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Toy Story 5 em 3D

6/18/2026 01:23:00 AM |

Bem diferente do quarto filme da franquia que todo mundo estava esperando algo completamente impactante, quando anunciaram que estavam fazendo "Toy Story 5" ficamos bem tranquilos e até pensando para que rumos poderiam tomar para que realmente valesse a pena, afinal o quarto filme ficou meio jogado fora do eixo de brincadeiras, deixando algo mais de brinquedos mesmo e esquecendo as propostas originais, então hoje posso dizer que fui para a sessão esperando novamente algo bem básico, e acabei me surpreendendo bastante, afinal colocou o caos das telas que hoje devora as mentes das crianças cada vez menores, a conexão de amizades e seus grupos, e principalmente o fator maior que é brincar realmente quando se é criança, imaginando mundos e situações. Ou seja, a trama brilha com um carinho tão bem colocado pela equipe, que acabamos nos envolvendo, rindo e até lembrando da nossa infância com os brinquedos que tínhamos, sendo daqueles que funciona fácil para todas as idades, mas que os mais velhos pegarão bem a síntese e se derreterão pela essência completa muito bem feita pela Disney/Pixar.

O longa nos mostra que agora com 8 anos de idade, Bonnie descobre um novo passatempo: o tablet. Lilypad é um dispositivo que consegue criar mundos virtuais inteiros prendendo a atenção de Bonnie e a fazendo se distanciar dos brinquedos. Jessie tenta manter todos unidos e esperançosos, mas quanto mais tempo Bonnie passa com Lilypad, mais os brinquedos entram em desespero. É nesse contexto que uma importante figura retorna! Woody, mais velho e experiente, vai tentar tudo que pode para ajudar todos a conseguirem lidar com essa nova realidade. Buzz Lightyear, Woody, Jessie e os demais brinquedos seguem uma jornada difícil de aprendizado que revela que a tecnologia e a tradição podem coexistir, mas também acendem um alerta sobre a quantidade de horas que uma criança passa em frente a telas, adaptação e a perda de afeto humano com a chegada do distanciamento causado pelo digital.

O mais interessante é que os diretores Andrew Stanton e McKenna Harris estiveram envolvidos com outros longas da franquia em outros setores, tendo Andrew dirigido alguns dos melhores filmes da Pixar, porém não tinha ainda pegado para assinar realmente a direção de um Toy Story, mas a ideia original do roteiro desde o primeiro é sua, ou seja, ele é o dono dos brinquedos e da história, e aqui resolveu que iria pôr a sua marca também na tela, e conseguiu, pois ficou nítido que o que nos é mostrado é exatamente um trabalho pessoal, bem bonito e cheio de nuances, aonde eles tiveram um cuidado tão precioso em detalhes, com praticamente todos os escritos traduzidos na tela em nosso idioma, tiveram sensibilidade em diversas dinâmicas para que tudo virasse uma experiência extra na história em si, passando exatamente a mensagem de que telas podem divertir sim, mas brincar e criar suas próprias histórias com amigos reais é algo muito mais legal e que conecta diferentes idades de um modo único. Ou seja, é daqueles filmes que funcionam pela ideia, que funcionam visualmente, e que você se lembrará dele mais para frente, bem diferente de outros que logo ao sair da sessão você já nem lembra mais o que viu, e isso sim é marcar, e posso dizer que esse me marcou.

Muitas vezes em continuações acabamos reclamando de novos personagens, mas felizmente aqui a inserção foi tão sutil, que mesmo não usando tanto os personagens tradicionais, o longa acabou fluindo bem e agradando bastante, de modo que a vilã Lilypad foi bem interessante de acompanhar, e que Maísa conseguiu trazer um tom de voz tão diferente que se não tivesse aparecido nas propagandas nem saberíamos que era ela dublando, fora que a dinâmica em si da personagem teve uma pegada bem diferenciada e mostrou um bom uso para a tela para as crianças, e também como pode ser prejudicial em alguns momentos, ou seja, uma boa escolha completa na tela. Outro ponto bem colocado com um ar cheio de imposição foram os vários Buzz em sua missão gigantesca, sendo colocados como algo mais engraçado, mas com uma pegada marcante e legal de acompanhar. E claro o protagonismo em cima de Jessie deu um tom tão bem colocado, que vemos realmente uma dimensão marcante para várias garotas que realmente brincam com seus bonecos, criando histórias e fazendo tudo bem maior na tela, além de ter um bom gracejo com a ideia dos cavalos.

Visualmente a trama é impecável, com uma perfeição técnica que em alguns momentos até esquecemos que estamos vendo uma animação, tamanho o realismo que conseguiram dar para os personagens e as dinâmicas, meio que quase estarmos vendo realmente brinquedos live-action em ação, tendo texturas e elementos tão bem alocados que o resultado ficou incrível. Claro que isso se deve também um pouco ao 3D de profundidade que deu sombras bem interessantes para tudo, mas quem estiver com esperança de ao menos ver os vários Buzz saindo da tela em voo vai ficar triste, pois a trama tem quase nada saindo da tela, e sim mais de imersão no ambiente em si. Ou seja, tivemos muitos bons detalhes seja no campo ou na cidade, e cada elemento e personagem importou bastante para os artistas gráficos, não ficando só os protagonistas bem feitos.

Enfim, nem estava com tantas esperanças de ficar feliz com o que veria na tela, mas fui surpreendido com algo leve, cheio de motes bem colocados do mundo atual que a criançada vive, e ainda assim bem feito para todas as idades, ou seja, é daqueles filmes que certamente todos que forem vão se envolver e gostar bastante de tudo, valendo então a recomendação total. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Dia D (Disclosure Day)

6/12/2026 12:43:00 AM |

Confesso que não sei como minhas expectativas para "Dia D" não estava nas alturas, pois de todos os lados se ouvia que era o novo clássico de Spielberg, que era perfeito em todos os sentidos, que a atuação da protagonista tava em nível máximo, e eu aqui pleno só esperando a data para conferir sem querer surtar. E eis que chegou o dia de conferir, e foi a melhor coisa que fiz, pois não indo com a expectativa tão gigantesca, posso afirmar que o filme é tudo isso que foi falado, sendo daqueles que certamente iremos lembrar muitas vezes em nossas vidas, e que tendo tantas camadas na tela, se assistirmos outra vez conseguiremos cada vez pegar um algo a mais, pois a trama traz referências e essências de praticamente todos os filmes do diretor, e sem forçar a barra consegue fluir bem na tela durante toda a exibição. Claro que como somos bem chatos, daria para cortar uns 15 a 25 minutos com uma certa facilidade para ficar ainda mais redondo na tela, mas como não tem barrigas (ou a famosa enrolação), o resultado acaba sendo difícil de cortar, então vamos aceitar que os 145 minutos passam bem rápido, e o final faz o cinema inteiro xingar o diretor, mas com classe, pois ele é um senhorzinho genial.

O filme acompanha Daniel Keller, ex-hacker que trabalhou para a WARDEX, uma poderosa organização privada responsável por ocultar, há décadas, evidências da existência de vida fora da Terra. Quando descobre experiências cruéis realizadas contra seres extraterrestres capturados, ele se torna uma ameaça para Noah Scanlon, dirigente da empresa e guardião desses segredos. Paralelamente, a meteorologista Margaret Fairchild entra nessa conspiração que pode culminar na revelação definitiva da verdade para os oito bilhões de habitantes do planeta.

Disse algumas vezes que prefiro muito mais Steven Spielberg como produtor do que como diretor, pois ele sabe investir bem seu dinheiro para que alguns filmes se tornem icônicos, mas ultimamente suas direções tinham ficado tão repetitivas que parecia não mostrar seu real potencial, então eis que aqui ele voltou a trabalhar com o que mais gosta que são histórias envolvendo seres não terrestres, e posso dizer com muita certeza que mesmo sendo uma ficção criada por ele e pelo roteirista David Koepp, muita coisa mostrada na tela tem uma pontinha talvez de realidade (ou não, vai saber!), de modo que ele brincou com facetas de grandes grupos paralelos, trabalhou formatações da mídia, e principalmente como talvez tecnologias alienígenas poderiam ser usadas para manipulações, ou seja, cutucou bastante gente com uma entrega bem feita e chamativa. Claro que aqui ele uniu muitas coisas em um filme só, e diria até que no miolo tudo acaba se embolando um pouco, porém quando o desfecho passa a rolar, a dinâmica impacta na simplicidade cênica, e ali o resultado marca com força.

