Netflix - Neve Negra (Nieve Negra) (Black Snow)

8/09/2020 09:51:00 PM |

Sempre digo que o cinema argentino produz sempre os melhores dramas, e quando colocam Ricardo Darín então, o resultado já é semi-garantido, e o que vemos no longa "Neve Negra", que é mais um dos casos que não estrearam na cidade na época e agora vemos na plataforma da Netflix, é uma trama intensa, cheia de mistérios cercando o motivo real da morte do garoto, quem foi culpado e não assumiu a culpa, por quais motivos isolaram o irmão mais velho na floresta, e tudo mais, ao ponto que alguns até matarão o enigma bem antes, mas na maior parte sempre acaba faltando uma peça do quebra-cabeça. Ou seja, seria um tremendo filme daqueles de se chocar e impressionar que iríamos aplaudir muito ao final, correto? Infelizmente não, pois a trama se prende demais, não encaixa um ritmo forte, e mesmo sendo bem tenso não causa muito impacto como poderia, e com um elenco fortíssimo faltou uma química maior entre eles como casualmente aconteceria. Então você deve estar achando que é um filme ruim? De forma alguma, pois no final a intensidade funciona, e agrada, não sendo impressionante, mas faz valer a conferida.

A sinopse nos conta que acusado de matar seu irmão durante a adolescência, Salvador vive isolado do mundo no meio da Patagônia. Depois de várias décadas sem ter contato com seu irmão Marcos e sua cunhada Laura, o casal vai ao encontro de Salvador para convencê-lo a vender as terras que compartilham devido a uma herança. Neste local isolado e inacessível, o duelo entre os papéis de vítima e assassino voltam à tona.

Talvez a maior falha do longa tenha sido do próprio diretor Martín Hodara em não direcionar o foco logo de cara, misturando demais as cenas do passado com as cenas atuais, brincando com cortes secos e desenvolturas de mixagem cênica, que até tem um ganho bonito para o filme, porém é muito rápido notar que a culpa ali está meio que errada, que nem tudo o que vemos acontecer foi daquela forma que tentam mostrar, e assim ocorre a dispersão da trama toda. Claro que se fosse um filme linear causaria menos impacto ainda, mas talvez flashes mais diretos, ou até uma abertura mais confusa de tudo chamaria mais atenção, pois a protagonista passa o longa todo com a cara confusa, e ao final muda completamente, enquanto os demais praticamente se digladiam o tempo todo, sem muitas conexões ou enfrentamentos funcionais, ao ponto que no final fica bem claro, mas que o diretor poderia ter feito vértices mais fortes, que mudaria tudo, poderia, e quem sabe o filme ficaria ainda mais tenso e incrível de ver.

Sobre as atuações, sem dúvida alguma a intensidade de enfrentamento de Leonardo Sbaraglia e Ricardo Darín é daquelas que sentimos o conflito, e torcemos pela briga, pois é notável que alguém ali está escondendo algo, e não quer que seja revelado de forma alguma, ou seja, ambos os atores são incríveis e se doaram demais para seus Marcos e Salvador, um com mais abertura por estar com a esposa, cheio de flashes na cabeça, outro já mais rude por ter sido abandonado, com mais dureza em tudo o que faz, e que com uma intensidade bem colocada de ambos acabam acertando do começo ao fim em tudo, e que se o filme tivesse ajudado mais, o resultado seria incrível. Laia Costa ficou muito em cima do muro com sua Laura, de forma que parecia perdida em todas as cenas, fazendo muitas caras de dúvidas e de falta de sentimento, até chegar no final e expressar algo que ninguém nem imaginaria, um estilo de rancor forte, ou saberá o que estava pensando, ou seja, foi estranha de ver, e no pôster então está pior ainda. Quanto aos demais, todos os personagens jovens foram bem colocados, trabalharam envolvimentos duros e fortes, mas sem muitos destaques, mas nada que desaponte em momento algum, valendo pela intensidade cênica, e pelos atos em si, e além deles ainda tivemos boas participações de Dolores Fonzi como uma Sabrina completamente maluca e internada, e um Sepia bem imponente e trambiqueiro vivido por Federico Luppi, ou seja, todos foram muito bem em tudo.

Visualmente o ambiente em si é mais tenso que toda a história, tem um clima forte no meio de uma floresta repleta de muita neve na Patagônia, armas rústicas, figurinos fortes, carros bem rústicos também e toda a amplitude de uma força na casa que viveram quando mais jovens, da caçada em si, dos cômodos bagunçados, e tudo mais, e claro mais neve, mais tempestade, aonde os ânimos só vão ficando piores conforme a conversa se desenrola, ou seja, o cenário faz parte da situação e chama muita atenção.

Enfim, é um filme bem interessante que até poderia ir mais além na montagem para criar mais tensão, mas ainda assim vale muito a conferida, e certamente quem gosta de um bom drama argentino irá curtir demais toda a história. Sendo assim recomendo o filme, e fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - O Digno (The Worthy)

8/08/2020 09:48:00 PM |

Olha, sei que já disse isso, mas sempre vale frisar, que a Netflix tem servido muito para que eu conhecesse produções de mais países, e hoje ver um longa pós-apocalíptico dos Emirados Árabes Unidos foi algo que nunca imaginei, e ainda mais que fosse bem bom tanto pela tensão quanto pela história em si, ou seja, "O Digno" (ou como irão achar na Netflix, "The Worthy") é daqueles filmes que tudo é bem valorizado, desde o ambiente repleto de coisas destruídas, da imponência de cada um dos personagens, que procuram representar algo, funcionando bastante do começo ao fim, e mesmo com efeitos meio que falsos demais o resultado não acaba falhando em momento algum. Ou melhor, há uma grandiosa falha em largarem aberto para uma possível continuação, mas de certa maneira tudo foi bem revelado ali, temos um fechamento bem explicado para a ideia completa, e o filme empolga e cria envolvimento, ou seja, funciona bastante, e vale ser conferido.

A sinopse nos conta que depois que a grande maioria do abastecimento de água do mundo é letalmente contaminada, um pequeno grupo de sobreviventes que se refugiou perto de uma fonte rara de água limpa é lançado em um jogo mortal de gato e rato, e deve defender suas vidas de infiltradores que não são o que eles parecem.

Chega a ser bem interessante o estilo que o diretor Ali F. Mostafa escolheu para desenvolver a história de Vikram Weet, pois com um grupo de produtores internacionais, o que não faltou foi dinheiro para montar um ambiente cênico bem imponente no meio de uma fábrica despedaçada, aonde tudo poderia acontecer, e ele soube orquestrar bem os ângulos para que os momentos acontecessem de repente, pegando muitas vezes o público no susto, mas principalmente dando vida para cada ato, ao ponto que vamos vendo cada detalhe, cada preparação, cada sofrimento, e até mesmo o grande jogo da sobrevivência acontecendo, de modo que o longa em alguns atos parte para o terror gore no estilo de "Jogos Mortais", mas a priori o que acaba chamando mais atenção é todo o suspense em cima de não saber o que o vilão realmente quer, qual sacada vai ser trabalhada, o motivo de tudo, apenas sabendo o básico. Ou seja, o diretor soube usar bem cada detalhe para valorizar bem o seu trabalho, não precisando apelar para nada, e deixando que tudo fluísse, mas claro que poderia ter melhorado um pouco o exagero dos efeitos de fogo, mas isso é um mero detalhe.

Sobre as atuações, o protagonista Mahmoud Al Atrash em seu primeiro filme até faz boas caras para seu Eissa, tem atitude e tudo mais, mas pareceu um pouco perdido no começo da trama, ao ponto que não se soltou muito, mas no contexto completo acerta bastante. Samer Ismail colocou seu Mussa de uma maneira imponente, que de cara pegamos suas intenções, e fez facetas fortes, trabalhou bem seus atos, e acabou acertando bastante em tudo com muito cinismo em alguns atos. Maisa Abd Elhadi entregou uma Gulbin meio estranha, falando bem pouco e fazendo olhares meio que jogados, mas resultou bem nas partes importantes da trama. Samer al Masri entregou um carismático e compreensivo Shuaib ao ponto de chamar bem a atitude para si, mas que não seguiu o que o vidente acabou lhe dizendo e sofreu as consequências, mas o ator foi bem demais no que fez. Quanto aos demais, todos tiveram as devidas importâncias, cada um meio que representando algum pilar na trama, outros mais, outros menos, mas todos muito bem, desde a garota Rakeen Saad com sua Maryam, passando pelos dois bravos soldados Daoud e Qais vividos por Mohammed Mostafa e Salah Hanoun até chegarmos em Jamal que Ali Suliman (o mais conhecido e experiente dos atores do filme) acabou fazendo de forma estranha e simbólica.

Visualmente o tom da trama foi incrível, pois arrumaram um galpão abandonado cheio de elementos bem didáticos de fim do mundo, a pouca água, tudo jogado e destruído, com armas rústicas, tudo muito sujo e travado ao ponto de funcionar bem cada elemento, e mostrar uma produção de primeira linha, que junto de uma fotografia seca e distópica resulta em algo bonito de ver mesmo sendo algo intenso de tons mortos e opacos.

