Quatro Amigas Numa Fria

5/22/2022 06:15:00 PM |

Um gênero que o Brasil ainda passa longe de conseguir dominar é a tal da dramédia, ou comédia dramática que tanto nossos vizinhos argentinos mandam super bem, pois fazer as duas pontas bem feitas é quase uma alquimia completa que se errar uma gota acaba estragando tudo, e nossas comédias sempre recaem mais para o lado forçado, e nossos dramas para o lado novelesco, e a mistura desses dois estilos ainda vai precisar de muito tempo para agradar o público geral. Ou seja, não digo em momento algum que o longa "Quatro Amigas Numa Fria" seja ruim de ser conferido, muito pelo contrário, tem estilo, tem uma boa produção, e um time de atrizes bem dispostas a fazer ele funcionar, porém é algo que falta atos divertidos para o público rir, e também falta emoção para envolver esse mesmo público, ao ponto que se torna algo bonitinho, mas que não marca, sendo daqueles que até vale a conferida talvez na TV quando passar, mas no cinema o público da sala sai da mesma forma que entrou, como se não tivesse visto nada na telona, e isso pesa.

A sinopse nos conta que um quarteto de amigas que se conhecem desde a infância, viajam a despedida de solteira de uma delas, mas no final, da praticamente tudo errado. Dani (Maria Flor) está prestes a se casar e convida três amigas - Karen, Ludmila e Josie - para acompanhá-la até Bariloche para sua despedida de solteira. As meninas esperam uma viagem tranquila e relaxante, com muitas aventuras que só uma despedida de solteira pode proporcionar. Enquanto isso, Guto, noivo de Dani, morre de ciúmes da viagem. Chegando à cidade Argentina, nada parece dar certo para as quatro amigas: elas têm que dormir em um chalé congelante, porque Karen esqueceu de fazer as reservas do hotel; Josie precisa andar encapotada porque tem alergia a gelo; e Ludmila, mãe de três filhos, não consegue dormir tanto quanto desejava. Após muitas aventuras, a viagem se tornará uma grande oportunidade para que as amigas se tornem ainda mais próximas à medida que mágoas do passado retornam.

O diretor Roberto Santucci que ficou bem famoso pelas comédias bem escrachadas que tem entregue nos últimos anos lotando as salas dos cinemas com tantas sessões, aqui quis ir por um rumo diferente demais de seu estilo, e isso é perigoso, pois o texto de Paulo Cursino, seu parceiro de longa data nas comédias, tem um peso emocional para dar vários valores de amizade e de reencontro dentro de uma viagem, porém a todo momento tentam colocar algum gracejo e ele soa quase como uma esquete solta do filme, o que não é nem inteligente, nem envolvente como deveria rolar, sendo daqueles que vemos, sorrimos, e acabamos não envolvidos o suficiente para rir nem emocionar como se deve no gênero. Ou seja, o trabalho de ambos é notável como um filme até com um certo apreço artístico, porém não para o público que espera rir de seus filmes no cinema, e assim o resultado não atinge ninguém.

Sobre as atuações, colocaria sem dúvida alguma todo o destaque da trama para Micheli Machado com sua Lud genial, cheia de bons trejeitos, e fazendo exatamente a comédia que o diretor sabe fazer bem, ao ponto que se o filme ficasse só nela seria incrível, pois ela se jogou na personalidade que a mãe e mulher necessitada de descanso encaixa, que muitas irão se conectar a ela, e rir de tudo o que faz e fala, pois é perfeita nesse sentido. Fernanda Paes Leme também foi explosiva e direta com sua Karen, mantendo o ar direto e forte, conseguindo até enganar o público com sua opção, e assim foi bem nos atos mais soltos. Já Maria Flor ficou monótona demais com sua Dani, não sendo uma personagem que o público se conecte, que demonstre o ar perfeitinha que é imposto, ficando para algo mais sem sal do que deveria, resultando em algo que não incrementa nada para o filme. Priscila Assum teve alguns momentos cômicos com sua Josie, principalmente coberta com um milhão de roupas, mas não foi muito além, e talvez tenha faltado um pouco mais de abertura para que seu papel fluísse, sem ser o elo de junção ao final. Pablo Bellini foi bem charmoso com seu Ricardo, no estilo de galanteio completo, e claro um colírio para a mulherada, mas é quase um objeto cênico de expressividade, e isso não é algo que um ator queira ser chamado em um filme. Agora quem me surpreendeu foi Charles Paraventi com seu Esteban, pois geralmente entrega personagens extremamente forçados, e aqui ele mesmo tentando fazer rir em alguns momentos, teve bem mais elos de coração e sentimentos que acabaram agradando bastante, e assim sendo deveria explorar mais esse estilo que vai encaixar bem com sua personalidade. Quanto aos demais diria que foram mais participações mesmo, com Marcelo Saback exageradíssimo com seu Gil fazendo uns trejeitos e gracejos desnecessários, e Marcos Veras como Guto servindo mais para as mensagens da protagonista e para um fechamento que não foi muito além. 

Visualmente a equipe de produção não economizou, indo filmar mesmo em Bariloche, com um chalé bem destruído e cheio de detalhes, um hotel bem requintado com todos serviços incríveis para o relaxamento de uma pessoa, muita neve para todos os lados, e até um bar bem trabalhado encaixando uma boa cena, ou seja, um trabalho primoroso para um longa que até merecia ir mais além, sendo bem representativo nos detalhes, agradando do começo ao fim com as escolhas feitas.

Enfim, volto a frisar que não é um filme ruim, apenas é daqueles que não encaixam em nenhum gênero pré-moldado, faltando fazer rir e emocionar como deveria, mas que vale como um passatempo para um domingo no sofá, desde que a pessoa não espere algo a mais dele. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Top Gun: Maverick em Imax

5/22/2022 01:44:00 AM |

São bem raras as continuações que superam os originais, mas quando conseguem esse feito vem com tanta emoção que faz arrepiar do começo ao fim. E só esse sentimento batia em cada cena do filme "Top Gun: Maverick" visto hoje, com cenas imponentes, uma história envolvente no máximo, juntando nostalgia, ação, e muito mais com caças incríveis, dinâmicas bem fortes, e tudo mais que o estilo promete e deva cumprir. Ou seja, é o filme que muitos esperavam ver depois de 36 anos do lançamento de "Top Gun: Ases Indomáveis", que vai fazer muito marmanjo se emocionar com toda a intensidade das cenas de voo, de batalha, e até mesmo de treinamento, sendo um marco na carreira de Cruise ao reviver memórias e estilos, e mostrando que ainda tem muitas fichas para gastar e fazer o público vibrar na poltrona. Alguns até vão achar pouca história, mas toda a essência passada, a dinâmica do treinamento, e claro a missão suicida em si, com um desfecho ainda mais impressionante acaba sendo o merecimento de um filme de uma época, marcante e perfeito de ser visto exclusivamente numa tela gigantesca, pois em casa garanto que não vai arrepiar nada.

No longa acompanhamos a história de Pete “Maverick” Mitchell (Tom Cruise), um piloto à moda antiga da Marinha que coleciona muitas condecorações, medalhas de combate e grande reconhecimento pela quantidade de aviões inimigos abatidos nos últimos 30 anos. Entretanto, nada disso foi suficiente para sua carreira decolar, visto que ele deixou de ser um capitão e tornou-se um instrutor. A explicação para esse declínio é simples: Ele continua sendo o mesmo piloto rebelde de sempre, que não hesita em romper os limites e desafiar a morte. Nesta nova aventura, Maverick precisa provar que o fator humano ainda é fundamental no mundo contemporâneo das guerras tecnológicas.

Diria que o diretor Joseph Kosinski depois de muito tentar com longas de ação que apanharam da crítica conseguiu o feitio de uma trama que todos estão se apaixonando pelo resultado, e o motivo é bem simples e tem nome: o fator Tom Cruise, mas não a atuação do ator em si, mas sim seu jeito de desejar o mínimo de computação envolvida, e sim gravações reais, com aviões reais dando rasantes e fazendo manobras arriscadas, barcos em movimentos malucos no meio do oceano, motos em velocidade máxima, colocando as câmeras nas posições mais precisas possíveis para capturar as feições dos artistas nos atos imponentes para que nada fique artificial, e a história aqui pediu isso, com coesão, dimensão dos atos e tudo mais que fizesse cada ator expelir ao máximo seus trejeitos, mostrando desde o fator de transmissão de pai para filho pelo que rolou no passado, seus galanteios, desobediências e tudo mais que coubesse para empolgar e marcar cada momento da trama. Ou seja, é mais do que apenas um filme de direção ou atuação, é daqueles que cada componente funciona, que não pode ter erros pelos riscos de tudo, e que com muito planejamento conseguiram ser criativos, inteligentes e praticamente reinventar o gênero, afinal na época do primeiro tinha toda a iminência de uma guerra num formato, e agora tudo é diferente até mesmo na guerra, e o longa ainda assim funciona bem.

