Street Fighter

10/15/2026 12:38:00 AM |

Não vou mentir que estava certo de que veria uma grande bomba hoje, pois nenhum dos trailers conseguiu me convencer de que haveria história suficiente para fazer o longa "Street Fighter" funcionar, mas ao menos esperava um bom longa de luta aonde tudo fizesse ao menos algum sentido na tela, como acontecem nos longas chineses e japoneses que já vimos muitas vezes de campeonatos de lutas, e claro lembrava de como ao menos ria com o longa dos anos 90, afinal foi na época que eu jogava os jogos no videogame. E a única coisa que me veio no final dos intermináveis 119 minutos de projeção (que não existe, mas que fiquei esperando ter alguma segunda cena pós-crédito que valorizasse ter uma continuação, já que dão essa deixa logo após os créditos iniciais) é por quais motivos resolveram misturar animação com live-action, e principalmente já que imaginavam fazer uma continuação, por quais motivos não fizeram algo de apresentação ao menos que funcionasse, pois ficou sendo algo jogado na tela, aonde até tentam explicar algumas situações, mas é o tipo de coisa que o diretor ignorou com tanto sucesso, que se duvidar ele achou que tendo na tela apenas algumas cenas "tradicionais" do jogo funcionaria por completo.

A sinopse nos conta que o longa se passa em 1993 e acompanha os lutadores Ryu e Ken Masters quando eles são colocados de volta no combate. Recrutados pela misteriosa Chun-Li, os dois se preparam para participar do World Warrior Tournament, uma brutal briga de socos. No entanto, o inesperado é que por trás desse campeonato se esconde uma conspiração mortal. Destinados a encararem seus demônios do passado para sobreviver, eles embarcam em uma luta fatal.

Nem precisei pesquisar muito e só de abrir o perfil do diretor Kitao Sakurai já vi que seu estilo é praticamente 100% de séries, ou seja, aqui ele acabou perdendo a mão em conseguir construir uma história que funcionasse realmente como filme, ou então que ele desistisse por completo de tentar criar uma história e botasse somente a pancadaria, pois não fez nem uma escolha nem outra. Ou seja, o que vemos na tela são vários momentos desconexos entre si, aonde você tenta entender se está rolando mesmo um campeonato de lutas, se estão ali pelos poderes e brigar com o chefão, ou se apenas fomos ver a imaginação de como seriam os personagens do jogo que brincamos na infância em carne e osso, mas confesso que saí da sessão sem entender nada, e o culpado aqui foi totalmente o diretor.

É até difícil falar de atuações em um filme desse estilo, mas posso dizer que em nível de pancadaria até que os atores (e/ou dublês) conseguiram se manter bem na tela, tendo claro o destaque para Andrew Koji com seu Ryu mais denso e cheio de imposições chamativas, aonde vemos alguém que até talvez tivesse uma boa história para desenvolver, e o ator se mostrou disposto a isso ao invés de apenas sair batendo, mas não era o que o diretor queria, então apenas seguiu com trejeitos marcantes. Ainda não sinto firmeza no estilo de atuar de Noah Centineo, de modo que ele parece não se importar com sua imagem fazendo sempre papeis meio que bobos demais de entrega e acaba fazendo isso de uma forma tão caricata que o resultado fica até falso, ou seja, seu Ken Masters até é engraçado e bobão na tela, mas longe de parecer o personagem que talvez caberia melhor na tela. Já Callina Liang até teve uma desenvoltura maior com sua Chun-Li, tendo uma entrega mais cheia de nuances, botando literalmente o corpo para jogo, e até trabalhando mais trejeitos e dinâmicas, mas volto a frisar que essa não era a intenção do diretor, e assim sendo ficou meio que perdida no longa. Ainda tivemos mais momentos de tela para David Dastmalchian com um M. Bison forçadíssimo que até ficou engraçado de ver seus olhos revirando, mas é o típico vilão que você mais ri do que fica tenso; e Andrew Schulz parecendo um peão rodando para todos os lados sem ir para rumo algum com seu Dan Hibiki, juntamente com Eric André apenas gritando como o locutor Don Sauvage. Quanto aos demais, diria que encaixaram aonde deveriam nas lutas, tendo destaques para 50 Cent como Balrog socando forte, Jason Momoa com um Blanka bem interessante na tela, entre outros.

Visualmente a trama trabalhou alguns ambientes conhecidos do jogo, visuais e figurinos bem fiéis para que os fãs do jogo ficassem felizes com as entregas na tela, e efeitos bacanas para socos e dinâmicas, tendo claro o destaque para o ginásio das lutas e o laboratório de Bison, e além disso tivemos uma animação muito bem desenhada que acredito que valeria ter esquecido os atores e deixado só ela na tela, que seria quase como os animes que vemos bem trabalhados e cheios de traços e imposições funcionais.

Enfim, é um longa com um bom gosto musical, com lutas e dinâmicas até divertidas de ver na tela, que até irá funcionar para alguns fãs do jogo, mas que se perdeu completamente na tela ao misturar animação e personagens reais, e principalmente com uma história sem começo e sem final, aonde nada conseguiu funcionar cinematograficamente, e sendo assim se você for conferir esperando algo do longa não sairá feliz da sessão. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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