Notre Dame (Notre Dame)

11/24/2020 01:08:00 AM |

Tem uma coisa que sempre me intriga em algumas comédias, que é o fato do roteirista saber o momento exato de parar de forçar a barra, ou inventar mais coisas para pôr na trama, e com isso acertar em cheio a proposta de fazer rir e agradar, porém a maioria acha que o mote principal não vai dar assunto, então resolve começar a colocar um pouco de tudo, aí começa a desandar e desanimar sem rumo de voltar a funcionar. E foi exatamente o que ocorreu com a comédia "Notre Dame", que inicia já com algo fantasioso e exagerado de uma maquete voando, até aí vai, liberdade artística, depois começa várias bagunças na reforma que é escolhida, aí ok afinal é o mote da trama, e então começa a bagunça com o conflito amoroso com uma paixão antiga, uma gravidez e o pai dos filhos que não quer sair de casa e vive pelado passeando pela casa, mesmo depois de separado, ou seja vai aceitaríamos como um fechamento bagunçado e tudo mais, mas aí entra músicas nada a ver, danças com letreiros estilo filme-mudo, um atentado químico, um passeio de bicicleta a lá "ET - O Extraterrestre", ou seja, se perderam completamente do segundo ato em diante, sem saber como terminar a história, e pra ajudar toda essa bagunça acabou praticamente apagando toda a história da reforma. Ou seja, é daqueles filmes que até tem uma proposta, mas resolveram arremessar um pouco de tudo para ver se dava certo, e nem lembraram mais qual era a proposta realmente, ao ponto que chega a desanimar na metade, e olha que o filme tem apenas 90 minutos (mas que pareceram pelo menos umas 3 horas com o tanto de coisa mostrada!).
 
A sinopse nos conta que Maud Crayon, arquiteta e mãe de duas crianças, conquista – graças a um mal-entendido – o grande concurso promovido pela prefeitura de Paris para reformar o pátio diante da catedral de Notre-Dame... Às voltas com essa nova responsabilidade, ela se vê em meio a uma tempestade ao ter de lidar ao mesmo tempo com um antigo amor da juventude que reaparece de repente e com o pai de seus filhos, a quem não chega a abandonar completamente.

Se tem uma coisa que costumo reclamar e quem me acompanha sabe bem é a pessoa querer fazer todas as funções possíveis e imaginárias, pois em 90% dos casos dá errado, e aqui a diretora, roteirista e protagonista Valérie Donzelli até foi bem com sua personagem, porém bagunçou demais no roteiro e na direção, ao ponto que qualquer outro diretor teria eliminado uns 30-40% da trama, e reescrito pelo menos uns 20% das situações para que o filme ficasse preso dentro da história da reforma, do julgamento do processo de construção e até talvez trabalharia alguma coisa inusitada do romance com o jornalista, mas só, tirando todo o restante desnecessário e bagunçado demais, ao ponto que ficaria um filme direto, divertido e bem trabalhado. Ou seja, vemos um resultado tão absurdo que ela fez, que até esquecemos quase da bagunça do projeto de reforma, e isso é triste demais, pois daria muito mais conversa, o julgamento poderia ser uma bagunça maior e funcionaria, mas o restante colocado não coube de forma alguma na trama, mostrando algo que ela tentou forçar para fazer rir, e acabou soando mais bizarro do que engraçado, e assim sendo desandou e desanimou demais.

Sobre as atuações, diria que ao menos aqui a diretora Valérie Donzelli acertou a mão, fazendo com que sua Maud tivesse uma boa dinâmica, olhares confusos e desesperados com tudo, e principalmente uma boa sintonia com todos os personagens, ao ponto que dosou todas as loucuras, e os acertos caíram bem na sua interpretação. Pierre Deladonchamps até teve alguns bons momentos com seu Bacchus, trabalhando bem as emoções mostrando uma paixão aguda pela protagonista, e claro um bom destaque na cena do julgamento, mas foi mal aproveitado, pois poderia ter ido além em muitas cenas como jornalista, mas ficou apenas atrás das câmeras quase sendo um enfeite ali. Thomas Scimeca acabou sendo abusivo e exagerado demais com seu Martial, ao ponto que chega até incomodar suas cenas bobas, mas foi uma opção do filme, eu teria eliminado ele logo na primeira cena, e pronto partiu para a próxima. Quanto aos demais, ainda tivemos boas cenas com Bouli Lanners com seu Didier cheio de vontade de ajudar, mas que acabou sendo usado num subromance desnecessário para a trama, e Virginie Ledoyen acabou caindo de paraquedas com sua Coco, sendo a tia que acaba cuidando das crianças e também acabou sendo jogada no romance desnecessário com Didier, ou seja, personagens extras usados para enfeitar a trama.

Visualmente a trama teve bons momentos na prefeitura de Paris e na frente da catedral de Notre Dame, alguns atos bobos no apartamento da protagonista (aliás o momento do aluguel de quartos e venda de gnochi foi algo para apagar da mente de tão bizarro, embora bem produzido pela equipe de arte), várias cenas de desenvolvimento dentro de uma agência, que também não vai muito além, mesmo com quase todo o projeto rolando ali dentro, e claro várias cenas dentro de um tribunal e na sala bem bagunçada de uma advogada, que até aparentava fluir para algum rumo, mas não chegou muito longe, ou seja, deram uma trabalheira imensa para a equipe de arte, mas tirando o lance da maquete voando, o restante das cenografias foi algo bem inútil.

Enfim, é daqueles filmes que de tão bagunçados até acabam fazendo rir, e como digo, o resultado forçado até tenta algo a mais com o espectador que gosta de filmes non-sense, mas com toda sinceridade não tenho como recomendar o longa para ninguém por todas as falhas possíveis e imaginárias colocadas no segundo e terceiro atos da trama, pois se seguisse mesmo com muitas bobagens a ideia do primeiro, o resultado seria ainda estranho, mas bom de conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos do Festival Varilux, então abraços e até logo mais.


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O Capital No Século XXI (Capital in the Twenty-First Century)

11/23/2020 08:23:00 PM |

Sempre que falamos em acúmulos de riquezas e a forma de taxação de impostos, vem em mente tantas questões, tantas confusões, e principalmente a evasão de riquezas para paraísos fiscais para que ricos não mostrem sua lucratividade, porém isso anda fazendo com muitos de camadas inferiores não tenham acesso a serviços necessários que poderiam ser usados com essas melhores distribuições, ou seja, o documentário "O Capital no Século XXI" nos mostra através de vários depoimentos, exemplos com filmes e animações, além de muitos números, o que vem acontecendo ano a ano, século a século, de forma que cada dia mais aparece a formação tradicional de que os ricos cada vez ficam mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, pois a transmissão de riquezas através de heranças só vem sendo incrementadas, enquanto o capital social cada vez mais tem sumido. Ou seja, o longa até tem uma base social interessante, mas que usa o meio capitalista forte para mostrar toda a necessidade de movimentação, senão o risco de algo muito ruim está bem próximo para os próximos anos.

O longa adapta um dos livros mais inovadores e poderosos de nosso tempo, O Capital no Século 21, sendo uma jornada reveladora pela riqueza e poder, que quebra a suposição popular de que a acumulação de capital anda de mãos dadas com o progresso social, brilhando uma nova luz sobre o mundo ao nosso redor e suas crescentes desigualdades. Viajando no tempo, desde a Revolução Francesa e outras grandes mudanças globais, até as guerras mundiais e até a ascensão das novas tecnologias hoje, o filme reúne referências acessíveis da cultura pop, juntamente com entrevistas de alguns dos especialistas mais influentes do mundo, apresentando uma visão perspicaz e poderosa viagem através do passado e em nosso futuro.

Diria que o diretor Justin Pemberton até foi mais ousado do que existiu no livro de Thomas Piketty que usou para se basear e montar toda a trama, pois ele soube escolher bons economistas, influenciadores monetários e jornalistas para ir contando tudo o que rolou desde o início de uma era capitalista, mostrando toda a história ocorrida, e mais do que isso soube ser preciso nas exemplificações usando fies de diversas épocas, mostrando como aconteceram guerras, quebras de paradigmas, rompimento de bolsas, e claro ainda exemplos fortes de situações polêmicas que podem rolar, como acabou usando o longa "Elysium" para mostrar um apocalipse funcional possível. 

Ou seja, é um longa bem polemico, porém bem explicativo das ideias tanto do diretor quanto do escritor, que embasado em números, históricos e tudo mais até pode dizer que é uma pessoa pessimista para um futuro longe de algo social forte, mas que acaba sendo até bem coerente para as discussões que botou para jogo, e que quem quiser utilizar as bases até pode ir para diversos outros rumos. Claro que é um longa que não vai atrair muitos interessados, pois economia nunca foi o forte da maioria, mas serve de bom exemplo para cursos da área, para reflexões e até mesmo para um conhecimento mais avançado da ideia toda, ao ponto que o fechamento até flui bem com propostas e funcionalidades mais interessantes, porém o miolo acaba sendo muito histórico e levemente cansativo após um dia inteiro de trabalho.

Enfim, é uma trama com muita coisa sendo falada e mostrada, que até vai agradar alguns, enquanto outros sairão horrorizados, mas vale a dica com disse acima para uma reflexão maior, pois conteúdo a trama tem aos montes e é bem válida para todos. Bem é isso pessoal, eu fico por aqui por enquanto, mas volto em breve com mais textos do Varilux.


