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Mubi - Queer

2/06/2025 01:07:00 AM |

Sendo bem sincero com vocês que me leem, eu não sei se entendi o que assisti hoje vendo o longa "Queer", pois a trama que é dividida em capítulos, tem um primeiro bem interessante, apresentando a vida homossexual do protagonista no México, indo de bares em bares que o público do mesmo tipo frequenta, e se relacionando com alguns até ter uma paixão platônica por um jovem que frequenta os mesmos lugares, mas que não sabe se é ou não gay, até aí ok, bacana e interessante de ver as propostas ousadas e bem colocadas dos protagonistas; aí vamos para o segundo capítulo aonde partem numa viagem pela América do Sul, com o protagonista sofrendo os efeitos de estar longe de suas drogas tradicionais, vemos uma parceria bem alocada entre os personagens, mas sem grandes desenvolturas; então chegamos no terceiro capítulo aonde o protagonista vai entrar na selva realmente em busca da droga que tanto deseja experimentar, e aí meus amigos, a viagem não é apenas dos personagens, mas sim do diretor que coloca algo tão maluco na tela, que nem dá para explicar com palavras, e eis que ao acabar a brisa, praticamente a relação acaba também; e vamos para um epílogo ainda mais insano ainda, ao ponto que não se entende mais nada aonde o personagem nem o diretor desejava a chegar. Ou seja, é o famoso filme aonde nada leva a lugar algum, aonde os atores até fazem grandes atuações, mas como bem sabemos que a maioria dos filmes não são filmados sequencialmente, é capaz deles ainda estarem sem entender nada do que gravaram, assim como quem for conferir o longa que chegou na plataforma do Mubi também não irá entender o que assistiu, não sendo algo ruim de ver, mas diria que faltou erva aqui do outro lado para poder compreender!

A trama segue a vida de Lee, um expatriado americano que se encontra na Cidade do México após ser dispensado da Marinha. Lee vive entre estudantes universitários americanos e donos de bares que, como ele, sobrevivem com empregos de meio período e benefícios do GI Bill, uma lei que auxiliou veteranos da Segunda Guerra Mundial. Em meio à vida boêmia da cidade, Lee conhece Allerton, um jovem por quem desenvolve uma intensa paixão.

Claro que fui conferir o longa sabendo que era uma obra de Luca Guadagnino, e só seu nome já é fator para assistir a obra esperando algo completamente maluco e fora da casinha, mas embora seja baseado em um livro biográfico, diria que dava para não precisar capitular, e talvez não forçar tanto para algo meio que tão fora da casinha no final, pois a trama tinha tudo para ter um desenvolvimento de época, um estilo mais pesado e denso, porém o diretor quis ousar com coisas meio que sem base e o filme ficou mais bizarro do que ousado, e assim começou bem, teve um miolo interessante e desandou por completo em uma loucura que talvez com uma boa dose de bebida e algumas drogas chegue em algum lugar, mas não recomendo usar nada e apenas aceitar a insanidade.

Quanto das atuações, realmente Daniel Craig encarou o personagem mais complexo de sua carreira com o seu Lee, de modo que teve cenas bem marcantes e intensas, e traquejos expressivos meio que fora do seu estilão que estávamos acostumados a ver, fazendo um homossexual sem ser afeminado em demasia, como ocorre em muitos filmes, mas brincando com a essência do personagem para chamar a atenção, e assim acabou agradando com o que fez. Já Drew Starkey fez de seu Eugene Allerton um personagem seco de expressões demais, ao ponto que acaba sendo até um incômodo suas cenas que precisariam fluir mais, que claro deve ter sido uma solicitação da direção, mas dava para abrir mais o papel. Dentre os demais, muitos foram apenas conexões para os protagonistas, valendo um leve destaque para Lesley Manville como a Dra. Cotter completamente maluca na selva.

Visualmente o longa fez uma recriação da Cidade do México dos anos 50 que ficou muito bonita de se ver, cheia de nuances dos bares, figurinos marcantes, fora durante a viagem passando por consultas médicas e farmácias simples de vilas, ônibus e claro a selva com todos os seus perigos, aonde as cenas na cama foram meros e casuais momentos bem feitos em ângulos certos para que o filme não ficasse tão picante. E ainda teve toda a loucura em cima da droga no chá que sabe-se lá se o diretor não tomou também um pouco para fazer o que vemos na tela.

Um ponto incrível do longa foi a escolha da trilha sonora, com canções conhecidas em diversos arranjos bem diferenciados, além de uma trilha orquestrada belíssima e envolvente, que claro deixo o link aqui para quem quiser curtir.

