Verão Na Sicília (Gioia Mia) (Sweetheart)

11/13/2025 12:59:00 AM |

É interessante como os italianos gostam de trabalhar tramas que flertam com a infância, mostrando as desventuras da mudança e as frustrações dessa fase, de modo que se bem trabalhado costuma emocionar e envolver, ou então acabam virando algo tão monótono que faz dormir com menos de 20 minutos de tela, mas felizmente o longa "Verão Na Sicília", que pode ser conferido no Festival de Cinema Italiano no Brasil, faz parte do primeiro grupo, sendo uma trama leve, rápida e bem colocada de um jovem que vai a contragosto passar as férias com uma tia idosa praticamente na Idade Média, sem wi-fi, sem os amigos tradicionais, tendo costumes e comidas diferentes e tudo mais, e sendo bem alocado dentro da ideia do aprendizado com os mais velhos, vemos também algumas boas lições e dinâmicas, que talvez se tivesse mais dos atos finais, e menos dos iniciais, o resultado acabaria sendo incrível, mas não dá para mudar algo feito, então o envolvimento demora um pouco para acontecer, porém fecha bem demais.

A sinopse nos conta que Nico é um menino inquieto, irreverente e cheio de personalidade, criado em uma família laica, num mundo moderno e hiperconectado. Durante o verão, é enviado à Sicília para passar uma temporada com uma tia solteirona, extremamente religiosa e de temperamento difícil, que vive sozinha em um antigo casarão tomado por lendas e superstições, completamente à margem da tecnologia. Recebido com resistência, Nico é inserido à força em um universo místico dominado por anjos, espíritos e uma fé carregada de magia. O confronto entre o presente veloz e o passado silencioso marca o início de uma convivência turbulenta — mas, pouco a pouco, nasce entre os dois um vínculo profundo que mudará suas vidas.

Claro que talvez essa falta de conhecimento técnico para dimensionar mais uma parte do que a outra será algo que a diretora e roteirista estreante, Margherita Spampinato irá melhorar, mas ela soube usar bem os personagens e criar as dinâmicas talvez pensando na sua própria infância, e conseguir enxergar isso naturalmente na tela é bem bacana de acontecer. Ou seja, o filme é simples, tem algumas nuances bem colocadas, e até dava para ter ido mais além, mas como é um primeiro trabalho se nota o primor de alguns detalhes que quis colocar, e isso dava para eliminar para dar mais dinamicidade para a trama, não que não seja bonito ver uma toalhinha de mesa cheia de detalhes, mas dava para cortar alguns elos, e isso só com um editor livre da direção.

Quanto das atuações, posso afirmar que o garotinho Marco Fiore se seguir na carreira de atuação vai ser daqueles que vão chamar muita atenção, pois é um garoto com trejeitos bonitos, e que mesmo não tendo uma direção tão imponente, conseguiu fazer com que seu Nico não ficasse jogado como um protagonista sem fluxo, de forma que ele tem uma boa dinâmica nos olhares e chama o papel para si, o que acaba agradando bastante. Já a experiência de Aurora Quattrocchi foi bem importante para segurar as cenas do garoto, mas principalmente para dar um ar mais duro para sua Gela, criando alguns atos até mais duros e diretos, mas que envolve de um modo geral e agrada na tela. Ainda vale um leve destaque para Martina Ziami com sua Rosa meio fechada e durona, mas que entregou bons momentos para criar o ambiente com o garotinho.

Visualmente o longa foi interessante pelo prédio/casarão com seus vários apartamentos rústicos e antigos, com detalhes simples, porém marcantes como o excesso de imagens religiosas, o ambiente mais fechado nos apartamentos sem moradores, o pátio comum aonde as crianças brincaram, a praia bem colocada nos atos finais, tudo com muitos elementos cênicos representativos quase como um livro foleado. 

Enfim, é um longa que tem boas alegorias e momentos interessantes na tela, que nas mãos de um diretor mais experiente certamente impactaria muito mais, mas ainda assim é gostoso de acompanhar e funciona dentro da proposta, então fica a dica para dar play nele no Festival. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com um dos filmes que mais estava esperando nesse ano, então abraços e até logo mais.


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