Gosto muito quando vejo diretores nacionais inovando em gêneros que casualmente não eram tão produzidos por aqui, pois antes só tínhamos comédias escrachadas e dramas novelescos, então se arriscar era algo que geralmente nem dava público, e hoje mesmo não sendo uma lotação, tinha uma quantidade até que razoável para conferir um suspense introspectivo na telona. Então o que falta para o cinema nacional de gênero decolar? A resposta é simples, pois basta apenas que façam algo que não apenas o umbigo do diretor vai gostar, ou o famoso filme para levantar o ego de algum produtor. E porque comecei a falar do longa "Barba Ensopada de Sangue" dessa forma? Pois aqui o diretor Aly Muritiba raspou a trave de fazer algo extremamente cansativo que não levasse nada a lugar algum, demorando para engrenar e com uma sensibilidade até bonita dentro da essência, mas é daqueles filmes que o público comum assiste e sai reclamando do que viu, ficando algo somente bom para festivais. Claro que não estou falando de forma alguma que é um filme ruim, muito pelo contrário, aonde vemos técnica, vemos a história bem trabalhada na tela, mas não chama cinema comercial por acaso, precisa dar lucro, precisa fazer com que o público vá conferir, e aqui faltou isso, pois ao final saímos da sessão apenas com o pensamento de que o filme de 108 minutos poderia ser facilmente resolvido em 60 minutos no máximo.
O longa nos conta que após a morte de seu pai, Gabriel parte para a praia da Armação em busca de suas origens. O que ele acaba encontrando são versões contraditórias a respeito da figura misteriosa de seu avô, um esqueleto de baleia e uma cidade que quer enterrar seu passado a qualquer custo.
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O longa nos conta que após a morte de seu pai, Gabriel parte para a praia da Armação em busca de suas origens. O que ele acaba encontrando são versões contraditórias a respeito da figura misteriosa de seu avô, um esqueleto de baleia e uma cidade que quer enterrar seu passado a qualquer custo.
A cinematografia do diretor e roteirista Aly Muritiba é bem complexa, tanto que muitos de seus filmes são realmente tramas de festivais como falei acima, mas ele também sabe brincar bem com as essências e por vezes chamar muita atenção, como foi o caso de "Ferrugem", mas aqui usando um livro de Daniel Galera que muitos são apaixonados, diria que faltou ele ir mais além na tela, pois dava para criar situações mais intensas sem precisar diminuir tanto o ritmo, tanto que quando realmente o bicho pega da metade pra frente, o longa acontece e marca, mas até chegar lá confesso que por bem pouco não acabei cochilando. Claro que o desenvolvimento de uma trama introspectiva é diferenciado e precisa ir muito mais além, mas dava para chamar muito mais atenção com alguns poucos ajustes, principalmente no conflito entre o protagonista e os demais moradores da praia. Ou seja, ele fez daqueles filmes que poderiam ter ido muito mais além, mas optou pelo fácil, e assim seu filme ficou "calmo" demais para empolgar como um bom suspense.
Quanto das atuações, gosto muito do estilo do Gabriel Leone, e ele está fazendo seu nome cada dia mais no mundo todo, porém aqui esse papel não era para ele de forma alguma, primeiro que gastou mais de 3 horas todos os dias de gravação para colocar uma barba artificial, segundo que seu estilo é de personagens com uma maior pegada, e aqui exigia alguém com um ar mais denso, que ele até tentou fazer, mas soou artificial demais, ou seja, faltou presença para o personagem. Dentre os demais personagens, tivemos mais tempo de tela para Thainá Duarte com sua Jasmin, mas seu personagem não é tão desenvolvido quanto precisaria, de modo que o resultado acaba sendo de uma boa interpretação na tela, porém sem impactar, o que acredito que seria mais necessário.
No quesito visual a trama até foi interessante pelas representações, pelos ambientes em si, e por algumas cenas espalhadas, como a do fogo dos barcos e a do farol, porém na casa abusaram muito de cenas escuras, com o lance da falta de luz na cidade e também o gato de energia, e com isso muitos elementos cênicos acabaram sendo completamente desnecessários, tanto que na cena que volta pra casa toda bagunçada e cheia de depredações, nem dá para identificar o que está jogado, e isso é uma falha gritante, pois somos contra luzes artificiais em cena, mas precisa que o cenário apareça, e isso é algo que o diretor de fotografia precisa atuar bem para ganhar a causa.
Enfim, é um filme interessante de proposta que poderia ter sido incrível na tela, ao ponto que seria daqueles suspenses para ficar grudado na tela esperando tudo acontecer, mas no final o resultado acabou sendo apenas mediano demais pelas escolhas, e assim não acredito que vá empolgar muito o público que for conferir. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


































