Netflix - A Fuga das Galinhas: A Ameaça Dos Nuggets (Chicken Run: Dawn of the Nugget)

12/16/2023 08:11:00 PM |

Acredito que nos próximos anos veremos muitos filmes que fizeram sucesso ganhando continuações ou refilmagens, afinal as ideias novas andam dando muitos conflitos, então sempre é bom voltar para a segurança de um sucesso e dar um novo tom. Claro que toda continuação trará muitas comparações com o original, principalmente quando foi algo que marcou uma época, e sem dúvida existe a Aardman antes e depois de "A Fuga das Galinhas" de 2000, que abrilhantou os cinemas mundo afora, e agora com a Netflix comprando os direitos veremos ainda outros frutos da companhia nas telas de nossas TVs, afinal a parceria aparentemente foi bem boa. Então o que tenho a dizer sobre "A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets"? Que é uma entrega bem divertida, com boas sacadas, e principalmente brincando com o modo inverso, de não fugir e sim invadir uma grande instalação, e brincar com as ideias de comida rápida, de liberdade versus felicidade, além de terem conseguido muitos dos dubladores originais na versão nacional para que voltassem com suas vozes aqui, ou seja, é quase voltar 23 anos atrás e se divertir da mesma forma. Claro que dava para terem trabalhado ainda mais na ilha para mostrar mais da vida delas lá, mas acredito que isso acabará virando algum tipo de série dentro da plataforma, afinal amam esse estilo novelesco por lá, mas deixaram claro uma possível continuação para breve com o final entregue, então vamos aguardar.

O filme original acompanhou um bando de galinhas que decidem escapar da fazenda em que vivem contra sua vontade, comandada por uma dupla de maus proprietários. No novo longa a adorável galinha Ginger, que conseguiu escapar da fazenda no primeiro longa, agora leva uma vida pacífica em uma bela ilha que serve de refúgio para todas as suas amigas galinhas. E seu final feliz parece ainda mais perfeito quando ela e seu companheiro, Rocky, chocam uma adorável avezinha chamada Molly. Porém, uma nova - e ainda mais terrível - ameaça surge para abalar as vidas de Ginger e suas amigas.

Um único adendo que gostaria de ter visto é que o longa tivesse sido comandado pelos diretores do original Peter Lord e Nick Park, pois já tinham toda a desenvoltura de seus personagens e sabiam exatamente aonde seguir para que sua trama tivesse vida própria, mas Sam Fell, que fez o brilhante "Paranorman" em 2012, conseguiu pegar o roteiro de Karey Kirkpatrick que também trabalhou no original e dar nuances bem encaixadas, sacadas bem colocadas e brincar com toda a situação inicial de uma criança muito semelhante à mãe, ansiosa por liberdade, querendo conhecer o mundo, e não podendo com a mãe lhe amarrando suas patinhas, de tal forma que o longa teve um lado brincalhão bem misturado com uma pegada que tentou ser séria, mas que não ficou muito explícita na tela, sendo que não vai além. Ou seja, ele até tentou dar uma pegada em alguns âmbitos, mas logo percebeu que não era o melhor caminho, deixando o filme livre para divertir e seguir, que até tem um miolo rápido, mas que dava para florear mais para agradar melhor.

Quanto das galinhas, ops dos personagens, foi uma grata surpresa ouvir ainda a voz de Miriam Ficher dentro da personalidade de sua Ginger, que não envelheceu nem um ano em todo esse tempo, e claro mostrou como uma mãe bem cautelosa com sua cria, botando seus planos em ação e se jogando para cima de tudo numa briga frenética bem encaixada nos atos finais. A pequena Molly foi bem carismática e se conectou demais com Frizzle dentro da granja que pareceu bem um mundo mágico e feliz, tendo boas interações e sabendo bem se virar sozinha. Ainda tivemos claro o galo Rocky bem atrapalhado, mas cheio de boa vontade, os ratinhos Nick e Fetcher com suas trocas, aqui ajudando mais na missão do que apenas vendendo seus equipamentos, e todos os demais muito bem conectados, sendo uma trama ampla que embora seja simples vai agradar a todos.

Visualmente se no primeiro filme era bem notável toda a técnica de stop-motion com todos os personagens em massinha vivendo num cenário bem detalhado, aqui ficou bem claro que usaram muita computação, mas não atrapalhou em nada, sendo até mais intenso nos atos internos da granja, mas com um cuidado bem trabalhado para mostrar muita tecnologia (algumas nem tanto como a leitura ocular! rss), mas tendo uma ilha bem cheia de elementos, muitos robôs e claro todos os artifícios de um plano bem inusitado que funciona e diverte bastante bem ao estilo "Missão Impossível" de ser, ou seja, a equipe de arte trabalhou muito para que tudo tivesse estilo e agradasse na tela.

Enfim, é um filme que vai divertir toda a família, que é bem gostoso de ver, mas que por ser um fã do original acabei esperando um pouco a mais do que entregaram, e assim fiquei um pouco decepcionado com o aceleramento para entregar tudo, e o não desenvolvimento de personagens como aconteceu no passado, mas que ainda assim ficou bacana de conferir. E é isso pessoal, deixo a recomendação claro para que todos vejam, e volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Malvado - Horror No Natal (The Mean One)

12/16/2023 02:11:00 AM |

Confesso que não sou nem o maior apreciador de longas natalinos, muito menos um grande amante de filmes de terror do estilo slasher mais bizarro propriamente dito, mas tinha ficado bem interessado na proposta do longa "O Malvado - Horror No Natal", e mesmo não vindo para a cidade nos cinemas, estreando claro nas capitais e algumas outras cidades, o pessoal da A2 Filmes mandou uma cabine de imprensa para que eu conferisse, e olha... a entrega do longa é completamente bizarra, mas bem divertida de acompanhar, de forma que quem gosta desse gênero de terror mais tosco, com pedaços de pessoas voando para todos os lados, de forma que acho que até classifiquei ele erroneamente, pois está mais puxado para o gore do que para o slasher, afinal o monstro tem "um motivo" para sair matando quem quer que balance um sininho ou qualquer outra coisa natalina, e não sair matando aleatoriamente, e dessa forma o bicho é insano, fazendo triturado de pessoas de tudo quanto é forma, sendo bem imponente nesse sentido. Claro que a história em si é boba, e os demais personagens são tão bobos que merecem ser comidos pelo bicho, mas o conteúdo completo acaba sendo bem interessante, não sendo o melhor do meu gosto pessoal, mas que muitos vão curtir, isso é fato.

A sinopse nos conta que em uma pacata cidade montanhosa, Cindy tem seus pais assassinados e seu Natal roubado por uma figura verde sedenta de sangue em um traje vermelho de Papai Noel – uma espécie de Grinch, da lenda natalina da literatura. Mas quando a voraz criatura que odeia o Natal começa a aterrorizar a cidade e ameaça arruinar o feriado, ela encontra um novo propósito - prender e matar o monstro.

Claro que o diretor e roteirista Steven LaMorte quis dar uma pegada bem diferente para o seu monstro assassino, usando até um pouco de coisas fora de senso total, mas como a ideia foi brincar com o personagem e com as mortes bem ousadas que são entregues, o resultado acaba chamando muita atenção, tendo sua desenvoltura e intensidade, de forma que mesmo quem não é tão fã do estilo propriamente dito acabará entrando no clima tosco da produção, sendo algo meio próximo de outros filmes do estilo, como "Terrifier", mas contando com a pegada natalina, de alguém que não curte a data e acaba atacando quem queira festejar. Ou seja, muitos andam reclamando do filme na internet, mas com toda certeza foram conferir achando ser mais uma versão de "O Grinch" de Dr. Seuss, mas não espere isso, senão a chance de reclamar de tudo é bem alta.

E já que falei em "Terrifier", o ator David Howard Thornton que fez o palhaço protagonista assassino lá, vem agora como o bichão verde Malvado aqui, entregando claro seus trejeitos bem marcados e mortes feitas da melhor forma possível, que acaba sendo por vezes engraçada, mas também bem encaixada, o que acaba agradando dentro da trama. A jovem Krystle Martin acabou soando um pouco forçada demais com sua Cindy, de modo que acaba inicialmente sendo pacata demais e assustada demais, mas depois acaba virando quase uma guerreira ninja treinando em tão pouco tempo que não convence com tudo o que faz. Ainda tivemos o policial jovem que entrega ares apaixonados rapidamente de cara que Chase Mullins acaba desenvolvendo, e o policial já antigo que de cara se nota que está envolvido com a prefeita, ambos feitos por Erik Baker e Amy Schumacher, que até tentam entregar alguns trejeitos, mas nada que seja surpreendentes suficiente na trama, ao ponto que torcemos para serem comidos logo.

Visualmente a trama também tem um estilo meio que exagerado, com mortes bem estraçalhadas e estranhas, mas que dão o show para o filme com tripas voando, pessoas sendo trituradas e tudo mais que você possa imaginar, e claro nos atos de luta/armas a jovem e o cara que parece o Papai Noel atacam com coisas bem intensas e interessantes de ver, dando um tom ainda mais bizarro para tudo.