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Enquanto Estivermos Juntos (I Still Believe)

11/23/2020 01:28:00 AM |

Se tem algo que tem me animado muito em conferir longas religiosos ultimamente nos cinemas é que os diretores finalmente enxergaram que não precisam colocar o culto/igreja em foco para mostrar a fé e o poder de cura na essência de uma trama, e aliando isso a longas com boas canções, um bom ritmo, romances e tudo mais acabam criando histórias tão boas, algumas reais, que o resultado acaba sendo filmes de qualidade, envolventes, e que principalmente trazem muita emoção com a síntese passada. E na estreia da semana, "Enquanto Estivermos Juntos" vemos a história real do cantor cristão Jeremy Camp com uma pegada musical gostosa de ver, uma história bem trabalhada cheia de boas dinâmicas, e principalmente um romance envolvente e com um carisma tão bem colocado nos protagonistas (que inclusive possuíram uma química tão boa), que o resultado final não poderia ser outro senão o sorriso no rosto de alguns, e claro lágrimas em outros pela emoção passada, funcionando muito bem do começo ao fim, agradando demais por tudo, e diria até que quase sem erros. Ou seja, alguns até vão achar a trama teen demais, mas ela funciona tão bem passando a mensagem de acreditar tanto no amor da vida quanto no amor e poder de cura de Cristo, que tudo o que acabam errando é bem suprimido, e o resultado agrada demais.

O longa conta a história real de Jeremy Camp, famoso cantor de rock cristão e indicado ao Grammy. A obra deseja focar como a religião foi essencial para o artista superar dores de sua vida, principalmente quando sua esposa Melissa é vítima de câncer.

Os irmãos diretores Andrew e Jon Erwin são conhecidos por diversos outros longas religiosos, e tem acertado a mão nas adaptações de histórias dos cantores religiosos, e se em 2018 foram muito bem com "Eu Só Posso Imaginar" contando a história de Bart Millard vocalista da banda MercyMe, agora  adaptando aqui a história de Jeremy Camp foram bem coesos nas escolhas, souberam segurar bem o envolvimento religioso novamente sem ser apelativo, e principalmente passando muita emoção, pois o filme tem toda a pegada que necessita para envolver do começo ao fim, e conta uma bela história tocando o coração seja de alguém religioso, de alguém que acredita num amor de conto de fadas, ou até mesmo quem gosta apenas de um bom romance, sendo certeiros no estilo escolhido e não pecando por falta de boas músicas, ao ponto que colocaram até o ator para cantar e o acerto acabou sendo bem trabalhado, pois inicialmente acreditei até ser uma voz falsa, mas depois o jovem soltou melhor e mostrou uma boa capacidade para tudo. Ou seja, uma perfeita harmonia entre canções, romance, religião e claro boa história, que vai agradar quem for disposto a conferir.

Diria que a escolha do elenco foi muito precisa, pois todos conseguiram passar uma certa verdade nos olhares e sentimentos, além claro de boas expressões e químicas entre si para convencer o público do que estavam mostrando, e mesmo o jovem ator não parecendo nada com o verdadeiro Jeremy Camp, o acerto foi bem bom para claro chamar um público mais teen cativo do ator. Dito isso, K.J. Apa mostrou algo que quem confere séries sabe que ele tem potencial cantando também, e de início confesso que achei que tivesse alguém dublando ele nos momentos das canções, mas não, o ator botou o gogó para jogo e entregou muita personalidade com seu Jeremy, seja cantando ou envolvendo nos atos mais românticos, passando até um ar de fé bem grande nos atos que foram precisos, e que com uma boa expressividade chamou a responsabilidade para si, e acertou na medida para fazer o personagem. Britt Robertson também foi muito bem com sua Melissa, ao ponto que a atriz se mostrou segura nas expressões tanto de paixão quanto de dor, fazendo atos bem duros, cortando seu cabelão (apesar de ter ficado linda também com ele curtinho!), e que vem mostrando um crescimento tão forte nas últimas atuações que logo mais deve estar brilhando em papeis maiores, ou seja, a garotinha meio que jogada de "Tomorrowland" já ficou bem longe do que anda fazendo agora. Quanto aos demais, cada um se entregou pelo menos um pouco, dando conselhos, fazendo conexões para os protagonistas, e acertando bem nos encaixes, ao ponto que vale destacar Nathan Parsons com seu Jean-Luc cheio de facetas (que inclusive achei ser realmente o vocalista da banda The Kry por não conhecer a banda e o ator mandar muito bem no estilão) e claro Gary Sinise com os momentos mais próximos do filho com um ar bem envolvente bem colocado, dando um bom tom para seu Tom, já os outros praticamente não reconheci Shania Twain com sua Teri, pois está muito diferente, e também não chamou tanta atenção na trama, além de não ter sua música tradicional de casamento fora da cena do casório.

Visualmente o longa teve momentos bem marcantes, com cenas em estúdios de gravação, em dormitórios estudantis, em muitos shows, e claro em um hospital, ao ponto que em cada um dos locais a equipe de arte foi bem direta e trabalhou com elementos cênicos marcantes para que cada ato fosse preciso e envolvente, desde os violões do protagonista, até o diário da protagonista sempre junto dela, que depois acabam sendo bem importantes para o fechamento do filme, ou seja, tudo é bem utilizado, e que junto de uma equipe de fotografia precisa nas iluminações coerentes cheias de sombras e contraluzes incríveis deram o tom correto e emocionante para a produção.

Claro que sendo um filme musical, a trilha sonora foi marcante e emocionante, ao ponto que não conhecia as canções de Jeremy Camp, mas que gostei bastante do que ouvi, e claro que lendo as letras ainda mostram algo muito a mais para cada momento do filme, ou seja, vale muito a conferida, e deixo aqui o link para isso.

Enfim, é daqueles filmes que é difícil não se emocionar e se envolver com o que é mostrado, ao ponto que mesmo tendo leves falhas de propostas, como alguns exageros tradicionais do estilo religioso, e claro o famoso romance de conto de fadas de pessoas bonitas que se apaixonam loucamente no primeiro olhar, o resultado acaba empolgando bastante e valendo muito a recomendação para que todos que possuem alguma fé, ou até mesmo a quebra dela por algum motivo possa pensar um pouco mais com o que é mostrado, além claro de ser um bom romance também, então vale para quem não for conferir com algum propósito religioso. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais longas do Festival Varilux, então abraços e até logo mais.


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Apagar o Histórico (Effacer l'historique) (Delete History)

11/22/2020 08:30:00 PM |

Diria que a ideia do filme "Apagar o Histórico" até é bem válida, por mostrar o mundo maluco dependente que temos por celulares, nuvens, inteligências artificiais e tudo mais que a tecnologia nós oferece, e também nos atrapalha, porém acaba soando tão forçado com tudo, exagerando em situações bobas e abstratas que acabamos mais desanimando do que ficando felizes com o resultado final, além de ser alongado demais. Ou seja, é daqueles que possuem uma proposta razoável, mas que não atinge o propósito, e precisa forçar o riso para não ser esquecido, e assim sendo, mais desanda que funciona.

A sinopse nos conta que em uma cidade do interior da França, três vizinhos são vítimas das novas tecnologias e das redes sociais. Há Marie, que sofre de chantagem com uma sextape, Bertrand, cuja filha é assediada no colégio, e Christine, uma motorista particular, irritada porque não consegue boas notas dos seus clientes. Juntos, eles decidem entrar em guerra contra os gigantes da Internet!

Os diretores e roteiristas Benoît Delépine e Gustave Kervern até tentaram ir além mostrando três situações bem fortes que andam ocorrendo, como assédio, bullying e gastos abusivos, além claro da necessidade de uma boa classificação para vender seus serviços, porém eles quiseram fazer algo exagerado demais, que não chegam a empolgar, nem chega a atingir algo, de forma que a todo momento ficamos esperando um algo a mais, mas como não chega lá, o resultado acaba não fluindo. Ou seja, até temos um bom roteiro, mas talvez uns 20 minutos a menos, e uma dinâmica mais divertida sem precisar forçar agradasse bem mais, além talvez de personagens e atores mais carismáticos para envolver melhor o público.

E já que comecei a falar das atuações, temos uma Blanche Gardin exagerada demais com sua Marie, de modo que acaba parecendo que não encontrou direito a personalidade de mulher que quando bebe se perde no que faz, e precisará de meios para apagar as encrencas que se meteu, ou seja, a personagem até tem algo a mais para mostrar, mas a atriz não foi além e resultou em algo bobo demais de ver. Denis Podalydès trabalhou seu Bertand de uma forma tão bagunçada que acabamos não entendendo o que ele quis mostrar, se é daqueles que caem em todos os golpes telefônicos possíveis ou se é bobo mesmo, ao ponto que soa estranho seus atos, além de ter cenas ruins e desnecessárias demais, como por exemplo a do burrinho, ou seja, falhou também. Corinne Masiero até tentou chamar atenção com a problematização de sua Christine, que depende de qualificações melhores para ganhar mais corridas no seu carro estilo Uber, e seus atos ajudando os amigos acaba encaixando bem, e sua dramaticidade funciona, mas como seu papel é semi secundário, o resultado não vai muito além. Quanto aos demais, são apenas encaixes, e nem vale destacar praticamente nenhum, pois todos apenas acabam entrando nos demais personagens e o resultado é uma bagunça completa.

No conceito visual a trama tem boas cenas, porém todas bem exageradas, com os protagonistas tentando hackers para apagar seus vídeos comprometedores, tendo algumas locações bem interessantes no meio do campo, na sede do Google, em empregos alternativos, bares e tudo mais, de modo que o melhor momento fica a cargo de um "Deus" da informática que minera bitcoins no meio de uma torre de energia eólica. Ou seja, a equipe de arte foi bem em tentar mostrar tudo que os diretores desejavam passar, mas não tinham como melhorar muita coisa no texto.

