Brinquedo Assassino (Child's Play)

8/21/2019 01:39:00 AM |

Acho que nunca fiquei tão feliz ao sair de uma sessão de um filme de terror sangrento, pois após tantas continuações e refilmagens ruins, finalmente o reboot de "Brinquedo Assassino" veio de uma forma bem nova e muito interessante, cheia de cenas bem tensas interessantes, mortes bem violentas, e claro um tom cômico adequado sem exageros, de modo que o boneco Chucky até chega a ser gracioso, e a ideia de inteligência artificial num mundo completamente dominado pela tecnologia vem com um primor incrível se comparado ao anterior que usava de vodu. Ou seja, fui esperando rir de tudo e voltar reclamando da pré-estreia, mas fiquei tenso com cada uma das mortes e gostei muito do que vi de forma que recomendo o novo longa com certeza para quem gosta do estilo, pois souberam trabalhar bem a divisão entre carnificina e dramaticidade de modo que dá até para pensar na possibilidade de continuarem a franquia a partir desse novo longa, pois dá para brincar bem com o boneco irritado, afinal tecnologia na nuvem nunca morre ou apaga!!!

O longa nos conta que Andy e sua mãe se mudam para uma nova cidade em busca de um recomeço. Preocupada com o desinteresse do filho em fazer novos amigos, Karen decide dar a ele de presente de aniversário um boneco tecnológico que, além de ser o companheiro ideal para crianças e propor diversas atividades lúdicas, executa funções da casa sob comandos de voz. Os problemas começam a surgir quando o boneco Chucky se torna extremamente possessivo em relação a Andy e está disposto a fazer qualquer coisa para afastar o garoto das pessoas que o amam.

Posso dizer com certeza que a estreia na direção de longas de Lars Klevberg foi feita com sucesso, de modo que iremos esperar mais dele nos seus próximos filmes, pois usando o roteiro de Tyler Burton Smith (que antes só tinha feito roteiros de jogos de videogame e também estreia aqui), baseando na história original de Don Mancini, o resultado do reboot é algo completamente diferente do que já vimos nos outros muitos longas do personagem que começou lá em 1989, mas usando claro a essência de um brinquedo que acaba tendo atitudes bem psicopatas, e aqui com um "bom" motivo, afinal quer ser único amigo de Andy, não tendo que dividi-lo com ninguém mais. Ou seja, foram bem coerentes na formatação de um novo filme, usando como base o que já havíamos visto lá atrás, mas adaptando para o mundo atual, aonde a tecnologia domina, com o boneco sendo um robô bem tecnológico com um chip capaz de usar todos os demais equipamentos comercializados pela companhia que o criou. Claro que poderiam ter desenvolvido um pouco mais sobre a Kaslan e seus equipamentos, poderiam também ter trabalhado o ranço ridículo do funcionário que programa o boneco para ficar do mal (uma das cenas mais rápidas e bestas que já vimos, sendo completamente jogada), mas para isso precisariam aumentar o tamanho do longa, e quem sabe desandar com explicações demais, então vamos aceitar o começo rápido e jogado que deram como apenas uma falha simples, mas de resto, o longa acaba compensando depois.

Sobre as atuações diria que já vi muitos atores bem melhores, principalmente para o papel da mãe do garotinho, pois Aubrey Plaza foi bem jogada como Karen, de modo que faz trejeitos forçados e está sempre exagerando para não parecer bobinha demais, além de não convencer como mãe de forma alguma, ou seja, pode até ser que pela inexperiência do diretor ele não tenha conseguido conduzir ela melhor, mas aí deveria ter entrado os produtores para escolher alguém melhor para o papel que conseguisse fazer algo melhor sozinha. Em compensação, o garotinho Gabriel Bateman entregou um Andy bem cheio de vertentes, com olhares carismáticos e até com uma afeição bacana pelo boneco, de modo que suas atitudes acabam nos convencendo e o resultado por ele ficar mais à frente da história acaba funcionando. Brian Tyree Henry soou meio bobo como detetive Mike, de modo que aparece pouco na trama, mas sempre com piadinhas e olhares meio que jogados, o que não caberia para um policial, e isso talvez pudesse ser melhorado no roteiro, mas nada que atrapalhe muito. As demais crianças foram pouco usadas, mas agradaram bem no que fizeram e tivemos bons resultados de expressões por parte deles, então nada a reclamar ao menos, e os outros adultos serviram bem para as mortes, e claro que alguns até mereceram bem as que tiveram, ou seja, um bom resultado. Agora falando do boneco, foram muito sagazes em usar um animatrônico, de modo que todos no set de filmagem viam o boneco se mexendo e podiam se assustar facilmente com seus atos (claro que nas cenas mais tensas a computação domina, mas o básico foi feito em cena), e Mark Hamill entregou uma voz imponente para Chucky com boas doses dramáticas bem interessantes para nos envolver.

Visualmente o longa funciona muito bem, pois não abusa de locações grandiosas, ficando praticamente só no conjunto de apartamentos aonde a família vive, passando por três ou quatro cômodos bem montados para não precisar muitos efeitos e o resultado convencer, além do mercado e a casa com jardim, de modo que o resultado fica bem coerente na textura do boneco e seus movimentos, além de objetos usados como armas letais e claro uma grande sagacidade por parte da equipe de fotografia para trabalhar os tons de luzes com o azul para quando o boneco está bem normal, e o vermelho predominando o ambiente para quando o bicho vai pegar, e isso foi muito bem usado dentro das cenas escuras para criar situações. A maquiagem juntamente com a equipe de efeitos especiais também teve um trabalho perfeito para todas as mortes serem fortíssimas, com pedaços e muito sangue voando para todos os lados, de modo que chega a impressionar por um lado, mas agradar muito quem gosta do estilo do filme.

Enfim, tirando o detalhe de não termos um começo mais decente explicativo sobre a Kaslan e sobre a família de Andy, sendo tudo muito jogado na tela, o resultado geral da trama acaba sendo muito bom e acaba superando todas as expectativas, pois certamente a maioria irá esperando ver uma tremenda bomba, visto que os últimos filmes foram bem ruins tanto que nem chegaram a ser lançados nos cinemas, ou seja, recomendo ele com certeza, e claro que agradeço aos parceiros da Difusora FM 97,1MHz pela ótima pré-estreia, que fez todos rirem, se divertirem e também ficarem tensos com tudo o que foi mostrado na telona. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

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Nada a Perder 2 - Não Se Pode Esconder a Verdade

8/19/2019 12:31:00 AM |

Costumo dizer que continuações no Brasil são um perigo, pois costumam estragar algo de bom que fizeram e você gostou no original, mesmo que não seja adepto daquilo, e digo isso com um grande pesar, pois foi bacana conhecer a história de Edir Macedo no longa "Nada a Perder", mesmo com toda a paia marqueteira em cima de muita coisa para endeusarem o bispo, mas aí vir com "Nada a Perder 2", aonde tudo é montado para mostrar que foram vítimas de tudo e todos, montar cenas grandiosas, com uma trilha melódica alta que chega a quase sobrepor as vozes, exagerando sempre em clichês de vitimização, de tal maneira que analisando como filme até temos muita coisa boa (tirando os excessos de textos de jornais, momentos de documentários, entre outros relances que saem da ficção), mas é tanto exagero que chega um momento que ficamos nos perguntando se estamos vendo algo realmente biográfico ou se é algum tipo de propaganda panfletária, pois o diretor do longa se jogou completamente no que foi solicitado e esqueceu que estava fazendo um filme, e isso é uma pena, pois o que fez no primeiro filme, se seguisse aqui a mesma linha seria muito bom de ver. Portanto se você não for membro da Igreja Universal do Reino de Deus para ir conferir um pouco mais da vida do bispo, ou não for um dos que vai ganhar ingresso do pessoal que fica distribuindo por aí, não digo que vá valer perder seu tempo conferir a trama, pois a chance de reclamar é bem alta.

A sinopse nos conta que após deixar a prisão, em 1992, Edir Macedo (Petrônio Gontijo) atravessa uma série de provações: a conduta inapropriada de outros bispos da Igreja, o ataque de políticos e católicos, a doença de sua mãe, a tragédia do desabamento do teto de uma Igreja em São Paulo. Enquanto isso, fiéis começam a ser perseguidos nas ruas e as Igrejas correm o risco de fechar. Pressionado, ele decide subir o monte Sinai e visitar Jerusalém, onde tem uma ideia: construir o Templo de Salomão, réplica do local homônimo citado na Bíblia, localizado em São Paulo.

Já sabemos o porquê do diretor Alexandre Avancini ser o queridinho da Record, fazendo praticamente todas as novelas e filmes da emissora: não ter ideia própria e entregar basicamente o que lhe foi encomendado. E isso não é ruim, pois temos filmes que são de diretor, e tem aqueles que são de produtores, aonde o diretor é apenas contratado para fazer o que lhe impõem e nada de suas ideias são utilizadas, e aqui vemos bem esse estilo, pois diferente do primeiro longa que temos uma história de vida com uma panfletagem da igreja em segundo plano, aqui temos uma panfletagem colocada em primeiro plano máximo que quase não vemos uma história no segundo plano, e isso é algo muito ruim de ver num filme, afinal acaba sendo direcionado demais, e mesmo que a igreja tenha comprado quase que 90% dos ingressos disponíveis nos cinemas para marketing, o longa acaba sumindo do mapa facilmente, e isso não é bom para nenhuma produção. Ou seja, diria que Avancini ficou muito atrás da concepção desse filme, usando material demais do jornalismo, e brincando pouco com a ficção, de modo que vemos quase um documentário dramatizado, aonde temos alguma atuação, e certamente essa não era a ideia de nenhum diretor, mas quem sabe dos donos do filme apenas.

Quanto das atuações, diria que Petrônio Gontijo se entregou por demais no personagem de Edir, e com muita maquiagem conseguiu ficar muito semelhante em tudo, incorporando trejeitos, forma de andar e até modo de falar usando muito do que viu do material que lhe foi entregue, sendo quase perfeito no conceito de tudo. Por incrível que pareça, o filme deu frente praticamente só para o protagonista, de modo que os demais aparecem tão pouco na trama que quase nem vemos suas atuações, tendo leves destaques para Cesar Mello como Paulo, o braço direito do bispo aparecendo sempre ao seu lado para trazer as notícias ruins rapidamente, bons olhares também foram entregues por Day Mesquita como a esposa Ester, alguns semblantes tristes por parte da mãe vivida por Beth Goulart, e claro os ares imponentes e revoltosos dos personagens de Eduardo Galvão e Dalton Vigh como membro da igreja católica e do governo, ou seja, todos apareceram rapidamente para dar seu recado, mas nenhum chamou atenção.

A equipe de arte teve tudo em mãos para fazer um filme grandioso, passaram por mais de 120 locações, foram para outros países, e encontraram bons momentos para refazer na telona, de modo que vemos um trabalho coeso de pesquisa para que tudo ficasse detalhado em minúcias (claro que usando da versão do protagonista), e sem economizar em nada foram efetivos no que fizeram, claro que exagerando bastante, pois não posso afirmar que o céu do Egito possui tantas estrelas como mostrado no filme, muito menos que filmaram em São Paulo com tanta chuva, pois a cada nova cena tinha chuva, ou seja, poderiam ter sido mais singelos que o efeito seria o mesmo.

Quanto da parte sonora, assim como ocorre na maioria dos longas religiosos, abusaram de trilhas de efeito para fazer o público se emocionar, passar sentimentalismo e até tentar manter o ritmo calmo da trama, de modo que chega a ser cansativo, além de em diversos momentos exageradamente alta até quase sobrepondo as vozes, ou seja, podiam ter economizado nesse sentido também.

Enfim, volto a frisar que o primeiro longa foi bem bacana de conferir, mas esse somente o público fiel da igreja do bispo Edir Macedo conseguirá gostar de algo do longa, e mesmo que a cena emocionante da inauguração da igreja na África seja cativante, o filme derrapa demais em exageros que não tem como ficar feliz com o que verá na telona sem ser devoto. Ou seja, só recomendo ele para quem irá ganhar ingresso na igreja, e nada mais, mesmo que o filme não seja ruim, pois como analiso sempre a parte da produção, nesse quesito o longa é bem feito, mas nada além disso. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Acho que estou sendo até bonzinho demais na nota, mas como a parte da produção do longa foi bem interessante de ser vista, e a interpretação do protagonista ficou bacana, valeu a tentativa ao menos.
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Era Uma Vez Em... Hollywood (Once Upon A Time...in Hollywood)

8/18/2019 12:50:00 AM |

Diria que o nono filme de Tarantino tem essência grandiosa por mostrar uma história real montada como ficção para mostrar a época em que o cinema de faroeste nos EUA estavam entrando em baixa, juntando com a moda hippie estranha que teve, moldando a vida de alguns famosos que viveram nessa época e muito mais, porém ele quis mostrar tanta coisa em um único filme, colocando tantos personagens desconexos conectados, criando tantas perspectivas, que seu "Era Uma Vez Em... Hollywood" acaba sendo longo demais, e tendo somente uma tradicional cena clássica de um filme tarantinesco, claro que do vértice bem sangrento, mas tendo outras com seu gosto, boas trilhas e enquadramentos. Ou seja, o filme acaba cansando no miolo, soando repetitivo, mas como possui vários elementos bons: a beleza da protagonista, as boas atuações, uma produção precisa de recriações visuais de uma época, um cachorro carismático, o resultado acaba sendo bacana de ver, mas muito longe de vermos uma obra-prima do diretor que tanto estamos acostumados a ver, e dessa forma acredito que esperava bem mais, já que as boas cenas (tirando a final) já haviam sido mostradas nos trailers.

O longa revisita a Los Angeles de 1969 onde tudo estava em transformação, através da história do astro de TV Rick Dalton e seu dublê e amigo de longa data Cliff Booth que traçam seu caminho em meio à uma indústria que eles nem mesmo reconhecem mais. Junto a isso, ele trabalha múltiplas histórias paralelas para fazer um tributo aos momentos finais da era de ouro de Hollywood.

Todos sabemos bem que o diretor e roteirista Quentin Tarantino é meio maluco, e possui manias gigantescas que fazem de seus filmes grandes obras cheias de detalhes, tiros, explosões, e claro, bons diálogos, e aqui até vemos um pouco disso em cenas espalhadas, porém um dos pontos que mais gostamos de ver em suas obras é o fato de as histórias contadas nos surpreenderem, e envolverem para termos um final de impacto, o que aqui até tem um excelente final (até antes do momento que achávamos que veríamos - afinal a maioria conhece a história de Charles Manson e Sharon Tate), porém ele exagerou em ter tantas histórias paralelas, colocando tantos personagens que precisariam de um desenvolvimento maior, que vemos quase uma série encurtada, que com rápidos momentos não nos é entregue uma trama montada realmente, e assim sendo o filme encalha. Claro que terão aqueles que irão adorar ver os clássicos momentos da era de ouro de Hollywood, as montagens dos filmes western já decadentes, os atores em suas mansões, e tudo mais, porém o feitio de uma história realmente acaba não acontecendo, e isso é muito ruim, pois sempre vamos ver um filme de Tarantino esperando muita coisa, e aqui ele desapontou um pouco.

Não tenho nem o que falar das atuações perfeitas, afinal com um elenco desses não tinha como algo sequer dar errado, e no quesito interpretativo o filme deslancha de uma forma incrível, com todos os personagens sendo precisos em seus momentos, trabalhando bem os olhares, e retratando bem os diversos personagens reais ou não que viveram nessa época, de modo que acabamos nos envolvendo bastante com cada um, rindo muito de Rick Dalton e suas maluquices, numa ótima interpretação de Leonardo DiCaprio, que conseguiu entregar bons trejeitos, mostrando a vivência dos galãs de western que acabaram virando vilões depois para praticamente sumirem como garotos propagandas apenas. Torcemos nas lutas da vida de Cliff Booth como um dublê bem imponente e boa pinta, amigo de todas as horas e que mostrou que Brad Pitt está completamente em forma para bons papeis. Margot Robbie mostrou mais uma vez sua beleza, carisma e muita desenvoltura para colocar sua Sharon Tate de uma forma singela, mas bem trabalhada no longa. E principalmente vimos todos os hippies malucos (Dakota Fanning, Austin Butler, Margareth Qualley) comandados por Charles Manson, que aqui foi vivido por Damon Herriman numa aparição tão rápida que ficamos com certeza que Tarantino não quis tocar fogo no vespeiro. Quanto aos demais, tivemos uma boa dose rápida de Al Pacino como um grande empresário e uma homenagem meio caricata de Mike Moh para Bruce Lee e seus tradicionais gritos.

Outro grande show ficou a cargo da equipe de arte, que soube recriar muito bem a época do longa, remontando sets de filmes western, criando uma Hollywood cheia das cores, cinemas e tudo mais no estilo que tinha na época, trabalharam bem figurinos clássicos, montaram bem as casas tradicionais, e principalmente não exageraram em clichês comuns de filmes de época, de modo que acaba sendo gostoso ver os ambientes, as situações, e claro toda a tradição costumeira que Tarantino gosta de permear em seus longas, ou seja, um filme com um ar clássico, mas com virtudes modernas, em que o visual acaba agradando demais de ser visto. A fotografia talvez tenha sido exagerada com tons bem quentes, de modo que parece que mesmo em épocas frias dos EUA, os atores estão exageradamente com muito calor, mas isso se deve também ao filtro para fazer os western, que não mediram muito para dividir com as demais cenas, e sendo assim diria que poderiam ter oscilado mais os tons para dar um envolvimento mais diferente.

