Crocodilos: A Morte Te Espera (Black Water: Abyss)

5/16/2022 01:32:00 AM |

Logo que apareceu o trailer do longa "Crocodilos: A Morte Te Espera", e vendo o nome em inglês "Black Water: Abyss" já lembrei de outro filme com a mesma temática e até o mesmo primeiro nome, que é o filme "Medo Profundo" lá de 2007, então aqui podemos dizer que é uma continuação que não quiseram usar o nome na divulgação. A principal diferença é que no de 2007, eles estavam pescando no meio do mangue cheio de crocodilos e usaram os bichões reais, enquanto aqui inventaram de entrar no meio de cavernas, e é bem notável que o crocodilão é computacional, mas a base é a mesma, parecendo inclusive com outro filme de pessoas presas em cavernas que não consigo lembrar o nome (se alguém lembrar e quiser ajudar aí nos comentários, agradeço!). Ou seja, não é um filme que podemos falar que é ruim, só é tudo bem improvável, e não chega a dar um desespero real como deveria acontecer, nos pegando apenas em alguns atos com sustos gratuitos do bicho aparecendo, mas que na maioria das vezes estamos esperando por ele, e assim o resultado é simples, porém efetivo no que foi proposto, servindo para rir praticamente de algumas pessoas na sessão pulando da poltrona.

No longa acompanhamos um casal aventureiro que convence seus amigos a explorar um remoto sistema de cavernas, nunca antes explorado, nas florestas do norte da Austrália. Com uma tempestade tropical se aproximando, eles descem para a entrada da caverna, mas o local começa a inundar, e a partir daí suas vidam ficam por um fio. Em uma gruta onde a água não para de subir, à medida que as águas da enchente os prendem profundamente abaixo da superfície, os cinco amigos se encontram ameaçados por um bando de crocodilos, o que os levará a uma intensa luta pela sobrevivência. Encurralados pelos crocodilos assassinos, as feras famintas não param de emergir da escuridão, e o grupo precisará achar um caminho para resistir à desesperadora ameaça mortal, juntos.

Inclusive a direção aqui é do mesmo Andrew Traucki que vem refazendo seus longas de sucesso da época, agora com os crocodilos, e já está pronto para sair esse ano ainda outro de tubarões, que fez sucesso em 2010 ("Perigo em Alto Mar") com quem curte esse estilo, ou seja, revisitar o passado sempre é uma boa opção. Porém se lá no começo dos anos 2000 essa ideia era bacana, não tendo tanta computação e usando mais efeitos práticos, aqui soou um pouco mais apelativo, e não dando para crer que o bichão daquele tamanho todo passaria pelos buracos atrás deles, mas a trama ficou interessante, violenta e bem colocada, ao ponto que quem curtir o estilo vai se divertir, mas certamente poderiam ter trabalhado um pouco mais com tudo, e a história secundária da traição ser menos boba. E claro, poderiam ter feito um finalzinho melhor, pois é absurdo o que acontece quando os sobreviventes saem da caverna, e depois rola algo que nem o pior motorista do mundo faria.

Nem sei se quero falar das atuações, pois é algo completamente dispensável em longas desse estilo, pois dificilmente torcemos para alguém se dar bem, já que sempre são atores bem fracos e fazem caras e bocas sabendo que vão morrer comidos pelo bicho, então Jessica McNamee até teve algumas expressões certeiras de medo e desespero com sua Jennifer, além de expressar desgosto ao saber da traição. Luke Mitchell fez com seu Eric o tradicional maluco aventureiro que quer entrar na água, ir lutar com o bicho, buscar caminhos alternativos e tudo mais, mas que a maioria da mulherada na sala vai torcer pra que comam ele em 30s após a moça ver a foto e perceber tudo. Amali Golden fez de sua Yolanda aquela mulher com jeitinho bobo, mas que também não é santa, e que nem expressa um pouco de temor do bicho. O pobre Benjamin Hoetjes levou seu Viktor com problema respiratório para um lugar claustrofóbico, e só por isso já é maluco o suficiente, mas fez caras de morto bem antes de estar sendo comido. O malucão da parada Anthony J. Sharpe fez seu Cash super descolado, mas bastou a água se mexer já estava se borrando inteiro, e claro que foi quem mais fez o povo rir com tudo. E só, pois os japoneses apenas abriram o filme com desespero, caíram e já eram, ou seja, ninguém fez nada de demais em cena.

Visualmente acredito que não filmaram numa caverna real, mas conseguiram passar uma boa impressão estranha do ambiente, tendo muito pouco para mostrar com uma água bem turva aonde só viam o crocodilo quando já estava pronto para comer a pessoa, então tivemos claro os elementos de exploração de cavernas com cordas, lanternas e afins, mochilas, a bombinha de asma do rapaz, um facão e claro um revólver para ser usado da maneira mais idiota possível, ou seja, fizeram o básico se foram realmente para uma caverna, e se recriaram a caverna foram bem produtivos que ficou convincente, já o crocodilo poderiam ter dado um realismo melhor para ele, pois é notável a computação nas cenas de come-come.

Enfim, é um filme que poderia ser muito melhor, que já vimos coisas bem semelhantes, mas que serve como uma boa pipoca de um passatempo para rir dos personagens morrendo, então tirando o final idiota e a história secundária, o restante vale a conferida deitado no sofá. E sendo assim fica minha recomendação como um bom filme mediano, e nada mais. Eu fico por aqui hoje pessoal, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Águas Selvagens (Água dos Porcos)

5/15/2022 08:10:00 PM |

Existem filmes que possuem tantos elementos interessantes no roteiro que os diretores se sentem pressionados a utilizar tudo, porém precisam olhar ao redor e eliminar sem pesar algum na mão para que tudo o que vai parar na tela seja funcional e bem colocado, para que não fique cansativo, e principalmente não perca o interesse do público no que vai rolar. Comecei o texto da produção argentina-brasileira "Águas Selvagens" dessa forma por acontecer exatamente isso com o longa, pois daria fácil para removendo uns 20 minutos da trama com sobras e atos que não impactaria em nada no resultado final, muito pelo contrário, daria para colocar até mais elementos do caso para que o filme impactasse mais no público, afinal logo nas primeiras cenas já dá para notar que existem situações de tráfico infantil para envolvimentos sexuais na cidade, e que o investigador está sendo usado apenas para apagar o envolvimento real dos seus contratadores, mas aí acabaram colocando envolvimento pessoal do investigador, do porteiro do hotel, de putas e tudo mais, que quase apagaram toda a síntese forte do filme, e isso é algo perigosíssimo, mas que como sabemos bem, diretores gostam de enfeitar seus trabalhos, e aqui o pavão quase perdeu as penas e o pescoço. Ou seja, não é um filme ruim, mas como você pega a ideia logo no começo, a enrolação para o fechamento acaba cansando demais, e com isso o interesse acaba indo embora também, ao ponto que nem impacta mais todo o processo final, o que é uma pena.

No longa acompanhamos Lucio Gualtieri, um ex-policial argentino que trabalha agora como investigador. Cheio de problemas em sua vida pessoal, ele aceita um trabalho para solucionar um crime cometido na tríplice fronteira, entre a Argentina, Brasil e Uruguai. O crime em questão, trata-se do cadáver de uma figura importante, encontrado castrado nesse território hostil. Porém, chegando lá, entre o farejo de uma pista e outra, ele dá de cara com personagens controversas, como a prostituta Debora e a jovem Blanca, além de toda uma organização criminosa complexa. O investigador acaba se metendo em uma trama de assassinatos, prostituição e tráfico de menores, que faz com que ele seja perseguido e se comprometa mais do que imaginava - enquanto ainda administra seus próprios conflitos internos. O maior desafio para o ex-policial, será conseguir sobreviver a esse espaço.

Embora seja um longa nacional, a direção é do argentino Roly Santos usando um roteiro do também argentino Óscar Tabernise, baseado no seu próprio livro "Ele Muertito", acaba sendo daqueles que tem todo um processo possível para diversas reviravoltas, e com isso, talvez nas mãos de um diretor mais experiente o resultado fosse outro, mas com o que foi apresentado quase virou uma novela fraca que se perde no miolo sem saber quais rumos tomar para ter um fechamento decente, e isso pesa ainda mais por ter algo que facilmente viraria daqueles filmes ficcionais,as com pontas de denúncias tão interessantes de ver que ficamos esperando o choque acontecer. Ou seja, dessa vez tenho de jogar totalmente a culpa em Roly, uma vez que a falha foi em não parar para pensar o que era importante trabalhar, e o que poderia ser eliminado do livro, afinal quando estamos lendo, queremos mais detalhes, mais tramas, e mais densidade, porém num filme, isso já se pega com uma cena simples do garotinho servindo suco com as mãos machucadas, e a partir daí já daria para eliminar quase 50% das cenas seguintes. Sendo assim, quem for conferir, a principal dica que dou é que pense menos e deixe se levar, senão tudo vai incomodar, e esse é o maior problema do filme.

