Netflix - I Am Mother

6/23/2019 11:35:00 PM |

Alguns filmes costumam trabalhar bem a temática da criação, e simbolizar bem o mote da extinção, de tais maneiras que muito se fala num futuro dominado por máquinas, aonde poucos saberão de onde vem, ou o que existiu, e tudo mais de maneiras duras e coerentes, porém falar dessas ideologias nem sempre sai como poderia, e precisam geralmente de tramas bem consistentes para que o longa domine a ideia e incorpore atitudes maiores do que o valor singelo de uma estrutura narrativa, ou seja, são necessários formatos mais abrangentes para que o longa cause mais e incorpore uma profundidade que não seja apenas jogada, e resulte em um filme daqueles de arrepiar a alma. Digo isso, pois a ideia do filme da Netflix, "I Am Mother" até tenta ter uma profundidade de ideologias, consegue criar a tensão em cima das protagonistas, mas é raso demais no fechamento, de modo que acabamos não entrando na ideia completa formatada, nem acreditando no conceito que procuraram nos entregar. Ou seja, um filme que criou muito, que foi conceituado da melhor maneira possível, sem muitos personagens, e com dinâmicas bem firmes, mas que ao finalizar não teve atitude, e o resultado desaba.

O longa nos conta que criada por um gentil robô a quem chama de "Mãe", uma adolescente é designada para repopular a Terra depois de desastres que quase causaram a extinção completa da humanidade. Mas quando uma mulher desconhecida chega dando notícias alarmantes, o laço afetivo criado entre humano e robô fica ameaçado.

Em sua estreia, o diretor e roteirista Grant Sputore tentou criar algo que fosse cheio de simbolismos em cima do mote da criação, que trabalhasse a tensão na medida para vermos relações sendo quebradas, e principalmente que a dinâmica fosse conflitiva ao inserir algo fora do meio, e assim a trama teria virtudes bem além da casual para refletirmos como é moldada a nossa vida. Porém ele esqueceu que para que esse conflito todo funcionasse, a trama precisaria envolver mais situações, e não apenas criar diálogos e mostrar um ou outro elemento para que o público captasse e desenhasse sozinho tudo, e assim seu filme fica com tantas lacunas abertas que acabamos gostando dele, entrando no clima, e ao final quando ele simplesmente desliga tudo com seu encerramento ficamos pensando: "tá, mas e aí?", pois é a única forma de assimilar tudo, não recaindo para nada, nem aprofundando em nada, de maneira que a superficialidade que tratou todos os temas fossem suficientes para empolgar, o que acaba não acontecendo.

Um dos fatores que poderia ter ajudado na trama talvez fosse ter mais personagens ou atores mais amplos na trama, pois somente dependendo das três jovens, o filme exagerou na dose sentimental, e desejava que elas conseguissem manter tudo sem incorporar algo a mais, e isso acaba não ocorrendo, ficando levemente frouxa as interpretações delas quando tentam ser mais críveis, dessa forma nem chego a culpar elas, mas sim o roteiro e a forma escolhida pela direção para não funcionar bem. Clara Rugaard até tentou entregar momentos expressivos com todas as suas dúvidas, se jogar com a tensão envolvida em cima de sua filha, mas não consegue chamar a atenção, e isso é algo bem ruim de ver. Hilary Swank deixou com sua personagem de mulher algumas dúvidas no ar, mas pela forma desesperadora que entra quase correndo, grita, sangra, ataca e tudo mais, mostrou o tradicional de sua personalidade, mas talvez um desenvolvimento maior da última cena com ela se expressando mais, o resultado mudaria completamente. Luke Halker entregou movimentos para a mãe, com muita sutileza e expressividade corporal para um corpo, o que acaba agradando bastante, mas a voz doce e bem colocada, cheia de transições bem suaves e interessantes ficou a cargo de Rose Byrne, que passa a história bem colocada, mas voltamos para a questão do roteiro sem um fechamento coerente, então, só restou entregar o serviço.

No contexto visual, a equipe de arte criou uma fortaleza bem interessante, cheio de ambientes simples de estrutura, porém recheados de detalhes que poderiam até ser mais usados, além claro de um robô cheio de movimentos e virtudes, e ao sair para fora do ambiente, mostraram bem a forma apocalíptica que desejavam passar por simbolismos, mas não aprofundando nada em momento algum, ou seja, um filme aonde a equipe de arte seguiu uma linha, colocou o cinza como padrão, e mandou ver, não trabalhando em momento algum algo que fosse surpreendente, mas também não desapontando em nenhuma situação.

Enfim, é um filme que certamente poderia ter rumos incríveis se soubessem trabalhar melhor a dinâmica, consertassem o roteiro simples, e saísse do raso entregue para se aprofundar em ideologias e símbolos melhores sobre o criacionismo e tudo mais, que aí talvez pudessem entregar até algo do estilo "Mãe", só que numa versão alienígena/robótica, que com certeza seria incrível de ver. Mas como não temos como mudar um filme pronto, o resultado aqui acaba sendo só recomendado para quem não tiver mais nada para ver, e ainda estiver preparado para algo que vai desapontar no final, pois não digo que o longa seja uma bomba, mas passa bem longe também de ser algo bom de conferir. Bem, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Netflix - Alerta Lobo (Le Chant du Loup) (The Wolf's Call)

6/23/2019 02:56:00 AM |

Bom, o Festival Varilux terminou na última semana por aqui, mas quem pegou o caderno com os filmes que seriam exibidos notou a falta de um longa, que foi exibido somente na Marina do Rio de Janeiro numa sessão gratuita ao ar livre, e eis que felizmente a Netflix comprou os direitos de exibição do longa, e já temos "Alerta Lobo" na plataforma para conferir, e posso dizer que embora seja um filme mais técnico, a trama consegue ser bem envolvente, mas que só quem gosta de longas de combate e guerra acabará gostando por completo de tudo por trabalharem mais uma linguagem mais fechada, conceituar as leis, regras e situações fortes, e que até pode ser conferido pelos demais, que ficarão tensos sob a situação de guerra subaquática, que entenderão tudo o que pode estar acontecendo, mas talvez reclamem demais de muitas ideias. Ou seja, é um tremendo filmaço, que poderia ser mais aprofundado, mas que envolve, causa tensão, e que principalmente consegue mostrar algo que muitos duvidam de existir em determinados submundos, que é a lealdade entre algumas pessoas. Sendo assim, o filme coloca grandes atuações, bons momentos, e até vai fundo na cadeia da Marinha, trabalhando muito algo que comumente pode ocorrer com o mundo nessa bagunça que anda, e que encontra grandes elos para serem mostrados, de modo que mesmo não sendo o melhor exemplo do estilo, agrada bastante, e vale a conferida por completo.

Um jovem que está a bordo de um submarino nuclear da França é reconhecido como "ouvido de ouro". Esse apelido é devido ao seu raro dom de conseguir identificar qualquer tipo de som e, justamente por isso, ele carrega muita responsabilidade sobre suas funções. Certa vez, o jovem acaba cometendo um erro gravíssimo e acaba perdendo a confiança dos demais integrantes do submarino, além de colocar a vida de todos em um risco nuclear.

Em sua estreia na direção, Antonin Baudry, que antes de ser diretor, foi quadrinista sob o pseudônimo de Abel Lanzac, e é diplomata, ou seja, conhecia bem os conceitos de guerra para escrever o roteiro e entregar algo mais crível possível, e é bem isso o que acabamos vendo no longa, algo que embora não seja baseado em nenhuma guerra ou movimento de guerra real, facilmente poderia ocorrer, e que através de códigos e leis, dificilmente alguém conseguiria parar um decreto presidencial de ataque, ou seja, uma trama tensa, cheia de bons momentos (alguns jogados também), que acabam mostrando que para ser eficiente em algo tem de batalhar muito, e por vezes, até infringir alguns momentos, e com isso, o resultado do longa acaba envolvendo bastante, criando situações próprias para mostrar o que o diretor desejava, e conseguindo não fazendo nada de tamanho imenso, mas sendo ousado pelo menos dentro do que se propunha, resultar em um filme convincente e bem interessante. Ou seja, o famoso simples bem feito que funciona, mesmo que para isso os gastos em cenografia tenha sido algo bem caro, e a produção tivesse ficado grandiosa por esse motivo.

Um dos pontos mais fortes da trama ficou a cargo das ótimas interpretações, e quem novamente surge como rei do Festival Varilux é François Civil, que esse ano apareceu em três filmes do Festival, e novamente caiu muito bem no personagem aqui de Chanteraide (ou Meia), colocando trejeitos bem encaixados nos momentos certos, mostrando sinceridade nos atos, e parecendo realmente ter entendido como é o funcionamento de transmitir o que está ouvindo com uma audição fora do comum, talvez tenha sido um pouco desnecessária sua cena junto de Paula Beer como Diane, mas acaba rolando alguns atos funcionais para o desenrolar da trama que acaba servindo razoavelmente, mas tirando isso, o jovem ator mostrou que 2019 é o seu ano, ganhando inclusive como ator revelação em Cannes, ou seja, temos de ficar de olho nele. Omar Sy que tanto conhecemos em grandes papeis, aqui coloca seu D'Orsi como alguém até interessante, mas sem muito desenvolvimento, e assim sendo suas atitudes acabam soando exageradas, porém consegue passar bem o resultado. Reda Kateb entrega para seu Grandchamp uma personalidade marcante, cheia de imponência, além de uma grande química afetiva para com o personagem de Civil, e com isso, a trama facilmente desenrola para algo que até imaginávamos e demora um pouco para ocorrer, mas vale a sacada, e o ator se mostrou bem coerente nas atitudes. E para finalizar os protagonistas, temos Mathieu Kassovitz como Alfost, que como um grande almirante, incorpora tudo muito bem, e entrega ações fortes com trejeitos bem colocados, que até chegam a romper o estilo, mas agrada bem na proposta, e o resultado se faz valer.

No conceito visual, costumo dizer que esses longas de guerra são raros os momentos gravados em tanques e submarinos realmente, pois nenhum exército ou marinha de um país seria maluco o suficiente para ceder para os diretores gravarem suas cenas em pleno mar com diversos atores passeando por lá, mas a equipe de arte aqui foi tão convincente nas salas, que podemos quase dizer que gravaram em solo dentro de um submarino de verdade, e depois apenas fizeram via computação as cenas externas, pois tudo está muito bem desenhado, cheio de elementos cênicos precisos, e muita desenvoltura, e embora sejam lugares fechados bem pequenos, toda a equipe soube aproveitar o máximo para trabalhar o ambiente como um todo, com muitas luzes e detalhes para realçar cada ato.

Enfim, é um longa bem interessante, que não é perfeito, mas que empolga, causa tensão, e entrega com muita personalidade o funcionamento da marinha com relação ao possível caso de traições, com relação ao uso de drogas, e principalmente com a imposição de ataques, que pode facilmente ocorrer a qualquer momento, com uma briga embaixo da água sem que sequer saibamos que está acontecendo, ou seja, um filme bem intrigante, que vai agradar principalmente quem gosta do estilo, mas que poderiam ter se aprofundado um pouco mais caso desejassem. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: até pensei em dar uma nota menor, mas no final me vi brigando com os protagonistas, tenso e revoltado com tudo o que está ocorrendo, então o longa me tocou, e sendo assim, vamos com 8 mesmo.

Leia Mais

Casal Improvável (Long Shot)

6/22/2019 03:20:00 AM |

O que dá misturar romance, comédia e política em um único longa? A resposta poderia ser algo completamente forçado com Seth Rogen, afinal já vimos longas seus de arrepiar até a alma de tão jogados, mas certamente não veríamos Charlize Theron no mesmo pôster, ou seja, a curiosidade aguça e muito só de pensar se isso é algo que daria certo, ainda mais após conferir o trailer de "Casal Improvável". E agora após conferir, digo que embora tenha uma única cena forçada que é usada para formatar o desfecho da trama (e que certamente poderia ter sido melhor pensada para não chocar tanto algumas pessoas na sala, e talvez funcionar da mesma forma), o resultado é um dos mais leves e gostosos de acompanhar dentre as últimas comédias românticas lançadas nos EUA, que trabalha de uma maneira bem sutil cada ato, encontra consistentes formas para envolver, e ainda trabalha boas sacadas para manter o público conectado ao estilo da trama, de forma que temos uma cena no trailer que nem é usada no longa, mas que define muito bem o filme, aonde o amigo do protagonista coloca a trama como "Uma Linda Mulher" só que de forma invertida, e basicamente temos algo digamos semelhante, não plenamente, que acaba funcionando bem, e diverte sem exagerar, não sendo daqueles que você irá rir demais, mas também não irá se desapontar.

O jornalista investigativo Fred Flarsky se demite após receber a notícia de que o site para qual trabalha foi vendido para um grande conglomerado de mídia, liderado por Parker Wembley. Para se animar depois de perder o emprego, Fred vai a uma festa com seu amigo Lance e acaba reencontrando sua antiga babá, Charlotte Field, que, atualmente, é Secretária de Estado americana e está prestes a concorrer à presidência. Cansada de ser assessorada por profissionais que não a conhecem, Charlotte decide contratar Fred para escrever seus discursos de campanha. Um romance improvável surge entre eles, causando uma inesperada reação em cadeia.

Não digo que é o melhor filme do gênero que já vi, afinal tirando um desfecho emocionante, faltou talvez um pouco mais de sensibilidade em alguns momentos para adoçar um pouco mais os roteiristas, mas como o estilo deles é quase 100% de comédias, e o diretor trabalhou um pouco mais com outros vértices, diria que tanto o diretor Jonathan Levine ("Meu Namorado é um Zumbi", "50/50", "Doidão") quanto o roteirista Dan Sterling ("A Entrevista", "South Park", "O Rei do Pedaço") trabalharam bem para que a trama tivesse a conexão cômica sem precisar ser uma comédia 100% de gargalhadas, encontrasse o tom romântico sem precisar ser melosa, e principalmente orquestraram o estilo para que o filme ficasse interessante o suficiente para que o público se conectasse ao momento do casal, tivesse o envolvimento agradável que outras grandes produções tiveram, e que mesmo apelando para algo forçado para dar o ponto de virada na trama (confesso que isso foi o que abaixou a nota do filme, pois poderiam ter ido por inúmeros outros rumos), conseguiram entregar uma obra que tivesse um ar fora do que andávamos vendo ultimamente no gênero. Ou seja, o resultado final flerta completamente com grandes obras do estilo que vai fazer a trama até parecer boba demais, mas que analisando todas as possibilidades de erros, todos os finais possíveis que nos vem a mente, acabamos voltando sempre pro mais bonitinho e funcional, e esse é o acerto do longa, que pode até muitos discordarem e reclamarem, mas foi bem trabalhado ao menos.

Sobre as atuações, um ponto tem de ser dito logo de cara, Charlize Theron salva qualquer filme que entrar, e sabe fazer isso com tanta classe e estilo que acabamos encantados com qualquer atitude sua, assim como o protagonista acaba apaixonado por sua personagem, e dessa forma sua Charlotte é imponente como uma secretária de estado deve ser, possui o estilo encaixado para uma pessoa que está pronta para disputar a presidência americana, mas principalmente mantendo o elo emotivo e usando olhares e trejeitos bem colocados, consegue entregar doçura e acertar na medida certa cada ato com o protagonista, ou seja, perfeita como sempre. Certamente diria que esperava muito menos de Seth Rogen, pois conhecendo o estilo que faz em seus filmes, já estava preparado para muita tosquice e abusos por parte dele, mas encontrou um estilão bem colocado para seu Fred, de modo que o personagem em si é bem jogado, mas que acaba caindo como uma luva para a proposta, claro que ele tenta forçar em diversos atos, e o diretor até deixa para que a comicidade normal dele flua, mas sempre voltando para o eixo acaba funcionando e agradando bastante. Dentre os demais, tivemos bons atos de cumplicidade e amizade mostrados por O'Shea Jackson Jr. como Lance, tivemos algo inusitado entre os assessores da protagonista vividos pelo bobinho demais Ravi Patel e a sagaz June Diane Raphael, mas principalmente tivemos os grandes erros de Andy Serkis como o exagerado Wembley, que não merecia um papel tão ruim, e o presidente ator vivido por Bob Odenkirk que sempre aparece como algo crítico no meio de um filme que não é crítico. Quanto do primeiro ministro canadense de Alexander Skarsgård diria que foi bem encaixado na proposta, mas não chamou a atenção que deveria, agradando tanto quanto o Agente M vivido por Tristan D. Lalla.

O conteúdo visual da trama é algo que flui muito bem, pois encontra locações rápidas (que se foram em todos esses lugares, a equipe realmente gastou uma grana monstruosa de viagens!) para transportar os bons momentos da produção, criando quase que mini esquetes bem preparadas para cada momento, funcionando de forma bacana, imponente, mas não necessitando trabalhar o filme inteiro como uma única situação, e isso é algo comum, fácil, e simples de se entregar, de modo que o filme todo não necessitasse nem ser inteiramente em algum lugar presidenciável, nem em locações despojadas, trabalhando o encontro da protagonista com líderes de diversos países em festas e reuniões bem arrumadas visualmente, com um certo charme simples e bem bacana de ver, além claro das cenas chaves, como o atentado e a sala de guerra, que aí tiveram de criar algo mais denso, mas sem exagerar, e acertando bastante. A fotografia como casualmente ocorre em longas românticos possui tons não fortes demais para causar, mas de uma maneira bem sacada, colocaram destaques neutros na produção, sempre chamando o ato para um tom abaixo com cada hora um personagem oscilando para menos, o que envolve, mas puxa o olhar para onde desejava mostrar o deslanchar, e isso é bem legal de reparar, pois muda o vértice sempre, e agrada.

A trama entrega diversas boas canções, mas usar Roxette como tema principal foi sacanagem, pois ficamos com "It Must Have Been Love", que foi colocada com muita classe também em "Uma Linda Mulher" (olha aqui outra sacada com o filme clássico), na cabeça de tal maneira que soa lindo demais a cena deles dançando, ou seja, uma escolha na medida.

Enfim, é um filme simples, bem gostoso de assistir, que certamente muitos odiarão, mas a maioria que gosta do estilo acabará bem envolvido com tudo e acabará gostando muito da trama, mesmo sem rir em demasia, nem chorar para todos os cantos, muito menos sair apaixonado da sessão, de modo que lendo tudo isso até vão pensar: tem certeza que é uma comédia romântica mesmo? Mas lhes digo que sim, que possui muita classe, que quase erra no exagero do mote de quebra, mas que vale a pena o tempo na sala do cinema, ou a deitada no sofá, pois a cara de sessão da tarde é total na trama, e sendo assim, recomendo ele com certeza para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, já encerrando a semana nos cinemas, afinal vieram para o interior bem poucas opções, mas amanhã já pego um longa bacana que estreou no streaming para conferir, e claro volto aqui com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Toy Story 4 em Imax 3D (Toy Story 4)

6/20/2019 09:28:00 PM |

A única coisa que sabemos quando vamos ver um longa da Pixar é que terá diversas mensagens impregnadas na trama, para que o público as leia de forma diferente do comum e se emocione com elas, além claro de um primor fora do comum de texturas, de forma a quase achamos que os brinquedos em cena são tão reais que foram filmados realmente ao invés de ser computação gráfica. Tirando isso, cada filme novo é uma nova proposta, que mesmo que siga caminhos extremamente iguais aos predecessores, sempre acaba fluindo de forma diferente, e aqui em "Toy Story 4" temos um filme novamente lindíssimo, cheio de texturas impressionantes, novamente brincando pelo fator casual de nenhum brinquedo fica para trás, mas que ao trabalhar a sensibilidade humana de saber o seu propósito no mundo (seja você um humano ou um brinquedo), e ouvindo sua voz interior (no caso a nossa consciência), o resultado acaba soando bem agradável de ver. Claro que está bem longe de tudo o que falaram nos últimos dias de ser o melhor isso, o mais forte naquilo, e tudo mais, mas ainda assim acaba sendo uma trama gostosa de conferir, que interage bem dentro da proposta, e que agora sim aparentemente temos um final, não uma passagem, mas que vai saber o que pensam produtores, e assim sendo pode ser que daqui 10 anos novamente lancem outra continuação.

O longa nos mostra que agora morando na casa da pequena Bonnie, Woody apresenta aos amigos o novo brinquedo construído por ela: Garfinho, baseado em um garfo de verdade. O novo posto de brinquedo não o agrada nem um pouco, o que faz com que Garfinho fuja de casa. Decidido a trazer de volta o atual brinquedo favorito de Bonnie, Woody parte em seu encalço e, no caminho, reencontra Betty, que agora vive em um parque de diversões.

