Maria Callas (Maria)

1/18/2025 01:20:00 AM |

Costumo dizer que os filmes de Pablo Larraín são obras com tanta classe que você fica sem saber como se portar na sessão, da mesma forma que entrar em um restaurante chique, pois tem estilo, tem cenografia e geralmente tem atrizes tão bem encaixadas nos papeis principais que é raro não as vermos nas premiações, afinal ele faz algo próprio para que a protagonista desponte na tela. Dito isso, o longa "Maria Callas" trabalha os últimos dias da cantora com uma sensibilidade estética tão bem montada, quase que fazendo um filme dentro de outro filme colocando sua reclusão, sua voz já não tão explosiva e também o convívio com seus empregados, meio como loucuras que já não sabe o que é real ou não, que nem temos como saber realmente se rolou tudo dessa forma, mas que abrilhantado pelo porte de Angelina Jolie com uma elegância tão marcante, o resultado acaba envolvendo demais, só tendo um grande aquém, de não assistir cansado, afinal óperas são densas e o filme também trabalha da mesma forma, o que acaba pesando um pouco com a entrega na tela.

O longa retrata o período em que a soprano greco-americana se refugia em Paris, após uma vida pública marcada pelo glamour e pela turbulência, revisitando os últimos dias da lendária artista, destacando o momento em que ela reflete sobre sua trajetória e identidade na Paris dos anos 1970. Depois de se dedicar ao público e à sua arte, Maria decide encontrar consigo mesma e encontrar sua própria voz e identidade. Esse é um retrato e uma investigação psicológica de uma mulher que teve o mundo aos seus pés e marcada pelos holofotes da fama.

Com esse longa, o diretor Pablo Larraín encerra sua trilogia das mulheres do século XX, aonde tivemos "Spencer" e "Jackie", e mais do que apenas trabalhar a personagem, ele conseguiu colocar a ópera como um elemento presente na trama, ao ponto que seu filme fica quase como a construção de uma cadência entre os momentos icônicos bem divididos na tela, que talvez incomode alguns que não pegarem a referência, além de um grande detalhe de trabalhar apenas um período bem fechado de dias, e não a vida completa da mulher, que claro temos alguns flashbacks, mas sem ir muito além. Claro que é um filme que tem uma pegada bem densa, afinal óperas são densas, e mesmo tendo um período curto da vida da personagem mostrado na tela, o diretor conseguiu extrair muito da protagonista para que o longa não dependesse praticamente de mais ninguém, pois mesmo vendo eles ao redor e tendo suas devidas participações bem conectadas, o filme é dele e de Jolie, aonde até parece que está realmente cantando, mas seria impossível alcançar o timbre da cantora, então apenas dublou.

E já que comecei a falar das atuações, não sei como Angelina Jolie se inspirou para chegar na personificação de Maria Callas, mas vemos na tela uma imponente mulher, com postura firme e desenvolta, tendo as devidas nuances expressivas durante o canto, mas também sendo fina e marcante, e falando em finura, como bem sabemos a cantora morreu ultra-magra, e a atriz ficou seca para o papel, impressionando em tudo o que fez, além de ser densa e chamativa, ou seja, fez o que precisava para lembrarem dela no papel. Pierfrancesco Favino e Alba Rohrwacher entregaram dois papeis lindos e marcantes com seus Ferrucio e Bruna, que acompanharam os últimos momentos com a cantora quase como uma cela, vivendo reclusos, fazendo as vontades dela, e os atores souberam ser singelos para se destacar sem sobrepor a protagonista, dando carinho e emoção com desenvoltura e simbolismo cênico, ou seja, foram além do que precisavam fazer. Agora quem caprichou na maquiagem e visual ficando praticamente idêntico foi Haluk Bilginer que praticamente reencarnou Aristóteles Onassis, de tal forma que valeria o diretor ter trabalhado mais seu personagem na tela, pois foi perfeito no pouco que entregou, e principalmente marcou a vida da cantora. Outro ator que teve atos interessantes foi Kodi Smith-McPhee com seu Mandrax, mas aí o erro foi do roteiro e não do ator, pois não deveria se apresentar logo de cara pelo nome, mas ir fazendo o filme e ao final soltar o nome para que tudo ficasse mais claro e brilhante, mas o jovem já disse ter futuro e soube ser simples e bem colocado na trama.

Visualmente o longa caprichou em cenas no apartamento imponente, com as diversas mudanças de lugar do piano gigante, algumas cenas na cozinha, outras no quarto/camarim com uma penteadeira tradicional cheia de luzes e muitas roupas, tivemos a cena icônica de queima das roupas, meio que jogada, mas bem feita para ser um marco, várias cenas em teatros com interpretações de algumas das óperas com banda e tudo mais, e alguns bons passeios por cafés e ruas clássicas de Paris, com uma fotografia bonita de se ver, e também tendo alguns atos em preto e branco, de modo que o diretor soube brincar com o pouco que tinha em suas mãos.

Enfim, é um filme interessante pela proposta, e claro para conhecermos a voz marcante de muitas óperas que já ouvimos e sequer sabíamos quem tinha dado um show com elas, que talvez pudesse ter sido mais trabalhado para mostrar realmente a vida inteira, mesmo que de forma rápida para conhecermos mais da personagem, mas ainda assim é um bom resultado na tela, que volto a frisar ser meio lento e denso com as canções marcantes, que quem estiver com sono ou não for acostumado vai acabar dormindo na sala, e assim sendo fica a ressalva. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Aqui (Here)

1/17/2025 12:39:00 AM |

Vamos lá meus amigos, já fazem algumas semanas que quem chega cedo nas sessões do cinema e assiste o tal do Flix Channel que passa antes dos trailers, está ouvindo falar da loucura que é o filme "Aqui", que usou inteligência artificial, que não tinha como ser filmado anos atrás, que usaram recurso disso e daquilo e tudo mais, de tal forma que nem esperava uma sessão tão cheia como a de hoje para conferir o longa, e antes que muitos saiam antes do final da sessão como o senhorzinho, que estava na poltrona próxima a minha, bravos por não estarem entendendo nada, já adianto que o longa nem deveria ser classificado realmente como um filme, mas sim uma experiência sensorial de tecnologias, com atores interpretando a si mesmos em diversas épocas desde os dinossauros até o futuro, tudo o que rolou na mesma posição que fica o cômodo de uma casa, meio como se a casa tivesse uma memória efetiva de tudo o que aconteceu ali (ou "Aqui" como é o nome do filme) e estivesse passando esses momentos para nós, misturando pedaços de uma época com a outra, trabalhando a vida feliz e triste que muitos tiveram lá, e assim por diante, de tal modo que acaba sendo ao mesmo tempo algo maluco de se ver, mas também belíssimo pela forma sensível e interessante que o diretor conseguiu fazer acontecer. Claro que volto a frisar que não é algo para todos, pois muitos realmente não vão entender nada, vão achar tudo muito estranho, mas quem se abrir para a ideia (e olha que quem está falando é a pessoa que mais odeia o gênero experimental!) vai ficar pensando em tudo o que aconteceu aonde você está sentado agora lendo esse texto, e tudo o que virá a acontecer futuramente AQUI, e esse é o brilho da trama, que vai muito além dos ótimos atores e do reencontro do elenco de "Forrest Gump".

O um filme que explora a profundidade da experiência humana através de gerações conectadas por um único espaço: a sala de uma casa, acompanhando diversas famílias ao longo do tempo, revelando as transformações do mundo desde os primórdios da humanidade até um futuro próximo, sempre por meio das histórias vividas nesse local especial. A base principal apresenta Richard e Margaret, um casal prestes a deixar o lar onde construíram memórias repletas de amor, perdas, risos e momentos marcantes, combinando emoção e surpresa ao transportar o espectador por uma jornada única através da linha do tempo da humanidade, mostrando como vidas e histórias se entrelaçam em um mesmo lugar.

Costumo dizer que ousadia e segurança, que são dois termos praticamente opostos quando falamos de uma direção, acaba sendo o estilo que o diretor Robert Zemeckis gosta de trabalhar seus longas, pois tendo as devidas facetas ousadas em tecnologia, em dinâmicas e textos diferentes, ele também não se arrisca a fazer extravagâncias, ao ponto que aqui vemos um filme que não tenta fugir da proposta um segundo que seja, e isso acaba sendo muito interessante de ver, pois você fica tentando se conectar aos tempos, aos acasos e desenvolturas da família principal, mas também se enxerga ali nos outros tempos, reflete com a essência passada, e se seguirmos a ideia do diretor acabamos compreendendo tudo o que a casa "sentiu" durante esses milhares de anos. Fora tudo isso, a trama é baseada nos quadrinhos de Richard McGuire, que o roteirista Eli Roth desenvolveu para a telona. Claro que volto a dizer que o diretor quis experimentar muitas coisas, como inteligência artificial e computação gráfica tanto para criar os ambientes quanto para rejuvenescer os protagonistas sem precisar ter muitos atores nas gravações, e assim sendo pode até ser estranho rever um Tom Hanks muito jovem com sua voz atual, mas isso entra em síntese rapidamente e acabamos vendo que foi uma ideia bem acertada, ao menos para o que ele desejava fazer, que era experimentar inovações que veremos serem usadas por todos num futuro bem próximo.