Enfim, é um filme que vale muito a pena conferir, e torcer para quem sabe soltarem uma continuação logo, afinal filmado em 2016, já deveriam estar pensando no que aconteceu com o protagonista em sua jornada, mas como acho que não fez muito lucro mundo afora, talvez ficaremos apenas com o fechamento abstrato deixado aqui. Bem é isso pessoal, recomendo bastante a trama, pois surpreende bem, e funciona, então fica a dica, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Dançarina Imperfeita (Work It)

8/08/2020 12:41:00 AM |

Pois bem, teve uma época que quase sempre tinha um filme diferente de dança sendo lançado, com competições, rivalidades, e tudo mais, e parece que isto está voltando com as plataformas de streaming investindo nos atores dançarinos, e não é ruim, pois geralmente são longas dinâmicos, que empolgam e até entregam um certo enredo bacana de conferir, porém um detalhe que precisam focar mais é na escolha do elenco, pois sem carisma nesses filmes acabamos ficando com algo sem muito sentimento, e isso não é legal de ver. Comecei falando assim do novo longa da Netflix, "Dançarina Imperfeita", pois o filme até entrega situações bem colocadas, mesmo sendo algo completamente absurdo tudo o que é mostrado, mas a competição soa interessante ao ponto de entreter, e com um bom ritmo o filme até vale a conferida, porém é tão difícil se conectar com qualquer um dos personagens ou com qualquer um dos atores que o resultado acaba soando fraco demais. Ou seja, é um filme que tem estilo, tem boas danças, tem boas dinâmicas, mas que vamos esquecer daqui a algumas horas com toda certeza.

A sinopse nos conta que para conseguir uma vaga na universidade dos seus sonhos, Quinn Ackerman precisa se dar bem em uma competição de dança. Decidida a derrotar os melhores da escola, ela forma uma equipe. Agora só falta resolver um pequeno detalhe: aprender a dançar.

Diria que o estilo da diretora Laura Terruso foi ousado sem ser apelativo, pois a trama até entrega clichês tradicionais do gênero, mas não chega a forçar para isso acontecer, e dessa forma o filme flui mais aberto, o que é incomum de vermos no formato de danças. Claro que você verá embates musicais, verá sedução entre personagens, verá crescimento de personagem durante a trama, muita inclusão de pessoas diferentes, e tudo mais que se espera do estilo, mas a diretora não quis algo comum, e assim escolheu atores bem desconhecidos da maioria para papeis secundários, e dando destaque a alguns queridinhos do público teen atual, ela acabou fazendo com que seu filme ficasse sem muita atitude, parecendo algum episódio de luxo de alguma série, e não era isso que queria com certeza. Ou seja, o filme passa bem longe de ser ruim, mas não empolga em momento algum, e apenas serve de passatempo, mas que poderia ter ido mais além emocionando em algo, o que não ocorre.

Sobre as atuações, diria que o grupo foi meio que forçado demais para não dizer eclético demais, pois vemos pessoas fora de conexão total para um grupo de dança, que até se entregam bem na dinâmica toda, mas como não fazem uso de poucos diálogos, e só em situações mais jogadas, o filme acabou ficando sem muita base. Dito isso sobre o elenco geral, os protagonistas até que chamaram atenção e fizeram bem suas cenas, de modo que Sabrina Carpenter até tem um pouco de carisma com sua Quinn, dança meio que desengonçada, mas agrada de certa forma com sua maneira insistente. Jordan Fisher acaba dando boas nuances de dança com seu Jake, trabalha bem o romance, e até acaba sendo sutil ao ponto de não incomodar. E Liza Koshy trabalhou sua Jasmine com um lado um pouco apelativo para que sua personagem chamasse atenção. E claro Keiynan Lonsdale se jogou completamente com seu Juilliard, colocando exagero em tudo, mas sendo o tradicional "vilão" do estilo que o filme pedia, agradando no modo mais forçado possível. Quanto aos demais, é melhor nem falar, pois foram pontuais demais, tendo alguns leves destaques em poucas cenas, mas nada que seja surpreendente de ver.

Visualmente o longa tem muitas cores, efeitos de luzes, locações casuais para uma escola, e alguns envolvimentos bem montados em lugares abertos, como um viaduto aonde o casal dança, um estúdio, um lar de idosos, e até mesmo as cenas na casa da protagonista acabam criando dinâmicas, mas nada que seja um espetáculo até chegar na competição realmente, aonde até lá arrumaram espaço para coreografias em grupo fora do palco, ou seja, o filme forçou bastante e fez com que a equipe de arte trabalhasse pra valer.

Como todo filme de dança, a playlist deve ser algo bem conectado na trama, ao ponto que a equipe escolheu canções bem dinâmicas, e o resultado acaba chamando atenção e valendo a conferida até mais por ela que pelo filme em si, então claro que deixo o link para a conferida.

Enfim, é um filme bem mediano para fraco, que até entretém, mas que não atinge nenhum ápice nem no estilo de dança livre, nem como uma história que emocione ou chame atenção, que friso que servirá de passatempo para o público mais jovem pelos atores/cantores mais conhecidos deles, mas que certamente irão esquecer até da existência do longa. Ou seja, não digo que recomendo, mas também não abomino quem curtir, pois não é um filme ruim. Bem é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.
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VOD - Scooby! O Filme (Scoob!)

8/07/2020 12:12:00 AM |

Chega a ser engraçado vermos um personagem que marcou tanto a nossa infância em um filme novo contando rapidamente como foi seu aparecimento, sua amizade e sua interação com os demais, mas basicamente a ideia de "Scooby! O Filme" que estreou hoje para locação em diversas plataformas online é essa, pois logo após o período de apresentação rápido, o filme já começa a juntar diversos personagens do Universo Hanna-Barbera, a qual pretendem entregar mais filmes, virando uma correria desenfreada em cima de uma busca por cabeças, de forma que os personagens acabam indo para lugares bem diferentes, apagando tudo o que a nossa nostalgia lembrava, que era dos mistérios envolventes, das diversas pistas e tudo mais que acaba desaparecendo da forma que foi mostrada na trama. Ou seja, ainda é um filme bem bonitinho, com personagens com seus devidos carismas, mas praticamente esqueceram como era bacana os desenhos da saga Scooby-doo, e quiseram criar uma animação de heróis diferenciada, não que isso seja ruim, mas tudo poderia ser mais misterioso e intrigante para agradar os fãs antigos.

A história nos revela como os velhos amigos Scooby e Salsicha se conheceram e como se juntaram aos jovens detetives Fred, Velma e Daphne para fundar a famosa Mistério S.A. Agora, com centenas de casos solucionados e aventuras compartilhadas, Scooby e a galera enfrentam seu maior e mais difícil mistério: um plano para libertar o cachorro fantasma Cerberus no mundo. À medida que se apressa para impedir esse apocãolipse, o grupo descobre que Scooby tem um legado secreto e um destino épico mais extraordinário do que qualquer um poderia imaginar.

O diretor Tony Cervone já brincou bastante com as animações de Scooby, com vários desenhos dele e de "Tom e Jerry", mas aqui foi seu primeiro longa realmente em que apostou todas as fichas e acabou amplificando toda a ideia, e se pararmos para analisar a fundo, a grande sacada da trama é em cima da nostalgia, pois o público que cresceu vendo os desenhos da Hanna-Barbera na infância, hoje é o grande consumidor de filmes, tem seus filhos, e vai querer conferir a trama, ouvir as costumeiras vozes e piadas (embora muitas vozes tenham mudado!), e que com uma sacada bem intrigante de colocar outros personagens da empresa para começar algo do tipo como sendo um Universo compartilhado, ou então os famosos crossover que andam na moda, ele junto com os demais roteiristas brincaram com a ideia toda, trabalharam uma trama divertida e gostosa em cima de amizade, quebras, coragem, e vários outros motes tradicionais, porém como disse no começo, esqueceram da base principal da turma da Mistério S.A. que são investigações misteriosas, e aqui não tem praticamente nenhuma investigação, mas sim uma aventura correndo atrás de um resgate, que sim conta com bichinhos fofinhos, tem toda uma dinâmica bacana, mas não encanta como o tradicional era realmente, e assim o filme falha um pouco.

Já que comecei a falar dos personagens, foram bem espertos em não criar tantas texturas para não sair do tradicional desenho, mas sim dando contornos e formas bem tridimensionais bacanas, ao ponto de todos os personagens agradarem bem visualmente, e como já falei, tendo um carisma bem marcado e que agrada desde o começo mostrando Scooby filhote e Salsicha novinho, com uma pegada bem emotiva, depois vemos eles conhecendo os demais integrantes ainda adolescentes Velma, Fred e Daphne, logo fazendo sim sua primeira investigação do estilo clássico bem funcional, até passar muitos anos e vermos já todos adultos e casuais, com boas personalidades, mostrando os trejeitos clássicos, e com boas dublagens (vi no original com Will Forte, Frank Welker, Zach Efron, Amanda Seyfried e Gina Rodriguez como Salsicha, Scooby, Fred, Daphne e Velma respectivamente, mas que falaram que a dublagem nacional também está boa e pretendo ver depois). Aí entram no time dos bonzinhos, Falcão Azul e Bionicão, com algumas trapalhadas exageradas de medo, mas bem estilosos, e no time de vilões tivemos claro um Dick Vigarista bem forte e cheio de astúcias, que chega a impressionar pela imponência, já que nos desenhos era meio bobo, e até um Capitão Caverna como líder de batalha de uma era isolada estranha, ou seja, foram meio além demais, mas ficou bacana de ver.

