AppleTV+ - Greyhound - Na Mira do Inimigo (Greyhound)

3/31/2021 01:24:00 AM |

Filmes de guerra sempre são imponentes e causam uma tensão incrível no público, mas e quando nos contam a preparação para a guerra, como toda a munição e os soldados chegaram pros embates? Se você gosta do estilo e consegue prender bem o fôlego para algo completamente envolvente, daqueles filmes que trabalham todo o psicológico de guerra e mostram toda a astúcia das pessoas envolvidas nos cargos principais, certamente irá gostar muito do longa "Greyhound - Na Mira do Inimigo", que está disponível para ser conferido na plataforma da AppleTV+, que foi indicado no Oscar na categoria de Melhor Som e realmente faz o mérito para a categoria técnica, pois impressiona demais toda a sonoridade da trama, com tiros, assobios, captações do inimigo e tudo mais, porém é muito mais do que apenas um filme com uma qualidade sonora impressionante, e merecia ter sido lembrado em mais categorias com um texto impressionante do próprio Hanks (vindo claro de uma adaptação literária!), com uma direção precisa e ainda por cima toda uma cenografia trabalhada em detalhes. Ou seja, é um filmaço completo daqueles que surpreendem do começo ao fim, e mostram que se uma travessia no oceano ainda é algo complexo na atualidade, imagina como era na época da guerra em que os inimigos estavam preparados para afundar todo apoio dos Aliados indo para o front.

O longa conta a emocionante história de um comboio aliado cruzando o Atlântico Norte em 1942, enquanto enfrenta o ataque implacável de uma matilha de lobos submarinos alemães. O líder do contratorpedeiro do comboio é um comandante da Marinha dos EUA fazendo sua primeira travessia do Atlântico. A história se concentra em sua responsabilidade de comando enquanto ele luta contra o frio, a noite implacável, o mar brutal e sua profunda fadiga enquanto persegue os submarinos de ataque num jogo mortal de gato e rato. 

Sei que esse estilo de filme é feito quase que na totalidade com muita computação, mas o trabalho que o diretor Aaron Schneider teve em cima do roteiro de Tom Hanks foi algo que certamente ficará muito marcado, afinal tem estilo, tem personalidade e principalmente tem uma empatia tão forte que consegue chamar atenção, ao ponto que o livro do escritor C.S. Forester, "The Good Sheperd" tem tantos detalhes sobre os elementos de comando da batalha que foi usado por um longo período como texto na Academia Naval dos Estados Unidos, ou seja, Hanks estudou muito o livro e foi capaz de retratar em detalhes as cenas para que o roteiro ficasse bem imponente, e claro o diretor conseguisse lhe passar as instruções para tudo ficar ainda mais incrível, valendo cada detalhe mostrado na tela, afligindo o público com muita interação, muita ação, explosões e com uma precisão cênica forte e clara de ver, que mesmo não entendendo nada dos comandos de guerra acabamos torcendo para que eles sobrevivam à guerra.

Agora após falar de Tom Hanks roteirista (juro que não sabia desses dotes dele), temos de falar dele como o tremendo ator que é, mas como costumeiramente virou já piada de memes na internet, se ele estiver em um avião, num navio, ou em qualquer outro lugar, fuja, pois será atacado, explodirá, e tudo mais, e aqui seu navio é praticamente uma mira dos submarinos nazistas, ou seja, brincadeiras à parte, vemos o seu personagem Capitão Krause sem pausa um segundo para respirar, nem tendo tempo para comer o que os cozinheiros dedicados tentavam fazer para ele tinha, e o ator dá um show de trejeitos desesperados, faz jogadas incríveis com os dados que lhe eram fornecidos, e consegue prender tanto nossa atenção no que estava fazendo, que praticamente não sabemos nem mais que outros atores estavam no navio, quase sendo um filme com uma tonelada de figurantes, e o capitão tendo só ele texto, o que é impressionante de observar. Mas dentre os demais vale claro o destaque do oficial do navio abaixo dele muito bem interpretado por Stephen Graham, que deu boas nuances em algumas cenas chaves, e estava sempre pronto para ter a conexão certeira com o protagonista, agora quanto aos demais, nem sei dizer se teve algum ator famoso ou personagem importante, pois não existiu na prática em cena.

Visualmente sei que a maior parte do longa foi gravada em estúdio, sem os atores precisarem ir para combate em alto-mar, ter o navio virando quase que 90° a todo momento, tiros sendo disparados e tudo mais, mas é tão impressionante o quanto conseguiram desenvolver tudo e criar o ambiente claustrofóbico da cabine de comando do navio, as várias passadas do protagonista entre as duas varandas (não sei o nome técnico, mas vamos ficar assim da parte de fora da cabine) opostas olhando para os demais navios da esquadra, caçando com seu binóculo os inimigos, além de todos os elementos usados, dos papeis, das mensagens, dos códigos pelos holofotes, das ligações e tudo mais que vamos entrando completamente no clima e surtando com tudo, além de um emocionante funeral em plena batalha, as horas passando, e claro o som entrando como parte alegórica e dando o clima para o filme, com tiros, motores, torpedos, assovios, radares, sonares, explosões e tudo mais que com certeza fizeram o longa ser indicado na categoria, ou seja, uma técnica realmente de impressionar, que infelizmente vimos numa tela pequena e sem um som expansivo, pois certamente numa sala Imax seria de sair desorientado da sessão.

Enfim, é um filme impressionante, que envolve demais, que passa toda a tensão que o protagonista está sentindo em sua primeira viagem para o público, trabalha demais toda a responsabilidade do capitão do começo ao fim, e que claro como sempre o protagonista assume totalmente o comando e entrega o que desejávamos ver do começo ao fim, ou seja, recomendo demais ele para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Só não irei dar nota máxima pôr as cenas do começo do protagonista com a namorada/esposa ou sei lá o quê dele não irem muito além em nada no filme tirando o chinelo que ganha dela, pois poderiam ter usado um pouco mais isso ou ter eliminado de vez a cena.


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VOD - Druk - Mais Uma Rodada (Druk) (Another Round)

3/30/2021 01:06:00 AM |

Se você é daqueles que fala que um golinho de bebida alcóolica é bom para ajudar a memória, ou para desenvolver algo que não consegue sair do papel, ou até mesmo para dar um melhorada nos ânimos, certamente irá gostar da proposta mostrada pelo filme dinamarquês "Druk - Mais Uma Rodada", que usa essa base como uma ideia de quatro professores de uma escola, que ao verem uma ideia de uma base de testes em cima de um experimento que diz que você deve manter um certo percentual de álcool durante todo o dia para que seu corpo trabalhe melhor, ou seja, começam aos poucos e depois vão incrementando até mostrar o quão perigoso e nocivo toda a bebedeira acaba se transformando. Diria que é um longa bem intenso e muito bem formatado, que acaba agradando bastante principalmente nas boas cenas do primeiro e do segundo ato, porém quando entramos no fechamento tudo pareceu desandar completamente e ficar jogado demais, meio que como se necessitassem encerrar tudo de qualquer forma, o que geralmente não é legal de acontecer, e assim sendo temos um pouco de bagunça demais, mas ainda assim é um filme muito bem feito que acabou ganhando além da indicação de Melhor Filme Internacional no Oscar, uma vaga também para o diretor entre os indicados à Melhor Direção, ou seja, faz valer o tempo conferido.

O longa nos conta a história de quatro professores com problemas em suas vidas, testando a teoria de que ao manter um nível constante de álcool em suas correntes sanguíneas, suas vidas irão melhorar. De início, os resultados são animadores, porém, no decorrer da experiência, eles percebem que nem tudo é tão simples assim.

A grande sacada do diretor Thomas Vinterberg foi ser determinante no estilo de mostrar os prós e os contras da bebida, dosando de tudo um pouco, e colocando que o vício pode ser determinante quando uma pessoa não tem o controle do que fazer após ingerir o álcool, e ele conseguiu dar dinâmicas bem coesas para os momentos, criar todo o tema em cima do seu próprio roteiro, e até fazer com que talvez ficássemos curiosos pelo experimento citado, afinal também gostamos de tomar uma bebida, e saber dosar as vezes é algo que funcionaria num momento de depressão/loucura (brincadeiras à parte ok galera!). Só o criticaria mais uma vez por ele não ter dominado a edição de sua trama, pois como já disse, o final da trama acabou jogado demais, não pela última cena que é até bacana de ver, mas por todo o ato final, que pareceu corrido demais, não tendo nenhum desenvolvimento cadenciado como foi todo o filme, além de que as conversas de celular ficaram exatamente iguais ao texto do experimento, e essa formatação merecia ser diferenciada, ou seja, ele teve uma boa proposta, construiu tudo, e depois abandonou para ser fechado, mas conseguiu pela sagacidade completa uma indicação ao Oscar pela direção que fez, e isso já é um grandioso prêmio para ele com toda certeza.

Sobre as atuações, conhecemos bem o lado denso de Mads Mikkelsen por tudo o que já fez em Hollywood, e bem pouco por suas produções dinamarquesas, afinal não chegam tantos longas do país por aqui, e seu lado dramático é interessante de ver, pois ele puxa para algo mais rude e duro, ao ponto que seu Martin acaba dando nuances divertidas para suas aulas de História, falando muito sobre o quanto os diversos grandes nomes da História bebiam, e sendo alguém exageradamente falso de ver com e sem a bebida, o que é bacana de acompanhar, mas estranho, pois poderia ter feito algo no meio termo. Thomas Bo Larsen já foi o mais exagerado e explosivo com a bebedeira, colocando o treinador de futebol Tommy como uma bomba sem controle de loucuras, e soando até engraçado ver as dinâmicas que acaba fazendo, só forçou um pouco demais nas expressões faciais, mas tudo bem. Magnus Millang trouxe para seu professor de literatura Nicolaj o desespero de uma família nova, com muitas crianças e situações tensas por ali, ao ponto que vemos seus problemas acontecerem mais em casa do que na escola realmente (aliás temos apenas uma cena de suas aulas, e nem vai muito além), mas o ator foi bem como o mentor de todo o experimento, e abusou de diversos tipos de misturas para dar loucura para ele e seus amigos. E por fim Lars Ranthe com seu professor de música Peter, que entre todos foi o mais contido inicialmente, mas o que mais se soltava com as bebidas, e teve momentos dinâmicos, muitas loucuras nas aulas, e ainda manteve uma coerência expressiva nas suas cenas para encaixar tudo o que estava acontecendo. Quanto aos demais, tivemos algumas participações das mulheres, mas sem muito o que desenvolver, afinal o filme era praticamente inteiro do quarteto, tendo então um leve destaque para algumas cenas de Maria Bonnevie com sua Anika, ao ponto que até poderia ter sido mais contundente nas cenas com o marido, mas não foi muito além.

