Netflix - Uma Herança Inusitada (Spadek) (Inheritance)

6/20/2024 12:51:00 AM |

Hoje foi dia da Netflix virar polonesa praticamente, e se mais cedo conferi uma trama fantasiosa, agora foi a vez de ver uma trama policial cômica chamada "Uma Herança Inusitada" que me lembrou um pouco outro longa da companhia "Glass Onion" pela pegada de um morto com toda a família dentro da casa, tentando descobrir quem matou e principalmente achar aonde está a herança, mas que acaba fluindo por caminhos diferentes já que lá caçam o assassino, e aqui a caçada é pelas patentes do inventor. E até que a trama flui bem, tem uma intensidade interessante, sem ser claro uma grande obra que valesse a pena sair indicando, mas que diverte com toda a interação familiar, afinal sabemos bem que muitos familiares só aparecem quando é para receber algo, e muitos nem se conhecem direito ao ponto de saber um aniversário, ou seja, o longa acaba brincando com toda essa ideia maluca, e usa um grupo de atores bem dispostos para isso, de tal forma que mesmo sendo estranho agrada quem for conferir.

O longa nos mostra que depois que um excêntrico inventor e apresentador de game show morre de repente, os integrantes da família se reúnem para tentar garantir a grande herança. Mas, para a surpresa de todos, o finado preparou um último jogo cheio de tarefas e enigmas para definir quem ficará com a fortuna, forçando-os a deixar as diferenças de lado e se reconciliar para trabalhar em equipe.

Diria que o diretor Sylwester Jakimow trabalhou bem a ideia de uma trama investigativa com pitadas cômicas, de tal forma que os personagens e as histórias se complementam bem, cada um vai descobrindo os elos como devem acontecer e cada dinâmica vai sendo interativa com as demais, ou seja, ele não quis sair do tradicional, nem quis que seu filme ficasse comum demais, ao ponto que tudo flui bem na tela, e o resultado acaba entregando funcionalidades cênicas interessantes. Claro que os personagens poderiam ser menos forçados, alguns momentos mais dinâmicos, mas no final de tudo acabamos curtindo como um bom passatempo, sendo até mais explicativo que muitos outros casos do estilo.

Quanto das atuações tivemos uma base até que interessante, pois praticamente todos jogaram como protagonistas, e isso acaba sendo marcante para que tenham quase todos o mesmo tempo de tela, ou seja, até vemos Maciej Stuhr puxando mais a interação para seu Dawid, pois a trama quase que toda é narrada através de seu pensamento, mas Joanna Trzepiecińska deu bons atos explosivos para sua Natalia e Mateusz Król também colocou seu Karol bastante em pauta com os olhares estranhos dos demais familiares para ele, de tal forma que seguiram como primos distantes, mas que tem boa conexão para chamar para si. Da mesma forma Gabriela Muskala como esposa de Dawid, Piotr Polak como namorado de Karol e Piotr Pacek como namorado de Natalia fizeram as interações normais de familiares que vão junto a divisões de heranças pensando em como ficar rico com o que seu par irá levar, e assim acabaram trabalhando bem. Os mais jovens Józefina Karnkowska e Franek Slominski até tiveram alguns atos chamativos, mas não foram muito além, enquanto o tio vivido por Jan Peszek foi bem interativo como um bom apresentador de programas de perguntas deve ser, mas apenas sendo básico na tela.

Visualmente a trama fica toda em uma casa gigantesca, tendo vários carros na garagem, quartos separados com corredores ocultos e passagens secretas entre eles, tendo ainda um gigante labirinto com muitas interações, além de um jogo de perguntas e respostas bem montado para uma conexão familiar, mostrando que a equipe de arte gastou pouco, mas soube fazer tudo funcionar sem precisar ficar viajando muito.

Enfim, é um filme simples e funcional que diverte como um bom passatempo, mas que talvez pudesse ter algumas surpresas mais interessantes no miolo, afinal logo de cara dá para pegar aonde estava o grande prêmio da competição, e até um pouco de quem era o assassino, só faltando o fechamento motivacional, que acaba sendo bem explicado no final, inclusive com uma cena do passado, ou seja, tudo bem explicadinho detalhe por detalhe para ninguém ter de pensar em nada. Então se você curte esse estilo, fica a dica para conferir na Netflix, e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a grande estreia da semana, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Academia do Sr. Kleks (Akademia Pana Kleksa) (Kleks Academy)

6/19/2024 06:12:00 PM |

Um fato que já citei que foi muito bom com a popularização dos streamings é vermos longas de países que praticamente nem chegavam nos cinemas daqui, e muito menos na TV tradicional, e um país que tem produzido muito material é a Polônia, de modo que andam fazendo muitos dramas, policiais e hoje surgiu até uma trama digamos juvenil misturando conto de fadas e uma escola para crianças com muita imaginação chamado "A Academia do Sr. Kleks", que sendo baseado em um livro de sucesso por lá trabalha bem a famosa briga entre bem e mal por algo que aconteceu no passado. Visualmente a trama é bem interessante (tirando alguns figurinos estranhos dos lobos), porém a história é meio corrida demais, com explicações de menos, de modo que o livro é o primeiro de uma trilogia, porém acredito que ficaram com medo de não fazer sucesso e aceleraram demais as coisas para que boa parte fosse mostrada na tela logo no primeiro filme, e assim ficou algo meio que jogado demais na tela. Não digo que tenha ficado ruim, pois é uma trama que prende para sabermos mais sobre esse mundo dos contos de fadas que sempre permeiam boas histórias, mas talvez com um pouco menos de enrolação no começo daria para ficar mais elaborado com os 129 minutos de duração na tela.

No longa vemos que a adolescente Ada vai parar na misteriosa Kleks Academy, comandada por um professor muito excêntrico, onde é possível entrar no mundo dos contos de fadas e alcançar os limites da imaginação. Ela também enxerga uma maneira de desvendar o segredo mais oculto de sua família: encontrar seu pai desaparecido.

O diretor Maciej Kawulski foi bem intenso na entrega de sua trama, pois como disse no começo pegou um texto do primeiro livro de uma trilogia, e adaptou ele de maneira bem sucinta que tudo fosse explicado rapidamente, ou seja, não é daqueles que você não se conecta com os personagens por apenas surgirem na tela, assim é possível até criar um certo carisma com os protagonistas, porém dava para não precisar de algumas cenas meio que aleatórias no miolo para que tudo tivesse uma fluidez mais tranquila e envolvente, e claro ainda mantendo o tempo grandioso de 129 minutos. Ou seja, diria que o diretor foi muito afoito ao ver uma produção grandiosa desse estilo em suas mãos e não aproveitar o máximo todo o ambiente e suas dinâmicas, de tal forma que ele até conseguiu fazer bem um bom começo de apresentação e um fechamento convincente, porém faltou elaborar melhor o meio para que nem ficasse corrido nem alongado e tudo se encaixasse, então veremos o que vai fazer se lhe derem a continuação.

Quanto das atuações, acredito que a jovem Antonina Litwiniak ainda vá ter um estilo próprio de interpretação, pois aqui sua Ada em alguns momentos parece deslocada sem saber muito como transpor os sentimentos de sua personagem na tela, porém trabalhou bem a personalidade e conseguiu segurar bem o protagonismo com cenas bem dinâmicas e cheias de atos amplos, ou seja, como a garota já fez muitos filmes pode ser que tenha faltado uma direção de elenco maior para orientar melhor em uma produção quase toda em tela verde, mas isso só o tempo dirá quando virmos outras produções delas. Tomasz Kot conseguiu trabalhar de uma forma bem excêntrica o seu Professor Kleks, fazendo de atos simples entregas inusitadas na tela, meio que quase dançando para chamar muita atenção, de modo que agrada com o simbolismo de cada momento, soando chamativo e agradando com o que precisava fazer, porém ficou meio que em segundo plano em um filme que leva o nome de seu personagem, e isso acaba não sendo o correto de se ver. Agora a equipe do filme foi muito malvada com Sebastian Stankiewicz, pois o rapaz certamente deve ter sofrido bullying quando jovem pelo formato de seu rosto, e colocar ele como um homem-pássaro ficou muito estranho de ver, mas seu Mateusz até traz atos convincentes na tela, principalmente passeando por Nova York. Quanto aos demais, diria que os jovens brincaram bem com seus personagens, alguns mais alegres e vibrantes, outros mais densos e até estranhos, de forma que o jovem Konrad Repinski até teve destaque demais com um semblante exageradamente fechado para com seu Albert, e claro que Danuta Stenka caiu bem na personalidade da Bruxa e Daniel Walasek fez atos com olhares bem densos para seu Príncipe Vincent, mas nada que fizesse o filme ir mais além do que o mostrado.

Embora saibamos que muito da trama seja computação gráfica, o trailer me ganhou ao mostrar uma floresta vermelha maravilhosa, e não só isso a trama tem muita conexão com vários clássicos da literatura de contos de fadas, todo um ambiente lúdico cheio de elementos cênicos, portas que levam para outros locais, muita magia e efeitos interessantes de se ver na tela, porém a equipe de maquiagem e figurino não foi tão beneficiada com o orçamento da produção, pois os lobos ficaram estranhos com  as máscaras e figurinos, além de alguns elementos parecerem estranhos na tela, então diria que ficou um misto entre algo belo e estranho que deve fluir bem melhor no imaginário do livro do que na tela.

Enfim, é um filme bem feito para jovens e crianças, aonde quiseram ousar um pouco mais do que deviam e se perderam um pouco, mas que acaba sendo interessante de ver na tela, e que funciona dentro da proposta, principalmente por ter um fechamento, pois sabemos que muitas franquias de livros gostam de deixar tudo bem aberto para as continuações, e sendo assim até vale a indicação, desde que não se espere muito dele. E é isso pessoal, fico por aqui agora, mas aproveitando o feriado na cidade ainda vou ver mais um outro longa polonês que chegou na Netflix, então abraços e até logo mais.


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A Maldição de Cinderela (Cinderella's Curse)

6/18/2024 10:56:00 PM |

Já virou praxe termos versões de terror das clássicas histórias de contos de fadas, e por incrível que pareça esse ano teremos duas versões diferentes de Cinderela, começando por "A Maldição de Cinderela", que estreia na próxima quinta 20/06, entregando algo tão bizarro e maluco que acaba sendo divertido de ver, aonde vemos a tradicional garota sendo humilhada pela madrasta e pelas meias-irmãs, porém tendo uma fada-madrinha bem medonha, essa lhe dá alguns desejos e poderes imponentes para que ela se vingue e acabe com toda a armação do reino. Ou seja, é daqueles filmes trash que entregam cenas violentas e toscas de matanças, mas que funciona para quem gosta do estilo, mas que inicialmente fiquei meio encanado com o começo do longa parecendo ser continuação de algo, e também meio que reconhecendo a fada madrinha de algum outro lugar, e nas pesquisas sobre a diretora vi que já fez não um, mas cinco filmes de uma fada do dente meio estranha, então acredito que deva ter alguma base para o que é usado aqui, mas isso não vem tanto ao caso, afinal o que precisamos saber é que usando um livro de ritual, a fada e seus criados malucos atacam quem tiver na sua frente devorando a pessoa.

Baseado no mesmo conto popular que a Disney atualizou e popularizou para crianças na década de 1950. Desta vez, uma pequena adaptação da história coloca Cinderela e todos ao seu redor dentro de uma bola sangrenta que eles nunca esquecerão. Depois de sofrer nas mãos de suas meias-irmãs e da madrasta malvada, e sofrer humilhação no baile, Cinderela é levada ao limite. A Fada Madrinha concede a ela o poder para sua vingança final, e, transformada em um monstro com cabeça de abóbora, Cinders vai limpar a casa de uma vez por todas.

A diretora Louisa Warren é daquelas que não liga para críticas ruins e faz praticamente um filme atrás do outro, todos com duração pouco maior que um média-metragem, mas que conta exatamente tudo o que precisa nesse tempo, porém aqui como seu filme já começa meio que corrido em uma cena que parece ser continuação de algo, ficou parecendo faltar um pouco mais de explicação de personagens, de modo que a história de Cinderela, a madrasta, o príncipe e suas irmãs até funcionam dentro do contexto todo, mas o motivo da fada ser daquele jeito e tudo mais acabou ficando jogado na tela. Claro que em filmes do estilo trash nada costuma fazer muito sentido, e dá para seguir a vida apenas torcendo por mais e mais mortes na tela, mas valeria 10 minutinhos a mais no começo explicando melhor a história.

Quanto das atuações, vale a pena destacar apenas a protagonista Kelly Rian Sanson com sua Cinderela cheia de trejeitos, desde tristes e sofridos até alguns bem sádicos quando está se vingando, sabendo aproveitar bem seus momentos, e mesmo que não seja uma trama cheia de diálogos complexos, fazendo o que fosse preciso para que convencesse na matança toda. Já os demais, acabaram forçando um pouco demais os trejeitos, de forma que não convencem em suas cenas exageradas, tendo um leve destaque para a madrasta que Danielle Scott faz bem, mas sem grandes chamarizes.

Visualmente a trama é bem simples, tendo até figurinos rebuscados para a cena do baile, um casarão imponente por fora para o ambiente da família, mas com cenas bem fechadas lá dentro para não precisar mostrar muita coisa além das matanças, e o castelo do príncipe também bem chamativo por fora, mas por dentro apenas uma sala grande aonde acontece o baile e depois alguns cômodos mais fechados. Porém aí entrou a base do slash gore barato demais, aonde vemos maquiagens toscas de cortes, furos e sangue para todo lado, além de cenas com roupa e sem roupa em questão de segundos, ou seja, muitos erros técnicos, que é comum no estilo, mas que dava para amenizar um pouco.

Enfim, é um filme bacana para quem curte o gênero, mas que dava para ser melhor com poucos ajustes, mas quem não gosta do estilo é melhor correr, senão vai ser só reclamação em cima de reclamação. Ou seja, é curto e direto ao ponto, que embora seja bem bizarro, funciona dentro do tema proposto valendo a indicação para quem gosta conferir à partir de quinta nos cinemas. E é isso meus amigos, fico por aqui agradecendo o pessoal da A2 Filmes pela cabine de imprensa, e volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Assassino Por Acaso (Hit Man)

6/16/2024 11:45:00 PM |

Costumo dizer que o cinema de Richard Linklater é algo completamente fora do que você espera ver na tela, pois quando você vai esperando ver um drama ele te joga algum tipo de comicidade, e quando você vai preparado para algo cômico-policial, ele inverte e trabalha toda a aura da análise filosófica da personalidade humana. Ou seja, muitos que forem conferir "Assassino Por Acaso" esperando uma comedinha romântica básica vão acabar se apaixonando ou odiando de vez o diretor, pois ele entrega algo completamente diferente disso, sendo algo que flui na tela como algo cheio de nuances da mente ao brincar com um professor universitário de filosofia que vai permeando tudo e mudando sua própria personalidade com o que passa a fazer para a polícia, e o melhor é que na faculdade os alunos vão vendo essa mudança também em suas aulas, ou seja, seu novo eu acaba sendo mais impulsivo e isso mostra o quanto uma pessoa pode ser várias durante sua vida, e claro fazer a performance ser aquela que mais gosta. Sendo assim, o filme vai até mais além do que uma simples trama policial, mas sim uma brincadeira intensa como um todo, do jeito que o diretor gosta de fazer com seu público.

O longa nos conta que Gary Johnson é o assassino profissional mais procurado de Nova Orleans. No entanto, nem tudo é o que parece: para os seus clientes, Gary passa como um assassino de aluguel comum, mas, na verdade, ele trabalha para a polícia. Como parte do seu trabalho, ele investiga a vida daqueles que o contratam para eliminar outra pessoa. Gary sempre seguiu a risca o protocolo do seu trabalho, até um dia em que ele precisou ajudar uma mulher desesperada tentando fugir do seu marido abusivo e se viu encarnando uma das suas falsas personas apaixonando-se pela mulher e flertando com a possibilidade de se tornar de fato um criminoso.

Quem já assistiu qualquer filme do diretor e roteirista Richard Linklater sabe que ele é um dos poucos que procuram sempre fugir do básico, e que por mais básico e comum que algum longa seu pareça, você irá se surpreender com algo entrando por completo na ideia, e aqui usando como base um artigo de Skip Hollandsworth sobre a história do verdadeiro Gary Johnson que infelizmente não sobreviveu para ver sua história contada na tela (morreu em 2022 aos 75 anos) o diretor conseguiu juntar ideias de Jung, Freud, id, ego, superego, e tudo mais intrigante que a psicologia e filosofia moderna nos permite analisar, colocando em pauta um tema complexo de se estudar e por vezes que muitos nem iriam entender numa aula da faculdade, mas em um bom exemplar policial o resultado acaba superando bem toda a ideia, e funcionando como algo inteligente de ser visto.

Quanto das atuações, o mais bacana de tudo é que o ator Glen Powell colaborou também nos diálogos do roteiro, e assim acabou creditado também como roteirista, mostrando uma personalidade bem cheia de nuances para com seu Gary, de tal forma que num primeiro momento parece apenas um professor simples e fechado, que trabalha como um simples operador de áudio da polícia, mas quando se verte para assassino de encomendas, vai mudando trejeitos, e virando praticamente um ator completo cheio de personalidades, o que acaba envolvendo e funcionando bastante na tela, mostrando também que o ator que esse ano já está aparecendo em tantos filmes por aqui tem estilo e ainda pode surpreender bastante. Adria Arjona também entrou com tudo para que sua Madison tivesse personalidade em cena e não ficasse apenas em segundo plano, de forma que criou um bom envolvimento com o seu par, tendo química e agradando com trejeitos interessantes e bem encaixados (aliás todas as moças que fazem par com o ator conseguem ter boa química com ele, será que é ele?). Ainda tivemos bons atos com Austin Amelio fazendo um Jasper bem sagaz e cheio de inveja na entrega, criando atos bem diretos com os protagonistas e agradando com estilo, e Retta e Sanjay Rao mais secundários com seus Claudette e Phil, mas que divertem bem dentro da proposta.

Visualmente a trama brincou bastante com os disfarces do protagonista, sendo bem diferente para cada tipo de captura, o que acabou sendo bem engraçado de ver, tivemos algumas cenas na delegacia, muitas cenas em cafeterias, e claro muitos atos na faculdade aonde o protagonista lecionava, com aulas bem trabalhadas e cheias de nuances, além de atos na casa da protagonista e alguns em bares e boates nas saídas dos dois, de modo que a equipe não forçou a barra para que o filme se prendesse no ambiente, mas sim nas personificações, o que acaba sendo bem completo para o resultado da trama.

Enfim, sabia que não iria me decepcionar com o filme, porém não achava que gostaria tanto dele, pois alguns filmes do Linklater costumam me irritar mais do que agradar, então posso dizer que com esse ele me ganhou bastante, e claro que vou recomendar para muita gente, porém como falei no começo quem for esperando ver uma comédia básica policial vai se decepcionar um pouquinho, então vá preparado. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Mallandro - O Errado Que Deu Certo

6/16/2024 04:48:00 PM |

Muitos acharam que eu fugiria de conferir "Mallandro, o Errado Que Deu Certo", porém não tenho motivos para isso, afinal é um filme como qualquer outro, e vivi bem minha infância nos anos 90 vendo porta dos desesperados, pegadinhas, e claro os muitos filmes que Sérgio Mallandro participou, só não fui comprador de seu disco, o que já seria um abuso. Mas voltando ao que interessa que é seu novo filme, o que posso dizer é que o resultado final até foi interessante de se pensar pelo lado mais dramático da vida de um comediante, e mesmo que não tenha sido real tudo o que aconteceu com Sérgio mostrado na tela, é de se pensar como as pessoas vão interpretar de forma séria alguém que sempre fez piadas e pegadinhas com tudo, ou seja, a trama tem um cunho bem mais denso nesse sentido de alguém que sempre ganhou e viveu bem usando de comicidade, mas que quando está ruim das pernas e não consegue mais ser engraçado ou fazer uso de seus bordões, não é visto pelas pessoas para lhe entender.  Ou seja, diria que a tentativa de um drama cômico até funcionou dentro da proposta entregue, porém alguns irão ao cinema esperando rir dele como se fosse uma comédia extremamente engraçada, e aí vão se dar mal, pois o longa tem pouquíssimos atos que soaram divertidos, sem ser forçando a barra, mas como arco dramático o acerto, principalmente no final, vem e funciona bastante. 

O longa é um filme satírico sobre o comediante brasileiro Sérgio Mallandro. Mallandro está em uma fase ruim da vida. A grana fica cada vez mais curta e ele até tenta trabalhar como motorista de aplicativo, mas não consegue porque, mesmo disfarçado, sempre acaba sendo reconhecido pelos passageiros, que se recusam a embarcar achando que estão numa pegadinha. Quando surge uma oportunidade de voltar à televisão, apresentando um programa de auditório numa emissora pequena, o humorista se mete numa enrascada e acaba perdendo seus “poderes”: não consegue mais dizer nenhum dos famosos bordões. Agora, vai precisar se reinventar para conseguir uma última chance na carreira artística.

Costumo dizer que fazer comédia numa estreia é quase um suicídio para diretores, pois como já falei outras vezes, o que faz uma pessoa rir geralmente é bem diferente do que faz outra rir também, e aqui Marco Antonio de Carvalho pegou um roteiro de Pedro Antônio, Sylvio Gonçalves e Sérgio Mallandro para fazer algo ainda mais difícil que é uma comédia dramática, que precisa além de fazer rir, emocionar o público com algo, mas não se intimidou e acabou conseguindo ser bem coerente nas atitudes, mostrando situações do Mallandro de antigamente, sofrendo com o que fazia outros sofrer, e como diz em certo ato "já esteve no topo da roda gigante cuspindo no debaixo, só que agora o outro está em cima e vai lhe tacar um coco, nascendo uma cocada", e também dando sacadas de como é o stand-up atuar de Sérgio, o que acaba criando um algo a mais para ser visto na tela, e principalmente mostrando que o diretor não foi incrível, mas tem muito potencial para o estilo.

Quanto das atuações, Sérgio Mallandro já fez muitos filmes e sabe fazer bem demais tanto o seu Mallandro quanto o Sérgio, e assim não desaponta em momentos algum fazendo suas miquices e desenvoltura expressivas, de tal forma que o filme é inteiro seu e dos atores que fizeram seus filhos, se tal forma que qualquer outro ator foi mero figurante de luxo com algumas fala, e isso não é ruim, pois ele soube segurar e ser seguro, então o resultado aparece e acaba agradando bastante com o que faz , mesmo que seja forçando a barra, mas que aqui é por um motivo, então vale. Claro que foram mudados os nomes verdadeiros dos filhos do Mallandro, mas as personalidades entregues por Marianna Alexandre com sua Mila e Guilherme Garcia com seu Luca, foram bem tradicionais de filhos mesmo, buscando modos de ajudar o pai a se reerguer, vivenciando seus momentos e dando boas entregas na tela, de forma que funcionaram como atitude e bons trejeitos expressivos. Quanto as demais participações, vale claro o destaque para Xuxa Meneghel como um anjo apresentando o que ele fez de bom e de ruim na vida, afinal como amiga pessoal dele há mais de 40 anos sabe tudo dele como ninguém, e também fazendo a porta dos desesperados com ele; e o garotinho vivido por Theo Peres bem dinâmico e emotivo para os dois atos que entrega na tela.

Visualmente o longa teve cenas numa mansão luxuosa a beira mar que não sei se é realmente a casa de Sérgio, trabalhou de forma bacana numa venda de seus figurinos e apetrechos tradicionais dos anos 90, fizeram bem um programa de esquetes e entrevistas nos moldes atuais, e ainda reverteram esse mesmo programa para algo em tons brancos para algo como se fosse o céu, brincando com a tradicional porta dos desesperados que Mallandro tinha em seu programa, ou seja, a equipe pesquisou bastante e fez boas entregas, simples e funcionais na tela.

Enfim, é um filme que foi até melhor do que esperava, mas que força a barra no estilo tradicional do protagonista, e assim sendo sei que muitos não irão nem curtir e outros muitos nem irão conferir, sendo algo dramático interessante e comicamente sem grandes rumos, que quem permitir a ideia pode até gostar do resultado final. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas ainda vou conferir mais um hoje, então abraços e até logo mais.


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O Estranho

6/16/2024 02:33:00 AM |

Já disse outras vezes que um dos estilos que mais sinto dificuldade de falar é a trama abstrata, que acaba trabalhando vértices até que interessantes, mas que você precisa ser praticamente do mesmo meio que os diretores querem entregar para conseguir se conectar, senão acaba sendo algo jogado demais como um grande amontoado de ideias e ideais que até podem funcionar bem para algumas pessoas, mas que muitos outros vão apenas assistir e não sentir nada pela entrega completa. E o que posso dizer do longa "O Estranho", que entra em cartaz à partir do dia 20/06 em cinemas selecionados, é que o longa possui tantas ideias interessantes, de uma cultura indígena que viveu por diversas época na região aonde hoje está instalado o Aeroporto Internacional de Guarulhos, toda a desenvoltura das pessoas que moravam por lá e acabaram saindo quando o terreno foi adquirido pela concessionária, e até aldeias indígenas e cultos que ainda existem ao redor, mas que foram diminuídos pelo tempo, mas tudo junto na tela de forma meio que documental ficou assim como o nome diz, estranho de ver, que talvez alguns até irão se conectar mais, mas que para o estilo pegar realmente precisaria ter ido por outros rumos.

A sinopse nos conta que o Aeroporto Internacional de Guarulhos foi construído sob um antigo território indígena. Nesse espaço onde 35 mil trabalhadores garantem o funcionamento diário, Alê tem sua vida atravessada pelas origens do aeroporto e por rastros de um passado em constante transformação. Seguindo personagens cujas vidas se cruzam no dia a dia, o olhar se fixa não sobre aqueles que passam, mas sobre o que permanece num local impregnado pelas feridas originárias de um país.

Diria que a direção e o roteiro de Flora Dias e Juruna Mallon até foi bem consistente das ideias que desejavam mostrar, porém faltou desenvolverem melhor elas para que tudo se encaixasse dentro do formato sem que ficasse apenas como ideais de filmagem, pois saber o que quer ver na tela é interessante, mas se não chegar a sua ideia até o público da mesma forma que pensou acaba sendo apenas algo feito para o próprio ego, e infelizmente esse é o maior problema da maioria das produções alternativas e abstratas de alguns diretores do país. Ou seja, posso dizer que talvez esperasse ver algo mais próximo da cultura indígena que deixou resquícios para as famílias e para o aeroporto em si, mas pisquei e já estava rolando toda uma situação de entrevistas, alguns ensejos do candomblé, e conversas aleatórias sobre pedras e geologia, quando tudo transparece de um grande pensamento e se fecha apenas sem ir para um rumo maior.

Nem vou entrar em detalhes sobre as atuações, pois a mistura de realidade com ficção na trama acaba sendo algo meio que confuso de se entregar, e Larissa Siqueira num primeiro momento faz com que sua Alê seja bem densa e ficcional, mas de repente está dando entrevistas como se fosse realmente moradora do espaço, em um estilo quase documental e expressivo, ou seja, não trouxe uma verdade na tela como deveria, enquanto os demais fazem cenas meio que soltas, com diálogos abertos que não fluem para algo maior, e isso acabou deixando o resultado estranho também por parte das atuações.

Visualmente a trama começa mostrando várias datas, que inclusive fui anotando por achar que fariam alguma diferença no longa (1590, 1932, 1893, 1677, 1492, para depois se situar provavelmente em algum ano da pandemia, já que a maioria das pessoas está usando máscaras na cara), mas não chega a ir para algum rumo essa ideia, tendo alguns atos com pedras e símbolos, outros atos nos arredores do aeroporto, algumas explorações numa floresta, e alguns momentos de entrevista em uma tribo, um ritual do candomblé, e algumas sínteses mais abertas mostrando um rio, mas tudo aberto demais que não vai além.

Enfim, diria que foi tudo abstrato demais para o meu gosto pessoal, que friso não ser algo ruim, apenas não me convenceu em nenhuma das ideias que passaram em minha mente sobre o longa, mas que certamente alguns vão entender mais das nuances e acabará gostando, então digo que quem gostar de tramas abstratas dê a chance ao longa, e que se apaixonar pela ideia e quiser vir comentar, o campo abaixo é 100% aberto, então fica a dica, e eu fico por aqui hoje agradecendo os amigos da Sinny Assessoria pela cabine, e também a Embaúba Filmes, então abraços e até logo mais.


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Atrevida: A Paixão Não Tem Regras (Непослушная) (Neposlushnaya) (Naughty)

6/15/2024 02:19:00 AM |

Bem vamos lá, quem der uma leve caçada nos meus textos verá que tirando "50 Tons de Cinza" e suas sequências, praticamente fugi de quase todos os longas exageradamente eróticos, conferindo alguns por mera questão de ter aparecido no cinema, e pulando todos os demais que apenas saíram nos streamings, e qual o motivo disso? Simplesmente por achar que não tentam fazer cinema, ou melhor, uma história que convença sem ser apenas sexo e algumas interações dialogadas bem ruins. Mas mesmo sabendo que a pauta de "Atrevida: A Paixão Não Tem Regras" seria em cima dessa temática, resolvi dar uma chance para ele, mesmo a distribuidora querendo me expulsar mandando o filme apenas dublado para todas as sessões, mas como sou teimoso, eis que fui, e agora venho trazer minhas impressões sobre o longa russo. A primeira vou ainda brigar com a dublagem, afinal se os nomes russos já são difíceis de falar, os sobrenomes então é algo que quebra qualquer dublador, e aqui em diversos atos chega a dar dó dos coitados tendo de falar nomes que são quase um xingamento. A segunda impressão é que o longa copiou e muito o filme americano, tendo cenas que você olha e fala mentalmente que já viu aquilo acontecendo quase que da mesma forma. E a terceira é que mesmo sendo uma cópia quase do longa americano, aqui a trama brinca com a temática ecológica, e a síntese em si não fica quase toda em cima do sexo, tendo sim algumas cenas bem tórridas, mas na maior parte acaba sendo um romance bobo entre dois jovens que estão se confrontando, tendo seus gostos mistos entre diferenças e combinações bem alocadas. Ou seja, é um filme que não chega a ser nem perto de algo ruim, mas que tem tantas falhas jogadas que acaba passando muito longe de ser algo bom, então nesse meio do caminho diria que dá para recomendar, mas com muitas ressalvas.

O longa acompanha a jovem Elsa, de vinte anos, que estuda para se tornar ecologista. Um dia, Mateus, presidente de uma grande construtora, vai à universidade de Elsa para falar sobre um projeto para construir um empreendimento em um antigo parque florestal. A garota confronta o plano de Mateus, que fica impressionado pela confiança de Elsa e, para seguir com seu projeto, tenta suborná-la. Porém, ela não está disposta a vender sua integridade, mas acaba surpreendida por uma nova proposta do empresário: passar sete dias românticos seguindo as regras de Mateus.

Claro que o diretor e roteirista Dmitriy Suvorov vai falar que não copiou nem teve referências com o longa americano, porém como seu texto até usa o filme no trailer já fica bem clara sua inspiração, porém ele acabou abusando um pouco na ideia, afinal um cara bilionário não pararia uma construção só porque uma ecologista falou que suas partes eram pequenas, ou seja, falando do argumento em si, é algo que chega a ser risível, mas que acaba sendo meio que deixado de lado depois que tudo começa, e aí diria que com um bom orçamento o diretor conseguiu ir bem além e fazer com que o romancezinho funcionasse para as garotas sonhadoras por um homem rico que ousasse com ela. Ou seja, é um filme com uma produção grandiosa, aonde uma história que é simples e boba ganha uma temática quente que se desenvolve bem na tela, mas que quem for ligar para a arte em si acabará querendo matar todo mundo na metade do filme.

Vou falar das atuações de um modo bem simbólico, afinal sou contra dublagem de filmes com pessoas (mas defendo com unhas e dentes muitas animações!), e claro que se eu falar das vozes e das coisas ditas é capaz de exorcizar o longa por completo aqui, mas confesso que preferi ver em português do que a dublagem em inglês que ficou tensa só de ver o trailer, então quem sabe um dia eu dê o play nele em russo e melhore a trama. Diria que para um longa apimentado, Anastasiya Reznik aparentou ser nova demais, não tendo uma pegada que parecesse com a personagem Elsa, de tal forma que até tem seu charme nas cenas sexuais, mas nos atos de sedução mesmo ficou bobinha demais. Já Alexander Petrov entregou um ar bem imponente para seu Mateus, claro nos atos normais (a cena dele bêbado no final com o pai é algo que se o ator ver como a dublagem destruiu ainda mais sua cena é capaz de processar o país inteiro!), pois em alguns momentos também entregou um estilo meio garoto riquinho pode fazer tudo que o dinheiro puder pagar, e assim faltou presença dele para mudar essa interação. Quanto aos demais, tentaram fazer os pais de ambos os lados serem interessantes na tela, mas não foram muito além, porém o garoto que tem uma leve paixonite por sua amiga da faculdade, esse o longa conseguiu humilhar demais ele, então é melhor nem citar seu nome.

Visualmente como já disse o orçamento foi bem recheado, então tivemos uma mansão toda de vidro, muitos elementos cênicos sexuais bem marcantes, que poderiam ter sido mais usados, outras casas bem trabalhadas, alguns quartos de universidade bem bagunçados, e claro um parque ecológico que foi visto pelos ares e num barquinho romântico, isso sem falar do carrão mostrado em detalhes de vários ângulos, ou seja, a equipe de arte tinha o dinheiro para queimar como quisesse.

Enfim, é um filme que poderia ser bem pior, pois apenas a ideia em si é meio que jogada, agora com certeza irão fazer alguma continuação para desenvolver mais rixas, então veremos como vai rolar, e a dica que eu dou é que quem for conferir não esperar nada demais, que aí acaba sendo razoável, e claro quem entender o motivo de ter a cena de sadomasoquismo após subir o nome do filme no final me diga, pois não entendi a ideia ali. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais. 


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A Semente do Mal (Amelia's Children)

6/14/2024 09:48:00 PM |

Não lembro qual o último terror português que vi, mas posso dizer que o estilo de filme deles ao menos pelo que foi entregue com o que vi hoje em "A Semente do Mal" é de tramas que assuste pouco, impressione pela ideia e talvez choque com algumas cenas, não recaindo para nenhum caminho tradicional do estilo, e o que posso dizer sem encher o texto de spoilers é que a trama de tão bizarra acaba sendo interessante de ver, aonde brincaram bem com a famosa base de bruxas que precisam de sangue jovem para rejuvenescer, e no caso toda a sacada da genética e busca por parentes mundo agora que tanto anda na moda. Ou seja, quem for conferir deve esperar uma trama até que com uma boa dose de tensão, principalmente nos atos finais, mas se não curte algo sem grandes sustos ou impactos, acabará achando falta de algo na entrega completa.

A sinopse nos conta que ao lado de sua namorada, Edward decide desvendar os segredos a respeito de sua família biológica, com quem nunca teve contato. No entanto, o que parecia ser uma jornada de descobertas pelo Norte de Portugal rapidamente se transforma em um pesadelo indescritível. Edward logo percebe que os laços que o unem a sua família estão mergulhados em um segredo macabro, capaz de atormentar até mesmo os mais corajosos.

O diretor e roteirista Gabriel Abrantes até que mostrou saber bem como criar na tela os elos que precisava para que sua história não ficasse frouxa na tela, de modo que precisou claro de alguns atos de conversa mais explicativo, porém não forçou a barra com idas e vindas desnecessárias, e soube usar da bizarrice para que as cenas mais tensas funcionassem. Claro que alguns momentos poderiam impactar mais, porém para isso talvez o diretor precisasse ir para alguns rumos mais exagerados. Só acredito que o final ficou meio jogado se realmente se passa após os atos ou se foi algum tipo de lembrança, mas isso só o diretor para saber.

Quanto das atuações, Brigette Lundy-Paine foi bem dinâmica e impositiva com sua Riley, de modo que acaba fluindo mais no final do que no miolo com as descobertas que faz, e assim sendo poderia ser mais investigativa para criar alguns trejeitos mais fortes. Não conhecia o ator Carloto Cotta, mas ele me lembrou algum outro ator que não consigo lembrar quem, porém diria que foi muito bem em cena já que faz três papéis, e assim sendo seus Edward, Manuel e Artur acabam sendo intensos e bem colocados, e o melhor, ele trabalhou trejeitos e tons de vozes diferentes para que cada um fosse semelhante, mas diferente de personalidade, e assim mostrou ser um ator bem marcante na tela. Anabela Moreira foi toda trabalhada numa maquiagem marcante de modo que sua Amélia ficou bem velha e cheia das plásticas, assustando e se parecendo bastante com muitas mulheres que exageram em procedimentos estéticos, e seu jeito doce, porém sombrio acaba funcionando para o que o filme pedia. Já Alba Baptista apareceu bem pouco com a versão jovem de Amélia, e nem precisou falar nada na tela, mas agradou com dança e bons trejeitos. Ainda tivemos a participação especial de Rita Blanco como Sra. Vieira, mas apenas serviu para dar as ligações da trama.

Visualmente a equipe de arte escolheu um casarão bem antigo, porém imponente visualmente, com ambientes bem representativos, escuros, quartos velhos e corredores estreitos para dar um certo ar claustrofóbico, não tendo tantos elementos cênicos para detalhar, mas que funcionam para o que o filme precisava, e claro também mostrando uma Portugal bem rica de vegetação na tela.

Enfim, é daqueles filmes que até dá para recomendar, mas desde que se vá conferir esperando bem pouco dele, pois assim o resultado vai causar uma certa estranheza com as bizarras cenas finais, mas dava para ter ido mais além para impactar melhor, e claro ter trabalhado um pouco mais o personagem do velho preso. Mas é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto logo mais com outro texto, afinal hoje ainda vou encarar mais um.


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Uma Vida de Esperança (Ordinary Angels)

6/14/2024 12:52:00 AM |

Quem assiste muitos filmes consegue enxergar de longe o estilo da maioria das tramas, e antes mesmo de estrear, e sequer tendo visto um trailer do longa "Uma Vida de Esperança", eu já tinha apostado que seria daquelas tramas aonde ou você chora ou você se irrita com o que é mostrado na tela, pois o filme tem toda a onda tradicional de muitos que já vimos na Sessão da Tarde, tendo toda uma pegada clássica em cima de uma garotinha com uma doença, um pai completamente endividado com o tratamento da esposa que morreu, e agora sofrendo para pagar o tratamento paliativo até que ela consiga um transplante segue bem turrão com a ajuda de uma mulher que encontra como suprimento ao vício, se viciar em conseguir donativos para que a família da garotinha sobreviva ao caos financeiro, e claro à doença. Ou seja, o famoso filme aonde vários desconhecidos se juntam para ajudar alguém que não conheciam, mas que se juntos podem salvar alguém vão lá e fazem, que consegue emocionar quem tiver um coração um pouquinho mole, e que dessa vez não lavei a sessão, mas ainda assim foi bem emocionante ver os atos finais, principalmente depois de vermos algumas cenas reais do caso de 1993, que claro foram adaptadas para dar mais ênfase dramática.

O longa acompanha Sharon Steves, uma esforçada e determinada cabelereira que precisa diariamente lidar com seu vício em álcool. Para isso, ela encontra um novo senso de propósito quando se depara com a história de Ed Schmitt, um viúvo que trabalha duro para cuidar de suas duas filhas, sendo que a mais nova enfrenta uma grave doença. Determinada a ajudar a família Schmitt, Sharon move montanhas e também toda a comunidade da pequena cidade de Kentucky para conseguir um tratamento adequado para a criança, revelando uma inspiradora história de fé, milagres cotidianos e anjos comuns.

Quando falei das duas obras que assisti do diretor Jon Gunn já havia cantado a bola que quando acertasse a mão em fazer longas que tivesse a pegada religiosa, mas sem ser efetivamente um longa feito somente para religiosos iria decolar fácil trabalhando os motes de caridade, de ajuda ao próximo, de fé e tudo mais, e seria muita pretensão que ele teria lido meu texto, mas facilmente outros amigos próximos devem ter lhe orientado quanto a isso, tanto que aqui vemos a citação da igreja que frequentam só mesmo nos atos finais, e por um motivo justo que poderia ser qualquer uma, e assim sua trama ficou muito mais comercial, muito mais envolvente, e principalmente funcionando para que qualquer um que gostasse de um drama emocional envolvendo doenças se encontrasse dentro da entrega da trama, pois funciona bem, agrada, e tem pegada, que mesmo sabendo que a condução toda foi feita para que muitos chorassem com a situação, o resultado na tela não cansa, e assim sendo mostra uma boa evolução do estilo.

Quando vi que Hilary Swank faria a protagonista fiquei com um leve receio, afinal ela anda oscilando muito, não entregando mais atuações grandiosas como fez no passado, mas seus trejeitos combinaram demais com a personalidade de Sharon Steves, aliás quando vemos as fotos da verdadeira no final, é notável que a escolha foi perfeita, e ela soube trabalhar bem uma mulher persuasiva, com claros problemas de se viciar muito facilmente, e que mesmo fugindo da bebida acaba se viciando em ajudar, e mesmo isso sendo melhor, o excesso acabou pesando. Alan Ritchson trouxe um Ed Schimitt truculento, fechado, mas que se vê necessitado de ajuda aceitando até o limite máximo do excesso da protagonista, conseguindo passar um ar simpático e interessante de ver. As garotinhas Emily Mitchell com sua Michelle e Skywalker Hughes com sua Ashley foram bem doces e cheias de carisma, conseguindo comover fácil quem entrar na onda delas. Ainda tivemos bons atos com Nancy Travis com sua Barbara e Tamala Jones com sua Rose, mas sem grandes cenas para se destacarem, claro tirando os atos finais aonde todo mundo ajudou de alguma forma e entregou tudo.

Visualmente o que posso falar que ô cidadezinha sofrida essa do longa, primeiro um mega furacão destruindo quase todas as casas, depois nevascas gigantescas, de modo que vemos bem a vida simples da família em sua casa que não deseja vender de forma alguma, alguns atos em bares com a protagonista, e todo o seu trabalho de ir em bancos, hospitais, cortar muitos cabelos e tudo mais para conseguir doações para a família de um cara que não era nada seu, mas que acabou virando um grande amigo por toda a vida, e a equipe de arte detalhou bem o ano de 93, sem celulares e de difícil comunicação aonde a emissora da cidade foi muito utilizada para ajudar no ato final. Ou seja, um trabalho até que bem executado, que mesmo na simplicidade dos atos foi bem além.

Enfim, é daqueles longas que facilmente você assistiria numa Sessão da Tarde quando estivesse passando na TV, que tem claro um mote emocional mostrando muito de como o sistema de saúde dos EUA é caríssimo, todas as dificuldades das pessoas que precisam de transplantes, e que consegue cativar o público a promover o bem, independente a quem, e assim sendo vale a indicação para todos conferirem. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - O Royal Hotel (The Royal Hotel)

6/11/2024 10:24:00 PM |

Se na proposta do último filme da diretora Kitty Green, "A Assistente", ela foi bem de ideias, mas não conseguiu passar a mensagem para pessoas fora do meio audiovisual, em seu novo longa "O Royal Hotel", que pode ser conferido também na Amazon Prime Video (assim como o anterior), ela demonstra que tem boas ideias, mas não sabe como finalizá-las ou entregá-las de uma forma coerente para que o público se conecte com elas e sinta algo a mais pelo que viu, pois aqui temos duas jovens mochileiras que ao acabar a grana vão para o Outback australiano, e vivendo em um bar rústico cheio de mineradores da redondeza acabam surtando e só, tendo um fechamento explosivo, aonde ocorre bem o clímax da trama, mas não desenvolve ele, ou seja, é um filme de 91 minutos que talvez com 120 acabaria melhor, ou ao menos desenvolveria tudo, mas não, a diretora simplesmente acaba e uhu, seja feliz. Claro que dá para tirar algumas lições e motes de tudo, mas é quase como se alguém lhe perguntasse se você gosta de cinema, você responde "sim, adoro", e a pessoa retruca "ok!", e vai embora, pois esse foi o sentimento que tive com o fechamento da trama.

A sinopse nos conta que as mochileiras canadenses Hanna e Liv aceitam um emprego no remoto pub australiano Royal Hotel para ganhar um dinheiro extra depois de ficarem sem dinheiro durante a viagem. Quando o comportamento dos habitantes locais começa a ultrapassar os limites, as meninas ficam presas em uma situação que rapidamente foge de seu controle.

Claro que comecei o texto reclamando do que a diretora e roteirista Kitty Green fez, mas também tenho de relevar que conseguiu extrair as ideias de um documentário original sobre os bares do Outback australiano, ou seja, meio como se alguém fizesse um tour pelos bares do interior do interior do nosso país e você colocasse duas garotas bonitas no meio de brucutus para trabalhar lá servindo bebida para eles, já sabendo bem para que rumos a trama rumaria, mas dava para desenvolver um pouco mais todo o sentimento de medo da protagonista, de aventura da amiga, de saber talvez um pouco mais como eram suas vidas no Canadá, e muito mais para que o recheio fosse melhor elaborado e influenciasse na finalização explosiva, que até é bem coerente, porém ficou faltando ou alongar mais o final para que as coisas se fechassem de uma forma melhor, ou como disse dar propriedade para os sentimentos delas, pois apenas encerrar ficou parecendo muito algo que acontecia bastante no passado, e não mais atualmente do diretor de fotografia chegar no ouvido do diretor e falar: "só tem mais um rolo de película, então resume aí para acabar!", e você inventava qualquer besteira e pronto, que foi o que rolou aqui.

Quanto das atuações, diria que Julia Garner conseguiu passar bem trejeitos de medo do assédio, e uma certa preocupação com tudo o que estava rolando ali no local com sua Hanna, de modo que convence bem com olhares e imposições. Já Jessica Henwick fez de sua Liv uma personagem mais solta, e que bebendo muito fica ainda mais jogada para tudo, de modo que convence com a entrega, mas também passa no semblante a inocência para com o mundo. Ainda tivemos Ursula Yovich entregando uma Carol bem densa, cheia de imposições, Hugo Weaving bem incisivo na entrega de seu Billy muito bêbado, Tobby Wallace fazendo claro o bom camarada para tentar um algo a mais com seu Matty, e James Frecheville bem centrado com seu Espeto, mas claro o destaque entre os secundários ficou para Daniel Henshall com seu Dolly de olhares firmes que chegam a dar medo mesmo como a protagonista sente na tela.

Visualmente o ambiente árido do Outback australiano deu um bom clima para a trama, ressecando até os sentimentos dos personagens, tendo um oásis bem colocado aonde os protagonistas vão para se refrescar, e claro toda a base dentro de um bar (ainda estou tentando entender o nome de hotel, já que nem quartos direito tem para as garotas), com muitas bebidas simbólicas, uma registradora bem rústica das antigas, cobras dentro de garrafas e tudo mais para simbolizar bem um ambiente quase que jogado da trama, de modo que funcionou sendo bem representativo.

Enfim, é um filme seco que prende bem o espectador, mas que finaliza tão rápido que nem dá tempo de desenvolver algo a mais, ou melhor até temos um bom desenvolvimento cênico, mas não causa algo a mais com o final escolhido, e isso acaba sendo um desapontamento bem grandioso para com o resultado da trama, de modo que até vale uma recomendação desde que se não espere nada dele. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Ordem do Tempo (L'ordine Del Tempo) (The Order of Time)

6/11/2024 12:22:00 AM |

O mais interessante do cinema italiano é que ele possui tantas facetas, que mesmo um longa simples e dialogado quase como uma grande peça teatral, acaba sendo gostoso e inteligente de ver na tela, pois conseguem permear ideias de Física, romance e passado tudo numa vertente descontraída com bebidas, e um dia passa completamente fácil. Claro que muitos vão assistir e achar algo muito chato, mas quem se deixar levar pela ideia do longa "A Ordem do Tempo", que estreia na próxima quinta 13/06 nos cinemas, irá até concordar com o protagonista que o tempo é relativo e se você imaginar ele nem existe, ainda mais num dia repleto de amigos, antigas paixões, com a possibilidade de um asteroide gigante dizimar todo mundo naquela noite. Ou seja, é um filme bem simples, que consegue ser gracioso pelo envolvimento dos diálogos, aonde claro todos num primeiro momento ficam bem preocupados com a possibilidade da morte iminente, mas depois os assuntos revelados entre cada um acabam pesando mais do que uma simples pedrona.

O filme acompanha um grupo de amigos que se encontra todos os anos para celebrar um aniversário. Este ano, em uma vila à beira-mar, algo está diferente: eles descobrem que o mundo vai acabar em apenas algumas horas. Após a notícia bombástica, estranhamente, o tempo que lhes resta parece acelerar e, ao mesmo tempo, permanecer interminável.

Pasmem o filme é baseado em um livro de Física com o mesmo título do filme de Carlo Rovelli, que é conhecido por sua interpretação relacional da mecânica quântica e já escreveu diversos livros sobre o tema, aonde a cineasta Liliana Cavani leu e se apaixonou pela ideia de transformar em uma obra de ficção, ou seja, pegou algo cru e desenvolveu tão bem que facilmente vejo outros cineastas que irão pegar sua ideia e transformar em tramas nos seus países (só aguardem!), e também vejo ele muito bem desenvolvido para ser uma peça teatral simples, direta e que contando com bons atores ficará brilhante, afinal o poder da trama está toda no diálogo, que mesmo se passando numa casa de praia paradisíaca, poderia ser adaptado para qualquer ambiente, pois a parte mais difícil que foi transforma Física em Cinema já foi feita. Ou seja, com planos bem densos aonde vemos a interação de todos os personagens entre si ou por vezes em duplas, a diretora e roteirista conseguiu extrair bem expressividades e dinâmicas para que seu filme nem se alongasse ou fosse rápido demais, mas como o tempo é relativo segundo a temática, foi feito na medida.

Quanto das atuações não vemos nenhuma explosão chamativa por parte de nenhum ator, mas todos em conjunto conseguiram dominar bem as dinâmicas para que o filme funcionasse por completo, de forma que cada síntese e olhar representa bem uma vivência entre amigos, e claro o fim do mundo próximo. O mais interessante é que o protagonista e físico principal que tem uma paixão retraída por outra amiga, é o que menos se expressa de maneira mais imponente, e assim sendo Edoardo Leo parece ser meio tímido e fechado demais, que talvez até tenha sido a ideia da diretora, mas poderia se expressar mais com um ar preocupado e surtado um pouco mais com seu Enrico. Claudia Gerini como Elsa deu uma boa entrega de aniversariante, e também puxou as ações de falar tudo o que tinha para soltar após o anúncio do fim do mundo de um modo bem direto, o que acabou sendo divertido e bem encaixado para a ideia toda. Francesca Inaudi foi a que mais saiu do ambiente da casa, indo para um convento conversar com sua amiga freira, e trabalhando um pouco mais o debate de fé e rezas num momento como o que se passa, de modo que sua Giulia também acabou entrando no climão da dona da casa, e fez bem seus trejeitos. Ainda tivemos muitos outros bons atores, mas como disse a maioria trabalhou a dinâmica toda sem explodir, então nem tenho muito o que destacar de cada um individualmente.

Visualmente a trama fica praticamente toda na casa de praia da protagonista, tendo algumas conversas na sala de estar, outras na varanda, algumas em quartos e poltronas espalhados, e as mais finais mesmo na praia em cima de um barco, além de alguns atos no convento, tendo algumas pegadas com carros de luxo, alguns momentos com bebedeiras e drogas, mas tudo bem básico e objetivo apenas para dar o tom das conversas, ou seja, a equipe de arte foi bem econômica, tendo apenas o ato do asteroide mesmo no final para dar um ar mais técnico, porem tudo facilmente executável em um teatro como sugeri no começo.

Enfim, é uma trama que pegará um público diferente, pois é um tema que até tem um arco dramático interessante que é o fato do fim do mundo, de usar o tempo restante com quem você gosta realmente, de contar algo que nunca contou para ninguém nos minutos faltantes, e assim a ideia flui bem na tela, de modo que quem gosta desse estilo entrará bem no clima, porém não esperem um filme explosivo com situações tensas e tudo mais, que não é bem essa a pegada, de tal forma que como falei vai parecer uma grande peça teatral bem feita. Então fica a dica de recomendação para ir aos cinemas a partir do dia 13/06, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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O Cara da Piscina (Poolman)

6/09/2024 10:07:00 PM |

Já virou algo bem comum em Hollywood, e não é de hoje, que grandes astros de filmes ao se cansarem de estar somente atuando resolvam que devem dirigir um filme, seja para experimentar novas emoções, por achar que só ele é competente para desenvolver alguma história que tenham nas mãos, ou simplesmente para inflar ainda mais seu ego, e isso é algo muito perigoso, pois costumo falar que um roteiro é bom passar nas mãos de outras pessoas até chegar na telona, pois se o pai da criança não solta o filho o resultado dificilmente acaba sendo bom na tela, e dessa forma acabam evitando que coisas estranhas virem algo sem nexo para o público. E comecei o texto do longa "O Cara da Piscina" dessa forma pelo simples motivo de ainda estar tentando entender o que vi hoje no cinema, pois é um filme maluco, com situações abstratas totalmente sem sentido, misturando filosofia, investigação, cartas, terapia e manipulação criminosa, aonde tudo parece uma bagunça visual que até pode fazer algum sentido na tela, mas para isso você precisará estar bem chapado, do contrário a sensação que dá é que você entrou para ver algo sem saber o que era, e saiu do mesmo jeito que entrou. Ou seja, diria que a estreia do famoso capitão Kirk como diretor e roteirista foi algo que ele deve ter visto em outra galáxia e nós meros humanos que lutemos para entender.

O longa narra a história de Darren Barrenman, um nativo de Los Angeles cuja vida gira em torno da piscina do apartamento Tahitian Tiki, onde trabalha enquanto luta para melhorar sua cidade natal. Quando uma misteriosa "femme fatale" o encarrega de desvendar um esquema duvidoso, Darren une forças com seus amigos para enfrentar um político corrupto e um ganancioso empreendedor imobiliário. Ao mergulhar na investigação, ele descobre não apenas segredos sombrios sobre Los Angeles, mas também sobre si mesmo.

