Alice e Peter - Onde Nascem os Sonhos (Come Away)

6/12/2021 06:40:00 PM |

O que acontece quando misturam as ideias de dois clássicos malucos em um único filme? Se você sempre se perguntou isso, veio a roteirista de "Alice e Peter - Onde Nascem os Sonhos" e respondeu sua pergunta, pois temos uma mistura tão bem encaixada das ideias de "Alice no País das Maravilhas" com "Peter Pan" trabalhando as nuances que tanto conhecemos de ambos os clássicos como sendo sonhos, imaginações e devaneios de duas crianças, mas ao mesmo tempo também ficamos pensando na forma fantasiosa que pensaram de ser uma realidade deles, ou seja, é daqueles filmes que jogam com tantas ideias e abstrações que o resultado até agrada pelo estilo comovente passado, mas talvez um pouco mais realismo em alguns atos chamaria mais atenção, além claro de não precisar ir tanto com o politicamente correto para usar reflexões que não são tão convenientes. Ou seja, é um bom filme, que talvez nem seja muito lembrado daqui algum tempo, mas o resultado é envolvente e conseguimos conectar tudo dentro dos diversos floreios, o que acaba agradando de certa forma.

O longa nos conta que antes do País das Maravilhas e da viagem à Terra do Nunca, os irmãos Peter e Alice deixaram a imaginação correr solta durante um verão repleto de brincadeiras com espadas, chás da tarde e navios piratas. Quando uma tragédia toma conta da família e muda completamente a vida de seus pais, Jack e Rose, Peter e Alice embarcam numa aventura fantástica e entendem que crescer pode não ser o maior dos seus problemas.

Após muitos anos trabalhando para a Disney, escrevendo e dirigindo grandes clássicos de nossas infâncias, a diretora Brenda Chapman resolveu mudar completamente de ares e incorporar agora todo seu conhecimento fantasioso em uma obra com pessoas, mas usando ainda como base muitos sonhos, e ao pegar o roteiro maluco da estreante Marissa Kate Goodhill, conseguiu trabalhar toda a situação, posicionar o filme numa época clássica da tumultuada Londres, e que sabendo misturar bem sonhos, fantasias e delírios incorporou o luto junto das responsabilidades intensas e agradando bem em cada um dos momentos mais idílicos acabamos entrando completamente no clima da trama e fantasiando junto com as ideias das crianças e claro tudo o que acabaram passando. Ou seja, a diretora brincou bastante com sua trama, soube segurar bem nos momentos mais tensos, e claro viajou bastante em toda a ideia, ao ponto que ficamos pensando até onde chegariam com tudo, mas é bem bacana toda a ideia de vermos os personagens clássicos como pessoas ruins da sociedade e ir remetendo eles com o que conhecemos da história original, fazendo algo complexo e fantasioso.

Sobre as atuações tenho de pontuar a boa química entre os jovens Jordan Nash e Keira Chansa em suas aventuras, ao ponto que ambos trabalharam bem olhares, dinâmicas e criaram boas desenvolturas com seus Peter e Alice, tanto que ele já com sua experiência em vários filmes fluiu rapidamente, se jogando em todas as cenas puxou a jovem em seu primeiro longa para algo criativo e bem expressivo que acabam agradando bastante e claro refletindo bastante nas situações. David Oyelowo trabalhou seu Jack de uma forma mais fechada, ao ponto que descobrimos o seu passado através de momentos mais jogados, com pontuações fortes e duras que claro refletidas para a imaginação das crianças sai ainda mais forte, ou seja, poderia ter amenizado um pouco as expressões, mas foi bem. Angelina Jolie sempre entrega boas cenas, mas aqui sua Rose ficou tão abatida após a morte do filho que alguns ângulos acabaram ainda desvalorizando ainda mais a atriz, parecendo estar cadavérica de magra e com roupas grandes apenas para dar algum enchimento, ou seja, ficou estranhamente apagada demais sua personagem, o que não é usual de ver dela. Quanto aos demais, todos apareceram bem pouco, criando nuances cênicas para alguns personagens mais conhecidos, e outros que acabaram ficando diferentes, como é o caso de Clarke Peters com seu Chapeleiro (que vamos conhecer como sendo o avô das crianças), David Gyasi com seu CJ ou Capitão Gancho na fantasia, Anna Chancellor com sua Eleanor ou Dama de Copas, e por aí vai, sem grandes destaques, mas bem encaixados pelo menos.

Visualmente o longa teve um ar bem lúdico com momentos bem trabalhados e com ambientes marcantes, como a casa dos jovens bem rústica com a oficina de barcos em miniaturas do pai, o barco abandonado que se torna um barco pirata, toda a Londres suja, rústica e lotada de pessoas de muitas classes misturadas em luxuosos jogos e nuances tensas nos ambientes, vemos também ainda todo o mundo fantasioso na mente dos jovens com coisas voando, moedas sumindo, o famoso chá com os animais em contraponto com uma grandiosa e luxuosa casa de chá real, ao ponto que é mostrado que a equipe de arte teve de viajar também na ideia completa do roteiro para que tudo ficasse bem agraciado e gostoso de ver.

Enfim, é um filme bacana, com uma boa proposta, e que mesmo sendo completamente maluco trabalha bem o ar fantasioso versus o realista, e cria ambientes visuais e na nossa mente, o que agrada bastante, só acredito que talvez pudessem ter trabalhado melhor os personagens dos adultos, pois tudo acaba acontecendo em lances tão rápidos que muitos é capaz de nem pegarem todas as nuances, e assim sendo temos algumas quebras. Ou seja, até vale a conferida e agrada quem entrar de cabeça na viagem toda, mas muitos vão se cansar um pouco, então fica a dica maior para quem ama o lúdico. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Spirit - O Indomável (Spirit Untamed)

6/12/2021 12:48:00 AM |

Pois bem meus amigos, a galera dos roteiros realmente está com falta de ideias e cada dia é uma refilmagem aparecendo por aqui, mas confesso que dessa vez fiquei sabendo somente quando apareceu na programação da semana "Spirit - O Indomável", e claro que foi inegável lembrar do desenho antigo, do filme antigo e de tudo mais que já tivemos com o cavalo selvagem, mas posso dizer que nem lembrava muito a fundo tudo o que se passava, e o resultado aqui pelo menos foi bem agradável, pois temos uma boa textura dos personagens, temos uma história bonitinha, e até canções bem gostosas, porém é algo tão rápido que parece até ser algum derivado de algum desenho da TV, não trazendo para si uma síntese própria, aonde somos rapidamente apresentados o acidente da mãe, logo em seguida já estamos com a garotinha crescida, o lance com o avô, a volta pro interior, o envolvimento rápido com os animais selvagens, os bandidos, e o desfecho, ou seja, tem sim um começo, meio e fim bem determinados, e funciona bem, só não dá para esperar nada demais, o que não é legal. mas acho que a criançada vai conseguir se conectar com o cavalo e quem sabe gere frutos futuros.

No longa acompanhamos a vida da pequena Lucky Prescott. Quando ela se muda para uma pequena cidade fronteiriça, junto com o seu pai, Lucky acaba fazendo amizade com um cavalo selvagem chamado Spirit. Com o objetivo de levá-lo até a sua família, ela embarca em altas aventuras.

Alguns materiais estão colocando esse longa como uma continuação do filme de 2002 e sendo baseado na série da Dreamworks, o que faz um pouco de sentido no que falei de ser parte de algo maior, mas posso dizer que ele funciona bem sozinho, afinal algo de 19 anos atrás muitos nem lembram nada, e quanto da série não posso opinar já que não sabia nem da existência dela. Mas sendo algo simples e funcional dá para acompanhar tranquilamente, dá para se envolver com a personagem, se emocionar com alguns atos, ou seja, o trabalho dos diretores Elaine Bogan e Enio Torresan foi bem feito, tem uma boa técnica, e principalmente passa a mensagem de confiança que é o que muitos dizem ser necessário para domar um cavalo e não força, e assim sendo o filme entrega algo bonitinho que tem um certo carisma, mas que facilmente poderia ter ido mais além como um filme só.

Sobre os personagens, a jovem Lucky é bem graciosa e imponente, cheia de atitudes e desenvolturas, e que deram uma voz bacana para ela, o que é raro em animações com crianças sendo interpretadas, e o estilo de seus momentos funcionam bem e agradam bastante, mesmo sendo tudo bem rápido de ver. O cavalo Spirit é bem arisco, selvagem e ao mesmo tempo inteligente, mostrando momentos fortes e bem colocados, que junto com os demais animais parece até se sobressair bastante. As demais garotinhas foram bem colocadas na trama, e embora surjam meio que jogadas, Abigail e Pru conseguem formar com a protagonista um trio bem legal de curtir. Agora o pai da garota ficou exageradamente deslocado, parecendo que não desejavam desenvolver ele, o que é algo meio estranho de observar, sendo que até a tia Cora dela é bem mais usada. Os vilões entregaram atos de maldades bem imponentes, mas soaram bobos demais, o que acaba sempre ocorrendo em filmes mais infantis, e talvez um pouco mais de força causasse um temor maior nos atos, e chamaria mais atenção. Ou seja, é uma animação de bastante personalidade por parte dos personagens, e que com certeza na série foram mais desenvolvidos, mas não desapontam no longa, e a graciosidade chama atenção.

O visual da trama também é bem bonito, com uma textura tridimensional bem encorpada aonde vemos bem os detalhes da cidadezinha, sua cultura de rodeios (mas com uma modelagem de carinho e dança nos cavalos, sendo contra os maus tratos, ao menos tentam mostrar isso!), e trabalhando bem detalhes na descida da montanha (um pouco exagerada, já que não dá para crer que um cavalo enfrentasse situações tão íngremes), e que teve uma boa nuance de cores para criar carisma e que junto de bons elementos cênicos fazem cada ato ser bem marcado.

O filme traz boas canções, que não temos a versão nacional para compartilhar, mas que envolveram bem durante todo o filme, e que ao ouvir as canções originais cantadas durante os créditos mostraram o mesmo envolvimento passado por Isabela Mercedez (Fearless) e Becky G (You Belong), e se alguém encontrar as versões nacionais, pode mandar que atualizo o texto. Aqui está o link da versão americana.

