Jumanji - Próxima Fase em Imax 3D (Jumanji: The Next Level)

1/18/2020 02:56:00 AM |

Se tem uma coisa que costumo aplaudir em franquias é quando conseguem manter o mesmo tom, a mesma dinâmica anterior e ainda incrementar algo que faça o filme seguir uma linha de crescimento, dando deixas até para novas continuações, e sabendo trabalhar dessa forma conseguiram com que "Jumanji - Próxima Fase" passasse voando com suas duas horas de duração, brincasse bastante com o estilo "jogável", e com boas sacadas cômicas nos envolvesse do começo ao fim, mesmo inserindo personagens digamos que estranhos no jogo. Ou seja, vemos praticamente o mesmo filme, agora indo por outros rumos, mas brincando da mesma forma, o que agrada bastante, entrega toda a ideia de forma coerente, e fecha com algo simbólico tanto para um fechamento que lembrasse o filme antigão, como para uma nova aventura a ser lançada mais para frente. E sendo assim, o resultado funciona bem, e vai divertir quem gosta desse estilo de filmes aventureiros, mesmo não sendo um daqueles filmes memoráveis.

A sinopse nos conta que tentado em revisitar o mundo de Jumanji, Spencer decide consertar o jogo de videogame que permite que os jogadores sejam transportados ao local. Logo o quarteto formado por Smolder Bravestone, Moose Finbar, Shelly Oberon e Ruby Roundhouse ressurge, agora comandado por outras pessoas: o avô de Spencer e Milo Walker, seu ex-sócio, assumem as personas de Bravestone e Finbar, enquanto Fridge agora está sob a pele de Oberon.

Costumo dizer que se você quer acertar em uma continuação, mantenha ao menos o diretor, mas se conseguir levar ainda algum roteirista do original a chance de sucesso é melhor ainda, e aqui é notável que Jake Kasdan soube desde o último dia de gravações de "Jumanji - Bem-Vindo à Selva" que faria uma continuação, mesmo sem dar nuances disso nas filmagens ou propriamente na edição, mas seu legado estava apenas começando, e a trama caiu bem em suas mãos, e aqui ele voltou com tudo, tendo um orçamento mais aproveitável, mais efeitos, e claro mais locações imponentes, de forma que o filme criou uma narrativa mais aventureira, e souberam usar isso como fases mais difíceis do jogo, o que é um charme a mais para a trama, porém podemos confessar que tem alguns atos bem bizarros no miolo, o que não estraga, mas que poderiam ser menos forçados. Dito isso, posso dizer que Kasdan pode até não querer tentar a sorte de entregar uma trilogia, mas não duvido dos produtores desejarem isso, e virem com um filme imponente de terceiro ato, que feche bem o ciclo dado na cena logo no começo dos créditos, agora será esperar para ver.

É engraçado como o filme insiste em se mostrar como um jogo, e isso funciona até mesmo para os atores, que acabaram entregando trejeitos mais artificiais que funcionam bastante, além claro de mostrar um pouco mais da vida dos jovens fora do jogo, ou seja, a trama deixou que ambos os atores/personagens tivessem mais tempo de tela, sem gastar tempo do filme, o que é bem interessante de ver, e funciona, ou seja, um acerto nato de todas as partes. Dito isso todos os atores se esforçaram bem para que seus personagens tivessem carisma, fossem dinâmicos, e se encaixassem bem no jogo, com Dwayne Johnson brincando bastante com os trejeitos clássicos de Danny DeVito ao entregar um Bravestone mais caricato, com ares fortes que o personagem tem, mas brincando com a velhice e cheio de movimentos mais engraçados e tradicionais de pessoas mais velhas, o que acaba divertindo bastante. Da mesma forma Kevin Hart joga bastante com seu Finbar para um estilo mais dramatizado que Danny Glover faria, com pausas lentas e bem colocadas, fazendo um ar muito certeiro para o papel, o que agrada bastante. Jack Black brinca com seu Oberon de uma forma mais agitada, mas com muita reclamação, afinal o estilo de Fridge está dentro de si, e o ator incorporou um reclamão de cara cheia, o que é bem legal de acompanhar. E sem perder estilo Karen Gillan entregou uma Ruby imponente, destemida e com o ar denso que sua personagem pedia, num tremendo funcionamento bem colocado para todos. Do lado de fora do jogo ainda tivemos bons momentos com Alex Wolff mostrando o famoso perdedor desanimado com tudo de seu Spencer, vemos as sacadas de Ser'Darius Blain dar força para seu Fridge, e claro vemos a velha guarda do humor se dar muito bem com Danny Glover e Danny DeVito, de modo que tudo soa bem encaixado. Além disso, tivemos boas participações de Awkwafina como Ming, Nick Jonas com seu estilo aventureiro, Morgan Turner com sua tímida Martha, Madison Iseman com sua Bethany cheia de virtudes, além de um rápido momento bem colocado de Colin Hanks com seu Alex, ou seja, a turma toda voltou.

Quanto do visual conseguiram fazer algo até melhor que o primeiro filme, remetendo até melhor ao estilo de jogo, com vários ambientes diferentes (enquanto no primeiro era apenas uma selva praticamente), criaram animais computacionais incríveis via computação, que praticamente parecem reais, tivemos diversos cenários perfeitos de estilos com muitos elementos cênicos, além de brincar bastante com coisas irreais como mudanças de corpos e tudo mais. Também conseguiram trabalhar bem os figurinos da trama, com vilões imponentes e cheios de detalhes, e juntar a isso excelentes efeitos visuais quase perfeitos, de modo que praticamente lembramos de muitos jogos que já jogamos na infância. Agora se tem algo que ficou realmente ruim foi falar que o filme tem qualquer 3D, pois só ajudou a dar perspectiva no visual da trama, e nada mais, sendo daqueles totalmente dispensáveis de ver com a tecnologia.

Com uma trilha sonora envolvente e que dá a dinâmica na medida certa, o ritmo do longa não chega a ser frenético, mas entrega uma boa personalidade para a trama, e acaba fazendo com que o filme fosse bem cadenciado, além de entregar canções clássicas de uma forma irreverente e bem colocada.

Enfim, um filme bem gostoso de conferir, que acerta na medida tanto no conceito de história quanto nas dinâmicas e efeitos, que quem gosta de uma boa aventura misturada com videogame vai até gostar mais desse do que o primeiro filme, e agora iremos esperar para ver se irão realmente continuar ou se vão se dar por contentes com esse fechamento. Sendo assim, recomendo o longa para todos, pois é divertido, gostoso e vale as horas passadas na sala, não sendo algo primoroso, mas funcionou até melhor que o primeiro filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Escândalo (Bombshell)

1/17/2020 12:30:00 AM |

Quando começou os estouros de processos e declarações de assédio nos bastidores das TVs e dos estúdios de cinema, muita gente apoiou, outros viraram a cara, mas a maioria se surpreendeu como era um meio bem sujo esse de conseguir vagas de emprego e ascensões a cargos de destaque na mídia, e principalmente o que se viu foi que muitas mulheres mesmo não apoiavam outras fosse por medo de perder o emprego ou por apenas não querer acreditar naquilo, ou seja, foi algo que surgiu como uma bomba, depois esfriou, até que nos últimos nos tem acontecido casos mais imponentes e tudo tem ao menos tentado melhorar para com essa situação nojenta que muitos donos e diretores de grandes mídias fazem e faziam para com as mulheres. Pois bem, dito isso, o longa "O Escândalo" mostra como foi o processo de um dos primeiros casos que explodiram em 2016 na Fox News, e depois veio com muito mais força com várias outras mulheres revelando os assédios que sofreram em outros lugares, e aqui a grande sacada foi transformar o longa em um filme não sujo de situações, mas sim sujo no ar com tudo o que víamos ocorrendo, e chega a dar ânsia ver algumas declarações do filme de tão diretos que alguns atos se mostraram. Claro que o filme em si é bem forte, a trama tem um funcionamento bacana, mas diria que o maior problema dele foi não ser direto no processo em si, e nos atos que ocorreram na sequência, pois da forma entregue acabaram colocando personagens demais, situações abertas demais, contextos fora do ambiente e tudo mais, o que fez com que os quatro protagonistas precisassem quase que gritar para aparecer no meio de tudo, e de personagens que até surgem do nada, e isso é muito ruim, mas ao mesmo tempo fez com que elas se destacassem, e as indicações estão aparecendo direto, o que é bom para o filme.

O longa nos mostra um olhar revelador dentro do mais poderoso e controverso império de mídia norte-americano, com a história pulsante das mulheres que afrontaram o infame homem à frente deste império, ao o acusarem de assédio sexual.

É bacana ver que a adaptação caiu nas mãos de um roteirista que já fez outros grandes trabalhos com outras obras polêmicas, e dessa forma Charles Randolph soube criar uma trama bem amarrada e cheia de detalhes, porém colocou muita coisa aberta para que o diretor Jay Roach criasse uma boa desenvoltura, de modo que o estilo também do diretor não é de filmes mais amplos. Claro que muitas mulheres vão dizer que o ideal aqui seria uma mulher dirigindo para mostrar mais do assédio, mas não é nem esse o grande problema da trama, e sim o exagero de aberturas que fez com que o filme tivesse personagens demais, alguns até bem importantes para o resultado geral, e não souberam como usar todo esse grupo, de forma que os filhos do dono da Fox aparecem praticamente do nada mais próximo do final e somos praticamente obrigados a querer entender seu ranço contra o poderoso chefão da emissora, outras mulheres apenas fazem suas jogadas, mas não insinuam nada para o final, algumas até meio sem eira nem beira. Ou seja, acabaram dando o ar todo para a trama, desenvolveram tudo para que o filme funcionasse bem, e deixaram toda a responsabilidade para os quatro principais sobreviver a tudo, e infelizmente isso não é uma função fácil em um longa grande desse estilo. Sei que todos sabem que não sou fã de séries, mas talvez essa história toda numa minissérie de uns 6 capítulos ficaria genial, pois todos poderiam melhor se desenvolver, ou talvez enxugar melhor o ambiente para que tudo ficasse somente em cima do processo, não necessitando envolver Trump, envolver outros executivos, colocar temática homossexual, partidos e tudo mais, que aí sim o filme ficaria mais focado, o estilo seria acertado, e o resultado seria imensamente melhor.

Sobre as atuações como já falei até mais que uma vez, vamos focar nos protagonistas, e é bem fácil entender suas indicações aos diversos prêmios, pois cada uma entrega tanta personalidade para seu papel que nos vemos ao mesmo tempo emocionados com o que estão sofrendo, e bravos para com o restante, então vemos Charlize Theron imponente com sua Meggy, cheia de postura, direta na opinião, e sendo a apresentadora de maior prestígio do canal, sempre pronta para desafiar a tudo e todos, mas quando baixa a guarda, ela ainda se impõe e pensa, o que é bem intrigante de ver. Da mesma forma Nicole Kidman coloca para sua Gretchen olhares, sensações, e até mesmo o desespero de acabar de vez com sua carreira com suas atitudes, e a atriz se doa de uma forma que envolve e emociona demais, principalmente na frente dos filhos, fazendo de sua personagem quase o elemento chave da trama explodir, e como sempre a atriz dá show. Agora sem dúvida alguma ver as diversas expressões de Margot Robbie para com sua Kayla é de querer ajudar a jovem de qualquer forma, pois se entrega desesperada em diversas cenas fortes, desde a com o chefão da emissora, até no seu encontro com um executivo e ao telefone fala com a amiga, de forma que vemos a jovem numa desenvoltura tão bem colocada que certamente mostra cada vez mais seu crescimento e acerto na escolha de personagens. Quanto a John Lithgow fazendo Roger Ailes, primeiro temos de falar que as premiações de maquiagem e cabelo estão ganhas só com o que fizeram com ele, dito isso, o ator soube chamar a responsabilidade e entregar cenas fortes, de diálogos diretos, e com muita imponência sem falhar em nada, e isso é algo que mostra sua preparação total, com um acerto fácil e que vale ser observado. Quanto aos demais personagens, se formos falar de todos vamos ficar horas aqui, mas vale leves destaques para Kate McKinnon com sua Jess bem trabalhada e Rob Delaney com um Gil fraco de atitudes demais, mas que mostra bem o que muitos homens pensaram na época.

Sobre o visual da trama, acaba sendo bem bacana o começo acelerado com a protagonista nos mostrando como é a estrutura do prédio imenso da Fox News, mas ao mesmo tempo que vai andando e falando acabamos não nos conectando tanto nem com ela, nem com aonde é cada coisa, de modo que durante o filme ainda ficamos levemente perdidos de onde está acontecendo tudo, mas nada que atrapalhe muito o resultado da trama, de modo que se não gravaram realmente nas estruturas originais, conseguiram passar bem o ambiente de um estúdio, de uma redação, de um escritório presidencial, ou seja, foram bem arranjados nesse conceito, além claro de mostrar bem rapidamente o ambiente dos debates presidenciais da Era Trump, que daria completamente outra boa história de filme. Ou seja, um filme conceitualmente bem estruturado, com um visual que digamos até é simples, mas que necessitou muitos figurinos, muitos ambientes minuciosos, e claro muita bagunça cênica, o que as vezes parece fácil, mas é extremamente difícil de ficar bem feito, e aqui ficou.

Enfim, é um filme que alguns vão adorar ver as tretas acontecendo, vão falar um monte de "vixe" e "eita" em cada uma das cenas polêmicas, mas que foi exageradamente corrido, e ficou faltando enfiar a faca um pouco mais nos grandes nomes, pois apenas um foi pouco para mostrar, e a cena final diz muito do que sabemos sobre como acabam ocorrendo as denúncias, ou seja, poderiam ter ido além. Não digo que é um filme ruim de acompanhar, pois é bem dinâmico e passa num piscar de olhos, mas que saímos da sessão esperando muito mais, e isso não é bom de acontecer em um filme polêmico. Sendo assim até recomendo ele, mas vão com baixas expectativas, pois a chance de não se empolgar com o que verá é bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Viver Duas Vezes (Vivir Dos Veces) (Live Twice, Love Once)

1/13/2020 01:25:00 AM |

Sabe quando um filme parece singelo, mas que na essência acaba emocionando bem mais do que o esperado? De vez em quando surge um desses e consegue passar tantas boas mensagens que acabam nos emocionando nos detalhes, e o filme espanhol que a Netflix lançou nessa semana, "Viver Duas Vezes", trabalha um mal que vem assolando muitas famílias: o Alzheimer, que andam até bem nas pesquisas para tentar curar, mas que ainda não chegaram muito longe. Ou seja, na trama temos até um pouco mais de abertura do que o normal do tema, pois se focassem somente no professor de matemática que foi um descobridor de algo genial, mas que começa a sofrer com a perda de memória proveniente da doença, que resolve depois de uma conversa com a neta buscar um antigo amor, até iríamos bem, mas resolveram que queriam discutir deficiência física, traição, empregos secundários, e aí o filme até deu uma leve derrapada. Claro que isso não chega a atrapalhar a beleza envolvente que a trama consegue passar, mas poderiam ter somente focado na doença do idoso, e na sua busca pela amada, que ficaria tão lindo quanto o fechamento.

O longa nos mostra que Emilio, sua filha Julia e sua neta Blanca empreendem uma jornada peculiar e ao mesmo tempo reveladora. Antes que Emilio finalmente perca sua memória, a família o ajudará a encontrar o amor de sua juventude. Ao longo do caminho, você encontrará a oportunidade de uma nova vida sem armadilhas. Decisões e contratempos controversos os levarão a enfrentar os enganos nos quais montaram suas vidas. Será possível viver duas vezes?

