A sinopse nos conta que Marta e Antonio optam pelo fim do relacionamento após uma grande discussão, assim se divorciando. Em dois mundos diferentes, os dois começam a lidar com a situação de maneiras distintas. Enquanto Marta se isolava do mundo, até mesmo perdendo o apetite, Antonio se dedicava a sua carreira de chef que parecia melhor a cada dia. No entanto, em certo momento Marta descobre que sua mudança repentina tem mais a ver com sua saúde do que com o seu ex-relacionamento. Sem conseguir esquecer sua antiga companheira, o filme entra em uma encantadora trajetória sobre o amor à vida.
Acho bem bacana o estilo da diretora Isabel Coixet, pois ela não faz seus filmes para impactar ou causar algo no espectador, ela apenas dá as dinâmicas brincando com cada essência, e deixa isso para que o público sinta junto dos protagonistas, e aqui dava para esse filme ser feito de tantas maneiras, mas sem dúvida pensando com a cabeça de alguém que conhece bem mais o cinema americano do que outros cinemas, com qualquer diretor dos EUA veríamos algo duro, seco de emoções, mas que faria toda a plateia lavar a sala com diversos momentos, já a diretora espanhola optou por vértices de pensamento, vértices reflexivos e prendeu as emoções apenas em detalhes, que vamos montando juntos, e assim o resultado acabou sendo gracioso, sem faltar emoções, mas ainda assim não fazendo você chorar, e sim pensar no além disso, o que acabou sendo gostoso de ver, ou seja, mais um acerto dela.
Quanto das atuações, achei a atriz Alba Rohrwacher tão solta com sua Marta que em diversos momentos até pensei se ela não era a própria diretora atuando, pois o estilo que ela fez foi algo tão dinâmico, tão cheio de sentimentos que realmente fez o filme ser seu, e isso é raro de ver acontecer com atrizes em dramas, pois acabam se soltando bem menos do que a essência pede, e ela fez algo lindo de ver na tela. Elio Germano também trabalhou bem nas dinâmicas de seu Antonio, porém a diretora esqueceu dele um tempo tão grande que ao ler a sinopse depois de ver o filme até fiquei pensando se ele fez tudo isso que é dito, mas fez bem como chef, trabalhou de forma aceitável, só desapareceu quase que o filme inteiro, tendo cenas no começo e no fim apenas. Ainda tivemos alguns bons momentos de Francesco Carril com seu Agostino e Silvia D'Amico com sua Elisa, mas o filme foi tão colocado para ser da protagonista que todos os demais apenas apareceram, e isso foi de um risco tamanho que acabou dando certo.
Visualmente o longa ficou bem dentro da casa da protagonista com seu boneco coreano, com uma sacada meio maluca no final, tivemos várias cenas em restaurantes variados, muitos passeios de bicicleta com a protagonista e boas cenas na escola que ela trabalha, além de alguns atos em um hospital e também em uma exposição, mas a base sempre focando muito a dinâmica da protagonista, que acabou tendo um charme legal para funcionar.
Enfim, foi um filme tão gostoso de ver, que mesmo com um tema difícil de se trabalhar acabou funcionando demais na tela, e assim o resultado acabou me agradando mais do que eu até pensava, valendo como algo bom para recomendar para que todos vejam. E é isso meus amigos, vá conferir no festival nas cidades que ainda tiver (em Ribeirão Preto começa dia 16/07 no Cauim) e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Autoral Filmes pela cabine de imprensa, então abraços e até logo mais.







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