Rosebush Pruning

10/16/2026 12:40:00 AM |

Costumo dizer que não sou tão fã de filmes que quebrem todas as caixinhas possíveis, pois prefiro algo mais com o pé no chão do que maluquices e filosofias que forcem a barra na tela, porém quando a loucura funciona dentro de algo não apenas jogado, mas que traga nuances para dentro da tela, aí o rumo muda de lado, e se tem um diretor brasileiro que sabe fazer maluquices boas é Karim Aïnouz que é diferenciado e sabe ser criativo com pegada, aonde muitas vezes nem entendemos bem aonde ele quer chegar com suas histórias, mas geralmente mais acerta do que erra, e aqui em "Rosebush Pruning" ele contou com um elenco que se jogou por completo na loucura, criando relações duplas e ousadas em uma família completamente fora do eixo, aonde ele abusou um pouco demais da narração para julgar tudo o que vai ocorrendo na tela, mas como uma ideia sintética, o resultado flui e mesmo sendo absurdo tudo o que nos projeta ali, o final agrada dentro da proposta original.

O longa acompanha uma família americana privilegiada cuja relação é marcada por conflitos. Enquanto os irmãos Jack, Ed, Anna e Robert vivem às custas da fortuna que herdaram, usufruindo do dinheiro isolados do mundo, as demandas do pai cego dos cinco são ignoradas em favor das mais recentes roupas de grife. Apesar do quinteto buscar amor e acolhimento na relação fraternal, o relacionamento fica prestes a sucumbir quando Jack, o irmão mais velho e eixo central da família, decide abandonar a todos para morar com a namorada Martha. Verdades e segredos há muito escondidos vêm à tona e os laços de sangue implodem, aos poucos desintegrando a família e dando espaço para que os irmãos entrem numa espiral de violência.

Gosto bastante do estilo do diretor Karim Aïnouz, mas sei que ele é o famoso diretor mais de festivais do que de longas comerciais, e aqui com um elenco meio que grandioso demais ele não conseguiu se impor tanto como faz em suas obras mais fechadas. Claro que ele já fez outros filmes estrangeiros, teve uma boa pegada com "O Jogo da Rainha", mas aqui ele teve algo amplo de ideais com nomes e forças explosivas do mundo do cinema atual, e usando a base de uma história que funcionava muito lá na Itália de 1965, agora acabou ficando falho em alguns pontos mais chamativos que não se convencem tanto. Friso com toda certeza que gostei muito do que vi na tela, mas é a famosa loucura demais para se convencer com a entrega dos personagens e da direção, então acredito que ele poderia ter fechado um pouco mais a densidade da trama, algo que ele sabe fazer demais, mas depois de pronto não tem como mudar, então talvez uma edição mais rápida que fizesse algum sentido menos maluco, e assim o resultado final talvez surpreenderia mais.

E falando do elenco cheio de grandes nomes, a base completa é em cima de Callum Turner com seu jeitão que aparenta ser imponente, mas parece meio caipira, de modo que seu Ed tem cenas chamativas, mas seu grande feitio é a narração e a amarração do plano que pensou desde o começo, então talvez se o ator participasse mais ao invés de tanta narração ele conseguiria se impor mais e chamar ainda mais atenção na tela. Já Jamie Bell foi o que mais foi utilizado na tela, tendo interações de todos os tipos com seu Jack, sendo chamativo e com as devidas nuances expressivas, fazendo com que seu personagem fosse o ponto central da trama interligando tudo e todos que o desejavam para algo, e assim sendo o ator conseguiu marcar presença sem fazer muito, e isso é o certo. Lucas Gage com seu Robert e Tracy Letts como o pai da família tiveram alguns atos e falas marcantes, porém não foram tão aproveitados quanto poderiam, sendo até interessante acompanhar eles, mas talvez poderiam ter ido mais além em suas cenas chaves. Do lado feminino da trama tivemos uma boa briga para aparecer, tendo Pamela Anderson como a mãe em pouquíssimas, mas chamativas cenas dentro da história toda; Riley Keough trabalhando uma Anna excessivamente mimada e cheia de desejos, sendo até um pouco chato o ar presencial escolhido; e sobrando para Elle Fanning tentar puxar para si a vertente de sua Martha como a quebra da família, mas como não executa tanto na tela, acaba sendo agraciada pelo plano completo do protagonista.

Visualmente o longa foi bem interessante de propostas, tendo a mansão dos protagonistas com seus vários quartos, mas propriamente mostrando pouco de alguns para não precisar aumentar o orçamento e focando mais na sala de jantar, na de estar/música, além do jardim e da entrada com os cervos, também tivemos alguns momentos na floresta e na casa da mãe e da namorada do rapaz, além de visitas à algumas mansões que estão escolhendo, tudo bem arrumado, mas funcional na tela com o básico e claro tendo bem os elementos cênicos necessários como o sangue da carne, vários genitais e muitos outros elementos que vão ficando mais densos na tela, mostrando que a equipe de arte trabalhou bem em sintonia com o diretor para causar e impressionar nas maluquices dele.

Enfim, é um bom filme que funciona bem em festivais, mas que lançado comercialmente não sei se vai pegar tanta gente, afinal é algo bem fora dos padrões aceitáveis da população normal, sendo assim fica a recomendação para quem não for tão acostumado com o estilo se preparar bem se for encarar ele. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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