Netflix - Sequestrando Stella (Kidnapping Stella)

7/16/2019 12:30:00 AM |

Alguns longas da Netflix vamos assistir sabendo o que vamos ver, e um filme que tem o nome "Sequestrando Stella" não poderia ter outra coisa senão um sequestro, seu desenvolvimento, e algumas desenvolturas que sempre costumam dar errado em longas do estilo, ou seja, quem for conferir esperando qualquer outra coisa, certamente irá reclamar de tudo. Dito isso, o estilo que o filme acabou sendo feito me lembrou muito a época da faculdade, aonde todos tinham grandes ideias, mas pouquíssimo orçamento, e desenvolver o melhor resultado acabava sempre sendo algo desesperador, principalmente para ter um fechamento digno sem precisar explodir tudo, conseguindo um grande impacto pelo menos, e aqui diria que o diretor ainda optou pela forma mais simples de tudo, o casual conflito jogado, que não chega a ser ruim se for bem feito, mas que aqui foi literalmente jogado fora com absurdos tão improváveis que nem um filme de primeiro semestre acabaria entregando algo tão jogado. Ou seja, até temos uma história bem feita, mas que não consegue convencer com um final fraco, e o resultado acaba desandando demais.

A trama nos conta que arrancada da rua e mantida como refém, uma mulher amarrada e amordaçada usa seus poderes limitados para inviabilizar os planos cuidadosamente estabelecidos por seus dois raptores mascarados.

O diretor e roteirista Thomas Sieben até conseguiu ir criando uma certa tensão, mas em momento algum ele ataca algo que faça o público entrar em conflito ou se desesperar realmente pela protagonista, de modo que talvez se montassem algumas cenas antigas do relacionamento dela, alguns momentos da prisão dos protagonistas, a trama ganharia um contexto maior, pois só o cativeiro, com o envolvimento acontecendo fica realmente parecendo que faltou tudo para o longa. Não digo que seja um filme com problemas de miolo, mas que certamente como um curta ou um média de no máximo 40 minutos o resultado prenderia bem mais do que o que acabou sendo feito.

Sobre as atuações, costumo dizer que os atores alemães não conseguem se entregar completamente para seus papeis, sempre deixando falhas expressivas tão evidentes que acabamos desviando deles, e esse sem dúvida é um dos maiores problemas do longa, pois Jella Haase poderia ter nos envolvido com sua história ao ponto de ficarmos desesperados junto com sua Stella, torcendo para conseguir fugir e acabar com a história dos protagonistas, mas seus momentos são recheados de burrices e chega alguns momentos que torcemos contra ela. Clemens Schick até tenta impressionar com a crueldade e imponência de seu Vic, mas seus olhos azuis acabam passando um ar calmo demais para um vilão desalmado, e mesmo nas cenas mais tensas, ele acaba ficando no meio do caminho. E Max von der Groeben coloca um Tom mais assustado e desesperado que até a própria sequestrada, de modo que de cara sabemos que não vai dar certo nada do que ele fizer, ou seja, se entregou rápido demais, mesmo antes de descobrir algo a mais da moça, ou seja, precisava maneirar um pouco nas atitudes para prender mais o personagem.

Visualmente o longa é bem básico, afinal se passa praticamente o tempo todo dentro do cativeiro, tirando os primeiros 5 minutos de montagem do cativeiro e do sequestro, e dos últimos 5 a 10 aonde acontece as cenas externas de entrega do pacote, aonde temos os principais furos, e como tudo ali é bem simples, com poucos ornamentos, e literalmente coisas compradas para a construção do local, o resultado da equipe de arte pode ser considerado bem efetivo, e não vai ser nada daqueles visuais que ficamos impressionados ou iremos comentar mais pra frente, mas ao menos não erraram tanto com furos de elementos, embora muitas cenas sejam forçadas para mostrar algum elemento cênico.

Enfim, é um filme bem básico que não impressiona em nada, mas que também não desaponta durante toda a encenação, tirando claro as cenas finais que ali se perderam completamente (uma pessoa ir andando do jeito que estava de um lugar longe do outro é abusivo demais! E a briga então absurda!), mas passa um tempo, e claro serve como base para podermos dar notas mais baixas para filmes ruins realmente, então, quem tiver com tempo sobrando, vai na fé que talvez você não se irrite tanto com alguns momentos do longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos do streaming, afinal na próxima semana deve vir bem poucas estreias, então abraços e até logo mais.

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A Pequena Travessa (Liliane Susewind - Ein tierisches Abenteuer) (Little Miss Dolitle)

7/12/2019 09:36:00 PM |

Sempre que vou conferir um longa infantil acabo me preparando para ver situações bobinhas, desenvolturas desajeitadas e atuações sem muita expressividade, porém não imaginava que veria algo tão jogado no filme alemão, "A Pequena Travessa", que aliás é uma das piores traduções de títulos já feitas no país, porém deixando isso do nome de lado, diria que nem as novelinhas infantis do SBT possuem enredos tão largados como o apresentado aqui, que até tenta ter algum envolvimento com a ideia do furto dos animais, mas os personagens surgem do nada, fazem seus atos, e já encerram como se o filme fosse até parte de algo que já passa por lá, e esse seria algum tipo de especial, mas aparentemente não é isso, e dessa forma acabamos com algo extremamente bobo que não atinge nada nem ninguém.

O longa nos conta que a pequena travessa "Lilli" fala com animais! Mas, com exceção de seus pais, ninguém mais conhece seu talento especial, que já lhe trouxe problemas suficientes no passado. Quando a menina conhece o distante e misterioso Jess, lentamente começa a confiar nele. Junto com Jess e seus novos amigos do grupo de estudos do zoológico, Lilli começa uma busca pelo bebê elefante, Ronni, que foi sequestrado por um ladrão de animais. Agora, a habilidade de Lilli de se comunicar com os animais é sua única esperança!

O diretor Joachim Masannek está bastante acostumado a fazer filmes jovens na Alemanha, de modo que "Os Caras Selvagens" sobre um time teen de futebol já está na sequência de número 6, e assim sendo era esperado ao menos algo mais direcionado com envolvimento dos pequenos em situações curiosas, ou  bagunças bem mais trabalhadas, mas acabou entregando uma trama que diria bem preguiçosa, sem muitas conclusões, aonde os personagens adultos acabaram partindo para o cômico abstrato, que chega a beirar o ridículo, ou seja, faltando também uma direção de atores mais consistente, ou seja, até temos uma história razoável de pano de fundo, que poderia resultar em bons frutos, mas que optaram por algo mais bobinho e jogado que não atinge nenhum ápice, falhando demais em tudo, e não agradando, nem envolvendo os pequenos pelo menos.

Quanto das atuações, vou falar da expressividade deles pelo menos aparentavam dispostos para o filme, pois como só veio cópias dubladas não posso dizer se os tons foram mais coerentes, pois a versão nacional ficou bem ruim também, mas a protagonista Malu Leicher se jogou bem na personalidade agitada de sua Liliane, se dispondo para agradar nos diversos conflitos, de modo que resulta ao menos bons atos, mas poderia ter ido além.  Christoph Maria Herbst merece o prêmio boboca do ano com seu Toni, recaindo em tantas idiotices que nem tem como perdoar nada, ou seja, absurdo demais. Meret Becker pareceu estar em outro filme com sua Coronel, numa mistura de trejeitos e figurinos de Willy Wonka, mas sem a classe necessária para isso, ou seja, jogada também. Aylin Tezel até trouxe um certo ar de vilania para sua Vanessa, mas as atitudes foram tão bobinhas que não dá para defender. Aaron Kissiov inicialmente deu um ar misterioso interessante para seu Jess, e acredito que por estar em quase todos os filmes do diretor soube se entregar melhor para a câmera, mas mais para o final seu personagem acaba não empolgando, e isso falha demais no resultado. Quanto aos demais, tivemos a mãe forçada, o pai escritor avoado, e até as garotinhas ricas que se acham as donas do pedaço, ou seja, o kit completo para uma bomba infantil de primeira linha.

Visualmente o longa até entrega locações interessantes, muitas cenas com bicicletas, um laboratório bem cheio de equipamentos tecnológicos para mostrar o ar científico do garotinho, e um zoológico com estilo diferenciado, mas as cenas com computação foram tão broxantes que desanima ver a tentativa de fazer os animais falarem com a garota (o pior de todos sem dúvida alguma é o elefantinho), e assim sendo a trama desanda demais.

Enfim, um filme bem fraco, completamente jogado, que a distribuidora foi empurrando o lançamento, e que nem deveria ter lançado, pois seria melhor aproveitado diretamente para homevideo, e para finalizar ainda tivemos uma canção de rap bem péssima para fechar a bomba, ou seja, não indico ele nem para meu pior inimigo, pois é desanimador cada ato da trama. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Atentado ao Hotel Taj Mahal (Hotel Mumbai)

7/12/2019 01:16:00 AM |

Desesperador, agoniante, sufocante... essas podem ser facilmente as sensações que sentimos durante a conferida de "Atentado ao Hotel Taj Mahal", pois embasado nos depoimentos que as pessoas que vivenciaram o ato (e sobreviveram, claro!) contaram, escutas dos celulares dos terroristas e incrementando ainda algumas situações para que a trama ficasse ainda mais pesada, o longa acabou ficando tão tenso e real, que praticamente nos vemos no meio dos turistas e funcionários desesperados em não morrer, ficamos tristes a cada morte impactante, e ao final já estamos emocionados com tudo de tal forma que se a história do longa se passa mais de 12 horas, sentimos quase que ficamos todo esse tempo na sala sentindo cada ato, ou seja, um filme perfeito com muito estilo, e que agrada principalmente por não ter exageros patrióticos, nem coisas forçadas demais, apenas o engajamento religioso dos terroristas bem motivados por líderes que até hoje se encontram livres, e muita sutileza nos detalhes que a equipe quis passar para aumentar ainda mais o impacto da trama. Ou seja, é daqueles filmes que merecem todos os aplausos possíveis pelo feitio, mas que alguns ainda acham coisas para reclamar.

Mumbai, Índia, 2008. Um grupo de terroristas chega à cidade de barco, disposto a promover uma série de ataques em locais icônicos da cidade. Um deles é o luxuoso hotel Taj Mahal, bastante conhecido pela quantidade de estrangeiros e artistas que nele se hospeda. Quando os ataques começam, o humilde funcionário Arjun tenta ajudar todos a se protegerem, enquanto David e Zahra buscam algum meio de retornar ao quarto em que estão hospedados, já que nele está seu bebê e Sally, sua babá.

Quem conferir o filme certamente irá apostar que o diretor Anthony Maras é daqueles que tem experiência de sobra em filmes de tensão, que já fez filmes de grande impacto e tudo mais para poder conduzir um elenco tão grande, cenas amplas em ângulos difíceis e muito mais, mas não, essa é sua estreia na cadeira de um longa metragem, e se conseguiu fazer tão bem esse, que aliás ajudou a escrever o roteiro junto de John Collee, com certeza iremos ficar esperando muito mais de suas próximas produções, pois ele encontrou dinâmicas tão precisas, trabalhou suas cenas com muita desenvoltura, moldou os ambientes para que mesmo sendo gigantescos (outros minúsculos) ficassem claustrofóbicos com a tensão ao redor, de modo que parecia ter vivido cada um dos atos na própria pele, ou seja, certamente ele estudou muito o material que lhe foi entregue por documentaristas que cobriram o pós-atentado, ouviu muitas vezes cada um dos áudios dos terroristas, e sentiu no olhar de cada funcionário real que vivenciou o ato para que incorporasse tudo e criasse com minúcias cada momento da trama, encontrando situações tão desesperadoras que certamente quem for conferir irá se impressionar (ainda mais os pais, pelo fator bebê - que a qualquer momento poderia desandar tudo!). Ou seja, uma direção precisa, cheia de ótimos atos, que talvez tenha apenas um grande erro, de que poderia ter dirigido melhor os terroristas, pois mesmo que fossem apenas jovens malucos, esses pareceram desorientados demais de seus atos, e que certamente cada um ali era mais doido que o outro, e cheio de incumbências mais fortes, o que não aparentou tanto nas atitudes dos atores, e poderia ser corrigida com uma direção mais imponente, mas de resto, perfeição total.

Sobre as atuações, já falei um pouco dos terroristas, e diria que todos foram bem escolhidos pelo estilo e personalidade de cada um, mas poderiam ser mais imponentes e chamarem a atenção mais para cada um, tendo leves destaques para Amandeep Singh pelas cenas mais emotivas recairem sobre seu Imran, mas nada muito além. Dev Patel anda num crescente tão alto que em breve o veremos ganhando altas premiações e não sendo apenas indicado como foi em "Lion", pois novamente entregou tanta personalidade para seu Arjun, trabalhando olhares, demonstrando preocupações, e principalmente mantendo tradições, o que foi incrível de ver pelos seus atos, ou seja, perfeito. Nazanin Boniadi colocou muita emoção nas suas cenas como Zahra, mostrando claro toda a preocupação para com seu filho, o desespero com o marido, e claro também mostrando como ricos tratam suas babás, pois a cena final merecia algo a mais, mas isso não é problema da atriz e sim do mundo em si que foi colocado no roteiro, pois a atriz fez muito bem seus atos, e isso é o que vale ver. Esperava ver um pouco mais de atitude do personagem de Armie Hammer, mas seu David aqui era um arquiteto/engenheiro, então não tinha muito o que entregar nas cenas de ação, porém conhecendo seu estilo, podiam ter colocado para ele algumas façanhas mais imponentes, que certamente agradaria ver, mas sairia do conceito real da trama, ou seja, ele fez o básico bem feito. Tilda Cobham-Hervey deu um tom bem expressivo para sua Sally, desesperada, e principalmente com uma bomba nas mãos, pois no meio de uma guerra aonde os assassinos estão atrás de todos, ela com um bebê pronto para chorar a qualquer momento é algo que só uma babá muito boa manteve a calma e a precisão para não sair correndo. Jason Isaacs fez o russo Vasili bem colocado, com uma densidade de personalidade bem contundente, e que consegue chamar a atenção, de modo que inicialmente ficamos meio nervosos com seus atos, mas mais para o final ele se mostra bem encontrado, mas quando descobrimos um pouco mais dele, vimos que o personagem poderia ter ido além também no conceito de cenas de ação, mas que iria contra a realidade dos acontecimentos. Dentre os demais, vale destacar apenas o chef interpretado por Anupam Kher, pela serenidade e ótima personificação, e todos os demais atores que fizeram os funcionários por mostrar que honra tiveram esses seres humanos em tentar salvar a vida dos hospedes ao invés de abandonar tudo e sair correndo (confesso que eu iria fugir do hotel!).

O conceito artístico da obra pode ser colocado realmente como uma obra de arte, pois filmaram algumas cenas sim no Hotel Taj Mahal, mas a maior parte foi gravada numa reprodução imensa nos estúdios na Austrália, ou seja, a equipe de arte teve um trabalho minucioso para recriar ambientes, explodir coisas, fazer diversas pessoas ficar passando correndo e tudo mais, de modo que o filme se tornou uma gigantesca produção, lotada de detalhes cênicos, e que em questões de ambientes ficou incrível de ver tamanhas proporções. Sendo assim, o resultado visual impressiona por técnicas, por estilos, e principalmente pela fotografia que o diretor escolheu para que as sombras ficassem mais duras, dando um ar mais cru nos ângulos e resultando em um filme mais tenso ainda.

Além de ser visualmente tenso, foram desenvolvidas trilhas sonoras tão presenciais que acabamos nos envolvendo demais por cada ato que o compositor Volker Bertelmann acabou criando, sem músicas, mas com uma orquestra trabalhando num tom tão acima que impressiona demais. E quem quiser ouvir, pode conferir nesse link.

Enfim, um filme de 125 minutos que até poderia ser um pouco menor e mais dinâmico para que o público não enfartasse tanto, mas que acaba funcionando bem na duração para dar a densidade ao público de ficar todo o tempo que os turistas e funcionários ficaram presos dentro do Hotel, ou seja, o diretor optou por menos cortes para que a trama ficasse mais próxima do realismo, e isso foi até que um bom acerto, que pode até cansar alguns que não entrarem no clima, mas quem entrar, certamente sairá da sessão quase que sem fôlego, pois o longa é bem tenso e incrível de ver, de modo que recomendo com muita certeza. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a outra estreia dessa semana bem curta, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Oh, Ramona!

7/09/2019 01:28:00 AM |

É engraçado como algumas propostas podem ser vistas de diversas maneiras, e que as vezes algo que pode parecer monstruoso para alguns, para outros pode soar comum. Resolvi começar o texto do novo longa da Netflix, "Oh, Ramona!", pois vi diversos comentários de pessoas chocadas com o excesso de cenas sexuais, mas para quem já viu os longas derivados de "American Pie", aonde o protagonista era o Stifler, isso aqui é completamente light, aliás, consigo enxergar essa trama como a mistura desses longas com o famoso "Diário de Um Banana", claro que uma versão mais adulta da trama, que acaba sendo até divertida em alguns momentos pelas boas sacadas, mas que em outras acaba sendo apenas abuso e jogada de montagem. Ou seja, não posso falar que é um bom filme, mas também passa bem longe de ser algo monstruoso, que diverte e é bem desenvolvido dentro da proposta, mas que poderia ter escolhido o vértice que iria seguir (infantil ou sexual de vez) para aí sim entregar um longa mais coeso.

O longa nos coloca Andrei, o personagem principal, contando a história de sua adolescência vista através de seus olhos, com as partes boas e ruins, incluindo uma saudável dose de humor e auto-ironia. O filme retrata Andrei dividido entre as duas garotas que ele ama e como ele é forçado a se tornar um homem. Com quem ele vai acabar? É como escolher entre sorvete e panquecas ...

Chega até ser engraçado ver que o longa é embasado em uma história real, ainda mais sabendo depois quem é o verdadeiro Andrei que aparece rapidamente em duas cenas do filme (nada semelhante ao protagonista!), pois a trama possui diversos absurdos até que razoáveis, mas que sempre moldado pela diretora para um tom acima para tentar adentrar ao universo masculino, Cristina Jacob acaba fluindo sua trama com sacadas por meio de abstrações, afinal a história em si não foi jogada só para maiores, e assim tiveram de não trabalhar tanto a trama de uma maneira mais forte, e esse ao mesmo tempo que é um acerto, também acaba sendo um erro, já que o longa fica sempre no meio do caminho. Ou seja, o livro de Andrei Ciobanu pode até ter sido um best-seller na Romênia, e o filme também ter estourado por lá, mas não acredito que muitos irão conferir e gostar 100% do resultado da trama, e assim sendo, diria que Cristina poderia ter optado melhor pelo estilo para pegar um público mais abrangente.

Quanto das atuações, diria que o elenco foi bem interessante, e escolhido na medida para cada momento, desde o protagonista Bogdan Iancu cheio de desenvolturas, com um carisma bem trabalhado, fazendo de seu Andrei um jovem nerd comum, mas que está disposto a mudar, passando pelas duas belas garotas, Aggy K, Adams com sua Ramona imponente e despojada, até chegar em Holly Horne como Anemona bela e serena, ou seja, um trio bem preparado para cada ato, que acaba sendo sutil nos momentos certos para que o filme fluísse bem. Quanto aos demais, diria que todos foram bem exagerados, desde a mãe berrante com suas loucuras, até chegar nos amigos malucos que acabam sendo elos bem encaixados para os momentos malucos também, ou seja, fluíram bem, mas podiam ter sido menos estranhos.

A parte visual da trama foi a mais bacana possível, brincando muito com referências sexuais a partir de doces, frutas e objetos, criando interações cheias de efeitos para brincar com virtudes e essências, e principalmente trabalhando bem as cenografias simples para que o filme tivesse uma composição maior, ou seja, a equipe de arte brincou bastante com as mudanças de temperamentos, ambientando cada ato de acordo com a situação do filme, não criando apenas cenários, mas ampliando para algo até maior pelo molde, que acaba sendo bem usado para representar tudo.

Enfim, é um filme bem bacana, mas que falha muito por não saber que rumo tomar, ficando sempre em cima do muro entre algo leve e algo mais pesado, que se talvez tivesse optado por esse segundo lado, seria muito melhor. Ou seja, um filme que não é nada impressionante, mas que acaba sendo divertido para passar um tempo, valendo como uma dica mais simples, e que poderia ter tido outros rumos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

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Netflix - O Mesmo Sangue (La Misma Sangre) (The Same Blood)

7/07/2019 01:51:00 AM |

Todos sabemos bem o quanto os argentinos dão show em dramas e suspenses, conseguindo encontrar sempre vértices bem trabalhados, minúcias pontuadas para que cada ato cause sensações, e tudo mais, porém o longa da Netflix, "O Mesmo Sangue", segue de uma forma tão novelesca, com caras, bocas e exageros pontuais tão marcados que acabamos quase que brincando de adivinhações num primeiro momento, mas que logo em seguida tudo é mostrado pelo outro lado e apaga um pouco o brilho da trama. Diria que se tivessem feito algo mais investigativo por parte do genro, impondo as dúvidas dele com especulações sem entregar para o público tudo logo no segundo ato, o resultado seria incrível, mas ao virar novela com direito a revanche amorosa entre primos, o desastre final chegou ao ponto máximo de decadência. Ou seja, é um filme que quem gosta de uma novela até vai curtir a ideia, mas quem for esperando um bom suspense dramático sairá bem desapontado.