Não conhecia o trabalho da diretora María Ripoll, mas pelo que foi entregue aqui posso dizer que fiquei bem curioso para ver os demais longas, pois ela conseguiu dramatizar bem o tema, fazer com que os atores se conectassem bem e tivessem uma química coerente, e principalmente a história, mesmo com os desvios de percurso quase novelescos para dar uma incrementada, não se estragasse, e isso é algo raro, pois o filme facilmente poderia ir por diversos rumos, o público poderia esquecer das cenas chaves que são necessárias para o final, mas a doçura foi tão bem marcada que ao acontecer conectamos tudo e a emoção vem, ou seja, um grandioso acerto por parte dela, mas que facilmente poderia ter eliminado o lance da traição, o problema da garotinha, e até mesmo o desdém que o pai tem da profissão da filha, que teríamos ainda um ótimo filme, e ela seria ainda mais eloquente pelo trabalho final. Mas felizmente nada disso atrapalhou tanto, e o resultado funciona por completo.

Sobre as atuações é fácil ver o motivo do longa ter dado certo, afinal Oscar Martínez, é outro mestre do cinema argentino, abaixo apenas de Darín, mas que sempre entrega muita personalidade em seus papeis, e aqui seu Emilio é simples, é coerente com cada um dos atos e funciona demais no papel. Da mesma forma Inma Cuesta soube ser dinâmica como Julia, trabalhando de uma forma meio que de lado no longa, mas sabendo protagonizar quando precisou, e agradou bem com o pouco que fez. A jovem Mafalda Carbonell entregou muita personalidade para sua Blanca, sendo carismática, e sendo sua estreia em longas, a garotinha foi destemida para cima do grande ator e chamou a atenção com simplicidade e alegria no olhar nos diversos momentos que foi preciso. Quanto a Nacho Lopez, era melhor ter ficado em casa, pois fazendo papel de coach mais marido traidor é algo que ao menos eu queimaria de cena, e o ator ainda foi mal em cena, então desnecessário total no longa. Quanto os demais, a maioria surgiu apenas, mas o fechamento com Isabel Requena foi algo bem bonito de ver, mostrando atos emocionantes bem feitos pela jovem senhora.

Visualmente o longa não chama tanta atenção como poderia, pois tem momentos bons com discos na casa do protagonista, ousa trabalhar alguns atos interessantes com celulares, vivem um momento de road-movie juntamente com passeios por algumas ruas por onde o protagonista se perde, e claro brinca com a ideia de visual do passado com o visual do presente, além de mostrar tanto o lado estudioso da Matemática, quanto o lado bem triste do final do Alzheimer, e assim sendo, a trama tem elementos interessantes, tem cenas simples bem feitas, mas não atinge nenhum ápice de envolvimento cênico, o que acaba sendo singelo demais, e certamente poderia ter ido além.

Enfim, é um filme gostoso de conferir, que tem cenas que vão emocionar, mas que poderia ter ido muito além, pois história, atores e trama para isso tinham, mas resolveram deixar no modo básico, e entregaram o básico também, o que não é ruim, só não ficará algo marcante que vamos lembrar mais para frente, mas ainda assim é um filme que vale a pena assistir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Ameaça Profunda (Underwater)

1/12/2020 01:02:00 AM |

Posso dizer que fui ver "Ameaça Profunda" já imaginando a tremenda bomba que seria, mas dei a chance imaginando que se o filme passasse a tensão de estar preso quilômetros abaixo da superfície, com uma densidade bem colocada, talvez o resultado fosse menos previsível, porém ao aparecer os bichos em cena, meu Deusssssss só torcia para que não piorasse, pois era a mistura do bicho que vimos em "A Forma da Água" com desenhos bizarros, mas não, ao chegar próximo do fim aparece uma outra criatura mais bizarra ainda, que lembra os desenhos do tchululu (se você não sabe o que é isso pesquise no Google), ou seja, algo extremamente fora de base, de modo que poderiam colocar qualquer ator para queimar, afinal não tem como não rir mesmo no meio de toda a tensão que o longa passa, e ao final só queríamos uma coisa: ir embora da sala. Ou seja, um filme com uma ideia até que razoável, mas que no desenvolvimento acabou indo literalmente por água abaixo, e mesmo com efeitos até que bons, não se salva nada.

O longa nos conta que seis membros de uma tripulação estão presos em uma instalação submarina que está sendo inundada em alta velocidade como resultado de um terremoto devastador. Sua única chance de sobreviver é atravessar o leito oceânico até uma distante plataforma de petróleo abandonada. Além dos desafios físicos envolvidos na viagem, eles rapidamente descobrem que estão sendo caçados por predadores marinhos míticos e monstruosos, dispostos a matá-los.

Volto a frisar que a ideia em si de mostrar a loucura embaixo da água, o processo de não saber como voltar para cima ou sobreviver quando algo de errado acontece em lugares fora do comum é bem boa, e só isso já daria uma tremenda trama de terror para o diretor William Eubank trabalhar seu filme, criaria travamentos de pessoas egoístas, e tudo mais, mas não, ele achou que colocar um monstrengo imenso e diversos peixes-homens atacando as pessoas era uma boa ideia para criar tensão, e convenhamos no começo até assusta as aparições rápidas, parecendo quem sabe ser um tubarão ou algo do tipo que tá atacando, até aí iria ser coerente, mas aí vemos uma primeira vez os bichos violentos e tal, e passa, então a protagonista junto com os mais fracos do grupo (claro!) chegam no lugar que tentavam ir desde o começo, e o que acham lá? Um exército de homens-peixe junto de um bichão maluco e estranho que certamente algum designer viu fotos do tchululu na internet e resolveu se basear para criar, e pronto, nessa hora confesso que desisti do que estava vendo e só comecei a rir por dentro, que não teria como piorar, mas tem, vemos ainda a protagonista que o mundo inteiro aprendeu a odiar por se fazer de sofrida em meio a lobos e vampiros, se fazer de heroína pensante para salvar os demais, ou seja, pela primeira vez estou lotando o texto de spoilers, e o motivo é um só, fuja.

Falar das atuações é algo que até não é difícil aqui, afinal todos são bons atores, mas caíram em papeis tão jogados que não deu para salvar, para começar temos Kristen Stewart que arrebatou diversos prêmios após sair da saga que queimou seu filme, fazendo um longa francês envolvente, mas ultimamente seu agente tem lhe jogado em cada bomba que tá começando a ficar difícil para a jovem não voltar a ser carta frequente no Framboesa de Ouro, e aqui sua Norah, uma engenheira mecânica, aparentemente conceituada entre todos os que sobreviveram ao primeiro impacto (só sobrou conhecidos bem amigos - algo meio estranho!!), faz cada introspecção que chega a dar medo, fora que parece estar com medo sem nada ser dito, ou seja, falhou e muito. Vincent Cassel é daqueles que também aceita diversas propostas estranhas, e aqui seu capitão tem ideias que brotam do nada, e atitudes mais imprevisíveis possíveis, criando situações exageradas, e fazendo claro, caras exageradas também, mas ao menos tentou se desenvolver num papel ruim. Quanto aos demais, chega a ser até forçado toda a palhaçada que T.J.Miller faz com seu Paul, de modo que até minutos antes da sua última cena ficamos sempre na dúvida do que ele poderia fazer ainda pior, Jessica Henwick só sabe parecer desesperada, sem fazer nada para com sua Emily, e John Gallagher Jr. é quase um peso morto, além claro de Mamoudou Athie não durar nem para o começo do filme, ou seja, um elenco que beira a piada.

