Desde o dia que vi que iria lançar na Netflix, "A Cela dos Milagres", fiquei na dúvida se era uma refilmagem do clássico da pandemia "Milagre na Cela 7" que explodiu a plataforma de tal maneira que se duvidar hoje de falar o nome para algumas pessoas, elas já começam a chorar, mas não achei nada escrito na ficha do longa, e aparentava ser algo diferenciado, e cá fui conferir ele hoje, na torcida clara para que não fosse destruído o longa original, afinal gostei muito do que vi na época. Começou bem, de uma forma diferente do que lembrava do longa de 7 anos atrás, mas logo começou a ficar muito parecido, mas não um parecido bom, um parecido que tenta explicar ao máximo para o espectador que o sangue é vermelho porque a cor que você está enxergando é vermelha, ou seja, colocando pingos nos is, nos jotas, em tudo mais que fosse necessário, e também desnecessário, de tal forma que começou a me incomodar, e isso é raríssimo de acontecer. Cá chegando próximo ao final que no original nem precisaram explicar que era uma árvore que o cara via no teto, aqui foi contado nos mínimos detalhes tudo o que aconteceu, fora a armação para dar certo tudo. Ou seja, transformaram o drama turco incrível em uma novelona mexicana de qualidade duvidosa, que mais incomoda do que agrada, e assim sendo gastei meu tempo vendo algo que não merecia o meu play.
A sinopse nos conta que um pai devotado é preso injustamente por um crime que não cometeu, deixando sua filha sozinha enquanto ele luta para provar sua inocência.
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A sinopse nos conta que um pai devotado é preso injustamente por um crime que não cometeu, deixando sua filha sozinha enquanto ele luta para provar sua inocência.
Nem precisei apostar, foi só abrir o IMDB e ver que a diretora Ana Lorena Pérez Ríos fez uma tonelada de novelas, e agora que fez seu primeiro trabalho de cinema, e o que ocorreu, achou que como em novela tudo precisa ter explicação bonitinha tintim por tintim, pegou o roteiro original do longa turco e simplesmente destruiu, colocando tantos elementos desnecessários, tantos elos jogados, que o filme acabou ficando tão morno que não tem como defender. O mais engraçado de tudo é que o original você ia emocionando com os momentos mais simples possíveis, e aqui nada puxa uma lágrima que fosse nossa, ficando até falso a interação da garotinha nos momentos mais chamativos. Ou seja, o resultado final é daquelas falhas que você fica pensando quem em sã consciência liberou os direitos do longa original, pois até vai lá quem sabe ficar bom numa versão europeia ou hollywoodiana, mas desde que saibam o que estão pegando para não quebrar o que foi bom.
Quanto das atuações, já vi outros longas aonde Omar Chaparro se saiu bem melhor do que aqui com seu Héctor, pois o personagem pedia um estilo mais sutil e não tão forçado, de tal forma que a cada ato ficamos nos perguntando se realmente ele tem algum problema ou está apenas doido, o que no final é bem passado, mas ficou mais parecendo um estilo de surto do que algum problema de saúde mental, o que mostra que o ator não foi bem orientado para as cenas. A garotinha Mariana Calderón até tem um carisma bem chamativo, de modo que valeria ter usado um pouco mais de sua Alma no longa, porém faltou ter momentos chaves mais impactantes, que acabariam marcando e dando a emoção que o filme precisava. Gustavo Sánchez Parra até trabalhou bem seu Tigre, mas mudou tão rápido sua personificação de brucutu para amiguinho, que não convenceu tanto na tela, ficando um pouco artificial demais. E por fim, mesmo aparecendo bem pouco, Jorge A. Jimenez até foi bem impositivo, mas talvez precisasse estar com mais ódio emocional do que apenas rancor nos atos de seu Capitão Avilés.
Visualmente o longa foi bem pelo menos, tendo uma representação maior da escola da garotinha com seu estilo de corrida, a colocação dos imigrantes sendo repreendidos pelos soldados, um galpão abandonado aonde ocorre o acidente, e até uma cadeia um pouco mais bagunçada, mas com um toque realista do estilo trabalhado pelo filme, ou seja, foi bem acertado as dinâmicas para mostrar bem o trabalho da equipe de arte, mas como já falei algumas vezes produção não salva roteiro e direção ruim, então apenas deu algo mais bem moldado na tela.
Enfim, é o típico filme que dava para melhorar em tudo, mas se só seguisse o básico que era "copiar" o original adaptando para a realidade mexicana já funcionaria bem, então foi completamente desnecessário todo o acréscimo que acabou ficando fraco e sem sentido, e sendo assim não dá para recomendar nem como um passatempo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.




























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