Visualmente o longa brincou com alguns momentos na escola aonde os protagonistas trabalham, mas vivenciou muito nas bebedeiras nas casas deles, em bares do país e até beira-mar, além de uma ida completamente embriagada às compras num supermercado, e com isso arrumaram para a equipe de arte muitas garrafas de todos os tipos de bebidas, muitos copos, muita ornamentação alcoólica, e claro bagunças de todos os tipos, aonde tudo soou como símbolos de cada momento, desde cenas com lençóis molhados, cenas com objetos quebrados, e muita louça, além de alguns atos de interação num passeio de canoa com acampamento, e uma cena triste numa igreja com tudo bem paramentado também.

Enfim, é um filme bem bacana, que diverte e agrada com certeza, que entra bem na briga pelo prêmio de Melhor Filme Internacional do Oscar 2021, e que já está levando muitas indicações e prêmios em diversas outras premiações, então é torcer para não ligarem tanto para o final bagunçado e ver no que vai dar. Quem quiser conferir o longa ele está para locação em diversas plataformas como o Now e o Google Play, então fica a dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Agência Secreta de Controle de Magias (Secret Magic Control Agency) (Ганзель, Гретель и Агентство Магии)

3/28/2021 09:35:00 PM |

Animações de outros países raramente acabam aparecendo por aqui, mas já vimos que a Rússia sabe fazer bem esse estilo, e já vem há algum tempo entregando bons exemplares por aqui, e com toda a textura entregue em "Agência Secreta de Controle de Magias" acabamos vendo um filme com estilo clássico de grandes produtoras, e que junto de uma história meio doida que mistura os contos clássicos dos Irmãos Grimm, com destaque claro para João e Maria, mais numa versão inovadora no estilo de "Tá Chovendo Hambúrguer", com comidas andando para todos os lados, lendas espalhadas pela floresta, e claro diversos agentes de campo que tentam inibir os mágicos de plantão, ao ponto que o resultado acaba sendo algo bem diferente, com boas sacadas, e principalmente com cores vibrantes e uma trama que consegue segurar emoção e aventura na medida certa. Ou seja, o resultado é uma animação gostosa de ver, que até pode soar bem bizarra com todas as loucuras que ocorrem, mas que diverte e funciona, segurando quem gosta do estilo na poltrona.

A sinopse nos conta que João e Maria dos contos de fada, agora crescidos, se tornaram agentes secretos. Eles precisam ser rápidos e utilizar magia para encontrar um rei que desapareceu.

Muitos nem vão se ligar no nome do diretor, mas já vimos três obras de Aleksey Tsitsilin por aqui, com a franquia "O Reino Gelado", e como vim falando a cada novo lançamento da franquia, ele foi melhorando texturas e deixando a história cada vez mais envolvente, e aqui ele praticamente entrega o começo de uma nova franquia, que se a Netflix for esperta já negociou várias continuações, pois é algo com estilo, tem uma boa pegada, e certamente brincar com contos de fadas no melhor estilo "Shrek" de ser, dá resultado, então é aguardar para ver. Dito isso, o trabalho visual que o diretor entregou é bem condensado, tem uma boa dinâmica do começo ao fim, e mesmo mostrando uma trama digamos meio maluca, que alguns vão achar até que o diretor tomou algo para ser extremamente criativo, consegue agradar bastante a todos, fazendo um filme bem completo e cheio de desenvolturas.

Sobre os personagens, foi bacana ver a interação entre os irmãos com brigas tradicionais, discussões bem acaloradas, e claro toda a ajuda tradicional para resolver o problema, de forma que vemos bons momentos deles tanto já adultos, quanto na versão infantil com uma pegada mais bagunçada entre eles, e que conseguiram transmitir carisma e boas cenas. As bruxas todas são completamente diferentes, desde Baba Yaga com sua casa viva e vários elementos cênicos tradicionais de bruxas mais malvadas, passando pela bruxa do lago com suas sereias fazendo festas e tudo mais, até chegarmos na vilã que é uma mestre dos doces e alimentos vivos que mais soa divertida do que realmente malvada. E além delas tem todos os cupcakes vivos divertidíssimos, os generais de biscoito, e claro outros personagens bem bacanas que foram poucos usados dentro da agência como a Madrasta, a Encantada, e por aí vai, que cada uma com seu estilo chama a atenção e tem suas habilidades mostradas na trama.

Visualmente o longa é bem colorido, com boas texturas, com uma qualidade técnica e precisões de detalhes que consegue envolver bastante, criar momentos novos e interessantes, e principalmente passar toda a dimensão do reino, e claro dos locais por onde os personagens passam, desde uma agência secreta cheia de funcionários, com balões, armas mágicas, e muita dinâmica para cada ato ser bem representativo, as casas/castelos das bruxas também bem interessantes visualmente com cada funcionalidade destacada e assim envolvendo a todos, além de ter uma boa profundidade visual que talvez funcione bem nas TVs 3D, mas como é um filme de streaming dificilmente terá esse recurso para testarem.

Enfim, é uma animação gostosa de assistir, que não é perfeita, pois poderiam ter sido ainda mais criativos com os personagens secundários para criar uma diversão maior ainda, ter mais efeitos visuais, mas da forma que foi feita serve bem o propósito empregado e vale o tempo na frente da TV, e que como disse no começo talvez a plataforma de streaming até negocie algo a mais com o diretor para quem sabe virar uma grande franquia mais para frente, é esperar para ver, e aqui conferir bem com as crianças ou sozinhos, pois agrada bem com o tempo despendido. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Dívida Perigosa (The Outsider)

3/27/2021 10:04:00 PM |

Sempre que a Netflix brinca com os algoritmos dela e me vem com alguma indicação diferente chega a ser engraçado, pois geralmente vem uns filmes tão diferentes que nem consigo entender como é feita a conta, mas como sou teimoso vejo, e depois acaba aparecendo algo mais maluco ainda. Dito isso hoje a sugestão dela foi que eu visse um filme que entrou em cartaz por lá já tem três anos, mas como tem Jared Leto e lutas imaginei que fosse ser algo interessante, e até que "Dívida Perigosa" tem cenas intensas e bem feitas, mas ficou parecendo que apenas quiseram mostrar alguém que vai pagar a dívida de terem lhe tirado da cadeia e ficou no meio de uma família da máfia japonesa, e acaba gostando dessa nova vida, esquecendo completamente quem já foi. Ou seja, a trama acaba acontecendo, mas sem deslanchar realmente como poderia, ficando amarrada aos personagens sem ter uma história realmente sendo desenvolvida, ao ponto que ficamos esperando algo mais dos personagens, alguma desenvoltura, alguma morte mais clara, pois tudo acontece minuciosamente como imaginamos que vai acontecer, com as pausas acontecendo nos atos claros, e isso não é legal de ver. Ou seja, é um filme de máfia que alguns até podem gostar mais, mas certamente faltou aquele algo a mais que chamaria a atenção totalmente.

A sinopse nos conta que preso durante a Segunda Guerra Mundial, um soldado americano consegue a liberdade ao fim do conflito tornando-se integrante da máfia Yakuza por intermédio de um colega de cela. No perigoso submundo do crime japonês ele tenta impor respeito e conquistar a confiança dos membros do grupo.

Diria que o diretor Martin Zandvliet desejava criar algo mais tenso, com uma vertente marcada de negociações entre famílias criminosas, e claro misturando forasteiros em seu meio como algo diferente do usual, mas também queria impor a violência tradicional da máfia na sua trama, e com isso ficou um pouco perdido de onde atacar realmente para que tudo funcionasse e ficasse marcado. E nessa dúvida que ele acabou criando, os protagonistas se entregaram em conflitos bem demonstrados, trabalharam as densidades, e até criaram um tipo de estilo meio que novelesco, com subtramas ocorrendo sem os devidos fechamentos, ao ponto que em determinado momento ficamos pensando qual a necessidade de alguns diálogos, qual a necessidade de todo um processo de marcação, e por aí vai, fazendo com que o filme ficasse sem um rumo bem definido, e quando vai acabar realmente ficamos deslocados. Ou seja, pode até ser que tudo o que foi mostrado estivesse no roteiro, fosse ainda maior pela quantidade de tempo que talvez tenha sido cortado na edição, mas de certa forma o resultado nem surpreende, nem fica tenso na medida que deveria, acabando soando estranho de ver, mas não ruim por tudo o que acaba sendo entregue, como boas cenas violentas, e principalmente uma produção grandiosa.

Sobre as atuações é interessante observar como Jared Leto se integra aos mais diferentes papeis, e sempre consegue chamar atenção por ser de fácil adaptação, ao ponto que aqui seu Nick parece quase um objeto deslocado no meio de tantos japoneses, mas consegue dar voz ao personagem meio quieto demais, consegue trabalhar expressões fáceis, e principalmente manter o curso sem sair gritando e explodindo como habitualmente faz em muitos filmes, e isso fez dele um bom personagem, que até poderia ter ido além, mas não era o caso que o diretor desejava, então fez bem em ser mais contido. Tadanobu Asano trabalhou bem o seu Kiyoshi, bem sério, cheio de nuances reflexivas, e colocando em frente amizade a frente da família que é algo raro de ver em filmes do estilo, e o ator caiu bem para o personagem, mas sem grandes explosões também. Agora um que acabou chamando muita atenção foi o patriarca da família, o grande chefe da máfia toda, Min Tanaka, que fez cenas marcantes com seu Akihiro, se impôs nos momentos mais fortes, e até seu momento final deu tudo que poderia de expressividade e bons diálogos. Kippei Shîna trouxe para seu Orochi aquele estilo clássico de homem de negócios que sabemos que não devemos confiar, e de cara já dá para saber que irá trair algum dos dois lados que está jogando, e o mais engraçado é que o ator não tenta esconder isso, o que acaba sendo uma falha, mas foi bem na maioria dos atos. Quanto aos demais, vale apenas um destaque para o estilo entregue por Shioli Kutsuna com sua Miyu com muita sensualidade e ao mesmo tempo centralidade na personificação, que acaba chamando bastante atenção, e merecia um pouco mais de história.

