Love Kills

5/25/2026 12:59:00 AM |

Já tenho falado faz algum tempo que o cinema nacional anda bem mudado, procurando encontrar múltiplos estilos que antes não chegavam tanto nas telonas, e tem sido bem bacana ver como os subgêneros do terror têm sido trabalhados, de modo que quem imaginaria ver algo meio gótico de vampiros em São Paulo, passeando pelas ruas escuras e ambientes mais depredados do centro antigo? Ninguém! Mas fizeram, e "Love Kills" tem uma pegada ousada e dinâmicas até que bem entregues, sendo diferenciado do tradicional, mas brincando com facetas tradicionais também, tanto que a HQ original acabou levando o longa para algo quase que novelesco, mas ao menos conseguiu trabalhar bem todas as dinâmicas com um orçamento enxuto, aonde os efeitos não foram tão longe, mas que ao menos funciona bem, e assim acaba sendo interessante ver o que quiseram propor na telona.

A sinopse nos conta que no centro de São Paulo, devastado pelas drogas, uma jovem vampira, Helena, assombra um estranho café na metrópole, cativando um ingênuo garçom. À medida que descobre os segredos dela e o submundo da cidade, ele é atraído para um mundo perigoso de intrigas imortais, desafiando sua mortalidade.

Uma coisa interessante que a diretora e roteirista Luiza Shelling Tubaldini tem feito é procurar coisas funcionais no mundo do cinema e adaptá-las para caber dentro do cinema nacional, e isso é bem bacana, pois dá para imaginar as coisas mais fictícias, porém próximas de nossos acontecimentos e vivências. Ou seja, aqui ela brincou com as ideias do mundo dos vampiros que já até vimos em novelas nacionais, mas com uma pegada mais próxima dos clássicos (inclusive mostrando num cinema um longa bem clássico do estilo), com paixões incandescentes e transmissões de poderes entre os seres, sendo algo simples, mas que na visão da HQ de Danilo Beyruth conseguiu transparecer até algo a mais, mas que em determinados momentos ficaram um pouco "truncados" demais, meio que com pausas que não eram necessárias numa trama de cinema. 

Quanto das atuações, diria que os personagens ficaram meio que teatrais demais, recaindo quase para o lado novelesco, e isso é um perigo em filmes desse estilo, pois o público precisa se convencer do que está vendo na tela, e no meio dos craqueiros da cracolândia de São Paulo ver vampiros pegando alguns ali como alimentação é algo meio incomum de se pensar. Ou seja, Thais Lago até foi bem imponente com sua Helena, desenvolveu bem suas cenas de lutas e criou alguns momentos densos bem encaixados com o que tinha para entregar, porém nas dinâmicas que precisou ter mais diálogos pareceu meio que deslocada, e isso deu uma leve queda na entrega completa, mas nada que desabonasse seus momentos mais bem colocados. Já Gabriel Stauffer fez um Marcos meio que desorientado demais na tela, parecendo estar livre do vício das drogas a pouco tempo, mas no meio de tudo o que rola acaba indo em um fluxo pouco usual, afinal qualquer pessoa normal vendo tudo o que acontece sairia é correndo e não entrando no meio da confusão, fora que a diretora esqueceu de avisar o pessoal da maquiagem que um ser humano normal tomando o tanto de pancadas que ele leva ficaria alguns roxos, mas isso não é erro do ator, que até fluiu bem, mas dava para ir mais além nas expressões. Quanto aos demais, a maioria ficou um pouco exagerado demais, tendo algumas boas lutas e desenvolturas, mas falhando no contexto principal de tentar aparecer muito como personagens secundários, e assim não diria que vale dar muito destaque para cada um individualmente.

Visualmente foi interessante ver uma São Paulo não usual, escura, cheia de drogados pelos cantos, alguns bares isolados e até um mundo fora dos padrões com apartamentos gigantescos e ambientes mais neutros, aonde a equipe de arte soube escolher bem as locações para representar esse estilo meio que gótico da cidade, ou seja, temos muitos ambientes imponentes e souberam aproveitar espaços mais fechados para que as lutas não precisassem falhar, e assim o resultado acaba agradando bem nesse sentido. Porém, a equipe de efeitos especiais e de maquiagem poderia ter trabalhado melhor alguns momentos, pois alguns poderes acabam distorcendo o ambiente, outros não ficaram tão machucados, e faltou um pouco mais de sangue para um filme com vampiros, mortes e tudo mais, ou seja, dava para brincar um pouco mais.

Enfim, é um filme de proposta ousada que foi bem representado na tela, mas que com um nome meio que fora do usual não chamou tanta atenção do público, que mesmo tendo algumas falhas como citei no texto até funciona bem sem ficar aquela novelona comum do estilo, então vale a dica para a conferida. Um pequeno detalhe apenas sobre a produção, que tem verba ribeirão-pretana sendo usado um projeto de lei da cidade pelo produtor Edgard de Castro, e apenas uma sessão do filme por aqui, ou seja, algo meio curioso apenas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Star Wars - O Mandaloriano e Grogu (The Mandalorian and Grogu)

5/24/2026 06:28:00 PM |

Hoje vou falar como alguém que não viu nenhum capítulo da série, e também não é fanático pela saga Star Wars, então posso dizer que fui para a sessão de "O Mandaloriano e Grogu" apenas como alguém que gosta de uma história bem contada, e o que posso falar de cara é que dá para curtir o longa pelo que é entregue, que claro não nos apresenta os personagens, mas como são cativantes com o que fazem, acaba sendo fácil de se conectar com tudo. Ou seja, pode até ser que seja um episódio mais longo da série, porém vemos algo como uma caça aos personagens do Império que ainda estão vivos querendo retornar tudo após os episódios do filme de 84, mas que não cumprindo bem a missão que lhe é conferida, o protagonista passa a ser caçador também pelos contratantes, ou seja, tem um começo, meio e fim funcional que até agrada, mas nada de muito impactante também na tela.

O longa nos conta que sob o contexto da recente queda do Império e, enquanto a Nova República luta para estabelecer as fundações do governo baseadas na luta da Rebelião, o lendário caçador de recompensas Mandaloriano Din Djarin e seu jovem aprendiz Grogu entram em uma missão para achar os esconderijos dos senhores da guerra Imperiais espalhados pela galáxia.

Diria que o diretor e roteirista Jon Favreau já mostrou saber dominar bem as técnicas de captura de movimentos, e aqui como temos muitos bichos feios na tela lutando, atirando e tudo mais, ele conseguiu proporcionar uma trama de ação que funciona bem na tela. Claro que o defeito gigante da Disney moderna é entregar os derivados de suas séries nas telonas sem fazer as devidas apresentações no começo do filme, mas como aqui isso não importou tanto, o resultado acabou fluindo bem, afinal o protagonista mal precisou dialogar muito com os demais personagens, apenas lutando e atirando bastante ao ponto da trama funcionar assim, termos seus cuidados com o pequenino verdinho e vice-versa. Ou seja, é daqueles filmes que até agradam pela formatação que o diretor decidiu seguir, mas nada que quem não for extremamente fã da saga saia da sala feliz e sorridente com toda a dinâmica montada.

Quanto das atuações, poderiam colocar dentro da armadura qualquer ator, pois vemos Pedro Pascal atuando mesmo com seu Mandaloriano em uma única cena, ou seja, apenas gastaram muito com o cachê do ator, pois qualquer um que estivesse disposto a lutar, pular e atirar se daria muito bem ali. Outro grande ator da atualidade, Jeremy Allen White emprestou sua voz para Rotta, o Hutt, e o bichão é o que mais fala na tela, então deu uma boa entonação para que o personagem parecesse imponente na tela. Outro que apareceu apenas em duas cenas foi Martin Scorsese, sim aquele diretor que reclama dos filmes de ação, mas aqui os boletos devem ter pesado e deu sua voz para o bichinho cozinheiro Hugo Durant. Ainda tivemos algumas cenas com Sigourney Weaver fazendo sua Coronel Ward bem colocada como a contratante das missões do protagonista, mas sem grandes momentos chamativos. 

Visualmente é o que mais importa na tela, tanto que temos muitos personagens que são criações computacionais, outros animatronicos, e ambientes bem interessantes de alguns planetas, tendo boas lutas, tiros, explosões, um coliseu eletrônico chamativo, cidades tecnológicas, e no palácio dos mandantes tivemos ainda um foço com umas cobronas e bichos esquisitos aonde tudo tenta matar o protagonista. Ah e claro tivemos o pequenino Grogu que entrega ótimas cenas, com movimentos e carisma tão grandioso que a equipe de arte e computação trabalhou bem demais para fazer funcionar.

Enfim, volto a dizer que não sou fã da saga, e menos ainda pensei em conferir a série para me situar, então posso dizer que o longa foi ao menos bacana na tela, dando boa interação e funcionando para quem for sem saber nada, porém quem conhecer mais tudo certamente irá gostar mais. Sendo assim fica a dica como algo bem feito, mas que talvez uma abertura rápida melhor desenvolvida agradaria mais ainda, e assim fica a dica para quem for conferir. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje vou encarar mais um filme, então abraços e até mais tarde.


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Hokum - O Pesadelo da Bruxa (Hokum)

5/23/2026 11:37:00 PM |

Se ontem fiquei extremamente feliz com o terror que fui conferir, hoje a situação já foi bem diferente, pois "Hokum - O Pesadelo da Bruxa" entrega um filme tão morno, tão sem impacto, que você fica esperando a tensão acontecer e quando rola você pensa, mas só isso? Ou seja, é daqueles filmes que facilmente poderia passar qualquer horário na televisão, que não vai causar trauma em ninguém e que mais parece uma aventura lúdica boba do que realmente um terror, e assim decepciona fácil quem for esperando um algo a mais na telona.

A sinopse nos conta que um escritor solitário vive um luto e passa a ser assombrado por uma figura misteriosa e assustadora. O introvertido Ohm Bauman se refugia numa pousada isolada na Irlanda para espalhar as cinzas de seus pais, o último desejo dos dois antes de morrer. Enquanto lida com a perda e o luto, Bauman será apresentado ao pesadelo que ronda o hotel, confrontando-se com visões perturbadoras e traumas do passado, que invadem seus sonhos e sua mente graças à presença de uma antiga bruxa que assombra a suíte nupcial. Em meio a pesadelos terríveis, um desaparecimento chocante parece piorar a situação, obrigando-o a enfrentar as forças malignas que cercam o local e os cantos mais sombrios do seu passado.

Diria que o diretor e roteirista Damian McCarthy até teve boas intenções ao criar sua trama, pois o filme tem algumas ideias interessantes de base, e talvez com alguns ajustes causaria muito mais tensão no público, afinal costumo dizer que se o filme não fizer você sentir nada, alguma coisa de errado teve, e na sala quase que cheia para conferir o longa, a maioria saiu como se tivesse assistido um caso comum na telona, aonde ocorreram algumas mortes, mas até elas soaram "banais". Ou seja, faltou impacto, e principalmente o diretor enxergar o potencial da trama para ir além, afinal seu filme foi vendido como um terror impactante, sufocante e tudo mais, e nem nas cenas que ele entra em um elevador minúsculo de comida, a essência do longa causa algo no público.

Quanto das atuações, gostei do estilo meio irônico que Adam Scott entregou para o seu Ohm, porém costumo falar que em filmes de terror os personagens precisam demonstrar o medo e o temor para o público se convencer do que está acontecendo, e aqui ele foi "normal" demais como escritor, e mesmo tendo seus problemas do passado, a culpa não transpareceu um minuto sequer na tela, ou seja, falhou bastante com a entrega que precisava. Quanto aos demais, gostei de ver o estilo do sem-teto que David Wilmot entregou na tela com seu Jerry, de modo que você acaba até torcendo para ele conseguir voltar e ajudar o protagonista, fora que foi bem chamativo, já os personagens do hotel foram meio que forçados demais, com Peter Coonan fazendo um Mal meio que desesperado com a situação, mas sem grandes explosões para chamar atenção, e Michael Patric acabou trabalhando seu Fergal meio que sem nuances para o estilão bruto, enquanto Will O'Connell poderia ter sido mais assustador com seu Alby na tela, e por fim a moça Florence Ordesh foi meramente um enfeite com sua Fiona sem grande expressividade, servindo apenas para dar o andamento da trama de subirem para procurar ela.

Visualmente a trama teve alguns atos bem rápidos em uma floresta, alguns momentos no bar do hotel, e praticamente todo o restante dentro da suíte nupcial abandonada, tendo uma banheira com água suja, móveis empoeirados, e alguns elementos cênicos bem antigos como o bonequinho do relógio, além de um elevador de comida minúsculo aonde os personagens descem para um porão antigo e bem estranho com luzes piscantes e alguns elementos pendurados, mas nada que assustasse realmente como deveria.

Enfim, é um filme que dava para ter ido muito mais além, mas que serve como um passatempo de sessão da tarde, que talvez alguns enxerguem algo a mais e sintam algo pela trama, mas para mim foi apenas algo bem simples que levou nada a lugar algum, e assim sendo não recomendaria ele para ninguém. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Passageiro do Mal (Passenger)

5/23/2026 12:34:00 AM |

Já disse isso várias vezes, mas quer me deixar feliz em um filme, me surpreenda com algo completamente fora do que o trailer parecia ser, pois venderam o longa "Passageiro do Mal" de uma forma tão bobinha e jogada no trailer, aliás mostrando praticamente só a primeira cena inteira e nada mais, que fui para a sessão esperando apenas mais um terror de sustos gratuitos daqueles que o diretor só quer rir de você saltando da poltrona, e acabei vendo uma história interessante misturando ideologia religiosa com intenções nômades e dinâmicas bem encaixadas dentro da proposta, que acabei gostando até mais do que achava, rindo claro de alguns clichês do estilo, mas tudo sendo tão funcional que o resultado acabou indo bem além na tela, sem precisar ficar pensando ou imaginando coisas.

O longa acompanha a viagem de um casal que tinha tudo para ser perfeita, mas ao presenciarem um acidente fatal na estrada, todo o rumo da história vira de cabeça para baixo. Sendo perseguidos por uma presença demoníaca chamada de Passageiro, eles serão acompanhados por todo o restante do trajeto de carro. O espírito do mal, por sua vez, fará de tudo transformar a aventura em um verdadeiro pesadelo.

Acho interessante quando praticamente já vi todas as obras de um diretor, e nenhuma delas me decepcionou (algumas podem até ser nada espantosas, mas me irritar ao ponto de desistir dele não), e um diretor que descobri ao acaso com uma indicação que ninguém nem sabia quem era foi André Øvredal, que depois acabou estourando com tramas mais comerciais, mas quando lançou "Mortal" simplesmente ninguém sabia quem era o cidadão, e ele sempre mostra muita pegada na tela, brinca com as facetas que tem, dá claro os famosos jumpscares (sustos gratuitos no escuro), porém sabe brincar com a ideia que lhe é entregue, fazendo com que tudo flua naturalmente, tenha conteúdo e impacte aonde deve impactar, ao ponto que aqui várias cenas me deram até leves arrepios, ou seja, fazendo funcionar como um terror deve que é "tocar" o espectador, e assim sendo, mais uma obra sua que irei anotar como não me decepcionou, mesmo que eu nem soubesse antes que o longa era dele.

Quanto das atuações costumo dizer que gosto muito quando em filme de terror o ator consegue passar o medo que está sentindo para o público, e aqui Lou Llobell entregou uma Maddie completamente desesperada com as situações que está vendo acontecer ao ponto de até querer desistir de seu amor para simplesmente sumir dali, e a entrega dela foi genuína em diversos momentos e conseguiu agradar bastante, até mesmo em atos que teve de demonstrar coragem e foi com tudo também. Já Jacob Scipio fez com seu Tyler aquele famoso personagem que dá raiva e torcemos pra morrer com umas burradas que faz, mas como foi bem colocado em diversos momentos, seu resultado geral acaba agradando. Joseph Lopez fez o Passageiro com olhares e entregas bem densas e repentinas, assustando mais pela essência do que por sua atuação, mas fez bem o que tinha de fazer. Agora fiquei com pena de usarem uma ganhadora de Oscar do porte de Melissa Leo como uma secundária de três cenas com sua Diana, pois poderia ter entregue mais na tela, mas ao menos seus momentos foram marcantes e chamativos no que fez.

Visualmente o longa é quase um road-movie, tendo a van dos personagens bem arrumadinha para viverem na estrada, não tendo muitos elementos cênicos, mas contando com alguns bem úteis para a proposta, valendo claro o destaque para a medalhinha de São Cristóvão (protetor dos viajantes e motoristas), tivemos algumas cenas em campings e reuniões de moradores de vans, e claro tivemos muitas cenas na estrada e estacionamentos, alguns restaurantes e claro muitas mortes e acidentes, ou seja, um filme com dinâmicas bem montadas, com cenografias não grandiosas, porém imponentes dentro do ambiente completo.

Enfim, não é o melhor terror que já vi na vida, mas conseguiu me arrepiar em duas cenas e conseguiu causar uma boa tensão sem ser daqueles filmes que você precisa ficar descobrindo ou imaginando as coisas, tendo alguns atos que talvez pudessem ser mais realistas, mas aí seria pedir demais, e assim sendo o resultado geral funcionou bastante, mesmo com sustos gratuitos e clichês tradicionais. Ou seja, quem curte o estilo pode ir tranquilamente que vai valer o tempo de tela (aliás bem curtinho de apenas 94 minutos). E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais. 


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Sexo e Destino

5/21/2026 10:23:00 PM |

Tenho uma opinião bem formada sobre longas religiosos, principalmente os da doutrina espírita, e já até falei aqui várias vezes, pois é uma das literaturas mais vendidas abaixo apenas dos livros de ficção jovem e de autoajuda, então os roteiristas têm mesmo que adaptar as diversas obras e lapidar para cada vez ficar mais próximo de um filme mesmo e mais longe de uma novela, que aliás estão transformando uma novela espírita em filme, então veremos o que acontecerá! Dito isso, hoje foi o dia de conferir o longa "Sexo e Destino", que foi narrado por André Luiz e psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira, de uma forma interessante o conflito de duas famílias que vem de gerações todo o caos, sendo até que bem desenvolvido com um elenco afiado, porém tem um grandioso defeito, que é recair demais para o lado novelesco, ao ponto que com tantos personagens, a história acaba se perdendo um pouco na tela, ficando o lado do passado algo meio que jogado. Ou seja, dava para cortar fácil uns bons minutos de filme, mas precisaria de ajustes na história para remover personagens, e assim, não impactaria tanto como no livro.

Na trama ambientada no Rio de Janeiro, às famílias Nogueira e Torres estão entrelaçadas por paixões, traições, vinganças e culpas que atravessam diferentes encarnações. Marina é uma jovem ambiciosa e fútil que passa por um longo processo de transformação ao longo do filme. Ela se apaixona por Gilberto, filho do seu patrão, sem saber que o rapaz já vivia um relacionamento com sua irmã, Marita.

Diria que o diretor Marcio Trigo é um dos que mais está trabalhando o vértice espírita nas telonas, só que sua formatação já está ficando repetitiva demais, ao ponto que o eixo novelesco é funcional para o estilo, mas precisam mostrar que tem outras ideias de quebras e reviravoltas, para ainda assim enaltecer a doutrina e as mensagens, sem que fique sempre batendo na mesma tecla. Ou seja, é um filme que mostra bem as ideologias da fé espírita, de suas conexões, lembrando até um pouco "Nosso Lar" em alguns momentos, mas repetiu o recheio do bolo, e mesmo sendo bom, já começa a não dar bons frutos para que o paladar do público goste.

Quanto das atuações, diria que os atores foram bem em suas interpretações, porém os personagens são meio que incômodos demais, ao ponto que Letícia Augustin até segurou bem sua Marina, mas em determinado momento pareceu mais maluca do que realmente expressiva, ou seja, faltou um algo a mais para convencer de seus atos. Bruno Gissoni teve alguns atos chamativos com seu Gilberto, mas parecendo não estar empolgado na maioria das cenas, e sim perdido com sua entrega. Tato Gabus Mendes é um tremendo ator, porém seu Nemésio acaba sendo forçado de essência e entrega. Antônio Fragoso foi quem mais teve mudanças nas nuances de seu Cláudio, mas também em determinados momentos a mudança foi tão grande que nem parecia mais o mesmo personagem/ator. Raquel Rizzo foi quem mais manteve a essência forte de sua Márcia, inclusive nas cenas do passado, ou seja, a atriz escolheu o caminho para seguir e foi bem na tela. Ainda tivemos Tiago Luz com seu Felix e Jaedson Bahia com seu André Luiz, mas foram secos demais nas passagens da doutrina, e assim não foi tão além quanto poderiam.

Visualmente o longa teve um orçamento não muito chamativo, de modo que tivemos duas casas bem semelhantes, mostrando que ambos eram famílias com um certo grau de riquezas, tivemos as cenas do passado sem mostrar muito dos ambientes para não criar grandes chamarizes, apenas tendo um pouco mais de valor nos figurinos, e tivemos uma boate bem sem nuances comuns que conhecemos do estilo, deixando apenas as cenas no plano espiritual mais envolventes de símbolos parecendo até usarem recursos de outros filmes espíritas. 

Enfim, como disse a proposta em si é interessante de ver na tela, porém acredito que o livro funcionou muito mais com a grande quantidade de personagens do que na telona, pois aqui o resultado acabou puxando demais para o lado novelesco, e isso está ficando repetitivo demais no estilo de tramas espíritas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Adrenalina Pura+ - A Trégua (La Tregua) (The Truce)

5/20/2026 10:42:00 PM |

Gosto muito dos filmes que envolvem a Segunda Guerra, principalmente os que fogem do mote tradicional em cima da Alemanha e seus conflitos, e um país que vem surpreendendo nas produções é a Espanha, com seu clássico estilo de cinema que acaba sendo um pouco alongado demais, mas que de um modo geral envolve e consegue ser bem marcante nas entregas. E a dica de hoje é o filme "A Trégua", que estreia amanhã na plataforma do Adrenalina Pura+, trazendo a história de dois grupos de soldados que acabam sendo presos num gulag soviético durante a Segunda Guerra, porém sendo de grupos de combatentes opostos na Guerra Civil Espanhola, passam a brigar e ter muitos conflitos de interesses e dinâmicas, mas que botando tudo em pratos limpos para se ajudarem a sair dali, poderão se entender um pouco mais. Diria que o longa tem um pouco de vários outros filmes do estilo, mas que acaba funcionando bastante na essência e no envolvimento entregue pelos atores, sendo algo bacana de conferir na tela.

A sinopse nos conta que em um gulag soviético durante a Segunda Guerra Mundial, dois grupos de soldados espanhóis (um franquista, outro republicano) devem aprender a viver juntos se quiserem sobreviver às duras condições de sua prisão.

Diria que o diretor e roteirista Miguel Ángel Vivas foi bem simples nas dinâmicas para que seu filme não ficasse tão complexo dentro da narrativa, pois se ele fosse abordar e contar a história de todos os personagens acabaria indo para muito longe, até mais do que já foi, pois o filme tem 150 minutos e mostra muitas situações entre os personagens e suas conexões, mas segurou a amplitude para o ambiente em si, o que acabou funcionando na tela. O que mais gostei da escolha do diretor foi dele praticamente esquecer a Guerra mesmo, deixando que o foco todo ali no gulag e como as relações entre os diversos grupos presos ali se assemelhavam aos campos nazistas sem terem as mortes só de judeus, mostrando um algo a mais para conhecermos do universo russo da época, e assim ele trabalhou com poucas cores para dar os ares das estações, mas brincou bastante com a essência toda na tela.

Quanto das atuações, posso dizer que todos foram bem intensos em seus papeis, porém o corte de cabelo inicial para todos os personagens acabou me deixando um pouco confuso com alguns personagens muito parecidos, e isso não é algo legal de acontecer, mas com o desenrolar dá para diferenciar e gostar do que cada um fez. A base maior ficou com Miguel Herrán, que a maioria conhece pela série "A Casa de Papel", e que aqui abrilhantou seu Tenente Salgado com uma vivência ampla e cheia de conexões, sendo sutil em algumas dinâmicas e implosivo em outras, mas conseguindo chamar muita atenção e com isso agradando com o que fez na tela. Outro que foi bem colocado no longa foi Arón Piper, que também é mais conhecido pelo seu papel na série "Elite, com seu Capitão Reyes, tendo uma experiência maior no gulag, chamando as dinâmicas de todos ao seu redor com suas imposições, mas sendo direto na conexão com os demais espanhóis, mostrando que o ator teve personalidade para o papel e conseguiu dinamizar tudo para que fosse encaixando dentro das devidas ações na tela. Vale ainda dar destaques para Javier Pereira com seu Padre, Fernando Valdivielso com seu imponente Junqueras, além de Sergey Ufimtzev com seu Nazarov e Dina Tasbulatova com sua Aisulu, mas todos com papeis mais de conexões do que imposições realmente a frente de tudo.

Visualmente o gulag em si lembra demais os campos de concentração que já vimos em muitos outros filmes da Segunda Guerra, com a mesma "receptividade" na entrada, diferenciando mais nas dinâmicas nos alojamentos que aqui como os presos realmente estavam ali para trabalhar pela sua comida, vemos as interações e não tanto as mortes em si, tendo atos nas minas, tendo alguns momentos nas enfermarias e também no aposento do controlador do campo bem mais arrumado, além claro de um concerto montado pelos presos que acaba sendo marcante para uma dinâmica de fuga, ou seja, tudo bem puxado para o cinza pelas cenas mais frias, e o resultado visual funcionando bem assim.

Enfim, é um filme denso, forte e chamativo, que talvez pudesse ter sido mais elaborado para não precisar se alongar tanto, mas ainda assim agrada bastante e mostra esse outro lado da Guerra que não foi muito ainda representado nas telonas. E é isso meus amigos, o filme estreia nessa quinta 21/05 na tela do canal Adrenalina Pura+, que pode ser acessado na maioria das plataformas de streaming, e fica a dica para a conferida, e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Atomica Lab Assessoria e da Adrenalina Pura+ pela cabine, então abraços e até breve com mais textos.


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Na Zona Cinzenta (In The Grey)

5/17/2026 02:17:00 AM |

Gosto de longas de ação pelo simples fator de não precisar pensar em nada e apenas precisar jogar junto dos personagens no meio da loucura toda, porém existe um diretor que gosta de inventar moda, e acaba entupindo de explicações e planos mirabolantes em seus filmes que você acaba saindo até levemente cansado com tudo o que precisa ver, se vai dar certo isso, ou aquilo, se vai sair pelo norte, sul, leste, oeste, se a negociação vai dar certo ou se vai dar ruim, e por aí vai, de modo que acabamos apelidando isso de filmes de Guy Ritchie, de tal forma que vamos para a sessão de um filme seu sabendo que vamos trabalhar bastante para acompanhar os personagens, e assim pode ser que alguns amem e outros odeiem, mas sempre será dessa forma. Dito tudo isso, o longa da vez "Na Zona Cinzenta" só faltou um detalhe para ser o que foi, aparecer a logo da Netflix no começo, pois tem toda a cara dos filmes de ação que andamos vendo na plataforma, com uma tonelada de personagens importantes para a desenvoltura, mesmo sendo secundários no elenco, uma tonelada de tiros e explosões para todos os lados, personagens "importantes" dando seu sangue pelo projeto, e no fim tudo tendo alguma armaçãozinha extra para ficar semi-fechado. Ou seja, é o pacote passatempo de ação que a galera curte, que pode até passar longe de ser uma obra prima, mas que sempre vai funcionar para a maioria.

O longa acompanha a negociadora de elite Rachel, que é contratada para recuperar uma fortuna das mãos de um chefão do crime. Para isso, ela vai utilizar todo seu arsenal de recursos, inclusive a equipe de apoio liderada por Bronco e Sid, responsáveis por garantir sua integridade física durante a perigosa empreitada. Quando a negociação se estabelece dentro dos limites de uma ilha controlada pelo rival, Sophia e seu time precisam elaborar o plano perfeito para que ela recupere o dinheiro e deixe o local em segurança.

O diretor e roteirista Guy Ritchie é daqueles que já sabemos sempre o que vamos ver, tanto que é como falei no começo que já sabemos aonde vai errar e aonde vai acertar em seus filmes, de tal forma que nem esperamos acontecer alguma surpresa chamativa na tela, e isso é um problema principalmente para quem gosta de vivenciar momentos e reviravoltas em uma trama, e aqui você pode esquecer totalmente disso acontecer, ao ponto que o filme ficou com muita cara de uma produção feita para o streaming, e não para o cinema, mas como o orçamento deve ter ido lá para a estratosfera entre elenco e explosões, resolveram jogar ele nas telonas para tentar recuperar um pouco. Ou seja, é daqueles longas que o diretor sabe fazer muito bem, cheio de desenvolturas, personagens sagazes nas entregas, e muitos planos para desenvolver, que pode dar certo ou errado, mas que entrega a proposta completa na tela.

Quanto das atuações diria que o trio principal foi mais sedutor para o público do que intenso nas dinâmicas, mas isso fazia parte da proposta, e o resultado funciona, sendo que Eiza González entrega uma Rachel imponente, cheia de artimanhas, sendo daquelas advogadas arquitetônicas que nem se você quiser acaba ganhando dela uma ação, e seu jeitão de negociar acaba sendo marcante e cheia de desenvoltura, sendo bem bacana sua entrega. Jake Gyllenhaal trabalhou seu Bronco de um jeitão bem bronco mesmo, seco e imponente, com traquejos que você ri da seriedade dele, e isso deu toda a estrutura que o filme pedia. Já Henry Cavill fez um estilo mais sutil, com classe até demais para que seu personagem seja articulado dentro das tramoias e brincando bem em alguns momentos conseguiu chamar muita atenção. Do lado oposto tivemos irmão do Javier Barden que nunca tinha visto em filmes, de modo que Carlos Barden tem uma pegada mais durona que caiu muito bem para o estilo, sendo chamativo e surtado com toda sua riqueza sendo travada, ou seja, mandou bem no que precisava. Enquanto o advogado dele vivido por Fisher Stevens só foi vendo tudo dar muito ruim, suando aos montes e se preparando para ser morto já que não estava conseguindo fazer seu serviço. Ainda tivemos vários outros brucutus bem encaixados na equipe protagonista, com Michael Vu com seu Glover, Kojo Attah com seu Baker, Jason Wong com seu Gucci, Emmett J. Scanlan com seu Dunne, e Christian Ochoa Lavernia com seu Moreno, todos bem trabalhados na essência da missão e chamando atenção para suas tarefas. E por fim ainda tenho de falar da Bobby que Rosamund Pike faz em poucas cenas, mas extremamente imponente e chamativa, sendo bem colocada como uma negociadora rica que poucos veem, mas sabe o que faz.

Visualmente o longa é o tradicional de ação cheio de ambientes amplos como uma ilha cheia de ruas e espaços para correr com motos e quadriciclos, tivemos cenas em botes, helicópteros grandes e pequeninos, jipes, trailers e claro hotéis riquíssimos, além de navios, iates e tudo mais, tudo bem composto cenicamente com bombas e armas de todos os estilos, uma plantação de bananas e além disso a equipe brincou com muitos escritos e riscos na tela para mostrar os planos para o público, sendo marcante e cheio de nuances.

Enfim, é daquelas tramas que facilmente daríamos play nos streaming pelo elenco e pelas boas cenas de ação e que no cinema alguns devem até encarar pelo mesmo motivo, mas não esperem sair totalmente empolgados com o que verão, sendo algo mais cheio de planos que nos confundem, do que algo apenas explosivo, e assim fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais. 


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O Gênio do Crime

5/16/2026 07:55:00 PM |

É interessante que quando bem mais novo tínhamos muitos longas nacionais com a pegada infantil, e praticamente essa "indústria" foi desmantelada e acabou sumindo, e não é por falta de obras para adaptar, pois existem muitas, mas simplesmente mudaram para pouquíssimas animações (algumas até mais adultas do que infantis) e vez ou outra surge um novo "D.P.A." que vive em cima de investigações de bruxaria e magia, ou seja, tudo lúdico demais para acreditar. E quando vi o trailer de "O Gênio do Crime" fiquei com muito medo de ser algo bobinho demais para crianças, mas também fiquei na dúvida de ter lido o livro na escola há muito tempo, porém cá que fui para a sessão e gostei até que bastante do que vi, pois segue a pegada misteriosa que a criançada tá acostumada a ver com D.P.A., só que ao usar uma base de detetive do mundo real, de procurar vilões mais intensos, o resultado acaba fluindo e divertindo com as crianças tendo suas aulas, batendo figurinhas e tudo mais. Claro que por ser um livro mais antigo, deram uma modernizada nas coisas, e também amarraram um pouco demais as dinâmicas, parecendo ser até mais longo do que realmente é, mas nada que incomode, afinal deu para desenvolver bem os personagens na tela e contar tudo em 90 minutos.

O longa nos mostra que durante a Copa do Mundo, o álbum de figurinhas é a maior febre entre os alunos do Colégio Três Bandeiras. Gordo, líder de um grupo empenhado em completar o álbum, descobre uma operação de falsificação de figurinhas, até então, impossível de ser desvendada. Ao lado dos amigos - e de Berenice, uma garota esperta por quem se apaixona - ele embarca numa investigação cheia de suspense, aventura e humor, onde a paixão pelo futebol se une à busca por justiça.

É interessante ver que esse é o primeiro longa de André Felipe Binder depois de muitas séries e novelas, e ao ir numa direção tão fora do comum como é a de buscar livros mais antigos, ele acabou brincando com algo de muitas nuances e acertou principalmente em não deixar seu filme amarrado nos desenvolvimentos de personagens como é o caso da maioria das obras literárias. Ou seja, vemos um filme amplo aonde tudo vai acontecendo ao mesmo tempo que vamos conhecendo cada um ali, tanto que assim como os garotos até ameaçamos a chutar alguns possíveis vilões, e a sacada foi bem essa, mostrando que ele não ficou dentro do modo operante de novelas, o que foi um grande acerto. Porém, como disse no começo do texto, ainda não consegui reparar exatamente aonde o longa teve uma segurada temporal, que em muitos casos são usados para alongar o filme, e aqui foi apenas uma sensação mesmo, tanto que a cena final foi até cortada acontecendo algo e mudando rapidamente, o que soou um pouco estranho, mas nada que incomode, e assim o longa funcionou bem nas mãos do diretor, mostrando que ao buscar algo do escritor João Carlos Marinho, outros diretores também podem brincar com essas facetas e mudar o cinema nacional juvenil.

Quanto das atuações, é bem bacana ver jovens praticamente estreantes nas telas que possuem um bom potencial expressivo, mostrando que com um pouco mais de trabalho podem ainda se desenvolver mais e chamar muita atenção no futuro. E começando a falar de Francisco Galvão com seu João/Gordo posso dizer que ele tem muita presença, soube dosar os atos como protagonista, se mostrando um detetive bem cheio de traquejos e vontades, claro que faltou algumas firulas para marcar mais suas cenas, mas dominou bem e agradou com o que fez. Sei que a personagem Berenice tem participação em muitos outros livros do escritor, e aqui a escolha de Bella Alelaf foi muito boa, pois a jovem já tinha mostrado desenvoltura em um outro filme nacional, e aqui ela foi o encaixe que faltava para o grupo de garotos, senão seria algo muito fechado dentro de uma panelinha masculina, e sua personalidade entregue para a personagem conseguiu ser bem sucinta e interessante de ver. Breno Kaneto e Samuel Estevam também tiveram bons momentos com seus Pituca e Edmundo, mas suas desenvolturas acabaram ficando um pouco apagadas pelos demais, não sendo ruim de forma alguma, muito bem encaixadas e dinâmicas, mas como não quiseram dar um desenvolvimento maior de personagens, acabaram secundários. Quanto aos adultos, vale claro o destaque para Ailton Graça com seu Tomé até um pouco bobinho demais, mas tendo cenas interessantes bem colocadas e agradando com isso, e também vale destacar Douglas Silva voltando ao cinema com uma pegada bacana para seu Caíque, tendo atitude e imposição em diversos momentos, já Marcos Veras até foi bem com seu Mister Mistério, porém acabou fazendo um detetive meio cartunesco demais, e isso não mostrou o quão bom é o ator que conhecemos.

Visualmente o longa mostrou alguns atos em escolas diferentes de classes sociais também diferentes, tivemos muitas cenas na casa do garoto, com seu quarto cheio de detalhes de elementos de sua fixação por mistérios, fomos apresentados a produção de álbuns e figurinhas, além de uma metalúrgica abandonada aonde rolava os derretimentos dos detetives que tentaram parar os cambistas e falsificadores, porém uma grande sacada do roteiro foi brincar com as ruas e bairros de São Paulo, que com as ideias dos jovens de seguir o cambista acabou sendo até um elemento cênico bacana na tela, mostrando simplicidade nas dinâmicas, mas boas colocações na investigação. Um único aquém foi a cena do camping, que o lance de assar marshmallow é algo muito estadunidense e pouco comum no Brasil, mas ficou bonitinho de ver ao menos.

Enfim, foi um filme que imaginava que seria até mais bobinho e acabou me surpreendendo na entrega, sendo gostoso de conferir e lembrando um pouco da minha época de escola, aonde os poucos amigos e mistérios eram bacana de serem imaginados, então funcionou como filme e como nostalgia, sendo bem funcional e valendo a indicação, mesmo não sendo algo incrivelmente perfeito. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas acho que verei mais algo hoje, então abraços e até mais tarde.


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Um Dia de Sorte em Nova York (Lucky Lu)

5/16/2026 03:15:00 AM |

Costumo dizer que muitas vezes o cinema nos permite viajar e conhecer pessoas, de tal forma que já vivenciamos tantos longas nos lugares mais bonitos de Nova York, ambientes clássicos e turísticos, e até mesmo uma Chinatown cheia de facetas e ambientações, e sabemos o quanto alguns trabalhadores usam perfis falsos para sobreviver dentro dos aplicativos de entregas, já tendo vários longas também com essa essência sendo mostrada, então vivenciar 48 horas de um imigrante chinês no longa "Um Dia de Sorte em Nova York", que estreou na plataforma da Filmelier+, é quase como sentir a vida de um trabalhador desesperado que sua família está vindo da China para os EUA, e precisando de dinheiro e tendo muitos percalços no meio do caminho busca alternativas com amigos, golpistas e tudo mais, mas mais do que isso, vemos o sentimento de busca pela identidade e pelo calor familiar, conhecendo lugares menos conhecidos, e pessoas também não tão comuns, mas que na tela tentam sorrir para esconder os problemas, e assim a essência funciona bem na tela, mesmo sendo algo linear demais, pois poderia ter conflitos de impacto para causar e ir além, mas não quiseram ser tão duros também com o personagem principal.

O longa nos mostra um imigrante chinês chamado Lu trabalha como entregador na cidade de Nova York. Há cinco anos nos EUA, Lu sobrevive como pode enquanto se sustenta na esperança e no sonho de gerenciar seu próprio restaurante. Parece ser o começo de uma nova vida agora que, finalmente, Lu conseguiu seu primeiro apartamento na cidade, um pequeno quarto e sala, logo a tempo da chegada de sua esposa e sua filha da China. O recomeço de Lu, porém, vai se provar bem difícil de se concretizar, já que, logo no dia em que pega as chaves da nova casa, sua bicicleta é roubada, privando-o de seu único e principal instrumento de trabalho e fonte de renda. Prestes a receber a família que não vê há anos, Lu corre por Nova York pedindo favores, buscando empréstimos e penhorando os poucos bens que possui. Lu irá lutar contra as dificuldades e os obstáculos criados por um sistema indiferente às suas dores.

Diria que o diretor e roteirista Lloyd Lee Choi foi bem representativo das situações, porém não efetivo quanto ao poder de emoção, pois seu filme acabou sendo flat/linear como costumamos dizer, tudo acontecendo e sendo determinante nas situações, o famoso desespero em busca de soluções que não vê nem deixa acontecer um algo a mais, sendo algo bonito pela síntese em si, mas dava para nos emocionarmos mais com as conexões do rapaz com a garotinha, seus surtos serem mais demonstrados na tela, e até mesmo alguns atos de quebra serem intensos (por exemplo do atropelamento, ali tinha tudo para o filme impactar monstruosamente, mas levanta e anda já dizia a música pop, e nada vai além). Ou seja, é uma boa tentativa de entrega do diretor na tela, mas talvez com um pouco mais de experiência, ele ficando apenas com o roteiro, o longa seria daqueles para sairmos da sessão impactados e emocionados.

Quanto das atuações, Chang Chen entregou de uma forma tão bem dominada seu Lu como um imigrante entregador de comidas, magro com suas economias em comer, e disposto a tudo para manter a chegada da família como planejado, que em alguns atos até nos conectamos totalmente a ele, mas o roteiro em si não o fez ir além, pois ele iria, e chamaria ainda mais atenção. Agora quem soube entregar mesmo com trejeitos fechados um carisma próprio foi Carabelle Manna Wei com sua Yaya, sendo sutil de presença, mas com palavras e entregas bem marcantes, que acabaram agradando bastante em todas suas cenas. Ainda tivemos outros momentos de conexões fortes com o dono do prédio, o amigo que some com o dinheiro, os outros chineses que trabalharam juntos no restaurante e agora tem a loja de unhas, e por aí vai, mas sem grandes momentos de impacto para dar destaque nas expressividades, e até mesmo a esposa foi menos útil na produção em si.

O conceito visual do longa foi muito bacana principalmente pelo diretor mostrar uma Nova York que só mesmo moradores (e olha lá) conhecem, bem longe dos pontos turísticos tradicionais, tendo a base mesmo na rua quase como um road-movie pelos restaurantes, apartamentos, tendo as bicicletas elétricas dominando tudo na tela, e sendo roubadas tão facilmente, vemos também os lugares de compras de objetos e bicicletas (muitas vezes roubados), tivemos o apartamento do protagonista bem simplesinho, mostrando seu alojamento anterior, e também alguns lugares menos chamativos como o apartamento do amigo, o cassino clandestino, e até mesmo a lojinha de unhas e o restaurante, tudo sem ser chamativo demais, mas que funciona bem dentro da essência completa da trama.

Enfim, é um bom filme, que mostra algo diferente do usual em tramas do estilo, que poderia ter ido muito mais além com poucas mudanças mais emocionais, e assim o resultado acabou sendo sem grandes impactos na tela, o que não é muito legal de acontecer, porém ainda assim vale como um passatempo reflexivo sobre o quanto muitos imigrantes trabalham muito e esquecem de si mesmos e de viver com a família, e assim acaba sendo a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, agradecendo o pessoal da AtomicaLab Assessoria e também da Filmelier+ pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve meus amigos.


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Obsessão (Obsession)

5/14/2026 11:27:00 PM |

Não sou um fã nato do terror psicológico, mas quando ele é bem feito, colocado com pitadas dramáticas e cômicas se alternando, junto de algo completamente insano, o resultado funciona demais e me agrada até mais que outros gêneros, de tal forma que vi o trailer do novo "Obsessão" apenas uma vez, e de cara falei vou me irritar com esse filme, pois se tem algo que me estressa é gente que fica pegando no pé, achando que é dona(o) do outro, e hoje o dia estava ainda mais propício para me irritar, dito e feito, ri horrores do longa, mas também fiquei sufocado e querendo que o rapaz desse um tiro logo na cabeça da doida, pois ok você desejar que a pessoa seja aficionada por você, mas ali o "gênio" entendeu de uma maneira meio que abusiva demais, transformando a garota em uma pessoa 100% surtada pelo rapaz (e o pior é que existem algumas doidas dessa forma, com um pouco menos de explosão, mas que existem, existem!). Ou seja, é um filme que tem seus gracejos, que funciona bastante na tela, que diverte e instiga, ao ponto que você certamente irá torcer igual eu torci para a moça morrer logo, pois algumas atitudes, vejam por conta própria que é melhor não atrapalhar o surto.

O longa nos mostra que um jovem chamado Bear é um romântico incorrigível que trabalha numa loja de música e discos. Um dia, ele decide comprar um brinquedo sobrenatural conhecido como "One Wish Willow". O objeto concede um desejo ao seu portador e Bear pede para ganhar o coração de sua crush e amiga de infância Nikki. O rapaz recebe exatamente o que pediu, porém, rapidamente percebe que o preço que se paga por certos desejos é mais alto e sombrio do que se esperava.

No trailer meteram um letreiro gigante do diretor e roteirista Curry Barker que fiquei até pensativo de não ter visto nada anterior dele, principalmente por esse ser o seu segundo longa, tudo bem que ele irá dirigir o novo "Massacre da Serra Elétrica", mas até lá ele acabou sendo apenas um novato para mim, mas isso não importa, pois mostrou serviço na tela, trabalhando intensidade, densidade e comicidade de uma forma psicológica tão ampla e marcante, que você acaba sentindo a pressão em cima do rapaz, se assusta e ri com as situações, e vê um texto que poucos filmes de terror costumam trabalhar, pois geralmente tudo é jogado com duas ou três palavras e está tudo certo, ou seja, ele soube criar uma boa história e desenvolver ela, e mais do que isso, me quebrou com uma jogada simples, que fiquei desde a primeira insanidade da garota pensando: "é só voltar lá e pegar mais um desejo e mudar tudo!", e ele demora para ir, mas vai, e o produto já diz em boas letras é apenas um desejo, ou seja, você não faz dois!

Quanto das atuações, confesso que estou com um pouco de medo de ir no banheiro a noite e trombar com a garota, pois Inde Navarrete é expressiva demais, e soube dominar do começo ao fim sua Nikki, trabalhando com intensidade, muitos gritos do nada, e principalmente com trejeitos impactantes e assustadores, ou seja, fez o que muito ator/atriz de grande porte não consegue fazer em filme de terror, e assim deixou sua marca na tela. O mais engraçado de Michael Johnston é que ele tem um jeito meio tímido na tela que acaba sendo até bem trabalhado, fazendo com que seu Bear brinque com essas facetas, mas vendo sua filmografia vejo que na maioria das vezes apenas fez dublagens, e sendo assim não tinha muita ousadia para passar para o personagem, e isso acabou funcionando muito para o bem e para o mal, pois num primeiro momento ele até nos conquista, mas em outros chega a irritar de não resolver logo a situação, ou seja, foi bem no que fez. Os demais atores até tiveram alguns momentos bem icônicos, mas como o foco ficou mesmo no casal, diria que acabaram apagados antes mesmo de poderem ir além, de modo que Megan Lawless até foi sutil nas suas insinuações com o rapaz, enquanto Cooper Tomlinson já fez um Ian meio que escrachado e explosivo demais na tela, valendo mesmo como conexões pelas boas dinâmicas que entregaram com os protagonistas.

No conceito visual a trama em si não entregou nada muito chamativo, pelo contrário, foi bem simples e trabalhou com muitos ambientes bem escuros para causar um pouco mais, tendo muitos atos na loja de aparelhos musicais aonde todos os personagens trabalham, sendo bem tradicional, alguns momentos em bares e tendo duas cenas na casa de Ian, aonde vemos alguns jogos e até um desejo bem melhor de ser feito, além disso tivemos a loja de produtos exotéricos e claro todo o restante na casa do protagonista, aonde vemos muitos atos no quarto e na sala, com adesivos, escatologias e tudo mais, ou seja, a equipe não gastou muito, mas foi bem representativa, só tendo um pouco falho o gato morto que ficou bem claro ser um boneco.

Enfim, o longa entregou o que esperava ver, sendo bacana como suspense e interessante dentro de um terror cômico, aonde as boas sacadas não tiraram a tensão da trama, e como disse com um texto bem escrito não vemos diálogos jogados na tela, e assim sendo deve agradar bem vários tipos de pessoas, valendo a indicação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Resgate em Grande Altitude (Cleaner)

5/14/2026 12:35:00 AM |

Já falei isso até vezes demais pra soar repetitivo mesmo, mas tem dias que ninguém quer ver uma trama para se pensar muito, só quer um passatempo cheio de ação fake, aonde você vai acabar se irritando com pessoas burras demais lutando ao invés de dar um tiro e acabar com o filme. E dito isso, nem ia ver nada hoje, afinal tinha vários motivos para isso, mas eis que dando uma rápida olhada nas plataformas de streaming, vi algo que me chamou atenção e preferi dar um play nesse estilo de trama para descontrair a cabeça, e o mais engraçado é que nem legenda em português do Brasil tinha, mas encarei de boas com as legendas portuguesas do outro lado do Atlântico para conferir "Resgate em Grande Altitude", o lançamento da semana da plataforma (que na versão portuguesa ficou até mais "realista" como "A Lavadora de Janelas"). E o que posso dizer logo de cara é que é um filme passatempo como se deve acontecer, com muitas situações bizarras acontecendo (a principal é a moça ouvir plenamente a conversa dos ativistas/terroristas através de um vidro praticamente blindado que precisou de vários tiros de rifle e mais muitas porradas pra quebrar!), mas que se relevarmos as coisas impossíveis, dá para curtir bem, afinal algumas situações foram bem entregues na tela.

No longa vemos que a limpadora de janelas Joey (Daisy Ridley) vive um dia de trabalho aparentemente normal, até que uma coincidência coloca-a de frente para um sequestro perigoso orquestrado por um grupo radical de ativistas. Eles prendem e fazem os 300 convidados de reféns na festa de uma companhia de energia; tudo com o intuito de desmascarar os crimes dos anfitriões. Focado em levar adiante sua mensagem política, um dos líderes planeja matar todos os presentes e explodir a construção, caso a polícia tente entrar no edifício. Joey, então, é a única salvação, com acesso ao edifício e pronta para resgatar seu irmão, que também está preso com os sequestradores. Com seu histórico como ex-soldada, a jovem precisa reunir coragem e concentração para garantir que todos saiam com segurança dessa enroscada.

Diria que gosto do estilo do diretor Martin Campbell, afinal ele não se prende a nada muito conceitual, mas entrega boas dinâmicas na tela, mesmo que para isso force a barra com determinadas nuances absurdas, porém isso é algo "aceitável" para diretores de tramas de ação, afinal o público quer ver a ação acontecer não importa como, e assim ele aqui usou algo que já vem fazendo a algum tempo, que é dar voz e explosão para personagens femininas, que muitos odeiam quando acontece, mas que não chega a incomodar quando é bem contado na história (aqui por exemplo a garota nos conta que entrou pro exército e só saiu por uma armação, então tem potência e força para os atos mais intensos). Porém, se tem algo que me incomoda demais em filmes desse estilo é os bandidos não atirarem, ficando sempre esperando para o confronto manual, e isso não existe em lugar algum da vida, um vilão vai meter bala ao primeiro movimento, não vai esperar ver se as aulas de muai-thay estão em dia, ou seja, tirando esse detalhe, a história em si convence, pois temos ativistas e terroristas, esse limiar atualmente está bem tênue, com alguns malucos fazendo coisas perigosas por aí em defesa do "planeta".

Quanto das atuações, sou totalmente favorável ao empoderamento feminino, gosto de ver as mulheres socando os macho-alfa que se acham, porém precisa ter porte para isso, e uma que estão tentando vender a tempos é Daisy Ridley, pois ela até tem uma boa expressividade em seus papeis, mas é pequena, magra, sem massa muscular, parecendo que meio sopro vai sair voando, e com isso sua Joey até tem dinâmicas interessantes e muita imposição na tela, mas não convence com tudo o que tem de fazer, sendo daquelas que talvez se usasse mais a inteligência para ganhar dos vilões até ganharia meus aplausos, mas na porrada, não me desce. Definitivamente eu amo a internet, pois bastou uma pesquisa rápida e já tirei a dúvida de Matthew Tuck ter realmente o espectro autista, afinal seu Matthew convence demais o público disso, sendo intenso em algumas dinâmicas, mas com aquele temor do que vai acontecer no ato seguinte, e como um estreante se saiu muito bem aonde precisou ser usado, e tem futuro, pois é um garoto bonito com um certo charme e que se for bem dirigido vai muito longe. Taz Skylar explodiu mais pelos personagens das séries que faz, mas se os diretores de longas precisarem de um cara maluco pelos trejeitos, pode chamar ele com toda certeza, pois aqui seu Noah muda suas expressões com uma facilidade e entrega, que chega a ser impressionante, e assim acaba acertando bastante no que faz. Ainda tivemos outros personagens e atores, a maioria bem ruim, de modo que não dá para falar de nenhum dos empresários, nem dos demais vilões, e menos ainda da maioria dos policiais, salvando apenas Ruth Gemell como a comandante da negociação que teve alguns atos interessantes na tela.

Visualmente esse estilo de longa também não dá para levar muito a sério, de modo que até representaram bem o prédio com um ambiente empresarial de luxo para uma festa, alguns quartos bem colocados e muitos corredores, mostrando também toda a essência dos limpadores de janelas com suas dominações de técnicas e conversas aleatórias sobre o mundo, tivemos uma área técnica com muitos computadores e controles, mas sem se aprofundar, e um estilo de lugar cheios de gasodutos e produtos químicos (mas que o jovem joga uma granada e apenas acerta o vilão, sem explodir nada, mas com alguns socos a jovem conseguiu romper um cano!!). Ou seja, a equipe de arte até representou bem a festa, com mascarados, tubos de respiração, algumas entradas técnicas dos soldados, tiros e explosões, mas dava para ter pensado um pouquinho melhor.

Enfim, é um passatempo que você precisa relevar bastante coisa para não reclamar de tudo, e confesso que nem eu achei que iria achar tanta coisa para reclamar durante o texto, mas que diverte dentro da proposta de algo de ação bem colocado, e assim acaba valendo o play mesmo com todos esses pequenos problemas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Eu Não Te Ouço

5/13/2026 12:53:00 AM |

Quem me segue sabe que geralmente fujo de longas politizados, principalmente no cenário nacional, aonde sabemos que infelizmente virou uma grande baderna de torcidas, que se você falar bem de algo uma tonelada de joga pedra, já se falar mal, vem outra tonelada e te xinga, então fica difícil ver esse estilo de trama e ter a própria opinião crítica como deve ocorrer, tanto que quando veio o convite para assistir o longa "Eu Não Te Escuto" fiquei bem tendencioso a recusar, mas alguns amigos apoiaram a ideia de que ao menos seria legal para rir e talvez meter o pau nele como filme, afinal a ideia real que aconteceu já foi absurda o suficiente para as pessoas normais, então alguém imaginar fazer um filme da loucura deixando ainda mais insano, era para pensar duas vezes. E cá estou hoje aqui para falar dele de forma cinematográfica, e meus amigos, guardem suas pedras, pois ficou algo que beira o genial, pois a sacada do diretor de fazer como se uma equipe de filmagens estivesse de carona com o caminhoneiro quando o manifestante se pendura na frente do caminhão, e ir filmando com uma câmera as opiniões do caminhoneiro sobre tudo aquilo que aconteceu e como pensa sobre as manifestações e a política em si; e com outra câmera do lado de fora do caminhão ir tendo o mesmo diálogo com o manifestante, sobre como ele se acha com o que fez, e muitas outras perguntas sobre democracia e tudo mais, foi brilhante para economizar palavras, pois ele ao mesmo tempo que não joga para lado algum, também deixa que o filme não fique pesado de brigas, e sem eles se ouvirem, ficou fluido, rápido e inteligente na tela, principalmente por ambos os personagens serem o mesmo ator. Ou seja, o filme estreia quinta 14/05 em alguns cinemas selecionados, e recomendo com todas as letras irem conferir, mas vou tentar falar um pouco mais sem politizar o texto também.

A sinopse nos conta que um encontro improvável entre dois brasileiros se transforma em um road movie inusitado. Uma viagem ficcionalizada a partir de um evento factual que se tornou um famoso meme e tomou as redes sociais brasileiras. Humor e tensão expõem um país marcado por desigualdades e estruturas educacionais frágeis, onde os personagens repetem ideologias que mal compreendem, revelando a impossibilidade do diálogo.

Antes de mais nada, nem sabia que o ator Caco Ciocler tinha virado diretor e roteirista, e aqui é o encerramento de sua trilogia política, ou seja, tentarei ver os demais em breve para poder opinar também se sua mão realmente é boa para criar e desenvolver histórias, pois aqui por mais maluco que possa ser, o argumento foi real, tivemos um manifestante se pendurando em um caminhão e indo "embora" da manifestação carregado por algum tempo, que aqui acabou sendo algo meio insano como é dito no final da produção, mas ele abrilhantou tanto com os diálogos construídos, claro entre os personagens e o documentarista que não aparece, e não entre eles mesmos, que tudo flui, tudo é divertido, vemos as ideias até de muitos sobre democracia, sobre o que está bom ou ruim, que no fundo é que ninguém vale nada entre os peixes grandes, vai você não trabalhar pra ver se o seu prato de comida ou da sua família vai encher sozinho, e com essas ideologias bem colocadas, algumas pautas arriscadas, e toda uma desenvoltura simples, porém muito bem feita, o resultado acaba sendo gostoso de acompanhar. Ou seja, é daqueles longas que não são alongados, tendo apenas 70 minutos, que funciona demais na tela, sem cansar, sem arrumar confusões, e principalmente que daria para algum diretor maluco ter filmado mesmo toda a interação, e assim mostrou uma faceta que nem imaginava que o ator tinha, mostrando potencial na função.

Quanto das atuações posso afirmar que foi a escolha certa trabalhar com Marcio Vito em duplo papel como o Caminhoneiro e o Cordeiro Patriota, sem darem seus nomes para não ficar nada evidenciado na tela, mas principalmente colocar como algo mais representativo, e a entrega do ator foi tão bem personalizada em ambas as posições que acabamos nos divertindo nos dois casos, não se irritando com nenhum, nem polarizando a situação como costuma ocorrer, sendo brilhante de essência e de brincadeiras na tela, tendo pegada e mostrando atitude nos trejeitos e dinâmicas, aonde o ator soube sentir o papel e entregar muito, ou seja, se deu muito bem na tela e dominou ambas as situações sem soar falso nem estereotipado.

Visualmente é engraçado de falar do que nos é mostrado na tela, pois só ficamos na cabine do caminhão e do lado de fora com o rapaz preso, sem mais nada a não ser outros carros e o ambiente das árvores, postes e nuvens passando, que muitas das vezes achei até que tinham errado em escurecer e clarear tão rapidamente, mas que acaba sendo explicado no final, e essa essência simples barateou o custo do longa e o resultado acabou sendo algo íntimo e bem feito, que acabou agradando bastante, e o melhor, sem cansar.

Enfim, é um filme bem bacana, que julguei bem mal o livro pela capa, mas que ao conferir acabei gostando mais do que imaginava, sendo daqueles simples e bem feitos que valem a indicação para os amigos conferirem, então fica dessa forma a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Amaia Filmes e da Sinny Assessoria pela cabine, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Netflix - Criaturas Extraordinariamente Brilhantes (Remarkably Bright Creatures)

5/11/2026 12:33:00 AM |

Acho interessante que a Netflix comprou e/ou produziu diversos filmes emocionais nos últimos meses, aonde procuram trabalhar os sentidos do público com situações fortes como mortes, amizades e conexões sentimentais entre os personagens mais diversos, de modo que acabamos tendo mais do que apenas um passatempo para o domingão, mas também algo para se refletir e envolver dentro da essência da trama completa. E hoje dei o play no longa "Criaturas Extraordinariamente Brilhantes", que sendo baseado num dos livros mais vendidos atualmente, consegue permear toda a dinâmica entre uma senhora, um jovem e um polvo, contando com suas frustrações, seus passados sofridos e também possibilidades e decisões para o futuro, sendo bacana de entrar no clima, e até puxando para o lado de escorrer algumas lágrimas, mesmo que sendo do estilo "passatempo de final de semana" aonde você descobre tudo com menos de 10 minutos de exibição, o resultado flua funcionando e agradando bastante até no final.

O longa conta a história de Tova, uma viúva que forma uma amizade improvável com o rabugento Marcellus, um polvo gigante do Pacífico que vive no aquário onde ela trabalha. Sem que Tova saiba, Marcellus está em uma missão para resolver um mistério que curará o coração da viúva e a levará a uma descoberta que mudará sua vida.