Quanto das atuações, o elenco principal é composto de velhos conhecidos do diretor por "Forrest Gump", com Tom Hanks fazendo seu Richard em muitos momentos, principalmente após a juventude, afinal antes foram vários outros atores fazendo ele criança, mas a partir dos 18 já é ele auxiliado por computação gráfica para ficar novinho, mas atuando bem como sempre. E do outro lado Robrin Wright com sua Margaret muito bem encaixada e cheia de nuances, também sendo rejuvenescida por computação, e encontrando muita sintonia com o que precisava fazer, tendo seu ato final com um Alzheimer atacado de forma brilhante e emocionante. Ainda tivemos muitos momentos com Paul Bettany muito bem encaixado com seu Al desde o princípio completamente maluco pós-guerra, e depois ficando um velho fora do eixo, juntamente com Kelly Reilly brilhante com sua Rose emocional e cheia de nuances, fora muitos outros que tiveram papeis menores, mas que agradaram muito na tela.

Visualmente embora seja a visão apenas de um cômodo, temos ele em diferentes épocas, mobiliados de diversas formas possíveis, com um fundo mudando as coisas na rua, tipos de carro, situações, e com tantos detalhes que tenho certeza que ao menos 80% do orçamento não foi para a computação gráfica e para a equipe de arte com objetos cênicos e tudo mais, sendo tantas nuances e desenvolturas que não tem como você não ficar olhando tudo ao redor, vendo sensibilidade em elementos e detalhes de época, de cultura, de momento, ao ponto que a valorização é impressionante.

Enfim, é um filme que tem tudo para dar muito errado, e acaba dando muito certo, mas que afirmo que muitos irão odiar, e que só recomendo pela alta experiência cênica e reflexiva que citei no começo, pois do contrário quem for esperando uma história totalmente normal, com começo, meio e fim, vai acabar se decepcionando e ficando irritado com tudo, então fica a dica e a recomendação de ir para viajar no tempo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Cerco ao Terror: Ataque ao Templo (State of Siege: Temple Attack)

1/16/2025 09:13:00 AM |

Já faz algum tempo que fica aparecendo o longa "Cerco ao Terror: Ataque ao Templo" como indicação dentro da Amazon Prime Video de acordo com os algoritmos deles que acham que iria gostar, mas sempre pulo, afinal não são alguns números que irão falar do que eu gosto! Mas hoje após uma caça intensa de 1 hora para decidir o que ver, eis que resolvi dar a chance, afinal a nota dele era boa em alguns sites, então apertei o play, e diria que foi uma experiência até que interessante, pois o diretor conseguiu criar bem os atos de tensão, trabalhar bem toda a ambientação gigantesca de um templo imenso, fazer muitas mortes e conflitos, porém o cinema indiano é diferente de tudo o que temos em mente, aí precisa colocar um personagem imponente, vingativo e que vai resolver tudo no braço (não que isso não tenha nos filmes do The Rock ou outros brucutus, mas lá eles exageram nesse sentido), ao ponto que me desculpem, mas a cena que o protagonista rasga um telão de cinema e sai fazendo pose eu comecei a rir num nível que não imaginava ser possível. Ou seja, tirando alguns exageros novelescos demais, um monte de personagens secundários que tentam aparecer, o longa até tem uma boa entrega e funciona bem para mostrar um pouco da loucura que é a eterna briga entre as religiões e claro a ação de terroristas.

Inspirado em fatos reais, o filme narra a história heróica dos comandos do NSG que intervêm para salvar pessoas inocentes quando terroristas entram em um templo em Gujarat e as atacam.

Por ser baseado em uma história real, diria que o diretor Ken Ghosh não quis ir muito além na entrega de sua trama, de modo que ele optou pela grandiosidade cênica em um ambiente amplo que pudesse entregar comoção, ação e dinâmicas, ao ponto que criou as várias bases (anfiteatro com crianças, espaço de luzes com turistas, e o lado de fora sendo aberto para todos levar muitos tiros), e com isso criou antecipadamente os moldes aonde cada personagem iria aparecer mais, e conseguiu criar tudo para que o processo funcionasse. Claro que volto a frisar que o estilo novelesco é algo muito presente no cinema indiano, colocando diversos personagens desnecessários nas histórias que acabam tendo envolvimentos ou até falas demais, e aqui não foi diferente, mas algo bacana por parte do diretor foi mesmo tendo esse excesso de personagens, ele ousou mais em ângulos excêntricos e dinâmicas rápidas em tudo para que seu filme tivesse dinâmica, e principalmente, não se alongou com enrolações, ficando algo dentro de um bom padrão.

Quanto das atuações, o foco maior ficou em Akshaye Khanna com seu Major Singh que fez trejeitos fortes, imponentes, poses até para cair, e sem aceitar ordens de praticamente ninguém vai do seu modo para combater os terroristas, ao ponto que chega a ser até divertido de ver, mas dava para ser menos chamativo, principalmente para um cargo de alta patente. Do lado dos terroristas vale o destaque para Mridul Das com seu Farooq que saiu matando sem regras também, fazendo gracinhas para suas vítimas, mostrando ser um ator bem solto em cena, e que chamou atenção para tudo o que tinha de fazer, enquanto o líder da operação vivido por Abhilash Chaudary foi mais imponente nas conversas com o patrão e foi chamativo ao menos na cena de fechamento. Os demais,     é melhor deixar apenas como secundários, pois alguns ainda estou tentando entender o motivo de aparecerem.

Visualmente a trama tem um início interessante com uma missão de resgate cheia de preparos bem chamativa e intensa, com soldados camuflados e tudo mais, depois vem a abertura e vamos direto para o templo gigante com um auditório aonde aconteceria um aniversário, o pátio repleto de pessoas andando a esmo, e um ambiente contando a história cheia de luzes e elementos, sendo claro uma locação real bem trabalhada para não precisar compor tudo, e muitas armas, lutas, e até algumas cenas em trens, mas algo que chamou atenção foi o esconderijo dos terroristas no meio da neve saindo de um buraco minúsculo, que talvez poderiam ter trabalhado um pouco como surgiram dali.

Enfim, o filme passa longe de ser uma grande bomba, tendo cenas envolventes e um entretenimento bom pelo tempo de duração, mas que mesmo sendo baseado numa história real acaba sendo exagerado demais ao ponto de não convencer tanto, porém tem quem goste, e assim fica a dica para a conferida sem esperar nada dele. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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The Moon - Sobrevivente (더문) (The Moon)

1/14/2025 01:38:00 AM |

Um fato interessante de se pensar que sempre cai em discussão é se realmente o homem já pisou na Lua, e sempre saem filmes interessantes envolvendo essa polêmica, com o último que tivemos no ano passado sendo bem engraçado, mas deixando a polêmica de lado, o novo longa que será lançado nos cinemas na próxima quinta 16/01 é o sul-coreano "The Moon - Sobrevivente", que coloca em 2029 a briga está rolando para quem vai chegar agora novamente por lá entre vários países (mas com os principais EUA e Coréia do Sul), mas quando a aeronave coreana sofre com ventos solares apenas um jovem irá cumprir a missão e ter de ser resgatado. A ideia em si é simples e já vimos outros com a mesma base, porém a entrega tensa é bem trabalhada e executada na tela, de modo que o filme funciona e envolve principalmente com o conflito entre as pessoas da Terra decidindo como salvar o pobre que está lá em cima, ou seja, é daqueles filmes com uma pegada grandiosa que funciona dentro da essência causada, aonde alguns vão amar mais que os outros, mas que mesmo quem não for fã do estilo acabará se envolvendo com a ideia na tela.

A sinopse nos conta que em um futuro próximo, a primeira missão tripulada da Coreia do Sul à Lua termina em um trágico desastre quando uma explosão ocorre. Cinco anos depois, uma segunda missão espacial tripulada é lançada com sucesso, mas uma forte tempestade solar causa uma falha no sistema. Um astronauta, Sun-woo, fica preso no espaço. Enfrentando outra catástrofe fatal, o Centro Espacial Naro recorre ao seu ex-diretor-geral Kim Jae-guk para ajudar a trazer Sun-woo de volta para casa em segurança.

Diria que o diretor e roteirista Kim Yong-hwa foi bem coerente com o que desejava entregar na tela, pois seu filme não tem aquele meio do caminho aonde quem acha que gosta do estilo, mas não é tão empolgado vai passar a amar, sendo o famoso ame ou odeie aonde a pegada de perdido no espaço funciona, tendo claro vários atos sem a menor chance de realidade, como as filmagens em multi-ângulos para os que estão aqui na Terra, mesmo com tudo destruído, formação de gelo e tudo mais, mas a essência em si da entrega, dos personagens se culpando, ministros desesperados, a falta de cooperativismo entre os países e tudo mais do elo jornalístico em si funcionou bastante e entretém, de tal forma que o diretor soube utilizar da boa computação para que a base não soasse falsa, e assim sendo a entrega na tela acaba sendo convincente, mas claro ficando sempre no limiar de tudo dar muito errado.