Enfim, é daqueles filmes que muitos vão odiar, outros vão gostar bastante da entrega, mas que entrega o que se propõe a fazer, e assim sendo acaba sendo bacana de ver. Claro que volto a frisar para não ir conferir esperando um longa natalino tradicional ou um terror bem montadinho com algum suspense, pois não é essa a ideia, mas foi até melhor do que eu esperava ver, valendo a recomendação com essas ressalvas. E é isso pessoal, fico por aqui hoje mais uma vez agradecendo o pessoal da A2 Filmes, e volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Puan

12/15/2023 01:02:00 AM |

Sem dúvida alguma sou um amante do cinema argentino, gosto de ver as perspectivas que acabam fluindo para várias vertentes e possibilidades, mas assim como outros países, costumam aparecer algumas obras que entregam dinâmicas que parecem mais estranhas do que interessantes suficientemente para agradar um ou outro tipo de público. Mas qual o motivo de ter começado o texto de "Puan" dessa forma? Diria que fui com muita sede ao pote, esperando um filme mais intenso dentro das situações, que mostrasse uma vertente politizada bem encaixada da filosofia dentro de faculdades, da vida das pessoas, e claro das mudanças estruturais que entender aonde tudo se encaixa nesse mundo maluco atual, aonde algumas pessoas veem oportunidades e acabam permeando tudo dentro dessas ideologias, porém o filme acaba sendo meio que cômico demais em alguns momentos, aberto demais em outros, não fluindo com um ritmo agradável que chamasse mais atenção e nem os grandes atores conseguiram mostrar muito mais sobre tudo, resultando em um filme que não é algo ruim de ver, mas que facilmente daria para ser muito melhor, e que diferente de muitos outros longas argentinos, muitos irão se perder na ideia toda e acabar desgostando do resultado.

Na trama, um professor de filosofia está prestes a conquistar o cargo que almeja há anos, mas um concorrente pela vaga acaba afetando seus planos. Após a morte repentina de seu mentor, Marcelo Pena está pronto para preencher a cadeira de professor titular de Filosofia da Universidade de Buenos Aires. Mesmo sendo a aparente escolha certeira para a função, seus esforços de anos podem ser em vão, porque tudo muda com o retorno de Rafael Sujarchuk, seu colega mais atraente e carismático.

Os diretores e roteiristas María Alché e Benjamín Naishtat até desenvolveram bem os últimos atos e deram algumas nuances bem fortes do modo como a filosofia atua na vida pública, mas diria que o miolo acabou se perdendo demais, tendo atos sem grande vitalidade, e algumas dinâmicas até que cansativas demais no contexto geral. Claro que a pegada do filme até tem um certo atrativo mais pegado, e usaram a personalidade de um ator chamativo para vender ele, pois seu personagem é quase um enfeite técnico, mas ao menos o resultado geral funciona dentro de uma proposta e acaba sendo interessante ver tudo.

Quanto das atuações, Marcelo Subiotto deu um ar meio carrancudo para seu Marcelo Pena, entregando um professor que sempre foi muito regrado e fechado dentro do seu estilo, sendo até engraçado seus atos mais cômicos por não combinar nem com o ator nem com o personagem, parecendo uma forçada de barra para parecer desconfortável ali, mas ao final quando começa a mudar um pouco suas virtudes se entrega melhor e agrada mais. Como falei no parágrafo acima, Leonardo Sbaraglia só foi usado para vender o filme, pois seu Rafael Sujarchuk aparece em três ou quatro cenas, com meia dúzia de frases, mas sem mostrar seu potencial artístico que sabemos que faz sempre muito bem, de forma que nem precisou ir muito além, e também não desapontou com o que fez, só que poderia ter tido algo maior. Quanto aos demais personagens, a maioria é bem secundário, sem se entregar para algo que chamasse muita atenção, e assim sendo vale destacar só alguns pequenos momentos de Zulema Galperín com sua Amelia e Alejandra Flechner com sua Doris, mas nada que fosse memorável.

Visualmente o longa mostra algumas cenas numa faculdade, algumas instalações na rua em frente a faculdade nos atos finais, algumas aulas na casa de uma senhora idosa, uma festa simples na casa da esposa do professor que morreu com pessoas fazendo vaquinha enquanto o recém chegado rico chega com vinhos caríssimos, e vemos a festa na casa da idosa, ou seja, tudo bem simples, porém bem representativo.

Enfim, é um filme que tem seu estilo, tem uma proposta de mostrar o conflitivo mundo da filosofia e seus usos, mas que dava para ter sido um outro filme, com uma outra pegada mais marcante, ou seja, é daqueles filmes que alguns vão amar, e outros vão ficar sem entender o que queriam dizer com a trama, de forma que fico bem na dúvida de indicar ele, mas que afirmo não ser algo ruim de ver, só poderia ter sido um pouco mais dinâmico que me cansei com ele. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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La Chimera (La Chimère)

12/13/2023 01:20:00 AM |

Confesso que diminui bastante minhas idas para conferir filmes artísticos demais, e a Mostra Internacional de São Paulo tem essa pegada maior, de forma que fiquei bem receoso em ir conferir hoje o primeiro filme da Itinerância que chegou na cidade, e dito e feito, "La Chimera" é daqueles filmes que levam nada a quase lugar algum, que dava para ser resolvidos em bem menos tempo, e que certamente alguns vão se apaixonar falando que é algo maravilhoso, introspectivo, que fala da vida remexendo com a morte, e muitos outros blá blá blás. Ou seja, quem me conhece um pouco viu na minha cara que não curti o que assisti, que passei os 130 minutos me mexendo o tempo inteiro na poltrona para não pegar no sono, e que sinceramente não conseguiu me cativar de forma alguma com nada da trama, mas se você curte esse estilo de tramas mais fechadas talvez até veja algo a mais no longa.

A sinopse nos conta que todos têm a sua própria Quimera, algo que buscam, mas nunca conseguem encontrar. Para uma gangue de ladrões de antigos objetos funerários e maravilhas arqueológicas, a Quimera significa o desejo pelo dinheiro fácil. Para Arthur, a Quimera se parece com a mulher que ele perdeu, Beniamina.

Diria que a diretora e roteirista Alice Rohrwacher quis desenvolver demais o seu roteiro e acabou se perdendo no que tinha para entregar de forma que na metade do filme a trama já não tinha muitos rumos para acontecer e acabou se arrastando até um final bem jogado que até se conecta bem com o começo, mas que se perdeu por completo com tudo o que foi mostrado durante todo o filme. Acredito que se o filme acabasse com ele jogando a cabeça fora ficaria perfeito tanto no tempo quanto na conexão com todo o filme, mas como não sou o roteirista, o jeito foi aguentar até o final.

Quanto das atuações Josh O'Connor até segurou bem o estilo de seu Arthur, mas é um personagem monótono e sem muita vida, parecendo quase estar realmente morto durante todo o longa, mas acredito que não era bem essa ideia e acabou não chamando atenção como um protagonista deve fazer. É engraçado ver a brasileira Carol Duarte com sua Italia num longa italiano, pois de cara não dava para imaginar sua nacionalidade, mas quando começa a mandar ver no português entrega até mais personalidade para o papel, chamando até atenção demais que não sei se era a opção do filme, o que não incomoda, mas talvez pudesse ter ido por outros rumos. Quanto aos demais, todos tentaram dar mais abertura para o protagonista, de modo que Vincenzo Nemolato com seu Pirro acaba sendo o amigo empolgado com os roubos, Isabella Rossellini com sua Flora entrega a ex-sogra apaixonada pelo genro, Lou Roy-Lecollinet com sua Melodie mostra a assistente que está pronta para olhar tudo, e claro Alba Rohrwacher com sua Spartaco fez atos mais diretos e com isso conseguiu chamar um pouco de atenção nos seus momentos, mas como apareceu só duas vezes não pode ir muito além.

Visualmente o longa trabalhou com uma cenografia meio estranha, afinal revirar túmulos não é algo comum, mas ficou algo meio estranho com o protagonista caçando as tumbas com um galho de árvore, tivemos um FIAT 147 ninja que praticamente voava baixo, algumas casas meio que abandonadas e jogadas, parecendo realmente que tudo estava bem morto, ou seja, dava para terem trabalhado um pouco mais com tudo para ter as devidas nuances.

Enfim, é um filme extremamente cansativo, que raspei de não dormir ou desistir por vários momentos, sendo que dava para facilmente ser mais enxuto, e assim sendo não é algo que recomendo para ninguém, mesmo sabendo que muitos gostam desse estilo mais reflexivo, mas já vi outros filmes nessa mesma pegada mais envolventes. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Silver e o Livro dos Sonhos (Silber Und Das Buch Der Träume) (Silver and The Book of Dreams)

12/11/2023 11:36:00 PM |

Já vi muitos dramas e filmes de guerra alemães, mas não me lembro de ter visto alguma trama de fantasia do país, e hoje fui bem surpreendido com a entrega de "Silver e o Livro dos Sonhos", que estreou esse final de semana na Amazon Prime Video, e entrega algo não tão próximo de "A Origem", mas que brinca com a ideia de invadir o sonho alheio e desenvolver coisas por lá, só que ao invés de roubos, aqui temos realização dos sonhos e dos pesadelos através de magia oculta em um livro, e claro toda uma aventura para saber como evitar que os pesadelos virem realidade também. Diria que o longa consegue prender bastante a atenção, e funciona bastante dentro da proposta fantasiosa, tendo toda uma cenografia bem interessante e personagens jovens bem dispostos a entregar personalidade para seus atos. Ou seja, não é daqueles filmes que você vai falar nossa que obra de arte, mas que funciona bem e agrada como um bom passatempo que até dava para dar uma refinada para melhorar mais e convencer mais de algumas coisas, mas que me agradou até bem mais do que eu esperava dele.

A sinopse nos conta que quando Liv se muda para Londres, ela conhece o misterioso Henry e seu grupo de amigos, que a levam para o fascinante mundo das viagens dos sonhos. Ela e seu novo grupo de sonhadores realizam um ritual para tornar seu maior sonho em realidade, mas isso exige um grande sacrifício. 

Diria que a diretora Helena Hufnagel foi bem corajosa para adaptar o livro best-seller de Kerstin Gier, pois não é uma obra fácil, tendo diversos ambientes diferenciados e um tom dramático que se fosse mal trabalhado com atores inexperientes acabaria ficando bem sem nexo, mas felizmente isso não ocorreu, pois sua trama acabou tendo uma desenvoltura gostosa, trabalhando bem a dramaticidade e até mesmo o mini-romance acabou funcionando, de tal forma que vemos algo dinâmico cheio de nuances, e principalmente cheio de ambientes diferentes, afinal os sonhos de todos eram bem complexos e amplos, que acabaram funcionando demais. Ou seja, a diretora encontrou uma forma interessante de amarrar tudo com tantas nuances, que quem olhar de relance acreditará que está vendo até uma produção gigantesca britânica/americana, mas que feito na Alemanha conseguiu ser chamativo e ter um bom atrativo para o público de todas as idades.

Quanto das atuações, diria que ela conseguiu um elenco bem disposto a se jogar na produção, de modo que Jana McKinnon soube segurar bem a profundidade de sua personagem Liv, trabalhando bem cada nuance da personagem como alguém direta e que não se segura, cheia de dinâmicas e bem disposta a desvendar como se salvar de qualquer maneira, e claro que ficamos esperando ela fazer o que aprendeu, sendo algo bem chamativo e que funcionou bastante na tela. O jovem Rhys Mannion de cara já entrega a possibilidade de romance, de forma que seu Henry tem bons olhares e soube ser enfático no seu desejo para conquistar a moça, chamando bem a atenção e agradando com seus atos. Théo Augier Bonaventure até trabalhou bem seu Grayson, mas pareceu meio eufórico/explosivo demais com seus trejeitos, de modo que não convence muito em seus atos, mas não foi ruim, só poderia ser mais calmo. Ainda tivemos muitos outros bons personagens, valendo um rápido destaque para Josephine Blazier com sua Anabel completamente maluca e explosiva e Riva Krymalowski com sua Mia meio simples de expressões, mas com uma boa conexão com a protagonista.

Agora sem dúvida o show da trama ficou por conta do visual, com o corredor dos sonhos bem planejado com várias portas e estilos, cada um determinando uma pessoa, com a "chave" sendo algo do sonhador, trabalhando alegorias e ambientes bem diferentes e intensos, com muito mais brilho e desenvoltura cênica do que a vida real, trabalhando bem todo o lado dos raios chamando o pesadelo, e brincando com cores, texturas e calores de luzes, ou seja, um trabalho bem amplo da equipe de arte para ninguém botar defeito no que fizeram.

Enfim, é um filme bem trabalhado com uma ideia simples e dinâmica, que vai funcionar como um bom passatempo para quem gosta de tramas mistas para jovens, mas que não se prende a detalhes deixando florear bem ideias e claro sonhos, de modo que quem der o play sem esperar nada vai encontrar um bom filme, já o pessoal que leu o livro anda reclamando pela internet afora já que o filme mudou muita coisa, mas isso é o básico da maioria dos filmes, então releve e veja que vai valer a pena. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Feriado Sangrento (Thanksgiving)

12/10/2023 11:16:00 PM |

Não me considero um fã do estilo terror gore, mas gosto de algumas tramas que tenham boas sacadas violentas, e que não force a barra com ideias jogadas, e lembro até hoje o trailer fake que teve em "Grindhouse" que ficava me perguntando se não sairia o filme, afinal tinha um bom estilo, e eis que agora 16 anos depois surge algo que se derem corda para o diretor Eli Roth facilmente vira uma franquia para vários outros filmes, afinal deram o start em algo bem intenso, com mortes fortes bem colocadas, e todo um trabalho difícil de descobrir quem era o assassino, mas que facilmente poderia existir outros interessados ali, então quem sabe uma continuação em breve deva surgir. Claro que é um filme para quem gosta bastante do estilo, pois tem uma pegada forte bem encaixada e um mistério bem colocado para ficarmos chutando algumas possibilidades do assassino, mas quem for um pouco fraco vai achar bem exagerada as mortes, e isso é algo que quem queria ver algo do estilo não irá reclamar.

A trama se passa em uma cidade dos Estados Unidos onde surgiu o feriado de Ação de Graças. Após uma confusão durante a Black Friday terminar em tragédia, a população passa a ser aterrorizada por um serial killer misterioso. Com vítimas aleatórias e sem qualquer tipo de conexão aparente, o assassino parece não ter um plano - mas não demora até que os moradores descubram que, na verdade, tudo faz parte de uma trama macabra.

Diria que o diretor e roteirista Eli Roth é daqueles malucos que o estilo permite, aonde você fica imaginando se é alguém normal para pensar em histórias tão violentas, mas isso para o estilo é genial, pois ele sabe segurar seu estilo do começo ao fim na trama, não deixando que o longa desandasse ou caísse para rumos bobos como muitos outros se deixam levar. Ou seja, ele colocou como foco algo misterioso, mas cheio de mortes fortes e brincou bastante com seus personagens, de modo que tudo ali parece exagerado, mas ele soube ir até o ponto aceitável da situação, e o resultado acabou ficando genial e com tantas nuances que acabamos querendo mais, então vamos torcer para que ele traga muito mais, afinal sobrou muita gente viva ainda no longa, e isso não acontece na maioria dos filmes de terror.

Quanto das atuações, diria que Nell Verlaque trabalhou sua Jessica no estilo tradicional de mocinhas de filmes de terror, que corre bastante, que grita e que sempre está no lugar errado e na hora errada, de modo que entrega uma boa personagem e agrada dentro do estilo, sem ir muito além, mas sendo funcional. Patrick Dempsey trabalhou seu Xerife Eric Newlon com uma boa postura, fez alguns trejeitos bem expressivos nos atos iniciais, e conduziu bem todas as suas cenas ao ponto de não ser nem muito explosivo, mas também não ficar jogado no longa. Milo Manheim chegou com tudo nesse ano, e no Brasil nessa semana, afinal esteve no longa que vi ontem "Jornada Para Belém" cantando e dançando, e hoje trabalhou seu Ryan de uma maneira bem interessante de aparecer e desaparecer em cenas chaves, ao ponto que acabamos duvidando bastante da índole de seu personagem, e costumo dizer que esse estilo é o que mais funciona numa trama desse porte, ou seja, foi muito bem no que fez. Ainda tivemos bons atos com Jalen Thomas Brooks com seu Bobby meio que exagerado de trejeitos, mas bem colocado também como possível suspeito, e criando boas nuances chamou atenção com o que tinha para fazer, Rick Hoffman com seu Thomas Wright ficou bem estranho sempre com um sorrisão meio forçado, mas sendo o dono do mercado tinha de ser alegre assim mesmo, e sem me alongar muito vou dar mais um destaque para Karen Cliche com sua Kathleen, mas não pelo que fez enquanto viva, mas sim pela forma que foi servida na mesa, que chamou muita atenção, os demais fizeram tradicionais gritos e desesperos, e foram bem dramáticos em suas mortes, o que agrada bastante na trama, e o mais engraçado foi o jeito que o diretor gravou o longa, colocando vários atores como assassino para não entregar a verdadeira identidade do personagem que estaria nos atos finais da trama, e isso funcionou bastante.

Visualmente a trama foi perfeita com os efeitos de maquiagem e cenografia, tendo já no início o caos no mercado com uma multidão pisoteando os demais, cortando pedaços e saindo literalmente na porrada para conseguir alguns eletrodomésticos promocionais, depois o assassino fazendo picadinho das vítimas das melhores formas possíveis, algumas já no trailer dão o tom, mas tiveram ainda muitos outras com boas próteses e claro muito sangue para todos os lados, tendo um desfile bizarro ainda e claro um galpão bem sem iluminação para pegar alguns detalhes no susto. Ou seja, a equipe de arte trabalhou bastante e o resultado funcionou.

Enfim, é um filme que tem o seu diferencial, que vai conseguir agradar bastante a galera que curte o estilo, e também deve chamar a atenção para quem gosta de terrores mistos com suspense, então fica a dica para conferir, e claro por enquanto é só especulação da continuação para 2025, mas irei torcer, pois como disse sobrou muito personagem vivo na cidade, e isso não é normal em uma produção do estilo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Tá Escrito

12/10/2023 04:43:00 PM |

É interessante observar que sempre que o cinema nacional tenta ir para alguns rumos diferentes vez ou outra se perdem em estilos no miolo e acabam voltando para o tradicional, de tal forma que isso é ruim, pois necessitam forçar com bobeiras simples demais para empolgar ao invés de focar no diferencial. Comecei o texto de "Tá Escrito" dessa forma pelo simples fato que o longa poderia ter explorado muito mais a brincadeira entre personificação das características dos signos, mas optou pela bagunça de conseguir views e se tornar trendings, e com isso faltou um pouco mais de carisma nos personagens para manter o ritmo. Claro que a trama tem alguns atos engraçados, alguns personagens que chamam atenção, mas acabou ficando uma trama teen demais para os fãs da atriz, aonde ela mesmo volta atrás, pois já tinha se mostrado preparada para papéis mais maduros, e aqui ficou simples demais para causar algo na tela. Não digo que seja um filme totalmente ruim, pois tem algumas pegadas bem colocadas dentro da proposta entre ter opinião ou ser influenciável, mas dava para ter explorado muito mais isso que daria um outro resultado.

A trama acompanha a vida de Alice, uma jovem formada em Astronomia que tem o grande sonho de se tornar uma influencer famosa nas redes sociais. Ela trabalha duro todos os dias para alcançar esse objetivo, mas, mesmo assim, Alice parece cada vez mais distante do status que deseja, e as métricas de suas redes nunca crescem. Um dia, porém, ela chega em casa e se depara com seu primeiro "recebido". Ansiosa, ela abre e vê que o presente contém apenas um caderno em branco com instruções que indicam que qualquer previsão astrológica escrita nas páginas vai virar realidade. Agora, contando com previsões que somente ela conhece, Alice finalmente encontra a arma secreta que lhe dá o poder de influenciar a todos - mas o sucesso sempre tem um preço.

Diria que o diretor Matheus Souza é daqueles bem ecléticos de estilos, pois já dirigiu longas de várias formas e sempre mostrou que tem pegada para coisas diferentes na telona, mas aqui ele acabou sendo preguiçoso demais, pois a moda do influenciável é algo tão superficial que mesmo ainda temos muitas pessoas que acreditam em signos e suas "previsões", porém ele fez uma trama tão fechada apenas em duas festas que o longa parece nem sair de dois únicos ambientes, que embora estejam bem cheios de personagens não explodem o quanto poderia com as mágicas do livro da protagonista. Ou seja, vemos uma desenvoltura bem simples de estilo, aonde temos um começo lento, um miolo agitado demais e um fechamento morno que diverte como um passatempo, mas não causa como poderia, mostrando que o diretor não foi além da tela na sua pintura, bem como ocorre nos créditos aonde acaba a tinta da garota pintora e ela para de fazer sua arte.

Quanto das atuações, volto a dizer que Larissa Manoela tem uma personalidade bem forte e que cai bem em muitos estilos de papéis, mas precisa começar a acertar mais nas suas escolhas compatíveis com sua idade, pois embora sua Alice já seja formada, entregou uma garotinha que parecia estar na casa dos 16 anos e isso ficou meio estranho na tela, de modo que até tem uma entrega bem pautada, mas não fluiu como uma protagonista deveria fazer. Já Victor Lamoglia entregou bastante na tela com seu Pedro, tendo toda uma desenvoltura bem colocada, cheio de personalidade e totalmente influenciável pelas mudanças do livro, de forma que se soltou por completo e foi bem divertido com tudo o que fez na tela. Ainda tivemos bons momentos de Caroline Dallarosa com sua Marina bem emocional, mas centrada, Thuany Parente bem explosiva com sua Vanessa e André Luiz Frambach com seu Breno meio bobão demais, de modo que vale mais o destaque para Kevin Vechiatto com seu Inácio ficando com cara quase de psicopata adicionado pela irmã.

Visualmente como disse a trama ficou bem simples, tendo a casa da garota metodicamente arrumada pela mãe, o observatório como lugar leve aonde a protagonista vai para espairecer, a festa da prima na agência fazendo até um clipe inteiro na tela cheio de nuances, e a agência aonde a jovem vai trabalhar com personalidades flopadas simples demais, aonde temos algumas conexões bem montadas de estilo, mas nada que fosse surpreendente.

Enfim, é um filme bem mediano que tinha uma proposta maior e não decolou como deveria, de modo que o resultado acaba sendo simples e até ingênuo demais para um filme juvenil, aonde talvez a garotada ligada em influencers até chegue a curtir, mas os demais não vão ver nada que faça valer a conferida. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas vou conferir mais uma estreia hoje, então abraços e até logo mais.


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O Silêncio da Vingança (Silent Night)

12/10/2023 02:54:00 AM |

Sei que muitos amigos gostam de filmes de tiro, porrada e bomba, e diria que também gosto de alguns exemplares desse meio, porém para que um filme funcione bem ele precisa ter uma história mais convincente ou então maluca na totalidade, pois colocar algumas ideias como possíveis para um homem comum, do estilo que vira um tremendo vingador de elite, dirigindo no meio de um tiroteio gigantesco aonde ninguém acerta sua cabeça, entrando num quartel general recheado de gangsteres sobrevivendo com a maior facilidade, e ainda por cima ter algumas desenvolturas completas sem dizer uma palavra, e os demais também serem tão mudos quanto o protagonista foi apelar um pouco demais, de tal forma que "O Silêncio da Vingança" até tem alguns momentos bem trabalhados de treinamento, temos um começo bem intenso aonde vamos descobrindo como tudo aconteceu, e um fechamento bonito até pela ideologia, mas o miolo é o famoso desligue seu cérebro e aceite, senão você vai odiar. Outra dica que dou para os amigos que assim como eu não são fãs de filmes dublados é que você pode ir tranquilamente ver o longa em qualquer sessão, pois dá para contar nos dedos das mãos a quantidade de diálogos e/ou frases que são ditas no longa, parecendo que o mundo todo ficou mudo junto com o protagonista (que não está surdo, então daria plenamente para ouvir os demais falando). Ou seja, é daqueles famosos filmes que ou você ama ou odeia, e diria que dessa vez fiquei bem propenso ao segundo time, mas conheço muitos que irão amar tudo.

A sinopse nos conta que um pai atormentado testemunha seu filho morrer em meio a um fogo cruzado de uma gangue na véspera de Natal. Enquanto se recupera da ferida que lhe custou a voz, ele faz da vingança a missão principal de sua vida e embarca em um regime de treinamento punitivo para vingar a morte de seu filho.

Diria que ao menos o diretor John Woo voltou a gravar após um período de 6 anos longe das câmeras, e claro trazendo seu estilo ao máximo para os amantes de um bom filme de pancadaria e tiros, mostrando que para quem gosta, não é preciso ficar pensando em falas mirabolantes e desenvolturas, basta armar bem o protagonista e colocar ele para fazer umas ações explosivas que tudo dá muito certo. Ou seja, o roteirista Robert Archer Lynn entregou uma trama aonde apenas criou as dinâmicas de tela e nem se preocupou se alguém falaria algo, ou se precisaria ter alguns dizeres ali, e isso até entrega uma certa personalidade com a imponência do estilo do diretor, mas se nem o protagonista nas gravações aguentou ficar sem falar nada, imagina quase duas horas sem ninguém falar um A que seja, com uma hora já estava incomodado, mas ao menos funciona dentro da proposta, o que acaba sendo interessante.

Quanto das atuações, é fato que Joel Kinnaman entregou tudo e mais um pouco para seu Brian, correndo ensanguentado, treinando horrores para ficar musculoso, lutando de todas as formas, fazendo drift com o carro, preparando armas e tudo mais, e claro fazendo trejeitos fortes com os olhares, já que não tinha como se expressar com a voz, então dominou os ambientes e agradou com o que tinha que fazer. O garotinho Anthony Giulietti trabalhou bem as cenas mais emocionais, entregando bons trejeitos nos atos de flashback e sendo gracioso e envolvente para que o público ficasse com mais raiva ainda dos vilões. Quanto aos demais, Vinny O'Brien trabalhou como o poderoso vilão apenas dando um tiro na garganta do protagonista, e depois fez alguns atos com olhares espalhados, mas nada que chamasse a atenção, Kid Cudi trabalhou um policial com cara blasé que não leva nada a lugar algum, tendo alguns atos de tiros bem colocados no final, e Catalina Sandino Moreno até teve algumas desenvolturas e trejeitos emocionais no hospital, mas depois sumiu.

Visualmente a trama mostrou um bairro bem violento, aonde as gangues praticamente fazem um bang-bang a céu aberto e a polícia nem tem como interferir, vemos uma casa simples, mas que o protagonista transforma num centro completo de treinamento, vemos a transformação do carro para poder virar uma máquina de combate, muitas armas, e um prédio com uma escadaria bem intensa cheia de personagens para levar tiros, até chegar na noite natalina mágica que o vilão está tendo com sua amada drogada, ou seja, o básico do básico em filmes do estilo aonde tudo vira tiroteio, socos e facadas, com uma boa intensidade ao menos e câmeras com ângulos bem dinâmicos.

Enfim, é um filme que tem estilo e proposta bem direcionada para quem gosta de filmes de pancadaria que por vezes reclamam do excesso de falação, mas tudo precisa ser bem ponderado já que sem nada também acabou sendo um pouco chato demais, então fica a recomendação apenas para quem gosta, que vá conferir sem esperar muito também. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Jornada Para Belém (Journey To Bethlehem)

12/09/2023 09:53:00 PM |

Já vi muitos filmes que mostraram o nascimento de Jesus de diferentes formas contadas, inclusive como animação, dramatizada, e até com pegadas mais cômicas, mas nunca imaginei que veria uma versão musical cheia de canções e danças, mostrando desde o casamento arranjado de Maria e José, passando pela anunciação do anjo Gabriel até a busca de Herodes pela criança que seria rei em suas terras, isso claro com os reis magos também nessa busca, e com "Jornada Para Belém" eis que tudo isso acabou parecendo algo meio indiano, mas não, a trama americana foi bem desenvolvida na tela, mas como ocorre com todo longa religioso que chega na cidade, só veio com cópias dubladas, mas ao menos dessa vez dublaram até as canções com uma voz que sigo e conheço já há tempos de outros filmes, o que acabou ficando bem interessante de ver. Não digo que muitos irão se apaixonar pela versão, mas o resultado ficou bem bacana e inusitado!

A sinopse nos conta que uma jovem carregando uma responsabilidade inimaginável. Um jovem dividido entre o amor e a honra. Um rei ciumento que não se deterá diante de nada para manter sua coroa. Esta aventura musical de Natal em live-action para toda a família mescla melodias clássicas de Natal com humor, fé e novas canções pop em uma releitura da maior história já contada, a história de Maria e José e o nascimento de Jesus.

O diretor e roteirista Adam Sanders que é bem conhecido no mundo dos musicais por ter entre "Rock of Ages - O Filme" e "Glee" trouxe para a tela algo bem diferente do usual, afinal tramas religiosas costumam ser mais sérias e dramáticas, e aqui ele trabalhou as dúvidas e dinâmicas com muita festa e alegria, com personagens cheios de vida e muito bem coreografados para que a história tivesse uma interação nova e chamativa. Claro que com isso ele será muito criticado tanto pelo lado dos religiosos que vão falar que não tem cabimento uma blasfêmia desse tipo em cima da história do nascimento de Jesus, quanto das pessoas que gostam de musicais e acharão tudo meio estranho na tela, mas como crítico que sou diria que o resultado funcionou bastante, sendo algo que chama atenção para a época, e dá uma vertente festiva para o nascimento como deve ocorrer, e assim sendo vale a conferida.

Quanto das atuações, vou falar mais sobre os trejeitos e danças, já que não vi o longa nas vozes originais, mas antes de tudo, como a trama veio dublada tenho de dar os parabéns para a equipe que recriou todas as canções no ritmo original, ficando até gostosas de ouvir, embora algumas rimas ficassem estranhas, e claro dou o destaque para Maria Clara Osiris que quando precisam de vozes femininas cantando agrada bastante na tela, de modo que sua Maria ficou muito bem leve e interessante, combinando com a personalidade da atriz Fiona Palomo e também Lucas Godoy que deu voz à José com muita imponência nos atos cantados bem encaixados. Agora acho que Antonio Bandeiras acabou exagerando um pouco no estilo de seu Herodes, pois ficou muito inseguro e maluco, algo que não combinou nem com o ator nem com o personagem, mas ao menos fez atos imponentes bem chamativos. Diria que Milo Manheim entregou um José bem jovial, cheio de trejeitos chamativos, e que trabalhou bem nos atos de dúvida com semblantes marcantes e bem empostados. E claro Fiona Palomo fez sua Maria cheia de personalidade, com olhares intensos bem amplos e uma vontade cênica tão bem colocada que mostrou uma mulher grande na tela. Quanto dos reis magos, vou usar a forma que Herodes os nomeia como personagens de circo, pois Geno Seghers com seu Baltazar, Omid Djalili com seu Melchior e Rizwan Manji com seu Gaspar ficaram excêntricos demais na tela, não sendo algo tão normal de se ver. E por fim Lecrae como Gabriel ficou um pouco forçado demais para um anjo.

Visualmente diria que a equipe de arte arrumou locações bem interessantes, trabalhando bem uma vila aonde acontece o noivado de José e Maria em Nazaré, vemos algumas passagens por Hebron na casa de Isabel, prima de Maria, aonde ocorre uma bela cena de casamento, e temos todo o nascimento num celeiro em Belém, tudo como o figurino mandava nas histórias, além de um trono em formato de leão para o rei Herodes, e claro muita dança com os soldados sendo bem imponentes, mas bem ritmados dentro da ideia.

Enfim, é um longa bem diferente do comum, pois não é sempre que vemos uma trama religiosa musicalizada, e menos ainda um musical religioso, então vale a conferida tanto pela data, já que no Natal comemoramos o nascimento de Jesus, e também para ver algo incomum na telona, que mesmo vindo apenas dublado acabou sendo bacana de ver. Diria que vou tentar depois ver ele legendado em algumas partes quando chegar nos meios digitais, pois no final enquanto subia os créditos gostei do tom de algumas canções, então fica a dica para quem sabe logo mais aparecer a trama na forma que foi concebida. E é isso meus amigos, deixo essa recomendação para todos, mas claro principalmente para os religiosos que gostem de musicais, e fico por aqui agora, indo para mais um filme hoje, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Mundo Depois De Nós (Leave the World Behind)

12/09/2023 05:26:00 PM |

Bem, todo dia ouvimos coisas sobre guerras, sobre o mundo estar se destruindo, que as pessoas cada dia estão piores, que as guerras são apenas o começo do fim, ou seja, que o caos está instaurado e que basta uma fagulha um pouco maior para que todos surtem e saiam se matando! Se você achou meio exagerado esse meu começo do texto, se preparem para todas as nuances insanas que o longa da Netflix, "O Mundo Depois De Nós", trabalha, pois ele se divide em algumas partes capitulares meio como o livro em que é baseado, e vai permeando possibilidades científicas e sociais (graças aos deuses do cinema não é um filme religioso sobre o assunto!) para toda a desgraça mundial que beira uma grandiosa catástrofe, e que brincando com situações de racismo, de desconfiança, de tragédias climáticas, de saúde e cibernéticas vai permeando toda uma discussão bem polemizada entre duas famílias que estão envolvidas numa casa rica e isolada de tudo. Ou seja, é daqueles filmes de fim de mundo com uma pegada tão diferente e ousada que por vezes você vai ficar se perguntando como tudo poderia terminar na trama, e que brilhantemente usando tudo o que vai sendo conversado fecha com algo que você vai ficar na dúvida se ri, se chora ou se soca a televisão, pois foi genial a escolha do roteiro, e mais do que "apenas" um filme sobre o assunto, servirá para muitas discussões e polêmicas mundo afora.

A sinopse nos conta que o casal Amanda e Clay e seus filhos vão passar o final de semana em uma mansão de luxo. Tudo vai bem até que um apagão traz dois desconhecidos com notícias de um grande ataque cibernético transformam as férias em um inferno. G.H. e Ruth chegam à casa desesperados por abrigo, alegando que a casa é deles e precisam entrar para se protegerem da grande ameaça invisível que arrisca a vida de todos. Agora, as duas famílias precisam se unir para se salvarem do desastre que se aproxima e, a cada momento, fica mais assustador e perigoso. 

Diria que o diretor e roteirista Sam Esmail foi bem direto no desejava mostrar do livro premiadíssimo, "Leave The World Behind", do autor Rumaan Alam, pois ele foi tão crítico nas nuances sociais dos personagens, no desenvolvimento de toda a situação caótica e principalmente na desenvoltura dos acontecimentos que acabamos flertando com várias outras possibilidades de aonde o longa deseja chegar, e claro ficamos convencidos de que G.H. sabe muito mais do que demonstra, mas não quer falar para não criar o caos, meio como se fala em não incitar o caos até que ele aconteça para que não haja caos sobre o caos, e dessa forma o longa acaba sendo brilhante de estilo e de pegada, tanto que não contendo em ter uma ótima história para desenvolver, o diretor colocou um elenco de peso para discutir tudo o que ocorre, e assim sendo o filme tem toda uma pegada própria que funciona sem cansar, e não apenas entrega algo fácil para o público, mas sim algo a mais de reflexão e instigação, claro que usando artifícios simples, mas que com o fechamento encontrado sendo tão perfeito, o resultado mostra que devemos nos preocupar com tudo o que anda sendo caótico sim, mas também temos pensar na nossa felicidade.

Quanto das atuações é fato que a personagem de Julia Roberts, Amanda, nos deixa muito irritados com seu "racismo incubado", mas não tem como ficar bravo com seu jeito perfeito de interpretar um papel, pois consegue transmitir tanta expressividade no olhar, se desenvolver rápido demais com toda a pegada e classe, de tal forma que ela se entrega bastante, coloca em cheque suas desconfianças e marca o território, agradando bastante. Outro que trabalha muito bem todas as nuances de seu personagem é Mahershala Ali com seu G.H. misterioso, sempre parecendo saber bem mais do que fala, e trabalhando todas as personificações do ambiente consegue ir desenvolvendo tudo com impacto no seu personagem e nos demais, e pensar que nem era prele ser o personagem, mas sim Denzel Washington, mas diria que ele foi uma ótima escolha pelo ar mais paciente e misterioso que sabe fazer. O personagem de Ethan Hawke é muito boa praça, de modo que seu Clay parece estar sempre bem disposto a enxergar o melhor em tudo o que faz, e com isso ele se deixa desleixar também um pouco, mas nos atos que precisou se expressar de modo mais forte conseguiu chamar atenção também. Da mesma forma que a personagem de Julia Roberts tem um desdém forte e uma certa desconfiança das pessoas que chegam na casa, a Ruth de Myha'la é totalmente fechada e direta na opinião, de modo que a garota mostra sentir o que está sofrendo e se blinda com muita intensidade, sabendo exatamente aonde quer chegar, e trabalhando seus trejeitos para isso, ou seja, segura o ar fechado e não desaponta. Ainda tivemos atos bem marcados com os jovens Farrah Mackenzie com sua Rose desesperada para ver o último episódio de "Friends", mas o que consegue ver são apenas os muitos cervos passando pela residência, e Charlie Evans bem disposto a curtir seu final de semana vendo garotas de biquíni na praia e claro na casa também, de modo que seu Archie é o adolescente próximo da virada para adulto, mas que ainda não tem tantas preocupações, mas que no filme vai sofrer um bocado. E claro temos de dar um leve destaque para Kevin Bacon com seu Danny rabugento e imponente, disposto a meter bala em quem quer que chegue perto de sua casa, mesmo sendo alguém conhecido, afinal se preparou para aquilo e vai com classe no melhor estilo rigoroso que o ator sempre faz. 

Visualmente a trama mostra uma mansão riquíssima de detalhes, com uma brincadeira bem marcante da câmera mostrando do andar superior até o porão todas as vezes que brinca com as duas famílias, mostrando até o miolo da casa entre os três pisos, dando certas nuances de classes e tudo mais, trabalhou com muitos animais em algumas cenas bem tensas, e ainda tiveram grandiosas cenas de desastres primeiro com um navio petroleiro invadindo uma praia, depois aviões caindo de bico em outra, drones jogando panfletos em línguas desconhecidas, vários carros autônomos se batendo sozinhos, muito barulho visual oscilando entre sirenes, apitos e até mesmo um grandioso silêncio, e claro muita bebida, discos, bunkers e tudo mais que numa trama desse estilo chama sempre atenção para o trabalho da equipe de arte.

Enfim, é um filme com muitas nuances e que consegue trabalhar muito bem toda uma desenvoltura chamativa na tela, de modo que acaba indo até mais além do que parecia, sendo muito mais do que apenas uma trama de catástrofes, mas sim algo reflexivo para o interior das pessoas, e como nos desenvolvemos no meio do caos, sendo bem interessante de ver, e que principalmente não chega a cansar mesmo tendo quase 140 minutos de tela, então veja, reflita e quem sabe quando o caos realmente explodir saberemos como agir da melhor forma possível. E assim sendo recomendo com certeza o longa, e fico por aqui agora, mas ainda devo ver mais alguns filmes hoje, então abraços e até logo mais.


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Wonka em Imax

12/09/2023 02:59:00 AM |

Confesso que fui conferir "Wonka" sem esperar absolutamente nada da trama, mas muito de Timothée Chalamet, pois ele tem entregue muito em todos os filmes que faz, e quanto ao filme nunca fui um fã grandioso de nenhuma das duas versões de "A Fantástica Fábrica de Chocolate", sendo que o original de 1971 tem todo um gracejo e uma beleza natural, enquanto o de 2005 é algo maluco e visualmente interessante, então o que fizeram com a trama anterior às histórias que conhecemos? Algo maluco e visualmente interessantíssimo de ver, contando com uma beleza natural e um gracejo incrível de história, sendo daqueles filmes que sensorialmente você adentra à trama pela forma da condução, da entrega da equipe de arte, das atuações de uma maneira tão bem trabalhada que ao final você sente a vontade de aplaudir o resultado mesmo que quem mereça os aplausos não ouçam suas palmas, ou seja, um filme perfeito, que diria mais, alguns cinemas tem distribuído ingressos colecionáveis com cheiro de chocolate, e isso dá ao filme um sentido ainda mais interessante. Outro medo que estava era do longa sendo um musical não contasse bem a história, e mais do que isso, ficasse cansativo com tanta cantoria, mas souberam dar tão boas dinâmicas para os momentos de cânticos que o resultado acabará agradando até quem odeia o estilo.

O filme mostra as origens da história do jovem Willy Wonka, que apareceu nos cinemas pela primeira vez na produção de 1971 e, mais tarde, ganhou um remake estrelado por Johnny Depp em 2005. Antes de se tornar a mente brilhante por trás da maior fábrica de chocolate do mundo, Willy precisou enfrentar vários obstáculos. Cheio de ideias e determinado a mudar o mundo, o jovem Wonka embarca em uma aventura para espalhar alegria através de seu delecioso chocolate. Nela, ele acabou conhecendo o seu fiel e icônico assistente, Oompa Loompa, que o ajudar a ir contra todas as probabilidades para se tornar o maior chocolatier já visto. Mostrando que as melhores coisas da vida começam com um sonho, o filme mistura magia, música, caos, afeição e muito humor.

Diria que o diretor Paul King soube utilizar tudo o que já fez com seus outros filmes carismáticos para dar nuances aqui com muito envolvimento de personagem e personalidade, de tal forma que tudo acaba funcionando com uma bela dinâmica cênica, tendo atos bem gostosos de ver e se envolver, e mais do que isso, ele prepara um musical que não fica preso a algo estilo de Broadway, mas sim um filme convincente aonde toda a história é bem representativa que faz o público se divertir com toda a essência, isso sem falhar na ambientação que acaba brincando com o ar mágico do protagonista e claro com a classe que a trama pedia. Ou seja, ele brincou com algo muito maior do que muitos esperavam, sendo gracioso de estilo e sabendo aonde poderia chegar, não apelando para traquejos falsos demais, mas deixando com que o protagonista pudesse brincar em cena para envolver o público, o que acaba ficando incrível de ver.

E como já falei a atuação em musicais é algo completamente insano, pois não basta o ator incorporar o personagem, ele tem de cantar, soar musical e envolver com cenas de dança cheias de desenvolturas, e Timothée Chalamet dá show com seu Willy Wonka, trabalhando trejeitos bem encaixados, se jogando por completo no papel (tanto que passou mal real de tanto chocolate que comeu!), sendo parceiro de todos os demais personagens nos atos em conjunto de forma a não tentar se sobressair deixando o outro de lado, e brilhou demais com tudo o que faz em cena, de modo que dá para falar que ele nasceu para o personagem, e facilmente será mencionado em muitas premiações, isso se não levar para casa algumas estatuetas! A jovem Calah Lane também entregou muita personalidade para sua Noodle, sendo direta em alguns atos mais fechados, mas se deixando levar pelo estilo do protagonista, brincando em cena, e se divertindo com atos até mais tensos, mas que funcionam muito bem no estilo que ela encontrou para fazer. Ainda tivemos atos bem marcantes com vários outros personagens, valendo destacar Keegan-Michael Key como um chefe de polícia corrupto que vai engordando com o tanto de chocolate que come via recebido de propina, tivemos o trio do cartel do chocolate bem cheio de nuances com Paterson Joseph, Matt Lucas e Mathew Baynton, e claro os donos da hospedaria muito bem trabalhados por Olivia Colman e Tom Davis, entre muitos outros com suas devidas nuances na trama valendo destacar até os atos meio que rabugentos de Hugh Grant como Oompa-Lumpa.

Visualmente o longa é riquíssimo de detalhes, mostrando atos gigantescos de dança nas ruas, uma hospedaria com uma lavanderia imensa cheia de objetos, que o protagonista transforma depois em algo automatizado incrível, vemos a chocolateria incrível que o protagonista cria com seus amigos num ato triunfal, tivemos todo a galeria dos chocolates bem bonita, um zoológico com animais belíssimos e os atos dentro da igreja também recheada de elementos cênicos, e principalmente muito chocolate e doces em detalhes perfeitos de composição, que para ficar ainda mais realista contrataram uma chefe chocolateira, já que mais de 50% dos ambientes e chocolates mostrados na tela não são cenográficos (o que fez muitos personagens passarem mal de tanto comer!).

Enfim, as canções são graciosas e conectam muito bem com todos os diálogos, o resultado visual é lindo de ver, e toda a simbologia nos passa uma sensibilidade de direção e de história que agradará tanto os mais velhos que curtem filmes musicais, quanto os mais jovens que irão se deslumbrar com todas as cores e nuances da trama, sendo algo até melhor do que se imaginava, e sendo assim até talvez desse para remover um ponto por ser um pouco longo, mas como não chegou a me cansar mesmo depois de um filme mais cansativo, não vou remover nada, deixando ele como algo quase perfeito que vale um 10 (acho que ando muito bonzinho nesse final de ano, quase incorporado pelo espírito natalino!) e a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com muitas outras dicas, então abraços e até logo mais.


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Uma Carta Para Papai Noel

12/08/2023 09:25:00 PM |

Costumo dizer que um filme tem de determinar seu público-alvo para funcionar perfeitamente, e sem dúvida o longa natalino nacional, "Uma Carta Para Papai Noel", é totalmente voltado para crianças de no máximo uns 8 anos, ou até um pouquinho mais se a criança ainda tiver uma infância bem fechada longe do mundo atual meio explosivo, afinal a trama me lembrou um pouco aqueles programas infantis que tinha na TV Cultura nos anos 80, em uma versão natalina especial com efeitos misturando desenhos e atores adultos e crianças, de uma forma alegórica e lúdica até que bem envolvente, mas que vai funcionar bem apenas para os pequeninos, mas os pais e os mais velhos acabarão cansando demais com tudo, não sendo ruim, muito pelo contrário, sendo bem produzido para uma produção natalina nacional. Ou seja, é daqueles filmes que você vai levar a criançada e acabará tentando entrar no clima, e só assim vai curtir, mas os pequenos com certeza vão se divertir bastante e ficando até o fim dos créditos poderão até tirar selfies com os personagens.

A sinopse nos conta que Jonas, um menino órfão de 8 anos que vive em uma casa de acolhimento, nunca ganha presente no Natal. Preocupado, ele escreve uma carta para Papai Noel, mesmo que seus amigos Beca, Pri, Alana e Cabeleira debochem da ingenuidade: "Só o Jonas pra acreditar que esse ano ia ser diferente. Papai Noel só vai na casa de quem tem dinheiro, família, essas coisas". Ao receber a carta de Jonas perguntando sobre o que Noel gosta de fazer, de comer e como é sua vida quando não é Natal, Noel se emociona. Jonas conta que nunca recebe presente no Natal e, então, Papai Noel entra em ação para descobrir o motivo. Noel se disfarça de Leon - o Conserta-Tudo e, junto com Maria Noel e com a ajudante Tata, parte para investigar o mistério. Enquanto explora a casa de acolhimento, Noel começa a ser vigiado por Léia, a diretora do lugar. Léia começa a desconfiar de Noel, criando dificuldades para ele e a garotada. Noel e as crianças criam um forte laço de amizade, mas a construção dessa cumplicidade será repleta de obstáculos. Nessa jornada, todos irão redescobrir o verdadeiro significado do Natal.

Diria que o diretor Gustavo Spolidoro junto com o roteirista Gibran Dipp foram bem criativos no desenvolvimento da trama, misturando animações de diversos estilos, invenções mirabolantes, e muito carisma para que os personagens convencessem da desenvoltura lúdica, de tal forma que pensaram como algo realmente para os menorzinhos, usando até canções do estilo e uma pegada até bobinha para não ir para um rumo que precisassem pensar em nada. Ou seja, é um filme bonitinho, aonde até dá para curtir bastante os atos finais mais agitados, mas para chegar até lá você vai precisar ir bem fundo, afinal volto a dizer que até alguns desenhos atuais são menos infantis do que o longa aqui proposto.

Sobre as atuações, diria que José Rubens Chachá realmente entrou no clima com seu Papai Noel bem empolgado em alguns atos, e desanimado com algumas situações que está ocorrendo, de forma que tem um bom carisma e chama a responsabilidade da trama para si. Da mesma forma Totia Meirelles entregou sua Maria Noel bem disposta como uma inventora de tecnologias para o Papai Noel utilizar, e comandando bem a UFA dos ajudantes de Noel, brinca bastante na tela. Outra exageradamente empolgada é Polly Marinho com sua Tata, "A" ajudante do Papai Noel, e até explodiu demais em suas cenas, de modo que acaba forçando um pouco, mas também diverte, então foi bem no que precisava fazer. Ainda tivemos Elisa Volpatto como Léia, a vila do orfanato, que se redime bem no final, mas que ficou mais bobinha do que malvada, e isso poderia ter sido mais intenso para chamar atenção. Quanto das crianças, diria que por serem todos estreantes até entregaram bons atos, mas nada que chamasse muita atenção, tendo claro o destaque para Caetano Rostro Gomes com seu Jonas bem expressivo, mas Mariana Lopes com sua Alana, Lívia Borges Meinhardt com sua Beca, Theo Goulart Up com seu Cabeleira e Cecilia Guedes com sua Pri até foram bem em cena. Já Adriano Basegio com seu Sr. Peabody foi apenas um enfeite cênico que já dava para saber o desfecho com os primeiros segundos que apareceu.

Visualmente diria que a equipe soube brincar bastante com elementos computacionais, colocando o personagem no meio da neve em sua casa no Polo Norte, vemos várias máquinas na fábrica da UFA, e na cena da montanha-russa brincaram com gosto com tudo, diria que poderiam ter trabalhado melhor o trenó, pois ficou muito amador, e na composição cênica dos túneis e do sótão foram bem criativos e marcantes, além claro das cenas utilizando animações e claro as bugigangas tecnológicas da Maria Noel, ou seja, a equipe de arte errou em alguns momentos, mas acertou em muitos outros, então ponto para eles.

Enfim, é um filme que a garotada mais nova vai brincar, vai dançar com as canções da protagonista e algumas de Fernanda Takai, mas que os pais precisarão de um pouco de paciência, pois a trama é bem infantil e forçada, então vá preparado para o cinema na próxima semana, pois é daqueles que são apenas para o público-alvo e mais ninguém. E assim fica minha dica pessoal, agradeço a equipe da Sinny pela cabine de imprensa, e fico por aqui agora, mas ainda vou conferir mais um longa hoje, então abraços e até logo mais.


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O Sequestro do Voo 375

12/08/2023 01:04:00 AM |

Meus amigos, que semana foi essa de vários filmes nacionais incríveis passando por aqui, e começo essa nova com um que certamente irei colocar entre os melhores filmes nacionais que já vi, isso se não entrar no meio dos melhores filmes que já vi baseados em fatos reais, ou seja, "O Sequestro do Voo 375" entrega algo tão perfeito, tão tenso, tão cheio de personalidade, de um caso que sinceramente eu era novo demais e nem via jornal na época, então não lembrava de nada, mas que foi tão imponente com toda a entrega, trabalhando tanto o emocional do piloto quanto do sequestrador, colocando uma negociadora do controle de aeronaves, tendo um mote politizado bem marcante, e ainda nos créditos contando uma curiosidade imponentíssima que na época dos ataques da Al Qaeda foram encontrados material sobre o caso brasileiro junto dos terroristas, ou seja, um caso nosso que serviu como uma péssima influência, ou seja, um filmaço com todas as letras, que vou fazer um apelo aqui: VEJAM!!! Pois ao mesmo tempo que fiquei felizaço com o resultado final do longa, aplaudindo em dois momentos a trama, fiquei muito triste de só ter eu na sala hoje conferindo o filme, e depois vem o povo falar que o Brasil não tem bons filmes, se não forem conferir os bons, como que fazem outros?

A sinopse nos conta que em 1988, o trabalhador Nonato se rebela contra o presidente e as dificuldades de um país em crise e orquestra o sequestro de um voo comercial para um atentado ao Palácio do Planalto. Murilo, o piloto desse avião, se vê responsável pela vida de mais de 100 pessoas a bordo e mesmo com toda tensão criada pelo sequestrador dentro da aeronave, executa a manobra mais impressionante da sua carreira e muda a história da aviação.

O diretor Marcus Baldini tem uma carreira consolidada de bons longas em nosso cinema, começando lá no passado com "Bruna Surfistinha", passando por clássicos da comédia nacional que estouraram as bilheterias com destaque para "Os Homens São de Marte... e É Pra Lá Que Eu Vou" e muitas séries boas bem vistas na TV, e agora diria que chegou no ápice de sua carreira com esse seu novo filme, pois ele pegou uma história incrível que mudou toda a aviação nacional e fez uma produção gigantesca digna de Hollywood, tendo pecado um pouco em algumas imagens computacionais de simuladores de voo, mas que sabemos que seria algo caro demais para fazer filmagens aéreas realmente contando com aviões antigos e até um caça, mas que dentro da aeronave, e na recriação de época dos atos de chão como carros, figurinos, e tudo mais, além claro da movimentação de câmeras, da manobra gigantesca feita (que quero demais o video dos bastidores mostrando como foi feita na tela), tudo condensado em um texto dinâmico e muito bem trabalhado aonde ficamos tensos e sentimos a força que o diretor soube passar. Ou seja, um trabalho de direção tão perfeito que nem sei mais se ele vai ainda ultrapassar com algum outro filme seu, mas que merece aplausos máximos.

Sobre as atuações, não conhecia o trabalho de Danilo Grangheia, mas o que ele fez com o piloto Murilo é digno de premiações sem dúvida alguma, mantendo a seriedade nos atos, trabalhando trejeitos bem marcantes em cada uma das dinâmicas mais inusitadas, e dando nuances tão perfeitas que confesso que foi uma pena o verdadeiro Murilo ter partido em 2020 sem ver essa grande homenagem para um dos heróis nacionais que ganhou medalhas de honra e tudo mais pelo que fez, ou seja, o ator foi perfeito no que fez. Jorge Paz também segurou com força a personalidade do sequestrador Nonato, mostrando ser um homem humilde, sem experiência nenhuma em sequestros, mas que soube dominar bem a aeronave e todos ali no voo, com muita imposição, bons trejeitos, e o melhor, sem forçar a barra com dinâmicas jogadas, ou seja, deu show. Outra que foi muito bem como negociadora e controladora de voo foi Roberta Gualta com sua Silvia, tendo um olhar sereno, mas bem impositivo, sabendo dosar as emoções na voz e na conversa, e indo muito além de uma simples civil num caso desse porte, agradando tanto a personagem como a atriz que conseguiu fazer muito bem seu papel. Ainda tivemos atos marcantes bem colocados com Cesar Mello como o co-piloto Evangelista chocado com algumas situações no começo, Juliana Alves como a comissária-chefe Cláudia, irmã do co-piloto em um ato explosivo incrível nas cenas finais, Adriano Garib como um imponente Brigadeiro Bastos direto de opinião forte, Cláudio Jaborandy bem colocado como Sobral Quintanilha, chefe da Casa Civil do governo Sarney, e até Gabriel Godoy entregou atos bem colocados com seu Delegado Rodrigues da Polícia Federal, mas sem dúvida a frase mais icônica que quase rolei de rir no cinema foi feita por Johnnas Oliva com seu Capitão Andrade oferecendo uma cesta básica para o sequestrador na negociação, eu se sou o sequestrador mandava o piloto mudar o curso pra atropelar esse capitão da FAB que teve essa brilhante ideia. Ou seja, um elenco com muitos nomes pouco conhecidos, mas que brilhou na telona.

Visualmente já falei no começo e volto a dizer que a equipe de arte fez um trabalho memorável de nível hollywoodiano, com figurinos da época, elementos cênicos dentro da aeronave, no aeroporto de Confins-MG, todo um trabalho artístico perfeito com tudo caindo e sendo arremessado na manobra que o piloto faz, ou seja, algo tão minucioso que não tem como reparar em cada detalhe, só tendo pecado um pouco na computação gráfica de algumas cenas exteriores do voo, pois como usaram um simulador de voo bem conhecido, acabou ficando um pouco falso, mas nada que atrapalhasse o resultado final.

Enfim, confesso que me arrepiei em algumas cenas conforme ia vendo os detalhes, me envolvi demais com a história, com a direção, com as atuações, ri demais com a forma de negociação sem base alguma que certamente foi feita por alguém que nunca precisou fazer isso antes, e claro ao final da manobra aplaudi o piloto junto com os personagens, e no final do filme aplaudi novamente, sendo algo que vou indicar sempre que me perguntarem um filme nacional incrível, pois é isso o que vi na telona. Então meus amigos, parem tudo o que estão fazendo e vão para o cinema conferir, pois vai valer demais o seu ingresso, e o filme merece ser conferido na telona, mas que ao sair no streaming daqui um tempo irei recomendar de novo, e claro verei de novo, pois é show demais. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.

PS: Até poderia tirar um coelho da nota pelas imagens computacionais, sendo extremamente crítico, mas não tenho como fazer isso com o resultado perfeito do filme, então vamos de nota máxima!


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Propriedade

12/06/2023 11:57:00 PM |

Quem me conhece sabe que gosto de ver filmes sem saber nada sobre eles, para ser pego de surpresa realmente, e quando fui convidado para a cabine de "Propriedade", o pôster do título da cabine (não é esse acima), era algo tão inusitado que fiquei bem curioso pela ideia, achando até que seria algo meio documental misturado com ficção, mas claro que pedi o ingresso para a sessão, e hoje ao conferir, meus amigos!!!!! Que filmaço foi esse que me entregaram!!! De modo que só tenho digo uma coisa para vocês, confiram o longa nos cinemas a partir do dia 14/12, pois vai valer cada segundo de tela, sendo daqueles suspenses/terrores bem intensos, com atos marcantes bem representativos, usando algo bem real do país, aonde o sentimento tanto dos trabalhadores rurais quanto da protagonista dentro do carro vai fazer cada um refletir e sentir cada detalhe passado. Ou seja, é um filme tão amplo que tem levado muitos prêmios pelo mundo todo, mas que aqui optaram por indicar outro longa (no caso um documentário) para concorrer nas principais premiações, e aqui facilmente a trama dialoga com todo tipo de pessoa, mostrando que quando um grupo se junta não tem propriedade que pare em pé.

A sinopse nos conta que dois universos estão prestes a colidir, quando uma revolta de trabalhadores começa. Traumatizada por um caso de violência urbana, a reclusa estilista Tereza se refugia em uma fazenda da família na tentativa de se recuperar. Mas quando seu marido anuncia aos trabalhadores do local a sua intenção de vênde-lo uma revolta acontece. Para se proteger do levante dos trabalhadores Tereza se enclausura em seu carro blindado e mesmo separados por uma camada impenetrável de vidro, o conflito é inevitável.

Diria que o diretor e roteirista Daniel Bandeira conseguiu um feito bem grandioso com seu longa, pois a ideia em si é bem simples e a trama usa uma pegada que tem leves semelhanças com alguns outros filmes lançados recentemente ("A Jaula" e "4x4") de alguém preso dentro de um carro tentando sobreviver, mas aqui ele foi para um rumo muito mais inusitado e desesperador, juntando uma realidade de muitos trabalhadores rurais versus alguém traumatizado pelo mundo atual, com uma dinâmica muito mais desesperadora e imponente, aonde você não consegue imaginar os rumos que a trama poderia tomar, com o clima caótico só piorando, e ainda com a barra de tempo tendo muito filme pela frente, ou seja, o diretor soube criar uma tensão cheia de nuances marcantes, aonde não vemos um futuro promissor para a protagonista, mas não custa torcer para ela, ou não, afinal os trabalhadores foram enganados também, então é sobre isso, um filme aonde tudo pode acontecer, com uma noção política também bem colocada, mas que não se prende a isso, virando muito mais cinema do que discussão, e é o que acaba encantando.

Sobre as atuações, tivemos muitos personagens com bons trejeitos, a maioria sendo de atores desconhecidos da maioria, alguns vários estreando também nas telonas, mas o foco principal é claro em Malu Galli cheia de traquejos e envolvimentos com sua Tereza, já sofrendo com o trauma que passou na cidade, desesperada com a revolta dos trabalhadores, e presa na sua bolha que é o carro blindado, mas nem por isso se segurou, fazendo atos fortes e bem marcantes ali, com um fechamento que diria ser ainda mais simbólico pela formatação, mostrando o poder do roteiro e claro da atriz que pegou o papel. E claro do outro lado do carro o destaque fica com Zuleika Ferreira e sua Antonia perfeita de imposição, disposta a tudo para conseguir o que é seu, com trejeitos emocionais no começo convertidos para algo mais sério e direto durante os demais momentos, sendo bem determinada e cheia de personalidade, agradando demais. Muitos outros tiveram atos bem interessantes e marcantes, e o roteiro pedia isso sem que houvesse sobreposições, mas claro que dentre todos vale o destaque para Samuel Santos com seu Dimas correndo quase igual um touro feroz atrás da protagonista e sendo bem emblemático em todas as suas cenas, chamando demais a atenção para si, e não decepcionando.

Visualmente o longa se concentra bem nas cenas da casa grande de uma fazenda de criação de gado, mostrando bem os furtos dos trabalhadores desesperados por achar dinheiro e claro seus documentos de propriedade de suas terras, mostrando muitos elementos simbólicos de classe e claro as marcações nas peles das pessoas (colocando elas também como propriedades), e o carro totalmente blindado, imponente, com algumas comidas e bebidas que os patrões compram numa parada, o caderno de desenhos da estilista aonde consegue se expressar bem, entre roupas e tudo mais que consegue usar enquanto está presa ali, e claro todo o simbolismo do final marcante, que chama muita atenção pela inteligência do roteiro e suas nuances que passada na medida para a equipe de arte deu vida para a trama.

Enfim, é daqueles filmes tão fortes de nuances que você fica preso na história junto da protagonista, se envolve com todos os personagens, torce cada hora para algo diferente acontecer, e felizmente o diretor pensa como todos entregando algo que vai muito além, então confira no cinema que vai valer a pena, que só não darei nota máxima por alguns atos no começo serem rápidos demais, faltando um pouco mais de desenvolvimento ali, mas que não atrapalham em nada o resultado final, só sendo algo que particularmente gostaria de ter visto um pouco mais dos tratos na fazenda que são subjetivos, mas valeriam para impactar ainda mais. E é isso pessoal, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Sinny pela cabine de imprensa, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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