Sobre as atuações, é nato também o quanto Tom Cruise desejava essa continuação, seja para mostrar o quanto aprendeu a pilotar aviões, motos, barcos e tudo mais em altíssima velocidade, quanto para mostrar o crescimento e a explosão que seu Maverick deu em sua carreira, afinal "Ases Indomáveis" foi seu 7° filme da carreira e esse o 45°, todos tão imponentes quanto, e com estilo clássico que permeia cada sentimento passado aqui, olhares, gestuais e envolvimento, e o melhor, mostrando também que não envelheceu tanto em 36 anos, mantendo o corpo em linha, a cara envelhecida mas ainda precisa de trejeitos e claro a expressividade marcante que tanto conhecemos, ou seja, perfeito em cena. Outro que mostrou uma evolução não de 86 para cá, mas sim de seus últimos filmes é Miles Teller que foi incrivelmente caracterizado para que seu Rooster ficasse a cara de seu pai no longa de 86, Goose, que quem não lembrar do original morreu em uma das missões pelo teto do avião não abrir, e o jovem pintou os cabelos, deixou o bigode, e entregou muita personalidade nos trejeitos, na forma de passar a emoção e criando algo meio duro num primeiro momento, nos atos finais acaba se entregando por completo e ficando perfeito demais, ao ponto que o veremos decolar ainda na carreira. Jennifer Connelly soube dosar o ar romantizado com o protagonista, fazendo de sua Penny alguém bem precisa e direta, com uma desenvoltura de primeira linha e um ar sexy sem forçar a barra, o que acaba agradando bastante. Ainda tivemos ótimas cenas com Val Kilmer mesmo doente entregando os atos finais de seu Iceman com muita emoção, um Jon Hamm preciso e imponente com seu Cyclone, Bashir Salahuddin emocionante com seu Hondo, e até mesmo Charles Parnell deu boas nuances com seu Warlock, além dos demais jovens que deram boas nuances para a equipe com destaques para Glen Powell com seu Hangman, Monica Barbaro com sua Phoenix e Lewis Pullman com seu Bob, mostrando uma nova turma boa para quem sabe uma continuação jovem da trama, pois todos foram bem expressivos, e devem ter surtado bastante nos voos, mesmo que no banco de trás.

Visualmente o longa é um deslumbre completo, pois como já disse Tom exigiu que o longa fosse filmado com naves reais, motos reais, barcos reais e tudo mais que fosse possível para que o longa passasse a maior realidade possível para o público e para os atores também, então quando os treinamentos rolam, as batalhas e voos foram feitos, claro sem tiros reais para ninguém morrer em cena mesmo (aí é que entra o poder da computação para fazer explosões, detonações e tudo mais), mas praticamente voamos junto com todos os atores na sala, pois com o som das melhores salas de cinema tudo treme, vibra, o som explode os ouvidos e vivenciamos o momento junto com todos, além de ter um bar de praia incrível aonde rolam boas cenas com os personagens, remetendo também a bons momentos do original, e vários elementos explicativos das missões com tecnologia de ponta. Ou seja, a equipe de arte sofreu muito para conseguir as devidas licenças, mas conseguiu colocar as câmeras em lugares onde ninguém mais colocou, e o resultado é notável.

Musicalmente o longa contém claro a trilha clássica de Harold Faltermeyer e Steven Stevens, agora junto de Hans Zimmer para dar aquela explosão ainda maior nos envolvimentos, é iniciado com Kenny Loggins e sua clássica "Danger Zone", e finalizado agora com a canção feita para o filme por Lady Gaga e sua "Hold My Hand", e também o One Republic com "I Ain't Worried", além claro de vários envolvimentos apenas de trilha que deram o tom, ou seja, uma lista invejável que envolve demais.

Enfim, até dá para reclamar de alguns momentos, mas me arrepiei demais em diversos atos, me emocionei com algumas situações e a trama me envolveu de tamanha maneira que não tenho como dar outra nota, principalmente pelo realismo passado na maioria das cenas, então vá para os cinemas, se possível veja numa Imax ou na maior sala que estiver ao seu alcance, e curta, pois é o famoso filme nostalgia para os mais velhos, mas que vai envolver também os mais jovens que curtem bons longas com emoção, e sendo assim fica a dica para as prés dessa semana, e claro para a grandiosa estreia na próxima quinta. Eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Chamas da Vingança (Firestarter)

5/21/2022 02:13:00 AM |

Vou ser bem sincero com quem lê minhas opiniões, e dizer logo de cara que não lembro do original "Chamas da Vingança" de 1984, então vou falar somente do que vi nesse novo de hoje que ficou parecendo algum prequel de filme dos X-Men, aonde pela abertura do filme vemos um casal que aceitou ser cobaia de um teste na faculdade, e acabou ganhando poderes, casando, tendo uma filha com a mistura de poderes com algo quase tão destrutível quanto uma bomba atômica, e que claro passam a ser perseguidos por fugirem do programa, e temos então a jovem perdendo controle dos poderes, explodindo coisas, matando coisas, e quando a mãe morre e o pai vai preso a garota vai atrás, e o pau tora, mas é tudo tão básico que acaba nem empolgando, acaba de forma bem aberta para continuações, e mesmo sendo embasado num livro clássico de Stephen King, a única base de terror mesmo é que a jovem fala que gosta do sentimento de matar, mas não vai além, não causa temor, sendo tão rápido quanto uma apresentação da maioria dos filmes, ou seja, ficou parecendo ter muito mais e quiseram vender apenas a parte um para depois vir com a parte dois, mas ainda assim não compensa o crime de ir conferir, sendo bem mediano pra fraco.

No longa seguimos um pai e sua filha, Andy e Charlie. Durante seus anos de faculdade, Andy havia participado de um experimento da Loja que lidava com o "Lote 6", uma droga com efeitos alucinógenos semelhantes ao LSD. A droga deu a sua futura esposa, Victoria Tomlinson, habilidades telecinéticas e a ele forma telepática de controle mental que ele chama de "empurrão". Ambos também desenvolveram habilidades telepáticas. Após se casarem e terem uma vida aparentemente normal, sua filha Charlie acaba desenvolvendo uma capacidade pirocinética assustadoramente forte. Tendo uma infância normal e a família McGee vivendo entre pessoas normais, A Loja acaba sabendo sobre os poderes absurdos de Charlie, querendo pegá-la para maiores estudos. O longa acompanha a dupla de pai e filha fugindo da Loja, após um plano falho de tirar Charlie de seus pais e levando a morte de Vicky.

Diria que o diretor Keith Thomas e o roteirista Scott Teems pegaram o texto de Stephen King e imaginaram tudo o que viram nos longas de quadrinhos, de heróis, vilões e tudo mais, e simplesmente colocaram na tela, ao ponto que deu o tempo pararam a câmera e o espectador que curta ou não como finalizamos, pois tem todo o nexo da divindade no fechamento, mas falta algo a mais, falta dizer o que vai rolar depois, e mesmo a base toda é curta e direta demais, sem florescer o crescimento da garota com seus poderes. Ou seja, acabamos vendo um filme de 94 minutos inacabados, que precisaria sim de mais 30 e talvez ainda não seria suficiente, mas é o que temos, e assim sendo vou torcer para que quem sabe saia uma continuação, o que acho bem difícil, afinal não é o estilo que tem continuações.

Sobre as atuações, Zac Efron até foi bem com seu Andy, fez algumas cenas emotivas chorando sangue, e foi bem como um pai zeloso, mas poderia ter mais força ou mostrar mais dos seus tempos gloriosos para criar um algo a mais, diria que está melhorando seu estilo de interpretação e logo mais deve ficar bem sem ser mais o galã tradicional. Ryan Kiera Armstrong entregou uma boa imponência para sua Charlie, e pasmem foi um dos primeiros personagens que Drew Barrymore fez nos cinemas, logo depois de "E.T. - O Extraterrestre", então a jovem se seguir a mesma linha tem futuro, e bons trejeitos ao menos mostrou. Gloria Reuben se portou de uma maneira até que bem forte para que sua Capitã Hollister fosse chamativa, mas tem praticamente três cenas apenas, e meia dúzia de falas que não vão muito além, ou seja, nem foi usada como deveria. O papel de Wanless que Kutwood Smith fez pareceu bem importante, mas apareceu em menos de 2 minutos de tela, ou seja, serviu para nada na trama, ou vai sobrar para a continuação, então veremos. Michael Greyeyes foi bem forte com seu Rainbird, mas não consegui ver direito qual o poder real dele em cena, ao ponto que o ator fez dinâmicas marcantes e deu seu nome ao personagem, o que também pode ser que usem na continuação. Já a mãe da garotinha que Sydney Lemmon entregou até teve algumas nuances interessantes, mas morreu rápido demais, e assim não foi além.

Visualmente o longa passou praticamente por quatro ambientes, a escola da garota aonde ela sofre bullying e bota fogo no banheiro, a casa dela invadida e a garota surtando e botando fogo em tudo, uma fazenda com uma mulher acamada e um marido bêbado (até que bem desenhada pela equipe de arte), e o centro de pesquisas aonde ocorrem as cenas finais, ao ponto que todos foram bem recheados de elementos para a garotinha explodir e se desenvolver, mas se você ficar olhando para o cenário o longa acaba de tão rápido, ou seja, faltou trabalhar um pouco mais de tudo, que aí sim o trabalho da equipe de arte seria exigido e funcionado bem.

Enfim, é um filme que talvez gere frutos futuros, mas que faltou muito para ser algo chamativo nesse primeiro momento, ao ponto que ou soltam logo uma continuação, ou quando vier nem lembraremos que vimos ele, pois é fraco de essência e fraco de desenvolvimento, o que é uma pena, afinal todo texto de King é imponente para agradar, e não rolou. E é isso meus amigos, não indico o filme e fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, afinal essa semana está bem cheia, então abraços e até logo mais.


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Pureza

5/20/2022 08:23:00 PM |

Algumas histórias reais sempre vão pesar na formatação de um bom longa, porém quando cai na mão de um bom diretor ficcional que sabe como fazer o público entrar no clima da produção o resultado acaba indo até além, já nas mãos de um documentarista ele acaba ficando mais no tema e esquecendo que o público precisa se emocionar e sentir o filme para que a trama exploda realmente. Iniciei o texto do filme "Pureza" dessa forma pela única e exclusiva crítica do filme ficar bem longe de algo imponente: a falta do ar ficcional que ultrapassasse o clima documental misto com o novelesco, pois em alguns atos parece que estamos vendo uma reconstituição feita para algum jornal nacional e não um filme realmente, e isso vai acabar pesando muito no público que for conferir. Ou seja, é uma história que daria muito envolvimento para emocionar, chocar e impactar com tudo o que acontece, mas acabamos apenas vendo e não sentindo a força que deveria ter, principalmente se compararmos com "7 Prisioneiros" que trabalha o mesmo tema, só que na cidade ao invés do campo.