As atuações ficaram bem fechadas nos dois protagonistas, aonde Doh Kyung-soo inicialmente parecia mais desesperado e cheio dos trejeitos com seu Sun-woo, mas logo que fica sabendo que quem está ajudando é o ex-diretor, que teoricamente matou seu pai, muda de semblante e vira praticamente o super-herói imponente e cheio das imposições, o que é interessante de ver facetas do ator, mas dava para ter dimensionado melhor isso. Do outro lado Sol Kyung-gu já fez seu Kim meio que dono da base espacial, chegando entrando, já pegando o fone, falando faz isso, faz aquilo, e sabemos bem que em bases governamentais ninguém chega com essa autoridade, mesmo sendo alguém de altíssima patente, mas o ator ao menos trabalhou boas expressões, e assim funcionou dentro da história. Ainda vale destacar a jovem Hong Seung-hee com sua Kang bem carismática, Jo-Han Chul como um ministro bem afetado e desesperado com tudo, e Kim Hee-ae como a ex-esposa do diretor coreano que trabalhando na NASA passou todas as informações sigilosas para o ex-marido, coisa mais absurda do mundo, mas que emotivamente funcionou na tela.

Visualmente a trama tem boas entregas e uma computação de primeiro nível, de tal forma que não ficou falso ver as cenas na nave, na Lua e no centro espacial, ao ponto que mesmo sabendo que não é verdade o que ocorre, o resultado funciona com os impactos, com tudo rodando de um lado para o outro, e claro pelos mil comandos, telões e tudo mais, além claro das notícias jornalísticas cheias de traquejos e desenvolturas que acabaram dando um tom a mais para o longa. Ou seja, a equipe de arte gastou bastante na cenografia, e o resultado funciona, mesmo sabendo que muito ali é computacional.

Enfim, é um filme bem interessante, que vale a pena ser visto, e que na telona do cinema certamente será ainda melhor de ver, pois filmes desse estilo pedem algo maior, e não saia fugido da sala, pois tem muitas mini-cenas durante os créditos, que são bacanas e divertidas, então espere um pouquinho. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo novamente os amigos da Sinny Assessoria e da Sato Company pela cabine, e volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Ad Vitam

1/12/2025 07:33:00 PM |

Quem me segue a algum tempo sabe que gosto bastante de longas franceses, mas se tem um gênero que eles dominam pouco, e que falham por exagerar em querer mostrar tudo são as tramas de ação, pois nem sempre é necessário contar tudo da vida da pessoa desde o começo, tendo uma base simples bem colocada acabamos nos envolvendo da mesma forma com os protagonistas, e acaba sobrando tempo para desenvolver mais os atos finais. Comecei o texto dessa forma do longa da Netflix, "Ad Vitam", simplesmente pelo fato de ser o maior defeito da trama, pois vemos um começo bem trabalhado, cheio de entrega, para voltarem depois 10 anos e mostrar desde a formação do protagonista, suas interações, sua conexão com o amigo no outro ano, várias ações entre todos, e tudo mais para aí chegar aonde havia parado no início do longa, sobrando depois menos de 40 minutos para resolver tudo, ou seja, uma correria imensa que até traz bons momentos, mas valeria mais ter mantido tudo aqui e contar menos a história do passado, as festas e bagunças, que aí o resultado chamaria mais atenção, porém, ainda assim é um entretenimento interessante e bem colocado na tela, valendo o play.

O longa acompanha Franck numa missão para salvar a vida de sua esposa grávida após a mulher ser sequestrada por um grupo criminoso misterioso. Encontrar Léo e entregar o que os bandidos querem fará Franck reviver seu tempo como integrante de um grupo de elite chamado GIGN. No meio de uma trama política complexa e correndo contra o tempo, Franck precisa reunir suas habilidades para desvendar um escândalo que se conecta ao seu turbulento passado; uma conspiração que pode estar fora do seu controle e o obriga a confrontar forças que achou ter deixado para trás.

O diretor e roteirista Rodolphe Lauga já trabalhou em muitos longas de ação como diretor de fotografia e sabiamente trabalhou muito bem isso em seu longa, de modo que vemos cenas de ação intensas e câmeras com disposições bem diferentes do usual e algo até cheio de síntese para agradar, porém faltou melhorar um pouco sua história, e como disse no começo cortar um pouco da apresentação geral da trama, pois ao começar o filme já vemos tudo pronto para um desenrolar funcional, não precisando apresentar todo o quartel e afins, a não ser que o vilão fosse alguém ali de dentro (que por parecem o vilão e o ex-chefe do protagonista, pensei por alguns momentos essa possibilidade). Ou seja, algo que gosto nas tramas francesas que é deixar tudo muito subjetivo, aqui caiu em desuso, pois ele quase fez algo de tramas indianas que gostam de explicar até o motivo da cor da roupa, então faltou poder de síntese para sua obra.

Quanto das atuações, Guillaume Canet é daqueles que consegue entregar muita personalidade em diversos estilos, e o mais engraçado é que com pouca maquiagem e mudanças em seu cabelo consegue fazer papeis em épocas bem diferentes como é o caso do longa aqui, parecendo até ser dois atores nos atos, e seu Franck precisava de um ator com muita atitude, como é o seu caso, de modo que conseguiu segurar todo o envolvimento, pular e desenvolver muitas cenas de ação (que claro devem ter sido feitas por dublês, pois não é o estilo principal dele), mas que conseguiu convencer e agradar bastante com tudo na tela. Stéphane Caillard trabalhou sua Leo com um bom estilo, entregando atos bem imponentes de luta e chamando atenção nos atos com uma densidade mais calma do passado, de modo que talvez pudesse ter ido mais além em algumas entregas, mas segurou bem o que precisava para agradar. Nassim Lyes trabalhou seu Bem com imponência e desenvoltura, sendo um bom ponto de segurança para o amigo, e entregando atos chamativos para que seu personagem não ficasse tão em segundo plano, o que acabou mostrando personalidade e interação bem colocadas. O vilão Vanaken vivido por Johan Heldenbergh talvez merecesse um pouco mais de história, pois é um dos poucos que surgem do nada, meio que uma contratação sigilosa do governo que apenas vai pra luta, mas fez bons trejeitos e irritou na medida. Quanto aos demais tivemos boas conexões, mas nada que fosse tão necessário para o contexto completo do filme.

Visualmente o longa teve boas cenas em telhados, em plataformas e prédios, além de um belo voo de parapente já que o protagonista era líder de escaladas, vemos boas cenas policiais com muitos tiros e lutas, e também muita desenvoltura em algumas festas e eventos para representar bem toda a dinâmica da trama, ao ponto que o filme não teve muitas dinâmicas representativas dos ambientes em si, tendo apenas a chave como algo importante, que no final teve uma reviravolta interessante, mas poderiam ter trabalhado mais elementos para agradar mais.

Enfim, é um filme interessante, que tem pegada, mas que passa longe de ser uma obra de arte como muitos longas franceses, valendo como um passatempo bacana que agrada dentro da proposta, mas para quem não for conferir esperando muito dele, então fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Babygirl

1/12/2025 03:07:00 AM |

Sei que pelo trailer já tinha uma noção do que esperava encontrar com o longa "Babygirl", porém pelas premiações e indicações aos prêmios imaginava ser algo mais imponente, cheio de nuances e interações, ou até mesmo uma problematização mais dramática e tensa, mas o longa é tão sem base com algo real, e tão sem impacto como aconteceria em uma ficção, que o resultado acaba sendo apenas mais um drama erótico fraco que podemos colocar na mesma prateleira de "365 dias", "50 Tons de Cinza" e outros do estilo, aonde talvez uma ou duas cenas impactem com a precisão artística da protagonista desesperada de perder seu cargo grandioso e/ou perder o garotão que a fez ter orgasmo após 19 anos de um casamento básico, mas nada que você saia da sessão impressionado artisticamente, como ocorrem com filmes estranhos de festivais que você ao menos sai falando e comentando sobre algo, o que aqui mais desaponta do que agrada. Ou seja, pode até ser que o efeito premiações tivesse feito com que eu fosse ao cinema esperando um algo a mais, mas acredito que a decepção seria a mesma se tivesse ido conferir sem saber e/ou esperar algo dele, pois é sem dúvida o mais fraco concorrente aos prêmios.

No longa vemos que Romy é uma executiva que conquistou seu posto como CEO com muita dedicação. O mesmo se aplica a sua família e o casamento com Jacob. Tudo o que construiu é posto à prova quando ela embarca em um caso tórrido e proibido com seu estagiário Samuel, que é muito mais jovem. A partir daí ela anda corda bamba de suas responsabilidades e, também, nas dinâmicas de poder que envolvem suas relações.

Não posso dizer que gostei alguma vez dos trabalhos da diretora Halina Reijn, pois em sua estreia com "Instinto" não impactou como poderia, e com "Morte, Morte, Morte" entregou algo que tinha uma excelente proposta, mas que ficou fraquíssimo com toda a entrega, ou seja, não poderia nem deveria ter ido para a sessão esperando algo de seu novo roteiro e direção, pois ela até tenta trabalhar o suspense/drama erótico sob uma ótica feminina, e isso é até fácil de observar pela entrega na tela dos personagens, porém como vemos na tela a protagonista se entrega muito fácil para tudo, não sendo nem metade do que diz ser na entrevista com o estagiário, de tal forma que a manipulação acaba sendo simplória demais e até boba de se ver. Claro que como expertise de ângulos, de disposições e formatações de tela, a diretora melhorou muito após 3 filmes, mas ainda não soube passar a experiência de atuação em filmes de bons diretores para convencer que suas histórias são boas para o público.