O longa foi muito bem desenhado, cheio de cores, e principalmente mantendo nesse caso os tons clássicos de roupas e estilos, além de irem para lugares bem diferenciados como um mundo isolado que viveu na era dos dinossauros embaixo de uma montanha, naves bem ornamentadas com elementos visuais incríveis e claro personagens fofinhos e malvados no melhor estilo minions de ser, e uma Atenas cheia de perspectivas e cores fortes, de modo que certamente o filme se fosse exibido nos cinemas em 3D teria muita coisa saindo da tela, muita profundidade e tudo mais, ou seja, uma pena não ter o lançamento nesse formato.

O longa conta com boas canções na trilha sonora que ajudaram muito a dar ritmo, e encaixam de formas diferentes em cada momento da trama, ou seja, deram o tom certo agradando bastante, e quem quiser conferir, fica aqui o link para isso.

Enfim, é uma animação bem gostosa de conferir, que traz uma aventura bem legal, e que agrada sem muita apelação, tem seus momentos tensos, tem o lado fofo de vários personagens, tem uma boa dinâmica, mas que é fácil reclamar também, então vale como algo descompromissado, que certamente valeria muito ver nos cinemas em 3D, mas que não teve jeito, sendo lançada nas diversas plataformas de VOD (vídeo on demand) para locação, então aproveitem e se divirtam. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Casa Grande

8/04/2020 01:24:00 AM |

Se tem uma coisa que costumo reclamar muito do cinema nacional, e alguns entendem, outros veem como um pessimismo, é que a maioria dos diretores optam por mostrar o casual, a vida cotidiana, seja ela na periferia ou então na burguesia, e até outras vezes mexendo um pouco com a classe média, mas focando na vida dessas pessoas, na quebra de algo casual dessa vida, e as desenvolturas que acabam acontecendo com isso, e dificilmente vemos algo mais explosivo, ou alguma situação mais forte, ou seja, acabam cansando mesmo sendo belos filmes. E em 2015 um filme que foi muito falado foi "Casa Grande", aonde diversos críticos apontaram como uma obra de arte, filosofia da mais alta classe, explicitaram pontos sociais e tudo mais com ele, ou seja, a Imovision que é uma distribuidora pequena nem quis arriscar e lançou somente nas capitais, pois certamente onde caísse com críticas tão enfadonhas, o público geral nem entraria nas salas. Porém o longa não é ruim, tem uma boa pegada em cima da quebra da tradicional família rica, usa e abusa dos conflitos de classes, joga as pitadas de cotas e trotes de sequestros que estavam na moda na época, e até tem a beleza do garoto tentando sair desse miolo problemático da família em queda, mas é a mesma coisa que já vimos em pelo menos uns cinquenta longas nacionais, e todos cansam pelo mesmo motivo: a falta de um conflito forte, e principalmente, um fechamento decente sem ser artístico (pois já adianto, a foto do pôster é exatamente o fechamento do filme, que é bonita de ver, mas esperávamos qualquer atitude melhor que fechasse o ciclo realmente). Ou seja, é um filme que você pode assistir (está agora na Netflix), que vai se envolver com as situações, talvez se lembre dos problemas e questionamentos da época, mas não espere muito dele, pois é apenas mais um filme artístico longe de ser comercial no país.

O longa acompanha Sônia e Hugo que são da alta burguesia carioca e levam uma vida bastante confortável. Aos poucos vão à falência, mas ninguém sabe de seus problemas financeiros, nem mesmo o filho Jean, que faz de tudo para se desvencilhar dos pais superprotetores. Para se manter, o casal corta despesas e ele, que só se preocupava com garotas e vestibular, enfrenta pela primeira vez a realidade.

A ideia do diretor Fellipe Barbosa não chega a ser ruim, pois já vimos isso acontecer em grandes famílias ricas, já vimos isso ocorrer milhares de vezes em novelas, e é sabido que quando uma casa grande desmorona, a maioria não sabe o que fazer, e geralmente os jovens são os mais afetados, pois alguns mimados não aceitam mudar, outros já estão tão acostumados que acabam ruindo, mas principalmente vemos aqui que o diretor quis mostrar que muitas vezes os jovens são mais criados pelos empregados, tendo as conexões mais virtuosas ali, que quando esses são os primeiros a cair, os jovens se perdem, a família quebra e tudo mais. Ou seja, o diretor foi coeso na sua visão, e o filme foi seguro na forma de desenvolver a ideia, porém já vimos muito disso, e não vemos nada que empolgue para mostrar mais uma visão da mesma história, então o ar artístico acaba pesando demais, e felizmente por ter boas atuações, o resultado acaba sendo interessante e bom, mas talvez algo a mais chamaria mais atenção, o que não é o caso.

Já que falei das atuações, é notável que o jovem Thales Cavalcanti foi um grande achado da produção, pois ele encaixou momentos duros, momentos descontraídos e muitas cenas simbólicas com olhares claros e bem abertos para que seu Jean fosse o tradicional garoto em processo de mudanças, no meio de um conflito gigante, e que mesmo sendo mimado ainda tivesse uma desenvoltura mais ampla para o tema, e assim sendo caiu bem no papel e agradou bastante. Marcello Novaes também deu bons ares para seu Hugo, e embora o personagem não tenha se desenvolvido tanto, o ator acabou mostrando bem as facetas do tradicional rico que está caindo no fosso, mas não tira a coroa pesada para afundar menos rápido, ou seja, foi simples, fez o tradicional, mas foi bem. Suzana Pires trabalhou bem sua Sônia, encontrou alguns momentos mais dramáticos para chamar atenção, e foi bem no ensejo completo, ao ponto de agradar bastante também. Clarissa Pinheiro deu o tom mais casual, com boas dinâmicas e claro sensualidade para a vida do garoto com sua Rita, a tradicional empregada da casa que mora lá, e que vivencia os momentos de carência do jovem, e não tem nenhuma explosão, o que talvez mudaria muito a trama, mas foi bem também. Além desses tivemos bons atos com os diversos jovens, claro tendo o destaque para Bruna Amaya com sua Luiza direta no rumo, e que chama bastante atenção por isso, e claro também temos de pontuar as boas cenas de Marília Coelho e Gentil Cordeiro com seus Noemia e Severino, pois tiveram momentos simbólicos na trama, e agradaram com suas nuances.

Visualmente o longa encontrou uma casa belíssima como locação, com os tradicionais ambientes propícios para todos os conflitos como a edícula da empregada separada com portão trancado, a cozinha para conflitos entre todos com as diversas faltas de alimentos e arrumações com a queda de vida, quartos trancados ou não, sensores de alarmes, economias de luz e brigas por uso de telefone, a piscina gigante, área de churrasco conflitiva, e tudo mais, as tradicionais reuniões de cosméticos, os encontros nos ônibus, os conflitos escolares numa escola totalmente só para garotos, com os amigos e os apenas conhecidos, e claro a comunidade, aonde tudo é diferente, ou seja, a equipe de arte foi bem coesa nas escolhas, e foi bem representativa nos elementos cênicos para mostrar os contrastes e funcionalidades.

Enfim, como disse não é um filme ruim, muito pelo contrário tem bons acertos em diversos aspectos, porém é mais do mesmo, já vimos essa idealização em diversas novelas, em outros filmes e aqui nada é novidade, apenas tem um tom mais artístico que o diretor soube usar bem, então quem gosta de filmes do estilo até vai enxergar algo a mais, mas quem esperar qualquer grande conflito, ou alguma reviravolta imponente (e comercial) sairá bem decepcionado. Sendo assim, fica minha opinião sobre ele, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Resgate (Redemption)

8/02/2020 01:39:00 AM |

Mais uma vez resolvi dar chance ao cinema africano depois de falar que não veria mais nenhum, afinal os últimos filmes de Nollywood (Nigéria) e do Zimbábue que vi, tinham sido quase filmes de início da minha faculdade, então era melhor optar por outros países, mas eis que hoje vi que esse novo da Netflix, "Resgate" estava bem cotado, com o público dando boas notas, então dei play no longa de Moçambique, que ao menos é falado em um português meio diferente do nosso, mas que não precisamos de legenda em quase momento algum (só quando resolvem misturar com expressões em inglês - aí vem as legendas!), e até tem uma história mais trabalhada, uma produção mais criativa, e até movimentos de câmera bem interessantes de ver, com atores fazendo seus papeis de maneira profissional e tudo mais, porém é quase uma novela cheia de reviravoltas, aonde ficamos esperando algo a mais e não nos entregam, indo somente no fluxo. Ou seja, não chega a ser uma bomba como os demais, tem tudo bem feitinho, mas não convence, além de um final bem fora do esperado, o que é uma pena, pois a trama até tinha uma intenção boa, mas mostrou que o crime nunca compensa, e assim sendo quem quiser saber a história inteira sem precisar assistir, coloque nos créditos e ouça a música, que ela resume o filme inteirinho de forma cantada.

A sinopse é bem simples e nos conta que quando um jovem ex-presidiário em busca de redenção é surpreendido por uma execução bancária, ele é obrigado a conspirar contra um chefe criminoso implacável.

Em seu primeiro longa, Mickey Fonseca até entregou uma trama recheada de planos intensos e envolventes, afinal longas envolvendo sequestros costumam sempre ter bons ritmos e pegadas fortes, porém faltou pra ele ir direto ao ponto e criar algo mais de impacto, pois o filme acabou ficando em cima do muro de mostrar se o protagonista queria sair dessa vida e ficar com a família ou tentar ganhar um dinheiro para mudar de vida completamente, de forma que tudo vai se enrolando demais, com situações um pouco forçadas, e assim a trama não flui. Porém podemos dizer facilmente que ele tem técnica, conseguiu fazer um projeto com uma produção bem trabalhada, e principalmente soube dirigir os atores (na maioria iniciantes) com boas sacadas, com um trabalho bem profissional, e com isso seus personagens tiveram uma boa dinâmica para dar o clima do longa, ou seja, o problema foi mais do diretor em enrolar para desenvolver a trama e ficar mais alongada (talvez uns 20 minutos a menos funcionaria melhor!) do que de seu trabalho de direção de atores (que é o que mais andava me incomodando em longas africanos), mas quem sabe num próximo ele saia melhor.

Sobre as atuações, posso dizer que Gil Alexandre caiu muito bem no papel de Bruno, trabalhando as cenas com envolvimento, encarando as responsabilidades dos momentos, e fazendo bons olhares, ao ponto que só não conseguiu criar carisma para a bebê, que chorava demais com ele, mas de resto o ator dominou tudo, e fez muito bem suas cenas. Arlete Guillermina Bombe também entregou uma Mia imponente, com cenas fortes e trabalhando uma boa postura para o papel, agradando no que fez, mas sem ousar muito. Quanto aos demais, Laquino Fonseca se empolgou um pouco demais com seu Tony, se mexendo sem parar, cheio de trejeitos e por pouco não soou exagerado, mas como características do estilo são dessa forma, não ficou errado, já Tomas Bie ficou meio que estranho com seu Americo ao ponto de não encaixar muito bem, e quanto ao chefe vivido por Rachide Abul, fez o tradicional mandante, e chamou atenção ao menos.

Visualmente por ser uma obra independente e barata, a equipe fez um bom trabalho com locações simples para representar os diversos momentos da trama, exagerou um pouco nos tiros, e criou bons ambientes ao menos, mas nada que impressionasse no conteúdo completo da trama, pois poderiam ter caprichado um pouco mais nos cativeiros, e ambientado algumas cenas melhor, mas foi funcional ao menos.

Enfim, é um filme que talvez poderia ser mais empolgante, criado mais tensões, e talvez ter saído um pouco de cima do muro para ir mais além, mas não chega a ser uma gigantesca bomba, só não digo também que recomendo ele, pois faltou muito para chamar atenção. Sendo assim fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Sleight: O Truque Perfeito (Sleight)

8/01/2020 06:05:00 PM |

Coloquei na minha lista da Netflix o filme "Sleight - O Truque Perfeito" por gostar de tramas envolvendo mágicas, e também pela ideia geral que parecia ter sobre um jovem que vende drogas para manter a família, porém esperava ver algo a mais na ideia toda, afinal o estilo parecia coerente, logo de cara já vemos o selo da "BlumHouse" que costuma investir bem o dinheiro em boas produções, porém a trama se prende demais, os personagens não entregam tanto carisma, e ao final ainda fecham a trama com algo meio jogado, quase como se quisessem permitir uma continuação sem fechamento. Ou seja, não é um filme ruim, porém faltou algo a mais para que o diretor entregasse realmente um filme de drogas e mágica, que empolgaria do começo ao fim, e não ficasse como uma trama levemente perdida, mas dá para passar um tempo pelo menos conferindo.

O longa conta a história de um jovem mágico de rua que é deixado para cuidar de sua irmã mais nova após a morte de seus pais, e recorre a atividades ilegais para manter um teto sobre suas cabeças. Quando ele se aprofunda, sua irmã é sequestrada e ele é forçado a usar sua mente mágica e brilhante para salvá-la.

O ponto fraco de uma trama geralmente recai sobre uma direção fraca de atitudes, e aqui J.D. Dillard trabalhou o seu roteiro de uma maneira até coesa, mostrando que lidar com drogas e família é algo quase que incompatível, mostrou algumas lições de moral meio que jogadas, tentou mostrar a aplicação nas aulas de ciências, e também brincou um pouco com mágica, que é algo que sempre chama o público (aliás eu caí nesse filme por esse motivo!!), porém ele não conseguiu fazer com que seu protagonista tivesse um carisma suficiente, que os vilões fossem imponentes, e nem emplacou o romance como algo bonitinho de ver, ficando em cima do muro em todos os estilos. Ou seja, ele quis fazer um filme com tantas aberturas, e no final soou apenas como algo simples demais, além de não entregar bem um fechamento, deixando liberdade para uma continuação ou algo do tipo, e assim, o filme ficando ainda mais frouxo. Claro que a trama tem seu valor, afinal vemos grandes brincadeiras com o estilo Homem De Ferro, por todo o lance da eletrônica, vemos algumas dinâmicas coesas para o jovem se virar, mas na junção de tudo, ficamos esperando algo a mais acontecer, parecendo sessões espalhadas boas, que juntando tudo acaba fraco demais.

Sobre as atuações posso dizer facilmente que o jovem Jacob Latimore até tem uma boa presença cênica, fez caras e bocas com seu Bo, brincou bastante com a magia, trabalhou bem com uma maquiagem e uma traquitana bem presa no seu braço, e até ousou chamar atenção em algumas cenas, mas nada demais que empolgasse, de modo que ficou talvez muito sem ação por parte do diretor, e isso acabou não dando algo a mais que o personagem poderia fazer. Dulé Hill deu uma certa intensidade para seu Angelo, ao ponto de até ser um traficante bem imponente, mas suas cenas foram colocadas espaçadas demais, com momentos fortes oscilando com temperamentos mais comuns, e assim o resultado não chega a causar um afronte, e assim não empolga tanto. Seychelle Gabriel e Storm Reid até fizeram cenas carismáticas com suas Holy e Tina junto do protagonista, mas são praticamente símbolos apenas para tudo o que ocorre, não entregando nem grandes diálogos, nem nada que empolgasse como poderia. E quanto aos demais, alguns apareceram mais e tiveram alguma dinâmica como foram Sasheer Zamata com sua Georgi, e Cameron Esposito com sua Luna, enquanto outros só serviram rapidamente e quase nem foram apresentados como Frank Clem com seu Granger, ou seja, o filme focou demais no garoto e não entregou como poderia.

Visualmente a trama teve bons contrapontos, com o dia alegre cheio de mágica, olhares felizes, truques de cartas e levitações de objetos usando eletricidade, e a noite o bicho pegando com entregas de drogas e acertos de contas entre traficantes, colocando uma festa no meio, alguns jantares românticos, um ou outro envolvimento na casa do protagonista, e nada indo muito além, tendo como destaque somente as cenas finais aonde a equipe de efeitos precisou brincar bastante para mostrar a eletricidade do jovem como algo poderoso, mas sem muito o que destacar realmente a não ser que as cenas tiveram uma dinâmica de movimentos interessante de ver, mas que não fizeram nada além na trama.

Enfim, é um filme bem básico, que até serve de passatempo, mas certamente poderiam ter ido bem além em tudo, e principalmente fechado o filme, não deixado jogado uma possibilidade de continuação, pois não acredito que isso ocorra, então quem tiver sem muitas opções até pode conferir, mas não diria que indico ele com muita força não. Bem é isso pessoal, eu fico por aqui agora, mas vou tentar ver algo mais imponente a noite, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Shimmer Lake

8/01/2020 12:06:00 AM |

Se pararmos para analisar friamente o longa da Netflix, "Shimmer Lake" iremos ver uma trama bem simples, com uma história sem muito o que falar, básica demais, porém o diretor foi muito esperto de contar ela de trás para frente, aí todo o mistério que parecia meio que sem pé nem cabeça e bobinho demais acaba tendo todo um acerto interessantíssimo que acabamos adorando tudo. Ou seja, as vezes os fins justificam os meios, e as vezes só sabendo o final da história nem imaginamos como ela começou se não estávamos no mesmo local que ocorreu, ou seja, o filme acaba sendo genial por brincar com isso sem precisar de grandiosas cenas, sem gastar com um elenco imenso, apenas acertando na condução, e é o que ocorre, e quem gosta do estilo acabará bem feliz com tudo no final (ou seria no começo?).

A sinopse é bem direta e nos diz que desdobrado no tempo reverso, este thriller policial cômico sombrio segue um xerife local caçando três suspeitos de assalto a banco, um dos quais é seu irmão.

Nem dá para falar muito do que o roteirista Oren Uziel fez em sua primeira direção, pois qualquer deslize no texto acaba sendo um spoiler monstruoso e acaba com toda a graça da trama, mas acostumado com muitos textos com pegadas cômicas e misteriosas, ele apenas teve a sacada de ir voltando com sua história dia a dia da semana para que descobríssemos como tudo começou, e nessa simplicidade cênica, vemos que os atos de cada dia são bem malucos e intensos, ao ponto de funcionarem para aguçar nossa curiosidade do crime em si, e assim sendo o acerto é funcional e agrada bastante, e só por isso, pois se o filme fosse linearmente casual, seria daqueles que reclamaríamos da falta de uma história melhor, ou seja, a sacada é única, e o resultado também.

