Amazon Prime Video - Corrida dos Bichos

8/18/2026 12:31:00 AM |

Desde quando recebi um primeiro e-mail falando sobre a produção do longa "Corrida dos Bichos" já fiquei bem interessado na proposta e queria ver como ficaria a ideia de um "Jogos Vorazes" no estilo mais brasileiro possível em um futuro distópico, brincando com apostas, indicações e sobrevivência em uma corrida sem regras. E hoje ao conferir vi que a ideia funcionou bastante, não virou uma novelona (que era um dos meus principais medos), e apenas me irritou com o fechamento digamos aberto para uma continuação, pois dava para se desenvolver melhor, cortar algumas partes e fechar direto em algo bem acertado sem precisar ir além. Ou seja, é um filme bem interessante de proposta, com uma pegada meio que idealista demais em algumas dinâmicas, porém que agrada bastante dentro de algo que poderia melhorar, e agora é saber o que acontecerá na continuação, afinal com essa abertura podem ir até mais longe com uma trilogia, o que espero que não aconteça.

O longa acompanha um futuro distópico em que a cidade do Rio de Janeiro vive em ruínas: o mar secou e a paisagem então paradisíaca se transformou por completo. Agora, ela é palco de uma disputa mortal inspirada no antigo jogo do bicho, que evoluiu para uma competição entre corredores em que cada um representa um animal. Em busca de um prêmio milionário que pode mudar suas vidas, cada participante precisa, entretanto, oferecer um ente querido como garantia, e apenas os vencedores os recuperam. No meio desse violento e desigual entretenimento, um jovem destemido precisa vencer a corrida voraz para salvar a vida de sua irmã. Mano é o seu nome, um jovem idealista que sempre lutou contra tudo o que a corrida representa. Agora, porém, será obrigado a embarcar fundo nessa competição para sobreviver e proteger quem mais ama.

Um ponto que achei bem estranho do longa é ter sido escrito por quatro roteiristas (Rodrigo Lages, Ernesto Solis, Marco Abujamra e Eva Klaver) e dirigido por três diretores (Fernando Meirelles, Rodrigo Pesavento e Ernesto Solis), pois mesmo sendo uma trama cheia de dinâmicas, ter tanta gente envolvida nos cargos principais acaba quebrando o ritmo, e principalmente a ideia de quem manda em o que, o que geralmente causa conflitos com os atores, mas como não sei como tudo se desenvolveu nos bastidores é melhor não opinar, pois o resultado final, que é o que realmente importa, funcionou bastante, tendo pegada, intensidade, e como já disse, muitas dinâmicas na tela, aonde os personagens foram bem desenvolvidos, tiveram suas devidas surpresas e não precisaram ficar enfeitando muito, o que acabou agradando bastante dentro da essência total.

Quanto das atuações é até meio difícil falar de cada um, afinal é um senhor elenco com diversos nomes conhecidos do cinema e da TV nacional, e realmente mesmo alguns com pouquíssimas cenas foram bem na tela, então vou dar apenas alguns destaques. E para começar já vi muitos filmes com Matheus Abreu, mas nunca tinha reparado no estilão dele, tanto que aqui seu Mano foi o protagonista e ele soube segurar bem a imposição que o personagem pedia, sendo denso e interessante sem precisar ir muito fora do que o filme pedia. Outro que caiu muito bem foi Rodrigo Santoro, que se jogou por completo em seu Abu, sendo daqueles "vilões" imponentes e cheios de chamarizes que podem mudar tudo na tela, algo que ele sabe bem fazer e conseguiu chamar tanta atenção que por pouco não podemos falar que o filme foi dele. Ainda tivemos bons momentos com Isis Valverde fazendo de sua Nadine alguém ousada que quer mudar tudo na parte de cima, Bruno Gagliasso fazendo um Leon marcante e cheio de facetas criminosas, e claro Seu Jorge sempre com a personalidade cheia de estilo para com seu Baco, além de Silvero Pereira fazendo um Sinatra rebelde e Thainá Duarte trabalhando sua Dalva com um certo ar explosivo na tela, ou seja, todos muito bem colocados.

Visualmente a equipe caprichou bastante nos ambientes, criando um Rio de Janeiro bem caótico e diferenciado sem o mar, com desertos, mais favelas do que o normal, prédios e tudo mais para as corridas, além de florestas fechadas e tudo mais, brincando com rinhas de homens lutando pelas vagas, o famoso batismo para achar seu bicho e claro as máscaras, que mesmo simples, tiveram significados bem colocados, além claro do salão de jogos aonde os ricaços controlam seus bichos nas corridas, sendo algo bem marcante. Só achei o esquema de narração com a Anitta meio forçado demais, mas isso acho que era da proposta.

Enfim, é um filme interessante que foi bem desenvolvido e que mesmo tendo uma proposta muito similar a outros que já vimos mundo afora, com o estilo brasileiro conseguiu chamar bastante atenção e está fazendo muito sucesso na plataforma pelo mundo todo, ou seja, já garantiram o espaço para a continuação que deixaram colocada no final, então aguardaremos para ver aonde irão e que rumos tudo irá tomar, valendo a recomendação de conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Fim Da Rua (The End of Oak Street)

8/17/2026 03:58:00 PM |

Costumo dizer que a mente criativa de alguns roteiristas funciona de uma forma tão sem conexões que nem dá para se imaginar aonde eles estavam com a cabeça para criar tudo o que colocam na tela, de modo que se analisarmos friamente o longa "O Fim da Rua" vemos algo até bem básico envolvendo viagens temporais, dinossauros e a famosa base da junção familiar que está passando por problemas, ou seja, é daqueles filmes que possuem diversos clichês inseridos na tela, mas que tudo rola de uma forma tão bem feitinha que acaba divertindo e envolvendo o público. Claro que talvez um pouco mais de intensidade acabaria dando um tom mais imponente para tudo, mas ainda assim agrada na tela.

Ambientado nos anos 1980, a produção acompanha o casal Denise e Greg que enfrenta uma crise no relacionamento enquanto gerencia a rotina familiar com os dois filhos adolescentes. Entretanto, tudo muda quando abruptamente uma tempestade transporta toda a vizinhança para a era dos dinossauros. Isolados, os quatro serão forçados a cooperar para sobreviver e voltar para 1980, em uma jornada com muita ação e emoção. Após um misterioso evento cósmico que abala o bairro Oak Street e o transporta dos subúrbios para um lugar desconhecido, a família Platt logo descobre que sua própria sobrevivência vai depender da união entre todos para enfrentar um ambiente agora irreconhecível.

Diria que o diretor e roteirista David Robert Mitchell até foi bem criativo na essência geral, trabalhou mortes impactantes e dinâmicas bem trabalhadas na tela, porém faltou para ele a coragem de jogar seu filme para uma classificação maior, que lhe daria um impacto maior na tela, e talvez um chamariz menos fantasioso para a pegada que fica claro estar sendo desejada em diversos momentos, mas isso não garantiria um ar mais denso, então talvez o risco não valesse tanto a pena. Porém posso dizer que ele soube ao menos trabalhar momentos divertidos com um bom ar familiar, é assim sendo o resultado ao menos entretém bastante.

Quanto das atuações, diria que faltou para Anne Hathaway convencer mais que sua Denise estava sentindo, pois vemos um certo ar depressivo em relação aos conflitos com o marido, vemos sua disposição para enfrentar os bichos pela família, mas não convence expressivamente como poderia, afinal sabemos o potencial dela, e aqui apenas segurou as pontas. Já Ewan McGregor fez com que seu Greg tivesse personalidade, e se expressasse bem frente a tudo o que está rolando, só poderia ser menos bobão, pois aí daria um tom mais chamativo na tela. Quanto aos jovens, diria que Maisy Stella trabalhou bem sua Audrey, tendo até alguns vértices meio que "lacrativos" em segundo plano, mas ainda assim agrada com o que entrega na tela, já Christian Convery esqueceram de determinar a idade de seu Brian, pois em alguns momentos parece um adolescente que já está na beirada da maturidade, e em outros atos ficou quase uma criançona crescida, e isso pesou um pouco na tela. Já os demais diria que apenas participaram, sem grandes desenvolvimentos na tela, é isso pesou um pouco para não termos mais destaques.

Visualmente o longa teve uma boa entrega, contando com uma boa computação gráfica para os dinossauros e plantas que transformaram totalmente o visual da pacata cidade, tivemos boas cenas deles comendo as pessoas com sangue bem representado, é figurinos e elementos cênicos bem compostos para os anos 80, mas nada que surpreendesse realmente na tela.

