Netflix - O Dilema das Redes (The Social Dilemma)

9/22/2020 10:25:00 PM |

Quem confere meus textos vê que raramente eu escrevo sobre documentários, e isso se define principalmente por achar que o gênero é mais interessante para debates do que para textos, afinal quando vemos um documentário sobre algo, queremos trocar ideias sobre o que cada um achou, sobre as verdades e loucuras mostradas na tela, e tudo mais que ocorreu ali. Porém o estilo do longa "O Dilema das Redes" da Netflix é quase como um filme de terror monstruoso, daqueles de arrepiar a espinha a cada frase dita pelos especialistas, pois bem sabemos o tanto que ficamos olhando para as telas dos celulares, mexendo em redes sociais de todas as formas, quanto pegando opiniões de cada postagem para concordar ou discordar, ou melhor, no mundo virtual atual se discordo de alguém elimino ela dos amigos e pronto, não verei mais nada dela. Ou seja, mais do que apenas um documentário bem explicativo, o filme entra em tantos vértices inteligentes e interessantes sobre o mundo em que vivemos, no qual buscamos sempre algo para concordar ou apenas ir de acordo com o que pensamos, que os algoritmos passam a nos influenciar cada vez mais, e assim fazer com que alguém ganhe dinheiro com isso, ganhe fama, ou qualquer coisa a mais usando nós como produto (como diz o próprio filme), e que claro acontece por demais. 

O longa nos mostra como os magos da tecnologia possuem o controle sobre a maneira em que pensamos, agimos e vivemos. Frequentadores do Vale do Silício revelam como as plataformas de mídias sociais estão reprogramando a sociedade e sua forma de enxergar a vida.

A trama do diretor Jeff Orlowski certamente deverá figurar nas listas das maiores premiações tanto pelo conteúdo polêmico e muito bem trabalhado, quanto por ter uns figurões do meio que certamente irão puxar alguns votinhos, e isso não é ruim, muito pelo contrário, pois o filme mostra como somos facilmente influenciados pelas diversas redes sociais através de algoritmos que foram criados e hoje nem mesmo quem os criou conseguem controlar. Uma grande faceta do diretor foi mostrar lados positivos e negativos, brincar com uma história de fundo com uma família sendo manipulada pelos algoritmos muito bem interpretados por Vincent Kartheiser, e claro sempre defendendo muito o lado humano que as redes deveriam trabalhar mais, tudo isso com um aporte bem generoso de Tristan Harris, que acaba sendo o nome principal da trama, mostrando tudo o que conhece por já ter vivido no meio de todas as redes, e claro saber onde está o grande vilão de tudo. Ou seja, o diretor conseguiu construir com informações e depoimentos de tantos lugares, que tenho até dó do editor do longa, pois certamente foram muitas horas para decupar, muitos depoimentos incríveis sobre tudo o que rola nos bastidores de cada rede, e principalmente daria ainda para ir muito além caso quisesse opinar ainda mais sobre os malefícios e benefícios da rede.

Claro que pelas diversas posições mais fortes em cima de que você desinstale todas suas redes sociais, pelo fervoroso discurso usado pelo malucão Jaron Lanier que enfatiza que você deve viver mais fora do mundo virtual, e além de apontar muito mais os dedos para cima dos malefícios viciantes que as redes nos colocam, o diretor fluiu o documentário como sendo as redes algo problemático e desesperador que deveríamos nem dormir direito, aliás, com a encenação dramatizada que rola com atores entrando em conflito através de fake news, falsos profetas, e "jornalistas" malucos que acabam mudando o rumo de algo comum, o resultado é uma explosão negativa monstruosa, porém ele tenta apaziguar um pouco no miolo e com isso até podemos relaxar um pouco com tudo.

Ou seja, não vou falar muito aqui sobre cada ponto discutido na trama, afinal volto no ponto que comecei o texto e disse que não sou muito fã de falar sobre documentários, que é muito melhor sentar e discutir com uma outra pessoa e não criar um texto sobre tudo o que é mostrado, mas como costumo dizer todos os diretores tem o dever de deixar sua opinião sobre aonde desejava chegar com sua trama, e falei acima que creio que Jeff já deve ter até apagado todas suas redes sociais após filmar todos os depoimentos (ou não, apenas esperando ver os resultados do engajamento de seu filme nelas - que está levantando uma polêmica gigantesca em todas as redes), e claro então deixo a minha opinião sobre esses malefícios benéficos, pois acredito que hoje o mundo está tão polarizado que muitos estão usando as redes para o lado ruim, gastando muito com posts imponentes patrocinados, conseguindo fazer com que notícias falsas rodem o mundo e poluam a mente dos mais fracos, mas que se bem usado, para um aprendizado, ou então para uma diversão, ou então para uma divulgação real, todas as redes fazem um bem tamanho, seja para aqueles que vivem e querem mostrar algo a mais, ou para aqueles que nem tem muito o que fazer, seja numa cidade pequena aonde não tem nada, ou até para aqueles mais tímidos que não gostam realmente do mundo real, afinal uso uma frase que muitos sempre ouvem de mim: "que prefiro ver um longa de ficção do que um documentário, pois o mundo real anda chato e problemático demais, então se posso sonhar com uma abstração, qual mal tem?".

Bem é isso pessoal, o longa tem uma qualidade técnica incrível, cortes precisos e frases de efeito bem usadas, tem uma dinâmica maravilhosa que não cansa de forma alguma, além disso foi usado muito bem a música "I Put a Spell On You" de Nina Simone, que a letra diz tudo sobre como veem a influência das redes no filme. E sendo assim, vale demais a conferida, e claro a discussão com amigos e tudo mais sobre tudo o que rola na tela, pois como é dito logo no começo do longa com uma frase de Sófocles: "Nada grandioso entra nas vidas dos mortais sem uma maldição". Eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, e claro, se alguém quiser discutir um pouco mais, só mandar ver nos comentários abaixo, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Amazon Prime Video - Crypto

9/21/2020 10:35:00 PM |

Costumo falar que tem alguns filmes que possuem na sua essência muito mais história para trabalhar do que realmente o diretor acaba entregando, e em alguns casos bastaria um pouco mais de pesquisa em cima do roteiro para poder criar algo a mais, e o que acontece com o longa "Crypto", que está na Amazon Prime Vídeo para quem quiser conferir, é algo desse estilo, pois a trama poderia fluir bem tanto para o lado das movimentações e incógnitas que envolvem o mundo das criptomoedas, poderia ter brincado um pouco mais com a formatação de compliance investigativa aonde mostraria fundos errados de cada morador da pequena cidade, ou então ir a fundo mesmo na trama da organização russa para que o filme ficasse ainda mais com o tom de suspense dominando, porém optaram por mostrar um pouco de tudo, o que acabou não levando a nada. Ou seja, o longa é daqueles que você acaba nem se envolvendo no ar investigativo, nem entrando no conflito da família, muito menos entende nada sobre o mundo das moedas digitais, e assim apenas acabará vendo a trama e curtindo pelas boas dinâmicas, mas que certamente irá se esquecer de ter visto o filme.

A sinopse nos conta que com o atual aumento de criptomoedas, as pessoas encontram maneiras de explorar o sistema e a economia global. Depois de descobrir evidências de fraude, um jovem agente chamado Martin é incumbido de seguir uma longa trilha de corrupção e roubo. Durante sua investigação, ele descobre que as pessoas envolvidas são mais poderosas do que ele jamais poderia imaginar.

Diria que o diretor John Stalberg Jr. tinha muita abertura no texto original do roteiro e acabou se perdendo em que rumo deveria trabalhar mais, de forma que o filme acaba abrangendo de tudo um pouco e não há um foco principal. Ou seja, ele até dominou bem os diversos momentos da trama, ao ponto de que até tentamos entrar na vibe das fraudes em cima de crimes cibernéticos envolvendo criptomoedas, nos mostra um pouco das fraudes contábeis em cima disso, e que o jovem protagonista, por ser daqueles que não aceita erros em nada, acaba se envolvendo numa bagunça criminal que vai muito além do mundo dos computadores. Ou seja, ele até nos mostrou um pouco do que desejava brincar (aliás, quem assistir ao trailer abaixo nem vai precisar conferir o longa, pois mostra todos os mistérios e muito mais em menos de 2 minutos!), mas sem ir a fundo em nenhuma das propostas, o seu resultado acaba sendo igual naqueles filmes aonde os vilões dão 10 tiros e nenhum acerta o mocinho, e o protagonista dá um só e mata todos, só que no caso, o diretor faz parte do time dos vilões.

Sobre as atuações, diria que Beau Knapp ficou também bem em cima do muro com seu Martin, parecendo não saber qual rumo deveria tomar, e assim seu personagem até cria bons trejeitos, em alguns momentos incorpora uma certa raiva, mas não vai muito além, e fazendo estilo de bom moço acaba sendo bem colocado em todos os atos, porém acredito se tivessem lhe dado um norte melhor para criar uma imposição maior, o resultado seria bem melhor. Luke Hemsworth é quase um enfeite na trama com seu Caleb, ao ponto que como não foi desenvolvida sua história, acabou sendo o traumatizado de guerra que vive no campo com o pai, e tem uns surtos frequentemente, ou seja, nada de muito além para o filme. Alexis Bledel fez boas cenas com sua Katie, sempre misteriosa e sem muitas atitudes, mas no final foi bem usada ao menos. Jeremie Harris merecia ter muito mais amplitude na trama com seu Earl, pois seu personagem é a base investigativa da trama, ao ponto que acaba agradando bastante com trejeitos bem marcados, envolvimentos bem colocados, mas que acabou sendo deixado de lado no filme, e assim ele apenas serviu de ponta para tudo. Kurt Russell também não foi muito além com seu Martin Sr., fazendo apenas atos de intensidade para com o filho, e agradando na única cena mais discutida entre ele e o protagonista, mas nada que vá muito além. E para finalizar, a turma russa foi muito ruim em tudo, de modo que nem Vincent Kartheiser com seu Ted conseguiu ir muito além nas suas cenas.

Visualmente a trama até tem alguns atos mais amplos, com cenas grandiosas numa plantação de batatas, num escritório de mineração de bitcoin nos fundos de uma loja, e em escritórios de bancos cheios de arquivos jogados para todos os lados, ao ponto que quiseram mostrar que em pequenas cidades não estão nem aí para regras, e que tudo acaba sendo encaixotado, queimado e ninguém acaba agindo, ao ponto que servem para muitas mutretas, ou seja, a equipe de arte foi bem simbólica, e o resultado até que agrada de um modo geral.

Enfim, é um filme simples, com uma boa pegada e que poderia ter ido muito além com tudo se tivesse escolhido um lado para trabalhar ao invés de atirar para todos, e sendo assim até serve para passar um tempo, e mostrar um pouco do mundo das criptomoedas, e das lavagens de dinheiro que ocorrem nesse mundo, mas como não foram a fundo, apenas o básico é mostrado. Ou seja, não é um filme que eu vá recomendar nem como um drama familiar, nem como um filme de artimanhas bancárias, mas que quem conferir sem se preocupar muito não irá reclamar muito do que é mostrado na tela. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - Procura-se Um Pai (Se Busca Papá) (Dad Wanted)

9/20/2020 08:32:00 PM |

Quem for conferir na Netflix, "Procura-se Um Pai", certamente não ligará para os diversos traquejos comuns do estilo, pois irão buscar justamente um filme familiar, com uma pegada bonitinha de superações, e que com uma ou outra sacada mais bem trabalhada acaba encantando e emocionando os mais emotivos. Claro que por ser um filmão bem família, a trama não vai muito além do que passa na tela, então tudo é orquestrado de uma maneira simples, com situações bobinhas e alguns bons envolvimentos dos protagonistas, que até acabam exagerando em algumas atitudes, mas que funcionam bem para o resultado da proposta, que é mostrar tanto como é a perda para um adulto quanto para uma criança, e a melhor forma de se recuperar disso. Diria que o final não foi como esperava, pois acabou bobo demais, com algo que nem era tanto da dinâmica inteira trabalhada, mas que agrada e funciona pelo menos.

A mãe de Blanca a proibiu de andar de bicicleta BMX depois que seu pai morreu em um acidente. Então, depois de ler sobre uma competição de BMX que acontecerá em breve, ela tenta entrar sem o conhecimento de sua mãe. O único problema? Um pai precisa assinar para ela.

Diria que o diretor e roteirista Javier Colinas foi um pouco preguiçoso na composição completa da trama, pois seu filme poderia fluir para um fechamento de diversas maneiras, poderia ter toda uma desenvoltura de miolo diferenciada, porém usou o básico da conciliação familiar, e junto disso ainda trabalhou o modo de amizade ativado, que costuma ficar bonitinho, mas não empolga bem como um romance poderia fazer. E assim sendo o filme tem sua graça, tem suas cenas bem trabalhadas, e traz junto dele toda a sacada de vermos exatamente cada ato como um todo, sabendo a hora que vai dar a confusão, a hora da emoção, e até mesmo quando a mãe da protagonista irá mudar seu humor no set de filmagens que se passa dentro da trama (que aliás foi um desperdício meio que bobo, pois poderiam ter trabalhado com algo melhor e mais ágil, pois todas as cenas ali são enrolações bem fracas!). Ou seja, é um bom filme familiar, mas não se aprofundaram em nada, e isso é algo ruim para quem poderia ter ido muito além.

Quanto das atuações diria que escolheram bem Juan Pablo Medina para dar vida à Alberto, cheio de trejeitos bem colocados, fazendo as situações clássicas do gênero de uma maneira casual e gostosa de ver, mostrando atitudes claras bem envolventes e certeiras, ao ponto que acabamos curtindo bastante seus momentos, não soando nem apelativo, nem forçando a barra para chamar atenção, e assim sendo agradando bastante. Da mesma forma a jovem Natalia Coronado conseguiu transportar para sua Blanca uma jovem de personalidade forte, que se entrega para a personagem, faz boas movimentações de olhares, e que junto claro de boas dublês entregou cenas bem interessantes de BMX (talvez uma modalidade mais light daria para a atriz fazer sozinha, mas aqui precisou de dublê com certeza!). Silvia Navarro também foi bem coerente nos atos mais expressivos e interpretativos de sua Fernanda, sendo seca e direta como toda boa produtora, um pouco omissa como mãe, mas agradando sem soar apelativa, fazendo tudo com boas sínteses. Agora quanto aos demais, tirando a amiguinha da protagonista Laura, vivida por Victoria Viera, todos os demais foram extremamente apelativos, fazendo trejeitos falsos para cada momento, bagunçando tudo nas cenas, e até tentando aparecer mais que os protagonistas, ou seja, poderiam ter segurado um pouco mais a barra, pois não fizeram papeis nenhum de boa marcação, e nem chamaram atenção como poderiam.

Visualmente o longa também é bem simples, de forma que tirando a cena final cheia de festa, luzes e figurantes, no demais temos cenas mais intimistas, com o protagonistas andando muito de carro, parando, indo com a protagonista numa praça para atuações pequenas, e claro alguns momentos na escola e na casa dela, além claro da ótima cena de casting bem infantil e montada com minúcias, e tudo funcionando não muito bem no set de filmagens aonde a mãe da protagonista trabalha, aonde até gastaram mais do que o filme pedia com cenas com fogo e tudo mais, que nem seria necessário. Ou seja, o filme gastou até mais do que deveria com cenas desnecessárias, e poderia ter brincado um pouco mais com toda a situação familiar, mas é o gosto de uma produção, e assim o resultado funcionaria mais coeso e até mais bonitinho talvez.

Enfim, é o famoso filme de sessão da tarde, que você confere sem esperar muito, que acaba agradando sem forçar a barra, e que serve de passatempo para curtir sem se preocupar com nada. Claro que poderia ter ido muito além, ter mais envolvimento e emoção para fazer chorar e tudo mais, mas aí não seria algo comum e casual. Ou seja, é um filme bem simples e que vale a conferida, mas que não dá para esperar nada a mais vindo dele, sendo assim, se você não tiver nada mais interessante, ou se quiser mesmo um programinha família, fica a dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - Spectral

9/19/2020 12:04:00 AM |

Sempre é interessante observar como diretores e roteiristas tentam inovar em longas de guerra, pois é um gênero que praticamente tem sua formatação tão bem definida que a maioria já entra tanto para gravar, quanto para conferir lendo uma cartilha de pode isso e não pode aquilo, mas há sempre alguns que gostam de criar em cima, e já vimos grandes exemplares que inovaram com brigas contra aliens, contra zumbis, ou contra monstros gigantes, então porque não entrar numa guerra contra espectros? Pois bem, se você leu essa abertura e não achou que o Coelho pirou, digo que pode se preparar para conferir um bom longa na Netflix que coloca um exército lutando contra um força sobrenatural que ninguém consegue definir o que é, e ao chamar um engenheiro de armas para o fronte acabam descobrindo bem mais do que ciência numa briga incrível e bem cheia de nuances, de forma que "Spectral" acaba fluindo com rumos bem interessantes ao ponto de curtirmos toda a loucura, mesmo com o protagonista sendo daqueles malucos que acham que podem criar qualquer coisa com o que tiver perto no melhor estilo MacGyver de ser. Ou seja, é um estilo de filme de guerra interessante que até lembra um pouco "No Limite do Amanhã" por os protagonistas estarem lutando contra algo que não sabem o que é, mas que aqui brincaram um pouco mais com algo científico do que alienígena, e assim sendo o resultado até surpreende bem.

A sinopse nos conta que a agitação civil no país europeu da Moldávia fez com que as forças dos EUA enfrentassem os insurgentes, mas há uma nova ameaça que decidiu que ambos são seus inimigos. Esta nova ameaça reside em um espectro alternativo que os torna invisíveis a olho nu e morte instantânea para qualquer um que os enfrente. Os habitantes locais acreditam que são Espíritos da Guerra, mas outros acreditam que são uma tecnologia de armas superior fabricada pelo governo da Moldávia.

Por incrível que pareça, com toda essa produção imensa, diversos estilos de câmeras, e muita desenvoltura nos atos, o longa não é de um diretor experiente, mas sim de um estreante, que inclusive escreveu a história da trama, ou seja, começou com dois pés direitos no peito, mostrando que tem muito potencial, e que sabe como trazer dinâmica para um filme, pois certamente muitos acabariam criando desenvolvimentos exagerados de personagens, outros colocariam tiro para todo lado, e aqui Nic Mathieu acabou priorizando a história, e fazendo com que tudo acontecesse diretamente, trabalhando os atos com bons efeitos, criando possibilidades tanto de ação como explicativas, e principalmente fechando o longa bem, afinal há até a possibilidade de uma continuação com o que deixaram no final, mas a trama em si como uma pesquisa foi fechada, e muito bem fechada, sem precisar criar romances, nem conexões gigantescas com personagens, de modo que a maioria dos atores não são grandes estrelas, e isso não impacta em nada. Ou seja, o diretor foi centrado e bem colocado aonde deveria estar: dirigindo e criando a sua trama, sem se preocupar com qualquer pormenor que uma produção do estilo pediria, e assim sendo o acerto foi perfeito.

Já que falei um pouco sobre as atuações, James Badge Dale se entrega bem para a trama com seu Clyne, um engenheiro que vai além de ficar atrás de pesquisas e parte para a guerra, ajudando os soldados com criações mil em minutos, fazendo as armas mais impressionantes possíveis rapidamente, e que o ator conseguiu chamar muita atenção com tudo o que fez, ao ponto de mesmo sendo um personagem bem exagerado, resultar em cenas impactantes e bem feitas. Emily Mortimer até chamou bem a atenção para sua Fran, de modo que até chegamos a pensar que rolaria um romance no miolo do filme, mas a atriz e a personagem foram centradas na missão ao ponto de querer mais é descobrir novos rumos e armas, e com isso sempre séria foi bem usada e agradou no que fez. Quanto dos soldados em ação, tivemos claro o lado imponente de Bruce Greenwood com seu General Orland inicialmente mantendo muita presença e determinação, mas sua volta no bunker foi com trejeitos tão tristes e desesperados que chega a dar pena, mostrando que o ator sabe mostrar bem estilo, além dele vale destacar o lado carrancudo de todos os demais, meio que desdenhando do homem da ciência, mas que acabaram necessitando e fazendo boas caras para ele depois, com destaque para Max Martini como Capitão Sessions.