Visualmente a trama foi muito bem trabalhada, com diversos carrões clássicos, com todos os personagens com figurinos imponentes com ternos alinhadíssimos, vários ambientes cheios de elementos simbólicos da época, e principalmente a equipe de maquiagem gastou muita tinta para fazer as diversas tatuagens corporais incríveis cheias de significado também para a máfia, além de uma prisão gigantesca no começo cheia de ambientes escuros e bem marcados, ou seja, uma produção grandiosa, com muitos ambientes de época, vários figurantes espalhados, e o resultado no contexto completo acaba chamando a atenção.

Enfim, é um filme com uma proposta interessante e um visual bem bacana, que acaba agradando em certos momentos, mas que não vai muito além na história, ao ponto que muitos irão conferir tudo e sair sem entender aonde desejavam chegar, mas que não é de todo ruim de forma que vale a conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Adeus, Professor (Richard Says Goodbye) (The Professor)

3/27/2021 01:26:00 AM |

Filmes envolvendo doenças sempre ecoam tensões e envolvimentos dramáticos que acabam indo além do que é pensado no roteiro, e com "Adeus, Professor" não foi diferente, pois sentimos toda a dramaticidade que o protagonista acaba passando, com um professor diferente, que tem seus métodos um pouco fora do normal de um professor de literatura, mostrando como viver seus últimos momentos após saber que está com os dias contados por uma doença, e se tem alguém que sabe ser diferente é Johnny Depp, ao ponto que vemos aulas numa mesa de bar, sentados na grama fumando maconha, em ambientes arejados, e por aí vai, e que com uma estrutura capitular como se fosse o livro que ele prometeu escrever de seus últimos momentos, vamos acompanhando tudo, vendo ele tentando viver, tentando passar para frente suas agonias, e claro que com muita bebedeira e loucuras, o resultado acaba sendo algo que flui bem e envolve bastante, passando claro a famosa mensagem do viva o momento, seja algo marcante na vida de alguém, e se mostre, que vamos sentindo tudo e ficando emocionados com a sensação dele de dever cumprido. Claro que o filme foi muito criticado mundo afora, mas diria que foi mais pelas polêmicas da vida particular do ator do que realmente pela produção em si, pois ela é bem interessante, e vale a conferida pela essência passada.

Quando Richard, um professor universitário, é confrontado com um diagnóstico inesperado, decide livrar-se de quaisquer pretensões ou convenções e viver tão livremente quanto possível. Com um sentido de humor cortante, comportamentos irresponsáveis e um toque de loucura, Richard experimenta todos os vícios – álcool, tabaco, sexo e insultar qualquer pessoa que o irrite, o que lhe dá mais prazer do que qualquer coisa em anos. À medida que Richard vê o seu tempo diminuir, descobre que o seu corajoso ataque ao status quo o leva a aceitar a verdade e a valorizar as pessoas que realmente ama. E é isto que vai fazer num último grito de glória antes do fim.

Em seu segundo longa, o diretor Wayne Roberts conseguiu trabalhar bem todo o sentimentalismo de vermos alguém em seus momentos finais tentar aproveitar sua vida fazendo tudo o que nunca fez na vida, colocando todo tipo de vício em pauta, diversas insinuações ao máximo, e que brincando bem com a essência enigmática de uma doença da qual sabemos bem pouco, vemos a cura completa passar tão longe, e ainda os tratamentos fazerem as pessoas sofrerem tanto, que muitos acabam optando por não se tratar e apenas viver os últimos dias com alguma dignidade tentando não ter tanta dor. Ou seja, o diretor conseguiu construir uma boa história em cima de tudo, e envolver bem com os momentos escolhidos para dar as notícias, ou apenas para mostrar o protagonista "vivendo" e "curtindo" seus momentos, e para isso claro contou com a determinação e desenvoltura do protagonista, que soube segurar toda uma expressividade forte e ir encaixando nuances em cada ato seu para que o filme fluísse bem.

Sobre as atuações, já falei e volto a repetir que precisamos separa a pessoa Johnny Depp do ator, pois sabemos de tudo de errado que fez na vida pessoal e assim temos como defendê-lo, porém é um dos melhores atores da atualidade, e aqui seu jeito despojado com classe acaba incorporando tanto o que Richard precisava para seu personagem que acabamos nos envolvendo demais com tudo, e chega a ser brilhante alguns momentos ao ponto de que mesmo sendo situações dramáticas acabamos rindo de seu jeito descontraído que entrega, ou seja, ele dá show e certamente o personagem com outro ator não teria o mesmo impacto. Outro que teve cenas muito boas, e além de uma ótima interpretação acabou entregando aquele personagem amigo que todos desejamos ter ao nosso lado foi Danny Huston com seu Peter incrível, cheio de nuances, e com atitudes tão bem colocadas que certamente nas gravações ambos os atores riram demais de cada momento, pois foi perfeito em tudo. Diria que faltou um pouco mais de envolvimento para que a personagem Veronica de Rosemarie DeWitt chamasse atenção, pois seus atos soaram artificiais demais, não convencendo nem como um casamento em fim de carreira, nem numa possibilidade de paixão confusa, ficando algo bem no meio do caminho. Já na primeira cena de Zoey Deutch atendendo o telefone com sua Claire já sabíamos que ela daria nuances de protagonismo no filme, e seus atos vão sendo bem encaixados até chegarmos no momento ícone do bar, aonde a atriz se solta completamente, e agrada bastante, de modo que valeria ter investido até mais nas suas cenas do que nas da esposa. Quanto aos demais, cada um teve sua participação das maneiras mais diferentes possíveis, desde a filha lésbica vivida por Odessa Young, passando pela aluna feminista exagerada vivida por Matreya Scarrwerner, até chegarmos no reitor estranho que Ron Livinston acabou entregando, ou seja, cada um teve seus minutos para se mostrar, e fizeram bem.

Visualmente o longa não tem grandes nuances, mas foi bem representado pelas festas clássicas da alta sociedade estudantil, pela boa sala do professor, pelas aulas em lugares diversos, por um bar bem desenvolvido, e claro por uma universidade com muitos ambientes abertos interessantes, além da casa do protagonista aonde vemos seu quarto e sua sala de jantar sempre com refeições que ninguém come, sendo bem cenográfica realmente, mas falando em cenografia o longa tem um erro de continuidade grotesco daqueles que o continuísta merece demissão sumária, pois na penúltima cena aonde Richard está fazendo seu discurso eloquente numa festa grandiosa ele está segurando uma taça de vinho tinto gigante e bem cheia, a câmera muda e focaliza sua esposa, e ao voltar até terminar o discurso ele está com uma taça fina de champanhe branca, e não tem como não notar a diferença, ou seja, talvez até tenha ocorrido mais algo no discurso e foi cortado na edição, ou erraram realmente nas gravações.

Enfim, é um filme inteligente e interessante, que já até vimos outros exemplares envolvendo a doença e seus últimos momentos aonde a pessoa tenta viver o máximo que suporta, mas aqui pela boa desenvoltura do protagonista acabamos indo até um pouco além, valendo bem a recomendação, e sendo assim tire o ódio pelo ator e confira para uma boa sessão de diversão e envolvimento, que mesmo não sendo perfeito, e claro, sendo mais um do estilo, acaba agradando bastante. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - O Refúgio (The Nest)

3/26/2021 01:31:00 AM |

Com certeza você conhece ou convive com alguém que vive de aparências, que se faz e fala de riquezas, mas que não tem nem direito o dinheiro da gasolina do mês, ou vive mal pagando o aluguel de um casarão de luxo apenas para mostrar que é rico para os outros, mas na verdade nem conseguiu pagar a conta de telefone, e isso é algo bem mais comum do que pensamos, com cada vez mais jovens e adultos que mentem mais do que o normal para parecer bem numa balada, numa empresa, ou até mesmo na vida, e isso não é algo bonito de se ver, embora para a pessoa possa parecer algo legal, mas uma hora tudo rui, e não vai ser algo bom. E é exatamente isso que o filme "O Refúgio", que estreou hoje na Amazon Prime Video, nos mostra um empresário de vendas de empresas dos anos 80, que se faz de riquíssimo, mas não tem o dinheiro nem para pagar a passagem de trem para ir trabalhar, que fala mentiras e mais mentiras para aparecer para amigos e clientes, mas nem vive direito com a família, e com toda uma dramaticidade bem eloquente vamos entrando no clima da trama, e sofrendo junto com os familiares que acabam se desgastando com todas as aparências e com todas as consequências que vai se tornando a imensa mentira do pai. Ou seja, é daqueles dramas imensos que tudo fica amarrado ao máximo, que sentimos as angústias de ambos os lados, mas que acabamos nos irritando com as mentiras do protagonista, e a falta de amor que não entrega para a família, já que está querendo mais aparecer para os demais do que para si, e assim sendo, o resultado não flui muito, nem é nada brilhante, mas quem gosta do estilo irá se envolver bastante.

A sinopse nos conta que Rory, um ambicioso empresário e ex-corretor de commodities, convence sua esposa americana, Allison, e seus filhos a deixarem o conforto dos subúrbios da América e voltar para sua Inglaterra natal durante os anos 1980. Percebendo uma oportunidade, Rory se junta à sua antiga empresa e aluga uma mansão rural centenária, com terreno para os cavalos de Allison e planos para construir um estábulo. Logo a promessa de um novo começo lucrativo começa a se desfazer, o casal tem que enfrentar as verdades indesejáveis que jazem sob a superfície de seu casamento.

Diria que o diretor e roteirista Sean Durkin conseguiu ser preciso no que desejava mostrar da vida de mentiras do protagonista, de seus exageros em todos os atos, e principalmente mostrar que isso já não é algo de hoje no momento em que fala com sua mãe que praticamente esqueceu a existência, e de uma maneira tão coerente, e concisa, ele foi expansivo para mostrar cada vez coisas maiores, cada vez dinâmicas mais insanas por parte de todos da família que acabam desesperados sem um norte para viver, e que claro com mais mudanças ainda tudo vai tendendo a mudar. Ou seja, é um drama de primeira linha que trabalha bem o ego que muitas pessoas acabam exagerando em mostrar, em ser algo que não é, e o resultado é bem mostrado no filme com as várias quedas, e claro com alguém tomando a rédea para tentar se recuperar após tudo desmoronar. Não diria que seja um filme extremamente imponente, e que o fluxo completo da forma que tudo é mostrado acaba sendo lento demais, mas o diretor foi bem inteligente no estilo, e o resultado consegue passar bem a mensagem que uma vida de aparências não é tão boa como pode ser uma vida bem vivida com a família realmente, e é essa a mensagem que vale a pena, dita não com essas palavras, mas por uma pessoa simples que é um taxista.