Enfim, não sei o que eu esperava do longa, mas com muita sinceridade não era isso o que vi na tela hoje, pois até teve um começo muito bacana, que mesmo tendo pegadas e tudo mais não chega a incomodar, mas o terceiro e o quarto capítulos foram para um nível que não tinha como sequer pensar em nada do que acontece, virando uma completa bagunça desconexa, e sendo assim não dá para recomendar muito ele. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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MUBI - A Garota Da Agulha (Pigen Med Nålen) (The Girl With The Needle)

1/28/2025 12:59:00 AM |

Eis que estava no final de semana montando minha planilha com as datas dos filmes que faltam ver entre os concorrentes do Oscar, e vejo que um dos "inimigos" do nosso longa brasileiro entrou diretamente em cartaz no MUBI, então já programei para conferir hoje e meus amigos... que filmão tenso é esse dinamarquês, "A Garota da Agulha", de modo que estou vendo que só vamos enfrentar pedreiras bem intensas que vai depender do gosto dos votantes para escolher, pois aqui temos mais uma obra baseada em fatos reais, aonde no pós-guerra uma jovem engravida de seu patrão, só que ao a família do moço não aceitar ela, acaba levando o bebê para adoção numa agência clandestina, que para pagar resolve trabalhar lá como ama de leite, vivenciando coisas densas e horrores que você acaba nem pensando em ser capaz de ver, mas que o longa entrega. Ou seja, é daqueles filmes tão marcantes com o ponto de virada, que junto de uma fotografia em preto e branco muito bem dosada (dava para fazer colorido, mas acabou tendo um charme de época) acabamos mergulhando na vida da protagonista, e o resultado que no começo achei que cansaria, acaba tendo um ritmo bem pontuado que agrada bastante até o fechamento, valendo com certeza o play.

O longa se passa em Copenhague após a Primeira Guerra Mundial, aonde vemos que a jovem e trabalhadora Karoline é uma operária que perde seu emprego por conta da sua gravidez, fruto de um caso amoroso com seu abastado chefe. Com o desaparecimento de seu marido em combate e o relacionamento fracassado entre ela e seu patrão, Karoline se vê abandonada e sozinha, caindo numa situação miserável cada vez maior. Um dia, a garota encontra consolo e uma forma diferente de sobreviver com Dagmar, uma carismática mulher mais velha, diretora de uma agência de adoção clandestina que vive sob o disfarce de uma loja de doces. Karoline e Dagmar criam uma conexão e um vínculo intensos, mas o mundo da jovem desaba quando ela percebe o peso do trabalho de Dagmar, no qual já estava envolvida involuntariamente. Uma descoberta chocante coloca Karoline de novo diante de um horror insuportável.

Diria que o diretor e roteirista Magnus von Horn foi bem incisivo no estilo que desejava para sua produção, pois o longa facilmente poderia ser um drama de época bem pautado, com as devidas nuances e desenvolturas, mas optou por colocar uma pitada de horror junto com as diretivas que até hoje ainda marcam a população, como mudanças faciais após cirurgias de guerra, adoções e abortos, aonde dentro do contexto dos anos aonde o longa se passa tudo se intensifica, e a grande sacada foi ele fazer o filme como algo que realmente fosse feito naquela época, ao ponto do clima noir e preto e branco não ter sido apenas uma escolha técnica, e assim sendo o resultado teve uma fluência intensa e bem chamativa que eu que vivo reclamando de pessoas usarem por usarem o preto e branco fiquei feliz, e nem um pouco cansado com a entrega na tela. Ou seja, o diretor soube usar o estilo e a história ao seu favor, e acabou funcionando com várias indicações a prêmios e claro ao Oscar de Filme Internacional.

Quanto das atuações, Vic Carmen Sonne num primeiro momento pareceu meio que insegura para sua Karoline, mas depois vai se desenvolvendo melhor e entrega olhares marcantes e sentimentos bem expressivos para que cada ato seu fosse intenso e bem colocado, e isso mostrou uma evolução do roteiro para se rodear melhor dela, ao ponto de no final estarmos totalmente conectados e até assustados com o que acontece. Trígono Dyrholm trabalhou sua Dagmar inicialmente como uma senhora bem encaixada, aparentemente boazinha e bem dinâmica, mas vai se vertendo completamente desde a entrada da protagonista no seu meio, que conforme vamos conhecendo mais dela vemos que a atriz soube brincar com seus atos de forma leve porém cruel e bem seca, ou seja, precisou de uma bela preparação e o acerto foi marcante. Besir Zeciri trouxe para seu Peter um estilo bem mais fechado e até estranho, pois ao não vermos suas expressões faciais, tudo acaba ficando meio seco, mas é algo tão assustador o que ocorre com ele que suas cenas acabam passando até do limite do aceitável, e isso é bom de ver, pois o ator soube se expressar sem precisar mostrar sua real face. Ainda tivemos alguns atos para mostrar um dono de fábrica completamente frouxo, mandado pela mãe, e que não conseguiu ser imponente na tela no papel que Joachim Fjelstrup trabalhou, e também a garotinha bem colocada que Ava Knox Martin trabalhou alguns atos simples, mas bem marcantes e intensos, aonde seu final acaba sendo bem bonito pelo sorriso que entrega.

Visualmente a fotografia em preto e branco acaba perdendo detalhes cênicos, de modo que os apartamentos da jovem acabam parecendo bem sujos, simples e abandonados, e acredito que tenha sido essa a intenção do diretor, pois assim economizou na cenografia, da mesma forma que o clube de banho também teve essa mesma perspectiva, com banheiras estranhas e tudo meio que bagunçado, mas que funciona para a proposta, a fábrica de uniformes e depois de tecidos também foi bem singela, com planos mais fechados para não precisar criar algo grandioso, mas na cena da celebração colocou uma grande quantidade de figurantes e o resultado funcionou, além claro dos vários atos de entrada e saída de lá e de outras empresas aonde a protagonista vai, isso sem falar é claro da loja de doces da senhora que no fundo é uma agência de adoção meio estranha, e tudo o que acaba ocorrendo nas ruas também. Ou seja, economizaram em detalhes, mas ampliaram o leque de ambientes, e o resultado ficou bem presente na tela.

