Netflix - A Sun

4/05/2020 02:12:00 AM |

Já aviso logo de cara, se você não é daqueles que ama filmes de festivais, cheios de sínteses para refletir, aonde a calma predomina a ação, e mesmo com toda uma tensão subjetiva para resultar em algo, que o longa da Netflix, "A Sun" será praticamente difícil de aguentar até o fim dos 156 minutos de duração, e olha que gosto muito de festivais, mas aqui a trama enrosca muito. Claro que é um filme que foi muito elogiado pelas atuações cruas, por todo o trabalho cênico e pelas situações fortes que acabam retratando até mais do que o comum na vida de uma família, que sofreu muitos problemas, mas talvez se o filme tivesse menos aberturas, o resultado caminharia para algo bem melhor. Ou seja, é um longa que tem estrutura, tem história, tem bons momentos tensos, porém ele cansa e se arrasta demais, de forma que nos vemos próximos do final acreditando que o longa nem terá um final decente, largando tudo pela abstração e o público que imagine tudo, porém foram coerentes ao menos, e explicaram coisas que nem imaginávamos ter acontecido, e aí o longa acaba nos ganhando bastante, fazendo ter valido a pena chegar até lá.

O longa segue uma família problemática de quatro pessoas. A-Ho, o filho mais novo, sempre foi uma criança problemática, e seu pai, A-Wen investiu todas as suas esperanças e expectativas em seu introvertido filho mais velho, A-Hao. Enquanto A-Hao está tentando entrar na faculdade de medicina, A-Ho enfrenta detenção juvenil por um crime cometido com seu melhor amigo - embora não seja inteiramente de sua própria vontade. A-Wen abandona A-Ho, recusando-se a ajudar e até solicitando ao juiz que sentencie seu filho o mais severamente possível. Pouco depois de A-Ho ser enviado para a prisão, para piorar a situação, sua namorada aparece na porta de sua mãe Qin. A adolescente está grávida e determinada a ter o filho de A-Ho, mesmo que ele esteja trancado e não tenha ideia de que ela está esperando.

Não posso falar nada sobre os trabalhos anteriores do diretor Mong-Hong Chung, pois acredito que vi até hoje só uns 2 ou 3 filmes de Taiwan, e pela sua filmografia não lembro de ser nenhum dos que estão lá escritos, mas posso dizer que aqui ele mostrou algo bem intenso, cheio de ideias bem abertas para várias discussões, fazendo com que seu longa fosse bem trabalhado e servisse para mais do que apenas uma sessão, pois o filme discute com a ideia de pais que não apoiam mais os filhos quando vão presos, entra na questão do aborto, brinca um pouco com a ideia da pressão por entrar em uma faculdade e suas discussões filosóficas que não levam a nada, aplica o famoso conceito das más influências, ou seja, um filme que tem de tudo um pouco, e que consegue amarrar tudo, pois não vemos as situações fora do contexto da família, mas sim tudo implodindo os personagens para saírem de suas casinhas e trabalharem os temas, e assim o resultado funciona. Porém o ritmo é muito lento e o filme é alongado (afinal com tantos temas não daria para ser em 90 minutos!), e assim vemos o famoso problema de ver um filme na TV versus ver um filme em um cinema, que no cinema você veria inteiro, e apenas refletiria sobre tudo ao final, na TV como dá para parar, vamos aos trancos, e isso acaba dando um outro efeito. Ou seja, o diretor foi ousado em muitas cenas, e o filme tem estilo, mas não para muitos, que talvez odiarão tudo, enquanto outros irão chorar e se envolver com a trama.

Quanto das atuações diria que todos entregaram trejeitos sérios demais, chega a passar sofrimento para o público mesmo nas cenas mais descontraídas (se é que o filme tem alguma), e com isso a ideia de família problemática que o diretor desejava foi alcançada com muita tensão pelos protagonistas. O pai da família A-Wen foi interpretado por Yi-wen Chen com um pesar forte na essência, de modo que não conseguiu entregar um sentimento de perdão para o filho em ato algum, mas sua cena de fechamento foi daquelas para cair da cadeira, pois foi muito bem colocada em cima de tudo. A mãe Qin vivida por Samantha Shu-Chin Ko traz a dor de ver os filhos não bem em cada semblante seu, amarrando olhares, desenvolvendo situações e sendo muito certeira em atitudes, o que agrada bastante de ver. O jovem Chien-Ho Wu fez de seu A-Ho um garoto problemático de essência, e mesmo estando tranquilo sabemos que a qualquer momento ele pode entrar em algo ruim, e seus olhares não enganam ninguém de forma que vemos seus atos já esperando pelo pior, mas foi muito bem. Kuan-Ting Liu trouxe para o loiro Radish quase uma tatuagem na testa escrita "problema - fuja!", pois é daqueles que não tem como defender, e fez bem o ar de vilão e acertou muito bem. Quanto aos demais, a maioria entregou ares tristes demais, e isso desanima um pouco, mas o filme até pedia, e o destaque claro fica para o outro filho da família, vivido por Greg Han Hsu, que fez seu A-Hao alguém que até confundiu com o irmão, parecendo ser duas épocas, e ainda mais pelas palavras do pai que falava que só tinha 1 filho, então o resultado dele quase foi apagado, mas o jovem conseguiu seu momento ao falar claro o nome do filme, e o motivo de ser esse.

No conceito visual tivemos cenas bem intensas, algumas violentas e fortes, mas tudo feito com cores marcantes, ambientes bem montados para retratar a prisão, os empregos dos protagonistas, a cobrança em um cursinho, a casa simples dos protagonistas, e claro em todos os cantos da cidade frases motivacionais próprias para alguns acreditarem, ou seja, a equipe de arte trabalhou em prol do texto, não sendo a prioridade cênica, mas sim um complemento bem encaixado.

Enfim, é um filme bem interessante, mas que acabou sendo alongado demais para tratar de tantos temas, de forma que talvez reduzido em dois filmes funcionaria mais, ou até se o diretor quisesse trabalhar mais um lado da família e o outro amenizar, mas isso é um gosto pessoal, e acredito que alguns vão se apaixonar pelo longa, enquanto outros irão simplesmente detestar do começo ao fim, principalmente quem não for acostumado com filmes de festivais, então fica a recomendação de um belo filme, mas que tem ressalvas demais para o público alvo dele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Coffee & Kareem

4/04/2020 02:15:00 AM |

A comédia mais escrachada, aonde se usam de palavrões, abusos visuais, violência de todos os estilos, e muito mais era usada antigamente em seriados televisivos e funcionava bastante, pois muitos não aguentavam esperar o próximo episódio para rir de tanta besteira reunida, aí mais para frente resolveram usar isso em filmes, e funcionou bastante também, tanto que alguns hoje mesmo veem uma comédia mais clássica aonde era para rirmos da história ao invés dos atos e acabam nem gostando tanto, ou seja, tem gosto para tudo, e ultimamente voltaram a fazer mais filmes escrachados e apelativos, e o resultado tem sido bem agradável ao menos. Digo isso para começar a falar do novo filme da Netflix, "Coffee & Kareem", pois com toda certeza se você não gosta de apelação de barra, personagens gritando para aparecer, bagunça generalizada, tiros e violência visual e falada desnecessária, com certeza irá reclamar do começo ao fim do longa, porém se você gosta do estilo, será um show ao chegar no segundo ato, pois no primeiro deram uma leve amarrada exagerada, e quase derraparam, mas depois que a bagunça começa, não tem hora para terminar, e as últimas cenas, confesso que valem o filme todo.

A sinopse nos conta que o policial James Coffee está aproveitando seu relacionamento com Vanessa Manning, mas seu amado filho de 12 anos, Kareem, planeja sua separação. Na tentativa de assustar o namorado de sua mãe, o menino procura fugitivos criminosos, mas acaba encontrando uma rede secreta de atividades criminosas e coloca um alvo em sua família. Para proteger a mãe, Kareem se une a Coffee rumo à uma perseguição perigosa por Detroit.

Não posso dizer que o estilo do diretor Michael Dowse seja escrachado, pois não vi nenhum de seus outros filmes, mas aqui ele botou literalmente todos os seus personagens para gritar ao máximo, que se alguém assistir o filme em um apartamento com as janelas abertas é capaz que o vizinho acredite que estejam brigando, e a grande sacada foi jogar para o garoto toda a formatação de tiros verbais, aonde o filme flui e tem um estilo mais próprio, pois sabemos que Ed Helms tem um estilo cômico mais contido, e que precisariam colocar alguém para cutucar forte o comediante, e dessa forma o diretor soube trabalhar cada personagem de uma forma mais exagerada que a outra, e claro, deixar para o final o ato mais explosivo possível de um filme policial forçado, de forma que tudo nos prepara para algo mais bobo, porém quando acontece só me vi quase engasgando com tudo, num acerto maluco, mas muito bem feito, que mostrou não só técnica por parte de Dowse, mas sim personalidade para segurar a trama, que é curta, mas precisa de bons momentos.

Sobre as atuações, pode ser um pouco de implicância minha, mas não consigo curtir o estilo de humor de Ed Helms, pois você não ri da cara dele, não ri das piadas dele, e sempre exagerando ainda fica abaixo do que seria interessante ver, ou seja, aqui seu Coffee até tem boas cenas, mas ele só vai funcionar mesmo nas últimas cenas do longa, aonde claro que exagerando sai um pouco da casinha, e diverte ao menos, mas acredito que um ator mais engraçado realmente funcionaria bem mais na trama. Terrence Little Gardenhigh entregou um Kareem exageradíssimo de palavrões, de rimas fortes e de imponência, mostrando atitude e até uns trejeitos bem feitos, de modo que para o estilo funcionou bem, mas para fazer qualquer outro tipo de filme certamente os diretores terão que lapidar ele aos montes. Taraji P. Henson é daquelas mulheres fortes e que botam banca em seus diálogos, e aqui embora fique sumida por quase metade do longa, quando sua Nessa precisou agir, deu show, e poderia certamente ter sido melhor usada para o filme não depender tanto dos demais. Quanto aos demais, tivemos muito, mas coloca muito, exagero nas atuações de Betty Gilpin com sua Wattys e RonReaco Lee com seu Orlando, de modo que até dá para rir de alguns exageros seus, mas é apelação demais em tudo.

Quanto do conceito visual, a trama até tem alguns atos bem montados, em ambientes meio que jogados, mas com bons desenvolvimentos, desde um clube de striptease que vira espaço de tiroteio, uma academia que vira cenário para execução, porta-malas de carros, corridas em rotatórias, até chegarmos num galpão lotado de produtos químicos aonde a guerra realmente ocorre com direito a explosões e tudo mais de todos os estilos, ou seja, um filme que tem uma coloração até que forte, que brinca com o pó da cocaína para fazer fumaça, e que se não tivesse o apelo cômico cairia até que bem no estilo policial investigativo, caso quisessem, mas funcionou ao menos dentro do que foi proposto, tendo bons elementos cênicos sendo usados como arma, e que agrada bem.

Enfim, volto a frisar que o longa é apelação em cima de apelação, que diverte em algumas cenas, e que trabalhou bem a violência a favor do humor, o que é difícil de funcionar, mas aqui acabou sendo bacana. Ou seja, recomendo ele com tantas ressalvas que muitos até irão ver com um pouco de receio, mas tire isso da mente e se divirta, claro, se gostar desse estilo de comédia, pois do contrário nem perca tempo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Em Busca de Zoë (Saving Zoë)

4/03/2020 01:35:00 AM |

Sabemos bem que a Netflix tem uma tonelada de filmes de mistério, e que na maioria das vezes eles criam um clima intenso muito bom no começo, e no ponto de virada começam a desandar para um final que geralmente é bem ruim. Porém felizmente hoje "Em Busca de Zoë" conseguiu trabalhar o final de uma forma bem tensa e marcante (que até pode soar exagerada, direta e até meio que não funcional), mas que certamente você irá na metade já descobrir e ficar pensando em como irão estragar, pois tem todas as possibilidades de acontecer. Ou seja, ele está bem longe de ser uma grande obra do gênero, mas envolve bem por ser um filme bem simples, trabalhadinho de forma a confundir com as rápidas tomadas entre as irmãs bem parecidas, aliás uma grande sacada colocar irmãs verdadeiras no papel para ficar ainda mais cheio de nuances no filme, que consegue prender e entreter ao ponto de também querermos saber o motivo da irmã ter sido morta, que se pensarmos não vai resolver muita coisa, mas que na metade já estamos querendo que a garota vá a fundo logo.

O longa nos conta que após o assassinato de sua irmã Zoë, Echo está determinada a descobrir a verdade. Com o diário de Zoë como guia, Echo se vê sugada pela escuridão do mundo de sua irmã e descobre como uma pequena decisão pode levar a consequências trágicas.

Não era de se esperar menos do diretor Jeffrey G. Hunt, um filme investigativo cheio de tensão, afinal ele dirigiu diversos episódios de CSI e outras séries investigativas, mas por ter um estilo mais de séries talvez o filme poderia ficar arrastado para ter continuações, porém felizmente ele soube dominar a câmera e o tempo, brincar bastante com a linha temporal duplicada para mostrar os acontecimentos de antes e depois, mixando inclusive imagens sobrepostas para confundir o público com as duas irmãs muito parecidas, e com isso o resultado da trama acabou funcionando bastante. Além disso, ele soube pegar um roteiro escrito em cima de um livro de sucesso, e ousar com uma narrativa bem fácil de se envolver, o que foi muito bom tanto para a história, quanto para a dinâmica em si, pois é raro filmes de investigação terem menos que duas horas, e aqui acertadamente cortaram bem os espaços para que em 95 minutos tudo funcionasse bem, sem falta nem sobrar nada, o que é perfeito.

Quanto das atuações já disse que foi uma grande sacada pegar duas irmãs boas atrizes, pois mesmo que falhassem em algo, o que não ocorre, ao menos nas aparências o filme conseguiria se manter assustador com as mixagens que pretendiam fazer, da mais jovem imitando gestos e trejeitos da mais velha morta, e isso foi muito bacana de ver, de modo que tanto Laura Marano com sua Echo quanto Vanessa Marano com sua Zoë acabaram entregando seus personagens com imponência e muita desenvoltura, acertando na medida, e mesmo derrapando em um ou outro ato com caras sem muito nexo com o momento, o resultado delas surpreende bastante. Chris Tavarez foi bem coerente nos atos de seu Marc, conseguindo puxar algumas lágrimas, brigar bastante e fazer com que seu personagem tivesse uma boa importância, mas ainda assim poderiam ter brincado mais com seus atos tensos, talvez ter mostrado mais o julgamento, e até o ato da morte da protagonista em si para ter mais impacto, mas aí o filme aumentaria muito de tamanho, então vamos aceitar do jeito que ficou. Quanto aos demais, tivemos alguns personagens de eixo quase que jogados, como a amiga da protagonista Abby, o paquerinha Parker querendo ser mais do que isso na trama, e também os que se apresentaram um pouco mais e acertaram ao menos para valer o destaque como Giorgia Whigham como a drogada exagerada Carly, e também o sedutor traficante Jason vivido por Nathaniel Buzolic, que fizeram boa parte do segundo ato funcionar, mas não se impuseram tanto e ficaram apenas razoáveis para o filme em si.

A trama não tem tanto ganho visualmente, mas até é bonita de ver principalmente na versão contada, aonde vemos as coisas que a protagonista morta viveu em seu diário, então tudo tem um ganho de colorido, uma vivência mais ambientada cheia de detalhes, e tudo mais, enquanto a irmã que está sofrendo junto com seus pais, tudo é mais acinzentado, cheio de problemas, com poucos elementos cênicos em detalhe, mas claro que as festas de ambas são bem amplas, com toda uma conexão bem fundamentada, e mostrando bem as diferenças de festas de primeiro, segundo e terceiro ano de high scholl (o ensino médio americano). Ou seja, tudo foi montado de forma simples e efetiva que funciona, e mesmo o cômodo final do longa foi ambientado de maneira prática e intrigante, embora se o cara era especialista no que fazia, a amarração feita na protagonista foi coisa de amador nível bebê, mas se não ocorresse dessa forma, não teríamos um filme.

Enfim, é um bom filme de mistério, que prende o espectador, que até envolve bastante, mas que por ser simples e não querer ir muito a fundo, entregando um filme até que razoavelmente curto pelo estilo, acaba não sendo memorável, mas até que é bem bacana de conferir, valendo o tempo gasto, e com isso acabo recomendando bastante ele em meio a tantos outros problemáticos do estilo da Netflix, então vá sem muitas pretensões que a chance de gostar dele é bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - O Declínio (Jusq'au Déclin) (The Decline)

4/01/2020 10:41:00 PM |

Acho engraçado que alguns filmes da Netflix nos enganam direitinho pelos começos bem trabalhados, que acabam envolvendo e fazendo parecer uma história bem interessante de ver, e depois acabam mudando tanto o rumo que já nem sabemos mais o que queriam entregar, e isso aconteceu com uma força tão grande no longa canadense "O Declínio", que chega a dar nervoso. Não digo que a violência e toda a batalha final não seja algo legal de ver, mas inicialmente o filme parecia mostrar algo que estamos vendo acontecer, de pessoas se preparando para um momento pior, aonde a economia seria destruída, furtos, invasões de imigrantes e tudo mais, num conceito de armazenamento e preparação para uma fuga em família e tudo mais, daí então você se interessa pela trama, e logo em seguida o protagonista já está indo para um campo de treinamento... você vai falar beleza, é interessante também aprender a ter controle de armas e se preparar taticamente, mas eis que um erro de uma pessoa lá muda completamente o filme, e acaba virando uma perseguição por sobrevivência entre os próprios treinados e treinador, em algo sem rumo, sem muita lógica, que ficamos ao final até tensos com tudo o que ocorre, mas procurando aonde estava essa ideia toda na cabeça do roteirista. Ou seja, é um filme de dois vértices completamente diferentes, que até entrega uma violência imponente bem feita, mas que apenas jogaram na tela, sem rumo ou nexo algum, e com certeza você acabará o filme se perguntando o que viu mesmo.

A sinopse até nos diz mais ou menos o que esperar do filme, ao mostrar que um acidente fatal em um campo de treinamento de sobrevivência remota deixa os participantes em pânico - e prepara o terreno para um confronto arrepiante.

Pois bem, se antes não sabia o motivo da bagunça, agora posso atirar direto, afinal sendo o primeiro longa do diretor Patrice Laliberté e um roteiro escrito por três roteiristas é fácil demais acontecer esse estilo de problema, que acabamos vendo um filme que começa de um jeito e muda completamente o mote na metade para terminar ainda num terceiro e diferente estilo. Ou seja, não podemos de forma alguma dizer que o trabalho visual, os planos interessantes e as boas movimentações que o diretor entrega seja algo ruim, muito pelo contrário, se o jovem for realmente investir no estilo de longas violentos, certamente tem um bom futuro, pois conseguiu mostrar isso, porém faltou para ele conseguir pegar um roteiro bagunçado e fazer as certas mudanças para que seu filme ficasse com um rumo, tendo um começo, meio e fim coerente, e sendo assim até temos atos bem marcados na trama, mas é como se cada um fosse fazer um bolo, jogando o que tiver vontade no liquidificador, e entregasse para a pessoa o resultado disso, que não vai dar certo mesmo. Sendo assim, a verdade é única, pois temos um filme violento visualmente bem feito, mas sem rumo de história para funcionar, e assim sendo, o resultado não é um filme.

Sobre as atuações, vale dizer que é até difícil descobrir quem é o protagonista na trama, pois inicialmente temos Guillaume Laurin com o até jeitoso Antoine, que tem olhares meio que jogados, mas quando precisou atuar nas cenas de fuga até foi bem interessante, mas praticamente sumiu meio filme, e isso não é bom para um protagonista. Tivemos também Réal Bossé entregando um Alain cheio de mistérios, mas com uma notável psicopatia dentro de seu estilo, e o ator foi bem colocado ao menos, fazendo algumas cenas digamos boba, mas sempre direto ao ponto, e agradando bastante pelo menos. Marie-Evelyne Lessard trabalhou bem sua Rachel em alguns atos, foi praticamente omissa todo o começo do filme, mas ao final soltou todos os trejeitos e acabou entregando com força olhares para todos os lados e acertou em cheio no que fez. Agora quanto aos demais, é show de caras, bocas e atitudes bagunçadas para todos os lados, de modo que nem dá para destacar ninguém.

Visualmente ao menos o longa foi muito bem montado, com um acampamento no meio da neve, cheio de armadilhas, muitos ambientes para treinamento, preparações cênicas cheias de detalhes, e até efeitos visuais e maquiagens de primeira linha para dar o ar violento que a trama precisava, e nesse quesito ao menos podemos dizer que a equipe acertou bastante, pois funciona ao menos no que tentavam passar, e o filme flui.

Enfim, é um filme bagunçado demais, com atuações estranhas, reviravoltas mais perdidas que tudo, que é apenas bonito visualmente, então tiveram uma grande ideia, gastaram bem para fazer tudo, só que jogaram para o alto qualquer ideia de desenvolvimento, fazendo com que o longa ficasse mais perdido do que acertado. E sendo assim não tenho como recomendar ele para ninguém, pois o filme mais falha do que acerta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Kart Nervoso (Go!) (Go Karts)

4/01/2020 01:30:00 AM |

Se tem um gênero que é difícil conseguirem mudar as características marcantes do estilo é o tal de filmes envolvendo competições entre jovens, e se for usado então automobilismo então não tem nem o que discutir, é ver esperando acontecer cada momento claro, como a queda do mocinho fazendo alguma burrada, a briga entre todos da equipe e dos amigos, a reconciliação, a vitória, o arrogante sendo esnobado, o beijo, e tudo mais que daria para escrever quase uma receita de bolo tradicional com o tanto de clichês que iremos ver, mas ao invés de reclamar, é sempre gostoso ver tudo isso acontecer, pois acaba nos remetendo ao estilo clássico das sessões da tarde da nossa infância, e assim sendo vale a conferida do novo longa da Netflix, "Kart Nervoso". E praticamente nem tenho o que falar dele, pois tudo o que vai ocorrer já disse no começo do texto, pois ele possui tudo isso que falei, e ainda não tenta forçar a barra, de modo que flui quase que em ordem cada momento clássico do gênero, de modo que o filme australiano brinca em cena, e desenvolve seus momentos tradicionais, e o passatempo vale a conferida ao menos para quem gosta do estilo, ou até para aqueles que não querem ter de pensar em nada e apenas curtir uma velocidade em cena.

O longa nos conta que aos 15 anos, Jack se muda para uma nova cidade e descobre as corridas de kart. Com o apoio de seus amigos e de um piloto com um passado misterioso, Jack vai ter que aprender a assumir o controle de sua vida para conquistar o grande título.

Em seu primeiro longa Owen Trevor brincou bastante com a câmera e com a edição, fazendo recortes em quadros, trabalhando dinâmicas velozes bem encaixadas, e principalmente sabendo utilizar os pontos chaves para fazer tudo acontecer, de modo que o filme resulta em cenas engraçadas bem colocadas, mas sem surpresa alguma no que ocorre, e isso por incrível que possa parecer é bom, pois nem todo longa precisa ser inovador, cheio de vértices, fazer pensar e tudo mais, afinal tem aqueles que servem para limpar a mente apenas vendo algo comum. E acredito que essa tenha sido a vontade do diretor, pois não vemos erros e falhas por exageros, mas sim um filme limpo, com nuances simples e fáceis, que agrada por isso, porém é claro que sempre esperamos aquele algo a mais em um filme, e aqui não ocorre em momento algum, nem tem como esperar, pois o filme funciona sim, mas é o básico do básico, e como já disse, amanhã nem vamos lembrar mais dele, mesmo tendo sido gostoso ver ele.

As atuações também foram bem básicas, e chega a ser até engraçado ver os jovens em seu primeiro longa se perdendo completamente para onde olhar, o que fazer, que claro com um diretor mais imponente até daria alguns rumos melhores para cada ato, mas felizmente isso não chegou a atrapalhar tanto, de forma que soou até bonitinho ver eles aprendendo juntos cada ato. Dito isso, William Lodder até tentou ser o mais descolado em seus momentos, mas seu Jack não tinha desenvoltura para ser galã, nem dinâmicas suficientes para torcermos tanto para ele, de modo que chega alguns atos que o jovem parece nem se entregar para a câmera, e isso é uma falha gritante, que poderia ser menos forte no conteúdo, mas que ao menos não desandou por o filme também não exigir muito dele. O mesmo dá para dizer de Anastasia Bampos com sua Mandy, que foi até mais dinâmica de trejeitos, mas simples demais para marcar, e Darius Amarfio Jefferson com seu Colin, que ficou até meio que deslocado servindo apenas de ar cômico jogado de lado. Agora quanto dos adultos, a maioria teve pequenas participações e nem chegou a chamar a atenção, valendo claro o destaque para Richard Roxburgh pela essência dada para seu Patrick, e Frances O'Connor que tentou fazer de sua Christie uma mãe emotiva, mas que não chegou muito longe.

Visualmente o longa brincou demais, tivemos boas pistas de corrida, carros bem marcados, figurinos tradicionais de corrida (aliás a trama pelos figurinos aparenta que quiseram mostrar uma época mais antiga na trama, mas como não se fala nada em momento algum de datas, vamos seguir como algo atual, apenas meio retrô), e claro que o ambiente todo foi bem modelado para cada momento da trama, não saindo nada de surpreendente, mas valendo ao menos o funcionamento em si bem colorido e interessante de ver.

Enfim, volto a frisar que o longa é simples e passa bem longe de ser daqueles que vamos lembrar de algum dia ter visto, mas que justamente pela boa pegada dele, pelos clichês tradicionais que todos gostam de ver em uma boa sessão da tarde, é capaz que quando estiver passando você reveja ele, e do nada lembre que um dia já viu o filme. Ou seja, quem não tiver com nada para ver, e tiver com tempo, a trama até diverte um pouquinho e funciona no que se propõe, valendo o tempo gasto. Bem é isso pessoal, fica a dica então, e eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - O Herói (The Hero)

3/31/2020 01:31:00 AM |

É até engraçado ver o longa "O Herói" que estreou hoje na Netflix, mas que já está até velhinho, pois saiu no Festival de Sundance em 2017, ou seja, praticamente esqueceram de lançar ele nos cinemas e nas prateleiras digitais, e é até fácil entender o motivo, pois a trama embora tenha uma mensagem bem bonita em cima de encontrar sua verdadeira personalidade, de ser o herói que representou verdadeiramente, de sobreviver e tudo mais, porém falta para o longa uma desenvoltura maior, que faz dele um filme singelo demais, que até envolve, mas fica mais cheio de símbolos do que de atitudes, e assim sendo são poucos os que acabam se emocionando e entendendo a real essência da trama. Ou seja, o filme está bem longe de ser algo ruim, pois é curto, muito bem interpretado e funciona, mas é calmo demais, aberto de ideias demais, e isso não é algo que o público em geral gosta de ver na telona, então agora que está na telinha é capaz de vender um pouco mais a mensagem de se encontrar.

O longa nos conta que Lee Hayden é um ator veterano de westerns, cujos melhores anos de carreira ficaram para trás, depois de seu único ótimo filme. Agora, passando a dublar comerciais, Lee descobre que tem um prognóstico terminal de câncer de pâncreas. Incapaz de contar a alguém sobre isso, especialmente sua família afastada, Lee só pode pensar sozinho, pois sonhos perturbadores, mas inspiradores, o assombram. As coisas mudam quando ele conhece Charlotte Dylan, uma comediante de stand-up que se torna uma amante que inadvertidamente impulsiona seu perfil público. Agora, enfrentando um conflito emocional profundo de ter um retorno em potencial à carreira, mesmo que sua morte iminente o esteja encarando, Lee deve finalmente aceitar as duas realidades quando finalmente confessar sua situação à única pessoa que puder.

O mais interessante é que ontem mesmo assisti ao novo filme da diretora Brett Haley ("Por Lugares Incríveis"), e posso dizer que ela manteve o mesmo nível de emoção desde 2017, ou seja, já vinha trabalhando esse estilo mais fechado de envolvimento, aonde o protagonista tenta passar a dramaticidade e a dor para fora, mas não sabe como fazer, criando perspectivas próprias, mas sempre digerindo o problema todo para si, e com isso não sabendo como demonstrar que precisa de ajuda também. Ou seja, vemos um trabalho bonito da diretora, mas que certamente poderia ter desenvolvido melhor tudo para não ser apenas simbólico, pois temos momentos do protagonista que poderiam rumar para algo que envolvesse mais o convívio do protagonista, mais sua doença, e até mais seus pensamentos, não ficando somente no âmbito mínimo e sim mais aberto para tudo. Dessa forma não dizemos que foi um erro dela, mas que faltou um pouco mais de atitude para funcionar melhor.

Quanto das atuações, é fato que Sam Elliot já fez tantos personagens cowboys que não o vemos sem essa formatação, e seu Lee é ele escrito, de forma que convence do começo ao fim com bons trejeitos, boas atitudes, comove pela doença, mas demonstra vivência para o personagem, sendo um bom acerto em tudo. Diria que achei levemente exagerado o abuso do velhinho por parte de Laura Prepon, pois sua Charlotte até entrega uma boa personalidade, tem momentos interessantes, mas seus atos soaram exagerados, de modo que até podemos imaginar outra coisa do filme, mas talvez pudessem não trabalhar tanto a formatação entregue, mas ao menos a atriz foi muito bem nos seus atos sedutores. E para finalizar vou falar apenas de Nick Offerman como o traficante Jeremy que deu um show de trejeitos, brincando bastante com a brisa de seus produtos, e fazendo o filme ter um lado mais cômico ao menos, e assim sendo o acerto foi bem colocado. Quanto aos demais, todos figuraram praticamente, e até mesmo a filha do personagem principal acabou sendo mero enfeite cênico pela falta de expressividade da atriz.

Visualmente a trama tem ao mesmo tempo um ar country com um dramalhão emocional, e isso soa estranho num primeiro momento, mas depois vamos nos acostumando, ao ponto de pensarmos até que o protagonista já está morto e tudo não passa de um sonho, mas acredito que não seja isso, e sem essa ideia na mente, a equipe artística teve de elaborar momentos sóbrios com pirações alucinadas pelas drogas, e ainda tentar manter o emocional funcionando, ou seja, o filme tem de tudo, e até fica bonito de ver pelas locações escolhidas de bom grado visual.

Enfim, é um filme que não vai muito além, que entrega uma história até bonita de se pensar, que brinca com a busca do conhecimento do verdadeiro herói que tem dentro de cada um, da busca familiar, do abandono em fim de carreira, e tudo mais que já ouvimos falar de grandes atores, mas que falha um pouco por não ir num ápice mais forte, e assim sendo o resultado soa levemente fraco de ver. Não diria que é algo ruim de conferir, mas que certamente muitos não vão se apaixonar pela trama como poderia parecer num começo, mas que vale a conferida por ser curtinho e funcionar dentro do que se propõe. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Por Lugares Incríveis (All The Bright Places)

3/30/2020 01:31:00 AM |

Não sou daqueles que gostam muito de romancinhos leves, mas quando a trama puxa para algo a mais do que o romance, como é o caso do novo filme da Netflix, "Por Lugares Incríveis" acabo me rendendo e gostando até mais do que a proposta acaba entregando. E aqui o longa entra tão bem na temática da depressão, da perda, de sentimentos emocionais que conseguimos vivenciar cada ato de uma maneira gostosa e envolvente, passando bem suas mensagens e agradando dentro de uma trama simples e envolvente, com um carisma bem marcado, locações bonitas e simbólicas, e principalmente mostrando a mensagem de que muitas vezes a pessoa pode estar passando por uma depressão e nem vemos acontecer, mas que só percebemos quando não tem mais volta. Ou seja, é um filme singelo, que funciona bastante dentro do que se propôs, e a principalmente agrada pela totalidade cênica sem forçar exageros ou cenas melosas demais, de forma que vemos o filme e ao final saímos emocionados e ao mesmo tempo felizes com tudo o que vemos.

A sinopse é bem simples para não entregar nada e nos diz que devastada pela perda da irmã, a introvertida Violet Markey recupera a vontade de viver ao conhecer Theodore Finch, um jovem excêntrico e imprevisível. Juntos, eles se apoiam para curar os estigmas emocionais e físicos que adquiriram no passado.

O longa que é baseado no best-seller de Jennifer Niven era um dos longas mais esperados por muitos leitores da trama, pois a história bonita certamente foi representada mentalmente na cabeça de cada um, e certamente também terão aqueles que irão reclamar de faltar isso ou aquilo do livro na tela, mas tirando esses, a maioria certamente se emocionará com tudo o que é passado e verá um filme muito gostoso visualmente, que não tem cenas presas, não enrosca no enredo, e principalmente é muito bem dirigido por Brett Haley, que não quis um filme normalzinho, não fez aqueles romances que você fica melado de tanta doçura, e soube dosar cada elemento da trama para que seu filme funcionasse emocionalmente e agradasse em todos os sentidos, ou seja, ele fez cinema de primeira linha sem precisar ousar muito, e trabalhando sentimentos sem forçar a barra, o que é um tremendo acerto para quem faz romance.

Sobre as atuações, um fato marcante ficou pela boa química entre os protagonistas, pois inicialmente parecia que Elle Fanning faria mais uma vez uma personagem sem muito sal como já vimos ultimamente em várias atuações suas, mas a atriz conseguiu encontrar uma boa dinâmica para sua Violet, encaixando personalidade e caindo bem seus trejeitos tristes para o que o momento pedia, e assim o resultado dela acaba sendo muito bom, e envolve bastante. Da mesma forma Justice Smith trouxe para seu Finch uma dinâmica bem certeira, trabalhando olhares, fazendo seus diálogos funcionar com precisão, e agradando por sacadas bem colocadas dentro do filme, não deixando o personagem simples demais para ser daqueles que vamos esquecer, nem forçando a barra para ficar marcado, de modo que o resultado é perfeito em cada uma de suas atitudes, e acabamos torcendo muito por ele. Quanto aos demais, alguns apareceram mais como a irmã de Finch vivida por Alexandra Shipp bem colocada nos seus devidos momentos, os pais de Violet vividos por Luke Wilson e Kelly O'Hara fazendo um ou outro momento mais imponente, mas sem muito o que chamar atenção, e até os jovens amigos bem colocados como Virginia Gardner com sua Amanda (que certamente no livro tem muito mais importância, e isso é notável), e Lamar Johnson com seu Charlie também bem dinâmico, além de Keegan-Michael Key com seu Embry simples em atos, mas que possivelmente chamaria bem atenção se usassem um pouco mais ele. Ou seja, um elenco marcado que agrada de certa forma e funciona bastante.

Agora sem dúvida alguma um ponto bem forte da trama ficou a cargo do visual do filme, que mostrou que mesmo nos lugares mais simples de uma cidade ou estado é possível ter algo bonito e envolvente para passar uma mensagem, e com locações marcantes, momentos envolventes, e muito simbolismo, que tiveram um luxo visual bem interessante de ver como uma montanha russa caseira, uma árvore de sapatos, um beco pichado com boas mensagens, um lago incrível, e claro os elos chamativos do quarto do protagonista cheio de post-it com grandes mensagens, simples palavras, e tudo muito simbólico que funciona na medida juntamente com cenas incorporadas em uma fotografia riquíssima de cores, tons e sombras, o que mostra um trabalho primoroso e bem feito.

O longa também contou com uma trilha sonora incrível, com canções marcantes mesmo que em rápidos momentos, além da parte orquestrada composta por Keegan Dewitt ser maravilhosa, então vou deixar o link tanto para a orquestrada aqui, e o link das músicas feitas em uma playlist não oficial também.

Enfim, é um filme bem bonito, que envolve e agrada bastante tanto quem leu o livro, quanto quem apenas gosta de um romance gostoso de ver, principalmente por não ser exageradamente meloso. Só não diria que ele é perfeito por talvez funcionar um pouco acelerado em algumas partes, e em outras dar uma leve arrastada, mas como isso é característico do estilo, nem acaba sendo um problema técnico, mas sim de gosto pessoal. Então fica a dica de recomendação para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

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Netflix - Ultras (Ultras)

3/29/2020 02:00:00 AM |

Chega a ser interessante pensar na ideologia dessas torcidas violentas de futebol, que vão para os estádios mais para brigar do que para torcer para o time em si, que se formam em grupos, tem suas vidas nesses grupos, quase como clãs próprios, e mostrar a tentativa de mudança de vida de um deles é algo que dá filme, assim como virou no longa "Ultras" da Netflix, porém fizeram algo que ficou muito em cima do muro, de mostrar a vida violenta dos grupos, e também a desenvoltura de um líder tentando ser outro homem, e com isso o filme não se decidiu bem qual rumo iria tomar oscilando demais para agradar como um todo, ou seja, é um filme bonito visualmente e interessante pela proposta, mas talvez uma decisão mais forte do que iriam mostrar agradaria bem mais.

O longa conta a história de Sandro, líder de um violento grupo de torcedores ultras, que vê sua vida mudar drasticamente ao ser banido dos estádios. As últimas semanas do campeonato italiano são para ele marcadas pela relação com Angelo, um jovem em busca de um mestre, e com a incrível e determinada Terry, que o ajudam em sua jornada para descobrir seu lugar no mundo.

Em seu primeiro longa Francesco Lettieri mostrou uma paixão gigantesca dos italianos que é o futebol, tanto que assim como ocorre em diversos países, muitos grupos acabam se conectando e virando uma família até maior entre os torcedores do que com as próprias famílias em si, e se ele se mantivesse nessa ideia, de criar mais o ambiente em cima das loucuras dos torcedores, mostrar sim os grupos doidos que mais brigam do que torcem e tudo mais até teríamos um longa mais promissor e interessante, mas ao tentar mostrar a mudança de vida de um grande líder de um dos grupos mais extremistas de torcidas foi algo digamos exagerado de ideia, que até soou interessante de ver, mas que funcionou em alguns momentos, e em outros pareceu estar sendo forçado demais para funcionar, o que acaba não agradando como poderia. Ou seja, vemos claramente na trama o erro de quase todo primeiro filme, que é ir colocando mais ideias dentro da trama, e se perder aonde desejava chegar, para depois finalizar de uma forma que não era coerente para nenhum dos lados, mas que vai emocionar. E sendo assim, pela boa formatação que ele acabou entregando até podemos dizer que o diretor pode ter futuro, mas vai precisar antes elaborar melhor as ideias no papel, antes de sair explodindo a tela.

Sobre as atuações, tivemos momentos interessantes de Aniello Arema com seu Sandro imponente, cheio de atitudes, e olhares bem colocados em ambos os momentos, seja como líder de torcida, seja como pessoa apaixonada ou tentando ser o mentor bom do garoto, de forma que vemos ele em muitos atos se extrapolando, mas sem errar no estilo, e dando bom tom nas cenas. Já o jovem Ciro Nacca que também pode ser considerado protagonista da trama, ficou muito sem jeito na maioria das cenas, de forma que seus trejeitos entregavam preocupação com a câmera e um certo despreparo de estilo com seu Angelo, mas não chegou a falhar tanto e no final até foi razoável. Antonia Truppo entrou meio que de relance, já foi direto pra cama com o protagonista, e teve um ou outro momento para desenvolver seus diálogos, de modo que mais se mostrou do que atuou mesmo, mas ao menos fez boas cenas quentes com sua Terry. Quanto aos outros do grupo, todos se mostraram fortões, cheios de marra, com trejeitos e visuais marcantes, e chamaram bem a responsabilidade de envolver como em uma guerra, claro que tendo destaque para Simone Borrelli com seu Pechegno, para Salvatore Pelliccia com seu Barabba e Daniele Vicorito com seu Gabbiano, pois foram imponentes e criaram bons personagens dentro de tudo o que a trama pedia.

O lado visual da trama foi bem moldado pela Napoli costeira, com locações marcantes cheias de grafites interessantes nas paredes, bares temáticos de futebol, muitas motos e figurinos imponentes, além claro de muita representatividade pelos elementos alegóricos como bombas, canos, correntes e tudo mais que costuma marcar brigas de torcedores com a polícia, além claro de retratar saunas em modo antigo, banhos de lama, praias em recifes e tudo mais que pudesse simbolizar tanto o local da trama, quanto a forma de vida dos personagens. Ou seja, a equipe de arte foi bem organizada, e entregou bem seus pontos de vistas.

Enfim, é um filme que poderia simbolizar até mais se quisessem, mas que ficou muito em cima do muro de que lado queria mostrar, se era dos brigões, da família envolvida, ou do homem querendo mudar de vida, e com isso a trama fica aberta demais, sem atitude, e falha mais do que acerta, valendo uma conferida como algo semi-documental, embora logo no começo já avisem que a trama não tem nada a ver com a verdadeira torcida Ultra do Napoli, então, ficamos sem muito o que falar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - De Quem é a Culpa? (Guilty)

3/28/2020 08:03:00 PM |

Diria que a proposta do longa da Netflix, "De Quem é a Culpa?" é das mais honrosas e possíveis para a época que foi feito, e ainda é, embora as acusações do #MeToo tenham sumido da mídia uma vez que o coronavirus dominou a televisão, porém faltou atitude e ideias de desenvolvimento melhores para a diretora que acabou transformando a trama numa novelona imensa sem rumos, que ao final já nem sabíamos quem a garota estava pensando em defender. Claro que a trama toda foi bem gerenciada, mas faltou um pouco mais de síntese policial para a trama, e mostrar mais do que foi falado nos escritos finais, pois aí sim veríamos uma pontuação imponente em cima dos casos de abusos, e não toda a bagunça feita pelo longa. Longe de ser algo ruim, a falha maior foi ao final, mas o filme todo é possível de assistir e se intrigar com tudo.

O longa nos conta que quando um galã da faculdade é acusado de estupro por um estudante menos popular, sua namorada navega por várias versões da história em busca da verdade.

A diretora Ruchi Narain trabalhou com uma perspectiva direta em cima das várias acusações que rolaram na explosão da campanha #MeToo, e que na Índia a maioria dos casos foram ocultados, liberados e tudo mais, e isso é algo que precisa realmente ser discutido, merecia mais mídia e tudo mais em cima da ideia, porém ela quis mexer com concurso de bandas, composições musicais afetivas, política, e tudo mais em um único longa, de forma que até possa combinar, porém o longa fica preso na maioria dos momentos nos depoimentos, nas tentativas do advogado da defesa em descobrir os motivos, e tudo mais, que quando ocorre a grande reviravolta já é a cena final, ou seja, o filme enrolou por quase 110 minutos, para se resolver (ou melhor tentar resolver) nos 9 finais, e isso é uma falha gravíssima que não agrada de forma alguma.

Quanto das atuações, diria que tirando a protagonista e o advogado investigativo, todos os demais foram extremamente artificiais em suas atuações, o que pesou e muito no desenvolvimento do filme, pois ficou parecendo que contrataram uma bandinha qualquer com alguns garotos para beber e se drogar, os adultos pareciam sem rumo e nada sabiam sobre os casos, e por aí vai, então nem vou dar o trabalho de falar individual desses, inclusive do acusado que só teve o ar de galã, e nada de atitude do estilo. Agora falando de quem vale a pena, o advogado de defesa, que mais parecia de acusação vivido por Taher Shabbir foi bem colocado, cheio de olhares, com boas cenas em diversos momentos, o que acabou sendo um grato acerto para o filme. E Kiara Advani manteve a postura do começo ao fim com sua Nanki, brincando bem com olhares dispersos e mostrando um pouco de loucura que é explicada mais na cena final (sim, somente no fim!), de modo que até ficamos um pouco com dúvida das insinuações dela, de alguns atos e tudo mais, mas ao menos foi bem.

O visual da trama também não foi muito ousado, ficando preso praticamente num escritório de advocacia cheia de salas de vidro, alguns depoimentos gravados, algumas aulas numa faculdade, jovens em festas e nos seus dormitórios, alguns momentos de ensaios de bandas, e nada além disso que fosse imponente de detalhes, tendo o momento de busca por provas pela garota um algo a mais na trama, mas não foi desenvolvido como poderia, e o resultado soou estranho.

Enfim, é um filme simples demais para tudo o que desejavam mostrar, e dessa forma o resultado não foi bem colocado, servindo apenas para que o tema voltasse a ser discutido, mas sem muito o que acrescentar nele. Diria que poderiam ter ido por muitos outros rumos para impressionar, mas acabaram fazendo o básico demais, que não empolga nem funciona como deveria, e o resultado é simples demais para poder indicar o longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até lá.

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Netflix - Notas de Rebeldia (Uncorked)

3/28/2020 01:51:00 AM |

Em hipótese alguma podemos dizer que o longa da Netflix, "Notas de Rebeldia" é daqueles filmes memoráveis que vamos lembrar pela ótima história, pela direção primorosa, ou até mesmo por grandes atuações, muito pelo contrário, pois tem falhas em todos os elos, mas é um longa tão gostoso de conferir, com uma temática agradável e imponente sobre a dificuldade de se estudar vinhos para se tornar sommelier, ou pior master sommelier, que só de pensar em tudo que o jovem ator precisou estudar para interpretar o personagem já chega a arrepiar, porém poderiam ter focado o longa somente nisso, na dificuldade de conseguir ser um sommelier, trabalhar o ar de racismo em cima talvez fosse possível pelo fato do jovem ser negro, mas foram brincar com conversas paternas, envolver doença, trabalhar herança de trabalho com carnes, que o filme ficou um pouco deslocado demais, e assim só quem gostar muito do bate papo sobre vinhos é capaz de gostar mais do longa e se divertir com a proposta, pois do contrário é bem provável que vejam mais falhas do que pontos positivos.

A sinopse é bem simples, e nos conta que para realizar o sonho de se tornar sommelier, Elijah antes precisa lidar com as expectativas de seu pai, que espera que ele toque a churrascaria da família.

Em sua primeira experiência na cadeira de direção, Prentice Penny que já escreveu e produziu muitas séries de sucesso, até se mostrou bem seguro dos planos, conseguiu entregar boas dinâmicas e trabalhou bem seu texto para que o filme ficasse bem coerente, mostrasse bem algo que costuma acontecer muito de filhos não quererem seguir a carreira dos pais e isso gerar um conflito familiar imenso, mas o filme não será lembrado por esse motivo, pois sem dúvida o grande acerto da trama foi em trabalhar muito bem a dinâmica de vinhos, toda a carreira de estudos monstruosos que uma pessoa precisa ter para ser sommelier, tudo que precisa entender, características dos vinhos, geografia, sabores, e muito mais de uma amplitude tão forte que chega a ser quase um filme difícil de entender para quem não conhece um pouco sobre vinhos. Ou seja, é um filme interessante pela proposta, que tem o principal defeito tentar sair da área que poderia explorar melhora para ir em uma que não era tão necessária, e assim o filme ficou meio em cima do muro de aonde queriam chegar, não sendo algo ruim, mas tendo problemas demais para empolgar como deveria.

Sobre as atuações como já disse no começo tenho certeza que o protagonista Mamoudou Athie sofreu demais para decorar seu roteiro, ou possivelmente virou quase um especialista em vinhos após gravar o longa, pois são tantos nomes difíceis, tantos detalhes, tantas preparações para entender, e o jovem conseguiu entregar trejeitos bem colocados, fazer de seus momentos com um carisma incrível, e ainda assim acertar a mão nas nuances da trama, ou seja, foi muito bem, só pecando em um ou outro momento mais triste que pareceu falhar nas expressões, mas nada que estragasse tudo de bom que fez. Coutney B. Vance também foi muito bem com seu Louis, trabalhando olhares, demonstrando afeto e preocupação com o filho, mas sem sair dando pulos, e encaixando muitos olhares e destrezas com cada momento seu, fazendo com que o personagem fosse até maior do que aparentava no começo, valendo o detalhamento. Quanto aos demais, tivemos alguns bons momentos com os amigos do curso, outros bem colocados com a namorada vivida por Sasha Compere, e até a mãe vivida por Niecy Nash teve alguns atos bem interessantes, mas nada que surpreendesse ou chamasse muita atenção, valendo apenas pelas boas conexões.

A equipe de arte certamente pesquisou lojas gigantes de vinhos e escolas de sommelieres, pois criar tudo isso em um cenário seria algo do tipo impossível de custos, e ficaria falso demais, então posso dizer que as escolhas das locações foram bem primorosas e sábias para termos restaurantes bem paramentados, muitos vinhos famosos, e principalmente ótimas dinâmicas visuais, de modo que o filme em si convence por tudo que é mostrado na tela, então dessa forma dizemos que o resultado visual funcionou e foi muito bem detalhado pelos aparatos mostrados em cena.

Um ponto também bem satisfatório do longa, para quem gosta de black music ficou a cargo da trilha sonora colocada em diversos momentos, alguns até exagerados em que a trilha praticamente domina o ambiente e quase esquecemos dos diálogos ali, mas vale a conferida, e claro que deixo o link aqui para ouvirem depois.

Enfim, é um filme gostoso de conferir, que quem gosta de vinhos vai se surpreender muito com tudo o que um bom sommelier necessita saber para a profissão, mas que como filme faltou um pouco mais de atitude e de decisão por parte do diretor, pois ao quebrar a história nas partes com vinhos e nas partes familiares, o resultado acaba ficando meio superficial nas duas pontas, e sendo assim, muitos vão acabar nem gostando do resultado, enquanto outros certamente sairão da TV direto para comer uma costela e/ou beber um vinho, pois o longa é apetitoso nesse sentido. Sendo assim, fica a dica para uma sessão mais descontraída, sem esperar muito do longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - A Trincheira Infinita (La Trinchera Infinita) (The Endless Trench)

3/27/2020 01:36:00 AM |

Um dos maiores problemas de filmes históricos sempre foi querer dar noção do tempo para o público, de modo que alguns enroscam tanto no desenvolvimento que entregam verdadeiras odisseias com a trama, e infelizmente é exatamente isso que ocorre com o longa da Netflix, "A Trincheira Infinita", que quase teve a mesma duração que o nome, ou do período que o protagonista fica escondido, e embora isso passe o sentimento de solidão, de desespero, de tudo que certamente desejaram tanto no roteiro quanto na direção, a verdade é que não necessitava tanta enrolação, o filme poderia ser resolvido facilmente com 90-100 minuto, teríamos algo incrível sobre os guerrilheiros da Guerra Civil Espanhola que ficaram escondidos por muitos anos, e ainda seria um filme tenso. Ou seja, 147 minutos arrastados, com pausas para explicar termos com significados de dicionário (quase que capitulando o longa), resultaram em um filme sem atitude, que vale pela ótima atuação da protagonista (que inclusive ganhou o Goya pelo longa), e por um ou outro detalhe da produção em si, pois de resto garanto que muitos que forem conferir acabarão parando na metade, isso se chegar até a metade.

O longa nos conta que Higinio e Rosa estavam casados ​​há apenas alguns meses quando a Guerra Civil estourou, representando uma séria ameaça à sua vida. A partir da ideia de Rosa, eles decidem usar um buraco cavado em sua própria casa como esconderijo provisório. O medo de possíveis represálias e o amor que sentem um pelo outro os condenará a uma prisão que durará mais de 30 anos.

O trio de diretores Aitor Arregi, Jon Garraño e Jose Mari Goenaga conseguiram o feito de levar o filme para quase todas as premiações espanholas, indicado em quase todas as categorias, e até ganhar algumas, porém é o clássico filme histórico que ou você ama ele, ou acaba odiando pela falta de atitude, tanto que em determinada cena o filho do protagonista fala que ele é um covarde que não tem coragem de sair da casa, e diria o mesmo dos diretores que foram covardes de enrolar tanto a trama, pois o filme tem tantos espaços para cortes que chego a ficar besta quando acabam deixando rolar, e isso é ruim para o resultado final. Claro que toda a narrativa sendo mostrada da forma que foi tem seu charme em festivais, e acaba envolvendo um público que gosta desse estilo mais amarrado, mas para quem for ver na TV é garantia de paradas a todo momento, é garantido a alta desistência, e tudo mais, pois faltou dinâmica, e isso mata qualquer filme.

Sobre as atuações é mais interessante ver a maquiagem feita nos protagonistas para que fizessem todas as fases do longa do que o que fizeram realmente com trejeitos, pois de forma alguma posso dizer que Antonio de la Torre falhou, muito pelo contrário, o ator deu personalidade para seu Higinio, e durante todo o longa sentimos suas angustias, olhamos pelos buracos com ele, e vivemos seus atos presos junto dele, mas como disse acima, a fala do filho é claríssima, o personagem é covarde demais, e com isso o protagonista não consegue se soltar tanto, e não se impõe na forma de prisão, de forma que talvez com um roteiro mais enxuto ele pudesse ter ido além. Já Belén Cuesta dá um show de envolvimento com sua Rosa, falas imponentes, olhares determinados e desesperados, tanto que levou o Goya de Melhor Atriz, que para quem não sabe é o Oscar espanhol, e merecidamente ela mostrou segura de seu personagem e deu show na tela. Vicente Vergara chega a ser daqueles chatos que ficamos mais irritados com as atitudes do personagem do que com o ator, tanto que acabamos nem notando seus olhares pelos atos inconvenientes que tanto faz com seu Gonzalo, ou seja, fez bem o papel, mas irrita. Quanto aos demais, tivemos alguns atos interessantes com Emilio Palácios como Jaime e alguns fortes com José Manuel Poga com seu Rodrigo, mas nada que fosse surpreendente no conceito de atuação.

Por ser uma produção grandiosa de época, era esperado até algo mais imponente em questões cenográficas, mas como o filme se passa quase todo em ambientes apertadíssimos, a equipe artística foi bem coesa nos elementos simbólicos, fez casas simples dentro de uma vila bem utilizada em detalhes, e principalmente souberam usar cada elemento ao máximo como os rádios, as revistas, os figurinos e claro a maquiagem para realçar tudo o que necessitavam de tempo e de ambiente, sendo um grande acerto técnico e dando um certo primor para valorizar a duração do filme. Agora um ponto ruim do filme ficou a cargo da fotografia extremamente escura nas cenas iniciais, e em muitas outras, que fizeram o filme ficar esquisito de ver em alguns atos (claro que com a loucura da pandemia a Netflix baixou a qualidade das imagens, mas o filme também não ajudou muito, o que acabou granulando muitas cenas das batalhas no começo!), e poderiam ter usado recursos de iluminação falsa para dar um tom mais bonito para o filme, e ainda manter o teor de época.

Enfim, é um filme interessante, que tem seus momentos fortes bem funcionais, mas que errou muito na duração, pois com alguns poucos cortes de cenas enroladas desnecessárias resultaria em um filme mais ágil, que agradaria mais e ainda seria um épico, mas isso é um gosto pessoal, e talvez alguns até gostem do que verão na tela, porém conhecendo a maioria do público que vê Netflix, muitos irão parar o filme na metade e nem retornarão para ver mais ele. Sendo assim, fica a dica para quem gostar de épicos, pois do contrário não vai valer a pena. Bem é isso, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - A Casa (Hogar) (The Occupant)

3/26/2020 01:06:00 AM |

É engraçado como você vai nas indicações da Netflix imaginando uma coisa e depois se surpreende com o resultado final, que pode ser bem positivo ou completamente estranho de ver, e confesso que ao imaginei algo completamente diferente do longa espanhol "A Casa", pois inicialmente parecia mais como alguém que buscaria a recolocação no mercado depois de idoso através de alguns meios ilegais, mas depois ao conferir passamos a ver muito mais psicopatia e loucura por manter a alta classe social do que toda a situação do trabalho em sim. Claro que isso criou um filme mais intenso, mas que falhou um pouco na movimentação em si, deixando até um ar levemente novelesco, que quase fez tudo desandar, porém souberam dar algo a mais para o protagonista, e ele reverteu o quadro facilmente, fazendo com que o filme terminasse ao menos bem interessante. Diria que existem outros longas do estilo bem melhores, mas a ideia foi bem executada ao menos, e faz valer o tempo conferindo ele.

A sinopse é bem simples e nos conta que um publicitário desempregado começa a perseguir os novos moradores da sua antiga casa com intenções cada vez mais sinistras.

O trabalho dos diretores e roteiristas David Pastor e Àlex Pastor até é bem funcional dentro do que se propõe na sinopse, pois vamos vendo o formato interesseiro do protagonista e como ele desenvolve tudo para conseguir seu fim, usando bem a ideologia maquiavélica de "os fins justificam os meios" para ir trabalhando cada ato excessivo, cada momento de imposição, até termos o fechamento bem encontrado, embora pudesse até ter feito um pouco a mais, mas sairia da proposta. Ou seja, vemos um filme com capacidade simples de chamar a responsabilidade, que funciona bem dentro do que era esperado, mas que certamente poderia ter ido muito além, pois potencial o protagonista tinha para ir além, e a história poderia também ter causado bem mais.

Sobre as atuações, poso dizer que Javier Gutiérrez foi bem centrado no seu personagem, conseguiu fazer com que seu Javier inicialmente parecesse um bom moço, mas ao desencadear de tudo vamos vendo a sua mente se verter completamente, e os olhares do ator também mudam, num acerto bem colocado que agrada, e que só não foi melhor devido tentarem colocar o foco em outro rumo, mas ainda assim voltou rápido para o elo, e acabamos felizes com o resultado final. Mario Casas brincou bastante com a personalidade de seu Tomás, de modo que entregou desde o alcoólatra em tratamento, com olhares dispersos, atitudes calmas e deslocadas, até o ápice da loucura junto com o ciúme, fazendo com que tudo explodisse de uma forma interessante e bem colocada de ver, que agrada e funciona bem. Tanto Bruna Cusí com sua Lara quanto Ruth Díaz com sua Marga acabaram entregando personagens muito soltos de atitudes, e todos seus momentos pareceram estar com expressões confusas e exageradas num estilo teatral meio que fora de elo, e com isso acabaram não se destacando como poderia, mas felizmente não atrapalham também.

No contexto visual, a trama é digamos confusa de estilos, pois mesmo tendo casas e apartamentos luxuosos aparecendo se contrapondo bem com um mais simples, mas não deplorável, o filme se passa também em algumas garagens estranhas e vazias, tem atos exagerados com o lance da pedofilia, trabalha um pouco em algumas agências de marketing sem muitos elos, ou seja, não vemos um filme com uma nuance só funcional, mas sim diversas coisas espalhadas de formas e formatos diferentes, e mesmo os atos extremos de violência ficaram fora de um eixo mais condizente, de forma que poderiam ter melhorado cada detalhe para agradar mais.

Enfim, é um filme razoável pra bom, que tem alguns momentos bem fortes e interessantes, mas com um miolo que quase se perdeu por sair do foco, além claro de alguns personagens desnecessários que acabaram exagerando para aparecer nesse miolo e quase atrapalharam tudo. Ou seja, até vale a conferida, mas precisa relevar muita coisa para não reclamar muito do que é mostrado, e sendo assim, fica a dica como um longa secundário se não tiver outro para ver. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Milagre na Cela 7 (Yedinci Kogustaki Mucize) (Miracle In Cell No.7)

3/25/2020 02:05:00 AM |

Tem filmes que só pelo toque musical que ouvimos de fundo já sabemos aonde ele quer chegar, e o objetivo do longa que estreou na Netflix, "Milagre Na Cela 7" é claro: fazer você se emocionar a qualquer custo, de forma que o filme é bonito de ver, tem um conteúdo gostoso e bem feito, tem boas atuações, não diria que tem a direção mais consistente que poderia, mas ainda assim é daqueles que certamente vamos lembrar de ter visto um dia quando alguém perguntar o nome de um filme bonito e emocionante. Ou seja, mesmo sendo uma adaptação turca de um longa coreano de 2013, souberam trabalhar os atos, criar emoções, e principalmente colocar a interpretação em primeiro plano, de modo que acabamos nos envolvendo com os protagonistas, reclamando de suas "burrices", e torcendo pelo melhor, fazendo com que o filme mesmo com pequenos errinhos agrade bastante.

O longa conta a história de um homem que é condenado injustamente pela morte de uma menina e sentenciado à morte. Mas o amor de sua filha é capaz de mudar tudo, até mesmo a vida na prisão, quando ali passa a ser o seu lar.

Ao procurar o trailer para colocar aqui vi que o filme já foi adaptado por diversos outros países, mas ainda não tivemos uma versão hollywoodiana, ou seja, após o sucesso turco que acabou concorrendo a Palma de Ouro em Cannes, não duvido surgir algo do estilo pelas terras americanas. Dito isso, acredito que o sucesso da versão turca se deve ao ar bem emocional que o diretor Mehmet Ada Öztekin conseguiu dar para sua produção, pois o filme tem momentos que até soam enrolados demais, mas na sequência tudo se reverte para algo funcional e acabamos nos envolvendo demais, além claro que o protagonista caiu como uma luva no papel, trabalhando tão em sintonia com cada um dos momentos, que de cara você fala: não vou me emocionar, e em seguida já está quase chorando, isso porque acabamos segurando, mas conhecendo muitos por aí vão lavar lençóis vendo a trama. Ou seja, o filme até falha muito com alguns momentos enrolados, alguns personagens secundários mal aproveitados e que acabam aparecendo demais, mas o resultado final que o diretor conseguiu montar em sua edição é simples, objetivo e agrada bastante, sendo mais um bom acerto na tela para conferir.

Sobre as atuações, posso afirmar que Aras Bulut Iymeli é um tremendo ator, daqueles que o mundo tem de ficar de olho, pois ele soube fazer seu Memo de forma a não esquecermos o que vimos dele, com trejeitos bem colocados, olhares marcados, sensações em cada detalhe do roteiro, de forma que acabou sendo indicado também para a Palma de Ouro de Melhor Ator em Cannes, e sem dúvida merecia, pois o filme é dele, é notável a admiração que os outros atores tiveram em cena com ele, e simplesmente detona. A garotinha Nisa Sofiya Aksongur também foi muito bem com sua Ova, trabalhando a emoção na medida certa, colocando a ingenuidade nos olhares, e acertando muito em suas cenas com os adultos, de modo também que é marcante as emoções dos demais atores conversando com ela, e assim sendo merece os parabéns. Quanto aos demais todos da cela 7 foram bem colocados e tiveram bons momentos, com destaque claro para Ilker Aksum com seu Askorozlu. E certamente precisariam ter trabalhado melhor os militares, pois esses ficaram perdidos em cena, ficavam sem saber para onde olhar, e o resultado ficou bem estranho parecendo estarem coreografados para apresentações escolares, ou seja, esse é um dos maiores problemas do filme.

Quanto do visual da trama, temos também algo bem bonito, em locações estrategicamente paisagísticas, aonde vemos casas simples, festejos cívico-militares da cidade, figurinos da época bem colocados, e uma prisão cheia de detalhes com cada um bem representado pelos seus crimes e clãs, de forma que vemos um filme cheio de símbolos e envolvimentos que funcionam demais, ou seja, um trabalho minucioso que agradou na medida certa, e mostrou que a equipe de arte turca manda bem também.

Quanto da trilha sonora com aquelas tradicionais músicas melódicas que tentam fazer você chorar já falei que sempre me irrita um pouco, mas aqui foi até que bem colocado, além de ao final entrar a música "Lingo Lingo Şişeler" cantada por Sinal Yilmaz que tanto ouvimos a garotinha e seu pai falando durante o filme e ficamos meio que sem entender, mas que diz tudo de uma forma incrível.

Enfim, é daqueles filmes que valem muito a conferida, que vai agradar e emocionar a todos que conferirem, e que mereceu cada uma das indicações aos diversos prêmios, pois não vi as outras versões, mas diria que essa ficou incrível e mesmo com alguns atos alongados demais que poderiam ser minimizados, o resultado final é quase perfeito. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - O Silêncio da Cidade Branca (El Silencio de la Ciudad Blanca) (Twin Murders: The Silence of the White City)

3/23/2020 01:31:00 AM |

Um bom filme de suspense precisa se manter intrigante até o final, pois do contrário se entrega muita coisa antes o resultado pode não funcionar como deveria, e até falhar totalmente. Iniciei o texto do longa da Netflix, "O Silêncio da Cidade Branca", dessa forma pois a ideia do filme é bem interessante, nos faz lembrar de grandes clássicos do estilo, porém é revelado muito cedo quem é o assassino, e mesmo que isso influencie para vermos aonde vai dar, quando é chegado o grande momento do filme já sabemos que estavam indo por um caminho errado. Ou seja, a trama prende bem, cria situações, envolve, mas certamente poderia ser ainda mais pesada, o que não chega a atrapalhar tanto, mas o filme iria para um rumo mais consistente e com certeza no final todos ficariam chocados com quem seria o assassino. Diria que é um bom exemplar de suspense espanhol, que vem acertando bastante no estilo, e com isso vamos procurar mais exemplares.

O longa nos conta que há vinte anos um homem cumpre pena por uma série de homicídios duplos que o deixou conhecido como o Assassino Do Sono. Agora ele está prestes á sair da cadeia, mas um novo crime abala a cidade: o Assassino Do Sono voltou! Mas ele não está preso? Enquanto investigam um possível imitador, a polícia se depara com novos corpos e rituais que envolvem religiosidade, história e uma série de detalhes que só a mente dos detetives consegue ligar, ou um telespectador bem atento.

O longa que é baseado no primeiro livro de uma trilogia da escritora Eva García Sáenz de Urturi talvez até tenha as continuações filmadas, mas já conseguiu seu feitio de trabalhar bem toda a situação, apresentar bem os personagens e criar a tensão num filme só, porém o diretor Daniel Calparsoro quis ir rápido demais ao ponto, entregando de cara quem era o assassino e desenvolvendo ele como um personagem além da trama, o que até poderia ter sido feito de alguma forma que não revelasse seu rosto, ficasse bem subliminar e tudo mais para que o público fosse ficando intrigado com quem será, fazendo suas apostas. Ou seja, não digo que tenha sido algo ruim de ver, pois até funciona essa forma feita, porém daria muito mais tensão e dinâmica para a trama se pensassem um pouco mais na ocultação do assassino, mas ainda assim vale o resultado final, e agora é esperar ver se vão lançar as continuações, afinal agora com essa pandemia nem dá para medir as bilheterias mundo afora, e nem saber o que farão os estúdios.

Sobre as interpretações diria que todos se doaram bastante para a trama, conseguindo convencer com olhares e estilos bem diferentes, de modo que vemos a personalidade funcionar e incorporar como deveria. Para começar temos Javier Rey entregando um Unai misterioso, cheio de envolvimento, com uma dinâmica investigativa bem colocada, e fazendo bem seus olhares para criar dúvidas, ou seja, foi muito bem em tudo, e o resultado é único: o de ficarmos observando muito os seus atos até os momentos finais. Belén Rueda também deu uma personificação bem forte para sua Alba, que por alguns momentos até ficamos em dúvida dela, de forma que a atriz conseguiu ser misteriosa e agradar bem em seus atos. Aura Garrido entregou uma agitação meio que fora do normal para sua Esti, de modo que talvez para entender melhor ela tivéssemos de ler o livro, pois sua personagem acabou meio que jogada na trama, mas a atriz ao menos se entregou bem, e o resultado acabou interessante de ver. Manolo Solo também foi bem com seu Mario, de modo que temos algumas cenas suas forçadas demais, mas no geral seu fechamento foi bem colocado e interessante de ver. E para fechar, Alex Brendemühl foi bem coeso fazendo dois personagens, cada um com uma característica diferente, mas funcionando bem tanto seu Tasio quanto seu Ignácio.

No conceito visual da trama, tivemos todas as características de um bom suspense, com cenas escuras, figurinos escuros, mas principalmente como o longa brinca com história, religião e símbolos, a trama a todo momento vinha com os corpos cobertos com flores, todas as mortes foram bem simbólicas, tivemos uma explicação interessantíssima num estilo de capela sobre Adão e Eva, cheia de pinturas bem rústicas e fortes, tivemos uma delegacia meio simples, mas efetiva, e claro bons elos montados por onde os personagens passavam, inclusive com uma perseguição muito boa no telhado de uma igreja, ou seja, a equipe de arte brincou e muito com todos os elementos possíveis, e o resultado funcionou bastante, criando tensão e até um certo arrepio com as abelhas!

Enfim, é um bom exemplar do estilo, mas que pecou um pouco por apresentar rápido demais o assassino, pois aí precisaram ficar inventando histórias secundárias e resoluções desnecessárias, que se contadas no clima de desconhecimento seriam incríveis de ver, e claro brincaria bem mais com o público que ficaria atirando no escuro para descobrir quem era, pois todos eram e tinham jeito de suspeitos. Mas ainda assim recomendo o filme para todos que gostem desse estilo investigativo, e fico por aqui por enquanto, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Lost Girls - Os Crimes de Long Island (Lost Girls)

3/22/2020 01:58:00 AM |

Já vimos muitos filmes de suspense com desaparecimento de pessoas, buscas de desaparecidos, sequestros e tudo mais, e geralmente a trama sempre acaba causando comoção pela forma que os familiares ou até mesmo a polícia acaba agindo, mas esse funcionamento se dá principalmente pelo teor mais ficcional que os roteiristas encontram para a trama, mesmo que ela seja embasada em algum acontecimento real, e foi exatamente isso o que faltou para o longa da Netflix, "Lost Girls - Os Crimes de Long Island", que até entregou um ato bonito de ver nas vigílias das famílias de moças mortas, mostrou bem alguns momentos de discussão da mãe com o comandante da polícia, e até criou um ambiente de mistério nas cenas do condomínio, mas acabou faltando com uma pegada policial mais envolvente, e mesmo colocando algumas das cenas reais do caso, o resultado final acabou sendo mais uma homenagem para a mãe que não diminuiu esforços para conseguir provar que estava certa, do que um longa policial de mistério realmente. E assim sendo, o filme até serve de passatempo, mas não comove nem envolve como deveria.

O longa nos conta que diante da passividade da polícia, Mari Gilbert resolve iniciar sua própria investigação para encontrar sua filha desaparecida. Os últimos passos de Shannan levam Mari a uma comunidade fechada em Long Island, e sua busca acaba chamando a atenção para o assassinato de diversas trabalhadoras do sexo.

A documentarista Liz Garbus resolveu entrar para o mundo da ficção mexendo claro que com algo que é de seu conhecimento, que é mostrar acontecimentos, e com isso o filme tem um viés mais clássico de estilo do que algo ousado. Não digo isso seja algo ruim, pois mesmo usando esse formato mais sério no desenvolvimento, ela ousou em algumas cenas com um teor emocional mais colocado, brincou com o fato de alguns acontecimentos serem subjetivos, mas sempre voltava para o lado mais documental da história, e com isso o filme ficou sem uma cadência emocional mais forte, e assim sendo temos basicamente uma retratação de fatos, que é boa, mas bem longe de funcionar como um suspense policial, que acredito que tenha sido a ideia original.

Sobre as atuações, tiveram ao menos coerência de colocar uma grande atriz no papel principal, e Amy Ryan deu conta do recado fazendo com que sua Mari Gilbert soasse imponente, tivesse personalidade, e principalmente entregasse os atos com força, pois qualquer outra atriz menor acabaria deixando o longa com mais cara documental ainda, e assim podemos dizer que foi bem no que fez ao menos. Gabriel Byrne até entregou bons momentos também com seu Richard Dormer, de modo que poderiam até ter explorado mais ele, mas não optaram tanto por isso. As garotas foram bem pouco utilizadas, mas tivemos boas cenas com Thomasin McKenzie com sua Sherre, e Lola Kirke com sua Kim, ambas por mostrar um pouco mais de envolvimento familiar necessário. E quanto aos demais foram pouco aproveitados, tendo um ou outro destaque, mas nada que seja surpreendente de ver.

No quesito visual trabalharam pouco as cenas no meio do mato, e de buscas, focando mais no sofrimento familiar, então vemos cenas em delegacias, em hotéis, na casa da protagonista, tendo um ou outro momento de surpresa pelas andanças no condomínio, e claro nas cenas na casa do médico, detalharam um pouco mais os elementos para funcionar um resultado melhor. Ou seja, a equipe de arte não elaborou muito no processo, e o resultado foi simples demais de ver.

Enfim, é um filme homenagem até que interessante de ver, mas que faltou um pouco mais de determinação para o resultado ir além. Diria que vale ver se não tiver mais nada de interessante, e para conhecer um pouco do que foram esses crimes na época, que até hoje não foi encontrado nenhum culpado. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

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Netflix - O Poço (El Hoyo) (The Platform)

3/21/2020 01:53:00 AM |

O cinema espanhol é bem semelhante ao nacional pelo fato de que ou vemos filmes excelentes ou tremendas bombas, mas lá é bem fácil identificar qual você deve ir, se foi indicado ao Goya é fato que será daqueles ao menos interessante de conferir, e se ganhou algum então é certeza de se apaixonar. No longa que a Netflix estreou nessa semana, "O Poço", tivemos 3 indicações (roteiro, diretor estreante e efeitos especiais), ganhando nessa última categoria (aliás o movimento da plataforma é daquelas bem interessantes de acompanhar, além das diversas mortes e cortes, então foi merecido), e o filme é todo cheio de simbolismos bem abstratos, que brincam bastante com o imaginário do público, mas além desse ambiente lúdico, a trama toda é cheia de suspense, possui muita violência que traz a trama para o estilo de terror gore, e só não diria que ele foi um longa perfeito devido o diretor pecar com um fechamento simbólico demais, enquanto outros mais experientes acabariam colocando sua opinião de forma mais consistente. Porém felizmente esse fechamento lúdico não atrapalha tudo de bom que a trama teve, e sendo assim, quem gosta de um bom filme violento e interessante de ideias, fica a dica.

O longa nos apresenta uma prisão vertical com uma célula por nível. Duas pessoas por célula. Uma única plataforma de alimentos e dois minutos por dia para alimentar de cima para baixo. Um pesadelo sem fim preso no poço.

Como sempre costumo falar, é difícil um diretor estreante acertar a mão logo de cara, mas Galder Gaztelu-Urrutia foi bem coerente no estilo escolhido, e criou símbolos por onde quer que olhássemos na tela, e usando um tema abstrato, num lugar ainda mais abstrato tudo pode servir para pensar, para refletir nos dramas da sociedade comum, nos preconceitos, nas atitudes, nos elos entre céu e inferno, messias e demônios, e muito mais, ou seja, ele praticamente brincou com um bom roteiro, indo claro no fluxo, pois não vemos nada de muito surpreendente nos enquadramentos escolhidos, ou na proposta como um todo, tanto que quando precisou entregar algo a mais no final, ele simplesmente deixou para que o público fizesse suas próprias reflexões e induzisse (o que já disse ser algo que mais odeio em qualquer produção!), mas ainda assim seu resultado foi bem positivo, e com isso talvez o jovem diretor consiga mais outras boas produções para estourar mais para frente.

Sobre as atuações, é fato que o filme escolheu muito bem atores precisos de diálogos e completamente bem expressivos tanto entre os protagonistas, quanto os secundários, e dessa forma o resultado é surpreendente de olhar, e claro temos de começar falando de Ivan Massagué que foi preciso em tudo o que seu Goreng tinha para entregar, com semblantes fortes, determinações imponentes para cada ato, e principalmente um domínio incrível de como colocar suas palavras na tela, fazendo valer muito todo o tempo dele em tela. Junto dele tivemos no começo todo o cinismo de Zorion Eguileor com seu Trimagasi perfeito de "óbvios" e com os olhares mais intensos que um velhinho já desferiu, muito bom de ver. Também tivemos dois parceiros de cena do protagonista muito bons, com Emilio Buale fazendo de seu Baharat um exemplo de defesa, força e emoção, e Antonia San Juan com a estranha Imoguiri, de forma que ambos ainda se entregam bem para cada um dos momentos principais. Além desses ainda tivemos muitas outras participações interessantes no processo todo, cada um simbolizando algo e agradando bastante no resultado total do filme, de modo que não tiveram muito tempo de desenvolver seus personagens (o que talvez em uma série maior funcionaria), mas ainda assim se doaram bem para o longa, valendo claro destacar Alexandra Masangkay com sua Miharu.

O trabalho da equipe de arte foi muito minucioso, trabalhando muito bem no banquete que chegava nos primeiros andares do poço, da criatividade para cada um dos objetos escolhidos pelos "moradores" do ambiente, e claro ajudando muito na composição da ideia toda que funciona bem através de símbolos, ou seja, cada detalhe conta muito, e cada um irá tirar uma conclusão disso, mas sem dúvida a equipe conseguiu juntar ótimas maquiagens de brigas com sangue, mortes e tudo mais, com a tecnologia dos efeitos especiais, que certamente foi bem trabalhoso para dar o efeito de cascata/tridimensionalidade entre os vários andares, e aliado a isso tudo criar junto da fotografia ambientes diferentes com sombras e luzes diferentes para criar o aspecto de vida aonde não tinha, ou seja, é o melhor do filme sem dúvida junto com tudo mais.

Enfim, é um tremendo filme que poderia ter ido até além com uma opinião mais formatada do diretor, pois muitos irão ter várias opiniões sobre o filme, mas sem dúvida a principal que dá para enxergar (senão vão falar que não deixei a minha opinião também) é a de um purgatório aonde as pessoas vivem para ir ou para o céu ou para o inferno de acordo com o que fazem, em busca de salvação. Sendo assim, recomendo que vejam sem levar muito a ferro essa minha opinião do que é o filme para cada um ter a sua, mas que vejam sim o longa na Netflix, pois vale a pena. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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