Netflix - Rebecca - A Mulher Inesquecível (Rebecca)

10/21/2020 11:17:00 PM |

Aqueles mais saudosistas que forem conferir o lançamento da Netflix, "Rebecca - A Mulher Inesquecível", esperando parecer com o original de Hitchcock de 1940, certamente irá se desapontar bastante, pois é quase uma outra formatação, bem mais romantizada, com poucas cenas de suspense/mistério, e principalmente com uma pegada mais dramática e carismática do que o antigo, e isso não é algo ruim, muito pelo contrário, pois traz algo diferente em cima do livro que também serviu de base para o antigo, e entrega uma essência envolvente também. Claro que é um estilo que muitos não costumam se conectar tanto, e lembra bem uma novelona mexicana com a pegada passada, e assim sendo o sucesso pode até ser bem iminente da nova trama, porém quem gosta de algo mais agitado talvez se canse da falta de atitude em alguns atos. Ou seja, é um filme bem feito e interessante, com uma proposta bem trabalhada pelo carisma dos protagonistas conhecidos, mas certamente poderiam ter mantido o suspense do original, ou dado um ritmo mais intenso para que o filme mudasse completamente.

A trama nos conta que uma jovem de origem humilde se casa com um rico nobre e se muda para sua intimidadora mansão na costa da Inglaterra. Chegando lá, ela passa a viver às sombras da falecida Rebecca, a misteriosa esposa anterior de seu marido, descobrindo, aos poucos, misteriosos segredos sobre seu passado.

Diria que o diretor Ben Whealey quis valorizar demais a boa química do casal principal, pois o primeiro ato é imenso, cheio de romances e passeios, com toda uma ambientação de época caríssima, muitas champanhes, praias, e tudo mais, ao ponto que cheguei a pensar que o filme seria totalmente diferente do original, porém ao se casarem e chegarem na mansão, o longa toma o tom mais denso pela proteção da empregada, e claro, todo o mistério em cima da morte da ex-esposa, que no original era contado meio que logo de cara, enquanto aqui o mistério fica até quase as cenas finais. Ou seja, o diretor brincou mais, e não quis ir tão direto ao ponto, de forma que o filme tem uma boa essência, tem boas cenas, e até consegue fazer com que ficássemos intrigados com tudo, mas que talvez precisasse de mais ritmo para que o filme causasse algo a mais no espectador, afinal estamos falando de uma refilmagem de um clássico de Hitchcock que venceu o Oscar de Melhor filme em 1940, mesmo com todas as polêmicas em cima de plágio e tudo mais, ou seja, merecia um trato melhor para que não virasse a novela que acabou virando, que mesmo não sendo ruim, não causa nada de mais.

Sobre as atuações, posso estar muito enganado, mas Lily James fez o filme sem vontade alguma, de forma que sua personagem fica sempre com trejeitos sem muita entonação, desanimada demais, com uma desenvoltura cansada, ou seja, vemos ela frouxa demais, pelo menos até o momento do julgamento, aonde parece se jogar um pouco mais e até chamar a atenção, mas poderia ter ido muito além em tudo para que o filme focasse mais nela, porém a química com o protagonista foi bem interessante, e até deu um bom casal. Armie Hammer caiu bem para a personalidade que Maxim necessitava, de forma que não foi nem muito durão, nem um brucutu cheio de espontaneidade, ao ponto que dosou tanto o carisma quanto o mistério em cima do personagem, e com olhares mais abertos fez com que tudo soasse simples ao seu redor. Agora sem dúvida alguma o filme é de Kristin Scott Thomas com sua Danvers, ao ponto que ela entrega força, rancor, e tanta desenvoltura para sua personagem que chegamos a ficar com tanto ódio dela que torcíamos pelo seu pior, e a cada momento ela só aumentava as situações de imponência de forma que não conseguimos tirar os olhos dela, ou seja, foi perfeita em tudo. Quanto aos demais, tivemos algumas boas participações, mas nada que chegasse a chamar tanta atenção, tendo um leve destaque para Sam Riley com seu Jack Favell, mas não foi muito além do que poderia com o personagem.

Visualmente a trama tem muito estilo, pois conseguiram dar o tom de época certo com carros, figurinos, cenografias, ao ponto que o longa certamente ficou bem caro, mas compensou e muito, pois temos uma mansão cheia de detalhes perfeitos, muitos quadros, muita criadagem, muitos elementos pequenos para mostrar toda a lembrança da antiga dona, além de uma casa de barcos ainda mais detalhada, e até mesmo nas cenas no hotel foram para ninguém reclamar de pouca cenografia, ou seja, é daquelas produções que a equipe de arte se entrega do começo ao fim, e que com um final bem quente, literalmente, chega a dar até uma certa tristeza, ou seja, perfeitamente impecável visualmente.

Enfim, é um filme até que bacana de conferir, porém alongado demais, com um estilo bem novelesco que até vai cativar um público que gosta mais disso, mas que passa bem longe do longa dos anos 40, e que é bom por isso, ou seja, um bom drama de época com um mistério interessante de segundo plano. Ou seja, até recomendo o longa, mas digo com certeza para todos irem preparados para algo bem longo, que chega até cansar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Manual de Caça a Monstros (A Babysitter's Guide to Monster Hunting)

10/21/2020 12:45:00 AM |

É bem interessante que nessa época próxima ao Halloween surgem diversos filmes de terror, e também as versões de monstros mais calminhas para divertir as crianças, e claro que a Netflix não iria ficar de fora de ter um filme para chamar de seu do gênero, e com "Manual de Caça a Monstros" que estreou na última quinta-feira, o resultado da adaptação literária acabou sendo tão gostoso de curtir, que certamente vai empolgar desde o menorzinho até o mais velho, pois mesmo tendo alguns atos digamos bobinhos, a produção envolve bastante tecnologia, personagens carismáticos, e principalmente uma boa história, ao ponto de que talvez possamos ver até mais continuações funcionando, afinal como é mostrado, são 7 bichos-papões, e aqui apenas um foi apresentado efetivamente. Ou seja, sente com a criançada, ou até mesmo sozinho para curtir uma boa trama que lembra um pouco "Goosebumps" que saiu nos cinemas, mas aqui ao menos a trama tem mais dinâmica para divertir com armas, poderes, e tudo mais.

O longa nos conta que Kelly Ferguson é uma jovem que está trabalhando como babá pela primeira vez. Quando o menino de quem ela está cuidando é sequestrado por uma legião de monstros, Kelly é apresentada a uma sociedade secreta de corajosas babás que protegem crianças do mundo todo de diversos tipos de monstros. Ao lado de um novo grupo de amigas, ela vai lutar para salvar a criança de quem prometeu tomar conta.

A diretora Rachel Talalay atualmente tem feito muitas séries, mas começou lá atrás fazendo um filme de terror do Freddy Krueger em 91, então de intensidade de terror ao menos conhece bastante, e aqui ela soube usar muito bem o roteiro de Joe Ballarini, que inclusive é o escritor do livro, de forma que acabaram brincando bastante com todos os ambientes cênicos, criaram monstrinhos computacionais bem interessantes, e principalmente conseguiram trabalhar a história num misto de terror e aventura bem gostoso tanto para as crianças, quanto para adultos que gostam do estilo, pois mesmo apelando para situações mais bobinhas, a trama entrega algo inteligente de formatação, tendo boas dinâmicas, e agradando do começo ao fim, inclusive dando brecha para quem sabe ter continuações. Ou seja, é um filme que passa até longe de ser simples, que tem uma boa pegada, e que envolve da forma que foi entregue, não precisando de grandes astros para se sustentar, e que facilmente passaria num cinema numa sessão 3D com toda a tecnologia de coisas saindo da tela, mas que mesmo na TV funcionou bem.

Sobre as atuações, Tamara Smart não tem muito estilo, nem é daquelas que chama tanta atenção, mas sua Kelly até entrega boas dinâmicas e trejeitos ao ponto de acabarmos curtindo o que faz em cena, porém como não puxa tanto o filme para si, praticamente todos os demais personagens acabam soando mais protagonistas que ela, e isso é ruim. Dessa forma, assim que Oona Laurence entra em cena, ficamos tão conectados com sua Liz, que mesmo nas cenas que ela está em segundo plano acabamos focados nela, talvez pelo cabelo diferenciado, mas com certeza pelas atitudes mais fortes e marcantes, ao ponto que acaba agradando mesmo fazendo caras de poucos amigos. Agora certamente a surpresa total do longa é Tom Felton com um visual completamente diferente do que estávamos acostumados, ao ponto que seu Grand Guignol tem todos os trejeitos de pessoa malvada, faz intensidades de maldades, mas ao fundo até acabamos gostando de ver ele, e isso é algo bacana pelo fato de poder entrar para o famoso hall de vilões que gostamos de ver, e sendo assim foi muito bem do começo ao fim. Quanto aos demais, a maioria aparece bem pouco em situações mais simples ao ponto que acabamos curtindo seus atos, mas não indo muito além, e desde o garotinho Ian Ho acaba envolvendo com seu Jacob medroso e sem sono, Ty Consiglio entrega um Curtis cheio de apetrechos mágicos para a protagonista lutar, e Troy Leigh-Anne Johnson dá o tom de ajuda em qualquer lugar com sua Berna, ou seja, todos acabaram saindo muito bem nos seus pequenos atos, e até Indya Moore faz uma pontinha como a mulher-gato Peggy Drood.

Visualmente o longa tem alguns leves problemas, e nem é nas cenas com os monstrinhos em computação que são uma graça com tudo o que fazem e com suas texturas, de forma que as cenas com eles acabam soando tão divertidas que valeria até mais tempo na tela, nas cenas bem ambientadas tudo acaba funcionando bastante tendo uma festa de Halloween bacana, uma casa riquíssima, e até mesmo no quartel general das babás tudo é bem construído e interessante de ver, porém quando o jovem construtor de poções resolve ligar para vários QGs em outros países resolveram fazer um chroma-key com fundos em movimento, e aí ficou algo muito artificial que não agradou em nada, pelo contrário, até atrapalhando todo o resultado bonito que vinha seguindo antes, ou seja, poderiam ter mostrado menos países e feito algo mais trabalhado.

Enfim, é um filme gostoso demais de conferir, que diverte e agrada bastante do começo ao fim, que certamente poderia ter bem menos defeitos com uma protagonista que chamasse mais a atenção e um visual mais simples, porém melhor trabalhado, mas que com bons efeitos visuais, muita técnica, e principalmente com um estilo agradável que se espera muito mais, o resultado empolga e de certa forma vale bem a conferida. Ou seja, pegue toda a família e curta a trama, pois vale a pena. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Fuga De Pretória (Escape From Pretoria)

10/20/2020 12:51:00 AM |

Quando falamos em filmes de fuga de prisão já vamos conferir sabendo quase tudo o que vai rolar, porém sempre esperamos um algo a mais, uma história envolvente de algum personagem, ou uma ação diferenciada para quebrar o estilo, e não mais do mesmo, porém infelizmente "Fuga de Pretória" até começa bem, mostrando a revolução que os personagens principais desejavam fazer, entrando na briga para o fim da separação racial na África do Sul distribuindo panfletos de causa e tudo mais, mostra rapidamente a relação do protagonista branco com uma personagem negra, mas ao serem presos apenas nos é falado como são conhecidos lá dentro por "Mandelas brancos", e acabou tudo sobre o Apartheid, voltando somente nos escritos finais, pois aí vira um longa de fuga de cadeia tradicional, com personagens criando métodos e passando tensões, e diferenciando apenas no conceito de que na maioria das vezes tudo é muito mais difícil, já que aqui apenas criaram diversas chaves de madeira e foram abrindo as portas enquanto o carcereiro faz sua rotina. Ou seja, era um filme com muito mais história para ser trabalhada, e deixaram no corte final apenas como foi "ousada" a correria dos personagens principais para fugir dali. Não digo que isso seja algo ruim, pois cria uma certa tensão em diversos momentos, que ficamos até sem respirar aflitos com a tentativa dos personagens, mas já vimos muitos iguais, então poderiam ter brincado um pouco mais com a história do Apartheid.

O longa relata a história verdadeira de Tim Jenkin e Stephen Lee, jovens sul-africanos que carregavam a marca de “terroristas” e foram presos em 1978 por trabalharem em operações secretas para o partido proibido de Nelson Mandela, o ANC. Estando encarcerados na Prisão de Segurança Máxima de Pretória, eles decidem enviar uma mensagem ao regime do Apartheid. Com planejamento detalhado e a produção de chaves de madeira projetadas para abrir 10 portas de aço, eles foram em busca de sua liberdade.

O diretor Francis Annan até teve uma boa propriedade cênica para adaptar e se envolver bem com o livro do verdadeiro Tim Jenkin, certamente captando bem a essência, a técnica do jovem para fazer suas chaves, e claro o terror noturno de poder ser capturado a cada momento, e dessa forma vemos uma história envolvente nesse quesito, porém faltou para ele captar também um pouco mais da essência da história em cima do Apartheid, pois foi um dos períodos mais horríveis da história do país, e merecia ter trabalhado um pouco mais de tudo que envolveu, tanto que nem vemos quase a mensagem passada pelos personagens, e isso foi algo ruim nesse quesito, mas como já disse e volto a frisar, em momento algum podemos dizer que é um filme de fuga ruim, pois o diretor soube criar cenas bem tensas ao ponto de ficarmos grudados torcendo com medo do carcereiro aparecer a qualquer segundo, nos desesperamos quando uma das chaves cai para fora da cela, e tudo mais. Ou seja, se tirasse do filme falando ser uma história baseada em algo real, que contivesse o tema do Apartheid e tudo mais, veríamos o filme vibrando, e o resultado seria perfeito, mas não era esse o objetivo, então, falharam bem.

Sobre as atuações, Daniel Radcliffe até caiu bem no papel de Tim, fazendo trejeitos fortes, tendo algumas síndromes fortes de intensidade noturna, e só faltou um pouco mais de liderança para ele, pois tecnicamente é o protagonista do filme, mas mesmo fazendo as chaves não se impôs suficientemente para chamar atenção para si, de modo que quase que o outro passa a se mostrar mais do que ele. E falando em chamar atenção, Daniel Webber é quase que um enfeite na produção, que se não fosse algumas cenas que o jovem ator sofreu um pouco mais, seu personagem seria daqueles que nem lembraríamos de ver na tela, pois seu Stephen é fraco demais. Mark Leonard Winter entregou um Leonard imponente cheio de força, e completamente desesperado pela fuga, entrando em qualquer plano que fosse bem condizente, e o ator foi muito bem de estilo, quase superando o protagonismo de Radcliffe, ou seja, foi esperto para chamar atenção suficiente. Ian Hart trouxe um personagem mais centrado com seu Denis Goldberg, ao ponto que ele sim tinha mais história sobre o Apartheid para ser contada, e dominou algumas cenas bem, usando do mesmo estilo de Mandela, que foi manter a calma na prisão, ou seja, suave, simples e inteligente, agradando bem em suas cenas. Quanto aos demais, a maioria apenas deu conexões, e mesmo os policiais não chamaram tanta atenção, tendo um ou outro destaque por conta das atitudes mais fortes como Nathan Page, mas certamente quem apareceu mais foi Maris J. Caune como um carcereiro bem gordo que fazia o turno da noite lentamente ao ponto que dava para os protagonistas testar todas as suas chaves.

Visualmente a trama até entregou uma cenografia bem encaixada, mas que tendo cenas mais fechadas nem precisou entregar uma prisão realmente, então temos várias celas fechadas por duas portas, vários portões, detalhes cênicos nas celas dos protagonistas para representar a família como fotos, livros da época, e claro muito material para madeira, aonde o protagonista fez suas chaves, e desde a oficina aonde foram pegando os materiais, até nas cenas no refeitório tudo foi bem simbólico e chamando bastante atenção, até chegar no andar debaixo com o armário de audiovisual com muitas quinquilharias aonde os protagonistas se escondiam para o segundo turno de corridas. Ou seja, tudo bem simples, mas feito na medida para representar tanto o ambiente, quanto as cenas de fuga, e claro, no começo a boa representação de época com carros, figurinos, além das bombas dos protagonistas.

Enfim, volto a frisar que como filme de fuga é tenso na medida certa e muito bom, porém como uma história real sobre a época do Apartheid ficou devendo muita coisa, e não chega a empolgar em nada do estilo, ou seja, se você quiser conferir um bom longa de fuga de prisão, vai curtir demais, agora se for procurando um drama histórico, a decepção vai ser imensa, sendo assim recomendo ele apenas como a primeira opção, mas que na média vai ficar pouca coisa acima de ser mediano. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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É Doce! (Die Heinzels - Rückkehr der Heinzelmännchen) (The Elfkins - Baking a Difference)

10/18/2020 08:55:00 PM |

Costumo dizer que se uma animação segura bem as crianças na poltrona, ela funcionou, e ultimamente estão trabalhando elas de uma forma a ficarem mais infantis para cativar mais os pequenos, ao ponto que não bastasse o colorido da trama, somos a todo momento informados do que o personagem vai fazer, e assim meio que quase como o próprio nome diz, a trama alemã "É Doce!" consegue proporcionar uma boa sessão para todos e acaba divertida e gostosa de curtir, pois não apela, nem força a barra, apenas traz algo bem simples, cheio de situações bobinhas, mas que empolga e cativa pela forma bacana dos pequeninos personagens, e claro pela rixa entre os irmãos confeiteiros. Diria que talvez precisasse um pouco mais de história sobre os personagens, pois tudo é praticamente jogado na tela, mas certamente quem não ligar para isso irá se divertir, e ao final até estará cantarolando a musiquinha tema.

A sinopse nos conta que segundo uma antiga lenda, os gnomos são pequenas criaturas que ajudam em tarefas domésticas enquanto os humanos dormem. Há quase 250 anos, eles foram banidos do mundo humano e construíram uma habitação subterrânea secreta, longe dos humanos e proibidos de ter qualquer contato com pessoas. As regras são rígidas para tudo, e a principal meta como gnomo é descobrir sua vocação, um ofício. Elfie é uma exceção. Ela não consegue identificar seu lugar no mundo dos gnomos e causa a maior confusão em um dos maiores eventos de sua colônia. Determinada a descobrir sua vocação e provar que ela é digna de ser gnomo, ela e dois amigos vão para o mundo humano, para achar um tutor. Nessa aventura eles conhecem Theo e o mundo maravilhoso da confeitaria.

Não é muito comum vermos animações alemãs por aqui, quanto mais para conhecermos o estilo do diretor Ute von Münchow-Pohl, então o que posso dizer é que ele trabalhou uma essência bem bacana para que os personagens mostrassem rapidamente através de um teatrinho como era o passado dos gnomos com humanos, logo no começo, e depois também contaram bem rapidamente como era a relação dos irmãos através de uma historinha contada para dormir, ou seja, ele resolveu facilmente os dois maiores problemas que seria as apresentações, e soube dosar bem as cenas mais fortes, ao ponto que tudo parece bonito e bem feitinho, mas se olharmos ao fundo veremos vários temas complexos para se tratar. Ou seja, o filme acaba caindo na doçura visual, mostrando o feitio de bolos e doces, que vai empolgar as crianças com o tema bonitinho, com uma musiquinha legal, mas que no fundo tem a briga entre irmãos por ego, a exigência de um ofício padrão quando se pode ser diferente e bom em outras áreas, e por aí vai, sendo uma trama bacana, e inteligente se pararmos para olhar mais a fundo, mostrando que o diretor foi coeso e imponente de atitudes.

Quanto dos personagens, felizmente não temos nenhum bichinho fofo para ficar gravado nas nossas mentes com repetições, de modo que todos trabalham, tem suas conexões, e até mesmo o cachorrinho dos vilões tem um ritmo pegado para desmascarar os gnomos, ou seja, o carisma dos gnomos trabalhadores são bem vistos nas atitudes de Elfie, Kipp e Buck, cada um da sua maneira mais agitada, mais prestativo, mais pensante, brincando sempre com tudo, em comparação aos humanos Theo e Bruno, que entregam desânimo e rancor num primeiro ato, para depois tentar mudar tudo. Ou seja, a concepção dos personagens foi bem determinada em qualidades, de modo que suas expressões ficaram marcadas e o desenvolvimento funciona em cima disso, casando tudo muito bem junto com uma boa dublagem, que felizmente também dublou a música tema, agradando bastante em tudo.

