Amazon Prime Video - Guerra Entre Herdeiros (The Estate)

1/11/2024 01:19:00 AM |

Costumo dizer que quando deixo algum filme marinando na lista sem ver, ou o motivo é de estar aparecendo outros muito mais chamativos e interessantes, ou por acreditar que vai ser uma furada, e a chance de ser essa segunda opção geralmente é muito maior! E claro que hoje venho falar de "Guerra Entre Herdeiros", que chegou a passar o trailer no começo do ano passado nos cinemas, passou em alguns poucos no meio do ano, e no final de 2023 chegou na Amazon Prime Video, e você vê já de cara alguns atores que sabem entregar muitas perspectivas, que dificilmente errariam no tom, mas confesso que para uma "comédia", passei o longa inteiro com uma risada em uma situação bem besta, e no restante mesmo apelando para todas as formas possíveis e imaginárias, o resultado não chega. Ou seja, é daqueles que era melhor ter apenas deixado na lista e esquecer por lá, pois é fraco e sem nuances que faça você ficar na frente da TV, de tal maneira que muitos irão parar antes do fim, mas como não faço isso, sofri até o final, que fica claro bem antes que iria ocorrer.

A trama acompanha as irmãs Macey e Savanna, que estão determinadas a alcançarem um objetivo em comum: garantir a tão desejada herança da família. Sem muita sorte e com uma cafeteria à beira da falência, as duas mulheres decidem bolar um plano perfeito para conquistar a confiança da tia Hilda, uma matriarca autoritária e ranzinza que está terrivelmente doente. As irmãs só não esperavam que, assim como elas, os seus outros parentes teriam exatamente a mesma ideia.

Sinceramente acredito que o diretor e roteirista Dean Craig queria algo mais simples, sem grandes explosões de risos, mas que funcionasse bem dentro da proposta mais conflitiva entre primos brigando por uma herança, porém ele acabou não brincando como poderia com sua proposta e precisou usar de apelos forçados, principalmente pela personagem de Anna Faris, e com isso seu filme ficou como uma grande junção de esquetes que até é bem desenvolvida, porém que não faz rir, e isso como já disse outras vezes, é destruir uma comédia, afinal você quer situações que sejam engraçadas e que conectem tudo na tela, e nem que forcem a barra para isso, você deve rir, o que acaba não acontecendo. Ou seja, a trama ficou simples, bobinha demais, e acaba sendo notável que até mesmo os protagonistas estavam meio que constrangidos com as cenas, o que acaba desanimando ainda mais.

E falando nos protagonistas, quem vê uma Toni Collete em um filme sempre espera algo muito chamativo, mas sua Macey é meio insossa, sem grandes virtudes, faz algumas caras e bocas, e até tem a melhor frase expressiva nos atos finais, mas é notável na tela que a personagem não foi algo que ela imaginava, e quando isso ocorre em um filme, o desandar é um passo. Ja Anna Faris se jogou por completo na loucura de sua Savanna, foi exagerada, cheio de atos no grito como costumamos falar, e acaba exagerando um pouco em tudo o que faz para soar engraçada, mas não consegue ir muito além. David Duchovny colocou seu Richard/Dick com piadas mais diretas e trejeitos meio que numa tentativa de ser sedutor, mas não se impondo muito para esse lado, e com isso ficando sempre um passo atrás de suas cenas. Ainda tivemos o casal real e fictício de Rosemarie DeWitt e Ron Livingston como Beatrice e James, que trabalharam alguns atos até de certo modo engraçados pela pegada em si, mas ficaram muito em segundo plano, de modo que se o diretor apertasse um pouco mais tudo para o lado deles e menos das irmãs iria mais além. E claro tivemos Kathleen Turner como uma tia bem direta e cheia de trejeitos estranhos, que está quase como um objeto cênico já bem doente, mas ainda tem ânimo para dar alguns atos mais espalhafatosos e tentar marcar com sua Hilda.

Visualmente o longa se passa quase todo dentro da mansão, tendo algumas saídas para a casa mais pobre das garotas, o café delas praticamente abandonado, e um retiro de criminosos meio estranho, usando ainda algumas sacadas com jovens adultos que vivem jogando, e claro todos os elos que muitos ricos trabalham que acaba sendo a grande sacada tanto da herança quanto do que a jovem ganha, não sendo algo muito chamativo no quesito da direção de arte, mas que não falha ao menos na proposta.

Enfim, é um filme muito simples, sem atos que chamem atenção, e principalmente que fizessem rir, de forma que mesmo sendo curtinho acaba parecendo arrastado, e isso é algo extremamente desanimador dentro do estilo, então não tenho como recomendar ele para ninguém. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Chama a Bebel

1/09/2024 01:23:00 AM |

Costumo ser o chato que bate sempre na mesma tecla, mas não tem jeito, um filme precisa saber atacar bem seu público-alvo e também uma boa parte de fora dele, senão corre o risco de não ser visto por muitas pessoas e acaba não valendo o investimento feito em cima. E qual o motivo de começar mais um texto usando isso, é que a sacada de conscientização ambiental presente no longa "Chama a Bebel" é algo que tem um valor muito marcante, afinal temos sim que brigar por um mundo melhor, afinal não temos outro planeta para irmos se continuarmos destruindo tudo aqui, e usar todo o engajamento de Greta, a briga contra o uso de plásticos, de testes em animais e biodigestores é algo que certamente vale frisar na cabeça da garotada, que aí pelo formato a lá "Carrossel" e "Chiquititas" com o ambiente escolar em pauta resolveram brincar com essa possibilidade, incluindo ainda acessibilidade e tudo mais, até aí ok, porém o filme tem uma pegada muito infantil e forçada dentro dos subnúcleos, e só de usar a palavra subnúcleo já vem o que tanto sou contra que é a formatação novelesca. Ou seja, o filme tem uma boa pegada, tem um tema legal, mas chega a ser bobo todo o chilique da tia, toda a desenvoltura bobinha da garota riquinha tentando atrapalhar a vida da jovem ficando claro que vai editar o video como uma fake news, entre muitos outros momentos que davam para ficar mais críveis de um dia a dia comum, e isso vai pesar no famoso boca-a-boca entre os possíveis públicos fora dos menorzinhos, e sendo assim, volto a frisar que não é um filme ruim, pelo contrário tem tudo para chamar a criançada para conferir e se conectar com o estilo, mas garanto que a faixa etária será bem menor que 10 anos.

O longa acompanha a jornada de Bebel, uma brilhante garota que se muda do interior para a cidade grande. A personagem enfrenta as adversidades de um ambiente desconhecido, desafia estudantes populares do colégio e até um inimigo poderoso – um empresário da cidade que faz testes laboratoriais em animais – para defender suas causas. Mudar hábitos e comportamentos é sua meta e a sustentabilidade é seu princípio orientador.

Claro que o filme também pode (e deve) ser usado por muitos professores do ensino fundamental para trabalhar a ideia de liderança e sustentabilidade, e certamente esse deve ter sido a principal ideia do diretor e roteirista Paulo Nascimento para que sua trama tivesse uma maior visibilidade, pois até acredito que o longa tenha uma bilheteria razoável, mas dificilmente acertará em cheio o público-alvo nas salas dos cinemas, já que sua direção joga muito com o lado novelesco e esse estilo de público praticamente evaporou das salas escuras, indo mais para as séries dos streamings que tem ainda essa pegada de novelinha aonde cada um se conecta com o devido protagonista, segue suas tendências e tudo mais. Ou seja, é uma produção que talvez faça muito sucesso depois que for lançada nas plataformas, e claro nos usos em escolas para vender a ideia de sustentabilidade, então veremos como vai ficar, pois faltou para o diretor algo menos fechado nesse estilo para o sucesso das telonas chamar atenção maior.

Particularmente eu sei que o sistema de distribuição no país não é tão fácil de se encaixar uma trama, mas sem dúvida os distribuidores foram muito espertos em lançar o longa nessa semana, uma semana antes do filme "Reflexos do Medo", afinal a protagonista Giulia Benite que também assina a produção ficou conhecida nacionalmente pelo papel que não é mais dela no longa que irá estrear semana que vem, e aqui mesmo diferente sua Bebel ainda lembra muito sua personagem anterior, pelo menos na forma de agir com um estilo meio que "mandão", o que talvez seja algo de sua personalidade mesmo, já que em outros filmes também trabalhou esse estilo mais impositivo, ou seja, vemos aqui uma garota nata para ser líder, com propostas bem encaixadas, mas ainda precisa trabalhar um pouco mais seu estilo emocional, já que ainda não convence com seu jeito de chorar para que as pessoas fiquem com pena dela. Tivemos ainda bons atos com os jovens Gustavo Coelho e Antônio Zeni como Zico e Beto, cada um do seu jeito de colaborar com a protagonista, tendo boas desenvolturas cênicas, mas sem grandes explosões, e como disse no começo chegamos a ficar até com um certo ranço pela mini-vilã que Sofia Cordeiro entrega com sua Rox, tendo seus atos bem tradicionais de muitos filmes que já vimos mundo afora, mas mostrando que tem uma boa pegada para esse estilo de personagem. Já do lado da turma adulta, vale claro os bons trejeitos de Rafa Muller como o professor da garotada, que sendo PCD ainda deu algumas lições de acessibilidade com sua cadeira de rodas, tivemos alguns momentos simples com Larissa Maciel e José Rubens Chachá como a mãe e o avô da garota, mas sem dúvida o olhar vai todo para cima dos chiliques exagerados de Flávia Garrafa como a tia da jovem, tanto que ela chega até ofuscar o vilão master da trama que é o empresário que testa produtos nos animais, e isso foi um erro meio que grande tanto da atriz quanto da direção.

