A Noiva! (The Bride!)

3/06/2026 01:52:00 AM |

Lembro vagamente do original dos anos 30, "A Noiva do Frankenstein", e por incrível que pareça nem tinha visto muitas vezes o trailer do longa "A Noiva!" que estreou hoje nos cinemas, de modo que fiquei sabendo dele apenas por um amigo, ou seja, sabia nada também da nova produção, mas posso dizer que a trama me arrepiou em alguns momentos e que a essência em juntar a força feminina, junto de traquejos diferençados para dar voz a escritora de Frankenstein, Mary Shelley, com imponência de expressividade, com o submundo do crime dominando as ruas e a polícia, fez com que fosse um filme tão fora dos padrões que não tem como não se apaixonar por ele. Claro que não é um filme que muitos vão aceitar de cara, pois tem pegada, tem situações que o pessoal não aceita, ainda mais na época em que o longa se passa, mas brincar com tudo isso, com o cinema dominando a raiva e a mente do protagonista, é de um primor que mostra que a diretora sabe bem aonde deseja chegar, e não vai parar tão cedo.

O longa se passa em Chicago na década de 1930 e acompanha a história de origem da Noiva, uma jovem assassinada que ganha vida novamente. Sua trágica morte é encomendada pelo monstro do cientista Frankenstein que, solitário, pede por uma companhia para a Dra. Euphronius. Os dois, então, trazem de volta à vida uma jovem e, assim, nasce uma nova criatura: a Noiva. Logo, a jovem descobre um mundo marcado por obsessões e violência, além de se envolver num romance selvagem e explosivo.

Diria que a ousadia de Maggie Gyllenhaal vai acabar virando sua marca como diretora e roteirista, pois dava tranquilamente para ela fazer uma refilmagem tranquila do clássico, com tudo redondinho, num drama bem pegado que funcionaria, todos aplaudiriam e pronto, mas não, em seu segundo trabalho nas funções principais acabou colocando uma revolução completa na tela, uma nova história com nuances envolvendo máfia, polícia corrupta, e claro dando voz a escritora como uma entidade na cabeça da protagonista que mostra as facetas de um vocabulário grandioso, forte e que foi minado na época pelo machismo. Ou seja, ela soube brincar com a ideia, dando claro um vértice forte que muitos vão jogar como mimimi, feminista e tudo mais, mas com uma entrega sem ser jogada, tendo critérios e imposições funcionais, aonde a trama acaba não cansando e funcionando bem, mostrando que vamos poder sempre esperar algo a mais dela nas suas futuras obras.

Quanto das atuações, Jessie Buckley entregou muito na tela tanto como A Noiva, quanto inicialmente com sua Ida e ainda em momentos solos como Mary Shelley, ou seja, se jogou por completo em três papeis diferenciados com intensidades diferentes e dinâmicas tão próprias que você nem irá lembrar que é a mesma mulher de outros filmes que já vimos (aliás só fui descobrir que era ela depois de ver os nomes nos créditos), de tal forma que cria cadência e impõe muita presença em todos seus atos, sendo perfeita nos mínimos detalhes. Já tinha dito no outro longa do personagem monstro de Frankenstein que tinham arrumado um filme definitivo para o personagem, mas com a entrega de Christian Bale aqui para seu monstrengo posso dizer que o ator deu seu nome para o papel, com trejeitos, danças e dinâmicas tão bem presentes (talvez para um papel mais maduro do personagem) que chega a impressionar do começo ao fim. Ainda tivemos outros bons personagens na tela além dos dois protagonistas, valendo o destaque para Penélope Cruz como a detetive Myrna, Peter Sarsgaard como o parceiro dela Jake, Jake Gyllenhaal com seu Ronie Reed e claro Annette Bening como a Dra. Euphronius completamente maluca em cena, mas com muita serenidade nos traquejos para ser marcante.

Visualmente a trama teve atos em preto e branco, muita violência nas caracterizações, perseguições, restaurantes com festas imponentes, além claro do laboratório simples, porém cheio das facetas da Dra., carros da época bem colocados, e claro a magia dos cinemas com suas poltronas e telas dando representações dos filmes pelo personagem principal, ou seja, tudo bem amplo, com colorido na medida para não ficar chamativo demais, figurinos densos, shows e tudo mais.

Enfim, não fui conferir esperando muita coisa, pois como disse no começo nem sabia direito o que iria ver, mas posso dizer que impressiona pela grandiosa produção, pela história que funciona muito bem, e claro pela boa direção e atuação, sendo até engraçado ver alguns comentários pela internet que esse seria o que muitos esperavam ver em "Coringa Delírio à Dois", e posso dizer que a pegada funcionaria bem, então fica a dica para irem ver numa tela que valha a pena. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.

PS: um ponto crítico é que o miolo dá uma leve desacelerada e cansa um pouco, mas nada que atrapalhe o resultado completo.


Leia Mais

Depois do Fogo (Rebuilding)

3/05/2026 12:49:00 AM |

Não sou literalmente um fã de filmes introspectivos, pois você precisa conseguir entrar na mesma sintonia da trama para embarcar por completo, ou acaba acontecendo de você dormir e perder algo "importante" para o desenrolar de tudo, porém hoje ao conferir o longa "Depois do Fogo", que estreia nos cinemas no próximo dia 12/03, traz algo que já tinha parado para refletir quando estava no auge as notícias dos incêndios nos EUA, pois ou o cara tem um seguro monstruoso (o que não é muito comum por lá, já que para ter franquias interessantes com o tanto de possíveis desastres climáticos o preço muitas vezes fica "próximo" do valor de alguns bens!) ou simplesmente perde tudo, e vai ter de começar a vida do zero com empréstimos ou algumas ajudas do governo, e a trama usa bem essa formatação da última ideia, pois além de perder todo seu rancho, o protagonista sempre foi vaqueiro ou o famoso cowboy, e sem rancho com as terras destruídas pelo fogo nos vemos com o protagonista tendo que refletir junto de outras pessoas que também perderam tudo, e o longa brinca muito com essa essência do recomeço, sendo calmo demais, mas muito bem feito.

O longa acompanha Dusty, um pai divorciado e reservado que repentinamente perde seu rancho graças a um incêndio florestal devastador. Buscando um lar temporário, o jovem caubói passa a viver num acampamento de trailers junto com outros cidadãos que também perderam suas casas. Nessa jornada de recomeço, Dusty encontra conforto e consolo nessa comunidade de vizinhos que também perderam tudo. Enquanto reconstrói silenciosamente sua vida, ele se reconecta com a ex-esposa Ruby e a filha pequena Callie-Rose. Sob o vasto cenário do sul do Colorado e do Oeste Americano, Dusty enfrenta a dor da perda nesse retrato humano sobre resiliência e conexão.

Diria que o diretor e roteirista Max Walker-Silverman fez uma boa pesquisa para desenvolver seu longa, mas principalmente quis demonstrar a força que as pessoas ao redor, mesmo que desconhecidas, podem fazer na vida de uma pessoa quando perde tudo, pois as dinâmicas da trama mostra bem essa valorização do coletivo, da ajuda, e claro de saber a hora certa de entrar no meio, pois muitas vezes a pessoa quer realmente refletir, quer pensar, e também nem quer ser visto com seu caso problematizado, e essa formatação poderia levar o longa para algo mais explosivo caso ele quisesse, mas ao escolher a introspecção e a calmaria ele desenvolveu um filme mais denso, porém como disse no começo se arriscando ao máximo a cansar o público. Ou seja, o resultado na tela se deve muito ao apego que a maioria está com os vários casos que rolaram dos incêndios, mas também devemos isso ao formato escolhido pelo diretor, pois mesmo demorando um pouco para a dinâmica em si funcionar, você vê a mão dele dando potência nos atos, e isso é um acerto nesse estilo.

Muitas vezes filmes introspectivos só funcionam bem quando o protagonista entrega muito na tela, e aqui infelizmente não diria que Josh O'Connor ajudou muito com isso, pois seu Dusty entrega algo muito comum mesmo em pessoas que perderam tudo, o ar de desorientação, mas não é a desorientação boa que impacta e faz o público sentir apegado a ele, de modo que talvez se tivesse entregue mais dos atos finais durante toda a trama, seu personagem chamaria o filme para si, e o resultado seria ainda melhor na tela. A garotinha Lily LaTorre teve alguns bons momentos com sua Callie-Rose, porém não se soltou para o papel como poderia, ficando muito escondida e com poucas cenas para se desenvolver melhor, de modo que até fez bons trejeitos, mas poderia ir além. Dentre os demais personagens, tivemos algumas cenas bem rápidas, porém bacanas de Amy Madigan com sua Bess, também tivemos alguns atos explosivos de Meghann Fahy que depois dá uma leve melhorada nos trejeitos com o ex-marido, e quanto a Kali Reis até posso dizer que sua Mila foi interessante por alguns momentos, mas faltou aprofundar mais.

No quesito visual usaram bem o rancho queimado, com poucas cenas, porém efetivas na tela, e foram bem simbólicos com os trailers aonde as pessoas vão morar, só diria que se realmente acontecesse dessa forma de jogarem as pessoas para tão longe da "civilização" é um abuso de humanidade, e certamente a equipe de arte quis representar bem esses momentos, com as pessoas indo na biblioteca apenas para usar o wi-fi do lado de fora também sendo bem marcante.

Enfim, é um longa interessante, que tem o valor da reflexão sobre tudo o que anda acontecendo no mundo com uma visão densa sobre o próximo, mas que poderia ter ido mais além sem precisar ficar tão fechado e introspectivo demais, pois talvez os personagens criassem um carisma maior com o público e o resultado fosse muito melhor, afinal não estou falando que ficou ruim, muito pelo contrário, mas faltou botar um pouco mais de dinâmica para envolver melhor. E é isso meus amigos, fica a recomendação de conferida quando estrear na semana que vem, e eu fico por aqui hoje agradecendo os amigos da Synapse Distribution e da Atômica Lab Assessoria pela cabine, então abraços e até amanhã com mais dicas.


Leia Mais

De Volta à Bahia

3/03/2026 12:19:00 AM |

Da mesma forma que o Brasil tem entregue produções incríveis, fugindo completamente do meio novelesco e com dinâmicas intensas em diversos estilos, alguns diretores ainda insistem no estilo de drama romântico com o ar totalmente em cima do formato de novelas da TV aberta, e isso é algo que claro tem seu público, mas que desanima ver na tela, pois fica parecendo que não estão vendo que o mundo todo já cansou desse estilo. Mas fazer o que, depois de pronto o jeito é apenas curtir, e hoje pude conferir o longa "De Volta à Bahia" que sem saber que o protagonista já fez parte do elenco de "Malhação" (só fui ver agora antes de escrever!), a trama me remeteu diretamente como se fosse o seriado juvenil se passando na Bahia com o surf em segundo plano, pois para todos os planos tem de entrar uma música-tema, para cada duas ou três cenas precisa aparecer um coadjuvante com alguma gracinha, e claro o romance demorando para acontecer meio como se fosse algo mágico das antigas. Ou seja, o resultado acaba se enrolando para entregar na tela toda a proposta, sem acontecer realmente algo que impacte como deveria, de modo que não é algo ruim, mas só o público-alvo vai conseguir engolir o que entrega na tela, e mais ninguém.

A sinopse nos conta que um vídeo do resgate de uma jovem surfista viraliza na internet e revela o encontro inesperado entre Maya e Pedro, dois talentos promissores do surf. Ao serem apresentados por PH, um ídolo do esporte, eles se surpreendem ao descobrir que já estão ligados pelo salvamento que ganhou as redes — e que ambos são treinados pelo mesmo mentor. Enquanto se preparam para um campeonato decisivo em Salvador, enfrentam conflitos familiares e vivem um romance. Mas nem só de sonhos vive o verão baiano: para vencer as ondas, é preciso enfrentar as tormentas.

Diria que a diretora e roteirista Joana Di Carso até tentou fazer um filme bonitinho, com um romance bacana que aparentemente funcionaria bem na tela, mas focou tanto em ficar mostrando os pontos turísticos da Bahia, as mentorias do personagem secundário para a vida dos protagonistas, e as músicas a todo momento entrando na tela, que acabou esquecendo que precisava de uma história para desenvolver na tela, de modo que o resultado se perde fácil. Ou seja, talvez como um média-metragem ou até um curta mesmo, a trama funcionasse muito mais do que em um longa, pois acabou parecendo alongado e recheado de situações desnecessárias para dar o tempo de tela, e isso é uma falha bem grave quando se vai além. Claro que o filme cumpre com a proposta dele, não sendo nada de muito impacto, mas dava para criar situações mais desenvolvidas para que ficasse realmente como um filme deve ser.

Quanto das atuações, ao menos os personagens tiveram um pouco de química na tela e são bonitos, ponto crucial para um romance funcionar nas telonas, mas as situações em si deles foram meio que jogadas demais na tela, não parecendo algo muito verossímil, de modo que Bárbara França fez uma Maya com um carisma até que bem alocado, com seus medos bem próximos dos acontecimentos, e até sendo envolvente com toda a situação, porém tudo acontece rápido demais, faltando ir mais além no desenvolvimento dos conflitos, e assim seus trejeitos combinariam mais na tela. Já Lucca Picon ficou naquele meio do caminho família, amigos e paixão, parecendo ser tão adolescente com seu Pedro, que por vezes você fica pensando qual a idade real do personagem, ou seja, dava para ser mais maduro na tela. Já Felipe Roque fez uma mistura de surfista com coach/mentor com seu PH que chega a incomodar, mas como sabemos que a maioria dessas pessoas são dessa forma, posso dizer que ele acertou no que tinha de fazer na tela, agora o papel dava para ter ido um pouco mais além. Quanto aos demais personagens, os pais dos protagonistas foram apenas os elos das explosões deles, não tendo muito o que se expressarem para chamar atenção, a influencer é melhor nem entrar no que pensei e o amigo bobão foi um enfeite cênico chato que é melhor nem dar o nome para queimar.

Visualmente Salvador tem o lado lindo e o lado que ninguém quer mostrar como toda cidade do mundo, e aqui casualmente como acontece em todas novelas, só vemos praias lindas, uma competição de surfe bem organizadinha, um restaurante simples da família, um hotel chique, e vários cartões postais da cidade para fazer fotos, ou seja, a equipe valorizou a cidade e fez bem o que precisava, mas sem ter nada que impactasse, tanto que o afogamento foi tão rápido que a equipe nem teve tempo de preparar algo mais chamativo enquanto estava mostrando um video culinário.

Enfim, é um filme que talvez funcione para a galera mais adolescente que goste desse estilo de romancinhos mais jogados, mas quem for conferir esperando um algo a mais não conseguirá se empolgar muito com o resultado mostrado, afinal como disse, lembra bem mais um episódio de "Malhação" do que um longa realmente. E assim sendo fica a dica para quem curtir o estilo ver o longa em cinemas selecionados a partir do dia 05/03, e eu fico por aqui hoje agradecendo aos amigos da TMZ Assessoria e a Swen Entretenimento pela cabine, mas volto amanhã com mais dicas.


Leia Mais

Cara de Um, Focinho do Outro em 3D (Hoppers)

3/01/2026 11:03:00 PM |

Acho que já virou uma tendência bem colocada trabalhar a consciência ambiental nas animações, pois nesse estilo de filmes geralmente tem adultos e crianças conferindo, então dá para os menores começarem a aprender, e para os mais velhos tentar reverter suas ideias fora do consumismo e das telas. Ou seja, nesses últimos anos temos visto vários longas com essa pegada, alguns mais densos e outros mais fofinhos e engraçados para poder brincar mais, e eis que a gigante das animações Disney/Pixar viu que precisava entrar também nesse ramo, chegando com o longa "Cara de Um, Focinho de Outro", aonde até brinca com as facetas de um de seus grandes produtos ("Avatar"), mas como foca mais nos animais e nas brigas entre pessoas, o resultado ficou mais levinho e bem colocado. Claro que passa longe de ser uma trama que vai emocionar a fundo, afinal esse não é um estilo que a companhia gosta, mas ainda assim tem um bom resultado que com toda certeza muitos irão rir e até pensar no futuro, valendo como algo bem trabalhado na tela.

O longa traz uma história encantadora e inovadora sobre Mabel, uma jovem amante dos animais que usa uma tecnologia revolucionária para se conectar com o mundo animal de uma maneira única. Graças a uma invenção que permite transferir sua consciência para o corpo de um castor robótico, Mabel pode agora explorar os mistérios do reino animal, vivenciando o mundo de uma perspectiva completamente nova, além de acessar suas próprias emoções e imaginação. Enquanto Mabel se aventura nesse universo fascinante, ela se depara com uma grande ameaça: Jerry, o prefeito anti-animal, cuja postura hostil em relação aos seres não humanos coloca os animais em risco. Jerry é determinado a acabar com a convivência entre humanos e animais e, portanto, Mabel deve agir disfarçada como uma castor robô para desvendar seus planos e proteger seus amigos de patas e penas.

É interessante que esse é a primeira direção de Daniel Chong depois de ter trabalhado em vários outros setores da Pixar, e ele soube brincar com facetas dinâmicas, não forçou a barra para que seus personagens ficassem bobinhos demais, mas também não quis algo muito sério, de modo que a protagonista tendo esse ar meio rebelde e maluquinha chega até lembrar a garota do "Red - Crescer é uma Fera", mas jogando mais para o lado ambiental, o resultado soube brincar tanto com as barragens que os castores sabem fazer bem, a destruição humana com som e fogo, e claro colocar que saber as qualidades e nomes de cada um pode ser um trunfo bom para ter aliados. Ou seja, o jovem diretor e roteirista soube brincar bastante, trazendo um vértice sério de base, mas sem deixar que seu filme ficasse pesado, e assim a trama teve a base divertida e institucional com bons gracejos na dinâmica toda.

Quanto dos personagens, diria que Mabel ficou bem encaixada tanto em sua versão humana com seu jeitão explosivo, quanto animal com sua castor, sendo também atirada e cheia de desenvolturas, fazendo com que os pequenos não tirassem os olhos da pequena roedora, tendo dinâmicas até maiores do que texturas, algo que viram dar muito mais certo na tela, pois os personagens menos "realistas" acabam trabalhando o formato desenho melhor e assim podem inventar loucuras mil, como é o caso aqui, aonde a versão robô pode nadar e tudo mais. O prefeito Jerry ficou muito estilão dos atuais governantes, com todo um traquejo voltado para seu ego, sendo marcante nas duas versões que o longa propõe e brinca na tela. Os demais personagens também foram bem legais de ver, com destaque para todos os demais reis, e até a cientista e professora Sam, mas sem dúvida todos os olhares se verteram demais para o castor rei George, sendo bem sagaz, tendo bons traquejos com todos, sendo literalmente do povo, e claro tendo dinâmicas que soam divertidas na tela.

Visualmente o longa teve muita presença cênica, contando com animais dos mais diversos tipos, tendo o ambiente bonito e aconchegante da clareira que a garota ia com a avó sempre para relaxar, tivemos momentos bacanas no laboratório da faculdade com o esquema de salto de corpo bem mostrado como corrente para ninguém ficar com dúvida do funcionamento, tivemos câmeras em primeira pessoa (que funcionaram bem nos atos 3D), e dentro da floresta ainda tivemos um lago bacana e tudo como já disse com texturas interessantes, mas longe de serem realistas, ou seja, algo mais básico e funcional. E voltando no quesito 3D, diria que poderiam ter abusado um pouco mais de coisas saindo da tela, pois chamaria mais atenção e o resultado acabaria surpreendendo mais, mas quem gosta da tecnologia até vai brincar um pouquinho com tudo o que rola.

Enfim, é um longa até que bacana, que diverte, dá uma emocionada nos atos finais e que possui duas cenas nos créditos (uma bem no meio e uma no finalzinho - ambas com piadinhas bem trabalhadas), mas que talvez pudesse emocionar um pouco mais, pois tinha carisma e material para isso. Mas ainda assim vale a recomendação para todos irem conferir com as famílias a partir da próxima quinta 05/03, então é isso, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

A História do Som (The History of Sound)

3/01/2026 01:47:00 AM |

É engraçado como alguns trailers de filmes passam tanto nas variadas sessões que vemos, e outros praticamente nem ficamos sabendo da existência se formos apenas pelas "propagandas" dentro das salas dos cinemas, e um exemplar bem claro disso é o longa "A História do Som", pois até recebi alguns materiais da distribuidora, mas acabei nem parando realmente para saber do que se tratava o filme, mas hoje conferindo pude me envolver tanto com a ideia, sendo daquelas tramas bonitas de essência e de execução, aonde a música dá a vida necessária para a obra, trazendo o folk como algo histórico do momento das pessoas, e advindo com a famosa sensibilidade de como algumas pessoas mudam a vida de outras em suas passagens, e outras apenas passam realmente, sendo de uma sutileza o relacionamento e as dinâmicas mostradas, que ao final o que realmente percebemos é o sentido de estar. Ou seja, é daqueles filmes que poderiam facilmente ser muito mais difíceis de entrar em contato e sentir o que o diretor desejava mostrar, mas que sendo simples e sutil consegue comover e envolver durante toda a exibição, nos levando numa viagem ao passado sentindo realmente cada detalhe sonoro da trama. E um detalhe muito curioso que aconteceu na sessão que estava foi o silêncio máximo da plateia no começo, aonde o longa as logomarcas dos estúdios vão aparecendo em silêncio total, parecia que os demais na sala nem respiravam para ouvir algo, e foi lindo de sentir isso.

O longa acompanha Lionel, um talentoso estudante de música que conhece David, no Conservatório de Boston, onde eles se conectam pelo profundo amor que compartilham pela música folk. Anos depois, os dois se reencontram e partem juntos a uma viagem improvisada pelo interior do Maine, para coletar canções tradicionais da cultura folk. Esse encontro inesperado, o caso de amor que nasceu dele e a música que eles coletam e preservam, vão influenciar o curso da vida de Lionel muito além de sua própria consciência.

O estilão calmo do diretor Oliver Hermanus é daqueles que consegue transparecer na telona, de tal forma que aqui ele pegou um primeiro roteiro original de Ben Shattuck que era uma história bem curta e rápida, e a desenvolveu de uma forma brilhante, cheia de nuances, aonde praticamente sentimos a calmaria do folk emocionado sendo passado de uma ponta a outra dos EUA, brincando com facetas e dinâmicas, criando um vínculo relacional de amizade e amor entre os protagonistas num período não tão usual para isso, mas bem mais do que criar um romance homossexual na tela, a escolha do diretor em trabalhar isso como uma amizade maior e o amor de ambos pelas canções cheias de lamúrias foi bem encaixada, pois acabou brincando com algo mais amplo e que não causasse tanta polêmica. Ou seja, ainda vemos o clima quente nos momentos que passaram juntos, mas também sentimos mais a presença musical e a beleza visual de uma fotografia bonita, de uma canção gostosa e até aprendemos como eram gravadas as canções antigamente tudo em uma obra só.

Quanto das atuações, diria que Paul Mescal é aquele tipo de ator que consegue fazer você seguir ele com seu olhar, de modo que seu Lionel extremamente tímido poderia facilmente desfocar o longa fora de si, mas pelo contrário acabou puxando o público para o carisma do personagem, e isso acaba sendo bacana de ver, pois não é aquele papel explosivo, e sim nas entrelinhas e nos detalhes que foi passando suas emoções na tela, agradando do começo ao fim. Já Josh O'Connor trabalhou seu David com uma pegada mais direta, tendo um estilo cativo, mas também fechado, sabendo se portar e pontuar bem junto do protagonista, tendo uma química interessante de contrapontos, mas também de muitas semelhanças, e essa essência acabou sendo marcante no tempo que compartilharam a cena do longa. Até tivemos outros personagens interessantes na história, mas o diretor foi muito esperto em não tirar o foco deles, de modo que por incrível que pareça não vale dar destaque para nenhum ator fora dos dois, inclusive para o personagem de Lionel mais velho, pois não foi algo tão chamativo quanto ao valor do restante.

Visualmente o longa é belíssimo, mostrando várias cidades, épocas e quase um mochilão pelos EUA captando áudios de canções folk com uma máquina que já tinha visto anteriormente em outros filmes tocando algumas captações, mas nunca o inverso que desconhecia de fazer riscos em velas de cera para gravar as canções, o que foi bem bacana, além de pessoas de todos os tipos nos mais distantes lugares do interior, mostrando suas culturas e estilos, e depois mostrando também um pouco da Europa mais rica e cheia de ambientes clássicos para os cantores como o protagonista.

Enfim, é um filme que não é para todo público, pois o estilo folk possui uma cadência mais lenta que o diretor soube aproveitar para dar as devidas nuances na tela, e junto a isso a temática diferente dos padrões pode levar muitos a estranharem o que verão no longa, mas vale a recomendação para darem uma chance, pois é bem bonito todo o resultado completo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais