Verity

10/01/2026 01:21:00 AM |

Quem acompanha o site sabe que gosto bastante de tramas de suspense que tenham reviravoltas bem interessantes, porém não sou fã de livros e geralmente vou na contramão dos fãs de obras famosas, então o que aconteceu comigo assistindo "Verity"? Acabei que gostei bastante, pois não sabia de nada que iria acontecer, fiquei tirando algumas conclusões precipitadas acertando algumas e errando em outras, porém entendi bastante a mensagem e a dinâmica, de modo que para quem não leu a obra, o filme funciona muito bem, mesmo com dois problemas clássicos do estilo (o excessivo uso de narração e uma protagonista meio que inexpressiva - com o mais engraçado a personagem falando que é assim em determinado momento, ou seja, escolheram a atriz perfeita!). Ou seja, talvez os fãs vão reclamar de ritmo, vão reclamar de cenas diferentes e tudo mais, mas como costumo dizer, as obras literárias ao serem convertidas para o cinema acabam tendo liberdade autoral do diretor, e isso sempre vai incomodar, então vá sem esperar muito que o resultado acontece de forma bacana!

O longa nos mostra que uma escritora chamada Lowen Ashleigh está à beira da ruína financeira quando uma oportunidade irrecusável cai em seu colo: trabalhar como ghostwriter da autora de sucesso Verity Crawford que, após um grave e misterioso acidente de carro, fica paralisada e impossibilitada de dar prosseguimento à sua obra sozinha. A convite do marido de Verity, Jeremy Crawford, Lowen se muda temporariamente para a casa do casal com o objetivo de estudar e mergulhar mais profundamente nas ideias, anotações e mente da autora. Pronta para terminar os três últimos volumes da série bem-sucedida de Verity, a jovem Ashleigh acaba descobrindo que nem tudo é o que parece quando descobre um manuscrito escondido cujas passagens relatam revelações sobre o passado da família e a tragédia sofrida por Verity.

Já tinha visto alguns filmes do diretor Michael Showalter, mas nunca tinha parado para reparar no seu estilo, de modo que aqui ao adaptar um best-seller de Colleen Hoover acabou entrando num estilo bem mais complexo do que está acostumado, e trabalhar com uma adaptação literária aonde os personagens e a trama giram em cima de escritores e livros é algo ainda mais amplo do que apenas contar uma história, pois abre precedentes para tantos vértices que se não segurar a onda, e principalmente tentar agradar os fãs, acaba entregando algo alongado demais ou que se perde na correria das dinâmicas. Claro que fui conferir sabendo que haveria algo bem invertido que só rola nas últimas páginas do livro, e que provavelmente aconteceria o mesmo no longa nos últimos minutos, então acredito que a divisão do clímax e do desenvolvimento até foi bem pautado sem precisar "correr" muito, mas ainda assim dava para ter limpado um pouco mais algumas dinâmicas e deixar o filme talvez com uns 10-15 minutos a menos, mas é uma reclamação bem subjetiva, então diria que ele foi bem na forma escolhida de trabalhar, só poderia ter "ousado" mais com somente textos na tela, e não tanta narração da escritora, mas isso provavelmente deva ter no livro, então vida que segue.

Quanto das atuações, a protagonista em determinado momento se diz sem muitas expressões, e acredito que isso também esteja no livro, então quem a equipe foi buscar? A atriz mais sem expressões possíveis do mercado, Dakota Johnson, e seu ar exageradamente calmo misturou bem com a entrega de sua Lowen, sendo um misto entre loucuras e devaneios de escritores, aonde a atriz até segurou bem as pontas, não sendo insegura, nem tão ingênua, mas agradando com o que tinha de fazer. Num primeiro momento fiquei preocupado que não utilizariam tanto Anne Hathaway com sua Verity paralisada, mas como vão mostrando as cenas com ela se desenvolvendo a atriz soube segurar o estilo forte e denso trabalhando bem a personalidade dupla do papel. Não sei qual era a expectativa do público para o papel de Jeremy, mas certamente não era a de ser Josh Hartnett, pois o ator não tem aquela pegada de galã, muito menos de marido misterioso como acaba entrando nos últimos momentos, então diria que faltou trabalhar melhor o personagem ou colocar um ator mais imponente, mas até que fez bem o que tinha para entregar.

Visualmente como em toda adaptação literária temos muitos detalhes sendo mostrado em closes detalhados como móveis, objetos, livros, camas e tudo mais, numa mansão até bem imponente, e assim é claro que os fãs vão fazer as devidas comparações, de tal forma que o lugar em si é meio que assustador com uma pegada densa no meio de tanta neve, que talvez até poderiam ter brincado mais com isso, mas como não era a proposta ainda tivemos alguns escritórios, livrarias e até o apartamento bagunçado da protagonista no começo, além de um acidente bem impactante logo de cara, então a equipe de arte até foi bem no que fez na tela.

Enfim, gostei até mais do que imaginava que iria gostar, pois como não sabia nem do que se tratava a história do livro, e acho que vi uma vez só o trailer (ou nem isso), fui apenas com o comentário da reviravolta impactante que teria no final, e assim sendo recomendo fazerem o mesmo de ir sabendo o mínimo ou quase nada sobre o longa para gostar mais, porém como é um livro que explodiu nas bocas e leituras de mundo afora, a maioria irá comparar as coisas, e assim talvez não se apaixonem tanto pela entrega em si. Sendo assim eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, afinal essa semana veio com muitas estreias, então abraços e até logo mais.


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