Amazon Prime Video - O Royal Hotel (The Royal Hotel)

6/11/2024 10:24:00 PM |

Se na proposta do último filme da diretora Kitty Green, "A Assistente", ela foi bem de ideias, mas não conseguiu passar a mensagem para pessoas fora do meio audiovisual, em seu novo longa "O Royal Hotel", que pode ser conferido também na Amazon Prime Video (assim como o anterior), ela demonstra que tem boas ideias, mas não sabe como finalizá-las ou entregá-las de uma forma coerente para que o público se conecte com elas e sinta algo a mais pelo que viu, pois aqui temos duas jovens mochileiras que ao acabar a grana vão para o Outback australiano, e vivendo em um bar rústico cheio de mineradores da redondeza acabam surtando e só, tendo um fechamento explosivo, aonde ocorre bem o clímax da trama, mas não desenvolve ele, ou seja, é um filme de 91 minutos que talvez com 120 acabaria melhor, ou ao menos desenvolveria tudo, mas não, a diretora simplesmente acaba e uhu, seja feliz. Claro que dá para tirar algumas lições e motes de tudo, mas é quase como se alguém lhe perguntasse se você gosta de cinema, você responde "sim, adoro", e a pessoa retruca "ok!", e vai embora, pois esse foi o sentimento que tive com o fechamento da trama.

A sinopse nos conta que as mochileiras canadenses Hanna e Liv aceitam um emprego no remoto pub australiano Royal Hotel para ganhar um dinheiro extra depois de ficarem sem dinheiro durante a viagem. Quando o comportamento dos habitantes locais começa a ultrapassar os limites, as meninas ficam presas em uma situação que rapidamente foge de seu controle.

Claro que comecei o texto reclamando do que a diretora e roteirista Kitty Green fez, mas também tenho de relevar que conseguiu extrair as ideias de um documentário original sobre os bares do Outback australiano, ou seja, meio como se alguém fizesse um tour pelos bares do interior do interior do nosso país e você colocasse duas garotas bonitas no meio de brucutus para trabalhar lá servindo bebida para eles, já sabendo bem para que rumos a trama rumaria, mas dava para desenvolver um pouco mais todo o sentimento de medo da protagonista, de aventura da amiga, de saber talvez um pouco mais como eram suas vidas no Canadá, e muito mais para que o recheio fosse melhor elaborado e influenciasse na finalização explosiva, que até é bem coerente, porém ficou faltando ou alongar mais o final para que as coisas se fechassem de uma forma melhor, ou como disse dar propriedade para os sentimentos delas, pois apenas encerrar ficou parecendo muito algo que acontecia bastante no passado, e não mais atualmente do diretor de fotografia chegar no ouvido do diretor e falar: "só tem mais um rolo de película, então resume aí para acabar!", e você inventava qualquer besteira e pronto, que foi o que rolou aqui.

Quanto das atuações, diria que Julia Garner conseguiu passar bem trejeitos de medo do assédio, e uma certa preocupação com tudo o que estava rolando ali no local com sua Hanna, de modo que convence bem com olhares e imposições. Já Jessica Henwick fez de sua Liv uma personagem mais solta, e que bebendo muito fica ainda mais jogada para tudo, de modo que convence com a entrega, mas também passa no semblante a inocência para com o mundo. Ainda tivemos Ursula Yovich entregando uma Carol bem densa, cheia de imposições, Hugo Weaving bem incisivo na entrega de seu Billy muito bêbado, Tobby Wallace fazendo claro o bom camarada para tentar um algo a mais com seu Matty, e James Frecheville bem centrado com seu Espeto, mas claro o destaque entre os secundários ficou para Daniel Henshall com seu Dolly de olhares firmes que chegam a dar medo mesmo como a protagonista sente na tela.

Visualmente o ambiente árido do Outback australiano deu um bom clima para a trama, ressecando até os sentimentos dos personagens, tendo um oásis bem colocado aonde os protagonistas vão para se refrescar, e claro toda a base dentro de um bar (ainda estou tentando entender o nome de hotel, já que nem quartos direito tem para as garotas), com muitas bebidas simbólicas, uma registradora bem rústica das antigas, cobras dentro de garrafas e tudo mais para simbolizar bem um ambiente quase que jogado da trama, de modo que funcionou sendo bem representativo.

Enfim, é um filme seco que prende bem o espectador, mas que finaliza tão rápido que nem dá tempo de desenvolver algo a mais, ou melhor até temos um bom desenvolvimento cênico, mas não causa algo a mais com o final escolhido, e isso acaba sendo um desapontamento bem grandioso para com o resultado da trama, de modo que até vale uma recomendação desde que se não espere nada dele. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Ordem do Tempo (L'ordine Del Tempo) (The Order of Time)

6/11/2024 12:22:00 AM |

O mais interessante do cinema italiano é que ele possui tantas facetas, que mesmo um longa simples e dialogado quase como uma grande peça teatral, acaba sendo gostoso e inteligente de ver na tela, pois conseguem permear ideias de Física, romance e passado tudo numa vertente descontraída com bebidas, e um dia passa completamente fácil. Claro que muitos vão assistir e achar algo muito chato, mas quem se deixar levar pela ideia do longa "A Ordem do Tempo", que estreia na próxima quinta 13/06 nos cinemas, irá até concordar com o protagonista que o tempo é relativo e se você imaginar ele nem existe, ainda mais num dia repleto de amigos, antigas paixões, com a possibilidade de um asteroide gigante dizimar todo mundo naquela noite. Ou seja, é um filme bem simples, que consegue ser gracioso pelo envolvimento dos diálogos, aonde claro todos num primeiro momento ficam bem preocupados com a possibilidade da morte iminente, mas depois os assuntos revelados entre cada um acabam pesando mais do que uma simples pedrona.

O filme acompanha um grupo de amigos que se encontra todos os anos para celebrar um aniversário. Este ano, em uma vila à beira-mar, algo está diferente: eles descobrem que o mundo vai acabar em apenas algumas horas. Após a notícia bombástica, estranhamente, o tempo que lhes resta parece acelerar e, ao mesmo tempo, permanecer interminável.

Pasmem o filme é baseado em um livro de Física com o mesmo título do filme de Carlo Rovelli, que é conhecido por sua interpretação relacional da mecânica quântica e já escreveu diversos livros sobre o tema, aonde a cineasta Liliana Cavani leu e se apaixonou pela ideia de transformar em uma obra de ficção, ou seja, pegou algo cru e desenvolveu tão bem que facilmente vejo outros cineastas que irão pegar sua ideia e transformar em tramas nos seus países (só aguardem!), e também vejo ele muito bem desenvolvido para ser uma peça teatral simples, direta e que contando com bons atores ficará brilhante, afinal o poder da trama está toda no diálogo, que mesmo se passando numa casa de praia paradisíaca, poderia ser adaptado para qualquer ambiente, pois a parte mais difícil que foi transforma Física em Cinema já foi feita. Ou seja, com planos bem densos aonde vemos a interação de todos os personagens entre si ou por vezes em duplas, a diretora e roteirista conseguiu extrair bem expressividades e dinâmicas para que seu filme nem se alongasse ou fosse rápido demais, mas como o tempo é relativo segundo a temática, foi feito na medida.

Quanto das atuações não vemos nenhuma explosão chamativa por parte de nenhum ator, mas todos em conjunto conseguiram dominar bem as dinâmicas para que o filme funcionasse por completo, de forma que cada síntese e olhar representa bem uma vivência entre amigos, e claro o fim do mundo próximo. O mais interessante é que o protagonista e físico principal que tem uma paixão retraída por outra amiga, é o que menos se expressa de maneira mais imponente, e assim sendo Edoardo Leo parece ser meio tímido e fechado demais, que talvez até tenha sido a ideia da diretora, mas poderia se expressar mais com um ar preocupado e surtado um pouco mais com seu Enrico. Claudia Gerini como Elsa deu uma boa entrega de aniversariante, e também puxou as ações de falar tudo o que tinha para soltar após o anúncio do fim do mundo de um modo bem direto, o que acabou sendo divertido e bem encaixado para a ideia toda. Francesca Inaudi foi a que mais saiu do ambiente da casa, indo para um convento conversar com sua amiga freira, e trabalhando um pouco mais o debate de fé e rezas num momento como o que se passa, de modo que sua Giulia também acabou entrando no climão da dona da casa, e fez bem seus trejeitos. Ainda tivemos muitos outros bons atores, mas como disse a maioria trabalhou a dinâmica toda sem explodir, então nem tenho muito o que destacar de cada um individualmente.