Quanto das atuações, já tinha visto boas interpretações de Emily Blunt, mas aqui sua Margaret foi algo completamente fora do comum, tendo trejeitos, dinâmicas, intensidades cênicas e tudo mais que um curso de atuação possa ensinar durante seus atos, mas na cena que tem um ataque de pânico, ali acredito que seu nome começou a ser escrito nos troféus das premiações. Josh O' Connor também entregou bons momentos com seu Daniel Keller, sendo bem impulsivo em alguns atos, e forçando um pouco a barra em outros (a cena dele correndo em direção aos carros dos agentes e ninguém ouvindo e/ou vendo ele foi algo meio exagerado), mas ainda assim conseguiu convencer com expressões tudo o que estava acontecendo, e essa sensação foi bem passada na tela, mostrando um bom acerto do ator. Colin Firth está tão diferente na tela com seu Noah Scanlon que não tinha reconhecido ele, e alguns atos seus foram bem fortes de acompanhar, tendo um impacto bem direcionado nos demais personagens, porém seus atos finais foram um pouco fora do padrão que construiu na tela, sendo algo que talvez não encaixasse tanto, mas isso provém do roteiro, então diria que ao menos nos trejeitos foi muito bem. Outro que vem me ganhando faz tempo com suas atuações é Colman Domingo, e aqui seu Hugo teve um ar bem impositivo marcante, aonde a essência expressiva foi marcada principalmente por alguém sereno e não forçado, e assim acabou agradando bastante em suas cenas. Ainda tivemos outros bons personagens, mas a maioria apenas fazendo as conexões, valendo claro dar o destaque para Eve Hewson com sua Jane bem intensa e determinada nos atos principais, sendo marcante com o que tinha para entregar na tela.

Outro ponto bem interessante ficou a cargo da equipe de arte, que tendo espaços bem amplos nas cenas de perseguição por estradas e ruas, também foi sutil nos encontros com animais, tendo ambientes mistos entre o rural com a cidade, e principalmente trabalhando nos atos finais com toda a dinâmica dos jornais ao vivo, com os devidos cortes, transmissões e retransmissões, tendo ainda atos com todos os aparatos alienígenas necessitando de toda uma equipe médica para que a frequência cardíaca não explodisse, tivemos carros dos agentes bem colocados, e muitas dinâmicas explosivas, ou seja, um pacote completo na tela que mostra claro o potencial de produção de Spielberg, brincando com facetas, luzes, cores e tudo mais para criar seus devidos momentos, e claro que também não quiseram inventar moda ao mostrar os seres de outros planetas, usando da velha e tradicional formatação humanoide com cabeça grande.

A trilha clássica de John Williams, parceiro de longa data de Spielberg não ficou falsa, não ficou redundante, e principalmente não ficou repetitiva, sendo usada na medida para que cada momento e tensão crescesse na tela, de modo que até o silêncio em alguns atos foram perfeitos, e fizeram com que o público na sala do cinema parasse para ouvir o longa, ou seja, perfeição.

Enfim, certamente o longa estará nos meus melhores desse ano, mas que mesmo achando tudo tão perfeito não darei a nota máxima, pois sinto que faltou a emoção em me fazer querer explodir a cabeça com tudo o que estava sendo mostrado, e também por algumas cenas soarem falsas, mas ainda assim é incrível e vale a pena demais a conferida, então fica a dica para todos. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Rei da Internet

5/05/2026 12:40:00 AM |

Olha, fazia realmente muito tempo que um filme nacional não me surpreendia tanto, principalmente tento o tanto de narração que "O Rei da Internet" tem em sua longa duração de 135 minutos, que não senti barriga nem cansaço em um minuto que fosse, pois o diretor foi tão sagaz, tão cheio de desenvoltura na formatação que o longa com ares de "O Grande Gatsby" brasileiro flui fácil, entrega as loucuras que um jovem de 16 anos fez na era da internet discada, e como explodiu dentro do mundo do crime. Claro que a lógica que o filme dá é algo completamente errado de que "o crime compensa", mas que deixando isso de lado temos um tremendo filmaço nacional imponente, gigantesco de produção, e com situações que vão fazer muitos perderem o fôlego com tudo o que o dinheiro pôde comprar, e assim agradará os pobres que irão ver na telona... só não recomendo ele para a garotada por dois simples motivos, muitas cenas de sexo, e também por verem aquilo e acharem que podem sair da sessão virando hackers, então é melhor pensar em quem for levar para o cinema.

Inspirado na vida de Daniel Nascimento, o longa é uma aventura dramática que conta como Daniel se destacou como um dos maiores hackers do Brasil, fez parte de uma organização criminosa que movimentou milhões de reais, viveu intensamente uma vida de ostentação e foi alvo de operação da Polícia Federal. Tudo isso antes de completar 17 anos.

Com toda sinceridade, quando Fabrício Bittar começou sua carreira de cineasta lá em 2017 não botei tanta fé nele, pois fez tanta bagunça na tela, criou loucuras mil ao ponto de seu filme ficar a cara do "homenageado" na época, porém com seu segundo filme já mostrou referências, foi criativo e acabou indo bem além na tela, conseguindo mudar completamente toda a ideia de estilos e depois virando a página por completo com um drama tocante. Ou seja, o diretor e roteirista soube ir para rumos que vão certamente confrontar ainda mais para frente, e aqui ao entrevistar muito o verdadeiro Daniel, conseguiu misturar tudo em uma insanidade sem tamanho, que qualquer produtor fugiria correndo ao ver a ideia, mas que souberam dosar e criar algo cheio de nuances e perspectivas que acaba funcionando demais, sendo louco na medida certa, e se impondo como um estilo que até hoje ninguém teve coragem de peitar e botar na telona, que certamente pode impactar muito o mercado audiovisual nacional, porém como temos hoje a turma dos certinhos que não aceitam "o crime dar certo", o resultado pode pesar no bolso dos produtores.

Quanto das atuações, tive outra grande surpresa, pois sempre reclamei muito de João Guilherme, e não via qualquer potencial sem ser de parzinho romântico para filmes novelescos, e aqui com seu Daniel não apenas mostrou que tem potencial, como botou muita banca com os trejeitos e entregas, parecendo realmente um jovem dos anos 2000 deslumbrado com tudo o que pode fazer, que foi só explodindo em cima de toda a loucura, e não parou mais até ver tudo o que o dinheiro poderia lhe proporcionar, sendo intenso e desesperado, e brincando com muitas facetas, que em alguns momentos até poderia impactar expressivamente melhor, mas deu uma subida incrível em seu patamar de estilo. Da mesma forma, Marcelo Serrado fez um Fábio tão cheio de classe, que chamar ele de chefão da máfia digital era praticamente xingar ele, pois o cara era um lorde das lavagens de boletos, daqueles que se você visse na rua acharia apenas que era um rico bem sucedido dono de empresas, e o ator fez isso tão bem que convence até mais do que sua própria atuação, ou seja, deu show na tela. Ainda tivemos bons momentos com Miguel Nader e seu Muralha, Caio Horowicz com seu Noturno e Adriano Garib como o Delegado Moretti e Kaik Pereira mandando muito bem com seu Nilson, entre muitos outros bons atores na tela.

Visualmente tenho até medo de pesquisar o orçamento do longa, pois se não estouraram todos os bolsos dos investidores fizeram muito milagre, pois são festas em boates, em mansões, em hotéis, computadores antigos, muito dinheiro cenográfico, bebidas, putarias aos montes com figurantes de tudo quanto é jeito, as casas mais tradicionais dos protagonistas, bares, carros de tudo quanto é jeito, e muita sacada visual para representar a época, brincando com tudo o que vivemos nos anos 2000, ou seja, chega a ser nostálgico todo o trabalho da equipe de arte que brincou bastante, com toda certeza se divertiu trabalhando, e acabaram entregando um dos melhores filmes nacionais na telona.

Outro ponto bem "rico" da produção ficou a cargo da trilha sonora, que tem músicas de todos os estilos dos anos 2000, sendo bem marcante pelas escolhas que encaixaram bem nas dinâmicas e deram um tom imponente para tudo, que se sair link depois completa com certeza compartilharei aqui.

Enfim, é um filme que me divertiu por demais, que me entreteve do começo ao fim, e que mesmo sendo abarrotado de narrações conseguiu ser bem representativo, não cansando com essa essência, que claro dava para ser minimizada, mas como não atrapalhou, não incomodou também, só não diria que foi perfeito por pequenos detalhes nas cenas mais densas (como as do sequestro, as com os pais e a da paixonite do rapaz pela garota) que ficaram levemente artificiais, mas do restante é daqueles filmes para aplaudir com certeza pelo ótimo trabalho de pesquisa e de entrega. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, indicando o longa para todos verem a partir do dia 14/05 nos cinemas, e agradecendo demais ao pessoal da Atomica Lab Assessoria e também da Manequim Filmes e Clube Filmes pela cabine, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Exit 8 (8番出口)

5/02/2026 01:54:00 AM |

Gosto de filmes estranhos quando eles necessitam ser assim, e o longa japonês "Exit 8", que é baseado em um jogo de videogame tem uma pegada muito insana que faz com que os espectadores praticamente joguem junto do protagonista dentro do cinema, afinal vamos analisando junto do personagem tudo o que possivelmente está diferente no ambiente, caçando as anomalias para "torcer" ou "ajudar" ele a sair do looping imenso que é o longa, e o mais bacana de tudo, é que mesmo sendo uma repetição tão sucessiva que certamente cansaria o espectador, não fiquei sequer um minuto entediado com tudo. Ou seja, é um filme que tem pegada, que sabe bem aonde está com a proposta, e que faz o espectador interagir, algo que funciona bem no cinema comercial, e que faz o filme ir muito além da tela, que claro muitos irão apenas ver como um jogo mesmo, mas outros certamente irão filosofar sobre o mundo, sobre o que era realmente todo o ambiente, e outras questões mais amplas que podem ser pensadas, e assim acabamos tendo dois bons resultados na tela.