Enfim temos um filme forçado demais que até passa bem a mensagem, porém que não vai ser todos que irão curtir tudo, e mesmo tendo alguns momentos divertidos, o exagero acaba saindo dos limites, além de que poderia ter pelo menos uns 20 minutos a menos para agradar mais, mas como não rolou, nem sei se consigo recomendar ele para alguém, mas fazer o que, quem gostar de longas mais abstratos pode até tentar a sorte. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos.


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Meu Primo (Mon Cousin) (My Cousin)

11/22/2020 01:59:00 AM |

Confesso que ao ver o pôster, a sinopse e até mesmo o nome do filme "Meu Primo", fiquei bem temeroso com o que iria conferir hoje, pois ao mesmo tempo que parecia um longa sério demais, tinha uma pitada de ideias malucas, porém tudo foi tão bem conduzido, com um ar cômico tão gostoso do começo ao fim que o resultado foi algo surpreendente, cheio de boas desenvolturas, com momentos emocionantes e engraçadíssimos, fazendo com que o filme fosse uma grata surpresa, e divertisse demais todo o público da sessão, valendo por mostrar o famoso lado de empresários e até funcionários de grandes empresas que esquecem de viver um pouco só focando em resultados, em contraponto ao lado familiar cativo e bem dosado que as vezes respirar demais pode parecer uma loucura, mas se atendo aos detalhes tudo na vida passa a funcionar melhor. Ou seja, é um filme muito gostoso, com uma proposta diferente da usual, aonde os protagonistas se doaram muito aos personagens, e o resultado foi preciso e agradável demais.

A sinopse nos conta que Pierre é o CEO de uma grande empresa familiar. Prestes a assinar o acordo do século, ele deve acertar uma última formalidade: a assinatura de seu primo Adrien, dono de 50% da empresa. Este doce e idealista sonhador desajeitado fica tão feliz em encontrar Pierre que quer passar um tempo com ele e adiar a assinatura. Pierre, portanto, não tem escolha e embarca com seu primo em uma viagem de negócios agitada e surpreendente.

É até interessante observar a proposta que o diretor e roteirista Jan Kounen quis passar, pois hoje cada vez mais olhamos para as pessoas líderes de grandes empresas como pessoas de sucesso, que podem fazer o que quiser em sua vida e que raramente param para pensar no seu passado, na sua família, na natureza ao redor e tudo mais, e aqui ele abriu essa ideologia para ter uma comparação com primos que eram muito conectados na infância, mas que se afastaram com o andar da vida, e que no momento que mais precisou do outro julgou a capa do livro sem analisar o conteúdo, ou seja, o diretor quis brincar com muitas lições entregando um filme divertidíssimo, com boas sacadas, e principalmente com ideias simples, pois acabamos rindo muito em pequenos detalhes desesperadores que o primo passa a analisar, e o filme flui bem rápido, tanto que nem parece ter a duração que tem, e assim sendo o diretor mostrou que conhecia bem do meio, sabia como fluir, e acertou do começo ao fim, coisa que é rara de ver em um filme que nem dá para classificar como comédia pela essência, mas que entrega bem mais comicidade que muitas grandiosas comédias classificadas assim, ou seja, perfeito no quesito direção e roteiro.

Sobre as atuações é incrível como Vincent Lindon sempre se encaixa bem nos papeis que faz, pois ele é um ator com um semblante bem seco e sério, e os diretores são espertos em colocar ele sempre fazendo personagens desse estilo, porém aqui com seu Pierre o vemos mais livre de personalidade, e mesmo que seu ar seja de um empresário arrogante e com ideias monetárias superiores às ideias pessoais e familiares, vemos ele disposto a se abrir, e assim sendo seus momentos brutos e secos acabam soando engraçados e funcionais para a trama, tendo uma química de contraponto perfeita com o outro personagem. E falando no outro, temos o sempre brilhante François Damiens com seu Adrien perfeito tanto na execução dos atos, quanto na essência interpretativa que o personagem precisava, de modo que seu carisma acaba sendo tão grande, que mesmo irritando o protagonista com seus atos acaba conquistando o público com as situações que entrega, sendo gracioso, ousado, e principalmente muito ligado à família e a natureza ao redor de tudo, ou seja, perfeito. Alix Poisson trouxe ótimas cenas com sua Diane completamente vidrada em serviço também, mas caindo como uma luva nas cenas mais intensas do longa, ao ponto que seu ápice (ou melhor o ápice dos três personagens) é a cena do avião e tudo mais que acaba ocorrendo na sequência, e a atriz foi precisa nos trejeitos e agradou bastante também. Quanto aos demais, a maioria foi apenas conexões para com o filme, não tendo nenhuma grande cena que chamasse a atenção, mas Pascale Arbillot ao menos foi bem expressiva com sua Olivia, mandando muito bem nos atos com seu violino.

Visualmente a trama entrega uma casa bem nobre, cheia de cômodos bem decorados, com muito simbolismo moderno, temos uma empresa enorme toda decorada em vidro, com um primor riquíssimo e muitos detalhes, que nem são tanto usados, e claro temos uma última locação num castelo de cultivo de uvas e vinhos bem rústico e clássico, com bons detalhes também, além claro das cenas nos carros, a cena mais cômica de todas dentro e fora do avião, além de uma noite em um hotel com uma boa cena em uma sauna, ou seja, muitos ambientes e muitas desenvolturas, que ainda contaram com algumas cenas em sonhos muito bem trabalhados e detalhados, e alguns momentos com jovens atores representando o passado dos protagonistas em uma praia, que ao final voltam adultos, ou seja, é quase um road-movie pelo excesso de locações, mas tudo muito bem usado e simbólico para cada momento, funcionando bastante e mostrando que a equipe de arte teve bom gosto para tudo.

Enfim, é um longa que se pararmos para analisar a fundo é bem simples, mas tem todo um requinte, tem uma comicidade perfeita sem ser apelativa, e momentos amplos para discussão e diversão, ou seja, é perfeito na medida certa, tendo uma duração cadenciada que passa voando, e só não dou a nota máxima para ele pelo motivo de exagerar em muitos momentos espalhados, ao ponto que o filme ficou rico de detalhes, mas a história de fundo quase passa despercebida. Ou seja, é daqueles longas que rimos demais, que vale tudo que é passado, e que claro recomendo para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos do Festival Varilux, então abraços e até logo mais.


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Minhas Férias Com Patrick (Antoinette Dans Les Cévennes) (My Donkey, My Lover & I)

11/21/2020 08:19:00 PM |

Geralmente filmes que envolvem caminhadas fluem por jornadas de autoconhecimento que comumente tem um início de pensamento, mas que acabam levando os protagonistas para outros rumos, e isso é sempre bacana de ver, de modo que se o diretor souber como conduzir bem o resultado agrada demais, e com "Minhas Férias com Patrick" tivemos um bom exemplar do estilo, pois casualmente aparentava que viraria uma comédia romântica boba, mas acabou fluindo para um road-movie bonito, de reflexão, e que com cenas bem engraçadas, por parte claro do jumento Patrick opinando na vida da protagonista, o resultado final acaba sendo bem agradável e gostoso de curtir.

A sinopse nos conta que Antoinette está esperando o verão há meses e a promessa de uma semana romântica com seu amante, Vladimir. Quando ele cancela as férias para ir passear nas Cévennes com a esposa e a filha, Antoinette não pensa muito: ela segue seus passos! Porém, em sua chegada, ela conhecerá Patrick, um burro atrapalhado que a acompanhará em sua jornada.

A diretora e roteirista Caroline Vignal foi bem esperta no desenvolvimento de sua trama, pois baseando no livro de Robert Louis Stevenson, aonde até um dos personagens nós conta a história real do livro, ela fugiu do casual e acabou entregando algo bem coerente de seguirmos, afinal ela colocou a história da protagonista como uma ambientação em cima de sua amizade com o jumento versus o clima romântico com o amante, e o melhor foi a forma de quebra do clima, pois acabamos sentindo toda a história formatada e também o desenvolvimento fluindo de maneira gostosa e prática, tendo um bom conflito, um bom envolvimento, e principalmente uma boa história.

Quanto das atuações, Laure Calamy trabalhou bem sua Antoinette, fazendo uma pessoa sutil, doce e claro desesperada com sua situação, e acaba brincando bem com a desenvoltura proposta pela trama, de forma que acaba acertando bastante e se entrega para todo tipo de momentos, sendo um bom acerto e que agrada bem no que fez. É até engraçado falar isso, mas praticamente todos os demais personagens acabam soando como encaixes, desde Benjamin Lavernhe com seu Vladimir que tem mais um desejo sexual pela protagonista do que um amor realmente, mas que faz mais caras bobas do que tudo, até os demais que apenas passam pela tela como Olivia Côte com sua Eléonore, Louise Vidal com sua Alice e já no final Jean-Pierre Martins com seu Shériff, mas nada que surpreenda.

Visualmente o longa é bem bonito, com locações incríveis numa região cheia de belos campos, com pousadas rústicas, mas bem colocadas dentro do que a trama pedia, brincando com todos os momentos, e claro dando todo o destaque para o super genioso jumento Patrick, que carregando as roupas da protagonista acaba agradando tanto pelas boas expressões, quanto pelas situações que foi colocado, ou seja, sai de ser um objeto do filme, mas sim o protagonista.

Enfim, é um filme simples, porém bem bonito de ver, e que até sendo curtinho (97 minutos) chega a dar uma leve cansada, mas nada que atrapalhe, valendo a conferida e a recomendação. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou para mais uma sessão do Festival Varilux, então abraços e até logo mais.


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Convenção das Bruxas (Roald Dahl's The Witches)

11/21/2020 02:35:00 AM |

Houve tanta polêmica em cima da refilmagem de "Convenção das Bruxas" que estava até com medo do que iria ver na telona hoje, mas posso dizer que entregaram um filme bobinho, bem infantil, cheio de situações de aventura dos ratinhos, e que infelizmente não passou em 3D devido a pandemia, pois é notável o tanto de cenas que tem coisas saindo da tela. Porém tirando esse detalhe é uma trama divertida, com situações leves bem feitas, efeitos interessantes, e sacadas bem montadas mostrando boas atuações das protagonistas, e claro dos ratinhos, ao ponto que certamente a criançada vai curtir conferir, mesmo levando alguns sustinhos de leve, mas nada que traumatize, mesmo mostrando as bruxas com corpos estranhos. Ou seja, não é uma obra de arte memorável, mas que vale pela diversão passada, e que não vou comparar com o antigo pelo simples fato de não lembrar realmente de quase nada, e assim sendo, vou seguir como sendo algo novo.

O longa conta a história sombria e divertida de um jovem órfão que, no final de 1967, vai morar com sua amada avó na cidade rural de Demópolis, no Alabama. Quando o menino e sua avó encontram algumas bruxas enganosamente glamorosas, mas completamente diabólicas, ela sabiamente o leva para um resort à beira-mar. Lamentavelmente, eles chegam exatamente ao mesmo tempo que a Grande Rainha Bruxa do mundo reuniu suas colegas camaradas de todo o mundo - disfarçadas - para realizar seus planos nefastos.

O estilo do diretor Robert Zemeckis é daqueles que sempre fantasia algo a mais do que você realmente está vendo na tela, e aqui o diretor permeou uma dinâmica bem trabalhada, cheia de cores e magia, que funciona dentro do que se propõe, que é contar a história do jovem garotinho desde quando perdeu os pais até quando virou um herói mundial, e ainda nesse miolo ele brinca com a ideia do luto, trabalha a questão de órfãos, e até impõe o drama de jovens que os pais nem ligam se os filhos estão presentes, ou seja, criando dinâmicas morais fortes, ele traz para seu filme algo que serve para algumas discussões, mas que deixando tudo isso bem em segundo plano ele pode ousar brincar com aventuras pelos dutos de ventilação, passeios pela cozinha do hotel e muitas outras cenas bem sacadas com os ratinhos, ao ponto que quase esquecemos que o filme é mais sobre as bruxas do que tudo. Ou seja, Zemeckis não quis tornar o longa tenso demais (aliás nem a ideia original é tensa!), e brincou com tudo o que tinha em mãos, criando até algumas situações que são passíveis de discutir como o caso das deformidades das bruxas, mas que é um exagero discutir isso como acabou acontecendo, então ignorem tudo o que apareceu nas redes, e vá curtir uma trama bobinha, infantil, mas gostosa de assistir.

Sobre as atuações, basicamente temos Anne Hathaway detonando com muita expressividade, com um sotaque incrível e com trejeitos brilhantes que aliados a computação gráfica para mostrar uma uma abertura de boca fora dos padrões acaba até assustando, mas mais do que assustar a atriz se entrega numa personificação brilhante de Grande Rainha Bruxa, ou seja, detonou como sempre. Octavia Spencer também se doou bastante como uma avó cheia de ginga que gosta muito de dançar e está sempre pronta para auxiliar o neto seja em sua forma humana triste pós-morte dos pais ou já como o ratinho aventureiro, ao ponto que seus trejeitos clássicos acabam funcionando na medida, e a atriz agrada como sempre. Stanley Tucci acaba fazendo alguns trejeitos e sendo levemente atrapalhado como o gerente do hotel, mas sem ter grandiosas cenas para chamar atenção acaba ficando meio que secundário demais, e assim não vemos tudo o que o ator costumeiramente entrega. Jahzir Bruno começou meio quieto demais, como um garoto tímido e triste, mas ao parar de atuar corporalmente e só emprestar sua voz para o ratinho herói, o resultado é uma desenvoltura perfeita, que junto de uma computação de primeira linha acabou dando bons movimentos e muita astúcia para o personagem, agradando demais em tudo, ou seja, um grande acerto, e claro que sua voz adulta incorporada por Chris Rock foi uma personificação e tanto funcionando demais. Da mesma forma os dois demais ratinhos foram bem desenvolvidos e cheios de bagunça, que junto das vozes de Codie-Lei Eastick e Kristin Chenoweth resultaram em cenas bem bacanas e com dinâmicas precisas para os momentos que necessitavam aparecer mais.

Visualmente o longa entra claro no conceito mágico, que dentro de um hotel recheado de ambientes muito bem decorados, mostrando um capricho imenso da equipe de arte, resultaram em bons momentos para que tudo acontecesse, além claro de muita computação gráfica para as aventuras dos ratinhos, vários momentos com boas profundidades e elementos vindo em nossa direção (mesmo sem os óculos 3D, ou seja, quem comprar depois o material em 3D certamente irá ficar bem satisfeito com tudo), e que com muitas cores e bons efeitos ainda entregaram cenas bem feitas e moldadas para funcionar para entreter a garotada, ou seja, vale pelo visual mostrado.

Enfim, é um longa bem bacana, que está bem longe de ser perfeito para todos, pois como disse no começo é algo bem leve e bobinho demais, que praticamente funciona como um bom passatempo, mas que dificilmente virará um clássico como seu antecessor (embora eu pessoalmente não lembre muito dele, mas sei que vi algumas vezes na TV). Ou seja, vale a conferida com a garotada, e recomendo com toda certeza para todos que gostem desse estilo mais infantil com algumas tentativas de susto, mas muito mais aventura que tudo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Sou Francês e Preto (Tout Simplement Noir)

11/20/2020 08:09:00 PM |

É engraçado como misturar documentário com uma ficção dramática-cômica acaba resultando em algo simbólico e bem trabalhado, que geralmente funciona bem para alguns temas, porém "Sou Francês e Preto" acaba soando um pouco forçado demais, e mesmo tendo uma causa como trama acaba ficando exagerado na mensagem. Ou seja, diria que é um longa que até diverte e agrada, mas poderiam ter feito algo menos exagerado para que o resultado não soasse apelativo e envolvesse mais.

A sinopse nos apresenta JP, um ator fracassado de 40 anos, que decide organizar a primeira grande marcha de protesto do movimento negro na França. Contudo, seus encontros com personalidades influentes desta comunidade – assim como o apoio e interesse que ele desperta em Fary – fazem com que oscile entre a tentação da fama superficial e um ativismo autenticamente militante.

Não sei bem aonde os diretores John Wax e Jean-Pascal Zadi (no caso o protagonista) queriam chegar, mas ao menos toda a ideia foi passada resultando em algo que até chega a parecer um documentário real, porém como diversas situações acabaram soando bobas e abstratas demais, acabamos não nós conectando tanto, ou seja, o filme não atinge tanto o objetivo, mas funciona como algum tipo de ativismo superficial. Ou seja, se assistir como algo falso até dá para dar algumas risadas e se surpreender com tudo, mas como um documentário em busca de consciência racial acaba não envolvendo como poderia, e o resultado se perde mais do que agrada.

Não conhecia Jean-Pascal Zadi, e não sei se realmente ele faz esses vídeos malucos de militância mostrados durante a trama, porém aqui coube bem a personalidade passada, e resultado funciona como um maluco ativista que quer aparecer bastante, ao ponto que diria que ele tenta ser o Borat negro, e isso incomoda como algo meio estranho de ver. Agora quanto aos demais vale o destaque para o comediante Fary, pois ele fez bem os momentos da trama como parceiro fiel de tudo, mas não vai muito além em nada, então apenas ajudou a dar ritmo e coerência para todos os atos, e aparentemente dá um papel para o protagonista em seu próximo filme que nem parece agradar tanto o jovem, mas ao menos fez algo a mais, e quanto o restante é melhor nem falar, pois acabamos vendo conexões estranhas, brigas absurdas, e até mesmo um Omar Sy dando lição de moral para cima do protagonista, ou seja, não desceu bem, e mesmo Caroline Anglade se fazendo como a esposa do protagonista Camille acaba soando falsa demais.

No contexto geral visual do longa acaba acontecendo várias situações bizarras, vários encontros e desencontros e entre conversas em escritórios, camarins, carros, festas e bares, tudo ficou sendo abstrato demais, parecendo que não tiveram uma preocupação em criar realmente, e divertir com alguma essência, ao ponto que acaba valendo mais as imagens engraçadas nos créditos colocando o protagonista em várias imagens importantes do que tudo o que foi mostrado durante o filme, ou seja, não diria que teve realmente uma equipe de arte envolvida, mas tentaram ao menos.

Enfim, é daqueles filmes que como um protesto de causa, principalmente hoje no dia da consciência negra pode ser até relevado, assistido e discutido, mas como cinema realmente amanhã já nem irei lembrar de ter visto ele, mesmo não sendo algo ruim. Ou seja, é algo bem mediano que até tem momentos bacanas e divertidos, mas é forçado demais, e como já disse outras vezes, se um filme força uma ideia para fazer rir ou causar, ele já começou fazendo algo errado, e sendo assim não o recomendo. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas vou conferir uma das estreias da semana, afinal o próximo do Varilux já conferi na quarta-feira, então abraços e até logo mais.


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Verão de 85 (Été 85) (Summer of 85)

11/20/2020 12:44:00 AM |

O Festival Varilux sem um filme de Fraçois Ozon não é Festival Varilux, pois como o diretor francês lança quase todo ano um filme, é claro que todo ano temos um bom exemplar dele para conferir no Festival, e posso falar que esse ano foi seu filme que mais me agradou (e a crítica em geral não gostou!) por trabalhar ainda um longa artístico, mas com uma cara comercial jovem, gostosa de conferir, e que não força a aceitação de nenhum título reflexivo, criando algo que mistura estilos de tantos filmes de sucesso que já vimos como "Me Chame Pelo Seu Nome", "As Vantagens de Ser Invisível", entre outros, mas que ao mesmo tempo não se parece com nenhum deles, sendo algo original e muito bem feito, que flui do começo ao fim, que não sendo contado de uma forma linear casual instiga o espectador a querer saber o desfecho, e que mesmo na metade já tendo descoberto praticamente o motivo de tudo, o resultado ainda surpreende positivamente fazendo com que nosso sorriso revele tudo. Ou seja, é daqueles filmes que merecem ser lembrados sempre que alguém pedir uma boa indicação.

A sinopse nos questiona o que você sonha quando tem 16 anos e está em um resort à beira-mar na Normandia na década de 1980? Um melhor amigo? Um pacto adolescente ao longo da vida? Sair em aventuras em um barco ou moto? Viver a vida a uma velocidade vertiginosa? Não. Você sonha com a morte. Porque você não pode dar um chute maior do que morrer. E é por isso que você o salva até o fim. As férias de verão estão apenas começando, e essa história relata como Alexis cresceu em si mesmo.

O diretor François Ozon costuma trabalhar mais com longas introspectivos, com nuances fortes e temas que geralmente causam certo estranhamento do público, e que na maioria das vezes ou amam ou odeiam o que ele entrega, e claro sempre com algum cunho sexual, mas que funciona dentro da proposta passada, e aqui adaptando um livro de Aidan Chambers, ele conseguiu criar algo tão bem feito, cheio de boas nuances, com um romance casual e normal de vermos, cheio de beleza no começo, mas lotado de ciúmes depois, e que fazendo uma ótima mistura de mistério, de romance policial, de autores de livros, e claro de romance de verão acabou entregando uma proposta dinâmica com bons momentos clássicos, mas ficando um filme menos cult do que usualmente ele faz. Ou seja, é claramente um filme de Ozon pelas mensagens e ideias que vemos a todo momento perpetuando a cabeça do protagonista, porém é tão mais leve e gostoso de conferir que confesso que só acreditei ser um longa dele pelos créditos.

Sobre as atuações, chega a parecer fácil tudo o que Félix Lefebvre faz com seu Alexis, pois o jovem se joga no personagem, faz caras doces e preocupadas com a mesma leveza, e se entrega para que os momentos sutis ficassem gostosos de ver, mas também que os mais duros e tensos soassem reais sem parecer forçados, ao ponto que seu carisma é bem encaixado, e facilmente veremos ele como em breve mais um dos galãs franceses, ou seja, foi muito bem dirigido e mostrou potencial para decolar. Já Benjamin Voisin trouxe para seu David todo um gingado clássico e sedutor, com olhares diretos, uma pegada mais preparada para cada momento sempre com um sorriso de lado, e trabalhando trejeitos e diálogos marcados acabou levando fácil o jovem para seu lado, mostrando personalidade tanto do ator, quanto do personagem, e assim sendo um bom acerto mesmo que em alguns atos pareça levemente forçado. Phillippine Velge até fez bem sua Kate, tendo alguns momentos importantes e bem colocados, mas a personagem é praticamente um símbolo apenas para a trama, ao ponto que no começo até imaginamos que vá levar para algum outro caminho, mas ocorre outro completamente diferente, ou seja, a jovem fez bons trejeitos, mas foi mais usada do que trabalhada realmente. E quanto aos demais, serviram realmente apenas para dar conexões e reflexões para os garotos, tendo leves destaques claro para Valerie Bruni Tedeschi como Madame Gorman, Melvin Poupaud com seu Lefèvre e Isabelle Nanty com sua Madame Robin.

Visualmente o longa entrega uma locação incrível numa das praias de Le Tréport na Normandia, com um visual completamente bem trabalhado para representar os anos 80, com figurinos, parques, casas, automóveis e tudo mais, e inclusive com uma fotografia meio que suja para parecer ter sido filmado também na época, ou seja, um trabalho conjunto da equipe de arte que arrumou walkmans clássicos para dar boa representatividade, com a equipe de fotografia que procurou colocar todas as nuances de cores bem marcantes resultando em sombras e momentos incríveis sejam na praia, na casa dos protagonistas, no parque, no necrotério ou no cemitério, funcionando sempre.

A trilha sonora do longa é repleta de sucessos dos anos 80, valendo demais a conferida e o melhor é que ambas as canções principais ("Inbetween Days" do The Cure e "Sailing" de Rod Stewart) encaixaram como uma luva na proposta da trama, ou seja, é ouvir e completar o longa, e claro que deixo aqui o link para conferirem todas as canções.

Enfim, é um longa que diria ser quase perfeito, pois talvez um pouco mais de emoção em alguns atos dramáticos para comover o público seria de bom grado também, mas nada que atrapalhe o resultado final, valendo demais a conferida, e que torço para que seja lançado comercialmente nos cinemas do país ou em alguma plataforma de streaming, pois no Festival Varilux ao menos por aqui só terá mais uma sessão e certamente com a pandemia não irá lotar, mas fica a dica para quem puder ver conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com muitos textos, então abraços e até logo mais.


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DNA (ADN)

11/19/2020 08:17:00 PM |

Diria que o longa "DNA" é praticamente uma viagem de autoconhecimento da diretora Maïwenn, pois ao juntar o luto de um ente querido com todo o conflito familiar, a personagem entra em crise com suas origens e acaba buscando meios de se entender também, indo fazer testes, buscar a cidadania argelina e até mesmo viajar para conhecer algo a mais, flutuando entre pensamentos e atos, ainda que esteja brigada com seus próprios pais. Ou seja, ao mesmo tempo que nos entrega um filme introspectivo, também somos transportados para algo belíssimo de ver e se envolver, ao ponto que inicialmente a trama parecia ir para outros rumos, mas conseguiu emocionar e finalizar muito bem com tudo.

A sinopse nos conta que é verão em Paris e a cidade está deserta. Neige visita regularmente seu amado avô argelino em sua casa de repouso. Foi Emir quem a criou e ofereceu proteção contra seus pais tóxicos. Ela está cercada por sua família extensa - irmãos, irmã, tia, mãe. As relações entre eles são difíceis, repletas de ressentimento e amargura. A morte de Emir aumentará as tensões familiares e desencadeará uma profunda crise de identidade para Neige.

A diretora, roteirista e protagonista do filme Maïwenn (está sempre nos Varilux seja como diretora ou atriz) trouxe algo muito forte para seu novo filme, criando algo que brinca quase com sua personalidade e flui para rumos que até poderiam ser duros para alguns, mas que sabendo dosar com pequenas piadas e transmitindo um sentimento doce e simples de ver acabamos entrando realmente no clima que ela desejou fazer, pois geralmente filmes que envolvem luto e crises familiares rumam para dramas fortes e cansativos, mas aqui ela soube trazer beleza, ritmo e muita coerência para que sua direção não atrapalhasse seus atos, e nem sua atuação fosse fora de uma direção impactante, fazendo assim uma beleza dupla rara de acontecer que envolve, agrada e funciona bem.

Sobre as atuações, volto a frisar que a diretora Maïwenn soube cadenciar muito bem sua Neige, ao ponto que acabamos vivenciando bem seus momentos e entrando quase em sua personalidade funcional, ou seja, acerta sendo simples, porém forte para convencer em tudo. Omar Marwan aparece pouco com seu Emir no começo da trama, mas foi tão bem representado que a todo momento sentimos sua presença na trama, sendo que o ator foi muito bem, e chamou atenção. Fanny Ardant trouxe imponência para sua Caroline, de modo que sentimos no ar todo o conflito com a filha, vemos os sentimentos da personagem, e principalmente na cena mais forte sentimos a tristeza que ela passou após ouvir o que ouviu, ou seja, perfeita também. Louis Garrel fez de seu François um personagem carismático ao mesmo ponto que direto nas opiniões, servindo bem para o propósito da trama, e claro do personagem, agradando demais. Quanto aos demais tenho de dar destaque claro para Marine Vacth com sua Lilah bem marcante nos momentos finais, sendo bem simbólica para os atos que participa, e também para Dylan Robert com seu Kevin totalmente ligado ao avô no começo, sendo gracioso e acertado perfeitamente para todos os atos que faz.

Visualmente a trama nos mostra um pouco da vida nas casas de repouso, os últimos momentos do avô com toda a família, a escolha dos objetos fúnebres numa funerária, todo o ritual de despedida e homenagens numa mesquita, e claro os processos burocráticos numa embaixada, além de cenas bem colocadas na casa da protagonista, e uma cena bizarra em meio a muitas cobras em um sonho, além de objetos cênicos marcantes como um teste de DNA a distância, mostrando que a equipe de arte trabalhou bem para fazer as locações e os momentos funcionarem bem.

Enfim, é um filme bem bonito, que não cansa em nada, e que mesmo tendo algumas leves falhas na essência geral acerta muito do começo ao fim, ao ponto que poderia ser menos reflexivo, mas isso não atrapalha em nada. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou para mais uma sessão do Festival Varilux de Cinema Francês, então abraços e até logo mais.