Na parte visual do longa ao menos tivemos alguns momentos bem interessantes no começo da trama, mostrando muitos detalhes do ambiente, trabalhando alguns elementos cênicos marcantes com bichos de pelúcia, mostrando uma destruição forte com muitas faíscas e ambientes quebrados, com mortos, e tudo mais, na sequência vemos alguns trajes imponentes que certamente pesaram horrores para que os atores se locomovessem com aquilo, já no fundo do mar tivemos elementos interessantes com cabos e tudo mais, mas aí chegamos de novo no problema dos bichos, que não tem salvação, já tinha dito que no ganhador do Oscar de 2018, o personagem protagonista era algo muito estranho, e suas formas de peixe até eram algo que parecia interessante, mas aqui tentaram algo parecido e ficou muito falso de ver, com coisas se mexendo e brilhos estranhos, aí vem o bicho gigante que tentaram escurecer o ambiente para não vermos detalhes grotescos, mas é muito ruim, ou seja, volto com minha ideia de que se tivessem mantido sem os monstros o resultado seria incrível, mas não fiz o roteiro, então o jeito é ficar com dó dos artistas visuais que tiveram de criar isso. Embora seja um filme numa zona completamente escura, foram espertos com os figurinos cheios de luzes para dar uma amenizada na fotografia escura, e o resultado acaba chamando atenção ao menos com o que conseguimos ver, e assim valeu a ideia ao menos.

Enfim, um filme que vai até causar uma certa tensão, provocar alguns leves sustos, mas que se pararmos para analisar ele como um suspense com história nem dá para classificar ele como mediano, sendo de ruim para baixo, ou seja, não tem como recomendar ele de forma alguma para ninguém, o que é uma pena, pois volto a frisar que a ideia em si é razoável e daria um bom filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Retrato de uma Jovem em Chamas (Portrait de la Jeune Fille en Feu) (Portrait of a Lady on Fire)

1/11/2020 01:50:00 AM |

Tem filmes que conseguem nos cativar mesmo com uma história que não seja do nosso gosto, e se tem um país que sabe fazer bem dramas densos é a França, claro que também entregam diversas bombas, mas quando acertam a mão vem filmes tão fortes que quando acabam passando a sintonia do começo ao fim, em temas diferentes, e que vão por rumos bem sutis e colocados. Dito isso, posso acrescentar facilmente que se o ano já não tivesse decidido com o melhor filme não falado em inglês, aliás com uma das melhores obras dos últimos anos, certamente o longa "Retrato de uma Jovem em Chamas" seria daqueles que veríamos estourar em todos os prêmios possíveis, pois o longa trabalha o envolvimento das protagonistas de tal forma, que nem precisaria ir para as vias de fato como acaba ocorrendo, mas com símbolos fortes vemos a conexão entre ambas ser moldada desde um começo estranho, passando pelo momento da revolta, até a cativação novamente através de outros meios, e ao incorporar situações de tabus, o resultado consegue ir muito além do que uma pintura de uma pessoa, mas a pintura de uma alma em si, e isso o filme faz genialmente.

O longa nos situa na França, no ano de 1760. Marianne é contratada para pintar o retrato de casamento de Héloïse, uma jovem mulher que acabou de deixar o convento. Por ela ser uma noiva relutante, Marianne chega sob o disfarce de companhia, observando Héloïse de dia e a pintando secretamente à noite. Conforme as duas mulheres se aproximam, a intimidade e a atração crescem, enquanto compartilham os primeiros e últimos momentos de liberdade de Héloïse, antes do casamento iminente. O retrato de Héloïse logo se torna um ato colaborativo e o testamento do amor delas.

Diria que a diretora Céline Sciamma teve dois vértices bem diferentes durante a execução da sua trama, o primeiro até a rejeição do primeiro quadro, enquanto a jovem não sabia de nada a respeito, e o segundo após isso que o filme toma uma rédea que muitos podem até não gostar, mas que acaba mostrando talvez a ideia original da trama. Claro que a sacada da diretora em trabalhar a paixão das protagonistas, o conhecimento corporal e o envolvimento delas é visto desde o começo, e até seria bonito ver completamente tudo no subjetivo, mas não causaria, e ultimamente filmes que não tem causado, não se impõem no mercado artístico, então ao mesmo tempo que o segundo ato funciona de uma forma forte, ele também acaba ficando forçado, e aí é que a diretora soube dosar bem os atos para que seu filme não ficasse apenas jogado, mas soasse representativo, e o acerto foi bem bacana, pois a trama teve um deslanchar tanto das jovens protagonistas, como entrou o elo fraco da casa com algo imponente que muitos vão se chocar, e aí a sacada foi ímpar, pois ao invés de reclamarem da nudez e do relacionamento das jovens, o público recai para a criada, e o filme deslancha sozinho.

Quanto das interpretações, já estamos bem acostumados a ver as protagonistas passeando por nossos cinemas nos diversos festivais franceses, e aqui nenhuma delas desaponta, desde Noémie Merlant com sua Marianne centrada, cheia de trejeitos fortes, mas disposta a quebrar barreiras só com os olhares e atitudes imponentes coloca sua pintora num nível tão forte que vamos na mesma onda dela desde o começo, e assim conseguiu ditar bem o ritmo e as cenas que faz. E da mesma forma vemos Adèle Haenel colocando sua Héloïse como uma mulher aparentemente em dúvida do que quer realmente, praticamente desesperada por ser obrigada a casar, com trejeitos fechados e secos, mas que acaba mudando radicalmente no segundo ato para algo mais envolvente e solta, o que chama a atenção, e funciona bem. Ficando meio de lado, mas trabalhando bem os olhares, e sendo um ponto de segurança do filme para não ser taxado diretamente, temos a pequenina Luàna Bajrami com sua Sophie, e a jovem pareceu mal humorada em tempo integral, com uma cara fechada, mas até descobrirmos seus motivos, e suas atitudes, o longa a oculta bem. E para fechar, tivemos a condessa bem estranha vivida por Valeria Golino, que tenta fazer suas cenas de uma maneira mais ampla, mas não soa muito bem, o que poderia ser melhor feito.

No contexto visual, a trama meio que pareceu isolada demais, não refletindo bem aonde o longa se passa, com um ar bem de Idade Média, puxando para o lado mais soturno, mas ao ver as pinturas feitas, os ambientes bem trabalhados meio que jogados e abandonados, mostrando que a família embora tenha uma casa imensa, precisa desse casamento para voltar a viver após uma morte, ou seja, tudo tem um sentido visual e o resultado é bem moldado. Como é uma época sem energia ainda, o filme contou muito com iluminações de velas, fogueiras, lareiras e as sombras que a fotografia conseguiu trabalhar é algo que deu um tom bem forte para o filme, e juntamente com figurinos mais sérios e imponentes, o resultado é bem bacana de ver e acompanhar, e felizmente souberam trabalhar o ritmo, pois o longa poderia cansar muito.

Enfim, é um filme interessante, forte, mas que acaba funcionando dentro da proposta, que chama a atenção, cria ambientes imponentes, e o resultado marca. Claro que muitos irão virar a cara pelas diversas cenas polêmicas, mas é um filme para um público mais artístico, e assim sendo quem for conferir pelas premiações em si, certamente irá curtir o que verá na telona. Sendo assim, fica minha recomendação. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até lá.