Enfim, é uma animação bacana e gostosa de conferir, que passa bem longe de ser perfeita, mas que tem estilo, e que certamente a criançada mais nova irá curtir, então recomendo talvez passar os dois filmes juntos, colocar a série e juntar tudo que aí o clima ficará completo, mas quem curtir algo calminho com boas canções pode conferir sozinho que vai ser agradável pelo menos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Espiral - O Legado de Jogos Mortais (Spiral: From The Book of Saw)

6/11/2021 12:46:00 AM |

Quem me conhece sabe que uma das franquias que mais amo no mundo do cinema, mesmo tendo diversos problemas técnicos, é "Jogos Mortais", e com certeza torcia para ir até o número 200 que não iria reclamar, então desde que foi anunciado o longa "Espiral - O Legado de Jogos Mortais" já comecei a ficar empolgado com as possibilidades que iriam criar, quais tipos de armadilhas iriam fazer, o nível de violência, e claro o que iriam usar para justificar os crimes e mortes, afinal como todo longa da série tínhamos um mote bem armado que ao final surpreendia completamente. Dito isso, o novo longa até tem armadilhas fortes e imponentes, o maldito porco continua assustando na captura das vítimas, temos um motivo até que compreensível para as mortes, mas ficou parecendo que faltou um envolvimento maior na investigação, aquele algo a mais para criar tensão e tudo mais, não sendo algo ruim, mas não sendo algo chocante como era o fechamento. Porém deixaram a saga aberta para uma possível continuação, o caso é se irá rolar ou não, pois não foi tão bem nas bilheterias, nem ganhou tanto os críticos mundiais, então veremos, e claro, estarei lá conferindo caso tenha mais um.

O longa nos conta que o detetive Ezekiel "Zeke" Banks se une ao seu parceiro novato William para desvendar uma série de assassinatos terríveis que estão acontecendo na cidade. Durante as investigações, Zeke acaba se envolvendo no mórbido jogo do assassino. Ele percebe que o serial killer é um imitador determinado a seguir os passos do assassino Jigsaw.

O diretor Darren Lynn Bousman dirigiu os capítulos 2, 3 e 4 da franquia, e volta agora após 14 anos a pegar no legado da trama que o deixou famoso, mas diferente do que fez lá em 2005, 2006 e 2007, aqui ele pareceu levemente afobado em querer mostrar as traquitanas criadas para o filme, não desenvolvendo realmente uma história que trabalhasse os momentos, que criássemos algum vínculo maior com o protagonista, ou até mesmo que começássemos a levantar suspeitas sobre muitos personagens, pois como sabemos que originalmente Jigsaw já morreu, então ficamos opinando sobre quem desaparece, ou quem mais poderia estar envolvido já que tudo rola ao redor do protagonista, mas não atinge nenhum grande ápice nesse sentido, ao ponto que o resultado acontece sem grandes sustos. Ou seja, não é um filme ruim, pois levamos vários sustos, as armadilhas e mortes chegam a ser chocantes, e até o medo que estávamos de um humorista estragar tudo não acabou acontecendo, mas acredito que fui muito sedento esperando algo realmente intrigante como eram os filmes da saga, e isso não aconteceu, mas pode ser que role numa continuação, afinal agora já sabemos o que o novo assassino deseja, e pode ser que colham frutos dessa nova temática.

Já que falei do maior medo que muitos estavam, vamos seguir falando das atuações, pois realmente muitos se chocaram ao ver Chris Rock, que usualmente só faz piadas com seus personagens, aparecer como o detetive protagonista da trama Zeke Banks, e ele até faz algumas boas expressões, se impõe dentro do que o filme pedia para o personagem, mas certamente um ator mais denso daria outras proporções para o personagem, e até talvez alguém novo no mercado, afinal já dando um spoiler, o personagem será usado caso haja continuação. Max Minghella trabalhou até que bem seu William Schenk, dando as nuances clássicas de um novato, e fazendo algumas boas caras e bocas, mas não diria que sua finalização foi tão impressionante como se esperaria, ao ponto que talvez um ator mais marcante caísse melhor para o papel. Outro que esperava bem mais era Samuel L. Jackson com seu Marcus Banks, pois conhecemos o ator e sabemos que seus papeis são sempre imponentes, mas aqui sumiu tão rapidamente de cena que mesmo em suas cenas do passado não consegue chamar tanta atenção. Quanto aos demais, diria que o que valeu de ver foram as armadilhas que cada personagem acabou caindo, então nem vou soltar spoilers de cada ator, dizendo que todos pelo menos se desesperaram bem nos momentos imponentes, enquanto na delegacia ou na investigação todos ficaram meio que apáticos e sem muita desenvoltura, ou seja, poderiam ter mostrado um pouco mais de expressões para mostrar seus atos.

Visualmente o que gostamos de ver realmente no franquia são as armadilhas, e todas tirando a da cera quente foram violentamente imponentes, desde a do trem com a língua, passando pela dos dedos presos na banheira, até chegarmos na arremessadora de vidros e na do fechamento com a sacada da metralhadora cada uma na sua forma de crueldade e montagem certamente foi pensada por mentes completamente insanas, e o acerto com muito sangue e bons elementos criativos funcionaram bem para o resultado completo, não sendo algo que vamos lembrar para sempre, mas que foram muito bem feitos pela equipe de arte, pois como bem sabemos mesmo tendo ainda muita computação, a montagem visual ainda é prática, e certamente faz com que os atores ficassem com muito medo em cena.

Enfim, muitos estavam na dúvida se seria uma continuação ou reinício da franquia, e eu diria que não é nenhum dos dois casos, pois usa as bases da franquia que é de torturas e armadilhas, coloca um tema de vingança como base, e transforma numa ideia de outro estilo, que seria um intermeio de tudo, ao ponto que quem for fã e for conferir esperando algo muito bom vai se decepcionar um pouco, mas que não é ruim de tudo e acerta em alguns pontos pelo menos, de forma que dá para recomendar com algumas ressalvas, pois assusta com o porco sequestrador clássico, e causa asco como a franquia fez no passado, então fica a dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Missão Cupido

6/10/2021 12:59:00 AM |

Sei que é raro vocês verem eu falando bem de longas nacionais, ainda mais de uma comédia romântica, então se preparem para o dilúvio do fim dos tempos, pois "Missão Cupido" entregou um filme completamente fora dos padrões que vemos nos filmes brasileiros, brincando praticamente com o estilo das histórias em quadrinhos, usando e ousando com técnicas de animação e de fotografia também, e que sabendo trabalhar bem a comicidade sem ficar abusivo nos atos acaba divertindo de uma forma gostosa de ver. Ou seja, é daqueles filmes que você não vai sair rolando da sessão de tanto rir, mas que vai ficar feliz com todas as cenas, além de se divertir com uma história até que boba, mas que já ouvimos muitas vezes falar que rogaram praga pra gente já no nascimento por tudo o que acaba rolando em nossa vida, e que não bastasse ser uma trama diferente de história, de técnicas, ainda por cima não usou galãs para chamar a atenção do público feminino aos cinemas, que é outra tendência do estilo, e assim muitos até podem virar a cara para a trama, e confesso que até eu estava, mas tudo foi tão gostoso de ver que recomendo darem a chance, pois tirando um leve exagero na disputa final que ficou repetitiva, os demais momentos fazem valer por completo o resultado.

A sinopse nos conta que Miguel é um anjo da guarda hilário e rebelde que é designado a cuidar de Rita, que acabou de nascer. Sem ligar pro poder das palavras dos anjos, acaba profetizando um monte de loucuras para a vida da menina. Tempos depois, o anjo recebe uma ordem vinda diretamente d’Ele, o todo-poderoso Presidente da agência de seguros de vida Miracle: Miguel deve descer à Terra e resolver os problemas que causou na vida de sua assegurada. Além de detestar voltar à Terra, Miguel terá que aprender a lidar com emoções tipicamente humanas que surgirão durante sua missão. E salvar Rita das mãos da Morte, uma linda cantora de rock que atrai as vítimas para seu bar e as seduz com sua voz.

O diretor, roteirista e também compositor da trilha sonora do filme, Rodrigo Bittencourt, conseguiu em seu terceiro longa metragem alçar um voo completo em cima de uma trama, pois ao trabalhar de uma forma irreverente, ousando em misturar quadrinhos desenhados, aplicando texturas e até criando animações realmente dos personagens para misturar tudo num grandioso efeito que saísse completamente do eixo novelesco que tanto predomina o estilo da comédia romântica nacional, ele fez com que seu filme fosse algo novo e interessante de conferir, pois sempre bato na tecla de que as novelas ainda dominam o país, e muitos filmes usam sempre o suporte do estilo para chamar a atenção, e precisamos sair desse eixo para mostrar algo nosso, que já vimos sim em outros filmes, mas colocando boas pontuações, enxergando que dá para mudar e ser criativo, o resultado acaba funcionando bem. E aqui seu roteiro é diferenciado, pois temos um Deus, criador irreverente de tudo (ou da porra toda como é dito no filme), e que brinca com as sacadas não apenas da criação dos humanos, mas sim da criação cinematográfica, usando referências de grandes clássicos hollywoodianos, e envolvendo com as sacadas bem pautadas em cada momento. Ou seja, é um filme aonde temos uma história até que simples se formos analisar a fundo, mas que tem tanta técnica que surpreende e agrada demais, e que quem gosta de um filme irreverente vai curtir bastante, que mesmo tendo algumas falhas expressivas, passa batido e faz valer o tempo de exibição.

Sobre as atuações, o humorista Lucas Salles caiu muito bem na personalidade de Miguel, sendo irônico aonde precisava, trabalhando as piadas de uma maneira solta, e principalmente cativando tudo com um carisma bem propício de se envolver, ao ponto que acabamos não cansando dele, algo que geralmente acontece com alguns personagens cômicos, ou seja foi bem na síntese que lhe foi dada, e só não diria que o ar "romântico" tenha caído tão bem para os momentos finais, servindo mais como um ar secundário que talvez não precisasse ser colocado, mas como costumamos dizer, quando muito se briga e implica com alguém, o romance vem, e aqui funcionou dessa forma. Isabella Santoni estreia seu primeiro filme após muitas novelas, e sua Rita tem uma boa desenvoltura e a atriz usou um tom ácido gostoso de ver numa garota, não deixando ela nem forçada e rebelde, nem exageradamente desacreditada, o que flui bem e acaba chamando atenção, ou seja, foi um bom começo e ela tem um bom perfil, que certamente lhe garantirá mais bons papeis, pois foi bem aqui. Já do lado oposto a amiga da protagonista, Carol, ficou levemente forçada por Thais Belchior, ao ponto que vemos isso mais pelo papel do que pela atriz, mas poderiam ter amenizado seu exagero amoroso que acaba sendo cansativo de ver. Também é a estreia de Agatha Moreira nos cinemas, e a escolha da atriz foi perfeita para o papel de Morte, pois se queriam um tom sedutor a jovem já fez muito bem em outros papeis em séries e novelas e com estilo e personalidade vemos um envolvimento forte e muito bem colocado, dando show nas suas cenas. Rafael Infante forçou sim em seu Presidente, mas sabemos que o humorista é dessa forma, e seu personagem acabou chamando a atenção justamente por esse exagero ambientado, mas ao menos lhe deram bons textos que fizeram esse exagero todo funcionar, ou seja, um bom acerto na escolha também. Victor Lamoglia já ousou chamar a atenção com um personagem mais sério, o que é curioso de ver num humorista, ao ponto que seu Rafael foi bem intrigante e interessante pelas atitudes bem colocadas, o que acabou chamando atenção e funcionando dentro de uma personalidade mais elegante. Dentre os demais, a maioria foi de conexão com um ou outro ponto a mais para chamar atenção, tendo um leve destaque pelo exagero de gritos de Daniel Curi como Querubim, mas até que alguns pontos foram engraçados dentro dos trejeitos mafiosos usados por ele, mas poderia ter sido menos exagerado.

Agora sem dúvida alguma o ponto alto do longa é toda a produção visual, pois mesmo vendo que não criaram grandiosos ambientes cênicos, conseguiram brincar muito com técnicas visuais, usando contrastes de cores passando a maioria das cenas da Morte em preto e branco como se tudo ao redor dela realmente morresse, já em contraponto a sala do Presidente com toda sua criatividade cheia de cores, com vários quadrinhos começados e sendo desenvolvidos como uma vida sendo manipulada, todos os diversos elementos cênicos e as coincidências de seus jogos de dardos com coisas boas e ruins sendo arremessadas no mapa, na Terra a protagonista e sua amiga cuidando de uma loja de doces para adoçar a vida das pessoas dando sabor em tudo, e claro ainda muitas referências à outros filmes clássicos como "Poderoso Chefão", "Kill Bill", entre outros, ou seja, toda uma dinâmica muito bem criada pela equipe de arte, além claro de toda a computação gráfica para a criação das animações sejam elas em cima de cenas atuadas ou realmente desenhadas que deram um luxuoso resultado para a trama com os quadrinhos em movimento e tudo mais, ou seja, perfeito.

E milagrosamente temos um filme nacional com sua trilha sonora compartilhada para que todos possam escutar depois, que o diretor compôs e cantou praticamente todas as canções junto de Daniel Lopes, e claro que deixo aqui o link, pois além de darem todo o bom ritmo na produção, são bem gostosas de conferir.

Enfim, é um filme que está longe de ser perfeito, que tem várias pequenas falhas pontuais no miolo como alguns leves exageros, e uma cena final de desafio numa máquina que ficou forçada e repetitiva demais com todos "brincando" ali, e que até faz um certo sentido com a combinação usada no início do filme, mas que poderiam ter amenizado para ficar melhor, mas que todo o restante é tão bom, que certamente acabamos bem envolvidos e vale muito a recomendação para que todos confiram, pois sabemos como as produções nacionais não são tão valorizadas, principalmente as que fogem de um padrão, e aqui é algo criativo e muito bem funcional. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Aqueles Que Me Desejam a Morte (Those Who Wish Me Dead)

6/09/2021 12:59:00 AM |

Tem alguns filmes que já pelo trailer você fica olhando e pensando se irá dar química juntar mais do que um tema, depois fica apreensivo de toda a situação colocada, mas ainda assim vai conferir esperando ser surpreendido, porém é muito difícil acertar a mão em temas que não se complementam, e fuga/proteção de testemunha de um crime com incêndio florestal não tinha como ter uma ligação interessante ou que envolvesse pelo menos o público, ao ponto que nem um tema, nem o outro acabou bem desenvolvido em "Aqueles Que Me Desejam a Morte", e no final vemos um resultado até que de certa forma bonitinho, mas ficamos apenas na memória a frase que a protagonista solta de que comparado ao sofrimento do garotinho, todos os problemas dela não dá nem para comparar, e esse acaba sendo o mote que no meio de um problema imenso, o fogo queima tudo e só sobram lembranças. Ou seja, é um filme bem mediano, daqueles que se não tivesse um grande elenco ficaria até esquecido de canto nas distribuidoras, mas que pelo menos envolve em algumas boas cenas no meio de todo o incêndio, e claro pela determinação da grávida em tudo o que faz.

O longa nos conta que Connor é um menino de 12 anos que presencia o assassinato do pai, e então, precisa escapar dos assassinos que começam a caça-lo incessantemente. Ele encontra proteção com Hannah Faber, uma bombeira traumatizada pelo fracasso de sua última missão. Os dois vão precisar lutar muito para sobreviver.

O diretor Taylor Sheridan é daqueles que tem uma essência mais rústica em seus filmes, que gosta de trabalhar nuances do campo, envolver amplitudes de cenários abertos imensos com proporções do ambiente várias vezes maior do que os personagens, e que geralmente dá abertura para mais que um tema em suas produções, o que já falei ser bem difícil de acertar, mas ele gosta, então quando vamos ver um filme seu temos de ir preparados para algo bem aberto e com situações bem amplas sem muito direcionamento, o que não é ruim, desde que escolhido os temas para dar momentos fortes e certeiros, o que não ocorre aqui, pois até temos toda a dramaticidade do garotinho tendo de fugir dos capangas que estão a sua caça, temos toda a agonia/desespero da protagonista com sua mente ainda forçada em cima de um insucesso, e temos o fogo tomando conta de tudo, o que não liga nenhum dos três vértices do triângulo, apenas tendo o mote de que não dá para fugir de todos os problemas, e o jeito é encarar cara a cara e ver no que dá, e assim vemos tudo ocorrer. Ou seja, volto a frisar que não é um filme ruim, pois se fosse um filme sobre os bombeiros florestais e os incêndios impactantes e as pessoas que usam de saídas de sobrevivência, até seria bacana, se fosse um filme de caça de um garotinho e como ele fugiu deles ajudado por outras pessoas, também bacana, sobre traumas do passado e suas superações, muito legal, mas as três coisas juntas não deram química, e o resultado geral ficou frouxo.

Sobre as atuações, Angelina Jolie sempre entrega personagens densos, mas que fluem de uma maneira tão fácil que parece que a atriz nem está se esforçando para o papel, quase como se estivesse em casa fazendo de boa e saiu sua Hannah, e se pararmos para analisar sua personagem tem muitos problemas na cabeça, está traumatizada, toma um raio quase na testa, e vai muito bem na desenvoltura toda, mas facilmente se conecta com o garotinho e acaba indo muito a fundo nessa conexão, o que é legal de ver. O jovem Finn Little trabalhou bem seu Connor, não sendo daqueles garotos chatos que ficam incomodando com tudo, mas se entregando bem nos momentos chaves, e fluindo seguro do que está fazendo, mostrando atitudes e bons olhares. Jon Bernthal e Medina Senghore entregaram também bons papeis como o Xerife Ethan e sua esposa grávida Alisson, ele por sua calma nas cenas mais intensas, e ela pelo inverso de ir para cima dos vilões e não deixar que uma barriga lhe atrapalhasse em nada, sendo bem imponente em tudo. Já Nicholas Hoult e Aidan Gillen trabalharam os vilões da trama com um ar de maldade forte, mas sempre com nuances meio que jogadas e atrapalhadas, o que acaba ficando sem grandes explosões nos atos, porém ainda assim torcemos para que virassem churrasquinhos no incêndio.

Visualmente a trama teve poucos ambientes, tendo basicamente a floresta toda pegando fogo, o posto de vigilância aonde os personagens ficaram escondidos por um tempo, a casa do Xerife e a casa do garotinho, e alguns elementos cênicos como várias armas, um machadinho de mão e praticamente nada mais, porém temos um adendo meio que grande quanto do papelzinho que o garoto leva a mensagem, que ao cair na água já era, então como ele dará a entrevista no final do filme já que ele não lê a mensagem em nenhum momento (fica aí um furo no roteiro).

Enfim, é um longa que até dá para curtir pela essência de aventura, mas como disse tem três vértices que não se ligaram bem, e assim a trama não vai muito além em momento algum. Ou seja, se você gosta de longas com a caça de um personagem em meio à um incêndio junto de uma personagem traumatizada pelo passado até pode ser que valha a pena a conferida, mas como nenhum dos momentos chama atenção realmente sem ser o grandioso incêndio (que pareceu bem real, e não tão cenográfico!), fica a dica, mas diria que tem longas melhores do estilo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Invocação do Mal 3 - A Ordem do Demônio (The Conjuring - The Devil Made Me Do It)

6/08/2021 01:42:00 AM |

Se podemos colocar uma franquia que deu certo pela essência e que fez muitas pessoas passarem a gostar do gênero terror é "Invocação do Mal", e isso se deve muito claro ao estilo James Wan de dar dinâmicas e estilos para o gênero, pois todo mundo sabe que vai se assustar em determinada cena, vai ficar tenso com um ou mais momentos, mas ao escolher contar as melhores e mais tensas histórias do casal Warren ele determinou o estilo e criou uma franquia poderosa do gênero que só tem lucrado cada vez mais, porém ele resolveu que agora quer apenas ganhar dinheiro, e com isso passou a ceder suas ideias para que outros diretores mais jovens passem a aparecer e crescer dentro da franquia também, e como Michael Chaves foi bem com "A Maldição da Chorona", eis que caiu em suas mão esse novo episódio dos Warren, "Invocação do Mal 3 - A Ordem do Demônio", e ele até que soube desenvolver bem o estilo da franquia, jogando aqui para um lado mais de suspense policial do que de terror realmente, claro com as devidas proporções de exorcismos, satanismos, cultos e tudo mais, mas sem forçar a barra para sustos gratuitos, a trama trabalhou bem o envolvimento e conseguiu agradar bem. Claro que como todo amante de um terrorzão mesmo com todas as letras, e sabendo do potencial da franquia que Wan criou, esperava ver algo muito mais tenso, mas o resultado geral até que surpreendeu bem e agradou de certa forma.

O longa revela uma história assustadora de terror, assassinato e um desconhecido mal que chocou até os experientes investigadores de atividades paranormais Ed e Lorraine Warren. Um dos casos mais sensacionais de seus arquivos, começa com uma luta pela alma de um garoto, depois os leva para além de tudo o que já haviam visto antes, para marcar a primeira vez na história dos Estados Unidos que um suspeito de assassinato alega ter tido uma possessão demoníaca como defesa.

Como já disse o estilo de Michael Chaves é bem diferente de James Wan, e aqui ele foi esperto em abrir o gênero para algo mais calmo que conseguisse envolver, trabalhando mais o suspense, incorporando um lado até romântico com toda a história dos Warren (fica a dica para o final de semana dos namorados!), trabalhou bem as nuances policiais com alguns casos mais fechados incluindo até um julgamento, e ao invés de focar tanto na incorporação de um demônio vindo sabe lá de onde trabalhou com o objeto de seitas satânicas e a ideia de jogar uma maldição em alguém, colocando em pauta ordem dos Discípulos do Carneiro que já havíamos ouvido falar um pouco lá nos longas da Annabelle, e que provavelmente agora devam ir até mais a fundo nessa ideia em outros longas (não falaram ainda quais são os próximos projetos da franquia, mas o ambiente de maldições sempre funciona bem!). Ou seja, o que vimos aqui é um bom roteiro, que foi bem articulado e que mostrou o diretor até bem mais seguro do que em seu primeiro projeto, ao ponto que gastou bastante com muitos elementos práticos (vemos pouquíssimas nuances de efeitos computacionais, brincando bastante com luzes, com objetos caindo, muita maquiagem e toda a simbologia dos cultos), e assim sendo mesmo que não nos tenha sido entregue algo para sair arrepiado da sessão, o filme acaba tendo um bom envolvimento e chama a atenção dentro do que se propõe.

Sobre as atuações, chega a ser até engraçado que Patrick Wilson e Vera Farmiga já se colocar tão bem nas personalidades de seus Ed e Lorraine Warren que parecem completamente soltos dentro dos filmes, fazendo belas nuances, ele agora com quase um infarto bem marcado correndo e morrendo como qualquer pessoa que tem problemas cardíacos, mostrando que o ator estudou bem o estilo de pessoas assim e fez muito bem, e ela com toda sua maluquice de ir sempre nos lugares errados, dar a mão para os mortos para ir em busca dos sinais, e sem forçar trejeitos se jogar completamente na personalidade, ou seja, ambos perfeitos, e o melhor, conseguem manter a essência dos personagens, e ao fazer outros filmes sair completamente diferente do papel, ao ponto que não vamos falando olha os caras do Invocação do Mal, e sim os chamando pelos nomes, pois são muito bons no que fazem, e claro um leve destaque para Mitchell Hoog e Megan Ashley Brown que fizeram os dois personagens jovens em alto clima romântico. Os jovens Ruairi O'Connor com seu Arne e Julian Hilliard com seu David se entregaram por completo com todas as possessões, e claro que com seus dublês circenses se dobrando por inteiro fizeram expressões faciais poderosas e muito bem encaixadas, chamando muita atenção tanto pelos atos em si, quanto pelas dinâmicas bem expressivas que conseguiram dominar, ou seja, mostraram potencial nos atos que precisaram. Eugenie Bondurant fez boas aparições com sua Isla, criando nuances intensas e fortes, e com semblantes fortes conseguiu chamar atenção mesmo que em poucas cenas, e talvez até pudessem ter trabalhado um pouco mais do passado da personagem. Quanto aos demais, tivemos ainda bons momentos da jovem Sarah Catherine Hook com sua Debbie apaixonada pelo protagonista e desesperada para salvar tanto o seu amor quanto seu irmãozinho, e claro John Noble com seu Padre Kastner misterioso e intrigante nas cenas que foi colocado.

Visualmente toda produção de James Wan é imensa, ao ponto que o produtor não sabe economizar em nada, fazendo ambientes gigantescos mas completamente bem fechados, cheios de objetos cênicos para todos os lados como o porão da casa do Padre, o altar satânico recheado de elementos, a prisão explodindo por completo durante a possessão, um canil insano com muitos cachorros e com um dono maluco com um som nas alturas (felizmente nenhum animal foi maltratado ou morto, nem os diversos ratos!), a casa dos jovens aonde ocorre a possessão também muito bem representada com símbolos e nuances em vários locais, e claro a já famosa casa dos Warren com seu quartinho dos objetos do mal aparecendo perfeitamente preparado para tudo ocorrer, isso sem esquecer as ótimas cenas no meio da floresta, de um necrotério e tudo mais para poder criar as devidas tensões. Como todo bom longa de terror tivemos ainda muitas cenas bem escuras, que até achei que iam apelar para sustos gratuitos, mas apenas usaram elas para dar as devidas referências de quebras para os efeitos práticos, não trabalhando tanto com flashes fortes, além claro da famosa e tradicional foto clássica do exorcista chegando na casa à meia-noite que já ficou marcada em tantos filmes e começou claramente lá com "O Exorcista" clássico total, e aqui o diretor quis fazer a devida homenagem usando até o mesmo ângulo.

Enfim, está longe de ser daqueles filmes que vamos sair apavorados da sala, e até será difícil ver o público exageradamente tenso durante toda a exibição (coisa que sempre ocorreu nos dois longas anteriores da franquia, tirando claro todos os derivados!), mas que passou a trabalhar com um lado mais realista que realmente vemos muito ocorrer, de cultos e maldições jogadas acontecendo com uma certa fluidez (que alguns até acreditam mais do que outros), e assim indo para algo que acerta de certa maneira. Claro que já disse isso que esperava bem mais do filme, mas o resultado final me agradou bastante, e deu um tom bem intrigante do jeito que a franquia pode seguir, e agora é esperar o que o dono dela, no caso James Wan, diga para aonde vai com tudo, pois os demais casos dos Warren foram bem menores para criar toda uma trama em cima de um apenas, mas vamos aguardar, e quanto a esse volto a falar que recomendo com certeza para todos, inclusive para aqueles que não são tão fãs de filmes de terror. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Vigilante (A Vigilante)

6/07/2021 12:49:00 AM |

Ouvimos e lemos todos os dias diversos casos de agressões contra mulheres e crianças, e sabemos bem que esse é um dos crimes que mais acontecem mundo afora, e claro sempre vemos muitos filmes envolvendo o tema, alguns mostrando processos de julgamentos, outros tentando mostrar o sofrimento e a fuga, mas a maioria das vezes costumam trabalhar o processo vingativo e desesperado em alguns casos, e muitos são extremamente bem feitos, porém deixando de lado todo o lado realista horrível da situação, precisam falar para os diretores e diretoras que precisa existir um pouco de nexo mesmo dentro de uma ficção, e digamos que aqui em "A Vigilante", que entrou em cartaz na Netflix nessa semana mesmo já sendo um longa até bem antigo, esqueceram desse detalhe ao colocar a protagonista com um corpo praticamente esguio conseguindo fazer alguns atos tão impactantes com um braço quebrado que chega a ser uma piada de nível máximo. Ou seja, o longa é bem feito, tem ótimos momentos, mas até o momento que ela consegue sua lâmina é aceitável, o que ocorre depois passa a ser abstrato e até risível, o que fez com que o clima de confiança na produção desabasse, e só fosse piorando com o que vai ocorrendo na sequência.

O longa nos mostra um thriller inspirado na força e bravura de sobreviventes de abuso doméstico e os obstáculos que enfrentam para ficarem seguras, nos apresentando Sadie, uma mulher que sofreu violência doméstica e enquanto ajuda outras vítimas a se livrarem de seus agressores, tenta matar o próprio marido para que seja realmente livre.

Já está ficando até chato falar isso, mas aqui temos o mesmo problema de sempre, uma diretora estreante em longas que quis alongar seu material e acabou se perdendo, pois facilmente Sarah Daggar-Nickson poderia ter resolvido o problema na cabana, poderia ter resolvido de outras maneiras, mas não quis ir além com algo forte e intenso e se perdeu, pois se antes estávamos até envolvidos com toda a dramaticidade dos casos, entendendo todo o sofrimento e raiva da protagonista, após a cena do pedaço de madeira qualquer outra coisa seria inaceitável, e ela insistiu ainda em uma fuga, e um ataque frente a frente, ou seja, nem que a moça fosse uma lutadora de MMA ultra imponente veríamos o resultado final, e assim sendo o longa que estava sendo algo embasado em algo real virou algo tão abstrato que nem dá para ficar feliz com o resultado, o que é uma pena, pois tinha segurança, tinha ritmo, só escolheu muito mal todos os atos finais, ao ponto que uma resolução menor ficaria incrível, e o acerto seria preciso de nível máximo.

Sobre as atuações, basicamente Olivia Wilde domina todos os ambientes com sua Sadie, fazendo muitas personalidades e atuações com suas mudanças visuais e até de temperamento para cada caso que se infiltra, e dominando bem trejeitos e até respirações consegue agradar bastante em todos os momentos mais envolventes da trama, passando muitos sentimentos e não forçando para agradar com isso, mas acabou caindo no problema do roteiro de fechamento ruim, e fez o que lhe foi pedido, o que não era o melhor para o papel, mas não é problema seu. Morgan Spector trabalhou bem como o marido violento, aparecendo somente nos últimos atos, e se impondo como era esperado, fazendo atos de crueldade de muita força visual e agradando com isso, porém da mesma forma seu final é ruim demais de se acreditar, tanto que nem é mostrada realmente a cena inverossímil, mas assim como falei de Olivia, o erro não foi dele, então atuou bem. Quanto aos demais, cada um apareceu bem rapidamente, sem chamar muita atenção, mas dando boas conexões para cada momento da protagonista, tendo destaque claro para o envolvimento do garotinho vivido por Kyle Catlett, com um olhar bem agradecido e muito bonito de se ver.

Visualmente o longa trabalhou bem os diversos tipos de agressões domésticas, não ficando somente em casos de mulheres com maridos, mostrou bem o estilo explosivo e sintético de alguns casos nos diversos tipos de ambientes, e mostrou claro grupos/casas de aconselhamentos, mostrou processos judiciais, e abusou um pouco das cenas no meio da floresta, mas também tendo bons elementos como a cabana, o pedaço de madeira, a lâmina escondida, e até mesmo o galpão foi bem funcional, só esperava que alguém tivesse falado para a diretora que aquele final era péssimo e que ela deveria ter terminado na cabana, mas isso não ocorreu, então é o que temos.

Enfim, é um filme interessante, com uma proposta bem trabalhada e um péssimo final, mas que vale pela essência passada, por mostrar como as mulheres podem treinar uma luta marcial (na sugestão do filme o Krav Maga) para poder se defender, e até temos um bom envolvimento, mas o final me fez baixar bem a nota do longa, e sendo assim recomendo ele com uma ressalva imensa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, afinal os cinemas reabrem, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - A Máscara de Ferro (Tayna Pechati Drakona) (Journey to China: The Mystery of Iron Mask)

6/06/2021 07:19:00 PM |

Lá em 2017 quando conferi "A Grande Muralha" cantei a bola para um amigo que veríamos ainda muitos filmes desse estilo explodindo pela China, pois eles são os que mais gostam de efeitos tridimensionais que sempre casam bem com grandiosas batalhas, e ainda mais se colocado toda uma personificação de época, ou seja, gastam horrores na produção do estilo, e recuperam ainda mais nada bilheterias, afinal o público vibra com o estilo até mais do que vibramos com os longas de super-heróis. E dito isso, hoje ao conferir na Amazon Prime Video o longa "A Máscara de Ferro", que aliás é uma péssima tradução para o nome original "O Mistério do Selo do Dragão", vi exatamente tudo o que havia falado lá, grandes batalhas, personagens icônicos, todo um misticismo lendário envolvente, brigas pelo poder, personagens presos em grandiosas prisões, e tudo mais que dá classe para esse gênero de aventuras épicas, ao ponto que certamente quando o público viu lá em 3D foi um deslumbre ainda maior, pois é notável todos os efeitos tridimensionais em diversos atos. Ou seja, é daqueles longas que ou você gosta e se diverte com personagens saltando, fazendo movimentos de mãos, tacando correntes, lutando contra monstros poderosos (que aqui ainda abrilhantaram mais ainda sendo movidos por ciência e não misticismo!!!), ou é melhor nem dar play para não se irritar, pois é paia em cima de paia, mas que agrada por toda a simbologia efetiva que conseguiram fazer.

A sinopse nos conta que o viajante inglês Jonathan Green recebe de Pedro, o Grande, uma ordem para mapear o Extremo Oriente russo. Mais uma vez, ele parte para uma longa jornada repleta de aventuras incríveis que o levarão à China. O cartógrafo irá inesperadamente enfrentar muitas descobertas de tirar o fôlego, encontrar criaturas bizarras, se encontrar com princesas chinesas e confrontar mestres de artes marciais mortais, e até mesmo o Rei de todos os dragões, o Rei Dragão. O que poderia ser mais perigoso do que ficar cara a cara com Viy, exceto fazer de novo? O que seria mais forte desta vez, um ceticismo ferrenho do cientista ou a velha magia negra que tomou o poder das terras orientais?

O mais engraçado é que o longa é a continuação de outro filme que não vi por aqui de 2014, "Império Proibido"(Viy), aonde o diretor Oleg Stepchenko introduz melhor quem foi Jonathan Green e suas desenvolturas na Rússia, mas que felizmente podemos conferir essa sua nova aventura sem precisar de grandes explicações, e o longa flui bem sozinho, aliás com uma rápida explicação no começo para nos situarmos bem de toda a situação e a partir dali se envolver com todas as batalhas, lutas e situações cheias de cores. Ou seja, o diretor mostra que gosta do estilo, e que mesmo demorando quase 5 anos para entregar algo novo, conseguiu explodir o ambiente por completo, trabalhou uma história até que crível, e principalmente fez fluir tudo com boas situações (embora bem exageradas), que conseguem fazer o público se envolver e torcer por alguns personagens. Claro que como tudo proveniente de longas orientais temos de entrar no clima e abstrair todas as loucuras criativas deles, mas vale como um passatempo bem feito, e maluco de certa forma, que mostra o potencial do diretor, e que com um orçamento digamos não tão gigantesco conseguiu criar muitas coisas na tela.

Sobre as atuações, tivemos bons momentos de Jason Flemyng com seu Jonathan durante a jornada, fazendo algumas piadas meio que jogadas, mas trabalhando sempre uma desenvoltura imponente conseguiu chamar a atenção, e mesmo que não pareça acaba se encaixando bem dentro de um certo protagonismo. Agora quem aparentemente não parecia ser tão protagonista, mas se entregou bem na segunda metade do filme foi Xingtong Yao com sua Cheng Lan, tendo muitas lutas bem feitas, trabalhando trejeitos fortes, e agradando bastante dentro do que o filme propôs, e a sacada de Li Ma com sua bruxa usar uma máscara transformando-se exatamente na personificação da outra fez com que a luta final fosse daquelas assustadoras com tantas mulheres iguais. Yuri Kolokolnikov e Anna Churina fizeram boas participações e tiveram até que grandes cenas com seus Pedro, O Grande e Miss Dudley, trabalhando certas personificações de época clássica, brincando com sacadas piratas, e agradando dentro de algo mais cômico para o filme, o que dá um bom valor. E claro temos de falar das duas grandes estrelas, que acabaram ficando meio que em segundo plano, mas que sempre entregam boas cenas que é Jackie Chan e Arnold Schwarzenegger com seus Mestre e James Hook, que ficaram mais tempo dentro de uma torre de segurança máxima e até lutaram bem entre si, mas praticamente sumiram na segunda metade do filme.

Visualmente o longa é um luxo só, claro que com as devidas proporções orçamentárias, tendo todo um reino bem imponente, toda a desenvoltura mística dos cílios do dragão florescendo o chá do reino, temos uma prisão bem cheia de detalhes, mais parecendo um grandioso poço aonde rolam brigas com muitos figurantes empoleirados, tivemos grandiosas lutas contra os mestres sombrios que ao final vamos saber que são apenas homens usando bem experimentos científicos, temos toda a jornada do viajante muito bem encaixada, e claro temos o dragão e todo o castelo cheio de fios estranhos azuis que poderiam ter sido melhorados, mas nada que atrapalhe a grandiosidade da trama, mostrando que a equipe de arte foi muito bem no que se propôs a fazer, e que junto de bons elementos cênicos ainda tiveram a sabedoria de usar a tridimensionalidade para dar nuances maiores, ou seja, vemos muitos elementos saindo em primeiro plano, o que acaba agradando bastante, e que quem talvez tiver TVs com a tecnologia vai poder brincar com tudo.

Enfim, está bem longe de ser um filme perfeito, pois tem muitas abstrações, muitos elementos que temos de aceitar para não reclamar, e que talvez alguns até se incomodem um pouco mais com tudo por ser uma continuação sem muitas apresentações, mas que volto a frisar que dá para conferir tranquilamente sem conhecer nada, pois aqui sendo um capítulo a parte, todos os elementos funcionam bem sozinhos, e o resultado acaba sendo até que grandioso. Ou seja, recomendo sim o filme para todos, e mesmo não sendo perfeito acaba sendo um bom passatempo de 2 horas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Perfeição Insondável (What Lies Below)

6/06/2021 12:56:00 AM |

Tem alguns filmes que fazem de propósito isso, começam bem, vão gerando uma certa tensão no ar, passando momentos interessantes, criando um ambiente propício para que o público comece a ficar preso com tudo, e pronto sobe créditos e o palhaço que estava assistindo fica sem respostas ou sem entender realmente o que estava acontecendo ali. Já vi isso ocorrer muitas vezes com longas experimentais, com obras do oriente médio que gostam de apenas passar simbologias, mas hoje foi a primeira vez com um longa americano, e posso dizer que fiquei muito bravo com tudo, pois mesmo o filme da Netflix, "Perfeição Insondável", tendo diversos erros de continuidade no começo (é latinha de refrigerante que some da mão da protagonista, é lata de memórias que evapora do chão num piscar de olhos - acho que o problema está nas latas!), o clima de tensão estava bem interessante, já estava criando diversas teorias sobre o protagonista e seus amigos, mas fechar tudo da forma que fizeram é algo inaceitável, irritável e tudo mais que puder colocar com ável no final, pois ao menos algo mais imponente sobre o que desejavam, quem eram ou o que faziam realmente era muito necessário, mas não mostraram, e assim não tem como recomendar.

O longa nos mostra que Liberty, uma garota de 16 anos socialmente desajeitada, retorna de dois meses no acampamento para ser pega de surpresa com a apresentação do noivo de sua mãe, John Smith, cujo charme, inteligência e beleza pintam o quadro de um homem perfeito demais para ser humano.

Sempre falamos que temos de dar uma chance para os novatos, mas chega a ser quase uma perseguição, basta clicar na filmografia de qualquer diretor que tenha feito algo errado em uma produção, e pronto, lá está que o filme é seu longa de estreia, e aqui o diretor e roteirista Braden R. Duemmler trabalhou até que bem todos os momentos de sua trama, criou todo um ambiente intenso para o público entrar no clima, e soube envolver bem os personagens na trama, ao ponto que vamos ficando curiosos com o desenrolar de tudo, começamos a tirar várias conclusões, e até aceitamos algumas falhas de continuidade, porém chegou no ponto principal de tudo e ele não soube como concluir de uma maneira criativa e realista, jogando algo abstrato que até dá para entender aonde queriam ir, mas sem explicar nada para o público, seja quem são os homens-peixes, quais suas ambições além da procriação e tudo mais que fosse necessário para um bom fechamento, pois mesmo que fosse simples, mas fechasse, o resultado seria outro muito melhor com toda certeza.

Sobre as atuações, é fácil saber como o filme vai pegar todas as mulheres pelo trailer e pelo pôster de abertura que está na Netflix, pois o ator Trey Tucker sem camisa saindo de um lago é isca fácil e o ator até faz bons momentos com seu John, sabendo segurar bem todos as dinâmicas e claro mantendo sempre o mistério ao redor de sua personalidade, ou seja, fluiu bem até mesmo nos atos mais estranhos que seu personagem faz e agrada bem. A jovem Ema Horvath tem um estilo bem pautado, mas entrega uma Liberty meio fechada demais, sem muita desenvoltura, ao ponto que num primeiro momento parece estar fazendo até pirraça demais em cima da mãe, e claro meio que atraída pelo namorado dela, mas poderia ter incorporado algo mais investigativo para cima da personagem que chamaria mais atenção realmente. Mena Suvari acabou fazendo uma mãe meio assanhada demais com sua Michelle, de forma que em alguns momentos exagerou em trejeitos e em outros conduziu seus momentos de uma forma boba demais, porém sem expressar criatividade acaba recaindo em clichês do gênero e fica demais em segundo plano na trama.

Visualmente a trama até tem uma boa essência de terror, afinal uma casa no lago no meio do nada, tudo de madeira, com um porão só com luzes vermelhas, vários aquários com alguns peixes, tudo muito minimalista e simples, porém efetivos no que desejavam passar, até chegar no exagero de uma luz laranja no meio do lago que em momento algum faz qualquer referência a nada, ou seja, acredito que até para a equipe de arte foi difícil entender o que o diretor desejava passar, e o resultado embora seja bem simbólico, não chamou tanta atenção.

Enfim, diria que se eu desse a nota até antes do filme acabar ficaria com um 7 por toda a tensão criada, pelos bons momentos de envolvimento e mistério, mas da forma jogada que acabaram fechando o resultado desabou e não posso dar mais do que 4, e claro não recomendar o filme para ninguém, pois até tem alguns vídeos explicativos de alguns youtubers na internet, mas fazer um filme que outra pessoa precise explicar para você é desapontador, é o mesmo que explicar a piada para alguém rir, e sendo assim melhor dar play em outro filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Xtremo (Xtreme)

6/05/2021 01:39:00 AM |

Se você curte um bom filme de pancadaria envolvendo gangues/máfias de drogas que comandam o mundo certamente irá curtir o que é mostrado no novo longa espanhol da Netflix, "Xtremo", porém já deixo bem claro que todos os clichês do gênero estão presentes, desde o não uso de armas para quase nada (o melhor é sempre sair na mão, ou no máximo com uma faca/espada, mas se tiver um bastão ou uma chave inglesa é perfeito para brigar!) até uma história básica de vingança pessoal daqueles que não dá para acreditar que a pessoa sobreviveu para ir atrás de tudo, e claro começando no meio do nada para que não entendêssemos absolutamente nada do que aconteceu antes dali. Ou seja, lendo assim você até pode pensar que é um filme ruim, mas não é, pois mesmo com esses diversos absurdos, que temos de relevar se quisermos curtir a ideia completa, o filme tem uma boa pegada, tem bons momentos de ação e interação de personagens, e principalmente tem um bom fechamento, mas nada mais é que um bom filme de lutas e vingança, que se alguém for conferir esperando qualquer outra coisa irá se decepcionar bastante, mas do contrário a diversão é garantida.

A sinopse nos conta que dois anos depois que seu "irmão" Lucero traiu a família, matando seu pai e seu filho, e deixando-o para morrer, Max, um assassino aposentado, está pronto para executar sua vingança. Seu plano cuidadosamente elaborado avança quando os homens de Lucero matam impiedosamente a família de Leo, um adolescente sob a proteção de Max. Sem nada a perder, Max enfrenta os homens de Lucero um por um até que ele alcance seu alvo final.

Mas tenho de fazer um adendo meio que grande para falar da narrativa do filme, afinal muitos vão falar que é exagero, porém com a história criada pelo próprio protagonista fica claro que ele desejava se mostrar ao máximo com seu potencial para lutas, tiros e cenas de ação, afinal Teo Garcia já é dublê há um certo tempo, e aqui entregou seu algo completamente explosivo no sentido da ação, que muito bem dirigido por Daniel Benmayor acabou mostrando as suas diversas qualidades, porém acredito que necessitaria um pouco mais de explicações no começo (ou será que tínhamos de ver o seu curta de 2006?) para sabermos quem eram cada uma das máfias, o que era realmente o conclave deles, e quem eram os diversos mandantes de tudo, pois somos jogados já em uma cena de matança imensa, e a partir daí o filme tem até o seu sentido funcional, porém o antes temos de esquecer. Ou seja, a direção é boa? Sim! O roteiro é interessante? Sim! Porém faltou a determinação, a ideia, e acredito que isso tenha faltado quando o ator/dublê jogou sua ideia nas mãos de outros roteiristas que não souberam o que fazer com tudo, e apenas jogaram acreditando que funcionaria bem, apenas não contavam que outras pessoas que querem algo mais completo assistiriam, e assim vale ver com essa ressalva.

Agora falando das atuações, temos de pontuar que Teo Garcia é um ótimo dublê de ação, luta magnificamente bem com armas brancas e claro com suas mãos, tem uma boa desenvoltura corporal para todos os momentos, mas nas cenas que precisou dialogar seu Max ficou bem estranho de trejeitos, ou seja era melhor ter ficado só na pancadaria mesmo. Óscar Jaenada tem um estereótipo bem característico de vilão, conseguiu fazer umas caretas incríveis com seu Lucero, saiu matando a rodo na abertura do filme, mas depois fugiu demais, ao ponto que só voltamos a ver ele nas cenas finais, ou seja, precisaria de um pouco mais de atitude no miolo para tudo funcionar melhor, pois depender de capangas não traz empolgação pra trama, e o ator funcionaria bem em outros momentos. E já que estamos falando de capangas, Sergio Peris-Mencheta deu boas nuances com seu Finito, e entregou alguns atos interessantes dentro da trama, mas como todos não tinham grandes diálogos para chamar a atenção, ele também ficou mais nos atos que nas falas. Andrea Duro foi a que mais teve um trabalho de interpretação realmente com sua Maria, e a atriz ainda deu boas nuances de lutas, ou seja, não era um trabalho difícil para os demais chamar a atenção. Óscar Casas não tem a mesma qualidade interpretativa que seu irmão que tanto vemos nos filmes espanhóis, mas ainda é bem jovem e certamente deve melhorar, e aqui seu Leo tem bons momentos e bons exageros, que ninguém em sã consciência faria, mas como estamos falando de um filme de brigas na mão de máfias, tudo é aceitável, e o jovem não foi ruim. Quanto aos demais praticamente apenas apareceram, fizeram algumas boas nuances, mas certamente a melhor briga com o protagonista ficou a cargo de Alberto Jo Lee, que é pancadaria de primeiro mundo.

Visualmente o longa teve boas cenas em boates, em oficinas, numa grandiosa mansão e num hotel, e claro sempre com tudo ao redor disponível para as lutas, ao ponto que vemos portas de carro virar arma, serras, chaves de todos os tipos, além claro das tradicionais armas verdadeiras como bastões, espadas, rifles (que não acertam nunca o protagonista, e que com 1 tiro mata 10), ou seja, toda aquela armação máxima que com uma boa ação funciona, e mostra que a equipe de arte estava preparada para quebrar tudo. Além claro de muito sangue cenográfico voando para todo lado, espirrando na câmera, e fazendo uma sujeira tremenda.

Enfim, não é um filme brilhante de história, mas que funciona dentro do que se propôs a entregar, que é um filme de lutas com uma boa dose de ação, e assim sendo volto a frisar que quem for conferir esperando ver isso sairá satisfeito da sessão, caso contrário nem dê o play. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Queens (Dancing Queens) (Dansande Drottningar)

6/03/2021 10:33:00 PM |

Em Junho é comemorado mundialmente o mês do orgulho LGBTQIA+, e com isso devem aparecer nas plataformas de streaming muitos longas com a temática, e um deles que estreou hoje na Netflix é o sueco "Queens", que tem uma boa levada e trabalha bem o conceito da dança no mundo das drags e nos palcos teatrais, porém a diretora não arquitetou bem o roteiro para que tivesse algo fluido com uma boa história, tendo diversas quebras e saltos que acabaram ficando até estranhos de ver, mas que pelo menos pela história bacana dá para curtir o que é passado na tela. Diria que usou de momentos simples demais do público pegar as surpresas (como é o caso do coreógrafo), e foi inventiva demais com as situações finais, sendo algo meio que quase impossível de acontecer de verdade, ou seja, é daqueles filmes bem trabalhados, mas que contém tantas falhas secundárias que certamente precisariam de ajustes para agradar mais.

O longa acompanha a história de uma dançarina que trabalha como faxineira em uma casa de shows e sonha em subir ao palco. Tudo muda quando um coreógrafo ambicioso descobre seu talento.

O cinema sueco é daqueles que também não viaja tanto o mundo, então não posso dizer que esse seja o estilo da diretora e roteirista Helena Bergström, mas é bem fácil notar que seu roteiro era bem mais alongado, desenvolvendo um pouco mais de treinos e conflitos no clube de drags, o que no corte final acabou sendo eliminado e tudo foi jogado para o público abstrair e entender como quisesse, o que acaba sendo ruim, pois do nada a moça é aceita pelas drags, em seguida já estão com o show completamente pronto, em seguida já ocorre algo que era previsto e a moça já foge, logo em seguida como previsto também todos já estão atrás dela, e eis que a "surpresa" que todos já imaginavam no miolo acontece como um passo de mágica, ou seja, diria que a versão completa do filme tem pelo menos uns 150 minutos, mas que para ficar comercial foi entregue com 110 e o resultado acabou ficando estranho, ou seja, não vou dizer que seja um erro da direção, mas certamente daria para cortar mais flashbacks da garota com a mãe, toda a história com a dona da pensão e aí sim o filme ficaria mais redondo com outras cenas, mas volto a frisar que não é de todo ruim.

Sobre as atuações, basicamente temos de falar da protagonista Molly Nutley que entregou personalidade e muita dança na trama, e que soube segurar bem todos seus momentos com bons trejeitos e uma expressividade na medida certa, mas talvez um pouco menos de dramaticidade em alguns atos caberia mais para o estilo dela, e certamente chamaria ainda mais atenção. E claro o coreógrafo Fredrik Quiñones que também foi bem seguro em cena e deu boas nuances nos seus atos, fazendo de seu Victor um personagem com uma boa marcação cênica, e principalmente com uma história boa para igualar a protagonista, ou seja, foi simples, direto e certeiro. Todos os demais tiveram bons momentos, cada um no seu momento desde a avó que apoia a neta a seguir seu sonho, o pai com depressão pós-morte da esposa, e claro todas as drags do clube com destaque para Claes Malmberg como La Diva.

