O longa nos conta que após quinze anos de casamento, uma crise coloca à prova a união de Julien e Marie. Quando Anaëlle, o grande amor de juventude de Julien, reaparece, Marie entra em pânico. Perdida em uma espiral infernal de ciúmes e autodepreciação, Marie se deixa levar para uma aventura com Thomas, que se revelará tão manipulador quanto perigoso.
É interessante que mesmo já escrevendo e dirigindo a bastante tempo, ainda vemos e lembramos bem mais Anne Le Ny atuando como em "Intocáveis" ou "Stillwater", e acredito que deva ser principalmente pelas escolhas de estilo, já que suas tramas recaem muito para o lado mais novelesco, e assim essa seria sua primeira mudança para um lado mais de suspense psicológico, mas ainda assim não conseguiu desgrudar, ao ponto que seu filme até tem estilo, tem alguns momentos tensos, mas faltou deixar fluir sem precisar forçar, e isso só com o tempo mesmo para conseguir mudar a essência e virar essa chave.
Quanto das atuações, Élodie Bouchez trabalhou sua Marie com traquejos até que interessantes, se vendo entrar em apuros quando acaba entrando no jogo do seu chefe, mas julgava que ela iria trabalhar em outros rumos ou expressões, que talvez daria um tom mais chamativo para o papel, pois faltou ir mais além e causar com dinâmicas mais de medo ou temor, parecendo até estar curtindo o conflito de ciúmes em alguns atos. José Garcia até tentou ser mais chamativo com seu Thomas, porém exagerou no tom e ficou parecendo mais um maníaco do que um CEO de empresa, desenvolvendo algumas expressões até caricatas demais para o papel, que acabou não dando muito certo. Particularmente gosto do estilo de atuação de Omar Sy, mas aqui seu Julien ficou meio que em cima do muro, tendo alguns momentos mais expressivos de fúria, mas se fechando demais e não indo muito além, o que é uma pena. Quanto aos demais, tentaram dar um algo a mais para Vanessa Paradis com sua Anaëlle, mas nada que fosse muito além.
Visualmente a trama mostra a casa mais simples da família, com seus defeitos, mas tendo um ar mais de campo mesmo bem interessante, tivemos alguns momentos numa empresa de máquinas, não mostrando efetivamente o que produziam, tendo mais cenas no escritório que está passando por uma auditoria, e cenas no hotel aonde o CEO está hospedado, além do bar de Anaëlle e outro vizinho com alguns drinks até que bonitos, e também mais próximo ao fim vemos o ateliê da irmã da protagonista, tudo bem básicos e sem grandes chamarizes.
Enfim, é um passatempo até que interessante, que tem uma pegada bem colocada de suspense psicológico, mas que acabou indo muito para o lado dramático novelesco, e isso acabou baixando um pouco o nível da trama. E é isso meus amigos, fica essa ressalva para quem for conferir ele no Festival, para que saibam o que vão encontrar. Fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.







0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado por comentar em meu site... desde já agradeço por ler minhas críticas...