Sobre as atuações, o ator uruguaio Roberto Birindelli já fez tantas produções nacionais que já podemos quase considerar ele um brasileiro, e aqui na trama oseu Lucio tem uma pegada até que interessante de investigador particular, mas em determinados momentos parece meio que perdido em cena, e isso se deve principal a uma direção ruim, ou seja, faltou usar mais ele em ação do que no quarto do hotel, e isso pesou demais para que sua expressividade não aparecesse tanto. Mayana Neiva tem aparecido bastante nas últimas produções nacionais, e aqui sua Rita em alguns momentos parece a vilã, em outros parece desinteressada em tudo, e até o final acaba sendo uma vítima de todo o processo, ou seja, a personagem acabou se perdendo na trama toda. Leona Cavalli com sua Debora e Allana Lopes com sua Blanca até entregam boas personagens, mas talvez precisassem desenvolver melhor elas, e não jogar tanto com a piedade do público para o que fazem, e assim certamente iriam mais além, mas fizeram bons traquejos, e assim ao menos foram bem usadas. Juan Manuel Tellategui ficou até que bem misterioso com seu Fabian, porém faltou aquele algo a mais para chamar atenção no seu personagem, e isso fez com que ficasse até mais estranho do que intrigante de acompanhar. Luiz Guilherme até tentou disfarçar no começo com seu Quiroga, mas o diretor acabou usando um efeito em sua cena de apresentação que já dá para pegar tudo ali, e isso é um dos erros mais ingênuos que um diretor pode fazer. Quanto os demais, praticamente nenhum apareceu de forma chamativa realmente, e assim acabam sendo até menos importantes do que poderiam ser, ao ponto que o policial corrupto vivido por Daniel Valenzuela e o ex policial amigo do protagonista vivido por Néstor Nuñez apenas tentaram ser algo que o filme nem precisava ter.

Visualmente acredito que os produtores pagaram bem caro nas locações dos dois hotéis, e com isso ficaram mais tempo nos quartos do que passeando pela ótima floresta ao redor que causaria muito mais tensão do que o que foi apresentado, e assim vemos algumas cenas meio que jogadas rapidamente como a ida na empresa do morto duas vezes com tudo escuro para não detalhar nada, a ida num puteiro duas vezes também para algumas cenas avulsas, e até a ida três vezes na casa da garota apenas para levar e buscar ela, ou seja, a equipe de arte nem precisou quase criar nada, apenas com idas e vindas, para chegar em alguns tiroteios que precisaram de sangue, pois sem ela poderia dizer que dormiram o tempo todo enquanto filmavam o longa.

Enfim, friso que não é um longa ruim, afinal dá até para criar algumas expectativas com o suspende proposto, porém falharam em pontos tão precisos que o resultado final acaba sendo decepcionante, e eram coisas bem fáceis de serem arrumadas, ou seja, é daqueles com grande potencial, mas que acabam ficando medianos com as escolhas feitas. E é isso meus amigos, fica assim sendo a indicação, para que relevem muita coisa ao ir conferir a trama, mas apoiem o cinema nacional, afinal sair das comédias bobas é preciso, e ousar para o suspense é um bom passo. Eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Soldado Que Não Existiu (Operation Mincemeat)

5/14/2022 06:52:00 PM |

Quando surge algum longa de guerra o que acabamos esperando ver é tiros e explosões para todos os lados, porém temos de ver também o lado mais denso das operações, aquele onde a mente fala mais alto que as armas, e claro também que muitas mentiras acabam rolando, e com o filme "O Soldado Que Não Existiu", que entrou em cartaz na Netflix, vemos a operação incrível que a Inglaterra fez para enganar Hitler com um defunto, criando toda a história amorosa de um soldado sem nunca sequer terem o conhecido. Ou seja, uma destreza impressionante, muito bem elaborada, que realmente aconteceu, e que teve um soldado acompanhando tudo e escrevendo toda a dramatização da espionagem, que depois virou um ícone nas tramas do estilo, apenas chamado de Ian Fleming, que aqui não teve tanta participação, mas que aprendeu bem como enganar o público. Ou seja, é daqueles filmes que ficamos pensando como alguém pôde acreditar no que aconteceu, ainda mais sendo uma guerra, mas a forma criativa foi tão imponente que nem a literatura mais impressionante conseguiria pensar em tudo o que os militares ali presentes fizeram.

O longa nos mostra que em meio a Segunda Guerra Mundial, Ewen Montagu é um juiz, espião e oficial da inteligência naval da Inglaterra que planejou a operação Mincemeat, além de ser um dos dois agentes que a executou. Os dois oficiais de inteligência planejaram quebrar o controle mortal de Hitler sobre a Europa com um plano criativo e ousado. Na esperança de mudar o curso da Segunda Guerra Mundial e salvar dezenas de milhares de vidas, eles utilizaram um cadáver e documentos falsos para enganar as tropas alemãs.

Diria que o diretor John Madden foi tão preciso na formatação da ideia do livro que usaram de inspiração, que acabou indo até além numa trama de intrigas e desenvoltura, aonde qualquer um podia estar espionando o outro, de agentes duplos e triplos, e que desenvolvendo ainda algo completamente imaginário, mas que dependia ainda de muitos para funcionar até que tudo que desejavam de informações falsas e verdadeiras chegassem até o alto comando nazista, ou seja, ele precisou encontrar um meio termo bem forte, que fosse realista o suficiente, e que chamasse atenção. E felizmente ele conseguiu até algo a mais, pois acabamos arrepiados com os aparelhos trazendo os resultados, com as dinâmicas bem expressivas por parte do elenco, e até mesmo com o estilo de filme, pois aparentava ser algo mais lento, mas acabamos tão envolvidos com a forma escolhida para apresentar tudo que nem piscamos na montagem bem trabalhada. Ou seja, é daqueles que funcionam dentro do contexto inteiro, e vai com precisão aonde desejavam.

Sobre as atuações, Colin Firth sempre se dedica demais nos papéis que pega para fazer, e aqui seu Ewen Montagu é daqueles que passam emoção mesmo com olhares frios, que desenvolvem muito mais do que a trama pede, e que conseguem emocionar apenas nas mais simples atitudes, ou seja, o ator da um show de emoções sendo duro e bem direto em tudo, o que acaba agradando demais. Já Matthew Macfadyen trabalhou seu Charles diretamente na duplicidade de querer tanto algo a mais que se joga no papel e vai criando vínculos, vai sendo forte em não conseguir a paixão da jovem ouvindo e vendo tudo ser montado, e acaba indo para rumos mais amplos na dinâmica de tentar conseguir trazer seu irmão morto, e com isso atua em tantos vértices que o papel lhe pesa, mas se sai bem, e isso é o que importa. Ainda tivemos Kelly Macdonald muito bem encaixada com sua Jean real, mas passando muita personalidade para a Pam fictícia das cartas, demonstrando afeto num meio duro e machista, mas sabendo aonde encaixar seus elos e passando muita sinceridade no olhar. Na equipe ainda tivemos uma excelente Penelope Wilton como a durona secretária do Almirantado, Hester, conseguindo conectar todos os personagens, e passando sinceridade no olhar, além de uma confidencia com a esposa do protagonista para manter ele na linha, ou seja, a atriz apareceu bem em todos os atos, e chamou a responsabilidade quando precisou. Dentre os demais tivemos muitas aparições bem conectadas, como a de Jason Isaacs como Godfrey (ou M para aqueles que conseguirem conectar algo a mais dos longas de espionagem famosos), tivemos Simon Russel Beale bem imponente como Churchill, também entrou muito bem em cena Lorne Macfadyen atuando tanto como o soldado Roger, quanto como o defunto Martin, e assim dando boas nuances para o papel que falou quase nada, e para finalizar não poderia deixar de lado Johnny Flynn representando Ian Fleming, ele mesmo o criador de James Bond, que aqui apenas acompanha a operação, mas que escreve muito depois, e sabemos aonde foi rolar.

Visualmente o longa tem muita classe ao mostrar o gabinete aonde se passa a operação, num porão meio que abandonado por não ser a primeira linha das missões inglesas, mas que acabaram deixando bem arrumado para tudo, vemos os bares e boates da Soho com as tradicionais danças e boêmios, em meio a generais, soldados e espiões em suas reuniões, vemos todo o aparato militar dentro de submarinos e ainda tivemos toda a ocupação da praia na Itália e a chegada do corpo que fez toda uma Espanha se movimentar, ou seja, a equipe de arte trabalhou bastante tanto com figurinos de época como em locações marcantes para que os objetos mais simples e funcionais se encaixassem e agradassem.

Enfim, é daqueles filmes que nos envolvemos demais, que soam simples por um lado, porém precisos por outro, e que no final já nos pegamos completamente prontos para tudo, torcendo para todos conseguirem o objetivo e muito mais, e felizmente na história real também funcionou, então vale a conferida dupla tanto pela História, quanto pelo bom filme que é, e assim acabo recomendando ele, mesmo sendo um pouco longo para um drama, o que deve cansar alguns, então fica a dica. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.


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O Peso do Talento (The Unbearable Weight of Massive Talent)

5/14/2022 01:48:00 AM |

Costumo falar que o gênero mais difícil de se fazer é a comédia, pois fazer rir de verdade é algo que poucos longas conseguem entregar para uma pessoa, afinal muitas vezes até rimos por alguma forçada de barra do protagonista, outras vezes por uma piada idiota, mas rir mesmo com toda a ideia é algo que poucos filmes fazem, então tentar fazer rir colocando junto uma dose dramática e ainda brincar com metalinguagens de outros filmes e personagens, só um maluco completo se arriscaria, e se falou em maluquice quem aceita qualquer parada: ele mesmo Nicolas Cage, que encarou uma dura missão de se auto interpretar, fazer uso de outros personagens famosos seus, ter cenas memoráveis relembradas, e ainda ousar criar um filme dentro de outro filme, tudo isso nos 107 minutos de "O Peso do Talento". E a primeira pergunta que vem na mente: funcionou? E a resposta é mais ou menos, pois acabou sendo uma trama digamos estranha, que até faz você sorrir, tem boas sacadas, mas que só quem for realmente muito fã do ator, que já viu praticamente todas as suas principais obras, e gostar de uma comédia mais recheada de sacadas irônicas do que realmente algo bem divertido, vai acabar gostando, porém não é algo ruim, pelo contrário, dá para refletir na carreira de Cage, e até curtir a ideia completa que já é notável de como irá acabar, mas pra isso precisa aguentar o filme todo.