Visualmente a trama oscilou entre uma escola simples com um uniforme forte para ser bem representativo de um colégio mais fechado, e uma casa bem grande e rica meio que sem acessibilidades para uma jovem cadeirante ser questionada, e claro um laboratório tradicional e um sítio cheio de cachorros presos, ou seja, tudo bem trabalhado para mostrar as dinâmicas, mas sem ir muito além.

Enfim, é um filme simples que dava para virar facilmente uma novela juvenil com uma garota líder chegando e mudando tudo, além de precisar enfrentar uma rival e sua família, que foi condensado para ser um filme e funciona dentro da proposta, mas que dava para ter ido mais além, então fica a recomendação mais para o público-alvo mesmo, pois muitos não vão curtir tanto, mesmo sendo um bom exemplar para um mundo melhor. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Intruso (FOE)

1/07/2024 08:55:00 PM |

Costumo dizer que analisar filmes sobre relacionamentos não é algo muito interessante de se fazer, afinal cada um tem seu jeito de lidar com a vida amorosa e familiar, mas diria que a pegada proposta no longa da Amazon Prime Video, "Intruso", é daquelas que nos fazem pensar bastante o quanto a tecnologia pode avançar e chegar em patamares de trocarem você por outro alguém (um robô ou algo ainda mais melhorado) tão igual inclusive de pensamentos e forma de agir que seu parceiro nem notaria que não era você ali, e claro ao você voltar do que foi fazer por um grande período, como julgaria traições e afeições pelo "não você" que estava ali? Sim, a ideia em si é bem confusa, e até eu me confundi com o que escrevi agora, mas o longa também não é tão fácil de entrega, ou seja, se prepare para uma trama cheia de nuances, de situações conflitivas tanto pela ação em si, quanto pelo desenvolvimento na tela que não lhe explica bem tudo como está ocorrendo, ainda mais com um homem estranho analisando a família ali a todo momento, criando conflitos e tudo mais. Claro que se eu falar muito sobre o final do longa vou estragar um pouco a surpresa, que nem é tão chocante assim, mas que dá as devidas explicações de uma forma rápida, e fecha ainda melhor com a solução escolhida, então vejam, reflitam e pensem na proposta que eu coloquei no começo, seria traição ou não?

A história se passa em uma realidade distópica e acompanha Hen e Junior, casados e habitantes de um mundo quase inabitável. Os dois cultivam um território que está na família do homem há gerações, mas, um dia, um visitante inesperado aparece na casa com uma proposta inesperada.

O diretor e roteirista Garth Davis é daqueles que gostam de trabalhar suas tramas de um modo bem conflitivo e cheio de nuances, de modo que toda a confusão introspectiva que ele cria em cima da adaptação do livro de Iain Reid é toda bem pensada sem deixar furos para que o público possa reclamar disso ou daquilo, de tal forma que em alguns atos ficamos pensando nas paisagens abstratas, na convivência estranha com o homem que afirma coisas meio que bizarras para os protagonistas, ficamos irritados por não captar bem toda a essência de alguns atos e até comovidos com a forma seca de emoções dos protagonistas, mas quando temos a reviravolta tudo é bem conectado e chamativo, ao ponto que mostra um funcionamento bem claro e marcante. Ou seja, o diretor não faz seu filme de um modo muito óbvio, afinal ele quis intrigar bastante o espectador, quis que ficássemos o tempo inteiro achando uma coisa, quando tudo estava realmente bem na cara nossa, e assim a conversa sobre relacionamento atinge ápices que muitos irão parar para refletir, e essa sim era a ideia original, então podemos dizer que o filme mesmo que entregue de forma estranha, funciona.

Quanto das atuações, o trio de protagonistas se desenvolve tão bem em cena que acabam parecendo até íntimos do público, de modo que Saoirse Ronan entrega sua Hen com trejeitos meio que apáticos em alguns momentos, em outros coloca tudo de uma forma mais sofrida, e em alguns até se solta mais, tendo um emocional tão bem colocado que chama muita atenção em tudo, e o melhor, consegue segurar a onda por completo, ao ponto que funciona demais e agrada sem soar cansativa. Da mesma forma Paul Mescal trabalha seu Junior com uma desenvoltura bem trabalhada, tendo sínteses e intensidades demarcadas em seus trejeitos, explodindo em alguns atos e sendo singelo em outros, o que mostra uma facilidade interpretativa bem grande do ator. E para fechar o time, Aaron Pierre acaba sendo um incômodo imenso no meio de todo o conflito, parecendo ser alguém deslocado ali, instigando o casal, e brincando com cada faceta do relacionamento deles, ao ponto que no final mostra toda a desenvoltura para se colocar bem na dinâmica e ainda marcar com seu Terrance, ou seja, conflitivo na medida certa para apertar todas as pontas da trama.

Visualmente, embora o longa se passe em um futuro meio distópico, a trama só mostrou naves algumas vezes, e um carro autônomo, no meio de uma fazenda abandonada com algumas árvores secas e um frigorífico de aves bem automatizado aonde o protagonista trabalha e uma lanchonete aonde a protagonista trabalha, tendo tudo bem fechado na casa deles, com um piano no porão e alguns elos cênicos bem encaixados, e claro um detalhe bem marcante na captura do protagonista em determinado momento, ou seja, a equipe de arte brincou bastante, mas sem gastar muito no orçamento.

Enfim, é um filme denso, com uma proposta mais fechada que até tem uma boa entrega e serve para algumas reflexões, mas nada que seja grandiosamente surpreendente na reviravolta, e claro com um final bem marcante e correto dentro de tudo o que foi apresentado, então vale para quem curte tramas mais introspectivas, sem ser algo que canse como costumeiramente são dramas desse estilo. Então fica a dica para uma sessão mais reflexiva e para algumas discussões sobre o futuro e a substituição dos corpos e mentes. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, já que mais tarde tem Globo de Ouro, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Wish - O Poder Dos Desejos em 3D (Wish)

1/07/2024 12:14:00 AM |

Costumo dizer que uma animação pra ter a assinatura Disney precisa ter boas canções, personagens marcantes e uma desenvoltura que encante o público, e "Wish - O Poder dos Desejos" entrega com perfeição todos essas "regras" e traz ainda boas dinâmicas na tela, sendo que pela primeira vez não coloca uma nova princesa em seu mix com a protagonista, e isso não vou dar spoilers, mas é bem sacado, afinal aqui a trama usa a base da estrela que fez toda a magia Disney acontecer em todas as demais animações, tendo inclusive alguns personagens de seus filmes mais famosos aparecendo em rápidas cenas e depois subindo nos créditos para marcar o centenário da companhia. Claro que poderia ser um filme mais emocionante, daqueles que você precisa de um lencinho depois da sessão, mas acredito que deixaram isso mais para os filmes da Pixar, e aqui o brilho está na magia e no envolvimento com toda a família, e assim sendo o resultado acaba sendo bonito de ver na tela, contando inclusive com um bom carisma dos personagens principais, para quem sabe logo virarem produtos comerciais para a criançada. Ou seja, é a base tradicional deles, que quem gosta entra no clima fácil, mas quem já for preparado para criticar vai achar defeitos em tudo.

"Como surgiu a estrela dos desejos, sobre a qual tantos personagens desejavam?". Essa é a história de Asha, de 17 anos, uma otimista com uma inteligência afiada que se preocupa infinitamente com sua comunidade. Em um momento de desespero, Asha faz um apelo apaixonado às estrelas, que é respondido por uma força cósmica, uma pequena bola de energia ilimitada chamada Estrela. Juntos, eles enfrentam o mais formidável dos inimigos para salvar sua comunidade e provar que quando a vontade de um humano corajoso se conecta com a magia das estrelas, coisas maravilhosas podem acontecer.

O diretor Chris Buck é daqueles que levam sua assinatura para patamares que toda companhia sonha, afinal tem duas de suas animações entre os 20 filmes mais lucrativos da história, com "Frozen II" em 13° lugar e "Frozen" em 16° lugar, que somados fizeram só quase 3 bilhões de dólares de bilheteria, ou seja, seu nome sempre estará cotado para qualquer animação que queira chamar muita atenção, e aqui ele novamente brinca com uma canção tema fácil de grudar na cabeça, cantada em diversos atos no filme, com toda uma produção bem ambientada, e claro voltando a base das animações Disney que é envolver magia nas dinâmicas, e diria até mais, que muitos andavam reclamando da famosa "lacração" que a companhia vinha utilizando, mas aqui ele quis trabalhar de forma bem básica, sem colocar casais, ou outras pegadas que pudessem causar discórdias, mas sim apenas uma jovem sonhadora, animais e claro um vilão imponente bem malvado, o que acaba funcionando e sendo bem colocado na tela, mostrando que pode até ser que não faça a bilheteria que está acostumado, mas não quis "causar" como anda sendo bem a praxe das animações ultimamente.