Como comecei o texto nem dá para falar que gostei da experiência de estreia de Chris Pine na direção e no roteiro, pois pareceu que quis trabalhar demais um lado abstrato que nunca havia experimentado como ator, e o resultado ao invés de parecer uma obra intensa e chamativa ficou mais próximo de algo absurdo cheio de erros e loucuras, que não mostra nem segurança cênica, muito menos algo cheio de metáforas que talvez fosse sua intenção. Ou seja, costumo dizer que quando alguém quer iniciar como diretor e roteirista, escolher um tema fácil sem muitos vértices é a melhor opção, mas como falei no começo, muitas vezes o ego sobe para a cabeça, e a pessoa acha que está arrasando na ideia completa, e quando acaba o resultado não chama a atenção devida. É até difícil dizer como daria para consertar a trama para algo mais funcional e interessante, mas talvez nas mãos de alguém mais imponente o resultado até com Chris atuando seria mais interessante.

Quanto das atuações, Chris Pine que quase sempre é considerado um galã em seus filmes, entregou um Darren bem excêntrico, com uma cabeleira e barba gigante, roupas estampadas sem combinação alguma com shortinhos curtos, com diálogos malucos e bizarros que facilmente podemos imaginar ser um daqueles mendigos com placas do fim do mundo estar próximo, que claro tem uma entrega boa na tela, afinal ele é um bom ator, mas o personagem em si parece completamente fora do eixo. Por muitas vezes fiquei na dúvida se a personagem de Annette Bening, Diane, é apenas a terapeuta do protagonista ou é sua mãe ou algo do tipo, pois acontecem diversas conexões e ela sempre presente, que acaba ficando estranho de ver, mas a atriz como sempre trabalha uma presença cênica bem colocada, e diverte ao menos. Danny DeVitto é sempre cheio de traquejos com os personagens que faz, e aqui seu Jack até incomoda com o tanto que fala, parecendo que não desligava de forma alguma, o que acaba soando cansativo, mas como o longa é maluco por completo, fez bem em estar conflitivo na tela. Ainda tivemos bons atos espalhados de Jennifer Jason Leigh com sua Susan, namorada do protagonista, mas nem ela mais aguentando seu jeitão, Stephen Tobolowsky bem colocado tanto como líder da câmara da cidade quanto como uma drag numa peça, John Ortiz bagunçando tudo com seu Wayne e depois um policial, mas quem se portou mais cheia de classe e mereceu o destaque foi DeWanda Wise com sua June, toda elegante e chamativa, com um ar misterioso e sedutor para cima do protagonista.

Visualmente a trama brinca com o protagonista em seu trailer dentro de um agrupamento de apartamentos, cuidando de sua piscina com muita técnica e paixão, em atos alucinógenos dentro da mente do protagonista com imagens de árvores e lagartos, o apartamento chique de June, e a câmara da cidade que vira um misto de cinema também, ou seja, a equipe de arte trabalhou as loucuras junto do protagonista, e praticamente se perdeu com o que deveria mostrar realmente, sendo algo complexo e bem maluco como resultado da entrega.

Enfim, é um filme que tenho certeza que alguns vão achar revolucionário, cheio de ideias que vertem para isso ou aquilo, que a estreia do ator na direção foi incrível e tudo mais, mas para o meu gosto pessoal quase me fez dormir na sala do cinema, e isso é algo que não consigo indicar para ninguém, então vá conferir outros longas que indiquei que estão passando que é bem melhor do que gastar dinheiro com longa sonífero. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Sob as Águas do Sena (Sous La Seine) (Under Paris)

6/09/2024 04:23:00 PM |

O que mais me incomoda em filmes de tubarões é ficarem criando perspectivas e situações fora dos bichões, tipo romances e conversinhas fiadas, mas quando isso é deixado de lado, o resultado acaba sendo bem interessante de ver, mesmo que forcem a barra com matanças e tudo mais. E a trama do longa da Netflix, "Sob as Águas do Sena", brincam bem com toda essa ideia, irá deixar os nadadores da maratona aquática e do triátlon da próxima Olimpíadas meio que tensos (O Comitê Olímpico Internacional com certeza irá jogar um processinho na plataforma, por divulgar algo assim tão perto das Olimpíadas), e consegue trabalhar toda a loucura que é a adaptação de um ser do mar em água salgada, reproduzindo sem parar, e mais do que isso, ainda foram bem espertos em mostrar todo o armamento da Segunda Guerra que se encontra no fundo do rio. Ou seja, é uma trama completa que muitos vão atacar e criticar pelos exageros, mas que costumo dizer que nesse estilo se você não forçar a barra acaba entregando um longa morno e sem graça, ao menos não quiseram dar uns chutes nos bichões, pois aí seria outra franquia.

A sinopse nos conta que no coração de Paris, no verão de 2024, pela primeira vez os parisienses irão sediar o anual Campeonato Mundial de Triatlo, uma famosa competição de natação no lendário rio Sena. Porém, os planos estão prestes a mudar quando a ativista ambiental Mika nota uma estranha agitação no rio. É com urgência que ela alerta a cientista Sophia que um grande tubarão está nadando nas profundezas do rio Sena. Apesar de desacreditada, o terror se instaura, e a competição se torna uma luta pela sobrevivência. Para evitar um banho de sangue no coração da cidade, elas precisam se juntar ao chefe de polícia Adil. Em uma corrida contra o tempo, o trio precisa encontrar uma maneira de neutralizar o tubarão e garantir a segurança dos competidores e espectadores, enquanto enfrentam a incredulidade das autoridades e o pânico crescente entre os habitantes de Paris.

O mais interessante de tudo é que o diretor e roteirista Xavier Gens tem essa pegada boa para terror, e aqui conseguiu segurar até que bem a tensão, pois facilmente ele poderia deixar só as cenas de sanguinolência e deixar de lado toda a ambientação de densidade dramática, mas optou por algo bem misto, contando tudo tintim por tintim para que o público entendesse o trauma da cientista, como é o fundo do rio cheio de artefatos bélicos, como age um político interessado em aparecer num caso desse estilo, e por aí vai, de modo que seu filme acabou ficando completo e bem trabalhado. Claro que quem curte uma trama sem forçar a barra por total irá reclamar de tudo, da computação gráfica até dos diálogos, mas como costumo dizer em filmes desse estilo você tem de abstrair a realidade e curtir a loucura para se envolver com tudo, e nesse sentido vemos planos ousados debaixo da água, vemos todo um desespero bem alocado em cima dos figurantes e dos protagonistas, e assim sendo o resultado mesmo que preparado para uma continuação, se fecha bem e empolga, coisa que muitos filmes do gênero acabam esquecendo de fazer.

Quanto das atuações, sabemos que Bérénice Bejo é uma atriz bem completa, que faz desde longas artísticos complexos à produções que sejam apenas de entretenimento (afinal até para os artistas os boletos chegam!), e aqui ela se doou bastante para sua Sophia, criou olhares e tensões bem colocadas, conseguiu se envolver bem nas situações aonde os bichões aparecem (o que é bem difícil de se expressar, já que está embaixo d'água e não existe nada ali, já que os tubarões só foram colocados com computação!), e assim sendo consegue chamar muita atenção, protagonizando realmente a trama como deve ser, ao ponto que chorou, gritou, sangrou e tudo mais, no pacote completo de uma boa atuação. Só tinha visto antes um filme que Nassim Lyes participou, então não vou afirmar que já é alguém marcante no cinema francês, mas aqui conseguiu ser um policial até que calmo demais com seu Adil, trabalhando sem truculências nem exageros nos olhares, que deram um tom bem colocado para a proposta toda, mas que muitos vão ficar esperando seu relacionamento com a protagonista pelos olhares trocados, isso vai, e já decepcionando todos, não aconteceu, mas quem sabe na continuação, pois o ator tem um estilo meio romantizado, e deve funcionar nesse sentido. Quanto aos demais personagens, muitos se entregam na tela e conseguem chamar atenção, mas dentro da proposta vale destacar Anne Marivin como a tradicional prefeita que só quer ver a festa não ligando para o que as autoridades do assunto falam para ela, e também a jovem Léa Léviant com sua Mika que também não ouve quem entende do assunto e vai fazer arte na frente dos tubarões, mas funcionaram dentro da proposta, então agradaram em cena, já os demais policiais vale destacar seus olhares expressivos de medo, que agradaram bastante, então acertaram com o que tinham de fazer.

Visualmente a trama passeou pelas catacumbas de Paris, teve muitas cenas embaixo d'água, muito uso do bote da polícia fluvial da cidade, um aquário bem trabalhado, computadores de monitoramento de tubarões, uma ONG com projetores e muitos jovens, e até uma ilha de lixo no meio do mar, tudo bem representativo para causar sensações no público. E falando em sensações, a equipe de maquiagem foi muito bem usada nas próteses, muito sangue nas águas para causar a impressão do ataque mortífero, e o resultado acabou sendo até mais realista do que computacional, o que acabou agradando bastante.

Enfim, é um filme que teve pegada, não se alongou na tela, e serve até mais do que um passatempo simples de domingo a tarde, valendo a indicação para quem curte filmes de tubarões bem trabalhados, e mesmo sendo classificado como terror pela sanguinolência na tela, não é algo que vai traumatizar quem não curte o estilo, então fica a dica de conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vou pro cinema conferir a última estreia que falta da semana, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Na Terra de Santos e Pecadores (In The Land of Saints and Sinners)

6/09/2024 02:10:00 AM |

É até engraçado falar de um longa com uma pegada de faroeste se passando na Irlanda, mas a estreia dessa semana da Amazon Prime Video, "Na Terra de Santos e Pecadores", tem bem esse mote, claro que contando com nosso atirador preferido no papel principal, mas aí é que entrou o principal problema, pois muitos que forem dar play achando que verão um drama de ação com as pegadas tradicionais dos longas que contam com Liam Neeson acabarão um pouco decepcionados, pois como costumeiramente ocorre com faroestes, a cadência é bem mais lenta, e assim sendo o filme tem mais nuances e desenvolturas, aonde o carismático ator faz suas amizades e conflitos, e que claro para defender alguém, vai botar muitos debaixo da terra. Ou seja, é um filme intrigante que mistura um pouco dos conflitos de Belfast, com os acordos de morte do interior do país, aonde mexer com os vizinhos e amigos de um soldado aposentado é mexer com ele, e assim o resultado consegue prender quem curte o estilo sem precisar de correrias.

A sinopse nos conta que em um remoto vilarejo irlandês, Finbar é forçado a lutar pela redenção após uma vida inteira de pecados, mas que preço ele está disposto a pagar? Na terra de santos e pecadores, alguns pecados não podem ser enterrados.

O diretor Robert Lorenz pode dizer que gosta de trabalhar com lendas, pois iniciou com Clint Eastwood em 2012, ficou anos apenas produzindo, voltando a dirigir em 2021 com Liam Neeson e agora retorna com o ator de ação como protagonista, e o mais interessante de ver em seus longas é que ele gosta dessa pegada meio faroeste, em comunidades afastadas dos grandes centros, com nuances quase rurais, mas aonde vivem homens e mulheres problemáticos, e isso pode ser considerado um estilo bem próprio que funciona na tela, porém aqui como tem meados do caos que terroristas causaram na Irlanda, ele poderia ter dado uma dinâmica um pouco mais acelerada, para que tudo fluísse melhor, e tivesse uma densidade mais própria dos longas do protagonista.

E falando das atuações, diria que Liam Neeson entrou num modo automático já faz algum tempo, de forma que todos os seus personagens sempre tem traquejos e sínteses que já sabemos bem como irá se movimentar dentro da trama, e aqui seu Finbar tem o ar de brucutu do campo que costuma fazer bem, defendendo claro todos os amigos e vizinhos, mas sem fluir muito na tela, sem sair correndo por aí afora, e claro dando bons tiros, de modo que traz para si o longa, mas sem forçar a barra como costuma fazer. Kerry Condon trabalhou sua Doireann bem cheia de imponência e intensidade, mostrando que muitas mulheres do IRA eram até mais duronas que muitos homens, e sabendo se defender bem botou banca na tela e agradou. Quanto aos demais, cada um dos personagens procurou se desenvolver bem na tela, tendo Ciarán Hinds o traquejo tradicional dos policiais do interior, sem muita atitude para fazer acontecer, Desmont Eastwood trabalhando um Curtis com traquejos de abusador, mas ficando muito em segundo plano para não precisarem usar ele, e assim acaba que o destaque fica mesmo para Jack Gleeson com seu Kevin cheio de sacadas e desenvolturas, que merecia mais momentos na trama, mas como sobreporia o protagonista, fez bem sem dominar o ambiente.

Visualmente a vila é remota ao extremo, com casas bem espalhadas e solitárias, muitas armas fortes, bombas, um tradicional bar aonde toda a cidade se reúne, um campeonato esportivo meio ao longe, carros de época bem bacanas de ver, e claro a floresta de corpos que o protagonista cria com seus crimes, sendo quase um ambientalista com a quantidade de árvores ao redor mostrado. Ou seja, a equipe de arte criou o básico para retratar os anos 70 na Irlanda, mas sem grandes gastos, de forma que ficou simples, porém eficiente de ver.

Enfim, é daqueles longas que quem gosta do ator vai curtir sua pegada tradicional, e quem gosta de faroeste até vai se sentir representado com o que verá na tela, mas quem for dar play esperando um algo a mais acabará um pouco decepcionado, pois o filme não entrega nada além do comum, e assim sendo recomendo ele com algumas ressalvas que já falei acima. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Bad Boys: Até o Fim (Bad Boys Ride or Die)

6/08/2024 10:22:00 PM |

Claro que fui conferir "Bad Boys: Até o Fim" esperando um longa de ação básico bem feito, nos moldes tradicionais da franquia, aonde até dá para se divertir, e não saí decepcionado com a entrega, pois mesmo sendo bem simples, acabou parecendo que os diretores não quiseram entregar algo mais imponente na tela. Ou seja, se em 2020 tivemos algo que renovou bem a franquia, e trouxe o estilo de ação cômico na medida para a tela, aqui vemos algo que mesmo não parecendo cansado na tela, entrega algo básico demais, como um episódio de uma série bem fechado só que em quase duas horas. Mas isso não significa que é ruim, afinal acostumamos na infância a ver tramas com essa pegada de um episódio recheado de ação, para depois vir outro e assim sucessivamente, só acredito que dava para ter trabalhado um pouco mais o roteiro para que todas as situações não fossem tão rápidas e fechadas, pois aí daria para curtir um pouco mais sem ser apenas cômico e simples demais.

O longa mostra como os detetives mais famosos de Miami, Mike Lowrey (Smith) e Marcus Burnett (Lawrence), enfrentam uma reviravolta dramática: agora, eles que são os mais procurados! A caça virou o caçador e com direito a um prêmio pela suas cabeças. Com uma mistura característica de ação eletrizante e comédia escrachada, os dois lutarão lado a lado contra tudo e contra todos até o fim para proteger a reputação do capitão Howard e limpar seus nomes. Prepare-se para ver os Bad Boys preferidos do mundo enfrentando todos os obstáculos em uma aventura emocionante de tirar o fôlego.

Os diretores belgas Adil El Arbi e Bilall Fallah voltaram após "Bad Boys: Para Sempre", agora com o quarto longa da franquia, e não desapontaram ao menos no quesito explosões e ação, de tal forma que o filme se sustenta com muita câmera na mão, atos em primeira pessoa e dinâmicas que quase fizeram o longa virar um grande jogo de videogame, o que não é ruim, afinal é sempre bom dar uma repaginada no estilo, porém se no terceiro filme vimos algo marcante e cheio de presença, quase como uma homenagem aos fãs da franquia, aqui ficou parecendo que o dinheiro fez eles irem gravar apenas por fazer, não tendo criatividade alguma nos diálogos, contando uma história que ninguém é bem apresentado na tela, mas que funciona, então alguns vão adorar a ideia, vão rir das piadas e sacadas, mas muitos vão sair da sessão achando que foram ludibriados pelos protagonistas para algo comum demais, e essa foi a sensação que tive da escolha da direção.

Quanto das atuações, já disse isso algumas outras vezes, mas gosto de ver Will Smith atuando, pois ele se joga por completo, trabalha trejeitos simples de formas mais amplas e aqui com seu Mike que tanto já fez dele famoso acaba se jogando por completo, fazendo bons atos e o principal: se divertindo em cena, que fica nítido quando um ator entrega um personagem que gosta de fazer, e para ele é esse. Martin Lawrence também se divertiu bastante com seu Marcus, demonstrando atitude em seus trejeitos, e sabendo bem aonde se jogar cenicamente para que ficasse divertido e entrasse no clima para o público, de tal forma que até acaba exagerando um pouquinho, mas não incomoda na tela. Ainda tivemos muitos personagens secundários bem trabalhados na tela, que já apareceram nos outros filmes, tendo destaques bem rápidos para Vanessa Hudgens com sua Kelly, Alexander Ludwig com seu Dorn, Paola Núñez com sua Rita e até Joe Pantoliano com seu Capitão Howard, mas quem entrou mais no clima foi Eric Dane como o vilão do longa James McGrath, que tentou ir um pouco mais além na tela, mas apenas fez caras e bocas sem ir muito além, e Jacob Scipio bem trabalhado com seu Armando bem cheio de nuances na tela. 

Visualmente a trama tem uma boa pegada, usando claro a base das ruas de Miami, algumas cenas dentro de um avião bem recheadas de ação, tiros e tudo mais, mais uma grande cena de tiroteios e envolvimentos dentro de um parque fechado de jacarés/crocodilos, e algumas interações na casa dos protagonistas, em um hospital e na casa-barco de Dorn, mas sem grandes sobressaltos, isso sem falar no começo com o casamento do protagonista, e o fechamento com um churrasco em um parque, sendo algo básico bem feito, recheado de tiros e explosões, e muita interação com as câmeras para conseguir boas dinâmicas.

Enfim, é um filme que muitos elogiaram falando ser o melhor da franquia, mas que ao meu ver ficou abaixo do anterior, que aí sim tivemos uma volta gloriosa dos personagens, ou seja, não é algo ruim de ver, mas que serve mais como um passatempo do que como cinema propriamente dito, então quem gosta dos personagens até vai se divertir e rir das situações, mas quem não for fã, não será com esse que irá virar. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto mais tarde com outras dicas, então abraços e até logo mais.


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