pela juíza de família a se mudar para os Estados Unidos. Como notícia ruim não anda sozinha, no mesmo dia, ele descobre que o escritório de advocacia onde trabalha foi comprado, e somente as advogadas mulheres continuarão trabalhando lá. Aí é que a sorte, ou o azar, de Mike muda. Seu nome é confundido com Dra. Michelle, e ele ganha uma segunda chance. Só precisa se passar por mulher para continuar empregado e ter dinheiro para bancar a pensão.

Diria que a diretora Ale McHaddo tentou fazer cômica a famosa briga dos sexos na tela, colocando em pauta também sua transição como elo secundário, de tal forma que o filme tem até muitas piadas de duplo sentido sendo colocadas nos diálogos, porém quase nenhuma engrena e faz rir (e olha que dessa vez a sala tinha mais algumas pessoas para não dizer que apenas eu não ri). Ou seja, o trio de roteiristas não conseguiu fazer com que o politicamente incorreto superasse o elo de quebra para que o filme funcionasse como uma boa comédia, e nem os protagonistas foram na onda, de modo que o jeitão de Mamma Bruscheta de Hassum até tem um certo gracejo cômico com as apelações que faz para que o filme tente engrenar, mas não rola, e já que também não tem uma pegada dramática satisfatória sem ser nos atos finais, o longa acaba ficando naquele limbo que ninguém vai entender o que a diretora quis mostrar.

Sei que posso estar mais chato, mas muitos vão concordar comigo que depois que Leandro Hassum emagreceu ele perdeu a graça, e desde "O Candidato Honesto" não conseguiu mais lotar as salas e nem fazer rir como antigamente, mudando o tom e o estilo de suas piadas, que por vezes não funcionam bem, e aqui seu Michelle é meio abobado e até um pouco irritante, enquanto sua Michelle já tem uma pegada mais cheia de sacadas, e que se impondo com bons traquejos até agrada dentro do possível, mas sem ir muito longe. Bruno Garcia forçou um pouco a barra para que seu JP tivesse traquejos de um advogado de grande porte da empresa, mas não conseguiu agradar nem com o capacho que colocaram para lhe acompanhar que nem tem uma frase completa para ir além. Claudia Campolina tentou dar um tom meio que romantizado para sua Julia, mas ficou no meio do caminho com o que a diretora desejava, tendo um lado bem empoderado, mas ao mesmo tempo deixada de lado. Paulinho Serra pareceu saído de uma esquete do Zorra Total com seu Guido (usando até a antiga piada para sua aula de academia Power Guido). Quem eu diria que foi bem no que fez foi Marcelo Mansfield com seu Dr. Pacheco, que brincando com alguns elos foi bem encaixado. Já os demais, é melhor economizar no teclado.

Visualmente a trama até tem momentos e ambientes bem detalhados, com um tribunal até que bem arrumado para um caso maior, claro que exagerando nas torcidas ao fundo de pessoas de academia versus fãs de uma funkeira com uma música incrível (ironia nível hard!), tivemos o fã clube da funkeira também que mais parece algo saído de um filme de terror cheio de coisas antigas, o escritório dos advogados até bem arrumado com a sala do dono quase como uma catacumba do drácula, uma boate também dentro do escritório (algo até estranho demais), e claro um tribunal menor da vara de família com Danilo Gentili de juiz, ou seja, o absurdo máximo, ainda tivemos também a pizzaria da família, além de uma escola aonde vemos só a sala da diretoria, ou seja, tudo bem econômico, mas bem representado na tela.

Enfim, é um filme que se fosse melhor desenvolvido até seria agradável e muito recomendável nessa época do ano em homenagem ao Dia das Mulheres, mas acabaram zoando tudo de uma forma não divertida e nem interessante de ser vista, que a proposta mais desanda do que agrada, e assim o resultado não flui como uma boa comédia, e fica mediano como algo maior, ou seja, tem filmes melhores para se conferir na telona. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Kayara - A Princesa Inca

2/21/2025 12:42:00 AM |

Já ouviram aquele ditado: "Parecia tão bom, mas...", pois é bem o sentimento que tive hoje conferindo a animação espanhola "Kayara - A Princesa Inca", pois o longa tem uma pegada histórica interessante, desenvolve alguns personagens de forma bacana, porém algum tipo de briga rolou entre direção e edição, pois uma tonelada de personagens aparecem e desaparecem, coisas acontecem e de repente já está tudo diferente, e no final, no ato principal, a trama acaba seca, sem fluir, sem se desenvolver, e sobem os créditos, parecendo totalmente algum tipo de edição fora do padrão, o que é muito ruim de acontecer, pois você fica esperando talvez a jovem ganhar realmente o título de princesa ao ficar junto do imperador, mas nem acabar direito a briga final acaba, e assim saí da sessão bem desapontado (depois claro de esperar todos os créditos subir, pois vai que tem algo pra salvar em um pós-crédito, mas nem isso!). Ou seja, é daqueles que talvez as crianças fiquem vendo para rir do bichinho que acompanha a protagonista, até se entretenha com as boas cores e formas da tela, mas quem for esperando algo a mais vai se desapontar.

