Quer me deixar feliz com um filme? Me faça ficar desesperado ou irritado com o que é mostrado na tela, e quando junta as duas coisas em um único é o paraíso! E ultimamente o pessoal anda gostando de colocar fogo nas florestas para que as situações fiquem mais tensas, de modo que você precisa torcer pro cidadão não morrer queimado ou intoxicado pela fumaça enquanto algo se desenrola ao redor de tudo. Já tinha também comentado aqui no site que o pessoal da Espanha anda brincando bem com suspenses tensos dentro da plataforma da Netflix, e agora com a estreia de "Corta-Fogo", a brincadeira acabou ficando bem cheia das nuances, e a única coisa que preciso falar de cara (sem dar spoilers) é que certamente muitos irão entrar rapidamente na mente da protagonista, pois você vai desconfiar de algo, e na sequência ela também já percebe a mesma coisa com o surto vindo para o longa ir para outros rumos. Ou seja, é daqueles filmes que tem muita presença na tela, e que consegue funcionar bem do começo ao fim, que claro poderia ser mais emocional, mas acabaria indo para um rumo não tão bom de ver.
A sinopse nos conta que após a morte do marido, Mara viaja com a filha e alguns familiares até à casa de férias da família na floresta, numa tentativa de sarar velhas feridas e preparar a venda da propriedade. Porém, umas férias que deveriam ter sido um adeus ao passado tornam-se num autêntico pesadelo quando Lide, a única filha de Mara, desaparece no exato momento em que deflagra um incêndio florestal naquela área. Isolada, sem ajuda e com o incêndio a avançar descontroladamente, a família arrisca entrar na floresta numa corrida desesperada contra o tempo. A sua única esperança parece ser Santi, o guarda-florestal, mas rapidamente surgem suspeitas e nada é o que parece. Entre o medo, a mágoa e segredos enterrados, Mara apercebe-se de que o incêndio não é a única ameaça… alguém está a mentir.
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A sinopse nos conta que após a morte do marido, Mara viaja com a filha e alguns familiares até à casa de férias da família na floresta, numa tentativa de sarar velhas feridas e preparar a venda da propriedade. Porém, umas férias que deveriam ter sido um adeus ao passado tornam-se num autêntico pesadelo quando Lide, a única filha de Mara, desaparece no exato momento em que deflagra um incêndio florestal naquela área. Isolada, sem ajuda e com o incêndio a avançar descontroladamente, a família arrisca entrar na floresta numa corrida desesperada contra o tempo. A sua única esperança parece ser Santi, o guarda-florestal, mas rapidamente surgem suspeitas e nada é o que parece. Entre o medo, a mágoa e segredos enterrados, Mara apercebe-se de que o incêndio não é a única ameaça… alguém está a mentir.
Já tinha falado muito bem da direção de David Victori no seu longa anterior "Não Matarás", e novamente ele me surpreendeu com um estilo pegado, pois aqui ele combinou bem dois estilos de filmes que se complementam na tela, que é o de desaparecimento com a correria contra forças da natureza, juntamente com o suspense ao redor das relações humanas, ou seja, o famoso conflito para todos os lados, que se sozinhos já causam, imagine juntos, aonde ele pode brincar com várias facetas, e ainda colocar o espectador na personalidade dos protagonistas, afinal duvido que muitos não irão se ver nos papeis principais. A única coisa é que não sei se mostraria o que realmente aconteceu entre o guarda florestal e a garotinha, pois da mesma forma que não é mostrado o como chegou ali, a abertura da mente do público ficaria ainda mais intensa, ou seja, dava para tudo ficar ainda mais forte. Porém, ainda digo que o diretor trabalhou muito bem novamente, e já dois filmes bons seguidos é motivo para ficarmos de olho nele.
Quanto das atuações, gosto dos trejeitos que Belén Cuesta costuma entregar para suas personagens, e aqui sua Mara oscila tanto de humor e personalidade durante toda a duração da trama, que poderia ser até várias pessoas em uma só, mas como qualquer mãe que conhecemos, ela se joga por completo para defender sua cria, e a grande sacada ao final foi a comparação que ela recebeu com uma ursa, o que deu um tom perfeito para tudo que ocorreu. Da mesma forma, Joaquín Furriel parecia ser o mais zen possível com seu Luis, centrado, disposto a ir em busca tranquilamente, mas depois do ponto de virada aonde seu filho também entra na jogada, o cara vira o pitbull defensor máximo da casa, e o ator se entregou por completo nas dinâmicas, tendo um fechamento que merecia um pouco mais, mas seus olhares falaram por si. E ainda tivemos Enric Auquer com seu Santi muito estranho, mas como o personagem pedia, pois é a famosa fala, escondeu no começo, virou suspeito, e o estilão dele chamava atenção demais, de modo que talvez não precisassem explicar tanto sua vida anterior, mas deu ao menos mais chance para mostrar o estilo e as justificativas na tela.
Visualmente diria que a equipe escolheu bem uma floresta interessante para se filmar, porém a forma que deu início ao fogo ficou meio superficial e forçada, com alguns efeitos que poderiam ter sido melhorados, e uma floresta imensa sem casa alguma, e duas casas praticamente juntas acabou parecendo algo meio sem sentido, mas a liberdade de escolha acaba sendo bem colocada quando talvez exista algo realmente assim. Diria também que a equipe soube trabalhar bem as cenas no meio da fumaça, com uma iluminação bem alocada, fazendo parecer realmente que gravaram com muito fogo ao redor, o que deu um bom tom para a trama.
Enfim, é um filme que funcionou bastante, aonde a proposta foi trabalhada e causou o conflito que necessitava para amarrar do começo ao fim o espectador, de tal maneira que alguns elementos poderiam ter sido mais trabalhados e outros menos desenvolvidos, mas que na soma geral agradou muito, então vale a recomendação de play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


































