Minha Melhor Amiga

9/05/2026 09:03:00 PM |

É interessante que raramente vejo um filme que funciona muito mais para um tipo de pessoa do que para mim, mas hoje posso afirmar com todas as letras que "Minha Melhor Amiga" foi feito exclusivamente para divertir a mulherada, aonde todas as sacadas fizeram a sala (bem lotada de mulheres) rir horrores do começo ao fim, se conectar com tudo o que estava sendo mostrado, e ao final ainda ouvir que fazia tempo que não tinha um filme bom assim, porém eu ri de algumas entregas e achei bacana o funcionamento bem conectado entre as personagens, mostrando quase um road-movie de mulheres maduras que tentam mudar seus medos de mudar a rotina em alguns dias. Ou seja, é o famoso filme feminino aonde muitas mulheres vão se enxergar ali e vão rir das situações, mostrando que as protagonistas souberam encontrar exatamente aonde dar o tiro, e consequentemente a diretora soube explorar bem isso, fazendo com que cada detalhe funcionasse bem na tela, saindo felizmente do novelesco, mas sem ir muito além também para atacar um público-alvo diferente, e assim fica sendo a melhor recomendação.

O longa mostra que Julia e Clara são melhores amigas, e suas vidas viram de cabeça pra baixo quando suas filhas adolescentes partem para estudar em Lisboa. Vivendo o vazio da casa, as frustrações no trabalho e os relacionamentos em crise, as duas decidem viver novas experiências e viajam para Portugal, onde as filhas vivem a própria liberdade. Mas, ao chegarem em terras lusitanas, nem tudo sai como planejado. O que seria apenas umas férias divertidas se transforma numa jornada que vai ressignificar a vida das duas. Entre encontros, desencontros e revelações, Julia e Clara redescobrem a força da amizade feminina — aquela que apoia, fortalece e nos lembra quem realmente somos.

Diria que a diretora Susana Garcia tem um estilo próprio de cinema e isso ela já mostrou muito em seus filmes que lotavam as salas dos cinemas, e o mais interessante é que ela sempre trabalhou conexões, fazendo com que seus personagens fossem muito mais do que apenas papeis nas vidas dos atores, mas sim tinham química demais, e até conviviam bastante fora das telas juntos, e isso é o que fazia muito sucesso, porém ela teve uma quebra grande nos últimos longas parecendo que tinha esquecido como fazer o público rachar de rir, e agora posso dizer que ela voltou a acertar, principalmente ao escolher em cheio o público-alvo de sua trama, afinal o que vemos aqui não é um filme para todos, mas sim para todas, aonde ela escolheu trabalhar temas que as mulheres vivenciam muito, conexões da vida delas aos 50, e situações bizarras que geralmente acabam se metendo junto quando falam mais do que a boca, ou seja, o roteiro foi perfeito para o encaixe da diretora com as atrizes, e ainda ela fez um ato fofo ao lembrar o filme que a jogou no estrelato com uma homenagem à "Minha Vida em Marte".

Quanto das atuações, diria que as protagonistas se encontraram no verdadeiro encaixe que suas personagens precisavam ter, fazendo atos tão conectados que se não soubéssemos que realmente elas são bem amigas na vida real, iríamos apostar nisso depois de ver o filme, de modo que Ingrid Guimarães trabalhou sua Clara com um jeito mais espalhafatoso de uma mulher cansada do casamento, mas que tem seus medos de separar e viver sozinha, aonde a atriz brincou com trejeitos, sotaques e dinâmicas mais jogadas, e com isso faz rir e se fez rir, sendo assertiva no papel. Já Mônica Martelli trabalhou sua Julia como uma jornalista mais requintada e imponente, mas que pela idade já não tem mais os caminhos abertos na profissão e já se sente mais deixada de lado, mas que se recusa a encontrar novamente o amor, e a atriz brincou com alguns traquejos mais sérios e foi bem nesse sentido, mas ainda assim se atrapalhando bem em determinados momentos para ter o devido gracejo, ou seja, acertou no que precisava. O mais engraçado de tudo é que o filme é das duas, não tendo mais minutos de tela para nenhuma delas, e praticamente não tendo abertura nenhuma para os demais personagens, e isso é muito bom, de modo que Giulia Benite como Manu (filha de Clara) e Gabi Amaral como Isadora (filha de Julia) praticamente só brincam nas cenas com as protagonistas, e os homens que foram colocados em cena (Ricardo Pereira como um médico português, Albano Jerónimo como Nuno um guia português e Alejandro Albarracín como o dono de um hotel espanhol Ramon) apenas participaram.

Visualmente o longa nos levou para passear em alguns bairros de Lisboa e também de Sevilha, mostrando quartos de hotéis, trabalhando alguns passeios de barcos (o do unicórnio se existir realmente é algo inusitado demais de se pensar), tiveram uma festa simples numa calçada e claro momentos dentro de um avião e de uma farmácia, mostrando alguns perrengues tradicionais das viagens internacionais com os preços das coisas, as escadarias e tudo mais, sendo um trabalho mais de locações bem escolhidas do que realmente um trabalho de cenografia da equipe de arte, mas ainda assim funcionou  bem dentro da proposta, e isso é o que importa.

Enfim, é um filme digamos simples de conteúdo, mas que felizmente não recai para o lado novelesco em momento algum, e principalmente como já disse funcionou muito para o público-alvo feminino, então assim sendo diria que o trabalho foi acertado na tela. Claro que eu esperava rir mais, afinal a comédia em si precisa funcionar para todos, mas fiquei feliz de ver que algum diretor nacional começou a olhar para nichos, algo que era raríssimo de acontecer, e que sempre tentando agradar todos os lados acabava não divertindo ninguém, e sendo assim posso recomendar ele com certeza para todas as mulheres que conheço. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vou encarar mais um longa ainda hoje, então abraços e até logo mais.


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George Washington (Young Washington)

9/05/2026 03:04:00 AM |

Costumo dizer que é muito interessante conhecer um pouco da História de outros países, pois na escola apenas temos alguns relances e citações de alguns momentos-chaves, e felizmente o cinema nos dá essa oportunidade, de modo que claro enfeitam muitos personagens famosos e trabalham algumas situações de um modo ficcional para vender ingressos e surpreender mais, mas como sempre falo, se for deixar muito igual melhor fazer um documentário, então segue valendo o jogo. E hoje foi um dia que posso dizer que vi muitas coisas novas, primeiro com uma trama da Segunda Guerra Mundial, e aqui um pouco da briga entre britânicos e franceses pela colonização das terras que hoje conhecemos como Estados Unidos da América bem antes de ser conhecida como é, de modo que a trama de "George Washington" repassa bem a vida de um jovem que vindo de uma família pobre de agrimensores e agricultores, tendo apenas uma pequena terra, mas ansiando ir mais além e sem poder estudar na escola tradicional, e desejando ser soldado do rei, acaba se voluntariando para ir nas terras não demarcadas aonde descobre a invasão francesa e acaba tendo de lutar pelos seus homens da Virgínia. Ou seja, é um filme de guerras também, com um olhar mais focado em um jovem empolgado em crescer e mudar de vida, que de até tem uma boa pegada na tela, mas economiza demais na violência, então poderiam ter sido mais realistas para impactar mais no conceito completo do filme.

O filme mostra que antes de se tornar o primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington trilhou um caminho marcado por desafios, coragem e liderança. O longa acompanha sua trajetória desde os primeiros anos como inspetor de terras até a ascensão como comandante militar durante a Guerra de Independência Americana. Entre batalhas decisivas, escolhas difíceis e o peso de conduzir uma nação em formação, o jovem líder molda o próprio destino e o de seu país. O filme revela a construção de um dos personagens mais influentes da história, destacando os acontecimentos que o levaram a conquistar a confiança popular e ser eleito, por unanimidade, o primeiro presidente americano.

Diria que o diretor e roteirista Jon Erwin trabalhou bem a história que tinha em mãos, pois trouxe para o público a História do começo dos EUA, mostrou o quanto o país vive de guerras desde os primórdios, e principalmente como não são bons de negociações, e isso sem precisar criticar com letras garrafais, sendo sutil e criando um filme gigante de essências e entregas, ou seja, fez uma trama com uma boa densidade, com diálogos bem encaixados, com ação na medida certa e uma produção rica de figurinos, de batalhas e de ambientes, e assim mostrou até bem mais do que todos os seus filmes anteriores, mostrando que tem potencial para fazer outros estilos sem serem apenas tramas religiosas.

