Netflix - Radioactive

4/16/2021 01:06:00 AM |

Sempre costumo falar que para se fazer um filme biográfico tem de ter uma coragem maior do que tudo, pois em muitos casos a maioria do público já sabe tudo sobre o personagem e vai reclamar das ousadias do diretor, ou se não conhece nada acaba indo pelo que é passado na tela e o resultado então necessita ser ao menos fiel na maioria dos detalhes. E acredito que a maioria do público que verá o longa "Radioactive", que estreou hoje na Netflix embora seja uma produção da Amazon Prime, não conhece a história de Marie Curie, que se hoje temos raio-x e diversos tratamentos de radioterapia (que em alguns lugares recebe até o nome de Curieterapia em homenagem a ela) se deve a sua descoberta e do marido dos elementos químicos rádio e plutônio, e todo o desenvolvimento em cima desses elementos, claro que também devido à descoberta tivemos as bombas de Hiroshima, tivemos Chernobyl e tudo mais de ruim, mas tudo de bom tem seu lado negativo também, então a descoberta foi bem válida. Porém, induzindo a biografia da mulher em cima do que é passado no filme, também vimos suas explosões, seu egocentrismo, sua energia rebelde, e tudo mais, e com isso vemos uma mulher completamente fora de seu tempo, que surpreendeu, e foi muito além, e só não diria que o filme foi mais perfeito por pecar em excessos, fazendo alegorias fantasiosas demais com os elementos, jogando a trama para frente e para trás em momentos desnecessários, e outros detalhes mais, pois poderiam ter contado toda sua história, e ao final ter desenvolvido as problematizações, mas quiseram montar de uma forma um pouco bagunçada, e assim sendo o filme se perde um pouco, mas ainda assim é um tremendo filme, que emociona, arrepia e envolve, afinal dois prêmios Nobel são poucos os que tem, e com ousadia ainda por cima, são menos pessoas ainda.

A sinopse nos conta que o longa nos leva dos anos 1870 à era moderna, por uma viagem pelos legados duradouros de Marie Curie - seus relacionamentos apaixonados, descobertas científicas e as consequências que se seguiram para ela e para o mundo. Depois de conhecer o colega cientista Pierre Curie, os dois se casam e mudam a face da ciência para sempre com a descoberta da radioatividade. A genialidade das descobertas que mudaram o mundo dos Curie e o Prêmio Nobel que se seguiu impulsionam o dedicado casal ao centro das atenções internacionais.

Diria que a diretora Marjane Satrapi foi precisa na concepção da trama em cima do roteiro do sempre preciso Jack Thorne, que aqui usando como base o livro de Lauren Redniss, conseguiu encaixar algo tão impactante, mostrando que lá nos finais do século XIX já tínhamos mulheres imponentes, com personalidades fortes, e que fizeram muito pelo mundo, afinal como disse no começo do texto muita coisa ruim acabou usando da descoberta da protagonista, mas também muita coisa boa foi feita, e a diretora quis mostrar as duas faces, as ambições da mulher forte que foi Marie, e ainda ter tempo para colocar um romance, digamos científico, pois muito se brinca que na área de exatas (principalmente na de pesquisa) não existem romances, nem nada de muita interação entre corpos, mas aqui não economizaram no carisma e na química (corporal, além da pesquisada por ambos) para que tivéssemos uma boa história de família no segundo plano. Ou seja, a diretora soube ousar bastante, soube desenvolver bem o ritmo para a trama não cansar tanto, e principalmente teve a percepção de entregar um filme biográfico aberto de possibilidades e de conhecimentos, só pecando talvez na montagem, pois volto a frisar que seguiria totalmente a trama contando a história de Marie, Pierre, Paul, Irène e Ève, e depois no final como um epílogo colocaria as coisas do mundo moderno com a cena de fechamento da protagonista vendo os malefícios e benefícios que sua descoberta criou, pois no miolo acabou sendo algo jogado e que tira a atenção da bela história deles, mas isso é apenas um gosto pessoal.

Sobre as atuações é fato que esse ano Rosamund Pike já tinha nos surpreendido com outra brilhante atuação, mas agora com uma maquiagem forte, que lhe deu um tom mais velho, com uma personalidade forte, trejeitos marcantes, e uma dinâmica impecável ela acabou nos entregando uma Marie incrível, cheia de estilo, com diálogos na medida e fazendo todos se surpreenderem com uma mulher muito fora de sua época, e que marcou época, ou seja, a atriz detonou mais uma vez. Sempre falam que a barba é a maquiagem do homem, e Sam Riley está irreconhecível como Pierre Curie, tanto visualmente, quanto do estilo que entregou para seu personagem bem mais maduro do que na maioria dos filmes que faz, ao ponto de ficarmos nos perguntando quem é esse ator, e não por ter feito algo ruim, muito pelo contrário, pois ele está perfeito no papel, fez nuances incríveis e acertou muito em cada ato seu, além de como já falei no parágrafo de cima entregar uma química incrível com a protagonista do começo ao fim, mesmo que em alguns atos não tenham sido presenciais. Dentre os demais tivemos alguns bons destaques, mas sem grandes explosões, começando pelas cenas finais com a sempre chamativa Anya Taylor-Joy que anda aparecendo em todos os filmes possíveis, e aqui faz muito bem a filha da protagonista já na idade adulta, tivemos o diretor do departamento de química da faculdade que foi extremamente conflituoso com a protagonista muito bem vivido por Simon Russell, e ainda tivemos Aneurin Barnard também bem diferente de outros filmes fazendo o ajudante Paul que acaba tendo um relacionamento com a protagonista e causando toda uma discórdia imensa na sociedade parisiense.

Visualmente a trama retratou bem a época, entregou laboratórios bem interessantes, e mostrou que quem está disposto a ser pesquisador(a) precisa por bem a mão na massa, quebrando pedaços de minério, e fazendo tudo, ao ponto que vemos diversas peças símbolos de laboratórios, muita pesquisa, e claro toda a famosa radiação brilhante espalhada nos ambientes, além de mostrar os partos da protagonista longe de hospitais (afinal não gostava de entrar neles), vemos rapidamente no final a guerra rolando forte e as ambulâncias da época, e vemos claro nas montagens o lançamento da bomba de Hiroshima, a explosão de Chernobyl, alguns aparelhos enormes de radioterapia das antigas, tudo muito bem retratado, com figurinos de época na medida, e muita ambientação para retratar tudo de uma maneira bem funcional e bonita de ver.

Enfim, é um tremendo filmaço de época, que vale muito ser conferido tanto pela biografia da protagonista nos ser apresentada, quanto pela essência visual do filme em si, que como já disse teve um problema bem bagunçado de montagem, mas que dá para relevar e se envolver bastante com tudo, e assim sendo recomendo ele para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - Amor e Monstros (Love And Monsters)

4/15/2021 12:30:00 AM |

Depois de uma semana recheada de filmes razoavelmente fracos, que até tinham algum propósito, mas não empolgava de forma alguma, eis que a Netflix finalmente lançou um filme que fez um grande barulho nos EUA, com diversas críticas positivas, e que certamente vai empolgar todos que gostam de uma boa aventura pós-apocalípticas, afinal "Amor e Monstros" entrega uma história bem bacana, com nuances recheadas de boas sacadas, muitos efeitos bem trabalhados e cenografias gigantescas colocadas na medida certa para agradar a todos, num grandioso misto de aventura na selva, com insetos monstruosos atacando o protagonista, e claro todo o aprendizado de vida que um personagem pode conquistar numa trama do estilo. Ou seja, é daqueles filmes que soam completamente despretensiosos (embora esse já tenha um protagonista que chama toda a pretensão para si), mas entregam algo tão gostoso e divertido de acompanhar, que quando chega nos pontos chaves já imaginamos tudo o que vai rolar e ainda torcemos por muito mais, afinal o resultado final é muito bom. E sendo assim uma história original não baseada em nenhum livro, irei torcer bastante para que dê um bom resultado e almejem fazer uma continuação, afinal queremos saber mais como todos irão continuar a saga após o que é mostrado no fechamento, mas caso não ocorra, a trama foi muito bem fechada.

A sinopse nos conta que sete anos depois do apocalipse dos monstros, a humanidade se vê obrigada a viver em colônias subterrâneas. Quando Joel Dawson consegue se reconectar via rádio com sua namorada da época de escola, a paixão ressurge. Mesmo com Aimee vivendo a quase 130 km de distância, Joel percebe que não há nada que o prenda ao subterrâneo e resolve partir para encontrar seu verdadeiro amor, apesar de todos os perigos no caminho.

Diria que o trabalho do diretor Michael Matthews foi daqueles que temos de anotar para acompanhar, pois ele com toda certeza pegou um roteiro completamente insano de Brian Duffield ("A Babá", "A Série Divergente: Insurgente") e transformou em realidade algo que não é totalmente palpável, como ver insetos em tamanhos monstruosos, atacando por fome as pessoas e tudo o que ver pela frente, numa Terra completamente destruída que virou uma selva imensa, e colônias humanas subterrâneas cheias de todo tipo de guerreiros a cozinheiros. Ou seja, é daquelas tramas que vamos vendo e curtindo a cada nova aparição, com a famosa jornada do herói embutida, cheias de nuances bem trabalhadas nas personalidades encontradas pelo caminho, sejam elas caninas, humanas ou robóticas, e principalmente na criatividade de fuga e luta com os bichões imensos. E dessa forma com muita criatividade, com muita ação, com uma desenvoltura bem preparada na medida para não ficar nem uma trama enrolada demais, nem um filme completamente maluco, o resultado final que acabamos vendo é imponente, gostoso, e principalmente, com piadas boas sem forçar a barra, divertindo na medida certa para não pesar a mão e agradar do começo ao fim. Além de ótimos desenhos e uma montagem precisa de movimentos para não exagerar também na computação gráfica, que claro sabemos que os monstrengos não são reais, mas que ficaram bem criativos, isso ficaram com certeza.