No conceito artístico a equipe de arte trabalhou bem em locações imponentes e bem grandiosas, muitos efeitos especiais principalmente para representar os espectros, e que com figurinos imponentes de guerra, muitas armas gigantescas, robôs, naves, tanques e tudo mais de forma que acabou resultando em uma super produção, e que talvez por esse motivo o peso tenha caído pela crítica não ter jogado o longa para cima, mas não vemos grandes defeitos, e cada elemento é bem mostrado funcionando bem, e agradando da forma que foi mostrado, ao ponto que vemos toda a cenografia sendo usada para dar tom e ação em cada momento do filme.

Enfim, é um longa bem interessante, que agrada bastante tanto na dinâmica quanto na execução, e que se encaixa desde um bom filme de guerra, quanto um bom filme de ficção científica, e nessa junção o resultado consegue funcionar bem para todos que gostam de uma boa ação, e que só tenho que reclamar mesmo com o exagero no engenheiro em conseguir construir armas em minutos (pelo menos o filme passa isso, não parecendo ser dias!), pois de resto é um filmão para ver e curtir do começo ao fim. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - Remédio Amargo (El Practicante) (TheParamedic)

9/17/2020 10:49:00 PM |

Já anda ficando até chato o tanto que ando elogiando o cinema espanhol que a Netflix tem comprado, pois tem sido difícil ver filmes fracos, ou que não envolvessem suficientemente vindos do país, e assim ficamos sempre felizes com bons resultados. Dito isso, o longa "Remédio Amargo" é daqueles que você inicialmente não dá nada para ele, mas que vai mudando tudo de uma maneira tão intensa, aonde o protagonista vira alguém que você sequer pensava, e o resultado então chega a ser chocante com tudo o que rola. Claro que a trama tem diversos defeitos, principalmente em alguns exageros nos atos finais, porém tudo funciona tão bem, e de uma maneira tão maluca, que acabamos nem ligando tanto para isso, apenas curtindo cada momento, e claro surtando com tudo. Ou seja, é daqueles filmes que a ideia em si é simples, mas que no final ficamos com muito medo da mente insana do roteirista para escrever algo do tipo, pois é muita psicopatia para um filme só.

A sinopse é bem simples e nos conta que Angel trabalha em uma ambulância. Após um trágico acidente, sua vida pessoal começa a se deteriorar à medida que ele começa a suspeitar cada vez mais de sua parceira, Vane.

Filmes que envolvem psicopatias geralmente são tensos logo no começo, e acabam fluindo rapidamente no estilo, ao ponto que vemos tudo acontecer com o personagem e vemos olhares e tudo mais, porém alguns vão mais além adentrando tanto na história como na forma desenvolvida pelo diretor, e aqui Carles Torras fez algo com sua trama tão moldada que acabamos não acreditando em muitas cenas, pensando (e até falando com a TV!) ser impossível toda a loucura vingativa que o protagonista acaba fazendo. Ou seja, o diretor foi preciso no desenvolvimento da trama ao ponto de que vemos um longa abusivo por parte das características do protagonista, mas que flui de maneira tão fácil, que mesmo apelando para algumas cenas forçadas no final, o resultado acaba sendo interessante demais e agradando bastante ao ponto de torcermos para o personagem se ferrar de alguma forma, e isso é o que ocorre quando um personagem funciona dentro do que a trama foi proposta, e assim o acerto é algo que veio tanto por parte do diretor quanto do protagonista.

Já que falei do protagonista, o nome que continua mandando nos longas espanhóis da Netflix é Mario Casas, e o jovem ator já se mostrou preciso em tantos longas e a cada dia que pesquisamos mais longas na plataforma vemos mais exemplares dele que ainda não vimos, e como sempre o ator tem um domínio de câmera preciso, sabendo exatamente onde vai trabalhar seu lado afetivo, seu lado vingativo, e claro seu lado psicopata, ao ponto que seu Angel é daqueles que não tem nada de angelical, fluindo em um nível de rancor imenso após o acidente, e piorando após a separação, ao ponto que vemos seu crescimento gradativo na produção não pelo filme necessitar, mas sim pelo ator ir se entregando, e o acerto é fantástico de ver, tanto pelos olhares, quanto pela movimentação corporal (e vê-lo sem poder usar as pernas foi algo incrível). Déborah François caiu muito bem na personalidade que Vane precisava ter, não sendo daquelas que chamam tanto a atenção pelas atitudes, mas sendo sútil nos momentos certos, se entregando também na movimentação corporal, e trabalhando bem os trejeitos de desespero nos atos finais acabou agradando bastante também. Os demais atores só fizeram conexões, fazendo alguns trejeitos marcados, chamando pouco as atenções, ao ponto que nem vale muito destacar muito eles, tendo Guillermo Pfening dando alguns ares mais forçados com seu Ricardo, e Maria Rodríguez Soto até parecia que seria importante como a terapeuta Sandra, mas nada demais rolou ali, o que é uma pena, já o velhinho Celso Bugallo e seu cachorro acabaram sofrendo demais nas mãos do maluco, o que é uma pena de ver.

Visualmente a trama mostrou bem que malucos psicopatas usam de tudo para conseguir atingir seus objetivos, então se você conhece algum fique de olho bem aberto, e a equipe artística foi bem coesa e direta, usando praticamente só o apartamento do protagonista com muitos elementos para serem usados, alguns momentos na frente do trabalho da moça, e algumas cenas no centro de reabilitação, além claro das cenas iniciais na ambulância e em alguns apartamentos mostrando os furtos do protagonista, e suas negociações com traficantes, ou seja, lá no começo já víamos que a índole do rapaz não era das melhores, e assim sendo acabamos vendo um pouco de tudo, como chaves de fenda sendo bem usadas, garrafas, vitrolas, muitas drogas e tudo de uso fácil bem colocado.

Enfim, é uma produção simples, com uma história bem trabalhada, que acaba chamando atenção pelo bom desenvolvimento, e que acaba resultando em uma sequência de loucuras incríveis por parte do personagem principal, e que volto a frisar que exageraram bem nas cenas finais com elementos cênicos sumindo e aparecendo, e até uma sobrevivência meio que forçada demais, mas que no resultado final acabou sendo bem interessante o fechamento. Ou seja, é um filme que recomendo para quem gosta do estilo, mas que não é também uma obra daquelas que vamos ficar enaltecendo, sendo um bom exemplar de loucura, que vale a conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - O Diabo de Cada Dia (The Devil All The Time)

9/17/2020 01:23:00 AM |

Chega a ser até engraçado o quanto um trailer costuma vender o filme de uma forma diferente, pois quando conferi o trailer do longa da Netflix, "O Diabo de Cada Dia", podia jurar que era um filme tenso de terror, daqueles que ficaria preso na cadeira tentando desvendar algum tipo de mistério, e que tudo me impressionaria, porém hoje após conferir, acabei vendo algo ainda imponente, mas completamente diferente, com algo mais clássico, tendo uma trama que embasada em um livro entrega até a formatação de sentirmos estar lendo uma história (ou melhor alguém lendo para nós, já que ele é praticamente todo narrado para nós pelo escritor do livro), e que com ótimas atuações até nos prende dentro de uma história bem doida de malucos (prefiro chamar disso a falar que são religiosos) que vivem em duas cidades bem interioranas e acabam fazendo diversos atos maldosos por gosto peculiar ou sabe-se lá o motivo. Ou seja, é um filme que não se entrega facilmente, que muitos irão odiar, mas que tem uma tremenda essência e que certamente agradará bastante os críticos e votantes das premiações, pois tem estilo.

O longa nos situa na zona rural do sul de Ohio e West Virginia, seguindo um elenco de personagens bizarros e atraentes do final da Segunda Guerra Mundial até a década de 1960. Lá está Willard Russell, atormentado veterano da carnificina no Pacífico Sul, que não consegue salvar sua bela esposa, Charlotte, de uma morte agonizante de câncer, não importando quanto sangue sacrificial ele despeje em seu "tronco de oração". Lá estão Carl e Sandy Henderson, um casal de assassinos em série, marido e mulher, que percorrem as rodovias americanas em busca de modelos adequados para fotografar e exterminar. Lá está o pregador que manipula aranhas, Roy, e seu companheiro virtuoso e aleijado, Theodore, fugindo da lei. E no meio de tudo isso está Arvin Eugene Russell, filho órfão de Willard e Charlotte, que cresce para ser um homem bom, mas também violento por seus próprios méritos.

Diria que o diretor Antonio Campos pegou o roteiro do filme, olhou tantos momentos importantes para conectar e certamente pensou em uma série, pois facilmente o longa tem estilo e texto para algo de uns três a quatro capítulos pelo menos, pois mesmo que tudo se conecte de alguma forma pelos momentos em si, a trama é bem aberta com cada personagem tendo o seu diabo trabalhando em sua mente, para fazer de seu culto, de sua foto, de sua transa algo para extravasar e sacrificar algo em prol de algo, ou seja, é daquelas tramas que te instiga a ir além com os personagens, aonde todos se apresentam, fazem algo e já praticamente saem de cena, que não é de fácil aceitação direta em momento algum, mas que principalmente consegue envolver e passar sua mensagem, afinal volto a frisar que não é um longa simples e direto, mas mesmo assim não é nada que seja necessário de explicações, pois as desenvolturas acontecem, o símbolo é funcional, e o resultado surpreende, de modo que quem ama um longa mais introspectivo, com cenas fortes e toda uma referência irá amar o estilo que o diretor acabou entregando, mas que quem curtir uma ação mais direta irá ficar se perguntando que raios de filme viu. Ou seja, nem posso dizer que esse é o estilo do diretor, afinal não lembro de ter visto nada dele, mas ele pegou um livro brilhante que foi muito premiado, e que com um bom desenvolvimento talvez fará com que seu filme também seja bem premiado da mesma forma.