Visualmente o longa claro tem todo o seu colorido com os shows das drags, trabalhou bem o mote de quebra de um luto acabar com o clima das pessoas, e com isso temos o templo da outra drag que ficou fechado por anos, tem toda a sintonia de palco de uma dança abstrata, e ao mostrar uma comunidade pequena no meio de uma ilha vemos toda a colaboração entre as pessoas que vivem lá para ter uma qualidade, além disso vemos uma cantina italiana administrada por um bósnio que se passa por italiano, e uma pensão simples e bonita da amiga da avó da protagonista, ou seja, a equipe de arte brincou bem com todos os elementos e funcionou dentro de algo mais contextualizado, porém como já falei muitas coisas importantes ficaram subjetivas e outras menos imponentes foram mostradas, e assim o resultado não vai muito além.

Enfim, é um filme interessante dentro da proposta completa, mas que falhou muito na edição, e assim sendo não empolga como poderia, mas volto a frisar que não é de todo ruim e dá para recomendar ele como um bom passatempo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Hóspede Indesejado (The Intruder)

6/03/2021 01:46:00 AM |

Já disse isso algumas vezes, mas sempre é bom frisar, que o gênero terror tem tantas subdivisões que muitas vezes vemos um filme classificado como sendo do gênero e nem achamos algo tão aterrorizador assim, mas que passam a essência do gênero e assim funcionam botando alguma banca, e digo isso do filme "Hóspede Indesejado" que conferi hoje na Amazon Prime Video, que nem é um lançamento mas que a plataforma me sugeriu hoje, e tem seus méritos de causar uma certa tensão, levar alguns sustos com as aparições do antagonista do nada, porém é tão abarrotado de clichês do gênero que nem chega a empolgar com tudo, tendo um casal burro demais, com uma mulher ingênua que chega a dar raiva, e um marido que só sabe gritar sem grandes atitudes, e claro uma mansão remota no meio do nada. Ou seja, não é um filme ruim, mas passa também bem longe de ser algo impressionante de ver, sendo daqueles que ficamos mais revoltados com as burrices que vemos na tela pelos protagonistas do que assustados ou intrigados com toda a reação aterrorizante de psicopatia que o antagonista nos presenteia, e sendo assim a trama fica levemente presa nos clichês.

A trama nos conta que Scott e Annie Russell são um jovem casal que acaba de comprar sua casa dos sonhos em Napa Valley, na Califórnia. Porém, quando Charlie (Dennis Quaid), o solitário viúvo que os vendeu o imóvel, começa a interferir em suas vidas, o casal se vê vítima do comportamento obsessivo e violento de um homem capaz de destruir tudo que eles amam.

Diria que o diretor Deon Taylor queria algo a mais da trama, porém não tinha tantas saídas, e com isso acabou sufocando o roteiro em um círculo vicioso, pois todas as cenas finais bem intensas, todos os momentos de aparição do antagonista, e até mesmo alguns envolvimentos da trama são bem trabalhados, mas as nuances de intermédio entre elas são tão jogadas e desnecessárias que se talvez se as removesse teríamos um média-metragem bem tenso e forte, ou talvez trabalhar mais todas as boas cenas para que o filme crescesse em volume e densidade cênica, pois tudo parece sempre precisar de algo a mais, o que é ruim. Ou seja, é daqueles filmes que nós como espectadores já notamos tudo na primeira cena, e ficamos xingando os protagonistas de burros por não enxergarem rapidamente tudo, pois está mais do que óbvio tudo, e assim o resultado parece não fluir como poderia.

Sobre as atuações, é bem interessante ver o estilo escolhido por Michael Ealy para entregar seu Scott, pois nos é falado a base dele ser um defensor de não ter armas, e principalmente vemos seu ar mais pacato diante de vários momentos só mudando um pouco com a bebida, porém o jovem se fechou demais na personalidade que fez, pois logo na segunda entrada do antagonista qualquer homem mandaria porrada ou chamaria a polícia de cara para resolver, e ele só na fala, ou seja, pode até ser que isso estivesse no roteiro, mas na construção do personagem ele se imporia mais e entregaria algo bem maior. Agora Meagan Good ganhou todas as premiações possíveis de mulher ingênua com sua Annie, pois o tanto de brecha que dá para o antagonista nem em sonho alguém faria isso, e a atriz fez caras de sonsa, jogou olhares para todos os lados, e do nada surta, ou seja, faltou um pouco de imposição também e o roteirista ter visto que ninguém é dessa forma na vida real. Dennis Quaid anda com um problema do mesmo porte que Nicolas Cage sofreu há alguns anos, fazer vários filmes seguidos e entregar praticamente os mesmos trejeitos e nuances, de forma que do mesmo jeito que entregou um marinheiro bêbado no longa da Netflix que vi semana passada, aqui ele entrega uma pessoa obsessiva e maluca, o que certamente não é de sua praxe, então precisa começar a escolher melhor ou fazer trejeitos diferenciados para não acabar estragando a carreira sólida que sempre teve. Quanto aos demais a maioria foi mero enfeite cênico, alguns tão jogados que nem vale o tempo de pesquisar o nome, mas Joseph Sikora acabou levando o que pediu com seu Mike, e diria que foi até pouco por seus exageros, mas é o papel, e assim fica valendo.

Visualmente a trama encontrou uma mansão bem cheia de objetos cênicos precisos, com uma floresta bem grudada na casa para dar um ambiente calmo, mas ao mesmo tempo sombrio com a possibilidade de pessoas estarem rodeando a casa sem serem convidadas, mas principalmente faltou trabalhar um pouco mais com o porão da casa, que é mostrado tão rapidamente e valeria ver os furos e tudo mais que ali se encontrasse para vermos tudo o que o antagonista conseguia enxergar, e de certa forma faltou um pouco mais de pegada do diretor para valorizar todos os ambientes da casa, ficando quase que somente na cozinha e no quarto, o que mostra talvez ser um filme que nem foi filmado no ambiente real, mas não acredito nessa hipótese.

Enfim, é um filme mediano que até tem bons momentos, mas que como disse poderia ter sido mais enxuto de cenas desnecessárias, ou então ter valorizado mais o ambiente escondido, ter trabalhado mais momentos tensos, e assim talvez conseguiriam sair dos clichês tradicionais que foram jogados na tela, mas ainda assim não é algo totalmente ruim de ser ignorado, pois ao menos o envolvimento das cenas é passado. Bem é isso pessoal, recomendo ele com muitas ressalvas, mas fico por aqui hoje, e volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - London Fields

6/02/2021 01:32:00 AM |

Filmes que envolvam sedução e livros de romances policiais sempre entregaram grandiosas nuances no cinema, e até gerou um nicho que foi muito usado no passado: o noir, aonde vários diretores se deleitaram, fizeram sucesso e criaram grandes obras que são clássicos até hoje estampados nas prateleiras dos colecionadores de filmes. E aqui em "London Fields", que entrou em cartaz na Netflix após diversos processos entre produtores e a atriz protagonista, temos bem a essência do estilo, temos toda a desenvoltura dos personagens ao ponto de vermos muita sedução, vários emaranhados de ideias dos personagens, e claro a clássica narração de um escritor que está montando o que vê em seu texto, e assim quem gosta do estilo até acaba se envolvendo e se deixando seduzir também pela protagonista, vai tentando moldar tudo para entender os fatos bem confusos e bagunçados da trama, porém o resultado funciona, e até tem uma nuance intrigante bem feita, mas que muitos irão se perder no miolo com toda certeza ficando sem entrar no clima que é necessário para toda a densidade passada pelo longa.

O longa nos situa na conflitiva Londres de 1999. Abençoada, ou amaldiçoada, com o raro dom sombrio da clarividência, a enigmática e diabolicamente bela tentadora Nicola Six é atormentada por premonições de morte. Convencida de que vai encontrar seu destino em seu 30º aniversário e que o assassino é um dos frequentadores do barulhento Black Cross Pub, Nicola começa a namorar três homens totalmente diferentes: o autor americano bloqueado e em estado terminal, Samson Young; o rude taxista e aspirante a campeão de dardos, Keith Talent, e, por último, o rico e refinado empresário Guy Clinch. Mas, à medida que Nicola se torna sem esforço o objeto de desejo dos três homens, cada vez mais seu destino chama. Um dos pretendentes de Nicola é um assassino. A questão é qual deles?

Diria que o maior problema do longa tenha sido os produtores escolherem um diretor de clipes estreante em longas para comandar um livro best-seller, pois o filme tinha um elenco bem sincronizado com seus personagens, uma trama bem envolvente e interessantíssima para envolver, mas Mathew Cullen praticamente quis brincar com o filme e não criou uma condução decente para nenhum momento, usando apenas da sensualidade da protagonista e de trejeitos fortes de alguns personagens, mas que ao abrir demais sua história acaba não indo para lugar algum. Ou seja, o livro de Martin Amis acabou sendo usado apenas como uma base para um filme levemente abstrato, aonde ninguém conseguiu segurar a essência por completo, porém felizmente conseguiram dar o tom noir clássico para o filme, de modo que até dá para entrar no clima, mas que certamente não chegamos a nenhuma grandiosa conclusão de quem é o que na história toda, além de alguns personagens nem chegarem a ser usados realmente com algum propósito, como é o caso de Cara Delevingne que é apenas a esposa de um dos protagonistas, mas aparece jogada de canto e nada mais.