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Adoráveis Mulheres (Little Women)

1/10/2020 01:30:00 AM |

Alguns filmes possuem texturas tão imponentes no desenvolvimento que acabamos sentindo até mais do que realmente acabam passando pela história, de forma que um filme de época pode transpor ideias e situações que realmente aconteciam lá, mas que hoje fazem um sentido comum, e ver isso passa sensações e sentimentos que fluem fáceis conforme vamos acompanhando a saga da protagonista, bem como as interseções com a vida de todas as irmãs e vizinhos em "Adoráveis Mulheres". Ou seja, é um filme que marca um estilo, mas que permeia vários outros pela forma gostosa que a diretora encontrou para trabalhar diversos temas em cima do livro que o longa foi adaptado, porém muito longe de se manter presa a algo que certamente impõe mais a época, Greta soube usar os problemas atuais que coubessem dentro do longa para resultar numa trama ampla e que vai fazer muitos se apaixonarem por todos os personagens, mesmo que odiando alguns, além claro de várias épocas rolando ao mesmo tempo para nos deixar confusos, mas envolvidos com tudo.

O longa mostra que as irmãs Jo, Beth, Meg e Amy amadurecem na virada da adolescência para a vida adulta enquanto os Estados Unidos atravessam a Guerra Civil. Com personalidades completamente diferentes, elas enfrentam os desafios de crescer unidas pelo amor que nutrem umas pelas outras.

Sei que muitos vão falar que não, mas senti muita semelhança de estilo de direção desse filme com o anterior da diretora e roteirista Greta Gerwig, "Lady Bird", principalmente pela forma empoderada das mulheres, da forma desejada de viver da protagonista, e até mesmo pelas sacadas colocadas, e claro pela protagonista em si que é a mesma, o que mostra a forma que Greta gosta de trabalhar, e assim já ficaremos preparados para os seus próximos trabalhos. Dito isso, aqui outro fato bem marcante é o estilo de época, pois o filme se passa nos anos 1860, mas tem uma pegada moderna de vivência transparecendo na protagonista por ser diferente das irmãs que desejam se casar para manter a família, mas sem precisar forçar a barra com isso, a diretora soube passar a harmonia de uma forma mais envolvente, mostrando as opções, as desavenças com as irmãs por alguns motivos fúteis, outros nem tanto, e com isso o filme deslancha bastante, o que foi uma grata surpresa, pois ao ver época, temática e tudo mais, esperava que o filme fosse cansar mais, mas não, ele flui felizmente bem. Ou seja, vemos um estilo próprio da diretora, e por se tratar de uma adaptação literária é bacana notar que o filme também não ficou amarrado como se fosse capitular, ou tivesse precisões forçadas que comumente notamos em longas do estilo, indo muito pelo contrário para mostrar algo até mais aberto e vivenciado do que uma trama talvez datada, o que mostra uma adaptação de primeiro nível.

Sobre as atuações, primeiramente temos de observar o elenco incrível de mulheres que a trama conseguiu juntar, mostrando que desde as jovens que estão no começo de suas carreiras mandam muito bem, como as mais experientes ajudaram a dar um tom bem clássico e imponente para que o filme funcionasse. Saoirse Ronan é precisa com sua Jo, mostrando ares chamativos, conseguindo dominar a protagonização de cada ato, e até mesmo nos momentos que precisou demonstrar insegurança, acabou fazendo com um ar forte que funciona demais, ou seja, caiu como uma luva como personagem principal. Da mesma forma Florence Pugh conseguiu entregar uma Amy quase que de nível de inveja gigante, que por vezes acaba soando estranho, mas que quem tem irmãos sabe que rola, não dessa maneira, mas sempre acaba acontecendo, e aqui a jovem faz caras e bocas para impressionar, e acaba dando certo. Emma Watson acabou ficando introspectiva demais com sua Meg, daquelas que até desejava algo a mais, mas decide de cara casar, e se entrega para isso, ficando bem em segundo plano. E Eliza Scanlen acabou fazendo de sua Beth o problema da família, fazendo trejeitos meio depressivos demais, mas que acabam funcionando para o resultado final. No lado masculino, a jovialidade de Timothée Chalamet cai como uma luva para o personagem de Laurie, de modo que seus olhares meio jogados acabam dando o tom do riquinho que tem tudo e pode fazer o que desejar, mas que ao ser ignorado também se deprime, e ele acerta cada ato com ares despretensiosos tão bem feitos que agrada demais. Louis Garrel aparece pouco na trama, mas foi chamativo nas cenas que trabalhou, e começa a se mostrar mais preparado para longas comerciais, saindo um pouco do eixo artístico para quem sabe ainda ser daqueles galãs que Hollywood tanto almeja. No lado mais experiente, Laura Dern conseguiu criar uma mãe envolvente, exagerada em alguns pontos de caridade demais, mas que soa bacana de ver, enquanto pelo lado completamente oposto Meryl Streep faz uma tia rica e que não liga para ninguém além dela, com muito brilhantismo, mas sem chamar a atenção para si, deixando isso para as jovens. Os demais apareceram pouco, mas foram bem também, o que acaba funcionando na trama.

No conceito cênico temos quase uma pintura, cheia de texturas, com muito envolvimento das casas por onde as protagonistas passam mostrando desde os bem pobres, passando por elas, até chegar na alta nata da sociedade, o que acaba sendo mostrado por figurinos, por locações, e até mesmo pelo estilo de se portar dos personagens, abrindo um leque tão bem marcado que envolve a todos, além do outro lado sendo mostrado na composição de um livro através da editoração mais para o final do longa que é outro show, ou seja, a equipe de arte criou mais do que apenas um longa de época, mas soube brincar com tudo para que a diretora brilhasse.

A trilha sonora de Alexandre Desplat é marcante e se mantém viva quase que durante todo o longa, de modo que até em alguns atos acabamos não percebendo sua presença, mas está ali para ditar o ritmo e quebrar os atos, o que acaba sendo um luxo para a trama.

Enfim, é um filme que muitas mulheres vão amar, mas que vale muito a pena para todos, pois é algo mais amplo do que apenas uma história, é um modo de viver, de pensar, e que com muita desenvoltura artística acaba passando boas mensagens, atitudes, e o resultado envolve a todos. Ou seja, vale muito a recomendação, pois certamente é presença garantida de indicações na maioria das premiações, então para não perder nada, vá conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até lá.

PS: Só não dou uma nota maior para o filme pelo excesso de quebras temporais, que são bacanas para o funcionamento do filme, mas que num piscar de olhos você pode se perder e o filme não atingir o mesmo resultado, sendo que talvez de uma forma direcionada melhor agradaria bem mais.

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Amazon Prime Video - Os Aeronautas (The Aeronauts)

1/09/2020 12:41:00 AM |

Crime! Essa é a palavra que define o que a Amazon fez em amarrar o filme "Os Aeronautas" na sua plataforma e não deixar que saísse numa gigantesca tela Imax, ou que fosse na menor sala do cinema, aquela no meio das grandes salas que quase ninguém gosta de ir, mas que ao menos traria uma bela imersão, mas não, cá tive de ver na minha pequena televisão essa maravilha de filme visual, pois a história por mais bela e interessante que possa ser, de mostrar como um dos primeiros meteorologistas conseguiu provar suas ideias sobre o clima fazendo a maior subida de balão que se tinha conhecimento, acaba simples perto de todo o maravilhoso visual que a trama consegue impressionar nas alturas, mostrando uma vastidão bela e de paz, com tudo o que costuma acontecer nas alturas (neve, hipóxia, loucura, e claro as histórias dos dois sendo contadas, afinal naquela época não havia joguinhos de celular para entreter numa viagem longa dessa!!). Ou seja, feito o desabafo do tamanho de tela, o que posso dizer é que o longa inspirado em uma história real é daqueles que nos prendem, que cativam, e que nas cenas finais fazem você perder o fôlego com tudo o que é entregue, em uma bela e maravilhosa obra de Tom Harper, com dois grandiosos atores que conseguem trazer a cena para eles, e assim o filme se faz valer a conferida.

O longa nos situa em Londres, no ano de 1862, aonde o cientista James Glaisher está prestes a realizar o grande sonho de sua vida, ao iniciar uma viagem de balão de forma a pesquisar formas de se prever a meteorologia. Sua companheira de viagem é Amelia Wren, veterana do balonismo que topou o desafio após um grande trauma em sua viagem anterior, quando seu marido faleceu. Juntos, eles enfrentam uma aventura rumo ao céus na tentativa de chegar a uma altitude inédita até então a qualquer ser humano.

O trabalho criativo que Tom Harper e Jack Thorne fizeram no roteiro é algo para se refletir e se envolver muito, pois temos cenas tão precisas de atitudes que certamente foram desenhadas para que os protagonistas entendessem o que deveriam fazer, e claro que com a ajuda do diretor não sairia nada, afinal não precisamos nem pensar duas vezes que praticamente o filme inteiro se passou dentro de uma sala verde minúscula com uma caixona não muito grande aonde os dois protagonistas andavam, e algumas cordas penduradas em cima, pois não saíram com ambos voando pelo maravilhoso céu, ou seja, quando se tem alguma base é mais fácil, mas aqui tiveram de sofrer praticamente tudo em estúdio, e ainda durante as gravações o protagonista conseguiu se machucar ficando pendurado em uma corda, ou seja, uma loucura completa. Dito isso, é fato entender que naquela época ninguém dava chance alguma para as mulheres, muito menos uma viúva balonista, aonde o marido morreu voando também, e muito menos para cientistas malucos que diziam querer prever o clima (coisa que hoje qualquer um que vai descer para a praia já consulta diversos sites de meteorologia para saber se não vai chover!), ou seja, tiveram todo o trabalho de pesquisa, e mais do que isso souberam dosar cada cena para que ela envolvesse e funcionasse, pois é quase que uma peça dialogada, com algumas memórias encenadas fora do balão, mas que acaba sendo maior ampliada dentro de tudo o que ocorre ali pela beleza cênica ao redor, e isso sem dúvida é de tirar o fôlego, e mostrou o empenho máximo dos protagonistas.

Sobre as atuações, a dupla já havia dado um show de química em "A Teoria do Tudo", e aqui voltaram a se entregar com bem mais do que olhares, trabalhando mais a personalidade e a sensibilidade para que cada um criasse suas dinâmicas e ainda auxiliasse o outro nas atitudes coerentes para que o filme fluísse, e com isso vemos ambos se doando, fazendo loucuras em cena, e até se machucando, afinal como bem sabemos cortas cortam, machucam, e dependendo do movimento torcem, como foi o caso que aconteceu com Eddie Redmayne, mas dessa forma deram um show, e acertaram em cheio. Eddie Redmayne tem um estilo bem fechado, e isso fica claro em todos os filmes que protagoniza, e aqui seu James caiu certinho na forma que costuma passar, de modo que acabamos vendo seus atos já praticamente sabendo o que vai fazer, e acabamos ficando preparados para cada movimento, mas ainda assim o jovem consegue surpreender e chamar a responsabilidade para si, e mesmo nas cenas fora do balão, ele soube ser doce e carismático, o que acaba agradando bastante também. Felicity Jones já é daquelas atiradas, que sabe pegar um papel e dar dinâmica para ele, de forma que aqui se a jovem não usou dublê (o que acho difícil), se mostrou forte e de uma coragem gigantesca para que seus atos fossem bem interpretados, e o resultado é uma Amelia imponente, cheia de atitude, e com uma precisão cênica incrível, ou seja, deu o sangue para acertar demais. Quanto aos demais, diria que chega a ser quase superficial o trabalho de todos, pois vemos uma cena aqui com Himesh Patel bem colocado, outra ali com Tom Courtenay bem envolvente e emocionado, mas nada que colocasse o olhar fora dos dois protagonistas, e assim sendo qualquer ator fazendo os demais papeis passaria tranquilamente.

Agora falar do visual é se deslumbrar com um céu maravilhoso, com borboletas voando, arco-íris em formatos lúdicos, neve, e claro todo o ambiente dentro da cesta do balão com os equipamentos do protagonista, com os figurinos arrumados, e claro cordas e mais cordas para dar a trama todo o nó que era preciso, ou seja, sabemos bem que a equipe digital teve um trabalho maravilhoso para desenvolver tudo e que foi filmado com um pano verde imenso, mas fizeram um trabalho tão bem feito que envolve demais, e o acerto é incrível de ver, mesmo que na telinha da TV (mas se fosse numa Imax certamente iríamos passar mal com a imersão!).

Enfim, é um filme muito bonito de ver, que transmite diversas sensações, que vale a conferida, mas que volto a frisar que a sensação de conferir ele em um cinema faria com que a nota fosse ainda maior, pois o ambiente conta, e a trama aqui necessitava desse fechamento mais recluso, que talvez alguns até consigam reproduzir com grandes telas e sons em suas casas (o que não foi meu caso), mas que vale ver para conhecer um pouco mais dessa formatação que acabaram entregando para um cientista. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Caído do Céu (Como Caído Del Cielo)

1/05/2020 08:52:00 PM |

O maior mérito da Netflix, tem sido para que eu conferisse longas de países e de estilos que certamente nem viriam para o interior, afinal mesmo alguns longas com nomes famosos acabam caindo nas mãos de distribuidoras que lançam em meia dúzia de cinemas nas capitais, e esquecem que no interior também tem cinema. Sendo assim hoje peguei bem no aleatório e resolvi ver uma comédia que parecia deveras estranha, mas como já vimos tantas homenagens ao cantor/ator Pedro Infante (inclusive a última bem trabalhada na animação "Viva - A Vida é Uma Festa", que não cita seu nome, mas deixa bem claro a indicação!), resolvi dar chance ao longa "Caído do Céu", que posso dizer que foi algo satisfatório, com uma pegada até leve demais que trabalhou bem a tentativa de redenção em cima de um estilo mais machista e sedutor que a fama lhe deu para poder ir para o céu conseguindo a redenção de um outro homem na Terra. Claro que esse tema já foi visto inúmeras vezes no cinema, mas aqui souberam trabalhar diretamente com um personagem tecnicamente conhecido, e usando de artifícios as canções conhecidas do cantor (aliás poderiam ter legendado elas, pois com meu espanhol fraco até entendi que algumas davam conexão com a trama, mas fazer o que!). Ou seja, é um filme simples se pararmos para analisar a fundo, mas que passa uma boa mensagem do mundo atual, e que funciona dentro do que se propões, só faltando um pouco mais de humor para rirmos mais.

O longa nos mostra que a alma de Pedro Infante voltou à Terra, só que desta vez ele ocupa o corpo de seu imitador, Pedro Guadalupe. Agora, o ídolo terá de suportar as duras tentações da vida para ficar ao lado de sua amada Raquel se quiser ir para o Céu.

É notável que a ideia do diretor e roteirista José Pepe Bojórquez foi bem amarrada, pois usando de base as canções de Pedro Infante para se inspirar, e criando uma boa relação do jovem com todas as belas mulheres mexicanas, e ousando com ideias de oposição ao tradicionalista machismo que envolveu tanto o cantor, conseguindo trabalhar suas sacadas de uma forma sutil e bem colocada, claro que abusando do atual modus operandi que tanto domina o ar feminista, mas sabendo dosar suas cenas e fazer com que o personagem caricato funcionasse, divertisse e passasse bem pela sua redenção, e para aqueles que já forem esperando um final bem tradicional, não vá com tanta sede ao pote, pois o diretor soube criar a regra, dar ela para a trama, e fechar com a mesma regra, ou seja, sem que fosse o final mais tradicional comum, e assim até acabou me agradando mais por saber fazer isso de uma forma bonita também, ou seja, quem conferir verá, e alguns irão odiar.

Quanto das atuações, o estilo que Omar Chaparro encontrou para viver o mulherengo Pedro Guadalupe e por consequência Pedro Infante é de uma desventura imensa, que cheio de olhares sedutores, jogadas bem rápidas e muita dinâmica nos trejeitos e na forma de dialogar com os demais personagens acaba saindo sempre pela tangente e agradando bastante nas cenas, de forma que o resultado acaba sendo bem interessante pelo que faz, mostrando ser um ator bem versátil de construções. Ana Claudia Talancón entregou uma Raquel meio insegura de atos, de modo que pode até parecer que a personagem esteja com um pé atrás quanto o marido, mas não foi só essa impressão estranha que acabou passando, o que parece ser mais uma falha dela do que da própria personagem em si. Stephanie Cayo entregou uma Samantha bem sensual, cheia de desenvolturas, mas fazendo o papel da tradicional desesperada por um homem, o que não combina bem com o que a trama tenta ir contrário, então poderiam ter melhorado um pouco mais isso. E quanto aos demais atores, só vale destacar mesmo a jovem Yare Santana que entrega uma Jenny bem simples, mas que consegue funcionar dentro do elo avô/neta/amiga, em uma simbologia bem colocada que talvez algum detalhe a mais chamaria mais atenção.

Visualmente o filme não tem muito o que chamar atenção, pois trabalhou elos fáceis como uma casa familiar, um restaurante, uma casa/salão, e uma feira, aonde poucos elementos cênicos tiveram algum destaque, somente pontuando claro os figurinos no melhor estilo de mariachi possível, para dar o tom do personagem, e assim, o longa funcionou.

Enfim, está longe de ser uma grande obra, faltou um pouco mais de comicidade para ser uma comédia realmente, mas teve boas sacadas, e com isso o longa ao menos não cansa, e dá para conferir numa boa. Sendo assim, até recomendo ele como algo para passar um tempo na Netflix, afinal essa semana esqueceram de estrear novos longas originais por lá, só trazendo uma tonelada de filmes que já passaram nos cinemas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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O Caso Richard Jewell (Richard Jewell)

1/03/2020 01:39:00 AM |

Um filme completo de emoções, essa pode ser uma das boas definições do novo filme de Clint Eastwood, "O Caso Richard Jewell", pois ele consegue inicialmente nos irritar com o estilo meio bobo do protagonista, que acaba sendo até exagerado em sua ingenuidade e afinco pelo amor à polícia, mas depois da explosão a trama se verte tanto contra ele, que acabamos nos afeiçoando com tanta força, passamos a ter dó das maldades das pessoas que acabam usando da ingenuidade dele para prejudicar ainda mais sua família, e vamos formatando tudo a cada nova cena de uma forma incrível que não tem como explicar, mas sim sentir, pois é tenso na medida, tem impacto com coerência de envolvimento, souberam usar bem as dinâmicas para que o filme não ficasse cansativo, e mais do que isso, aproveitaram da história real em seu máximo, para que cada momento parecesse estar na época correta, e que cada elemento mostrasse detalhes ao ponto de odiarmos cada um dos envolvidos no caso. Ou seja, é daqueles filmes que entramos esperando uma coisa, e saímos com outra impressão completa, que agrada demais, e que acaba valendo muito a conferida.

O longa conta a história real de Richard Jewell, segurança que se tornou um dos principais suspeitos de bombardear as Olimpíadas de Atlanta, no ano de 1996. Na realidade, ele foi o responsável por ajudar inocentes a fugirem do local e avisar da existência de um dos explosivos.

O diretor Clint Eastwood tem sido odiado nos últimos anos por muitos críticos por polêmicas fora das telas, então como costumo dizer, temos de esquecer o que o cara faz na vida pessoal e focar somente no que nos entrega na telona, afinal estamos indo conferir um trabalho de um conjunto, não apenas da pessoa em si, e sendo assim, aqui ele colocou uma força de personalidade fora do comum, encontrando estilo próprio para sua trama ao ponto de conseguirmos nos afeiçoar a uns personagens e odiar outros de uma maneira até que interessante de ver, pois confesso que no começo tinha vontade de socar a cara do protagonista com tudo o que ele estava fazendo, rimos dele, mas depois tudo muda tão rápido que não vemos a virada que o diretor deu na trama, e isso é incrível de ver, pois facilmente já nos vemos querendo bater na jornalista e no FBI que passam a destruir a vida do jovem e da sua mãe, aliás, falando na mãe, a atriz entrega tanto para o personagem que quem não se emocionar na sua cena diante dos microfones não tem coração, e essas viradas de nuances são poucos que conseguem fazer, ainda mais em um roteiro baseado em um texto de revista e em um livro, ou seja, algo que não costuma dar química, mas aqui funcionou com exatidão.

Sobre as atuações, a forma que Paul Walter Hauser entrega para seu Richard é de uma pessoa problemática, mas que o ator soube encontrar um carisma próprio para passar e desenvolver ele de forma a convencer o público de seus atos, que mesmo mostrando tudo, alguns ainda podem até desconfiar dele, mas ele criou dinâmicas, e foi virando o personagem de uma maneira tão sutil que acaba ficando lindo de ver, ou seja, deu show na tela. Sam Rockwell é daqueles que nos convencem em um ato, e é até engraçado que seu personagem já foi tão bom no começo que falei: "preciso lembrar o nome desse personagem para ver quem faz, achando que não fosse aparecer no segundo ato", mas seu Watson volta, e vem com uma gana tão bela e pura para ajudar o jovem como advogado de defesa, que seus atos saem maior do que tudo, e mesmo ele impondo força para com seus atos em alguns momentos, acabamos envolvidos com tudo o que faz, e o resultado é a perfeição em cena. É bem fácil notar em qual cena Kathy Bates foi indicada para o Globo de Ouro com sua Bobi, pois vamos vendo ela fazer bem sua personagem, mas nada que parecia merecedor de prêmios, mas ao subir na bancada dos microfones para defender seu filho e sua família, preparem os lencinhos, pois ela vem com muita força e mostra algo que só temos que aplaudir. Jon Hamm entrega para seu Shaw toda a filhadaputagem possível para usar meios de se aproveitar do jovem e trabalhar a incriminação dele, de forma que seu ente governamental acaba sendo tão imponente que funciona para dar raiva demais. E o que falar de Olivia Wilde com sua Kathy Scruggs se não a tradicional jornalista das antigas que usava das artimanhas sensuais para conseguir suas matérias e forçar a barra em notícias montadas que explodiam da maior forma possível, e ela foi muito bem em cena, chamando toda a atenção e dando show no que apresentava. Todos os demais foram bem também, alguns aparecendo mais, outros menos, mas sem atrapalhar o desenvolvimento, e muitas vezes ainda chamando a responsabilidade cênica como Nina Arianda como Nadya bem simples e agradável, e Charles Green fazendo o reitor de uma faculdade que se existiu realmente, essa pessoa merece tudo de ruim que possa acontecer, pois seus atos foram ridículos.

O visual do longa brinca bastante com jogadas de câmera para parecer algo meio documental, usa de artifícios de envelhecimento de imagem para parecer registros de arquivo, e até trabalha bem a construção da época da Olimpíada, de modo que todo o conceito parece ser até maior do que realmente é, isso só no primeiro ato, mas ao verter para o lado mais da investigação, vemos bem a quantidade de elementos cênicos que prepararam para as boas sacadas, trabalharam com uma redação de jornal bem característica da época, souberam dosar as cenas para que tudo ficasse bem tenso, ou seja, uma montagem clássica, porém muito bem feita. Ou seja, num jogo completo e muito bem feito entre a fotografia de época, cheia de ruídos, parecendo ser gravada com aquelas câmeras imensas antigas, com uma densidade cênica bem marcada acabaram dando um tom extra para a trama, que acaba envolvendo muito e funcionando na medida certa.

Enfim, é daqueles filmes que inicialmente você não dá nada para ele, que vê o trailer e se desinteressa, mas que ao conferir inicialmente continua com o pé atrás, mas que vai se abrindo conforme os atos se desenvolvem para no final estar apaixonado pela trama completa, torcendo para o protagonista, querendo bater nas pessoas que fizeram mal para ele, e tudo mais, ou seja, um filme para se envolver realmente, se emocionando com tudo, e que mesmo com muitas falhas exageradas acaba valendo demais a conferida, e sendo assim, fica minha recomendação para que todos vejam o longa. Eu fico por aqui já encerrando as estreias dessa semana nos cinemas, mas volto em breve com mais textos do streaming, então abraços e até logo mais.

PS: a nota não foi maior pelo simples fato de exagerarem um pouco na personalidade ingênua do protagonista, sem colocar diretamente nenhum motivo maior (talvez algum tipo de doença, ou algo do tipo), mas esse detalhe não remove os méritos da trama, e ainda vale muito ver o filme.
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Frozen 2 em Imax 3D (Frozen II)

1/01/2020 09:14:00 PM |

Impecavelmente detalhado, essa pode ser a melhor definição de "Frozen 2", afinal já tínhamos dito quando foi lançado o primeiro filme que a Disney tinha voltado às origens com belas canções, com personagens carismáticos e com histórias bem aventureiras para todos curtirem, e agora com a continuação foram mais precisos ainda, dando voz de canto para mais personagens, incorporando mais técnica para a direção de arte, e colocando textura em tudo o que se possa pensar fazendo um filme primoroso aonde acabamos sabendo mais do passado da família das personagens, conhecemos lugares novos, e principalmente foram coerentes em manter a essência original, ou seja, um filme com estilo novo, mas que se manteve fiel ao que já foi feito de bom. E sendo assim, o resultado é único de beleza, trabalha bem a história e funciona demais em diversos quesitos, que mesmo soando um pouco alongado para a criançada que prefere um filme mais rápido, todos acabarão animados com tudo o que será mostrado, e junto dos personagens carismáticos acabaremos rindo e nos impressionando com tudo. Ou seja, vale demais a conferida, e certamente todos sairão dos cinemas bem empolgados com tudo, o que é um grande acerto para uma continuação.

O longa nos coloca de volta à infância de Elsa e Anna, aonde as duas garotas descobrem uma história do pai, quando ainda era príncipe de Arendelle. Ele conta às meninas a história de uma visita à floresta dos elementos, onde um acontecimento inesperado teria provocado a separação dos habitantes da cidade com os quatro elementos fundamentais: ar, fogo, terra e água. Esta revelação ajudará Elsa a compreender a origem de seus poderes.

Certamente a grande sacada da Disney foi colocar os mesmos roteiristas e diretores do original de volta aos trabalhos, pois souberam manter as essências, colocações, e principalmente manter o desenvolvimento dos personagens sem cair em nada, além claro de poder incrementar tudo na medida certa, e isso Chris Buck e Jennifer Lee souberam fazer com precisão cirúrgica, encontrando meios diferenciados, brincando com origens étnicas mais elaboradas, e criando estilos próprios para que cada um dos personagens principais tivesse seu momento solo para cantar, pudesse se mostrar como protagonista, e isso sem tirar o brilho real da protagonista, que flui com uma desenvoltura muito impactante novamente, e novamente permeia classe. Ou seja, criaram ótimas canções para todos demonstrar em seus momentos, não apelaram para cenas exageradas, e junto de uma precisão artística tão bem feita o resultado só podia ser um: a perfeição, que mesmo sem uma ousadia maior acaba resultando numa daquelas animações de tamanha qualidade que saímos da sessão querendo ver mais e mais dela.

Sobre os personagens, é fato marcante que novamente o boneco de neve Olaf consegue chamar muita atenção com todo o seu carisma, com uma dinâmica perfeita de personalidade, e claro com todas as indagações que conseguiram colocar dentro de um único personagem que foi dublado magistralmente por Fábio Porchat, de modo que não chegamos nem a escutar mais a voz do comediante, mas sim a voz própria do boneco, além claro das suas duas grandiosas cenas, aonde na primeira explica resumidamente o primeiro filme inteiro, e na cena pós-crédito volta explicando o segundo longa, ou seja, quem quiser um breve resumo, só entrar na sessão ao final dos créditos (o que é um perigo também para aqueles que entrarem muito rapidamente na sala e pegarem vários spoilers!). Agora voltando para a protagonista Elsa, novamente deram o ar aventureiro na medida certa para a personagem, deixaram ela bem solta para seus atos heroicos, e com muita sabedoria conseguiram fazer com que ela buscasse descobrir tudo o que suas dúvidas lhe buscavam, e isso tudo é feito sem precisar ser uma personagem forte de essência, mas com vontade própria e muita atitude, o que certamente deve ser replicado para as garotas, ao menos na visão dos diretores. Kristoff e Sven continuam como a dupla dinâmica animada, e aqui tem até seu grande momento de cantoria bem encaixado com outras renas, e sempre funciona muito bem tanto no ar dramático como na comicidade leve bem colocada, ou seja, um grato ajuste para a trama. Ana ainda está bem elétrica, cheia de dúvidas, com bons momentos, mas chega a incomodar um pouco, o que não é bacana de ver, ou seja, vemos uma personalidade forte para a outra protagonista da trama, que é desenhada de uma maneira coerente e pronta para tudo, mas acaba soando exagerada, e isso não é bacana de ver. Agora quanto aos elementos da natureza, todos foram muito bem desenhados e conectados na trama, desde o vento soprando folhas e fazendo desenvolvimentos com os personagens, passando pelos gigantes de pedra representando a terra, a salamandra fofinha que bota fogo em tudo, e claro o cavalo maravilhoso de água que dá um show na tela.

O visual é daqueles que não conseguimos achar defeitos, trabalhando com um detalhamento de texturas tão preciso que acabamos nos envolvendo do começo ao fim, vemos os bordados detalhados de jóias nos vestidos da protagonista, vemos os movimentos de cada um dos espíritos da floresta detalhados, vemos ambientes cheios de símbolos, e muito mais de forma que a equipe de arte pareceu tão preocupada com tudo que nem notou o tempo passar, e claro que fizeram figurinos tão incríveis que se a animação pudesse concorrer nesse quesito nas premiações certamente ganharia vários elogios pelos vestidos, pelas roupas de festa, do povo da floresta, e tudo mais, ou seja, lindo de ver. Quanto do 3D, o longa possui muitas cenas com elementos saindo da tela, vários atos com uma profundidade bem desenhada, e trabalharam bem para envolver o público, ou seja, a tecnologia funcionou em diversos momentos, de modo que quem gosta de ver filmes desse estilo não terá muito para reclamar.

Como é um longa bem musical, nos melhores moldes que a Disney sabe fazer, conseguimos enxergar até o motivo do filme ter sido lá no começo de novembro nos EUA, e somente agora ser lançado no Brasil, pois praticamente criaram novas canções para serem dubladas pelo elenco nacional, de forma que "Into the unknown" que é a música principal virou "Minha intuição", e isso é só uma das diversas mudanças para dar tema nas canções e funcionalidade na trama, ou seja, é quase outro filme, que até pretendo ver o legendado para voltar aqui e falar como foi, mas que friso novamente, foi muito bem adaptado e funciona bastante. Então para quem quiser curtir as canções sem precisar ver o filme, ou apenas para depois pôr no modo repeat mil vezes até decorar, deixo aqui o link.

Enfim, é um tremendo filme que vale muito a conferida, que vai agradar tanto os pequenos quanto os mais velhos (esses até mais por terem já curtido muito o primeiro filme), e que certamente lotará as sessões de todos os cinemas nas próximas semanas, venderão muitos bichinhos, copos, baldes e tudo mais do longa, e assim fará com que os pais gastem muito nos cinemas (rsss). Sendo assim recomendo bastante a trama para todos, e começamos bem 2020, vamos ver se o nível se mantém. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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