Duna (Dune: Part One)

10/22/2021 01:29:00 AM |

Tenho certeza absoluta que muitos que viram o trailer de "Duna" e imaginaram ser alguém sem muita criatividade entregando um novo "Star Wars", mas não é, pois o livro "Duna" foi escrito antes dos filmes "Star Wars", e é a base da maioria dos filmes de ficção científica envolvendo espaço e guerras entre planetas, então "Duna" seria sim o pai de tudo, tanto que já teve um filme bem ruim no passado e uma série que alguns gostam e outros nem tanto, ou seja, aqui apenas temos algo novo muito bem criado como uma superprodução estrelada de gigantes, que felizmente segue um ritmo possível de se adaptar um livro gigante, e claro que com isso precisará de mais do que um único filme, sendo agora lançado apenas a primeira parte, e daqui uns anos virão com a segunda parte. Ou seja, você deve estar xingando por saber que não vai ver um final aqui, e a resposta é que não verá o final completo da saga, mas sim aqui tem um estilo de fechamento do ato em si, e que a partir dali ocorrerá muitas outras coisas, e que felizmente esse primeiro ato é bem explicativo, tem muita coisa para entender, e passa um envolvimento gigantesco que impressiona tanto pela história quanto pela cenografia, e principalmente pela sonoridade que encontraram para envolver todo o público, sendo daqueles que quanto maior o lugar que for conferir (no caso vi em Imax) melhor será, pois o som e todo o visual em uma tela imensa fará toda a diferença. E agora é aguardar falarem a data da continuação, pois queremos ver o a pancadaria comer solta do outro lado.

O longa conta a história de Paul Atreides, um jovem brilhante e talentoso nascido para ter um grande destino além de sua imaginação e que deve viajar para o planeta mais perigoso do universo para garantir o futuro de sua família e seu povo. À medida que forças malévolas iniciam um conflito sobre a oferta exclusiva do recurso mais precioso existente no planeta – uma mercadoria capaz de desbloquear o maior potencial da humanidade – somente aqueles que podem conquistar seu medo sobreviverão.

Que o diretor Denis Villeneuve é daqueles que sabem conduzir uma obra prima com primor todos já sabíamos, mas que iria conseguir ousar em cima de uma trama que outros já fizeram de forma tão criticada não imaginaríamos, e ele foi lá, exigiu carta branca da Warner para seguir exatamente o livro linha por linha, trabalhar todo o tempo clássico para não ter correrias, e conseguiu um feitio único de um filme que é apenas metade de um todo, e ainda assim consegue envolver e fazer com que o público saia satisfeito da sessão. Claro que vai ter muita crítica negativa, afinal é uma ficção lotada de cenas de ação, mas ainda assim segue um ritmo mais lento, uma pegada tensa e pesada, cheia de nuances fortes e bem marcadas, que quem for esperando algo cheio de pulos e tiros acabará decepcionado, mas o diretor foi condizente em trabalhar cada detalhe, em mostrar técnicas e principalmente fazer com que o filme tivesse a sua cara, pois errar a mão aqui era algo muito fácil e qualquer exagero faria o filme ficar estranho, mas não, tudo é simbólico, tudo tem um motivo, e claro vemos algo que facilmente se tornará um clássico, pois estilo tem, força tem, e claro conflitos tem, e assim o resultado pode até não explodir nas bilheterias, mas será um longa bem lembrado sempre que alguém pensar em um épico de ficção.

Se eu for falar de todo o elenco gigantesco do filme vou ficar aqui durante pelo menos umas duas horas escrevendo, e o texto vai ficar maior que o filme, pois é muito ator bom que por vezes é até menos usado do que poderia, mas com certeza marcou em sua cena e com isso fez o filme ficar ainda mais imponente. E claro tenho de começar falando do protagonista máximo da trama Timothée Chalamet com seu Paul Atreides, que realmente estava com muito medo do que faria em cena, pois é um ator que tem uma base dramática muito marcante, e aqui o personagem precisava de algo mais intenso de força e dinâmicas, mas o diretor soube usar as características próprias do jovem para que o personagem ficasse muito melhor sem muita explosão (ao menos nessa primeira parte que ele ainda não luta tanto), e assim ele foi carismático o suficiente para seu papel denso e marcou com estilo do começo ao fim, dando nuances precisas e muito claras sobre quem é o personagem em si, e assim acertou demais. Agora em segundo plano, mas ainda muito importante para esse primeiro momento vemos uma Rebecca Ferguson completamente diferente de tudo o que já fez na carreira, ao ponto que sua Jessica é direta nos atos, tem todo um mistério inconsequente dentro da personagem, e a atriz conseguiu segurar tudo só com olhares e diálogos explosivos, não tendo atitudes marcantes, mas para onde quer que olhemos ela está presente, e isso foi muito bom de ver. Jason Momoa fez lutas bem coreografadas com seu Duncan, se jogou bem como um defensor nato, e principalmente se expressou muito bem sem precisar ter seu ar cômico tradicional, e ainda foi bem estiloso em atos mais pegados fazendo um papel que não lhe marcará tanto na carreira, mas que envolve pelo que faz. Oscar Isaac fez bem seu Leto com algumas cenas imponentes e tudo mais, mas mereceria um pouco mais de cenas para mostrar realmente quem foi o personagem. Da mesma forma Josh Brolin lutou bem em alguns atos com o protagonista, fazendo seu Gurney um exímio general de batalha, mas não indo muito além também, e embora não o vejamos morrer em cena, evaporou do mapa. Dave Bautista e Stellan Skarsgård trabalharam bem os vilões da trama, ao ponto que Dave foi mais explosivo e Stellan deu umas nuances mais nojentas para seu Barão, com um corpo maquiado estranho gigante e bizarro. Javier Barden se entregou bem para seu Stilgar, marcando cenas diretas e bem colocadas e certamente vai ser muito usado na continuação, pois além de um tremendo ator, fez atos fortes aqui. Aí você deve estar achando que esqueci de falar de Zendaya, mas não, sua Chani aqui é mero sonho praticamente do protagonista, aparecendo somente em carne e osso nos minutos finais, ou seja, vai servir para a continuação, mas aqui foi enfeite. 

Visualmente o longa é gigantesco, com cenas desérticas tão imponentes e bem feitas, com construções simples porém tecnológicas e marcantes e toda uma simbologia meio que mística nos devidos atos, com cada ambiente bem preparado tanto para as cenas de diálogos aonde todos estão bem ocupados, como para os atos de batalhas gigantescas com muitos figurantes (e claro algumas duplicações de personagens), com naves parecendo libélulas, outras ovais, mas tudo muito grande que dá uma imposição marcante, e claro com muitas explosões, muitos tiros e ainda muitas lutas corporais com espadas e escudos virtuais, cheios de ação marcante e muita desenvoltura tanto dos personagens, quanto das escolhas de ângulos para que o público ficasse ainda mais próximo das cenas. E claro ainda tem o minhocão Shai-Hulud monstruoso andando por baixo das areias e atacando na medida, ou seja, teve seu ar místico bem marcado e chamando a atenção. Detalhe claro que como o filme se passa num deserto, com muita poeira, e claro o pozinho que chamam de especiaria, a fotografia amarelada em tudo deu um show incrível com granulações, texturas e muita perspectiva, que talvez quem for conferir o longa em 3D veja até mais profundidades cênicas, mas aparentemente não será nada a mais para a trama.

E se ultimamente estávamos reclamando tanto que todas as trilhas sonoras de Hans Zimmer eram muito semelhantes, sem as devidas imponências e expressividades, aqui ele colocou para fora seus milhares de anos de carreira e criou algo completamente novo e forte, que chegamos até a sentir a orquestra tocando cada elemento para tudo explodir em conjunto, e que junto de uma mixagem de som com muitos tiros, explosões e muito mais, resultou em algo incrivelmente delicioso de ouvir cada barulho a distância montando uma simbologia incrível e mágica para a trama toda. E ainda contou com a canção meio que cantada, meio que gritada de uma forma tribal bem marcante por Czarina Russell.

Enfim, é um tremendo filmaço que faz valer seus 155 minutos muito bem aproveitados, e que talvez até poderia ter um ritmo um pouquinho só mais rápido para empolgar ainda mais, mas sairia do eixo simbólico que o livro tanto trabalha, e assim sendo o resultado funciona. Claro que dá para ficar bravo de não ver um grandioso desfecho completo, que só acontecerá daqui alguns anos (afinal nem começar a filmar a parte dois começaram!!), mas a síntese da história foi bem contada e agradará quem for disposto a entrar no clima, sendo uma boa recomendação para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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TeleCine Play - Falsos Milionários (Kajillionaire)

10/20/2021 11:59:00 PM |

Não posso dizer que o longa "Falsos Milionários", que estreou no catálogo da Telecine Play, seja algo ruim de ver, mas sim algo bem diferente do que eu estava esperando, pois o filme trabalha ao mesmo tempo um grupo de criminosos que vive de dar golpes e tentar lucrar com jogadas simples e trambiques, mas que praticamente esquece de dar os devidos tratos para a filha como sendo uma pessoa mesmo, mas sim como alguém da gangue deles, e assim a jovem nunca foi tratada com carinho, nunca ganhou um presente realmente e nem nunca foi instruída a nada de uma vida real, mas quando entra uma outra pessoa no grupo tudo passa a mudar e ela passa a se questionar se já foi amada, se tudo na vida dela é um golpe, e muito mais numa trama reflexiva e com um estilo meio questionador demais, que certamente não vai agradar muitas pessoas, mas que tem um algo a mais para pensar sobre pequenas coisas que nos tornam realmente milionários. Ou seja, é uma trama que aparentava ser uma coisa, que está classificado como comédia, crime e drama, mas que recai bem mais para esse último gênero e só quem realmente entrar no clima mais introspectivo irá curtir o resultado final.

A sinopse nos conta que Old Dolio é filha de Robert e Theresa, um casal de criminosos especializados em pequenos furtos. Criada nesse ambiente, a menina se torna totalmente dependente do vínculo com os pais. Mas, quando eles atraem Melanie para participar de um dos seus esquemas, Old Dolio vê sua bolha ser furada de maneira drástica.

Diria que a roteirista e diretora Miranda July trabalhou uma essência densa fechada demais de estruturas, ao ponto que demora demais para conseguirmos entrar no clima completo de sua trama, e talvez muitos nem entrem, pois o filme flui por dois lados bem distintos e que em ambos os casos são reflexivos demais, então para conseguir se emocionar e envolver com o que é mostrado precisa sentir toda a vida da garota, conhecer um pouco mais o processo de golpes e até pensar como uma pessoa de 26 anos que sempre foi usada e não amada pela família, e assim sendo o longa funciona como uma mensagem poética que entra numa sintonia calma e monótona demais para quem for conferir esperando um algo a mais que acaba não acontecendo. Ou seja, tudo o que é mostrado na tela é simbólico, tudo tem um sentido, e principalmente todo o envolvimento é bem trabalhado, mas infelizmente é preciso tempo para refletir em tudo, e isso não ocorre num filme de streaming, sendo talvez daqueles que num festival que você vai preparado para digerir cada trama funcione bem, mas só ali e nada mais.

Sobre as atuações, todos fizeram trejeitos marcantes e se colocaram bem nos devidos atos, com destaque claro para a protagonista Evan Rachel Wood, que em alguns atos fiquei realmente pensando se a atriz, que é belíssima e aqui estragaram ela visualmente, estava se passando por um garoto ou se era apenas algo para ser estranho realmente, pois lhe colocaram o nome de Old Dolio (a moça explica em determinado momento o motivo do nome, meio bizarro!) e com trejeitos mais largados e situações estranhas acabamos vendo ela se entregar com um estilo bem esquisito, mas faz muito bem isso, e assim sendo é um bom acerto. Richard Jenkins sempre trabalha com estilo seus papeis, e aqui seu Robert é literalmente um picareta de mão cheia, fazendo atos bem intensos e trabalhando suas atitudes com ótimos trejeitos, o que agrada muito para a síntese do filme. Debra Winger deu uma personalide muito forte para sua Theresa, e ainda por cima mancando ficou com atitude e estilo para o papel que precisava fingir, envolvendo bastante e chamando muita atenção em todas as suas cenas. Mas sem dúvida alguma a quebra de estilo completo veio com Gina Rodriguez inicialmente personificando sua Melanie como alguém cheia de estilo, com vertentes marcantes e bem intrigantes, mas num segundo momento a moça muda completamente seus ares, se entrega para o papel e faz algo muito em prol da protagonista, mas com isso quase se apaga completamente, o que ficou um pouco estranho para falar a verdade.

Visualmente a trama é ainda mais estranha, pois eles moram num cômodo de uma empresa de produtos químicos que fica espumando sem parar, com tudo jogado pelo chão, indo em lugares para aplicar golpes como nos correios para pegar correspondências dos outros, tem todo o lance do avião e dos terremotos nos lugares mais absurdos, indo na casa de pessoas bem decoradas para tentar fraudá-las, e ainda tem a casa da outra moça bem decorada que acaba tendo um fim mais maluco ainda, toda ideia dos brinquedos que no final acaba sendo uma boa sacada, e ainda a compra de uma banheira parcelada em milhares de vezes com um juros monstruoso, ou seja, nos EUA o povo também leva o parcelamento assassino no peito.

Enfim, é um filme mediano que se espremermos bem até dá para sair algo a mais, mas que certamente não vai valer o tempo gasto para a maioria das pessoas, pois como já disse é necessário se refletir demais para encontrar alguma essência maior na trama, e isso é algo que não pega as pessoas no streaming, então fica a dica somente se você estiver bem disposto para dar o play e entrar numa ideia mais floreada, senão parte para o próximo. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - The Trip (I Onde Dager)

10/19/2021 01:01:00 AM |

Quando li a mini-sinopse do filme "The Trip", que aparece antes de dar o play na Netflix, me preparei para um filme de brigas e confusões no meio do nada, mas não imaginava o quão bizarro e trash a trama norueguesa poderia entregar, pois é simplesmente maluco demais tudo o que ocorre e olha que já vi muito filme estranho, mas não a esse ponto que o longa atinge. Aí você deve estar se perguntando se achei ruim, e a resposta é não, pois a bizarrice é tão boa que acabamos entrando completamente no clima da produção, e tudo passa a ser um grande surto de insanidades que funciona demais. Claro que esperava rir um pouco mais no miolo, mas o final foi bem pensado, e o resultado como um todo funcionou bem, mesmo com alguns leves furos de roteiro, que nesse estilo acabamos nem ligando.

A sinopse nos conta que ansiosos para terminar seu matrimônio ao matarem um ao outro, um casal decide ir para uma remota cabana para terminar o que planejaram. Mas logo percebem que para sobreviver eles terão que se ajudar mais uma vez.

O diretor Tommy Wirkola gosta de situações conflituosas e insanas em seus filmes, e com isso já é de praxe ir conferir esperando algo que vá chocar em determinado momento, ou as vezes no filme todo como é o caso aqui, e se num primeiro momento o filme parecia algo banal e meio até que bobo, depois da metade da trama tudo fica tão explosivo, com situações com sangue de sobra, partes decepadas, muita bizarrice (algumas até desnecessárias) que só quem realmente amar o estilo irá ver ele até o final, mas tirando esse detalhe de querer chocar, a trama tem uma desenvoltura até que bem bacana, pois realmente já vimos muitos casais que estão prontos para explodirem e usar essa explosão para se alinharem e voltarem a se amar, e aqui essa ideia como esperada consegue um desfecho ainda melhor para a trama, ou seja, toda a loucura aterrorizadora e bizarra fica divertida com a proposta de encerramento, e assim o resultado vai além do esperado.

Sobre as atuações é fato claro que Noomi Rapace é uma atriz que sabe encaixar tantas vertentes em suas personagens que até fazendo algo meio que jogado como é o caso de sua Lisa aqui consegue agradar, e claro que ela não economizou olhares, fez drama, fez ação e tudo mais que pudesse para conseguir se livrar, e claro fazendo uma personagem que é atriz também trabalhou o drama em cima do drama e agradou bastante do começo ao fim. Aksel Hennie é um ator meio estranho que consegue chamar atenção e ao mesmo tempo nos desconectar dele com uma facilidade meio que estranha também de ver, ao ponto que seu Lars num primeiro momento pareceu frouxo demais, depois entregou personalidade, e por fim já estava com atitudes imponentes bem colocadas e cheias de desenvolturas, ao ponto que tudo o que faz beirou a loucura, mas foi bem e acertou de certa forma. Quanto dos demais, vale a desenvoltura mais insana de Atle Antonsen com seu Peter, principalmente nos atos finais, o lado mais doidão do nazista Roy vivido por André Eriksen, e até Christian Rubek entregou um Dave bacana, mas sem muita explosão, ao ponto que todos os três acabam sendo brutalmente massacrados, já os demais, Viktor foi um mero enfeite e o pai do protagonista até teve uma boa desenvoltura no final, mas nada demais.

Quanto do visual da trama, o longa se passa praticamente inteiro num chalé, e se tudo parece bonitinho no começo, ao começar os tiroteios, os cortes e triturações, meus amigos, a equipe de arte gastou litros e mais litros de sangue falso, de próteses e de tudo mais que fosse necessário para a equipe de maquiagem rechear visualmente toda a interação, com pedaços de coisas voando e tudo o que fosse possível estar na frente dos personagens virando armas, numa loucura completa e até bonita de tanto vermelho voando pelos ares, ou seja, se precisaram gravar alguma cena mais que uma vez não queria estar na pele da equipe para limpar tudo e filmar novamente. Ou seja, foi um trabalho visual bem intenso e que resultou em algo bacana de ver, e claro o fechamento cinematográfico para os atores/diretores interpretados darem seu show com entrevistas e filmagens.

Enfim, é um filme insano que quem curtir um trash cômico vai entrar de cabeça e curtir com toda a desenvoltura, e que conseguiram colocar até um pouco de história na bagunça toda, ao ponto que funciona e diverte. Claro que não espere dar risadas de rolar na sala, mas tudo é funcional e a loucura é bem entregue, sendo assim uma indicação mais propensa para um estilo de público. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Batalha Esquecida (De Slag Om De Schelde) (The Forgotten Battle)

10/18/2021 12:31:00 AM |

Sempre que vejo um filme de guerra fico pensando que não tem mais para onde irem nas ideias do estilo, mas sempre sou surpreendido com alguma versão diferente da mesma história maior, que geralmente consegue intrigar, criar novas perspectivas, e claro ver o desespero das pessoas em qualquer uma das vertentes que estejam colocadas na situação total. E sendo assim o longa holandês da Netflix, "A Batalha Esquecida", nos mostra agora a versão de uma Holanda completamente tomada por alemães, e as desenvolturas que ocorreram por lá sob os olhos de três jovens que pela trama tiveram conexões entre si, mas que certamente se impuseram e foram desesperados durante todo o processo, seja o holandês que estava no exército nazista mas sofrendo com sua opção ao ter de matar os seus compatriotas, ou da garota que tem o irmão morto por tentar se juntar à resistência para ajudar o combate, ou até mesmo o piloto britânico que deveria pousar em terras aliadas, mas que cai no meio de todo o conflito entrando na guerra de chão com muita força e dificuldade. Ou seja, é daquelas tramas que acaba indo além pela situação geral, que quem gosta do estilo ficará grudado na tela da TV, e que principalmente passa a mensagem que a guerra é ruim e tensa para todos os lados, que não tem ganhador, nem felicidade enquanto estiver durando.

O longa nos situa em Setembro de 1944. Os aliados capturaram o porto de Antuérpia, mas os alemães ainda controlam o estuário do Escalda, evitando que os suprimentos cheguem a Antuérpia e às forças aliadas. A Ilha Walcheren é a chave para a defesa alemã. A Operação Market Garden é lançada, na esperança de penetrar diretamente na Alemanha via Arnhem na Holanda. Um planador desta operação é forçado a pousar em Walcheren, deixando um punhado de soldados britânicos presos atrás das linhas inimigas. Enquanto isso, um adolescente holandês acidentalmente mata três alemães, causando uma trágica cadeia de eventos. No estado-maior alemão está um soldado holandês que agora começa a questionar onde reside sua lealdade.