Quanto dos personagens, diria que a protagonista Asha é bem disposta, tem estilo e carisma para prender a atenção, sendo daquelas aventureiras bem colocadas que não gostam de levar um não para casa, e de uma forma bem simples entrega tudo nos seus atos chamando bastante atenção, e a dubladora nacional Luci Salutes deu um tom de voz que até achei que fosse a mesma dubladora de "Frozen", mas a jovem apenas dublou apenas outros filmes live-action que assisti legendado, então posso dizer que conseguiu chamar atenção e fazer sua personagem marcante e cantando lindamente. E falando em chamar atenção o bode Valentino entregou muita personalidade e carisma, sendo o lado cômico da trama que claro na voz de Marcelo Adnet acabou sendo ainda mais marcante e bem trabalhado, de forma que o filme sem ele seria completamente diferente. Claro que o rei Magnífico ficou bem interessante de ver, pois num primeiro momento parece um galã bem colocado, com um charme completo, mas depois se vira por completo e entrega atos de maldade de nível bem forte, chamando a atenção e conseguindo ser marcante, coisa que a maioria dos vilões não conseguem, e o dublador Raphael Rossato trabalhou todo o tom de voz para chamar muita atenção. Tivemos muitos outros personagens que mereciam talvez um desenvolvimento maior, mas não quiseram fazer uma trama alongada, e assim vale claro citar toda a desenvoltura carismática e cheia de boas sacadas da estrelinha, toda rápida e direta nos trejeitos que escolheram colocar, sendo muito marcante na tela.

Visualmente o longa usa muito do desenho de mesa tradicional do início da Disney, e alguns atos computacionais bem colocados, mas essa estrutura mais clássica deu um tom bonito na tela, sendo charmoso de ver e até dando certas nuances nostálgicas, de modo que a pequena cidade de Rosas tem seu charme, tem moradores bem criativos e dispostos para as danças, e com essa técnica as cores acabaram sendo bem mais realçadas e chamativas, porém para os amigos que gostam da tecnologia 3D, acabou ficando algo pouco imersivo, com raríssimos atos saindo para fora da tela, de modo que foi até engraçado uma criança sentada atrás de mim falando pra mãe que o 3D tinha desligado logo depois da primeira cena, e tenho de concordar com ele, que o filme não brincou em quase nada, e principalmente na cena das bolinhas dos desejos que poderia ficar genial com a tecnologia, o resultado acabou bem morno.

Enfim, as canções são bem marcantes, a principal já estava na boca da garotada antes do longa lançar, e algumas tem pegadas intensas e chamativas, ou seja, é o tradicional que a Disney sempre preza, e dessa forma acaba sendo um filme gostoso e rápido de conferir, que claro, passa longe de tudo o que muitos amam na companhia, mas que é bonito, tem um charme leve e sem soar forçado acaba agrando mais que tudo, então vale a dica para toda a família. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Dogman

1/06/2024 01:27:00 AM |

Acho tão engraçado quando chego no cinema para um filme sem esperar absolutamente nada dele e me deparo com uma trama tão insana, tão recheada de loucuras bem encaixadas que me vejo torcendo pelo protagonista, mesmo ele não sendo uma boa pessoa, mas sem dúvida alguma o melhor de "Dogman" nem é pelo roteiro maluco, mas sim pelas dezenas de cachorros extremamente bem treinados e claro pelo protagonista insanamente diferente de qualquer outro filme que já fez (aliás ainda não aceito que é ele ali não!). Ou seja, é o diretor francês Luc Besson voltando aos seus filmes malucos que entregam tudo na tela sem precisar ficar pensando em nada, mas que funcionam perfeitamente tanto como algo comercial quanto artístico, e isso já disse que é algo brilhante de acertar.

Situado em Nova Jersey, nos Estados Unidos, o longa conta a história de Douglas Munrow, um homem que foi abusado por seu pai e encontrou no companheirismo dos cachorros um refúgio para lidar com os traumas dolorosos de seu passado. Mas Doug e seus cães estão bem longe de uma mera história de “melhor amigo do homem”: ele treinou os animais para que o ajudem a cometer uma série de crimes e defendê-lo contra seus piores inimigos.

Costumo dizer que o diretor e roteirista Luc Besson é daqueles que você não sai da sessão sem ter entendido 100% do que ele queria mostrar, pois nem que ele precise esfregar na sua cara toda a ideia, ele vai fazer, de modo que alguns críticos odeiam isso, mas sou bem adepto desse estilo, afinal ele deixa sempre claro o que queria, não deixando nada em cima do muro, nem floreios reflexivos que acabem deixando o espectador confuso demais. E aqui mesmo brincando com a linha temporal no presente aonde o protagonista vai contar sua vida inteira para a psiquiatra desde quando era criança, a sacada foi bem marcada tanto pelo caso da moça ter o problema de abuso com o marido, e o jovem com a família desde o começo e com a vida claro que lhe deixou a margem de tudo, mas nessa brincadeira de idas e vindas temporais, o diretor não nos deixa confusos, muito pelo contrário, ele faz a síntese ficar emocional de uma forma tão grande que mesmo o protagonista tendo matado muita gente (ele não, mas seus cachorros treinados sim), acabamos tendo um grande afeto por ele, pela vida sofrida, e claro pelas ajudas que deu, e assim sendo, o resultado funciona bem demais, mostrando mais uma vez que da mente do diretor saem coisas tão insanas que não dá para imaginar como tudo isso vem para frente da tela.

Agora estou procurando o rapaz que fez o filme no lugar do Caleb Landry Jones, pois tenho certeza absoluta que não é o mesmo ator que vi em outros longas ali no papel principal, mas brincadeiras a parte, o jovem estourou dois anos atrás em Cannes com outro filme que até hoje não chegou ao Brasil para conferirmos, e mesmo no saudoso "Três Anúncios Para Um Crime" ele já mostrou potencial para papeis mais fechados, e aqui diria que ele chegou num ápice tão grande com seu Douglas, ou Dogman como alguns lhe conhecem, que facilmente vão lhe aparecer muitos papeis de psicopata, muitos papeis de travesti, e tudo mais que seja possível de mudança de personalidade na tela, pois ele não é um apenas ali aparecendo, mas sim muitos outros, tendo pegada, tendo envolvimento, sabendo exatamente aonde quer chegar, e agrada demais, de tal maneira que até poderia pensar em outros nomes para o papel, mas a surpresa de ver ele fazendo tudo isso na tela foi marcante. Jojo T. Gibbs até teve algumas boas nuances expressivas com sua Dra. Evelyn, mas não chamou em quase nenhum ato a responsabilidade para si, de modo que deu as devidas colocações e entonações nas suas perguntas, conseguiu mostrar para o protagonista sua semelhança, mas não foi muito além. Quanto aos demais personagens, vale leves citações para Clemens Schick como o pai do protagonista, Alexander Settineri como o irmão irritante, e claro o jovem Lincoln Powell que faz o protagonista quando jovem, mas sem dúvida quem teve algumas nuances mais marcantes na tela foi Christopher Denham como um segurador bem inconveniente que teve o que merecia, e claro Grace Palma como a paixão do protagonista com sua Salma. E claro não tenho os nomes dos cachorros, mas todos sem exceção foram incrivelmente bem treinados, fizeram olhares e trejeitos bem marcantes e realmente atuaram muito mais que muitos atores em filmes grandes, ou seja, perfeitos!

Visualmente a trama se prende bastante no diálogo entre os protagonistas na cadeia, mas o desenrolar da história mostram uma jaula suja e intensa de rinha de cachorros no começo, sendo algo bem forte e cheio de expressividade cênica, depois tivemos todos os atos teatrais do garoto com sua paixonite pela professora de teatro, mostrando a encenação de várias peças de Shakespeare, o canil com toda a desenvoltura, até chegarmos na casa aonde o protagonista vive com seus cães, em algo bem feio, mas totalmente preparado para a guerra, aliás a cena de guerra é incrível, assim como todas as cenas de furtos das joias, isso sem falar na preparação cênica do protagonista como drag cantando só as divas clássicas no palco, ou seja, um trabalho cênico perfeito e bem marcante.

Enfim, é um tremendo filmaço que não tem nem como piscar com tudo o que é entregue na tela, que talvez optaria por um final ainda mais marcante, mas que tem toda sua função cênica bem colocada e acabará agradando bastante quem for conferir, então fica a dica para todos. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Sociedade da Neve (La Sociedad De La Nieve) (Society Of The Snow)

1/05/2024 12:52:00 AM |

Costumo dizer que existem alguns diretores que nasceram para fazer determinado tipo de filme, que quando se arriscam em outros tipos entregam bons atos, chamam atenção e até ganham muito dinheiro, mas não entregam tudo de melhor que sabem fazer (sim, estou falando também de você Sr. Wan!), de tal forma que J.A. Bayona deu um show alguns anos atrás quase matando de verdade a protagonista em "O Impossível" e agora novamente levou toda a equipe para os Andes para quase matar os protagonistas de "A Sociedade da Neve", mas mais do que a incorporação cênica que conseguiu criar com isso, ele trabalhou uma história tão bem preparada, com tantas nuances e desenvolturas dos personagens, que mesmo já tendo sido contada com o filme "Vivos" de 1993, aqui a síntese vai pegar você, irá sentir preso ali com eles, desanimado com alguns momentos, e com toda certeza emocionado com os atos finais, pois o diretor soube prender o público, colocando em uma história até que longa de quase 150 minutos muita sensibilidade para fazer reflexões e tudo mais, e junto com esse tempo todo, também colocar o público com uma espera grande pelo desfecho, e dessa forma o filme cria a intensidade e choca aonde deve, emociona aonde deve e funciona por completo.

O longa fala sobre o caso que ocorreu em 1972, quando o voo 571 da Força Aérea Uruguaia, fretado para levar uma equipe de rugby ao Chile, cai em uma geleira no coração dos Andes. Apenas 29 de seus 45 passageiros sobrevivem ao acidente. Presos em um dos ambientes mais inacessíveis e hostis no planeta, eles são obrigados a recorrer a medidas extremas para se manterem vivos.

Já falei até que bastante do diretor e roteirista J.A. Bayona no parágrafo inicial, mas ainda tenho que dizer que ele soube ser criativo em uma baseada em fatos reais, e que ainda por cima tem base em cima do livro homônimo de Pablo Verci, ou seja, já tendo tudo pronto ele pegou para si toda a ideia e desenvolveu com tanta nuance expressiva que mesmo que alguns atos possam ter acontecido da forma mostrada, muito de ficcional foi criado para dar as devidas explosões cênicas, e assim sendo vemos algo tão bem trabalhado que claramente não tiveram dúvidas de colocar o longa como escolhido para representar a Espanha nas premiações mundo afora (Oscar, Globo de Ouro, etc), e só não apostaria todas minhas fichas nele por não ter visto muitos os outros candidatos, mas se ganhar com toda certeza irei fazer muita festa tanto pelo longa, quanto pelo diretor, pois como já disse no começo ele tem o dom para esse estilo, então roteiristas que tiverem outros longas com personagens sofrendo ao máximo podem chamar que vai virar sucesso.

O mais interessante é que mesmo não sendo um filme aonde os atores tem uma voz maior, se destacando ou chamando a responsabilidade para si, e sim os atos e expressões que fazem no conjunto, diria que tivemos muitas virtudes marcantes em cada um desde Enzo Vogrincic com seu Numa mais centrado, religioso e preocupado, passando por Agustín Pardella com seu Nando Parrado disposto a tudo para conseguir sair dali, enfrentando tudo e todos, tendo ainda o jovem Matías Recalt com seu Roberto Canessa bem imponente, com uma pegada direta e bem colocada, ou até mesmo com Andy Pruss com seu Roy Harley consertando os rádios para desespero e felicidade em diferentes atos, e claro temos de colocar o corajoso Rafael Federman com seu Eduardo Strauch que acabou alimentando os sobreviventes de um modo inusitado, entre muitos outros que trazem as devidas nuances, mas como disse, sem ter algum destaque maior expressivo, mostrando que todos estavam bem dispostos a dar o máximo no conjunto sem querer chamar atenção.

Quanto do quesito visual quem conhece o diretor sabe que até mesmo num filme de dinossauros ele optou por filmar dentro de florestas para usar o mínimo de computação cênica possível, então aqui diria que ele só fez computação mesmo nas cenas do desastre, afinal são fortíssimas e recriar aquilo de modo prático não deve ter sido algo muito legal, mas foi tão bem feito que estou arrepiando aqui escrevendo depois de passado um bom tempo que vi o longa, ou seja, marque a cena nos 14 minutos, que vai ser tenso. Fora isso, ele levou todo o elenco para os Andes, na Argentina, e fez todo mundo passar bastante frio, colocou a equipe de arte para criar réplicas bem trabalhadas do avião destruído, de malas, de corpos bem realistas para que os personagens comessem a carne dali, botou a equipe de maquiagem para judiar ao máximo dos atores, e muitos perderam bastante peso para as cenas finais, ou seja, um trabalho de primeiro nível artístico, que mesmo sendo triste acaba sendo belíssimo de ver na tela.

Enfim, é daqueles filmes que você se prende, passa mal, fica se mexendo o tempo inteiro na poltrona incomodado com tudo, que até dava para talvez ser um pouco menor para envolver mais rapidamente, mas como falei antes acredito que foi bem proposital do diretor "alongar" a trama para deixar o público incomodado da mesma forma que os sobreviventes ficaram quase 3 meses esperando serem resgatados, e assim sendo dê o play e se prepare, pois a trama tem atos bem chocantes. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Uma Família Extraordinária (Wildflower)

1/04/2024 12:22:00 AM |

Já disse outras vezes que em festivais costumam aparecer muitas dramédias, que são as comédias com tons dramáticos mais pegados, e que usualmente nos filmes americanos quando usam desse estilo costuma sair coisas meio que estranhas não muito agradáveis, porém hoje fui surpreendido com uma trama leve e bem trabalhada na Amazon Prime Video, com "Uma Família Extraordinária", que muitos podem nem se conectar com a ideia, mas a sacada bem desenvolvida em cima de uma garota que praticamente cuida dos pais "especiais" revendo todos os seus conflitos interiores quando entra em coma acaba sendo interessante, contando com nuances divertidas e bem colocadas, que até fluem bem na tela, porém para ficar perfeita como um longa tradicional do gênero precisaria ter causado algum tipo de comoção maior, o que marcaria num nível perfeito todo o desenvolvimento, mas como não aconteceu, o longa entrega bons momentos e funciona dentro das linhas morais de forma interessante, sendo leve e bem colocado na proposta.

A trama - baseada em uma história real - acompanha a jovem Bea Johnson, desde o dia de seu nascimento até o ano de sua formatura. Bea foi forçada a amadurecer muito cedo para aprender a lidar e reconhecer um aspecto importante de sua vida: seus pais, Derek e Sharon, são portadores de deficiência intelectual. Mas tudo muda drasticamente quando, um dia, prestes a se formar, Bea acaba entrando em um coma.

Diria que o diretor e roteirista Matt Smukler quis trabalhar a história real que tinha nas mãos com uma formatação simples até que bem intrigante, pois seu filme não fica preso numa cadência linear tradicional, já que como a jovem está inconsciente tentando lembrar o que aconteceu, vai contando sua história desde quando nasceu, e vai brincando com as dinâmicas para mostrar sua responsabilidade exagerada, e claro também seu estilo mandão demais, o que acaba pesando um pouco em ambos os lados, e assim sendo ele deu todo o vértice da trama para a protagonista, que acabou executando tudo até bem demais, porém faltou ir um pouco mais fundo na dramaticidade emocional, o que acabou deixando apenas para a cena do carro no final com o pai, pois se usado melhor toda a dinâmica no restante do longa teria entregue algo que certamente arrepiaria.

Como já falei que o diretor deixou praticamente o filme nas mãos da protagonista, Kiernan Shipka desenvolveu sua Bea com dinâmicas bem encaixas, um ar meio sarcástico, mas bem responsável, e mesmo que muitos dos atos fossem narrativos (o que costumo implicar bastante), o acerto no tom acabou sendo interessante de ver, pois dá os ganchos que nós pensamos sobre as atitudes que vemos na tela, ou seja, ela conseguiu usar o roteiro ainda ao seu favor, o que é bem difícil de acertar, ou seja, vemos atos tão bem expressados por ela que um filme que tradicionalmente não recairia para um cinema de ator, acabou ficando bem direcionado para ela, o que funciona bastante. Claro que a interpretação de Dash Mihok e Samantha Hyde como os pais deficientes ou especiais como preferem ser chamados foi muito bem controlado, sabendo dosar as emoções e vícios na tela para que fossem singelos, sem explosões ou dramaticidades mais apegadas, e conseguiram chamar as atenções para si justamente nos momentos chaves, o que foi perfeito de ver. Ainda tivemos atos bem trabalhados pelas avós da garota, vividas por Jean Smart e Jacki Weaver bem simbólicas e precisas de estilos, os tios que parecem ter até mais problemas que os pais bem feitos por Alexandra Dadario e Reid Scott, mas sem dúvida os secundários que tiveram melhores interações foram Kannon como a melhor amiga Nai e Charlie Plummer como o namorado Ethan, que talvez exageraram um pouco na sua história, quase quebrando o elo da família como protagonista, mas que funcionou dentro da cena mais tensa entre os dois.

Visualmente a trama fica num hospital com a jovem desacordada e seus familiares em volta, vemos muitas cenas na escola, na casa bem bagunçada da família, e claro em alguns espaços da cidade, mostrando bem a vida da protagonista, seu emprego num clube, o carro da família e muitos elos, de forma que tudo tem bem seus atos simbólicos, mas sem pesar em detalhes cênicos, afinal o que mais conta em filmes desse estilo são os diálogos, e assim sendo apenas foram bem representativos conforme a história se desenvolve e segue bem adequado.

Enfim, é um filme com uma perspectiva interessante e bem trabalhada, que com poucos ajustes poderia ser incrivelmente emocional e funcionar ainda mais, porém vale o play pelo tema diferente, mas que já foi aproveitado por outros problemas em filmes mais conhecidos que chegaram até a levar prêmios. Ou seja, passa longe de ser perfeito, mas é gostoso e inteligente, não forçando tanto a ideia, nem querendo causar na tela, então fica a dica. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Patos! em 3D (Migration)

1/03/2024 12:39:00 AM |

Costumo dizer que se você quer uma animação aonde a história vai conversar muito mais com o público do que os personagens em si você deve ver algo da Pixar, mas se quer diversão e personagens icônicos aonde a história pode até não ser tão marcante, aí a pegada certa é com a Illumination, e se o trailer de "Patos!" no cinema mesmo sem ser visto em 3D já parecia entregar algo incrível com a tecnologia, foi dito e feito ir conferir o longa no cinema com os óculos e pronto, uma sessão cheia de boas sacadas divertidas, muita imersão nas cenas de voos e diversos bicos saindo para fora da tela, ou seja, tudo que quem quer pagar mais caro numa sessão para a criançada se divertir poderá receber. Claro que a história em si é bem trabalhada e mostra as dinâmicas de uma mudança de vida, a proposta de enfrentar o desconhecido e aprender a viver no impulso, mas diria que mesmo trabalhando temas tão cheios de morais imponentes, o que vale mesmo é a diversão e os trejeitos de todos os personagens, pois eles são muito carismáticos, cada um da sua maneira, e que junto de uma dublagem perfeita não tem como não rir durante todo o filme, ou seja, pacote completo de diversão sem dúvida alguma bem colocado.

A família LoPatto está um pouco refém da rotina. Enquanto Mack, o pai, se contenta em manter sua família segura nos arredores de um lago da Nova Inglaterra para sempre, Pam, a mãe, está ansiosa para agitar as coisas e mostrar a seus filhos – o adolescente Dax e a patinha Gwen – o mundo inteiro. Quando uma família de patos migratórios aterrissa em seu lago com histórias emocionantes de lugares distantes, Pam convence Mack a embarcar em uma viagem em família, via Nova York, para a Jamaica tropical. Mas conforme os LoPatto seguem seu trajeto para passar o inverno no sul, o detalhado plano de viagem deles começa a dar errado. A experiência irá inspirá-los a expandir seus horizontes, abrir-se para novos amigos e realizar mais do que jamais pensaram ser capazes, enquanto aprendem mais uns sobre os outros – e sobre si mesmos – do que jamais imaginaram.

O mais engraçado de tudo é que o diretor e roteirista Benjamin Renner é conhecido por animações mais emocionais e cheias de detalhes quase clássicos, então aqui ele resolveu deixar esse seu lado guardado apenas no emocional familiar bem interior, e botou para jogo algo muito mais despojado, de tal forma que cada ato é mais bem trabalhado que o outro, com personagens bem extrovertidos do começo ao fim, e principalmente brincando com muitas nuances seja voando ou no chão, conseguindo ter bem um vilão marcante (colocaram o chef Henrique Fogaça pra dublar um personagem que não fala nada, ou quase nada!) e claro deu boas lições para a garotada, de modo que o filme funciona principalmente pelo desenho bem tridimensional, com muitas sombras, texturas e paisagens, tendo uma dinâmica rápida cheia de pegadas, e assim mostrando um método bem criativo, que se seguir vai chamar muita atenção sempre que aparecer.

Como já disse outras vezes, o único estilo que aceito dublagem é o de animação, afinal não estou vendo um ator mais sim um personagem na tela, e na internet surgiram várias postagens reclamando da produção ter colocado atores e personalidades famosas nacionais para dublar os personagens do filme, e já adianto que as vozes ficaram muito bem colocadas, tirando o Ary Fontoura que tem a voz marcante para o Tio Dan, os demais nem dá para perceber quem são e isso é que é a graça de uma boa animação, de não conhecermos quem está ali, e aquela acabar sendo a voz dos personagens, e assim sendo ignorem todas as bobeiras que estão poluindo os comentários nos vídeos da internet e vá se divertir que todos são muito carismáticos e bem dublados. O pai Mack é muito engraçado mostrando-se inicialmente medroso e fechado acaba se soltando bastante no restante da produção, defendendo tudo e todos e sendo bem colocado em cada cena. A mãe Pam é cheia de desenvoltura e bem emocional na tela. Os filhotes Dax e Gwen são o carisma em forma de patos, com a pequenina sendo mais docinha na voz, mas cheia de traquinagens e o jovem já se achando o que pode fazer tudo. O tio como falei é completamente maluco e encaixou muito bem como ponto cômico de falas mais secas e diretas. Temos ainda Delroy, uma espécie de arara totalmente cheia de atos bem colocados, e claro a pomba Lelé completamente maluca, entre muitos outros personagens que vão aparecendo tendo o destaque para a garça Erin que você vai ficar muito na dúvida se é boazinha ou doida mesmo. e como falei no parágrafo anterior, o chef tem todos trejeitos bem vilanescos, afinal seu prato principal é pato a l'orange (ou pato na laranja como conhecemos por aqui), e está disposto a pegar os patos a qualquer custo, mas que não entendi o motivo de chamar um chef famoso como Henrique Fogaça para dublar alguém que nem tem falas, que só por ser tatuado e tudo mais, não teria nada para o estúdio gastar com ele.

Visualmente o longa é incrível, cheio de nuances nas nuvens, mostrando perspectiva nas cenas da cidade, toda uma sacada de movimentos em ambientes lotadosna pista de dança e dentro do helicóptero, uma "granja" toda cheia de regalias, lagos belíssimos e claro uma Jamaica cheia de elementos visuais que se somarmos a todos os demais detalhes em cada ambiente fazem do filme algo complexo e maravilhoso de ver, e que volto a afirmar que o 3D está sensacional, então veja bicos saindo da tela em muitos atos, perspectivas de imersão nos voos e nas paradas próximas a beirais de prédios, além de muitos outros detalhes soltos que a equipe caprichou para funcionar com a tecnologia.

Enfim, é um longa que talvez pudesse até ter brincado mais com algumas canções para ter ainda mais desenvoltura, talvez pudesse criar alguns atos mais sérios para fixar os motes (como é o caso da bronca do pai no garoto, que depois tem a reviravolta), mas é tão gostoso ver algo apenas para se divertir com a entrega, que acabamos meio que voltando para a infância vendo o filme, e assim sendo vale a recomendação tanto para os pais levar a criançada para rir junto, quanto para aqueles que gostam de boas animações sem pensar em nada, e assim sendo fica a dica para todos. E é isso meus amigos, o longa não é perfeito, mas agrada bastante, então recomendo e fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Abandonadas (查無此心) (Cha Wu Ci Xin) (The Abandoned)

1/02/2024 12:44:00 AM |

Costumo dizer que o cinema oriental tem algumas virtudes que brigam com as falhas na mesma proporção em um único filme, pois conseguem criar uma tensão bem marcante em um filme de mistério junto de colocarem uma trama quase novelesca com personagens tão soltos que raspou a trave para o assassino nem estar no meio do grupo principal, e o pior ainda deixam para desenvolver todas as motivações dele nos últimos minutos de trama juntando com o drama da protagonista. Ou seja, você deve estar achando que odiei o longa taiwanês da Netflix, "Abandonadas", mas posso dizer que até curti bastante, pois ele conseguiu fazer todo o desenvolvimento de algo misterioso funcionar na tela, mas para isso precisou brincar com um excessivo número de personagens desnecessários, criou ambientações abertas demais, e usou alguns gracejos que não precisariam também, mas o mais importante no estilo é que não entregou facilmente o assassino, e assim sendo a pegada foi boa para iniciar o ano com um filme interessante.

A sinopse nos conta que uma detetive estava de luto pela perda do marido e, no momento mais desesperador, descobriu um corpo sem coração, o que levou a uma série de assassinatos brutais. Ela deve trabalhar com uma detetive novata e um possível suspeito para chegar ao fundo do caso.

Diria que o diretor Tseng Ying-Ting teve muita personalidade para desenvolver sua trama sem deixar pistas fáceis na tela, pois tudo é muito aberto na tela, as desenvolturas do caso são enigmáticas, e as duas investigadoras são bem opostas, e com isso ele teve espaço suficiente para que seu filme ficasse redondinho mesmo com tantas possibilidades para ficar aberto, sendo algo que tem estilo próprio e funciona na tela. Ou seja, ele conseguiu criar o ambiente, deu possibilidades para todas as nuances, desde as motivações de crime e os desenrolares, só talvez poderia ter imposto um pouco mais de estilo na investigação, pois acabou parecendo que a investigadora podia fazer o que quisesse, e a outra muito simples na tela, sendo exageradamente novata, mas de resto o resultado acaba sendo bem bom de ver.

Quanto das atuações, diria que Janine Chun-Ning Chang trabalhou bem sua Wu, criando um clima meio de luto para sua personagem que até parece meio inexpressiva em alguns atos, mas suas dinâmicas fazem muito sentido, e com isso o resultado acaba chamando muita atenção em tudo o que faz. Chloe Xiang acabou exagerando demais como uma detetive novata, sendo até boba em alguns atos, mas como isso fazia parte do papel, o resultado até acaba sendo marcante, mas sem grandes idas muito além. E claro Ethan Juan trouxe um ar meio bagunçado para seu protagonista, de modo que fiquei o filme inteiro imaginando que seria ele o assassino e que teria uma grande reviravolta surpreendente no final, afinal ele era meio que o agenciador de imigrantes ilegais, mas trouxe símbolos bem encaixados para seus trejeitos e não desapontou.

Visualmente a trama trabalhou bem a densidade de filmes de assassinos em série, tendo um local bem sinistro aonde os crimes aconteciam, alguns atos bem trabalhados na busca do assassino, atos numa delegacia bagunçada, o mercado de ilegais bem montado e claro boas perseguições de carro, mas sem dúvida o ponto alto da trama é quando vemos as imagens usadas para retratar o que o assassino fazia com suas vítimas, pois ali sim a equipe de arte brilhou muito, ou seja, é daqueles filmes que entregam simplicidade visual, mas que marca.

Enfim, é um filme que dava para ter ido um pouco mais além sem precisar recair para o lado novelesco usual, mas que como o mercado asiático tem ganhado muita notoriedade com as séries, doramas e tramas assim, o resultado acabou funcionando e fugindo para esse lado. Claro que está bem longe de ser algo que vá recomendar ferozmente, mas agradou e não cansou ao menos, então fica a dica para dar play. E é isso meus amigos, queria algo bem melhor para ser o primeiro filme do ano, mas acabou caindo esse no play, então fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Retrospectiva 2023

12/30/2023 01:41:00 PM |

E lá se foi mais um ano meus amigos! Daqueles que posso dizer que em 2023 fui muito surpreendido sentado tanto na poltrona dos cinemas quanto em minha casa, conferindo filmes que me deixaram feliz, tenso, irritado e claro também emocionado, afinal nenhum diretor faz algo sem pensar no principal retorno que é causar algum sentimento na pessoa que está do outro lado, mas claro que também por vezes isso dá errado e não chega da mesma forma para todos, e isso é o que tentei repassar para vocês durante todo o ano, mostrando o que de melhor e de pior chegava em algum lugar para que todos conferissem também (ou fugisse em alguns casos)!

E assim bati todos os meus recordes anteriores nesse ano incrível, aonde consegui conferir 409 filmes, sendo claro a maioria ainda no cinema (183 conferidos nas salas escuras e se contar as cabines de imprensa chego em 250), mas também passeei pelas várias plataformas de streaming (ficando mais na Netflix com 68 longas e na Amazon Prime Video com 50 filmes), mas mais do que quantidade, diria que nesse ano a qualidade superou muitas barreiras, já que com uma média maior que 7,04 no geral, acabei dando notas máximas para 18 filmes os quais vou citar abaixo dando um melhor destaque para eles e apenas 92 filmes ficaram abaixo da média no ano e 44 foram em cima da média, ou seja, tive muito mais prazeres conferindo tudo do que ficando bravo e/ou decepcionado com o que vi nas telas. Então vamos aos 18 longas que dei nota 10, todos com link para conferir o texto completo:

- As Bestas: sem dúvida um dos melhores, senão o melhor filme desse ano, que vi no Festival Varilux, e que estreia nos cinemas nacionais em circuito comercial no dia 25/01, mas como é um filme franco-espanhol de 2022 é uma pena que não irá concorrer à muitos prêmios ainda, porém levou tudo do Goya e do Cesar (óscares espanhol e francês respectivamente), sendo um tremendo filmaço tenso que arrepia só de lembrar tudo o que ocorre!

- Assassinos da Lua das Flores: provavelmente deva ser o ganhador de muitos prêmios, pois mesmo sendo cansativo, é o principal nome na corrida das premiações pelo motivo óbvio da greve dos roteiristas e atores, já que do contrário terão de premiar muitos filmes dos streamings e/ou fora do circuito americano, mas tirando esse detalhe ainda assim é um tremendo filmaço artístico que vale o que entrega, logo menos estará na AppleTV+ para todos conferirem.

- Maestro: embora seja um filme muito criticado pela maquiagem e pela condução de Ben Affleck, eu acabei muito envolvido com o estilo do longa, de forma que coloquei ele sem dúvida entre os meus melhores, e acredito potencialmente na briga pelos prêmios do ano. Pode ser conferido na Netflix.

- O Pior Vizinho do Mundo: sei que esse já concorreu no ano passado nas premiações e só chegou aqui no começo do ano, mas só de lembrar o quanto o filme se parece comigo meus olhos já se emocionam, então com certeza estará sempre entre os meus melhores da vida. Já pode ser conferido na HBOMax.

- O Último Ônibus: é outro filme que me fez ir às lágrimas pelos atos finais, sendo algo tão bonito e gostoso de ver que não tem como não ficar entre os melhores. Acabou de sair dos cinemas alternativos nas últimas semanas e ainda não tem data para aparecer nos streamings.

- O Lugar da Esperança: um filme tão marcante, cheio de gatilhos para muitas mulheres, com um ar de revolta e emoção tão bem colocado certamente vale o encaixe. Por incrível que pareça viria em um Festival na cidade, mas sua cópia deu problema e acabou não passando, mas agora já pode ser visto na Netflix.

- A Era de Ouro: esse é daqueles filmes que me marcaram pela imposição criativa, mas que tanta gente odiou que fiquei até pensando se eu revisse ele se daria a mesma nota, mas é um filme tão incrível que mostra como um produtor se deu muito bem que vale ver demais. Já está para locação nas várias plataformas, mas logo mais deve ficar dentro do plano comum da Amazon.

- Memórias de Paris: outro filme incrível do Festival Varilux desse ano, que mesmo sendo simples e totalmente puxado com coisas que sabemos como vai acontecer desde o primeiro momento, acabamos caindo igual patinhos com tudo ao final nos emocionando com a história da velhinha. Esse é um dos motivos que sempre falo para não perderem nenhum filme dos Festivais que aparecem na cidade, pois ainda não tem data nem de estreia nos cinemas nacionais, quanto mais nas plataformas de streaming.

- Disfarce Divino: mais um do Varilux que não temos nem data de aparecer oficialmente pelo país, então quem foi no Festival viu, quem não foi talvez algum dia veja, e como sou meio anti-religião (tenho muita fé, e quem quiser saber mais tenho até um documentário dirigido por mim no portfólio aqui em cima para conhecer mais) gostei demais da abordagem intensa bem dirigida e marcante em cima da trama, valendo estar entre os melhores.

- Nyad: quem não se emocionar com todo o esforço da nadadora aqui brilhantemente interpretado por uma das melhores atrizes já morreu por dentro, e todo o sufoco com tudo rolando acaba sendo incrível de ver, de tal forma que adoraria ver a atriz principal entre as indicadas do ano. Pode ser conferido na Netflix.

- Wonka: embora muitos vão reclamar de ser um filme musical, justamente isso me fez se apaixonar por toda a entrega cantada pelos protagonistas, então vale como uma experiência visual incrível, e tudo tem muito sentido que agrada ver. Ainda está nos cinemas de todo o país.

- Guardiões da Galáxia - Volume 3: colocaria ele como uma categoria à parte de minha premiação, sendo um dos melhores filmes de heróis já feitos (na minha humilde opinião), com uma pegada realmente de fechamento da franquia, de despedida de personagens e de diretor, e que claro emociona e entregou tudo o que esperávamos ver na tela com ele. Já pode ser conferido dentro da Disney+.

- John Wick 4 - Baba Yaga: outro que está aqui pelo ótimo encerramento da franquia, com muita disposição do protagonista, e cenas de ação de um nível que não tem como não aplaudir, só quase arranquei ele da lista por estarem falando que talvez façam um quinto filme, mas como sou produtor também, sei que o dinheiro fala mais alto. Já pode ser conferido na Amazon Prime Video.

- Império da Luz: um dos filmes mais belos para os amantes de cinema espaço físico como ambiente máximo desse ano, que concorreu às premiações no começo do ano, e estreou aqui bem depois, mas entregando algo tão luxuoso e envolvente que se faz valer ver a qualquer momento. Está disponível para ser conferido na Star+.

- Obrigado Rapazes: mais um filme que surgiu por aqui dentro do Festival Italiano online, que me emocionou e envolveu demais, tendo estilo e muita pegada, além de mostrar bem todo o conceito social da ideia, que depois descobri que já existiam várias outras adaptações dele em outros países, mas como só vi o italiano, ainda fico com ele. Também não tem nem data de aparecer por aqui nos cinemas nem nos streamings.

- Gran Turismo: De Jogador a Corredor: esse eu colocaria numa categoria técnica de filme esportivo/videogame que me empolgou demais, primeiro pois sempre fui muito fã de simuladores de jogos, e segundo pela forma brilhante que conseguiram colocar tudo na tela, então vale muito a conferida. Também já está para locação dentro das plataformas de streaming.

- O Sequestro do Voo 375: e chegamos nos melhores filmes nacionais do ano, que claro coloco à frente de muitos outros da lista que pus acima, sendo algo tão marcante que facilmente ganharia muitos prêmios lá fora, mas que nossos indicadores não sabem colocar coisa que chame realmente atenção para concorrer, então é uma pena, mas vale demais a conferida pela retratação de época e pela tensão de um bom filme desse estilo. Ainda está passando em alguns cinemas, mas acredito que logo chegue na Star+, já que é co-produzido por eles.

- Mussum - O Filmis: outro tremendo filmaço que merece ganhar todos os prêmios possíveis como já levou em Gramado nesse ano, mostrando como esse monstro da música e da comédia saiu da simplicidade e chegou à sua glória, sendo amado por todos. Também já está para locação online.

E não dei nota máxima, mas merecem menção honrosa, e que talvez ainda levem alguns prêmios: "Barbie", "Oppenheimer", "Tetris", "Super Mario Bros. - O Filme" e claro minha paixão que muitos são contra, mas que voltou com tudo: "Jogos Mortais X".

E apenas para constar, os cinco piores filmes do ano: "Ninguém Precisa Acreditar em Mim", "Stand Up - Minha Vida é Uma Piada", "Estado de Emergência", "O Nascimento do Mal" e "13 Exorcismos", que facilmente poderiam nem ter existido.

E é isso meus amigos, dessa vez fiz um texto bem grande de retrospectiva, mas quis justificar as notas 10 que dei, então desejo para todos uma virada de ano sensacional, e que claro eu ainda consiga continuar por mais um ano nessa minha maratona maluca de ver o máximo que conseguir de filmes para indicar para vocês.

Boas festas, e um 2024 cinematográfico para todos!

Fernando Coelho
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O Senhor do Caos (Lord Of Misrule)

12/30/2023 02:16:00 AM |

Costumo dizer que um dos estilos de terror que mais me irritam é o famoso que se desenvolve com conceitos abstratos de seitas e não entrega suas dinâmicas de uma maneira que consiga demonstrar na tela tudo o que quer passar, ficando com tudo muito estranho e por vezes místico demais, e posso dizer que a ideia de "O Senhor do Caos" tinha tudo para seguir dessa forma e até cansar mais do que agradar, porém diferente do que outros longas do estilo, aqui o diretor quis trabalhar com tudo de uma forma bem aberta e interessante, sem que as coisas deixassem o espectador esperando acontecer, mas também não sendo algo totalmente gratuito. Ou seja, o longa permeia muitas situações e causa um certo ar estranho num primeiro momento, mas conforme vai entregando tudo o resultado acaba sendo chamativo e funciona bastante, de tal maneira que claro você precisará deixar crenças de lado e entrar no clima de seitas pagãs e dinâmicas mais antigas, mas o resultado acaba sendo bem marcante e agrada bastante ao final.

O longa nos conta que Rebecca Holland assume o comando da igreja de um pequeno vilarejo inglês e, durante um festejo local, sua filha desaparece. Enquanto os moradores e a polícia se unem para encontrar a menina, segredos sombrios do vilarejo surgem colocando Rebecca em um empasse ao ter que decidir o quanto está disposta a sacrificar para salvar a filha de um tenebroso destino.

Antes da minha sessão começar trocando umas figurinhas com um amigo que tinha acabado de ver o filme, ele fez uma ótima comparação entre o que tinha visto com "Midsommar - O Mal Não Espera a Noite", e embora seja um filme que dei até uma ótima nota, não é dos meus favoritos do gênero, principalmente por ser exageradamente abstrato, então entrei na sessão já pronto para talvez jogar algumas pedras no diretor William Brent Bell, mas felizmente isso não foi necessário, pois ele pegou o roteiro de Tom de Ville e simplesmente brincou na tela, não querendo deixar nada abstrato e simbólico para altas filosofias, mas sim uma vila que sempre teve grandes colheitas adorando um ser, evitando todo o ato religioso cristão, e quando uma reverenda assume a comunidade acabam pegando a filha dela como oferenda para o ser, simples, básico, direto, e aí entra toda a abertura de crenças, como uma serva absoluta de Deus entenderá tudo e todos que pareciam ultra-amistosos mudarem de vértice, e tudo mais, que vai com toda certeza chamar muita atenção e resultará em algo estranho, mas brilhante de ver.

Quanto das atuações, diria que Tuppence Middleton trabalhou bem sua Rebecca, criando uma personalidade inicialmente calma e tranquila, mas que depois se desespera e quase entra numa rotina inquieta e direta para achar ela, de tal forma que trouxe trejeitos imponentes do começo ao fim, e soube se manter como protagonista mesmo nos atos em que outros puxavam o ar para si, e isso em um filme do gênero é primordial para agradar. Outro que deu um tom bem marcante foi Ralph Ineson com seu Jocelyn, trabalhando bem tanto os atos mais densos aonde precisou se expressar por completo, quanto nos atos incorporado com sua máscara, tendo praticamente duas personalidades fortes e instigantes de ver. Ainda tivemos atos bem colocados de Matt Stokoe com seu Henry meio apático demais, mas que estava bem presente em quase todos os atos, e também o estilo das garotinhas Evie Templeton com sua Grace e Alexa Goodall com sua Bryony, mas sem dúvida entre os secundários, os atos da velhinha Ida que Jane Wood entregou praticamente incorporada, com risadas tensas e trejeitos fortes fez valer demais o destaque para ela.

Visualmente a trama tem uma boa intensidade cênica, com uma vila sendo marcada por vários atos na casa da protagonista, uma celebração da festa em um bosque, alguns atos em um bar, e uma igreja bem simples, tendo vários elos cênicos com os adereços feitos de cabelo, ovos galados com muito sangue, máscaras e tudo sendo bem sujo na tela para dar uma impressão mais forte, além disso muitas cenas escuras apenas iluminadas por tochas ou fogueiras, o que deu um realce bem interessante de ver, pois não ficou com algo que não fosse possível de enxergar, e principalmente não é um longa de sustos gratuitos, então tudo tem seu devido uso.

Enfim, é um filme intenso e marcante, que muitos talvez não entrem por completo no clima que a trama passa e acabarão não curtindo toda a ideia, e claro mesmo tendo algumas poucas cenas fortes não chega a ser daqueles terrores que chocam, então vale a conferida para quem curte o estilo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com minha retrospectiva do ano, então abraços e volto em breve, ou melhor, no ano que vem com mais dicas de filmes!


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Mamonas Assassinas - O Filme

12/29/2023 12:17:00 AM |

Diria que o mercado cinematográfico nacional finalmente enxergou que um bom caminho a seguir para se manter bem ativo é recorrer aos longas biográficos para conseguir chamar o público fã e também reviver emoções, e sem dúvida um dos longas mais esperados já há um bom tempo era "Mamonas Assassinas - O Filme", principalmente por ter sido uma banda com uma carreira bem curta de apenas 8 meses, mas que explodiu gigantescamente com seus sucessos, e claro que até hoje ainda vemos muitas de suas músicas sendo tocadas emocionando a todos após o trágico acidente que levou todos à óbito. E a ideia do longa foi bem trabalhada criando todas as nuances em cima de como os rapazes se conheceram, como foi formada a banda inicialmente chamada Utopia tocando um rock mais intenso, e que depois usando canções cômicas acabou estourando, e claro que o principal ponto positivo do longa ficou na caracterização dos atores para viver os integrantes da banda, de tal forma que chega a arrepiar em alguns momentos como todos ficaram tão parecidos visualmente, tendo claro uma boa diferença na voz do vocalista Dinho, mas que foram bem espertos em regravar as canções que aparecem no filme com a voz de Ruy Brissac, e assim ornou melhor tudo. Diria que o filme traz todo um sentimento emocional forte por tudo o que vivemos na forma irônica que a banda entregava, mas que embora seja um filme bem representativo acabou sendo corrido e picotado demais, afinal não sobrou nenhum dos integrantes para mostrar como tudo realmente aconteceu, mas que funciona e certamente irá divertir e envolver demais todos os fãs que forem conferir.

A sinopse nos mostra que estamos em Guarulhos na década de 90. Dinho, Sérgio, Samuel, Julio e Bento são garotos típicos da época com pouco dinheiro e muitos sonhos. Eles nem imaginam que o humor debochado e inteligente, tão característico do grupo de amigos, irá mudar suas vidas para sempre. De algumas tentativas fracassadas ao sucesso absoluto, em pouco tempo, eles se tornaram o maior fenômeno musical brasileiro da década: os Mamonas Assassinas.

Como o diretor Edson Spinello é muito mais conhecido como um diretor de novelas, acredito que ele filmou coisas demais e depois ficou desesperado com o tempo que tinha que colocar na tela imposto pela produção, pois é nítido que a edição é muito corrida em cima do roteiro de Carlos Lombardi que também é um dos principais escritores de novelas do país, então já sabendo que o longa também será exibido como série no ano que vem, acredito que se dimensionarem melhor tudo na tela o resultado acabará sendo muito mais satisfatório, mas longe de estar falando que o filme ficou ruim, muito pelo contrário, o sentimento de emoção passado na tela é incrível, fará com que você cante todas as canções junto dos personagens e se divirta bastante com tudo o que acontece, mas ficou parecendo muito pouco o que foi mostrado, e muito claro o tanto de material gravado, pois temos muitos recortes e dinâmicas que se fundiram durante as canções, formatações rápidas demais das composições e tudo mais, que acaba refletindo um pouco de peso de tela. Porém essa dinâmica escolhida na montagem fez também que o longa fosse bem explosivo, direto e cheio de nuances que acabam sendo marcantes, e assim sendo faz valer o estilo escolhido.

Quanto das atuações posso dizer que é algo incrível ver todos os atores muito semelhantes aos verdadeiros integrantes da banda, de tal forma que Ruy Brissac praticamente é o Dinho incorporado na tela, com sua irreverência, seu estilão solto e principalmente os trejeitos bem encaixados, afinal já tinha feito o papel em 2016 no teatro, o que lhe garantiu algumas premiações, e aqui deu seu nome com uma personificação marcante e bem chamativa. Rhener Freitas também deu um estilo bem marcante para seu Sérgio, fazendo todo um ar mais sério e de galanteio, mas também brincando bastante com toda a estrutura da trama, sendo bem colocado na tela. Beto Hinoto não chegou a conhecer seu tio Bento, já que nasceu em 98 e a banda morreu em 96, mas ficou tão parecido que chega a assustar a semelhança visual e até mesmo da personalidade mais fechada, e acabou agradando demais também com seus atos. Adriano Tunes colocou uma personalidade tão descontraída para seu Samuel, que consegue brilhar com o sonho na tela, sempre com um olhar brilhante e chamativo. Robson Lima também deu uma boa vivência para seu Julio, empolgando nas danças e nas colocações, chamando muito para si também. Ainda tivemos atos bem trabalhados de Fefe Schneider e Isa Prezoto com suas Adriana e Grace, respectivas namoradas de Dinho e Sérgio, mas quem teve muito destaque e também ficou muito parecido com o produtor da banda foi Ton Prado com seu Enrico Costa (aliás não sei o motivo que não colocaram o nome verdadeiro do produtor da banda, provavelmente por não ter cedido os direitos, mas todo mundo saberá quando ver na tela!).

Quanto do visual a trama mostrou bem vários shows da banda, os ensaios e gravações dentro do estúdio aonde saíram praticamente todas as músicas como brincadeiras entre as sessões, os diversos figurinos famosos, os "showmícios" do início da carreira, e tudo com muita irreverência em cima dos palcos e claro ares mais sérios junto dos familiares em suas casas, de tal forma que toda a trama nos transporta bem para o ano de 96, e em síntese funciona como algo bem saudosista e interessante de ver.

Enfim, é um filme bem produzido, que vai matar a saudade que muitos estavam de ver o grupo irreverente se jogando na telona, aonde poderiam ter ido mais além em algo menos acelerado, mas que funcionou bastante dentro da proposta, afinal aqui só tiveram como pesquisa tudo o que fizeram e a família da banda, então fica mais difícil desenvolver algo que teve tão pouco tempo de desenvolvimento, então recomendo ele mais para os fãs se envolverem com todo o saudosismo, em pensar como estariam hoje se não tivessem ido embora tão cedo, e quem sabe a série completa funcione ainda mais, então fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Minha Irmã e Eu

12/27/2023 12:24:00 AM |

Costumo dizer que se uma sala com um bom público ri em diversos momentos de um filme classificado como comédia significa que o diretor/roteirista acertou nas piadas, mas se o público se diverte por inteiro significa que os atores conseguiram pegar toda a ideia do roteiro e segurar a onda por completo, de tal forma que mesmo que não saiam com dor no maxilar de tanto rir, a trama acaba funcionando e sendo bem desenvolvida para que as pessoas indiquem e gostem do que viram. E hoje com "Minha Irmã e Eu" colocaria a trama como um exemplo desse segundo tipo, pois não é daquelas comédias que você vai se mijar de tanto rir, tendo bons momentos bem encaixados que divertem bastante, e uma história comovente de fechamento bem trabalhada durante toda a execução, mas que a química entre as protagonistas é tão grande, que mesmo sem ver os erros de filmagens durante os créditos é notável que elas estavam se divertindo e não conseguindo parar de rir para gravar tudo de uma forma séria, e assim sendo o longa acaba sendo gostoso e bem trabalhado, que poderia até ter ido um pouco mais além se apelasse mais, mas com certeza essa não era a ideia, então digo que funcionou bem dentro da proposta.

O longa nos conta que as irmãs Mirian e Mirelly nasceram em Rio Verde, no interior de Goiás. Elas não realizaram o sonho da mãe, Dona Márcia (Arlete Salles), de se tornarem uma dupla sertaneja e, além de terem seguido caminhos opostos, vivem em pé de guerra. Mirian se casou e nunca saiu de sua cidade, acostumada à rotina do interior. Já Mirelly partiu para o Rio de Janeiro e sem demonstrar pra família, passa todo o tipo de perrengue. Mas quando Dona Márcia desaparece, elas têm que deixar de lado as diferenças e se unir para procurá-la, numa viagem que pode mudar suas vidas.

Já conhecemos bem o estilo da diretora Susana Garcia, afinal entregava sempre ótimas tramas com um dos principais nomes do humor nacional que infelizmente já não está mais entre nós que foi Paulo Gustavo, e ela teve sua volta com um filme natalino também nesse ano (o qual ainda não vi para dar um parecer, mas que muitos já elogiaram) e aqui ela entrega novamente sua base cômica com uma pegada leve e descontraída, mas que diverte com boas sacadas e trabalha em segundo plano toda a conexão e briga que existem entre irmãos, de tal maneira que seu filme acaba sendo simples como um todo, parecendo faltar aquele elo mais explosivo tradicional que a diretora tinha com Paulo, mas que Tatá tentou suprir do seu jeito acelerado, e assim junto de Ingrid conseguiram cadenciar tudo com uma experiência bem trabalhada que acaba funcionando pela proposta em si. Ou seja, quem for esperando rachar de tanto rir talvez irá reclamar um pouco, mas quem for mais calmo querendo ver uma comédia com uma pegada mais familiar de fechamento acabará gostando do trio que se formou entre as protagonistas e a diretora/roteirista.

Quanto das atuações, foi bem engraçado ver os contrapontos entre a dupla que deram tanta química na tela, pois Tatá Werneck tem uma pegada mais explosiva bem ao seu estilão que conhecemos, não se preocupando tanto com uma atuação mais certinha, mas sim se jogando para tudo, o que por vezes parece uma displicência e que muitos até podem reclamar de sua Mirelly, mas que funciona dentro da proposta. Já Ingrid Guimarães mostra sua experiência tanto dramática quanto cômica para pegar trejeitos, sotaques e dinâmicas de alguém bem tradicionalista do interior, jogando charme nas nuances e brincando com os momentos mais cômicos para que o filme fluísse bem com sua Mirian, de tal maneira que nos atos que precisa segurar mais a irmã consegue e nos que tem de se jogar se libera para entrar na brincadeira toda, ou seja, se complementaram. Ainda tivemos alguns atos mais emocionais de fechamento com Arlete Salles bem colocada com sua Márcia, mas sem dúvida entre os secundários boa parte recaiu para Leandro Lima como um Cowboy sedutor e Marcio Vito com seu Jayme mais fechado como um marido tradicional, ou seja, apenas deram as conexões para serem usados nas piadas, e deixaram com que as protagonistas fluíssem sozinhas, tendo ainda participações de Iza, Lázaro Ramos e Taís Araújo representando eles mesmos.

Visualmente a trama mostra um pouco das casas de alguns artistas, aonde uma das protagonistas usa como fachada para suas fotos já que trabalha de cuidadora dos animais deles, com tudo bem sacado e bem utilizado, mudando depois de ares para um clima mais ruralizado dos shows sertanejos, da cultura tradicional goiana, com bares mais puxados para o lado country/sertanejo, hotéis simples, e claro alguns gostos por festas grandiosas, porém menos requintadas, e tudo isso bem colocado no estilo de um road-movie mais singelo, ou seja, a equipe de arte não quis dar grandes explosões, e de forma bem contida conseguiu o que precisava para funcionar.

Enfim, está longe de ser um filme que me fez gargalhar como espero sempre de toda comédia, mas que me divertiu dentro das quase duas horas de projeção, de maneira que é agradável, apela aonde precisava apelar e assim não falha com o público que gosta desse estilo de comédia, então fica a recomendação de conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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