Vale Night

3/18/2022 09:28:00 PM |

Confesso que fui preparado para ouvir 90 minutos de funk, ver vários passinhos, e tentar rir de uma comédia de sumiço de personagem no melhor estilo que já vimos em diversos filmes internacionais, mas embora "Vale Night" tenha uma premissa bem armada, muitos planos sequências bem desenvolvidos, e claro uma ideia até que bem promissora, acabou faltando o principal dentro de uma comédia: fazer rir! E olha que daria para apelar em diversos elementos, daria para ser criativo em muitas situações, mas não apenas inovaram em técnica e deixaram fluir, esperando que o longa conectasse a todos sozinho, o que não ocorre. Claro que talvez a mensagem chegue a algumas pessoas que se veem na mesma perspectiva da trama, morando em comunidades, tendo filhos ainda jovens, e precisando assumir uma responsabilidade maior enquanto ainda se quer curtir, mas poderiam ter brincado mais com toda a confusão que rola da criança sumindo, trabalhado mais cenas na Crackolandia, e até usado mais os personagens para explodir tudo, mas não era a proposta, e assim sendo ficou básico demais para ser lembrado daqui alguns dias.

A sinopse nos conta que cansada de exercer o papel que a sociedade acha que uma mãe deve ser e as responsabilidades de seu primeiro filho, Daiana resolver pegar um "vale night" - uma folguinha - para sair com as amigas para um baile funk de noite. Para isso, terá que deixar o filho com o pai da criança, Vini. Este, também entediado de olhar o filho por algumas horas, decide também ir para suposta festa, mas sabendo que a mãe pediu para que ficasse com o filho, ele decide levar o menino junto com ele. Tentado não ser avistado pela mãe da criança ou pelas amigas dela, tudo ocorre bem com o filho e ele na festa, isso até que ele perde a criança no baile. Desesperado ele vai correr por toda comunidade para achar o garoto, se colocando em situações surreais, inusitadas e divertidas para que Daiana e suas amigas não o veja e o menino sozinho pelo baile.

O diretor Luis Pinheiro vem para o seu terceiro longa após o excelente "Mulheres Alteradas" e o péssimo "A Garota da Moto" usando agora um roteiro baseado no filme "One Night Off" que Ian Deitchman escreveu e aqui ainda nem foi lançado, ou seja, a versão nacional saiu antes que a original, e posso dizer que dessa vez ele foi bem na forma de entregar um filme realmente, afinal não tem nada novelesco, nem jogado, porém ele quis empunhar uma deixa em cima da representatividade das mães jovens das comunidades, de que acabam abandonando os estudos, as diversões, e tudo mais para cuidar de filhos, e com isso o ar cômico que a trama estava completamente preparada para alçar voos perfeitos acabou ficando em segundo plano. Claro que temos momentos engraçados, como do rapaz preparando a caixa para o bebê, toda a busca na Crackolandia, e alguns diálogos soltos, mas o filme em si por completo não faz rir, e isso em uma comédia é o maior crime possível. Ou seja, o diretor quis ousar com um tema de impacto em uma comédia, e isso é a loucura máxima que não tinha como dar certo. Porém vale o passatempo e a ideia.

Sobre as atuações, diria que Pedro Ottoni até se entregou bem com seu Vini, numa mistura bem colocada de desespero com despreocupação exagerada, sendo aquele meio de caminho que tem bons momentos, mas que não chama tanta atenção, e assim até nos conectamos levemente ao seu personagem, porém poderia ter surtado mais que tinha espaço e potencial para isso. Gabriela Dias trabalhou empolgada com sua Daiana, dando boas nuances e trejeitos, e até sendo bem representativa nós arrepios e sentimentos de mãe, porém exagerou um pouco demais nos atos junto das amigas, o que acaba sendo forçado dentro de um filme, parecendo mais uma atuação teatralizada demais. O filme em si está sendo vendido em conjunto da representação de Linn da Quebrada que está no BBB, e com isso chamando um pouco mais de atenção, e até que sua Pulga está entre os principais, e tendo alguns atos bem trabalhados, claro com as devidas atenuações, afinal abusa de drogas e sexo, mas foi bem no que fez, e com isso quem for ver o filme para ver se atua bem irá até curtir a ideia. O comediante Yuri Marçal fez bem pouco com seu Linguinha, embora apareça bastante no longa, e isso foi quase um crime que o diretor fez com ele, afinal ele saberia entregar ao menos atos engraçados para o resultado melhorar, mas não apenas ficou andando junto com a trupe atrás do bebê. Jonathan Haagensen ficou um pouco forçado com seu Randerson, sendo daqueles machões que querem resolver tudo na porrada, mas que no devido momento se solta na balada e muda de perspectiva com uma droga na cabeça, e assim até chamou um pouco mais de atenção, mas nada que vá muito além. Quanto aos demais, a maioria apenas faz passagem pelo longa, tendo um leve destaque para Geraldo Mario com seu Zé Maria interagindo bem com o bebê no depósito, e Barroso com seu Rico da mesma forma do lado de fora do baile com o bebê.

Quanto do visual, o diretor brincou bastante dentro da comunidade, fez vários passeios seguindo os protagonistas com a câmera, mostrando várias representações das casas, dos ambientes com tudo junto, dos diversos carros parados em bares tocando funk com pessoas fazendo passinhos, depois se jogou para dentro de um baile gigante, mostrou bem a preparação das jovens para 'causar' nas festas, com figurinos e cabelos característicos, e interagiu bem com o bebê passeando pelos vários locais, e claro, teve todo o ambiente maluco da Crackolandia, com o Buraco do Inferno bem montado e cheio de nuances.

Enfim, é um filme que tinha potencial pela história em si, que certamente irei procurar ver o original para comparar as mudanças criativas para a realidade nacional escolhida, mas que se tivesse colocado um pouco mais de expressividade cômica em tudo ficaria muito melhor, mas que valeu pela ideia toda, e assim quem não ligar da falta de dar risadas pode até ser que curta a trama toda. E é isso pessoal, fico por aqui agora, mas vou para mais um nacional hoje ainda, então abraços e até logo mais.


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Os Caras Malvados em 3D (The Bad Guys)

3/18/2022 01:39:00 AM |

Já disse isso algumas vezes e volto a pontuar que alguns diretores de animação acabam deixando de lado o público alvo que são a criançada e focam quase que completamente nos adultos e/ou pais que vão levar os pequenos ao cinema, e com isso o resultado acaba sendo bem bacana para nós, mas não tão divertido para a garotada. E claro que comecei falando dessa forma do longa "Os Caras Malvados" por ser um exemplo bem claro desse estilo mais juvenil/adulto, aonde temos muita ação, perseguições, carros tunados, roubos mirabolantes, e claro várias reviravoltas com toda a intensidade programada da trama, além de alguns momentos fofinhos e engraçados também, e o diferencial completo desse é o tom da trama, afinal ele mantém um estilo mais direto, uma cor amarelada bem interessante, e traços não tão realistas e detalhados como andamos vendo ultimamente, o que deu um ar ainda mais adulto para o filme, e claro que não sendo personagens "bonitinhos" o resultado chama a atenção por desejarem agradar também os pequenos, ou seja, é um filme cheio de conflitos no roteiro, que acaba sendo sagaz e diferente de tudo o que já vimos, mas sem ser ousado, o que vai fazer muitos amarem e outros saírem da sessão se perguntando o que viram, porém é inegável que dá para rir bastante e quem sabe até torcer por uma continuação, assim os pequenos que não se envolverem tanto aqui já estarão maiores e irão curtir, e os adultos que riram bastante de tudo vão ver novamente com certeza, pois vale a pena.

O longa segue um grupo de animais ladrões e suas travessuras. Sr. Lobo, Srta. Tarântula, Sr. Tubarão, Sr. Piranha e Sr. Cobra sempre foram vistos como maus, desajustados e que assustam todo mundo que os vê. Eles têm uma longa história criminal, roubando tudo o que eles querem e como eles querem. Em um de seus planos de assalto em um evento de gala, Sr. Lobo percebe que eles podem ser bons, ou melhor, que pessoas podem ver eles como bons animais. Sendo pegos pela polícia após um plano malsucedido, o grupo de ladrões decidem se passarem de bonzinhos para que a polícia não fique na cola deles e para não serem mandados para a prisão. Eles acabam aceitando a proposta do Professor Marmelada para ajudá-lo a recuperar porquinhos-da-índia que estão sendo usados para testes em uma empresa. Será que a farsa do grupo se manterá? Ou eles vão finalmente serem os bonzinhos da história?

Diria que após passar por várias animações (principalmente todos os "Kung Fu Panda" da Dreamworks no departamento de animação, agora Pierre Perifel assumiu a cadeira da direção com uma proposta ousada de fazer uma HQ madura de Aaron Blabey funcionar com estilo na telona, pois volto a frisar que não seguindo o elo tradicional fofinho comum de animações acabamos vendo algo intenso e marcante com um ar bem diferenciado e interessante, ou seja, o diretor chegou com uma proposta tão bem alocada que nem parece estarmos entrando numa sessão de uma animação, mas sim de um filme de ação com atores prontos para quebrar tudo, fugir da polícia, sair roubando as coisas mais improváveis e tudo mais, e o melhor, que funciona com animais exóticos na tela. Ou seja, é algo que não veremos novamente com a mesma proposta tão cedo, e que até tivemos um pouco de lembrança do "Próxima Parada: Lar Doce Lar" por não ter bichinhos casuais, mas que aqui foi bem mais direto e ousado no estilo, sendo bem trabalhado, recheado de sacadas duplas e muita personalidade por todos os personagens, e também com uma dublagem bem marcante e agradável.