O longa nos mostra que sofrendo por não conseguir mais papéis como antes, não ter mais a fama como antes, estando insatisfeito com a vida e prestes a pedir falência, Nicolas Cage chega no fundo do poço e se mete em uma aventura que ultrapassa os seus papéis feitos. Após correr atrás de Quentin Tarantino implorando um papel em seu novo filme e não obtendo sucesso com o diretor, Cage acaba aceitando US$ 1 milhão, como sua última fonte de renda. O dinheiro vem de Javi, um superfã e fanático pelo ator, mas extremamente perigoso. As coisas tomam um rumo inesperado quando Cage é recrutado por um agente da CIA e forçado a viver de acordo com sua própria lenda, canalizando seus personagens mais icônicos e amados na tela para salvar a si mesmo e seus entes queridos. Com uma carreira construída para este momento, o experiente ator deve assumir o maior papel de sua vida - ele mesmo.

Diria que o diretor Tom Gormican melhorou consideravelmente seu estilo de comédia em seu segundo filme, pois o primeiro "Namoro ou Liberdade" até que foi bonitinho, mas faltou aquela história realmente que chamasse a atenção, já aqui ele trabalhou bem a essência e fez algo feito com um primor para os fãs de Nicolas Cage, e a julgar pela quantidade de pessoas na sessão, diminuíram consideravelmente após a pandemia, ou o pessoal não anda curtindo mais seus trabalhos, pois antes todos os filmes dele lotavam, ou seja, a ideia aqui é algo bem diferente dos padrões de Hollywood, ao ponto que se me falassem que era uma trama britânica aceitaria de cara, pois elogia ao máximo "As Aventuras de Paddington 2", tem um estilo dramático melhor inserido do que a própria comédia, e usa tantas referências que acaba indo por rumos até meio desencontrados, mas que funciona e agrada, ao ponto que talvez mais para frente até vire algo cult, mas que atualmente pareceu desencontrado com a proposta, ao ponto que faltou direção no texto para ir além do que é facilmente encontrado logo nas primeiras cenas.

Sobre as atuações, basicamente temos de falar claro de Nicolas Cage fazendo ele mesmo normal, e assumindo trejeitos clássicos de seus personagens mais marcantes, além de assinar também como Nicolas Kim Coppola uma versão mais jovem sua dentro de sua mente com claro o pseudônimo de Nicky, e fazendo claro seu jeito canastrão bem emocionado, seus olhares fortes acaba levando para si mesmo uma referência marcante e bem trabalhada, ou seja, é ele sendo ele mesmo e mostrando para si mesmo que fez bons papeis na carreira. Ainda tivemos um Pedro Pascal com um Javi bem encaixado, cheio de olhares apaixonados de fã para com seu ídolo, trabalhando sotaques e desenvolturas emblemáticas, e marcando bem o território para que o papel não ficasse apenas como um fã milionário, mas sim um algo a mais que brinca com o feitio de um filme e a personificação de um papel, bem como também muitas drogas rolando e deixando tudo ainda mais maluco. Quanto aos demais, tivemos uma participação efetiva de Tiffany Haddish com sua Vivan, algumas boas sacadas com Neil Patrick Harris como o agente do protagonista, e até boas conexões familiares feitas por Sharon Horgan e Lily Mo Sheen como ex-mulher e filha de Cage, mas pareceram um pouco desinteressadas nos atos, o que acabou não chamando tanta atenção.

Visualmente o longa foi filmado em uma área bem interessante de um vilarejo da Croácia que fizeram parecer Mallorca na Espanha, mas que puderam brincar com carros, trombadas e muito mais, além de uma mansão gigantesca contando inclusive com uma área só com elementos cênicos dos filmes de Cage, ou seja, algo bem próprio de um fã riquíssimo, mas sem dúvida a melhor cena cômica fica a cargo do ato de invasão da sala de câmeras de segurança, pois ali embora seja algo mais próximo da comédia pastelão, ficou muito bem feita e retratada no ambiente em si.

Enfim, confesso que estava esperando algo mais chamativo e imponente, mas que funciona bem dentro da proposta, então quem curtir comédias mais reflexivas, sem grandes atos para rir sem parar, e claro for fã dos filmes de Nicky vai acabar gostando bastante, mas do contrário é melhor ir para outro filme, senão a chance de odiar também é bem alta. Sendo assim recomendo ele com ressalvas, mas que se faz valer bem se pensarmos que ultimamente tem pego umas bombas bem difíceis de conferir, claro tirando "Pig - A Vingança". Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Homem do Norte (The Northman)

5/13/2022 01:44:00 AM |

Ver filmes que envolvam lendas e mitologias nórdicas é algo que funciona demais ou vira uma bomba completa, e já tive exemplares bem variados dos dois tipos que comentei aqui no site, mas uma coisa é bem clara em ambos os casos: a violência não é gratuita, mas sim imposta com estilo e com muita precisão. Então pegando tudo o que tem de melhor numa lenda, colocando seu lado viking em nível máximo e conseguindo ainda não ser contido por produtores que desejassem uma classificação mais branda, o diretor Robert Eggers conseguiu fazer com que seu "O Homem do Norte" fosse daqueles filmes completos que não temos aberturas para a mente fluir, não temos atos forçados para parecer algo que não é, e ainda assim manter um misticismo, brilhar personalidades fortes, e claro cortar muitas cabeças fora, pendurar corpos como ato de empoderamento, dizimar aldeias, comer alguns corações, e também ter atos sexuais fortes, afinal seria brando demais um filme desse porte não ter essa pegada. Ou seja, é daqueles filmes que você não irá precisar pensar muito durante a exibição para compreender nada, mas certamente irá pensar nele depois com cada nuance que for lembrada na sua mente, de quão forte aquilo é na síntese toda, pois dificilmente algum ato não irá lhe impactar em nada.

O longa segue uma história de vingança e loucura de um príncipe. Se passando no ápice da Landnámsöld, no ano de 914, o príncipe Amleth está prestes atingir maioridade e ocupar o espaço de seu pai, o rei Aurvandill, que acaba sendo brutalmente assassinado. Amelth acaba descobrindo que seu tio é o culpado, mas sem sequestrar a mãe de Amleth primeiro. O menino então jura que um dia voltaria para vingar seu pai e matar seu tio. Vinte anos depois, agora Amleth, um homem viking que sobrevive ao saquear aldeias eslavas, conhece uma vidente. Ela por sua vez o lembra que chegou a hora de cumprir a promessa que fez há muito tempo atrás: salvar sua mãe, matar o tio e vingar o pai. O ex-príncipe então parte para uma odisseia em busca do tio.

Quem já leu meus textos anteriores dos filmes do diretor e roteirista Robert Eggers sabe que mesmo achando muito bom "A Bruxa", até hoje é um filme que não curti muito, e "O Farol" achei genial, porém extremamente lento que quase dormi, agora o que ele fez hoje foi a perfeição completa, mantendo seu estilo seco com imagens incríveis e imponentes, um texto forte e com pegada, daqueles que ficam na cabeça várias frases, seguindo claro uma mitologia nórdica, uma lenda interessante, e que já vimos aparecer com outra aparência no clássico de Shakespeare, "Hamlet", mas principalmente melhorou consideravelmente o ritmo, e não fazendo algo acelerado, mas sim algo com as devidas pausas cênicas, com todo um traquejo bem montado de horas fortes e horas mais brandas (não tem nada que desse para usar a palavra leve no filme!), e que mesmo você estando extremamente cansado de uma semana quase inteira de trabalho não piscasse ou hesitasse em dormir, o que é completamente diferente de seus dois longas anteriores que o sono vinha na velocidade máxima durante cada ato. Ou seja, muitos vão achar um filme violentíssimo que não dá para conferir, mas quem entrar de cabeça no filme vai amar cada detalhe e sair impressionado no sentido mais positivo da palavra, afinal é cinema de arte, mas com uma pegada comercial perfeita.

Sobre as atuações, Alexander Skarsgård deu seu nome para Amleth, se jogando por completo nas cenas mais fortes, lutando com imposição, fazendo trejeitos marcantes, e claro dando literalmente seu sangue pela produção, pois se cortou algumas vezes nos depoimentos que deu, mas claro na maioria das cenas usando muita maquiagem, se sujando sem dó nem piedade, e marcando muitos pontos com tudo o que precisasse fazer com muita disposição e desenvoltura, ou seja, caiu como uma luva para o papel e vai ser lembrado por tudo. Anya Taylor-Joy tem crescido tanto nos papeis que pega, que diria que seu agente é um dos melhores de Hollywood, pois estão lhe entregando papeis fortes, aonde ela pode se expressar bem e impor trejeitos próprios, afinal ela é bem seca de nuances, e isso cai muito bem nos personagens que faz, e aqui sua Olga tem cenas fortíssimas de expressividade tanto facial, quanto corporal e sensual, incluindo um arremesso que muitos vão chocar, mostrando personalidade e clareza no que desejava fazer em cena, ou seja, perfeita. Claes Bang não é daqueles atores que aparecem muito, e aqui seu Fjölnir poderia ser mais forte no miolo, ao ponto que ficássemos com mais ódio dele, afinal é um vilão em suma, se seguirmos a ideia do protagonista, ou não se seguirmos outra lógica que nos é contada próxima do final, mas se impôs bem, cortou algumas cabeças humanas e de animais, e na luta final foi bem imponente. Nicole Kidman fez uma rainha interessante, num misto de loucura e imposição, fazendo trejeitos intensos e marcantes, mas sem sair da linha, o que acaba sendo bem bacana de ver, mas como seu papel é ao mesmo tempo importante pela trilha final, mas secundário no meio do conflito todo do longa, acabou ficando um pouco apagada demais, mas foi bem no que precisava ser feito. E ainda tivemos nos primeiros atos ótimas atuações de Ethan Hawke como o rei Aurvandill, com a cena na caverna fortíssima com o filho, e também na mesma cena uma ótima interpretação do sempre incrível Willem Dafoe como o curandeiro Heimir, ou seja, até nos secundários colocaram gente boa demais. Dos mais jovens todos tentaram aparecer bem, sendo expressivos e bem dirigidos, mas a versão jovem de Thórir com Gustav Lindh ficou meio boba demais, o que pesou um pouco para ser algo mais chamativo no papel.

