HBOMax - Christy: Um Novo Round (Christy)

7/12/2026 02:20:00 AM |

Acho engraçado quando vou conferir biografias sem saber nada da vida real do personagem, pois nas horas de projeção aquilo que vejo ali tem de me convencer sobre a pessoa de uma forma realista, e também de uma forma ficcional, afinal deixar tudo como uma vida comum já temos os documentários e reportagens, então o diretor precisa fantasiar a vida do cidadão, se ela já não for algo fora da curva, ao ponto que funcione na tela, e isso é a base bem feita. E hoje resolvi dar o play em "Christy: Um Novo Round", que chegou na HBOMax depois de passar em pouquíssimos cinemas pelo país no ano passado, e traz uma pegada densa em cima da história da mulher que fez o boxe feminino realmente existir e crescer, pois antes nem se falava direito em ver mulheres dentro de um ringue socando a cara da outra, e a história da pugilista de sucesso dentro das quatro cordas nem sequer passava perto do fracasso e do sofrimento que tinha fora dali, com abusos do marido e treinador e um desdém e imposição horrenda da mãe que não a aceitava como era. Ou seja, é um dos filmes esportivos mais tristes que já vi pelas dinâmicas fortes mostradas, sendo daqueles que você não imagina ver uma pessoa de punho forte que se deixou levar pelas imposições que sofreu, e os atores entregaram tão bem toda a dinâmica na tela que você acaba ficando inconformado com tudo o que vê, e isso é muito bom quando acontece, mas que também chega a bater aquele desânimo de pensar que até hoje ainda existem muitas Christy's por aí.

O longa narra a história da proeminente e pioneira boxeadora Christy Martin que, diante de uma sequência devastadora de eventos, supera as adversidades terríveis da vida no ringue. Apesar de nunca imaginar uma vida além das fronteiras de sua pequena cidade na Virgínia Ocidental, Christy descobre um talento extraordinário. Corajosa e determinada, a jovem sempre se destacou nos esportes e até mesmo frequentou a faculdade com uma bolsa de estudos esportiva no time de basquete da universidade. No final dos anos 1980, porém, Christy se revela uma prodígio do boxe, mergulhando nesse universo de socos e golpes ao lado de seu treinador, agente e, logo depois, marido Jim Martin. Ao mesmo tempo em que embarca numa carreira bem-sucedida na categoria, a competidora percebe que suas verdadeiras e mais cruas batalhas estão fora do ringue, confrontando sua identidade, sua família e um casamento violento e marcado por abusos psicológicos e físicos.

Uma das principais características do diretor e roteirista David Michôd é deixar seus filmes um pouco lento demais, e aqui esse estilo acaba sendo até bom, pois o filme poderia ir para rumos mais expressivos, ser explosivo e causar mais, mas não impactaria como algo ao ponto de nos irritarmos com alguns personagens como acaba acontecendo. Claro que isso fez com que várias premiações acabassem esquecendo do filme, mas a essência em si teve uma pegada mais próxima do que a biografia pedia, e assim sendo o resultado funciona. Ou seja, ainda dá para reclamar do filme faltar uma direção mais marcante, pois falar da vida de alguém é sempre complexo e bem difícil de lidar, mas a trama pedia um vértice que rendesse o chamariz da boxeadora para algo mais chamativo, e assim o resultado do estilo do diretor pecou por minimizar os abusos, algo que como disse chega a dar raiva dos personagens do técnico e da mãe, que felizmente aparece pouco, senão seria mais odiada que vilã de novela que mata cachorro.

Quanto das atuações, Sydney Sweeney é tão nova, mas já podemos chamar ela quase que de Nicolas Cage de saias, pois vemos quase que um filme seu por mês nos cinemas, e se olharmos sua filmografia está rodando mais uma tonelada de produções, ou seja, seu rosto está em tudo o que pode fazer, e aqui o que mais me surpreendeu além de sua atuação bem centrada de Christy é o quão pequena ela realmente é de estatura, parecendo ao lado de outras pugilistas uma miniatura, mas seu estilo mais fechado não rendeu muitas expressões para o papel, sendo interessante de presença, porém dava para ir bem mais além na tela. Já Ben Foster ficou irreconhecível com seu Jim, e com facetas tão marcantes conseguiu incomodar demais na tela, sendo daqueles personagens que você fica bravo e quer que saia logo de sua frente, algo que ele teve presença cênica e agradou bastante. Entre os demais, muitos tiveram poucas cenas participativas, mas conseguiram ter rápidos destaques como Bryan Hibbard com seu Big Jeff, Chad L. Coleman como Don King, Jess Gabor como uma Rosie de muitas facetas, mas claro quem chamou muito mais atenção foi Merritt Wever como a mãe da protagonista, que conseguiu ser bem mais ruim que o próprio marido abusivo da protagonista, sendo daquelas que muitos ficarão bem incomodados com a entrega em algumas cenas.

No conceito visual a trama teve momentos bem interessantes mostrando lutas em estádios, mas também mostrando algumas no começo da carreira em pistas de corrida de terra, treinos por lá, a academia simples crescendo depois, e também a moradia num trailer, depois em casas mais simples até chegarem numa mansão com carrão rosa e tudo mais, tendo alguns encontros em lanchonetes e claro os bastidores da fama com entrevistas e tudo mais, sendo um filme bem completo nesse sentido, mostrando também os figurinos e cabelos das épocas em que o longa passa sendo marcante e funcional nesse sentido.

Enfim, é uma biografia bem densa e marcante que agrada por mostrar não apenas a carreira da pugilista como também o problema dos relacionamentos abusivos tanto com parceiros quanto com familiares, aonde a intensidade do filme poderia ser também mais explosiva, mas ainda assim consegue ser funcional e chamar a discussão para o tema. Então fica a dica, e eu fico por aqui hoje voltando amanhã com mais dicas, então abraços e até lá.


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