No longa vemos que um homem preso em uma passagem infinita de metrô parte em busca da Saída 8. As regras de sua jornada são simples: não ignore nada fora do comum; se descobrir alguma anomalia, volte imediatamente; caso contrário, continue; em seguida, saia pela Saída 8. Mas, mesmo um único descuido o enviará de volta ao início. Será que ele alcançará seu objetivo e escapará deste corredor infinito?

Conhecia o diretor Genki Kawamura apenas pelos ótimos longas que produziu, mas não por suas outras direções, mas como já mostrou estilo antes, hoje realmente mostrou que soube adaptar um jogo "simples" para a telona sem precisar de um orçamento monstruoso, de modo que o ambiente em si tem poucas mudanças bem sutis para que vejamos junto do protagonista e "brinquemos" com tudo, e assim ele ousou com a câmera diversas vezes tão próxima do personagem que viramos algumas vezes seu parceiro íntimo de presença, acompanhando tudo e vendo cada detalhe ao mesmo tempo, observando os números das saídas mudando, e com isso vibrando ou se desapontando com o que acontecia. Ou seja, ele foi bem sagaz por não precisar mostrar alguma sabedoria extra, e assim o resultado fluiu fácil e acabou agradando bastante dentro de tudo.

Quanto das atuações, Kazunari Nimomiya soube passar muito bem a sensação de seu personagem "O Homem Perdido", pois mais do que estar perdido ali rodando dentro dos corredores infinitos, ele representou estar perdido na vida também sem saber o que fazer com a namorada grávida, com seu trabalho temporário, suas atitudes e tudo mais, e o ator foi brincando com isso enquanto encontrava propósitos durante sua jornada, o que acabou sendo bem interessante de conferir suas expressões e dinâmicas, o que foi bem bacana de acompanhar. Já Yamato Kochi como "O Homem Que Caminha" chega a ser robótico demais, e com esse propósito, de modo que nos momentos que vemos ele com o garoto até tem vida e passa bem suas sensações, mas depois como o próprio protagonista fala, ele acaba não sendo mais humano, sendo apenas alguém sintético que refaz seus movimentos sem parar, e o ator foi muito bem nesse sentido. E falando um pouco do garotinho Naru Asanuma, foi bem bacana sua entrega quase que sem diálogos, apenas expressando medo e incertezas, apontando para suas sagacidades em ver detalhes menores ainda que o protagonista, e sendo expressivo na medida para chamar atenção, ou seja, caiu muito bem no papel. Quanto das mulheres da trama, não diria que foram tão chamativas a ponto de darmos destaques, mas Kotone Hanase como a estudante e Nana Komatsu como a namorada do protagonista tiveram algumas boas cenas e agradaram ao menos.

No conceito visual diria que o longa foi bem barato, pois ter apenas alguns corretores azulejados com alguns pôsteres, algumas câmeras de segurança, 2 ou 3 portas e alçapões, um guarda-volumes e uma máquina de fotos, que iam mudando de perspectiva em alguns atos mostrando que o trabalho da equipe de arte foi bem sucinto e "fácil", isso até termos o alagamento que mudou tudo e encheu de coisas, mas tirando esse ato, gastaram e trabalharam pouco, porém de forma efetiva para o sucesso na tela.

Enfim, é um filme simples, porém tão bem feito e cheio de perspectivas, que até podemos falar que foi uma das melhores adaptações de jogos para a telona, pois não tinha muito mais para aonde ir, e ainda assim conseguiram passar todo esse ideal responsivo da mente bagunçada do protagonista e a situação dos demais, que acabou resultando em algo legal e agradável de acompanhar. Então fica a dica para a conferida, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.

PS em forma de piada: deveria dar nota 8 para combinar com o longa, mas deixo a nona saída abaixo!


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Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra (Good Luck, Have Fun, Don't Die)

4/25/2026 01:09:00 AM |

Olha, tem gente que reclama quando o filme é completamente maluco, e eu sou um deles, não nego, mas o que reclamo é quando uma trama tenta ser realista e acaba floreando tanto com as situações, criando bizarrices e quer que você ache aquilo real, mas quando a maluquice é tanta, mas tanta mesmo que passamos a achar que aquilo poderia ser real algum dia pelo nível completamente insano, aí meus amigos, eu embarco junto e viajo nas possibilidades. E o último que tinha me feito sentir tão feliz com tanta loucura foi "Tudo Em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo", em junho de 2022, e agora quase 4 anos depois eis que outra obra será colocada no mesmo patamar de minha opinião, e se chama "Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra", aonde vemos a mistura de viagens temporais com inteligências artificiais e juntamente o problema do vício em tecnologia, ou seja, algo bem atual, moderno, mas que de uma forma tão louca acaba nos levando para rumos insanos na telona, mas pense em insanos com todas as letras maiúsculas, que ao final eu e mais alguns poucos espectadores na sessão nos vimos aplaudindo uma bizarrice total, mas que quem sabe algum dia vira real. Só sei de uma coisa, eu recomendo e muito, e olha que estou apenas no primeiro parágrafo.

O longa nos conta que numa noite em Los Angeles, um homem do futuro surge no meio de um jantar e precisa recrutar um grupo disposto a ajudá-lo a salvar o planeta de uma inteligência artificial ameaçadora.

Sempre soube que o diretor Gore Verbinski era meio maluco das ideias, mas de forma alguma imaginei que veria um filme dele tão fora da casinha que ficasse genial ao mesmo tempo, e hoje posso dizer que o roteiro Matthew Robinson caiu nas mãos certas, pois qualquer outro diretor não entenderia a profundidade de tudo o que é discutido e trabalhado aqui, ao ponto que vemos cenas tão bizarras, mas tão sérias que acabamos pensando e rindo ao mesmo tempo, e isso é um fator inexistente dentro do cinema, sendo dois sentimentos que se contrapõem, mas que aqui funcionaram juntos, ou seja, já começa com uma loucura total de não precisar fazer e mostrar as centenas de viagens temporais que o protagonista diz já ter feito, pois com o diálogo bem trabalhado conseguiu fazer isso se encaixar bem na tela, e o resultado acaba fluindo muito bem pelo convencimento, depois foi não se levar a sério, colocando zumbis modernos, festival de gatinhos de formas estranhas, ratos, pugs, fios como cobras, e tudo mais que se imaginar de forma fiel e interessante. Sendo assim, diria que o roteiro ficou brilhante por ser denso o suficiente para agradar sem cansar, e a direção e edição soube aproveitar isso para que o filme ficasse simples e efetivo na tela, ou seja, a parceria ideal.

Quanto das atuações, vou falar mais pelos personagens, pois dona Paris Filmes mandou somente cópias dubladas para o interior, mas mesmo sem falar dos dubladores em particular, posso dizer que abrasileiraram muito bem as coisas, dando um sentido bem bacana na tela em diversos momentos, sem perder a essência geral, agradando bastante. Dito isso, não sei se levantaria a mão me voluntariando para o personagem de Sam Rockwell, pois alguém tão maluco é algo que mesmo soando convincente ficaria meio com o pé atrás, mas o ator teve cenas bem intensas e botou banca no que fez para soar marcante ao menos. A personagem Ingrid foi ao mesmo tempo misteriosa e estranha, de modo que Haley Lu Richardson acabou trabalhando olhares e dinâmicas mais fechadas, e claro sendo bem importante na tela, afinal alguém vestida de princesa não seria meramente jogada na tela, e a garota foi muito bem em todos os momentos que tiveram suas devidas conexões. O casal de professores vividos por Michael Peña e Zazie Beetz até entregam alguns atos interessantes, mas soaram meio cansativos talvez pela voz da dublagem, mas diria que faltou um tom mais apavorado para eles do que o entregue na tela. E por fim June Temple fez uma Susan meio estranha demais, com um ar quase de psicopata, mas tendo suas dinâmicas bem encaixadas dentro do texto completo, e assim funcionou também.

Visualmente o longa é tão cheio de facetas, mostrando uma escola de ensino médico com vários jovens andando igual zumbis atrás dos professores com seus celulares conectados a algo, tivemos cenas intensas dentro de uma lanchonete, uma loja de clones reais após tiroteios com direito a com ou sem propagandas, uma fuga dentro de prédios e quintais, toda a preparação de uma casa literalmente para a guerra, animais estranhos em formatos ainda mais malucos, e claro uma briga contra a IA de um garotinho num amontoado de fios e robôs com uma pegada bem intensa e marcante, mostrando que a equipe de arte trabalhou muito, mas a computação gráfica fez o trabalho árduo ficar ainda mais bem chamativo, ou seja, tudo insano como deveria ser desde a ideia original.

