NAZA

10/26/2026 12:43:00 AM |

Não costumo trazer muitos textos de documentários por aqui, mas como esse vem chamando muita atenção nos festivais, e provavelmente deve estar entre os candidatos de Melhor Documentário no Oscar do ano que vem, eis que resolvi assistir a cabine de "NAZA", que já tinha estreado em alguns poucos cinemas em sessões especiais, e chega na próxima quinta oficialmente no país todo (ou nem todo, pois sabemos que é raro documentários estrearem em salas comerciais!). E de cara me incomodou um pouco que é um documentário aonde não vemos praticamente nada, mas sentimos muito pelas falas, pois como os entrevistados não puderam mostrar suas caras ou vozes, então o longa foi filmado em um terraço de um prédio no escuro, aonde só o entrevistador/diretor aparece e vamos conhecendo um pouco mais dos termos e das dinâmicas de ex-militares de Israel que trabalharam na criação e na execução de programas que junto de inteligências artificiais marcavam os alvos aonde poderiam existir membros do Hamas e assim consequentemente fossem mortos, importando quantos NAZAS eram eliminados juntos (termo esse que não identificava se era criança ou adulto, apenas quantos civis tinham ido para a cova junto do possível alvo realmente). Ou seja, criaram termos para não ter associações humanas, mas sim eliminados e pronto, e isso dá uma agonia gigante de ouvir, o que tornou a trama forte, e que mesmo bem rápida causa muito em quem assiste.

Filmado durante a noite nos telhados de Tel Aviv, o longa investiga os mecanismos e estruturas que, segundo a proposta do filme, sustentam o assassinato em massa de civis palestinos em Gaza. A partir de uma perspectiva documental e investigativa, a produção busca ultrapassar as imagens mais imediatas do conflito para examinar os sistemas políticos, militares e sociais envolvidos na violência. Entre relatos, observações e reflexões, o longa constrói um retrato sobre as consequências humanas do genocídio e questiona as forças que permitem sua continuidade. Ao deslocar o olhar para Israel, Naza propõe uma análise crítica sobre poder, responsabilidade, violência e desumanização.

Se no seu filme anterior "Sem Chão", o diretor e roteirista Yuval Abraham brilhou demais, e com isso conseguiu ganhar o Oscar, aqui ele fez novamente um filme recheado de denúncias com muita personalidade e entrega na tela, porém faltou trabalhar mais isso ao invés de apenas gravar as entrevistas para usar como algo forte. Claro que ele ainda soube muito bem quem utilizar para que seu filme não ficasse vazio, tendo grandes nomes que mesmo não sendo revelados mostraram ser chaves nos atos militares do país, porém costumo dizer que apenas entrevistas em um documentário acaba ficando um resultado morno demais na tela. Agora sem dúvida algumas frases foram bem marcantes, como as que compara os militares de Israel com os militares da Alemanha nazista, fora as de que nem ligavam para que morressem crianças, bebês chorando e tudo mais, e dessa forma o filme ganhou uma densidade forte que com pouquíssimas mudanças visuais impactariam como literalmente uma bomba na tela.

No contexto visual o que posso dizer é que faltou aquele algo a mais que o diretor entregou no longa passado, pois apenas pessoas sendo entrevistadas no escuro cansa a vista de quem assiste e acabou ficando monótono demais, tendo alguns momentos com imagens de arquivo antigas para mostrar as instalações tecnológicas em Gaza contando como Israel se aproveitou disso para monitorar a cidade, mas nada que fizesse o filme caminhar melhor, e assim sendo realmente faltou uma direção de arte para impactar como deveria.

Enfim, é um filme denso, forte e com uma pegada marcante, mas conhecendo o potencial do diretor pelo que fez em seu filme anterior, diria que aqui ele foi um pouco tímido demais, e assim mesmo que tenha uma trama que vai impactar muitos e talvez até ganhar indicações aos principais prêmios, aqui ele falhou um pouco na entrega. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo aos amigos da AtomicaLab Assessoria e da Vitrine Filmes pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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