Quanto das atuações, chega a ser até difícil pensar na folha de pagamento do longa com tantas estrelas juntas, e o melhor é que todos estão muito bem em cena, com sotaques precisos e cenas muito bem trabalhadas que acabam chamando atenção para cada personagem (e que dificilmente os produtores imaginarão quem indicar como coadjuvante nas premiações). Dito isso, é claro que temos de começar falando dele, o garoto Tom Holland que a cada dia se entrega mais como alguém dinâmico, de múltiplas facetas, e que aqui conseguiu entregar para seu Arvin uma personalidade conturbada com tudo o que viveu, mas que soube se expressar com olhares fortes, chorar bem e ainda vivenciar cada momento como algo único, agradando demais. Robert Pattinson entregou seu pastor Preston com muita vivência e que de uma forma bem canastrona acaba fazendo atos fortes e diretos de muito pecado para alguém da igreja, porém sendo preciso de movimentos e atitudes, ao ponto que sua cena junto de Holland quase no fim do longa certamente vai ser daquelas que podem lhe levar para algumas premiações. Bill Skarsgård é daqueles atores que vemos na tela e ficamos esperando de tudo, pois ele é irreverente, tem trejeitos saindo por todos os lados e agrada demais com seu Willard, sendo imponente e forte na medida para cada um dos atos. Sebastian Stan entregou bem o xerife Lee, porém seu personagem é usado sempre em segundo plano, e seus atos não atingiram bem tudo o que poderia acontecer, de forma que certamente no livro ele fez muito mais coisas do que no filme, e assim o ator apenas apareceu irreconhecível na tela com um visual completamente diferente de todos os seus últimos longas. Jason Clarke ultimamente tem pegado alguns papeis bem difíceis e dominado bem, e aqui seu Carl é intrigante, meio que um cafetão assassino com um fetiche por fotos eróticas com caroneiros, e ele entrega muito bem tudo ao ponto de envolver e chamar muita atenção. Harry Melling de cara você já fica com medo do ar psicótico de seu Roy, ao ponto de termos as cenas mais impactantes com sua loucura, e o ator foi incrivelmente preciso nas cenas, agradando demais. É engraçado pensar, mas é praticamente um filme aonde os homens se destacaram, de forma que todas as mulheres foram muito bem em cena, fizeram seus atos amplos bem expressados, mas sempre dando gancho para que cada um dos papeis masculinos se destacasse mais ainda, ao ponto que vale claro dar destaque para Eliza Scanlen com sua Lenora religiosa demais, acreditando no papo do famoso pastor, e Riley Keough com sua Sandy usada ao máximo pelo cafetão/marido, mas sempre com olhares lúdicos e uma beleza sem tamanho. E claro preciso dar um belo destaque para o garotinho Michael Banks Repeta, que fez Arvin quando criança, e que dominou demais cenas fortíssimas com ótimos trejeitos, mostrando um potencial tremendo.

Visualmente o longa conseguiu passar tanto o ambiente simples das cidades interioranas e seus bizarros moradores, como deu um tom denso para cada momento da trama, ao ponto que tudo é detalhadamente mostrado como realmente nas páginas de um livro, desde as armas usadas para cada morte, para cada ato sexual, para cada representatividade de alimentos no culto, e claro funcionando muito como símbolos para vermos cada personagem sob uma ótima, o que acaba sendo lindo de ver, pois a equipe de arte caprichou nas locações, nos figurinos e em cada representação cênica, como acaba dando uma ambientação certeira para cada momento, ao ponto de ser daqueles filmes que conseguimos ver motivo para cada pecinha, e o resultado certamente virá mais pra frente nas premiações do setor visual.

Enfim, é um filme bem interessante, porém lento de estilo e de dinâmica, que até chega a cansar por ser um pouco longo, de forma que acaba sendo daqueles que muitos irão odiar logo de cara, outros irão conferir inteiro sem entender nada, haverá aqueles que farão mil discussões e postagens explicativas, e claro terá aqueles que apenas curtirão como um bom filme tenso e funcional que ele é. Ou seja, é um longa que vale a conferida, que agrada muito visualmente, mas que veremos sendo mais felicitado por críticos e nas premiações mundo afora do que pelo público realmente, pois muitos irão achar ele estranho e sem sentido, e não estarão muito errados se não aprofundarem em toda a temática religiosa e de problemas de guerra que a trama trabalha. Sendo assim, recomendo ele com tantas ressalvas que alguns vão pensar duas vezes antes de assistir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Amazon Prime Vídeo - Distúrbio (Unsane)

9/16/2020 01:20:00 AM |

Um filme bem maluco. Essa com certeza é a melhor definição do longa da Amazon, "Distúrbio", em que vemos desde o famoso stalking misturado com algo maluco de ganhos de clínicas de terapia. Ou seja, trabalharam com dois pontos que dá para discutir tanto que nem sei se o filme queria alçar voos tão longos, ou se o diretor queria apenas ressaltar toda a loucura em cima do tema. Diria que o filme começa meio estranho, parecendo jogado com tudo, mas de repente dá uma reviravolta e tudo passa a ficar bizarro, para depois ir piorando, e já nem sabendo mais quais rumos desejavam mostrar, mas que quando tudo parecia começar a se revelar, acabaram não abrangendo tanto. Ou seja, é daqueles que trabalham o mote e fecham, sem querer abrir para tantas discussões, mas longe de ser algo ruim, o resultado ao menos surpreende pelo conteúdo.

O longa nos conta que uma jovem parte de sua cidade natal para fugir de um passado conturbado e trabalhar num novo emprego. Porém quando é involuntariamente enviada para um hospital psiquiátrico, ela enfrenta seu maior medo. Mas será que ele é real ou produto da sua imaginação? Distúrbio questiona nossa percepção da realidade, instinto de sobrevivência e o sistema que deveria tomar conta de nós.

É até engraçado falarmos que o diretor Steven Soderbergh tem um estilo próprio, pois cada filme seu é tão diferente do outro que não conseguimos montar nada em nossa mente, e mesmo se formos conferir sem saber que ele é o diretor, de forma que ao acabarmos de conferir o longa nem vamos saber que é dele, pois aqui ele trabalhou tanto o lado psicológico da trama mostrando o desespero da jovem em tentar fugir do seu stalker, quanto mostrou também a loucura de um sistema de saúde corrupto que se for verdade acaba sendo uma bomba imensa de clínicas que internam pessoas sadias apenas para lucrar com suas temporadas, e a formatação que o diretor escolheu trabalhar foi bem imponente, cheia de ações bem colocadas, mas que brincam com nossa mente para inicialmente confundir (deixando a dúvida se a protagonista está maluca ou não?), e no segundo ato já parte para algo mais insano, trabalhando com o crime em si mesmo, que acabamos até ficando bravos com muitas atitudes, e o resultado fica bem intenso. Ou seja, o diretor soube ser criativo para demonstrar tudo o que desejava, e principalmente conseguir trabalhar bem as atitudes, de forma que o filme causa sensações e agrada bastante com o resultado final maluco.

Quanto das atuações, sabemos bem o potencial de Claire Foy, mas aqui ela pareceu um pouco presa nas dinâmicas, não fluindo bem seus olhares iniciais, não atingindo muito um ponto alto rápido como poderia, mas num segundo momento sua Sawyer melhora tanto que o resultado muda e acaba valendo cada momento seu, ou seja, a atriz segurou bem tanto a tensão, como a dinâmica da trama para se destacar, e isso acaba agradando demais no final de tudo. Agora um grandioso erro do filme foi apostar em Joshua Leonard como protagonista, pois não sei bem o que queriam dele, mas certamente não era o estilo que entregou para seu David, pois ficou muito insosso, muito simples de atitudes, e certamente alguém mais maluco chamaria bem mais atenção, resultaria em cenas tensas melhores, e tudo mais, parecendo ser alguém bobinho que fica olhando para o nada, e isso apagou um pouco a chama da trama. Jay Pharoah foi muito bem em cena com seu Nate, chamando a atenção para tudo o que rolava no hospital, servindo bem como base jornalística, e principalmente junto da protagonista com diálogos precisos e bem marcados, além de trejeitos bem simples e diretos que agradaram bastante. Quanto aos demais, a maioria ficou em segundo plano, aparecendo pouco ou chamando pouca atenção, tendo um leve destaque para a loucura de Juno Temple com sua Violet rebelde, mas também só chamando atenção pela gritaria em si do que tudo. 

Visualmente o longa tem um visual meio estranho, mas depois que pesquisei um pouco vi o motivo, afinal o filme foi inteiro filmado com um Iphone 7 Plus e algumas lentes, ou seja, o diretor quis fazer algo ainda mais barato e ousado, com uma proposta diferente, e junto da direção de arte mais minimalista que conseguiu um escritório simples, um hospital sem muito luxo, e que com ângulos mais fechados acabou tudo sendo bem funcional e direto, ou seja, mostrou serviço com pouco.

Enfim, é um filme interessante de proposta, bem feito, e que funciona, porém o sentimento que fica é que poderiam ter ido mais além nas cenas finais, de modo que tudo se enrolou tanto no miolo, que quando as coisas acabaram acontecendo já não tinham mais tempo de tela para avançar, e assim sendo muitos vão cansar antes de chegar nos finalmente. Sendo assim, até que recomendo bastante o longa, mas certamente não sei se lembrarei muito dele mais para frente. Bem é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Amazon Prime Video - Pacto de Fuga (Jailbreak Pact) (Tunnel 49)

9/15/2020 01:33:00 AM |

O Chile tem ficado bem famoso pelos longas baseados no período da ditadura de Pinochet que geralmente acabam envolvendo muita política e claro situações intensas, mas embora a ideia principal do filme da Amazon, "Pacto de Fuga", tenha embasamento nos presos políticos, envolvendo toda a ideia dos que tentaram matar o ditador, que faziam parte do partido contrário e tudo mais, a beleza da trama se encontra na dinâmica dos personagens em escavar um túnel por quase dois anos e conseguir fugir sem serem pegos pelos guardas, e principalmente antes de receberem suas sentenças de morte. Ou seja, a trama toda é bem dinâmica, mostrando bem como faziam para esconder a terra, como sobreviveram quase sem ar num buraco minúsculo, e claro como ocultavam dos guardas os buracos e tudo mais, numa ação coordenada muito bem feita, e que o diretor soube desenvolver na medida certa, ainda dando claro pitacos das tramas políticas deles, criando um filme bacana de conferir, tenso por tudo e bem executado, valendo a conferida.

O longa nos conta que na noite de 29 de janeiro de 1990, pouco antes do início da reconstrução democrática do Chile, cinquenta presos políticos escaparam da cadeia pública de Santiago por um túnel que 24 militantes da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR) cavaram durante 18 meses, 80 metros de comprimento com ferramentas rudimentares como colheres, garfos e uma única chave de fenda; escondendo 55 toneladas de sujeira dentro da penitenciária. Nem os presos comuns das celas próximas, nem os policiais que os vigiavam diariamente descobriram o plano que levaria 49 presos à liberdade em uma das fugas mais surpreendentes da história do crime chileno.