Quanto das atuações o longa tem muitos personagens e atores imponentes que nem dá para ficar falando de todo mundo, mas o foco todo ficou em cima de William Franklyn-Miller com seu George Washington, e diria que o jovem foi um pouco cru demais para o papel que pedia alguém mais marcante, não sendo ruim o que ele faz, mas dava para terem trabalhado melhor ele para chamar mais atenção ou terem colocado algum ator mais chamativo, afinal o filme é do personagem, e assim posso afirmar que ele não errou na sua entrega completa, mas não impactou como poderia. Quanto aos demais, tivemos boas cenas marcantes com Ben Kingsley como o governador Robert Dinwiddie, tivemos Andy Serkis meio que caricato demais como o general Braddock, e até Mia Rodgers foi bem graciosa como Sally Cary, mas o grande destaque ficou com a parceria do protagonista com Leo Hanna com seu Gist cheio de desenvolturas e amizade em cena, e a imposição de Ryan Begay com seu meio-rei Tanacharison.

Visualmente o longa foi bem imponente na tela, tendo grandiosas cenas de batalhas com cavalos, tiros para todos os lados, armas de todos os estilos e tamanhos, muitos figurantes vestidos sejam de índios, franceses, exército do rei ou virginianos, foram bem detalhistas nas casas simples de fazenda e nos contrapontos dos palacetes aonde os ricos viviam e faziam suas festas, tivemos tabernas e muito mais também nos acampamentos e bons detalhes na construção do forte, mas o que mais faltou ao meu ver foi sangue, afinal morrem toneladas de soldados, e aparentemente eles apenas caiam no chão, ou seja, fizeram um filme mais light do que algo pegado realmente na tela.

Enfim, não sabia o que esperar do longa, então acabei gostando bastante do que vi na tela, sendo uma produção grandiosa, cheia de boas nuances, que talvez poderia até ter sido melhor com um protagonista mais imponente, mas ainda assim funcionou bastante dentro da História contada, e assim acaba valendo a conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Pressão (Pressure)

9/04/2026 09:41:00 PM |

Se tem algo que mais irrita as pessoas hoje em dia é o clima, pois é bem difícil confiar 100% no que os meteorologistas dizem, afinal falam as previsões do tempo de um dia variando de 18°C a 32°C, ou seja, uma margem gigantesca para acertar, isso hoje com todos os apetrechos tecnológicos que temos, então imagine isso em 1944, no meio de uma guerra, ou melhor da Guerra, querendo saber se vai dar certo o ataque no Dia que todos estão preparados para lutar contra os nazistas para ganhar a guerra. Essa é a premissa do longa "Pressão", que já adianto que não é um filme agitado, muito pelo contrário, sendo daqueles que quem não curte um filme com números e personagens sem carisma algum (pois na área da meteorologia só as moças do tempo dos jornais são simpáticas) vai conseguir enfrentar. Ou seja, é uma história real bem marcante nos minutos finais da trama, mas que para chegar lá você precisará enfrentar muitas ideologias entre os personagens americanos e britânicos se confrontando sobre se vai chover ou vai fazer sol.

O longa acompanha a escolha brutal e impossível do general Dwight D. Eisenhower e do capitão James Stagg. Nas tensas 72 horas que antecedem o Dia D, todas as peças do quebra-cabeça estão alinhadas e prontas para ação, com exceção de um elemento crucial: o clima na ilha britânica. Enquanto o chefe das previsões meteorológicas das forças britânicas James Stagg é chamado para fornecer o cálculo mais importante da história, o comandante Eisenhower é assombrado pelo ensaio desastroso do plano de ataque e pelo peso de ser o único com a palavra final. Apenas poucas horas separam o destino da maior missão marítima de guerra e a previsão errada pode devastar os planos da invasão, arriscando que a inteligência militar alemã descubra tudo.

Diria que o diretor e roteirista Anthony Maras, que teve uma estreia perfeita em "Atentado ao Taj Mahal", subiu para a cabeça que pode fazer tudo, pois a regra máxima do cinema é que você não edita o que grava (tirando claro filmes com orçamentos bem menores), pois fica com dó de eliminar partes que não seriam tão necessárias, ou seja, fica deveras enrolação em algo que poderia ter mais dinâmica. Claro que o texto original de David Haig talvez seja mais centrado, mas diria que o diretor fez uma trama de guerra tão grandiosa para algo digamos "simples" que é o famoso vai chover ou não, que poderia ter dado um algo a mais na tela, poderia ter trabalhado alguns personagens extras para termos uma quebra maior, mas como não ocorreu, somente mesmo a trama acabou valendo no fechamento, afinal após o famoso ponto de virada de quase todo filme (uma boa chuva) que aí a trama engrena e encerra da forma como conhecemos a história. Continuo dizendo que não ficou ruim, mas dava para talvez nas mãos de um editor mais forte o longa acabaria tendo mais dinâmica, e assim Maras ainda seria lembrado como um diretor de impacto.

Quanto das atuações, não sei se o verdadeiro James Stagg era alguém tão metódico como o ator Andrew Scott acabou entregando na tela, mas a falta de carisma acaba pesando bastante na tela, pois o ator transformou ele em alguém chatíssimo que ninguém quer perto, e isso pesa em filmes desse estilo, pois como protagonista precisavam fazer dele talvez um herói, e não foi bem isso o que acabou acontecendo, mas ao menos o ator mostrou potencial nesse estilo. Já Brendan Fraser ficou um pouco caricato demais com seu Dwight 'Ike' Eisenhower, de modo que sabemos que ele é um tremendo ator, mas aqui forçou a barra demais como um comandante supremo, ao ponto que chega a incomodar em alguns momentos, e isso não é do feitio dele. Kerry Condon trabalhou sua Kay Summersby com um ar de empolgação mista com seriedade, de tal forma que em alguns momentos parecia uma puxa-saco gigante do comandante, e em outras parecia entregar um algo a mais, sendo meio que sutil demais nas entregas expressivas, e assim sendo ficou no meio do caminho demais. Agora Chris Messina fez de seu Irving Krick aquele personagem que se estivesse do lado dos alemães teria sido fuzilado na segunda interrupção ao chefe do departamento, de modo que chega a irritar seu ar egocêntrico, e isso mostrou o potencial do ator em incomodar com poucas cenas, sendo um feitio bem interessante. Ainda tivemos muitos outros personagens secundários, alguns com mais falas, outros com mais imposição, mas sem grandes destaques, tendo Damian Lewis apenas um pouco mais de imposição com seu Bernard 'Monty' Montgomery por ser quem enfrentava o comandante supremo quase que de igual para igual, mas como ator não foi muito além.

Visualmente a locação encontrada foi bem chamativa, como um grande castelo lotado de soldados e pesquisadores de tudo quanto é tipo, tendo salas bem trabalhadas, e claro, principalmente a equipe de meteorologia, mas são tantos papeis e reuniões, figurinos e uma imposição gigantesca que nem tem como se perder aonde olhar, sendo uma composição bem feita pela equipe de arte que junto depois das cenas de guerra, junto com imagens de arquivo e uma boa textura resultaram em algo que agrada muito acompanhar, e que até ajudou a não dar sono, pois repito que o filme é meio lento.

Enfim, é um filme que vale para conhecer a história, que tem uma pegada interessante, mas que é um tema que talvez poderia ser encaixado como subtrama de algo maior para que tivesse ritmo e personagens mais chamativos, pois da forma lenta e calma demais que foi entregue o resultado acabou pesando muito e demorando para acontecer realmente. Sendo assim fica como dica ver no cinema para conferir direto sem pausas, senão a chance de desistir dele antes do final (que é bem bom) é bem alta. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas vou conferir mais um hoje, então abraços e até logo mais.


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O Sorveteiro (Ice Cream Man)

9/04/2026 01:11:00 AM |

A única palavra para definir o longa "O Sorveteiro" é bizarro, pois não tem outra síntese possível, que mesmo tendo uma "explicação" bonitinha próximo ao final, a essência maluca e bizarra é o que define o longa do começo ao fim, e mais do que isso, chega a dar medo pensar o quanto de problemas psicológicos toda essa criançada que trabalhou no longa terá futuramente, pois em outros longas de terror (por exemplo "A Hora do Mal") são apenas algumas cenas aonde os pequenos se envolvem com sangue e pedaços de gente, mas aqui eles laceram, mutilam e tudo mais com pedaços dos pais, dos professores, vizinhos e afins, ou seja, é algo insano para a mente de um ator adulto, imagina então para alguns que estão fazendo seus primeiros trabalhos. Claro que isso para quem gosta de filmes de terror acaba sendo um show completo, afinal quanto mais sangue e pedaços voando melhor, mas confesso que não me sai da mente o quanto isso irá talvez traumatizar os que participaram. Dito isso, o filme funciona bem na tela, é completamente maluco e cheio de momentos que misturam a comicidade com a violência, e mais próximo do final fica evidente o que vai acontecer nos últimos atos, e claro os diálogos são bem fracos, mas tirando esse detalhe, o resultado funciona bastante, mesmo sendo bastante "tosco".

O longa acompanha como a vida de uma pacata cidade muda drasticamente quando um homem aparentemente amigável chega à vizinhança para trazer sorvetes aos pequenos moradores. Afinal, o que ninguém poderia imaginar é que o doce, na verdade, transformaria as crianças em assassinas sanguinárias que têm como missão exterminar os adultos das formas mais perversamente criativas. Apenas três crianças escapam da loucura por não consumirem o sorvete, e cabe a elas descobrir o mistério por trás do homem e como pará-lo antes que seja tarde demais.