Sobre as interpretações, não vemos praticamente nenhum destaque entre os protagonistas, de forma que Stephanie Sigman faz uma Steph bem misteriosa, aparecendo todos os dias em algum tipo de nuance, fazendo a cena mais bizarra de tentativa de soco possível, mas vai bem no que faz. Benjamin Walker trouxe para seu Zeke cenas bem calmas, com uma personalidade intensa como xerife, fazendo todos os momentos serem bem explicados, com clara desenvoltura para tentar solucionar o caso. Seu parceiro Reed vivido por um Adam Pally bem cômico e cheio de sacadas, foi quase um enfeite cênico, apenas servindo para dar dinâmica no texto e nada mais, mas o ator faz bem seus momentos. Rainn Wilson trouxe algo meio que desesperado para seu Andy, ao ponto que não conseguimos captar muito sua essência, mas o ator foi bem em todas as cenas, e caiu bem no estilo que o filme precisava. Rob Corddry e Ron Livingston são usados apenas também como enfeite como policiais do FBI que apenas seguem os andamentos do caso, mas inúteis como algo além, fazendo piadinhas bobas e jogados demais. Mark Rendall entregou um Chris bobo demais, mas encaixado bem na personalidade que a trama pedia, ao ponto de até ficarmos com dó do personagem. Wyatt Russell acabou trabalhando seu Ed com impacto e fazendo ares bem de criminosos, ao ponto que vemos ele arquitetando tudo, vemos acontecendo e o ator se joga bastante, mas poderia ter tido um pouco mais de envolvimento, só que aí o filme precisaria ser maior. E finalizando o elenco principal ainda tivemos John Michael Higgins como o dono do banco que até tem cenas impactantes, mas o ator não se entregou como deveria, então poderia ter ido além.

Visualmente o longa também não tem nenhum chamariz, e certamente foi bem barato, com cenas mais fechadas, em ambientes pequenos, como as casas dos protagonistas (mas mostrando bem poucos ambientes), muitas cenas em carros, uma cena no motel, e a cena no banco, tendo pouco detalhamento, alguns atos com tiros, maquiagem de sangue e nada mais, ou seja, economia total, simplicidade, e funcionalidade, ao ponto que nada entrega a trama, e assim acerta muito.

Enfim, falei bem pouco, afinal como disse no começo, qualquer coisa que falar estraga a sagacidade da trama, e mesmo já sendo um filme mais antigo da Netflix, acabou sendo uma grata indicação da plataforma, então vale a conferida. Bem é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Rede de Ódio (Sala Samobójców. Hejter) (Suicide Room: Hater)

7/30/2020 12:39:00 AM |

Olha, tem dias que você assiste um filme e a cabeça fica pensando nas coisas possíveis disso no mundo real, mas tem aqueles que você precisa pensar em como alguém pode ser assim, pois olha já vi muitos longas de psicopatas, já vi filmes com pessoas rancorosas, mas o que nos é mostrado no filme polonês da Netflix, "Rede de Ódio" é algo que não dá para imaginar que exista alguém que chegue nesse ponto, que tenha empresas prontas para fazer o que é mostrado ali, para as atitudes que ocorrem, e o pior é saber que existem!!! Ou seja, é um filme bem atual do ponto que a internet, os jogos, e tudo mais nos levam ao ciúme doentio por algo, que só é amplificado por situações piores, e que acabamos vendo pessoas doentes realmente que acabam deixando se levar para o pior lado possível para tentar estragar a vida ou o trabalho dos outros. Dito isso, o longa é um tremendo filme, que mostra muito do que andamos vendo mundo afora, e que principalmente causa muito pelo ótimo ator que consegue ter mais caras do que tudo, ao ponto de arrepiar na última cena como ele consegue mudar uma expressão do nada com um simples trejeito para o ponto que deseja passar. Vale muito a conferida, mas dá medo!

O longa nos conta que Tomek, um estudante de direito da Universidade de Varsóvia, é pego em plágio e expulso da universidade. No entanto, ele decide esconder esse fato do mundo e continua recebendo ajuda financeira da família Krasucki - os pais de Gabi, uma amiga de infância. Quando o engano é revelado, o garoto comprometido perde a confiança e a bondade de seus benfeitores. Cheio de raiva e arrependimento, separado de Gabi, por quem ele está secretamente apaixonado há anos, Tomek planeja se vingar da família Krasucki. A oportunidade aparece quando ele consegue um emprego em uma agência de publicidade e, com ela, acesso às mais recentes tecnologias e segredos da elite da capital. Sob o disfarce de deveres profissionais, Tomek começa a vigiar a família Krasucki, que está ativamente envolvida na campanha política do candidato a presidente da capital - Paweł Rudnicki. Logo, o plano de um invasor da Internet começa a tomar forma cada vez mais real, e o caminho para sua implementação leva ao mundo virtual do popular jogo de computador.

O diretor Jan Komasa tem ficado bastante nos holofotes, e após entregar seu último filme ("Corpus Christi") ter figurado em todas as premiações, ele vem e entrega um filme que teoricamente é a continuação de outro filme de sucesso seu de 2011 ("Sala de Suicídio"), mas que possui uma história fechada e muito bem feita, daquelas que vemos tudo ir acontecendo conforme vamos pensando que o protagonista não poderia ir além, mas vai, e que o diretor não teria coragem de fazer, mas vai, ao ponto que tudo é muito atual, vemos acontecer quase todos os dias diversas intrigas e posts na internet que são incrementados de ódio gratuito, e que muitos acabam caindo e piorando tudo. Ou seja, o diretor soube escolher muito bem o tema, soube dosar as atitudes de maneira certeira, e principalmente conseguiu conectar todo o envolvimento possível para cima de um protagonista muito bom, pois a oscilação da trama é quase nula se focarmos na insanidade do protagonista e da empresa que ele trabalha, mas também podemos ver muito da arte de sufocar o ambiente para que tudo funcione, e dessa forma o acerto é iminente do começo ao fim.

E já que comecei a falar da atuação do protagonista, chega a ser assustador tudo o que vemos Maciej Musialowski fazer com seu Tomek, pois o ator soube segurar a dramaticidade, muda trejeitos do nada, possui um estilo duro e imponente, e com a mesma serenidade que está preparando um ataque, na mesma cena já começa a chorar com olhares convincentes, ou seja, foi perfeito para o papel, e acertou na medida. Agata Kuleska entregou uma Beata imponente e também bem cheia de ódio no coração, mas como empresária do ódio mostrou olhares e boas dinâmicas com o protagonista, agradando bastante. Maciej Stuhr trouxe para seu Paweł algo meio estranho dentro do mundo da política, mas que acaba sendo interessante dentro da proposta da trama, só diria que poderia ser menos inseguro, que aí seu personagem chamaria mais atenção. Adam Gradowski trabalhou seu Guzek de uma maneira forte, porém influenciável demais, ao ponto que não nos convence sua militância, mas suas cenas emotivas foram bem feitas ao menos. Da família Krasucki, os pais vividos por Danuta Stenka e Jacek Koman mereciam ter sofrido um pouco mais, pois fizeram papeis daqueles que provocam o ódio em qualquer pessoa, mas fizeram bem seus atos, já Vanessa Aleksander trabalhou uma Gabi instável demais, ao ponto que não sabemos se a atriz que está falhando em cena, ou se a personagem não tem um gatilho mais imponente, mas não foi ruim de ver ao menos. Dentre os demais, a maioria foi participativa apenas, tendo um ou outro momento com mais força, mas sem grandes destaques, sobressaindo um pouco Piotr Biedron com seu Kamil, mas nada que surpreenda muito.

Visualmente o longa traz cenas mais fechadas, com olhares ocultos ao longe pelo protagonista, mostrando bem tanto o ódio guardado por ele, como o ódio das demais classes, sejam os ricos pelas classes, os imigrantes pelo gordo, seja ela pelos atos ou pelos comentários, usando muito de vídeos de internet, mostrando uma empresa de publicidade bem cheia das artimanhas hackers, e claro casas e exposições bem elegantes com música clássica, óperas, e tudo mais, ou seja, a equipe de arte teve um trabalho bem considerável e entregou tudo com muita intensidade.

Enfim, é um filme diferente do usual que vemos sempre, afinal a escola polonesa de cinema não entrega filmes bem tradicionais, mas toda o rancor, a tensão e a dinâmica, isso sim estamos bem acostumados de ver pela internet e nas ruas afora, ou seja, é um filme bem forte, que tem um ritmo um pouco lento, mas que vai impressionar bastante a todos por tudo o que ocorre, valendo muito a conferida. Então é isso pessoal, eu fico por aqui deixando essa dica para todos, mas volto em breve com mais textos, abraços e até logo mais.
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Netflix - Decisão De Risco (Eye In The Sky)

7/28/2020 12:08:00 AM |


Uma das vantagens das plataformas de streaming é que além dos lançamentos semanais, você também pode ver alguns antigos que acabaram não chegando nas salas dos cinemas do interior, e hoje encarei o filme "Decisão de Risco" na Netflix, mais pelo elenco e pela história em si, do que pelo que aparentou o trailer, pois por lá já era possível imaginar a enrolação gigantesca para que a trama tivesse algum conteúdo, e foi dito e feito, de forma que é um tremendo filmaço, mostrando a polêmica imensa em decidir se abatem ou não um grupo de terroristas que estão juntos numa casa ou se tentam de alguma outra forma capturar eles. Pois bem, isso certamente num ato normal de guerra deveria durar coisa de alguns minutos (ao menos na hora do acontecimento, se tudo foi planejado antes), mas aqui resolveram discutir tudo, questões legais, liga pro fulano, liga pro ciclano, vê isso, vê aquilo, agora não dá que tem alguém ali, meuuuuu teve uma hora que se eu sou o general que está na sala com os políticos quem ia morrer ali eram os políticos, e os terroristas que se virassem depois, pois ô povo chato, mas tirando essa enrolação toda, é um filme interessante e bem intenso, que causa muita comoção principalmente pela mão que atira não ser a que decide, ou seja, a trama até passa bem rápido, mas poderia ser resolvida muito mais facilmente.

A sinopse nos conta que o encontro de três perigosos terroristas em Nairobi, no Quênia, faz com que uma elaborada operação seja coordenada diretamente da Inglaterra. É lá que a coronel Katherine Powell e o general Frank Benson acompanham os movimentos dos alvos, através de um avião-drone estrategicamente posicionado para que não seja detectado por radares inimigos. Inicialmente a operação seria para capturá-los, mas a descoberta de dois homens-bomba faz com que o objetivo mude para eliminá-los a qualquer custo. Inicia então um debate interno, envolvendo o lado militar e também o político, sobre como agir causando o mínimo possível de danos colaterais.

Sabemos bem que o estilo do diretor e ator Gavin Hood é daqueles que geralmente sobra algum canto pronto para cometer erros, visto que algumas obras suas são daquelas que os críticos caem matando em cima, mas também sabemos que ele tem uma boa técnica e geralmente consegue amarrar o público com o que costuma entregar, e aqui como justamente a obra preza "o amarrar", então é um filme que caiu como uma luva para vermos o quanto ele soube brincar com diálogos, revoltas, e principalmente mostrar toda a indústria de guerra atual, aonde hoje nem é mais necessário que os combatentes mesmo cheguem perto dos inimigos, bastando drones, e mais do que isso, pessoas dispostas a fazer uma "boa" negociação do que atacar ou não. Ou seja, o diretor foi preciso, soube trabalhar com um filme digamos não caro, afinal cada elenco pode trabalhar individualmente em pequenas salas, tendo apenas projetores, computadores e monitores, além de um ou outro detalhe, e deixasse com a computação para brincar com o resto, e assim a dinâmica foi muito bem montada, e funciona, embora volte a frisar que é um filme que enrola demais, e poderia ser resolvido tão rápido quanto você pense, mas aí não seria um longa.

Sobre as atuações, são diversos personagens que tiveram muita importância, cada um da sua maneira, e todos com expressões fortes e dinâmicas bem colocadas, de forma que não tenho que falar de um só exclusivamente, mas sim de todos, dando destaques para Helen Mirren claro pela imponência de sua personagem, Alan Rickman da mesma forma pela segurança (e destacaria ainda mais por não dar um tiro na cabeça de cada um dos demais irritantes na sala, principalmente em Monica Dolan), tivemos ainda do outro lado a precisão e o desespero de Aaron Paul e Phoebe Fox controlando o drone, e na linha de frente ainda tivemos bons momentos de Barkhad Abdi que chega a ser desesperador estar no meio de tudo e não levar um tiro, além claro da garotinha bem graciosa Aisha Takow, ou seja, todos se doaram em algum momento e foram bem resolvidos.

Visualmente como já disse o longa foi bem econômico e trabalhou praticamente todo em salas, uma maior aonde a personagem de Helen Mirren comandava todas as demais, outra menor com os personagens que controlavam o drone com um pouco mais de elementos cênicos, outra com os políticos em uma mesa de negociação, e claro os personagens mais simples ao redor da casa no Quênia, com muitos figurantes andando armados ao redor, detalhamento de bombas, drones menores (um beija-flor e um besouro) filmando tudo por controle remoto, e assim a equipe de arte brincou mais com os poucos ambientes e elementos, do que com uma guerra maior, deixando claro que a computação dominasse tudo, e locações mesmo fossem nem utilizadas.

Enfim, é um filme bem bacana, que causa toda uma tensão e comoção em cima de se vai matar civis ou não, se ataca agora ou não, o que é melhor fazer, ou seja, muita discussão e pouca ação, que acaba nos deixando bem agoniados, ao ponto de ser um filme que valha a conferida, porém volto a frisar que poderia ser bem menor, e sendo assim, quem gosta do estilo até vai se empolgar um pouco com tudo, e fica assim sendo a dica, e eu fico por aqui, então abraços e até logo mais.
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Netflix - A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata (The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society)

7/26/2020 10:16:00 PM |


Confesso que não sou muito fã de romances, mas quando colocam uma boa história dentro do conteúdo acabo viajando nas possibilidades, e hoje resolvi conferir uma indicação de um amigo na Netflix, e eis que a trama é lindíssima, daquelas que acabamos envolvidos com tudo o que aconteceu no passado, com tudo o que está acontecendo no momento, e praticamente nos vemos na personalidade da escritora para tentar entender um pouco mais sobre tudo o que se passou na pequena ilha em "A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata", e que a cada desenvoltura nos vemos mais apaixonados pelo momento, pelos personagens, pelas atitudes e tudo da ilha. Ou seja, um filme doce, com uma pegada forte em cima do tema, e que quem ama literatura certamente se verá apaixonado pela história toda, pois foram tão sutis com tudo, souberam dosar cada momento com uma simplicidade única ao ponto que o longa passa voando, e cada detalhe é acertado sem precisar apelar ou dizer qualquer palavra a mais.

O filme conta a história de Juliet Ashton, uma escritora em busca de um tema para seu próximo livro. Ela acaba encontrando-o na carta de um desconhecido de Guernsey, Dawsey Adams, que entra em contato com a jornalista para fazer uma consulta bibliográfica. Começa aí uma intensa troca de cartas a partir da qual é possível identificar o gosto literário de cada um e o impacto transformador que a guerra teve na vida de todos. As correspondências despertam o interesse de Juliet sobre a distante localidade e narram o envolvimento dos moradores no clube de leituras – a Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata –, além de servirem de ponto de partida para o próximo livro da escritora britânica.

O diretor Mike Newell foi muito bem na condução que acabou fazendo para esse roteiro baseado no romance homônimo de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows, pois vemos toda a essência de uma maneira gostosa, nos sentimos quase lendo o livro, encontramos os personagens acontecendo em cada ato quase como um sentido extra que envolve bastante e resulta em algo tão bom e tão bonito que seu trabalho parece ter sido feito com a leveza total de uma pena, ao ponto que não vemos cortes bruscos, não sentimos falta de nenhum elemento, os acontecimentos do passado parecem passar no meio do momento real acontecendo sem forçar nada, e a cada reviravolta nos vemos desesperados com tudo o que aconteceu da mesma forma que a protagonista. Ou seja, o diretor acabou nos transportando quase como elementos ativos do filme, isso sem precisar tecnologia ou usar qualquer artifício de ângulo de câmera, apenas sabendo dar o tom da trama num ritmo perfeito, e com sintonias afinadas entre todos do elenco, o que funcionou demais.

Sobre as atuações, Lily James caiu perfeita para o papel de Juliet, ao ponto que seu carisma encanta, seus atos são serenos e bem feitos, e mesmo nas cenas que precisou demonstrar insatisfação com o que estava fazendo ela fez muito bem e chamou muita a atenção, trabalhando tudo com um brilho no olhar tão bem colocado que chega a nos encantar. Michiel Huisman foi bem emotivo e envolvente com seu Dawsey, passando sentimento do começo ao fim, sendo direto ao ponto e funcionando muito dentro da proposta toda, ao ponto que mesmo sendo um personagem estranho, o seu resultado acaba perfeito. Katherine Parkinson entregou uma Isola cheia de nuances, com um ar meio cigano, mais rústico e agradou em cheio com olhares. Tom Courtenay trabalhou seu Eben com densidade, com tons mais calmos e seguros, agradando bastante quase como um avô bem colocado na trama. Penelope Wilton foi a mais dramática com sua Amelie, mas com muita ternura e sinceridade nos olhares acabou nos prendendo com sua dor, o que chamou muita atenção. Matthew Goode ficou meio que em segundo plano como o editor Sidney, mas nem por isso falhou, dando nuances bem cômicas, porém diretas e objetivas como conselhos para a protagonista, agradando quase como um irmão mais velho. Glen Powell foi tradicional como todo galã rico de época com seu Mark, chamando bastante atenção pelo estilo imponente, e claro um certo charme, mostrando atitude para o papel, e acertando no tom também. E claro tivemos Jessica Brown Findlay como Elizabeth, tendo também um brilho nas suas cenas com muito envolvimento e atitude, mostrando a força nos atos e chamando a responsabilidade cênica para si, ao ponto de agradar bem, mesmo aparecendo pouco. Além de termos ainda muita graciosidade nas crianças vividas por Kit Connor como Eli e Florence Keen como Kit, que se saíram muito bem em todos os momentos que apareceram.

Visualmente o longa trabalha bem o estilo da época, sem precisar forçar com elementos clássicos, mas trabalhando bem o figurino dos protagonistas, as festas em Londres, ao mesmo tempo contrapondo com a ocupação nazista na ilha, as casas simples, o belo jantar e claro os encontros literários bem envolventes e cheios de significado, tudo com muitos detalhes, muita ambientação direta para mostrar tudo, e cada elemento mínimo funcional para o resultado como um todo, ou seja, perfeição.

Enfim, é daqueles filmes que emocionam realmente, que quando vemos já estamos completamente envolvidos com toda a trama, e que mesmo com um nome horrível (pois garanto que muitos fugiram de conferir o longa só pelo nome - que tem todo um significado incrível) merece muito ser visto na plataforma, então se você ainda não colocou ele na sua lista, pode pôr e conferir, pois garanto que irá emocionar a todos, mesmo aqueles que não curtem muito o gênero romântico, pois felizmente não é daqueles lotados de açúcar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, agradecendo mais uma vez meu amigo Fábio pela indicação, e se você também viu algum filme bacana que o Coelho aqui não conferiu, pode mandar, afinal sempre é bom compartilhar bons filmes. Então abraços e até logo mais pessoal.

PS: Só não dei nota máxima para o filme, pois mesmo sendo tudo bem bonito, queria ter me emocionado ainda mais em algum momento da trama, e faltou aquela válvula para fazer lavar a sala, mas de resto é um filme perfeito.
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Netflix - É o Bicho! (Animal Crackers)

7/26/2020 02:42:00 AM |


Cada dia vejo mais empresas do ramo das animações entregando ótimas propostas para concorrer com as gigantes que tanto emplacam grandes sucessos, e usando isso a Netflix tem procurado algumas para também entrar na briga com algo a mais, e eis que a Blue Dream foi a escolhida da vez, e com um elenco cheio de grandes nomes hollywoodianos acabaram entregando "É o Bicho!" com uma pegada bem divertida, situações casuais e familiares, e principalmente colocando o circo como grande conector para que a trama funcionasse bem, e com isso o resultado agrada pelas boas cores, por bons momentos divertidíssimos, e principalmente pelos animais bacanas bem trabalhados com magia. Então o que faltou para o sucesso ser perfeito para arrumar uma boa briga com os grandes estúdios? O carisma! Pois o filme até tem bons atos, tem um ritmo agradável e gostoso de conferir, mas ao final não estamos torcendo para um ou outro personagem, cantando com eles, ou brincando com as imagens, mas sim apenas conferindo uma boa animação, e isso talvez seja o grande luxo que tanto estamos acostumados a ver por parte das três grandes, mas confesso que já melhoraram muito do que já vimos por lá em suas produções originais, tanto que no ano passado já vimos a primeira indicação do estúdio nas premiações do gênero, e possivelmente vão acertar cada vez mais.

A sinopse nos conta que uma família recebe, como parte de uma herança, um circo e uma caixa mágica de biscoitos. Aquele que come algum biscoito dessa caixa se transforma imediatamente em um animal. Junta, essa família fará de tudo para impedir que o circo caia nas garras do maléfico tio Horatio P. Huntington.

E para alcançar altos voos, o filme colocou um trio de diretores de peso comandados principalmente por Tony Bancroft que só é conhecido como animador de várias obras da Disney, mas que tem sua principal direção em cima da animação antiga "Mulan", e aqui junto com Scott Christian Sava que escreveu o livro base para a trama, e o espanhol Jaime Maestro que já vinha fazendo bons trabalhos animados por lá, resultando em uma equipe caprichada, aonde o estilo clássico domina, e lembra muito outras obras, principalmente pelo ritmo, pelo ar de vilania em busca de riquezas, da família bagunçada, e claro de tentar mostrar que não adianta trabalhar em algo que não gosta, pois o resultado flui melhor quando se ama o que faz, além claro de dar prioridade para a família. Ou seja, a base comum da maioria das animações, que o trio fez questão de desenvolver bem no longa. Diria que talvez o maior problema seja a condução tripla também, pois o filme faltou uma direção linear aonde talvez o carisma desenvolvesse melhor, de modo que logo de cara pegamos a ideia, e isso não chega a atrapalhar, pois trabalharam muito bem a comicidade dos personagens, usaram artifícios de gases que a maioria das crianças gostam de ver nas animações, e claro, brincaram muito com a magia, e o circo, fazendo com que tudo funcionasse bem, tivesse boas texturas, e agradasse de um modo geral, ou seja, acaba sendo um bom passatempo que até poderia ter ido mais longe, mas vale o tempo assistindo.

Sobre os personagens, e claro os dubladores originais, tivemos um vilão bem imponente dublado pelo grande Ian McKellen, fazendo com que Horatio tivesse força e bons atos. Tivemos um jovem magrelo e cheio de manias bem colocado por John Krasinski entregando um Owen atrapalhado, porém bem dinâmico. Tivemos uma empolgada e cheia de vida Zoe dublada por Emily Blunt. Temos um ótimo palhaço baixinho Chesterfield que não poderia ser outro senão Danny Devitto. Entre muitos outros bons atores se doando para cada um dos personagens secundários, desde Raven-Symoné com sua carismática e maluca Binkley, até chegarmos no quase "I'm Groot" que aqui virou "Bulletman" feito por Sylvester Stalone, ou seja, todos colocaram um pouco de tudo mas não se doaram ao ponto de termos personagens carismáticos e empolgantes para nos conectarmos tanto como acontece em outras animações, de forma que vemos todos bonitinhos, tudo bem gracioso, mas ficamos esperando algo a mais.

Visualmente o longa é bem colorido, consegue mostrar bem a ideologia do circo que andam tendo que se reinventar para poder chamar cada vez mais a atenção do público, pois o tradicional palhaços fazendo palhaçada, mágicos com suas cartolas, atiradores de facas, homens fortes, equilibristas e malabaristas já não empolgam como antigamente com sua magia tradicional, e aqui o apelo para animais mágicos também mostra a preocupação de não ter animais reais sendo torturados, ou seja, é uma discussão ampla que podemos ir além, e a equipe de arte soube brincar bastante com resultados bem divertidos e ousados, funcionando bastante.

Enfim, é uma animação bem gostosa de conferir com toda a família, que fará com que as crianças e os adultos se divirtam bastante, e que mesmo não sendo nenhuma grande e emocionante obra acaba entregando bons momentos agitados do começo ao fim, com uma boa dinâmica e um ritmo ao menos bem envolvente, ou seja, vale a conferida despretensiosa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Mundo Duplo (征途) (Double World)

7/25/2020 09:05:00 PM |


Se tem um país que tem investido bastante no cinema fantasioso de ação é a China, e o melhor é que mesmo soando sempre exagerados num nível máximo, o resultado acaba sendo tão grandioso que empolga demais. E não foi diferente com o longa "Mundo Duplo" que estreou ontem na Netflix com pompa de grandes batalhas, misticismo, impérios, monstros imensos e tudo mais muito bem orquestrados, com coreografias de lutas precisas e até que uma história bem contada, ou seja, é daqueles que acabamos nos envolvendo completamente na ideia passada, e no final já estamos torcendo tanto pelos protagonistas que queremos muito ver o sangue dos vilões das piores formas possíveis (acho que fiquei nervoso com algo!!) e só não diria que o resultado é perfeito por deixarem um pouco aberta a trama para uma possível continuação, mas de resto é um tremendo filme que quem gosta de artes marciais, lutas com armas, competições, e muita dinâmica certamente acabará bem impressionado com tudo, e assim sendo temos uma produção digna de ser lembrada mais para frente, e recomendada sempre.

A sinopse nos conta que em um universo fictício composto por dez nações. Vendo o país vizinho se tornar cada vez mais poderoso, um senhor da guerra organiza uma competição para revelar os melhores guerreiros. Ao ouvir a notícia, Dong Yilong, um jovem aldeão valente, decide aceitar o desafio, apesar das dúvidas de sua aldeia. Então começa a jornada.

Confesso que não sou muito conectado aos filmes chineses que vem despontando, mas a Netflix tem comprado alguns, e até Hollywood tem feito grandes parcerias, afinal eles são lendas em filmes de grandes batalhas, possuem grandes coreógrafos cênicos para que tudo pareça o mais real possível, e claro pra que ficar exportando os bons para fora, se podem fazer o serviço em casa, e aqui o diretor Teddy Chan mostrou muita técnica, além de muita grana para levar um épico de guerra para as telas do mundo afora, e não sei se o resultado final se pagou, afinal lançado bem próximo do início da pandemia por lá, e mundo afora sendo lançado pelo streaming, talvez o prejuízo seja bem grande no final. Porém tirando esse detalhe monetário, o diretor soube dominar bem a dinâmica toda, criou uma história bem contada (embora meio que jogada, que temos de acreditar direto no que acontece, parecendo ser parte de um episódio maior), e que funcionou bem tanto no quesito coreográfico das lutas, quanto nas tensões dos diálogos e movimentos, ao ponto que tudo fica bem interessante e o resultado final acaba sendo envolvente, e que como disse no começo, entramos no clima ao ponto de desejar que o vilão leve uma bela surra.