Sobre as atuações é fato que Amber Heard se entregou completamente para o papel, aparecendo nua diversas vezes, em outras com roupas bem sensuais, e além disso mantendo sempre um tom de voz e trejeitos preparados para sua Nicola enfeitiçar e atiçar qualquer homem, ou seja, foi usada ao máximo na produção, e funciona para esse bem maior, mas certamente o diretor poderia ter trabalhado melhor todos esses momentos para não ser apenas algo de chamariz, e sim algo intenso dentro da história realmente. Jim Sturgess foi realmente alguém que fez muita diferença no longa com seu Keith, pois o jovem ator está totalmente insano no papel, fez trejeitos fortíssimos muito bem aproveitados em cena, e que aliando uma desenvoltura fora do comum conseguiu trabalhar seu personagem para ter as melhores dinâmicas, ao ponto que se o foco do filme ficasse mais nele o resultado seria impressionante. Theo James fez um Guy muito certinho, todo minucioso, e sabemos que o ator não é dessa forma, ao ponto que seus atos finais já revoltado com tudo o que aconteceu acabaram sendo muito melhores que tudo o que fez no filme inteiro, ou seja, faltou trabalhar um pouco mais, e sua mulher na trama vivida por Jaimie Alexander foi mero enfeite cênico. Billy Bob Thornton aparentemente é o protagonista da trama com seu Samson, e o ator até trabalhou bem seus trejeitos, suas virtudes dentro da escrita, e sendo até um bom narrador para a trama toda, mas faltou aquela explosão característica para chamar atenção realmente, e assim sendo não foi além como poderia. Quanto aos demais, Johnny Depp com um papel maluco conseguiu aparecer bem mais que muitos personagens, mas é quase um daqueles que nem sabemos o que está fazendo ali como agiota e jogador de dardos, ou seja, poderiam ter trabalhado o papel dele para um flerte maior já que na época das gravações ainda era casado realmente com a protagonista, e assim seus atos mesmo rápidos foram bem tórridos, mas ainda assim chamou mais atenção que Cara Delevingne e Jason Isaacs, que ainda devem estar se perguntando se precisam devolver o cachê ou não pelo nada que fizeram no filme.

Visualmente como todo filme que se remete ao estilo noir o resultado é bem intenso, com figurinos fortes, locações bagunçadas cheias de mistério, e claro muitas insinuações através de elementos cênicos bem incorporados, e aqui temos desde os dois apartamentos completamente opostos, mas bem incorporados na trama, no da jovem cheio de objetos sem uso aparente, mas que acabam sendo usados em momentos fortes, ja no andar debaixo metade do apartamento luxuoso ao máximo e a outra metade destruída, um bar bem bagunçado servindo apenas de encontros e jogos de dardos, e até um campeonato de dardos completamente falso de público mostrando a magia da TV e do cinema para o desgosto de um dos protagonistas, ou seja, um filme cheio de referências visuais fortes muito bem ousadas para cada momento, mas que no conjunto completo da obra não vai muito além.

Outro bom ponto do longa ficou a cargo da trilha musical escolhida para dar ritmo e envolver as cenas, o que fez com que o filme não ficasse ruim, pois certamente com outras composições mais lentas o longa seria insuportável, então fica a dica para conferir aqui no link as canções usadas.

Enfim, é daqueles longas de tremendo potencial, que envolve por diversos fatores, mas que é tão bagunçado na edição e na direção que se você não fizer um grandioso estudo em cima de cada momento você acaba o filme se perguntando o que realmente assistiu. Diria que vale pela nuance em si, e claro pela belíssima protagonista em suas cenas sensuais, mas que quem for conferir por qualquer outro motivo dificilmente irá se envolver como um filme do estilo faria realmente. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Verdade e Justiça (Tõde Ja Õigus) (Truth and Justice)

6/01/2021 01:08:00 AM |

Os dramas artísticos é um dos estilos de filmes que dificilmente vemos nos streamings mais populares (digo isso pois existe o Mubi que quem ama arte pode morar lá e não conseguir ver tudo), e que serve bem para que o público entre no clima de premiações, entenda bem como o visual e o roteiro passam a compor todo o envolvimento cênico, e claro conhecer um pouco mais de algo sem ser impulsivo e direcionado como a maioria dos dramas mais comerciais costumam ser. Dito isso, entrou em cartaz na Amazon Prime Video o longa da Estônia, "Verdade e Justiça", que foi o indicado pelo país ao Oscar do ano passado, e embora não tenha chegado entre os cinco que concorreram a trama foi bem valorizada por onde passou e entrega bons momentos de um jovem que compra uma casa no meio de um pântano assim que se casa e trabalha lá seu sonho de ser próspero na vida com a família, mesmo estando ao lado do caos de um vizinho bêbado e completamente maluco que vive em briga com ele por tudo o que se possa pensar. Não diria que seja um filme completamente original, mas é tão intenso, cheio de ótimas nuances e com uma fotografia lindíssima de diversos anos, afinal o filme se passa durante uns 18 anos mais ou menos, e que também se alonga quase da mesma forma durante toda a exibição, que acabamos entrando no clima e entendendo um pouco mais sobre a diferença entre contar uma verdade e fazer justiça, além de claro as diversas situações que seguir a justiça bíblica nem sempre funciona bem, e assim sendo vale a conferida mesmo sendo uma trama bem lenta.

O longa nos situa na Estônia em 1870, aonde o jovem e determinado Andres, juntamente com sua esposa Krõõt, chegam a uma fazenda comprada com um empréstimo para estabelecer sua nova vida. Desolada e negligenciada entre os pântanos, a propriedade deve ser transformada em um lugar que abrigará a família. Tudo o que eles precisam fazer é romper a resistência da terra árida, fazer seu vizinho cooperar e criar um herdeiro - um filho para herdar o trabalho da vida de seu pai. Quando a natureza se recusa a se curvar, o vizinho acaba sendo um rival grosseiro e Krõõt continua dando à luz filhas, Andres luta para encontrar o caminho certo. Em sua busca desesperada pela verdade e pela justiça - da corte, da taberna e da Bíblia, ele sacrifica sua família, seus amigos e, eventualmente, a si mesmo. O belo sonho de prosperar e fazer sua fazenda produzir dá lugar a uma obsessão, resultando em nada do que Andres queria e tudo o que temia.

Como não lembro de ter visto sequer qualquer filme originário da Estônia, nem vou tentar comparar ele com qualquer outro, mas posso dizer que o diretor e roteirista Tanel Toom entregou uma obra icônica em seu primeiro filme, trabalhando algo que facilmente seria visto numa série de uns cinco capítulos pelo menos virar algo bem trabalhado em 150 minutos, com dinâmicas concisas, uma boa pesquisa de materiais e formas de agricultura na época, e principalmente mostrando bem a cultura religiosa da época encabeçada pelo teor de justiça que os homens determinavam, seja ela de alguma forma e claro trabalhando aquilo que uma verdade pode ser vista como justa para um e injusta para outro. Ou seja, é um longa cheio de discussões bem travadas que o diretor soube conduzir com primor, porém caiu bastante nas armadilhas do primeiro longa, de querer mostrar coisas demais e acabar arrastando sua trama, pois volto a frisar que os 150 minutos parecem muito mais tempo, todo o processo de envelhecimento dos personagens soa rústico demais, e principalmente alguns motes da trama acabam ficando jogados, o que não tira em momento algum qualquer mérito do resultado final ficar muito bem feito, mas que certamente um diretor mais experiente poderia com esse mesmo tempo entregar algo muito mais dinâmico e que envolveria muito mais sem estragar a história, e assim sendo talvez o diretor aprenda um pouco mais de concisão e no seu próximo filme melhore ainda mais.

Sobre as atuações, diria que Priit Loog se doou bastante para fazer de seu Andres alguém simples,  inicialmente de bom coração porém que vai se distorcendo com o tempo, afinal dificilmente alguém melhora com pauladas, e o ator foi seguro de suas cenas, soube dimensionar cada momento seu com um bom envolvimento, e principalmente trabalhou cada conexão com olhares e trejeitos muito bem colocados, que mesmo falando uma língua que nunca sequer ouvimos sentimos suas pontuações e o resultado funciona, além claro de muita maquiagem para que seu semblante fosse mudando durante os anos com crescimento de barba, rugas e tudo mais. Priit Vöigemast entregou um Pearu tão inconveniente, bêbado, cheio de cenas nervosas e inflamadas para com o protagonista que chegamos a ficar com raiva dele em diversos momentos, e como todo bom antagonista que se preze o ator acertou em cheio com tudo o que fez, trabalhando tons de voz, olhares jogados perfeitos, e também junto de uma maquiagem perfeita o resultado seu durante os diversos anos acaba preciso e perfeito de ver.  Maiken Pius trouxe para sua Krõõt uma serenidade e doçura tão bem colocada, cheia de graciosidade na interpretação de uma senhora das terras que mais se envolvia como uma camponesa bem trabalhada, cheia de vida e disposta a dar uma prole imensa para o marido, mas que sempre vindo meninas não acaba agradando tanto ele, ou seja, a atriz foi muito bem em tudo e seus olhares foram muito bem trabalhados. Ester Kuntu trabalhou sua Mari de uma forma tão simples, porém passando tantos sentimentos que em determinados momentos a jovem chega até a sobressair os protagonistas, e por incrível que pareça isso não é ruim, pois ao assumir o papel de esposa, a jovem moça muda completamente de semblante e estilo, e assim seu resultado passa a agradar até mais. Já Simeoni Sundja trouxe um Juss meio bobo, meio desesperado demais, e que com algumas nuances até chega a nos convencer de uma certa ingenuidade na sua personalidade, e o ator foi muito bem na sua desenvoltura, mas poderia ser menos jogado, que aí agradaria mais. Agora quanto das crianças e dos jovens que se tornaram, cada um deu a devida proporção para cada ato funcionar bem, não sendo algo gigantesco de chamativo, mas também não falhando em nada, destacando claro no final Maria Koff com sua Liisi pelo enfrentamento do pai. 

Visualmente o longa tem tantos momentos bonitos fotografados que mesmo sendo um ambiente rústico, antigo, com casebres e mansões de madeira e palha, ferramentas bem artesanais antigas, facas, facões, rastelos, foices e tudo bem de época conseguindo marcar o ambiente, camas e objetos cênicos bem rudimentares para dar a nuance da família, mas claro a Bíblia imensa no canto do quarto, sendo lida a todo momento, a igreja em destaque a todo momento seja pelos cultos ou pelo tribunal paroquial, todas as passagens das estações destacando as cheias do outono e o inverno rigoroso, aonde o pântano negro se impõe, mas sempre com o verde do campo marcando o ambiente todo, ou seja, a equipe de arte teve muito trabalho, e pelo que foi passado precisaram gravar em diversos locais do país para conseguir todas as cenas, ou seja, um filme que aparenta ser bem simples acabou sendo muito mais elaborado e chama bastante atenção.

Enfim, volto a frisar que não é um longa que todos irão gostar, muito pelo contrário a maioria irá desistir com o estilo mais lento entregue, mas é um filme tão envolvente de época, com uma trama tão bem feita pelos julgamentos da mente do protagonista entre pensar na verdade e na justiça que dá o nome para o longa, que se faz valer o tempo conferindo, mesmo que seja num formato serial com pausas, pois dá para fazer dessa forma, então fica a dica para a conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.


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