Quem conhece o estilo do diretor e roteirista Eli Roth sabe que ele é um exemplo clássico do gore, que é ter sangue aos montes só que com muito mais sentido que o trash, então aqui diria que ele foi criativo na montagem e no desenvolvimento da trama, porém fazia tempo que não via algo com diálogos tão ruins na tela, e isso é o que mais pesa nas análises críticas mundo afora, então o que vemos é o famoso filme aonde quem curte apenas o visual, as bizarrices, as matanças e tudo mais vai curtir aos montes, já quem for esperando ver algo com uma síntese mais funcional acabará reclamando de cada detalhe. Ou seja, funciona visualmente, tem uma história "razoável", porém faltou trabalhar um pouco melhor o desenvolvimento para não ficar "bobinho" e apenas traumático para os atores mirins, mas como fui já esperando algo clássico do diretor, diria que me agradou.

Como disse os diálogos foram bem fracos, então também não deu para que os atores fossem muito além na tela, mas ao menos os jovens principais fizeram boas expressões de espanto e desespero, e conseguiram segurar a trama, algo difícil para os menores, de modo que Charlie Zeltzer pareceu até meio bobinho no início com seu Jared, mas depois conseguiu ter uma boa desenvoltura e agradou com o que fez. Da mesma forma, Kiori Mirza Waldman trouxe um ar leve para sua Mia, mas mostrou bons atos desesperada e fluiu nos atos de correria. E claro o jovem Shiloh O'Reilly trabalhou as sacadas de seu Tommy com um bom gingado e teve bons momentos na tela. Dos jovens adolescentes, usaram mais Sarah Abbott com uma Lizzie bem trabalhada corporalmente na sua cena de paralisia (meio engraçada, mas funcionando para a proposta) e meio bobinha de expressões, e Dylan Hawco fazendo um Chris bem cheio de traquejos que tenho até medo de ver como a dublagem colocou ele. Quanto aos adultos vale apenas os trejeitos do Sorveteiro que Ari Millen fez, e claro o restante foi bem picadinho que a equipe de próteses trabalhou muito para fazer suas devidas cópias.

E falando na equipe de próteses, e claro por consequência na direção de arte, um diretor que começou com bisnagas de ketchup agora gasta litros e mais litros de sangue artificial, pedaços humanos muito bem desenhados para causar realmente na tela, e literalmente bota o caos na cidade com incêndios, serras, bastões e tudo mais, seja nas casas ou na escola, fazendo com que os diversos jovens ficassem lambuzados na cara com os sorvetes coloridos e no corpo todo com a sanguinolência completa, ou seja, algo que o estilo gore adora mostrar e que funcionou muito bem na tela.

Enfim, é um longa que consegue chamar muita atenção e com muita certeza vai ter quem odeie ele, mas mesmo tendo muitos defeitos, o resultado geral consegue funcionar, e talvez o que pareça ser ruim era intencional para fazer o famoso burburinho, e assim sendo quem curte o estilo vai adorar e se divertir com tanta bizarrice na tela. E é isso pessoal, fica a dica e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Corrida Contra o Tempo (The Runner)

9/03/2026 12:27:00 AM |

Com toda certeza você já viu pelo menos um filme igual "Corrida Contra o Tempo", que é a estreia dessa quarta da Amazon Prime Video, mas isso não torna ele ruim, afinal cada diretor costuma entregar sua história de um jeito, e você já sabendo mais ou menos como é o funcionamento do estilo já vai ficar esperando aonde haverá as quebras e como tudo vai deslanchar. E diria que isso facilitou até um pouco para curtirmos a entrega da protagonista, afinal sabemos que Gal Gadot não é das atrizes mais expressivas do mercado, e aqui o que ela precisou fazer foi correr muito do começo ao fim e trabalhar suas sacadas com uma desenvoltura mais contida em poucos atos (que ao final são revelados, mas que já sabíamos o que tinha acontecido). Ou seja, é o famoso passatempo que dá para curtir sem gastar qualquer neurônio da cabeça, e que funciona bem para a proposta, então faz valer a duração curta na tela.

No longa vemos uma advogada poderosa que precisa correr contra o tempo pelas ruas de Londres para salvar seu filho sequestrado. Durante a jornada, a protagonista é forçada a seguir os comandos de um misterioso interlocutor que, por meio de telefonemas enigmáticos, controla cada passo seu. Enquanto enfrenta desafios perigosos e decisões difíceis, a advogada tenta desvendar as intenções do sequestrador e recuperar seu filho. O filme promete ação intensa e uma história cheia de suspense.

O diretor Kevin Macdonald já mostrou que sabe fazer longas pesados e intensos, mas também mostra aqui que sabe desenvolver o básico bem feito, pois a trama não traz nada de muito novo no mundo do cinema, apenas um chantagista jogando contra alguém bem conectado no sistema, que hoje no mundo hacker sabemos o quão possível é ocorrer, e claro a pessoa ameaçada entrar no jogo. Até aí tudo bem, mas ele deu um algo a mais para que seu filme ficasse marcante, colocando uma atriz que já fez uma heroína para correr muito na tela, passar por algumas situações meio que bizarras e impossíveis, e assim a loucura frenética funcionar para a essência completa do longa. Ou seja, o diretor pegou um roteiro até que bem fácil de trabalhar, com conversas não muito elaboradas e uma ação desenfreada, e botou para executar no modo mais imponente possível e impossível, e assim conseguiu um longa fácil e gostoso para curtir sem esperar muito, mas como muitos foram assistir esperando outra obra-prima dele, as críticas estão desabando em cima.

Quanto das atuações, sabemos (e acredito que o diretor também sabia) que não dava para esperar muito de Gal Gadot a não ser que colocasse ela no nível máximo da adrenalina, pois ela não é daquelas atrizes que trabalham trejeitos e consegue envolver o público com diálogos, então o jeito era literalmente botar ela para correr com sua Maia, e nesse sentido ela entregou muito, mas quem for esperando ver ela cheia de expressões, trabalhando os diálogos, não vai ser aqui que vai ver. Já do outro lado do telefone, diria que Damian Lewis foi bem cheio das entonações, convincente do que queria e com uma personalidade tão forte que mesmo se você não tivesse filhos cairia no golpe do telefone com ele, pois o ator trabalhou muito bem as dinâmicas e conseguiu convencer bastante. Quanto aos demais, na maioria foram figurantes de luxo com meia dúzia de falas, então nem o garotinho dá para destacar.

Visualmente o longa passeia por vários bairros de Londres, praças, pontes e até mesmo dentro do metrô e de barcos, sendo praticamente um estilo de road-movie pela cidade em alta velocidade, não tendo tanta abertura para detalhes, mas tendo algumas loucuras como a da protagonista andando pelos trilhos eletrificados do metrô, e sobrevivendo a um pulo em cima de um barco turístico, mas se relevar dá para curtir a essência que colocaram na trama.

Enfim, é um filme simples, bem feito e que cumpre a proposta de uma trama de ação, que não se pode esperar nada além disso, fora como já disse no comecinho que já vimos uma tonelada de tramas bem semelhantes, então dê o play sabendo disso e tenha um bom passatempo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Barreda: Marido, Pai, Assassino

9/01/2026 10:43:00 PM |

Gosto muito do cinema argentino, tanto das histórias de ficção quanto as que são baseadas em alguns casos próprios do país, porém eles levam as tramas muito ao pé da letra, de modo que em alguns casos falta dar um sabor extra para que a produção não fique sem entonação. E é exatamente isso o que acaba ocorrendo com "Barreda: Marido, Pai, Assassino", que estreou esse final de semana na Amazon Prime Video, pois o filme tem uma história marcante, tem personagens que acabaram sendo "inventados" (afinal pouco se conheceu sobre as mulheres do longa), mas acabaram deixando a densidade da trama morna demais, já que o crime não apenas chocou o país na época, como também formou "torcidas" aonde alguns acreditavam totalmente no assassino, enquanto outros queriam a sua condenação. Ou seja, fui completamente comprado pela sinopse, mas ao conferir acabou faltando aquele algo a mais que faz você querer ir além, sendo apenas algo básico demais para mostrar que o povo consegue acreditar em cada coisa que faz a gente duvidar da realidade.

O longa nos mostra que em 1992, a Argentina é abalada por um crime brutal cometido dentro de uma casa aparentemente comum. Ricardo Barreda, um discreto dentista de La Plata, assassina a esposa, a sogra e as duas filhas adultas, em um ato que choca o país. Enquanto a investigação revela detalhes perturbadores sobre a dinâmica familiar, Barreda passa a construir uma narrativa na qual se apresenta como vítima de anos de conflitos e humilhações. Sua versão dos acontecimentos rapidamente ganha espaço na imprensa e transforma o criminoso em personagem de uma controversa discussão nacional. Entre julgamento, exposição midiática e manipulação da opinião pública, o filme revisita um dos crimes mais impactantes da história argentina.

