O longa acompanha Jada, uma mulher que sempre sonhou em ser mãe. Por meio da doação de embriões, ela finalmente consegue realizar esse desejo e construir a família que tanto imaginava, mesmo sozinha. Mas, quando menos esperava, a sua felicidade é interrompida quando o filho recebe o diagnóstico de leucemia. Diante de uma situação cada vez mais delicada, Jada descobre que a melhor chance de salvar a vida da criança é um transplante de medula óssea. Logo ela embarca em uma trajetória marcada por desafios e decisões difíceis, fazendo tudo o que estiver ao seu alcance para garantir a sobrevivência do filho.
Diria que a diretora, roteirista e protagonista do filme Nawell Madani soube usar o que tinha para criar algo tenso dentro da trama, pois ela não quis fazer um filme amplo de situações, mas sim algo mais fechado e cheio das nuances do famoso se sentir responsável por alguém, e com essa estrutura mais simples, porém mais densa, ela trabalhou bem seu filme, fazendo ângulos mais fechados, e até brincando com uma essência que já vimos em outros filmes de pais lutando pela saúde dos filhos. Ou seja, é o famoso filme que talvez em mãos mais experientes conseguiria se expandir e chamar mais atenção, mas que funcionalmente o resultado aqui mostra que ela tinha potencial para ir além, apenas sentiu-se mais segura em não criar muitas explosões cênicas na tela.
Agora falando da diretora como atriz, diria que Nawell Madani segurou bem a responsabilidade da trama em cima de sua Jada, de modo que a personagem se desenvolve bem e entrega dinâmicas convincentes em seus atos, sendo daquelas que você acaba torcendo, mesmo tendo atitudes extremas, e assim conseguiu criar carisma e desenvoltura na medida certa para agradar. Acredito que com poucas cenas a mais, poderiam ter desenvolvido melhor o papel de Guillaume Gouix com seu Paul, pois ficou meio que jogado a separação deles, e quando volta já fica participando em tempo quase que integral no hospital, ou seja, abandonou a carreira, tinha problemas, ou o que, e assim o ator não fluiu tanto quanto poderia também. O garotinho vivido por Paul Fouré foi muito bem nas cenas de seu Noa, conseguindo ser cativante e também assustar o público com suas convulsões e atos mais densos, de modo que poderiam até ter trabalhado um pouco mais ele para algumas dinâmicas maiores, mas ainda assim foi muito bem com o que fez. Quanto aos demais, vale leves destaques para a enfermeira Fanta vivida por Aïssatou Diallo Sagna, e também o médico vivido por Nicolas Briançon, mas sem muito o que expandir na tela.
Visualmente a trama começou com várias dinâmicas do protagonista correndo para sair do serviço, a protagonista treinando crianças e suas noites tentando fazer um filho e falhando com os famosos testes, e depois de aparecer o nome do filme ficamos somente dentro do hospital, na ala das crianças com câncer, ou seja, o filme teve dinâmicas bem colocadas mostrando o ambiente humano que tentam reproduzir ali aonde a tristeza geralmente bate, e mais próximo ao final entrou em cena toda uma lotação de policiais de todos os estilos, em algo que saiu um pouco do controle e do estilo que o filme vinha desenvolvendo, mas funcionou para a proposta ao menos, o que é interessante de ver.
Enfim, é um filme simples, com um tema abrangente e cheio de possibilidades para discussão, que até dava para ter sido mais chamativo, mas que consegue envolver e emocionar de certo modo, e assim vale falar que funcionou no que se propôs. Então fica a dica para a conferida, e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.







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