Sobre as atuações, sabemos do potencial imenso que é Jude Law quando colocado em qualquer papel, mas se tem alguém que sabe demonstrar um ego fora dos limites certamente é ele, e ainda com as aulas que teve com seus diversos parceiros de atuação nos últimos anos, o que ele acabou entregando para seu Rory é quase ver olhares de Robert Downey Jr. numa versão de sem ter o dinheiro dele, ou seja, o ator mandou muito bem em seus trejeitos, soube dosar cada momento com precisão, e o resultado são cenas contundentes unidas com uma dinâmica correta e sem muitos exageros, ao ponto que sua discussão com a outra protagonista foi algo incrível de ver. O bacana de ver o estilo de Carrie Coon para sua Allison é que ela se jogou para a personagem sem aberturas, ao ponto que vemos uma mulher disposta a tudo, e que sabe que o marido é exagerado, porém não esperava ver ele decair tanto, e vemos seus sentimentos explodirem completamente quando se vê desesperada após uma noite horrível pós-morte de seu grande amigo, e suas cenas são todas bem marcadas, ou seja, a atriz precisou se expressar muito, e conseguiu. Michael Culkin fez de seu Arthur o tradicional espelho inverso do protagonista, que é aquele que é rico e se mostra simples independente das festas que a esposa faz, ao ponto que vemos o ator completamente solto e sabendo aonde espetar, com olhares fortes e sutis que agradam demais. Quanto aos demais personagens, vale o destaque para as crianças Oona Roche com sua Sam na adolescência, já explosiva e querendo ir além, mas sem saber como ir além, e Charlie Shotwell com seu Ben levemente perdido em cena, no meio de uma indefinição se ainda é criança ou adolescente, aonde ninguém lhe dá a devida atenção, além dos bons símbolos passados pelas mães dos protagonistas (Wendy Crewson e Anne Reid), mas sem que as atrizes pudessem se destacar tanto quanto suas personagens.

Visualmente o longa brinca com elementos de uma grandeza sem tamanho, como a mansão rural cheia de detalhes de diversos séculos, pessoas importantes que passaram por ali, todo o desenvolvimento da construção do estábulo, as roupas chiques, e tudo mais que a equipe de arte acabou impondo para mostrar um algo além, e claro sua devida quebra nos últimos atos, entre festas, degradação, pichações, e tudo mais, ou seja, deram todas as nuances necessárias e foram quebrando elas aos poucos com sutilezas e momentos envolventes.

Enfim, é um filme que tenho certeza que muitos acharão extremamente chato e cansativo pela forma que foi desenvolvido, outros enxergarão muitas outras coisas, então diria que até recomendo ele com algumas ressalvas, a principal do ritmo, mas que vale a pena conferir, principalmente se você é desses que tem um ego exagerado e vive de aparências para se mostrar para os outros, pois talvez ainda dê tempo da queda ser menor. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Sem Perdão (Shot Caller)

3/24/2021 01:43:00 AM |

É sempre interessante os filmes que envolvem pessoas presas que saem depois de um longo período no cárcere para mostrar o que aprenderam na "faculdade" do crime, e claro suas motivações, continuações de serviços e tudo mais, e quando alguém acaba entrando para determinada gangue vemos que as motivações sempre mudam (claro para pior!). Dito isso, o filme da Netflix, "Sem Perdão", consegue prender do começo ao fim com uma trama bem densa mostrando como o protagonista foi parar na prisão de segurança máxima, como acabou envolvido com uma gangue violentíssima, e principalmente as motivações que teve para participar de um evento criminoso de grande porte ao sair da prisão após cumprir a maior parte de sua pena. Ou seja, é basicamente um filme de crimes, cheio de cenas fortes, e que tem uma boa pegada do começo ao fim por parte dos protagonistas, mas que certamente poderiam ter se imposto mais para que tudo fosse mais impactante, pois até entendemos no final o que o protagonista queria após a ligação completa, mas não ficou algo com cara de filme forte como poderia ser.

O longa nos conta que um empresário de colarinho branco, casado e feliz, acidentalmente comete um crime. Condenado à prisão, ele deve se ajustar e aprender os caminhos da vida na prisão. Ao longo disso, ele se esforça para fazer o que é melhor para sua família do lado de fora. As escolhas que ele fizer na prisão terão grandes repercussões, tanto para ele quanto para sua família, se ele fizer a escolha errada.

É até engraçado clicar na filmografia de um diretor e ver que após esse filme, ele já fez outros dois excelentes que gostei muito de ver, e o diretor/roteirista Ric Roman Waugh entregou tanto "Invasão ao Serviço Secreto" quanto "Destruição Final: O Último Refúgio" com primores técnicos fortes, com uma pegada forte, e principalmente com os protagonistas se destacando, ou seja, fazendo exatamente o que faltou aqui que nesse, ou seja, ele melhorou consideravelmente nos últimos dois anos após esse que vi hoje, que tem uma pegada imponente, tem técnica, porém faltou um pouco mais de determinação em alguns momentos para que tudo fluísse melhor, mas sabendo agora que ele melhorou muito nos filmes posteriores dele é de um grande alívio, pois técnica ele mostrou muita aqui, mostrou que sendo antigamente dublê pôde colocar os grandalhões em grandiosas brigas dentro da prisão com muita coreografia, e principalmente acertou a mão em não amenizar o sistema, criando tensão interna nas prisões e muita força no clima para mostrar que dificilmente uma pessoa sai melhor de um lugar como esse.

Sobre as atuações, temos de pontuar facilmente o quanto uma maquiagem e um cabelo e barba mudam uma pessoa, pois Nikolaj Coster-Waldau fazendo o papel de Jacob logo é preso e já com seu novo nome Money quando sai 10 anos depois é quase como falar que tiveram dois atores interpretando o papel, pois além do ator mudar completamente os trejeitos, mudaram todo seu visual e o resultado ficou muito bom de ver, pois ele incorpora todo o peso que a prisão lhe colocou, e o ator manda muito bem em tudo, além claro de seu plano final ficar muito bem feito, ou seja, deu show. O policial vivido por Omari Hardwick aparentava ter mais importância na trama, mas acabou ficando meio que em segundo plano, o que não é legal para nenhum papel, mas ele fez bem suas cenas, e deu um tom interessante nos seus interrogatórios, só precisava que o diretor lhe desse um pouco mais de intensidade para funcionar melhor. Holt McCallany deu um tom bem imponente para seu The Beast, e com uma força descomunal ainda se impôs bastante até os grandiosos momentos finais, que além de ser bacana pelos diálogos com o protagonista, ainda teve uma boa luta. Dentre os demais valem destacar Jon Bernthal com seu Shotgun desesperado para se safar, como um líder de gangue viciado e completamente doido, e Emory Cohen com seu Howie singelo e bem dosado dentro de todo o conflito, nem parecendo ser quem arrumou todo o esquema, entre outros, afinal todos foram bem colocados nas brigas, e mesmo com poucas cenas importantes, cada um chamou um pouquinho de cena para si.

Visualmente o longa tem uma boa imposição cênica, mostrando uma prisão bem tradicional americana, com um exagero de presos num grande espaço cheio de beliches, que inclusive soa como uma loucura total, mas ainda é algo arrumado comparado ao que vemos na vida real aonde tem quase a mesma quantidade num espaço bem menor, vemos boas cenas de brigas e exercícios nos pátios da prisão, e celas de sol bem interessantes para os presos mais perigosos, ou seja, tiveram um bom cuidado para fazer algo interessante de ver por lá, e nas cenas fora da prisão mostraram bem as tradicionais festas das gangues, um pouco das reuniões de condicional e o plano de venda bem montado de armas, que foi bem tramado e organizado com jogadas de celulares, e trabalhando sempre com bons elementos cênicos bem detalhados para cada ato.

Enfim, é um bom filme que alguns até vão gostar mais do que outros, sei que muitos já até viram por não ser um longa tão novo na Netflix, mas para quem não viu fica a dica, pois é intenso e bem feito, só não sendo algo mais imponente como poderia, mas isso não atrapalha em nada o resultado final. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Shaun, O Carneiro: O Filme - A Fazenda Contra-Ataca (A Shaun the Sheep Movie: Farmageddon)

3/22/2021 01:35:00 AM |

O bacana das animações bobinhas e infantis é que elas funcionam bem sem precisar grandes apelos de falas ou a necessidade de algo expressivo para representar o que desejam mostrar, e se tem uma empresa que sabe trabalhar isso como ninguém é a Aardman, que usando sempre de sua técnica de stop-motion (as famosas massinhas), e agora incrementando tudo com muita computação gráfica, acaba entregando longas que não tem nenhum diálogo, mas cheios de significados, com momentos envolventes e tudo muito bem simbólico ao ponto de entendermos cada momento e nos envolvermos com tudo. Ou seja, assistir "Shaun, O Carneiro - O Filme - A Fazenda Contra-Ataca" na Netflix, é ver uma trama simples porém muito bonitinha, com uma pegada clara em cima de uma história de alienígenas e todo o frisson que acaba rolando quando algum objeto não identificado aparece em uma cidade, com o famoso carneirinho astuto se metendo em uma confusão completa para tentar levar o bebê alien de volta para sua família, e com o governo atrás também do extra-terrestre, ou seja, muitas confusões, muita bagunça e tudo com muitas cores para divertir desde os mais pequeninos, até os grandões que ficarão emocionados com algumas atitudes bem feitas.

A sinopse nos conta que algo estranho está acontecendo na pacata cidade de Mossingham, logo após a fantástica missão de resgate em "Shaun, o Carneiro: O Filme"(2015). Enquanto o travesso Shaun pede pizza para o rebanho peludo sob o nariz do Fazendeiro, e Bitzer, o cão pastor sempre vigilante, um OVNI misterioso e veloz entra na atmosfera da Terra e aterrissa perto da verdejante Mossy Bottom Farm. Agora, Lu-La, a extraordinária criatura amigável das profundezas da galáxia, está em grave perigo, a anos-luz de casa. Será que Shaun, e o resto dos cordeiros, podem ajudar e proteger seu novo companheiro extraterrestre do Ministério de Detecção de Alienígenas e sua líder imparável, a Agente Red?