Antes de mais nada, não espere ver um  seguimento completo da história, pois praticamente toda a equipe original da trilogia foi alterada, desde produtores, roteiristas, até diretor, ou seja, utilizaram somente a base original para que o rumo não se perdesse, e trabalharam as essências com muita coisa nova, e aí logo de cara já temos no primeiro minuto de filme um erro de data monstruoso, pois o ato que acontece ali foi entre o segundo e o terceiro filme, ou seja, entre 1999 e 2010, e a trama mostra apenas 9 anos atrás, que foi quando ocorreu o terceiro longa, aonde Andy já estava grande e indo para a faculdade, e não um garotinho assustado correndo pela casa atrás de seu boneco. Felizmente esse foi só a maior bomba, pois depois o tempo volta para os dias atuais e não precisamos ficar tão perdidos. Digo isso, pois fiz a maratona dos longas anteriores ontem, então estava bem conectado com cada momento do filme, senão era capaz de passar em branco esse detalhe, que não atrapalha em si o resultado do longa, só acaba sendo estranho. Dito isso, o filme tem uma desenvoltura bem próxima dos anteriores, com várias oscilações de felicidade e tristeza, com alguns alongamentos, mas que de toda a forma sempre se verte para a máxima de todos os longas: o de não deixar nenhum brinquedo para trás, mesmo que esse brinquedo não queira ser um brinquedo, como é o caso aqui, e dessa forma, o diretor estreante Josh Cooley soube conduzir sua trama como uma boa saga, encontrando personagens rápidos, e situações simples de serem resolvidas, não colocando nenhum grandioso vilão, mesmo que os bonecos sejam levemente feios, e assim, o resultado é bem feito, o que agrada de certa forma, sem ser apelativo, e principalmente, dando agora um final realmente para a trama, sem precisar que o público lave a sala do cinema.

Com uma boa dinâmica entre os personagens principais, a trama flui e agrada, apesar que diferente dos anteriores onde a maioria participava bem, aqui o filme praticamente todo fica em cima de Woody, Buzz e Betty dos antigos, e de Garfinho e da boneca Gabby Gabby dos novos, deixando os demais praticamente sempre no furgão desenvolvendo bem pouco, mas sendo divertidos no que se propõem. De forma geral, todos se mantêm bem consistentes de aventura, encontram sua sina bem encaixada em cada um dos elos, e assim como já ocorreu, se mostram sempre carismáticos, de modo que Woody ainda é aquele personagem desengonçado, mas com um propósito humano tão bem encontrado que não tem como não se apaixonar por suas atitudes, que mesmo as vezes autoritárias demais, acabam encaixando na história e agradando por completo. Buzz aqui está bem mais sério, e cheio de formas para suas aventuras, fazendo com que não se arriscassem tanto no desenvolvimento, mas agradasse como resultado. Aqui é explicado logo de cara o que aconteceu com Betty por não aparecer no terceiro filme, e claro sua volta é bem trabalhada com muito cuidado, mas incrivelmente a colocando em grandiosas cenas de ação (será que os roteiristas tinham noção de que ela é feita de porcelana, e que quebra com grandes atritos?), de modo que ela acaba quase sendo a protagonista dessa nova trama, que com muita sagacidade acaba chamando a atenção e empolgando bastante, com bons diálogos e muito carisma próprio. Dentre os novos, diria que Garfinho foi um personagem que não apareceu no primeiro momento, pois é muito fraco se pensar em um garfo plástico como brinquedo, e mostrar suas dúvidas e afinidades, mas se pararmos para olhar crianças pequenas acabam fazendo brinquedo de tudo, então a ideia foi bem encontrada, e o resultado acaba tendo um gracejo bem gostoso de acompanhar. O coelhinho e o patinho mereciam muito mais espaço, pois os personagens tecnicamente soaram bem interessantes, tinham propostas terroristas bem elaboradas para conseguir suas coisas, e certamente a dupla Antonio Tabet e Marco Luque de dubladores mereciam algo melhor do que meia dúzia de falas. A vilã Gabby Gabby juntamente com seus aliados que lembraram muito o boneco do mal, Slappy de "Goosebumps", foram bem imponentes em suas primeiras cenas, mas ao contrário do que vimos no terceiro filme com um vilão com propostas fortes, aqui tivemos alguém até com algo forte, mas sem muita desventura, e com um final adocicado demais. Quanto aos demais, apenas apareceram, e foram precisos no que precisavam, não chamando nem atenção, nem atrapalhando.

Agora certamente a equipe de arte merece apanhar, pois criaram uma cenografia tão incrível, com um parque de diversões imenso, um antiquário cheio de detalhes, e até mesmo um trailer de viagens cheio de ambientações, e optaram por fazer tudo nas espreitas, se escondendo por trás de fios, de poeira, de bastidores, o que sim é a ideia dos brinquedos não aparecerem para os humanos com vida própria, mas mereciam muito mais, mais brincadeiras como a que é feita nos créditos, mais interações como a da festinha, mais movimentação como na chegada do gambá e da caixa de areia, ou seja, mais em tudo, pois dentre os quatro filmes, certamente agora é o que temos mais detalhes de texturas, afinal, a tecnologia melhorou demais, e dessa forma tudo parece incrivelmente real, e valeria muito mais envolver a todos dentro de algo que fosse além. Quanto do 3D, é quase melhor eu nem falar nada, pois só serviu para dar formato e perspectiva para os personagens e cenários, coisa que um bom diretor de fotografia conseguiria fazer em 2D mesmo, ou seja, completamente desnecessário em todos os momentos.

Enfim, um filme que não chega a ser incrível, mas que consegue agradar bastante, divertir, e até emocionar, que muitos talvez até se decepcionem um pouco, afinal esperar quase 10 anos por uma continuação é algo que o público aumenta demais quando se começa a falar sobre, e sendo assim, até que recomendo ele para todos, que mesmo os mais pequenos vão curtir todo o colorido, porém não entenderão nada das mensagens, e os mais velhos devem ir sem esperar muito, pois aí certamente o longa ficará melhor visualizado. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos. Então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Netflix - Mistério no Mediterrâneo (Murder Mistery)

6/16/2019 07:41:00 PM |

Confesso que são raros os filmes que vejo na Netflix que falo que funcionariam nos cinemas, e certamente "Mistério no Mediterrâneo" é um deles por ter uma proposta bacana, por encontrar estilos tradicionais dos filmes de investigação, e também ter o ar cômico bem presente comum nos longas com Adam Sandler, de modo que tudo acaba funcionando bem, tendo suas devidas partes moldadas com satisfatórias cenas de ação e encaixando as dinâmicas numa produção enorme bem trabalhada que agrada com conteúdo para brincarmos de adivinhar quem é o misterioso assassino, quais suas motivações, e tudo mais. Ou seja, um filme que é bem montado, que diverte, e que tem em seu eixo um bom estilo, tendo um resultado simples, porém bem efetivo em cima de cenas que contém mistério e tudo mais para segurar o público do começo ao fim contando com uma boa história também.

Nick Spitz é um policial que há tempos tenta se tornar detetive, mas nunca consegue passar na prova para o cargo. Envergonhado, ele diz para sua esposa que trabalha na função, pedindo ao melhor amigo que o ajude nesta mentira. Um dia, ao chegar em casa, Nick é cobrado por Audrey sobre a sonhada viagem à Europa, prometida quando eles se casaram, 15 anos atrás. Pressionado, ele diz que já havia arrumado tudo e, assim, os dois partem em viagem. Ainda no avião, Audrey conhece o milionário Charles Cavendish, que os convida para um tour a Mônaco a bordo do navio de seu tio. O casal aceita a oferta, sem imaginar que estaria envolvido com a investigação em torno de um assassinato em pleno alto-mar.

Não posso dizer que conheço o estilo do diretor Kyle Newacheck, pois seus principais produtos foram séries, e dessa forma somente vendo o que fez aqui com o roteiro de James Vanderbilt, famoso por outros grandes roteiros de filmes de mistério, posso dizer que encontrou bem o molde da trama e foi colocando os pontos fortes dentro de cada ato dessa produção gigantesca, cheia de bons elementos, que até poderiam ser mais impactantes caso desejassem, mas que ao escolher usar o estilo em prol dos atos, fez um filme com personagens simples e histórias bem contadas, o que agrada por um lado, mas que não explode por outro, ou seja, um bom filme linear, que tem sim suas atitudes bem trabalhadas, mas que não se verte para nada além do que vemos na tela, e que quem sabe, pode vir a virar uma série, ou até um longa de continuação.

Sobre as atuações, é sempre bem interessante ver os filmes do Adam Sandler por ele sempre parecer ter química com todos, e aqui reencontrando uma de suas grandes parcerias, ele acaba saindo bem a vontade em praticamente todos os momentos, de modo que seu Nick tem os trejeitos completamente tradicionais dele, e consegue entregar boas cenas divertidas, com momentos bem colocados que acabam agradando. Jennifer Aniston sempre agrada com estilo meio jogada, meio boba, mas que parece sempre saber algo a mais, e aqui sua Audrey vindo com esse estilo acabou sendo bem trabalhada, e agrada em diversos momentos. Luke Evans deu um estilo bem colocado e cheio de desenvolturas para seu Charles, que além de trabalhar trejeitos, certamente fará com que todos o acuse de ser o assassino, e assim sendo o resultado dele dentro da trama acaba soando mais interessante ainda pelo jeito que o ator deu ao personagem. Gemma Artenton entregou bem a estrela de cinema, com muita pompa e cheia de estilo, o que acaba sendo até engraçado de ver pela forma mais encontrada de sua Grace, ou seja, agrada bastante também. Dany Boon deu um ar tão misterioso e cheio de personalidade para seu Inspetor de la Croix que soa até engraçado ver num filme assim, parecendo realmente uma trama arquitetada, mas com pitadas cômicas, ou seja, se encaixou perfeitamente no que o longa pedia. Quanto aos demais, todos foram extremamente caricatos, desde o piloto de Fórmula 1 vivido por Luis Gerardo Mendéz, a noiva interesseira vivida por Shioli Kutsuna, o coronel estranho de John Kani, o troglodita russo de Ólafur Darri Ólafsson e até um marajá vivido por Adeel Akhtar conseguiram moldar a trama ao ponto de desconfiarmos de todos, ou seja, uma bela equipe de personagens.

No conceito visual, a trama foi de um luxo imenso, mostrando que a produção não estava para brincadeiras, colocando certamente um orçamento num nível fora do comum, com navios chiques, hotéis em Mônaco, corridas, e até uma ótima perseguição de carros com uma Ferrari, ou seja, altos gastos, mas com muito conceito para que a trama funcionasse com estilo e nos envolvesse completamente dentro da proposta, mostrando algo até bem colocado que não necessariamente estivesse nos lugares, pois muitas cenas se passam em locações fechadas, mas o conceito em si acaba chamando atenção e tudo foi bem além.

Enfim, não é daqueles longas memoráveis, mas que acaba sendo uma boa opção para curtir na Netflix sem muitas pretensões, que agrada bastante, diverte, e claro, funciona como aqueles jogos para tentarmos adivinhar quem é o assassino, que brinca bastante com o público e entrega bons momentos para um bom passatempo em família, que até daria um público razoável nos cinemas, mas que optaram lançar direto no streaming. Sendo assim, recomendo ele para todos, pois não tem nada abusivo, envolve bem, e assim sendo vale passar algumas horinhas conferindo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

MIB - Homens De Preto - Internacional em Imax 3D (Men In Black - International)

6/15/2019 07:42:00 PM |

Se tem uma coisa que alguns produtores precisam aprender é que quando uma franquia encerrou, ela deve ficar encerrada, ou se for fazer algo, que reinicie do começo, mudando tudo, tendo uma nova história, um envolvimento completo e tudo mais, não que apenas se jogue na tela, e seja feliz, pois ficou parecendo que "MIB - Homens De Preto - Internacional" foi uma tentativa de continuarem a franquia, sem os protagonistas conhecidos, mas que para isso precisavam colocar mais ações, mais movimentações, e claro, um grande nome que chamasse público, pois só assim conseguiriam manter o timing (além claro da tentativa empoderada do momento, de colocar uma mulher para a ação!), ou seja, tudo montado para funcionar, mas infelizmente não funcionou, ficando algo simples demais, quase sem atitude alguma, que até serve para passarmos um bom tempinho se divertindo com a proposta nova, mas que corre demais, e não entrega nada que a franquia costumeiramente prezava. Sendo assim, terão aqueles que só irão pelo ator, outros para ver como uma mulher foi encaixada nesse mundo machista dos agentes especiais, mas o que muitos esperavam de ver, que era a história de uma das franquias mais gostosas de ver, que chegou até virar desenho animado, essa ficou bem em segundo plano.

A sinopse nos conta que quando criança, Molly presenciou a abordagem de dois agentes do MIB aos seus pais, apagando a memória deles acerca da súbita aparição de um ser extraterrestre. Como estava escondida, a garota não foi atingida pela ação. Obcecada pelos mistérios do universo, ela cresceu com o sonho de ingressar no MIB. Após muita pesquisa, ela consegue descobrir a sede da agência e lá se candidata a uma vaga, sendo aceita por O. Ainda em experiência, e agora renomeada como agente M, ela é enviada a Londres para investigar algo estranho que tem ocorrido na agência local. É quando conhece o agente H, de grande renome pelos seus feitos no passado, mas uma certa arrogância e displicência na execução do trabalho.

Acho que o diretor F. Gary Gray precisa voltar para suas origens, de filmes com uma pegada mais forte, cheia de desenvolturas impactantes, e parar de cair em continuações de franquias que não levam tanto ao estouro, senão apenas o ganhar muitos dólares de cachê e talvez ouvir o barulho das reclamações da crítica, pois aqui ele praticamente caiu de paraquedas em algo que era ainda muito discutido, que chegaram a pensar em um crossover com "Anjos da Lei", que não sabiam se ia continuar ou recomeçar, ou seja, pegaram uma bomba já armada e tacaram em suas mãos, e como bem sabemos, não funciona fazer algo desse estilo. Dessa forma ele até tentou trabalhar a situação, e com um orçamento digamos até que bem alto de 150 milhões de dólares, contornar toda essa loucura que provavelmente deve ter ficado o roteiro, e montou um longa que dá para curtir, que envolve uma boa ação, cenas bem cheias de efeitos, e que acabam tendo uma boa interação ao menos entre os protagonistas, mas que falha grosseiramente em ter algo mais substancioso para que a franquia volte a ser boa, muito menos um recomeço decente para algo que foi incrível no passado, de modo que vemos tudo, e saímos da sessão com algo apenas básico.

Sobre as interpretações, diria que todos foram convocados por um único motivo, são bons atores, estão na moda, e certamente trarão público para as sessões, pois nenhum deles tem perfil para algo que envolvesse uma agência secreta (ops, tirando Liam Neeson), e consequentemente vemos um agente que foi colocado para ir para a balada somente levar aliens para beber, ser galanteador, e atirar um pouco, além claro de lutar corpo a corpo também, sendo assim, Chris Hemsworth entrega algo que casualmente parece não ser um papel que ele pegaria facilmente, mas que a ideia de se divertir com seu agente H, acaba sendo bacana, e ele ao menos passou um bom tempo, e não diria que fez mal o papel, só não foi nada desenvolvido para um futuro, e o resultado, sabemos bem, amanhã nem lembrará que fez esse papel. Tessa Thompson é uma atriz que possui estilo, e isso já vimos em outros filmes seus, e aqui ela trabalhou sua agente M de uma forma coerente e bem colocada, que até poderia render outros frutos (quem sabe não empolgam e continuem a franquia com ela!), mas sua personagem sempre fica atrás de tudo, e isso ofusca um pouco seu brilho, mas acabamos não vendo nem metade do que poderia fazer, e assim sendo não empolga. Emma Thompson certamente entrou na trama achando que teria um papel importante, mas sua agente O aparece no começo e no fim do longa somente, não tendo qualquer envolvimento forte, nem intrigante que desse o tom grandioso dela, mas também não chega a ser ruim, pois chama a atenção ao menos. Liam Neeson sabe encontrar disposição até para aparecer em filme que lhe colocam poucas cenas, e aqui como agente T, ele entrega bons olhares colocados, chama o envolvimento e desenvolve cada momento que aparece, afinal, ele sabe se dar bem com o estilo de agentes secretos, e talvez se colocassem mais a responsabilidade em cima dele, o filme andaria melhor, mas não era o momento. Quanto aos demais, daria somente um leve e rápido destaque para Rebecca Ferguson como a alienígena mafiosa Riza, que só sabemos disso pelas falas, pois aparece nem 5 minutos em cena, e para o certinho agente C, vivido por Rafe Spall, pois de resto, é melhor ignorar.

Agora se tem algo que sempre vale na franquia, e que aqui ao menos não desprezaram foi o conceito de muitas armas imponentes, carrões turbinados, e até uma supermoto, que usaram para mostrar a valorização do orçamento, e que embora não tenha cenas impressionantes, o resultado visual acaba agradando e montando algo bem próximo do estilo que vimos nos outros filmes. Claro que desejávamos ver mais aliens, e mais cenas de tiroteio, mas o resultado geral funciona bem, e com uma qualidade interessante de efeitos, vemos tudo agradar com simplicidade, ou seja, a equipe de arte ao menos estudou bem os outros filmes para não fazer feio. Quanto do 3D, assim como vem acontecendo com muitos outros filmes, o resultado é bem básico, tendo uma ou outra cena em perspectiva, movimentando ambientes em detalhes, mas nada que faça valer o uso da tecnologia, e que como bem sabemos por ser um filme que mexe com coisas estranhas, poderíamos certamente ver algo a mais nesse conceito.

Enfim, volto a frisar que não é um filme ruim, mas que passa bem longe de ser algo que impressione, e que vendo em casa até pode ser um bom passatempo, ou seja, é daqueles filmes medianos que muitos vão no cinema, e saem desapontados por não verem algo a mais, uma ação desenfreada, uma história que faça pensar, ou algo do estilo, e sendo assim, acabo recomendando ele como um passatempo também. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços, e até logo mais.

Leia Mais

Obsessão (Greta)

6/15/2019 02:12:00 AM |

Chega até ser engraçado o dia de hoje, pois garanto que vi o trailer de "Obsessão" nos últimos meses pelo menos umas 40 vezes (só no Varilux foram 17!), ou seja, já sabia de cor praticamente todos os movimentos que gerariam alguma tensão, e só ficava esperando eles acontecerem, e sendo assim, posso dizer que a experiência com o filme já foi reduzida um pouco. Porém, a trama é tão cheia de cenas tensas interessantes, que acabamos ficando envolvidos com os atos, e mesmo já sabendo deles, alguns até acabam nos pegando desprevenidos e dando aquele sustinho básico, ou seja, um filme bem trabalhado, que consegue envolver, e mostrar a que ponto a solidão acaba transformando uma psicopata, e que claramente não devemos confiar em estranhos, mesmo que esses pareçam bem bonzinhos, até termos total conhecimento de sua vida completa, pois algumas pessoas até parecem bacanas, mas depois, a bomba é outra! Dessa forma, temos um longa razoavelmente bem feito, que talvez até pudesse ser mais violento, ou então mais trabalhado nos trejeitos das boas protagonistas, mas vou falar aqui o principal problema do longa (que ninguém leia essa reclamação!), mas divulgaram o filme demais, de modo que estamos vendo o trailer dele há mais de seis meses, e isso não é bom para uma produção, principalmente de suspense.

A trama nos conta que Frances é uma jovem mulher cuja mãe acaba de falecer. Recém-chegada em Manhattan e cheia de problemas com o pai, ela divide apartamento com a amiga Erica e trabalha como garçonete de um luxuoso restaurante. Um dia, voltando para casa, Frances encontra uma bolsa abandonada em um dos assentos do metrô, e, ao devolvê-la, acaba iniciando uma amizade improvável com a dona do acessório, uma senhora viúva chamada Greta. Os problemas começam a surgir quando Frances percebe que a necessidade de atenção de Greta é muito mais perigosa do que ela imaginava.