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A Boa Esposa (La Bonne Épouse) (How To Be a Good Wife)

11/18/2020 11:34:00 PM |

Diria que a proposta do filme "A Boa Esposa" é bem interessante por mostrar dois opostos completos dos conceitos de esposa antes e depois de 1968 (ao menos no longa colocam essa data sendo na França, mas em muitos países acabou demorando bem mais para mudar esses conceitos), com toda uma dinâmica bem trabalhada para mostrar a escola de atos comuns da vida doméstica para formar boas esposas e que usando de uma ideologia até bobinha acaba colocando em cheque situações corriqueiras que hoje pensamos de forma abusiva, mas que eram bem comuns anos atrás, porém o filme tem uma quebra no miolo que resulta em atos que divergem bem da essência colocada para a protagonista, ao ponto que muito do que acaba ocorrendo não bate, e não que isso seja ruim, mas apenas o choque da morte do marido e do encontro com um ex-namorado não seriam suficientes para tanto. Ou seja, o filme tem um conceito divertido gostoso de acompanhar, que faz rir em várias cenas, tem ares bobinhos e bem feitos em vários momentos, mas ficou parecendo que precisava mudar de vértice sem saber como, e apenas mudaram tudo, o que não é ruim, mas acaba sendo uma falha grande. 

A sinopse nos conta que Paulette Van Der Beck e seu marido dirigem a escola de limpeza de Bitche na Alsácia há muitos anos. Sua missão é treinar adolescentes para se tornarem donas de casa perfeitas no momento em que se espera que as mulheres sejam subservientes ao marido. Após a morte repentina de seu marido, Paulette descobre que a escola está à beira da falência e tem que assumir suas responsabilidades. Mas enquanto os preparativos estão em andamento para o melhor programa de TV da competição doméstica, ela e suas animadas alunas começam a questionar suas crenças enquanto os protestos de maio de 1968 em todo o país transformam a sociedade ao seu redor.

O diretor e roteirista Martin Provost trouxe boas dinâmicas para seu filme, mostrando um começo mais centrado trabalhando o cotidiano das garotas que ingressam na instituição para aprender a ser uma boa esposa subserviente ao marido geralmente enviada pelos pais que já possuíam pretendentes para elas, e claro que sendo obrigadas a fazer algo que não desejavam o resultado são brincadeiras e tudo mais rolando, de forma que esse primeiro ato além de apresentação acabou servindo de direcionamento para um rumo esperado pelo público, aonde talvez fosse mostrado mais quebras de conceitos pelas jovens e tudo mais, até que o diretor nos permeia com o segundo ato, da morte do diretor do instituto, e com a protagonista descobrindo suas dívidas, de forma que o longa acaba rumando para algo completamente diferente, com a protagonista descobrindo o amor real, e vários pequenos problemas rolando entre as garotas, além de surgir uma bizarra gravação de comercial de um campeonato, mas tudo parecendo morno demais de atitudes para com a história, até que o diretor resolve entrar no fechamento, aonde é colocado todo o baque dos protestos com uma notícia no rádio, e eis que o filme vira um musical bollywoodiano mostrando os novos conceitos de esposa, que ficou até que bem engraçado, e daria para seguir muito bem em cima disso, mas pronto, acaba. Ou seja, o diretor errou na divisão de tempos de sua trama, tendo um primeiro ato arrastadíssimo, um miolo rápido e desconectado de tudo, e um fechamento instantâneo que merecia um desenvolvimento melhor, e assim sendo o filme resulta em algo sem explosão, que cansa um pouco.

Quanto das atuações é fato que Juliette Binoche acaba se destacando totalmente com sua Paulette, pois a veterana atriz entrega com sua personagem exatamente o que o filme tenta passar na sua essência, ou seja, as três fases da mulher/esposa, e é notório como ela trabalha trejeitos bem marcados e diferenciados, ao ponto que chegamos a pensar até que houve uma mudança de atriz, e isso é acertar em cheio, pena que não foi muito além com sua última versão, pois ela iria bem longe. Yolande Moreau trouxe uma Gilberte bem fechada, praticamente cheia de dores, com uma vida regrada e sem explosões de carisma, sempre ensinando as garotas a cozinhar, e sem muito ânimo, porém sua virada é bem bonita e inteligente, cheia de postura e acaba agradando bastante, mas assim como aconteceu com Binoche, só teve uma cena para isso, então nem foi muito além. Noémie Lvovsky entregou uma Marie-Thérèse muito engraçada com suas paranoias, ao ponto que a personagem segura a maioria da responsabilidade cômica da trama sem precisar forçar, e com cenas até malucas demais funciona dentro da proposta. Quanto dos homens do filme, Fraçois Berléand teve alguns atos simples com seu Robert, até morrer no miolo sem quase ter aparecido muito, e Edouard Baer fez toda uma revolução na cabeça da protagonista com seu André charmoso e direto nas atitudes, mas também não foi muito além com trejeitos marcantes, acertando fazendo o simples ao menos. Quanto das garotas vale a pena destacar apenas Marie Zabukovec com sua Fuchs de mente mais aberta e cheia de namoricos escondidos, mas as demais foram bem também, porém sem chamar muita atenção.

No conceito visual a trama trabalhou de uma forma simbólica, mostrando bem a instituição principal, trabalhando para colocar os afazeres domésticos tradicionais de uma maneira bem encaixada, e com bons elementos cênicos tudo acaba funcionando, porém poderiam ter ido bem além em tudo para que o filme tivesse um conteúdo a mais, porém no conceito figurinos a precisão foi bem certeira, e assim sendo vale cada detalhe escolhido.

Enfim, o longa está longe de ser ruim, mas também teve uma dinâmica que não empolgou como poderia, afinal a história tinha muito potencial de trabalhar, mas que acabou não indo além para nenhum lugar, de forma que cansou na mesma proporção que divertiu, e assim sendo vale a conferida com uma boa quantidade de ressalvas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com vários outros textos do Festival Varilux de Cinema Francês, então abraços e até logo mais.


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O 3° Andar - Terror na Rua Malasaña (Malasaña 32) (32 Malasana Street)

11/17/2020 01:12:00 AM |

Gosto do terror que assusta, mas quer me irritar coloque um terror de gritos e barulhos altos, aí é desandar do começo ao fim, e só tendo uma história impressionante para deixar esse Coelho satisfeito com o que é mostrado. E infelizmente "O 3º Andar - Terror na Rua Malasaña" tentou colocar uma ideia de fechamento tão absurda e boba que desandou ainda mais com tudo, ao ponto de que o filme até assusta em alguns momentos, tem umas cenas intensas que dão uns arrepios bacanas, mas resolveram fechar com uma ideia tão absurda de uma família que isolou um filho, que nem que o espírito ali fosse revoltadíssimo ficaria na casa querendo algo, pois não tem lógica nem sintonia. Ou seja, é um filme de terror tradicional, que assusta na base do grito, que quem gosta da pegada até vai curtir, mas ignore a história, pois é revoltante a ideia toda.

A sinopse nos conta que Manolo e Candela se estabelecem no bairro Malasaña, em Madri, com seus três filhos e o avô Fermín. Eles deixam sua cidade natal para trás em busca da prosperidade que parece ser oferecida na capital de um país em plena transição. Mas há algo que a família Olmedo não sabe: no apartamento do 3º andar em que os integrantes vão morar, eles não estão sozinhos...

O diretor Albert Pintó até trabalhou bem o gênero de terror barulhento, aonde tudo faz barulhos para assustar, rangidos, aparecimentos repentinos, coisas quebrando e tudo mais, porém ele esqueceu que para um bom filme do estilo funcionar precisa que uma boa história convença o espectador, e a síntese contada no final sobre um jovem trans (na época nem se falava nisso) que desejava ter um filho, e o pai lhe trancava na casa e no relógio e que acabou morrendo sozinho ali é algo bizarro de se pensar e mais ainda de imaginar que alguém ficaria ali sozinho num casarão sem fugir, ou seja, sem nexo algum, e mais ainda que virou espírito da casa em busca de crianças das famílias, ou seja, praticamente não tinham o que inventar, e fizeram toda essa bizarrice para justificar. Porém tirando esse detalhe, quem gosta do estilo vai dar bons pulos, arrepios e sustos com o que é mostrado, pois o diretor abusou disso o tempo todo, então se imaginarmos que o longa não tem história nenhuma, e é apenas um espírito do mal que está ali atrás de crianças, o resultado ao menos funciona, pois ele fez bem os atos escuros, toda as loucuras cênicas do gênero, e por aí vai, sendo acertado de funcionalidades aterrorizadoras.

Sobre as atuações é fácil dizer que o elenco é fraquíssimo, ao ponto que todos até tentaram entregar alguns olhares apavorados no momento mais tenso da trama, mas na maioria dos momentos pareciam estar executando tudo como se nada tivesse acontecendo, de modo que Begoña Vargas até tentou trabalhar sua Amparo de uma maneira coerente, mas não pareceu acreditar em nada ali, e mesmo nos seus atos de desespero ela parecia estar gritando e rindo ao mesmo tempo, ou seja, fraca demais. O jovem Iván Renedo até trouxe um certo olhar temeroso para seu Rafael, de modo que logo depois que é reencontrado vemos seu medo estampado em muitas cenas, mas depois meio que desliga novamente, falhando no estilo. Sergio Castellanos merecia um pouco mais de desenvolvimento com seu Pepe, de modo que sua cena no porão parecia resultar em frutos, mas depois quase que esquecemos dela, e o personagem nem vai muito além, ou seja, esqueceram dele também. O avô vivido por José Luis de Madariaga teve cenas tensas interessantes de olhares vagos, mas fluiu pouco para tudo o que ocorre na trama, de modo que acabou quase mais sendo um objeto cênico da trama, do que realmente um bom personagem. Os pais vividos por Iván Marcos e Bea Segura pareciam ter uma história intensa para ser desenvolvida quando descobrimos seu caso de briga familiar, mas no restante apenas serviram de conexões para a trama toda, não fluindo em quase nada, mas assustando bem no momento forte do longa. Agora diria que Javier Botet como o tradicional monstro que faz em todos os filmes de terror, e Maria Ballesteros como Lola se entregaram bem nos movimentos corporais, mas foram pouco usados, ao ponto que Botet já virou praxe se contorcer todo, mas poderiam ter trabalhado um pouco mais ela.

