Netflix - Partida Fria (The Coldest Game)

2/16/2020 11:18:00 PM |

É sempre bem interessante ver um bom jogo estratégico retratado na forma de filme, e tanto o xadrez quanto a guerra são modalidades em que um erro na estratégia toda pode ser fatal, então o que pode acontecer se juntarmos os dois em um único filme? Certamente essa deve ter sido a pergunta que o roteirista de "Partida Fria" teve, e que acabou resultando em um longa bem intenso de atos, com situações amarradas na medida, que conseguem fazer com que o público se envolva bastante com o protagonista, e claro com tudo o que está rolando ao fundo, afinal sabemos bem o desenrolar da Guerra Fria na época, e que ultimamente voltou a ser falado nos bastidores de ambos os protagonistas (EUA e Rússia) sobre equipamentos nucleares. Ou seja, é um filme de época, mas com uma temática bem atual de quebras de sigilos, de personagens infiltrados, e que através de uma mera partida de xadrez diplomática acaba sendo tema para muitas outras situações. Diria que o filme tem uma fluidez um pouco lenta, e algumas dinâmicas abertas e jogadas demais, mas que de um certo modo fica interessante de acompanhar e o resultado final agrada.

A sinopse nos conta que jogando uma grande partida de xadrez em Varsóvia contra o campeão russo, um brilhante, mas esquecido ex-campeão dos EUA e alcoólatra, Josh Mansky é sugado para o mundo da espionagem e do conflito entre as superpotências do mundo. À medida que a crise militar aumenta, o jogo de xadrez assume uma importância inimaginável. Os americanos correm o risco de perder os dois jogos - o xadrez e o domínio do mundo.

Acredito que o maior problema do filme tenha sido a falta de uma direção mais consistente, pois sempre deixando buracos na trama, o diretor estreante em longas Lukasz Kosmicki acabou fazendo com que sua trama tivesse sim um fluxo bem trabalhado de ideias, mas em momento algum ele fecha o elo mais fraco do momento e tudo se solta, ou seja, ele dependeu mais das atuações e dos materiais de arquivo para amarrar o filme do que o seu próprio roteiro em si, mas longe disso se tornar um grande problema, conseguiram na edição moldar todo o resultado e segurar essas pontas para que nem o filme ficasse cansativo, nem o resultado final desanimasse. Sendo assim podemos afirmar facilmente que é um filme denso, com um tema forte, mas que precisou muito cuidado para não falhar em elementos simples, o que é ruim de ver, porém felizmente acabamos fechando o longa gostando do que é mostrado e esquecendo os erros de lado.

Sobre as atuações, diria que Bill Pullman soube segurar bem seu personagem, fazendo com que seu Mansky tivesse tanto os olhares de um alcoólatra quanto de um gênio, e fazendo boas facetas expressivas, dominando o ambiente e até segurando a trama para outros personagens mais fracos ele acabou fazendo com que o filme fluísse ao seu favor, o que é bacana de ver na tela, mostrando que ainda sabe dar show. Lotte Verbeek entregou uma agente Stone sensual com uma pegada mais simples de olhares, fazendo seus atos sem muita desenvoltura, mas também não pecando pela força, e com isso resulta em boas cenas, mas nada que nos impressione. O adversário vivido por Evgeniy Sidikhin foi fraco demais de expressividade, e se o lado russo dependesse da atuação dele seria uma guerra completamente perdida, mas por sorte tivemos Aleksey Serebryakov como General Krutov, que se impôs bastante e chamou a responsabilidade de vilania para si, dando um ar tenso nas suas cenas de tortura física e psicológica de maneira interessante de ver. Robert Wieckiewicz entregou muita personalidade para seu diretor de cultura da Polônia, e com cenas divertidas pela bebedeira ou pelas atitudes em si que faz, o resultado acaba chamando bastante atenção.

Quanto da parte cênica, por ser um filme polonês, arrumaram locações intrigantes, bem características de paisagens de guerra, mostrando ambientes destruídos, passagens secretas, teatros lotados de pessoas uniformizadas militarmente, dando um contexto até diferente do usual de longas de jogos, e que com uma amplitude simples da direção de arte, mas com características bem centradas o resultado até passa como algo a mais, mas certamente poderiam ter ido além nas cenas de briga, nos momentos de tensão de guerra sem precisar de imagens de arquivo, e assim o resultado visual seria mais completo. A fotografia ficou bem marcada por tons escuros para criar tensão, tendo um ou outro momento com poucos tons abaixo, mas nada que amenizasse a densidade do longa.

Enfim, é um filme que quem gosta do estilo irá assistir e curtir, mas que quem procurar falhas irá achar até mais do que o normal, pois falta um pouco de tudo para um resultado maior. Ou seja, é um bom filme, mas nada surpreendente demais, que até dá para conferir em casa tranquilo num momento mais relaxado, afinal como está no streaming da Netflix, podemos ver na melhor hora possível, e assim acaba sendo a minha recomendação. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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O Preço da Verdade (Dark Waters)

2/16/2020 02:45:00 AM |

Pois bem meus amigos, que somos envenenados involuntariamente todos os dias isso eu já sabia, mas que praticamente tudo começou com o lançamento das panelas de teflon pela grandiosa empresa química descobridora do produto é mais um conhecimento que levo para o túmulo após conferir um filme!!! E certamente muitos irão ficar extremamente bravos durante a exibição de "O Preço da Verdade", tanto que no final a sessão já estava quase parecendo uma sala de debates com cada casal nas suas poltronas discutindo toda a revolta do protagonista, e quem estava sozinho discutindo com sua mente como foi meu caso, pois a trama é daquelas revoltantes, que revelam coisas duras, que mostram que organizações gigantes dominam o mundo e nada se pode fazer a não ser ficar dando murro em ponta de faca até o sangue jorrar, mas com toda certeza acabamos aprendendo muito com o longa, e o resultado de ótimas atuações, de um texto forte, e de uma recriação de quase 15 anos na tela foram precisas e imponentes ao ponto de criar discussões e reflexões, e isso sem dúvida faz valer a conferida.

O longa conta a história chocante e heroica de um advogado que arrisca sua carreira e família para descobrir um sombrio segredo escondido por uma das maiores empresas do mundo e levar justiça a uma comunidade perigosamente exposta por décadas a produtos químicos mortais. O advogado de defesa ambiental corporativo Rob Bilott acaba de firmar uma parceria em seu prestigiado escritório de advocacia em Cincinnati, em grande parte pelo seu trabalho por defender grandes empresas do setor químico. Ele se vê em conflito depois de ter sido contatado por dois agricultores da Virgínia Ocidental que acreditam que a fábrica local da DuPont está despejando lixo tóxico no aterro que está destruindo seus campos e matando seu gado. Na esperança de descobrir a verdade sobre o que está acontecendo, Bilott, com a ajuda de seu parceiro na empresa, Tom Terp, registra uma queixa que marca o início de uma luta épica de 15 anos - que não apenas testará seu relacionamento com sua esposa, Sarah, mas também sua reputação, sua saúde e seu sustento.

É interessante demais ver o peso que o diretor Todd Haynes colocou em cima dos ombros do protagonista com o texto forte e bem pegado que o filme tinha, pois ele trabalhou toda a trama ao redor da densidade que poderia envolver o público e isso funcionou muito, afinal longas que usam argumentos jurídicos, trabalhos de advogados, processos e tudo mais costuma prender demais a atenção de todos, e o filme consegue esse feito na medida certa, sem precisar correr com a trama, nem cansar o público com informações demais, de modo que mesmo entrando sempre na tela datas, isso só serve para relevar toda a burocracia de tempo que um grande processo leva, mas o filme deslancha fácil, e isso era tudo o que Haynes precisava para agradar. Claro que quem não é fã de dramas, de advogados, ou até mesmo tem raiva de saber que tudo no ar está nos matando e não quer crer que essa seja uma verdade, irá reclamar demais do filme, mas a reflexão passada tanto pelo texto jornalístico no qual o filme é baseado, quanto pelo ótimo roteiro criado para que a direção brilhasse é daqueles momentos que vamos certamente lembrar, e digo mais, alguns vão chegar em suas casas e jogar fora tudo que tiver teflon, pois volto a frisar que nunca tinha imaginado do perigo dessa tecnologia maravilhosa que não faz nada grudar, mas que no fundo ajuda a nos matar um pouquinho a cada dia.