Diria que a estreia do diretor Matthijs van Heijningen Jr. foi bem intensa, conhecendo bem cada momento de seu filme para chamar atenção, e principalmente sendo extremamente ousado de criar um épico de guerra de cara, pois é uma das produções mais grandiosas que qualquer um pode querer ter em seu currículo, e aqui ele não só colocou as desenvolturas do fronte como trabalhou as nuances investigativas, os trabalhos de escritórios, e muita ambientação em todos os meios, sejam eles na terra com muita lama e mortos caindo nas trincheiras, com tanques e metralhadores de todos os tipos, no ar com vários aviões e planadores sendo atingidos e fazendo manobras, e até mesmo na água com personagens tendo de nada e se esconder, além claro de cidades abandonadas e muita interação entre todos os personagens, ao ponto que acabou sendo um trabalho de primeiro nível, com pouquíssimos erros e excessos, e que acabou mostrando mais uma desenvoltura de desespero dos personagens, do que algo emotivo realmente, o que acaba sendo um reflexo real de uma guerra.

E já que falei sobre os personagens, vale destacar claro a atuação do trio principal que se doou bastante em cenas bem intensas com olhares fortes e marcantes, mas não só eles foram bem em cena, ao ponto que praticamente todos os atores foram bem dirigidos (e não são poucos!), conseguindo entregar todas as desenvolturas que o filme precisava, ou seja, um filme realmente gigantesco. Gijs Blom entregou com muita personalidade seu Van Staveren, ao ponto que inicialmente o jovem com todo o pensamento revolucionário, acreditando que estava abalando como um soldado alemão mesmo sem ter nascido no país, mas quando cai volta para a Holanda passa a sentir a dureza de ter de matar e denunciar seus compatriotas, e o ator fez olhares tão fortes nas cenas de maior impacto que sentimos exatamente tudo o que o verdadeiro soldado que teve esse fim sentiu. Jamie Flatters trabalhou bem seu Will, sendo praticamente alguém da nobreza britânica que acabou indo para a guerra, e que com muito envolvimento não ficou atrás de uma mesa se jogando literalmente no ar para encarar tudo de frente e fazendo muito bem tudo, ao ponto que o ator deu um ar meio galanteador, mas foi bem demais rolando no barro, entrando em ação a todo momento e se destacando bem demais. Susan Radder deu muita personalidade para sua Teun, sendo uma secretária do prefeito e misturada demais com pessoas que estavam ajudando os alemães na Holanda, mas que acaba mudando tudo quando seu irmão acaba fazendo algo errado e caindo nas mãos do exército, também muito bem interpretado por Ronald Kalter, e a atriz se jogou em cenas bem dramatizadas, envolvendo muito e sendo certeira nas nuances que precisava. Quanto aos demais vale ainda o destaque para alguns momentos de Tom Felton completamente diferente do que vimos na sua infância, agora já bem adulto entregando um comandante Tony bem intrigante, mas que foi abatido rápido demais, entre outros bons atores.

Visualmente o longa entregou uma produção grandiosa de parecer até de estúdios imponentes, com muitas cenas de guerra, muitas armas, tiros, locações imponentes, figurinos, aviões, e tudo mais que qualquer diretor de grande porte consegue somente após muita negociação, mas aqui o estreante teve tudo ao seu dispor e o resultado foi algo que vemos desde casas abandonadas lotadas de elementos cênicos representativos, uma prefeitura cheia de arquivos sendo desmontada às pressas, tanques, metralhadoras, todo o ambiente do fronte muito bem representado, todas cenas com barro e na água muito simbólicas, e claro muito sangue cenográfico também com amputações, membros voando e tudo mais, ou seja, algo muito bem feito que mostrou uma equipe de arte de primeiríssima linha.

Enfim, é um tremendo filmão de guerra, que expõe muitos sentimentos e toda a desenvoltura do que rolou na Holanda durante o período da Segunda Guerra, em que esteve tomada pelos alemães, e claro os momentos finais desse conflito por lá, que quem gostar de filmes do estilo certamente irá vibrar com cada ato e irá curtir bastante todas as nuances criadas de uma forma bem representativa, e assim sendo fica a indicação para conferir ele na plataforma. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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TeleCine Play - Echo Boomers - A Geração Esquecida (Echo Boomers)

10/17/2021 06:29:00 PM |

É até engraçado o tanto de filmes baseados em fatos reais que tem brotado nos cinemas e nos streamings, isso claro se deve em parte pela falta de criatividade dos roteiristas, mas também devido os grandes nomes estarem cada vez mais migrando para as séries, já que ganham por episódio o que ganhariam com um filme, e assim o lucro acaba sendo bem maior, e embora esse não seja o tema do longa "Echo Boomers - A Geração Esquecida", que estreou essa semana na plataforma Telecine Play", podemos traçar um paralelo entre essa situação e a mostrada no longa, pois com a quebra da economia dos EUA, muitos jovens que tiravam notas excelentes nos testes, e entravam para as faculdades através de financiamentos estudantis gigantescos acabam saindo de lá e não conseguindo emprego em lugar algum, ou conseguindo coisas bem ruins pagando muito mal, e aqui vemos um grupo que se revolta com isso e acaba virando assaltantes de obras de arte encomendadas para venderem e viverem vidas grandiosas. Ou seja, o filme mostra uma trama intensa de um grupo de assaltantes que foram bem imponentes e rebeldes em seus atos, mas que como sempre quem quer muito acaba conseguindo pouco, e assim o resultado reflete a quebra e como foram presos não pela ousadia em si, mas sim por problemas internos e bobeiras que senão estariam até hoje roubando ao invés de estarem presos.

A sinopse nos conta que um recém-formado Lance Zutterland deixa a escola com dívidas, percebendo que tudo pelo qual ele trabalhou foi construído sobre uma mentira. Quando ele é puxado para uma operação criminosa clandestina, ele encontra seus colegas lutando contra o sistema roubando dos ricos e dando a eles mesmos. Sem nada a perder, eles deixam para trás um rastro de destruição, mas com os policiais se aproximando, as tensões aumentam e Lance logo descobre que está perdido, sem saída.

Mas é fácil entender a finalização simples sem uma grande explosão, e a causa já disse aqui diversas vezes: ser o primeiro filme do diretor Seth Savoy, que entregou boas dinâmicas de miolo, conseguiu criar boas conexões e desenvolturas, porém foi num crescente tão bem marcado que não soube como finalizar, e isso é algo comum de primeiras obras, pois a ideia de uma autora de um livro conversando com os personagens para saber suas versões é boa, bem sacada e deu uma boa modelagem geral para a trama, porém os personagens se desenvolveram rápido demais dentro da estrutura toda, os crimes já estavam ficando marcados, e colocar mais coisas soaria repetitivo, mas certamente um algo a mais para saber que fim virou os outros que escaparam daria uma boa nuance e um algo a mais para tudo, mas sairia da base real, e não seria um acerto completo. Ou seja, o diretor trabalhou bem o roteiro criado, foi criativo no que deu para fazer, trabalhou bem a ousadia dos jovens, mas faltou aquele diferencial, e isso talvez consiga num próximo filme, afinal como já disse outras vezes com o primeiro longa certamente se aprende a errar.

Sobre as atuações, diria que o protagonista Patrick Schwarzenegger até soube conduzir bem a trama sob o seu olhar, mostrando que acabou entrando naquela vida maluca pelo primo, mas que sim seu Lance acabou mudando os ares ali, entrou completamente no clima e também surtou com tantas possibilidades e criações, e o jovem ator até foi bem em segurar a responsabilidade em vários atos, coisa que talvez até poderia cair para os mais velhos do elenco, mas como estamos vendo o seu ponto de vista de tudo, o resultado se firmou nele e foi bem no que fez. Diria que Alex Pettyfer poderia ter segurado mais as pontos com seu Ellis, ao ponto que faltou um pouco mais de explosão nele, pois com todos falando que ele era meio instável, que tinha pontos obscuros e tudo mais, o jovem apenas foi um líder meio que criativo demais, e isso não pesou ao seu favor, mas como a trama não usou nada de suas informações, talvez isso tenha ficado meio que de lado, ou não. Não conhecia a atriz Hayley Law, e gostei da forma que entregou os trejeitos de sua Allie, mostrou personalidade e uma desenvoltura leve para uma personagem que talvez fosse até mais explosiva, ao ponto que seus resultados soaram interessantes e intensos de ver. Ainda tivemos Gilles Geary trabalhando bem seu Jack com nuances próprias e bem convincentes tanto para a trama, quanto para fazer seu primo entrar num conflituoso mundo de roubos, e claro, Michael Shannon como o imponente Mel comprador das obras roubadas, que fez bem o ar mafioso que chega na cara de seus empregados e fala para se calarem sobre tudo, com olhares e intensidades bem marcadas.

Visualmente o longa foi bem pensado e certamente deu uma trabalheira imensa para a equipe de arte, pois literalmente bagunçaram aos montes diversas mansões, jogando tudo para o alto, quebrando tudo o que tivesse por perto, pichando paredes, e com isso toda uma desenvoltura completa foi criada e entregue com nuances fortes e bem colocadas, ao ponto que o resultado visual acaba chamando muita atenção e que junto de trechos jornalísticos, e claro todo o ambiente das entrevistas na prisão mostrou tanto técnica quanto um aguçamento bem trabalhado de todos, colocando a arte em primeiro plano e simbolizando até mais de tudo nas atitudes dos personagens.

Enfim, está longe de ser um filme perfeito do estilo, e também trabalha um tema que já vimos acontecer em outros longas, mas consegue ser envolvente e funcionar bem como um bom passatempo de domingo, mostrando que a situação pós-estudos é algo complicado de se conseguir empregos nas áreas, e que muitos acabam indo por caminhos controversos, mas no mundo do crime acaba se pagando preços que alguns não desejavam pagar, e assim fica a indicação para todos, pois é algo bacana de ver. Bem é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Seus Olhos Dizem (Kimi No Me Ga Toikaketeiru) (Your Eyes Tell)

10/17/2021 01:23:00 AM |

Quando falamos em romances no cinema raramente caímos em obras japonesas, pois a forma de sentimentos que demonstram acaba sempre sendo de uma forma bem diferente do que estamos acostumados, e com isso resultam em tramas que por vezes emocionam muito e em outros casos vemos algo até seco demais, mas uma coisa é clara em seus filmes, não economizam na intensidade, fazendo dramas românticos bem fortes e criativos. Dito isso, o longa "Seus Olhos Dizem", que é uma refilmagem da trama sul-coreana "Só Você", consegue ter carisma, envolve na medida certa, e embora no pôster o protagonista esteja bem sorridente, praticamente nem vemos seus dentes no filme com seu ar mais fechado e dramatizado, ao ponto que ficamos até o momento da virada sentindo que falta algo a mais no longa, mas tudo é bem colocado e finaliza de uma forma bem marcante. Ou seja, é daqueles longas que possuem um certo ar mais amplo, que poderia ter mais história, que tentam entregar alguns atos que parecem ter algo a mais, mas que ao focar no casal fecha bem e agrada bastante, mas que se der uma brecha para o diretor ele já transforma em série com mil desenvolturas.

A sinopse nos conta que Rui é um ex-lutador que ficou preso por se envolver com a YAKUSA - a máfia japonesa. Após cumprir sua pena na prisão, tenta levar a vida de forma correta. Em seu novo emprego num estacionamento, ele conhece Akari, uma jovem cega, alegre e positiva, que perdeu a visão e os pais em um acidente de carro. Akari tinha o costume de visitar um amigo que trabalhava antes de Rui no estacionamento. Sem saber que o amigo saiu do emprego, acaba conhecendo Rui. As visitas de Akari começam a despertar Rui, dando sentido maior a sua vida. A sintonia dos dois aumenta, mas o estranho destino irá mostrar como seus passados estão profundamente ligados.

Diria que o diretor Takahiro Miki, que é bem experiente em romances, foi bem amplo no sentido de sua trama ter uma boa desenvoltura e dinâmicas gostosas de acompanhar, ao ponto que não posso falar da similaridade com o original sul-coreano por não ter conferido ele, mas digo que aqui ele deu uma intensidade bem colocada nos protagonistas, conseguiu criar uma química gostosa entre eles com os olhares, e com o jovem sendo meio problemático seu mistério ficou bem amarrado, não sendo entregue de cara. Claro que poderia ter desenvolvido esse ar culposo do jovem de uma forma menos exagerada, mas toda a intensidade das cenas acaba sendo bem envolvente, vamos entendendo tudo o que o diretor quis mostrar com sutilezas, e cada ato funciona bem, só volto a frisar o que falei no começo que ele raspou a trave de criar desenvolturas com os personagens paralelos a todo momento, algo que se cai com qualquer outro diretor veríamos a vida do jovem com o amigo, veríamos seus atos no orfanato, veríamos um pouco de tudo de sua vida, enrolando mais ainda, porém diria que o final escolhido embora assuste um pouco (confesso que fiquei bem preocupado do longa acabar de uma forma mais trágica! Ousada e diferente!) foi bonito e bem simbólico de ver, mostrando atitude e estética, coisa que vemos bem pouco em romances.

Sobre as atuações, Yuriko Yoshitaka trabalhou bem sua Akari, fazendo inicialmente cenas bem intensas de olhares e de atitudes, trabalhando sua cegueira com nuances bem marcantes, fazendo atos simples, porém bem marcados, e se entregando completamente do início ao fim com uma doçura e ingenuidade bem gostosa de ver, que até pode parecer exagerada, mas que deu atos certos e intensos com um bom tom e agradou bastante com o que fez. Já Ryûsei Yokohama trabalhou seu Rui com nuances extremamente sérias, fazendo semblantes culposos tão marcantes que seus olhos realmente dizem o que está sentindo direto nas cenas, e o jovem gastou tão poucas palavras para demonstrar tudo o que precisava que acaba sendo intenso na medida certa, além claro de se esforçar bem nas cenas de lutas, colocando intensidade aonde precisava e acertando bem mesmo que incomodasse com sua culpa a todo pensamento, mas isso era do personagem, e o ator fez bem. Quanto aos demais, nenhum tentou chamar atenção, ou melhor, muitos até tentaram, mas é melhor nem dar destaque, pois seus personagens apenas desfocaram o filme, e isso é algo que é até ruim de falar.

Visualmente o longa foi bem trabalhado, criou as devidas ambientações representativas, desde o trabalho da jovem como cega em um telemarketing, mostrou as lutas tanto normais de campeonato quanto as clandestinas do jovem, retratou bem seu passado na máfia causando tortura nas pessoas, e até remeteu bem seus momentos no orfanato, além claro de atos em restaurantes, e todo o belo e intenso primeiro contato na vigia do estacionamento, aonde vemos todo o simbolismo dos atos e a química acontecendo com cheiros, com elementos clássicos e muito mais, ainda tivemos alguns momentos na casa da jovem e fomos agraciados com bons momentos do cachorro, que no final ainda foi mais usado ainda. Ou seja, a equipe de arte trabalhou bem para representar tudo, e ainda conseguir boas locações simbólicas para tudo.

Sobre a questão musical, o longa está vendendo no trailer a trilha sonora cantada pela banda BTS, que emplaca a música tema do casal "Your Eyes Tell", mas é tocado somente um pedaço no meio do filme bem rapidamente, e depois durante os créditos, então não vá esperando escutar a banda durante o longa todo.

Enfim é um longa bonito, que tem uma intensidade gostosa de ver, e que conta ainda com alguns momentos de surpresa bem interessantes por toda a conexão que acabaram montando, ao ponto que quem gosta de um bom romance certamente irá se envolver com tudo e o resultado vai valer a pena, sendo assim recomendo ele para todos. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amarração do Amor

10/16/2021 06:13:00 PM |

Confesso que fui conferir o longa "Amarração do Amor" com pelo menos umas 10 pedras no bolso pelo que tinha visto no trailer, pois aparentava ser algo bem bagunçado, cheio de conflitos para tentar divertir, e que principalmente iria recair para o lado novelesco para tentar funcionar, porém estava bem enganado e trabalharam tão bem toda a trama desenvolvendo intolerâncias religiosas, divergências de achismos familiares, e toda uma síntese tão bacana de ver que o resultado acaba surpreendendo e divertindo com tudo o que é entregue, ao ponto que vemos o filme se desenrolar e funcionar com boas dinâmicas, bons personagens, e até mesmo dando para rir, e assim sendo valendo a conferida para quem gosta de um filme leve e bem trabalhado.

O longa acompanha Lucas e Bebel, um casal apaixonado que decide oficializar a união para todos. Mal sabem eles que a religião vai ser um ponto de discórdia entre suas respectivas famílias. Enquanto o pai da noiva, Samuel, luta para fortalecer as tradições judaicas dentro de casa; Regina, mãe de Lucas, se esforça para que seu filho leve para sua futura família as tradições da umbanda.

Assim como fez em seu primeiro filme ("Meus 15 Anos"), a diretora e roteirista Caroline Fioratti conseguiu criar uma trama de cinema sem recair para o lado novelesco que tantos diretores nacionais optam seguir, e só isso já faz valer ficar de olho nela, pois dois filmes e não usar desse artifício já mostra técnica e sabedoria, e mais do que isso, ela soube brincar bem com todas as devidas divergências religiosas que tanto geram conflitos mundo afora, e que claramente num casamento com famílias tão diferentes acabaria gerando algum tipo de explosão. Claro que nem tudo é um mar de rosas no longa, e aqui diria que faltou trabalhar um pouco mais as situações, pois todos personagens foram muito bem apresentados, todo o conflito ocorreu, mas cada ato em si pareceu não estar conectado como uma história só, se desenrolando sem grandes elos, meio que rolando o anúncio do casamento para as famílias, o encontro das famílias na sequência, depois a despedida de solteiro e claro o casamento tudo em uma rápida e sem alívios de estética, ou seja, a trama foi bem feita, porém corrida demais, e isso dava para desenvolver melhor.

Agora quanto das atuações, posso dizer que todos se entregaram bem aos devidos papéis, alguns se formas mais simples sem explodir muito, como e o caso do casal protagonista vivido por Bruno Suzano com seu Lucas e Samya Pascotto com sua Bebel, ambos bem apaixonados, mas já cheio de conflitos mesmo antes do casório, com as devidas famílias na cabeça deles. Enquanto outros já bem mais expressivos e colocados como é o caso de Cacau Protásio com sua Regina, expansiva, cheia de atitude, e principalmente determinada para entregar seus atos com muita desenvoltura, ou seja, foi bem demais no que fez e mesmo apelando um pouco trabalhou o papel de uma maneira bem acertada. E da mesma forma Ary França trabalhou o seu Samuel com uma junção de preocupação exagerada pela filha com claro diversos preconceitos para cima da religião da família do noivo, e assim trabalhou olhares e sínteses de uma forma até que divertida, mas também forçando um pouco. Quanto dos demais, cada um apareceu um pouco, tendo destaque para Malu Valle com sua Myriam bem colocada como uma mãe disposta a entrar no clima de tudo para o bem da filha, e Mauricio de Barros com seu Jorge Alegre e cheio de desenvolturas bem trabalhadas para o mesmo fim de um enlace bem encaixado.

Visualmente o longa trabalhou bem toda a dinâmica das duas religiões, mostrando inicialmente ambos os cultos e claro as coisas confusas de cada um, trabalhou bem os elementos cênicos de cada lado, e entrou também na síntese da montagem da casa do casal, aonde o misto é bem respeitado, aonde toda a fluidez funciona, e que mesmo os pais não batendo bem com seus devidos santos, o resultado foi claro e objetivo, ou seja, a equipe de arte foi singela, porém determinada em acertar com símbolos e boas dinâmicas.

Enfim, é um longa bem simples, porém bem feito e com as devidas dinâmicas funcionando dentro do que o roteiro propôs, passando longe de ser algo memorável, mas felizmente também passando mais longe ainda de ser a bomba que parecia pelo trailer, ou seja, acaba valendo a conferida e a indicação para quem gosta de obras nacionais divertidas e diferentes. Bem é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Último Duelo (The Last Duel)

10/16/2021 02:13:00 AM |

Filmes medievais sempre entregam grandes lutas, grandiosos cenários e figurinos, muita tensão e envolvimento, e claro histórias interessantes de acompanhar, porém geralmente achamos tudo extremamente fantasioso e impossível de ter acontecido realmente, mas eis que o diretor Ridley Scott foi arrumar um livro que conta uma história totalmente real de um duelo entre dois amigos após a esposa de um deles denunciar o outro por estuprá-la, ou seja, se tudo já era algo bem intrigante de ver, o resultado do filme "O Último Duelo" acaba sendo ainda mais imponente por toda a desenvoltura entregue, por acompanharmos as três versões do crime, e claro o desfecho incrível em uma batalha de vida e morte com cenas bem fortes e intensas. Ou seja, é daquelas tramas que já podemos até ter visto partes ou a temática em alguns outros filmes bem semelhantes, mas que acabaram agora pegando algo mais real, que aconteceu na época da Guerra dos Cem Anos, e que contendo diálogos e ações bem fortes com um elenco estreladíssimo resulta em algo que certamente vai fazer todas as premiações ficarem bem de olho, e muitos até torcerem os olhos para alguns momentos, pois não economizaram em nada nem em termos de ações nem de atos, fazendo valer demais a conferida.

O longa conta a história do duelo entre o cavaleiro Jean de Carrouges e o escudeiro Jaques Le Gris, acusado de ter violado a esposa do cavaleiro. A luta, estabelecida pelo próprio rei da França, Carlos VI, marca o grande drama de vingança e crime do século XIV, que tem a esperança de ser resolvido somente após o combate.

O mais divertido de tudo é que fui conferir o longa sem esperar muita coisa, pois já tinha visto o trailer uma vez só, e ultimamente o diretor Ridley Scott não andava entregando coisas tão marcantes, mas aqui entregou algo tão forte e bem feito que acabei surpreso tanto pela intensidade das cenas, quanto pelo desenrolar de tudo, e sendo baseado em um livro romanceado de uma história real, quando a trama começou sendo aparecendo na tela "Capítulo 1 - A Verdade de Jean de Carrouges", já pensei vai ser embaçado, aí demorou uma eternidade e apareceu na tela "Capítulo 2 - A Verdade de Jaques Le Gris", mostrando praticamente as mesmas cenas com intensidades diferentes, ângulos diferentes, situações diferentes, mas tudo praticamente rolando igual já me fez lembrar o longa brasileiro do caso dos Ritchtofen, então apareceu depois de um bom tempo "Capítulo 3 - A Verdade de Marguerite", apaga tudo e aparece apenas "A Verdade", então eis que vemos praticamente tudo novamente sob o olhar da mulher, com cenas que só vimos mexer de bocas a distância, outros ângulos ainda, e situações/diálogos ainda mais fortes que impactarão muito nas mulheres que forem ver o longa e ouvirem, e claro chegamos no embate realmente acontecendo com muita força e cenas bem realistas assustadoras pela coreografia dos combatentes, mostrando claro que os dublês foram bem demais em cena. Ou seja, o diretor conseguiu um feitio de nos remeter aos seus grandes clássicos de antigamente, e surpreender bem com um filme até que bem longo, mas que funciona bem e deve lhe garantir ao menos algumas indicações à vários prêmios, e detalhe foi gravado durante a pandemia que quem conferir o making of verá todos da equipe com máscaras, ou seja, se não conseguir as indicações com esse, certamente conseguirá com outro grande longa dele que será lançado no mês que vem ("A Casa Gucci"), ou seja, 2021 será fechado com chave de ouro de Scott.

Sobre as atuações, antes de falar do trio de protagonistas preciso começar falando de Ben Affleck, pois só vi que o ator estava no filme nos créditos, a equipe de maquiagem mudou demais o ator, e ele está muito bem com seu Pierre D'Alençon, fazendo um papel imponentíssimo, cheio de orgias, cheio de jogadas arbitrárias, e é um personagem muito grandioso na trama pelas cenas que faz, mas o ator está irreconhecível numa primeira olhada, e que depois vendo o trailer até dá para notar que é ele, mas indo sem saber, é surpreender com o nome na tela no final, mostrando que está ainda bem demais no que sabe fazer. Agora voltando para os protagonistas, Matt Damon nos entrega um Jean de Carrouges bem forte, com uma personalidade dura completamente diferente da maioria de seus papeis, com traquejos cênicos marcantes e bem elaborados, e conseguindo chamar muita atenção nos atos que faz, sendo um papel que talvez lhe marque futuramente. Agora é engraçado demais ver num filme falarem que Adam Driver é um homem bonito, quem em sã consciência falaria isso, e aqui seu Jaques Le Gris é ainda mais estranho com uma vasta cabeleira, mas o ator se doou bem para suas cenas, fez olhares bem elaborados e principalmente chamou a responsabilidade para si nos atos que precisou criar dinâmicas, acertando bem em tudo. Quem viu Jodie Comer em "Free Guy" vai ter a certeza absoluta que não é a mesma atriz que entrega aqui uma Marguerite marcante, toda cheia de si e também desesperada por tudo que ocorre, sabendo dominar as nuances de sua personagem, e claro a verdade de ter sido estuprada e numa época ainda mais machista impossível é humilhada de todas as formas no julgamento com palavras duras e a atriz segurou no olhar e no silêncio cada momento sendo perfeita. Ainda tivemos boas atuações de Harriet Walter como a mãe do protagonista seca e imponente nos atos, Alex Lawther entregando um Carlos VI novinho de tudo e se divertindo demais em cena, e Adam Nagaitis trabalhando seu Louvel como um bom capacho deve ser, entre outros bons atores e personagens reais da época.

Visualmente como todo bom longa épico medieval temos castelos imensos com todos os funcionários, muita simbologia nos atos de cobranças de impostos, alugueis e animais, cenas de orgias bem trabalhadas, lutas com figurinos muito trabalhado nas armaduras com uma riqueza incrível de detalhes, armas fortes e claro toda uma preparação gigantesca para o grandioso duelo final, com as cenas de pós-batalha ainda mais fortes pela essência passada, além disso tivemos um grandioso julgamento num palácio repleto de velas, mostrando um trabalho gigantesco da equipe de arte e claro da fotografia maravilhosa que acabou resultando em tudo. Ou seja, é perfeito nesse sentido contando com muito sangue nos atos de batalha, muitos armamentos e tudo que um longa medieval tem de ter.

Enfim, é um filme bem acertado em todos os detalhes, na história, na direção e tudo mais, que só pontuaria que talvez algumas cenas foram mostradas em demasia nas três versões, ao ponto que poderiam ter eliminado elas afinal já sabíamos exatamente o que ia rolar ali, e foram idênticas, e assim reduziria talvez uns 10-20 minutos do longa, mas nada que atrapalhe o resultado, pois os 152 minutos são repletos de intensidade e quem gosta do estilo não irá reclamar de forma alguma de nada, e sendo assim recomendo demais para todos, mas principalmente para quem ama batalhas épicas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais. 


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Halloween Kills - O Terror Continua (Halloween Kills)

10/15/2021 12:28:00 AM |

Tem filmes que realmente são feitos para os fãs, e se muitos reclamavam do que andava rolando nas continuações e invenções que fizeram no passado, em 2018 voltaram com toda a intensidade da franquia original "Halloween" no aniversário de 40 anos do primeiro filme, e muitos achavam que ali dariam um jeito de finalizar tudo, mas quem conferiu ouviu no pós-crédito um som que deu uma intenção de continuação, e claro que logo em seguida o diretor já falou que entregaria uma nova trilogia, então agora com "Halloween Kills - O Terror Continua", o subtítulo nacional já diz tudo, pois não apenas o terror continua como a violência veio com uma imponência de nível máximo, sendo acho que o filme mais brutal do personagem, com cenas explícitas de fazer o sangue escorrer pela telona e impactar bem quem não for um real fã do estilo. Ou seja, se você curte sangue à beça, matança gratuita, e claro viu o filme anterior de 2018 (senão não vai entender nada, se é que dá para entender alguma coisa em filmes de matanças gratuitas) pode ir tranquilamente para a sala dos cinemas que é garantido muito impacto visual, bons momentos tensos e insanidades das mais improváveis, valendo demais tudo o que é entregue, agora caso o contrário, fuja que a chance de odiar é mais alta ainda.

A sinopse nos conta que depois de quatro décadas se preparando para enfrentar Michael Myers, Laurie Strode acredita que enfim venceu. Minutos depois de deixar o assassino queimando, Laurie vai direto para o hospital com ferimentos graves de vida ou morte. Mas quando Michael consegue escapar da armadilha de Laurie, sua vingança e desejo por um banho de sangue continua. Enquanto Laurie luta contra a dor, ela tem que se preparar mais uma vez para se defender de Michael e consegue fazer toda a cidade de Haddonfield se juntar para lutar contra o monstro. Mulheres se juntam e formam um grupo de vigilantes que vão atrás de Michael e acabá-lo de uma vez por todas, garantindo o retorno de um Halloween tranquilo e paz na cidade.

Costumo dizer que filmes de meio de trilogia são os que menos história tem para contar, pois é só enrolação para juntar o que foi mostrado no começo, e preparar tudo para um grande fechamento, e facilmente caberia em dois bons filmes o que o diretor David Gordon Green nos entregou aqui e provavelmente vai aprontar no outro que dizem ser lançado em 2022 ou 2023, pois já está filmado, ou seja, não posso dizer que o que vi hoje seja algo ruim, muito pelo contrário é daqueles filmes violentos que tanto gostamos de ver na tela, que chega a ser até assustador pelo impacto causado, mostrando pedaços cortados, arrancados, cabeças sendo trucidadas, corpos estatelando pelo chão, e claro muitas facadas, afinal essa é a marca registrada do assassino, e sendo assim acaba servindo de agrado para os fãs, mas a história mesmo só fica pelo surto coletivo das pessoas que sobreviveram ao assassino e acabam criando o caos no hospital, mas nada além disso, e mesmo que tentem matar o personagem não conseguem, afinal o terror continua nesse e no próximo filme.

Sobre as atuações, temos tantos bons atores em cena, mas praticamente nenhum entregando interpretações realmente, afinal já disse que a ideologia da trama é ver as pessoas sendo esfaqueadas ou picotadas da melhor forma possível que o protagonista as encontre, e se no anterior Jamie Lee Curtis foi muito usada com sua Laurie Strode, aqui ela praticamente ficou só no hospital fazendo reflexões no quarto, afinal foi inteira costurada após os atos do filme anterior, e não foi muito além na trama, deixando aqui o cargo para sua filha vivida por Judy Greer e sua neta vivida por Andi Matichak, que até fizeram bons trejeitos, tentaram brigar bem com o vilão e claro sofreram algumas consequências, ao ponto que o resultado funciona pelo menos. Dentre os demais, tivemos ainda bons destaques para um Anthony Michael Hall completamente ensandecido querendo a morte do vilão a qualquer custo com seu Tommy, fazendo alguns atos intensos no hospital, tivemos uma boa expressividade de Thomas Mann fazendo o policial Hawkins nos anos 70 num determinado momento que mostra o começo de tudo na trama (aliás nem lembro bem das cenas do primeiro filme para ver se teve algo que usaram aqui de forma bem feita), e ainda tivemos muitos outros que foram bem mortos.

Visualmente o longa é muito bom, pois não perdeu tempo em criar muitos ambientes, tendo um bar aonde está rolando algumas apresentações de Halloween, com algumas pessoas que sobreviveram ao assassino (e claro para isso usaram de flashbacks de outros filmes mostrando os personagens sendo crianças), tivemos uma cena inteira criada numa perseguição na casa de Myers para tentar mostrar aonde o personagem errou em não dar fim no mal logo no começo, e claro a casa de Myers que agora é morada de um casal homossexual (meio que desnecessário tentar causar com o tema, mas ao menos os personagens entraram bem no clima de Halloween com as travessuras das crianças), além claro de muitas cenas nas ruas, em parques e num hospital que virou quase um shopping com tanta gente maluca correndo e gritando, e também a continuidade da cena que encerrou o filme anterior com os bombeiros tentando apagar o fogo da casa de Laurie, mas não dando muito certo. Ou seja, os ambientes até foram bem elaborados pela equipe de arte, mas tudo ao redor é usado como arma para o protagonista desde facas que ele mais gosta, até lâmpadas, pedaços de vidro, e porque não um corrimão de uma escada, tudo com muito sangue, muitos manequins para ter as devidas esfaqueadas, e claro dando um trabalhão imenso para a equipe de maquiagem, pois as mortes foram bem mostradas e bem fortes.

Enfim, é um filme bem interessante pelo conteúdo visual bem violento que certamente agradará quem gosta do estilo, mas que faltou um pouco mais de história realmente para ficar perfeito, ou seja, volto a cair naquela proposta de ser um filme de meio de trilogia, aonde nada praticamente ocorre para a história em si, mas que de forma explosiva causa bastante pela intensidade de tudo, então agora é esperar finalizarem bem a pós-produção do último filme e ver como (se é que vão conseguir) matam o protagonista. E sendo assim recomendo o longa novamente mais para os fãs do estilo, e principalmente para quem viu o primeiro, pois os demais irão apenas ver um filme de matança completamente sem sentido. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Entre Frestas (Hiacynt) (Operation Hyacinth)

10/14/2021 12:44:00 AM |

O gênero policial quando embasado em casos reais costuma trabalhar temas que casualmente geram controversas e duras ideias pela forma de condução na época, e isso é algo bem bacana de ver quando um diretor se propõe a discutir quem estava certo, se a política da época funcionava de uma forma correta, e/ou até mesmo denunciar e mostrar que coisas erradas que aconteciam no passado ainda se refletem de forma casual no mundo atual. E com o lançamento de hoje da Netflix, o longa polonês "Entre Frestas", vemos o caso de um assassinato na comunidade LGBT numa Polônia comunista dos anos 80, aonde a polícia encerra o caso sem provas ou sem um culpado realmente, enquanto está catalogando todos os homens gays da época fichando criminalmente apenas por serem gays, mas quando o caso cai para um jovem sargento, ele não segue a linha e vai até o fim para tentar encontrar o mandante de tudo. Claro que podemos juntar muitas peças, pensar em muitas situações, e até ir contra toda a ideologia da trama, mas é notável a intensidade do roteiro, a formatação de tudo, e principalmente o estilo de condução da investigação, aonde vamos entrando cada vez mais no clima e o resultado é bem trabalhado pelos atores, e claro, para onde vai o filme. Não diria ser algo que vai explodir de audiência e que muitos irão se impressionar com o que é mostrado (tirando as cenas mais intensas!), mas é um filme-denúncia muito bem feito e que vale ver pela reflexão completa, e também pelo estilo diferente das produções usuais que tanto vemos.

O longa nos mostra um pouco da Operação Jacinto que aconteceu nos anos 80 na Polônia comunista para catalogar homens gays da época, e segue Robert, um jovem policial insatisfeito com a conclusão de uma busca por um serial killer que mata, especificamente, membros da comunidade LGBTQIAP+ na cidade de Varsóvia. Por conta disso, Robert começa a investigar sozinho, até que ele conhece Arek e usa o usa apenas como informante. Mas mal sabe ele que sua relação com o homem pode não só afetar seu trabalho como policial, mas também sua vida pessoal.

O diretor Piotr Domalewski foi bem coerente no clima de sua trama, pois daria fácil para o filme ser mais ágil e intenso de ações, porém cairia nos trejeitos clássicos de tramas investigativas e não pesaria tanto a situação, ao ponto que indo pelos cantos, criando possibilidades (mesmo que não as conclua) e desenvolvendo cada ato com muita personalidade, o resultado passa a ser bem marcado e envolvente, e claro que usou bem as cenas de nudez sem precisar ser jogado, e com isso todo o filme flui sem apelos, o que é algo muito bom, pois em alguns países certamente colocariam muito mais apelo no cunho sexual e o filme desandaria. Ou seja, a obra literária certamente foi mais densa de detalhes, provavelmente acusou mais nomes fortes do país, mas o diretor conseguiu passar bem quem era quem, e como tudo foi desenvolvido, ao menos do modo fictício, e com isso criou algo que pode até causar problemas para ele, mas que ousou e acertou no estilo com o que fez.

Sobre as atuações, cada ator trabalhou suas nuances de formas bem fechadas, alguns puxando mais para o lado policial, outros mais para o drama em si, e claro que o foco ficou bem mais em Tomasz Zietek com seu Robert bem cheio de nuances, com ações dimensionadas, e principalmente demonstrando sempre indignação por não irem a fundo nas investigações, mas nesse entremeio conhecendo um pouco mais do mundo que estava analisando, e claro recaindo para algo inesperado, ou seja, foi bem nos atos e se entregou completamente para envolver com personalidade e agradar bastante. Hubert Milkowski fez um Arek mais jovial, meio sem impacto, mas colocou bons olhares nos seus atos, conseguiu ser efetivo nas intenções que o longa precisava, e foi bem direto nas emoções, acertando com estilo. A jovem Adrianna Chlebicka fez sua Halincka com boas dinâmicas, também se soltou bem para os atos mais intensos da trama colocando o corpo para jogo, e quando precisou entregar olhares para o protagonista, sejam eles românticos ou desapontados, não economizou e saiu-se muito bem em tudo. Quanto dos demais vale o destaque para Marek Kalita como o pai do protagonista, que fez nuances fortes e bem marcadas, mas como todo homem de nível alto, em filmes desse estilo, é só procurar bem que acha sujeira embaixo do tapete.

Visualmente o longa trabalhou bem duas estéticas, primeiro o clima noir mais escuro de filmes policiais investigativos, cheio de nuances em delegacias, salas de interrogatórios, arquivos, montagem de quadro de suspeitos, lugares frequentados por grupos rebeldes e tudo mais, e também um estilo mais antigo, marcado por uma granulação bem interessante na imagem, tons e cores mais amareladas, muitos elementos de época como VHS e câmeras polaroides, carros da época e tudo muito bem simbolizado, mostrando que a equipe de arte pesquisou bastante, e que junto da direção de fotografia implementou técnicas interessantes para dar as nuances que o diretor desejava.

Enfim, é um filme que até poderia ter ido mais além, pois contou com uma temática bem potente, com nuances e estilos bem feitos e intrigantes, mas que acabou faltando um pouco mais de intensidade nas situações para empolgar realmente, valendo claro pela denúncia em si, pela boa síntese proposta, e assim sendo o resultado completo faz ser a indicação algo que muitos que curtem esse estilo entrem completamente na ideia e saiam felizes após o término dele. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Fátima - A História de um Milagre (Fatima)

10/13/2021 12:58:00 AM |

Já faz algum tempo que as representações religiosas viraram praticamente um gênero do cinema, e independente de qual religião seja abordada no cinema, o principal mote que sempre nos é passado é da fé das pessoas, da crença real em algo maior e claro em milagres, curas e afins, e geralmente usando entrevistas ou bases de pesquisas os diretores acabam indo buscar temas cada vez maiores para se discutir e gerar claro alguma representatividade emocional, o que não é diferente do longa "Fátima - A História de um Milagre", que embora se passe em Portugal, é dirigido por um italiano e é uma produção norte-americana que foi gravada em inglês, mas que assim como todo longa religioso só veio para os cinemas em cópias dubladas (e que nem a brasileira Sonia Braga que faz parte teve sua voz real na trama!). Dito isso, posso falar que é algo envolvente o que nos foi mostrado na tela, pois vemos um professor e escritor que está para publicar um livro sobre profetas e ao enviar para a irmã Lucia uma cópia para análise, vai até ela no convento aonde vive para entrevistá-la e entender como foram suas visões aos 10 anos de idade, como pode a virgem ter escolhido ela, e tudo o que sofreu para que a comunidade local e até mesmo a Igreja acreditasse nela, e com isso vamos conhecendo um pouco de sua história, da história de sua família e todos os perrengues da comunidade em que vivia durante a guerra até chegar no famoso milagre do sol de 1917 aonde passaram a crer na garota e nos seus amigos. E claro ao final como todo longa embasado em fatos, é falado o que aconteceu com ela, com os amigos, sobre as devidas canonizações e tudo mais, sendo algo que muitos podem ver para refletir a sua fé, e claro conhecer um pouco mais da história religiosa.

O longa nos apresenta um drama poderoso e edificante sobre o poder da fé, contando a história de uma pastora de 10 anos e seus dois jovens primos em Fátima, Portugal, que relatam ter tido visões da Virgem Maria. Suas revelações inspiram os crentes, mas enfurecem os funcionários da Igreja e do governo secular, que tentam forçá-los a retratar sua história. À medida que a notícia de sua profecia se espalha, dezenas de milhares de peregrinos religiosos acorrem ao local na esperança de testemunhar um milagre. O que eles experimentam mudará suas vidas para sempre.

Por ter trabalhado em diversos longas como cinegrafista e diretor de fotografia, um dos pontos mais bonitos que o diretor e roteirista português Marco Pontecorvo trabalhou em seu longa foi a iluminação cênica, pois vemos ambientes bem planejados, toda a cor dos atos juntos da santa e claro em todos os momentos para criar as devidas tensões e intenções da trama, ao ponto que sua história pode até parecer um pouco aberta, já que o livro do pesquisador acaba sendo algo meio que jogado, a entrevista em si não parece ser tão impactante, mas sim todo o desenvolvimento dos atos das crianças e de comunidade que acabam sendo mais fluidas, porém são dois grandes atores que levam público para o cinema, então a intensidade foi necessária, porém ele conseguiu desenvolver bem todos os demais atos para serem emocionantes e funcionais e que no conjunto completo acabam envolvendo e agradando bastante. Só diria que poderia ter sido mais impositivo em alguns momentos para emocionar realmente o público da sala, mas aí sairia um pouco do realismo que quis colocar no longa, e assim sendo valeu sua intenção.

Sobre as atuações, diria que as crianças foram bem graciosas em seus trejeitos, conseguindo transpassar a emoção dos atos, ter a serenidade do momento para não ficar como sendo algo falso de ver, e claro fazendo o principal que é ser criança em cena, não parecendo algo forçado em seus atos, e sendo assim é bem bacana ver a segurança de Stephanie Gil com sua Lucia bem serena, porém preocupada com tudo o que acaba acontecendo, a desenvoltura da graciosa Alejandra Howard com sua Jacinta meiga e carismática, e o singelo porém astuto Jorge Lamelas com seu Francisco bem marcado em cena. Além deles, tivemos ainda as imponentes cenas de Goran Visnjic como o prefeito Arturo cético no último e preocupado com a bagunça que a cidade estava se tornando com romeiros, a belíssima e serena Joana Ribeiro entregando uma Virgem Maria simples porém direta de olhares para as crianças, e claro os pais de Lucia bem vividos por Iris Cayatte e Marco D'Almeida fazendo bem opostos quanto a acreditar ou não na filha e em tudo o que está acontecendo ali, ou seja, na trama toda tivemos boas marcações cênicas bem expressivas de cada um, mostrando claro também a desenvoltura da fé em cada um, e isso ficou ainda mais marcado pelo semblante passado pelos padres da Igreja tentando a todo custo fazer com que as crianças falassem que estavam inventando tudo, feitos muito bem por João D'Avilla como o Monsenhor e Joaquim de Almeida como o Padre. E claro ainda tivemos a participação da brasileira Sonia Braga fazendo Lucia já adulta no convento sendo entrevistada por Harvey Keitel como um professor, mas ambos não fizeram nada chamativo e assim apenas participaram realmente com expressões diretas bem feitas pelo menos.

Visualmente o longa foi bem trabalhado para representar as casas simples de 1917 em Portugal, com os toques de tambor na praça para anunciar os mortos da cidade na guerra, com familiares se desesperando pelas notícias, temos também toda a romaria em torno de onde foram as aparições da santa com gente vindo de todos os cantos do país para o campo, fazendo ficar algo até bem bonito de ver, ou seja, tivemos todo o trabalho de figurinos, todo a ambientação bem preparada para ser representativa, todas as imagens de guerra, toda a simbologia de um fim de mundo no inferno e muita abrangência para ser o mais real e menos fantasioso possível em cima das aparições e dos milagres, mostrando que a equipe de arte trabalhou bem, e claro a fotografia em cima de sombras, de luzes e tudo mais que o diretor certamente inspecionou bem.

Enfim, é um filme que passa longe de ser perfeito, mas que é bem simbólico e interessante de ver, e claro conhecer um pouco mais do âmbito milagroso representado, que claro para uns irá emocionar mais, para outros ficará simples demais, e que quem já viu outros filmes da temática irá gostar do resultado final, e sendo assim recomendo ele para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - A Mansão (The Manor)

10/11/2021 11:53:00 PM |

Já falei algumas vezes que o gênero terror pode abranger tantas situações que até dá para pensar em múltiplas possibilidades dentro de uma trama única, e confesso que quando vi o trailer do filme "A Mansão", que foi mais um dos encomendados pela plataforma Amazon Prime Video para a produtora de filmes de terror BlumHouse, fiquei pensativo se era uma trama de loucura, de espíritos ou até mesmo uma daquelas complexas e envolventes situações que nada sai da tela e a reflexão fica no ar, porém fui  bem surpreendido quando próximo do final nos é entregue que não era nada disso que tinha pensado no início, mas sim um outro tipo de trama de terror, e que sabiamente a diretora poderia acabar com tudo ali de uma maneira casual e clichê que irritaria muitos e agradaria outros, mas não ela entra no clima completo e aceita que a melhor opção era seguir com tudo. Ou seja, é um filme que intriga, que tem várias cenas de sustos gratuitos, e que surpreende mesmo sendo bizarro pela essência em si, e que claro vai chover reclamações em cima do estilo, mas que de certa forma vale a conferida, e pensando pelos que vi nos outros 5 filmes do projeto "Welcome to BlumHouse", esse sexto foi o melhor de todos, mas ainda verei os outros dois, então ainda não posso afirmar ser o melhor na totalidade.

O longa nos conta que quando um leve derrame diminui sua capacidade de cuidar de si mesma, Judith Albright muda-se para a Golden Sun Manor, uma casa de repouso com excelente reputação. Mas, apesar dos melhores esforços da equipe e de uma amizade crescente com o colega idoso Roland, ocorrências estranhas e visões de pesadelos convencem Judith de que uma presença sinistra está assombrando a enorme propriedade.

É até engraçado ver atores que migram de posição para a direção fazendo longas de terror, pois a maioria recai para dramas e comédias, mas Axelle Carolyn optou por esse estilo e caiu bem na ideia, fazendo alguns episódios de séries famosas, e claro alguns filmes bem encaixados, e agora com essa produção certamente deve explodir mais por ser mais distribuída dentro da plataforma, e diria que foi um grande acerto seu estilo demonstrado aqui, pois o filme tem uma pegada tensa, afinal a única coisa que sabemos sobre o futuro é que vamos ficar velhos com problemas na cabeça e morrer, mas claro que para cada um isso vai ser de forma e em datas diferentes, e juntou a isso a dinâmica da senilidade jogada para lares/casas de repouso aonde a maioria não é bem tratada, os pesadelos passam a ser frequentes, tudo passa a ficar mais longe, não se vê mais tanto a família seja por eles não darem mais atenção ou até mesmo por compromissos, aliando tudo isso a algo diferente, que foi bem intensificado no segundo ato, e aí a sacada entrou bem colocada, pois mudando todo o vértice casual que estávamos esperando vem a ideia de um subgênero do terror que vemos mais em filmes infantis, e que aqui teve uma boa valia. Ou seja, não vou falar para não dar spoiler do final, mas a diretora e roteirista soube brincar com algo a mais, e ainda ir além, fazendo com que o filme de apenas reflexivo ficasse comercial e interessante, e assim o resultado agradou até mais do que pensado.

Sobre as atuações, não diria que tenham trabalhado bem nenhum dos personagens, pois todos pareceram estar apenas colocados ali para fazer seus atos e não expressar nada além de uma forma, e assim diria que esse é o ponto que a diretora mais precisa melhorar que é a direção de atores, mas dito isso, Barbara Hershey até trouxe uma Judith bem esperta, cheia de desesperos quando tudo começa a ficar estranho na casa, e com nuances simples e olhares bem marcados, mas certamente poderia ter ido além em alguns traquejos para ficarmos mais conectados nela. O jovem Nicholas Alexander ficou muito jogado com seu Josh, ao ponto que em um minuto é o neto mais atencioso, não quer sair de perto da avó de forma alguma, rejeita a ideia da mãe de internar a velha, mas logo em seguida faz olhares tão sem noção, e depois volta a acreditar, mas faz ainda trejeitos piores e estranhos, ou seja, faltou muita empatia e carisma para ser quase que a conexão total do filme. Bruce Davidson até entregou um Roland carismático e bem vivido dentro das possibilidades, mas seu personagem poderia ter ainda mais desenvoltura em alguns atos para chamar mais atenção e da mesma forma Jill Larson e Fran Bennett entregaram boas Trish e Ruth, mas também não indo muito além. Quanto aos demais personagens, vale uma rápida menção para a filha vivida por Katie Amanda Keane que só fez expressões de estou nem aí para nada, e para a enfermeira Liesel vivida por Ciera Payton, mas sem muito o que fluir, além claro dos demais velhinhos desesperados da casa, que até fizeram bons trejeitos de tensão, mas não foram muito usados, com destaque claro para Nancy Lineham Chaves com sua Annette e Cissy Wellman com sua Imogen.

Visualmente o longa claro tem toda a intensidade lúdica dos filmes do estilo, com uma mansão bem ampla, mas que só conhecemos o quarto da protagonista (que é dividido com o da outra senhora já no fim de seus dias), uma sala de refeições bem apertada e que quando não está recebendo a alimentação vira uma sala de convivência/carteado, e depois ainda conhecemos mais dois quartos o das duas velhinhas repleto de ambientes, todo requintado com ervas e tudo mais em algo bem trabalhado pela equipe de arte, e um mais antigão mais ainda bonito do outro senhor, além do escritório da administração casual como qualquer outro filme, e uma sala médica que nem tem nada demais, fora de lá vemos um restaurante também muito simples, e claro a floresta aonde tudo ocorre, e assim os ambientes foram trabalhados, além disso tivemos o gatinho que indica quem é o próximo que vai morrer, e um bicho-árvore estranho que viajaram um pouco na ideia, mas que depois acaba tendo todo um significado, mas tudo foi muito bem desenhado para dar as nuances que o filme precisava, principalmente no ambiente da floresta, então preste muita atenção aqui, pois a explicação mesmo sendo dita é bom conectar ao que a equipe de arte preparou.

Enfim, é um filme bem interessante que causa tensão e bons sustos gratuitos com claro todos os ruídos e sons bem posicionados para pegar o público, mas que além disso conseguiu ter um fechamento bem interessante na proposta e ir por um rumo que não era muito esperado, ou seja, quem curtir o estilo de filme de terror sem sangue e sem todo o ar de espíritos vai acabar ficando feliz com o resultado, mas claro que está bem longe de ser daqueles que fará alguém não conseguir dormir depois de ver, então fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Dano Colateral (Kin) (Grudge)

10/11/2021 01:14:00 AM |

Se antigamente quase ninguém falava do cinema turco, sendo apenas visto em pouquíssimos exemplares em festivais, agora com a popularização dos streamings quase sempre vemos alguma coisa nova deles pipocando na telinha, e o melhor é que melhoraram muito em técnicas, em tramas, e principalmente no estilo que passou a ser mais interessante de ver, e claro chamar mais público para suas produções. Dito isso, o lançamento dessa semana na Netflix, "Dano Colateral", tem uma pegada interessante, uma trama com boas reviravoltas investigativas, e até uma ação bem marcada, porém o estilo com muitos personagens secundários e vários closes desnecessários acabou fazendo com que o filme tivesse um ar meio que de novela mexicana, mas felizmente isso não atrapalha o desenrolar, e assim sendo o resultado final acaba sendo bacana de conferir, e certamente muitos irão procurar até mais coisas turcas nas plataformas.

A sinopse nos conta que o Inspetor Chefe Harun recebe o prêmio de sua vida e sai para comemorar ao achar que ele seria promovido após saberem de seu prêmio. Porém, ele acaba matando o motorista de táxi ao se defender do ataque dele. No dia seguinte o assassinato chega a delegacia e Harun é quem procura o responsável mesmo ele sendo ele quem matou o homem. Enquanto tem que lidar em ser tanto o procurado quanto o responsável pelo crime, a cada pista que acha ele acaba descobrindo ainda mais da pessoa que o atacou.

Diria que o diretor Turkan Derya conseguiu criar algo bem intenso em cima da história escrita pelo protagonista da trama Yilmaz Erdogan, pois todas as dinâmicas acabaram sendo bem desenvolvidas, toda a essência nos é entregue com estilo, e tudo ficou tão bem feitinho que mesmo tendo um ar novelesco demais resulta em algo que nos empolga bastante e conecta bem com tudo para conferirmos sem reclamar dos excessos. Ou seja, não é um filme que vai marcar tanto ao ponto de lembrarmos deles daqui algum tempo, mas dá para se divertir bastante com o entretenimento entregue e que ao encaixar bem o estilo investigativo trabalhado resulta em algo simples e efetivo totalmente dentro da proposta.

Quanto das atuações, o roteirista Yilmaz Erdogan entregou um Harun sério demais, que até mesmo antes do acontecimento dentro das suas comemorações acaba sendo até estranho de ver seu estilo, mas depois de tudo o resultado foi bem encaixado com a preocupação por ser descoberto, com toda a dinâmica de tentar entender como a pessoa que ele matou foi ser pendurada em frente da sua delegacia, e tudo mais, fazendo olhares tão profundos que dá para entrar nele, ou seja, foi bem, mas talvez um pouco mais de carisma para um protagonista cairia melhor. O filme fica tão preso no protagonista que quase esquecemos os demais personagens, mas Ruzgar Aksoy trabalhou bem o investigador Yadigar indo bem direto ao ponto nas suas cenas, Ahmet Mümtaz Taylan deu olhares incisivos como o chefe Cevat, o jovem Cem Yigit Uzümoglu trabalhou um Tuncay bem enigmático e até jogado demais nas cenas que ficamos pensando o longa inteiro o motivo quando nos é revelado algo, e a jovem que surge no miolo como algo mais marcante vivida por Duygu Sarisin foi bem colocada e interessante de ver, mas talvez pudesse ir um pouco mais além com algo diferente.

Visualmente o longa tem poucos elementos para serem explorados, com a casa de uma família simples no começo mostrando um homem sendo preso, muitos anos depois já estamos com uma premiação policial, dali vamos para uma delegacia que mais parece um escritório administrativo, que é onde a maior parte do filme se passa, ainda tivemos algumas cenas em matagais, parques, e mostrando alguns lugares abandonados aonde temos algumas perseguições policiais, e claro muitas lutas corporais, porque nesse estilo de filme ninguém atira, ou seja, a equipe de arte trabalhou até que bem, pois como é algo investigativo sempre que o protagonista entra nas casas vai procurando pequenos elementos para tentar entender tudo, e assim vamos junto com ele.

Enfim, é um filme bacana e bem trabalhado, que só incomoda demais nos excessos de lutas corporais muito toscas, que parecem ser até armadas pelas coreografias escolhidas, mas que tirando esses detalhes dá para curtir tudo e se envolver com a trama contada, e sendo assim vale a indicação. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Tem Alguém Na Sua Casa (There's Someone Inside Your House)

10/08/2021 12:26:00 AM |

Parece que está voltando a onda de terrores adolescentes ou eu que não percebi isso acontecer em outros anos? Digo isso pois tenho visto tantas tramas do estilo, algumas bem ruins e outras bem interessantes, que até parece que voltamos para os anos 80/90 quando virou uma febre esse formato, o que não é ruim, pois mesmo não sendo algo assustador, o resultado são tramas violentas bem colocadas que até impactam na tela, e que como o mundo anda meio maluco acabamos vendo um pouco do reflexo disso sendo exibido. Ou seja, é daqueles longas que acabamos nos envolvendo e ficando tensos em alguns atos, mas ao mesmo tempo acabamos curtindo toda a desenvoltura entregue, ao ponto que o lançamento da Netflix, "Tem Alguém Na Sua Casa", até é bem trabalhado, tem momentos de boa intensidade, e mesmo não criando situações marcantes acaba fluindo bem, só diria que o vilão ao final poderia ter algo mais impactante de motivo para tudo, pois sua ênfase até é algo válido, mas não vai além e isso acaba sendo um pouco fraco de intensidade (em outras palavras acaba sendo brochante!).

O longa acompanha Makani Young, uma adolescente que se mudou para a pacata cidade de Nebraska para morar com sua avó e terminar o ensino médio. Entretanto, quando a contagem regressiva para a formatura começa, seus colegas passam a ser perseguidos por um assassino com a intenção de expor seus segredos mais sombrios para toda a cidade. Com um passado misterioso próprio, Makani e seus amigos devem descobrir a identidade do assassino antes de se tornarem vítimas.

Podemos dizer que a essência da trama permeia ideias tanto de "Pânico" como as que já vimos em "Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado", e assim o diretor Patrick Brice soube brincar bem com toda a síntese, conseguiu criar atos icônicos e ao trabalhar o livro de Stephanie Perkins criou algo bem propício ao gênero sem precisar abusar muito de gritarias e ambientes tensos, ao ponto que uma pessoa mascarada já consegue criar um clima tenso e causar o medo nas pessoas, mas quando a pessoa já possui algo oculto tudo fica ainda pior para a pessoa. Ou seja, o longa é de certa forma simples, porém entretém bem, tem boas dinâmicas e até ousa nos enganar com as personificações do assassino, ao ponto que acabamos apostando as fichas em alguns nomes, e o pior é que (eu ao menos) erramos bem quem é a pessoa por trás das máscaras, e assim a brincadeira fica bacana de ver, mesmo que a dinâmica toda seja bem juvenil. Sendo assim, é bacana que veja o filme sem esperar muito dele, pois a chance de se divertir é maior ainda, e claro que talvez ainda seja pego de surpresa em alguns momentos para levar uns sustinhos.

Sobre as atuações, por ser um longa com muitos jovens acabou faltando um pouco mais de expressividades fortes, ao ponto que em alguns atos os protagonistas até parecem meio que desanimados de atuar, mas nada que atrapalhe o filme, pois fizeram trejeitos assustados na hora da morte, e isso é o que importa. A protagonista Sydney Park não se jogou tanto no papel de sua Makani como poderia, de forma que não faz o público desejar que ela solucione o problema todo (aliás torci prela morrer logo no começo!), e assim vemos ela até fazendo suas nuances, mas suas dúvidas e receios são tão enigmáticos que não vão além e ainda amarram o restante, ou seja, ficou muito em cima do muro. O jovem Théodore Pellerin tem estilo, e já vimos isso em outros filmes seus, mas também fica tão retraído na trama toda com seu Ollie que até dá para desconfiar dele, e assim seus atos não chamam toda atenção que poderia também. Os demais atores até tentaram trabalhar seus atos, mas se os protagonistas já não foram muito além, os secundários então ficaram muito para trás em tudo, com Jesse LaTourette trabalhando sua Darby com uma personalidade estranha daqueles jovens nerds que toda escola tem, Burkely Duffield faz o jogador de futebol gay que anda na moda e acaba perdendo os amigos quando mais precisa, Dale Whibley trabalhou seu Zack filho do dono de tudo da cidade que tem proteção para tudo, mas é o rebelde que vive das drogas, Asjha Cooper trabalha sua Alex como a revoltadinha da turma, e Diego Josef faz o Rodrigo que parece não servir para nada no grupo, e com isso acaba sendo o que vai ser pego primeiro do grupinho. Ou seja, faltou uma direção de elenco mais efetiva para chamar a atenção realmente.

Visualmente o longa tem bons atos, mas é até engraçado como as casas em filmes de terror são totalmente isoladas, sem nenhum vizinho por perto, de forma que os protagonistas ficam quase que sem ninguém nos atos mais tensos, e claro que acabam morrendo, mas aqui o assassino é ousado e até em uma festa lotada vemos ele atacando com seu facão, temos uma casa aonde é montada até uma fogueira para representar o passado obscuro da protagonista, vemos na festa a mostra do arsenal de coisas do nazismo que o fazendeiro rico possui, e claro vemos uma festa do milho que acaba ficando bem quente, além das cenas na escola com jogos tradicionais de futebol americano e corredores bem longos para altas correrias. Ou seja, cheio de clichês, mas também bem representativo com muitas fotos e claro as máscaras com rostos dos futuros mortos, aonde eu destacaria a cena da igreja, que foi bem tensa de ver tudo acontecendo.

Enfim, é um longa simples do gênero, mas que funciona bem dentro da proposta, e que mesmo não sendo assustador, tem um ar violento interessante de acompanhar, e sendo assim até vale a indicação, só diria para não ir esperando muito do vilão final, pois é a maior decepção do longa suas justificativas, mas fica a dica para quem gosta do estilo. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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