Visualmente a trama fica praticamente toda na casa de praia da protagonista, tendo algumas conversas na sala de estar, outras na varanda, algumas em quartos e poltronas espalhados, e as mais finais mesmo na praia em cima de um barco, além de alguns atos no convento, tendo algumas pegadas com carros de luxo, alguns momentos com bebedeiras e drogas, mas tudo bem básico e objetivo apenas para dar o tom das conversas, ou seja, a equipe de arte foi bem econômica, tendo apenas o ato do asteroide mesmo no final para dar um ar mais técnico, porem tudo facilmente executável em um teatro como sugeri no começo.

Enfim, é uma trama que pegará um público diferente, pois é um tema que até tem um arco dramático interessante que é o fato do fim do mundo, de usar o tempo restante com quem você gosta realmente, de contar algo que nunca contou para ninguém nos minutos faltantes, e assim a ideia flui bem na tela, de modo que quem gosta desse estilo entrará bem no clima, porém não esperem um filme explosivo com situações tensas e tudo mais, que não é bem essa a pegada, de tal forma que como falei vai parecer uma grande peça teatral bem feita. Então fica a dica de recomendação para ir aos cinemas a partir do dia 13/06, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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O Cara da Piscina (Poolman)

6/09/2024 10:07:00 PM |

Já virou algo bem comum em Hollywood, e não é de hoje, que grandes astros de filmes ao se cansarem de estar somente atuando resolvam que devem dirigir um filme, seja para experimentar novas emoções, por achar que só ele é competente para desenvolver alguma história que tenham nas mãos, ou simplesmente para inflar ainda mais seu ego, e isso é algo muito perigoso, pois costumo falar que um roteiro é bom passar nas mãos de outras pessoas até chegar na telona, pois se o pai da criança não solta o filho o resultado dificilmente acaba sendo bom na tela, e dessa forma acabam evitando que coisas estranhas virem algo sem nexo para o público. E comecei o texto do longa "O Cara da Piscina" dessa forma pelo simples motivo de ainda estar tentando entender o que vi hoje no cinema, pois é um filme maluco, com situações abstratas totalmente sem sentido, misturando filosofia, investigação, cartas, terapia e manipulação criminosa, aonde tudo parece uma bagunça visual que até pode fazer algum sentido na tela, mas para isso você precisará estar bem chapado, do contrário a sensação que dá é que você entrou para ver algo sem saber o que era, e saiu do mesmo jeito que entrou. Ou seja, diria que a estreia do famoso capitão Kirk como diretor e roteirista foi algo que ele deve ter visto em outra galáxia e nós meros humanos que lutemos para entender.

O longa narra a história de Darren Barrenman, um nativo de Los Angeles cuja vida gira em torno da piscina do apartamento Tahitian Tiki, onde trabalha enquanto luta para melhorar sua cidade natal. Quando uma misteriosa "femme fatale" o encarrega de desvendar um esquema duvidoso, Darren une forças com seus amigos para enfrentar um político corrupto e um ganancioso empreendedor imobiliário. Ao mergulhar na investigação, ele descobre não apenas segredos sombrios sobre Los Angeles, mas também sobre si mesmo.

Como comecei o texto nem dá para falar que gostei da experiência de estreia de Chris Pine na direção e no roteiro, pois pareceu que quis trabalhar demais um lado abstrato que nunca havia experimentado como ator, e o resultado ao invés de parecer uma obra intensa e chamativa ficou mais próximo de algo absurdo cheio de erros e loucuras, que não mostra nem segurança cênica, muito menos algo cheio de metáforas que talvez fosse sua intenção. Ou seja, costumo dizer que quando alguém quer iniciar como diretor e roteirista, escolher um tema fácil sem muitos vértices é a melhor opção, mas como falei no começo, muitas vezes o ego sobe para a cabeça, e a pessoa acha que está arrasando na ideia completa, e quando acaba o resultado não chama a atenção devida. É até difícil dizer como daria para consertar a trama para algo mais funcional e interessante, mas talvez nas mãos de alguém mais imponente o resultado até com Chris atuando seria mais interessante.

Quanto das atuações, Chris Pine que quase sempre é considerado um galã em seus filmes, entregou um Darren bem excêntrico, com uma cabeleira e barba gigante, roupas estampadas sem combinação alguma com shortinhos curtos, com diálogos malucos e bizarros que facilmente podemos imaginar ser um daqueles mendigos com placas do fim do mundo estar próximo, que claro tem uma entrega boa na tela, afinal ele é um bom ator, mas o personagem em si parece completamente fora do eixo. Por muitas vezes fiquei na dúvida se a personagem de Annette Bening, Diane, é apenas a terapeuta do protagonista ou é sua mãe ou algo do tipo, pois acontecem diversas conexões e ela sempre presente, que acaba ficando estranho de ver, mas a atriz como sempre trabalha uma presença cênica bem colocada, e diverte ao menos. Danny DeVitto é sempre cheio de traquejos com os personagens que faz, e aqui seu Jack até incomoda com o tanto que fala, parecendo que não desligava de forma alguma, o que acaba soando cansativo, mas como o longa é maluco por completo, fez bem em estar conflitivo na tela. Ainda tivemos bons atos espalhados de Jennifer Jason Leigh com sua Susan, namorada do protagonista, mas nem ela mais aguentando seu jeitão, Stephen Tobolowsky bem colocado tanto como líder da câmara da cidade quanto como uma drag numa peça, John Ortiz bagunçando tudo com seu Wayne e depois um policial, mas quem se portou mais cheia de classe e mereceu o destaque foi DeWanda Wise com sua June, toda elegante e chamativa, com um ar misterioso e sedutor para cima do protagonista.

Visualmente a trama brinca com o protagonista em seu trailer dentro de um agrupamento de apartamentos, cuidando de sua piscina com muita técnica e paixão, em atos alucinógenos dentro da mente do protagonista com imagens de árvores e lagartos, o apartamento chique de June, e a câmara da cidade que vira um misto de cinema também, ou seja, a equipe de arte trabalhou as loucuras junto do protagonista, e praticamente se perdeu com o que deveria mostrar realmente, sendo algo complexo e bem maluco como resultado da entrega.

Enfim, é um filme que tenho certeza que alguns vão achar revolucionário, cheio de ideias que vertem para isso ou aquilo, que a estreia do ator na direção foi incrível e tudo mais, mas para o meu gosto pessoal quase me fez dormir na sala do cinema, e isso é algo que não consigo indicar para ninguém, então vá conferir outros longas que indiquei que estão passando que é bem melhor do que gastar dinheiro com longa sonífero. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Sob as Águas do Sena (Sous La Seine) (Under Paris)

6/09/2024 04:23:00 PM |

O que mais me incomoda em filmes de tubarões é ficarem criando perspectivas e situações fora dos bichões, tipo romances e conversinhas fiadas, mas quando isso é deixado de lado, o resultado acaba sendo bem interessante de ver, mesmo que forcem a barra com matanças e tudo mais. E a trama do longa da Netflix, "Sob as Águas do Sena", brincam bem com toda essa ideia, irá deixar os nadadores da maratona aquática e do triátlon da próxima Olimpíadas meio que tensos (O Comitê Olímpico Internacional com certeza irá jogar um processinho na plataforma, por divulgar algo assim tão perto das Olimpíadas), e consegue trabalhar toda a loucura que é a adaptação de um ser do mar em água salgada, reproduzindo sem parar, e mais do que isso, ainda foram bem espertos em mostrar todo o armamento da Segunda Guerra que se encontra no fundo do rio. Ou seja, é uma trama completa que muitos vão atacar e criticar pelos exageros, mas que costumo dizer que nesse estilo se você não forçar a barra acaba entregando um longa morno e sem graça, ao menos não quiseram dar uns chutes nos bichões, pois aí seria outra franquia.

A sinopse nos conta que no coração de Paris, no verão de 2024, pela primeira vez os parisienses irão sediar o anual Campeonato Mundial de Triatlo, uma famosa competição de natação no lendário rio Sena. Porém, os planos estão prestes a mudar quando a ativista ambiental Mika nota uma estranha agitação no rio. É com urgência que ela alerta a cientista Sophia que um grande tubarão está nadando nas profundezas do rio Sena. Apesar de desacreditada, o terror se instaura, e a competição se torna uma luta pela sobrevivência. Para evitar um banho de sangue no coração da cidade, elas precisam se juntar ao chefe de polícia Adil. Em uma corrida contra o tempo, o trio precisa encontrar uma maneira de neutralizar o tubarão e garantir a segurança dos competidores e espectadores, enquanto enfrentam a incredulidade das autoridades e o pânico crescente entre os habitantes de Paris.

O mais interessante de tudo é que o diretor e roteirista Xavier Gens tem essa pegada boa para terror, e aqui conseguiu segurar até que bem a tensão, pois facilmente ele poderia deixar só as cenas de sanguinolência e deixar de lado toda a ambientação de densidade dramática, mas optou por algo bem misto, contando tudo tintim por tintim para que o público entendesse o trauma da cientista, como é o fundo do rio cheio de artefatos bélicos, como age um político interessado em aparecer num caso desse estilo, e por aí vai, de modo que seu filme acabou ficando completo e bem trabalhado. Claro que quem curte uma trama sem forçar a barra por total irá reclamar de tudo, da computação gráfica até dos diálogos, mas como costumo dizer em filmes desse estilo você tem de abstrair a realidade e curtir a loucura para se envolver com tudo, e nesse sentido vemos planos ousados debaixo da água, vemos todo um desespero bem alocado em cima dos figurantes e dos protagonistas, e assim sendo o resultado mesmo que preparado para uma continuação, se fecha bem e empolga, coisa que muitos filmes do gênero acabam esquecendo de fazer.

Quanto das atuações, sabemos que Bérénice Bejo é uma atriz bem completa, que faz desde longas artísticos complexos à produções que sejam apenas de entretenimento (afinal até para os artistas os boletos chegam!), e aqui ela se doou bastante para sua Sophia, criou olhares e tensões bem colocadas, conseguiu se envolver bem nas situações aonde os bichões aparecem (o que é bem difícil de se expressar, já que está embaixo d'água e não existe nada ali, já que os tubarões só foram colocados com computação!), e assim sendo consegue chamar muita atenção, protagonizando realmente a trama como deve ser, ao ponto que chorou, gritou, sangrou e tudo mais, no pacote completo de uma boa atuação. Só tinha visto antes um filme que Nassim Lyes participou, então não vou afirmar que já é alguém marcante no cinema francês, mas aqui conseguiu ser um policial até que calmo demais com seu Adil, trabalhando sem truculências nem exageros nos olhares, que deram um tom bem colocado para a proposta toda, mas que muitos vão ficar esperando seu relacionamento com a protagonista pelos olhares trocados, isso vai, e já decepcionando todos, não aconteceu, mas quem sabe na continuação, pois o ator tem um estilo meio romantizado, e deve funcionar nesse sentido. Quanto aos demais personagens, muitos se entregam na tela e conseguem chamar atenção, mas dentro da proposta vale destacar Anne Marivin como a tradicional prefeita que só quer ver a festa não ligando para o que as autoridades do assunto falam para ela, e também a jovem Léa Léviant com sua Mika que também não ouve quem entende do assunto e vai fazer arte na frente dos tubarões, mas funcionaram dentro da proposta, então agradaram em cena, já os demais policiais vale destacar seus olhares expressivos de medo, que agradaram bastante, então acertaram com o que tinham de fazer.

Visualmente a trama passeou pelas catacumbas de Paris, teve muitas cenas embaixo d'água, muito uso do bote da polícia fluvial da cidade, um aquário bem trabalhado, computadores de monitoramento de tubarões, uma ONG com projetores e muitos jovens, e até uma ilha de lixo no meio do mar, tudo bem representativo para causar sensações no público. E falando em sensações, a equipe de maquiagem foi muito bem usada nas próteses, muito sangue nas águas para causar a impressão do ataque mortífero, e o resultado acabou sendo até mais realista do que computacional, o que acabou agradando bastante.

Enfim, é um filme que teve pegada, não se alongou na tela, e serve até mais do que um passatempo simples de domingo a tarde, valendo a indicação para quem curte filmes de tubarões bem trabalhados, e mesmo sendo classificado como terror pela sanguinolência na tela, não é algo que vai traumatizar quem não curte o estilo, então fica a dica de conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vou pro cinema conferir a última estreia que falta da semana, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Na Terra de Santos e Pecadores (In The Land of Saints and Sinners)

6/09/2024 02:10:00 AM |

É até engraçado falar de um longa com uma pegada de faroeste se passando na Irlanda, mas a estreia dessa semana da Amazon Prime Video, "Na Terra de Santos e Pecadores", tem bem esse mote, claro que contando com nosso atirador preferido no papel principal, mas aí é que entrou o principal problema, pois muitos que forem dar play achando que verão um drama de ação com as pegadas tradicionais dos longas que contam com Liam Neeson acabarão um pouco decepcionados, pois como costumeiramente ocorre com faroestes, a cadência é bem mais lenta, e assim sendo o filme tem mais nuances e desenvolturas, aonde o carismático ator faz suas amizades e conflitos, e que claro para defender alguém, vai botar muitos debaixo da terra. Ou seja, é um filme intrigante que mistura um pouco dos conflitos de Belfast, com os acordos de morte do interior do país, aonde mexer com os vizinhos e amigos de um soldado aposentado é mexer com ele, e assim o resultado consegue prender quem curte o estilo sem precisar de correrias.

A sinopse nos conta que em um remoto vilarejo irlandês, Finbar é forçado a lutar pela redenção após uma vida inteira de pecados, mas que preço ele está disposto a pagar? Na terra de santos e pecadores, alguns pecados não podem ser enterrados.

O diretor Robert Lorenz pode dizer que gosta de trabalhar com lendas, pois iniciou com Clint Eastwood em 2012, ficou anos apenas produzindo, voltando a dirigir em 2021 com Liam Neeson e agora retorna com o ator de ação como protagonista, e o mais interessante de ver em seus longas é que ele gosta dessa pegada meio faroeste, em comunidades afastadas dos grandes centros, com nuances quase rurais, mas aonde vivem homens e mulheres problemáticos, e isso pode ser considerado um estilo bem próprio que funciona na tela, porém aqui como tem meados do caos que terroristas causaram na Irlanda, ele poderia ter dado uma dinâmica um pouco mais acelerada, para que tudo fluísse melhor, e tivesse uma densidade mais própria dos longas do protagonista.

E falando das atuações, diria que Liam Neeson entrou num modo automático já faz algum tempo, de forma que todos os seus personagens sempre tem traquejos e sínteses que já sabemos bem como irá se movimentar dentro da trama, e aqui seu Finbar tem o ar de brucutu do campo que costuma fazer bem, defendendo claro todos os amigos e vizinhos, mas sem fluir muito na tela, sem sair correndo por aí afora, e claro dando bons tiros, de modo que traz para si o longa, mas sem forçar a barra como costuma fazer. Kerry Condon trabalhou sua Doireann bem cheia de imponência e intensidade, mostrando que muitas mulheres do IRA eram até mais duronas que muitos homens, e sabendo se defender bem botou banca na tela e agradou. Quanto aos demais, cada um dos personagens procurou se desenvolver bem na tela, tendo Ciarán Hinds o traquejo tradicional dos policiais do interior, sem muita atitude para fazer acontecer, Desmont Eastwood trabalhando um Curtis com traquejos de abusador, mas ficando muito em segundo plano para não precisarem usar ele, e assim acaba que o destaque fica mesmo para Jack Gleeson com seu Kevin cheio de sacadas e desenvolturas, que merecia mais momentos na trama, mas como sobreporia o protagonista, fez bem sem dominar o ambiente.

Visualmente a vila é remota ao extremo, com casas bem espalhadas e solitárias, muitas armas fortes, bombas, um tradicional bar aonde toda a cidade se reúne, um campeonato esportivo meio ao longe, carros de época bem bacanas de ver, e claro a floresta de corpos que o protagonista cria com seus crimes, sendo quase um ambientalista com a quantidade de árvores ao redor mostrado. Ou seja, a equipe de arte criou o básico para retratar os anos 70 na Irlanda, mas sem grandes gastos, de forma que ficou simples, porém eficiente de ver.