A sinopse nos conta que os mensageiros incas (Chasquis), eram rápidos, fortes e apenas homens... até Kayara. Uma jovem linda e atlética de 16 anos, Kayara está destinada a ser a primeira mulher a entrar na liga exclusiva dos Chasquis. Quando se depara com sua primeira oportunidade de competir na Corrida dos Mensageiros na frente do Imperador Inca, ela se veste como um homem. Quando sua verdadeira identidade é revelada e ela está prestes a ser punida, o jovem príncipe, Paullu, a aplaude. Ela tem sucesso em todas as missões para ser uma Chasqui e descobre as histórias antigas de sua terra e seu povo.

O problema da edição ficou bem claro ao dar uma pesquisada sobre os diretores e roteiristas que são estreantes na função, ao menos em longas, e o mais engraçado é que parecia que eu já tinha visto esse filme em algum outro lugar pela semelhança de personagens, mas agora vi que alguns dos roteiristas são os mesmos de "Ainbo - A Guerreira da Amazônia", ou seja, copiaram muita coisa do outro filme. Mas vamos focar somente nesse, e aí é que entra o problema, pois não diria que faltou noção de técnica, nem mesmo desenvolvimento de personagens, mas sim que chegaram neles e falaram que precisariam reduzir seu filme de duas horas ou mais para 90 minutos cravados, e assim saíram cortando sem nem pensar em nada, o que acabou ficando coisas soltas e sem fechamentos, principalmente o fechamento mesmo do longa, ou seja, espero que algum dia soltem o material original completo, pois até que a história é graciosa e bem colocada, merecendo ser mostrada por completo.

Já que falei de desenvolvimento de personagens, que é algo que ficou bem feito, de modo que a garotinha Kayara é audaciosa, tem um bom estilo e desenvoltura, foi bem dublada e envolve o público com suas facetas nem tão bobinhas, e assim agrada com o que faz em cena, claro já muito esperado pelo estilo girl power tradicional, mas faltou ir mais além para chamar ainda mais atenção no final. O imperador Paullu até foi bem colocado como um bom amigo da garota, mas faltou um pouco de atitude em muitos atos, e o que acontece com ele foi anunciado bem antes na tela, meio que sacado de ver acontecer. O conselheiro do imperador Villa Oma até entrega sua maldade com trejeitos fortes, mas diria que cortaram cenas demais do personagem, de modo que do nada coisas acontecem, e isso acaba pesando na tela. O mesmo aconteceu com o pai da garotinha, que achei até que tivesse morrido por praticamente desaparecer da tela em uma boa parte da trama, mas em compensação o porquinho da índia (aliás na época dos incas já se falava em Índia? E tinham porquinhos?) aparece o longa inteiro e acaba sendo até importante em vários momentos, ou seja, abusaram da fofura do bichinho.

Visualmente o longa é muito bonito, com paisagens bem desenhadas, mostrando um pouco da cultura inca de ter sua linguagem através de nós, mostrando uma certa hierarquia entre as pessoas e competições bem encaixadas, além claro de colocar também suas diversas regiões no mapa, com montanhas, plantações, florestas e tudo mais, com traços não tão puxados para o lado 3D, mas com formas bem encaixadas que acabam agradando na tela.

Enfim, é uma animação bem feita de técnicas e visualmente bonita, com personagens bem colocados e com uma boa dose cômica, que facilmente poderia ter ido muito mais além, mas que falhou consideravelmente na edição e o resultado final acabou mais decepcionando que agradando, não sendo algo que valha recomendar. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Emilia Pérez

2/01/2025 02:40:00 AM |

Com toda a sinceridade de quem escreve crítica a mais de 15 anos e que é viciado em filmes a mais de 30, já vi muitas injustiças nos vencedores dos Oscars, mas não lembro de nenhuma novela receber tantas indicações a mais chamativa das premiações, pois "Emilia Pérez" até tem suas qualidades musicais por ser diferenciado nesse sentido, o tema anda bem na moda, mas não é um filme nem aqui, nem na França por onde ele é indicado, muito menos no México que é aonde o "longa" se passa, sendo uma novelona mexicana musical com todas as letras possíveis, aonde a coadjuvante se joga por completo e chama atenção, aonde vemos a protagonista como um homem magrelo e raquítico minutos após a cirurgia todo enfaixado mais bem cheinho, e contando com muitas dinâmicas que não necessitavam serem musicalizadas. Ou seja, friso que não é algo ruim, mas tem tantos absurdos na tela que a todo momento me via com a mão na boca inconformado com o que estava vendo, e olha que esse que vos digita aqui adora musicais, então quem estiver pensando em conferir (afinal muitos brasileiros são bairristas e pretendem boicotar a trama já que é nosso principal concorrente) e não é adepto do estilo, nem passe pela porta que vai odiar do minuto 0 até o final.

