Amazon Prime Video - O Duque (The Duke)

7/14/2024 11:59:00 PM |

Queria encerrar a noite de domingo com algum filme que fosse divertido, mas também bonito, e dentre as estreias dessa semana nenhum parecia se encaixar nesses dois quesitos, então eis que abri a famosa lista de filmes que saio colocando quando vejo que tem na plataforma, e ao acaso algum dia sairão de lá! E nessa busca vi que a trama de "O Duque", que pode ser localizado dentro da Amazon Prime Video, tinha uma pegada interessante em cima de uma história real maluca dos anos 60, quando um senhorzinho foi preso por "sequestrar" um quadro de um museu pedindo que fosse liberada licença gratuita para TV para idosos, e que claro contendo duas lendas do cinema no cartaz não tinha como dar errado. E felizmente não deu errado, pois é algo tão maluco quanto a ideia, pois o senhorzinho é daqueles que briga por direitos de tudo, que reclama com quem quer que seja por injustiças, e que numa reviravolta maluca esconde em sua casa um quadro que o governo comprou por muito dinheiro para manter na galeria, mas o feitio em si não é tão importante, e também é explicado no filme que nem tudo o que vemos foi realmente da forma feita, então o que vale é o julgamento do senhorzinho, pois com um advogado ainda mais extrovertido que ele, acabaram fazendo um show para acabar com o humor de qualquer promotor. Ou seja, um filme leve, com dois grandes nomes do cinema mundial, e que passa voando o tempo na tela, sendo exatamente um bom fechamento ou início de semana.

Baseada em uma história verídica, o longa segue a história de um homem comum que decidiu mudar o mundo. Em 1961, Kempton Bunton, um taxista aposentado de 60 anos, roubou o retrato do Duque de Wellington, pintado por Goya, da National Gallery de Londres. Sua intenção não era obter lucro, mas chamar a atenção do governo para a falta de apoio aos idosos. Bunton enviou notas de resgate, condicionando a devolução da pintura ao aumento dos investimentos no cuidado dos aposentados. O que se seguiu tornou-se uma lenda: Bunton foi preso e julgado, mas sua ação ousada inspirou muitos a refletirem sobre a justiça social. Esta edificante história verídica destaca a coragem de um homem comum que decidiu mudar o mundo, e no processo, conseguiu salvar seu próprio casamento. O Roubo do Século é lembrado não apenas pelo audacioso crime, mas pelo impacto social significativo que gerou, transformando Bunton em uma espécie de herói popular.

O diretor Roger Michell tinha um estilo bem limpo de filmes, aonde na maioria das vezes ele usava bem da formatação tradicional e calma dos longas ingleses e vez ou outra colocava algumas sacadas de quebra para dar uma mexida no tom da trama, e aqui ele usou bem a base da história, criando poucos atos de virada, e deixando que os personagens falassem por si próprios, de modo que em diversos atos até vemos algo meio que teatral nas atuações dos protagonistas, e isso é algo que agrada de certa forma pela leveza cênica, e também acaba sendo um método para que artistas mais idosos possam se desenvolver melhor sem precisar seguir um roteiro mais seco, e o que acontece em cena é de um luxo e diversão que poucos conseguiram fazer tão bem. Ou seja, antes de morrer em 2021, o diretor fechou sua carreira com um comédia dramática de primeira linha, que brinca com uma história real maluca, e funciona como uma das defesas mais bizarras possíveis, aonde com muita certeza a maioria verá o longa e falará ser impossível ser real tudo que foi dito no tribunal.

Quanto as atuações é até fácil falar de Jim Broadbent, pois ele se joga tão fácil em seus personagens que você não sente ele atuando, parecendo que conheceu o personagem real em um jantar e apenas pegou os trejeitos e foi para o set filmar, de tal forma que seu Kempton se parece com qualquer senhorzinho ranheta que você conhece por aí que discute de tudo de acordo com seus ideais, e que ganha sempre no que tenta defender, ou seja, ele brinca com o personagem trabalhando sacadas e expressões bem encaixadas para que o filme fluísse bem fácil na tela. Da mesma forma, Helen Mirren pega sua Dorothy e entrega uma personagem tão diferente que ao pausar o filme logo no comecinho para ver os nomes (adoro essa funcionalidade da Prime Video!) vi seu nome e falei não é ela, não pode ser ela, mas é, e nossa eterna rainha se joga como uma senhora que mesmo bem velhinha continua fazendo faxinas, tendo uma presença cênica perfeita nas dinâmicas do longa, e claro trabalhando um carisma único para agradar na tela como sempre. Ainda tivemos o jovem Fionn Whitehead bem encaixado com seu Jackie cheio de nuances e expressividades mais simples, mas que encaixaram perfeitamente com a ideia da trama, e claro com os demais personagens.

Visualmente a trama tem uma pegada bem clássica, mostrando os ainda tradicionais julgamentos dos anos 60 na Inglaterra com todos os magistrados com suas perucas clássicas, vemos uma casa simples, e vem uma mensagem ao final do longa que me surpreendeu bastante, que a TV gratuita por lá só surgiu no começo dos anos 2000, ou seja, antes todos tinham de pagar licenças para ver até mesmo o canal de notícias na TV, e o senhorzinho brigando por isso lá nos anos 60, com uma casa simples, porém com sua TV bem colocada na sala, aonde gostava de passar suas noites de chá. A equipe de arte brincou bem com os elementos cênicos para que tudo funcionasse bem na tela, e cada detalhe marcou presença pelo set.

Enfim, é um filme simples, porém bem gostoso de conferir, com uma pegada clássica de humor e drama que os ingleses gostam de brincar na tela, aonde nada incomoda, e que vai agradar quem gosta de histórias reais malucas, que contadas de uma forma descontraída acaba funcionando ainda melhor. Ou seja, se você ainda não viu, já que não é um filme tão novo, vale a dica de play, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até amanhã com mais dicas.


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Netflix - Desaparecidos na Noite (Svaniti Nella Notte) (Vanished Into the Night)

7/14/2024 07:05:00 PM |

Até que demoraram bastante para um outro país adaptar a história do longa argentino, "Sétimo", pois a história em si era bem interessante, tendo mais falhas de direção e desenvolvimento do que erros que fizessem o longa ser ruim, mas como disse no texto dele, conseguiram deixar Ricardo Darín ruim, e isso é algo para pouquíssimos diretores. Pois bem, passados 9 anos desde que estreou no Brasil, e 11 que foi lançado na Argentina, eis que outro Riccardo entra em cena no longa italiano da Netflix, "Desaparecidos Na Noite", e como eu não lembrava absolutamente nada do longa argentino acabei sendo surpreendido com uma história densa e bem trabalhada, que não se acomoda em momento algum, e consegue criar nuances e tensões bem trabalhadas na tela, ao ponto que o final é um pouco exagerado e forçado de descobertas, e a cena de fechamento ficou meio que jogada, mas diria que o resultado por completo acaba sendo um bom entretenimento, principalmente por terem mudado praticamente todo o desenrolar da história, ou seja, mesmo que você tenha visto o argentino recentemente vai conectar todas as fichas, sendo algo bem novo e bem feito.

O longa traz a trama envolvente de Pietro, um homem com um passado tempestuoso e que está vivendo um divórcio complicado com Elena, uma psiquiatra norte-americana mas que, por amor a Pietro, se mudou para a Itália. Juntos, eles tiverem dois filhos. Certa noite, Pietro e seus filhos vão para uma fazenda e, misteriosamente, as crianças desaparecem em uma área remota sem deixar rastros. Ele os procura por todos os lugares possível, mas em vão. Como não encontrou as crianças, Pietro, em desespero, é forçado a comunicar Elena, com quem está enfrentando uma disputa pela custódia dos filhos. O ambiente em caos, os pais em pânico e a situação só piora quando eles recebem um telefonema: seus filhos foram sequestrados, para recuperá-los eles terão que pagar uma quantia milionário em até 36 horas.

É até engraçado pensar no estilo do diretor Renato De Maria, pois em um filme que facilmente poderia rodar sem um revólver ser apontado, sem uma briga ou tiro, ele vai lá e coloca isso em algum momento, mas como disse nos outros longas que falei, esse é o seu estilão, e a Netflix gosta bastante dele, tanto que já é seu terceiro trabalho feito para a empresa, ou seja, já é daqueles que tem contrato fixo com eles, e aqui ao pegar um roteiro adaptado em cima de outro filme, ele foi bem sagaz de conseguir criar uma história boa, com nuances interessantes, e claro com uma pegada densa e imponente de um pai desesperado para conseguir dinheiro para o resgate dos filhos, claro fazendo algumas loucuras que talvez muitos não teriam coragem, mas o diretor soube brincar com as facetas da trama e fechar bem. A única deixa que talvez poderia fazer o filme ficar bem melhor seria talvez o início ser usado no meio do filme, bem na volta da Grécia o rapaz chegaria em casa e viria meio como um flashback da cena que usaram aqui no início, pois ficaria bem explicado e a bomba aconteceria numa formatação incrível, mas como adaptaram um filme existente, lá também começava dessa forma, então teve esse errinho que vai deixar alguns desanimados.