Visualmente o apartamento é daqueles que vemos nos filmes de terror e ficamos seriamente pensando em que loucos morariam realmente num lugar desses pagando, ao ponto que o corretor tem de ser muito bom para vender um treco abandonado e com cara de ser assombrado logo que passa pela porta, e sendo assim, a equipe de arte mostrou muita poeira, objetos cênicos macabros e até uma história bem tensa na TV, de modo que ambientaram bem tudo, e o resultado ao menos chama a atenção por muita bagunça, locais escuros, um conceito de época interessante, e um funcionamento preciso ao menos nesse quesito.

Enfim, é um filme que quem gosta do estilo sustos gratuitos junto com cenas escuras e uma concepção cênica bem trabalhada até vai gostar do que verá, desde que releve uma história fraca e com um fechamento bem absurdo, mas quem for esperando uma boa história de terror certamente irá se decepcionar bastante com tudo, pois mesmo sendo baseado em algo que aconteceu realmente, acabaram abusando demais da inteligência do espectador, e assim sendo, como sou do segundo tipo que prefere pelo menos uma historinha boba funcional ao menos, não recomendo o longa, e fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais com mais textos.


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Netflix - Marshall: Igualdade e Justiça (Marshall)

11/15/2020 06:13:00 PM |

Sempre é interessante ver filmes de julgamentos, pois mostra como muitos usam (ou usavam) os argumentos certos para se defender ou acusar alguém de algo, e claro que ver os que trabalhavam na época da segregação racial por dinâmicas ainda piores é algo que chega a passar tantos sentimentos pela cabeça que dá nos nervos. Dito isso, usando de uma história real, a trama de "Marshall: Igualdade e Justiça" é enfática nas atitudes, nos mostra as duas versões do crime retratadas, mas mais do que isso, mostra que não é apenas um julgamento, mas sim todas as raças/credos em jogo, através do acontecido com o advogado judeu fora do tribunal, e ainda que sabendo argumentar bem, todos acabam ganhando suas causas mostrando a verdade por trás de tudo. Ou seja, é daqueles filmes que acabamos nos emocionando pela essência passada, mas que possuem tanto para acrescentar que apenas um filme acaba sendo pouco para mostrar tudo o que a figura que desejavam mostrar foi, pois Thurgood Marshall foi importantíssimo nas leis contra a segregação racial, e aqui apenas vemos um de seus grandes casos, inclusive que nem pode advogar realmente, ficando apenas como um grande apoio ao advogado de defesa Sam Friedman.

O longa nos mostra que antes de se tornar o primeiro juiz afrodescendente da Corte Suprema Americana, Thurgood Marshall deve lutar num caso pode definir sua carreira: defender Joseph Spell, um homem negro que está sendo acusado de atacar uma socialite branca em seu quarto, mas que jura não ser o culpado do crime.

Diria que o maior defeito do diretor Reginald Hudlin para com o filme foi dele ser praticamente um diretor de séries e acreditar que aqui ele poderia fazer a continuação do filme na semana seguinte, pois o filme tem tanta bagagem para ser executada que acaba ficando um pouco presa demais, ou seja, vemos uma das grandes histórias que envolveram o protagonista, mas que certamente foram decisivas para mostrar quem foi ele. Claro que o diretor não conseguiria condensar em um único filme toda a história de Marshall, mas ao menos um pouco mais de desenvoltura na vida pessoal, e claro na carreira subsequente ao julgamento de Bridgeport, seria bem visto e agradaria bastante. Ou seja, o diretor foi bem no que fez, trouxe um longa imponente, com grandes reviravoltas, um bom trabalho de cenas de julgamento, e claro dinâmicas fortes fora do tribunal, mas não atingiram nem metade do que ele fez, e isso pesou um pouco, não deixando o filme ruim, muito pelo contrário, é uma trama sensacional, mas faltou para empolgar como poderia.

Sobre as atuações é fato que aqui mesmo antes de Chadwick Boseman detonar em "Pantera Negra" e outros filmes mais atuais, ele aqui se entregou com muita personalidade para que seu Marshall fosse convincente o suficiente, que tivesse olhares e dinâmicas bem colocadas, que mostrasse sínteses precisas para com cada momento, e que principalmente entregasse uma boa dupla com o advogado principal do caso, ou seja, o ator se doou e foi preciso em cada decisão, agradando bastante, e ainda mostrando que caso o diretor quisesse poderia ter ido muito além com ele numa história mais completa. É até engraçado ver Josh Gad como um ator completo fazendo uma performance mais séria, cheia de trejeitos imponentes e com uma dinâmica mais coesa do que geralmente vemos em filmes com temáticas leves e cômicas, ao ponto que seu Sam Friedman é perfeito de estilo, tem a cara completa que o personagem precisa, e fez de seus diálogos algo tão bem feito, que acabamos acreditando muito na química entre os protagonistas, ou seja, agradou demais. Sterling K. Brown trabalhou seu Joseph Spell com muita força expressiva e deu para cada momento seu algo que chega a impressionar, pois o ator segurou do começo ao fim quase a mesma expressão no banco dos réus e nas cenas de reconstituição, mostrando alguém direto no mesmo sentimento, e isso é raro de ver, ao ponto que funcionou muito, e mostrou uma diretriz perfeita para o que foi pedido para ele fazer. Tanto Dan Stevens com seu promotor Wills quanto James Cromwell com seu juiz Foster entregaram atos fortes e bem feitos comumente vistos por personagens dessas castas, porém foram diretamente racistas em diversos momentos, ou seja, o filme também aponta isso como algo errado e direto, mas que poderiam ter feito expressões menos forçadas, mas não atrapalharam ao menos o andamento da trama, e até resultaram em atos fortes e bem feitos. E para finalizar, Kate Hudson até teve alguns momentos bem fortes e bem feitos nas reconstituições, e também na cena em que foi testemunha da acusação com sua Eleanor Strubing, mas certamente seus melhores olhares foram no encerramento do julgamento, pois ali sim deu para notar todo o problema que a personagem teria pela frente, ou seja, a atriz fez bem o seu papel, e agradou no que fez também.

Visualmente o longa teve uma boa representatividade cênica, montando um tribunal bem simples, porém cheio de dinâmicas bem contundentes, várias cenas no escritório dos advogados, e claro mostrando muito da segregação e dos atos racistas nas ruas das cidades, ao ponto que o filme acaba sendo bem triste nesse sentido, mas mostrando bem a luta dos protagonistas, além claro de boas cenas de reconstituição, filmadas com profundidade e intensidade para mostrar as duas versões, ou seja, a equipe de arte nem sofreu muito para desenvolver tudo, mas o diretor soube usar com primor todos os momentos possíveis e encontrar bons ângulos para que tudo valesse bem a penas.

O longa teve a canção "Stand Up For Something" interpretada por Diane Warren e Common indicada ao Oscar no ano, e além de bem executada tem uma letra bem simbólica em cima das lutas sociais, mas como é uma canção de fechamento, não diria que ela foi imponente o suficiente para marcar o filme, mas sim um peso a mais na trama apenas.

Enfim, infelizmente o longa acabou não sendo lançado aqui no interior na época em que concorreu ao Oscar, sendo lançado digitalmente em algumas plataformas de locação, e agora chegando na Netflix para quem quiser conferir, e recomendo muito, pois mesmo não mostrando tudo o que foi Thurgood Marshall, o julgamento aqui mostrado foi muito usado em outras defesas no país, e a dinâmica toda é bem boa de vivenciar, valendo as duas horas de exibição. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Possessão - O Último Estágio (The Assent)

11/15/2020 12:52:00 AM |

Sei que muitos são contra os famosos filmes de terror com sustos, mas temos que ser coerentes que eles nos pegam de relance e fazem os pelos do corpo todo arrepiar em alguns atos, e dessa forma acabam funcionando até mais do que alguns longas que tentam apenas passar uma ideia aterrorizadora. Dito isso, o lançamento da semana, "Possessão - O Último Estágio", trabalha bem várias cenas de sustos que impressionam e arrepiam todo o corpo, e ainda consegue entregar uma história até que envolvente sobre exorcismos e demônios, ao ponto que somos apresentados mais uma vez sobre os estágios de uma possessão, e o mais interessante é você realmente prestar atenção em tudo para não ser surpreendido no final, pois tudo o que ocorre nas últimas cenas foram bem explicadas no começo. Ou seja, é um filme teoricamente simples, com imagens meio que estranhas demais, efeitos embaralhados estranhos, e que certamente quem conferir em casa vai entender é nada com uma imagem pequena, e que principalmente vai deixar muitos irritados com o fechamento, afinal a maioria estava esperando um algo a mais, e não ocorre, mesmo o longa sendo bem tenso.