O filme é baseado na história real de Pureza Lopes Loyola. Na trama, Pureza é uma mãe solo que mora com seu filho, Abel, em uma pobre região do Maranhão. Descontente com a vida que levam, o jovem resolve deixar o local para buscar emprego em um conhecido garimpo, com a promessa de dar uma vida melhor para a matriarca. Após meses sem notícias do filho, Pureza resolve sair em busca do rapaz. Durante a jornada, ela encontra uma fazenda que emprega um sistema de aliciamento e cárcere de trabalhadores rurais, a famosa escravidão moderna. Ainda à procura do filho, ela passa a trabalhar neste lugar, testemunhando o tratamento brutal sofrido pelos empregados, além do desmatamento ilegal de florestas. Lutando contra um sistema perverso e poderoso, esta batalhadora mulher enfrentará a tudo e todos que ficarem à sua frente, sempre com uma fé religiosa inabalável e a esperança de encontrar o filho.

Talvez o problema tenha sido o diretor e roteirista Renato Barbieri ter encarado uma ficção depois de muitos documentários, inclusive o último sendo sobre a escravidão moderna chamado "Servidão", e aí não ter conseguido ir além em algo que acompanhou, pois como costumo dizer o roteirista precisa soltar seu filho nas mãos de outra pessoa para que ela dê uma vida melhor pra ele, senão a chance de não deslanchar é alta, e isso foi o que acabou ocorrendo, que vemos um bom texto, sem grandes chamarizes, que acaba sendo inteligente de proposta, porém sem atitude mesmo com uma atuação forte da protagonista. Ou seja, é um documentário excelentemente interpretado que virou um filme fraco, mas que poderia ser um filme incrível com uma proposta documental se outro diretor fizesse as vezes.

Sobre as atuações, basicamente temos de engrandecer uma das melhores atrizes nacionais que é Dira Paes, pois sua Pureza é imponente, tem presença, e se entrega por completo na trama, lembrando um pouco o que está fazendo na nova versão de "Pantanal", que aliás deve ter usado o longa para puxar alguns trejeitos para a novela, e aqui fez bem o que precisava, e chamou a responsabilidade toda para si, agradando e fazendo o que dava, mas poderiam ter usado ela mais ainda sem precisar aparecer tanto ela na trama. Matheus Abreu apareceu quase que de enfeite com seu Abel, de forma que quase poderia ser um nome apenas. Mariana Nunes tentou se impor com as poucas cenas de sua Elenice, mas também resulta mais na simplicidade do que no chamariz mesmo. Já Flavio Bauraqui e Sergio Sartório com seus Narciso e Zé Gordinho até foram bem marcantes como capatazes, mas faltou explosão nos papéis para irem além, e assim sendo apenas estiveram presentes. Já os demais foram apenas figurantes em cena, o que é uma pena, pois valeria chamar mais atenção dos escravos.

Visualmente a trama foi até que bem trabalhada na simplicidade do ambiente, mostrando no começo a olaria da família, que ganhava pouco e fez com que o jovem tentasse mudar de vida, e depois a fazenda grandiosa com um armazém bem sujo com várias coisas ruins para os "trabalhadores" se endividarem, uma cozinha simples, mas que a protagonista dominou, alguns rádios, e claro cenas de corte de pastagem, um açude sujo aonde pegavam água, um abrigo com redes bem precárias, e depois algumas cenas em Brasília, com salas que sabemos que não foram filmadas lá dentro pela simplicidade do ambiente, mas que representou ao menos, ou seja, tudo foi bem feitinho, mas nada surpreendente.

Enfim, é um longa de boa proposta, que mostra uma época sofrida e forte que praticamente sumiu do mapa no país, mas que tem reaparecido, então vale para reflexão e denúncias claramente, mas que poderiam ter feito algo mais forte e ficcional para realmente impactar, e assim sendo não digo que recomendo com muita força para todos os amigos, pois a maioria vai reclamar da simplicidade que lembra até um pouco os filmes que fazíamos na faculdade. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vou conferir mais um hoje, então abraços e até logo mais. 


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A Médium ('ร่างทรง') (The Medium)

5/20/2022 01:34:00 AM |

Costumo dizer que um bom filme de terror não é aquele que te assusta e faz ficar pulando da poltrona, e menos ainda aquele que cria situações que você não entende nada e tentam passar algum tipo de mensagem estranha (os famosos terror-cult), e muito menos aqueles que exageram na sanguinolência voando para todos os lados, mas sim aquele que você acaba entrando completamente no clima, se interessa pelos personagens, a tensão ocorre, as dinâmicas arrepiam, e que mesmo sendo algo bizarro, nojento e completamente absurdo de pensar (mesmo sabendo que existem seitas e cultos estranhos assim), no final você fica pensando o que foi isso minha gente! E já fazia um bom tempo que não via um longa com todas essas qualidades no cinema, ao ponto que no final de "A Médium" já estava pensando que tem seitas que chamam realmente alguns documentaristas para gravar seus cultos e os malucos vão lá, depois de verem e alguns mesmo vendo o pau torando continuam gravando como ocorre aqui, pois confesso se sou eu com a câmera largava ela lá e adeus no primeiro grunhido que ouvisse, quanto mais ver o amiguinho câmera do lado sendo comido e ficar dando close. Ou seja, sei que muitos vão conferir e odiar tudo, achar tudo absurdo e impossível, mas a ideia toda me fez lembrar um pouco "A Bruxa de Blair", só que com muito mais intensidade no tratamento final, já que aqui não quiseram fazer imagens estranhas, mas sim uma documentação precisa e bem feita com muitas câmeras, uma equipe completa, entrevistas, e tudo mais, e com um começo que muitos vão até pensar que o trem não vai engrenar, mas é bem uma preparação para tudo, e cada coisa dita no miolo é bem utilizada, fazendo da trama um dos melhores que vi do gênero em muitos anos.

A sinopse nos conta que uma equipe de documentários tailandeses viaja para a parte nordeste da Tailândia para documentar a vida cotidiana de uma médium local, Nim, que é possuída pelo espírito de Bayan, uma divindade local que os aldeões adoram. Bayan é uma deusa ancestral e possui mulheres na família de Nim há gerações. A última na linha de sucessão foi a irmã de Nim, Noi. No entanto, Noi não queria ser médium e se voltou para o cristianismo. O espírito de Bayan mudou-se para Nim e está com ela desde então. Após a mulher fazer uma revelação horripilante sobre a família de sua irmã, sua sobrinha Mink, começa a exibir comportamentos estranhos. Nim está inicialmente convencido de que Bayan deseja que Mink seja a sucessora de Nim, mas Noi se recusa a deixar Nim realizar uma Cerimônia de Aceitação para mover o espírito de Bayan para sua filha. Mas, a deusa que eles tanto adoravam, talvez não seja o que sempre acharam.

O jeito que o diretor Banjong Pisanthanakun escolheu desenvolver sua história foi algo brilhante de observar, principalmente para um filme de terror, afinal entregar um documentário inicialmente sobre uma religião/entidade numa comunidade meio que isolada e devota à ela, depois perceberem a possibilidade de documentar a transferência dessa entidade para outro ente da mesma família, e sem ficar com diálogos da equipe, mas sim deixando a fluência para a família em si, como se as câmeras fossem algo cotidiano ali é algo muito diferenciado, pois em certos momentos nem vemos mais os personagens respondendo as perguntas da equipe, mas sim apenas reagindo a tudo e a equipe pouco se lixando se ia morrer ou se aquilo ali estava quebrando a privacidade ou qualquer coisa que um documentarista pensaria, e isso deu um sentido completamente maluco para a trama nos atos finais aonde qualquer um fugiria, ou se esconderia como rolou com um dos membros (claro sem parar de filmar!), e assim tudo é perfeito nesse sentido, aí entramos no conceito de terror e filmes com entidades, pois diferente de um monstro ou espírito assombrando, aqui vemos não só a incorporação, mas o acreditar naquilo, de quão forte é tudo, e como algumas pessoas entram na ideia religiosa mesmo sem saber o que é realmente, tanto que o último depoimento de Nim que é o fechamento do filme diz tudo, então é o terror acontecendo da forma mais crua e tensa na tela, e isso embora nojento, forte e intenso, é lindo de ver. Ou seja, o diretor fez um filme que é o que ele queria, sendo ficção, mas que passaria facilmente num festival de documentários reais, e alguns do júri dariam boas notas.

