Aproveitando que assinei a Disney+ para ver um filme que queria (e que tá na promoção também!) vi que dentro agora tem o Hulu, então resolvi dar o play em um filme que tinha recebido conteúdo para postar, mas como não tinha o stream acabei não vendo. E o play da vez foi "Em Um Piscar de Olhos" que entrega uma trama interessante para se filosofar sobre o tempo, sobre a convivência entre gerações, o que aprendemos uns com os outros, e como a síntese da vida é maluca, pois algo que ocorreu lá na época dos neandertais pode estar acontecendo por agora e a mesma coisa acontecer sabe-se lá daqui muitos anos em viagens interplanetárias. Ou seja, muita gente não curte filmes quebrados em épocas, com tudo acontecendo ao mesmo tempo, mas a ideia aqui funcionou tão bem, sem precisar de grandes explosões ou dinâmicas, apenas dando mesmo as nuances da presença, do conhecimento que a convivência passa, e como isso se reflete também no que sentimos, afinal muitas vezes algo que você não sabe pode aprender vendo o outro fazer, e essa conexão vai levando o mundo quem sabe para outros rumos. Claro não é um filme perfeito, afinal tem muito que adentrar a experiência e compreender o envolvimento todo, mas aparentemente conseguiu me tocar hoje, e assim valer a indicação.
A sinopse nos conta que em um passado remeto, uma família neandertal, longe de seu lar, luta para sobreviver, protegendo seus filhos e aprendendo a usar ferramentas primitivas em um mundo implacável. No presente, Claire, uma ambiciosa estudante de pós-graduação em antropologia que pesquisa vestígios de ancestrais humanos, começa a se envolver com seu colega de estudos Greg. E dois séculos depois, a bordo de uma nave espacial rumo a um planeta distante, Coakley e um computador inteligente enfrentam uma doença misteriosa que ameaça as plantas responsáveis pela produção de oxigênio da nave.
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A sinopse nos conta que em um passado remeto, uma família neandertal, longe de seu lar, luta para sobreviver, protegendo seus filhos e aprendendo a usar ferramentas primitivas em um mundo implacável. No presente, Claire, uma ambiciosa estudante de pós-graduação em antropologia que pesquisa vestígios de ancestrais humanos, começa a se envolver com seu colega de estudos Greg. E dois séculos depois, a bordo de uma nave espacial rumo a um planeta distante, Coakley e um computador inteligente enfrentam uma doença misteriosa que ameaça as plantas responsáveis pela produção de oxigênio da nave.
Se alguém duvidava da capacidade do ganhador de 2 Oscars por animações incríveis ("Wall-e" e "Procurando Nemo") depois de fazer dois filmes que não explodiram tanto ("John Carter" e "Procurando Dori"), o diretor Andrew Stanton veio mostrar que não estava para brincadeira, pois ao pegar um roteiro difícil de se trabalhar como o de Colby Day aonde três épocas completamente diferentes seriam trabalhadas não por um dia ou algumas horas, mas sim anos se passando também dentro delas, ele escolheu se desafiar e mostrar que sabe brincar bem com o sentimento de compartilhar entre gerações, algo que muitas vezes se enxerga como algo duro e complexo, mas que sempre existiu, e a sacada dele foi trabalhar o envolvimento, o como alguns conseguem passar memória e sentido, e usando de momentos-chaves bem colocados, conseguiu comover com uma edição tão bem trabalhada que fez o pensar/refletir ficar gostoso. Ou seja, o diretor não quis deixar muita coisa para o público analisar e criar em sua mente, mas ao mesmo tempo deixou seu filme leve para que as reflexões fluíssem facilmente e tudo ficasse bem bonito na tela, o que acabou funcionando demais.
Quanto das atuações, vou começar de frente pra trás, ou melhor do futuro para o passado, pois sinceramente os diálogos e a interação de Kate McKinnon com o computador de bordo de sua nave é algo para pensarmos muito em tudo, de modo que sua Coakley teve desenvoltura, teve emoção e foi tão cheia de facetas expressivas nos diversos momentos, seja interagindo com a máquina, ou cuidando de tudo na nave e até mesmo depois com os bebês e adultos do novo planeta colonizado, sendo algo chamativo e presente que funcionou demais. O tom de voz de Rhona Rees também fazendo o computador da nave ROSCO foi tão chamativo, leve e presente, que você realmente pensa estar falando com uma pessoa, e isso certamente foi analisado na direção vocal dela. Quanto a personagem V, foi bacana ver quatro atrizes com praticamente a mesma expressão, de modo que Yeji Kim, Aria Kim, Diana Tsoy e Andrea Bang fizeram muito bem seus atos. Vindo para o presente, meio que tive um pouco de ansiedade com o tanto de problemas e dúvidas que colocaram na personalidade de Claire, de modo que Rashida Jones conseguiu durante os vários anos e atos que passa se expressar muito com a doença da mãe, a análise do fóssil e principalmente com o envolvimento do namorado/marido, de modo que passou uma segurança bem própria e funcionou muito bem, como certamente o diretor desejava ver. Já Daveed Diggs até entregou algumas boas performances com seu Greg, tendo um carisma e uma química meio estranha de entrega com a protagonista, mas ainda assim soube segurar bem a expressividade e deu um bom tom nos momentos certos. Indo para o tempo dos neandertais, diria que a maior sacada foi o diretor colocar eles para falarem em sabe-se lá que língua e não em inglês, mas transmitiram perfeitamente com sons seus sentimentos, sendo algo comovente e envolvente por parte de Jorge Vargas, Tanaya Beatty e Skywalker Hughes, conseguindo passar a mensagem e agradar demais na tela.
Visualmente a equipe de arte teve um bom trabalho para fazer tudo, de modo que certamente essa seria uma obra para ser lançada nos cinemas e conseguir um retorno interessante para se pagar, mas ainda assim trabalharam bem a época do passado com muitas cenas na beira de praias e montanhas, tendo inicialmente toda a dinâmica em cavernas, mas depois com tribos em barracas e produções mais acentuadas de elementos cênicos, o presente tivemos uma faculdade com suas pesquisas, aulas e também um hospital e os quartos da protagonista, além de uma casa depois simbólica, um museu e até uma apresentação incrível de projetos com DNA, e indo para o futuro tivemos muita computação para mostrar o lado de fora da nave, mas dentro foram bem representativos com plantas em estufas, um pequeno quarto computacional e uma mesa tecnológica, além de uma câmara com útero computacional para gerar os bebês, depois no outro planeta algo com muitas árvores e plantas que foram jogados pelos drones, ou seja, um pacote completo de detalhes muito bem mostrados e feitos pela equipe de arte.
Enfim, é um filme bem bonito, bem envolvente e cheio de nuances interessantes de acompanhar, aonde os detalhes fazem toda a diferença, e que numa montagem cheia de dinâmicas entre os tempos conseguiu conectar tudo e dar ritmo para que o filme mesmo que reflexivo não ficasse cansativo, e assim sendo vale demais o play, então fica a dica para todos. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


