Quanto das atuações, diria que Riccardo Scamarcio colocou muita presença em seu Pietro, trabalhando bem seu lado desesperado na busca das crianças, e sabendo ser bem blasé, porém com apreensão nas cenas na Grécia e no barco para passar despercebido, mas foi bem ágil na desenvoltura final, sabendo entregar olhares e trejeitos fortes para sua acusação funcionar e envolver, mostrando presença cênica e muita dinâmica, que foi exatamente o que faltou fazerem com Darín no longa original. Agora Annabelle Wallis conseguiu com poucas cenas trabalhar um cinismo e olhares tão falsos para sua Elena que em momento algum conseguimos decifrar seu pensamento, tendo claro uma cena meio que falha, de ir viajar e voltar na mesma noite, coisa impensável para qualquer voo, mas tirando esse detalhe do roteiro, a atriz fez bons trejeitos e chamou atenção. Ainda tivemos alguns bons atos soltos das crianças e de Massimiliano Gallo com seu Nicola, mas a base mesmo ficou com os dois protagonistas, então nem vale sair dando destaques a toa.

Visualmente o longa teve uma boa entrega de uma família bem rica, com um apartamento chique, uma fazenda bem rica, um tremendo de um barco, que só fica atrás do barco do traficante com muito mais requinte, de modo que toda a procura do protagonista pelos vários ambientes da fazenda chega até cansar, mas como foi dinâmico, a pegada acaba sendo bem boa, também tivemos bons atos num restaurante grego, algumas cenas em alto mar bem trabalhadas, e toda uma correria para que o protagonista chegasse da fazenda ao aeroporto passando pela casa com muita imposição, mostrando alguns detalhes até que forçados para o roteiro, mas que funcionaram dentro do que o longa pedia.

Enfim, é um filme que quem não souber que é uma adaptação de outro filme irá conferir tranquilamente e mesmo com alguns errinhos aqui e acolá irá curtir toda a ideia, tanto que é o longa mais assistido do final de semana na plataforma de streaming, mas quem já viu o original argentino irá lembrar de alguns momentos e ficará tentando comparar, o que não recomendo, pois sendo algo bem diferente, o resultado acaba ficando estranho de certa forma, então veja como um bom passatempo, que vai valer a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje ainda vou conferir mais um longa, então abraços e até logo mais.


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MaXXXine

7/14/2024 01:07:00 AM |

Confesso que fui conferir "MaXXXine" esperando bem pouco dele, pois o primeiro filme "X - A Marca da Morte" me decepcionou ao ponto de até hoje não ter tido vontade de ver o prequel dele "Pearl", mas diferente do original que é só um gore mal trabalhado aonde o diretor conseguiu explodir por ter filmado na pandemia com pouquíssimos recursos, aqui com muito mais dinheiro para a produção conseguiu fazer uma trama muito mais chamativa, com uma pegada que remonta bem vários clássicos de terror dentro de Hollywood, tendo a personalidade bem encaixada da protagonista em busca de seu sonho, e um assassino perseguindo e matando várias outras mulheres ao seu redor, o que acabou sendo um erro meio que fácil de descobrir quem era o assassino. Mas dito isso, a grande sacada do diretor aqui foi trabalhar uma essência mais visual, bem oitentista mesmo, aonde muitas garotas sonhavam em ser atrizes de Hollywood e davam seu máximo para serem notadas, entrando claro pela porta dos fundos que são os longas pornôs, outras apenas pelos testes do sofá, mas quase sempre pelo submundo, aonde produtores inescrupulosos abusavam de suas influências, e como vimos no primeiro filme, a jovem não teve medo de nada, sendo imponente e destemida, e aqui se jogou no foco para conseguir seu grande papel, aonde vemos que o diretor usou da mesma fisgada para mostrar um estilo novo de suas facetas, que também pode lhe dar grandes filmes futuramente, já que demonstrou estilo e sonhos altos.

O longa nos mostra que sendo a única sobrevivente de uma filmagem pornô que deu errado há alguns anos, a determinada aspirante a atriz, Maxine Minx decide seguir sua jornada rumo à fama mesmo depois do acontecido. Agora, na década de 1980, em Hollywood, a estrela de cinema adulto começa a fazer testes para papéis no cinema e consegue uma vaga em uma sequência de terror de baixo orçamento, agarrando a oportunidade com todas as suas forças. Mas enquanto isso, Maxine se torna alvo da investigação de um detetive particular e um misterioso assassino, conhecido como Night Stalker, persegue as estrelas de Hollywood, deixando um rastro de sangue que ameaça revelar o passado sinistro de Maxine. Porém, ela não pretende deixar que esses problemas impactem sua bela carreira.

Acredito que deva ter sido engraçado para o diretor e roteirista Ti West ver na tela a personagem de uma diretora de filmes de terror de baixo orçamento que está fazendo sua continuação para crescer cada vez mais usando uma atriz em ascensão, que é exatamente o que ele mesmo está fazendo nesse filme, sendo algo quase que duplo de se pensar, mas que funcionou de uma maneira bacana e sábia, pois se o primeiro longa fez muito sucesso por ser de baixíssimo orçamento, ter sido filmado inteiro dentro da pandemia com limitações aos montes, aqui ele pode brincar mais com a ideia de uma trama de terror por muitos ambientes, cheios de sacadas e mortes de diferentes modos possíveis, e mais do que isso, brincou dentro dos estúdios dos cinemas, pois a sacada da jovem correndo pelos bastidores foi algo brilhante e bem bonito de se ver, e a forma encontrada de matar os "vilões" foram perfeitas, mostrando que ele tem estudo e sabe o que faz, podendo rumar para projetos mais intensos em um futuro próximo.

Quanto das atuações, Mia Goth já decolou no primeiro filme fazendo dois papeis e sendo intensa em ambos, mas ainda não tinha demonstrado sua personalidade realmente, afinal o primeiro longa é quase algo explosivo de ações e que cheio de intensidades até se perde um pouco no papel, porém aqui ela pode se jogar por completo como uma mulher decidida do que quer, enfrentando todos os perrengues possíveis para que sua Maxine estourasse em Hollywood, quase que literalmente, e agora vai ser colher os louros, pois certamente será chamada para papeis mais imponentes e vai precisar mostrar que fez o nome mesmo. Demorou um certo tempo para que eu ligasse a imagem de Kevin Bacon em seu John Labat, pois estava muito diferente na tela, e perseguindo tanto a protagonista só é notável mesmo quando faz seus trejeitos tradicionais, ou seja, brincou bastante na tela e fez mais um papel icônico para o seu currículo. Embora o papel de Elizabeth Debicki seja bem secundário na trama, como disse no parágrafo anterior ela fez o próprio diretor dentro do filme, e a postura que sempre entrega é algo tão chamativo que ela acaba sendo marcante com o pouco que faz, ou seja, agrada e funciona também. Dentre os demais, vale claro o destaque para Simon Prast bem icônico nos atos finais com seu Ernest imponente e cheio de determinações, Michelle Monaghan colocando sua Detetive Williams na tela de uma forma limpa e intensa, mas sem dúvida seu parceiro vivido por Bobby Cannavale é quem se sobressai nos atos que estão na tela, isso sem falar claro no agente da protagonista que Giancarlo Esposito brinca de fazer na tela.

Visualmente a trama teve um estilo bem clássico dos anos 80, com carrões conversíveis, os cinemas de mulheres nuas com shows ao vivo, claro as locadoras alternativas, e ainda possibilitando um passeio pelos vários barracões de estúdios, tendo inclusive o clássico Bates Motel com a casa do assassino de "Psicose" ao fundo, ou seja, o diretor teve muitos recursos para que seu filme mostrasse muitos elos clássicos e chamasse atenção, aonde vemos como são feitas as cabeças de filmes de terror para serem cortadas, rituais macabros e toda a mística do gigantesco letreiro, e claro usando e abusando de muitos bons elementos como armas, facas e tudo mais ainda deixou para um salto robusto a cena gore de explosões de partes do corpo.