Sobre as atuações, só posso dizer que todos foram muito naturais no que fizeram, parecendo realmente pessoas comuns na comunidade, que vivenciaram toda a insanidade dos rituais, de tal maneira que se entregaram para tudo, e até mesmo o tio estranho vivido por Yasaka Chaisorn ficou muito bem encaixado com a família dele quando parecia meio que jogada no longa. E assim sendo a jovem Narilya Gulmongkolpech inicialmente comum com sua Mink, apenas exagerando nas bebidas e brigas ocasionais de jovens, mas depois virando o próprio demônio com dobras corporais, olhares revirados, saltos, cenas obscenas, coisas nojentas e tudo o que se pudesse pensar numa incorporação demoníaca que dá muito certo de ser vista, ou seja, foi muito bem no que fez. A tia vivida por Sawanee Utoomma fez uma Nim bem densa, com olhares reflexivos, e tradicionais de uma pessoa mística, rezando muito, fazendo seus cultos e oferendas, e sendo bem direta nos depoimentos, sendo a protagonista real de seus atos, o que é perfeito de ver. Sirani Yankittikan trabalhou sua Noi de uma forma bem desesperada, tradicional de mães, e se jogou literalmente na personalidade que precisava, agradando bem em todos os atos e finalizando ainda melhor. O outro guia espiritual Santi, que Boonsong Nakphoo fez ficou meio explosivo demais, com trejeitos até falsos e estranhos, mas que é comum de ver em rituais, então fez bem seus atos finais, e agradou. Agora Arunee Wattana poderia ter feito uma Pang um pouco melhor e mais convincente, pois pareceu perdida em alguns atos, porém foi pouco usada, o que acabou não atrapalhando a produção. Quanto dos diversos câmeras, produtores e diretores do documentário, eles apareceram quase nada em cena, e falaram menos ainda, mas seus gemidos finais, suas fugas e tudo mais foi algo bem bacana de ver.

Quanto do visual, o filme se passa todo na comunidade, e tendo um galpão de uma fábrica para os ritos mais tensos, então é uma casa bem simples, o emprego da jovem com várias mesas e cadeiras sem grandes chamarizes, uma parada natalina bem comum, muito matagal, e claro câmeras noturnas, câmeras acompanhando cada um, um culto mais calmo, um mais cheio de pessoas diferentes e malucas, e claro o grandioso fechamento com um culto assustador, além de alguns ritos de funerais bem culturais e interessantes, ou seja, pareceu realmente que a equipe foi para alguma cidadela e filmou todo o cotidiano ali acontecendo, o que é perfeito de ver, e que mesmo abusando de algumas luzes falsas, o resultado impacta bem com muito sangue, vômitos, coisas nojentas e até atos sexuais bem explícitos, ou seja, o conjunto de um terror completo.

Enfim, é daqueles longas que funcionam demais dentro do proposto, que até tem falhas, mas que são relevantes, e usando duas ou três pequenas cenas de jumpscare para pegar o espectador (mas que você estará preparado para elas se conhecer um pouquinho de filmes de terror), o restante é apenas o luxo do mais tenso estilo de terror, e isso faz valer demais a recomendação para quem gosta de um bom filme do gênero. Então fica a dica, e eu fico por aqui hoje deixando meus abraços e até breve, pois essa semana está bem cheia de estreias.

PS: Só não dei a nota máxima para o longa por alguns exageros e pequenas falhas, mas é algo que dá para relevar e colocar ele no top filmes do ano.


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Netflix - Toscana

5/18/2022 11:59:00 PM |

Costumo dizer que temos de ver de tudo um pouco para que os ânimos e estilos de nossa mente fluam naturalmente, dando uns sustos de vez em quando, explodindo tudo com tramas de mil reviravoltas, ficando revoltado com dramas enrolados, e claro dando aquele alívio simples com um romance sem surpresas que já sabemos completamente o rumo que vai tomar, mas que agrada justamente por ser simples. E hoje foi um desses dias de dar paz para a cabeça do Coelho que vos digita dando play no lançamento dinamarquês da Netflix, "Toscana", que até tem um desfecho não tão esperado como todo longa de romance (pelo menos não de cara), mas que tem uma estrutura bem clássica do gênero, mostra muitas comidas bonitas e aparentemente deliciosas, e que envolve de certa forma como deve ser, mas poderiam ter trabalhado o ar romântico da região melhor, ter criado mais flashbacks e dar um toque mais quente para os protagonistas no desenrolar da trama, para quem sabe o filme ir ainda mais além, mas não é nada que atrapalhe, e assim quem curtir uma trama leve e gostosinha pode dar o play que a dica é boa.

A sinopse do longa é bem simples e nos conta a história de um chef dinamarquês que viaja para a Toscana para vender o negócio de seu pai. Lá, ele acaba conhecendo uma mulher local que o inspira a repensar sua abordagem da vida e do amor.

Diria que o diretor e roteirista Mehdi Avaz até tentou elaborar um pouco mais seu longa para que ele não fosse tão direto na síntese, e com isso acabou abrindo o espaço para não terminar tão na cara de que o resultado seria o tradicional, mas foi colocando todas as nuances tradicionais de negociações, de filho que ficou traumatizado com separação na infância, e ainda colocou pitadas de esquecimento de momentos, que é algo bem bacana de se trabalhar se souber ir além, usando fotos e tudo mais, e com essa abertura vemos alguns atos bem calmos, sem nada que espantasse realmente, então poderiam ter brincado mais com tudo para que o filme fosse mais além, provocasse um pouco o espectador, e ainda assim ficasse simples. Ou seja, trabalhar o miolo como alguns costumam dizer, ou como estamos usando um longa envolvendo culinária também, botar um pouco mais de tempero, que aí sim teríamos algo perfeito, porém como já disse no começo, o estilo escolhido foi bem gostosinho, com muitas comidas chiques e envolvimentos leves, e assim dá para relaxar e curtir tranquilamente tudo.

Sobre as atuações, posso estar errado sobre o que o ator Anders Matthesen fez com seu Theo, mas fez tantas pesquisas de trejeitos, gestuais e desenvolturas com chefes renomados que quase falamos que realmente é ele cozinhando tudo, preparando os pratos e tudo mais, pois foi muito perfeito no que o papel pedia, e além disso deu as devidas nuances nos atos principais, encaixou cada dinâmica junto da outra protagonista, ao ponto de querermos até ver mais dele, e olha que é difícil ver dinamarqueses sendo sutis, e ele acertou bem no que fez. Cristiana Dell'Anna fez uma Sophia mais seca de expressões, mas sendo direta nos atos acabou sendo funcional e racional para o papel, entregando exatamente o oposto do protagonista, ou seja, fez com que sua personagem não se entregasse facilmente com emoções tradicionais, e isso é algo bem bacana de ver, principalmente em papeis femininos, o que foi bem certeiro para o longa. Quanto aos demais foram bem colocados, mas nenhum se expressando com algo que chamasse a atenção, e assim é melhor focar só nos dois mesmo, porém friso que o elenco do restaurante foi muito coeso em tudo o que fez, parecendo ser realmente profissionais do ramo.

Visualmente a trama foi filmada em uma locação incrível, na Toscana é claro, com um casarão rústico, porém sendo muito agraciado pelas belezas ao redor, e não bastando isso ainda montaram um casamento simples e bonito de ver, comidas que encantam e transmitem o sabor só de ver, e muitas dinâmicas clássicas de longas envolvendo alimentos, como arrumações de cozinhas, experimentação de clássicos, e tudo mais, ou seja, a equipe passou muito bem durante as filmagens. 

Enfim, volto a frisar que muitos vão até reclamar da simplicidade do longa, mas é bem bonito e gostoso de ver, levinho, e que acaba sendo daqueles que até podemos lembrar um dia em alguma indicação para comparar as locações e jeitos de fazer algum alimento, além claro de ser um longa dinamarquês que não é tão comum de aparecer, então fica sendo uma boa dica de conferida. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Rei Das Fugas (Najmro: Kocha, Kradnie, Szanuje) (The Getaway King)

5/17/2022 10:12:00 PM |

Já disse outras vezes que a arte de dominar o riso é algo para pouquíssimos, e conseguir transformar a biografia de um ladrão em uma aventura cômica de ação é algo quase que impossível, pois sai demais do eixo de algo convincente de acreditar. Então como ir além? A resposta é forçando a barra no nível mais aceitável possível, e deixar rolar, que é o que os poloneses tentaram com "O Rei das Fugas", que estreou na Netflix e que mostra uma trama meio que absurda de um ladrão que sempre dava um jeito de fugir das prisões das maneiras mais irreverentes possíveis deixando os policiais revoltadíssimos com tudo, e sempre no encalço dele durante a época da mudança mundial com a queda do muro de Berlim. Ou seja, é um filme que tem um estilo bem interessante, que até soa engraçado em alguns atos, mas é tão bizarro tudo o que rola na trama, principalmente nos atos finais, que desanima demais, e assim sendo é melhor procurar algo melhor no streaming.

O longa nos entrega uma comédia policial de ação ambientada nos últimos dias do comunismo na Polônia, contando a história do ladrão de fama quase heroica e folclórica, que escapou 29 vezes da polícia. Najmro estava vivendo em seus próprios termos contra o sistema. Mas o amor e a queda do Muro de Berlim mudaram tudo. O filme foi baseado na história real da vida de Zdzisław Najmrodzki, um criminoso e ladrão que viveu na Polônia na década de 1980, e que se destacou por escapar da prisão e das autoridades 29 vezes.

Diria que o diretor e roteirista Mateusz Rakowitz até entregou dinâmicas inteligentes em um filme de época interessante de ser conferido, porém ao necessitar apelar demais para soar convincente numa trama nada tradicional o resultado acabou desandando demais, pois vemos um personagem bem mítico, mas que soa bobo demais para alguém tão inteligente, e se o fechamento de sua história foi realmente da forma mostrada então, o absurdo acabou ficando ainda mais estranho de ver. Ou seja, não posso falar que seja uma direção ruim, muito pelo contrário, o longa tem técnicas incríveis colocadas no decorrer da exibição, mas a história é tão estranha que só se entrar realmente no clima e deixar de lado tudo que dá para rir de algo, senão vai apenas achar estranho e nada mais. Sendo assim, poderiam ter deixado apenas como uma trama policial de ação, com algumas nuances cômicas, que o resultado seria imensamente melhor.