O diretor exagerou um pouquinho na quantidade de canções do filme, todas muito boas, mas praticamente a cada virada de câmera entrava uma trilha nova, e isso acabou ficando levemente estranho. Só não falo que foi ruim pela qualidade musical, mas poderia ter feito algo mais clássico que agradaria mais. Para quem quiser curtir as músicas, aqui vai o link.

Enfim, é um filme que tem mais problemas do que qualidades, e pela primeira vez acredito que nem tenha sido a alta expectativa que estava com o filme, pois fui conferir esperando um longa bem maluco como todos os demais do diretor, mas que tivesse uma história mais pontuada, e não vários momentos encaixados, que poderiam virar uma série ou até mesmo uma novela, afinal elenco é o que não falta, e histórias paralelas tem aos montes também, ou seja, é um filme bom, mas que não atinge nem metade da capacidade do diretor. Sendo assim recomendo ele para quem quiser ver bons atores em cenários bem trabalhados de época, pois quem for esperando ver uma história bem mais forte certamente irá se decepcionar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Jornada da Vida (Yao)

8/17/2019 01:24:00 AM |

Um road-movie que transparece as essências de origem, essa pode ser facilmente uma definição dos eixos bases de "Jornada da Vida", que consegue não apenas seguir uma linha bonita de amizade entre um ídolo e seu fã, mas também colocar a vida desse ator/escritor para conhecer um pouco mais de suas bases, e não apenas como um eixo ficcional, mas também trabalhando um pouco da realidade, afinal Omar Sy nasceu na França, mas seus pais são do Senegal e da Mauritânia, ou seja, bem no elo aonde o filme se passa, e dessa forma o diretor não apenas consegue montar sua história, mas puxar as memórias familiares do ator para algo a mais, e o filme embora não seja tão emotivo, tem bons momentos de rituais, diversas bases culturais, e principalmente uma entrega envolvente de sintonias entre o garoto e o adulto, meio como uma troca de experiências sem muita dinâmica, e dessa forma o filme soa gostoso, é bem trabalhado, e o resultado agrada de certa forma.

Em seu vilarejo no norte do Senegal, Yao é um garoto de 13 anos de idade disposto a tudo para encontrar o seu herói: Seydou Tall, um famoso ator francês. Convidado a promover o seu novo livro em Dakar, Tall retorna ao país de origem pela primeira vez. Para realizar o seu sonho, o jovem Yao prepara uma fuga e atravessa 387 quilômetros sozinho até a capital. Comovido com este jovem, o ator decide fugir às obrigações e acompanhá-lo de volta à sua casa. No entanto, pelas estradas empoeiradas e incertas do Senegal, Tall compreende que ao se dirigir ao vilarejo do garoto, ele também parte ao encontro de suas raízes.

O diretor e roteirista Philippe Godeau entregou uma trama estilosa, simples e bonita de se ver, não se preocupando com cenas muito ensaiadas, nem desenvolturas clássicas do estilo, botando mais em prática o carisma de ambos os protagonistas, e a situação de cada um vivenciando aquilo, de tal maneira que se ele tivesse pedido para Omar ser mais pessoal ainda (apesar que atualmente o ator já é uma tremenda estrela francesa, quem sabe no começo da carreira o filme seria bem diferente), o filme teria um desenvolvimento ainda melhor, mas ainda assim o resultado encanta, vemos muitos momentos bem entregues, e outros levemente artificiais, mas que no contexto completo acabam funcionando bem. Ou seja, o trabalho do diretor foi criar uma ficção em cima de algo com um embasamento bem real, mas que funcionasse com um tom afetivo bem colocado, e o resultado dessa forma foi bem satisfatório.

Sobre as atuações, sabemos bem o quanto adoramos ver na telona a presença de Omar Sy, que lá trás era uma grande promessa, e hoje já entrega dinâmicas incríveis em diversos filmes, e aqui fazendo quase o papel de sua história "real", ele entrega personalidade para seu Tall, e encontra olhares e sintonias na mesma intensidade por parte dos demais, de modo que funciona o que faz na tela, funciona o que passa de perspectiva e agrada como deveria fazer e faz, claro que poderia ter sido ainda mais singelo de expressividades, mas ainda assim envolve e acerta no que faz. O jovem Lionel Louis Basse entrega bons olhares com seu Yao, transportando sua felicidade de conhecer seu ídolo, mostrando desenvoltura nas cenas mais simbólicas, mas principalmente agradando pelo excelente tato que tem para pegar suas cenas sem se perder, de modo que certamente se o garoto tiver chances artísticas, irá deslanchar mais para frente. Fatoumata Diawara tem uma participação bem coesa com sua Glória, e incorpora dança típica, envolvimentos casuais bem colocados com os protagonistas, e acerta no que foi proposto, mas poderia ter ido bem além no desenvolvimento da personagem, pois acabou levemente jogada. Quanto aos demais, a maioria fez rápidas participações, mas todos entregaram bons sorrisos e não atrapalharam em momento algum.

Visualmente o longa entrega lugares fotograficamente perfeitos, cheios de personalidade, cultura, e claro muita simbologia para criar o conceito de origem que o filme tanto prega, e até mesmo o carro velho da marca foi usado mais ao final para representar algo na trama, ou seja, um filme com muitos elementos espaçados, que durante toda a duração vão sendo usados e marcados para mostrar esse outro lado da África que não é tanto mostrado nos longas, e dessa forma o resultado ainda coincide no choque França versus África, origens e originados, de maneira que vamos nos envolvendo com o trabalho da equipe que ainda escolheu bem o ritmo do andamento do carro, da poeira e claro das boas canções para funcionar como um todo.

Enfim, o longa passa bem longe de ser daqueles que você irá guardar na memória como um dos mais marcantes de sua vida, mas certamente sempre que pensar em um longa bem cultural, cheio de expressividade vai ficar pensando no nome até lembrar pelo bom estilo, ou claro pelo ator, que sem ele o resultado não seria o mesmo. Recomendo a trama pela essência, pelos bonitos atos, e claro pela cultura em si, mas poderiam certamente ter melhorado muitos pontos para emocionar mais, pois isso foi o que mais faltou no filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Eu Sou Brasileiro

8/16/2019 12:06:00 AM |

Muitas vezes o não exagerar em um roteiro funciona e emociona muito mais do que criar algo mirabolante e cheio de virtudes, e digo isso principalmente ao ver alguns longas que até tentam sair do básico, mas que já estão funcionando bem dentro do simples, e só mantendo o arroz e feijão conseguiriam entregar algo sutil e bem colocado, mas como muitos optam pela ousadia, as vezes precisam pagar o preço. Disse isso para começar a falar do drama nacional "Eu Sou Brasileiro", que certamente muitos irão torcer a cara pela sinopse com cara de tema de novela, outros irão reclamar do exagero do famoso dito popular que brasileiro não desiste nunca, mas certamente embasado nessa essência conseguiram criar um longa que entrega esses dois vértices (um estilo novelesco e o exagero utópico do lema), mas que consegue emocionar pela simplicidade, e talvez se não tivessem alongado tanto a densidade, afinal o filme é curto com apenas 85 minutos (mas parece pelo menos 2 horas!), talvez o filme tivesse sido ainda melhor. Porém mesmo com esses leves defeitos, ainda digo que vale a pena dar a chance para a trama, pois os atores até foram bem coesos nos seus momentos, e traz a lição de que vale tentar para conseguir ir em frente, pois as vezes ainda não era sua hora de estourar, e assim, o filme passa bem o que desejava, mesmo que não indo direto ao ponto.

A sinopse nos conta que Léo passou a sua vida inteira tentando se tornar um jogador de futebol famoso e bem sucedido, mas a rotina suburbana nunca aliviou o seu lado. No entanto, mesmo com todos os problemas, ele faz o mesmo que todo bom brasileiro: não desiste e continua tentando. Na intenção de dar a volta por cima, Léo vai para o tudo ou nada e arrisca uma última grande chance.