Sobre as atuações temos de voltar a um ponto que sempre falo, Mark Ruffalo é o famoso ator completo que quando achamos que algum elemento está prestes a dar errado, ele tira algo de seus olhares, faz um movimento corporal incrível e brilha em cena, de modo que seu Rob é perfeito cenicamente, cheio de vontade, preciso em cada detalhe, e é até engraçado que no final mostram a cena de uma festa aonde o verdadeiro Rob apareceu, e até o estilo dos olhares batem, ou seja, deu show na telona. Outro que deu um belo show na telona foi Bill Camp que veio com tudo com seu Wilbur Tennant, fazendo trejeitos nervosos, incorporando momentos enfáticos e sabendo dramatizar cada cena sua na telona, ou seja, foi muito bem em cena. Anne Hathaway ficou meio que de lado a trama quase inteira, mas sua cena no hospital foi daquelas memoráveis que certamente ganharia uma indicação por ela, pois foi densa e direta. Tim Robbins conseguiu fazer quase todas suas cenas sentadas, colocando um Tom meio que disperso, mas enfático no que tinha de pontuar, e chamou a atenção dessa forma. E para fechar temos de pontuar o quão cínico conseguiram deixar Victor Garber com seu Phil, trabalhando bem no estilo de grandes empresários que pouco estão se lixando para tudo, mas ainda enganando sem pesar na consciência, ou seja, também foi bem colocado.

Visualmente o longa quis brincar com as diversas épocas em que o longa se passa e trabalhou bem penteados, roupas, elementos cênicos, carros, e usou também muito do recurso da fotografia granulada que acabou dando um certo charme para a trama, mas poderiam também ter ido mais além para mostrar as doenças dos animais, pois só as partes infectadas na cena com a granulação acabou não ficando muito bem demonstrada, ou seja, a equipe de arte foi bem coerente com os diversos atos, mas poderia ter ido muito além se não fosse um filme de baixo orçamento.

Enfim, é um filme bem tenso, que nos envolve, faz refletir, e que com boas atuações ainda faz o público ficar bravo com certas situações, ou seja, é daqueles que mesmo não sendo uma produção memorável, certamente iremos lembrar daqui a alguns anos, principalmente quando ouvirmos falar algo de teflon, C8 ou PFOA, e assim sendo vale a recomendação de conferida tanto pela história, quanto pela informação passada. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Sonic - O Filme (Sonic the Hedgehog)

2/15/2020 02:19:00 AM |

Sempre é uma grande satisfação ver algo que tinha tudo para dar errado virar um grande acerto visual e de história no cinema ao ponto de virar uma franquia que pode cativar tanto os pequenos que nunca conheceram o personagem, quanto os mais velhos que jogaram muito o game no passado, e isso era algo que não estava nem um pouco nos planos de quem viu o primeiro trailer de "Sonic - O Filme", pois vimos uma bomba imensa que já vinha pronta para reclamações, mas ouviram os fãs, e agora com o lançamento do longa podemos dizer com toda certeza, que o ouriço azul veio com tudo para divertir, e certamente ainda aprontará muito nas telonas dos cinemas. Dito isso, posso falar o quão divertido foi ver o personagem carismático correndo, fazendo seus slows divertidos, brigando com seu arqui-inimigo perfeitamente caracterizado por um excelente ator que não mediu esforços para incorporar tudo, e ainda de brinde colocar boas sacadas com os humanos na trama, ou seja, trabalharam muito bem em todos os quesitos para que o filme agradasse a todos, e certamente preparasse o caminho para muitos outros filmes, pois esse funcionou demais.

O longa segue as aventuras de Sonic enquanto ele tenta se adaptar à sua nova vida na Terra com seu recém-descoberto melhor amigo humano Tom Wachowski, enquanto unem forças para tentar impedir que o vilão Dr. Robotnik capture o ouriço azul e use seus poderes para dominar o mundo.

É engraçado que o diretor Jeff Fowler deu a cara para bater quando apresentou o primeiro trailer completamente problemático e tranquilizou os fãs que iria se empenhar com a equipe para que os efeitos visuais ficassem bem melhores e satisfizessem quem sempre jogou os jogos do azulzinho, mas ninguém botou muita fé, a maioria já tinha queimado todas as fichas imaginando que o longa iria ser a decepção do ano, mas ninguém olhou na filmografia dele para ver que antes de se entregar aqui em seu primeiro longa, ele foi responsável por um tremendo filme visual, "Onde Vivem Os Monstros", que trabalhou muito com personagens em fantasias estranhas, mas que no resultado completo funcionava, ou seja, ele sabia que sua equipe daria conta do recado, e deu. Dito isso, temos de pontuar que ele soube pegar um roteiro insano e criar muito carisma, boas cenas de ação, e principalmente contar muito com os atores para que eles acreditassem no projeto, afinal interpretar para o nada, sem a base é muito complicado, e aqui eles conheciam o personagem, mas não o viam fazer todas as loucuras cênicas ao lado deles, e o resultado final ficou muito perfeito de ver, de modo que acabamos entrando no clima que o diretor desejou, e saímos da sessão após as duas cenas durante os créditos querendo ver muito mais, o que deve demorar, mas estaremos lá prontos para o próximo filme.

Sobre as atuações, posso dizer sem dúvida que o filme tem a responsabilidade bem dividida entre os três protagonistas, de modo que acabamos gostando de ver todos na tela com suas respectivas habilidades bem dosadas para empolgar e chamar a atenção, e claro que temos de começar falando de Jim Carrey que praticamente coloca em seu Robotnik uma mistura de todos os seus outros personagens, e adiciona ainda trejeitos próprios para empolgar com muita dinâmica e persistência, fazendo com que a ação fluísse, com que sua vilania funcionasse, e principalmente que cada ato seu fosse memorável ao ponto de querermos ver mais e mais, além claro do visual perfeito para as cenas iniciais, e incríveis na cena dos créditos que ficou ainda mais parecido com o do jogo, ou seja, perfeito como sempre. James Marsden soube se dar muito bem com o personagem animado, de modo que seu Tom pode até parecer bobo, mas encontra dinâmica e funciona bastante na produção, e mesmo que seja um elo sem poderes para brigar contra o vilão, ou até mesmo ajudar o protagonista, ele acaba se doando, fazendo atos emotivos bem encaixados, e agrada bastante no resultado final. Ben Schwartz conseguiu entregar um tom de voz incrível na dublagem do Sonic, dando velocidade na fala, criando trejeitos bem interessantes de entonação, e divertindo bem nas sacadas, de modo que a voz empolga o público e funciona junto da animação computadorizada, o que acaba sendo um grande acerto na montagem final. Quanto aos demais, diria que foram pouco usados, e raspam até de atrapalhar quando aparecem mais do que o necessário, então é melhor nem comentar o que cada um fez.

Visualmente o longa é impecável e maravilhoso de ver, sendo daqueles filmes que não conseguimos tirar os olhos da tela vendo o personagem correr de um lado para o outro, brincando com cenas lentas para mostrar suas desenvolturas, cheios de objetos e detalhes bem colocados para dar as situações, e claro com o vilão um gênio da tecnologia cheio de armas, caminhões, robôs que vão mudando de composição e muito mais que o figurino ainda permitiu ver, além claro de ambientes bem preparados, uma computação gráfica bem interessante de ver (sim tem alguns defeitos técnicos que poderiam ser minimizados, mas nada que atrapalhe muito!), e principalmente o longa teve uma fotografia bem dominada de sombras e cores, ao ponto de sabermos ver o lado mais tenso, bem puxado para o vermelho com o vilão, e o azul dominando com os protagonistas, brilhando tudo ao redor e fazendo bons envolvimentos em destaque. Um ponto engraçado é que não quiseram lançar o longa em 3D, algo que facilmente em outras épocas seria quase que obrigatório, mas o filme tem bastante perspectiva de camadas, e várias cenas que funcionariam com a tecnologia, mas não foi feito, então felizmente todos verão o longa mais barato.

Enfim, é um filme muito gostoso de ver, aonde todos que forem na sessão irão rir muito e se divertir com cada cena maluca que fizeram, que até tem alguns defeitos, mas que passam despercebidos pela velocidade da produção, e com isso a hora passa voando também ao ponto do resultado final acabar empolgando tanto os menorzinhos quanto os mais velhos. E assim sendo com toda certeza recomendo o filme e estarei esperando demais a continuação pelo que foi mostrado no final. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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O Grito (The Grudge)

2/14/2020 01:18:00 AM |

Como bem sabemos Hollywood anda bem escassa de ideias, e anda requentando projetos funcionais que já deram certo no passado, mas também sabemos que a maioria não tem dado certo e falhado mais do que acertado, então se alguém esperava algo a mais da continuação/reboot da franquia "O Grito", que já teve 3 filmes americanos e 3 filmes japoneses, essa pessoa nem pode ser chamada de ingênua, mas sim de sonhadora maluca que bebeu demais para esperar algo, pois não tem mais o que fazer, não dá para colocar o bicho estranho matando de formas mais bizarras possíveis, e tudo o que aparecer vamos saber aonde assustar, ou seja, fraco é pouco para tudo. Dito isso, o novo filme até tenta criar uma tensão extra, tem uma montagem bagunçada a rodo para tentar tampar furos, e principalmente tem cenas de sustos desprevenidos, mas ainda assim não empolga, e vai ser daqueles que quem conferir na próxima semana nem lembrará de ter visto, ou seja, descartável como praticamente todos os outros 5 sem ser o primeiro longa japonês de 2002.

A sinopse nos conta que em uma casa, uma maldição nasce após uma pessoa morrer em um momento de terrível terror e tristeza. Voraz, a entidade maligna não perdoa ninguém, fazendo vítima atrás de vítima e passando a maldição adiante.

O diretor e roteirista Nicolas Pesce até tentou causar com algumas cenas fortes em seu filme, e com isso chegamos a ter até alguns momentos de tensão, mas ele falhou demasiadamente na edição, criando uma bagunça imensa entre os anos em que o filme se passar (2004, 2005, 2006) e com isso chega a ter momentos que tudo se passa nos mesmo momento, afinal os mortos continuam aparecendo em anos diferentes, e o resultado vira um carnaval só de ideias. Claro que o diretor não quis colocar elementos clássicos do filme original, e com isso os fantasmas deram algumas leves mudadas, e alguns podem até reclamar muito disso, mas a ideia era de um reboot, mostrando no começo a ideia do filme antigo como acabou, e para que rumos novos poderia ir, e isso não é algo muito bom de ver. Ou seja, o resultado geral da trama é confuso, sem muita atitude dos protagonistas, e até passa sem que reclamássemos exageradamente, de modo que um dia deitado em casa até dá para perder uns minutos vendo as cenas interessantes da trama, mas no cinema confesso que poderia ter me arrepiado um pouco mais.

Um dos pontos mais fracos do filme sem dúvida alguma ficou a cargo das atuações, pois Andrea Riseborough deve ainda estar se perguntando qual era sua real finalidade na trama com sua Detetive Muldoon, pois sim ela investiga bastante, tem suas cenas intensas numa saleta de vídeos, mas parece estar sem animo em 99% das cenas, o que chega a ser desanimador, e o garotinho que vive seu filho foi quase um enfeite cênico, aparecendo na cena que já vimos no trailer, e depois servindo para mais nada, ou seja, quiseram dar voz a uma detetive feminina, mas nem usaram nada de impactante para servir o formato. John Cho até tenta criar um corretor dinâmico com problemas familiares com a esposa grávida de uma criança doente, mas também só serve para ter alguns atos mais assustadores, pois não usam esse argumento para mais nada, ou seja, tanto o jovem ator quanto sua esposa serviram para dois ou três atos. Ou seja, a responsabilidade cênica ficou para o trio de velhinhos, que até manda muito bem, principalmente por Lin Shaye que costuma sempre estar entre os bonzinhos em filmes de terror, mas que aqui tem as cenas mais intensas com sua Faith Matheson, tivemos também Frankie Faison tentando ser imponente com seu William, que até tem uma história complacente para a ideia de morar na casa, e Jakie Weaver aparece como alguém que ajuda as pessoas a morrer, mas que acaba mais ficando com medo dos mortos do que tudo, ou seja, poderiam ter usado mais eles, e quem sabe o filme renderia mais. Já os fantasmas vividos por Zoe Fish com sua Melinda, Junko Bailey como Kayako e os demais até tentaram causar, mas só apareceram aterrorizantes, sem muito mais. Agora o policial vivido por Demián Bichir foi enfeite também, não indo nada além na trama, sendo quase um objeto cênico, mas pelo menos deu brecha para que Bradley Sawatzky fizessem cenas intensas como seu parceiro maluco. Ou seja, ninguém salvou o filme.

No conceito cênico, a trama tem casas assombradas marcadas com tudo o que sempre vemos em filmes de terror, uma delegacia que fizeram questão de mostrar a todo momento o número 666 invertido na porta, mas que nada acontece por lá, e ao menos tivemos corpos em decomposição bem fortes, juntamente com cenas bem violentas de sangue, puxando a trama mais para o lado gore do terror, mas como não era essa a ideia da trama, não foram muito além. Como todo bom filme de jump scare, a fotografia é quase que integralmente escura, e resulta em alguns momentos que pegam o público desprevenido com os bichos vindo com maquiagens bem feitas, mas nada que você que já viu diversos filmes de terror não saiba o momento que vai acontecer, e assim sendo o filme falha também.

Enfim, é um filme que diria razoável por tratar de alguns temas fortes como depressão, loucura, morte assistida, velhice, doenças de gravidez, mães solteiras, filhos que cuidaram de mães até a morte e não sabem o que fazer, mas que por não entrar em nenhum tema específico, e deixando tudo isso apenas de lado para assustar/causar, acaba falhando demais, além claro da bagunça de épocas, e assim sendo, muitos que forem conferir sairão da sessão decepcionados, mas é a vida dos terrores atuais, e dessa forma nem dá para recomendar o longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Entre Realidades (Horse Girl)

2/12/2020 12:32:00 AM |

Já vi muitos filmes estranhos, mas hoje com toda sinceridade nem sei o que falar direito do longa "Entre Realidades" que estreou na última semana na Netflix, pois bizarro é uma palavra que não cabe na loucura que tentaram passar misturando abduções alienígenas, trocas de corpos, transferências temporais, e tudo mais, que poderiam se passar somente como algo da mente bagunçada da garota, mas que preferiram mostrar (ao menos com o final escolhido), que era exatamente isso o que queriam mostrar, e assim sendo, só posso dizer que foi algo completamente fora da casinha, sendo daqueles filmes que não temos nem como recomendar, pois é muita loucura para qualquer mente comum ver, mas talvez se alguém estiver bem maluco consiga pegar algo a mais, o que não foi o meu caso. Sendo assim, a melhor dica que eu posso dar é que se a plataforma lhe sugerir esse filme, pule, vá para outro que é certeza de ser melhor.

A sinopse nos conta que Sarah é uma mulher sonhadora e socialmente desajeitada. Apaixonada por artes e artesanato, cavalos e crimes sobrenaturais, ela percebe que seus sonhos estão cada vez mais lúcidos e se materializando em sua vida real.

Chega a ser engraçado descobrir que a protagonista também é roteirista dessa loucura toda, e que junto de Jeff Baena provavelmente tomaram um belo porre para escrever o roteiro do filme completo que seria dirigido por ele depois, pois não tem outra explicação, já que já diversos outros filmes envolvendo abduções, mistérios sobrenaturais e tudo mais, mas aqui quiseram brincar com tanta coisa que a pseudo-realidade acabou saindo de eixo completamente, ao ponto de que vamos vendo o filme e passamos a não acreditar em mais nada, além de ficarmos nos perguntando para que rumo será que o longa irá, se conseguirão fechar de uma maneira ao menos coerente, mas não, o filme consegue acabar de uma forma ainda mais bizarra do que o miolo estranho, e sendo assim, não tem defesa que seja feita na história, na direção, ou até mesmo nas interpretações, pois não tem como alguém acreditar nos personagens que lhes foram entregues para atuar decentemente. Sendo assim, se já não conhecia a filmografia do diretor, vou continuar sem ver os demais, pois convenhamos que não dá vontade de nada após ver um troço desses.

O mais engraçado nas atuações é que Alison Brie, por ser a roteirista do longa também, tenta nos convencer das ideologias de sua Sarah, entregando olhares estranhos, fazendo situações esquisitas, e a todo momento falando o que vem na sua imaginação, ou seja, ela fez bem o seu papel, mas ainda assim não conseguimos acreditar nela. Quanto aos demais, ficamos meio que perdidos de quem é quem no meio da loucura toda, mas sua colega de quarto Nikki vivida por Debby Ryan chega a ser até chata demais com o que faz, mas passa a ideia ao menos, já o amigo/namorado vivido por John Reynolds acaba sendo bonitinho nos atos, mas nada demais para mudar o filme.

Visualmente o longa é ainda mais estranho, com lugares inteiros brancos, a protagonista estando num lugar logo em seguida estando em outro, brincando com o fato temporal sem mudar quase nada da hora, mostrando muitos elementos conspirativos, trabalhando ambientes com cores energéticas, e tudo mais, mas sem dúvida o treco mais bizarro e estranho foi mostrar os possíveis aliens com dedos compridos se mexendo como sombras, ou seja, uma loucura completa que ainda trabalhou canções e trilhas de doer os ouvidos.

Enfim, se você leu meu texto inteiro, pelo menos descobriu como fugir do filme, pois não tem como recomendar nada, e mesmo tendo alguns elos interessantes para quem gosta de falar de aliens, de abduções, de lapsos temporais, certamente existem outros filmes bem melhores, então a dica é: se a Netflix te indicar essa bomba, elimine de cara. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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A Chance de Fahim (Fahim)

2/09/2020 08:56:00 PM |

Chega a ser chato o quanto o pessoal acaba odiando filmes envolvendo competições e longas baseados em fatos reais competitivos, pois se você sair olhando a maioria das críticas desses filmes, quase todas procuram achar mais erros do que se emocionar com a história e o feitio delas, dito isso, posso voltar a dizer o mesmo que falei do longa de ontem, que adoro ver longas franceses, e geralmente eles mais acertam do que erram, e quando acertam, a emoção vem com tudo. O que vemos em "A Chance de Fahim" é daqueles casos que mostram as diferenças de línguas, o conflito da imigração ilegal, a grande xenofobia que muitos possuem, mas também a chance de fazer o melhor por alguém, e dessa forma o longa entrega com muita simplicidade novamente um jovem enxadrista promissor tentando fugir de uma guerra física em seu país, mas tendo de enfrentar outra psicológica em outro, e com uma boa dose de envolvimento, souberam trabalhar as situações, criar os problemas, e fazer com que o filme saísse da caixinha, mesmo que com um final esperado, com algo meio de cartas marcadas, mas que vale se emocionar e ver a trama funcionar. Dito isso, posso voltar a colocar minha cabeça no travesseiro, pois como costumo falar, se vem um filme francês ruim, em seguida vem pelo menos dois bons, e um deles já surgiu.

O longa nos mostra que forçado a fugir de Bangladesh, sua terra natal, o jovem Fahim e seu pai deixam o resto da família e partem para Paris. Após a sua chegada à França, eles começam uma verdadeira maratona de obstáculos para obter asilo político. Graças ao seu talento com xadrez, Fahim conhece Sylvain, um dos melhores treinadores da França. Quando o campeonato francês começa, a ameaça de deportação pressiona Fahim e seu pai. O jovem enxadrista tem apenas uma opção para continuar no país: ser campeão.

Diria que o diretor e roteirista Pierre-François Martin-Laval não colocou o seu máximo na produção, pois embora a trama seja emocionante e bem trabalhada, ela poderia fazer o público se lavar em lágrimas, mas ainda assim ele soube dosar as cenas do jovem com seu pai, ousando mostrar bem um lado da França que muitos não veem de imigrantes jogados pelas ruas, outros sendo enganados por tradutores picaretas, e claro o coração mole de crianças que ajudam outras crianças. Ou seja, dizer que o diretor foi preciso, criando muito em cima do longa é um exagero, pois seu filme não é uma obra daquelas memoráveis, mas colocaria o filme no mesmo patamar que "Rainha de Katwe" pelo estilo, e claro pelo xadrez, e assim como aconteceu no filme da Disney, aqui a trama simples consegue emocionar também quem gostar do estilo, mostrando que o diretor ao menos foi coerente com tudo para ficar bem dosado.

Sobre as atuações, chega a ser até estranho ver Gérard Depardieu gordo, sem um ar galanteador ou com facetas estranhas na cara, de modo que seu Sylvain é duro consigo mesmo e passa esse ar fechado para todos os demais, mas de uma forma coesa ele faz como um bom professor a missão de tentar que seus alunos sejam melhores que ele, e isso fica bem bonito de imaginar ao final quando vemos que o longa foi dedicado ao professor/treinador real de Fahim, ou seja, o ator fez bem seus momentos. O jovem Assad Ahmed estreou muito bem nas telonas com seu Fahim, trabalhando de uma forma envolvente bem dosada, tendo personalidade, e principalmente mantendo olhares firmes, coisas que geralmente os novatos falham muito na tela, e dessa forma o garoto foi bem empolgante em todos seus atos. Isabelle Nanty apareceu um pouco menos com sua Mathilde, mas entregando um papel doce e pontual de ajuda, acabou se saindo bem nos momentos finais, e talvez até pudesse ter sido melhor usada na trama toda, o que não desabona em nada. E para finalizar os protagonistas, temos também o estreante Mizanur Rahaman com seu Nura, que entregou semblantes sérios e desesperados, mas que diferente do garotinho que se abriu mais para as câmeras, ele já foi menos dinâmico, e chega até incomodar seu estilo em alguns atos, mas felizmente o filme não focou tanto nele, e assim ficamos mais com suas cenas fortes funcionais. Quanto aos demais, a maioria fez participações rápidas bem colocadas que nada envolveram, mas temos de dizer que todas as crianças foram muito bem dirigidas, e acabaram chamando bem a atenção.

Visualmente o longa trabalhou bem muitos lugares diferentes dos usuais dos filmes que envolvem Paris, mostrando mais a periferia, os redutos de imigrantes seja em "hotéis" ou nas ruas, mostrou bem as competições de xadrez com toda a tensão característica, e até brincou com o estilo de guerra tanto física quanto psicológica de um modo "bonito" de ver, de forma que o filme entrega uma arte simples e efetiva, e mesmo não tendo grandes detalhes, o resultado funciona bem, criando tanto a emoção do jogo em si, quanto da guerra que é o xadrez e o protagonista tanto fala.

Enfim, o longa passa bem longe de ser daqueles que vamos lembrar muito dele, mas fui novamente surpreso por chegar numa sessão sem ver nenhum trailer, nem ler nada a respeito da trama, e assim como aconteceu com o filme que fiz a comparação, a trama consegue nos levar para outras perspectivas de competições, de batalhas pelo reconhecimento, e até mesmo pela sobrevivência fora do país de origem, e assim com muita emoção passada acabo dizendo que vale sim a conferida, e que muitos irão gostar do resultado final, mesmo sabendo o rumo logo de cara. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Quem Me Ama, Me Segue! (Qui m'Aime Me Suive!)

2/08/2020 08:56:00 PM |

Sempre falo que os longas que mais gosto de conferir no mundo todo são os franceses, mas sei que assim como todos os países, eles também entregam alguns filmes sofríveis, e geralmente as dramédias são as que correm mais riscos de acertos e erros, pois é um gênero tão neutro que não faz nem chorar, nem rir suficientemente quando não são bem feitas, ou seja, é um problemão resolver dramédias mornas, e aqui com "Quem Me Ama, Me Segue!", tentaram brincar com o amor entre os velhinhos, traição entre amigos, doenças, filhos rejeitados, e tudo mais que se possa pensar, ou seja, inúmeros temas que poderiam dar certo, mas infelizmente nenhum deles deu, e o filme tem sim alguns atos engraçados, alguns momentos românticos bonitinhos, mas ao tentar dramatizar tudo, o resultado acabou sendo mais frouxo do que interessante de ver, e dessa forma vemos um filme que não ter ritmo (são apenas 90 minutos que pareceram uma novela de semanas!), sem quase nenhuma essência, e que não atinge nada demais. Ou seja, um filme fraco demais que até pode parecer bonitinho num primeiro momento, mas que acaba cansando mais do que divertindo ou emocionando.

A trama nos conta que Simone e Gilbert, um casal de aposentados, vive em uma aldeia no sul da França. Após uma série de acontecimentos, como falta de dinheiro, a mudança do amante de Simone para outro lugar e as reclamações constantes de Gilbert, Simone decide simplesmente sair de casa. Agora, Gilbert está pronto para fazer qualquer coisa para ter sua esposa de volta.

O diretor e roteirista José Alcala trabalhou sua produção quase como uma peça, aonde temos dinâmicas intimistas dos protagonistas, em cima de um texto meio que sem atitudes, e com isso vemos tantos momentos medianos acontecendo, situações jogadas para o público pegar no ar, mas que ficam apenas como deixadas sem fluxo, e com isso o filme não anda para lado algum, parecendo que a protagonista na verdade quer ser livre depois de certa idade, e sem depender de ninguém ir para qualquer lado, mas ao mesmo tempo se mostra perdida de atos enquanto os homens procuram aparecer demais, ou seja, o diretor fez seu filme ficar leve até demais para gostarmos dele, ou se envolver com algo, além claro dos diversos temas, que não passam muito resultado.

Sobre as atuações, podemos dizer que o elenco tentou entregar um algo a mais na história fraca, fazendo muitas caras e bocas, mas sem muitas atitudes para funcionar como poderia, e sendo assim vemos um experientíssimo Daniel Auteuil fazendo um Gilbert velho, ranzinza, e que muda de opiniões demais para que o funcionamento do personagem agradasse, mas ao menos teve bons momentos espalhados. Já Catherine Frot parece realmente aquelas atrizes que são jogadas numa produção como reserva, saem fazendo um pouco de tudo, e ao final já desgastada volta para fechar o filme com os demais, de modo que sua Simone é agitada, está num período exageradamente morno de sua vida, e quer muito mais, mas o filme não lhe entrega esse mais, e assim tanto a atriz, quanto a personagem soam falsas. Bernard Le Coq é tipo um figurante de luxo chamativo para a produção, de modo que seu Etienne acaba sendo o motivo, e também o andamento da trama, não atacando muito, mas também não sendo atacado, e o resultado não vai muito além também. O jovem Solam Dejean-Lacréole até tentou chamar atenção com seu Térence, mas não flui muito, e acaba ficando deixado de lado. Melhor nem falar dos demais, pois a bomba é maior ainda, então vamos considerar eles apenas enfeites de produção.

Visualmente o longa soa até interessante e poderia ter sido melhor usado dentro da produção, de modo que vemos uma vila singela próxima a um lago, depois vemos outra vila próxima ao mar, e sempre tendo locações bem trabalhadas, elementos simbólicos para representar os atos, e atitudes até coerentes para retratar os amigos sendo mostrados seu passado em um telão, mas não aproveitaram tanto isso na trama, o que é falho, de modo que nada vai além, do que vemos rapidamente.

Enfim, é um filme que não vai muito além, que enrosca demais no ritmo passado, mas que não é uma bomba imensa, dando para curtir se não for esperando muita coisa. Claro que a ideia pareceu exageradamente bagunçada, e o propósito do filme foi fraco demais, mas é uma trama que tem atores esforçados, e o resultado até poderia ter ido bem além. Sendo assim, não recomendo ele, mas também não vou dizer que foi a pior coisa que já vi por ter algumas cenas espalhadas divertidinhas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Adam

2/08/2020 01:47:00 AM |

Existem filmes que em sua essência parecem ser mais simples do que realmente entregam, pois acabam mostrando culturas, mostrando ambientações singelas e eficazes, mas principalmente acabam nos vertendo ao tratamento que algo é feito em determinado país, e que facilmente veríamos acontecer de forma semelhante ao nosso lado também, e com "Adam" acabamos sentindo bem a presença feminina, o ar matriarcal, a densidade de um luto, e além de tudo conseguimos ver uma transformação nítida de expressão por parte da protagonista durante todo o filme, mudando seu sentimento, e praticamente nos fazendo sentir sua liberdade cênica. Ou seja, é um filme que num primeiro momento até podemos sair da sessão achando ele básico demais, mas depois acabamos refletindo sobre tudo o que foi mostrado, e o resultado acaba indo bem além.

O longa nos mostra que Abla é uma mulher viúva e mãe de uma menina de dez anos de idade. Batalhando para sobreviver e conseguir um bom futuro para sua filha, ela começa um negócio vendendo pães e doces marroquinos. Quando uma jovem grávida aparece em sua porta buscando refúgio, ela se vê obrigada a repensar seu estilo pragmático de maternidade e tem sua vida mudada completamente.

Se enalteci aos montes Maryam Touzani no seu primeiro longa como atriz em "Primavera em Casablanca", aqui em seu segundo roteiro e primeira direção também temos de dizer que será daquelas que o Marrocos vai escrever história, pois a jovem diretora e roteirista tem um estilo bem leve, uma mão direta no ponto, e principalmente sabe trabalhar bem o tema sem ficar enfeitando muito, e isso é bom de ver, pois geralmente dramas de introdução acabam sendo floreados, tendem a cair nas repetições, e aqui ela simplesmente falou para as protagonistas: "vão lá e se entreguem", pois é isso que você vê em ambas, de modo que a cada cena vão se abrindo para a diretora, e o resultado vai nos envolvendo. Claro que poderíamos esperar muito mais do filme, poderia ter algo mais tenso sabendo da cultura marroquina, poderia ter um final diferente, mas o resultado ainda assim se mantém gostoso, e essa sacada de podermos ir pensando várias coisas durante o longa sem precisar quebrar muito a cabeça funciona, ou seja, um filme leve, mas nem por isso fraco, e o acerto veio com a indicação do filme pelo país, em sua estreia, pena que não conseguiu ficar entre os cinco que vão para a premiação, mas anotem aí que ainda veremos o nome dela em grandes premiações.

Sobre as atuações é notável demais toda a expressividade de Lubna Azabal com sua Abla inicialmente fechada, cheia de medos de se abrir, corajosa em enfrentar a sociedade como uma mulher viúva que não depende de ninguém para cuidar de sua filha, e que no início tem a face tão franzida que se impõe num nível máximo, e depois com o andamento do longa vemos ela se abrir, se acalmar e até se adoçar e rir, mudando completamente trejeitos, mudando estilos, e envolvendo a todos, ou seja, foi perfeita em tudo. Da mesma forma Nisrin Erradi trabalhou sua Samia com um estilo decidido do que quer, mas precisando de ajuda, e que no decorrer conforme vai se doando para a outra protagonista a interação entre elas fica viva e emocionante num acerto incrível. A jovem Douae Belkhaouda entregou doçura para sua Warda, que foi singela nos atos, mas também conseguiu tirar muito das demais artistas, funcionando bem como elo aberto da trama. E embora apareça pouco, Aziz Hattab foi bem colocado com seu Slimani, aparecendo como ar cômico, mas também se doando em boas atitudes, o que acaba sendo um bom acerto para a trama.

Visualmente o longa não tem muito o que mostrar, mostrando a padaria/casa da protagonista com uma simplicidade de fornos, com ambientes sem nada de luxo, mas trabalhado para funcionar e envolver o público com o pouco que tem, e sabendo acertar muito no tom e na delicadeza de cada movimento de câmera, de cada close nos pães ou nos olhares das protagonistas, nos elementos cênicos como as fitas cassete, ou até mesmo nas cenas com o bebê envolto nos paninhos, até chegarmos nas cenas fora da casa com os diversos carros de viagens, as festas e culturas, o resultado soa bem feito e acerta na mosca.

Enfim, o longa está bem longe de ser perfeito, poderia ter rumos muito mais contundentes e fortes, ou então recair bem para a doçura e emocionar a todos, mas ainda assim passa através de um estilo simples sua mensagem, o estilo cultural do país no momento atual, que reflete muito do que vemos em outros lugares também, e que acaba sendo um bom acerto, valendo a recomendação e conferida. E eu fico por aqui hoje, mas volto ainda nessa semana com mais longas artísticos que apareceram pela cidade, então abraços e até logo mais pessoal.

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Aves de Rapina - Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn)

2/05/2020 02:09:00 AM |

Se você sabe só um pouquinho da história da Arlequina sabe que insanidade é seu nome do meio, e com isso um filme dela (pois dando um tremendo spoiler, o grupo Aves de Rapina só vira grupo mesmo na última cena!) não tinha como ser menos maluco do que a protagonista. Ou seja, "Aves de Rapina - Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa" basicamente nos conta com uma edição maluca de idas e voltas para todos os lados possíveis da história, como foi a vida da maluquinha após se separar do Coringa, ao se meter com um maluco ainda mais insano, e como acabou no meio de uma briga insana junto com outras mulheres bem cheias de personalidade. Claro que o filme é bem louco, tem muita ação para ninguém reclamar, mas demora um pouco para acontecer, pois como é um filme de início de franquia, e a maioria do público não conhece nada das personagens, quem são, como viraram heroínas do dia pra noite, precisaram trabalhar muitas apresentações, e com isso o filme ficou um pouco narrado demais, e quase não atinge um ápice, mas quando chega nos finalmente vemos de tudo um pouco, e o resultado colorido, cheio de referências a outros filmes e personagens, com muitas interações acaba valendo a pena e diverte na medida, e agora é torcer para a bilheteria ser boa e a DC/Warner conseguir finalmente uma sequência de atos decente, pois encaixar todos os seus filmes numa linha está cada dia mais difícil.

O longa é um conto distorcido narrado por Harley, como só ela poderia contar. Quando o mais terrível e narcisista vilão de Gotham, Roman Sionis, e seu braço direito, Zsasz, começam a cassar uma jovem chamada Cass, a cidade é virada de cabeça para baixo em busca da garota. Os caminhos de Arlequina, Caçadora, Canário Negro e Renee Montoya se encontram e o quarteto improvável não tem escolha a não ser se unir para derrubar Roman.

Diria que o risco de um filme do porte desse ter caído nas mãos de uma diretora praticamente iniciante em longas foi altíssimo, pois até temos um filme muito bem feito, com uma montagem insana de cenas indo em caminhos completamente diferentes no início, para explicar um pouco cada momento sem ir numa linha mais direta, mas como é um projeto digamos novo, apesar de nas HQs já ser algo consolidado, a diretora Cathy Yan foi digamos ousada, pois pegou o roteiro de Christina Hodson e brincou bastante com as personalidades das protagonistas, colocou força visual nas lutas, não se limitou a deixar o filme bonitinho e jogou sangue para todos os lados, e com isso o filme ficou forte e bem feito. Porém, acredito que nas mãos de uma diretora (já que a produtora Margot Robbie queria um filme praticamente todo feito somente por mulheres!) mais experiente o resultado seria ainda melhor, pois seria mostrado toda a história, teríamos todas as insanidades, poderíamos até ter toda a bagunça temporal, mas o filme teria uma concisão maior, uma abertura melhor para as demais personagens, e principalmente não precisaria ter tanta narração (o que já disse ser uma fraqueza para diretores que não sabem resolver tudo na tela!), mas felizmente o resultado final flui, então vamos dizer que Yan foi bem no que fez, e quem sabe possa melhorar ainda mais numa continuação.

Falar do elenco é algo bem interessante, pois as jovens garotas souberam dominar bem a tela, mas algumas faltas são notáveis, como aonde está o Batman no meio de toda essa confusão rolando em Gotham? Ok, Arlequina se separou do Coringa, mas certamente ele também estaria disposto a conseguir o tal diamante com informações impactantes, ou seja, a trama quis focar tanto nas atrizes que esqueceu alguns panos abertos da cidade fictícia. Dito isso, Margot Robbie tem carisma para dar e vender, todo filme que entra a atriz sabe estampar sua imagem e encontrar formatos para chamar a atenção, e aqui sua Harley é ainda mais maluca que a que vimos em tantos outros longas da DC, sejam eles de atores ou animações, de modo que queremos muito ver mais dela, ver ela batendo no Batman, vendo ela destruindo tudo com o Esquadrão Suicida, e principalmente o que ela vai aprontar após o final desse filme, pois mais do que uma ótima atriz, ela conseguiu fazer seu personagem ficar ainda mais icônico do que já era. Outra que fez bem seu papel e merecia uma participação mais forte foi Jurnee Smolett-Bell que nunca tinha visto em outros filmes e fez sua Canário Negro com personalidade, cheia de marra, e que pode chamar mais atenção num filme seu, ou mais pra frente sem precisarem tanto de apresentações, pois ela foi coerente em tudo, até ter o seu grande momento em cena, que aí arrepiou de ver. Mary Elizabeth Winstead é quase daqueles personagens que surgem do nada, fazem o que tem de fazer, e depois acabam parecendo importantes com sua Caçadora, ou Assassina da Besta, pois conhecemos bem sua história pelo filme em diversos atos repetidos, e a jovem atriz foi bem de caras e bocas, mas sem nada muito a fundo. Rosie Perez entregou sua Montoya de uma forma meio que jogada demais, pois é quase uma policial renegada, que não se joga de cara, mas que talvez até tenha uma grande participação mais para frente, o que foi uma pena, pois a atriz é boa. A jovem Ella Jay Basco fez bem sua Cassandra Cain, brincando muito com estilos, roubando muito em cena, e fazendo caras e bocas para cada momento, de modo que seu resultado final não é dos melhores, mas agrada bem. Agora quanto dos vilões, diria que tanto Ewan McGregor com seu Roman Sionis, quanto Chris Messina com seu Zsasz exageraram demais em trejeitos e floreios, de modo que não os vemos impactantes, mas sim como daqueles que até tentam chamar a atenção com suas maldades, mas ficam sem muito o que mostrar de onde vieram, e assim o resultado deles ficam mornos demais para um filme forte.

Quanto do conceito visual da produção, é praticamente um daqueles filmes que quem gostar de caçar referências, easter-eggs, símbolos e tudo mais de outras produções vai ter um prato cheio, pois com uma produção colorida, uma Gotham bem bagunçada e dominada por máfias, muitas perseguições, e claro todo o acervo de armas e loucuras de Harley, o resultado acaba sendo uma festa completa com figurinos brilhantes, explosões de purpurina, gases coloridos e tudo mais para algo diferente e bacana de ver, mostrando que a equipe de arte teve um bom trabalho de pesquisa nas HQs, e que junto do roteiro acabaram enfeitando tudo para que cada momento fosse marcante. No caso da hiena poderiam ter usado mais ela, mas acredito que a computação que ficou estranha em poucas cenas, acabaria mais atrapalhando do que ajudando.

Enfim, volto a frisar que é um filme bem maluco, que conseguirá agradar quem for ao cinema disposto a ver exatamente isso: uma história de origem, cheia de apresentações, e que vai entregar muita ação e cores, então se você for querendo ver isso sairá satisfeito, mas se for esperando qualquer outra coisa a decepção pode vir direta no peito. Claro que recomendo o longa, e até esperava um pouco mais de ligações com outros filmes, mas como estamos acostumados já com os longas da DC/Warner quase sem conexões, o jeito é ir vendo e costurando sozinhos depois, pois eles não vão fazer isso por nós. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, agradecendo claro o pessoal da Difusora FM por ter conseguido trazer a pré para o interior, e volto em breve com mais textos.

PS: O longa tem uma pequena fala pós-crédito, mas é tão útil quanto o famoso "paciência" de "Homem-Aranha: De Volta ao Lar" e quem ficar na sala com certeza irá ficar bravo.

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Netflix - Joias Brutas (Uncut Gems)

2/04/2020 01:17:00 AM |

Sabe aqueles filmes que você fica tão incomodado durante a exibição que não sabe se quer terminar logo para saber o final ou se vai desistir de ir até o final? Certamente muitos irão colocar o longa da Netflix "Joias Brutas" nessa lista, pois o filme irritante, com uma musiquinha tocando meio que sem nexo do começo ao fim, com burradas em cima de burradas por parte do protagonista, com loucuras em cima de loucuras acontecendo, e com situações tão incômodas que vamos surtando com tudo o que ocorre, e quando achamos que vai rolar realmente algo bom, pá, o filme acaba da forma mais absurda possível, que até era de se esperar por todo o andamento, mas meuuuuuuu ninguém queria daquela forma! Ou seja, é um filme com uma ideia maluca, aonde a Adam Sandler está incrível (acho que nem ele sabia que atuava de uma maneira tão icônica!), mas que certamente poderia ter ido muito além, principalmente sem cansar e irritar tanto durante toda a execução, e sendo assim, ainda estou em dúvida se gostei ou odiei o filme.

O longa nos situa em Nova York, na primavera de 2012. Howard Ratner (Adam Sandler) é o dono de uma loja de joias, que está repleto de dívidas. Sua grande chance em quitar a situação é através da venda de uma pedra não lapidada enviada diretamente da Etiópia, cheia de minerais preciosos. Inicialmente Howard a oferece ao astro da NBA Kevin Garnett, um de seus clientes assíduos, mas depois resolve que conseguirá faturar mais caso ela vá a leilão. Para tanto, precisa driblar seus cobradores e a própria confusão que cria a partir de suas constantes mudanças.

Diria que o estilo insano da proposta é bem a cara dos diretores Benny e Josh Safdie, pois isso já foi visto em outros longas seus, mas aqui tudo parece tão desesperador, e o protagonista tem tanta energia em seu desespero que acaba contagiando o público, de modo que vemos a câmera desesperada também, o ambiente cheio de situações e tudo mais num âmbito tão maluco que nada parece dar certo para o pobre protagonista salafrário, de forma que sua cena forte aonde praticamente chora para falar que tudo vai mal é daquelas que certamente mereceriam aparecer no telão de uma premiação. Ou seja, o longa é uma composição insana dos diretores, em cima de um texto bizarro para não dizer outra palavra, que encontrou um ator preciso para o momento certo, resultando em um filme que não vai ter aquele que ficará em cima do muro, pois ou as pessoas irão ver até o fim esperando algo a mais e irão se irritar (ou amar o final!), ou irão parar o filme bem antes do final desistindo de tudo. Sendo assim, o resultado da trama é intrigante e muito bem feito, mas que poderia ser feito de inúmeras formas, e escolheram a mais louca de todas.

Sinceramente nem sei se o filme tem outros atores, pois é quase impossível tirar os olhos de Adam Sandler com seu Howard fazendo todas as maluquices possíveis para conseguir dinheiro, desde vender coisas falsas até repassar mercadorias de um agenciador para o outro a juros, além claro das diversas apostas ambiciosíssimas e malucas, de modo que o ator conseguiu passar toda essa insanidade com olhares amplos, com virtudes incríveis nos trejeitos, e tendo algumas cenas chaves para marcar ele acabou entregando algo a mais que muitos nem acreditavam que ele poderia fazer, ou seja, trabalhou a dramaticidade com impacto, sem deixar seu ar cômico de lado através dos trejeitos de trambiqueiro de primeira linha, dando um show em cena. Quanto aos demais, a maioria nem merece destaque, mas temos de pontuar alguns momentos bem malucos dos cobradores do protagonista com seu Arno vivido por Eric Bogosian cheio de estilo, e a insanidade vivida por Keith William Richards com seu Phil, além claro das duas participações icônicas da lenda do basquete Kevin Garnett, e do músico The Weeknd. Quanto das mulheres da trama, nem Idina Menzel cantou "Let It Go" suficiente para sua Dinah ser interessante, nem Julia Fox foi sensual suficiente para parecer uma amante ideal, e assim ficaram bem em segundo plano.

O conceito visual da trama assim como todo o filme é bem insano e cheio de espaços icônicos, como a loja do protagonista com uma porta que não funciona direito, mas que com aquele tradicional jeitinho funciona, temos uma mansão com uma família harmônica de fachada, temos o apartamento requintado para a amante, e claro temos leilões, jogos de basquete, cassinos e tudo mais que um filme desse porte envolvendo jogos necessita, além de uma reunião da família judia com suas tradições, ou seja, a equipe de arte precisou trabalhar bastante para mostrar tudo o que os diretores desejavam, e o resultado funciona, além claro da pedra brilhante cheia de misticismo, que no começo já entrega problemas para quem tenta pegar ela, e mostra que a última ponta sofre bastante com o que ganha.

Enfim é um filme bem interessante e inteligente, que irrita bastante com a trilha sonora extremamente cansativa de fundo (que nem quis gastar um parágrafo para falar dela!), e que deixará você certamente desesperado com os momentos finais, além do miolo também ser bem insano, ou seja, é um filme que vale a recomendação de conferida, mas vá preparado para xingar muito, e até para pensar em fugir no miolo meio que estranho demais. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com o texto de uma pré bem esperada desse ano, então abraços e até logo mais.

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E Agora? A Mamãe Saiu de Férias! (10 Giorni Senza Mamma) (When Mom Is Away)

2/02/2020 10:33:00 PM |

Vi o trailer do longa italiano "E Agora? A Mamãe Saiu de Férias!" umas quatro vezes nas sessões de arte, e tinha certeza absoluta de que sendo tão bizarro dificilmente apareceria pelo interior, mas infelizmente veio, e como confiro tudo que aparece, eis que fui pôr a prova de que não apenas o trailer era ruim, mas sim o longa inteiro. E agora posso afirmar, é daquelas bombas que você passa o filme inteiro sem dar uma risada sequer, daqueles que a sala inteira assiste muda, daqueles que você sai da sessão se perguntando o motivo de ter perdido o seu tempo com aquilo, ou seja, pode até ser que com os sotaques italianos algum momento do longa soe engraçado, mas a dublagem fez questão de criar trejeitos e vozes tão ruins na dublagem, que o pai parece um adolescente de 30 anos que tem filhos e que quando perde os dentes da frente ainda ganha um assovio ridículo, ou seja, o longa apela para o ridículo em diversos momentos para tentar fazer rir, e não consegue sequer tirar um sorriso da nossa cara, de modo que vemos o filme sem se emocionar com o ar familiar, sem rir das bobeiras, ou muito menos entender qual era a proposta do diretor, que não conseguiu absolutamente nada. Sendo assim, fica a dica, fuja de qualquer forma de conferir essa bomba, pois é gastar tempo e só.

A trama nos conta que Giulia é uma mãe que abandonou a carreira para se dedicar aos seus três filhos. Carlo é marido de Giulia mas, diferente dela, não tem tempo para a família e passa mais tempo no trabalho do que em casa. Tudo muda quando Giulia, cansada da monotonia de sua vida, decide sair de férias por dez dias, deixando Carlo sozinho com as crianças.

Diria que o diretor e roteirista Alessandro Genovesi tentou fazer uma comédia familiar engraçada, mostrando as desventuras de um pai que nunca ficou com os filhos ao assumir o papel das mães que se desdobram em mil, para mostrar toda a dinâmica e força que as mulheres têm se comparados ao fazer das tarefas caseiras, e se perdeu completamente colocando uma disputa de emprego, situações de puxa-saquismo fracas, envolvimentos com personagens secundários, e tudo mais, de modo que seu filme virou uma bagunça completa quase novelesca, aonde ninguém ri, ninguém se emociona, e que a mensagem soa jogada demais para que o público se envolva, mesmo que todos saibam que uma mãe se desdobra muito mais que um pai na criação dos filhos.

Quanto do elenco, vou preferir não falar sobre as atuações em si, pelo simples motivo que falei no começo, que a dublagem simplesmente destruiu a maioria dos personagens, dando vozes que não dá para acreditar que a pessoa falaria aquilo daquela forma, então vou apenas dizer um pouco sobre os personagens em si, que também se mostraram bem fracos, e como a pequena Bia diz ao final, essa é uma família de loucos, então vemos um Carlo disputando sua vaga de anos na empresa com um novato chamado Alessandro (que de novo não tem nada, parecendo ser até mais velho que o protagonista!), vemos irmãos brigando casualmente como é o caso de Camila e Tito, esse cheio de joguinhos e bizarrices costumeiras da idade, e a mais velha entrando na puberdade em plena distância da mãe, vemos um chefe meio bizarro de atitudes, e uma jovem desempregada fazendo de tudo para se manter. Ou seja, é quase uma novela em poucos minutos.

Visualmente o longa também não apresenta nada demais, uma casa com seus devidos cômodos bem organizados com brinquedos, paredes sendo desenhadas por uma criança, outra o tempo todo jogando com óculos de realidade virtual, outra enfurnada num quarto, mas todos sempre comendo em uma pequena mesa para ter um "momento familiar", uma empresa estranha aonde temos reuniões gerenciais quase todo dia em um auditório de plateia bem estranho aonde ninguém praticamente fala nada, uma festa bizarra de dia da família da empresa com disputas rápidas sem sentido, e nada chamativo, ou seja, a equipe de arte até tentou trabalhar, mas nada do que fez foi usado com coerência, e assim o resultado soou até depressivo.

Enfim, é daqueles filmes que você pode até pensar em entrar pelo pôster bacaninha, por parecer um longa legal de ver com a família toda (a maioria na sala era dessa turma de 3 a 4 pessoas com crianças!), mas que digo mais uma vez, fuja sem pensar duas vezes, pois é algo muito ruim de gastar 94 minutos da sua vida com algo que não vai levar a nada, e sendo assim não recomendo ele de forma alguma. Eu fico por aqui hoje, já encerrando os longas do cinema, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Jojo Rabbit

2/02/2020 02:34:00 AM |

Sei que tem falhas, que é um filme que falta com alguns eixos mais diretos, mas estou encantado com o que vi em "Jojo Rabbit", de modo que vi um filme duro e sério sobre um tema bem polêmico ser tratado com doçura e envolvimento de tal maneira que acabamos envolvidos com o jovem garotinho, rimos do Hitler vivido pelo diretor, e entendemos um pouco mais sobre a loucura que foram os jovens e adultos que eram apaixonados pelo ditador. Ou seja, é daqueles filmes que muitos vão esquecer, mas que souberam fazer de uma maneira gostosa de conferir, sobre a ótica de uma criança, mas com atitudes próprias para mostrar a guerra, o medo, a paixão e tudo mais, e sendo assim, o resultado vai muito além de um simples filme, mas sim uma gostosa obra que pode não ganhar muitos prêmios, pode acabar sendo segunda ou terceira opção de muitos, mas que vale sempre guardar um lugarzinho para lembrar dele.

O longa nos situa na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. Jojo é um jovem nazista de 10 anos, que trata Adolf Hitler como um amigo próximo, em sua imaginação. Seu maior sonho é participar da Juventude Hitlerista, um grupo pró-nazista composto por outras pessoas que concordam com os seus ideais. Um dia, Jojo descobre que sua mãe está escondendo uma judia no sótão de casa. Depois de várias tentativas frustradas para expulsá-la, o jovem rebelde começa a desenvolver empatia pela nova hóspede.

Chega a ser engraçado o que o diretor Taika Waititi faz conosco na trama, pois ele consegue capturar uma essência de ódio, afinal todos odiamos o nazismo e sabemos bem que não existe nem nunca existiu nenhum nazista bonzinho, mas acabamos nos envolvendo tanto com a personalidade do garoto que passamos a nem achar mais que ele seja um nazista, mas sim como a jovem judia diz, um garoto de 10 anos que gosta de usar uniforme e quer estar em um clube, e isso é tão bem colocado que acabamos apagando a face nazista de Jojo. Ou seja, o diretor conseguiu nos colocar no final da Segunda Guerra, com personagens bem fechados, e mostrar muita coisa dessa época, como as pessoas que escondiam nazistas, os alemães que adoravam Hitler, aqueles que queriam uma Alemanha Livre, toda a loucura ideológica que passavam, e claro a guerra em si, tudo com uma personalidade leve e gostosa de conferir, de modo que a trama flui com uma rapidez que nem sentimos a hora passar, e mais do que isso, acabamos nos emocionando com a ingenuidade do jovem protagonista, com todas as situações malucas e bizarras que se envolve, e o resultado é uma trama concisa, que mesmo com falhas em tantas situações, acaba sendo quase perfeita, pois agrada com sutileza, e trabalha o tema duro sem pesar a mão, e isso mostra a total capacidade do diretor de criar um texto maluco, afinal o roteiro também é seu (adaptado de um livro de Christine Leunens), dosar as cenas com envolvimento com outras mais duras, sacar boas comicidades, e ainda atuar como um Adolf completamente insano, ou seja, pacote completo.

Sobre as atuações, confesso que quero muito ver outros trabalhos futuros de Roman Griffin Davis, pois o jovem conseguiu fazer com que seu Jojo ficasse marcado pelas sutilezas encontradas para seu personagem, por segurar praticamente sozinho todo o protagonismo da trama, e por saber como dominar a câmera, pois o jovem encontra olhares tão bem pontuados para cada momento que ele nos hipnotiza com sua desenvoltura, ou seja, perfeito. Scarlett Johansson trouxe para sua Rosie uma personalidade gostosa, bem colocada, e que chama a atenção, e seu momento a mesa, com carvão na cara certamente foi o que a levou ser indicada a diversos prêmios, pois ali entregou sua alma e foi muito bem em cena. A jovem Thomasin McKenzie também foi singela nos atos, encontrou atos fortes para dosar doçura, e encaixou tão bem sua Elsa que acabamos torcendo pelo envolvimento dela com o protagonista, em algo quase que inocente e puro de envolvimento gostoso de ver. O próprio diretor, Taika Waititi acabou entregando um Adolf maluco, cheio de trejeitos, com um ar sarcástico bem colocado, mas duro de insinuações, e fazendo acertos tão precisos que poderia até aparecer mais, mas talvez sobreporia o garoto, então acertou bem ao aparecer pouco. Sam Rockwell trabalhou seu Capitão K de uma maneira bizarra e ao mesmo tempo insana, criando atitudes, atravessando o ar sério para cômico em instantes, e sendo preciso na loucura para não desandar, afinal é um capitão, e isso foi belo de ver. Quanto aos demais, tivemos boas cenas com o garotinho Archie Yates, e até algumas cenas bobas bem feitas por Rebel Wilson, mas nada que sobreposse o resultado dos protagonistas, o que é muito bom de ver.

No conceito cênico a trama se inicia com imagens fortes de arquivo, aonde vemos a população saudando Hitler, seus fãs malucos e tudo mais de muito impacto, depois já vemos o jovem com sua fardinha, vemos o campo de treinamento com bizarrices comuns, mas com boas sacadas, bons envolvimentos e situações comuns de serem vistas na época, com boas jogadas visuais e simples de efeitos, num segundo momento já partimos para ver o sótão aonde a garota se esconde, cheio de elementos cênicos precisos para dar o ar de esconderijo, e passamos a ver a composição do jovem em descobrir o que são os judeus, com boas alegorias e desenhos, para aí chegarmos no terceiro e mais duro ato, aonde não economizaram na destruição cênica pela guerra, além de vermos muitos enforcamentos, e tudo mais, ou seja, um impacto forte e bem detalhado, em que souberam usar as alegorias totalmente ao favor da cena, criando um ambiente diferente a cada momento.

Enfim, é um longa bem gostoso de ver, aonde tudo se encaixa em cada momento, e que através de pequenos envolvimentos somos conectados aos personagens, aos bizarros encenamentos, e principalmente ao filme por completo, de modo que se não fosse um ano de candidatos tão fortes, a trama teria grandes chances, pois é o clássico filme leve que acaba agradando a todos, e se encaixando como segundo ou terceira opção de muitos votantes, acabaria indo para cima nas predileções, e assim o resultado iria muito além nas premiações, mas já valeu ao menos as muitas indicações. Claro que indico o longa para todos, o envolvimento e emoção florescerá mesmo com ideologias partidárias colocadas, e sendo assim veja e reflita sobre o atual momento, pois vai valer a pena também. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Os Órfãos (The Turning)

2/01/2020 09:16:00 PM |

Como todos bem sabem aqui costumo colocar o que entendi sobre cada filme, e principalmente sem ler nada de outros lugares, então pode ser que esteja completamente errado sobre o que entendi sobre "Os Órfãos", pois o filme literalmente acaba com uma cena em andamento, o que acabou praticamente mudando tudo o que estava imaginando sobre a produção que mais parecia ser sobre uma enorme casa mal-assombrada (que lembrando os vários memes da internet - fantasma é tudo burguês que só assombra mansão e família rica!), mas que na virada da última cena praticamente a trama se volta para algo mais psicológico sobre a debilidade da protagonista, e dessa forma me fez crer que a ideia passada seja em cima disso, de tudo não passar de uma loucura da cabeça dela. Sei que isso pode ser um spoiler imenso para que todos os próximos que lerem aqui e forem conferir mudar a opinião, mas vejo que essa forma pode ser a que façam melhor proveito da trama, pois senão a chance de sair reclamando de um final completamente aberto é altíssima, pois foi o que o ocorreu na sessão semi-lotada que estava, aonde todos saíram reclamando demais, ou seja, fica a dica. Também vale pensar dessa forma pelo filme ser a adaptação de um conto de Henry James chamado "A Volta do Parafuso", que será usado também na segunda temporada da série "A Maldição da Residência Hill", e com esse nome dá para pensar na ideia de loucura, por falas da empregada, e tudo mais, ou seja, fica sendo minha opinião, e quem tiver mais alguma fiquem a vontade para discutir nos comentários. Dito isso, o longa é um filme quase que sem sustos, que trabalha algumas cenas rápidas para tentar pegar o espectador durante quase todo o longa, mas que fecha de forma quase absurda parando o filme e subindo os créditos, que se fosse na época dos rolos ainda, diria que o montador esqueceu uma parte para passar, mas que dá para analisar como algo aberto para pensarmos, e assim deve ter sido a ideia da diretora, que acabará sendo muito xingada mentalmente por vários espectadores.

O longa nos mostra que Kate é uma jovem professora contratada para trabalhar como governanta na mansão de uma família rica. Na casa, localizada em Essex, Londres, vive Flora e Miles, irmãos órfãos que perderam ambos os pais em um acidente próximo à casa. No entanto, ela logo percebe que no local existem outros moradores, não necessariamente vivos.

Após uma tonelada de videoclipes a diretora Floria Sigismondi resolveu fazer um longa metragem, então analisando dessa forma como uma primeira grande experiência, podemos dizer facilmente que seu filme tem muitos problemas técnicos, além do final maluco que vai deixar grandes conflitos, a trama peca em tentativas de sustos gratuitos, pois surgem com uma certa lentidão, e dessa forma acabam não causando o espanto casual do estilo, porém posso dizer que ela soube criar bem o ambiente de sua história, pois a casa tem tantos bons locais para criar tensão, os sonhos são intensos, e as atuações também acabam causando algo de forma a vermos que ela pelo menos tem propriedade no quesito terror, e se talvez melhorar um pouco a mais e não querer deixar pontas abertas, seu próximo filme pode funcionar bastante.

Fiquei me perguntando qual o motivo de um longa de terror estar tão cheio, e principalmente por adolescentes menores que os pais precisavam entregar autorizações na portaria para deixar eles entrarem (censura 14 anos, que menores só podem acompanhados dos pais!), e agora descobri que o jovem protagonista Finn Wolfhard é de uma série famosa, que não acompanho, mas que muitos amam, então diria para os fãs que aqui ele foi razoável, não sendo impactante como foi em "It - A Coisa", mas fazendo algumas caras tensas para seu Miles, sendo um mal elemento, mas trabalhando bem para o que o personagem pedia, de modo que não acrescenta muito para a trama, mas também não atrapalha. Mackenzie Davis entregou uma Kate interessante, mas com receios demais, fazendo com que sua personagem a todo momento tivesse uma dúvida, um medo, uma insegurança, e isso ficou meio que estranho demais de alguém que aceita um trabalho desses, de forma que pensarmos em sua loucura é algo até mais viável do que um emprego realmente em uma casa assombrada, mas pode ser algo completamente diferente, e assim ela poderia ter ido além. A jovem Brooklynn Prince continua sendo uma graça de trejeitos, que tanto amamos ela mesmo com olhares mais tensos aqui, quanto o que fez há 2 anos em "Projeto Flórida", de forma que sua Flora acaba interessante de ver, e bem dosada de estilos, podendo até ter feito o básico, mas acaba agradando bem no estilo que o filme pedia. Já por outro lado Barbara Marten entregou uma Sra. Grose bem estranha, daquelas que não sabemos o motivo de tanto rancor, mas que quase sendo um fantasma propriamente dito acaba entregando cenas fortes e interessantes, de forma que poderia ter sido até melhor usada.

Agora quem com certeza deu show na tela foi a equipe de arte, que conseguiram encontrar uma locação gigantesca, cheia de detalhes, com ambientes escuros sinistros, muitas bonecas feias, cortinas para todos os lados, corredores macabros, piscinas e lagos escuros, labirintos, e tudo mais que uma mega mansão deve ter, além claro de figurinos e fantasmas em sombras, o que deu um tom bem bacana para o filme, e que poderia ter surtido mais efeito nas mãos de um diretor mais efetivo, ou seja, é o famoso tenho muito pra mostrar e não sei como. A fotografia abusou de muitas cenas com quase total escuridão para pegar o público desprevenido em alguns momentos, mas nada que tenha atrapalhado o andar do filme, de forma que tudo passa bem, e é possível ver bem os detalhes.

Enfim, é um filme confuso, com pouca dinâmica, que até trabalha bem alguns elementos do terror, mas que falha demais na conclusão, e principalmente nas apresentações para que o longa pudesse ir para muitos outros caminhos, de forma que até conseguimos criar alguma conexão com ele, mas como o fechamento muda tudo o que imaginávamos, talvez só revendo para dizer que acertaram em algo, e não vou dizer que é algo que valha a pena. E sendo assim, também não o recomendo para ninguém. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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