O diretor Neil Jordan ficou alguns anos afastados do cinema, mas ainda manteve fiel ao seu estilo voltando com um filme que trabalha mais as desenvolturas dos protagonistas, passando por cima até mesmo de alguma história mais profunda que poderia ocorrer, e dessa forma, o estilo ficou claro logo nos primeiros atos, pois ele não quis enrolação para desencadear o problema de fuga, já logo nas primeiras cenas revelando quem Greta realmente era, coisa que qualquer outro diretor esperaria pelo menos um ato inteiro de carícias, para no segundo revirar tudo, e dessa forma, o filme já parte pro ataque com menos de 15 minutos, o que acaba sendo bacana de ver, porém, acabamos ficando com algo exageradamente repetitivo (para que claramente o diretor desejava mostrar: a obsessão da protagonista). Ou seja, Jordan montou bem sua trama, e deixou que as protagonistas se destacassem, mesmo que para isso sua história ficasse em segundo plano (afinal nem ficamos sabendo direito quem é Greta, o que ela já fez, quais suas motivações e tudo mais), e sendo assim o longa até tem uma boa entrega, porém não envolve tanto o público, mas ao menos causa a tensão correta, e tem um resultado que era esperado, porém bem funcional.

Sobre as atuações, todos aqui sabem o quanto acredito muito no potencial de Chloë Grace Moretz, e a cada filme que faz ela procura incorporar ótimos trejeitos para suas personagens ficarem incríveis, porém aqui sua Frances é simples demais, e ela não teve como encontrar algo que surpreendesse na personagem, de modo que parece estar amarrada a um roteiro sem muito o que apresentar, ou seja, é como se não encontrasse a forma certa para que sua personagem saísse do comum, e o resultado acaba seco demais. Em compensação Isabelle Huppert encontra trejeitos tão diferentes para sua Greta, criando vértices bem comuns de pessoas com problemas psicológicos, que geralmente usam isso para o mal, de forma que acaba saindo melhor que a encomenda em cada ato, realmente transparecendo tudo o que desejava fazer e muito mais. Maika Monroe apareceu pouco e teve algumas cenas importantes com sua Erica, de modo que não temos nada de pró nem de contra sua interpretação, só talvez poderia ter sido mais forte nos atos iniciais e menos boba, que assim talvez não seria tão jogada. Quanto aos demais, temos raríssimas cenas com algum diálogo fora das três, então melhor nem pontuar.

No conceito visual, diria que a equipe de arte criou uma casa completamente assustadora para a protagonista, de modo que no lugar de Frances jamais entraria ali na primeira vez, quanto mais voltar outros dias, mas como costumo dizer, se os protagonistas não entrarem em lugares estranhos não teremos filmes de terror/suspense, então cada elemento cênico tem seu mérito, seu estilo, e até grandes usos para até um molde de bolacha, ou seja, tudo vale a pena ser reparado, e até poderiam ter usado mais caso quisessem, pois valeu a ornamentação ali, já do apartamento e do restaurante aonde Frances trabalha, não ousaram muito, mas também não foram simples demais, o que acaba agradando também. O tom da fotografia foi bem puxado para o mais escuro possível, porém sem perder visibilidade, o que acaba sendo sempre um grande agrado em longas de suspense, e sendo assim, sem ter nada surpreendente, acaba funcionando para pegar o público desprevenido, mas sem exagerar na dose.

Enfim, um filme que entrega bons momentos, que consegue causar tensão, mas que se trabalhada melhor a proposta teríamos um daqueles longas memoráveis para pensar muito tempo no que vimos na tela, e infelizmente pecaram pela simplicidade. Não digo que de forma alguma o resultado final seja ruim, mas certamente poderiam ter ido muito além. Sendo assim recomendo ele com leves ressalvas, pois quem for esperando muito certamente se desapontará, mas quem gostar do estilo de filmes tensos, porém leves de condução, o resultado será bem agradável. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

A Lenda de Golem (The Golem)

6/14/2019 03:24:00 AM |

É engraçado como acontecem as coisas no cinema, ultimamente tem vindo para o interior diversos filmes de terror russos, porém são dublados em inglês e legendados em português, coisa que já falei ser algo ridículo! Pois bem, cá está o Coelho vendo esse novo terror israelense (outro país que raramente surge algo no interior), e praticamente todo falado em inglês, aí o que você faz, começa a fazer leitura labial para ver se o que ouve é o que estão dizendo, e não vê nada de estranho, faz mais uma vez, e beleza, então vamos curtir o filme assim, e eis que ao final de "A Lenda de Golem" enquanto procurava informações dele no IMDB e subia os créditos, eis que aparece, professores de inglês, e treinadores de inglês nos créditos, ou seja, e está lá, realmente o filme foi gravado com atores israelense falando em inglês!! E depois falam que não tem como exportar cinema para os americanos, depois dessa nem falo mais nada!! Pois bem, dito esse desabafo, posso falar que é um filme interessante por trabalhar um tema religioso, no caso lendas mitológicas judaicas, com um certo ar de tensão do começo ao fim, mas que por não apelar para sustos prontos acaba soando meio que jogado, pois a todo momento parece que algo vai acontecer, mas apenas fica no parecer, pois quando são as cenas de morte mesmo, aí a explosão acontece aos nossos olhos, e digamos que a equipe exagerou um pouco na forma de acontecer, que mesmo sendo bem colocada e forte, poderiam ter pegado mais leve. Porém no geral o resultado soa interessante, e agrada quem gosta do estilo.

Desde que perderam um bebê, o que Hanna e seu marido Benjamin mais querem é tentar ter outro filho. Para tal, ela conta com a fé que tem em Deus, e por isso estuda diariamente a Torá, mesmo que na comunidade aonde viva essa prática seja restrita aos homens. Quando uma epidemia assola a região e a culpa recai imediatamente sobre os judeus, Hanna tenta usar de seu misticismo para convocar um golem, sem saber que a criatura é muito mais perigosa do que pensa.

Não conhecia o trabalho dos Irmãos Paz (Doron e Yoav), mas confesso que tentarei ver "Jerusalém" em breve, pois já estão desenvolvendo uma continuação, e aparenta ser algo bem interessante, e como o que entregaram aqui foi um estilo de terror bem colocado, cheio de detalhes tensos, com uma proposta moldada para cima de uma história realmente, vi um potencial bem encontrado para o gênero, ou seja, pode ser quem sabe que Israel vire um bom país para entregar longas de terror com conceito. Digo isso, pois o que fizeram em cima do roteiro de Ariel Cohen foi daquelas obras que nos deixa tenso durante todo o filme, e ultimamente isso tem sido bem raro, pois costumam entregar a tensão e ir aliviando, o que não ocorre aqui, pois mesmo tendo o ar infantil e materno envolvido, os diretores colocam o garoto como um ente forte, que só não nos pega desprevenido por ter o brinquedo com sininho, senão iríamos certamente pular da poltrona em muitas cenas, e isso é acertar a mão no gênero, saber como causar e não revelar a causa, ou seja, um grande acerto de ambos.

Sobre as atuações, não diria que tenhamos grandes expressividades, pois todos pareceram exageradamente sérios, apesar que a religião impõe um pouco disso, mas de certa forma os protagonistas Hani Furstenberg como Hanna e Ishai Golan como Benjamin foram bem coerentes nos seus atos, trabalhando trejeitos com bons tons, de modo que Hani ainda incorpora mais essência ainda ao colocar o lado materno para cima do garoto/coisa, com olhares de cuidados e muito envolvimento pela criatura, fazendo com que a química entre eles funcionassem bem, já Ishai incorporou bem o estilo machista básico, de que mulher tem de procriar e pronto, e foi pra jogo. O garotinho Konstantin Anikienko entregou um Golem bem sério, com olhares fortes e bem incorporados, de modo que mesmo sem dizer uma palavra sentíamos o que desejava mostrar, e sendo assim, agrada dentro da proposta. Quanto aos demais, todos soaram estranhos, mas fizeram bem seus momentos, com leves destaques para Aleksey Tritenko como o vilão Vladimir e Brynie Furstenberg como a curandeira Perla.

No conceito cênico a equipe de arte fez uma vila bem interessante, trabalhou bem os elos e máscaras da peste negra, e criou toda a simbologia necessária para que o filme funcionasse dentro do misticismo religioso que se propuseram a fazer, ou seja, um acerto didático, que até poderia ter fluído um pouco melhor, mas que no geral acaba envolvendo, sendo intrigante e resulta em bons momentos com tudo o que foi colocado na tela. Como todo bom longa de terror, trabalharam bem tons escuros, usando muito marrom e preto, com cenas escuras, mas sempre aparecendo bem pelo fogo das tochas e claro das nuances de penumbra escolhidas.

Enfim, um filme bem interessante, que certamente poderia ter ido muito além, e causado ainda mais, principalmente se não tivesse o chacoalho do garotinho, ou colocassem ele para matar mais do que já matou na telona, mas que funciona no que se propõe e não se estraga facilmente, fazendo valer a recomendação para quem gosta do estilo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Fora de Série (Booksmart)

6/13/2019 09:58:00 PM |

Acredito que o trailer do filme "Fora de Série" tenha me enganado, pois se lá parecia que teríamos algo próximo de "Finalmente 18" ou tramas do estilo de "Se Beber Não Casé", com diversas situações engraçadas e desenvolturas malucas das protagonistas durante a noite de sua formatura, mas não, o que me foi entregue foi algo bem mais simples que envolva a amizade, e uma boa diversão leve delas procurando uma determinada festa, além das protagonistas serem bem fraquinhas ao ponto de gostarmos bem mais dos personagens secundários, e quando isso ocorre temos um imenso problema. Ou seja, não posso afirmar que o resultado como um todo seja ruim, pois dá para se divertir com o que é mostrado, o final é bem bacana, mas falta um pouco de tudo para que a trama funcione realmente, ou que pelo menos fosse entregue um filme mais empolgante.

A trama nos mostra que duas grandes amigas conhecidas por serem os maiores prodígios da escola estão prestes a terminar o ensino médio. Faltando poucos dias para o grande momento, elas percebem que estão arrependidas por terem estudado tanto e se divertido tão pouco. Determinadas a não passarem por todo esse tempo sem nenhuma diversão, elas decidem correr atrás dos 4 anos perdidos em apenas uma noite.

