É engraçado que particularmente gosto muito dos filmes do Woody Allen, mas geralmente não consigo curtir a maioria dos filmes do Richard Linklater, e se olharmos bem a fundo ambos são muito parecidos nos estilos que entregam, ou seja, devo ter algum ranço guardado dos filmes alongados de Linklater que nem mesmo eu sei o motivo! Dito isso, hoje aproveitei a promoção da Amazon Prime Video de filmes por R$9,90 e aluguei o longa "Blue Moon - Música e Solidão", que fecha todos os longas que faltava para gabaritar os indicados ao Oscar, e posso dizer que ele voltou ao seu estilão tradicional, pois fiquei apaixonado pelo seu último filme, "Nouvelle Vague", que foi algo completamente fora da curva e que não sei por quais motivos a Academia acabou esquecendo dele nas premiações, ou seja, aqui ele voltou ao marasmo tradicional de milhões de diálogos e reflexões para mostrar o final deprimente da vida de um compositor e letrista de grandes musicais cômicos, aonde nem parece ser mais a pessoa que emocionou uma grande multidão com suas histórias. Claro que o filme passa bem longe de ser algo ruim, pois tem belas cenas e envolvimentos, além de uma atuação grandiosa de Ethan Hawke, que está indicado como Melhor Ator, mas a essência em si cansa bastante, parecendo que o diretor fez algo ainda mais deprimente do que a vida real do personagem em seus últimos momentos.
O longa se passa primordialmente na noite do dia 31 de Março de 1943, na especial abertura do musical que se tornará um sucesso, o inovador Oklahoma!. A peça é a primeira escrita pela dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II e se tornará um sucesso de crítica e público. Quem não está nada feliz com isso é o lendário letrista Lorenz Hart que, fugindo do teatro, acaba amargurado no bar Sardi onde acontecerá a festa de celebração. Ao lado de um simpático barman, que empresta seu ouvido e seus conselhos, Hartz reclama de ter sido abandonado pelo antigo parceiro criativo Rodgers e do sucesso que ele tem cultivado sem ele. O longa acompanha a depressão e os problemas com alcoolismo de Hartz enquanto explora as trapaças e as artimanhas do showbiz.
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O longa se passa primordialmente na noite do dia 31 de Março de 1943, na especial abertura do musical que se tornará um sucesso, o inovador Oklahoma!. A peça é a primeira escrita pela dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II e se tornará um sucesso de crítica e público. Quem não está nada feliz com isso é o lendário letrista Lorenz Hart que, fugindo do teatro, acaba amargurado no bar Sardi onde acontecerá a festa de celebração. Ao lado de um simpático barman, que empresta seu ouvido e seus conselhos, Hartz reclama de ter sido abandonado pelo antigo parceiro criativo Rodgers e do sucesso que ele tem cultivado sem ele. O longa acompanha a depressão e os problemas com alcoolismo de Hartz enquanto explora as trapaças e as artimanhas do showbiz.
Uma coisa que me incomoda muito em alguns filmes é o famoso parecer peça teatral, aonde os diálogos fazem bem mais parte do filme do que a própria representação na tela, e o diretor Richard Linklater gosta muito desse formato, de modo que aqui embora tenha duas cenas (desnecessárias) fora do ambiente principal que é o bar Sardi, todo o restante principal ocorre ali com o protagonista dialogando com outros personagens, meio que quase uma trama reflexiva exagerada sobre o seu passado, presente e futuro, aonde o diretor brincou com as cartas trocadas entre ele e uma garota bem mais jovem, de tal forma que é apenas jogado que o protagonista teve problemas no passado com o alcoolismo, é jogado nas entrelinhas seus sucessos e fracassos, e tudo fica apenas pela percepção que o diretor ensaia na tela com o que o público conhece do compositor, ou seja, falta aquela dinâmica certeira para que tudo saísse do papel para a tela, e assim o resultado acaba sendo mais fechado do que emocional, não sendo ruim de ver, mas bem próximo a somente o público de um nicho mais conhecido da história.
Quanto das atuações, é engraçado que em momento algum vemos o ator Ethan Hawke em cena, e isso é incrível de ver, pois ele se joga por completo para dentro da personalidade de Lorenz Hart, junto com a maquiagem que lhe deixou irreconhecível, e se entrega por inteiro, fazendo trejeitos marcantes e dinâmicas que chega realmente a dar pena do que o compositor virou ali, sendo que se realmente foi dessa forma o seu fim é algo decepcionante, pois é a famosa atuação aonde vemos um homem se auto humilhando para tentar algo maior, e a síntese de interpretação funcionou tanto que ele vem chamando muita atenção em todas as premiações. Bobby Cannavale trabalhou bem como o barman Eddie, mas sendo mais um ouvinte das lamúrias do protagonista, tendo algumas sacadas dentro dos diálogos e algumas boas desenvolturas no ambiente fechado. Da mesma forma Jonah Lees trabalhou seu Morty Rifkin com a diferença que trabalhou seus momentos tocando no piano algumas das melodias que o protagonista desenvolveu no passado, tendo dinâmicas mais leves e poucos momentos para se destacar. Já Margareth Qualley trabalhou sua Elizabeth Weiland com uma pegada mais solta, porém bem sábia para contar seus feitos para o protagonista, tendo um lado sensual na sua condução, mas sem ir muito além também. E por fim tivemos Andrew Scott como um Richard Rodgers premiado e empolgado com o que acabará de acontecer na apresentação de seu musical ovacionado, sendo levemente arrogante com o personagem principal, mas também sem forçar tanto a barra nas expressões.
Visualmente como disse no começo, o longa facilmente poderia ser representado em um palco de teatro, pois começa mostrando aonde o personagem foi encontrado praticamente morto, mas depois volta alguns meses para mostrar um musical aonde o protagonista logo sai de seu camarote e vai para o bar, e ali dentro rola tudo o que vemos no filme inteiro, na beirada do balcão ou em uma mesa lateral, ou mais acima aonde está rolando o evento de festa pós-estreia do musical, ou seja, tudo se desenvolvendo em um único ambiente praticamente, que a equipe até pode ter representado bem, mas que não chama tanta atenção na tela.
Enfim, é um bom filme, mas sinceramente bem inferior ao anterior do diretor, que facilmente deveria ter sido o indicado aos prêmios, mas como não somos nós que definimos isso, apenas vale indicar esse para quem gosta de tramas que contam a vida das pessoas por olhares delas próprias quando sua decadência está bem próxima de acontecer, mas nada que impacte realmente na vida do espectador. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


