A trama em si é bem simples e nos mostra que a família de Carla será colocada em teste quando sua mãe aparecer morta após o que parece ser um acidente doméstico. Santiago, o marido de Carla suspeita que seu sogro, Elias, tenha sido responsável por sua morte.

A ideia em si é bem funcional, tem um propósito, mas o diretor Miguel Cohan quis entregar algo muito amplo, fazendo quase que um filme visto de três lados, e isso não é algo que funciona bem quando uma história não tem a pegada para isso, pois aqui o formato é simples, então ele teria de ter colocado tudo no ar, sem entregar de cara os problemas, pois mesmo mostrando que a morte em si foi acidental (com algum agravante extra), o caminho poderia ter sido menos formatado e agradaria bem mais, além de que querer mostrar que o sangue do pai transmitiu a mesma forma agressiva para o filho, e fechar o filme quase da mesma forma que começou foi algo bem bobo demais, ou seja, a trama possui tantas falhas, que mesmo procurando algo bom para nos envolver, acabamos não saindo tão felizes com toda a tensão criada no miolo, e confesso que com poucas (bem poucas mesmo), teríamos um daqueles filmes de ficar quase sem respirar, mas da forma como foi feito, vemos quase igual aquelas tiazinhas noveleiras que já vão falando o que vai acontecer em cada cena, e acontece.

É engraçado que assim como os brasileiros, os atores argentinos são muito expressivos, entregando sempre caras e bocas bem marcadas, momentos dramáticos cheios de força, e aqui todos se entregaram bem para seus personagens, de modo que certamente poderíamos ter visto um filme incrível, mas, a história não ajuda muito, e dessa forma, Diego Velázquez acaba tendo seu Santiago como aqueles que ficam parecendo loucos na trama, sem muito o que entregar, e fazendo o que pode. Oscar Martínez nos entrega um Elias que parece estar sempre de mal-humor e que mesmo que não fosse mostrado seus momentos problemáticos, desconfiaríamos muito de tudo o que faz, da mesma forma que Santiago, pois tem cara suspeita, e o ator fez até que bem seus atos mais impactantes. Por incrível que pareça, tivemos uma trama argentina que as mulheres ficaram bem fracas em segundo plano quase que ocultas, e tanto Dolores Fonzi com sua Carla, quanto Paulina García com sua Adriana fizeram bem seus papeis, mas sem muito para impactar, o que acaba ficando estranho na trama, pelos exageros, e quando tentaram aparecer, soaram fracas, ou seja, qualquer atriz menor que fosse escalada, faria o papel da mesma forma, enquanto duas grandes atrizes do país foram usadas de enfeite.

Visualmente o longa até tem alguns elementos bem colocados, mas a maioria é usada de forma jogada, como o moinho da fazenda, o colar que entrega muitos elementos misteriosos, a boleira imensa numa casa rica, entre outros, e isso ajudaria bem a dar o suspense necessário para o filme, mas optaram por entregar tudo, e isso não é algo funcional, ou seja, o filme cria perspectivas, mas não chega a lugar algum.

Enfim, é um filme que só quem for realmente muito fã de novelas vai gostar, pois não se encaixa em elos dramáticos, muito menos num suspense convincente de ficarmos esperando algo acontecer, e dessa forma, o resultado acaba soando fraco demais como filme. Sendo assim, não recomendo, mas também não digo que é a pior bomba possível, de modo que diria que tem uma história intrigante que valeria ser melhor explorada. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Homem-Aranha - Longe de Casa em Imax 3D (Spider-Man: Far from Home)

7/05/2019 01:33:00 AM |

Sei que ainda existem muitos amigos que torcem o nariz quando ouvem dizer que Tom Holland possa ser o melhor Homem-Aranha que já foi escalado, e que mesmo soando exagerado em suas desenvolturas, o jovem tem encontrado o estilo bacana que o personagem pede, e que a cada filme entregam mais personalidade para o papel, e colocam mais situações que queremos ver acontecer, deixando tudo bem próximo do que alguns já leram nos quadrinhos, e/ou juntando algumas coisas boas que os outros filmes já tiveram. Ou seja, "Homem-Aranha - Longe de Casa" é a consolidação do ator no papel, do personagem funcionando dentro da proposta mais ampla, e principalmente por ser um longa alegre e gostoso de curtir, mesmo tendo cenas bem tensas e malucas, consegue ser algo mais leve após o impacto completo de "Vingadores - Ultimato", e que agrada do começo ao fim com muitas loucuras, que certamente deixarão muitos confusos com tudo o que é mostrado, com uma sagacidade ímpar da equipe para trabalhar todos os efeitos e transições para brincar realmente com o espectador. E claro, por ser um filme muito dinâmico, cheio de boas cenas de ação, o 3D funciona muito bem para a galera que sempre reclama de ver filmes com a tecnologia e nada ser entregue, e aqui mesmo não tendo tanta coisa saindo da tela, a perspectiva em diversos momentos é incrível, ou seja, uma ótima dica para todos que gostam de longas de super-heróis, que fecha bem o ciclo da fase 3 da Marvel, agora é esperar para ver o que vai rolar na fase 4, principalmente após as duas cenas pós-créditos desse longa, que valem muito a conferida.

A trama nos mostra que Peter Parker está em uma viagem de duas semanas pela Europa, ao lado de seus amigos de colégio, quando é surpreendido pela visita de Nick Fury. Precisando de ajuda para enfrentar monstros nomeados como Elementais, Fury o convoca para lutar ao lado de Mysterio, um novo herói que afirma ter vindo de uma Terra paralela. Além da nova ameaça, Peter precisa lidar com a lacuna deixada por Tony Stark, que deixou para si seu óculos pessoal, com acesso a um sistema de inteligência artificial associado à Stark Industries.

É muito bacana ver a forma que o diretor Jon Watts encontrou para deixar sua marca nesse universo que acabou sendo formatado do personagem, pois houveram muitas críticas direcionadas por ele não seguir uma linha sólida no primeiro filme, que quis ir por vértices muito diferentes e tudo mais, mas que muitos fãs até acabaram gostando de seu estilo, então para o segundo, já que foi garantido no cargo, ele se aprofundou ainda mais nos diversos momentos que os fãs tanto desejavam ver, pegou todo o eixo e ao pegar o roteiro completo de Chris McKenna fez tudo e muito mais para que o filme não ficasse apenas jovial, mas que contivesse ação desenfreada, bons momentos românticos, mais participação dos adolescentes, e principalmente que não destoasse de algo mais condizente com impactos bem colocados, ou seja, preparou o filme que todos desejavam ver, e o acerto acaba saindo muito gostoso, que mesmo não sendo algo que você se impacte a cada ato (como foi o último longa dos super-heróis da Marvel), você saia feliz com o que viu na tela, e até deseje rever para ligar mais pontos, afinal após sair da sessão (e ver a segunda cena pós-crédito) você vai entender um pouco mais sobre os atos de Nick Fury, vai pensar um pouco mais nas jogadas de MJ, e até vai rir mais da interação entre May e Happy, ou seja, tem de tudo um pouco na trama, e isso é bom de ver.

Sobre os atores, já falei muito de Tom Holland, mas volto a frisar que o ator já demonstrou toda sua paixão pelo personagem, brigou muito para conseguir a vaga de Homem-Aranha, e em todos os filmes que fez o personagem se colocou disposto a tudo, treinando muito, e encontrando a desenvoltura perfeita para que seus atos se encaixassem na mesma sintonia que o papel precisava, ou seja, aqui com olhares apaixonados deu seu bom tom para com MJ, se mostrou preocupado pelos amigos, e conseguiu trabalhar os olhares para demonstrar ainda não estar preparado para assumir toda a responsabilidade que o personagem passará a ter, e isso é ótimo, pois conseguirão dar o crescimento do personagem junto com o crescimento do ator, e isso veremos muito em sua evolução. Não sei se Jake Gyllenhall foi a melhor escolha para viver Mysterio, mas o ator foi dinâmico, encontrou facetas bem expressivas, e combinou a personalidade dupla com muita precisão, ou seja, acabou se arrumando para o papel, além de que o momento que coloca os óculos pela primeira vez, mesmo sem brincar com ilusões, deu uma nuance rápida de alguém que qualquer um faria o que o Aranha faz, ou seja, acabou funcionando muito. Zendaya e Jacob Batalon tiveram agora bem mais momentos na trama com seus MJ e Ned, encontrando boas interações junto do protagonista e funcionando como elos de viradas leves no filme, o que acaba não incomodando, e principalmente acaba agradando, pois ainda podem auxiliar muito mais na desenvoltura pessoal do personagem. Jon Favreau volta com tudo com seu Happy, encaixando momentos incríveis junto do protagonista (a cena no avião escolhendo a música perfeita para o momento perfeito foi demais), e ainda tendo graciosidade cômica com a tia May, ou seja, foram bem sagazes nesse quesito. E para finalizar, mas não menos importante, Samuel L. Jackson e Cobie Smulders voltaram muito bem como Nick Fury e Maria Hill para encontrar o elo certo que a trama precisava do eixo Vingadores, não precisando dos super-heróis para desencadear nada na trama, e deixando que o filme fluísse somente com o protagonista.