Sobre as atuações, depois de ficar afastado por muito tempo das produções por ter quase morrido na gravação de seu último filme, Dylan O'Brien volta com tudo como o protagonista Joel aqui, trabalhando trejeitos bem marcados, fazendo uma atuação dinâmica bem divertida, e claro fazendo o que mais gosta nos filmes: correr muito, pular e se meter em confusões, aqui no caso, gigantescas com monstros computacionais, e como ele sempre se dá bem com esse estilo, aqui meio que narrando e fazendo acontecer sua própria aventura ele cai muito bem no papel, e o acerto é preciso demais, e veremos se vai virar uma franquia, afinal ele também gosta muito de repetir papeis, ou seja, foi bem demais. Talvez sem maquiagem você não reconheça Michael Rooker, nosso querido Yondu do "Guardiões da Galáxia", e aqui com seu Clyde foi preciso nas falas, e praticamente fez um rápido treinamento com o protagonista, e com trejeitos ousados e uma imposição forte acabou chamando bastante atenção nas cenas que dividiu a tela com o jovem ator, ou seja, foi bem demais também. A jovem Ariana Greenblatt também está em todos os filmes, e depois de apenas uma rápida participação como a jovem Gamora nos "Vingadores: Guerra Infinita", vem cheia de banca com sua Minnow, dando ótimas cortadas nos diálogos do protagonista, e mostrando que não tem idade para aprender a se defender dos monstrões, e que com excelentes momentos poderia facilmente chamar a responsabilidade do longa para si e agradar bastante. Dentre os demais tivemos uma boa interação de Jessica Henwick com sua Aimee, principalmente nos momentos finais e nas cenas de lembranças do protagonista, mas nada que fosse extremamente surpreendente, e também Dan Ewing caiu muito bem na personalidade de seu Cap, que como já vimos diversos filmes do estilo, já estávamos preparados para o que o jovem iria fazer, e talvez um pouco mais de cenas dele faria com que chamasse mais atenção.

Visualmente o longa é incrível, pois temos ótimas colônias subterrâneas, cheias de detalhes, armas, cada cômodo pensado na pessoa que vive ali, diversos elementos cênicos bem representativos, e certamente aqueles que gostam de caçar símbolos perdidos vai encontrar algo ali, afinal o desenho cênico está perfeito, e isso não ocorre somente na colônia aonde o protagonista começa, pois ao chegar na colônia da namorada tudo também é riquíssimo de detalhes, ou seja, a equipe de arte trabalhou bastante para criar os ambientes pensados pelo roteirista, e claro saindo para a área externa tivemos uma floresta imensa, com cidades abandonadas, casas destruídas pelos bichos, vários objetos perdidos, e claro os monstros gigantes computacionais, mas muito bem desenvolvidos, que se espalhando por toda a parte chamaram bastante atenção tanto apenas andando, quanto nos momentos de ataques para cima do protagonista, além de figurinos destroçados em quase todos os personagens, e claro também não poderia esquecer do ônibus do cachorro Garoto, que foi uma graça só, com o bichinho extremamente bem treinado movimentando porta, deixando em esconderijos, e interagindo demais com tudo e todos, ou seja, perfeito também como um grande protagonista da trama (e detalhe, ele não foi computacional, sendo interpretado por dois cachorros verdadeiros!). Outro bom momento visual foi a cena do protagonista junto da robô Mav1s, numa cena emocionante, numa cabana abandonada, bem simbólica da destruição que tudo tomou, e juntando a isso o tom mais melancólico e escuro para contrapor todo o colorido meio que puxado para o sépia da fotografia de toda a aventura.

Claro que toda boa aventura tem de ter uma boa trilha sonora, e o filme está repleto de canções icônicas que envolvem demais do começo ao fim, valendo tanto pelas escolhas, como tudo o que as letras dizem e foram encaixadas nos devidos momentos para dar um ritmo perfeito para o longa, e claro que deixo o link da playlist para quem quiser ouvir depois elas.

Enfim, não diria que é um filme perfeito, pois os atos finais foram levemente corridos, e ali acaba acontecendo muita coisa importante que poderia ter sido diluída em mais tempo, mas é uma aventura tão gostosa de curtir, com bons efeitos (aliás o filme está concorrendo ao Oscar nessa categoria!), com uma história envolvente que não tenho como reclamar de quase nada, indicando de cara o filme para todos, pois tenho certeza que dificilmente não agradará alguém. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, torcendo claro por uma continuação do longa, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Raspei a trave de dar a nota máxima para o longa, mas como disse faltou um pouco dos atos finais, e trabalhar um pouco mais alguns personagens, mas se for apenas um começo de franquia realmente veremos esses defeitos supridos em breve.


Leia Mais

Amazon Prime Video - A Espiã (Spionen) (The Spy)

4/14/2021 12:07:00 AM |

O cinema norueguês é daqueles que não entregam toneladas de filmes por ano (ao menos não chega tanto por aqui!), mas quando aparece vem com tramas interessantes, com pegadas técnicas bem trabalhadas, e que principalmente sabem passar uma história real de uma forma viva e com dinâmicas suficientes para envolver a todos, e com o longa que está na plataforma da Amazon Prime Video, "A Espiã", acabamos conhecendo a história real de uma atriz que acabou se envolvendo numa espionagem dupla entre os nazistas e os aliados, claro para tentar salvar sua família, e acabou dizimando sua carreira com isso. E assim sendo vemos uma trama bem realista, com pegadas fortes de discursos, boas atuações investigativas, mas que certamente poderiam ter ido muito além com a tensão, afinal a moça estava fazendo coisas erradas para os dois lados, e certamente foi muito mais tenso tudo do que bonito e fácil como foi mostrado, mas aí entrou o lado ficcional, e o acerto até que foi bem feito.

A sinopse nos conta que Sonja Wigert viveu como diva e estrela em Estocolmo no início da Segunda Guerra Mundial e rapidamente chamou a atenção do oficial nazista Josef Terboven. Wigert é recrutada pela inteligência sueca como espiã e mantém contato íntimo com Terboven, que a recruta para espionar os suecos. Com seu pai na prisão em Oslo, e uma história de amor nascente para um diplomata húngaro em Estocolmo, Sonja tem que se mover em uma linha estreita para lidar com um jogo - e um papel - que tem consequências fatais para ela. O filme é baseado na biografia de Sonja Wigert, escrita por Iselin Theien.

O diretor Jens Jonsson entregou um trabalho simples e completamente coerente dentro do que era proposto para a trama, não tendo nenhuma cena com grandiosas ousadias, mas também não fazendo cenas sem nexo como acabam ocorrendo muitas vezes em longas que contam histórias reais, ao ponto que ele conseguiu mostrar tanto o lado da protagonista apoiando o lado alemão, quanto o lado dos aliados, claro que por motivos óbvios que sua família estava em risco, mas sem precisar ficar enfeitando as nuances, nem fazendo ela de uma vítima completa, ao ponto que tudo é bem trabalhado, e a essência cênica acaba funcionando bastante com estilo e muita classe, com cada ato bem certinho, bem montado, e principalmente bem produzido, afinal estamos falando de uma trama de época, aonde tudo já foi visto tantas vezes em outras produções que não dá para inventar muito, e assim sendo vemos um filme forte, bem dirigido, e que não falha ao menos em técnica, pois mesmo a história não sendo algo completamente explosiva, ela é bem boa, e mostra que muitos acabaram se queimando por apoiar, ou ao menos aparentar ter apoiado por algum motivo, os alemães na Guerra.

Sobre as atuações, Ingrid Bolsø Berdal entregou uma Sonja bem desenvolvida, com todo estilão clássico das musas do cinema da época, com um estilo marcado e sedutor, e principalmente bem disposta para tudo o que acaba ocorrendo nas suas interações, ao ponto que vemos a atriz sempre com olhares diretos e sem muitos receios, o que acabou faltando um pouco é o que já disse de temor de ser pega, afinal como bem sabemos espiões não se deixavam levar tão facilmente, e aqui a atriz fez muitas cenas que numa guerra teria sido morta rapidamente. Rolf Lassgård trabalhou bem seu Akrell, sendo direto ao ponto e sem enfeitar as nuances foi forte e claro como o agenciador da jovem atriz no meio do serviço secreto sueco, e sem muitos deslizes foi claro e sempre aparecendo bem nas espreitas. Damien Chapelle trouxe para seu Andor um ar bem simples que até ficou parecendo meio que jogado no início, mas com o andamento da trama ele acaba conquistando a protagonista, e também o público, ao ponto que dá até para torcer pelo personagem, porém poderia ter ido um pouco além no envolvimento, e claro, terem trabalhado mais o seu lado "espião" de algum outro lado. Alexander Scheer foi bem imponente com seu Terboven, ao ponto que o vemos como aqueles nazistas que parecem menos ruins, mas que quando olhamos suas facetas insanas ficamos ainda com mais ódio, e o ator foi muito bem no que quis mostrar, e acertou bastante em tudo, cheio de olhares fluindo e uma intensidade na medida certa nem sendo muito explosiva, nem dominadora demais. Quanto aos demais, cada um apareceu pouco e teve as conexões tanto políticas quanto familiares com a protagonista, tendo destaque para Johan Widerberg com seu von Gosslerr intimidador, e que inicialmente parecia meio que inútil para mais ao final ter grandes participações, ou seja, todos acabaram sendo interessantes, com boas interpretações e completamente funcionais para o filme.

Visualmente o longa teve boas cenas mostrando a apropriação de algumas mansões para os comandantes alemães nas cidades, aonde eles decoravam ao seu modo com quadros de Hitler e tudo mais de imponente, claro sempre lotado de guardas ao redor, vemos um bom trabalho de palco para as peças que a protagonista encenava na época, e ainda locações espalhadas para mostrar os ambientes mais remotos aonde o casal vai se esconder e viver um período, e claro mantendo todo um tom escuro para dar uma densidade fizeram com que o filme tivesse um ambiente tenso bem colocado e marcado que acaba agradando bastante.

