Não sou do tipo conspiracionista, mas muitas vezes quando alguns pontinhos começam a bater um pouco mais eu já saio achando que tudo tinha um motivo e daí pra frente ninguém me convence do contrário, ao ponto que posso até estar errado no final, mas na minha cabeça tudo o que imaginei bateu. E a pegada do longa "A Conspiração Condor", que estreia na próxima quinta (09/04) nos cinemas, brinca ou conta um pouco sobre como as mortes de alguns presidentes, políticos, jornalistas e outros mais simples aconteceram nos anos 70, tudo bem amarrado numa investigação jornalística interessante de proposta e bacana de essência, que poderia ser ainda melhor se fizesse o público entrar mais na onda, pois o filme peca um pouco nesse sentido, já que a intensidade foi calma demais para algo que precisaria impactar explosivamente. Ou seja, vemos um filme que tem formatação e ideias intensas, que trabalha algo marcante, mas que faltou jogar para o público as mesmas dúvidas da protagonista, para aí sim tudo pegar fogo na tela, e chocar, pois tudo ficou meio que leve demais para uma trama do estilo.
O longa começa em agosto de 1976 com a morte do ex-presidente Juscelino Kubitscheck num acidente de carro. Mais tarde, naquele mesmo ano, em dezembro, o então presidente João Goulart morre de um ataque cardíaco, elevando as suspeitas de uma jornalista chamada Silvana de que pode haver uma conspiração por trás dessas tragédias. Com a ajuda de outro jornalista, Silvana corre atrás de investigar essa sequência esquisita e suspeita de mortes que podem estar ligadas às ações de silenciamento e repressão do regime militar brasileiro.
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O longa começa em agosto de 1976 com a morte do ex-presidente Juscelino Kubitscheck num acidente de carro. Mais tarde, naquele mesmo ano, em dezembro, o então presidente João Goulart morre de um ataque cardíaco, elevando as suspeitas de uma jornalista chamada Silvana de que pode haver uma conspiração por trás dessas tragédias. Com a ajuda de outro jornalista, Silvana corre atrás de investigar essa sequência esquisita e suspeita de mortes que podem estar ligadas às ações de silenciamento e repressão do regime militar brasileiro.
Diria que o diretor e roteirista André Sturm até foi bem coerente dentro do trabalho da proposta, pois é notável todo o conteúdo de pesquisa da trama, é notável o desenvolvimento cênico para que as dinâmicas dentro de um jornal na época fosse bem amarrado, e ele soube criar o clima que a proposta pedia, afinal investigações jornalísticas sempre instigam bem o público, porém nesse ponto ele optou por não pesar tanto sua mão, ou quis mostrar que naquela época os jornalistas não tinham tanto anseio pela explosão momentânea, tanto que até vemos a protagonista desesperada por fazer tudo em um minuto logo que seu caderno some, mas não vemos a síntese impactar o outro lado, no caso em nós espectadores. Claro que isso possa até ser uma sensação minha por conhecer um pouco dessa história, mas faltou aquele impacto em ir colher mais fatos, sair desesperada atrás de tudo, e literalmente empunhar sua caneta como uma arma jornalística, mas tirando essa explosão que o filme pedia, o resultado mostra bem a época e consegue ao menos envolver sem cansar, e assim agrada dentro da proposta.
Quanto das atuações, gosto do estilo da Mel Lisboa, pois ela passa esse ar ao mesmo tempo jovial para sua Silvana, mas também trás uma perspectiva clássica de uma jornalista que se dispõe a enfrentar tudo e todos para conseguir o que quer, além claro de parecer muito com as jornalistas de colunas sociais, então talvez o único porém que colocaria na sua entrega foi a de não parecer "assustada" quando as coisas começam a pegar fogo, pois a curiosidade é algo que todos temos, mas o medo numa época como a que ela viveu e estava vivendo é algo que muitos tinham. Dan Stulbach é daqueles atores que conseguem ter personalidade em papeis fortes, e aqui seu Juan pareceu um pouco artificial demais, não demonstrando ser daqueles jornalistas imponentes como o papel pedia, ficando meio que subliminar demais para os momentos que foi colocado. Nilton Bicudo até entregou alguns atos chamativos com seu Floriano, mas para um censor acredito que entregou algo brando demais, pois sabemos que eles eram intensos e bem cheios de olhares em tudo. Quanto aos demais personagens, tivemos alguns atos bem secos de Maria Manoella com sua Marcela, e Carlos Meceni como o editor do jornal, mas colocar Pedro Bial como Carlos Lacerda foi abusar demais dos bons atores que temos.
Visualmente o longa teve um trabalho até que bem desenvolvido na tela, com uma redação simples de um jornal, alguns velórios bem movimentados dos políticos, e algumas cenas bem colocadas em restaurantes simples e casas da época, não sendo nada muito grandioso, porém bem colocado, agora algo que me incomodou um pouco foi a representação de um escritório ou delegacia aonde o caso foi arquivado, que a equipe de arte economizou em demasia e ficou algo muito artificial, e nesse sentido a falha foi bem grande.
Enfim, é um longa interessante pela proposta, cria como disse um bom clima investigativo, porém dava para ter ido muito mais além com pouquíssimas mudanças, a principal seria na forma explosiva de um suspense investigativo, mas isso é algo difícil de mudar na edição e precisaria ter sido melhor pensado na construção do roteiro, então não tinha como resolver depois, mas ainda assim vale a conferida na tela, principalmente para o pessoal que gosta de uma conspiração politizada. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Pandora Filmes e da Atômica Lab pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.




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