A sinopse nos conta uma descontente e explorada, mas altamente qualificada, advogada chamada Rita trabalha numa firma focada em encobrir crimes ao invés de servir à justiça. Cansada dessa dinâmica e de estar desperdiçando seus talentos, Rita se depara um dia com uma proposta indispensável que pode tirá-la dessa vida: ajudar o chefe de um cartel, Manitas Del Monte, a se aposentar, sair de seu posto e desaparecer por definitivo. Juan, porém, tem aperfeiçoado esse plano em segredo há anos e envolve não só fugir das autoridades, mas afirmar sua verdadeira identidade: Emilia Pérez. Rita, então, ajuda-o em todo esse processo, garantindo que Emília possa finalmente viver seu mais autêntico e verdadeiro eu fora do radar.

Confesso não entender o motivo do diretor e roteirista Jacques Audiard trabalhar sua trama da forma musical completa, pois até alguns atos funcionaram bem no estilo, mas outros acaba sendo até um incômodo frases sem rimas serem encaixadas, começando logo de cara com "refrigerador", uma palavra grande que não combinando bem com as demais tentam ainda musicalizar num carro ao estilo de pamonha que temos por aqui, ou seja, até é bacana, mas irrita colocar tudo como música, além de dificultar a vida do elenco. Claro como disse temos alguns momentos perfeitos como o do jantar de arrecadação, pois ali aonde tem a canção que deve levar o Oscar, a atriz coadjuvante (que ao meu ver é principal, apenas sendo colocada como coadjuvante para levar mais prêmios) entrega algo incrível, mas o roteiro em si é muito novelesco, tendo a base principal no trio, mas sempre abrindo brechas para desenvolver um algo a mais que não necessitaria para a base completa da trama. Ou seja, é uma trama que mais incomoda do que agrada pelos atos bizarros mostrados, e com isso mesmo você indo preparado para gostar (como fiz questão de ir contra a maioria dos brasileiros que estavam torcendo muito contra e até boicotando as sessões - tinha apenas eu e mais um hoje na sessão) acaba ficando irritadiço com tudo o que vê na tela, e sendo assim acredito que o erro foi na escolha do desenvolvimento do diretor e não tanto no roteiro, mas quem conhece o diretor sabe que ele faz bons filmes, só não foi o caso aqui.

Quanto das atuações, já frisei acima e volto a dizer que é um dos melhores trabalhos de Zoe Saldana, entregando ritmo nas canções e desenvoltura nas movimentações cênicas e trejeitos, de modo que sua Rita tem muito mais atos importantes que a própria Emilia, e assim deveria se creditar como protagonista da trama, mas não é bem assim que os produtores decidem nas indicações, então como coadjuvante suas chances são muito maiores, e a atriz entregou muito, merecendo o sucesso que vem fazendo. Karla Sofía Gascón trabalhou muito bem tanto seu Manitas quanto sua Emilia, tendo claro no começo a falha gigante que falei de proporções logo após uma cirurgia, mas a atriz se mostrou cheia de expressividade e não falhou no que dependia dela, chamando muita atenção também. Já Selena Gomez fez de sua Jessi alguém para esquecermos amanhã, primeiro por parecer ainda jovem demais para o papel, depois por trejeitos estranhíssimos na maioria de seus atos, e por fim fazendo uma mistura gigantesca de espanhol com inglês que chega a dar nó na nossa cabeça, ou seja, o papel ali tinha de ser de outra pessoa. Quanto aos demais, a maioria fica bem em segundo plano, tendo Adriana Paz um pouco mais de cenas com sua Epifania e Edgar Ramírez com seu Gustavo, mas nada que impressionasse em seus atos na tela.

Visualmente a trama passeou por algumas cidades e foi bem representativa da cidade do México, mesmo não sendo gravado lá para baratear os custos de produção, tendo alguns atos gigantes com muitos figurantes, figurinos, danças, elementos cênicos e adereços de tudo quanto é tamanho e entrega, que até poderia chamar mais atenção, porém a todo momento temos quebras cênicas com fades-out (a famosa tela preta), que se resolverem lançar como novela ou série futuramente até funciona, mas aqui tirando a grandiosidade das mansões, projetos e tudo mais, não serviram para muita coisa.

Musicalmente, mesmo a trama não tendo a necessidade de ser inteiro cantada, acabou ocorrendo, e com isso, tivemos uma canção chiclete que fica em nossa mente chamada "El Mal" que provavelmente leve a premiação, e outras bem encaixadas na trama, mas volto a frisar que exageraram em cantar para tudo.

Enfim, é algo fora do padrão que muitos podem gostar e outros odiar, que recaiu demais para o estilo novelesco, e que até agora estou sem entender metade das 13 indicações ao Oscar e tantos outros prêmios, pois não é nem de perto o melhor filme do ano, então deixo a recomendação com tantas ressalvas que se eu falar que indico acabarei apanhando de muitos, e olha que repito que fui preparado para gostar do que iria ver ao contrário de muitos que já estão indo com pedras para tacar na tela, então resta ver o que acontecerá nas próximas premiações. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com muitos outros textos, afinal essa semana veio recheada, então abraços e até logo mais!


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