Sobre as atuações, tenho de dar claro o grandioso mérito para Dawid Ogrodnik fazenbdo o papel principal de Zdzisław, pois ele pegou o filme para si e fez tudo e mais um pouco que precisava, criando grandes atos explosivos, situações amplas e bem conectadas, e bons trejeitos para que o seu personagem fosse carismático, e assim sendo agrada mais do que propriamente o filme, e isso é algo raro de acontecer, pois geralmente o protagonista faz um bom filme, não um filme fazer um bom protagonista, e aqui rolou isso. Da gangue dele vale destacar somente Jakub Gierszal, nem tanto pelos atos enquanto está na gangue com seu Antos, mas sim na segunda fase do filme quando vira um delinquente de uma máfia e está completamente malucão em cena, pois todos durante os roubos fazem quase uma orquestra bem regida pelo maestro, mas nada que surpreenda expressivamente. E quanto dos policiais são praticamente um grupo de patetas que não se atentam a detalhes, usando de truculência ou de dormidas no ponto, de tal maneira que chega a ser desanimador ver tudo o que fazem, valendo apenas mencionar Robert Wieckiewicz com seu Barski, pelas dinâmicas que se envolveu, mas nada que vá me fazer lembrar dele em outro filme. A namorada do protagonista só vale pelas boas cenas de pegadas, que foram meio que desnecessárias da forma mostrada exageradamente sexual, mas se Masza Wagrocka concordou em fazer para sua Tereska ficar mais interessante, sem problemas.

Visualmente o longa funciona bem dentro do contexto da época, mostrando ladrões roubando grandes centros comerciais e lojas para vender para o público em geral que está desejando esses produtos, mas não tem dólares para comprar, afinal o país vivia um comunismo monstruoso na época, e assim vemos tudo bem representativo como lojas só com os ricos, vendas de carros lotadas como feiras populares, o poder da barganha, cinemas vazios e tudo mais pronto para ser representativo, e assim sendo a equipe trabalhou muito bem, além de junto da equipe de fotografia colocar um tom avermelhado incrível durante toda a exibição, que acaba agradando bastante nas cenas de ação, e também nos atos das festanças na discoteca.

Enfim, é uma trama que merecia um desenvolvimento melhor, que até conta uma história interessante, e que tem um estilo bem trabalhado, porém o resultado final é exageradamente forçado ao ponto de não ser algo que recomendaria para ninguém, então como já disse no começo é melhor dar o play em outro filme. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Crocodilos: A Morte Te Espera (Black Water: Abyss)

5/16/2022 01:32:00 AM |

Logo que apareceu o trailer do longa "Crocodilos: A Morte Te Espera", e vendo o nome em inglês "Black Water: Abyss" já lembrei de outro filme com a mesma temática e até o mesmo primeiro nome, que é o filme "Medo Profundo" lá de 2007, então aqui podemos dizer que é uma continuação que não quiseram usar o nome na divulgação. A principal diferença é que no de 2007, eles estavam pescando no meio do mangue cheio de crocodilos e usaram os bichões reais, enquanto aqui inventaram de entrar no meio de cavernas, e é bem notável que o crocodilão é computacional, mas a base é a mesma, parecendo inclusive com outro filme de pessoas presas em cavernas que não consigo lembrar o nome (se alguém lembrar e quiser ajudar aí nos comentários, agradeço!). Ou seja, não é um filme que podemos falar que é ruim, só é tudo bem improvável, e não chega a dar um desespero real como deveria acontecer, nos pegando apenas em alguns atos com sustos gratuitos do bicho aparecendo, mas que na maioria das vezes estamos esperando por ele, e assim o resultado é simples, porém efetivo no que foi proposto, servindo para rir praticamente de algumas pessoas na sessão pulando da poltrona.

No longa acompanhamos um casal aventureiro que convence seus amigos a explorar um remoto sistema de cavernas, nunca antes explorado, nas florestas do norte da Austrália. Com uma tempestade tropical se aproximando, eles descem para a entrada da caverna, mas o local começa a inundar, e a partir daí suas vidam ficam por um fio. Em uma gruta onde a água não para de subir, à medida que as águas da enchente os prendem profundamente abaixo da superfície, os cinco amigos se encontram ameaçados por um bando de crocodilos, o que os levará a uma intensa luta pela sobrevivência. Encurralados pelos crocodilos assassinos, as feras famintas não param de emergir da escuridão, e o grupo precisará achar um caminho para resistir à desesperadora ameaça mortal, juntos.

Inclusive a direção aqui é do mesmo Andrew Traucki que vem refazendo seus longas de sucesso da época, agora com os crocodilos, e já está pronto para sair esse ano ainda outro de tubarões, que fez sucesso em 2010 ("Perigo em Alto Mar") com quem curte esse estilo, ou seja, revisitar o passado sempre é uma boa opção. Porém se lá no começo dos anos 2000 essa ideia era bacana, não tendo tanta computação e usando mais efeitos práticos, aqui soou um pouco mais apelativo, e não dando para crer que o bichão daquele tamanho todo passaria pelos buracos atrás deles, mas a trama ficou interessante, violenta e bem colocada, ao ponto que quem curtir o estilo vai se divertir, mas certamente poderiam ter trabalhado um pouco mais com tudo, e a história secundária da traição ser menos boba. E claro, poderiam ter feito um finalzinho melhor, pois é absurdo o que acontece quando os sobreviventes saem da caverna, e depois rola algo que nem o pior motorista do mundo faria.

Nem sei se quero falar das atuações, pois é algo completamente dispensável em longas desse estilo, pois dificilmente torcemos para alguém se dar bem, já que sempre são atores bem fracos e fazem caras e bocas sabendo que vão morrer comidos pelo bicho, então Jessica McNamee até teve algumas expressões certeiras de medo e desespero com sua Jennifer, além de expressar desgosto ao saber da traição. Luke Mitchell fez com seu Eric o tradicional maluco aventureiro que quer entrar na água, ir lutar com o bicho, buscar caminhos alternativos e tudo mais, mas que a maioria da mulherada na sala vai torcer pra que comam ele em 30s após a moça ver a foto e perceber tudo. Amali Golden fez de sua Yolanda aquela mulher com jeitinho bobo, mas que também não é santa, e que nem expressa um pouco de temor do bicho. O pobre Benjamin Hoetjes levou seu Viktor com problema respiratório para um lugar claustrofóbico, e só por isso já é maluco o suficiente, mas fez caras de morto bem antes de estar sendo comido. O malucão da parada Anthony J. Sharpe fez seu Cash super descolado, mas bastou a água se mexer já estava se borrando inteiro, e claro que foi quem mais fez o povo rir com tudo. E só, pois os japoneses apenas abriram o filme com desespero, caíram e já eram, ou seja, ninguém fez nada de demais em cena.

Visualmente acredito que não filmaram numa caverna real, mas conseguiram passar uma boa impressão estranha do ambiente, tendo muito pouco para mostrar com uma água bem turva aonde só viam o crocodilo quando já estava pronto para comer a pessoa, então tivemos claro os elementos de exploração de cavernas com cordas, lanternas e afins, mochilas, a bombinha de asma do rapaz, um facão e claro um revólver para ser usado da maneira mais idiota possível, ou seja, fizeram o básico se foram realmente para uma caverna, e se recriaram a caverna foram bem produtivos que ficou convincente, já o crocodilo poderiam ter dado um realismo melhor para ele, pois é notável a computação nas cenas de come-come.

Enfim, é um filme que poderia ser muito melhor, que já vimos coisas bem semelhantes, mas que serve como uma boa pipoca de um passatempo para rir dos personagens morrendo, então tirando o final idiota e a história secundária, o restante vale a conferida deitado no sofá. E sendo assim fica minha recomendação como um bom filme mediano, e nada mais. Eu fico por aqui hoje pessoal, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Águas Selvagens (Água dos Porcos)

5/15/2022 08:10:00 PM |

Existem filmes que possuem tantos elementos interessantes no roteiro que os diretores se sentem pressionados a utilizar tudo, porém precisam olhar ao redor e eliminar sem pesar algum na mão para que tudo o que vai parar na tela seja funcional e bem colocado, para que não fique cansativo, e principalmente não perca o interesse do público no que vai rolar. Comecei o texto da produção argentina-brasileira "Águas Selvagens" dessa forma por acontecer exatamente isso com o longa, pois daria fácil para removendo uns 20 minutos da trama com sobras e atos que não impactaria em nada no resultado final, muito pelo contrário, daria para colocar até mais elementos do caso para que o filme impactasse mais no público, afinal logo nas primeiras cenas já dá para notar que existem situações de tráfico infantil para envolvimentos sexuais na cidade, e que o investigador está sendo usado apenas para apagar o envolvimento real dos seus contratadores, mas aí acabaram colocando envolvimento pessoal do investigador, do porteiro do hotel, de putas e tudo mais, que quase apagaram toda a síntese forte do filme, e isso é algo perigosíssimo, mas que como sabemos bem, diretores gostam de enfeitar seus trabalhos, e aqui o pavão quase perdeu as penas e o pescoço. Ou seja, não é um filme ruim, mas como você pega a ideia logo no começo, a enrolação para o fechamento acaba cansando demais, e com isso o interesse acaba indo embora também, ao ponto que nem impacta mais todo o processo final, o que é uma pena.

