TeleCine Play - Mortal (Torden)

8/02/2021 01:43:00 AM |

Há alguns meses atrás várias pessoas me marcaram em alguns trechos do filme norueguês "Mortal" que saíram nos aplicativos de interação (TikTok e Kwai), mas como ainda nem tinha data de lançamento no Brasil acabei apenas dando a curtida e segui com os diversos filmes que tinha para conferir, mas eis que nessa semana surgiu o longa na plataforma Telecine Play, então já resolvi conferir a trama, meio que sabendo que seria algo completamente diferente do usual, pois longas nórdicos costumam usar de estilos diferentes e situações que muitas vezes precisamos relevar para entender completamente, e aqui somos apresentados mais uma vez a mitologia nórdica de seus deuses, no caso Thor e seus trovões/raios, que nós acabamos assimilando bem mais ao herói da Marvel, mas que muitos podem ver diversos outros longas contando as diferentes histórias sobre o deus deles e suas origens e vertentes. Dito isso, aqui vemos um jovem que do nada incendiou a casa de uma família, e acabou sendo preso após matar um garoto que o tocou, mas que não faz ideia de onde vem seus poderes, ou melhor do que anda acontecendo com ele, que acaba se queimando também por inteiro quando entra em chamas. Ou seja, é um filme que vamos vendo a história acontecer, vamos conhecendo um pouco mais de tudo, e quando um policial resolve ajudar e pesquisar um pouco mais da mitologia nórdica que bate com suas crenças, ele descobre o algo a mais e tudo flui, claro para um final meio que exagerado e revoltante, mas que possa a vir ter uma continuação, e assim quem sabe veremos mais de algo tão bem feito, e com efeitos estranhos, mas bem intensos.

A sinopse nos conta que durante uma viagem pela Noruega, Eric herda misteriosamente os poderes de um deus nórdico e provoca a morte de um garoto. Capturado pelas autoridades, ele conhece a psicóloga Christine, que tentará entender o que aconteceu e ajudá-lo a controlar suas habilidades divinas. À medida que o jovem sofre fortes perturbações, sua história começa a se misturar com a mitologia nórdica.

O estilo do diretor André Øvredal é daqueles que sempre saímos confusos com o que deseja entregar, pois oscila demais no miolo e depois acaba atacando tudo de uma maneira bem forte no final, o que acaba resultando em um filme que ao descobrirmos onde quer chegar ele já termina, ou seja, é uma formatação geralmente mais utilizada em longas de terror, que é uma de suas praias seguras, e assim sendo sua história aqui é até bem original e bem interessante, pois a proposta da mitologia nórdica é bem encontrada e sempre gera tramas com estilo inteligente, daquelas que vamos acompanhando e pensando nas possibilidades que ela nos conta, além de vermos algo por parte da policial até como uma briga religiosa, o que poderia até dar grandes conflitos. Ou seja, é um filme certamente bem interessante de história, que quem nunca viu nenhum filme nórdico até pode estranhar a forma que mostram os deuses de lá, mas que de uma forma bem contada e nova, o resultado acaba sendo surpreendente e bem interessante de ver.

Sobre as atuações Nat Wolff apareceu com um visual completamente diferente no início da trama com seu Eric todo cabeludo que nem reconhecemos ele de outros filmes, mas depois deu uma tosada e voltou com seu ar galanteador para um personagem que parece estar confuso durante quase toda a exibição, o que é até estranho de ver, mas o papel pedia isso, pois nem ele entende direito o que ele é, e assim seu resultado vai num crescente interessante, embora o romance tenha ocorrido rápido demais para acreditarmos no que é mostrado, ou seja, vemos boas cenas suas, mas poderiam ter desenvolvido algo um pouco melhor no conceito completo. Iben Akerlie entregou bons momentos e expressões com sua Christine, trabalhando algo mais centrado e calmo (até demais) para a personagem, fazendo com que seus atos de interação com o protagonista fossem bem conectados, mas diria que faltou um pouco mais de atitude em alguns atos, o que não foi de todo ruim de ver. Quanto aos demais, tivemos Per Frisch trabalhando o seu policial Henrick meio que exagerado demais, ao ponto que dificilmente acreditamos que algum policial vá ir para o lado de uma pessoa, ainda mais acusada de matar alguém, e aqui ele ficou muito de boa, o que acabou ficando estranho de ver, mas funcionou ao menos seus trejeitos de uma pessoa que acredita demais nos deuses, para ao menos passar essa ideia, e já Priyanka Bose foi exatamente ao contrário com sua Hathaway, ao ponto que como uma agente norte americana acabou exagerando nos atos anti-deuses nórdicos, colocando até uma frase meio que forçada nesse sentido, e acabou meio como uma vilã que nos irrita no final, mas acabou não sendo muito usada na trama.

Visualmente o longa tem uma boa intensidade, muitas cenas recheadas de efeitos bem marcantes (e até exagerados demais), e até locações interessantes no meio da floresta, numa ponte imponente aonde rola um festival de raios, algumas cenas dentro de um hospital meio que forçando a barra numa ressuscitação, e claro na fazenda que o protagonista destruiu no começo do filme pelo que é falado e ao voltar lá descobrem muitas coisas ligadas a mitologia nórdica que vai acabar conectando tudo da história do longa. Ou seja, é algo bem fantasioso, mas que mostrou que a equipe de arte conseguiu bons elementos para empolgar cenicamente.

Enfim, é um filme simples se formos olhar bem a fundo, mas que consegue envolver bastante dentro da proposta, mostrando algo que não é muito comum de vermos por aqui, afinal longas noruegueses raramente aparecem em cartaz, mas que entregando algo que muitos já assumiram pelo que foi mostrado na Marvel fica até estranho para quem nunca viu outros longas envolvendo a mitologia nórdica, e recomendo dar uma pesquisada antes, pois vale a pena, e recomendo o longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

TeleCine Play - Noite de Reis (La Nuit Des Rois) (Night of the Kings)

7/31/2021 08:23:00 PM |

Costumo dizer que amo os filmes franceses mais que tudo, mas se tem um estilo que eles acabam viajando demais são os dramas abstratos, pois acabam trabalhando essências narrativas tão fora de eixo que não tem como se empolgar com nada, e com o último filme do Festival do Rio, "Noite de Reis", acabou sendo bem assim nessa produção entre França, Costa do Marfim, Canadá e Senegal, pois a ideia de uma prisão no meio da selva completamente controlada por um interno que se intitula governador dali até é bem boa, e ver as dinâmicas ali dentro até chamaria muita atenção, porém entraram numa ideia de contar de histórias tão fora do eixo, com momentos meio que abertos e estranhos, que talvez até tenha algo que funcione para o povo lá que conhece algum detalhe extra que é contado, porém para os normais acaba sendo apenas uma viagem lírica que o protagonista acaba contando sobre um jovem revolucionário do país, e o resultado embora tenha um ar simbólico interessante acaba mais cansando do que chamando atenção.

A sinopse nos conta que um jovem criminoso é transferido para "La Maca", uma prisão na Costa do Marfim totalmente dominada por seus prisioneiros. Lá, prestes a surgir a Lua Vermelha no céu, o governante dos detentos submete o rapaz recém-chegado a um ritual. Para sobreviver, ele deve contar uma história que vai da noite ao amanhecer.

Diria que o diretor Philippe Lacôte construiu algo até que bem trabalhado, pois filmes de prisão sempre são bem representativos pelas situações dos detentos, sobre como vivem ali, e tudo mais, porém ele acabou brincando com algum tipo de floreio até que possível de ter referências no país, ou então ter algo a mais dentro da ideia, que trabalha bem o lance de alguém inventar uma história completa para ficar acordado a noite toda, afinal lhe é contado que se acabar rápido a história morre, e assim sendo o filme tem uma desenvoltura de ideias bem feita, mas que não atinge algo que seja realmente chamativo. Ou seja, é daqueles filmes que viajaram demais na ideia, e não conseguiram conectar tanto com a proposta completa, mas que pela essência inteira o resultado funciona e até encanta bem simbolicamente, e se não tivessem trabalhado tanto essa ideia mística, o resultado seria ainda melhor. 

Sobre as atuações, é bacana ver os trejeitos bem marcados de Bakary Koné com seu Roman, sendo uma boa estreia nos cinemas com trejeitos desesperados em alguns atos, e sendo um bom contador de histórias com tons gostosos e bem marcados de estilo pelo menos. Da mesma forma Steve Tientcheu trabalhou seu Barba Negra como alguém que tem todo o respeito dos demais presentes, colocou nuances nos olhares, e foi imponente nas suas atitudes, ao ponto que talvez uma explosão maior em alguns atos chamaria ainda mais atenção. Já quanto aos demais, vemos desde o maluco Silêncio bem interpretado por Denis Lavant, que aliás de maluco não tem nada, pois acabou ajudando o protagonista, vemos os próximos governantes brigando pelo trono com cenas bem impositivas com destaque para Abdoul Karim Konaté com seu Lass, além de Gbazi Yves Landry muito ousado nas cenas de seu Sexy, mas principalmente vemos o policial que deveria realmente ser o chefe de tudo surtar no final com bons trejeitos feitos por Issaka Sawadogo.

Agora sem dúvidas o melhor do filme ficou a cargo do conceito visual, pois uma prisão imensa no meio da selva, com praticamente todas as celas abertas, com ambientes sujos e cheios de presos, ou seja, figurantes a rodo, muitos momentos desconectados com músicas, danças, jogos, tudo com muitos detalhes, e claro toda a simbologia dos momentos encaixando para algo que vai muito além dali, contando a história da vida do jovem rei do crime, com guerreiros e tudo mais, bem criativo e claro viajado demais.

Enfim, é um filme que certamente poderia ter ido muito além se tivessem focado apenas na vivência da prisão, mas volto a frisar que não é de todo ruim, sendo apenas um pouco cansativo demais, mas aqueles que curtirem o estilo longas de festivais certamente irá curtir tudo o que o longa entrega, sendo assim a recomendação. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Jungle Cruise

7/31/2021 03:09:00 AM |

Tem alguns filmes que entregam sínteses tão divertidas e gostosas que acabamos entrando no clima e quando vemos o filme inteiro já passou com os bons momentos colocados, e olha que se pararmos para reparar "Jungle Cruise" tem longos 127 minutos de muita aventura, e em momento algum cansamos do que nos é mostrado, com tanta interação entre os personagens, bons efeitos visuais, e com dinâmicas bem colocadas que acabam chamando a atenção do começo ao fim. Claro que dá para reclamar de muita coisa, afinal o filme se passa no Brasil no começo do século XX, dentro da selva amazônica, e praticamente todo mundo fala um inglês perfeito, mas dentro da proposta com boas piadas, momentos intensos com muitos objetos voando, e principalmente uma trama que chame atenção de quem gosta de uma boa aventura, o resultado flui e até chama atenção para quem sabe uma continuação, afinal a Disney usou de elementos clássicos do estilo para manter a essência, e assim sendo acaba valendo bastante a conferida para toda a família.

O longa gira ao redor do malandro e brincalhão Frank Wolff, capitão do barco La Guilla. Ele é contratado pela Dra. Lily Houghton e seu irmão McGregor para levá-los em uma missão pelas densas florestas amazônicas com a intenção de encontrar uma misteriosa árvore com poderes de cura que poderá mudar para sempre o futuro da medicina. No caminho, eles viverão inúmeros perigos, enfrentando animais selvagens e até mesmo forças sobrenaturais.

É até engraçado ver um filme de aventura da Disney nas mãos de um diretor de diversos longas de terror, pois Jaume Collet-Serra tem essa pegada mais intensa, e nos atos dos conquistadores espanhóis que estão em busca da árvore vemos nuances bem tensas e fortes, vemos personagens com monstros nos corpos como cobras, abelhas, árvores, e que conforme vamos acompanhando tudo o que ele propõe para o público essa aventura tem uma intensidade que vai muito além do estilo clássico de uma aventura comum, só diferenciando por um grande detalhe, que por ser um filme Disney não temos quase sangue algum aparecendo, inclusive nas cenas mais fortes como um ataque de piranhas, uma espada atravessando um corpo e até um massacre indígena, que vemos tudo ocorrendo de maneira bem limpa. Ou seja, o diretor criou todo um vértice bem proposto que lembra diversos outros longas de aventura, mas que não repete clichês, e que dentro de algo criativo envolve e diverte bastante, fazendo com que seu filme passasse empolgando quem for conferir, e assim mais do que um simples passatempo o resultado acaba indo além.

Sobre as atuações, é muito bacana a forma divertida que Dwayne Johnson encontrou para trabalhar seu Frank, pois usando de muitas piadas de tiozão, colocando sua força em primeiro plano, e até mesmo desenvolvendo momentos de luta e trejeitos bem marcados acaba se saindo melhor do que o esperado, lembrando um pouco o que já fez em "Viagem 2: A Ilha Misteriosa", e claro "Jumanji", mostrando bem seu estilo e agradando bastante com toda essa diversão proporcionada. Agora é até engraçado ver uma Emily Blunt tão solta em cena com sua Lily correndo, pulando, saltando, dando conexões para os demais personagens, e principalmente botando em jogo um estilo menos duro que costuma colocar em suas personagens, e assim sendo se jogou completamente para algo que até tem um tom de romance secundário, e que empolga de uma maneira bem gostosa de ver. Agora sem dúvida alguma exageraram demais nos trejeitos de Jack Whitehall dando pinta demais nas ações de seu McGregor, ao ponto que de exótico protagonista rico passou a ser colocado para momentos secundários bizarros e até forçados, mas que divertem, e assim sendo o resultado agrada pelo menos. Dentre os demais, tivemos bons destaques tanto para o vilão nazista maluco vivido por Jesse Plemons, ao ponto que seu Joachim entrega momentos tão surtados que até assusta, e claro para o assustador explorador espanhol vivido por Edgar Ramírez que não se impôs tanto quanto o personagem necessitava, mas que junto de efeitos fortes e marcantes acabou entregando um bom personagem.

Agora quanto do visual o longa é um tremendo luxo, com uma paisagem incríveis para representar a selva amazônica, uma Porto Velho antiga que mais parece ser originária dos filmes de velho oeste (e com vários erros cênicos - por exemplo falando que em Porto Velho passa o Rio Amazonas enquanto o que passa por lá é o Rio Madeira), mas que tirando os detalhes realistas vemos muitas explosões, corredeiras, botos, onças, cobras, brigas de aranhas e escorpiões com direito a apostas, e muita cenografia clássica, além claro de uma Londres bem marcante para as cenas de começo e fim, e ainda tendo todo um ar indígena bem marcado com lendas, com cores até chegarmos num grandioso templo, tudo isso com um barco bem icônico, ou seja, a equipe de arte trabalhou bastante, e a equipe de computação trabalhou mais ainda para criar tudo, mostrando algo de respeito realmente. Não conferi o longa em uma sala com tecnologia 3D, mas é notável muitas cenas com elementos saindo da tela, então certamente o resultado ficou bom também com a técnica.

Enfim, é um filme bem gostoso, cheio de ação e aventura, que fará quem gosta do estilo bem feliz, agradando tanto visualmente, tanto com a história contada, e muitos bons elementos divertidos, e não falei especificamente, mas colocaram trilhas clássicas bem envolventes de fundo, o que deu um tom ainda mais bacana para tudo, valendo a recomendação para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Tempo (Old)

7/30/2021 07:33:00 PM |

Sabe aqueles filmes que você assiste inteiro sem entender quase nada para no final se surpreender com tudo ou acabar entendendo menos ainda? Diria que a maioria desses são filmes do diretor M. Night Shyamalan, porém o que ele nos entregou hoje com o filme "Tempo" foi algo tão incrível e surpreendente, que quando o fechamento ocorre tudo se encaixa tão bem que ficamos impactados e sentindo um realismo de ideias tão forte que faz todo o sentido e encaixa demais, sendo algo preciso e incrível de ver. Ou seja, diferentemente da maioria dos longas dele temos tanta sintonia, tanta força e tanta verdade que o resultado acaba muito bom, agradando demais, e encaixando com muita precisão, e o melhor com um final que dá entendimento, pois já estava crente que sairia da sessão sem saber o que tinha acontecido, mas dessa vez ele nos contou bem, só abusou um pouco de acreditarmos nela, mas diria que é tão impactante que todos irão ficar com os queixos no chão com tudo, valendo demais a experiência e a forma completa.

O longa acompanha uma família durante uma viagem para uma ilha tropical. Quando chegam em uma praia deserta, algo estranho começa a acontecer: todos passam a envelhecer rapidamente, anos inteiros passam em questão de minutos. Eles, então, precisam descobrir o que está acontecendo antes que suas vidas sejam encurtadas drasticamente.

O diretor e roteirista M. Night Shyamalan sempre surpreende para bem ou para o mal, isso é fato que quem for conferir qualquer filme seu sairá da sessão vibrando ou xingando, e aqui ele trabalhou tão bem a ideia de passagem temporal, de situações e conflitos entre personagens, de doenças, de clima e de tudo o que se possa pensar, que mesmo sendo um realismo tão abstrato acabamos entendendo e envolvendo com suas técnicas, ao ponto que quando tudo se fecha (ou melhor uma cena antes do encerramento) ficamos vidrados com o que é mostrado e de certa forma concordamos com o que ocorreu, mesmo sendo algo ruim e também estranho de se pensar na existência de tal lugar, mas como isso já ocorre normalmente com animais e ou pessoas numa escala maior de tempo, o filme acaba sendo bem encaixado, assustador e muito bem feito tanto pelos ângulos, quanto pelas passagens de tempo, quanto pelas mudanças de atores com as diferentes idades e maquiagens, mostrando um trabalho imenso tão preciso que não apenas encanta como acaba valendo a reflexão em cima de tudo. Ou seja, mais do que apenas um filme de suspense, o que nos é entregue é uma reflexão maior de algo real no mundo que nem irei detalhar tanto para não dar spoilers, mas que vai chocar e agradar bastante.

Diria que todos os atores se entregaram bem para a proposta do filme, ao ponto que assim como eles não acreditamos tanto na ideia, por estar vendo acontecer e não saber como agir, de tal forma que suas caras são sempre de espanto e indagação, meio que quase víssemos um gigante ponto de interrogação na cabeça de cada um deles, e por trabalharem com mil ideias, com desesperos de tentar fugir dali, de se encaixar nos momentos, de ir vendo se envelhecer e morrer, todos acabam funcionando demais dentro da proposta, e o resultado acaba ainda mais agradável que tudo. Claro que o ato conflitivo da mente deles, e de toda a proposta acaba sendo exagerado os diálogos e ideias, porém vemos um Gael Garcia Bernal tão bem colocado com seu Guy, trabalhando com diversas suposições, desesperado com a quebra da família, mas principalmente quando chega nos atos mais fortes da velhice, já praticamente não enxergando mais nada fica tão bem envolvido e com emoções tão bem colocadas que acaba agradando demais. Da mesma forma Vicky Krieps trabalhou sua Prisca com uma sintonia ampla, demonstrando inicialmente um carisma grande com os filhos, mas mantendo em segredo a ruptura do lar, vamos vendo ela mais singela e sem um desespero iminente ao menos se dar tão bem com todos que até parece estar em outro lugar. Já Rufus Sewel foi o famoso maluco que surta com a velhice, e com a perda de noção que a idade vai entregando, ao ponto que seu Charles fica impactante durante toda a trama e agrada bastante com tudo. Agora mudando um pouco a forma de falar é bacana vermos todas as versões de Trent, ao ponto que o garotinho Nolan River demonstrou trejeitos bobinhos e sem muito fundamento, mas que serão usados no final do filme, já sua versão adolescente ficou levemente perdida com Luca Faustino Rodriguez, para depois sua versão jovem recair para algo até que bem espertinha com nuances mais dinâmicas, mostrando até muita personalidade de Alex Wolff, para então chegarmos na sua versão adulta e impactante mostrada por Emun Elliott num acerto bem plausível e marcado de intensões, ou seja, com um ótimo fechamento expressivo bem colocado e interessante de ver. Da mesma forma as diversas versões da garotinha Maddox foram bem pontuadas e marcantes pela curiosidade em si, ao ponto que desde Alexa Swinton aos 11, passando por Thomasin McKenzie aos 16, chegando na adulta Embeth Davidtz foram colocadas com precisão e chamaram muita atenção. Quanto aos demais, cada um da sua forma surpreendeu desde a epilética psicóloga vivida por Nikki Amuka-Bird, passando pelo rapper vivido por Aaron Pierre completamente incógnito e estranho, até vermos Abbey Lee completamente maluca com a beleza de sua Crystal indo embora, ou seja, todos muito bons e chamativos bem dentro da proposta ao ponto que até o garotinho Kailen Jude com seu Idlib e Jeffrey Holsman com seu Mr. Brody aparecendo bem rapidamente agradam bastante.

Visualmente o longa praticamente fica só na praia, tendo alguns momentos num hotel bem chique, e finalizando em um lugar bem interessante cheio de elementos cênicos, ao ponto que o foco mesmo ficou nas maquiagens, e nas situações vividas nessa praia bem paradisíaca, e isso não é ruim, pois o filme tem uma boa estética e chama atenção nesse sentido criando o ambiente misterioso perfeito para que nas mudanças sutis de câmera de um lado para o outro o personagem já estivesse velho, ou seja, a equipe teve bem mais trabalho com marcações de posição para que o outro ator entrasse bem no lugar aonde o outro parou, a maquiagem deixasse eles mais próximos esteticamente, do que realmente em criar as locações, e isso ficou muito bom de ser visto.
 
Enfim, é um longa realmente incrível, que fui conferir esperando muito dele, porém bem receoso por ser um longa de Shyamalan que geralmente não entendemos nada, mas que saí tão feliz e empolgado com tudo que ocorreu, com a forma entregue e com as devidas surpresas que quero recomendar ele para todos, e principalmente estou me segurando ao máximo para não lotar os amigos de spoilers, pois qualquer detalhe certamente estragará a experiência completa, sendo assim recomendo que vá para o cinema sem saber quase nada, mas vá, pois certamente a surpresa será boa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

TeleCine Play - A Candidata Perfeita (The Perfect Candidate)

7/30/2021 12:38:00 AM |

Uma das coisas que mais me incomoda em festivais é que alguns filmes possuem uma proposta tão intensa, mas que ao caírem dentro do ar cultural do determinado país de origem acabam ficando tão sem sal que acabamos mais nos cansando com o que é entregue do que envolvidos pelo tema, e o que ocorre com "A Candidata Perfeita" é algo intenso de uma médica na Arábia Saudita que desejava apenas ir para uma conferência em Dubai, mas por não ter sua permissão assinada digitalmente por seu guardião (no caso o pai que está em viagem com sua banda) ao tentar conseguir a ajuda de um parente acaba se candidatando para uma vaga de secretária municipal, e com isso entrando ainda mais em conflito com todas as ideias machistas do país com leis totalmente contrárias à isso, sendo algo inédito que poderia desencadear grandes confusões, porém o longa mantém o estilo do país e não vai muito além na proposta, mais cansando do que agradando realmente.

A sinopse nos conta que em uma pequena cidade saudita, a jovem médica Maryam Alsafan decide se candidatar às eleições municipais com o objetivo de trazer melhorias para a clínica onde trabalha. Entretanto, ela terá que lidar com seu impacto na cultura conservadora do local, que afetará não só a ela, mas também a sua família.

A diretora Haifaa Al-Mansour até tentou trazer uma certa originalidade para sua trama, criando algo completamente diferente do usual em longas do país, mas não foi muito além, afinal sabemos como é a cultura por lá, e no longa vemos as leis e proibições que as mulheres tem de fazer, como não podendo nem uma médica mulher tratar um homem caso ele não queira, vemos que para dar seus discursos para homens não poderia frequentar os mesmos ambientes, sendo algo gravado, e muito mais, ao ponto que a trama acaba sendo algo bem preciso de demonstrações, mas certamente a trama poderia ir além em tudo, o que não ocorre, e assim sendo funciona apenas como algo claro das leis por lá, e nada mais, não trazendo sentimentos, nem envolvimentos, o que é bem ruim de acompanhar, cansando mais do que agradando.

Sobre as atuações, a base toda é em cima de Mila Al Zahrani com sua Maryam, e ela personificou bem seus momentos, deu as devidas intenções cênicas, e claro chamou a responsabilidade para si, fazendo com que sua personagem fosse marcante e expressiva (ao menos dentro do que deu para se mostrar), e que com boas desenvolturas conseguiu ter estilo e ir dominando os atos com boas atitudes interessantes de ver, ou seja, ao menos conseguiu agradar bem e funcionar. O pai vivido por Khalid Abdulraheem tinha tudo também para chamar atenção com sua desenvoltura na banda, sua intenção para cima de conseguir engrenar, mas ficou apenas tocando e cantando e fazendo caras e bocas de decepção, o que ficou monótono demais, não agradando como poderia. Já as irmãs da protagonista até tiveram alguns atos bem marcados, com Nora Al Awadh trabalhando sua Sara mais contida e Dae Al Hilali mais solta nas cenas, o que acabou dando um tom além.

Visualmente é até engraçado de ver, pois nas cenas dentro da casa das protagonistas vemos mulheres normais, bem colocadas, com suas roupas, conversas e atos normais, mas com tantas vestimentas nas cenas tanto na clínica de saúde, ou então nos atos na rua nem conseguimos distinguir nem os homens nem as mulheres, parecendo quase que um uniforme completo de escola, e sei que isso é o casual e normal para eles, sendo da cultura, mas até no show da banda lotado de pessoas, pareciam todos os mesmos tendo algumas barbas diferentes, mas nada muito chamativo, o que acaba sendo estranho demais para o pobre figurinista, já das locações, tivemos um hospital com a rua totalmente enlameada, sendo o ato da campanha de eleição da protagonista, algumas tendas, e alguns shows com bem pouco público, ou seja, economizaram nos figurantes.

Enfim, é daqueles longas clássicos de festivais que vemos mais o lado cultural do que realmente algum ensejo de história que chame atenção, sendo que muitos até gostam do estilo, mas sinceramente me deu muito mais sono que qualquer empolgação pelo que foi entregue, e assim sendo não tenho como recomendar o longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com uma estreia da semana dos cinemas, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

TeleCine Play - Ainda Há Tempo (Falling)

7/28/2021 11:51:00 PM |

Sabemos bem que a demência quando chega para algumas pessoas as deixa mais estressantes por repetir situações, por não aceitar ordens, e principalmente por perder algumas noções básicas do sociável, porém em alguns filmes os diretores vão tão a fundo colocando personagens tão irritantes, com uma proposta tão incômoda que chegamos a pegar ódio do filme pelo personagem em si, e o que foi colocado no protagonista de "Ainda Há Tempo" é daqueles que eu no lugar do filho teria abandonado o pai sozinho antes mesmo de completar 30 minutos de filme, quanto mais continuar tentando e cuidando! Ou seja, nos é entregue um longa tão imponente, com um realismo forte de uma situação tão bem colocada que acabamos ficando bravos com tudo, mostrando tanto a precisão cirúrgica do diretor estreante, quanto de como os atores foram bem colocados para serem representativos em um nível que vai além demais do que se podia imaginar, sendo um grandioso feitio completo.

O longa nos conta que John mora na Califórnia com seu marido Eric e sua filha, longe da vida de fazendeiro que já teve. Mas quando o seu pai Willis começa a apresentar sinais de demência, John decide vender a fazenda da família e trazer seu pai para a cidade grande. Porém, Willis se recusa a quebrar diversos preconceitos, incluindo lidar com a orientação sexual do filho.

Em sua estreia na direção e roteiro, o ator Viggo Mortensen foi tão preciso de sentimentos, sabendo colocar e pontuar exatamente cada situação da trama que até parece ser algo que ele tenha vivido pessoalmente, pois a intensidade é tamanha nos detalhes, tudo tem um envolvimento preciso, e o estilo acaba sendo encaixado do começo ao fim com tanta precisão que o resultado encanta e deixa irritado na mesma proporção, o que é extremamente bem feito e interessante de ver. Ou seja, ele mostrou conhecer bem o estilo dramático com uma ênfase bem trabalhada, e com muita técnica acabou se conectando demais com todos personagens para que cada um se entregasse bem e chamasse a atenção para si. Porém sem dúvida o filme é do pai, sendo daqueles personagens tão fortes que vamos sempre lembrar de cada detalhe do que fez em cena, e certamente o diretor conseguiu tirar tudo o que desejava dele.

E já que comecei a falar das atuações, que tanto costumo dizer ser um filme de ator até mais do que um filme de direção, o destaque total ficou a cargo de Lance Henriksen com seu Willis completamente arrogante, homofóbico, rude e claro que demente amplia todos esses adjetivos para algo muito forte de ver, mostrando que o ator entrou completamente no personagem e conseguiu criar uma intensidade fora do comum de ver em qualquer atuação, sendo perfeito no que fez, agradando demais, e como já disse fazendo com que ficássemos com muito ódio dele, ou seja, incrível de ver. O diretor Viggo Mortensen também se entregou bem fazendo com que seu John fosse sereno até demais para tudo o que acaba ouvindo do pai, pois certamente nem o mais paciente suportaria tanta pressão, e aqui ele fez olhares, trabalhou intensidades, e foi claro nos diálogos para não mandar a merda, ou seja, acertou também em cheio, algo que é raro de ver um diretor atuando bem como coadjuvante. Agora assustador mesmo foi a semelhança de Sverrir Gudnason com Viggo, pois ele fazendo o Willis jovem mostrou praticamente um clone bem colocado, algo que o ator conseguiu ainda trabalhar imposições, marcou suas cenas intensamente e chamou a responsabilidade nas cenas do arrogante homem ainda com os jovens crianças, ou seja, foi algo mais intenso ver sua semelhança do que sua atuação em si. Agora quanto aos demais todos foram bem, e chamaram a atenção nas devidas cenas sem grandes destaques, ao ponto que todas as mulheres foram praticamente humilhadas com as dinâmicas em si, mas souberam marcar com olhares e o resultado passa a envolver pelo menos.

Visualmente o longa tem dois tempos bem definidos, que é a juventude do garoto na fazenda, com um pai bruto, que logo de cara sempre maltrata a mãe, mostrando o jovem aprendendo a atirar, brincando com seu pato que matou em sua banheira, vemos toda a infância e juventude em um ambiente bem machista pelo pai, mas com pontos sem muita confluência, já no segundo ato temos o protagonista já adulto vivendo em uma casa muito bem decorada por ele, com sua filha e seu marido, e o pai no fim da vida completamente dominado pelas doenças, indo a médicos, brigando por tudo, e claro desejando voltar para sua fazendo no norte frio, ou seja, a equipe de arte trabalhou bem poucos elementos, e foi meio que ambientado nos detalhes, deixando que os diálogos falassem mais do que o visual, e isso nesse estilo de filme é bem bom de ver.

Enfim, é um filme tenso por tudo o que é mostrado e dito na tela, sendo daqueles que acabamos ficando irritados com os personagens, e felizes por um filme conseguir ser tão imponente, funcionando bastante e valendo ser lembrado quando necessitarmos indicar algum filme do gênero, pois é monstruoso o que os atores fazem em cena demonstrando algo que vai até além da doença, mas sim um condicionamento maior em cima das linguagens machistas e homofóbicas tradicionais. Bem é isso pessoal, esse foi mais um longa do Festival do Rio que ainda não tem data de estreia nem nos cinemas, nem nos streamings, mas certamente em breve deve aparecer, valendo muito a conferida. Eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um longa do Festival, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Abe

7/28/2021 01:33:00 AM |

Discutir religião é algo que não é recomendado para ninguém, pois em 100% dos casos a chance é de arrumar confusão com quem você estiver discutindo, e se isso ocorre dentro da própria família então a chance de um conflito quase que armado é maior ainda, então para piorar a cabeça de um garotinho colocaram ainda no filme "Abe" o lado materno de judeus e o lado paterno de muçulmanos, o que não tem qualquer coisa que possa se comungar, e assim a mente do jovem só é aliviada por sua fascinação pela cozinha, e que pensaram pelo menos em tentar misturar tudo já que o jovem conhece um chef brasileiro que faz misturas de sabores dando muito certo no paladar. Ou seja, é daqueles filmes com uma temática bem intensa que poderia ser completamente conflitiva, que ousa trabalhar reflexões, mas que não vai muito além por segurar a leveza no tema, e assim vemos algo até gostoso de acompanhar, com uma simplicidade de estilo, mas com diálogos contundentes aonde o visual alimentício tenta brincar com a temática de postagens na internet, e que acaba envolvendo bem quem quiser conhecer um pouco mais das comidas dos países envolvidos, e talvez pensar em refletir um pouco sobre as famosas guerras religiosas, mas não espere ir muito além, pois não será aqui que isso irá acontecer, afinal a abertura não era bem a ideia da temática que o filme propôs.

A sinopse nos conta que Abe é um garoto de 12 anos que é metade judeu e metade muçulmano. Nunca teve um jantar em família que não acabasse em briga. Enquanto explora o Brooklyn para descobrir novos alimentos, ele conhece Chico, um chef brasileiro que acredita que “misturar sabores pode unir as pessoas”. Um lado da família o chama de “Avraham” (em hebraico), o outro lado de “Ibrahim” (em árabe), enquanto seus pais o chamam de “Abraham” (em inglês). Mas, ele prefere Abe.

O mais bacana de todo o longa é que o diretor Fernando Grostein Andrade quis usar a comida para tentar unir dois povos, ou melhor os dois lados conturbados de uma família, brincando com a ideia de misturar sabores dos dois países, e nessa época que estamos tão acostumados com os realities gastronômicos, com as famosas feiras culturais que rolavam antes de toda a pandemia, e claro no mundo atual da internet aonde as pessoas postam suas receitas, suas loucuras e misturas alimentícias, o resultado até tinha tudo para dar muito certo, pois é algo que as pessoas gostam de ver, é uma proposta funcional bem encaixada, e principalmente tem um estilo próprio para funcionar, afinal qual o famoso povo paz e amor que aceitaria uma apaziguação completa senão um chef brasileiro no meio de tudo, e aqui ele trabalhou sua história juntando um pouco de tudo e sendo bem criativo nesse quesito, então por quais motivos o filme não explodiu mais do que o que foi entregue? E a resposta é fácil: a simplicidade disso cair na mente de uma criança aonde a briga dos pais, dos avós e de toda a família acaba virando um conflito em sua essência, e nesse contexto se o diretor quisesse ir além teria de causar danos maiores, o que não estava colocado na proposta inicial. Ou seja, temos um tema pronto para criar discussões tão explosivas, mas que a leveza juvenil foi a melhor opção do diretor para não ir tão além, o que não é ruim, mas que não é ótimo.

Sobre as atuações, o jovem Noah Schnapp soube segurar bem sua personalidade, desenvolveu uma boa interação com todos os demais personagens, e mostrou-se bem interessado pela arte de cozinhar, ao ponto que seu Abe funciona bem, tem as indagações clássicas de qualquer jovem no meio de uma guerra familiar, e com um carisma bem marcado consegue dominar um filme que certamente tem seu tom, e isso é bom demais, pois mostra que ele é muito mais do que apenas um personagem de uma série na qual ficou famoso. Sabemos bem o potencial que Seu Jorge tem, e ele sempre entrega personagens tão densos e bem colocados que acabamos nos envolvendo demais, ao ponto que aqui seu Chico é bem marcado pelos elos culturais que só uma comida pode desenvolver, mas também ensina várias qualidades para que o jovem crie uma personalidade estilosa, aprenda a vivenciar que fazer comida não é apenas cozinhar, e assim vemos seu olhar bem marcado, passando um carisma para o personagem, e sendo alguém que até poderia ter uma imponência maior, mas caiu bem dentro do que o papel pedia. Quanto dos familiares, todos fazem bem seus papeis conflituosos, com destaque claro para a mãe vivida por Dagmara Dominczyk com olhares bem maternais e sempre apaziguando a situação para não ter grandes explosões, o avô vivido Mark Margolis puxando para o lado judeu, a avó do outro lado vivida por Salem Murphy colocando em prática todos os elos muçulmanos, e até mesmo o pai com um lado mais ateísta foi bem colocado por Arian Moayed. 

No conceito visual, a equipe de arte brincou muito com as famosas postagens de comidas, praticamente criando um aplicativo na tela, com muita interação dos amigos do jovem, com imagens de comidas bonitas e outras nem tanto, depois caímos para as cenas na casa do jovem, os vários momentos das duas religiões com os almoços/jantares clássicos das festividades como o ramadã, o bar-mitzva, e tendo depois uma ação de graças bem maluca por parte do garotinho, e no meio disso tudo suas cenas na cozinha do chef brasileiro, ou seja, muita comida boa sendo feita, muitos detalhes cênicos e um resultado bem interessante de ser visto na tela, mostrando que a equipe estudou bem cada detalhe para ter uma produção bem marcante.

Enfim, é um filme bem bacana de ser conferido, que passa longe de ser algo marcante (até poderia por toda discussão que tem na sua base), mas que agrada bastante e vale como um bom entretenimento que dá para ser recomendado para todos conferirem quando o longa estrear nos cinemas logo mais no dia 05 de agosto. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Amazon Prime Video - Jolt: Fúria Fatal (Jolt)

7/27/2021 01:33:00 AM |

E não é que a dona Amazon Prime Video está se especializando em filmes próprios de ação! Sejam eles encomendados ou comprados, estão nos presenteando cada dia com novos exemplares insanos, e o resultado é que certamente devam chamar cada vez mais assinantes para a plataforma. E o lançamento da semana "Jolt - Fúria Fatal" embora completamente exagerado vem com uma dinâmica tão bem colocada e insana, que acabamos nos envolvendo muito e até torcendo para que a protagonista soque muitos vilões, porém forçaram a barra com a finalização para algo meio que desse uma proposta de continuação, o que não necessitava, e também uma luta final meio que vamos acabar assim e seja feliz, pois tudo rolava até que bem dentro da loucura, mas a reviravolta final surpreendeu e poderia ter ido além, mas do nada a pessoa surgiu com algo e pronto. Ou seja, é uma ideia bem doida e bacana, que nos faz lembrar dos filmes "Lucy" e "John Wick", meio que uma mistura dos dois, incrementando a raiva/ódio como uma doença, e assim o resultado até vai além, mas desejarem criar uma personagem própria meio que uma vingadora ou algo do tipo para continuações acabou sendo demais, o que poderiam ter minimizado dentro de tudo.

O longa nos conta Lindy é uma mulher bonita e sarcasticamente engraçada com um segredo doloroso: devido a um raro distúrbio neurológico, ela tem impulsos assassinos esporádicos que só podem ser interrompidos quando se choca com um eletrodo especial. Incapaz de encontrar amor e conexão em um mundo que teme sua condição bizarra, Lindy finalmente confia em um homem por tempo suficiente para se apaixonar, e o encontra morto no dia seguinte. Com o coração partido e enfurecido, ela embarca em uma missão cheia de vingança para encontrar o assassino, enquanto também é perseguida pela polícia como principal suspeita do crime.

Diria que a trama criada por Scott Wascha e dirigida por Tanya Wexler até é bem trabalhada, tem toda uma intensão forte e é bem desenvolvida, sendo daqueles que acabamos empolgados com tudo, e mesmo que tenhamos uma apresentação rápida acabamos conectados com o estilo, o que é muito bom de acontecer, porém acabaram pecando um pouco na finalização, pois acreditaram demais no potencial e esqueceram que mesmo uma ficção precisa ter um cerne preciso para que o público também acredite naquilo, e filmes que possuem algum tipo de vilão vamos no estilo videogame passando as fases para termos um final glorioso e surpreendente, e até tivemos um leve susto ao ser mostrado, porém vemos acontecer diversos atos anteriores aonde a moça praticamente não fica mais com a sua bolsa, para aí aparecer tudo de mão beijada ali na sua frente e resolver de uma forma impossível acabou sendo apelação demais até para o maior fã de quadrinhos impossíveis. Ou seja, o que vemos na tela se relevado o abstrato é até bem bom, serve de passatempo e funciona, e certamente com o fechamento irão pensar em uma continuação, mas poderiam ter sido mais críveis para que o resultado fosse bem melhor.

Sobre as atuações, sabemos do potencial de Kate Beckinsale com personagens de filmes de ação, já tendo inclusive suas próprias dublês de gênero desenvolvidas e prontas para atacar, e aqui sua Lindy vem com tudo, faz trejeitos fortes, impacta nas lutas e marca um estilo bem interessante que funciona demais com o que a personagem necessitava, e assim sendo seu resultado valeu a pena. Jai Courtney conseguiu surpreender bem com seu Justin, fazendo ares fofos misturados com uma certa ironia, o que deu um um tom bem bacana e chamativo para o personagem, sendo certeiro no que o papel pedia do começo ao fim. Stanley Tucci entregou para seu Munchin uma personalidade tão divertida e bem colocada que chega a ser daqueles secundários que gostaríamos até de mais cenas. Bobby Cannavale e Laverne Cox trabalharam também de uma maneira bem icônica seus Vicars e Nevin, ao ponto que entregaram conexões boas com a protagonista, tiveram cenas engraçadas e bem colocadas, e funcionaram sem precisar chamar atenção para si, e isso é muito bom de ver em personagens secundários. Quanto dos vilões, embora tivessem ares clássicos de crueldade nos trejeitos, nem Steven Osborne com seu Barry, nem Ori Pfeffer com seu Delacroix, muito menos David Bradley com seu Garret chamaram a atenção, tendo o segundo um pouco mais de desenvoltura nas lutas, e o último com um pouco mais de atitude nos diálogos e no ambiente, mas acabaram ficando secundários perto do fechamento escolhido para a trama. E quanto os demais, vale uma referência estranha para aparição final de Susan Sarandon na cena final e a jovem Sophie Sanderson como a hacker Andy, mas nada que fosse surpreendente de ver na tela.

Visualmente o longa tem boas locações, muita intensidade visual, explosões, tiros, corridas de carros (aliás arrumaram uma McLaren verde que é mais bonita e veloz que os da franquia Velozes), vários objetos cênicos sendo usados como arma na mão da protagonista, um bom uso das maquiagens e dos sangues cenográficos, e um envolvimento artístico bem marcado para dar o ar e o estilo de filmes de quadrinhos com vilões e heróis, sendo algo que mostrou tanto a boa técnica quanto o bom gosto cênico e figurado da equipe de arte.

Enfim, é daqueles filmes que acabam sendo empolgantes de conferir, que tem uma proposta bem maluca, mas interessante de ver, porém foi finalizado de uma forma meio que exagerada demais, ao ponto que quem não ligar muito para os excessos vai assistir vibrando e curtindo bastante, mas se procurar qualquer errinho vai achar aos montes. Sendo assim digo que recomendo como uma boa diversão, não sendo um filme impressionante, mas que acaba sendo algo agradável e que dá para dar boas risadas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - Céu Vermelho-Sangue (Blood Red Sky)

7/25/2021 09:55:00 PM |

Tem vezes que vejo a junção de tipos de filmes que alguns diretores optam por colocar em suas tramas que não tem como dar certo, ou melhor até tem, mas ficam tão estranhos que parece bizarro só de pensar, quanto mais de assistir, e se já vimos num passado bem distante a mistura de cobras em um avião, agora chegou a vez de vermos um ataque de vampiros após um sequestro de avião!!! Ou seja, a Netflix colocou em seu catálogo a loucura completa chamada "Céu Vermelho-Sangue" que nos entrega exatamente essa proposta, criando algo tão maluco que acabamos não entrando tanto no clima, pois ambos os estilos são filmes de terror, mas cada um com sua peculiaridade causam a tensão no público, já que nos longas de sequestro de avião temos os terroristas malucos ameaçando a tripulação, vemos todo o pânico de conseguir ou não pousar o avião com as pessoas sobrevivendo, enquanto nos longas de vampiros temos todo o desespero da fuga dos monstros, a tensão por sangue, e claro todo o envolvimento entre os monstros para atacar ou não, e aqui ao misturar tudo vemos todas as situações, mas nenhuma funciona por completo, o que é ruim de ver, pois ficamos esperando aquele algo a mais, e quando parece que vai rolar, vemos absurdos tão malucos que não dá para salvar, como por exemplo tamparem um buraco de janela com bolsas, ou então terminar o voo com uma porta de porão aberta por inteiro com a pessoa agachada ao lado e não cair, ou seja, bizarro demais.

O filme nos conta que quando um grupo de terroristas sequestra um avião, uma mulher a bordo tem que tomar uma difícil decisão para proteger seu filho e os outros passageiros. Ela deverá revelar o monstro dentro de si que escondeu por tanto tempo: uma vampira.

O mais engraçado é que o diretor e roteirista Peter Thorwarth entregou uma trama original sua, não sendo algo baseado em algum livro ou qualquer tipo de desenvoltura, e assim sendo podemos dizer que teve uma criatividade até que bem absurda com um tema estranho rolando, e talvez até o resultado poderia ser outro se não recaísse tanto para alguns erros, pois seu filme tem técnica, tem personalidade, e até temos alguns atos tensos, mas quando olhamos o estilo inteiro acontecendo fica a todo momento parecendo que algo mais insano vai acontecer, e acontece, não fluindo de forma natural. Claro que esperar que uma loucura toda desse certo é abusar da boa vontade, mas talvez um pouco mais de tensão em tudo, ou quem sabe já irem logo para as cenas de chão com mais dramaticidade em cima dos militares, para que algo fizesse um pouco mais de sentido pelo menos, e que assim ficássemos nervosos com os protagonistas, e não nervosos com as loucuras de vampiros brigando dentro de um avião, pois eles não assustam, não causam temor, nem nada, e assim o resultado acaba ficando bem mediano na totalidade.

Sobre as atuações chega a ser algo ainda mais estranho, pois todos fizeram tantas caras e bocas que ficamos nos perguntando se realmente sabiam o que estavam fazendo em cena, salvando mais ou menos o garotinho Carl Anton Koch com seu Elias desesperado mais em salvar o amigo que conheceu no aeroporto e a mãe do que com a sua própria vida ao enfrentar os bichões sanguinários dentro do avião, claro que por ter convivido com a mãe tantos anos deve ter aprendido algo, e ele foi bem expressivo, marcou estilo e acabou agradando de certa forma. Já Peri Baumeister acabou necessitando tanto de expressividade com máscara, próteses dentárias e lentes para que sua Nadja funcionasse que chega a ser assustador de ver ela, não do que faz em cena, e isso é estranho demais, mas ela tentou sempre proteger seu garotinho, fez as nuances por desespero de sangue, e assim o resultado até chega a surpreender de alguma forma. Kais Setti trabalhou bem seu Farid, fazendo bons olhares, trabalhando alguns eixos bem desesperadores, e fechou bem seus atos com estilo pelo menos. Quanto dos terroristas, vale bem o destaque para Alexander Scheer com seu Eightball completamente insano já logo no início dos trabalhos de sequestro, mandando tiros, facadas e tudo mais, mas ao colocar a maquiagem de vampiro inteiro tostado ficou muito insano, completamente desesperado por sangue e violência, resultando em uma interpretação bem colocada e maluca. Já os demais acabaram aparecendo pouco, e mesmo fazendo desesperos, puxando elos não foram muito além, tendo um leve destaque para o copiloto Bastian vivido por Kai Ivo Baulitz, que se mostrava uma coisa, depois virou outra, e finalizou de uma terceira forma, então poderiam ter usado mais ele.

Visualmente o longa até explorou muitos ambientes, desde as classes de passageiros, passando pelo cockpit aonde acontecem cenas bem intensas, a cabine de serviço aonde rola várias mortes, e claro o porão de cargas aonde usaram um carro blindado, cachorros em jaulas, explosões e tudo mais, além claro de muita maquiagem para os diversos vampiros, muito sangue para todo lado, diversos elementos cênicos sendo usados como armas, machados, bombas e tudo mais, além claro das cenas em terra com um exército imenso totalmente preparado para uma guerra, e ainda nas memórias da protagonista como foi que ela se tornou uma vampira no meio da neve, num casebre meio abandonado que ninguém entraria, mas lá foi ela como todo filme de terror, muitos remédios para tentar conter o ar vampiresco, e assim o resultado da equipe de arte foi bem intenso e marcante pelo menos.

Enfim, é um filme razoavelmente mediano, que até dá para conferir pela proposta, mas que facilmente daria para chamar mais atenção mudando um pouco de cada coisa, e principalmente criando mais tensão em tudo. Ou seja, diria que até recomendo o longa, mas com tantas ressalvas deixo o aviso que muitos vão reclamar mais do que curtir toda a ideia. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em amanhã com mais textos, então abraços e até lá.


Leia Mais

Netflix - A Última Carta De Amor (The Last Letter From Your Lover)

7/25/2021 03:37:00 PM |

Romances geralmente puxam sintonias tão ambientadas que muitos nem gostam de entrar para conferir, seja por achar que nunca isso aconteceria na vida real ou até mesmo por não gostar de um estilo mais meloso, porém quando uma história do estilo é bem feita o resultado surpreende a todos e nos vemos envolvidos de uma forma tão gostosa que tudo passa a ser bonito, tudo faz um sentido, e mesmo que o ficcional vá além acabamos agraciados com o estilo e torcemos por algo que vá além do que parece acontecer, e nem reclamamos tanto dos clichês que são colocados. Comecei o texto de "A Última Carta de Amor" dessa forma pois lembro que quando me indicaram o trailer do longa lá no começo de maio achei bonitinho, mas não esperava que fosse me envolver tanto com a trama, porém hoje comecei vendo ele sem nenhuma pretensão, e quando reparei já estava no meio da investigação das cartas junto com a protagonista, querendo saber mais do passado, mais do romance, querendo detalhes se continuaram juntos ou não, e por aí vai, sendo algo que funcionou tão bem, de uma forma leve e clássica, mas sem jogar nada forçado, que o resultado final é iminente de situações bonitinhas e gostosas de ver, mesmo com os diversos clichês do gênero.

O longa acompanha entre o passado e o presente, a jovem Jennifer Stirling após acordar sem memória, nos anos 60 em Londres. Com isso, ela descobre que escreveu várias cartas de amor para um amante chamado Anthony O’Hare, com o qual estava disposta a arriscar seu casamento. Quarenta anos depois, a jornalista Ellie Haworth encontra as mesmas correspondências e decide investigar o que aconteceu no passado, enquanto tenta lidar com os problemas de seu próprio relacionamento.

Diria que talvez a diretora Augustine Frizzell tenha exagerado um pouco na bagunça temporal do livro de Jojo Moyes, pois o filme mesmo sendo bonito, prendendo a atenção, tendo todo o classicismo de época acabou indo e vindo demais, trabalhando a essência dentro de um contexto amplo e deixando aberto muitos eixos para que os clichês dominassem, lembrando até um pouco o longa "Cartas Para Julieta", porém ela foi bem segura de criar as situações de uma maneira leve e interessante, pois como a época mostrada trabalhava um elo meio que burguês exagerado poderia ter criado um clima mais pesado e forte com tudo. Ou seja, ela soube desenvolver sua história sem precisar recorrer ao estilo literário mais clássico que o livro certamente desponta, pois diferente da maioria das obras literárias que sentimos até o passar das páginas, aqui vemos uma investigação mais rápida, com mais linhas escritas pela mente do que pelo papel realmente, e usando de artifício apenas de leitura nas cartas vemos a trama depender mais das duas protagonistas do que realmente da história, o que não é ruim, mas que certamente os fãs do livro irão reclamar. Sendo assim talvez algo menos simples chamasse mais a atenção, e algo mais cru emocionasse até um pouco mais, porém não vejo o que reclamar como obra romântica, pois acabamos bem envolvidos e o resultado funciona, mostrando atitude e agradando nos pontos certos para darmos os tradicionais suspiros que o gênero pede.

Sobre as atuações como já falei acima o longa dependeu completamente do feitio de Shailene Woodley e Felicity Jones, e ambas conseguiram criar o carisma necessário para que a trama se desenvolvesse bem, ao ponto que Felicity trouxe para sua Ellie a síntese das mulheres que hoje não estão dispostas a nenhum compromisso, seja por algo que tenha dado errado no passado ou até mesmo pelo excesso de confiança em si, e que ao ir trabalhando numa história mais romantizada despertou um outro lado seu que passa a gostar do que vê no rapaz, puxando um romance simples, mas bonitinho pela desenvoltura, enquanto Shailene deu para sua Jennifer o famoso caso dos casamentos arranjados das antigas, aonde uma simples conversa acabava indo para um matrimônio arrastado, aonde não tinha amor entre as partes, mas sim quase que um acordo de vivência conjunta, e que ao encontrar o amor fora dali se envolve por completo numa tórrida paixão que acende outros caminhos em sua vida, e claro que ambas mostraram isso com olhares, com gestuais, e principalmente nas atitudes, quase que uma completando a outra em diferentes épocas, mas com uma sintonia gostosa e bem clássica que conseguiram demonstrar e cativar ao ponto de nos conectarmos a elas. Quanto dos homens, tanto Callum Turner quanto Nabhaan Rizwan não possuem estilos de galã, daqueles que uma mulher tradicionalmente se apaixonaria de cara pelo envolvimento de ambos, porém seus Anthony e Rory mantinham acesas histórias cativantes, que entreteriam as garotas com aquele algo a mais, no caso Callum fazendo de seu Anthony ou Bolt alguém próximo, ouvinte e cheio de gás ao invés de estar sempre viajando como o marido, e Nabhaan trouxe para seu Rory aqueles famosos chatos por detalhes que instigou a protagonista aos erros e curiosidades pelo mundo do arquivo fazendo a conexão, ou seja, assim como as mulheres tinham muito em comum, os homens também foram pela mesma linhagem e o resultado funcionou bem para ambos. Quanto aos demais, Joe Alwyn foi clássico e até chato demais com seu Lawrence, ao ponto que é até difícil ver a jovem protagonista o chamar de Larry, mas encaixou o que o personagem pedia, e fez bem, só poderia ter talvez feito trejeitos mais fortes, pois pareceu até jovem demais. E quanto aos protagonistas já velhos, foi bem encontrado as suas poucas nuances, mas nada que tivesse ido muito além, sendo engraçado ver Shailene virar Diane Keaton (diria até que um envelhecimento luxuoso demais!), e Callum envelhecido virar Ben Cross (que o longa acabou como uma homenagem por sua morte no ano passado) o qual chega a ser até impressionante a semelhança e postura ao ponto de que até achei que tivessem apenas envelhecido o protagonista e não colocado outro ator.

Visualmente o longa é extremamente luxuoso e clássico, mostrando uns anos 60 tão ricos que nem parece que havia o lado hippie rolando mundo afora, com atores sempre com figurinos imponentes, tanto de cabelo quanto de roupas, cheios de envolvimento em locações riquíssimas como rivieras, barcos, restaurantes de luxo, com uma classe sempre marcante e bem trabalhada, e já nos anos 2000 já caímos para dentro de um jornal com seus arquivos amontoados, jovens vivendo em quartinhos minúsculos, mas bem arrumados (afinal o jovem é um arquivista e organização é seu sobrenome), mas claro que tudo tendo um charme bem marcante que a equipe de arte quis trabalhar, usando letras belíssimas nas cartas e claro fazendo o encontro na praça ser de uma beleza marcante com folhas de outono caindo e tudo mais, além de um reencontro natalino no meio da neve. Ou seja, um trabalho impecável da equipe de arte, misturando clássico com envolvimento moderno, mostrando que hoje não teríamos a mesma história com a tecnologia dos smartphones, e assim futuramente não teremos mais esses romances clássicos.

Enfim, posso dizer com toda certeza que é um filme que muitos reclamarão dos clichês, outros acusarão de ser exageradamente parecido com outros longas, mas que certamente quem se deixar levar pelo bom clima acabará se envolvendo bastante, e o resultado final agradará demais, pois é bem leve e gostoso valendo a recomendação para todos os românticos do mundo. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

TeleCine Play - Dias Melhores (少年的你) (Shaonian De Ni) (Better Days)

7/24/2021 10:59:00 PM |

Um tema que tem aparecido bastante nos longas mundo afora para discussão é o bullying nas escolas, e quando levado para um mundo tão competitivo nos estudos como acontece nos países orientais, aonde os processos seletivos são exaustivos, onde já muito se foi falado sobre mortes, suicídios e tudo mais em cima da loucura completa que é por lá, o resultado então de um longa trabalhando essa temática acabou indo até além, pois "Dias Melhores" mostra como foi algo que ocorreu em 2011, e que depois passaram a ter mais regras e policiamento em cima dos casos, pois vemos no filme todo o impacto na vida de uma garota do ensino médio, que come livros para tirar uma grandiosa nota no exame final que dá as vagas para as faculdades do país, quando acontece todo um processo violento em cima dela, passa a ser ajudada por um jovem malandro nato e que entrega uma fluidez romântica na sequência e todo um desfecho ainda mais imponente com tudo o que acaba rolando. Diria que é um filme bem imponente, com reviravoltas interessantes, e que tem um estilo forte do começo ao fim, mas que por alguns momentos se jogou completamente para uma desenvoltura meio que novelesca, aonde os secundários quiseram aparecer até que demais (no caso os policiais), e assim o resultado não foi tão perfeito como poderia, mas ainda assim é emocionante e bem envolvente por completo.

A sinopse nos conta que a estudante Nian se concentra para as provas finais que vão definir seu futuro acadêmico, mas precisa lidar com a ausência da mãe e o constante bullying que sofre por parte de suas colegas. Enquanto volta da escola, ela acaba conhecendo Xiao Bei, um jovem misterioso que passa a protegê-la, e uma amizade improvável surge entre eles.

Diria que o diretor Derek Tsang trabalhou muito bem nas dinâmicas, escolheu certamente uma escola com uma quantidade bem grande de alunos para ser representativo, e criou grandes momentos fortes para que cada ato fosse marcado tanto pelas tensões de bullying em cima da garota, quanto pelas acusações e violências dentro e fora da escola, mas certamente os atos de interrogatórios, os atos de envolvimento da garota com o rapaz, e até mesmo os momentos que vamos tentando descobrir o que realmente rolou com a morte vão ainda além nas situações colocadas. Ou seja, é um trabalho riquíssimo de envolvimento, aonde vemos a mão da direção funcionar, e principalmente encaixa o tema sem precisar ficar repetindo a todo momento os elos, fazendo com que cada ato fosse marcado e simbólico para algo complexo que é o fato de estudar para ser alguém no futuro, mas também ser reconhecido pelos seus atos dentro de uma boa moral.

Sobre as atuações, a jovem Dongyu Zhou se entregou completamente para sua Chen Nian, colocando olhares a prova, trejeitos marcantes, encarando dinâmicas fortes, e até liberando cortar completamente seu cabelo, ou seja, fez de tudo um pouco e chamou muita atenção sendo bem expressiva e interessante na proposta completa. O cantor e astro da banda TFboys, Jackson Yee, foi muito bem com seu Xiao Bei, entregou muita serenidade nas suas cenas, chamou a responsabilidade para os atos mais fortes, "apanhou" bastante com a maquiagem, e também botou o cabelo no chão mostrando atitude e vontade de fazer o papel, ou seja, segurou a dramaticidade do começo ao fim para que seu personagem fosse seguro e muito bem feito. Fang Yin foi um pouco exagerado demais com seu policial Zheng, ao ponto que em alguns atos ele tentou aparecer até mais que os protagonistas, o que não é muito bom de ver, aliás o trio de policiais fizeram cenas muito forçadas de interrogatório, parecendo surtados, o que não é legal de acontecer, mas fizeram suas cenas. Já quanto das garotas que fizeram o bullying, é claro o destaque fica para Ye Zhou com sua Wei Lai, pois a jovem foi direta em seus ataques, fez caras e bocas marcantes, e principalmente soube mudar o ar de maldade para desespero em alguns atos fortes como a da escadaria de tal maneira que só grandes atrizes fazem bem, ou seja, acertou a mão.

Visualmente a trama também tem muita intensidade, mostrando desde as escolas cheia de quase robôs com toneladas e mais toneladas de livros, vemos o apartamento simples da jovem com a mãe tendo de sumir por seu estilo de trambiques, deixando ela para se virar sozinha, e com um ambiente meio que pobre e sofrido, mas aí vamos para a casa no meio do nada do protagonista, com tudo mais simples ainda, com muita bagunça cênica, além de termos algumas boas cenas na delegacia, vários atos intensos na rua, inclusive com a cena máxima de abuso da protagonista, mostrando que a equipe de arte foi muito certeira nas escolhas e envolveu bastante com tudo, sendo bem representativo, além claro dos atos finais no meio das provas debaixo de muita chuva.

Enfim, é um filme bem forte, bonito e que mostra bem o estilo do cinema de Hong Kong, tanto que acabou indicado ao Oscar desse ano na categoria de Melhor Filme Internacional, e é daqueles que valem com certeza a conferida, sendo bem recomendado para todos pelo tema intenso e pelo bom desenvolvimento completo, mesmo que tendo alguns exageros que poderiam ter sido minimizados para não entrar num clima tão novelesco no final. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

TeleCine Play - De Volta à Itália (Made In Italy)

7/24/2021 02:01:00 AM |

Hoje realmente o que vi na tela da TV pelo Festival do Rio foi um verdadeiro drama tradicionalíssimo de festival, daqueles que costumamos entrar na sala sem nenhuma pretensão, mas que acabamos nos envolvendo tanto com o carisma passado que o resultado final acaba surpreendendo demais, e que mesmo tudo sendo bem simples, e que com menos da metade já dá para saber o que vai acontecer, vamos acompanhando cada momento torcendo pela boa dinâmica entre os personagens e que tudo funcione bem. Ou seja, o longa "De Volta à Itália" brinca com toda a situação dramática familiar, mostra toda a síntese da velha e romântica Toscana na Itália, e claro trabalha diálogos clássicos de pai e filho que a muito tempo não se falam por algum motivo, mas que por dentro desejam muito a interação. Ou seja, é daqueles filmes bonitos, leves e gostosos de acompanhar, que vamos conhecendo um pouco cada momento, vemos os floreios românticos, e claro as desenvolturas dramáticas, mas que ao final tudo fica bem e funciona demais. Não é nenhum filme daqueles que vai nos marcar, nos dar lições e tudo mais, mas é tão bem trabalhado pelos atores que parecem ser até melhores do que realmente são.

O longa nos conta que Robert viaja de Londres à Toscana, na Itália, para revisitar um imóvel caindo aos pedaços deixado pela falecida esposa. Com a ajuda de Jack, filho com quem mantém uma complexa relação, o artista tenta reconstruir o local ao passo que estabelecem uma nova conexão.

Diria que a estreia do ator James D'Arcy na direção e como roteirista foi bem precisa de técnicas, soube criar uma história comovente bem interessante de ser acompanhada, e principalmente não exagerou na trama para que ficasse forçado os momentos clássicos do filme, fazendo com que seu filme fluísse bem, tivesse toda a história em cima do protagonista ocorrendo dentro do comum, e claro usando de simples e tradicionais clichês do gênero envolvesse e criasse as devidas dinâmicas para seu filme funcionar bem. Claro que como já disse não é nenhum filme genial, mas tem um estilo bonito dentro do gênero, vemos uma história bem feita em cima do luto, e que junto de uma amarração clássica misturando romance com drama entrega bons momentos e vai fluindo de uma forma singela e gostosa de ver, mostrando principalmente que o agora diretor pode ir longe sabendo segurar um filme sem precisar de apelações estéticas, bastando gastar o bom feijão com arroz, e no caso aqui risoto com macarrão.

Sobre as atuações, estamos acostumados com Liam Neeson sentando a porrada em todo mundo, mas sabemos muito bem que o ator também tem um bom perfil dramático, e aqui ele usou bem esse seu estilo para compor seu Robert e agradar na desenvoltura dele com o filho, e claro que sendo pai e filho também na vida real, conseguiu dominar bem as dinâmicas, e encontrar um estilo gostoso, boêmio e com muita classe para seu pintor já desgastado pós-morte da esposa, chamando bem a atenção nos atos e agradando no que fez. Da mesma forma seu filho Micheál Richardson trabalhou muito bem seu Jack, criando situações interessantes com boa postura, olhares apaixonados e emocionados, e ainda cadenciou o estilo, mostrando que tem personalidade, e isso é sempre bom de ver na tela. Valeria Bilello entregou uma boa Natalia, sendo bem cheia de desenvoltura, dando as nuances italianas tradicionais, e criando claro o laço amoroso logo de cara (aliás foi rápida demais com os olhares, nem dando tempo de pensarmos em não criar o clima romântico), e assim sendo se sai bem e agrada bastante. Quanto aos demais, praticamente todos entregaram rápidas cenas de conexão com os protagonistas, não indo muito além em nada, tendo um leve destaque para Lindsay Duncan com sua Kate estilosa e direta nos diálogos.

Visualmente a trama começou meio que jogada na galeria, mostrando nem tanto o amor do protagonista pela arte, mas sim já algo rolando da ex querendo o local só para ela, meio que num estilo conflitivo, mas ao que o jovem passa na casa bagunçada do pai e já vai para a casa na Toscana ainda mais bagunçada, aliás praticamente caindo os pedaços, tudo vai mudando, vão reformando de uma forma meio zoada, mas o visual da locação é daqueles que a equipe de arte não só escolheu bem tudo, mas foi direto demais no melhor ponto possível de ambientação, com nuances clássicas dos filmes italianos, junto com todo o ar romantizado do ambiente, num acerto bem bonito e interessante de ver com as situações clássicas que vão ocorrendo desde jantares em cantinas, filmes na praça, corridas de vespa, romances em banquinhos e lagos, e por aí vai, mostrando que pesquisaram bem tudo.

Enfim, é um filme muito gostoso de ver, que tem toda sua graciosidade, e que mesmo não sendo muito original tem estilo, agradando com simplicidade e valendo demais tanto para quem gosta de um filme estilo clássico de festivais, quanto para quem gosta de um passatempo que mistura momentos dramáticos e românticos em uma única sessão. O filme só estreia comercialmente em Setembro, e felizmente pude ver no Festival do Rio que está passando no Telecine Play, então recomendo que assim que surgir todos vejam. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Dupla Explosiva 2 - E a Primeira Dama do Crime (Hitman's Wife's Bodyguard)

7/23/2021 01:14:00 AM |

Antes de mais nada, vou confessar que lembrava bem pouco do primeiro filme, então fui dar uma olhada em algumas cenas e no que escrevi dele quando vi em 2017, e olha que foi algo que curti apesar de toda a apelação, ou seja, não era para ter esquecido por completo de algo com três grandes atores, mas acontece, então eis que se lá pareceu que os atores não estavam tão entrosados para toda a bagunça, aqui já vieram com a química bem engatada, e então tudo literalmente vai pelos ares em algo completamente insano, cheio de boas sacadas, mas que também não vai muito além de um vilão maluco que quer destruir toda a Europa, e colocam para combater ele três malucos piores ainda, e assim sendo a diversão de "Dupla Explosiva 2 - E a Primeira Dama do Crime" até é boa de ver, mas acredito que daqui um tempo assim como o primeiro não lembrarei nem de ter conferido.

O longa nos conta que o casal estranho mais letal do mundo - o guarda-costas Michael Bryce e o assassino de aluguel Darius Kincaid - estão de volta em outra missão com risco de vida. Ainda sem licença e sob vigilância, Bryce é forçado a entrar em ação pela esposa ainda mais volátil de Darius, a infame vigarista internacional Sonia Kincaid. Enquanto Bryce é levado ao limite por seus dois protegidos mais perigosos, o trio se mete em uma trama global e logo descobre que eles são tudo o que está no caminho de um louco vingativo e poderoso.

O diretor Patrick Hughes volta a comandar a equipe após 4 anos e mostra que tem a segurança nos atos, e que principalmente estava bem disposto a se divertir com os personagens independente do que fosse rolar, e criou diversos momentos bem sacados, trabalhou as dinâmicas com interação máxima de estilo, e principalmente ousou em muita ação do começo ao fim, não dando nem tempo para os respiros casualmente colocados para diálogos, ao ponto que o roteiro acabou deixando de lado as conexões mais calmas, e botou para jogo tiros, explosões, corridas, e muita sincronia tanto por parte dos atores, como certamente dos dublês que encararam tudo ao máximo. Ou seja, é daqueles filmes que se você for parar para pensar no que a história conta nem vai saber direito, mas tudo é tão bagunçado que acaba agradando de certa forma, e como uma sequência acabaram encaixando a ideia toda, botado uma loucura desenfreada, e funcionou como algo divertido e gostoso de ver, mas longe de ser impressionante.

Sobre as atuações, se no primeiro filme Salma Hayek apenas apareceu, aqui ela praticamente despontou do começo ao fim chamando a responsabilidade para si quase que integral, ao ponto que sua Sonia é divertida, bem colocada, completamente insana e com diálogos bem afiados que acabam encaixando muito dentro da proposta, sendo uma grata entrega e que até valeria mais ela como protagonista do que a dupla realmente. Ryan Reynolds tem seu estilo de fazer graça, e aqui seu Bryce é o tradicional que já vimos em todos seus filmes, com uma pegada meio que bagunçada, mas também divertida, e que consegue encaixar as nuances sérias sem perder o tom cômico, já indo para algo bem marcado, o que faz rir no exagero, e se entrega com caras e bocas bem marcadas. Samuel L. Jackson é famoso claro pelos seus xingamentos e gritos, e aqui a personalidade de seu Kincaid é completamente a sua cara, brincando do começo ao fim em tom irônico com as cenas, se jogando para tudo, e praticamente tirando sarro com as coisas que ocorrem, soando divertido ao mesmo tempo que funciona como complemento para os demais, o que é bem bom de ver. Agora Antonio Banderas como o vilão Aristotle Papdopoulos foi um charme técnico de expressividade, mas meio que mal sacado, afinal sabemos o quão espanhol ele é para interpretar um grego de origem, daqueles que está defendendo sua pátria na trama, e mesmo sendo um bom ator, isso é algo que acabou sendo estranho de ver, mas ele foi intenso e claro brigou muito com técnica e bons momentos. Ainda tivemos as participações de Morgan Freeman como um guarda-costas mais experiente (põe experiente nisso com 90 anos), Tom Hopper como o grandioso guarda-costas classe A, Magnussom, e Frank Grillo como o agente Bobby O'Neall, mas todos sem grandiosos momentos chamativos, apenas encaixando bem as devidas nuances e agradando no que tinham para mostrar.

Visualmente o longa foi bem recheado de ação, com muitos momentos na rua com perseguições, várias cenas com muitos tiros e explosões em diversos locais como na praia, na boate, na fazenda, e aonde pensássemos, muita interação nas cenas finais dentro do navio, e cenografias bem pensadas para ter as diversas nuances, mas claro sempre exagerando em sangue, exagerando em coisas bizarras, e claro em muitos tiros improváveis, ou seja, a equipe de arte brincou bastante com tudo, ousando nas escolhas para que o filme ficasse intenso, com cores bem fortes e muitos detalhes para cada momento ficar marcante.

Enfim, é daqueles filmes extremamente exagerados, que a comicidade até funciona de certa forma, mas assim como ocorreu com o primeiro filme, tenho a certeza absoluta que não irei lembrar dele daqui a alguns dias, não por ser um filme ruim, muito pelo contrário ele é divertido dentro do que se propõe, mas é tão bagunçado de ideias que o resultado não surpreende, e assim sendo só recomendo ele pelas boas cenas de ação, mas vá sem esperar nada, pois a chance de curtir é maior. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Um Lugar Silencioso - Parte 2 (A Quiet Place - Part II)

7/22/2021 01:46:00 AM |

São bem raros os casos de uma continuação ser melhor que o original, e quando isso ocorre é algo que temos de elogiar com muita certeza, pois empolga e supera todas as expectativas. E olha que com "Um Lugar Silencioso - Parte 2" tivemos expectativas até que demais, pois foi um dos filmes que mais tiveram sua data de estreia alterada com a pandemia, sendo o primeiro filme que estava previsto lá para março do ano passado e quando tudo explodiu empurraram para setembro, quando parecia que ia estrear, os cinemas fecharam novamente, e lá jogado para março desse ano, e pronto fechado novamente, até que agora foi, e olha veio com tudo, com muito mais história que o primeiro filme, muito mais tensão e cenas tão claustrofóbicas que acabei saindo até suado da sessão, pois acabamos ficando sem respirar quase que os 97 minutos da trama, xingamos os personagens pelas burrices que acabam fazendo, e principalmente torcemos para que consigam fazer o que pensaram para matar os bichões, ou pelo menos escapar deles. E felizmente o longa funcionou tanto com as novidades, nos mostrou como tudo começou no dia 01, vemos toda a intensidade dos personagens, e principalmente sem perder a essência do original causou espanto, tensão, alguns sustos repentinos e empolgação com tudo, só diria que não foi perfeito por um único detalhe: nos fazer esperar por uma continuação, pois diferente do original que teve seu começo, meio e fim bem definido, com algo que até poderia ou não ter uma continuação, aqui fecharam a trama com uma finalização boa, mas que precisaremos da terceira parte para ver como as duas partes que a história se dividiu irão conseguir se juntar, e assim sendo, vamos torcer para isso ocorrer em breve. Porém tirando esse detalhe, é um tremendo filmaço de primeira qualidade, que vale demais a conferida.

O longa nos conta que logo após os acontecimentos mortais do primeiro filme, a família Abbott precisa agora encarar o terror mundo afora, continuando a lutar para sobreviver em silêncio. Obrigados a se aventurar pelo desconhecido, eles rapidamente percebem que as criaturas que caçam pelo som não são as únicas ameaças que os observam pelo caminho de areia.

Se com o primeiro filme, o ator John Krasinski ficou famoso como diretor e roteirista, agora com a continuação mostrou que não foi sorte de principiante, entregando algo tão bem elaborado quanto o original, sendo criativo nas situações que acabamos vendo os protagonistas se envolvendo, e claro rolando coisas improváveis que sempre fazem com que xinguemos os protagonistas (aquela famosa sina de filme de terror, que se ninguém fizer uma burrice o longa não acontece!), e sendo bem trabalhado nas dinâmicas, não dando respiros para que ninguém canse, e principalmente brincando com cada elemento da trama, desde o ruído do aparelho de surdez da garotinha, com uma estação de rádio que indica uma pista, com a preparação de armadilhas e nuances certeiras para que cada momento ficasse melhor que o outro. Ou seja, é daqueles filmes que até procuramos erros para reclamar, mas dificilmente encontramos algo que impacte de menos na produção toda, e sendo assim só o fato de deixarem algo para ser fechado como uma trilogia é o que dá para resmungar um pouco, mas de resto é incrível, e certamente o diretor fez valer cada segundo do que entregou, superando as expectativas e criando algo maior e com muita responsabilidade para ter um bom desfecho na terceira parte.

O mais engraçado no longa é que não tenho como dar destaque para ninguém no filme, pois todos foram muito bem no que fizeram, e ao dividir o elenco em grupos (isso até acaba sendo um tremendo spoiler) temos praticamente duas histórias bem separadas (nem vou considerar o desesperador início quando as criaturas começam a atacar, pois ali apenas vimos um jogo, conhecemos rapidamente Emmett que será usado logo em seguida, e vemos todo mundo sendo comido, afinal ninguém sabia que não podia fazer qualquer barulho, já que se passa antes do que vimos no primeiro filme), então diria que no grupo que fica no galpão, o garotinho Noah Jupe (que cresceu bem, e quase estragou a primeira parte por estar mais alto que no filme anterior) foi responsável por querermos xingar ao máximo tudo o que faz, pois qual é a mecânica, ficar quieto em silêncio e pronto, mas não ele vai sair xeretando tudo, e vai fazer barulho para que os bichos o ataque, vai esquecer algo, vai se dar mal, e o melhor é que ele faz toda essa patifaria bem, entregando personalidade e chamando a responsabilidade para si, o que é muito bom de ver, mesmo caindo nas tramas de um bom terror, e Emily Blunt colocou o famoso desespero de mãe para jogo, fazendo tudo e mais um pouco com sua Evelyn, criando nuances fortes, indo a lugares complicados na ponta do pé, mas lutando e se expressando com muita imponência em tudo. Já na turma que foi em busca do que achavam ser a solução dos problemas, o destaque icônico ficou para a garotinha que é surda de verdade e não apenas no filme Millicent Simmonds com sua Regan imponente, cheia de atitude, e muito determinada e expressiva nos seus atos, colocando tudo com tanta força explosiva que até chegamos a torcer por ela na trama, ou seja, perfeita, e Cillian Murphy trabalhou seu Emmett com um estilo único, daqueles que já não tem mais valor no que faz por ter perdido toda a família, que leva esporro por não querer ajudar, mas que quando bota a prova mostra que aprendeu e se entrega, ao ponto que vemos o ator com olhares tão desesperados em alguns atos que chega a impressionar, mostrando muito primor e técnica em todos os seus atos. Agora quanto aos demais, não chegaram a aparecer suficientemente para impactar na trama, e desde Djimon Hounson como o mais conhecido ali na ilha, mas sem grandes explicações nem atitudes para chamar atenção, até chegarmos na garotinha infeliz e assustadora Alice Sophie Malyukova no cais apareceram e trabalharam da forma que deu, dando um rápido destaque para o diretor John Krasinski agora como ator, nas primeiras cenas mostrando todo seu ar defensivo para com a filha na cena do bar, que vimos depois acontecer bem no primeiro filme.

Visualmente o longa também é impecável, cheio de detalhes, com rasgos dos monstros aonde quer que olhemos, seja nos trens, seja nas madeiras, em tudo, além disso tivemos o galpão aonde um dos protagonistas viveu durante quase todo o ano escondido, desenhando, cuidando de sua esposa doente, plantando, mas principalmente com um cofre a prova de ruído com uma traquitana bem montada para não travar por fora, o que claro acaba dando errado em determinada cena, tivemos ainda o caixote com oxigênio aonde a protagonista leva seu bebê para não ter barulho de choro, que também sabíamos que daria errado em algum momento, tivemos o trem cheio de mortos e sustos com coisas aparecendo do nada, tivemos a descoberta da garota com seu aparelho de surdez criando uma microfonia monstruosa para os ouvidos dos bichões, tivemos o cais com muitas aparições e detalhes das pessoas que viviam ali, uma ponte lotada de carros abandonados, e claro a ilha da música, aonde praticamente tivemos uma nova civilização, e claro o barco que na hora já tive a certeza que daria muita merda, ou seja, a equipe de arte trabalhou muito no filme, e ainda que não detalhei toda a cidade bonitinha para uma partida de beisebol aonde vemos o começo do caos, com carros, ônibus e tudo mais voando pelos bichões que aqui foram muito mais detalhados, e até lembram um pouco os bichos de "Stranger Things".

Como é um filme aonde qualquer barulho chama os monstrengos, a ausência de som em vários momentos é insana, faz com que parássemos de respirar quase que junto dos protagonistas, qualquer ruído faz parte do ambiente e chama muita atenção, e as trilhas que compõem alguns momentos dão ritmo e vivência para a emoção que a trama pede, ou seja, uma montagem primorosa que envolve tanto que ao sairmos do cinema é até estranho ouvir o barulho de carros e pessoas conversando.

Enfim, certamente era um dos filmes mais esperados de 2020, que acabou sendo um dos mais esperados de 2021 e cumpriu a promessa de não decepcionar em nada, sendo imprescindível ser visto nos cinemas, de modo que fizeram bem de não lançar direto em nenhum streaming, pois é necessário o ambiente fechado, toda a ausência de ruídos, e o envolvimento de ver um filme, afinal em casa pausamos, em casa outras coisas fazem barulhos, e assim a sensação que a trama passa acaba sendo completamente diferente, e como vi numa sala gigante com muita tecnologia sonora, o ambiente acabou ficando perfeito, o filme ficou perfeito, e claro que recomendo demais ver dessa forma. Sendo assim, mesmo ficando um pouco bravo de não termos o final realmente acontecendo (algo que até já sabia por ter escutado em algum lugar, e já estar esperando com o andamento da trama), ainda vou manter a nota máxima, mas daria para roubar um ponto com a decepção disso acontecer, já que queríamos o clímax continuando por mais uma meia hora após tudo o que rola. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais