Digger

10/03/2026 12:22:00 AM |

Alguns filmes são tão fora da caixa que você acaba demorando um tempo para perceber o quanto ele pesa na sua cabeça, pois não fala apenas com o que está sendo entregue na tela, mas com todo o conteúdo e vivência que a trama procura passar, sendo algo elaborado para fazer o público realmente pensar e criar suas próprias intensidades após digerir ele por completo. E felizmente sou daqueles que tem dias que é bacana ver algo que não precisa gastar meio neurônio, mas também amo ver uma trama mais cabeça, e hoje foi o dia de conferir "Digger" que tinha visto já vários trailers, porém não tinha sequer ideia do que veria na telona, e tendo um começo forte, cheio de imposição climática, conversas de negociações e burladas de leis, me peguei vendo uma grande crítica ao mundo atual de uma maneira imparcial e marcante, para quando vem a primeira reviravolta que o diretor mostra o que realmente está fazendo na tela, e confesso que foi um senhor choque de ideias para mudar completamente o jeito de pensar no que estava vendo, sentindo cada detalhe da trama, até novamente ao final tudo fazer ainda mais sentido. Ou seja, é um filme forte e potente de ideias, brilhantemente bem interpretado e dirigido, aonde muitos podem não enxergar toda a essência na tela, mas quem der a oportunidade de conferida certamente irá pensar muito depois de tudo.

O longa acompanha o homem mais poderoso do mundo que, após provocar um desastre ambiental de proporções globais, começa uma missão intensa para reparar os danos que ele mesmo causou e provar que é o salvador da humanidade. Em uma corrida contra o tempo, ele precisa enfrentar as consequências de suas decisões antes que a crise saia completamente do controle e ameace o futuro do planeta. Nessa trajetória, o bilionário cruza o caminho de algumas das figuras mais influentes do mundo, incluindo o presidente dos Estados Unidos, enquanto tenta recuperar sua credibilidade. O filme mistura drama épico e reflete sobre responsabilidade e os impactos da ambição desenfreada em uma narrativa repleta de tensão.

É interessante que depois de muitos anos brigando, o diretor e roteirista Alejandro G. Iñárritu conseguiu fazer com que Leonardo DiCaprio ganhasse um Oscar e diversas premiações, e olha que já estou desconfiando que ele vai fazer o mesmo com Tom Cruise, pois aqui ele criou uma trama tão marcante, tão cheia de nuances, que mesmo com alguns atos absurdos para a proposta (como cinema ficcional funcionaria, como palco acabou um pouco forçado demais) deu um viés pensante tão bem encaixado para as atuações explodirem na tela, que o protagonista acabou mostrando até mais do que imaginávamos que ele seria capaz um dia, tendo diálogos bem empostados, personalidades determinantes chamativas e assim mostrando que o diretor sabe conduzir bem demais todas as suas ideias, não deixando a sua voz em segundo plano, e muito menos colocando pautas jogadas, aonde sua opinião funciona e fazendo isso com um ator próprio, o resultado foi bem além do pensado.

E já que comecei a falar das atuações, é tão diferente ver Tom Cruise com uma maquiagem imponente, e com uma expressividade forte sem precisar recorrer a correrias, saltos e tudo mais, que muitos vão até achar que não é o ator ali fazendo seu Digger Rockwell, pois ele personifica o pior que conhecemos de grandes ricaços, além de entregar dinâmicas e trejeitos tão bem encaixados por trás de sua maquiagem que se impõe e agrada demais, sendo preciso em cada detalhe que mesmo sendo alguém péssimo, ainda traz um carisma que acabamos nos conectando, ou seja, se vai levar os prêmios eu não sei, mas indicado com toda certeza estará. Ainda tivemos outras grandes personificações na tela com destaques para John Goodman como o Presidente Compson totalmente falastrão e cheio de entregas malucas na tela; Riz Ahmed trabalhando seu Ganesh com muita atitude e dinâmicas inusitadas com um olhar mais técnico e chamativo; e até Jesse Plemons conseguiu ter algumas nuances bem chamativas com seu Kenny, que inicialmente parecia um personagem jogado, mas depois faz todo o sentido na tela. E isso falei só de alguns, mas tiveram muitos outros bem encaixados e chamativos.

Visualmente o longa é algo completamente maluco, principalmente se pensarmos nele como um ensaio de uma peça em um teatro gigantesco, tendo elementos móveis para representar algumas coisas em movimento, uma mansão gigantesca, várias imagens em televisões, um julgamento com uma tribuna imensa, fora os detalhes dos figurinos e das maquiagens, tudo sendo muito representativo e cheio de nuances que acabam funcionando demais tanto como ficção como peça, além claro do fechamento marcante dando toda a nuance da saída, ou seja, a equipe de arte trabalhou demais e acertou muito.

Enfim, não é um filme feito para todos, pois muitos não irão entender a proposta, outros vão rir sem saber do que estão rindo, mas que de um modo geral funciona demais pela crítica inserida e pela forma de condução maluca que o diretor soube usar para impactar ainda mais, e assim sendo vale a conferida para pensar um pouco mais, então fica a dica. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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