Netflix - 23.000 Vidas (23 000 Leben) (23 000 Lives)

7/17/2026 11:33:00 PM |

Muitas vezes vemos nos jornais e até mesmo em filmes o complexo caso dos refugiados que fogem de seus países em guerra através de botes para tentar chegar na Europa, e muitas vezes acabam morrendo no meio do oceano sem comida ou qualquer condição decente de sobrevivência, e vem sempre dois questionamentos na mente entre muitos outros, primeiro o que leva a pessoa a entrar numa empreitada maluca dessa, e segundo como agir diante de uma situação dessa, pois os países europeus já estão ficando lotados, alguns grupos são favoráveis, outros já tratam como algo mais conflitivo de culturas, mas ainda assim fica a principal dúvida como você poderia ajudar, o que faria, e por aí vai. Usando dessa base e juntando com a história real que aconteceu entre 2016 e 2024, o longa alemão da Netflix, "23.000 Vidas", acaba sendo tão denso e realista de entregas, que lá pela metade cheguei a pensar que estava vendo algo documental ao invés de uma ficção baseada na realidade, e essa entrega dos atores foi tão bem alocada na tela que mostrou sentimento de presença e uma boa conexão dos jovens com a ideia do longa, ou seja, é um filme que talvez ficcionalmente não funcione tanto, mas que pela entrega das dinâmicas acabou funcionando até mais do que parece, sendo interessante a conferida.

A trama conta a trajetória de um grupo de jovens que decidiu agir diante da crise humanitária de refugiados. Determinados a fazer a diferença, eles transformaram a indignação em ação concreta. Sob o nome de “Juventude ao Resgate” (Jugend rettet), os jovens arrecadaram dinheiro e compraram um navio antigo. Com a embarcação, eles partiram para o Mediterrâneo e conseguiram salvar a vida de 23 mil pessoas. O título do filme, portanto, é uma homenagem a cada uma dessas vidas resgatadas pela coragem e pela solidariedade.

Diria que faltou para o diretor Markus Goller coragem de abrir mais o leque da biografia para um vértice mais ficcional, pois dava para valorizar tanto algumas cenas, criar mais dinâmicas, e até mesmo fluir um pouco para dentro do julgamento, fazendo com que o filme fosse quebrado com os depoimentos mostrando os resgates, que acabaria dando bem mais vida e personalidade na tela, além de não desgastar tanto os atores com excessivos diálogos, mas ainda assim ele soube transpor bem para a tela a história dos rapazes e suas desenvolturas, ficando realista até demais ao ponto de me confundir achando que estava vendo um documentário e não uma história baseada. Ou seja, temos a famosa frase que errando ele acabou acertando, pois em termos funcionais houve o acerto, mas dava com pouquíssimos ajustes para ser daqueles filmes que lavaríamos a sala assistindo.

Quanto das atuações deram uma boa surra no protagonista, pois Louis Hoffmann começou a trama arrumadinho, com uma personalidade jovem, cheio de vontade para que seu Lukas salvasse o mundo salvando os refugiados da morte no oceano, mas sabemos o quanto é desgastante ver as pessoas morrerem, sofrerem, e principalmente estar no meio do mar por longos períodos, de modo que a equipe de maquiagem conseguiu mudar até as feições do rapaz com cabelo e tudo mais, ou seja, ele literalmente se jogou no papel, provavelmente viveu algum período com o verdadeiro Lukas, e assim conseguiu chamar a responsabilidade quase que inteira do longa para si, indo muito bem no que fez. o longa teve ainda muitos outros bons atores, cada um dando sua vivência na tela, com destaque para Frederick Lau com seu Sören bem impactante, a capitã do navio vivida por Maria Dragus, entre outros.

Visualmente a equipe foi muito esperta, pois teve apenas uma cena com o mar completamente revoltado, aonde provavelmente filmaram em estúdio, e as demais cenas de resgate foram de dia, com mar calmo, tendo os botes lotados de figurantes, mas fazendo todo o processo certinho, e tudo mais, além disso tivemos algumas cenas de reuniões e dinâmicas no escritório que fizeram, além da casa do protagonista, tudo com bons detalhes para representar os ambientes, mas sem irem muito a fundo nas épocas, o que por ser algo atual também não precisou de muita coisa. Ou seja, a equipe foi simples na entrega, mas efetiva com o que desejavam passar.

Enfim, é um filme que volto a frisar que faltou detalhes para ficar mais chamativo, e principalmente conseguir emocionar o público com a história, sendo o fechamento tão corrido e narrado na versão do julgamento que nem merecia quase ser mostrado, mas que funciona para refletirmos como alguns possuem tanta coragem de se jogar no mar para fugir de um país, como outros possuem tanta força de vontade para ir atrás de salvar pessoas, e outros apenas julgam, então fica a dica para ver e pensar. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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