Enfim, é um filme forte, com uma pegada marcante e cheia de nuances diferentes do padrão, aonde acaba não sendo uma trama que o público comum irá ver e entrar no clima, mas para festivais é a cara perfeita, e o resultado surpreende, ao ponto que vale a conferida e o envolvimento com os personagens. Sendo assim fica a dica para dar play nele, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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Mubi - A Besta (La Bête) (The Beast)

1/05/2025 09:21:00 PM |

Demorei um certo tempo para começar a escrever do filme "A Besta", que pode ser conferido dentro da plataforma MUBI, pois diria que fui enganado com muito sucesso pela sinopse interessante do longa, afinal parecia ser algo meio revolucionário, cheio de nuances e dinâmicas, misturando passado, presente e futuro, mas é algo tão lento e confuso que ao acabar a trama fiquei pensando realmente qual era a essência que deveria ter enxergado durante os 146 minutos de exibição. Claro tem toda uma certa crítica social em cima das inteligências artificiais, em cima das gravações falsas com os famosos fundos em chromakey, sobre a falta de sensibilidade nas interações das pessoas com esse modo mais seco, mas ao final fiquei pensando se era necessário algo tão alongado, tão cheio de diálogos sintéticos e tudo mais, para um filme morno e sem explosões ou explicações maiores, e a resposta que me vem é que provavelmente na mente do diretor tinha um algo a mais, só que ao desenvolver acabou se perdendo por completo resultando na coisa morna que vemos na tela.

O longa nos mostra que em um futuro próximo onde as emoções se tornaram uma ameaça, Gabrielle finalmente consegue "purificar" seu DNA em uma máquina que a conecta a vidas passadas, eliminando quaisquer sentimentos fortes. O ano é 2044 e a espécie humana foi substituída por inteligências artificiais que assumiram a maior parte das tarefas e empregos. Durante o processo de purificação, Gabrielle encontra Louis e sente uma conexão poderosa, como se o conhecesse desde sempre. Um melodrama que se desenrola em três períodos distintos, 1910, 2014 e 2044.

O diretor e roteirista Bertrand Bonello até trabalhou seu longa de um modo efetivo interessante de ver, conseguiu criar uma produção mista de época e "futurística" sem precisar ousar, mas como disse acima se perdeu por completo ao desenvolver a história, de modo que ao final você acaba ficando sem saber exatamente o que ele queria mostrar a mais com toda essa loucura. Claro que um ponto também negativo da produção é a lentidão de tudo na tela, pois a trama de quase duas horas e meia parece ser muito maior pelo ritmo quase sem cadência, ao ponto que ficou faltando dar uma densidade mais intensa e chamativa, apresentar mais quais foram os problemas que a garota viveu em 2025 no mundo (para pensarmos no que veremos nesse ano), e tudo mais. Ou seja, é daqueles filmes arrastados que falta mais explicação na tela do que realmente aconteceu, que talvez no roteiro até fique melhor de entender, mas que não sendo mostrado o resultado acaba ficando falso demais para conectar o público, e assim frouxo demais para empolgar.

Quanto das atuações, gosto muito do estilo de Léa Seydoux, e aqui sua Gabrielle foi cheia de estilo e desenvoltura tanto falando em inglês quanto em francês, sendo bem clássica em 1910 e tensa demais em 2044, ao ponto de parecer até duas mulheres completamente diferentes, o que acaba sendo interessante de ver, de tal forma que no que dependesse dela, o longa iria bem longe. Da mesma forma George MacKay trabalhou seu Louis com muita entrega, sendo meio até maníaco de estilo, mas que tendo uma boa personalidade acaba chamando muita atenção na tela, ao ponto que talvez pudessem ter dado para ele melhores diálogos, mas não incomodou com o que fez. Por incrível que pareça, o longa até tem mais personagens, mas ficaram tão em segundo plano que nem se dão ao trabalho de querer aparecer, e assim o resultado foca mesmo só nos dois protagonistas.

Visualmente a equipe de arte gastou bastante, pois trabalhar três épocas bem diferentes fez o orçamento ir lá para a estratosfera, de modo que vemos a classe das festas do passado, com roupas luxuosas e toda uma dinâmica imponente dos ambientes, exposições e tudo mais, no presente vemos o medo de terremotos, casas cheias de câmeras e festas das antigas, e no futuro tudo sendo gravado com paredes verdes de chromakey, banhos de gosma preta e situações bem irreais através claro de realidades virtuais, ou seja, a equipe de arte brincou bastante com tudo, mas ainda que seja uma praga, não consegui enxergar uma besta em um pombo, então ficou meio falso nesse sentido, mesmo tendo a história da morte quando aparece.

Enfim, é um filme que ficou mediano demais, que talvez alguns enxergue algo além nas suas reflexões, mas que não consegui captar isso, e dessa forma acabo nem recomendando muito ele para outras pessoas, pois o resultado é mais estranho do que inteligente, e isso peca na entrega final. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, afinal tem Globo de Ouro mais tarde na TV, então abraços e até logo mais.