Enfim, é um filme que se formos olhar a fundo é bem simples, mas que de certa forma traz um bom envolvimento e agrada bastante com uma história real interessante de conferir, e que vale a indicação, principalmente para quem gosta de tramas de época, afinal já vimos tantos longas sobre a Segunda Guerra Mundial e a ocupação alemã, que muitos já estão até cansados disso, mas aqui temos algo ao menos diferente para agradar, mesmo não sendo um filme daqueles memoráveis. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - New Gods: Nezha Reborn (Xin Shen Bang: Ne Zha Chongsheng)

4/12/2021 11:38:00 PM |

Estamos bem acostumados que animações geralmente são filmes bonitinhos, com cores alegres, texturas envolventes, e histórias calmas que remetem filosofias e interpretações para reflexões aonde nos emocionamos e rimos com tudo o que é passado, mas quem conhece um pouco das animações orientais sabe bem que lá a pancadaria come solta, com heróis de todos os tipos, vários tipos de lutas e muito misticismo envolvido para dar todas as nuances possíveis e imaginárias. E como ainda estamos com os cinemas fechados em muitas partes do planeta, o longa "New Gods: Nezha Reborn", que foi um estouro de bilheterias na China e no Japão no começo do ano estreou agora nas plataformas digitais do mundo todo, e provavelmente vai quebrar novos recordes, afinal o estilo tem muitos fãs espalhados por aí, e com uma proposta certeira, cheia de boas batalhas, e principalmente sendo um início de franquia (que nos créditos já nos mostra duas cenas dos próximos dois filmes de 2021 e 2022) vem para dominar uma faixa que hoje tem poucos exemplares, e que agrada por ser dinâmico, bem colocado e interessante de ser conferido. Ou seja, é daquelas animações que dá para curtir bastante seja você fã dos longas orientais ou não, pois é tudo bem trabalhado, temos bem explicado quem é quem, e como é o início de uma franquia, o longa tem um bom resultado, e certamente trará muito mais para frente com os demais.

A longa conta a história de um jovem entregador, Li Yunxiang, que leva uma vida satisfatória e gosta de corridas de motos em seu tempo livre. Mas quando o filho arrogante e rico do Chefe De (o Rei Dragão) o derrota, tira sua amada moto e até fere sua irmã órfã inocente, sua raiva profunda se transforma em uma explosão de Fogo da Verdade. A verdadeira identidade - Nezha, é revelada. Nezha, o Deus rebelde, violento e egocêntrico, dá poder a Yunxiang, mas o poder incontrolável recém-obtido traz novos danos para a família e amigos de Yunxiang. Enquanto isso, os velhos inimigos de Nezha também buscam vingança. Enfrentando a reviravolta do destino, Yunxiang tem que descobrir seu próprio caminho para se tornar um verdadeiro herói.

Como não conheço nada da mitologia dos livros chineses vi a trama sem grandes pretensões e acabei curtindo toda a ideia passada, torcendo para o protagonista, e conferindo as lutas de uma maneira bem divertida, ao ponto que o diretor Ji Zhao soube controlar bem toda a movimentação, fez uma dramatização cheia de técnicas e dinâmicas, e principalmente soube colocar a equipe artística para trabalhar bastante para que as texturas fossem bem realistas, ao ponto que até vemos todas as formas no estilo de desenho, mas conseguimos ver traços humanos, texturas de peles e cabelos, e muita ambientação técnica para que o filme tivesse uma interação boa, e principalmente que cada luta tivesse um significado bem montado em cima de toda a simbologia de dragões, deuses e tudo mais, ou seja, algo que quem for bem colocado dentro da trama vai até curtir um pouco mais, mas quem for leigo vai acompanhar e gostar também do que é entregue, afinal tudo é bem contado, e assim sendo vale a conferida.

Sobre os personagens, temos um Li Yunxiang que já tem uma personalidade nervosa, e que entrega bons ralis com sua moto potente, mas quando incorpora a personalidade completa de Nezha fica ainda mais imponente e descontrolado, ao ponto que vemos o jovem disposto a brigar por tudo, e acaba fazendo boas batalhas com todos os vilões. Entre os vilões vale o destaque claro para o Chefe De, que incorpora o Rei Dragão e com um visual totalmente imponente faz insanidades com os outros dragões que são seus presos, e também contra o protagonista. Das personalidades femininas temos a beleza e nuance de Kasha, e toda a doçura e envolvimento da médica Su, que vão dando boas conexões com o protagonista. Além desses ainda temos outros vilões bem marcados, e claro o Rei Macaco que treina o protagonista para suas batalhas, fazendo momentos divertidos de luta, e com ajuda de vários personagens pequeninos acaba trazendo a comicidade comum das animações.

Visualmente o longa é cheio de técnicas tanto tradicionais de animação 2D, como bons movimentos de câmeras tridimensionais, aonde temos bons efeitos, boas nuances dentro das brigas, e um realismo incrível em cima das texturas empregadas, ao ponto que vamos sendo bem inteirados de cores fortes, explosões, bombas, e muita personalidade dentro de cada ambiente que nos é mostrado, apresentando vários e diversos personagens, cada um com um tipo de poder e visual diferente, e que certamente foi animado com minúcias por uma tonelada de pessoas, ou seja, uma trama bem densa com um bom visual.

Enfim, é uma animação bem bacana, com boas lutas, com bons momentos, e que certamente irei esperar as continuações, afinal o estilo mostrado foi interessante, e que sem muitas enrolações foi direto ao ponto entregando intensidade e boas texturas, que é o que tanto peço em boas animações, e mesmo não sendo algo perfeito, acabo recomendando o longa para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - Noite No Paraíso (Night in Paradise) (Nak won eui bam) (낙원의 밤)

4/11/2021 10:16:00 PM |

Ultimamente tem saído em cartaz bons filmes de máfias orientais, e com pegadas técnicas de muitas lutas, alguns tiroteios (afinal a galera lá prefere a boa e velha faca afiada de estripar porco!) e encaixes bem colocados de dramaticidade, ao ponto que até acabamos nos conectando aos personagens, seja por alguns momentos emotivos ou até pela redenção deles em cima de alguns atos, mas o que vale detalhar é que a maioria dos filmes desse gênero possuem fotografias tão densas bem colocadas que acabam nos remetendo ao estilo noir que tanto fez fama no passado, e que a maioria dos diretores tem encontrado boas técnicas de usar sem ficar apelativo e nem puxar tanto para o passado. Aqui no lançamento da semana da Netflix, o longa sul-coreano "Noite No Paraíso" até entrega um propósito envolvente, boas nuances de vinganças, e até um fechamento violentíssimo bem trabalhado, porém faltou um pouco mais de ação e tensão por parte dos protagonistas para acreditarmos em tudo o que acabam fazendo, pois com uma lentidão de movimentos, e até algumas reuniões bem banais entre os líderes das gangues com a polícia, o resultado soa bobo e irônico pelas partes, não dando crença de uma rixa real que funcionaria mais intensamente. Ou seja, é um bom filme, dá para passar um bom tempo conferindo, mas certamente com um pouco mais do final espalhado pelo restante do longa, o resultado seria muito melhor e mais intenso.

A sinopse nos conta que um gangster foge para a ilha de Jeju depois que sua irmã e sobrinhos são assassinados por uma gangue rival. Na ilha, Tae-Gu conhece uma misteriosa mulher que carrega seus próprios demônios.

O diretor e roteirista Park Hoon-jung soube dominar a trama do começo ao fim com uma história densa e bem trabalhada, que não chega a ser tão ampla como poderia, afinal longas de máfias podem ter uma abertura maior, contar um pouco mais de história, elucidar os chefões, dimensionar os capangas e ter vários tipos de brigas inferiores até chegar ao final com algo bem imponente e violento, claro na maioria das vezes por algum tipo de vingança ou dominação de território, porém ele se segurou nos atos mais simples e criou algo coeso e determinado, que bem sabemos como tudo termina quando alguém foge para se esconder, e os demais acabam decidindo o que vai rolar com ele. Ou seja, o diretor até criou bem sua trama, e mesmo com 132 minutos não quis ir muito além, e por incrível que pareça, mesmo não indo além, a trama não ficou enroscada, tendo uma dinâmica bem trabalhada por ambos os protagonistas, e sem precisar fazer romances ou grandes loucuras, o resultado acaba funcionando, e até mesmo as lutas ficaram interessantes, apesar de que com uns revólveres ou armas mais imponentes resolveriam tudo muito mais rápido do que na base da facada.

Sobre as atuações, já disse isso outras vezes em longas orientais e não é nenhum tipo de preconceito, mas os atores forçam demais as expressões faciais, parecendo estar exagerando do começo ao fim em tudo, ou seja, não parecem estar gostando do que estão entregando, e isso não é algo legal de ver. Porém aqui Tae-goo Eom trouxe um ar bem sério para seu Tae-Gu, mantendo a proposta cênica de alguém que perdeu a família, vingou, fugiu e precisa se adaptar, mas certamente um pouco mais de ódio em outros momentos e não apenas na sua luta final agradaria bem mais, não que tenha feito algo ruim, mas chamaria mais atenção. Da mesma forma, Yeo-bin Jeon trabalhou sua Jae-Yeon com olhares desanimados, tristes e demonstrando estar desesperada para dar fim a sua vida, mas disposta a lutar até o final por alguma vingança, e assim seus últimos atos são imponentes e interessantes de ver, mas seu miolo ficou meio jogado demais. Quanto aos líderes das gangues vividos por Seung-Won Cha com seu Ma e Park Ho-San com seu Yang, vemos dois negociantes, com olhares dispostos a matar e fazer tudo pelo clã, mas de uma maneira crua sem que precise sujar as mãos, ou não, mas poderiam ter trabalhado um pouco mais o ambiente das gangues para entendermos mais, pois eles apenas surgiram, e criaram as rixas, sem muito desenvolvimento, ou seja, foram bem, mas nada que impressionasse realmente.

Visualmente o longa brincou bastante com o estilo noir, com uma iluminação puxada para o azul escuro, muitos ambientes clássicos de máfias orientais como saunas, galpões abandonados e escritórios do crime, reuniões regadas a saque e macarrão, e claro todos com ternos e muitas facas (ainda vou descobrir o motivo de preferirem lutas de facas à tiros), além claro de muito sangue para todos os lados, ou seja, a equipe de arte trabalhou bem para que o filme tivesse uma boa densidade e uma intensidade forte sem que ficasse apelativo, e o acerto ao menos nesse quesito foi bem feito.

Enfim, é um filme interessante, que tem uma boa pegada e resulta em uma trama bacana de ver, que claro até poderia ter ido mais além nas brigas de máfias/gangues, mas que optou por algo mais simples, porém efetivo nas lutas, e como já disse o resultado até vale como um passatempo meio que alongado, e assim dá para recomendar ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até lá.


Leia Mais

Netflix - Você Já Viu Vagalumes? (Sen Hiç Atesböcegi Gördün mü?) (Have You Ever Seen Fireflies?)

