Netflix - Sonhos de Trem (Train Dreams)

11/27/2025 01:32:00 AM |

São raros os filmes cheios de narração que consigo gostar, pois na maioria das vezes acaba me dando sono com o excesso de "explicações" do que está acontecendo, porém hoje o estilo caiu muito bem para o longa da Netflix, "Sonhos de Trem", que dá as devidas nuances para algo acontecendo no passado, mas que atualmente é bem mais comum, que é o não viver com as pessoas mais importantes, apenas trabalhando para ganhar dinheiro, e acabar perdendo fases e até algo a mais. E a essência da trama acaba tendo uma entrega tão bonita do protagonista, que acabamos nos envolvendo com tudo o que é mostrado, resultando em um filme simples, porém bem efetivo na tela.

O longa nos conta que Robert Grainier é um dos muitos madeireiros responsáveis por construir e expandir ferrovias pelos Estados Unidos no início do século XX. Órfão desde muito jovem, Robert cresceu entre as florestas imponentes do Noroeste do Pacífico. Em um mundo que se transformava cada vez mais rápido durante o agitado século XX, por causa do árduo trabalho, Robert precisou passar longos períodos afastado de quem mais amava: sua esposa Gladys (Felicity Jones) e sua pequena filha. Quando uma tragédia sem precedentes atinge a família, ele precisa aceitar a derrota e se esforçar para relembrar os laços únicos de uma jornada que, ao mesmo tempo, é distinta, mas universal.

É interessante que o diretor e roteirista Clint Bentley soube pegar o conto de Denis Johnson e não ampliá-lo para que ficasse um filme cansativo, de tal maneira que a narração funciona exatamente como uma entrega simples e direta na tela, e a sensação é de algo que transmite bem a essência do personagem, de vivenciar as construções das ferrovias e dos cortes de árvores, juntamente com o distanciamento da família, vendo tudo o que acontecia por ali, os casos de pessoas fugitivas no meio dos desconhecidos e tudo mais, mas a grande base e sacada do diretor foi a de não deixar com que o segundo ato após a tragédia ficasse algo morto na tela, passando bem a sensação que muitos possuem no luto, e assim o resultado ficou marcante e bem chamativo com toda a proposta.

Quanto das atuações, o longa é de Joel Edgerton com seu Robert Grainier, de modo que esse pode ser uma de suas melhores atuações, aonde ele conseguiu passar muita sinceridade nos olhares, conversando muito com o espectador através deles, já que a grande base falada ficou a cargo da narração de Will Patton, ou seja, o ator precisou passar a essência toda de sua vida com traquejos e dinâmicas bem colocadas, aonde vemos tudo funcionar muito bem na tela. Felicity Jones trabalhou alguns bons atos de sua Gladys, sendo uma mulher bem a frente de seu tempo, imponente e trabalhadora, que o diretor não quis utilizar tanto suas dinâmicas, mas no que precisou ela se jogou. Ainda tivemos muitos outros bons papeis bem rápidos com destaques para William H. Macy com seu Arn, Paul Schneider falando mais do que tudo com seu Apóstolo Frank, e Kerry Condon fechando com sua Claire Thompson, mas todos sem grandes chamarizes para não atrapalhar a essência do protagonista.

Visualmente a trama é bem bonita, com muitas cenas em florestas, mostrando os processos antigos de corte e fabricação de pontes e ferrovias, vemos um pouco dos acampamentos, e também a construção da casa dos protagonistas, tivemos uma grandiosa cena com fogo, e depois muitas nuances no ambiente completamente destruído, ou seja, a equipe soube usar bem o que tinham, não precisando de muitos detalhes, mas sim colocações fortes nos atos mais precisos.

Enfim, é um longa que talvez pedisse um algo a mais, mas que acabaria talvez perdendo a essência e a proposta, então acabou sendo curto e direto aonde precisava chegar, e assim valendo o play e a reflexão que ele propõe sobre trabalharmos muito e vivermos pouco com quem realmente importa. E é isso meus amigos, então fica a dica para um play mais reflexivo, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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