Enfim, é um longa bem colorido, com texturas legais, não sei se foi feita versão em 3D, mas como com a pandemia rolando está proibido os óculos 3D, então só tivemos versões normais, mas não pareceu ter nada que saltasse para fora da tela, então sem necessidade também da tecnologia, pois as texturas compensaram o resultado. Sendo assim, é uma boa animação, que os pais podem levar os pequeninos para curtir com toda certeza, e que vai valer o passeio, pois é bem bonitinho, rápido (embora pareça ser bem maior de duração), e que vale a recomendação, mesmo sendo simples demais, ao ponto que poderia até acontecer mais coisas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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40 Dias - O Milagre da Vida (Unplanned)

10/18/2020 01:44:00 AM |

É até interessante pararmos um pouco para analisar a proposta de alguns filmes religiosos, pois muitos não tem o vértice de fazer você ser pró ou contra a ideia passada, mas sim lhe apresentar algo que talvez você não conheça e quem sabe queira se aprofundar depois, e isso é algo bonito de ver, pois quando vemos um drama, romance, comédia ou até mesmo um terror, já vamos esperando algo que queremos ver, enquanto na proposta religiosa geralmente a abertura acaba sendo um pouco maior nos sentidos passados. Dito isso, o longa "40 Dias - O Milagre da Vida" acaba sendo diferente de todo o conceito religioso por não pregar exatamente uma religião como costumamos ver, mas sim uma ideologia anti-abortista, que claro é defendida pelos famosos grupos pró-vida, e claro pelas religiões em si, mas mais do que mostrar que o aborto é uma escolha da mulher, o filme acaba indo além para mostrar que em muitos países o aborto se tornou um produto aonde empresas tem até metas mensais para bater, ou seja, ao invés de aconselhar o que seria melhor para uma mulher que está na dúvida se faz ou não, as clínicas passaram a ser um lugar aonde a pessoa vai e os "conselheiros" ou melhor vendedores de aborto, acabam convencendo a mulher que deva fazer ali naquele exato momento. Ou seja, é um filme polêmico, com uma questão bem polêmica para ser discutida, e isso vai muito além do que penso, e nesse momento não convém opinar, pois outro ponto que o filme fez questão de mostrar é o quão forte são as cenas de abortos, mostradas de várias maneiras, e de forma duríssima, e sendo assim, chega a chocar ao ponto de se pensar muito, e que certamente o longa poderá futuramente servir como exemplo de decisão para as mulheres que pensarem no assunto (seja por ideologias religiosas ou não!).

A trama nos conta que como uma das mais jovens diretoras de clínicas de Paternidade Planejada do país, Abby Johnson se envolveu em mais de 22.000 abortos e aconselhou inúmeras mulheres em suas escolhas reprodutivas. Sua paixão em torno do direito de escolha da mulher a levou a se tornar uma porta-voz da Paternidade Planejada, lutando para promulgar uma legislação pela causa na qual ela acreditava profundamente. Porém, quando ela é chamada para dar assistência ao aborto de uma gestação de 13 semanas, o que ela vê a muda para sempre e ela se torna uma ativista pró-vida.

Depois de roteirizarem todos os filmes da série "Deus Não Está Morto", a dupla Chuck Konzelman e Cary Solomon agora além de roteirizar se baseando no livro de Abby Johnson, também resolveram dirigir sua trama, e mostraram uma segurança bem potente em cima de uma trama que não é tão simples, ou seja, souberam dominar o tema sem que ele ficasse apelativo demais, que passasse a mensagem, e que principalmente tudo soasse realista, pois muitos poderiam acusar o filme de tentar fazer campanha contra, ir por lados políticos exagerados, e tudo mais, mas não o filme mostra com atitudes, e acerta na campanha de ir contra a indústria e não na apelação de desejo de corpo da mulher e tudo mais. Ou seja, os diretores foram condizentes com a ideia, fizeram um filme bonito, forte e bem feito, e principalmente não quiseram fazer firulas demais, ao ponto que mesmo quem defende a vontade de uma mulher em não querer ter um bebê, poderá ver a trama e concordar com a mensagem contra a indústria do aborto.

Agora tirando o lado da mensagem, e falando mais no lado cinematográfico em si, acertaram bem nos atores não tão famosos, que deram bastante conta do recado, e fizeram a trama fluir bem com boas expressões e passando um carisma fácil de acompanhar, de modo que a protagonista Ashley Bratcher, que já fez diversos outros filmes religiosos, acabou entregando uma Abby imponente de atitudes, forte de caráter, e muito expressiva, tanto que conseguimos ver suas cenas com dinâmicas bem presentes, e chamando sempre a responsabilidade cênica para si, ou seja, ela incorporou o que o filme precisava passar e fez bem, de maneira que certamente se encontrou com a verdadeira Abby, e pode tirar muito proveito de tudo, saindo perfeita. Robia Scott entregou uma Cheryl totalmente persuasiva, determinada em suas metas e planos, e até exagerou um pouco no ar de vilã que quiseram passar, ao ponto que poderia ter sido mais realista como uma empresária forte, sem precisar apelar tanto, pois o filme não lhe pedia esse ar mortal. Jared Lotz transformou seu Shaw em um personagem calmo demais, daqueles que pregam a palavra bem e quase flutuam com isso, mas sempre com muita atitude o personagem foi bem representativo e acabou agradando bastante. Quanto aos demais, a maioria deu conexões para os protagonistas, e foram bem no que fizeram, alguns aparecendo mais como é o caso do marido vivido por Brooks Ryan, e a outra moça da cerca vivida por Emma Elle Roberts, mas que não valem destacar tanto.

No conceito visual aí sim a equipe foi ousada, pois mostrar as cenas fortes de abortos, como a drenagem do feto em detalhes, um sangramento quase matando a pessoa e não podendo ligar para um hospital, ou até mesmo o da protagonista através de química em sua casa quase morrendo no banheiro, foram bem imponentes e detalhadas ao máximo para chocar mesmo, de modo que nem lembramos das cenas da protagonista na casa dela, dos passeios de carro, do ambiente bonito e chique da clínica, e até mesmo das reuniões na sede da empresa, que foram muito bem feitos, mas que por saírem do foco tenso de dentro das salas de procedimentos, mostraram que a equipe foi capaz, e direta de fazer tudo muito bem feito, inclusive com uma saleta de partes de bebês que foi intensa.

Um ponto sempre bem positivo nos longas religiosos são as canções escolhidas, e aqui todas bem legendadas passando exatamente a mensagem que o filme conta em cada cena mostraram um bom apreço de seleção, e o resultado vale ouvir bastante desde as principais já existentes de diversos cantores, até a de fechamento escrita especialmente para o filme, e claro que deixo aqui o link para todos ouvirem.

Enfim, é um filme que nem tinha ouvido falar nada sobre, que acabei indo conferir e me surpreendeu muito, pois já vi algumas palestras religiosas sobre o tema, e geralmente não conseguem passar toda a impressão forte que o filme conseguiu mostrar, de modo que quem trabalha com essas palavras certamente tem de conferir o longa, e usá-lo da melhor forma possível, pois volto a frisar que o aborto deve ser uma escolha da mulher, mas que tem de ser muito bem pensada e refletida, afinal é sim uma ou mais vidas em jogo, incluindo a da própria mulher. E considerando o lado cinematográfico, temos uma boa técnica, tivemos bons atos, tivemos alguns exageros, e até muitas falhas comuns do gênero religioso em si, mas que não atrapalharam em nada, e que o público alvo então nem irá perceber, ou seja, é um bom resultado visual. Então fica a dica, e eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.


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Netflix - Os 7 de Chicago (The Trial of the Chicago 7)

10/17/2020 06:19:00 PM |

É engraçado como filmes políticos costumam ser imponentes em fatos, e que geralmente sempre se tem um lado de opinião neles, e isso fica sempre nítido através da mão do diretor, então o que falar quando se é mostrado um julgamento político (embora não possa ser usado esse termo pela constituição americana) real, aonde se via claramente a opinião do juiz inapto para o caso, e as diversas versões fortes de toda a situação ocorrendo numa época marcada pela guerra e pelas mortes de inúmeros americanos. Pois é a trama da estreia da semana da Netflix, "Os 7 de Chicago" vem com essa imponência toda, é bem trabalhado do começo ao fim, e claro que vindo das mãos de um dos maiores roteiristas de Hollywood não se esperava algo menor, ao ponto que a própria gigante do streaming já começou a botar todas as suas fichas na indicação do longa ao Oscar, afinal Aaron Sorkin praticamente brincou com uma história densa, cheia de situações fortes, que mostra tanto que os grupos de diversas partes do país foram para Chicago protestar pacificamente, não foram ouvidos pelos conselhos legais, e quando a polícia resolveu tacar o porrete neles, eles também revidaram, virando um grandioso tumulto, quanto o grandioso problema de ter um julgamento bem incoerente e imparcial, aonde o show é marcante. Ou seja, é daqueles filmes que quem ama um bom julgamento vai curtir (talvez ficar levemente desapontado pelo direcionamento, mas ainda assim vai se envolver com tudo), e quem gosta de uma boa história real bem politizada também irá gostar muito, valendo cada detalhe, mesmo com tantos personagens principais.

A sinopse nos conta que durante a Convenção Nacional Democrata de 1968 em Chicago, houve grandes manifestações contra a Guerra do Vietnã, que estava chegando ao auge. Quando o toque de recolher foi finalmente instituído, isso levou a ainda mais protestos, levando a um motim policial. Em seguida, sete dos manifestantes (Abbie Hoffman, Jerry Rubin, Bobby Seale, John Froines, Tom Hayden, Lee Weiner e David Dellinger) foram julgados por conspiração. Esta é a história do julgamento que se seguiu.