4/11/2021 01:32:00 AM |

Quando falamos do cinema internacional fora do eixo americano, inglês e francês acabamos sempre exaltando algumas produções que acabam indo além no desenvolvimento da trama, fluindo para rumos mais abertos com estilos que geralmente surpreendem nos detalhes, e no ano passado tive acesso pelas plataformas de streaming ao cinema turco, e me emocionei com algumas excelentes produções, então eis que hoje ao ver o lançamento da Netflix, "Você Já Viu Vagalumes?", acreditei na possibilidade de algo do mesmo estilo, que me emocionasse com simplicidade, e que com um estilo singelo passasse alguma mensagem subliminar bem envolvente, porém mesmo não sendo uma comédia exagerada, a trama se formata em algo que tenta passar um ar cômico em cima da vida de uma jovem solitária que é muito inteligente no meio das mudanças que a Turquia vivenciou durante vários anos. Ou seja, é uma comédia dramática que não cai para lado nenhum, nem sendo engraçada, nem fazendo um drama envolvente, ao ponto que no final até ficamos comovidos com o fechamento, mas passa bem longe de ser algo que vou lembrar daqui alguns dias.

O longa conta a história de Gülseren, uma mulher muito à frente de seu tempo, que em meio a transformações políticas e sociais em Istambul, aprende a lidar com a solidão, o amor e o luto.

O trabalho feito pelo diretor Andaç Haznedaroglu até tenta ter uma proporção bem interessante entre comicidade e dramaticidade, porém acaba se segurando demais em todas as pontas sem criar nada que fizesse realmente nem o público rir, nem chorar, apenas mostrando claro as dificuldades da garota com as imposições da família para com religião, casamentos, políticas e tudo mais, segurando os extremos com pitadas meio que forçadas de acontecer, ou seja, não indo muito além em momentos mais sutis que acabariam envolvendo bem mais. Além disso temos toda a analogia dos vagalumes que pode representar muita coisa por visões diferentes, mas diria que a maior parte do tempo aqui prevaleceu como símbolo da solidão da protagonista, de se enxergar mais no escuro do que no seu próprio ambiente, e com isso o diretor poderia ter até refletido mais em vários momentos, mas não fluiu também. Ou seja, o filme tinha tudo para ir muito além, mas ficou só no quase em vários atos, o que acaba sendo ao mesmo tempo um erro e uma leve decepção, não sendo um filme ruim, mas também passando longe de ser algo bom.

Sobre as atuações, diria que talvez uma atriz menos exagerada, e talvez mais duas para cada época da trama seria o ideal, pois usar a mesma atriz nas três épocas que o filme se passa só funciona bem com muita maquiagem digital boa, e principalmente com atrizes expressivas de nível altíssimo, o que não foi o caso aqui, pois Ecem Erkek ficou um pouco forçada demais com as ironias de sua Gülseren, não dando nuances nem trejeitos emotivos que marcassem a dramaticidade que o longa pedia, ou seja, ela foi direta em tantos pontos, e não segurou as pitadas emotivas que o filme pedia, e assim seu ar muito colocado para cima acaba resultando em algo sem muita fluidez, o que acaba não agradando. E o mais curioso é que o filme foca tanto na protagonista, que quase esquecemos dos demais ao redor, e claro que o pai da garota vivido por Engin Alkan merece todo o destaque, pois seu Nazif foi preciso de olhares, desenvolveu bem cada momento singelo, e acabou agradando bastante nos seus diversos atos, além claro de ser um contraponto bem marcado com a mãe vivida por Devrim Yakut que sempre brigou com a filha do começo ao fim com um estilo levemente forçado, ou seja, não entregando leveza nos atos como poderia ser. Quanto aos demais, tivemos ainda os dois tios opostos, um totalmente religioso e o outro totalmente político militante, que não chamaram tanta atenção pelos trejeitos, mas sim pelas loucuras que acabaram acontecendo com Ushan Çakir e Bülent Çolak, ou seja, poderiam ser bons contrapontos na trama, mas acabaria puxando muito para o lado novelesco, e não era isso que a trama pedia, e ainda tivemos a paixão da protagonista vivido por Ahmet Rifat Sungar, mas que teve poucas cenas para se desenvolver, e com isso ficou levemente apagado. 

Visualmente o longa foi muito amarrado dentro da mansão da protagonista, com algumas saídas para o lado de fora com uma mata aonde a jovem via seus vagalumes, mas dentro com muitos ambientes ricos em detalhes, que foram mudando conforme as épocas foram mudando também, até chegar na Turquia atual, moderna, cheia de luzes piscantes, letreiros e tudo mais aonde nem dá mais para ver os vagalumes, e claro a entrevista rolando num asilo com a protagonista maquiada como idosa, não agradando nem um pouco, mas também tivemos a protagonista como adolescente numa escola mal desenvolvida, algumas cenas nas ruas para mostrar as brigas políticas, e poucos símbolos, ou seja, um filme sem muito conteúdo visual, mas que funciona dentro do que propõe.

Enfim, é um filme que até tinha um potencial maior, que o trailer engana bem o que parecia ser passado, mas que não vai muito além, sendo daqueles que muitos vão acabar indo conferir pelo mesmo motivo que eu fui, e que com muita certeza irão se decepcionar, então não tenho como recomendar, mesmo não sendo uma bomba tremenda. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - Esquadrão Trovão (Thunder Force)

4/10/2021 02:17:00 AM |

Se alguém me falasse que o filme da Netflix, "Esquadrão Trovão", foi pra plataforma sem estar terminado, tipo um vazamento de dados, hoje com toda certeza após conferir a trama eu acreditaria totalmente, pois o resultado parece algo que nem prepararam todos os efeitos de forma correta, que a história foi feita nas coxas e na edição colocaram o que conseguiram filmar, e por aí vai, pois não chega a ser nem uma comédia parodiando os longas de super heróis que funcionasse, nem uma trama realmente de heróis versus um grupo de vilões, ao ponto que todo o resultado acaba sendo estranho de ver, os poderes soam bizarros, e mesmo as protagonistas parecem não estarem dispostas completamente para a trama. Ou seja, é daqueles filmes que você até tenta encaixar como um passatempo de final de semana, mas que no final acaba não acreditando em tudo o que viu.

A sinopse é bem simples e nos conta que em um mundo onde supervilões são comuns, duas melhores amigas de infância, separadas pelo tempo, se reúnem depois que uma delas inventa um tratamento que lhes dá poderes para proteger sua cidade.

O diretor e roteirista Ben Falcone, que é casado com a protagonista e tem feito quase todos os últimos filmes dela, até que tentou criar algo que seria irreverente ao menos, com ideias diferentes do usual de filmes do estilo, mas que acabou saindo muito do eixo, e principalmente deve ter recebido a ideia rápido demais para se fazer um filme com toda a pegada necessária, e que funcionasse principalmente, pois é inegável que o longa tem uma boa proposta, tem os elos de amizade com brigas, distância e tudo mais, tem o carisma das duas protagonistas que sempre chamam seus filmes para seus personagens, mas acabou virando uma bagunça tão fora de rumo, com efeitos e maquiagens estranhas (os braços de caranguejo de um personagem chega a ser bizarro, e provavelmente foi um incômodo monstruoso usar aquilo, valendo apenas para o ato que o vilão quebra eles, que aí os efeitos funcionaram e mostraram como já vimos que é dentro de uma pata de caranguejo realmente). De forma que diria que até algumas piadas e jogadas de duplo sentido funcionaram, mas certamente não fizeram nem metade do que poderia ter sido feito para chamar mais atenção, e somente será bem visto por ser o lançamento da semana da plataforma, e o povo ser curioso, pois não vale o play, quanto mais as quase duas horas apresentadas.

Sobre as atuações, gosto demais do estilo de Octavia Spencer, ao ponto de sempre torcer para suas personagens (até mesmo a malvada "Ma"), mas aqui sua Emily é passiva demais de tudo, ao ponto de parecer estar se sentindo desconfortável com o que estava fazendo, não fluindo como ocorre com todas as suas personagens, ou seja, vemos uma mulher riquíssima que não chega a lutar, mas sim desaparece e fica acuada, e somente nas cenas finais que saiu dando um pouco mais de porrada, mas sem expressividade e nem encaixando a dramaticidade casual que sempre faz, ou seja, não empolga. Melissa McCarthy sabe fazer comédia, e sabe brincar bem com suas personagens, dando até que uma personalidade interessante para sua Lydia, e se aventurando mais nos atos que precisavam de uma movimentação maior, porém a personagem é apenas exagerada, não sendo engraçada naturalmente, nem escrachada demais ao ponto de gostarmos do que faz, mas ao menos não desaponta tanto por já sabermos seu estilo de humor, e assim ela acaba fluindo. Jason Bateman ficou extremamente tosco com seu Caranguejo, de forma que tentou ser carismático e envolvente, mas apenas soou bobo, e certamente não era isso o esperado do personagem, de forma que acabou sendo jogado até em segundo plano. Bobby Cannavale até caiu bem para a personalidade do vilão O Rei, mas tudo acontece rápido demais ao ponto que nem vemos ele se desenvolver, fazendo alguns atos de vilania imponentes, em outros tentando soar bobo e engraçado, mas transformando tudo em uma bagunça tremenda que no final nem sabemos mais se gostamos ou não dele. A jovem Taylor Mosby até teve bons momentos com sua Tracy, sendo simpática e bem colocada como alguém até mais inteligente que a mãe, mas quando tudo começa a fluir para sua personagem, o longa acaba, ou seja, poderiam ter usado mais ela antes, e certamente daria um tom melhor para a trama. Melissa Leo foi figurativa demais com sua Allie, e não chamou a atenção que a atriz sabe fazer, ao ponto que quase esquecemos que ela apareceu, e Pom Klementieff só serviu com sua Laser para mostrar efeitos estranhos e fazer caronas, também não empolgando mesmo sendo quase tão protagonista quanto o vilão, ou seja, esquecível, e falando em pessoas duras de engolir foi ver o diretor fazendo piadinhas atuando com seu Kevin, ou seja, bizarro demais. Quanto as versões jovens das protagonistas, diria que foram bem interessantes, e até valeria ter usado mais elas, mas como não foram muito usadas, apenas diria que foram bem graciosas.

Visualmente a trama tem uma boa pegada, mostrando uma Chicago bagunçada, mas falando que tem diversos vilões Meliantes foram criados a partir de algo que nem lembro que falou no começo, mas só vemos 3 em cena, ou seja, economizaram demais nos recursos, e não foram muito além, e se vão ficar esperando uma continuação, duvido de acontecer, pois o filme é bem ruim, além disso tivemos efeitos bizarros, falsos demais, com explosões estranhas, pedaços de coisas voando, lutas sem quase nenhuma coreografia, ao ponto que vale apenas destacar o treinamento da protagonista em um prédio bem luxuoso e bem produzido, mas com tantas bizarrices que acaba sendo lastimável de ver a protagonista chupando e engolindo frango cru.