Enfim, é um filme bacana, muito melhor que o anterior, mas com um defeito gigantesco, é alongado de ritmo, de tal forma que o longa tem apenas 103 minutos de projeção, mas senti assistindo uma trama de facilmente umas 3 horas, ou seja, ele cansa o espectador com tudo o que entrega na tela. Claro que passa bem longe de ser algo ruim de conferir, mas dava para o diretor ter trabalhado mais atos dinâmicos para que o filme ficasse mais imponente e chamasse ainda mais atenção, então fica a dica para a conferida, afinal sei que muitos irão ver, a sala estava completamente cheia na sessão legendada, o que me deixa bem alegre, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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A Filha do Pescador (La Estrategia Del Mero) (The Fisherman's Daughter)

7/13/2024 07:06:00 PM |

Que o mundo está mudado todos nós sabemos, porém existem ainda muitas comunidades sem acesso à informação aonde as pessoas já estão velhas e não aceitam bem os costumes e gostos atuais, de tal forma que pessoas trans dificilmente são bem recebidas, principalmente após separações complicadas, mas uma coisa que nunca vai mudar, mesmo que a pessoa seja contra as mudanças, é um pai defender seu filho quando esse está com problemas. E o longa "A Filha do Pescador", que é uma colaboração entre Colômbia, Porto-Rico, República Dominicana e Brasil, entra no circuito comercial dos cinemas a partir da próxima quinta 18/07, trazendo bem essa pegada densa das relações familiares, da fuga por motivos pessoais e diferentes ou de crimes em outro local, e ainda ousando trabalhar a discussão de aceitação pós anos sem se ver e/ou de personalidades bem diferentes. Diria que a trama é ousada por introduzir esse tipo de discussão num mundo tão conturbado como anda atualmente, mas também precisa de estilo, pois não se alonga nem se aprofunda no que não é necessário, deixando apenas a forma bruta do miolo acontecer, para ter ao final algo tão singelo que consegue dizer mais do que mil palavras, além claro da forma poética e bonita para incorporar tudo. Ou seja, é um filme que muitos vão ver e achar simples demais, e outros irão se emocionar e apaixonar com o resultado completo, e alguns nem darão a chance de conferir sabendo do que se trata a trama, mas é inegável que a equipe foi sucinta e brilhou em não alongar a trama para que ficasse novelesca e sem sal como acontece em muitos casos do estilo.

A sinopse nos conta que Samuel mora sozinho numa ilha isolada em algum lugar do Caribe colombiano. Exímio mergulhador, ele vive da quase extinta prática da pesca submarina em mergulho livre. Um dia, o filho Samuelito, que ele não via há 15 anos, bate à sua porta. Agora uma mulher trans, conhecida como Priscila e em fuga, ela é forçada a voltar ao lar para se esconder. Seus mundos não poderiam ser mais distantes. Samuel não consegue aceitar Priscila, e ela não consegue perdoá-lo por eventos do passado. Mas acontecimentos dramáticos acabam obrigando os dois a se reaproximarem. Com eles, mergulhamos nas águas cristalinas do Mar do Caribe, mas também em uma bela história de relações familiares, diversidade, aceitação e amor.

A estreia do diretor e roteirista Edgar Alberto Deluque Jacome foi bem certeira, pois fez com que seu filme tivesse polêmica para ser discutida, mas também tivesse dinâmicas emocionais bem contextualizadas, e o melhor, sem precisar fazer algo de duas horas que inserisse mil personagens e acabasse virando uma novelona, ou seja, ele foi múltiplo no que desejava passar, mas de uma forma mais simples e coesa, de tal forma que seu filme não tem cenas que enroscam, não tem repetições, e se desenvolve bem facilmente na tela, que claro dava para impactar mais se alongasse talvez trabalhando um pouco do passado e do futuro da relação ali desenvolvida, mas não era necessário para a proposta, e o resultado funcionou bem dessa forma, ou seja, o famoso menos é mais que agrada.

Quanto das atuações, Roamir Pineda trouxe um ar meio que rancoroso demais para seu Samuel, entregando uma personalidade bem crua que retrata bem pessoas isoladas com uma vida simples de comunidades ribeirinhas, e esse estilão seco funcionou bem para o que o protagonista trabalhasse a essência do personagem e não desapontasse. Nathalia Rincón também trabalhou muitos trejeitos marcantes para que sua Priscila/Samuelito tivesse densidade e emoção na forma de trabalhar o sentido dramático da trama, se envolveu fácil com os demais personagens, e soube dosar o teor de olhares com uma dinâmica bem precisa para tudo. Os demais atores também foram bem selecionados para os papeis, mas como a tensão ficou maior somente entre os dois protagonistas, quase não tiveram dinâmicas para acertar, valendo leves destaques para o jovem Jesús Romero com seu Miguelito e Henry Barrios com seu Grimaldo.

Visualmente a locação acaba sendo bem marcante, com uma casa simples, inteira bagunçada, afinal são 15 anos que o pescador vive sozinho na ilha, tendo apenas os demais amigos pescadores que passam por ali, mas com a chegada da protagonista, ela coloca fotos, e monta o cantinho do velho de um jeito mais "charmoso", embora ainda bem rústico, não sendo um ambiente com muitos detalhes, mas que justamente dessa forma a equipe de arte conseguiu ser marcante e densa como a proposta pedia, além claro de belas cenas de mergulho.

Enfim, é um filme que tem uma pegada mais seca e direta, que vai trabalhar boas discussões do tema, e que mostra uma desenvoltura bem dramática por parte dos protagonistas, de modo que o filme tem um ar com muita presença na tela, que mesmo não sendo perfeito consegue agradar bastante com o que é mostrado, e sendo assim vale a indicação para que confiram o longa nos cinemas selecionados a partir do dia 18/07. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agradecendo o pessoal da Bretz Filmes e da Primeiro Plano pela cabine de imprensa, e volto mais tarde com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Como Vender a Lua (Fly Me To The Moon)

7/13/2024 01:53:00 AM |

Enquanto alguns filmes fazem tanta propaganda antes da estreia, passando o trailer em quase todas as sessões dos demais filmes, outros praticamente surgem do nada, ou quase do nada, e tinha visto apenas uma chamada de "Como Vender a Lua" no período que estava como assinante da AppleTV+ (aliás pros amantes de série é a melhor assinatura pela qualidade, e pela periodicidade quase que semanal de alguma coisa bem boa, e não estou ganhando um real pela indicação, mas para os amantes de filmes é um longa por mês e olha lá, então deixei para assinar somente quando algo bom surgir só lá mesmo!), e voltando ao filme, vi lá e achei uma tremenda de uma proposta sacana de vender uma teoria da conspiração gigantesca que é a do homem nunca ter pisado na lua, e claro da forma que os EUA "vendeu" bem essa ideia para os seus americanos como uma coisa mais bonita de ver do que a Guerra do Vietnã que estava bem pesada na época, mas como ia demorar a estreia por lá, nem liguei a data, até ver umas duas semanas atrás como um filme que iria estrear nos cinemas, ou seja, dona Apple já começando os trabalhos de indicações das premiações do próximo ano. Dito tudo isso, o filme pode angariar algumas nomeações de roteiro e atuação, e até mesmo algumas citações nas premiações mais técnicas, pois é bonitinho e tem um carisma e uma pegada interessante, porém falta força para chamar atenção realmente, sendo talvez daquelas tramas que acabam indicadas a Melhor Comédia no Globo de Ouro, pois até faz darmos algumas risadas com as sacadas da protagonista, mas é só mais um romancinho bem feito com pitadas cômicas, sem ir muito além disso.

A sinopse nos conta que faíscas voam em todas as direções enquanto a especialista em marketing Kelly Jones, contratada para consertar a imagem pública da NASA, causa estragos na já difícil tarefa do diretor de lançamento da Apollo 11, Cole Davis. Quando a Casa Branca considera a missão importante demais para falhar, Jones é instruída a encenar um falso pouso na Lua como um plano B, e a contagem regressiva começa. Enquanto os nervos estão à flor da pele, Jones e Davis enfrentam pressões intensas para garantir que a farsa seja convincente o suficiente para inspirar uma nação inteira. Com o tempo se esgotando e desafios técnicos surgindo, eles são forçados a reavaliar suas próprias convicções sobre ética e patriotismo, quando revelações surpreendentes ameaçam expor o plano audacioso. Em meio à tensão crescente, a dupla é confrontada com escolhas que podem mudar o curso da história e de suas próprias vidas para sempre.

O diretor Greg Berlanti pode agora dizer que agradou os dois lados, pois se antes tinha feito muito sucesso com uma trama homossexual envolvente e cheia de facetas, agora chegou com um romance tradicional com pegadas cômicas bem encaixadas, trabalhando um casal que tem química, e que funciona muito bem na tela, aonde a protagonista dá o show com suas mentiras (mostrando bem como são a maioria dos publicitários) e que brincando com o carisma dos personagens, juntando a ideia insana de que os EUA tinha realmente um plano B para caso a Apolo 11 não chegasse realmente na Lua, acabou usando o roteiro de forma brilhante, pois tudo se encaixa nessa alegoria, diverte com as ideias e assim funciona. Mas aí é que está o detalhe principal, o filme funciona como algo cômico, mas não daqueles que você vai rolar de rir, funciona como algo romântico, mas não daqueles que você vai ficar suspirando, sendo o básico dos dois mundos que acaba ficando engraçadinho, e claro gostoso de ver e curtir, mas que talvez você nem lembre muito daqui algum tempo dele, pois não foi além no que poderia, não sendo um erro do diretor, mas não sendo também um grande acerto que com poucos ajustes ficaria perfeito.