Enfim, um tremendo filmaço que valeu demais cada minuto conferindo, que mesmo dublado não acabou me incomodando tanto, mas como acredito que tenha perdido algumas sacadas das interpretações originais, irei retirar um ponto da nota, e quem sabe algum dia revendo ele como foi realmente concebido aumente a nota, pois é um dos poucos filmes que gostaria de rever. Porém recomendo demais que todos vejam, pois é muito bom mesmo, sendo sem dúvida aquele que valerá citar no fechamento do ano entre os melhores, então fica a dica e tentem conferir ele nos cinemas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Drama (The Drama)

4/10/2026 01:46:00 AM |

Sempre falei que Hollywood nunca foi boa de dramas cômicos ou comédias dramáticas, pois acabam falhando com o principal de não causar dramaticidade nem fazer rir na medida suficiente para empolgar e chamar atenção, isso digo até hoje, pois se os próximos diretores se espelharem no longa "O Drama" com toda certeza sairão outros bons filmes do estilo. Claro que a situação em si do tema é algo que funciona muito mais pelos EUA, e teoricamente para nós a ideia em si de não ter ocorrido, juntamente com as desculpas da moça, era para o noivo e os amigos relevar, e casamento que segue felizes e sorridentes, porém como a essência em si é algo bem preocupante por lá, o diretor foi genial na formatação da trama para que a entrega fluísse bem, envolvesse o público, levantasse certos elos morais, e claro fizesse rir pelas caras e imaginações dos protagonistas. Ou seja, é o famoso filme que pode funcionar perfeitamente para todos, como pode ter aqueles que vão achar a ideia idiota, ou até mesmo a dramatização fora de eixo, mas felizmente para mim tudo encaixou brilhantemente e me diverti demais com tudo, mostrando técnica e ideias na medida para o mundo atual.

O longa nos mostra que apaixonados e no meio dos últimos preparativos para o grande dia do casamento, o casal entra em conflito ao descobrirem segredos que jamais poderiam imaginar. A imprevisibilidade do acontecimento coloca em risco toda a confiança e amor dos dois, trazendo ao longa uma nova perspectiva sobre o romantismo. Intrigados com a situação, eles passam a se perguntar se realmente conhecem um ao outro e precisam refletir sobre o futuro dos dois.

Diria que o diretor e roteirista Kristoffer Borgli foi muito ousado para trabalhar com esse tema teoricamente pesadíssimo nos EUA, pois quem não é o tipo de situação que ninguém fica em cima do muro, ao ponto do diálogo sobre isso raramente conseguir acontecer, ainda mais jogar com um ar cômico cheio de aberturas para muitas risadas sobre, então acredito que ele passou esse texto por alguns amigos até conseguir maturar bem a ideia e ficar redondinho na tela como ele acabou fazendo. Ou seja, é daqueles filmes aonde você sente a mão do diretor em tudo, desde a ideia passando pelas atuações até a concepção final do corte completo, resultando em algo inteligente e bem interessante de acompanhar, aonde a hora passa voando, não ficando amarrado na tela até o final como já vimos em outros casos de tramas com DRs. Claro que alguns vão reclamar que muitas situações seriam incabíveis de se pensar em acontecer, mas pensando friamente, o diretor viu que dá pra qualquer coisa virar um pensamento "ruim" nos dias de hoje, e ao exemplificar isso na tela, mostrou que o mundo está na beira do caos de conexões, ao ponto de pouquíssimos saberem exatamente tudo que seu par "pensa" ou "fez" agora ou no passado.

Quanto das atuações, confesso não ser fã do estilo de nenhum dos dois protagonistas, mas também confesso que ambos estão melhorando tanto que logo mais vejo a possibilidade de se tornarem ainda maiores do que já são apenas para seus fãs, pois têm estudado e melhorado demais suas entregas. Dito isso, foi bem bacana ver Robert Pattinson bem solto na tela com seu Charlie, pois anteriormente só tinha feito dramas duras ou longas de ação, e aqui pareceu uma escolha fácil para ficar pensando nas situações que acabariam se desenvolvendo, fora seus surtos que impactaram nas entregas, ou seja, se jogou por completo e conseguiu chamar muita atenção. Da mesma forma Zendaya fez com que seus momentos fossem bem intensos e cheios de expressividade, controlando as dinâmicas de sua Emma dentro do possível, afinal estar sendo acusada acaba influenciando mil coisas na cabeça de uma pessoa, e a atriz soube segurar a bronca com trejeitos fortes e marcantes. A jovem Jordyn Curet foi muito forte nas cenas como a jovem Emma, pois carregar a emoção nos olhares da situação é algo que poucas conseguem, além de ser impactante. Outra que trabalhou muito bem, e provavelmente muitos irão ficar com raiva da ironia da personagem foi Alana Haim com sua Rachel, pois a atriz soube criar dinâmicas tão diretas e espontâneas, que se olharmos a fundo a pior coisa da mesa quem fez foi ela, mas contou de forma tão bem contada que pareceu bobeira, e a atriz incorporou bem isso na tela, e seguimos em paz. Ainda tivemos alguns bons momentos de Mamoudou Athie com seu Mike e Hailey Gates com sua Misha, mas sem grandes destaques que chamasse muita atenção.

Visualmente a trama foi bem marcante também mostrando o início com as provas de menu e bebidas, aonde saí o diálogo forte que dá voz à trama, tivemos muitos atos no apartamento dos protagonistas aonde vemos as discussões e vários elementos cênicos, muitos momentos na escola da protagonista jovem e também em sua casa ensaiando os atos, alguns momentos no museu aonde o rapaz trabalha, e claro toda a dinâmica no casamento aonde tudo vai ficando forte e imponente, ou seja, ambientes bem escolhidos, simples de essência, mas muito bem encaixados para que todas as cenas funcionassem.

Enfim, é um longa bem ousado, porém simples e funcional, aonde o roteiro e a direção fizeram toda a diferença, aonde os atores apenas se jogaram por completo para repassar bem isso na tela, e quando isso funciona, faz rir e impacta, o resultado acaba sendo perfeito. Sendo assim recomendo para todos irem conferir, e até fica a dica para pensarem como pergunta logo ao dar um boom no relacionamento soltar a frase: "Qual a pior coisa que você já fez?", assim economiza tempo e dinheiro se não for relevar o que a pessoa já fez. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje bem feliz com o que vi, e volto amanhã com mais dicas.



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Kokuho - O Preço da Perfeição (国宝) (Kokuhô)

2/28/2026 02:53:00 AM |

Quando vi a ideia do longa japonês, "Kokuho - O Preço da Perfeição", que está concorrendo ao Oscar de Melhor Cabelo e Maquiagem, fiquei intrigado de como era esse mundo do Teatro Kabuki, aonde homens na maioria interpretam as heroínas de histórias míticas com muita imposição e desenvoltura, sendo um estilo clássico do país, aonde famílias vão seguindo e passando suas técnicas e treinos de geração em geração virando até lendas no país, e a essência de um jovem criado no meio da Yakuza entrando para esse novo mundo foi bem interessante, pois mesmo tendo as interpretações marcantes com o ar feminino, em momento algum os personagens são femininos, tendo uma entrega, uma personalidade, e principalmente um clima denso para mostrar mesmo o respeito e as facetas. Claro que é um filme que poderia ser menor, pois tem quase três horas densas de tela, mostrando as diferentes peças que os jovens interpretam e as devidas conexões, mas tudo funciona tão bem de forma envolvente que você acaba esquecendo da duração. O longa que estreia na próxima quinta (05/03) nos cinemas nacionais só está indicado em uma categoria na principal premiação do cinema, mas facilmente teria bala para brigar em outras categorias, pois a fotografia é bem marcante, a cenografia impecável e muito bonita na tela, e o som se faz presente até nos atos mais silenciosos, ou seja, vale conferir mesmo.

O longa nos situa em Nagasaki, no ano de 1964. Após a morte de seu pai, líder de uma gangue da yakuza, o jovem Kikuo, de 14 anos, é acolhido por um famoso ator de kabuki. Ao lado de Shunsuke, o único filho do ator, ele decide se dedicar a essa tradicional forma de teatro. Ao longo das décadas, os dois crescem e evoluem juntos, da escola de atuação aos palcos mais grandiosos. Em meio a escândalos e glórias, irmandade e traições, um deles se tornará o maior mestre japonês da arte do kabuki.

O estilo japonês de direção em si já é algo cheio de detalhes e símbolos, mas aqui Sang-il Lee foi muito além, tanto que uma bilheteria de filme original japonês não batia recordes há anos e todo o país foi conferir essa tradição tão bem representada na tela, sendo que mesmo para nós do outro lado do mundo em um primeiro momento parece estranhíssimo ver dois homens fazendo movimentos calmos e cheios de precisão para representar animais transformados em mulheres, mas vamos acostumando com cada detalhe que o diretor priorizou de modo que cada síntese da história fizesse muito sentido. E o melhor é que não é uma história de alguém especificamente, aliás nem sabemos se Kikuo ou Shunsuke existiram realmente, mas ficamos vidrados neles querendo saber mais por onde andou o outro que ficou sumido, e como viveu realmente o verdadeiro nessa história que é contada por anos, e acabou sendo brilhantemente desenhada na tela, pois as pinturas da maquiagem são tão precisas que acabamos encantados pelo trabalho completo, mostrando que a direção fez muito bem em não cortar até mesmo atos "repetidos" dentro das quase três horas, pois é lindo de ver em detalhes.

