O longa conta a história de um candidato à prefeitura de Los Angeles e de sua esposa diante de uma situação inquietante. O filho do casal é sequestrado e a família precisa correr contra o tempo para levantar o valor necessário para o resgate. O dinheiro dos dois foi usado para a campanha eleitoral e o desespero faz com que eles ultrapassem limites que jamais imaginariam cruzar, recorrendo a decisões cada vez mais questionáveis para recuperar o filho. Enquanto tentam manter a aparência de uma família respeitável e preservar a carreira política do candidato, o lado obscuro de suas vidas começam a vir à tona. Dessa forma, o sequestro não ameaça apenas a segurança do filho, mas também a imagem, o relacionamento e tudo o que o casal construiu ao longo dos anos.
Já disse algumas vezes que prefiro Ben Affleck atuando do que dirigindo, principalmente por ele querer sempre ser o protagonista e com isso seu longa acabar ficando quebrado em momentos, ou então ele explodindo para a câmera ficar marcante, mas aqui diria que ele soube se controlar um pouco, tendo algumas dinâmicas interessantes para a desenvoltura e o cerne da produção. De tal forma que o filme acaba tendo uma imposição até com um certo flerte chamativo, aonde acabou brigando bem entre os estilos de drama contra o suspense. Ou seja, ele brincou bem com o roteiro, deu facetas dramáticas fortes, deu uma boa abertura para os demais ao seu redor aparecerem e não sumirem de fato, e ainda deu algumas nuances para tentarmos adivinhar quem seria o sequestrador, mas acabando que não desenvolveu tanto quanto poderia isso na tela.
E falando mais sobre a atuação, diria que todos os principais tiveram suas dinâmicas explosivas e chamativas na tela, tendo claro o destaque completo em cima de Ben Affleck com seu Mark Kimball imponente e explosivo, aonde inicialmente parecia o homem perfeito, um político cheio de virtudes e com tudo lindo ao seu redor, depois com o sequestro virou alguém com tantas camadas que mudou por total, depois virou mais um pouco com a mudança que ocorre, e ao final vira exatamente o tradicional político que usa tudo ao seu favor, sendo bacana de ver seus trejeitos mudando, e com isso indo além do comum na tela. Agora Gillian Anderson fez curso de meditação, oratória e coach tudo junto para fazer com que sua Dayle Burton tivesse uma paz e serenidade nas entonações, que chega a assustar, mas como uma boa agiota tem na ponta da língua a taxa para tudo, e claro seus arredores cheios de assassinos. Já Kerry Washington não fluiu tão bem com sua Abigail, de modo que seus trejeitos, mesmo os mais desesperados e com choro, não convenceram na tela, parecendo meio que artificial e ao mesmo tempo parecendo que até tinha envolvimento em tudo, mas segurou as pontas, e assim agradou na tela com o que fez ao menos. Quanto aos demais, tivemos algumas boas imposições de Steven Yeun como um bom marqueteiro de campanha, querendo tudo para ganhar a eleição, tivemos Adriana Paz fazendo uma Cecília marcante, mas meio que de lado na história, sobrando para Luis Gerardo Méndez com seu Ramon uma boa finalização mais chamativa nos atos que precisou se mostrar, e assim agradar.
Visualmente como falei no começo o longa poderia ser adaptado facilmente para o teatro, pois não tem tanta abertura de cenários sem ser alguns comícios e apresentações políticas, uma festa de Halloween nas ruas e a mansão do político, além de alguns carrões, mas nada que não conseguissem fazer somente em uma sala, tendo claro o fechamento mais chamativo no meio das galerias de enchentes e esgoto, mas diria que a equipe de arte não trabalhou tanto quanto poderia para que seu filme ficasse mais imponente.
Enfim, é um bom filme, que tem pegada e que funciona bastante na tela para discussões sobre políticos, sobre como agir quando você está na mídia e quando não está mais ameaçado, e todas as mudanças éticas que geralmente acontecem conosco numa situação forte como é o caso de um sequestro, então vale a pena dar o play no longa. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.







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