Certamente também esperávamos um pouco mais da primeira direção da atriz Olivia Wilde, pois sempre fez grandiosos filmes, trabalhou com os melhores diretores, e sabia ao menos bem o que deveria pedir para as protagonistas, porém foi muito leve em um filme que pedia perversão, e apenas ousou nos diálogos, coisa que infelizmente não funciona nesse estilo de filme, que pelo tanto que já vimos o público preza por ver a sujeira nua e crua na telona. Ou seja, é quase como vermos "American Pie" deixando o filme numa versão para religiosos, que se apenas ouvirem falar das coisas, mas não vendo, não tem problema. E dessa forma, acredito que a atriz necessite estudar um pouco mais o público-alvo de seu filme para sua próxima direção, pois ao menos técnica, ela mostrou ter, com situações dinâmicas, boas personalidades, e câmeras bem movimentadas, mas faltou a atitude.

Agora falando das atuações, certamente poderiam ter dado mais estilo para as protagonistas, pois pareciam estar perdidas quanto ao que deviam fazer em cena, de modo que tanto Beanie Feldstein como Molly, quanto Kaitlyn Dever como Amy sofreram muito para que seus olhares primeiramente nos convencesse da grandiosa amizade delas (praticamente sem química alguma), e depois se voltassem mais para cada ato, de modo que suas cenas só foram boas quando estavam perto de algum outro bom elemento, e que infelizmente foram bem poucos. Agora sem dúvida alguma, o grande nome do filme ficou com Billie Lourd como Gigi, uma personagem completamente maluca, que foi muito bem defendida por Skyler Gisondo com seu Jared, mas que acerta no ritmo, trabalha as piadas, e aparecendo sempre para dar o tom cômico/maluco da trama, resultando em algo bem bacana de ver mesmo, talvez um longa em cima de sua personagem agradaria bem mais. Quanto aos demais, tivemos algumas boas cenas com os personagens de Will Forte como Doug o entregador de pizza estranho, e com Jason Sudeikis como Diretor Brown piloto de carro de aplicativo, mas nada muito além disso.

No conceito visual, a trama encontrou um estilo simples, porém elegante e efetivo para criar as festas tradicionais de formatura do ensino médio americano, que sabemos bem pelos filmes que costumam ser impressionantes, e o acerto aqui foi trabalhado por dar características bem diferentes de festas: a dos riquinhos que acham que podem comprar todo mundo, cheias de buffets, presentes e música eletrônica, a dos amantes malucos de teatro que fazem algo clássico e encenado, e a dos porralouca que pulam na piscina, fazem jogos com bebidas e tudo mais. Ou seja, a equipe de arte teve muito trabalho para criar muita coisa, mas praticamente sem uso próprio para o filme.

Enfim, não digo que seja uma bomba imensa, que até dá para se divertir, porém poderiam ter ido por um rumo bem mais funcional e agradável, que certamente iríamos rir do começo ao fim, e não sairíamos da sessão tão decepcionados com o miolo, pois volto a afirmar que o fechamento foi dos melhores. Sendo assim, só recomendo ele para quem gosta muito do estilo filme adolescente que tenta ser algo a mais, pois qualquer outra imaginação será decepcionante. Bem é isso, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Juntos Para Sempre (A Dog's Journey)

6/13/2019 01:49:00 AM |

Sempre temos continuações de livros aos montes, porém ultimamente tem sido bem mais raro um filme baseado em algum livro conseguir o sucesso suficiente para ter uma continuação nas telonas, e se em 2017 houve diversos boicotes ao filme "Quatro Vidas de um Cachorro", por algumas pessoas acharem que os animais tinham sido maltratados, algo que foi muito bem explicado depois por ser uma montagem de vídeos, poucas pessoas imaginavam que o segundo livro viraria filme, porém como teve um lucro pequeno, mas razoável, resolveram investir e entregar essa segunda história, chamada de "Juntos Para Sempre", que contém a mesma intensidade, essência e consegue soar bem gostoso, emocionando como o primeiro filme, porém se lá tivemos um foco maior nas vidas do cachorro, aqui a trama foca mais no crescimento da garota, e as encarnações do cachorro que vão tentando seguir ela para que seja bem cuidada. Não digo que o resultado soe perfeito, pois tivemos alguns momentos bem cansativos, mas de modo geral é tão bonitinho ouvir os pensamentos do cachorro, e sua tentativa para que tudo de certo, que acabamos nos emocionando e se envolvendo com a trama, resultando em um filme até mais bacana do que realmente é.

A sinopse nos conta que há amizades que transcendem uma vida. Aqui o adorado cão Bailey descobre o seu novo destino e cria um laço inquebrável que o levará, bem como às pessoas que ama, numa viagem que nunca imaginaram. Bailey tem uma vida boa, na quinta do seu "rapaz", Ethan, e da sua mulher Hannah, no Michigan. Tem até uma nova companheira de brincadeiras, a neta bebé de Ethan e Hannah, CJ. O problema é que a mãe de CJ, Gloria, decide levar CJ para longe. Quando a alma de Bailey se prepara para deixar esta vida e começar uma nova, ele promete a Ethan encontrar a CJ e protegê-la, a qualquer custo.

Chega a ser até interessante ver uma diretora renomada por diversas séries, encarar um longa-metragem tão particular como esse, ainda mais uma continuação, e Gail Mancuso foi precisa nas situações, criando uma trama bem leve e gostosa de acompanhar, usando claro a base do livro de W. Bruce Cameron que também trabalhou na adaptação do roteiro para o filme, ou seja, uma junção bem interessante que acabou resultando em um filme bem dirigido, aonde cada momento flui com muita facilidade e encontra rumos bem coerentes e funcionais, o que acaba agradando bastante. Claro que o filme não é daqueles que vamos colocar entre os melhores, pois possui algumas falhas bem bobas como a química da garota com alguns personagens, a cena do capotamento também é bem jogada, e algumas cenas junto da mãe (que poderiam certamente ter pego uma louca muito melhor!) destoaram da beleza gostosa junto do cachorro, que se limpado desses detalhes, aí sim teríamos um filme incrível. Além de que muitos foram ver pelos cães, e acabaram vendo um drama familiar meio que jogado, ou seja, o filme precisava de uma retocada melhor, mas ainda assim a diretora soube conduzir bem cada momento, utilizar bem os cães treinados, e resultar em um filme fofo e gostoso de ver.

Quanto das atuações, diria que tivemos alguns bons atores encaixados em bons personagens, mas principalmente o elenco canino que foi muito bem escolhido, por serem agradáveis, terem carisma, e incrivelmente se expressarem muito bem para cada momento, fazendo seus devidos truques de forma a mostrarem muito mais do que tudo, além claro da voz de Josh Gad muito bem encaixada no pensamento dos cães, dando um tom sereno e perfeito para cada momento. Já no elenco humano, tivemos Dennis Quaid mais uma vez bem encaixado, agradando bastante nos seus momentos, já que aparece pouco com seu Ethan, mas sempre fazendo o valor da amizade transparecer nos olhares para com seu cão, ou seja, perfeito em tudo. Kathryn Prescott fez bem o papel de CJ adulta, trabalhando com bons olhares, sentimentos e encontrando em seus atos dinâmica para não soar boba demais, o que acaba agradando. Da mesma forma Henry Lau deu um bom tom para seu Trent adulto, não forçando muito a barra, e soando interessante para o papel, mesmo que soubéssemos logo na primeira cena o que acabaria rolando. Os jovens CJ e Trent também foram bem colocados, então temos de parabenizar Abby Ryder Fortson e Ian Chen respectivamente. Agora sem dúvida alguma não sei o que colocaram no roteiro de Betty Gilpin para que sua Glória fosse completamente exagerada de trejeitos, parecendo uma maluca desvairada desde o começo da trama, ou seja, parecia desvairada com cada ato seu, não encaixando nada com nada, e não agradando dessa forma. Quanto os demais foram razoáveis, sem chamar muita atenção, mas também não saindo nada de muito errado.

No conceito visual a trama teve boas passagens pelas cidades, tendo como base praticamente a pequena casa da protagonista, e depois o apartamento do protagonista, e muitos passeios pelas ruas com os cachorros, de modo que não temos um envolvimento maior como tivemos no primeiro filme, voltando para a fazenda somente ao final, mas aqui os elementos cênicos foram bem pouco usados, mais na cena do cachorro gigante na loja de conveniência que foi bem bacana de ver, e um ou outro elemento em alguns dos atos, de modo que a equipe de arte diria que foi bem preguiçosa, mas não chega a atrapalhar felizmente, tendo um resultado visual satisfatório, principalmente junto da fotografia nas cenas no "paraíso" com as mudanças de vida bem encaixadas de um tom incrível de amarelo com o sol de contraluz, ou seja, poderiam ter ousado mais se quisessem nas cenas normais.

Enfim, tivemos um filme com certos erros, mas que por trabalhar bem o contexto de forma bem agradável, acaba emocionando e envolvendo bastante o público, de modo que funciona para o propósito que foi moldado de sabermos que os animais são extremamente inteligentes e conseguem passar verdade em tudo o que fazem, além claro de mexer com o elo espiritual, que aí vamos muito além. Ou seja, vale a recomendação, principalmente para quem gosta de cachorros, e curte uma história mais simples. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Um Homem Fiel (L'homme Fidèle) (A Faithful Man)

6/12/2019 01:16:00 AM |

Sabemos bem que alguns estilos de filme possuem propostas ousadas, outros entregam diversas amarrações, mas geralmente o drama romântico costuma pelo menos dar leves pitadas no decorrer para que um conflito fosse resolvido ao menos, não para o diretor Louis Garrel, que em seu longa "Um Homem Fiel" entregou uma proposta tão simples e jogada, que mesmo tendo até uma boa desenvoltura acaba parecendo mais um capítulo rápido de novela aonde os casais se trocam por algum motivo, nos é entregue alguma interação de pensamentos, e só, de modo que o melhor da trama é o garotinho cheio de boas sacadas, e a ideologia de dúvida que paira em cima de todos os personagens para terem praticamente 80% das cenas faladas somente em pensamento. Ou seja, um filme simples demais para ser lembrado mais para frente, que até serve para passar um tempo bem rápido, mas nada que vá fazer diferença em não ver.

A trama nos conta que Marianne deixa Abel por Paul, seu melhor amigo e pai de seu futuro filho. Oito anos depois, Paul morre. Abel e Marianne voltam a namorar, despertando sentimentos de ciúmes tanto no filho de Marianne, Joseph, quanto na irmã de Paul, Ève, que secretamente ama Abel desde a infância.