No conceito visual, o longa deu um show, e nem tanto pelas locações em Veneza, Londres, Praga e Berlim, mas sim pela composição completa das ilusões criadas no longa, que certamente a equipe artística ficou muito maluca e saiu atirando imagens para todos os lados, criando ambientações tão fortes e incríveis que não temos condições alguma de saber o que é real ou não, e a sacada final foi melhor ainda para que o protagonista soubesse isso, o que deu um charme a mais, ou seja, temos explosões, monstros gigantes, muita tecnologia, e principalmente, tudo ocorrendo em ótimas locações, o que mais desejaríamos: uniformes incríveis para o personagem? Sim, criaram um melhor que o outro, e a cena de criação de um foi algo para emocionar na medida, com muita imposição e carisma para agradar demais. A fotografia soube ser dinâmica na mesma forma, brincando com muitas cores, trabalhando as sombras para que cada ato ficasse na medida entre drama e ação, e ainda escolhendo bem os ângulos para funcionar muito bem a conversão 3D. E falando em 3D, temos ótimas dinâmicas com o personagem em primeiro plano, muitas cenas com ritmo desenfreado para dar perspectiva de imersão, e até alguns momentos com coisas saindo da tela, ou seja, tudo o que o pessoal que tanto reclama da falta de tecnologia terá para ficar bem feliz e fazer valer o ingresso mais caro.

Enfim, um filmaço, que até possui leves defeitos, mas que soa tão gostoso de conferir que acabamos cativados por cada elo, saindo da sessão bem felizes com o resultado final, e esperando muito mais, pois tudo foi encaixado na trama com um motivo sólido, não sendo feito para tampar um buraco apenas, mas sim sendo um filme do personagem, com abrangências maiores bem conectadas e agradáveis de ver. Ou seja, vá ao cinema, se divirta muito, veja as referências, e principalmente, fique para ver as duas cenas pós-créditos, pois elas fazem parte da trama, e vão valer muito serem conferidas. Bem é isso pessoal, fica a recomendação desse, que é praticamente a única estreia da semana, e volto em breve com mais textos do streaming, então abraços e até logo mais.

PS: não vou falar alguns dos meus desapontamentos com o longa, pois a maioria são spoilers de coisas que aparecem no trailer, e ficariam bem legais de funcionar no longa, mas quem for conferir irá entender o motivo de não dar nota máxima de perfeição, mesmo o longa sendo bem bom.

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Netflix - Shaft

6/30/2019 02:06:00 AM |

Reboot do reboot do original, que já era baseado em um livro, ou seja, o novo longa da Netflix, "Shaft" é quase que a reinvenção de algo que já foi reinventado outras duas vezes, e não que isso tenha pesado algo em cima dos protagonistas, e claro do diretor, mas usaram bem a base, e trabalharam a ideia para jogar tudo em cima do jovem que foi abandonado pelo pai, o motivo fica claro na tela, mas o jovem não sabe, e ao investigar a morte do amigo, resolve pedir ajuda para o pai, que tem seu estilo, e como bem conhecemos, Samuel L. Jackson não desaponta, criando bons vértices, muitas cenas com sacadas incríveis, e um filme que digamos tem seu gingado, mas que não é muito a cara de muitos, pois se você não curtir longas policiais, ou intervenções machistas, a chance de reclamar de muita coisa do longa é bem alta, mas se não ligar, a chance de diversão é maior ainda, pois tudo vai sendo bem moldado, e até mesmo as cenas mais jogadas acabam divertidas, com claro, a junção da trilogia de atores em cena no final.

A sinopse é bem simples e conta que após a misteriosa morte de seu melhor amigo, o perito em segurança cibernética JJ Shaft une forças com seu pai, o lendário detetive particular John Shaft, para descobrir o que aconteceu.

O diretor Tim Story tem em seu histórico filmes policiais bem malucos, e aqui ele usou essa mesma base para não criar nada muito ousado, mas que tivesse uma formatação bem colocada, trabalhando desde lembranças do filme de 1971 como do reboot de 2000, e usando sacadas bem engenhosas, ele trabalhou o roteiro para mostrar bem o estilo dos homens modernos que não possuem mais o mesmo gingado clássico dos antigos, e com isso fez algumas críticas no ar, ou seja, é um filme que diverte e entrega uma boa proposta cheia de sagacidade, que quem gosta do estilo acabará curtindo, e quem se incomoda com algumas formatações mais agressivas certamente irá reclamar muito, ou seja, o diretor não se deixou levar por opiniões, e montou algo do seu jeito, que acaba fluindo bem, e diverte dentro do que  se propõe, que é um longa com base policial, com uma história "familiar", mas que não se enquadra dentro dos longas comuns, usando bem um estilo mais descolado que entrega um filme simples de fechamentos, mas que joga em prol da trama.

Sobre as interpretações, sempre é fato que Samuel L. Jackson consegue chamar a atenção, e aqui seu John Shaft é cheio de marra, tem estilo, tem personalidade, e se entrega até mais do que no filme dos anos 2000, trabalhando desenvoltura, e sendo bem coerente com cada um dos momentos, o que é sua característica marcante, além de ousar bem com diálogos fortes e bem colocados. Jessie T. Usher acabou entregando um JJ Shaft meio estiloso demais, debochando até do estilo milenials, mas foi bem colocado, e rapidamente pegou o estilão do pai, já encontrando virtudes para talvez comandar o quarto filme. E mesmo fazendo uma leve participação no final, Richard Roundtree voltou ao seu primeiro papel nos cinemas nos anos 70, que rendeu até outras continuações, e que de uma forma bem trabalhada acaba agrando com bons atos, mesmo já estando bem velhinho. Quanto das mulheres, tanto Regina Hall com seus tradicionais chiliques foi bem como Maya, quanto Alexandra Shipp colocou desenvoltura nos olhares de sua Sasha, mas nada que impressionasse muito. E dos vilões, é melhor deixar quieto, pois foram bem fajutos.

O clima de ação policial foi bem moldado pela equipe de arte, trabalhando cenas rápidas com muitos tiros, diversos personagens com trejeitos e figurinos marcados, passando por diversas épocas e funcionamentos bem colocados, o que acaba agradando pela síntese entregue, que não soa nem exagerada demais, nem simples demais, e com essa proposta, a trama funciona, mas certamente poderiam ter trabalhado um pouco mais do passado dos demais filmes, para que a conexão funcionasse melhor, que aí sim o resultado soaria incrível.

Enfim, é um longa bem descontraído que acaba agradando bastante quem gosta desse estilo, pois foi feito somente para isso, pois muitos já aguardavam uma continuação do longa de 2000 desde o lançamento, mas não um recomeço, e aqui tentando trabalhar numa mistura das duas coisas, acabou que o resultado ficou bom para os dois lados. Não diria que é um filme perfeito, pois força muito, mas como essa é a proposta do estilo, acabamos relevando um pouco e até recomendando para quem quer passar um tempo com uma trama bacana na Netflix. Bem fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Turma da Mônica - Laços

6/29/2019 02:04:00 AM |

Posso dizer que agora estou bem mais tranquilo, e feliz, após conferir "Turma da Mônica - Laços", pois confesso com todas as letras que não conseguiriam transformar uma história da turminha em algo cinematográfico, sem que virasse um capítulo de novela infantil do SBT, pois tinha muitas dúvidas desde o anúncio das crianças, da história, e tudo mais, ou seja, fui realmente preparado para ver uma tremenda bomba na telona, mas para minha felicidade, foi tudo do contrário, e o resultado é muito bonito, cheio de personalidade, com um carisma afetivo no estilo, com uma pegada infantil, porém sem ficar bobinho demais, e que vai remeter muito à infância os mais velhos que liam as histórias em quadrinhos, pois mesmo seguindo uma linha levemente diferente das que foram escritas por Maurício de Souza, aqui a trama consegue ser muito interessante, bem colocada na telona, e principalmente, foi feito uma pesquisa de caracterização cênica incrível, que mesmo os protagonistas não sendo tão semelhantes ao que víamos nas revistinhas, o elenco de apoio foi daqueles preparados para sentirmos em casa ao olharmos para todos os lados, ou seja, um filme que nos abraça e agrada demais.

A história nos conta que Floquinho, o cachorro do Cebolinha, desapareceu. O menino desenvolve então um plano infalível para resgatar o cãozinho, mas para isso vai precisar da ajuda de seus fiéis amigos Mônica, Magali e Cascão. Juntos, eles irão enfrentar grandes desafios e viver grandes aventuras para levar o cão de volta para casa.

Todos sabemos muito bem o potencial que Daniel Rezende tem, pois no início da carreira foi brilhante como editor de "Cidade de Deus", depois editou diversos excelentes filmes nacionais e estrangeiros, até ter no ano retrasado sua estreia na direção com "Bingo - O Rei das Manhãs", e lá vimos que ele aprendeu demais com grandes nomes, e mostrou seu estilo, e agora não precisando mais mostrar nada a ninguém, ele encarou essa produção como algo fora da curva, e entregou um longa que consegue encantar a todos, fazendo com que o público mais velho que lia as revistinhas no passado veja em formato visual essa representação de carne e osso dos seus amiguinhos, e para os mais novos que nem conhecem muito, ou até já leram alguma das HQs novas se encantarem, e quem sabe começar a ler mais, pois sem dúvida o acervo completo de Mauricio de Sousa é imenso e merece ser lido por todos. Claro que aqui o diretor usou uma graphic novel que é baseada nos personagens de Maurício, então não se assuste se ver algo que não lembra 100%, pois Vitor e Lu Cafaggi criaram sua trama bem embasada em tudo, mas com livre criatividade também, porém o diretor não quis ousar muito, e foi correto em envolver tudo e todos com detalhes primordiais que remetiam também a sua infância, ou seja, o trabalho desenhado de símbolos gostosos de ver, com primor técnico para ambientar tudo e entregar algo sutil com boas mensagens fez da trama algo que certamente será lembrado por todos.

Sobre as atuações, temos de pontuar que a seleção foi bem trabalhada para com as características sentimentais dos personagens principais, pois volto a frisar que o quarteto principal tem boas semelhanças físicas com os personagens, mas não se parecem muito com os originais, de modo que Giulia Benite foi bem colocada com sua Mônica, tendo olhares fortes e imponentes, mas também trabalhando um ar doce interior conseguindo envolver bem a personalidade, não sendo tão durona, mas também não saindo para algo exagerado. Certamente poderiam ter melhorado um pouco mais o cabelo de Kevin Vechiatto para parecer mais o Cebolinha que conhecemos, mas o garoto mandou muito bem nas trocas de R por L, e olha que tem diálogos a rodo para mudar, e com toda certeza foi muito difícil decorar seu texto dessa forma, o que acabou agradando muito pelo estilo intenso e bem colocado que escolheram para a personificação. Laura Rause ficou bem encaixada como Magali, mas confesso que poderiam ter trabalhado ainda mais seu desespero alimentício, embora a cena da rosquinha tenha sido bacana, e a jovem teve ainda outros bons momentos e fez bem o papel ao menos. Agora Gabriel Moreira foi gracioso com seu Cascão, e até limpinho demais visualmente, mas o estilo bem amistoso do personagem acabou caindo bem e acabamos gostando dele. Agora sem dúvida alguma a melhor interpretação do longa ficou a cargo de Rodrigo Santoro que está irreconhecível como o Louco, colocando diálogos bem pontuados de forma maluca, mas que trazem uma realidade funcional, e nos envolve demais, de forma que diria que foi seu melhor papel no cinema em anos, merecendo até prêmios, pois ficou muito semelhante ao que esperávamos ver. Outros destaques visuais, pois não possuem tantas falas para falarmos das interpretações, ficou a cargo de Fafá Rennó como Dona Cebola que ficou muito parecida com a original, e Monica Iozzi irreconhecível também como Dona Luísa (mãe de Mônica), além das demais crianças, como a Cascuda, Quinzinho, Titi, entre outros. Quanto do vilão, diria que Ravel Cabral poderia ter feito um homem do saco mais vilanesco e menos bobo, que talvez daria um tom melhor, mas como estamos falando de um longa infantil, saiu interessante ao menos.