Quanto das atuações, temos um começo com Soya Kurokawa entregando atos mais abertos para o protagonista jovem, tendo também bons atos de maquiagem e dança além da interpretação perfeita, mas quando Ryô Yoshisawa assume o papel de Kikuo já mostra uma evolução de presença e claro também de rancor no olhar, afinal todos vão contra ele ser bom, mas não ser da família original do teatro, e essa densidade forte deu o tom que o longa precisava para segurar o público, sendo belíssimo e emocional na mesma medida, principalmente pela boa atuação. Do outro lado, Keitatsu Koshiyama na versão jovem e Ryûsei Yokohama na versão adulta trabalharam seu Shunsuke de uma maneira mais fechada, por vezes parecendo incomodado com o amigo sendo melhor que ele, mas tendo também um carisma na dupla, e assim o resultado ficou muito bacana de se envolver na tela. Ainda tivemos Ken Watanabe entregando muito com seu Hanjiro Hanai muito expressivo e cheio de imposições, Min Tanaka fazendo Mangiku Onogawa que até deu seu nome para a personificação, entre muitos outros bons personagens, que deram voz e conexão para cada momento da trama.

Visualmente não consigo aceitar do longa não estar concorrendo aos prêmios principais da categoria, pois vemos desde o Japão com roupas, estilos e casas dos anos 60 até chegar na modernidade ampla, mostrando bases estranhas para a maquiagem daqueles anos feitas pelos próprios artistas até chegar em uma equipe gigante para trocar e fazer tudo pelo ator do teatro, fora as mudanças cênicas de ambientes e contando dentro das peças os vários temas trabalhados, as casas, os ensaios e tudo mais, ou seja, um filme artisticamente falando lindo demais.

Enfim, é um longa que ainda tem muita presença sonora pelo toque dos instrumentos e da batida dos pés dos atores, sendo marcante e cheio de precisão cênica do começo ao fim, ou seja, é daqueles que vale reparar em cada detalhe e que agrada demais. Só pontuaria duas coisas que me fizeram não dar a nota máxima para ele, mas que não atrapalham em nada a experiência em si, que é a duração longa na qual o miolo fica um pouco monótono, e mesmo sendo emocional demais dentro da tela, faltou fazer o público de fora se emocionar mais, pois dava para fazer escorrer algumas lágrimas com poucas mudanças, mas ainda assim é um tremendo filmaço. E é isso meus amigos, agradeço demais a Sato Company, a Imovision e os amigos da Sinny Assessoria pela cabine de imprensa maravilhosa, e deixo vocês com essa dica para conferir a partir de quinta nos melhores cinemas, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Um Cabra Bom de Bola em 3D (GOAT)

2/13/2026 01:41:00 AM |

Se tem uma coisa que gosto demais é ir conferir um filme com uma grande expectativa e ela ser suprida com louvor, pois desde o dia que vi o trailer de "Um Cabra Bom de Bola" já fiquei muito esperançoso pelo que veria na tela, afinal une animação com filme esportivo, e mais do que isso, com a pegada do basquete que é um dos esportes que mais gosto de conferir, ou seja, a união perfeita, que para ajudar foi produzido pelo mestre das cestas de 3 pontos, Stephen Curry, em sua primeira empreitada em longas animados, que não meramente trabalhado o protagonista se parece muito com ele (pequenino se comparado aos demais jogadores, mas um craque das cestas a longa distância!) só que de uma forma bem irônica na versão original ele dubla o personagem mais alto na animação (Rafa, a girafa - ironia total!), ou seja, brincou bastante com seu dinheiro. Claro que o longa poderia talvez ter ido mais além como acontece com as produções de grandes animações como a Pixar, Dreamworks e Illumination, que geralmente ao vender os longas para os vários países muda os letreiros conforme vai ficar no país, mas não é nada que atrapalhe, apenas daria um show maior, pois a maioria dos nomes foi trocado para ficar mais agradável, e ter esses nomes novos na tela seria espetacular.

A história acompanha Zeca Brito, um cabrito com grandes sonhos que tem a oportunidade única de se juntar aos profissionais e jogar "Berrobol" (Roarball) – um esporte misto de alta intensidade e contato total, dominado pelos animais mais rápidos e ferozes do mundo. Os novos companheiros de equipe de Zeca não estão muito animados com a ideia de ter um cabrito em seu elenco, mas Zeca está determinado a revolucionar o esporte e provar de uma vez por todas que "os pequenos sabem jogar bola!".

É interessante observar que aqui tivemos dois diretores estreantes, Tyree Dillihay e Adam Rosette, porém já estiveram em diversos setores artísticos de grandiosas produções, ou seja, não estavam ali sem saber o que fazer, e ao pegarem o livro de Chris Tougas mostraram para o mundo uma ideia insana de basquete com muita imponência, afinal o Berrobol tem a mesma pegada do esporte, mas com muito mais violência, ambientes hostis e tudo o que um mundo selvagem pode entregar, de tal forma que por um leve momento a trama chega a ser um "Zootopia" numa cidade fanática pelo esporte, indo em vários outras jogarem com todo o regulamento tradicional que quem conhece o esporte vai pegar as referências, e tendo uma boa pegada, a equipe conseguiu não se parecer tanto com o longa da Disney, pois tem traços mais marcantes e ousa mais na tela sem querer ser algo bonitinho, e assim acaba chamando muita atenção. Porém quem não for fã de filmes esportivos, com seus motes de superação e tudo mais, pode ser que se canse um pouco, já os fãs, é emoção atrás de emoção.

Quanto dos personagens diria que foram muito espertos nas qualidades de cada animal, no jeito de jogar, com forças e habilidades diferentes, além do estilo da torcida, dos mascotes e tudo mais que é bem conhecido do esporte, mas um ponto mais do que satisfatório foi a dublagem de Rafael Sadovsky para seu Zeca Brito ter um tom mais nortista, com trejeitos divertidos e uma entrega sensacional na tela, pois o personagem original se chama Will Harris, o que aqui ficaria meio estranho, mas super funcionou a adaptação e o resultado agradou demais. Também tivemos a pantera Jaque Fonseca que no original é Jett Filmore, e que Priscila Amorim deu um show de traquejos emocionais nos tons de voz e fez a personagem ser sua realmente. Ainda tivemos bons momentos com o rinoceronte Alex e suas duas filhas, a girafa Rafa com seu tamanho imenso e estilão meio rapper, e a avestruz Olivia Bastos bem colocada com seu jeito de se esconder, além do técnico Denis meio inseguro no começo, mas depois soltando o bicho. Mas sem dúvida o grande ponto marcante entre os secundários ficou para o adversário principal do time, o cavalo Manga Larga que com suas tranças e penteados marcantes botou muita banca no longa.

Como já falei, um ponto bem marcante da produção ficou a cargo dos traços mais parecidos com o do cinema oriental, tendo até boas texturas nos ambientes, mas com um ar mais de rua mesmo, sem precisar fazer com que tudo ficasse bonitinho, e as quadras diversas foram insanas, com pedras, gelo, fogo e floresta, tudo bem imponente, tendo os famosos bares/restaurantes aonde o pessoal vai para torcer, e um final bem imponente em quantidade de "figurantes", ou seja, a equipe artística trabalhou bastante para termos muitos detalhes na tela. Quanto ao 3D, diria que ficou bem fraco, tendo um ou outro momento com profundidades cênicas, servindo mais para dar a perspectiva das quadras e do jogo, que com um ritmo acelerado não teve tanta grandiosidade na tecnologia, então dá para conferir tranquilamente no 2D tradicional.

Enfim, o longa ainda teve boas canções, boas dinâmicas e envolveu bastante, tendo apenas o defeito dos nomes nas camisetas que valeria terem trabalhado um pouco com isso para as versões de outros países, que aí sim seria o longa mais perfeito do ano. Mas ainda assim recomendo ele para todos, e claro para levar a criançada para ver que mesmo sendo baixinho dá para virar um grande jogador (vide o próprio Stephen Curry!). E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Voz de Hind Rajab (Sawt Hind Rajab) (The Voice of Hind Rajab)

1/20/2026 01:37:00 AM |

A única palavra que me vem na mente após conferir o longa "A Voz de Hind Rajab" é indignação, pois não tem como não surtar como o atendente da central de emergência que está falando com a garotinha presa num carro cheio de mortos, e seus superiores não conseguem uma "porcaria" (pra não falar um palavrão!) de uma ambulância ou sei lá o que para ir resgatar ela no meio de um ataque de Israel em Gaza. Dito isso, o longa que estreia dia 29/01 nos cinemas nacionais, em homenagem aos 2 anos que ocorreu o caso mostrado na tela, é simples de execução, com uma sala de ligações, uma sala da gerência e a sala da terapeuta, junto das ligações reais do caso que foram divulgadas depois, contando apenas com poucos atores na tela, porém tem uma potência tão grande que faz você surtar com tudo o que acontece, sendo daqueles filmes com um impacto na mente que nem dá para transmitir em palavras, mas que muitos defensores de Israel irão falar que é falso, ou seja, só vejam e depois reflitam!

O longa nos conta que em uma noite de terror em Gaza, uma ligação de emergência se transforma em uma corrida contra o tempo para salvar Hind Rajab, uma criança de 6 anos presa em um carro sob fogo cruzado. Em contato permanente com a menina, voluntários do Crescente Vermelho enfrentam enormes desafios para coordenar uma operação de resgate em meio à violência extrema.

Já tinha dito no filme anterior da diretora e roteirista Kaouther Ben Hania, "As 4 Filhas de Olfa", que ela sabia muito bem como trabalhar temas complexos e desenvolver bem os seus atores para parecerem o mais reais possíveis com os personagens das histórias verdadeiras, e aqui ela voltou a detonar nesse sentido, pois me vi tão desesperado com o protagonista ouvindo as ligações reais, que parecia que era eu ali ouvindo e tentando fazer uma solução, de modo que só faltou ele pensar em ir de carro resolver sozinho a parada (apesar que 80km com o tanto de enrolação das equipes dava prele ter ido e voltado umas 3x), mas sabemos que no meio de uma guerra infelizmente não dá para fazer isso, e com isso fico pensando como a mente do ator, e claro do verdadeiro atendente explodiu com tudo acontecendo, pois não dá para sair imune numa situação dessas. Ou seja, é um trabalho bem simples, como a diretora já mostrou saber fazer bem, mas que vai deixar muita gente indignada com a entrega dos atores, e principalmente com os áudios reais usados, pois é desesperador não conseguir ajudar alguém por ter tanta burocracia, e mais ainda pelo que o país adversário fez na finalização.

Quanto das atuações, já falei muito que não tem como não se identificar com o protagonista vivido por Motaz Malhees, pois seu Omar entra no famoso estado de choque logo após a primeira morte, e depois entra no surto desvairado para ajudar a garota, e sua entrega é primorosa, realista e cheia de expressividade, de modo que certamente conversou com o verdadeiro Omar, e tirou um brilhantismo para ficar real demais na tela. Da mesma forma Saja Kilani trabalhou sua Rana com uma dinâmica emocional tão precisa, pois já estava cansada do trabalho direto, pronta para ir para sua casa e acabou sentindo na pele cada dinâmica ali, de modo que a atriz passou essa emoção nos olhares e na fala, agradando demais do começo ao fim. Sabemos que a função de um chefe de setor é seguir toda a norma da companhia para que não haja erros, mas chega a ser irritante alguns atos que Amer Hlehel fez com seu Mahdi, sendo explosivo na medida, e intenso nas dinâmicas ao telefone, mostrando para todos o que não desejava fazer, e como não podia ir além, mas ninguém tem sangue de barata, e o surto vem. E ainda tivemos a terapeuta/psicóloga do grupo Nisreen que Clara Khoury trabalhou bem as dinâmicas, e segurou um pouco demais seus atos na tela, mas essa era a função dela.

Visualmente o longa foi baratíssimo, tendo apenas uma central telefônica com uma sala de liderança e uma varanda, não precisando de muito mais coisas na tela, além de um telão aonde viam as rotas e os carros andando, ou seja, a equipe de arte nem precisou trabalhar praticamente, tendo um bom resultado apenas pelas nuances dos personagens, além de fones de ouvido e telefones para representar bem os momentos.

Enfim, costumo dizer que gosto de pensar muitas vezes como me sentiria no papel principal, e aqui acredito que surtaria até mais do que o protagonista, ou seja, é um filme completamente válido, que recomendo demais para todos, que me irritou aos montes por ver o quanto esse povo que vive em guerra consegue ser mal com os seres humanos que mais precisam, e que claro recomendo muito a conferida, pois também provavelmente será um dos indicados a filme estrangeiro para brigar conosco, então vá aos cinemas no dia 29/01. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo os amigos da Synapse Distribution e da Atômica Lab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.

PS: raspei de dar a nota máxima para o longa, pois me incomodou demais com toda a entrega, mas como ele ficou muito próximo do longa dinamarquês "Culpa", acredito que dava para talvez sair um pouco mais do real e ficcionado um pouco mais a situação, embora os áudios funcionaram bem demais. Diria que se tivesse notas quebradas daria um 9,7.


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Hamnet - A Vida Antes de Hamlet (Hamnet)

1/11/2026 02:54:00 AM |

Confesso que não tinha esperanças que as premiações desse ano fossem estar imponentes de filmes, pois tivemos um ano de 2025 mediano aonde poucas obras surpreenderam realmente, tanto que havia falado para um amigo que assistiria esse ano sem ter muito bem em quem botar minhas fichas, mas sabemos que muitos dos grandes filmes de fora só aparecem por aqui agora no comecinho do ano, e que final de semana está sendo esse com pré-estreias incríveis, de tal forma que nem sabia direito de que falava o longa "Hamnet", e muito menos que a diretora era Chloé Zhao que tem seu estilo próprio e sabe fazer dramas como ninguém, já tendo uma prateleira imensa de prêmios. E eis que hoje fui conferir tendo visto apenas um trailer e lido somente a sinopse, e meus amigos, que filme potente a diretora nos entrega, sendo um pouco lento realmente, demorando para acontecer as situações, e até sendo alongado pela carga dramática em si, fazendo com que suas duas horas parecessem até maiores na tela, mas quando chega nos atos finais, me arrepiou como nunca tinha acontecido em algum filme de drama, e fez muitos dos que estavam na sessão (bem cheia felizmente para uma sessão das 22hs) chorarem de soluçar, ou seja, é um impacto bem acertado na composição criada por inteiro. E digo mais, já vi alguns filmes baseados na peça "Hamlet", assisti algumas peças teatrais, mas nunca tinha entendido a profundidade da trama pela ótica colocada aqui, que deu um sentido muito maior para tudo, ou seja, não chorei, mas senti uma vontade imensa de aplaudir o fechamento dramático, mas não era lugar para isso.

O longa nos situa na Inglaterra em 1580, aonde o modesto professor de latim William Shakespeare conhece Agnes, com seu espírito livre, e os dois, cativados um pelo outro, iniciam um tórrido romance que os leva ao casamento e a três filhos. Mas, enquanto Will persegue uma nascente carreira no teatro na distante Londres, Agnes mantém sozinha a vida doméstica. Quando a tragédia atinge a família, o vínculo antes inabalável do casal é posto à prova, e a experiência compartilhada prepara o terreno para a criação da obra-prima atemporal de Shakespeare, o incomparável “Hamlet”.

Sabemos que o estilo da diretora Chloé Zhao é mais lento e espaçado, tanto que seu filme de super-heróis não deu muito certo com esse como sendo um dos motivos, mas com dramas ela sabe fazer algo muito bem que é amarrar a trama para que o público se envolva do começo ao fim com os personagens, e aqui junto de Maggie O'Farrell que escreveu o livro em que o roteiro se baseia, conseguiram dar um vértice bem novo em cima da história, criando um carisma completamente diferente para a personalidade de Shakespeare como conhecemos, e sabendo dimensionar bem isso dentro do contexto da época, junto de uma desenvoltura pegada para emocionar, o resultado acabou indo para rumos impactantes e tão perfeitos quanto o que qualquer um esperava. Ou seja, a diretora soube carregar a trama com um luto impregnado, com um ódio marcante pela situação, mas que funciona perfeitamente para o fechamento escolhido, e isso é algo que acaba sendo incrível de ver acontecendo.

Quanto das atuações o longa traz Jessie Buckley tão forte, mas tão fora de tudo o que já vimos da artista, que sua Agnes impacta com olhares, com dinâmicas, mas principalmente pela essência que a atriz conseguiu dar para a personagem, de tal forma que você vê ela no começo e não se conecta tanto, mas vai dando seus textos, vai colocando presença, e quando chega nos atos fortes se entrega de corpo e alma, agradando demais com tudo o que faz. Paul Mescal é um ator tão completo que mesmo quando faz papeis que pareceriam não impressionar, acaba indo para rumos aonde você não consegue desgrudar os olhos dele, e aqui foi bacana que até antes da cena final em momento algum lhe chamaram de William Shakespeare, deixando aquela dúvida se realmente era a história do escritor ou não, mas isso em momento algum desmerece o que ele faz em cena, sendo imponente e acertivo demais, brilhando muito. Vale ainda dar ótimos destaques para as três crianças Bodhi Rae Breathnach com sua Susanna, Olivia Lynes com sua Judith, e Jacobi Jupe incrivelmente perfeito com seu Hamnet, conseguindo ser marcante demais com olhares, trejeitos e tudo mais em suas cenas. E claro vale dar uma boa olhada nos momentos precisos de Emily Watson com sua Mary e Noah Jupe fazendo um Hamlet perfeito na cena de fechamento.

Visualmente o longa conseguiu representar bem o interior inglês do século XVI, com figurinos bem trabalhados, casas com nuances mais fechadas e escuras, todo o lance da floresta e das ervas para cura, bem como uma Londres marginalizada, cheia de pobreza e doenças, com claro a peste dominando tudo, além de um teatro incrível e diferenciado para os atos finais, ou seja, foram bem representativos com tudo, chamando atenção para os personagens em suas dinâmicas, e claro um fechamento de uma peça bem representada.

Enfim, é um filme fui sem esperar nada e saí encantado com tudo o que vi na tela, tendo apenas o defeito do alongamento cênico pelo ritmo mais calmo, e talvez a falta de desenvolvimento maior de alguns personagens importantes para conhecermos mais dos adultos, mas nada que atrapalhe o resultado final imponente, denso e emocionante para envolver a todos que forem conferir. O longa estreia na próxima quinta 15/01, mas felizmente tivemos prés espalhadas pelo país nesse final de semana, então quem tiver oportunidade não perca. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, agora bem mais preparado para as premiações, e volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Marty Supreme

1/10/2026 02:16:00 AM |

Quando vi a sinopse muito tempo atrás de "Marty Supreme", antes mesmo de sair o primeiro trailer, fiquei pensando o quanto estavam tirando onda com a minha cara que iriam fazer um filme de um jogador de pingue-pongue, de tal forma que vinha mil ideologias na minha mente como que iria dar certo isso, que fosse virar algo emocionante e cheio de facetas, embora conseguiram fazer de "Rivais" um tremendo filmaço com pouquíssimos momentos de jogo, mas aí surgiu o trailer, começaram todas as falações das premiações, de como o ator treinou horrores para realmente jogar algumas partidas na tela, começou-se a contar das loucuras que o "personagem" viveria (e coloquei entre aspas, pois muita coisa foi inventada, sem seguir como sendo uma biografia exata do verdadeiro mesatenista), e aí sim já me convenci mais de que poderia ser um bom filme. Aí eis que chega a data para conferir (felizmente em pré-estreias pagas antes de várias das principais premiações!) e me bate o olhar na duração da trama: 149 minutos, lá mais um susto se sustentaria tanto sem enrolações, e cá estou hoje após conferir pensando que se a muito custo conseguisse remover 10 minutos da trama seria muito, pois o protagonista se entrega do começo ao fim, não sai de foco um segundo que seja, e o melhor que todas as cenas fazem sentido para o longa, não sendo enrolações, ou seja, é daqueles filmes tão malucos, mas com tanta intensidade que você fica até querendo mais, e o melhor é que funciona bem, então podemos dizer que foi um acerto tremendo de escolhas.

O longa conta como um malandro se torna uma das grandes lendas norte-americanas do tênis de mesa. Seu nome é Marty Reisman e, de jogar pelo dinheiro das apostas em Manhattan, o homem se torna campeão de mais de 22 competições de pingue-pongue, colecionando ainda, aos 67 anos, o título de atleta mais velho a vencer um campeonato nacional de raquete. Marty Mauser se recusa a ser apenas mais um trabalhador precarizado na cidade de Nova York dos anos 1950. Ele não medirá esforços para alcançar seus sonhos megalomaníacos, nem mesmo se for preciso roubar. Indo contra aqueles que duvidaram dele, o jogador alcança a grandeza em grandes torneios internacionais, mas também coleciona inimigos no processo.

Um coisa bem interessante do diretor e roteirista Josh Safdie é que ele não pega um filme grandioso atrás do outro, sempre intercalando com curtas, com trabalhos musicais, e tudo mais, deixando sua mente sempre aberta para trabalhar de forma intensa só quando tem algo bem marcante para mostrar, e isso é um grande acerto para o que fez aqui, pois como disse no começo ele não dá espaço para gargalos ou pedaços do filme que ficassem sem um sentido primoroso na tela, de tal forma que tudo chega a ser extremamente exagerado pelas nuances do personagem principal, mas funciona no roteiro essa megalomania surtada, então você acaba se entretendo e conectando com tudo, entra em jogo, ajuda nas procuras e torce pelo personagem, mesmo ele não sendo necessariamente uma boa pessoa. Ou seja, o diretor consegue amarrar cada detalhe na trama com dinâmicas bem encaixadas e avança fácil nos detalhes para brincar com o público, sendo algo irreverente, mas sem forçar a barra, e isso é um luxo quando acontece na tela.

Quanto das atuações, posso dizer que sempre via algum leve defeito na personificação que Timothée Chalamet colocava em seus personagens, mas aqui seu Marty é perfeito, completamente insano, com uma pegada precisa e cheia das nuances, que talvez a única falha seja no conceito de idade mesmo, pois ele tem uma cara muito jovem, e o personagem embora jovial tinha traquejos mais velhos, mas isso foi algo que ele supriu bem e conseguiu encarar do começo ao fim sem paradas, pois ele está em cena em 100% dos atos, e isso é raríssimo de acontecer em filmes desse tamanho, ou seja, pegou para si, treinou tênis de mesa, e provou seu melhor papel em anos na tela. Ainda estou me perguntando por quanto tempo eu dormi, pois Gwyneth Paltrow era uma mulher jovem esses dias atrás e agora fez praticamente uma senhora (ainda muito sedutora e bonita) com sua Kay Stone, conseguindo trabalhar suas dinâmicas com olhares densos, mas bem corretos e marcantes nas cenas mais intensas com o protagonista, agradando bastante com tudo o que fez. Embora não tenha atuado, mas sim jogado muito, o mesatenista Koto Kawaguchi fez de suas jogadas um show a parte na tela, para que seu Endo fosse frio e imponente na tela, acertando muito bem seus atos. Ainda tivemos bons momentos de Kevin O'Leary com seu Milton Rockwell cheio de facetas e sabendo se colocar como um empresário marcante e direto nos interesses, também tivemos Abel Ferrara bem marcante com seu Ezra aparecendo pouco, mas dando força cênica em seus atos, e claro Odessa A'zion fazendo uma Rachel bem trabalhada, mas que merecia ter mais cenas para se desenvolver melhor na tela com o protagonista, mas não era essa a intenção da trama.

Visualmente a trama mostrou alguns campeonatos de tênis de mesa, com todas as interações e entregas das disputas, tivemos algumas apresentações "circenses" que o personagem participou, algumas cenas em hotéis ricos e outros bem jogados, além de peças, ensaios, treinos, partidas em boliches e tudo mais bem incorporado sem ter grandes ambientes, mas sabendo dinamizar e representar tudo muito bem na tela, ou seja, é daqueles filmes que você nota a presença da equipe de arte, para representar a época e tudo o que ocorre, mas que não fica preso na produção em si, pois o domínio dos personagens e de seus diálogos ampliam tudo ao redor.

Enfim, é um filme que tem pegada, que tem um ritmo insano bem acompanhado de uma boa trilha sonora, que funciona muito bem na tela com uma atuação precisa e incrível de acompanhar, e que vale demais a conferida para todos, pois não é apenas aquela trama de festivais, mas sim um filme intenso e cheio de nuances que agrada pelo que é mostrado, e assim vai brigar bem nas premiações, valendo a indicação. E é isso meus amigos, o longa estreia só dia 22/01, mas já está com muitas sessões de pré-estreias pagas no país todo, então não perca tempo e vá conferir. Eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Só não dei nota máxima para o longa pelo simples motivo de exagerarem tanto num personagem tão irreal que acabou saindo bem fora de uma "biografia", mas ainda assim como sempre valorizo muito colocarem ficção em tudo para dar nuances melhores, o resultado me convenceu bastante, e vai convencer muitos que não lerem sobre o personagem "real".


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Nouvelle Vague

12/16/2025 11:20:00 PM |

É engraçado o famoso cinema de autor, aonde conhecemos bem mais um filme pelas técnicas e estilo do diretor do que pela história, pelos atores ou tudo mais que ocorre ao redor da trama, de modo que tem quem ame determinado diretor, enquanto outros odeiam ao ponto de nem querer ver algo dele, e isso ocorre desde que o cinema é cinema. E o mais bacana aqui de analisar é que tanto Jean-Luc Godard quanto Richard Linklater sempre fizeram filmes dessa forma, ao ponto que particularmente não sou fã de nenhum dos filmes de Linklater (ou melhor não era fã), e do Godard diria que aprendi a gostar com poucos filmes, mas tenho que dizer que ambos foram inovadores de estilo e revolucionaram suas épocas. Ou seja, não podia ser outro diretor senão Linklater para mostrar como foi a produção insana do primeiro longa-metragem de Godard, ao ponto que "Nouvelle Vague" trabalha bem como foram as dinâmicas das gravações, mostra vários nomes conhecidos da época, e ousa brincar com as facetas caóticas das produções e festivais da época, sendo simbólico e bacana para quem nunca viu um filme de ambos os diretores conhecer esse mundo, e para os amantes da sétima arte e estudantes de cinema acaba sendo algo obrigatório para ver como era a produção nessa época, e claro todas as loucuras do estilo que ficou muito conhecido.

O longa acompanha os bastidores das filmagens de uma das obras-primas do movimento cinematográfico francês. A trama pretende reconstruir a história da vanguarda do cinema francês a partir da produção de Acossado, filme de 1959 do renomado diretor Jean-Luc Godard. De crítico a diretor, Godard se tornou uma grande figura da sétima arte com seu jeito irreverente e desinteressado em regras. Essa é história de como um clássico foi construído, contando os passos para a formação de um movimento revolucionário na sétima arte. Capturando a dinâmica juvenil e o caos criativo no coração da produção de um dos filmes mais influentes e amados do cinema mundial, Nouvelle Vague se transporta para as ruas de Paris de 1959 numa carta de amor ao poder transformador do cinema.

