Particularmente não sou nenhum pouco fã do cinema mexicano, pois ou acabam se vertendo para um dramático melancólico tão denso que faz dormir, ou então recaem para o lado novelesco total que não se preocupa em nada, ou então forçam a barra para o lado criminoso, claro que como em todos os países existem exceções, mas em sua maioria o país acabou ficando marcado por produções desse estilo. Então eis que me surge do nada (nem trailer, nem propaganda, nem mesmo cartaz nos cinemas tinha) uma comédia religiosa mexicana, coisa que não lembro nem de comédias religiosas, muito menos provindo do México, ou seja, fiquei com vontade de conferir, mesmo que tendo apenas cópias dubladas (como a maioria dos filmes religiosos, já firmei que o povo religioso não tem capacidade ler e ver ao mesmo tempo, mas isso é história para outro dia de debate!). Dito tudo isso, cá fui conferir "A Família da Fé" que não apenas parecia algo tão bobinho, como começou com um lado debochado tão infantil que chega a incomodar, mas foi virando com situações tão bem jogadas, com a tematização em cima do mote de mudanças para as religiões, que o resultado final mesmo ainda sendo bobinho como cinema, funcionou muito bem para tudo o que penso sobre religião, afinal as discussões, guerras, conflitos e até separações de igrejas se baseiam muito como cada um interpreta algo escrito há mais de 2000 anos, pois se tudo for levado exatamente ao pé da letra, hoje seria o caos completo no mundo (não que esteja tudo muito lindo), mas o fechamento brutal em cima de tudo é errar e estragar pessoas e cabeças, e isso, infelizmente não vai mudar, mas o longa ao menos pontuou bem na tela.
O longa mostra as confusões sobre a vida e os conflitos de uma família cristã e sua interação com pessoas que não creem nem veem a vida como eles, com uma poderosa mensagem de redenção, unidade e o amor incondicional de Deus.
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O longa mostra as confusões sobre a vida e os conflitos de uma família cristã e sua interação com pessoas que não creem nem veem a vida como eles, com uma poderosa mensagem de redenção, unidade e o amor incondicional de Deus.
Diria que o diretor e roteirista Julio Roman foi bem no que propôs junto do que entregou, pois temos situações "engraçadas" e principalmente determinou bem a mensagem de mudanças, pois raramente vemos isso em filmes religiosos que pregam "as leis", de modo que a essência do filme acaba brincando bem do começo ao fim, recaindo claro para traquejos bobinhos por parte dos personagens, mas sempre ousando na discussão das mudanças em cima de tudo, ou seja, ele se arriscou perante o pessoal das igrejas, mas deu sua visão e criou tudo ao redor para isso, tendo situações que por vezes pensássemos que não dariam em nada, mas com a reviravolta e fechamento acabou tendo um resultado funcional.
Quanto das atuações, aí entra algo que me incomodou duplamente, primeiro que a dublagem aparentemente não deu vozes muito semelhantes às personalidades que vemos na tela, e segundo que todos sem exceção pareceram bem forçados nos seus atos, ao ponto que o resultado chega mais a incomodar do que emocionar e envolver nos diversos momentos, ou seja, dava para equilibrar um pouco nas entregas e dinâmicas para chamar atenção sem precisar abusar da inteligência do público. De modo que o jovem Juan Pablo Monterrubio mesmo falando algumas coisas clássicas de fanáticos religiosos, passava na tela um ar mais cômico de seus momentos, sendo gracioso como qualquer criança, ao ponto que seu Wafer acaba sendo engraçadinho, mas quanto seu nome muda pelo Profeta para Josué, e Gian Franco Apóstolo assume, o resultado fica ainda cômico pelas situações dos banhos, mas quase se transborda para clichês jogados demais nas falas e entregas, que claro como disse, pode ser que a dublagem tenha mudado tons vocais, mas saiu do engraçado para o exagerado, e isso não é legal em uma comédia. Ainda tivemos boas cenas com outros personagens, valendo destacar mais a expressividade de Paloma Jiménez com sua Amanda, e o jeito solto de Mayte Fierro que fez Gabriela e a irmã Sacha, sendo algo bem bacana alguns contrapontos, já os pais do garoto vividos por Andrés Zúñiga e Luz Edith Rojas acabaram forçando um pouco demais seus trejeitos e não marcaram tanto na tela, e o pai da garota é melhor nem comentar.
Visualmente a trama teve momentos simples sem grandes feitios, a começar pela igreja, inicialmente tradicional, sem muitas mudanças, mas que depois se torna quase um clube com luzes e projeções, tivemos a casa dos protagonistas, mais focada no banheiro e na mesa de jantar, e também a casa dos vizinhos sem mostrar muitos detalhes, além da cafeteria das garotas aonde vão para tomar cafés diferentes. Ou seja, não tivemos muitos objetos cênicos, mas sim momentos bem colocados, como o pedido de noivado com as famílias se reunindo, e claro a busca por versículos do jovem no banheiro foleando a Bíblia.
Enfim, é um filme que vale mais pela mensagem em si do que pela representação na tela, e assim o conceito de audiovisual ficou um pouco abaixo do que poderia acontecer, tendo aquele misto que muitos acabam nem gostando tanto do resultado, mas que agrada no final pela essência, então fica a dica para quem for conferir. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até breve.














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