E já que falei do show da protagonista com suas mentiras, chega a ser até difícil imaginar Kelly Jones sem ser interpretada por Scarlett Johansson, pois ela entrega tanta personalidade, tanta desenvoltura em suas dinâmicas que acaba funcionando com trejeitos próprios e intenções marcantes, aonde cada ato seu agrada e funciona, fora o carisma que deixa na tela seja com o protagonista ou com os demais, sendo um grande acerto na tela. Da mesma forma, num primeiro momento Channing Tatum parece estar meio que sem jeito para o papel de Cole Davis, mas conforme vai se entregando mais consegue ser carismático e cheio de pegada para tudo que o filme precisava para funcionar, e o resultado acaba sendo bem gostoso de ver com o estilo mais sério, mas que acerta quando precisa aparecer. Agora o estilo que Woody Harrelson encontrou para seu Moe e Jim Rash para seu Lance foi algo fora dos padrões, de tal forma que eles nos divertem com sacadas tão bem colocadas, se entregando para os personagens de formas metódicas tão bem encaixadas que por bem pouco não roubam o filme para eles, e isso ao mesmo tempo que é bom para o ator é perigosíssimo para o filme, pois arranca o protagonismo dos principais. Já na turma de bons secundários, mas que não explodem tanto tivemos Ray Romano bem colocado com seu Henry e Anna Garcia com sua Ruby, mas sem grandes feitios na tela, apenas tendo atos bem encaixados com os protagonistas. E já estava esquecendo de citar o principal ator do filme, aquele que dá o show, que não é apenas um, mas sim três belos gatinhos chamados Hickory, Wilbur e Eclipse que brincaram aos montes no set.

Visualmente os filmes da Apple são fora da caixa, pois trabalham com um orçamento que quase nenhuma produtora dispõe a usar em filmes que não tenham a certeza absoluta de prêmios, e aqui vemos toda uma produção de época imponente, com todo o processo de construção de um foguete, todo o lançamento, a sala de controle com centenas de personagens, cenografias imensas, voos de avião, passeios guiados, fora todo o envolvimento em Cabo Canaveral com imprensa e muitos figurantes, tudo numa montagem única, isso sem falar em toda a criação secundária da lua para as filmagens do plano, com boas dimensões de como é fazer um filme, toda a produção do set, traquitanas para saltos, isso sendo bem trabalhado pelo diretor de arte da trama secundária pegando fotos e reproduzindo fielmente.

Enfim, é uma comédia romântica leve e gostosa de ver, que entretém bem, que tem uma ideia genial, mas que não chega nem no ápice de fazer rir bastante, nem de emocionar com algo bem bonito de ver, ficando naquele meio do caminho que até gostamos de ver, mas que ao sabermos o potencial que tinham com tudo acaba sendo simples demais para a entrega completa. Claro que vale a recomendação de conferida, muitos vão gostar bastante dos protagonistas e da história, mas não espere o melhor filme do mundo, pois não acontece aqui. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Twisters

7/12/2024 12:31:00 AM |

Realmente eu jurava que o filme "Twister" fosse mais novo, mas já se passaram 28 anos desde o original, o que teve esses tempos atrás (10 anos) foi "No Olho Do Tornado", que foi divertido, porém sem tensão, e confesso que o original mesmo não foi algo tão tenso, tendo mais a pegada realmente de caçadores de tempestade, então por quais motivos deveriam refazer ou dar continuidade para a trama, e mais do que isso, como chegaram no ouvido de Steven Spielberg e falaram que esse era um projeto que ele poderia assinar seu cheque e dormir tranquilo esperando o retorno lucrativo? A resposta vem bem fácil, pois "Twisters" tem a pegada country que os EUA tanto ama, tem muita destruição, tem bons atores da moda, mas conversa bem com o público em duas frentes: a dos que lucram com a destruição de um tornado e a dos que querem descobrir como destruir (domar) um tornado para amenizar a destruição de cidades do país, ou seja, o famoso ponto de discussão que sempre geram muitos burburinhos. Ou seja, o longa é divertido demais, tem boas cenas de impacto, causa uma certa tensão, mas entretém, e isso é o fator que faz valer ver nas maiores salas possíveis como Imax, XD ou MacroXE do país todo (conferi em Imax e não me decepcionei com todo o barulho e imponência dos bichões!).

O longa foca em uma dupla de caçadores de tempestade. Kate Cooper é uma ex-caçadora desses fenômenos, mas que acaba sendo atraída de volta às planícies por seu amigo Javi (Anthony Ramos), para testar um novo sistema experimental de rastreamento meteorológico. Nessa missão, ela cruza seu caminho com Tyler Owens, um ícone das redes sociais que compartilha suas aventuras de caça à tempestade. Conforme a temporada de tempestades se intensifica e acontecimentos aterrorizantes tomam conta, Kate e Tyler, que são concorrentes, se encontram em meio a uma situação nunca vista antes, colocando suas vidas em risco.

O mais engraçado de tudo é que o diretor Lee Isaac Chung não tem em seu currículo filmes der ação, muito pelo contrário, ele ficou bem conhecido por concorrer ao Oscar de direção e filme em 2020 com  o belíssimo "Minari - Em Busca da Felicidade", e aqui usou do estilo carismático para que a trama intensa não fosse só algo para os fãs malucos desse estilo de filme, mas criando emoções e desenvolturas para que os personagens tivessem carisma, as cenas fossem bem elaboradas, e claro também mostrasse facetas para discutirmos como disse no começo do texto, fora que se em Hollywood quase tudo é computação, ele optou por usar algumas imagens reais de caçadores de tornados verdadeiros, e assim conhecer um pouco mais desse mundo, das destruições e tudo mais. Ou seja, ainda é o tradicional filme-desastre que gostamos de ver com muita ação e destruição, porém com mais personalidade e envolvimento, de maneira que a trama consegue criar nuances de diversão na tela com uma boa pegada diferenciada de estilo.

Quanto das atuações Daisy Edgar-Jones se jogou demais na personalidade de sua Kate, de forma que chegamos a ficar com pena de tudo o que acontece com ela no começo, e claro o trauma que fica para voltar a entrar no clima das caças depois, mas passou bem o ar de garota inteligente e de postura, felizmente não se jogando fácil para o lado do galã, mas usando de boas jogadas para fazer o que precisava com ele, claro que muitos vão ficar esperando o desfecho do casal, mas isso vai ficar para uma sequência, pois aqui a jovem queria mesmo era acabar com os tornados. E falando do galã, meu teclado já quase digita sozinho o nome Glen Powell, afinal o cara está em quase todos os grandes lançamentos dos dois últimos anos, sendo seu terceiro filme só em 2024, e o estilo de seu Tyler combinou demais com a personalidade do ator, fazendo um papel mais descontraído, cheio de estilo, bem na pegada country como um vaqueiro laçador de tornados, tendo postura e imposição para começar como um perfeito galã pegador, mas se desenvolvendo mais no miolo para ter um lado mais focado com a sua parceira de cena. Ainda tivemos outros bons personagens, dando o devido destaque para Anthony Ramos com o seu Javi, completamente diferente de personalidade e estilo de seus últimos longas, mas trabalhando bem a dinâmica que o filme pedia, e sendo impactante quando precisou, e claro para Harry Hadden-Paton completamente desesperado no banco da caminhonetona como o repórter londrino Ben.

Visualmente a trama visitou muitas cidades do Oklahoma, trabalhando bem o estilo country, as cidades mais rurais com suas feiras e rodeios, muitas caminhonetes gigantes, vários aparatos tecnológicos para capturar dados dos tornados, e claro muita imposição cênica com um tornado maior que o outro, muito vento na cara dos protagonistas, tudo voando, explodindo e destruindo o máximo possível das cidades, em cenas bem marcantes na tela, além disso tivemos o celeiro da casa da mãe da protagonista aonde tinha sua maquete e os produtos químicos para tentar diminuir a força dos furacões, e ainda uma rápida cena no centro meteorológico de Nova York, ou seja, pacote completo de elementos para todos os gostos.

A trilha sonora veio recheada de country music da melhor qualidade, com boas dinâmicas para as corridas dos caçadores de furacões, e claro ajudar na tensão de alguns atos, e claro que deixo aqui o link para vocês curtirem o álbum do filme.

Enfim, mesmo tendo muita conversa científica, e alguns atos que tentam se levar a sério, é o famoso estilo de filme que temos de conferir sem ligar muito para o realismo, torcer para coisas gigantes voarem para todos os lados (preferencialmente em direção aos protagonistas para verem eles surtarem), e ver muita destruição na tela, e isso o longa cumpre com muito esmero, então vá conferir e se divirta, afinal a trama está bem legal de ver na maior tela possível, pois em casa com toda certeza o filme não trará o mesmo impacto. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Jornada de Srikanth (Sri) (Srikanth)

7/11/2024 12:25:00 AM |

Já falei algumas vezes aqui que costumo fugir de filmes indianos, pois histórias simples que poderiam ficar ainda mais bonitas se contada de forma direta, acabam enfeitando tanto, colocando canções aonde não necessitaria, e repetem alguns atos tantas vezes quase como num mantra para se fixar na cabeça dos espectadores, mas hoje vi a sinopse do longa da Netflix, "A Jornada de Srikanth", e resolvi dar o play para conferir, e embora tivesse tudo o que falei que não gosto em uma produção do país, o resultado acabou sendo interessante por ver como um jovem superou sua deficiência ajudado por sua professora e por um investidor que acabou virando um amigo, e se tornou um dos maiores empreendedores da Índia, porém na trama vemos um dos grandes defeitos dos empreendedores modernos que é se acharem deuses e raspar a trave de perderem seus amigos e muito mais, e a arrogância foi seu ponto máximo. Claro que a trama tem todo um elo fantasioso como as produções do país costumam trabalhar, mas dá para se tirar proveito e lições com muitos atos, além de em alguns momentos até emocionar um pouco, e assim sendo não é de todo incômodo ouvir algumas músicas a cada 10 minutos mais ou menos.