Acredito que tenha faltado uma definição de estilo para que a diretora e roteirista Daniela Goggi trabalhasse, pois seu filme poderia ser composto de inúmeras maneiras, e ela acabou escolhendo a mais simples de todas que era misturar os momentos do julgamento com os acontecimentos e ir contando a história com essas quebras, mas sem ousar em criações ou dinâmicas, de modo que o filme ficou razoavelmente bem feito na tela, porém sem chamar para si qualquer momento a dependência do protagonista ficou exagerada, e ele apenas fez o que tinha que fazer. Ou seja, é daquelas histórias que você olha e pensa como tudo foi mal aproveitado, pois facilmente seria um drama de julgamento tão impactante na tela, e acabou sendo apenas um drama com um julgamento que não aconteceu como deveria.

Quanto das atuações, o filme é inteiro de Luis Machín com seu Ricardo Barreda, de modo que mesmo tendo diversos advogados, policiais, e as quatro mulheres da família, só enxergamos ele com seus trejeitos calmos, dinâmicas expressivas sem se impor, e o melhor, ele não passa em algum ato que seja como o personagem fosse psicótico ou tivesse qualquer problema, mas sim alguém que matou apenas por matar, e o mais interessante que nem o ator tentou passar um ar diferente disso, ou seja, lhe passaram como código essa entrega, e ele foi lá e fez, segurando o filme inteiro, mas sem deixar brechas para interpretações do público, o que acaba sendo interessante, mas não impactante. Quanto das mulheres da trama, vale dar um destaque maior para Mercedes Morán com uma Elena que incomoda, sendo daquelas sogras que facilmente muitos botariam para correr, e acredito que esse deva ser o maior mote pelo qual muitos apoiaram o assassino, e claro que a atriz fez bem suas cenas, e assim nos convenceu.

Visualmente o longa trabalhou bem a casa dos personagens, mostrou um pouco o consultório do protagonista anexado à casa, tivemos os atos do ocultamento e do descobrimento da arma no rio, e claro algumas cenas na prisão, mas principalmente a maior parte do longa se passa num tribunal, com os famosos depoimentos e entregas dos advogados e procuradores, aonde a dinâmica até poderia ser mais chamativa, mas não quiseram ousar tanto. Tivemos também figurinos bem colocados dos anos 90, e talvez pudessem ter explorado um pouco mais os acontecidos na formatura e na festa da garota, mas como o filme se baseou no que foi contado pelos personagens verdadeiros, muitos não puderam contar, então ficou bem básico para a equipe de arte.

Enfim, é o famoso filme que tinha um potencial imenso para chamar muita atenção e impactar demais na tela, mas que acabou ficando básico demais tanto para um drama com assassinatos, quanto como um longa de julgamentos, então assim sendo vale apenas para conhecer a história e nada mais. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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HBO Max - Saudades, Te Amo (Miss You, Love You)

9/01/2026 01:09:00 AM |

Muitas vezes vocês vão ver que reclamo a beça quando um filme tem exatamente a essência e a estética que funcionaria por completo em um teatro como uma peça ao invés de se gastar milhões criando um filme completo, mas hoje o que vi em "Saudades, Te Amo", que estreou na HBO Max nesse final de semana, me fez admitir que quando fica bom não tem como não querer um filme com esse estilo, pois funcionou demais na tela. E digo mais, não duvidaria de ver o longa cômico-dramático (ou dramédia como muitos gostam de chamar) indicado a Melhor Comédia em algumas premiações, e torcerei muito para ver Allison Janney indicada à Melhor Atriz até mesmo brigando pelo prêmio principal, pois o que vemos na tela é mais do que apenas uma mera entrega de luto, mas sim algo incrustrado que vinha sendo guardado pela personagem por anos, não só pelo o que o filho faz, mas por tudo em sua vida, e a explosão com doses de patada de cavalo no pobre assistente que é enviado para a casa dela é maravilhosa, e o melhor, é retribuído em doses tão boas quanto, pois Andrew Rannells (que é muito mais conhecido como ator da Broadway, ou seja, de teatro mesmo) responde com altura e faz o filme, que facilmente seria um sonífero imenso, virar algo brilhante e cheio de nuances e ótimos diálogos na tela.

O longa conta a história Diane Patterson, uma viúva vivendo um luto e que, ao ir atrás do filho para pedir ajuda nesse momento de dor, recebe uma recusa, e ele acaba optando por enviar seu assistente pessoal para ajudar com os preparativos. Agora, ela se vê obrigada a planejar o funeral do marido com um completo estranho, Jamie Simms. Enquanto enfrentam o luto e passam por situações estranhas e tragicômicas que envolvem a situação, segredos enterrados e ressentimentos antigos vêm à tona, mas a parceria entre eles se torna um improvável canal de conexão, risos e cura para essa mãe e seu filho adotivo inesperado.

É engraçado que já hesitei de dar play no longa anterior do diretor e roteirista Jim Rash uma tonelada de vezes, pois sempre passo por ele e acho que não vai me agradar, mas depois de conferir o longa de hoje acredito que devo dar uma chance para ele, pois aqui ele não mostrou apenas segurança nas escolhas de câmeras, mas soube trabalhar a personalidade dos atores para que eles se jogassem por completo no longa, afinal é o famoso filme de ator, aonde o diretor por vezes coloca a mão, mas aqui como ambos são muito bons no que fazem, só vemos mesmo a mão do diretor nos ângulos e nas dinâmicas escolhidas, pois tudo flui sozinho como seria numa peça teatral mesmo. Ou seja, o ponto forte do ex-ator é o roteiro, que aqui diria ter linhas brilhantes sobre a vida de muitas pessoas, que nas mãos dos dois excelentes atores virou uma arma apontada para a tela, aonde tudo funciona, tudo flui, e você não fica querendo por mais, pois acaba exatamente aonde deveria, sendo assim perfeito nesse sentido.

E como falei o filme é deles, dos dois atores, então já enalteci as atuações e volto a frisar que Allison Janney deu literalmente um show de interpretação com sua Diane, sabendo pontuar seus momentos fortes, criando as desenvolturas necessárias para cada momento, e principalmente se desenvolvendo na tela em algo que muitas vezes com outras atrizes precisaríamos de algo a mais na tela, e com ela não, pois pegou a personagem andando, deu vida, criou e impactou, e assim merece muito ser indicada com certeza pelo que fez. Não conhecia o ator Andrew Rannells, mesmo já tendo visto outros filmes que participou, de modo que achei ele visualmente muito parecido com Mark Wahlberg, mas com um estilo completamente diferente de atuação, e isso não é ruim, pois ele pegou seu Jamie com muita desenvoltura, foi criativo na entrega, e fez uma parceria com a protagonista com tanta conexão, que se não soubéssemos que é um filme diríamos que realmente aconteceu tudo entre eles ali em cena, e ele mostrou com olhares e dinâmicas tudo e mais um pouco, ou seja, agradou demais também.

Visualmente o longa não precisou de muito, sendo a casa da protagonista com basicamente tudo ocorrendo na sala e na cozinha, alguns momentos do lado de fora indo na igreja, numa loja de flores e no quintal da vizinha, mas a grande base sendo no interior da casa mesmo, com quadros e ambientes bem trabalhados para tudo, tendo claro o desfecho bem encaixado nos atos finais, mas sem precisar elaborar muito de técnicas, nem de elementos cênicos, pois o foco mesmo ficou nos dois, e claro nas mensagens do celular apitando, o que funcionou como alguns pontos de quebra, e o resultado agrada muito dessa forma.

Enfim, estou muito feliz de ter acertado no escuro o longa, pois não tinha visto nada sobre ele, e peguei no susto como algo para ver hoje, e o resultado não apenas me agradou como me encantou pela entrega dos personagens em um texto teoricamente difícil de lidar, mas que encaixou com personalidade e presença pelos dois bons atores, só talvez diminuiria um pouco mais alguns momentos para colocar alguns outros, mas nada que incomode na tela. Sendo assim fica a dica para a conferida, e como disse estarei torcendo pelas premiações. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Mulher Secreta (Den Hemmelige Kvinde) (The Secret Woman)

8/31/2026 12:25:00 AM |

Costumo dizer que se um suspense for bem amarrado não tem como dar errado, e hoje quase o longa dinamarquês da Netflix, "A Mulher Secreta", quebrou minha afirmação, pois o filme tem pegada, tem boas dinâmicas com pistas e atuações, e brincou bem com o espectador, porém teve um fechamento tão novelesco que raspou a trave de destruir tudo na tela, e o motivo é o famoso enrolar no miolo para precisar acelerar no final. Claro que o filme conseguiu me envolver bastante, e em diversos momentos fiquei querendo saber tanto quanto a protagonista, e isso é o que chamo de dividir a síntese, que funciona muito bem em tramas de suspense, e conforme ela ia descobrindo as coisas, tudo vai sendo bem incrementado na produção, só acredito que resolveram tudo de uma forma muito "fácil" no final, pois poderiam ter trabalhado melhor os atos de encerramento, ter criado um pouco mais de história e aí sim explodir, mas seria pedir demais, então dá para aceitar a escolha como foi feita, pois ainda assim o resultado agrada.

