Costumo falar que o diretor e roteirista Guillermo del Toro é o doido controlado, aqueles que tomam remédio tarja preta para ficarem bem nos momentos que precisam estar bem e que chega alguns dias nas gravações sem tomar nada e sai tanta loucura que nem dá para imaginar, e isso não é ruim, muito pelo contrário, se o longa não for baseado em algo real, quanto mais sair da caixa o resultado mais empolgará o espectador, claro que tendo as devidas ressalvas para que não fique algo que não dê para entender ou então que não seja suficientemente explicado para não ser apenas algo jogado na tela. Ou seja, o diretor brincou bastante com o clássico de Mary Shelley, deu sua roupagem, trabalhou com uma forma capitular interessante (talvez desnecessária), e o resultado funcionou bem na tela, porém acredito que dava para ter ido ainda mais além, criando alguns vértices mais malucos do que violentos, pois alguns excessos de sangue soaram apenas para mostrar a força da criatura, e talvez com uma essência mais psicológica chamaria uma densidade mais sombria do que potente.
Quanto das atuações, posso dizer que Oscar Isaac foi bem intenso com seu Victor Frankenstein trabalhando olhares e nuances diretas, com imposições marcantes, e principalmente mostrando o lado mais doido da medicina, quando alguns médicos viram monstros e querem criar vida contra a ordem natural das coisas, sendo chamativo e conseguindo com que o olhar do público o focasse sempre que estivesse em cena. Jacob Elordi ficou bem diferente do que estamos acostumados a ver com sua Criatura, pois o tradicional galã dos filmes românticos da Netflix, aqui apareceu todo desfigurado, com traquejos bem de monstros, e com uma força brutal para as cenas mais de impacto, ou seja, não trabalhou tanto expressões, mas soube ser determinado nas cenas e chamando bem todas para seu papel. Outro que não reconheci na tela foi Christoph Waltz, pois com seu Harlander acabou ficando pouco tempo na tela, e não fez o que costuma tanto fazer, que é ficar em evidencia, de modo que seu personagem até tem alguns momentos marcantes, mas não impacta como deveria. Da mesma forma os papeis de Mia Goth e Felix Kammerer com seus Elizabeth e William tiveram algumas nuances chamativas, mas sem causar grandes impactos cênicos ficaram bem singelos nas devidas entregas. Vale ainda leves destaques para Christian Covery como o jovem Victor pelo estilo do rapaz bem chamativo e Charles Dance bem imponente como o pai dos garotos.
Visualmente quando vi o estilo do longa fiquei preocupado de ser daqueles filmes tão escuros que não veria nada na minha tela, mas souberam usar a fotografia de forma tão satisfatória que o tom acaba ficando belíssimo de assistir, tendo dinâmicas de época, cenas bem sanguinolentas, e claro botando muita maquiagem e robótica para jogo, pois o diretor é daquele que prefere efeitos práticos ao invés de computação em excesso, ou seja, o resultado ficou bem imponente na tela, funcionando como deveria desde um barco gigantesco no meio do gelo até um castelo indo pelos ares com uma grande explosão.
Enfim, é um filme grandioso que me entregou justamente o que esperava dele, que era o de ser uma superprodução, com a cara de Del Toro, ou seja, totalmente maluca, mas centrada em um bom foco, que dava para ir por diversos caminhos, dava para ser menos ou mais violenta do que foi, mas que principalmente foi diferente de todas as que já vimos sobre o médico e o monstro de Mary Shelley, e assim sendo acaba valendo o play na plataforma, com um bom detalhe a ser contado que é a duração de quase 150 minutos, que felizmente não chegam a cansar "tanto". E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.







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