No longa acompanhamos Lucio Gualtieri, um ex-policial argentino que trabalha agora como investigador. Cheio de problemas em sua vida pessoal, ele aceita um trabalho para solucionar um crime cometido na tríplice fronteira, entre a Argentina, Brasil e Uruguai. O crime em questão, trata-se do cadáver de uma figura importante, encontrado castrado nesse território hostil. Porém, chegando lá, entre o farejo de uma pista e outra, ele dá de cara com personagens controversas, como a prostituta Debora e a jovem Blanca, além de toda uma organização criminosa complexa. O investigador acaba se metendo em uma trama de assassinatos, prostituição e tráfico de menores, que faz com que ele seja perseguido e se comprometa mais do que imaginava - enquanto ainda administra seus próprios conflitos internos. O maior desafio para o ex-policial, será conseguir sobreviver a esse espaço.

Embora seja um longa nacional, a direção é do argentino Roly Santos usando um roteiro do também argentino Óscar Tabernise, baseado no seu próprio livro "Ele Muertito", acaba sendo daqueles que tem todo um processo possível para diversas reviravoltas, e com isso, talvez nas mãos de um diretor mais experiente o resultado fosse outro, mas com o que foi apresentado quase virou uma novela fraca que se perde no miolo sem saber quais rumos tomar para ter um fechamento decente, e isso pesa ainda mais por ter algo que facilmente viraria daqueles filmes ficcionais,as com pontas de denúncias tão interessantes de ver que ficamos esperando o choque acontecer. Ou seja, dessa vez tenho de jogar totalmente a culpa em Roly, uma vez que a falha foi em não parar para pensar o que era importante trabalhar, e o que poderia ser eliminado do livro, afinal quando estamos lendo, queremos mais detalhes, mais tramas, e mais densidade, porém num filme, isso já se pega com uma cena simples do garotinho servindo suco com as mãos machucadas, e a partir daí já daria para eliminar quase 50% das cenas seguintes. Sendo assim, quem for conferir, a principal dica que dou é que pense menos e deixe se levar, senão tudo vai incomodar, e esse é o maior problema do filme.

Sobre as atuações, o ator uruguaio Roberto Birindelli já fez tantas produções nacionais que já podemos quase considerar ele um brasileiro, e aqui na trama oseu Lucio tem uma pegada até que interessante de investigador particular, mas em determinados momentos parece meio que perdido em cena, e isso se deve principal a uma direção ruim, ou seja, faltou usar mais ele em ação do que no quarto do hotel, e isso pesou demais para que sua expressividade não aparecesse tanto. Mayana Neiva tem aparecido bastante nas últimas produções nacionais, e aqui sua Rita em alguns momentos parece a vilã, em outros parece desinteressada em tudo, e até o final acaba sendo uma vítima de todo o processo, ou seja, a personagem acabou se perdendo na trama toda. Leona Cavalli com sua Debora e Allana Lopes com sua Blanca até entregam boas personagens, mas talvez precisassem desenvolver melhor elas, e não jogar tanto com a piedade do público para o que fazem, e assim certamente iriam mais além, mas fizeram bons traquejos, e assim ao menos foram bem usadas. Juan Manuel Tellategui ficou até que bem misterioso com seu Fabian, porém faltou aquele algo a mais para chamar atenção no seu personagem, e isso fez com que ficasse até mais estranho do que intrigante de acompanhar. Luiz Guilherme até tentou disfarçar no começo com seu Quiroga, mas o diretor acabou usando um efeito em sua cena de apresentação que já dá para pegar tudo ali, e isso é um dos erros mais ingênuos que um diretor pode fazer. Quanto os demais, praticamente nenhum apareceu de forma chamativa realmente, e assim acabam sendo até menos importantes do que poderiam ser, ao ponto que o policial corrupto vivido por Daniel Valenzuela e o ex policial amigo do protagonista vivido por Néstor Nuñez apenas tentaram ser algo que o filme nem precisava ter.

Visualmente acredito que os produtores pagaram bem caro nas locações dos dois hotéis, e com isso ficaram mais tempo nos quartos do que passeando pela ótima floresta ao redor que causaria muito mais tensão do que o que foi apresentado, e assim vemos algumas cenas meio que jogadas rapidamente como a ida na empresa do morto duas vezes com tudo escuro para não detalhar nada, a ida num puteiro duas vezes também para algumas cenas avulsas, e até a ida três vezes na casa da garota apenas para levar e buscar ela, ou seja, a equipe de arte nem precisou quase criar nada, apenas com idas e vindas, para chegar em alguns tiroteios que precisaram de sangue, pois sem ela poderia dizer que dormiram o tempo todo enquanto filmavam o longa.

Enfim, friso que não é um longa ruim, afinal dá até para criar algumas expectativas com o suspende proposto, porém falharam em pontos tão precisos que o resultado final acaba sendo decepcionante, e eram coisas bem fáceis de serem arrumadas, ou seja, é daqueles com grande potencial, mas que acabam ficando medianos com as escolhas feitas. E é isso meus amigos, fica assim sendo a indicação, para que relevem muita coisa ao ir conferir a trama, mas apoiem o cinema nacional, afinal sair das comédias bobas é preciso, e ousar para o suspense é um bom passo. Eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Soldado Que Não Existiu (Operation Mincemeat)

5/14/2022 06:52:00 PM |

Quando surge algum longa de guerra o que acabamos esperando ver é tiros e explosões para todos os lados, porém temos de ver também o lado mais denso das operações, aquele onde a mente fala mais alto que as armas, e claro também que muitas mentiras acabam rolando, e com o filme "O Soldado Que Não Existiu", que entrou em cartaz na Netflix, vemos a operação incrível que a Inglaterra fez para enganar Hitler com um defunto, criando toda a história amorosa de um soldado sem nunca sequer terem o conhecido. Ou seja, uma destreza impressionante, muito bem elaborada, que realmente aconteceu, e que teve um soldado acompanhando tudo e escrevendo toda a dramatização da espionagem, que depois virou um ícone nas tramas do estilo, apenas chamado de Ian Fleming, que aqui não teve tanta participação, mas que aprendeu bem como enganar o público. Ou seja, é daqueles filmes que ficamos pensando como alguém pôde acreditar no que aconteceu, ainda mais sendo uma guerra, mas a forma criativa foi tão imponente que nem a literatura mais impressionante conseguiria pensar em tudo o que os militares ali presentes fizeram.

O longa nos mostra que em meio a Segunda Guerra Mundial, Ewen Montagu é um juiz, espião e oficial da inteligência naval da Inglaterra que planejou a operação Mincemeat, além de ser um dos dois agentes que a executou. Os dois oficiais de inteligência planejaram quebrar o controle mortal de Hitler sobre a Europa com um plano criativo e ousado. Na esperança de mudar o curso da Segunda Guerra Mundial e salvar dezenas de milhares de vidas, eles utilizaram um cadáver e documentos falsos para enganar as tropas alemãs.

Diria que o diretor John Madden foi tão preciso na formatação da ideia do livro que usaram de inspiração, que acabou indo até além numa trama de intrigas e desenvoltura, aonde qualquer um podia estar espionando o outro, de agentes duplos e triplos, e que desenvolvendo ainda algo completamente imaginário, mas que dependia ainda de muitos para funcionar até que tudo que desejavam de informações falsas e verdadeiras chegassem até o alto comando nazista, ou seja, ele precisou encontrar um meio termo bem forte, que fosse realista o suficiente, e que chamasse atenção. E felizmente ele conseguiu até algo a mais, pois acabamos arrepiados com os aparelhos trazendo os resultados, com as dinâmicas bem expressivas por parte do elenco, e até mesmo com o estilo de filme, pois aparentava ser algo mais lento, mas acabamos tão envolvidos com a forma escolhida para apresentar tudo que nem piscamos na montagem bem trabalhada. Ou seja, é daqueles que funcionam dentro do contexto inteiro, e vai com precisão aonde desejavam.

Sobre as atuações, Colin Firth sempre se dedica demais nos papéis que pega para fazer, e aqui seu Ewen Montagu é daqueles que passam emoção mesmo com olhares frios, que desenvolvem muito mais do que a trama pede, e que conseguem emocionar apenas nas mais simples atitudes, ou seja, o ator da um show de emoções sendo duro e bem direto em tudo, o que acaba agradando demais. Já Matthew Macfadyen trabalhou seu Charles diretamente na duplicidade de querer tanto algo a mais que se joga no papel e vai criando vínculos, vai sendo forte em não conseguir a paixão da jovem ouvindo e vendo tudo ser montado, e acaba indo para rumos mais amplos na dinâmica de tentar conseguir trazer seu irmão morto, e com isso atua em tantos vértices que o papel lhe pesa, mas se sai bem, e isso é o que importa. Ainda tivemos Kelly Macdonald muito bem encaixada com sua Jean real, mas passando muita personalidade para a Pam fictícia das cartas, demonstrando afeto num meio duro e machista, mas sabendo aonde encaixar seus elos e passando muita sinceridade no olhar. Na equipe ainda tivemos uma excelente Penelope Wilton como a durona secretária do Almirantado, Hester, conseguindo conectar todos os personagens, e passando sinceridade no olhar, além de uma confidencia com a esposa do protagonista para manter ele na linha, ou seja, a atriz apareceu bem em todos os atos, e chamou a responsabilidade quando precisou. Dentre os demais tivemos muitas aparições bem conectadas, como a de Jason Isaacs como Godfrey (ou M para aqueles que conseguirem conectar algo a mais dos longas de espionagem famosos), tivemos Simon Russel Beale bem imponente como Churchill, também entrou muito bem em cena Lorne Macfadyen atuando tanto como o soldado Roger, quanto como o defunto Martin, e assim dando boas nuances para o papel que falou quase nada, e para finalizar não poderia deixar de lado Johnny Flynn representando Ian Fleming, ele mesmo o criador de James Bond, que aqui apenas acompanha a operação, mas que escreve muito depois, e sabemos aonde foi rolar.

