Netflix - O Sol de Riccione (Sotto il Sole di Riccione) (Under the Riccione Sun)

7/05/2020 01:24:00 AM |


Pois bem, filmes de verão geralmente costumam ser apaixonantes, com um fervor acima da média, muita pegação e claro pessoas bonitas, e se estamos falando de um filme italiano então tinha tudo para "O Sol de Riccione" ser daqueles filmes intensos e bem interessantes não é mesmo? Pois é, tinha, mas não rolou, de forma que o longa ficou com cara de um episódio de verão de uma série qualquer adolescente, aonde diversos personagens interagem entre si, alguns que já se conhecem de anos tentando se arranjar, outros tendo alguma novidade, mas nada que entregue realmente uma história para nos envolver. Ou seja, é daqueles filmes que vemos tantas coisas bobinhas acontecerem, e nenhuma ser o protagonista de nada, de forma que basicamente só podemos dizer que a ideia era mostrar o amor adolescente de diversas formas numa temporada de praia, sem pensar em nada, sem querer que nada vá além, e assim sendo, o resultado é o mesmo que o filme quis passar: um tremendo nada de 101 minutos.

A sinopse nos conta que o que parecia um verão como qualquer outro qualquer, acaba mudando tudo para este grupo de amigos que compartilham a coragem de arriscar e de aproveitar a vida.

Nem precisava clicar na ficha do diretor para imaginar ser o primeiro longa dele, e aqui Younuts (nem se dar um nome para identificar deu o trabalho) fez de sua trama quase um clipe de verão de um grupo que talvez pudéssemos ver em alguma novela italiana, e aqui teve seu episódio na praia, de forma que nada acaba empolgando, tendo um ou outro encaixe gostosinho de romance, mas com sacadas teen demais ao ponto de desanimar logo de cara. Digo isso, pois fui ver o filme até esperando algo fraco sim, mas esperava ver ao menos uma história mais desenhada, ou pelo menos alguma paixonite mais aflorada pelo calor das praias italianas, mas não, o diretor entrega várias subtramas, vários personagens, que só se encaixam por um jogo de vôlei de praia e algumas festas, e claro seus romances frustrados. Ou seja, uma bagunça completa, com uma música só tocada quase que o filme inteiro sua introdução chata, que no final vemos ela inteira com a banda em um show de praia, mostrando que o diretor também teve um belo contrato musical por trás da produção.

Sobre as atuações, chega a ser até difícil falar de alguém em específico, pois são tantos jovens, fazendo papeis mais diversos possíveis, todos com um carisma bem fraco, não sendo rostos bonitos ou galanteadores que vamos lembrar deles algum dia em outra produção, ou seja, um grupo bem mal escolhido. Mas se tenho de dar destaque para alguma história colocaria a do jovem cego Vincenzo com Camila vividos por Lorenzo Zurzolo e Ludovica Martino, que soa bonitinha de ver a emoção do jovem sem precisar de olhares. A amizade dele com Davide Calgaro com seu Furio. E um ou outro momento do jovem que vai para cantar, mas acaba virando salva-vidas (e não salva nenhuma vida!) Ciro, vivido por Cristiano Caccamo. E só, pois o restante acaba sendo bem forçado.

Visualmente o longa é bonito de ver pela grandiosa praia de Riccione, com seus diversos guarda-sóis enfileirados dos hotéis, as diversas festas, os jogos e competições, e claro um show no final, tudo cheio de figurantes para todos os lados, todos felizes, e nada além disso, tendo até mesmo uma casa de aluguel com um personagem garanhão das antigas, mas sem efeito forte nenhum para a trama, ou seja, a equipe de arte apenas foi para a locação e pegou qualquer lugar bonito para filmar sem se preocupar muito com o que fosse resultar.

Enfim, é um filme bem fraco, daqueles que quem conferir certamente depois de algumas horas não vai lembrar de nada do filme, ou melhor, talvez se pegue cantarolando a música tema "Riccione" da banda Thegiornalisti que gruda por tocar o longa inteiro. Ou seja, não recomendo ele de forma alguma, e vou torcer para amanhã acertar melhor na escolha da lista, pois o sábado foi péssimo nas escolhas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Desperados

7/04/2020 08:38:00 PM |


Ver uma boa comédia atualmente é algo que tem sido bem difícil de conseguir, pois atualmente a maioria tem optado por romances simples e/ou confusos, piadas bobas e jogadas ou então caindo para o famoso besteirol, e isso é algo que não empolga o público geral que quer rir sem parar em uma trama, e ao ver a ideia/sinopse do filme da Netflix, "Desperados", acreditei que fosse ver algo um pouco melhorzinho, com uma pitada de loucura, desespero em um outro país atrás de um computador, e por aí vai, mas infelizmente vi o tradicional que vem acontecendo: mulheres brigando por temperamento, cenas forçadas, personagens sem tino cômico, ou seja, um desastre completo e apelativo, ao ponto de que até sorrimos em uma ou outra cena, mas que no resultado final chega a ser mais um daqueles longas que amanhã já nem lembraremos de ter visto, ou seja, fraco demais.

A sinopse nos conta que uma jovem em pânico, junta com suas relutantes amigas apressadas, correm para o México para tentar excluir um e-mail ofensivo que ela enviou para o novo namorado.

A diretora LP, que tem uma tonelada de curtas em seu currículo, tentou fazer em seu primeiro longa algo diferente do casual, que trabalhasse amizade, destempero emocional e desespero por tentar buscar corrigir algo de errado que a protagonista fez. Porém ao ser diferenciada, ela precisaria saber que seu longa necessitaria algum tipo de comicidade, ou ao menos algo que puxasse para um romance dramático ou qualquer gênero para atingir, mas não, usou apenas elementos de apelação como uma mãe gritando por um filho vendo seus primeiros atos sensuais, uma discussão sobre remédios masculinos, e um leve romance desengonçado ocorrendo nos bastidores, além de outros subtemas jogados de lado ocorrendo com as amigas em outro lugar, ou seja, uma tremenda bagunça daquelas que você termina de assistir e se pergunta: "o que a diretora quis mostrar?", e a resposta não vem. Ou seja, fizeram um longa desesperado para atingir um público específico, de encontros bagunçados às cegas, mas não atingiram nada.

Sobre as atuações, Nasim Pedrad não conseguiu manter o protagonismo com sua Wes, apelando a todo momento, fazendo caras e bocas, e soando falso demais tudo o que fez, de forma que não chama a atenção e não tem química com ninguém. Anna Camp parece aquelas que viajam só para reclamar de tudo, mas ao final sua Brooke acaba tendo até mais destaque que a própria protagonista pelas sacadas usadas. Sarah Burns trouxe um ar desesperado por engravidar para sua Kailey, mas não empolga como poderia, fazendo momentos mais calmos no meio das duas demais. Robbie Amell até teria um tino bacana para chamar atenção com seu Jared, daria uma pegada bem marcada com o envolvimento com a protagonista, mas ficou apenas num hospital, e assim seu resultado foi de apenas um rostinho bonito na produção. Agora o destaque claro ficou para Lamorne Morris com seu Sean, bem sacado, com trejeitos leves e descontraídos, e contendo no meio uma história bacana, ou seja, salvou um pouco o filme. Quanto aos demais, é melhor nem falar, pois é desastre em cima de desastre, sejam dos garçons do hotel, passando pela mãe louca e o filho, e sendo assim, mais atrapalharam que ajudaram no resultado.

Visualmente o longa até tem bons anseios, com praias mexicanas bem bonitas, um hotel incrível, uma pousada estranha, mas foram apelativos ao ponto de usar vibradores, sexo com golfinhos, choque em cerca elétrica, cabras na estrada, ou seja, tudo para tentar ser diferentes, ou ao menos uma tentativa de um "Se Beber, Não Case" em outro rumo, mas não salva nada.

Enfim é uma bagunça daquelas que não tem nada que salve, ao ponto de que quem gosta de algo bobo até curtir um pouco, mas que certamente terminará o filme e nem lembrará direito o que viu, ou seja, sendo assim não dá nem para recomendar ele. Bem é isso pessoal, eu fico por aqui, mas já vou ver outra coisa, pois não conto esse como algo que tenha sido como uma conferida gostosa, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Uma Mente Canina (Think Like a Dog)

7/04/2020 12:39:00 AM |


Filmes que envolvem animais sempre são bonitinhos, bobinhos e divertem como um bom passatempo, isso é um fato clássico e que já vimos ser usado e abusado durante anos, porém um ponto que costumo falar é que toda história necessita saber ser contada, pois as vezes você começa a falar algo para alguém e você vê que seu tempo ali está acabando e precisa correr, então planejamento geralmente funciona para isso, e muitos diretores acabam não pensando nisso e acabam ou alongando demais o filme ou precisando correr para encerrar dentro do tempo solicitado. E comecei escrevendo o texto do novo filme da Netflix, "Uma Mente Canina" por ser um exemplar exato de tudo isso, pois é bem fofo ver o cachorro se comunicando em pensamento com o garotinho (graças aos deuses do cinema não precisaram ficar mexendo a boca do cachorro para ele falar!), é uma trama divertidinha, tem uma pegada bacana familiar, porém o último ato é tão acelerado, com tudo acontecendo em uma correria imensa (inclusive com os cachorros correndo!), que vemos partes importantes sendo cortadas, vemos cenas sem nexo acontecendo, e tudo tão falso para acontecer como um plano elaborado, e isso infelizmente estragou bastante a qualidade da trama, pois tudo poderia ser fechado sem essa correria, bastava mais 10 minutos de cenas, e o resultado seria perfeito, mas infelizmente não somos nós que montamos todos os filmes, então, é curtir a trama e fingir que não viu acontecer.

