Se tem um cinema que você assiste sem saber exatamente o que esperar é o polonês, pois suas tramas por vezes são bem duras de entregas e em outros casos se abrem com uma fluência própria que você fica esperando até algo a mais que não lhe dão facilmente, e além disso costumam fazer muitas comédias que só eles entendem e dão risadas ou então tramas políticas e de guerras bem densas, então ver uma obra que seja completamente diferente disso foi uma experiência chamativa que funcionou bem, principalmente por nunca ter sequer ouvido falar da banda e do rapaz biografado na tela, então acredito que essa ideia vá funcionar da mesma forma para muitos que derem o play na Netflix em "Less Of a Stranger" aonde acabarão conhecendo a banda Lady Pank e a vida de seu líder Jan Borysewicz que desde muito novo teve suas brigas e problemas com tudo, reforçando em suas canções suas ideias e desenvolturas. Ou seja, é uma biografia interessante, principalmente por não conhecermos nada sobre ele, aonde o protagonista se jogou bastante na tela e o resultado funcionou, mas que talvez pudesse ser ainda mais impactante com poucos ajustes no desenrolar do longa.
À frente da banda Lady Pank, Jan Borysewicz se tornou um dos nomes mais influentes da música polonesa, conquistando uma geração com canções que atravessaram décadas. Mas, por trás do sucesso e dos palcos, o artista enfrentou uma trajetória marcada por perdas, conflitos e dolorosas tragédias familiares. O longa acompanha sua vida e carreira, revelando as experiências pessoais que ajudaram a moldar sua música e sua personalidade. Entre momentos de glória, desafios e memórias difíceis, o filme apresenta um retrato íntimo de um músico que encontrou na arte uma forma de expressar suas emoções e seguir em frente.
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À frente da banda Lady Pank, Jan Borysewicz se tornou um dos nomes mais influentes da música polonesa, conquistando uma geração com canções que atravessaram décadas. Mas, por trás do sucesso e dos palcos, o artista enfrentou uma trajetória marcada por perdas, conflitos e dolorosas tragédias familiares. O longa acompanha sua vida e carreira, revelando as experiências pessoais que ajudaram a moldar sua música e sua personalidade. Entre momentos de glória, desafios e memórias difíceis, o filme apresenta um retrato íntimo de um músico que encontrou na arte uma forma de expressar suas emoções e seguir em frente.
Não conheço as demais obras do diretor Kristoffer Rus, mas pelo que vi aqui posso dizer que ele tem personalidade e um estilo seguro de cortes no desenvolvimento da história, de modo que seu longa flui fácil, não tem cenas com enrolações e principalmente deixa seus personagens se desenvolverem sozinhos na trama, fazendo com que o público crie o devido carisma com eles, mesmo eles fazendo algumas coisas erradas na tela, e isso é bacana, pois dava fácil para o filme não ter um ar "revolucionário" como é a proposta da banda e apenas jogar isso na tela, mas como o diretor quis ampliar essa ideia, o resultado foi sendo pautado durante toda a exibição, e mesmo seu diálogo narrado de forma conflitiva com Deus e a religião acabaram ficando interessantes para a pegada completa, mostrando que o diretor não quis que o protagonista contasse a sua história, mas sim que o filme abrisse esse vértice e fosse sendo desenvolvido.
Quanto das atuações, diria que os jovens Mikołaj Bukrewicz e Miroslaw Tomczuk trabalharam muito bem Jan adulto e criança, desenvolvendo desde pequeno seu estilo forte, e claro também solto, vivendo bastante entre bebidas, festas e drogas, mas tendo um estilo no olhar, uma forma bem desenvolta nos atos principais, e sendo bem direto nas entregas, de modo que acabaram criando um carisma do seu jeito e agradando com o resultado por completo depois. Outra que acaba aparecendo bastante na produção é Kinga Preis como a mãe do protagonista que está doente desde o começo e vai apenas piorando suas coordenações motoras e com isso vemos também a atriz tendo dinâmicas mais fechadas, mas falando bem com olhares e interações com o protagonista, o que deu um bom tom para suas dinâmicas. Também tivemos alguns atos interessantes do compositor das letras da banda e produtor vivido por Patryk Pietrzak, tendo um ar meio cômico com algumas dinâmicas, mas sendo bem amplo nas conexões com o garoto desde o começo da banda, o que foi interessante ver pelos trejeitos e buscas na formatação completa.
Visualmente o longa brincou bem com os anos 70/80 na Polônia, trabalhando desde os shows até as festas muitas vezes proibidas pela censura do país, e claro também das determinações religiosas, usaram bem figurinos e cabelos da época, juntamente com toda a dinâmica criativa da banda que não quis mudar de estilo quando poderiam ter estourado também nos EUA, ou seja, vemos cenas mais fechadas para que não precisassem criar tantos ambientes, mas ainda assim a equipe fez bem todo o lado de sonhos e entregas na tela.
Enfim, não é um filme perfeito nem traz algo que seja memorável na tela, mas agrada para conhecermos um mundo diferente do nosso tradicional que sempre vemos nas telas, aonde jovens com ideias fora do padrão fizeram de suas vidas uma banda que segue ativa até hoje desde um período complexo no país, e assim o resultado acaba valendo o play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


