Visualmente o longa é um deleite puro, com cenas filmadas em locais bem amplos, com vilas bem construídas para serem destruídas nas invasões, muitos atos com armas fortes em lutas corporais marcantes, muitas cenas de danças imponentes e cheias de simbolismo, figurinos bem trabalhados sem firulas para retratar realmente o povo viking bem sujo, cenas em barcos, cenas sexuais fortes e também algumas mais trabalhadas, e muita maquiagem, muito sangue, muito visual mesmo real, afinal o diretor já falou que não gosta muito de computação gráfica, e assim sendo a equipe de arte que lute literalmente para que tudo fique o mais real possível, e isso faz valer demais no que é mostrado na tela.

A trilha sonora é bem marcada por tambores e batidas nos escudos, tendo uma ou outra canção simbólica para os atos, e isso deu um ritmo bem cadenciado que não tem enfeites, mas quem achar que é daquelas aventuras frenéticas vai se decepcionar, pois é um longa bem artístico e funciona como tal, mas o melhor é que como já disse não cansa em nenhum momento.

Enfim, certamente colocarei ele no final do ano como um dos melhores filmes que vi, pois é intenso sem pesar a mão, é artístico sem ser chato e cansativo, e principalmente é daqueles que consegue chamar atenção sem precisar apelar, funcionando no que é proposto desde o começo e impactando de alguma forma nas pessoas que forem assistir, valendo demais a recomendação, mesmo que tenha algumas atuações secundárias que poderiam ser melhores, mas que não atrapalham tudo o que tem de bom, e sendo assim se hoje tivesse notas picadas daria um 9,5 para ele, mas como não tenho vou dar 9 com vontade de 10. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Operação Obscura (Body Cam)

5/10/2022 01:05:00 AM |

Sempre que falo que o gênero terror aceita qualquer coisa acabam me chamando de maluco, mas sempre dão um jeito de convencer o público que se alguém morre em alguma situação errada, acaba voltando e se vingando de maneiras não muito calmas, e aqui no longa "Operação Obscura", que entrou em cartaz na Netflix, vemos um espírito ou entidade (não nos é mostrado muito como acabou voltando para se vingar, se através de um culto ou algo do tipo) botando o terror em um grupo de policiais, e defendendo uma mulher, que claro vai intrigar muito uma policial que está voltando ao trabalho após um período afastada. Ou seja, é um filme bem básico de história, que até parecia mais bobinho, porém as mortes são violentíssimas e acaba sendo até forte algumas ações, ao ponto que o resultado até impacta, porém faltou esse detalhe que falei, de detalhar mais como a entidade acabou virando esse ser do mal, afinal acabaremos sabendo que não era uma pessoa ruim em vida, e assim acabou ficando um pouco estranho de ver.

A sinopse nos conta que quando uma blitz de trânsito de rotina resulta na morte inexplicável e horrível de seu colega, uma policial percebe que as imagens do incidente são exibidas apenas para os seus olhos. À medida que os ataques aumentam, ela corre para entender a força sobrenatural por trás deles.

O diretor Makik Vitthal brincou bastante com a ideia, e soube dosar suas cenas em cima de uma investigação aberta, o que é interessante numa proposta desse estilo, porém faltou ir além no desenvolvimento do bichão, pois é contada sua história em vida pelo padre, mas não o que rolou com ele, se sua mãe fez algum pedido, se é algum tipo de choque entre a vida e a morte que ele decidiu não subir nem descer, e isso acaba pesando, pois é legal ver um filme de terror bem violento, aonde não economizaram nas mortes realistas acontecendo na nossa frente, principalmente as finais aonde tudo parece acontecer mesmo, mas sem mostrar acaba sendo apenas um desabafo na moral violenta da polícia, e tudo o que fazem para ocultar erros, e assim sendo o segundo longa do diretor acabou ficando bacana apenas de conferir sem ser chocante mesmo.

Sobre as atuações, sabemos que Mary J. Blige é uma cantora de sucesso que faz vários filmes quando lhe sobra um tempinho entre as apresentações, mas se tem uma coisa que sabe fazer bem é caras e bocas bem marcadas, e aqui sua Renee consegue segurar a banca, fazer alguns trejeitos bem colocados e segurar o filme, mas mais por sua personagem apenas ir investigando e não precisar se expressar muito, afinal raramente veremos um policial muito expressivo, então funcionou no que a trama precisava e acaba agradando. Nat Wolff apareceu tão diferente aqui com seu Danny que em determinados momentos fiquei pensando que outros papeis ele já havia entregue dessa forma, e não tem, pois sempre fez pares românticos, personagens com certas atitudes, e aqui ele foi mais contido, meio com receios demais por ser o policial novato, mas teve um fechamento condizente com tudo, o que acaba agradando bastante, ou seja, poderiam ter explorado mais ele, mas foi bem no que fez. Anika None Rose passa o filme quase que inteiro fugindo com sua Taneesha, e talvez um desenvolvimento no miolo para entendermos um algo a mais dela seria preciosíssimo, mas ao menos não atrapalhou, e isso já é um grande feitio. Quanto aos demais o que faz valer apenas são as formas que acabam morrendo, que nenhum ato vai além, e isso é bem decepcionante se for parar para analisar friamente.

Visualmente o maior mérito do longa é a violência nas mortes, pois o filme sendo muito escuro, e tendo muitos atos dentro das viaturas, acabaram não gastando tanto com cenografias, ao ponto que a casa da jovem é algo bagunçado, cheio de coisas jogadas, que até lembram muito o ar de abandono, tendo claro vários esconderijos e câmeras, a fábrica é intensa e bem trabalhada pelos muitos moradores de rua, dando também um grande ar de abandono, mas cheia de câmeras espalhadas (que não dizem muito qual o uso pela jovem também), a casa da policial é usada algumas vezes, mas mais mostra ela na cama do que qualquer outro ato, e alguns sonhos foram bem dinâmicos, ou seja, a equipe de arte até foi bem usada, e representou bastante tudo o que precisava ser mostrado, mas o aplauso mesmo é para as mortes, que ali meus amigos, não economizaram em nada, sendo até nojento de ver, mas que em terrores vale a pena.

Enfim, é um longa que é bacana e interessante, mas que com muito pouco, talvez uma cena a mais ou duas resultaria em algo brilhante e incrível de ver, pois tudo seria muito bem explicado, teríamos uma desenvoltura forte, e acabaria sendo daqueles memoráveis que não entregam sustos gratuitos, que tem uma pegada tensa, e que chamaria muita atenção, mas ainda assim faz valer o tempo de tela, então fica a dica para quem gosta do estilo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Ritmo da Vingança (The Rhythm Section)

5/08/2022 09:21:00 PM |

Quando falamos em filmes de vingança geralmente nos preparamos para algo bem maluco, aonde os protagonistas estão dispostos a tudo, que vamos sentir impactados com a situação vivida, e tudo mais, porém é um dos gêneros que acabamos criando expectativas demais em cima de tudo, e assim o diretor precisa impactar para conseguir nos convencer, o que dificilmente acontece! Comecei o texto falando isso para chegar no ponto-chave do longa "O Ritmo da Vingança", que entrou em cartaz na Netflix, e causa boas dúvidas em cima de tudo o que ocorre com os protagonistas, ao ponto que tudo estava fluindo para um lado, e de repente tudo muda completamente, o que ficou parecendo um corte brusco da montagem, que acaba soando até estranho de ver, porém o resultado geral é interessante e agrada, não sendo daqueles memoráveis, mas que de certa forma consegue envolver.

A sinopse nos conta que Stephanie Patrick descobre que o acidente de avião que matou toda a sua família, na verdade, foi orquestrado. Após isso, um desejo de vingança incontrolável passa a arder dentro de si, pedindo a ajuda de Iain Boyd para treiná-la. Assumindo múltiplas identidades, Stephanie mergulhará cada vez mais em um mundo perigoso de onde não tem certeza se conseguirá sair.

Diria que a diretora Reed Morano foi por um caminho de boas intenções para que seu filme tivesse uma fluidez interessante, porém acabou faltando algo que convencesse a transformação da garota comum em uma assassina completa, pois ela recebe um treinamento básico, e já vira quase uma agente secreta disposta a tudo, o que é estranho de acompanhar, e além disso as dinâmicas de relacionamento ficaram com nuances estranhas, pois num primeiro momento ela confia em todo mundo, e já no fechamento não confia em mais ninguém. Ou seja, faltou aquele meio do caminho que entregasse algo mais convincente, e isso é um problema de direção que acaba demonstrando falta de técnicas, e claro também da equipe de montagem que não conseguiu entender bem o que a diretora desejava passar para amenizar essas pontas soltas. Sendo assim é um filme até que interessante pela proposta completa, tem uma boa pegada, mas que poderia ter ido bem mais além para surpreender e impactar, ficando quase um passatempo bacana se fosse mais amplo, o que não é ruim.

Sobre as atuações já acompanhamos há um bom tempo os trabalhos de Blake Lively, e cada vez a atriz se mostra mais solta, com imposições artísticas mais trabalhadas em seus trejeitos, e que acaba convencendo bastante com o que sempre faz em cena, e aqui sua Stephanie/Lisa é bem dramática, tem força na mesma proporção que passa por uma jovem pequena demais para suportar tudo (aliás tem até uma piada que o gângster faz falando que solicitou uma prostituta que usasse pelo menos tamanho 46 e lhe mandaram uma que não chega no 40), e que usando de boas desenvolturas consegue chamar a responsabilidade para si, mudando de cabelo várias vezes, se jogando no corpo a corpo e soando interessante de ver, porém seus atos com armas não convenceram muito, o que poderia ter sido melhorado com uma direção cênica melhor, mas ao menos não atrapalhou tanto, e assim sendo agrada no que faz. Jude Law como um mentor é nota oito, mas como um espião foi nota três no filme, e já fez esse tipo de papel mais vezes para poder se impor melhor com seu Boyd, e assim ir além, mas optou por algo simples demais de se envolver, e com isso quase some em cena, o que não foi tão preciso. Agora, Sterling K. Brown parecia uma coisa, daí mudou sua personalidade, a jovem entra na casa dele como se fosse qualquer pessoa, abrindo o portão e largando tudo aberto, e do nada ambos já estão se pegando, ou seja, seu Mark é um bom espião, tem estilo, mas entrega tudo com ares meio estranhos demais, e assim acaba não chamando atenção para lado algum. Ainda tivemos alguns atos iniciais bem colocados de Razza Jaffrey com seu Proctor, alguns bons momentos de luta de Richard Brake com seu Lehmans e até alguns momentos de certa imposição com Tawfeek Barhom, mas nenhum que ficasse chamativo para ser lembrado.

Visualmente a produção passeou por várias locações em diversos países como Inglaterra, Escócia, Marrocos e Espanha, com grandes atos de intensidade nas ruas, com explosões, perseguições, muitas lutas corporais usando facas e apetrechos, com todas as casas recheadas de detalhes, e tudo mais para que as composições funcionassem bem, e assim sendo mostrou que a equipe de arte estava bem disposta a criar tudo o que a diretora desejasse aparecer em cena. Ou seja, é daquelas produções que acabam sendo até mais caras do que deveriam, e precisariam de muita bilheteria para se pagar, mas não foi bem o que rolou.

Enfim, é um longa que muitos vão entrar no clima e até curtir sem reclamar de nada, mas quem pensar um pouquinho em cada detalhe irá ver tantos defeitinhos espalhados que o resultado vai desanimar bastante, e sendo assim recomendo ele com ressalvas, ou que desligue o reclamômetro e mande ver como um bom passatempo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, já que tive probleminhas técnicos com a internet (gambá da rua comeu o fio que entra na casa!!! Quem mandou morar no meio do mato!) então abraços e até logo mais. 


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Amazon Prime Video - TQM

5/07/2022 09:02:00 PM |

Costumo dizer que o melhor filme que pode existir é aquele que é extremamente barato e funciona completamente dentro da proposta, pois jogar orçamentos milionários no lixo, explodir tudo, e não convencer é algo que desanima demais, mas também fazer um longa teatral baratíssimo e ninguém entender nada do que desejavam mostrar é uma falha imensa, então o ponto exato é o barato, simples e bem feito, que muitas vezes surpreende com algo que nem imaginávamos rolar. Digo isso, pois já estava com o longa mexicano "TQM" na lista da Amazon Prime Video há um bom tempo, e parecia ser algo simples demais, com um tema que facilmente poderia virar uma novelona, ainda mais em um país que ama novelas e dramas gigantescos, mas como tenho dado muito azar com umas produções grandes resolvi dar o play, e olha a surpresa foi bem boa, pois além de curto com apenas 80 minutos, ele vai direto ao ponto, entrega boas dinâmicas entre os personagens, e principalmente tem um bom fechamento interessante dentro da proposta, ou seja, pacote completo que apela um pouco em alguns atos, mas que funciona demais.

A sinopse nos conta que uma das psiquiatras mais prestigiadas do México decide testar seus três filhos para determinar como dividir sua herança. Tudo se complica quando um de seus pacientes decide não colaborar com eles. Até onde Lollypop, Marco e Danae iriam para levar o que lhes pertence?

O diretor e roteirista Oren Stamboli fez exatamente o que todo diretor deve fazer em seu primeiro filme, que é não desejar voos maiores do que consegue saltar sem ajudas, e um dos melhores gêneros para trabalhar isso é o suspense, afinal esconder coisas de alguém, trabalhar personalidades e criar dinâmicas entre personagens sem precisar explodir um prédio é algo que funciona, que deixa o público apreensivo e que geralmente agrada se não errarem nas interpretações e montagens, o que felizmente não aconteceu aqui. Ou seja, o filme em si é simples, mas tem uma pegada até que interessante, violenta nos atos finais, e que quem gosta acaba entrando no clima, mas poderiam ter colocado mais alguns joguinhos entre os personagens para ficar perfeito, o que não estragaria nada, e aumentaria talvez um pouco o tempo de tela, mas isso é apenas uma opinião técnica, afinal o resultado funcionou, e isso mostra o potencial do diretor para projetos futuros.

Sobre as atuações, o principal destaque ficou a cargo de Gabriel Tarantini que praticamente fez um James McAvoy mais simples com apenas três personalidades para seu Miguel Angel, mas com trejeitos bem trabalhados, cheios de nuances e inflexões, e que consegue chamar muita atenção do começo ao fim, com muita imposição agradando bastante, ou seja, é seu primeiro filme após muitas séries e novelas, mas já pode ir para cima pois tem potencial. Sarai Meza inicialmente parecia sem muita explosão com sua Lollypop, mas depois foi aparecendo mais para termos um final bem surpreendente por parte de sua personagem, e talvez pudesse ter brincado um pouco mais no miolo para ser ainda melhor. Já os demais atores trabalharam até que bem, fazendo alguns leves chamarizes, mas sem grandes destaques, ao ponto que Pablo Azar fez um Marco levemente explosivo, mas sem muito o que ir além, Ana Carolina Grajales foi a famosa falante de Deus, da Bíblia e tudo mais com sua Danae, mas no primeiro momento que pode já está com uma arma na mão apontando pra própria mãe, e a Anna Silvetti até tentou aparecer um pouco fazendo alguns trejeitos estranhos como a mãe, mas não conseguiu chamar atenção.

Visualmente o longa fica todo preso em uma casa até que bem trabalhada pela equipe de arte, tendo maiores cenas na sala, num banheiro com sua banheira tradicional e várias velas aromáticas, um quarto minúsculo que vira um ambiente de tortura, e a piscina com um balanço próximo aonde temos duas boas cenas entre os protagonistas, ou seja, algo simples que quase daria para virar uma peça teatral, mas que é bem dosado e funcional para o trabalho cênico do filme, ou seja, não exigiram muito da equipe com os elementos usados como uma bíblia, um jogo de dardos, damas e xadrez, uma bolsa recheada de dólares e os demais apetrechos cênicos.

Enfim, não é um filme brilhante, mas como disse no começo superou bem tudo o que podia acontecer, e criando atos de surpresa total junto de duas boas atuações, o resultado acaba sendo algo que faz valer a conferida, ou seja, deem o play e curtam, pois é curtinho e bem sacado. Eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Os Opostos Sempre Se Atraem (Loin Du Périph) (The Takedown)

5/07/2022 01:14:00 AM |

Se você olhar o pôster do lançamento da Netflix, "Os Opostos Sempre Se Atraem", irá ver dois grandiosos atores tanto de filmes de arte franceses, como também dois que andam se aventurando bastante em alguns projetos mais ambiciosos e grandiosos no streaming, e com isso arrumando muito mais fãs do que apenas o pessoal que costuma frequentar festivais, porém logo mais vão precisar começar escolher melhor suas produções para encarar, pois já começaram a cair em bombas que tentam parecer com algo bom, mas enganam quem for esperando um algo a mais como é o caso aqui, afinal o longa lembra aqueles pastelões americanos de duplas policiais que vão desvendar um crime e ficam se "sacaneando" durante todo o percurso, enfrentando piadas racistas e de supremacia fascista, e sem chegar no mérito de agradar nem de um jeito, nem chamando atenção de outro acaba ficando simples e bobo apenas. Ou seja, temos boas cenas de ação, algumas sacadas bobas que fazem rir, mas o resultado final completo não vai muito além, e assim desaponta mais do que agrada.

A sinopse nos conta que dois policiais - Ousmane Diakité e François Monge - com estilos, origens e carreiras muito diferentes se reúnem para uma nova investigação que os leva até os Alpes Franceses. Dez anos após trabalharem juntos, a dupla improvável separada pela vida, está reunida mais uma vez para a nova investigação, mas não muito felizes em se encontrar novamente. O que parecia ser uma simples investigação sobre assassinato particularmente sórdido de uma pessoa comum acaba sendo bem complicada, já que a pessoa tem seu corpo dividido ao meio. Metade de um corpo é encontrado na Gare de Lyon, em Paris. A outra metade encontra-se numa pequena aldeia no sopé das montanhas dos Alpes. Ousmane e François terão que ir lá para solucionar esse homicídio. Mas o caso passa a ter envolvimentos com um esquema de drogas e acaba se tornando um caso criminal complicado e perigoso, além de uma comédia inesperada.

O diretor Louis Leterrier tem muita experiência em longas de ação, e por isso as cenas mais bacanas do filme são as com carros e as que envolvem certas dinâmicas com mais personagens do que apenas as com a dupla, aliás foi usando essa base que foi convidado para assumir a vaga de Justin Lin no próximo "Velozes e Furiosos X", porém todos os seus filmes tiveram grandes problemas com o ar cômico que não é tão impactante, e acaba falhando na formatação, ou seja a proposta aqui era até que boa e se trabalhado melhor o roteiro acabaria sendo divertida num ponto bacana de ver, mas não ficou nem pastelão, nem engraçado realmente, caindo naquele meio termo que o público fica na dúvida se o que queriam mostrar era realmente aquilo ou algo diferente, sem ir a fundo em nenhuma das formas, o que acaba desapontando bastante. Diria que talvez um diretor de comédias realmente daria frutos melhores sem ter tanta ação, mas a proposta seria mantida.

Sobre as atuações nem é preciso falar muito, afinal sabemos do potencial de ambos, e Omar Sy tem um estilo próprio de dominar o ambiente que é colocado, ao ponto que seu Ousmane Diakité acaba sendo envolvente, direto e cheio de sacadas próprias explosivas que acabam soando divertidas, mas não engraçadas, e ele já fez tantas comédias que acaba parecendo que faltou o diretor pedir algo a mais para ele, ou seja, foi bem, mas não alcançou nem 50% do que sabe fazer em cena. Laurent Lafitte é um dos grandes nomes da comédia francesa, tanto que assina isso como parte do seu sobrenome quando é colocado na tela dos filmes franceses, só que ele geralmente força o riso, e aqui seu François Monge precisava de alguém que fizesse ele ir além, e Omar não é esse estilo, então ficou parecendo estar fazendo gracejos para ninguém, e isso fica estranho na maioria das cenas, ou seja, poderiam ter colocado um terceiro elemento no longa que abriria esse vértice de uma forma maior, e assim divertir mais. A sacada de fechamento da personagem de Izïa Higelin, Alice, era esperada principalmente por forçar sorrisos demais em todas as cenas, não parecendo algo normal, e essa artificialidade pesa um pouco em determinados momentos, e talvez uma explosão mais cedo agradaria para ter um novo eixo na trama antes de tudo, ou seja, foi mal utilizada. E ainda tivemos outros atores que tentaram aparecer, mas só fizeram piadas fascistas ruins, e isso soou um pouco pesado e estranho de ver na tela, tendo um leve destaque claro para o grande vilão vivido por Dimitri Storoge como o prefeito Brunner, mas nada que surpreendesse realmente.

No conceito visual filmaram em locações bem interessantes em Paris no começo e depois na maior parte em Rhône-Alpes, num vilarejo cheio de pessoas que exaltam o branqueamento da população, a pátria como algo exclusiva para eles, e que brincando com nomes das lojas, com o conflito com imigrantes, e claro um ar campal de fazendas, que funcionou com casas incríveis e também alguns gracejos sexuais, ou seja, trabalharam os elementos de uma forma clássica das comédias antigas, mas funcionando para o que o longa precisava, ao menos no visual.

Enfim, é um filme que tinha potencial pela história, pelos ótimos atores, pela direção de ação de primeira linha, e até mesmo pelas dinâmicas em si, mas que na união acabou errando tanto que nem tem como defender, ficando fraco e até falho demais, não sendo algo péssimo, mas que não dá para indicar, e sendo assim é melhor dar play em outra coisa nas plataformas de streaming. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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HBO Max - Joe Bell (Good Joe Bell)

5/06/2022 01:02:00 AM |

Falar sobre bullying é algo que é sempre muito complexo, colocar ainda sexualidade de adolescentes no ensino médio então em pauta é ainda mais difícil de lidar para qualquer pessoa, então como imaginar o que passa na cabeça deles se não for com muita conversa, com a devida compreensão dos pais, e até mesmo com mudanças radicais antes que medidas radicais aconteçam, afinal o perdão depois nem sempre vem da melhor forma, e a redenção então é pior ainda. Comecei o texto do longa da HBO Max, "Joe Bell", dessa forma apenas analisando um pouco do que sentiu o jovem garoto sendo atacado por diversos jogadores, não tendo um amigo para desabafar no momento mais explosivo quando precisou, mas também olhando um pouco do que sobre como foi a mudança completa na mente do pai após o acontecimento completo que é noticiado logo no miolo. Aliás, falando sobre o acontecimento, por ser uma história real acredito que muitos irão conferir já sabendo, mas acredito que só bem próximo ao final na trama daria um charme muito maior para toda a jornada em si, e a surpresa seria ainda maior de descobrir que o garoto realmente nunca esteve ali na estrada, mas foi uma opção contar isso no lugar que foi contado, e o desenrolar rolar mais para frente como algo bonito de se ver dentro de uma história tão dura. Ou seja, é daqueles filmes que fazem pensar, mesmo que você não se encaixe em nenhuma das duas pontas, mas sim por conhecer pessoas que já estiveram em ambas as pontas, pois isso é muito comum hoje em dia, serviu de explosivo para várias campanhas mundo afora, mas para pensarmos ainda mais como era na época, e sendo assim o filme vai muito além e agrada pela forma metafórica bonita que pensaram na caminhada do pai, valendo a conferida e a reflexão.

O longa é a retratação da verdadeira história de um pai de classe trabalhadora de uma pequena cidade que embarca em uma caminhada solo através dos Estados Unidos para fazer uma cruzada contra o bullying depois que seu filho é atormentado no colegial por ser gay.

Quando conferi "King Richard - Criando Campeãs" falei que desejava ver outros longas do diretor Reinaldo Marcus Green, e eis que hoje dei o play no filme feito pouco tempo antes do grandioso filme do pai das tenistas, e aqui ele também trabalhou muito bem a sina de um pai em busca de redenção por não ouvir o desejo de seu filho, e olha, o cara é realmente bom demais no desenvolvimento de personalidades, conhece muito do estilo introspectivo, e também deu sorte de ter em suas mãos além de ótimos textos biográficos que dá para estudar fotos, vídeos e tudo mais, ótimos atores dispostos a ir muito além de qualquer personificação que já tenha feito. Ou seja, o diretor foi bem preciso no que precisava mostrar, e mais preciso ainda em como desenvolver isso, ao ponto que ele imprime um carisma forte na trama, coloca toda a essência visual em síntese para ser pensada, e com isso acaba ampliando demais toda a reflexão que o tema já é proposto sozinho, mas que com o filme passa a envolver ainda mais. Sendo assim, se lá no outro filme eu disse que não sabia se ele era um bom diretor realmente, agora com dois trabalhos analisados posso dizer que só posso esperar bons filmes vindos de sua mão, pois ele sabe conduzir bem esse estilo, e deve se manter sempre em biografias que vai ir mais longe ainda, aliás seu próximo filme é a biografia de Bob Marley, então vamos esperar para ver o que acontece.

Sobre as atuações, Mark Wahlberg entrega demais com seu Joe, inicialmente desligado sem perceber nada do filho, sem se entregar para ele, sem lhe ajudar, apenas deixando como diz em determinado momento o curso natural seguir, mas como bem sabemos isso não dá certo, e aí vemos sua jornada de redenção numa caminhada imensa, com palestras que alguns fingem ver, outros nem dão atenção, mas sempre pronto para falar e muitas vezes nem ouvir o que fala também, não ouvindo a própria família e não ouvindo a principal dica do filho já morto no começo da caminhada, que vai resultar no final do longa, ou seja, o papel é marcante e fala até mais do que o próprio ator, mas ele se impõe com trejeitos tão bons e fortes que acaba funcionando demais. O jovem Reid Miller já tem mostrado há algum tempo nas diversas séries que fez parte do seu potencial, mas aqui com seu Jadin o garoto se soltou completamente e deu nuances tão incríveis e bem feitas que acaba ficando marcante e facilmente será muito lembrado para qualquer papel, pois tem estilo e domina o que faz, agradando com sutilezas e ares bem marcados nos olhares. Ainda tivemos bons momentos mais espaçados com a esposa vivida por Connie Britton, alguns atos fortes com o outro filho vivido por Maxwell Jenkins, e até um ótimo diálogo de Gary Sinise como um xerife que acolhe o protagonista nos últimos atos do longa, mas uma pontuação forte de expressividade pode ser destacada para Igby Rigney com seu Chance e toda a forma envolvente que passa nas dinâmicas com o jovem garoto, ou seja, o elenco de apoio foi muito bem em todas as cenas, dando as devidas conexões e funcionando para não sobrepor os dois protagonistas.

Visualmente o longa tem dois vértices bem montados que é antes e depois da tragédia, e que vão  se intercalando na tela, no primeiro mostrando a família na casa com conflitos tradicionais e praticamente ninguém enxergando o garoto realmente, com uma casa comum de família simples, temos todo o ambiente pesado na escola também tradicional com seu time de futebol, os conflitos no vestiário, uma festa a fantasia, tudo bem direto no ponto, e no segundo plano temos todo o road-movie vivido pelo protagonista passando por outras escolas com palestras, por bares aonde vê o preconceito rolando solto sem querer brigar, temos sua cabana, seu carrinho, as várias ambientações climáticas e claro as dinâmicas de pai e filho que ele imaginaria ter se fosse diferente, ou seja, um jogo bem trabalhado da equipe de arte, que com simplicidade consegue funcionar demais.

Enfim, é um longa bem reflexivo sobre o tema, que tem ótimas atuações dos protagonistas, e que a direção soube montar muito bem todo o ambiente funcional para ir além, porém volto a frisar que a surpresa e o impacto seria diferente se não fosse entregue tão rapidamente a condição do garoto, pois iríamos ir refletindo tudo no caminho, vendo os acontecimentos, para num ato anterior ao fechamento a queda vir com tudo, e aí sim seria o filme perfeito como obra até mais ficcional do que biográfica, mas é apenas uma opinião, afinal tudo funciona bem e agrada, valendo a indicação para conferida de todos na plataforma de streaming. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Doutor Estranho No Multiverso da Loucura (Doctor Strange in the Multiverse of Madness)

5/05/2022 01:43:00 AM |

Passado o medo de não entender nada de "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura", afinal só com os trailers já dava para notar o tanto de referência às séries da Disney+ (e como muitos sabem sou contrário à esse estilo de dependência), fui conferir o longa e fiquei bem feliz com o resultado, pois deu para entender tranquilo a maior parte do longa, necessitando saber apenas o que a maioria dos spoilers das séries que foram colocados na internet, então agora posso falar que é um dos filmes mais doidos que já vi, afinal é uma mistura gigantesca de longas de terror bem intensos, com poderes de super-heróis e uma clara busca por dominar feitiços para viajar por universos paralelos. Ou seja, é mais um tremendo filmaço que a Marvel nos presenteia, entregando algo interessante, cheio de momentos de boas lutas, não enrolando com atos desnecessários, e principalmente conectando todos seus filmes e elementos, além claro de muito fan-service com diversas coisas que o pessoal desejava ver na telona, e tudo isso inserido em um filme de terror diferenciado de tudo. 

O longa nos conta que após derrotar Dormammu e enfrentar Thanos nos eventos de "Vingadores: Ultimato", o Mago Supremo, Stephen Strange, e seu parceiro Wong, continuam suas pesquisas sobre a Joia do Tempo. Mas um velho amigo que virou inimigo coloca um ponto final nos seus planos e faz com que Strange desencadeie um mal indescritível, o obrigando a enfrentar uma nova e poderosa ameaça. 

Fazia praticamente 10 anos que Sam Raimi não dirigia um longa, e aqui o que pediu para Kevin Feige foi muito bem atendido, afinal ele desejava algo completamente diferente dos tradicionais longas de super-heróis, que tivesse uma pegada muito mais de terror, de tensão e de envolvimento com os personagens, não apenas algo jogado para emocionar os fãs, e lhe foi permitido fazer isso, afinal o roteiro de Michael Waldron tinha essa pegada, aliás esse é o primeiro roteiro de longas do escritor, que antes apenas foi muito elogiado pelo que fez na série "Loki" do Disney+, o que lhe gabaritou para entrar de cabeça aqui no filme. E voltando para Raimi, o que ele fez foi algo ousado até demais, afinal estamos acostumados com filmes mais cômicos na Marvel, e aqui seu longa é escuro, denso, cheio de propostas fortíssimas de feitiços e contando inclusive com mortes horripilantes, defuntos ganhando vida, personagens não muito bonitinhos, e o melhor, que isso funcionou até mesmo nas alegorias levemente engraçadas colocadas no interior do texto. Ou seja, é a base do terror moderno, que você assusta, mas também ri, que fica tenso, mas se emociona, e assim a parceria foi funcional e claro serviu para inserir muitos vértices que a Marvel desejava colocar para mostrar que comprou realmente tudo da Fox, então é só aguardar que logo mais surgem mais coisas boas nas telonas, e quem sabe com Raimi brincando novamente.

Sobre as atuações, em certo momento você até chega a se perguntar se é um filme do Doutor Estranho ou da Wanda/Feiticeira Escarlate, pois se cronometrar os tempos de tela e a valorização das cenas é capaz que a protagonista da trama seja a vilã, e isso não é algo ruim, afinal Elisabeth Olsen é uma tremenda atriz e se sai incrivelmente bem em todos os momentos que lhe foram exigidos trejeitos, diálogos, intensidades corporais e tudo mais, sendo perfeita em tudo e assustando demais com a força que entrega em cena, que muitos já até tinham visto na série solo dela, mas quem conferir agora na telona irá se espantar com suas dinâmicas tanto da atriz quanto da personagem, o que mostra um grande acerto bem questionado no passado com a escalação dela, que agora mostra muito serviço. Mas claro o título é dele, e Benedict Cumberbatch é sempre metódico e perfeccionista no nível máximo com todos os personagens que lhe são entregues, e aqui seu Stephen é centrado e seu Estranho é preciso e imponente, numa composição cheia de maquiagens para os diversos papeis que faz em cada universo, e conseguindo dominar cada ambiente para que tudo funcionasse bem acabou dando show na tela. Tivemos a inserção da jovem Xochitl Gomez com sua America Chavez, e felizmente a garota tem personalidade, entregou atos bem encaixados, foi dominante em cena mesmo estando ao lado de um grandioso ator, e cheia de gracejos, trejeitos simples, porém efetivos acaba agradando bastante, e agora é ver o que vão lhe dar mais para frente na companhia. Benedict Wong foi muito bem em cena também com seu Wong, sendo utilizado em algumas cenas-chaves com precisão e domínio do ambiente, não se impondo tanto quanto poderia, mas sendo amplo no que precisava fazer e agradar. Outra que veio com tudo no longa é Rachel McAdams, que se no primeiro filme do Estranho foi usada de forma bem básica, aqui deu a letra perfeitamente para sua Dra. Christine, que num primeiro momento até pensamos que novamente seria apenas um enfeite, mas assim que mudam de universo, ela passa a ser importantíssima para tudo. Ainda tivemos outras boas participações, mas como a maioria é spoiler, então é melhor deixar que cada um confira na telona e vibre com elas, o que adianto é que são muitos dos que queriam que aparecessem, tirando claro alguns certos exageros.

Visualmente o longa é a base do título: uma loucura completa, tendo cenários intensos em diversos universos (inclusive nos quadrinhos), muitos ares escuros para dar o tom de terror, uma Nova York completamente diferente, o templo tibetano cheio de aprendizes de mago com suas devidas forças nas mãos, cenas numa montanha bem fria e com um ambiente recheado de referências e magias, a clássica casa de Wanda da série bem modelada, uma prisão/laboratório importantíssimo em outro universo com toda uma equipe chamativa e muita segurança, lutas e coisas quebrando/explodindo por todos os lados, um outro universo completamente devastado e com um casarão assombrado bem marcante, e claro tudo recheado de elementos cênicos precisos para cada ato ser importante e funcional, ou seja, um filme com cores fortes e bons desenhos de ambientes, e que acaba chamando detalhes para irem ainda mais longe nas próximas produções da companhia. Detalhe, não conferi o longa ainda em 3D, pelo horário legendado não ser a melhor opção com a tecnologia, mas irei ver em breve dessa forma, pois é notável a quantidade de elementos que giram, que saem e que são usados aos montes, então voltarei nos comentários do texto assim que conferir, e acredito que irei recomendar o uso dos óculos.

Enfim, é um longa praticamente perfeito, que agrada bastante, que é completamente diferente de tudo o que já fizeram na Marvel, e que muitos vão amar e outros vão odiar, mas que chama atenção do começo ao fim, que quem for fã viciado nas séries vai enxergar ainda mais coisas do que apenas quem for comum como eu que apenas gosta dos longas da companhia, mas que felizmente pode ser visto sabendo bem pouco de tudo, e isso como costumo falar é a exigência máxima de um bom longa que é não depender de outros fatos/filmes/livros/HQs. Então podem pegar sua pipoca e conferir tranquilamente pois vai valer a pena, e eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: é um tremendo filmaço, mas não dei a nota máxima por precisar de muita coisa para um entendimento/aproveitamento completo do que é mostrado na tela, e isso já falei inúmeras vezes que é falhar com a experiência de alguém que quer apenas ver um filme e não uma série de mil conexões.


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HBO Max - American Underdog: A História de Kurt Warner (American Underdog)

5/03/2022 12:23:00 AM |

Costumo dizer que o melhor drama possível para conferir e se emocionar com o resultado é o drama esportivo, pois juntam questões de superação pessoal, envolvimento emocional, treinamentos, objetivos e ainda podem colocar no miolo algum tipo de romance ou desastre para dar uma ênfase maior ainda na situação toda. E o longa "American Underdog: A História de Kurt Warner", que entrou em cartaz na HBO Max, trouxe todos esses elementos em um esporte que não é tão usual aqui na nossa terra, mas que muitos gostam de conferir, e que mesmo não sabendo das regras pela quantidade de filmes do estilo já lançados acabamos sabendo um pouco sobre como funcionam as seleções dos jogadores, de todo o processo universitário, e claro da explosão que ocorre na maior liga dos EUA. Então colocando algo complexo, ótimas atuações e uma direção primorosa, fez com que o filme fluísse de uma forma tão gostosa e cheia de nuances que acabamos nos emocionando no miolo, torcendo para o protagonista, e até mesmo querendo saber mais sobre o personagem real, pois souberam segurar tudo nas pontas dos dedos, colocando elos que parecem se fechar a cada nova interação, e com isso o resultado empolga demais.

O longa é uma história edificante que demonstra que tudo é possível quando você tem fé, família e determinação. Contando a inspiradora história real de Kurt Warner, que passou de estoquista em uma mercearia a duas vezes MVP da NFL, campeão do Super Bowl e quarterback do Hall da Fama. O filme centra-se na história única de Warner e anos de desafios e contratempos que poderiam ter atrapalhado suas aspirações de se tornar um jogador da NFL – mas quando seus sonhos pareciam fora de alcance, é apenas com o apoio de sua esposa, Brenda e o incentivo de sua família, treinadores e companheiros de equipe que Warner persevera e encontra forças para mostrar ao mundo o campeão que já é.