Enfim, acredito que esperava algo a mais do longa e assim acabei não me empolgando o tanto que imaginava, mas ainda assim o resultado funciona como um bom passatempo, que até tenta ter pegada, mas que falta aquele ar imponente que tramas desse estilo pedem. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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A Morte de Robin Hood (The Death Of Robin Hood)

8/17/2026 12:29:00 AM |

Costumo dizer que quando o cinema repete temas muitas vezes acaba sendo algo cansativo para o público em geral, de modo que você acaba se saturando do personagem e por vezes acaba nem enxergando mais ele como deveria, e um personagem que já vimos filmes desde romances passando por tramas blockbusters de ação, desenhos até mesmo recaídas para o terror, ainda não tinha puxado para o lado dramático de um fechamento de inversão, quando tentam tirar o papel heroico do personagem e levam ele para um estilo monstruoso que deveria ser esquecido, era Robin Hood, mas com o longa "A Morte de Robin Hood" acabaram brincando com essa essência em um filme que por vezes parece até confuso e introspectivo demais, aonde você fica pensando se estão tentando fazer uma continuação de algo, ou se apenas devemos tentar lembrar do que já ocorreu no passado em outras obras para ser complementado aqui, e isso ao mesmo tempo que ficou interessante acabou também cansando um pouco no resultado final, mas ainda assim será lembrado como um dos filmes mais diferentes do personagem, e até mesmo do estilo de atuação do protagonista, pois souberam brincar bem com a essência toda, e assim o resultado funciona.

Na trama, Robin Hood luta mentalmente com seu passado marcado por crimes e assassinatos. Depois de sobreviver por pouco à batalha que considerava ser a última, Hood fica gravemente ferido. Enquanto se confronta com os erros cometidos no passado e com as cicatrizes da briga, o lendário herói é encontrado por uma mulher misteriosa que passa a cuidar de seus ferimentos. Fora de combate, ele é obrigado a lidar com as consequências de sua história.

O interessante no estilo do diretor e roteirista Michael Sarnoski é que ele sabe brincar com personagens se desafiando a mudar por completo suas essências, de forma que já vimos um Nicholas Cage mudando de estilo, uma saga silenciosa indo para outros rumos, e agora fez com que um personagem tradicional fosse mudado de vértice, ou seja, ele pega coisas prontas e dá o seu próprio tempero para que tudo fique diferenciado e chamativo. Dessa forma diria que ao menos ele tem potencial por saber brincar com situações ousadas e diferenciadas, mas talvez aqui ele precisasse fechar melhor sua produção, pois o longa exige alguns momentos de lembranças sobre casos que o bandoleiro viveu, e assim o filme não fica somente dentro de seu conteúdo.

Quanto das atuações, já disse outras vezes que gosto muito do estilo que Hugh Jackman costuma entregar para seus personagens, dando densidade e intensidade para que seus momentos soassem bem marcantes, e aqui seu Robin Hood é o retrato de alguém já tão acabado, tão cheio de camadas acumuladas por anos de vivência, que o ator soube impactar com bem pouco e funcionou demais, sendo marcante e chamativo sem precisar ir muito além, ou seja, segurou o filme sem precisar enfeitar muito o doce, e isso se deve também a uma direção consistente. O mais engraçado é que temos outros atores bem imponentes na trama, e praticamente o diretor esqueceu de desenvolver eles, de modo que Jodie Comer com sua Brigid tem momentos que poderiam ser bastante impactantes, mas ficou apenas amornando tudo ao redor dela e do protagonista, Bill Skarsgård evapora com seu Edward logo no começo da trama, de tal forma que a jovem Faith Delaney precisou soltar um pouco sua timidez para que sua Little Margareth se impusesse na tela, e Noah Jupe até tentou ter alguns trejeitos interessantes para seu Arthur, não indo muito além, então sem mostrar tanto o rosto, sobrou para Murray Bartlett impactar nos diálogos de seu Leproso, mas sem ir muito além também.

Visualmente a trama brincou bem com os tons azuis e vermelhos, dando um ar bem fúnebre para a trama, tendo alguns atos intensos e violentos, com lutas bem marcantes no começo, fogo e dinâmicas cheias de sangue e símbolos, para depois ir para uma ilha e ficar com tudo muito calmo em desenhos neutros e sem grandes impactos, aonde poderiam ter trabalhado mais alguns elementos além das sangrias do protagonista e de alguns atos de caça, sendo simples, porém encaixado dentro de algo chamativo.

Enfim, é um longa que tem estilo, porém que faltou mais pegada e desenvolvimento para se encaixar melhor na tela, sendo daqueles que se você tiver um bom conhecimento no personagem é provável que entenda melhor tudo e até se envolva mais, mas do contrário é capaz de esquecer tão rápido dele, que nem vai entender direito o que viu, ou seja, dava para ser bem melhor. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Imagem Filmes e da Sinny Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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HBOMax - Undertone

8/15/2026 11:54:00 PM |

Quem achou que eu não assistiria nada na viagem de férias se enganou, afinal voo longo não dá para dormir, principalmente uma pessoa alta como eu sou que fica comprimido nas poltronas! Então dei o play no melhor filme do ano na ida que foi "Devoradores de Estrelas", e na volta dei o play em "Undertone", que pode ser conferido dentro da plataforma da HBOMax, trazendo um terror bem básico, mas efetivo pela essência de causar o desconforto, afinal muitas vezes as histórias contadas e/ou ouvidas em podcasts ou por pessoas mais velhas costumam ter suas versões, e que claro em filmes acabam ganhando vida, então diria que a essência funcionou bastante, mesmo não assustando tanto quanto poderia.

O longa nos mostra que uma apresentadora cética de um podcast sobre assuntos paranormais e histórias de terror se muda para a casa da mãe para cuidar dela e de sua saúde debilitada. Quando o programa recebe 10 áudios misteriosos de uma fonte anônima, Evy percebe que a história gravada é muito semelhante à sua própria. A cada gravação que ela e seu co-apresentador e amigo Justin ouvem, a sanidade de Evy se deteriora e é testada, transformando-a num poço de medo e paranoia.

Diria que a ideia do diretor e roteirista Ian Tuason para sua estreia em longas foi incrível, pois é algo baratíssimo de orçamento, com uma pegada interessante pela dinâmica tensa que vai causando, e que poderia facilmente ir muito mais além na tela, porém faltou um ponto principal que era causar o terror com sons, com essências e dinâmicas para que o público ficasse tenso na mesma proporção da protagonista, e isso acabou não ocorrendo, sendo básico demais com a finalização toda. Ou seja, é o famoso filme que com poucos detalhes impactaria tanto o público, mas que ao menos mostrou o potencial do diretor, então veremos o que fará com o novo "Atividade Paranormal 8", pois pegar uma saga que já funciona há tempos e não errar é bem complexo.

Quanto da atuação de Nina Kiri, diria que a jovem atriz soube ser bem cheia das nuances e segurou bem a onda de sua Evy, trabalhando algumas boas expressões e dinâmicas, porém faltou se expressar com mais temor quando passa a duvidar de tudo o que estava rolando, ou seja, não se encaixou nos momentos mais tensos da trama, e isso acabou dando um tom não tão bom para o resultado final. Quanto aos demais, diria que foram mais participações e narrações, então não tenho como dizer que foram tão além para merecerem qualquer destaque.

Visualmente temos um longa extremamente barato, aonde a protagonista está sentada apenas numa mesa com um computador e um fone de ouvido, temos o quarto da mãe deitada, e alguns rabiscos e desenhos, mas nada que realmente causasse algo na trama sem ser pela sonoridade em si, ou seja, a equipe de arte pode dizer que nem trabalhou direito.

Enfim, é o famoso passatempo de terror que você fica esperando mil coisas e situações, mas que não vai muito longe, e assim sendo diria que dava para melhorar muito com bem poucos ajustes no roteiro e na direção. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, afinal tenho muitos longas ainda para botar a casa em dia, então abraços e até logo mais.


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Champagne - Uma Viagem de Pai e Filho (Champagne)

8/03/2026 12:29:00 AM |

Não lembro quando foi o último filme holandês que vi, mas levando em consideração o que assisti hoje com "Champagne - Uma Viagem de Pai e Filho", que estreia nos cinemas nacionais na próxima quinta (06/08), posso dizer que gostam de envolver o público com a situação em desenvolvimento, não chegando com impacto na entrega, mas sim passando a reflexão pelo sentimento em si da produção completa. Ou seja, é daqueles filmes que você precisa ir vivenciando os momentos na tela, entendendo a relação dos personagens, e quando vê tudo já pronto o desenrolar flui e emociona. Claro que é um filme bem mais artístico do que comercialmente falando, mas certamente pegará o público com o fechamento entregue.

O longa conta a história de Maarten, que decide levar o pai em uma última viagem à região de Champagne, na França, após descobrir que ele está com uma doença terminal. No caminho, o silêncio profundo reina entre os dois até que os ressentimentos e dificuldades para expressar sentimentos ganham voz e o que parecia ser apenas uma viagem comum se transforma em uma jornada de reconciliação. Em meio à paisagens e conversas que recontam o passado dos dois, pai e filho encontram novas formas de celebrar a vida em meio ao fim dela. 