A sinopse nos conta que num mundo com todas as probabilidades contra ele, Srikanth desafia as normas, abrindo caminho desde a zona rural da Índia até se tornar o primeiro estudante com deficiência visual no MIT. À medida que ele constrói as Indústrias Bollant, seu sucesso traz desafios pelos quais ele não apenas perseguiria sonhos pessoais, mas também salvaguardaria um futuro compartilhado para pessoas como ele. Esta é a história do triunfo e do sacrifício de um empresário, ambos recebidos de braços abertos e com um sorriso.

Estaria mentindo se dissesse que conheço o estilo do diretor Tushar Hiranandani, pois como já falei fujo bastante da maioria dos longas indianos, e o que posso dizer é que aqui ele usou a base bem tradicional de inspiração, canções explicativas, motivação, mais canções, romance, mais canções e fechamento com as devidas quebras de barreiras, e isso não é algo ruim, mas incomoda por deixar uma trama de "homenagem" biográfica fantasiosa demais, o que certamente não ocorreria nas mãos de qualquer outro diretor do mundo inteiro. Ou seja, que a história de Srikanth Bolla é algo que certamente deveria ser contada para todos terem uma inspiração de superação e metas, isso é fato, mas dava para cortar fácil uns 40 minutos do filme, e ainda seria algo emocionante e bem feito, mas é o estilo do cinema deles, então com certeza muitos por lá devem ter adorado a produção, e assim o serviço do diretor funcionou.

Quanto das atuações, confesso que acreditei bastante que o ator Rajkummar Rao fosse cego realmente, pois trabalhou trejeitos e expressões de uma forma tão coerente que seu Srikanth ficou perfeito, e bem parecido com o verdadeiro empresário, mas o que mais me assustou ao pesquisar é a idade do ator fazendo um jovem em época de faculdade, pois até achei que fosse outro, mas não, ele foi muito bem maquiado para parecer mais jovem, e acertou no que fez na tela. Jyotica foi perfeita no lado emocional de sua Devika, trabalhando bem como grandes mestres fazem para que seus alunos mudem de vida, e aqui ela foi mais do que apenas uma professora, mas sim uma mãe adotiva para ele em muitos momentos, e a atriz trabalhou com uma serenidade emocional bem encaixada. E dentre os demais vale o destaque para os atos mais densos de Sharad Kelkar com seu Ravi, que foi um tremendo amigo do verdadeiro personagem, pois qualquer investidor com as palavras que escutou teria deixado o cara amargar o ego e ainda colocaria um processo em cima, e é nítido em algumas cenas que o ator até engoliu seco pensando como responder a altura e sair do texto, ou seja, foi bem no que fez.

Visualmente a equipe mostrou um pouco do interior da Índia, o sistema precário de estudo de algumas cidadelas, e um pouco de como era o sistema educacional não apenas de lá, pois em muitos países a maioria das escolas não está preparada para alunos com deficiência, vemos também uma escola adaptada para cegos, e a ida do jovem para o MIT (aonde usaram um drone para voar por tudo para mostrar o máximo do local), depois tivemos alguns atos da escola de computação que o jovem criou e suas fábricas de papel, além de premiações e passeios pelos EUA, tudo de forma bem representativa na tela, mostrando um pouco do mundo complexo dos deficientes visuais com suas bengalas, além de atos com presidentes e candidatos na época que o personagem achou que podia voar ainda mais. 

Enfim, é um filme que funciona dentro do que foi proposto, de homenagem e também de inspiração para jovens se superarem, mas que tem seus exageros e que mesmo não chegando a cansar dava para ser reduzido para algo mais fechado e envolvente. Claro que recomendo ele por ser uma boa história, mas sei que muitos também irão se incomodar com os excessos, então fica a dica para ver relevando os atos musicais (que felizmente não colocaram os protagonistas para cantar e dançar). E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Novembro: Paris Atacado (Ataque a Paris) (Novembre) (November)

7/09/2024 09:54:00 PM |

Costumo dizer que os melhores filmes de ação policial e de investigação são os que conseguem colocar junto toda a essência realista com dinâmicas rápidas e bem preparadas, aonde acabam envolvidos diversos setores das polícias (com siglas que nem sabemos o que significam nos países de origem, mas que lemos com grande tranquilidade) e o resultado acaba sendo impactante e bem trabalhado na tela. E um filme que já estava na minha lista há algum tempo é "Novembro - Paris Atacado", como pode ser encontrado na Amazon Prime Video, ou "Ataque a Paris", em algumas outras plataformas de locação, é bem esse estilão de filme, representando bem a essência real dos cinco dias que todas as unidades francesas estiveram atrás dos organizadores de um dos maiores atentados que a cidade já sofreu em 2015. Claro que tem muito exagero, tem situações explosivas que talvez nem tenha sido feita dessa forma, mas uma coisa é certa, o tempo de tela voa e você nem percebe que a trama já está acabando, pois tudo é bem dinâmico e intenso do começo ao fim, mostrando que os franceses também sabem entregar boas tramas do estilo na tela do cinema.

O longa nos mostra que equipes antiterrorismo rastreiam por cinco dias a célula terrorista que cometeu os ataques de 13 de novembro de 2015, em Paris. O longa acompanha a rotina e todas as tensões que vivenciadas no coração dos serviços antiterroristas franceses, durante a caça aos suspeitos dos ataques.

O diretor Cédric Jimenez soube usar o roteiro da melhor forma possível para que seu filme não ficasse apenas como um tradicional longa policial francês, que costumam exagerar em dramas cômicos ou então para força bruta desesperada, de forma que aqui ele colocou mais imposição na investigação completa junto com toda a essência de buscas, testemunhas, entrevistas e dinâmicas pelo país e fora dele, de modo que cada conexão levava a paradeiros diferentes até chegar a um bem provável, ou seja, a trama ousou trabalhar com todas as nuances do estilo envolvendo tanto o público quanto os diversos atores da produção, e foi bem assertiva em relação ao trabalho completo. Além de causar muito burburinho nos festivais que passou e claro na França toda, o diretor acabou sofrendo um pouco de retaliação da imprensa por a testemunha principal do longa usar um hijab, de forma que precisou colocar um comunicado ao final do longa de não ter nada a ver com a religião ou crença dela, mas ainda assim sabemos bem que os franceses estão em plena luta direta contra o EI, e não seria diferente no cinema.

Um ponto bem interessante da trama é que com toda certeza o orçamento do longa estourou com as contratações para o elenco, pois praticamente todos os atores da geração atual francesa está na tela em algum papel principal ou secundário, fazendo com que o nível de expressividade dos diálogos ficasse bem marcantes na tela. Jean Dujardin trabalhou com muita explosão para que seu Fred fosse imponente e cheio de imposições, de modo que grita, xinga, se expõe e acaba entregando força com nuances bem táticas e marcantes como um grande nome da polícia operacional deve ser, mostrando que ainda tem a pegada que tanto gostaram de ver nos longas que o premiaram. Anaïs Demoustier trouxe um lado sereno e curioso para sua Inès, se jogando na investigação de campo, mantendo bons laços com cada elo da trama, e principalmente sabendo emocionar em atitudes e desenvolturas que o papel pedia, ou seja, ao mesmo tempo que não pesou nos trejeitos de uma capitã, conseguiu ser forte para tudo que precisava. Lyna Koudri trabalhou sua Samia com muita densidade, mostrando algo forte de ver alguém testemunhar contra os principais foragidos do país, tendo três atos bem fortes de expressões, conseguindo manter todo o olhar cênico no que fez. Ainda tivemos Jérémie Renier bem encaixado com seu Marco, Sofian Khammes bem imponente com seu Foued, Cédric Kahn com um Martin bem pautado e claro Sandrine Kiberlain fazendo sua Héloïse cheia de conexões dentro do alto escalão com muita postura e trejeitos intensos que sabe fazer bem sempre.

Visualmente a trama tem atos bem explosivos, boas perseguições na multidão, muito desenvolvimento dentro dos vários departamentos investigativos, escutas, transcrições, e ligações vindo de todos os cantos, com o filme se passando além da capital francesa com atos na Bélgica, Grécia e Marrocos, tendo muitos policiais de impacto quebrando portas e invadindo locais, e um ato final com tantos tiros que acho que nem em filmes de guerra usaram tanta munição, ou seja, a equipe trabalhou com tudo o que podia e não podia dentro do orçamento, e conseguiu chamar atenção.