O longa gira em torno de Louise Andersen, uma mulher que leva uma vida tranquila ao lado do companheiro, Joachim, em uma pequena ilha da Noruega, onde administra um café. Essa rotina muda quando um desconhecido afirma que ela não é Louise, mas Helene Söderberg, uma mulher dinamarquesa que desapareceu há dois anos. Agora com dúvidas e intrigada pelas lacunas em sua memória, ela abandona a vida que conhece e parte em busca das respostas sobre o próprio desaparecimento. Conforme investiga o passado, Louise encontra pistas sobre a noite em que desapareceu e percebe que sua antiga vida estava longe de ser tão perfeita quanto parecia. Ao assumir a identidade de Helene, ela se aproxima de uma verdade capaz de transformar completamente sua visão sobre quem é e por que decidiu desaparecer.

O cinema nórdico tem uma característica de ser mais fechado de dinâmicas, e aqui a diretora Barbara Topsøe-Rothenborg optou por não ir muito a fundo na personificação exibida na tela, de modo que o mistério embora seja muito comum, foi bem controlado e que criando alguns vértices quebrados foi interessante de acompanhar. Claro que dava para o miolo ser um pouco mais rápido e desenvolverem melhor os atos finais, mas ainda assim o resultado acaba sendo interessante e bem montado, só sendo um pouco novelesco demais, porém é um estilo que tem dado certo, então não iam mexer tanto, ainda mais sendo baseado em um livro de sucesso.

Quanto das atuações, diria que Natalie Madueño segurou bem sua personagem Helene/Louise na tela, tendo presença e trabalhando os trejeitos com uma boa desenvoltura, de modo que ela consegue nos convencer de seus atos e conforme vai incorporando tudo, ela faz com que torcêssemos por ela, então acabou agradando bastante. Claes Bang tem muita personalidade, e já vimos isso em diversos filmes, e aqui a postura encontrada para seu Edmund foi meio que explosiva demais, de modo que não conseguiu envolver o público para que olhássemos ele de um jeito diferente de alguém abusivo e que está tentando esconder algo, ou seja, poderiam ter trabalhado ele mais lentamente para convencer melhor. Agora mesmo o personagem Joachim de Pål Sverre Hagen sendo um escritor criminal, seu estilo investigativo não convenceu muito na tela, parecendo mais um intrometido nas coisas do que alguém que realmente estava indo atrás de pistas, ou seja, ficou um pouco artificial demais. Quanto aos demais, é engraçado como resolveram dar importância para alguns nos atos finais, sem ao menos desenvolverem eles, meio que se precisassem encerrar rapidamente, então pronto, entrem em ação, e assim faltou elaborar um pouco mais a personalidade de Stina Ekblad com sua Caroline na tela.

Visualmente as locações deram um belo show na tela, tendo uma pequena vila em uma ilha isolada na Noruega, com tudo bem bonitinho, o café da protagonista, e tudo mais envolvendo, depois vamos para a Dinamarca, mas não em meio a cidade tradicional, e sim numa mansão que parece quase um castelo, cheio de ambientes e elementos para tentar mostrar um pouco mais da vida antiga dela, com bons momentos e dinâmicas, além da empresa também bem gigante com vários ambientes, mas sem grandes desenvolvimentos, mostrando que a equipe de arte poderia ter ido até mais além, mas também dependeria da diretora utilizar mais.

Enfim, é um filme interessante, que tem uma boa pegada de suspense, algumas boas pistas, mas que não foi tão longe quanto poderia, sendo daqueles que acabam correndo muito no final, e no miolo ao invés de desenvolver melhor optaram por enrolar mais, e isso pesa numa produção. Sendo assim diria que vale como um bom passatempo do estilo, mas nada demais que o fará ser lembrado futuramente. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Homem Que Sussurra (The Whisper Man)

8/29/2026 12:35:00 AM |

Quem acompanha o site já há algum tempo sabe que meu estilo favorito de filmes é o suspense, e claro que a dona Netflix também sabe disso e já tinha me mandado pelo menos uns 10 avisos que o filme "O Homem Que Sussurra" estreou e aparentemente cairia no meu gosto particular, então não ia desapontá-la e ficar sem ver logo a trama. E não é que ela tava certa, o filme tem uma boa pegada, dinâmicas interessantes dentro do contexto de descubra o assassino, porém faltou trabalhar isso melhor para causar mais, jogar mais pistas para o público também interagir com a história, e talvez ter cenas mais fortes para impactar, pois o longa tem um tom e situações que chamam para algo mais forte, mas que optaram por segurar demais a classificação indicativa, e assim o resultado agrada, mas não será daqueles que você sai querendo indicar na mesma hora. Ou seja, é o famoso suspense light apenas para curtir como passatempo, que talvez com poucas mudanças impactaria demais, mas não dá para mexer no produto final, então apenas curtam como algo levinho do estilo.

O longa segue um escritor de romances policiais em luto, após seu filho de oito anos ter sido sequestrado. Graças ao terrível acontecimento, o autor recorre a seu pai, um ex-detetive policial aposentado, para ajudá-lo a investigar o caso. Durante as buscas, eles descobrem uma conexão estranha com um antigo caso envolvendo um assassino em série condenado conhecido como O Homem Que Sussurra.

Costumo dizer que para fazer uma trama de suspense policial precisa no mínimo ter alguns dotes de psicopatia e gostar de jogos difíceis de solucionar, além claro de uma boa experiência anterior, e James Ashcroft até trabalhou bem nessa função, mas faltou com o básico do estilo que é causar sensações no público, fazer com que fiquemos curiosos pelo desenrolar, aonde tudo irá levar, quem pode ser o assassino, e não apenas ir jogando tudo na tela como ele fez. Ou seja, faltou pegar o livro de Alex North que certamente deve ser daqueles que você não consegue parar de ler, e transportar isso para a tela, ao ponto que o público quisesse até acelerar o filme para descobrir logo, o que não ocorre, sendo tudo muito tranquilo na tela, deixando apenas o final para explodir. Sendo assim, acredito que faltou bagagem no estilo para que o diretor conseguisse chamar mais atenção, pois volto a frisar que não ficou algo ruim de ver, mas não faz querer devorar de cara, como é a característica de um bom suspense policial.

Quanto das atuações, a produção conseguiu um elenco bem chamativo para o longa, porém acredito que faltou trabalhar um pouco mais o desenvolvimento dos personagens para que nos conectássemos mais, e assim sendo não diria que deram seu máximo. Michelle Monaghan fez uma policial básica demais, que até teve um fechamento interessante com sua Amanda Beck, porém no miolo não explodiu como poderia para chamar o filme para si, e assim quase acabou apagada pelos demais. Adam Scott anda numa vibe muito depressiva para os seus personagens, e aqui seu Tom Kennedy não se mostra como escritor (aliás se não mostrasse enfaticamente seu livro, com uma mera cena num computador nem saberíamos sua profissão!), ainda mais do ramo policial, sendo alguém meio que estourado demais para controlar e quando realmente resolveu partir para o caos acabou soando um pouco falso, ou seja, não foi além na tela. Por incrível que pareça, mesmo com muita idade nas costas, os destaques positivos ficaram para Robert De Niro com seu Peter Willis e Michael Keaton com seu Frank Carter, de modo que ambos conseguiram trabalhar as nuances, criar expressões fortes e bons diálogos, ou seja, dominaram a tela. Quanto aos demais, tivemos o garotinho Acston Luca Porto meio tímido e fechado demais na tela com seu Jake, e Owen Teague com seu Francis que até teve alguns atos intensos, mas sem desenvolvimento não foi muito longe na tela, e ainda Hamish Linklater fez um colecionador de armas de crimes meio que estranho demais, mas ao menos chamou atenção.

Visualmente o longa teve boas cenas em ambientes densos como a casa do protagonista e a casa do assassino, alguns momentos mais fechados nas prisões, e até a casa do ex-policial tendo ares marcantes com elementos simbólicos, mas valeria mais o trabalho dentro da delegacia com as investigações e também nas cenas dos crimes, porém não foi a escolha da produção, então ficou faltando mais elementos cênicos chamativos, que no caso do estilo chamamos como pistas, fora que a personagem da menina (que depois no final é revelado quem era) ficou bem jogado na tela.

Enfim, é um filme que dava para ser muito melhor com poucos ajustes, mas que acabaram optando por algo mais leve e menos denso, ficando mais como um passatempo de suspense do que realmente algo marcante como ficaria uma trama policial, e sendo assim recomendo ele com muitas ressalvas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Coyote Vs. Acme

8/28/2026 01:25:00 AM |

Algum dia ainda ei entender a lógica fiscal da Warner para jogar fora filmes prontos ao invés de lançá-los nem que fosse em algum streaming que fosse, pois já gastaram uma nota com atores, diretores, produção e tudo mais, então qualquer dinheiro que vier paga ao menos um pouco do que foi gasto! Mas como não sou o contador deles, vamos apenas criticar o que felizmente vi hoje, pois só de pensar que "Coyote Vs. Acme" poderia ter ido para o lixo sem que pudéssemos ver já batia um peso danado sem ter visto, e agora conferido como tudo ficou bacana, divertido, bem encaixado com os desenhos que víamos no passado, com uma pegada simples e funcional, dá ainda mais vontade de bater nos executivos dá Warner. Ou seja, é aquele filme que todos que assistiam aos desenhos vai gostar, vai entender cada detalhe, irá rir das bobeiras, e principalmente vai se envolver com tudo, porém mesmo tendo boas dinâmicas coloridas, não é um filme para a criançada, pois elas não vão entender muito da síntese, e assim os pais precisarão explicar em demasia durante a exibição, o que acaba incomodando a experiência. Então minha recomendação é que se a criança nunca viu um desenho da Looney Tunes, esse não será o melhor exemplar para começar, mas se já viu e riu, então vai adorar.

O longa nos mostra que ao mesmo tempo em que é atrapalhado e arrogante, Wile E. Coyote é obcecado por eliminar seu arqui-inimigo Papa-Léguas, dedicando seus dias a montar mirabolantes armadilhas para capturá-lo. Porém, de alguma forma, é sempre ele que acaba se ferrando no fim das contas. O Coiote decide então enfrentar quem ele acredita ser o verdadeiro responsável por seu constante fracasso, a ACME Corporation, empresa que desenvolve os equipamentos que ele usa.

Diria que o diretor Dave Green soube aproveitar demais toda a tecnologia que lhe foi dada, pois a conexão entre os personagens animados com os personagens humanos foi tão boa, e o melhor, sem precisar conversões em 3D para que ficassem bem encaixados, e mais do que isso, fez seu filme fluir muito bem misturando desenho com as situações de julgamento e tudo ao redor, inserindo eles como uma sociedade normal, o que acabou dando um tom bacana para a produção. Claro que talvez mais texturas daria uma perspectiva maior, mas sairia do estilo dos personagens, e assim sendo o filme teve uma abrangência tão divertida e com personalidade, que certamente gravar deve ter sido insano, porém dando um belo resultado de modo geral, e ainda mostrando o potencial do diretor, pois é daqueles filmes que qualquer um poderia derrapar bastante na execução.

Não é o tipo de filme que as atuações fizessem muita diferença na tela, mas ainda assim Will Forte trabalhou bem demais seu Kevin Avery, sabendo se posicionar bem para a câmera, tendo seus olhares sempre bem colocados para com os personagens animados (que sabemos que não estavam junto nas gravações!), e trabalhando bem as expressões em cada ato conseguiu segurar bem o filme, ou seja, se jogou por completo e jogou bem. John Cena também brincou bastante com os personagens, mas foi mais seco na entrega de tela, de modo que os atos de seu Buddy Crane poderiam ter sido menos fechados para se desenvolverem mais com os outros personagens, mas ainda assim agradou. Outra que foi bem, porém insistente demais foi Lane Condor com sua Paige Avery, tendo até mais interações com elementos animados do que os demais, e sabendo brincar com eles, o que acabou sendo bacana de ver. Quanto dos personagens animados, o longa veio somente com cópias dublados (e sim você está lendo isso em um texto meu!) e acredito que foi muito bom ver ele assim, pois os nomes seguiram com os que conhecemos, e principalmente as vozes dos desenhos foram muito semelhantes as originais que ouvíamos, e assim foi bacana ver todos dando muita entrega na tela.

Visualmente a equipe de arte deu um show na tela, misturando bem os elementos animados com os ambientes reais, sem perder o viés original dos desenhos, tendo muitos detalhes cênicos sendo quebrados, usados para explodir, para criar profundidade e principalmente servindo de elo entre os dois mundos, ou seja, trabalharam a beça para que a computação funcionasse junto das gravações, tendo bons atos tanto no tribunal, quanto no motel aonde o protagonista dorme, e claro no escritório de advocacia dele, fora a grande ACME com seus testes e produções que até valeria mais tempo de tela, mas aí viraria uma série, então foram bem com o que tinham.

Enfim, não é um filme perfeito, pois dava para ser mais forte de entregas, mas ainda assim funciona demais, principalmente para o público mais velho, e certamente foi uma grandiosa escolha não deixar que ele não estreasse, pois tanto o público quanto a crítica especializada está gostando demais do que viu, então vale bastante a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Ponto Sem Retorno (The Dog Stars)

8/27/2026 07:30:00 PM |

Sinceramente gostaria de saber o que o diretor Ridley Scott enxergou no roteiro de "Ponto Sem Retorno", pois já vi muitos filmes mornos demais que chegavam em algum lugar pelo menos, mas aqui o resultado é tão insosso que acabamos assistindo e esperando algo maior acontecer, e quando nos damos conta o longa acaba e nada rolou. Claro que a essência da sobrevivência, junto da síntese do luto até traz momentos de boa entrega na tela, mas falta explosão, falta explicação e até um envolvimento maior para torcermos para as boas intenções do protagonista, e como não acontece, o resultado além de morno encerra sem ter ido para lugar algum. Ou seja, não sei o que eu realmente esperava do filme, mas com toda certeza, não era o que aconteceu.

O filme apresenta um futuro devastado por uma pandemia global. Hig é um piloto viúvo que vive de forma isolada em um hangar no Colorado com seu cachorro e um ex-fuzileiro naval ranzinza. Embora incompatíveis, a dupla depende um do outro para sobreviver a invasores. A rotina é interrompida quando uma transmissão de rádio desperta em Hig a esperança de uma vida melhor além de seu perímetro controlado, levando-o a uma jornada de risco sem retorno.

O mais estranho de tudo é ver um diretor do nível de Ridley Scott envolvido numa produção desse estilo, pois certamente seria "aceitável" ver a trama nas mãos de algum novato, ou então algum diretor que faz tramas menores, mas aqui o romance de Peter Heller, no qual a trama é baseada, precisava de algo a mais para apenas parecer fraca, e com um diretor de porte ao menos veríamos um filme com impacto na tela. Ou seja, não vemos a mão do diretor em momentos algum, e nas cenas que ele poderia ter aproveitado (como no ataque da seita e/ou no hangar da Junction) dava para tudo causar mais ou ao menos explicar mais a dinâmica desejada. 

Quanto das atuações, ao menos Jacob Elordi tentou ser carismático com seu Hig, trabalhando bastante, envolvendo nas situações que passa, e com isso fazendo com que o público se conecte com seus atos, mas o filme não ajuda ele e vice-versa, com ele não tentando ir muito além, de modo que talvez se o cachorro fosse mais além ao seu lado, o resultado seria outro. Quando Margaret Qualley entra em cena com sua Cima, pensei que a trama se verteria mais rapidamente para o romance, mas nem assim, pois a atriz foi morna de expressões e apenas deu um tom mais direto em alguns momentos, mas nada demais. Ao menos Josh Brolin botou muita banca com seu Bangley, pois se não fosse seus traquejos e explosões certamente iríamos dormir com a entrega do filme, ou seja, salvou. Ainda tivemos participações razoáveis de Guy Pearce com seu Pops bem imponente nas dinâmicas, Benedict Wong com um Aaron meio que misterioso, mas pouquíssimo usado, e Allison Janney até chamando atenção com sua Darlene, mas nada que valesse algum destaque.

Visualmente a trama ao menos é bem bonita de se ver, com a cidade principal abandonada, com o mato e os cachorros dominando, vemos alguns esconderijos que certamente no livro são mais detalhados e quiseram dar uma "amostrada" na tela, tivemos a casinha de Pops no meio da floresta e uma Junction insana de detalhes, com personagens praticamente zumbis, mas tudo colorido e marcante, porém sem dúvida o que acaba predominante é o avião e o recluso ambiente que os protagonistas vivem, tendo a cena de guerra quase mais importante e chamativa no quesito.

Enfim, é o famoso filme mediano que acabaremos esquecendo tão rápido quanto a sua duração, pois faltou coisa demais para ser imponente e foi alongado demais pelo pouco apresentado, é assim sendo, mesmo vendo em uma tela gigantesca, não tenho como recomendar ele, mas quem leu o livro talvez possa me dizer se ao menos lá o resultado é melhor, então quem arriscar comente depois comigo. E é isso meus amigos, vou encarar outro filme hoje para valer a gasolina, pois aqui não valeu, então abraços e até logo mais.



