Priscilla

1/14/2024 02:27:00 AM |

É engraçado que a maioria das cinebiografias são feitas depois que a pessoa morre, mas em "Priscilla" além de usarem o livro dela bem viva, ainda é produtora do longa, ou seja, firmou bem os pés e não deixou que inventassem nada além do que ela conta, ou seja, chega a ficar ainda mais triste o longa por saber que ela foi sempre muito apaixonada por Elvis, mas era usada como um bibelô pequenino para sempre que quisesse brincar, já que as fofocas de jornais e revistas apareciam mais as atrizes que ele se envolvia do que praticamente com a pequenina que praticamente se mudou para junto dele aos 14 anos. Ou seja, é um filme bem denso mostrando um pouco da personalidade dela e de como era seu envolvimento com o ídolo de uma geração que dentro de casa era bem diferente do que muitos viam, sendo uma trama que o estilo mais fechado da diretora não ajudou tanto a explodir as essências que o longa poderia ter, mas que funciona como um retrato fechado de um relacionamento submisso que se desgastou muito desde o primeiro dia, e que nunca foi perfeitamente feliz.

O filme segue o ponto de vista de Priscilla após conhecer o astro do rock em uma festa, quando ela ainda era apenas uma adolescente. Mas a paixão que, inicialmente, era formada por parceria e vulnerabilidade logo toma um rumo conturbado quando o cantor começa a mostrar um lado diferente daquele venerado nos palcos.

Particularmente acho o estilo da diretora Sofia Coppola meio fechado demais, de forma que ela não entra tão a fundo em suas histórias, deixando que os protagonistas fiquem mais soltos nas cenas, e aqui usando o livro de Priscilla Presley, ela acabou escrevendo algo que é muito intimista, e assim sendo precisava de alguém que colocasse mais personalidade nos atos, já que pouco tempo atrás tivemos a cinebiografia de Elvis de uma forma bem intensa, ou seja, já vimos alguns atos com a personagem na tela, mas aqui sob o olhar da garota ficou tudo muito morno e até com um estilo tímido demais, o que não é comum de se ver em uma biografia na tela. Diria que não ficou algo ruim, pois o estilo é envolvente e conhecer a história por um outro lado sempre é interessante, mas faltou aquele algo a mais que chamasse o público para o lado dela, que passasse a odiar o músico e tudo mais, e isso não ocorre.

Quanto das atuações a primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi pesquisar as alturas de Elvis, Priscilla, Jacob e Cailee, e aí entrou um grande problema, pois sim Elvis e Priscila tinham sim uma diferença considerável de 1,82m para 1,63m, mas com Jacob e Cailee ficou algo muito desproporcional, pois ele tem 1,96m e ela 1,55m, então nas cenas que estão abraçados em pé fica algo muito estranho parecendo que o jovem realmente está levando uma criança ao seu lado, mas isso é apenas um detalhe técnico, visto que Cailee Spaeny conseguiu ser bem emocional com sua Priscilla, trabalhando bem como uma adolescente tímida nos primeiros atos, e depois sendo uma mulher bem ciumenta que inicialmente não parecia ser assim, e a jovem trabalhou emoções, trejeitos e tudo mais de uma forma sutil e bem encontrada na tela. Não sei se eu me afeiçoei tanto ao Elvis de Austin Butler que via aqui qualquer outro personagem menos o rei do rock sendo interpretado por Jacob Elordi, e o ator trouxe uma personalidade, alguns bons trejeitos e dinâmicas, mas não parecia chamar tanto para si na tela, o que acabou pesando um pouco nesse sentido. Outro fator bem engraçado é que no filme de 2022 víamos o Coronel Tom Parker em todas as cenas junto de Elvis, e aqui são apenas algumas ligações e raramente trombando com a protagonista, nem tendo um ator propriamente fazendo o personagem, o que é estranho, mas entre os secundários vale o destaque para Tim Post fazendo bem o pai de Elvis e Lynne Griffin a avó que foram presenças bem marcantes na vida do cantor.

Visualmente a trama traz atos bem colocados na passagem do cantor pela Alemanha, mostrando muito mais festas na sua casa do que realmente ele indo para um front, tendo inclusive sua avó junto fazendo sua comida, tendo bem poucas representações de soldados, tirando um ato que vai falar com o pai da garota, e falando em festas vemos sempre o astro com os amigos da banda, sempre indo com um ônibus para todo lado, as corridas de carrinhos em Graceland, vemos alguns fãs sempre na frente do portão gritando, muita representação de figurinos da época, e claro todas as imposições que a jovem precisou usar de roupas, vemos seus estudos em uma escola católica aonde não tinha quase contato com as demais jovens, e alguns atos icônicos no fechamento, mas nada que surpreendesse pela equipe de arte.

Enfim, é um filme que dava para terem feito algo muito mais significativo e forte, mas que tem seu simbolismo, traz uma ótica diferente para uma personalidade, e tem um emocional também bem colocado, que certamente muitos irão gostar mais do outros, mas sinceramente eu fui esperando muito mais dele, não sendo algo ruim, só não tendo todo o impacto que Elvis conseguiu ter, e assim sendo fica a dica para conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Lift: Roubo Nas Alturas (Lift)

1/13/2024 06:37:00 PM |

É até engraçado ficarmos pensando nas milhas que a equipe da Netflix junta quando entrega suas produções gigantescas, pois na maioria das vezes seus filmes mais chamativos de ação se passam em pelo menos umas 6 cidades diferentes aonde tudo vai ocorrer e impactar. E o nome da vez é "Lift: Roubo Nas Alturas" que entrega uma trama interessante de assalto por uma gangue especializada, aonde tudo é bem trabalhado dentro das nuances do estilo, com a seleção de membros, a negociação, o ato em si e claro toda a desenvoltura que muda tudo dentro das perspectivas pensadas pelo espectador. Claro que o filme tem cenas gigantes, muita intensidade e toda uma história até que bem desenvolvida, mas é basicamente um grande passatempo, daqueles que as cenas acontecem e entregam toda uma trama interessante, mas sem nada que fosse realmente marcante, ou seja, é daqueles que fazem o tempo de tela valer, divertem bastante, mas que no final foi apenas algo legal de ver, não sendo algo que vamos esperar uma continuação ou que tivesse sido marcante em nossas vidas, mas que vale o play ao menos num dia chuvoso como o de hoje.

A produção segue um grupo de criminosos internacionais liderado por Cyrus e contratados por sua ex-namorada, Abby, uma agente federal, para que cumpram uma missão ambiciosa: roubar meio bilhão de dólares em barras de ouro que estão sendo transportadas para uma célula terrorista. Para deixar tudo ainda mais insano, a carga está sendo transportada em um Boeing 777 que parte de Londres rumo a Zurique, e eles devem roubá-la em pleno vôo.

O diretor F. Gary Gray é daqueles que gosta de desafios cheios de intensidade, tanto que fez "Velozes e Furiosos 8" ser um sucesso mesmo após toda a explosão do longa anterior, e aqui lhe deram uma ideia bem pautada com um estilo misto entre muitos outros que já foram feitos pela Netflix, colocando roubo de artes, assalto com grande risco e toda uma pegada policial por várias cidades do mundo, e claro que ele não desapontou trazendo tudo para sua realidade expansiva e fez jus ao grande orçamento para brincar com o público em algo que de certo modo parece elaborado até demais para os atores escolhidos, mas que ele conseguiu fazer tudo ficar mais simples e objetivo ao ponto de ficar leve e gostoso. Ou seja, ele pegou algo que poderia virar um dramão pesado de assalto e fez uma ação divertida e inusitada, aonde o público certamente irá curtir cada ato esperando o próximo ser ainda maior, e claro tendo um desfecho que poucos iriam pensar, mas que funcionou muito bem para a ideia completa.

Quanto das atuações, um grande ponto positivo na mudança da carreira de Kevin Hart foi sair das comédias bobas e se entregar para tramas com mais ação, pois ele ainda pôde colocar suas piadas na desenvoltura e tem um estilo bem marcante de líder como fez aqui com seu Cyrus, de modo que acaba entregando boas dinâmicas, lutou até que bem e convenceu com o que fez na tela. Diria que papeis de agentes caem bem no estilo de Gugu Mbatha-Raw, pois ela tem uma personalidade meio que policial, e aqui sua Abby chama bem a atenção na tela e consegue segurar a atenção junto do protagonista, fazendo bons atos. Só achei que faltou desenvolver um pouco mais os demais personagens da equipe, pois eles parecem apenas jogados, fazendo suas esquetes e aparecendo para dar as devidas quebras, mas sem fluir muito na tela, de modo que já temos um perfil clássico de arrombadores de cofre para a Netflix, com Billy Magnussen fazendo um Magnus bem semelhante ao outro jovem dos filmes do Snyder na companhia, Úrsula Corberó bem encaixada como a piloto Camila e Yun Jee Kim bem encaixada como a hacker Mi-Sun, já Vincent D'Onofrio acabou forçando um pouco demais com seu Denton e Viveik Kalra acabou ficando bem em segundo plano com seu Luke. Quanto dos vilões Jean Reno tem jeitão de chefão do mal com seu Jorgensen que poderia ter ido mais além, e Burn Gorman trouxe boas lutas para seu Cornac, mas nada de surpreendente no estilo. Ainda tivemos Sam Worthington como chefe da agente, mas com algumas cenas bem jogadas, que não mostraram nada demais que o ator sabe fazer.

Visualmente eu sei que é caro fazer filmagens nos ares com aviões, mas o pessoal da computação gráfica precisa dar uma melhorada em algumas modelagens para que algumas cenas não fiquem falsas demais, mas tirando esse detalhe em alguns atos externos, tivemos muita criatividade nas cenas internas mostrando um avião riquíssimo de várias classes, vemos um outro jato todo tecnológico com telas, e tudo mais controlado por controle remoto, e claro leilões riquíssimos, muitas cenas em várias cidades e desenvolturas, um pouso na neve e numa ilha, ou seja, tudo bem preparado para chamar atenção na tela.

Enfim, é um filme que segue bem o padrão das tramas de ação da Netflix, colocando comicidade, muitos personagens que são pouco usados e uma intensidade bem colocada na tela para divertir seu público com muita interação nos atos, que talvez daqui alguns dias nem lembremos direito dele, mas que como um bom passatempo funciona, então fica a dica para dar o play. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje ainda devo ver mais um filme, então abraços e até logo mais.


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Beekeeper - Rede de Vingança (The Beekeeper)

1/13/2024 02:26:00 AM |

O mais engraçado de um filme cheio de explosões e dinâmicas de pancadarias e tiros é você que vai quase todo dia ao cinema não ter visto o trailer dele antes de estrear, pois esse estilo tem toda a pinta de blockbuster e facilmente precisa de uma grande divulgação para chamar a atenção, e pasmem fui hoje ao cinema conferir "Beekeeper - Rede de Vingança" sem saber praticamente nada dele, tendo visto se não me engano uma propaganda rápida e nada mais, ou seja, cheguei na sessão da Imax sem qualquer expectativa, e isso foi excelente, pois a trama entregou algo sem nenhuma promessa e me divertiu num nível tão bacana, com tantas cenas impossíveis, que ao final a única coisa que eu queria saber é quando iria sair alguma continuação, o que ainda não tem nem nada em mente para acontecer. Ou seja, é o famoso filme aonde um homem sai em vingança contra aqueles que acabaram com a vida de alguém muito querido pelo protagonista, e sendo um membro aposentado de uma agência de elite secreta, sai destruindo tudo e todos que tiveram qualquer conexão com o caso, claro tendo muitas "paias" (cenas falsas absurdas de acontecer) aonde todos atiram aos montes, cercam o protagonista e nunca acertam ele, e ele só numa virada de mão já arremessa o cara escadaria abaixo, mas que é interessante de ver, tem muita ação, e ainda brincou com todo o processo da criação de abelhas, afinal ele é o apicultor!

No longa vemos que Adam Clay não vai parar até acabar com o sistema criminoso responsável pela morte de sua amiga. O plano de vingança brutal de Clay, um ex-agente de uma organização secreta poderosa conhecida como “Beekeepers”, ganha dimensões nacionais envolvendo governos e as instituições mais influentes do mundo. Determinado a fazer justiça com suas próprias mãos, ele está disposto a tudo e não vai poupar ninguém para concluir seu plano.

Sabemos bem o potencial do diretor David Ayer, e junto de um roteiro de Kurt Wimmer era óbvio que não entregariam algo ruim, pois é ação imponente com uma direção maluca e um protagonista que não mede esforços para dar seu máximo na tela, e dessa forma o longa acaba sendo totalmente explosivo e insano, no melhor modo de dizer essas palavras, pois o filme traz um homem que não importa o que apareça na sua frente, ele vai socar e passar por cima mesmo para conseguir chegar no ponto máximo de seu objetivo, ou seja, o começo da cadeia de golpes. Ou seja, é o tradicional longa cheio de pancadarias, mas que funciona tão bem do começo ao fim que mesmo sendo tudo falso demais de acontecer acabamos entrando no clima e vibrando com toda a intensidade das coisas quer fazem até as poltronas chacoalhar, mostrando que o diretor sabia exatamente o que queria entregar, e fez algo pronto para envolver o público, agora é ver se dá lucro para uma continuação, pois deixaram abertura para essa possibilidade.

Quanto das atuações, todo mundo sabe o que vai encontrar em um filme com Jason Statham, que é muita pancadaria, lutas bem coreografadas, muita intensidade, pouquíssimas palavras, e claro seu carisma imenso mesmo sendo um brutamontes, de forma que trabalha sempre trejeitos irônicos e traz desenvoltura para tudo na tela, ou seja, seu Adam Clay facilmente poderia ser qualquer personagem do ator na tela, e ele agrada com o que faz. Já vi agentes que perseguem um personagem, mas o que a Verona de Emmy Raver-Lampman faz é de tirar o chapéu, pois não desiste de toda a investigação para capturar o protagonista, mesmo ele estando vingando sua mãe, ou seja, a atriz foi bem persistente com sua personagem e chamou atenção ao menos. Agora quem está irritante e bem diferente na tela é Josh Hutcherson com seu Derek Danforth trabalhando alguns trejeitos bem irônicos e desenvolvendo toda a canalhice clássica de alguns filhinhos-de-papai que podem e fazem tudo o que querem do jeito que querem, sendo um personagem bem diferente na carreira dele, e com um trabalho marcante também. Ainda tivemos bons atos de Bobby Naderi com seu agente Wiley acompanhando a protagonista para todo lado, Jemma Redgrave como uma presidente e mãe do vilão, mas sem dúvida quem dá um tom bem irônico em muitas cenas é Jeremy Irons com seu Wallace Westwyld cheio de sacadas e dinâmicas amarradas com precisão, isso sem falar de muitos outros capangas e "empresários" do ramo do crime que apenas aparecem rapidamente, tendo o destaque para David Witts com seu Garnett bem "corajoso" em cena.

Visualmente a trama tem uma boa pegada do protagonista inicialmente no celeiro da casa da amiga aonde faz suas colmeias para criar abelhas e destruir vespas, vemos depois uma companhia de mineração de golpes de dinheiro através de vírus, algo bem cibernético, cheio de telas e todo um show de cores (isso ocorre uma segunda vez em outro ponto da companhia), e claro o protagonista botando abaixo ambas as instalações seja com gasolina e explosivos, ou na base do soco, tiro e bomba no segundo ataque, depois vemos uma casa de férias da presidência rolando uma festa tremenda e a pancadaria rolando solta no meio dos convidados bebendo, comendo e gritando, ou seja, a equipe de arte foi bem luxuosa de ambientes, e claro de efeitos pirotécnicos e muitas coisas para serem quebradas.

Enfim, é um filme bem divertido, que até tem falhas e de cara já falei que é cheio de situações falsas demais, mas que lotado de ação, tiros, explosões e tudo mais acaba valendo ser visto na telona gigante da Imax ou da maior sala possível com muito som potente, pois mesmo não sendo 3D, todas as explosões, tiros e tudo mais faz a poltrona vibrar em cada ato dando uma imersão gigante que certamente você não terá em sua casa, então fica a dica para depois não ficar falando que não gostou do que viu. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Meninas Malvadas (Mean Girls)

1/12/2024 09:01:00 PM |

Sei que muitos são contra, mas sou um total apoiador de musicais, de tal forma que sei que esse ano teremos vários exemplares para conferir do estilo, incluindo animações e até dramas bem pegados, claro com todos bem vindos de adaptações das Broadway,  e eis que fiquei até que bem surpreso com o funcionamento de "Meninas Malvadas" nesse formato, pois se no original tudo era bem sarcástico e explosivo para divertir, aqui o resultado é mais expansivo com todas as danças, canções e desenvolturas, de tal forma que acaba sendo bem bacana o resultado tanto para os fãs do original, quanto para aqueles que lembram bem pouco de tudo. Ou seja, é um filme gostoso para assistir, bem sacado e cheio de cenas bem colocadas na tela, com garotas bonitas e intensas, que cantaram e dançaram muito bem desenvolvendo toda a pegada vingativa, mas ficou parecendo ter alguns atos meio que desconexos enquanto outros em plano-sequencias foram incríveis, num misto meio que bagunçado, porém surpreendente, que quem gosta do estilo musical acabará nem ligando, mas os demais é capaz de não entrar tanto no clima.

Seguindo a história original, o musical acompanha Cady Heron, uma jovem que se muda da África para os Estados Unidos e precisa começar uma nova vida, enfrentando dificuldades para se adaptar à mudança de rotina - principalmente no novo colégio. Entre os vários estudantes do North Shore, Cady conhece o grupo das garotas mais populares do local, comandado por Regina George, a abelha-rainha da escola. Inicialmente, Cady sente que as coisas podem funcionar e que ela consegue se encaixar entre as novas amigas, mas a situação começa a fugir do controle - principalmente depois que ela se apaixona pelo menino errado.

Diria que faltou um pouco mais de experiência cênica para os diretores Samantha Jayne e Arturo Perez Jr., pois ao pegarem o texto da roteirista Tina Fey, que escreveu também o original de 2004 e a peça da Broadway aonde esse novo filme é inspirado, acabaram correndo um pouco com tudo e deixaram aberturas fáceis de não explodir, por exemplo talvez mais narração mesmo que musicalizada pelos jovens daria um algo a mais para a produção, e assim não precisariam exigir tanto da protagonista, mas de certa forma eles ao menos conseguiram dinamizar bem toda a trama para que não ficasse cansativa como um reboot, e assim sendo ficou algo interessante, porém tecnicamente esquisito em alguns atos, o que não fez o longa ficar ruim, muito pelo contrário, pois ao final os fãs mais enérgicos até aplaudiram, e assim sendo mostra que convenceram ao menos esse pessoal.

Quanto das atuações, diria que Angourie Rice caiu muito bem no estilo que precisava ter Cady Heron, pois foi brilhantemente bem feita em 2004 por Lindsay Loham em seu auge, e aqui a jovem demonstrou carisma, uma boa voz e teve personalidade para criar algo próprio, o que demonstra atitude cênica, e assim agradou até mais do que o esperado. Agora Renée Rapp trabalhou sua Regina George com uma intensidade bem colocada e chamativa, além claro de ser bem bonita e trazer a responsabilidade de que no original foi interpretada por Rachel McAdams, ou seja, se conseguir só um pouquinho do sucesso depois vai brilhar muito, e a jovem foi bem, só não sendo tão malvada quanto a original, ao menos nos trejeitos. Conhecemos Auli'i Cravalho como uma animação da Disney, e aqui com sua forma real, deu voz e corpo para Janis 'Imi'ike de uma forma bem imponente e interessante de ver na tela, e a química que teve junto de Jaquel Spivey com seu Damian Hubbard foi algo fora do comum, dando show em dupla com muita imposição e impacto final. Ainda tivemos atos divertidos com Avantika Vandanapu com sua Karen Shetty e Bebe Wood com sua Gretchen Wieners, mas sem dúvida o destaque entre os secundários ficou para Christopher Briney com seu Aaron Samuels bem galã na tela. Ainda tivemos claro as participacoes de Tina Fey com sua Ms. Norbury, Jenna Fisher com sua Ms. Heron, Busy Philipps com sua Mrs. George, Tim Meadows com seu Mr. Duvall repetindo seu papel do original, e claro quem mais era esperada, Lindsay Lohan com sua moderadora da competição de matemática, já que foi a protagonista Cady Heron no original.

Visualmente a trama ficou com cenas no colégio e no quarto de Regina George, tendo ainda algumas festas e desenvolturas cênicas, começando inclusive numa savana africana do Quênia, mas tudo bem cheio de alegorias coloridas e tudo mais que fosse bem chamativo, o que funciona para representar as aulas e conflitos nos corredores, sempre com muita dança e dinâmica, o que mostrou muita perspicácia da equipe de arte, afinal escolheram fazer muitos planos em sequência, e isso é um risco imenso, mesmo sendo proveniente de uma peça musical.

Enfim, é um filme gostoso de ver, divertido e bem colocado, que talvez pudesse até ir mais além, aliás as cenas dos ônibus foram bem marcantes nas duas utilizações, mas fica como dica para quem gosta de musicais mais teen, pois vai agradar bastante esse público. E é isso meus amigos deixo a recomendação e vou para mais uma sessão, então abraços e até logo mais.


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Os Rejeitados (The Holdovers)

1/12/2024 01:35:00 AM |

Olha, confesso pra vocês que se eu não soubesse que "Os Rejeitados" é um filme de 2023/2024 e estivesse passando pela sala e visse o longa na TV, eu juraria que tinha sido filmado nos anos 70/80, em película colorizada, mas não, o longa foi filmado digitalmente, mas totalmente processado com uma fotografia e atuações bem clássicas, aonde até diria que deva virar um clássico natalino futuramente, pois a trama tem bem toda essa pegada. Ou seja, é um filme que trabalha um tema até que pesado interiormente, mas que tem uma leveza na execução que faz com que muitos se conectem com os personagens, entrem no clima e até se divirtam com tudo o que acontece, não sendo algo memorável para sair gritando aos quatro cantos como melhor longa do mundo, mas que facilmente você irá conversar com alguém sobre ele, irá trocar algumas figurinhas e com isso ele acabará sempre lembrado por toda a essência.

A sinopse nos conta que na data mais esperada do fim do ano, os alunos e professores do prestigiado internato Barton Academy se preparam para passar suas férias com as famílias e amigos. No entanto, um grupo conhecido como Os Rejeitados fica para trás, sem lugar ou pessoas para visitar. Paul Hunham, um professor altamente desgostado pelo corpo docente, sempre fica para trás e contra a sua vontade, é o responsável por cuidar dos estudantes que precisam ficar no colégio no feriado. Durante a tarefa, ele precisa lidar especificamente com Angus, um adolescente rebelde que está lidando de sua própria forma com a morte do pai. Entre gritos, perseguições no corredor, detenções e conversas, os dois acabam descobrindo mais sobre a vida com a ajuda da cozinheira-chefe da escola.

Diria que o diretor Alexander Payne tem bem esse estilo clássico, afinal já vimos suas obras anteriores ("Os Descendentes", "Nebraska", "Sideways: Entre Umas e Outras) e ele gosta de colocar um mote com uma pegada meio saudosista com personagens meio que em falta de família e claro com alguns probleminhas da cabeça, ou seja, toda aquela síntese tradicional de longas clássicos emocionais familiares, juntando ainda toda a essência de escola e Natal ainda por cima, ou seja, o roteirista David Hemingson, estreia seu primeiro roteiro para filme após diversas séries com algo que na mão de um diretor também puxado para clássico conseguiu optar por uma fotografia tão densa, um estilão de começo tão antigo que não tem como falar que é um longa feito atualmente, e isso mostra o principal motivo pelo qual está fazendo muito sucesso nas premiações que é de ser uma trama de um carisma único aonde os personagens passam bem algo para o público se identificar na época do Natal, e assim a dinâmica funciona demais.

Quanto das atuações, posso afirmar que os protagonistas conseguem ser bem chamativos, mas diria que ainda dava para emocionar mais, mas acabaria sendo algo mais dramático do que cômico, e nesse sentido o diretor optou que fosse tudo mais bem dividido na tela, de tal forma que Paul Giamatti teve um estilo bem de presença forte com seu Paul Hunham, sendo daqueles professores bem sistemáticos e que estão há anos fazendo a mesma coisa por algum motivo, sendo carismático ao mesmo tempo que rígido em suas nuances, chamando o filme sempre para si, o que acaba sendo marcante mesmo, e que já anda lhe garantindo muitas indicações e prêmios, ou seja, não diria que tenha sido espetacular, mas que funciona muito bem com a proposta e soube dominar cada momento seu. Da mesma forma Da'Vine Joy Randolph foi bem precisa com sua Mary Lamb, entregando uma mulher enlutada com muita desenvoltura nas sacadas para com os demais protagonistas, e foi criando seu ambiente na tela, de modo que cada ato seu se conecta aos demais criando ambiente e força para outros, e isso é brilhante de ver, pois não é uma atriz tão conhecida nossa, e assim mostra que vai bem longe, já começando a abocanhar alguns prêmios. Agora quem surpreendeu bastante foi Dominic Sessa com seu Angus, pois é seu primeiro filme, e ele conseguiu se conectar com uma facilidade com o protagonista que é um monstro sagrado da interpretação, de tal forma que Giamatti lhe deu muitos elos prontos, mas o garoto conseguiu chamar atenção e seguir sem falhar, o que é um luxo nesse caso. A base principal ficou nesse trio, mas ainda tivemos alguns atos interessantes de Carrie Person com sua Lydia Crane e Naheem Garcia com seu Danny, sendo os que ficaram na escola, mas sem grandes chamarizes para que os protagonistas se destacassem sozinhos.

Visualmente o longa foi praticamente todo filmado na escola da cidade de Fairhaven, Massachusetts e deu muita sorte de pegar uma tempestade de neve imensa para que o cenário ficasse incrível, não precisando desenvolver nada do lado de fora com tudo bem prontinho, mas foram bem usados todo o interior da escola, o quartinho da cozinheira com sua TV das antigas vendo programa de casais já nos anos 70, vemos a virada do ano, claro algumas festas natalinas na cidade próxima e ainda um passeio por vários lugares de Boston, criando bem todo o ambiente e a interação para que o filme passasse a mensagem por completo, mostrando que a equipe de arte não falho nem na época, muito menos na essência triste que precisava ser criada para os protagonistas.

Enfim, é um filme que como disse deve virar facilmente um clássico natalino, mas mais do que isso mostrou uma segurança tão bem colocada do diretor nos seus atores, e na escolha de gramatura da imagem e tudo mais, que ficamos encantados com tudo o que é mostrado, não sendo um filme que muitos irão achar genial e tudo mais, mas que facilmente conecta todos que forem conferir e faz com que nos envolvamos com os personagens pelos seus carismas e desenvolturas, e isso é fazer cinema simples e bem feito. Então vá conferir o longa, e veja os motivos de já ter levado 2 Globos de Ouros e quem sabe ainda irão levar muitos outros prêmios, pois tem estilo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Guerra Entre Herdeiros (The Estate)

1/11/2024 01:19:00 AM |

Costumo dizer que quando deixo algum filme marinando na lista sem ver, ou o motivo é de estar aparecendo outros muito mais chamativos e interessantes, ou por acreditar que vai ser uma furada, e a chance de ser essa segunda opção geralmente é muito maior! E claro que hoje venho falar de "Guerra Entre Herdeiros", que chegou a passar o trailer no começo do ano passado nos cinemas, passou em alguns poucos no meio do ano, e no final de 2023 chegou na Amazon Prime Video, e você vê já de cara alguns atores que sabem entregar muitas perspectivas, que dificilmente errariam no tom, mas confesso que para uma "comédia", passei o longa inteiro com uma risada em uma situação bem besta, e no restante mesmo apelando para todas as formas possíveis e imaginárias, o resultado não chega. Ou seja, é daqueles que era melhor ter apenas deixado na lista e esquecer por lá, pois é fraco e sem nuances que faça você ficar na frente da TV, de tal maneira que muitos irão parar antes do fim, mas como não faço isso, sofri até o final, que fica claro bem antes que iria ocorrer.

A trama acompanha as irmãs Macey e Savanna, que estão determinadas a alcançarem um objetivo em comum: garantir a tão desejada herança da família. Sem muita sorte e com uma cafeteria à beira da falência, as duas mulheres decidem bolar um plano perfeito para conquistar a confiança da tia Hilda, uma matriarca autoritária e ranzinza que está terrivelmente doente. As irmãs só não esperavam que, assim como elas, os seus outros parentes teriam exatamente a mesma ideia.

Sinceramente acredito que o diretor e roteirista Dean Craig queria algo mais simples, sem grandes explosões de risos, mas que funcionasse bem dentro da proposta mais conflitiva entre primos brigando por uma herança, porém ele acabou não brincando como poderia com sua proposta e precisou usar de apelos forçados, principalmente pela personagem de Anna Faris, e com isso seu filme ficou como uma grande junção de esquetes que até é bem desenvolvida, porém que não faz rir, e isso como já disse outras vezes, é destruir uma comédia, afinal você quer situações que sejam engraçadas e que conectem tudo na tela, e nem que forcem a barra para isso, você deve rir, o que acaba não acontecendo. Ou seja, a trama ficou simples, bobinha demais, e acaba sendo notável que até mesmo os protagonistas estavam meio que constrangidos com as cenas, o que acaba desanimando ainda mais.

E falando nos protagonistas, quem vê uma Toni Collete em um filme sempre espera algo muito chamativo, mas sua Macey é meio insossa, sem grandes virtudes, faz algumas caras e bocas, e até tem a melhor frase expressiva nos atos finais, mas é notável na tela que a personagem não foi algo que ela imaginava, e quando isso ocorre em um filme, o desandar é um passo. Ja Anna Faris se jogou por completo na loucura de sua Savanna, foi exagerada, cheio de atos no grito como costumamos falar, e acaba exagerando um pouco em tudo o que faz para soar engraçada, mas não consegue ir muito além. David Duchovny colocou seu Richard/Dick com piadas mais diretas e trejeitos meio que numa tentativa de ser sedutor, mas não se impondo muito para esse lado, e com isso ficando sempre um passo atrás de suas cenas. Ainda tivemos o casal real e fictício de Rosemarie DeWitt e Ron Livingston como Beatrice e James, que trabalharam alguns atos até de certo modo engraçados pela pegada em si, mas ficaram muito em segundo plano, de modo que se o diretor apertasse um pouco mais tudo para o lado deles e menos das irmãs iria mais além. E claro tivemos Kathleen Turner como uma tia bem direta e cheia de trejeitos estranhos, que está quase como um objeto cênico já bem doente, mas ainda tem ânimo para dar alguns atos mais espalhafatosos e tentar marcar com sua Hilda.

Visualmente o longa se passa quase todo dentro da mansão, tendo algumas saídas para a casa mais pobre das garotas, o café delas praticamente abandonado, e um retiro de criminosos meio estranho, usando ainda algumas sacadas com jovens adultos que vivem jogando, e claro todos os elos que muitos ricos trabalham que acaba sendo a grande sacada tanto da herança quanto do que a jovem ganha, não sendo algo muito chamativo no quesito da direção de arte, mas que não falha ao menos na proposta.

Enfim, é um filme muito simples, sem atos que chamem atenção, e principalmente que fizessem rir, de forma que mesmo sendo curtinho acaba parecendo arrastado, e isso é algo extremamente desanimador dentro do estilo, então não tenho como recomendar ele para ninguém. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Chama a Bebel

1/09/2024 01:23:00 AM |

Costumo ser o chato que bate sempre na mesma tecla, mas não tem jeito, um filme precisa saber atacar bem seu público-alvo e também uma boa parte de fora dele, senão corre o risco de não ser visto por muitas pessoas e acaba não valendo o investimento feito em cima. E qual o motivo de começar mais um texto usando isso, é que a sacada de conscientização ambiental presente no longa "Chama a Bebel" é algo que tem um valor muito marcante, afinal temos sim que brigar por um mundo melhor, afinal não temos outro planeta para irmos se continuarmos destruindo tudo aqui, e usar todo o engajamento de Greta, a briga contra o uso de plásticos, de testes em animais e biodigestores é algo que certamente vale frisar na cabeça da garotada, que aí pelo formato a lá "Carrossel" e "Chiquititas" com o ambiente escolar em pauta resolveram brincar com essa possibilidade, incluindo ainda acessibilidade e tudo mais, até aí ok, porém o filme tem uma pegada muito infantil e forçada dentro dos subnúcleos, e só de usar a palavra subnúcleo já vem o que tanto sou contra que é a formatação novelesca. Ou seja, o filme tem uma boa pegada, tem um tema legal, mas chega a ser bobo todo o chilique da tia, toda a desenvoltura bobinha da garota riquinha tentando atrapalhar a vida da jovem ficando claro que vai editar o video como uma fake news, entre muitos outros momentos que davam para ficar mais críveis de um dia a dia comum, e isso vai pesar no famoso boca-a-boca entre os possíveis públicos fora dos menorzinhos, e sendo assim, volto a frisar que não é um filme ruim, pelo contrário tem tudo para chamar a criançada para conferir e se conectar com o estilo, mas garanto que a faixa etária será bem menor que 10 anos.

O longa acompanha a jornada de Bebel, uma brilhante garota que se muda do interior para a cidade grande. A personagem enfrenta as adversidades de um ambiente desconhecido, desafia estudantes populares do colégio e até um inimigo poderoso – um empresário da cidade que faz testes laboratoriais em animais – para defender suas causas. Mudar hábitos e comportamentos é sua meta e a sustentabilidade é seu princípio orientador.

Claro que o filme também pode (e deve) ser usado por muitos professores do ensino fundamental para trabalhar a ideia de liderança e sustentabilidade, e certamente esse deve ter sido a principal ideia do diretor e roteirista Paulo Nascimento para que sua trama tivesse uma maior visibilidade, pois até acredito que o longa tenha uma bilheteria razoável, mas dificilmente acertará em cheio o público-alvo nas salas dos cinemas, já que sua direção joga muito com o lado novelesco e esse estilo de público praticamente evaporou das salas escuras, indo mais para as séries dos streamings que tem ainda essa pegada de novelinha aonde cada um se conecta com o devido protagonista, segue suas tendências e tudo mais. Ou seja, é uma produção que talvez faça muito sucesso depois que for lançada nas plataformas, e claro nos usos em escolas para vender a ideia de sustentabilidade, então veremos como vai ficar, pois faltou para o diretor algo menos fechado nesse estilo para o sucesso das telonas chamar atenção maior.

Particularmente eu sei que o sistema de distribuição no país não é tão fácil de se encaixar uma trama, mas sem dúvida os distribuidores foram muito espertos em lançar o longa nessa semana, uma semana antes do filme "Reflexos do Medo", afinal a protagonista Giulia Benite que também assina a produção ficou conhecida nacionalmente pelo papel que não é mais dela no longa que irá estrear semana que vem, e aqui mesmo diferente sua Bebel ainda lembra muito sua personagem anterior, pelo menos na forma de agir com um estilo meio que "mandão", o que talvez seja algo de sua personalidade mesmo, já que em outros filmes também trabalhou esse estilo mais impositivo, ou seja, vemos aqui uma garota nata para ser líder, com propostas bem encaixadas, mas ainda precisa trabalhar um pouco mais seu estilo emocional, já que ainda não convence com seu jeito de chorar para que as pessoas fiquem com pena dela. Tivemos ainda bons atos com os jovens Gustavo Coelho e Antônio Zeni como Zico e Beto, cada um do seu jeito de colaborar com a protagonista, tendo boas desenvolturas cênicas, mas sem grandes explosões, e como disse no começo chegamos a ficar até com um certo ranço pela mini-vilã que Sofia Cordeiro entrega com sua Rox, tendo seus atos bem tradicionais de muitos filmes que já vimos mundo afora, mas mostrando que tem uma boa pegada para esse estilo de personagem. Já do lado da turma adulta, vale claro os bons trejeitos de Rafa Muller como o professor da garotada, que sendo PCD ainda deu algumas lições de acessibilidade com sua cadeira de rodas, tivemos alguns momentos simples com Larissa Maciel e José Rubens Chachá como a mãe e o avô da garota, mas sem dúvida o olhar vai todo para cima dos chiliques exagerados de Flávia Garrafa como a tia da jovem, tanto que ela chega até ofuscar o vilão master da trama que é o empresário que testa produtos nos animais, e isso foi um erro meio que grande tanto da atriz quanto da direção.

Visualmente a trama oscilou entre uma escola simples com um uniforme forte para ser bem representativo de um colégio mais fechado, e uma casa bem grande e rica meio que sem acessibilidades para uma jovem cadeirante ser questionada, e claro um laboratório tradicional e um sítio cheio de cachorros presos, ou seja, tudo bem trabalhado para mostrar as dinâmicas, mas sem ir muito além.

Enfim, é um filme simples que dava para virar facilmente uma novela juvenil com uma garota líder chegando e mudando tudo, além de precisar enfrentar uma rival e sua família, que foi condensado para ser um filme e funciona dentro da proposta, mas que dava para ter ido mais além, então fica a recomendação mais para o público-alvo mesmo, pois muitos não vão curtir tanto, mesmo sendo um bom exemplar para um mundo melhor. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Intruso (FOE)

1/07/2024 08:55:00 PM |

Costumo dizer que analisar filmes sobre relacionamentos não é algo muito interessante de se fazer, afinal cada um tem seu jeito de lidar com a vida amorosa e familiar, mas diria que a pegada proposta no longa da Amazon Prime Video, "Intruso", é daquelas que nos fazem pensar bastante o quanto a tecnologia pode avançar e chegar em patamares de trocarem você por outro alguém (um robô ou algo ainda mais melhorado) tão igual inclusive de pensamentos e forma de agir que seu parceiro nem notaria que não era você ali, e claro ao você voltar do que foi fazer por um grande período, como julgaria traições e afeições pelo "não você" que estava ali? Sim, a ideia em si é bem confusa, e até eu me confundi com o que escrevi agora, mas o longa também não é tão fácil de entrega, ou seja, se prepare para uma trama cheia de nuances, de situações conflitivas tanto pela ação em si, quanto pelo desenvolvimento na tela que não lhe explica bem tudo como está ocorrendo, ainda mais com um homem estranho analisando a família ali a todo momento, criando conflitos e tudo mais. Claro que se eu falar muito sobre o final do longa vou estragar um pouco a surpresa, que nem é tão chocante assim, mas que dá as devidas explicações de uma forma rápida, e fecha ainda melhor com a solução escolhida, então vejam, reflitam e pensem na proposta que eu coloquei no começo, seria traição ou não?

A história se passa em uma realidade distópica e acompanha Hen e Junior, casados e habitantes de um mundo quase inabitável. Os dois cultivam um território que está na família do homem há gerações, mas, um dia, um visitante inesperado aparece na casa com uma proposta inesperada.

O diretor e roteirista Garth Davis é daqueles que gostam de trabalhar suas tramas de um modo bem conflitivo e cheio de nuances, de modo que toda a confusão introspectiva que ele cria em cima da adaptação do livro de Iain Reid é toda bem pensada sem deixar furos para que o público possa reclamar disso ou daquilo, de tal forma que em alguns atos ficamos pensando nas paisagens abstratas, na convivência estranha com o homem que afirma coisas meio que bizarras para os protagonistas, ficamos irritados por não captar bem toda a essência de alguns atos e até comovidos com a forma seca de emoções dos protagonistas, mas quando temos a reviravolta tudo é bem conectado e chamativo, ao ponto que mostra um funcionamento bem claro e marcante. Ou seja, o diretor não faz seu filme de um modo muito óbvio, afinal ele quis intrigar bastante o espectador, quis que ficássemos o tempo inteiro achando uma coisa, quando tudo estava realmente bem na cara nossa, e assim a conversa sobre relacionamento atinge ápices que muitos irão parar para refletir, e essa sim era a ideia original, então podemos dizer que o filme mesmo que entregue de forma estranha, funciona.

Quanto das atuações, o trio de protagonistas se desenvolve tão bem em cena que acabam parecendo até íntimos do público, de modo que Saoirse Ronan entrega sua Hen com trejeitos meio que apáticos em alguns momentos, em outros coloca tudo de uma forma mais sofrida, e em alguns até se solta mais, tendo um emocional tão bem colocado que chama muita atenção em tudo, e o melhor, consegue segurar a onda por completo, ao ponto que funciona demais e agrada sem soar cansativa. Da mesma forma Paul Mescal trabalha seu Junior com uma desenvoltura bem trabalhada, tendo sínteses e intensidades demarcadas em seus trejeitos, explodindo em alguns atos e sendo singelo em outros, o que mostra uma facilidade interpretativa bem grande do ator. E para fechar o time, Aaron Pierre acaba sendo um incômodo imenso no meio de todo o conflito, parecendo ser alguém deslocado ali, instigando o casal, e brincando com cada faceta do relacionamento deles, ao ponto que no final mostra toda a desenvoltura para se colocar bem na dinâmica e ainda marcar com seu Terrance, ou seja, conflitivo na medida certa para apertar todas as pontas da trama.

Visualmente, embora o longa se passe em um futuro meio distópico, a trama só mostrou naves algumas vezes, e um carro autônomo, no meio de uma fazenda abandonada com algumas árvores secas e um frigorífico de aves bem automatizado aonde o protagonista trabalha e uma lanchonete aonde a protagonista trabalha, tendo tudo bem fechado na casa deles, com um piano no porão e alguns elos cênicos bem encaixados, e claro um detalhe bem marcante na captura do protagonista em determinado momento, ou seja, a equipe de arte brincou bastante, mas sem gastar muito no orçamento.

Enfim, é um filme denso, com uma proposta mais fechada que até tem uma boa entrega e serve para algumas reflexões, mas nada que seja grandiosamente surpreendente na reviravolta, e claro com um final bem marcante e correto dentro de tudo o que foi apresentado, então vale para quem curte tramas mais introspectivas, sem ser algo que canse como costumeiramente são dramas desse estilo. Então fica a dica para uma sessão mais reflexiva e para algumas discussões sobre o futuro e a substituição dos corpos e mentes. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, já que mais tarde tem Globo de Ouro, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Wish - O Poder Dos Desejos em 3D (Wish)

1/07/2024 12:14:00 AM |

Costumo dizer que uma animação pra ter a assinatura Disney precisa ter boas canções, personagens marcantes e uma desenvoltura que encante o público, e "Wish - O Poder dos Desejos" entrega com perfeição todos essas "regras" e traz ainda boas dinâmicas na tela, sendo que pela primeira vez não coloca uma nova princesa em seu mix com a protagonista, e isso não vou dar spoilers, mas é bem sacado, afinal aqui a trama usa a base da estrela que fez toda a magia Disney acontecer em todas as demais animações, tendo inclusive alguns personagens de seus filmes mais famosos aparecendo em rápidas cenas e depois subindo nos créditos para marcar o centenário da companhia. Claro que poderia ser um filme mais emocionante, daqueles que você precisa de um lencinho depois da sessão, mas acredito que deixaram isso mais para os filmes da Pixar, e aqui o brilho está na magia e no envolvimento com toda a família, e assim sendo o resultado acaba sendo bonito de ver na tela, contando inclusive com um bom carisma dos personagens principais, para quem sabe logo virarem produtos comerciais para a criançada. Ou seja, é a base tradicional deles, que quem gosta entra no clima fácil, mas quem já for preparado para criticar vai achar defeitos em tudo.

"Como surgiu a estrela dos desejos, sobre a qual tantos personagens desejavam?". Essa é a história de Asha, de 17 anos, uma otimista com uma inteligência afiada que se preocupa infinitamente com sua comunidade. Em um momento de desespero, Asha faz um apelo apaixonado às estrelas, que é respondido por uma força cósmica, uma pequena bola de energia ilimitada chamada Estrela. Juntos, eles enfrentam o mais formidável dos inimigos para salvar sua comunidade e provar que quando a vontade de um humano corajoso se conecta com a magia das estrelas, coisas maravilhosas podem acontecer.

O diretor Chris Buck é daqueles que levam sua assinatura para patamares que toda companhia sonha, afinal tem duas de suas animações entre os 20 filmes mais lucrativos da história, com "Frozen II" em 13° lugar e "Frozen" em 16° lugar, que somados fizeram só quase 3 bilhões de dólares de bilheteria, ou seja, seu nome sempre estará cotado para qualquer animação que queira chamar muita atenção, e aqui ele novamente brinca com uma canção tema fácil de grudar na cabeça, cantada em diversos atos no filme, com toda uma produção bem ambientada, e claro voltando a base das animações Disney que é envolver magia nas dinâmicas, e diria até mais, que muitos andavam reclamando da famosa "lacração" que a companhia vinha utilizando, mas aqui ele quis trabalhar de forma bem básica, sem colocar casais, ou outras pegadas que pudessem causar discórdias, mas sim apenas uma jovem sonhadora, animais e claro um vilão imponente bem malvado, o que acaba funcionando e sendo bem colocado na tela, mostrando que pode até ser que não faça a bilheteria que está acostumado, mas não quis "causar" como anda sendo bem a praxe das animações ultimamente.

Quanto dos personagens, diria que a protagonista Asha é bem disposta, tem estilo e carisma para prender a atenção, sendo daquelas aventureiras bem colocadas que não gostam de levar um não para casa, e de uma forma bem simples entrega tudo nos seus atos chamando bastante atenção, e a dubladora nacional Luci Salutes deu um tom de voz que até achei que fosse a mesma dubladora de "Frozen", mas a jovem apenas dublou apenas outros filmes live-action que assisti legendado, então posso dizer que conseguiu chamar atenção e fazer sua personagem marcante e cantando lindamente. E falando em chamar atenção o bode Valentino entregou muita personalidade e carisma, sendo o lado cômico da trama que claro na voz de Marcelo Adnet acabou sendo ainda mais marcante e bem trabalhado, de forma que o filme sem ele seria completamente diferente. Claro que o rei Magnífico ficou bem interessante de ver, pois num primeiro momento parece um galã bem colocado, com um charme completo, mas depois se vira por completo e entrega atos de maldade de nível bem forte, chamando a atenção e conseguindo ser marcante, coisa que a maioria dos vilões não conseguem, e o dublador Raphael Rossato trabalhou todo o tom de voz para chamar muita atenção. Tivemos muitos outros personagens que mereciam talvez um desenvolvimento maior, mas não quiseram fazer uma trama alongada, e assim vale claro citar toda a desenvoltura carismática e cheia de boas sacadas da estrelinha, toda rápida e direta nos trejeitos que escolheram colocar, sendo muito marcante na tela.

Visualmente o longa usa muito do desenho de mesa tradicional do início da Disney, e alguns atos computacionais bem colocados, mas essa estrutura mais clássica deu um tom bonito na tela, sendo charmoso de ver e até dando certas nuances nostálgicas, de modo que a pequena cidade de Rosas tem seu charme, tem moradores bem criativos e dispostos para as danças, e com essa técnica as cores acabaram sendo bem mais realçadas e chamativas, porém para os amigos que gostam da tecnologia 3D, acabou ficando algo pouco imersivo, com raríssimos atos saindo para fora da tela, de modo que foi até engraçado uma criança sentada atrás de mim falando pra mãe que o 3D tinha desligado logo depois da primeira cena, e tenho de concordar com ele, que o filme não brincou em quase nada, e principalmente na cena das bolinhas dos desejos que poderia ficar genial com a tecnologia, o resultado acabou bem morno.

Enfim, as canções são bem marcantes, a principal já estava na boca da garotada antes do longa lançar, e algumas tem pegadas intensas e chamativas, ou seja, é o tradicional que a Disney sempre preza, e dessa forma acaba sendo um filme gostoso e rápido de conferir, que claro, passa longe de tudo o que muitos amam na companhia, mas que é bonito, tem um charme leve e sem soar forçado acaba agrando mais que tudo, então vale a dica para toda a família. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Dogman

1/06/2024 01:27:00 AM |

Acho tão engraçado quando chego no cinema para um filme sem esperar absolutamente nada dele e me deparo com uma trama tão insana, tão recheada de loucuras bem encaixadas que me vejo torcendo pelo protagonista, mesmo ele não sendo uma boa pessoa, mas sem dúvida alguma o melhor de "Dogman" nem é pelo roteiro maluco, mas sim pelas dezenas de cachorros extremamente bem treinados e claro pelo protagonista insanamente diferente de qualquer outro filme que já fez (aliás ainda não aceito que é ele ali não!). Ou seja, é o diretor francês Luc Besson voltando aos seus filmes malucos que entregam tudo na tela sem precisar ficar pensando em nada, mas que funcionam perfeitamente tanto como algo comercial quanto artístico, e isso já disse que é algo brilhante de acertar.

Situado em Nova Jersey, nos Estados Unidos, o longa conta a história de Douglas Munrow, um homem que foi abusado por seu pai e encontrou no companheirismo dos cachorros um refúgio para lidar com os traumas dolorosos de seu passado. Mas Doug e seus cães estão bem longe de uma mera história de “melhor amigo do homem”: ele treinou os animais para que o ajudem a cometer uma série de crimes e defendê-lo contra seus piores inimigos.

Costumo dizer que o diretor e roteirista Luc Besson é daqueles que você não sai da sessão sem ter entendido 100% do que ele queria mostrar, pois nem que ele precise esfregar na sua cara toda a ideia, ele vai fazer, de modo que alguns críticos odeiam isso, mas sou bem adepto desse estilo, afinal ele deixa sempre claro o que queria, não deixando nada em cima do muro, nem floreios reflexivos que acabem deixando o espectador confuso demais. E aqui mesmo brincando com a linha temporal no presente aonde o protagonista vai contar sua vida inteira para a psiquiatra desde quando era criança, a sacada foi bem marcada tanto pelo caso da moça ter o problema de abuso com o marido, e o jovem com a família desde o começo e com a vida claro que lhe deixou a margem de tudo, mas nessa brincadeira de idas e vindas temporais, o diretor não nos deixa confusos, muito pelo contrário, ele faz a síntese ficar emocional de uma forma tão grande que mesmo o protagonista tendo matado muita gente (ele não, mas seus cachorros treinados sim), acabamos tendo um grande afeto por ele, pela vida sofrida, e claro pelas ajudas que deu, e assim sendo, o resultado funciona bem demais, mostrando mais uma vez que da mente do diretor saem coisas tão insanas que não dá para imaginar como tudo isso vem para frente da tela.

Agora estou procurando o rapaz que fez o filme no lugar do Caleb Landry Jones, pois tenho certeza absoluta que não é o mesmo ator que vi em outros longas ali no papel principal, mas brincadeiras a parte, o jovem estourou dois anos atrás em Cannes com outro filme que até hoje não chegou ao Brasil para conferirmos, e mesmo no saudoso "Três Anúncios Para Um Crime" ele já mostrou potencial para papeis mais fechados, e aqui diria que ele chegou num ápice tão grande com seu Douglas, ou Dogman como alguns lhe conhecem, que facilmente vão lhe aparecer muitos papeis de psicopata, muitos papeis de travesti, e tudo mais que seja possível de mudança de personalidade na tela, pois ele não é um apenas ali aparecendo, mas sim muitos outros, tendo pegada, tendo envolvimento, sabendo exatamente aonde quer chegar, e agrada demais, de tal maneira que até poderia pensar em outros nomes para o papel, mas a surpresa de ver ele fazendo tudo isso na tela foi marcante. Jojo T. Gibbs até teve algumas boas nuances expressivas com sua Dra. Evelyn, mas não chamou em quase nenhum ato a responsabilidade para si, de modo que deu as devidas colocações e entonações nas suas perguntas, conseguiu mostrar para o protagonista sua semelhança, mas não foi muito além. Quanto aos demais personagens, vale leves citações para Clemens Schick como o pai do protagonista, Alexander Settineri como o irmão irritante, e claro o jovem Lincoln Powell que faz o protagonista quando jovem, mas sem dúvida quem teve algumas nuances mais marcantes na tela foi Christopher Denham como um segurador bem inconveniente que teve o que merecia, e claro Grace Palma como a paixão do protagonista com sua Salma. E claro não tenho os nomes dos cachorros, mas todos sem exceção foram incrivelmente bem treinados, fizeram olhares e trejeitos bem marcantes e realmente atuaram muito mais que muitos atores em filmes grandes, ou seja, perfeitos!

Visualmente a trama se prende bastante no diálogo entre os protagonistas na cadeia, mas o desenrolar da história mostram uma jaula suja e intensa de rinha de cachorros no começo, sendo algo bem forte e cheio de expressividade cênica, depois tivemos todos os atos teatrais do garoto com sua paixonite pela professora de teatro, mostrando a encenação de várias peças de Shakespeare, o canil com toda a desenvoltura, até chegarmos na casa aonde o protagonista vive com seus cães, em algo bem feio, mas totalmente preparado para a guerra, aliás a cena de guerra é incrível, assim como todas as cenas de furtos das joias, isso sem falar na preparação cênica do protagonista como drag cantando só as divas clássicas no palco, ou seja, um trabalho cênico perfeito e bem marcante.

Enfim, é um tremendo filmaço que não tem nem como piscar com tudo o que é entregue na tela, que talvez optaria por um final ainda mais marcante, mas que tem toda sua função cênica bem colocada e acabará agradando bastante quem for conferir, então fica a dica para todos. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Sociedade da Neve (La Sociedad De La Nieve) (Society Of The Snow)

1/05/2024 12:52:00 AM |

Costumo dizer que existem alguns diretores que nasceram para fazer determinado tipo de filme, que quando se arriscam em outros tipos entregam bons atos, chamam atenção e até ganham muito dinheiro, mas não entregam tudo de melhor que sabem fazer (sim, estou falando também de você Sr. Wan!), de tal forma que J.A. Bayona deu um show alguns anos atrás quase matando de verdade a protagonista em "O Impossível" e agora novamente levou toda a equipe para os Andes para quase matar os protagonistas de "A Sociedade da Neve", mas mais do que a incorporação cênica que conseguiu criar com isso, ele trabalhou uma história tão bem preparada, com tantas nuances e desenvolturas dos personagens, que mesmo já tendo sido contada com o filme "Vivos" de 1993, aqui a síntese vai pegar você, irá sentir preso ali com eles, desanimado com alguns momentos, e com toda certeza emocionado com os atos finais, pois o diretor soube prender o público, colocando em uma história até que longa de quase 150 minutos muita sensibilidade para fazer reflexões e tudo mais, e junto com esse tempo todo, também colocar o público com uma espera grande pelo desfecho, e dessa forma o filme cria a intensidade e choca aonde deve, emociona aonde deve e funciona por completo.

O longa fala sobre o caso que ocorreu em 1972, quando o voo 571 da Força Aérea Uruguaia, fretado para levar uma equipe de rugby ao Chile, cai em uma geleira no coração dos Andes. Apenas 29 de seus 45 passageiros sobrevivem ao acidente. Presos em um dos ambientes mais inacessíveis e hostis no planeta, eles são obrigados a recorrer a medidas extremas para se manterem vivos.

Já falei até que bastante do diretor e roteirista J.A. Bayona no parágrafo inicial, mas ainda tenho que dizer que ele soube ser criativo em uma baseada em fatos reais, e que ainda por cima tem base em cima do livro homônimo de Pablo Verci, ou seja, já tendo tudo pronto ele pegou para si toda a ideia e desenvolveu com tanta nuance expressiva que mesmo que alguns atos possam ter acontecido da forma mostrada, muito de ficcional foi criado para dar as devidas explosões cênicas, e assim sendo vemos algo tão bem trabalhado que claramente não tiveram dúvidas de colocar o longa como escolhido para representar a Espanha nas premiações mundo afora (Oscar, Globo de Ouro, etc), e só não apostaria todas minhas fichas nele por não ter visto muitos os outros candidatos, mas se ganhar com toda certeza irei fazer muita festa tanto pelo longa, quanto pelo diretor, pois como já disse no começo ele tem o dom para esse estilo, então roteiristas que tiverem outros longas com personagens sofrendo ao máximo podem chamar que vai virar sucesso.

O mais interessante é que mesmo não sendo um filme aonde os atores tem uma voz maior, se destacando ou chamando a responsabilidade para si, e sim os atos e expressões que fazem no conjunto, diria que tivemos muitas virtudes marcantes em cada um desde Enzo Vogrincic com seu Numa mais centrado, religioso e preocupado, passando por Agustín Pardella com seu Nando Parrado disposto a tudo para conseguir sair dali, enfrentando tudo e todos, tendo ainda o jovem Matías Recalt com seu Roberto Canessa bem imponente, com uma pegada direta e bem colocada, ou até mesmo com Andy Pruss com seu Roy Harley consertando os rádios para desespero e felicidade em diferentes atos, e claro temos de colocar o corajoso Rafael Federman com seu Eduardo Strauch que acabou alimentando os sobreviventes de um modo inusitado, entre muitos outros que trazem as devidas nuances, mas como disse, sem ter algum destaque maior expressivo, mostrando que todos estavam bem dispostos a dar o máximo no conjunto sem querer chamar atenção.

Quanto do quesito visual quem conhece o diretor sabe que até mesmo num filme de dinossauros ele optou por filmar dentro de florestas para usar o mínimo de computação cênica possível, então aqui diria que ele só fez computação mesmo nas cenas do desastre, afinal são fortíssimas e recriar aquilo de modo prático não deve ter sido algo muito legal, mas foi tão bem feito que estou arrepiando aqui escrevendo depois de passado um bom tempo que vi o longa, ou seja, marque a cena nos 14 minutos, que vai ser tenso. Fora isso, ele levou todo o elenco para os Andes, na Argentina, e fez todo mundo passar bastante frio, colocou a equipe de arte para criar réplicas bem trabalhadas do avião destruído, de malas, de corpos bem realistas para que os personagens comessem a carne dali, botou a equipe de maquiagem para judiar ao máximo dos atores, e muitos perderam bastante peso para as cenas finais, ou seja, um trabalho de primeiro nível artístico, que mesmo sendo triste acaba sendo belíssimo de ver na tela.

Enfim, é daqueles filmes que você se prende, passa mal, fica se mexendo o tempo inteiro na poltrona incomodado com tudo, que até dava para talvez ser um pouco menor para envolver mais rapidamente, mas como falei antes acredito que foi bem proposital do diretor "alongar" a trama para deixar o público incomodado da mesma forma que os sobreviventes ficaram quase 3 meses esperando serem resgatados, e assim sendo dê o play e se prepare, pois a trama tem atos bem chocantes. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Uma Família Extraordinária (Wildflower)

1/04/2024 12:22:00 AM |

Já disse outras vezes que em festivais costumam aparecer muitas dramédias, que são as comédias com tons dramáticos mais pegados, e que usualmente nos filmes americanos quando usam desse estilo costuma sair coisas meio que estranhas não muito agradáveis, porém hoje fui surpreendido com uma trama leve e bem trabalhada na Amazon Prime Video, com "Uma Família Extraordinária", que muitos podem nem se conectar com a ideia, mas a sacada bem desenvolvida em cima de uma garota que praticamente cuida dos pais "especiais" revendo todos os seus conflitos interiores quando entra em coma acaba sendo interessante, contando com nuances divertidas e bem colocadas, que até fluem bem na tela, porém para ficar perfeita como um longa tradicional do gênero precisaria ter causado algum tipo de comoção maior, o que marcaria num nível perfeito todo o desenvolvimento, mas como não aconteceu, o longa entrega bons momentos e funciona dentro das linhas morais de forma interessante, sendo leve e bem colocado na proposta.

A trama - baseada em uma história real - acompanha a jovem Bea Johnson, desde o dia de seu nascimento até o ano de sua formatura. Bea foi forçada a amadurecer muito cedo para aprender a lidar e reconhecer um aspecto importante de sua vida: seus pais, Derek e Sharon, são portadores de deficiência intelectual. Mas tudo muda drasticamente quando, um dia, prestes a se formar, Bea acaba entrando em um coma.

Diria que o diretor e roteirista Matt Smukler quis trabalhar a história real que tinha nas mãos com uma formatação simples até que bem intrigante, pois seu filme não fica preso numa cadência linear tradicional, já que como a jovem está inconsciente tentando lembrar o que aconteceu, vai contando sua história desde quando nasceu, e vai brincando com as dinâmicas para mostrar sua responsabilidade exagerada, e claro também seu estilo mandão demais, o que acaba pesando um pouco em ambos os lados, e assim sendo ele deu todo o vértice da trama para a protagonista, que acabou executando tudo até bem demais, porém faltou ir um pouco mais fundo na dramaticidade emocional, o que acabou deixando apenas para a cena do carro no final com o pai, pois se usado melhor toda a dinâmica no restante do longa teria entregue algo que certamente arrepiaria.

Como já falei que o diretor deixou praticamente o filme nas mãos da protagonista, Kiernan Shipka desenvolveu sua Bea com dinâmicas bem encaixas, um ar meio sarcástico, mas bem responsável, e mesmo que muitos dos atos fossem narrativos (o que costumo implicar bastante), o acerto no tom acabou sendo interessante de ver, pois dá os ganchos que nós pensamos sobre as atitudes que vemos na tela, ou seja, ela conseguiu usar o roteiro ainda ao seu favor, o que é bem difícil de acertar, ou seja, vemos atos tão bem expressados por ela que um filme que tradicionalmente não recairia para um cinema de ator, acabou ficando bem direcionado para ela, o que funciona bastante. Claro que a interpretação de Dash Mihok e Samantha Hyde como os pais deficientes ou especiais como preferem ser chamados foi muito bem controlado, sabendo dosar as emoções e vícios na tela para que fossem singelos, sem explosões ou dramaticidades mais apegadas, e conseguiram chamar as atenções para si justamente nos momentos chaves, o que foi perfeito de ver. Ainda tivemos atos bem trabalhados pelas avós da garota, vividas por Jean Smart e Jacki Weaver bem simbólicas e precisas de estilos, os tios que parecem ter até mais problemas que os pais bem feitos por Alexandra Dadario e Reid Scott, mas sem dúvida os secundários que tiveram melhores interações foram Kannon como a melhor amiga Nai e Charlie Plummer como o namorado Ethan, que talvez exageraram um pouco na sua história, quase quebrando o elo da família como protagonista, mas que funcionou dentro da cena mais tensa entre os dois.

Visualmente a trama fica num hospital com a jovem desacordada e seus familiares em volta, vemos muitas cenas na escola, na casa bem bagunçada da família, e claro em alguns espaços da cidade, mostrando bem a vida da protagonista, seu emprego num clube, o carro da família e muitos elos, de forma que tudo tem bem seus atos simbólicos, mas sem pesar em detalhes cênicos, afinal o que mais conta em filmes desse estilo são os diálogos, e assim sendo apenas foram bem representativos conforme a história se desenvolve e segue bem adequado.

Enfim, é um filme com uma perspectiva interessante e bem trabalhada, que com poucos ajustes poderia ser incrivelmente emocional e funcionar ainda mais, porém vale o play pelo tema diferente, mas que já foi aproveitado por outros problemas em filmes mais conhecidos que chegaram até a levar prêmios. Ou seja, passa longe de ser perfeito, mas é gostoso e inteligente, não forçando tanto a ideia, nem querendo causar na tela, então fica a dica. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Patos! em 3D (Migration)

1/03/2024 12:39:00 AM |

Costumo dizer que se você quer uma animação aonde a história vai conversar muito mais com o público do que os personagens em si você deve ver algo da Pixar, mas se quer diversão e personagens icônicos aonde a história pode até não ser tão marcante, aí a pegada certa é com a Illumination, e se o trailer de "Patos!" no cinema mesmo sem ser visto em 3D já parecia entregar algo incrível com a tecnologia, foi dito e feito ir conferir o longa no cinema com os óculos e pronto, uma sessão cheia de boas sacadas divertidas, muita imersão nas cenas de voos e diversos bicos saindo para fora da tela, ou seja, tudo que quem quer pagar mais caro numa sessão para a criançada se divertir poderá receber. Claro que a história em si é bem trabalhada e mostra as dinâmicas de uma mudança de vida, a proposta de enfrentar o desconhecido e aprender a viver no impulso, mas diria que mesmo trabalhando temas tão cheios de morais imponentes, o que vale mesmo é a diversão e os trejeitos de todos os personagens, pois eles são muito carismáticos, cada um da sua maneira, e que junto de uma dublagem perfeita não tem como não rir durante todo o filme, ou seja, pacote completo de diversão sem dúvida alguma bem colocado.

A família LoPatto está um pouco refém da rotina. Enquanto Mack, o pai, se contenta em manter sua família segura nos arredores de um lago da Nova Inglaterra para sempre, Pam, a mãe, está ansiosa para agitar as coisas e mostrar a seus filhos – o adolescente Dax e a patinha Gwen – o mundo inteiro. Quando uma família de patos migratórios aterrissa em seu lago com histórias emocionantes de lugares distantes, Pam convence Mack a embarcar em uma viagem em família, via Nova York, para a Jamaica tropical. Mas conforme os LoPatto seguem seu trajeto para passar o inverno no sul, o detalhado plano de viagem deles começa a dar errado. A experiência irá inspirá-los a expandir seus horizontes, abrir-se para novos amigos e realizar mais do que jamais pensaram ser capazes, enquanto aprendem mais uns sobre os outros – e sobre si mesmos – do que jamais imaginaram.

O mais engraçado de tudo é que o diretor e roteirista Benjamin Renner é conhecido por animações mais emocionais e cheias de detalhes quase clássicos, então aqui ele resolveu deixar esse seu lado guardado apenas no emocional familiar bem interior, e botou para jogo algo muito mais despojado, de tal forma que cada ato é mais bem trabalhado que o outro, com personagens bem extrovertidos do começo ao fim, e principalmente brincando com muitas nuances seja voando ou no chão, conseguindo ter bem um vilão marcante (colocaram o chef Henrique Fogaça pra dublar um personagem que não fala nada, ou quase nada!) e claro deu boas lições para a garotada, de modo que o filme funciona principalmente pelo desenho bem tridimensional, com muitas sombras, texturas e paisagens, tendo uma dinâmica rápida cheia de pegadas, e assim mostrando um método bem criativo, que se seguir vai chamar muita atenção sempre que aparecer.

Como já disse outras vezes, o único estilo que aceito dublagem é o de animação, afinal não estou vendo um ator mais sim um personagem na tela, e na internet surgiram várias postagens reclamando da produção ter colocado atores e personalidades famosas nacionais para dublar os personagens do filme, e já adianto que as vozes ficaram muito bem colocadas, tirando o Ary Fontoura que tem a voz marcante para o Tio Dan, os demais nem dá para perceber quem são e isso é que é a graça de uma boa animação, de não conhecermos quem está ali, e aquela acabar sendo a voz dos personagens, e assim sendo ignorem todas as bobeiras que estão poluindo os comentários nos vídeos da internet e vá se divertir que todos são muito carismáticos e bem dublados. O pai Mack é muito engraçado mostrando-se inicialmente medroso e fechado acaba se soltando bastante no restante da produção, defendendo tudo e todos e sendo bem colocado em cada cena. A mãe Pam é cheia de desenvoltura e bem emocional na tela. Os filhotes Dax e Gwen são o carisma em forma de patos, com a pequenina sendo mais docinha na voz, mas cheia de traquinagens e o jovem já se achando o que pode fazer tudo. O tio como falei é completamente maluco e encaixou muito bem como ponto cômico de falas mais secas e diretas. Temos ainda Delroy, uma espécie de arara totalmente cheia de atos bem colocados, e claro a pomba Lelé completamente maluca, entre muitos outros personagens que vão aparecendo tendo o destaque para a garça Erin que você vai ficar muito na dúvida se é boazinha ou doida mesmo. e como falei no parágrafo anterior, o chef tem todos trejeitos bem vilanescos, afinal seu prato principal é pato a l'orange (ou pato na laranja como conhecemos por aqui), e está disposto a pegar os patos a qualquer custo, mas que não entendi o motivo de chamar um chef famoso como Henrique Fogaça para dublar alguém que nem tem falas, que só por ser tatuado e tudo mais, não teria nada para o estúdio gastar com ele.

Visualmente o longa é incrível, cheio de nuances nas nuvens, mostrando perspectiva nas cenas da cidade, toda uma sacada de movimentos em ambientes lotadosna pista de dança e dentro do helicóptero, uma "granja" toda cheia de regalias, lagos belíssimos e claro uma Jamaica cheia de elementos visuais que se somarmos a todos os demais detalhes em cada ambiente fazem do filme algo complexo e maravilhoso de ver, e que volto a afirmar que o 3D está sensacional, então veja bicos saindo da tela em muitos atos, perspectivas de imersão nos voos e nas paradas próximas a beirais de prédios, além de muitos outros detalhes soltos que a equipe caprichou para funcionar com a tecnologia.

Enfim, é um longa que talvez pudesse até ter brincado mais com algumas canções para ter ainda mais desenvoltura, talvez pudesse criar alguns atos mais sérios para fixar os motes (como é o caso da bronca do pai no garoto, que depois tem a reviravolta), mas é tão gostoso ver algo apenas para se divertir com a entrega, que acabamos meio que voltando para a infância vendo o filme, e assim sendo vale a recomendação tanto para os pais levar a criançada para rir junto, quanto para aqueles que gostam de boas animações sem pensar em nada, e assim sendo fica a dica para todos. E é isso meus amigos, o longa não é perfeito, mas agrada bastante, então recomendo e fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Abandonadas (查無此心) (Cha Wu Ci Xin) (The Abandoned)

1/02/2024 12:44:00 AM |

Costumo dizer que o cinema oriental tem algumas virtudes que brigam com as falhas na mesma proporção em um único filme, pois conseguem criar uma tensão bem marcante em um filme de mistério junto de colocarem uma trama quase novelesca com personagens tão soltos que raspou a trave para o assassino nem estar no meio do grupo principal, e o pior ainda deixam para desenvolver todas as motivações dele nos últimos minutos de trama juntando com o drama da protagonista. Ou seja, você deve estar achando que odiei o longa taiwanês da Netflix, "Abandonadas", mas posso dizer que até curti bastante, pois ele conseguiu fazer todo o desenvolvimento de algo misterioso funcionar na tela, mas para isso precisou brincar com um excessivo número de personagens desnecessários, criou ambientações abertas demais, e usou alguns gracejos que não precisariam também, mas o mais importante no estilo é que não entregou facilmente o assassino, e assim sendo a pegada foi boa para iniciar o ano com um filme interessante.

A sinopse nos conta que uma detetive estava de luto pela perda do marido e, no momento mais desesperador, descobriu um corpo sem coração, o que levou a uma série de assassinatos brutais. Ela deve trabalhar com uma detetive novata e um possível suspeito para chegar ao fundo do caso.

Diria que o diretor Tseng Ying-Ting teve muita personalidade para desenvolver sua trama sem deixar pistas fáceis na tela, pois tudo é muito aberto na tela, as desenvolturas do caso são enigmáticas, e as duas investigadoras são bem opostas, e com isso ele teve espaço suficiente para que seu filme ficasse redondinho mesmo com tantas possibilidades para ficar aberto, sendo algo que tem estilo próprio e funciona na tela. Ou seja, ele conseguiu criar o ambiente, deu possibilidades para todas as nuances, desde as motivações de crime e os desenrolares, só talvez poderia ter imposto um pouco mais de estilo na investigação, pois acabou parecendo que a investigadora podia fazer o que quisesse, e a outra muito simples na tela, sendo exageradamente novata, mas de resto o resultado acaba sendo bem bom de ver.

Quanto das atuações, diria que Janine Chun-Ning Chang trabalhou bem sua Wu, criando um clima meio de luto para sua personagem que até parece meio inexpressiva em alguns atos, mas suas dinâmicas fazem muito sentido, e com isso o resultado acaba chamando muita atenção em tudo o que faz. Chloe Xiang acabou exagerando demais como uma detetive novata, sendo até boba em alguns atos, mas como isso fazia parte do papel, o resultado até acaba sendo marcante, mas sem grandes idas muito além. E claro Ethan Juan trouxe um ar meio bagunçado para seu protagonista, de modo que fiquei o filme inteiro imaginando que seria ele o assassino e que teria uma grande reviravolta surpreendente no final, afinal ele era meio que o agenciador de imigrantes ilegais, mas trouxe símbolos bem encaixados para seus trejeitos e não desapontou.

Visualmente a trama trabalhou bem a densidade de filmes de assassinos em série, tendo um local bem sinistro aonde os crimes aconteciam, alguns atos bem trabalhados na busca do assassino, atos numa delegacia bagunçada, o mercado de ilegais bem montado e claro boas perseguições de carro, mas sem dúvida o ponto alto da trama é quando vemos as imagens usadas para retratar o que o assassino fazia com suas vítimas, pois ali sim a equipe de arte brilhou muito, ou seja, é daqueles filmes que entregam simplicidade visual, mas que marca.

Enfim, é um filme que dava para ter ido um pouco mais além sem precisar recair para o lado novelesco usual, mas que como o mercado asiático tem ganhado muita notoriedade com as séries, doramas e tramas assim, o resultado acabou funcionando e fugindo para esse lado. Claro que está bem longe de ser algo que vá recomendar ferozmente, mas agradou e não cansou ao menos, então fica a dica para dar play. E é isso meus amigos, queria algo bem melhor para ser o primeiro filme do ano, mas acabou caindo esse no play, então fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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