O mais bacana de tudo é termos diretores novos no projeto, que apenas fizeram parte dos departamentos de arte do longa de 2015, e continuarem com a mesma pegada do original, ao ponto que vemos todas as sacadas bem colocadas em cada ato, vemos os personagens bem dinâmicos e divertidos, e a cada detalhe pensamos nas mesmas coisas, mostrando que Will Becher e Richard Phelan estudaram muito tudo para não jogar fora um trabalho de anos, e ainda manter toda a boa essência da Aardman com uma desenvoltura própria e legal de curtir, pois sabemos bem que todo o lance dos carneiros é se rebelar, é conseguir comer algo diferente do que lhe é dado, e claro se divertir enquanto o cachorro bloqueia as ideias malucas deles, e isso foi mantido mesmo com a introdução de um novo personagem, o qual ainda brincou demais, arrotou, e fez todas as loucuras possíveis com agora o famoso carneiro sendo o inverso tentando não deixar Lu-La sair fazendo mais. Ou seja, é um grande jogo bem divertido que foi muito bem pensado para não cansar ninguém e ainda ser bem desenvolvido, tanto que a surpresa veio em ponto máximo, que sendo lançado lá no comecinho de 2020, acabou sendo lembrado agora nas indicações do Oscar 2021, e só não diria que tem mais chance pois o ganhador da categoria já é carta marcada.

Quanto dos personagens, já que não dá para falar de atuações, afinal não temos falas, nem trejeitos, todos são muito bacanas de ver, e cada um da sua forma dá o tom na trama, desde o protagonista Shaun sempre se metendo nas maiores confusões e agora quase como uma babá da alienígena Lu-La que é graciosa, curiosa e faminta, fazendo as maiores loucuras possíveis, ou seja, é uma dupla com uma química imensa que agrada demais em cada movimento. Temos o Fazendeiro todo maluco por sua nova colheitadeira, pensando em fazer todo um festival alien imenso cheio de detalhes insanos e bem criativos, que faz rir demais. Temos claro o cão pastor Bitzer com sua marra tradicional, e que caiu muito bem na forma de um pseudo-alien com o que acabou fazendo e divertindo demais em todas as cenas pós o acontecimento. Tivemos a Agente Red com sua busca insana pela alienígena e depois ficamos sabendo do motivo de sua obsessão, e que agrada bastante, além claro dos seus funcionários amarelos completamente malucos (e que como foi feito antes da pandemia acho que nem imaginavam que veríamos tanto aqueles figurinos!). E claro tivemos os demais carneiros e ovelhas, que praticamente constroem todo o festival Farmageddon sozinhos, e dão um show de bagunça, ou seja, tudo muito bem feito, divertido e gracioso demais.

Visualmente o longa tem uma boa textura dos personagens, dando um formato tridimensional muito bom para todas as cenas, com boas sombras e modelagens, e mesmo nos momentos 2D tudo foi muito bem pensado, com muitas cores para chamar a atenção dos pequenos, e muita desenvoltura para todo o ambiente ser funcional e chamativo do começo ao fim, ou seja, a equipe de arte bateu um bolão, afinal como os diretores vieram dessas funções, certamente pediram mais cuidado em tudo.

O filme tem uma trilha sonora divertidíssima muito bem encaixada em todos os momentos, dando as nuances necessárias para criar o ritmo, e agradando demais, afinal como bem sabemos o longa é quase uma ode ao cinema mudo, sem falas, sem narrações, sem nada, então a música faz as vezes, e aqui claro que deixo o link para todos curtirem.

Enfim, é uma animação muito gostosa, que não sei como não me foi indicada na época que foi lançada na plataforma de streaming, então tive a oportunidade de achar agora com a indicação ao Oscar e recomendo demais para todos, pois é bonitinha e vale muito a conferida, e principalmente, entrega uma história nova, não sendo um derivado do original, o que é bacana de ver, e assim sendo darei a mesma nota que dei para o original de 2015. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.


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Netflix - Cabras da Peste

3/21/2021 07:01:00 PM |

Muitos vieram falar que não estava dando vez para o cinema nacional que andava surgindo nas plataformas de streaming, então resolvi dar o play em um que está no topo dos mais vistos da semana da Netflix, e que tinha ouvido falar que o pessoal estava rindo muito, mais eis que não desceu muito bem toda a ideia de "Cabras da Peste", pois até brincaram bastante como uma paródia de filmes de policiais, dando uma nuance mais caricata para tudo, mas não encaixaram nem o ar de paródia, nem o ar de filmes de crime, ao ponto que tudo acaba tendo uma técnica tão ruim e falha, as piadas soaram bobas demais, e o estilo acabou ficando no meio do caminho, nem divertindo, nem tendo uma grandiosa história. Ou seja, é daqueles filmes que alguns até dão risadas dos exageros, mas quem parar um pouquinho para tentar pegar um carisma na trama acabará se decepcionando com tudo.

No longa acompanhamos a história do cearense Bruceuilis e do paulista Trindade, dois policiais totalmente incompatíveis que são forçados a trabalhar juntos para resgatar a Celestina, uma cabra que é considerada o patrimônio do Ceará. Durante a investigação, os dois descobrem que o sumiço do animal está interligado com as ações criminosas de Luva Branca, o maior alvo da polícia de São Paulo. Juntos, Bruceuilis e Trindade precisarão desmascarar a quadrilha comandada pelo traficante de entorpecentes e mostrar que ainda são policiais de verdade.

Pois bem, já posso colocar o nome do diretor Vitor Brandt na lista dos diretores que sei que vão entregar filmes apelativos que não fazem rir, pois se com seu primeiro filme "Copa de Elite" fez algo lamentável, aqui ele tentou dar uma melhorada com um estilo clássico do cinema americano, adicionando um tom abrasileirado e infelizmente não funcionou, ao ponto que tudo soa apelativo, todas as cenas parecem jogadas, e nem trabalharam uma produção mais efetiva e realista pelo menos, pois os uniformes policiais estão com adesivos colantes nas camisetas, os tiros varam as pessoas, mas não saí uma gota de sangue, a pessoa sai correndo sem camisa de uma casa e é parada após toda a correria já usando uma camiseta, outra toma diversos socos e tapas sem nem machucar nada na hora e depois aparece espancado na cena seguinte, ou seja, são tantas falhas que se for enumerar passo o dia só fazendo isso, mas se ao menos fizesse rir de gargalhar daria para relevar, pois muitos filmes usam do absurdo para fazer graça, e aqui não foi o caso. Ou seja, não tem como recomendar o trabalho do diretor e roteirista, e por parecer algo engraçado na chamada da plataforma, muitos estão dando o play e deixando ele como top 1 do streaming.

Sobre as atuações é fato que Matheus Nachtergaele raramente faz papeis ruins, mas aqui seu Trindade além de bobo demais, é praticamente jogado para escanteio nas cenas, não chamando em momento algum a responsabilidade cênica para si, e ficando levemente estranho de ver seus traquejos, ao ponto que o ator em certas cenas até parece incomodado com o personagem, além de forçar demais para funcionar. Já por outro lado, Edmilson Filho praticamente se sentiu dentro dos seus longas de luta com seu Bruceuilis, fazendo coreografias para todos os lados, dando voadoras, cambalhotas e tudo mais que gosta de mostrar, e seu personagem até tem um ar engraçado de ver, mas como aconteceu em todos os demais após "Cine Holliúdy", não tiveram graça, e assim sendo não chama a atenção que poderia. Quanto os demais personagens, todos tiveram as devidas participações e tentaram aparecer um pouco além, como Juliano Cazarré como um policial brucutu ferido em batalha, Letícia Lima como a comandante autoritária Priscila do batalhão, e até Evelyn Castro como uma motorista de aplicativo exagerada, mas ficou a cargo de Falcão sem suas roupas coloridas chamar um pouco mais de atenção como o político palhaço que trafica drogas dentro de rapadura, ou seja, fez piada com a política nacional, mas o personagem não funcionou.

Visualmente o longa até brincou bem em galpões policiais, em uma cidadezinha pacata no interior do Ceará, nas ruas da Liberdade em São Paulo, num restaurante oriental, e sempre usando de poucos elementos cênicos brincaram com o que tinha ao redor, como toalhas e paus para luta, uma grande quantidade de armamento para as cenas de tiroteio, mas poderiam certamente ter caprichado um pouco mais nos uniformes dos policiais para não parecer adesivos colados, nos processos de continuidade e tudo mais, que aí mostraria algum serviço pelo menos.

E é isso pessoal, não vou ficar falando muito, afinal vou direto ao ponto dizendo que é uma trama que não agrada de forma alguma, pelo menos para o gosto de quem prefere uma comédia que faça rir naturalmente, ou que apele para algo forçado que provoque o riso realmente, e não apenas trejeitos e coisas jogadas para o ar, mas isso é algo que alguns podem até questionar, pois tem quem irá rir das bobeiras da trama, então apenas ressalvo que vejam por conta própria, pois não recomendo. Bem é isso, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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VOD - Liga da Justiça de Zack Snyder (Zack Snyder's Justice League)

3/20/2021 10:58:00 PM |

Pois bem, passaram 4 anos, e teoricamente o período de luto de Zack Snyder passou, e após muitos pedidos de fãs, resolveram deixar o diretor terminar sua obra inacabada que passou por outras mãos na época e acabou saindo algo bacana, mas extremamente criticado pelos fãs, porém agora com carta branca para fazer o que quisesse, o diretor no entregou o seu corte de 242 minutos da "Liga da Justiça" com muita história, muito fã-service, e principalmente diversas explicações que sequer imaginávamos que aconteceria na trama. Ou seja, é um filmão gigantesco, mas que passa voando para quem gosta de histórias bem trabalhadas de super-heróis, com uma pegada bem mais densa e forte (diversos momentos cômicos que existiram no longa de 2017 foram cortados!), e o resultado foi único, incrível de ver, e que emocionará quem estava esperando essa versão já nem acreditando que sairia algum dia, e agora a torcida é para que o estúdio libere o diretor para dar continuidade ao projeto, fazendo o segundo e o terceiro capítulo que eram previstos para ser uma trilogia completamente envolvente.

A trama nos conta que determinado a garantir que o sacrifício final do Superman não fosse em vão, Bruce Wayne alinha forças com Diana Prince com planos de recrutar uma equipe de metahumanos para proteger o mundo de um ameaça de proporções catastróficas. A tarefa se mostra mais difícil do que Bruce imaginava, pois cada um dos recrutas deve enfrentar seus próprios demônios do passado antes que possam finalmente formar uma liga de heróis sem precedentes. Porém, pode ser tarde demais para Batman, Mulher Maravilha, Aquaman, Cyborg e The Flash salvarem o planeta dos vilões Steppenwolf, DeSaad e Darkseid e seus planos malignos.

Quem lê meus textos já há algum tempo viu que na época do lançamento dei uma boa nota para a versão de Joss Whedon, pois fui conferir com uma expectativa tão baixa pelo que vinham falando do longa que acabei gostando bastante do resultado lá mostrado, porém aqui é algo completamente diferente, quase sendo uma nova história, e isso é algo bem bacana de acontecer, pois costumo falar que quando revejo um filme só acho defeitos, e felizmente não foi o que acabei conferindo aqui, afinal são tantos detalhes para conferir, tantas histórias novas, tantas personificações que nem tem como lembrar como aconteciam tais momentos anteriormente, e além disso, o diretor Zack Snyder que é um grande fã de efeitos de slow-motion, usou e abusou da técnica para diversos momentos, trabalhando detalhes em cada ato, mostrando que os efeitos foram muito bem desenvolvidos para não ficar falhas, e assim sendo vemos uma trama densa, bem mais forte e impactante, fazendo quase o longa anterior ser classificado como comédia, pois aqui temos tudo centrado, o clima de luto pelo Superman impregnado na trama, a desenvoltura apocalíptica vindo em todos os momentos, batalhas gigantescas com diversos personagens, ao ponto de que acabamos nos envolvendo demais com tudo, e o resultado é o melhor possível para que desejássemos ainda mais dele, e digo mais, felizmente o diretor lançou ele como filme, pois mesmo sendo capitular, o resultado funciona como um longa muito melhor do que se fosse jogado como uma série.

Sobre as atuações, não vou dizer que mudou muita coisa do que havia visto no outro filme, pois foram feitas bem poucas novas filmagens, e as interpretações não mudaram, então diria que todos estão incríveis com seus personagens, sei que muitos não gostam do Batman de Ben Affleck, mas aqui ele está completamente bem imponente como um bom líder de equipe, vemos ainda o Flash de Ezra Miller muito mais importante na trama com mais cenas suas, e com situações fortíssimas que todos os fãs da DC estão esperando ver no seu filme solo, vemos muito mais cenas com as Amazonas de Themyscira lutando contra os pandemônios e o Lobo da Estepe, aliás esse com visual ainda mais impactante após todo o trabalho dos efeitos especiais melhorarem incrivelmente. E ainda tivemos a maior redenção de um personagem, afinal o diretor resgatou o Coringa de Jared Leto completamente diferente do que vimos em "Esquadrão Suicida", mostrando personalidade, trejeitos e um clima sombrio incrível que sabíamos que o ator tinha potencial para mostrar, ou seja, vamos torcer muito para que continue no papel em outros filmes. Ainda tivemos vários outros personagens que não tinham aparecido no longa de 2017, como o Caçador de Marte, um uso maior do Exterminador, claro muito mais cenas do Darkseid, entre outros, ou seja, o diretor pode brincar bem mais.

Visualmente o longa puxou para tons mais escuros e densos, com cenas de bastante impacto, bons efeitos visuais, e como já disse usando de muito slow-motion para dar uma intensidade maior nas cenas, mas também não vemos muitos novos locais aparecendo, então vale tudo o que já disse no outro texto. Agora um ponto que ficou incrível e certamente fez com que eu ficasse ainda mais com saudade da sala Imax foi que o diretor optou por lançar o longa na proporção 4:3 diferente do usual 16:9 que é lançado a maioria dos filmes, principalmente os do streaming, e assim amplificando ainda mais os personagens, valorizando mais eles, e o resultado é interessantíssimo de ver.

Enfim, gostei muito do que vi hoje, me envolvi bastante, e não achei cansativo ver as 4 horas de duração, com toda certeza ficou muito melhor que a versão de 2017, ao ponto que vale a recomendação para todos que quiserem locar nas diversas plataformas de aluguel de filmes até o dia 07/04 (eu vi pelo Now), e depois em Junho pela plataforma da HBOMax, então aproveitem e se divirtam. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, e quem quiser ver meu texto de quando vi no cinema, segue aqui o link, então abraços e até logo mais.

PS: não sei se daria nota máxima para ele, mas como gostei mais desse do que o anterior que dei 9, então vamos deixar com 10, mas colocaria um 9,5.


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Netflix - Por Trás da Inocência (Deadly Illusions)

3/20/2021 01:44:00 AM |

Sabe aqueles filmes que tentam confundir você do começo ao fim, vão introduzindo coisas insanas durante toda a exibição, colocam uma graciosidade exagerada na inocência da personagem que você não consegue enxergar alguém ser dessa forma, e claro você a todo momento fica falando o que vai rolar, o que é verdade e o que é mentira, mas aí eis que o diretor resolve finalizar de uma forma tão sem jeito que não empolga, nem chega perto do que imaginávamos, ficando algo frouxo demais. Ou seja, se você já viu vários assim, com certeza irá ficar na dúvida se dá ou não play no lançamento da semana da Netflix, "Por Trás da Inocência", pois ele até tem alguns momentos de tensão, vários momentos de dúvidas, mas faltou aquele fechamento que todos esperavam realmente, além de o lance da voz ter ficado bem boba demais para nos convencer do que foi mostrado. E sendo assim, diria que é um filme que até tinha um certo potencial para ser interessantíssimo, mas não conseguiu ir muito longe, e o resultado soou frouxo demais para agradar no fechamento, não valendo muito a recomendação.

A sinopse nos conta que uma romancista best-seller, que está sofrendo de bloqueio de escrita, contrata uma jovem inocente para cuidar de seus filhos gêmeos. À medida que a romancista se entrega perigosamente a seu novo best-seller, a linha entre a vida que ela está escrevendo e a que está vivendo se torna tênue.

Diria que a diretora e roteirista Anna Elizabeth James até pensou em algo a mais para a sua trama, pois é visível a preocupação em abrir os elos da protagonista, colocar ela para pensar realmente se fez tudo o que aconteceu, entrar em contradição do que estava escrevendo com o que estava pensando, e também a ideia da coadjuvante de uma forma dupla também foi boa, porém ela precisaria ter desenvolvido isso bem antes, logo nas primeiras cenas, o que não aconteceu, ao ponto que usar isso apenas no final acabou soando falso e estranho demais. Ou seja, não vemos um erro próprio da trama, pois a ideia embora maluca e estranha no final até tem uma validade inteligente se formos olhar a fundo, porém faltou um desenvolvimento precoce dele para que aceitássemos o que ela quis nos passar, e assim sendo o filme não falha por inteiro, mas sim falha por exageros em momentos errados. 

Sobre as atuações, ambas as jovens mandaram muito bem em cena, cada uma da sua forma, no tempo correto, e claro aparecendo demais para que todos os atos fossem de certa maneira impactados, e assim o resultado entre elas é de uma química tão imponente que agrada bem. Dito isso, Kristin Davis entrou muito bem no papel da escritora Mary Morrison, fazendo todo o estilo de mulher riquíssima que não necessariamente precisa do trabalho, mas que entra no clima e sai fazendo besteiras com tudo o que vem em sua mente, soube aproveitar bem a vontade a maioria das cenas, e se jogou mesmo quando precisava, chamando a responsabilidade expressiva para si, e agradando. A jovem Greer Grammer é figurinha carimbada nos longas da diretora, e aqui sua Grace de cara já imaginamos que não era quem devia, pois ninguém é tão doce da forma que a atriz entregou, e assim ela trouxe uma personalidade bem marcante que chama a atenção e agrada com todas as sutilezas possíveis para ser revelada ao final a verdadeira face. Dermot Mulroney até fez um Tom interessante, mas foi pouco aproveitado na trama, ao ponto que se desenrola mesmo em três ou quatro cenas, e assim acaba sendo daqueles que nem lembraremos que participou do filme. Da mesma forma Shanola Hampton trabalhou sua Elaine em duas cenas, e acabou sendo usada nos atos finais para algo a mais, mas nem necessitariam dela se não quisessem. Quanto aos demais, foram enfeites cênicos, então melhor nem pontuar nada, já que as crianças também apenas participaram sem chamar quase atenção nenhuma.

Visualmente o longa é riquíssimo, afinal arrumaram uma mansão de cinema, com tudo gigantesco, ambientes bonitos e cheios de detalhes, livros espalhados, mas ao mesmo tempo arrumados, uma piscina incrível, uma banheira preparadíssima para ser usada na medida, um banheiro imenso, tudo muito rico de detalhes, e de uma forma tão clean que chega a impressionar. E o melhor, saíram do ambiente diversas vezes para lugares mais simples e ainda tiveram bons atos, como um bosque detalhadíssimo de folhas de outono alaranjadas (numa fotografia lindíssima), um baile de jantar beneficente num ambiente minúsculo, uma apresentação simplíssima de escola, e um hospital também sem muitos detalhes, ou seja, era melhor ter ficado só na casa mesmo, que mostraria todo o potencial da direção de arte, e o resultado seria melhor.

Enfim, é um filme interessante, com uma boa proposta, que foi desenvolvido com uma cadência meio lenta demais, e com um fechamento que precisaria ter sido melhor trabalhado antes para convencer, mas não chega a ser ruim, valendo como um rápido passatempo bem mediano que talvez muitos nem vão gostar do resultado geral, e sendo assim recomendo com mais ressalvas do que elogios. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Fúria Incontrolável (Unhinged)

3/19/2021 12:57:00 AM |

Olha, eu tinha esquecido como Russell Crowe era um tremendo de um ator incrível que consegue fazer o público sentir todas as sensações possíveis com o que acaba entregando, e se você estiver com os exames de coração em dia pegue e dê o play no lançamento da Amazon Prime Video, "Fúria Incontrolável", pois é daqueles filmes de surtar do começo ao fim, e ficar praticamente sem fôlego com uma trama tão intensa, tão forte, tão imponente com uma realidade que como o cartaz já diz pode acontecer com qualquer um, mas de uma coisa eu sei, a partir de hoje posso estar certíssimo no trânsito, mas vieram discutir vou pedir desculpas e ficar quietinho, pois vai que encontro um maluco igual ao do filme. Ou seja, é algo tão incrível que não consegui vir escrever o texto direto, tive de sair pelo WhatsApp indicando o longa para diversos amigos que sei que gostam desse estilo, afinal fazia muito tempo que não via um longa desse porte tão bem feito, aonde o protagonista está completamente irreconhecível, mas não diria que ele está gordo de gordura, mas sim de ódio com tudo o que faz em cena.

A sinopse nos conta que Rachel está atrasada para o trabalho e cruza o caminho de um motorista lento no semáforo. Após um ataque de raiva do estranho, uma discussão normal de um dia no trânsito acaba se tornando uma perseguição sem limites, com o objetivo de mostrar para Rachel e sua família as consequências de um dia ruim.

Quando vi o primeiro filme do diretor Derrick Borte lá no comecinho de 2011 não cheguei a falar dele, pois era um desconhecido e apenas tinha entregue uma dramédia muito bem feita com bons atores, mas algo que pontuei foi a boa dinâmica que conseguiu passar, porém depois disso não vi mais nada dele, e olhando sua biografia ele fez outros bons filmes nesse interim, só provavelmente não caiu nas graças das distribuidoras para lançar mundo afora, então eis que novamente ele entrega agora não um filme com uma boa dinâmica, mas sim um longa daqueles que você nem vê os 91 minutos passar com o tanto de desespero que ele acaba nos causando, entregando impacto em cima de impacto, crueldade em níveis máximos, e um ódio ou fúria como o título do longa entrega num nível fora do padrão, daqueles que não conseguimos imaginar alguém surtar dum tanto para sair fazendo tudo o que o protagonista faz, ou seja, ele pegou um ótimo roteiro de Carl Ellsworth e transformou em algo que até lembra um pouco "Um Dia de Fúria" com o Michael Douglas, mas aqui bem mais realista para o mundo moderno aonde temos muitos "irritadinhos" no trânsito. Ou seja, o diretor foi intenso e criou um terror de primeira linha, que vai causar muito sufoco em todos que forem conferir, e certamente iremos torcer por muito mais coisa vindo dele, afinal foi certeiro.

Sobre as atuações, já falei no começo e volto a repetir que Russell Crowe está incrível como protagonista, e o melhor nem tem um nome, sendo descrito apenas como Man, ou seja, não precisou ter uma identidade, mas sim apenas ser um motorista insano que podemos encontrar tranquilamente pelas ruas, e que num dia de muita loucura resolveu sair destruindo e matando tudo e todos por aí, e com trejeitos fortes, com uma personalidade mais forte ainda, e com um visual completamente diferente, pesando 200kg de ódio corporal entregou tudo e mais um pouco, numa interpretação impecável e maluca. Caren Pistorius também foi perfeita com sua Rachel completamente desesperada, pisando fundo para fugir do maluco, preocupada ao máximo com todos os seus, e se doando completamente para a personagem com trejeitos impactantes, e se saindo perfeita com toda a dinâmica encontrada para ser convincente nas suas cenas. O jovem Gabriel Bateman trabalhou bem o seu Kyle, tendo semblantes emotivos ao mesmo tempo que desesperados, com um ar bem marcado sem soar exagerado, ao ponto que consegue agradar nas suas cenas com uma boa coerência e sem atrapalhar as dinâmicas acaba encaixando como um bom secundário. Quanto aos demais todos foram apenas encaixes na trama, e acabaram ficando frente a frente com o maluco, então boa sorte e adeus.

Quando falamos sobre os estragos dos filmes "Velozes e Furiosos" sabíamos que o orçamento era altíssimo, mas aqui tem tantas batidas, tantos carros destruídos, várias coisas pegando fogo, sangue falso pra todo lado, cenas fortes de mortes e tudo mais, ou seja, a equipe caprichou para que tudo ficasse bem realista, e certamente nas cenas de perseguição precisaram trabalhar muito bem para que nenhum acidente maior acontecesse, mas ainda assim posso dizer que gastaram bem, e o resultado impressiona demais, afinal não é qualquer ceninha de carro sendo explodido não, é trombada de nível alto.

Enfim, foi um longa que me surpreendeu demais, que tem ação desenfreada do começo ao fim, com cenas incríveis de tirar o fôlego, e que só não dou a nota máxima por alguns momentos soarem levemente falsos demais, com as correrias e as olhadas para celular naquela velocidade era pra dar muito errado, mas valeria certamente um 9,5, que dessa vez vou arredondar para baixo, mas ainda assim recomendo ele demais para todos que gostam do gênero, e até mesmo para os que não gostam pela adrenalina causada, afinal como falei quase precisei tomar um remédio extra já que dá para surtar vendo tudo o que é mostrado na tela. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais. 


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Netflix - Filhos de Istambul (Kağıttan Hayatlar) (Paper Lives)

3/18/2021 12:44:00 AM |

O cinema turco é daqueles que aparecem tão poucos filmes chamativos para nós que quando chegam por meio das plataformas acabamos vendo e gostando bastante, ao ponto que procuram sempre ou partir para algo bem violento, ou apelam para a emoção em cima de algum tema familiar envolvente, e não digo que isso seja ruim, muito pelo contrário, só precisam dar uma melhorada para conseguir não entregar tão rapidamente a surpresa final. Dito isso, o longa que estreou por esses dias na Netflix, "Filhos de Istambul" tem uma essência bem bacana, com uma intensidade genial feita pelos protagonistas, e que consegue emocionar dentro do que se propõe, de contar a vida de um jovem e sua família de rua, e com cenas bem encaixadas, momentos tensos e intensos, e tudo bem moldado para entrarmos no clima e acreditarmos em tudo até o ponto de virada, e claro ver acontecer na narração final sobre o que vimos realmente (se você já não pegou a ideia no miolo). Ou seja, é um filme de certa forma emocionante, que tem uma mensagem e uma boa história, mas que faltou um pouco para ser perfeito.

A sinopse nos conta que nas ruas de Istambul, Mehmet, um catador de papel, decide ajudar um garoto e acaba tendo que confrontar os traumas da própria infância.

O diretor Can Ulkay foi bem sucinto no que desejava passar, e soube conduzir a trama com gestos bem gostosos de ver, ao ponto que acabamos criando um carisma por cada cena mesmo ela parecendo desconectada de todo o resto, ficamos nervosos e desesperados com os atos finais completamente explosivos, e isso é algo que só bons diretores sabem trabalhar, pois é necessário uma sintonia bem fina com os protagonistas para que o longa não desande quando tem muito envolvimento, que foi o caso aqui. Ou seja, ele tinha tudo para entregar um longa incrivelmente perfeito, só que na metade ele dá uma leve descuidada e o filme se revela, o que certamente não era algo que ele queria, e sendo assim até torço para que muitos não peguem a ideia completa ali, pois ai o final é de desabar, afinal o momento completo foi muito bem escrito e narrado por um dos protagonistas.

Sobre as atuações, Çagatay Ulusoy entregou um carisma tão grande para o seu Mehmet que chega a ser algo completamente fora de seu estilo, pois o ator tem um porte de imposição, de brucutu que quebraria tudo na porrada, mas entrega cenas tão doces e bem sintonizadas com os demais que acabamos envolvidos com tudo o que faz pelo garotinho, e claro que nos desesperamos com suas cenas finais, ou seja, o ator foi marcante, e embora muitos conhecessem ele de uma série famosa, gostaria de ver mais ele sendo usado para longas, pois o ator é bom. Ersin Arici foi bem colocado com seu Gonzales, fazendo expressões bem simbólicas para cada momento, e sendo um grande parceiro do protagonista em todos os seus momentos ruins, além de ao final vermos que ele não estava fazendo as caras e bocas por nada, mas sim sendo sincero com os atos, e junto de sua narração foi algo melhor ainda. O garotinho Emir Ali Dogrul trabalhou bem e teve algumas cenas bem interessantes, porém não sei o que pediram para ele, mas sempre parecia assustado com tudo com suas expressões, e isso poderia ter sido melhorado, afinal não era tão necessário esse desespero dele. Dentre os demais cada um teve seus rápidos momentos, mas quase nem aparecendo para funcionar dentro da trama, tendo claro um destaque para Turgay Tanülkü com seu Tahsin que foi simbólico como um pai que acolheu cada um ali dos catadores de papelão, mas não exploraram tanto ele como poderiam.

Visualmente o longa foi bem simples e muito bem encaixado, mostrando a vida dos jovens abandonados de Istambul, catando materiais recicláveis para vender e sobreviver com seus pequenos ganhos de cada dia em seus carrinhos, seus momentos de descontração organizados pelo protagonista, a casa e a oficina administrada pelo protagonista com muitos detalhes simbólicos, uma casa de banho, e claro um apartamento bem marcado que inicialmente já diz alguma coisa, mas que ao final será bem usado, ou seja, a equipe de arte brincou bastante com tudo e o resultado agrada bastante com os elementos cênicos usados.

Enfim, é um filme bem bonito, com momentos envolventes bem colocados, e que funciona bastante, ao ponto que quem não ligar para muitos detalhes técnicos acabará se emocionando bastante com a história, afinal é algo triste de ver, e que muito bem interpretado e dirigido agrada do começo ao fim, só que como disse mais ou menos na metade dá para pegar o fio da meada inteiro e não se impactar tanto com o final, o que é algo ruim de acontecer tão antes, mas não é nada que atrapalhe, então vale a recomendação. Bem é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Nova Ordem (Nuevo Orden) (New Order)

3/16/2021 01:04:00 AM |

Olha, fazia tempo que um filme não me deixava com ânsia de vômito, com vontade de chorar e indignado com o que é mostrado, e isso tudo de uma única vez, não apenas pela essência impactante, mas por pensar que estamos na beirada completa de acontecer em nosso país tudo o que é mostrado no filme que entrou em cartaz nessa semana na Amazon Prime, "Nova Ordem". mas como não discuto política aqui no site, vou me ater ao que é mostrado no filme, e o diretor trabalhou tudo com o intuito máximo de chocar do começo ao fim, e com cenas tão impactantes, com uma desenvoltura completamente crível de realismos, vamos só ficando aflitos com cada detalhamento do que vai ocorrendo, e principalmente quando chegamos nas cenas finais aonde é mostrado a cara dos organizadores máximos, ou seja é um filme político forte, com um estilo único, que até tem muitas falhas técnicas de pontas soltas e quebras de roteiro que precisariam ser aparadas para entregar algo mais liso e histórico, porém como o conteúdo choca tanto acabamos esquecendo desses detalhes, e ao final todos os sentimentos vêm à tona juntamente com a raiva de pensar em tudo.

O longa nos entrega um drama distópico fascinante e cheio de suspense, mostrando um luxuoso casamento da classe alta que dá errado quando em uma revolta inesperada de guerra de classes dá lugar a um violento golpe de estado. Visto pelos olhos da simpática jovem noiva e dos servos que trabalham a favor e contra sua rica família, que sem fôlego, traça o colapso de um sistema político enquanto uma substituição mais angustiante surge em seu rastro.

Diria que o diretor e roteirista Michel Franco foi tão ousado na sua proposta que ficamos chocados a cada reviravolta entregue, e que de uma forma tão coerente e forte ficamos pensando a todo momento como isso pode acontecer na vida real, pois a imaginação de roteiristas sempre é algo que falamos que vai muito além, mas sempre há uma pontinha de pensamento real, e aqui o resultado choca, as cenas fortes impactam, e a cada ato ficamos com mais medo de tudo o que vai acontecer na sequência, e o pior, vemos tudo recaindo para atos ainda mais fortes que não tendem a melhorar para rumo algum, vemos aqueles que tentariam ajudar também sofrendo, e o resultado final então é de um nível que não tem como não se impressionar. Ou seja, podemos falar que o diretor é maluco, que não aparou as arestas para que seu filme fluísse em uma única história, mas de certa forma acabamos vendo tudo acontecendo e se impressionando tanto que nem reparamos nessas falhas, ao ponto que só ficamos indignados prontos para reclamar de tudo, ou então segurar o choro com o pensamento indo além, afinal volto a frisar que a sensação de acontecer isso é algo que pode ser realista demais, mas vamos torcer para nunca vermos isso (apesar que víamos longas de pandemias virais e não acreditávamos que um dia estaríamos no meio disso!).

Sobre as atuações, temos vários momentos importantes bem expressivos dos vários personagens, com destaque claro para a jovem Naian González Norvind com sua Marianne sofrendo de tudo um pouco, fazendo caras e bocas com diversos estilos de sentimentos, e acertando bastante com o desespero entregue. Fernando Cuautle trabalhou bem com seu Cristian, e junto com sua mãe vivida por Mónica Del Carmen trabalharam olhares apáticos nos momentos mais fortes, e ainda sendo acusados foram bem demais, mas poderiam ser mais imponentes, não apenas aceitando com caras tristes. Diego Boneta é um dos atores mexicanos que mais conhecemos no cinema, e aqui seu Daniel é daqueles que já de cara não vamos nos conectar já sabendo que vai cair em contraponto a qualquer momento, e dito e feito, ficamos bravos com sua cena no começo expulsando Rolando enquanto a irmã quer ajudar, e no final fazendo a denúncia errada em cima de suas conclusões, ou seja, o personagem é ridículo, mas o ator faz muito bem ele como sempre. Dentre os demais, a maioria ou estão atirando ou morrendo, aparecendo em poucas cenas, e tendo pouquíssimo destaque, com Eligio Meléndez fazendo um Rolando simples demais com um olhar triste e desesperado para salvar sua mulher, e Gustavo Sánchez Parra aparecendo como General Oribe em dois momentos marcantes junto de Enrique Singer com seu Victor, mas apenas dando conexões, não se expressando para chamar atenção.

Visualmente a produção é daquelas que temos de aplaudir a equipe de arte, pois conseguiram fazer uma destruição de primeira linha, com invasões, quebra-quebras imensos, tiros pra todos os lados, muitos elementos cênicos sendo arremessados e pichados, um ambiente lotado de sequestrados completamente sujo com diversos objetos de tortura, cenas de sexo explícito com nuances realistas, muitos figurinos de todos os tipos desde o de soldados, passando por rebelados, até chegarmos numa festa de casamento elegantíssima, muitos carros imponentes, cenas com diversos figurantes, uma metodologia de trabalho com pessoas em filas credenciadas, ou seja, tudo numa forma distópica tão realista que impressiona realmente como tudo foi feito, ou seja, uma arte para ser lembrada em premiações e na nossa memória.

Enfim é um filme que tem erros sim, mas tem tanta coisa imponente bem feita que não tem como não colocar ele lá em cima, e recomendar demais para que todos que defendem algumas coisas indefensáveis vejam, pois é daqueles filmes surreais de tão fortes de essência e de atitudes. Ou seja, veja, e depois tente não ficar lembrando de tudo a cada segundo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, de preferência com algo mais leve, então abraços e até lá.


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Netflix - The Block Island Sound

3/14/2021 07:52:00 PM |

Confesso que até chegar bem próximo das últimas cenas do filme da Netflix, "The Block Island Sound", não estava entendendo nada do que estava acontecendo e questionando realmente aonde os diretores queriam nos levar, pois de cara é um longa bem enigmático, cheio de cenas estranhas, com uma dinâmica lenta e com muitas coisas anormais acontecendo, ou seja, parecia algo bizarro que acabaria sem nenhuma explicação lógica e desanimaria de vez, até a protagonista ir para o meio do nada conversar com um homem que foi diagnosticado com uma doença semelhante a de seu irmão, e aí a reviravolta veio com muita imponência, totalmente explicativa, e com cenas ainda mais tensas acontecendo na sequência, e não bastando isso, voltaram com frases bobas que a protagonista falou no comecinho para a filha e achamos meio que sem lógica, porém foram brilhantes para toda a conclusão da trama. Ou seja, está longe de ser um filme impressionante, mas conseguiu ser tenso e interessante pela proposta da forma que foi fechada, e assim que gostar de longas para se pensar um pouco vai acabar curtindo, e a única coisa que falo é que quem for conferir ele, veja até o final, pois senão não vai entender nada.

A sinopse nos conta que algo assustador está acontecendo na costa de Block Island. Uma estranha força está prosperando, influenciando os residentes e a vida selvagem. Os pássaros estão caindo do céu. Algumas pessoas também estão caindo em um colapso emocional inexplicável. Harry Lynch sempre foi um pouco estranho na cidade. Agora, ele observa com medo enquanto seu pai fica cada vez mais esquecido e confuso. Sua irmã Audry, cujo trabalho em biologia marinha logo se revelará necessário, retorna à cidade com sua filha e imediatamente vê o que Harry vê. Suas explorações nos fenômenos cada vez mais terríveis da vida selvagem se cruzam com os gatilhos das ações de seu pai, levando-os a revelações assustadoras para as quais ninguém está preparado. Revelações que afetarão sua família de maneiras inimagináveis.

Não conheço nenhum dos trabalhos anteriores dos diretores Kevin e Matthew McManus, mas posso dizer que sabem bem amarrar uma trama para causar tensão e confusão, ao ponto que se não tivessem explicado bem a ideia através de um personagem inserido no finalzinho, acabaríamos o longa sem entender nada, e isso pode ser bom por um lado, afinal não quiseram ser objetivos deixando o mistério todo no ar, como também pode ser bem ruim, afinal é garantido que muitos irão trocar de filme bem antes do final por toda a estranheza passada. Ou seja, a criatividade foi bem marcada, e o estilo que eles propuseram foi algo bem interessante de ver, e embora tenham feito cenas bem bizarras, como as das coisas levitando de forma desengonçada, o resultado final foi tão bem composto que acaba agradando bastante, e mesmo não sendo a melhor coisa que já vimos sobre o tema, funcionou pelo menos.

Quanto das atuações, diria que quem entregou os trejeitos mais imponentes e fortes foi Neville Archambault com seu Tom, pois se antes de morrer já fazia cenas fortes com seus desligamentos repentinos, depois então nas aparições para o filho o resultado é assustador, e o ator fez tudo muito bem, com olhares estranhos, movimentações da boca estranhas, ou seja, um personagem bizarro e intimidador. Chris Sheffield deu um bom tom para seu Harry, numa mistura de loucura com irresponsabilidade, jogando trejeitos comuns do estilo, mas usando da dúvida como argumento livre, e sabendo conduzir o papel muito bem até seu ato final, o que acaba soando imponente e bem feito. Já Michaela McManus trabalhou sua Audry de uma maneira espaçada demais, ao ponto que não vemos sua personalidade sendo desenvolvida, e ao final seus atos e frases acabaram sendo bem importantes para o que o filme tinha para mostrar, ou seja, vemos tudo acontecendo bem sem ela, e depois quem não prestou atenção ficará besta com o que ela disse sendo encaixado como o motivo de tudo, ao ponto que merecia ter aparecido mais para ser realmente importante na trama toda. Quanto aos demais, tivemos alguns bons momentos rápidos da garotinha Matilda Lawler com sua Emily, algumas aparições sem muita expressão de Ryan O'Flanagan com seu Paul, e uma participação rápida, porém muito importante para revelar tudo de Jeremy Holm, mas poderiam ter usado qualquer outra pessoa ou explicação sem a necessidade de um nômade escondido, agora tirando esses, os demais apenas foram aparições jogadas, e Jim Cummings acabou ficando como sendo um maluco exagerado que estava certo com as ideologias criadas por seu Dale.

Visualmente o longa teve bons momentos, mostrando muitos peixes e aves mortos nas praias, tendo algumas boas cenas no meio do mar com o barco dos protagonistas, algumas confusões em velórios, bares e supermercados, e uma boa ambientação cênica na casa do protagonista, mas nada muito efetivo sobre o mistério completo, sendo apenas algo falado e algumas cenas exageradas de coisas voando, de forma que poderiam ter sido mais diretos em tudo. Um ponto positivo foi a iluminação não muito artificial, mas condizente com os ambientes, envolvendo bem e criando uma certa tensão no ar.

Enfim, é um filme que passa longe de ser perfeito, que certamente tanto eu quanto a maioria que conferiu se preparou imensamente para xingar tudo dele durante mais da metade da exibição, porém com um fechamento bem interessante, e explicativo, o resultado acaba sendo daqueles que vale a conferida para a reflexão, principalmente se você acreditar no que o filme fala., Ou seja, é daqueles que não recomendaria como uma primeira opção, mas quem for conferir, se assistir até o final, acabará gostando do resultado. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.


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