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Mubi - Aftersun

1/08/2023 11:41:00 PM |

Como ouvi falar muito do longa "Aftersun", logo que saiu no Mubi fiz questão de dar play nele, pois vários conhecidos haviam falado da beleza do longa, de toda a relação emotiva maravilhosa e tudo mais, então claro fui ver com as expectativas bem altas em cima dele (coisa que já falei milhares de vezes que não se deve fazer), porém a trama é algo emocional bem feito em cima da relação de um pai com sua filha, todas as boas sacadas e dinâmicas de alguns dias de férias da dupla, as descobertas da garota, as angústias do pai, e só, sem grandes conflitos ou desenvolturas que deem alguma cadência maior para o longa ou que prenda o público para um algo a mais. Claro que muitos verão o longa com olhares familiares e se enxergarão nele, e isso aumenta e muito a sensação de conexão, mas para pessoas comuns (como me considero) o resultado é apenas uma trama bonitinha que mostra as férias de um pai com sua filha, e nada além disso.

O filme nos mostra que no final da década de 1990, Sophie, de onze anos, e seu pai Calum passavam as férias em um clube na costa turca. Eles tomam banho, jogam bilhar e desfrutam da companhia amigável um do outro. Calum se torna a melhor versão de si mesmo quando está com Sophie. Sophie, enquanto isso, acha que tudo é possível com ele. Quando a jovem está sozinha, ela faz novos amigos e tem novas experiências. Enquanto saboreamos cada momento passado juntos, uma sensação de melancolia e mistério às vezes permeia o comportamento de Calum. Vinte anos depois, as memórias de Sophie ganham um novo significado enquanto ela tenta reconciliar o pai que conheceu com o homem que não conhecia.

Diria que a estreia de Charlotte Wells na direção e no roteiro de longa-metragens é algo até que muito bem feito, pois embora não tenha sido um filme que me atingiu, ele tem todas as funções dramáticas bem encontradas, traz toda a vivência familiar de conexão tão grande que existe entre um pai e uma filha, vemos o crescimento da jovem ao conviver alguns dias com o pai e conhecer mais dele, aprender com as coisas no ambiente, e tudo mais de uma maneira bem bonita de ser trabalhada, mostrando provavelmente todo o carinho que a diretora também teve em algum momento de sua vida, afinal geralmente esse estilo de roteiro vem muito das experiências. Ou seja, é um filme que diria ser correto e direcionado para pessoas com filhos e filhos que tiveram algum ato mais conectivo com seus pais, pois a trama enxerga tudo nesse elo sentimental e passa bem as mensagens da trama, porém os atos dos 20 anos após são muito rápidos e quase nem nos é mostrado em suma, e isso faz falta para quem não tiver essa conexão toda, e é onde poderia ser imensamente melhorado para chamar mais atenção dos demais que forem conferir.

Agora um fato incontestável sobre a trama é a atuação dos dois protagonistas, pois tanto Paul Mescal quanto Frankie Corio se doaram demais em todas as cenas, tiveram um carisma impressionante e desenvolveram todos os seus atos com muito carinho e determinação, parecendo realmente serem da mesma família, ou seja, acertaram em cheio no que precisavam fazer. E falando de Paul Mescal, o jovem ator está cotado para alguns filmes bem imponentes, e mostra o motivo com o que faz aqui com seu Calum, pois é daqueles personagens que trazem envolvimento para a tela e o ator conseguiu passar sentimento nos olhares, nos gestuais e teve uma química muito boa com a sua companheira de cena, de modo que o filme tem uma fluidez muito boa, e muito se deve dele não prender aos excessos que o personagem poderia ter. Essa foi a estreia de Frankie Corio nos cinemas com sua Sophie, e facilmente a atriz vai ganhar muitos papeis em Hollywood, pois a jovem tem um olhar meio que melancólico ao mesmo tempo que tem vitalidade nos atos, e isso funciona demais em todo tipo de personagem que desejarem comover, e assim ela conseguiu dar pontadas fortes nos diálogos, mas ao mesmo tempo ser sutil e isso agrada bem.

Visualmente a trama se passa quase que toda num hotel da Turquia, alguns atos em ônibus, idas à piscina, alguns atos no ambiente de lazer com um jogo de motos e uma mesa de sinuca, vemos também alguns atos em karaokês, shows e uma boate de luzes piscante, além de alguns momentos no aeroporto, mas o que vale o destaque mesmo são os atos filmados pelos protagonistas com uma câmera amadora, que traz alguns elos bem marcados, e acaba sendo até mais do que apenas um elemento cênico do filme, pois ali vemos as desenvolturas dos personagens e tudo o que é refletido pela memória da protagonista adulta, ou seja, a equipe de arte meio que precisou desenvolver bem os atos para cair na época em que se passa o longa, mas não foi tão acionada, então o resultado visual ficou bem trabalhado apenas.