Visualmente o longa tem muita classe ao mostrar o gabinete aonde se passa a operação, num porão meio que abandonado por não ser a primeira linha das missões inglesas, mas que acabaram deixando bem arrumado para tudo, vemos os bares e boates da Soho com as tradicionais danças e boêmios, em meio a generais, soldados e espiões em suas reuniões, vemos todo o aparato militar dentro de submarinos e ainda tivemos toda a ocupação da praia na Itália e a chegada do corpo que fez toda uma Espanha se movimentar, ou seja, a equipe de arte trabalhou bastante tanto com figurinos de época como em locações marcantes para que os objetos mais simples e funcionais se encaixassem e agradassem.

Enfim, é daqueles filmes que nos envolvemos demais, que soam simples por um lado, porém precisos por outro, e que no final já nos pegamos completamente prontos para tudo, torcendo para todos conseguirem o objetivo e muito mais, e felizmente na história real também funcionou, então vale a conferida dupla tanto pela História, quanto pelo bom filme que é, e assim acabo recomendando ele, mesmo sendo um pouco longo para um drama, o que deve cansar alguns, então fica a dica. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.


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O Peso do Talento (The Unbearable Weight of Massive Talent)

5/14/2022 01:48:00 AM |

Costumo falar que o gênero mais difícil de se fazer é a comédia, pois fazer rir de verdade é algo que poucos longas conseguem entregar para uma pessoa, afinal muitas vezes até rimos por alguma forçada de barra do protagonista, outras vezes por uma piada idiota, mas rir mesmo com toda a ideia é algo que poucos filmes fazem, então tentar fazer rir colocando junto uma dose dramática e ainda brincar com metalinguagens de outros filmes e personagens, só um maluco completo se arriscaria, e se falou em maluquice quem aceita qualquer parada: ele mesmo Nicolas Cage, que encarou uma dura missão de se auto interpretar, fazer uso de outros personagens famosos seus, ter cenas memoráveis relembradas, e ainda ousar criar um filme dentro de outro filme, tudo isso nos 107 minutos de "O Peso do Talento". E a primeira pergunta que vem na mente: funcionou? E a resposta é mais ou menos, pois acabou sendo uma trama digamos estranha, que até faz você sorrir, tem boas sacadas, mas que só quem for realmente muito fã do ator, que já viu praticamente todas as suas principais obras, e gostar de uma comédia mais recheada de sacadas irônicas do que realmente algo bem divertido, vai acabar gostando, porém não é algo ruim, pelo contrário, dá para refletir na carreira de Cage, e até curtir a ideia completa que já é notável de como irá acabar, mas pra isso precisa aguentar o filme todo.

O longa nos mostra que sofrendo por não conseguir mais papéis como antes, não ter mais a fama como antes, estando insatisfeito com a vida e prestes a pedir falência, Nicolas Cage chega no fundo do poço e se mete em uma aventura que ultrapassa os seus papéis feitos. Após correr atrás de Quentin Tarantino implorando um papel em seu novo filme e não obtendo sucesso com o diretor, Cage acaba aceitando US$ 1 milhão, como sua última fonte de renda. O dinheiro vem de Javi, um superfã e fanático pelo ator, mas extremamente perigoso. As coisas tomam um rumo inesperado quando Cage é recrutado por um agente da CIA e forçado a viver de acordo com sua própria lenda, canalizando seus personagens mais icônicos e amados na tela para salvar a si mesmo e seus entes queridos. Com uma carreira construída para este momento, o experiente ator deve assumir o maior papel de sua vida - ele mesmo.

Diria que o diretor Tom Gormican melhorou consideravelmente seu estilo de comédia em seu segundo filme, pois o primeiro "Namoro ou Liberdade" até que foi bonitinho, mas faltou aquela história realmente que chamasse a atenção, já aqui ele trabalhou bem a essência e fez algo feito com um primor para os fãs de Nicolas Cage, e a julgar pela quantidade de pessoas na sessão, diminuíram consideravelmente após a pandemia, ou o pessoal não anda curtindo mais seus trabalhos, pois antes todos os filmes dele lotavam, ou seja, a ideia aqui é algo bem diferente dos padrões de Hollywood, ao ponto que se me falassem que era uma trama britânica aceitaria de cara, pois elogia ao máximo "As Aventuras de Paddington 2", tem um estilo dramático melhor inserido do que a própria comédia, e usa tantas referências que acaba indo por rumos até meio desencontrados, mas que funciona e agrada, ao ponto que talvez mais para frente até vire algo cult, mas que atualmente pareceu desencontrado com a proposta, ao ponto que faltou direção no texto para ir além do que é facilmente encontrado logo nas primeiras cenas.

Sobre as atuações, basicamente temos de falar claro de Nicolas Cage fazendo ele mesmo normal, e assumindo trejeitos clássicos de seus personagens mais marcantes, além de assinar também como Nicolas Kim Coppola uma versão mais jovem sua dentro de sua mente com claro o pseudônimo de Nicky, e fazendo claro seu jeito canastrão bem emocionado, seus olhares fortes acaba levando para si mesmo uma referência marcante e bem trabalhada, ou seja, é ele sendo ele mesmo e mostrando para si mesmo que fez bons papeis na carreira. Ainda tivemos um Pedro Pascal com um Javi bem encaixado, cheio de olhares apaixonados de fã para com seu ídolo, trabalhando sotaques e desenvolturas emblemáticas, e marcando bem o território para que o papel não ficasse apenas como um fã milionário, mas sim um algo a mais que brinca com o feitio de um filme e a personificação de um papel, bem como também muitas drogas rolando e deixando tudo ainda mais maluco. Quanto aos demais, tivemos uma participação efetiva de Tiffany Haddish com sua Vivan, algumas boas sacadas com Neil Patrick Harris como o agente do protagonista, e até boas conexões familiares feitas por Sharon Horgan e Lily Mo Sheen como ex-mulher e filha de Cage, mas pareceram um pouco desinteressadas nos atos, o que acabou não chamando tanta atenção.

Visualmente o longa foi filmado em uma área bem interessante de um vilarejo da Croácia que fizeram parecer Mallorca na Espanha, mas que puderam brincar com carros, trombadas e muito mais, além de uma mansão gigantesca contando inclusive com uma área só com elementos cênicos dos filmes de Cage, ou seja, algo bem próprio de um fã riquíssimo, mas sem dúvida a melhor cena cômica fica a cargo do ato de invasão da sala de câmeras de segurança, pois ali embora seja algo mais próximo da comédia pastelão, ficou muito bem feita e retratada no ambiente em si.

Enfim, confesso que estava esperando algo mais chamativo e imponente, mas que funciona bem dentro da proposta, então quem curtir comédias mais reflexivas, sem grandes atos para rir sem parar, e claro for fã dos filmes de Nicky vai acabar gostando bastante, mas do contrário é melhor ir para outro filme, senão a chance de odiar também é bem alta. Sendo assim recomendo ele com ressalvas, mas que se faz valer bem se pensarmos que ultimamente tem pego umas bombas bem difíceis de conferir, claro tirando "Pig - A Vingança". Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Homem do Norte (The Northman)

5/13/2022 01:44:00 AM |

Ver filmes que envolvam lendas e mitologias nórdicas é algo que funciona demais ou vira uma bomba completa, e já tive exemplares bem variados dos dois tipos que comentei aqui no site, mas uma coisa é bem clara em ambos os casos: a violência não é gratuita, mas sim imposta com estilo e com muita precisão. Então pegando tudo o que tem de melhor numa lenda, colocando seu lado viking em nível máximo e conseguindo ainda não ser contido por produtores que desejassem uma classificação mais branda, o diretor Robert Eggers conseguiu fazer com que seu "O Homem do Norte" fosse daqueles filmes completos que não temos aberturas para a mente fluir, não temos atos forçados para parecer algo que não é, e ainda assim manter um misticismo, brilhar personalidades fortes, e claro cortar muitas cabeças fora, pendurar corpos como ato de empoderamento, dizimar aldeias, comer alguns corações, e também ter atos sexuais fortes, afinal seria brando demais um filme desse porte não ter essa pegada. Ou seja, é daqueles filmes que você não irá precisar pensar muito durante a exibição para compreender nada, mas certamente irá pensar nele depois com cada nuance que for lembrada na sua mente, de quão forte aquilo é na síntese toda, pois dificilmente algum ato não irá lhe impactar em nada.

O longa segue uma história de vingança e loucura de um príncipe. Se passando no ápice da Landnámsöld, no ano de 914, o príncipe Amleth está prestes atingir maioridade e ocupar o espaço de seu pai, o rei Aurvandill, que acaba sendo brutalmente assassinado. Amelth acaba descobrindo que seu tio é o culpado, mas sem sequestrar a mãe de Amleth primeiro. O menino então jura que um dia voltaria para vingar seu pai e matar seu tio. Vinte anos depois, agora Amleth, um homem viking que sobrevive ao saquear aldeias eslavas, conhece uma vidente. Ela por sua vez o lembra que chegou a hora de cumprir a promessa que fez há muito tempo atrás: salvar sua mãe, matar o tio e vingar o pai. O ex-príncipe então parte para uma odisseia em busca do tio.

Quem já leu meus textos anteriores dos filmes do diretor e roteirista Robert Eggers sabe que mesmo achando muito bom "A Bruxa", até hoje é um filme que não curti muito, e "O Farol" achei genial, porém extremamente lento que quase dormi, agora o que ele fez hoje foi a perfeição completa, mantendo seu estilo seco com imagens incríveis e imponentes, um texto forte e com pegada, daqueles que ficam na cabeça várias frases, seguindo claro uma mitologia nórdica, uma lenda interessante, e que já vimos aparecer com outra aparência no clássico de Shakespeare, "Hamlet", mas principalmente melhorou consideravelmente o ritmo, e não fazendo algo acelerado, mas sim algo com as devidas pausas cênicas, com todo um traquejo bem montado de horas fortes e horas mais brandas (não tem nada que desse para usar a palavra leve no filme!), e que mesmo você estando extremamente cansado de uma semana quase inteira de trabalho não piscasse ou hesitasse em dormir, o que é completamente diferente de seus dois longas anteriores que o sono vinha na velocidade máxima durante cada ato. Ou seja, muitos vão achar um filme violentíssimo que não dá para conferir, mas quem entrar de cabeça no filme vai amar cada detalhe e sair impressionado no sentido mais positivo da palavra, afinal é cinema de arte, mas com uma pegada comercial perfeita.

Sobre as atuações, Alexander Skarsgård deu seu nome para Amleth, se jogando por completo nas cenas mais fortes, lutando com imposição, fazendo trejeitos marcantes, e claro dando literalmente seu sangue pela produção, pois se cortou algumas vezes nos depoimentos que deu, mas claro na maioria das cenas usando muita maquiagem, se sujando sem dó nem piedade, e marcando muitos pontos com tudo o que precisasse fazer com muita disposição e desenvoltura, ou seja, caiu como uma luva para o papel e vai ser lembrado por tudo. Anya Taylor-Joy tem crescido tanto nos papeis que pega, que diria que seu agente é um dos melhores de Hollywood, pois estão lhe entregando papeis fortes, aonde ela pode se expressar bem e impor trejeitos próprios, afinal ela é bem seca de nuances, e isso cai muito bem nos personagens que faz, e aqui sua Olga tem cenas fortíssimas de expressividade tanto facial, quanto corporal e sensual, incluindo um arremesso que muitos vão chocar, mostrando personalidade e clareza no que desejava fazer em cena, ou seja, perfeita. Claes Bang não é daqueles atores que aparecem muito, e aqui seu Fjölnir poderia ser mais forte no miolo, ao ponto que ficássemos com mais ódio dele, afinal é um vilão em suma, se seguirmos a ideia do protagonista, ou não se seguirmos outra lógica que nos é contada próxima do final, mas se impôs bem, cortou algumas cabeças humanas e de animais, e na luta final foi bem imponente. Nicole Kidman fez uma rainha interessante, num misto de loucura e imposição, fazendo trejeitos intensos e marcantes, mas sem sair da linha, o que acaba sendo bem bacana de ver, mas como seu papel é ao mesmo tempo importante pela trilha final, mas secundário no meio do conflito todo do longa, acabou ficando um pouco apagada demais, mas foi bem no que precisava ser feito. E ainda tivemos nos primeiros atos ótimas atuações de Ethan Hawke como o rei Aurvandill, com a cena na caverna fortíssima com o filho, e também na mesma cena uma ótima interpretação do sempre incrível Willem Dafoe como o curandeiro Heimir, ou seja, até nos secundários colocaram gente boa demais. Dos mais jovens todos tentaram aparecer bem, sendo expressivos e bem dirigidos, mas a versão jovem de Thórir com Gustav Lindh ficou meio boba demais, o que pesou um pouco para ser algo mais chamativo no papel.

Visualmente o longa é um deleite puro, com cenas filmadas em locais bem amplos, com vilas bem construídas para serem destruídas nas invasões, muitos atos com armas fortes em lutas corporais marcantes, muitas cenas de danças imponentes e cheias de simbolismo, figurinos bem trabalhados sem firulas para retratar realmente o povo viking bem sujo, cenas em barcos, cenas sexuais fortes e também algumas mais trabalhadas, e muita maquiagem, muito sangue, muito visual mesmo real, afinal o diretor já falou que não gosta muito de computação gráfica, e assim sendo a equipe de arte que lute literalmente para que tudo fique o mais real possível, e isso faz valer demais no que é mostrado na tela.

A trilha sonora é bem marcada por tambores e batidas nos escudos, tendo uma ou outra canção simbólica para os atos, e isso deu um ritmo bem cadenciado que não tem enfeites, mas quem achar que é daquelas aventuras frenéticas vai se decepcionar, pois é um longa bem artístico e funciona como tal, mas o melhor é que como já disse não cansa em nenhum momento.

Enfim, certamente colocarei ele no final do ano como um dos melhores filmes que vi, pois é intenso sem pesar a mão, é artístico sem ser chato e cansativo, e principalmente é daqueles que consegue chamar atenção sem precisar apelar, funcionando no que é proposto desde o começo e impactando de alguma forma nas pessoas que forem assistir, valendo demais a recomendação, mesmo que tenha algumas atuações secundárias que poderiam ser melhores, mas que não atrapalham tudo o que tem de bom, e sendo assim se hoje tivesse notas picadas daria um 9,5 para ele, mas como não tenho vou dar 9 com vontade de 10. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Operação Obscura (Body Cam)

5/10/2022 01:05:00 AM |

Sempre que falo que o gênero terror aceita qualquer coisa acabam me chamando de maluco, mas sempre dão um jeito de convencer o público que se alguém morre em alguma situação errada, acaba voltando e se vingando de maneiras não muito calmas, e aqui no longa "Operação Obscura", que entrou em cartaz na Netflix, vemos um espírito ou entidade (não nos é mostrado muito como acabou voltando para se vingar, se através de um culto ou algo do tipo) botando o terror em um grupo de policiais, e defendendo uma mulher, que claro vai intrigar muito uma policial que está voltando ao trabalho após um período afastada. Ou seja, é um filme bem básico de história, que até parecia mais bobinho, porém as mortes são violentíssimas e acaba sendo até forte algumas ações, ao ponto que o resultado até impacta, porém faltou esse detalhe que falei, de detalhar mais como a entidade acabou virando esse ser do mal, afinal acabaremos sabendo que não era uma pessoa ruim em vida, e assim acabou ficando um pouco estranho de ver.

A sinopse nos conta que quando uma blitz de trânsito de rotina resulta na morte inexplicável e horrível de seu colega, uma policial percebe que as imagens do incidente são exibidas apenas para os seus olhos. À medida que os ataques aumentam, ela corre para entender a força sobrenatural por trás deles.

O diretor Makik Vitthal brincou bastante com a ideia, e soube dosar suas cenas em cima de uma investigação aberta, o que é interessante numa proposta desse estilo, porém faltou ir além no desenvolvimento do bichão, pois é contada sua história em vida pelo padre, mas não o que rolou com ele, se sua mãe fez algum pedido, se é algum tipo de choque entre a vida e a morte que ele decidiu não subir nem descer, e isso acaba pesando, pois é legal ver um filme de terror bem violento, aonde não economizaram nas mortes realistas acontecendo na nossa frente, principalmente as finais aonde tudo parece acontecer mesmo, mas sem mostrar acaba sendo apenas um desabafo na moral violenta da polícia, e tudo o que fazem para ocultar erros, e assim sendo o segundo longa do diretor acabou ficando bacana apenas de conferir sem ser chocante mesmo.

Sobre as atuações, sabemos que Mary J. Blige é uma cantora de sucesso que faz vários filmes quando lhe sobra um tempinho entre as apresentações, mas se tem uma coisa que sabe fazer bem é caras e bocas bem marcadas, e aqui sua Renee consegue segurar a banca, fazer alguns trejeitos bem colocados e segurar o filme, mas mais por sua personagem apenas ir investigando e não precisar se expressar muito, afinal raramente veremos um policial muito expressivo, então funcionou no que a trama precisava e acaba agradando. Nat Wolff apareceu tão diferente aqui com seu Danny que em determinados momentos fiquei pensando que outros papeis ele já havia entregue dessa forma, e não tem, pois sempre fez pares românticos, personagens com certas atitudes, e aqui ele foi mais contido, meio com receios demais por ser o policial novato, mas teve um fechamento condizente com tudo, o que acaba agradando bastante, ou seja, poderiam ter explorado mais ele, mas foi bem no que fez. Anika None Rose passa o filme quase que inteiro fugindo com sua Taneesha, e talvez um desenvolvimento no miolo para entendermos um algo a mais dela seria preciosíssimo, mas ao menos não atrapalhou, e isso já é um grande feitio. Quanto aos demais o que faz valer apenas são as formas que acabam morrendo, que nenhum ato vai além, e isso é bem decepcionante se for parar para analisar friamente.

Visualmente o maior mérito do longa é a violência nas mortes, pois o filme sendo muito escuro, e tendo muitos atos dentro das viaturas, acabaram não gastando tanto com cenografias, ao ponto que a casa da jovem é algo bagunçado, cheio de coisas jogadas, que até lembram muito o ar de abandono, tendo claro vários esconderijos e câmeras, a fábrica é intensa e bem trabalhada pelos muitos moradores de rua, dando também um grande ar de abandono, mas cheia de câmeras espalhadas (que não dizem muito qual o uso pela jovem também), a casa da policial é usada algumas vezes, mas mais mostra ela na cama do que qualquer outro ato, e alguns sonhos foram bem dinâmicos, ou seja, a equipe de arte até foi bem usada, e representou bastante tudo o que precisava ser mostrado, mas o aplauso mesmo é para as mortes, que ali meus amigos, não economizaram em nada, sendo até nojento de ver, mas que em terrores vale a pena.

Enfim, é um longa que é bacana e interessante, mas que com muito pouco, talvez uma cena a mais ou duas resultaria em algo brilhante e incrível de ver, pois tudo seria muito bem explicado, teríamos uma desenvoltura forte, e acabaria sendo daqueles memoráveis que não entregam sustos gratuitos, que tem uma pegada tensa, e que chamaria muita atenção, mas ainda assim faz valer o tempo de tela, então fica a dica para quem gosta do estilo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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