O longa nos conta que Overman é um super-herói brasileiro enfrentando problemas mais brasileiros ainda: desempregado, endividado, vive escondido em uma pensão de terceira categoria, afundado em excessos e em uma enorme crise existencial. Quando o Governador lhe oferece um emprego na Secretaria de Segurança Pública, Overman enxerga a oportunidade de recuperar o prestígio perdido, encontrar algum propósito na vida e voltar a ser reconhecido como herói. Ao lado de sua nova parceira, Pâmela, a mulher-cachorro, ele volta à ativa e precisa enfrentar antigos inimigos para impedir que a cidade mergulhe no caos. Mas, à medida que a ameaça cresce, Overman descobre que seu verdadeiro inimigo está muito mais perto do que imaginava e que, antes de salvar a cidade, talvez precise descobrir que tipo de herói está disposto a ser.
Gosto bastante do estilo do diretor Tomas Portella principalmente por ele não ser daqueles que enrola o espectador, indo diretamente ao ponto ele sabe aonde esticar e aonde desenvolver mais, porém aqui ele cometeu um erro gigantesco que foi o de não apresentar direito os personagens, afinal a grande maioria que for conferir sequer sabia da existência do super-herói, e para uma trama nesse estilo não desenvolver o personagem principal, seus vilões e tudo mais, acaba sendo algo apenas jogado na tela para que seja cumprido algum tipo de encomenda, o que é ruim de acontecer. Ou seja, ele que também assina o roteiro deveria ter pego a ideia original e batido na mesa falando que faria dois filmes, ou então um filme só com uma apresentação, um desenvolvimento e um fechamento, o que acabou não ocorrendo, então dessa vez podemos apontar diretamente a culpa para ele, pois faltou o principal da trama que era fazer o público conhecer mais desse personagem cheio de referências ao jeitinho brasileiro.
Quanto das atuações, conheço bem o potencial que Caco Ciocler tem, mas faltou se desenvolver mais, de forma que seu Overman o tempo inteiro coberto pela máscara não conseguiu trabalhar muitas expressões, de modo que o ator pareceu até com a voz meio amarrada sem ir muito além na tela, mas ao menos o personagem ficou engraçado de se acompanhar. Gosto muito das facetas que Otávio Müller costuma entregar para seus personagens, de modo que aqui como Governador/Capitalista Imundo fez dois personagens em um com uma sagacidade bem encaixada que acaba sendo funcional e divertido de acompanhar, ou seja, caiu bem na escolha feita. Ainda tivemos bons atos de Victor Lamoglia como Ésquilo tradicionalmente aproveitando a boa vida de um cartão corporativo e Karina Ramil se jogando em exageros com sua Pâmela/Mulher-cachorro, mas ainda assim mais usada do que Marina Provenzzano como Pane que só teve efeitos ao invés de uma interpretação mais imponente na tela.
Visualmente o longa tem bons elementos, com a prefeitura em destaque para alguns eventos, a pensão aonde o super-herói vive sendo bem jogada às traças, mostrando somente o quarto aonde divide a beliche com Ésquilo, várias compras bem faceiras assim que chega o cartão sem limites, a casa da influencer bem rica, e claro a prisão do Estado com algumas proteções inusitadas para os poderes dos vilões, tudo feito com um ar meio que sem orçamento, mas de forma bem proposital como acontece na HQ, e assim é claro que o visual do herói ficou também bem jogado e colorido.
Enfim, é um filme até que bacana que com pouquíssimos ajustes poderia se tornar memorável, mas que acabou ficando simples e sem orientações funcionais para chamar uma atenção maior, de forma que não apostaria que vá fazer muito sucesso com o público nacional, mas ainda assim vale uma leve indicação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da AtomicaLab Assessoria, da Migdal Filmes e Elo Studios pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.







0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado por comentar em meu site... desde já agradeço por ler minhas críticas...