É até engraçado ver um longa aonde a base não é religiosa vindo dos diretores Andrew e Jon Erwin, pois ultimamente eles só tem nos entregue longas desse contexto, mas ao menos são muito bons no que fazem, e aqui até temos algumas nuances aonde o protagonista fala com seu Deus, a esposa é também tem grandes conexões, e em diversos atos fala sobre o milagre do filho, além de mais algumas nuances no final colocando essa pauta, porém a base é a de jogo, a de superar as barreiras da carreira e com muito treino chegar aonde desejava. Ou seja, o filme que é baseado no livro do verdadeiro Kurt e adaptado por Jon, teve uma condução ampla, mas sem enrolações, trabalhando de uma forma criativa e envolvente do começo ao fim, para que o expectador conseguisse ir além de tudo o que é mostrado na tela, não ficando somente no eixo da religião, ou do esporte, mas sim na vida de uma pessoa que deseja ser algo na profissão de jogador, e que também escolheu ser pai de uma família complexa, e assim o resultado é bem fluido, tem as dinâmicas bem coesas, e principalmente emociona aonde é preciso, não ficando só tentando fazer quem está vendo chorar, mas sim acompanhar e torcer, que é base desse estilo.

Sobre as atuações, muitos consideram Zachary Levi seco demais de trejeitos, mas aqui ele entrou bem na condição meio de brucutu para o jogo, e embora pareça velho demais para o papel de Kurt, ele conseguiu trabalhar as devidas nuances do personagem, passou sinceridade nos trejeitos, e claro se impôs bem no jogo corporal que um bom quarterback precisa ter no futebol, ousando sua síntese e trabalhando claro o carisma que sempre teve, ou seja, talvez alguém mais novo não conseguisse chamar tanta atenção como ele fez, mas o acerto foi tanto que fez valer a pena. Anna Paquin está tão diferente no papel de Brenda que logo que começou o filme dei uma pausa e fui conferir quem era a atriz, pois mudaram seu cabelo, seus trejeitos usuais e contando com um ar sempre meio desconfiado acaba fluindo tudo de uma forma muito própria, ao ponto que vendo depois as imagens da verdadeira Brenda vi que conseguiram assemelhar demais, e a atriz não falhou nas cenas mais densas, o que é incrível de ver. Dennis Quaid sempre gostou de longas com cunhos morais e emotivos, e aqui seu treinador Dick Vermeil aparece só nos atos finais, mas entrega emoção e agrada bastante junto de Chance Kelly fazendo o outro treinador do time Mike Martz. Ainda tivemos bons momentos com Ser'Darius Blain como o melhor amigo do protagonista, Bruce McGill como Jill Foster que é um treinador de um tipo diferente de futebol americano, e claro a mãe do personagem principal muito bem feita por Cindy Hogan, mas sem dúvida os destaques entre os secundários ficou para o garotinho Hayden Zaller que é realmente cego fazendo um carismático Zack.

Visualmente a base do filme é nos campos de futebol americano, inicialmente na universidade, depois nas arenas, tendo inclusive treinamentos no meio dos bois, até chegarmos no final com os campos da liga profissional, mas no meio do caminho ainda tivemos as casas dos protagonistas, bailes country, alojamentos, muita neve e até um furacão destruidor de tudo, isso claro com muitos elementos marcantes e simbólicos para a família verdadeira, como o radinho de Zack, e claro o número da sorte do protagonista sendo usado em todas as suas camisas. Ou seja, a equipe de arte foi bem explícita em todos os detalhes marcantes, e acabou acertando bastante em tudo.

O longa contou com muitas boas canções e uma trilha sonora orquestral na medida certa para dar o tom e o ritmo que era necessário para emocionar e envolver, e felizmente não apelaram para o famoso pianinho que é de praxe em longas do estilo, então deixo aqui o link para todos poderem curtir as canções e entrar no clima do filme.

Enfim, não é uma trama perfeita, pois como já disse poderiam ter usado atores mais jovens, poderia ter alguns elos ainda mais emotivos para pegar mais o público, e até ter deixado ainda mais de lado o ar religioso, mas isso tudo faz parte da história real do personagem, então acaba valendo a forma escolhida de retratar tudo, e assim sendo uma ótima dica para todos que gostem do estilo. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.


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Amazon Prime Video - Meia Noite No Switchgrass (Midnight In The Switchgrass)

5/02/2022 01:17:00 AM |

Antes de falar do filme propriamente tenho de rir com vocês do pessoal que renomeia os filmes no Brasil, pois algumas vezes inventam nomes que contam tudo o que vai rolar na trama, e achamos extremamente absurdos, outras vezes traduzem ao pé da letra o nome original e fica pior ainda, mas quando traduzem só uma parte por não existir bem a palavra na nossa língua é o melhor do pior, pois "Meia Noite na Grama Alta do Pântano" não ficaria muito bem colocado, então vamos traduzir só o Meia-Noite e o resto que fique no título. Dito isso, o longa que estreou na Amazon Prime Video, "Meia-Noite no Switchgrass", é intrigante e bem trabalhado no desenvolvimento da história, que basicamente é uma caça de um serial-killer por um policial e uma dupla do FBI, afinal ele anda matando jovens prostitutas e jogando seus corpos pelas estradas do país. Basicamente é um estilo que já vimos em outros longas, mas que sempre funciona bem quando desenvolvido por bons atores, e sempre cria uma tensão ao mostrar as torturas que os malucos acabam fazendo, e aqui não se diferencia em nada, sendo intenso e bem alocado, agora só não entendi o motivo de colocarem Bruce Willis na capa ao invés de Emile Hirsch, afinal Bruce só faz algumas pontas, enquanto Emile é quem realmente vai em busca do assassino. Ou seja, o filme é bacana de ver, mas nem o título, nem o pôster entregaram nada direito da trama, não sendo uma boa forma de vender ele.

O longa nos mostra que uma agente do FBI e seu parceiro estão perto de desmontar uma rede de tráfico sexual. Eles se juntam a um agente da lei da Flórida que investiga o caso há muito tempo, quando percebem que sua investigação cruzou o caminho de um serial killer brutal. Quando Rebecca é sequestrada pelo psicopata e sua vida está em jogo, Karl e Byron têm apenas algumas horas para juntar as últimas pistas e acabar com o lendário "Assassino de Paradas de Caminhões". O filme é baseado na história real do serial killer mais perigoso do Texas, EUA.

Depois de anos produzindo grandes filmes, Randall Emmett resolveu encarar sua primeira direção aqui usando boas bases que já viu espalhados nos diversos anos, pois entregou estilo e propriedade nas cenas, porém poderia ter ousado um pouco mais nos atos de tortura do serial, poderia ter criado momentos mais fortes nas capturas, e até mesmo envolvido um pouco mais os policiais para suas cenas, pois tudo acabou ficando aberto demais, todas as situações não entraram imponentes o suficiente, e assim sendo acabamos vendo um filme que soa intenso, mostra toda a "biografia" do serial, mas não atinge nenhum grande ápice, ou melhor, na cena que temos a briga final ela não chega nem acabar sendo meio que apagada para logo em seguida já ir para o hospital, ou seja, não vemos o acontecer realmente, e isso pesou um pouco. Ou seja, não vemos um filme ruim, de forma alguma, acaba sendo bem tenso alguns atos, e muitas cenas são bem trabalhadas, porém não foram muito além com nenhum dos três vértices, e assim o resultado final ficou um pouco morno demais, mas agrada de certa forma, e talvez uma direção mais experiente pudesse mudar tudo.

Sobre as atuações, vou começar falando do serial killer que Lukas Haas entregou com muita propriedade, fazendo seu Peter com olhares bem calmos com a família, mas passando toda a nuance de psicopata quando está com as garotas, num ar estranho de ver, mas preciso para o que o papel precisava, ou seja, foi muito bem em cena. Emile Hirsch também ousou com um estilo direto e preciso nos momentos de seu Byron, se jogando completamente em prol do serviço e quase deixando de lado a família, o que soa até um pouco estranho de ver (aliás as cenas com a família poderiam nem ter existido, que não serviram para muita coisa), mas seus atos foram imponentes e funcionaram bastante, valendo o esforço. Por incrível que pareça Megan Fox até teve atos interessantes com sua Rebecca, socando o marido Machine Gun Kelly, que faz o cafetão Calvin, e se jogando em cenas fortes bem marcantes, mas poderia ter ido bem além se tivesse uma direção mais efetiva. Caitlin Carmichael fez umas caras e bocas bem expressivas com sua Tracy, chamando a atenção nos atos que precisavam disso, e acabou agradando bastante, tanto que poderia ter tido mais importância algumas cenas suas, mas não rolou. Agora Bruce Willis ainda estou tentando entender sua participação na trama, e principalmente no pôster, afinal seu Karl é quase um enfeite cênico, tendo alguns diálogos abertos sem muito chamariz, e nem se impondo em algumas cenas fez, ou seja, pagaram para vender seu nome no filme apenas.

Visualmente a trama teve atos bem marcados com as cenas dentro do cativeiro, algumas boas marcações cênicas nas cenas com mortes sejam no motel ou debaixo da ponte, várias imagens fortes das moças mortas nas estradas, e claro alguns atos menos expressivos na transportadora, no posto e na casa do vilão, aonde tudo parecia ser a maior maravilha possível, ou seja, a equipe de arte até foi bem simbólica no que desejava passar, mas a direção não ajudou tanto.

Enfim, é um filme interessante na proposta, que já vimos em outras formatações, e que agrada de certa forma se não formos tão exigentes com tudo o que é mostrado, sendo o grande defeito de terem exagerado nos cortes das cenas de maior impacto ao invés de mostrar elas acontecendo realmente para impactar, e claro nas cenas desnecessárias de Bruce, mas foi uma opção da direção de primeira viagem para vender o longa, afinal ele é muito mais produtor do que diretor, e assim sendo fica a dica. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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