O longa nos mostra que um menino-prodígio de 12 anos consegue estabelecer, através de um projeto para a feira de ciências, uma ligação telepática com seu melhor amigo, um cachorro. A dupla então une forças, usando suas perspectivas únicas para vencer as complicações escolares e familiares.

O diretor Gil Junger já foi bem falado por séries, por filmes familiares, romances e tudo mais, afinal seu estilo é bem característico por fazer coisas mais simples e fechadas de direção, ou seja, nada vindo dele é algo surpreendente ou que necessite pensar muito, o que não é ruim, porém ele tem esse defeitinho que falei no começo, de enrolar um pouco no começo e acelerar seus finais ao ponto de vermos coisas até estranhas acontecer como foi o caso aqui (a cena no final do cara levar um soco sem ao menos qualquer pessoa falar para o jovem que bate que o cara era o vilão é digna de olhar para e tela e se perguntar se você dormiu!), ou seja, já vimos ele fazer isso em outros filmes clássicos dos anos 90, só que naquela época como não ligávamos para nada, nem ligamos para o que vimos, e aqui acredito que muitos vão deixar passar, pois o filme também não é daqueles que dá para acreditar e reclamar de nada, então é algo exagerado pensar assim também. Porém é notório que o longa tem uma pegada tecnológica bacana, tentou ir por alguns meios para vários temas, como problemas familiares, mas poderia ter sido menos forçado, então o jeito é curtir o papo com o cachorro, e esquecer do restante, inclusive que foi um filme que teve diretor.

Quanto das atuações, friso que você deva focar o olhar nas crianças e nos cachorros e esquecer os adultos, pois Gabriel Bateman foi bem carismático com seu Oliver, entregou bons momentos junto com seu cachorro, fez cenas bobinhas, porém tradicionais de crianças, e acertou em cena. Da mesma forma, Todd Stashwick entregou uma dublagem perfeita para a mente canina, com boas piadas, bons tons cômicos e realmente enxergamos a personalidade que deu para o cachorro Henry como sendo a voz daquele cachorro. Agora Megan Fox (sim aquela que já foi estrela de grandes blockbusters, indo fazer filme sessão da tarde!) como Ellen é lastimável, sem expressões como casualmente já faz, mas com um papel tão jogado, tão sem fluxo, que praticamente poderia nem aparecer em cena que não faria falta. Da mesma maneira, Josh Duhamel (também protagonista de grandes bilheterias) entrega seu Lukas como um paizão que se acha ainda jovem, cheio de trejeitos, sacadas e tudo mais, mas seu mote no filme é mais o de ser um treinador famoso do que o lance familiar, ou seja, bem bobo seus atos. Kunal Nayyar até entrega um Mills interessante no começo, mas seu segundo ato é lotado de trejeitos forçados, além de que seu personagem foi o que mais sofreu com os cortes no final do longa, então não diria que seja um erro do ator, que até foi bem, mas o personagem em si se enfraqueceu demais. Quanto aos demais, volto a falar que foquem nas crianças, pois todos foram bem bacanas, com destaque para o menorzinho Izaac Wang com seu Li todo gracioso.

A equipe de arte brincou com alguns efeitos, mas não abusou da inteligência do público, trabalhando com cachorros reais, bem treinados, usando um ou outro efeito de traquejo de cena para manipular pulos, colocou um pouco de realidade virtual nos jogos do garoto, um holograma simples para dar nuances tecnológicas, e muitas projeções, além de um baile bem produzido para dar um bom desfecho, mas não quis ousar muito nas cenas nas casas e no hangar, ao ponto que o filme pareceu ser bem econômico, mesmo com alguns atores caros.

Enfim, é um filme bacana de conferir, que serve de passatempo para um domingo a tarde, mas que não se pode esperar nada de muito além dele, e claro é necessário relevar o desfecho exagerado no final da trama, que como disse, muitos nem irão notar, mas está lá. Sendo assim, quem gostar de filmes bobinhos, fica a dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Sombras da Vida (A Ghost Story)

7/01/2020 11:59:00 PM |


Diria que dá para definir bem o longa que estreou na Netflix, "Sombras da Vida" como um filme de essência, que trabalha o lado do luto e do passado tanto para quem vive quanto para quem morre, numa ilusão calma, poética e que envolve pelo simbolismo, mas que certamente irá cansar quem for esperando um filme intenso. Ou seja, é daqueles filmes que cansam pela falta de diálogos, que você fica a todo momento esperando algo a mais acontecer, mas que assiste até o fim com a plena convicção de que vai estar certo sobre algo que aconteceu, mas que conseguir chegar até o final (ao menos acordado) é um dos maiores desafios que ele proporciona, e não digo isso por ser ruim, mas sim por ser extremamente parado, ao ponto de mesmo estarmos refletindo sobre o que está ocorrendo, a trama não flui, e isso sim é algo ruim. Então já adianto que se você é daqueles que gostam de um filme que tudo vá ocorrendo logo, pode tirar esse da lista, pois serão 92 longos minutos, e com certeza esse foi um dos motivos que acabou não saindo nos cinemas na época, pois a galera sairia da sala.

A sinopse nos conta que um homem recém-falecido retorna como fantasma para sua casa no subúrbio com a intenção de consolar sua esposa. Em sua nova forma espectral, invisível para os mortais, ele percebe que não é afetado pelo tempo, sendo condenado a ser um mero espectador da vida que antes lhe pertencia, ao lado da mulher que amava. O fantasma inicia uma jornada pelas memórias e histórias, enfrentando perguntas eternas sobre a vida e a existência.

O diretor David Lowery é daqueles que sempre gosta de dar um tom mais reflexivo para seus personagens principais, sejam eles uma pessoa, um dragão ou até mesmo um fantasma, e aqui ele usou e abusou da essência para passar a mensagem de história de uma casa, de uma pessoa, de um escritor, de um músico, ou do que quer que seja, de modo que um dos principais monólogos da trama é o de um jovem numa festa tentando explicar a identidade de herança de algo, ou seja, não espere que o diretor entregue algo fácil e direto para você, pois a trama toda é aberta para pensar em algo, flutuar, e se envolver sozinho como a canção tema diz, mas para isso você tem de se abstrair e entrar no clima, pois do contrário a chance de odiar a trama é bem alta, pois tudo é muito lento, são cenas de 3,4 e até 5 minutos sem nada ocorrer com alguma emoção, não vemos traquejos do personagem principal por não vermos sua cara, ou seja, é duro, mas volto a frisar, que não é ruim.

Não sei nem como falar das atuações, pois dizer que Casey Affleck deu um show debaixo do lençol seria irônico demais, pois pode ser qualquer pessoa ali, mas os movimentos são sutis e bonitos de ver, além de que seus atos enquanto vivo seja nas memórias ou no começo do longa soaram bem feitos e mostram que o jovem foi bem no que fez. O mesmo podemos dizer de Rooney Mara, que precisou mais de envolvimento, entregou todo um luto bem amarrado, e não ficou presa em cena, o que agrada bastante de ver, mas como sabemos de todo o seu potencial, esperava ver um pouco mais dela. Sendo assim, quem teve um pouco mais de destaque foi Will Oldham com seu momento de prognósticos sobre a vida e a herança que músicos ou pessoas deixam para outros para serem lembrados, pois com um monólogo envolvente e bem ditado acabou chamando todas as atenções para si, e o resultado agrada bastante.

Visualmente o longa brinca bastante com passagens de tempo, mostra a casa tendo sua vida e seu passado desde sua fundação até sua demolição e construção de um prédio, tem passagens pelo hospital, pelo campo e pela metrópole, e brinca bastante com a ideia da composição e da decomposição, ao ponto de manter a essência sempre, brincando com elementos voando, assombrações e tudo mais, num ponto de que sempre a vida passa, mas a essência, a alma fica para ser lembrada.

Na trilha sonora tivemos muitas canções orquestradas, e duas cantadas, "Last One" do Stereo Jane e a música tema que é cantada pelo protagonista em determinada cena, e que você ouve já no trailer e em vários atos do filme com "I Get Overwhelmed" do Dark Rooms, que valem muito pela essência também.