Enfim, era exatamente o estilo de filme que procurava ver hoje, e que nem sei o motivo de ter deixado ele tanto tempo na lista para conferir, pois já assisti vários outros longas que envolveram os acontecimentos do atentado, e todos foram bem interessantes, então faltava esse para completar bem a intensidade policial francesa, e claro lembrar que daqui alguns dias já vem a Olimpíada por lá, então  é sempre bom saber que estão prontos para tudo. Então fica a dica para a conferida, e eu fico por aqui hoje deixando meus abraços e até amanhã com mais dicas.


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Netflix - Goyo

7/09/2024 06:55:00 PM |

É interessante vermos inclusão no cinema, afinal temos muitas pessoas diferentes, e saber respeitar e conhecer mais como é o pensar de cada um deve ser prioridade para todos. Dito isso, vale a pena dar o play no longa argentino, "Goyo", que permeia a ideia da paixão de um jovem autista por uma mulher bem mais velha que ele que vai trabalhar no museu que ele também trabalha, ou seja, é um drama romântico que consegue mostrar que a idade não deve ser um problema, nem uma doença, pois cada um pode conhecer seus limites e amar o outro, e junto disso o longa também trabalha com a arte, com a formatação da musa inspiradora, e com todo o envolvimento que isso desperta num artista, valendo com certeza o play na trama, só tendo o aquém de ser alongado sem ser longo, tendo apenas 106 minutos, mas parecendo durar bem mais.

O longa é um drama romântico sobre um homem, que dá o nome ao título, com o transtorno do espectro autista, fã de Van Gogh e que trabalha como guia no Museu de Belas Artes da Cidade de Buenos Aires. Sua rotina estruturada é interrompida quando conhece Eva, a nova segurança do museu, e o amor e a ternura tomam conta dele. Ela é uma mulher que perdeu a fé no amor devido a uma crise no casamento, o que às vezes também a faz perder a fé em si mesma. O encontro inesperado entre Goyo e Eva os fará descobrir outra forma de amar e ser amado. Para Goyo, apenas o sentimento de amor e a ideia de se relacionar romanticamente com outra pessoa já se concretiza como um desafio e tanto. Os dois jovens explorarão os novos sentidos do amor e a aventura pelo autoconhecimento é garantida.

Diria que o diretor e roteirista Marcos Carnevale fez uma tremenda pesquisa para conseguir passar toda a sensibilidade do mundo autista para o protagonista, e claro também entender como a mente desses jovens funciona tanto para criar o ambiente extremamente protetor da irmã, quanto do mais despojado, porém ainda vinculado do irmão, além de conectar bem como seriam relacionamentos e o envolvimento artístico do jovem, de tal forma que não vemos um longa com cenas fora do comum, e isso é o que acaba encantando, pois faz as devidas nuances fluírem bem e tudo emocionar com a pegada determinante do longa. Claro que tem alguns exageros na condução, que talvez dessem para ser suprimidos, mas diria que a trama ficaria artificial demais, e não era essa a proposta, além de que o diretor não quis correr riscos de inventar muito em seu longa, de forma que se abstrairmos coisas que talvez um jovem autista não se jogasse por completo no que ele colocou para mostrar, o resultado acaba funcionando bastante.

Quanto das atuações, Nicolás Furtado foi mais do que perfeito na atuação de seu Goyo, pois não é autista, mas conseguiu trabalhar tão bem a personalidade e a forma de executar metodicamente tudo que brilhou demais na tela, chamando a responsabilidade cênica completamente para si, e indo bem além de tudo o que se podia esperar dele em cena, ou seja, se ainda não ganhou prêmios pelo personagem, com muita certeza irá ganhar. Nancy Dupláa conseguiu fazer com que sua Eva fosse bem simples expressivamente, mas que não ficasse forçada nos atos com o protagonista, de modo que acaba sendo até bem carismática suas cenas, agradando com sutileza e determinação. Outro que foi muito bem em cena foi Pablo Rago com seu Matute, que deu conexões perfeitas como um irmão deve fazer com o outro, tendo bons diálogos e um entrosamento preciso para que as cenas de ambos ficassem interessantes de ver na tela, ou seja, agradou demais no que fez. Ainda tivemos Soledad Villamil bem imponente com sua Saula, exagerando um pouco nos atos protetivos do irmão, mas precisa na forma de condução, e embora apareça pouco Cecilia Roth conseguiu chamar muita atenção com os atos de sua Magda, sendo uma mãe que não sabe lidar muito com o filho, mas que conseguiu se expressar com postura nas cenas mais importantes.

Visualmente o longa é riquíssimo de detalhes, afinal o protagonista trabalha no Museu de Belas Artes da Cidade de Buenos Aires que conta com um acervo incrível, e que o rapaz por ser metódico pela doença fala brilhantemente de cada quadro como se conhecesse pessoalmente todos os gostos do artista, isso além do quarto dele ser todo pintado com imagens de Van Gogh em um apartamento também bem luxuoso, afinal a família é bem abastada com uma pianista famosa e um chef badalado, ou seja, tudo bem cheio de nuances e detalhes, ainda contou com algumas cenas num clube aonde o rapaz faz suas aulas junto com outros jovens com deficiências, e claro a casa simples da protagonista em um bairro mais pobre, fora ainda duas cenas tensas de crise do jovem no metrô e numa rua movimentada, que foram bem impactantes.

Enfim, é um filme bem marcante, com ótimas atuações e um cenário meticulosamente bem trabalhado pela equipe para ser o mais simples e envolvente, que talvez pudesse ser mais dinâmico para que não parecesse tão alongado, mas que contando com boas nuances vai chamar atenção de quem for conferir, afinal como disse no começo é sempre bacana ver a inclusão dentro do cinema e das artes, e aqui essa obra permitiu bem isso. Então fica a dica de recomendação, e eu fico por aqui agora, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Os Impactados (Los Impactados) (Electrophilia)

7/09/2024 12:49:00 AM |

O pessoal costuma falar que o longa teve um final padrão Netflix quando acaba meio sem grandes expressividades ou meio que inconclusivo, principalmente por muitos filmes da empresa acabarem de uma forma não muito interessante, que se fossem feitos na época dos saudosos rolos de película falaríamos que acabou o último rolo da produção e resolveram encerrar do jeito que deu, mas no mundo moderno como com um cartão de memória dá para filmar por muitas horas, então é preguiça mesmo do roteirista e/ou do diretor em trabalhar um pouco melhor o resultado final. E qual o motivo de começar o texto do longa argentino, "Impactados", dessa forma? Simples, o filme trabalha bem um grupo de sobreviventes de descargas elétricas de raios, que passa a sentir prazer em tomar choques cada vez maiores junto da dor, desenvolvendo bem todo o encaixe deles como um grupo a parte de família, amigos e tudo mais, tendo uma conexão bem interessante entre a protagonista e o médico que a leva para esse mundo, porém é adicionado ao contexto da trama a relação familiar da jovem com sua mãe no passado (que você só vai descobrir nos atos finais que a jovem era a garotinha, e não uma relação dela com uma filha que talvez tenha morrido) e a mesma relação com a escolha do médico em separar suas relações ao final, sendo algo meio que jogado e estranho de ver, não fluindo bem e nem impactando, tendo muitos atos meio que jogados na tela, e assim sendo parecendo ser algo que apenas resolveram fechar por fechar.

A sinopse é ainda mais simples do que falei, contando que depois de ser atingida por um raio, uma mulher traumatizada se junta a um grupo de apoio a outros sobreviventes, embarcando em uma jornada arriscada de prazer e dor.

Se no seu filme anterior aplaudi muito a diretora e roteirista Lucía Puenzo, aqui acredito que ela se perdeu demais no vértice escolhido, pois em alguns momentos ela tentou ir por um lado mais real da produção, em outros jogou totalmente com a ficção, e ao final já não sabia mais o rumo que desejava entregar, de forma que a ideia em si acaba perdida, pois dava para trabalhar muito bem toda a essência dos grupos de apoio que acabam virando uma família e que por vezes até afasta a verdadeira família de uma pessoa, poderia trabalhar bastante com o lado do prazer em sentir dor ou choques, e até mesmo brincar secundariamente com o fator do relacionamento da garota com a mãe no passado, mas sem que isso virasse o ponto máximo da trama, que acabou ficando meio sem elo, ficou repetitivo sem dar conexões, e desandou todo o restante que acabamos não focando tanto. Ou seja, o erro foi na escolha do percurso e não na finalização estilo Netflix como falei no começo, pois a diretora tinha muitos vértices para trabalhar, e acabou escolhendo o "mais ruim" de assimilar, o que é uma pena, pois já mostrou outras vezes que sabe fazer muito bem um filme.

Quanto das atuações, diria que a jovem Mariana Di Girólamo foi bem intensa e conseguiu desenvolver trejeitos bem realistas de orgasmo e prazer pela dor do choque, criando olhares e sensações bem colocadas em sua personagem Ada, além de atos que misturaram também algumas emoções mais dramáticas que a atriz dominou bastante na tela. Germán Palacios também foi bem expressivo e com traquejos no tom da voz deu ares sensuais e bem marcantes para que seu Juan passasse bem mais do que apenas um médico de apoio, sabendo dominar o grupo com presença e claro fazer com que a protagonista grudasse seus olhares e muito mais nele. Quanto aos demais, tivemos bons diálogos com a personagem de Ofélia que Mariana Anghileri fez, e também diria que faltou presença para que Guillermo Pfening colocasse seu Jano para chamar atenção, de forma que ficou muito em segundo plano, mostrando um marido ausente demais para o que a personagem precisava.

