Muitas vezes lendo um livro ou vendo determinado filme bate aquela imaginação de onde o diretor e/ou escritor se inspirou para escrever o personagem, e isso é bacana pois na maioria das vezes apenas vem na mente dele a partir da montagem das características que quer ver fazendo, e em outros casos costuma abusar um pouco mais de pessoas ao seu redor e com um livre arbítrio usar isso em sua trama. E a base principal do novo longa de Pedro Almodóvar, "Natal Amargo", é bem em cima disso, usando dois diretores escrevendo histórias se baseando em outros, e tendo os devidos conflitos com seus amigos/aliados quando sabem ou descobrem que determinados personagens foram inspirados neles pelas características ou pelos acontecimentos em si, e é bacana ver como o diretor dialoga em cima de um que está em cima do outro, sendo o famoso filme dentro do filme dentro do filme, o que agrada principalmente com diretores que usam e abusam mais de diálogos como é o caso dele. Ou seja, alguns vão ver e achar banal demais, mas a essência é tão funcional que acaba agradando no final.
O longa acompanha duas histórias paralelas que se desenrolam entre Madri e as Ilhas Canárias. De um lado, a publicitária Elsa perdeu a mãe durante as festas de natal e afoga-se no trabalho. Não tendo espaço para lidar com o luto, um ataque de pânico severo a obriga a tirar uma pausa e viajar para Lazarote, nas Ilhas Canárias, ao lado de sua amiga Patricia enquanto o marido, Bonifacio, permanece em Madri. O outro ponto de vista da trama acompanha Raúl Durán, um diretor e roteirista que enfrenta dificuldades em separar a realidade da ficção.
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O longa acompanha duas histórias paralelas que se desenrolam entre Madri e as Ilhas Canárias. De um lado, a publicitária Elsa perdeu a mãe durante as festas de natal e afoga-se no trabalho. Não tendo espaço para lidar com o luto, um ataque de pânico severo a obriga a tirar uma pausa e viajar para Lazarote, nas Ilhas Canárias, ao lado de sua amiga Patricia enquanto o marido, Bonifacio, permanece em Madri. O outro ponto de vista da trama acompanha Raúl Durán, um diretor e roteirista que enfrenta dificuldades em separar a realidade da ficção.
Não posso dizer que seja um dos melhores trabalhos do diretor e roteirista Pedro Almodóvar, porém acredito que aqui ele soube fazer algo simples sem precisar enfeitar tanto o doce, e acredito que isso é o que mais está pesando a mão da maioria dos críticos, afinal o pessoal gosta de ver símbolos e dinâmicas mais reflexivas, e não é o que nos é entregue aqui. Ou seja, a trama tem uma boa entrega, tem o estilão seco do diretor, porém com um vértice mais casual e até mais comercial para falar a verdade, e assim sendo é daqueles longas que o público talvez enxergue mais do que os críticos, e assim se envolva com a essência bem trabalhada na tela.
Quanto das atuações, num primeiro momento fiquei pensando se Leonardo Sbaraglia tinha envelhecido tanto nesses anos que eu perdi alguma referência, mas como é comum na maioria dos filmes do diretor, vemos sempre um personagem que faz meio que o papel dele no longa, e aqui o Raúl que o ator acabou entregando se assemelha muito tanto visualmente quanto na forma de condução, e isso mostrou que o ator tem potencial e sabe ousar em trejeitos mais fechados. É engraçado que geralmente em todo filme do diretor nos é colocado uma musa, e aqui Bárbara Lennie não conseguiu chamar tanta atenção para que sua Elsa ficasse como um expoente na tela, ou seja, a atriz até teve boas cenas e dinâmicas, trabalhou bem suas intenções com trejeitos fortes, mas ficou mais misteriosa dentro da essência criada do que como alguém que o foco recaísse por completo. Ainda tivemos outros personagens marcantes dentro da concepção completa da trama, com Patrick Criado tendo momentos sensuais com seu Beau/Bonifácio, Milena Smit trabalhando uma Natalia bem traumatizada, Victoria Luengo fazendo de sua Patricia alguém mais cheio de vértices para trabalhar na tela, Quim Gutiérrez com seu Santi mais fechado sem grandes impactos para o roteiro, e Aitana Sánchez-Gijón com uma Mónica inicialmente apática e misteriosa, mas com atos de fechamento mais explosivos, e assim a base foi bem fechada com todos personagens participando bastante na tela.
Visualmente tivemos atos marcantes na casa da protagonista sem ampliar muito o espaço, tivemos cenas em alguns hospitais, na casa do diretor bem rica de estilo, e até no apartamento da amiga com uma boa pegada musical, mas a maior parte se passa em uma casa luxuosa nas Ilhas Canárias, com ambientes bem favoráveis para a escrita, mas também amplo para discussões, e como de costume nos filmes mais dialogados do diretor, o visual fica quase sem grandes importâncias, então acaba valendo mesmo pela síntese bem colocada na tela.
Enfim, não é um filme perfeito, mas entretém de um modo gostoso de acompanhar, fala um pouco da famosa síndrome do pânico que muitas pessoas ainda não entendem, trabalha um pouco do luto, mas a base mesmo foi focar na personalidade da composição de personagens e inspirações, e assim acaba valendo para uma introdução mais simples do estilo do diretor para quem ainda não foi muito iniciado com suas formas diferenciadas e bem dialogadas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


