Enfim, é um filme bacana, porém chato e cansativo, que vale pelo final e pela ideia toda em si, mas aguentar ver ele inteiro é um tremendo desafio, e sendo assim recomendo ele com muitas ressalvas, para que vejam, reflitam, e curtam. Bem é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Adú (Un Mundo Prohibido)

7/01/2020 12:01:00 AM |


O novo longa espanhol da Netflix, "Adú", é o típico filme que poderia fazer todos lavarem as salas de casa caso o diretor e/ou o roteirista tivessem simplesmente pensado melhor na obra como uma ficção só, e juntado as três histórias paralelas em algo maior, que certamente comoveria, entregaria toda a ideia, e principalmente seria reforçado com o fechamento escrito representativo, pois da forma que acabou ocorrendo, não nos comovemos com a história de elefantes mortos, não nos conectamos com o drama familiar envolvendo drogas, não ficamos bravos com a justiça em prol de um abuso policial ignorado, e principalmente não choramos com o pobre garotinho que não consegue chegar até o pai em outro país passando pelos diversos perrengues, e nem com seu amigo doente. Ou seja, é um filme com tantos vértices que ficamos pensando do começo ao fim como poderiam conectar tudo, qual o sentimento que vão tentar passar, mas não, apenas tudo soa relevante como uma mostra do que ocorre na divisa da Europa com a África no momento atual, e para refletirmos apenas, sem muitas preocupações ficcionais ou biográficas, e isso é ruim, pois mesmo sendo um filmaço, daqueles que já estava até preparando para anotar como um possível candidato da Espanha para as premiações, mas que ao final desanima por encerrar sem ter um encerramento decente. Ou seja, é um tremendo filme, com cenas lindíssimas e incrivelmente fortes pela dura realidade de tudo, mas que não alcança o ápice como ficção, e isso acaba sendo bem triste de acontecer.

A sinopse nos conta que em uma tentativa desesperada de chegar à Europa, agachado diante de uma pista de pouso nos Camarões, um garoto de seis anos e sua irmã mais velha esperam para entrar furtivamente nos porões de um avião. Não muito longe, um ativista ambiental olha para a terrível imagem de um elefante, morto e sem presas. Não apenas precisando lutar contra a caça furtiva, mas também reencontrar os problemas de sua filha que acaba de chegar da Espanha. Milhares de quilômetros ao norte, em Melilla, um grupo de guardas civis se prepara para enfrentar a multidão furiosa de pessoas subsaarianas que iniciaram o ataque à cerca. Três histórias unidas por um tema central, em que nenhum de seus protagonistas sabe que seus destinos estão condenados a cruzar e que suas vidas nunca mais serão as mesmas.

Depois de olhar um pouco da carreira do diretor Salvador Calvo chegamos até a entender o problema do filme, pois acostumado muito mais com a direção de episódios espaçados de séries, sem pegar nenhuma completa, ele fez aqui algo comum desse estilo, que é criar e desenvolver as diversas histórias que o roteiro continha, e não ir a fundo em algo que conectasse tanto tudo. Claro que se olharmos também a sinopse, veremos que a ideia principal é ver as mudanças nas vidas das pessoas envolvidas na trama, e isso o longa também entrega. E dito isso, já havia falado também que o trabalho do diretor não foi algo ruim, pois o filme é bem envolvente e cheio de histórias e momentos bem fortes, porém ele poderia ter se destacado muito mais, se tivesse ido além no cruzamento dos personagens, nos fechamentos, e em tudo mais, para que seu filme ficasse redondinho e perfeito, mas nem sempre é o que esperamos, então apenas tenho que dizer que o resultado é um filme forte, porém frouxo, que precisou de um escrito no final para tentar comover, mas que não precisaria, pois facilmente como uma ficção (já que não estamos falando dos refugiados, nem dos drogados, nem dos caçadores, nem dos policiais em específico) daria para conectar todas as histórias e formar um final digno de lavar a sala.

Sobre as atuações, mais do que tudo temos de parabenizar também o diretor pela condução que deu ao jovem Moustapha Oumarou, pois o garotinho foi sensacional com seu Adú, entregando emoção, desespero, envolvimento e tudo mais durante toda a projeção, então foi um ótimo achado, e torcerei para que o jovem tenha futuro nas artes. Da mesma forma também tivemos bons momentos com os demais jovens Adam Nourou como Massar e Zayiddiya Dissou como Alika, ambos tendo seus momentos fortes, e claro com destaque para Adam que foi até o final com situações nada simples de passar, e fez bem. Luis Tosar entregou um Gonzalo bem imponente, duro com a filha, duro com os companheiros de trabalho, e até tem alguns atos bem colocados, mas seu personagem atingiu somente um ápice na cena final fazendo as malas, pois de resto não chama muita atenção. Da mesma forma Álvaro Cervantes trabalhou seu Mateo como um policial que mostraria algo diferente, que tem um envolvimento mais simbólico fronte aos demais, mas acabou indo para o mesmo lado, só mudando de atitude também ao final com um boa sorte, ou seja, faltou um pouco mais de desenvoltura. E para finalizar das atuações, Anna Castillo até entregou uma Sandra dinâmica, jovem, cheia de problemas, e com atitudes comuns de jovens problemáticos, mas é praticamente um elemento a mais na trama que não teve tanto uso, e assim sendo apenas fez bem o que precisava fazer, e mostrou atitude emocionada na cena final.

Visualmente o longa foi muito bem trabalhado, passando por diversas cidades africanas, mostrando a realidade do povo, crianças sendo molestadas a troco de comida, diversos refugiados acampados esperando o momento certo para tentar pular a cerca ou nadar para a Europa, caçadores matando elefantes em reservas, jovens no meio do tráfico, ou seja, tudo de pior, e sem precisar usar de simbolismos a equipe foi para o lado mais cru, mostrando com cenas fortes todo o envolvimento, a dor, e tudo mais, com grande imponência de atos, o que mostrou tanto uma boa pesquisa de campo, quanto um envolvimento com pessoas que passaram realmente por todas as etapas.

Enfim, volto a frisar que não é um filme ruim, que vai emocionar alguns pelos atos fortes, mas que poderia ser muito melhor, então vale a conferida para conhecer um pouco mais dessa vida que muitos andam sofrendo de fugas de seus países, e ver todo o sofrimento/envolvimento do garotinho, mas não espere muito do final do longa, pois senão a decepção será grande. Sendo assim fica a dica, e eu fico por aqui, então abraços e volto em breve com mais textos.
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Netflix - Let's Dance

6/28/2020 09:01:00 PM |


Alguns filmes conseguem trabalhar tão bem a essência e espalhar mais do que um simples roteiro, de forma que acabamos nos envolvendo nas musicalidades, torcendo para os protagonistas e tudo mais, mesmo sabendo que na maioria das vezes o fechamento vai ser com tudo dando certo. Ou seja, os diretores/roteiristas já fazem toda essa montagem correta para que nosso cérebro caia certinho na ideia e se desenvolva o carisma para cada ato, e dessa forma o longa francês da Netflix, "Let's Dance", consegue agradar bastante, brincando tanto com a desenvoltura seca dos protagonistas, como o descobrimento de novas frentes em suas danças, ao ponto de que um recomeço para alguns sai como mudança para outros, e usando bases de perseverança de grandes filmes, trabalhando com atitude e tudo mais, o resultado acaba sendo gostoso e motivacional de ver, ao ponto que vamos entrando no ritmo, e ao final já torcemos pelas conexões de tudo. Sendo assim, é daqueles filmes que vai agradar alguns tipos de pessoas, geralmente aqueles que gostam mais de dança, mas que também passa boas mensagens no contexto geral, e que vai funcionar para um público maior também.

A sinopse nos conta que a paixão de Joseph pela dança hip-hop o leva a rejeitar um emprego na empresa da família e a se mudar para Paris para tentar a sorte. Com sua namorada Emma e seu melhor amigo Karim, ele se junta a uma equipe formada pelo proeminente disjuntor parisiense Youri para tentar ganhar uma competição internacional de hip-hop. Na preparação para o evento, nada corre como planejado - Joseph é traído por Emma e Youri, e o grupo implode. Tomado por Rémi, um ex-dançarino de balé que se tornou professor, Joseph descobre o mundo da dança clássica e é apresentado à deslumbrante Chloé, que está se preparando para uma audição para o New York City Ballet. Através do encontro, orquestrando uma aliança improvável entre hip-hop e balé, Joseph aprende a desenvolver uma personalidade como dançarino, líder e legitimidade como artista.

Talvez a maior falha do longa tenha sido a falta de uma direção mais imponente, pois é o primeiro filme de Ladislas Chollat, que se baseou na franquia americana "StreetDance 3D", e acabou roteirizando uma trama até que envolvente, que passa uma verdade nos atos, e até cria um molde bem centrado em cima dos jovens que vivem (ou tentam pelo menos) de dança no mundo, buscando se encontrar como artista, como coreógrafos ou até mesmo professores de outros dançarinos, incorporando sonhos, e dando nuances suficientes para que os jovens sigam seus objetivos sem desistir por qualquer coisa. Ou seja, a ideia toda foi muito bem feita, a história foi bem amarrada, mas faltou aqueles momentos de arrepio que alguns diretores sabem fazer bem, aonde o clímax pegaria fundo e levaria a trama até o final perfeito, pois ao final temos sim uma bela dança e uma junção completa de tudo o que desejavam passar, mas fecha com isso, e talvez um pouco antes emocionaria mais. Sendo assim, não digo que foi algo ruim o que ele fez na sua estreia, mas que certamente daria para aprimorar um pouco mais e entregar algo ainda melhor.

Sobre as atuações, fiquei até assustado ao pesquisar e ver que ao menos os protagonistas eram atores mesmo dançando, e não algum grupo de dança formado, pois todos mandaram muito bem nos movimentos e chamaram bastante atenção do começo ao fim, começando com Rayane Bensetti (que por acaso ganhou o Dança dos Famosos da França), e aqui entregou um Joseph bem cheio de olhares, com boas dinâmicas, e criando coreografias bem inusitadas para seu personagem, indo bem tanto na interpretação do personagem com ares introspectivos, momentos de dúvida e tudo mais, quanto na dança. Alexia Giordano também trouxe personalidade para sua Chloé, dançando bastante, trabalhando sentimentos e funcionando com um ar tímido e gracioso, além de entregar muita química com o protagonista. Guillaume de Tonquédec deu o ar mais adulto para a trama com seu Rémi, ousando em atos mais diretos, encontrando trejeitos clássicos de professores, e principalmente incorporando lições para os demais, num correto e bem colocado personagem. Fiorella Campanella até trouxe algumas expressividades para sua Emma, mas sua personagem é daquelas que o público acaba não gostando, então mesmo indo bem no que faz, ficou bem em segundo plano. Agora os demais realmente eram dançarinos, e mesmo assim Mehdi Kerkouche entregou comicidade e sentimento para com seu Karim, mas pelo tanto que dançou já era esperado que não fosse um ator realmente, ou melhor um ator dramático, pois se você já jogou qualquer um desses jogos de dança modernos, ele é quem usaram para criar os movimentos, então brincou bastante e foi bem atuando também. 

No quesito visual, montaram bem um estúdio de dança com ambientes comuns do estilo, usaram bem as ruas de Paris para brincar com as danças diversas, e principalmente criaram duas competições incríveis com público e tudo mais, além de ótimos figurinos, ou seja, uma composição que brincou bastante com luzes, com dinâmicas, e até menos com objetos, fluindo desde o balé clássico, passando pela ópera, até chegar no street dance/hip hop, ou seja, tudo muito bem usado para remeter a junção entre o clássico e o moderno, num trabalho simples, porém muito bem feito.

Enfim, é um longa que não faz muito a linha casual que alguns estão acostumados, e que muitos vão acabar até pulando ele nas indicações que a Netflix faz, por ser um longa de dança, mas que passa boas mensagens, e funciona bem dentro do conteúdo como um filme dramático/romântico, e assim sendo recomendo ele para todos, mesmo com as devidas falhas de dinâmica que o diretor teve em alguns atos. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Asfalto de Sangue (Burn Out)

6/27/2020 11:45:00 PM |


Como essa semana teve poucas estreias de filmes, para dar espaço para as sereis do momento, resolvi ver alguns longas que estavam na minha lista da Netflix, e caí no francês "Asfalto de Sangue" que até tem uma boa premissa, algumas atuações bem fortes, e que mostra bem como é a loucura das drogas, mas ficou parecendo faltar algo para a trama decolar, não indo a fundo nem no caso das drogas, nem na vida de piloto profissional, nem nada, tudo no meio termo, e assim sendo não empolga como deveria, nem causa envolvimento do público para com as cenas de ação. Ou seja, é daqueles filmes que vemos ele inteiro e no final ficamos nos perguntando o que eles desejavam realmente mostrar. Não digo que seja uma bomba imensa, pois as cenas de corrida do jovem com a moto entre duas cidades são bem bacana, as fugas em diversos atos pareceram bem reais, mas faltou uma história a mais para funcionar melhor, e assim sendo o resultado não tem agrada.

A sinopse nos conta que Tony é um piloto de superbike promissor. Ele dedicou toda a sua vida à sua paixão e seu sonho finalmente está se tornando realidade: se tornar parte de uma equipe profissional de alto nível. Mas tudo se desenrola no dia em que sua ex-namorada contrai uma dívida com um mafioso perigoso de seu projeto habitacional. Para salvar a mãe de seu filho em perigo, Tony não tem outra escolha senão usar seu talento para fazer corridas com drogas perigosas em sua moto para o bandido.

O diretor e roteirista Yann Gozlan tentou criar algo mais aberto do mundo das drogas e das corridas, mas ficou muito em cima do muro, não atacando nem para um lado nem para o outro, dando até boas nuances com o protagonista pirando por ter de estar em três trabalhos que exigiam muito dele, mas sempre ficando com pouco envolvimento e poucas dinâmicas, inclusive no romance do protagonista como algo fraco demais de ver. Ou seja, o diretor quis criar um ambiente envolvendo máfias, envolvendo corridas e ainda trabalhando envolvimento sentimental, mas não conseguiu nenhum deles, trabalhando com um filme corrido, com situações espalhadas, e poucas dinâmicas realmente que surpreendesse, de forma que vemos o filme inteiro, acabamos e ainda ficamos pensando aonde queriam chegar com a trama, mas como disse não é ruim o que ele fez, pois as cenas de ação foram bem dirigidas, certamente os dublês foram bem ousados nos movimentos com as motos e câmeras, e o resultado visual chama a atenção ao menos, mas faltou um pouco mais de roteiro e diálogos para que tudo funcionasse realmente.

Sobre as atuações, François Civil tem estilo, já falei isso nos diversos filmes dele que vi, mas aqui o jovem pareceu não chamar a responsabilidade para seu Tony, ao ponto que já começa errado quando lhe apresentam na metade do filme como sendo português (?!?) sem necessidade nenhuma, a não ser um parabéns pra você no final do longa, depois o rapaz fez somente trejeitos cansados com razão, mas nada que impressionasse, e por fim faltou com a emoção, ou seja, apenas fez o papel. Olivier Rabourdin até entregou um Miguel convincente, mas seu papel só aparecia rapidamente, então nem foi muito além do que era comum ver, mas não decepcionou ao menos. Samuel Jouy trouxe um Jordan cheio de imponência, com cara de mau, cheio de trejeitos, mas da mesma forma que Rabourdin, não teve quase diálogos, então ficou bem em segundo plano. Manon Azem trabalhou sua Leyla para enfeite praticamente, aparecendo apenas nas cenas, fazendo caras tristes, dando alguns beijos no protagonista, e nada além disso. E para finalizar sabíamos de cara que Narcisse Mame serviria para algo mais no fim com seu Moussa, e até que o jovem trabalhou alguns trejeitos, fez algumas dinâmicas, mas foi usado apenas como algo jogado, e assim sendo não empolgou. Ou seja, um elenco que ficou fraco de textos, que só se manteve preso pelas dinâmicas do protagonista, e assim sendo não conseguiram levantar o filme.

No quesito cênico, o longa contou com motos potentes, boas cenas de corridas, fugas em pista rápida, galpões abandonados, comunidades recheadas de criminosos, e poucos elementos cênicos, mas tudo foi bem montadinho ao menos para passar a sensação que o filme tinha, porém não foram muito além, então ficou só algo para exibir mesmo.

Enfim, é um filme de mediano para fraco, que tem uma dinâmica funcional, mas que falhou tanto na ideia, quanto no roteiro, não envolvendo nem tendo muitos diálogos para que a história ao menos fluísse, ou seja, quem gosta de corridas de motos até pode passar um tempo, mas no final irão desanimar com todo o resultado, e sendo assim, não recomendo o longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars (Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga)

6/27/2020 02:08:00 AM |


Se você já assistiu qualquer filme do Will Ferrell você já sabe exatamente o que vai acontecer em qualquer outro que contenha o ator: uma bagunça cheia de bizarrices e clichês. Porém no novo longa da Netflix, "Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars" foi inserido algo do estilo de diversos filmes musicais bacanas, com boas canções e uma desenvoltura tão maluca que o resultado acaba sendo gostoso de conferir, mesmo com tanta loucura em cena, e claro as caras e bocas do ator. Ou seja, seria quase que o longa "A Escolha Perfeita" exagerado e forçado, que da mesma forma se passa em um festival, mas que tenta brincar com romances, com disputas bizarras, e claro com personagens malucos, e dessa forma só as músicas e a produção em si consegue salvar o longa de algo desordenado. Sendo assim, confesso que não esperava nada do longa e até me diverti, principalmente por gostar de musicais, mas garanto que a maioria vai ficar meio perdido com tudo o que é mostrado, e reclamará mais do que curtirá o resultado final.

O longa nos mostra que quando os aspirantes a músicos Lars e Sigrit têm a oportunidade de representar seu país na maior competição de músicas do mundo, eles finalmente têm a chance de provar que qualquer sonho que vale a pena ter é um sonho pelo qual lutar.

Como o diretor David Dobkin tem uma carreira bem voltada para clipes musicais e também diversos longas de comédia (mas ainda acho seus dramas melhores que suas comédias), claro que soube orquestrar bem a junção de ambas as coisas em um único filme, escrito claro por Will Ferrell, de modo que se tem algo positivo na trama é a execução que escolheu entregar, pois vemos realmente uma grande produção de um festival gigantesco (que existe realmente!), e que bem trabalhado conseguiu passar envolvimento através da música, cenários bem ambientados, e principalmente uma história até que convincente por trás de tudo, porém como já conhecemos bem Will, e acredito que o diretor nem tanto, ele precisaria de muito mais para que o filme convencesse na totalidade, e entregasse algo não tão forçado de clichês, e muito menos bizarrices para que tudo agradasse mais, porém quem gosta de longas musicais até que acabará se divertindo com o resultado, e de certa maneira podemos dizer que o diretor fez um bom trabalho como uma produção gigante, e diferente.

Sobre as atuações, como já disse no começo já sabemos bem o que vamos ver em todos os filmes que Will Ferrell entra, e aqui seu Lars apenas é o mesmo de sempre, porém com uma vasta cabeleira, que entrega boas dinâmicas, mas que é exagerado em tudo, e o ator até emprestou sua voz para a cantoria toda, agradando no desenvolvimento geral, mas confesso que o filme com um ator menos exagerado cairia muito melhor. Sabemos que Rachel McAdams é daquelas atrizes completas que geralmente se entregam para todos os papeis que fazem, e aqui sua Sigrit tem personalidade, tem atitude e trabalha muito bem cada um dos trejeitos para que o carisma fosse lá nas alturas, se envolvendo bastante em tudo, e mesmo dublando na cantoria (a voz é da sueca Molly "My Marianne" Sanden) vemos algo totalmente crível e que emociona (principalmente na canção final!). Da mesma forma Dan Stevens se soltou completamente na dança de seu Alexander, fazendo carões, incorporando trejeitos e mostrando atitude em cima de atitude, mas também sendo dublado pelo barítono sueco Erick Mjönes, afinal nunca teria uma entonação tão forte como o personagem pedia nas canções, mas ainda assim o que vemos interpretando é ele, e já pode montar o show, pois foi bem demais. Quanto aos demais, a maioria entregou participações, algumas maiores, mas nada que fosse imponente demais, e desde Pierce Brosnan como o pai do protagonista completamente rude com os atos do jovem, passando por Mikael Persbrandt como um estilo de ministro da Islândia insano, misturando com os diversos cantores de vários países, o destaque acaba ficando mesmo com a cantora Demi Lovato com sua Katiana, que inicialmente é uma adversária musical dos protagonistas, mas depois acaba tendo participações bem malucas, ou seja, uma bagunça meio que organizada.

Fiquei realmente na dúvida se usaram algum ano da Eurovision original mesmo para gravar ou se a equipe de arte fez toda a composição completa dos shows, pois foi algo bem trabalhado, cheio de efeitos de palco, com muita personalidade nos ambientes, figurinos incríveis, além claro da mansão de um dos personagens toda cheia de pompa para uma digna festança também cheia de detalhes, além claro de uma cidadezinha islandesa a base de pesca simples e sem muitos elementos, aonde praticamente só usaram um bar e alguns poucos lugares, mas tudo muito bem feito e representativo, mostrando lendas da cidade, cultura e até mesmo a forma de trabalho, ou seja, um trabalho bem montado, que vai sendo incrementado e acaba chamando muita atenção.

Agora com toda certeza o melhor da trama como todo bom musical foram as músicas originais criadas de forma irreverente e bem colocadas nas personalidades dos protagonistas, ao ponto de que acabam entrando na nossa cabeça e ficando como chiclete depois da exibição, e como sou bonzinho com vocês, vou deixar o link completo para aqueles que quiserem ficar ouvindo mais depois de ver o filme.

Enfim, é daqueles filmes que até servem de passatempo, que divertem pela essência maluca, que para quem gosta de um musical vai agradar bastante, mas que é repleto de exageros, cheio de clichês, e que força em tudo para trazer graça para a trama, de forma que não chega a ser ruim tudo o que entrega, mas certamente com um ator menos forçado como protagonista, e não apelando tanto seria daqueles filmes que sairíamos vibrando após conferir tudo, ou seja, vale a conferida, mas tem de estar disposto a aceitar bizarrices mil. E assim sendo fica a dica para ver, ou não, dependendo do que você esteja disposto. Bem é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Toc Toc

6/26/2020 12:51:00 AM |


Hoje vou falar de um filme que não é um lançamento da Netflix, e que estava já há muito tempo na minha lista, mas por parecer bobo demais acabei pulando ele indo para outros exemplares, mas se arrependimento matasse, eu já estava no chão faz tempo, pois a comédia espanhola "Toc Toc" é simplesmente fenomenal (como diria um dos personagens da trama), sendo daquelas que você ri o tempo inteiro com as loucuras e TOCs de cada um dos personagens, de modo que chega a ser brilhante a fórmula usada sem precisar apelar (mas apelando na medida certa), ao ponto que tudo funciona, e por ser baseado em uma peça de teatro, o resultado preza pelas boas interpretações, e aqui não temos falhas, nem absurdos estéticos que acabem atrapalhando algo, mas sim uma montagem simples, funcional e direta ao ponto. Ou seja, vale muito a conferida para aqueles momentos que você está precisando de algo que vá animar seu dia, pois é muito bom mesmo exagerando em alguns atos.

O longa nos conta que na sala de espera de um médico especialista conhecido internacionalmente em tratamentos para TOC (Trastorno Obsesivo Compulsivo) encontra algumas pessoas que, por mau funcionamento de um novo programa de computador, foram agendadas para o mesmo dia e horário. No grupo estão os seguintes: Emilio, um motorista de táxi especialista em cálculo matemático astronômico, que também é afetado pela Síndrome de Diógenes (desordem do tesouro); Blanca, uma trabalhadora de laboratório que sofre de mysophobia, um pânico extremo em todos os vírus e bactérias; Ana María, uma religiosa fervorosa com desordem de verificação; Otto, um jovem obcecado por simetria, incapaz de pisar nas rachaduras nas calçadas; Lili, uma jovem simpática e treinadora de academia que é afetada ao mesmo tempo por palilalia (repetição não intencional de citações, palavras e sílabas ditas por si mesmo) e ecolalia (repetição não intencional de citações, palavras e sílabas ditas por outra pessoa); e finalmente Federico, um aspirante a advogado maduro afetado pela Síndrome de Tourette, forçando-o sem querer a dizer todo tipo de palavrões e a fazer gestos obscenos. Após um primeiro contato tenso entre eles, que aumenta quando Tiffany, recepcionista do Dr. Palomero, informa que o avião do médico atrasaria em Londres, Federico sugere que os outros compartilhem seus diferentes TOCs na esperança de encontrar uma cura, iniciando uma série de eventos cada vez mais loucos.

Certamente o trabalho do diretor Vicente Villanueva foi fazer com que os atores não morressem de rir nas gravações para que o resultado fluísse, pois ver os demais fazendo suas loucuras e conseguir segurar o riso é algo dificílimo, e aqui ele que adaptou uma peça, que foi recordista de bilheteria na Espanha, conseguiu captar essências bem colocadas, deu dinâmicas coesas na montagem, e principalmente fez a trama soar divertida do começo ao fim, coisa que é rara de ver em algumas comédias espalhadas por aí, pois até temos apelações, temos exageros, mas tudo acaba fazendo parte da loucura completa da trama, e assim sendo ele apenas conseguiu captar o melhor de cada personagem, entregando tudo para que os atores se soltassem ao máximo, e fluíssem junto com a história toda. Confesso que cheguei a imaginar duas frentes diferentes para o final, inclusive uma sendo a que ocorre, mas é daqueles filmes que isso é o de menos, pois todo o restante funciona sem precisar ter um final coerente.

Agora sem dúvida alguma o grande acerto da trama ficou por conta das ótimas atuações, afinal por ser um filme teatral o elenco precisou dominar cada momento e se entregar a fundo para cada personagem soar engraçado e certeiro com suas dinâmicas, e felizmente isso aconteceu com todos. Chega a ser desesperador ver Paco León fazendo as milhares de contas com seu Emílio, ao ponto que ficamos morrendo de vontade de pensar como uma outra protagonista de pegar a calculadora, parar o filme e conferir se está tudo certo, mas não precisa, pois acabamos acreditando e ficando desesperados com sua forma de viver, tanto que na sessão de cura é duríssimo pensar como alguém ficaria pressionado, e o ator foi genial em tudo o que fez com suas expressões. Oscar Martínez é daqueles atores espanhóis que consegue trabalhar qualquer papel, e puxar a responsabilidade do filme para si, e aqui seu Federico é daqueles que você pula com a quantidade de palavrões gritados a cada berro, e o ator soube conduzir tiques, trejeitos e muito envolvimento do começo ao fim, ou seja, perfeito. Alexandra Jiménez trabalhou sua Blanca com muito cuidado, colocando algo que muita gente tem de exageros com limpeza, por medos de vírus, bactéria e tudo mais, e a atriz soube fazer isso com maestria, pois em alguns casos poderia passar como algo falso ou exagerado, mas não, sentimos seu desespero, e a cada volta ao banheiro as coisas só pioram numa paranoia incrível de ver como ela fez (e sabemos agora com a pandemia que muitos estão assim), ou seja, perfeita também. Rossy de Palma é uma das atrizes espanholas que mais vimos nos cinemas, afinal é uma das queridinhas de Almodóvar, e aqui sua Ana Maria é insana com o desespero de ficar voltando para checar tudo, e minuciosa em detalhes soube conduzir tudo com primor e muita desenvoltura, dando um show também. Adrián Lastra foi o que mais exagerou com seus pulos e contorcionismos, mas foi preciso nos movimentos para passar o desespero de seu Otto com simetrias e fuga de pisar em linhas, ou seja, foi adequado para o papel, mas soou levemente falso. Nuria Herrero poderia ter botado mais energia com sua personagem Lili, pois é mostrado como uma professora de ginástica maluca, mas na sala fica calma demais com suas repetições, e chega a ser cansativo, mas foi uma opção para mostrar uma síndrome, e talvez fosse melhor de outra forma. E para finalizar tivemos a secretária vivida por Inma Cuevas que entregou ser tão maluca quanto os que estavam lá, e acertou bem no tom, foi dinâmica e coerente com seus atos, e acabou não atrapalhando o desenvolvimento, o que é raro em coadjuvantes quando temos muitos protagonistas, ou seja, acertou bem também.

O conceito visual da trama foi simples, afinal voltamos na ideia de que a trama toda é em cima de uma peça, então não era nem necessário exagerar com tudo, mas foram dinâmicos com um começo bem apresentado de cada um dos personagens com suas loucuras nos seus próprios ambientes de trabalho ou em casa, e na sequência já vamos para a clínica ampla, cheia de salas simples, porém bem montadas no melhor estilo de consultórios, com várias salas de espera, objetos comuns desses lugares como revistas, ornamentos pequenos, plantas e tudo mais que vemos casualmente, e que até serviram para algumas dinâmicas, ou seja, a equipe de arte não precisou se preocupar muito, e sendo coerente acabaram agradando bastante também.

Enfim, é um tremendo filme que vale demais a conferida, que muitos vão se enxergar um pouco em alguns TOCs dos personagens (claro que com devidas quantidades menores - espero eu!), e que diverte muito do começo ao fim, ou seja, se você quer um longa que vai realmente rir muito essa é a melhor opção do streaming atualmente, e que mesmo tendo alguns errinhos bobos, vale demais a conferida. Então é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Ninguém Sabe Que Estou Aqui (Nadie Sabe Que Estoy Aquí) (Nobody Knows I'm Here)

6/24/2020 11:07:00 PM |


Hoje existe algo que muito se discute sobre bullying, que não deve fazer isso, que não pode aquilo, e tudo mais, porém geralmente a defesa de um acaba sendo algo pior para o outro, e muitas vezes nem sempre o que ocorre é algo inteligente para ambas as partes. Dito isso, o longa chileno da Netflix, "Ninguém Sabe Que Estou Aqui" é daqueles que nos fazem refletir sobre as atitudes do passado e do presente do protagonista, pois nos é mostrado desde o começo apenas seu sonho destruído, suas virtudes, e claro sua reclusão, que não é entendida em momento algum, e apenas mais próximo do final sabemos um pouco mais da história, e somente na penúltima cena descobrimos tudo o que ocorreu. Ou seja, é uma trama que tem uma intensidade de acordo com a parte que você vê, e conhece, que até é bonita, porém introspectiva demais, de modo que você fica o tempo todo esperando algo a mais acontecer, e não acontece, nem acontecerá, de forma que o final é interessante pela busca da paz de espírito apenas, e não algo que impacte realmente, e assim sendo esse acaba sendo daqueles filmes que você termina de assistir e não sabe se gostou ou não, que talvez refletindo saia algo melhor, mas não acredito muito na reclusão, então prefiro dizer que o longa falhou, e poderia ter ido muito além.

O longa nos conta a história de Memo, que mora em uma fazenda remota de ovinos chilenos, escondendo uma bela voz do mundo exterior. Recluso com um toque cintilante, ele não consegue parar de pensar no passado, mas o que acontecerá quando alguém finalmente ouvir?

O longa de estreia do diretor Gaspar Antillo tem seus méritos, de forma que em algumas cenas chegamos a arrepiar com a emoção passada, porém volto a repetir que o tempo todo ficamos esperando algo a mais da trama, parecendo que o diretor não encontrou uma forma seja na montagem ou na própria história para que seu filme tivesse um peso realmente. Claro que vamos compreender a vontade do protagonista de desejar ficar escondido, vamos entender o bullying que sofreu e que acabaram lhe tirando seu sonho de ser um cantor de sucesso por ser gordo, mas talvez um estouro de personalidade, um momento de reviravolta, ou até mesmo a cena final lá pelos 40 minutos do filme, para que pudesse acontecer algo a mais após, mas não, encerra, e a emoção broxa. Ou seja, diria que o diretor pode até conquistar o olhar de alguns críticos que gostam de filmes abertos, mas faltou muito para empolgar ou causar algo em um público mais comercial, e sendo assim a introspecção vai cansar mais do que envolver a todos.

Sobre as atuações, é fato claríssimo que Jorge Garcia dá um show de expressões do começo ao fim do filme com seu Memo, emprestando inclusive a sua voz para a canção tema do filme, de forma que vemos sensações nos seus trejeitos, vemos dinâmica, e até mesmo nos momentos mais calmos da trama vemos seu estilo predominar ao ponto de não conseguirmos tirar os olhos do protagonista, ou seja, ele foi muito bem, e se não fosse por ele o filme certamente desandaria muito. Luis Gnecco até tenta entregar algo a mais para seu Braulio, porém o personagem é amarrado demais, não indo nem para frente nem para trás, de modo que mesmo seu ato forte no acidente com o barco serve praticamente para nada na trama, e isso é ruim de ver. Millaray Lobos entregou para sua Marta uma sensibilidade até que bonitinha de ver, mostrando carisma, porém não pegou muito como poderia, de forma que seu fechamento é simbólico e bonito de ver, mas nada de impressionante. Quanto aos demais personagens todos acabaram sendo apresentados e usados com tanta rapidez nas cenas finais que quase nem conseguimos distinguir quem é quem, e para que serviriam, ao ponto que chega a ser uma falha da trama, mas é bonitinho ver os garotos com suas personalidades, ver o pai tradicional que só pensa em ganhar dinheiro com a habilidade do filho, e até mesmo Gaston Pauls com seu Ángelo adulto tem uma boa entrega na cena final, mas nada imponente ao ponto de se destacar.

Visualmente encontraram uma ilha bem bacana de refúgio para o protagonista, algo completamente isolado, com muitos elementos cênicos que podem até representar algo a mais, mas que parecem ser uma imensa bagunça de alguém que não cresceu, e que até pode simbolizar momentos e intensidades para a trama, porém o diretor usou bem pouco, apenas mostrando o curtume aonde o protagonista e o tio preparam as peles dos animais, e não indo muito além. A fotografia trabalhou alguns atos com uma luz forte avermelhada, também sem muitos motivos aparentes, apenas para dar destaque nos momentos de imaginação do jovem, que até funcionam, mas sem ser algo imponente, e claro a cena de fechamento toda bonita num programa de auditório (sem auditório!), aonde fizeram um debate interessante, e o funcionamento da banda agrada, mas certamente poderiam ter ido bem além.

Enfim, é um filme que tem uma proposta muito boa, porém um desenvolvimento fraquíssimo que acabou resultando em algo mediano, e assim sendo não digo que recomendo ele com muita força, pois acredito que a maioria das pessoas irá mais se cansar com tudo do que se emocionar realmente com o resultado completo, mas que volto a frisar que não é um longa ruim, então quem tiver sem nada para conferir até vale uma olhada. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Boneco de Neve (The Snowman)

6/23/2020 11:42:00 PM |


Antes de mais nada, esse não é um filme da Netflix, mas sim um filme que só consegui ver na Netflix devido ao problema que sempre relatei nas programações de as distribuidoras não mandarem seus filmes para o interior!! Desabafo feito, posso dizer que desde que vi o primeiro trailer de "Boneco de Neve" nos cinemas, eu tinha certeza que seria um filme do estilo que gosto de conferir, daqueles que prendem a atenção do começo ao fim, que vamos fazendo apostas de quem é o assassino, por quais motivos está matando e tudo mais, que tem reviravoltas mil no miolo, ou seja, perfeito mistério, mas como é de praxe, acabou que o filme não estreou por aqui, e até tinha esquecido dele, mas eis que semana retrasada apareceu uma notificação das estreias das próximas semanas na Netflix, e já coloquei na lista para me avisar, e não perdi tempo, hoje estreou, já dei o play, e todas as minhas expectativas foram cumpridas exatamente como imaginava quando vi o trailer, pois o longa tem essência, tem todo o mistério, tem uma boa história, e principalmente tem um elenco afiado com tudo. Ou seja, é um tremendo filmão que até tem alguns defeitos, principalmente não explicar muito algumas invasões do assassino, e o motivo ser meio digamos bobo, mas a intensidade da trama compensa essas besteiras, e vale demais a conferida (claro, para quem não viu no cinema na época que foi lançado em 2017).

O longa se passa em Oslo, na Noruega, onde Harry Hole é um policial reconhecido pelos casos resolvidos no passado, mas que sofre com problemas de alcoolismo. Após encontrar por acaso com a agente novata Katrine Braft, ele passa a investigar o desaparecimento de uma série de mulheres. A peculiaridade é que o responsável enviou, ao próprio Harry, um cartão enigmático com a imagem de um boneco de neve que está sempre presente nos locais onde as vítimas são atacadas.

O diretor Tomas Alfredson trabalhou tão bem sua trama de forma que chega a dar vontade de ler o livro de Jo Nesbø, que basearam para escrever o roteiro do filme, pois foram espertos em cortes e nuances, souberam encontrar os pontos de virada certeiros, e principalmente ele encontrou uma forma de o filme ficar violento sem causar, e sem precisar enfeitar como a maioria dos longas usa, de modo que vemos algo real de crimes fortes, com uma pegada própria dele que não deixou que sua trama ficasse nem lenta demais, nem acelerada demais, ao ponto que tudo parece seguir um rumo nos prendendo bem e funcionando. Ou seja, ele conseguiu criar as diversas amarrações que pareciam desconexas com cortes precisos e funcionais, ao ponto de vermos cada ato já esperando o próximo, e até chega a ser engraçado ficarmos pensando, mas pra que essa pessoa na trama, qual motivo disso, aonde ele vai chegar, e tudo vai sendo amarrado até o grande fechamento, e é assim que deve ser qualquer filme, pois muitas vezes somos apresentados no miolo tudo, e o longa broxa depois, enquanto aqui tudo vai só aumentando a tensão, e acaba sendo igual a um livro, queremos ir logo para o final para saber como vai deslanchar, e aqui tivemos um ótimo final. Claro que como todo filme de suspense/mistério a trama tem inúmeros erros, várias falhas sequenciais, e explicações largadas para trás, mas felizmente o resultado de tudo é tão bom que passamos rápido pelos erros, e o resultado final funciona.

É fácil falar de atuações quando o elenco cai como uma luva para a trama, e aqui todos se entregam para seus personagens, temos diversos momentos marcantes com cada um, e o resultado é visto como uma soma completa de bons atos. Para começar temos o sempre bem colocado Michael Fassbender, que conseguiu fazer com que seu Harry tivesse personalidade, fosse misterioso o suficiente para criar as nuances do personagem, e principalmente não fosse insistente nos atos, pois alguns detetives cansam por serem chatos, enquanto aqui a calma é o principal ponto positivo do personagem, e o ator fez de maneira incrível. Rebecca Ferguson trouxe para sua Katrine exatamente o oposto do que vimos em Fassbender, colocando a personagem num desespero sem limites, se enfiando em tudo o que fosse possível, pulando muros, instigando personagens, e a atriz embora não seja daquelas que marcam presença, fez boas atitudes em muitos atos, o que acaba agradando de certa forma. Charlotte Gainsbourg inicialmente traz para sua Rakel uma personalidade estranha, mas depois acaba até tendo um contexto bem colocado na trama, e ainda continuando o estilo segurou bem seus atos ao menos. Jonas Karlsson fez seu Mathias de forma interessante, meio que jogado, com olhares e nuances não muito comuns, mas também não desaponta, de forma que até poderia ser mais imponente em alguns momentos, mas não chamaria tanta atenção também. J.K. Simmons fez seu Arve quase que de enfeite, mostrando um ar político, momentos misteriosos, mas tudo bem condizente ao menos, e isso agrada bastante, porém poderia ser qualquer ator, que o resultado seria o mesmo. David Dencik trabalhou seu Vetselen de forma misteriosa, e até teve alguns atos chamativos, mas não impôs nada que o filme desse um tom a mais para ele, de forma que nem quase diálogos teve para trabalhar. Dentre os demais, tivemos a participação de Val Kilmer com um bom detetive Rafto, mostrando uma velhice misturada com bebedeira, mas bem usado também, e pegaram o Toby Jones passeando pelos corredores e resolveram colocar ele num papel inútil, que talvez no livro tenha algo a mais, mas aqui foi jogar ator a toa na tela. Dentre as mulheres que foram mortas ou sumidas apenas, nenhuma teve nada de destaque, muito menos os parceiros e familiares que aparecem, sendo que podem ser considerados como figurantes apenas.

Visualmente o longa trabalha imagens incríveis, com muita neve para todo lado, um frio monstruoso dominando a Noruega, e claro ambientes bem densos, com pouca iluminação, e ângulos precisos para não revelar nada para ninguém de quem seria o assassino, além de alguns apetrechos de matança bem impactantes como espingardas e cortadores, que fizeram com que a equipe de arte tivesse bastante trabalho para criar cabeças para rolar, rostos deformados por tiros, e claro contratar muitas crianças para fazer diferentes bonecos na neve, ou seja, um trabalho forte e bem marcado.

Enfim, é um filme bem intrigante, que agrada bastante, e que tem muitos furos, daqueles que quem for mais chato vai passar o longa inteiro reclamando, mas que no geral vale muito a conferida, e que certamente quem gosta do estilo irá pensar tanto em ler o livro, quanto ficar desejando uma continuação, afinal deixaram aberto para isso. Sendo assim, fica minha recomendação, e eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Expresso Do Destino (Yarina Tek Bilet) (One-Way To Tomorrow)

6/21/2020 07:35:00 PM |


Essa nova leva de filmes turcos anda surpreendendo bastante, pois mesmo sendo baseada em filmes de outros países (preciso dar uma pesquisada se também é uma moda por lá!), conseguem trabalhar essências emocionais bem interessantes e envolver o público com a história contada, e isso é algo muito bom de ver. Diria até que o longa da Netflix, "Expresso do Destino", se visto por alguém na versão dublada acabará pensando ser um filme de Richard Linklater pelo estilo de discussões de casal, das coincidências, e do romance subjetivo que acaba pairando no ar, ou seja, é daquelas tramas que bons diretores acabam fazendo sem pesar a mente do público, aonde o destino parece falar mais alto, e que cada coisa até parece absurda de estar ocorrendo, mas como é comum de ver em filmes, o amor não escolhe as pessoas nem a hora para acontecer, ele simplesmente acontece, e é bem isso o que vemos aqui, de uma forma gostosa, sem muitas desenvolturas, sem precisar de cenários mirabolantes, mas apenas dois bons atores, uma cabine de trem, e 14 horas de viagem (que viraram 90 minutos no filme) para envolver, funcionar e agradar bastante.

A trama é simples e nos conta uma história romântica de dois estranhos que se encontram em uma viagem de Ancara a Izmir

Ao dizer que o diretor Ozan Açiktan se compara a grandes diretores estou sendo direto e exclusivo nesse filme, pois não conheço nada de sua filmografia, mas ao menos aqui conseguimos enxergar claramente suas referências, e olhando fotos do filme sueco em que foi baseado ("Hur man stoppar ett bröllop - How To Stop a Wedding") vemos que copiou até elementos cênicos da trama original, ou seja, talvez se conferirmos ele veremos que o jovem diretor nem tem tanta boa mão, mas como não vimos vamos considerar seus feitios bem trabalhados, brincando bem com a câmera em planos e contraplanos mesmo em um espaço minúsculo, usando os artifícios rápidos do bom diálogo entre os protagonistas, e claro sendo bem coerente ao segurar as emoções nos atos, pois é notável que alguns cortes recaem em momentos diferentes, e souberam dosar tudo para parecer linear, e isso fez do filme algo bonito e acertado tanto por parte da história, quanto da direção, fazendo com que o filme até fosse funcional para uma peça teatral ou qualquer outra obra visual.

Sobre as atuações, fica claro logo de cara a química entre o casal de protagonistas, de modo que até poderiam ter disfarçado um pouco o começo, afinal pela história ambos estão tristes e desapontados com o que vai ocorrer aonde estão indo, então poderiam ter iniciado menos empolgados, mas isso não atrapalhou o andamento do filme, e ambos foram bem em tudo, além de conseguirem segurar a trama. Dito isso, Dilan Çiçek Deniz tem presença, é bonita e tem uma desenvoltura para com a câmera bem chamativa, ao ponto que em todas cenas conseguia puxar o assunto para sua Leyla, e isso é algo bem difícil em duetos, ou seja, foi muito bem no que fez. Da mesma forma, Metin Akdülger trouxe para seu Ali uma dinâmica bem curiosa, cheia de atos imponentes e bem marcados, fazendo com que seu personagem tivesse algo a mais sempre, e isso é bacana de conferir, fazendo com que as cenas funcionassem bastante.

No conceito visual, basicamente o longa fica quase que na íntegra dentro da cabine do trem, tendo algumas saídas para o corredor do trem, outras para o vagão refeitório, e até alguns momentos em paradas estratégicas, aonde a iluminação cênica deu um show, trabalhando bem tanto o ambiente, quanto as nuances seja no meio do mato ou numa pracinha bem iluminada, ou seja, a equipe trabalhou cada momento de maneira bem pensada, funcional, e claro ousada, pois nos atos mais fechados tudo ali necessitava ser bem empregado, e o resultado agrada bastante.

Não sou conhecedor da música turca, mas posso dizer facilmente que as escolhas musicais super combinaram para cada momento da trama, e dessa forma como tem no Spotify, vou deixar aqui o link para todos curtirem após ver o filme.

Enfim, é um filme bem gostoso de conferir, que tem ritmo, que tem boas atuações, e que principalmente funciona dentro do que se propôs, não soando nem exagerado nem bobo demais, e com isso valendo muito a conferida para quem gosta de um romance leve, cheio de dramatizações, e que não vai incomodar seu cérebro, nem fazer você lavar a sala, dando para conferir tranquilamente em qualquer horário, então fica a dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Feel The Beat

6/21/2020 01:35:00 AM |


Se tem um estilo de filme que veria um dia inteiro sem cansar é o de competições, pois mesmo sendo bem bobinhos, tendo motes motivacionais completamente clichês, com personagens que geralmente são motivo de riso, e tudo mais, acabam sempre emocionando com algo, divertindo em algum ponto, e principalmente acabam sempre de uma forma positiva, inclusivo os que falham horrores durante toda a execução conseguem ao final fechar com algo bem feito. E dito isso, claro que veria o lançamento da Netflix da semana, "Feel The Beat", que de cara, passado os primeiros minutos você já sabe exatamente o que vai acontecer em cada uma das cenas, mas ainda assim acaba sendo gostoso ver tudo acontecer com os personagens, criar o carisma positivo/negativo em cima da protagonista, e principalmente ver a desenvoltura das crianças, que certamente foram escolhidas nas escolas de dança para darem um show nos atos finais. Ou seja, o tradicional filme de ver num domingão tranquilo apenas relaxando e vendo acontecer, sem esperar nada além do que é mostrado.

A sinopse é bem simples e nos mostra que ao fracassar na Broadway, a dançarina April volta para sua cidade natal e aceita treinar um grupo de crianças para uma competição.

A diretora Elissa Down não quis florear muito seu longa, de forma que se formos olhar a fundo daria até para aumentar ele com as situações envolvendo um pouco da história da protagonista, seu passado e tudo mais, mas certamente demandaria muito tempo, mais cenas, e o resultado não mudaria tanto, então ao optar por trabalhar o desenvolvimento das crianças, os problemas com pais, e claro a competição em si, o resultado que vemos foi bons atos, uma edição meio que acelerada (mostrando poucas competições realmente! Com um candidato só por etapa contra, de forma que nem sabemos quantas equipes tinham competindo!), mas sendo funcional com o resultado, ao ponto de curtirmos cada estilo escolhido. E com isso até vemos que o roteiro que usou seria mais amplo, porém escolheu ser direta e objetiva, o que agrada, mas parece acelerado demais, o que não atrapalha, afinal o estilo pede algo assim mais bonitinho de ver, sem muitas preocupações. Ou seja, o resultado da direção nem é tão visto, pois tudo ocorre sem muitas aberturas, mas como já estamos acostumados com o estilo, o resultado empolga e emociona ao menos, e é isso que é necessário.

Sobre as atuações, basicamente temos de falar de Sofia Carson com sua April bem cheia de estilo, trabalhando olhares e sensações, se mostrando fraca em alguns atos, mas bem imponente em outros, e que acaba agradando bastante nos diversos momentos, ou seja, faz sua personagem de maneira bem oscilante e funcional, o que é interessante de ver, e mostra que a jovem tem boas dinâmicas e bons olhares, além de ser bem bonita também (de forma que o pessoal que vê séries até já conheciam ela, mas para mim foi o primeiro filme, e já mostrou ser boa de estilo). O par romântico da protagonista, afinal o estilo pede, Wolfgang Novogratz é outro que está aparecendo em todas as produções da Netflix sempre como coadjuvante, de modo que ainda não teve nenhum grande chamariz, mas aqui seu Nick foi bem colocado, teve algumas atitudes bonitinhas, e teve seu charme também, de modo que não errou. Quanto aos demais adultos da produção, todos tentaram aparecer um pouco, mas sem muito o que falar, dando dinâmicas e fazendo até algumas besteiras comuns do estilo também, tendo leves destaques para Enrico Colanto como pai da protagonista, Donna Lynne Champlin como Barb a professora e dona da escola de dança da cidade, mas nada que fossem expressivos ou chamativos, apenas bem encaixados. Agora quanto das crianças, todas tiveram seu charme, apareceram bem para seus atos, tendo claro destaque para Eva Hauge com sua Sarah por ter um papel mais chamativo já que é irmã do par romântico, e claro para a doçura carismática de Justin Caruso Allan que surpreende a todos com seu Dicky nos atos certos.

Visualmente o longa brinca com muitas cores nos figurinos das crianças, afinal competições de dança tem esse chamariz, e trabalha com cenários casuais para contrapor bem cidades grandes e cidades interioranas, com sua ruralidade, pessoas simples, e tudo mais, além disso colocaram bem um celeiro que acaba mudando durante a produção, um estúdio de dança simples, além de diversos teatros durante cada uma das fases do concurso, aumentando em tamanho e qualidade, o que deu um tom bacana para o filme, mas que poderiam até ter ido além se mostrassem mais as competições, além claro da fase final toda mais produzida, com flores e tudo mais, o que mostra que a equipe de arte foi bem simples, mas não economizou em detalhes.

Enfim, é o tradicional do estilo, envolve, é bonitinho pelas crianças se superando, tem boas sacadas, tem todo o lance moral que o gênero pede, e funciona sem precisarmos ficar pensando muito, ou seja, uma diversão gostosa de ver, que muitos nem gostam por ser básico demais, mas que vale o passatempo. Sendo assim recomendo ele para toda a família, e fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.
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Netflix - Bala Perdida (Balle Perdue) (Lost Bullet)

6/20/2020 07:44:00 PM |


O cinema francês é muito conhecido pelos ótimos dramas e comédias dramáticas que sempre são bem feitos, porém ultimamente tem surgido alguns longas que tentam mostrar que eles acertam em outros gêneros também, sendo que muitos dos filmes tem claro puxado ideias de filmes americanos, e eis que agora podemos dizer que eles possuem sua própria versão de "Velozes e Furiosos", porém indo por outro caminho que não carrões de luxo, mas sim uma mecânica turbinada para os carros da polícia com o longa da Netflix, "Bala Perdida". Chega a ser bem interessante as semelhanças com o irmão americano, mas aqui trabalharam um pouco mais os diálogos, e puxaram a trama para algo mais direto de essência, afinal o orçamento não é milionário como a versão americana para sair destruindo carros a rodo (apesar que aqui tivemos um momento bem forte nesse quesito também!). Ou seja, para os amantes deu um bom longa policial, cheio de boas dinâmicas, com uma história envolvente, e personagens com um bom carisma certamente encontrarão um refúgio nessa obra, ainda mais com as semelhanças com o original, e principalmente, sem enrolação, afinal são apenas 92 minutos de duração, e isso é algo que agrada mais que tudo.

A sinopse nos conta que um mecânico é injustamente acusado de um homicídio e a única prova de sua inocência é a bala do crime, que está presa em um carro desaparecido.

Em seu primeiro filme, Guillaume Pierret foi direto no que desejava, e isso já mostra um acerto, pois como costumo falar, geralmente em estreias os diretores costumam enfeitar sua trama, colocar detalhes, reviravoltas, uma tonelada de diálogos, e tudo mais que for possível, e aqui ele optou por algo mais coeso, direto no ponto de mostrar a inocência do protagonista, e com isso o filme ficou gostoso de conferir, rápido e sem grandes falhas, o que acaba funcionando tanto para quem gosta de longas de ação, quanto para aqueles que querem apenas uma boa experiência com um filme, e aqui tem as duas coisas. Claro que é um filme básico também, não tendo grandes ousadias, nem pontos de marcação que chamem atenção, porém é tão bem feitinho, tão imponente de personalidade que o resultado agrada bastante, e certamente fará com que o filme faça sucesso, e consequentemente ganhe uma continuação, afinal, deixaram o final aberto para essa possibilidade, basta imaginar algo bom que não soe forçado.

Assim como a trama é básica, os atores também não se impuseram para chamar muita atenção, mas claro que todos brigaram bastante e fizeram cenas de ação bem imponentes, e como o longa pedia isso, o diretor não foi bobo e economizou logo de cara colocando um dublê como protagonista, e Alban Lenoir, que iniciou lá trás como dublê de grandes estrelas, hoje já mostra dinâmicas suficientes para convencer tanto dialogando, quanto brigando corpo a corpo com diversos personagens, de forma que seu Lino tem estilo, tem pegada, e consegue segurar a barra da trama nos atos que lhe foi pedido isso, e o acerto de não precisar ficar mudando atores/dublês em cena deu ganho para a trama ficar mais com a cara de algo real, com o ator se machucando e sujando muito com tudo, ou seja, foi bem no que fez. Nicolas Duvauchelle trabalhou seu Areski de maneira intensa de olhares, fazendo com que ele entregasse momentos sérios bem colocados, e também tendo atitudes extremas malucas demais, mas ao menos não desapontou, e da mesma forma que começou intenso, terminou intenso. Já Stéfi Celma fez exatamente o contrário, e trouxe para sua Julia indecisão demais de atitudes, de forma que sua personagem ficou meio perdida em cena, não mostrando tudo o que ocorreu, e parecendo que teve cenas cortadas demais, mas não errou tanto, e ao menos foi razoável. Ramzy Bedia trabalhou seu Charas de uma forma bem colocada, criando um carisma para o personagem, e agradando o quanto deu na sua química com o personagem, ao ponto de acabarmos até gostando dele. Quanto aos demais todos foram simples e sem muito uso, desde Sébastien Lalane com seu Marco violento, passando pela inspetora Moss simples demais vivida por Pascale Arbillot, e até o jovem Rod Paradot com seu Quentim singelo, todos apareceram, fizeram seus atos, e nada além disso para se destacar.

Visualmente o longa também foi bem simples, mas acertado em carros tradicionais franceses para a polícia, claro que modificados pelo protagonista para ter um ganho maior de potência, bons momentos de perseguição no final, uma desenvoltura ninja para que o protagonista crie apetrechos em minutos para seus atos, e até locações bem colocadas para dar as nuances que o filme pedia, como estradas movimentadas, ruas pequenas, galpões suspeitos, e claro muito exagero cênico também, afinal esse estilo de filme pede isso.

Enfim, é um filme bem trabalhado, simples, curto e direto ao ponto, que vai agradar quem gosta do estilo policial, não tendo muitas firulas, nem grandes atuações, mas que de uma forma correta e envolvente consegue agradar bastante, e sendo assim vale muito a conferida. Bem é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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