Victor, Como Hugo (Victor Comme Tout Le Monde) (Hugo)

10/30/2026 01:16:00 AM |

É engraçado como descobrimos as coisas que existem mundo afora, tanto que nunca tinha ouvido falar que existiam "peças" teatrais aonde alguém vai apenas para declamar poemas de determinado escritor e interpretar como isso foi escrito, e aqui no longa "Victor, Como Hugo" vemos que alguns até lotam teatros em várias sessões, e mais ainda existir pessoas que sabem praticamente livros e poemas inteiros de cabeça para declamar, ou seja, realmente eu sou incomum, pois tenho problemas em guardar nomes e tudo mais, quanto mais um poema e/ou livro inteiro. E o longa acaba sendo tão verborrágico que cansa o expectador normal, aonde você fica até esperando um algo a mais da relação do protagonista com sua filha e/ou com as garotas do teatro, mas não flui e até incomoda, de modo que ao final você nem aguenta mais ouvir falar de Victor Hugo, e assim acaba mais enroscado do que funcional.

A sinopse nos conta que inspirado por Victor Hugo, o ator Robert Zucchini carrega consigo uma doce melancolia quando não está no palco. Todas as noites, ele lota as salas de espetáculos, transmitindo seu amor pelas palavras. Até o dia em que reaparece sua filha, que ele não viu crescer… E se, pela primeira vez, amar fosse melhor do que admirar?

Diria que o diretor Pascal Bonitzer tinha uma história muito boa para desenvolver na tela, aonde daria para criar muito mais dinâmicas e envolvimentos, e até fazer o público se emocionar com a essência de poemas e relações familiares, porém ele acabou exagerando na dose de entrega dos poemas, ao ponto que não vemos ações, mas sim toda uma explicação do lugar, da vivência das mulheres, de motivos e tudo mais que acabou deixando o filme alongadíssimo, e pasmem que só tem 89 minutos, mas facilmente parecerá que você está a dias na sala ouvindo o protagonista declamar. Ou seja, o diretor não quis trabalhar técnica em uma produção maior, e assim focou demais no texto e esqueceu que tinha um filme para fazer.

Quanto das atuações, diria que se Fabrice Luchini conseguiu passar o texto completo de seu Robert Zucchini sem a utilização de pontos e/ou paradas gigantescas o cara é um mestre em decorar textos, pois ele fala do começo ao fim do longa, tendo meio respiro que seja, e isso é algo muito intenso na tela, mostrando uma versatilidade bem trabalhada, pois também usou bons trejeitos enquanto declamava e enquanto vivia uma viagem com a filha, e por isso mesmo daria para trabalhar muito mais essa dinâmica, afinal o ator iria bem longe. O trio de garotas Suzanne De Baecque com sua Pia Pépin, Louise Orry-Diquéro com sua Suzanne e Iris Bry com sua Georgia foram bem trabalhadas com um ar amplo, mostrando que a juventude pode se dar bem com atores mais experientes, de modo que elas se desenvolveram bem soltas e talvez com um pouco mais de tempo de tela agradariam mais ainda. E ainda tivemos a filha vivida por Marie Narbonne que ficou um pouco largada demais na tela, sendo até algo meio incômodo a relação entregue, e isso acabou não indo muito além.

Visualmente o longa ficou bem fechado dentro do teatro contando com uma plateia bem recheada de figurantes, alguns momentos em carros, alguns atos em uma padaria e também algumas cenas no teatro mais simples das garotas, além dos atos na casa do protagonista e os finais na cidade aonde viveu o escritor Victor Hugo, mas tudo sendo bem sutil, sem grandes utilizações na tela.

Enfim, é um filme que até tinha um bom potencial, mas que se enrolou demais nos poemas e com isso ficou mediano como trama artística que até é válida em festivais, mas numa sessão comercial ou em um streaming acredito que a maioria desistiria dele. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas amanhã volto com mais longas do Festival de Cinema Francês, e ainda tenho de ver as estreias da semana também, então o final de semana será agitado, fiquem por enquanto com meus abraços e até logo mais.


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