Como de praxe nos filmes originais da Amazon, o diretor estreante em longas de ficção David Albala foi bem direto na composição da trama escrita por diversos roteiristas, mas claro que sendo montado em cima de uma história real nem foi preciso inventar muito, apenas dando o norte ficcional para que tudo ficasse mais intrigante de ver, e essa foi a grande sacada do diretor, pois o filme poderia ter ido para um norte político mais chato que muitos não gostam de ver, e com isso seria daqueles exibidos apenas em festivais e não impactaria tanto, mas da forma feita o longa acabou recaindo para algo de fuga de presídio, bem montado pelas dinâmicas em si, causando toda a claustrofobia de um buraco pequeno, tendo claro os dedo-duro, aqueles que só estão na missão para ajudar, os líderes, o engenheiro e tudo mais, que bem encontrado por cada personagem, o resultado acabou ficando gostoso de ver, e mostrou que até tem grandes chances de aparecer mais em premiações grandes. Ou seja, o diretor foi coerente em diversos momentos, e principalmente escolheu a melhor forma para que seu filme não ficasse chato, e que mesmo sendo bem longo, acabasse envolvendo do começo mais formatado, até o final corrido e impactante.

Algo que é engraçado do filme é que mesmo tendo muitos personagens/atores, o filme não foca muito em cima de quase nenhum, deixando a proposta mais aberta para que todos fizessem um pouco mais e se entregasse para chamar atenção, mas claro que o destaque fica em cima de Roberto Farías com seu Rafael Jímenez que praticamente tem todas as conversas de formações, tem as maiores conexões com o partido fora da prisão, e o ator foi intrigante em todos os pontos-chaves da trama, conseguindo marcar as cenas e ir muito bem também. Outro que parecia que chamaria até mais atenção foi Benjamín Vicuna com seu León Vargas, por ser meio que um líder para todos ali, ser o mais conhecido, mas foi um personagem meio que introspectivo demais por ter na história perdido a família, então o ator/personagem ficou sempre de cabeça baixa, fazendo ações mais elaboradas, e não indo muito a fundo. Ainda tivemos bons momentos com Diego Ruiz com seu Óscar Lira, que para a história foi importante por ser um dos grandes arquitetos de planos contra Pinochet, mas seus atos para a fuga foram meio que jogados demais, e com isso o ator não se destacou tanto. Gonzalo Canelo ficou com seu Bigote o tempo todo meio que estranho para os lados da cadeia, mas próximo ao final suas cenas foram bem usadas, e o ator conseguiu trabalhar bem tanto olhares, quanto diálogos e atitudes, agradando bem. Eusebio Arenas entregou um Pituco bacana de ver nos atos junto do pai, afinal era um jovem médico famoso, e ao entrar para o partido acabou sendo preso, e dentro da prisão ajudou muito os que sofreram torturas e tudo mais, sendo bem marcantes suas cenas. Quanto das mulheres ambas as protagonistas se entregaram bem nas cenas mais chamativas, tendo destaque claro para Francisca Gavilan com sua Paulina que foi mais para a ação mesmo, mas Amparo Nogueira também teve bons atos como a advogada do partido Pizarro. Como disse todos foram bem em cada um dos atos, então passaria muitos momentos destacando os poucos atos de cada um, mas com um elenco de poucos atores conhecidos, ao menos por aqui, o resultado foi bem trabalhado e funcional.

No conceito visual, acredito que usaram uma cadeia real (talvez desativada) para dar uma dinâmica maior, e não precisar construir um ambiente daquele tamanho, mas certamente as cenas fechadas nas celas, no telhado e no túnel em si foram bem grandiosas e montadas em locações próprias tanto para os movimentos das câmeras funcionar, dar as devidas nuances e ambientações, e o resultado foram cenas incríveis, cheias de elementos cênicos bem presentes como papel e ovo para criar a "massa corrida" para tampar os buracos e enganar os guardas, muita terra em sacos, e claro um figurino sempre sendo sujo e lavado, ou seja, a equipe de arte teve um belo trabalho que resultou em momentos claustrofóbicos muito bem feitos e envolveu do começo ao fim.

Enfim, é um filme bem bacana, que quem gosta de tramas políticas vai gostar, mas principalmente quem gosta de longas com fugas ousadas, com um plano maluco em execução e claro bons desenrolares acabará se divertindo bastante, ou seja, é o famoso artístico que agrada o público comum também, valendo a indicação e conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - Freaks: Um de Nós (Freaks - Du bist eine von uns) (Freaks: You're One of Us)

9/13/2020 09:07:00 PM |

É engraçado como longas de super-heróis ou de mutantes sempre acabam caindo no gosto popular, ao ponto que vemos exemplares até em países que não tem muito costume com filmes de aventura como é o caso da Alemanha. E isso não é algo ruim, pois geralmente o estilo entrega boas situações e desenvolturas, e o resultado de "Freaks - Um de Nós" chega a ser até interessante, embora demore demais para engrenar. Ou seja, é daqueles filmes que priorizaram tanto uma boa apresentação de personagens, explicaram tudo bem bonitinho, fizeram cada momento ser intrigante, até que de repente tudo começou a correr, ações explodiram, situações aconteceram, e tivemos uma briga final tão fraca (que olha... se o roteirista escreveu exatamente dessa forma e o diretor seguiu tem de apanhar os dois) para aí apresentar talvez um time para próximos longas. Ou seja, é um filme que dá para assistir como um bom passatempo, que quem gosta de formação de super-heróis irá se divertir e curtir tudo, mas que certamente poderiam ter ido além em tudo, mas não foi o caso, então é apenas um bom filme de início de franquia (talvez né, afinal não sei como andam as produções lá na Alemanha!).

O longa nos conta que Wendy, uma jovem mãe trabalhadora, percebe que anos de medicação suprimiram seus poderes sobrenaturais. E ao conhecer um estranho, Marek, com o mesmo histórico, descobre que seu colega de trabalho, Elmar, também é dotado da mesma forma. A pergunta é: o que ela fará com seus novos poderes?

O diretor Felix Binder até foi bem coerente no desenvolvimento completo da trama escrita por Marc O. Seng, claro que segurando demais tudo para deixar ocorrer somente no final a ação mesmo, e com isso toda a apresentação é bem feita, conhecemos bem os personagens, e o resultado passa a chamar atenção, e mostra que ele soube construir sua história, brincar com a personalidade dos protagonistas, e mostrar cada ensejo diretamente para o público, trabalhando o envolvimento tanto familiar, que acaba sendo o grande questionamento da protagonista, com sua vida cheia de poderes, ou seja, acabou entrando em discussão a questão se um super-herói pode ter família comum, entrou em discussão se remédios podem amenizar poderes ou não, ou seja, o filme tem bastante para discutir, e acabou sendo bem feito da forma mais simples, que até poderia ter ido além, mas não foi.

Sobre as atuações, a jovem Cornelia Gröschel aparentou ser nova demais para o papel, mas fez bem sua Wendy, se entregou aos poderes, e principalmente manteve bem o estilo mais mãe/esposa do que alguém que sonhasse com os poderes, ao ponto que a vemos fazendo bons trejeitos de dúvida, mas também se impondo em algumas cenas e agradando bastante. Wotan Wilke trouxe para seu Marek algo mais centrado, de uma pessoa de idade, e com uma desenvoltura mais seca, ao ponto que não o vemos como alguém que quer resolver o problema, mas sim como alguém que deseja se salvar mentalmente, e o ator mostrou bem isso. Já Tim Oliver Schultz não caiu nada bem para o papel de Elmar, pois o personagem pedia alguém mais imponente, mais desesperado por poderes, cheio de vida, e o ator entregou um nerd riquinho meio apático demais, ou seja, mesmo servindo para a base funcionar, um ator mais forte chamaria bem mais atenção. Ficou faltando mostrar um pouco dos poderes de Nina Kuzendorf como Dra. Stern, que provavelmente deve ser algo da fonte da juventude, pois ela trata a protagonista quando garotinha e já bem adulta com o mesmo semblante, sem envelhecer um dia sequer, e assim a atriz fez bons trejeitos dentro da clínica, trabalhou olhares, mas não foram muito a fundo nela, o que é uma falha. Quanto aos demais, tivemos alguns atos fortes com Frederic Linkemann como Lars, marido da protagonista e Finnlay Berger como Karl filho da protagonista, mas nada que fosse muito imponente e chamativo, além da patroa e do pai de Elmar que aparecem, tem cenas imponentes, mas ficam bem em segundo plano sempre.

Visualmente o longa não apelou muito para os poderes dos protagonistas, tendo umas cinco cenas aonde a equipe de efeitos precisou mostrar eletricidade e força, mas de modo geral os ambientes foram feitos para um filme comum, mostrando uma mansão grandiosa do protagonista, uma casa simples bem detalhada de família endividada, mas com boa vida, uma lanchonete simples também, um hospital psiquiátrico, uma clínica e um parque aquático, aonde tudo teve seus detalhes bem marcados, mas nada que fosse grandioso demais, ou seja, a equipe de arte não precisou sofrer muito para que um filme de super-heróis funcionasse.

Um ponto bem positivo da trama ficou a cargo da trilha sonora com clássicos dos anos 80/90, que a protagonista ouve em seu CD-Player, e que junto com composições atuais bem dinâmicas resultaram em um filme ágil e gostoso de conferir. E claro que deixo o link para todos curtirem as canções.

Enfim, é um filme bem passatempo, com muitas apresentações e pouca ação realmente, mas que talvez gere continuações e com isso acabemos vendo algo a mais depois, mas ainda assim vale a conferida, não sendo nada grandioso, mas que agrada. Ou seja, se você curte o estilo pode ver tranquilamente que o resultado não é apelativo, e também não é nenhuma bomba, sendo um filme mediano pra bom que funciona. Bem é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.