Enfim, é um filme bonito como já disse pelas dinâmicas dos personagens, mas dava para facilmente ser bem mais pesado e emocional, que aí cairia para elos fortes e chamaria a atenção de um público maior, pois da forma entregue ficou algo apenas artístico, e daria para ter sido algo de impacto realmente, mas como é o primeiro trabalho da diretora certamente vai melhorar isso nos próximos filmes, e assim sendo vale a dica mais para quem tem conexões de pai/filha para entrar no clima, que aí vale o play. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Mubi - Vortex

10/11/2022 12:51:00 AM |

Quem já assistiu qualquer filme do diretor Gaspar Noé, sem ser fã dele, certamente vai ficar com medo de dar play na sua nova obra, mas esse sem dúvida foi o longa mais "leve" dele, trabalhando um tema duro para quem tem ou teve parentes com demência ou Alzheimer, pois aí a trama pesa no emocional de uma forma tão marcante que você nem passa mais a ver os atores, e sim quem você conhece, e isso só é possível pela ótima interpretação dos atores, e claro pelo estilo diferenciado do diretor, fazendo com que seu "Vortex" trabalhasse uma síntese bem marcante em cima do tema da doença, mas usando a base também do luto, do esquecer, da memória, e tudo mais que o tema permite, ousando ainda em dificultar a vida do espectador com duas telas aonde acompanhamos os protagonistas ao mesmo tempo, e isso ficou muito interessante, pois num primeiro momento você acaba achando que vai perder algo, mas logo se vê conectado em ambas as telas, se emocionando com as virtudes de cada um, sendo algo incrível e muito bem chamativo. Ou seja, é um filme ousado, denso, forte, mas também bem simples, e esse conjunto de adjetivos mostra que a irreverência do diretor mesmo em uma trama, digamos mais pessoal e intimista, funciona sem precisar apelar como costuma fazer.

A sinopse nos conta que enquanto a mãe enfrenta uma demência avançada, o pai (Dario Argento) tenta cuidar dela enquanto lida com sua própria saúde em declínio, e seu filho faz o melhor que pode, apesar de seus próprios problemas pessoais significativos.

Por ser um filme bem simples, mas muito desenvolvido e que pegou muito da história real dele, diria que o diretor e roteirista Gaspar Noé soube controlar sua ansiedade e explosão para que o filme tivesse todas as devidas nuances emocionais bem retratadas, toda a sensibilidade por mostrar a casa de um diretor de filmes completamente bagunçada de livros, roteiros e textos, e ainda dar as devidas colocações da doença, pois embora não fique claramente mostrado que o pai também tem um pouco de demência, vemos que ambos estão muito velhos, e que oscilam bem entre dias bons e dias ruins na sua vida e desenvoltura, ao ponto que não tem como não se conectar com eles, e a sacada de dividir a tela (coisa que só em filmes cômicos costumam trabalhar, em pequenas cenas, não num filme inteiro) foi muito bem trabalhada para que não perdêssemos nenhum de vista, e que mesmo que o olhar recaísse mais para um lado em determinado momento, ao que o outro se movimentava você já pegava a ideia ali. Ou seja, é um filme aonde a direção e a história fazem o milagre, mas que os protagonistas colaboraram para que ficasse ainda melhor, e assim sendo a obra pode até parecer cansativa com seus 142 minutos, mas o resultado completo é lindo e muito bem feito.

E falando das atuações, muitos vão estranhar o nome do primeiro ator, mas sim é o famoso diretor italiano Dario Argento fazendo o papel do pai, e com seus 82 anos segurou muito bem toda a expressividade necessária para o papel, transmitiu sentimentos com olhares e falas mais dosadas, e sendo diretor há tantos anos soube entregar para o diretor da trama aqui muitas nuances bem encaixadas, envolvendo bem e sendo marcante, o que faz valer cada momento seu. Agora sem dúvidas todos os aplausos recaem para Françoise Lebrun como a mãe com demência avançada, andando sem rumo, indo para um lugar e chegando em outro fazendo trejeitos fortes e emotivos, e passando um envolvimento para o público tão emocional, tão marcante e sentimental que não tem como não se conectar a ela, dando literalmente um show do começo ao fim. E por fim, mas não menos importante Alex Lutz também entregou muita personalidade para seu Stéphane que deu as nuances certas para um filho que não pode falar muito por seu passado/presente no meio das drogas, mas que soube ser bem expressivo e marcar cada um dos seus atos junto dos pais com olhares e envolvimento na medida.

Visualmente a trama mostra um apartamento bem bagunçado, com muitos livros e coisas espalhadas, remédios aos montes tanto pelos que os velhinhos tomam, quanto pôr a protagonista ser uma ex-médica ficar fazendo suas receitas e indo até a farmácia pegar mais produtos, e vemos ela mexendo com roupas, indo para os vários cômodos, saindo perdida de seu apartamento pelas ruas, revirando os papeis do marido, e até mesmo tentando se matar, e da mesma forma vemos o marido escrevendo seu livro, conversando com amigos no telefone, participando de reuniões, e tudo mais além claro de seus ambientes preferidos no apartamento. Ou seja, uma representação visual bem imponente pelo ambiente bagunçado, mas que bate uma certa depressão ao vê-lo vazio no final, e aí entra tudo o que ouvimos no rádio no começo pela representação da morte, e do vazio que fica nos familiares.