Enfim, é o que disse no começo, falharam tanto ao tentar fazer uma paródia de filme de super-heróis, quanto num filme de heróis mesmo, bagunçando tudo e nem conseguindo fazer graça, ou seja, dá pra fugir tranquilamente que é certamente tem outros bons filmes para conferir na plataforma, e sendo assim não recomendo a trama de forma alguma. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Amazon Prime Video - Silk Road: Mercado Clandestino (Silk Road)

4/09/2021 01:26:00 AM |

Quem me conhece um pouco sabe que gosto praticamente de todos os estilos, mas que exijo o principal de uma trama: envolvimento! E particularmente quando uma trama entrega algo que me deixe completamente preso, curtindo todos os movimentos dos protagonistas, torcendo por algum deles para que alcance o objetivo, e que entregue tudo de uma maneira simples sem precisar de grandiosas reflexões, é dito e feito, me apaixono pelo resultado e já começo a indicar o longa para todos, e nessa semana quando estava lendo os nomes e breves sinopses dos filmes que estreariam em Abril nas plataformas digitais já fiquei bem curioso com a trama de "Silk Road: Mercado Clandestino", e hoje ao conferir posso dizer que é um tremendo filme maluco, com uma história completamente envolvente, e que facilmente enxergamos na trama muitas semelhanças com outros filmes de criações, como foi a história de "A Rede Social" ou "Jobs", mas que se nesses filmes nos foram mostrados como as mentes brilhantes chegaram ao ápice fazendo algo "bom" para o povo e para o Estado, aqui vemos um jovem filósofo libertário que resolve quebrar o Estado fazendo o Ebay ou Amazon das drogas na dark web, e que com um site bem simples passou a ganhar milhões de bitcoins e que só não foi além por ter na cola um grande agente do DEA lascando com suas ideias. Ou seja, é um tremendo filme simples, que funciona demais, e que quem gosta de filmes policiais investigativos diretos, sem mistérios ou grandes nuances, mas tudo bem colocado vai gostar bastante do que verá.

No longa acompanhamos Ross Ulbricht, um filósofo na casa dos vinte e poucos anos. Insatisfeito com sua carreira, ele decide mudar radicalmente e cria o Silk Road, um site de vendas de drogas. Com o objetivo de pôr um fim no império do jovem filósofo, Rick Bowden, agente da DEA, se disfarça para derrubá-lo.

Sempre falei que é difícil demais imaginar um documentarista de tantos anos migrar para o lado da ficção e acabar acertando bastante no resultado, mas hoje posso mudar minha opinião, afinal o que Tiller Russell fez adaptando um artigo jornalístico de David Kushner para o cinema foi algo surpreendente, com uma pegada informal e ao mesmo tempo clássica, com desenvolturas marcadas, mas também bem abertas, com nuances e situações cheias de símbolos, porém efetivas sem muita preocupação, ou seja, fez uma verdadeira ficção embasada em fatos reais, sem apelar, nem forçar nada, apenas contando toda a história e criando momentos bacanas de se ver com os protagonistas, ao ponto que vemos desde o jovem que não sabia nada desse mundo e aprendeu como criar algo do zero, quanto um agente que sequer sabia ligar um computador direito aprender tudo sobre o mundo digital ao ponto de enganar um jovem idealista. Ou seja, a trama foi tão bem contada, tão bem amarrada, cheia de momentos interessantíssimos que acaba agradando até mais do que parecia no início, e que se tivesse de queixar de algo colocaria apenas os fechamentos cênicos congelando os personagens em determinados momentos, que acaba lembrando um pouco um ar de novela da Globo, mas isso é um mero detalhe, que dá para ignorar e esquecer, pois tudo o demais é muito bom de ver, e certamente lembrarei do diretor pela sua primeira ficção muito bem dirigida e roteirizada.

Sobre as atuações acaba sendo bem bacana ver a forma despretensiosa que o jovem Nick Robinson entregou seu Ross Ulbricht, ao ponto que vemos realmente que o jovem era alguém que estava ligando para o nada, que foi aprendendo conforme as coisas foram acontecendo, e que só lhe interessava quebrar o Estado, e o ator foi tão bem colocado, tão cheio de trejeitos desesperados quando tudo começa a ruir, demonstrando a todo momento a inexperiência e a leve "ingenuidade" para com os momentos que ia viver, que realmente vemos que o ator teve um grandioso crescimento depois de tantos filmes românticos, ou seja, foi muito bem. Já pelo outro lado, tivemos um Jason Clarke completamente disposto a encarar tudo o que estava para vir com seu Rick Bowden, entregando uma personalidade forte e interessantíssima de ver, cheio de momentos engraçados, mas cheios de força no personagem, e que principalmente foi encaixado na operação de uma maneira simples, mas efetiva e esperta, afinal viu que não estavam nem aí para ele, então usou o que tinha em sua expertise para ganhar também, ou seja, foi muito bem no papel, e agradou demais. Paul Walter Hauser sempre pega papeis ligeiramente bobos, mas entrega personalidades tão bem colocadas, que acabamos nos divertindo e torcendo por tudo o que faz, e aqui seu Curtis é daqueles que nem imaginamos a capacidade de fazer tudo acontecer, mas que se desespera totalmente quando a corda explode para seu lado, e o ator fez trejeitos tão bem colocados que não tem como não rir de todos os seus atos. Da mesma forma, Darrell Britt-Gibson apareceu em poucas cenas com seu Rayford, mas foi engraçado nas nuances, teve momentos marcantes e conseguiu ter uma boa química com o protagonista ao ponto de inicialmente parecer um personagem sem muita utilidade, mas nas cenas finais o resultado acaba sendo icônico com tudo o que faz. Quanto das mulheres do longa, tanto Alexandra Shipp que já conhece o protagonista de diversos outros longas, e acabou entregando até uma boa química entre ele e sua Julia, quanto Katie Aselton com sua Sandy, entregaram de maneiras simples as bases mais centradas para os maridos/namorados malucos da trama se conectassem, e assim acabaram se envolvendo com tudo, fazendo boas cenas, e funcionando bem. Quanto aos demais, a maioria apareceu bem pouco e nem teve grandes expressividades na trama, tendo um destaque negativo para a arrogância do jovem diretor do setor de crimes digitais vivido por Will Ropp, mas mais pelo personagem do que pelo ator em si.

Visualmente o longa foi simples, porém efetivo na proposta, mostrando o desapego do protagonista (apesar de parecer ser de família bem rica), e assim não ligando para roupas chiques, casas, e ficando amontoado na casa da namorada, o site também bem simples sem nada muito chamativo, mas usaram bastante material de chamadas de jornais, e deixaram claro uma delegacia bem simples também, porém na casa do traficante mesmo foi algo muito divertido de ver com sua proposta de loucura, seu ambiente, e tudo mais, ou seja, a equipe de arte nem gastou muito para criar todos os ambientes, mas acertaram bem os símbolos ao ponto de tudo ser bem encaixado e a investigação ser bem mostrada.

Enfim, foi um tremendo de um filmaço, com uma proposta simples, que até chega a chocar pela realidade mostrada, afinal a trama toda acabou acontecendo, e mostra que no mundo do crime não dá para ser ingênuo, de forma que com uma trama bem maluca e surpreendente acabamos nos envolvendo bastante e mesmo com algumas leves falhas acaba agradando demais, ao ponto que recomendo o longa com toda certeza. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

VOD - Meu Pai (The Father)

4/07/2021 01:09:00 AM |

Olha, temos um filme com tantas características e estilo que os votantes do Oscar gostam que se esse ano não tivessem já tantas cartas marcadas apostaria fácil em alguns ganhos para o filme "Meu Pai", pois mesmo sendo uma peça transportada para filme (aliás nem consigo imaginar toda essa montagem funcionando como uma peça!), nos é entregue tantos bons momentos, tanta confusão nas dinâmicas, que em diversos atos me vi perguntando se tentaram nos mostrar que o personagem está senil e confuso com tudo, ou se eu estava ficando maluco e confundindo tudo o que me era mostrado, pois as jogadas e nuances são tão repetitivas com envolvimentos diferentes acontecendo do mesmo ato, com coisas sumindo, personagens mudando, cabelos, roupas e tudo mais, que a mente vira uma grandiosa bagunça, e o resultado acaba sendo incrível e emocionante. Ou seja, é um filme bem simples, que mostra que a idade começa a nos pregar peças em nossa mente, e claro que não queremos ser cuidados, então a base da trama é o conflito mente, filha, idoso, e que com ótimas sacadas de locações, o resultado da montagem impressiona e funciona demais.

A sinopse nos conta que Anthony tem 81 anos de idade. Ele mora sozinho em seu apartamento em Londres, e recusa todos os cuidadores que sua filha, Anne, tenta impor a ele. Mas isso se torna uma necessidade maior quando ela resolve se mudar para Paris com um homem que conheceu há pouco, e não poderá estar com pai todo dia. Fatos estanhos começam a acontecer: um desconhecido diz que este é o seu apartamento. Anne se contradiz, e nada mais faz sentido na cabeça de Anthony. Estaria ele enlouquecendo, ou seria um plano de sua filha para o tirar de casa?

Diria facilmente que a estreia de Florian Zeller como diretor de filmes (afinal já faz muito sucesso como escritor e diretor de peças) foi algo muito bem preciso e imponente, pois trazendo sua peça de sucesso que já foi adaptada de forma completamente diferente em outros longas (inclusive em um filme que já vimos no Varilux - "A Viagem de Meu Pai" com uma formatação completamente diferente), o resultado que ele acabou desenvolvendo aqui junto com o editor Yorgos Lamprinos foi algo digno de envolver, de criar percepções e surpresas que a vida acaba nos entregando, e que cheio de nuances na montagem que nos deixam completamente confusos com o que está ocorrendo, quem o protagonista está enxergando nos lugares, o que ele está vendo que é real ou não, e com um texto forte, porém não duro acaba nos proporcionando uma vertigem completa em cima de como é viver a senilidade através do olhar do protagonista, e também daqueles ao seu redor. Como já disse no começo, até me surpreende ver o filme e saber que era uma peça, afinal chega a ser dificílimo pensar em todas essas quebras de olhares, das mudanças de personagens a todo momento, de locais e tudo mais, que como filme acabou funcionando demais, e o melhor, sem cansar, afinal peças dramáticas costumam ser amarradas demais, e aqui os 97 minutos passam voando.