Visualmente a trama escolheu ambientes interessantes, como uma casa cheia de aparatos elétricos para fazer a protagonista surtar em contraposição à casa simples do médico aonde ocorria os encontros com ambientes isentos de eletromagnetismo e outros aparatos para choques, também mostrou um ambiente moderno e interessante de produção de leite, que não incrementou muito para o filme, mas que deu a nuance da vaca que levou o raio também estar desejando a cerca elétrica e novos raios, mas sem grandes frutos para a produção em si. Quanto da maquiagem e dos efeitos dos raios, diria que a equipe foi bem coesa para que não ficasse tão falso na tela tanto as cicatrizes quanto as explosões.

Enfim, é um filme que dava para trabalhar bem mais com tudo, mas que se perdeu no miolo não tendo grandes atos marcantes, de tal forma que valeu para vermos uma produção interessante de maquiagem, mas que dava para ter ido além para que causasse um impacto realmente na tela, mas que acaba não sendo algo ruim de ver, então para quem estiver sem muitas opções vale o play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Sequestro do Papa (Rapito) ( Kidnapped: The Abduction of Edgardo Mortara)

7/07/2024 08:58:00 PM |

Gosto bastante de ver filmes baseados em casos reais, porém gosto mais dos que são desconhecidos da maioria, pois você não sabe os rumos da história, o que aconteceu e toda a situação envolvida na época, ao ponto que acaba sendo quase uma ficção em nossa mente se desenvolvendo, e quando vi o título do longa "O Sequestro do Papa" antes mesmo de ler algo ou ver o trailer dele, fiquei imaginando que maluco teria sequestrado o líder da Igreja Católica que desde os primórdios sempre teve uma guarda bem imponente? Porém, quando fui conferir um pouco mais da trama, vi que foi o contrário, de um garoto judeu que foi retirado da família por ter sido batizado cristão por alguém e a denúncia ter chegado à Roma, ou seja, um abuso das leis na época em que quem as ditava era a própria Igreja, e que acabou sendo julgado e tudo mais não dando ganho para a família. Diria que a essência do filme é bem imponente, sendo baseada em um livro que fez muito sucesso na Itália, e que conseguiram fazer uma produção gigante cheia de detalhes marcantes na tela, com atuações fortes e todo um resultado que vale a conferida na tela, mas que abusou de um estilo extremamente tenso na tela, que pela duração alongada para mostrar muitos detalhes, acaba cansando um pouco, mas nada que desabone o resultado final impactante pelas escolhas do diretor.

O longa é baseado na escandalosa história verídica de um menino judeu, Edgardo Mortara, que foi sequestrado da casa de sua família em Bolonha, em 1858, por ordem do Papa Pio IX. Durante anos os pais dedicam seus esforços para recuperar seu filho, mas, apesar dos apelos desesperados da família e da indignação pública, o Papa permanece irredutível. A história deles revela um capítulo sombrio da tirania histórica na Igreja tendo como pano de fundo uma nação à beira da revolução.

Diria que o diretor e roteirista Marco Bellocchio foi bem centrado no que desejava desenvolver na tela do livro de Daniele Scalise, pois conseguiu trabalhar uma trama de época que fala com o mundo moderno, aonde a religião e a política se envolvia e criava conflitos, e que até hoje ainda causa muitos problemas mundo afora, e ele trabalhou bem a personalidade de ambos os lados da história, de modo que mesmo que você fique de um lado da história conseguirá entender bem o outro e com isso ele acabou fazendo um filme com estilo e propriedade sem precisar ser apenas de acusação. Ou seja, é daquelas tramas que você não irá defender o Papa da época pelo que fez, mas também não irá tirar conclusões precipitadas em cima da forma como tudo ocorreu, sendo algo bem intenso e próprio, que dentro de um filme de ficção (que mesmo sendo baseado em algo real, também sempre aumenta um pouco para dar uma impressionada melhor) funciona bastante.

Quanto das atuações, diria que o grande nome do filme é sem dúvidas o garotinho Enea Sala, que conseguiu fazer trejeitos emocionais tão bem colocados que seu Edgardo acaba emocionando na simplicidade dos seus atos, desenvolvendo um carisma próprio, e que claro no meio dos dois mundos opostos fez por bem seguir o que lhe pediam para não sofrer tanto, e com esse jeito doce e bem trabalhado chamou a responsabilidade para si em diversos momentos, não falhando nem se escondendo. Paolo Pierobon trabalhou seu Papa Pio IX com um ar meio que despojado, do tipo que manda em tudo e todos, e não está nem aí para quem lhe julgue, que não sei se foi realmente dessa forma o papado dele, mas provavelmente o ator estudou um pouco para compor o estilo, e chamou atenção. Fausto Russo Alesi foi bem imponente nos atos que trabalhou seu Momolo, dando claro as nuances tradicionais de um pai aflito, e usando todas as forças para conseguir que o filho não fosse levado pelos policiais, mostrando trejeitos marcantes e bem intensos. Quanto aos demais, diria que vale destacar Filippo Timi com seu Cardeal Antonelli e Fabrizio Gifuni com seu Padre Feletti, pois ambos foram bem responsáveis nos atos determinantes do filme, mas como ficaram em segundo plano acabaram não fluindo tanto na tela, deixando claro o maior destaque entre os secundários para Barbara Ronchi como Marianna, a mãe do garoto, explodindo desesperada pelo filho em diversos atos, e tendo um final bem marcante para fechar a essência do longa.

Visualmente a produção foi bem trabalhada, mostrando cenários amplos e ricos, que com certeza demandaram um orçamento grandioso, com cenas em missas, na escola dos garotos, em casas antigas da Bolonha, cenas com figurinos marcantes do Papa, e claro todas as roupas tradicionais dos garotos sequestrados que viveram dentro do ambiente religioso para virarem futuros padres, tudo com muitos detalhes e símbolos de ambas as religiões, e claro a luta dos povos na cidade. Ou seja, a equipe precisou escolher bem as locações para parecer bem a época, e conseguiu chamar atenção com as escolhas.

Enfim, é um filme imponente e marcante de uma época, que poderia ter ido talvez ser mais curto e direto, mas que quis ser bem representativo de como ocorreram as situações, e com isso acabou se alongando um pouco demais, porém ainda assim vale a conferida para conhecer um pouco mais de um dos "crimes" que a Igreja cometeu no passado, e claro ver que sempre que religião e política se juntam, não dá certo. Então fica a dica para conferir ele a partir do dia 18 nos cinemas de todo o país, embora alguns já tenham visto ele na Festa do Cinema Italiano que teve em algumas cidades, e eu fico por aqui agradecendo mais uma vez o pessoal da Sinny Assessoria e da Pandora Filmes pela cabine de imprensa, então abraços e até amanhã com mais textos.


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Entrevista Com o Demônio (Late Night With The Devil)

7/07/2024 02:24:00 AM |

Já virou quase que um gênero a parte o terror de fitas encontradas com algum caso estranho de mortes, e com isso você já vai sabendo como tudo irá terminar, ou ao menos o mais próximo de um encerramento aonde tudo literalmente acaba por não ter mais ninguém gravando, e muitos desse estilo de longa conseguem causar certos arrepios com os atos tensos que acabam entregando, o que infelizmente não acontece com "Entrevista Com o Demônio", que pela forma trabalhada acaba mais divertindo como um grande entretenimento do que como um terror propriamente dito, pois vemos um programa que nunca consegue atingir o primeiro lugar no ibope, e quando está correndo o risco de sair da grade da emissora apela para um programa com casos estranhos de possessão e ocultismo, aonde como bem sabemos não costuma dar muito certo. Ou seja, o programa mostrado ficou bem trabalhado, teve efeitos práticos interessantes, mas a principal sacada foi usar de atuações convincentes na tela, pois como um bom programa deve ser na TV, ele tem de ter personagens, apresentadores e desenvolturas interessantes, principalmente quando se é ao vivo, e a pegada aqui ousou brincar com esse estilo e funcionou, tirando claro toda a pegada bem bizarra dos atos finais, com efeitos tão estranhos que você fica pensando se foi intencional ou apenas gostaram daquilo errado e deixaram na tela.

O longa nos conta a história do apresentador de um programa de televisão dos anos 70, Jack Delroy, que está tentando recuperar a audiência do seu programa, resultado da sua desmotivação com o trabalho após a trágica morte de sua esposa. Desesperado por recuperar o seu sucesso de volta, Jack planeja um especial de Halloween de 1977 prometendo e com esperanças de ser inesquecível. Mas, o que era para ser uma noite de diversão, transformou-se em um pesadelo ao vivo. O que ele não imaginava é que está prestes a desencadear forças malignas que ameaçam a sua vida e a de todos os envolvidos no programa, quando ele recebe em seu programa uma parapsicóloga para mostrar o seu mais recente livro que mostra a única jovem sobrevivente de um suicídio em massa dentro de uma igreja satã, Lilly D'Abo. A partir desse fato, o terror na vida de Jack Delroy foi instaurado.