Se em seu primeiro filme, "A Grande Jogada", Aaron Sorkin estava meio bagunçado de ideias com toda a sua proposta imponente de roteiro, aqui ele já veio preparado para tudo, fazendo jus ao seu título de rei dos roteiros quebrados, de forma que não vemos algo acontecer e depois partir para o julgamento, mas sim todas as situações ocorrendo conforme os personagens iam necessitando lembrar de suas loucuras, seus atos e desdobramentos, conflitando com o que está sendo argumentado contra eles. Ou seja, o diretor e roteirista simplesmente vai nos tacando tantas informações, desenvolvendo tantos rumos, que mesmo vendo que o juiz irá lhes condenar por algo que não devia nem ter acontecido, vamos entrando na onda de tudo, e criando em nossas mentes toda a proposta real que eles queriam que víssemos, e que eles defendiam com tanto afinco (tanto que o fechamento chega a ser lindo e forte na mesma proporção por esse motivo). Sendo assim, o diretor não trabalhou dinâmicas simples, e nem quis que seu longa fosse apenas um filme de julgamento, mas sim uma abertura pensando sobre como o tema se desenrolou lá no passado, e que facilmente se hoje tivessem os mesmos líderes imponentes do estilo, se estaria essa bagunça toda de apenas protestos sem futuro, e claro, que com um julgamento de quase 160 sessões, ou quase um ano de audiências, toda a reviravolta funciona para o lado que fala mais alto, então que todos sejam ouvidos.

Sobre as atuações, temos um elenco daqueles que qualquer diretor gostaria de ter nas mãos, ao ponto que nem dá para falar que algum deles se destacou, mas sim que a equipe toda explodiu na tela, cada um da sua maneira mais forte e coerente. E pra começar tenho de falar do antagonista do filme, Frank Langella com seu Juiz Julius Hoffmann, pois ele veio com olhares, com força, e principalmente determinado com sua ideia de como iria culpar todos, independente do que acontecesse, se impondo a todo momento, fazendo trejeitos fortes, e claro sempre negando tudo o que fosse para negar, ou seja, foi daqueles juízes que acabamos ficando mais bravos com tudo o que vemos, do que torcendo por sua opinião. Na sequência vemos um sempre perfeito de atitudes, Eddie Redmayne com seu Tom Hayden sempre direto, empático, e determinado com suas ideias, de forma que em alguns momentos discordamos totalmente de suas atitudes, e o ator consegue se verter para que nossa ideia fosse mudada, ou seja, ele foi daqueles que brincam e forçam as situações, mas no final acabamos apaixonando pelo que faz. Tivemos por incrível que pareça um Sasha Baron Cohen malucão como sempre, porém direto e coerente com seu Abbie, mostrando que por trás de toda erva dos hippies, existia pessoas muito estudadas, cheias de ideias perfeitas, e que usavam do escracho para apontar suas verdades, e o ator caiu como uma luva para tudo o que o personagem pedia. Esse ano acho que posso chamar de o ano de Joseph Gordon-Levitt, pois mais um papel imponente que lhe cai com uma diretiva tão perfeita, ao ponto de mesmo sendo o procurador que vai acusar cada um dos réus, fez de seu Richard Schultz um homem expressivo, cheio de desenvoltura, pronto para cada momento, e claro com estilo, de forma que faz com que o espectador direcione os olhos para seus atos, e o resultado flua ainda por cima. Yahya Abdul-Mateen II acabou sendo importantíssimo não pelos atos muito bem desenvolvidos pelo ator, mas sim por todo o racismo que seu Bobby Seale acabou sofrendo durante todo o processo de julgamento, daqueles atos que chega a doer de ver, e o ator se manteve forte e preciso em cada momento, até chegarmos no ponto máximo de abuso, aonde ali chega a dar vontade de chorar e bater no juiz, ou seja, forte demais, preciso na medida. Mark Rylance fez o advogado de defesa William Kunstler preciso e direto, tomando advertências e 24 processos de desacato para cima do juiz, com estilo e sabedoria do que estava fazendo. Além desses, tivemos destaques menores, mas todos caindo muito bem em cada ato, ao ponto que vemos Jeremy Strong como o maluco hippie Jerry ensinando a preparação de bombas com muita precisão, vemos John Carroll Lynch finalmente sendo imponente em cena com seu David socando direto com uma opinião formada sem ser o frouxo de sempre, vemos um Michael Keaton certeiro de opiniões no momento certo da trama com seu Ransey Clark, e principalmente vemos Alex Sharp com um Rennie Davis inicialmente apenas na dele, escrevendo os vários nomes de soldados mortos em combate, para um fechamento incrível e preciso.

Visualmente o longa parece não ter muita fluidez, afinal ficamos presos quase que o tempo todo na corte, como todo filme de julgamento rola, mas vemos nas diversas saídas dali os confrontos no parque, no início as diversas lideranças sendo formadas em seus devidos QGs muito bem ambientados, e principalmente no escritório da quadrilha como a secretária sempre atendia os telefonemas, vemos um ambiente de pensamentos livres e tudo muito bem elaborado cenicamente para que ali pensassem em suas defesas. Vemos também muitas bombas de gás lacrimogênio, policiais descendo os cassetetes nos manifestantes, e todo o aparato político armado, claro que com bons figurinos clássicos dos anos 60, numa montagem fotografada na medida, sem cores fortes, mas com muito sangue e simbolismos.

Enfim, é um filmaço daqueles que você se envolve do começo ao fim, que tenta entender um pouco mais sobre a política da época, passa a torcer pelos réus, vibra junto com os momentos fortes, e principalmente acaba querendo brigar com o juiz por tudo o que faz de errado, ou seja, é daqueles filmes que acabamos participando de forma desnecessária, e que quase vira uma novela com tantos personagens principais, mas que souberam dar a dinâmica mais coerente tanto para o roteiro quanto para o desenvolvimento ao ponto de funcionar bem. Sendo assim recomendo ele para todos, e certamente veremos a Netflix apostar muito nele nas categorias mais fechadas como roteiro e direção, pois para atuação determinar quem é o protagonista mesmo ficou meio difícil. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Roubo do Século (El Robo Del Siglo) (The Great Heist)

10/17/2020 01:46:00 AM |

Costumo dizer que enquanto nossas produções de ação não olharem exatamente o que os argentinos conseguem entregar com dramas envolventes, iremos ficar patinando e o povo reclamando de faltar isso, faltar aquilo e tudo mais, pois já tivemos um exemplar bem semelhante à esse, e acabaram enchendo de tantas histórias pessoais, que acabou virando uma novelona, enquanto aqui em "O Roubo do Século", nossos vizinhos argentinos apenas trabalharam a essência desconexa dos personagens, e colocou em jogo toda a boa desenvoltura maluca de pessoas que não formavam uma quadrilha organizada, e ainda assim fizeram um dos maiores roubos do país, e que mais do que contar uma história biográfica, souberam dosar os estilos e fazer com que o filme fluísse e agradasse com símbolos, atitudes, e principalmente, com boas sacadas. Ou seja, é um filme simplíssimo, mas que consegue envolver e divertir na medida, parecendo tanto um longa de festival pelas essências e dinâmicas, quanto um filme bem comercial que faz o público rir e se divertir pelos mesmos motivos, valendo a conferida.

O longa acompanha o grupo de atiradores do Grupo Falcon, numa sexta-feira, 13 de janeiro de 2006, realizando o que é considerado um dos assaltos a bancos mais famosos e inteligentes da história da Argentina na agência do Banco Río em Acassuso.

Chega a ser até engraçado a simplicidade que o diretor Ariel Winograf trabalho o roteiro de Alex Zito e Fernando Araujo, pois ele não fica enrolando em suposições nem em situações que vão enfeitar o tema, ou acrescentando algo sobre as famílias dos personagens, mas sim indo direto ao ponto, que vemos logo de cara que deu um simples estalo e o protagonista resolveu que seria capaz de arquitetar uma forma complexa e muito bem determinada para roubar o banco, indo atrás de pessoas capazes de lhe ajudar, e montando seu plano insano sobre a brisa de muita maconha. Ou seja, ele pegou exatamente a ideia do autor do crime (no caso Fernando Araujo, roteirista também do longa) e a desenvolveu de uma maneira ficcional bem trabalhada, que vai nos entregando os bons momentos malucos do filme, e que com muita criatividade passa a mensagem sem soar apelativo, ou até mesmo exagerado, pois mesmo que seja algo bizarro de imaginar/ver como fizeram tudo, a intensidade provou que conseguiram fazer, e assim, o resultado funciona.

Sobre as atuações, foram certeiros em mesmo tendo vários personagens, focar nos dois protagonistas apenas, e isso acabou funcionando por não precisar explicar muito da vida deles, nem se aprofundar em situações abrangentes, ao ponto que acabamos criando um certo carisma neles e o restante se faz sozinho. Dito isso, Guillermo Francella caiu tão bem na personalidade de Mario/Wagner que seus traquejos vocais acabam sendo precisos de estilo, seu gingado corporal entrega uma sintonia tão bem colocada, e suas atitudes fazem com que o personagem seja exatamente da forma que imaginamos, não tendo um ato sequer que não entramos na sua onda, ou seja, ele é o famoso ladrão picareta que convence em tudo o que faz, e o ator entrou tanto no personagem que mesmo já sendo premiadíssimo por outros papeis, iremos futuramente lembrar dele pelo que fez aqui, ou seja, perfeito. Diego Peretti com certeza teve a vantagem de estar junto (ao menos na leitura do roteiro) com o verdadeiro Fernando Araujo, e assim pode pegar trejeitos para seu personagem, e colocar dinâmicas tão malucas e bizarras, que mesmo o personagem soando um doido completo, todos acabam seguindo sua loucura e ganhando muito dinheiro, ou seja, o ator passou um semblante que não vemos ele de forma alguma, mas sim o personagem muito bem encaixado e que resulta em algo único e muito bem feito. Quanto aos demais, tivemos boas cenas com Mariano Argento com seu Debauza bem religioso, algumas pontuações estranhas, mas interessantes com Rafael Ferro com seu brucutu Alberto (que de cara já sabíamos o que acabaria acontecendo com sua vida pessoal pós-roubo), mas sem dúvida o destaque entre os secundários ficou a cargo de Luis Luque como o negociador Sileo, que fez muitas caras e bocas tão bem marcadas, que acabamos rindo de sua forma de persuasão não tão imponente, mas o ator agradou bastante no que fez.

Visualmente o longa tem estilo de grande produção, afinal cavar um buraco imenso, ter cenas em esgoto, montar um banco de 3 andares, esconderijos, oficinas, igrejas, trabalhar toda movimentação de quebras de caixas com um aparato bem maluco, vários objetos, joias, telefones, ou seja, a equipe de arte trabalhou bastante para que tudo acabasse coerente, mas principalmente que fluísse dentro do estilo pedido sem precisar soar grandioso, ou seja, a simplicidade era vista em todos os cantos agradando e sendo simbólica para o que cada momento pedia, num grande acerto.

Agora um dos pontos que exageraram um pouco foi na parte sonora, pois embora tenha canções bem encaixadas e que entram completamente no clima do filme, toda hora algo entrava com muita força e destaque, quase sendo um ruído forçado, e isso é algo que incomoda um pouco, ou seja, não é algo que estrague a beleza do filme, mas quase a cada cena sim, cena não, entrava uma canção ou trilha bem mais alta que as vozes, faltando quase que uma mixagem melhor, e claro, não precisaria de tantas canções, mas isso é um gosto pessoal. Para quem quiser curtir algumas das canções, fica aqui o link da trilha.

Enfim, é um filme bem interessante, simples e eficaz, daqueles que curtimos bastante tudo, que tem várias falhas de roteiro, para claro ficar mais verossímil, embora maluco de atitudes, mas que não atrapalha em nada, e que quem gostar de uma boa ação dramática e cômica ao mesmo tempo com certeza irá curtir do começo ao fim, ou seja, recomendo ele com toda certeza. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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A Ilha da Fantasia (Fantasy Island)

10/16/2020 12:16:00 AM |

Muitos irão conferir o novo longa, "A Ilha da Fantasia", com diversas referências à série que foi exibida de 1977-1984 na TV, ou seja, pode ser que se decepcione um pouco esperando encontrar tudo o que via lá, mas já adianto pelo que li (afinal nasci em 82, então não vi a série!) que apenas no final há uma grandiosa referência para ela, então vá limpo e se divirta com toda a história maluca, se assuste com alguns personagens surgindo do nada, e curta toda a ideia geral, afinal a história é daquelas que a princípio não entendemos muita coisa, mas quando tudo é revelado as peças se encaixam bem, mesmo que para isso precisassem forçar um pouco com tudo. Ou seja, não é uma história muito simples, mas que de forma geral agrada bastante, tem cenas de ação e tensão na medida certa, e cria uma base sólida tanto para a trama funcionar, quanto para caso desejem continuar com mais um filme, ou no caso, o encaixe para com a série.

O longa acompanha alguns visitantes que visitam uma ilha mágica no meio do Oceano Pacífico que oferece aos seus viajantes a possibilidade de realizar seus sonhos e viver aventuras que parecem impossíveis em qualquer outro lugar. Porém, como avisa o anfitrião da ilha, Sr. Roarke, realizar seus desejos pode não acontecer da maneira esperada.

Diria que o diretor e roteirista Jeff Wadlow foi muito esperto em relação ao que moldar dentro da trama, pois o filme num primeiro momento parece inofensivo de ideias, mas com o desenrolar de tudo vamos pegando uma ponta aqui, outra ali, um personagem começa a fazer ligação com o outro, até termos todos na mesma conexão, e a partir daí a história já vira outra completamente diferente, e empolga muito tudo isso. Claro que vemos muito do uso condicionado de ideias paralelas, o que num primeiro momento faz parecer que o filme é uma junção de várias histórias, e que iremos ver o desenrolar de cada uma meio como uma novelona, e por um leve momento isso chegou a me irritar, porém logo em seguida o diretor dá uma guinada tão boa com a conexão de todos os personagens, que ficamos meio que chocados, até ao final ele precisar usar algo meio que bobo para explicar tudo (talvez a ideia de ser a história de Nick seria melhor, mas a explicação para não ser isso também é fácil, então vamos manter a que foi usada), que acaba funcionando, e até impressionando bastante.

Sobre as atuações, gostaria de ter visto mais cenas de Michael Peña como Sr. Roarke, pois ele é um tremendo ator (que erra muito em alguns filmes), e aqui talvez pudesse ter dado mais imponência em algumas cenas para que toda a situação acontecesse ao redor do personagem, pois ele ficou mais como um elemento do que como um personagem forte da trama. Maggie Q trouxe uma Gwen com tantas dúvidas do que realmente queria, com uma personalidade confusa, mas que soube dosar estilos nas cenas principais e acabar agradando com o que fez. Lucy Hale fez uma Melanie bizarra, com pensamentos bem ruins, daqueles que você certamente não faz nem ideia da sua insanidade toda, e muito vingativa ao ponto de desejar coisas bem ruins, ou seja, a atriz precisou de muita atitude, e fez bem todos os seus momentos. Austin Stowell acabou fazendo um Patrick meio sonso demais, com atitudes não muito imponentes para quem desejava ser um soldado imponente, mas fez boas caras e bocas na maior parte das cenas, e até chegou a chamar atenção com o que fez em muitos momentos. Jimmy O. Yang fez um Brax meio bizarro, que logo de cara jogaram toda a loucura gay para cima dele, mas sem fazer exageros, ao ponto que o jovem nem forçou muito a barra, mas faltou um pouco de atitude para ele, principalmente com o final escolhido, mas não atrapalhou muito. Portia Doubleday se entregou bem para sua Sloane, ao ponto que foi quem mais sofreu no filme, com cenas fortes e imponentes para cima de sua personagem, fazendo com que a atriz precisasse de muita força expressiva para mostrar toda a tortura em cima dela, mas seu desejo final foi meio que zoado ao ponto de que poderiam ir mais além. Ryan Hansen trabalhou seu J.D. de uma maneira simples demais, parecendo sempre empolgado com tudo, mas com uma história meio bobinha demais de fundo, ao ponto que não chega a chamar tanta atenção. Quanto aos demais, tivemos até que boas cenas com Michael Rooker como Damon, mas seu personagem misterioso mereceria um pouco mais de atenção para que o filme se jogasse em cima dele, mas não foi ruim o que fez, e o mesmo acabou acontecendo com Parisa Fitz-Henley com sua Julia, de forma que a personagem acaba sendo até mais importante que a atriz na trama, e os outros, foram mais participações realmente, então melhor nem destacar.

Visualmente o longa foi bem imponente, tanto no visual do hotel, quanto na construção das fantasias de cada um dos personagens, com um restaurante bem chique, um campo de guerra no meio de uma floresta, uma festa gigantesca com tantos figurantes modelos que nem dava pra imaginar fazendo acrobacias com jet-sky e até um homem voando pelas águas, uma sala de tortura cheia de detalhes sórdidos, e um labirinto no meio de uma gruta, ou seja, a equipe de arte teve muito trabalho, e conseguiu mostrar num nível gigantesco de produção algo muito bem feito.

Enfim, é um filme muito interessante, com uma proposta melhor ainda, daqueles que você vai ficar pensando tanto nos atos que acontece, como o que aconteceria se fosse parar na ilha e realizassem sua principal fantasia, e que mesmo tendo alguns defeitos e sendo meio que confuso com a amarração final escolhida para fechar, acaba valendo muito a conferida, e acabou sendo uma grata felicidade na volta das salas dos cinemas após sete meses fechados. Sendo assim recomendo a trama para todos que gostam de um bom suspense/terror, e volto amanhã com mais um texto, afinal vieram muitas estreias por aqui, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Mau-Olhado (Evil-Eye)

10/14/2020 10:24:00 PM |

Filmes que brincam com a ideia de reencarnação costumam ter uma pegada interessante na proposta, e geralmente causam mais tensão pela essência do que pelos atos em si, e precisam de muita força visual e de atuações para funcionar. Então com isso em mente, a ideia do filme da Amazon, "Mau-Olhado", até tinham um certo potencial por falar do tema do momento, relacionamentos abusivos, e claro brincar com a possibilidade de uma reencarnação perseguir a família para finalizar esse estilo de relacionamento, porém enrolaram tanto com misticismos indianos, com falações ao telefone, que realmente tudo acaba acontecendo nos últimos 10 minutos (se não for menos) de um longa de quase 90 minutos, ou seja, acabamos cansando de todos, ao invés de ficarmos realmente com medo do protagonista e/ou de sua história, e isso é algo muito ruim, pois o potencial da trama está nítido desde o primeiro instante, e não usaram. Ou seja, o resultado final acaba sendo daqueles filmes que ficamos esperando tudo acontecer em algum momento para explodir, e ele explode e acaba, não dando tempo nem de curtir nada, ao ponto que soa tão fraco que nem dá para recomendar.

A sinopse nos conta que de sua casa em Delhi, Índia, a orgulhosa mãe Usha Khatri fica radiante quando sua filha Pallavi liga de Nova Orleans com a notícia de que conheceu alguém especial. Mas a felicidade de Usha se transforma em medo quando ela percebe estranhas semelhanças entre o rico namorado de Pallavi, Sandeep e uma figura assustadora de seu próprio passado. Embora suas suspeitas sejam rejeitadas por amigos e familiares, quanto mais Usha aprende sobre esse novo homem na vida de sua filha, mais certeza ela tem de que uma força maligna de 30 anos antes voltou com força total. Quando Pallavi anuncia seu noivado com Sandeep, Usha é forçada a enfrentar uma pergunta terrível: como você protege aqueles que ama quando o que você mais teme não fica morto?

O mais interessante quando vou puxar informações dos diretores é ver com o que trabalharam antes, afinal geralmente nessas obras da Amazon, a maioria é estreante em longas na função pelo menos, e aqui tanto Elan Dassani quanto Rajeev Dassani já trabalharam muito com efeitos visuais, e Rajeev já ganhou até alguns festivais como diretor, então podemos dizer que já possui um estilo montado, e isso é visível em algumas cenas marcadas pela conexão entre as duas cidades, mãe e filha, e que com uma certa formatação até tem um bom tom, porém eles abusaram muito de querer contar a história tantas vezes, mostrar a desconfiança da mãe de tamanha maneira, que cansa, ao ponto que nós como filhos acabamos vendo que a garota até está certa de não entrar na onda da mãe, afinal ela chega a ser muito cansativa, e o mesmo acaba acontecendo com o longa, se tornando cansativo demais. Então esse acaba sendo o maior erro do filme, a enrolação cansativa em afirmações de mãe (que sabemos que devemos sempre ouvir!), e a falta de uma atitude logo no miolo para que o filme fluísse realmente, ou seja, não deixar para os últimos minutos tudo, e assim eles entregariam um longa perfeito e com uma pegada muito melhor.

Sobre as atuações, Sarita Choudhury fez bem sua Usha, trabalhando o aconselhamento e a insistência em cima da filha, fazendo semblantes intensos, e desenvolturas até bem trabalhadas, mas o excesso de conversas no celular acaba cansando demais, ao ponto que acaba valendo mais suas atitudes ao vivo no final que tudo. Sunita Mani trabalhou sua Pallavi também com muitos excessos, ao ponto que inicialmente não se mostra uma mulher fútil, mas logo no primeiro te amo já muda tudo, e com isso a atriz ficou levemente forçada demais. Omar Maskati até tentou soar misterioso com seu Sandeep, fez algumas caras e bocas, mas não se desenrolou muito no miolo, deixando também tudo para as últimas cenas, e lá o ator foi muito bem em cena, só precisava ativar tudo bem antes. Quanto aos demais, a maioria fez participações, então é melhor nem parar para destacar ninguém.

Visualmente o longa claro brinca com amuletos, com previsões de horóscopo, tem diversos símbolos indianos, muitos telefones, e claro casas e locações bem interessantes tanto na Índia, quanto nos EUA, trabalhando com apartamentos e casas bem ricas da família do protagonista, e com casas mais simples, porém simbólicas por parte da família da garota, além claro do símbolo maior com o olho de mau-olhado e um brinco em safira azul, que vale a pena prestar muita atenção.

Enfim, não chega a ser uma bomba completa, porém deveriam ter trabalhado muito mais todos os elementos visuais, criar muito mais perspectiva em cima de toda a situação, e claro feito toda a ação final lá pela metade do longa, para que tudo ocorresse com mais empolgação e emoção, mas talvez precisariam trabalhar bem mais para a história convencer, então foram preguiçosos. Sendo assim, o projeto "Welcome To The BlumHouse" desse ano acabou, e dos 4 filmes, apenas os 2 primeiros foram bem bons, veremos o que irão aprontar no ano que vem, pois esse não tenho como recomendar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, amanhã volto a conferir algumas estreias dos cinemas, mas não irei abandonar o streaming, voltando claro com estreias da Netflix e da Amazon sempre na semana também, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Noturno (Nocturne)

10/13/2020 10:31:00 PM |

Sempre que um filme de terror monta uma boa atmosfera, vai entregando seus símbolos para os espectadores, faz com que os atores mesmo estranhos acabem indo bem, já ficamos preparado para alguma bomba no final, e com o longa da Amazon, "Noturno", não foi diferente, pois a trama até envolve bastante, porém entrega um final tão excêntrico que ficamos realmente na dúvida do que aconteceu dentre as duas possibilidades, e isso é bizarro demais, pois tudo nos levava a crer no sucesso da garota mesmo diante da loucura, e não o que teoricamente ocorre, ou seja, muitos não irão entender o final, e acredito que isso seja a proposta da trama, tanto que vou deixar a minha opinião do que foi o fechamento: ela realmente fez o sacrifício, e acabou apenas imaginando o sucesso. Sei que isso possa ser considerado um tremendo spoiler, mas como o filme terminou abstrato demais, é melhor opinar com o que achei que ocorreu, do que deixar jogado aqui também a crítica, afinal a nota que darei será em cima disso, e se não colocasse, muitos achariam que eu estava maluco, ou seja, é um bom filme, com um estilo levemente tenso, que não mostra muito o estilo BlumHouse de filmes de terror/suspense, mas ainda assim é um bom filme.

A trama nos conta que dentro dos corredores de uma academia de artes de elite, uma estudante de música tímida começa a ofuscar sua irmã gêmea mais talentosa e extrovertida ao descobrir um caderno misterioso pertencente a uma colega de classe recentemente falecida.

Costumo falar sempre isso, e aqui boto mais uma vez a mão no fogo que Jason Blum deveria ter pego a boa história que Zu Quirke criou e dado para outro diretor mais imponente transformar num longa mais intenso, pois a diretora até soube dominar bem a interação de cada um dos personagens, brincar com os símbolos da negociação diabólica no caderno musical, e deu as dinâmicas de uma forma coesa para que cada atriz se destacasse, porém não deu nem ritmo, nem virtudes maiores para que sua trama ficasse coerente, nem finalizou de uma maneira que surpreendesse positivamente, pois vemos sim um final que faz ficar intrigado, mas não fecha o ciclo como foi modelado, e assim sendo o longa parece que foi feito apenas por encomenda, e não como uma trama deve ser realmente.

Sobre as atuações é fato que deram um ar extremamente tímido para Sydney Sweeney com sua Juliet, ao ponto que chegamos a pensar que a garota fosse daquelas interioranas de nível máximo, e nem em sonho ser gêmea de Madison Iseman com sua Vivian, pois é um disparate imenso de personalidades e até atuações, porém Sweeney conseguiu ir tendo um leve crescimento devido seu interesse no livro, e suas cenas finais até entregam algo mais imponente, ao ponto de até convencer levemente sua influência no pacto, mas merecia um pouco mais de atenção para melhorar o miolo também. Madison Iseman já se jogou na personagem, foi extrovertida em níveis máximos, e fez cenas bem dinâmicas, porém sempre com um ar de superioridade exagerado demais, ao ponto que chega a ser uma birra bem pessoal entre as irmãs. Ivan Shaw trabalhou bem seu professor, fazendo cenas misteriosas e tal, mas não chegou a ter nenhum grande momento de ápice, o que acabamos ficando esperando por algo a mais dele. Jacques Colimon trouxe para seu Max quase que um enfeite de uso das irmãs, fazendo alguns trejeitos marcados, mas também sem muita desenvoltura, ao ponto que o personagem acaba nem fazendo muita diferença na trama.

Visualmente o longa tem um estilo simples e direto, mostrando bem as salas do conservatório com seus vários pianos, os quartos dos alojamentos simples, mas sempre dando um ar amplo para os pensamentos malucos das garotas, e claro o quarto da suicida cheio de elementos gráficos bem interessantes, que brincaram bastante com luzes fortes para dar o visual de um sol ou até mesmo do inferno caso quisessem representar isso de alguma forma, e além disso, trabalharam bem com os desenhos do caderno da jovem, fazendo as animações terem vida com os elementos e rituais do pacto.

Enfim, é um filme bom de proposta, que talvez tivesse um rumo melhor definido em outras mãos, e principalmente com símbolos satanistas mais imponentes, pois tanto o pacto quanto o acontecimento de terror mesmo ficou em linhas bem subliminares, ao ponto de não causar, nem assustar como poderia. Ou seja, é um filme que falhou mais do que acertou, e sendo assim, muitos nem irão entender nada, e outros que entenderem nem irão gostar tanto dele, pois é bem fraco de essência, e sendo assim, não dá para recomendar ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.


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Amazon Prime Video - A Fortuna (In Vino)

10/12/2020 07:32:00 PM |

Costumo dizer que sempre rola troca de roteiros nos bastidores do cinema, e que quando algum desses consultores veem uma história interessante, acabam vendendo parte dela para outro roteirista fazer algo bem semelhante e tentar o sucesso, já disse isso com alguns romances/dramas, e hoje venho para a comédia/mistério, "A Fortuna", que estreou na Amazon Prime Video, e traz praticamente a mesma história base de "Entre Facas e Segredos", porém sem muita ousadia e grandes nomes do cinema, pois se na grandiosa história hollywoodiana vimos toda uma investigação para descobrir o assassino do milionário, aqui tivemos algo mais fechado apenas para descobrirmos alguns trambiques da família para ficar com a herança. Claro que são duas histórias bem diferentes, que vão por caminhos bem semelhantes, e assim fica inegável a comparação, mas sabendo pensar, vemos que aqui a ideia era algo mais jogável entre os personagens, enquanto lá o mistério investigativo dominava mais a tela. Ou seja, é um filme bacana também, com uma proposta bem marcada e que até diverte, mas que por conhecermos tanto o estilo, e até outro filme bem parecido tudo ficou muito como carta marcada, não empolgando como deveria, mas até que vale como um passatempo.

A sinopse nos conta que é uma noite especial para a Família Buoitton. Charles e Linda, casal extremamente rico, convidam seus amigos mais próximos e familiares para jantar. Antes de o jantar ser servido, Charles levanta a taça para um brinde à família e cai de cara no prato MORTO. Linda confessa que o envenenou e que envenenou todos os presentes para conseguir o dinheiro. Os convidados têm uma escolha: matar uma pessoa entre eles e assumir a culpa pelos dois assassinatos para conseguir o antídoto ou - MORRER em uma hora. O que se segue é uma troca histérica entre os membros estressados do grupo que, na tentativa de estabelecer quem deveria morrer e quem deveria ser o assassino, revelam todos os esqueletos no armário que eles esconderam uns dos outros durante anos.

O diretor e roteirista estreante em longas, Leonardo Foti, até foi bem com sua trama, trabalhando com os atores meio que jogados em grupos, grandes sacadas pelos diversos crimes que cada um estava fazendo na riqueza da família e soube usar o argumento ao seu favor para que alguns atos soassem divertidos e bem colocados, mas infelizmente o filme famoso com a mesma história acabou saindo antes por aqui (pois pelas datas, sua ideia foi lançada em alguns festivais em 2017, mas como amarraram muito para lançar mundialmente, perderam a oportunidade de ser o original!), e assim sendo já vamos conferir cada momento sabendo bem como tudo vai terminar, e como cada desenvoltura é entregue através de sacadas simples, e efetivas. Ou seja, o diretor fez bem seu serviço, mas acaba sendo algo tão comum de ideias, que não empolga.

Sobre as atuações, chega a ser engraçado que praticamente nenhum dos personagens principais conseguem se destacar, virando uma falação quase que sem direção, com todos entregando situações bizarras para suas defesas de não poder morrer, ou de poder ficar com a herança, ao ponto que acabamos ficando em destaque apenas o mordomo Jean, vivido por Brendan Bradley, que foi sagaz na maior parte dos momentos, sabendo chamar a atenção para si em cada um dos atos pensados. Também focamos bem nos momentos em que Edward Asner aparece com seu Charles para mostrar seus planos, mas nada que seja surpreendente de atuação. E Sean Young sempre bela e imponente mesmo já bem velha, se impondo com sua Linda, em alguns atos também foi algo funcional visualmente, mas sem ser algo brilhante ou que lembraremos muito daqui a alguns dias. Dentre os demais, tivemos personagens de todos os estilos, desde os trambiqueiros, passando pelos ricaços que já dormiram com famosos, o gay não assumido, a bêbada, a chorona, os maridos interesseiros, e por aí vai na festa tradicional, que cada um até tentou se aparecer, mas nada que apresentasse algo chamativo para a câmera focar, e claro nosso olhar seguir.

Visualmente a casa é praticamente um grande labirinto interligando vários cômodos, todos com uma decoração bem rústica, mas imponente, mostrando a riqueza da família tanto pelos elementos cênicos da mansão, como em seus figurinos luxuosos para dar a representação que a equipe de arte desejava. Ou seja, o filme nem tem tantos símbolos para se desenvolver, mas souberam ser bem diretos na montagem completa visual, funcionando por mostrar elementos de época como telefones, armas, pratarias e tudo mais.

Enfim, é um filme passatempo, que com toda certeza todos vão olhar e ter a certeza que já viu algo igualzinho (no caso quem conferiu o "Entre Facas e Segredos" no ano passado), mas que por conhecer bem o estilo, acabarão se divertindo e esperando acontecer cada um dos atos já bem marcados, ou seja, não posso dizer que não recomendo o longa que é bem feitinho, mas também não posso dizer que é daqueles que você vai se apaixonar pela semelhança com vários outros, então apenas é algo que serve para passar o tempo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Calibre

10/11/2020 07:21:00 PM |

O mais engraçado de alguns filmes do streaming é que eles parecem ser feitos já preparando para um final ruim, pois até entregam boas possibilidades, criam uma história densa, mas raramente conseguem fechar de uma maneira satisfatória ao menos. Digo isso com um pesar até que não muito forte, pois a história do longa da Netflix, "Calibre", até é intrigante, consegue segurar com a situação desesperada do protagonista em cima do que fez, mas não desenrola, as mentiras começam a surgir de todos os lados, e ao invés de sumirem do mapa não, ficam ali rodando para no final rolar algo ainda mais bizarro. Ou seja, qualquer um no lugar deles ou iria para a polícia de vez, ou sumia dali logo, não ficar rodando e errando mais ainda. Claro que isso é uma ideia, mas poderia surgir outras até melhores, mas optaram certamente pela pior, e com um fechamento ainda mais insano, que nem em qualquer pensamento comum sairia, e assim sendo o filme desanda totalmente.

A sinopse nos conta que dois amigos de infância, Vaughn e Marcus decidem curtir o fim de semana e viajam para uma área remota da Escócia. Chegando lá, os dois são surpreendidos por uma situação cuja principal forma de superar é tentar agir normalmente.

O motivo do fechamento ruim pode ser atribuído talvez a inexperiência do diretor e roteirista Matt Palmer, pois aqui estreando em ambas posições (antes apenas tinha feito curtas-metragens), talvez ele não tenha preparado algo mais contundente ao ponto de que todo o ritual da pequena vila encontrasse algo melhor para fazer com os rapazes, ou então algo mais rápido de pensamento para a cabeça deles, pois o filme sim tem a proposta de mostrar que encobrir uma mentira é algo não muito fácil, mas se vai fazer, que a complete, e infelizmente nem os personagens, nem o roteirista acabaram completando ela de maneira imponente suficiente. Ou seja, o filme até tem uma certa atitude, mas não se desenvolve após o conflito de maneira a parecer convincente, ficando rodando sem rumo, até chegar ao bizarro fechamento que nem na história mais impossível do mundo aconteceria.

Sobre as atuações diria que o elenco ficou levemente perdido nos atos, de modo que os protagonistas Jack Lowden e Martin McCann trabalharam seus Vaughn e Marcus com segurança até irem para a floresta atirar, e a partir dali precisariam de uma melhor definição de desespero para que ficasse mais real, pois ambos se desregularam nas atitudes, fizeram caras e bocas, e principalmente não sabiam mais para onde olhar na câmera, ao ponto que o filme parece sofrer o mesmo baque que os personagens e se desliga totalmente, ou seja, vemos um apagão de estilo e de personalidade, de modo que não conseguem mais chamar atenção em nada, até o momento da fuga, aonde novamente se desesperam, e fazem algo mais produtivo ao menos. Tony Curran poderia ter dado um ar mais imponente para seu Logan, sendo meio que o prefeito da cidade, mas ficou com uma personalidade meio vaga, e mesmo nos atos mais fortes do final foi levemente frouxo demais. Já Ian Pirie trabalhou seu Brian como o cachorro louco da cidade, e talvez com mais atitudes dele o filme fluiria para alguns rumos mais fortes, mas não optaram tanto por isso.

Visualmente o longa trabalhou bem com florestas para todos os lados, uma cidadezinha extremamente interiorana que já teve áureos tempos com a caça, mas que hoje vive apenas com os habitantes sem muito rumos, fazendo apenas festas e vivendo bêbados, e com isso a equipe de arte trabalhou poucos elementos cênicos, claro todos próprios dos momentos de ocultação do cadáver, e com isso vemos facas, armas, pás, roupas sujas e símbolos bem jogados na cara do espectador, que os moradores nem veem num primeiro momento, mas mostraram que a equipe ao menos pensou em tudo.

Enfim, é um filme que talvez se melhorado a dinâmica de miolo chamaria até mais atenção, mesmo com o final ruim, mas eles ficaram muito bobos rodando na cidade, e com isso o resultado acaba ficando enrolado demais. Claro que o absurdo maior é o fechamento, que de forma alguma aconteceria em lugar algum, mas como costumo dizer, quando o longa já desanda no miolo, o diretor se for imponente sabe melhorar ou criar algo para chamar a atenção, já os estreantes acabam se perdendo ainda mais, e estragando tudo. Ou seja, é daqueles filmes que você só descobre o motivo de colocar na lista e não ver durante um bom tempo, depois que vê, pois não dá para recomendar de forma alguma. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Sobreviva a Noite (Hard Night Falling)

10/10/2020 07:39:00 PM |

Costumo dizer que tem uns estilos de filmes que uns diretores gostam tanto de fazer que sai diversas versões durante o ano que acabamos nem sabendo quando surgem, e o motivo é fácil, pois envolve boas táticas de guerrilha, alguns personagens brucutus, uns sequestros, e algo para ser roubado, e pronto, nem precisa apresentar muita gente, que o filme funciona. Porém da mesma forma que é bem fácil fazer esse estilo, errar a mão com ele também é muito fácil, e foi o que aconteceu com o longa que estreou na Amazon, "Sobreviva a Noite", pois exageraram em tudo, colocaram diversos personagens sem carisma algum, e principalmente tudo ocorre de uma forma tão vaga, que acabou parecendo ser algum episódio extra de alguma série, pois não nos conectamos a ninguém, os personagens surgem do nada e fazem coisas como se conhecessem há tempos, e o resultado final é ainda mais bizarro com os cortes escolhidos. Ou seja, é daqueles filmes que vemos sem entender nada do que acontece, que até entretém pela ação policial em si, mas que desanima demais a cada cena jogada que é mostrada.

A sinopse nos conta que Goro, um gênio do crime, planeja roubar um enorme tesouro de ouro da família Rossini. Sem o conhecimento de Goro e seus soldados da fortuna, um dos convidados de Rossini é um agente da Interpol altamente treinado que luta não apenas para salvar os reféns e o ouro, mas também sua família em perigo.

O estilo do diretor italiano Giorgio Bruno é de filmes de terror violentos segundo seu currículo, e aqui até temos algumas cenas bem fortes de mortes, porém ele pegou um roteiro talvez aberto demais, e ao invés de trabalhar ele, saiu filmando e cortando sem pensar muito, e isso fez com que o filme parecesse meio perdido em todos os momentos da trama. Ou seja, vemos um filme sem começo, com um miolo desesperado, e com um final fraco demais, de modo que quem conferir o longa acabará se perguntando no final se realmente entendeu tudo, ou se tinha realmente algo para entender, pois não vemos algumas dinâmicas acontecer, enquanto outras dinâmicas tão absurdas acabam sendo jogadas de lado sem muita explicação. Sendo assim, fica difícil até atirar em quem foi a falha, pois tanto pode ser um roteiro ruim, quanto uma direção estranha, ou até mesmo um grande erro de montagem que eliminou cenas importantes do fechamento completo, pois não é possível que tenham falhado tanto ao ponto de o filme ficar abstrato e jogado como foi feito.

Sobre as atuações, ou melhor, sobre a tentativa de interpretações dos personagens, vemos o brucutu Dolph Lundgren andando com seu Michael pelo cenário, atirando e interagindo por telefone com outros personagens, de modo que ele não faz a linha de policial de inteligência como o personagem pedia, mas sim aqueles personagens mais imponentes que até tentam chamar atenção pelo nome, e não consegue. Natalie Burn já faz tudo o que o protagonista não consegue com sua Emma, se joga pra cima de todos os vilões, dá cruzado de perna, mata-leão, cambalhotas mil, tiros e facadas pra todos os lados, de forma que até parece ser a protagonista da história, mas é apenas uma policial infiltrada correndo pra todos os lados. Hal Yamanouchi é daqueles vilões que nem sabemos como surgiu, que consegue convencer os outros na conversa (inclusive os policiais italianos), e que faz coisas mais idiotas possíveis nas negociações, ao ponto que seu Goro na sinopse é dito como um gênio do crime, mas a genialidade dele é bem limitada. Quanto aos demais, a maioria apenas faz conexões bizarras a todo momento com algum dos protagonistas, e cada cena é mais jogada que a outra, desde a fuga da filha do protagonista para um hotel no meio da escuridão, saindo da casa tranquilamente sem que o sniper a veja, até a ex-esposa tentando salvar uma vida em cima de uma mesa da cozinha, até chegar no dono da festa que apenas entra e sai de uma salinha de pedras bizarra, ou seja, é melhor nem dar destaque para nenhum ator, pois todos foram bem ruins.

Visualmente a trama também não tem grandes facetas, pois se passa todo em uma casa/vila italiana, que até poderia ter algum charme com os vários corredores e quartos espalhados aonde os vilões encheram de bombas, mas praticamente todo se passa no jardim aonde vemos apenas alguns vasos e árvores com trocas de tiros e tudo mais, além claro da cozinha aonde a ex-esposa fica tentando salvar uma mulher baleada, alguns quartos com reféns, alguns carros da polícia, e claro o início de um luxuoso jantar, que segundos depois já nem lembramos mais de nada que ocorreu ali, sumindo empregados e tudo mais. Ou seja, a equipe de arte ao ver o resultado final certamente se decepcionou com tudo o que fez.

Enfim, é daqueles filmes que até passamos um tempo assistindo esperando que algo a mais aconteça, mas o resultado final é tão ruim, que quando chega a acontecer algo nem sabemos o motivo daquilo, ou seja, é melhor pular esse, e ver outra coisa melhor com certeza, pois não dá para recomendar de forma alguma. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - The Forty-Year-Old Version

10/09/2020 11:36:00 PM |

Diria que alguns projetos de filmes são tão alternativos, que quando você os confere fica aquela dúvida de será que era pra eu gostar disso mais ou pensar de alguma forma diferente, ou sei lá o que, pois tudo acaba sendo fora de um padrão estético e cultural para chocar às vezes, mas na maioria para mostrar que o diferente também é válido. E com a estreia do longa da Netflix, "The Forty-Year-Old Version", que acabou levando o Festival de Sundance como melhor drama, a proposta é algo como se conhecer com o passar da idade, fazer o que gosta ao invés do que vai lhe dar dinheiro e fama, e se curtir, e com essa ideia em mente acabamos vendo algo ficcional, porém quase que autobiográfico por parte da protagonista, que dirige, interpreta e nos entrega um pouco de sua loucura ao abandonar os palcos para virar uma cantora de rap. Ou seja, é daquelas tramas que acabamos conhecendo mais de um personagem do que até queremos, e que junto disso acabamos pensando um pouco mais em toda abertura que nos é dada, pois não é algo que vemos para entreter, mas sim um algo a mais reflexivo, que costuma funcionar muito em festivais, mas comercialmente não engata tanto.

A sinopse nos conta que Radha é uma dramaturga sem sorte em NY, que está desesperada por uma descoberta antes dos 40. Reinventando-se como a rapper RadhaMUSPrime, ela oscila entre os mundos do Hip Hop e do teatro para encontrar sua verdadeira voz.

Diria que a diretora e roteirista Radha Blank quis ousar com um pouco de tudo, em uma explosão experimental que acabou funcionando tanto como um auto reconhecimento, quanto como uma tentativa de se ver em outros vértices, e fazer um documentário dessa experiência seria cansativo e chato, então ela como uma boa dramaturga, resolveu brincar com a ideia em cima da ideia da ideia, numa grande mistura de estilos, de visuais, e claro de experiências, ao ponto que soasse crítica com si mesmo, e também se abrisse para que outros vissem suas novas situações, ao ponto que acabou dando certo, de modo que o resultado funciona como algo diferente de ser visto, mas que não cansa, e que principalmente fala com aqueles que estão querendo mudar, mas não possuem a coragem para explodir e tentar algo novo, afinal sair da zona de conforto é algo que ninguém quer, mas que é preciso para saber viver melhor, e como é mostrado no longa, sua satisfação foi bem mais gostosa comendo um salgadinho na esquina do que na festa chique que seria sua estreia.

Basicamente tivemos Radha se jogando como protagonista, fazendo bons trejeitos e dominando cada um dos seus atos, e com isso chega a ser difícil dizer que ela estava interpretando a si mesma, mas talvez uma versão que sonhasse ou quisesse ser, e assim o resultado chama atenção por não ser algo que ela ficou extremamente presa, e o acerto funcionou. Oswin Benjamin entregou um D interessante de estilo, bem fechado de possibilidades, e sendo marcante com sua pegada mais desenhada e cheia de virtudes tanto para as batidas, quanto para os trejeitos diretos que passou para a protagonista, é um personagem de essência, mas muito bem feito. E claro que temos de falar de Peter Kim, entregando o agente da protagonista Archie de uma maneira carismática, cheio de cenas marcantes, e principalmente sabendo ser dinâmico para que todos os momentos se encaixassem bem, e mostrasse a relação de ambos como algo a mais do que apenas profissional. Quanto aos demais, tivemos bons jovens nas aulas, e até bons momentos com os atores da peça, mas nada que chamasse realmente muita atenção interpretativa.

Visualmente o longa é simples, porém acaba sendo interessante pela estética escolhida, de modo que acabamos nos envolvendo com o filme praticamente todo em preto e branco, quebrando com coloridos nos momentos reais da história da protagonista, tivemos boas cenas na escola, no apartamento da protagonista, e no estúdio de D, sempre com elementos cênicos clássicos para realçar cada detalhe, que mesmo sem muito contraste acabaram bem realçados e chamativos. Além claro da peça muito bem montada e cheia de detalhes, que valeria até mais tempo de tela, ao menos no conceito visual.

Enfim, é um filme bem diferente do usual, que até agrada se refletirmos em cima de tudo o que deseja passar, mas que não é nada muito brilhante, e que chama a atenção realmente como ele é: um filme de festival, pois quem assistir ele com um âmbito comercial, certamente não irá gostar de nada. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Halloween do Hubie (Hubie Halloween)

10/08/2020 10:38:00 PM |

Tem hora que você precisa saber parar, já dissemos isso para grandes jogadores, apresentadores, e precisamos falar urgentemente para alguns atores, pois quando perdem a mão o risco de fazer algo bizarro e cair é algo fácil demais. Claro que muitos já falaram isso para Adam Sandler e acharam que ele já tinha se estragado por completo lá atrás, mas felizmente ele deu a volta por cima e conseguiu dois grandes filmes para a Netflix, e voltou ao ápice de sua carreira, mas agora ele abusou de trejeitos em um filme tão bizarro e ruim, que nem estando junto de todos os seus conhecidos salvou o resultado do filme da Netflix, "O Halloween do Hubie", que chega a ser deplorável, cansativo e que facilmente faz dormir com o que é apresentado, de modo que não tem uma cena só que seja divertida e faça rir, muito pelo contrário, a trama acaba desanimando e mesmo tendo um mistério interessante para descobrirmos, o ritmo não empolga para que isso ocorra. Ou seja, certamente esse entrará para o hall dos piores filmes do ator, de forma que há grandes chances de levar todos os Framboesas de Ouro no ano que vem.

A sinopse nos conta que apesar de sua devoção a Salem, sua cidade natal, Hubie Dubois é uma figura de grande zombaria para as crianças e adultos. Quando ocorre um desaparecimento misterioso no Dia das Bruxas, Hubie assume a responsabilidade de investigar o caso, sendo a esperança para salvação da data.

Sinceramente não sei o que o diretor Steven Brill tentou fazer com a história de Sandler, pois se pararmos para analisar a fundo, a trama não chega a ser ruim, tendo um mistério para ser solucionado, muitas cores vibrantes, e até uma produção bem grandiosa, porém o ritmo colocado foi tão lento, e os trejeitos e vozes do protagonista soaram tão bizarros que acabamos não entrando na vibe em momento algum, ao ponto de chegar a dar sono realmente (e isso é algo raríssimo de acontecer comigo pelo menos!). Ou seja, diria que faltou trabalhar melhor a dinâmica do mistério, e mesmo que o protagonista fosse um personagem bobão, deixar ele mais vivo no filme, pois ficou parecendo uma festa de Halloween dos amigos do Sandler, com o elenco completo de todos os seus filmes, mas que ninguém quis ajudar ele a seguir com um filme decentemente divertido ao menos.

Basicamente se você já viu um filme do Sandler, você já sabe como cada um dos seus amigos aparece, então para falar das atuações é até fácil demais, pois aqui caiu também um dos problemas gigantes do longa, afinal Adam Sandler quis colocar um trejeito estranho para seu Hubie, com uma voz boba e infantil, uma personalidade de 10 anos no corpo de um adulto, e nada batendo com nada, ao ponto que chega a desanimar vê-lo dessa forma, e incomoda demais tudo. Julie Bowen é o par romântico da vez, mas aqui ficou só na torcida, não indo a fundo com sua Violet, e a atriz até tentou um algo a mais chamativo, mas não funcionou. Steve Buscemi fazendo um lobisomem real foi até bem encaixado, mas seu personagem acabou ficando frouxo de atitudes, e nem é tão usado, o que daria um charme bem colocado. Rob Schneider fica o filme inteiro como um misterioso maluco que fugiu do sanatório, mas não se mostra, nem se joga no personagem, ficando bobo demais. June Squibb caiu bem como a mãe do protagonista, entregando uma velhinha bem maluca, cheia de desenvolturas, e até tendo um carisma que merecia mais cenas para aparecer. Agora quanto aos demais, todos foram exagerados visualmente e nas personalidades, não chegando a ponto algum, ou seja, desde Kevin James, passando por Maya Rudolph, Ray Liotta e Tim Meadows, ninguém conseguiu entregar nada, e até mesmo a participação de Shaquille O'Neal foi forçada demais.

Visualmente o longa é daquelas produções bem completas de elementos cênicos, com casas decoradíssimas ao nível máximo, como um grande Halloween pede, com monstros a solta, muitos figurinos interessantes, e principalmente casas do horror com muitos elementos visuais prontos para assustar quem estiver dormindo durante o longa, de modo que tudo é bem usado (tirando o excesso de comida e outras coisas bizarras que tentam tacar no protagonista). Ou seja, a equipe de arte teve um trabalho imenso para tudo, elaborou vários ambientes como uma rádio temática, um drive-in com filmes de terror clássicos, várias casas bem preparadas, mas usaram pouco, o que é uma pena.

Enfim, é um filme que até talvez tenha lá sua proposta anti-bullying, que dá para ser analisada e florear algo a mais, mas como comédia, ou até mesmo como um filme do Sandler que gostamos de ver para fazer rir, o resultado foi de péssimo pra baixo. Ou seja, não tenho como recomendar de forma alguma, pois o ritmo é ruim, os trejeitos são ruins, e tudo acaba mais cansando do que agradando, então é melhor ir para outro filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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