Sobre as atuações é claro que temos de aplaudir com toda certeza todo o trabalho de Anthony Hopkins que sabiamente trouxe toda sua experiência interpretativa para o papel, e que estando inclusive com mais idade real do que o personagem também pode colocar algo de sua vida pessoal no papel, ou seja, ele nos dá olhares, nos entrega nuances e desenvolturas, e principalmente brinca com toda a estrutura narrativa que o filme necessitava, agradando demais em tudo, e que se não fosse um ano que já temos praticamente definido o ganhador do Oscar por uma premiação póstuma, diria que as chances dele seriam bem altas. Da mesma forma vemos uma Olivia Colman bem colocada, com o estilo clássico bem marcado que sempre entrega para seus papeis, e que fazendo sua Anne uma mulher preocupada com o pai, mas também precisando de ajuda para cuidar dele, se envolve em vários momentos, e brinca com o público durante todas as facetas da trama, passando trejeitos fortes e bem colocados. Quanto dos demais personagens, todos foram bem encaixados, brincaram bastante com nossa mente, e cada um de uma maneira simples, porém envolvente acabou chamando atenção e agradando no que faz, com destaques claro para Rufus Sewell como Paul, Imogen Poots como Laura, Mark Gatiss como Bill e Olivia Williams como Catherine.

Visualmente o filme é simples, afinal praticamente se passa todo dentro do apartamento do protagonista, ou da filha, ou num asilo, e que brincando com nossa mente mudando móveis, mudando piso, mudando roupas, mudando o próprio ambiente em si, a trama ousa bastante e acaba chamando atenção demais, afinal ficamos perdidos como o protagonista se aquilo estava ali ou não, se já viu aquele momento ou não, se tirou o relógio ou aonde pôs, e assim cada elemento cênico passa a valer ser bem visto, mostrando que a equipe de arte foi tão bem acertada que acabou também ganhando uma indicação ao Oscar.
 
Enfim, é um tremendo filme que é quase perfeito só não sendo melhor por ser talvez confuso demais em alguns atos, mas felizmente isso também é o ponto alto da trama, e dessa forma o longa está indicado a 6 prêmios no Oscar (Filme, Ator, Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Edição e Design de Produção), e só por isso já é algo que vale a conferida, mas confirmo ainda mais que tudo é bem interessante e passa muito rápido, agradando bastante a todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

 
Leia Mais

AppleTV+ - Cherry - Inocência Perdida (Cherry)

4/06/2021 01:52:00 AM |

Já me indicaram muitos filmes que aparentavam ser bons, seja pelo elenco conhecido, pelos diretores imponentes, ou até mesmo pela história em si, e quando fui conferir não empolgou em nada, mas hoje esse que foi um dos investimentos mais caros da AppleTV+ até hoje superou tudo e mais um pouco, pois o novo longa dos Irmãos Russo, que todos conhecem pelos grandiosos últimos filmes dos Vingadores, "Cherry - Inocência Perdida" é daqueles que vemos claramente como gastar um dinheiro imenso erroneamente, com uma trama cansativa, um filme cheio de ambientes e desenvolturas, desde cenas grandiosas de guerra, muitas cenas de assaltos bobos que não dá para acreditar que alguém num banco entregasse o dinheiro assim tão facilmente, diversos momentos com drogas de todos os tipos, e claro muita insanidade por parte dos protagonistas que até entregam uma boa química entre eles, com um romance bem drogado e interessante de ver. Ou seja, é um filme que não chega a ser ruim, por ter uma produção grandiosa e bem chamativa, mas é fraco de atitudes e cansa mais do que empolga, e assim nem quem curtir muito dramas vai acabar se envolvendo com o filme, a não ser que seja exageradamente fã do protagonista.

A sinopse nos conta que Cherry tranca a faculdade e vai servir na guerra do Iraque, com o apoio de sua amada Emily. Mas ao voltar para casa com transtorno de estresse pós-traumático e tentar encontrar seu lugar no mundo, sua vida entra em uma espiral descendente rumo ao mundo das drogas e do crime.

Claro que o filme tem todo o estilo que os diretores Anthony e Joe Russo sempre entregam em suas produções, porém faltou uma determinação maior em cima do tema, uma desenvoltura maior em cima dos papeis, e não apenas mostrar um dependente químico maluco, que se droga junto com a namorada após um estresse traumático de guerra (algo que sabemos que ocorre aos montes), e mostrar assaltos bobos irreais para arrumar dinheiro, pois sim sabemos que muitos viciados roubam aos montes lojas pequenas e alguns bancos menores, mas vir mostrar uma nota escrita estou armado, isso é um assalto é algo que nem o caixa de banco mais idiota do mundo entregaria uma tonelada de dinheiro. Ou seja, acabaram gastando tanto na produção, nas cenas de guerra, nas grandiosas loucuras e tudo mais, que esqueceram de pelo menos colocar o arbitrário real para pensar, e mesmo nas cenas mais melosas do casal poderiam ter feito algo um pouco mais forte com eles, pois a monotonia cansa o público. Outro detalhe que os Russo são bons e não usaram aqui, já fizeram filmes gigantescos com dezenas de personagens e não precisaram capitular, sabendo fazer sequências de conexões perfeitas para que tudo fosse alinhado e funcional, e aqui foram colocar capítulos em tudo, com montagens pífias e estranhas, ou seja, gastaram o dinheiro da Apple e só. Agora se tenho de elogiar algo, faço isso com gosto, pois os nomes que deram para os bancos, para os médicos foi algo genial e muito bem divertido como uma sacada bem irônica e funcional, além da ótima transformação de maquiagem para com o protagonista em diversos momentos, mostrando mais gordo, com bigode, com cortes de cabelo e tudo mais, ou seja, nesse quesito acertaram bem, e se talvez tivessem usado mais isso, e brincado mais com a ironia em tudo ao invés do melodrama, o resultado seria completamente outro filme muito melhor.

Sobre as atuações, diria que facilmente Tom Holland vem crescendo muito na carreira de ator, cada vez pegando projetos maiores, mas não anda caindo em papeis que o valorizem como ator dramático, tanto que no longa da Netflix, "O Diabo de Cada Dia" ele teve críticas bem mistas com muita pressão em cima de seus trejeitos, e aqui novamente temos a mesma situação, ao ponto que ele se entrega bem para os papeis, faz estilos fortes e tudo mais, mas seu Cherry não tem uma consistência, misturando momentos explosivos que não parecem verdadeiros, e emocionando com melodramas demais, ou seja, ele foi muito bom quando adolescente, e se não começar a pegar papeis que mostrem mais sua personalidade realmente corre o risco de daqui a alguns anos não saberem aonde colocar ele, mas isso é uma opinião minha, e posso estar bem errado, como também posso estar muito certo como já acontecer com outras promessas que acabaram sumindo de Hollywood por não acertarem em projetos mais ousados. Ciara Bravo foi meiga demais em alguns momentos com sua Emily, e tentaram quebrar isso com algumas cenas mais doidas de seus atos drogados, e isso não é algo que a mostrasse realmente, de forma que não a vemos como alguém quebrado ou desesperado realmente, parecendo que a artista não estava fazendo algo próprio e sim forçando a desenvoltura a pedido dos diretores, ou seja, talvez algo mais comum chamaria mais atenção do que a quebra do estereótipo mostrado com alguém não comum, ou seja, não convenceu, porém a química do casal ficou bacana de ver, e isso poderia ter sido melhor explorado. Quanto aos demais, tivemos o lado dos amigos drogados engraçados e malucos, com destaque para Jack Reynor e Forrest Goodluck com seus Pills and Coke e James Lightfood respectivamente, e do outro lado os amigos de guerra com destaque para Jeff Wahlber com seu Jimenez, mas nada que surpreendessem em nenhum dos três, sendo apenas bons personagens de conexão para os protagonistas.

Agora sem dúvida alguma os Russos sabem produzir coisas gigantescas, e aqui temos câmeras fazendo tomadas aéreas imensas para mostrar a magnitude dos cenários da guerra, com muitos ambientes repletos de figurantes e muitas salas/quartos dos alojamentos, vemos cenas com diversos tanques, helicópteros e tudo mais aparecendo em diversos ângulos e explosões, e mesmo na cidade tivemos bancos de todos os tipos possíveis, com muitos personagens aleatórios, nas cenas dentro da casa dos protagonistas tivemos todo tipo de droga e de formas de se drogarem e namorarem filosofando e dormindo, com loucuras possíveis e impossíveis de ver quando estavam dopados, e mesmo no epílogo fizeram questão de dar todas as nuances possíveis da cadeia com elementos mil e mais toneladas de figurantes passando diversos anos sem nem gastarem um diálogo só que fosse, enquanto a equipe filmava milhares de cenas, e a equipe de maquiagem suava horrores para fazer as transformações no protagonista. Ou seja, é daqueles filmes que acabam sendo bonitos de ver por todo o trabalho envolvido, mas que mereciam ter usado isso para melhorar a história e não apenas para jogar na tela o dinheiro gasto.

Enfim, é um filme interessante de ser conferido pelo que falei aqui em cima, por uma produção gigantesca muito bem feita, com elementos cênicos incríveis e tudo mais, porém é uma história simples, chata, e que mesmo tendo muita ironia envolvida para dar algumas quebras e tentar divertir o espectador, acaba não funcionando e não agradando como poderia, resultando em algo bem mediano, que volto a afirmar que só os fãs do ator talvez irão gostar, enquanto os demais irão se cansar na metade, terminando a força praticamente para ver se vão gostar do fim. E sendo assim, só recomendo se você estiver com muita vontade realmente de ver o filme, pois são 142 minutos custosos de passar, e que realmente fiquei bravo com as pessoas que me recomendaram ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Acho que poderia dar uma nota até menor para a trama toda, mas a grandiosidade do projeto em si acaba valendo pelo menos 6.


Leia Mais

Netflix - Até o Céu (Hasta el Cielo) (Sky High)

4/04/2021 08:54:00 PM |

Já disse outras vezes aqui no site que gosto muito do que o cinema espanhol costuma entregar, e eles tem acertado bastante em diversos gêneros, o que faz com que você possa dar o play em qualquer um e a chance de não curtir é bem pequena. Dito isso, a história que o lançamento da Netflix "Até o Céu" nos entrega é bem bacana, cheia de boas nuances, com uma trama bem amarrada de bons assaltos, só tendo um único ponto que fraquejou bastante: o protagonista, pois ele não tem perfil de imponência, nem tipo de pessoa que comandaria uma rede criminosa, e sim daqueles que na primeira vez preso já denunciaria o grupo todo e viraria comida de peixe pelos grandes nomes do crime. Ou seja, é um bom filme pelo contexto geral, mas certamente com um nome mais forte no papel principal (por exemplo Mario Casas), o resultado além de agradar bastante, seria daqueles memoráveis que todos se surpreenderiam do começo ao fim, mas como já disse o que temos aqui não é ruim, e assim sendo quem curte o estilo irá ter bons momentos de passatempo.

A sinopse nos conta que Ángel é um jovem dos subúrbios de Madrid cuja vida mudará para sempre no dia em que conhecer Estrella em uma boate. Após uma briga com Poli, o namorado possessivo da garota, ele descobre que Ángel tem talento para se meter em encrencas e, o mais importante, para sair delas. Por isso, ele o incentiva a se juntar à sua gangue de ladrões, que tem toda a polícia de Madrid sob controle. A ambição de Ángel o fará mergulhar em uma pirâmide de roubos, dinheiro fácil e negócios duvidosos, que o levará de Madrid a Ibiza. Sua habilidade também fará dele o protegido de Rogelio, um capo que controla o mercado negro da capital, e de Sole, sua filha, que ficará apaixonada por ele. A escalada de Angel será imparável e ele logo se tornará um dos ladrões mais procurados do país. E conforme o cerco policial se intensifica, ele terá que decidir entre Sole ou o amor de sua vida, Estrella. Uma viagem que começou no mais humilde dos subúrbios e que visa o ponto mais alto: o céu.

Diria que aqui o diretor Daniel Calparsoro melhorou um pouco do que fez com seu último filme "O Aviso", ao ponto que deu mais nuances para os personagens e conseguiu trabalhar o roteiro de Jorge Guerrichaechevarría de uma maneira bem equilibrada, fazendo com que os crimes fossem cheios de interações bem feitas, e principalmente com uma montagem dinâmica que fizesse o público conferir as quase duas horas diretas com uma boa pegada e estilo. Claro que o filme tem seus exageros, afinal esse estilo pede isso, mas como a trama é baseada em acontecimentos reais, o que acabamos vendo é cheio de momentos bem encontrados, e traz principalmente o exagero que muitos que acabam entrando para o crime perdem os limites, fazendo transações insanas, enfrentando tudo e todos, e em certo momento já achando que são imbatíveis, e assim caindo no que acabaram desenvolvendo. Ou seja, tudo é muito bem feito, e como disse no começo se tivesse um ator mais imponente como protagonista, o resultado seria incrível, pois não que o escolhido seja um ator ruim, muito pelo contrário, ele fez bons trejeitos e atos, mas não nos convence de ser o fodão como o personagem pedia.

Já que falei um pouco da minha reclamação em cima do ator Miguel Herrán, posso dizer que ele foi até sincero dentro da personalidade de seu Ángel, porém o ator não entregou a malemolência que o papel exigia, não deu nuances de olhares fortes, e principalmente não conduziu o filme como um ladrão realmente conduziria, ao ponto que vemos um jovem bem armado de ideias fazendo trambiques bem montados para roubar as coisas, e não alguém imponente e cheio de astúcias como é costumeiramente interpretado esses papeis, ou seja, faltou força para o papel, e não que ele seja um ator ruim, mas não é o tipo de papel que lhe caísse bem. É até engraçado ver Carolina Yuste retratada como um mulherão tão desejado com sua Estrella, pois ela tem uma pegada de barraqueira e um estilo que certamente o protagonista escolheria a outra opção para ficar, mas a atriz soube trabalhar bem os olhares, e cadenciar seus momentos para chamar bastante atenção e isso funcionou bem no que a personagem pedia. Já Asia Ortega deu nuances mais soltas para sua Sole, com uma personalidade centrada que acabou caindo bem na lábia do protagonista, passando por cima até de seu pai que era o grande arquiteto de todos os crimes na cidade, e ela ainda teve olhares e um visual bem bonito de se cativar, não pela personalidade do protagonista, mas de um mulherão que valia a investida. Já que falei do pai, Luis Tosar apareceu pouco com seu Rogelio, mas sempre bem trabalhado, e com dinâmicas diretas ao ponto nas suas falas, acertando bem, e chamando a atenção para seus atos e rupturas, agradando bem em tudo. Embora seja a estreia de Richard Holmes com seu Poli, o jovem ator até foi bem no papel, teve alguns atos com imposições, e acabou chamando até mais atenção do que o protagonista, ao ponto que talvez com papeis invertidos o filme até tivesse um algo a mais, mas não rolou, e assim sendo vamos ver se ele ganha chances com outros papeis. Dentre os demais, cada um apareceu pouco e deu as devidas conexões para com os protagonistas, seja pelos demais elementos do bando como Ramón Sánchez com seu Nando, ou Dollar Selmouni com seu Gitano, passando pela advogada trambiqueira Mercedes vivida muito bem por Patricia Vico, até chegarmos no policial exagerado vivido por Fernando Cayo, ao ponto que cada um foi bem no que precisava, mas sem grandes destaques.

Visualmente o longa foi interessante com algumas festas em boates, alguns assaltos imponentes a joalherias e concessionárias de carros de luxo, um grandioso assalto em uma balsa/navio gigantesca, várias cenas em delegacias e presídios, além de uma boa armação em um hotel de luxo, e claro muitas cenas nas periferias no começo mostrando de onde saiu o protagonista, ou seja, a equipe de arte teve um bom trabalho na construção dos diversos elementos da trama, e o resultado visual ao menos acaba surpreendendo bastante com muitos carros de pompa, e vários elementos alegóricos bem trabalhados para dar as nuances que o diretor precisava.

Enfim, está bem longe de ser um filme perfeito, mas tem boas cenas e boas dinâmicas, que acabam fazendo valer a conferida e até se empolgar em alguns momentos, ao ponto que volto a frisar que talvez o maior erro tenha sido a escolha do protagonista, e o diretor exagerar um pouco demais em algo que foi baseado em fatos reais, mas isso é uma opinião apenas, e sendo assim, digo que quem quiser um passatempo sem muita coisa para reclamar acaba valendo o tempo na frente da TV. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - Alma de Cowboy (Concrete Cowboy)

4/03/2021 01:38:00 AM |

Confesso que não sei o que estava esperando do filme da Netflix, "Alma de Cowboy", pois não havia lido nada sobre ele, e apenas tinha visto rapidamente aquelas cenas que passam quando deixamos a TV ligada com a plataforma aberta, então diria que agora após conferir que é um filme interessante sobre a proposta de cowboys que vivem atualmente no meio da cidade, e que jovens do meio deles acabam saindo ou nem entrando para o mundo do crime, e assim sendo a trama vale como uma retratação de uma comunidade específica, porém como cinema/ficção realmente com um tema que fluísse e emocionasse realmente acabou faltando um pouco mais de envolvimento, de emoção e até talvez de uma linearidade cênica, pois em vários momentos vemos a trama acontecendo, daí jogando tela preta (o famoso fade out), outra cena completamente diferente, e assim acabamos não entrando tanto no clima como deveria. Ou seja, não é um filme ruim, mas passa longe de ser algo que empolgue como filme mesmo, valendo para sabermos que ainda existem cowboys mesmo em um país riquíssimo como é o EUA, no meio de grandes cidades, da mesma forma que vemos pessoas com cavalos nas cidades por aqui.

O longa que é inspirado nos estábulos de Fletcher Street nos mostra que Cole, de 15 anos, é levado para viver com seu distante pai no norte da Filadélfia. Lá, ele descobre a vibrante cultura de cowboys urbanos da cidade que existe há mais de 100 anos, proporcionando um refúgio seguro para o bairro, apesar da pobreza e violência.

Diria que talvez o mesmo roteiro nas mãos de um diretor mais experiente veríamos um resultado mais expressivo na tela, pois o estreante Ricky Staub até tentou trabalhar a alma realmente de cowboy, de um amante de cavalos, de saber domar a vida e tudo ao seu redor, mas ao conectar com a ideia de fugir da criminalidade, das escolhas da vida, e tudo mais em seu primeiro filme acabou fazendo algo que poderia ser grandioso ficar bagunçado e sem muitos rumos, não tendo nem apresentações bem feitas dos personagens, nem momentos que chamassem realmente a atenção, ao ponto que tudo acaba acontecendo, personagens morrendo, situações que seriam alongadas passando rápido, e o resultado sem fluir realmente, nem fazendo com que conheçamos mais nada ali, ou seja, faltou realmente um norte para o filme se direcionar.

Um dos pontos que mais faltou acontecer realmente é ver Idris Elba se mostrar realmente como um cowboy, ou melhor, como um líder da comunidade ali pelo que aparentou ser, pois sabemos o potencial do ator, e aqui seu Harp pareceu imponente, mas apenas riu nas rodas, discutiu com o filho por motivos abertos demais, e não atacou realmente quando precisava explodir, ficando bem no meio do caminho de tudo, o que acaba sendo ruim. Caleb McLaughlin pode até ser um ator muito bom na série que todo mundo fala, mas aqui seu Cole ficou muito em cima do muro, com cenas espaçadas demais, com expressões forçadas e estranhas, ao ponto que não conseguimos acreditar no seu personagem, parecendo estar completamente perdido em todas as cenas, ou seja, faltou como já disse no texto uma direção melhor para dar as nuances que o jovem precisaria mostrar, e sem isso ele não conseguiu ir muito além. Jharrel Jerome fez um Smush bem agitado, com ideias interessantes, mas não boas o suficiente para sobreviver no meio do crime, ao ponto que vemos o ator com bons trejeitos, bons momentos, e com uma malemolência bem colocada, que acaba agradando para o papel, mas de cara já sabíamos o que iria rolar com ele para o filme fluir. Quanto aos demais, alguns tentaram passar lições, as personagens femininas foram bem pouco usadas, e os verdadeiros cowboys do gueto Jamil Prattis e Ivannah-Mercedes até que se saíram bem em frente das câmeras com seus Paris e Esha. 