A parte cenográfica também foi bem elaborada, com casas coloridas, diversos objetos cênicos importantes, e muita coisa desenhada, o que acabou agradando bastante, só tendo um leve detalhe, que talvez seja por parte da mudança na história, que originalmente as crianças vivem no Bairro do Limoeiro, que no filme se tornou uma cidade pela placa do carro do vilão, mas isso não atrapalha o andamento do longa, e toda a equipe de arte foi bem coerente nos diversos momentos, como no cemitério, no acampamento, nas terras do Louco, e até nos pequenos muros das casas que sempre vimos nas HQs, ou seja, a equipe brincou muito com todo o estilo, encontrou cores precisas, e a fotografia de Azul Serra encontrou tons tão brilhantes e cheios de sombras artísticas que acabamos nos envolvendo com cada ato, ou seja, incrível.

Enfim, confesso que sabia que veria um longa bem bacana, mas estava com muito medo de diversas coisas, e fui preparado para tentar gostar, mas a cada ato o filme foi me conquistando mais, e o resultado final foi tão gracioso, com grandes interpretações caninas também (mostrando um treinamento minucioso desde o Floquinho até os demais cachorros sequestrados), que acabamos saindo da sessão muito felizes com tudo o que nos é mostrado, e sendo assim recomendo demais a trama, mesmo tendo leves pequenos problemas, que não atrapalham em nada, e que dessa forma iremos torcer muito para quem sabe fazerem outros longas da turminha. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, encerrando a semana dos filmes nos cinemas, mas volto em breve com alguns textos de longas do streaming, então abraços e até logo mais.

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Pets - A Vida Secreta dos Bichos 2 em 3D (The Secret Life of Pets 2)

6/28/2019 12:40:00 AM |

Se em 2016 a euforia por ver o que nossos bichinhos faziam quando saíamos de casa foi algo que praticamente levou o longa "Pets - A Vida Secreta dos Bichos" a lotar salas, vender brinquedos, e deixar todos completamente doidos pela história fofa e super interessante do cãozinho Max, não posso dizer que agora com o lançamento da continuação o resultado está sendo o mesmo, pois a sala estava com pouquíssimos lugares preenchidos, e o filme não funciona como uma história só, tendo várias esquetes menores que se complementam e que juntas ao final acabam bem encaixadas. Ou seja, não temos basicamente uma trama como filme realmente, pois os personagens principais já foram apresentados no primeiro filme, e aqui os que aparecem são praticamente jogados na tela, e não possuem realmente uma história para dizer sua, de modo que vemos o grande colorido, nos divertimos com alguns momentos malucos, mas praticamente o principal mesmo já foi mostrado nos trailers e nada acaba empolgando como poderia, sendo apenas algo que foi lançado por lançar, e que não é ruim de assistir, ao menos.

A história principal nos conta que a vida de Max e Duke muda bastante quando sua dona tem um filho. De início eles não gostam nem um pouco deste pequeno ser que divide a atenção, mas aos poucos ele os conquista. Não demora muito para que Max se torne superprotetor em relação à criança, o que lhe causa uma coceira constante. Quando toda a família decide passar uns dias em uma fazenda, os cachorros enfrentam uma realidade completamente diferente com a qual estão acostumados.

O trabalho do diretor Chris Renaud foi segurar a encomenda que lhe deram de tentar inovar sem tirar a essência gostosa dos bichinhos, e isso é algo que talvez seja meio que difícil de trabalhar, de maneira que ele acabou fazendo não uma continuação, mas talvez uma especial de sequência aonde colocou seus personagens favoritos para viver outros momentos fora de seus ambientes casuais, e assim o resultado embora seja bonito de ver, tenha bons atos, texturas bacanas, um colorido visual agradável, e claro, alguns momentos fofos e divertidos, acaba sendo algo que não emociona, não cativa, nem faz o público embarcar na história contada, ou seja, ficamos vendo ali os diversos atos sendo colocados, alguns personagens novos jogados, e nada fluindo como comumente ocorreria em qualquer outra animação, e dessa forma parece que a preguiça dominou os roteiristas, e o diretor não quis ousar. Porém volto a frisar, mesmo sem história alguma, ainda dá para perder 86 minutos se divertindo com o episódio, mas infelizmente queríamos mais, pois os trailers prometiam algo a mais, parecendo que apenas recortaram eles e montaram o resultado final sem adicionar muita coisa, o que é uma pena, pois tinham muitos personagens bons para desenvolver e criar incríveis aventuras.

Como disse não tivemos praticamente nenhuma novidade entre as personalidades dos conhecidos personagens, então temos o grandão Duke seguindo seu fiel amigo Max, que agora está extremamente nervoso por ter de cuidar do filho de sua dona, mas a relação de carinho entre crianças e animais é incrivelmente bem mostrada (um dos pontos positivos do novo longa), temos Gigi querendo virar uma gata (a explicação é muito boa, e a execução é melhor ainda), temos o coelhinho Bola de Neve se achando o super-herói, mas vive com medo de tudo, apesar das boas cenas finais de ação, e incrementando o grupo temos a cachorrinha Daisy que praticamente surge do nada, e serve para apenas juntar as histórias, mas sem muito o que trabalhar, temos o cãozão fazendeiro imponente Galo com suas ovelhas, peru, e galinhas, e temos também o tigre branco do circo bem carinhoso, que junto com os filhotes vão fazer olhares apaixonantes. Ou seja, vários personagens, várias mini-histórias, e nada além de coisas fofas passeando pela telona.

O visual do longa ao menos foi algo bem cheio de detalhes, pois tivemos algumas "locações" bem interessantes como a casa dos gatos, a sala de espera do veterinário, a praça cheia de árvores com muitos detalhes, mas principalmente o ambiente do campo com barulhos novos, cheiros novos pros cães, e claro, animais novos, aonde a equipe pode brincar com texturas, e até trabalhar um pouco mais o colorido, além de uma frenética cena em um trem em movimento que deu belos momentos visuais rápidos, com detalhes de câmeras bem movimentadas, e um ambiente incrível, ou seja, nesse quesito a equipe tentou recuperar tudo o que possivelmente tinha dado errado. Porém, aqueles que gostam da tecnologia 3D certamente irão se decepcionar por demais, pois nem profundidade o longa tem na maioria das cenas, consegui ver pouquíssimos momentos nas cenas iniciais com as flores das árvores caindo, e depois praticamente desligam a tecnologia, ou seja, podem conferir nas salas comuns tranquilamente.

Enfim, não digo que é dos piores filmes, mas que certamente poderiam ter abusado muito mais de tudo, ter trabalhado mais lições morais comuns de vermos em boas animações, e certamente trabalhado mais para que o roteiro incorporasse uma história mais envolvente, ao invés de diversas pequenas histórias, e assim, teríamos algo incrível de ver, porém ainda é bem divertido, possui um colorido bem trabalhado, e acabará agradando bem os pequeninos que não procuram histórias, mas sim diversão e cores vivas, que o longa entrega na medida. Ou seja, até recomendo como um passatempo para todos, mas poderiam ter feito algo grandioso para ser algo melhor de conferirmos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Annabelle 3 - De Volta Para Casa (Annabelle Comes Home)

6/27/2019 01:49:00 AM |

Acho que deveriam colocar na frente da bilheteria dos cinemas o cartaz de "Annabelle 3 - De Volta Para Casa" e embaixo escrever: "sustos grátis", pois basicamente o longa é um grande compilado de jump scares (os famosos sustos que pegam o público desprevenido), que contém uma, ou melhor várias, histórias pré-colocadas para representar o Universo de Invocação do Mal, do qual a boneca é praticamente um imenso catalisador de espíritos, que fora da sua caixa de vidro feita pela Igreja e benta periodicamente, traz todos os amiguinhos do mal para uma tremenda rave em cima da filha dos demonologistas, sua babá e amiga dela, ou seja, um filme bem bacana, que quem gosta do estilo de filmes com muitos sustos gratuitos irá se esbaldar, mas quem for esperando um pouco mais de história terá de analisar os diversos elementos que o longa deixa de lado, e esperar os próximos filmes do Universo criado, pois se antes só tinha uma meia dúzia de casos aparecendo para serem trabalhados nos próximos filmes, agora temos no mínimo uns trinta. Sendo assim, longe de termos algo perfeito, temos sim um bom filme, que intriga, diverte por vermos muitos gritarem na sala, e até causa alguns leves arrepios em determinadas cenas, mas que poderiam ter abusado muito mais de tudo o que tinham nas mãos, e trabalhado um pouco mais na história para que ficasse incrível. Vale pela boa produção, e pela preparação para o que virá por aí.

O longa nos conta que quando Ed e Lorraine Warren deixam sua casa durante um fim de semana, a filha do casal, a pequena Judy Warren, é deixada aos cuidados de sua babá. Mas as duas entram em perigo quando a maligna boneca Annabelle, aproveitando que os investigadores paranormais estão fora de jogo, anima os letais e aterrorizantes objetos contidos na Sala dos Artefatos dos Warren.

