Eddington

11/16/2025 03:12:00 AM |

Hoje foi daqueles dias que vou ao cinema sem saber nada do que veria na tela, pois nem trailer tinha assistido e muito menos lido a sinopse de "Eddington", aliás nem sabia que era do diretor Ari Aster, senão estaria ao menos preparado para a porrada que iria levar, pois sabemos bem que o diretor é daqueles que gosta de chocar e por muitas vezes ir preparando o terreno para que o soco seja bem dado, e meus amigos, que pancada eu levei, saindo do cinema chocado, amarrotado e passado com o que vi na telona, de forma a dizer que esse sem dúvida é o filme mais diferente do diretor, quiçá o melhor dele que já vi, pois é tão insano, mexendo com tantos gatilhos na nossa cabeça, que o resultado vai ficar reverberando um bom tempo na maturação do meu cérebro, pois não é um filme fácil, mas também passa bem longe dos mais difíceis, sabendo brincar com toda a intensidade, e principalmente ser político para mostrar tudo de mais nojento que vimos na política mundial na época da pandemia, e que ainda segue rolando mundo afora. Ou seja, vá preparado para tudo, e se surpreenda com cada minuto, pois vale demais cada impacto que o diretor joga na tela, batendo até nocautear o espectador comum.

O longa se passa em Maio de 2020, durante a pandemia de Covid-19. Na trama, uma desavença entre o xerife e o prefeito de uma pequena cidade do Novo México chamada Eddington rapidamente transforma o local em caos ao estalar um estopim. Vizinhos são colocados uns contra os outros, deixando para trás a serenidade e tranquilidade que aparentemente predominava na cidade.

O mais interessante de tudo é que mesmo sendo bem maluco, esse é o filme mais "comum" do diretor e roteirista Ari Aster, pois entrega algo digamos possível sem ter tantas coisas de outro mundo, magias e esquisitices, mas sim apenas a pessoa de bem que tanto vive com suas armas e que procurava boicotar com gosto todas as normas dos procedimentos da Covid, ou seja, muitos irão ver e conhecer com toda certeza os personagens do longa, e de um modo crítico, mas sem precisar aliviar para nenhum dos lados, o diretor conseguiu causar com muita intensidade e desenvoltura cada ato, trabalhar dinâmicas marcantes que aconteceram realmente, e simbolizar o incomum como comum, dando claro sua pitada de humor negro junto das nuances claras para que o espectador se envolvesse no longa, que por incrível que pareça mesmo tendo 148 minutos não cansa em momento algum. Ou seja, é daqueles longas que você fica pensando como tudo poderia acabar, afinal são fagulhas tão explosivas que nem dá para imaginar o comum ou como apaziguar toda a confusão criada, mas deram um jeitinho à lá gente com muita grana envolvida.

Quanto das atuações, sabemos a qualidade do ator Joaquin Phoenix, mas sequer imaginava o quanto ele poderia ficar insano em uma produção, e olha que já vimos grandes trabalhos seus, mas aqui seu Joe Cross vai ficando tão marcante, tão intenso, tão cheio de dinâmicas com o que faz, sabendo aonde trabalhar seus olhares e trejeitos que acabamos entrando na sua onda, ficamos bravos e revoltados com algumas atitudes suas, mas por fim o que queremos é aplaudir sua loucura, ou seja, deu show, e certamente valeria ao menos uma indicação para ele nas premiações, mesmo o filme não tendo ido tão bem nos EUA. O mais engraçado é que temos muitos outros bons personagens, mas todos funcionam ao redor do protagonista, de modo que Pedro Pascal como o prefeito Ted Garcia tem bons atos de rixa com ele, a sua mulher vivida por Emma Stone mesmo reclusa e estranha caiu bem quando precisou, Austin Butler trabalhou o missionário ou algo do estilo Vernon bem direto, Deirdre O'Connel fez a sogra do protagonista completamente maluca que acaba tendo uma grande participação no final do longa, os policiais vividos por Micheal Ward e Luke Grimes tiveram atos bem intensos e marcantes, e até mesmo o jovem Cameron Mann deu algumas nuances bem interessantes para seu Brian, de modo que vemos todo o lado da politicagem explosiva nas redes sociais, as opiniões mudadas até mesmo por quem pertence a grupos, vemos o caos que foi a pandemia, e toda a loucura do que uma fagulha instantânea acaba virando com o famoso aproveitar as condições para ir incriminando os outros, que cada personagem vai fazendo dentro de suas habilidades.

Visualmente vemos uma cidadezinha no meio do deserto, com uma grande empresa de tecnologia sendo montada, vemos campanhas políticas malucas, toda a insanidade que a pandemia causou juntamente com os famosos protestos após a morte do homem negro por um policial, vemos muitos depósitos de armas, a nuance de limites de municípios. Ou seja, é um longa bem representativo de tantos problemas e dinâmicas, que o resultado visual impressiona desde o começo mais simples com a confusão causada pelas máscaras da pandemia, dos distanciamentos, das conferências por Zoom e algumas escondidas em bares até chegarmos num grandioso tiroteio digno de muitos filmes de guerra, mas com as nuances de um bangue-bangue com inclusive papel ou folhagens passando ao fundo dos protagonistas, e assim o resultado da equipe de arte deu show.

Enfim, é um filme que merecia um sucesso maior, pois é um tremendo filmaço, com nuances que fazem a cabeça do espectador explodir com tudo o que entrega, mas que muitos não vão enxergar tudo o que ele proporciona, o que é uma pena, pois vale demais a conferida, e irei torcer para ao menos o protagonista ganhar alguma indicação nas premiações. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.


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