Visualmente o longa foi interessante por criar uma casa bem rústica aonde o protagonista mora, com poucos elementos como casa realmente, parecendo até mais um estábulo, inclusive com um cavalo dentro da casa, e além disso temos como cenários os vários estábulos da rua Fletcher com seus cowboys ao redor de uma barraca e fumando e bebendo a noite ao redor de uma fogueira, alguns ambientes de drogas e vida noturna, um túnel/esgoto isolado, e o estábulo da polícia, ou seja, pouca ambientação, mas ainda tivemos uma grande festa com uma corrida de cavalos, e algumas interações na rua, mas nada de muito surpreendente, valendo claro os vários cavalos da trama bem bonitos em cena.

Enfim, não é um filme ruim, tendo uma proposta para ser mostrada, mas certamente poderiam ter ido bem além em tudo, e criado realmente uma ficção melhor dirigida em cima do tema para que tudo envolvesse realmente e funcionasse melhor, mas isso só refazendo a trama toda, o que não é o caso aqui, e sendo assim, não digo que recomendo o longa, mas também não critico quem gostar de ver. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - Fuja (Run)

4/02/2021 06:59:00 PM |

O mais interessante em longas de mistério é tudo o que acabamos montando em nossas cabeças durante toda a exibição, e quando um filme consegue criar as diversas paranoias possíveis a trama fica melhor ainda, porém é necessário manter tudo num ponto claro para todos, e principalmente não entregar de cara o mistério. Iniciei o texto do filme da Netflix, "Fuja", falando dessa forma, pois mesmo sem ler qualquer sinopse ou ver o trailer já é notável logo nas primeiras cenas toda a desconfiança da garota pela mãe ao aparecer com um comprimido diferente, mas até aí tudo bem, o caso é que vai piorando a intensidade das coisas, e já no miolo vemos muita insanidade por parte de ambas, até chegar nos momentos finais bem fortes, e a cena de fechamento ainda mais maluca. Ou seja, é daqueles filmes que vemos muitos momentos tensos e muita loucura no decorrer da trama, mas certamente poderiam ter feito alguns momentos menos jogados no miolo para não forçar tanto a descoberta da garota pelos problemas principais, pois é algo que nem o mais burro dos psicopatas guardaria evidências de seu crime para alguém descobrir facilmente, mas tirando esse detalhe é um filme bem louco e interessante de conferir.

A sinopse nos diz que você nunca pode escapar do amor de uma mãe ... mas para Chloe, isso não é um conforto - é uma ameaça. Há algo antinatural, até mesmo sinistro, na relação entre Chloe e sua mãe, Diane. Diane criou sua filha em total isolamento, controlando cada movimento que ela fez desde o nascimento, e há segredos que Chloe está apenas começando a entender.

O diretor e roteirista Aneesh Chaganty surpreendeu a todos com seu primeiro filme "Buscando..." em 2018, e se lá o filme tinha toda uma essência desesperadora, um estilo rápido e dinâmico, aqui ele foi bem mais contido, com uma trama que merecia um algo a mais, e talvez até um pouco mais de tensão, pois ele vai revelando as camadas da trama rápido demais, e com pouquíssimo suspense já vamos sabendo de quase tudo, sem nenhuma grandiosa revelação, pois mesmo o que ficamos sabendo no porão não chega a ser surpreendente. Ou seja, ele fez um bom mistério, criou momentos intensos com a garota tentando fugir e tudo mais, mas certamente poderia ter criado um algo a mais para surpreender, ao ponto que vamos curtindo tudo sem ficarmos claustrofóbicos ou desesperados com as atitudes, mas sim apreensivos apenas pelas loucuras da mãe, e isso é algo ao mesmo tempo bom, mas que não explode no final, ainda mais sabendo do potencial do diretor.

Agora sem dúvida alguma as atuações surpreenderam demais, com Sarah Paulson completamente insana com sua Diane, fazendo coisas terríveis e fortíssimas para manter a garota completamente dependente dela, com uma desenvoltura sem igual, além de trejeitos fortes e bem marcados que acabaram chamando demais a atenção, e como o filme basicamente é só ela e a garota conseguiu forçar as cenas para si sem precisar chocar, o que mostra algo marcante e muito bom por parte da atriz. Kiera Allen também foi muito bem com sua Chloe, estreando e mostrando um serviço na medida certa, com olhares desesperados, falta de ar com os esforços sem medidas, e ainda sabendo conter bem suas pernas para manter o personagem, entregando dinâmicas bem simples, porém fortes e acertadas. Quanto aos demais, ninguém teve nada que desse para destacar, desde a farmacêutica ingênua, o carteiro também bem ingênuo, e até mesmo a enfermeira não foi muito além nos poucos momentos que apareceram, não conseguindo ganhar nenhum destaque na trama.

Visualmente a casa das personagens é bem montada, cheia de detalhes característicos de famílias que tem paralíticos em casa, com elevadores nas escadas, vários itens de monitoramento, muitos remédios, uma horta, o tradicional porão de filmes de mistério recheado de elementos cênicos prontos para serem usados, mas o destaque visual ficou mesmo para o momento de fuga da garota, aonde vemos algo bem insano tanto por parte dela, quanto pela ideia do roteiro, que ficou muito bem feito e interessante de ver.

Enfim, é um bom filme de mistério que consegue envolver bastante, e passa bem a ideia da proposta, mas que certamente poderia ter ido muito além sem precisar revelar tudo tão facilmente, pois aí sim o filme ficaria mais tenso, porém ainda é um filme que vale a recomendação para quem gosta do estilo, não sendo nada impressionante, mas que com boas atuações e dinâmicas entregam um resultado até que satisfatório.


Leia Mais

Netflix - A Força da Natureza (Force of Nature)

4/02/2021 01:57:00 AM |

Já vi muito filme que caça público com atores e depois entrega uma bomba imensa, mas fazia já algum tempo que não via algo tão jogado como foi a estreia de hoje da Netflix, "A Força da Natureza"! Que filminho mequetrefe foi esse, que não conseguiu entregar nem um fenômeno natural impactante, nem um assalto envolvente, muito menos uma perseguição tensa num conjunto habitacional, pois virou uma mistura de tudo isso sem nexo algum, e com uma finalização pior ainda, ou seja, gastaram cachês razoavelmente altos pelo elenco para uma trama tão boba e fraca, que acabamos desanimando na metade do caminho já torcendo para algo que vá além, mas não vai, e quando acontece a cena final já ficamos preparados sabendo exatamente o que vai rolar e falhar.

A sinopse nos conta que uma gangue de ladrões planeja um assalto durante um furacão e encontra problemas quando um policial tenta forçar todos no prédio a evacuar.

Sinceramente não sei qual era a ideia do roteirista Cory M. Miller quando entregou seu material para o diretor Michael Polish, pois certamente não era o resultado apresentado na tela, afinal vemos como disse no começo um amontoado de possibilidades que não leva nada a lugar algum, parecendo que falharam tanto nas montagens quanto na ideia completa, não conseguindo criar nenhuma tensão, nem desenvolver algo que empolgasse realmente, pois pelo nome dava para acreditar que veríamos um filme com um furacão destruindo tudo, pela sinopse esperávamos ver um grandioso assalto bem tramado, e pelos atores envolvidos achava que pelo menos teríamos boas interpretações de um roteiro bem moldado, mas nada disso ocorre, e acaba parecendo que a falha foi conjunta, com um estilo não preparado que certamente se fosse um diretor inexperiente até daria para acreditar nas falhas, mas com alguém que já fez outros longas, apenas imaginamos que não quiseram ir além.

Sobre as atuações, Emile Hirsch até tentou ter uma desenvoltura mais chamativa para seu Cardillo, mostrando inicialmente uma falta de vontade exagerada, mas conforme o filme teve um pouco mais de interação ele conseguiu se envolver um pouco, fazer algumas movimentações e brigas e agitar um pouco, mas nada que fosse muito além. Mel Gibson é quase um enfeite de segundo plano com seu Ray, e embora tenha várias conexões, sabendo em quais apartamentos entrar para pegar os elementos necessários como remédios e armas, ele parece se agitar demais em alguns momentos, mas sem que o diretor quisesse o usar, ou seja, ficou jogado na trama, e nem foi muito além também. Kate Bosworth trabalhou sua Troy até que bem como médica e também sabendo atirar bem, sendo usada até um pouco mais na trama (talvez por ser esposa do diretor e já ter feito outros quatro longas com ele desde que casaram em 2013!), e com isso acabou chamando um pouco mais de atenção. William Catlett foi bacana com seu Griffin, e de cara já sabíamos que ele tinha algum animal grande em casa pela quantidade de carne que estava comprando, e também que o animal seria usado para o fim do filme, mas poderiam ter dado um pouco mais de momentos para o ator chamar atenção também, pois ficou sentado quase o longa todo, e isso não vai muito além. E para finalizar David Zayas foi o vilão mais frouxo que já vi em um filme, ao ponto que tenta fazer algumas caras de malvado, tenta impressionar com conhecimento de arte, mas foi jogado na trama e não fez quase nada. Quanto aos demais, é melhor nem perder tempo, pois fizeram apenas caras e bocas e nada mais, tendo até o cachorrinho do começo do filme sendo mais chamativo.

Visualmente poderiam ter trabalhado muito mais, afinal está rolando um tremendo furacão (ou melhor uma tremenda chuva, afinal não vemos nada voando, e mesmo fazendo barulho de vento não voa nada de água para o rumo dos protagonistas que estão em corredores abertos, não tem um chão liso para escorregarem nem nada!), mas mostraram vários apartamentos, cada um decorado de um modo, com muitas armas, remédios e tudo mais que os protagonistas sabiam bem onde tinha, além claro de um dos personagens criar uma fera dentro de um apartamento, ou seja, algo muito bizarro. Outro ponto é todo o armamento dos assaltantes, e eles falhando em tudo, ou seja, uma trapalhada completa, além claro das cenas iniciais no banco serem bem bestas de ver.

Enfim, é um filme que até talvez tivesse algum potencial com as coisas mais arrumadas, com uma determinação mais carismática dos personagens, e até um pouco mais de ação por parte do furacão, mas como nada disso aconteceu chega a desanimar a maioria das cenas, e com o final decepcionante não dá para recomendar a trama não, então vamos ver o que as outras estreias da Netflix dessa semana vão entregar, pois começou mal. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais