P.O.V. - Presença Oculta (Bodycam)

3/17/2026 10:48:00 PM |

Particularmente prefiro longas que vão mais direto ao ponto do que aqueles que comem pelas beiradas enchendo tudo de coisas subliminares, mas hoje irei compartilhar a ideia do meu amigo Sidney, pois sem ela, talvez eu ficaria ainda mais irritado com o que vi hoje no longa "P.O.V. - Presença Oculta", afinal não nos é mostrado quase nada a não ser dois policiais correndo atrás de algo que não é muito explícito, mas que os viciados da rua tudo ficam falando que "vocês tiraram alguém dele, ele pegará agora alguém seu" pra eles, ou seja, dando um spoiler mega gigantesco usando as palavras do meu amigo, e como também não gostei muito do filme, lá vai: que a trama seria sobre a demonização das drogas, e já que os policiais mataram alguns drogados, agora eles vão pegar alguns parentes deles pra "seita". Ou seja, até que olhando por essa ótica a trama fica "menos" ruim, mas ainda assim as coisas que aparecem são muito bizarras e sem nexo algum para focar em algo "material" que é o mundo das drogas, pois botar demônio nesse meio que já é algo ruim é literalmente fumar muita droga vencida para conseguir criar uma trama funcional. Sendo assim, vai ter quem ame, esse meu amigo por exemplo, mas vai ter quem é do meu time que prefere algo mais digamos "pegável" para causar terror.

A sinopse nos conta que o que começou como uma chamada de rotina vira um pesadelo quando dois policiais se envolvem em um acidente fatal. Bryce, desesperado para proteger seu emprego e sua família, convence seu parceiro a destruir todos os registros para esconder a verdade. Mas conforme a madrugada avança, eles percebem que as câmeras não eram as únicas testemunhas e que algo sobrenatural acompanhava cada movimento deles naquela noite.

Diria que o diretor Brandon Christensen apenas cruzou os braços, ensaiou com os atores e deixou que eles fizessem o resto, pois como praticamente 100% do longa é filmado pelas câmeras corporais dos atores e iluminado pelas lanternas deles também, o resultado acabou sendo algo bem fácil de se dirigir, mas claro bem complexo depois para editar, afinal material de duas ou três câmeras em tempo integral de filmagens, escolher melhores ângulos e desenvolver tudo bem dá um bom trabalho, e claro que ele conseguiu isso, pois volto a frisar que dava para ficar algo bem pior, e como meu amigo citou tudo até precisava fazer algum sentido na tela, e com isso o trabalho foi bem desenvolvido na edição. Claro que olhando de relance, como prefiro fazer sem me preocupar em tentar encontrar sentido na tela, e o que muitos fazem, principalmente quando a obra vem apenas dublada para a cidade, o resultado geral vai soar muito esquisito, mas se lapidar bem, a ideia da demonização das drogas faz bem sentido.

Quanto das atuações, vou analisar rapidamente os personagens, pois como disse, só vieram cópias dubladas para a cidade, e a gritaria que ambos os protagonistas fazem é pra chamar os policiais de frouxos de nível máximo, mas tirando esse detalhe, tivemos o policial ruim, que ao cometer um crime tenta apagar as provas e só vai piorando tudo conforme vai fazendo as coisas, no caso Bryce, e tivemos o policial bobinho, no caso Jackson, talvez novato no cargo, que quer mostrar tudo da maneira correta, leva o amigo até a mãe que pode ajudar com algo, que até é corajoso num primeiro momento, mas viu que a coisa ia azedar correu tanto que quase destrói ele e a câmera sozinho. Quanto aos demais personagens, a mãe de Jackson que ajuda pessoas drogadas a se curarem, tivemos uma jovem hacker que surta na primeira olhada de vídeo, e muitos drogados nas ruas da cidade, parecendo quase um The Walking Dead versão drogados, ou seja, dava para pegar mais da ideia do longa de modo mais fácil.

Visualmente o longa chega a dar um pouco de tontura pelos excessos de movimentos das câmeras corporais, mas mostrou bem uma cidade tomada por viciados, mostrou uma casa bagunçada com um poço depois que leva para um estilo de fábrica, além da viatura da polícia e a casa da mãe do protagonista que tem uma espécie de centro de tratamento, porém como a trama é extremamente escura, vemos tudo aos poucos, que até funciona, mas dava para ir mais além. E quanto ao demônio que aparece no fim, que bicho feio e sem noção, que saberá de onde imaginaram algo dessa forma.

Enfim, é um longa mediano que poderia ter ido mais além sem precisar ficar jogando em linhas subliminares, e talvez com um final "menos" forçado com um demônio representativo ficaria melhor determinado, mas ainda assim vai ter quem goste bastante, e quem vai odiar, ficando a dica por sua conta. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


Leia Mais

Narciso

3/17/2026 01:36:00 AM |

Acho bem interessante como alguns diretores sabem trabalhar a crítica social com formatos tão fáceis quanto entregar algo simples na tela, pois são tramas que exigem que o público entenda a proposta para se envolver, não sendo apenas algo para colocar lá e deixar fluir, e um desses diretores que faz isso muito bem é Jeferson De. Dito isso quando vi o pôster e a proposta de "Narciso" fiquei bem curioso com o que iria ver no novo longa do diretor, pois sabemos bem de seu cunho e de como muitos jovens veem o mundo da adoção de uma forma complexa, principalmente no quesito de cor da pele, e hoje ao conferir vi um filme com uma pegada até um pouco lúdica demais por ser algo dele, pois talvez uma imposição mais forte funcionaria melhor, e também acredito que ele deu um ar meio que abstrato demais que toda criança rica é deixada de lado pelos pais, não tendo felicidade de um modo geral, mas o resultado funciona bem na tela, e isso é o que importa, pois sempre haverá muitos modos de representar as escolhas, principalmente com um gênio como esse.

O longa nos conta que Narciso é um menino negro e órfão que vive num lar temporário com os irmãos Carmem e Joaquim. Às vésperas do seu aniversário, ele é devolvido por um casal que desistiram de adotá-lo. Durante esse momento devastador, um amigo chamado Alexandre o presenteia com uma bola de basquete mágica: se Narciso acerta três cestas consecutivas, um gênio aparece para conceder o seu maior desejo. O pedido de Narciso? Ter uma família rica. Seu desejo é concedido, mas com uma condição fatal: Narciso nunca mais poderá ver seu reflexo, caso contrário o encanto se quebrará. Na mesma noite, o jovem é transportado para sua nova vida, numa mansão com uma nova família. Um incômodo, porém, o deixa angustiado: a saudade dos amigos e da casa de Carmem. Logo, o menino precisará refletir se o caminho para a felicidade era esse mesmo que sempre quis.

Diria que o estilo do diretor e roteirista Jeferson De poderia ser mais impositivo na trama, pois o longa ficou muito simbólico e calmo, com um conflito não tão marcante na tela, pois abstraiu qualquer possibilidade que o longa tivesse de mostrar escolhas e afincos, pois volto a frisar que nem toda família rica abandona os filhos trancados como foi o caso mostrado na tela, mas a sensibilidade de mostrar isso com cores foi algo muito bacana de ver na tela, e que de uma forma representativa conseguiu mostrar a velha síntese de que dinheiro não traz felicidade. Ou seja, no longa vemos algo até que bem trabalhado nesse sentido, mas que poderia ter sido vertido de outras maneiras, com algumas imposições mais bem mostradas, que aí sim daria para ser forte como as demais tramas do diretor.

Quanto das atuações, o jovem Arthur Ferreira foi um pouco fechado demais com seu Narciso, parecendo ser até tímido demais para um papel de protagonista, mas teve bons momentos na tela e soube segurar suas expressões quando precisou, não sendo algo perfeito, mas ao menos bem feito. Ju Colombo entregou uma Carmen com tanta perfeição que com toda certeza muitas pessoas irão ver e conseguir identificar muitas mães de coração de jovens no país, sendo dura quando precisou, mas sentimental e bem chamativa em alguns atos também. Gosto do ator Bukassa Kabengele, porém aqui seu personagem Joaquim foi trabalhado com uma importância maior do que deveria, pois o papel não precisava ser tão chamativo, claro que isso não é um problema do ator, e assim sendo ele fez bem seus atos na tela. Claro que ainda vale dar um leve destaque para Seu Jorge como um gênio meio estranho e também Diego Francisco com um Naldo que valeria ter trabalhado um pouco mais, mesmo sabendo o que quiseram simbolizar, mas de um modo geral todos tiveram rápidas participações na tela, mesmo os com um pouco mais de fala.

Visualmente a trama mostrou bem a casa simples aonde o personagem vive com outros jovens abandonados, a região com uma pequena venda e um ex-irmão que provavelmente vive do crime, brinquedos reparados e pouca comida, mas com muito amor, e depois tivemos em preto e branco uma mansão, com o rapaz vestindo um pijama com sua inicial, piscina, barquinhos, bicicleta e tudo mais que sempre sonhou, mas sem a felicidade que gostaria de ter, sendo algo bem representativo e simbólico, que a equipe de arte soube trabalhar bem na tela.

Enfim, não chega a ser uma das obras brilhantes do diretor, mas ainda assim teve um ar interessante e bem representativo com os devidos simbolismos, que certamente poderia ter ido muito mais além na tela, mas que segue valendo a recomendação para conferir a partir de quinta dia 19/03. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Elo Studios e da Atômica Lab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

O Velho Fusca

3/16/2026 07:14:00 PM |

É interessante que alguns filmes conseguem brincar com o lado mais simples da mudança sem precisar forçar tanto a barra, pois o conceito de brigas familiares sempre deixa aquele tom dramático pesado no ar, e alguns diretores acabam tendo o dom de conseguir amenizar essa situação, enquanto outros pesam a mão e forçam ainda mais tudo. Dito isso, foi bem bacana conferir o longa "O Velho Fusca" que traz para a tela uma pegada bem trabalhada em cima de resoluções familiares, aonde vemos muitos pais que não possuem contato com seus pais por brigas de época, e a geração atual tenta conectar as pontas para se entender, e aqui de uma forma leve e descontraída o resultado funciona bem com pegada, e principalmente dinâmica para que não ficasse bobo demais na tela.

No longa vemos que o garoto Junior, um jovem tentando buscar pelo seu lugar no mundo, encontra um carro antigo que pertencia ao avô, um senhor já bem endurecido pela frieza da guerra em outro país ainda na adolescência, na garagem. Com planos de ficar com o veículo, ele acaba mexendo em feridas do passado e, agora, precisará consertar uma briga antiga que dividiu a família anos atrás e possui grande relação com o velho fusca.

O longa anterior que conferi do diretor Emiliano Ruschel me fez perceber duas coisas, que ele tem estilo e opinião, pois fazer um longa nacional quase inteiro falado em inglês é algo meio estranho, mas que ao menos mostrou que sabia aonde poderia chegar, e agora ele volta a mostrar isso com a simples frase que o protagonista ouve aos montes de seu avô: "sem frescura", e isso diz tudo sobre o seu novo filme, que poderia ser cheio de firulas, poderia recair facilmente para uma novelona cansativa, mas que funciona por brincar de um modo básico o mundo atual, aonde muitos jovens valorizam o antigo e que possuem um carisma para talvez ligar pontos escuros no passado das famílias. Ou seja, o diretor soube ser simples, rápido e bem colocado, fazendo com que a ideia do filme prevalecesse e ainda de forma sintética passasse bem a emoção na tela.

Quanto das atuações, foi bem bacana a entrega de Caio Manhente para seu Junior, de modo que o personagem teve uma pegada um pouco mais dentro do vértice dos filmes americanos, de pensar em sair de casa para estudar, ganhar o carro do avô, trabalhar lavando pratos em restaurantes para juntar uma graninha, mas ainda assim o rapaz teve um ar sentimental bacana, fez bons trejeitos e conseguiu dar a emoção que o longa precisava. Já Tonico Pereira fez aqueles avôs ranzinzas e briguentos, que os vizinhos nem conseguem suportar, e o ator brincou com as possibilidades nos cenários entregando tudo o que ele sabe fazer bem, divertindo com presença e força visual. A boa base do longa ficou entre os dois protagonistas, mas ainda tivemos alguns momentos bem colocados de Danton Mello como o pai do garoto, e Cleo Pires fazendo uma mãe meio riponga divertida nos atos que acabou entregando, tendo entre os secundários um pouco mais de participação de Giovanna Chaves como a garota Laila que o rapaz tem uma queda.

No quesito visual, acredito que a equipe de arte pegou tudo o que tinha de sobras de todos os filmes que já participaram na vida (e nem deles, mas sim do Tonico Pereira) e levaram para deixar jogado dentro da casa e da garagem do avô, pois nem naqueles programas de limpeza que vemos na internet tinha visto uma bagunça tão grande, mas foi bacana para o jovem mostrar seus dotes de limpeza e arrumação, pois tudo ficou bem organizado e o fusca bem arrumadinho. Ainda tivemos alguns atos na cozinha de um restaurante e na casa do rapaz, mas sem grandes momentos ou detalhes.

Enfim, é um longa simples que funciona na tela, não sendo cansativo e principalmente brincando com algo que tem uma certa identidade, que como disse poderia ser ainda mais novelesco, mas que saiu bem pela tangente fazendo ficar com mais cara de cinema o resultado final. Sendo assim deixo a dica para conferirem ele nos cinemas na próxima quinta, e fico por aqui agradecendo o pessoal da A2 Filmes, da Uno Filmes e da Primeiro Plano Assessoria pela cabine de imprensa, então abraços e até breve com mais dicas.


Leia Mais

Enzo

3/15/2026 07:11:00 PM |

Particularmente gosto bastante das tramas francesas, pois elas geralmente entregam bem mais do que apenas o esperado, porém também digo que prefiro mais os dramas cômicos do país afinal não precisam incorporar tantas situações em um único filme. E comecei dessa forma o texto do longa "Enzo", que estreia na próxima quinta 19/03 nos cinemas, pois é um filme bem interessante e intenso, mas que trabalha tantos temas, que ficamos realmente pensando aonde o diretor desejava chegar ao trabalhar tudo isso, mas ao menos a maioria funciona bem na tela, envolvendo bem e se desenvolvendo de forma interessante, o que acaba chamando muita atenção e agradando quem gosta de tramas com um peso extra na tela.

O longa nos conta que Enzo, de 16 anos, desafia as expectativas de sua família burguesa ao iniciar um trabalho como aprendiz de pedreiro, um caminho muito distante da vida prestigiosa que haviam imaginado para ele. Em sua luxuosa vila no ensolarado sul da França, as tensões fervilham enquanto perguntas e pressões implacáveis pesam sobre o futuro e os sonhos de Enzo. No canteiro de obras, no entanto, Vlad, um carismático colega ucraniano, abala o mundo de Enzo e abre as portas para possibilidades inesperadas.

Diria que os diretores e roteiristas Robin Campillo e Gilles Marchand foram bem amplos no que desejavam mostrar na tela, pois é a famosa saga dos 16 anos aonde a maioria dos jovens não sabem o que querem da vida, e que muitas vezes querem experimentar e até confrontar as pessoas, e aqui ao brincar com essa essência acabaram jogando com muitas facetas para que o protagonista entregasse tudo na tela, o que acabou ficando bem bom de ver, mas que claro para alguns vai parecer que tentaram forçar a barra apenas para jogar com as diversas "lacrações", mas não consegui ver sob essa ótica, pois na tenacidade completa o longa teve pegada e funcionou bem na dinâmica de como chamamos muito por aqui de "aborrecentes", e que muitas vezes pegam bem em alguns riquinhos da vida.

Quanto das atuações, diria que o jovem Eloy Pohu estreou com muita classe para que seu Enzo tivesse uma personalidade ampla, cheia de dúvidas e que cada trejeito seu fosse algo misto entre repreensão e sentimento, de tal forma que o envolvimento funciona em cada momento seu, e o acerto acabou sendo perfeito. Ainda tivemos bons atos com os pais vividos por Pierfrancesco Favino e Élodie Bouchez, que trabalharam as dúvidas e as intensidades bem com o estilão de pais ricos, mas quem teve maiores envolvimentos na tela foi Maksym Slivinskyi com seu Vlad bem encaixado na proposta, sabendo aonde se impor e aonde chamar mais para si, sendo simples, e deixando que o protagonista se destacasse ao máximo.

Visualmente a trama foi bem imponente com a casa chique da família rica com suas festas regadas a bebidas, piscina e tudo mais, tivemos a obra e até o apartamento simples dos ucranianos, mas sem ser algo jogado na tela, tendo poucos elementos cênicos, mas que funcionam quando colocados lá.

Enfim, é um filme simples, porém com uma boa estrutura cênica, e uma representação melhor ainda, que consegue emocionar e envolver como o roteiro pedia, então vale bastante a indicação para conhecer um pouco mais desse estilo, principalmente quem tem jovens nessas idades. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo os amigos da Mares Filmes, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Missão Refúgio (Shelter)

3/14/2026 02:51:00 AM |

Uma coisa bem interessante nos filmes do Jason Statham é que você assiste eles pensando bastante se já não viu esse antes com algum outro nome, pois todos são muito parecidos de temática, e mesmo sabendo que é um lançamento hoje fiquei com essa pulga na cabeça quase que o longa inteiro, mas felizmente não tinha visto ele não, apenas vi muitas vezes o trailer (que mostra muito do filme) e por isso ficou essa dúvida. Dito isso, o longa "Missão Refúgio" é daqueles que você já sabe o que vai acontecer em vários momentos (por ter visto o trailer ou por conhecer bem o estilo dos filmes do protagonista), mas que ao menos não é cansativo, tendo uma boa pegada e que mesmo sendo uma história batida consegue segurar o público. Ou seja, é daqueles filmes básicos aonde alguém é caçado e acaba virando o jogo, sendo imponente de estilo e brigando bem durante as perseguições.

O longa nos conta que um ex-assassino de aluguel, agora um homem recluso numa ilha costeira remota, salva uma garota de uma tempestade terrível, colocando os dois na mira do perigo. Forçado a sair da aposentadoria e do isolamento, o homem é obrigado a enfrentar seu passado perigoso para proteger a menina enquanto tenta sobreviver uma jornada tensa repleta de perigos e redenção.

Critiquei o estilo do ator que faz sempre os mesmos personagens, mas também tenho de atirar no diretor Ric Roman Waugh que entrega geralmente pelo menos dois filmes por ano sempre com as mesmas pegadas de perseguição e destruição, com muitas semelhanças entre si, e isso não é errado, pois define o estilo dele, mas uma hora começa a cansar, ou até pior como foi hoje, confundir o espectador se já não viu aquilo antes. Ou seja, diria que aqui ele até brincou bem com os conflitos criando desde o lance dos identificadores pelas câmeras de muitas cidades, a briga interna dentro do MI6 e também as dinâmicas de luta com o protagonista desde a ilha com suas armadilhas, depois na boate e até mesmo em outros lugares mais abertos, afinal ele já foi diretor de dublês, então sabe brincar bastante com esse estilo na tela, mas como a história não foi tão aprofundada, apenas ficou sendo meio que um show gratuito, pois na boate o povo parece nem ligar para a pancadaria e tiroteio, ficando de boa no meio do caminho.

Quanto das atuações, Jason Statham tem esse estilão de brucutu que gostamos de ver, que sabe bater e apanhar, e fazer ainda alguns trejeitos de emotivo, de modo que seu Mason até poderia falar logo que era o pai da garota, mas deixou isso de modo subliminar e brincou bastante na tela, como ele sempre entrega bons personagens em cenas de pancadaria acabou funcionando, mas nada de novo. A jovem Bodhi Rae Breathnach fez boas cenas com sua Jessie, tendo um carisma meio que irritante, mas sendo bem colocada dentro do que precisava entregar, e até tendo algumas boas imposições com armas, mas é aquela velha sacada, era só atirarem nela que acabava o filme. Quanto aos demais, diria que dava para ter valorizado mais os personagens de Naomie Ackie com sua Roberta, Bill Nighy com seu Manafort e até mesmo Harriet Walter como a Primeira Ministra Britânica, tendo apenas Bryan Vigier com seu Workman trabalhando literalmente muito para tentar pegar o protagonista de qualquer forma.

Visualmente a trama até tem uma entrega interessante, com uma ilha com um farol e uma casa bem simples e um estaleiro com o barquinho do protagonista, mas cheio de coisas e armadilhas para ele lutar com os agentes que chegam por lá, depois tivemos vários atos com perseguições de carro pela Escócia e por Londres, uma boate bem cheia de confusões que por incrível que pareça o povo continua dançando mesmo com pancadaria e tiros, a casa do amigo tendo completo acesso ao sistema de câmeras do MI6, tivemos também algumas cenas no centro do MI6 e a casa do chefão que aposentou, mas tem câmeras escondidas dentro do setor de câmeras, ou seja, algumas coisas bem absurdas, mas que dentro do filme serve para rir, além disso tivemos a luta num deque de um porto com o protagonista usando correntes e canos no meio da briga, ou seja, tudo bem imponente no estilo briga de rua mesmo.

Enfim, é um filme básico do estilo, que poderia ser menos forçado, mas que entretém como algo do estilo, não sendo nada que vamos lembrar daqui alguns dias, ou melhor, iremos achar que é o mesmo quando sair um novo filme do ator e do diretor, mas que para quem não tiver o que conferir até vale como passatempo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Iron Lung - Oceano de Sangue

3/13/2026 09:02:00 PM |

Costumo dizer que é muito difícil acertarem a mão em longas baseados em jogos de vídeo game, pois acabam não agradando nem os fãs do jogo, nem os amantes da sétima arte que vão na sessão e acabam não entendendo nada. Porém hoje com o longa "Iron Lung - Oceano de Sangue" posso dizer que ao menos a trama me deixou interessado pelo que poderia ocorrer durante toda a projeção, que claro dava para ser reduzida em pelo menos uns 30 minutos, mas a essência em si de algo misterioso para um condenado buscar no fundo do oceano aonde só se vê algo pelas fotos em raio-x, o desespero de não saber o que querem, junto da loucura da falta de oxigênio ou algo extraterrestre falando com o personagem conseguiu prender o espectador. Claro que não sei se no jogo é dessa forma, mas a pegada mesmo sendo lenta teve um dinamismo que funcionou para não cansar, e assim se der bilheteria, acredito que irão continuar de onde a trama parou.

O longa nos conta que as estrelas desapareceram. Os planetas sumiram. Apenas indivíduos a bordo de estações espaciais ou naves estelares restaram. Após décadas de decadência e de infraestrutura em ruínas, a Consolidação de Ferro fez uma Descoberta em uma lua árida designada AT-5: um oceano de sangue. Na esperança de encontrar recursos desesperadamente necessários, eles lançam imediatamente uma expedição. Um submarino é construído e um condenado é soldado dentro dele. Devido à pressão e à profundidade do oceano, a vigia frontal foi revestida com metal. Se tiver sucesso, ele conquistará sua liberdade. Se não, outro o seguirá. Esta será a 13ª expedição.

Um detalhe bem interessante é que o longa certamente foi bem barato, afinal o diretor e roteirista Mark Fischbach também é o protagonista e editor do filme, ou seja apenas precisou pagar os direitos da ideia para o criador do jogo David Szymanski, e embarcar na loucura das gravações, conseguindo alguns outros atores para os áudios que ouvimos dentro da cabine, e basicamente um cubo escuro com alguns controles. Claro que ele provavelmente era bem fã do jogo para saber a pegada que deveria entregar, mas soube dosar intensidade com estilo fazendo um filme denso aonde tudo pode acontecer ou até mesmo nada pode acontecer, e esse é o charme de tudo.

No conceito da atuação, diria que Mark Fischbach conseguiu trabalhar bem os trejeitos de seu Simon, de modo que teve atos com medo, desespero, outros com mais intensidade e raiva, sabendo segurar bem os espectadores e convencendo do que estava fazendo, para parecer interessante, claro que os atos finais ficaram meio que exagerados pela maquiagem, mas ainda assim a essência funcionou. Quanto aos demais vemos rapidamente apenas Caroline Kaplan com sua Ava, mas ela ao menos ainda teve muitos áudios de gritaria com o protagonista, então de certa forma trabalhou um pouco, já os demais nem sequer existem muito.

Visualmente chega a ser até piada falar algo do filme, pois como disse no começo temos uma cabine fechada com algumas soldas, alguns líquidos escorrendo aos poucos e no final já muito da meleca vermelha entrando por todos os cantos com algumas ramificações, alguns controles bem simples e um túnel embaixo, além de uma tela que aparecem as fotos da câmera de raio-x, e absolutamente nada mais, ou seja, nem equipe de arte foi necessária para o que entregaram.

Enfim, passa longe de ser uma trama incrível de ser vista, mas ao menos passou longe de ser a bomba que estava imaginando. Só reclamaria bem da duração que dava para ser bem menor, e talvez um pouco mais de explicação sobre a comunidade em si, mas acredito que tenham deixado isso para o segundo filme. Então é isso meus amigos, fica sendo uma dica meio que mais para os fãs do jogo, mas que dá para quem não conhecerem nada curtir também. Eu fico por aqui agora, mas vou aproveitar que estou no shopping e ver mais um longa hoje, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

O Testamento de Ann Lee (The Testament of Ann Lee)

3/13/2026 02:13:00 AM |

Costumo ver filmes que me deixam reflexivos de modo a gostar ou não do que vi, e hoje o sentimento que tive ao final do longa "O Testamento de Ann Lee" foi de algo meio que fora do eixo, pois não consegui enxergar um vértice religioso atual da seita cristã que é mostrada na tela, de algo tão diferente dos padrões, de gritarias, batidas no corpo, danças e canções, que por vezes lembra outros vértices, mas que existiu ao menos pela mente da roteirista lá nos anos 1700, um pouco na Grã-Bretanha, e depois efetivamente nos EUA, criando cidades e cultos, com uma pegada bem diferente e ousada, pois não é um filme de terror, nem efetivamente um drama musical, já que a essência em si traz essa densidade, mostrando os cultos com canções, mas todas as dinâmicas de um modo normal conversado e tudo dentro dos padrões. Ou seja, é daqueles filmes que você fica pensando na situação da época, no formato da religião em si, e como essa pegada era vista, pois a diretora soube entregar intensidade nos atos de uma forma tão marcante, que você sente a presença ali, não sendo um filme imponente na totalidade, mas que facilmente lembrarei dele por um tempo.

O longa acompanha a história da lenda que se tornou líder e fundadora do movimento Shaker, uma seita devocional que pregava a igualdade de gênero e social, além de seguidores que enxergavam Ann Lee como a Cristo feminino.

É interessante que o filme anterior que diretora e roteirista Mona Fastvold apenas escreveu foi o sucesso "O Brutalista", então já mostrou conhecimento de pesquisa e sabe colocar grandeza aonde precisa, e aqui o movimento Shaker é conhecido mais por detalhes minuciosos como suas danças, canções fortes e até mesmo pela construção minimalista, com casas e ambientes com poucos móveis e detalhes, de modo que ela soube brincar com a essência da personagem, sem precisar focar apenas nela, dando muita voz a seu irmão que virou uma espécie de apóstolo pregando a ideologia em outras cidades do país e levando muitos para seu grupo, mostrou alguns apoiadores iniciais e claro os conflitos em meio as guerras pela independência dos EUA. Ou seja, conseguiu fazer um filme amplo de ideias e ideais, mas sem que precisasse abrir muito seu vértice, e dessa forma o resultado ficou incômodo para quem sentir um pouco mais da presença religiosa, e isso mostra um acerto por parte das escolhas da diretora.

Quanto das atuações, a primeira coisa que muitos pensaram é o motivo da não indicação de Amanda Seyfried à vários prêmios com sua Ann Lee, e a resposta vem bem rápido e já até disse um pouco acima, que foi a escolha da diretora do filme não ficar só em cima da protagonista, e valorizar por completo o movimento, pois a atriz entregou muita personalidade, foi coreograficamente perfeita que é algo que sempre fez muito bem, mas aqui a intensidade foi muito maior, e ainda teve grandiosas cenas com os partos, ou seja, se jogou por completo e foi muito bem. Outro que teve muitos bons momentos foi Lewis Pullman com seu William Lee, tendo intensidade cênica e muita emoção nos seus atos mais chamativos, sendo um parceiro completo para a protagonista e com dinâmicas marcantes em seus trejeitos. Particularmente não gosto muito de narrações, mas diria que Thomasin McKenzie foi bem tanto com sua Mary Partington, quanto contando a história da protagonista, de modo que vemos muito nas religiões Evangelho segundo fulano, segundo ciclano, e aqui tivemos o Testamento de Ann Lee segundo Mary Partington, pois ouvimos ela durante todo o longa, e foi bem intensa também nos momentos finais do longa. Christopher Abbott trabalhou seu Abraham Standerin com dinâmicas marcantes como marido da protagonista, tendo alguns atos fortes, e outros meio que soltos na trama, de modo que será mais lembrado pelas dinâmicas sexuais do que tudo, mas ao menos não foi falso com os sentimentos. Tivemos outros bons papeis na tela, mas para não me alongar tanto vou dar destaque apenas para David Cale com seu John Hocknell como um patrocinador do movimento que chegou a ser tocado na escolha do lugar para criar o ambiente perfeito para tudo, e os momentos iniciais de Stacy Martin e Scott Handy com seus Jane e James Wardley que deram o tom para que a personagem seguisse. 

Visualmente o longa é bem interessante, mostrando as vestimentas clássicas do século XVIII que tanto estamos acostumados a ver nos filmes que tem vilas, vemos a construção praticamente de uma cidade pelos participantes do movimento, vemos antes na Grã-Bretanha casas mais isoladas aonde aconteciam os cultos com toda a gritaria e movimentos, vemos muitos atos de partos da protagonista, cadeias, e claro um EUA ainda pronto para ser descampado precisando de guias caçadores contra os povos originais dali, tudo com muita representação minuciosa, sem ter grandes monumentos ou elos, para mostrar bem o sintetismo escolhido para a trama.

Enfim, mesmo tendo muitas canções não classificaria o longa como um musical, pois as canções são ritos dos cultos, então nas dinâmicas em geral temos muitos diálogos, e o mais engraçado de tudo é que mesmo com a duração de 137 minutos, o filme não tem barrigas que cansem o público, sendo intenso e bem marcante de um modo geral, valendo a conferida para conhecer um pouco mais desse mundo da época, que hoje ainda existe em pouquíssimos lugares, mas que chegou a ser até bem grande. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - Um Direito Meu (Haq)

3/12/2026 01:05:00 AM |

Quem me conhece sabe que fujo sempre de filmes indianos, mas tenho vários na lista para algum dia dar play, e hoje como não estava vendo nenhum longa que fosse me agradar, resolvi dar o play em "Um Direito Meu" na Netflix, primeiro por não ter colocado nenhum filme envolvendo o tema da Semana da Mulher, e segundo por gostar de tramas jurídicas, porém o longa demorou bastante para entrar no julgamento efetivamente, e o começo é tão enrolado e novelesco que chega a doer, mas fazer o que? O mais bacana diria que é pensar que se hoje já é complicado para uma mulher divorciada conseguir seus direitos, imagina isso nos anos 70/80 na Índia aonde as leis se baseiam muito na religião! Ou seja, o longa tem bons momentos, mostra bem como foi o julgamento do caso, os problemas que a mulher sofreu, mas tem uma pegada exageradamente novelesca, então quem não curtir esse estilo é melhor nem dar play.

A sinopse nos conta que na Índia dos anos 1980, o mundo de Shazia Bano desmorona quando seu marido, Abbas, a abandona, juntamente com seus três filhos, após se casar pela segunda vez. Inicialmente, Abbas concorda em pagar uma pensão mensal para as crianças, mas quando ele para de pagar, Bano toma a corajosa atitude de entrar com um processo judicial. Em resposta, Abbas tenta silenciá-la pronunciando o triplo talaq. O que começa como uma luta pessoal logo se transforma em um debate nacional sobre fé, direitos das mulheres e justiça. A coragem de Bano a transforma em um símbolo de resistência contra o patriarcado.

Diria que o diretor Suparn Varma brincou bem com o roteiro que tinha nas mãos, pois usou e abusou de tudo para alonga e dimensionar sua trama, afinal dava para cortar fácil uns 30 minutos no mínimo do começo e ir direto para os julgamentos, que é aonde a dinâmica realmente faz jus e tudo que vai acontecendo no meio de cada um, mas o estilo indiano de longas é complicado por esse motivo, afinal gostam de criar símbolos, de tentar envolver o público com toda a situação, e por aí vai, mas o resultado em si foi bem trabalhado, contando bem a história do julgamento, de como alguém que conhecia bem o Alcorão pode lutar de igual para igual em diversos momentos, e claro também ver como o mundo machista usava e ainda usa as leis ao seu favor. Claro que analisando como um filme mesmo o resultado poderia ir mais além, mas é o estilo deles esse mais novelesco, então vida que segue.

Agora algo que me irrita demais nos longas indianos é a cara de pilantra que a maioria dos atores possuem, fazendo com que você já torça contra os personagens na primeira fala meio torta deles, e aqui não foi diferente, pois Emraan Hashmi fez um Abbas Khan todo galanteador, amoroso e cheio de facetas no começo, nem parecendo ser metade do que vira depois da metade do longa, sendo literalmente um advogado que não liga para nada a não ser seu ganho em cima da protagonista, ou seja, o tradicional pilantra. Já Yami Gautam trabalhou sua Shazia Bano com muita serenidade, olhares focados e trejeitos bem emocionais, mas diria que foi até seca demais na maioria das cenas, apenas explodindo no último julgamento, ou seja, a atriz se segurou demais durante todo o longa. Quanto aos demais personagens vale leves destaques para os advogados que assumem a causa da protagonista, que Sheeba Chaddha e Aseem Hattangady fizeram muito bem, e Danish Husain que fez o pai da garota de uma forma bem trabalhada, mas nada que fosse expressivo realmente para valer muita atenção.

Visualmente a trama teve uma entrega até que interessante, mostrando no começo o casamento bem bonito, cheio de comemorações e decorações, depois a vivência na casa tendo mais momentos na cozinha e alguns no quarto, depois muitos momentos na edícula da casa aonde a segunda esposa vai morar e mais para frente o inverso, e claro muitas cenas nos tribunais diferentes do país, com um detalhe bem intenso de protestos na casa dos pais da garota, ou seja, algo muito bem produzido e com as devidas representações cênicas na tela.

Enfim, é um filme que tem seu poder por mostrar as brigas judiciais no país que sempre entraram nos conceitos de religião, de castas e de cultura própria, tendo brigas até mesmo do tipo que cada um defende, mas como longa dava para ser menor e mais enfático que funcionaria bem melhor, então fica a dica para quem curte algo mais novelesco para dar play. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Amazon Prime Video - Blue Moon: Música e Solidão (Blue Moon)

3/11/2026 02:16:00 AM |

É engraçado que particularmente gosto muito dos filmes do Woody Allen, mas geralmente não consigo curtir a maioria dos filmes do Richard Linklater, e se olharmos bem a fundo ambos são muito parecidos nos estilos que entregam, ou seja, devo ter algum ranço guardado dos filmes alongados de Linklater que nem mesmo eu sei o motivo! Dito isso, hoje aproveitei a promoção da Amazon Prime Video de filmes por R$9,90 e aluguei o longa "Blue Moon - Música e Solidão", que fecha todos os longas que faltava para gabaritar os indicados ao Oscar, e posso dizer que ele voltou ao seu estilão tradicional, pois fiquei apaixonado pelo seu último filme, "Nouvelle Vague", que foi algo completamente fora da curva e que não sei por quais motivos a Academia acabou esquecendo dele nas premiações, ou seja, aqui ele voltou ao marasmo tradicional de milhões de diálogos e reflexões para mostrar o final deprimente da vida de um compositor e letrista de grandes musicais cômicos, aonde nem parece ser mais a pessoa que emocionou uma grande multidão com suas histórias. Claro que o filme passa bem longe de ser algo ruim, pois tem belas cenas e envolvimentos, além de uma atuação grandiosa de Ethan Hawke, que está indicado como Melhor Ator, mas a essência em si cansa bastante, parecendo que o diretor fez algo ainda mais deprimente do que a vida real do personagem em seus últimos momentos.

O longa se passa primordialmente na noite do dia 31 de Março de 1943, na especial abertura do musical que se tornará um sucesso, o inovador Oklahoma!. A peça é a primeira escrita pela dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II e se tornará um sucesso de crítica e público. Quem não está nada feliz com isso é o lendário letrista Lorenz Hart que, fugindo do teatro, acaba amargurado no bar Sardi onde acontecerá a festa de celebração. Ao lado de um simpático barman, que empresta seu ouvido e seus conselhos, Hartz reclama de ter sido abandonado pelo antigo parceiro criativo Rodgers e do sucesso que ele tem cultivado sem ele. O longa acompanha a depressão e os problemas com alcoolismo de Hartz enquanto explora as trapaças e as artimanhas do showbiz.

Uma coisa que me incomoda muito em alguns filmes é o famoso parecer peça teatral, aonde os diálogos fazem bem mais parte do filme do que a própria representação na tela, e o diretor Richard Linklater gosta muito desse formato, de modo que aqui embora tenha duas cenas (desnecessárias) fora do ambiente principal que é o bar Sardi, todo o restante principal ocorre ali com o protagonista dialogando com outros personagens, meio que quase uma trama reflexiva exagerada sobre o seu passado, presente e futuro, aonde o diretor brincou com as cartas trocadas entre ele e uma garota bem mais jovem, de tal forma que é apenas jogado que o protagonista teve problemas no passado com o alcoolismo, é jogado nas entrelinhas seus sucessos e fracassos, e tudo fica apenas pela percepção que o diretor ensaia na tela com o que o público conhece do compositor, ou seja, falta aquela dinâmica certeira para que tudo saísse do papel para a tela, e assim o resultado acaba sendo mais fechado do que emocional, não sendo ruim de ver, mas bem próximo a somente o público de um nicho mais conhecido da história.

Quanto das atuações, é engraçado que em momento algum vemos o ator Ethan Hawke em cena, e isso é incrível de ver, pois ele se joga por completo para dentro da personalidade de Lorenz Hart, junto com a maquiagem que lhe deixou irreconhecível, e se entrega por inteiro, fazendo trejeitos marcantes e dinâmicas que chega realmente a dar pena do que o compositor virou ali, sendo que se realmente foi dessa forma o seu fim é algo decepcionante, pois é a famosa atuação aonde vemos um homem se auto humilhando para tentar algo maior, e a síntese de interpretação funcionou tanto que ele vem chamando muita atenção em todas as premiações. Bobby Cannavale trabalhou bem como o barman Eddie, mas sendo mais um ouvinte das lamúrias do protagonista, tendo algumas sacadas dentro dos diálogos e algumas boas desenvolturas no ambiente fechado. Da mesma forma Jonah Lees trabalhou seu Morty Rifkin com a diferença que trabalhou seus momentos tocando no piano algumas das melodias que o protagonista desenvolveu no passado, tendo dinâmicas mais leves e poucos momentos para se destacar. Já Margareth Qualley trabalhou sua Elizabeth Weiland com uma pegada mais solta, porém bem sábia para contar seus feitos para o protagonista, tendo um lado sensual na sua condução, mas sem ir muito além também. E por fim tivemos Andrew Scott como um Richard Rodgers premiado e empolgado com o que acabará de acontecer na apresentação de seu musical ovacionado, sendo levemente arrogante com o personagem principal, mas também sem forçar tanto a barra nas expressões.

Visualmente como disse no começo, o longa facilmente poderia ser representado em um palco de teatro, pois começa mostrando aonde o personagem foi encontrado praticamente morto, mas depois volta alguns meses para mostrar um musical aonde o protagonista logo sai de seu camarote e vai para o bar, e ali dentro rola tudo o que vemos no filme inteiro, na beirada do balcão ou em uma mesa lateral, ou mais acima aonde está rolando o evento de festa pós-estreia do musical, ou seja, tudo se desenvolvendo em um único ambiente praticamente, que a equipe até pode ter representado bem, mas que não chama tanta atenção na tela.

Enfim, é um bom filme, mas sinceramente bem inferior ao anterior do diretor, que facilmente deveria ter sido o indicado aos prêmios, mas como não somos nós que definimos isso, apenas vale indicar esse para quem gosta de tramas que contam a vida das pessoas por olhares delas próprias quando sua decadência está bem próxima de acontecer, mas nada que impacte realmente na vida do espectador. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

A Pequena Amélie (Amélie et la métaphysique des tubes) (Little Amélie or the Character of Rain)

3/10/2026 02:35:00 AM |

O estilo das animações francesas é interessante principalmente por não serem histórias propriamente para crianças, tendo por vezes temas infantis, mas que são tão desenvolvidos emocionalmente que se precisa ter uma base muito maior para compreender e se envolver, sendo geralmente recheadas de símbolos e essências que até brincam com o imaginário, mas é na realidade crua que acabam acertando com muita precisão e técnica. E o longa "A Pequena Amélie", que estreia na próxima quinta (12/03) nos cinemas do Brasil, e que está concorrendo ao Oscar de Melhor Animação, traz bem essa identidade na tela ao trabalhar o sensorial dos pequenos ao descobrir as coisas e o seu próprio mundo ao redor, contando com o afeto das pessoas e também dos sentimentos, sendo um aprendizado emocional bem colocado que com traços simples consegue fluir bem e agradar do começo ao fim, claro que contando com muitos símbolos e dinâmicas, que por vezes até podemos não pegar, mas que refletindo sobre tudo, o resultado acaba vindo.

A sinopse nos conta que o mundo é um mistério desconcertante e tranquilo para Amélie, uma garotinha belga nascida no Japão. À medida que desenvolve um profundo apego à governanta de sua família, Nishio-san, Amélie descobre as maravilhas da natureza, bem como as verdades emocionais ocultas sob a superfície da vida idílica de sua família como estrangeiros na Terra do Sol Nascente.

Talvez se as diretoras e roteiristas  Liane-Cho Han Jin Kuang e Maïlys Vallade tivessem um pouco mais de experiência nas funções, o longa fosse ainda mais emocional, pois usando a base que tinham do trabalho de Amélie Nothomb poderiam ter ampliado ainda mais o lado emocional com uma pegada mais forte, porém o que fizeram ainda foi bem interessante, cheio de nuances e chamarizes, que acaba fluindo fácil pela tela, sendo marcante principalmente por juntar símbolos de vários países, e ainda brincar com a faceta da família, de uma forma estranha de olhar primeiramente com o caso de pessoas em estado vegetativo, mas que funcionou ao menos para a proposta.

Quanto dos personagens, diria que a pequenina Amélie conseguiu ter um carisma bem marcante e cheio de nuances em suas performances, de modo que inicialmente teve um ego um pouco agigantado, mas depois foi fluindo bem e divertindo/emocionando com suas descobertas e vivências, sendo bem bacana de acompanhar ela. Os pais ficaram meio que deslocados demais em suas cenas, ficando muitas vezes até esquecidos dentro da trama, mas tiveram suas representações bem colocados na fase do conhecimento dos pequenos. A garota/governanta Nishio-san foi sutil e direta em muitas situações, sabendo colocar emoção na vivência com a garotinha e fluindo bem nos momentos da descoberta da pequena. Ainda tivemos alguns atos engraçados e bem colocados com os irmãos, e um pouco da força direta na vizinha Kashima-san, mas tudo bem encaixado e rápido na tela.

Visualmente a escolha dos traços mais claros e com uma perspectiva não tão usual conseguiu deixar o longa leve, com uma paleta de cores quase tão tranquila quanto o longa, brincando com poucos elementos, mas com muitos símbolos de essência da vida, o que acabou dando uma perspectiva gostosa tanto na casa dos protagonistas, quanto no jardim por onde a jovem vai passear, ou seja, artisticamente o longa tem uma pegada até meio reflexiva, que funciona bastante na tela.

Enfim, é uma animação com um carisma interessante e que acaba sendo gostosa de conferir, mas que tem um miolo um pouquinho lento que talvez possa cansar os mais jovens que forem assistir, então fica a dica para ir preparado, pois vale a conferida, mas é certamente algo bem diferente dos padrões que muitos estão acostumados a ver. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo a Mares Filmes e a Alpha Filmes pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Push - No Limite Do Medo (Push)

3/09/2026 08:36:00 PM |

É até intrigante o quanto o cinema de terror tem seus clichês físicos tão bem colocados que casualmente se repetem nos diversos filmes que são lançados, tendo raramente um ou outro longa que consiga despontar sem precisar se amparar na famosa "muleta", e sem dúvidas o que 7 em cada 10 diretores do gênero gostam de trabalhar é a famosa tensão pelo desconhecido, que sempre funciona bem, desde que explicada ou bem incorporada no resultado final da trama. Dito isso, o longa "Push - No Limite do Medo" até tem alguns bons momentos, mas não consegue empolgar nem causar muito no espectador que fica até o fim tentando saber quem era o homem ou pelo menos suas motivações para ficar o tempo todo seguindo a protagonista, de tal maneira que o fechamento do policial explicando algo "misterioso" sobre o rapaz fez a trama ficar ainda mais jogada, pois acaba não funcionando muito para tudo o que entregaram. Ou seja, é o famoso filme que até causa tensão e correria, mas que vai acabar esquecido tão em breve que não vamos nem lembrar do que ele se tratava.

O longa acompanha Natalie Flores, uma corretora de imóveis que está lutando para se livrar da assombrosa memória de seu falecido noivo. Gestando uma criança pelo oitavo mês, ela decide tentar recomeçar sua vida, e utiliza da sua licença para assumir um novo desafio imobiliário. No entanto, um cliente louco transforma a vida dela em um completo inferno, e agora, ela terá que correr contra o tempo para se salvar antes de conseguir dar à luz.

Diria que os diretores e roteiristas David Charbonier e Justin Douglas Powell até trabalharam bem dentro de uma única locação, fazendo com que a mansão antiga tivesse presença, lugares e objetos estranhos bem colocados, que junto de pouca iluminação acabou ficando mais assustadora que o normal, porém faltou para eles um conhecimento a mais para que o filme pudesse ir mais além, pois vemos as situações acontecerem, a tensão ser criada, mas faltou dimensionar um pouco mais a casa ao invés da morte do marido, pois aí sim o resultado funcionaria, já que de cara ficamos pensando se ela estava vendendo a casa deles, para depois bem depois imaginar que ela era corretora de imóveis. Ou seja, acabaram enfeitando demais a morte do marido que era algo totalmente desnecessário para a trama, e esqueceram de brincar com o passado da casa para entendermos melhor o homem que estava invadindo, e aí sim tudo fazer mais sentido na tela.

Quanto das atuações, até que Alicia Sanz trabalhou bem os trejeitos necessários para que sua Natalie fosse marcante, e até torcêssemos para sua sobrevivência, porém em alguns momentos a jovem pareceu meio que perdida (claro que isso é algo tradicional em filmes de terror, mas dava para ser menos forçado) e dessa forma acabou sendo daquelas personagens tradicionais que só ficam correndo de um cômodo para o outro, tentando achar algo para confrontar o perseguidor, tentando telefonar para alguém, mas nada dá certo, e assim não chamou tanto para si. Já Raúl Castillo só vemos seus trejeitos no final, pois na maioria das cenas anda pelas sombras, no escuro, e isso fez com que seu personagem até parecesse meio "sobrenatural", porém como não conseguiu soar marcante o suficiente para se impor na tela, acabou ficando apenas como um serial correndo atrás da protagonista. Quanto aos demais é melhor nem dar espaço, pois foram meros enfeites cênicos, com o marido vivido por David Alexander Flinn tendo um pouco mais de cenas, mas nada que fosse marcante para se relevar.

Visualmente o casarão do século 20 tem portas demais, tanto que a protagonista até reclama disso em um momento que sai correndo para fechar todas, e junto disso tem alguns ambientes até bonitos que a equipe de arte felizmente soube brincar e explorar, como um elevador estranho embutido no chão do meio do corredor, alguns ambientes com poucos elementos cênicos para não onerar o orçamento, mas ainda assim o resultado funcionou com poucas lâmpadas para dar o tom mais denso na produção.

Enfim, é um filme que talvez pudesse ter ido bem mais além com pouquíssimas mudanças, mas como costumo falar, não dá para mexer no que já está pronto, e assim sendo o longa acabou sendo fraco demais para ir mais além na tela. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - O Mundo Vai Tremer (The World Will Tremble)

3/09/2026 01:24:00 AM |

Já falei outras vezes que gosto muito da temática Segunda Guerra Mundial para ver como cada país agiu, e como alguns sobreviventes conseguiram enganar bem os nazistas para não virarem pó e poderem contar suas histórias, mas confesso que alguns longas tem falhado bem no quesito emocional que geralmente o tema provoca nas pessoas. E dito isso, o longa da Netflix, "O Mundo Vai Tremer", mostra bem como no começo da Guerra muitos judeus foram completamente enganados pelos nazistas, pois pensavam estar indo e/ou sendo mandados para lugares protegidos, com bons empregos e salários, mas na verdade estavam indo para abatedouros móveis, que antes das câmaras de gás eram caminhões lacrados com seus escapamentos mandando fumaça para todos, e o mais interessante é ver que muitas comissões de judeus acreditavam fielmente nisso, nem acreditando quando um fugitivo conseguiu contar para um rabino tudo o que viu. Claro que a essência em si é forte e funciona bem na tela, mas ficou um clima de algo meio artificial que até mesmo não dá para crer em algumas situações ocorridas, e isso talvez se deva pela falta de uma expressividade mais densa dos protagonistas. Ou seja, é daqueles filmes tão comuns, que você assiste esperando um algo a mais, e que quando não vem isso que esperava acaba sendo decepcionante.

O longa nos mostra que numa tarde aparentemente qualquer do dia 19 de janeiro de 1942, um grupo de prisioneiros do primeiro campo de concentração construído secretamente na Polônia pelos nazistas organiza um plano ousado. Mantidos em cativeiro como coveiros, eles decidem realizar uma fuga aparentemente impossível. Mesmo tendo perdido suas famílias, enterrando-os um por um com as próprias mãos, esse grupo de judeus poloneses está determinado a sair não apenas por suas vidas, mas pela necessidade de alertar o mundo e denunciar as atrocidades ocorridas nesse centro de morte e violência. Enfrentando os tiros dos guardas nazistas, a perseguição da polícia polonesa e os obstáculos da fuga, Solomon Wiener e Michael Podchlebnik se tornam os primeiros homens a escapar de um campo de extermínio.

Diria que o diretor e roteirista Lior Geller até foi bem representativo para contar a história real dos dois protagonistas, porém ele não conseguiu fazer com que a história fosse emocionante o suficiente para prender a atenção do público nas diversas situações pelas quais os personagens viveram para conseguir chegar na cidade, de tal forma que tudo acaba sendo meio que artificial demais na tela, não tendo uma pegada suficiente para impactar. Claro que a história em si é triste de ver, com todas as devidas dinâmicas de enterrar a própria família, ver as pessoas sendo sufocadas nos caminhões e não poder fazer nada, correr baleado e machucado, ter de ajudar os soldados a desatolar caminhão, e ainda assim chegar na cidade e ouvir que o que estavam falando era mentira, mas dava para ter causado mais intensidade nos diversos momentos, e isso acabou pesando na entrega completa final.

Quanto das atuações, diria que os atores Oliver Jackson-Cohen e Jeremy Neumark Jones até tiveram alguns bons momentos com seus Solomon e Michael, porém faltou trabalhar a expressividade deles, pois mesmo tendo alguns momentos tremendo, pareceram estar bem tranquilos em tudo o que estavam fazendo, não parecendo estarem fugindo, com tudo contra eles no caminho, ou seja, faltou a famosa direção de elenco pegar na mão e passar bem o sentimento desesperado para que ninguém duvidasse da imposição cênica dos dois, ou seja, fizeram o básico de forma básica demais na tela. E aí é que entra o grande problema do filme, pois o longa só focou 100% nos dois, esquecendo quase que por completo de tudo e todos que aparecem em cena, e como os dois não conseguiram chamar o filme para si, o resultado acabou ficando morno demais para empolgar e/ou emocionar, e assim sendo quando nos atos finais entra em cena Anton Lesser com seu rabino Schulman, nem ele fica convencido da entrega, e não pode ajudar muito com trejeitos mais explosivos.

Visualmente o longa até tem uma boa pegada, mostrando bem pouco do campo de concentração, tendo algumas dinâmicas dos cavadores de covas, um pouco dos atos com os caminhões aonde muitos morreram pelo gás do escapamento, e também a fuga pelas florestas ao redor, passando inclusive por algumas fazendas, e trabalhando um pouco das vilas da Polônia com o famoso toque de recolher e as dinâmicas mais escondidas, não sendo tão representativo com tudo, mas não sendo algo desapontador por parte da equipe de arte.

Enfim, é um filme que tem uma história com potencial, mas que acabou sendo moldado sem uma explosão emotiva que funcionasse realmente, resultando em algo tão mediano que alguns até vão curtir pela essência histórica, mas a grande maioria acabará se esquecendo dele por não ter nada de grande impacto real para marcar na tela, e assim sendo diria que recomendo com mais ressalvas do que indicações boas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - Máquina de Guerra (War Machine)

3/07/2026 02:58:00 AM |

É engraçado que quando vemos uma tonelada de filmes começamos a ver outros não tão originais quanto entregam no nome, pois aparece uma pincelada de um longa ali, outro detalhe de outro acolá, e no final a sopa completa parece algo que você já até assistiu antes, mas que consegue entreter principalmente por esse jogo todo funcionar como uma grande loucura na tela. E hoje tive essa experiência com o longa da Netflix, "Máquina de Guerra", que facilmente me lembrou uns 4-5 filmes pelas essências em si, misturando treinamento militar, combate de guerra, seres extraterrestres, fim do mundo, resgate de soldado isolado, quedas em cachoeiras, e tudo mais que você imaginar, mas que incrivelmente não ficou ruim colocar tudo dentro do liquidificador, pois a essência funciona e a diversão acontece, com mortes violentas no melhor estilo de tramas de guerra, a história prende e no final já até começamos a ver a ideia querer ir para uma continuação, que pode ou não ocorrer com o desfecho, mas que já entregou o que precisava, mesmo com atuações digamos não tão inspiradoras, e clichês que fazem parte do estilo.

O longa acompanha os membros do exército de elite dos Estados Unidos da América, os Rangers, após o exaustivo processo seletivo para a unidade especial. Responsáveis pelas missões mais perigosas do mundo, eles são colocados cara a cara com uma ameaça além da imaginação deles, quando de forma inesperada, uma força extraterrestre complica ainda mais suas vidas.

O mais bacana do diretor e roteirista Patrick Hughes é que ele sabe que seus filmes não vão ser elogiados por algo inteligente e chamativo, de modo que ele já faz suas tramas pensando em como entreter os fãs do estilo pancadaria com ação que vai sair do controle, de tal forma que funcionam sempre dentro do propósito conseguindo brincar com o público. Ou seja, você assiste aos longas do diretor já pensando qual a loucura maior que ele vai conseguir fazer, e aqui na cena da luta final se preparem para o absurdo master da criatividade do diretor, pois ele foi fundo. Claro que ao pegar as várias referências de outros bons longas, o resultado agrada, pois quem vai dar play nele não quer nem saber de reflexões, quer um passatempo para quase duas horas de tela e pronto, e nesse sentido vemos o propósito do diretor funcionar com muitas mortes violentas, tiros, explosões e loucuras, aonde de cara já dava para imaginar quem sobreviveria, e assim é esperar se vão ter coragem de continuar com o fechamento escolhido.

Quanto das atuações, é interessante que nenhum dos filmes que Alan Ritchson já fez uma tonelada de filmes, mas aqui diria que é seu primeiro grande papel principal, de forma que não consigo nem lembrar dele na maioria dos filmes que esteve presente, e aqui ele até entrega muita personalidade e imposição para seu 81, mas ainda assim não diria que vou lembrar dele quando aparecer em outro filme, pois o ator teve pegada, mas nada que impressionasse fora do personagem. Fiquei o longa quase que inteiro me perguntando se o personagem 44 era homem ou mulher, pois tinha um temperamento calmo e sutil, mas entregava boas cenas de força, e ao final vemos que Alex King foi muito bem no que fez na tela, sendo um personagem neutro, mas que agrada nos seus atos. Vou dizer de cara que Stephan James deveria pagar ao invés de receber cachê, pois seus companheiros o carregaram quase que o filme inteiro deitado após o encontro com o bichão, de modo que seu 7 tem um bom começo com liderança forte e imposições, mas depois é literalmente um peso para os demais. Ainda tivemos outros bons personagens, mas sem grandes momentos expressivos, valendo um leve destaque claro para Dennis Quaid, Esai Morales e Jai Courtney como os sargentos e comandantes do treinamento, com os traquejos tradicionais do estilo.

Visualmente o longa tem uma entrega gigante, com cenas de perseguição em florestas, trilhas, corredeiras de rios, cachoeira, além de antes do bichão chegar um centro de treinamento que já vimos em muitos filmes do estilo com arames, pistas de provas, piscinas com os personagens carregando pesos, e tudo mais, e voltando ao personagem principal fizeram realmente uma máquina de guerra como o nome do filme diz, com armas imponentes e muitas explosões, ou seja, a equipe de arte foi bem criativa no estilo que desejavam entregar. Além disso tenho de parabenizar pelos corpos mutilados tanto na guerra inicial quanto na final, pois tudo ficou jogado pelo chão com bom foco para mostrar que a equipe de próteses trabalhou muito bem. 

Enfim, é um filme bacana e honesto com o que propõe, mas assim como todos desse estilo tem tantas cenas com cenas falsas impossíveis de acontecer, que ao tentar deixar de forma "verossímil" conseguiram ficar engraçadas, e assim poderiam ter forçado um pouco menos a barra. Sendo assim recomendo como um passatempo divertido que agrada quem for assistir esperando isso, mas do contrário é melhor nem dar o play, e como era isso que eu desejava ver hoje, acabei feliz com o resultado. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


Leia Mais

A Noiva! (The Bride!)

3/06/2026 01:52:00 AM |

Lembro vagamente do original dos anos 30, "A Noiva do Frankenstein", e por incrível que pareça nem tinha visto muitas vezes o trailer do longa "A Noiva!" que estreou hoje nos cinemas, de modo que fiquei sabendo dele apenas por um amigo, ou seja, sabia nada também da nova produção, mas posso dizer que a trama me arrepiou em alguns momentos e que a essência em juntar a força feminina, junto de traquejos diferençados para dar voz a escritora de Frankenstein, Mary Shelley, com imponência de expressividade, com o submundo do crime dominando as ruas e a polícia, fez com que fosse um filme tão fora dos padrões que não tem como não se apaixonar por ele. Claro que não é um filme que muitos vão aceitar de cara, pois tem pegada, tem situações que o pessoal não aceita, ainda mais na época em que o longa se passa, mas brincar com tudo isso, com o cinema dominando a raiva e a mente do protagonista, é de um primor que mostra que a diretora sabe bem aonde deseja chegar, e não vai parar tão cedo.

O longa se passa em Chicago na década de 1930 e acompanha a história de origem da Noiva, uma jovem assassinada que ganha vida novamente. Sua trágica morte é encomendada pelo monstro do cientista Frankenstein que, solitário, pede por uma companhia para a Dra. Euphronius. Os dois, então, trazem de volta à vida uma jovem e, assim, nasce uma nova criatura: a Noiva. Logo, a jovem descobre um mundo marcado por obsessões e violência, além de se envolver num romance selvagem e explosivo.

Diria que a ousadia de Maggie Gyllenhaal vai acabar virando sua marca como diretora e roteirista, pois dava tranquilamente para ela fazer uma refilmagem tranquila do clássico, com tudo redondinho, num drama bem pegado que funcionaria, todos aplaudiriam e pronto, mas não, em seu segundo trabalho nas funções principais acabou colocando uma revolução completa na tela, uma nova história com nuances envolvendo máfia, polícia corrupta, e claro dando voz a escritora como uma entidade na cabeça da protagonista que mostra as facetas de um vocabulário grandioso, forte e que foi minado na época pelo machismo. Ou seja, ela soube brincar com a ideia, dando claro um vértice forte que muitos vão jogar como mimimi, feminista e tudo mais, mas com uma entrega sem ser jogada, tendo critérios e imposições funcionais, aonde a trama acaba não cansando e funcionando bem, mostrando que vamos poder sempre esperar algo a mais dela nas suas futuras obras.

Quanto das atuações, Jessie Buckley entregou muito na tela tanto como A Noiva, quanto inicialmente com sua Ida e ainda em momentos solos como Mary Shelley, ou seja, se jogou por completo em três papeis diferenciados com intensidades diferentes e dinâmicas tão próprias que você nem irá lembrar que é a mesma mulher de outros filmes que já vimos (aliás só fui descobrir que era ela depois de ver os nomes nos créditos), de tal forma que cria cadência e impõe muita presença em todos seus atos, sendo perfeita nos mínimos detalhes. Já tinha dito no outro longa do personagem monstro de Frankenstein que tinham arrumado um filme definitivo para o personagem, mas com a entrega de Christian Bale aqui para seu monstrengo posso dizer que o ator deu seu nome para o papel, com trejeitos, danças e dinâmicas tão bem presentes (talvez para um papel mais maduro do personagem) que chega a impressionar do começo ao fim. Ainda tivemos outros bons personagens na tela além dos dois protagonistas, valendo o destaque para Penélope Cruz como a detetive Myrna, Peter Sarsgaard como o parceiro dela Jake, Jake Gyllenhaal com seu Ronie Reed e claro Annette Bening como a Dra. Euphronius completamente maluca em cena, mas com muita serenidade nos traquejos para ser marcante.

Visualmente a trama teve atos em preto e branco, muita violência nas caracterizações, perseguições, restaurantes com festas imponentes, além claro do laboratório simples, porém cheio das facetas da Dra., carros da época bem colocados, e claro a magia dos cinemas com suas poltronas e telas dando representações dos filmes pelo personagem principal, ou seja, tudo bem amplo, com colorido na medida para não ficar chamativo demais, figurinos densos, shows e tudo mais.

Enfim, não fui conferir esperando muita coisa, pois como disse no começo nem sabia direito o que iria ver, mas posso dizer que impressiona pela grandiosa produção, pela história que funciona muito bem, e claro pela boa direção e atuação, sendo até engraçado ver alguns comentários pela internet que esse seria o que muitos esperavam ver em "Coringa Delírio à Dois", e posso dizer que a pegada funcionaria bem, então fica a dica para irem ver numa tela que valha a pena. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.

PS: um ponto crítico é que o miolo dá uma leve desacelerada e cansa um pouco, mas nada que atrapalhe o resultado completo.


Leia Mais

Depois do Fogo (Rebuilding)

3/05/2026 12:49:00 AM |

Não sou literalmente um fã de filmes introspectivos, pois você precisa conseguir entrar na mesma sintonia da trama para embarcar por completo, ou acaba acontecendo de você dormir e perder algo "importante" para o desenrolar de tudo, porém hoje ao conferir o longa "Depois do Fogo", que estreia nos cinemas no próximo dia 12/03, traz algo que já tinha parado para refletir quando estava no auge as notícias dos incêndios nos EUA, pois ou o cara tem um seguro monstruoso (o que não é muito comum por lá, já que para ter franquias interessantes com o tanto de possíveis desastres climáticos o preço muitas vezes fica "próximo" do valor de alguns bens!) ou simplesmente perde tudo, e vai ter de começar a vida do zero com empréstimos ou algumas ajudas do governo, e a trama usa bem essa formatação da última ideia, pois além de perder todo seu rancho, o protagonista sempre foi vaqueiro ou o famoso cowboy, e sem rancho com as terras destruídas pelo fogo nos vemos com o protagonista tendo que refletir junto de outras pessoas que também perderam tudo, e o longa brinca muito com essa essência do recomeço, sendo calmo demais, mas muito bem feito.

O longa acompanha Dusty, um pai divorciado e reservado que repentinamente perde seu rancho graças a um incêndio florestal devastador. Buscando um lar temporário, o jovem caubói passa a viver num acampamento de trailers junto com outros cidadãos que também perderam suas casas. Nessa jornada de recomeço, Dusty encontra conforto e consolo nessa comunidade de vizinhos que também perderam tudo. Enquanto reconstrói silenciosamente sua vida, ele se reconecta com a ex-esposa Ruby e a filha pequena Callie-Rose. Sob o vasto cenário do sul do Colorado e do Oeste Americano, Dusty enfrenta a dor da perda nesse retrato humano sobre resiliência e conexão.

Diria que o diretor e roteirista Max Walker-Silverman fez uma boa pesquisa para desenvolver seu longa, mas principalmente quis demonstrar a força que as pessoas ao redor, mesmo que desconhecidas, podem fazer na vida de uma pessoa quando perde tudo, pois as dinâmicas da trama mostra bem essa valorização do coletivo, da ajuda, e claro de saber a hora certa de entrar no meio, pois muitas vezes a pessoa quer realmente refletir, quer pensar, e também nem quer ser visto com seu caso problematizado, e essa formatação poderia levar o longa para algo mais explosivo caso ele quisesse, mas ao escolher a introspecção e a calmaria ele desenvolveu um filme mais denso, porém como disse no começo se arriscando ao máximo a cansar o público. Ou seja, o resultado na tela se deve muito ao apego que a maioria está com os vários casos que rolaram dos incêndios, mas também devemos isso ao formato escolhido pelo diretor, pois mesmo demorando um pouco para a dinâmica em si funcionar, você vê a mão dele dando potência nos atos, e isso é um acerto nesse estilo.

Muitas vezes filmes introspectivos só funcionam bem quando o protagonista entrega muito na tela, e aqui infelizmente não diria que Josh O'Connor ajudou muito com isso, pois seu Dusty entrega algo muito comum mesmo em pessoas que perderam tudo, o ar de desorientação, mas não é a desorientação boa que impacta e faz o público sentir apegado a ele, de modo que talvez se tivesse entregue mais dos atos finais durante toda a trama, seu personagem chamaria o filme para si, e o resultado seria ainda melhor na tela. A garotinha Lily LaTorre teve alguns bons momentos com sua Callie-Rose, porém não se soltou para o papel como poderia, ficando muito escondida e com poucas cenas para se desenvolver melhor, de modo que até fez bons trejeitos, mas poderia ir além. Dentre os demais personagens, tivemos algumas cenas bem rápidas, porém bacanas de Amy Madigan com sua Bess, também tivemos alguns atos explosivos de Meghann Fahy que depois dá uma leve melhorada nos trejeitos com o ex-marido, e quanto a Kali Reis até posso dizer que sua Mila foi interessante por alguns momentos, mas faltou aprofundar mais.

No quesito visual usaram bem o rancho queimado, com poucas cenas, porém efetivas na tela, e foram bem simbólicos com os trailers aonde as pessoas vão morar, só diria que se realmente acontecesse dessa forma de jogarem as pessoas para tão longe da "civilização" é um abuso de humanidade, e certamente a equipe de arte quis representar bem esses momentos, com as pessoas indo na biblioteca apenas para usar o wi-fi do lado de fora também sendo bem marcante.

Enfim, é um longa interessante, que tem o valor da reflexão sobre tudo o que anda acontecendo no mundo com uma visão densa sobre o próximo, mas que poderia ter ido mais além sem precisar ficar tão fechado e introspectivo demais, pois talvez os personagens criassem um carisma maior com o público e o resultado fosse muito melhor, afinal não estou falando que ficou ruim, muito pelo contrário, mas faltou botar um pouco mais de dinâmica para envolver melhor. E é isso meus amigos, fica a recomendação de conferida quando estrear na semana que vem, e eu fico por aqui hoje agradecendo os amigos da Synapse Distribution e da Atômica Lab Assessoria pela cabine, então abraços e até amanhã com mais dicas.


Leia Mais