A estreia do diretor e roteirista Alessandro Barros pode ser dita como um pequeno passo para algo bem maior, pois já trabalhando com grandes atores jovens e também alguns grandes nomes já do cinema nacional, ele conseguiu entregar sua trama somente usando a base novelesca, mas não seguindo a linha da necessidade de trabalhar com diversos núcleos (o que é excelente!), de modo que vemos a história praticamente toda focada no protagonista e em sua família, e seus perrengues no miolo da história, e tirando o mote do cunhado que poderia ser utilizado de outra forma, tudo acaba bem encaixado e resultando em algo bem montado. Claro que temos diversos exageros, afinal o longa trabalha uma essência otimista demais, e com isso muitos podem até reclamar do estilo, além disso, o diretor usou um artifício muito batido para o miolo da trama, de modo que quem não desconfiar do que está acontecendo certamente nunca viu um filme na vida, e isso poderia ter sido amenizado, mas de forma alguma atrapalha o conteúdo da trama, e sendo assim, diria que o resultado é interessante, e certamente ele irá melhorar muito no próximo filme com o que aprendeu errando aqui, principalmente pelos diversos pontos não explicados na trama, como já disse do caso do cunhado, ou então da quantidade de bandeiras que tanto a mãe quanto a esposa faz, entre outros momentos.

Diria que a equipe foi bem coesa na escolha do elenco, pois todos entregaram um carisma bem próprio para cada um dos papeis, e encontraram estilos certeiros para que suas atuações ficassem bem dentro das personalidades de cada um. O protagonista Daniel Rocha consegue se passar bem tanto no momento mais jovem, quanto na versão mais adulta de seu Léo, de maneira que entrega olhares simples, mas bem encontrados para com o momento que está passando, claro que poderia ter ido bem além, mas não decepciona ao menos. Já Fernanda Vasconcelos entrega momentos bem oscilantes com suas maiores características: um olhar exageradamente triste, de tal maneira que mesmo nas atitudes mais envolventes da trama parece incomodada com sua Lu, mas ao menos se encaixou bem no que era preciso para funcionar o papel. Quanto os demais, tivemos atos bem colocados de Zezé Motta como a diretora da escola, Letícia Spiller como uma terapeuta, e até Cristiana Oliveira caiu bem no papel da mãe do protagonista, de modo que não chegam a surpreender em nada, mas também não atrapalham com o que fazem.

Visualmente o trabalho da equipe de arte foi fazer o básico sem precisar gastar muito, e contou claro com locações simples, e momentos mais bem enquadrados para encontrar um resultado coerente quanto ao jogo, quanto as sessões de terapia, e até nas aulas nos colégios foram sem muito luxo, mas representando bem o que o diretor desejava, trabalhando os elementos cênicos de forma coesa, e com isso o resultado não vai muito além, mas funciona. O único detalhe que não necessitava foi mudar o tom da fotografia para as cenas do protagonista mais velho, pois de cara entregam o que está acontecendo, mesmo com essa parte do filme sendo a maior, ou seja, talvez outros arquétipos encaixariam melhor, e o resultado surpreenderia mais, mas como não é um erro isso, apenas um clichê totalmente tradicional, funcionou ao menos.

Enfim, é um longa que tem muitos pequenos problemas, mas que em essência consegue emocionar e passar sua mensagem, ou seja, funciona de uma maneira simples que poderia ir até mais além, ou talvez trabalhar esses pequenos detalhes para fazer algo mais envolvente ainda, ou seja, vai ter muita gente reclamando dele, mas muitos irão se encontrar com a mensagem, e sendo assim recomendo ele com essas ressalvas, de não esperar muito, e se deixar levar, pois ele passa longe de ser um filme ruim como muitas críticas andaram queimando ele. Fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Badla

8/15/2019 12:10:00 AM |

Ainda estou em choque com o final do longa indiano "Badla" que estreou essa semana na Netflix, pois até cheguei a imaginar algo do tipo lá pelo meio do filme, mas fui convencido de outras hipóteses através do grande jogo de verdades e mentiras entre a empresária acusada e seu grandioso advogado (o qual nunca perdeu um caso em 40 anos!). Porém longe do ótimo final, a trama inteira é cheia de reviravoltas tão bem feitas, num tremendo jogo de xadrez dos bons, que vamos montando as cenas dos crimes da mesma maneira que o diretor, trabalhando os ângulos da verdade ou da mentira, criando hipóteses, que quando vemos já estamos tão envolvidos com a história que já nem imaginamos mais o que é verdade ou o que é mentira, e quem está certo na composição completa da trama. Ou seja, um filmaço de primeira linha que de início parecia ser simples demais, pela sinopse parecia bobinho de tudo, mas que no desenrolar completo tirou muitos coelhos da cartola, e que talvez até possa ter um furo ou outro no roteiro, mas é tão bem remendado que acabamos passando despercebidos por eles, e vibrando com o fechamento. Acho que nunca recomendei um longa indiano, pois já vi alguns bem ruins, mas esse pode anotar aí e ficar de olho no diretor, que vai valer a pena.

A sinopse nos conta que uma jovem empresária dinâmica é encontrada trancada em um quarto de hotel com o cadáver de seu amante morto. Ela contrata um advogado de prestígio para defendê-la e eles trabalham juntos para descobrir o que realmente aconteceu.

O diretor e roteirista Sujoy Ghosh adaptou a trama do filme "Um Contratempo" (que também tem na Netflix, e é muito bom também - devo rever em breve para colocar um texto aqui também, mas que já falei do outro longa do mesmo diretor e roteirista Oriol Paulo, "Durante a Tormenta") para um vértice digamos um pouco diferente, e com o outro ponto de vista, já que no espanhol temos um empresário e uma advogada, enquanto aqui é o inverso, mas que no miolo possui muitas semelhanças. Porém o diretor foi sagaz em trabalhar dinâmicas bem rápidas, colocar simbologias nos diálogos, e incorporar para seus personagens toda a situação com muitas viradas rápidas e funcionais, de modo que vamos nos surpreendendo e caindo em cada uma delas, para ao final fechar com chave de ouro, e isso é raro de vermos em filmes simples como esse, pois não temos uma produção caríssima, não temos atores renomados, mas na simplicidade de causa, o resultado acaba grandioso e bem feito, e isso faz valer muito para quem gosta de longas de suspense envolvendo crimes enigmáticos, e aqui isso é entregue com perfeição, e certamente irei procurar mais coisas do diretor, pois ele mostrou muita sabedoria tanto na condução dos arcos, como na montagem escolhida quase teatral.

Um ponto que diria que poderia ser melhorado no longa sem dúvida fica a cargo das atuações, pois embora os protagonistas tenham um bom jogo de cintura na forma de entregar suas versões, brincando bem com trejeitos expressões, ambos poderiam ter floreado mais os olhares, causado ainda mais envolvimento e certamente passado mais convicção no seu estilo, embora acabemos confiando completamente em cada uma das versões apresentadas por eles como sendo perfeitas para solucionar o crime. Amitabh Bachchan entrega com seu Badal um advogado preciso de insinuações, cheio de opinião e muita desenvoltura no que faz, de modo que acabamos quase já procurando seu telefone no Google para usar quando for preciso, pois o cara dá show no que faz. Taapsee Pannu tem bons atos com sua Naina, e dialoga com uma precisão cirúrgica, mas nos atos que precisou trabalhar mais o corpo, seu gestual acaba ficando jogado demais, com olhares meio que jogados, que até servem para o final da trama, mas poderiam ser mais imponentes pela personalidade empresarial que a personagem tem. Dos demais, Amrita Singh foi coesa nos atos de sua Rani, cheia de envolvimentos bem colocados, mas sem muito destaque, afinal é personagem secundária, e Tony Luke entrega um Arjun bem colocado em diversas cenas, com sintonias claras de cada momento, chamando até a atenção para si, mas não empolga muito com a situação, pois também é secundário.

Visualmente o longa possui uma parte bem simples, afinal se passa quase todo dentro do apartamento da protagonista com os dois dialogando os fatos, com poucos elementos cênicos, mas tudo bem dentro do contexto, e sempre criando as cenas através do que vão contando, vemos os crimes acontecerem como realmente são feitas as reproduções policiais, mas claro que de forma cinematográfica que funciona bem e entrega bons atos no hotel, na casa do mecânico e principalmente no meio da floresta, com tudo fluindo bem entre cada detalhamento, aparecendo em momentos espaçados alguns pontos extras para a condução ficar mais encaixada tanto na mente do público, como na história, ou seja, um trabalho bem feito por parte da equipe de arte sem precisar gastar muito.