Enfim, é daqueles longas que quem gosta do ator vai curtir sua pegada tradicional, e quem gosta de faroeste até vai se sentir representado com o que verá na tela, mas quem for dar play esperando um algo a mais acabará um pouco decepcionado, pois o filme não entrega nada além do comum, e assim sendo recomendo ele com algumas ressalvas que já falei acima. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Bad Boys: Até o Fim (Bad Boys Ride or Die)

6/08/2024 10:22:00 PM |

Claro que fui conferir "Bad Boys: Até o Fim" esperando um longa de ação básico bem feito, nos moldes tradicionais da franquia, aonde até dá para se divertir, e não saí decepcionado com a entrega, pois mesmo sendo bem simples, acabou parecendo que os diretores não quiseram entregar algo mais imponente na tela. Ou seja, se em 2020 tivemos algo que renovou bem a franquia, e trouxe o estilo de ação cômico na medida para a tela, aqui vemos algo que mesmo não parecendo cansado na tela, entrega algo básico demais, como um episódio de uma série bem fechado só que em quase duas horas. Mas isso não significa que é ruim, afinal acostumamos na infância a ver tramas com essa pegada de um episódio recheado de ação, para depois vir outro e assim sucessivamente, só acredito que dava para ter trabalhado um pouco mais o roteiro para que todas as situações não fossem tão rápidas e fechadas, pois aí daria para curtir um pouco mais sem ser apenas cômico e simples demais.

O longa mostra como os detetives mais famosos de Miami, Mike Lowrey (Smith) e Marcus Burnett (Lawrence), enfrentam uma reviravolta dramática: agora, eles que são os mais procurados! A caça virou o caçador e com direito a um prêmio pela suas cabeças. Com uma mistura característica de ação eletrizante e comédia escrachada, os dois lutarão lado a lado contra tudo e contra todos até o fim para proteger a reputação do capitão Howard e limpar seus nomes. Prepare-se para ver os Bad Boys preferidos do mundo enfrentando todos os obstáculos em uma aventura emocionante de tirar o fôlego.

Os diretores belgas Adil El Arbi e Bilall Fallah voltaram após "Bad Boys: Para Sempre", agora com o quarto longa da franquia, e não desapontaram ao menos no quesito explosões e ação, de tal forma que o filme se sustenta com muita câmera na mão, atos em primeira pessoa e dinâmicas que quase fizeram o longa virar um grande jogo de videogame, o que não é ruim, afinal é sempre bom dar uma repaginada no estilo, porém se no terceiro filme vimos algo marcante e cheio de presença, quase como uma homenagem aos fãs da franquia, aqui ficou parecendo que o dinheiro fez eles irem gravar apenas por fazer, não tendo criatividade alguma nos diálogos, contando uma história que ninguém é bem apresentado na tela, mas que funciona, então alguns vão adorar a ideia, vão rir das piadas e sacadas, mas muitos vão sair da sessão achando que foram ludibriados pelos protagonistas para algo comum demais, e essa foi a sensação que tive da escolha da direção.

Quanto das atuações, já disse isso algumas outras vezes, mas gosto de ver Will Smith atuando, pois ele se joga por completo, trabalha trejeitos simples de formas mais amplas e aqui com seu Mike que tanto já fez dele famoso acaba se jogando por completo, fazendo bons atos e o principal: se divertindo em cena, que fica nítido quando um ator entrega um personagem que gosta de fazer, e para ele é esse. Martin Lawrence também se divertiu bastante com seu Marcus, demonstrando atitude em seus trejeitos, e sabendo bem aonde se jogar cenicamente para que ficasse divertido e entrasse no clima para o público, de tal forma que até acaba exagerando um pouquinho, mas não incomoda na tela. Ainda tivemos muitos personagens secundários bem trabalhados na tela, que já apareceram nos outros filmes, tendo destaques bem rápidos para Vanessa Hudgens com sua Kelly, Alexander Ludwig com seu Dorn, Paola Núñez com sua Rita e até Joe Pantoliano com seu Capitão Howard, mas quem entrou mais no clima foi Eric Dane como o vilão do longa James McGrath, que tentou ir um pouco mais além na tela, mas apenas fez caras e bocas sem ir muito além, e Jacob Scipio bem trabalhado com seu Armando bem cheio de nuances na tela. 

Visualmente a trama tem uma boa pegada, usando claro a base das ruas de Miami, algumas cenas dentro de um avião bem recheadas de ação, tiros e tudo mais, mais uma grande cena de tiroteios e envolvimentos dentro de um parque fechado de jacarés/crocodilos, e algumas interações na casa dos protagonistas, em um hospital e na casa-barco de Dorn, mas sem grandes sobressaltos, isso sem falar no começo com o casamento do protagonista, e o fechamento com um churrasco em um parque, sendo algo básico bem feito, recheado de tiros e explosões, e muita interação com as câmeras para conseguir boas dinâmicas.

Enfim, é um filme que muitos elogiaram falando ser o melhor da franquia, mas que ao meu ver ficou abaixo do anterior, que aí sim tivemos uma volta gloriosa dos personagens, ou seja, não é algo ruim de ver, mas que serve mais como um passatempo do que como cinema propriamente dito, então quem gosta dos personagens até vai se divertir e rir das situações, mas quem não for fã, não será com esse que irá virar. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto mais tarde com outras dicas, então abraços e até logo mais.


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Os Observadores (The Watchers)

6/08/2024 01:39:00 AM |

Costumo dizer que sou um dos poucos críticos que gosta que o diretor deixe sua opinião na tela ao invés de deixar a trama aberta para que o público interprete da forma que quiser, e fico muito feliz quando se permeia toda a história em cima de algo que você vá imaginando sem entender tudo o que está ocorrendo e no final tudo faz muito sentido. Dito isso, confesso que estava com muito medo do que veria no longa "Os Observadores", pois o trailer entregou pouquíssimo do que seria realmente a trama, a diretora era estreante na função, e ainda por cima vinha com o peso de ser a filha de um dos grandes nomes do mistério/terror mundial, ou seja, poderia facilmente derrapar entregando algo confuso que levasse nada a lugar algum, e ainda sairia super bem falada pelo mundo afora, mas muito pelo contrário, entregou uma trama densa, com boas pitadas de terror para causar algo nos espectadores, mas não se prendeu a isso, deixando muito mais o lado de suspense misterioso dominar na tela, criando vértices confusos para que o público interpretasse quem seria os observadores (Aliens? Monstros? Espíritos? Pessoas ruins? Coisas da mente dos personagens? Ou nada disso?) para que quase chegando ao final tudo fosse minimamente explicado para todos, e ainda sobrasse espaço para uma reviravolta surpreendente, ou seja, é raro eu elogiar um diretor estreante, mas Ishana Night Shyamalan começou com os dois pés direito na porta falando que vai honrar seguir ou suceder o legado do pai (que vem errando um pouco ultimamente, mas que sabe como agradar quem gosta de seu estilo também!).

O longa acompanha a tensa jornada de Mina, uma artista de 28 anos. Mina, ao se aventurar pelo oeste da Irlanda, se vê perdida em uma imensa e assustadora floresta natural. Desesperada por abrigo, ela finalmente encontra um refúgio, mas a segurança é apenas aparente. Dentro deste abrigo, Mina se junta a três estranhos, todos igualmente apavorados. À noite, eles são vigiados e perseguidos por criaturas misteriosas, que eles nunca conseguem ver, mas que parecem saber tudo sobre eles. A atmosfera é de constante tensão e paranoia, onde cada ruído na escuridão pode ser uma ameaça. Enquanto Mina e os outros tentam sobreviver e entender a natureza dessas entidades invisíveis, o filme mergulha o espectador em um suspense psicológico profundo, explorando o medo do desconhecido e a luta pela sobrevivência. 

Infelizmente agora em sua estreia na direção e roteiro, Ishana Shyamalan, será comparada com seu pai, muitos vão falar apenas disso, mas se seguir o estilo que entregou nesse filme em seus próximos facilmente logo esquecerão desse detalhe, pois ela pegou o livro de A.M. Shine, e junto dele conseguiu transportar as ideias para uma trama que brinca muito entre ser real ou imaginária na tela, deixando que a protagonista não saísse de foco, mas que também deixasse os demais fluírem e aparecerem bem para serem desenvolvidos, e mais do que isso, não querendo ser a dona da verdade jogando com o abstrato, pois sendo um fã desse estilo de direção, sempre acredito que o diretor tem de dar sua opinião na tela, no seu próprio filme, e não em entrevistas e análises de jornalistas, afinal o longa é seu, então que você diga o que é o certo ou errado de se imaginar, e aqui a sacada explicativa foi bem clara nos três atos finais que considero ter o longa (a descoberta do material do professor na floresta, o complementar do tema todo na faculdade, e a reviravolta final), mostrando que a diretora tem personalidade e estilo, o que é um mérito para começar chutando a porta dos cinemas, e mostrar que seu DNA é bom demais para ser chamada apenas como a filha do fulano, mas sim como Ishana Night Shyamalan.

Quanto das atuações, o mais engraçado de ver Dakota Fanning na tela é que por ter começado bem criança nas telonas já oscilou desde o seu melhor até a sua bomba completa, e aqui com sua Mina, ela mostra que com apenas 30 anos já adquiriu uma boa maturidade expressiva, ao ponto que a todo momento acreditamos que ela vai fazer algo muito imprudente na tela, que está maluca, mas que mesmo protagonizando se abre para a ideia dos demais, e fazendo praticamente três papeis em um único filme conseguiu soar diferente e com personalidade, ou seja, acertou no que fez. Olwen Fouéré trabalhou sua Madeline ao mesmo tempo misteriosa, mas também imponente de atitudes, sendo intensa em todos seus atos e criando boas aberturas para que pensássemos de tudo sobre ela, até chegarmos ao final e entendermos melhor seu papel, ou seja, agradou bastante com o que fez, mesmo sendo seca demais na tela. Georgina Campbell com sua Ciara e Oliver Finnegan com seu Daniel trabalharam personagens mais doces dentro da trama, ao ponto que mesmo seus atos explosivos acabam soando leves de se ver, mas sem desapontar, que é o principal de acontecer. Quanto aos demais, Alistair Brammer praticamente apenas apareceu rápido com seu John no começo e depois em algumas cenas espalhadas sem ir muito além, e John Lynch fez de seu Kilmartin o explicador de tudo, afinal quando os personagens acham seu material acabam entendendo tudo, e o público também, ou seja, não foi tão expressivo quanto poderia, mas agradou no que fez.

Visualmente a trama foi simples com uma floresta labiríntica, daquelas que tudo parece ser o mesmo lugar, tendo apenas algumas placas para tentar ser diferenciado, algumas cavernas, uma sala de espelhos, uma loja de animais, um bunker, uma sala de faculdade e uma casa bem bonita, além de algumas lembranças de um acidente, aonde a equipe de arte não quis subverter ninguém criando abstrações demais, tendo apenas os antagonistas como formas gigantes misteriosas sem aparecerem muito na tela para não ficar esquisito e ter de explicar demais, porém no fechamento tudo faz bastante sentido e acaba sendo mostrado um trabalho bem primoroso da equipe.

Enfim, acabou sendo um filme que sinceramente esperava bem pouco, e até tinha medo de sair da sessão sem ter entendido uma cena sequer, mas que entrega algo complexo, místico e até bem incorporado dentro de lendas irlandesas e mundiais, ao ponto de até querermos talvez uma continuação desenvolvendo ainda mais na tela, afinal deram essa brecha. Então recomendo o longa para todos verem sem medo de ficarem traumatizados ou sem sono depois de ver, e fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Grande Sertão

6/06/2024 11:52:00 PM |

Vou começar o texto falando que tinha uma intuição que o longa que veria hoje seria algo bem mediano, pois o trailer não tinha me pegado, o livro eu li acho que quando prestei vestibular uma tonelada de anos atrás, e depois que descobri que era dirigido por Guel Arraes que faz mais de 20 anos que não entregava um longa decente, aí é que desandou mesmo minha vontade de ver o longa, porém o melhor horário da quinta entre todas as estreias era desse então lá fui para o cinema. E tenho de ser muito sincero, que não consegui piscar um minuto do longa "Grande Sertão", de modo a nem dar aquela olhadela no relógio do celular para saber se falta muito, e o principal, ao final estava arrepiado com todas as atuações incríveis que o diretor conseguiu tirar de praticamente todos do elenco, fora a essência completa de outros grandes clássicos nacionais como "Tropa de Elite", "Cidade de Deus" e até mesmo o versado fantasioso dos longas do diretor "Auto da Compadecida" e "Lisbela e o Prisioneiro", ou seja, é um resultado completo e emocionante que acaba se vertendo para algo moderno dentro de uma história antiga, e que consegue brilhar em cada detalhe dos diálogos bem trabalhados e intensos, ao ponto que não tem erro para reclamar, mesmo sendo uma trama "narrada" pelo protagonista, que particularmente é o que mais odeio em qualquer filme, mas que aqui funcionou.

A trama adapta o clássico romance da literatura brasileira, Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, para a realidade da periferia urbana. Na trama, a comunidade "Grande Sertão" é controlada por facções criminosas onde uma luta entre policiais e bandidos assume ares de guerra. Neste lugar, Riobaldo acaba entrando em uma delas para seguir Diadorim, cuja identidade e a paixão que sente são mistérios conflitantes em sua cabeça. A partir de então, em meio a um ambiente hostil de guerra, Riobaldo enfrenta dilemas éticos, morais e existenciais, enquanto busca entender seu lugar no mundo e sua própria natureza.

Eu nem era nascido e o diretor Guel Arraes já fazia sucesso como diretor de novelas até ter a brilhante ideia de adaptar uma obra genial de Ariano Suassuna para mini-série e depois para filme e explodir como um gênio, mas depois andou desandando com alguns estilos diferentes do seu usual até voltar dois anos atrás como roteirista de um longa bem bacana chamado "O Debate", mas ainda estava faltando voltar com seu brilhantismo como diretor, e num mundo injusto como costumo dizer, eis que ele terá dois grandes longas no mesmo ano, a continuação de sua obra-prima no final do ano, e agora aonde pegou um livro complexo de João Guimarães Rosa que praticamente todo brasileiro já leu na escola ou apenas para vestibulares, e conseguiu trazer uma história de jagunços antiga para o vértice moderno do morro e sua guerra entre policiais, traficantes, moradores da comunidade e políticos, com algo tão bem pegado, tão intenso e demarcado que faz o público se envolver assim como no livro com o protagonista contando sua história de vida permeada entre a guerra e o amor. Ou seja, o diretor mostra que com quase 50 anos de carreira ainda pode surpreender transformando o básico em algo tão imponente, tão cheio de presença, que chega a ser difícil reclamar de algo na tela, pois o diretor fez muito bem a parte dele, a produção foi impecável e gigantesca, e os atores destruíram em cena, fazendo os papeis de sua vida.

Como já falei acima, todos os protagonistas entregaram personagens tão bons, tão bem desenvolvidos, com tanta personalidade e expressividade que chega a ser difícil expressar o resultado em palavras, pois não tem falha em uma vírgula do que fizeram. Vou começar por Caio Blat, afinal é o protagonista Riobaldo, e já tinha sido destaque tanto na peça/filme que fez o mesmo papel em uma outra roupagem, ou seja, já sabia como dar boas nuances para o personagem, e aqui foi usado em três situações bem diferentes, como narrador/entrevistado bem velho, porém expressivo e cheio de traquejos, como um jovem professor entusiasta das histórias do Brasil colonial, emotivo e cheio de simplicidades, e como um guerrilheiro assustado que vai mudando suas nuances expressivas de forma a dominar o ambiente, ou seja, deu show. Da mesma forma a filha do diretor, Luisa Arraes, sendo dirigida pela primeira vez por seu pai, também já tinha participado da peça/filme do ano passado, só que em outro papel, e aqui sinceramente não consigo pensar em outra atriz para fazer Diadorim, tendo força, traquejos, expressividades na medida máxima, praticamente chamando a câmera para si do começo ao fim em uma êxtase perfeita demais. Agora meus amigos, se antes o diretor era chamado de gênio com uma câmera, agora ele pode ser chamado de santo milagreiro, pois fez dois comediantes virarem atores de um nível tão grande, mas tão grande que se eu fosse eles colocaria todos os frames do filme que aparecem colados pela casa, afinal Eduardo Sterblitch já vem numa crescente expressiva, mostrando personalidade em seus papeis e tudo mais, mas o que fez aqui com seu Hermógenes é algo que não tem como falar, tem de olhar, tem de arrepiar, tem de aplaudir e tudo mais, pois o ator deu show, e não por menos o meu maior medo do trailer era Luis Miranda como o truculento general Zé Bebelo, afinal sabemos que suas façanhas estranhas, mas aqui ele pegou o papel e se expressou, se jogou, trabalhou trejeitos fortes, e agradou demais, ou seja, fez por merecer o personagem. Ainda tivemos atos bem imponentes de Rodrigo Lombardi cheio de entonações e imposições com seu Joca Ramiro marcante, mas vale um grande destaque entre os secundários o show que Mariana Nunes deu para sua Otacília nas cenas iniciais, sendo impactante e tão bem colocada que quase rouba a cena do filme para si, ou seja, um elenco que arrasou.

