Netflix - Por Um Corredor Escuro (Down a Dark Hall)

1/21/2021 12:37:00 AM |

Uma coisa que está virando bem costumeira em muitos longas (e não é só no mundo do streaming) é que os diretores tem investido todas suas fichas nos momentos finais de suas tramas, criando surpresas, explosões, revelações e tudo mais, que muitas vezes em momento algum do longa tinha rolado sequer essa possibilidade, ou seja, acabamos vendo quase que dois filmes, um durante toda a exibição e outro nos 10-20 minutos finais, e vão ter aqueles que vão se apaixonar pelo resultado final e até esquecer todos os demais problemas, enquanto outros vão torcer para quem sabe vir uma sequência para suprir esses erros. Digo isso não como alguém inconformado com o estilo, pois até gosto de umas surpresas no fim dos longas, mas sempre torço para no miolo acabarmos entrando no clima também, e não é o que anda acontecendo, e aqui no longa que já é um pouco antigo, mas entrou em cartaz na Netflix nessa semana, "Por Um Corredor Escuro" vemos bem toda essa situação, pois basicamente a trama tem o tom de terror por trabalhar com espíritos, mas quando chegamos realmente no ponto base que é o conflito da trama já tudo começa a ruir, e já encerramos o filme. Ou seja, a ideia de ter espíritos querendo se apossar por algum motivo (que é melhor eu nem dar esse spoiler, senão o filme inteiro acaba) é boa, conhecermos os poderes mediúnicos de alguns personagens também entrega como algo interessante, mas faltou talvez isso ocorrer na metade, e aí sim a jovem buscar alguma ajuda, e não apenas 10 minutos de correria, que até chegam a dar um leve arrepio, mas nada que vá muito além.

A sinopse nos conta que Kit é uma garota problemática que é enviada ao Internato Blackwood, comandado pela misteriosa Madame Duret. Enquanto explora os corredores da escola, Kit e suas colegas acabam descobrindo que a grande mansão esconde um segredo antigo terrível.

O mais engraçado de tudo é pensar que o diretor Rodrigo Cortés tem bons longas em sua filmografia, e já acertou muito a mão no passado, porém aqui ele até trabalhou bem a dramaticidade do ambiente, foi inserindo aos poucos os espíritos, mas não elucidou o que queria realmente mostrar com as aparições deles, deixando meio que no ar como se a jovem protagonista fosse alguém diferenciado por estar vendo eles, e não pelo que acabou sendo mostrado no final. Ou seja, a ideia completa é boa, mas faltou desenvolver ela logo nos primeiros atos, e assim talvez ir para outros rumos mais interessantes, como quem eram os espíritos do mal, algum estilo de tráfico que a diretora faria com as peças, e por aí vai, que aí sim o filme teria um grande fluxo, e o resultado além de ser assustador pela interessante possessão criada, também daria medo e sustos melhores desenvolvidos.

Sobre as atuações, diria que não tivemos nenhum ato surpreendente de nenhuma das integrantes, e isso é algo ruim, pois costumo dizer que o sucesso de um filme de terror depende quase que 50% dos atores acreditarem no que está acontecendo, e a protagonista AnnaSophia Robb até tentou em alguns atos se desvencilhar dos espíritos e fazer caras estranhas, mas na maior parte do tempo parecia até afim de um bate papo com eles, ou seja, falhou. Todos sabemos o quanto Uma Thurman é uma tremenda atriz, mas aqui sua Madame Duret ficou seca demais, tendo alguns momentos até que joga alguns olhares intimidadores para as garotas, e já próximo do final encara uma loucura mais desenfreada, mas não empolgou. O jovem Noah Silver até tentou emplacar um par romântico com seu Jules, e trabalhou alguns sotaques para parecer que estudou fora, porém a trama não deu muita oportunidade para ele, e somente no final que vemos uma grande explosão de sua parte, mostrando um pouco mais de serviço. Quanto aos demais, até vimos uma ou outra presença de impacto nos olhares da governanta do local vivida por Rebecca Front, as garotas Isabelle Fuhrman trouxe uma certa personalidade meio recatada demais para sua Izzy, e Victoria Moroles criou uma Veronica meio brucutu demais para uma rebelde, de modo que suas cenas finais até caíram muito bem para a personagem, mas nada demais que surpreendesse, ao ponto que certamente quando virmos algum outro filme com os atores, iremos ficar tentando lembrar o que fizeram aqui, pois foi algo esquecível.

Visualmente ao menos o longa fez um belo trabalho, indo para um gigantesco casarão, que realmente parece mais casa de filme de terror do que uma escola, com um jardim repleto de vidros (aliás ocorre um grande erro de uma das cenas finais ser mostrada logo no começo, o que acaba sendo uma falha estranhíssima e sem sentido), dentro da casa tivemos ambientes muito bem desenhados também, com uma biblioteca cheia de detalhes sinistros, um hall imenso incrível, uma sala de música bem trabalhada com aparelhos antigos, e claro os quartos das jovens bem estranhos, ou seja, um trabalho da equipe de arte bem primoroso que acaba agradando e funcionando bastante, e mesmo com os espíritos aparecendo meio que de forma estranha, todos deram tons bem intensos para eles com bons figurinos ao menos.

Enfim, não posso dizer que é um longa ruim, mas também de forma alguma posso falar que foi algo bom de ver, parecendo tudo estranho demais no início e no miolo, e corrido demais no final para explicar tudo, e assim sendo diria que recomendo ele com tantas ressalvas que é melhor nem conferir, então fica a seu cargo se quer gastar 96 minutos com esse longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Os Segredos Que Guardamos (The Secrets We Keep)

1/20/2021 01:40:00 AM |

Diria que é uma pena que o filme da Amazon Prime Video, "Os Segredos Que Guardamos", não foi ainda mais para o lado do suspense/tortura, pois veríamos algo ainda mais intenso que toda a dramaticidade passada, pois não digo que o que foi mostrado tenha sido ruim, muito pelo contrário, a trama tem uma intensidade por parte da protagonista num nível incrível que ficamos afoitos para saber realmente a verdade, se ela está maluca ou se o cara não quer revelar sua verdadeira face, e isso trava bem o longa, com situações fortes, muita falsidade nas investigações que a protagonista faz com a esposa do acusado, e toda uma desenvoltura tão marcante que ficamos impressionados com tudo, e claro torcendo para um bom desfecho (que realmente esperava acontecer algo diferente do que rolou, mas não foi ruim!). Ou seja, é daqueles filmes tão bem feitos, que ficamos nervosos com os acontecimentos, acabamos conversando com a TV, e até criamos certa torcida, mas que certamente mesmo sendo arriscado acredito que faria o mesmo que a protagonista, pois muito do que aconteceu na 2ª Guerra traumatizou várias pessoas, e apenas relevar é pouco ao ver alguém semelhante ao seu abusador.

O longa se passa nos Estados Unidos pós-Segunda Guerra Mundial, e nos mostra que uma mulher, reconstruindo sua vida nos subúrbios com seu marido, sequestra seu vizinho e busca vingança pelos crimes de guerra hediondos que ela acredita que ele cometeu.

Não posso falar sobre o estilo do diretor Yuval Adler por algo anterior a esse longa, pois não vi nenhum dos seus projetos, mas aqui ele mostrou um conhecimento bem trabalhado de época, soube fazer algumas montagens bem contundentes, e principalmente manteve bem segura toda a tensão que a trama precisava, ao ponto que o clima é mantido do começo ao fim. Ou seja, mostrou ser um diretor de recorte, daqueles que sabem quebrar o elo principal nos atos mais fortes para não explodir logo de cara, e o único aquém que daria para o que fez aqui foi de repetir exageradamente o flashback da protagonista na guerra, que mesmo sendo algo importante, e que fica vindo a todo momento em sua mente, na terceira vez que mostra já estamos cansados do que vimos, e talvez poderia ter sido feita uma cena maior, e a cada ida mostrar apenas um pedacinho, e ao final a cena inteira, que aí sim tudo ficaria melhor, mas isso é um mero detalhe que dá para relevar, pois como disse faz sentido ficar vindo a memória na mente da protagonista. Agora quanto da direção de atores, ele soube dar visibilidade tremenda para o trio, e deixou todos os demais como bem secundários, e isso é algo que funcionou muito, pois até esquecemos em certos atos que temos uma vizinhança toda ali pronta para ouvir a briga, e tirando o momento que estão na casa e não ouvem nada, o restante acaba sendo "aceitável" dizer que a casa tinha uma boa retenção acústica, e sendo assim, o filme funciona.

Sobre as atuações, é difícil vermos um filme ruim de Noomi Rapace, ou melhor dizendo, é difícil ver alguma atuação sua ruim, e aqui sua Maja é imponente, tem um sotaque completamente seu, e consegue nos convencer completamente de que não está maluca, mas sim que aquele é o homem que lhe violentou 15 anos atrás, e com isso seus trejeitos soaram incríveis e perfeitos de ver. Chris Messina traz para seu Lewis o famoso médico tradicional de cidade, e aqueles homens que mesmo amando a esposa não conseguem acreditar em tudo o que ela lhe está falando, e o ator faz questão de fazer muitos trejeitos de dúvida que ficaram muito bem colocados, ou seja, ele traz a presença, mas não se destaca, e isso é exatamente o que o personagem precisava para funcionar. Joel Kinnaman trabalhou seu Thomas com muita imponência, mas faltou entregar um pouco mais de desespero nos olhares, pois mesmo trabalhando a trama toda como inocente, ele não faz um ar de medo da loucura da protagonista, e mesmo sua cena final emocionante acaba faltando um pouco, mas o ator caiu bem na personalidade do papel, e ao menos fez boas cenas. Quanto aos demais, vale apenas o destaque para Amy Seymetz com sua Rachel meio que inexpressiva na busca do marido, pois qualquer mulher estaria gritando desesperada, chorando e tudo mais, e seu semblante é meio que já de desistência, e isso não combinou muito com o que precisava fazer, e quanto das crianças, diria que foram bem expressivas, mas sem muito uso, e quanto ao guarda e o vizinho só lamentar suas ingenuidades.