Diria que o diretor Tim Kamps foi mais um conector do que um executor na obra, pois a história sendo inspirada nas experiências do roteirista e protagonista Leo Alkemade, certamente ele foi dando as dimensões de cada ato, trabalhando sua entrega para que com seu parceiro de cena tudo deslanchasse e se desenvolvesse. Claro que isso é um modo de dizer, pois sei o quanto um diretor pode mudar uma cena, mas aqui como tudo flui linearmente, sem grandes quebras, acredito que o protagonista meio que se apossou das cenas e conduziu conforme suas memórias iam acontecendo, passando a síntese minutos antes, e fazendo tudo acontecer. Ou seja, não chega a ser um erro de percurso, mas vemos que os demais personagens ao redor parecerem até perdidos com o que tinham de fazer, e assim faltou um pouco mais de direção realmente aparecendo na execução da obra, não sendo ruim de ver, mas talvez desse para algumas cenas serem mais imponentes com bem poucas mudanças.

Quanto das atuações, aí a história muda completamente de lado, pois Leo Alkemade conseguiu ser muito sincero na construção de seu Maarten e criou uma química muito gostosa para com seu parceiro cênico, de modo que você realmente vê uma conexão entre eles, vê expressões realmente com sentimentos bem colocados, e assim ele soube segurar o protagonismo sem roubar as cenas do outro, sendo cheio de conexões e um envolvimento bem real na tela, o que foi bem bacana de acompanhar. Da mesma forma, Huub Stapel conseguiu passar a essência bem chamativa de seu Hans, trabalhando com uma boa pegada e envolvimento na medida certa para convencer com o que tinha para entregar, sendo que suas dinâmicas foram inspiradas no pai de Leo, então tinha de se entregar e convencer seu parceiro disso, e pelos olhares deu muito certo. Quanto aos demais, como falei acima, faltou um pouco mais de direção, e com isso ficaram bem apagados ou com dinâmicas que não valorizassem muito na tela, e assim nem vale destacar ninguém.

No conceito visual, tivemos praticamente um road-movie, mostrando no começo as casas dos protagonistas bem rapidamente, sem termos dimensões das situações ou com detalhes que valorizassem algo, claro tirando que o pai gosta muito de champanhes, e com isso em sua bicicleta já levava para casa duas caixas, o que dá o mote para a viagem, e depois vemos as plantações de uva, algumas vinícolas no caminho, restaurantes de vários tipos e atendimentos, além de uma passada em uma igreja e também em bares e pensões, ficando bem grudado com o carro elétrico do protagonista e suas tecnologias, ou seja, tudo bem básico, mas muito representativo em cima das bebidas.

Enfim, é um filme bem gostoso de acompanhar, que funciona pela essência passada na tela, e que traz uma boa representatividade nas conexões familiares, sendo agradável e bem marcado para refletir qual é o momento certo de fazer as coisas com seus elos, antes que seja o fim. E é isso meus amigos, fica a recomendação para quem conseguir conferir ele nos cinemas, e eu fico aqui agradecendo o pessoal da Autoral Filmes pela cabine de imprensa, então abraços e até breve, pois agora também irei tirar umas férias e viajar, voltando logo mais com outras dicas depois desse período.


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Homem-Aranha - Um Novo Dia (Spider-Man: Brand New Day)

7/30/2026 12:27:00 AM |

Já deixei de ir conferir os longas de super-heróis esperando algo simples e sutil há algum tempo, e sendo assim sempre me preparo para ver manobras gigantescas, dinâmicas exageradas, explosões e mil universos na tela, e isso é errado, pois nos fizeram que era necessário toda essa intensidade para fazer funcionar uma HQ nos cinemas, então hoje diria que fiquei um pouco frustrado com um longa mais calmo de "Homem-Aranha: Um Novo Dia", pois ele é exatamente o que os fãs nerds das HQs do personagem queriam ver na tela, mas para os entusiastas dos filmes da Marvel que estavam acostumados com tudo empolgante acabarão saindo da sessão apenas achando que viram algo básico bem feito. Ou seja, não é um filme ruim, muito pelo contrário, temos boas atuações, dinâmicas interessantes, uma boa história, e acredito que até o 3D esteja bom (mesmo não conferindo na tecnologia por priorizar o legendado), mas passei as últimas quase 3 horas vendo um Homem-Aranha que apanha horrores, e que é mais amigão do que herói mesmo, e isso acabou me deixando dividido se gostei realmente do que vi ou se faltou algo que pudesse realmente me marcar. Sendo assim, mesmo com a sala lotada e várias sessões esgotadas, não vi acontecer gritos e vibrações, mas sim apenas o pessoal curtindo um filme realmente, e isso já deixou de ser o estilo de super-heróis no cinema há um bom tempo.

O longa nos mostra que vivendo em Nova York depois que sua identidade foi apagada da memória de todos, o amigão da vizinhança tenta seguir em frente anonimamente enquanto concilia a rotina universitária com a missão de proteger a cidade como super-herói. Sem poder contar com seus amigos e obrigado a enfrentar tudo sozinho, Peter busca se reencontrar ao mesmo tempo em que se sente invisível e vê sua namorada vivendo novas experiências. Porém, uma série de acontecimentos coloca a cidade em perigo novamente, fazendo com que ele enfrente vilões cada vez mais poderosos e tome decisões que colocarão à prova seus valores e o verdadeiro significado do sacrifício, mostrando que, de fato, com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Em uma jornada marcada por recomeços, Peter precisará descobrir se é possível adaptar-se à nova realidade sem abrir mão daquilo que faz dele o Homem-Aranha.

É interessante observarmos que a mudança de estilo tem nome, e se chama Destin Daniel Cretton, que já tinha feito algo bem diferenciado com "Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis" para a Marvel, e aqui foi ousado em seguir padrões mais calmos para a história, o que acabou brincando com as facetas mais casuais das HQs, dando as devidas nuances para as continuações do Universo da companhia, e fez o principal que foi de manter o protagonista em evidência do começo ao fim, sem precisar colocar mais gente ou personagens que intensificassem as dinâmicas. Claro que o filme tem o pró de talvez quem goste mais de tramas desenvolvidas se conecte melhor com o que verá no trabalho do diretor, mas quem for esperando algo que o antecessor Jon Watts vinha colocando nas tramas do herói irá ficar meio sem saber que rumos pensar desse novo estilo. Ou seja, é o famoso mudar tudo para ousar ou ousar para mudar tudo, aonde o acerto principal ficou em ser ousado, e assim o estilo acabou aparecendo na tela.

Quanto das atuações, definitivamente Tom Holland chegou ao ponto certo que muitos esperavam para seu Peter Parker/Homem-Aranha, criando suas próprias armas, desenvolvendo seu sentido aranha, e principalmente não sendo apenas aquele garoto bobinho, aliás se preparou bastante fisicamente para ganhar mais força e entrega visual, e conseguiu dominar suas cenas, afinal como já disse o diretor optou por não precisar tanto dos demais personagens, e assim ele pode se jogar por completo, e fazer bem o que precisava na tela. Fiquei pensando uma boa parte do filme se Jon Bernthal tinha sido apresentado como Justiceiro em algum dos filmes anteriores e eu não lembrava, mas vi que ele proveio apenas das séries da Marvel, então diria que o diretor deu muita tela para ele sem "explicar" direito o personagem, de modo que seu Frank foi divertido pela entrega e o ator trabalhou bem o estilão explosivo do personagem (que conhecia das HQs, mas não dos filmes), e assim agradou com o que fez ao menos. Agora quem me surpreendeu bastante com a expressividade entregue na tela foi Sadie Sink com uma personagem muito famoso no Universo da Marvel, mas que não vou colocar o nome aqui para não dar spoilers para quem ainda não foi conferir, de modo que a jovem mostrou não apenas os grandiosos poderes que tem, mas sim a personalidade que o papel pedia e certamente vai chamar ainda mais atenção nos próximos filmes da companhia. Quanto aos demais, diria que Zendaya com sua MJ, Jacob Batalon com seu Ned, e até mesmo Mark Ruffalo com seu Hulk/Bruce Banner trabalharam bem o que tinham de fazer na tela, mas nada que realmente impressionasse, a não ser claro o tanto que o Hulk socou o protagonista.

Visualmente a trama foi bem bacana, tendo muitas cenas em movimento com as famosas teias passeando pelos prédios (o que em 3D deve ter funcionado bastante), tivemos uma Nova York bem tradicional e movimentada, sem grandiosos ambientes para não explodir o orçamento, tivemos boas cenas de destruição, e uma sala até simples demais para as dinâmicas com a "vilã", a casa do Justiceiro e o apartamento simples do protagonista também foram bem desenvolvidos na tela, e de certo modo a fotografia deu um tom mais fechado e escuro para a produção ficar um pouco mais séria do que as anteriores, e assim sendo tudo funcionou bem.