Enfim, é um filme bem diferente tanto pelo desenvolvimento da história, quanto pelo formato de tela com duas janelas menores, mas que passa bem a mensagem e funciona demais dentro da síntese completa da doença, do luto, e da família conturbada em si, e assim sendo vale demais a recomendação para todos, que certamente irão se emocionar com vários atos mesmo que não tenham ninguém na família assim, mas quem tiver o baque será um pouco maior. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Mubi - Crimes do Futuro (Crimes of the Future)

7/31/2022 07:01:00 PM |

Chamar o novo filme de David Cronenberg de circo de horrores seria dar ao seus fãs o selo de que o diretor voltou à suas origens e fez um brilhante trabalho envolvendo coisas contraditórias e bizarras que tanto chama a atenção do público, porém "Crimes do Futuro" não chega a ser algo que choque ou cause algo comum de se impactar, mas sim uma junção de bizarrices, cortes e situações sem muito ritmo que mais cansam do que marcam algo traumático que seria o que desejava o diretor. Ou seja, é daqueles filmes que talvez com muita explicação, com muitos adendos de pseudo-intelectuais você solte um "oh!", mas que quem conferir apenas esperando um bom longa de horror dramático vai acabar mudando de filme no miolo ou talvez até dormindo com o ritmo quase parado, então não posso dizer todos esses adjetivos do pôster para ele, sendo algo que vou preferir esquecer de ter visto.

O longa nos conta que em um futuro próximo, os humanos terão que aprender a conviver e se adaptar ao seu ambiente sintético. Isso faz com que a espécie tenha que ir mais além do que seu estado natural e ir para metamorfose, o que causa uma mudança em seu DNA. Enquanto alguns abraçam o potencial ilimitado do trans-humanismo, outros tentam policiá-lo. De qualquer modo, a Síndrome da Evolução Acelerada está se espalhando rapidamente. Saul Tenser é um artista mundialmente amado que abraçou esse novo estado de ser, resultando em alterações no seu corpo, como novos órgãos. Junto com Caprice, Tenser transformou a remoção desses órgãos em um espetáculo para seus fiéis seguidores se maravilharem no teatro em tempo real. Com uma subcultura e uma sociedade obcecada pelo artista, Timlin, uma investigadora do National Organ Registry, rastreia cautelosamente seus movimentos, e deseja usar a notoriedade de Saul para espalhar para o mundo as consequências desse experimento.

Quem já viu qualquer filme do diretor e roteirista David Cronenberg sabe que ele gosta de causar e trabalha suas tramas sempre com muita força de impacto, não deixando nada leve em nenhuma cena para que tudo flua e levante discussões, então muitas das vezes temos de entrar nas sessões de seus filmes preparados não para o que vamos ver ali, mas sim como tudo aquilo nos atinge, e o que cada ato quis passar sem estar escrito nas entrelinhas, meio como se entrasse em um museu com uma tela branca e ao ler no rodapé que ali está a floresta vista com o reflexo máximo do sol, e você vai pensar "Nossa! Como não tinha pensado nisso?". Porém aqui ele quis dar um passo muito futurista em algo que sequer podemos pensar alguma vez como mudanças corporais e o transportar de uma cirurgia ser tão prazerosa quanto um sexo, e assim vemos coisas mais bizarras do que chamativas, o que não causa sensações, mas sim conflitos e estranhezas, o que não é bacana, além de que abusou do ritmo lento no desenvolvimento, o que acaba mais cansando do que chamando atenção, e assim seu filme até pode se tornar algo futuro, mas no presente não atinge ninguém.

Sobre as atuações, diria que Viggo Mortensen até trouxe expressões marcantes para seu Saul, meio como alguém que curte se mostrar, que está envolvido em todos os meios e que não ligar para nada, de tal forma que tudo é bem centrado nele, e o ator domina o ambiente com bons atos, e cenas que chegam a ser marcantes, claro que usando de diálogos bem pausados que diminuem ainda mais o ritmo de tudo, mas que funcionam. Léa Seydoux caiu muito bem no papel de Caprice, sendo enigmática e direta nas exibições, criando performances bem trabalhadas e com boas nuances, mas não explode em seu papel, parecendo estar sempre um passo atrás do protagonista, o que não deveria acontecer, e assim o resultado não impacta tanto. Se elogiei ao máximo Kristen Stewart por seu filme anterior, aqui ela é quase um enfeite de duas ou três cenas, impactando apenas pelo teor sexual que dá em algumas cenas, mas nada que fizesse sua Timlin aparecer mais. Scott Speedman até parecia alguém que iria além com seu Dotrice, mas apenas fez algumas caras e bocas de imposição, e conseguiu o que queria que era uma autópsia do filho, mas nada que surpreenda muito. 

Visualmente o longa é um show de mutilações corporais, exibições de vísceras, partes de corpos deformados, e máquinas futuristas que se conectam aos corpos e fazem o trabalho todo de um cirurgião, mas tudo muito sujo, com um visual deprimente, pessoas filmando tudo, sendo meio que uma crítica à sociedade, mas também não chamando atenção para o que realmente importaria na trama, ou seja, ficou parecendo que foram filmar em um beco qualquer e o resultado foi jogado na tela.

Enfim, é um filme que não atinge nenhum ápice e o ritmo desaponta ainda mais, sendo daqueles que os críticos famosos fazem mil chamarizes para toda a questão intelectual, e que no fim acabamos mais desapontados com tudo do que envolvidos realmente com a proposta, e assim sendo não recomendo ele de forma alguma para ninguém. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Mubi - Titane

2/05/2022 08:41:00 PM |

É até estranho pensarmos em todos os estilos que o terror costuma se permear, mas se tem um que geralmente costumo fugir é o terror artístico, pois por mais que ele tenha um ar clássico e cheio de requinte, não consigo entrar completamente de cabeça no que o diretor tende a passar, acabando na maioria das vezes achando até ruim a obra que muitos acabam vendo como algo brilhante, e quando vi lá em novembro do ano passado que a trama de "Titane" constava como um dos filmes do Festival Varilux achei interessante a proposta, mas tinha uma quase certeza de que não seria uma trama para o público cativo do Festival, mas iria aguardar para ver as reações na sala, afinal já disse isso outras vezes e repito que gosto de observar as pessoas saindo da sessão, algumas revoltadas e tudo mais, mas eis que ao sair a programação resolveram colocar o longa apenas em algumas capitais, e assim a maioria ficou sem conferir a obra na época. Então eis que agora sendo lançado pela plataforma Mubi, e claro com a indicação dele para o Bafta de melhor direção, resolvi dar o play no longa, e posso afirmar que sim é uma tremenda direção bem segura de atitudes ousadas, mas é uma das tramas mais malucas e bizarras que já vi, ao ponto que preferia ter visto até mais da protagonista como uma assassina fria, do que todo o desenrolar seguinte, afinal a trama meio que esfria e fica com um estilo meio que sem rumo, mas dá para criar vínculos, e isso é o que funciona dentro desse gênero maluco.

A sinopse nos conta que após ter sofrido um acidente de trânsito quando era criança, Alexia passou a viver com uma placa de titânio na cabeça. É agora uma bailarina exótica de salões de automóveis, que, depois de “liquidar” um cliente que se “aproximara” mais do que deveria, foge e conhece um bombeiro, cujo filho desapareceu há 10 anos. Uma obra livre, que rompe códigos e barreiras, uma história transgressiva na qual o corpo, a violência, o sexo e a máquina ocupam lugar de destaque. Titânio: um metal altamente resistente ao calor e à corrosão, com ligas de alta resistência à tração.

Diria facilmente que a diretora e roteirista Julia Ducournau soube usar o estilo para trabalhar a famosa crise dos corpos, aonde pessoas não sabem o que desejam, que tem aversão de como anda mudando tudo em si, e junto com isso trabalhar o mote da gravidez indesejada, do estupro e tudo mais, juntando ainda com assassinatos frios, e personificações de loucuras de todas as formas, ao ponto que foi bem direta e segura dentro das possibilidades que a trama tinha, e assim vamos acompanhando a protagonista nas suas relações estranhas, na sua força e até mesmo tentando entender o que lhe motiva a seguir da forma que vai entregando, e assim sendo o resultado acaba indo até mais além do que imaginava. Ou seja, a direção é daquelas que ficamos intrigados com toda a forma da arte, que se alinha por completo do começo ao fim, e que sabe manter bem os mistérios e as coisas estranhas para que o público não desista dela, mas como disse a trama é extremamente bizarra e confusa, que poucos irão gostar realmente dela de uma forma mais ampla, e assim caiu na plataforma certa de exibição.

Sobre as atuações, posso dizer com toda certeza que Agathe Rousselle ainda vai explodir muito se lhe derem papeis melhores, pois aqui ela já se jogou por completo com sua Alexia, brincou com as nuances pedidas, fez expressões fortes e acabou chamando muita atenção, mas ainda assim sua personagem é estranha demais, ficando naquele miolo de não saber se vai além ou não, e principalmente por ser quase muda no filme todo, o que não faz deslanchar tantas dinâmicas, ou seja, foi bem para o que o papel pedia, mas tinha potencial para ir muito além, dando destaque claro para suas cenas de transformação bem fortes, e os olhares que entregou. Vincent Lindon já fez de tudo em sua brilhante carreira, e aqui seu personagem mostra aqueles homens que já fizeram realmente muito, mas que perderam o brilho no olhar, a sensatez para com tudo, que toma injeções para manter o corpo funcionando perfeitamente, mas que se recusa a enxergar o que está diante de seus olhos, e o ator soube dosar suas atitudes, trabalhou bem o envolvimento em cima de tudo o que acontece, e até poderia também ter ido além em alguns atos, mas ficou dentro do que o roteiro pedia, e assim não fluiu tanto. Quanto aos demais salvaria alguns atos de Laïs Salameh com seu Rayane, o desespero de Garance Marillier com sua Justine sendo morta, e o desdém do pai da garota desde o começo do filme até seu ato final, que foi bem feito por Bertrand Bonello.

Visualmente o longa foi bem trabalhado, mostrando inicialmente um acidente simples se olharmos bem a fundo, uma cirurgia complexa e bem mostrada, uma feira de veículos cheia de nuances, muitos corpos a mostra, uma cena de sexo entre mulher e máquina completamente maluca, e em seguida muitas mortes bem feitas, até chegarmos do outro lado do país com os bombeiros enfrentando simulações e situações reais bem comuns do estilo, com festanças e danças meio estranhas demais para um grupo, ou seja, tudo foi bem arquitetado em símbolos para vermos um pouco de tudo, mas faltou ainda algo a mais, isso sem falar em toda a bizarrice da gravidez, dos fluídos e até mesmo do bebê da forma que saiu (sim, me decepcionei nesse item, pois eu estava esperando sair um carrinho lá de dentro!).

Enfim, é um filme que tem seu valor artístico, a formatação de terror é interessante de ver também, mas que é estranho demais, e tem um nível de bizarrice que acaba indo além do que é aceito (ao menos por esse Coelho que vos digita!), mas que certamente tem seu público e alguns vão curtir bastante toda a ideia, então fica a dica, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais pessoal.


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Mubi - Annette

1/06/2022 01:14:00 AM |

O longa "Annette" já está no Mubi desde o fim de novembro, mas sua ideia não me chamou muita atenção, pois parecia muita loucura para um musical, mas como nesse domingo já começam as famosas premiações, e o longa estando indicado eis que resolvi dar o play nele, e se antes eu acreditava que a ideia eram maluca, após conferir fiquei pensando muito em como deram melhor direção para ele em Cannes, pois como um drama até podemos entender toda a síntese, achar alguma funcionalidade para a trama e tudo mais, mas um musical exageradamente repetitivo, quase que teatralizado e sem grandes desenvolturas acabou ficando exageradamente abstrato para agradar, ao ponto que fiquei pensando no final se eu que não tinha entendido a proposta, ou se o filme era realmente bizarro, e vendo alguns comentários mundo afora vi que não estou tão maluco. Ou seja, é um filme com uma proposta tão diferente que precisa estar num clima que vai muito além para conseguir gostar dele, mas não é ruim de tudo, pois a essência passada acaba sendo intrigante e dá um certo envolvimento para não cansar tanto, mas não sei se recomendaria ele para mais ninguém.

O longa nos mostra que Henry é um comediante com um senso de humor feroz que se apaixona por Ann, uma cantora de ópera de renome mundial. Sob os holofotes, eles formam um casal apaixonado e glamoroso. O nascimento de sua primeira filha, Annette, uma menina misteriosa com um destino excepcional, vai virar suas vidas de cabeça para baixo.

Diria que o diretor Leos Carax até que desenvolveu bem a história original dos roteiristas Ron e Russell Mael (que também compuseram as canções do longa), mas ficou parecendo que ele tinha um estilo para entregar e o roteiro pedia outro completamente diferente, e fizeram algo no meio termo, pois são tantas coisas malucas desde tudo ser cantado ao vivo meio que sem ritmo, passando pelo bebê absurdamente robótico sem nenhuma explicação plausível, até chegarmos num final singelo e bem feito aonde a garotinha usada dá mais show que todos os atores do longa todo em uma única cena. Ou seja, o resultado entregue é algo que ficamos pensando se estamos entendendo, se tudo foi pensado dessa forma, ou se os críticos e juris dos festivais viram a mesma coisa que nós para estarem premiando e dando notas altas para a trama, pois é muito absurdo e bizarro, além de longo e repetitivo, que até podemos falar em ser algo original e ousado, mas não dá para encarar como algo bacana de conferir em um dia normal.

Sobre as atuações diria que Adam Driver precisa parar alguns minutos e começar a refletir o tanto de produções que seus agentes estão lhe colocando, pois pode até estar sendo bem pago, mas muitos filmes não encaixam seu estilo, e aqui seu Henry parece exageradamente forçado, sua forma de cantar não é algo muito funcional, e seus trejeitos acabam ficando mais estranhos que interessantes, ou seja, não é um papel que envolva o ator, nem algo que ele conseguiria chamar atenção. Já Marion Cotillard até tem algumas dinâmicas bem chamativas para que sua Ann se destacasse, o que tem feito com que fosse indicada à alguns prêmios, porém só sua desenvoltura cênica é interessante, já que ela é dublada por uma cantora lírica realmente e assim praticamente nem ouvimos sua voz real, afinal o filme inteiro é cantado, mas como é bem expressiva deu o tom e não falhou no que precisava fazer para o papel. Simon Helberg teve algumas boas cenas como o acompanhante musical da cantora, e depois maestro no segundo ato, e fez algumas caras e bocas bem marcantes, mas não impacta muito na trama, e seu resultado acaba sendo mais subjetivo pelo que diz na discussão do que chamativo realmente para si. E finalizando o bebê é um robô em todas as cenas, tirando na final que a jovem Devyn McDowell entra em ação com sua Annette, e simplesmente rouba o filme para si, ou seja, deviam ter colocado logo de cara a garotinha, pois foi imponente, deu estrutura cênica para o papel, teve expressividade e agradou demais.

Visualmente o longa é bem intrigante, pois mostra bem os dois teatros amplos, com a peça de stand-up do protagonista e a de ópera da protagonista, ambos imponentes e cheios de detalhes, além de contar com uma plateia bem volumosa, depois vamos para a casa dos protagonistas com cenas fortes em vários atos, seu barco com a cena mais marcantes que inclusive é a do pôster, e ainda tendo vários atos com a cantoria da boneca, tendo o desfecho principal num jogo estilo o SuperBowl, ou seja, o diretor quis grandiosidade cênica e conseguiu, com todos andando e cantando bastante, mas ainda o objeto cênico mais bizarro é o bebê/criança robô articulado que ainda não me convenceu o motivo de usarem isso ao invés de uma criança realmente.

Enfim, como disse já no começo não é um filme ruim, a ideia é interessante e a carga dramática é bem intensa, ao ponto que funcionaria muito bem como um filme comum, porém como musical desandou demais e soou mais estranho do que agradável de ver (e olha que amo musicais!), então não tenho como indicar ele para ninguém, e será daqueles filmes que só quem quiser ver todos os exemplares das premiações irá dar o play nele seja no Mubi ou na Amazon Prime (que deve entrar logo por lá, afinal é uma produção Amazon). Bem é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.



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