Medida Provisória

4/15/2022 01:55:00 AM |

Há filmes que mesmo você não se enquadrando na ideia proposta pela trama fazem você sentir tantas emoções que acabamos não chocados pela essência forte em si, mas sim comovidos com tudo o que tentaram trabalhar na tela, e que se sobressai ao tema em si, fazendo valer a conferida pela dinâmica, pela ideia, e por saberem fazer com que o filme tivesse um conteúdo amplo, e um bom exemplar disso é o filme "Medida Provisória" que trabalha uma ótica tão forte em cima da discussão racial que acabamos sentindo tudo mesmo não fazendo parte do grupo de impacto do longa, então fico imaginando para quem for realmente negro (ou melanina acentuada como o filme coloca) toda a simbologia e imponência que a trama irá entregar. Ou seja, é um filme com um desenrolar bem marcado, mostrando tanto que a direção acertou na dosagem dramática, quanto dos atores por se doarem ao estilo, não jogando apenas com dinâmicas simples, mas sim com uma vivência forte e crítica com relação à tudo o que é mostrado, sendo daqueles que talvez até podemos esquecer os detalhes, mas que quando alguém citar algo do estilo teremos ele como uma referência.

O longa nos conta que em um futuro distópico, o governo brasileiro decreta uma medida provisória, em uma iniciativa de reparação pelo passado escravocrata, provocando uma reação no Congresso Nacional. O Congresso então aprova uma medida que obriga os cidadãos negros a migrarem para a África na intenção de retornar a suas origens. Sua aprovação afeta diretamente a vida do casal formado pela médica Capitú e pelo advogado Antonio, bem como a de seu primo, o jornalista André (Seu Jorge), que mora com eles no mesmo apartamento. Nesse apartamento, os personagens debatem questões sociais e raciais, além de compartilharem anseios que envolvem a mudança de país. Vendo-se no centro do terror e separados por força das circunstâncias, o casal não sabe se conseguirá se reencontrar.

Quem lê meus textos sabe que reclamo de praticamente 90% dos diretores estreantes, mas felizmente Lázaro Ramos se encaixa nos outros 10%, pois ele trabalhou bem as dinâmicas, usou com um primor o texto de uma peça funcionando como cinema sem qualquer ato preso em atos marcados de palco, abrindo tudo para que cada momento fosse determinante e envolvente, e principalmente se posicionou para que sua trama passasse a mensagem de uma maneira emocional demais para o público de uma forma que entrássemos na ideia completa e tudo marcasse presença, ao ponto que alguns vão falar ser uma crítica ao governo atual, outros vão usar apenas a base de racismo, mas o contexto social amplo acaba falando até mais com o público do que tudo, e mais do que apenas os protagonistas chamaram a responsabilidade para si, as vilãs foram escolhidas na medida certa para fazer o público ficar com raiva delas. Ou seja, o resultado da direção de Lázaro só não é melhor por deixar um final amplo de discussões ao invés de fechar seu filme como realmente algo marcado com uma ideia única, mas seu cinema será lembrado talvez pela cena final bem direta e fluída.

Sobre as atuações, o destaque é claro para Alfred Enoch com seu Antônio, que praticamente só o vimos durante toda a franquia Harry Potter como o garotinho Dean, e agora que já está bem crescido entregou trejeitos fortes, dinâmicas expressivas bem intensas, e nos atos que o filme dependeu dele se jogou completamente para cena fazendo toda a representatividade ter voz, o que acaba chamando atenção e agrada demais em tudo. Taís Araújo também deu muita voz à sua Capitú, levando um ar mais calmo inicialmente, e depois se desesperando na correria, para dentro do afrobunker (ou quilombo moderno) se doar e explodir de vez, ou seja, deu vida e marcou demais em seus atos. Seu Jorge entregou algo mais despojado com seu jornalista André, brincando bastante em cena, mas também sendo muito representativo e impositivo quando precisou, ao ponto que o ar solto seu se joga na loucura nos atos finais dele, o que chama demais a bola para si, e chuta bem como sempre. Agora as duas vilãs da trama foram escolhidas a dedo entre as melhores vilãs do Brasil, com Adriana Esteves botando banca e apertando todos os protagonistas lhe privando direitos na casa para que saíssem, mostrando suas garras logo no começo como algo bonitinho, mas forte e impositiva na medida dos atos finais com sua Isabel, e claro Renata Sorrah com sua Izildinha representando aquelas vizinhas que não aceitam que uma pessoa que julga menor tivesse algo a mais que ela, sendo perfeita nos olhares e desenvolvimentos. Ainda tivemos vários outros bons papeis dentro do afrobunker, com destaques para Aldri Anunciação com seu Ivan, Emicida como Berto e Hilton Cobra com seu Gaspar e Flávio Bauraqui como Kabenguele, mas o ato mais forte ficou a cargo do momento imponente de Pablo Sanábio com seu Santiago sendo ameaçado da mesma forma lá dentro. 

Visualmente o longa tem boas cenas nas ruas com as capturas e conflitos, tem a cena inicial bem representativa de tirada de direito da velhinha no banco, o julgamento vazio com ninguém dando bola para o advogado, os atos no bar bem conflituoso e cheio de contrapontos, as danças, todo o simbolismo de vida no apartamento com a esposa e depois no desespero, as cenas fortíssimas na floresta, no afrobunker cheio de detalhes da festa negra originalmente negra proibida, a representação dos elementos da capoeira em vários lugares, e claro a escola sendo usada como campo de exclusão, ou seja, todo o ambiente em si tem vários vértices e representações simbólicas, que chamam muita atenção do começo ao fim.

Enfim, é daqueles filmes memoráveis que vão entrar no top melhores longas nacionais, que só não irei dar a nota máxima para ele por acreditar que a conclusão poderia ser mais lapidada e mostrar algum tipo de acontecimento, pois o diretor optou por deixar aberto ao público para decidir se deu certo a rebelião ou não, se a voz negra foi calada ou não, e assim liberar para a reflexão em si, e facilmente poderiam ter usado isso de uma outra maneira mais direcionada que me agradaria mais, mas ainda assim faz valer bem o resultado do conjunto, e sendo assim recomendo ele demais para todos. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Animais Fantásticos - Os Segredos de Dumbledore (Fantastic Beasts: The Secrets of Dumbledore)

4/14/2022 01:51:00 AM |

 

Posso dizer novamente que ir conferir um longa com expectativas demais é sempre um grande problema, pois embora "Animais Fantásticos - Os Segredos de Dumbledore" seja um tremendo filmaço, fiquei esperando bem mais dele, mas temos um bom envolvimento, uma trama cheia de intensidade, boas conexões e desenvolturas com o que já havia sido apresentado na franquia, porém ficou um misto de último filme (eram inicialmente planejados 3 - uma trilogia, sendo aqui o fechamento), com algo bem no meio de tudo (já que agora estão anunciando como sendo 5 longas), então temos toda a proposta bem colocada que agrada e chama atenção, mas sem toda a explosão incrível que tivemos no primeiro longa. Ou seja, o resultado geral é uma trama que vai agradar os fãs por fechar alguns arcos, explicar coisas que tinham sido apenas jogadas, e claro por personagens marcantes aparecendo e funcionando bem, mas poderiam ter feito algo mais conciso e direto que chamaria mais atenção, e ainda assim seria grandioso com tempo suficiente para todas as revelações mostradas.

O longa é a sequência das aventuras de Newt Scamander, um magizoologista que carrega em sua maleta uma coleção de fantásticos animais do mundo da magia descoberta em suas viagens. Dessa vez, ele é convocado por Albus Dumbledore na luta contra o vilão Grindelwald. A trama mostra por que o célebre bruxo de Hogwarts, que sabe da busca por controle de Grindelwald e é incapaz de detê-lo sozinho, confia no magizoologista para liderar uma equipe de bruxos, bruxas e um bravo padeiro trouxa em uma missão perigosa. Ao longo do enredo, eles encontrarão velhos e novos animais fantásticos, além de enfrentar a crescente legião de seguidores do vilão. Mas o que o grupo de Scamander não sabe é que Grindelwald colocará o Mundo Mágico em uma luta contra o mundo dos trouxas. Enquanto o universo da magia fica mais dividido, Dumbledore deve decidir por quanto tempo ele ficará à margem da guerra que se aproxima.

Desde os últimos filmes de Harry Potter até os últimos dois filmes da saga Animais Fantásticos já conhecemos bem o diretor David Yates que tem mantido a linha centrada em tudo o que J.K. Rowling escreveu em suas obras, e aqui voltando o roteirista Steve Kloves que esteve em toda a franquia de Harry, mas não nos últimos Animais vimos algo mais elaborado e encaixado, que ampliou o leque dos personagens, deu boas alegorias e emoções, e sobrando espaço para que o diretor brincasse com tudo, de modo que aqui não vemos a explosão emocionante que foi o primeiro filme, nem toda a armação conflitiva do segundo, mas sim algo com uma maior base, sendo até alongado para dar espaço de mostrar tudo com muita calma, mas isso ocorreu principalmente por já terem dado as cartas de que teriam mais filmes da série, senão certamente veríamos algo mais imponente na tela. Agora é esperar e ver o que ele fará nos próximos, já que está anunciado mais duas partes da trama sob a direção de Yates, então acredito que ele deva preparar o terreno no próximo e deixe para a conclusão épica no último com muitas mortes e talvez já a conexão máxima com o mundo de Harry Potter dos primeiros filmes.

Sobre as atuações, diria que a troca de Johnny Depp por Mads Mikkelsen para o papel de Grindelwald não foi apenas pela legião de reclamações dos fãs, mas sim por o ator não estar tão conectado para o que precisaria nessa continuação, já que aqui não precisavam de alguém tão caricato, mas sim alguém com uma expressividade mais forte, e esse cara é o Mads, pois deu sua cara para o papel, fazendo algo impositivo forte, com nuances explosivas e muita determinação, que acabou agradando demais, ou seja, um grande acerto para o papel, e veremos o que vai fazer nos próximos. Jude Law voltou com seu Dumbledore cheio de estilo, com uma boa pegada intensa, olhares certeiros e marcantes, fazendo com que o personagem fosse além do professor forte que conhecemos na época do Harry, e ao mesmo tempo que o filme tem sua dinâmica deu abertura para todos aparecerem bastante e entregarem estilo, que com certeza o ator sempre surpreende, e fez a vez. É engraçado que no livro o personagem de Eddie Redmayne, Newt Scamander, tem muito mais importância na totalidade, mas aqui abriram espaço para desenvolver outras tramas, mas o jovem como sempre chamou atenção, foi extremamente carismático nas suas cenas, e claro foi responsável pelos atos fofos com seus diversos animais, e também com os que encontra no caminho, sendo doce e marcante em tudo o que fez na tela. Outro que foi muito bem em cena foi Dan Fogler com seu Jacob Kowalski, pois se nos anteriores foi um personagem meio que deslocado, aqui ele entregou tudo e foi muito utilizado, trabalhando bem o papel e dando tudo o que esperávamos ver dele. Foi bem usada também Victoria Yeates com sua Bunty, não chamando tanta atenção no começo, mas funcionando em vários atos expressivos da trama. Alison Sudol com sua Queenie teve bons atos chamativos, encaixou olhares, e foi claro importante para o vértice de Kowalski, então chamou atenção no que fez nas várias cenas. Ezra Miller apareceu menos com seu Credence, e é explicado tanto pelo que vai acontecendo com o personagem, quanto com o que tem rolado do ator ser muito problemático fora da telona, então acredito que já pesaram a mão um pouco nessa síntese, mas seus atos foram bem usados pelo menos. E para fechar tivemos claro nossa brasileiríssima Maria Fernanda Cândido com sua Vicência Santos, que esperava ter uma participação maior na tela, afinal se formos olhar a fundo sua personagem é bem importante na trama, mas não usaram tanto ela em cena, o que deve acontecer na continuação, e outro detalhe que poderiam ter mostrado algo pelo menos é falar que ela é do Brasil, afinal só ouvimos o povo chamando Santos com um sotaque estranho, o que poderia ser de qualquer país que fale português. Tivemos muitos outros personagens que apareceram um pouco, mas falar de cada um o texto ficaria mais imenso ainda, então vou apenas falar que foram bem em cena.

Visualmente o longa é um espetáculo, tendo cenas em amplas locações, indo claro para os famosos pontos conhecidos de Hogwarts, mostrando a escola, o famoso quadribol, mas os principais pontos foram na floresta com os filhotinhos (parece um tipo de corça, e que serão mais usados em outras cenas importantes), as cenas na prisão com os animais que parecem escorpiões com uma dancinha hilária do protagonista, os momentos na vila no monte de Butão, alguns jantares e reuniões imponentes cheios de magia, alguns atos em trens, e claro alguns atos bem colocados na padaria de Kowalski. Ou seja, a equipe de arte brincou com elementos conhecidos e ousou bastante com visuais amplos e chamativos. Aliás, não entendi do filme não usar 3D, pois mesmo tendo muitas cenas escuras, há vários elementos alegóricos que dariam para brincar na telona, mas acredito que a tecnologia esteja perdendo força, veremos nos próximos lançamentos então.

Enfim, é um tremendo filmaço sim, mas que poderiam ter ido muito além com tudo, não ter alongado tantas dinâmicas, e quem sabe já ter trabalhado mais situações que devem ter deixado para os próximos filmes. Claro que foi feito para desenvolver mais coisas do Dumbledore, seu relacionamento e suas desavenças com o vilão, abrindo espaço para que os demais fluíssem também, mas faltou aquele momento que arrepiasse realmente, ou seja, talvez possa ter sido minha expectativa estar alta demais para o longa, mas acredito que a culpa de ser inferior (ao menos para mim) aos demais foi de colocarem mais dois filmes na série. E é isso pessoal, super indico ele para os fãs do mundo bruxo que tanto vimos com os 8 filmes de Harry Potter, e agora com 3 de Animais Fantásticos, mas deixo a dica para ir com menos sede ao pote, senão a chance de reclamar vai ser alta. Fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Ainda Estou Aqui (The In Between)

4/11/2022 10:40:00 PM |

Muitos devem estar até surpresos de ver um romance da Netflix aparecendo aqui nos meus textos, pois geralmente fujo deles por saber que vão virar quase uma série com mil continuações intermináveis que só vão piorando, mas o tema de "Ainda Estou Aqui" me deixou bem curioso e resolvi arriscar dar o play por dois motivos principais, o primeiro de a história parecer com "Ghost - Do Outro Lado da Vida", que quem não assistiu pelo menos umas 5x na TV não viveu nos anos 90/2000, e o segundo motivo é que a vi um filme há um bom tempo atrás que o livro de continuação da história parecia ser esse, então estava pensando que poderia ser a continuação, mas não bateu muito, então vou manter apenas o primeiro motivo mesmo. Dito isso, dei sorte, pois a história é bacana, tem uma montagem interessante, uma ótima trilha sonora, e os atores não decepcionaram no que fizeram na tela, tendo até mesmo uma boa sacada de fechamento que surpreende um pouco, e claro, não tem como fazer uma continuação, então funcionou bastante e vale tanto para quem gosta de uma história simples de romance pós-morte com as nuances antes claro do acontecido, e também para aqueles que choram fácil com emoções bobinhas desse estilo de filme.

O longa acompanha a jovem Tessa, que passou sua infância entre abrigos para menores, e não acredita que pode viver um amor verdadeiro. Tudo muda quando ela conhece e começa a namorar Skylar, um morador da cidade vizinha bem romântico. Juntos, eles passam por um acidente de carro que tira a vida de Skylar. Depois da morte do amado, a jovem passa a acreditar que ele está tentando se comunicar com ela do outro mundo.

Passaram-se oito anos desde que o diretor Arie Posin fez seu último longa bem chatinho ("Uma Nova Chance Para Amar"), e diria que esse tempo foi suficiente para que ele estudasse mais o mundo dos romances e conseguisse encontrar um roteiro interessante para filmar e entregar uma paixão bonita e interessante de ser vista como a que o escritor e roteirista Marc Klein fez, pois o estilo de ambos se conectou de uma forma bem trabalhada e que usando de um artifício que alguns julgam existir realmente de uma possibilidade de conversar com alguém que já morreu, e brincando ainda mais com toda essa forma de sentimento, o resultado até impressiona bastante (claro tirando alguns efeitos fantasmas exageradíssimos que foram usados para que o carro chegasse aonde queriam no final!). Ou seja, é um filme bonito e até gostoso de conferir, que tem uma pegada romântica, tem um ar de suspense, e é bonito dentro da essência que desejavam mostrar, sendo um roteiro simples e efetivo, que o diretor não quis ousar demais e fez dar certo, valendo tanto para o público cativo dos romances da Netflix, quanto para quem curte algo não tão docinho, e assim agrada a todos.

Sobre as atuações como citei no começo o clássico "Ghost", fiquei até surpreso com a semelhança do protagonista Kyle Allen com Patrick Swayze no filme em questão, e o jovem entregou bons atos de seu Skylar, com cenas e falas clássicas de galã juvenil, e que sem forçar exageros que saíssem muito do que o papel pedia acabou envolvendo bem a jovem protagonista para si, mostrando um ar simples, porém bem colocado, o que acaba agradando sem ser algo surpreendente demais, no qual o rapaz que já está acostumado com outros longas do estilo demonstra que vai ainda muito longe. Já Joey King é a rainha dos romances da companhia, e aqui sua Tessa não ficou tão ingênua de estilo, com uma personalidade mais fechada para romances, sem conseguir dizer a frase tradicional de todo filme do gênero por tudo que viveu, e a jovem se sai bem com esse ar mais fechado, tendo boas desenvolturas, passando sensações, e agradando com isso, ou seja, vai fazer muitos outros romances e deve agradar mais, afinal sabe cativar e tem carisma para isso. Quanto aos demais, vale o destaque para a divertida amiga da protagonista Shannon vivida por Celeste O'Connor por desejar viver uma caça-fantasma junto da amiga, e também para Donna Biscoe que dá as devidas nuances de espíritos para a protagonista, tendo um envolvimento rápido, porém bem conectado com tudo.

Quanto do visual da trama, como estamos falando de um longa que trabalha fotografia, espiritismo e romance, foram perfeitos nas escolhas das locações, das luzes de contraplano para dar as nuances envolventes das imagens, e trabalhando desde um hotel abandonado, um lago bem bonito e amplo, cenas na praia, em um farol, um restaurante simples e bonito, um cinema de rua clássico, e também contando com cenas em hospitais e num estúdio de fotografia no quarto da jovem, tudo passa a fazer parte do ambiente, todos os elementos são bem encaixados, e o resultado flui demais nesse sentido, ainda que brinque com elementos em preto e branco fazendo um bom sentido também para a trama.

Outro ponto bem interessante da produção ficou a cargo da trilha sonora incrível que deu ritmo para o filme e também muito envolvimento nas escolhas, e assim sendo deixo aqui o link para todos curtirem após a conferida.

Enfim, é um filme que quem gosta do estilo vai curtir bastante, e que funciona bem dentro da proposta, dando destaque criativo para o fechamento explicativo que a garota dá para as devidas nuances do que são fantasmas nas sua vida e nas suas fotos, que envolve demais na forma escolhida. E dessa forma recomendo o longa para todos, não sendo algo memorável, mas que tem um bom envolvimento e um bom funcionamento do começo ao fim. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Star+ - Os Olhos de Tammy Faye (The Eyes of Tammy Faye)

4/10/2022 10:10:00 PM |

Na época do escândalo da rede cristã PTL nos EUA eu era muito novo e não vou poder dizer que lembro de como tudo rolou, mas pelo que é mostrado no longa "Os Olhos de Tammy Faye" vemos algo tão bem arquitetado, e que felizmente nem apelaram tanto para o escândalo em si, mas sim na vida que a jovem teve junto de seu marido, no carisma que tinha para falar com as pessoas pela TV, na força expressiva de não seguir as linhas da igreja que eram contra os homossexuais, a incrível desenvoltura de suas entrevistas, e claro seus luxos também, ao ponto que ficou sendo até uma biografia meio que de homenagem, mostrando nem tanto suas falhas como algo criticável demais, mas sim que foram erros perdoáveis e que não atrapalharam tanto. Ou seja, é um filme que se formos olhar a fundo é bem simples, porém a atuação de Jessica Chastain fez valer completamente todos os prêmios que ganhou, e é a própria atriz desde a juventude da Tammy até seus últimos momentos em cena, ou seja a equipe de maquiagem deu literalmente um show impressionante em tudo o que fez, merecendo também todas as premiações que ganhou, mas poderiam ter ido mais além nas denúncias fortes, pois sabemos bem todo o esquema que esses canais religiosos mundo a fora fizeram de enriquecimento dos seus donos, e assim uma trama mais investigativa também chamaria atenção.

O longa acompanha a ascensão e queda da televangelista e maior apresentadora gospel da TV norte-americana, a lendária Tammy Faye Bakker e de seu marido, Jim Bakker nas décadas de 1970 e 1980. Os dois vieram de origens humildes e conseguiram criar a maior rede de radiodifusão religiosa do mundo, alcançando respeito e reverência por sua mensagem de amor, aceitação e prosperidade. Tammy Faye era reconhecida por sua beleza extravagante, seus olhos de maquiagem bem marcada, sua forma singular de cantar e seu jeito com as pessoas. No entanto, os escândalos e seus rivais procuraram alguma forma de derrubar seu império - e o filme biográfico acompanha a trajetória traçada por ela para tentar superar os ataques e retomar tudo o que construiu.

O diretor Michael Showalter foi bem esperto em trabalhar com um roteiro desenvolvido em cima de um documentário do ano 2000 feito com os verdadeiros personagens, pegando sínteses, olhares, e claro muito material para trabalhar tudo de uma maneira ficcional convincente, e a sacada de não focar tanto no escândalo, nos conflitos e todo o processo de recuperação deles foi algo bem intenso e marcante para dar vida realmente à personalidade da protagonista, seus conflitos com o marido, toda a desenvoltura de envolvimento, e com isso chamar o foco realmente para que nós nos envolvêssemos com o ambiente, com a vontade deles querer ir além, e como a riqueza muda as pessoas para querer sempre mais, ou seja, o diretor não quis algo muito amplo, mas também não ficou tão fechado, ao ponto que temos uma síntese bem clara de como eles iniciaram nas pregações, nas ideias de crescimento, e claro na personalidade de Tammy, afinal ela sempre teve carisma demais, e conseguiram sem precisar apelar dar todo esse tino apenas com os momentos, não necessitando nada que fosse muito além de uma mulher religiosa e com muita vida.

E falando claro das atuações, temos logo ir de cara no que Jessica Chastain fez com sua Tammy, e já unindo, o que a equipe de maquiagem fez com ela, pois a atriz se entregou completamente à personagem, fazendo trejeitos e desenvolturas tão próprias que em momento algum vemos qualquer outra personagem que ela já tivesse feito, sendo algo único que passa por quase todas as fases de vida da cantora e apresentadora gospel, e que a maquiagem conseguiu fazer tanto as nuances de jovem quanto as de mais velha, com muita força e marcando sempre pela tonalidade chamativa, ou seja, vemos na tela um trabalho completo e que mereceu cada prêmio recebido. Já Andrew Garfield sabemos de todo o potencial que sempre entrega em seus personagens, mas aqui fazendo Jim Bakker ele acabou soando falso demais, seja pela personalidade meia que de falsário realmente do personagem ou de carregarem tanto na sua maquiagem meio que estranha, parecendo ter bochechas demais, e um carisma meio que não tão convincente, mas ele extraiu bem seus momentos e funcionou ao menos até o final mantendo bem a ideia. Ainda tivemos muitos outros bons personagens, com destaque para Cherry Jones como a mãe da protagonista, com uma atitude bem forte e intensa em todos os atos, Mark Wystrach como o músico que Tammy teve um leve envolvimento, e Vincent D'Onofrio bem encaixado como o reverendo Jerry Fawell bem imponente, entre vários outros bem chamativos.

Visualmente o longa foi bem bacana por mostrar toda a riqueza por trás dos ministros cristãos dessas redes de TV gospel, aonde muito se pede para evangelizar, e que acabam fazendo uso para bens próprios como mansões, roupas, e tudo mais, e a equipe de arte trabalhou muito bem cada elemento alegórico para representar o início simples deles, o primeiro carrão, o primeiro fantoche, o programa infantil inicial, o primeiro talk-show, o estouro de crescimento ao ir na casa de outro líder religioso, e daí pra frente toda a base de uma grande rede de TV, a ideia de fazer até um parque aquático que seria a Disney religiosa, os diversos programas com telefones recebendo doações, as gravações musicais, e claro toda a decadência com o escândalo explodindo, perdendo tudo e indo morar na periferia até cantar numa escola, ou seja, perfeição nas escolhas cênicas e muita alegoria para chamar atenção do começo ao fim, e como já disse ótimas maquiagens e cabelos para todos serem bem representados.

Enfim, é um longa que até poderia ter ido mais além, ter trabalhado um processo todo mais crítico em cima das brigas de impostos, os conflitos de quem perdeu tudo e muito mais, mas preferiram dar nuances mesmo na vida da protagonista e seu crescimento, o que funciona bem, e chama atenção, então vale a recomendação para conferirem ele dessa forma, e assim com toda certeza entender um pouco mais de tudo o que está por trás dessas redes religiosas, e das pessoas que vivem disso. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto logo mais com mais textos, então abraços e até breve.


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Amazon Prime Video - Um Jantar Entre Espiões (All The Old Knives)

4/08/2022 11:02:00 PM |

Quando vamos conferir filmes envolvendo espionagem na maioria das vezes acabamos esperando muita ação, tiros, situações tensas e envolvimento no nível máximo para surpreender a todos, porém quando temos algo mais fechado, com nuances mais técnicas e muitos diálogos o resultado acaba se vertendo mais no mistério todo, e a surpresa pode vir aonde menos se espera. Comecei falando assim da estreia da semana da Amazon Prime Video, "Um Jantar Entre Espiões", principalmente para que muitos não fujam do longa no miolo e no início levemente cansativos, pois quando começamos a pegar toda a ideia e juntamos tudo, ao final ainda somos surpreendidos com duas coisas que não estavam bem nos planos, ou seja, é daqueles filmes com uma narrativa bem pensada, que certamente no livro deve ser ainda mais marcante, mas que funciona bem pelas boas interpretações e pela intensidade de tudo, sendo simples de ações e forte de conteúdo, valendo a conferida.

O filme nos mostra que seis anos atrás em Viena, terroristas fizeram centenas de pessoas como reféns e na tentativa da CIA de realizar um resgate, tudo dá errado. Mas o que atormenta dois agentes, Henry Pelham e Celia Harrison, amantes na época do ocorrido, é o questionamento sobre o que aconteceu com um agente que estava infiltrado na operação e foi comprometido.

Talvez o maior problema do longa seja a estreia na direção ficcional do documentarista Janus Metz em cima do roteiro/livro de Olen Steinhauer, pois ele segurou muito a dramaticidade e a tensão para os atos finais, não dando um desenvolvimento mais trabalhado no restante, necessitando demais de voltas temporais e ambientações, enquanto o diálogo na mesa de jantar realmente fica somente de encaradas e nuances próprias dos personagens, ou seja, o livro talvez seja até mais amplo de ideias e prenda mais o público com uma tensão maior, afinal em alguns trechos ficamos muito dependentes dos protagonistas, e eles não nos insinuam com uma força mais crítica que necessitaria. Então você deve estar achando que o resultado foi ruim, e digo que não, pois mesmo sendo uma trama meio que arrastada, no fechamento tudo passa a fazer muito sentido e as reviravoltas escolhidas funcionam demais, surpreendendo por não imaginarmos o que iria rolar realmente, nem o que alguns já sabiam, então é se segurar para não dormir no começo e no meio, e juntar todas as pecinhas no final.

Quanto das atuações, Chris Pine velho ficou a cara do George Clooney, e apenas com algumas mechas brancas no cabelo e na barba, ou seja, se o Clooney precisar de um ator para fazer ele jovem já sabe com quem contar, mas brincadeiras a parte o ator se entregou por completo para que seu Henry fosse instigante e segurasse bem os ares nos dois momentos em que a trama se passa, conseguindo preparar cada momento como algo único bem colocado e com boas situações, ao ponto de até torcermos para ele em alguns atos, mas também criando muitas alegorias para desconfiarmos dele, ou seja, fez bem o seu papel, e chamou atenção. Thandiwe Newton também se entregou bastante para sua Celia misteriosa e ampla de trejeitos, ao ponto que em certos atos ficamos pensando coisas sobre a personagem, e ela acaba se soltando bem, mas poderia ter criado entonações mais marcantes em alguns atos, pois ousou mais nas expressões e deixou meio de lado a entonação vocal que poderia chamar ainda mais atenção, mas foi bem no que fez. Ainda tivemos alguns atos com boas nuances de Jonathan Pryce fazendo seu Bill Compton nas duas épocas, e trabalhando bem o tom da voz para chamar atenção nos dois momentos de uma forma diferenciada, e praticamente uma participação meio que de lado de Laurence Fishburne como o chefe da agência Vick Wallinger, que até teve boa presença cênica, mas sem grandes chamarizes para seus atos.

Visualmente o longa mostra bem um longuíssimo jantar num restaurante bem refinado, porém praticamente vazio, aonde ocorre todo o interrogatório da mulher pelo agente, e nesse miolo vamos vendo a representação cênica do que rolou 6 anos atrás, com muitas cenas romantizadas e quentes entre ambos na casa deles, vários atos dentro da agência com a tentativa de pensarem como resolver o problema do sequestro do avião, alguns momentos mostrando atos de terrorismo dentro do avião (algumas cenas do real sequestro e outras do sonho da protagonista), e claro muitas negociações rolando em becos, restaurantes e ruas com indagações para infiltrados tentarem ajudar na resolução do caso, ou seja, a equipe de arte teve um trabalho maior na cenografia do restaurante, mas nada que fosse realmente surpreendente, valendo mais a conexão do texto em si do que os objetos cênicos.

Enfim, é um filme denso que tem uma boa trama, mas que poderia ser mais dinâmico para que a intensidade ficasse ainda mais marcante sem cansar tanto, porém como disse o fechamento melhora totalmente o longa e faz com que o filme seja bem válido para todos conferirem, e assim fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Sonic 2 - O Filme (Sonic the Hedgehog 2)

4/07/2022 01:39:00 AM |

É sempre bem difícil falar de uma continuação sem fazer as devidas comparações com o original, pois a primeira pergunta que te fazem é se ficou melhor, pior ou igual, então já digo logo de cara que "Sonic 2 - O Filme" é muito superior ao primeiro, tanto em técnicas quanto no famoso fan-service, afinal foram introduzidos diversos personagens, elementos e até poderes tradicionais do jogo para o público vibrar e se divertir demais, e mesmo tendo uma grande cena envolvendo os humanos meio que em cenas bobas, o filme foca ainda mais nos personagens animados com uma textura tão incrível que ficaram parecendo reais dentro do longa, não como pelúcias, mas sim dinâmicos, coloridos e bem encaixados, quase como se fossem criados para estar ali. Ou seja, acaba sendo daqueles filmes que nos divertimos bastante, esquecemos até a hora que entramos na sala, e saímos da sessão felizes com todo o resultado já torcendo para a continuação ser ainda melhor, o que vai ser difícil, mas se conseguirem será daquelas trilogias completas que ninguém deu nada no começo e agora irão apostar cada vez mais nos personagens, pois todos têm estilo, carisma e muita coisa para rolar, podendo virar uma franquia bem longa se quiserem.

O longa nos conta que após conseguir se estabelecer em Green Hills, Sonic está pronto para mais liberdade e quer provar que tem o necessário para ser um herói de verdade. Seu teste virá quando Tom e Maddie concordam em deixá-lo em casa enquanto saem de férias para ir ao casamento da irmã de Maddie, Rachel, no Havaí. Mas para a infelicidade do ouriço, a data acaba coincidindo com o retorno do Dr. Robotnik, dessa vez com um novo parceiro, Knuckles, depois que o doutor do mal vai embora para o planeta cogumelo. O terrível Robotnik está à procura de uma esmeralda com o poder de destruir civilizações. Sonic se une a um novo companheiro, Tails, e juntos eles embarcam em uma jornada para encontrar a esmeralda antes que ela caia nas mãos erradas.

A principal coisa que tem de ser dita é que dificilmente você irá se conectar ao filme se não viu o primeiro longa de 2020, então antes de mais nada dê o play nele na plataforma de streaming da GloboPlay/TelecinePlay e depois vá conferir. Dito isso, a grande sacada foi manter o diretor Jeff Fowler que deu a cara para bater no primeiro filme, aceitou escutar os fãs que o visual entregue no trailer estava horrível, voltou todo o filme para a ilha de edição e refez praticamente tudo, e encantou a todos, e agora novamente ouviu tudo o que os fãs falaram que faltou no primeiro, foi lá e colocou com muita intensidade, com carisma incrível, mas claro não apenas trabalhando com coisas do jogo, mas inserindo danças, boas piadas, e até alegorias malucas para dar o devido complemento no ar familiar dos humanos, que alguns até podem reclamar do excesso cômico, mas que encaixa tão bem que funciona demais, mostrando estilo e personalidade para um diretor novo e que tem futuro se seguir essa linha leve bem encaixada, e claro, sempre ouvindo as críticas para melhorar.

Como falei acima usaram bem menos os personagens humanos, mas ainda criaram um casamento meio que conflituoso aonde temos alguns atos cômicos exagerados, e com isso as personagens femininas rasparam a trave de soarem péssimas, sendo um elenco de apoio até meio que desnecessário, ao ponto que vale claro falar de todo o carinho de James Marsden dando boas conexões e lições em alguns atos para que seu Tom ficasse meio como um pai para o ouriço azul, de forma que se no primeiro pareceu meio que um irmão mais velho, aqui as lições de moral ficaram mais próximas à paternidade. Jim Carrey falou que irá se aposentar após ter feito um excelente Dr. Robotnik novamente, e diria que faz bem, afinal já fez tantos personagens icônicos, e aqui ele está novamente incrível, então se não forem mais utilizar ele com a deixa mostrada no final, seria um bom momento para fechar com chave de ouro. Agora falando dos personagens animados, Sonic está ainda mais debochado, trabalhando sacadas ainda melhores e cheias de estilo, com efeitos ótimos, uma textura perfeita, e agradando demais em toda a dinâmica. A entrada de Tails foi um incremento monstruoso de fofura na trama, pois a raposinha é cheia de artifícios, mas tem uma paixão de fã pelo ouriço que não tem nem como mensurar, e seus atos então cheios de carisma no nível máximo. Knuckles foi colocado inicialmente como um vilão bem forte e potente para brigar com o protagonista, mas sua essência de guerreiro vai chamar muita atenção de todos do começo ao fim, ao ponto que vamos nos familiarizando com ele até estarmos já torcendo pelas suas cenas, e essa imponência toda foi bem trabalhada, não sendo algo jogado de trejeitos na trama, ou seja, caiu muito bem no longa.

Visualmente o filme tem muitos bons efeitos do começo ao fim, iniciando com uma perseguição bem maluca do protagonista querendo virar um herói caçando bandidos no melhor estilo Batman de ser, com uma cena que até parece jogada, mas que agrada pelo teor cômico, depois na casa dele vemos todo um processo de brincadeiras muito bem trabalhadas no modo prático (ou seja, sem tanta computação gráfica) com coisas caindo para todo lado, espumas, comidas e muito mais, outro grande ponto foi todo o trabalho do Planeta Cogumelo com uma brilhante montagem de fazer café do vilão no melhor estilo dos programas que víamos na infância de carrinhos e peças trombando e fazendo um caminho, tivemos todo o elo do labirinto para alcançar a esmeralda no melhor estilo dos jogos, tivemos uma festa de casamento bem montada (mesmo não sendo tão necessária), tivemos grandiosas cenas na neve com snowboard no melhor estilo possível, tivemos a cafeteria/laboratório muito bem preparada, e claro tivemos as cenas finais com Dr. Robotnik assumindo um robozão gigante clássico do jogo, ou seja, a equipe de arte trabalhou demais e deu show nos ambientes, além de ótimas texturas nos animais computadorizados que deram um tom muito real para a produção, parecendo estarem muito próximos dos atores. O longa não veio em 3D para nenhum cinema, mas confesso que senti muitos elementos funcionais que voariam para fora da tela, ou seja, desperdiçaram a chance de um filme que a técnica funcionaria.

Enfim, é um filmaço que agradou demais, que confesso estar com medo de não atingirem a diversão que foi o primeiro, mas que funciona para todos, e principalmente para quem jogou o jogo na infância (aliás a sala estava com muitas crianças, mas com mais pais e adultos que até levaram bebês para a sessão - vou acreditar que os bebês queriam ver o bichinho!). E assim sendo recomendo ele até mais para os fãs, mas quem curtir uma boa aventura cômica irá rir e se divertir bastante também na sessão. Então é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, na única estreia dos cinemas na semana, mas volto em breve com mais textos das plataformas de streaming, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Pequena Mamãe (Petite Maman) (Little Mom)

4/06/2022 01:05:00 AM |

É até engraçado ver o quanto os franceses conseguem passar simbolismos e envolvimentos maternos nas suas produções com tanto sentimento, pois acabam entregando dramaticidade sem precisar pesar a mão, colocam sentimento em expressões marcantes simples, e geralmente conseguem emocionar demais nas obras entregues até mesmo com ares fantasiosos, e dessa forma o longa "Pequena Mamãe" acabou sendo destaque na maioria dos festivais que passou, sendo inclusive indicado ao BAFTA como Melhor Produção em Língua Não Inglesa, e agora todos podem conferir na Amazon Prime Video, e se deliciar numa trama gostosa de conhecimento e reconhecimento, de conexão com o passado e futuro, de uma forma rápida e bem direta. Ou seja, é daqueles filmes que se você piscar já acaba, mas que também dá para se perder completamente em diversas análises gostosas e reflexivas, que certamente atingirão mais as mulheres com filhas, mas que dá para se emocionar não sendo desse grupo também.

O longa nos conta que depois que sua avó falece, Nelly vai conhecer a casa onde sua mãe cresceu e morou por muitos anos. Ao chegar lá, Nelly explora o local enquanto seus pais arrumam a casa. No bosque onde sua mãe, Marion, costumava brincar e construiu uma casa na árvore sobre a qual ela ouviu muitas histórias, Nelly conhece uma garota de sua idade construindo uma cabana. Surpreendentemente, o nome da criança é Marion. ​As duas meninas, com a mesma idade, e extremamente parecidas, se tornam melhores amigas, construindo uma tenda juntas, dividindo lanches e conversando sobre as transições de vida e corpo que estão prestes a ter. Ao passar dos dias, as similaridades entre as garotas começam a ficar mais evidentes, e passado e presente se misturam. E afetada pela recente morte da avó, a menina percebe os ciclos da vida, marcados pelos crescimentos, e pela inevitável morte.

Diria que a diretora Céline Sciamma gosta muito e entende muito sobre o feminino em si, as aflições, os problemas e principalmente os sentimentos das mulheres, afinal seu longa anterior "Retrato de Uma Jovem em Chamas" é bem ousado no sentido de uma época e desenvolve bem a mente feminina em revolta, e aqui ela optou mais pelo ar lúdico e doce, diria até fantasioso, do luto, do saber que a morte virá em algum momento, dos medos de que terá de lidar na vida toda, e por aí vai, brincando bastante com todo tipo de alegoria da infância feminina, do aprender a interpretar outras personalidades, de fazer uma comida brincando, de vivenciar os momentos, e tudo mais. Ou seja, é daqueles filmes que você olha para ele e pensa de cara que será daqueles reflexivos, chatos, monótonos e tudo mais que muitos odeiam ver fora de festivais, mas não, ela entrega algo simbólico de fácil aceitação, e o principal: bem rápido com apenas 73 minutos, que quase foi encaixado como um média-metragem, mas que nesse período deu para brincar bastante literalmente quase como uma brincadeira de garotas, o que resultou em algo bonito, leve e bem interessante de ser conferido.

Sobre as atuações, as duas garotas Joséphine Sanz e Gabrielle Sanz parecem ser uma só, ao ponto que se você não se ligar que uma está com uma faixa no cabelo e a outra não, acabará se confundindo diversas vezes de quem é quem, pois até o temperamento expressivo delas são muito semelhantes, então o resultado que desejavam atingir de passar a memória e o conhecimento de uma para a outra foi perfeito nesse sentido, ao ponto que Joséphine deu um ar mais curioso para sua Nelly, afinal a jovem que foi em busca de conhecer mais a vida da mãe quando era jovem, pouco antes de uma cirurgia, enquanto Gabrielle já ficou um pouco mais retraída para tentar entender quem é essa pessoa tão parecida com sua Marion, ou seja, ambas tem um potencial artístico incrível que se for trabalhado vão ser grandes atrizes futuramente. Quanto aos adultos, todos foram pouco usados, mas foram mais simbólicos para dar nuances aos devidos atos, a mãe vivida por Nina Meurisse passando o ar triste do luto, mas também sendo triste como a garota sempre a viu, a avó vivida por Margot Abascal mostrando já a doença na perna, a bengala, e também todo o carinho que sempre passou, e o pai vivido por Stéphane Varupenne transmitindo segurança, o estar presente com ela e fazendo as vontades da garotinha, todos com ares simples, mas bem feitos, o que daria para nem ter em cena, mas que funcionam bem e agradam como o fazem.

Visualmente a trama tem todo o sentimento amplo da casa, de cada elemento presente ali, do armário escondido com objetos que remeteram a infância da mãe, os jogos, todo o processo de brincar de atuação, e principalmente tudo na casa, a cabana, e muitos outros detalhes que a equipe de arte quis trabalhar com dupla síntese tanto para a garotinha, quanto para a mãe, e as mudanças entre as casas do passado e do presente são tão fortes que impressionam demais, mostrando que quiseram dar as nuances para ambos os momentos, e funcionou demais.

Enfim, é um filme bem curto, direto na proposta, que emociona e envolve demais, e que muitas mães e filhas irão se conectar tanto pelo diálogo passado, sobre saber o que vai acontecer, sobre o vivenciar e tudo mais, ou seja, não é um longa brilhante de ideias, mas funciona demais dentro da proposta, e isso é fazer valer o tempo do espectador, sendo então uma ótima dica para todos conferir. E é isso, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais. 


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Netflix - Apollo 10 e Meio: Aventura Na Era Espacial (Apollo 10 1/2: A Space Age Adventure)

4/05/2022 12:40:00 AM |

Hoje possuem tantas técnicas de animação que chega a ser até engraçado ouvirmos falar que um filme de Richard Linklater seria lançado dentro do estilo, mas usando de filmagens desenhadas em cima das imagens de atores (pelo menos é o que parece nos créditos) isso ficou mais próximo de uma realidade, e o resultado do seu longa na Netflix, "Apollo 10 e Meio: Aventura Na Era Espacial", acabou sendo completamente a sua cara, contando com memórias, amadurecimento do protagonista, e até mesmo um ar de sonho inventivo, aonde o excesso de narração domina e até cansa um pouco, mas que tem tanta representatividade nas brincadeiras da infância do garoto, na proposta mostrada simbólica em nível máximo e em toda a dinâmica passada que acabamos nos envolvendo demais com tudo o que é mostrado, e o resultado passa a ser algo maior do que apenas uma singela animação, mas sim uma proposta de algo além da tela, bonito e marcante, que muitos vão até estranhar, mas que quem entrar no clima irá vivenciar algo a mais na memória.

O longa nos mostra a história do primeiro pouso na lua no verão de 1969 a partir de duas perspectivas entrelaçadas. Ele captura a visão do astronauta e do controle da missão do momento triunfante e a perspectiva de baixo para cima menos vista de como era da perspectiva de uma criança animada, morando perto da NASA, mas principalmente assistindo na TV como centenas de milhões de outras pessoas. Em última análise, é uma recriação exata desse momento especial da história e a fantasia de uma criança sobre ser arrancada de sua vida comum no subúrbio para treinar secretamente para uma missão secreta à lua.

Quem conhece o estilo do diretor e roteirista Richard Linklater sabe bem que ele não faz filmes simples de serem compreendidos, e que mesmo suas obras cotidianas acabam indo para situações complexas e recheadas de simbolismos, aonde o público consegue fluir tantas ideias quanto ele realmente colocou na produção, e aqui não foi diferente, pois mesmo seguindo a ideia de uma trama de memórias, dentro de uma animação que poderia ter um elo mais infantil e/ou juvenil, o resultado acaba tendo uma fluidez que amplia o vértice de pensarmos se o garotinho realmente está vivendo tudo, se está imaginando ou o que, e em qualquer uma dessas ideias tudo tem sua devida história aberta para que o público imagine o além dela, que acredite na proposta, e até mesmo siga um caminho completamente diferente do que está na tela. Ou seja, acabamos vendo uma obra singela, delicada e ao mesmo tempo forte de essências, que consegue fluir fácil e que mesmo entregando um ritmo um pouco lento demais traz dinâmicas coesas e bem alegóricas para funcionar por completo, sendo interessante para entrar no clima, e trazendo muitos sentidos em cada traço passado na tela.

Sobre os personagens e atuações, acabou sendo bem bacana ver toda a síntese e dinâmicas que o garotinho Stan passa para o público, basicamente contando sua história de uma maneira bem marcada e cheia de dinâmicas, aonde tanto a voz que Milo Coy quanto a de Jack Black fizeram acabaram trabalhando ares mais amplos e interessantes de se ver, criando um estilo próprio para retratar a época e brincando com tudo ao seu redor, de forma que o jovem passa algo próximo de um sonho, próximo de um carinho com o momento, mas também a dúvida quanto a tudo o que está rolando, e isso soa até mágico em alguns atos, sendo um trabalho marcante bem colocado do começo ao fim. Ainda tivemos outros bons personagens como os agentes da NASA, todo o lance do pai sendo um empregado da companhia, mas não um astronauta (meio como a jogada que muitos tinham de pais que trabalhavam em banco e não voltavam cheios de dinheiro para casa em certa época), tivemos todo a síntese dos irmãos, dos amigos e todos ao redor dele que brincavam, que disputavam e assim o vértice cênico fluiu para os personagens com traços meio que diferentes no ar estético, mas interessante para a proposta, usando talvez um pouco de rotoscopia, um pouco de desenho a mão mesmo, que marca e dá a devida textura que o longa pediu.

Visualmente o longa é um pouco estranho, pois sendo bem diferente das usuais animações, vemos na tela texturas e traços meio que borrados, outras vezes formatos estranhos, mas fazendo parte da estética do filme mesmo, e dentro dele vemos brincadeiras que fazíamos na infância, as brigas pelos canais da TV, as músicas, as fotos de artistas pendurados no quarto, e claro todo o contraponto do ar cowboy do Texas com o ar futurístico da NASA em uma única cidade, com um parque temático de astros, o estádio diferenciado e tudo mais que marcaram a época no país e no mundo, além claro da boa representação dos testes e das viagens da companhia para a Lua, na famosa briga com os russos. Ou seja, é um filme bem representativo e simbólico que funciona muito bem nesse sentido.

Enfim, é uma animação diferenciada das demais, e que mesmo aparecendo cedo nesse ano, logo após as premiações, é bem capaz que seja lembrada nas premiações de 2023, afinal é de um diretor extremamente famoso nas premiações, tem um roteiro que faz pensar, não sendo apenas algo bonitinho na tela, e que tem estilo, valendo demais a conferida, sendo o único porém que coloco de não ver muito cansado, pois sendo praticamente inteiro narrado, tem momentos que a falação toda cansa e bate um pouco de sono, mas nada que em casa dê uma rápida pausa, uma água e já volta para terminar. Então fica a dica, e eu fico por aqui hoje pessoal, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Respect: A História de Aretha Franklin (Respect)

4/03/2022 08:31:00 PM |

Confesso que conhecia bem pouco da vida de Aretha Franklin, mas praticamente já ouvi ela milhares de vezes, afinal suas canções são hinos que sempre encaixam bem em todos os filmes, e como a rainha do soul que se tornou pela voz, pelo estilo e foi também muito importante sua caminhada nos movimentos dos negros nos EUA, ou seja, foi uma mulher muitas vezes referência para todos, passando sentimento e sofrendo muito durante sua vida desde pequena, então o longa que estreou na Amazon Prime Video, "Respect: A História de Aretha Franklin" veio apenas para consolidar a carreira dessa que nos abandonou em 2018, mas que a voz ecoará muito em tudo o que veremos nas telonas. Ou seja, é um filme bem forte de sensações, mostrando os abusos que a cantora sofreu desde criança, as imposições dos muitos homens que passaram em sua vida, seja pelo pai, pelos maridos ou pelos amigos do pai, pelos excessos de bebida, pela entonação politizada também, e que claro sempre se mantendo forte no que desejava demonstrar como mulher conseguiu durante toda a carreira. Sendo assim, acabou sendo um drama biográfico bem marcado de atos duros, que é consagrado por ótimas canções e uma atuação magistral de Jennifer Hudson, porém faltou aquele algo a mais que saltaria a trama de apenas uma biografia para algo imponente e marcante digno de prêmios que a cantora mereceria ter também em seu nome, mas vale demais toda a história mostrada na tela.

No longa acompanhamos toda a carreira da musa Aretha Louise Franklin (Jennifer Hudson), desde sua infância, cantando em corais da igreja, até sua ascensão a ícone musical, defensora dos direitos civis e militante em prol das mulheres. Aretha foi a primeira mulher a entrar para o Rock and Roll Hall of Fame, sendo vencedora de 8 Grammy Awards. Aretha começou a cantar após a repentina morte de sua mãe, que a deixou incapacitada de falar até seu pai forçá-la a cantar no coral da igreja. Após anos ela finalmente fecha um contrato que muda sua vida como cantora de jazz, tanto que recebeu um prêmio honorário do próprio Martin Luther King. Mas foi apenas com o cover da faixa "Respect" que a carreira de Aretha alavancou para o resto do mundo. Porém com o peso de ser uma mulher negra com tanto trabalho, não só musical, o filme ainda mostra o período mais baixo que a cantora chegou por ficar extremamente exausta.

Diria que o principal defeito do longa foi ter colocado uma diretora estreante à frente de um projeto imponente de uma pessoa extremamente grandiosa, pois não digo que a diretora Liesl Tommy tenha errado na condução que deu para sua trama, pois é um belo filme, tem estilo, tem vivência e tem a força da mulher que a homenageada merecia receber, porém com alguém mais preparado para o estilo biográfico certamente daria um tom ainda mais forte para algumas cenas, envolveria bem mais toda as ideias e expressividades que algumas cenas necessitavam, e principalmente faria o filme ainda maior não de duração, mas de explosão visual, pois temos algumas cenas bonitas quase que jogadas de lado, alguns atos duros quase que passando em branco e alguns momentos de emoção que funcionaram só por serem mais apelativos, ou seja, acabou sendo uma trama que deu sorte de não soar cansativa, pois tem muitos erros de dinâmica por parte da direção, e assim sendo poderia ter virado algo monótono demais que Aretha não mereceria ter para ser representada. 

Quanto das atuações, Jennifer Hudson se entregou completamente para o papel, fazendo uma Aretha incrível, cheia de nuances, botando o gogó para jogo do começo ao fim, mas muito mais do que isso trabalhando olhares, criando vertentes fortes durante todo a trama, e sendo muito expressiva ao ponto de nos convencer do que estava entregando, e o melhor foi ver as fotos no final que mostraram demais a semelhança que conseguiram passar da protagonista jovem, ou seja, perfeita demais, tanto que conseguiu ganhar muitos prêmios pelo papel e ainda ser indicada ao SAG desse ano. E já que falamos da protagonista jovem, indo mais para atrás ainda Skye Dakota Turner foi impressionante na versão criança de Aretha, fazendo semblantes bem coerentes com cada ato, sorrindo na medida do possível, mas também se fechando completamente após os dois ocorridos fortíssimos que a jovem viveu, ou seja, foi bem demais em cena. Outro que trabalhou muito e chamou muita atenção foi Forest Whitaker como um pai duro, que se aproveitou muito do dom da filha, mas que também enxergou muito além na vida da jovem, e o ator fez trejeitos marcantes e soube dosar toda a intensidade dos atos para não soar criterioso demais, o que acabou agradando bastante. Dos companheiros da protagonista, tivemos dois homens completamente diferentes na tela, o primeiro Marlon Wayans que tanto estamos acostumados a ver fazendo comédia acabou saindo muito bem como Ted White imponentíssimo, briguento, cheio de estilo e sendo marcante demais em cena, e do outro lado tivemos Albert Jones fazendo um Ken Cunningham mais fechado, cheio de sensações bem colocadas, e que trabalhou cada momento mais próximo à protagonista entregando muito carisma e boa interação. Pelo lado dos produtores vale o destaque mais para Marc Maron com seu Jerry Wexler direto, criando os hits que tanto a cantora desejava ter, levando ela para uma banda que soube encontrar o ritmo certo para ela, e trabalhando bem a entonação das dinâmicas acabou agradando bastante. Ainda tivemos bons ensejos de Gilbert Glenn Brown fazendo Martin Luther King Jr. que era uma pessoa da casa de Aretha, Hailey Kilgore e Saycon Sengbloh fazendo as irmãs de Aretha que foram cantoras solo também, mas acertaram bem como coral da cantora, entre vários outros bons atores que se doaram para os papeis e encaixaram tudo na tela, mas sem grandes destaques.

Visualmente o longa trabalha bem os anos 50 a 70, mostrando todo o ar familiar conturbado da casa da protagonista, misturando igreja com festas, trabalhando coral e manifestações políticas, mostrando todo o ambiente das gravadoras, dos shows e das viagens, e pontuando detalhes de todos os lados, colocando alguns elementos cênicos marcantes como roupas cheias de peles, muita bebida de todos os lados, e tudo mais que fosse representativo, ou seja, um filme completo de estilo que mostrou bem tudo, mas que poderia ter ido mais além se focasse nos atos finais talvez da cantora que foram ainda mais expressivos e fortes dela.

Musicalmente nem vou falar nada, afinal colocaram desde canções que poucos ouviram até grandiosos hits que já embalaram clássicos do cinema, já tiveram imensas versões e tudo mais, ou seja, dublando a original em alguns momentos ou seja na voz real de Hudson o filme teve um conteúdo monstruoso na tela que agrada demais do começo ao fim.

Enfim, é um bom filme, tem todo o contexto completo de homenagem que agrada bastante, mas certamente poderia ser muito melhor, tanto que a distribuidora nem optou por explodir ele nas telas dos cinemas, saindo direto para o streaming, para nossa sorte também, pois muitos preferem ver assim, então fica a dica para conhecerem mais dessa grandiosa cantora, e quem sabe logo mais alguém encara de trabalhar os anos 80 a 2018 quando a artista partiu, e que nesse miolo ganhou vários prêmios. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Capitã Nova (Captain Nova)

4/03/2022 12:57:00 AM |

Costumo falar que um tema que vai sempre ficar na moda e gerar filmes de diferentes formas é o tal do apelo climático para salvar o futuro, pois é algo que sabemos que está ocorrendo, nos importamos de certa forma com tudo, mas ao mesmo tempo fazemos tão pouco para isso, e que claro uma hora os recursos do nosso planeta irão acabar, então quando brincam com isso nas tramas cinematográficas sempre fica a reflexão no ar, e quem sabe alguns se conscientizam mais. Outro tema que sempre funciona muito bem é o de viagem temporal para mudar algo na vida da pessoa, ou então no caso aqui de salvar o planeta antes que alguém aperte o famoso botão máximo da destruição, e confesso que vi poucos longas holandeses, mas o que entregaram na trama da Netflix, "Capitã Nova", foi algo bem trabalhado, com um estilo mais jovial, com uma pegada leve e bem trabalhada sem grandes impactos, mas que é bem desenvolvido e funciona para justamente entrar nessa ideia ampla de evitar o que pode ser a maior destruição de tudo. Ou seja, como cinema em si, o filme tem algumas falhas de não ser forte o suficiente para causar tensão no público, de ter alguns elementos claros e diretos demais no roteiro, mas como mensagem e simbolismo funciona bem e entrega algo gostosinho de curtir na tela, então acaba valendo a conferida e a indicação.

O longa nos conta que em 2050, a Terra tornou-se um lugar seco e desolado. A piloto de caça Nova é forçada a viajar no tempo para evitar um desastre ambiental devastador, no entanto, um efeito colateral imprevisto da viagem no tempo a torna uma criança e ela cai em 2025 aos doze anos. Ninguém parece levar ela e sua missão a sério, exceto Nas - um adolescente negligenciado que tenta manter essa garota misteriosa e seu pequeno robô voador ADD fora das mãos do serviço secreto. Nova e Nas conseguirão salvar o mundo futuro?

Dá para dizer facilmente que o diretor e roteirista Maurice Trouwborst quis entrar num tema profundo de questionamentos, mas quis aliviar um pouco o peso da trama, pois facilmente daria para entrar em nuances filosóficas de certo e errado com seu texto, daria para discutir as ideias de viagem no tempo, daria para questionar muito sobre o uso dos recursos do planeta a qualquer custo, mas para que não ficasse pesado ele optou por colocar como protagonistas dois jovens de 12 e 15 anos, uma arma que não mata ninguém, mas apenas pausa a pessoa em câmera lenta para que ela tenha tempo de pensar na vida, e mesmo no caminho deles entrando pessoas de bom coração que querem algo a mais, e lhe dão ajuda, pois facilmente poderiam ter encontrado grandes problemas, e aí o filme não seria tão levinho. Ou seja, se olharmos a fundo o filme nem tem algo tão imponente como conseguimos enxergar, mas na simplicidade de estilo o diretor acabou conseguindo trabalhar imagens bonitas, um tema gostoso, e principalmente com o tempo certo, pois tendo apenas 86 minutos é dinâmico e direto no que desejava passar sem enrolações, e assim acaba acertando mais do que errando em tudo.

Sobre as atuações, a jovem Kika van de Vijver trabalhou bem uma personalidade mais seca, sem muita expressividade para sua Nova, sendo daquelas soldados que vão para uma missão e não demonstram nada na cara, e a jovem foi muito bem nesse sentido, e quando faz a garotinha que ainda está no presente fez caras mais inexpressivas ainda, o que funcionou demais para a trama, ou seja, demonstrou estilo e personalidade para o papel, agradando demais. Agora sem dúvida o jovem Marouane Meftah tem um grandioso futuro como ator, pois seu Nas é bem imposto, faz expressões de surpresa marcantes e bem colocadas, e se doa totalmente na interpretação do papel, não soando falso, nem dissipando demais os atos, ou seja, perfeito e agradável de ver. A investigadora vivida por Hannah van Lunteren teve boas nuances, mas praticamente correu o filme todo conversando com pessoas, e não foi além em nenhum grandioso momento sem ser o final que nem se expressou muito, ou seja, faltou chamar a responsabilidade e ganhar o público. Agora sem dúvida alguma poderiam ter pego um ator melhor para o papel de Simon, pois Harry van Rijthoven pareceu um bebê chorão na maioria das cenas, falhando consideravelmente em todos os atos, ao ponto de não poder ser o imponente que aparece no futuro de forma alguma, ou seja, falhou bastante. Quanto aos demais, os velhinhos da casa foram bem graciosos, a voz do robô bem bacana e dinâmica, e até o ajudante da policial brincou bem com as peças do jogo, mas não foram muito além de conexões para a trama, e quanto dos adultos do futuro, nenhum chamou a responsabilidade cênica para si, tendo claro o destaque para Anniek Pheifer fazendo a Nova, e Yahya Gaier nem precisando falar quase nada só sorrindo em cena com o papel extra que aparece.

Visualmente o longa chama muita atenção nas cenas do futuro, com uma fotografia bem alaranjada e seca, mostrando o laboratório meio como um acampamento meio que isolado e com ares simples até demais para uma equipe que fez uma nave meio parecida com um carro que voa pelos buracos de minhoca no espaço, mas que até tem bons elementos, já no presente tendo muitas florestas, plantações, hortas e coisas verdes para fazer a jovem reviver sua infância, uma boa fabrica abandonada, um quartel meio simples também demais, mas bem colocado nas salas, e na cena no Polo Norte fizeram poucos atos, mas bem representativo para funcionar dentro do contexto do filme.

Enfim, está longe de ser uma produção perfeita, mas que agrada bastante pela mensagem e funciona bem no que foi proposto de ser algo simples, ingênuo de certa forma e bonito de conferir, tendo uma fotografia interessante, boas atuações e um texto bacana que vai agradar a todos como um bom passatempo de sessão da tarde, e assim valendo a indicação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Bolha (The Bubble)

4/02/2022 07:21:00 PM |

Já pelo trailer do filme da Netflix, "A Bolha", dava para saber que seria algo bem bizarro mostrado na tela, porém aparentava ter momentos divertidos bem colocados, que dariam um tom engraçado para mostrar a gravação de um longa durante o período da pandemia, com atores isolados, pouca equipe e tudo de maluco que poderia acontecer, porém as cenas engraçadas apareceram exatamente no trailer, sobrando para o longa coisas estranhas e com um humor mais non-sense do que interessante realmente, e que acaba mais cansando do que agradando. Ou seja, é um filme que vemos situações comuns que vimos acontecer durante a pandemia: dancinhas de tiktok, personalidades sem grandes méritos de atuação sendo convidados para aparecer em filmes pela quantidade de seguidores e não mais pelas qualidades suas, roteiros mal escritos com frases de efeito bem fracas, pessoas desesperadas por encontros físicos, testes e mais testes, ninguém aguentando mais ficar trancado, estúdios falindo e pegando empréstimos de empréstimos com produtores que nem se conhecem direito, e muito mais, tudo em uma única trama que até daria para ser melhor trabalhada, mas optaram por jogar mais com o absurdo, e assim cansou mais do que aparentava no miolo.

A sinopse nos conta que no meio das gravações de um filme de ação sobre dinossauros voadores, um grupo de atores precisa iniciar o isolamento em um hotel de luxo, presos em uma bolha pandêmica. Com toda a equipe dentro do hotel, fugindo da pandemia de Covid-19, tudo fica mais complicado e o desafio será completar o filme que começaram - além de sobreviver à crise sanitária e aos próprios colegas de trabalho. Uma sátira aos desafios que o mercado cinematográfico encontrou - na pandemia real - para realizar suas produções.

Diria que o diretor Judd Apatow até brincou bastante com a ideia do roteiro, conseguindo desenvolver tudo de uma maneira ampla e cheia de intenções para que uma sátira da vida pandêmica para os cinemas funcionassem bem, porém ele acabou exagerando um pouco na mão na forma mais explosiva, e deixou de lado o ar cômico que poderia ter funcionado melhor, pois já vimos várias sátiras serem até melhores que os filmes originais, bastando ter o básico que é ser engraçada na totalidade. Ou seja, ele trabalhou vários vértices, deu as devidas nuances que o estilo pede, mas quando realmente precisou ousar e deixar algo mais fluído acabou jogando coisas demais na tela, sendo daqueles que tem várias esquetes boas separadas, mas que juntas se perdem e não agradam. Além de outro detalhe gigantesco que é a duração, pois como não tem uma fluidez acaba cansando ao ficar tentando bater na tecla de alguns assuntos e não conseguir a dinâmica correta, e assim o resultado não empolga.

Sobre as atuações, o longa tem muitos personagens soltos, e a maioria até aparece bem em alguns atos, desaparece em outros e funciona em menos atos ainda, tendo destaque claro para Karen Gillan com sua Carol complexa por ter saído da franquia e agora voltando no meio de um confuso processo, trabalhando olhares e intenções claras das pessoas que surtaram durante a pandemia, e até ousando alguns atos mais rebeldes conseguiu chamar atenção pelo menos. Também tivemos Pedro Pascal brincando bem com os galãs viciados em sexo que ficaram sem ter os devidos programas para todos os dias, fazendo entonações malucas e situações bem caricatas, mas divertidas de ver. Tivemos um diretor completamente maluco e sem noção de estilo com suas cenas bem interpretado por Fred Armisen. Nos foi mostrado o famoso casal de Hollywood separado que tendo de ficar junto por um tempo tenta se acertar com Leslie Mann e David Duchovny com ela sempre se achando demais e ele o famoso ator que quer meter o bedelho em tudo mudando o roteiro para algo que acha que ficará melhor. E sendo um longa "familiar" já que contamos com a esposa real do diretor Judd (Leslie Mann), tivemos a filha deles Iris Apatow fazendo a famosinha que estourou no TikTok e é colocada na franquia para estrelar o longa, e a atriz deu um show ao trabalhar bem toda essa turma que vem aparecendo. Ainda tivemos outras boas interações com Keegan-Michael Kelly fazendo seu Sean, tivemos os funcionários do hotel bem encaixados com Samson Kayo, Maria Bakalova e Vir Das, mas apenas deram as conexões e puxaram bem a comicidade para seus devidos atos, e assim quem sabe poderiam ter salvo o filme com mais tempo de tela.

Visualmente o longa também brincou bastante, tendo as famosas tendas de testes de covid, os muitos cotonetes, várias coisas para se fazer nos quartos fechados como comer, ver filmes, brigar com os filmes, coreografar dancinhas, exercitar com a TV, e repetir tudo pelos 14 dias da quarentena, tivemos os vários momentos com os famosos fundos verdes e as interações com personagens não existentes, todo o protocolo de segurança para não ter fugas, as várias vídeo-chamadas e tudo mais em um único filme bem representativo em um hotel bem chique e funcional. Ou seja, a equipe nem precisou de muitas ideias e conseguiu fazer com que seu filme funcionasse bem.

Enfim, é um filme que tinha uma proposta boa para ser desenvolvida melhor, ou então escancarar de vez e fazer uma sátira explosiva maior, mas que optaram por ficar no meio do caminho e não agradou nenhum dos dois lados. Vale como um passatempo, mas veja sem estar cansado, pois o miolo bate um sono nervoso com a bagunça completa. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Alemão 2

4/02/2022 01:19:00 AM |

Se no primeiro filme lá em 2014 não demos quase nada para a trama de "Alemão" e acabamos curtindo bastante toda a interação policial que foi colocada, cheia de boas desenvolturas fortes bem impactantes e toda uma tensão com o desenrolar da invasão, agora já fomos mais preparados para tudo esperando muito mais de "Alemão 2", afinal como bem sabemos o tráfico apenas muda o dono, mas continua imponente dominando as favelas, então o que poderia rolar dessa vez. E diria que foram bem no desenrolar de tudo, afinal se lá vimos uma invasão bem orquestrada e toda uma explosão própria cheia de nuances, agora tivemos algo mais próximo de um "Resgate do Soldado Ryan" numa versão nacionalizada, aonde não necessariamente o resgate fosse apenas dos policiais, e sim de todo um contexto maior a ser trabalhado na telona. Ou seja, é um filme de sequestro do chefão do tráfico, mas mais do que isso, acaba sendo algo amplo para mostrar os tipos de pessoas que existem nos morros, os tipos de policiais, e como cada um tenta sobreviver na hora que a situação aperta. Claro que passa longe de ser melhor que o primeiro filme, mas tem um simbolismo social muito maior, que acaba sendo interessante de conferir.

O longa nos conta que vários anos após os acontecimentos do primeiro filme, o policial civil, Machado, lidera uma perigosa e secreta ação no complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Acompanhado por Ciro e Freitas, o trio entra no complexo à paisana para ir atrás de um grande líder do tráfico de drogas que está no escondido no local. Sendo comandados pela delegada Amanda e seguindo pistas de uma informante, o trio sofre uma emboscada que os colocam em perigo eminente. Foragidos dentro do complexo, os policiais precisam se esconder e escolher bem os próximos passos enquanto são caçados por traficantes. No centro de operações, Amanda, que não foi com o grupo, tenta ajudá-los a sair com vida no local e voltar para a delegacia, enquanto ela também comanda uma investigação para saber o que aconteceu de errado ou quem informou o traficante sobre a ação no Alemão.

Diria que o diretor José Eduardo Belmonte soube usar o que fez de bom no primeiro filme para que aqui tudo fluísse melhor, mas como quis algo com mais ação e também desenvolver mais personagens acabou amarrando um pouco demais todo o ambiente e as situações que dariam um tom mais tenso para a produção. Ou seja, temos um roteiro forte se olharmos do ponto da violência em si, mas também temos algo mais humano em tentar mostrar a senhora que cuida de todos na comunidade, o traficante que desejava ser outra coisa e não pôde, o policial que não tem segurança alguma e sai atirando sem nem pensar, o delegado que quer subir na carreira a qualquer custo, e muito mais, ao ponto que facilmente se o primeiro virou uma série de 4 capítulos, esse se quiserem ampliar e desenvolver cada personagem dá quase para virar uma mini-novela de uns 20 capítulos. Ou seja, é um bom filme, tem felizmente a característica clássica de um longa sem precisar ficar explicando cada um, mas poderia ter ido além se o foco fosse em menos personagens.

Sobre as atuações, foi bacana ver um Vladimir Brichta mais sério com seu Machado, trabalhando uma imposição forte e direta nos atos da trama, trabalhando bem o ar de alguém sobrevivendo após tomar um tiro durante toda a fuga, e até sendo mais "humano" ainda no desenrolar de tudo, ou seja, o ator fez interações bem colocadas e chamou atenção no que fez. Outra que surpreendeu bem foi Leandra Leal com sua Freitas meio reclusa, ainda aprendendo a lidar com tudo o que está ocorrendo em sua primeira missão, trabalhando olhares e forças diferentes em cada momento, e ainda sendo intensa quando precisou, ou seja, mostrou respeito e chamou tudo para si. Gabriel Leone já mostrou o típico policial estourado com seu Ciro, sendo daqueles que atira primeiro e depois pergunta, que soca e trata todos bem mal, e que geralmente todos na equipe acabam brigando com ele, mas foi uma boa representação feita pelo ator, e até poderiam ter usado mais ele em alguns outros atos. Digão Ribeiro foi bem marcante nos atos que fez com seu Soldado, e se doou bem para que o personagem tivesse algo a mais para ser explorado, que não fosse apenas um traficante jogado na tela, mas sim pudesse ser lembrado como alguém maior, e foi. Ainda tivemos Mariana Nunes como a única que retornou do primeiro filme, fazendo o mesmo papel, agora como mãe do filho do líder do tráfico no primeiro filme, e se mostrou intensa e cheia de boas nuances com todos ao seu redor, desde o garoto até o policial da UPP vivido por Dan Ferreira. Ainda tivemos boas participações de Zezé Motta e fora do morro valendo o destaque claro para Aline Borges como a delegada chefe da operação, que foi forte nos atos e impôs boas marcações cênicas sem precisar explodir.

Visualmente o longa foi bem recheado de boas cenas no meio da comunidade, cheia de becos, de conflitos em casas espalhadas, muitos detalhes cênicos para dar as devidas representações do ambiente, uma central de inteligência totalmente brasileira (falhando na hora que mais precisavam dela), e claro muitas armas com tiros para todos os lados no melhor estilo de guerra possível, trabalhando bem cenas fortes com muito sangue, uma ambientação bem movimentada para a direção de fotografia brilhar com a câmera na mão, e tudo numa velocidade bem funcional, ou seja, conseguiram criar o clima tenso e funcionar na tela.

Enfim, é um bom filme nacional, que empolga e tem a devida tensão cênica que prometia, porém ficando abaixo do original por querer ir além demais, e assim sendo vale a conferida com a ressalva de que alguns podem ficar confusos com o que o diretor realmente desejava expressar na tela, já que tem opiniões de todos os estilos na mesma trama. Sendo assim até recomendo ele, mas sabendo que muitos irão reclamar em alguns atos de certos exageros. E é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, agora do streaming já que as estreias dos cinemas acabaram, então abraços e até logo mais.


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Morbius

4/01/2022 01:15:00 AM |

Já vou ser bem direto que sei no que a maioria que virá ler a crítica quer saber, "Morbius" não é um filme ruim! É um filme de introdução, com um roteiro até que bagunçado demais que poderia ter sido mais direto em alguns momentos e aprofundado mais em outros, mas que como história de início de um personagem funciona muito bem, agora sem dúvida alguma é o pior longa com efeitos especiais e maquiagens que eu já vi, conseguindo ficar abaixo do primeiro "Crepúsculo" e muitas outras tentativas ruins que tivemos de maquiagem/efeitos nos anos 70/80, sendo bizarro nesse quesito, tendo cenas aceleradas, efeitos de slow-motion péssimos, e coisas tão estranhas visualmente que você fica olhando e pensando quem pagou os caras para fazer isso, então se você não liga para algo feio demais, a história acaba sendo bacana e interessante de ver, mas do contrário é melhor você fugir senão a chance de ter pesadelos horrendos com os personagens é bem alta. Ou seja, certamente vão destruir novamente Jared Leto num papel de quadrinhos, mas a culpa aqui novamente não é sua, pois o ator até se sai bem nas cenas que precisou se expressar um pouco mais, a culpa aqui é gigantesca em cima da equipe de efeitos especiais e de maquiagem, pois nem no primeiro ano de uma faculdade de cinema uma equipe falharia tanto nas coisas colocadas na tela, parecendo realmente um trabalho inacabado, ou pior, um trabalho exageradamente mexido que ficou destroçado já que o longa voltou para a mesa de edição pelo menos 9 vezes contando pelos adiamentos sofridos, e sendo assim era melhor terem adiado mais uma vez e reparado tudo antes de jogar para exibição.

Baseado no personagem de mesmo nome da Marvel Comics, Michael Morbius sempre sofreu com uma condição rara em seu sangue que o faz andar de bengala e desde criança ser excluído por outros, mas sua vida solitária foi preenchida por livros. Após se formar na faculdade, Doutor Morbius é renomado na área de biomedicina e tenta achar uma cura para sua rara condição, afim de não apenas se ajudar, mas ajudar outras pessoas que também sofrem como ele. Experimentando com o DNA de morcegos, Morbius espera achar a cura e se usa como teste para o soro. Usando o DNA que isolou e uma mistura de eletrochoque, a cura foi um sucesso temporário, mas os efeitos colaterais acabaram transformando-o em um pseudo-vampiro e que agora precisa sobreviver como um. Apesar de ganhar capacidades iguais a de um morcego, Morbius precisa de sangue humano para sobreviver, os efeitos colaterais também o fez mudar fisicamente, ganhando presas e uma pele pálida. Além disso, a cada pessoa que ele morde, ela também vira um ser igual a ele.

Diria que o diretor Daniel Espinosa ficou tão empolgado em lhe darem um roteiro de personagem dos quadrinhos que quis ousar na tela, e sendo uma trama que é puxada para o lado do terror, ele foi um nome até que bem colocado na produção, porém não dá para saber o que lhe foi passado na ideia que queriam para o visual do personagem e nos "voos" dele, pois certamente muitos irão atacar como sendo um erro de direção que ocorreu, e até podemos dizer que tem um pouco de culpa, já que no corte final ele poderia pedir melhorias nos trabalhos da edição e finalização para que o filme não ficasse tão estranho. Claro que ele conseguiu criar um clima de terror meio que das antigas, aonde o visual dos personagens soa tenebroso, usou e abusou de ambientes bem escuros, e claro muitos ataques mortais dos personagens, que até poderiam ter mais sangue com a violência (mas vamos dizer que os vampiros não deixaram escorrer nenhuma gotinha para fora!), e assim sendo concentrando na história, o longa foi bem trabalhado, conhecemos mais do ego do protagonista de não querer ganhar prêmios, mas sim sua cura, não desejar tanto dinheiro, embora já parecesse meio rico, e claro trabalhou bem toda a intensidade nas brigas, embora a luta final tenha ficado meia insossa e ganhada fácil demais, mas serviu bem e até agrada, se relevarmos muitas coisas.

Sobre as atuações, mesmo sendo extremamente maluco em tudo o que faz, eu curto demais o estilo do Jared Leto, e aqui nas cenas que ele teve um pouco mais para interpretar o personagem acabou se saindo bem, dando uma dosagem meio que desesperada para ele, um ego forte, mas controlado, e até um estilo misto entre querer ser herói ou vilão, porém há uma falha gigantesca na passagem de sua luta final, aonde está sendo vilão, com o que rola na segunda cena pós-crédito, pois lá ele já está como um vilão querendo ir atrás do Homem-Aranha junto do personagem que aparece, sem nem saber sequer o motivo disso, ou seja, ficou meio jogado ali a cena, o que não é culpa do ator. Agora quem se saiu muito bem em cena foi Math Smith com seu Milo, pois deu nuances de revolta, se entregou bem nos atos mais imponentes, e lutou com muito estilo em todas as cenas, aparentando estar gostando de ser um vilão realmente, e poderia ter ido até mais além em muitas cenas, mas não sobrou espaço para isso. Adria Arjona até teve alguns atos para tentar aparecer mais com sua Martine, teve o ar romantizado bem colocado, mas não se impôs em nenhuma cena mais chamativa, e isso acabou pesando um pouco, agora é ver o que vai rolar se tiver uma continuação do filme (o que acho bem difícil de ocorrer). E se para os protagonistas já foi difícil chamar a atenção, então para os secundários ficou algo ainda pior, ao ponto que Tyrese Gibson até tentou ter alguns atos sérios e chamativos para seu investigador, mas não foi muito além, e Jared Harris até foi bem marcante como um médico que cuidou a vida toda dos dois protagonistas, mas acabou sumindo demais na maioria das cenas, e isso nunca é bom. 

Agora entramos no principal problema do filme, os efeitos visuais, pois o filme poderia ser incrível com o laboratório imponente do protagonista com seus morcegos voando num grandioso tubo, poderia ter trabalhado mais na cena da caverna que é quase um enfeite alegórico bem rápido, poderia ter trabalhado mais o segundo laboratório que ele cria numa buraco meio que abandonado da cidade, mas não tudo isso é colocado em cena sem quase ser usado, e até mesmo nos atos das crianças vemos apenas uma rápida conexão no internato, depois algo bem rápido que nem é mostrado direito a mansão do vilão, ou seja, tudo é muito jogado na tela, e piora ainda mais quando os personagens ficam pulando pelos prédios, com efeitos de aceleração horríveis e estranhos, quase como flashes de imagens, e se falarmos então do trabalho da equipe de maquiagem, se eu fosse o maquiador do longa mandaria tirar meu nome dos créditos, pois não irá arrumar trabalho nunca mais.

Enfim, é um filme que até daria um 8 pela história interessante, um 4 pelo visual e maquiagem (tem salvação se pensarmos como um filme de terror), e um 3 pelos exageros na montagem de velocidade com cenas em slow desnecessárias, saltos e tudo mais de bizarro possível, resultando numa média 5, mas como acredito no potencial vou dar um ponto a mais e fechar com um 6, mesmo as cenas pós-créditos sendo ainda mais bagunçadas com tudo (tem duas rápidas logo de cara que não tem nem nexo como já falei acima pelo que rola). Ou seja, é daquele filme que vai ter bem mais reclamações do que elogios mundo afora, que muitos irão ver para realmente ter certeza que é tudo de zoado que estão falando, mas que quem sabe uma continuação caindo nas mãos de um diretor melhor consigam salvar o personagem, então fica a dica, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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