Quanto das atuações, posso afirmar que Nicole Kidman trouxe um ar bem denso para sua Romy, com tantas dúvidas em relação aos seus sentimentos e desejos que se o filme terminasse com o vídeo institucional que ela grava bem no começo do longa, qualquer pessoa gritaria falsa na cara dela, pois depois de se entregar facilmente para um garoto que nem bonito é, que está começando lá embaixo numa carreira que ela demorou a conquistar, acabou ficando muito sem estrutura, mas ao menos se arriscou mostrando o corpo, fazendo múltiplos olhares com suas cenas de orgasmo, seja fingindo com o marido ou reais vendo pornografia ou com o jovem, mas ainda assim não mostrou muito a que lhe rendeu o prêmio em Veneza e a indicação ao Globo de Ouro. Harris Dickinson é daqueles atores que precisa de uma direção muito efetiva para parecer melhor do que realmente é, e aqui ele não teve esse apoio emocional para que seu Samuel fosse interessante, de tal forma que ficou parecendo alguém manipulador, mas sem estruturas para manipular realmente, e isso em um filme desse porte não convence, ou seja, fez o que precisava fazer, mas sem impactar como deveria. Quanto aos demais, posso dizer que a diretora é maluca de deixar alguém do porte de Antonio Banderas em segundo ou terceiro plano na trama, de modo que até em comédias bobas o ator fica bom de se ver, e aqui tirando o ato que quase enfarta aonde pode mostrar seus traquejos expressivos, seu Jacob não é nem trabalhado na tela, apenas aparecendo em muitos atos ao léu. 

Visualmente a trama tentou mostrar uma grandiosa empresa de entregas/armazenamento, mas poderia ser qualquer coisa, pois apenas gastaram com gravações cênicas movimentadas dos robozinhos, sem serventia alguma, meio como se fosse algum material que ganharam já filmado ou alguma empresa patrocinadora do longa exigiu que mostrasse aquilo, pois as estruturas mesmo ocorrem nos escritórios e nas mansões da personagem principal, que aliás não tem uma, mas sim duas gigantescas, e arriscar isso tudo por um estagiário não convence. Ou seja, a equipe de arte apenas precisou de bons escritórios chiques para filmar e duas casonas imensas, além de uma boate e um hotelzinho chinfrim para alguns atos mais densos, mas que não impactaram como poderia.

Enfim, é o famoso filme que ainda estou tentando maturar minha opinião, pois a vontade que tinha era de falar algumas palavras não muito amistosas aqui, sendo daqueles que facilmente irei esquecer dentro de pouquíssimos dias, aonde a propaganda foi muita para algo que não valia gastar meia gota de saliva, então fica a recomendação de que não vale o tempo de tela, que aliás é alongadíssimo fazendo os 114 minutos parecer horas intermináveis, e veremos se o nome da protagonista vai ser citado em mais alguma grande premiação, pois não merece. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto logo mais com mais dicas, então abraços e até breve.


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Adrenalina Pura - Nascido Para Vencer (Born a Champion)

1/11/2025 09:22:00 PM |

Embora todo longa esportivo tenha praticamente uma dinâmica muito semelhante, a entrega dos personagens e um bom roteiro acaba mudando tudo para não parecer tão óbvio, mas na maioria das vezes o que vemos na tela é um reflexo do que foi a vida do "homenageado" em biografias geralmente baseadas em livros ou nas histórias contadas pelos personagens quando estão vivos, e a grande sacada de "Nascido Para Vencer", que entra em cartaz dia 13/01 na plataforma Adrenalina Pura, que pode ser acessada em vários canais de streaming, é trabalhar tão bem os personagens ao ponto de não ser baseado em nenhuma pessoa real, mas nos envolvermos com eles ao ponto de acreditar nisso. Ou seja, é daqueles filmes que ficamos com raiva dos personagens que tentam boicotar o protagonista, sorrimos com a paixão do casal que mesmo brigados alguns minutos depois estão juntos novamente, e ficou tão bem colocado o amigo narrando a história para o jornalista que a primeira coisa que fiz ao acabar de ver o filme foi pesquisar se Mickey Kelley era verdadeiro, se ainda estava vivo, ou algo do tipo, e já de cara vi que fui enganado com sucesso.

A sinopse nos conta que após uma sangrenta luta de jiu-jitsu em Dubai, a lenda da luta Mickey Kelley cai para o superastro Blaine. Mas anos depois, um vídeo online prova que Blaine trapaceou, e o mundo exige uma revanche. O velho azarão pode voltar à forma a tempo de derrotar seu inimigo, se vingar e reivindicar seu prêmio?

Diria que o diretor e roteirista Alex Ranarivelo junto do protagonista Sean Patrick Flanery que é um adepto do jiu-jitsu compuseram uma trama tão bem dimensionada de uma lenda do esporte, sua vida de pais omissos e toda a dinâmica entre trabalhos e bicos sem lutar, que acabaram desenvolvendo um personagem quase tão real quanto muitos outros que vimos em biografias, e ele teve uma sensibilidade para conectar tanto a personalidade do protagonista como um grandioso lutador, quanto uma pessoa com um carisma para criar uma boa família na tela. Ou seja, sem usar um arco muito apelativo, e bebendo claro da fonte de muitos outros filmes do estilo, o resultado da direção foi sincera e comovente para que envolvêssemos e torcêssemos pelo personagem.

Quanto das atuações, Sean Patrick Flanery trabalhou seu Mickey Kelley com muita desenvoltura, tendo uma personalidade centrada bem encaixada na tela, e como um bom lutador também uma concentração nos movimentos para que o personagem fosse bem realista nos combates, além claro da paixão a primeira vista com uma pegada romantizada bem desenvolvida que não soou falsa na tela. Agora Maurice Compte literalmente brincou como um bom entrevistado, trabalhando o jeito de contar toda a história para a moça do jornal com detalhes íntegros e bem marcados, além de ser um grandioso amigo do protagonista com seu Rosco, ou melhor Taco, sempre disposto a receber ele para as diversas conversas pós-discussão com a esposa, sendo interessante de trejeitos e agradável dentro da proposta. Katrina Bowden caiu bem na tela como Layla, sendo sincera nos atos mais violentos, e mostrando uma paixão sem limites para com o protagonista, tendo carisma e personalidade para dar as devidas broncas e na sequência ir se reconciliar, ou seja, agradou com o que fez. Ainda tivemos bons atos de Costas Mandylor como um empresário grego que vivia em Dubai, Reno Wilson bem trabalhado como Pitt, um treinador de uma grande academia, e até o lutador brasileiro Edson Barboza caiu bem como um lutador desleal, e principal algoz do protagonista, ou seja, fez caronas e não jogou a toalha para nada. 

Visualmente o longa trabalhou um pouco a casa dos Kelley, um casamento simples em uma oficina, e algumas academias, sendo uma de karatê e outras artes orientais, e outra de Pitt mais cheia de equipamentos para lutas de combate, algumas cenas no meio do deserto de Dubai com tendas para abrigar as devidas lutas fora dos grandes chamarizes, como algo que ficou muito bem sacado com a frase final de Rosco pelo motivo que nada disso foi contado mundo afora, que deu um bom fechamento para o longa. Quanto das lutas, muito sangue e boas pegadas no melhor estilo do MMA que conhecemos.

Enfim, é um longa interessante, com uma boa pegada e que entretém quem gosta de filmes de lutas com histórias, pois alguns é apenas a pancadaria sem ter algo para desenvolver, mas aqui tudo flui, e como disse, nos engana ao ponto de acharmos que realmente existiu um Mickey Kelley lutador. Sendo assim fica a boa dica para dar play nele no canal Adrenalina Pura já nessa segunda 13/01 que entra em cartaz por lá, ou locar ele em alguma plataforma de locação. Fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Sinny Assessoria, da California Filmes e do canal Adrenalina Pura pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Sol de Inverno (ぼくのお日さま) (Boku No Ohisama) (My Sunshine)

1/11/2025 01:46:00 AM |

O mais interessante dos longas japoneses é que mesmo o mais simples trará mensagens interessantes para reflexão junto de um desenvolvimento bem colocado seja explosivamente ou na maior tranquilidade possível. E um dos filmes que comoveram os frequentadores do Festival de Cannes foi justamente "Sol de Inverno" que traz de um modo simples e bonito todo o envolvimento de um garotinho gago que se apaixona pela patinação, uma jovem patinadora em ascensão, e um antigo atleta do esporte que hoje é treinador em uma pequena ilha japonesa, mas como bem sabemos quanto menor o lugar, menor a mentalidade da população, e assim o filme que também trabalha um pouco como muitos são nesse esporte, o preconceito acaba atrapalhando tudo o que estava lindo até descobrirem um algo a mais. Ou seja, é daqueles filmes simples, que aparentemente você não dá nada para ele, mas que acaba ficando tão bonito de ver pela essência em si que agrada bastante, só diria que gostaria de um final mais impactante ou marcante melhor do que apenas a forma simples também colocada na tela, pois valeria um algo a mais.

A sinopse nos conta que numa pacata ilha japonesa, a vida gira em torno da mudança das estações. O inverno é época de hóquei no gelo na escola, mas o jovem e introspectivo Takuya não está muito entusiasmado com isso. Seu verdadeiro interesse está em Sakura, estrela em ascensão da patinação artística. O técnico da jovem, o ex-campeão no esporte Arakawa, vê potencial no garoto e o convida para formar uma dupla com ela para uma próxima competição. À medida que o inverno persiste, os sentimentos aumentam e as duas crianças formam um vínculo profundo e harmonioso. Mas mesmo a primeira neve eventualmente derrete.

O diretor e roteirista Hiroshi Okuyama usou até que bem a canção da dupla folk Humbert Humbert para desenvolver sua trama, de modo que ao final quando toca ela e a legenda mostra a letra da canção vamos relembrando cada momento desenvolvido na tela e a essência que ele desejava passar, de tal forma que o longa entrega sentimentos e envolvimentos de uma maneira sutil e bem encaixada, cheio de nuances bem trabalhadas, aonde vemos claro a beleza do esporte, mas também vemos o quanto muitos enxergam as pessoas de formas bem diferentes, e que claro cheio de pré-conceitos acabam com a alegria de outros. Ou seja, não é um filme com uma pegada difícil de compreender, nem daqueles que você vai se apaixonar por tudo, pois o começo é lento e o final é fraco em cima de tudo o que foi mostrado, mas o miolo é daqueles que você acaba se apaixonando por tudo como o diretor fez.

Quanto das atuações diria que o garotinho Keitatsu Koshiyama soube trazer um brilho no olhar para seu Takuya que num primeiro momento parecia apenas um apaixonado por tudo ao seu redor, mas depois vemos que é da essência do ator, e ele acaba até brincando com isso em cena, o que acaba resultando em um charme divertido de ver. Sôsuke Ikematsu trabalhou seu Arakawa com uma personalidade bem densa e fechada, ao ponto que começou bem sério, com um treinamento mais seco, mas ao se apaixonar pela garra do garotinho, e até se ver nele, vemos sua alegria voltar e até mesmo seu namorado sentir que ele está voltando a ser alguém maior, sendo bonito de ver suas facetas e treinamentos na tela. Já Kiara Takanashi fez de sua Sakura uma jovem ambiciosa, mas fechada demais e com um ciúme exagerado, ao ponto que é notável isso em todos os seus atos, tendo um ou outro ato mais solto na tela, e a atriz soube dosar muito bem isso no estilo da personagem.

Visualmente o longa é lindíssimo, tendo neve para todo lado, os jovens brincando ao seu modo, e claro mostrando bem os dois ringues tanto de patinação quanto de hockey, bem como no calor o ambiente perfeito para o beisebol, ou seja, é um filme com uma pegada esportiva aonde vemos técnicas e movimentos bem colocados na tela, um lago congelado bem bonito e as casas dos personagens de duas linhas bem diferentes, uma mais abastada e preconceituosa e a outra mais pobre e envolvente, que o diretor soube brincar nos ambientes, além do material antigo do treinador quando era atleta, com fotos e tudo mais.

Enfim, é um filme bem gostoso e bonito de ver, que talvez com um fechamento mais amplo do que apenas simbólico agradaria mais, mas ainda assim é bem trabalhado e envolvente de conferir. Então fica a dica para conferir ele nos cinemas a partir do dia 16/01, e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Sinny Assessoria e da Michiko Filmes, então abraços e até logo mais.


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Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa

1/10/2025 01:31:00 AM |

Usando o linguajar do próprio "Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa", que causo aprumado que fizeram com as histórias em quadrinhos de Maurício de Souza, de modo que você entra por completo na trama, se envolve com os personagens, e claro brinca com o imaginário das crianças, de tal forma que tudo é bem didático e desenvolvido na tela. Claro que como as histórias do personagem, a trama ousa desenvolver bastante a cultura do meio ambiente, mas a entrega é tão bem sacada que diverte na tela sem precisar apelar, e o principal, com traquejos e trejeitos da roça, afinal não esperávamos ver personagens limpinhos, falando um português correto e com casos normais, mas sim tudo o que os quadrinhos passavam para nós em nossa infância, e que agora facilmente encantará os pequeninos a entrarem nesse mundo tão distante que é a roça hoje da cidade. Ou seja, é um filme que quebra a quarta parede no começo e no final, que ousa ser diferenciado do padrão usual da comédia nacional, e mais do que isso, não vira uma novelinha infantil na tela, que esse era o maior medo em todos os longas que tem vindo das HQs nacionais, que tirando um só, o restante todos agradaram bastante nesse sentido.

A sinopse nos conta que Chico Bento acorda para mais um dia na Vila Abobrinha focado em conseguir subir em sua amada goiabeira para pegar a fruta sem o dono das terras saber. O que Chico não esperava era que sua preciosa árvore estaria ameaçada pela construção de uma estrada na região, já que, para desenhar a rodovia, será preciso pavimentá-la pela propriedade de Nhô Lau, exatamente onde a goiabeira está plantada. Focado em salvar a árvore, Chico Bento reúne seus amigos Zé Lelé, Rosinha, Zé da Roça, Tábata, Hiro e toda a comunidade para acabar com o projeto da família de Genezinho e Dotô Agripino. Com a turminha se metendo em diversas confusões, Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa traz uma aventura que irá tirar o sossego e a tranquilidade da Vila Abobrinha.

Diria que o diretor e roteirista Fernando Fraiha foi extremamente ousado com a forma que escolheu trabalhar seu filme, pois facilmente nas mãos erradas o longa seria um completo desastre, afinal as crianças poderiam soar artificiais, poderiam lotar de personagens secundários atrapalhando o andamento do protagonista, e até mesmo as histórias em si poderiam ficar cansativas e novelescas, mas ele não, pegou e adaptou algo que se não teve em algum gibi (minha memória não permite uma lembrança desse porte!), facilmente poderíamos ter visto acontecer lá, mas muito mais do que isso, ele conseguiu dentro de uma história funcional apresentar os personagens desde o nascimento do protagonista, ou seja, uma conexão completa com as goiabas, além claro da famosa sacada da grávida não poder passar vontade! Sendo assim, meu pedido maior é que já tendo sido anunciado na CCXP desse ano que farão uma continuação, que deixem o filme nas mãos dele, pois volto a frisar que em mãos erradas o desastre pode ser grande, como vimos o que aconteceu no último "Turma da Mônica  Jovem: Reflexos do Medo" que mudaram tudo que vinha acontecendo de bom, e deu ruim.

Quanto das atuações até poderia perguntar de onde arrumaram um ator tão espontâneo para o papel principal de Chico Bento, mas Isaac Amendoim já era uma "celebridade" com seus vídeos na roça como youtuber, então apenas foi fazer o teste para terem a certeza de que entregaria demais com o texto e não tem como falar que a escolha seria outra, pois ele foi genuíno, soube trabalhar os traquejos e dinâmicas com um sotaque realmente do sítio sem soar forçado, e mesmo não parecendo tanto com o dos quadrinhos ficou muito bonitinho na tela com a roupa, estilo e tudo o que faz, ou seja, perfeito para o papel, e pode esquecer de voltar para a roça, pois agora vai trabalhar muito no cinema. Quanto dos demais atores, diria que todos foram muito bem colocados para as dinâmicas com o protagonista, de modo que não vemos uma cena praticamente sem ele enquadrado na tela, mas se desenvolvendo com todos, porém algo é inegável com o que a equipe de escolha de elenco fez, que foi quase que comprar uma impressora 3D e reproduzir todos diretamente dos gibis, pois ficaram todos sem exceção muito parecidos com os originais, valendo destacar toda a família Lelé pelo visual, e o jovem Pedro Dantas pela entrega com seu Zé Lelé, a professora Marocas vivida por Débora Falabella de modo perfeito e carismático, e mesmo os "vilões" Agripino vivido por Augusto Madeira com um sotaque ultra-caipira-moderno quanto Nhô Lau bem encaixado pelo sempre simpático Luis Lobianco agradaram bastante com o que fizeram.

Visualmente a trama tem uma entrega lúdica incrível, todo o visual das casas simples da roça (praticamente só por fora mostrada todas!), uma ambientação bem do campo, a escola simples ao lado da mercearia, e claro uma goiabeira bem bonita e viçosa, com umas goiabas que fiquei com muita inveja do tamanho e da suculência parecendo estarem deliciosas para o garotinho protagonista comer aos montes, tivemos também um figurino bem característico dos personagens dos gibis, e algumas máquinas de pavimentação e traquitanas que o fazendeiro cria para tentar espantar os garotos de sua goiabeira, ou seja, a equipe de arte trabalhou muito mais na caracterização, e com um pouco mais de simplicidade nos ambientes, mas isso não estragou em nada o longa. Outro detalhe bem maluco ficou a cargo de uma cena lotada de computação gráfica quando o garotinho cai da goiabeira e bate a cabeça, com uma loucura completa de transformações que deu um extra para o filme, ou seja, quase uma animação live-action no meio de tudo, então ousaram bem aqui, mesmo sendo um pouco estranha.

O longa tem uma trilha sonora rural muito bem encaixada, sem muitas canções cantadas, mas com um instrumental bem bacana que nos deixa no clima e uma rádio bem característica de cidadezinhas do interior, ou seja, muito bem sacada a ideia do fechamento.

Enfim, é um filme que não diria que estava com muitas expectativas, mas sim muita curiosidade para o que fariam desde que foi anunciado os testes para o protagonista, mas o acerto foi tão bom que me diverti para valer com o que vi, a garotada saiu feliz da sala, e os pais mais ainda com toda a simplicidade lúdica sem forçar a barra em momento algum, então fica a dica para ir aos cinemas com toda a família. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com muitas dicas no final de semana, então abraços e até logo mais.


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Sebastian

1/09/2025 01:02:00 AM |

Costumo dizer que quando um diretor sabe aonde quer chegar e prepara o público para isso sem precisar correr ou enrolar, já tem seu lugar reservado no Paraíso, pois vemos muitas vezes filmes com propostas tão fáceis e simples que acabam virando monstros pesados e difíceis de digerir, e quando acertam a mão na pegada correta, mesmo o tema mais complexo de trabalhar flui, envolve e pode até ter várias horas que você acaba se envolvendo e sai da sessão pensando que gostoso foi ver isso. E quando me mandaram o material do longa "Sebastian" de cara achei a ideia interessante, porém fiquei com o receio que a temática seria algo que me incomodaria e/ou seria daquelas obras que dificilmente me conectaria com o personagem principal, porém hoje ao conferir vi que o diretor teve uma sensibilidade e o protagonista uma precisão na dinâmica e nos traquejos de seus atos, que ao final o sentimento foi de uma emoção de ter visto algo gostoso e funcional na tela, que mesmo sendo uma trama erótica forte, que ousou mostrar o trabalho de venda do corpo e do prazer, mas não como algo sujo e trabalhoso, mas como uma arte de pesquisa, e assim essa leveza agrada e faz com que muitos comprem a ideia facilmente sem grandes sustos.

O longa nos conta que Max é um jovem de 25 anos que vive como escritor freelancer em Londres trabalhando com artigos para uma revista. Ter um livro publicado fala alto na lista de desejos do rapaz e, então, ele encontra um tema para explorar: o trabalho sexual na internet. Se a vida é um veículo de inspiração para um artista, Max corre atrás das experiências necessárias para desenvolver a trama de seu livro. Com isso, durante a noite, Max vira Sebastian, um trabalhador sexual com um perfil em um site no qual se oferece pagamentos por uma noite de sexo. Com essa vida dupla, Max navega diferentes histórias, vulnerabilidades e os próprios dilemas. Será que esse pseudônimo é apenas um meio para um fim, ou há algo a mais?

É interessante ver o estilo do diretor e roteirista Mikko Mäkelä, pois como disse no começo do texto, ele facilmente poderia ter feito um longa completamente ousado, cheio de nuances e expressões, que ainda transmitiria bem a mensagem, mas de uma forma mais chocante, porém ele soube segurar quase que a timidez e a vergonha (ou a vergonha da vergonha como é falado no filme) que logo que abri sua foto para ver seus trabalhos até pensei que ele fosse o protagonista (ou talvez baseado a trama também em suas experiências), pois ele não quis deixar a experiência/pesquisa do jovem como algo ruim, mas sim o conhecer do que gosta, saber falar do que gosta, pois até no meio da crítica de arte/cinema vemos alguns jornalistas que apenas vão como um mero trabalho, nunca que fosse algo que gostasse de ver realmente, produzir e analisar, e essa dinâmica fica clara que o jovem escrevendo seu livro acaba se conhecendo melhor. E dessa forma o acerto ficou muito bem colocado na tela, pois o longa fica gostoso de conferir, pontua preconceitos tanto exteriores quanto do próprio personagem sobre si, e a escolha artística funciona de forma agradável.

Quanto das atuações, sem dúvida alguma o longa é de Ruaridh Mollica, pois mais do um apenas Max, ele também se entrega como Sebastian, de tal forma que sendo Sebastian ele se reencontra como Max, e isso é brilhante quando vemos atores fazendo duplas de papeis, mas uma enxergando a outra no meio do caminho e se auto-corrigindo, o que acaba mostrando alguém muito experiente na profissão de ator, mas mais do que isso tendo simpatia para que seu personagem dominasse a tela mesmo sendo "tímido" de certa forma, ou seja, perfeita escolha para o papel, e acredito que ainda veremos falar mais dele em outros filmes. Quanto aos demais, temos vários jogos bem encaixados de cada um para talvez estereotipar os tipos de pessoas que contratam profissionais do sexo, e do outro lado os escritores e analistas de livros e revistas, que acabaram sendo muito explícitos nos termos da trama, não fazendo com que tudo tivesse nuances, o que não atrapalha o andar do filme, e principalmente funciona bem como exemplos, valendo dar claro destaques para Jonathan Hyde com seu Nicholas (ou Jonathan para o escritor - o que foi muito bem sacado na fala dele de gostar do nome Jonathan) bem emocional e cheio de sabedoria para encantar o rapaz, e Ingvar Sigurdsson já fazendo o oposto, mais bruto e que explode ao se reconhecer no personagem do livro.

Visualmente a trama tem cenas bem intensas de sexo, mas sem grandes atos explícitos (tirando as imagens dos sites do computador do rapaz), que para alguns pode incomodar, mas que funciona para a proposta, mostrando os diversos tipos de contratantes entre casas mais simples ou apartamentos mais amplos e requintados, hotéis, boates e restaurantes, mas também tendo o vértice mais cultural como a casa do senhor cheia de bons livros e músicas, quadros, e até mesmo as famosas leituras em anfiteatros, ou seja, a equipe de arte foi bem colocada, sem precisar exagerar.

Enfim, não é um filme que muitos terão a ousadia de ver pelo tema ser homossexual, ter cenas de sexo e tudo mais, mas que quem der a chance sem pré-conceitos acabará gostando bastante do longa que já ganhou uma boa quantidade de prêmios em diversos Festivais, então deem a chance. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Mention Assessoria e a Imovision pelo screener incrível, e volto amanhã com mais textos, então abraços e até breve.


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A Semente do Fruto Sagrado (Dâne-ye anjîr-e ma'âbed) (The Seed of the Sacred Fig)

1/08/2025 01:34:00 AM |

Simplesmente chocado com o que vi na tela hoje! Não existe outra expressão para descrever o impacto do longa franco-alemão, "A Semente do Fruto Sagrado", que tem sido a indicação da Alemanha nas diversas premiações, pois é daqueles filmes tão crus, com um tema tão em voga, mas que entregue de maneira sincera brinca com o lado fictício ao mesmo tempo que mostra a realidade no Oriente Médio aonde os conflitos entre religião, rituais e a modernidade se chocam de uma forma que nem mesmo dentro da própria casa as pessoas conseguem se entender. Ou seja, é daqueles filmes que você vai assistir, começará achar tudo meio estranho, com um estilo não muito convencional, mas que vai se abrindo e entregando cada coisa mais imponente que a outra, que quando você vê está envolvidíssimo já esperando por um final também fora dos padrões, mas que aconteceria em qualquer língua ou país que o longa fosse feito, porém que amarra tão bem os 167 minutos que você não conseguirá parar de assistir se for ver em casa quando chegar aos streamings/locações, ou desesperado para acabar no cinema para ir ao banheiro, pois não tem como fugir de tudo. E por incrível que pareça, fiquei pensando se achava algum defeito para colocar, mas não consegui, no máximo uma leve reclamação para as cenas reais em formato pequeno de gravações de celulares, mas funciona para a ideia da trama, então vou falar mais dele abaixo, mas a nota todos já sabem de antemão.

A sinopse nos conta que recém-promovido a juiz de instrução, Iman luta contra a paranoia e o esgotamento mental em meio à agitação política em Teerã causada pela morte de uma jovem. Quando sua arma desaparece, ele suspeita de sua esposa e suas filhas, impondo medidas severas que desgastam os laços familiares.

Diria que o diretor e roteirista Mohammad Rasoulof foi tão ousado com sua proposta que nem sei se conseguirá voltar para o Irã com toda a crítica social que colocou em seu filme, pois a proposta é daquelas que vai contra não apenas a tradição religiosa do país, mas sim a posição política e até policial de lá, ousando dizer coisas que já pelo trailer impactam, e que no filme se desenvolve de uma forma ainda maior, mas que para quem conferir verá algo gigantesco e importante a ser discutido, afinal o mundo mudou, e hoje tradições culturais foram renovadas, de forma que claro não vamos virar tudo de ponta cabeça, mas certas mentalidades devem ser discutidas, e a proposta do diretor foi bem essa, só que apontando o dedo na cara. Ou seja, vemos na trama algo que fascina pela essência, que mesmo sendo longuíssimo não cansa, e principalmente, que funciona na tela, pois não ficou aquele marasmo arrastado que vemos em muitos longas do país, sendo um grande diferencial que tem feito o longa e o diretor a levar vários prêmios mundo afora, claro não como sendo de seu país o Irã, o qual já está sentenciado de prisão, mas sim pela Alemanha. 

Quanto das atuações, é algo que chega a ser difícil imaginar como alguém de fora do país conseguiria passar toda a síntese que vemos no longa, e certamente os atores correram e correrão grandes riscos após terem feito o longa, mas é inegável que o protagonista Missagh Zareh entregou tanta personalidade para seu Iman que sustentou sua paranoia de maneira incrível na tela, ao ponto de que nós também ficássemos paranoicos junto com ele, e isso é uma qualidade de atuação tão precisa que o diretor nem precisou pirar nas cenas, fazendo com que o protagonista chamasse tudo para si e agradasse demais nas suas cenas. Outra que foi muito ousada na entrega foi Soheila Golestani com sua Najmeh no melhor estilo de mãe preocupada com as filhas, mas também cedendo muito ao marido, trabalhando seus trejeitos de uma forma tão suave que mesmo os atos mais explosivos conseguiu dosar a intensidade na tela e agradou com leveza, ou seja, foi precisa e agradou muito. As jovens Setareh Maleki e Mahsa Rostami foram também bem expressivas com sua Sana e Rezvan, tendo a primeira se destacado mais nos atos finais e a segunda segurando todo o miolo da trama, mas sendo diretas e passando muita verdade e realidade nas suas entregas, o que acabou agradando bastante. Quanto aos demais, a maioria deu boas conexões para os personagens em atos mais simples, tirando claro o destaque para a jovem Niousha Akhshi com a cena fortíssima visualmente de sua Sadaf.

Visualmente a trama é interessante por brincar com o tribunal de justiça do país com vários bonecos de papelão parecendo pessoas nas portas, mas passando por trás vários acusados vendados e acorrentados, o refeitório no meio de tudo acontecendo, vemos o apartamento simples da família que acaba sendo revirado para procurar a arma, os detalhes das comidas e da submissão da esposa em fazer tudo para o marido, a roupa como presente, o feitio da barba e do cabelo, e claro toda a discussão do hijab, fora toda a perseguição dos carros nas ruas e na estrada, e o fechamento numa casa isolada nas montanhas quase como uma prisão literalmente e também com o labirinto cênico das ruínas sendo incrível para a cena final. E um detalhe que brinca com a modernidade é a presença do famoso refrigerante em quase todas as refeições.

Enfim, é um filme que estava muito curioso já pelo pôster e pela sinopse, mas estava com muito medo de ser algo lento e cansativo, principalmente pela duração gigante para um filme dramático, mas podem conferir sem medo algum, que vai passar voando na tela, e quando você menos esperar já estará grudado esperando o final que fica evidente do miolo para frente. Então fica a dica para conferida nos cinemas a partir de quinta dia 09/01 quando ele estreia, afinal é um possível longa que se tirar a premiação nossa no Oscar ou no Critics não ficaria desapontado, e eu fico por aqui hoje agradecendo demais o pessoal da Mares Filmes pela oportunidade de conferir a cabine de imprensa, então abraços e até amanhã com mais textos.




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Amazon Prime Video - Meu Eu Do Futuro (My Old Ass)

1/07/2025 12:40:00 AM |

Muitas vezes quando saio caçando um longa para ver nos streamings me pego pensando o que esse que dei play me chamou mais atenção do que o outro que acabei deixando por lá, e que muitas vezes acabarei nem vendo ele com outros que vão chegando, tanto que o longa "Meu Eu Do Futuro" entrou em cartaz na Amazon Prime Video no dia 07 de novembro do ano passado, e desde então marquei para ficar na lista e nem pensava em dar play nele, até hoje ver que está indicado a dois prêmios no Critics Choice (Melhor Comédia e Melhor Ator Jovem) que irá acontecer no próximo domingo, e o resultado foi uma trama gostosa, leve, cheia de boas sacadas e lições, além de ter uma pegada emocionante pela essência em si, ou seja valeu muito o play. Então fica a dica, não é por ser um nome estranho que o longa vai ser estranho também, e que muitas vezes um filme perdido na lista pode salvar a noite de filmes, mas ainda assim vamos continuar aleatoriamente escolhendo sabe-se lá por quais motivos os filmes para dar play.

O longa nos conta que Elliott Labrant, uma jovem de espírito livre, está celebrando seu 18º aniversário quando uma viagem de cogumelos a coloca em uma situação surreal: ela se encontra com seu eu de 39 anos. A versão mais velha de Elliott a aconselha a não se apaixonar, alertando sobre as consequências desse sentimento no futuro. Inicialmente, Elliott acredita que pode ignorar o conselho e continuar sua vida normalmente. No entanto, ao conhecer o rapaz que sua versão mais velha mencionou, ela começa a questionar suas escolhas e o futuro que imaginava. As advertências de sua versão mais madura fazem com que ela repense tudo o que acreditava saber sobre amor, família e sua própria identidade. Em meio a um verão que se revela transformador, Elliott é forçada a reconsiderar seu caminho e as decisões que moldarão seu destino.

Se quase 3 anos atrás falei que a diretora e roteirista Megan Park iria melhorar ainda mais seu estilo, hoje vi que não estava errado e posso continuar acreditando que vai sempre escolher bons estilos para imprimir suas opiniões na tela, de modo que aqui ela foi bem ousada com um roteiro politicamente incorreto, cheio de traquejos que muitos irão julgar e reclamar, mas que no desenvolvimento geral acaba fluindo tão bem com as reviravoltas, que até acabam não incomodando, de modo que algo que parecia ir para algo mais explosivo se verte para situações romantizadas e brinca com ambas as facetas para que o longa jogue para o público a forma que deseja enxergar. Ou seja, o ar cômico não fica preso o tempo inteiro para algo cheio de esquetes como aparenta ser logo no começo, mas ao fluir de forma mais aberta, o resultado acaba divertindo com sutilezas bem encaixadas para algo a mais de se pensar, afinal se o seu eu do futuro viesse lhe dar alguns conselhos, você seguiria ou deixaria tudo rolar? E é bem isso que a diretora deixa claro na sua escolha técnica para seu filme.

Quanto das atuações, a jovem Maisy Stella fez uma brilhante estreia com sua Elliott, de modo que se jogou por completo, brincou com todas as facetas possíveis, beijou muito, se pegou e tudo mais com olhares e trejeitos tão convincentes que parecia estar ultra feliz com o que tinha de fazer em cena, tanto que está concorrendo ao Critics como Melhor Atriz Jovem, e mesmo que não ganhe, é um nome para ficarmos de olho futuramente, pois é bonita, tem talento e estilo, e isso se for bem aproveitado acaba melhorando ainda mais. Até achei que a diretora fosse utilizar mais Aubrey Plaza como a versão de 39 anos da protagonista, mas acabou aparecendo apenas em dois ou três momentos e depois utilizaram apenas sua voz ao telefone, de forma que até trabalhou alguns olhares e dinâmicas bem densas ao final que mostrou o motivo da atriz ser um dos grandes nomes da atuação atual. O jovem Percy Hynes White até foi bem gracioso com seu Chad, tendo uma conexão bem bacana com a protagonista, mas pareceu meio duro, como se tivesse tímido para a câmera, de tal forma que dá vontade de falar prele atacar, mas acredito que isso foi um ponto do personagem, senão teriam mudado o ator com toda certeza. Ainda tivemos outros personagens para dar conexão na história, porém sem grandes chamarizes, valendo apenas alguns envolvimentos de Maria Dizzia como a mãe da garota e Seth Isaac Johnson como o irmão dela, mas não tendo nada que impactasse realmente.

Visualmente a trama teve boas locações em uma cidade na beira de um rio/lago aonde as garotas ficam andando de barcos e parando em deques, indo acampar em uma ilha, usando algumas drogas e viajando com toda a loucura, tivemos atos bem encaixados, porém bem rápidos na plantação de cranberry do pai da garota, e mostrando também uma casa bem decorada, mas simples dentro do estilo, com destaque pela afixação do irmão menor por Saoirse Ronan.

Enfim, é uma trama que realmente não dei nada pelo pôster e pela sinopse, mas que ao dar uma chance de conferida acabei gostando até mais do que pensava, sendo um filme interessante, com uma proposta bem colocada e lições para refletirmos com toda a loucura do roteiro. Então fica a dica para conferirem, e eu fico por aqui hoje, mas amanhã venho com mais um longa que tem aparecido bastante nas premiações, então abraços e até logo mais.


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Mubi - A Besta (La Bête) (The Beast)

1/05/2025 09:21:00 PM |

Demorei um certo tempo para começar a escrever do filme "A Besta", que pode ser conferido dentro da plataforma MUBI, pois diria que fui enganado com muito sucesso pela sinopse interessante do longa, afinal parecia ser algo meio revolucionário, cheio de nuances e dinâmicas, misturando passado, presente e futuro, mas é algo tão lento e confuso que ao acabar a trama fiquei pensando realmente qual era a essência que deveria ter enxergado durante os 146 minutos de exibição. Claro tem toda uma certa crítica social em cima das inteligências artificiais, em cima das gravações falsas com os famosos fundos em chromakey, sobre a falta de sensibilidade nas interações das pessoas com esse modo mais seco, mas ao final fiquei pensando se era necessário algo tão alongado, tão cheio de diálogos sintéticos e tudo mais, para um filme morno e sem explosões ou explicações maiores, e a resposta que me vem é que provavelmente na mente do diretor tinha um algo a mais, só que ao desenvolver acabou se perdendo por completo resultando na coisa morna que vemos na tela.

O longa nos mostra que em um futuro próximo onde as emoções se tornaram uma ameaça, Gabrielle finalmente consegue "purificar" seu DNA em uma máquina que a conecta a vidas passadas, eliminando quaisquer sentimentos fortes. O ano é 2044 e a espécie humana foi substituída por inteligências artificiais que assumiram a maior parte das tarefas e empregos. Durante o processo de purificação, Gabrielle encontra Louis e sente uma conexão poderosa, como se o conhecesse desde sempre. Um melodrama que se desenrola em três períodos distintos, 1910, 2014 e 2044.

O diretor e roteirista Bertrand Bonello até trabalhou seu longa de um modo efetivo interessante de ver, conseguiu criar uma produção mista de época e "futurística" sem precisar ousar, mas como disse acima se perdeu por completo ao desenvolver a história, de modo que ao final você acaba ficando sem saber exatamente o que ele queria mostrar a mais com toda essa loucura. Claro que um ponto também negativo da produção é a lentidão de tudo na tela, pois a trama de quase duas horas e meia parece ser muito maior pelo ritmo quase sem cadência, ao ponto que ficou faltando dar uma densidade mais intensa e chamativa, apresentar mais quais foram os problemas que a garota viveu em 2025 no mundo (para pensarmos no que veremos nesse ano), e tudo mais. Ou seja, é daqueles filmes arrastados que falta mais explicação na tela do que realmente aconteceu, que talvez no roteiro até fique melhor de entender, mas que não sendo mostrado o resultado acaba ficando falso demais para conectar o público, e assim frouxo demais para empolgar.

Quanto das atuações, gosto muito do estilo de Léa Seydoux, e aqui sua Gabrielle foi cheia de estilo e desenvoltura tanto falando em inglês quanto em francês, sendo bem clássica em 1910 e tensa demais em 2044, ao ponto de parecer até duas mulheres completamente diferentes, o que acaba sendo interessante de ver, de tal forma que no que dependesse dela, o longa iria bem longe. Da mesma forma George MacKay trabalhou seu Louis com muita entrega, sendo meio até maníaco de estilo, mas que tendo uma boa personalidade acaba chamando muita atenção na tela, ao ponto que talvez pudessem ter dado para ele melhores diálogos, mas não incomodou com o que fez. Por incrível que pareça, o longa até tem mais personagens, mas ficaram tão em segundo plano que nem se dão ao trabalho de querer aparecer, e assim o resultado foca mesmo só nos dois protagonistas.

Visualmente a equipe de arte gastou bastante, pois trabalhar três épocas bem diferentes fez o orçamento ir lá para a estratosfera, de modo que vemos a classe das festas do passado, com roupas luxuosas e toda uma dinâmica imponente dos ambientes, exposições e tudo mais, no presente vemos o medo de terremotos, casas cheias de câmeras e festas das antigas, e no futuro tudo sendo gravado com paredes verdes de chromakey, banhos de gosma preta e situações bem irreais através claro de realidades virtuais, ou seja, a equipe de arte brincou bastante com tudo, mas ainda que seja uma praga, não consegui enxergar uma besta em um pombo, então ficou meio falso nesse sentido, mesmo tendo a história da morte quando aparece.

Enfim, é um filme que ficou mediano demais, que talvez alguns enxergue algo além nas suas reflexões, mas que não consegui captar isso, e dessa forma acabo nem recomendando muito ele para outras pessoas, pois o resultado é mais estranho do que inteligente, e isso peca na entrega final. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, afinal tem Globo de Ouro mais tarde na TV, então abraços e até logo mais.


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Nosferatu

1/04/2025 02:43:00 AM |

Um dos poucos longas clássicos que lembro de ser estranho, mas ter se interessado é "Nosferatu" (1922), de modo que fiquei curioso quando falaram que teria uma refilmagem mais moderna, pois é algo de época que não funcionaria se tirassem o ar estranho da trama, mas quando vi que o diretor seria Robert Eggers, que desconheço um longa normal seu, já fiquei mais tranquilo, pois certamente viria toda a estranheza na essência e que facilmente causaria muito impacto visual. Dito e feito! Hoje ao conferir o longa vi toda a densidade gótica da produção nos ambientes, nas tonalidades da fotografia, e até mesmo no contexto de época brincando com pragas (que o diretor completamente maluco não quis computação!) e fazendo assim uma trama que impactasse no público atual, que para meu espanto lotou uma sessão das 22hs para conferir o longa legendado, ou seja, é só fazer filme bom que o povo vai conferir. Claro que poderia ser muito melhor colocando mais cenas com sangue, pois relevaram bem para uma trama com vampiros, tendo apenas uma cena forte realmente com o pombo, poderia ser uns 20 a 30 minutos menor que ainda teria a mesma densidade, e talvez causar mais com as expressões dos protagonistas, pois pareciam felizes em morrer, mas tudo isso é opinião crítica, pois de modo geral o longa não decepciona o original e certamente fará com que muitos procurem por ele para conferir (que vou ser bonzinho e deixar o link) e comparar. 

A história se passa nos anos de 1800 na Alemanha e acompanha o rico e misterioso Conde Orlok na busca por um novo lar. O vendedor de imóveis Thomas Hutter fica responsável por conduzir os negócios de Orlok e, então, viaja para as montanhas da Transilvânia para prosseguir com as burocracias da nova propriedade do nobre. O que Thomas não esperava era encontrar o mal encarnado. Todos ao seu redor lhe indicam abandonar suas viagens, enquanto, longe dali, Ellen é continuamente perturbada por sonhos assustadores que se conectam com o suposto homem que Thomas encontrará e que vive sozinho num castelo em ruínas nos Cárpatos. A estranha relação entre Ellen e a criatura a fará sucumbir a algo sombrio e tenebroso.

Posso dizer sem sombra de dúvidas que não sou nenhum fã do diretor Robert Eggers, tanto que tirando "O Homem do Norte" que pra mim é sua melhor obra, os demais filmes tirando a tensão e o contexto visual acho todos superestimados, mas justamente por esses motivos que ele é muito bom, e pela temática do filme precisar ser superestimada, com toda certeza ele era a melhor opção para adaptar o roteiro tanto da versão de 1922 quanto do livro de Bram Stoker para algo seu realmente, aonde não víssemos nenhuma das duas obras na tela, muito menos as outras trágicas tentativas de fazer homenagens que tivemos nesses 103 anos. Ou seja, a estranheza do diretor combinava com o que a produção pedia, e ele honrou isso, pois é daqueles filmes que ou você vai amar ou odiar o que verá na tela, mas ainda assim vai se lembrar daqui muitos anos se alguém perguntar uma trama clássica de vampiro, irá falar aquele com um estilo meio acinzentado, com um bichão estranho com voz estranha numa cidade estranha, aonde a mulher está surtada pelo bichão, e assim já faz valer o nome.

Quanto das atuações, já sendo direto tenho pena do Bill Skarsgård, pois praticamente não arrumam um papel legal para ele fazer sem colocar cinco toneladas de maquiagem, e mesmo nos filmes que trabalhou de cara limpa, tem lá cortes, ou alguma coisa para que ele não seja normal, mas inegavelmente o cara é fera no que faz, pois encontrou um tom de voz perfeito para o papel e seus movimentos mesmo que aparecendo pouco na tela conseguem causar tensão, ou seja, fez um Conde Orlok com primor na tela. Nicholas Hoult trabalhou seu Thomas com uma personalidade meio que espantada demais, tudo com um ar muito excessivo, de modo que quando possuído pelo vampiro pareceu um bebê chorão se borrando, e quando vai enfrentar na cidade é todo valentão explosivo, ou seja, poderia ter encontrado um meio termo para convencer melhor, mas é seu estilo, então fez o que sabe. Nos primeiros atos me senti incomodado com a atuação de Lily-Rose Depp para sua Ellen, ao ponto que já estava quase me convencendo que Kristen Stewart fez uma boa atuação nos filmes vampirescos que é melhor nem citar, mas quando põe pra valer tudo no miolo, a atriz se jogou e mostrou atitude e chamou atenção, ou seja, conseguiu melhorar durante o longa e agradou. Ainda tivemos outros bons atores, com claro destaque para Willem Dafoe com seu expansivo e cheio de ideias malucas Prof. Von Franz, Ralph Ineson bem colocado como Dr. Siever, e até Aaron Taylor-Johnson irreconhecível com seu Friederich Harding, mas sem dúvida quem se jogou no personagem sem medo do estranho e valeria até mais cenas foi Simon McBurney com seu Knock completamente surtado e devoto ao bichão.

Visualmente venho aqui aplaudir o que vi na tela, pois está lindo, ao ponto que em diversos atos que foram feitos para a tela Imax (é notável ficar meio quadrado na tela), o cenário fica do chão até o teto para que você deslumbre olhando tudo aquilo, mostrando que o diretor não quis enfiar seu elenco numa tela verde e seja feliz, mas foi para castelos gigantes no meio do nada, para vilas que ainda se mantiveram com ambientações góticas, pegou e alugou uma tonelada de ratos para que ficassem correndo no meio dos protagonistas e figurantes (e aí de quem saísse gritando, tinha de atuar de forma plena), caprichou nos figurinos e falou para o diretor de fotografia: "se vira com a iluminação, mas quero o mínimo de luz em tudo, e tudo tem de aparecer!", ou seja, é daquelas obras que quem gosta de uma boa produção vai se apaixonar e é capaz até de esquecer a história que está vendo ali, mas que se comprassem alguns litros a mais de sangue artificial ficaria perfeito, faltando apenas isso para assinar maravilhoso.

Enfim, gostei mais do que imaginava que gostaria, mas também reclamei mais do que achei que reclamaria da obra, sendo algo que como disse acima lembrarei bastante do que vi na tela, mas que faltou detalhes para a perfeição, e isso pesa numa produção desse tamanho, então digo que vale a conferida pela essência inteira, se você for fã de clássicos do terror, e que não vai esperando se assustar ou se impressionar com o que verá na tela, pois não é esse o estilo aqui, mas que recomendo por todo o demais que falei acima. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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