Netflix - A Sentinela (Sentinelle)

3/08/2021 10:33:00 PM |

Alguns filmes que entram em cartaz na Netflix ficamos pensando bastante se não é alguma versão de outro filme apenas sendo proveniente de algum outro país, pois muitas vezes a trama se parece tanto com alguma outra que já vimos que nada parece surpreender. E com o lançamento da semana, "A Sentinela" fiquei pensando nisso pelo menos umas 3x durante a exibição, mas por incrível que pareça é uma história "nova" desenvolvida pelo diretor, que inicialmente até traz uma ideia nova, a de mostrar um grupo de soldados que praticamente apenas fica vistoriando a França, e ao colocar uma ex-combatente de guerra com traumas de seus últimos dias em campo no meio de soldados comuns apenas para ficar andando e olhando o longa já tinha uma trama que poderia dar o que falar, mas aí o diretor resolveu brincar com a ideia de uma vingança pós-estupro de um parente, e pronto, o filme ficou igual a uma tonelada de outros com cenas até de certa forma tensas, mas que já vimos tantas vezes que nem empolgar com nada acaba ocorrendo. Ou seja, é um filme que talvez não tenha sido pensado da maneira que foi executado, mas acabou indo por um rumo fácil demais de ser confundido com tantos outros, e mesmo que sirva de um passatempo rápido (apenas 80 minutos que parecem até menos), não chega a ser chamativo.

O longa mostra a história de Klara, uma militar francesa altamente treinada que sofre com traumas de guerra. Ao voltar para casa, ela descobre que Tanya, a sua irmã caçula, foi abusada por um jovem milionário. Com o objetivo de garantir justiça à família, Klara usa suas habilidades letais para caçar o homem que feriu Tanya. Para quem acha que a guerra acabou, ela só está começando.

Bem no começo da pandemia no ano passado conferi a trama anterior "A Terra e o Sangue" do diretor Julien Leclercq, e quem clicar no link irá ver que falei bem mal do que vi no longa, pois lá o diretor realmente parecia bem perdido, mas aqui ele até criou algo com uma característica mais marcante, deu alguns atos de tensão fortes para a protagonista vivenciar, mas não explodiu nem metade do que estão vendendo o filme (vi um texto de um site falando que seria a versão feminina do longa "O Resgate" - ????"), e assim vemos novamente que o diretor/roteirista tem boas ideias, mas muda de opinião sobre ela muito rapidamente, sempre começando imponente, e depois caindo para vértices fáceis demais de desenvolver e não empolgando como poderia. Pois não digo que seja um filme ruim o que fez aqui, muito pelo contrário é uma trama cheia de boas lutas corporais, uma protagonista centrada, e claro muitos tiros disparados erroneamente contra ela, mas o filme que tinha inicialmente uma proposta de algo mais contundente envolvendo traumas de guerra, queda de posto e tudo mais que poderia dar uma tremenda história, acabou virando mais um filme de vingança, e nesse estilo de filme ele foi fraco demais comparado aos demais já existentes.

Sobre as atuações é fato que Olga Kurylenko está entre as melhores atrizes que tem para papeis de ação, pois ela sempre se entrega ao máximo, faz grandes saltos, sabe trabalhar trejeitos sérios com precisão e se molda bem aos papeis que exigem força e destreza, e aqui sua Klara tem toda a personificação imponente, tem estilo e chama a responsabilidade totalmente para si, fazendo com que nem iremos lembrar dos demais personagens do filme, e assim tanto o acerto pelas boas cenas de ação, quanto pelos exageros que ocorrem em alguns atos recaem sobre ela, mas não falhou tanto pelo menos no que foi pedido para fazer. Michel Nabokov até tentou ser um empresário/vilão marcante com seu Kadrikov, fazendo trejeitos de ricos exagerados e protegidos, mas falhou nas expressões de surpresa quanto dos ataques da protagonista, e assim não marcou tanto seus atos. A detetive Muller interpretada por Carole Weyers até tentou aparecer um pouco mais, mas seu papel é quase tão apagado que se falou mais que 20 palavras nas suas três cenas foi muito, e assim também não impacta em nada. E para finalizar, a irmã da protagonista até teve seus gracejos em cena, mas como logo é colocada para dormir no hospital, vemos Marilyn Lima bem pouco atuando realmente, e talvez a jovem tivesse um pouco mais para se mostrar, pois fez bons trejeitos nos atos que apareceu.

Visualmente o longa tem boas cenas de ação em cima de prédios, com vários atos de correria, um começo cheio de detalhes num campo de guerra com tanques e bombas, muitas armas de diversos tipos, figurinos bem detalhados, alguns atos em boates e mansões, mas tudo servindo apenas para as conexões, além claro de boas cenas num hospital com muita luta corporal e com tudo que aparecia na frente servindo de arma para a protagonista, ou seja, a equipe de arte destruiu muitas coisas, e o resultado funciona ao menos dentro do que foi proposto.

Enfim, é um filme que não foi muito além, que até chamaria muito mais atenção indo por um outro rumo, mas que quem não ligar para ver mais um filme de vingança pessoal contra alguém que machucou/matou um familiar pode dar o play tranquilo na Netflix, que os 80 minutos passam voando, e assim sendo não digo que não recomendo o longa, apenas digo que é mais do mesmo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Um Príncipe Em Nova York 2 (Coming 2 America)

3/07/2021 10:54:00 PM |

Certa vez que estava conversando com amigos de possíveis clássicos da Sessão da Tarde que mereciam continuações foi citado "Um Príncipe em Nova York", e ao conversarmos vimos que seria bacana ver o que aconteceu com o príncipe voltando para Zamunda e seu reinado, mas também pensávamos se teria a mesma graça, e foi o que acabou acontecendo agora 33 anos após o lançamento do original (confesso que não imaginava que tivesse passado tanto tempo!), pois ao trazer uma trama nostálgica que nos faz quase voltar no tempo, o resultado é uma produção gigantesca, cheia de sacadas meio que jogadas, que até tentam parecer com o que vimos lá nos anos 80, mas não atinge nenhum grande ápice e nem diverte como antigamente, afinal os tempos mudaram, e os gostos cômicos também, então o resultado acaba sendo bem mediano, que até serve como passatempo, mas será bem dispensável na memória.

A sinopse nos conta que no luxuoso país da realeza de Zamunda, o recém-coroado Rei Akeem descobre que tem um filho que ele não conhece e que pode ser herdeiro do trono — apesar do nobre já ter uma filha preparada para assumir o governo. Então, Akeem e seu confidente Semmi embarcam em uma hilária jornada que os levará ao redor do mundo: de sua grande nação africana, de volta ao Queens, bairro de Nova York.

Sabemos que o diretor John Landis fez diversas comédias de sucesso nos anos 80/90, mas praticamente se aposentou nos anos 2000, e agora voltando junto com Craig Brewer conseguiram transformar o longa em algo meio como uma reunião de amigos bem produzida, que até tinha chance de ser divertida se ocorresse logo após o lançamento lá pelo meio dos anos 90, porém mudou muito o estilo de fazer rir no público atualmente, e só quem for muito fã do estilo de piadas bobas acabará gostando efetivamente do resultado final. Não digo que não tenha boas cenas, pois alguns atos com músicas funcionaram bastante, e a cena do leão também foi muito bem fechada e idealizada, porém faltou um pouco de tudo para que acabássemos a sessão vibrando com as piadas. Ou seja, é um filme com um certo gracejo que nos faz reviver as primeiras comédias que vimos anos atrás, mas que ao contrário do tanto que rimos lá, aqui apenas sorrimos em alguns momentos.

Sobre as atuações o fato é que Eddie Murphy ainda se mantém bem nos personagens que faz, e aqui seu Akeem está bem colocado, porém sério demais, faltando um pouco de estilo e vida, talvez por o ator entregar algo mais velho, mais marcado, mas ainda assim se mantém bem em cena, e agrada nos atos que precisava aparecer, além claro de fazer outros personagens caricatos como sempre que dão o tom exagerado para a trama. Da mesma forma seu grande parceiro em diversas produções, Arsenio Hall entrega o gritante Semmi parecendo não ter envelhecido nem um dia, chamando bem a atenção para si, e claro para todos os outros personagens que faz, colocando dinâmica e gracejos nos seus momentos. Jermaine Fowler até tentou criar algo a mais com seu LaVelle, mas o personagem não foi muito chamativo, tendo alguns atos com boas sintonias junto aos demais, mas nada que o marcasse. Wesley Snipes até entregou um general Izzi bem interessante, e certamente filmaram cenas ainda mais impactantes suas (algumas do trailer não apareceram no filme), que agradaria ainda mais, pois o ator é carismático e tem estilo para papeis estranhos como foi colocado aqui. Leslie Jones entregou uma boa Mary, com seu gingado tradicional bem chamativo e exagerado, mas não foi tão bem aproveitada como poderia. Quanto as demais mulheres, as três filhas do protagonista lutam bem e chamam atenção, mas ficou mais direto a participação de Nomzamo Mbatha com sua Mirembe e Teyana Taylor com sua Bopoto, além claro de Shari Headley que reprisou seu papel de 88, mostrando aqui uma Lisa ainda agora bem imponente e cheia de força decisiva na família.

Visualmente o longa entrega uma gigantesca produção daquelas com cenários deslumbrantes, um palácio incrível, cenas no meio da selva, alguns momentos no Queens e até uma tentativa de mostrar um país fictício bem interessante que é governado pelo personagem de Wesley Snipes cheio de dancinhas e mercenários armados que dançam pra tudo, ou seja, algo que teria valido mais cenas para chamar atenção ali. Ou seja, a equipe de arte criou diversos momentos de dança em festas, em apresentações no palácio e tudo mais que acabam chamando atenção, porém certamente gastaram bem mais com maquiagens e figurinos do que realmente uma criação de set que poderia ser ainda mais criativo.

Como disse o filme tem grandes apresentações de dança e música, e a trilha sonora acabou chamando muita atenção, então quem quiser ouvir após conferir o longa, deixo aqui o link

Enfim, esperava algo mais próximo do clássico dos anos 80 (que vi algumas vezes nos anos 90) que me faria rir bastante e vivenciar os grandes personagens cômicos do Eddie Murphy, mas aqui acabou sendo algo morno bem produzido que não foi muito além, mas que serve pelo menos como um bom passatempo, e recomendo como algo nostálgico apenas que não deveriam ter gastado dinheiro para fazer, deixando quietinho o sucesso do passado, mas como a Amazon quis, então fica a dica para conferir na plataforma Amazon Prime Video. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até amanhã.


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Raya e o Último Dragão (Raya and the Last Dragoon)

3/05/2021 01:48:00 AM |

Me desculpe os pixarmaníacos, mas pra esse Coelho ainda confio muito mais nas animações da equipe do rato do que nas do abajurzinho saltitante, e sempre que vou conferir os filmes da Disney já chego esperando algo muito além do que o imaginado, e que as vezes me decepciono pelo excesso de expectativas, mas hoje felizmente com "Raya e o Último Dragão" não apenas vi um lindíssimo filme, com uma mensagem ainda mais bonita sobre confiança e união para resolver um problema comum ao invés de brigas e guerras (algo que estamos precisando muito ultimamente), mas vi algo tão perfeito de técnicas, com texturas incríveis, personagens envolventes desde os mais secundários até os perfeitos protagonistas, com lutas precisas, piadas na medida certa e principalmente a qualidade Disney de uma animação, daquelas que se nada de muito surpreendente aparecer esse ano de animação já podem abrir espaço para os prêmios que virá de tonelada (e olha que esse é a primeira animação mesmo do ano, vindo praticamente no começo da temporada!). Ou seja, é um filme incrível daqueles para se ver várias vezes, e principalmente para que todos reflitam sobre a mensagem passada, pois é muito lindo e emocionante.

O longa nos conta que há muito tempo, no mundo de fantasia de Kumandra, humanos e dragões viviam juntos em harmonia. Mas quando uma força maligna ameaçou a terra, os dragões se sacrificaram para salvar a humanidade. Agora, 500 anos depois, o mesmo mal voltou e cabe a uma guerreira solitária, Raya, rastrear o lendário último dragão para restaurar a terra despedaçada e seu povo dividido. No entanto, ao longo de sua jornada, ela aprenderá que será necessário mais do que um dragão para salvar o mundo – também será necessário confiança e trabalho em equipe.

Diria que o quarteto de diretores Don Hall, Carlos López Estrada, Paul Briggs e John Ripa tiveram a sensibilidade de abrir a história o tanto quanto podiam, indo até além do que foi escrito pelos dez roteiristas, pois facilmente a trama daria para ser mais redondinha e segurar toda a barra em um ou outro momento, porém foram desenvolvendo cada particularidade de cada vila de acordo com os ambientes (ou partes de um dragão), colocando elementos de envolvimento e de estruturas tão bem pensadas que vamos nos envolvendo com os personagens e com o clima de cada cidade ali mostrada, e claro com os personagens de cada lugar que passam a integrar o time da protagonista meio como por vontade, e o resultado vai funcionando e agradando demais. E um ponto que temos de frisar é que mesmo eu brincando no começo, a Disney teve uma mudança drástica com esse filme, pois geralmente entregava filmes mais divertidos e bobinhos, mas com a junção com a Pixar, aqui temos algo mais sério e centrado, aonde temos sim elementos cômicos espalhados, mas o envolvimento toma a maior parte do tempo da trama, e o mote encontrado é fortíssimo, afinal desenvolver confiança é algo complexo demais, e como foi tratado aqui foi ainda mais difícil de pensar em acontecer.

Sobre os personagens, chega a ser até engraçado que parece daqueles elencos que você gosta de ver todos em cena, e que junto com uma dublagem cheia de piadas e sacadas nacionais o resultado até funciona muito bem, ou seja, é o conjunto completo que agrada do começo ao fim, sendo bem introduzido cada personagem no seu devido momento e que contando com ótimas texturas em tudo quase vemos personagens reais em cena, principalmente pelos cortes de cabelo bem modernos. Dito isso, a protagonista Raya é envolvente, cheia de manias e claro incisiva no que quer, ao ponto que funcionou muito bem como uma guerreira, como uma líder de grupo, e claro com um estilo de princesa levemente novo para a Disney, se jogando numa força de Elsa sem poderes, com a pegada destemida de Mérida, mas ainda assim sendo algo bem novo de ver o que agrada bastante do começo ao fim, além da dubladora brasileira Lina Mendes ter entregue um tom bem gostoso para a voz da personagem. O caracol Tuk Tuk é uma graça e foi bem usado sem ser apelativo, encaixado bem em todos os momentos. O jovem Boun é daqueles agitados que dão a pegada para a trama fluir, e suas sacadas chamam demais a atenção, e o melhor sem sobrepor a protagonista, o que é algo bem raro de ver funcionar nesse estilo. O bebezinho junto com os macacos foi o agito que faltava de uma maneira sensacional cheia de sacadas diretas e envolvimento preciso tanto para rir como para reparar na destreza (lembrando bem um filme de outra produtora que caiu nos gostos do povo, e será provável competidor nas premiações do ano que vem!). O grandalhão Tong foi emotivo e envolvente para as cenas que foi colocado, parecendo ser algo deslocado, mas que agrada bastante. A dragão Sisu é agitada, cheia de cores e magias, consegue dar bons momentos e divertir sem soar boba, e a cada desenvoltura mais maluca que faz acaba nos divertindo e encaixando nos vários momentos do filme (aliás fiquei curioso para ver legendado pra ver o que Awkwafina fez com seu jeito louco de falar, apesar que a dubladora nacional Priscilla Concepcion bateu um bolão também). E claro a antagonista Namaari foi de uma destreza de olhares, com uma pegada forte, violenta, mas também com um carisma bem marcado junto de seus gatos imensos, e isso funciona demais no estilo, além de um cabelo moderno demais que é bem copiado de sua mãe que tecnicamente seria a vilã do filme até mais que a garota, e agradou também. Enfim, um elenco de peso.

Visualmente a trama também foi incrível, cheio de nuances, cores marcantes, simbolismo oriental, diversas vilas por onde a protagonista passa cada uma com seus devidos detalhes que a protagonista cita no começo da trama (sendo parte dos dragões Cauda, Coração, Presa, Coluna e Garra) com muitos, mais muitos detalhes simbólicos que pra enumerar ficaria dias falando, ou seja, um trabalho impecável da equipe de arte que criou tudo do zero, além claro de muitas texturas, tudo parecendo o mais real possível e envolvendo com minúcias, desde uma chuva cheia de cores, até névoa e tudo mais que cada dragão tinha seu poder. Aliás falando de chuva, quem for conferir nos cinemas tem o curtinha antes do longa começar efetivamente, "Juntos Novamente", que é muito gracioso mostrando a dança como parte da vida de dois velhinhos. Outro ponto que funcionou bem é que mesmo o longa não sendo exibido em 3D, é notável que pensaram em muitos pontos com nuances de tridimensionalidade, muitos elementos voadores, e claro muita perspectiva, o que acaba fazendo a animação ficar mais realista, ou seja, quem conferir nas TVs com tecnologia talvez veja ainda mais do que vi.

Enfim, é um longa perfeito, que certamente vai emocionar a muitos, que conseguiu ter estilo do começo ao fim, com uma dinâmica bem agitada que não cansa (minto, o começo é um pouco demorado para acontecer, mas passa rápido), e que certamente vai agradar tanto os pequenos pelas muitas cores e pela história bem cadenciada cheia de personagens interessantes, quanto os mais velhos que vão cair em lágrimas com o mote apresentado, ou seja, diversão para toda a família seja nos cinemas ou para quem quiser dar o play no Disney+ pagando uma taxa extra, então recomendo com certeza. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos (agora do streaming, afinal no estado de SP ficaremos pelo menos 15 dias sem cinemas!), então abraços e até logo mais.

PS: Diria que tiraria meio ponto pelo começo meio enroscado, mas foi um filme que me emocionei muito em vários momentos, e estando também muito bonzinho hoje, e assim sendo vou manter a nota máxima.


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Amazon Prime Video - Até o Limite (MBF: Man's Best Friend)

3/04/2021 01:15:00 AM |

Se tem algo que me desanima bastante é conferir um filme com um tremendo potencial e ver ele sendo desperdiçado por uma direção/edição desastrosa, pois a ideia do longa "Até o Limite" de mostrar que muitos animais nos EUA que não conseguem adoção são sacrificados, que os animais quando são adotados acabam transformando a vida das pessoas, que eles sim são parte da família pois são tão amados quanto, e que claro o ato do protagonista foi duríssimo, mas sendo um animal parte de sua família, se alguém o machuca ou pior mata, você certamente faria o mesmo ou pior com quem fez isso. E usando essa base a trama poderia ter ido muito além, mas ok em cair para um julgamento estranho sobre estar certo ou não o protagonista em fazer o que fez, seria um longa incrível, com um julgamento forte de ambas as partes, mas não ficou tentando focar no desespero de guerra, ficou trazendo flashbacks a todo momento, e praticamente esqueceram dos animais na trama, além de várias narrações estranhas. Ou seja, o filme desandou completamente, resultando em algo que não empolga, nem emociona como poderia, tendo um ou outro momento impactante que funcione, o que é uma pena.

A sinopse nos conta que dez anos depois de servir no Afeganistão de onde voltou ferido, um fuzileiro lida com suas limitações. O abrigo de cães que mantém é a força fundamental em sua recuperação. Quando um incêndio criminoso destrói o canil, ele perde o controle.

Não digo que seja um filme ruim, pois até temos alguns atos interessantes, e como já disse a proposta da trama é de extrema valia, porém ficou parecendo que o diretor Anthony Hornus tinha algo na sua mente e se perdeu com a forma que iria fazer tudo, pois o foco exagerado no trauma de guerra do protagonista foi desnecessário, ficar a todo momento com flashbacks da sua estada no Afeganistão e do jovem Charlie em jogos foi desnecessário, e se tirarmos tudo o que foi enfeite de roteiro é capaz da trama cair fácil para uns bons 90 minutos, ou seja, faltou encontrar algo melhor para que o filme fluísse sem precisar depender de tudo, e assim sendo o resultado final ficou estranho, e a culpa dessa vez é do diretor, e também um pouco dos atores, pois pareceram sem muito ânimo para o estilo do filme.

Sobre as atuações temos dois problemas, o primeiro já falei acima que ficou parecendo que os atores estavam sem vontade de ir além nos seus atos, ficando algo sem muita expressão, e o segundo é que faltou personalidade e imponência para todos os personagens, pois temos advogados bem mornos no tribunal, temos atitudes juvenis em todos os momentos, e fora a apatia de alguns, ou seja, ficou parecendo aqueles primeiros longas cristãos aonde você passava vergonha de ter visto o que cada um estava fazendo. Dito isso, DJ Perry até tentou passar um pouco de tudo para seu Paul, ao ponto que nem precisaria ficar mostrando tanto seu passado para saber todo o trauma de guerra que o jovem teve, todas as situações sequenciais, e tudo mais, fazendo com que seu personagem tivesse trejeitos meio que bobos com características até de algum estilo de problema mental, e só isso já bastava, mas tirando o bom momento de fúria no bar, os demais atos seus foram apáticos demais, o que acaba cansando um pouco. Do outro lado, o jovem David Michael Readon fez caras e bocas para se mostrar aqueles atletas riquinhos que se acham totalmente com seu Charlie, e claro também tentou chamar atenção com alguns trejeitos mais emotivos exagerados no hospital, mas não marcou muito. Já quanto ao grupo de advogados, do lado do protagonista Don Most e Curran Jacobs também não se entregaram muito e fizeram defesas simples demais sem chamar muita atenção, já pelo lado da acusação Garry Nation e Melissa Anschutz foram bem fortes, com a moça tendo alguns textos que chega a dar vontade de socar, ou seja, foram bem no que foi proposto. Já o restante do elenco ficou muito mascarado, com personagens fracos, e até mesmo o garotinho que faz a virada de mesa forçou a barra com um choro que nem saiu lágrima, e assim sendo é melhor nem falar deles.

Visualmente o longa tem três vértices bem separados e simples, um da casa e do abrigo que o protagonista trabalha, com muitos cachorros e poucos detalhes, sendo algo bem casual, o segundo dos atos de guerra, mostrando as situações que o protagonista viveu, mas sem mostrar nenhum dos protagonistas e provavelmente aproveitando de algum material de outros filmes ou até mesmo de algo jornalístico, e o terceiro com o tribunal de julgamento e a cela que o protagonista fica durante o julgamento, com algo bem básico, sem muitos detalhes para representar, tendo um algo a mais na cena violenta do bar aonde o protagonista vai, que lá temos alguns detalhes a mais tradicionais de bares, além da casa do prefeito/pai do garoto que é mais abastada, mas também sem nenhum grande trabalho da equipe de arte.

Enfim, é um longa que fui conferir esperando um algo mais, afinal um amigo tinha me indicado já faz um tempo, que tinha visto pela pirataria, e agora que entrou em cartaz na Amazon Prime acabei dando o play, mas diria que não recomendo por ter um resultado abaixo do mediano pela execução, mas que pela ideia toda até vale um pouco. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Invasão (Breaking In)

3/03/2021 01:16:00 AM |

Já falei isso outras vezes e volto a falar, pois acredito que um filme deve transparecer ao máximo o gênero que deseja ser encaixado, e se um suspense é pra criar tensão, que faça você se sentir dentro da agoniante situação que os protagonistas estão, e com o longa "Invasão", que entrou em cartaz esses dias na Netflix, mas já estava disponível para locação em outras plataformas já há algum tempo, praticamente surtamos com o desespero de uma mãe pra tentar salvar seus filhos que ficaram presos dentro de uma mansão gigantesca com assaltantes, e o filme consegue passar esse desespero para fora da tela juntamente com a raiva que ficamos por algumas situações insanas que cada um resolve fazer, e cada um vai pensar de uma forma fazendo com que a proposta seja maior ainda com toda a insanidade, e crueldade dos vilões. Não digo que seja algo original, pois já tivemos outros longas com a mesma temática, mas aqui foi algo bem imponente, cheio de desenvolturas e possibilidades, que até poderia ser ainda mais forte, mas agrada bastante, e o resultado funciona bem.

O longa nos conta que depois da súbita morte de seu pai, Shaun, leva seus dois filhos para a mansão do pai para acertar as coisas para a venda da propriedade. Na mansão, encontram quatro bandidos determinados a encontrar algo dentro da casa. Com os filhos em perigo, Shaun não medirá esforços para salvá-los, independente de qualquer coisa.

O diretor James McTeigue tem em seu currículo um dos filmes que mais impactou uma geração sendo sua estreia em 2005, "V de Vingança", porém não fez muitos longas chamativos depois disso, e aqui ele imprimiu algo bem intenso, cheio de momentos prontos para desandar para qualquer um dos lados, mas mostrando claro que o diretor nem a protagonista iriam entregar nada fácil, rápido e direto para o público, de modo que vamos vendo tudo ir ficando mais forte, mais perigoso, e claro mais insano dentro das possibilidades que cada lado tinha. Ou seja, o diretor soube trabalhar muito bem o roteiro, criar as diversas possibilidades e ir incrementando sem apelar para nenhum dos lados, ao ponto que quando achamos que já está acabando, algo vai e piora, e assim o resultado fica ainda mais forte e impactante, agradando a todos, e mostrando que ainda tem uma mão precisa de estilo.

Sobre as atuações, Gabrielle Union se entregou totalmente para sua Shaun, fazendo trejeitos fortes, correndo, se pendurando, lutando e trabalhando tão bem suas dinâmicas que realmente conseguimos sentir seu desespero em todas as cenas, ou seja, a atriz foi direta e não se entregou para nada no set, envolvendo a todos. Billy Burke trabalhou seu Eddie como um assaltante organizado e calmo demais, preparado para tudo, centrado e que conduz os fios da trama de uma maneira bem intrigante, fazendo claro algumas cenas fortes, mas que certamente se fosse um pouco mais explosivo chamaria mais atenção para seu personagem. Já Richard Cabral partiu para um lado mais violento e como o outro personagem diz, se fez de psicopata com seu Duncan, ao ponto que todas as suas cenas são incógnitas de uma loucura sem sabermos o que pode fazer, e seus momentos finais então foram perfeitos. Já Levi Meaden fez o bandido bonzinho e galã, que costumam colocar em alguns filmes ultimamente, e aqui seu Sam até tentou fazer algumas caras malvadas, mas não conseguiu. Quanto das crianças, se mostraram bem inteligentes, e tiveram alguns momentos bem trabalhados, mas faltou um pouco mais para que Seth Carr aparecesse mais com seu Glover, e Ajiona Alexus explodisse mais em algumas cenas para que sua Jasmine fosse chamativa, mas não atrapalharam a trama ao menos.

Visualmente encontraram uma mansão bem imponente para filmar, com diversos cômodos, mas economizaram bem nas decorações, ao ponto que a maioria dos cômodos está bem lisa de elementos cênicos para serem usados de "armas" pelos protagonistas, ao ponto que quebraram poucos vasos, alguns porta-retratos, mas mostraram bem um sistema de monitoramento imenso da casa com muitas câmeras, de forma que tudo funciona para boas fugas e correrias pelos ambientes, mas certamente poderiam ter simbolizado mais os elementos para tudo ter uma vida maior, ou seja, não é algo ruim, mas tudo encaixotado não representou a vida rica do dono da casa.

Enfim, é um filme tenso, muito bem trabalhado, que consegue passar a proposta inteira no tempo exato, e que prova que sistemas de segurança são falhos em qualquer lugar do mundo, pois uma empresa de segurança demorar mais que 90 minutos pra ver algo de uma propriedade riquíssima que parou de funcionar é algo que acontece e irrita quem paga o serviço mesmo, e dito isso, o filme acaba soando levemente real, e vale a conferida para quem gosta de ficar tenso e bravo com tudo, e que mesmo sendo algo que já vimos em outros filmes, aqui foi bem feito para agradar também. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Fita de Cinema Seguinte de Borat (Borat 2) (Borat Subsequent Moviefilm: Delivery of Prodigious Bribe to American Regime for Make Benefit Once Glorious Nation of Kazakhstan)

3/02/2021 01:26:00 AM |

Se em 2006 Sacha Baron Cohen teve uma enxurrada de processos por "Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América", com o novo filme que foi lançado em Outubro do ano passado, "Fita de Cinema Seguinte de Borat", os republicanos devem estar procurando até sua alma agora, e quando acabar a pandemia não vai sobrar monoquíni nem maskini que consiga cobrir seus restos, pois ele não economizou em nada nas suas diretas e principalmente nas suas atitudes em meio a eventos do partido, em entrevistas com grandes nomes, e claro referências de tudo quanto é forma para tudo o que possamos pensar, e sendo filmado em segredo pela Amazon, ainda pegaram alguns meses em meio a pandemia, e ainda conseguiram referenciar tudo de uma maneira ainda mais criativa. Ou seja, é um filme tão absurdo, mas tão absurdo, que acaba sendo engraçado pelas bizarrices colocadas, e assim sendo acaba funcionando dentro do que se propõe, mesmo não sendo um longa comum que vamos assistir e falar "nossa que filme impressionante", mas a junção agrada, e mesmo eu fugindo vários meses desde a estreia, resolvi dar a chance após as premiações, e até ri do que vi.

A sinopse, ou melhor a tentativa de ter uma sinopse, nos conta que Borat retorna do Cazaquistão para a América e desta vez revela mais sobre a cultura americana, a pandemia COVID-19 e as eleições políticas.

Em seu primeiro filme, depois de muitas séries, o diretor Jason Woliner foi corajoso em encarar a loucura de um projeto desse estilo, pois é um risco imenso de depois não pegar nenhum filme realmente com uma história e um estilo próprio de cinema, mas ao menos soube conduzir bem a trama, desenvolver os personagens, e claro ser bem crítico aonde deveria, ao ponto que conseguiu algo imensamente melhor que o primeiro filme que não foi dirigido por ele. Ou seja, vemos boas cenas tão absurdas com políticos que caíram ingenuamente nas jogadas de câmeras, vemos cenas idiotas com frases tão boas, que ao final acabamos rindo demais de tudo, e praticamente rindo de desespero por tudo, mas sem dúvida lembraremos da trama, pois assim como o primeiro filme ficou marcado pelo monoquíni, aqui ficará marcado pelas diretas que o protagonista deu nos políticos.

Sobre os personagens, certamente quando Sacha Baron Cohen criou o personagem Borat lá no começo dos anos 2000, ele sabia que seria polêmico, sabia de todos os processos que tomaria, mas não desistiu, e aqui ele está ainda mais ácido, e direto sem dar chance de voltas, ao ponto que funciona demais em tudo o que faz, porém como costumo dizer é apelativo ao máximo, então quem não curtir vai se irritar demais com tudo, e isso não é culpa dele, então o acerto é preciso. Agora sem dúvida alguma acharam uma garota genial para o papel de Tutar, e não é por menos que o nome de Maria Bakalova está aparecendo em todas as premiações pelo menos como indicada, fora as que está ganhando, pois a jovem dominou suas cenas como nunca e apelou também como o protagonista, mas se jogando de uma forma mais coerente, sua personalidade sobrepõe seus atos estranhos, e com isso o resultado é impressionante. Quanto aos demais, a maioria foi "enganada" pelos produtores para pensarem estar gravando um documentário sério, e depois acabavam caindo nas pegadinhas, mas com certeza o mais divertido é ver as caras dos políticos, dos seguranças e tudo mais que acabam ficando irritados com tudo, e a babá Jeanise Jones foi muito bem com caras e bocas espantadas com tudo, mas sem dúvida alguma o prefeito de Nova York, Rudy Giuliani foi quem mais ficou feio na fita com o que faz na penúltima cena.

Visualmente o longa é recheado de cenas escatológicas, muita bagunça e bons momentos em diversos lugares dos EUA, mostrando eventos do partido Republicano, a casa de alguns apoiadores malucos, a casa de uma babá profissional, várias lojas, uma clínica, mas o principal de tudo foi o longa ter sido filmado durante a quarentena de isolamento nos EUA, ou seja, vemos algumas cenas com muita movimentação no início, para depois vermos algo quase remoto, além de muitos com máscaras e tudo mais, ao ponto que o filme é até estranho de imaginar tudo sendo gravado com um doido fantasiado correndo pelas ruas, mas que funcionou, além claro das cenas de ficção no começo e no fim dando um norte da história que desejavam passar da vingança, e que surpreende ao menos.

Enfim, confesso que gostei até mais do que esperava, pois acabei pulando ele no lançamento por achar que seria muito próximo do primeiro filme (que é ridículo), mas aqui mesmo sendo apelativo, ter cenas escatológicas e bobas desnecessárias, e exagerar em tudo, tem uma base de história por trás, temos bons momentos bem atuados pelos dois protagonistas, e o resultado diverte, então quem curtir algo bizarro que você dará risadas de desespero e por não se conformar com o que está vendo pode dar o play tranquilo que vai ser bacana, do contrário fuja, pois a chance de odiar também é grande. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Sob o Sol do Oeste (Damsel)

2/28/2021 08:43:00 PM |

Se antes estávamos reclamando da falta de filmes western, o gênero parece estar voltando a moda com diversas produções sendo lançadas e outras várias em desenvolvimento, porém se antes o estilo tinha uma pegada clássica, duelos brilhantes, toda uma ambientação característica, e principalmente personagens imponentes, agora andam fazendo personagens frouxos demais, histórias sem muito embasamento, e principalmente situações cômicas bobas demais para empolgar, ao ponto que o filme "Sob o Sol do Oeste", que entrou em cartaz na Netflix nessa semana usou até de um ator da moda para parecer mais chamativo, mas ao ir de encontro com uma trama digamos inversa, que parecia uma coisa e no fim era algo completamente diferente, os diretores acabaram apelando para algo meio puxado para o non-sense, que não agrada nem quando é normatizado, quanto mais quando é colocado em um estilo clássico. Ou seja, não digo que seja um filme ruim, pois até dei algumas risadas espalhadas durante todo o filme, mas faltou um pouco de tudo para que o longa empolgasse, e mesmo ao final quando a desenvoltura parece engrenar, o longa perde ritmo e o resultado não vai muito além.

A sinopse nos conta que enquanto Samuel Alabaster viaja pela fronteira americana, em uma jornada para se casar com o amor que ele sempre procurou, Penélope, a vida se torna cada vez mais perigosa. Acompanhado por seu cavalo em miniatura, Butterscotch, e companheiro bêbado, Parson Henry, as linhas entre o herói, o vilão e a donzela em perigo tornam-se cada vez mais confusas nesta reinvenção cômica do clássico filme de faroeste.

Diria que os diretores David e Nathan Zellner desejavam criar uma paródia em cima do estilo western, mas no meio do caminho se perderam e acabaram nem fazendo um filme no estilo clássico, nem uma comédia divertida em contraponto, pois até ocorre as inversões dos papeis clássicos, como vilão, mocinha indefesa, herói e padre, mas em momento algum vemos essa mudança influenciar bem no estilo, nem acontecer coisas que remetesse a algo icônico, de forma que vemos tudo acontecendo e tendo uma ou outra situação bem encaixada que faça rir, e assim sendo temos mais falhas do que acertos. Claro que o estilo western não é um gênero fácil nem de se fazer, nem de parodiar, mas quando bem feito ambos agradam e divertem bastante, aliás já vimos vários de ambos as formas, porém não é o que não aconteceu aqui, pois os diretores não seguiram nem a linha clássica, nem a linha de paródia, ficando bem em cima do muro, entregando um longa de momento, com atores pouco usados (aliás ambos os diretores apareceram mais do que os atores se formos botar na ponta do lápis), e que falha de certa forma com tudo.

Sobre as atuações, vemos um Robert Pattinson tentando se mostrar como um caipira rico do começo ao fim com seu Samuel, de forma que o ator não se entrega de uma forma coerente, parecendo estar forçando um estereótipo estranho, mas ao menos nos momentos que precisou botar o discurso para jogo fez algo que chamou atenção, porém com pouco tempo de exposição acabou sendo apenas um chamariz para a trama toda. Mia Wasikowka trabalhou bem sua Penélope, criando uma personalidade forte para o papel, encontrando vértices duros para seu estilo, e mostrando que de indefesa não tem nada, mas sendo sutil em trejeitos, pois poderia ficar estranha demais e não agradar tanto, mas ainda assim diria que faltou para sua personagem um gênio mais revoltado com as ações, pois ficou conformada demais com tudo, algo meio que incomum de ver para alguém que seria o oposto que o filme pedia. O diretor David Zellner praticamente pode ser colocado como protagonista da trama com seu Parson Henry, de forma que o vemos sendo usado o filme todo, fazendo trejeitos de bêbado, fazendo trejeitos desesperados quando tudo vira para o seu lado, e fazendo até coisas bobas demais carregando algumas dinamites no pescoço, e como não é um ator expressivo demais, seus atos acabaram ficando meio que mornos frente ao que o filme pedia, e isso não foi muito interessante de ver, mas não chega a ser algo 100% ruim. O outro diretor Nathan Zellner apareceu com seu Rufus em dois atos, um correndo muito e voando desfiladeiro abaixo, e o outro se fazendo-se de valentão frente a protagonista, mas sem grandes anseios expressivos apenas foi direto e fez o que tinha de fazer para aparecer. Quanto aos demais, todos da cidade apenas fizeram caras e bocas características do gênero, com testas franzidas de rancor, com poucos amigos, e nada muito além disso, e Gabe Casdorph apenas apareceu para levar um tiro com seu Anton, sem nem expressar uma palavra sequer, ou seja, enfeite total.

Visualmente o longa ao menos não decepciona, usando todos os artifícios característicos do gênero, tendo a aridez clássica dos westerns, as cidades sendo construídas em meio ao nada, com hotel, saloon e as tradicionais forcas, vemos alguns cavalos, e até para usar o sarcasmo temos um pequenino pônei acompanhando os protagonistas do começo ao fim, além de explosivos, e muitas armas, ou seja, pelo menos aqui a equipe de arte não foi podada, e o resultado agrada.

Enfim, é um filme que tinha um potencial interessante, e que certamente melhor desenvolvido por atores melhor colocados, e claro sem os diretores querendo aparecer mais que tudo resultaria em um longa com uma pegada clássica, mas ainda sacaneando o estilo, mas como não ocorreu assim, o que vemos é um filme morno demais, que tem um ritmo fraco, e que não deve agradar muitos, então nem digo que fica a dica, pois não recomendaria muito ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Depois a Louca Sou Eu

2/27/2021 10:21:00 PM |

Acho que já falei aqui que um gênero que funciona bastante na França e gosto muito de ver é a comédia dramática que consegue trabalhar temas sérios com uma desenvoltura mais simbólica e envolvente, além claro de emocionar ao passar bem a mensagem, e nos últimos anos alguns diretores nacionais tem pegado essas referências e trazendo também para o cinema nacional, num ponto que acaba funcionando bastante e agradando também. E usando bem dessa base, um longa que era pra ter entrado em cartaz bem lá no começo da pandemia, e que hoje certamente muitos vão se enxergar com as diversas crises de ansiedade é "Depois a Louca Sou Eu", que a protagonista até entregou no ano passado alguns episódios de ansiedade na pandemia no seu canal, mas que aqui vemos um longa mais amplo, mostrando algo que muitos até não entendem como acabaram tendo essas síndromes, não conseguem se entender, e que acabam recaindo para diversos tipos de remédios que acabam inibindo toda a personalidade e sentidos, mas que muitos precisam recair para tentar ter ao menos algum controle. Ou seja, é um filme que tem momentos bem divertidos, muitas loucuras, e claro um tema sério também bem contado e representado, que vai emocionar e divertir na mesma medida, que só não é melhor por não segurar algo mais direto e linear como um filme realmente mesmo, tendo algumas quebras no estilo de séries e episódios, mas que ao contar bem como a jovem acabou escrevendo seu livro e tendo sua vida representada o resultado funciona bastante e vale a conferida.

O longa nos mostra que sendo jovem, intensa e autêntica, Dani só queria levar uma vida normal. Mas, desde criança, vive em descompasso com seu mundo. Enquanto encanta a todos com o talento que a torna uma brilhante escritora, ela tenta de todas as formas controlar seus medos e constantes crises de ansiedade.

Esse é o sétimo longa da diretora Julia Rezende, e acho que não conferi apenas dois (que irei procurar depois), e é uma das raras diretoras nacionais que não me decepcionaram nenhuma vez, fazendo sempre boas tramas, com direções seguras, trabalhando bem os personagens, divertindo sem precisar exagerar ou forçar a barra (embora aqui as cenas de vômito tenham sido um pouco demais!), e principalmente não usando os gêneros comédia, romance e drama de maneiras jogadas como ocorrem na maioria das vezes no cinema nacional, ou seja, já posso colocar seu nome numa lista dos diretores que posso ir conferir uma trama tranquilo sem me preocupar com o que irei ver, pois a chance de ser algo muito bom é bem maior do que algo que desanime. Ou seja, por ser baseado no livro da escritora Tati Bernardi, que foi montado em cima das diversas crônicas que fez em jornais contando trechos de sua vida, o que acabamos vendo é um filme bem interessante que até tem falhas, a principal é não ser uma história amarrada e direta aonde vemos um caminho comum, pois as diversas quebras de esquetes acabam tirando um pouco do foco a desenvoltura da protagonista em querer ter seu livro e ser famosa por aquilo, ou melhor ter uma vida realmente sem a ansiedade de tudo para mais, mas foi tão bem feito e trabalhado que isso acaba sendo superado, e o resultado agrada bastante no final.

Sobre as atuações posso dizer que Débora Falabella se jogou completamente no papel de Dani, ao ponto que em certos momentos nem a vemos mais como a atriz, mas sim como a jovem ansiosa, cheia de trejeitos, cheia de desesperos, e claro extremamente dependente dos remédios e de tudo o que eles podem fazer por ela, mesmo que isso a iniba de ter sentimentos, e com um floreio bem encaixado de tudo, vemos ela indo bem colocada, e agradando bastante em tudo. Yara de Novaes trabalhou bem também como a mãe da protagonista, e mostrando que ansiedade vem de berço, também é bem dependente e cheia de manias e inseguranças que passa para a filha, e com boas cenas acaba agradando também. Gustavo Vaz também se saiu muito bem com seu Guilherme, fazendo boas dinâmicas e passando também um pouco da loucura do personagem, ao ponto que vemos bons encaixes e acertos, mostrando uma boa química entre os protagonistas. Quanto aos demais, a maioria foi solta e apenas de encaixe nos momentos da protagonista, em suas terapias, na casa de familiares, ou com outros namorados e amigos, mas claro que temos de dar o devido destaque para a jovem Duda Batista que fez a protagonista na infância, e que com um estilo mais contido, gritando bastante, e acertando nas dinâmicas que foi colocada acaba agradando também, e sendo uma boa escolha para o papel.

Visualmente o longa é um pouco bagunçado, pois como já falei temos várias esquetes no miolo aonde a protagonista para e se coloca para pensar, com alguns momentos em desenhos (aliás a animação que acontece logo na primeira vez que tomou Rivotril é sensacional!), outras muitas cenas dentro de banheiros para tentar conter o pânico, vários momentos nos diversos tipos de terapias, desde as tradicionais com divãs, passando pelas ao ar livre, até chegarmos em uma completamente insana com almofadas que deu um bom tom cômico para o filme, e sempre usando de muito colorido por parte dos elementos cênicos das casas, mostrando um ar bem moderno para o longa, o resultado acaba chamando a atenção, mas sem dúvida alguma o filme é quase algo panfletário (tanto para o bem, quanto para o mal) dos diversos remédios ansiolíticos que existem, mostrando e falando de praticamente todos, o que acaba sendo algo não muito bom (afinal pode dar alguns gatilhos), mas que faz parte do que o filme trabalha, então está valendo.

Enfim, é um filme que não cansa, pois não tem muita enrolação, tendo muita dinâmica e que consegue agradar seja divertindo pelas cenas bizarras em que a protagonista se mete, ou seja envolvendo e emocionando ao mostrar como é a vida de alguém que tem problemas com ansiedade, e assim sendo acaba sendo daqueles longas que valem por completo, e que mesmo falhando por ter muitos momentos soltos o resultado acaba agradando mais do que desapontando, e acaba valendo a indicação de conferida com certeza para todos. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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A Viúva das Sombras (Vdova) (The Widow)

2/27/2021 01:47:00 AM |

Sempre que vou conferir um longa russo já vou preparado para muitas loucuras, afinal o pessoal de lá não tem medo de um exagero, e não foi diferente com "A Viúva das Sombras", pois a trama que se diz baseada em fatos reais, mostra um grupo de resgate que ao entrar em uma floresta acaba encontrando uma mulher estranha que diz que nenhum deles sairá vivo de lá, e com cenas de muita correria com câmeras (afinal tem uma jornalista no meio do grupo fazendo uma matéria e resolve filmar tudo), muitas formações estranhas com fenos, sustos aparecendo do nada, e personagens estranhamente enfeitiçados, o resultado acaba sendo encerrado de uma maneira meio que jogada, que talvez tente mostrar que descobriram as filmagens e tal, ou que talvez coloquem uma continuação, mas uma coisa é certa, o estilo deles não recaiu nem para o famoso found-footage (de fitas contando algo que encontraram), nem para os longas de espíritos, misturando um pouco de tudo, um pouco de bruxaria, e que até causa uma certa tensão no público, mas talvez um pouco mais de intensidade chamaria ainda mais atenção.

O terror conta a história de um grupo de voluntários que entra em uma densa floresta para resgatar um adolescente desaparecido. Nesse mesmo lugar, diversas pessoas sumiram nas últimas três décadas, e apenas alguns corpos foram encontrados, todos nus. A comunicação com a base fora da mata é interrompida misteriosamente. Sem sucesso na busca pelo jovem, eventos sobrenaturais acontecem e a equipe começa a acreditar na lenda local que diz existir espíritos sombrios que levam as pessoas.

Diria que a estreia do diretor Ivan Minin foi algo que muitos diretores que estouraram no gênero já brincaram, de misturar gêneros e colocar um terror de encontrar histórias gravadas, porém faltou para ele escolher um pouco melhor o jeito de trabalhar isso, pois a bagunça acabou saindo um pouco do eixo não ficando muito claro nem um estilo nem outro, e assim o resultado até chega a dar alguns sustos, mas não cresce na intensidade e se perde no final. Ou seja, esse até foi bem melhor do que alguns longas de terror russos que apareceram por aqui ultimamente, mas certamente com uma finalização melhor o resultado chamaria ainda mais atenção, afinal faltou aquele arrepio clássico do gênero.

Sobre as atuações, chega a ser engraçado os atores tentando parecer pessoas reais, que vivem de salvamentos, mas fizeram tantas caras estranhas que se entregaram, mas não consigo enxergar nenhum destaque entre eles (talvez o cachorro??), mas a repórter fez atos extremamente jogados e sem noção nenhuma (no caso se o caso real aconteceu assim teria de socar a mulher atrapalhando tudo), de forma que Anastasyia Gribova foi a que mais chamou atenção pelo menos, já que era quem comandava as câmeras, e diria que se tivessem trabalhado mais o momento que parece que a caverna vai desmoronar com eles lá dentro, a atriz chamaria mais atenção, e o filme teria mais intensidade. A mulher resgatada chamou um pouco da atenção nos momentos dentro da van, mas quando saiu para fora ficou repetitiva e chata demais, de forma que não iremos sonhar com Margarita Bychkova. Quanto dos homens, nenhum apareceu muito para as câmeras, e assim ficaram meio que apenas com funções secundárias mesmo.

Visualmente o longa foi bem trabalhado, mas sem gastar muito com muita correria no meio de uma floresta bem densa, tendo muitas luzes pequenas das câmeras, algumas lanternas, várias mini-câmeras, alguns celulares e tablets, e vários equipamentos de socorristas dentro de uma van bem antiga, e claro alguns elementos pendurados em árvores, fenos com alguns formatos bizarros, e uma casa abandonada no meio do nada, ou seja, nem gastaram praticamente nada com o projeto visual, deixando tudo rolar no escuro em meio a floresta, e o resultado fluiu bem.

Enfim, é um filme que diria ser bem básico, que funciona como um terror de sustos grátis e alguns momentos de tensão, mas que certamente poderia ser bem melhor em tudo com poucos ajustes, e talvez um final melhorzinho, porém como já disse foi bem melhor que outros longas do gênero provenientes do país que surgiram por aqui, então quem curtir a ideia vale a conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Judas e o Messias Negro (Judas and the Black Messiah)

2/26/2021 01:07:00 AM |

Filmes que contam histórias de revoluções costumam ser densos e bem dramáticos, contando geralmente com opiniões controversas de um lado só, e na maioria das vezes você acaba indo opinar sobre eles de acordo com sua ideologia política sobre o assunto, então é algo bem complexo de falar e se envolver, porém conseguiram trabalhar aqui com "Judas e o Messias Negro" algo que vai um pouco além do viés político, pois mesmo mostrando como eram as reuniões do partido dos Panteras Negras, como era organizado a revolução que tanto prezavam, e claro como o FBI e a polícia se preparava para combater os diversos grupos revolucionários das cidades, o filme prezou em trabalhar o lado de como foi ser um informante infiltrado no grupo, e assim usar do arquétipo bíblico de Judas que a maioria conhece como algo forte e duro na vida de Willian O'Neal. Ou seja, é uma trama imponente, com atuações fortes e bem trabalhadas, aonde vemos tudo ser bem preparado, vemos toda a dinâmica de um líder que não conseguiu enxergar muito além, e principalmente vemos todo o processo de traição de quem a gente menos espera, afinal alguns podem parecer ser a melhor coisa, mas não conseguimos enxergar o interior. Diria que o único aquém da trama é o de não vermos mais da revolução realmente, pois pareceu algo meio solto de apenas ideias, mas isso já vimos em livros, documentários e tudo mais, e claro que a polícia acabou bloqueando muito do que poderia ser pior, mas vale como um bom registro.

O longa conta a história de ascensão e queda de Fred Hampton, o ativista dos direitos dos negros e revolucionário líder do partido dos Panteras Negras. Sendo um jovem proeminente na política, ele atrai a atenção do FBI, que com a ajuda de William O’Neal infiltrado nos Panteras Negras, acabam assassinando Hampton.

Diria que mesmo sendo um diretor com ideais negros e ter uma boa pegada, talvez o filme nas mãos de um diretor mais imponente (talvez um Spike Lee), usando ainda o roteiro de Shaka King, o resultado seria bem mais forte, pois o jovem diretor até tem estilo, mas sentimos falta de algo colocando tudo pra explodir, desenvolvendo momentos com mais dinâmicas, e até fazendo algo do estilo que é o trailer, pois o filme ficou mais investigativo e morno na maior parte do tempo, e não que isso seja algo ruim, mas para um filme de incitação à violência, como é uma revolução, faltou atitude e explosão. Ou seja, o diretor foi certeiro na forma criativa da história, montou um tremendo roteiro, soube dar voz aos personagens para serem marcantes na trama, mas não conseguiu transformar o discurso em ação, e assim a cena mais imponente do filme acaba sendo uma reunião numa igreja, e alguns momentos de troca de tiros espalhadas sem os protagonistas principais, e assim nos envolvemos com o longa sem torcer efetivamente para nenhum dos lados, mas claro entrando bem no clima desesperador que o protagonista acaba sofrendo na sua última cena tendo de desenhar a planta do apartamento (e sabendo que isso foi o ponto que na vida real lhe deve ter pesado a consciência).

Agora sem dúvida alguma as atuações foram de um primor incrível, com Daniel Kaluuya se entregando em olhares fortes, fazendo discursos com uma eloquência acima da média, explodindo em trejeitos, e chamando a todo momento a responsabilidade para si, tanto que diria que o filme é mais de seu Fred Hampton do que de Bill, mas por ter mais cenas, e contar a história pela sua versão, a trama é outra, porém a cena do discurso na igreja é daqueles de você ver o ator e seguir ele no meio da revolução, pois ele chama demais. E já que estamos falando de Bill, Lakeith Stanfield deu uma personalidade divertida e bem colocada para seu O'Neal, de forma que vemos ele ao mesmo tempo descontraído em diversos atos, mas também sempre desesperado em não ser pego como um infiltrado, além de estar sempre nas mãos do agente do FBI, ou seja, o ator teve de trabalhar bem diversos tipos de expressões, e conseguiu segurar bem a trama, além de ser bem parecido com o personagem real, porém faltou para ele um pouco mais de determinação para chamar algumas cenas para si, mas nada que tenha atrapalhado o filme. E o agente do FBI Roy foi muito bem vivido por Jesse Plemons, com seu estilão mais duro, sem grandes expressões marcantes, porém sendo condizente com os momentos que o filme pedia, sendo sorrateiro e bem colocado, se impondo para o infiltrado, mas também levando bronca de seus chefes, ou seja, também ficou com expressões duplas. Dentre os demais, tivemos várias participações marcantes cada um da sua maneira, mas é claro que o destaque fica para as duas mulheres imponentes da trama Dominique Fishback com sua Deborah e Dominique Thorne com sua Judy, cada uma de sua maneira uma mais forte a outra mais doce, mas chamando bem suas cenas para si.

Visualmente a trama foi bem representada com carros da época, todo um figurino marcado pelas diferentes boinas que indicavam qual grupo cada revolucionário da cidade fazia parte, bons momentos de tensão nos tiroteios, e claro vários elementos cênicos para representar a garota poeta, o revolucionário desesperado com muitas armas, os diversos quarteis generais com cada estilo tendo suas funções de guerra mas também sociais como café da manhã para as crianças, clínicas médicas e tudo mais, ou seja, a equipe de arte procurou representar bem cada momento, e envolver com muitos figurantes/secundários bem caracterizados, ao ponto de termos a cena do discurso na igreja repleta de pessoas entoando os gritos do líder, na sede do outro grupo diversos guerrilheiros bem armados, e por aí vai chamando bem a atenção cênica.

Enfim, é um filme com um tremendo conteúdo, com ótimas atuações, e com uma história bem chamativa, que apenas ficou faltando um pouco mais de dinâmica de ação para realmente envolver a todos como uma boa trama revolucionária teria de ser, mas como é costumeiro de ver em filmes mais artísticos, que disputam muitos prêmios, já é praxe o ar dramático dominar e a calma prevalecer. Sendo assim, recomendo o filme mais pela história passada, para conhecermos um pouco mais do que foi o partido dos Panteras Negras nos EUA, mas não espere algo incrível, com muitas batalhas e brigas marcantes que já vimos em alguns documentários, pois aqui optaram por ir em outra linha. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - O Mistério de Silver Lake (Under The Silver Lake)

2/25/2021 12:56:00 AM |

É engraçado como alguns filmes conseguem nos enganar com a sinopse e com o pôster, de forma que lemos rapidamente o que mostra na seleção do streaming e fica parecendo uma trama tão interessante que resolvemos dar o play, mas conforme vamos conferindo a trama vai tudo ficando tão estranho que não conseguimos entender mais nada, e quando chegamos ao final ficamos realmente pensando se gostamos daquilo que foi entregue. Disse isso para começar meu texto de "O Mistério de Silver Lake", que entrou em cartaz na Amazon Prime Video já tem algum tempo, pois foi realmente a sensação que tive com ele, sendo um filme que trabalha todo um mistério de códigos, de coisas ocultas e símbolos, mas que parece nem ter sido passado direito para o protagonista o que queriam com a trama, ficando algo que não acreditamos nem na história que está sendo mostrada, muito menos na interpretação que ele dá para cada momento, ao ponto que vemos quase um jogo de RPG estranho, daqueles que passamos do lado da mesa aonde estão jogando e sem saber o que rola ficamos acompanhando sem entender nada. Ou seja, é um filme bem bizarro, com acontecimentos malucos, uma busca por um tesouro/pessoa com mensagens cifradas, e uma descoberta ainda mais estranha no final, daquelas que confesso que não sei se gostei, e que de tão absurda conseguiu ao menos me entreter.

O longa acompanha um jovem meio perdido na vida chamado Sam (Andrew Garfield) que um dia encontra a garota perfeita: sua vizinha, com quem passa uma noite. No dia seguinte, ela desaparece. Não existem mais sinais da garota, e todas as suas coisas desapareceram do apartamento onde habitava. Sam começa a investigar o caso, buscando todos os indícios possíveis: os pequenos rabiscos na parede, as mensagens escondidas em músicas. Seria tudo isso parte de uma grande conspiração, ou Sam está ficando louco?

Estava quase certo que o diretor/roteirista David Robert Mitchell tinha tomado algo para escrever a trama, pois é algo bem maluco, mas depois que vi o seu longa anterior que foi algo bem bizarro também comecei a acreditar que esse é o estilo dele: de escrever coisas que só ele entende e gosta, e que o restante se vire para tentar interpretar ou imaginar algo, e é bem isso o que acaba ocorrendo com o filme, pois até já tive essa época de imaginar simbolismo em tudo, que existiam corporações misteriosas tramando algo para dominar o mundo, e tudo mais, e essa é mais ou menos a essência da trama, de alguém que imagina coisas demais, e que investigando tudo acaba descobrindo algumas coisas a mais. Porém faltou determinar para o filme algo mais crível e menos bizarro, pois aqui a loucura chega a passar dos limites, e com pouca fluidez de ideias, o resultado soa mais estranho do que envolvente, fazendo com que somente o diretor se apaixone pela essência, ou seja, não digo que seja um filme ruim, mas é tão estranho que não tem como entrar completamente no clima que desejavam passar.

Sobre as atuações, diria que Andrew Garfield até tentou se entregar bastante a toda loucura da produção com seu Sam, fazendo várias cenas com olhares vagos, muitos momentos com uma loucura impressa nos trejeitos, e cheio de dinâmicas bem abertas para que seu personagem divagasse sobre o tema, ficasse empolgado com as descobertas, e se envolvesse bastante com a trama, mas da mesma forma que tudo fica interessante de ver ele se entregando, também vemos ele extremamente perdido em alguns atos, parecendo não estar entendendo também o que precisa passar, e assim sendo o filme não flui tanto quanto poderia. O mais interessante é que o filme praticamente todo foca somente na desenvoltura do protagonista, e todos os demais personagens acabam aparecendo e sumindo a todo momento, de forma que vale destacar bem rapidamente as cenas de Riley Keough com sua Sarah, claro pela beleza que chama a atenção do protagonista, David Yow como rei dos sem-tetos pela forma direta de montar o estilo, e Jeremy Bobb pela loucura toda como o compositor.

Visualmente o longa é ainda mais maluco, com animais caindo de árvores e soltando urina no protagonista, festas estranhas com pessoas esquisitas fazendo músicas malucas, ambientes coloridos e outros simples demais, tumbas, festas/sessões de cinemas em cemitérios, toda uma desenvoltura de quadrinhos bizarra, porém falando nesse último item, fizeram animações em preto e branco para contar os quadrinhos que ficaram bem interessantes embora as histórias fossem doidas, e assim sendo diria que a equipe de arte precisou fumar do mesmo cachimbinho do diretor para conseguir representar tudo, pois tudo é estranho demais.

Enfim, é um filme esquisito, que diria ser até interessante pela proposta, mas que não foi tão a fundo no desenvolvimento ficando mediano demais para empolgar em algo, mas claro que vai ter aqueles que vão se apaixonar por algo, entrar completamente na viagem passada e o resultado será bem melhor, então fica como sendo uma dica para ver sem esperar nada dele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Crime e Desejo (Above Suspiction)

2/24/2021 01:25:00 AM |

Mesmo que você não tenha lido nada sobre o filme, a maneira que ele começa já nos informa o que aconteceu, então por ser uma trama de suspense policial já ficamos tentando montar todo o caso nas nossas mentes, e isso é bacana de acontecer, afinal acaba sendo uma brincadeira mais inteligente do que apenas conferir um filme. Dito isso, vamos entrando no clima do longa "Crime e Desejo" conhecendo um pouco cada personagem, e vendo logo de cara que o protagonista é certinho demais para uma loucura maior, e que a protagonista é viciada e doida demais para algo simples e sem intensidade, então já ficamos esperando algo forte e mais recheado de reviravoltas, ou pelo menos algo que esquente tudo dentro da trama, e infelizmente isso não ocorre, pois vamos vendo toda a paixonite/desejo que a protagonista acaba tendo, e vemos também o jeito mais sério que o agente vive e tem como modos, ao ponto que é claro que nada vai dar certo. Ou seja, não é algo ruim de conferir, mas tudo ocorre morno demais perante ao que esperamos acontecer, que mesmo o filme sendo bacana, sendo baseado em um acontecimento real, e tendo duas boas atuações, acaba faltando uma explosão maior para que tudo surpreenda, sendo básico demais em tudo, e assim não empolga.

O longa conta a história verdadeira de um rapaz recém-casado que se torna o representante do FBI numa cidade montanhosa de Kentucky. Lá, ele é atraído para um caso ilícito com uma mulher local pobre que se torna seu melhor informante. Ela vê nele seu meio de fuga, mas a investigação se torna desastrosa para ambos e vira um escândalo que abalou os alicerces da principal agência policial do país.

O mais engraçado de tudo é que o diretor Phillip Noyce é daqueles diretores que costumam entregar um pouco mais de intensidade em seus longas, e aqui ele agiu com mais frieza e com uma dinâmica mais lenta do que o esperado dele, e isso é algo que talvez até tenha criado uma expectativa a mais para tudo o que veríamos na tela, mas acabou não acontecendo e vemos uma trama até bem amarrada, porém faltando aquele algo a mais para os personagens, aquele algo a mais nos envolvimentos, e claro, uma explosão maior nos atos finais para que a cena da morte fosse memorável realmente, pois acabou parecendo um acidente ou algo ainda mais bobo (talvez pelas declarações do depoimento do acusado), que acabam não empolgando. Ou seja, volto a frisar que o que vemos na tela não é um filme ruim, muito pelo contrário, mas acaba faltando emoção para ser realmente um filme policial intenso que estamos acostumados a ver, e assim sendo o diretor falhou um pouco com tudo.

Sobre as atuações, sabemos bem o estilo de Emilia Clarke e todo o potencial que a atriz tem, principalmente nas séries que fez, e aqui sua Susan embora se entregue bastante nas cenas que está drogada, fazendo trejeitos imponentes e tudo mais, nos atos mais dramáticos acabou faltando ser mais direta, criando perspectivas abertas demais para sua personagem, ao ponto que não acreditamos muito nas suas atitudes, e talvez um pouco mais de insanidade chamasse mais a atenção. Da mesma forma Jack Huston trabalhou seu Mark com tanta coerência que não vemos o agente do FBI, mas alguém que se influenciou rapidamente para tentar subir na carreira, e errou ao ser seduzido e ir a fundo, e o ator ficou com um tom muito abaixo do esperado, pois talvez um pouco mais de garra chamaria a atenção para algo a mais. Johnny Knoxville fazendo um papel mais sério depois de anos com seu "Jackass" é até estranho de ver, mas seu Cash foi interessante, intenso e como todo traficante imponente fazendo várias cagadas, mas sua cena de espancamento foi forte e bem trabalhada. Sophie Lowe entregou bem a mulher traída que sabe que está sendo traída, e sua Kathy teve bons momentos, fez boas caras, e chamou atenção para tudo o que fez como alguém bem secundária. Quanto aos demais, praticamente ninguém teve grandes destaques, tendo algumas cenas chamativas com Brian Lee Franklin como Rufus, e claro Austin Hébert como o policial McCoy, mas nada que realmente impressionasse.

Visualmente o longa foi bem trabalhado, com uma casa completamente bagunçada por dois viciados, com nada de responsabilidade para com os filhos, tudo jogado pelo chão, um bar repleto de drogados, em contraponto com a casa toda certinha do agente, com tudo colocado nos devidos lugares, e claro as cenas em muitos cantos da cidade, numa mina abandonada dentro dos carros trocando informações, várias cenas quentes nos motéis e nos carros, além da grandiosa floresta ao redor da cidade, com tudo muito simbólico para mostrar que a equipe de arte trabalhou bastante.

Enfim, é um longa interessante pela história mostrada, mas que faltou explosão, faltou tensão, faltou até tesão dos protagonistas para esquentar tudo e ter motivos para as cenas que se desenrolaram, parecendo tudo morno demais ao ponto de não convencer o público. Ou seja, até recomendo o filme, mas vá com expectativas bem baixas de tudo, e não espere grandes cenas, pois a chance de decepção com muitas coisas é alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Paciente Zero (Patients of a Saint) (Inmate Zero)

2/22/2021 01:08:00 AM |

Sei que muitos amam o estilo, mas confesso que filmes de zumbis são os que menos me atraem, pois é só gritaria, sangue, personagens se contorcendo e gritando mais um pouco, e nada além disso, mas ao ler a sinopse de "Paciente Zero", que entrou em cartaz na Amazon Prime Video há algumas semanas, parecia ser um longa de experimentos e torturas numa prisão em uma ilha isolada, e o começo do longa até puxava para essa ideia, porém logo que a protagonista chega na enfermaria da prisão o caos muda de lado, e daí para frente tudo vira a tradicional correria dos personagens ainda não infectados tentando fugir dos sanguinários que já estão caçando sangue, e incrementando um pouco as famosas cadeiras elétricas, mas nada de muito além do que já vimos em outros filmes do estilo. Ou seja, não é um filme de todo ruim, pois as presidiárias são bem malucas, temos algumas cenas bem violentas, mas ou inovam totalmente o gênero de zumbis, ou já deu o que tinha que dar.

A sinopse nos conta que quando os testes médicos são levados ao limite, os testes mais extremos acabam na Ilha de St. Leonards, no Atlântico Norte - uma prisão redefinida para alguns dos criminosos mais violentos do mundo. Mas quando um experimento dá errado, a ilha inteira se torna um labirinto aterrorizante e cheio de doenças para os sobreviventes desesperados.

O diretor e roteirista Russell Owen até tentou criar uma história meio que envolvente no meio com a trama da personagem Stone, com toda a ideia de ser uma pessoa do exército e ser culpada (talvez de forma incorreta) de ter matado um senador e sua família, mas isso acaba ficando tão em segundo plano com a correria dos zumbis tentando matar todo mundo, que até esquecemos disso, e da mesma forma, quase esquecemos da diretora que praticamente autorizou os experimentos em sua prisão, ou seja, a base de história do filme entra por um ouvido, e já some em seguida, nem chegando direito no cérebro para processarmos ela, pois tudo nesse estilo é dependente de como os zumbis correm, quais objetivos eles tem, e dos sobreviventes em fugir, e nada mais. Ou seja, o filme tentou algo a mais, mas não funciona, já que esse gênero tem uma formatação específica e sempre vai rolar assim, de modo que não conseguimos ver uma fluidez de uma trama secundária, e falando no estilo zumbis, o filme é fraco, pois não temos nenhum personagem zumbi importante, logo que viram monstros eles ficam bobos demais, e até mesmo a irmã que vira quase um cãozinho no final é boba demais a essência, não funcionando, nem agradando.

Sobre as atuações, praticamente só vale dar alguns leves destaques para o grupo de sobreviventes que fizeram algumas caras e bocas correndo dos zumbis, com Jess Chanliau trabalhando sua Stone com imponência, tentando chamar a responsabilidade cênica para si, mas não sendo forte o suficiente para isso. Já Philip McGinley até tentou ser chamativo com seu Dr. Brooks, mostrando medos, vícios e interações, mas não empolga em momento algum nem é responsável pela doença, ao ponto que seu personagem acaba servindo apenas para fugir junto com todos. Um personagem que valeria ter ido até um pouco mais além foi o de Jennifer Joseph com sua Carniceira, pois a atriz não pensava duas vezes com seu cutelo, mandando cabeças, braços e tudo mais pro chão, e ainda teve um grande final, ou seja, a atriz tem potencial e mostrou serviço. Quanto aos demais, tivemos Raymond Bethley irritante demais com seu Woodhouse, mas foi importante suas jogadas para a trama, então acaba valendo o destaque para ele, mas de resto, todos os demais apenas correram.

Visualmente, o longa foi bem sujo, com uma prisão com muitos corredores, andares, celas bagunçadas, muito sangue preto (parecia mais um tipo de tinta de lula do que sangue) pra todo lado, boas maquiagens para os zumbis, e claro boas cenas nas cadeiras elétricas (uma por andar praticamente), aonde tudo vai acontecendo e criando as boas dinâmicas, mas como disse o filme faltou um pouco mais de nuances, então tudo parece igual apenas mudando o ambiente de uma cela para um corredor, para uma cozinha, para um escritório, e por aí vai, apenas com os personagens correndo, e os zumbis morrendo por tiros, ou comendo os protagonistas, ou seja, faltou aquele destaque a mais da produção para que tudo ficasse envolvente e assustador ao menos.

Enfim, é um filme básico demais, com uma proposta que até poderia ter ido além se tivessem talvez mostrado os testes no laboratório, a forma como foi criado os zumbis e tudo mais, mas que sendo apenas uma trama de correria acaba sendo mais do mesmo, e assim sendo não recomendo ele para ninguém. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até qualquer momento.


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Christabel

2/21/2021 06:24:00 PM |

Quando vamos conferir uma obra baseada em um ou vários poemas sempre temos de estar preparados para abrir nossa mente para um floreio bem maior do que será mostrado na tela, pois as referências acabam sempre sendo simbólicas, com metáforas para tudo, com simbolismos clássicos e até maiores para cada momento, e o resultado acabará sendo cada vez maior de acordo com o que você conseguir pensar, e sendo assim, costumo dizer que nem todos acabam gostando por igual de filmes desse estilo, o que é bom, mas vai depender demais da forma que o diretor soube para criar tudo, e claro de que o espectador esteja disposto também a entrar no mesmo clima que foi pensado. Digo isso para começar meu texto do longa nacional que irá estrear na próxima quinta-feira (25/02) nos cinemas, "Christabel", pois é um filme bem intrigante, cheio de momentos alegóricos imponentes, e que cada ato vai se abrindo mais ainda para tudo o que possa estar acontecendo, e o mais engraçado é que não tinha lido um detalhe bem marcante no texto que a distribuidora mandou, e que foi até bacana de não ler, pois pude ver tudo com outros olhos, e após tudo entrar em mais detalhes, pois a obra é baseada em um poema vampírico do século XVIII, e esse detalhe faz toda a diferença no que acontece com os personagens, ou seja, é um filme duplo que pode permear desde a mente da protagonista influenciada pelos seus desejos, como se analisarmos pela ideia do poema, também podemos pensar no que a coadjuvante acaba influenciando a jovem a sentir. Ou seja, é um filme que certamente muitos terão diversas ideias, e o resultado está aí com o filme já levando alguns prêmios em festivais, e que quem estiver com a mente bem aberta acabará se envolvendo e gostando de tudo o que será mostrado na telona.

A sinopse nos conta que a filha única de um trabalhador rural, Christabel encontra Geraldine, uma mulher misteriosa, que diz ter sido atacada por homens e precisa de ajuda. Em sua inocência e pureza, Christabel acolhe Geraldine na casa de seu pai. A partir de então, as duas protagonistas se relacionam de maneira que Geraldine passa a ter grande influência sobre Christabel, desestabilizando suas convicções e promovendo ruptura das tradições, mas trazendo um sentimento de paixão e liberdade jamais vivenciados por ela.

Diria que o diretor Alex Levy-Heller em seu primeiro longa de ficção foi bem seguro do que desejava mostrar, trabalhando bem a vivência da moça do campo antes e depois de ser influenciada pela desconhecida, criando bem seus arquétipos para moldar tudo, como a dor no peito do pai, a mudança no clima, e tudo mais ao redor, brincando bem com todos os sentidos dos personagens, e claro com a libido da garota, mas o mais bacana é que ele não chega a abusar das situações, criando tudo de uma forma bem crível e gostosa de ver na tela, pois esse estilo de adaptações costumam ser bem lentas, e aqui ele não correu com a trama, mas também não fez cenas cansativas demoradas e abstratas demais, ou seja, ele foi coerente em manter o ritmo de um poema, mas também criou muitas situações e recortes para que seu filme ficasse ao menos dinâmico para um público maior curtir, e assim acabou acertando bem a mão ao ponto de entregar um longa coerente e interessante de se conferir.

Sobre as atuações, Milla Fernandez segurou bem a responsabilidade de um protagonismo, fazendo com que sua Christabel tivesse ao mesmo tempo o ar campestre mais rústico por ser criada apenas pelo pai, com uma vivência mais crua, e também conseguisse mostrar a sensualidade e a mudança de estilo no último ato, ao ponto que vemos a atriz se desenvolver junto da personagem, e que junto de olhares e sentidos bem aguçados acabou trabalhando de uma forma intensa e convincente em casa momento seu, acertando bastante. Lorena Castanheira já de cara trabalhou bem o ar misterioso de sua Geraldine, criando cenas com olhares meio que jogados para o nada, e outros já de ataque com muita força e destreza, ao ponto que de cara não se dava para confiar nela, mas vemos que sua influência foi boa, e a atriz soube dosar bem persuasão com sensualidade, agradando também com o que fez em cena. Julio Adrião trouxe bem a personalidade do homem do campo, trabalhando seu Leonel com uma desenvoltura rústica, mostrando os hábitos tradicionais de levantar cedo, tomar seu café, ir para o campo, cuidar da lida diária, ir para pesca, e claro tomar sua cachaça no fim do dia, e com diálogos e histórias bem contadas e desenvolvidas pelo ator, o resultado também acaba chamando atenção. Quanto aos demais, a maioria foram personagens de rápida passagem, mas vale destacar toda a eloquência de Nill Marcondes como um sanfoneiro no meio da estrada com toda sua prosa ritmada.

Visualmente o longa foi simples, com praticamente só uma locação em uma casa no campo, mas abrindo as possibilidades para um rio, uma mata bem fechada e todo o campo ao redor, tendo boas nuances com os poucos elementos cênicos, mas brincando bastante com uma fotografia realista escura iluminada apenas por velas e lampiões, dando bons contrastes para toda a tensão que o filme tinha em sua essência, além de uma cena mais sensual em uma cachoeira e num boteco, ou seja, a equipe de arte foi direta e bem colocada para que o filme funcionasse e agradasse na medida certa.

Enfim, é um filme com uma proposta bem trabalhada, que facilmente poderia ser cansativo e monótono pelo embasamento, mas que sem forçar exageros e adaptando tudo de uma forma mais dinâmica e com boas nuances o resultado acaba agradando quem estiver com a cabeça mais aberta para refletir cada momento da trama, e mesmo não sendo algo incrível recomendo o filme para todos que gostem de um longa de drama/fantasia nacional bem desenvolvido, e que confiram nos cinemas que estrearem ele, pois merece. Deixo aqui um agradecimento especial também para a Pipa Pictures por fazer uma cabine de imprensa mais ampla, enviando o filme com senha por um tempo ao invés das tradicionais cabines com horários ruins durante a semana. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Eu Me Importo (I Care a Lot)

2/20/2021 01:57:00 AM |

Olha fazia muito tempo que eu não ficava tenso com um filme, de forma a torcer para que um personagem sofresse, apanhasse, e tudo mais, e o pior de tudo, que é algo que tenho certeza que nunca aconteceu isso, é ficar tenso de ódio em um filme classificado como comédia/crime/suspense! Ou seja, hoje aconteceu de tudo com a estreia da Netflix, "Eu Me Importo", pois se tem uma coisa que consegue me deixar bravo é ver uma pessoa roubando velhinhos, afinal os caras trabalharam uma vida inteira para ter um final honrável pelo menos, e vir uma infeliz tomar tudo, é eu torcer pra ser torturada no mármore do inferno em nível máximo, e aqui isso ocorre de uma forma tão intragável, que a protagonista faz tudo com uma imposição e estilo, que o ódio só foi sendo multiplicado, e ainda mais com uma senhorinha ultra organizada, e tudo mais. Aí entra o segundo ato, e meus amigos, tudo vira completamente do avesso, afinal a velhinha que a protagonista mexeu não era qualquer velhinha, e meu Deus, a mulher ainda fica mais forte com alguém lhe instigando e ameaçando, ou seja, se preparem para ficar com muita raiva de Rosamund Pike, pois ela fez algo esplêndido, e a desenvoltura toda consegue ainda ficar mais insana no final, ao ponto que vemos tudo ficar gigantesco, e claro o gran finale que eu não consegui me segurar na poltrona, levantando e aplaudindo a forma completa que a história não vira, ela capota. Ou seja, é daqueles filmes que posso até achar algo para reclamar no meio do texto, mas me ganhou demais!

A trama nos mostra que sendo equilibrada com uma autoconfiança de tubarão, Marla Grayson é uma guardiã profissional nomeada pelo tribunal para dezenas de pessoas idosas cujos bens ela apreende e de forma astuta as rouba por meios duvidosos, mas legais. Em uma armação bem tramada, Marla e sua parceira de negócios e amante, Fran, usam uma eficiência brutal em sua última "cereja", Jennifer Peterson - uma aposentada rica sem herdeiros vivos ou família. Mas quando sua vítima revela ter um segredo igualmente obscuro e conexões com um gângster volátil, Marla é forçada a subir de nível em um jogo que só predadores podem jogar - um que não é justo, nem legal.

Não lembrei do nome do diretor J Blakeson quando vi na tela, mas seu longa anterior "A 5ª Onda" também foi bem tenso e cheio de reviravoltas, ou seja, o que fez aqui é algo do seu estilo, e sendo uma trama que ele também escreveu podemos dizer que ele é daqueles que gostam de só ir engatando as marchas para frente, não recuando em momento algum, de forma que seu filme não tem freio, e que mesmo sendo num ritmo calmo, frio e calculista, ele nos deixa quase sem piscar, e brinca com nossos sentimentos forçando tudo para mostrar o nível de "empreendedorismo" da protagonista, mas não de uma forma muito amigável, sendo sutil e direto em tudo o que desejava mostrar, e causando sensações fortíssimas para com o nível de revolta do público (ao menos comigo foi algo que me deixou tremendo de ódio!). E assim sendo o diretor/roteirista se mostrou forte, coeso, sabendo muito bem aonde colocar suas câmeras para que um filme simples, se olharmos a fundo, ficasse tão incrivelmente bem feito, com as reviravoltas em momentos precisos de se surpreender, que não fiquei apenas na vontade, mas bati palmas igual um bobo ao final do que vi na tela.

E claro que um dos motivos máximos para que o filme ficasse perfeito, e claro que apenas a sua cara estampasse o pôster do longa é a atriz Rosamund Pike, que se você achou que o nível de maldade dela em "Garota Exemplar" foi assustador, você não viu nada, pois aqui sua Marla é ainda mais fria, cheia de desenvolturas, pronta para tudo, e quando achamos que tudo seu vai por água abaixo, ela ainda consegue surpreender, e com olhares penetrantes juntamente de um estilo perfeito a atriz se soltou ao máximo para que sua personagem não tivesse falhas, ou seja, perfeita demais. Peter Dinklage também entregou ótimos trejeitos para seu Roman, e com diálogos ácidos e atitudes fortes ele foi preciso demais, só diria que sua máfia foi levemente atrapalhada demais, pois uma máfia russa mesmo não cometeria tantas falhas, mas isso não vem ao ator, pois com seu talento é inversamente proporcional à sua altura, tendo uma grandeza incrível em tudo. Dianne Wiest foi até simples demais com sua Jennifer, porém seus atos de deboche para cima da protagonista foram incríveis de ver, e para ficar perfeito só faltou uma grandiosa risada, mas os trejeitos falaram bem também. Eiza González trabalhou bem com sua Fran, sendo uma amante de respeito para a protagonista, fazendo cenas de olhares e pegadas bem quentes, e sendo bem astuta nos atos acaba agradando também. Chris Messina fez um advogado de máfia digamos meio fajuto, querendo ser sutil e oculto demais nas negociações, faltando um traquejo melhor para seu Dean, mas não chega a decepcionar pelo menos. Quanto aos demais, diria que todos se doaram um pouco para a trama agradando bastante em todos os personagens, desde um juiz levemente imparcial vivido por Isiah Whitlock Jr., passando por diversos donos de clínicas, médicas, e tudo mais bem corruptos e cheio de trejeitos caricatos do estilo, até chegarmos nos capangas atrapalhados da máfia, que erraram demais em todas as suas missões, e claro temos de falar de Macon Blair com seu Feldstron, pois o personagem foi muito bem colocado na trama, e o ator mesmo não fazendo muita coisa agradou demais.

O visual da trama também foi muito bem desenvolvido, mostrando diversos asilos/casas de repouso bem chiques, afinal os "clientes" da protagonista merecem o melhor, vemos um escritório bem estiloso, várias casas sendo completamente depenadas pelas protagonistas pegando todo tipo de objetos de valor, temos boas cenas nos cofres de um banco, temos um escritório da máfia simples porém efetivo com carrões imensos para um pequenino líder, temos uma cena de tortura/interrogatório bem trabalhada no meio do nada apenas usando luzes de carros, e claro muitas cenas com sangue para todo lado, o que pode até assustar alguns que não gostam muito do estilo, mas voltando a classificação, temos aqui uma comédia, ou seja é light. E assim sendo a equipe de arte até trabalhou bastante, e o resultado foi bem preciso e efetivo, com boas nuances nos figurinos também, e sendo diretos sem muitos enfeites.

Enfim, é um tremendo filmaço, que como vocês puderam ler até falei um pouco demais dando alguns spoilers, fiz algumas reclamações de atuações, e claro várias falhas da máfia, mas o resultado completo é tão bom que não tenho como tirar nenhum ponto da nota, e sendo assim na opinião desse Coelho que vos escreve tenho o primeiro 10 da temporada 2021 de filmes, e sei que talvez mais para frente me arrependa da nota máxima, pois dá pra remover um pouco, mas não tem como hoje, afinal o longa me passou muitos sentimentos diferentes, e sendo assim mais do que recomendo ele para todos, pois não é um filme que vai trazer reflexões, mas é perfeito dentro da essência proposta, e fim. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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