Leia Mais

Netflix - A Babá: Rainha da Morte (The Babysitter: Killer Queen)

9/13/2020 02:39:00 AM |

Sempre que um filme tem um estilo diferenciado é fácil saber que teremos continuações, e a Netflix já captou que dá para brincar bastante com isso tanto que ao lançar "A Babá" em 2017 já meio que negociaram com o diretor McG a continuação, e eis que agora logo após lançar a trama já estão falando num terceiro filme, ou seja, muito em breve veremos outro terrir bem maluco sendo lançado. Mas vamos nos ater no lançamento dessa semana, "A Babá: Rainha da Morte", que seguiu bem a linha do original, mudando um pouco a fórmula para algo mais próximo de um jogo de videogame, ao ponto que cheguei a lembrar até de "Scott Pilgrim Contra o Mundo", numa versão mais sangrenta, e isso não é algo ruim, pois trouxe um pouco do estilo de HQs, colocou personagens bacanas para serem derrotados, e principalmente seguiu a ideia original do culto satânico e seus adoradores em busca de uma vida melhor. Ou seja, é um filme bem divertido também, levemente inferior ao primeiro, que brincava um pouco mais com a inocência do protagonista e seus atos ocorrendo naturalmente na correria, enquanto aqui já sabendo mais o que fazer o filme fluiu mais para o besteirol, o que também não foi ruim de ver. Sendo assim, o resultado geral foi bacana, mas poderiam ter seguido mais com o lance do terror denso, que agradaria um pouco mais.

O longa acompanha Cole dois anos após derrotar o culto satânico liderado por sua babá Bee. Tentando superar o passado e sobreviver no colégio, tudo parece estar bem. Porém, quando velhos inimigos retornam inesperadamente, ele terá que lutar novamente.

Se no primeiro filme o diretor McG pode ousar, mas ainda era um projeto sem muito chamariz, aqui que já tinha o resultado do primeiro longa, ele pegou a ideia e saiu explodindo e detonando tudo de forma que vemos uma produção muito maior, com mais locações, mostrando um pouco mais da escola, indo para uma grandiosa festa num lago, vemos um ritual maior e tudo mais para o diretor poder brincar. Aliás falando em brincar, ele até usou o estilo de jogo de luta de videogame em determinado momento, saindo completamente do eixo do cinema, ou seja, ele abusou de técnicas, mexeu com estilos diferentes, e ampliou um pouco sua história, afinal se no primeiro filme tudo era mais lúdico pela idade do protagonista, agora que já está numa idade mais sexual, ele pode apimentar um pouco mais as coisas e ter um pouco mais de referências. Ou seja, ele acabou saindo um pouco da ideia fechada do projeto, mas fluiu um pouco mais, mudando um pouco do gore (mesmo que mantendo toda a sanguinolência) para algo mais próximo de uma ação cômica com toques de terror, o que não é ruim, mas que a comparação faz com que o primeiro filme seja bem melhor, principalmente se visto no mesmo dia.

Sobre as atuações, chega a ser até assustador o tanto que Judah Lewis cresceu em relação ao primeiro filme, tanto que a trama se passa 2 anos depois do primeiro, mas ficou parecendo que se passaram pelo menos uns 5, mas o jovem soube manter um pouco seu jeito bobão e ingênuo, encontrou forças para se desenvolver melhor, e mesmo sendo daqueles que ainda tem o estilo mais preso, foi dinâmico e cheio de bons trejeitos para cada um dos momentos de seu Cole, mostrando um certo potencial para bons filmes no futuro. Emily Alyn Lind voltou com uma Melanie ainda mais bonita que no anterior, e ainda mais intensa de estilo, porém seu segundo ato ficou exageradamente forçado de trejeitos, e muito em segundo plano, o que acabou desapontando um pouco pelo que esperávamos dela, mas não foi ruim. Uma ótima surpresa foi ver Jenna Ortega como uma Phoebe diferenciada, cheia de estilo, que trouxe uma certa vitalidade de estilo nas cenas mais intensas, e mesmo ficando claro de cara tudo que ocorreria nas cenas finais, acabou funcionando bastante. Samara Weaving também ficou bem em segundo plano durante o longa todo, e até parecia que não tinha acertado seu cachê para reviver a babá Bee, mas teve alguns bons atos, e até saiu-se bem no final. Novamente o elenco secundário serviu apenas para divertir no besteirol, e Robbie Amell trouxe um Max ainda mais maluco correndo sem camisa e fazendo charme, Andrew Bachelor foi ainda mais cômico nas piadas com seu John, inclusive fazendo a piada clássica de ateus e satanistas em seu último momento, Bella Thorne voltou sensualizando ainda mais com sua Allison, e claro Hana Mae Lee veio ainda mais psicopata com sua Sonya, e por incrível que pareça, os personagens novos foram péssimos ao ponto de nem dar para falar nada deles.

No quesito visual a trama se mostrou bem segura do que queria mostrar, tendo bem mais locações, ousando nas filmagens em um lago belíssimo com um estilo mais rústico de paisagens, afinal o primeiro se passou praticamente inteiro dentro da casa do protagonista, então aqui deram espaço para mortes mais impactantes e fortes em no meio de paredões de rochas e claro um chalé no meio do nada. Ou seja, a equipe precisou preparar melhor o terreno, e aqui sim tivemos muito mais uso da computação gráfica ao invés de efeitos práticos como foi o primeiro longa, e assim o resultado ficou um pouco mais artificial, mas ainda usando uma boa quantidade de sangue falso para a sujeira ficar bem bonita de ver.

Enfim, é um bom filme, divertido, ousado e cheio de bizarrices, mas infelizmente pecou em exagerar mais do que o original, e isso costuma pesar um pouco, principalmente para quem fizer como eu, e engatar os dois quase que seguidos. Ou seja, é daqueles longas que quem gosta do estilo de terror/suspense vai reclamar muito pela falta de tensão, mas quem gosta de um juvenil sujo bem bagunçado com mortes violentas vai vibrar, então fica a dica para esse público. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

A Babá (The Babysitter)

9/12/2020 07:04:00 PM |

Estou conferindo coisas na Netflix já faz quase 2 anos e por incrível que pareça nem o sistema de algoritmos da plataforma nem ninguém havia me indicado o longa "A Babá", e olha que não é um filme esquecível, muito pelo contrário, é uma trama envolvente, muito bem feita, cheia de ação e tensão, com uma desenvoltura digamos teen, mas que acaba sendo bem interessante de conferir, que lembra um pouco alguns longas de antigamente por toda a sanguinolência espalhada para todos os lados, pela imaginação e envolvimento dos protagonistas, e principalmente por ser uma trama gostosa de curtir, ao ponto que mesmo causando um pouco de desconforto em quem não seja tão vidrado em sangue para todo o lado, certamente irá assistir torcendo pro garoto se safar, e claro para que muita coisa ocorra, e claro deixando aberto para a continuação (que estreou na última sexta-feira e já verei logo em seguida de acabar o texto), o resultado geral (embora maluco pela cena final), é bem divertido e bacana de ver.

O longa acompanha o jovem Cole, que é loucamente apaixonado por sua babá sedutora e popular chamada Bee. Até que o garoto acaba descobrindo que, na verdade, ela é uma assassina adoradora do Diabo. Agora, para evitar que ele revele seu segredo, Cole está na mira da babá e seus amigos assassinos.

O diretor McG é daqueles que gosta de tudo acontecendo com muita imponência, que faz as cenas seja de explosão ou de matança sejam fortes e bem desenvolvidas, empolgando bastante desde o começo até o fim, ao ponto de que tudo funcione bastante. Ou seja, temos aqui uma boa história, simples e bem desenvolvida, que mesmo não fazendo apresentações, acaba se desenrolando de uma maneira tão precisa e certeira, que praticamente acabamos conhecendo um pouco de todos ali, claro que devido às diversas características de cada personagem ser algo bem clichê do gênero, mas mesmo assim não atrapalhando em nada. Ou seja, o diretor acertou muito bem a mão e fez com que tudo funcionasse bem, encaixando o longa num estilo que é clássico e tem um bom funcionamento, que é o terror gore, mas mais do que isso, ele foi preciso em escolher algo mais juvenil e sem apelações fortes para que a trama fosse aberta para algo a mais, e assim o acerto foi iminente para todos.

Sobre as atuações, temos que aplaudir o jovem Judah Lewis pelo desenvolvimento que deu para seu Cole, de modo que ele acaba iniciando de uma maneira simples, mas vai se impondo com boa sagacidade, fazendo bons trejeitos tanto de desespero quanto de esperteza, e ao final já vemos o jovem preparado para tudo, o que certamente na continuação será bem utilizado, pois ele foi bem demais. Samara Weaving também se entregou bem para sua personagem, criando tanto o carisma necessário para convencer em seus atos, como o ar sedutor com sua beleza, ao ponto que de cara ninguém fica preocupado com ela (claro tirando o ponto que pelo nome já sabemos que algo vai rolar com ela!), mas sua Bee vai além e acaba sendo precisa tanto nos trejeitos, quanto no estilo adotado, ao ponto de agradar demais e o resultado ser perfeito. Quanto aos demais, diria que todos foram encaixados dentro de símbolos para que a trama funcionasse bem, e o acerto foi muito bom, tendo desde o jogador galã fortão bem vivido por Robbie Amell, a líder de torcida gata que quer crescer na vida independente do que faça vivida por Bella Thorne, o rapaz maluco que acaba fazendo as cenas malucas, vivido por Andrew Bachelor, e claro a oriental psicopata exagerada que aqui foi interpretada por Hana Mae Lee. Além desses, mesmo que tendo pouca participação no início, mas funcionando bem no rumo final, temos de pontuar a boa desenvoltura da garotinha Emily Alyn Lind, que acabou tendo bons ensejos, olhares, e que também certamente será bem usada na continuação, ou seja, agora é ver o que virou.

A equipe de arte certamente arrumou um estoque muito grande de sangue cenográfico, ao ponto de como todo bom gore, vemos espirrando para todo lado, algumas aranhas grandes, uma casa com muitos objetos pontudos para servirem de armas, e que o resultado acaba sendo um banho de cenas violentas muito bem executadas, que nem precisariam praticamente sair de uma única locação, mas foram para uma escola, para a rua com o amigo que provoca o protagonista, e até para a casa da amiga na frente, além claro de usar o carrão do pai dela para uma cena bem imponente. Ou seja, a equipe de arte usou bastante de artifícios prontos e práticos, evitando bastante a computação, e o resultado foi impecável.

Enfim, é um estilo que muitos não curtem, por nem se enquadrar no terrorzão propriamente dito, nem ser uma comédia, muito menos um filme adolescente, mas que na junção dos três estilos o resultado acaba surpreendendo bastante, e vale demais por tudo que foi entregue, ou seja, é uma boa diversão para todos, e que agora é conferir a continuação para ver se conseguiram manter o estilo ou até surpreender mais. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - #Alive (#Saraitda) (#살아있다)

9/11/2020 12:54:00 AM |

Um dos subgêneros que o pessoal mais curte de ver seja nas diversas séries, ou em filmes de terror e ação, é o tal dos longas com zumbis, pois geralmente acaba dando uma adrenalina interessante com todos os mortos-vivos correndo que nem malucos, comendo uns aos outros, e claro os protagonistas que não viraram ainda zumbis correndo ou tentando sobreviver em meio ao caos. E com isso eis que hoje resolvi conferir o tão falado longa sul-coreano "#Alive" da Netflix, e olha é daqueles que tem estilo, que capricharam nas maquiagens dos zumbis, que tem muito sangue pra todo lado, e principalmente que os jovens protagonistas conseguiram trabalhar sua sobrevivência pensando bem, mesmo que fazendo algumas loucuras, e ainda sendo bizarro demais o jovem sair batendo com um taco de golfe. Ou seja, é um filme bem simples, porém efetivo no que foi pensado, que diverte bastante, e que trabalha bem a agonia/desespero de se ficar em casa durante uma pandemia (o que muitos acabaram sentindo nessa quarentena que estamos vivendo), e que com uma boa dose de ação acaba envolvendo e mostrando serviço, valendo bastante a conferida.

O longa nos mostra que um jovem gamer precisa lutar por sua vida diante de um apocalipse zumbi, se encontrando cercado em seu apartamento. Mas a situação complica ainda mais quando a energia é cortada. Assim, ele não pode mais acessar parentes e amigos online, jogar seu game ou se conectar com o mundo exterior.

Um dos pontos do estilo é que sabemos praticamente tudo o que vai rolar, pois não dá para inventar muito, então coube ao diretor e roteirista Il Cho encontrar pontos irreverentes para surpreender, e ele até que conseguiu trabalhar alguns bem colocados. Ou seja, é um filme bem tradicional do gênero, que tem uma boa dinâmica com os protagonistas (felizmente são poucos), que surpreende no ponto de virada com o que ocorre, principalmente pelo motivo, e que acaba tendo uma boa ação sem precisar dar sustos bobos (bem comum também do estilo), e assim o diretor soube orquestrar bem a correria dos infectados, brincar com o desespero do jovem (que só na sinopse e pelo computador vemos que é um gamer, pois logo depois esquece seu jogo - aliás ficar sem servidor foi maldade com o jovem!), e fazer tudo funcionar bem sem precisar de romance e outros clichês do gênero também, e assim acabamos podendo falar que a estreia do jovem diretor foi precisa e certeira.

Sobre as atuações, o jovem Ah-In Yoo conseguiu ser carismático, fazer cenas bem desesperadas e bobas ao ponto de ficarmos com raiva dele, e principalmente não se perdeu em trejeitos, o que é muito comum de ver no estilo, de forma que seu Oh Joon-woo acabou sendo um bom personagem, e boa parte dos acertos se deve ao ator funcionar bem no papel. Da mesma forma Shin-Hye Park trouxe uma Kim Yoo-bin inicialmente séria demais, sem muita desenvoltura, só na dela, mas quando botou pra quebrar ficamos com a mesma cara do protagonista de assustado com a potência da garota, que claro fez uma cena tremendamente exagerada, mas que funcionou para o momento que o longa pedia, então ficou forçado, porém funcional, e tirando o exagero de choro (que não ficou legal de ver!), a jovem mandou muito bem nos seus atos. Quanto aos demais, tivemos muitos atores correndo pra todo lado, fazendo caras e trejeitos fortes debaixo de muita maquiagem, mas só vale destacar Hyun-Wook Lee que apareceu bem no finalzinho, mas teve o ato mais importante e polêmico da trama, que até daria para refletir sobre tudo o que aconteceu, mas aí daria um spoiler, então é melhor deixar apenas que o ator foi imponente nos seus atos, e caiu bem pro personagem.

Posso dizer sem dúvida alguma que a equipe de arte trabalhou muito bem, e que com certeza tiveram um orçamento considerável, pois temos muitos figurantes correndo para todos os lados, muitas cenas de destruição e principalmente muita maquiagem e figurino detonado para compôr todas as cenas, de modo que o filme inteiro acaba se passando mais dentro dos quatro apartamentos, mas quando os personagens saem para os corredores, ou até mesmo para a rua, tudo ali é uma loucura, temos muitos objetos cênicos, temos drones, temos equipamento de escalada, e claro comida como uma necessidade, tendo até a brincadeira com o famoso macarrão instantâneo, e seu modo de fazer, ou seja, a equipe brincou bastante, e funcionou com tudo para que o resultado ficasse bonito de ver.

Enfim, se pararmos para analisar apenas o roteiro da trama veremos que é algo bem simples, sem muitas explicações, que os jornais da TV até tentam explicar, mas não vão muito além, e que o diretor nem se preocupou muito com isso, que até tem alguns atos polêmicos para reflexão, e tudo mais, mas o principal do estilo é ver sangue, mordidas e correria, e isso foi entregue dentro de uma produção bem interessante de ver, e que funciona, ou seja, vale a recomendação. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Amazon Prime Video - Get Duked!

9/10/2020 01:07:00 AM |

No filme da Amazon, "Get Duked!", os personagens comem fezes alucinógenas de coelhos que comem cogumelos selecionados para ficar bem loucos, e acredito que o diretor/roteirista comeu uma quantidade meio que exagerada desse alucinógeno para escrever/dirigir o longa, pois o que vemos na tela é algo completamente insano, e o pior de tudo, é muito bom! Confesso que ao ver a sinopse da trama imaginava algo meio bobo e estranho, mas conforme a insanidade toda vai rolando, o filme vai ficando melhor e mais divertido por tanta bizarrice, de forma que acabamos nos envolvendo com os garotos e com os policiais atrapalhados, ao ponto de torcer por algo ainda mais louco no final (e sim, ocorre!). Claro que a ideia toda não é algo genial, e acaba sendo um pouco apelativa, mas de certa forma o resultado é tão bacana de ver que acabamos relevando tudo, e curtindo cada momento até um bom final.

O longa nos conta que três adolescentes infratores recebem a última chance de mudar de vida, completando a jornada do Prêmio Duque de Edimburgo pelas terras altas junto de um jovem superestimado que precisa da oportunidade para preencher seu currículo. Sem nada em comum, o quarteto desajeitado caiu no meio do nada, apenas com um mapa, sendo obrigado a trabalhar em equipe para, enfim, conseguirem chegar ao acampamento antes do anoitecer. Porém, tudo muda quando aristocratas começam a caçá-los para matá-los por puro esporte.

Em sua estreia na direção de longas, o jovem Ninian Doff foi bem ousado de estilo, colocou nas mãos de quatro atores desconhecidos a responsabilidade para que sua história funcionasse, e não se conteve em entregar um filme tradicional de elementos casuais, optando por trabalhar bem a ideia de drogas alucinógenas, colocando desenvoltura na correria, e dando claro o ritmo do hip-hop como base para que seu filme ficasse bem sincronizado, ao ponto que acabamos nos divertindo com tudo, e o resultado não fica simples de ver. Ou seja, é daqueles filmes que certamente muitos irão ler a sinopse e correr, outros irão ver o começo e abandonar, mas principalmente quem conferir por inteiro acabará curtindo tanto as bizarrices entregues que ao final já vai estar até pensando numa continuação ainda mais ousada, e assim sendo tudo vale a pena.

Sobre as atuações, não conhecia nenhum dos jovens atores, e isso foi bom para não criar vínculos, e assim ver eles criando sozinhos seus momentos, de modo que não temos nenhum deles sendo um protagonista isolado, mas sim um conjunto bem escolhido que acaba divertindo pelas loucuras todas. Rian Gordon é o maluco das drogas, daqueles que até chamaria a atenção para ser o líder do grupo com seu Dean, mas foi bem aberto com os parceiros, e assim acabou acertando bastante. Lewis Gribben é o maluco total, que faz as maiores insanidades possíveis com seu Duncan, e ainda acaba acertando tudo, o que faz a trama ficar incrivelmente divertida com seus atos loucos. Viraj Juneja deu o ritmo de hip-hop com seu DJ Beatroot, e conseguiu brincar bastante com sacadas musicais, e junto com os fazendeiros fazer a maior loucura possível. Samuel Bottomley foi o mais certinho do grupo com seu Ian, mas acabou imponente e certeiro nos pontos mais de grupo, o que acabou mostrando que o jovem também é bom de trejeitos. Quanto dos adultos, Eddie Izzard e Georgie Glenn foram meio tresloucados com seus Duque e Duquesa, ao ponto que não se impuseram muito nas cenas necessárias, mostrando algo meio que de terceira idade, ao ponto que era necessário alguém mais dinâmico talvez para o papel, mas ainda assim foram bem no que fizeram, enquanto Jonathan Aris trouxe para seu Carlyle algo bem simbólico com as expressões, mas aparecendo pouco nem pode fazer muito, e claro que a loucura bobinha de Kevin Guthrie e Kate Dickie como policiais de vila, tentando ter um caso realmente foram engraçados, mas sem muita desenvoltura.

Visualmente o longa passeou bastante pelas terras altas da Escócia, aonde temos uma paisagem bem inusitada misturando campos e montanhas, com muita produção rural e claro vilas afastadas, ou seja, todo um grandioso espaço para os personagens correrem muito em meio a lama, pedras, esconderijos, cavernas, celeiros com festas regadas a drogas, e claro toda a insanidade possível que o diretor quis passar, de modo que ele até poderia ter explorado um pouco mais os demais caçadores, que aparecem só no finalzinho, mas ainda assim a equipe de arte trabalhou bem, e acabou agradando na simplicidade cênica bem efetiva, e além disso deixando para que a equipe de efeitos visuais brincasse bastante com a computação nas cenas com os personagens drogados.

Enfim, é um filme bem divertido, rápido e direto ao ponto, mostrando que um diretor estreante também consegue ir bem quando resolve inovar e não seguir padrões, tanto que o que vemos aqui é algo completamente fora do eixo, e o acerto foi tão bem colocado que dá para indicar com certeza para todos que gostem de um filme irreverente, ou seja, uma completa bagunça que deu muito certo. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Looke - Testemunha Invisível (Il Testimone Invisibile) (The Invisible Witness)

9/09/2020 01:22:00 AM |

Hoje após muita briga com as legendas do Looke, resolvi dar mais uma chance para outro filme da 8 1/2 Festa do Cinema Italiano, e quando começou o longa "Testemunha Invisível" vi que conhecia essa trama, daí pausei e fui ver algo mais sobre ele no IMDB antes de dar play novamente e não correr o risco de já ser algum que vi anteriormente, então eis a minha surpresa que era mais um longa baseado na história do filme espanhol, "Um Contratempo", e claro que voltei a conferir, afinal a história é muito boa, e o ator protagonista dessa versão também é dos que sabem fazer bem cinema. Porém se na versão indiana da mesma história, "Badla", inverteram os personagens principais, deram um tom mais intenso e apenas usaram como base a trama, aqui não, e vemos praticamente quase tudo igual ao original espanhol, ou seja, não tivemos nada de novo para nos surpreender ao ponto que parece até que estamos vendo o mesmo filme, só que com atores diferentes, então mesmo sendo uma boa história, quem já viu o espanhol é capaz de ficar meio irritado de saber tudo como vai rolar.

A sinopse nos conta que Adriano acorda em um quarto de hotel ao lado do cadáver de sua amante, Laura. Apesar de se declarar inocente, o homem é acusado de assassinato e escolhe Virginia Ferrara, uma das melhores advogadas criminais, para preparar a estratégia de defesa. Eles só têm duas horas para preparar o caso, desacreditar as principais testemunhas e encontrar as provas chave para confirmar a sua inocência. Entre a cruz e a espada, Adriano é forçado a contar toda a verdade à advogada. Nada é como parece e a mesma história pode ser contada através de perspectivas diferentes, dando forma e imagem a várias versões da verdade.

Sempre digo que a mesma história pode ser contada de diversas maneiras e ainda surpreender quando bem trabalhada, porém sou completamente contra repetirem a história exatamente da mesma forma, e aqui o diretor e roteirista Stefano Mordini apenas pegou o roteiro do longa espanhol e colocou novas cidades e novos atores, mantendo todo o restante da história e até mesmo dos diálogos, ao ponto que nada soa novo, e acabamos já sabendo exatamente o que vai acontecer em cada momento. Ou seja, é claro que o diretor espanhol Oriol Paulo é citado como detentor do roteiro, mas certamente poderiam ter ido bem além para que o filme ficasse com uma roupagem nova, ou colocassem algum novo elemento para surpreender, o que acabou não acontecendo, e assim sendo desanimando um pouco no final, mesmo sendo algo bem sacado que vale ser revisto.

Sobre as atuações, sabemos bem que Riccardo Scamarcio sempre entrega um bom estilo, e aqui seu Adriano é estiloso, temperamental, e passa bem como um protagonista misterioso e mentiroso, afinal esse é o estilo que o papel pedia, e ele conseguiu segurar muito bem seus momentos, e funcionar do começo ao fim, prendendo nas cenas mais intensas e abrangendo tudo o que o filme necessitava. Maria Paiato também conseguiu dominar sua Virginia, porém teve um erro fatídico em seu personagem, principalmente para quem já conhecia a trama, pois a maquiagem não foi tão bem trabalhada para disfarçar, e assim ficou algo quase igual ao Superman que só colocando os óculos que muda, e assim a atriz até dominou muito suas cenas com indagações imponentes, mas poderia ter ido muito além. Fabrizio Bentivoglio foi direto e certeiro com seu Tommaso, trabalhando sem abrir as situações, mas sempre bem colocado para que cada momento tivesse duas ideias como o longa pedia, e ele não oscilou, isso que é bacana de ver. Miriam Leone até teve bons momentos com sua Laura, principalmente na explicação final aonde precisou fazer melhores trejeitos, mas se manteve bem na maioria das cenas e assim agradou bastante. Quanto aos demais, foram simples e diretos, sem chamar muita atenção, mas funcionando bem.

Visualmente a trama não teve nada muito chamativo que mudasse algo que já vimos tanto na versão espanhola quanto na indiana, e com locações simples sem muito chamariz o resultado até agrada e funciona, mas certamente poderiam ter ido além em qualquer um dos pontos ou locações, ficando boa parte da trama dentro do apartamento do protagonista enquanto a história é contada, e claro nos diversos pontos da estrada aonde ocorre o acidente, um lago, um hotel chique bem isolado, alguns restaurantes, uma festa de gala, ou seja, tudo que já vimos nos outros 2 longas, só que ao invés de se passar na Espanha ou na Índia, agora se passa na Itália.

Enfim, volto a frisar que não é um filme ruim, pois quem não viu nenhum dos outros dois longas vai se surpreender com o ponto de virada e ficará bem chocado, porém quem já viu irá apenas assistir uma reprise falada em outra língua e curtirá também, ou seja, mesmo a Itália não sendo um EUA que não gosta de filmes legendados e replicam tudo em sua língua, aqui o que vimos foi exatamente isso, então se você ainda não viu "Um Contratempo" veja o original, pois a dinâmica é bem mais intensa, e se quiser uma versão inversa de personagens vá com o indiano "Badla", mas se quiser algo gratuito, ao menos até o dia 10/9, vá com esse que está no Looke, fazendo parte da Festa do Cinema Italiano. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

PS: A nota seria 8 por tudo que o filme vale, mas como é um plágio bem feito, vou descer para 6.
Leia Mais

Netflix - Estou Pensando Em Acabar Com Tudo (I'm Thinking of Ending Things)

9/07/2020 10:14:00 PM |

Sinceramente não sei nem o que falar do longa da Netflix, "Estou Pensando Em Acabar Com Tudo", pois o que me foi apresentado ainda está na minha cabeça se debatendo se foi algo tão abstrato que não entendi nada, ou se realmente o diretor (que não é nenhum novato e tem grandiosos filmes na carreira) se perdeu no roteiro maluco que criou, e nada acabou batendo com nada. De modo que no miolo cheguei a pensar que ela estava morta, depois cheguei a pensar se ela seria apenas o pensamento do rapaz, depois mais próximo do final já nem sabia se estava pensando ou no que estava pensando, ou seja, é daqueles que até vou pensar mais um pouco para tentar apagar ele da minha mente, pois confesso que foram os 134 minutos mais jogados fora que tive da minha vida, e sei que muitos irão argumentar que o livro é sensacional, que se ler o livro irei entender o filme, mas volto a frisar algo que sempre digo, que um filme bom não depende de lermos a sinopse, não pode depender de livro, e que somente vendo ele por inteiro deve funcionar, e aqui a única palavra que define ele é: bizarro!

A sinopse nos conta que apesar de ter dúvidas sobre seu relacionamento, uma jovem faz uma viagem com seu novo namorado para a fazenda da família dele. Isolados na casa com os pais de Jake durante uma tempestade de neve, a jovem começa a questionar tudo o que imaginava saber sobre seu namorado, o mundo e si mesma.

O mais interessante é que fui conferir o longa esperando algo complexo, afinal a maioria dos longas do diretor Charlie Kaufman são para se pensar, não são óbvios de situações, e geralmente poucos acabam entendendo realmente o que ele queria dizer, porém aqui ele errou muito a mão criando algo de memórias tão abstrato, tão confuso, com situações tão bagunçadas, que ao final já nem sabemos realmente o que ele quis passar para nós, e não digo que o conteúdo em si seja ruim, muito pelo contrário, temos cenas lindas, temos bons diálogos e interações, temos conflitos, mas a história como um todo acaba não tendo uma base funcional, e isso é o que mais incomoda, afinal já disse isso aqui inúmeras vezes, que quando paramos para ver um longa queremos refletir, queremos nos entreter, ou queremos pelo menos algo, e aqui não temos nada além de 134 minutos que quase servem como sonífero para quem não anda conseguindo dormir, e só.

Sobre as atuações, diria que Jessie Buckley deu um tom bem trabalhado para sua personagem, criando indagações bem formatadas, olhares e trejeitos diversos, e principalmente sabendo onde se encontrar para cada momento, ao ponto que se o filme fosse bom, a atriz seria daquelas que lembraríamos muito, mas infelizmente seu potencial não foi usado. Jesse Plemons é um ator que sempre faz papeis estranhos, e geralmente não coloca emoção em seus atos ao ponto de chamar atenção, e aqui seu Jake é ainda mais estranho por não causar grandes perspectivas do que esperar, ou seja, foi simples demais, introspectivo demais, e com atitudes até imponentes em alguns atos, mas nada que vá além. Como sempre Toni Collete consegue se destacar mesmo com papeis não muito chamativos, e aqui ela faz uma mãe que chama muita atenção pela risada, pelos trejeitos, e por tudo o que acaba sendo funcional, de modo que poderiam ter usado até mais ela para o filme funcionar, e que junto de David Thewlis, acabaram formando um casal diferente de tudo, e que certamente no livro possuem um simbolismo bem mais imponente que no filme. Quanto aos demais, todos apareceram em atos estranhos demais, e com isso nada chega a ser chamativo ao ponto de funcionar, de modo que Guy Boyd como um zelador de escola e Abby Quinn como uma atendente de uma sorveteria acabaram chamando um pouco mais de atenção, pelos atos em si, mas nada que seja memorável.

Dentro do conceito visual o longa se passa praticamente todo dentro de um carro, em meio a uma tempestade de neve, com os protagonistas dialogando, mas também tivemos várias cenas nos corredores de uma escola imensa, em uma sorveteria bizarra no meio de uma nevasca, e claro na fazenda dos pais do protagonista, mostrando desde o lugar aonde animais morreram no passado, outros estão mortos jogados e congelados, e outros estão apenas trancados, várias passagens de tempo ocorrendo dentro da casa, objetos cênicos importantes, e muita maquiagem de envelhecimento na cena final em diversos atores num teatro, ou seja, a equipe trabalhou bastante para representar tudo, usando claro de muita simbologia para tudo, e resultando em quase nada.

Enfim, é um filme que volto a frisar que ficou muito ruim, que certamente sabendo algo a mais da história (lendo o livro de Iain Reid, ou algum tipo de debate) muitos irão refletir mais, e sairão em defesa de que o longa é maravilhoso e tudo mais, porém como digo que um filme deve funcionar sozinho, o resultado é uma bomba imensa que nem pro meu pior inimigo acabarei recomendando, ou seja, fujam de dar o play nele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com algum filme bom pelo menos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais