13 Dias, 13 Noites (13 Jours, 13 Nuits)

11/28/2025 01:41:00 AM |

Sei que festivais costumam trazer tramas de todos os estilos, mas geralmente os franceses focam muito em dramas cômicos, porém nos últimos anos tem aparecido boas tramas de ação, suspense policial, ou até mesmo dramas mais contundentes com questões políticas fortes, e desde que saíram os filmes que entrariam nesse ano, um dos filmes que mais tinha atraído minha atenção era "13 Dias, 13 Noites", e minha intuição raramente tem falhado, pois conferindo ele hoje foi um tremendo de um filmaço tenso, denso e cheio de nuances impactantes, mostrando uma história real bem complexa da última embaixada a deixar o Afeganistão quando o Talibã retomou o poder, aonde vemos negociações dificílimas, pessoas sendo escolhidas para sair enquanto outras tem de ficar no país, atentados e tudo mais que faz você ficar na ponta da poltrona só esperando o caos dominar até o final, sendo daqueles que facilmente ficarão guardados como um dos que valem a indicação para os amigos, e até mesmo rever, pois além de ser uma tremenda história, a produção é imponentíssima, chamando atenção demais na tela do começo ao fim.

O longa é ambientado em Cabul, no Afeganistão, em agosto de 2021, e inspirado em uma história real. Enquanto as tropas americanas se retiram, os Talibãs tomam a capital e milhares de afegãos buscam refúgio na Embaixada da França, protegida pelo comandante Mohamed Bida e seus homens. Cercado, ele negocia com os Talibãs para organizar, com a ajuda de Eva, uma humanitária franco-afegã, um último comboio em direção ao aeroporto. 

O diretor Martin Bourboulon já está bem acostumado com orçamentos milionários, afinal fez os novos "Três Mosqueteiros: D'Artagnan" e "Milady", e aqui certamente gastou um bom dinheiro para que sua trama fosse imponente na tela e tivesse toda a personalidade que o verdadeiro Mohamed Bida escreveu sobre sua vivência na saída do Afeganistão, pois dava para ser uma trama de tantas formas que a impressão que fica na tela é que vemos algo que foi tão conversado entre a direção e o verdadeiro personagem que não poderia ser diferente do que vemos, aonde tudo é marcado pela famosa sensação que uma virada de lado de alguém ali poderia dar muito errado, causar um caos tremendo, e isso é o cinema de tensão ´feito da melhor forma possível, aonde o espectador acaba se sentindo no meio dos personagens, tentando dar o seu melhor para que todos cheguem com vida, e isso acaba sendo lindo de ver, mesmo que você precise tomar algo depois para se acalmar, e mostra o potencial do diretor voltando, pois em "Milady" ele fez tudo automático demais.

Quanto das atuações, o que mais gosto de Roschdy Zem é que ele é daqueles que se joga por completo nas tramas que entra, de modo que faz trejeitos, briga, se impõe e tudo mais, e aqui fazendo o protagonista Mohamed Bida, conseguiu trabalhar tudo de forma a ainda dar um tom forte para o personagem, pois pode até ser que o verdadeiro não tivesse tanta imposição assim, mas com o ator quase foi um daqueles que até o maior terrorista respeita. A entrega de Lyna Khoudri para com sua Eva também foi bem marcante, ao ponto de que se a verdadeira Eva foi tão corajosa quanto a personagem deveria ser um exemplo, pois encarar os terroristas com uma arma apontada na cabeça, sendo mulher num país daquele tipo, e ainda sobreviver, dando um resultado tão chamativo, que a atriz acabou indo até além do que precisava. Quanto aos demais personagens, vale dar leves destaques para Sidse Babett Knudsen com sua Kate, fazendo daquelas jornalistas malucas que enfrentam tudo e todos, e também para Christophe Montenez com seu Martin, que facilmente pegaria seus soldados e dariam o fora dali o quanto antes, mas que foram bem convencidos pelos protagonistas a ficar e ajudar. 

Visualmente o longa tem uma entrega incrível, pois tem tantos figurantes em cena, seja na entrada da embaixada francesa, seja no aeroporto, com comboios de ônibus e muito desespero, sendo algo marcante pelas grandes aeronaves, filas, e dinâmicas bem abertas, mostrando que o diretor não teve medo de abrir a câmera para mostrar tudo o que foi gravado, pois com muita certeza se fosse um filme americano do mesmo tema seria trabalhado em planos fechados sem impor e marcar tudo na tela, então vale a conferida num cinema bem grande para se empolgar com tudo o que a equipe de arte conseguiu entregar.

Enfim, é um tremendo filmaço que talvez poderia ser ainda mais perfeito com pouquíssimos cortes de atos não tão importantes, mas toda a essência faz você nem piscar os olhos que faz valer demais a recomendação de conferida nele agora no Festival de Cinema Francês, pois como costumo falar, depois torcer para que estreie na sua cidade ou streaming é bem difícil (a não ser que more em capitais), então aproveite que ainda terá muitas sessões e vá. E é isso meus amigos, comecei bem o Festival, e voltarei ainda com muitas outras dicas, então abraços e até logo mais.


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