Enfim, sei que esse foi algo para dar novos rumos ao personagem dentro do Universo Marvel e fizeram algo mais "diferente" do que vinha acontecendo, que tem falhas para serem corrigidas, mas que teve mais acertos do que erros, de modo que quem for conferir com menos expectativas e gostar mais de ver heróis tomando surra vai gostar bastante, mas se não for desse time ou chegar esperando muito na sala, a chance de decepção é alta. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Marsupilami - Confusão a Bordo (Marsupilami)

7/25/2026 06:12:00 PM |

O mais engraçado da comédia "Marsupilami - Confusão a Bordo" é que de tão absurda e cheia de cenas bobas e forçadas, acaba divertindo o público, tanto que as pessoas na sala aonde fui conferir estavam passando mal de tanto rir, enquanto eu estava apenas inconformado com os exageros dos personagens, e é tão interessante que o longa parecia muito com o nosso "Os Trapalhões", com cenas apelativas para causar o riso, mas que funcionavam nesse sentido, tendo o personagem fofo do bichinho como base, mas deixando ao lado o caso de um relacionamento, uma criança, crimes ambientais e até experiências científicas, aonde cada momento vem com algum tipo de esquete cômica, funcionando para a proposta, mas saindo meio que como se nem ligassem para algo mais centrado. Ou seja, é uma comédia bacana, que quem não ligar para absurdos e exageros vai rir bastante, mas fazia tempo que não via algo francês que forçasse tanto a barra, e assim acabei mais assustado do que curtindo tudo realmente (graças aos deuses não foi explicado ou mostrado a cena após das águas-vivas na tela, pois tinha criança na sala!).

O longa acompanha David, um homem que no intuito de salvar o seu emprego no zoológico, aceita transportar um pacote misterioso vindo direto da América do Sul. Dentro de um cruzeiro, tudo sai do controle e o pacote libera um bebê Marsupilami, uma criatura rara que se torna o centro das atenções na embarcação. Em meio ao caos, David vive uma aventura caótica ao lado da sua ex, do filho e de um colega atrapalhado que irá ser capaz de ensiná-lo sobre a importância dos laços familiares.

Eu sabia que o diretor e roteirista Philippe Lacheau tem um estilo forçado, e que geralmente se coloca como protagonista em suas tramas, mas não imaginava o quão apelativo ele conseguiria chegar para sua trama fazer rir à valer, e aqui ele ligou o turbo e colocou de tudo o que se possa imaginar, mas de um certo modo tendo até uma história bem cheia de elementos, o resultado acabou agradando e funcionando na tela. Ou seja, passa longe de ser uma boa direção, principalmente por ele estar dividido entre protagonista da história e diretor, mas que cumpre com o prometido, que é fazer rir, então não dava para esperar boas situações e entregas na tela, mas sim uma pegada mais dinâmica, cheia de confusões e entregas seja dentro do cruzeiro ou depois pelas ruas da cidade, aonde ao menos o diretor brincou com referências de alguns grandes clássicos.

Quanto das atuações, o filme teve bem mais exageros do que momentos bons, então o diretor Philippe Lacheau fez de seu David Ticoule aqueles protagonistas que tentam ser chamativos e quase se escondem, fazendo alguns trejeitos clássicos do bobão perdido que quer voltar para a família, mas fez o que deu, não sendo alguém imponente, nem indo muito além. Particularmente não sou fã do estilo cômico de Jamel Debbouze, o famoso ator francês que fica com a mão no bolso o tempo inteiro pelo acidente que sofreu no passado, e aqui seu Pablito junto com Stéphane vivido por Julien Arruti, formaram a dupla de palhaços para criar as confusões mais malucas possíveis, aonde a trama se desenvolve mais, mas acabou funcionando para a proposta com trejeitos estranhos que fluíram ao menos. Agora fiquei meio com dó do garoto Corentin Guillot com seu Léo voando e sendo socado a todo momento para soar engraçado, de modo que provavelmente precisou de um dublê ou algum boneco para lhe representar direto. Quanto aos demais foram mais jogados que o pobre do garoto na parede, tendo um músico gordo, uma mulher que só grita, e uns terroristas mais fajutos que tudo, que não incrementaram em nada na trama.

Visualmente a trama teve uma entrega bem cheia de detalhes, afinal gravar em um cruzeiro colocou momentos mais bagunçados em ambientes mais apertados, mas tiveram boas cenas em palcos, quartos, banheiros e tudo claro regado pelo bichinho computacional de rabo gigante, ainda tiveram alguns atos em florestas e principalmente nas ruas com perseguições e tudo mais, ou seja, a equipe de arte trabalhou bastante para que o filme fluísse.

Enfim, é um passatempo que quem gosta de tramas mais escrachadas vai rir de rolar no chão, mas quem vê os exageros apenas jogados na tela e não curte muito isso vai mais reclamar do que gostar do que verá na tela, e olha que eu nem falei das dublagens também forçando a barra já que a distribuidora só fez cópias dubladas no país, então fica a dica para quem gosta. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Águas Mortais (Deep Water)

7/24/2026 01:21:00 AM |

Costumo dizer que sou daqueles que se divertem com os longas recheados de paias (as famosas coisas improváveis que soam até bizarras em algumas tramas), e com o longa "Águas Mortais" temos tantas situações assim que com toda sinceridade fiquei pensando na quantidade de tóxico que os roteiristas utilizaram para escrever a trama do longa. Fora isso, desde que vi o pôster do longa fiquei intrigado o quanto de roubo de informação ou inspiração aconteceu no desenvolvimento dele, pois a ideia, as situações e até mesmo alguns desenvolvimentos lembravam demais "Desespero Profundo", então o jeito foi esperar a estreia e ver como seria "diferente", e hoje posso dizer que enquanto o outro explorava o bolsão de ar formado no fundo do mar, aqui tivemos algo mais destruído, aonde o avião se parte em vários pedaços e fica na superfície devido um recife, e com a grande quantidade de carne morta os tubarões chegam com tudo. Dito isso sobre as principais diferenças, e focando agora só no longa de hoje, posso dizer que foram bem violentos nos impactos do longa, e mesmo os tubarões não parecendo lá muito reais, os ataques foram intensos e cheios de atos bem interessantes de ver, além claro do ódio de um personagem que foi colocado para testar nossa paciência com tudo o que faz de errado.

O filme acompanha o desespero que toma conta da tripulação e dos passageiros de um voo que parte de Los Angeles com destino a Xangai. Quando um incidente ocorre no compartimento de carga, a aeronave vira palco de uma luta pela sobrevivência quando cai no meio do oceano. Os sobreviventes, que já precisam lidar com as consequências do acidente e as perdas irremediáveis, descobrem um novo pesadelo: as águas onde caíram são habitadas por tubarões famintos por sangue que não vão poupar ninguém. Agora, a única saída para o grupo é superar suas diferenças e se unir em busca de escapar vivo da situação.

Depois de fazer uma trilogia picotada nos cinemas com "Os Estranhos", o diretor Renny Harlin teve que quase trabalhar de forma milagrosa o roteiro escrito por sete roteiristas, incluindo alguns que só  escreveram as partes em mandarim para os atores chineses, e dessa forma ele não economizou nos atos mais intensos, fazendo a destruição do avião ser algo para fazer qualquer um ficar com muito medo de voar, além disso conseguiu trabalhar as dinâmicas malucas de uma maneira "coerente" para o estilo, pois não dá para querer frases e situações tão "pensantes" em casos desse estilo, de modo que o resultado conseguiu criar a tensão suficiente e entreter sem precisar apelar tanto. Ou seja, vemos um trabalho até que decente em um filme de um estilo que costuma geralmente ser exageradamente bobo, e assim mostra que o diretor tem ido por bons rumos em suas produções "assustadoras".

Assim como não dá para exigir diálogos dentro de um roteiro desse estilo, também não dá para torcer muito para as atuações nesse formato, mas como tivemos atos bem intensos e marcantes, dá para dizer que quem morreu, morreu bem, e quem sobreviveu fez bons trejeitos para deixarmos eles vivos (assim um dos pôsteres da produção até disse uma verdade, que é "o mar quem decide quem irá para casa"). Dito isso, vale claro o destaque para Aaron Eckhart com um Ben bem desesperado para conseguir salvar quem precisava, dar as dinâmicas expressivas suficientes para chamar atenção, e principalmente não soar um falso corajoso, agradando com o que fez. Outra que gostei muito da interpretação foi a garotinha Molly Belle Wright com sua Cora cheia de expressões, segurando bem quase como a protagonista da história e chamando a atenção para si, ou seja, tem futuro. Quanto aos demais, diria que os dois chineses foram meio que forçados para o rumo, os bravinhos fizeram o que tinha que fazer, e Angus Sampson conseguiu ser um mala sem alça irritante ao máximo com seu Dan, então não vou dar muitos spoilers deixando apenas que fizeram o que precisava.