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Uma Quinta Portuguesa (Una Quinta Portuguesa)

8/25/2026 12:48:00 AM |

É tão bacana quando você vê um filme simples, com uma essência tão singela, porém bem feita na tela, que você quase acaba vivenciando os momentos que são entregues pelos personagens, e tudo flui fácil do começo ao fim. E um longa que estreia na próxima quinta (27/08) em cinemas selecionados pelo país é "Uma Quinta Portuguesa", que trabalha tão bem a essência de estar perdido com alguma situação e ir para outro país e ser até outra pessoa por lá, e gostar tanto que acaba ficando. Ou seja, muitas vezes vemos alguns problemas tão pesados em nossa mente, que o espairecer precisa ser até maior do que pensamos, e aqui ao propor até uma troca de nome, de personalidade e de tudo, num lugar calmo até demais, deu certo para o protagonista, até precisar enfrentar seus fantasmas do passado, e o desenrolar é tão gostoso e cheio de passos calmos que se alguém me falasse que a direção era de algum mineiro certamente eu acreditaria. Claro que talvez com uma pegada mais ágil, e alguns cortes o filme seria mais imponente, porém acredito que perderia a essência emocional.

O longa acompanha a jornada de um professor de geografia introvertido e discreto chamado Fernando cuja esposa desaparece repentinamente. Sentindo-se sem rumo e devastado depois do ocorrido, Fernando acredita que essa possa ser a oportunidade perfeita para mudar de vida e decide não correr atrás da companheira que resolveu sumir por vontade própria. Logo, o docente assume a identidade de outro homem e começa a trabalhar como jardineiro de uma vivenda portuguesa. No novo trabalho, ele constrói um laço e uma amizade inesperada com a proprietária, pavimentando uma nova vida que claramente não lhe pertence.

Não conhecia a diretora e roteirista Avelina Prat, mas posso dizer que se seus longas forem tão sutis e envolventes quanto o que assisti hoje, certamente deve ser outras delícias de conferirem, pois a base de seu longa dava para ser desenvolvida de diversas formas, com métodos explicativos demais que acabariam cansando, ou então até com quebras de momentos que levariam o longa para outro rumo, e ela não quis ser apressada, aliás muito pelo contrário, seu longa tem pausas, tem momentos para refletirmos e ao mesmo tempo quase que sentarmos junto dos protagonistas para esperar acontecer, e confesso que logo no começo do filme fiquei com medo disso me dar sono e acabar não gostando do que veria, pois sei que o cinema português tem esse estilo "melódico", mas não, o filme foi aguçando minha curiosidade sobre tudo o que rolaria, e quando temos a volta, de cara você já fica sabendo como irá acontecer, e isso é bonito demais de ver.

Quanto das atuações é até engraçado o quanto Manolo Solo ficou com muita cara de algum professor de Geografia que você já teve na vida, mas logo que seu Fernando resolve mudar de vida, o ator conseguiu uma entrega tão cheia de paz, tão sem reviravoltas, que até chega a incomodar, mas como a proposta da trama era essa, ele fez muito bem, no melhor estilo calmo que já vimos. Maria de Medeiros deu um bom tom para sua Amalia, mas poderiam ter desenvolvido um pouco mais a personagem, pois falou demais e não fluiu tanto sua história na tela, sendo algo meio que sem vértices. E Branka Katic só entrou no último ato, mas ainda assim deu um bom tom para sua Milena/Olga, sendo cheia de traquejos e dinâmicas, conseguindo em pouco tempo criar um carisma para com o público, e isso fez dela uma bela surpresa.

Visualmente a trama é bem simples, contando com uma fazenda aonde são mostrados poucos ambientes, como a sala da casa maior, a cozinha, e rapidamente o quartinho do jardineiro, tivemos alguns atos em um hotel, e também no apartamento do protagonista, além de alguns atos na universidade aonde ele trabalhava, e claro alguns atos em bares e cafés, mas tudo de um modo bem sutil, sem precisar trabalhar muitos elementos, e assim agradando com minúcias.

Enfim, é um longa que pensei que seria cansativo sem muita coisa para desenvolver, mas que acabei me encantando pela essência e curtindo bastante para poder recomendar para todos, então fica a dica para conferir ele nas cidades que estrear. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Kajá Filmes pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amigas Sem Filtro (Spa Weekend)

8/23/2026 11:25:00 PM |

É engraçado que costumo gostar de comédias bobas apenas pela curtição de ver os acontecimentos, mas pelo menos coloquem uma história no meio, desenvolvam tudo antes de ter a reviravolta de quebra, e o principal: faça rir, pois do contrário acaba sendo apenas um programa de venda da locação, aonde o produtor resolveu passar umas férias em algum resort, ficou sem grana pra pagar e arrumou ele como filme-propaganda. Infelizmente isso que disse na abertura acontece muito em filmes de comédia nacionais, mas ainda não tinha visto acontecer em tramas internacionais, ainda mais com atrizes que já fizeram bons filmes, e hoje aconteceu com "Amigas Sem Filtro", pois passei as últimas horas tentando rir de algo que não acontece, não tem aquele ar bobinho ao menos que encantasse, e o principal que leva nada a lugar algum, ou seja, nem como passatempo serve para ser indicado, fora que certamente vou esquecer dele em minutos. Então nem sei bem o que falar abaixo, mas vou tentar!

O longa acompanha três amigas que decidem fugir da rotina com uma viagem para um spa de luxo, planejando alguns dias de paz e descanso. Porém, uma quarta amiga aparece de forma completamente inesperada e transforma a tranquilidade em caos. Entre tratamentos relaxantes e decisões impulsivas, o grupo embarca em um fim de semana repleto de confusões que colocam à prova sua amizade. Enquanto tentam aproveitar a viagem de relaxamento, elas precisam lidar com desentendimentos e imprevistos que ameaçam transformar o paraíso em um conjunto de situações absurdas. A comédia mostra que as melhores lembranças podem surgir na hora que tudo sai diferente do planejado.

Diria que os diretores e roteiristas Jon Lucas e Scott Moore estavam com muita preguiça quando fizeram esse novo trabalho, pois sabemos bem da capacidade cômica deles, e como são muito ácidos em suas produções, porém aqui vemos um trabalho quase que jogado na tela, sem força, sem desenvoltura, e até mesmo nas bagunças cênicas ficou faltando ousadia. Ou seja, é como falei no início do texto, talvez tenha sido um filme comprado como propaganda, aonde tudo acabou ficando artificial, e realmente espero que seja isso, pois ver dois diretores que sempre fizeram "bons" filmes de bagunças recair para algo automático é de se entristecer, e o mercado está aberto para todos os estilos, basta querer ir mais além, coisa que não foram aqui.

Quanto das atuações, temos um elenco bom, e não era para ficar algo tão jogado assim, de modo que a protagonista maior Leslie Mann entregou uma Jane até bem encaixada como uma advogada extremamente requisitada, mas nas cenas dentro do resort parecia estar tão sintética quanto um robô, fazendo as situações de modo tão simples que nem seus atos sendo flertada foram suficientes para levarem para um outro estado, ou seja, não se desenvolveu. Já Michelle Buteau trabalhou sua Coco com um estilo tão explosivo que realmente foi a que mais pareceu a garotinha do início, ao ponto que se precisasse sair no soco com alguém ali no resort a atriz estava pronta para isso, ou seja, não fez grandes atos, mas ao menos não saiu da personagem. Anna Farris fez uma Sophie que chega a dar dó, primeiro pelo patrão, segundo pelo estilo da personagem, e depois por não se desenvolver tanto, estando parecendo assustada do começo ao fim. Agora entendo o motivo de Isla Fisher ter migrado mais para dublagens do que realmente aparecendo após a gravidez, pois por incrível que pareça ela saiu de ser sex symbol para uma mulher ainda bonita, mas meio que jogada, que não sei se era a ideia da personagem Mel, mas pareceu alguém completamente diferente das personagens que já fez. Quanto aos demais personagens, vale o destaque para o jeitão implosivo de Erika Heynatz com sua Shanti, e pelo ar sedutor de Adam Demos com seu Kai, mas sem muito o que ajudar dentro da proposta do longa.

Visualmente o resort escolhido é lindíssimo, escolheram um chalé bem imponente para as mulheres ficarem (porém o diretor só deixou elas em duas cenas, sendo uma de uma festa que nem dava para ver nada!), tiveram alguns momentos com corridas de carrinho, outras em piscinas e massagens, e até dentro da cozinha do restaurante, mas nada que realmente importasse e fosse funcional dentro dos elementos cênicos, ou seja, a equipe de arte nem quis atrapalhar os planos do produtor, tirando claro a cena no banho de lama que resolveram lambuzar todas as paredes.

Enfim, é um filme que até tem seu público, mas como não conseguiu fazer rir, não teve nada que impactasse realmente, e muito menos teve uma história maior para se desenvolver acabou sendo fraco demais, e assim sendo não vale a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte (Teenage Sex and Death at Camp Miasma)

8/23/2026 01:47:00 AM |

Quem me conhece sabe que gosto muito de longas de terror, mas um sub-gênero que não me agrada nem um pouco é o slasher, pois geralmente possui tão pouca história para contar, sendo apenas matanças jogadas e que geralmente recai muito para algo adolescente e bobo, mas como sempre acabo conferindo, e por vezes posso ser surpreendido, como foi o caso hoje de "Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte", pois conseguiram florear tanto com as linguagens do cinema, colocando pautas de roteiristas e suas criações, quanto com o famoso tabu da perda da virgindade, do mundo sexual e de suas vertentes. Ou seja, acabou sendo um filme bem mais amplo do que apenas matanças, que entrega bons momentos, e sim algo com aquele tom a mais, que claro ainda assim é totalmente maluco na tela, mas que tendo uma boa pegada consegue passar bem a essência na tela de um filme de matanças, e também discutir o que é um olhar em um filme.

No longa vemos que uma jovem cineasta queer é contratada para comandar os bastidores de um aguardado reboot da franquia de terror conhecida por Camp Miasma. No entanto, dessa vez, a direção espera conseguir centrar a história na icônica garota que aparece nas cenas finais do longa original, mas a busca por essa atriz ultrapassa os limites éticos estabelecido por produtores de cinema e o terror deixa de fazer parte apenas do roteiro, transformando toda a experiência da gravação em um grande episódio aterrorizante de mania psicossexual.

Diria que a diretora e roteirista Jane Schoenbrun quis brincar com a famosa essência de um filme dentro de outro filme que fica dentro de outro filme, e essa brincadeira foi satisfatória por envolver dinâmicas e situações que florearam toda a trama, não deixando que apenas as mortes violentas fossem impactantes, mas sim que todo o conteúdo de uma produção/criação se desenvolvesse ao redor, sendo algo que discutiu temas complexos e ousou sintonizar o passado com a modernidade. Claro que é um filme com uma pegada bem mais de festivais, afinal o gosto do público por tramas slasher andava meio sumido (ao menos imaginava isso ao ver uma sala quase cheia na segunda semana de exibição!), e assim o trato na tela precisou ir para um lado mais rápido e direto, mas ainda assim o longa tem muito para ser interpretado pelo público, e assim o resultado acabou agradando bastante.

Quanto das atuações, diria que a escolha de Hannah Einbinder para a diretora Kris foi muito bem trabalhada, pois a jovem conseguiu passar toda a intensidade de olhares de uma cineasta iniciante pegando a obra que sempre sonhou para refazer, e ainda assim cheia de dilemas pessoais, de modo que a atriz conseguiu segurar a essência com personalidade, mesmo trazendo uma certa ingenuidade para o papel, o que deu um bom tom na tela. Já Gillian Anderson deu um charme tão grandioso para sua Billie, que nem parece a mesma atriz boba do filme que é mostrado ao fundo, do tipo como se tivesse tido uma evolução de personalidade incrível, e ela soube segurar a trama, desenvolver um envolvimento bem colocado e ainda encher a trama de presença, ou seja, algo muito bem feito na tela. Quanto aos demais, e são muitos, afinal a equipe teve um trabalho monstro de criar uma franquia inteira para que o filme tivesse esses vários longas passando no caminho, vale claro o destaque para Amanda Fix que faz uma Billy jovem impactada e expressiva, mas ingênua e bobinha demais, de modo que funciona para o que o filme pedia, mas comparada com o que virou no futuro ficou um pouco fora de eixo demais.

Visualmente a trama dá um show e provavelmente causou o enfarte coletivo da equipe quando chegou o material para produzir uma tonelada de cenas de filmes apenas para alguns minutos de tela, mas tivemos um acampamento bem marcante, uma casa adaptada bem tradicional de filmes de terror, com um ar de colina de férias em lago, muita neve e frio congelante para dar as nuances brancas bonitas, e claro um exagero de sangue esguichando mais que água em caminhão de bombeiro, ou seja, o famoso kit slasher que força um pouco na tela, mas que de modo geral mostrou que a equipe de arte se preocupou em não jogar tudo apenas na tela.

Enfim, é um filme bacana com boas nuances que mesmo quem não é muito fã de filmes interpretativos e/ou slashers vai acabar gostando do que é mostrado, então acaba sendo uma boa dica de conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, e volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Última Casa (The Last House)

8/22/2026 07:54:00 PM |

Muitos vão dizer que eu sou do contra, afinal filmes que muitos amam eu não curto, e o que a galera tá descendo o pau acabo gostando bastante! E um filme que estava devendo minha opinião era o longa da Netflix, "A Última Casa", que possui muitas coisas absurdas, tem uma pegada de tentar vender a ideia da ecologia e de os humanos terem roubado os espaços dos demais seres do planeta Terra, mas ao mesmo tempo brinca com algo que gosto de pensar sobre sobreviver ao espaço que tem, utilizando o que sabe, de forma que o protagonista sendo um engenheiro desempregado acaba fazendo mil parafernálias para conseguirem comida, a mulher tenta alimentar a família não só com alimento, mas também com esperança, e as crianças ao crescerem claro acabam virando adolescentes chatos, porém toda a essência acaba sendo bacana de conferir, com intensidade e boas dinâmicas, que se for conferir sem esperar muito resulta em algo interessante e funcional. Ou seja, não é uma obra-prima do gênero, mas consegue entreter sem soar bobo, e principalmente sem cansar, que é a meta de qualquer longa do streaming, de forma que talvez com uns 20 ou 30 minutos fosse muito melhor, mas ao menos passou a mensagem e agradou.

O longa conta a história de Ann, Jason e seus dois filhos que, de maneira inesperada, ficam confinados dentro da própria casa. Enquanto uma força desconhecida transforma o lar em uma espécie de prisão, todos ficam perdidos e sem entender a origem dessa ameaça. Os membros da família tentam manter a esperança e encontrar uma maneira de sobreviver, porém, a falta de água, comida e outros recursos essenciais faz com que o desespero tome conta do ambiente. Além disso, o confinamento prolongado desperta a desconfiança de que a chave para escapar talvez esteja escondida dentro da residência. Entre o medo do que existe do lado de fora e a tensão crescente dentro de casa, todos precisam decidir até onde estão dispostos a ir para permanecer vivos.

Gosto bastante do estilo do diretor Louis Leterrier, e aqui usando um roteiro meio que maluco de Matthew Robinson, conseguiu segurar bem a tensão em poucos ambientes de uma casa, criando dinâmicas intensas e diálogos bem encaixados dentro de uma proposta ousada, ou seja, o famoso filme que alguns julgariam fácil recriar com poucos elementos, mas que se não fosse bem produzido poderia se tornar um desastre gigante, e aqui está justamente o fator que tem feito o público e a crítica amar ou odiar o longa, pois você precisa entrar por completo na ideia da sobrevivência familiar junto dos personagens, senão qualquer deslize ou loucura passa a ser vista apenas como algo bizarro dando certo, mas se incorporar tudo como alguém ali, o resultado acaba sendo exatamente a visão do diretor, e assim acaba sendo funcional. Claro que volto a frisar que é algo de extrema ficção que não dá para trazer algum realismo mais pensante, mas ainda assim mostrou que o diretor soube brincar com o que tinha.

Quanto das atuações, podemos voltar a dizer que Wagner Moura dá show em qualquer estilo, pois aqui seu Jason é completo demais, surta, encanta, cria e trabalha como ninguém, de tal forma que praticamente não vemos meia cena que estivesse fora de enquadramento, estando presente, organizando as posturas, envolvendo e se desenvolvendo, ou seja, dá show na tela. Greta Lee trabalhou sua Ann com muita segurança, com traquejos fortes e bem maternos, sabendo desenvolver as dinâmicas que precisava com carisma e empatia, agradando bem a essência da personagem. Quanto aos jovens, tivemos várias fases na tela, mas todos foram bem trabalhados pelos atores que fizeram Graham e Ruth, tendo destaque para a garotinha Riley Chung na primeira fase da personagem com suas imposições e desejos, e para Gabriel Barbosa na fase adolescente/jovem do garoto, com o desejo e desespero para sair da casa.

Como já disse no começo, visualmente a equipe de arte precisou ser extremamente criativa, pois criar ambientes dentro de uma casa durante anos foi algo bem cheio de elementos, tendo desde a criação da plantação pela esposa, o marido desmontando e montando tudo para criar armadilhas, as várias cortinas e criações para tampar o lado de fora, além de muita chuva, cenas com inundações, esgoto e tudo mais que pudessem recriar. Agora a computação gráfica dos seres da chuva acho que poderiam ter caprichado um pouco mais, pois ficou um pouco estranha demais na tela.

Enfim, não chega a ser algo perfeito e imponente como talvez tenha sido pensado, mas tem muito mais acertos do que erros, e consegue prender demais a atenção do começo ao fim, sendo daqueles que talvez se continuarem (pois até deixam uma pontinha para isso no fechamento!), e souberem dimensionar bem toda a essência de colapso de fim de mundo, pode encantar bastante. Sendo assim digo que vale a conferida sem muitas expectativas, que acabará agradando de certa forma para quem gosta do estilo apocalíptico sem muita informação. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje ainda verei mais um longa que ficou para trás nas minhas férias, então abraços e até mais tarde.


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