Não conhecia o trabalho dos diretores Cameron e Colin Cairnes antes do que vi hoje, mas posso dizer só pelo resultado entregue aqui que eles tem atitude e estilo, afinal seu longa não ficou parecido com nenhum outro, além de ser bem recheado de desenvoltura, ao ponto que você pode esperar acontecer qualquer coisa na tela, e a brincadeira da hipnose foi bem marcante e interessante de ser trabalhada, pois desmistifica muitos elos tradicionais de programas do estilo. Ou seja, eles criaram um roteiro do zero, com uma pegada que por vezes pode até parecer algo que realmente aconteceu no passado, afinal muitos programas de entrevistas acabam apelando para ganhar a audiência, e com isso mostraram ao mundo sua capacidade criativa e cheia de nuances, o que facilmente vai fazer com que muitos fiquem de olho neles para ver o que mais irão fazer no futuro.

Quanto das atuações, David Dastmalchian certamente vai virar referência para todos os diretores que tiverem algum personagem de apresentador para trabalhar, pois o ator conseguiu ter olhares e desenvolturas tão bem colocadas para seu Jack Delroy, dando voz aos entrevistados, estando pronto para os devidos espaços comerciais, e sempre preparado para o que seu programa precisasse, tendo conexões boas com todos e sendo expressivo para cada momento, o que acabou funcionando bastante na tela. Ian Bliss também entregou atos bem interessantes com seu Carmichael Haig, sendo daqueles que vão nesses programas para desmistificar charlatões, e sempre entrando no meio das falas consegue ser irritante e preciso como o personagem deveria ser. Laura Gordon até trabalhou bem sua June, mas não foi imponente o suficiente para ficar marcante na tela, sendo daquelas entrevistadas que quando vão em um programa você torce para sair logo da tela, que mais cansa do que marca, já a garotinha Lilly interpretada por Ingrid Torelli brincou bastante com as facetas que sua personagem tinha para fazer, e entregou carisma além de trejeitos fortes quando o demônio a incorpora. Ainda tivemos outros bons personagens como o produtor do programa vivido por Josh Quong Tart e também o ajudante do apresentador que Rhys Auteri trabalhou meio que assustado, mas bem colocado nas cenas que aparece.

Visualmente a equipe quis deixar a trama com uma estética mais suja de ruídos, para aparentar bem algo encontrado perdido no tempo, que traz toda a pegada dos anos 70 com programas de auditório das madrugadas bem cheios de intervalos e dinâmicas ao vivo para que o filme fluísse, tendo bem poucos atos fora do ambiente do estúdio, com alguns atos nos bastidores, e um pouco do ritual da igreja satânica que usaram como base, ou seja, a equipe de arte usou poucos elementos cênicos, mas conseguiu representar bem a época e a desenvoltura do programa.

Enfim, é um filme que não desaponta quanto a proposta, mas que foi tão elogiado e falado demais que acabou criando muita expectativa no público, de modo que a sala do cinema estava bem cheia num horário teoricamente ruim, e ao final alguns foram embora não tão felizes com o resultado final, mas que quem for conferir sem esperar tanto é capaz de curtir a ideia. E assim deixo a recomendação de conferida, ficando por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Ninguém Sai Vivo Daqui

7/06/2024 07:19:00 PM |

Já vimos e ouvimos muitas histórias contando sobre pessoas que eram mandadas no passado para hospitais psiquiátricos, os famosos hospícios, sem ter nenhuma doença propriamente dita, apenas como eliminações de parentes por não seguirem as ordens dos patriarcas, ou até mesmo por saírem da linha, e claro que de lá nunca mais saiam, e raramente sequer uma visita recebiam, e baseado na trama do livro "Holocausto Brasileiro" conseguiram criar uma perspectiva bem densa e marcante no longa "Ninguém Sai Vivo Daqui", que estreia nos cinemas na próxima quinta 11/07, aonde vemos uma jovem que engravidou de alguém que o pai não queria que casasse, e que acaba jogada no Hospital Colônia, um dos piores de MG dos anos 70, e sua força de vontade para sobreviver e conseguir fugir dali. Como dito no começo do filme, as personagens são fictícias, mas as histórias colocadas no longa são reais, e o diretor soube aproveitar bem cada detalhe cênico para que seu filme tivesse presença e chamasse atenção, ainda mais usando uma fotografia em preto e branco belíssima, que efetivamente não seria necessária como já disse em outros filmes que usaram a técnica, mas que acabou dando um tom belíssimo e bem marcante na tela.

A sinopse nos conta que a jovem Elisa é internada a força pelo seu próprio pai no hospital psiquiátrico Colônia, um lugar onde aqueles que não se conformavam com as normas da sociedade, ou com a percepção que a sua família tinha dela, eram presos, torturados e mortos. O motivo que o pai de Elisa teve para interná-la foi por conta de ter ficado grávida de seu namorado por volta dos anos 70. O lugar é hostil e nada agradável, e após sofrer diversos abusos, Elisa, e outros colegas, que também foram internados injustamente, lutarão com toda a força que puderem pela sua liberdade, para fugirem daquele hospício infernal.

Diria que o diretor André Ristum soube usar bem o material do livro de Daniela Arbex para criar uma trama bem densa e marcante, que acabou virando série antes de ser reduzida para o formato de longa-metragem, pois aqui ele conseguiu fazer com que a ideia mais fechada entregasse uma forma mais presente da protagonista, fazendo com que o público se conectasse com a personagem Elisa e entendesse como foi jogada ali sem ter qualquer problema neurológico, desenhando o ambiente como algo ainda mais intenso para alguém normal, e mais do que isso, brincando mais rapidamente com cada um dos demais personagens apenas para ambientar tudo, o que não aconteceu na série que acabou tendo um episódio para cada personagem. Ou seja, ele conseguiu criar dois materiais diferentes ao ponto de que aqui no longa vemos mais a síntese de uma mulher normal que sofreu muito por não estar mais com o namorado, estar grávida e ali perder toda sua dignidade e muito mais, sobrevivendo e pensando em como não morrer ali, e ao trabalhar com planos-sequência bem amplos a trama acaba fluindo fácil e chamando atenção.

Quanto das atuações, Fernanda Marques soube segurar bem o protagonismo com sua Elisa, fazendo trejeitos fortes e intenções marcantes na tela, de modo que vemos realmente uma jovem meio que perdida sem saber o que fazer quando é colocada no trem e logo na sequência em sua entrada no hospital, mas que se desenvolve bem lá com as demais mulheres, e ao final já tem noção completa do seu desejo, o que mostra uma modelagem de personalidade bem trabalhada e interessante. O sobrenome de Augusto Madeira deveria ser Ator de Cinema, pois tem tantas obras em seu currículo que está na telona e na telinha quase que o ano inteiro, e o melhor é que não desaponta no que faz, sabendo segurar com imposição seus personagens por menores que sejam, e aqui seu Juraci é daqueles que você sabe que vai aprontar algo com a protagonista a qualquer momento, e consegue aparecer bem marcante nos atos que entrega, sendo daqueles ajudantes do hospital que nem podem ser chamados de enfermeiros, mas sim de brucutus prontos para abusar, ou seja, faz um personagem bem chamativo. Ainda tivemos bons atos de Rejane Faria com sua Wanda e Andreia Horta com sua Valeska, cada uma passando sentimentos diferentes nas cenas que trabalham, e também sendo marcantes na produção, mas quem acaba tendo um pouco mais de destaque nos atos finais é a enfermeira Laura que Naruna Costa consegue transparecer bem todo o sentimento de que não gosta das coisas erradas que acontecem naquele ambiente.

Embora eu não seja totalmente favorável à moda atual que muitos diretores andam escolhendo trabalhar com preto e branco sem que seja algo tão necessário para o filme, o resultado visualmente aqui foi uma das maiores sacadas que o diretor poderia ter escolhido, pois trouxe um aspecto de lugar morto para o ambiente, algo sem vida nenhuma, aonde todos andam igual zumbis, e os que tentam fugir do padrão acabam morrendo pelas mãos dos que estão ali para "ajudar", ou seja, conseguiram um hospital bem representativo, muitas cenas dos banhos com mangueiras de bombeiros, choques e tudo mais para desestabilizar os internos, e o resultado funciona bem com todos os pequenos, mas bem escolhidos elementos cênicos para cada personagem.

Enfim, é um filme denso e bem marcante que mostra que o diretor ainda segue sabendo escolher as obras para chamar toda a nuance para o seu estilo, e assim sendo acaba valendo a recomendação de conferida, principalmente pelo tema, já que muitos nem sabem dessa época estranha do nosso país, e que mesmo após a lei dos hospitais psiquiátricos ser promulgada, ainda tem alguns casos recorrentes atualmente. Então fica a dica para conferir ele nos cinemas a partir do dia 11/07, e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Sinny Assessoria e da Gullane pela cabine de imprensa, então abraços e até logo mais.


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