O estilo do diretor Richard Linklater sempre foi muito quebrado, de modo que muitos dos seus filmes você precisa estar com muita paciência e disposição para longos planos, por vezes cansativos, mas que sempre foram completamente diferenciados em estética e técnica, de tal forma que vários de seus filmes já foram gravados por anos para aproveitar o mesmo elenco, iluminação de determinada data e por aí vai, então ver algo em preto e branco, linear e dinâmico sem ter um plano arrastado foi algo completamente novo de acompanhar, e acredito que por isso me fez ser uma paixão a primeira vista. E o mais bacana, que mesmo sendo algo "padrão", ele deu um jeito de ser ousado, tendo antes de cada cena que aparecia mais pessoas, apresentar elas com nome embaixo e tipo pose de "jogador", que logo em seguida já era desenvolvido o ato, só criticaria que poderia ter sido ainda mais "informativo" se colocasse a função que a pessoa trabalhava na época, pois muitos podem não entender dos bastidores do cinema, mas o mais bacana de tudo é que isso não atrapalhou a dinâmica na tela, ou seja, o diretor conseguiu brincar com uma faceta diferenciada e ainda assim não incomodar o público, sendo algo com sua "nova" assinatura.

Quanto das atuações vou me ater aos protagonistas, pois falar de todos que aparecem no filme seria quase como fazer um livro sobre o período, e isso o filme já faz, então claro que temos de aplaudir a entrega séria e até irritante de estar sempre com óculos escuros que Guillaume Marbeck fez com seu Jean-Luc Godard, incisivo nas escolhas e cheio de personalidade, sabendo exatamente se portar na tela e representar muito bem o diretor. Zoey Deutch foi bem marcante também com o que fez com sua Jean Seberg, sabendo ser a estrela do filme, mas completamente perdida com as loucuras que o diretor desejava entregar, sendo simples e cheia de charme na tela. Outro que fez um belo trabalho foi Aubry Dullin com seu Jean-Paul Belmondo que depois despontou com vários clássicos, e o ator soube ser cru na tela como o diretor desejava, chamando o filme para si sem ofuscar o verdadeiro protagonista na tela, e agradando demais. Agora se Matthieu Penchinat sofreu aos montes como o diretor de fotografia Raoul Coutard, fiquei imaginando o verdadeiro Raoul, pois trabalhar com alguém maluco como foi Godard deve ter sido o caos, e o resultado sabemos que foi ótimo, e o ator trabalhou muito bem com todas as dinâmicas que precisava fazer. Vale ainda leves destaques para Adrien Rouyard como François Truffaut e Bruno Dreyfürst como Georges de Beauregard, ou Beau-Beau como muitos chamavam o produtor famoso por muitos filmes da época.

Sei que muitos vão me xingar, mas pessoalmente sou contra filmes em preto e branco, pois justamente no quesito visual acaba perdendo por demais, não mostrando quase nada dos ambientes, das roupas, e tudo mais, ficando até bonito de ver, mas não valorizando a direção de arte, de modo que aqui vemos muitas cenas gravadas nas ruas, em bares, vemos muitas exibições em cinemas, festas, vemos as traquitanas que a direção de fotografia na época usava para filmar, diversos papeis aonde o roteiro ia sendo criado e muito mais, mostrando claro uma boa pesquisa cênica de material e claro dos livros que muitos escreveram sobre.

Enfim, é um filme muito bacana de acompanhar, que mesmo estando bem cansado hoje não me deixou com sono em momento algum, e que é cinema falando de cinema, então vale demais a conferida e o resultado entregue vai reverberar ainda muitos anos pela frente. Então fica a dica para todos conferirem nos cinemas a partir já da próxima quinta 18/12, e eu fico por aqui hoje deixando meus abraços e volto amanhã com mais dicas.


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Zootopia 2 em Imax 3D

11/30/2025 07:05:00 PM |

Uma coisa engraçada que vem acontecendo já há algum tempo dentro das animações da Disney é que o comando criativo tem pedido por mais desenvolvimento de histórias, e isso para os adultos que vão conferir é ótimo, já para cativar os menorzinhos é algo mais complexo. E isso era algo que estava com um pouco de receio para "Zootopia 2", pois o primeiro é magistral ao mostrar uma cidade complexa de animais de todos os estilos convivendo juntos com suas próprias zonas climáticas e tudo mais, e mesmo querendo ver logo uma continuação, não imaginava por onde poderiam seguir sem sair do lúdico bem emocionalmente trabalhado para algo que não ficasse bobo e jogado apenas como uma continuação feita às pressas, e nove anos se passaram para entregar algo que funcionasse bem demais, pois o longa conta ainda com mais histórias, determina ainda mais os conflitos entre ser diferente e estar junto, e brinca com a ideia de animais completamente fora da cadeia animal tradicional, colocando temperatura em jogo e muita determinação para as devidas comparações. Ou seja, foram bem mais além do que o imaginado, e conseguiram entregar uma trama que você se diverte, dança a música nova da Shakira, e ainda curte toda a essência emocional colocada, enquanto os pequenos se divertem com as cores, resultando em algo bem colocado e funcional.

O longa nos mostra que os heróis e policiais novatos Judy Hopps e Nick Wilde estão de volta para mais uma aventura extravagante pela grande metrópole animal de Zootopia, mostrando que após desvendarem o maior caso da história da cidade, Judy e Nick são surpreendidos por uma ordem do Chefe Bogo: os dois detetives precisarão frequentar o programa de aconselhamento Parceiros em Crise. A união da dupla é colocada à prova quando surge um mistério ligado a um recém-chegado à cidade: o misterioso e venenoso réptil Gary De’Snake. Para encontrar as soluções para o caso envolvendo a víbora, Judy e Nick devem desvendar novas partes da cidade, sendo testados o tempo todo.

Sempre digo isso, e podem reparar, continuações que trazem de volta seus criadores sempre dão certo, e aqui Jared Bush que foi co-diretor do primeiro filme, assumiu de vez tanto como diretor quanto como roteirista, sabendo exatamente aonde dar sequência na trama, aonde desenvolver mais ou até brincar menos, para fazer uma trama séria e encantadora que você se diverte e vivencia tantos momentos, mas ainda assim pode pensar, pode ver referências e também manter o espírito infantil. Ou seja, o diretor demorou bastante para entregar algo novo na tela, e isso foi muito bom, pois teve maturidade para não ser apenas mais um, mas sim algo que dê continuidade e tenha continuidade, abrindo as portas que antes era de apenas mamíferos para agora répteis, e na cena pós-créditos já deram a deixa com o que virá a seguir (só espero que não seja numa série, e sim em um longa que mereça nossa atenção).

Quanto dos personagens e da dublagem, tivemos a volta do foco total em cima de Judy e Nick, abrilhantados pelas vozes de Monica Iozzi e Rodrigo Lombardi, com uma entrega perfeita de personalidades, mostrando o desconforto da parceria tão diferente, mas também a preocupação em dar a vez para o outro, de modo que a cena próxima do fim foi tão bonita de ver quanto uma trama clássica de um grande romance, tendo toda a conexão e vivência entre eles cheio de desenvolturas, de perseguições e tudo mais, ou seja, foram realmente os protagonistas de suas histórias, chamando tudo para si e encantando. O personagem Gary também foi bem bacana, cheio de nuances e traquejos, aonde Danton Mello pode brincar com suas diferentes vozes e entregas, sendo dinâmico e interessante nos atos mais intensos da trama. Ainda tivemos todo o clã dos Linceslei, o prefeito Cavalgante e muitos outros, tendo alguns com mais liberdade que outros, tendo a rápida participação de alguns antigos como Flecha, Capitão Bogo e Garramansa, mas quem teve mais destaque agora foram a castor Nibbles Castanheira com toda sua astúcia e até a Gazelle de Shakira teve mais falas, além claro de uma música nova original para concorrer às premiações.

Visualmente o longa seguiu o mesmo estilo do primeiro filme, com uma boa entrega cênica, muitos ambientes, dinâmicas, tudo muito bem pensado desde a perseguição no começo até os atos finais no deserto e na neve, tendo um festival grandioso de música e ainda um belo brejo aonde vivem os répteis, sendo algo cheio de cores, de dinâmicas, texturas e muita personalidade que a equipe de arte soube trabalhar para compor cada momento como algo único, ou seja, é um filme belíssimo até para algo do estilo, só não sendo tudo tão sutil como no original, mas ainda assim tendo referências à grandes clássicos do cinema live-action, em sua versão animada. Quanto do 3D, aí já não diria que posso elogiar tanto, pois mesmo vendo na maior tecnologia possível, usaram apenas para a imersão e composição dos personagens e cenários, dando um maior realismo para uma animação, mas o pessoal que gosta de ver coisas saindo da tela não terá tanto para brincar.

Enfim, é uma animação muito gostosa de conferir, cheia de nuances e desenvolturas, que agradará bem mais os adultos do que os pequenos, sendo algo meio diferente para uma produção da Disney, mas como já abriu com mais de meio milhão de bilheteria iremos ficar esperando a continuação, e que não demore tanto, pois já queremos ver tudo de novo. E é isso meus amigos, fica a indicação, mas eu não fico por aqui hoje, pois ainda vou conferir mais uma estreia nesse domingo, então abraços e até logo mais.


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