Diria que a estreia na direção do roteirista Gary Dauberman que escreveu os dois filmes anteriores da boneca, "It - A Coisa", "A Freira", e que agora usando a base da história de James Wan, coloca essa nova trama nas telonas, foi até que bem feita, pois ele como todo bom roteirista sabe aonde pode explorar o tema, e claro que ao escrever já preparou cada momento para ser feito para assustar, e sendo assim, sua trama é moldada somente para isso, pois ele não soube como um outro diretor de renome faria, de pegar essa coleção de sustos do roteiro, e criar uma história (mesmo que simples) para que ela vivenciasse tudo, e também assustasse, ou seja, ele fez o seu filme acontecer, e entregou algo que certamente vai fazer uma tremenda bilheteria (afinal muitos já esperam pelo longa independente de ser bom ou não!), e que principalmente amplia o leque de casos para serem trabalhados, de personagens novos que podem ter suas histórias melhor contadas do que apenas uma aparição (afinal muitos ficaram intrigados com a história do barqueiro e da jovem tão igual a protagonista! Outros vão querer saber mais da loucura da noiva! Alguns vão desejar conhecer mais do Samurai, e por aí vai!), e sendo assim, os produtores, no caso nosso querido James Wan, ficarão mais ricos e felizes em entregar muitas histórias para fazer cada vez mais pessoas pularem e gritarem nas poltronas do cinema.

Sobre as atuações, antes que muitos se empolguem com o filme se passando na casa dos Warren, Vera Farmiga e Patrick Wilson como Lorraine e Ed aparecem bem pouco no começo e no final do filme, quase sendo nem utilizados na trama, servindo apenas como isca para muitos acharem que o longa fosse "Invocação do Mal 2,5". Dito isso, temos de olhar muito para McKenna Grace que entregou bons trejeitos com sua Judy, demonstrando uma boa serenidade expressiva, e principalmente sabendo manter o eixo para a trama toda, pois além de incorporar muita coragem para a personagem, a jovem soube claramente pontuar seus olhares para cada ambiente sem desespero, o que foi de um grande acerto. Madison Iseman já pode ser considerada como a personagem surda, cega e muda, pois agiu com sua Mary Ellen como se nada quase estivesse acontecendo ali, sem saber de nada, mas com um instinto de babá bem trabalhado, e com um estilo bem colocado ao menos para que sua personagem não soasse exageradamente falsa, ou seja, acaba agradando. Já Katie Sarife se jogou completamente com sua Daniela, trabalhando olhares, sendo curiosa ao extremo, e principalmente mesmo com muita coragem para seu objetivo, demonstrar medo quando precisou que isso a dominasse, e o acerto foi bem nítido. Enquanto o pobre Michael Cimino já foi jogado como o elo cômico da trama, que até se encaixa como algo bobinho, mas que funciona para que o longa não entrasse num clima tão das trevas, e seus atos com os fantasmas foi bacana ao menos de ver. Quanto os demais, todas as participações fantasmagóricas foram bem cheias de detalhes, porém bem rápidas, com leves lembranças para os já conhecidos, como a garotinha Bee do "Annabelle 2", que Samara Lee voltou com o mesmo clima praticamente.

No contexto visual, o filme foi cheio de boas sacadas, e principalmente nem precisou sair da casa, afinal, que casa abarrotada de detalhes, só no quarto dos elementos amaldiçoados daria para fazer no mínimo uns 10 filmes assustadores, fora os diversos elementos espalhados pela casa, que se pararmos para analisar momento a momento certamente iremos ver muitos outros elos, ou seja, a equipe de arte teve um trabalho minucioso, bem elaborado e que principalmente usou da criatividade para não ficar somente em cima de um ou outro material, forçando a barra somente ali, e deixando o resto para usar depois, colocando praticamente tudo que estivesse na frente das protagonistas para ser usado. Como casualmente temos em filmes de sustos, o longa possui um tom escuro, abusa de nevoeiros, e sempre ousa com viradas de câmeras tradicionais para pegar o espectador desprevenido, ou seja, não temos nada que surpreenda fora do eixo, e claro, usaram muito sépia e marrom para datar o longa.

Enfim, é um filme muito bem feito, que possui falhas, que praticamente não possui uma história muito determinada, apenas colocando a boneca como um elo para os demais espíritos, e que acaba funcionando dentro do que se propõe, tendo principalmente um ótimo ritmo que não cansa em momento algum, mesmo tendo leves pausas dramáticas, e que resulta em algo que acompanhamos rindo, assustando, arrepiando em certos atos, e que certamente os produtores usarão muito do que aparece na trama em diversos outros longas da franquia, ou seja, é só esperar para ver. Sendo assim, não digo que é daqueles filmes que falo vá correndo que é um filmaço de terror, apenas digo que é bem bacana, que agrada quem gosta do estilo, e que vale a conferida com certeza, além de que alguns mais medrosos pensarão um pouco mais para apagar a luz nessa noite. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, agradecendo claro a parceria com a rádio Difusora FM 97,1MHz que trouxe essa ótima pré-estreia para a cidade, lotando a sala com ouvintes e convidados, numa gritaria só que praticamente nos deixou surdos com cenas até não tendo nada.

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Netflix - I Am Mother

6/23/2019 11:35:00 PM |

Alguns filmes costumam trabalhar bem a temática da criação, e simbolizar bem o mote da extinção, de tais maneiras que muito se fala num futuro dominado por máquinas, aonde poucos saberão de onde vem, ou o que existiu, e tudo mais de maneiras duras e coerentes, porém falar dessas ideologias nem sempre sai como poderia, e precisam geralmente de tramas bem consistentes para que o longa domine a ideia e incorpore atitudes maiores do que o valor singelo de uma estrutura narrativa, ou seja, são necessários formatos mais abrangentes para que o longa cause mais e incorpore uma profundidade que não seja apenas jogada, e resulte em um filme daqueles de arrepiar a alma. Digo isso, pois a ideia do filme da Netflix, "I Am Mother" até tenta ter uma profundidade de ideologias, consegue criar a tensão em cima das protagonistas, mas é raso demais no fechamento, de modo que acabamos não entrando na ideia completa formatada, nem acreditando no conceito que procuraram nos entregar. Ou seja, um filme que criou muito, que foi conceituado da melhor maneira possível, sem muitos personagens, e com dinâmicas bem firmes, mas que ao finalizar não teve atitude, e o resultado desaba.

O longa nos conta que criada por um gentil robô a quem chama de "Mãe", uma adolescente é designada para repopular a Terra depois de desastres que quase causaram a extinção completa da humanidade. Mas quando uma mulher desconhecida chega dando notícias alarmantes, o laço afetivo criado entre humano e robô fica ameaçado.

Em sua estreia, o diretor e roteirista Grant Sputore tentou criar algo que fosse cheio de simbolismos em cima do mote da criação, que trabalhasse a tensão na medida para vermos relações sendo quebradas, e principalmente que a dinâmica fosse conflitiva ao inserir algo fora do meio, e assim a trama teria virtudes bem além da casual para refletirmos como é moldada a nossa vida. Porém ele esqueceu que para que esse conflito todo funcionasse, a trama precisaria envolver mais situações, e não apenas criar diálogos e mostrar um ou outro elemento para que o público captasse e desenhasse sozinho tudo, e assim seu filme fica com tantas lacunas abertas que acabamos gostando dele, entrando no clima, e ao final quando ele simplesmente desliga tudo com seu encerramento ficamos pensando: "tá, mas e aí?", pois é a única forma de assimilar tudo, não recaindo para nada, nem aprofundando em nada, de maneira que a superficialidade que tratou todos os temas fossem suficientes para empolgar, o que acaba não acontecendo.

Um dos fatores que poderia ter ajudado na trama talvez fosse ter mais personagens ou atores mais amplos na trama, pois somente dependendo das três jovens, o filme exagerou na dose sentimental, e desejava que elas conseguissem manter tudo sem incorporar algo a mais, e isso acaba não ocorrendo, ficando levemente frouxa as interpretações delas quando tentam ser mais críveis, dessa forma nem chego a culpar elas, mas sim o roteiro e a forma escolhida pela direção para não funcionar bem. Clara Rugaard até tentou entregar momentos expressivos com todas as suas dúvidas, se jogar com a tensão envolvida em cima de sua filha, mas não consegue chamar a atenção, e isso é algo bem ruim de ver. Hilary Swank deixou com sua personagem de mulher algumas dúvidas no ar, mas pela forma desesperadora que entra quase correndo, grita, sangra, ataca e tudo mais, mostrou o tradicional de sua personalidade, mas talvez um desenvolvimento maior da última cena com ela se expressando mais, o resultado mudaria completamente. Luke Halker entregou movimentos para a mãe, com muita sutileza e expressividade corporal para um corpo, o que acaba agradando bastante, mas a voz doce e bem colocada, cheia de transições bem suaves e interessantes ficou a cargo de Rose Byrne, que passa a história bem colocada, mas voltamos para a questão do roteiro sem um fechamento coerente, então, só restou entregar o serviço.

No contexto visual, a equipe de arte criou uma fortaleza bem interessante, cheio de ambientes simples de estrutura, porém recheados de detalhes que poderiam até ser mais usados, além claro de um robô cheio de movimentos e virtudes, e ao sair para fora do ambiente, mostraram bem a forma apocalíptica que desejavam passar por simbolismos, mas não aprofundando nada em momento algum, ou seja, um filme aonde a equipe de arte seguiu uma linha, colocou o cinza como padrão, e mandou ver, não trabalhando em momento algum algo que fosse surpreendente, mas também não desapontando em nenhuma situação.

Enfim, é um filme que certamente poderia ter rumos incríveis se soubessem trabalhar melhor a dinâmica, consertassem o roteiro simples, e saísse do raso entregue para se aprofundar em ideologias e símbolos melhores sobre o criacionismo e tudo mais, que aí talvez pudessem entregar até algo do estilo "Mãe", só que numa versão alienígena/robótica, que com certeza seria incrível de ver. Mas como não temos como mudar um filme pronto, o resultado aqui acaba sendo só recomendado para quem não tiver mais nada para ver, e ainda estiver preparado para algo que vai desapontar no final, pois não digo que o longa seja uma bomba, mas passa bem longe também de ser algo bom de conferir. Bem, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Alerta Lobo (Le Chant du Loup) (The Wolf's Call)

6/23/2019 02:56:00 AM |

Bom, o Festival Varilux terminou na última semana por aqui, mas quem pegou o caderno com os filmes que seriam exibidos notou a falta de um longa, que foi exibido somente na Marina do Rio de Janeiro numa sessão gratuita ao ar livre, e eis que felizmente a Netflix comprou os direitos de exibição do longa, e já temos "Alerta Lobo" na plataforma para conferir, e posso dizer que embora seja um filme mais técnico, a trama consegue ser bem envolvente, mas que só quem gosta de longas de combate e guerra acabará gostando por completo de tudo por trabalharem mais uma linguagem mais fechada, conceituar as leis, regras e situações fortes, e que até pode ser conferido pelos demais, que ficarão tensos sob a situação de guerra subaquática, que entenderão tudo o que pode estar acontecendo, mas talvez reclamem demais de muitas ideias. Ou seja, é um tremendo filmaço, que poderia ser mais aprofundado, mas que envolve, causa tensão, e que principalmente consegue mostrar algo que muitos duvidam de existir em determinados submundos, que é a lealdade entre algumas pessoas. Sendo assim, o filme coloca grandes atuações, bons momentos, e até vai fundo na cadeia da Marinha, trabalhando muito algo que comumente pode ocorrer com o mundo nessa bagunça que anda, e que encontra grandes elos para serem mostrados, de modo que mesmo não sendo o melhor exemplo do estilo, agrada bastante, e vale a conferida por completo.

Um jovem que está a bordo de um submarino nuclear da França é reconhecido como "ouvido de ouro". Esse apelido é devido ao seu raro dom de conseguir identificar qualquer tipo de som e, justamente por isso, ele carrega muita responsabilidade sobre suas funções. Certa vez, o jovem acaba cometendo um erro gravíssimo e acaba perdendo a confiança dos demais integrantes do submarino, além de colocar a vida de todos em um risco nuclear.

Em sua estreia na direção, Antonin Baudry, que antes de ser diretor, foi quadrinista sob o pseudônimo de Abel Lanzac, e é diplomata, ou seja, conhecia bem os conceitos de guerra para escrever o roteiro e entregar algo mais crível possível, e é bem isso o que acabamos vendo no longa, algo que embora não seja baseado em nenhuma guerra ou movimento de guerra real, facilmente poderia ocorrer, e que através de códigos e leis, dificilmente alguém conseguiria parar um decreto presidencial de ataque, ou seja, uma trama tensa, cheia de bons momentos (alguns jogados também), que acabam mostrando que para ser eficiente em algo tem de batalhar muito, e por vezes, até infringir alguns momentos, e com isso, o resultado do longa acaba envolvendo bastante, criando situações próprias para mostrar o que o diretor desejava, e conseguindo não fazendo nada de tamanho imenso, mas sendo ousado pelo menos dentro do que se propunha, resultar em um filme convincente e bem interessante. Ou seja, o famoso simples bem feito que funciona, mesmo que para isso os gastos em cenografia tenha sido algo bem caro, e a produção tivesse ficado grandiosa por esse motivo.

Um dos pontos mais fortes da trama ficou a cargo das ótimas interpretações, e quem novamente surge como rei do Festival Varilux é François Civil, que esse ano apareceu em três filmes do Festival, e novamente caiu muito bem no personagem aqui de Chanteraide (ou Meia), colocando trejeitos bem encaixados nos momentos certos, mostrando sinceridade nos atos, e parecendo realmente ter entendido como é o funcionamento de transmitir o que está ouvindo com uma audição fora do comum, talvez tenha sido um pouco desnecessária sua cena junto de Paula Beer como Diane, mas acaba rolando alguns atos funcionais para o desenrolar da trama que acaba servindo razoavelmente, mas tirando isso, o jovem ator mostrou que 2019 é o seu ano, ganhando inclusive como ator revelação em Cannes, ou seja, temos de ficar de olho nele. Omar Sy que tanto conhecemos em grandes papeis, aqui coloca seu D'Orsi como alguém até interessante, mas sem muito desenvolvimento, e assim sendo suas atitudes acabam soando exageradas, porém consegue passar bem o resultado. Reda Kateb entrega para seu Grandchamp uma personalidade marcante, cheia de imponência, além de uma grande química afetiva para com o personagem de Civil, e com isso, a trama facilmente desenrola para algo que até imaginávamos e demora um pouco para ocorrer, mas vale a sacada, e o ator se mostrou bem coerente nas atitudes. E para finalizar os protagonistas, temos Mathieu Kassovitz como Alfost, que como um grande almirante, incorpora tudo muito bem, e entrega ações fortes com trejeitos bem colocados, que até chegam a romper o estilo, mas agrada bem na proposta, e o resultado se faz valer.

No conceito visual, costumo dizer que esses longas de guerra são raros os momentos gravados em tanques e submarinos realmente, pois nenhum exército ou marinha de um país seria maluco o suficiente para ceder para os diretores gravarem suas cenas em pleno mar com diversos atores passeando por lá, mas a equipe de arte aqui foi tão convincente nas salas, que podemos quase dizer que gravaram em solo dentro de um submarino de verdade, e depois apenas fizeram via computação as cenas externas, pois tudo está muito bem desenhado, cheio de elementos cênicos precisos, e muita desenvoltura, e embora sejam lugares fechados bem pequenos, toda a equipe soube aproveitar o máximo para trabalhar o ambiente como um todo, com muitas luzes e detalhes para realçar cada ato.

Enfim, é um longa bem interessante, que não é perfeito, mas que empolga, causa tensão, e entrega com muita personalidade o funcionamento da marinha com relação ao possível caso de traições, com relação ao uso de drogas, e principalmente com a imposição de ataques, que pode facilmente ocorrer a qualquer momento, com uma briga embaixo da água sem que sequer saibamos que está acontecendo, ou seja, um filme bem intrigante, que vai agradar principalmente quem gosta do estilo, mas que poderiam ter se aprofundado um pouco mais caso desejassem. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: até pensei em dar uma nota menor, mas no final me vi brigando com os protagonistas, tenso e revoltado com tudo o que está ocorrendo, então o longa me tocou, e sendo assim, vamos com 8 mesmo.

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Casal Improvável (Long Shot)

6/22/2019 03:20:00 AM |

O que dá misturar romance, comédia e política em um único longa? A resposta poderia ser algo completamente forçado com Seth Rogen, afinal já vimos longas seus de arrepiar até a alma de tão jogados, mas certamente não veríamos Charlize Theron no mesmo pôster, ou seja, a curiosidade aguça e muito só de pensar se isso é algo que daria certo, ainda mais após conferir o trailer de "Casal Improvável". E agora após conferir, digo que embora tenha uma única cena forçada que é usada para formatar o desfecho da trama (e que certamente poderia ter sido melhor pensada para não chocar tanto algumas pessoas na sala, e talvez funcionar da mesma forma), o resultado é um dos mais leves e gostosos de acompanhar dentre as últimas comédias românticas lançadas nos EUA, que trabalha de uma maneira bem sutil cada ato, encontra consistentes formas para envolver, e ainda trabalha boas sacadas para manter o público conectado ao estilo da trama, de forma que temos uma cena no trailer que nem é usada no longa, mas que define muito bem o filme, aonde o amigo do protagonista coloca a trama como "Uma Linda Mulher" só que de forma invertida, e basicamente temos algo digamos semelhante, não plenamente, que acaba funcionando bem, e diverte sem exagerar, não sendo daqueles que você irá rir demais, mas também não irá se desapontar.

O jornalista investigativo Fred Flarsky se demite após receber a notícia de que o site para qual trabalha foi vendido para um grande conglomerado de mídia, liderado por Parker Wembley. Para se animar depois de perder o emprego, Fred vai a uma festa com seu amigo Lance e acaba reencontrando sua antiga babá, Charlotte Field, que, atualmente, é Secretária de Estado americana e está prestes a concorrer à presidência. Cansada de ser assessorada por profissionais que não a conhecem, Charlotte decide contratar Fred para escrever seus discursos de campanha. Um romance improvável surge entre eles, causando uma inesperada reação em cadeia.

Não digo que é o melhor filme do gênero que já vi, afinal tirando um desfecho emocionante, faltou talvez um pouco mais de sensibilidade em alguns momentos para adoçar um pouco mais os roteiristas, mas como o estilo deles é quase 100% de comédias, e o diretor trabalhou um pouco mais com outros vértices, diria que tanto o diretor Jonathan Levine ("Meu Namorado é um Zumbi", "50/50", "Doidão") quanto o roteirista Dan Sterling ("A Entrevista", "South Park", "O Rei do Pedaço") trabalharam bem para que a trama tivesse a conexão cômica sem precisar ser uma comédia 100% de gargalhadas, encontrasse o tom romântico sem precisar ser melosa, e principalmente orquestraram o estilo para que o filme ficasse interessante o suficiente para que o público se conectasse ao momento do casal, tivesse o envolvimento agradável que outras grandes produções tiveram, e que mesmo apelando para algo forçado para dar o ponto de virada na trama (confesso que isso foi o que abaixou a nota do filme, pois poderiam ter ido por inúmeros outros rumos), conseguiram entregar uma obra que tivesse um ar fora do que andávamos vendo ultimamente no gênero. Ou seja, o resultado final flerta completamente com grandes obras do estilo que vai fazer a trama até parecer boba demais, mas que analisando todas as possibilidades de erros, todos os finais possíveis que nos vem a mente, acabamos voltando sempre pro mais bonitinho e funcional, e esse é o acerto do longa, que pode até muitos discordarem e reclamarem, mas foi bem trabalhado ao menos.

Sobre as atuações, um ponto tem de ser dito logo de cara, Charlize Theron salva qualquer filme que entrar, e sabe fazer isso com tanta classe e estilo que acabamos encantados com qualquer atitude sua, assim como o protagonista acaba apaixonado por sua personagem, e dessa forma sua Charlotte é imponente como uma secretária de estado deve ser, possui o estilo encaixado para uma pessoa que está pronta para disputar a presidência americana, mas principalmente mantendo o elo emotivo e usando olhares e trejeitos bem colocados, consegue entregar doçura e acertar na medida certa cada ato com o protagonista, ou seja, perfeita como sempre. Certamente diria que esperava muito menos de Seth Rogen, pois conhecendo o estilo que faz em seus filmes, já estava preparado para muita tosquice e abusos por parte dele, mas encontrou um estilão bem colocado para seu Fred, de modo que o personagem em si é bem jogado, mas que acaba caindo como uma luva para a proposta, claro que ele tenta forçar em diversos atos, e o diretor até deixa para que a comicidade normal dele flua, mas sempre voltando para o eixo acaba funcionando e agradando bastante. Dentre os demais, tivemos bons atos de cumplicidade e amizade mostrados por O'Shea Jackson Jr. como Lance, tivemos algo inusitado entre os assessores da protagonista vividos pelo bobinho demais Ravi Patel e a sagaz June Diane Raphael, mas principalmente tivemos os grandes erros de Andy Serkis como o exagerado Wembley, que não merecia um papel tão ruim, e o presidente ator vivido por Bob Odenkirk que sempre aparece como algo crítico no meio de um filme que não é crítico. Quanto do primeiro ministro canadense de Alexander Skarsgård diria que foi bem encaixado na proposta, mas não chamou a atenção que deveria, agradando tanto quanto o Agente M vivido por Tristan D. Lalla.

O conteúdo visual da trama é algo que flui muito bem, pois encontra locações rápidas (que se foram em todos esses lugares, a equipe realmente gastou uma grana monstruosa de viagens!) para transportar os bons momentos da produção, criando quase que mini esquetes bem preparadas para cada momento, funcionando de forma bacana, imponente, mas não necessitando trabalhar o filme inteiro como uma única situação, e isso é algo comum, fácil, e simples de se entregar, de modo que o filme todo não necessitasse nem ser inteiramente em algum lugar presidenciável, nem em locações despojadas, trabalhando o encontro da protagonista com líderes de diversos países em festas e reuniões bem arrumadas visualmente, com um certo charme simples e bem bacana de ver, além claro das cenas chaves, como o atentado e a sala de guerra, que aí tiveram de criar algo mais denso, mas sem exagerar, e acertando bastante. A fotografia como casualmente ocorre em longas românticos possui tons não fortes demais para causar, mas de uma maneira bem sacada, colocaram destaques neutros na produção, sempre chamando o ato para um tom abaixo com cada hora um personagem oscilando para menos, o que envolve, mas puxa o olhar para onde desejava mostrar o deslanchar, e isso é bem legal de reparar, pois muda o vértice sempre, e agrada.

A trama entrega diversas boas canções, mas usar Roxette como tema principal foi sacanagem, pois ficamos com "It Must Have Been Love", que foi colocada com muita classe também em "Uma Linda Mulher" (olha aqui outra sacada com o filme clássico), na cabeça de tal maneira que soa lindo demais a cena deles dançando, ou seja, uma escolha na medida.

Enfim, é um filme simples, bem gostoso de assistir, que certamente muitos odiarão, mas a maioria que gosta do estilo acabará bem envolvido com tudo e acabará gostando muito da trama, mesmo sem rir em demasia, nem chorar para todos os cantos, muito menos sair apaixonado da sessão, de modo que lendo tudo isso até vão pensar: tem certeza que é uma comédia romântica mesmo? Mas lhes digo que sim, que possui muita classe, que quase erra no exagero do mote de quebra, mas que vale a pena o tempo na sala do cinema, ou a deitada no sofá, pois a cara de sessão da tarde é total na trama, e sendo assim, recomendo ele com certeza para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, já encerrando a semana nos cinemas, afinal vieram para o interior bem poucas opções, mas amanhã já pego um longa bacana que estreou no streaming para conferir, e claro volto aqui com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Toy Story 4 em Imax 3D (Toy Story 4)

6/20/2019 09:28:00 PM |

A única coisa que sabemos quando vamos ver um longa da Pixar é que terá diversas mensagens impregnadas na trama, para que o público as leia de forma diferente do comum e se emocione com elas, além claro de um primor fora do comum de texturas, de forma a quase achamos que os brinquedos em cena são tão reais que foram filmados realmente ao invés de ser computação gráfica. Tirando isso, cada filme novo é uma nova proposta, que mesmo que siga caminhos extremamente iguais aos predecessores, sempre acaba fluindo de forma diferente, e aqui em "Toy Story 4" temos um filme novamente lindíssimo, cheio de texturas impressionantes, novamente brincando pelo fator casual de nenhum brinquedo fica para trás, mas que ao trabalhar a sensibilidade humana de saber o seu propósito no mundo (seja você um humano ou um brinquedo), e ouvindo sua voz interior (no caso a nossa consciência), o resultado acaba soando bem agradável de ver. Claro que está bem longe de tudo o que falaram nos últimos dias de ser o melhor isso, o mais forte naquilo, e tudo mais, mas ainda assim acaba sendo uma trama gostosa de conferir, que interage bem dentro da proposta, e que agora sim aparentemente temos um final, não uma passagem, mas que vai saber o que pensam produtores, e assim sendo pode ser que daqui 10 anos novamente lancem outra continuação.

O longa nos mostra que agora morando na casa da pequena Bonnie, Woody apresenta aos amigos o novo brinquedo construído por ela: Garfinho, baseado em um garfo de verdade. O novo posto de brinquedo não o agrada nem um pouco, o que faz com que Garfinho fuja de casa. Decidido a trazer de volta o atual brinquedo favorito de Bonnie, Woody parte em seu encalço e, no caminho, reencontra Betty, que agora vive em um parque de diversões.

Antes de mais nada, não espere ver um  seguimento completo da história, pois praticamente toda a equipe original da trilogia foi alterada, desde produtores, roteiristas, até diretor, ou seja, utilizaram somente a base original para que o rumo não se perdesse, e trabalharam as essências com muita coisa nova, e aí logo de cara já temos no primeiro minuto de filme um erro de data monstruoso, pois o ato que acontece ali foi entre o segundo e o terceiro filme, ou seja, entre 1999 e 2010, e a trama mostra apenas 9 anos atrás, que foi quando ocorreu o terceiro longa, aonde Andy já estava grande e indo para a faculdade, e não um garotinho assustado correndo pela casa atrás de seu boneco. Felizmente esse foi só a maior bomba, pois depois o tempo volta para os dias atuais e não precisamos ficar tão perdidos. Digo isso, pois fiz a maratona dos longas anteriores ontem, então estava bem conectado com cada momento do filme, senão era capaz de passar em branco esse detalhe, que não atrapalha em si o resultado do longa, só acaba sendo estranho. Dito isso, o filme tem uma desenvoltura bem próxima dos anteriores, com várias oscilações de felicidade e tristeza, com alguns alongamentos, mas que de toda a forma sempre se verte para a máxima de todos os longas: o de não deixar nenhum brinquedo para trás, mesmo que esse brinquedo não queira ser um brinquedo, como é o caso aqui, e dessa forma, o diretor estreante Josh Cooley soube conduzir sua trama como uma boa saga, encontrando personagens rápidos, e situações simples de serem resolvidas, não colocando nenhum grandioso vilão, mesmo que os bonecos sejam levemente feios, e assim, o resultado é bem feito, o que agrada de certa forma, sem ser apelativo, e principalmente, dando agora um final realmente para a trama, sem precisar que o público lave a sala do cinema.

Com uma boa dinâmica entre os personagens principais, a trama flui e agrada, apesar que diferente dos anteriores onde a maioria participava bem, aqui o filme praticamente todo fica em cima de Woody, Buzz e Betty dos antigos, e de Garfinho e da boneca Gabby Gabby dos novos, deixando os demais praticamente sempre no furgão desenvolvendo bem pouco, mas sendo divertidos no que se propõem. De forma geral, todos se mantêm bem consistentes de aventura, encontram sua sina bem encaixada em cada um dos elos, e assim como já ocorreu, se mostram sempre carismáticos, de modo que Woody ainda é aquele personagem desengonçado, mas com um propósito humano tão bem encontrado que não tem como não se apaixonar por suas atitudes, que mesmo as vezes autoritárias demais, acabam encaixando na história e agradando por completo. Buzz aqui está bem mais sério, e cheio de formas para suas aventuras, fazendo com que não se arriscassem tanto no desenvolvimento, mas agradasse como resultado. Aqui é explicado logo de cara o que aconteceu com Betty por não aparecer no terceiro filme, e claro sua volta é bem trabalhada com muito cuidado, mas incrivelmente a colocando em grandiosas cenas de ação (será que os roteiristas tinham noção de que ela é feita de porcelana, e que quebra com grandes atritos?), de modo que ela acaba quase sendo a protagonista dessa nova trama, que com muita sagacidade acaba chamando a atenção e empolgando bastante, com bons diálogos e muito carisma próprio. Dentre os novos, diria que Garfinho foi um personagem que não apareceu no primeiro momento, pois é muito fraco se pensar em um garfo plástico como brinquedo, e mostrar suas dúvidas e afinidades, mas se pararmos para olhar crianças pequenas acabam fazendo brinquedo de tudo, então a ideia foi bem encontrada, e o resultado acaba tendo um gracejo bem gostoso de acompanhar. O coelhinho e o patinho mereciam muito mais espaço, pois os personagens tecnicamente soaram bem interessantes, tinham propostas terroristas bem elaboradas para conseguir suas coisas, e certamente a dupla Antonio Tabet e Marco Luque de dubladores mereciam algo melhor do que meia dúzia de falas. A vilã Gabby Gabby juntamente com seus aliados que lembraram muito o boneco do mal, Slappy de "Goosebumps", foram bem imponentes em suas primeiras cenas, mas ao contrário do que vimos no terceiro filme com um vilão com propostas fortes, aqui tivemos alguém até com algo forte, mas sem muita desventura, e com um final adocicado demais. Quanto aos demais, apenas apareceram, e foram precisos no que precisavam, não chamando nem atenção, nem atrapalhando.

Agora certamente a equipe de arte merece apanhar, pois criaram uma cenografia tão incrível, com um parque de diversões imenso, um antiquário cheio de detalhes, e até mesmo um trailer de viagens cheio de ambientações, e optaram por fazer tudo nas espreitas, se escondendo por trás de fios, de poeira, de bastidores, o que sim é a ideia dos brinquedos não aparecerem para os humanos com vida própria, mas mereciam muito mais, mais brincadeiras como a que é feita nos créditos, mais interações como a da festinha, mais movimentação como na chegada do gambá e da caixa de areia, ou seja, mais em tudo, pois dentre os quatro filmes, certamente agora é o que temos mais detalhes de texturas, afinal, a tecnologia melhorou demais, e dessa forma tudo parece incrivelmente real, e valeria muito mais envolver a todos dentro de algo que fosse além. Quanto do 3D, é quase melhor eu nem falar nada, pois só serviu para dar formato e perspectiva para os personagens e cenários, coisa que um bom diretor de fotografia conseguiria fazer em 2D mesmo, ou seja, completamente desnecessário em todos os momentos.

Enfim, um filme que não chega a ser incrível, mas que consegue agradar bastante, divertir, e até emocionar, que muitos talvez até se decepcionem um pouco, afinal esperar quase 10 anos por uma continuação é algo que o público aumenta demais quando se começa a falar sobre, e sendo assim, até que recomendo ele para todos, que mesmo os mais pequenos vão curtir todo o colorido, porém não entenderão nada das mensagens, e os mais velhos devem ir sem esperar muito, pois aí certamente o longa ficará melhor visualizado. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos. Então abraços e até logo mais.

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