Visualmente a trama retratou bem a época pelos carros e figurinos, além de uma boa ambientação tradicional de porões, mas como disse ou a acústica da casa é sensacional, ou o guarda se fez de bobo nas cenas que aconteceram dentro da casa, mas tirando esse detalhe, toda a cenografia foi bem usada, com cordas, martelos, alicates, além de muita simbologia nas cenas da Guerra com trajes de soldados e todo o abuso com uma fotografia mais bagunçada e com flashes para lembrar bem a mente da protagonista, ou seja, a equipe trabalhou bem e fez um filme bem coerente nesse quesito.

Enfim, é um filme que tem falhas como já disse nos parágrafos anteriores, mas que é tão envolvente e preciso de atitudes que acabamos relevando elas e entrando bem no clima, torcendo claro para uma vertente mais forte, mas o que acaba finalizando nos convence. Ou seja, o filme funciona bem tanto para aqueles que gostam de um bom drama, como para aqueles que torcem por um bom suspense, mas que certamente poderiam ter ido além nessa última vertente para ficar mais intensa ainda as cenas de tortura. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Tio Frank (Uncle Frank)

1/19/2021 01:24:00 AM |

É engraçado como uma trama simples consegue ser efetiva no que se propõe sem precisar apelar tanto, e ainda trazer um estilo bem conectado e dinâmico para algo que é um tema forte de ser desenvolvido, e digo isso facilmente do longa da Amazon Prime Video, "Tio Frank", pois ao mostrar a visão da garota sobre o que é ser diferente, e querer ser o que quiser, com base na vida de seu tio gay (que ela vai descobrir só num segundo momento), mas que é bem mais culto, que lhe dá atenção e tudo mais de uma maneira completamente diferenciada, e que claro vemos a visão interiorana da família nos anos 70, e também na juventude do tio. Ou seja, é um filme LGBTQ, com uma visão intrigante que certamente aconteceu com muitas famílias mais antigas, e que até hoje acontece, e que sabiamente o diretor não quis apelar, não quis fazer trejeitos forçados, e principalmente trouxe a visão da garota para o ser diferente do comum, não impondo algo, mas sim desenvolvendo a história, a diferença, e claro o amor que cada um tem, o se importar com o outro. E diria que talvez o filme poderia até ter ido mais além, pois ele é calmo demais durante quase toda a exibição, para no final vir com tudo e emocionando bem.

O longa nos situa em 1973, quando a adolescente Beth Bledsoe deixa sua cidade natal na zona rural do sul dos Estados Unidos para estudar na Universidade de Nova York, onde seu amado tio Frank é um reverenciado professor de literatura. Ela logo descobre que Frank é gay e mora com seu parceiro de longa data, escondendo o fato por anos. Após a morte repentina do pai, Frank é forçado a voltar para casa de sua infância, com relutância, para o funeral, e finalmente enfrentar um trauma do qual ele passou toda a sua vida adulta fugindo.

Que Alan Ball é um tremendo roteirista todos sabemos, afinal levou um Oscar por "Beleza Americana", mas eis que não se entregou completamente para a direção de longas, tendo uma obra em 2007 e agora com esse novo filme, e olha, se ele seguir essa linha de filmes sutis, com uma pegada artística bem colocada, trabalhando o envolvimento em cima dos personagens e criando virtudes em cima de temas bem fortes, certamente vai explodir e ganhar mais prêmios ainda do que já levou como roteirista, pois sua mão foi muito leve no que desenvolveu aqui, criando vínculos a todo momento, desenvolvendo cada trejeito dos personagens sem soar exagerado ou caricato, e principalmente sabendo onde entregar cada ponto do filme para que sua obra não ficasse presa a momentos, mas sim a um todo, de forma que o envolvimento do protagonista na juventude além de ser um grande marco do passado vai florear bem no decorrer da trama, e isso vai sendo entregue homeopaticamente. Ou seja, é um filme de diretor realmente, com nuances leves e bem encontradas, que acaba agradando do começo ao fim, mas que certamente funciona muito mais nas cenas finais que deveriam ocorrer um pouco antes para a abertura ir mais além, mas que não atrapalha a emoção que transmite.

Sobre as atuações, Paul Bettany brilha com seu Frank, com trejeitos fortes, com momentos bem encaixados e virtuosos, e principalmente sem soar caricato, ousando em pontos possíveis para mostrar bem sua dramaticidade, mas sendo sutil para que tudo ficasse bem cadenciado, ou seja, se entrega de uma maneira bem dosada e incrível de ver. Sophia Lillis não se entregou tanto como sabemos que ela se entrega para alguns personagens, mas os olhares de sua Beth de orgulho, de envolvimento e de fixação pelo tio são tão bonitos de ver, que a trama sendo embasada no seu olhar para com o que ela enxerga de diferente chega a ser emocionante, e assim a jovem se mostrou bem encaixada, mas não tão usada como poderia para a trama, o que não atrapalhou tanto felizmente. Peter Macdissi já foi um pouco mais forçado nos atos de seu Wally, mas souberam controlar suas cenas para não ficarem tão expostas, e assim o ator que já fez vários trabalhos na TV com o diretor se mostrou um coringa que ele gosta de usar, mas poderia ter sido um tom abaixo para funcionar melhor. Também foi bacana os momentos do protagonista aos 16 anos, que bem interpretado por Cole Doman, acabou dando nuances de olhares emotivos e bem encaixados para que sentíssemos sua paixão e seu desespero por Sam, e assim o jovem caiu bem nos atos, mesmo sendo bem diferente do protagonista, e isso ter atrapalhado um pouco a conexão num primeiro momento. Quanto dos demais familiares, é claro que temos os atos fortes vividos por Stephen Root como Daddy Mac, principalmente na cena fatídica aonde descobre que o filho é gay, mas tivemos ainda boas cenas com Steve Zahn como o irmão coeso Mike que até poderiam ter desenvolvido um pouco mais, mas a história sairia do eixo principal, e claro as demais mulheres da trama que como sempre já sabem de tudo, e é bonito ver tanto Margo Martindale dando suas nuances como a mãe, e Jane McNeil como Neva, entre outros bem colocados.

Visualmente o longa também foi muito bem pensado, com um apartamento bem simbólico da época aonde moram os protagonistas, cheio de detalhes de festas clássicas com drogas e bebidas escondidas, se contrapondo bem a festividade de aniversário no interior com muita comida e brigas clássicas, além de um funeral bem detalhado e casual de cidade de interior, ou seja, um filme aonde a equipe de arte quis se contrapor bastante, mas sem perder essências, e principalmente entregando junto com a equipe de fotografia ambientes bem bonitos, com um sol romantizado no lago para os atos alegres, e outro bem escuro para os atos tristes, e assim o resultado final acaba chamando bastante a atenção.

Enfim, é um filme bem interessante, bonito, e que funciona bastante, que claro nem passou perto da perfeição, principalmente por deixar para os atos finais toda a explosão, mas que agrada bem, e que valem tanto para o público LGBTQ, quanto para quem gosta de um bom drama envolvente, e sendo assim, recomendo para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, feliz por finalmente estar encontrando bons longas na Amazon, pois pensei seriamente em sair da plataforma, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Uma Noite em Miami... (One Night In Miami)

1/18/2021 01:08:00 AM |

Sei que já reclamei no site muitas vezes de peças de teatro adaptadas para o cinema, já reclame muito também de primeiras direções de atores, e principalmente já reclamei muito de filmes que tentam passar uma mensagem como uma liderança deve agir, mas a junção das três coisas em um único filme foi algo tão imponente e gostoso de conferir, que a trama da Amazon Prime Video, "Uma Noite em Miami..." acaba sendo algo incrível, cheio de boas atitudes, e que trabalhando algo que nunca aconteceu, mas imaginado de uma maneira carismática e direta nos faz pensar como uma voz, uma pessoa, ou melhor o conjunto de bons elementos podem passar mensagens tão importantes para um grupo, que se todos usassem isso a um favor maior e benéfico não estaríamos nessa bagunça completa que é o mundo atualmente. Ou seja, é daquelas tramas que entregam algo até que bem simples, que de cara parece que irá mais cansar do que envolver, que não tem tanta movimentação e dinâmica, mas que resulta em algo tão bom de ser conferido, que as quase duas horas de duração do longa passam voando, e agrada demais, valendo tanto pela mensagem, quanto pelo conteúdo desenvolvido, que com atuações fortes junto de uma direção simples e certeira certamente fará com que as premiações, e até mesmo o público releve qualquer mero deslize e ao final tenha a vontade de aplaudir tudo de pé.

O longa nos situa na noite de 25 de fevereiro de 1964, e segue um jovem e impetuoso Cassius Clay quando ele sai do Miami Beach Convention Center como o novo campeão mundial de boxe peso-pesado. Contra todas as probabilidades, ele derrotou Sonny Liston e chocou o mundo dos esportes. Enquanto multidões se aglomeram em Miami Beach para comemorar a partida, Clay - incapaz de ficar na ilha por causa das leis de segregação da era Jim Crow - passa a noite no Hampton House Motel no bairro afro-americano de Overtown de Miami, comemorando com três de seus amigos mais próximos: Malcolm X, Sam Cooke e Jim Brown. Durante esta noite histórica, esses ícones, que eram cada um a própria representação do Movimento Pre-Black Power e sentiram a pressão social que sua celebridade cruzada trazia, compartilharam seus pensamentos sobre suas responsabilidades como influenciadores, levantando-se, defendendo seus direitos e movendo o país para a igualdade e empoderamento para todos os negros. Na manhã seguinte, os quatro homens emergem determinados a definir um novo mundo para eles e sua comunidade.

Diria que a estreia da atriz Regina King no posto de direção foi algo que passou acima de tudo, pois usando da simplicidade ela conseguiu abrir uma trama básica de uma peça teatral, e a ampliou com mais momentos bem encaixados, criou toda a ambientação possível, e ao criar uma boa movimentação dinâmica conseguiu levar a voz dos atores para algo mais brilhante e menos travado, pois vemos as lutas de Cassius, vemos os shows de Sam, e até vemos um pouco do ambiente pesado que Jim Brown e Malcolm X viveram em seus momentos, trabalhando cada ato sem precisar desesperar nem ir com algo lento demais. Ou seja, vemos dinâmicas precisas e eficientes, vemos cada ator podendo se expressar e aparecer sem desfocar o outro, e principalmente vemos toda a história funcionar apontando o racismo da época, a segregação, as perseguições, e claro a importância de cada um para o funcionamento do movimento, e isso mostrou não só a segurança da diretora, como também a eficiência dos protagonistas em seguir a linha que ela desejava mostrar, pois costumo dizer que ao mesmo tempo que uma mão de um estreante pode falhar, podemos ver também grandes atores saírem demais do rumo e atrapalhar a mão do diretor, e aqui a cumplicidade de todos foi colocada à prova, e o acerto foi completo para todos.

Sobre as atuações, o elenco estava tão afiado quanto as suas cenas que chega a ser até engraçado ver toda a interação entre eles, num misto de briga de amigos, com movimentações nervosas pelo apartamento, até chegarem a discussões amplas com olhares fixos mesmo sem estarem diretos, e assim vemos um resultado incrível de elenco, que agrada demais, e ajudaram o filme a fluir maravilhosamente bem. Dito isso, Kingsley Ben-Adir entregou para seu Malcolm X cenas com muito discernimento e persuasão, fazendo com que seus atos fossem ao mesmo tempo bem sérios, mas com personalidade, e isso é algo que engrandece qualquer atuação, e o resultado acaba sendo visto na tela. Da mesma forma Leslie Odom Jr. não só se entregou bem nos diálogos, como botou sua voz para jogo cantando todas as músicas que seu Sam Cooke faz no filme, que de início até pensamos que estava dublando, mas na sequência já vemos seus trejeitos funcionando, e ao final nos créditos vemos seu nome em todas as canções, ou seja, o jovem ator foi imponente do começo ao fim com uma personalidade marcante, mostrando a importância de sua voz, e claro seu jeito aonde o dinheiro falava mais com ele do que a mobilização, mas ao final vemos algo bem bonito, e o resultado funcionando. Eli Goree entregou um agitado e jovem Cassius Clay que chega a ser até divertido a forma dinâmica que faz, de forma que alguns até podem criticar e falar que chegou a soar exagerado demais, mas certamente lhe passaram como era ficar com a adrenalina a mil após vencer sua principal luta, e o ator foi coerente no que fez ao menos. E pra finalizar Aldis Hodge foi mais contido com seu Jim Brown, trabalhando mais um ar centrado, uma personalidade mais forte e serena, mas sem dúvida alguma sua principal cena ocorreu antes do encontro com os amigos, numa fazenda aonde o cara diz dar todo o apoio e falar que ele pode pedir o que quiser, mas ao se prontificar para ajudar a carregar um móvel, o mesmo apoiador fala que negros não podem entrar em sua casa... isso foi a ironia da hipocrisia de nível máximo, e o acerto no olhar do ator foi preciso demais. Quanto aos demais, foram bem encaixados, tivemos cada um dando seu auxílio para cada ato, com leves destaques para Joaquina Kalukango com sua Betty X cheia de preocupações com as declarações do marido, e Christian Magby pelo ar de fã que precisava ser contido como segurança.

Outro ponto que merece um bom destaque vai para o trabalho da equipe de arte que não foi preguiçosa como acaba acontecendo na maioria dos filmes vindos de peças teatrais, pois ao invés de se manter em um único cenário, tivemos cenas em shows, tivemos cenas nos ringues, tivemos cenas em três hotéis bem diferenciados para mostrar as várias possibilidades que os negros tinham de acordo com seus bens materiais, tivemos cenas numa casa de fazenda, na casa do protagonista, num show de TV, num baile no Copacabana Pallace, e claro a maior parte do filme em um quarto Hampton House Motel, com os protagonistas discutindo e fazendo suas reflexões, com uma saída para o terraço, mas praticamente tudo girando ali naquele ambiente com os elementos cênicos disponíveis, ou seja, embora tenhamos o palco montado para tudo em um único local, foram buscar diversos atos em outros locais, mostrando um bom trabalho de pesquisa, e que resultou em algo preciso e bem feito.

Como disse, um dos protagonistas botou sua voz para jogo e entregou ótimas canções de Sam Cooke interpretadas na trama, mas além dele, tivemos outras boas canções que deram um ritmo incrível para o filme, e claro que deixo o link aqui para todos curtirem depois de ver o filme.

Enfim, é um tremendo filme, com uma história muito boa, que muitos talvez não entrem no clima ou que não goste de um drama mais trabalhado acabem reclamando de algo, mas certamente é daqueles que valem demais a recomendação de conferida pelo tema, pelos personagens, e principalmente por ainda ser algo tão atual, e que mesmo não tendo sido real o encontro, a ideia geral com certeza foi bem usada por todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Zona de Combate (Outside The Wire)

1/17/2021 02:02:00 AM |

Filmes que envolvam combates/guerras costumam ser bem trabalhados e cheios de nuances bem colocadas para que as dinâmicas não desapontem, e principalmente que cada ato empolgue mais que o anterior, porém isso só funciona bem quando o elenco está disposto a mostrar serviço e não ficar no meio do caminho para que todas as cenas se encaixem, e principalmente, que a história flua. Dito isso, a nova trama da Netflix, "Zona de Combate" é bacana tanto pela essência bem impactante, quanto por mostrar uma guerra futurista cheia de envolvimento, trabalhando o lado pessoal de muitos que acabam lutando hoje somente por vídeo, não indo diretamente para o combate, e claro fluindo bem com boas cenas de ação do começo ao fim, o que acaba funcionando bastante, e principalmente entregando grandes sacadas de diálogos entre os protagonistas, num verdadeiro conflito entre humanidade e ser humano. Ou seja, é um filme bem intenso, com uma proposta bacana, que até talvez poderia ter ido além nas cenas finais com um desenrolar ainda mais profundo, mas que acerta a mão por não ficar apelativo demais, mesmo que o patriotismo acabe dominando a tela.

A sinopse nos conta que após desobedecer a ordens, um piloto de drones é enviado para uma perigosa zona militarizada, onde trabalha para um oficial androide incumbido de encontrar um dispositivo apocalíptico antes dos insurgentes.

O diretor Mikael Håfström tem um estilo bem peculiar em suas produções que é a de ir dando impacto aos poucos, não deixando o fluxo seguir rápido demais, e isso é bom de ver principalmente em histórias que não tem muito o que contar, como é o caso de guerras que não aconteceram e em muitos casos de tramas de terror, e aqui a dosagem dos atos foi bem colocada para que sentíssemos desde o processo de envolvimento entre os protagonistas, passando pela essência clássica das guerras futuristas que muitos roteiristas tem imaginado, até chegarmos claro no ponto principal do ato aonde fica claro a discussão entre humanidade do jovem piloto com o fato do androide ter suas vontades próprias sem aceitar comandos diretos. Ou seja, o diretor brincou bem com uma temática que sempre é usual em longas futuristas de como os robôs irão se comportar com inteligências cada vez mais trabalhadas, se irão aceitar comandos ou se acabarão decidindo o que fazer persuadindo os humanos ao seu redor, e assim o filme tendo essa base pode brincar bastante, ter boas cenas de lutas e tiros, e ainda envolver com uma boa história que funciona, e que agrada bastante.

Sobre as atuações, diria que a dupla escolhida foi bem colocada e se doaram bastante para que o filme ficasse bem convincente, ao ponto que acabam entregando carisma e atitude bem colocados nos devidos atos, e principalmente não forçaram para aparecer, caindo exatamente aonde precisavam para que isso acontecesse tranquilamente. E dessa forma o jovem Damson Idris conseguiu ter um protagonismo bem colocado, se impondo quando precisava, e não ficando atrás da estrela de Mackie, pois facilmente isso aconteceria com outros atores, mas aqui vimos seu Harp batendo, correndo, se desesperando em cenas bem trabalhadas, e principalmente criando atos corajosos, coisa que facilmente não se apresenta em segundo plano, e assim seu resultado soou forte e primoroso. Da mesma maneira, Anthony Mackie que já estamos acostumados a ver em grandes batalhas, se doou bem para o papel de Leo, e claro que também já acostumado com as tecnologias das roupas em seus personagens, acabou trabalhando um lado que nem chegou a soar robótico, mas sim um estilo duro e direto, o que acaba chamando atenção nos seus atos, além claro de ousar com trejeitos mais cômicos nas cenas que podia, fazendo com que o personagem saísse do estereótipo casual. Além dos protagonistas, tivemos alguns atores que tiveram boas conexões com eles, e chamaram a atenção para seus atos, como Emily Beecham com sua Sofiya misteriosa, Michael Kelly com seu Eckhart cheio de rancores com ambos os protagonistas, e até mesmo Pilou Asbæk próximo do final com seu Victor cheio de gracinhas, ou seja, tendo a base nos dois, mas dando boas nuances com todos os demais para o filme fluir sem precisar de histórias secundárias.

Visualmente o longa teve bons trabalhos tecnológicos, mostrando muitos robôs dos dois lados da guerra, vários atos com explosões, muitos tiros com diversos tipos de armas, e claro cidades destruídas, acampamentos de refugiados com tecnologias interessantes, e vários momentos com ângulos diferentes para uma dinâmica mais precisa, e assim o resultado acabou chamando bastante atenção, e tudo pareceu bem realista, embora claro o ar tecnológico dominasse, e não mostrassem muita diferença de 2036 para agora, o que foi bem interessante dentro da proposta.

Enfim, é um filme bem interessante, dinâmico e que ainda tem uma proposta de fundo bem colocada, agradando bastante quem gosta do estilo, mas certamente poderiam ter ido além com mais cenas após o fechamento, para sabermos um pouco mais de tudo, mas isso é querer demais, então indico o filme que mesmo não sendo perfeito, resulta em uma trama forte e bem feita, e fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Mensageiro do Último Dia (The Empty Man)

1/16/2021 02:03:00 AM |

Tem alguns filmes que trabalham tanto a história que durante a exibição completa acabam entregando até mais que um estilo de filme, e isso é bem bacana de acompanhar, pois no longa "O Mensageiro do Último Dia" começamos a trama com algum estilo de espírito, e uma tensão meio que sobrenatural, depois logo de cara vamos para um terror adolescente estranho com cenas fortes de mortes, logo no começo do segundo ato a trama passa para algo de ritos e obscurantismo, e fecha a ideia toda como algo próximo de uma possessão misturada com algo em torno de fabricação do mal. Ou seja, tem um pouco de tudo no filme, que não por menos tem 137 minutos de duração, com um miolo exageradamente enrolado, e um final corrido que merecia um trabalho melhor, mas de forma alguma o conjunto completo acaba sendo ruim, pois consegue causar alguns arrepios, tem uma história interessante para envolver, porém poderia ter eliminado uns 20 a 30 minutos pelo menos de enrolação explicativa no miolo, que aí sim seria algo dinâmico e muito interessante, e consequentemente muito mais tenso. Sendo assim, é uma trama que agrada pelo conteúdo completo, que talvez tenha uma continuação, e que quem gosta do estilo vai acabar se envolvendo, mas por ter muitos sub-estilos colocados, alguns vão se perder e não entrar tanto no clima.

O longa nos conta que quando um grupo de adolescentes de uma pequena cidade começa a desaparecer misteriosamente, os moradores acreditam que é obra de uma lenda urbana local. Enquanto um policial aposentado investiga os desaparecimentos, ele descobre um grupo secreto e suas tentativas de evocarem uma entidade sobrenatural, colocando a vida de todos em perigo.

É bem fácil entender o problema de duração do filme ao pesquisar sobre o diretor David Prior e ver que é seu longa de estreia após diversos curtas-metragens, pois ao pegar uma trama recheada de desenvolvimentos como é o caso de uma graphic novel, o melhor seria a trama passar por algum roteirista experiente para já dar uma boa limpada dos exageros, e assim cair nas mãos de um editor forte para que sua trama ficasse mais simples e direta. Porém longe disso se tornar algo que faça o filme não ser interessante, o resultado acabou entrando em rumos mais abertos para poder ter mais ganchos, o que fará com que alguns se cansem, mas aqueles que conseguirem chegar ao final irão gostar bastante de toda a ideia completa. Ou seja, é daqueles filmes que o diretor acaba ficando com dó de cortar coisas que filmou, e acaba alongando todo o material para mostrar alguns detalhes que talvez nem fossem necessários, mas mesmo que um pouco cansativo, o filme tem bons trabalhos com cultos, seitas estranhas, possessões e lendas, o que dá pra ele algo como um material bem completo.

Sobre as atuações, James Badge Dale soube segurar bem o clima investigativo da trama com seu James Lasombra, tendo claro muitos atos de dúvida sobre si mesmo, muitos flashbacks para mostrarem, e claro um envolvimento estranho em suas atitudes, ao ponto que é o famoso que acaba indo nos lugares que não deveria ir, que faz o que não deveria fazer, e que tanto ficamos bravos nos filmes de terror, mas ele foi imponente, e ao final seu personagem foi fortíssimo em tudo o que fez, agradando bem. O mais engraçado é que mesmo tendo diversos outros personagens, a trama praticamente toda fica ao redor do protagonista, mostrando claro alguns atos dos adolescentes com foco em alguns atos meio que estranhos de Sasha Frolova com sua Amanda, alguns momentos abstratos e jogados de Joel Courtney com seu Brandon, e até mesmo nas pirações de Samantha Logan com sua Davara, mas nenhum conseguiu chamar a atenção suficientemente. E quanto dos personagens do começo, Aaron Poole deu alguns trejeitos bem fortes para seu Paul, Evan Jonigkeit teve alguns atos de heroísmo com seu Greg, mas também não foram além para funcionar, tanto que o filme logo acelera para os anos atuais. Até mesmo Marin Ireland tentou ter alguns atos mais chamativos com sua Nora, mas logo fica em segundo plano, tendo apenas cenas quentes para serem mostradas nos flashbacks, e assim acabou aparecendo um pouco mais, mas sua personagem é fraca demais para funcionar, e a atriz nem foi tudo isso para se destacar também.

Visualmente o longa tem, como todo bom filme de terror, muitas cenas escuras que você já se prepara para algo acontecer (embora muitas vezes nem aconteça nada!), cenas em esgotos, florestas, casas e escritórios abandonados, seitas, diversos momentos em carros que acabam soando repetitivos para dar o tom de lembranças, e claro alguns momentos fortes com algumas mortes, afinal estamos falando de um estilo que precisava ter ainda mais sangue, mas a equipe soube dosar figurinos estranhos, locações amplas porém sem muita imponência, e o resultado acaba soando um pouco mais simples, porém funcionais.

Enfim, é um filme bem interessante, que está longe de ser perfeito, afinal é longo demais, tem uma bagunça completa de estilos, e certamente poderia funcionar melhor com algo mais dinâmico e direto ao ponto, mas que acaba sendo bacana de conferir e quem gosta de um terror com um pouco mais de história e menos sustos vai acabar gostando do resultado geral, mas já deixo claro para não esperar muito dele, afinal ele não entrega nada surpreendente. Sendo assim fica a dica, e eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Um Crime em Comum (Un Crimen Común) (A Common Crime)

1/15/2021 01:25:00 AM |

Costumo dizer que tem estilo de terror para todos os gostos possíveis, porém da mesma forma que qualquer coisa pode virar um grande terror, a trama pode não funcionar se não for direta no que o filme pede, e é bem isso o que acabou acontecendo com o longa argentino-brasileiro, "Um Crime em Comum", que trabalha tanto ao mesmo tempo o terror como fobia social, e o famoso terror de culpa por algo, ambos muito casuais, e que acontecem aos montes com pessoas de diferentes classes sociais e tudo mais, porém não souberam conduzir isso bem, e ainda inventaram de colocar algo como um espírito ou coisas na cabeça da protagonista que passa a ouvir barulhos e ver coisas na segunda metade da trama, e dessa forma acabamos não fluindo tanto em nenhuma das ideias, mesmo que conseguindo sentir toda a culpa e desespero que a jovem passa a ter em sua fobia, acabamos não embarcando tanto no ritmo lento que o filme entrega, e assim o resultado acaba preso demais, e parecendo faltar algo, embora o fechamento seja algo bacana de ver para que a pessoa extravase numa situação sem precisar parecer maluca demais.

A sinopse nos conta que Cecilia, professora de sociologia, recebe a visita do filho adolescente da governanta, Kevin, em sua porta durante uma noite de chuva forte. Receosa em deixá-lo entrar, ela acaba recebendo a notícia de que, no dia seguinte, seu corpo fora encontrado em um rio. O bairro acusa a polícia de ter perseguido o rapaz, o que desperta a revolta das pessoas de mesma situação socioeconômica. Além disso, Cecilia também está tendo que lidar com seu conceito de realidade cada vez mais abalado, sua culpa e seu sentimento de perseguição.

Diria que o diretor Francisco Márquez até conseguiu capturar bem o terror de uma fobia social, o desespero que a protagonista acaba expressando em algumas atitudes, mas acabou faltando aquele algo a mais que o trailer acabou vendendo, pois no trailer vemos algo ágil, algo impactante, algo necessário para se discutir, enquanto no filme vemos algo tão parado, tão cansativo de ideias, que não nos empolga sentir o terror que nos é mostrado, e isso acaba sendo algo que vai impregnando pelas imagens que em determinado momento passamos a achar que a protagonista está maluca ou o filme mudou de estilo virando um filme de espíritos, o que não é a ideia. Ou seja, faltou aquele algo a mais que um bom diretor conseguiria transformar, e que aqui por ser a estreia dele em longas, acabou alongando algo que como média-metragem ficaria incrível, não sendo um filme ruim, mas sim algo que até dá para discutir e refletir nas nossas atitudes quando pensamos nas diferenças de classes, nos olhares que lançamos para algumas pessoas, e tudo mais que poderíamos fazer no mesmo caso da protagonista, mas o além disso acabou faltando.

Sobre as atuações, é fato que a atriz Elisa Carricajo se dedicou demais para com a sua Cecília, criando expressões fortes, tendo momentos introspectivos bem colocados e desesperadores, e claro como toda pessoa normal tendo situações desesperadoras após um certo trauma, ou seja, a atriz certamente fez um bom laboratório para captar a essência de pessoas que sofrem esse estilo de fobia, e o acerto foi iminente em tudo o que fez. Já os demais pareceram meio que jogados na trama, não chamando a atenção, nem se entregando para os atos, e até dando certas desconexões, como os amigos da faculdade, os alunos da faculdade, o próprio filho é bem esquisito, e mesmo a doméstica e o filho apareceram e tiveram situações que não deram ponto a positivar o que vai acontecer nas sequências, ou seja, faltou um pouco também de determinação na formação e desenvolvimento dos personagens, para que o filme funcionasse melhor.

Visualmente o longa não traz nada muito surpreendente, mas tem uma boa montagem para comparar a casa de classe média da protagonista e a comunidade da doméstica (que vira praticamente um labirinto nas cenas finais), temos todo um bom jogo de sombras para brincar com o público e com a protagonista, daqueles que ficamos imaginando se realmente tá aparecendo algo ou não, e temos algumas cenas numa faculdade em reformas, que até tenta trabalhar algo como transformação na mensagem geral do filme, mas não coube muito. Ou seja, o trabalho cênico até teve boas dinâmicas e alguns acertos, mas certamente poderiam ter ido bem além com algumas representações que causassem um arrepio maior.

Enfim, volto a frisar que não é um filme ruim, mas passou bem longe de tudo o que poderia atingir com a temática, ou então se seguisse para um lado mais fantasioso o resultado também chamaria atenção, o que não podia acontecer foi ficar no meio do caminho como acabou ocorrendo. Sendo assim, digo que não recomendo ele, mas também não digo que é daqueles para fugir, sendo um argentino que não tem todas as qualidades costumeiras, e assim a maioria vai mais reclamar do que gostar realmente. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - A Assistente

1/12/2021 12:24:00 AM |

Diria que o filme "A Assistente" que entrou em cartaz na Amazon Prime Video é daqueles que muitos vão olhar e ficar na mesma, sem entender tudo o que se passa na cabeça da protagonista, de toda a situação que ela acaba envolvida, e claro do ambiente completo do escritório onde ela vive (digo vive, pois a pobre mulher praticamente dorme lá, sendo a primeira a chegar e a última a sair), pois a base em si é mostrar o cotidiano de uma jovem assistente de produção, que está na empresa há 5 semanas, mas sofre com a falta de ajuda dos demais pares de serviço, sofre por jogarem somente as buchas para ela, e claro que aparecendo alguma carne mais nova, vão acabar esquecendo dela. Pois bem, isso ocorre muito no ambiente de produção, e podemos dizer que a jovem seria quase que uma estagiária num escritório normal de grandes empresas por aqui, e com um bom envolvimento a trama choca principalmente nos atos mais diretos, como quando vai conversar com o gerente de RH, e claro todas as vezes que a jovem precisou pedir desculpas por estar certa. Ou seja, é um filme sem muitas surpresas, mas que passa bem a mensagem, e o resultado funciona, de forma que não vai ser daqueles que muitos irão gostar, mas que ainda assim vale a conferida para quem sabe dar mais valor ao pessoal debaixo de você aonde quer que você trabalhe.

O longa aborda a vida de Jane, uma aspirante a produtora de cinema que recentemente conseguiu seu emprego dos sonhos como assistente júnior de um poderoso magnata do entretenimento. O dia dela é muito parecido com o de qualquer outra assistente. Mas, à medida que Jane segue sua rotina diária, ela começa a perceber todos os abusos que envolvem seu ambiente de trabalho e sua posição profissional.

Como de praxe nos longas que estreiam na Amazon, a trama é o primeiro filme escrito e dirigido por Kitty Green, que certamente passou por algum dos diversos momentos da protagonista, e isso é algo positivo, pois soube como passar bem a ideia e as situações clássicas de abuso excessivo de autoridade, a famosa busca de comida que não agrada, atender parentes e ter de inventar mentiras, saber dos diversos testes de sofá, e claro ao denunciar ainda sofrer represálias, além de perder amigos, comemorações, o sono e tudo mais, ou seja, a trama traz um pouco de tudo e consegue ser bem realista e envolvente nas situações, fazendo com que a trama tivesse conteúdo e fosse funcional, ao menos para quem é da área de produção, ou administrativa de grandes empresas (pela semelhança técnica), e assim não diria que a diretora errou em trazer algo mais simples, mas sim que ela certamente poderia ter ido além nos atos com mais situações fortes, pois acabamos tendo algo mais introspectivo e reflexivo de sentimentos do que algo imponente como acaba acontecendo realmente pela pressão, mas aí o filme teria que se estender um pouco, e certamente não era essa a opção.

Sobre as atuações, não dá nem para entrar em detalhes de cada um dos personagens, pois como todos são chamados de executivo 1, assistente 1, assistente 2, e por aí vai, lembrar quem é quem, e reconhecer os atores é algo que não vou fazer aqui de forma alguma, então digo apenas que todos foram bem dentro do que a trama se propunha, fazendo personagens aleatórios que estavam no mesmo ambiente que a protagonista, mas nem ligavam para ela, não respondiam direito ela, quase a vendo como um mero objeto cênico ali, mas que tinha de responder a eles, ou seja, o tradicional de uma corporação grande. E quanto da protagonista, Julia Garner foi expressiva demais, cheia de trejeitos, fazendo tudo e mais um pouco para que sua Jane fosse ao menos vista no escritório, e claro um pouco reconhecida pelo que estava fazendo, e além de segurar bem a tensão da trama, a atriz foi direta em situações clássicas, pois facilmente veríamos atrizes chorando desesperadas, outras com rancores expressos na face, mas ela segurou a barra e foi coesa com detalhes e tons, agradando bastante.

Visualmente o longa também não foi muito além, pois temos basicamente um escritório, com algumas mesas, a sala do chefe, uma cozinha, uma outra sala com mais mesas (um pouco mais requintada, pois são executivos maiores), um elevador, e uma outra pequena sala no prédio ao lado, além claro de uma rua com alguns carros na cena de abertura e fechamento, e uma pequena lanchonete, ou seja, praticamente vivenciamos a vida da protagonista em seu ambiente corporativo, com telefones, impressoras/copiadoras, uma breve pausa para fazer um café (e não tomar) na cozinha, e claro computadores, relatórios e tudo mais que é bem conhecido nesse mundo, sendo pouco detalhado o conceito do ambiente em si, claro que mostrando ser uma produtora por ter roteiros, mas nada que vá muito além, mostrando que facilmente o filme poderia ser sobre qualquer outro lugar, e assim funcionar também.

Enfim, é um filme bem feito, que até traz um tom interessante, e uma boa atuação, porém que faltou ir mais além para envolver realmente e mostrar ainda mais o machismo presente nas grandes corporações, parecendo ser algo despretensioso demais com o resultado entregue.  Ou seja, passa bem longe de ser algo ruim, mas que se você não conhecer um pouco da área vai acabar desanimando da trama bem antes da metade do filme, e olha que ele é bem curto, e sendo assim não diria que recomendo ele totalmente. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Um Tio Quase Perfeito 2

1/10/2021 09:10:00 PM |

Estava relendo meu texto de 2017 do primeiro filme, e vi que elogiei muito a trama pelo ar familiar gostoso que acabou tornando a produção, porém infelizmente não poderei falar o mesmo de "Um Tio Quase Perfeito 2", pois se lá tínhamos uma trama que até divertia com alguns momentos engraçados, mas mantinha o segundo plano repleto de situações envolventes da família, aqui o ar familiar acabou tomando um rumo bobo e exagerado demais, e as situações cômicas caíram para o lado ridículo que não faz graça em momento algum. Ou seja, é daqueles filmes que vemos a trama inteira sem acreditar no que está acontecendo, com uma briga imensa de quem chama mais atenção das crianças que infelizmente não dá para crer no que acontece, pois até vemos rolar algo assim em brigas familiares pelo monopólio da atenção, mas aqui foram além do máximo permitido, soando não apenas fraco, mas algo que chega a cansar e não divertir.

A sinopse nos conta que longe da vida de trambiques e vivendo em harmonia com sua família, Tony reina soberano no coração de seus sobrinhos. Porém, quando sua irmã começa a namorar Beto, um homem aparentemente exemplar, ele corre o risco de perder a atenção dos pequenos. Determinado a acabar com a "concorrência", Tony vai fazer de tudo para que Beto não entre oficialmente para a família.

Diria que o diretor Pedro Antônio Paes mudou demais o estilo do filme, e isso foi o que pesou no resultado, pois ainda temos uma comédia familiar, que vai tentar o apelo emocional de que algumas pessoas vão se enxergar nos personagens, mas se antes a ideia funcionava como algo mais singelo, com uma comicidade forçada de propostas, aqui o apelo recai sobre algo que não tem força para isso, de forma que a trama não traz nem uma única cena para rirmos realmente do que acontece, e isso dentro de uma comédia é muito ruim, e não falo apenas de mim, pois poderiam alegar ser uma reclamação só fora do eixo, mas a sala inteira não esboçou um momento de risada (que fosse aquele haha forçado de alguém) sendo um silêncio absoluto nos 100 minutos de projeção, e muito pelo contrário, vendo até muitas pessoas pegando seus celulares para mexer durante o filme, mostrando o desinteresse pelo que estava acontecendo na tela (e se eu vi eles pegando, o meu desinteresse também estava indo para o mesmo rumo, mesmo que nem olhado a hora eu tenha hoje). Ou seja, infelizmente se a estreia do diretor lá em 2017 foi algo muito bem feito, que depois colheu bons louros com a comédia mais escrachada "To Ryca", agora com a continuação do primeiro o resultado não funcionou, e já vamos ver a continuação do seu segundo filme com 2 pés atrás, pois não conseguiu convencer em nada hoje, mostrando falta de tudo no longa para cativar ao menos uma risada.

Sobre as atuações, o fato mais marcante é como as crianças cresceram nesses últimos 3 anos, de forma que se forem inventar uma trilogia, no próximo é capaz de mostrarem as crianças já como adultos casando, mas isso é apenas um detalhe, pois todos se entregaram bem ao caos do roteiro, e aparentemente se divertiram com tudo o que precisaram fazer, e isso é algo que ao menos dá valor à produção, porém não é suficiente para salvar um filme, sendo assim Júlia Svacinna com sua Patricia, Joao Barreto como João e Sofia Barros com sua Valentina foram bem dirigidos e acabaram agradando com as situações que tiveram de fazer, não sendo nada muito chamativo, mas tendo ao menos para Júlia um pouco mais de dinâmica para mostrar a boa voz para cantar, que talvez lhe dê mais frutos futuramente. Todos sabem o estilo de humor que Marcus Majella faz, e se no primeiro eu havia elogiado que ele tinha mostrado menos isso e trabalhado mais o lado emotivo que agradou tanto, aqui ele voltou para o lado humor sem graça tradicional, e assim seu Tony acaba cansando com as bobeiras e paranoias que acaba criando para tentar aparecer mais, e infelizmente não funciona. Danton Mello tentou seguir o estilo de Majella, e ficou no meio do caminho entre bom moço e tio quase perfeito 2 para com seus gracejos, ao ponto que não fluiu, e nem chamou atenção, mas apareceu bastante na trama, e isso fez dele quase o protagonista, o que é bom para mostrar um estilo menos forçado que vinha usando em outros filmes. Letícia Isnard e Ana Lúcia Torre até tentaram chamar atenção com as simplicidades e excentricidades respectivamente de suas Angela e Cecília, mas não foram muito além, ao menos não soaram apelativas. Agora quanto aos demais, a maioria nem quase apareceu, tendo um ou outro ponto para chamar atenção, sobrando até para Fhelipe Gomes alguns atos jogados com seu Rodrigo, mas nada que valha a pena.

Visualmente o longa foi bem interessante, com cenas num clube, numa escola, nas casas dos protagonistas, numa loja de orgânicos e num sítio, mas o mais engraçado de ver é que praticamente não tivemos cenas importantes acontecendo em quase nenhum lugar, tudo sendo simples demais em cada locação, ou seja, a intermitência dos atos ocorreu sempre nos miolos, e isso é algo estranho de acontecer. Ou seja, é um filme que a direção de arte praticamente enfeitou tudo para nada ser usado, e que com raras exceções acaba funcionando, como no caso das minhocas na loja de produtos orgânicos.

Enfim, é daqueles filmes que até tentei gostar e curtir, fui esperançoso em ver ao menos algo parecido com o primeiro que mesmo não sendo divertido tinha algo emocional e familiar gostoso de conferir, mas não teve jeito, resultando em algo sem graça e sem estilo, que certamente irei esquecer daqui algumas horas que vi ele, e não recomendo para ninguém. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Sapatinho Vermelho e os Sete Anões (Red Shoes and the Seven Dwarfs)

1/09/2021 09:59:00 PM |

Antigamente quando falávamos de animações (ou melhor desenhos animados, como eram chamados), praticamente víamos um grande domínio de algumas produtoras, mas com a popularização de recursos tecnológicos, hoje vemos filmes de muitos países, de empresas que nunca sequer sabíamos a existência, e principalmente trabalhando temas bem interessantes com grandes desenvolturas, ou seja, acaba sendo bacana conferir algumas animações por toda a essência entregue, e que com boas sacadas acabam nos divertindo. Dito isso, confesso que estava bem receoso para ir conferir o longa sul-coreano, "Sapatinho Vermelho e os Sete Anões", pois além de parecer uma paródia barata de um texto que já conhecíamos, usava ainda algumas técnicas muito semelhantes a outros sucessos de bilheteria, ou seja, a famosa tentativa de chamar o público com algo que já conhecíamos e vir depois com absurdos, então fui ao cinema hoje (mesmo com o longa já em pré-estreia há 3 semanas, mas com horários ruins) preparado para tacar muitas pedras na trama, e pelo contrário, saí da sala muito feliz com o que vi, pois me divertiu horrores com as piadas usadas na dublagem, e a trama tem todo um conceito bem interessante de valorizar a beleza interior das pessoas, dando uma formatação bem diferente para a trama, e agradando bem com toda a loucura colocada. Ou seja, é daqueles filmes que parecem bem simples, mas que se desenvolvem tão bem que acaba agradando tanto os pequenos quanto os adultos, e assim valem pela dinâmica, pela história e até pelo design da obra, que resulta em algo singelo, mas bem desenhado.

A sinopse nos conta que uma garota pensa ter encontrado a verdadeira beleza após achar sapatos vermelhos que dão a ela a aparência de uma princesa. Essa mágica atrairá o interesse da bruxa má, que quer roubar seus sapatos e sua beleza, e a atenção de 7 anões que a levarão para viver grandes aventuras. Uma comédia familiar cheia de humor, romance e ação que vai mostrar que tudo é 100% atitude e a verdadeira magia é ser você mesmo.

O trio de diretores sul-coreanos são estreantes, mas souberam bem onde pegar suas bases para que seu filme tivesse uma formatação ao mesmo tempo caricata, mas sem soar jogada como uma paródia, e principalmente sabendo dosar aonde chamar atenção para que o longa não ficasse bobo demais. Ou seja, vemos sim muitas semelhanças com o clássico, mas vemos muito mais em essência o funcionamento de grandes sacadas para que tudo fosse com algum sentido, como os anões aprenderem a lidar com suas arrogâncias originais como príncipes que eram (além de ser uma tremenda sacada de apenas ficarem anões verdinhos quando alguém está olhando, mostrando que quando estão sozinhos estão normais - fica a dica para Patty Jenkins e o erro com a mudança de corpo do protagonista em "Mulher-Maravilha 1984"!), a jovem gordinha mostrando que se ama daquele jeito, mas que com o poder mágico da beleza acaba recebendo mais ajuda, a velha com um grandioso ódio que destrói tudo, e por aí vai, mostrando que souberam criar um roteiro bem montado, que ao cair para o estúdio de dublagem nacional ainda puderam brincar bastante com piadas, gírias e situações casuais do nosso costume, o que deu um tom a mais para o filme, sendo um acerto tremendo. Ou seja, o filme que já tinha uma essência boa, acabou ficando ainda mais gracioso e divertido na versão nacional, que mesmo apelando em alguns atos acertou demais em tudo (o que é bem raro de acontecer!).

Já falei um pouco sobre os personagens, mas foi bem bacana transformarem o padrão de princesa para que a Branca de Neve fosse gordinha, os príncipes passassem o longa inteiro como ogrinhos verdes, e assim o resultado visual da trama já foi bem interessante e diferenciado, e além disso as personalidades de Merlin com seus poderes em cartões mágicos foi bacana de ver, um Arthur desesperado por sua espada, os construtores trigêmeos geniais Pino, Noki e Kio fazendo suas invenções gigantes, além dos demais. Uma madrasta bruxa cheia de magias estranhas, e claro o príncipe Tantofaz completamente louco com seus trogloditas indo em busca de alguém para lhe dar popularidade. Além claro dos bichinhos fofos de madeira como o trio de macaquinhos e o grande coelhão que já dava pra matar de cara o segredo. Ou seja, uma trama com personagens carismáticos bem colocados que chamaram a atenção em tudo, e fizeram o filme funcionar tanto pelas cores, quanto pelas atitudes.

Visualmente a trama tem uma dinâmica bem colorida, com ambientes diferentes, muitas cenas na floresta, algumas cenas com mais personagens na cidade, mas principalmente dando destaque para a casa/castelo dos anões, o castelo da bruxa e uma rápida passada no castelo de Tantofaz, sendo bem bacana ver os figurinos dos anões/príncipes iguais quando pequeninos e quando humanos, e claro a transformação da princesa ao usar seus sapatinhos, ou seja, tudo tendo um bom conteúdo para impressionar no quesito.

Enfim, é uma trama bem gostosa de curtir, que passa bem uma mensagem bonita, e que aliado a uma boa dublagem, incluindo nas canções (não consegui achar a versão nacional das músicas, então se alguém tiver para contribuir, só mandar que coloco o link), resulta num filme que vale a pena a conferida, e que certamente a criançada vai gostar bastante, e claro que nós adultos também (pois ri demais com tudo), então acabo recomendando a conferida para todos, pois mesmo não sendo algo impressionante, diverte bastante. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Pieces of a Woman

1/09/2021 02:26:00 AM |

Diria que o lançamento da semana da Netflix, "Pieces of a Woman", traz sentimentos diferentes com a formatação da trama, com o estilo de atuação dos protagonistas, e até mesmo com a história que nos é mostrada, pois ao mesmo tempo que sentimos o peso de tudo o que está acontecendo com a protagonista, temos de pensar também em tudo o que está rolando ao seu redor, e isso é algo que não é simples já que envolve desde o sentimento de perda, quanto o de julgamento familiar, da sociedade, e principalmente um julgamento criminal rolando por algo que ela nem sabe se quer que aconteça, além de todo o conflito com o cônjuge que acaba rolando. Ou seja, como a tradução literal acabaria rolando, vemos vários pedaços da protagonista nos sendo entregues sem sabermos o que fazer para consolar ela ao menos no nosso pensamento, e isso é maravilhoso de ver principalmente pelas boas atuações que alguns nos presenteiam em diversos momentos, como é o caso da protagonista e de sua mãe na trama, fazendo com que o filme tenha um apelo dramático até que exagerado, e que certamente causará muito mais em algumas pessoas, porém extremamente funcional, e que agrada demais quem gosta do estilo.

O longa conta a jornada emocional de uma mãe que acaba de perder seu bebê. Diante dessa perda, ela terá que lidar com as consequências que seu luto tem nas relações com o marido e a mãe, lutando para que seu mundo não desabe por completo.

O premiadíssimo diretor húngaro Kornél Mundruczó conseguiu imprimir sua marca de intensidade na trama da roteirista Kata Wéber, pois é inegável que é uma trama feminina, com um olhar bem feminino, e que o diretor felizmente soube enxergar isso e passar toda a dinâmica focada no luto da protagonista, e na sua forma de lidar com isso, mesmo estando no meio de um furacão de problemas, e com isso em mente ele até tentou abrir o filme para mostrar um pouco do sentimento do marido, da mãe da protagonista, e até outros envolvimentos secundários, e tirando a grandiosa cena em que a mãe da uma tremenda lição de moral na jovem protagonista, diria que o restante mesmo funcionando poderia ser eliminado para focar somente nela. Ou seja, vemos grandes cenas de introspecção, vemos cenas de conflitos de humor e de vivência, e até a dúvida de como seguir, como pensar na criança e em tudo mais, ao ponto que não precisamos ver a necessidade do marido como homem e suas traições e voltas com vícios, não necessitamos ver a mãe tratando a vida da filha como um comércio, e nem precisamos saber as opiniões secundárias para entender tudo o que está acontecendo, a forma que a jovem está sendo tratada e tudo mais, mas para dar um recheio optaram por mostrar tudo isso, e por incrível que pareça, tudo funciona bem. Sendo assim, não diria que veria facilmente o diretor levando tantos prêmios pela sua direção, pois ele abriu algo que não era necessário, mas já levou Veneza, e aparentemente está sendo citado por outras premiações, então é ver o que vai acontecer, e claro, conferir o filme, pois vale entrar na perspectiva dele (um homem) enxergando tudo isso de uma maneira bem crua e bela de ver.

Sobre as atuações eu diria que veremos com outros olhos todos os próximos filmes de Vanessa Kirby, pois já a vimos em diversos outros longas como apenas uma boa atriz, mas aqui ela se entregou de tamanha forma que sentimos o que a sua personagem Martha está sentindo, vemos através de seus olhares a agonia de mil pensamentos, e quando o marido lhe oferece uma moeda pelo seu pensamento nem dá para pensar em qual ela poderia dar já que está um turbilhão em sua mente, ou seja, com estilo, com precisão cênica e com uma desenvoltura perfeita ela se mostrou incrível, e não por menos também levou o prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza, e agora é esperar as demais premiações, pois virão com certeza. Da mesma forma, diria que num primeiro momento pensamos que Ellen Burstyn está na trama como mero enfeite exagerado de homenagem que o diretor quis dar a ela com sua Elizabeth, afinal a experiente atriz já esteve indicada a 6 Oscar e levou um, além de diversas outras premiações, e aqui vamos seguindo ela meio que desacreditado de tudo o que está fazendo, mas em sua reunião familiar quando deslancha a falar sua história de vida como uma lição de moral precisa e direta, ela se mostra uma monstruosidade perfeita, e não bastando tudo o que fala para a filha, ainda vai e quebra toda a moral com o que faz com o genro, ou seja, perfeita demais para ainda ter um ótimo fechamento. É engraçado como um visual muda completamente um ator, e não reconheci numa primeira olhada Shia LaBeouf com uma vasta barba e touca no cabelo, e não apenas isso, pois seu Sean está com uma personalidade muito mais madura, ao ponto que o ator consegue chamar a atenção mesmo não indo tão profundamente no que o personagem precisava, e claro que seus atos são bem secundários para com a trama toda, mas tudo acaba sendo tão bem funcional que o resultado geral acaba agradando bastante. Quanto aos demais, foram todas apenas conexões e entregas para o roteiro, com leve destaque claro para Molly Parker como a parteira Eva que acaba indo a julgamento pela morte do bebê, e acaba levantando a polêmica discussão dos partos fora de hospitais, mas nem a atriz, nem a personagem acabam soando imponentes no contexto completo, ao ponto que poderiam ter trabalhado mais as cenas dela pós parto também para que o filme ficasse mais forte em outros sentidos.

Visualmente o longa também tem bons momentos com cenas em locações mais íntimas como a casa do casal simples, mas bem detalhada tanto para o antes do luto, como o que acaba virando durante todo o conflito, a casa da mãe da protagonista bem rica e com detalhes precisos para mostrar essa riqueza dela, mas principalmente o filme mostra o desenvolvimento da construção de uma ponte durante os vários meses que o filme se passa, colocando algo simbólico como o trabalha de se conhecer interiormente, há um momento de explicação sobre redundância das vibrações ao redor de uma ponte que acaba servindo também para reflexão de tudo o que está rolando ali, além claro da belíssima paisagem de inverno para dar todo o sentimento do frio, mas com o corpo da protagonista fervendo de dúvidas e sentimentos, ou seja, pode até parecer meio bobo toda hora mostrando os vários períodos da ponte, mas por trás disso além do trabalho do protagonista, vemos algo a mais de fundo para se pensar. E além disso ainda temos algumas cenas de tribunal, e de uma faculdade de medicina, ou seja, algo bem completo que a equipe de arte precisou trabalhar bem para encontrar as locações e montar tudo muito bem detalhado.

Enfim, é um filme longo, com partes que até poderiam ser eliminadas, e outras até mais desenvolvidas como é o caso da macieira ao final que até entendemos como um ato de construção, de uma boa germinação e de tudo mais, mas que acabam sendo corridos, enquanto outros que acabaram sendo usados como a traição, a festa do emprego, e as diversas cenas de nudez apenas serviram para encher um pouco a trama. Claro que muitos irão odiar o longa, por não ser algo tão direto e popular, mas é um filme reflexivo, com toda a pompa de festivais, e que envolve muito, e sendo assim vale demais a conferida, e recomendo com muita certeza para todos, mas principalmente para as mulheres, afinal o ato de botar alguém no mundo é mais sentimental para elas, e assim o filme vai trazer um pouco mais de sentimento nelas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Legado Explosivo (Honest Thief)

1/08/2021 01:21:00 AM |

Tenho certeza absoluta que você viu esse pôster ou trailer e pensou que era mais uma continuação de "Busca Implacável", pois é tanta semelhança no estilo, na pose e claro no protagonista, que não tem como não ir ao cinema esperando uma ação desenfreada, muitos tiros, socos e tudo mais que estamos acostumados a ver Liam Neeson fazendo, porém "Legado Explosivo" (que também foi pessimamente traduzido, o correto ao pé da letra seria "O Ladrão Honesto", mas que não chamaria atenção nenhuma!) é bem mais light de ações, tem uma proposta bem mais simples e quase sem firulas, aonde vemos o ator até fazendo alguns atos fortes, mas é tudo tão calmo e arquitetado que nem parece o filme do pôster. Ou seja, é algo que tem uma boa amarração, situações inacreditáveis, e até dá para curtir o que é mostrado na tela, mas é tudo tão manjado, tão impossível de pensar que alguém faria os atos da trama, tão simples demais, que ficou parecendo faltar algo acontecer, ou quem sabe ter um pouco mais dos roubos, um pouco mais de explosões realmente, ficando apenas um legado simples, e mostrando que em qualquer polícia do mundo há corrupção. 

A sinopse nos conta que Tom é conhecido como uma lenda entre os criminosos, mas tudo muda quando ele se apaixona por Annie e decide deixar seu legado no crime para trás. Disposto a mudar de vida, Tom aceita se entregar para a polícia em troca de uma sentença reduzida, mas ele não imaginava que seria enganado por agentes corruptos do FBI que o obrigarão a fazer justiça com as próprias mãos.

Se em seu longa de estreia ("Um Homem de Família") em 2016 acabei elogiando o estilo do diretor Mark Williams, não posso dizer o mesmo aqui de seu segundo filme, pois o diretor menosprezou o estilo explosivo que o filme poderia ter, todo o passado do protagonista (tanto o ator quanto o personagem), de forma que acabamos vendo um filme que até tem uma boa história (meio não convincente por um ladrão desejar devolver tudo o que roubou por um grande amor), que é explicada bem, mas que não flui muito com tudo o que acaba acontecendo, tanto que acabou faltando para os protagonistas dinâmicas mais explosivas, faltou para os corruptos acreditarem no que estão fazendo (afinal a cena do parceiro do vilão na casa dele é quase uma piada se pensarmos que o personagem é um policial do FBI imensamente treinado!), e assim não vemos uma estrutura funcional para a trama, ao ponto que até damos algumas risadas de algumas situações, a trama no geral convence e agrada, mas só ficamos pensando em toda a mentirada que pensaram para escrever e desenvolver o filme, pois tudo é muito bizarro pelos atos em si, e aí entra o erro. Ou seja, não digo que o diretor tenha errado a mão, ou falhado em alguma coisa mais ampla, mas ele esqueceu de fazer algo que acreditássemos ao menos no que ele queria mostrar, e isso não acontece em momento algum.

Sobre as atuações, Liam Neeson deu seu tradicional ar de não preocupação com tudo, mas disposto a ir a fundo para algo que está sendo necessário com seu Tom, de modo que seu carisma acaba sendo até bem conectado para a trama, mas ainda assim ficamos esperando mais dele, ou seja, diria que ou o ator anda sentindo o peso da idade e preferiu algo mais simples aqui, ou faltou atitude do diretor em pedir algo a mais para ele durante a gravação, de modo que vemos ele quase como alguém aposentado realmente. Kate Walsh fez cenas bem secundárias com sua Annie, mas com um olhar carismático e apaixonado para com o protagonista, suas cenas até acabam sendo boas, claro que exageradas de estilo, mas sendo bem colocada e agradando de certa forma. Jai Courtney deu um bom tom para seu Nivens, mostrando um estilo de vilania que o público acaba se convencendo e ficando bravo com o que entrega, e que claro acabamos torcendo para sofrer nas mãos do protagonista, o que não chega a ocorrer de forma imponente (o que é uma pena, pois merecia!), mas ainda assim o ator foi bem nos seus atos e o resultado funciona. Jeffrey Donovan caiu bem no estilo que seu Meyers precisava, sendo daqueles policiais investigativos com classe, e que passam uma confiança nas atitudes, ao ponto que poderia até ter sido mais imponente em alguns atos, mas acabou indo bem de uma forma geral. Quanto aos demais, tivemos um Anthony Ramos simples demais com seu Hall, fazendo algumas atitudes fraquejadas demais, e Robert Patrick aparecendo em apenas duas ou três cenas com seu Baker, não indo muito além, mas com certeza o destaque fica para a cachorrinha Tazzie, que foi extremamente expressiva em seus atos, tanto que com certeza no roteiro não tinha tanta participação dela em cena, mas o acerto foi muito bem colocado, e assim acabou valendo manter ela em mais cenas.

Visualmente o longa é simples, porém cheio de atos luxuosos, como perseguições com um porsche como carro dos policiais, vários momentos em hotéis bem arrumados (o que deve ter sido uma boa economia para a equipe de arte não precisar ficar compondo cenários), um galpão de locações para armazenamento, uma casa abandonada, um hospital, e claro uma sala parecendo ser a sede do FBI, mas sem muitos detalhes, além de um começo mostrando como o protagonista assaltava os bancos (que certamente para os 5 minutos iniciais gastaram mais de composição cênica do que no filme todo). Ou seja, a equipe de arte não precisou ir muito além, mas o filme ficou bem trabalhadinho no conceito, e não incomoda.

Enfim, é um filme razoável que fica levemente acima do conceito mediano, que não abusa muito de grandes efeitos, mas que também não traz nada que faça o público empolgar, além claro de como comecei o texto ele acaba nos enganando parecendo ser algo que não é, e sendo assim não diria que recomendo com toda força, mas também que não é algo ruim de ver. Ou seja, é daqueles que quando passar na TV dá para perder umas horinhas, pois é bem trabalhado, mas que quem for esperando muito vai acabar se decepcionando. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Tempo Com Você (天気の子) (Tenki No Ko) (Weathering With You)

1/05/2021 02:00:00 AM |

Não sou um grande fã, muito menos conhecedor de animes, mas confesso que ando gostando muito dos que acabam sendo exibidos nos cinemas nacionais, ao ponto de parecer até o que acontecia com o cinema argentino que só apareciam grandes obras para nós, então dessa forma, quem for conferir o longa "O Tempo Com Você", que foi o candidato do Japão ao Oscar de Filme Estrangeiro em 2020, certamente irá se emocionar com uma belíssima história cheia de detalhes, com muita dinâmica, e principalmente com um envolvimento fora dos padrões que além de ser bem trabalhado no contexto fantasioso/místico que nos é apresentado, ainda é maravilhosamente desenhado ao ponto que alguns atos de chuva são mais bonitos que muita chuva cênica do cinema mundo afora. Ou seja, é daquelas tramas que parecem simples, mas acabam nos conectando de tal forma que na metade já estamos dançando com as canções que não entendemos nada, e até nos emocionando com alguns momentos, mas que não faz chorar como aconteceu com o filme anterior do diretor, e talvez tenha sido esse detalhe que faltou para ser perfeito.

A sinopse nos conta que durante o verão, Hodaka foge de sua casa em uma ilha periférica para chegar a Tóquio. Ele não tem dinheiro, mas depois de muitos dias, acaba encontrando trabalho como escritor freelancer para uma revista duvidosa. Um dia, porém, Hodaka conhece uma garota no meio da agitação da cidade grande. Hina é uma garota alegre que vive sozinha com seu irmão mais novo, devido a uma série de circunstâncias. Ela tem um poder que deixa Hodaka impressionado: Hina pode controlar o tempo.

Diria que o diretor Makoto Shinkai foi certeiro no estilo mais uma vez, pois em "Your Name" ele conseguiu fazer uma trama emocionante simples e direta não apenas para seu público alvo (fãs de anime), como também acabou criando um envolvimento fascinante para todos que gostem de um longa bem montado, e aqui ele seguiu quase a mesma fórmula para manter a essência criando um ambiente futurista não apelativo que acaba sendo convincente. Ou seja, ele dá emoção em momentos simples, cria a ambientação juvenil caricata, porém gostosa de sentir, e só não foi mais certeiro dessa vez por ter algumas tramas paralelas meio que jogadas, que quase abrem a trama para algo mais seriado (como a situação do Sr. Suga com sua filha, o garotinho cheio de prosa com outras garotas, e até mesmo a busca da polícia pelo protagonista), ao ponto que o amor dos jovens, seu poder climático e tudo mais acabam em alguns atos meio que ficando de lado, e isso é muito errado, pois a trama se manteria fácil com tudo em cima deles. Sendo assim, não digo que aconteceu algo ruim, afinal os demais também possuem bons momentos, mas acabam quebrando o clima, e isso pesa um pouco na emoção.

Quanto dos personagens, diria que todos têm seu estilo e carisma, ao ponto que o jovem Hodaka é gracioso, ingênuo e bem trabalhado, conseguindo passar sua ideia, suas virtudes, e principalmente sua astúcia e desespero para conseguir o que quer, e assim agrada bastante durante o longa todo. Hina ao mesmo tempo que é meiga, tem seu ar místico bem colocado, e nos envolve bastante, criando um ambiente ao seu redor, porém se tivesse um pouco mais de sua história agradaria mais. Quanto aos demais diria que cada um teve um pouco de espaço, e como disse acabaram chamando o foco um pouco destoando da trama original, com a sensual Natsumi, o patrão meio maluco Sr. Suga, e até o jovem irmãozinho da protagonista com suas namoradinhas, ou seja, todos agradam, todos são bem desenhados, mas talvez um pouco menos de foco agradaria mais.

Visualmente o longa é um deslumbre, cheio de detalhes, com muita chuva, prédios imensos bem desenhados, muitas empresas conhecidas, ambientes simples com uma iluminação forte e escura nos atos de chuva e brilhantes com os raios solares, dando exatamente a sensação de vida que o filme pede, ou seja, é um filme muito bem desenhado, com toda uma simbologia em cada momento, com detalhes precisos e claros que chamam a atenção, além de bons efeitos tanto na protagonista, quanto no clima da cidade, agradando tanto pela técnica em si, quanto pelo significado passado.

A trama tem uma trilha sonora bem gostosa, que mesmo não entendendo nada de japonês entramos no clima que ela passa, e claro que compartilho aqui para quem quiser ouvir ela mesmo sem ver o filme.

Enfim é daqueles longas que emocionam e agradam bastante com a história mística, mas que tem um bom significado de paixão adolescente, que como disse só não foi mais perfeito por abrir a trama demais, mas ainda assim é envolvente e vale demais a indicação, então aproveite enquanto está em cartaz (inclusive com áudio original e legendado), pois depois não reclame de não aparecer. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Sou Sua Mulher (I'm Your Woman)

1/03/2021 10:19:00 PM |

Dramas policiais sempre são interessantes, e quando junta então com o estilo de uma época acabam chamando ainda mais atenção, pois vemos carros e armas clássicas, figurinos bem trabalhados e até bons momentos intrigantes, e dessa forma acabamos convivendo o tempo de exibição do longa da Amazon, "Sou Sua Mulher", com um bom envolvimento, quase que se desesperando junto da protagonista por não saber o que está realmente acontecendo (apesar que sabendo que o marido é um ladrão, certamente saberia que uma vida normal não teria), mas tendo de ficar correndo, se escondendo, e até se envolvendo em toda a bagunça que o marido se meteu, com uma pequena criança nas mãos, ao lado de desconhecidos. Ou seja, a trama é interessante, com uma pegada quase que de road-movie criminal, aonde tudo pode acontecer, ao mesmo tempo que nada pode acontecer, tendo bons atos, boas atuações, e principalmente um bom ritmo, que acaba aguçando a curiosidade do público e o desenvolvimento da trama, mesmo que falte um pouco de explicações para o funcionamento completo da trama.

O longa é um drama policial situado em 1970 que nos conta a história de Jean, uma mulher que é obrigada a fugir após seu marido trair seus parceiros, enviando ela e seu bebê em uma viagem perigosa, sendo caçados pelos ex-comparsas do marido.

Diria que a diretora Julia Hart foi esperta tanto em desenvolver sua trama com uma precisão de movimentos bem colocados, que acabam empolgando quem confere a trama, sem cansar ninguém (o que costumo dizer sem imprescindível, principalmente em longas para serem conferidos em casa!), e ainda pode dar uma certa dinâmica de empoderamento para suas personagens, pois a protagonista precisou aprender a desvirar uma madame que nunca fez nada, e virar uma dona de casa/mãe, ao mesmo tempo que está fugindo dos comparsas do marido, ou seja, aprender a usar uma arma, se esconder, fugir, e tudo mais, além claro do terceiro ato, aonde entra outra personagem feminina imponente, o longa deslancha ainda mais com uma pegada certeira e bem colocada, sem precisar forçar atitudes e desenvolvimentos, mostrando que a diretora soube do começo ao fim o que desejava entregar, e passou essa determinação coerente para que a atriz segurasse bem a onda toda, ao ponto que em momento algum vemos o filme ficar preso ou sem algo para aproveitar, o que acabou sendo bem útil para o estilo. Claro que o filme poderia ter mais história dos personagens masculinos para vermos realmente o tipo de encrenca que eles andaram se metendo, e assim ter um ganho de trama, pois mesmo na cena da boate tudo passa rápido e jogado, mas ainda assim é algo que vale a conferida.

Sobre as atuações é fácil dizer que Rachel Brosnahan conseguiu segurar o clima em cima de sua Jean, trabalhando olhares aflitos em diversos momentos, criando uma sensibilidade simples, porém cativante para que o público acreditasse no que está fazendo, e mais do que isso, sendo sutil nos seus atos para criar momentos bem encaixados, não sendo uma personagem falsa no que faz, e mostrando o que a trama precisava, ou seja, caiu bem no que o filme realmente precisava. Arinzé Kene trouxe um Cal sério, com poucos diálogos com a protagonista, mas passando uma boa sinceridade no que estava fazendo e ajudando ela, ao ponto que acabamos criando um carisma em cima do que faz, e lá pelo miolo até torcemos por algo a mais entre eles, mas isso é rapidamente mudado no decorrer, e assim sendo o ator foi simples, mas muito bem trabalhado no papel. Marsha Stephanie Blake fez de sua Teri uma mulher forte e direta nas atitudes, até se impondo um pouco a mais do que o papel pedia, mas foi de um grande acerto nas suas cenas, e certamente poderia ter aparecido até antes na trama para ter algo a mais com a protagonista, sendo coerente e acertando bastante. Bill Heck apareceu bem pouco com seu Eddie, ao ponto que ficamos sabendo mais das coisas dele pelo que é falado pelos demais personagens, e o ator é daqueles que certamente agradaria com mais cenas, talvez em flashbacks, mas acabou não sendo usado. Quanto aos demais, tivemos uma rápida participação de quase todos, com leves destaques para os ensinamentos de Frankie Faison com seu Art, e com a singela e bondosa vizinha vivida por Marceline Hugot, porém sem dúvida fica o destaque total para os três bebês que viveram Harry, pelo tanto que choraram no longa todo, e pelos sorrisos ao final. 

Visualmente o longa foi bacana por ser quase um road-movie com a protagonista trocando de casas para se esconder, as vezes dormindo no carro, tendo uma casa simples em um pequeno bairro após sair da mansão que vivia como madame, depois uma casa no campo, passando por boates e pequenos hotéis, e junto disso algumas perseguições, alguns tiroteios, cenas com carros antigos e bons figurinos que remeteram bem a época e criaram todo um ambiente interessante de vivência, ou seja, a equipe de arte foi bem coordenada e soube brincar com elementos cênicos precisos para cada ato tanto para dar o clima da época como para retratar o ambiente criminoso secundário (daqueles que estão envolvidos com o crime, mas não estão realmente cometendo o crime), e assim o resultado foi bem feito ao menos nesse quesito.

Enfim, é um filme bem interessante, com boas atuações e dinâmicas, que irrita um pouco com a quantidade de choro do bebê (mas faz parte da trama), e que agrada bastante do começo ao fim, valendo bem a conferida. Claro que está bem longe de ser algo memorável que vamos lembrar daqui um tempo, mas mostrou ser um grande trabalho tanto da diretora quanto da protagonista, e assim sendo vale a indicação. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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