Não lembro quando foi o último filme holandês que vi, mas levando em consideração o que assisti hoje com "Champagne - Uma Viagem de Pai e Filho", que estreia nos cinemas nacionais na próxima quinta (06/08), posso dizer que gostam de envolver o público com a situação em desenvolvimento, não chegando com impacto na entrega, mas sim passando a reflexão pelo sentimento em si da produção completa. Ou seja, é daqueles filmes que você precisa ir vivenciando os momentos na tela, entendendo a relação dos personagens, e quando vê tudo já pronto o desenrolar flui e emociona. Claro que é um filme bem mais artístico do que comercialmente falando, mas certamente pegará o público com o fechamento entregue.
O longa conta a história de Maarten, que decide levar o pai em uma última viagem à região de Champagne, na França, após descobrir que ele está com uma doença terminal. No caminho, o silêncio profundo reina entre os dois até que os ressentimentos e dificuldades para expressar sentimentos ganham voz e o que parecia ser apenas uma viagem comum se transforma em uma jornada de reconciliação. Em meio à paisagens e conversas que recontam o passado dos dois, pai e filho encontram novas formas de celebrar a vida em meio ao fim dela.
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O longa conta a história de Maarten, que decide levar o pai em uma última viagem à região de Champagne, na França, após descobrir que ele está com uma doença terminal. No caminho, o silêncio profundo reina entre os dois até que os ressentimentos e dificuldades para expressar sentimentos ganham voz e o que parecia ser apenas uma viagem comum se transforma em uma jornada de reconciliação. Em meio à paisagens e conversas que recontam o passado dos dois, pai e filho encontram novas formas de celebrar a vida em meio ao fim dela.
Diria que o diretor Tim Kamps foi mais um conector do que um executor na obra, pois a história sendo inspirada nas experiências do roteirista e protagonista Leo Alkemade, certamente ele foi dando as dimensões de cada ato, trabalhando sua entrega para que com seu parceiro de cena tudo deslanchasse e se desenvolvesse. Claro que isso é um modo de dizer, pois sei o quanto um diretor pode mudar uma cena, mas aqui como tudo flui linearmente, sem grandes quebras, acredito que o protagonista meio que se apossou das cenas e conduziu conforme suas memórias iam acontecendo, passando a síntese minutos antes, e fazendo tudo acontecer. Ou seja, não chega a ser um erro de percurso, mas vemos que os demais personagens ao redor parecerem até perdidos com o que tinham de fazer, e assim faltou um pouco mais de direção realmente aparecendo na execução da obra, não sendo ruim de ver, mas talvez desse para algumas cenas serem mais imponentes com bem poucas mudanças.
Quanto das atuações, aí a história muda completamente de lado, pois Leo Alkemade conseguiu ser muito sincero na construção de seu Maarten e criou uma química muito gostosa para com seu parceiro cênico, de modo que você realmente vê uma conexão entre eles, vê expressões realmente com sentimentos bem colocados, e assim ele soube segurar o protagonismo sem roubar as cenas do outro, sendo cheio de conexões e um envolvimento bem real na tela, o que foi bem bacana de acompanhar. Da mesma forma, Huub Stapel conseguiu passar a essência bem chamativa de seu Hans, trabalhando com uma boa pegada e envolvimento na medida certa para convencer com o que tinha para entregar, sendo que suas dinâmicas foram inspiradas no pai de Leo, então tinha de se entregar e convencer seu parceiro disso, e pelos olhares deu muito certo. Quanto aos demais, como falei acima, faltou um pouco mais de direção, e com isso ficaram bem apagados ou com dinâmicas que não valorizassem muito na tela, e assim nem vale destacar ninguém.
No conceito visual, tivemos praticamente um road-movie, mostrando no começo as casas dos protagonistas bem rapidamente, sem termos dimensões das situações ou com detalhes que valorizassem algo, claro tirando que o pai gosta muito de champanhes, e com isso em sua bicicleta já levava para casa duas caixas, o que dá o mote para a viagem, e depois vemos as plantações de uva, algumas vinícolas no caminho, restaurantes de vários tipos e atendimentos, além de uma passada em uma igreja e também em bares e pensões, ficando bem grudado com o carro elétrico do protagonista e suas tecnologias, ou seja, tudo bem básico, mas muito representativo em cima das bebidas.
Enfim, é um filme bem gostoso de acompanhar, que funciona pela essência passada na tela, e que traz uma boa representatividade nas conexões familiares, sendo agradável e bem marcado para refletir qual é o momento certo de fazer as coisas com seus elos, antes que seja o fim. E é isso meus amigos, fica a recomendação para quem conseguir conferir ele nos cinemas, e eu fico aqui agradecendo o pessoal da Autoral Filmes pela cabine de imprensa, então abraços e até breve, pois agora também irei tirar umas férias e viajar, voltando logo mais com outras dicas depois desse período.
