Diria que a diretora e roteirista Olivia Newman soube pegar a obra de Shelby Van Pelt e abrilhantar isso com a formatação escolhida, pois facilmente dava para ser um longa bem mais dramático, com uma pegada densa e forte sem ares cômicos e/ou pequenas e sutis dinâmicas, mas acabou transformando seu filme em algo tão leve e bem desenhado que sínteses de luto e etarismo acabam sendo apenas simbolizados na tela sem precisar explodir e pautar muita coisa. Ou seja, ela pegou um livro que tem uma densidade bem colocada e transformou em um grandioso filme da Sessão da Tarde aonde podemos nos emocionar sem precisar ficar lavando efetivamente a sala de casa, sendo bonito pela essência e interessante por toda a dinâmica funcional de criar elos sem que necessariamente estivessem ali simbolizados.

Quanto das atuações, nem precisava falar sobre Sally Field, afinal a atriz sempre pega personagens e os traz para si com uma facilidade, que praticamente o carisma de Tova vira algo tão marcante, tão cheio de nuances, que poderia ser daquelas rabugentas e que incomodasse com tanto fervor, mas não, a atriz deu sentimento, deu vivência para o papel, e seus cabelos também tiveram vida própria sendo até engraçado ver alguns atos bagunçados tanto e outros mais arrumadinho, de modo que ela fez o papel e não vice-versa, sendo tão bacana que não duvidaria se lembrassem da personagem nas premiações. Na outra ponta tivemos Lewis Pullman tão bem colocado com seu Cameron que se deixou levar fácil pelas situações, não se prendendo tanto nas dinâmicas, mas se entregando para que seu papel fosse mais solto, e isso acabou rendendo uma amizade diferente e ousada dentro da proposta, o que acabou sendo bacana de acompanhar o personagem, e até torcer para ele em determinados momentos. Agora quem deu um show sem aparecer foi Alfred Molina como a voz de Marcellus, sendo bem entonada, direta e forte, conduzindo os devidos momentos para que o polvo parecesse realmente o ser mais inteligente e brilhante da face da Terra, e também gracioso para não deixar nenhum elogio para traz, ou seja, agradou muito e foi muito bem em cena. Tivemos ainda outros bons atores, mas a maioria apenas com pequenas aparições, valendo um leve destaque para Colm Meaney com seu Ethan e Sofia Black-D'Elia com sua Avery, mas nada que fosse muito além para não roubar os momentos dos protagonistas.

Visualmente o longa arrumou um aquário bem bonito, com espécies realmente bem brilhantes para dar todo o contexto visual do ambiente, o polvo tenho quase que 100% de certeza que foi digital pelo tanto que passeia pelo lado de fora de seu tanque, mas souberam dar movimentos e texturas bem marcantes para ele, tivemos a casa da protagonista quase um perigo mundial para idosos com milhões de escadas e degraus para todos os lados possíveis, ainda de madeiras que podem se soltar, mas tudo foi muito bem simbolizado e com seu devido charme funcionou bastante na tela, tivemos um karaokê interessante, a casa dos outros protagonistas e a pequena vila aonde o longa se passa, sendo tudo muito bem charmoso e com um ambiente propício para o estilo que o filme pedia.

Enfim, é daqueles filmes que funcionam muito bem pela proposta e pela entrega dos artistas, mas que sendo bem desenvolvido na tela pela diretora conseguiu criar algo que foi além do livro, não ficando muito preso como algo literário, e o resultado fluindo mais naturalmente, ou seja, é daqueles que certamente nos lembraremos quando virmos novamente pela essência funcional gostosa que acaba entregando, e assim emocionando na medida certa, e claro valendo a recomendação. E é isso meus amigos, fico por hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Dolly - A Boneca Maligna (Dolly)

5/10/2026 01:17:00 AM |

Já falei algumas vezes que gosto de terrores de duas formas, ou que seja tão absurdo que me faça rir e/ou se desesperar pelo que acaba sendo mostrado, ou então que as coisas façam sentido na tela de forma bem explicadas para não ser algo apenas jogado, e infelizmente a maioria gosta de colocar seus filmes com uma possibilidade grandiosa em cima desse último estilo, mas acaba ficando totalmente sem sentido, sem explicações e no fim o público da sessão já começa a conversar para chegar em alguma teoria, e pronto, o filme se foi e não levou nada a lugar algum. E hoje fui ver um filme "sabendo" que seria uma bomba imensa, mas como costumo dar segundas chances para todo mundo, eis que entrei na sala de "Dolly - A Boneca Maldita", e quando a sala começou a encher já percebi que ia ser pior do que imaginava a sessão, pois iria virar a bagunça plena quando tudo começasse a dar muito ruim, e pronto, na metade do filme algumas pessoas já começaram a ir embora, e o pessoal do fundão falando como se estivesse em uma boate lotada que dava para ouvir lá da frente, aonde costumo sentar, e confesso que o blá-blá-blá deles estava melhor do que o longa, pois é algo tão bizarro, tão besta e sem sentido, que ao tentar fazer a personagem parecer alguém que sofreu no passado, não ficamos com pena dela, mas sim com mais ódio da burrice dela e de todos ao redor, fora uma pessoa ficar semi-morta por um bom tempo com sua mandíbula arrancada, não subir uma formiguinha ou mosca que fosse, e pasmem, a pessoa sair andando ainda pela floresta, e consegue piorar (o filme veio apenas dublado, então não sei como ficou na versão original) pois o personagem começa a gritar e falar com a namorada, que ao invés de correr, fica ali de conversa. Ou seja, o pessoal do fundão queria chutar a boneca, mijar nela, e muito mais, mas olha, eu só queria que acabasse o filme pra ir embora, tendo ainda um pós-crédito que deu a entender que haverá continuação!

O longa nos mostra que a jovem Macy é sequestrada por Dolly    , uma figura descrita como imponente e instável, e que vive em um local repleto de bonecas em decomposição. Agora, mantida em cativeiro em um ambiente isolado, sofrendo violência física e psicológica, ela é obrigada a assumir o papel de filha em um jogo perverso de "família", no qual a vilã acha que é sua mãe, onde luta pela sua sobrevivência. Com ameaças constantes, ela precisa encontrar um modo de resistir e escapar.

O filme contém um outro detalhe que odeio que é capitular a trama, ou seja, "capítulo 1 - isso", "capítulo 2 - aquilo", e por aí vai, sendo que você está vendo as coisas acontecerem, e anunciar antecipadamente apenas fica uma forma bem "idiota" de fazer o público esperar determinado acontecimento, e o diretor e roteirista Rod Blackhurst mostrou que estava completamente disposto a usar essa técnica de modo tão chulo, tão sem base, que chega a incomodar suas paradas, sendo o tipo de associação que ele não sabia como cortar seu filme e saiu jogando, e o resultado acabou ficando algo que mais incomoda do que agrada. Além disso, faltou ele desejar ir além na tela, pois seu filme acaba tendo uma desenvoltura tão fora da base, sem explicar direito as intenções da boneca, além de querer um bebê seu, que acaba não funcionando de forma alguma nas dinâmicas. Ou seja, é daqueles para esquecer com toda certeza.

Quanto das atuações, ou melhor dos personagens já que o filme só veio dublado para o interior, o que vemos na tela é até algumas movimentações interessantes de Max the Impaler com sua Dolly, pois teve força, imposição e alguns momentos bem toscos funcionais, mas não causa o terror como deveria, sendo apenas violenta na tela. Diria que a jovem Fabianne Therese até teve algumas dinâmicas intensas com sua Macy, mas não convence seu desespero e medo, de modo que acaba parecendo que escolheram a primeira garota na rua que gritasse mais, e assim acabaram pegando ela. Russ Tyler viveu a base da maquiagem protética com seu Billy, pois logo no começo já tem sua mandíbula arrancada, ficando pendurado o tempo inteiro como algo totalmente comum, e o melhor, gritando e falando palavras normais, ou seja, um absurdo total para o papel. Ainda tivemos o pai e o guarda florestal, mas é melhor nem entrar a fundo nas atuações sem nexo deles, pois é lastimável.

Visualmente a equipe de arte arrumou muitas bonecas antigas, daquelas que dão medo só de ver, mas que muitas garotas tiveram quando crianças, espalhadas pelo chão, no porão rodeadas de velas, nas árvores e aonde você olhar tem a exposição delas (sem qualquer explicação aparente), depois tivemos uma pessoa com uma cabeça gigante de boneca de porcelana, também sem explicação alguma de como aquilo ficou preso, tivemos uma casa bem sinistra e claro os famosos passeios românticos numa floresta totalmente densa, e também muito sangue, cortes e próteses, ou seja, o básico de um terror que poderia ter levado a algo na telona.

Enfim, sabia que seria uma perda de tempo ir conferir esse longa, mas resolvi arriscar, afinal vai que saio completamente surpreso com algo, só que dessa vez não rolou, e infelizmente não posso indicar ele para ninguém, pois é ruim com força, e pensar que terá continuação pela cena pós-crédito que talvez poderá ser mais explicativo de tudo, mas ainda assim, prefiro não dizer que vai salvar esse. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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