Sobre as atuações, não vou sair colocando os nomes dos atores, pois primeiro que só o protagonista está com nome no IMDB, e mesmo pausando os créditos, ainda não sei ler os símbolos chineses para pegar os nomes, então o que posso dizer é que todos os personagens e atores se entregaram bem, criando bons momentos de luta, trabalhando os envolvimentos, passando suas ideologias, desde o protagonista bondoso e caridoso com cada elemento, a jovem guerreira que sonha em ser alguém, o ex-soldado que quer sua dignidade resolvida contra quem dizimou sua nação, o vilão infiltrado, e até mesmo o rei/imperador frouxo que vive escondido, ou seja, cada um procurou trabalhar seus elementos para se mostrar bem, e junto com os demais clãs, cada um com sua pegada própria resultaram em batalhas épicas, fazendo disputas nem sempre bem honestas, mas que mostraram que o elenco foi bem treinado para tudo, e soaram graciosos no resultado final.

Agora com certeza o melhor do filme é o visual impecável, com monstros gigantes, um campo de batalha minucioso cheio de detalhes no melhor estilo dos cenários de jogos de videogame sangrentos, um ambiente visual incrível mostrando as diversas cidades/províncias com muita ambientação detalhada, com espadas e armas bem imponentes, com efeitos especiais incríveis ao ponto de tudo parecer bem realista como tempestades de areia, flechas voando para todos os lados e tudo mais, de forma que se converterem bem para 3D, a galera que curte a tecnologia é capaz de vibrar muito depois com o resultado visual do filme.

Enfim, é um filme bem grandioso, cheio de detalhes, com boas lutas, e uma história bem convincente, que quem gosta de longas com artes marciais e grandes batalhas irá se divertir bastante. Claro que passa bem longe de ser uma daquelas obras memoráveis, mas agrada bastante e vale muito a conferida. Então é isso pessoal, fica a dica para todos, e eu fico por aqui hoje, abraços e até logo mais.
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Netflix - Oferenda à Tempestade (Ofrenda a la Tormenta) (Offering to the Storm)

7/25/2020 02:16:00 AM |


Se você é daqueles que gostam de um mistério, de uma história policial investigativa bem envolvente, e principalmente se gosta de adaptações literárias que te prendem por mais que um filme, certamente você irá curtir a trama da Trilogia Baztán, que estreou na Netflix com "O Guardião Invisível", depois veio com "Legado Nos Ossos", e agora temos o fechamento bem conclusivo da trama toda com "Oferenda à Tempestade", que conseguiu amarrar tudo o que os filmes anteriores deixaram aberto, e explicar ainda muitos elementos interessantes, o que é sempre bom, mas por incrível que pareça ainda deixou alguns elos abertos para talvez alguma continuação, ou seja, veremos o que vai acontecer mais para frente, já que com a pandemia, a trama não chegou nem a ser lançada nos cinemas espanhóis como aconteceu com seus antecessores, e assim a renda certamente vai ser menor. Dito isso, o novo filme é intenso como os demais, tem diversos bons personagens interessantes (a maioria já havia aparecido felizmente, então quem não viu os anteriores é muito necessário para entender o que está ocorrendo!), porém tirando alguns choques com algumas situações, ficamos esperando um pouco mais de tudo, parecendo ser levemente mais morno, não que isso seja ruim, muito ao contrário, o filme ainda é bem bom, mas o primeiro foi tão forte, que a expectativa de uma conclusão mais forte ainda era alta, ou seja, como costumo dizer, é melhor não criar expectativas, pois a chance de decepção acaba sendo mais alta ainda, porém o resultado ainda vai valer muito a conferida, e certamente muitos irão se surpreender com alguns momentos do filme.

A trama nos conta que já faz um tempo desde que a inspetora Amaia Salazar confrontou sua mãe. Mas, apesar da Guarda Civil e do juíz Markina considerarem o caso encerrado, Amaia sente que não está livre de perigo. A morte súbita de uma bebê em Elizondo é suspeita e as análises forenses do Dr. San Martín levaram Amaia a investigar outras mortes de origem semelhante que levarão a inspetora à resolução final dos eventos que devastaram o Valle de Baztan.

Já havia dito isso nos outros dois textos, mas reforço novamente que o diretor Fernando González Molina certamente entrará para um grupo de diretores que muitos vão ficar de olho após essa trilogia, pois ele conseguiu um feito que é raro em sequências, manter o clima e o envolvimento da trama do começo ao fim, de modo que em raríssimos momentos dos quase 400 minutos que tem toda a trilogia vemos elementos desnecessários ou situações que sirvam apenas de enfeite, pois tudo acaba bem amarrado, situações ou personagens que acabaram parecendo perdidos em determinado momento acabam sendo úteis para outros, ou seja, o diretor fez o rascunho muito bem feito para que seus três filmes se complementassem, mas principalmente que criassem a tensão necessária ao ponto do espectador desejar ver mais e mais, e assim fosse se envolvendo com tudo, criasse um carisma pela protagonista (e até por alguns secundários), e claro desejasse saber o desenrolar da trama. Claro que por ser uma adaptação literária pronta em cima dos livros de Dolores Redondo, isso tudo já veio pré-esquematizado, porém o diretor foi sábio o suficiente para não entregar tudo, e sempre deixar o gostinho de quero mais, tanto que fechamos a trilogia aqui, mas ainda sobraram muitos elementos sem explicação que podem gerar ainda mais dinheiro em continuações, ou talvez um prequel, mas isso é assunto para pensar mais para frente, então aqui posso dizer que ele fechou bem seu ciclo e o resultado, mesmo com algumas falhas, foi extremamente positivo.

Sobre as atuações, costumo dizer que quando você se entrega bem para um personagem é difícil o resultado não ficar bom, e aqui Marta Etura deu muita personalidade para sua Amaia desde o primeiro filme, e aqui se soltou completamente para cenas bem quentes e também para atos intensos de investigação, ao ponto que como já conhecíamos bastante a personagem desde o começo, aqui já ficamos intrigados com suas opiniões, e o resultado faz com que algumas surpresas soem bem marcadas, ou seja, talvez seja difícil vê-la fazendo outros papeis depois daqui, mas mostrou um bom ganho para chamar atenção para outros papeis investigativos. Imanol Arias apareceu um pouco mais aqui como Padre Sarasola, e até entregou bons diálogos para moldar a trama, dando mais intensidade para a história, e talvez até pudesse chamar mais atenção em outros atos, mas foi bem pelo menos. Esperava ver mais Susi Sánchez na trama com sua Rosario, porém a opção dela ficar apenas como algo oculto na trama foi bom, e seu ato foi bem marcado de intensidade ao menos. Marta Larralde entrou apenas nesse filme da trilogia com sua Yolanda, mas é daquelas malucas que você inicialmente tem até um pouco de pena de tudo o que está fazendo, depois começa a pegar ranço e já quer tacar uma porretada na cabeça para parar de fazer as coisas, e a atriz foi muito bem no que fez, sendo chamativa ao menos. Carlos Librado como nos outros dois filmes fez um Jonan muito intenso e cheio de mistérios, e aqui ele foi até usado para algo forte e impactante, mas que queríamos até mais dele, mas seu personagem acabou puxando as cenas de Carlos Serrano-Clark com seu Mark bem trabalhado também, então o funcionamento completo deu resultado. Se nos outros filmes ficamos intrigados com as participações apenas de Leonardo Sbaraglia como juiz Markina, aqui ele passa a ser alguém bem importante com seu envolvimento mais próximo ainda da protagonista, e o ator fez bons atos, conseguiu chamar a atenção e funcionou do começo ao fim, embora alguns temas de seu personagem talvez precisassem de um desenvolvimento maior ao invés de serem apenas jogados, mas funcionou. Quanto aos demais, a maioria entregou bons momentos também, alguns mais, outros menos, e cada um chamando a importância para seus personagens, mas ficaríamos horas falando de cada um, e muitos já foram até destacados nos textos anteriores como Elvira Minguez com sua Flora, Alicia Sánchez com sua Elena, e até Benn Northover com seu James como pai do ano, mas não entregaram tanto aqui, então vamos apenas deixar como secundários.

Visualmente o longa trabalhou com muitas cenas em cemitérios, algumas no caminho tradicional que a protagonista fez de carro umas 20x durante a trilogia toda falando no telefone dentro do carro, algumas cenas mais quentes na casa chique do juiz, e algumas na cidade que exageraram um pouco no tom avermelhado da iluminação (sem motivo aparente), mas tudo num clima bem denso, que se nos dois primeiros foram dominados pela chuva, aqui tivemos alguns atos com neve, e bem poucos com chuva intensa (embora o  nome aqui tivesse mais sentido continuar toda a chuva anterior). Ou seja, não se prenderam tanto nos ambientes, mas tudo foi bem funcional.

Enfim, diria que esperava um bom tanto a mais no fechamento da trama, e com isso me decepcionei um pouco, e embora ainda seja um ótimo filme, poderiam ter ido bem além em alguns momentos mais impactantes. Claro que o conjunto completo vai ser daqueles que vou lembrar sempre e indicar bastante, mas ficou um pouco morno demais para algo que vinha bem movimentado dos anteriores. Ou seja, recomendo ele com certeza como fechamento da trilogia, tudo praticamente foi bem elucidado, vai agradar muita gente, e vale a conferida, mas vá com menos expectativas para a chance de gostar mais ser maior. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.
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