E já que falei sobre as dublagens, posso dizer facilmente que todas as vozes escolhidas combinaram muito bem com as personalidades dos animais, e por incrível que pareça não ficaram parecendo as vozes reais dos atores, lembrando em algumas cenas, mas nada marcante, ou seja, em momento algum falei que o Tubarão era o Babu Santana, e apenas em umas duas cenas falei conheço essa voz para a do Lobo feita por Rômulo Estrela, quanto aos demais também nem deu para colocar na mente Nyvi Esthepan como Tarântula, Sérgio Stern como Marmelada, Sérgio Guizé como Cobra, Luis Lobianco como Piranha e Agatha Moreira como Diane Raposinha, ou seja, por todos serem atores bem experientes souberam dosar intensidades e dar bons tons sem entregar suas vozes reais, o que foi bem bacana de ouvir. E falando um pouco sobre as personalidades dos protagonistas, foi muito engraçado ver o Lobo abanando o rabo de felicidade, suas ideias malucas, e principalmente o brilho no olhar ao conhecer o esconderijo da Pata Escarlate, ou seja, sacadas simples, porém muito bem feitas, o mesmo posso dizer do Cobra com intensidade e sentidos apurados, sendo o elo das diversas reviravoltas da trama, e sendo daqueles coadjuvantes que completam o protagonista, o que foi bem legal de ver, e claro Tubarão e Piranha foram os elementos cômicos bem colocados que divertem demais, tendo a Tarântula como hacker com suas várias patas algo bem marcante, e usar um vilão "fofinho" dentro de filme de vilões foi algo bem sacado.

Quanto do visual da trama, já falei que usaram traços bem diferentes do usual que vem aparecendo nas animações, sem muitas texturas, dando uma nuance mais própria de um 2D desenhado tradicional, tanto que ao colocarem o filme nas salas 3D foi quase um desperdício total, não tendo quase nada saindo da tela, pouquíssima profundidade cênica com cenários até meio chapados, servindo mais para as dinâmicas das perseguições, mas nada que surpreenda muito com a cenografia bem puxada para o amarelo, mas puderam brincar bem com os ambientes dos esconderijos, com os vários porquinhos, e claro com o carrão do protagonista.

Enfim, é um longa que diverte bastante, que tem ótimas sacadas, mas que é algo completamente diferente do que se espera em uma animação, sendo como disse no começo quase uma trama completa de ação policial com boas piadas, boas dinâmicas, só que ao invés de atores colocaram animais como protagonistas, e assim quem curtir o estilo vai com certeza entrar no clima e rir bastante de tudo, valendo a indicação para os mais velhos, afinal os pequeninos vão estranhar muito. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Eiffel

3/15/2022 01:16:00 AM |

Sempre é bem interessante um trabalho de época para vermos como foi o processo real de alguns personagens marcantes da História, e mesmo que colocando coisas imaginadas para dar um floreio em algumas situações o resultado sempre acaba ficando bem bacana de ver, porém sempre é necessário observar se não vai apelar demais para algum estilo, ao ponto da história mudar tanto que não possa ser crível, ou seja, é sempre bom brincar com o meio termo entre real e fictício para que tudo flua bem. E comecei dessa forma o texto de "Eiffel", que estreou no final de semana na plataforma da Amazon Prime Video, pelo simples motivo de que até existem alguns registros sobre o romance de Gustave Eiffel e Adrienne Bourgès, e que o formato de "A" da torre seria uma homenagem para a amada, porém temos algumas situações tão enroladas, toda uma tramitação de traição conflituosa, o famoso brigo de egos de homens por tamanho, toda a imposição de poder ou não se relacionar com alguém, que o filme acaba ficando bem perdido entre ser um drama mais imponente ou um romance proibido, e claro ao fundo a grandiosa torre sendo levantada. Ou seja, talvez se focassem mais nos problemas reais que Gustave teve durante a construção da torre, os conflitos com outras obras que estavam rolando dele na mesma época, e inserido o romance em alguns miolos, ou então criado algo mais romanceado, cheio de envolvimento, o resultado seria melhor para algum dos dois lados, e não tanto a mistura, que não é ruim de ver, mas que a todo momento fica parecendo faltar um algo a mais.

A sinopse nos conta que tendo finalizado sua colaboração na Estátua da Liberdade, o célebre engenheiro Gustave Eiffel está no topo do mundo. Agora, o governo francês está pressionando-o para projetar algo espetacular para a Feira Mundial de Paris de 1889, mas Eiffel simplesmente quer projetar o metrô. De repente, tudo muda quando Eiffel cruza com uma mulher de seu passado, Adrienne Bourgès. Sua paixão há muito perdida e proibida o inspira a mudar o horizonte de Paris para sempre. Você nunca mais vai olhar para a Torre Eiffel da mesma maneira.

Em 2015 dei a nota máxima para o filme de estreia do diretor Martin Bourboulon, "Relacionamento à Francesa", pela sua ousadia, pela criatividade e tudo mais que conseguiu fazer em um dos gêneros mais difíceis de se fazer que é a comédia, pelo simples fator de conseguir fazer rir sem precisar apelar, porém a continuação acabou não aparecendo por aqui, então não sei como foi o andamento, então eis que surge seu terceiro longa agora indo para um rumo mais complexo de gastos, aonde temos o famoso dromance de época, ou romance dramático como alguns gostam de colocar em pauta, e aqui ele pode ousar bastante com um orçamento gigante, uma Paris riquíssima de do final dos anos 1800, mostrando ainda a primeira grandiosa obra do engenheiro em Bordeaux, brincando com os envolvimentos de um simples engenheiro com a filha do empreiteiro riquíssimo da obra, e tudo sabiamente bem trabalhado, cheio de nuances, de figurinos, de cenários gigantes, e claro também usando um pouco de computação para representar as construções, ou seja, saiu do básico e foi para o grandioso, e nesse meio de caminho costumo dizer que dificilmente alguém dá muito certo, pois se perde um pouco, e o longa que poderia ter um elo romântico mais interessante acabou exagerado em todos os pontos, e se perdeu um pouco. Ou seja, não digo que seja um filme ruim ou mal dirigido, muito pelo contrário, o envolvimento é intenso, a obra de época funciona, só que falta um pouco de tudo para que o longa seja perfeito, e com isso ficou parecendo que pesou a mão, mas como já está filmando dois grandiosos projetos para o ano que vem, veremos o que ele vai aprontar.

Sobre as atuações, diria que foi uma escolha muito boa de ter dois atores jovens que bem maquiados conseguiram encaixar 30 anos depois, não precisando ter pessoas diferentes interpretando o mesmo personagem, e Romain Duris ficou muito interessante de ver tanto com seu Gustave jovem nos anos 60, cheio de desejos, de impactos e desenvolturas, quanto mais maduro com uma barba bem trabalhada, cheio de estilo, com uma pegada mais clássica, porém com muita imposição, e principalmente o ego no nível máximo para que tudo dê certo, ou seja, o ator entregou ambas as personalidades marcantes e conseguiu chamar muita atenção. Emma Mackey já puxou inicialmente um ar mais aventureiro para sua Adrienne jovem, completamente solta e desejando experimentar o novo e diferente do seu meio, e quando adulta já entregou ares mais sérios e secos por tudo o que aconteceu com ela nesse miolo, e não deixando de lado os olhares bem chamativos, o que acabou dando um tom bem interessante de ver. E claro tenho de dar destaque entre os demais para Pierre Deladonchamps com as expressões que entregou para seu Antoine, afinal logo de cara pegou o ar de paixonite entre sua esposa e seu convidado e já mudou todas as peças, mas seus atos no carro são os melhores e mais divertidos de ver, pois ali ele literalmente jogou tudo.

Visualmente como já falei o longa foi cheio de artifícios computacionais, afinal mostrou toda a construção da Torre Eiffel, a construção da ponte ferroviária de Bordeaux, tendo momentos no subsolo, mostrando uma Paris do final dos anos 1800, e claro junto com isso muitos figurinos da época e todo um envolvimento bem simbólico dos elementos da engenharia com maquetes, plantas, reuniões, tivemos também a Feira com os vários projetos, ou seja, a equipe de arte trabalhou muito bem o conceito e conseguiu ser bem representativo cenograficamente, fazendo com que o filme tivesse um luxo bem característico.

Enfim, é uma trama bem interessante de época que poderia certamente ter ido bem além se escolhesse um lado para atacar como falei no começo, mas que vale a pena para conhecer um pouco mais do famoso engenheiro, da sua paixão que (pode ou não) ter dado a ideia do formato da Torre, e claro das desenvolturas que rolaram na época, afinal o filme tem estilo e isso é algo inegável de uma boa produção. Então fica a dica, e eu fico por aqui pessoal, então abraços e até logo mais.


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Disney+ - Red: Crescer é Uma Fera (Turning Red)

3/14/2022 01:44:00 AM |

Sei que sempre reclamei muito da Pixar por exagerar no teor adulto e esquecer um pouco as crianças que tanto amam as animações, que são e devem ser sempre o público-alvo, e que principalmente o estilo nos leve de volta para nossa infância para se divertir com propostas bobinhas, cores, músicas e diversão, então quando começaram com esse exagero de querer envolver a mente, trabalhar temas pesados e situações fortes que muitas vezes acabavam nem envolvendo tanto quanto poderia passei a reclamar muito dos filmes da companhia, porém eles tem voltado a brincar com o estilo, e agora com "Red: Crescer é uma Fera" diria que conseguiram acertar exatamente nas duas pontas, entregando um filme alegre, colorido, divertido, com personagens fofos e marcantes, mas também trabalhando toda a essência da cobrança familiar de exemplos, a mudança nos sentimentos, a afloração dos hormônios, e tudo mais que possamos ver nos jovens, ou seja, é um filme bem maduro, com uma proposta até que séria, porém é gostoso, é divertido, é emocionante, jovem, e principalmente, cheio de carisma do começo ao fim, fazendo querermos um panda vermelho nervoso em casa, mesmo que isso cause alguns problemas.

O longa nos conta que quando uma adolescente fica muito nervosa, ela se transforma em uma grande panda vermelho. O longa aborda dessa forma, a jornada de amadurecimento da personagem, suas inseguranças dessa fase onde, a personagem principal está dividida entre a filha que sempre foi e sua nova personalidade, intensificada por todos os sentimentos conflitantes que a adolescência provoca. Além do caos gerado por todas as mudanças em seus interesses, relacionamentos e corpo, sempre que a garota fica muito agitada ou estressada, ela vira uma panda vermelho gigante, - o que com certeza, só gera mais problemas para a jovem - sendo uma metáfora para todas as vezes que, constrangidos pelos novos desafios que se apresentam em nossas vidas, as inseguranças só se agigantam.

Diria que a diretora e roteirista Domee Shi depois de estourar com o curta-metragem "Bao" e ser a storyboarder de tantas outras excelentes animações ("Divertida Mente", "O Bom Dinossauro",  "Os Incríveis 2", "Toy Story 4") chegou tão bem preparada para ter seu longa metragem de sucesso que fez algo que transpassou todas as expectativas da Disney/Pixar, que decidiram nem lançar nos cinemas pela segurança de saber que venderá tantos produtos facilmente que as telonas não seriam necessárias, e digo isso com um grande pesar, pois o filme é incrível de ver e valeria ter na telona toda a diversão expressada na telinha, já que ela foi séria como todo oriental costuma ser, mas soltou suas asinhas para mostrar que os jovens precisam explodir para se mostrar para o mundo, precisam viver com os amigos e se cobrar um pouco menos para ter uma vida realmente, e assim ela conseguiu dar seriedade para o mundo das transformações da garota em sua adolescência, e também juntar com isso todo o grandioso carisma e fofura de um panda-vermelho, cheio de traquejos, cheio de vida, e claro de muitos pelos vermelhos para todos os lados, o que além de ser ambicioso acaba sendo muito divertido e gostoso de ver. Ou seja, a diretora soube dosar toda a intensidade necessária para que ficasse um filme emotivo e reflexivo, mas jogando para cima toda a ideia carismática para se fazer uma animação de primeira que agradasse a todos por completo, e isso foi brilhante, jovem e fofo de ver e se emocionar com tudo.

Sobre os personagens é inegável a presença cênica da protagonista Meilin sendo daquelas garotas bem cheias de dinâmicas, com estilo e muita clareza no que desejavam passar e tudo mais, mas sua panda rouba a cena demais, ao ponto que daria para ela ficar o filme todo como uma panda que o longa seria incrível, mas foram bem espertos nas jogadas de meio a meio, usaram bem toda a dinâmica das vendas, e o resultado completo da aceitação foi brilhante para emocionar a todos, ou seja, o roteiro foi bem encaixado, e a diretora soube usar com minúcias cada momento da protagonista. A mãe também agrada bem mesmo sendo completamente autoritária, e ao final até entendemos mais ela, fora que soou bem divertido seus atos tentando se ocultar, e isso deu uma boa encaixada para não ficar um filme tão pesado em cima da personagem. As demais garotas têm muita personalidade, e cada uma tendo um estilo mais próprio foi algo bem bacana de ver como a centrada, a descolada e a maluca, encaixando tudo num quarteto divertido, carismático e que cada uma se completa para todos os atos, ou seja, não conseguimos ver o grupinho sem nenhuma delas, e isso é bacana demais em um filme com uma banda teen aonde estamos acostumados a ver toda essa ligação. O pai ficou meio deslocado, mas teve seus momentos marcantes, e passou bem a mensagem de aceitação para a filha, coisa bem comum de se ver mundo afora, e ainda teve a cena pós-créditos para ele. O garotinho mostrou a famosa frase de provoco por ser o que quero fazer, e isso encaixou muito bem nos atos finais. E quanto da avó, das tias e das primas, entraram bem nos atos finais agradando pela essência familiar, mas poderiam ter sido melhor usadas em outros atos.

Quanto do visual da trama só tenho a dizer uma coisa: que texturas foram essas!!! Esse filme não podia estar apenas no streaming, é algo que conseguiram fazer cada pelinho ter o devido movimento, com cores incríveis e tudo mais, pegando o que já tinham feito lá atrás com "Monstros S.A." e melhorando num nível ainda maior, colocando todo o lance de um show gigantesco no miolo, com uma boyband clássica que sabemos bem em quem foi inspirada, todo o ar introspectivo do plano espiritual misturando o ar oriental e seu devido misticismo, um templo bem marcante no meio de uma Toronto movimentadíssima, e claro vários pandas diferentes, ou seja, perfeito.

Enfim, é daqueles longas que agradam a todos, sendo bem difícil achar alguém que não vá gostar, que tem carisma, tem ritmo, tem proposta, tem moral, e tudo isso sem cansar, ou seja, o pacote completo, que só não digo que é perfeito por faltar do detalhe Disney que reclamo sempre faltar na Pixar: música, pois tendo uma boyband de pano de fundo, garotas fazendo beatbox, toda uma batida bem encaixada, se tudo tivesse um encaixe melhor musical seria incrível e arrepiaria ainda mais, mas isso não tira o mérito da trama, afinal é uma opinião bem pessoal, pois muitos não curtem musicais, e sendo assim indico totalmente o filme. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Agente das Sombras (Blacklight)

3/12/2022 01:49:00 AM |

Mesmo sendo muita falsidade por metro quadrado, sempre gostei bastante dos longas do Liam Neeson, mesmo entregando sempre mais do mesmo, porém a essência de seus filmes até foi montada com "Agente das Sombras", mas quando vamos olhar a fundo acabamos sendo meio que enganados com tudo o que é entregue, ficando um longa quase que jornalístico pelo ar de denúncias da jovem que está investigando as mortes, mas que também tem toda a pegada do agente. Mas se ficasse nesse ar até funcionaria, iríamos ver algumas boas sacadas, algumas lutas meio que bobas, e no momento em que a família do protagonista some iríamos ver seus tradicionais atos de vingança, e isso até ocorre na cena de invasão da casa do homem mais forte do país abaixo do presidente (algo que sabemos que seria altamente impossível na facilidade que ocorre), e então ficamos preparados para muita matança e ação na sequência, mas não é o que ocorre, o longa fica morno e com uma conversa de dois segundos é encerrado numa facilidade incrível que desaponta num nível imenso de raiva. Ou seja, acaba sendo nem um filme de ação forte, nem uma trama familiar, nem algo com matanças, nem algo jornalístico investigativo, nem nada, sendo básico, simples e sem atitudes.

O longa nos mostra que confiança, identidade e o perigo do poder sem controle levam um agente secreto ao limite. Travis Block vive e luta nas sombras. Um "consertador" autônomo do governo, Block é um homem perigoso cujas atribuições incluíam extrair agentes de situações ocultas. Quando Block descobre que um programa sombrio chamado Operação Unidade está abatendo cidadãos comuns por razões conhecidas apenas pelo chefe de Block, o chefe do FBI Robinson, ele pede a ajuda de um jornalista. Mas seu passado e presente colidem quando sua filha e neta são ameaçadas. Agora Block precisa resgatar as pessoas que ama e expor a verdade para uma chance de redenção. Nada nem ninguém está seguro quando os segredos estão escondidos no Blacklight.

Se no começo do ano passado o diretor Mark Williams já tinha feito um filme fraco com Liam Neeson, e agora novamente não conseguiu acertar o estilo do ator para algo que gostamos tanto de ver, é melhor Liam fugir dele quando lhe chamar para outra produção, pois o diretor começou bem a carreira lá em 2016, mas desandou muito de algo familiar para o estilo de ação, e se perdeu completamente ao misturar os dois estilos, pois ele acabou trabalhando algo meio solto demais, meio forçado demais, e sem estilo nenhum, se perdendo a cada cena jogada na tela com uma produção forte e que talvez até tenha gasto uma grana bem alta, afinal tem algumas explosões, tem perseguições com carros sendo destruídos, mas nada disso dá o eixo da trama, ao ponto que vemos algo simples que quis ir além, mas não saiu do caminho e foi atropelado pelo próprio roteiro. Ou seja, o que ele fez aqui foi algo que nem ele deve saber o que desejava, e isso é desanimador para não dizer outra palavra pior, pois tinha todos os elos nas mãos, e escolheu finalizar de uma maneira ainda mais solta que o longa inteiro, parecendo até que dormimos na sala, mas posso garantir que vi o longa inteiro, e o que ocorreu foi um corte bizarro ou uma decisão péssima de como desenvolver tudo.

Sobre as atuações, sabemos que Liam Neeson está velho, mas ele curte demais essa pegada de agente, de sair socando e atirando nos vilões, correndo (agora mais de carro do que a pé), e que sempre traz sacadas bem trabalhadas e engraçadas nos diálogos com os demais, ao ponto que o carisma dele com a garotinha aqui é bem fofo de ver, mas seu Travis Block é muito imponente para ficar apenas nessa jogada escolhida, de forma que valeria muito mais algumas cenas explosivas do que toda a investigação jogada, e talvez até esquecer um pouco mais seu lado do TOC, que aí funcionaria bem mais tudo. A jovem Emmy Raver-Lampman até mostrou estilo com sua jornalista investigativa Mira Jones, mas pareceu ser mais um personagem aproveitado de algum outro filme, ou de talvez alguma série do que realmente alguém que surgiu nesse longa, o que é bem estranho de ver em alguns atos, mas de certa forma foi bem no que fez. Aidan Quinn fez o maior executivo do FBI na trama, mas anda sem seguranças para todos os lados, na casa dele não tem ninguém olhando, tudo muito amplo e aberto, sendo tudo muito falso, e o ator acabou não entregando muita personalidade como poderia, ou seja, ficou estranho no papel, e sua finalização então foi lastimável. Agora sem dúvida alguma o carisma e a personalidade de Gabriella Sengos como a netinha do protagonista Natalie foram incríveis de ver, e merecia muito mais cenas, pois deu doçura, foi precisa nos atos, e soube exatamente passar todas as nuances junto do protagonista, fazendo tudo como uma grandiosa atriz. Quanto aos demais, a maioria fez participações em cenas bem rápidas, algumas mais marcantes, mas nada que fosse muito além, desde o jovem Taylor John Smitt como um agente fugitivo, passando pela filha do protagonista vivida por Claire van der Boom meio que perdida em cena, ou até mesmo os dois capangas exagerados vividos por Andrew Shaw e Zac Lemons, ou seja, foram enfeites de luxo em cena.

Visualmente tudo foi bem produzido, com grandiosas explosões, perseguições com caminhões e carros imponentes, apartamentos e casas luxuosas, todo uma dramaticidade cênica marcante e chamativa para os ambientes regados de detalhes como um escritório jornalístico bem montado, um apartamento simples e minúsculo da jornalista, um comício bem lotado e representativo, um motim num camping, e por aí vai, e muitas armas na cena da casa do executivo do FBI, mostrando que a equipe de arte teve dinheiro para brincar, mas não souberam usar para funcionar.

Enfim, é um filme que até tinha um certo potencial, mas que errou na história por completo, errou na direção desorganizada, e principalmente falhou monstruosamente na montagem do fechamento, parecendo realmente que comeram um pedaço do longa, que se fosse projeção de rolo falaria que a culpa era do cinema, mas na verdade foi resultado de um filme meio que perdido do que queriam trabalhar, e assim ficando ruim demais para ser recomendado por completo. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Projeto Adam (The Adam Project)

3/11/2022 08:54:00 PM |

Viagens temporais sempre dão ótimos filmes, e juntar ainda com boas sacadas de piadas jogadas e uma boa direção então, é o prato completo para que um filme funcione bastante, então o que poderia dar errado no novo longa da Netflix, "O Projeto Adam"? Entrarem com o salto alto achando serem demais, e pronto, pois todas as lutas e situações parecem já ser conhecidas demais pelos protagonistas, não fluindo naturalmente, além de várias quebras de espaço-tempo rolando sem nada ser mudado como casualmente ocorreria em filmes do estilo. Ou seja, é um filme que posso dizer ser bonito, fofo pela essência familiar, cheio de excelentes efeitos, mas que ficou forçado em diversas situações para que tudo desse certo, e isso em filmes que envolvem ciência fazem a diferença. Agora se você acha que não gostei dele, ledo engano, pois curti demais tudo, e só não posso falar que é o melhor filme do diretor pelo simples motivo que ele fez na minha opinião o melhor filme de 2021, então vai ser difícil superar qualquer coisa depois de "Free Guy - Assumindo o Controle"!

A sinopse nos conta que Adam Reed, 13 anos, e ainda de luto pela morte repentina de seu pai um ano antes, entra em sua garagem uma noite para encontrar um piloto ferido escondido lá. Este misterioso piloto acaba por ser a versão mais antiga de si mesmo do futuro, onde a viagem no tempo está em sua infância. Ele arriscou tudo para voltar no tempo em uma missão secreta. Juntos, eles devem embarcar em uma aventura no passado para encontrar seu pai, acertar as coisas e salvar o mundo. Os três trabalhando juntos, tanto o jovem quanto o adulto Adam, aceitam a perda de seu pai e têm a chance de curar as feridas que os moldaram. Aumentando o desafio da missão, os dois Adams descobrem que realmente não gostam muito um do outro e, se quiserem salvar o mundo, primeiro terão que descobrir como se dar bem.

Como já falei no começo o diretor Shaw Levy tem muito estilo, e sabe fazer filmes com um ritmo fora do padrão de qualquer outro do time, e isso é algo fenomenal de ver acontecendo, pois facilmente um filme seu tenta superar o anterior e vai começar a ficar muito difícil, pois nem todos os produtores tem tanto dinheiro suficiente para que projetos grandiosos se tornem maiores ainda, e como disse seu filme do ano passado foi um marco do cinema e do videogame, que ganhará uma continuação em breve ainda não anunciado se ele estará na cadeira da direção, mas voltando para o que fez aqui, lhe foi entregue uma proposta de longa de viagem temporal, com uma sacada bem própria e marcante dentro do eixo familiar, o que é muito comum de ver, e já vimos diversas vezes no cinema, porém de uma forma espirituosa que ele fez muito bem com Ryan Reynolds outras vezes, porém o ego chega muito no topo quando já se deu certo uma vez, e claro nós do público também já vamos esperando muito mais deles, então o resultado mesmo sendo um bom filme não atinge o ápice que queríamos, além de diversos pequenos erros de história. Ou seja, talvez o problema aqui tenha sido o roteiro ser escrito por tantas mãos, afinal são quatro roteiristas, e em filmes que exigem tanta complexidade de trama, uma mão a mais já confunde a outra, e nas mãos do diretor isso acaba passando em branco, afinal ele quer apenas a grandiosidade explodindo do começo ao fim. Sendo assim, vou ser bem sucinto, que é um tremendo filmaço que emociona e envolve demais, não cansando em momento algum, mas que dava para ter sido melhor trabalhado para conter alguns erros, então vale a curtida, o diretor continuará incrível, e irei lembrar do longa como um projeto festivo dele, que é isso o que vemos na tela dentro de todo o conceito moral entregue de curtir a família e os momentos juntos.

Sobre as atuações, essa é a estreia do garoto Walker Scobell, mas posso afirmar sem erro algum que se ele seguir essa linha mista de comicidade com boas expressões vai explodir logo mais, afinal ele ficou muito com o mesmo tino que Ryan Reynolds, fazendo quase uma versão mirim de Deadpool ainda sem saber que vai ficar imponente no futuro, ou melhor sabendo, já que está junto dele, e sendo sarcástico na medida, nerd na medida, e cheio de estilo na medida certa, fez com que seu Adam jovem não fosse bobo demais, nem forçado demais, o que acaba agradando bastante. E claro falando de Ryan Reynolds, ele se acha, e pode, pois joga o estilo sou bom demais para isso, e muitas vezes consegue encaixar bem tudo isso na trama, ao ponto que aqui seu Adam é forte num ponto, mas cheio de problemas, se cura fácil demais, e entrega as piadas no ponto certo, mas parecendo saber demais de tudo, o que é ruim para o que o filme precisava, então ele agrada por um lado e peca por outro, mas não atrapalha, e isso é o que faz valer. Ainda tivemos bons momentos de Zoe Saldaña com uma Laura imponentíssima, Mark Ruffalo muito bem encaixado nos atos finais, cheio de ciência para todo lado quase botando o seu lado Hulk para fora, Jennifer Garner totalmente graciosa e meio sem jeito como a mãe da família, naquele meio do caminho entre luto e voltar a ser ela mesma, e ela sabe fazer isso perfeitamente, e claro tivemos como uma grande imposição Catherine Keener com sua Maya desesperada por tudo, mas naquele meio do caminho de empreendedora e vilã, o que ficou meio faltando mais força para explodir realmente, e já ia me esquecendo, mas tivemos boas lutas de Alex Mallari Jr com seu Christos, mas expressivamente foi bem fraco.

Dentro do conceito visual o longa entregou algo bem imponente, com naves, muitos tiros, armas no melhor estilo Star Wars, um laboratório tecnológico gigantesco que nem parecia real, mas muitos elementos práticos e bem interessantes recheados de detalhes na casa do protagonista para dar as boas referências de conexão entre todos, ou seja, a equipe soube dosar bem os devidos elementos para que o filme tivesse aquele algo a mais, e ainda focasse bem nos elos de época, agradando mesmo que de forma levemente forçada.

Enfim é um filme que surpreendeu de certa forma, que entregou bons momentos, e que principalmente funcionou devido o carisma dos personagens e dos atores, e assim o resultado fluiu, passou bem rápido e agradará bastante quem curtir o estilo, valendo a indicação para a conferida, mesmo com as devidas falhas que citei acima, então estoure a pipoca e boa curtição. E é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Belfast

3/11/2022 01:38:00 AM |

Tem alguns filmes que possuem todo um gracejo, entregam um carismático envolvimento, trabalham bem a essência desejada, porém não vão muito além, sendo apenas bonito de ver, mas que você acaba sabendo que amanhã nem vai lembrar direito do que fala a trama. E embora cheio de indicações a diversos prêmios, levando a maioria inclusive, "Belfast" tem um estilo bem cansativo, com uma pegada que poucos vão conseguir entrar no clima, e que mesmo sendo até envolvente e divertido pelo extremamente carismático garotinho protagonista, que acaba desenvolvendo bem sua história, acabamos apenas vendo tudo acontecer, entendendo toda a dificuldade do processo de mudança, todo o conflito religioso que sempre destrói famílias, e claro todo o crescimento do jovem garoto com o aprendizado mostrado lá, mas que infelizmente só tem toda esse chamariz pelo diretor ter sido esperto e feito o longa em preto e branco, trabalhando um ar artístico bem encaixado, senão seria facilmente daqueles que as pessoas veriam e nem se ligariam em nada, pois brigas religiosas existem há anos, passam em mil filmes, todo o ar do medo de mudança também, então o resultado é apenas emocionante pela essência em si, que até agrada, mas não senti vontade de aplaudir como uma obra artística deve fazer com o público.

O longa é uma história pessoal e alegre sobre o poder da memória, ambientado no final dos anos 1960 na Irlanda do Norte. No centro do filme está Buddy, um menino à beira da adolescência, cuja vida é repleta de amor familiar, diversões de infância e um romance florescente. No entanto, com sua amada cidade natal envolvida em turbulências crescentes, sua família enfrenta uma escolha importante: esperar que o conflito passe ou deixe tudo o que conhecem para trás por uma nova vida.

O diretor e roteirista Kenneth Branagh tem um estilo tão amplo que chega a ser até difícil chegarmos num longa sem saber que é dele, e de cara falar que é um longa seu, pois ele varia de gêneros de uma maneira tão fácil que acaba sendo daqueles que não podemos encaixar como alguém claro no que faz, porém ele aqui entregou algo tão bonito e denso, contando com uma personificação bem clara de sua história, já que ele nasceu em Belfast em 1960 e tinha 9 anos igual o protagonista na trama na época em que o filme se passa, e assim trabalhando a suas memórias próprias dos conflitos dos protestantes revoltados com os católicos, com os empregos da cidade meio que sumindo e as pessoas indo para fora do país, e claro também mostrando um jovem bem direto nos ideais aprendendo um pouco sobre o amor com os avós, vendo a família endividada e com problemas, e tudo mais dentro do seu mundinho que ao mesmo tempo que é amplo, também está meio preso. Ou seja, é daqueles filmes que o diretor nem tenta ir muito além, apenas apresenta tudo, e o resultado flui tão bem que quem gosta de algo forte de contexto, porém leve de envolvimento vai entrar completamente no clima, acabando gostando de tudo, já quem não entrar na ideia vai reclamar muito ou dormir na poltrona do cinema.

Sobre as atuações o grande destaque sem dúvida alguma ficou para o carisma do garotinho Jude Hill em sua estreia nos cinemas, fazendo um Buddy preciso, leve, cheio de expressividade, e que se joga por completo nas cenas da trama, parecendo ser bem experiente, ou seja, vai ser daqueles que se explorarem bem vai se sair cada vez melhor, pois agradou demais. Dentre os indicados aos prêmios, é claro que temos toda a desenvoltura e precisão de Judi Dench como a avó e Ciarán Hinds como o avô, ambos entregando muita personalidade, trabalhando as dinâmicas de amor para passar para o garotinho, e criando diálogos tão preciosos que junto dos trejeitos bem marcantes que sabem fazer demais acabam indo além em tudo, ou seja, foram além e estão conquistando todos que entram nas suas desenvolturas. Outra que saiu bem em cena foi Caitriona Balfe como a mãe do garotinho, dando todas as lições de criação na medida certa, defendendo seus filhos nos momentos mais duros, e segurando bem a barra sem um pai presente, mas aparece somente em momentos-chaves, o que é meio simples para alguém ter as nuances certeiras fortes, então ficou bem coadjuvante mesmo na trama. Ainda tivemos bons momentos de Jamie Dornan fazendo um pai meio que ausente demais, mas sempre entregando nuances marcantes para o garotinho, e embora ainda não seja daqueles atores impactantes, o jovem conseguiu trabalhar bem e doar bons olhares de retorno para o protagonista. Quanto aos demais, a maioria deu as devidas conexões para os momentos mais precisos, tendo o irmão bem trabalhado, e tendo as demais garotas influenciando o protagonista para cada ato de impacto.

Visualmente o ar preto e branco funciona para passar nostalgia apenas, não sendo nada que vá chamar a trama para algo a mais, e também servindo para dar uma impressão de algo antigo, algo de memórias, aonde as nuances do bairro acabam trazendo bons atos, símbolos marcantes como eram as casas, os locais de encontro, as brincadeiras na rua, o ar competitivo dentro da escola com as mudanças de carteiras, e claro todas as cenas bem impactantes das lutas dos protestantes contra os católicos, numa briga meio sem explicações lógicas que acabam envolvendo até o exército, ou seja, algo forte marcado por explosões de carros, saques de mercados, quebradeiras de casas, e tudo mais em uma única rua que ficou até bem colocado no filme, mostrando que a equipe de arte trabalhou bem, e em conjunto com a direção de fotografia souberam dar boas sombras para tudo.

O longa possui uma trilha sonora incrível em vários momentos marcantes, e cada uma sendo melhor encaixada que a outra, ou seja, fez com que o filme fluísse maravilhosamente e envolvesse demais, então deixo aqui o link para todos curtirem depois de ver o filme, só é uma pena que "Down To Joy" do Van Morrison não esteja nessa playlist, pois ela é quem está concorrendo ao Oscar.

Enfim, é um filme bem interessante, que funciona bem dentro da proposta de memórias do diretor, e que tem um envolvimento bem gracioso e carismático, porém o ritmo é meio devagar e junto da fotografia em preto e branco acaba cansando demais no começo, fazendo com que o sono batesse um pouco, mas tudo acaba divertindo bem depois, e o resultado final flui, valendo a indicação, só não diria que o colocaria entre os melhores do ano como vem sendo nas premiações. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais. 


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Netflix - O Bombardeio (Skyggen I Mit øje) (The Bombardment)

3/10/2022 12:57:00 AM |

Talvez essa seja uma boa pesquisa para programas de ganhar dinheiro: "Quantos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial já foram feitos até hoje?" Eu certamente chutaria no maior número absurdo que aparecesse nas opções, pois cada dia aparece mais um nas diversas plataformas de streaming, seja mostrando a invasão nazista, seja mostrando a dizimação dos judeus, e hoje vi acho que pela primeira vez o de uma ofensiva britânica que deu muito errada e ao invés de atingir a sede da Gestapo na Dinamarca acabou matando uma escola quase que inteira de crianças ao errar as coordenadas de um ataque aéreo, algo que já tinha acontecido também por lá bem menor antes. Ou seja, uma história real bem trágica e triste, que vem mostrar que muitas vezes os cálculos de guerra precisam ser muito bem pensados para não dar errado e mais prejudicar do que ajudar uma cidade em conflito, e que também muitas vezes com traumas se curam outros traumas, e assim o longa dinamarquês da Netflix, "O Bombardeio", acaba chamando bem a atenção para o momento em que estamos vivendo e só diria que já contaram direto tudo no texto do começo, podendo deixar mais para acontecer realmente e impactar, mas as cenas foram bem fortes do começo ao fim, impressionando bastante com todo o resultado.

A sinopse é simples e direta nos contando que em 21 de março de 1945, a Força Aérea Real Britânica partiu em uma missão para bombardear a sede da Gestapo em Copenhague. O ataque teve consequências fatais, pois alguns dos homens-bomba atingiram acidentalmente uma escola e mais de 120 pessoas foram mortas, 86 das quais eram crianças.

Diria que o diretor Ole Bornedal foi bem preciso numa homenagem representativa para todas as pessoas que morreram no ataque dos britânicos em Copenhague, mas poderia ter criado algo ainda mais visceral e chamativo, principalmente não revelando de cara o que iria acontecer na tela nem na sinopse, afinal muitos não conhecem essa parte da história, e provavelmente se chocaria mais com tudo o que acontece, ou seja ele trabalhou bem o conceito da ideia, foi bem representativo e forte na escolha das imagens, mas não desenvolveu tanto o ar cênico, nem algo que tivesse as devidas nuances próprias para impactar tanto quanto conseguiria, afinal teve uma produção bem forte, cenas bem marcantes, toda uma dramaticidade imponente nas cenas caóticas, e assim o resultado até fluiu bem, mas sem soar como um filme realmente com esse erro.

Sobre as atuações, não temos nenhum grandioso destaque interpretativo, afinal como disse o diretor optou por desenhar sua trama meio que como uma grandiosa homenagem, mas todas as crianças foram bem expressivas com Ester Birch bem graciosa com sua questionativa Rigmor, Ella Josephine Lund Nilsson bem marcante com sua Eva sem meio termo, e principalmente pelo final que a jovem faz com a mãe, aliás falando da mãe, Malene Beltoft Olsen deu um show na cena final em plano sequência com um carrinho lhe acompanhando para uma filmagem expressiva e bem forte! E voltando para as crianças, claro que tenho de falar da expressividade bem marcante de Bertram Bisgaard Enevoldsen com seu Henry desde a cena inicial vendo tudo acontecer com o taxi, depois tendo seu medo fortíssimo pelo céu, suas cenas sem conseguir falar, e então o outro evento e sua participação emocionantíssima em todo o processo do teatro. E por fim ainda tenho de pontuar uma história meio que de quebra entre a freira vivida por Fanny Bornedal e o jovem nazista Alex Høgh Andersen, que até tem um bom envolvimento e toda uma situação, mas é meio estranha de se analisar completamente, então diria que fizeram bem o que precisava ser feito.

Visualmente o longa foi bem marcante e imponente, com as cenas de mortes bem realistas tanto no taxi, quanto na rua, e no ataque então na cidade tudo ficou incrivelmente marcante com explosões, pedaços de coisas voando e claro as pessoas sujas e machucadas, só ficou um pouco estranho a computação das bombas afinal ali tiveram de usar a computação no nível máximo e não caiu bem, mas até mesmo nas cenas de voo tudo ficou bem intenso, e claro os figurinos de época, os detalhes nas casas, na escola e tudo mais, ou seja, a equipe de arte trabalhou muito e fez um bom serviço representativo.

Enfim, o resultado geral surpreende bastante, mostra uma história que acredito que poucos conheciam dos erros do exército britânico, e que acaba valendo bem pela representação completa, porém como já frisei poderiam ter ido mais além no quesito cinema mesmo e deixado os letreiros para o final e não no começo já contando o que iria acontecer, mas ainda assim não atrapalha tanto, então vale a recomendação. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Laços de Afeto (Il Filo Invisibile) (The Invisible Thread)

3/08/2022 10:36:00 PM |

Costumo dizer que o cinema italiano é daqueles que você vai conferir algo sem saber o que esperar, e termina sem saber se realmente gostou, sendo exatamente o meio do caminho entre drama, comédia, romance, ficção, temas fortes, e tudo mais, aonde os diretores e roteiristas experimentam de tudo um pouco para conseguir atingir alguém, ou seja, vai ser difícil algo num filme italiano não se conectar a você, pois está tudo ali a sua disposição para você se envolver e que quando alguém lhe perguntar se você gostou do filme, você irá falar que gostou de tal parte, mas que tudo poderia ser melhor em algo, e é assim em quase 90% dos filmes deles que chegam até nós (digo isso afinal sei que todo país faz muito mais filme do que exportam para outros países!). E comecei dessa forma meu texto do novo longa da Netflix, "Laços de Afeto", por ser exatamente isso o que nos é entregue na tela, um longa bonito sobre os conflitos familiares de um grupo familiar consolidado, que aparentemente nunca teve grandes problemas durante muitos anos, mas que assim como qualquer família seja ela "normal" ou "diferenciada", uma traição explode tudo e coisas que nunca foram relevantes passam a acontecer, ou seja, o garoto no auge de sua juventude, começando uma paixão tem os pais separados, a bagunça de saber quem é o verdadeiro pai biológico, as brigas e tudo se abre ao redor dele, tendo gracejos e conversas de todos os tipos, que não atingem nenhum lado especificamente, mas que funciona e até emociona de certa forma, então como disse no começo, se apegue a algo, e curta, pois ele vai lhe atingir nesse ponto que você escolheu.

A sinopse nos apresenta Leone, 16 anos e seus dois pais, Simone e Paolo, nasceu na Califórnia graças a Tilly, uma americana que ajudou seus pais a trazê-lo ao mundo. Leone cresceu na Itália como todas as outras crianças, mas também vivenciou as lutas por direitos das quais sua família participou. Tudo isso é contado em um pequeno vídeo que Leone está preparando para um trabalho escolar junto com Jacopo, seu melhor amigo. Assim como, fugindo de preconceitos e mal-entendidos sobre sua sexualidade, Leone está prestes a vivenciar sua primeira história de amor, enquanto a solidez de sua família parece estar em perigo. Viver uma situação familiar complexa levará Leo a refletir sobre a verdadeira natureza do "fio invisível" que o liga a seus pais e a todos aqueles que desejavam seu nascimento.

Diria que o diretor e roteirista Marco Simon Puccioni até deu boas nuances de como mostrar que toda família é igual, seja ela comum com pai, mãe, filhos, como as com dois pais ou duas mães, tendo brigas, almoços e tudo mais, e que a base sempre será a mesma de respeito e cumplicidade, e claro amor pelos filhos, sejam eles com seus genes ou não, pois como sempre foi dito, pais são aqueles que criam, que passam suas vivências, seus conhecimentos e suas bases para que um filho cresça e seja alguém responsável na sociedade, independente do que ele siga no futuro, e com essa base nos foi mostrado os diversos clichês do estilo, de acharem que só porque o garoto tem os pais homossexuais, ele também é, entre diversos outros assuntos, e o diretor soube brincar com tudo, dando as devidas intensidades cênicas e criando as possibilidades para que o filme não ficasse nem preso demais, nem forçado demais, o que é bacana de acompanhar e se envolver, mas como disse no começo, a trama ousa em ser conflituosa em outros elos, em mostrar o desenrolar sexual do garoto, a coragem, põe no miolo drogas, descoberta de pais verdadeiros e tudo mais, que nem vai tanto além, mas que não pesa também, sendo singelo e bem feito pelo menos.

Quanto das atuações, num primeiro momento o jovem Francesco Gheghi pareceu inexperiente demais para o papel, não tendo grandes desenvolturas com seu Leone, ficando naquele meio do caminho de falta de atitudes e com um estilo simplório demais, mas conforme o longa vai se desenrolando, ele passa a assumir o filme de uma maneira tão bem colocada que tudo funciona para seu lado, e assim podemos ver até mais trejeitos diferenciados, ou seja, ele até consegue sair bem em cena, embora pudesse ter ido mais além se o roteiro fosse um pouco melhor. Colocaram Filippo Timi como um homem tão mais velho do que ele realmente é, que seu Paolo nem teve muitas aberturas para ir muito além do que faz em cena, mas seus atos de ciúmes foram bem trabalhados e até levemente cômicos para soarem com algum gracejo, ou seja, ficou a cargo dele muitos exageros expressivos para parecer o homem da casa, aquele mais recluso e cuidador do lar, e assim o ator até fez bem, mas caiu demais em muitos clichês do estilo, o que acabou sendo perigoso para o filme desandar, o que por ser um bom ator não rolou. Já Francesco Scianna recaiu para o outro lado daqueles que vivem na rua, tem vários pulos de cerca, e conflitos que acabam atrapalhando a família, e que sendo mais seco acaba se vertendo para outros rumos na trama, mas como também foi colocado para ter alguns gracejos se perdeu um pouco e não fluiu tanto como deveria. Ainda tivemos Giulia Maenza sendo o par romântico do garoto com alguns atos bonitinhos de ver, mas sem grandes floreios expressivos, tivemos seu irmão gêmeo vivido por Matteo Oscar Giuggioli naquele conflito entre ser o briguento do colégio que esconde um grande segredo incubado, tivemos também o melhor amigo vivido por Emanuele Maria Di Stefano com as nuances de drogas para trabalhar (mais um tema meio jogado no filme), e claro para tudo andar ainda tivemos a mãe do garoto vivida por Jodhi May com um ar de fuga e a tia que Valentina Cervi tenta trabalhar em uma única cena a recuperação amorosa após uma traição, ou seja, muitos personagens, cada um tentando trabalhar algo para a trama, mas sem que ninguém vá além.

Visualmente o longa também não tem grandes ambientes marcantes, tendo a base na escalada, seja ela na parede da escola ou em uma montanha na cidade próxima, mostrou a casa bem arrumada da família com os gostos peculiares de cada um dos pais (um por ternos caros e o outro por vinhos - o que cada um vai usar para atingir o outro no momento de briga), e claro algumas festas, comemorações e tudo bem alocado dentro da simplicidade para o filme funcionar, até chegarmos nos atos finais dentro de um hospital também com vários gracejos, ou seja, a equipe de arte nem tentou ir muito além, fazendo o básico bem feito pelo menos.

Enfim, é um longa que como disse já no começo vai sempre funcionar para alguém, pois tem várias bases, e boas reflexões, mas a principal de mostrar que a família vai ser sempre o elo entre pais e filhos independente de suas opções sexuais, mas sim pelo carinho, pelos ensinamentos, e claro como é o nome original por aquele fio invisível que nos conecta desde que nos conhecemos por gente, e assim o resultado flui bem e envolve de certa forma, valendo a recomendação sem grandes anseios. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Globoplay - Minamata

3/07/2022 01:51:00 AM |

Confesso que se não fossem a galera que em peso votou para que "Minamata" entrasse para os 10 filmes indicados na categoria de voto popular do Oscar eu nem ficaria sabendo dessa maravilha de filme que entrou em cartaz na Globoplay em Outubro e nem tinha ouvido falar nada dele, porém com o anúncio dos 10 mais votados hoje pela Academia vi que estava disponível e resolvi dar o play nessa trama fortíssima, real, e que sendo tão bem interpretada por Johnny Depp, que usando imagens reais da época, e que em conjunto de um trabalho minucioso da equipe de arte ficou quase sendo um documentário bem representado na tela, com uma imposição tão bem trabalhada, tão chamativa, e que chega a ser daqueles filmes que ficamos pensando em tudo o que acaba acontecendo no mundo em quesitos de destruições ambientais por grandes companhias, aliás, enquanto sobem os créditos vemos vários desastres que ocorreram mundo afora, incluindo Brumadinho no Brasil, ou seja, emocionante e que faz valer muito a conferida.

O longa nos situa em Nova York, 1971. Após seus dias célebres como um dos fotojornalistas mais reverenciados da Segunda Guerra Mundial, W. Eugene Smith (Johnny Depp) tornou-se um recluso, desconectado da sociedade e de sua carreira. Enquanto em uma tarefa separada, uma apaixonada tradutora japonesa, Aileen, pede a Smith que visite para fotografar e documentar a cidade costeira japonesa de Minamata, que foi devastada pelo envenenamento por mercúrio; o resultado de décadas de negligência industrial grosseira por parte da Chisso Corporation do país. Lá, Smith mergulha na comunidade, documentando seus esforços para viver com a doença de Minamata e sua campanha apaixonada para obter o reconhecimento da Chisso e do governo japonês. Armado apenas com sua câmera confiável, as imagens de Smith da vila tóxica dão ao desastre uma dimensão humana de partir o coração, e sua missão inicial se transforma em uma experiência de mudança de vida.

Esse é apenas o segundo longa dirigido por Andrew Levitas, mas sua sensibilidade no olhar para captar cada detalhe da produção é tão marcante que acaba parecendo um experiente diretor de muitos anos de carreira, que consegue notar as nuances, fazer todo o envolvimento do arco dramático funcionar, e bem mais do que isso exibir com uma simplicidade os momentos fortíssimos de uma trama tão densa que nem temos como questionar qualquer detalhe. Ou seja, ele conseguiu pegar o livro de Eugene e Aileen e transformar em um roteiro tão bem pautado de olhares sobre o caso que o filme flui quase como uma aula de direção de fotografia, mostrando os símbolos e as essências que uma boa foto pode causar ao mostrar todo um problema, e assim como já disse tudo ficou tão documental que se não conhecêssemos o protagonista poderia até dizer que usaram o verdadeiro Eugene (mas ao final é dito que já morreu faz bastante tempo, então nem teria como!). Sendo assim posso dizer com a certeza absoluta que vamos ter de ficar de olho nesse diretor, pois ainda vai chamar muita atenção e se seguir a linha de tramas intensas assim vai bem longe.

E já que comecei a falar da atuação do protagonista, posso afirmar o que já está colocado no cartaz internacional que é sem dúvida alguma uma das melhores atuações da carreira de Johnny Depp com o que fez aqui com seu Gene, trabalhando as nuances de um bom fotógrafo, sabendo expressar olhares e intensidades, mas principalmente jogando o ar "bêbado" que já fez bem em outros filmes, num patamar realista, crível e sensorial, não apenas algo jogado na tela, e assim tudo o que faz tem peso, todas as dinâmicas, e que sabendo bem o que esperar dele deu show na tela. Minami foi singela nos atos de sua Aileen, não pesando expressividade, nem colocando suas dinâmicas a frente da trama, pois a jovem personagem tem uma personalidade emotiva, tem um estilo simples e se a atriz fosse muito além acabaria sobrepondo o protagonista, o que não aconteceu e foi um grandioso acerto. Bill Nighy sempre é muito chamativo, e aqui mesmo aparecendo pouco fez com que todas suas cenas junto do protagonista fossem marcantes, ou seja, mostrou um editor de revista imponente e pronto para atacar junto na tentativa de salvar a revista. No núcleo japonês tivemos muitos bons atores, cada um se doando ao máximo para representar a cidade, mas o destaque ficou com Ryô Kase com seu Kyoshi cheio de desventuras já doente operando uma câmera, e Jun Kunimura com seu Junichi bem emotivo na hora do conflito, mas todos foram muito bem e não sei se arrumaram realmente jovens da cidade com problemas físicos para aparecer ou se a maquiagem estava incrível, mas foram bem fortes com tudo.

Quanto do visual, a equipe de arte trabalhou muito bem em conjunto com a maquiagem (ou com a escolha de atores como disse acima), e juntando com formatações do estúdio de fotografia incrível, todas as paisagens da cidade, a gigantesca empresa de fundo, todo o preparo da guerra ali entre funcionários/seguranças da fábrica com a população, as preparações cênicas de cartazes, de vestimentas e todo o simbolismo da câmera como arma foi algo bem marcante e chamativo, ou seja, a equipe trabalhou incrivelmente com tudo, e ao final ainda arrumou muitas fotos marcantes de diversos desastres ambientais por parte de empresas corporativas, e marcou muito com a música de fundo escolhida nos créditos: "One Single Voice" de Katherine Jenkins que pode ser ouvida aqui na trilha sonora do filme que merecia ter sido indicada.

Enfim, um tremendo filmaço que tem até alguns leves defeitos de ritmo, mas que são facilmente sobrepostos pela qualidade técnica de todo o restante, e além de ter uma história incrível que vale muito ser conferida para que todos conheçam. E assim encerro meu domingo com esse texto, mas volto em breve com mais críticas, então abraços e até logo mais pessoal.


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Amazon Prime Video - Seis Minutos Para Meia-Noite (Six Minutes To Midnight)

3/06/2022 06:23:00 PM |

Estamos vivenciando uma guerra (felizmente não tão perto de nós), então sempre é bacana dar um play em longas do gênero para ver mais atitudes que rolaram na época, e com "Seis Minutos Para Meia-Noite", que pode ser conferido na Amazon Prime Video, vemos o que aconteceu alguns dias antes da Inglaterra declarar oficialmente estar em guerra contra a Alemanha, mostrando uma escola para garotas alemãs na Inglaterra, aonde o conflito entre espiões dos dois lados brigam pela "posse" das jovens que são filhas e afilhadas de grandes membros do partido nazista, ou seja, uma história bem interessante, cheia de vertentes e que com muita imponência acaba fluindo com uma boa naturalidade entre os personagens, e que usando de bons símbolos seja na escola ou na praia da cidade acabamos vendo que um erro sempre acaba sendo fatal, e ninguém quer errar nem se mostrar fraco, o que entre pessoas não tão bem treinadas pode virar uma explosão maior. Diria que o filme tem muitos acertos e também muitos erros, mas que o clima de tensão da trama juntamente com boas atuações acaba compensando a conferida.

O longa nos situa em East Sussex, Sudeste da Inglaterra, 15 de agosto de 1939. Poucos dias antes da Segunda Guerra Mundial e do início das hostilidades, o professor de inglês Thomas Miller chega ao Augusta Victoria College de Bexhill-on-Sea: uma prestigiosa escola de aperfeiçoamento para as filhas das famílias de classe alta mais influentes da Alemanha. Enquanto Miller ensina a liga de garotas nazistas de Adolf Hitler, tendo como pano de fundo o inexplicável desaparecimento de seu antecessor, o novo tutor se vê brincando com fogo, tentando esclarecer o mistério. No entanto, com os dois países à beira da guerra, em pouco tempo, agentes britânicos e espiões alemães disfarçados entram em cena, e ninguém está seguro. Agora, o relógio está correndo e comportamentos estranhos levantam suspeitas entre os colegas. Miller pode manter as meninas seguras?

Diria que o diretor Andy Goddard não quis arrumar confusão, e com isso ele fez um longa bem simples em cima do roteiro entregue, trabalhou alguns símbolos para focar bem no tema, e conseguiu ser direto no ponto para que a trama fluísse, ao ponto que mesmo o roteiro não sendo tão grandioso, acabamos vendo o filme pela perspectiva de alguém de fora dali e se envolvendo um pouco com o protagonista (que no caso também é o roteirista da trama), percebendo que mesmo antes de toda a explosão da guerra em Setembro, já havia vários pontos explodindo em toda a Europa, os agentes já estavam sendo movimentados, e tudo mais estava bem pronto para o conflito gigante que ocorreu, ou seja, por mais simples que seja a formatação mostrada aqui no longa, o filme tem seu conteúdo e funciona bem, valendo a conferida e a reflexão que nem sempre quem você acha que é seu aliado está ali para ajudar realmente.

Sobre as atuações, o roteirista Eddie Izzard foi bem imponente com seu Thomas, ao ponto que ele sendo um ator mais cômico conseguiu combinar trejeitos mais densos e segurar bem o lado misto entre um professor e um agente, e nos momentos que teve de se jogar conseguiu manter o estilo e a vivência, ou seja, acabou agradando bem com tudo. Carla Juri inicialmente parecia uma pessoa tão bonitinha, simples, bem colocada como uma professora de esportes para as garotas, com nuances abertas, mas sua Ilse muda completamente no segundo ato, e mesmo ainda mantendo trejeitos leves deu tons mais diretos e marcantes dos nazistas, e acertou bem na imponência que trabalhou, ou seja, chamou para si a responsabilidade e acabou funcionando. Judi Dench é sempre incrível em qualquer papel que seja, desde os menores até os grandiosos, e aqui sua Miss Rochol é direta, bem seca de expressões, mas completamente defensora das garotas de sua escola, se impondo, sendo emotiva quando precisou e agradando bastante do começo ao fim, e mesmo aparecendo pouco foi sincera sem exagerar em nada, como é de seu costume. Jim Broadbend também é sempre uma graça ver, e aqui como o motorista do ônibus fez as nuances certeiras para o papel, e foi ainda bem importante nos atos finais com olhares bem simples e gostosos de sentir. Quanto das garotas, tivemos leves destaques para Tijan Marei com sua Gretel e Maria Dragus com sua Astrid, mas não chegaram a ter grandes explosões cênicas, e assim mais participaram do que atuaram realmente com os adultos. Ainda tivemos um pouco de força cênica nos atos dos agentes Drey e Willis vividos por James D'Arcy e o outro roteirista da trama Celyn Jones, mas serviram somente para os atos finais e com isso não apareceram tanto para soarem marcantes.

Visualmente o longa foi bem interessante, mostrando que a equipe de arte trabalhou muito bem a pesquisa de época, mostrando um castelo escola bem marcado, alguns atos amplos em cenas de correria por parte dos agentes nos encontros em teatros ou via telefonema nas famosas cabines vermelhas, foram bem impactantes nas cenas da praia, com pessoas de todos os tipos e vidas, vestindo roupas pesadas e maiôs no mesmo ambiente, tendo teatro de mãos e banda marcial, ou seja, tudo bem denso e marcado, além dos diversos elementos cênicos dentro da escola, os figurinos com as famosas suásticas já implantadas nos uniformes das garotas, as famosas armas, e tudo mais, ou seja, simples, mas bem simbólico.

Enfim, é um longa que talvez pudesse ter ido mais além, mas foi representativo e acaba chamando a atenção pelos elementos de pré-guerra que já estavam sendo articulados, e claro pelos famosos pontos chaves que marcaram o estilo de filmes de agentes, ou seja, vale a conferida e não cansa, que é o principal para uma boa obra. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Naquele Fim De Semana (The Weekend Away)

3/06/2022 01:09:00 AM |

O bacana de filmes de suspense é assistir tentando descobrir o que aconteceu, ou quem é o culpado de algo, pois na maioria das vezes tudo é tão explicadinho no final que nem precisa se pensar em nada, então sempre é mais divertido ver imaginando o desenrolar para quando ocorrer realmente sabermos que somos bons detetives. E comecei assim o texto da estreia da semana da Netflix, "Naquele Fim de Semana", pois se olharmos bem a fundo a ideia é básica do estilo de suspense, tendo várias pequenas reviravoltas, e alguns atos que até demoram um pouco para rolar, mas é tudo bem encaixadinho, tem coisas bem surpreendentes, e o resultado final acaba sendo até melhor do que o esperado, ou seja, é um filme que aparentemente parecia ser meio jogado, com um pôster não muito chamativo, mas que se desenrolou bem e acabou funcionando, afinal estar de turista num país diferente, com tudo parecendo as mil maravilhas e de repente mudar totalmente acaba sendo nada agradável de imaginar.

O filme mostra duas melhores amigas, Kate e Beth, que superaram contratempos pessoais e não importa o que a vida lhes dê, elas sempre esperam ansiosamente pelo seu fim de semana anual. Este ano elas estão em uma viagem pela Croácia, e tudo está perfeito até que Beth acorda e não encontra Kate. Com apenas uma memória difusa da noite anterior e a polícia não ajudando, sua busca frenética revela segredos devastadores e uma ameaça que já pairava mais perto do que ela poderia imaginar.

Diria que a diretora Kim Farrant foi bem precisa na dinâmica escolhida para representar o livro bestseller de Sarah Alderson, pois em momento algum vemos o folhear de páginas na tela, o que costuma ser um problema nesse estilo de adaptações de suspense, mas sim vemos uma formatação de atitude, sem grandes revelações de cara, e que brinca com o espectador da mesma forma que influencia a protagonista a ir por rumos do coração, o que raramente acontece em atos desesperadores. Ou seja, o livro certamente tem uma pegada mais densa do que a forma escolhida pela diretora para trabalhar, pois mesmo tendo abusos, policiais que não ligam para as moças, traições e tudo mais num único filme, daria para impactar ainda mais com coisas bem mais fortes, mas o resultado ao menos foi leve e rápido de acontecer. Sendo assim posso dizer que o trabalho da diretora foi bem consciente do que desejava mostrar na tela, pois poderia abranger vários outros vértices, poderia ter colocado tensões ainda mais fortes, e principalmente poderia ter ido por um rumo menos explicativo para tudo, que é a forma que a maioria dos diretores desse estilo gosta de trabalhar, mas da forma trabalhada ficou bem mais comercial e interessante, o que agradou bastante na tela.

Sobre as atuações, a jovem Leighton Meester conseguiu dominar o protagonismo para si, fazer boas caras e bocas com sua Beth, soar expressiva e não perder o estilo, coisa que é difícil quando se precisa dar um tom mais desesperado para uma atuação, e com isso vemos ela bem encaixada em todos os atos, não tendo espaço para mais ninguém atuar sozinho, o que é muito legal de ver acontecer, afinal está presente em todas as cenas, e foi segura do que precisava fazer, ou seja, nunca tinha botado muito reparo nela nos filmes que fez, aliás é bem mais famosa nas séries, mas agora irei torcer para que vá além e faça mais bons filmes, pois tem estilo. Ziad Bakri também caiu muito bem na personalidade que o taxista Zain precisava, mexendo bem todos os devidos pauzinhos nas cenas certas, tendo aquele ar meio de dúvidas e tudo mais, criando as perspectivas, e claro ajudando a protagonista na busca dela, ou seja, funcionou para o papel. Quanto aos demais, cada um encaixou nas cenas necessárias, tendo a amiga completamente maluca no primeiro ato, mostrando uma Christina Wolfe bem marcante como Kate, mas logo já evapora então nem foi tão usada, tivemos o dono do apartamento bem estranho que dá para se duvidar de tudo dele, e nesse sentido Adrian Pezdirc foi bem usado, ainda tivemos os policiais meio que forçados em algumas cenas, mas trabalhando bem os olhares e as intensidades, e claro o marido da protagonista, que foi bem vivido por Luke Norris fazendo trejeitos marcantes e bem diretos nos atos que foi necessário aparecer um pouco mais, mas não tendo como destacar ninguém mesmo.

Quanto do visual do longa, a equipe arrumou um apartamento luxuosíssimo na Croácia, um restaurante bem chique e uma boate bem imponente para começar com tudo, e mesmo depois com as idas até a polícia, os labirintos aonde correm, e tudo mais na cidade foi bem representativo para uma criação autoral, que deu boas nuances, agora quanto a cenografia nada irá se comparar ao quarto de vídeo do rapaz, pois ali tudo foi minuciosamente usado, e juntando tudo mesmo sendo uma trama de conceito simples visual, usaram elementos marcantes e bem funcionais, ou seja, a equipe de arte trabalhou bastante.

Enfim, confesso que não tinha dado nada para o filme, e até num primeiro momento eu tinha pulado ele da lista, mas como tivemos poucas estreias nessa semana dei logo o play e fui surpreendido, pois é bem intenso e cheio de boas reviravoltas, o que sempre faz valer a conferida em um longa do estilo, então fica a dica e eu fico por aqui hoje, afinal vamos devagar nessa semana, então abraços e até logo mais pessoal.


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Telecine Play - Sobreviva Ou Morra Tentando (Run Hide Fight)

3/05/2022 01:51:00 AM |

Sempre vejo tantos filmes de sequestros e tiroteios dentro de escolas que fico pensando o quão comum é isso por lá para que tantos diretores e roteiristas encarem esse tema de uma forma impulsiva para serem criativos no meio, e o mais bacana é sempre tentam dar tons bem impactantes, colocando alunos como heróis, e até sabiamente fazendo trabalhos bem marcados que conseguem chamar a atenção mesmo sendo sempre o famoso mais do mesmo, e com "Sobreviva ou Morra Tentando", que entrou em cartaz no começo do ano no Telecine Play, vemos bem toda essa intensidade, com uma garota digamos problemática que não aceita a morte da mãe continuando vendo ela e até conversando, enquanto está se jogando completamente no meio do caos para salvar os demais alunos da escola de alguns malucos. Ou seja, temos vários conflitos sendo trabalhados, e o resultado tem a abertura certa para impactar, porém poderiam ter feito alunos mais rebeldes como vilões do que apenas um grupo meio bobo de pessoas que sofreram bullying por alguns motivos, que aí sim o clima seria bem mais tenso e explosivo, e aí todas as neuras da protagonista precisariam ser maiores para ter o mesmo sucesso nas empreitadas.

A sinopse nos conta que um grupo de atiradores invade uma escola e o evento é transmitido ao vivo na internet. Zoe, de 17 anos, luta por sua vida e dos seus colegas enquanto tenta sobreviver ao que seria o maior massacre escolar da história.

Diria que o estilo do diretor e roteirista Kyle Rankin é bem simples, pois ele não quis florear sua trama, não quis criar ideais, e muito menos dar muita voz para ideologias, trabalhando bem a base natural de colégios, e amplificar a dramaticidade em cima do surto, que muitas vezes acaba indo além do normal, e que em determinado momento vemos bem a sina tanto da protagonista quanto de um dos atiradores na famosa conversa: "você também ouve vozes?", "como você conseguiu sair delas? foram os símbolos?", e isso mostra muito o que acaba ocorrendo na mente de pessoas que sofrem com bullyings, com rejeições, com mortes, e por aí afora, o que desencadeia ideias tanto boas para lidar com tudo, como algumas bem mais problemáticas, e usando essa temática com o lado adolescente, ele soube brincar bem com tudo, soube armar bem toda a invasão em um dia de trotes, preparar tudo para dificultar os policiais, e claro ter um começo que pareceu inicialmente bem desconexo, mas que no final fará todo sentido, então se faz por valer, mostrando que é um bom maestro para quem sabe ainda explodir mais para frente com algum tema mais forte e conflitivo.

Sobre as atuações, a jovem Isabele May mostrou uma boa desenvoltura para sua Zoe do começo ao fim, parecendo demorar um pouco para explodir, fazendo algumas facetas meio que desanimadas, mas sempre sendo bem direta nas interações, até o ato da invasão realmente começar e ela mostrar todo seu treinamento que teve com o pai para sobrevivência, encarando tudo de frente, mandando ver nas armas, nas dinâmicas e acertando bem até o último momento, não deixando sua adrenalina cair, o que é bem bacana de ver, ou seja, mostrou serviço, mas ainda poderia ter melhorado um pouco os trejeitos faciais para convencer um pouco mais, o que não atrapalhou ao menos. Eli Brown até tentou ser chamativo com seu Tristan, mas pareceu mais um playboy que queria aparecer do que alguém realmente com alguma causa, e assim o ator também não se soltou tanto quanto deveria, ficando naquele meio do caminho que torcemos para ir além, mas que também torcemos para se lascar com tudo, e assim fez  de seus atos algo ao menos expressivo, porém simples demais. Quanto aos demais, o pai da garota só serviu mesmo para dar um tiro, a garota rebelde teve alguns atos de surto, mas sem ir além, o garoto nerd bobo demais quando foi confrontado pela protagonista, então vale um leve destaque para o jovem doidão vivido por Britton Sear, mais pelo personagem em si do que pelo que ele fez, e para alguns trejeitos meio explosivos do xerife que Treat Williams soube segurar, mas que certamente poderia ter ido para cima e chamaria mais atenção.

Visualmente conseguiram criar um clima bem conflitivo dentro da escola, trabalhando alguns elementos cênicos bem interessantes como os jovens vendo toda a transmissão da TV com vários aparelhos, toda a escola preparada para as pegadinhas de fim de ano, mas também servindo de esconderijo/arma para a protagonista, alguns atos exagerados em dutos, alguns tiros meio que forçados também explodindo tudo ao redor, e alguns atos meio que jogados nas salas de aula, mas tudo servindo para o propósito da trama, além claro dos atos de fogo fora da escola, então podemos dizer que a equipe de arte trabalhou bem para ser representativa, mas sem ousar muito.

Enfim, é um filme interessante, forte e bem trabalhado dentro de algo que já vimos muitas vezes, que até poderia impactar mais como falei nos parágrafos acima, mas que serve de passatempo e não sai muito do eixo exagerando aonde não deveria, sendo convincente e agradável sem ter atos nojentos de ver. Ou seja, vale a indicação para todos, mas não espere nada que vá surpreender, e é isso pessoal vou ficando por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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