Enfim, fiquei realmente muito feliz com o que vi, pois fui conferir esperando ser mais um longa investigativo que provavelmente reclamaria de tudo e estaria aqui dando uma nota mediana para baixa, pois o trailer não me chamou a atenção, e a sinopse menos ainda, mas agora após conferir recomendo demais para todos que gostam do estilo, e que certamente ao final irão ficar bem chocados com tudo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos das estreias do cinema, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Missão no Mar Vermelho (The Red Sea Diving Resort)

8/13/2019 01:10:00 AM |

Hoje se fala muito de refugiados, de pessoas que cruzam os mares para fugir de guerras ou regimes autoritários que matam famílias e tudo mais, mas vemos isso por termos mais divulgação jornalística, pois já há muito tempo já existem diversas fugas e tentativas de povos sofrendo muito conseguirem um lugar para viver em paz, e o novo longa da Netflix, "Missão No Mar Vermelho" conseguiu mostrar um pouco de uma grande sacada que um grupo israelense conseguiu fazer para salvar diversas vidas nos anos 80, montando um resort de fachada no meio de uma guerra civil gigantesca no Sudão, e só isso já faz do longa algo que é muito válido de se conferir, mas além disso temos boas cenas de ação e tensão, momentos bem trabalhados pelo elenco grandioso, e uma fotografia bem pautada para ambientar cada momento. Claro que temos cenas bem falsas, diálogos jogados, e alguns atos até que parece que o roteirista nem pensou que viraria um furo imenso, mas como bem sabemos: longas de ação são cheios de furos, então vale ao menos para passar um bom tempo e conhecer um pouco mais na TV.

O longa nos mostra a incrível história de um grupo de agentes secretos que no começo dos anos 80 usaram um resort de férias no Sudão como fachada para o transporte de milhares de refugiados para Israel. A equipe responsável pela operação foi liderada pelo carismático Ari Levinson e pelo corajoso etíope Kabede Bimro.

O diretor e roteirista israelense Gideon Raff quis certamente entregar algo que envolvesse uma exaltação à sua cultura através de mostrar os primórdios da equipe de inteligência secreta Mossad, e como ela salvou milhares de judeus na África, e para isso o que ele pensou primariamente: preciso ter alguém de renome que já tenha brigado contra o nazismo, que tenha superforça e muito mais, e quem veio na mente? Claro, o Capitão América, mas como não estamos falando de um filme com super-heróis, vamos pegar Chris Evans que já serve para representar bem o estilo de Ari Levinson (que pelas fotos ao final até tentaram fazer ele ficar igual, mas passou bem longe). Não digo que a ideia do diretor tenha sido ruim, pois fez com que o filme ganhasse mais visibilidade (afinal muitos irão ver o longa pelo ator), mas poderia ter trabalhado um pouco mais os diálogos no roteiro para que os momentos conversados fossem mais críveis, pois o longa peca demais nesse sentido, e mesmo os longas de brucutus, cheios de ação, possuem ao menos cenas-chave com envolvimento, e aqui vemos algo quase que sem pé nem cabeça entre conversas com ministros, secretários de segurança, embaixadores, e tudo mais, como se fossem pessoas da esquina conversando sobre como vão tomar o café na praça. Ou seja, a maior falha recai nesse sentido, pois tirando esse detalhe, o resultado do filme acaba empolgante, e agrada de certa forma bastante.

Diria que o elenco é maior do que os personagens pediam, pois com diálogos bem simples, parecia que todos estavam apenas tirando algumas férias de interpretações fortes, e fazendo a ação correr, de modo que Chris Evans até trabalha bem seu Ari Levinson, criando boas nuances, correndo para todos os lados, e fazendo olhares mentirosos bem marcados, mas não encaixa seus momentos com algo que surpreenda, e assim apenas faz bem. Michael Kenneth Williams foi bem simples e claro nas atitudes de seu Kabede, de que ninguém ficaria para trás e sua vida dependia somente disso, com olhares sempre bem calmos e não chamando tanta atenção, mas saindo bem no que fez. Um dos atores que mais se mostrou desmotivado com seus textos foi certamente Alessandro Nivola, pois é notável em seu Sammy os atos que ele tenta puxar algo a mais e o filme não tem condições para responder, ficando bem encaixado no que se propunha, mas não cativando como ele queria, e isso transpareceu demais para o longa. Haley Bennett entregou uma boa imponência feminina para a trama, mas teve tantas cenas jogadas desnecessárias, que se eliminarmos tudo seu sobraria umas 2 ou 3 apenas que valeriam da necessidade dela estar na trama com sua Rachel, e isso é algo que não pode acontecer com uma protagonista. Ben Kingsley e Greg Kinnear foram simbólicos para seus papeis de Ethan Levin e Walton Bowen pelos envolvimentos diplomáticos das missões, mas qualquer outro ator mais simples fariam os mesmos atos rápidos com a mesma precisão. Agora um vilão bem marcado e interessante foi a atuação que Chris Chalk deu para o coronel Abdel, pois fez caras fortes e bem trabalhadas, que mesmo soando bobas as vezes, chamou a atenção pelo rigor na maioria.

Visualmente o longa foi até que bem trabalhado, com um "resort" bem destruído para mostrar a enrascada inicial que os protagonistas se metem, muitas cenas em lugares públicos para mostrar conflito, cenas cheias de figurantes em lugares lastimáveis para representar os refúgios e as condições ruins que as pessoas estavam vivendo, e claro cenas fortes com os militares matando pessoas em primeiro plano para impactar bem, ou seja, a equipe de arte ao menos encontrou bons atos para representar os momentos que o filme pedia, mas encheu muita linguiça também com cenas desnecessárias apenas para mostrar serviço, e isso poderia ter economizado o orçamento. A fotografia trabalhou bem alguns planos de ângulos marcantes, com muita aridez visual e cores bem marrons para chamar a atenção do clima do local, e isso agrada bastante para envolver o público, pois ajudou e muito na tensão em diversos atos.

Enfim, é um longa que passa bem longe de ser perfeito, que possui muitos defeitos técnicos, mas que prende a atenção do público, que talvez um pouco melhor produzido, e principalmente com algumas revisões de roteiro para melhorar os diálogos, seria incrível, porém isso não atrapalha tanto o envolvimento, e sendo assim acabamos gostando do que vemos, passando um bom tempo na frente da TV. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Histórias Assustadoras Para Contar No Escuro (Scary Stories to Tell in the Dark)

8/11/2019 02:29:00 AM |

Antigamente víamos o povo todo com medo de ir conferir um longa de terror, hoje parece que os filmes já não causam tanta tensão e as salas acabam lotando com histórias que procuram mais passar mensagens do que criar temor nos espectadores, e embora a trama de "Histórias Assustadoras Para Contar No Escuro" consiga assustar em algumas cenas espalhadas (usando claro o manual de pegar desprevenido), a trama que Guillermo Del Toro adaptou ficou juvenil demais para impressionar, tendo sim bons elos, causando bem pelos estranhos personagens, mas sendo algo mais bonito de ver pelo estilo do que algo que fizesse você sair da sessão pensando em como iria dormir só de lembrar de qualquer ato. Por isso não digo que seja um filme ruim, muito pelo contrário, ele nos entrega algo visualmente perfeito, histórias bem montadas, e possivelmente até uma continuação pela última fala do longa, porém esperava ver algo mais forte e tenso, embora a cena das aranhas seja uma das mais horrendas desenvolvidas, ou seja, o filme tem seus méritos, mas poderia ter ido muito além no conceito de algo aterrorizador.

O longa nos conta que no tranquilo povoado de Mill Valley, durante gerações, o legado sombrio da família Bellows cresceu enormemente. Sara Bellows, uma jovem que oculta horríveis segredos, transformou sua tortuosa vida em uma série de histórias macabras escritas em um livro, cuja particularidade é que as mesmas se tornam reais para um grupo de adolescentes que o encontram.

O diretor André Øvredal já havia mostrado seu estilo de trabalhar com sustos no longa "A Autópsia", e aqui junto com Guillermo Del Toro, teve aprimorado ao menos a técnica de colocar ambientações (que foi algo que faltou muito no seu último filme) e conseguiu desenvolver boas situações para algo que possui sim um estilo de série e/ou contos paralelos que encaixam bem no decorrer da trama, e como sempre, ao compôr a história Del Toro colocou o medo vs vontade dos jovens de ir para o Vietnã, encontrou situações para falar de desastres ambientais, e ainda trabalhou outros vértices como o medo dentro de sonhos, brincando até com momentos de racismo, ou seja, incorporou diversos elementos possíveis e achou onde seguir para mostrar os diversos tipos de medo nos anos 60/70. Talvez esse excesso de aberturas tenha ajudado o filme a não ir para um rumo melhor, mas se tivessem mantido a essência, e causado mais tensão de terror mesmo no filme, teríamos algo para colocar com o nome nas alturas, pois só faltou fazer o público ficar com medo realmente de tudo, já que o restante foi perfeito.

Sobre as interpretações, diria que vemos um "Goosebumps" melhorado, pois temos adolescentes correndo na noite de Halloween, temos os mesmos quase que sem expressões, e monstros esquisitos, ou seja, tudo o que o outro já nos entregou, só que aqui a diferença é que sumiços ocorrem (não digo mortes, pois não ficou bem explicado o que acontecerá na sequência!), e as cenas aonde vemos impacto são bem fortes (como a do personagem se montando com suas partes, o espantalho espetando o garfo, as aranhas saindo aos montes, entre outros), e sendo assim diria que talvez o diretor precisava só de mais um pouco de atitude para transformar os jovens em atores melhores e mais expressivos, mas não conseguiu. Dessa forma, Zoe Margareth Colletti apenas fez caras espantadas com sua Stella (tendo a melhor cena ao final quando entra em uma cena antiga). Michael Garza tentou ser um galã com seu Ramón, mas apenas vimos cenas suas sem muita desenvoltura, e isso não chama a atenção. Gabriel Rush e Austin Zajur foram os que mais demonstraram temor nas interpretações de seus Auggie e Chuck, mas como foram bem secundários, nada chamaram atenção. Ou seja, apenas Austin Abrams com seu Tommy caiu bem para a cena mais tensa do longa, a jovem Natalie Ganzhorn também foi bem coerente na cena forte de sua Ruth, e só, pois os demais apenas foram coadjuvantes bem secundários.

Agora sem dúvida o grande mérito do longa ficou pelo conceito visual, tendo locações bem planejadas e detalhadas que mereciam muito mais cenas de impacto, como o casarão dos Bellow que entregou toda uma imponência tensa, as cenas de carro com o morto brigando com o jovem galã, e claro as cenas no milharal e na escola, ou seja, cada ato foi bem pensado e desenhado com diversos elementos visuais, muitas cores e tons para criar sutilezas nos ambientes, e principalmente um elo maior da trama, o que sempre caracteriza os longas de Del Toro, ou seja, um filmão visual que poderia ter ido muito além.

Enfim, volto a frisar que o longa não é ruim, mas ele permeia mais o ambiente, cria situações e falha em causar tensão no público, de modo que parece faltar atitude realmente para o diretor querer ir muito além, afinal muitos irão ver a trama por Del Toro, ou por já ter lido o livro de contos em que a trama é baseada, mas certamente muitos sairão desapontados pelo trabalho simples demais que o diretor acabou entregando, ou seja, é daqueles medianos que não agradam, mas que também não desapontam tanto. Fica assim minha recomendação então, se você gosta de um bom filme visual com elementos de terror bem desenvolvidos, mas que não assusta nada, pode ir conferir tranquilamente, agora se você gosta de sair da sessão morrendo de medo do que viu, pensando em tudo e mais um pouco, aqui você irá se desapontar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Meu Amigo Enzo (The Art of Racing in the Rain)

8/10/2019 02:15:00 AM |

Existem alguns filmes que vamos conferir já sabendo o que vai acontecer, e geralmente filmes com cachorros ou é daqueles cheios de bagunça que rimos muito, ou então pode levar o lenço para chorar muito com tudo o que esses seres vão transmitir para nós nos seus minutos na telona, e o mais engraçado em "Meu Amigo Enzo", que logo na primeira cena já sabemos o que vai rolar ao final, só não sabíamos que teria muito mais emoção lá pela metade do filme, ou seja, conseguiram trabalhar uma trama bem envolvente, cheia de boas mensagens, que mesmo sendo narrado (quem me conhece sabe o quanto odeio longas narrados!) conseguiu passar emoção, e transmitir uma vivência de olhares sinceros para que a história fluísse bem, encantasse a todos, e mostrasse principalmente os percalços da vida de um jovem piloto, que olha, esse sofreu e muito, com seu amado amigo cão. O longa em si é meio lento demais, pois sendo uma adaptação literária, quase conseguimos ver as viradas de página de cada capítulo se formando na telona, mas felizmente não é daqueles que cansam, pois, a dinâmica funciona, e acredito que até poderiam ter colocado mais impacto em algumas cenas, pois é possível segurar o choro, e se fossem de outra forma, não teria como. Certamente vale a conferida pelas boas cenas com o cachorro, e quem for fã de corridas ainda poderá se emocionar com cenas memoráveis dos mitos do esporte como Senna e muitos outros conhecidos, que são citados e mostrados através de imagens recuperadas em muitos momentos da trama.

O longa conta uma história emocionante narrada por um cão espirituoso e filosófico chamado Enzo, que através de seu vínculo com seu dono Denny Swift, um aspirante a piloto de corridas de Formula 1, ganha uma visão profunda e divertida da condição humana e entende que as técnicas necessárias na pista de corrida também podem ser usadas para passar com sucesso pela jornada da vida. O filme segue Denny e os amores de sua vida - sua esposa Eve, sua jovem filha Zoe e, finalmente, seu verdadeiro melhor amigo, Enzo.

O estilo do diretor Simon Curtis é daqueles que dificilmente nos entregará um filme mais agitado, pois mesmo trabalhando em um filme de velocidade (afinal estamos falando de um piloto de corridas que é bem ousado!) ele conseguiu trabalhar sua trama com classe, cenas calmas bem passadas e cheias de reflexão, montando cada elo de forma concisa e bem clássica, desenvolvendo cada personagem com atitudes coerentes, e principalmente colocando os protagonistas sempre em destaque para funcionar sua proposta. Claro que por ser uma adaptação literária acabaram não ousando muito, mas souberam usar do didatismo clássico, e claro da cartilha básica de como fazer emocionar para pegar o público em cenas chaves, e que com uma boa desenvoltura acabou trabalhando o cerne da trama com um formato carismático, pois o longa certamente poderia ir para um rumo mais cru, ou atacar logo de cara com facetas mais dinâmicas, mas ao trabalhar a síntese dos ensinamentos que uma corrida pode passar para a vida, o resultado sabiamente funciona e envolve, mesmo forçando para tantos clichês emotivos. Ou seja, o diretor não foi muito ousado, mas também não ficou em cima do muro, e soube entregar um filme gostoso de ver, que até poderia ser mais forte, mas não chamaria tanta atenção.

As atuações foram simples, porém bem encaixadas com as personalidades que o longa precisava, e todos os cachorros usados foram tão expressivos e bem treinados, que até se o diretor quisesse usar dele falando e não apenas pensando, acabaria funcionando bem, mas vamos deixar isso de lado, e apoiar o tom de voz incrível que Kevin Costner deu para Enzo, com bons envolvimentos e muita dinâmica em cada ato para emocionar e funcionar muito bem. Milo Ventimiglia conseguiu encontrar muito bem o estilo de um piloto para fazer seu Denny, e olha que o tanto de situações que o personagem passa é para mostrar muito envolvimento emocional e expressividade, ou seja, o ator foi bem coerente nos diversos momentos, mas certamente poderia ter trabalhado mais nos momentos mais tristes para que emocionasse melhor. Amanda Seyfried dorme no formol, só pode, pois sempre está bela e transparecendo emoções de forma não muito comum, pois falta um pouco de dinâmica expressiva nos seus trejeitos, porém aqui com sua Eve, ela teve uma chance maior com o que acontece com sua personagem, e com uma maquiagem bem colocada conseguiu envolver ao menos. Dentre os demais personagens, tivemos bons trejeitos da garotinha Ryan Kiera Armstrong como Zoe, tivemos o bom amigo Don vivido por Gary Cole, e tivemos os sogros ridículos que conseguiram entregar cenas bem impactantes, vividos por Martin Donovan e Kathy Baker.

No conceito cênico a trama não foi muito ousada, mas contou com uma casa bem cheia de elementos cênicos, muita interação do personagem canino com o restante (as cenas com a Zebra são ótimas!), muito carisma nos ambientes mais luxuosos como a pista de corrida, os carros escolhidos e até a mansão dos pais de Eve, de modo que o filme flui sem exageros, mas sabendo no que deseja trabalhar, ou seja, um trabalho sem grandes expressividades da equipe de arte, mas que deixou a trama fluir fácil para o diretor, não precisando forçar a barra para a computação (embora na cena com os brinquedos tenha usado desse artifício), mas sabendo lidar bem com os treinadores caninos para que os diversos cães usados encantassem no ambiente completo, pois foram muito bem treinados para não decepcionar em momento algum.

Enfim, é um longa que não chega a ser daqueles que vamos lavar os cinemas, mas que emociona e envolve bem pela história passada, pelos diversos perrengues que o protagonista acaba tendo em sua vida, e pelas boas mensagens que conseguiram montar misturando o mundo do automobilismo com a vida prática em si, e sendo assim quem gosta do estilo certamente irá gostar do que verá na telona, ou seja, fica a recomendação. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Voando Alto (Manou the Swift)

8/08/2019 10:15:00 PM |

Acho engraçado quando surgem alguns filmes sem ter passado quase o trailer nos filmes anteriores, e dessa forma acabamos sendo surpreendidos por histórias que apenas vemos algum detalhe na sinopse ou em outras críticas espalhadas pela internet, e a animação alemã "Voando Alto" foi um desses que acabou surgindo meio que de repente por não termos tantos filmes novos do estilo passando durante as férias, ou seja, fui ao cinema ver o longa sem saber o que esperar, e o resultado foi um bom misto de sensações, pois o filme é bem desenhado cenograficamente (embora tenha uns bichos bem estranhos - afinal andorinhas parecem mais bonitas na vida real do que esse bicho meio esquisito que temos no longa), possui diversas histórias bem contundentes e polêmicas para uma animação, e entrega algo bem feito, mas com possui tantos recortes e tantas cenas quebradas que o resultado final parece ser um misto de muitas tentativas de algo sem muito sucesso. E sendo assim, não tem a cara de que irá empolgar nem os pequenos, nem os mais velhos, ficando bem no meio termo, mas ao menos não é uma bomba completa.

O pequeno Manou passou sua vida inteira acreditando que era uma gaivota, quando na realidade ele é filho de um casal de andorinhas. Enquanto tenta aprender a voar, ele percebe que nunca será capaz de alçar grandes voos e foge de casa. Mas quando os animais correm perigo de vida devido a uma nova ameaça, só ele será capaz de salvar o dia.

O trabalho feito pelo diretor Christian Haas em sua estreia na direção, depois de passar por diversos longas em funções de efeitos especiais, é bem interessante de ser acompanhado, principalmente por saber colocar as polêmicas bem inseridas na trama sem pesar tanto a mão, e o resultado disso acaba fluindo, porém ele ficou muito em cima do muro de como desenvolver sua história, de modo que a todo momento parece trabalhar uma nova esquete de algum desenho infantil para a TV, que precisa ter fechamentos para comerciais, e isso não é algo que agrade muito de ver, mas longe de tudo acabar sendo uma tremenda bomba, o resultado acaba envolvendo quem for conferir, e a trama deslancha mesmo sem emocionar muito, e assim a trama encaixa como foi proposta, e o diálogo com o espectador fica ao menos bom.

Sobre os personagens, é bem bacana ver a desenvoltura do protagonista Manou, embora não seja meio esquisito e não tenha um carisma maior, mas seus atos soam singelos e envolvem dentro do que se propõe, de modo que talvez pudessem ter encontrado algo mais emocionante para suas vivências, que resultariam em um filme mais pegado no romance que no miolo acaba agradando, mas ao tentar focar no conceito familiar acabam ligeiramente perdidos de elos. A andorinha Kalifa tem um estilo doce e bem gostoso de acompanhar, e merecia ter até mais destaque do que sendo apenas da metade para o fim, pois seus elos soam interessantes e agradáveis de ver, além de ter um envolvimento romantizado junto com a voz da dubladora perfeito para o filme, e isso resulta em algo bem bacana de ver. Quanto aos demais personagens, temos Luc o irmão gaivota do protagonista bem divertido, mas que não chama tanta atenção, temos o dodô Parcival que tenta ser um elo cômico na trama mas não empolga e até mesmo os dois Yusuf e Poncho tentam botar um elo aventureiro divertido sem muito sucesso, e assim o único chamariz mais forte tenta ser o pai do protagonista, que tem uma voz forte, mas não tem tanto impacto (talvez na versão americana com Willem Dafoe o estilo tenha sido mais duro!).

O visual criado pela Luxx Film que é nova no mercado foi digamos chamativo, pois temos uma orla bem bonita, cheia de detalhes artísticos bem encaixados, e primorosamente os voos acabam tendo um estilo cheio de ambientações, o que é raro vermos em filmes que não entregam tantas texturas, e dessa forma acabamos viajando junto dos passarinhos por onde eles passam, com destaque para a cena da corrida, aonde vemos ambientes incríveis que poderiam ter sido melhor utilizados, não apenas sendo um elo. Ou seja, talvez com uma história um pouco melhor o resultado do trabalho do estúdio de animação seria fantástico de ver na telona, pois mesmo o filme não vindo em 3D, temos uma perspectiva de câmera incrível, que certamente se for convertido para as mídias digitais depois, o pessoal que gosta da tecnologia acabará se divertindo bastante com o resultado.

O longa conta com boas canções, e até tem um momento de composição entre todos os passarinhos, que acaba envolvendo bastante com a canção da protagonista, só é uma pena que não consegui achar ela na internet para compartilhar com vocês, mas quem achar, fique a vontade para postar nos comentários, que subo para o texto.

Enfim, é um filme bem feitinho, que aparenta ter uma proposta maior fora dos cinemas, e que pode chamar a atenção dessa forma, mas para aqueles que forem aos cinemas levar os pequenos para conferir a trama talvez fiquem um pouco decepcionados com o que verão na telona, pois falta algo para empolgar realmente, e o resultado soa apenas bonitinho. Sendo assim recomendo ele apenas para quem tiver com crianças um pouco maiores que gostem de ver boas imagens bonitas, mas sem procurar muita história para se envolver, afinal não é isso que o longa entrega de forma alguma. Bem é isso pessoal, esse foi apenas o primeiro filme dessa semana, que tem mais boas estreias, e volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Velozes e Furiosos - Hobbs & Shaw em Imax 3D (Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw)

8/03/2019 03:09:00 AM |

Dá para acreditar que já passaram 18 anos desde que o primeiro filme da franquia "Velozes e Furiosos" foi lançado!!! Ou seja, até quem nasceu quando o primeiro filme estreava, hoje já pode ver um filme adulto sem precisar dos pais!! É estamos bem velhos, e a franquia continua entregando cada vez mais cenas absurdas com explosões, perseguições, muitos tiros, e agora até vilões modificados geneticamente, afinal não bastava as sequências das histórias (que já nem tem mais para onde inventar!) resolveram fazer filmes derivados, e eis que o primeiro lançado agora "Hobbs & Shaw" conseguiu seguir a mesma linha, ter uma história bacana com dois personagens fora dos principais da série, e agradar bem quem gosta de ver todas essas maluquices, introduzindo boas piadas, algumas sacadas bem colocadas, e principalmente muita velocidade, ação, explosões e dinâmicas bem absurdas, ou seja, tudo o que esperávamos ver na telona, e ainda colocar um pouquinho de história, afinal precisa disso para um filme funcionar.

A sinopse nos conta que desde que se conheceram, Luke Hobbs e Deckard Shaw constantemente bateram de frente, não só por inicialmente estarem em lados opostos mas, especialmente, pela personalidade de cada um. Agora, a dupla precisa unir forças para enfrentar Brixton, um homem alterado geneticamente que deseja obter um vírus mortal para pôr em andamento um plano que mataria milhões de pessoas em nome de uma suposta evolução da humanidade. Para tanto eles contam com a ajuda de Hattie, irmã de Shaw, que é também agente do MI6, o serviço secreto britânico.

Só pelo gabarito do diretor já sabemos o estilo que ele irá nos entregar no filme, pois David Leitch ("Deadpool 2", "Atômica", "De Volta ao Jogo") já foi dublê e gosta muito de cenas de ação sem precedentes, daquelas que sabemos ser algo completamente impossível de ver na vida real, mas que funcionam visualmente pela plástica entregue, e quem pensar que ele vai amenizar em um único momento acabará se enganando, pois mesmo nas cenas mais calmas do longa, lá está presente algo que explodirá, ou uma arma de fogo imensa, ou até alguma animação de extração celular, ou seja, um filme completamente absurdo, aonde o roteirista Chris Morgan (que escreveu a maioria dos longas da série) jogou tudo para o alto e criou algo uma trama até que trabalhada no conceito familiar, usando e abusando de situações forçadas, mas que ao final já estamos tão envolvidos com a bagunça que acabamos aceitando tudo, e isso é bacana de ver. Claro que seria hipócrita de minha parte dizer que é um filme sério cheio de virtudes artísticas, mas quem vai conferir esse filme nem espera isso dele, e dessa forma a proposta funciona para quem deseja ver o que é mostrado, e nada além disso.

Sobre as atuações, também fomos ao cinema para ver o nível de testosterona no máximo com brucutus socando tudo e todos, e muita desenvoltura dos personagens secundários para dar o ar cômico da trama, e dessa forma vemos um Dwayne "The Rock" Johnson completamente preparado para envolver todos, entregar facetas expressivas bem divertidas, e claro fazendo o seu melhor que é sair batendo sem parar, de modo que aqui optaram até em no final nem termos armas para tiros, e sim somente a mão e os porretes prontos para muita pancadaria, e isso funciona ao menos com as boas piadas e sacadas que escolheram lhe dar, afinal, esse é o estilo do personagem Hobbs e do ator. Já pelo outro lado, procuraram dar um pouco mais de classe para o Shaw de Jason Statham, e ele como bom ator de filmes de ação soube entregar um estilo bem colocado para o personagem, adequar cada momento com muita desenvoltura, e claro lutar muito nas cenas mais precisas, agradando pela imponência escolhida, e fazendo o que fez bem nos outros longas da franquia, que é um misto de vilão com bom moço. Colocar Idris Elba como vilão em um filme é muita sacanagem, pois o ator é tão complexo e cheio de personalidade, que fica difícil torcer contra ele, e aqui praticamente tendo ainda super-força e corpo meio robótico pelas mudanças feitas pela empresa Eteon, o resultado é um Brixton incrivelmente forte, dinâmico e pronto para fazer loucuras, e isso caiu muito bem no estilo do ator. Vanessa Kirby ficou meio em segundo plano na maior parte do longa, apenas tendo algumas desenvolturas de luta bem colocadas com sua Hattie, mas com sua beleza e imposição acaba conseguindo chamar sempre a atenção quando aparece, e isso é interessante, pois qualquer outra atriz ali sumiria em cena, e ela fez surgir um bom elo para ela, até puxando o tom romântico em determinados momentos. Quanto aos demais, tivemos muitas participações bem colocadas, como Kevin Hart como um agente de voo, Ryan Reynolds muito bem sacado como o agente Locke (que ficamos pensando a todo momento se ele já apareceu na franquia pela desenvoltura usada na trama), Helen Mirren como a mãe de Shaw (que voltará no nono filme da franquia!), e claro, todos os atores neozelandeses bem usados para as cenas finais, com destaque para os trejeitos rápidos de Cliff Curtis como Jonah.

No conceito visual a trama viajou por muitos países, mas certamente as melhores cenas ficaram nas perseguições de carros em Londres, no galpão em Moscou, e claro nas cenas malucas na Samoa, aonde tudo é muito usado, temos diversos elementos cênicos bem representativos, e o filme flui com muita tecnologia e ação, trabalhando bons figurinos e envolvimentos coesos para cada ato. E falando em grandes cenas de ação, o 3D não está tão impactante, mas temos boas cenas com personagens voando e elementos sendo bem destruídos, de modo que quem gosta do estilo ficará satisfeito com algumas cenas, porém não é nada muito impressionante, mas vendo em uma sala gigante como a Imax, o resultado acaba ficando maior ainda.

Agora algo que não pode faltar na franquia é muito barulho, e aqui temos explosões, tiros, roncar de carros, hélices, e claro, muita música boa de fundo para dar um ritmo frenético completamente incrível de ambientar tudo, e claro que deixo aqui o link para todos curtirem as canções depois de ver o filme.

Enfim, um filme que entrega o que já era esperado, muitas cenas absurdas, mas que funcionam para criar uma ação desenfreada completamente maluca e que faz o público-alvo do estilo ficar muito feliz, ou seja, não desaponta quem for esperando ver o que sempre prometem. Claro que terá aqueles que vão esperando algo novo, um filme diferenciado, e não encontrarão nada disso, mas para esses, digo que foram ver filme errado, e assim sendo, não vá ver a trama, pois esse é o estilo propício para ação, explosão e nada mais. Sendo assim, fica minha recomendação de um longa que passa bem longe de ser perfeito, mas que diverte bem e vale a conferida numa boa sala bem barulhenta, afinal é o que o estilo pede, sendo paia da melhor qualidade. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: o filme tem 3 cenas pós-créditos, e que quem gosta de rir vale esperar, pois podem talvez servir para ligar o próximo "Velozes e Furiosos" e/ou a continuação dessa nova parte da franquia.

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As Rainhas da Torcida (Poms)

8/02/2019 12:56:00 AM |

Tem alguns estilos de filmes que procuram trabalhar tantos vértices que raramente conseguem atingir ao menos um, e o longa "As Rainhas da Torcida" é um exemplar bem claro disso, pois ele tenta nos comover com a doença da protagonista buscando um final tranquilo para sua morte, ao mesmo tempo tenta dar um gás e mostrar a felicidade de todas as idosas treinando por um objetivo, e ainda por cima brinca com a comicidade desses atos, de tal maneira que tudo acaba até tirando alguns sorrisos emocionados nossos, mas acaba indo para um final sem muita empolgação que por vezes pensamos em ter até um algo a mais, e não tem. Não digo que seja um filme ruim de ver, pois ele é gostosinho, passa bem o tempo, e agrada pela síntese interpretativa das protagonistas que mostram bem sua vitalidade já na terceira idade, mas poderiam ter ido mais a fundo ou nas disputas dentro do asilo (que daria um charme a mais), ou já colocar de cara a busca pelos torneios de dança, ou então focar realmente na doença e a tentativa da mulher de passar seus últimos dias de uma maneira melhor, mas tudo junto acabou não dando a liga que precisava para funcionar.

O longa nos conta que ao ser diagnosticada com câncer terminal, a solitária Martha decide se livrar de todos os seus pertences pessoais e se mudar para uma comunidade de idosos com o intuito de esperar a morte chegar. Em seus últimos meses, ela quer uma vida tranquila, lendo livros e interagindo com poucas pessoas, mas ao conhecer sua nova vizinha, Sheryl, uma mulher ativa e barulhenta, Martha vê seus planos indo por água abaixo, já que a nova companhia faz questão de se manter constantemente presente. A medida que a relação das duas se desenvolve, uma forte amizade surge e Sheryl incentiva Martha a treinar os passos de líder de torcida novamente, como fazia na época da escola. Resistente, a protagonista topa a ideia e juntas elas montam um clube para empoderar diversas mulheres acima dos 60 anos. Para fazer isso, elas precisam enfrentar o preconceito de todos e treinar para uma importante competição.

Acredito que o maior problema além da história querer desenvolver tantos caminhos é o fato da diretora ser praticamente estreante em ficções, já que só fez diversos documentários (alguns sobre o tema), mas aqui resolveu fazer algo completamente diferente de sua vida criando algo mais envolto, e isso é problemático, pois como bem sabemos documentários funcionam bem mesmo tendo mais que um tema, mas na ficção a fórmula sempre desanda, ou seja, a diretora poderia ter optado por caminhos mais fáceis, desenvolver algo mais comedido que certamente acertaria indo em qualquer uma das direções, pois seu filme possui história possível para ser contada das três formas que citei no começo, e em todas ser bem sucedida, mas errou feio ao pôr tudo em um só lugar, de modo que quem for conferir talvez até saia feliz com a proposta, mas certamente amanhã já não lembrará dele, ou talvez, ficará somente com uma das partes funcionais na cabeça, o que também não é bom.

Quanto das atuações, todas as senhoras deram boas expressividades para o longa, conseguiram chamar a emoção de cada uma para seu devido momento e foram agradáveis fazendo algo que não é comum de ver pessoas de suas idades fazendo, de modo que podem até falar que pagaram mico fazendo o longa, mas aparentemente todas estavam bem felizes com seus papeis e foram bem no que fizeram. Claro que o destaque maior fica para Diane Keaton e Jacki Weaver, afinal a história foca bem na amizade meio estranha de Martha e Sheryl, mas elas se doaram bem, focaram nos elementos corretos de cada momento, e o resultado acaba satisfatório. Os mais jovens aparentaram estar um pouco perdidos na trama, até mesmo sem entender o que a diretora desejava mostrar, mas Charlie Tahan e Alisha Boe entregaram bons olhares e demonstraram um carisma incrível com seus Ben e Chloe para com as senhoras, e isso faz valer a atitude.

No quesito visual, olha, acho que vou começar a juntar grana para poder ir numa comunidade de idosos igual à do filme quando parar de trabalhar, pois que lugar bonito, com diversos elementos que infelizmente não foram tão aproveitados, pois só é mostrado algumas cenas dentro da casa da protagonista, alguns momentos na pista de boliche, a competição rolando em uma escola e depois em um salão mais preparado, e algumas aulas em uma academia, e certamente o local escolhido possuía muito mais bons lugares para se explorar, ou seja, foram singelos de estrutura, mas conseguiram mostrar bem o trabalho de preparação para a competição.

Enfim, é um filme bem simples, feito com uma proposta direcionada, mas que acaba aberta demais para três vértices, e que diverte por soar gostoso de acompanhar, mas que não causa nenhuma grande comoção, já inicia e tem seu miolo direcionado para algo que sabemos que vai acontecer, e principalmente falta algo mais de impacto para que o público se envolva com a trama, e certamente nas mãos de um diretor mais experiente a história teria outro fluxo, e agradaria bem mais, mas isso só vai ficar na nossa mente essa possibilidade, então recomendo quem for ver, ir sabendo o que esperar, pois é algo mediano apenas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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