Diria que o diretor e roteirista Louis Garrel tinha uma boa sacada em mente quando escreveu seu filme, porém necessitava alguém mais amplo para trabalhar a ideia e criar um filme mais cheio de detalhes, desenvolver a ideia e depois voltar para suas mãos, de modo que o filme teria mais conteúdo, trabalharia talvez as ideias de dúvida do garotinho, as sacadas românticas da jovem Eva, e até outros romance de Marianne com outros homens para que houvesse um pouco mais de ciúmes, intrigas e afins, pois somente a triangulação rápida que a trama nos entrega, com poucas vertentes, poucas cenas de impacto, sem quase nenhuma simbologia acaba resultando em um filme que começa, aparece e termina, não indo muito a fundo em nada. Ou seja, Garrel fez um episódio rápido que veríamos talvez em uma série ou novela, e depois em outro capítulo veríamos outros desenvolvimentos, e não um filme como realmente se esperava dele.

Sobre as interpretações, ao menos nesse quesito tivemos bons trejeitos de todos, com sacadas mais expressivas de um ou outro, mas no geral um belo elenco que se desenvolveu bem. Para começar o próprio diretor, que é um ator muito melhor que diretor, Louis Garrel entregou bons olhares para seu Abel, fazendo um estilo meio despojado, mas muito intrigado também com tudo o que ocorre entre as mulheres, e claro desconfiadíssimo das ideias do garotinho, e essas boas sacadas e olhares fazem com que ríssemos muito do que ocorre, o que acaba funcionando bastante. Laetitia Casta encontrou em seu sorriso sedutor, e nos olhares bem dominantes a forma de fazer sua Marianne bem envolvente, e cheia de armadilhas, de modo que acaba passando bem o resultado em cada momento do filme, agradando com o pacote completo. Eis que a filha de Johnny Depp com Vanessa Paradis resolveu ser atriz também, e Lily-Rose Depp veio toda provocante para cima do protagonista com sua Ève, trabalhando trejeitos bem colocados, e mostrando que sabe dosar bem o ar de desânimo juntamente com o ar de satisfeita, o que acaba sendo uma grata visualização. Mas sem dúvida o melhor do filme ficou a cargo do garotinho Joseph Engel, que nem fizeram questão de lhe dar um nome de personagem, e o seu Joseph trabalhou ótimas sacadas, encaixando olhares determinados a convencer qualquer um do que desejava passar, emocionando com o choro e sendo cínico com muita precisão, ou seja, tem futuro o garoto.

O conceito cênico da trama nem foi muito elaborado, mas contou com boas ambientações, desde os dois apartamentos bem diferentes de formatação, um mais amplo, outro bem pequenino, mas mostrando quase nada que tivesse algum elemento cênico mais coerente para as situações, um escritório riquíssimo afinal a protagonista trabalha na presidência, uma ilha de edição bem simples, que possivelmente foi a do próprio filme, alguns momentos em um campinho de rua, e um cemitério, ou seja, nada que chamasse atenção.

Enfim, um filme simples demais para envolver, e rápido demais para causar qualquer sentimento, de modo que até rimos de algumas situações, principalmente as envolvendo o jovem garotinho, mas que ao chegarmos no final ficamos tão desapontados com o que nos é mostrado que nem dá para dizer que valeu a pena. Ou seja, um filme mediano que também esqueceremos bem rapidamente, e sendo assim nem tenho como recomendar. Bem é isso pessoal, encerro aqui todas as críticas dos 17 filmes do Festival Varilux, já ficando na espera do que virá no próximo ano, mas volto amanhã ainda com mais um longa que estreou nessa semana, e logo mais outras estreias da próxima semana, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

O Mistério de Henri Pick (Le Mystère Henri Pick) (The Mistery of Henri Pick)

6/11/2019 09:34:00 PM |

Fico tão feliz quando lançam obras investigativas no cinema, para tentarmos descobrir algo ou alguém, trabalhar toda a situação, ir a rumos deslocados para tentar alguma pista, mas geralmente é um estilo que acaba tendo muitos furos, e claro pessoas procurando os erros, então hoje nem vemos mais tantas obras assim, porém hoje felizmente eis que apareceu "O Mistério de Henri Pick", que trabalha de uma forma bem sagaz a busca do verdadeiro autor de uma obra que estragou a vida de um apresentador, e que com boas desventuras divertidas e bem agradáveis acaba entregando uma boa investigação. Diria que o longa funciona bem dentro do que se propõe, e agrada pelo estilo mais envolvente e desacreditado da trama, brincando bem com o espectador, porém o desfecho tão jogado e explicativo acaba desapontando um pouco, pois poderiam ter criado um vértice mais forte e imponente para que a trama explodisse ao final, e não apenas nos falasse o que era realmente. Ou seja, um bom filme, que causa todo um grandioso mistério, que nos instiga junto com o protagonista, mas que fecha com simplicidade demais, o que é péssimo para o estilo.

A sinopse nos conta que em uma estranha biblioteca no coração da Bretanha, uma jovem editora descobre um manuscrito extraordinário que imediatamente decide publicar. O romance se torna um best-seller. Mas seu autor, Henri Pick, um bretão fabricante de pizza que morreu dois anos antes, nunca teria escrito nada além de suas listas de compras, segunda a viúva. Convencido de que se trata de uma fraude, um famoso crítico literário decide liderar a investigação.

A direção e o roteiro de Rémi Bezançon é digna de um grandioso livro no estilo de Agatha Christie, pois trabalhando bem o mistério com boas investidas, encontrando bons símbolos para representar os momentos, o filme consegue se desenvolver bem, tendo atitude e carisma para prender o espectador até o final, moldando cada ato para ser resolvido, e claro, sempre deixando o ar misterioso ao redor de cada envolvimento, demorando e passeando pelas belíssimas locações, porém, como disse no começo do texto, acredito que ele tenha se cansado do mistério, e preferido um final mais romantizado, com nuances mais simples, e dessa forma apenas deu o desfecho que vimos no cinema, e acabou levemente brochando um pouco. Porém longe de estragar completamente, diria que o filme inteiro possui seu brilho, é o resultado final não é um grande estrago, sendo assim ainda um bom longa para conferir.

Dentro das atuações, posso dizer que Fabrice Luchini foi incrível como Jean-Michel Rouche, trabalhando bem os olhares expressivos, buscando desesperadamente a solução de seu enigma, mas principalmente tendo muita classe e estilo, o que acaba nos envolvendo demais na sua busca, transmitindo um carisma sem igual para o seu personagem, que certamente poderia parecer arrogante por inúmeros motivos, mas acaba que nos conectamos de tal forma que ao final já nos vemos torcendo por ele, e isso é ótimo para o estilo, mostrando a ótima capacidade interpretativa do ator que foi perfeito. Camille Cottin deu um tom bem gostoso para sua Joséphine Pick, de modo que ao virar quase um Watson para o protagonista na busca de saber mais sobre seu próprio pai, a atriz acaba se entregando e fazendo ações gostosas de ver e que funcionam bem. Alice Isaaz faz de sua Daphné uma boa personagem, que até aparece pouco na trama, em momentos bem estratégicos, fazendo claro olhares bem interessantes, mas que talvez se fosse mais usada na trama chamaria mais atenção. E por fim temos de dar um leve destaque apenas para algumas cenas de Bastien Bouillon como Fred, pois o jovem teve algumas dinâmicas interessantes e acaba chamando atenção ao final, mas que assim como outros bons atores da trama acaba sendo mal aproveitado.

A equipe de arte foi bem simples, mas cheia de grandes detalhes, criando uma biblioteca incrivelmente delicada e interessante, locações belíssimas numa cidadezinha pequena da Bretanha, outra biblioteca imponente de pesquisa, e claro as tradicionais festas de lançamentos e homenagens, sempre bem colocadas para não exagerar em momento algum com o filme que tinha de ser mais leve, ou seja, fizeram um trabalho delicioso no conceito visual, que acaba trabalhando mais a simbologia, e que funciona por isso.

Enfim, um filme bem feito, que acaba de forma jogada demais, e que poderia ser impressionante caso quisessem, mas fazer o que, porém ainda assim recomendo ele como um bom passatempo investigativo que vale as horas dentro da sala do cinema, só não espere se deslumbrar com o resultado final, se não a chance de decepção é bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas vamos la para o último longa do Festival Varilux 2019, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Filhas do Sol (Les Filles du soleil) (Girls Of The Sun)

6/11/2019 05:56:00 PM |

Quando um filme é forte na medida certa, encontrando dentro do estilo que se propõe impacto visual, emoções, tensões e tudo de uma maneira bem colocada, acabamos saindo da sessão com tanta empolgação que ficamos até alguns minutos pensando em como falar dele, e isso aconteceu com "Filhas do Sol" que com uma precisão minuciosa nos entrega alguns momentos vividos por uma jornalista no meio de um batalhão feminino na Guerra do Curdistão, que não apenas retrata a tensão ocorrendo ali, como flui também ao mostrar a história de fuga da comandante do pelotão de quando estava refém dos terroristas. Ou seja, é daqueles filmes que ficamos até sem respirar com tudo o que se passa na tela, tendo todos os tipos possíveis de sensações durante a projeção, mostrando não só técnica por parte da diretora, mas um conhecimento que vai muito além do que vemos, e como bem sabemos, a diretora não foi jornalista de guerra, mas sim uma grandiosa atriz que acabou estudando muito para realizar com precisão cirúrgica um filme forte, empoderado, e que mostra a força de uma mulher mesmo no meio de algo completamente machista como é uma guerra, e ainda impondo muita força sentimental, o resultado acaba brilhando frente ao que vemos.

A trama nos conta que Bahar é a comandante das Filhas do Sol, um batalhão composto apenas por mulheres curdas que atua ofensivamente na guerra do país. Ela e as suas soldadas estão prestes a entrar na cidade de Gordyene, local onde Bahar foi capturada uma vez no passado. Mathilde é uma jornalista francesa que está acompanhando o batalhão durante o ataque. O encontro entre as duas mulheres, dentro do cenário caótico que as cercam, irá mudar a vida de ambas permanentemente.

A diretora e roteirista Eva Husson conseguiu não só captar a essência principal de grandes filmes de guerra que usou de base para criar o seu, como também deu um vértice polêmico em cima de algo incomum de vermos nesse estilo de filme, mulheres combatendo, e que ousando de uma maneira completamente coerente, ela foi sincera nos atos e criou com muita disposição uma trama que envolvesse sem soar falsa, que dramatizasse bem cada ato ao ponto de ficarmos desesperados pela conclusão, ou como a protagonista diz, esperando o barulho de um tiro, pois o silêncio não significa algo bom em uma guerra, e com isso o resultado final não poderia ser outro senão o de ficarmos tensos ao final, mas completamente felizes de ver mais uma bela obra na telona, de modo que ficaremos esperando outros bons filmes da diretora.

Sobre as atuações, temos que praticamente dar uma grandiosa salva de palmas para a iraniana Golshifteh Farahani pelo que fez com sua Bahar, entregando uma personalidade forte, porém cheia de desejos humanos em busca de reencontrar seu filho, mesmo que isso seja uma possibilidade mínima, e com uma desenvoltura própria bem encaixada, cheia de bons olhares expressivos e incríveis de ver, o resultado acaba fluindo e agradando demais do começo ao fim, com muito impacto e perfeição. Emmanuelle Bercot também entrega uma Mathilde perfeita de expressões, com um carisma próprio, e encontrando não apenas bons tons nos seus diálogos para representar a jornalista ali, como bem homenagear esses malucos que são designados para cobrir guerras, que acabam se ferindo, mas mais do que o físico, se ferem na alma por retratar tudo de ruim e forte que acontece nesses lugares, ou seja, a atriz foi fundo na pesquisa e saiu perfeita também. Quanto os demais, todos se doaram bem para os papéis, encontrando muita desenvoltura visual, trabalhando seus personagens com coesão para emocionar e vivenciar tudo da melhor forma possível, tendo como destaque apenas Zübeyde Bulut como Lamia, pois além de estar guerreando teve uma grande cena de parto, que emociona bastante.

No contexto visual temos mais uma vez que parabenizar a todos, pois a intensidade da guerra retratada é tão forte que acabamos nos sentindo junto das protagonistas nos lugares que param para "dormir", dentro do túnel na maior tensão possível, na casa tentando fugir dos terroristas, e até mesmo na hora do combate máximo sentimos a pressão não como meros expectadores, mas sim como combatentes, ou seja, a escolha da câmera proximal foi algo tão incrível, que juntamente de um figurino bem propício, locações extremamente coerentes com tudo explodindo e abarrotado de tiros, e claro muita sensibilidade para demonstrar cada ato como talvez o último acabaram dando um tom tão bem encaixado que o resultado soa perfeito, e que juntamente de uma fotografia densa com iluminações quase mínimas, resultaram em um filme de nível supremo, que faz valer cada minuto.

Além de tudo isso de bom, o longa ainda conta com as protagonistas entoando canções e gritos de guerra tão emocionantes, juntamente com danças emocionantes em meio aos guerreiros homens, que tudo vai muito além de um simples filme de guerra.

Enfim, um filme perfeito, que ac6aba nos transportando para o meio da guerra, que passa emoções e sentimentos a cada minuto de projeção que não tem como dar uma nota menor, sendo colocado como um dos melhores filmes do Festival Varilux, que recomendo com toda certeza por trabalhar tensão na medida certa, e emoção precisa como todo longa do estilo deve ser. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com os dois últimos textos do festival, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

O Homem Que Matou Dom Quixote (The Man Who Killed Don Quixote)

6/11/2019 03:23:00 AM |

Imagine todo tipo de loucura possível que possa conter em uma única produção, claro tirando animais bizarros, pois aí a loucura sairia de um ponto impossível de conter! Pois bem, "O Homem Que Matou Don Quixote" tem tudo e muito mais, misturando filmagens, loucura, fantasia, terroristas, russos, vodca, encenações circenses, abstrações poéticas, mineiros, escravistas com armas de choque, e isso é só o que consigo imaginar lembrando, pois as quase duas horas e meia de projeção funcionam bem como era a história de Dom Quixote, algo que soa encantador pela salvação da amada, mas que em detrimento da loucura, misturando com o sol desértico acabava ficando muito maluco de se acompanhar. Porém olhando todos os problemas pelo qual a produção passou nesses quase 30 anos (o diretor Terry Gilliam começou a escrever o roteiro da produção em 1989, tiveram diversos acidentes, trocas de elenco, problemas de ordem judicial, brigas na produção, dilúvio em set, e tudo mais que se pensar), acho que o filme saiu até light, pois no lugar do diretor teria viajado ainda mais nas loucuras para compensar tudo. Ou seja, é um filme maluco, porém muito bacana de curtir, que mistura vários estilos, técnicas, e principalmente fantasia uma história que é sem dúvida uma das mais fantasiosas que já foram escritas, então vá conferir e se divirta, pois vale o tempo na sessão.

O longa nos mostra que quando faz seu filme de conclusão de estudos, o jovem cineasta Toby viaja à Espanha para filmar uma versão independente de Dom Quixote. Para o ator principal, escala um sapateiro da região, que nunca trabalhou no cinema antes. Doze anos se passam, e Toby, agora um renomado diretor de comerciais de televisão, tem a oportunidade de fazer uma superprodução também baseada no livro de Cervantes. Ele retorna à Espanha, começa as gravações, mas logo enfrenta uma crise criativa. Buscando inspiração, tenta reencontrar os atores do projeto anterior. Toby descobre que o sapateiro enlouqueceu, e realmente acredita ser Dom Quixote. Pior ainda, o cavaleiro maluco confunde Toby com seu fiel escudeiro, Sancho Pança.

Diria que o diretor e roteirista Terry Gilliam é realmente daqueles persistente, pois conseguir lançar sua obra criativa de mais de 30 anos atrás passando por tudo o que passou, certamente a maioria teria desistido da ideia, largado mão, e partido para outros filmes esquecendo sequer de um dia ter passado perto desse texto, porém não, brigou com tudo e todos, e conseguiu finalizar entregando agora uma obra que digamos foi bem fora dos eixos, que em diversos momentos pensamos como será que vão conseguir fechar tudo, que a cada novo minuto piora ainda mais todas as ideias possíveis, mas que mostra bem o estilo de Gilliam, com câmeras em ângulos diferentes do usual, muitos personagens aleatórios, e claro muita bizarrice por conta da fantasia completa criada para cada momento, de modo que tudo soa vertiginoso, tudo possui uma abertura mais coerente do que prática, e sendo assim o resultado funciona como algo a mais, que agrada, mas ao mesmo tempo ficamos pensativos: será que gostamos realmente ou fomos enganados, e essa é a grande sacada que faz o filme se encaixar bem em qualquer época que tivesse sido lançado.

Um ponto bem engraçado certamente foi na escolha de Adam Driver para viver o protagonista Toby, pois antes passaram pelo papel Johnny Depp e Ewan McGregor, que possuíam um estilo mais debochado para o papel, mas Driver até que entregou bem os momentos da trama, soube dosar o nível da loucura, e até suas orelhas serviram de piada para o filme, ou seja, acabou caindo perfeito no pacote, encontrando bons olhares e dosando bem as entonações para que o filme funcionasse. Já Jonathan Pryce felizmente caiu como uma luva para o papel de Dom Quixote, de modo que se ele quiser fazer mais outros filmes no papel, certamente lhe darão na hora, sendo até melhor que as outras opções que eram no passado de Jean Rochefort e John Hurt (ambos mortos antes mesmo do filme ser lançado!), ou seja, Pryce pegou um peso imenso sobre os ombros e não decepcionou incorporando cada ato com muita paixão pelo papel. A portuguesa Joana Ribeiro fez boas cenas como Angelica, dando olhares sedutores, incorporando bem o estilo espanhol para a produção, e agradando bastante no papel que inicialmente foi da esposa (que ainda nem era esposa) de Depp, Vanessa Paradis. Stellan Skarsgård fez suas cenas como O Patrão tão rápidas, e sem muitos elos, que qualquer um poderia fazer o papel, e não chega a ser impressionante nenhum ato seu, o que é uma pena. Olga Kurylenko deu um ar bem imponente para a sedutora Jacqui, chamando a atenção até mais do que a protagonista, e isso não é algo que deveria acontecer, mas convenhamos que a escolha aqui foi intencional. Outro que chamou a atenção, embora seja bem secundário o papel, foi Óscar Jaenada como o cigano, e aqui ele certamente se inspirou em tudo o que Depp já fez com seu famoso pirata, pois o estilo lembra demais, e ele acaba agradando por essa simbologia. Quanto aos demais, tivemos personagens aos montes para ficar falando pouco de cada um, e diria que todos foram interessantes dentro de suas proporções, agradando bem, e tendo pouquíssimo destaque apenas ao final Jordi Mollà como o russo Aleksei.

No conceito visual, arrumaram boas locações na Espanha e em Portugal para que o filme tivesse o teor completo que a trama pedia, e junto dessas locações ainda criaram ótimas vilas, arrumaram castelos, montaram muita coisa em meio a um deserto, ou seja, recriaram um mundo completo para as aventuras de Dom Quixote, trabalhando com muitos objetos cênicos bem encontrados, e desenvolvendo tudo com muita sutileza, e claro loucura para que o filme ficasse bem criativo e cheio de detalhes, ou seja, uma trama bem luxuosa, que certamente será lembrada por sua grandiosidade, e claro todas as loucuras que fizeram parte disso. A fotografia praticamente adotou o laranja, vermelho e amarelo como elo próprio da trama, de modo que chegamos quase a sofrer insolação junto dos protagonistas, e o resultado é até bonito de ver refletido nos figurinos.

Enfim, um filme que surge com uma proposta ousada, e que entrega um trabalho muito criativo em cima de uma história maluca, mostrando que mesmo adaptando uma obra, é possível ousar em cima dela, e sair com uma criatividade fora dos padrões, de modo que vemos algo que teria funcionado facilmente se lançado lá nos anos 90 como era planejado, se tivesse dado certo na segunda tentativa nos anos 2000 seria perfeitamente bem conduzido, e que agora ainda agrada com vertentes fantasiosas bem colocadas, ou seja, um filme atemporal, que agrada bastante, mesmo sendo bem maluco, e que quem gosta de propostas malucas acabará se divertindo muito com o que verá. Sendo assim fica a minha recomendação para o filme, e também encerro o dia por aqui, então fiquem com meus abraços e até amanhã com os últimos filmes do Festival Varilux.

Leia Mais