A sinopse nos conta que quando Joel se vê sozinho e precisa cuidar de seu filho de 8 anos, coisas estranhas começam a acontecer. O pequeno vive assustado e, para garantir que não há nada de monstruoso pela casa, Joel dá uma máquina fotográfica para o menino, assim, sempre que tivesse medo, a foto captaria o que há de verdade nos cômodos. Apesar de ser cético, as coisas começam a ficar estranhas e dois padres entram em cena. É uma corrida contra o tempo para a alma de um garotinho que culmina com uma revelação sombria e chocante que vai te deixar questionando a profundidade do diabo dentro de todos nós.

Diria que o diretor Pearry Reginald Teo é daqueles que se algum dia fizer qualquer filme sem ser um terror é capaz de todos ficarem com mais medo de ver do que qualquer filme seu de terror, pois a lista de filmes tensos e fortes é bem grande que escreveu e dirigiu, ou seja, tem conhecimento para saber onde assustar e pegar o espectador desprevenido, e aqui ele foi bem sagaz em nos explicitar exatamente no começo o que iria mostrar (o que a maioria não irá prestar atenção, e depois irá reclamar que não entendeu), pois ele nos dá os estágios da possessão, mostra os diversos demônios passeando ao redor de tudo, e brinca com nossa mente na ideia completa da trama para confundir realmente, e claro insere cenas tradicionais de vômitos, de tensões e tudo mais, ao ponto que podemos até falar que o final não fecha o furo do miolo, mas se voltarmos para o começo tudo faz um pouco mais de sentido, e mostra que o diretor foi muito bem no que fez. Claro que o filme brinca com muitos clichês do gênero, e apela bastante, mas o estilo pede um pouco disso para arrepiar realmente, e sendo assim o filme vai funcionar para quem gosta, pois não vá esperando que o diretor entregará uma trama envolvente demais, pois não é essa a proposta, e sendo assim, o filme agrada bem.

Sobre as atuações, diria que faltou Robert Kazinsky se soltar mais para seu Joel, de modo que tem horas acredita no que está rolando, em outras parece meio perdido, e praticamente em todas as cenas ele faz expressões estranhas demais para com seus atos, ao ponto que muita coisa acaba nem fazendo tanto sentido, ou seja, poderia ter ido mais além. Quanto dos dois padres, ficaram exagerados e jogados demais dentro da proposta do filme, parecendo ser até uma continuação de algo com o que fazem em cena, de modo que tanto Peter Jason com seu Lambert, quanto Douglas Spain com seu Michael acabaram fazendo até algumas cenas bem intensas, mas não foram além com o que deveriam ter feito. O garotinho Caden Dragomer até fez algumas cenas bem bacanas, trabalhou bem suas cenas de exorcismo com olhos virando e trejeitos fortes, de forma que seu Mason acaba saindo bem bacana de ver. Agora quem surpreendeu bem foi Florence Faivre com sua Maya, ao ponto que se mostrou bem imponente nos atos, chamou bastante atenção para as cenas finais, e conseguiu surpreender com alguns trejeitos fortes, mas talvez pudesse ser mais forte em alguns atos para agradar mais.

No conceito visual da trama, como é de praxe em longas de terror, temos muitas cenas escuras, uma casa com elementos cênicos bizarros e macabros, ao ponto que depois até vamos entender tudo no final, mas durante todo o longa chega a ser estranho ver tudo ali, e usaram em exagero imagens com efeitos de cores e luzes sobrepostas, meio como fantasmas surgindo do nada na mente do protagonista, e isso não foi algo que tenha agradado ver, mas de certa forma a equipe de arte foi bem no que propuseram, e o resultado agrada bem.

Enfim, é um bom longa de terror, mas tem defeitinhos demais espalhados por toda a trama, tampando alguns furos para conseguir explicar tudo no final, e explorando demais a imaginação dos espectadores, ao ponto que um final mais intenso acabaria agradando mais. Ou seja, não é um filme ruim, mas certamente poderia ter sido muito melhor com a proposta que tinham para mostrar, e sendo assim recomendo ele apenas para quem gosta de terror com sustos, pois os demais só irão reclamar de tudo. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Rosa e Momo (La Vita Davanti a Sé) (The Life Ahead)

11/14/2020 06:34:00 PM |

Alguns filmes conseguem passar tão bem a essência de uma amizade improvável que ficamos tão conectados ao ponto de se emocionar com tudo, sabendo encontrar detalhes nas emoções dos personagens, nas sínteses que tentam nos passar, e claro na formatação que acabam dando para as histórias, de forma que é raro esse estilo falhar em algo, pois trabalhando envolvimento e sabendo dosar todos os atos, o resultado surge e sempre agrada. Dito isso, o longa italiano que estreou na Netflix, "Rosa e Momo", tem certas particularidades que podem chamar atenção até dos eleitores italianos para indicar o filme aos prêmios internacionais, e talvez até algo a mais como canção original por exemplo, afinal ele vem com uma história bonita, entrega atos de segregação no miolo, bota claro os traumas de guerra, e ainda conta com uma grande estrela do cinema atuando com 86 anos no longa de seu filho, ou seja, tem tudo para agradar quem gosta do estilo, emocionando muito e envolvendo do começo ao fim, quando entra nos créditos com a música perfeita de Laura Pausini.

A sinopse nos conta que em uma cidade italiana à beira-mar, Madame Rosa, uma sobrevivente do Holocausto, mantém uma creche em sua casa. Um dia, ela acolhe Momo, um menino de rua que a assaltou. Os dois agora formarão uma família pouco convencional.

O diretor Edoardo Ponti, soube dominar cada momento da trama, pois facilmente ele poderia ir para um lado mais forte mexendo com os problemas das drogas e de quem acaba trabalhando para o tráfico, mas optou em deixar esse problema apenas no subconsciente do garoto, trabalhando mais o ato da doença, da solidão pós-morte, e claro da saudade/separações, de modo que ainda incluiu um pouco de traumas e a falta de um carinho junto de um vínculo de amizade muito bonito de ver. Ou seja, usando de base o livro de Romain Gary conseguiram criar um roteiro com pitadas duras que são aliviadas por ótimas atuações, e junto de uma direção precisa souberam fazer os sentimentos virem à tona com simplicidade e beleza, ao ponto que o filme acaba criando um carisma maior do que até era proposto, fazendo com que o filme fluísse bem, e acertasse na medida cada detalhe, mesmo que ainda assim não fosse uma obra prima emocional, pois certamente o diretor poderia ter dado ainda mais socos no estômago do público para o filme fazer lavar realmente tudo.

Sobre as atuações, o diretor teve a honra de ter sua mãe novamente em uma produção sua, e que mesmo já com uma idade bem avançada, Sophia Loren acaba chamando tanta atenção com sua Rosa, sendo imponente em cada um dos atos, trabalhando expressões fortes e emocionando em tudo o que faz, sendo perfeita em tudo. Da mesma maneira, o garotinho Ibrahima Gueye trouxe uma força expressiva bem marcante para seu Momo, dominando a rebeldia sem ficar apelativo, criando atos diretos para seu protagonismo, e acertando muito cada momento sem ficar parecendo um adulto jogado, criando o carisma infantil, mas soando direto no que precisava. Quanto aos demais, foram colocados para dar conexão aos momentos, mas entregaram tão bem que vale destacar Abril Zamora com sua Lola, e claro Babak Karimi com seu Hamil, que trabalharam o lado mais sentimental da trama junto com os protagonistas, e até mesmo Renato Carpentieri soube trazer uma segurança visual bem bacana como Dr. Cohen, ou seja, todos foram bem no que precisavam para que o filme funcionasse e fosse muito bem atuado.

No conceito visual a trama foi muito bem sacada em todos os atos, mostrando desde uma casa simples aonde a protagonista cuida dos filhos das prostitutas para ganhar um dinheiro e ainda ajudar as moças enquanto estão trabalhando, com algo simples e bem encontrado, cai para seu abrigo no subsolo do prédio como uma segurança pós-traumática do Holocausto com uma síntese belíssima de elementos cênicos bem trabalhados, nos mostra também a variedade cultural de outros países com a lojinha de Hamil com seus tapetes simbólicos e livros, até chegar ao submundo das drogas na orla com seus luxos e tudo mais, ou seja, é um filme amplo visualmente que funciona bastante, e ainda agrada com bons simbolismos de cuidado, no caso os atos com a leoa bonita e interessante de ver e sentir.

Tanto no trailer, quanto no fechamento do filme durante os créditos entrou a música original que resume completamente o filme todo pela letra da composição, e que brilhantemente colocada na voz de Laura Pausini resulta num envolvimento incrível que funciona demais para arrematar todas as pontas. Acredito com toda certeza que do jeito que estamos com pouquíssimos filmes para concorrer nessa categoria nas premiações, a Netflix não irá deixar de indicar a canção, então vale a conferida aqui no link, e torcer pela belíssima apresentação que deve fazer para mostrar ela, afinal a cantora gravou a música em 5 idiomas, e mesmo nas versões dubladas do filme acabarão ouvindo sua bela voz.

Enfim, não é um longa perfeito, tendo algumas falhas de determinação, pois certamente poderiam ter feito com que o público chorasse até mais com tudo o que poderiam ter trabalhado, afinal sabemos que quando se envolve drogas, doenças e tudo mais, pode piorar bastante as situações, mas ainda assim é um longa bem bonito, cheio de mensagens, e que vai agradar bastante quem curte o estilo de filme mais leve visualmente, porém forte de essência, pois é exatamente o que irá encontrar durante toda a exibição, e sendo assim, recomendo ele para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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