Outra faceta incrível da trama foi fazer uma favela/comunidade meio que futurista, meio que exótica para representar a comunidade do Grande Sertão, trabalhando inicialmente em um modelo quase computacional ou de maquetes bem trabalhado, para depois ir para o chão mesmo com ambientes rústicos e bem trabalhados, com muitas armas de todos os estilos e calibres, muita sujeira, muito sangue e cortes para marcar algo diferenciado na tela, sendo bem representativo de figurinos rasgados ou desnudos, com uma ambientação bem alocada entre os policiais, entre os líderes do tráfico, com motos e dinâmicas fortes de invasão, ou seja, a equipe de arte trabalhou muito para que o filme ficasse na medida certa entre o correto e o quase exagero, mas que agrada demais.

Enfim, posso estar até exagerando um pouco na nota que vou dar para o longa, mas fazia tempo que um filme não me arrepiava tanto com uma expressividade cênica marcante na tela, de modo que dava para tirar alguns pontos por uma ou outra cena desnecessária que daria para cortar um pouco, mas acaba tendo contexto, então recomendo demais para todos verem uma grande obra nacional aonde merece ser vista que é no cinema. E assim sendo fica a dica, e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Como falei, talvez tiraria um ponto ou meio de alguma coisa, mas vou manter a nota máxima na expectativa que o diretor não me decepcione em Dezembro, afinal volto a frisar que "O Auto da Compadecida" ainda um dos melhores longas nacionais que já foram feitos, e se estragarem na continuação mais esperada por todos os brasileiros vai sair morte!


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13 Sentimentos

6/06/2024 12:59:00 AM |

Que "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" foi um fenômeno de bilheteria todo mundo sabe, e com isso é claro que o diretor Daniel Ribeiro acabou pegando uma fama imensa e todos já estavam esperando muito seu próximo lançamento. Porém se lá em 2014 ele foi mais sutil com sua trama, fazendo situações que não só o público homossexual curtisse o longa, agora aqui já foi para um caminho mais direto que muitos nem chegarão perto, mas ainda assim se você não tiver problemas com isso é bem bacana de curtir, e o mais engraçado é que consegui enxergar muitos amigos gays (e alguns até heteros) que tem essa mania de roteirizar e romancear seus relacionamentos no estilo de filmes e séries, ao ponto de se apegar e mudar toda a vida em cima das paranoias que criam, ou seja, é uma trama divertida pela essência do protagonista, e que quem conhecer pessoas assim também irão se identificar. Claro que na trama, enxergamos um pouco da história do diretor, pois tem muitos detalhes que casualmente dão dicas dessa síntese, e assim talvez a experiência para alguns vai ser bem diferente do que para outros, então diria que é um longa mais íntimo e próprio para um público mais específico do que o seu longa de estreia, que talvez impacte um pouco mais numa bilheteria mais reclusa, mas ainda assim quem for público-alvo da trama irá gostar bastante.

O longa vai contar sobre como o cineasta João enfrenta o desafio de encerrar um relacionamento de uma década com seu ex-namorado, Hugo, descrevendo-o como o final perfeito de um grande filme. Embora tenham permanecido amigos próximos após a separação, João se vê diante de um turbilhão emocional ao tentar voltar ao cenário do namoro. Ao embarcar na busca por um novo amor, João conhece Vitor, por quem se apaixona instantaneamente. Movido pela visão romântica que ele tem da vida e dos relacionamentos, João tenta moldar sua história de amor com Vitor como se estivesse construindo um filme. No entanto, ele rapidamente percebe que a realidade não pode ser controlada como um roteiro de cinema, e que os desafios do amor verdadeiro transcendem qualquer narrativa de contos de fadas.

Talvez tenha ido conferir o longa com algo que sempre falo para não criarem, que é alta expectativa, pois o diretor e roteirista Daniel Ribeiro foi tão bem em sua estreia nas telonas, que esperava um clima mais íntimo e bem trabalhado na tela, e não um formato meio que de filme inicial de aluno de faculdade de cinema, que não é ruim, mas ficou muitas esquetes meio que soltas, relacionamentos e desenvolturas sem grande afinco, fora diálogos mais curtos, que acabam não dando uma fluidez, como se fosse um bate-papo introspectivo mesmo do diretor mostrando sua vida pós-separação. Claro, ainda assim não recaiu para o estilo novelesco, não forçou a barra com atos jogados, tendo sim uma linearidade bem colocada como se fosse montando o seu filme na tela, mas dava para ser algo mais emocional e menos de pegação como acabou ficando no final da trama. Em breve deve sair seu próximo longa que fechará a trilogia de sua vida, mas espero ver mais do primeiro longa do que desse na tela, pois faltou aquela atitude que teve lá.

Quanto das atuações aí a conversa já é outra, pois Artur Volpi se entregou por completo em sua estreia nas telonas com um João meio tímido, porém bem disposto à tudo que a trama pedia, conseguindo trabalhar as nuances na tela, fazer bons traquejos com o roteiro, e mesmo não sendo tão descontraído trazer um carisma para seu personagem, de modo a realmente protagonizar a trama como deveria, agradando bastante. A dupla de amigos do protagonista vividos por Marcos Oli e Juliana Gerais dão boas quebras e desenvolturas para as conversas descoladas e cheias de sacadas, de modo que a descontração acaba sendo gostosa de ver, mas que foge um pouco do estilo de cinema que o longa poderia melhor encaixar. Quanto aos demais, cada um teve uma participação especial na vida do protagonista, tendo claro o destaque para Michel Joelsas com seu Vitor também bem cara de par perfeito, entregando bons trejeitos para os devidos atos que está junto de João.

Visualmente o longa brinca com o mundo moderno atual de apartamentos pequenos, um computador para as edições de gravações e trabalhos, um celular com muitos aplicativos de relacionamento, o apartamento mais luxuoso do casal que está querendo entrar para uma plataforma mais quente, uma cafeteria aonde o rapaz cura seu vício, algumas festas e um cinema, além de outras gravações de vídeos quentes espalhados, ou seja, o básico bem feito sem erro pela equipe de arte.

Enfim, é um bom filme, que talvez até pudesse ter ido mais além, mas o diretor quis fazer algo bem descontraído que passasse bem como foi sua vida após a separação de um longo namoro, e na tela isso faz sentido talvez até mais como uma série de episódios pequenos para um público mais jovem, mas que como cinema acabou não impactando tanto quanto o longa anterior dele, e isso vai pesar bastante nas opiniões, afinal a maioria irá ao cinema esperando outro longa semelhante, e não irá ver. Então deixo como uma recomendação clara para o público homossexual ir conferir nos cinemas a partir do dia 13/06, pois muitos irão se ver na tela, mas como falei, vá sem esperar muito, senão a chance de não se apegar é alta. Fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Vitrine Filmes e da Sinny Assessoria pela cabine de imprensa, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - As Cores do Mal: Vermelho (Kolory zla. Czerwien) (Colors of Evil: Red)

6/04/2024 01:19:00 AM |

Já faz algum tempo que tenho gostado de alguns filmes poloneses, principalmente os que brincam com o  gênero de suspense policial, e uma coisa que tenho notado é que muitas vezes eles gostam de entregar o possível culpado logo no começo e ir desenvolvendo tudo de forma a ter alguma reviravolta imponente ou então apenas como tudo se desencadeou para chegar naquilo, e algo que é até engraçado de ver, é que não fazem nada para diferenciar um flashback do momento atual, ao ponto que por vezes até parece meio de relance a pessoa morta estando ali normal, o que acaba confundindo um pouco, mas nada que atrapalhe. E o longa da vez é a estreia da Netflix, "As Cores do Mal: Vermelho", que consegue prender o espectador com toda uma desenvoltura simples em um emaranhado de situações envolvendo pessoas bem próximas da pessoa morta, e claro um procurador bem disposto a enfrentar tudo e todos para conseguir fechar todas as pistas, mesmo que seus superiores queiram fechar o caso. Ou seja, é daqueles longas que você vai ficar bravo com tudo o que ocorre, vai torcer para alguns personagens e se indignar com outros, e que felizmente não se amarra num conceito novelesco, deixando os protagonistas bem em foco, e apenas indo quebrando os nós para o desenrolar completo da trama. Claro que não é perfeito, tendo algumas coisas meio que desleixadas demais, mas como as reviravoltas do final compensam, o resultado acaba valendo o play.

O longa nos mostra uma praia em Tri-City, na Polônia, que se torna o cenário de uma descoberta dramática quando o mar traz à tona o corpo de uma jovem. A mutilação incomum da vítima aponta para um assassinato. A investigação é liderada pelo ambicioso e incansável promotor Leopold Bilski. A mãe da vítima, a juíza Helena Bogucka, também está envolvida na investigação. Todas as pistas levam a um dos clubes à beira-mar, que se revela relacionado ao assassinato de uma mulher ocorrido 15 anos atrás. À medida que as informações coletadas durante a investigação e as evidências ocultas por anos vêm à tona, o lado sombrio da criminalidade em Tri-City surge lentamente. As descobertas de Leopold e Helena começam a se tornar muito incômodas para a polícia local.

Não conhecia o diretor Adrian Panek, mas já vi que seu longa anterior tem no outro streaming, então devo dar um play nele em breve, mas centralizando o que fez aqui com o livro de Malgorzata Olivia Sobczak foi algo digno de ser reconhecido, pois não precisou capitular, não precisou ficar brincando de flashbacks e quebras, mas sim entregando tudo num linear misto, que por vezes até confunde um pouco, mas que logo que você pega o ritmo, o resultado fica fácil de encontrar, e isso fez com que o longa tivesse um bom ritmo e um fluxo melhor ainda, que talvez até fosse mais interessante não focar tanto no mafioso logo de cara, deixando talvez ele como um secundário até uma revelação final, porém a brincadeira de ir colocando mais personagens e desenvolturas acabou não permitindo que o cara fosse o único culpado, e com isso o diretor soube ampliar sem tornar sua trama cansativa, e muito menos novelesca. Ou seja, é um trabalho com estrutura que facilmente chegou bem detalhada para o editor, pois um corte fora do eixo deixaria o longa como uma bomba sem que nada pudesse ser entendido, e esse risco é um preço altíssimo que muitos optam por correr. Detalhe, esse é o primeiro livro da quadrilogia da escritora, tendo ainda Preto, Branco e Amarelo, então vamos ver se a Netflix vai empolgar e encomendar os demais, pois vamos esperar!

Quanto das atuações, o protagonista Jakub Gierszal tem muito estilo, é insistente e com muito carisma para o público consegue chamar praticamente toda a câmera para si, o que é ótimo, ainda mais que o personagem é o protagonista dos quatro livros, ou seja, se quiserem jogar um bom contrato para o ator veremos ele como Leopold Bilski mais algumas vezes, pois sabe aonde olhar, tem classe e não chega a se impor, algo bem raro em filmes com detetives/procuradores como protagonista, então vamos torcer para o jovem ir ainda mais além na companhia. A jovem Zofia Jastrzebska deu boas nuances para as cenas de sua Monika, e confesso que achei que como morre logo no começo não apareceria mais no longa, mas está presente em quase todas as cenas, repassando seus atos antes de morrer, e agrada com muita personalidade e bons olhares, ou seja, não decepcionou. Já Maja Ostaszewska fez sua Helena, um pouco retraída demais, de modo que seus atos foram bem expressivos, mas pareceu meio desorientada demais em cena, o que acaba não agradando quanto poderia. Ainda tivemos muitos outros bons personagens soltos, com pouco destaque para Przemyslaw Bluszcz com seu Kazar e Andrzej Konopka com seu Tadeusz, mas sem grandes momentos que valesse falar muito deles

Visualmente a trama trouxe bons atos de tortura, mas ainda poderia ter ido bem mais além, afinal o quarto encontrado na mansão do chefão nos atos finais valeriam ter feito pelo menos umas duas ou três cenas lá para impactar ainda mais, tiveram atos marcantes também no necrotério e na praia com o encontro do cadáver, alguns atos movimentados na boate, e cenas mais densas na casa dos pais da garota e em alguns locais mais abandonados, conseguindo desenvolver bem o tema com poucos elementos cênicos marcantes, o que diferencia bem de uma trama tradicional investigativa, mas que de certa forma funcionou para o estilo que o diretor queria.

Enfim, confesso que fui ver sem esperar muito dele, tendo um nome quase que de longa de terror, mas que ao final já estava completamente preso dentro da formatação escolhida, o que acabou me agradando demais, então como costumo falar, veja sem esperar nada e seja surpreendido, pois a trama entrega tudo o que não promete, e nem faz ficarmos gastando palpites jogados, afinal tudo está na tela para ser usado. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Anel de Eva

6/03/2024 01:02:00 AM |

Uma das coisas que reclamo um pouco demais nos dramas nacionais é a necessidade do autor querer se verter para um estilo novelesco, que muitas vezes me perguntam o que é isso, e a resposta mais fácil é a de desenvolver histórias que saiam dos personagens principais, precisar colocar situações que até tenham seu valor no roteiro, mas que não agreguem muito ou até atrapalhem, e por aí vai sendo esses alguns dos principais exemplos. E comecei o texto do longa "O Anel De Eva" dessa forma pelo simples motivo de que temos uma trama interessantíssima de temática, algo que posso ter visto de relance em algum outro filme, mas nada tão profundo de desenvolvimento no país, que entrega atos bem colocados e marcantes, mas acaba fugindo para alguns elos como da sobrinha, do romance da protagonista com o outro rapaz no passado, e quando precisaria talvez trabalhar mais a síntese do nazismo e dos soldados que se asilaram pelo interior do nosso país acabaram fazendo tudo bem rápido, ou seja, esse é um defeito do drama novelesco, que aqui foi simples e acabou não cansando, mas em muitos casos, passam até por cima da história principal. Dito isso, a trama tem uma pegada bem marcante, com atuações bem colocadas, e um mistério bem colocado na vida da protagonista, afinal sem saber sua origem começa a descobrir um passado nada bom na região, e passa a ligar os pontos para conseguir esclarecer tudo, e também quem sabe apagar isso, ou seja, tudo o que um bom filme do gênero pode entregar, que se não tivesse recaído tanto para algumas quebras seria incrível de ver, mas que ainda assim indico com certeza para todos conferirem à partir do dia 13/06 nos cinemas, afinal quem tem problemas com o modo novelesco sou eu!

A sinopse nos conta que após a morte de seu pai adotivo, Eva Vogler é surpreendia ao receber um relicário acompanhado de um bilhete: “abra-o somente se achar necessário”. Ao revelar o conteúdo da pequena caixa, Eva depara-se com objetos incomuns que remetem às suas origens: um anel com um brasão nazista com a inscrição “Eva, 1945” e fotos que podem ser de sua mãe biológica – uma mulher negra cercada por crianças brancas no alpendre de uma fazenda. Eva está diante do quebra-cabeças de sua identidade. Todas as certezas de Eva são postas em xeque, quando a sua investigação a conduz para uma propriedade arruinada, a Fazenda do Alpendre, onde a figura do velho alemão Martin Hirsch, trará respostas e perigo para a sua jornada.

Diria que a estreia do diretor Duflair Barradas foi um pouco insegura demais, de tal forma que ele pegou um roteiro com muitas aberturas e acabou se perdendo um pouco nelas, pois claro a história da garota e sua conexão com a tia deveria ser pontuada, a ligação dela com a professora de alemão também, mas não estender isso para um relacionamento, colocar ligações homossexuais e explosões familiares que deram muitas quebras para a trama, deixando por vezes até a protagonista em segundo plano, e isso é uma regra máxima do cinema que não pode ser quebrada. Porém, ainda com esse defeito, ele deu boas nuances para toda a trama, conseguiu contextualizar bem o tema, e até deu um bom fechamento para o conflito entre a protagonista e seu passado, mas se tivesse focado mais nisso, e menos nos arcos dramáticos secundários, seu filme iria certamente para um outro patamar que impressionaria bastante e funcionaria muito mais, mas como disse, é sua estreia, então ainda dá para melhorar nos próximos.

Quanto das atuações, Suzana Pires é uma atriz bem cheia de traquejos que se dá bem em vários estilos, e aqui sua Eva tem uma pegada bem séria, com a cara fechada em quase todas as cenas, de tal forma que não deixou se abrir em momento algum, e mesmo alguns atos aonde passou um pouco de emoção o semblante seco ficou bem marcado, o que acaba agradando e sendo interessante de ver. Um dos personagens que valeria ter sido melhor trabalhado foi o de Odilon Wagner, pois o ator é bom e seu Martin acaba sendo deixado quase que em segundo plano na maior parte do filme, o que é ruim, afinal o papel dele é muito mais importante que praticamente todos os demais que aparecem em cena, ou seja, ele fez o que deu nos seu atos, sendo truculento e imponente, mas quase não entra na tela, o que acaba sendo uma grande falha (não dele, e sim da direção!). Quanto aos demais, a jovem Laíze Cãmara trabalhou bem os atos de sua Aurora, não sendo emocional demais, mas também não deixando ficar oculta, enquanto Sandro Lucose ficou um pouco açucarado demais com seu Pedro, parecendo ser daqueles que querem um romance a qualquer custo na trama, o que não era a ideia do longa.

Visualmente a trama que foi filmada em Cáceres-MT teve um ar rural bem incorporado, mostrando muito da caça de porcos-do-mato que invadem as fazendas por lá, trabalhando bem um ar intimista da protagonista enlutada, com sua mãe adotiva, amigos e outras pessoas da cidade, vemos um pouco de busca nos registros de um hospital, alguns almoços em restaurantes, e claro a fazenda do alemão com muitas fotos e coisas mais rústicas de uma produção pura, ou seja, a equipe de arte soube criar bem a cenografia para ser representativa, e a equipe de fotografia acertou bastante nas cenas mais escuras para dar tensão e com um sol incrível de contra-plano na conversa com a sobrinha.

Enfim, é um bom filme com uma história interessante de ser conferida pelo diferencial no contexto, mas que falhou um pouco na execução, o que é comum em primeiras direções, mas ainda assim vale a recomendação de conferida para se pensar mais no que pode ter rolado no interior do nosso país quando o nazismo caiu, e quem sabe um pouco do reflexo do que temos visto nos últimos anos, então fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Elo Studios que deu uma super atenção para conferir a cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Imaculada (Immaculate)

6/01/2024 08:56:00 PM |

Costumo dizer que para um bom terror funcionar precisa causar algo no público, senão acaba sendo apenas um suspense mediano, e por vezes até ruim que não vai para lado algum, e infelizmente o longa "Imaculada" não leva nada a lugar algum, tentando trabalhar a ideia de um convento aonde coisas estranhas acontecem, e depois vamos acompanhando uma gravidez que surge sem um relacionamento propriamente dito, e todo o desenrolar que causa nas demais freiras, até descobrirmos o motivo e toda a ideia do nascimento de um Salvador para a Igreja, porém faltou o diretor causar um algo a mais no público, pois vemos o filme inteiro uma tensão no ar, vemos alguns personagens expressivos, mas ele apenas causa o terror mesmo na protagonista, ficando faltando a ideia principal que é causar no público também, que até se impacta com uma ou outra cena de sangue violenta, mas sem atingir nojo ou qualquer outra ideia. Ou seja, vemos um filme morno demais que não entrega muito envolvimento nem marca qualquer impacto na tela, sendo daqueles tão tradicionais que ao final poderia até criar algum vértice mais tenso com o que ocorre, mas nem vamos querer saber de nada se aparecer uma continuação daqui a alguns anos, pois falhou mesmo.

O longa acompanha a história da jovem religiosa americana Cecilia, que acaba de se mudar para um ilustre convento situado em uma pitoresca zona rural italiana. Apesar de ser recebida calorosamente pelas irmãs e freiras, a devota americana logo nota estranhas situações que a fazem questionar a segurança de seu novo lar, que abriga segredos sombrios e terríveis. Aos poucos, as suspeitas da jovem se tornam realidade quando ela acorda misteriosamente grávida. Cecilia agora não apenas carrega uma criança, mas também enfrenta uma série de estranhas e suspeitas situações, sendo atormentada por forças perversas enquanto confronta os segredos e horrores do convento. Em meio a visões assustadoras e eventos inexplicáveis, ela tenta desvendar a origem de sua condição e a verdadeira natureza do convento. A experiência religiosa está prestes a se transformar em um pesadelo. Seria a gravidez de Cecilia uma dádiva ou uma maldição?

Se no seu longa anterior ("Observadores") o diretor Michael Mohan conseguiu criar ideias bem colocadas na tela e ter uma revelação final bem interessante, aqui ele não teve grandes pontos para poder inverter sua síntese, de tal forma que o roteiro de Andrew Lobel parece faltar criatividade de personagens, intenções marcantes, e principalmente terror que causasse algo no público, parecendo ser algo feito às pressas para entregar ao estúdio. Ou seja, vemos um trabalho bem fraco de tudo, aonde nada acontece de marcante, pois inicia com uma certa intensidade com um enterro vivo, mas depois tudo fica em segundo plano, aonde apenas vemos o básico acontecer sem que esperemos qualquer coisa ali.

Quanto das atuações, Sydney Sweeney é o nome da vez, trabalhando em uma tonelada de filmes e séries seguidamente, mas aqui com sua Irmã Cecilia a jovem pareceu mais perdida do que imponente, tirando claro o seu ato final, que quem sabe se ocorresse antes teria um fluxo maior para desenvolver, ou seja, faltou o diretor entregar mais para que ela conseguisse aparecer realmente. Álvaro Morte também se entregou bem nos atos finais de seu Padre Sal Tedeschi, mas no miolo não consegue chamar atenção nem impactar em nada. Ainda tivemos a sensação italiana, Benedetta Porcaroli, com sua Irmã Gwen tentando trabalhar alguns atos mais densos, aonde talvez pudesse chamar o filme para outro lado, mas não quiserem brincar com ela, deixando ela quase como uma mera figurante. Giulia Heathfield Di Renzi tentou impactar no miolo com sua Irmã Isabelle, mas logo surta e não vai muito longe, então não conseguiu ajudar no desenrolar do filme. Quanto aos demais, tivemos alguns rápidos ensejos de Giorgio Colangeli com seu Cardeal Franco Merola, uma cena de muito impacto no final com Dora Romano com sua Madre Superior, e até Giampiero Judica tentou aparecer em algumas cenas com seu Doutor Gallo, mas ninguém foi além suficiente para chamar atenção.

Visualmente a trama usou bastante de cenas escuras no convento abusando de velas que facilmente poderiam causar algum susto gratuito na tela, mas nem isso o diretor quis trabalhar, entregando um convento bem simples, construído em cima de uma catacumba, tendo alguns elementos simbólicos da Igreja, como o prego da cruz de Jesus, aonde acaba recaindo para a ideia genética do filme, um laboratório até bem recheado de detalhes, e algumas cenas mais violentas com algum sangue bem trabalhado na tela, mas nada que impacte realmente como deveria.

Enfim, é daqueles filmes que sinceramente não sei o que estava esperando acontecer, não sendo mais do mesmo, mas também não causando algo que faça o público que gosta de um terror se lembre futuramente dele, ou seja, totalmente dispensável a conferida, e não valendo recomendar. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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