Visualmente a equipe de arte trabalhou bastante para ter um oceano lotado de coisas quebradas, malas flutuando, objetos espalhados e principalmente um avião arrebentado em várias partes, o que deu um tom interessante de acompanhar e funcionando bastante na tela. Quanto dos tubarões diria que forçaram um pouco a barra, mas a matança com muito sangue ficou bem bacana na tela, e principalmente a explosão no ar com tudo voando (pessoas, objetos e tudo mais) deu um resultado bem marcante para impactar o público.

Enfim, esse é um estilo que quem curte não liga para erros e exageros, mas ao menos souberam trabalhar com algo interessante que não cansasse ou saísse bobo demais, então acaba valendo a conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Elize: Sombras de uma Mulher

7/22/2026 11:46:00 PM |

Antes que venham entupir de mimimi por dar voz e imagem para uma assassina real e tudo mais que já acostumamos a ouvir toda vez que fazem um filme baseado em fatos reais, sempre falo a mesma coisa que já vimos muitas cópias internacionais do mesmo estilo, então apenas se não quiser, não assista, simples assim, pois o dinheiro das produções geralmente não chegam até os personagens reais, e os textos geralmente são retirados dos depoimentos policiais, jornais e afins dos casos. Dito isso, dá para analisar de duas formas o longa da Netflix, "Elise: Sombras de uma Mulher", a primeira seria como foi uma besteira imensa o crime que a mulher fez, pois depois de ver tudo como era a vida da personagem, e tudo o que o marido fazia, hoje ela estaria apenas divorciada, rica e com a filha, bem diferente de ser presa e não ter ganho um troco que fosse, mas não vamos entrar em análise do material, e sim o que tenho de falar é sobre o filme em si como uma obra de ficção cinematográfica adaptada ao caso, e nesse sentido tenho que dizer que o longa funciona, tem uma boa pegada, tem presença e boas atuações, e felizmente não virou uma novelona (pois dava fácil para se tornar uma!), porém tem um furo de roteiro imenso se analisar as cenas iniciais com a babá, e depois as cenas finais também com a babá, dando uma desconexão impossível de não notar no mesmo ato, ou seja, algo que não pensaram ao fazer uma trama quebrada por capítulos como aconteceu. Sendo assim, digo que é um bom filme, mas faltou prestar alguns detalhes para que ele ficasse melhor.

O longa narra a trajetória de Elize Matsunaga, uma mulher de origem humilde que passa por maus bocados até se casar com um rico empresário de São Paulo. Por trás da fachada de família perfeita, porém, a relação dos dois é cheia de conflitos e segredos que os levam ao limite. Com uma crescente de situações de violência, Elize se envolve em um dos crimes mais emblemáticos da história do Brasil. Inspirado em fatos reais, o filme mergulha na complexidade de sua protagonista, explorando as circunstâncias, os dilemas e as escolhas que antecederam o assassinato de Marcos Matsunaga, em 2012.

Diria que a estreia do diretor Felipe Vellasco até foi bem trabalhada na tela, mas muito se deve ao bom roteiro de Raphael Montes, que já virou o escritor dos casos criminais do Brasil, só não sei se a escolha de criar capítulos e quebrar a história foi a melhor opção, pois deu sim um bom tom para representar o famoso problema do ciúmes junto da paranoia, unindo o famoso fator "amante que rouba marido, não pode ter medo de ser roubada por outra!", e assim sendo o que vemos na tela foi um trabalho de boas dinâmicas em cima de algo que muitos apenas viram pelos noticiários, e pouco conheceu da mulher que viveu com um ricaço que curtia a vida dos bordéis de luxo. Claro que o roteiro tem uma pegada bem mais em cima de dar uma certa humanidade para a mulher, colocar conflitos no relacionamento, e impor que a paranoia foi o principal motivo dela matar e depois picar o marido, mas talvez pudessem ter trabalhado um pouco mais o suspense para que a trama fosse mais além, mas isso exigiria também um diretor com mais experiência, então a forma escolhida de capitular foi talvez a maior falha técnica de sua estreia.

Quanto das atuações, posso dizer fácil que moça bonita é essa Lorena Comparato e com um bom talento expressivo para dominar o estilo de Elize, sendo intensa nos momentos necessários, cheias de faces e dinâmicas, e que soube ser sutil aonde precisava ser, mantendo a pose, fazendo os trejeitos certos, e dando nuances até melhores quem sabe que a verdadeira, que pelo que é mostrado no filme foi uma tremenda atriz depois que matou o marido para tentar enganar a família e a polícia. É bem raro vermos atores com perfis orientais nas telas brasileiras, e achei muito interessante a personificação que Henrique Kimura deu para o seu Marcos, fazendo dele alguém expressivo, cheio de facetas e até mais pomposo que o original, dando algumas boas nuances e intensidades para o papel. O longa se concentra bem mais nos dois protagonistas, mas ainda assim tivemos bons atos com Denise Weinberg como a tia da protagonista, tendo alguns momentos marcantes bem colocados.

Visualmente a trama encontrou boas locações para representar o apartamento luxuoso do casal, tiveram bons atos na boate, momentos interessantes de caça em um estilo de safári, um casamento riquíssimo, mas principalmente a equipe cenográfica trabalhou bem os momentos dos famosos cortes com próteses marcantes e claro uma sonoplastia forte e impactante, ou seja, souberam usar o que tinham para criar a densidade necessária.

Enfim, não é um filmão perfeito de real crime como muitos estão acostumados com o estilo, mas ainda assim funciona bem na tela e entrega a proposta escolhida, que principalmente por ser rápido com apenas 90 minutos agrada, só talvez algumas correções de não capitular, e claro, prestar atenção nos furos do roteiro com as cenas, mas isso talvez nem todos peguem. Então vale a conferida para ver aonde uma paranoia pode levar, e principalmente um meio de acabar o relacionamento de forma incomum. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Futuro Futuro

7/21/2026 11:38:00 PM |

Infelizmente hoje meu texto vai ser bem resumido, pois realmente fiquei bem triste com o que vi em "Futuro Futuro", longa que estreia na próxima quinta 23/07 em cinemas selecionados pelo país, pois quando vi a sinopse fiquei bem interessado na proposta, e quando chegou o convite da cabine então já estava com expectativa de um filme futurista nacional que seria algo para mudar completamente os conceitos, porém não imaginava que se tratava de um longa abstrato, que no meu julgamento é a pior forma que se pode fazer qualquer coisa. Sim, eu considero a existência da arte abstrata, sei de muitos que são completamente apaixonados por artistas que fazem o estilo, mas não consigo gostar, acaba me dando sono, fico pensando em possíveis metáforas e analogias possíveis para entender as situações, mas não rola, então quem gosta até terá um prato cheio, pois o longa é bem ousado em alguns sentidos, como por exemplo mostrar que no futuro não vamos ter carros voadores e as mil maravilhas que vemos em muitos outros filmes, mas sim uma separação social ainda maior, e isso é bem mais provável, mas a trama em si não me convenceu do que pretendia mostrar, e assim sendo não tenho como recomendar.

A sinopse nos conta que em um futuro próximo, onde os avanços em inteligência artificial coexistem com o surgimento de uma nova síndrome neurológica, um homem sem memória de 40 anos chamado K é acolhido por um clickworker solitário de 60 anos na parte empobrecida de uma chuvosa cidade brasileira. Após usar um viciante dispositivo IA em um curso para pessoas com a estranha síndrome, K embarca em uma jornada trágica e absurda para tentar encontrar o seu lugar no mundo.

Não vou dizer que o diretor e roteirista Davi Pretto errou na abordagem de seu filme, pois é um estilo a ser escolhido, e o abstrato faz parte do agrupamento de estilos, porém é uma representação que por muitas vezes se necessita de um manual, ou de uma explicação maior para que você compreenda e reflita sobre tudo o que está sendo mostrado em um quadro, ou no caso em um filme, e isso foge do ambiente cinematográfico, pois sou completamente contra precisar explicar para alguém o que está sendo visto na tela, e é assim desde os primórdios do cinema, então dava para ousar sem precisar sair do básico. Claro que muitos vão ir em uma direção completamente diferente das escolhas que costumo apresentar aqui, e vão enxergar o filme como uma obra de arte pura, aonde interpretarão cada momento do personagem com um viés completamente diferente e tudo mais, mas volto a frisar que são escolhas, e aqui o abstrato não tem vez.

Quanto das atuações, achei bem interessante o estilo meio atordoado de Zé Maria Pescador com seu K, aparentando não saber quem é, ou o que está fazendo da vida e cheio de nuances e perspectivas conseguiu passar bem a essência da trama de algo meio sem respostas, e assim posso dizer que ele ao menos acertou em cheio, mas cansa ficar vendo suas andanças lentas, e isso foi um risco bem grande de entregar.

Visualmente posso dizer que gostei muito do que vi, pois ao fazer uma trama futurista muitos já colocariam carros elétricos senão alguns voadores, prédios requintados cheios de tecnologia e tudo mais, e aqui filmaram praticamente como se nada tivesse sido mudado, tendo apenas um dispositivo meio diferenciado, e na cena com os policiais tendo alguns LEDs para dar enfeite, então foram bem críticos ao sistema desigual, e brincou com tons vermelhos para representar o fim do mundo.

Enfim, volto a frisar que o longa poderá ser incrível para quem gosta do estilo abstrato, mas ao meu ver dava para brincar mais com as situações e criar um longa realmente bem feito com a proposta para impactar mais, e sendo assim recomendo ele apenas se você for realmente um amante do estilo, senão passe longe. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Cajuína Filmes, da Vulcana Cinema e da Sinny Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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HBOMax - Nada Entre Nós (Nada Entre Los Dos) (Nothing Between Us)

7/20/2026 12:36:00 AM |

Costumo dizer que as comédias dramático-românticas argentinas/uruguaias costumam ser tão cheias de dinâmicas que impactam bem mais na essência do que na história em si, mas quando resolvem não se deixar levar pelo estilo novelesco acabam ficando bem interessantes de ver na tela. E hoje depois de uma caça bem grande entre os streamings resolvi ver o longa "Nada Entre Nós", que mesmo sendo um lançamento, pode ser encontrado bem escondido dentro da HBOMax (aliás achar os lançamentos por lá é quase uma briga, só recebendo mesmo a programação nos e-mails para caçar na busca) e traz com uma pegada diferenciada o relacionamento de dois executivos numa convenção de resolução de problemas de uma companhia. Ou seja, é daqueles filmes que você nem sempre consegue se enxergar ali, mas que interpreta bem pela pegada dos personagens, sendo algo sutil, mas que funciona na tela, não indo para rumos forçados, mas também sem causar, o que acaba sendo inteligente pela proposta em si.

O longa conta a história de Guillermo, um trabalhador executivo que vive na Cidade do México, e Mercedes "Mechi", uma empresária de Buenos Aires. Por mais que eles tenham famílias aparentemente estáveis, os dois trabalham para a mesma multinacional e se encontram em um evento corporativo. Logo de cara, Guillermo e Mechi se sentem atraídos um pelo outro e esse sentimento avassalador os leva a questionar as escolhas que fizeram ao longo da vida. No meio disso, a empresa passa por uma grande crise e eles precisarão encontrar o limite entre desejo e profissionalismo mostrando como um encontro inesperado pode transformar o destino de duas pessoas.

Diria que o diretor e roteirista Juan Taratuto foi bem na dinâmica escolhida para seu longa, pois ele não quis um romance simples cheio de cenas docinhas que fizessem o espectador apenas suspirar, mas sim trabalhar as dinâmicas de um encontro com uma paixão rápida que ambos sabiam que não dava para ir muito além, mas que vivenciariam os momentos de uma forma gostosa bem encaixada. Ou seja, é daqueles filmes que você vê o texto mais realista como um amor de momento do que algo fantasioso que pode se esperar ruir um casamento ou uma desenvoltura própria que alguns diretores gostam de colocar, e que usando de poucos ambientes e dinâmicas, aqui a essência foi mostrar que pessoas bem diferentes conseguem se envolver através dos erros, e isso foi bem bacana de conferir.

Quanto das atuações, gosto do estilo calmo que Gael Garcia Bernal entrega em seus longas, e aqui seu Guillermo mostra algo tão costumeiro das novas gerações, que é o excesso de trabalho, de pensar em tudo que o zumbido nos ouvidos acaba sendo um reflexo da exaustão, e que muitas vezes a maioria dos médicos diz que não é nada, e o ator foi sutil, emocional e até bem galanteador nas suas entregas com o personagem, de modo que sem se jogar tanto conseguiu chamar a atenção. Do outro lado Natalia Oreiro foi mais explosiva com sua Mechi, tendo um estilo com mais nuances abertas na tela, passando até mais sentimentos com sua forma de expressar na tela, e isso foi bacana de ver pelas escolhas do diretor em trabalhar um pouco mais as dinâmicas de sua família, ou seja, o filme quase foi mais dela do que do outro protagonista. Quanto aos demais, foram meros figurantes com falas, não tendo quase nada que valesse destacar.

Visualmente o longa teve mais cenas dentro do hotel, com algumas dinâmicas nos quartos dos protagonistas, no restaurante de café e alguns momentos em lugares paradisíacos como uma praia e uma cachoeira próximo do local, não tendo grandes feitos no conceito artístico, usando mais a referência em cima de uma camiseta ganhada da empresa aérea que perdeu a mala da protagonista, e também alguns atos em um centro de compras clandestino sem grandes facetas também.

Enfim, é um bom filme, simples e efetivo na proposta, que talvez pudesse ter ido mais além, mas que entreteve bem, e que mesmo não sendo meu estilo favorito de filmes conseguiu me manter assistindo, então vale a recomendação para quem curte. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - 23.000 Vidas (23 000 Leben) (23 000 Lives)

7/17/2026 11:33:00 PM |

Muitas vezes vemos nos jornais e até mesmo em filmes o complexo caso dos refugiados que fogem de seus países em guerra através de botes para tentar chegar na Europa, e muitas vezes acabam morrendo no meio do oceano sem comida ou qualquer condição decente de sobrevivência, e vem sempre dois questionamentos na mente entre muitos outros, primeiro o que leva a pessoa a entrar numa empreitada maluca dessa, e segundo como agir diante de uma situação dessa, pois os países europeus já estão ficando lotados, alguns grupos são favoráveis, outros já tratam como algo mais conflitivo de culturas, mas ainda assim fica a principal dúvida como você poderia ajudar, o que faria, e por aí vai. Usando dessa base e juntando com a história real que aconteceu entre 2016 e 2024, o longa alemão da Netflix, "23.000 Vidas", acaba sendo tão denso e realista de entregas, que lá pela metade cheguei a pensar que estava vendo algo documental ao invés de uma ficção baseada na realidade, e essa entrega dos atores foi tão bem alocada na tela que mostrou sentimento de presença e uma boa conexão dos jovens com a ideia do longa, ou seja, é um filme que talvez ficcionalmente não funcione tanto, mas que pela entrega das dinâmicas acabou funcionando até mais do que parece, sendo interessante a conferida.

A trama conta a trajetória de um grupo de jovens que decidiu agir diante da crise humanitária de refugiados. Determinados a fazer a diferença, eles transformaram a indignação em ação concreta. Sob o nome de “Juventude ao Resgate” (Jugend rettet), os jovens arrecadaram dinheiro e compraram um navio antigo. Com a embarcação, eles partiram para o Mediterrâneo e conseguiram salvar a vida de 23 mil pessoas. O título do filme, portanto, é uma homenagem a cada uma dessas vidas resgatadas pela coragem e pela solidariedade.

Diria que faltou para o diretor Markus Goller coragem de abrir mais o leque da biografia para um vértice mais ficcional, pois dava para valorizar tanto algumas cenas, criar mais dinâmicas, e até mesmo fluir um pouco para dentro do julgamento, fazendo com que o filme fosse quebrado com os depoimentos mostrando os resgates, que acabaria dando bem mais vida e personalidade na tela, além de não desgastar tanto os atores com excessivos diálogos, mas ainda assim ele soube transpor bem para a tela a história dos rapazes e suas desenvolturas, ficando realista até demais ao ponto de me confundir achando que estava vendo um documentário e não uma história baseada. Ou seja, temos a famosa frase que errando ele acabou acertando, pois em termos funcionais houve o acerto, mas dava com pouquíssimos ajustes para ser daqueles filmes que lavaríamos a sala assistindo.

Quanto das atuações deram uma boa surra no protagonista, pois Louis Hoffmann começou a trama arrumadinho, com uma personalidade jovem, cheio de vontade para que seu Lukas salvasse o mundo salvando os refugiados da morte no oceano, mas sabemos o quanto é desgastante ver as pessoas morrerem, sofrerem, e principalmente estar no meio do mar por longos períodos, de modo que a equipe de maquiagem conseguiu mudar até as feições do rapaz com cabelo e tudo mais, ou seja, ele literalmente se jogou no papel, provavelmente viveu algum período com o verdadeiro Lukas, e assim conseguiu chamar a responsabilidade quase que inteira do longa para si, indo muito bem no que fez. o longa teve ainda muitos outros bons atores, cada um dando sua vivência na tela, com destaque para Frederick Lau com seu Sören bem impactante, a capitã do navio vivida por Maria Dragus, entre outros.

Visualmente a equipe foi muito esperta, pois teve apenas uma cena com o mar completamente revoltado, aonde provavelmente filmaram em estúdio, e as demais cenas de resgate foram de dia, com mar calmo, tendo os botes lotados de figurantes, mas fazendo todo o processo certinho, e tudo mais, além disso tivemos algumas cenas de reuniões e dinâmicas no escritório que fizeram, além da casa do protagonista, tudo com bons detalhes para representar os ambientes, mas sem irem muito a fundo nas épocas, o que por ser algo atual também não precisou de muita coisa. Ou seja, a equipe foi simples na entrega, mas efetiva com o que desejavam passar.

Enfim, é um filme que volto a frisar que faltou detalhes para ficar mais chamativo, e principalmente conseguir emocionar o público com a história, sendo o fechamento tão corrido e narrado na versão do julgamento que nem merecia quase ser mostrado, mas que funciona para refletirmos como alguns possuem tanta coragem de se jogar no mar para fugir de um país, como outros possuem tanta força de vontade para ir atrás de salvar pessoas, e outros apenas julgam, então fica a dica para ver e pensar. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Odisseia (The Odyssey)

7/17/2026 02:31:00 AM |

Confesso que estava com muito medo do que veria no novo longa "A Odisseia", pois não era o estilo de filme que o diretor Christopher Nolan costuma fazer, baseado em um livro gigantesco, que nas mãos de um diretor que já tem o costume de fazer filmes extensos poderia virar algo com horas a fio ou uma correria generalizada para entregar tudo, fora que ao começarem a pipocar as principais críticas das sessões de imprensa estava tudo muito fora de consenso com alguns apaixonados pelo que viram e outros botando mil defeitos. E como costumo dizer, ir com expectativas baixas ajuda demais, pois como estava com todos esses temores, acabei largando o meu queixo lá na sala Imax do cinema, afinal a grandiosidade da obra em si, junto de um elenco de grandiosas estrelas do cinema, com um som que fazia todas as poltronas tremerem quase como uma 4DX, tendo uma história realmente sendo contada, sem ser daqueles filmes que tentam passar morais ou reflexões ou todo esse modus operandi chato a beça que virou moda, resultou em algo que saí apaixonado e até com vontade de já rever o longa (coisa raríssima), ao ponto que não tivemos momentos resumidos jogados na tela, não tivemos cenas para enfeitar o doce, sendo algo tão redondo na tela, que mesmo sendo extremamente recortado, com idas e vindas da história, funcionou perfeitamente. Ou seja, é daquelas obras memoráveis do cinema, aonde você se impacta com tudo, e que de forma alguma deve ser visto apenas em casa, tendo de ir na maior sala possível de sua cidade, seja ela nas melhores tecnologias de imagem e som, pois vai compensar e vai ser diferente demais.

O longa é um poema épico atribuído a Homero que acompanha as aventuras do herói grego Odisseu em sua volta para casa após a Guerra de Troia. O guerreiro enfrenta criaturas míticas e deuses em sua jornada épica de retorno onde sua esposa Penélope o aguarda. O rei de Ítaca descreve sua trajetória esbarrando com seres como o Ciclope Polifemo, as sereias e a feiticeira/deusa Circe.

Nem precisaria falar nada do diretor e roteirista Christopher Nolan, pois seus filmes são obras visuais tão marcantes que a sua assinatura já faz o longa ir parar entre os preferidos de muitas pessoas, e aqui posso afirmar que ele conseguiu um feitio raríssimo de um livro gigantesco ser colocado na telona com tantos personagens e não deixar praticamente ninguém nem nenhuma parte ficar desaparecido ou ofuscado, fora que sofreu as mais duras críticas pela escalação de alguns atores que muitos acreditavam ser apenas para lacrar, cobrir cotas e tudo mais, mas que funcionaram bem na tela, não atrapalharam em nada o desenvolvimento da trama, e principalmente deram um tom diferenciado para o filme, ou seja, poderia ser até um animatrônico no lugar que não faria diferença desde que funcionasse para a proposta, e assim o diretor o fez. Além disso, sabendo da grandiosidade da obra, o diretor usou das principais tecnologias do mercado, filmando tudo em amplos ambientes, usando a computação somente aonde deveria realmente ter, e com isso brincou com os ângulos de câmera (praticamente matando o diretor de fotografia para carregar o trambolho gigante que é uma câmera Imax 70), mas conseguiu dar perspectivas e entregas tão perfeitas para cada ato, que você não se cansa de ver um filme de quase 3 horas, que parece ainda maior pela quantidade de história mostrada na tela, ou seja, é a perfeição em forma de filme.

Falar das atuações é algo que poderia ficar longo demais pela grande quantidade de excelentes atores, então apenas digo de cara que todos funcionaram muito bem em cena, não parecendo estarem com medo de seus personagens, dominando o ambiente e sendo responsáveis pelas cenas que tinham que botar suas interpretações. E seguindo dessa lógica, muitos tem falado que Matt Damon entregou um Odisseu morno demais, e diria que para o que o filme pedia ele caiu muito bem nesse sentido, pois é alguém desgastado com tudo o que aconteceu, sobrevivente de seres míticos e tudo mais, e principalmente lutando ainda bem, ou seja, ele fez o que o papel determinava e conseguiu segurar os olhares para seus momentos, então acertou. Na outra ponta tivemos Tom Holland com seu Telémaco cheio de trejeitos, porém ingênuo demais até para um jovem futuro rei, e aí embora tenha gostado do estilo que ele entregou, talvez alguém com uma presença mais forte daria um tom melhor na tela, mas volto a frisar que dentro da ideia toda do diretor acabou funcionando. Já Robert Pattinson soube entrar tão bem na personalidade de Antínoo que acabamos ficando com raiva de seus atos, e até torcendo para ver ele levar um belo safanão do protagonista, ou seja, ele conseguiu trazer força para o papel e se marcar na trama. Ainda tivemos muitos outros bons atores, com Anne Hathaway sendo perfeita com sua Penélope, Himesh Patel entregando um Euríloco imponente e cheio de expressões, Charlize Theron sendo bem dupla com sua Calypso, Samantha Morton bem colocada nas entregas de sua Circe, John Leguizamo cheio de dinâmicas marcantes com seu Eumeu, e até mesmo Zendaya trabalhando sua Atena quase como um reflexo da mente perturbada do protagonista funcionou bem, ou seja, todos foram perfeitos.

Visualmente o longa ficou incrível, sendo daqueles que quase dá para emoldurar frame a frame em um quadro e ficar apreciando, contando com cenas de batalhas épicas, monstros gigantes, palácios, templos, animais, muitas cenas em mares revoltos, figurinos e armas imponentes e chamativas, e sabendo ainda que o estilo do diretor é filmar o máximo que puder em locações, toda a ambientação toma proporções fora dos padrões, pois é quase como se víssemos realmente tudo acontecendo de forma real o que lemos no livro há anos, com brilhos, texturas, locações e tudo mais, sendo daqueles filmes que entram para brigar nas premiações com muita imposição e certeza do que apresentou para o público, não ficando detalhes falsos ou jogados, e principalmente chamando o público para embarcar na jornada grandiosa do começo ao fim, que na Imax ainda ficou mais amplo visto que tudo foi filmado no formato.

Um ponto que costumo falar menos é sobre a sonoridade, mas aqui o trabalho foi tão bem feito que faz parte total do que vemos na tela, quase como um quarto elemento visual, que nos leva a estar junto em todas as cenas, com os barcos se batendo, a chuva, os raios, as marchas, as lutas de espadas e tudo mais com um realismo impressionante que com a sala, as poltronas e tudo mais tremendo com os impactos, ou seja, um trabalho minucioso da equipe para passar esse ar mais sensorial para o público.

Enfim, sei que revendo o longa ou até parando um pouco mais para pensar em detalhes devo achar defeitos para poder reclamar, mas como gosto de passar para vocês exatamente o que senti ao sair da sessão, posso ir no cinema amanhã buscar meu queixo que ele ficou lá caído com tudo o que vi na tela, e assim sendo só vejo a perfeição para dar a maior nota para o longa, e recomendar encarecidamente que todos vejam nas maiores salas do cinema, com o som no máximo para ter o mesmo resultado, e que venham as indicações e prêmios, pois vai ser muito boa as brigas técnicas desse ano. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, agora dos streamings, já que essa semana o Nolan e as animações que já vinham com sucesso roubaram todas as salas para eles, então abraços e até logo mais.

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Os Emergentes

7/14/2026 12:28:00 AM |

Confesso que hesitei bastante antes de ir conferir o longa "Os Emergentes", mesmo antes de saber a história ou se era algo que me faria rir, apenas pelo nome do diretor Hsu Chien, que faz uma tonelada de filmes por ano, e na maioria das vezes não consegue entregar o básico que é fazer rir em uma comédia, mas resolvi conferir, afinal a proposta parecia interessante, mas bastou alguns minutos para já ver situações exageradas tentando conseguir a risada do público, que para não dizer que não riram, ouvi um leve gargalho em uma das cenas no final, mas não acontece, sendo daqueles que tem uma pegada bagunçada na tela, tem uma dinâmica interessante (felizmente não é uma novelona), mas que amanhã já certamente não lembrarei de nada dele, ou melhor, se ver algo dele virando alguma esquete humorística na TV talvez possa dizer que lembro de algo, pois facilmente virariam personagens quebrados na telinha, porém como filme não engrenou.

O longa nos mostra que uma família tradicional da alta sociedade que vê sua vida virar de cabeça para baixo após perder toda a fortuna. Acostumados ao conforto, ao status e aos privilégios de uma posição privilegiada, eles precisam se adaptar a uma realidade inesperada: agora, trabalham para antigos funcionários que enriqueceram, ascenderam socialmente e passaram a ocupar o lugar de prestígio antes pertencente aos ex-patrões. Com a inversão de papéis como ponto de partida, a história mistura humor, ironia e crítica social ao explorar o choque entre diferentes estilos de vida. Entre situações inusitadas, conflitos e aprendizados, a narrativa aposta em encontros improváveis e transformações inesperadas.

Claro que já vi alguns filmes do diretor que funcionaram, mas o estilo de Hsu Chien Hsin é daqueles que você já se prepara sabendo o que vai ver, que são filmes que forçam todas as situações para tentar ser engraçado, e ele raramente consegue isso, pois são situações cotidianas bobas ou então algo que não se aceita dentro de algo normal. Ou seja, ele criou algo que é o seu estilo, e não sou contra isso, afinal todo diretor deve ter um estilo próprio, porém falta pegada, falta fazer rir, e principalmente falta dinâmicas para que não soe algo bobo jogado na tela, e o mais engraçado de tudo, e que nesse longa até dava para funcionar isso, bastava não apelar para algumas quebras como o lance da jogatina, pois ali ao sair da base dos quatro protagonistas, o filme se perdeu, e aí não teve volta.

Quanto das atuações diria que Nelson Freitas foi quem mais conseguiu segurar o personagem na tela, pois não forçou como costumeiramente faz, de modo que seu Henrique foi simples de exageros, mas condizente com a pegada proposta, que claro poderia ter algumas quebras melhores para divertir, porém se segurou. Já Jennifer Setti trabalhou sua Letícia com uma pegada que até chega a ser engraçada, da madame que nunca fez nada e precisou se virar mesmo com ojeriza das situações, e assim sendo com um pouco mais de texto acabaria divertindo bastante o público. Paulinho Serra sabe fazer piadas e tem um jeitão cômico, mas força demais, e isso acaba incomodando, de modo que seu Inacio tinha que ter mais trejeitos e menos bobeiras na tela, que aí sim funcionaria bastante. E por fim Alexandra Richter até foi imponente com sua Beatriz, mas apenas funcionou com os exageros sexualizados na tela, pois não teve ato algum que puxasse uma comicidade para si, ou seja, o diretor esqueceu dela, mesmo sendo a protagonista. Quanto aos demais prefiro nem comentar, pois foram totalmente desnecessários e até irritantes.

No conceito visual diria que foram bem econômicos, tendo uma mansão que só mostrou um quarto, uma dependência de empregados, uma cozinha e a sala, sendo tudo exageradamente "mal" decorado com a famosa decoração emergente sem base alguma, e alguns atos nas ruas vendendo marmitas, tendo dinâmicas rápidas bem colocadas para não precisar ambientar muito os demais atos, tendo também uma mesa de pôquer na casa do mafioso, mas era melhor nem entrar em detalhes, afinal foi algo extremamente desnecessário.

Enfim, é daqueles filmes que você assiste para cumprir a meta de conferida apenas, pois volto a frisar que esquecerei dele tão rapidamente quanto a sua duração, e que volto a dizer que com poucos ajustes daria uma boa comédia na telona, mas seriam ajustes que infelizmente não sairiam no estilo do diretor, então não teriam como acontecer. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, triste por não ter dado umas boas risadas hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Sem Nada a Perder (Jusqu'au bout) (Nothing to Lose)

7/13/2026 12:26:00 AM |

Já vimos muitos filmes aonde os protagonistas fazem o máximo que podem para salvar algum ente querido, em busca da cura da doença e todo o processo insano que alguns conflitos ou leis geram entraves, e o bacana é que sempre usamos o adjetivo mães-coruja, mas nos longas deveríamos usar mães leoas, pois mexe com sua cria para ver do que são capazes. E usando essa base, hoje resolvi dar play no lançamento  francês da Netflix, "Sem Nada a Perder", por ser curto e por aparentar uma entrega interessante, mas acabou sendo até mais interessante do que pensava, pois brincou com as facetas da lei, que é mundial e protege crianças adotadas ou geradas por doações de óvulos/esperma, mas e quando se precisa de uma medula ou alguma doação capaz de salvar outra criança, como a lei deveria se exercer, ou será sempre necessário atitudes extremas, como é o caso do longa? Ou seja, é um filme fictício, mas que brinca com a essência bem colocada nos termos, e que poderia até ser mais intenso para impactar mais, mas quiseram dar todo um charme nas dinâmicas, para que o efetivo do hospital tivesse um carisma maior mostrado, e assim até tivemos alguns erros de "ajustes" falsos de se acredita, porém ainda serve como um bom passatempo reflexivo sobre o tema.

O longa acompanha Jada, uma mulher que sempre sonhou em ser mãe. Por meio da doação de embriões, ela finalmente consegue realizar esse desejo e construir a família que tanto imaginava, mesmo sozinha. Mas, quando menos esperava, a sua felicidade é interrompida quando o filho recebe o diagnóstico de leucemia. Diante de uma situação cada vez mais delicada, Jada descobre que a melhor chance de salvar a vida da criança é um transplante de medula óssea. Logo ela embarca em uma trajetória marcada por desafios e decisões difíceis, fazendo tudo o que estiver ao seu alcance para garantir a sobrevivência do filho.

Diria que a diretora, roteirista e protagonista do filme Nawell Madani soube usar o que tinha para criar algo tenso dentro da trama, pois ela não quis fazer um filme amplo de situações, mas sim algo mais fechado e cheio das nuances do famoso se sentir responsável por alguém, e com essa estrutura mais simples, porém mais densa, ela trabalhou bem seu filme, fazendo ângulos mais fechados, e até brincando com uma essência que já vimos em outros filmes de pais lutando pela saúde dos filhos. Ou seja, é o famoso filme que talvez em mãos mais experientes conseguiria se expandir e chamar mais atenção, mas que funcionalmente o resultado aqui mostra que ela tinha potencial para ir além, apenas sentiu-se mais segura em não criar muitas explosões cênicas na tela.

Agora falando da diretora como atriz, diria que Nawell Madani segurou bem a responsabilidade da trama em cima de sua Jada, de modo que a personagem se desenvolve bem e entrega dinâmicas convincentes em seus atos, sendo daquelas que você acaba torcendo, mesmo tendo atitudes extremas, e assim conseguiu criar carisma e desenvoltura na medida certa para agradar. Acredito que com poucas cenas a mais, poderiam ter desenvolvido melhor o papel de Guillaume Gouix com seu Paul, pois ficou meio que jogado a separação deles, e quando volta já fica participando em tempo quase que integral no hospital, ou seja, abandonou a carreira, tinha problemas, ou o que, e assim o ator não fluiu tanto quanto poderia também. O garotinho vivido por Paul Fouré foi muito bem nas cenas de seu Noa, conseguindo ser cativante e também assustar o público com suas convulsões e atos mais densos, de modo que poderiam até ter trabalhado um pouco mais ele para algumas dinâmicas maiores, mas ainda assim foi muito bem com o que fez. Quanto aos demais, vale leves destaques para a enfermeira Fanta vivida por Aïssatou Diallo Sagna, e também o médico vivido por Nicolas Briançon, mas sem muito o que expandir na tela. 

Visualmente a trama começou com várias dinâmicas do protagonista correndo para sair do serviço, a protagonista treinando crianças e suas noites tentando fazer um filho e falhando com os famosos testes, e depois de aparecer o nome do filme ficamos somente dentro do hospital, na ala das crianças com câncer, ou seja, o filme teve dinâmicas bem colocadas mostrando o ambiente humano que tentam reproduzir ali aonde a tristeza geralmente bate, e mais próximo ao final entrou em cena toda uma lotação de policiais de todos os estilos, em algo que saiu um pouco do controle e do estilo que o filme vinha desenvolvendo, mas funcionou para a proposta ao menos, o que é interessante de ver.

Enfim, é um filme simples, com um tema abrangente e cheio de possibilidades para discussão, que até dava para ter sido mais chamativo, mas que consegue envolver e emocionar de certo modo, e assim vale falar que funcionou no que se propôs. Então fica a dica para a conferida, e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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